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Comendador Prof. PhD.

Jenivaldo Lisboa de Araújo


Comenda Sílvio Carlo Luna Vianna – Governo do Estado de Alagoas
Doutor em Ciências - IQB/UFAL

ASTRONOMIA E ATOMISMO:
Um viagem através do universo atômico

1ª Edição
Fonte: thegolfclub.info

Cacimbinhas – AL
2019

1
APRESENTAÇÃO

Este material foi desenvolvido com o intuito de proporcionar uma ideia geral sobre a relação
existente entre diferentes conteúdos, os quais são muitas vezes abordados de forma individualizada
e fragmentada. Com ele, busco apresentar uma visão holística da relação existente o estudo do
átomo e o universo que nos cerca e suas implicações na origem da vida e no desenvolvimento
tecnológico moderno.
Partindo-se de um estudo introdutório em astronomia, o texto passa pelo processo histórico
da evolução dos modelos atômicos, do conceito de elemento químico, finalizando com uma
discussão sobre a origem da vida, seu processo evolutivo e a busca por um futuro através da
exploração espacial. Com uma linguagem simples, este material foi escrito com o intuito de auxiliar
os estudantes do ensino médio a compreender um pouco mais da importância do atomismo no
mundo ao seu redor a partir de uma abordagem interdisciplinar. Porém, também pode ser usado por
outros professores no desenvolvimento de projetos que busquem divulgar a ciência junto aos jovens
de hoje, para que possam se tornar as grandes mentes do amanhã.

O AUTOR

O Prof. PhD. Jenivaldo Lisboa de Araújo é licenciado em


Química pela Universidade Estadual de Alagoas (UNEAL), tendo
concluído o curso de especialização lato sensu em Educação em
Ciências pela Faculdade Educacional de Araucária (FACEAR) e o
Mestrado e Doutorado em Ciências pelo Instituto de Química e
Biotecnologia (IQB) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Fonte: Autor, 2018.
Atua a cinco anos como professor de Química na Rede Estadual
de Educação Básica do Estado de Alagoas, onde foi agraciado no de 2016 com a Comenda de
Mérito Silvio Carlos de Luna Vianna em decorrência de seu trabalho no incentivo à Educação
Científica junto a jovens do interior do estado de Alagoas. Tendo orientado diversos trabalhos
científicos junto a estudantes da educação básica, os quais foram aprovados em eventos estaduais,
nacionais e internacionais.

E-mail: jenivaldochemscience@gmail.com

2
Índice de figuras
Figura 1. Ilustração acerca da concepção da ideia de átomo por Leucipo e Demócrito.....................5
Figura 2. Esquema do processo de expansão do universo segundo a teoria do Big Bang..................6
Figura 3. Representação do efeito gravitacional do corpos.................................................................7
Figura 4. Modelo Hierárquico.............................................................................................................7
Figura 5. Formas de radiação alfa, beta e gama..................................................................................8
Figura 6. Capacidade de penetração dos diferentes tipos de radiação.................................................8
Figura 7. (A) Explosão de bomba atômica em Nagasaki e (B) vítimas da exposição à radiação
devido às bombas nucleares.................................................................................................................9
Figura 8. Cadeia próton-próton responsável pela energia solar.........................................................10
Figura 9. Comparação do tamanho do Sol com outras estrelas do céu noturno................................10
Figura 10. Diagrama H-R..................................................................................................................11
Figura 11. Ciclo de vida das estrelas.................................................................................................12
Figura 12. Modelo atômico de Dalton...............................................................................................13
Figura 13. (A) Ampola de Crooks e (B) Modelo atômico de Thomson.............................................14
Figura 14. Experimento de Rutherford..............................................................................................14
Figura 15. Modelo atômico de Rutherford com as contribuições de Goldstein e Chadwick............15
Figura 16. Tabela periódica dos elementos........................................................................................17
Figura 17. Espectro de radiação........................................................................................................18
Figura 18. Comprimento de onda......................................................................................................18
Figura 19. Espectros contínuo, de emissão e de absorção.................................................................19
Figura 20. Modelo atômico de Rutherfor-Bohr.................................................................................20
Figura 21. Transição dos elétrons entre camadas durante ao receber e perder energia.....................21
Figura 22. Modelo da órbita estacionária de Bohr e de orbitais de Heisenberg................................21
Figura 23. Modelo atômico de Sommerfeld......................................................................................22
Figura 24. Estrutura química da molécula de DNA..........................................................................25
Figura 25. Células (A) procarionte e (B) eucarionte..........................................................................25
Figura 26. Árvore da vida..................................................................................................................27
Figura 27. Ilustração futurista de uma nave utilizando o motor EmDrive, uma das principais buscas
no desenvolvimento da tecnologia aeroespacial.................................................................................28

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Sumário
1. De onde viemos?..............................................................................................................................5
2. Teoria do Big Bang...........................................................................................................................5
3. Formação das primeiras estrelas e galáxias......................................................................................6
4. Introdução a Radioatividade.............................................................................................................7
5. Nucleossíntese estelar.......................................................................................................................9
6. Ciclo de vida das estrelas...............................................................................................................10
7. Evolução dos modelos atômicos....................................................................................................12
7.1. Teoria atômica de Dalton........................................................................................................13
7.2. Teoria atômica de Thomson....................................................................................................13
7.3. Teoria atômica de Rutherford.................................................................................................14
8. Características do átomo.................................................................................................................15
8.1. Número atômico.....................................................................................................................16
8.2. Número de massa....................................................................................................................16
9. Introdução à Tabela Periódica........................................................................................................16
10. Os espectros de energia................................................................................................................18
11. Modelo Atômico de Rutherford-Bohr..........................................................................................20
12. O princípio da incerteza de Heisenberg........................................................................................21
13. A teoria dos subníveis de Sommerfeld.........................................................................................22
14. A distribuição de Pauling..............................................................................................................23
15. A origem da vida...........................................................................................................................24
16. O processo evolutivo....................................................................................................................26
17. A importância da conquista do espaço..........................................................................................28
Bibliografia.........................................................................................................................................30

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1. De onde viemos?

A busca pela compreensão da origem do universo e da própria existência humana remonta as


mais antigas civilizações, as quais durante muito tempo e até os dias de hoje, atribuiu esta obra a um
ser divino, o qual recebeu diferentes denominações com base em cada cultura. Porém, foi na Grécia
Antiga, berço da filosofia ocidental, onde houveram as primeiras tentativas de se explicar a origem
da matéria sem o uso de explicações místicas.
Os filósofos pré-socráticos buscaram desenvolver
diferentes teorias para a origem do mundo ao nosso
redor, estando dentre eles: Tales, Anaxímenes, Heráclito,
Leucipo e Demócrito. Diante das teorias expostas na
época, aquela proposta por Leucipo e Demócrito foi a
que mais se aproximou da realidade. Segundo estes
filósofos, ao se dividir um objeto se chegará em uma
fração indivisível, a qual foi chamada de átomo (do Figura 1. Ilustração acerca da concepção da
ideia de átomo por Leucipo e Demócrito.
grego, “á” significa não e “thomos” quer dizer divisão), Fonte: OKIMIKO, 2019.
o que lhes rendeu o nome de atomistas.
Mas podemos nos perguntar: “Como são formados os átomos?”, “Como existem materiais
tão diferentes?”, são estas perguntas que motivam esta discussão e vão nos conduzir por esta
viagem do conhecimento.

2. Teoria do Big Bang

A teoria mais aceita para evolução do universo conhecido é conhecida como “Teoria do Big
Bang”, a qual foi elaborada pelo Pe. Georges Lemâitre sob orientação de Sir Arthur Eddington
como forma de resolver o problema do redshift das galáxias. O redshift trata-se de um deslocamento
na luz proveniente das galáxias para a região do vermelho do espectro visível, representando um
afastamento das galáxias.
De acordo com Lemâitre, se as galáxias encontram-se em um processo de afastamento entre
elas, pode ter havido um momento na história em que as mesmas estiveram reunidas em um único
ponto. Deste único ponto houve uma grande expansão, da qual surgiu o universo (Figura 2), o qual
passou por um processo de resfriamento, dando origem aos diversos corpos celestes.

5
Porém a proposta não foi bem aceita inicialmente, tendo sido necessária a comprovação da
teoria através da observação de evidências, sendo elas: a expansão do universo, a nucleossíntese
primordial e a radiação cósmica de fundo. A expansão do universo ou redshift das galáxias já havia
sido demonstrado pelo próprio Lemâitre, mas foi com o trabalho de Hubble no ano de 1929 que o
aumento na distância das galáxias foi finalmente aceito, consistindo no primeiro pilar da teoria do
Big Bang a ser comprovado, dando origem à Lei de Hubble.

Figura 2. Esquema do processo de expansão do universo segundo a teoria do Big Bang.


Fonte: WIKIPEDIA, 2019.
A nucleossíntese primordial consiste na formação dos primeiros átomos através de reações
nucleares derivadas da formação das primeiras estrelas e foi comprovada em 1948 através do
trabalho de Ralph Alpher, Hans Bethe e George Gamow. Os quais também descreveram a existência
de uma radiação cósmica de fundo que seria resultado da nucleossíntese primordial e estaria
presente em todo o Cosmos, tendo sido detectada pela primeira vez em 1978 por Arno Penzias e
Robert Wilson, rendendo-lhes o Prêmio Nobel em 1978.

3. Formação das primeiras estrelas e galáxias

Nos primeiros instantes da expansão do universo a temperatura do cosmos era muito alta,
não havendo a formação dos átomos, de modo que existia apenas uma grande “sopa” de partículas
que após o resfriamento cósmico deu origem aos primeiros núcleos atômicos. Neste momento o
universo era rico em Hidrogênio e Hélio, os quais através da ação da força gravitacional começaram

6
a se agrupar, levando às primeiras reações
nucleares A força gravitacional ou
(nucleossíntese primordial) que geraram as primeiras estrelas. gravidade foi proposta por Isaac
Newton como uma força
atrativa gerada por corpos
massivos. Tendo sido
posteriormente explicada como
uma deformação no tecido
espaço-tempo, tal como é
apresentado na Figura 3.
O tecido espaço-tempo trata-se
de um plano universal no qual
as variáveis de espaço e tempo
estão relacionadas. Afinal,
diante das distâncias
astronômicas as mudanças de
espaço estão diretamente
associadas a mudanças de
tempo.
Figura 3. Representação do efeito gravitacional do corpos.
Fonte: LOPES, 2019.

Devido à gravidade, os átomos existentes começaram


a colidir gerando novos elementos químicos que permitiram
uma maior diversidade de substâncias. Após o surgimento
das primeiras estrelas e aglomerados estelares teve início a
formação das galáxias, cuja principal teoria que explica a
evolução galáctica é a do Modelo Hierárquico. Segundo este
modelo, as galáxias anãs se agrupam dando origem a
galáxias elípticas ou espirais, cuja diferenciação é feita com
base no histórico de colisões.

4. Introdução a Radioatividade

Durante muito tempo se acreditou que as estrelas


eram enormes bolas de carvão em chamas, porém foi com a
descoberta da radioatividade que pode se compreender
Figura 4. Modelo Hierárquico.
Fonte: ZABOT, 2018. melhor de onde vinha a energia estelar. O fenômeno da
radioatividade foi descoberto por Henri Becquerel e bastante
estudado pelo casal Pierre e Marie Curie, que contribuíram significativamente com o estudo e refino
de materiais radioativos.

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A partir do uso de um campo elétrico ou magnético observou-se que a radiação pode ser
defletida, dando origem a três formas distintas de radiação, as quais foram denominadas de: raios α,
os quais apresentavam uma carga positiva; raios β, com carga negativa; e raios γ, que não possuíam
carga (Figura 5).

Figura 5. Formas de radiação alfa, beta e gama.


Fonte: FERREIRA, 2019.

0
Apesar dos raios gama ( 0 γ ) não apresentarem
carga, são a forma de radiação com maior capacidade
penetrante (Figura 6), tendo em vista sua natureza
puramente energética. Enquanto que os raios alfa
4 0
( 2 α ) e beta ( −1β ) possuem uma capacidade de
penetração inferior, já que se assemelham a um átomo de
Hélio e um elétron, respectivamente.
A emissão destes raios pode ocorrer por meio de
dois tipos de processos nucleares, podendo ser de fissão
Figura 6. Capacidade de penetração dos
ou de fusão nuclear. A fissão nuclear consiste na quebra diferentes tipos de radiação.
Fonte: SILVA, 2019a.
de um núcleo atômico, formando um novo elemento com
a consequente liberação de alguma forma de radiação, tal como é apresentado na Equação 1.

92 U → 90Th + 2α (1)

Enquanto isso a fusão nuclear consiste na junção de dois núcleos atômicos, produzindo-se
um novo elemento químico (Equação 2).

8
2
1 H + 21H → 42 He + 00 γ (2)

Devido a estas reações ocorrerem em cadeia elas liberam uma enorme quantidade de
energia, tendo-se como exemplo disso as bombas atômicas que foram lançadas nas cidades
japonesas de Hiroshima e Nagasaki durante a Segunda Guerra Mundial. A alta capacidade
destrutiva dessas bombas não se resume apenas à liberação de energia, mas principalmente à nuvem
radioativa que é formada durante a explosão e que atinge uma maior área, causando graves devido à
exposição à radiação (Figura 7).

(A) (B)

Figura 7. (A) Explosão de bomba atômica em Nagasaki e (B) vítimas da exposição à radiação devido às bombas
nucleares.
Fonte: SILVA, 2019b; NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL, 2019.

Um fato interessante é que a bomba de hidrogênio ou bomba de fusão é a que apresenta uma
maior capacidade de destruição, necessitando de uma bomba de fissão para ser ativada, devido à
alta energia necessária para o início do processo de fusão nuclear.

5. Nucleossíntese estelar

A nucleossíntese estelar é o principal processo de formação dos elementos químicos no


universo, inclusive daqueles que são necessários à vida, além de ser o responsável pela energia que
é emitida pelas estrelas. Como já dito anteriormente, na antiguidade se acreditava que a energia
estelar provinha de uma enorme esfera em chamas, porém com a descoberta da radioatividade,
pode-se concluir posteriormente que o calor das estrelas deriva de reações de fusão nuclear que
ocorrem em seu interior.

9
Um dos primeiros trabalhos que explicaram o
funcionamento da nucleossíntese estelar foi o de Hans
Bethe em 1939, o qual descreveu a cadeia próton-próton
(Figura 8), responsável pela energia do Sol (ZABOT, 2018).
Porém este foi apenas o começo, pois apesar de nosso
Astro-Rei possuir um tamanho relativo imenso em relação
ao nosso planeta, ele é uma estrela pequena (Figura 9) e
“fria” em comparação com outras estrelas que observamos
no céu noturno.
Uma forma de compreender melhor esta proporção é
através da classificação espectral das estrelas, a qual é feita
com base em sua cor e tamanho. Tendo sido Edward C. Figura 8. Cadeia próton-próton responsável
pela energia solar.
Pickering, em conjunto com um grupo de mulheres, um dos Fonte: ZABOT, 2018.
principais contribuintes para catalogação das estrelas a partir de seus espectros de luz (ZABOT,
2019). Trabalho este que rendeu bastante para astronomia, tal como a elaboração de um método
para se medir a distância de variáveis cefeidas (estrelas com variação de brilho em um curto período
de tempo – de 0 a 70 dias), o qual foi
proposto por Henrietta Leavitt
(SOARES, 2019).
Esta classificação é realmente
muito importante, pois a temperatura que
a estrela é capaz de atingir definirá seu
potencial de realizar a fusão nuclear de
elementos mais pesados, além disso a
classificação espectral irá possibilitar
uma compreensão sobre o ciclo de vida

Figura 9. Comparação do tamanho do Sol com outras estrelas do céu


de uma estrela.
noturno.
Fonte: APOLO11, 2019.

6. Ciclo de vida das estrelas

Corpos semelhantes ao Sol apresentam a capacidade de fusão limitada ao que é chamado de


ciclo CNO, isto é, são estrelas que só conseguem atingir a fusão necessária à síntese de Carbono
(C), Nitrogênio (N) e Oxigênio (O). Quando isso ocorrer o Sol deixará de ser uma estrela amarela

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da sequência principal e passará a ser uma gigante vermelha, momento em que o Astro-Rei deverá
colapsar pela ação gravitacional, dando origem a uma nebulosa planetária e um “pequeno cadáver
estelar” denominado de anã branca (Figura 11).

CLASSIFICAÇÃO ESPECTRAL DAS ESTRELAS

O trabalho realizado por E.C. Pickering permitiu o surgimento do Esquema Harvard de


classificação estelar, o qual classificava as estrelas com base em seu espectro, tal como é apontado
pela Tabela 1.

Tabela 1. Classificação espectral das estrelas segundo o Esquema Harvard.


Classificação Descrição
O Azuis. Teff de 20 a 30.000 K. Linhas espectrais de HeII e ultravioleta forte.
B Branco-azuladas. Teff = 15.000 K. Linhas espectrais de HeI. Ex.: Rigel.
A Brancas. Teff = 9.000 K. Linhas de HI forte. Ex.: Sírius.
F Branco-amareladas. Teff = 7.000 K. Linhas de metais. Ex.: Procyon.
Amarelas. Teff = 5.500 K. Fortes linhas de metais e HI fraco. CaI (H e K) fortes.
G
Ex.: Sol.
Alaranjadas. Teff = 4.000 K. Linhas metálicas dominantes. Contínuo azul fraco.
K
Ex.: Adelbarã.
Vermelhas. Teff = 3.000 K. Bandas moleculares (TiO) muito fortes.
M
Ex.: Betelgeuse.
Fonte: adaptado de ZABOT, 2018.

Estas informações também foram aplicadas nos


trabalhos independentes de E. Hertzprung e H. Russel, os
quais observaram que a magnitude absoluta de uma estrela
está relacionada com o seu tipo espectral, possibilitando o
surgimento de um gráfico que ficou conhecido como
Diagrama H-R (Figura 10), o qual permitiu uma melhor
classificação das estrelas, levando-se em conta seu ciclo de
vida. Onde a sequência principal representa uma fase
evolutiva pela qual a maioria das estrelas se encontra
(HETEM; PEREIRA, 2019). Figura 10. Diagrama H-R.
Fonte: HETEM; PEREIRA, 2019.

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Figura 11. Ciclo de vida das estrelas.
Fonte: OLIVEIRA FILHO; SARAIVA, 2019.

Contudo, estrelas que apresentam uma maior massa e mais energia podem apresentar um fim
mais catastrófico é o caso de estrelas azuis com mais 10 vezes a massa do sol, as quais podem
chegar a produzir Enxofre (S) e até mesmo átomos de Ferro (Fe). Sendo que a formação dos demais
elementos químicos encontrados na natureza (o que se limita até o Urânio) ocorrerá durante o
colapso gravitacional que dará origem a uma supernova (Figura 11). Neste instante a quantidade de
energia é imensa e possibilita a fusão de elementos cada vez mais pesados, os quais são liberados
para o universo e participarão da constituição de novas estrelas e planetas, reiniciando o ciclo
cósmico.
O produto final da supernova é altamente dependente da massa da estrela, podendo-se
originar estrelas de nêutrons, para estrelas com até 25 massas solares, ou buracos negros, para
estrelas mais massivas (Figura 11). Porém, para que possamos compreender melhor o universo
atômico iremos fazer uma pequena viagem pela história dos estudos relacionados ao átomo e
entender a trajetória da elaboração dos diferentes modelos atômicos.

7. Evolução dos modelos atômicos

Tal como já foi discutido, os filósofos gregos foram os primeiros a propor que a matéria era
formada de partículas bem pequenas e que essas partículas eram indivisíveis, recebendo o nome de
átomos. Embora tenha ficado por muito tempo no esquecimento, a ideia de átomo, ou melhor, a

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ideia da existência de uma partícula que fosse indivisível, reapareceu nos estudos realizados sobre
as reações químicas no século XIX pelo cientista inglês John Dalton (SILVA, 2019c).

7.1. Teoria atômica de Dalton

Com a finalidade de explicar alguns fatos experimentais


observados nas reações químicas, no ano de 1808, o cientista John Dalton
introduziu a ideia de que todo e qualquer tipo de matéria seria formado
por partículas indivisíveis, denominadas de átomos (SILVA, 2019c).
A teoria de Dalton apresenta muito mais postulados do que Figura 12. Modelo atômico
de Dalton.
comprovações, dentre esses postulados pode-se citar: Fonte: MAGALHÃES, 2019.

• “Os átomos são maciços e apresentam forma esférica (semelhantes a uma bola de bilhar);
• Os átomos são indivisíveis;
• Os átomos são indestrutíveis;
• Um elemento químico é um conjunto de átomos com as mesmas propriedades (tamanho e
massa);
• Os átomos de diferentes elementos químicos apresentam propriedades diferentes uns dos
outros;
• O peso relativo de dois átomos pode ser utilizado para diferenciá-los;
• Uma substância química composta é formada pela mesma combinação de diferentes tipos
de átomos;
• Substâncias químicas diferentes são formadas pela combinação de átomos diferentes.”

(DIAS, 2019).

Dalton nomeou o seu modelo atômico de bola de bilhar e, por isso, passou a representar os
átomos dos elementos conhecidos em sua época por meio de símbolos esféricos.

7.2. Teoria atômica de Thomson

Com o passar do tempo, os estudos ficaram cada vez mais profundos na busca de uma
explicação concreta, um modelo atômico útil, pois um modelo só é útil enquanto explica de forma
correta determinado fenômeno ou experimento sem entrar em conflito com experimentos
anteriormente realizados (SILVA, 2019c). Neste sentido, o modelo de Dalton não consegue explicar

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a origem de fenômenos elétricos naturais, tais como os raios, logo, por meio do uso de um
dispositivo conhecido como ampola de Crookes, J.J. Thomson propôs um novo modelo atômico.
O modelo atômico de Thomson é conhecido como “pudim de passas” e enuncia que o átomo
é uma esfera de carga elétrica positiva, não maciça e que nele se encontram cargas negativas
estáticas distribuídas uniformemente, de modo que sua carga elétrica total é nula.

(A) (B)
Figura 13. (A) Ampola de Crooks e (B) Modelo atômico de Thomson.
Fonte: LORENA, 2019; FIORI, 2019.

7.3. Teoria atômica de Rutherford

Rutherford, com a intenção de aprofundar seus estudos, foi para a Inglaterra submeter-se à
orientação de Thomson nas investigações sobre as propriedades dos raios X e das emissões
radioativas. Em seus estudos, ele conseguiu, por meio de experimentos, bombardear uma fina
lâmina de ouro com partículas alfa (núcleo do átomo de hélio). Ele percebeu que a maioria das
partículas alfa emitidas atravessava a lâmina sem sofrer qualquer desvio. Todavia, uma pequena
parte das partículas sofria um desvio. Com isso, ele pôde concluir que o átomo possuía um pequeno
núcleo e uma grande região vazia (SILVA, 2019c)
(Figura 14).
Em seu experimento, Rutherford enunciou que
os elétrons eram dotados de cargas negativas, mas no
núcleo se encontravam as cargas positivas, as quais
foram posteriormente descritas por E. Goldstein como
sendo os prótons. Dessa forma, baseando-se no sistema
Figura 14. Experimento de Rutherford. planetário, Rutherford propôs seu modelo atômico
Fonte: ____, 2019a.
(SILVA, 2019c).

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Mais tarde, James Chadwick descreveu a existência de
uma terceira partícula subatômica, a qual não possuía carga, mas
cuja massa é semelhante à do próton, sendo a nova partícula
chamada de nêutron. O que possibilitou explicar um fenômeno
conhecido como isotopia, que ocorre quando átomos do mesmo
elemento químico apresentam um valor de massa diferente, sendo
estes átomos chamados de isótopos.
Com isso, o átomo passa a ser divisível e constituído por
Figura 15. Modelo atômico de
três partículas fundamentais, a saber: o próton e o nêutron, que Rutherford com as contribuições de
Goldstein e Chadwick.
estão presentes no núcleo, e os elétrons, os quais estão Fonte: SANTOS, 2019a.
distribuídos pela eletrosfera. A Tabela 2 apresenta um resumo das
características destas partículas.

Tabela 2. Características das três partículas fundamentais que constituem o átomo.


Partículas
Próton Nêutron Elétron
Características
Localização Núcleo Núcleo Eletrosfera
Carga relativa (u.c.e.*) +1 0 -1
Massa relativa (u.m.a.**) 1 ~1 ~0
*u.c.e.: unidade de carga elétrica;
**u.m.a.: unidade de massa atômica.
Fonte: Autor, 2019.

8. Características do átomo

Tal como já foi falado no texto sobre nucleossíntese estelar, é no núcleo das estrelas que são
formados os diferentes elementos químicos. Mas como podemos diferenciar o tipo de elemento
químico a que pertence um átomo. Segundo Dalton, essa diferenciação era feita com base na massa
atômica, mas foi só com os estudos de H. Moseley que se percebeu que o elemento químico é
definido pelo número atômico.
Agora iremos começar a entender o que são estas duas propriedades que permitem
caracterizar os átomos e compreender melhor o conceito de isótopos.

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8.1. Número atômico ISÓTOPOS

São assim chamados os


Uma das características do átomo é a sua quantidade de átomos de mesmo elemento
químico (com mesmo número
prótons (p), a qual irá determinar seu número atômico (Z) (Equação
atômico) que apresentam
3). O qual é quem determina a identidade do átomo, indicando o número de massa diferente.
elemento químico a que ele pertence.
Ex.:
1
1
H 2
1
H 3
1
H
Hidrogênio Deutério Trítio
Z=p (3)
Na determinação da
A representação do número atômico é feita através da massa atômica leva-se em
consideração a abundância de
indicação numérica na parte inferior esquerda do símbolo do cada isótopo presente na
elemento ao qual ele corresponde, por exemplo: 1H, 8O, 26Fe, 92U. natureza, procedendo-se a
uma média ponderada para
Este valor não apenas representa o número de prótons, mas para cada isótopo.
átomos neutros o número atômico também indicará o número de
elétrons presentes na eletrosfera.

8.2. Número de massa

O número de massa (A) de um átomo representa a soma da quantidade de prótons (p) e


nêutrons (n) que estão presentes nele (Equação 4). Sendo sua representação feita no lado superior
esquerdo do símbolo do elemento, assim para um átomo de oxigênio com número atômico 8 e
número de massa 16, tem-se a seguinte representação: 168O.

A=p+n (4)

Porém, devido à existência dos isótopos de cada elemento, o valor de massa atômica é
definido com base em uma média ponderada para os isótopos presentes na natureza, considerando-
se sua abundância, o que faz com que a massa atômica não assuma valores inteiros na maioria dos
casos.

9. Introdução à Tabela Periódica

Com o passar dos anos cada vez mais elementos químicos foram descobertos, havendo a
necessidade de se criar uma forma de organizar o conhecimento químico de maneira sistemática.

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Foi isso que motivou Chancourtois, Newlands e o próprio Mendeleev a criar uma lei periódica que
permitisse a organização dos elementos químicos em uma tabela.
Dentre os estudiosos envolvidos nesta busca, Dmitri Ivanovic Mendeleev foi aquele que
obteve maior êxito, sendo considerado o pai da tabela periódica. Sua proposta inicial organizava
os elementos químicos em ordem crescente de massa atômica, afinal, na sua época ainda não se
conhecia o número atômico. O qual passou a ser considerado depois de se observar que quando os
elementos são organizados em ordem crescente de número atômico, há uma semelhança entre
aqueles que ocupam a mesma coluna na tabela periódica (Figura 16).

Figura 16. Tabela periódica dos elementos.


Fonte: IUPAC, 2019.

A identificação da posição dos elementos na Tabela Periódica é feita em função da família


(linhas verticais) e do período (linhas horizontais) ao qual pertencem, os quais estão relacionados
com a distribuição dos elétrons na eletrosfera. Mas, para que possamos compreender melhor isso
teremos que primeiramente fazer um percurso através das diversas contribuições no estudo sobre a
eletrosfera.

17
10. Os espectros de energia

Os primeiros passos na determinação de um mecanismo que auxiliasse a compreender a


eletrosfera do átomo partiram do estudo dos espectros de seus energia. Mas para que possamos
entender tudo isto precisamos conhecer melhor o que são os espectros de luz.
A luz visível é uma das diferentes formas de radiação, representando uma faixa do espectro
de radiação que pode ser vista pelo olho humano (Figura 17). Assim como as demais formas de
radiação, cada cor dentro do espectro de luz visível é caracterizada por seu comprimento de onda e
sua frequência.

Figura 17. Espectro de radiação.


Fonte: ROCHA; CORDEIRO; GONÇALVES, 2014.

O comprimento de onda (λ) de um feixe de radiação, tal como a luz, representa a distância
entre dois picos da onda (Figura 18), enquanto que a frequência é dada pela quantidade de ondas
que passa por uma região no intervalo de 1 s, sendo
medida em Hertz (Hz).
Outra característica da onda que representa o
feixe de radiação é sua velocidade de propagação (v)
que pode ser calculada pelo produto do comprimento
Figura 18. Comprimento de onda. de onda pela frequência (Equação 5).
Fonte: CEPA, 2019.

18
v =λ⋅f (5)
Com o tempo, se percebeu que certos feixes de luz, ao passarem por um elemento químico
apresentavam algumas linhas negras no espectro contínuo de luz, dando origem ao que ficou
conhecido como espectro de absorção (Figura 19), pois era fruto da absorção de alguns
comprimentos de onda por parte da substância em que a luz incidia. Além disso, também se
observou que tais substâncias
emitiam um segundo espectro ao
estarem em um estado aquecido, no
qual aparecia apenas as linhas que
faltavam no espectro de absorção, de
modo que foram chamados de
espectros de emissão (Figura 19), o
que é descrito pelas Leis de Figura 19. Espectros contínuo, de emissão e de absorção.
Fonte: FOGAÇA, 2019.
Kirchoff, segundo as quais:

“1) Um corpo opaco quente, em qualquer dos três estados físicos, emite um espectro
contínuo.
2) Um gás transparente – como os dos gases nobres que vimos acima – produz um espectro
de emissão, com o aparecimento de linhas brilhantes. O número e a posição dessas linhas
serão determinados pelos elementos químicos presentes no gás.
3) Se um espectro contínuo passar por um gás à temperatura mais baixa, o gás frio causa a
presença de linhas escuras, ou seja, será formado um espectro de absorção. É o que ocorreu
com o espectro da luz do Sol ao passar pelo gás do sódio. Nesse caso, o número e a posição
das linhas no espectro de absorção também dependem dos elementos químicos presentes no

gás.” (FOGAÇA, 2019).

Estes espectros intrigaram os pesquisadores, pois cada elemento apresentava um espectro


diferente, afinal, “qual a origem destas linhas e qual sua relação com a estrutura atômica?”. Esta
pergunta só foi respondida graças ao trabalho de Max Planck, o qual afirmou que a energia emitida
ou absorvida era quantizada, ou seja, a quantidade de energia que uma substância é capaz de
absorver ou emitir corresponde a uma quantidade variável de pequenos pacotes de energia com
valor fixo. Teoria esta que contribuiu significativamente nos estudos de Niels Bohr para a
compreensão da eletrosfera.

19
11. Modelo Atômico de Rutherford-Bohr

Um dos problemas verificado no modelo de Rutherford foi a explicação da razão pela qual
os elétrons, com carga negativa, não colidiam com núcleo, que apresentava carga positiva. Esta
questão só foi explicada com a elaboração do modelo atômico de Rutherford-Bohr. Em 1923, Niels
Bohr conseguiu introduziu a ideia de que os elétrons só se movem ao redor do núcleo quando estão
alocados em certos níveis de energia (Figura 20) (SILVA, 2019c), também chamados de camadas
eletrônicas, as quais estão representadas na Tabela 3.
Bohr postulou seu modelo atômico da seguinte
maneira:

“1- Um elétron em um átomo se move


em órbita circular ao redor do núcleo
sob a influência da atração (...) entre o
elétron e o núcleo (...).
2- (…) Um elétron se move apenas em
uma órbita na qual seu movimento
angular é múltiplo inteiro de (constante
de Planck h = 6,63x10-34 J.s, dividida
Figura 20. Modelo atômico de Rutherfor-Bohr. por 2π).).
Fonte: _____, 2019b.
3- A energia total do elétron permanece
constante. Isso ocorre porque o elétron que se move em uma órbita não emite radiação
eletromagnética.
4- É emitida radiação eletromagnética se um elétron, que se move inicialmente sobre uma
órbita de energia total Ei, muda seu movimento descontinuamente de forma a se mover em

uma órbita de energia total Ef. (...)” (CAVALCANTE, 2019).

Tabela 3. Total de elétrons para cada camada eletrônica/nível de energia.


Nível de energia 1 2 3 4 5 6 7
Camada eletrônica K L M N O P Q
Total de elétrons 2 8 18 32 50 (32)* 72 (18)* 98 (8)*
*Os números entre parênteses representam o total de elétrons que ocupam efetivamente as camadas, considerando-se os
elementos químicos conhecidos até o momento.
Fonte: Autor, 2019.

Logo, de acordo com Bohr, para que um elétron mude de camada eletrônica, ele necessita
receber (para ir para camadas mais externas) ou perder (movimenta-se para camadas mais internas)
energia (Figura 21). É este processo que explica certos fenômenos naturais e o funcionamento das

20
lâmpadas, pois ao se fornecer energia elétrica para a lâmpada os elétrons do material que está
presente nela passam para uma camada mais externa (estado excitado), sendo que após recebida a
energia, os elétrons irão retornar a sua camada de origem (estado inicial), liberando energia
luminosa equivalente àquela que foi recebida.

Figura 21. Transição dos elétrons entre camadas durante ao receber e perder energia.
Fonte: ASSIS; SANTOS; CRUZ, 2012.

12. O princípio da incerteza de Heisenberg

No ano de 1926, o pesquisador Werner Heisenberg (1901-1976) afirmou que não é possível
determinar simultaneamente com uma grande precisão a velocidade e a posição de um elétron de
determinado átomo. Na verdade, é possível especificar a posição ou a velocidade do elétron de
modo isolado, mas, à medida que se aumenta a precisão na determinação de um, perde-se a precisão
na determinação do outro (FOGAÇA, 2019b).
Assim, foi adotado que no lugar do
elétron percorrer uma região bem definida, tal
como afirmava a teoria de Bohr, o mais
adequado e correto é admitir que existem
regiões possíveis para este elétron estar
(Figura 22). Essas regiões, em que é máxima
a probabilidade de se encontrar o elétron no
átomo, foram chamadas de orbitais
Figura 22. Modelo da órbita estacionária de Bohr e de orbitais
(FOGAÇA, 2019b). de Heisenberg.
Fonte: FOGAÇA, 2019b.

21
13. A teoria dos subníveis de Sommerfeld

O modelo atômico de Rutherford-Bohr explicava de maneira satisfatória o comportamento


do elétron no átomo de hidrogênio. Contudo, ao se tentar replicar a teoria nos elementos que
possuíam mais elétrons, encontravam-se contradições entre o postulado teórico e a realidade obtida
nos espectros de emissão (GOMES NETO, 2019).
Arnold J. W. Sommerfeld, em 1916, interpretou espectros com múltiplas linhas justapostas e
segundo ele, as camadas enunciadas por Bohr (K, L, M, N...) eram constituídas por subcamadas, de
órbitas elípticas e de diferentes momentos angulares (GOMES NETO, 2019), conforme exibe a
Figura 23.

Figura 23. Modelo atômico de Sommerfeld.


Fonte: GOMES NETO, 2019.

Através de seu trabalho ele introduziu o conceito de subcamadas eletrônicas ou subníveis de


energia, sendo que para cada camada o número de subníveis (ℓ) corresponde ao nível de energia (n)
menos um (Equação 6). Sendo que o último subnível apresentará uma órbita circular, enquanto que
os primeiros irão possuir uma órbita mais elíptica (Figura 23).

ℓ = n -1 (6)

A proposta de Sommerfeld conseguira, através da instituição dos subníveis, explicar como


os espectros de emissão apresentavam o fenômeno de linhas múltiplas nos espectros. Segundo este
modelo, as múltiplas linhas seriam os subníveis de energia que compõem o nível ou camada de
energia e estes subníveis foram caracterizados como “s”, “p”, “d” e “f”, derivados de conceitos
relativos à espectroscopia.

22
14. A distribuição de Pauling

A partir do trabalho de Sommerfeld, Linus Pauling estudou a relação de energia de cada


subnível e percebeu que determinados subníveis de camadas mais externas apresentam uma menor
quantidade de energia em relação aos de camadas mais internas. Desta forma, os elétrons aos serem
distribuídos no átomo buscam ocupar os subníveis menos energéticos primeiro, seguindo uma
sequência crescente de energia.
Esta sequência foi expressa através de um diagrama que ficou conhecido como diagrama de
Pauling (Tabela 4), o qual ajuda a compreender a distribuição eletrônica em um determinado
átomo.

Tabela 4. Distribuição eletrônica em subníveis.


Camada Nível Total de elétrons Subníveis
K 1 2 1s2
L 2 8 2s2 2p6
M 3 18 3s2 3p6 3d10
N 4 32 4s2 4p6 4d10 4f14
O 5 32 5s2 5p6 5d10 5f14
P 6 18 6s2 6p6 6d10
Q 7 8 7s2 7p6
Fonte: Autor, 2019.

A Tabela 4 também demonstra que cada subnível comporta um número máximo de elétrons
(s = 2 e-; p = 6 e-; d = 10 e-; f = 14e-), o qual é representado no lado superior direito do símbolo do
subnível, enquanto que na frente é indicada a camada à qual cada subnível pertence. É importante
destacar que os números de elétrons indicados na Tabela 4 representam o máximo de elétrons que
cada subnível comporta, podendo haver caso com um número de elétrons menor, por exemplo, o
4p3, indicando que o subnível “p” da 4ª camada possui 3 elétrons.

DISTRIBUIÇÃO ELETRÔNICA PARA ÁTOMOS NEUTROS


Conforme foi dito, a distribuição eletrônica segue a ordem crescente de energia, conforme é
indicado pelas setas azul claro da Tabela 4. Ao se realizar a distribuição eletrônica de átomos
neutros, onde a quantidade de elétrons é igual ao número de prótons, seguimos a sequência de setas
de cima para baixo da seguinte maneira.

23
Exemplo:
8O: 1s2 2s2 2p4
18 Ar: 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6
26 Fe: 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 4s2 3d6
54 Xe: 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 4s2 3d10 4p6 5s2 4d10 5p6
A partir desta distribuição pode-se agrupar os elétrons em suas respectivas camadas,
considerando-se os níveis indicados na frente dos subníveis, observe:
Exemplo:
8O: 1s2 2s2 2p4
8O: K(2) L(6)
18 Ar: 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6
18 Ar: K(2) L(8) M(8)
26 Fe: 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 4s2 3d6
26 Fe: K(2) L(8) M(14) N(2)
54 Xe: 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 4s2 3d10 4p6 5s2 4d10 5p6
54 Xe: K(2) L(8) M(18) N(18) O(8)
Além disso, alguns textos buscam simplificar a distribuição eletrônica, utilizando-se a
distribuição do gás nobre (assim chamados os elementos pertencentes à família 18 da tabela
periódica, ou seja, a última coluna da tabela) com número atômico imediatamente inferior ao do
elemento químico que está sendo distribuído. Tal como ser visto no caso abaixo:
Exemplo:
26 Fe: [Ar] 4s2 3d6

15. A origem da vida

Graças ao processo de nucleossíntese estelar e às grandes explosões das supernovas, o


universo adquiriu uma grande riqueza de elementos químicos, dentre eles: Carbono (C), Hidrogênio
(H), Oxigênio (O), Nitrogênio (N) e Enxofre (S), que serviram como blocos de construção iniciais
das primeiras moléculas biológicas (PELLIZARI; BENDIA, 2019). Estes elementos possibilitaram
a formação das primeiras estruturas de RNA (Ácido Ribonucleico) e DNA (Ácido
Desoxirribonucleico) (Figura 24) que possibilitaram o surgimento dos primeiros seres vivos.

24
Porém, o surgimento da vida no
planeta Terra ainda não está
completamente explicado, existindo duas
teorias que abordam este fenômeno,
sendo elas: a da “geração espontânea” ou
teoria heterotrófica, segundo a qual houve
a formação de moléculas orgânicas a
partir de reações químicas envolvendo
substâncias presentes na atmosfera
primitiva (metano, amônia, hidrogênio e
vapores de água), cuja possibilidade foi
comprovada através dos experimentos de
Stanley Miller e Harold Urey em 1953
(PELLIZARI; BENDIA, 2019); e a da Figura 24. Estrutura química da molécula de DNA.
Fonte: LIBÓRIO, 2019.
“panspermia”, onde a vida se originou
fora do nosso planeta, sendo trazida através dos diversos meteoros que atingiram a superfície
terrestre há milhões de anos (LAS CASAS, 2019).
De acordo com a teoria heterotrófica, os primeiros seres vivos a povoar a Terra consistiam
de seres unicelulares procariontes, ou seja, eram formados por uma única célula, a qual não
apresentava a carioteca, de modo que não possuíam um núcleo celular (Figura 25a). Com o
processo evolutivo surgiram os primeiros seres uni e multicelulares dotados de células eucariontes
(Figura 25b), as quais apresentam um núcleo que permite a separação do material genético do
citoplasma (fluido preenche o interior da célula) (SILVA; NISHIDA, 2019).

(A) (B)
Figura 25. Células (A) procarionte e (B) eucarionte.
Fonte: SILVA; NISHIDA, 2019.

25
16. O processo evolutivo

Desde os primeiros seres vivos que surgiram na superfície terrestre até o surgimento dos
primeiros humanos foi um longo percurso na história da evolução. As condições do meio
influenciaram a necessidade de cada organismo em evoluir para adquirir a capacidade de
sobrevivência aos diversos ambientes fornecidos pela Terra primitiva.
Associado a isto, as 5 grandes extinções que ocorreram durante a história (em ordem
cronológica: Ordoviciano, Devoniano, Permiano, Triássico e Cretáceo) provocaram mudanças
radicais no curso da evolução (SANTOS, 2019b). Dentre estas, a extinção do período Permiano,
ocorrida há cerca de 250 milhões de anos atrás, é considerada a maior de todas, estimando-se uma
perda de 96% de todas as espécies marinhas e de 70% das terrestres, o que é atribuído a um
processo de aquecimento global derivado de uma série de erupções vulcânicas (ESCOBAR, 2019).
Porém, o mais famoso destes processos foi a queda de um meteoro que atingiu o Golfo do
México provocando a morte dos grandes dinossauros. Foi a partir deste evento que o processo
evolutivo permitiu o desenvolvimento de uma espécie de mamífero que sobrevivera ao evento
cataclísmico (Figura 26). E desta espécie surgiu a raça humana como hoje a conhecemos.
Foi no século XVIII que surgiram as primeiras ideias de que os organismos mudavam à
medida que os ambientes mudavam, contrariando a visão predominante de que as espécies eram
fixas e imutáveis (teoria criacionista). No entanto, o primeiro a propor um mecanismo para a
mudança dos organismos ao longo do tempo foi o biólogo francês Jean-Baptiste de Lamarck em
1809. Ao comparar espécies vivas com fósseis, Lamarck observou padrões em séries de fósseis que
pareciam linhas de descendência que levavam a espécies atuais. Lamarck explicou sua observação
com base em dois princípios: o uso e desuso e a herança de caracteres adquiridos. Basicamente,
ele defendia que as partes do corpo de um organismo podiam mudar sua forma de acordo com seu
uso e que essas mudanças podiam ser passadas à prole. Apesar de bem aceitos na época, estes
mecanismos são hoje considerados incorretos (MONTESANTI, 2019).
Anos mais tarde, Darwin e Wallace chegaram a um mecanismo muito similar para explicar
a evolução, no qual os organismos mais bem adaptados a um meio tem uma maior possibilidade de
sobrevivência, o que foi chamado por Darwin de seleção natural. Darwin detalhou melhor este
mecanismo em seu livro “A Origem das Espécies”, mas não conseguiu explicar de que forma os
organismos poderiam passar características herdáveis à prole, pois não tinha conhecimento sobre
genética. Quando as ideias de Mendel sobre hereditariedade foram unidas à teoria da seleção
natural através da síntese moderna (ou neodarwinismo), foi dado início a uma nova era na biologia

26
evolutiva. A partir daí a evolução passou a ser descrita matematicamente como a variação da
frequência de genes nas populações ao longo do tempo (MONTESANTI, 2019).

Figura 26. Árvore da vida.


Fonte: _______, 2019c.

27
17. A importância da conquista do espaço

Tal como foi discutido sobre o ciclo de vida das estrelas, o nosso Sol deverá crescer em tal
proporção que irá inviabilizar a vida na Terra, passando a sua fase final com o colapso da estrela
que irá gerar uma nebulosa planetária e uma anã branca. Logo, se o homem não destruir a vida antes
disso, não poderá haver mais qualquer ser vivo na superfície terrestre, a qual será transformada em
imenso deserto, quente e sem atmosfera.
É esta preocupação, juntamente com a curiosidade natural do ser humano em entender o
universo, que tem motivado o investimento em tecnologia aeroespacial, possibilitando o
desenvolvimento de equipamentos, veículos e formas de permitir a colonização de outros planetas.
Neste contexto, diversas instituições, tais como a Administração Nacional do Espaço e Aeronáutica
do Governo Norte-Americano (NASA), a Corporação Estatal de Atividades Espaciais Roscosmos
(ROSCOSMOS), a Agência Espacial Europeia (ESA), a empresa Space Exploration Techonologies
Corp. (ESPACEX), entre outras, tem buscado o desenvolvimento de propulsores reaproveitaveis,
rovers, sistemas de suporte a vida em outros planetas, além na busca por tecnologias que permitam
naves espaciais cada vez mais rápidas.
Neste tipo de investimento destaca-se o projeto Mars One que tem como objetivo a
colonização do planeta vermelho (Marte) utilizando-se de diferentes módulos que possibilitem a
obtenção de água e alimentos a partir dos recursos já existentes lá. Tal projeto contribui na busca
por tecnologias cada vez mais avançadas e que possibilitem o uso futuro na colonização de planetas
mais distantes.
Neste sentido, o estudo sobre o
potencial de habitabilidade dos
exoplanetas, assim chamados os planetas
que orbitam estrelas que não seja o Sol,
torna-se importante, pois permite verificar
com antecedência a existência água e
compreender um pouco mais sobre o
planeta. Porém, nossa tecnologia limitada
ainda não nos permite viajar até eles, nem Figura 27. Ilustração futurista de uma nave utilizando o motor
realizar análises mais profundas acerca de EmDrive, uma das principais buscas no desenvolvimento da
tecnologia aeroespacial.
sua composição, atmosfera e possibilidade Fonte: NOGUEIRA, 2019.
de existência de vida.

28
Contudo, com o passar dos anos, a tecnologia tem evoluído e se espera que no futuro
possamos ser capazes de realizar viagens até outros sistemas planetários e desbravar as maravilhas
que existem no Universo.

29
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32
“O Nitrogênio em noso DNA, o Cálcio em nossos dentes, o ferro em
nosso sangue, o carbono em nossas tortas de maçã foram feitos nos
interiores de estrelas em colapso. Somos feitos de material estelar.”

(Carl Sagan - Cosmos)

Apoio:

Fonte: thegolfclub.info
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