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Como escrever um bom conto, por Kizzy

Ysatis
Muitos leitores são também escritores amadores que sonham um dia se tornarem
profissionais. E algumas vezes eles se enrolam em relação às diferenças entre escrever
um bom romance e um bom conto.

É fato que se você tem a mesma dúvida, provavelmente irá encontrar por aí muitos
escritores que afirmam que é mais difícil escrever um conto coerente do que um
romance competente.

Bom, talvez eles tenham razão.

De qualquer forma, o conto é a porta de entrada mais comum para escritores amadores.

Hoje em dia brotam coletâneas de contos em que escritores amadores podem ter sua
primeira publicação.

Escritores como eu, André Vianco, Helena Gomes, Luís Eduardo Matta & cia
costumam ser convidados de tais publicações, e dar-lhes justas credibilidades.

Logo, iria escrever por aqui algumas dicas sobre as diferenças entre tais estruturas para
ajudar escritores aventureiros a se aprimorarem.

Entretanto, Kizzy Ysatis já teve tamanho trabalho, e mais, o fez muito melhor do que
poderia ter feito por aqui.

Logo, nada mais justo que eu publique por aqui a verdadeira aula.

Escritores aventureiros, enjoy.

***

CONTO

Estrutura do Conto

1 – Unidade dramática

2 – Unidade de tempo

3 – Unidade de espaço

4 – Número reduzido de personagens

5 – Diálogo dominante
6 – Descrição e narração (tendem a anular-se)

7 – Dissertação (praticamente ausente)

CONTO – História completa e fechada como um ovo. É uma célula dramática, um só


conflito, uma só ação. A narrativa passiva de ampliar-se não é conto.Poucas são as
personagens em decorrência das unidades de ação, tempo e lugar. Ainda em
conseqüência das unidades que governam a estrutura do conto, as personagens tendem a
ser estáticas, porque as surpreende no instante climático de sua existência. O contista as
imobiliza no tempo, no espaço e na personalidade (apenas uma faceta de seu caráter).O
conto se semelha a uma tela em que se fixasse o ápice de uma situação humana.

ESTRUTURA - É essencialmente objetivo, horizontal e narrado em 3ª pessoa. Foge do


introspectivismo para a realidade viva, presente, concreta.Divagações são escusadas.
Breve história. Todas as palavras hão de ser suficientes e necessárias e devem convergir
para o mesmo alvo. O dado imaginativo se sobrepõe ao dado observado. A imaginação,
necessariamente presente, é que vai conferir à obra o caráter estético. Jamais se perde no
vago. Prende–se à realidade concreta. Daí nasce o realismo, a semelhança com a vida.

LINGUAGEM – Objetiva; utilizar metáforas de imediata compreensão para o leitor;


despe –se de abstrações e da preocupação com o rebuscamento.O conto desconhece
alçapões subterrâneos ou segundas intenções. Os fatos devem estar presentes e
predominantes. Ação antes da intenção.Dentre os componentes da linguagem do conto,
o dialógo é o mais importante de todos. Está em primeiro lugar; por dramático, deve ser
tanto quanto possível dialogado.
Os conflitos, os dramas residem na fala das pessoas, nas palavras ditas, não no resto.
Sem diálogos não há discórdia, desavença ou mal – entendido e, sem isso, não há
conflito e nem ação. As palavras como signos de sentimentos, de idéias, emoções,
podem construir ou destruir. Sem diálogo torna –se impossível qualquer forma completa
de comunicação. A música e a dança transmitem parcialmente tudo o que o homem
sente ou pensa.

O meio ideal de comunicação é a palavra, sobretudo na forma de diálogo. O diálogo é a


base expressiva do conto: diálogo direto, indireto e interior.No conto, predomina o
diálogo direto que permite uma comunicação imediata entre o leitor e a narrativa.Se
usado diálogo indireto em excesso, o conto falha ou é de estreante. Diálogo interior:
trata –se de um requintado expediente formal, de complexo e difícil manuseio.

Outro expediente lingüístico é a narração, que deve aparecer em quantidade reduzida,


proporcional ao diálogo. Os escritores neófitos ou inexperientes usam e abusam da
narração, por ser um recurso fácil, que prescinde das exigências próprias do diálogo. É
um recurso que tende a zero no conto. A descrição ocupa semelhante lugar na estrutura
do conto. Está fora de cogitação o desenho acabado das figuras. Ao contrário, o conto
não se preocupa em erguer um retrato completo das personagens, mas centram –se nos
conflitos entre as personagens. A descrição da natureza, ou do ambiente, ocupa ainda
mais modesto, pois o drama expresso pelo diálogo, dispensa o cenário. O drama mora
nas pessoas, não nas coisas e nem na roupagem. A descrição completa-se com 2 ou 3
notas singelas, apenas para situar o conflito no espaço.
TRAMA – Linear, objetiva. A cronologia do conto é a relógio, de modo que o leitor vê
os fatos se sucederem numa continuidade semelhante à vida real.O conto, ao começar,
já está próximo do epílogo. A precipitação domina o conto desde a primeira linha.No
conto, a ação caminha claramente à frente. Todavia, como na vida real, que pretende
espelhar, de um momento para o outro deflagra o estopim e o drama explode
imprevistamente. A grande força do conto e o calvário dos contistas consiste no jogo
narrativo para prender o interesse do leitor até desenlace, que é, regra geral, um
enigma.O final enigmático deve surpreender o leitor, deixar – lhe uma semente de
meditação ou de pasmo perante a nova situação conhecida.A vida continua e o conto se
fecha inseqüente. Casos há em que o enigma vem diluindo no decorrer do conto. Neste
caso ele se aproxima da crônica ou corresponde a episódio de romance.

FOCO NARRATIVO – 1ª e 3ª pessoas. O conto transmite uma única impressão ao


leitor.Começo e epílogo: O epílogo do conto é o clímax da história. Enigmático por
excelência, deve surpreender o leitor. O contista deve estar preocupado com o começo,
pois das primeiras linhas depende o futuro do resto, do que terminar. O começo está
próximo do fim. E o contista não pode perder tempo com delongas que enfastiam o
leitor, interessado no âmago da história. O início é a grande escolha. O contista deve
saber como começar, o romancista.A posição do leitor diante do conto é de quem
deseja, às pressas, desentediar – se. Ele procura no conto o desenfado e o
deslumbramento perante o talento que coloca em reduzidas páginas tanta humanidade
em chama.O contista sacrifica tudo quanto possa perturbar a idéia de completude e
unidade.

CONCLUSÃO – A narrativa passível de ampliar-se ou adaptar-se a esquema diversos,


ainda que o seu autor a considere, impropriamente, não pode ser classificada de conto.

Faça uma boa revisão antes de mandar e dê para alguém ler, alguém que seja honesto,
de sua confiança e que saiba criticar; não vale ser a mãe (mãe sempre elogia).

Vamos escrever um conto?

Quero fazer-vos um desafio:


Vamos escrever um conto em conjunto?
A ideia é:
1º – Definimos as personagens, a acção, o espaço, o tempo e os obstáculos (em todos os
contos que se prezam há obstáculos!) em linhas gerais;
2º – Começamos a construir mentalmente a nossa história (para a
desconstruir/reconstruir umas tantas vezes, claro!);
3º – Entramos no blog, usamos o espaço dos comentários e escrevemos a nossa proposta
de continuação;
4º – Eu vou editando e publicando as sugestões diariamente;
5º – No final ficaremos todos muito orgulhosos do nosso texto!!:)

Vá, vamos lá, de que estamos à espera?!

Aqui estão as variáveis para o conto:

Personagens:
Herói: um camponês pobre;
Vilão: um jovem ambicioso;
outros: uma linda rapariga de família rica;
os pais da rapariga;
os habitantes dos lugares onde a acção se desenrola.

Acção:
O camponês pobre luta afincadamente para conseguir uma vida melhor;
Apaixona-se pela rapariga;
O jovem ambicioso tenta impedir a ascenção do rapaz e a relação amorosa;
A rapariga adoece e é necessário uma planta milagrosa que apenas existe num lugar
distante e perigoso;
… /…

Espaços:
– palácio
– um reino longínquo;
– grutas;
– aldeia;
– floresta;
– …/…

Obstáculos:
– azar;
– ladrões/bandidos;
– combates;
– impostores;
– distância;
– temporais;
– doenças;
– …/…
Tempo:
– passado longínquo.

E cá vai …

Há muitos anos, há tantos que a memória ou a imaginação não os conseguem alcançar,


aconteceu em certo lugar deste planeta uma história deveras singular.
Um rapaz, pobre e trabalhador, labutava diariamente ao lado da sua família em busca de
uma vida melhor.
Paulo, chamemos-lhe assim,pois o seu nome perdeu-se nas brechas do tempo, era alto e
bem constituído. O seu olhar limpo mostrava bem a sua índole pacata. Dos seus olhos
castanhos, profundos, transparecia toda a lealdade do seu ser..

(Continuação do João Miguel, 7ºC:)


interior, diferente de todas as pessoas.
Paulo trabalhava diariamente para alcançar uma melhor vida, até que, certo dia,
trabalhando nos campos a carregar cestos e água, viu a princessa do seu reino que por
ali passeava a cavalo, fugida das injustiças dos seus pais.
Esta, encontrou Paulo carregando pesados baldes de água e parou para o cumprimentar.
Ele, repentinamente, largou os baldes e ajoelhou-se parante a princesa que lhe disse:
- Por favor camponês não precisas de te ajoelhar perante mim, continua o teu trabalho.
O camponês, perplexo, retorquiu :
- Não minha princesa, faço-o pois sois bonita e filha do rei! Todos os membros da
realeza têm que ser respeitados! Eu assim fui educado.
- Se assim o dizes…. Mas já agora camponês, diz-me o teu nome.
- Minha princesa, o meu nome é Paulo.
- Olha Paulo, não precisas de me tratar por princesa. De hoje em diante tratar-me-às por
Sofia.
- Sim, mas o que irão achar os outros camponeses?
- Não te preocupes com isso.
Desde aquela conversa o camponês e a princesa tornaram-se amigos. Todas as tardes a
princesa passava pelos campos a cavalo e falava com todos os camponeses, mas era a
Paulo que ela dedicava mais tempo.
Havia também um jovem ambicioso chamado Victor, vindo de uma familia nobre, que
queria pedir Sofia em casamento.
É claro que o jovem camponês ficou contente, mas ao mesmo tempo com um nó no
coração pois amava Sofia, embora não por interesse como Victor. Amava-a sincera e
profundamente.
Um dia em que Paulo estava a trabalhar no campo, a princesa que passeava cavalo
acompanhada por Victor, parou para o cumprimentar:
- Boa tarde Paulo, como estás?
- Bem Sofia e tu?
- Também.
Então Victor interveio com arrogância:
- Oiça lá bem camponês, nunca volte a tratar a minha futura esposa por tu!
- Sim senhor.
- Victor! – reagiu a princesa.
- Que se passa querida ?
- O que se passa é que não quero que volte a falar assim ao Paulo.

(continuação da Inês, 7ºC)


- Mas querida…
- Não há querida nem meia querida! A partir de hoje nunca mais me trate por querida! E
que fique desde já percebido que eu não quero casar consigo!
- Não trates assim o Sr. Vitor por minha causa!- interveio o camponês.
- Não é por tua causa, as verdades têm que ser ditas!
Mais tarde, ao jantar, o pai disse à princesa:
-Filha, o Vitor disse-me que tu já não querias casar com ele, é verdade?
- É. Eu não o amo, pai!
- Então quem amas, filha?
- Eu não tenho a certeza, mas penso que amo uma pessoa que conheci há alguns dias!
- Filha tu tens que te casar! Já estou a ficar velhor e quando eu morrer tem que haver um
rei para governar este reino…
- Eu sei pai!
- Ouve bem se não conseguires ter a certeza daqui a uma semana, escolho…

(Continuação da Ezisberta, 7ºC):


escolho… Bem, não interessa! Mas tens que escolher alguém!.. Com bom nome, astuto
e com pelo menos dois palácios como os meus.
- Querido, não achas que estás a exagerar? Lembras-te que antes de nos termos casado
eu era pobre? -inerveio a rainha.
- Mas é diferente! Eu sou homem… e os homens é que são os responsáveis pelo
dinheiro, por isso tem que ser um homem rico, como o Victor.
- Que bom que tenho a minha mãe do meu lado! – exclamou a princesa.
- É o meu dever e o meu coração de mãe.
- E achas que não estou do teu lado, filha!? – reagiu o pai, com tristeza.
- Tu nunca me compreendes!
Sofia sentiu tanta pressão da parte do pai que abandonou a mesa e trancou-se nos seus
aposentos.
Muito preocupado e um pouco irritado, o rei chamou-a:
- Vossa Alteza, D. Infanta Sofia de Noronha Sales de Albuquerque Henriques fique a
saber que, no que depender de mim, no futuro terá como último nome “Silveira”. Faça
favor de chegar ao seu rei – e antes de tudo, pai – que só quer o seu bem!!!!!!

(Continuação da Sofia, 7ºB)


Com a rigidez de seu pai, Sofia foi obrigada a sair dos seus aposentos e a enfrentá-lo
dizendo-lhe que amava Paulo:
- Pai… eu não quero casar com Victor porque eu amo o Paulo! – disse Sofia com algum
receio da reacção do seu progenitor.
- Quem é esse tal Paulo?
- Pai… Paulo é uma pessoa espectacular, simpático, bonito, inteligente… Mas…
- … mas… o quê minha filha? – perguntou o pai impaciente.
Nisto, a mãe que sabia de tudo o que a filha sentia, interrompeu a conversa entre eles e
concluiu:
- Querido, Paulo é um homem honesto e trabalhador! Não tem posses… Quer dizer… a
sua posse de maior valor é o amor por nossa filha Sofia!
Sofia ficou tão contente com a intervenção da mãe que quase chorou de emoção! O que
ela não sabia era que Victor estava a ouvir a conversa toda e estava disposto a fazer com
que Sofia se separasse de Paulo.
Victor conversou com os habitantes da aldeia onde morava e fez com que todos se
virassem contra Sofia e Paulo.
Eles tentaram fugir, mas… foram apanhados pelos camponeses! Nem queriam acreditar
quando descobriram que quem começara aquela confusão toda fora Victor!
Prisioneiros no castelo de Victor, Paulo foi espancado quase até à morte e Sofia ficou
refém nos aposentos daquele rodeada de aias e conselheiras…
Naquele reino longínquo e quase desabitado Sofia sentia-se sozinha e triste por saber
que Paulo poderia morrer por qualquer deslize seu…
Durante a noite uma das aias deixou a porta destrancada e Sofia conseguiu fugir para
casa dos seus pais:
- Mãe, pai… estava com tantas saudades vossas…!
- Minha filha… – disse a mãe preocupada – onde estavas?
- Minha mãe, Paulo precisa de toda a nossa ajuda para sair das mãos cruéis de Victor!
Mas ninguém…

(Continuação do Mike, 7ºC)


acreditava que o pudessem salvar.
-Filha, tenta compreender, não se pode simplesmente entrar no palácio do Victor e
libertar o Paulo. Ele deve ter centenas de guardiães e também tem fortes relações com
outros reinados. Se o atacássemos estaríamos sujeitos a sofrer uma guerra…
-Mas mãe…
A mãe de Sofia, uma figura delicada envolvida em roupas de seda e com um ar
preocupado, olhava para o seu marido. Mas ele mostrava uma resistência fria que
indicava que não iria ajudar a filha.
O tempo passava, e com ele desaparecia a alegria da princesa. A distância do seu amor e
o pensamento que o Victor podia simplesmente ter mandado executá-lo depois de
descobrir que a refém tinha escapado, fez com que a saúde dela piorasse de hora para
hora. Os pais mandaram vir os melhores médicos do reino, mas ninguém conseguia
ajudá-la. Até que um dia, passou por lá uma bruxa.
Naquele tempo as bruxas eram perseguidas, mas como não havia “humano” capaz de
ajudar a princesa, mandaram vir o “monstro”. A bruxa praticou uns rituais e examinou a
princesa já moribunda quando, dando um berro, descobriu que não era doença que se
pudesse atacar com remédios ou rituais. Era preciso o beijo do seu verdadeiro e único
amor. Os pais lembraram-se imediatamente do Paulo.
-Eu não vou salvar esse… esse… cão vadio!
-Ó meu marido, tu não vês como está a nossa filha? Se não salvares o Paulo, ela pode
morrer!
O Rei coçou a barba prateada, fechou os olhos rugosos e pensou.
-Está bem, eu vou tentar tirá-lo das mãos de Victor, mas com uma condição! Depois de
a nossa filha estar completamente curada, o Paulo tem que sair do nosso reino para a
nossa filha casar com o Victor!
-Pensa bem, se o mandares embora do reino só há duas hipóteses: ou ela foge com ele,
ou adoece outra vez.
-Ai isso é que não . Nem que eu tenha de a fechar na torre do castelo. Ela vai casar com
o Victor!
-Tu por acaso queres um genro assim? Se ele é capaz de fechar a nossa filha num
quarto, também é capaz de nos fazer o mesmo quando se tornar rei! Ou pior! Pensa,
pensa! Onde está o homem nobre e inteligente com o qual eu me casei?
-Onde está a mulher preocupada com o futuro que eu conheci?
-Mas eu estou preocupada com o futuro! Com o futuro do reino! Da nossa filha!
Contudo não valia de nada a insistência da mulher. Quando o Rei metia alguma coisa na
cabeça deformada pela coroa pesada, assim teria que ser feito.
Entretanto, no palácio de Victor, bem afastado do calor e da luz, Paulo pensava como
fugir daquele buraco. Só havia um problema. Depois de a princesa ter fugido, Victor
duplicara os guardiães e assim, reduziu a zero a possibilidade de fuga. Se ele tentasse,
seria executado de certeza.
Pobre camponês, sozinho naquele lugar frio, a olhar para a Lua que era a sua única
companheira!
A Rainha, agindo contra a vontade do seu marido, reuniu um grupo de espiões para
descobrirem se o Paulo estava vivo e onde, exactamente, se encontrava. Dois dias
depois um deles voltou com notícias aliviantes, ele estava vivo.
A Rainha, logo que pôde sair do castelo, foi com alguns dos homens mais fortes e
inteligentes do reino salvar Paulo. Chegado ao castelo frio de Victor…

(Continuação da Sofia, 7ºB):


mal sabia o que esperar naquela escuridão que lhe penetrava o coração e lhe dava
arrepios na espinha…
Como a mãe de Sofia tinha ido sozinha, não sabia o que fazer se lhe acontecesse alguma
coisa de grave, mas não exitou em salvar a sua filha Sofia. É a isto que se chama “amor
de mãe”!
Falou com um dos guardiões do reino de Victor, às escondidas, e conseguiu convencê-
lo a colaborar na libertação de Paulo.
Victor nem imaginava o que o esperava!
Sofia procurou a mãe pelo reino todo e não a encontrou. Logo, pensou que, ou tinha ido
a trás de Paulo ou então fugira do reino.
Sofia conseguiu passar pelos guardiões que o pai colocou a guardar o reino sem ser
vista e também conseguiu voltar a entrar no palácio de Victor!
Encontrou a sua mãe presa junto a Paulo… já tinha sido apanhada!
Sofia não se rendeu, apesar de estar doente de amor…!
Sentiu-se mal e desmaiou.
Aí…

(Continuação do Marcelo, 7ºB)


Pobre Princesa! O que tinha de passar: a mãe e o Paulo aprisionados numa sala, fria e
escura, com apenas um buraquinho por onde, de vez em quando, viam a Lua. E o pai
contra ela…
Ao ver aquilo, os guardas não hesitaram, verteram por cima da esbelta cara de Sofia
água fria para ver seus lindos olhos abrir de novo.
- Paulo, Paulo. Mãe, mãe. – gritava a pobre rapariga desesperada.
Ao ver aquilo, o pai ficou destroçado. A filha por quem sempre lutou e sempre quis ter,
estava ali, nos braços dos guardas sem se poder levantar…
Voltou ao seu palácio para preparar o plano de resgate da sua família.
Nessa noite não conseguira dormir, o pobre Rei D. Carlos Fernando Gabriel Gonzaga
Xavier de Albuquerque Henriques pois uma espécie assustadora de pesadelos,
pressentimentos terríveis e maquiavélicos assombraram a sua real cabeça.
Na manhã seguinte, bem cedo, e com ideias completamente diferentes, o Rei estava
pronto. Às portas do castelo os guardas e todo o seu exército, montados em
incomensuráveis, enormes, pretos e imponentes cavalos, aguardavam-no para combater
contra o novo inimigo: Victor.
Àquele aparato juntaram-se todos os camponeses, pois Paulo só tinha amigos entre o
povo.
A Infanta, ouvindo o aproximar das tropas do pai, pressentiu o que ia acontecer, vestiu-
se e correu até à varanda.
A infanta estava muito triste e deprimida mas, ao mesmo tempo feliz com a atitude do
pai. Estava felicíssima com a coragem, o amor e a força que o Rei demonstrava naquela
altura.
Por sua vez, o Rei apenas pensava: “Não posso deixá-las nas mãos de homem tão
maquiavélico.”
Subitamente lembrou-se de que no dia em que Victor tinha ido pedir a sua filha em
casamento, o palácio tinha sido assaltado e que, por coincidência, os guardas de Victor
tinham desaparecido…
Estes pensamentos acompanhavam o Rei durante o percurso. Finalmente chegaram a
uma clareira, no sopé do monte que sustentava o palácio de Victor.
Mandou preparar os homens, as flechas, as lanças, os cavalos.
Todos estavam prontos, à excepção do irmão de Paulo, quese encontrava a rezar pois
tinha a convicção de que, antes de chegarem ao palácio, algo de mal iria acontecer.
O Rei deu a ordem de avanço e todos se dirigiram, determinados, ao monte, para salvar
as damas reais.
Infelizmente a subida tornou-se penosa, pois como chovera torrencialmente na noite e
madrugada anterior, a floresta estava inundada, cheia de enormes poças pantanosas.
- Não se intimidem, é só água! – incentivou-os o Rei – duplico-vos o salário se
conseguirem resgatar os prisioneiros e recuperar o ouro que nos foi roubado.
O esforço dos guardas, soldados e camponeses era imenso. Alguns ficaram mesmo para
trás.
Com menos homens, a esperança diminuía, mas a energia positiva ali junta era imensa.
E assim chegaram ao sopé do monte…

(Nova continuação do Marcelo, 7ºB)


Os guardas, soldados e camponeses estavam cheios de sede, o esforço era muito.
Encontraram ali uma gruta, foi então aí que um deles descobriu água potável e foi para
lá.
Instalou-se a barafunda. Todos corriam para lá, cheios de sede. Entretanto, dois
camponeses mais atrevidos entraram na gruta. Era muito escura, provocava um certo
receio… Era assustadora. Mas eles entraram.
Apenas se ouvia a água a cair e os passos deles, nada mais.
- Olha, não queres voltar para trás? – dizia um camponês.
- Não, porquê? Estás com medo? – respondia outro.
- Um bocadinho.
- Anda lá, sem receios.
E lá foram eles, dando mais um passo avante. Como era escuro eles embatiam em coisas
que por ali estavam. Aquele que estava com mais medo, foi contra um objecto, que não
conseguiu identificar no momento. Deu um grito e o companheiro assustou-se. Ao
observarem aquilo mais atentamente acharam-no esquisito, diferente de tudo o que
conheciam.
- O que é isto?
- Não sei. Mas parece esquisito.
- Guardas, guardas, venham ver isto!! – chamou um deles.
Os guardas vieram, com luz.
O Rei pediu ordem, pensou que estariam numa falta de tempo. Quando chegou perto do
artefacto, exclamou:
-O quê!? Mas isto é. Isto é…
- Senhor, encontrámos o seu ouro!
-Pois foi! Como é que veio aqui parar?
-Senhor, se calhar isto é um esconderijo de Victor. – disse um dos guardas.
- Pois, e eles devem ter uma passagem secreta para aqui! – concluiu o Rei.
Esconderam o ouro em local seguro e partiram em direcção à mansão.

(Continuação do Afonso, 7ºC)


Nos arredores da mansão/fortaleza, enormes muralhas amarelas erguiam-se à volta do
castelo, também enorme. O rei viu Victor, sentado num trono no terraço do castelo,
olhando para ele com desprezo. E, então, Victor pegou num megafone e gritou:
- Atenção a todas as tropas do rei Dom Carlos! Todos serão mortos se ousarem entrar,
mas, se se renderem, a vossa vida será poupada quando eu me tornar rei!
MUHAHAHAHAHAHAH!
O rei gritou, na esperança de acabar com aquele infame Victor:
- E eu triplico o salário, mais o bónus de Natal, a quem entrar naquela fortaleza!
Nenhuma tropa voltou para trás, e, então, Victor carregou num botão vermelho junto ao
seu trono e, usando o megafone, gritou:
- Então, entrem!
As portas abriram-se, eles viram…
Como escrever contos
Por: Alfonso Almeida

Contos capturam a essência de um evento e personagens em um curto período de tempo


e compartilham um acontecimento ou desafio específico. O conto difere de um romance
em que ela incide sobre um único clímax em vez de uma série de eventos. Os contos
muitas vezes têm vinte páginas ou menos e podem contar poderosos acontecimentos
neste curto período de tempo. Quando você for praticar a escrita, você pode escrever um
conto, seguindo algumas ou de todas as etapas seguintes.

• Comece com um personagem. Fique sabendo quem é esse personagem, como


ele é, o que ela pensa e o que o motiva. Você terá uma pequena quantidade de
tempo para fazer o leitor se preocupar com o seu personagem de modo que você
precisa conhecer-lhe em detalhes. Faça anotações para si mesmo até que você
possa decidir o que irá utilizar na história.
• Considere quais desafios a personagem pode enfrentar. Lembre-se que um
conto centra em torno de um acontecimento clímax central. Desenvolva uma
idéia sobre qual acontecimento você quer que a história fale.
• Comece a escrever. Não existe excesso de planejamento, quando se trata de
escrever histórias. Depois de ter um personagem e uma idéia sobre o principal
desafio que ele ou ela terá de enfrentar, você está pronto para começar a
escrever. Descreva o acontecimento e as pessoas com quem o seu personagem
principal terá contato.
• Desenvolva uma rotina. Cada escritor tem preferências. Alguns começam pelo
começo e escrevem tudo o que eles sabem sobre o personagem em um formato
linear. Eles escrevem tudo o que eles vêem, ouvem, sentem e tocam através dos
olhos dos personagens. Outros escritores preferem escrever o diálogo e a ação,
em seguida, criar o cenário e a configuração mais tarde. Você pode escolher
qualquer rotina que funcione para você, basta ter uma rotina para ajudar a se
puxar através de cada passo até que você tenha escrito o primeiro rascunho.
• Corte, corte e depois corte novamente. A maioria dos primeiros rascunhos de
um conto começa duas ou três vezes mais longos do que deveriam. Se você
contou a história com todos os detalhes que você sabe sobre o personagem e a
cena, então você pode ter cinqüenta ou sessenta páginas. Não se preocupe com
isso, é comum. Seu próximo passo é revisar, reduzindo os detalhes que não
importam para a história. Se você encheu a história com a história do seu
personagem que motivou as suas reações aos acontecimentos, então é aí que
você deve começar cortar. Um pouco da história passada pode ser necessária
para mover o enredo bem, o resto deve ser cortado. Seja brutal quando você for
cortar. Contos prosperam na concisão.
• Deixe a história de lado. Uma das melhores técnicas utilizadas pelos escritores
praticantes é dar uma certa distância entre os passos do processo de revisão.
Após a primeira rodada de cortes é hora de imprimir o novo projeto e deixá-lo
numa gaveta. Evite olhar para a história por vários dias ou uma semana, se você
puder.
• Revise novamente. Agora que você obteve alguma distância da história, você
pode dar uma outra olhada. Você verá mais palavras e frases que podem ser
removidas ou reescritas. Verifique o rascunho várias vezes para editar até você
ficar satisfeito com a história.

Para alguns autores, as histórias nunca estão completas e podem sempre ser alteradas.
Com um pouco de prática, você pode se tornar confortável em escrever uma história e
saber quando ela está concluída. Escreva uma história curta, seguindo estes passos até
que você crie uma rotina que funcione para você.

8 Dicas para escrever um Conto

1. Escolha uma situação

A situação não precisa ser uma história completa, basta ser um acontecimento, como,
por exemplo: uma bola no telhado, uma batida de carro, uma pessoa acordando após um
sonho. Enfim, um momento no tempo; uma pintura. Esse será o início do teu conto, ou
seja, a narrativa começará a partir daquele evento.

2. Apresente o evento

Essa é uma das partes que eu mais gosto. É nesse momento que você começará a sair da
realidade para ficção, ou seja, é neste ponto que sua narrativa deixa de lado os fatos
reais para entrar numa realidade totalmente diferente do evento observado, onde
ganhará um personagem e um ambiente. Nesse momento, portanto, é a hora que você
pode tudo!

2.1 Descreva o evento

A descrição ajuda tanto o leitor quanto o escritor. É através dela que você poderá dividir
o mesmo ambiente com o personagem e o leitor; é aquele momento mágico onde a tua
imaginação ganha asas e cria um mundo totalmente novo e inesperado. Assim, se o seu
momento for, por exemplo, uma batida de carro, descreva a batida e introduza o teu
personagem na situação.

Você pode querer ser detalhista, descrevendo os cacos de vidros, a gritaria, as sirenes
das ambulâncias, o alvoroço formado… Enfim, permitir que o leitor entre na tua
imaginação. Porém, não perca muitas linhas com isso; descreva o ambiente para que o
seu leitor possa entrar na história como um observador. Se a descrição for muito longa,
pode ser que seu leitor acabe desistindo da leitura antes do grande final.

2.2 Não descreva o evento

Apesar de gostar muito da descrição, para se iniciar o conto não é necessário o uso da
descrição. Utilize o evento somente para dar início à narrativa, deixando, caso queira, a
descrição para uma outra situação.
Assim, imagine que a batida ocorreu diante de uma barbearia e que o seu personagem
principal é o barbeiro ou o cliente que aguardava sua vez. Daí, devido à batida, o
personagem principal, ao sair para ver o que havia acontecido, não percebeu que seu
celular havia caído atrás do banco onde estava sentado. Então, por exemplo, seu conto
poderia começar da seguinte forma: Cláudio não teria como imaginar que aquela
batida seria o início de um péssimo dia…

3. Fuja do óbvio

Normalmente, sempre imaginamos o óbvio. Acredito que, ao ler o exemplo da batida,


você imaginou que o personagem principal seria um dos envolvidos no acidente, estou
certo? Se acertei, não se preocupe, isso é normal, aliás, esse exemplo foi proposital,
justamente para explicar esta terceira dica.

O evento só serve para iniciar a narrativa, pouco importa se o seu personagem é, ou não,
um dos envolvidos, o importante é que você não fique preso ao que 90% das pessoas
pensariam. Veja que a batida somente serviu para dar início ao exemplo, pois, o
personagem não estava envolvido diretamente com o evento. Aliás, uma batida de carro
pode dar início a vários contos! A quantidade de pessoas envolvidas indiretamente com
a batida, dependendo da cidade, pode chegar a mais 30. Portanto, não se deixe enganar
pelo óbvio, lembre-se: o momento da apresentação do evento é o mais interessante e
divertido, onde TUDO pode acontecer.

4. Desenvolvimento da narrativa

Agora que você já apresentou seu personagem, já situou ele no tempo e no espaço, vem
a parte que mais exige da sua imaginação, ou seja, a criação da narrativa, propriamente
dita. Nessa parte você deverá narrar os acontecimentos posteriores à situação inicial;
portanto, Cláudio (personagem de nosso exemplo) voltará para a barbearia, cortará o
cabelo e seguirá a sua vida, cuja narrativa caberá a você.

Ao dizer que a batida de carro seria o início de um péssimo dia, você já deixou o leitor
curioso, logo, os acontecimentos posteriores terão que caminhar para justificar o motivo
da curiosidade, isto é, o péssimo dia. Mantenha sempre a concisão e a precisão na
narrativa. Por exemplo, se o “péssimo dia” foi causado pela batida, Cláudio, ao esquecer
o celular na barbearia, não recebeu as ligações de sua esposa, uma mulher
extremamente ciumenta, que acabará sofrendo um acidente de carro porque teve uma
crise de ciúmes quando não conseguiu conversar com seu marido.

Veja que este poderia ser o final da sua narrativa, um final que seu leitor não imaginará
com tanta facilidade, pois, sendo uma mulher ciumenta, o óbvio seria a morte de algum
personagem. Logo, tendo nas mãos a cartada final, você deve conduzir o leitor durante
todo o trajeto até que, finalmente, ele chegue ao fatídico momento.

5. Use diálogos

Os diálogos são essenciais para apresentar o personagem. Com ele, você pode abusar de
erros gramaticais, caso queira demonstrar que o seu personagem não possui uma
educação elevada; pode demonstrar que o seu personagem é mais introspectivo, mais
extrovertido, mais brincalhão… Enfim, é uma forma de ajudar na elaboração do
personagem, deixando a cargo do leitor a criação psicológica do personagem, por
exemplo. Você pode evitar a descrição direta do personagem através dos diálogos.
Portanto, não subestime os diálogos, eles são excelentes ferramentas para quebrar a
ligação entre o narrador e o personagem.

6. Anote suas ideias

Muitos acreditam que são inspirados por Deus e, portanto, não precisam de mais nada
além de um simples papel e caneta. Não acredite nisso! Apesar de existirem, esses casos
são raros. O trabalho de um escritor é 99% de pesquisa e 5% de inspiração, como diz o
dito popular. Por mais simples que possa parecer, escolher uma situação não garante a
continuidade do conto, causando-nos o tão preocupante “bloqueio mental” e suas
consequências.

O maior problema ao escrever um Conto não está no início, nem no desenvolvimento,


mas no final, pois, se ele tem que surpreender de alguma forma o leitor, encontrar essa
surpresa poderá demorar bastante, causando desconforto ao escritor que, misturado com
o bloqueio causado pela insegurança, impedirá o desenvolvimento da história. Portanto,
uma forma de evitar essas “travadas” é manter as suas ideias sempre anotadas, mesmo
as mais absurdas. Um caderno cheio de ideias são práticos na hora de finalizar o conto,
pois, muitas vezes, o final de um determinado conto pode estar no começo de outro e
vice-versa. Então, não deixe de anotá-las! Além do mais, pode ser que outros contos
estejam prontos para surgirem dessas anotações.

7. O Final

O final de um Conto deve trazer uma euforia, uma excitação. Não precisa ser rebuscado,
basta ser inesperado, algo que o leitor não estava esperando ou, pelo menos, que não
fosse tão óbvio, como, por exemplo, o final do nosso exemplo, onde a esposa de
Claudio morre em um acidente de carro, aliás, um final com a mesma situação que
gerou toda a história. Essa estrutura cativa o leitor, deixando ele pensativo e ávido para
deixar seu comentário.

TIPOS DE CONTOS
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Estudos Literários

“[...] em verdade, sempre será conto aquilo que seu autor batizou com o nome
de conto...” (Mário de Andrade, in Contos e Contistas)

Vou usar para a classificação dos contos, a sugestão de "Carl H. Grabo, in The
Art of the Short-story, pp. 128/210". Mas é preciso atentar para o fato de que o
conto após ter adquirido identidade própria, vem se manifestando das mais
diversas maneiras, de modo que dificilmente são fiéis a uma classificação fixa,
devido, justamente, a essa liberdade que os autores têm de imprimir novas
características a cada conto que produzem. Além disso, não existem, mesmo
dentro de qualquer classificação, contos puros. Todo o conto apresenta múltiplas
características, porém com predominância de uma que lhe dá sua localização em
determinada categoria:
O Conto Fantástico (clique no link)

O conto de Ação – é o tipo mais comum; começou com As mil e uma Noites e nos
dias atuais os contos policiais e de mistério lhe dão continuidade. A predominância
da aventura nesse tipo de conto não significa a ausência das demais. Existem, sem
dúvida, mas em grau de inferioridade em relação à ação.

O Conto de Personagens (menos comum) – o objetivo deste conto é retratar


uma personagem. Mesmo que constitua o objetivo principal do contista, esta nunca
atingirá o grau de plenitude, específico do romance. Se o contista volta sua atenção
ao exame da personagem, levará, sempre, em conta a conjectura própria do conto,
ou seja, o fará dentro dos limites próprios à narrativa curta, isto é, sintetizada.
Na Literatura Brasileira, Clarice Lispector, levou o conto de personagem à perfeição
com sua obra prima, Feliz Aniversário: A narrativa se constrói em torno da
celebração do aniversário duma anciã de 89 anos: ela tão somente constitui o
centro de tudo. As referências rápidas aos demais familiares apenas colaboram
para formar a atmosfera onde o episódio máximo da existência da velinha vai ter
lugar. E de repente, com breves palavras a contista ergue a presença viva da
personagem diante de nós:
"E para adiantar o expediente, vestira a aniversariante logo depois do almoço.
Pusera-lhe desde então a presilha em torno do pescoço e o broche, borrifara-
lhe um pouco de água-de-colônia para disfarçar aquele seu cheiro de guardado
– sentara-a à mesa. E desde as duas horas a aniversariante estava sentada à
cabeceira da longa mesa vazia, tesa na sala silenciosa..."
Daí por diante, a ficcionista só faz retocar a figura, acrescentando-lhe minúcias que
enriquecem o esboço inicial, pois o seu “close-up” nos é ofertado as primeiras
pinceladas.
“Os músculos do rosto da aniversariante não a interpretavam mais, de modo que
ninguém podia saber se ela estava alegre. Estava era posta à cabeceira. Tratava-
se de uma velha grande, magras, imponente e morena. Parecia oca.”
E assim até o fim.

O Conto de Cenário ou Atmosfera (raro) - nele predominam o cenário e o


ambiente sobre o enredo e os protagonistas. Na Literatura Brasileira temos como
exemplo o conto de Assombramento, que abre o volume Pelo Sertão, de Afonso
Arinos. É uma extensa narrativa em torno de um mal-entendido. Dizia-se que uma
casa abandonada era assombrada e que a assombração tinha hora certa para se
anunciar. Até que uns destemidos vaqueiros resolvem desvendar o mistério, e
descobrem que a tal assombração era tão somente o vento batendo estridente e
sinistramente nas velharias da casa mal-assombrada.
Esse conto é classificado como de ambiente e atmosfera pelo fato de se organizar
em torno dos objetos e pormenores que vão sendo desvendados à medida que os
vaqueiros penetram na escuridão da casa assombrada. Mas a assombração não
existe na cabeça dos personagens? Sim, existe; mas o contista desvia o eixo
narrativo para a causa material do medo que tomava conta dos vaqueiros em meio
às trevas, passando a tônica dramática para o ambiente, o leitor, por sua vez,
experimenta o mesmo sentimento das personagens, à medida, que também
adentra a casa abandonada. Por isso, há, neste conto, uma associação com o conto
de emoção.

O Conto de Ideia - veículo de doutrinas filosóficas, estéticas, políticas, etc., é


mais utilizado e freqüente que o de ambiente e atmosfera. Teve no século XVIII,
seu apogeu; época em que se escreveram inúmeras narrativas de caráter
moralista, em torno de uma idéia. Voltaire foi seu maior representante, mestre no
gênero.
Nele o contista oferece ao leitor uma síntese, generalizada, das observações que a
vida lhe permitiu fazer acerca dos homens e do mundo. O material de que se serve
é o usual: personagens, história, ambiente, etc. Porém o objetivo é utilizá-los como
instrumento para transmitir o que pretende: a idéia que está identificada com a
ação e os personagens, isto é, em vez de escrever para a idéia, o ficcionista
escreve um conto e nele embute a idéia. Em caso contrário, o conto se
transformaria em um mero veículo de idéias preconcebidas, ou em panfleto. O
Alienista, de Machado de Assis, parece enquadrar-se perfeitamente nesse tipo de
conto. Nele Machado pretende nos mostrar como sabemos pouco da espécie
humana: quem é lúcido? Quem não é? Onde a verdade?

O Conto de Efeitos Emocionais - visa simular uma sensação no leitor, de terror,


de pânico, de surpresa, etc., como nas histórias de Hoffmann, Poe e outros.
Freqüentemente vem mesclado com o conto de idéia. Personagens, ação,
ambiente, tudo nele converge para o objetivo principal, que é despertar uma
emoção em quem lê. Apropriado à comunicação dos climas de mistério ou de medo.
®Sérgio.

O CONTO FANTÁSTICO
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Estudos Literários

Conto Fantástico ou de Fantasia é uma das formas mais livres de escrever, pois
permite a imaginação um vasto desenvolvimento. Tomemos como exemplo Harry
Potter que é a representação de um mundo fruto da invenção de imaginação. Não é
somente uma criação de diferentes tipos de pessoas e criaturas, inclui também
drama e aventura.

Como vimos, o conto fantástico é a construção de um mundo irreal, com


situações improváveis e ações que transpassam a realidade além do humano. Há
presença de magia que dá margem para que fatos absurdos aconteçam ao longo da
narrativa, como se fossem normais: seres mágicos que aparecem e desaparecem
com facilidade. O herói possui poderes extraordinários que o ajudam a derrotar o
mal.

O que distingue o conto fantástico dos outros tipos de contos é justamente a


presença do fator mágico, da magia que envolve as personagens principais
e desempenha um papel fundamental na história. Um fator que identifica os
personagens do conto fantástico aos leitores é o de que o protagonista da história
possui características humanas e também limites físicos e emocionais, porém,
consegue enfrentar o problema e resolvê-lo com a ajuda do sobrenatural. ®Sérgio.

CONTO ACUMULATIVO OU A PARLENDA LONGA


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Estudos Literários

Também denominados "lengalenga", são contos nos quais as seqüências


narrativas se repetem e se encadeiam com acréscimos e recorrências de alguns
elementos, sempre na mesma ordem, até o fim. Por isso são conhecidos como
"contos de nunca mais acabar". Eles têm característica de uma longa parlenda,
contada e recontada para divertir as crianças. Além disso, desenvolve, nas
crianças, a oralidade e as aproxima da leitura.
Câmara Cascudo registra apenas dois contos cumulativos: O Menino e a Avó
Gulosa e O Macaco Perdeu a Banana. Todavia, os pesquisadores da UFBA
recolheram muitas versões. Pesquisadores outros encontraram 61 versões de
contos desse gênero. No Brasil, os contos acumulativos são, na maioria, oriundos
de Portugal. Os elementos locais são apenas acréscimos.

O Macaco e O Rabo¹
Uma ocasião achavam-se na beira da estrada um macaco e uma cotia e vinha
passando na mesma estrada um carro de bois cantando. O macaco disse para a
cotia:
— Tira o teu rabo da estrada, senão o carro passa e corta.
Embebido nesta conversa, não reparou o macaco que ele é que corria o maior
risco, e veio o carro e passou em riba do rabo dele e cortou. Estava um gato
escondido dentro de uma moita, saltou no pedaço do rabo do macaco e correu.
Correu também o macaco atrás, pedindo o seu pedaço de rabo. O gato disse:
— Só te dou, se me deres leite.
— Onde tiro leite? – disse o macaco.
Respondeu o gato:
— Pede à vaca.
O macaco foi à vaca e disse:
— Vaca, dá-me leite para dar ao gato, para o gato dar-me o meu rabo.
— Não dou; só se me deres capim. – disse a vaca.
— Donde tiro capim?
— Pede à velha.
— Velha, dá-me capim, para eu dar à vaca, para a vaca dar-me leite, o leite
para o gato me dar o meu rabo.
— Não dou; só se me deres uns sapatos.
— Donde tiro sapatos?
— Pede ao sapateiro.
— Sapateiro, dá-me sapatos, para eu dar à velha, para a velha me dar capim,
para eu dar à vaca, para a vaca me dar leite, para eu dar ao gato, para o gato me
dar o meu rabo.
— Não dou; só se me deres cerda.
— Donde tiro cerda?
— Pede ao porco.
— Porco, dá-me cerda, para eu dar ao sapateiro, para me dar sapatos, para eu
dar à velha, para me dar capim, para eu dar à vaca, para me dar leite, para eu dar
ao gato, para me dar o meu rabo.
— Não dou; só se me deres chuva.
— Donde tiro chuva?
— Pede às nuvens.
— Nuvens, dai-me chuva, para o porco, para dar-me cerda para o sapateiro,
para dar-me sapatos para dar à velha, para me dar capim para dar à vaca, para
dar-me leite para dar ao gato, para dar meu rabo…
— Não dou; só se me deres fogo.
— Donde tiro fogo?
— Pede às pedras.
— Pedras, dai-me fogo, para as nuvens, para a chuva para o porco, para cerda
para o sapateiro, para sapatos para a velha, para capim para a vaca, para leite
para o gato, para me dar meu rabo.
— Não dou; só se me deres rios.
— Donde tiro rios?
— Pede às fontes
— Fontes, dai-me rios, os rios ser para as pedras, as pedras me dar fogo, o fogo
ser para as nuvens, as nuvens me dar chuvas, as chuvas ser para o porco, o porco
me dar cerda, a cerda ser para o sapateiro, o sapateiro fazer os sapatos, os sapatos
ser para a velha, a velha me dar capim, o capim ser para a vaca, a vaca me dar o
leite, o leite ser para o gato, o gato me dar meu rabo.
Alcançou o macaco todos os seus pedidos. O gato bebeu o leite, entregou o
rabo. O macaco não quis mais, porque o rabo estava podre.
O CONTO E SUA ESTRUTURA TRADICIONAL
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Estudos Literários

01. Espaço
• O Espaço deve ser reduzido, no geral, uma sala, ou mesmo um quarto de dormir,
basta para que se organize o enredo. No máximo, uma casa, uma rua. Um
deslocamento maior, o que seria muito raro, de duas uma: ou a narrativa procura
abandonar sua condição de conto, ou advém da necessidade imposta pelo conflito
que lhe serve de base. Portanto, a ação gera o espaço. Para exemplificar, tomemos
A Missa do Galo, de Machado de Assis. Tudo se passa na sala da frente daquela
casa assobradada da Rua do Senado. Ali o drama começa e termina.

02. Tempo
• O Tempo fica restrito a um pequeno lapso; horas e, quando muito, dias. Não
interessa ao conto o passado ou o futuro das personagens. Se o contista dilata esse
tempo para semanas, meses etc., parte dele ficará sem carga dramática; ou se
trata de um tempo referido: “passaram-se semanas...”. Esse longo tempo referido
aparece, assim, na forma de síntese dramática. Em a Missa do Galo, não há
antecedentes temporais; podemos imaginar que tudo ocorra mais ou menos entre
as vinte e três horas e meia-noite, pela seguinte frase do protagonista: “Ouvi bater
onze horas, mas quase sem dar por elas, um acaso”.

03. Foco Narrativo


• Já vimos que o conto é essencialmente objetivo e, por isso, costuma ser narrado
na terceira pessoa em uma dessas situações:
a) O escritor, como observador, conta a história.
b) O escritor, como observador analítico ou onisciente (sabedor de tudo), conta
história.
Observação: Todavia, a primeira pessoa também pode ser empregada da
seguinte maneira: A personagem principal conta a história; ou uma personagem
secundária conta a história da personagem central.

04. Personagens
• Levando em consideração, as características de tempo e lugar, o conto só pode
estabelecer-se com um reduzido número de personagens, normalmente duas ou
três. Quaisquer outras irão desempenhar funções secundárias (de ambiente ou
cenário social). As personagens centrais não exibem complexidade de caráter, isto
é, são previsíveis em suas atitudes, pois a brevidade do conto não lhe dá tempo
suficiente para mostrar uma faceta imprevisível. Só não parece possível o conto
com uma única personagem; em todo caso, se apenas uma aparece, outra figura
deve estar atuando ou vir a atuar, direta ou indiretamente, para que se estabeleça
o conflito que gera a história.
• Serve de exemplo, O Ladrão, de Graciliano Ramos. No conto, o protagonista
penetra na calada da noite, em uma casa para roubá-la. Inexperiente e dominado
pelo medo, perde-se pela casa e tarda para chegar ao quarto de dormir onde estão
guardadas as jóias que pretende roubar. Depois de muita indecisão, chega a seu
destino. Mas diante da bela jovem que dormia placidamente, fica desconcertado.
Que fazer? As jóias? O amor? Decide beijá-la, mas o alarme é dado e ele é preso.
Vê-se que o protagonista permanece sozinho, e nesse período de tempo não há um
drama, um conflito. É quando a figura da moça lhe aparece que o drama surge e
completa-se somente no momento em que decide beijá-la. Portanto, dois
protagonistas. Dá-se o nome a esse truque narrativo de epílogo enigmático.

05. O Diálogo
• A linguagem deve também ser objetiva e utilizar metáforas simples e de imediata
compreensão para o leitor. Deve-se evitar uma quantidade excessiva de palavras e
fluências, principalmente, para dizer coisas de pouca importância, ou de pouco
conteúdo. O conto prefere a concisão na linguagem. Quanto ao discurso, deve ser,
tanto quanto possível, dialogado. Como os conflitos residem nas falas das
personagens (proferidas ou pensadas e não no resto); sem diálogo não há
discórdia, desavença ou mal-entendido, e sem isso não há conflito, não há ação.
• O conto tem preferência pelo diálogo direto porque põe o leitor diante dos fatos,
como participante direto e interessado. A comunicação entre o leitor e a narrativa é
instantânea. O indireto aparece menos, e assim mesmo, só nos casos em que não
vale a pena transcrevê-los diretamente.

06. O Epílogo
• O epílogo corresponde, geralmente, ao clímax da história que, via de regra, deve
ser enigmático, imprevisível e abruptamente revelado para surpreender o leitor.
Contudo, segundo os estudiosos, o cuidado do contista deve estar mais no inicio da
narrativa - das primeiras linhas depende o futuro do conto - do que em terminá-lo.
Pois, se o leitor se deixa prender desde o começo irá, por certo, até o fim. Caso
contrário, desistirá. De qualquer maneira, as primeiras linhas seduzem e atraem o
leitor e o epílogo contém a chama que lhe dá o êxtase.
• Um bom exemplo da objetividade do conto, da introdução encostada no epílogo,
nos dá o escritor americano Willian Saroyan (apontado como um dos contistas
revolucionários do século XX), pela autoria deste conto em apenas algumas
palavras:
O padre voltou-se para o homem que o apunhalara nas costas, examinou-lhe
cuidadosamente a cara e, morrendo disse:
— Por que me matas? Nunca te fiz nenhum favor’?
• Este conto de Willian é também um bom exemplo do conto contemporâneo, que
vem substituindo a estrutura clássica, rígida, pela construção de um texto mais
curto ainda, com o objetivo de conduzir o leitor para além das linhas, para além do
dito, para a descoberta de um sentido nas entrelinhas, o não-dito. A ação se torna
ainda mais reduzida, surgem monólogos e a exploração de um tempo interior,
psicológico.

TIPOS DE CONTOS POPULARES


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Estudos Literários
Existem várias classificações de contos populares. A mais conhecida é a de
Aarne-Thompson (The types of the folktale), que distribui os contos populares em
três grandes grupos:
1º. Contos de animais (1 a 299 tipos);
2º. Contos comuns (300-1199);
3º. Facécias/anedotas (1200-1999).
No entanto, vamos adotar a classificação efetuada por folclorista Luís da Câmara
Cascudo em seu Dicionário Do Folclore Brasileiro, por ter o mérito de ater-se a
aspectos intrínsecos da construção narrativa do conto popular e de buscar vincular
as narrativas brasileiras a uma codificação internacional do imaginário humano. A
classificação de Luís Câmara Cascudo é a seguinte:

Contos de Encantamento – Também é conhecido como conto maravilhoso ou


conto de fadas. É um tipo de conto ambientado no sobrenatural e maravilhoso,
onde príncipes, princesas enfrentam monstros e bruxas e conseguem superar as
adversidades graças à intervenção de ajudantes mágicos. A história quase sempre
tem um final feliz. Entre os contos de encantamentos há muitos que estão
espalhados por todo o Brasil, mas que receberam um colorido especial de cada
região, como Bicho de Palha (Gata Borralheira); sendo o conto que apresenta o
maior número de versões (143) e o registro de três variantes (a mais tradicional é
a que o ajudante mágico é uma vaca com a varinha de condão). Outros exemplos:
A Princesa Jia, O Marido da Mãe d'água, O Filho da Burra, O Peixinho Encantado, Os
Sete Sapatos da Princesa, A Filha do Diabo, Contos da Carochinha, Joãozinho e
Maria, Branca de Neve, A Bela Adormecida, entre outros.

Contos de Animais - São contos em que os animais são dotados de qualidades,


defeitos e sentimentos humanos. A esperteza e a astúcia são as únicas armas de
que um animal, sempre de porte pequeno, dispõe para enfrentar seu inimigo mais
forte. Estruturalmente assemelham-se à fábula, pois há na história uma intenção
moralizante. Os tipos mais representativos integram os ciclos do macaco e a onça,
do coelho e o sapo ou o cágado, da raposa e a onça. São exemplos: O gavião e o
urubu, A raposa e as uvas, O pulo do gato, etc.

Contos de Exemplo - são aqueles estruturados pelo antagonismo Bem versus Mal,
em que um delito contra uma norma de caráter social conduz o desfecho da intriga
para uma lição de moral. Recorrendo à sagacidade para inverter a situação de
desvantagem, o réu, transforma-se em herói. São exemplos: O Vaqueiro que não
Mentia, O Compadre Rico e o Pobre, Os Dois Corcundas, A Menina dos Brincos de
Ouro, entre outros.

Contos Religiosos - Caracterizam-se pela presença ou interferência divina.


Mostram ao mesmo tempo a fé, a crendice, a superstição e o sentimento místico de
nossa gente, numa singela aliança como se pode observar em Jesus e os
lavradores, A Moça e a Vela, Os Rins da Ovelha, Como a Aranha Salvou o Menino
Jesus, A Mãe de São Pedro etc.
Causos - São histórias cobertas de fantasia, nas quais se misturam elementos
míticos e lendários, contadas, sobretudo por pescadores, tropeiros, vaqueiros,
peões de fazenda e caçadores (extraordinários contadores de causos). Geralmente,
o contador é o personagem principal, outras vezes, porém, apenas assistiu o fato.

Contos De Anedotas/Facécias - São narrativas curtas em tom de chacota leve e


alegre. A trama é conduzida sob o foco de um herói malandro que troça de ricos e
poderosos. Dentre os contos facciosos os do ciclo de Pedro Malasartes, de São
Pedro e Jesus e de Bocage são os mais divulgados. Outros contos: A Mulher do
Piolho, A Gulosa Disfarçada, O Menino Sabido e o Padre, A Sopa de Pedra, O
Homem Que Pôs Um Ovo.

Contos Acumulativos ou Parlenda Longa – (clique no link)

Contos Etiológicos – São contos inventados para explicar ou dar razão a origem
de um aspecto, forma, hábito, disposição, propriedade, caráter de qualquer pessoa
ou coisa. São exemplos: Porque o Negro é Preto, A Causa da Seca no Ceará, A
Maçarapeba ficou com a boca torta por ter zombado de Nossa Senhora; A festa no
céu, que explica porque o casco do cágado é todo em pedaços, para só citar esses.

Demônio Logrado - É a reunião de contos ou disputas em versos em que


Demônio intervém; perdendo este uma aposta e sendo derrotado: Toca por Pauta,
O Afilhado do Diabo, As Perguntas de Dom Lobo, Audiência do Capeta etc. ®Sérgio.

COMO ESCREVER CONTOS EM 10 DICAS - 1ª. DICA - O QUE É UM CONTO?


1. DICA - O QUE É UM CONTO?

ENTENDENDO O CONTO

O entendimento do que é um conto é o primeiro passo para escrevê-lo. Apesar de


aparentemente esdrúxula, essa afirmação é de muita perspicácia. Como posso ser um
atleta se não compreendo os objetivos a serem buscados? Pois, da mesma forma, isso se
dá ao escritor. O desconhecimento ou, ainda, a suposição do conhecimento, fará com
que o autor ignore possibilidades valiosas ou, contrariamente, utilize ferramentas
inadequadas à formatação de um bom conto.

Iniciemos, com uma visão moderna, pela compreensão de CONTO enquanto gênero
literário. Um CONTO pode ter natureza poética, mas não é poesia. Desenvolvido em
prosa, o CONTO não utiliza artifícios de rima, nem se distribui ao longo do enredo em
forma de versos (Epopéia).

O CONTO, assim como a novela e o romance, trata de uma narrativa. A primeira (e


grande) diferença em relação a esses seus “irmãos” está no tamanho do texto. Romances
e novelas são bem mais longos, permitindo-se à quebras de cenários, entrada e saída de
personagens (mais no romance que na novela) e a divisão do enredo em capítulos.

O CONTO se caracteriza pela concisão e pela densidade do texto. Pelo tamanho do


texto, não se concebe a criação de muitas personagens, excessiva divisão em capítulos e
há uma clara limitação na utilização de novos espaços e tempos (poucos cenários).

Diferentemente do romance, o ápice do CONTO é o seu final. Enquanto no romance há


um equilíbrio das emoções ao longo da narrativa (ou mesmo enfraquecimento próximo
ao epílogo), o CONTO se desenvolve no sentido de um final reflexivo, surpreendente
ou polêmico.

O miniconto e/ou microconto, é um OUTRO gênero que vem crescendo bastante


atualmente. Com efeito semelhante ao do poetrix para a poesia, o miniconto condensa
em 50 ou pouco mais letras, uma história, normalmente a ser interpretada ou
racionalizada pelo leitor.

SÍNTESE
Gênero narrativo, desenvolvido em prosa e de tamanho curto. Utiliza poucas
personagens, pequena (ou nenhuma) divisão capitular e aceita pouca variação de espaço
e tempo. Seu foco é o final do texto.

OMO ESCREVER CONTOS EM 10 DICAS - 2ª. DICA - ADEQUANDO O


OLHAR - 3ª. DICA - DESENVOLVENDO-SE TÉC.
ESCREVER CONTOS EM 10 DICAS - HOJE:
2ª. DICA - ADEQUANDO O OLHAR
3ª. DICA - DESENVOLVA-SE TECNICAMENTE

2ª. - DICA - ADEQUANDO O OLHAR

O contista deve ter um olhar diferenciado do mundo. Um olhar poético e, ao mesmo


tempo, investigativo. Deve LIBERTAR OS 5 SENTIDOS para a percepção e aprender a
“ouvi-los”.

Essa capacidade de observação é nata em algumas pessoas. Entretanto, pode ser


desenvolvida. Escrever um conto, não é, NECESSÁRIAMENTE, criar uma história
com idas e vindas, personagens complexos e enredo insólito ou surpreendente. Em
pouco espaço, isso é por demais exaustivo. O conto reproduz imagens, reais ou fictícias,
criadas aos olhos do autor.

Vamos à prática: Você está andando à noite e vê um carro. Ao “olhar” do contista, isso
pode ambientar um conto. Algo assim:

“A noite andava alta, tal qual seus pensamentos. O vento forte e a baixa temperatura
mantiveram as pessoas em casa, tornando-o quase um solitário em seu caminhar. As
vezes, o farol de um carro o fazia desviar o olhar, tirando-o, mesmo que
momentaneamente, dos devaneios em que mergulhava freqüentemente”.

Repare que o texto está ambientado, e os detalhes fazem parte de um imagem absorvida
e transmitida pelo autor. A captura de sentimentos e percepções que envolvem essa
cena (de onde vem, para onde vai, o que pensava, porque andava), deverão conduzir o
leitor à uma descoberta, uma reflexão ou mesmo, porque não, a um sorriso. (Veremos
mais sobre isso na DICA-5).
Então... vamos afiar esse olhar!’

3ª. - DICA – DESENVOLVENDO-SE TECNICAMENTE

Só no dicionário Sucesso vem antes de Trabalho. Se você tem vocação para escrever.
Ótimo! Vai ter que trabalhar no seu desenvolvimento do mesmo jeito...
Sugestões para auxiliar no desenvolvimento de habilidades para um contista:

- LER MUITO E BEM


Não dá para escrever bem se não ler bem. Chega um momento que os recursos acabam
e o trabalho se torna repetitivo. E não adianta ficar lendo porcaria. O negócio é ir “para
as cabeças” mesmo:
Machado de Assis, Hemingway, Dalton Trevisan, Rubem Fonseca, Clarice Lispector,
Jorge Luís Borges, Graciliano Ramos, Mia Couto, Virginia Woolf, por aí.

- DESCRIÇÃO DE OBJETOS
Separe vários objetos distintos em sua natureza e feche os olhos. Tome, um de cada vez,
à mão e, de olhos fechados, descreva-o com o maior número de detalhes possível. No
mínimo 10 qualidades ou características (seja qual for o objeto).

- DISSERTAÇÃO SOBRE IMAGENS


Separe imagens, fotografias, revistas ou mesmo na internet. Uma de cada vez, observe
por um instante. Agora (de preferencia em voz alta), faça uma dissertação sobre o que
está vendo ou percebendo. Fale das cores, do ambiente, do supostos aromas, das
probabilidades. Um minuto por imagem.

- PRÁTICA
Arranje um dicionário e comece a escrever!!
(Nos vemos nas Dicas 4 e 5)

CONSULTE:
http://www.recantodasletras.com.br/contosdefantasia/1188691

ESCREVENDO CONTOS EM 10 DICAS


"O intuito desse trabalho não é ensinar alguém a ser escritor. Nem reciclar
escritores constituídos. Mas levar singela contribuição àquele que inicia seus
primeiros passos no intrigante gênero da narrativa curta e intensa."

OMO ESCREVER CONTOS EM 10 DICAS - 2ª. DICA - ADEQUANDO O


OLHAR - 3ª. DICA - DESENVOLVENDO-SE TÉC.
ESCREVER CONTOS EM 10 DICAS - HOJE:
2ª. DICA - ADEQUANDO O OLHAR
3ª. DICA - DESENVOLVA-SE TECNICAMENTE

2ª. - DICA - ADEQUANDO O OLHAR

O contista deve ter um olhar diferenciado do mundo. Um olhar poético e, ao mesmo


tempo, investigativo. Deve LIBERTAR OS 5 SENTIDOS para a percepção e aprender a
“ouvi-los”.

Essa capacidade de observação é nata em algumas pessoas. Entretanto, pode ser


desenvolvida. Escrever um conto, não é, NECESSÁRIAMENTE, criar uma história
com idas e vindas, personagens complexos e enredo insólito ou surpreendente. Em
pouco espaço, isso é por demais exaustivo. O conto reproduz imagens, reais ou fictícias,
criadas aos olhos do autor.

Vamos à prática: Você está andando à noite e vê um carro. Ao “olhar” do contista, isso
pode ambientar um conto. Algo assim:

“A noite andava alta, tal qual seus pensamentos. O vento forte e a baixa temperatura
mantiveram as pessoas em casa, tornando-o quase um solitário em seu caminhar. As
vezes, o farol de um carro o fazia desviar o olhar, tirando-o, mesmo que
momentaneamente, dos devaneios em que mergulhava freqüentemente”.

Repare que o texto está ambientado, e os detalhes fazem parte de um imagem absorvida
e transmitida pelo autor. A captura de sentimentos e percepções que envolvem essa
cena (de onde vem, para onde vai, o que pensava, porque andava), deverão conduzir o
leitor à uma descoberta, uma reflexão ou mesmo, porque não, a um sorriso. (Veremos
mais sobre isso na DICA-5).
Então... vamos afiar esse olhar!’

3ª. - DICA – DESENVOLVENDO-SE TECNICAMENTE

Só no dicionário Sucesso vem antes de Trabalho. Se você tem vocação para escrever.
Ótimo! Vai ter que trabalhar no seu desenvolvimento do mesmo jeito...
Sugestões para auxiliar no desenvolvimento de habilidades para um contista:
- LER MUITO E BEM
Não dá para escrever bem se não ler bem. Chega um momento que os recursos acabam
e o trabalho se torna repetitivo. E não adianta ficar lendo porcaria. O negócio é ir “para
as cabeças” mesmo:
Machado de Assis, Hemingway, Dalton Trevisan, Rubem Fonseca, Clarice Lispector,
Jorge Luís Borges, Graciliano Ramos, Mia Couto, Virginia Woolf, por aí.

- DESCRIÇÃO DE OBJETOS
Separe vários objetos distintos em sua natureza e feche os olhos. Tome, um de cada vez,
à mão e, de olhos fechados, descreva-o com o maior número de detalhes possível. No
mínimo 10 qualidades ou características (seja qual for o objeto).

- DISSERTAÇÃO SOBRE IMAGENS


Separe imagens, fotografias, revistas ou mesmo na internet. Uma de cada vez, observe
por um instante. Agora (de preferencia em voz alta), faça uma dissertação sobre o que
está vendo ou percebendo. Fale das cores, do ambiente, do supostos aromas, das
probabilidades. Um minuto por imagem.

- PRÁTICA
Arranje um dicionário e comece a escrever!!
(Nos vemos nas Dicas 4 e 5)

CONSULTE:
http://www.recantodasletras.com.br/contosdefantasia/1188691

ESCREVENDO CONTOS EM 10 DICAS


"O intuito desse trabalho não é ensinar alguém a ser escritor. Nem reciclar
escritores constituídos. Mas levar singela contribuição àquele que inicia seus
primeiros passos no intrigante gênero da narrativa curta e intensa."

ESCREVER CONTOS EM 10 DICAS – 6ª.DICA: A NARRAÇÃO - 7ª.DICA: OS


DIÁLOGOS - 8ª.DICA: O USO DO TEMPO
ESCREVER CONTOS EM 10 DICAS – HOJE:
- 6ª.DICA – A NARRAÇÃO
- 7ª.DICA – OS DIÁLOGOS
- 8ª.DICA – O USO DO TEMPO

Se está acompanhando desde a 1ª.DICA, então você:


- Entendeu do que se TRATA um conto;
- Está exercitando uma nova forma de OLHAR os fatos e os
acontecimentos;
- Começou a LER mais e melhor (ou continuou);
- Está praticando a DESCRIÇÃO de objetos;
- Está praticando a DISSERTAÇÃO sobre imagens;
- Começou a criar (e guardar) seus primeiros TEXTOS-BASE;
- Já sabe o que se espera de cada etapa do DESENVOLVIMENTO
de um conto;
- E está tomando os CUIDADOS básicos com a narrativa.

Muito bem!!

Vamos tratar de outros tres pontos importantes:

6ª.DICA – A NARRAÇÃO

O forma em que ocorrerá a narrativa, é ponto básico, ou seja, estrutural, para a


organização das idéias do autor, bem como para o desenvolvimento da história.
De modo geral, podemos resumir da seguinte forma:

- Narrativas em primeira pessoa:


A personagem principal conta a história. Vejamos:
“O dia mal havia nascido e eu já estava de pé. Pela janela, observei a estradinha de terra
que se perdia na cerração.”
Esse é um tipo de narração muito natural. Observe que é exatamente como quando,
conversando com amigos, estamos contando uma história ou um acontecimento nosso.

- Narrativas em segunda pessoa:


O narrador é coadjuvante na história. Um exemplo:
“Por mais que me esforçasse, acompanhar o mago em suas caminhadas era, para mim,
tarefa ingrata. Suas passadas eram suaves, porém firmes, e o levavam velozmente por
entre trilhas, mergulhando na mata e na noite.”
Essa narração é mais encontrada em textos policiais ou heróicos, onde o narrador,
participando ativamente do enredo, conta os feitos de outra pessoa.

- Narrativas em terceira pessoa:


O narrador é um observador, externo à história. Na prática:
“Deslizou o olhar ao redor. O piso, em tábuas largas, desprendia um odor suave da
madeira tratada e trazia ao ambiente ares rústicos de uma época finda. Na sala, jogados
por sobre almofadas e sofás de couro, encontravam-se todos reunidos.”
Essa narração é bastante tradicional. Tanto em contos, quanto em novelas ou romances.
Nela o narrador, embora não atue, tem a missão de descrever os cenários e a ação das
personagens.

As questões psicológicas e emocionais, podem ainda variar dentro do estilo do narrador.


Ele pode optar por “conhecer” e, portanto, descrever com detalhes o que realmente se
passa com a personagem:
“O medo lhe afetava os ossos. O coração disparava e a mente, à pique, mergulhava em
um turbilhão de pensamentos desencontrados.”

Ou apenas especular o que pode estar acontecendo:


“Suas pernas tremiam. Provavelmente nunca sentira tanto medo em sua vida. Imóvel,
aparentava estar em um lapso ou, ainda, em colapso”.

Agora, que tal pegar um texto-base, escolher um estilo de narrativa e desenvolver


algumas linhas? Mãos à obra!

7ª.DICA – OS DIÁLOGOS

Com freqüência, o contista utiliza diálogos para criar emoções, conduzir um conflito ou
induzir à uma reflexão.
Os diálogos podem, inclusive, serem os responsáveis pela caracterização de qualquer
das etapas do conto (ambientação, apresentação, condução e significação), sendo mais
raro para a ambientação.

De um modo simplificado os diálogos podem ocorrer em:

- Discurso direto
É o mais comum. As personagens conversam entre si, de modo direto. Os diálogos são
expressados no texto através dos travessões. Vamos ver:
“- Se você não me ajudar, eu não vou agüentar! – insistiu.
- Não está sendo fácil... – respondeu; para em seguida cerrar os olhos e suspirar
profundamente.
- Você age como se o tivesse amado mais do que eu. Como se sua perda também não
fosse a minha perda!”

- Discurso indireto
Nesse caso, os diálogos são “absorvidos” pela narrativa, e transparecem como fatos em
meio aos acontecimentos. Exemplos:
“Do outro lado da rua seus olhos fogueavam, atravessou esbaforido e gritava da
oportunidade perdida. Paulo falou do bonde e do pacote. Não adiantou, por ele
atracavam-se ali mesmo!”

“Embora dissesse que não iria mais, ele insistia. Falava de belas paisagens e de
romance. Seus olhos brilharam e ela se calou.”

Existem ainda outras possibilidades mais complexas como Fluxo de consciência, caso
em que a personagem conversa com o seu “Eu interior”, do tipo:
“O telefone estava tocando... “Você não vai atender vai?”
Tola, atendi.”

Agora me ocorreu uma coisa curiosa. Em meus textos-base, não tenho diálogos
diretos... Vocês têm?

8ª.DICA – O USO DO TEMPO

O uso do tempo, em textos de qualquer natureza, requer atenção.


Se a história já aconteceu, a narrativa deve ser feita no passado. Se está acontecendo, a
trama deve ser desenvolvida no presente e, se ainda não ocorreu, deve ser tratada no
futuro.

Como todas as dicas anteriores parece óbvio, mas não é. Outro ponto importante, é que
o contista deve decidir em que tempo o conto ocorre para facilitar o desenrolar da trama
e das próprias idéias. Veja um exemplo:

PASSADO: “A edificação ERA rara e impressionante. Os tetos azulados que


DESCIAM até os cunhais, ATRIBUÍAM linhas românticas à imponência gótica da
arquitetura.”

PRESENTE: “A edificação É rara e impressionante. Os tetos azulados que DESCEM


até os cunhais, ATRIBUEM linhas românticas à imponência gótica da arquitetura.”

FUTURO: “A edificação SERÁ rara e impressionante. Os tetos azulados DESCERÃO


até os cunhais e ATRIBUIRÃO linhas românticas à imponência gótica da arquitetura.”

Há composições que suportam mais de um tempo. Entretanto requerem prática, atenção,


e a inserção dentro de um contexto que justifica a narrativa dessa forma.
No começo é melhor evitar os equívocos...

Muito bem! Nas DICAS 9ª. e 10ª., escreveremos e revisaremos (juntos) um pequeno
conto passo à passo. Até lá!!

ESCREVENDO CONTOS EM 10 DICAS


“O intuito desse trabalho não é ensinar alguém a ser escritor. Nem reciclar escritores
constituídos. Mas levar singela contribuição àquele que inicia seus primeiros passos no
intrigante gênero da narrativa curta e intensa.”
ESCREVER CONTOS EM 10 DICAS - 9ª DICA: ESCREVENDO UM CONTO -
10ª DICA: REVISANDO CONTOS
ESCREVER CONTOS EM 10 DICAS HOJE:
- 9ªDICA: ESCREVENDO CONTOS
- 10ªDICA: REVISANDO CONTOS

1 - TEXTO-BASE
Escolhi esse texto-base que recebi de uma amiga recantista, para iniciar o
desenvolvimento de nosso pequeno conto:

"Hoje sinto saudade da vegetação, dos arbustos, dos jardins imensos de uma infância
adorada, encantada.

Meu coração pulsa em terras estrangeiras, onde o solo pulsava a pátria e nossas
tradições. Corria ao redor do castelo, o vento era doce, suave, e ao alto nossas bandeiras
flamejantes, o sol curvava-se diante de tanta beleza, nossa fortaleza, os animais, os
lagos, as pontes que ligavam os sonhos, os vestidos, os olhares, os encontros, eu era
livre em solo e pátria amada.

Sinto falta dos candelabros, dos jantares e dos enormes salões de festa, onde
rodopiávamos sem maldade, protegidos de qualquer ataque, ainda lembro do teu sorriso
de menino, quando corríamos nos campos, rolávamos entre as flores amarelas, éramos
felizes em qualquer estação, crianças sem maldade, brindávamos suco de uva, com o
néctar transformado em bebida sagrada, puro mel.

Saudávamos a vida em constante vibração e nossa paixão, cresceu conosco, até hoje
meu peito aperta, remetendo-me ao castelo e ao segredo..."

ESCREVENDO1:
Bem, vamos lá. Reparem que o texto-base é totalmente livre (e deve ser assim). A
narrativa selecionada não apresenta uma sequencia pronta das idéias mas, é bastante rica
em detalhes, percepções e emoções. Ótimo!
É importante lembrar que um texto-base pode dar origem a um conto de 1/2 página ou
de 10 páginas. E ele é apenas a idéia inicial ou básica do seu texto.
Optei para esse texto desenvolver algo româtico, lírico.
A narrativa será no presente entretanto os fatos tratados estarão no passado (fazendo
uma recordação) e a narração será pessoal, ou seja, em 1ª. pessoa.
Veja como ficaram as duas primeiras partes:

(AMBIENTAÇÃO)
Caminho até a janela e, enquanto o vidro desliza sobre o trilho, meu olhar alcança o
horizonte e minha mente mergulha em antigas lembranças. Perco-me entre flores,
plantas e intrigantes aromas. Um imenso jardim multicor, onde germinou e floresceu
uma infância adorada e repleta de encantamento.
Esse coração, que hoje pulsa em solo estrangeiro, pulsava antes em terras distantes,
entre vales e colinas. Entre ruas estreitas e velhas tradições. Lembro uma correria ao
redor do castelo. O vento era doce e, ao alto, bandeiras flamejantes bailavam essa
música suave, sussurrada aos quatro cantos. O sol, astro rei, curvava-se diante de tanta
beleza.

(APRESENTAÇÃO)
Os animais, os lagos. A casa grande, em construção majestosa, e suas pontes que
ligavam os sonhos, os olhares e os encontros. Éramos livres em corpo e alma.

Sinto falta dos candelabros e dos magníficos vestidos de festa. Dos jantares e dos
enormes salões onde rodopiávamos sem maldade, protegidos em uma redoma invisível
aos olhos, embora eterna em nossos corações.

Lembro teu sorriso de menino, quando corríamos nos campos e rolávamos entre as
flores amarelas. Crianças são felizes em qualquer estação. Brindávamos suco de uva,
transformado pela magia cativa, em uma bebida sagrada de puro mel.

ESCREVENDO2:
Observe que o texto-base já foi bem alterado. Partes foram excluídas, outras
substituídas e outras foram adicionadas, dando ritmo ao desenvolvimento.

(CONDUÇÃO)
Saudávamos a vida em constante vibração e nossa paixão cresceu comigo. Distante de
tudo, meu peito aperta, remetendo-me à segredos de menina, e à um castelo feito de
pedra e sentimentos puros.

Nesta janela, em que vejo a metrópole alimentando-se de pessoas e sonhos, eu me


encontro novamente. Desta vez, não enxugarei nem as lágrimas, nem as lembranças.
Deixarei que escorram até meu seio, de onde brotaram e floresceram.

ESCREVENDO3:
Observe que, embora haja alguma riqueza de detalhes, as informações não são
reveladoras.
Conforme vimos anteriormente, a missão da CONDUÇÃO é envolver o leitor no
EFEITO que se pretende causar (veja 4ªDICA), induzindo emoções e preparando o
ápice da narrativa.

(SIGNIFICAÇÃO)
Batem à porta, não posso atender. Um vento doce alcança agora minha face, e escuto
seu sussurro suave...
ESCREVENDO4:
A opção foi por um final curto e reflexivo. Ceder ao leitor a liberdade de continuar ou
não em seu imaginário. Sentir o texto, de um modo particular e pessoal, durante sua
leitura.

REVISANDO CONTOS - 10ª DICA

Não tenho a tola ambição de repassar em poucas linhas gramática, semântica, estética,
etc... mesmo porque, não acredito ser a pessoa indicada para isso.
Pretendo pois, fornecer dicas interessantes para a revisão, pelo autor, da construção de
seu próprio texto.

a) Evite repetições de palavras ao longo do texto.


Substitua por sinônimos ou exclua se puder.

b) Construa parágrafos curtos.


Parágrafos grandes demais podem indicar falha na construção do pensamento ou mesmo
erro de pontuação. Além disso, cansa o leitor. Fique atento.

c) Não fracione o texto em muitas frases curtas.


Sua narrativa deve ter ritmo, deve fluir. Não encha o texto de frases curtas. Elimine-as e
construa orações completas.

d) Elimine personagens sem importância no contexto.


Não coloque um monte de gente para encher lingüiça. As personagens devem ter
alguma motivação lógica ou psicológica dentro de um texto.

e) Tenha cuidado na utilização dos tempos.


Lembre-se da 8ªDICA. Não misture passado, presente e futuro. Posicione seu texto.

f) Utilize preposição antes do pronome.


A frase fica gramaticalmente correta e ganha robustez. Ex:
“Métodos que eles confiam”. -> “Métodos EM QUE ELES confiam.”
“O lugar que ela trabalha.” -> “O lugar EM QUE ELA trabalha.”

g) Evite iniciar muitas frases com pronome.


“Eu caminhava pelas ruas desertas.” -> “Caminhava pelas ruas desertas”.

h) Exclua os exageros nas descrições.


Já comentamos isso. A história da “A areia fofa, fria e granular era sobreposta pela agua
gélida, densa e espumante”. Isso cansa!
i) Limpe e suavize as frases.
Algumas frases podem ser simplificadas. Dizer a mesma coisa com menor número de
palavras. Isso suaviza o texto.

j) Coloque as explicações entre virgulas.


As explicações no texto devem estar entre vírgulas. Ex:
Marina, GAROTA MORENA, permanecia estática à beira da porta.

l) Use travessão nas explicações dos diálogos.


Use travessão, seguido de letra minúscula para explicar ou qualificar os diálogos.
Ex: - Saiam todos daqui! – gritou o comerciante.

m) Elimine eventual uso abusivo do Não.


Observe seu texto. Se for necessário faça substituições. Ex:
Não voltarei a este lugar. -> Jamais regressarei a este lugar.
Isso eu não gosto! -> Isso é insuportável!

Mensagem:
Espero, sinceramente, ao longo dessas 10 DICAS, ter levado informações úteis aos
amigos que casualmente cruzaram essa escrivaninha. Grande abraço e bom
divertimento!
"Escrever, é um prazer intimamente descoberto"

ESCREVENDO CONTOS EM 10 DICAS


“O intuito desse trabalho não é ensinar alguém a ser escritor. Nem reciclar escritores
constituídos. Mas levar singela contribuição àquele que inicia seus primeiros passos no
intrigante gênero da narrativa curta e intensa.”