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A presença da tecnologia já afetou, de maneira

positiva, diversas áreas da sociedade. Segundo Marcelo


Mejlachowicz, CEO e cofundador da Veduca, a educação
é um dos setores que possui mais oportunidades para
usar a tecnologia de uma forma disruptiva.

Conhecida como EdTech, essa nova forma de abordar


a educação utiliza o poder da tecnologia para oferecer
uma forma inovadora de aprendizagem. Processos
burocráticos serão simplificados e gerenciados de
forma mais eficiente, dando aos professores mais
tempo para focar nas necessidades de cada aluno.

“O ensino híbrido, por exemplo, permite que você mude


a dinâmica da sala de aula e transforme em algo mais
atrativo para os alunos dessa nova geração. Nele, os
alunos estudam a teoria online e usam o tempo com
o professor para conversar e tirar dúvidas”, diz Marcelo.

Por: Isabella Câmara


Design: Caroline Oliveira
Esse tipo de abordagem está gerando bons resultados
dentro das salas de aula. De acordo com um estudo
realizado por pesquisadores americanos, universitários
submetidos a aulas tradicionais são mais propensos à
reprovação do que alunos em contato com métodos
de aprendizado mais estimulantes, como o ensino
híbrido. Além disso, a análise mostra que abordagens
que transformam os alunos em participantes ativos, ao
invés de apenas ouvintes, impulsionam notas em cerca
de 6%.

Para Lucas Gomes, Diretor de Produto e Crescimento


da Quero Educação, os benefícios da implementação
de tecnologia na educação são muito maiores do que
as dificuldades. “A tecnologia permite que mais pessoas
tenham acesso à educação, além de fornecer, de forma
customizada, informações específicas para cada tipo
de pessoa. Isso tem um impacto muito importante no
aprendizado que a pessoa tem”, afirma ele.
De acordo com Marcelo Mejlachowicz, apesar da
tecnologia trazer uma capacidade de pensar diferente,
é necessário apostar em uma adoção inteligente dessas
inovações. “Nós temos que tomar cuidado quando
falamos de tecnologia e soluções para educação
porque elas não resolvem todos os problemas. A
tecnologia ajuda a gente a pensar de formas diferentes
e potencializa a aprendizagem, mas não faz nada
sozinha”, defende.

Segundo Samir Iásbeck, CEO e fundador da Qrânio,


a tecnologia em prol da educação está muito mais
avançada do que a capacidade das escolas de
adotarem soluções inovadoras. “Há um tempo atrás
algumas universidades distribuíam um tablet quando
o aluno fazia sua inscrição, mas depois não sabia o que
fazer com ele dentro da sala de aula e ainda corria o
risco de alguns professores proibirem o uso... Então fica
uma contradição em relação a tecnologia”, afirma ele.

Apesar disso, o ensino online não passa pelas


mesmas dificuldades, utilizando a tecnologia de forma
assertiva e considerado uma das tendências do setor
de educação. “O EAD deixou de ser algo exclusivo e
passou a fazer parte do processo de aprendizado. Daqui
a pouco a gente não vai ver a diferença entre o EAD e o
presencial. Ninguém vai chegar em você, por exemplo,
e perguntar se você fez EAD ou se foi presencial... Você
simplesmente estudou”, defende Mejlachowicz.
O crescimento desse novo setor será significativo
nos próximos anos. De acordo com um estudo da
EdTechXGlobal, o mercado de tecnologia de educação
crescerá 17% ano a ano a fim de atingir US$ 252 bilhões
até 2020.

O Brasil, segundo um relatório da Potencia Ventures


e do Instituto Inspirare, é um cenário promissor para a
propagação dessas EdTechs. Com base no contexto
educacional de seis estados brasileiros – Alagoas,
Bahia, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro e São
Paulo – cerca de 190 organizações, em sua maioria
startups, desenvolvem produtos e soluções inovadoras
voltados para o ensino.

Além disso, o Brasil é um local propício, pois detém


elevados números – por volta de 200 mil instituições
de ensino, 50 milhões de estudantes e 2 milhões de
professores –, e apresenta um sistema educacional
carente e repleto de desafios. “A gente tem um
problema de acesso à informação gigante e a taxa de
pessoas que tem ensino superior é uma das menores
do mundo. Então, o que não falta aqui é oportunidade”,
diz Marcelo.
QUAIS SÃO OS BENEFÍCIOS
DA TECNOLOGIA NA EDUCAÇÃO?
Aprimora a qualidade da educação
O uso de soluções tecnológicas nas escolas agiliza
as atividades e proporcionam novos caminhos para o
ensino ao criar novas metodologias e aperfeiçoar o
processo educacional. Além disso, o ambiente escolar
é ampliado para fora do horário da aula, melhorando
a produtividade da lição de casa.

A tecnologia também contribuirá para que o Índice


de Desenvolvimento da Educação Básica no Brasil
(Ideb) alcance, em 2022, a meta de 6,0 proposta pelo
Ministério da Educação (MEC).

Estimula a criação e cria novas competências


De acordo com a Unesco, os estudantes
aprendem mais quando usam a tecnologia para criar
novos conteúdo de forma independente, ao invés
de serem somente receptores. Além disso, quando
o conteúdo é passado de forma atraente e dinâmica
os alunos tendem a ter um interesse maior e buscar
novas formas de resolver possíveis problemas.

No Chile, por exemplo, alunos do ensino fundamental


participaram de um projeto cujo objetivo era valorizar
os povos nativos. Os estudantes pesquisaram,
criaram, gravaram e editaram seu próprio vídeo
contando a história da etnia escolhida. Além de
estimular novas experiências por meio de uma
cultura digital, a tecnologia desperta a curiosidade e
constrói novas competências que contribuirão para o
desenvolvimento do aluno no futuro.
Melhora o desempenho dos alunos
A implementação de novas soluções no ambiente
escolar contribui para a diminuição dos índices de
reprovação e evasão escolar. Ao utilizar plataformas
online, os professores são capazes de desenvolver
uma educação personalizada, facilitando o ensino
de acordo com a região e com os pontos fortes e
fracos de cada aluno.

Uma pesquisa realizada pela Unesp mostra que o uso


de soluções educativas personalizadas melhora em
25% o desempenho dos estudantes em matemática e
física em comparação aos conteúdos trabalhados de
forma expositiva. O estudo foi desenvolvido durante
dois anos e avaliou o rendimento de 400 alunos de
uma escola estadual no interior de São Paulo.

Aproxima alunos e professores


De acordo com o documento da Unesco, a ideia
de o computador substituir o docente e oferecer
automaticamente a informação aos estudantes gera
resultados pobres.

Ou seja, a tecnologia não pode substituir o trabalho


do professor, mas sim agregar valor a ele. Com ela, o
professor começará a atuar como um mediador cuja
função é orientar os alunos, identificar qual dispositivo
é melhor para cada situação e dar feedback de acordo
com a necessidade dos estudantes. Além disso,
com a tecnologia nas escolas, é possível aumentar
a integração e o diálogo entre alunos e professores
uma vez que ambos são capazes de aprender juntos.
QUAIS INOVAÇÕES ESPERAR PARA
A EDUCAÇÃO NO FUTURO?
Inteligência Artificial

Segundo um relatório da Pearson, a inteligência


artificial transformará positivamente a educação: “A
próxima geração oferecerá um enorme potencial
para o futuro da educação [...]. Os professores podem
acompanhar e apoiar cada aluno durante os estudos
– dentro e fora da escola, por meio da tecnologia em
nuvem acessada por múltiplos dispositivos”.

Um exemplo é o do professor Ashok Goel, que a fim


de melhorar o aproveitamento do seu curso online
no Instituto de Tecnologia da Geórgia, contava com
a ajuda de uma assistente, Jill Watson. Sua função
era responder cerca de 10.000 mensagens enviadas
pelos alunos em fóruns relacionados ao tema da
disciplina, auxiliando estudantes de pós-graduação
com questões de rotina. Mas Jill na verdade era um
robô – uma versão avançada do Watson, da IBM –
programada para compreender questões complexas,
analisar dados e apresentar respostas e soluções.

Outra plataforma que utiliza a inteligência artificial é o


Geekie, um software brasileiro que, ao interagir com o
estudante, traça um plano de estudos personalizado
levando em consideração os pontos fortes e fracos
de cada aluno. Entenda como funciona:
Impressão 3D

Professores estão transformando a dinâmica


vigente, na qual os alunos apenas consomem o
conteúdo, ao empregar impressoras 3D como
ferramenta pedagógica. O uso desse tipo de
equipamento revolucionará os ambientes de ensino
e otimizará o papel do professor ao inserir mais
didática, interatividade e dinamismo nas aulas.

A implementação dessa tecnologia estimula o


aprendizado colaborativo, aumenta a exposição à
resolução de problemas, desenvolve habilidades
requeridas no mercado de trabalho futuro, produz
novos conhecimentos e aumenta o envolvimento do
aluno ao colocá-los diante de novos desafios.

No Japão, uma escola utiliza a tecnologia de


impressão 3D para auxiliar crianças com deficiência
visual na realização de pesquisa e na exploração de
um universo que, caso não fosse a impressora 3D,
não seria apresentado a elas. A impressora, que faz
parte do projeto “Hands on Search”, é acionada por
comandos de voz e dá as crianças a oportunidade
de tocar objetos que elas não podem ver.
Realidade virtual
A realidade virtual está se tornando uma
importante aliada da educação. Devido ao alto
impacto visual, diversas instituições de ensino já
estão apostando na realidade virtual para aumentar
o engajamento dos alunos e tornar as aulas mais
interessantes. A experiência educacional oferecida
pela realidade virtual permite que o aluno visualize o
seu próprio ambiente, como a sala de aula, mesclado
a objetos virtuais.

Segundo a Diretoria de Políticas de Formação,


Materiais Didáticos e de Tecnologias para a
Educação Básica do MEC, para melhorar a fixação
dos conteúdos apresentados em aula é essencial
proporcionar experiências que aproximem o aluno
da prática. Logo, com a implementação da realidade
virtual o processo de aprendizagem se tornaria mais
concreto e próximo à prática.

A Beenoculus, por exemplo, desenvolveu uma


metodologia de ensino chamada “Educação Imersiva
em Primeira Pessoa” que promete transformar
o ensino formal, técnico e profissionalizante no
Brasil. A ferramenta transforma o smartphone em
um ambiente de realidade virtual por meio de
um aplicativo ou vídeo, utilizando uma máscara
conectada ao celular. Além do ensino em primeira
pessoa, a Beenoculus aproxima a teoria da prática,
personaliza a experiência do estudante, incentiva a
curiosidade e, principalmente, democratiza o ensino.
De acordo com Marcelo Mejlachowicz, a realidade
virtual é a melhor ferramenta para gerar empatia entre
estudantes e educadores uma vez que ela permite que
uma pessoa viva a experiência de outra. Mas, segundo
o especialista, é preciso cuidado na hora de adotar
essa tecnologia.

“O potencial que a realidade virtual tem na educação


é gigantesco. Mas nós temos que entender todo o
processo de aprendizado para entender como essa
tecnologia vai afetar o aluno. Temos que fazer um
trabalho pedagógico muito grande para descobrir com
isso vai ser usado da melhor forma”, conta.
Gamificação

A gamificação, que aplica conceitos de jogos em


outras atividades, engaja os alunos a resolverem
problemas reais, aprimora o aprendizado, desperta
a curiosidade e estimula o pensamento analítico e
o desenvolvimento de novos conhecimentos. De
acordo com Samir Iásbeck, a gamificação leva o
aluno a um aprendizado por consequência e, por
conta disso, acaba sendo mais divertido.

Além disso, a gamificação estimula os alunos


a se envolverem no processo de aprendizagem ao
explicar um conceito amplo por meio de uma série
de elementos menores. No método, utilizado pela
Qrânio, os alunos recebem um feedback imediato
sobre suas respostas, medem seu progresso
por meio da coleta e armazenamento de dados,
ganham recompensas ou premiações e constroem
seu conhecimento sobre o tema abordado de uma
maneira mais dinâmica.

Os chamados serious games transformam a


educação em algo mais leve e fluído para os alunos.
Porém, quando desenvolvido de forma incongruente
para o público, a gamificação pode não ser efetiva.
“Não tem porque você fazer um jogo de console
ou de RPG para ensinar alguma coisa para um
determinado público, se esse público não gosta
desse tipo de jogo”, defende Samir.
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