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14/10/2009

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1 A nova ordem simbólica:  

A nova ordem simbólica:

 
 

A diversidade cultural na era da globalização

SIDEKUM, Antônio (org). Alteridade e multiculturalismo. Ijuí: Unijuí, 2003.

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2 PRÓLOGO  

PRÓLOGO

 
 

Tendo em vista a globalização e o processo de diversidade social e cultural que compõe o cenário atual, faz-se obrigatória a discussão sobre diversidade cultural e globalização para que, ao compreender melhor esta realidade possa-se tornar inteligível e governável a sociedade complexa emergente. A partir de 11 de setembro, o mundo começou a questionar suas próprias indiferenças e diferenças e as respostas passaram a não ser mais buscadas na dimensão política, mas na cultural.

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As políticas culturais estão em transformação. Está se entendendo cultura como conjunto de traços distintivos, materiais, intelectuais e afetivos que eram agregados a um modo de vida ou sistema de valores. Contudo, este modo de vida vem sendo decisivamente influenciado pelas tecnologias da informação, produzindo outro panorama simbólico geral. Frente a esta presumida uniformização, a UNESCO discute sobre a humanização da mundialização e estabelece a diversidade cultura como patrimônio comum da humanidade.

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4 DIVERSIDADE CULTURAL NA ERA DA GLOBALIZAÇÃO

DIVERSIDADE CULTURAL NA ERA DA GLOBALIZAÇÃO

 

A cultura é produção coletiva na qual os indivíduos se reconhecem e se auto-representam, assinalam suas significações. Esta produção se dá historicamente e geograficamente na idéia de nação, constituída pela historicidade de povos ou etnias que compartilham significados. Contudo, a partir do século XVIII, o Estado-Nação se consolida pela uniformização do interior da nação, pretendendo o Estado (político) lograr e conformar sua coesão pela Nação.

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A partir dos processos de desterritorialização (deslocamento de espaço) e descentramento (deslocamento de tempo e pertencimento vinculado a ele) surgem identidade híbridas e transitórias, incapazes de coordenar plenamente a vida social s agregar os indivíduos dentro de contexto tão diversificados.

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A grande problemática, contanto, é que a identidade cultural não se funda mais no

 

pertencimento e compartilhamento de valores, mas sim em códigos simbólicos que tem sua origem no mundo eletrônico/informacional. Estes fenômenos vão deslocando ou afastando os indivíduos do contexto imediato para construir sua identidade por códigos abstratos e transitórios. Ao desaparecerem os tangíveis, há um alheamento do indivíduo com a produção social/cultural e memória de sua localidade espaço-temporal.

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7 A configuração de novos imaginários

A

configuração de novos imaginários

 

A identidade de que um grupo social é constantemente construída e reconstruída,

 

“negociada”num processo de interação social. [

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Dentro de um quadro sociocultural

específico, a construção de uma identidade provê aos indivíduos e à coletividade certa autopercepção, um sentido de pertinência, valores, códigos de comportamento, significações, um sentido de seguridade existencial e, muito importante, certas referências para serem conhecidas pelos outros. (24)

 

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Entretanto, o processo de globalização permite um movimento de reação: a afirmação das identidade locais frente à tudo que é perene, intangível e virtualizado. Esta reação vem no sentido tanto de negar a homonegeização quanto de afirmar a produção cultural de grupos específicos. Isto se justifica, porém, pela natureza do processo de globalização, que não é uniforme (centro/periferia, países hegemônicos/dominados, etc), dando vazão para a própria

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diversidade que compõe o próprio globo. “No entanto as irrupções esporádicas das culturas periféricas no campo das indústrias de produção simbólica mais fortes ainda não alcançam a significação necessária para dizer que se tratam de intercâmbios recíprocos e equilibrados”(26).

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9 A nova era imagológica: uma nova Idade Média?

A nova era imagológica: uma nova Idade Média?

 

A arte na Idade Média é uma forma de representação do poder simbólico, ou seja, é a expressão das representações da sociedade. A imagem, na internet e na televisão, tem o mesmo sentido, apenas com rapidez e agilidade maiores e eficazes. Continuam indicando como as coisas são ou devem ser, quais são os estilos de vida válidos e aceitos socialmente, por isso a afirmação do culto a imagem. Contudo, a imagem vem substituindo o conhecimento e a vivência.

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Se antes ler um livro significa construir o próprio conhecimento (através do conhecimento conceptual), agora o conhecimento produzido pela tecnologia da informação é o conhecimento abstrato, muitas vezes acrítico e baseado unicamente na percepção, o que o torna deveras pobre. O conhecimento é construído socialmente, através das vivências, experiências e reflexões. “Ele é o resultado de um processo ativo de interpretações dos significados dentro de um contexto cultural, social e histórico específico, que permite aos indivíduos fazer frente aos desafios da vida cotidiana”(31). As tecnologias descolam os dados da realidade concreta e os joga no mundo, descontextualizando-os e formando um amontoado de informações, a sociedade da informação.

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Por isso, o texto indica a preocupação com a construção de uma sociedade do conhecimento através da hermenêutica, e não somente uma sociedade da informação. Essa hermenêutica

 

presume a interpretação que leve em consideração os valores compartilhados, as diferenças culturais e permita, aos que menos privilegiados se expressa. Para levar a cabo este objetivo deve-se reconhecer e compreender as especificidades

socioculturais e, ao mesmo tempo, estar de acordo sobre objetivos e valores comuns [

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capacidade para reconhecer a diferença, sem fazê-la corresponder a um valor hierárquico [ requer que os sujeitos globalizados sejam autocríticos e conscientes de suas próprias limitações socioculturais e históricas(32).

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12 A cultura de mercado

A cultura de mercado

 

As novas tecnologias na economia mundial tornaram os bens culturais em bens de consumo. “A criação cultural converte-se em produção mercantil, ou cultura mercantilizada, uma atividade empresarial e, conseqüentemente, o consumo cultural se torna um consumo mercantil”(39). Não se pode escapar da globalização e de seus efeitos, mas também não se pode encobrir as lutas sociais que primam pela homogeneização e de a forma pela qual ela deve ser dar, tanto política, cultural e ideológica.

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13 As políticas culturais na Era do ciberespaço

As políticas culturais na Era do ciberespaço

 

Se o mundo está interconectado, é necessário então, que a política balize o relacionamento entre os diferentes, para que haja sim, um entendimento dessas diferenças. A política, enquanto articulação dentro da nação, deve privilegiar o diálogo intercultural par que possa ser preservada a diversidade interna à nação, para que depois se pense na diversidade cultural planetária. É necessário criar meios de consolidar uma consciência de humanidade, e que esta não é uniforme, mas que compartilha com o Outro/diferente elementos comuns, como os valores humanos, por exemplo. Isso significa humanizar a globalização!

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É necessário que Declaração faça sentido no cotidiano e que para que o mundo se torne mais tolerante, primeiro deve-se permitir que este sentimento nasça em esferas menores, como a nação, por exemplo. “A humanidade é uma, mas as culturas são numerosas.”(44).

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15 14/10/2009 O acesso desigual ao novo panorama social instiga novas injustiças, pois cria-se duplamente excluídos:

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O acesso desigual ao novo panorama social instiga novas injustiças, pois cria-se duplamente excluídos: do sistema econômico e do universo cultural (além do fato, o que é pior ainda, de tornar-se um bem de consumo). As políticas culturais nacionais agregadas a movimentos sociais amplos que vão unir e minimizar as diferenças sociais e os prejuízos oriundos delas.

A experiência latino-americana

A América Latina é um caldeirão cultural por excelência. O que importa é ressaltar como ela está se impondo frente ao processo de homogeneização, pois, ao mesmo tempo em que há uma americanização da América Latina, há também a latinização dos Estados Unidos. Isto não apaga os conflitos internos, mas dá chance a ambas as sociedades de trocarem informações sobre si e construírem conhecimento em torno disso. Este é o caminho que quebra o preconceito e articula as realidades em políticas culturais que privilegiem a autonomia e a convivência entre os povos.