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s e d e r - z e r a i m

M I S H N Á
B E R AC H OT
Centro de Estudos Cabalísticos A Luz da Cabala
Recife – Pernambuco - Brasil
CNPJ 23032587/0001-16

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Shas
Seis Ordens da Mishná

ZERAIM MOED NASHIM


Berachot Shabat Yevamot
Peá Eruvin Ketubot
Demai Pesachim Nedarim
Kilayim Shekalim Nazir
Sheviit Yomá Sotá
Terumot Sucá Guitin
Maassrot Beitzá Kidushin
Maasser Sheni Rosh Hashaná
Chalá Taanit
Orlá Meguilá
Bikurim Moed Katan
Chaguigá

NEZIKIM KODASHIM TAHOROT


Bava Kama Zevachim Kelim
Bava Metziá Menachot Oholot
Bava Batra Chulin Negaim
Sanhedrin Bechorot Pará
Macot Arachin Tahorot
Shevuot Temurá Mikvaot
Eduyot Keritot Nidá
Avodá Zará Meilá Machshirin
Pirkei Avot Tamid Zavim
Horayot Midot Tevul Yom
Kinim Yadayim
Oktzin
Seder Zeraim

M I S H N Á
B E R AC H OT

Por Rabi Yehudá Hanassí


Berachot (Bênçãos) pertence à primeira
ordem, Zeraim (sementes) e discute as regras
de bênçãos e orações, particularmente o
Shemá, Amidá e bênçãos alimentares.
Consiste em nove capítulos.
Capítulo 1
Mishná Berachot

MISHNÁ 1

A partir de quando uma pessoa pode recitar


o Shemá à noite? A partir do momento em
que os Cohanim vão comer sua Terumá
[produto consagrado para o consumo
sacerdotal], até o final da primeira vigília -
assim diz Rabi Eliezer. E os sábios dizem:
Até a meia-noite. Raban Gamliel diz: Até
o amanhecer. Uma vez aconteceu que seus
filhos [de Raban Gamliel] vieram de uma
festa. Eles disseram-lhe: Nós não recitamos
o Shemá. Ele lhes disse: Se a aurora não se
rompeu, vocês estão obrigados a recitá-lo.
E [isso é verdade] não apenas neste caso;
em vez disso, em todos os casos em que
os Sábios disseram que [alguns preceitos
só podem ser realizados] até a meia-noite
8
Mishná Berachot

- seus preceitos ainda estão em vigor até o


raiar do dia. [Por exemplo:] A queima das
gorduras e membros [dos sacrifícios, no
altar do Templo] - seus preceitos [podem
ser realizados] até o raiar do dia. E [outro
exemplo:] todos [os sacrifícios] que podem
ser comidos por um dia - seus preceitos
[de comê-los podem ser executados]
até o raiar do dia. Se é assim, por que os
sábios disseram “até a meia-noite”? Para
distanciar uma pessoa da transgressão.

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Mishná Berachot

MISHNÁ 2

A partir de quando uma pessoa pode


recitar Shemá pela manhã? Desde quando
se pode distinguir entre o Techélet [lã azul-
turquesa] e o branco. Rabi Eliezer diz: [O
tempo mais cedo para o Shemá é quando
se pode distinguir] entre o Techélet e a
cor do alho-poró, e é preciso terminar de
recitá-lo ao nascer do sol. Rabi Yehoshua
diz: [Uma pessoa pode recitar o Shemá]
até as três horas proporcionais [do dia],
pois assim é a maneira dos filhos dos reis,
levantar na terceira hora. Se uma pessoa
recita o [Shemá] mais tarde que isto, ele
não perdeu [nada, mas é como] aquele que
lê a Torá.

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Mishná Berachot

DISTINÇÃO

Chachamim
(Sábios)

“Branco” “Techélet”

Rabi
Eliezer

“Alho-poró” “Techélet”

11
Mishná Berachot

MISHNÁ 3

Beit Shamai [a escola de Shamai] diz: À


noite, todas as pessoas devem se reclinar e
recitar [o Shemá], e de manhã devem ficar
de pé, já que diz [no verso - Devarim 6:7],
“Quando deitares e quando levantares.”
Mas Beit Hilel [a escola de Hilel] diz: Cada
pessoa pode recitar da maneira (postura)
usual, já que é dito (ibid.),“E quando andares
pelo caminho.” Se é assim, por que se diz
“Quando deitares e quando levantares”?
- [Isso significa:] no momento em que as
pessoas estão se deitando e no momento em
que as pessoas estão se levantando. Disse
Rabi Tarfon: “Certa vez estive viajando na
estrada, e reclinei para recitar [o Shemá]
de acordo com a opinião de Beit Shamai,
12
Mishná Berachot

e [ao fazê-lo] eu me coloquei em perigo


de [ataque por] bandidos. Eles [os outros
Sábios] disseram-lhe: “Você merecia ser
culpado por seu próprio destino, já que
você foi contra a visão de Beit Hilel.”

13
Mishná Berachot

MISHNÁ 4

De manhã, abençoa-se duas vezes antes


dele [do Shemá] e uma depois dele,
enquanto que à noite duas vezes antes e
duas vezes depois dele, uma [benção] longa
e outra curta. Onde disseram para fazer a
[bênção] longa, não pode-se encurtá-la.
[Onde disseram] para fazer a [bênção]
curta, não pode-se alongá-la. [Onde eles
disseram] para concluí-la, não pode-se
omitir a conclusão. [Onde eles disseram]
para não concluir, não pode-se concluir.

14
Mishná Berachot

MISHNÁ 5

É preciso mencionar o êxodo do Egito


durante a noite. Rabi Elazar ben Azaryá
disse: “Eis que sou como um homem de
setenta anos, mas não consegui vencer [o
argumento contra os outros sábios] sendo
o êxodo do Egito recitado à noite, até que
Ben Zomá o derivou [de um Fonte bíblica].”
“[Ele derivou da seguinte forma:] Ele diz
(Devarim 16.3): “Para que você se lembre
do dia em que você deixou o Egito por
todos os dias da sua vida.” “Então, ‘dias da
sua vida’” significa os dias; ‘Todos os dias
da sua vida’ [inclui também] as noites.”
Mas os sábios dizem: “Dias da sua vida”
significa este mundo; “Todos os dias da sua
vida” inclui também a era de Mashiach.
15
Capítulo 2
Mishná Berachot

MISHNÁ 1

Se uma pessoa estava lendo [o texto do


Shemá] na Torá, e chegou a hora de recitar
[o Shemá]: Se ele dirigiu sua mente [e
pretendeu cumprir sua obrigação de recitar
o Shemá enquanto o leu], ele cumpriu sua
obrigação. E se não, ele não cumpriu sua
obrigação. Nos intervalos [entre as seções
do Shemá], pode-se saudar em honra e
retornar uma saudação, e no meio [de
uma seção], pode-se saudar por medo
e retornar uma saudação. Estas são as
palavras de Rabi Meir. Rabi Yehudá diz: No
meio, pode-se saudar por medo e retornar
uma saudação de honra, e nos intervalos,
pode-se saudar em honra e devolver uma
saudação a qualquer pessoa.
17
Mishná Berachot

MISHNÁ 2

Estes são os intevalos da seção: Entre


a primeira e a segunda bênção, entre a
segunda bênção e o Shemá, e entre o
Shemá e ‘Vehayá im shamoa’ [segundo
parágrafo do Shemá], entre ‘Vehayá im
shamoa’ e ‘Vayomer’ [terceiro parágrafo do
Shemá], entre ‘Vayomer’ e ‘Emet veyatsiv’
[a bênção após o Shemá]. Rabi Yehudá diz:
Entre ‘Vayomer’ e ‘Emet veyatsiv’ - não se
pode fazer uma pausa. Rabi Yehoshua ben
Korchá disse: Por que o Shemá precede
‘Vehayá im shamoa’? De modo que alguém
possa aceitar o jugo do reino dos céus
primeiro, e depois disso aceitar o jugo
dos mandamentos. E [por que] ‘Vehayá
im shamoa’ [precede] ‘Vayomer’? Porque
18
Mishná Berachot

Vehayá im shamoa se aplica durante o dia


e à noite, e Vayomer só se aplica durante o
dia.

19
Mishná Berachot

MISHNÁ 3

Aquele que recita o Shemá, mas não o


torna audível ao seu ouvido, cumpriu sua
obrigação. Rabi Yosei diz: Não cumpriu
sua obrigação. Aquele que recita, mas
não articula cada letra: Rabi Yosei diz:
cumpriu sua obrigação. Rabi Yehudá diz:
Não cumpriu sua obrigação. Aquele que
recita fora de ordem - não cumpriu sua
obrigação. Aquele que recita e comete um
erro - deve retornar ao local onde cometeu
o erro.

20
Mishná Berachot

MISHNÁ 4

Os trabalhadores podem recitar [o Shemá]


em cima de uma árvore ou em cima de uma
parede de pedras, o qual eles não estão
autorizados a fazer para [recitar a oração
de Shemonê Esrê - (Amidá)].

21
Mishná Berachot

MISHNÁ 5

Um noivo está isento de recitar o Shemá na


primeira noite, até a noite de Shabat, se ele
não tiver feito a ação. Uma história sobre
Raban Gamliel que recitou [o Shemá]
na primeira noite em que ele se casou.
Seus alunos disseram-lhe: você não nos
ensinou, rabêinu, que um noivo está isento
de recitar o Shemá na primeira noite? Ele
disse-lhes: Não os escutarei, para remover
o reino dos céus de mim por uma só hora.

22
Mishná Berachot

MISHNÁ 6

[Raban Gamliel] lavou-se na primeira


noite depois que sua esposa morreu. Seus
alunos disseram-lhe: você não nos ensinou,
rabêinu, que um enlutado é proibido de
lavar-se? Ele disse-lhes: Eu não sou como
as outras pessoas. Eu sou delicado.

23
Mishná Berachot

MISHNÁ 7

E quando Tavi, [o escravo de Raban


Gamliel], morreu, ele recebeu palavras de
conforto para ele. Seus alunos disseram-
lhe: você não nos ensinou, rabêinu, que
não se recebe palavras de conforto pelos
escravos? Ele disse-lhes: Meu servo Tavi
não era como outros servos. Ele era Casher
[aceitável].

24
Mishná Berachot

MISHNÁ 8

Se um noivo quiser recitar o Shemá na


primeira noite, ele poderá recitá-lo. Raban
Shimon ben Gamliel diz: Nem todo mundo
que quer tomar o Nome [Divino] pode
tomá-lo.

25
Capítulo 3
Mishná Berachot

MISHNÁ 1

Uma pessoa que tem um morto diante


de si, está isento de recitar o Shemá, de
recitar Shemonê Esrê e de usar tefilin.
Os portadores da mortalha e seus
substitutos e os substitutos dos substitutos,
independentemente de estarem na frente
ou na parte de trás do caixão: aqueles
que são necessários para transportar o
caixão estão isentos, e aqueles que não
são necessários para transportar o caixão
são obrigados [a recitar o Shemá]. Estes e
aqueles estão isentos de recitar o Shemonê
Esrê.

27
Mishná Berachot

MISHNÁ 2

Quando eles enterrarem o morto e


retornarem: Se eles puderem começar e
terminar antes de chegar ao [lugar onde
eles permanecem em uma] fila, eles devem
começar. Se não, eles não devem começar.
Quanto aos que estão em fila, os que estão
do lado de dentro estão isentos e os que
estão do lado de fora são obrigados.

28
Mishná Berachot

MISHNÁ 3

Mulheres, escravos e menores estão


isentos de recitar o Shemá e dos tefilin e
são obrigados a [recitar] Shemonê Esrê
e [afixar a] Mezuzá e [recitar] Bircat
HaMazon.

29
Mishná Berachot

MISHNÁ 4

Um Baal Keri [alguém sujeito a uma certa


forma de impureza ritual] deve recitar o
Shemá em sua mente e não deve abençoar
[suas bênçãos], nem antes e nem depois
dele. E na comida ele deve abençoar depois
e não abençoar antes dela. Rabi Yehudá
diz: Ele deve abençoar antes e depois deles
[do Shemá e da comida].

30
Mishná Berachot

MISHNÁ 5

Se ele estava em pé em reza e lembrou que


ele é um Baal Keri, ele não deve parar, mas
sim abreviar [a reza]. Se ele desceu para a
imersão, se for capaz subir e de se cobrir, e
recitar [o Shemá] antes e fazê-lo antes do
nascer do sol, ele deve subir, cobrir-se e
recitar. E se não, ele deve se cobrir em água
e recitar. Mas ele não deve se cobrir em
águas sujas e não em águas de imersão [de
linho] até que ele coloque mais água nelas.
E até que ponto ele deve se distanciar delas
e de excremento? Quatro cúbitos.

31
Mishná Berachot

MISHNÁ 6

Um Zav [alguém sujeito a uma certa forma


de impureza ritual] que viu uma emissão
seminal, e uma Nidá [alguém sujeito a
uma forma diferente de impureza ritual] -
que derramou sêmen de relações sexuais,
e uma mulher que teve relações sexuais
que viu sangue menstrual, requer imersão
[ritual]. E Rabi Yehudá os isenta.

32
Capítulo 4
Mishná Berachot

MISHNÁ 1

Shacharit [pode ser dito] até o meio dia.


Rabi Yehudá diz, até a quarta hora do dia.
Minchá [pode ser dito] até o anoitecer.
Rabi Yehudá diz, até o meio da tarde.
Maariv não tem tempo definido e Musaf
pode ser dito o dia todo. Rabi Yehudá diz,
até a sétima hora do dia.

34
Mishná Berachot

MISHNÁ 2

Rabi Nechunyá ben HaKaná oferecia uma


breve oração quando entrava na sala de
estudos e quando saía. Eles disseram-lhe:
Qual é a natureza dessa oração? Ele disse-
lhes: Após a minha entrada, oro para que
nenhum contratempo aconteça por minha
causa; e depois da minha partida, ofereço
ação de graças pela minha porção.

35
Mishná Berachot

MISHNÁ 3

Raban Gamliel diz: Todos os dias uma


pessoa deve rezar o Shemonê Esrê [as 18
bênçãos da Amidá]. Rabi Yehoshua diz:
[Pode-se dizer] uma forma abreviada [das]
dezoito [bênçãos]. Rabi Akiva diz: Se sua
oração é fluente em sua boca, ele deve dizer
as dezoito; e se não é - uma abreviação das
dezoito.

36
Mishná Berachot

MISHNÁ 4

Rabi Eliezer diz: Aquele que faz sua reza


“permanente” [como sendo algo pesado
para ele], sua oração não constitui
“pedidos” [por misericórdia divina]. Rabi
Yehoshua diz: Aquele que está viajando em
um lugar perigoso deve oferecer uma breve
oração [e] dizer: Salve, D’us, Seu povo, o
remanescente de Israel; em cada período
de transição, deixe que suas necessidades
estejam diante de Ti. Tu és a fonte de toda
bênção, D’us, que ouve a oração.

37
Mishná Berachot

MISHNÁ 5

Se alguém estivesse montando um jumento,


ele deveria desmontar [enquanto ele reza].
E se ele for incapaz de desmontar, ele deve
virar o rosto [para Jerusalém]. E se ele é
incapaz de virar o rosto, ele deve focar seu
coração em direção ao Santo dos Santos
[no Templo em Jerusalém].

38
Mishná Berachot

MISHNÁ 6

Se alguém estava sentado num barco,


numa carroça ou numa jangada, [quando
ele reza] ele deveria focar seu coração na
direção do Santo dos Santos.

39
Mishná Berachot

MISHNÁ 7

O Rabi Elazar ben Azaryá diz: [Não se faz]


a oração de Musaf, exceto na presença de
um Minyan. E os sábios dizem: [Deve-se
sempre dizer a oração de Musaf] com um
Minyan ou sem um Minyan. Rabi Yehudá
diz em seu nome [Rabi Elazar ben Azaryá]:
Qualquer lugar em que há um Minyan
rezando, o indivíduo [solitário] está isento
da oração de Musaf.

40
Capítulo 5
Mishná Berachot

MISHNÁ 1

[Uma pessoa] não deve ficar de pé para


rezar a menos que esteja em um estado
de espírito sério. Os primeiros piedosos
costumavam esperar uma hora e depois
rezar, a fim de direcionar seus corações
para o Onipresente. [Enquanto alguém
recita o Shemonê Esrê], mesmo que o rei
o cumprimente, ele não deve respondê-lo,
e mesmo que uma cobra se enrole em seu
calcanhar, ele não deve interromper.

42
Mishná Berachot

MISHNÁ 2

[Nós] mencionamos o pedido de chuva


na [bênção de] ‘Techiyat HaMetim’
[Ressurreição dos Mortos]; e [nós]
pedimos chuva [acrescentando a frase
‘Veten Tal Umatar Livrachá’] em ‘Bircat
Hashanim’ [Bênção das Colheitas do Ano];
e [recitamos] ‘Havdalá’ [bênção para a
transição do Shabat para o dia da semana]
na [bênção de] ‘Chonen Hadaat’. Rabi
Akiva diz: Recita-se [‘Havdalá’] como uma
quarta bênção por si mesmo. Rabi Eliezer
diz: [Recita-se ‘Havdalá’] na bênção de
‘Modim’ [Ação de Graças].

43
Mishná Berachot

MISHNÁ 3

Alguém que diz [na reza]: “Ao ninho de


um pássaro, Sua compaixão chega!” e
“no bem Seu Nome será mencionado!”
“Obrigado, obrigado” - cale-o. Aquele que
lidera o serviço de oração e comete um
erro - substitua-o por outro. E aquele [que
é convidado a servir como substituto] não
deve recusar-se em tal momento. De onde
deve começar [o líder substituto]? Desde o
início da bênção em que [o primeiro líder]
cometeu um erro.

44
Mishná Berachot

MISHNÁ 4

Aquele que lidera as orações não deve


responder após [a bênção] dos ‘Cohanim’
[dizendo] “Amén”, por causa da perda da
concentração [que pode acontecer]. Se
não houver nenhum Cohen além dele
[para recitar ‘Birkat Cohanim’ - a Bênção
Sacerdotal], ele não deve recitar a ‘Birkat
Cohanim’ [para si mesmo]. Mas se ele
estiver confiante de que ele [poderá] recitar
‘Birkat Cohanim’ e [então] retornar à sua
reza, [ele é] permitido.

45
Mishná Berachot

MISHNÁ 5

Aquele que está rezando e comete um


erro, é um mau presságio para ele; e se
ele era um delegado da congregação, é
um mau presságio para seus delegados
[a congregação], porque o mensageiro
de uma pessoa é [considerado] como ela
mesma. Eles costumavam dizer sobre ele,
sobre Rabi Chaniná ben Dosa: Quando
ele orava pelos enfermos, ele dizia: Este
viverá e este morrerá. Eles disseram-lhe:
Como você sabe? Ele respondeu: Se a
oração é fluente em minha boca, sei que
ela foi aceita; e se não, então eu sei que foi
rasgada.

46
Capítulo 6
Mishná Berachot

MISHNÁ 1

Como alguém recita bênçãos pelos frutos?


Nos frutos que crescem em uma árvore, se
diz: [Borê peri haêtz] “...Que criou o fruto
da árvore”, exceto o vinho; no vinho, diz-se:
[Borê peri hagáfen] “...Que criou o fruto da
videira”. Nos frutos que crescem da terra,
diz-se: [Borê peri haadamá] “Que criou o
fruto da terra”, exceto o pão; no pão, diz-se:
[Hamotzi léchem min haáretz] “...Que faz
sair o pão da terra”. Nos vegetais, diz-se:
[Borê peri haadamá] “...Que criou o fruto
da terra”. Rabi Yehudá diz: [Deve-se dizer
em vez disso] [Borê minê deshaim] “...Que
criou vários tipos de ervas.”

48
Mishná Berachot

MISHNÁ 2

Se alguém abençoou os frutos da árvore


com [Borê peri haadamá] “...Quem criou o
fruto da terra”, ele cumpriu sua obrigação.
Mas se ele abençoou os frutos da terra
[Borê peri haêtz] “...Que criou o fruto da
árvore”, ele não cumpriu sua obrigação. Em
todos os casos, se ele dissesse: [Shechacol
nihiá bidvaro] “...Que tudo existe pela Sua
palavra”, ele cumpriu sua obrigação.

49
Mishná Berachot

MISHNÁ 3

Em uma coisa que não cresce da terra,


diga: [Shehacol] “que tudo”. Sobre vinagre
e sobre frutos verdes e sobre os gafanhotos,
diga: [Shehacol] “que tudo”. Sobre leite,
queijo e ovos, diga: [Shehacol] “que tudo”.
Rabi Yehudá diz: Qualquer coisa que é
uma espécie amaldiçoada não deve ser
abençoada.

50
Mishná Berachot

MISHNÁ 4

Se alguém tem diante de si muitas espécies


diferentes, Rabi Yehudá diz: Se existe entre
elas uma das sete espécies, abençoe-a. Mas
os Sábios dizem: Abençoe o que desejar.

51
Mishná Berachot

MISHNÁ 5

[Se alguém] abençoou o vinho antes


da refeição - [ele] isentou o vinho após
a refeição. [Se alguém] abençoou o
aperitivo antes da refeição - [ele] isentou
a sobremesa após a refeição. [Se alguém]
abençoou o pão - [ele] isentou o aperitivo;
[mas se alguém abençoou] no aperitivo -
[ele não] isentou o pão. Beit Shamai diz:
nem mesmo um prato de grãos cozidos.

52
Mishná Berachot

MISHNÁ 6

[Se as pessoas] se sentam para comer -


cada um abençoa para si mesma. [Mas
se eles reclinam - um abençoa por todos.
[Se] o vinho vem durante a refeição - cada
um abençoa para si mesmo. Depois da
refeição - um abençoa para todos. E ele
diz isso sobre o incenso, embora o incenso
não seja trazido até depois da refeição.

53
Mishná Berachot

MISHNÁ 7

[Se] eles trouxeram diante dele comida


salgada primeiro, e pão com ela - ele
abençoa sobre a comida salgada e está
isento no pão, porque o pão é subordinado
a ela. Este é o princípio: tudo o que é
primário, e tem algo secundário com ele,
ele abençoa o primário e, assim, isenta o
secundário.

54
Mishná Berachot

MISHNÁ 8

Quem come figos, uvas ou romãs abençoa


três bênçãos depois deles [segundo as]
palavras de Raban Gamliel. Os sábios
dizem, uma bênção que é a essência de três.
Rabi Akiva diz que mesmo quem comeu
vegetais, se essa foi sua comida, abençoa
três bênçãos depois dela. Aquele que está
bebendo água para sua sede diz: [Shehacol
nihiá bidvarô] “que tudo existe pela Sua
palavra”. Rabi Tarfon diz: [Borê nefashot
rabot] “Que cria muitos seres vivos”.

55
Capítulo 7
Mishná Berachot

MISHNÁ 1

Se três pessoas comem juntas, elas são


obrigadas a se reunir [para dizer a bênção
após uma refeição]. Se ele comeu comida
que talvez não fosse o dízimo, ou o primeiro
dízimo do qual a Terumá [produto
consagrado para consumo sacerdotal]
tivesse sido removida, ou o segundo dízimo
ou Hekdesh [itens empenhados para uso
sagrado] que haviam sido redimidos, ou
um servo que tiver comido um kazayit
(volume de uma azeitona), ou um Kuti
[seita intimamente ligada ao judaísmo],
ele deve convocá-los [i.e. recitar o Zimun].
Mas se ele comeu produtos não comutados,
ou o primeiro dízimo do qual a Terumá
não tenha sido removida, ou o segundo
57
Mishná Berachot

dízimo ou alimento santificado que não


tenha sido resgatado, ou um servo que
comeu menos do que o volume de uma
azeitona, ou um não-judeu, ele não pode
convocá-los.

58
Mishná Berachot

MISHNÁ 2

Mulheres, escravos e crianças - não se


pode convocá-los. Quanto é necessário
[ser comido] para convocar? Pelo menos
um kazayit (volume de uma azeitona).
Rabi Yehudá diz pelo menos um kabeitzá
(volume de um ovo).

59
Mishná Berachot

MISHNÁ 3

Como se convoca? Quando há três [pessoas]


diz-se: “Vamos abençoar.” Quando há três
e ele, diz-se: “Abençoe”. Quando há dez se
diz: “Abençoemos nosso D’us.” Quando há
dez e ele, diz: “ Abençoe ”. A lei é a mesma
para dez e para dez miríades. Quando há
cem diz-se: “Abençoemos”. Quando há
cem e ele, diz-se: “Abençoe”. Quando há
mil pessoas diz-se: “Abençoemos D’us,
nosso D’us, D’us de Israel”. Quando há mil
e ele, diz-se: “Abençoe”. Quando há dez
mil pessoas, diz-se: “Abençoemos D’us,
nosso D’us, D’us de Israel, D’us das legiões,
que habita sobre os Keruvim [criaturas
esculpidas que estavam acima da Arca],
pela comida que comemos”. Com dez mil
60
Mishná Berachot

e ele mesmo, diz-se: “Abençoe”. Como o


modo como ele abençoou, eles respondem
depois dele: “Bendito seja D’us, nosso
D’us, D’us de Israel, D’us das legiões, que
habita acima dos Keruvim, pela comida
que comemos.” Diz Rabi Yosi, o Galileu,
segundo a grandeza da assembléia, eles
abençoam, como diz: “Nas assembléias,
abençoe a D’us desde a fonte de Israel.”
Disse Rabi Akiva, o que encontramos na
sinagoga? A lei [é a mesma] para muitos
como para poucos; diga “Abençoe D’us”.
Rabi Yishmael diz: “Abençoe a D’us, o
abençoado”.

61
Mishná Berachot

MISHNÁ 4

Três que comem juntos não têm permissão


para se separar, e assim [se houver] quatro,
e assim [se houver] cinco. Seis podem ser
separados até dez, e dez não podem ser
separados até que haja pelo menos vinte.

62
Mishná Berachot

MISHNÁ 5

Quando dois grupos comem juntos em


uma casa, no momento em que alguns se
vêem, eles podem se reunir para convocar,
e se não, eles se reúnem e convocam a
si mesmos. A bênção sobre o vinho não
pode ser dita até que se acrescente água a
ele. Estas são as palavras de Rabi Eliezer, e
os sábios dizem que pode abençoar.

63
Capítulo 8
Mishná Berachot

MISHNÁ 1

Essas coisas são [disputadas] entre Beit


Shamai e Beit Hilel sobre as refeições:
Beit Shamai diz: “Abençoe o dia e depois
abençoe o vinho”. Beit Hilel diz: “Abençoe
o vinho e depois abençoe o dia”.

65
Mishná Berachot

MISHNÁ 2

Beit Shamai diz: “Lave as mãos e depois


encha o copo”. Beit Hilel diz: “Encha o
copo e depois lave as mãos”.

66
Mishná Berachot

MISHNÁ 3

Beit Shamai diz: “Um enxuga as mãos em


um pano e [então] coloca-o sobre a mesa”.
Beit Hilel diz: “Na almofada”.

67
Mishná Berachot

MISHNÁ 4

Beit Shamai diz: “Varra o quarto e depois


lave as mãos”. Beit Hilel diz: “Lave as mãos
e depois varra a sala”.

68
Mishná Berachot

MISHNÁ 5

Beit Shamai diz: “Chama [da vela de


Havdalá], e [então] dê Graças depois das
Refeições, e [então as] especiarias, e [então
a] Havdalá”. Beit Hilel diz: “Chama e [então]
especiarias, e [então] dê Graça depois das
Refeições, e [então] Havdalá”. Beit Shamai
diz: Shebará meor haesh (“Quem criou a
luz do fogo”). Beit Hilel diz: Borê meorê
haesh (“Criador das luzes do fogo”).

69
Mishná Berachot

MISHNÁ 6

Nós abençoamos: não sobre a chama nem


sobre as especiarias dos idólatras, nem
sobre a chama nem sobre as especiarias dos
mortos, nem sobre a chama nem sobre as
especiarias que estão diante de um ídolo.
Não abençoamos a chama até que sua luz
seja usada.

70
Mishná Berachot

MISHNÁ 7

Alguém que comeu, esqueceu e não


abençoou: Beit Shamai diz que ele deveria
voltar ao seu lugar e abençoar. Beit Hilel diz
que ele deve abençoar no lugar onde ele se
lembrou. Até quando ele pode abençoar?
Até que a comida em suas entranhas seja
digerida.

71
Mishná Berachot

MISHNÁ 8

Se o vinho é trazido a eles depois da refeição,


e nada está disponível a não ser aquele
copo: Beit Shamai diz: “Abençoe o vinho
e depois abençoe a refeição”. Beit Hilel diz:
“Abençoe a refeição e depois abençoe o
vinho”. Responda “Amén” depois que um
judeu abençoar, e não responda “Amén”
depois que um Kuti abençoar até que
alguém tenha ouvido toda a bênção.

72
Capítulo 9
Mishná Berachot

MISHNÁ 1

Aquele que vê um lugar onde foram feitos


milagres para Israel deve dizer: Baruch
sheassá nisim laavotênu bamakom hazê
(“Bendito [seja Ele] que fez milagres para
nossos pais neste lugar.”) [Se ele vir] um
lugar que adoração de ídolos tenha sido
extirpada, diz-se: Baruch sheakar avodá
zará meartzênu (“Bendito [seja Ele] que
desarraigou a adoração de ídolos da nossa
terra”).

74
Mishná Berachot

MISHNÁ 2

Sobre cometas, e em terremotos, e em


relâmpagos e trovões, e em tempestades
diz-se: Baruch shecochô uguevuratô malê
olam (“Bendito [seja Ele] cuja força e poder
preenche o mundo”. Sobre as montanhas e
colinas, mares, rios, e nos desertos se diz:
Baruch ossê maassê bereshit (“Bendito [seja
Ele] que faz as obras no princípio”). Rabi
Yehudá diz: “Aquele que vê o grande mar
(Mar Mediterrâneo) diz: Baruch sheassá et
haiam hagadol (‘Bendito é aquele que fez
o grande mar’), somente se ele o vir de vez
em quando”. Na chuva e em boas notícias,
diz-se: Baruch hatov vehametiv (“Bendito
[seja Ele] que é bom e faz o bem”). E, nas
más notícias, diz: Baruch dayan haemét.
75
Mishná Berachot

MISHNÁ 3

Quando alguém constrói uma nova


casa, e adquire novos vasos, diz: Baruch
shehecheianu... (“Bem-aventurado aquele
que nos conservou vivos [e nos sustentou
e nos trouxe a este tempo]). Abençoe-se
sobre o mal que contém o bem e sobre
o bem que contém mal. Aquele que reza
sobre o que já aconteceu, esta reza é em vão.
Como? Se sua esposa estava grávida e ele
disse: “Que seja a Tua vontade que minha
esposa dê à luz um menino”, esta reza é
em vão. Se ele estava vindo no caminho
e ouviu o som de gritos na cidade, e ele
disse: “Que seja a Tua vontade que estes
não sejam os filhos da minha casa”, esta é
uma reza em vão.
76
Mishná Berachot

MISHNÁ 4

Quem entra numa cidade grande deve


rezar duas vezes, uma vez em sua entrada
e uma vez em sua saída. Ben Azai disse:
“Quatro; duas vezes em sua entrada e duas
vezes em sua saída, e [ele deve] dar graças
pelo que passou e suplicar pelo futuro”.

77
Mishná Berachot

MISHNÁ 5

Uma pessoa é obrigada a abençoar o mal


assim como ela abençoa o bem. Como é
dito: “E amarás o Senhor teu D’us, de todo
o teu coração, de toda a tua alma e de tudo
o que tens”. (Devarim 6:5) “De todo o teu
coração” - com as duas inclinações, com
o Yetzer Tov (a inclinação do bem) e o
Yetzer Hará (a inclinação do mal). “E em
toda a sua alma” - mesmo que Ele tome
sua alma. “E com tudo o que tens” - com
todo o seu dinheiro. Alternativamente,
“com tudo o que tens” - com cada medida
que é medida para você, agradeça muito a
Ele. O homem não deve ser rápido com a
cabeça [frívola] perto do portão oriental,
pois está perto da fundação da casa do
78
Mishná Berachot

Santo dos Santos. Não se pode entrar no


monte sagrado com o cajado, nem com a
sandália, nem com a bolsa do cinto, nem
com a poeira dos pés, e não pode ser
por um atalho, e é proibido cuspir, como
se deduz do [princípio de] menor para
maior. Todos que finalizavam as bênçãos
quando eles estavam no templo diziam:
Min haolam (“Do mundo”). Quando os
hereges corromperam [os assuntos] e
disseram: “não há mundo senão este”, eles
[os Sábios] corrigiram isso para que eles
devessem dizer: Min haolam vead halom
(“Do mundo e até o [próximo] mundo”).
E eles corrigiram isso, que alguém deve
perguntar sobre a paz de seu amigo com o
Nome [de D’us], como diz, “E eis que Boaz
veio de Beit-Léchem disse aos colhedores:
‘D’us esteja convosco’, e disseram-lhe:
‘D’us te abençoe.’” (Rut 2:4). E diz:” D’us
é contigo, grande e valoroso.” (Shoftim
6:12). E diz: “Não desprezeis, porque tua
mãe é velha.” (Mishlei 23:22). E diz: “Está
na hora de agir por D’us, eles quebraram a
79
Mishná Berachot

sua Torá.” (Tehilim 119:126). Rabi Natan


diz: “Eles anularam a sua Torá” - porque é
hora de agir por D’us.

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