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UNIVERSIDADE DO PLANALTO CATARINENSE

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL

PROJETO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO

ALYSSON GABRIEL DE OLIVEIRA AGUIAR

LAGES (SC)
ANO 2012
ALYSSON GABRIEL DE OLIVEIRA AGUIAR

PROJETO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO

Projeto de Estágio Supervisionado


apresentado à Coordenação do Curso
de Engenharia Civil da Universidade do
Planalto Catarinense – UNIPLAC –
como requisito necessário para
obtenção do grau de Bacharel em
Engenharia Civil.

Orientação: Prof. Maurício César Brun.

LAGES (SC)
ANO 2012
Agradeço primeiramente a Deus e minha
família por ter me disponibilizado
determinação para realização do trabalho,
agradeço também pela colaboração do
professor Maurício César Brun, que com a
orientação pode me passar mais
conhecimento para a finalização do
projeto de estágio supervisionado.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1: Esquema convencional de abastecimento de água urbano ....................... 11


Figura 2: Instalação hidráulica predial de água fria ................................................... 13
Figura 3: Altura de pontos de utilização .................................................................... 14
Figura 4: Altura de pontos de utilização .................................................................... 14
Figura 5 - Altura de pontos de utilização ................................................................... 15
Figura 6: Esquema do sistema de água quente ........................................................ 16
Figura 7: Esquema do sistema de instalações de esgoto ......................................... 18
Figura 8: Sistema de instalações de águas pluviais .................................................. 19
Figura 9: Curvas praticadas em tubulações plásticas mediante ao aquecimento
indevido ............................................................................................................... 21
Figura 10: Orçamento materiais ................................................................................ 24
Figura 11: Organização dos materiais ....................................................................... 25
Figura 12: Ferramentas ............................................................................................. 26
Figura 13: Isométrico da cozinha............................................................................... 27
Figura 14: Isométrico dos ralos e banheiros.............................................................. 28
Figura 15: Detalhamento das tubulações .................................................................. 28
Figura 16: Corte do prédio ......................................................................................... 29
Figura 17: Marcação cozinha apartamento dois quartos........................................... 30
Figura 18: Marcação banheiro corredor apartamento dois quartos........................... 31
Figura 19: Marcação banheiro suíte apartamento dois quartos ................................ 32
Figura 20: Corte nas paredes (cozinha e banheiro) .................................................. 33
Figura 21: Curva de transposição (água quente) ...................................................... 34
Figura 22: Alinhamento das tubulações com a utilização de um nível ...................... 35
Figura 23: Passagem da tubulação de água fria e água quente (cozinha e banheiro)
............................................................................................................................. 36
Figura 24: Fechamento das paredes com argamassa .............................................. 37
Figura 25: Marcação dos hidrômetros do 1o andar .................................................... 38
Figura 26: Mangueira da tubulação elétrica cortada ................................................. 39
Figura 27: Corte em parede com a utilização de EPIs .............................................. 40
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 7  
1.1 Apresentação ......................................................................................................... 7  
1.2 A empresa .............................................................................................................. 8  
1.3 Descrição do problema ........................................................................................ 8  
1.4 Objetivo geral ......................................................................................................... 9  
1.5 Objetivos específicos ............................................................................................ 9  
1.6 Justificativa ............................................................................................................. 9  
2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ................................................................................ 10  
2.1 Evolução dos sistemas sanitários .................................................................... 10  
2.2 A importância do projeto no processo construtivo ......................................... 11  
2.3 Aspectos legais ................................................................................................... 11  
2.3.1 Instalações de água fria .................................................................................................. 12  
2.3.2 Instalações de água quente.............................................................................................. 15  
2.3.3 Instalações de esgoto sanitário ....................................................................................... 17  
2.3.4 Instalações de águas pluviais .......................................................................................... 18  
2.4 Patologia ............................................................................................................... 19  
2.4.1 Principais patologias.................................................................................................... 20  
3 METODOLOGIA..................................................................................................... 22  
4 RESULTADOS ....................................................................................................... 23  
4.1 Objeto em estudo ................................................................................................ 23  
4.2 O projeto ............................................................................................................... 23  
4.3 Canteiro de obras ................................................................................................ 24  
4.4 Marcações hidrossanitárias em projeto ........................................................... 26  
4.5 Marcações hidrossanitárias in loco .................................................................. 29  
4.6 Corte das paredes............................................................................................... 32  
4.7 Passagem da tubulação..................................................................................... 33  
4.8 Fechamento das paredes com as instalações hidrossanitárias .................. 36  
4.9 Instalação dos hidrômetros ............................................................................... 37  
4.10 Incompatibilidade de projetos ......................................................................... 38  
4.11 EPIs ..................................................................................................................... 40  
5 CONCLUSÃO ......................................................................................................... 41  
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...................................................................... 43  
7

1 INTRODUÇÃO

1.1 Apresentação

Com a crescente procura de imóveis e a competitividade entre as


construtoras do ramo da construção civil, fez-se aliar preço e qualidade em um
mesmo produto, onde antes a população estaria satisfeita só pelo fato do baixo
preço, esquecendo-se da qualidade. Em vista disso as construtoras vieram a investir
dentro de seus próprios escritórios, buscando projetistas mais especializados para
oferecer qualidade, rapidez, confiabilidade, flexibilidade e custo.
Mesmo com a exigência cada dia maior da parte do consumidor final, em
algumas edificações o projeto hidrossanitário não é elaborado. Sendo assim os
diâmetros das tubulações, dimensão da caixa d’água, decidas de tubulação, as
marcações de onde os aparelhos hidrossanitários ficaram disponíveis,
dimensionamento e localização da foça são feitos a cargo do encanador vigente na
obra ou pelo engenheiro encarregado, onde tudo é decidido in loco sem
planejamento algum, exigindo ações improvisadas para dar continuidade à obra.
Nos capítulos posteriores será abordada a importância da elaboração e
planejamento do projeto hidrossanitário e quais os problemas advindos da não
projeção do sistema e suas possíveis patologias.
8

1.2 A empresa

A mais de trinta anos a JJ Projetos e Construções inicia-se no mercado de


Lages. A empresa era constituída de um arquiteto e um projetista, onde no inicio o
carro chefe da empresa eram projetos e responsabilidade técnica. Com o passar dos
anos, e com o amadurecimento cada dia maior das ideias, passar a executar a mão
de obra dos projetos de seus clientes, até por fim entregar a obra com material e
mão de obra.
Há dez anos a empresa iniciou a construir seus próprios empreendimentos,
residenciais e comerciais. Onde os apartamentos são comercializados na planta,
antes mesmo de iniciar a obra.
Após o um dos empresários da construtora ter se aposentar, a empresa
mudou sua razão social para JOTAJ Construtora e Incorporadora, mudando a
localização do escritório.

1.3 Descrição do problema

As pessoas conscientizam-se da importância das instalações hidráulicas


prediais somente quando há um funcionamento inadequado das mesmas ou quando
algum problema patológico ocorre.
Devido à concorrência sempre presente em qualquer setor da engenharia,
a busca pelo melhor preço acarreta no sacrifício de algumas atividades de suma
importância, mais por não serem exigidos perante normas, os profissionais deixam
de lado. É o que acontece com o planejamento do projeto hidrossanitário, onde que
para a aprovação de uma edificação, o engenheiro não precisa apresentar o projeto
para que a obra seja liberada para a execução. Sendo assim o construtor pela
disputa de custo não se sentira na obrigação de fazer, pois na visão das empresas
acarretara a maiores custos para a construtora.
9

1.4 Objetivo geral

Identificar no canteiro de obras os problemas e dificuldades encontrados no


momento das instalações, quando não se dispõe do projeto hidrossanitário.

1.5 Objetivos específicos

a) Alertar a população e as empresas de construção civil da suma importância


do projeto hidrossanitário.
b) Identificar in loco como a marcação e decidas de tubulações são executadas.
c) Verificar junto à revisão bibliográfica se a execução se enquadra nos
requisitos mínimos, mesmo sem o planejamento do sistema hidrossanitário
(projeto).
d) Identificar futuras patologias.

1.6 Justificativa

A frequência de incidência e causas de problemas patológicas nos


sistemas hidrossanitários tem sido pouco abordada por autores, pois necessitaria de
anos de coleta de dados e amostragens para chegar a resultados concretos. Em
vista disto este estudo tem por objetivo mostrar a população ou o cliente final que o
projeto do sistema hidrossanitário deve e obrigatoriamente fazer parte de suas
futuras residências, diminuindo ou até mesmo excluindo tais patologias. E
conscientizar as empresas que descartam a fase do projeto. Sendo que a mesma
esquece que é neste ponto que todo o seu potencial e conhecimento é colocado em
pratica, formando sua imagem que posteriormente será usada como referencia para
futuros clientes.
Segundo Neder (2010), os maiores responsáveis por patologias
encontradas em obras são decorrentes da falta ou deficiência de projeto.
10

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1 Evolução dos sistemas sanitários

A preocupação humana em colocar a água potável a seu serviço é uma


técnica milenar que vem sendo aperfeiçoado ao longo de anos. A captação de água
dos mananciais e a tubulação disposta para o saneamento é uma prática milenar:

Ruínas arqueológicas mesopotâmicas demonstram que por volta de 2500 a.


C. já se construíam aquedutos e canalizações para a condução da água dos
rios e lagos até as cidades. Mais tarde, o sistema foi aperfeiçoado pelos
romanos e gregos, tanto no que diz respeito às técnicas de abastecimento
quanto à irrigação das áreas cultivadas. No Egito, no médio Império (2100-
1700 a. C.), em Kahum, uma cidade arquitetonicamente planejada,
construíram-se nas partes centrais, galerias em pedras de mármore para
drenagem urbana de águas superficiais, assim como em Tel-el-Amarma,
onde até algumas moradias mais modestas dispunham de banheiros. Em
Tróia regulamentava-se o destino dos dejetos, sendo que a cidade contava
com um desenvolvido sistemas de esgotos. e Knossos, em Creta, a mais de
1000 a. C., contava com excelentes instalações hidrossanitárias,
notadamente nos palácios e edifícios reais. Na América do Sul os incas e
vizinhos de língua quíchua, desenvolveram adiantados conhecimentos em
engenharia sanitária como atestam ruínas de sistemas de esgoto e
drenagem de áreas encharcadas, em suas cidades (DEC, 2012, p.1).

Nos dias atuais, após o aperfeiçoamento das técnicas e praticas


hidrossanitárias, deu-se o valor necessário para o bem mais precioso a ‘água’. Hoje
11

com as concessionarias que são encarregadas pela distribuição de água potável,


que se resume como o sistema convencional de captação, adução, tratamento,
reservação e distribuição.

Figura 1: Esquema convencional de abastecimento de água urbano

Fonte: Dec (2012)

2.2 A importância do projeto no processo construtivo

É na fase do projeto onde todo empenho do profissional encarregado é de


suma importância, pois é nesta fase que os erros podem ser evitados, descartando
erros de construção e retrabalho, eliminando o desperdício e influenciando o custo
global da edificação.
O projeto deve ser capaz de subsidiar as atividades de produção
em canteiros de obras com informações de alto nível que não poderiam ser
igualmente geradas no ambiente de obra; a partir de um bom projeto, torna-
se possível elaborar um planejamento e uma programação mais eficientes,
assim como um programa efetivo de controle da qualidade para materiais e
serviços (Neder, 2010, p. 29).

2.3 Aspectos legais

Os edifícios normalmente são dotados de instalações que utilizam água e,


por isso denominada de instalações hidráulicas prediais. Entre essas instalações,
12

destacam-se as de água fria, agua quente, esgotos sanitários e pluviais e de


combate a incêndio.
Essas instalações formam sistemas independentes entre si que devem ser
projetados e construídos para funcionarem continuamente, conduzindo água em
quantidade e qualidade suficiente ao consumo a que se destinam.
As instalações hidro sanitárias se inserem no conjunto de projetos
necessários a construção de uma edificação. Os projetos dessas instalações devem
ser executados segundo as normas vigentes no país:
a) NBR 5626/1998 – instalação predial de água fria;
b) NBR 7198/1993 – projeto e execução de instalações prediais de
água quente;
c) NBR 8160/1999 – instalação predial de esgoto sanitário;
d) NBR 10844/1989 – instalações prediais de águas pluviais.

2.3.1 Instalações de água fria

As instalações prediais de água fria têm inicio logo a jusante do aparelho


que mede o consumo de água, denominado hidrômetro, num trecho chamado
alimentador predial. O alimentador predial é a tubulação responsável pelo
abastecimento de água do reservatório, quando este existir, ou pela rede de
distribuição que atende aos pontos de utilização.

Uma instalação predial de água fria (temperatura ambiente) constitui-se no


conjunto de tubulações, equipamentos, reservatórios e dispositivos,
destinados ao abastecimento dos aparelhos e pontos de utilização de água
da edificação, em quantidade suficiente, mantendo a qualidade de água
fornecida pelo sistema de abastecimento (Junior, 2010, p.11).

As instalações hidráulicas prediais de água fria devem ser projetadas e


executadas por profissionais especializados segundo a norma que fixa as exigências
e recomendações impostas pela NBR 5626. A norma prevê que durante a vida útil
das instalações o projeto deve atender a algumas especificações e requisitos:
13

a) Preservar a potabilidade da água.


b) Garantir o fornecimento de água de forma continua, em quantidade
suficiente, com pressões e velocidades adequadas ao perfeito
funcionamento das peças de utilização e do sistema de tubulações.
c) Promover economia de água e energia.
d) Possibilitar manutenção fácil e econômica.
e) Evitar níveis de ruídos inadequados a ocupação do ambiente.
f) Proporcionar conforto aos usuários, prevendo peças de utilização
adequadamente utilizadas, de fácil operação, com vazões
satisfatórias e atendendo as demais exigências do usuário.

A rede de distribuição de a água fria recebe as seguintes denominações ao


longo do seu trajeto: sub-ramais, ramais, colunas de distribuição e barriletes,
conforme mostrado na Figura. Os barriletes são as tubulações que se originam nos
reservatórios; dos barriletes derivam-se as colunas, e dessas os ramais. Os sub-
ramais fazem a ligação final entre o ramal e a peça de utilização.

Figura 2: Instalação hidráulica predial de água fria

Fonte: Baptista (2010)


14

Segundo a norma as alturas dos aparelhos sanitários são as seguintes:

Figura 3: Altura de pontos de utilização

Fonte: o2engenharia (2009)

Figura 4: Altura de pontos de utilização

Fonte: o2engenharia (2009)


15

Figura 5 - Altura de pontos de utilização

Fonte: o2engenharia (2009)

2.3.2 Instalações de água quente

A principal função das instalações de água quente é garantir aos usuários


da edificação o fornecimento de água em temperatura regulável. Essas tubulações
são dotadas de um sistema de aquecimento que tem o fim de transformar a água fria
em água quente. Após o aquecimento, a água é conduzida por um sistema próprio
de distribuição até os pontos finais de consumo e utilização. O sistema de
aquecimento pode ser denominado como:

a) individual – alimenta somente um aparelho;


b) central privado – alimenta vários aparelhos de uma mesma unidade;
c) central coletivo – alimenta vários aparelhos de varias unidades.
16

Figura 6: Esquema do sistema de água quente

Fonte: Mercadoshops (2011)

Para Junior (2010, p.58), as instalações prediais de água quente são


regidos pela NBR 7198 e devem ser projetadas e executadas de modo a:

a) Garantir o fornecimento de água de forma continua, em quantidade


suficiente, com pressões e velocidades adequadas ao perfeito
funcionamento das peças de utilização e do sistema de tubulações.
b) Preservar rigorosamente a qualidade da água.
c) Proporcionar o nível de conforto adequado aos usuários.
d) Racionalizar o consumo de energia.
17

Tabela 1: Temperatura da água

Fonte: Junior (2010)

2.3.3 Instalações de esgoto sanitário

As instalações de esgoto sanitário destinam-se a coletar e encaminhar ao


local indicado pelo poder publico competente os dejetos provenientes da água
utilizada na edificação para fins higiênicos.
A norma brasileira NBR 8160/1999 estabelece as condições técnicas
mínimas que devem nortear esses projetos, cujas premissas básicas são as
seguintes:
a) rápido escoamento dos esgotos sanitários;
b) fácil desobstrução;
c) impedimento da passagem de gases e animais do interior das
instalações para o exterior;
d) impedimento de acúmulo de gás no interior das tubulações.
18

Figura 7: Esquema do sistema de instalações de esgoto

Fonte: Baptista (2010)

2.3.4 Instalações de águas pluviais

Para BAPTISTA (2010), o objetivo das instalações de águas pluviais é


captar as águas de chuva proveniente de áreas impermeabilizadas expostas ao
tempo e conduzi-las até seu lançamento nas redes públicas sarjetas ou outros
pontos adequados de deságue.
No Brasil as água proveniente de chuvas levam um destino diferente dos
esgotos sanitários, pois a rede de esgoto sanitário é dimensionada apenas para
receber vazões advindas de esgotos.
As instalações convencionais de águas pluviais nas edificações são
constituídas de:

a) calhas, destinada a coleta de águas das coberturas e sua condução


aos condutores verticais;
b) condutores verticais, responsáveis por conduzir a água pluvial das
19

calhas até a parte inferior da edificação;


c) condutores horizontais, destinados a recolher e conduzir toda água
pluvial da parte inferior da edificação até o seu destino final;
d) ralos e caixas de areia, destinados a reter detritos e evitar a
obstrução das tubulações fechadas.

Figura 8: Sistema de instalações de águas pluviais

Fonte: Socondutores (2012)

2.4 Patologia

Entende-se por patologia em edificações como ‘doenças’ presentes, ou


que podem vir acontecer em uma determinada construção.

As necessidades básicas em uma edificação são: identificação das


necessidades dos usuários da edificação, identificação dos desgastes a que
20

está sujeita, identificação dos requisitos de desempenho que ela deverá


atender para satisfazer as necessidades dos usuários, e aplicação de
critérios e métodos de avaliação confiáveis para a verificação do
atendimento para esses requisitos, [...] quando essas necessidades não
atendidas surgem as patologias (problema real, com sintomas já
manifestados) ou numa inconformidade (problema potencial ou já instalado
e ainda sem sintomas aparentes) todo sistema ou subsistema que não
atende a algum requisito de desempenho, particularmente aqueles
textualmente exigidos por legislação especifica, regulamentação ou
normalização especifica. (Amorim 1989 apud, GNIPPER, 2009, p. 2)

2.4.1 Principais patologias

As principais causas de patologia são devido à falha na execução do


projeto ou no momento da execução, segue abaixo uma lista das patologias mais
recorrentes em uma edificação.

Ruídos, golpes de aríete, dificuldades de acionamento, vazamentos


e/ou desperdícios de água na operação de válvulas de descarga de
bacias sanitárias; Transmissão de vibração e ruídos na operação de
bombas de recalque de água potável em edifícios altos; Água fria
penetrando em tubulação de distribuição de água quente, e vice-versa,
através de misturador de ducha manual com registros abertos e gatilho
fechado; Degradação de tubulações de PVC expostas à incidência
direta de luz solar; Acúmulo de ar em colos altos de trechos de
tubulações de distribuição de água fria e quente conformando sifões;
Extravasamento de água continuado a partir de tubulação de
extravasão de reservatório superior, desaguando sobre o sistema de
coleta de águas pluviais e desprovido de tubulação de aviso de
extravasão; Desperdício de água e rompimento frequente de engates
flexíveis em aparelhos sanitários de apartamentos de andares baixos
em edifícios de múltiplos pavimentos; Períodos prolongados de
desabastecimento da edificação durante operação de limpeza de
reservatório elevado com câmara única (sem septo separador);
Infiltração de água de lençol freático em subsolo com valas de
21

drenagem colmatadas e desprovidas de manta geotêxtil; Desperdício


permanente de energia devido a ausência ou falha de aplicação de
isolamento térmico em tubulações de água quente; Retorno de
espuma/refluxo de esgoto em ralos sifonados de unidades condominiais
de pavimentos baixos em edifícios; Mau cheiro proveniente de ralos
sifonados; Entupimentos frequentes em sub - coletores e coletores
prediais de esgoto; Empoçamento de pátios e áreas descobertas devido
à redução da seção útil de ralos planos por manta de impermeabilização
superficial da laje e sua proteção mecânica; Corrosão em trechos
enterrados de tubulações de aço galvanizado de alimentador predial de
água fria e da saída da rede de hidrantes para o hidrante de recalque de
passeio (Gnipper, 2010).

Em alguns casos pela falta do material correspondente para fazer a devida


instalação ele é substituído por outros diversos, em geral de menor custo ou com
disponibilidade imediata no mercado. As práticas condenáveis de execução, não
devem ser praticadas em hipótese alguma, por exemplo, o aquecimento de
tubulações plásticas, como mostra Figura 9, para curvá-las.

Figura 9: Curvas praticadas em tubulações plásticas mediante ao


aquecimento indevido

Fonte: Gnipper (2010)


22

3 METODOLOGIA

Para verificar os problemas encontrados quando não ha a existência de um


projeto hidrossanitário, será feito um acompanhamento diário junto ao instalador
para obter as inúmeras informações e dificuldades encontradas no momento da
execução de cada etapa das instalações. A área de estudo será no futuro edifício
residencial Diamond, atrás das instalações da concessionária Ford, em Lages – SC.
Os dados colhidos a cada dia de execução junto ao instalador serão
anotados para a análise geral das principais dificuldades encontradas perante a falta
do projeto hidrossanitário e as principais patologias ocorrentes devido a essa falta.
Diante das referencias e normas relacionadas às instalações do sistema,
será analisado se o que esta sendo executado segue a rigor ao que é exigido.

.
23

4 RESULTADOS

Neste capítulo serão apresentadas as atividades desenvolvidas no estágio


supervisionado na empresa JOTAJ CONSTRUTORA E INCORPORADOR, como
também relato de fatos e apresentação de dados para a análise e verificação dos
objetivos impostos neste projeto.

4.1 Objeto em estudo

A edificação dispõe de sete pavimentos, onde o primeiro pavimento será


utilizado para garagem e os últimos dois pavimentos são duas coberturas (duplex).
O prédio onde as instalações hidrossanitárias foram acompanhadas tem quatro
andares de apartamentos divididos em apartamentos de três e dois dormitórios,
onde no período do estágio o acompanhamento se deu apenas em um dos
apartamentos devido ao fato da construtora estar com apenas esta obra em
andamento onde se disponha de instalações.

4.2 O projeto

O residencial DIAMOND não dispõe de um projeto hidrossanitário feito pela


própria construtora ou terceirizado. A JOTAJ contratou uma empresa especializada
para o serviço de água fria, água quente, tubulações de gás e climatização.
A empresa contratada para os serviço hidrossanitários desenvolveu o
projeto de dimensionamento e passagem de tubulações in loco.
24

4.3 Canteiro de obras

Para a organização dos materiais e checagem das plantas baixas e


isométricas de passagem de tubulação a empresa responsável pelos serviços
hidrossanitários, escolheu um dos apartamentos e fez seu canteiro de obras em um
dos quartos do mesmo. Para chegar se todos os materiais que chegam estão certos
e conferem com o que foi pedido, eles desenvolveram um orçamento para cada
apartamento, através das plantas isométricas e planta baixa.

Figura 10: Orçamento materiais

FONTE: Produção do Próprio Autor

Com a chegada dos matérias hidrossanitários no canteiro de obras, para


não ficar disposto em qualquer lugar, sendo assim perdendo o controle das peças na
obra, os executores fizeram prateleiras com cada peça deixando o sistema mais
organizado, economizando tempo para os demais serviços.
25

Figura 11: Organização dos materiais

FONTE: Produção do Próprio Autor

As ferramentas ficam penduradas na parede para não misturas com as


ferramentas dos outros funcionários da empresa, como mostra figura.
26

Figura 12: Ferramentas

FONTE: Produção do Próprio Autor

4.4 Marcações hidrossanitárias em projeto

Como o projeto hidrossanitário não foi desenvolvido, o encarregado pela


marcação desenvolveu uma planta tipo onde se enquadra em quase todos os
apartamentos, pois são todos iguais. Esta planta é feita em papel milímetrado em
escala, onde os registros, tubulação de água fria, água quente e gás são marcados
em um desenho isométrico, como mostra figura, para as marcações serem
realizadas nas paredes.
Através da planta baixa dos partamentos o encarregado faz o desenho das
tubulações que iram passar e furar a laje. Na figura as linhas azuis representam à
tubulação de água fria e as linhas vermelha a tubulação de água quente.
27

As alturas dos aparelhos a empresa tem um manual hidráulico onde dispõe


de todos estes dados.

Figura 13: Isométrico da cozinha

FONTE: Produção do Próprio Autor


28

Figura 14: Isométrico dos ralos e banheiros

FONTE: Produção do Próprio Autor

Figura 15: Detalhamento das tubulações

FONTE: Produção do Próprio Autor


29

Através da planta de corte do prédio, a empresa fez as decidas de


tubulação da caixa d’água passando laje por laje, onde em alguns pontos a
tubulação teve que ser desviada pelo fato de encontrar pilares, este de fato não
pode ser alterado.

Figura 16: Corte do prédio

FONTE: Produção do Próprio Autor

4.5 Marcações hidrossanitárias in loco

Após a marcação em projeto a marcação é feita com gesso ou giz nas


paredes rebocadas. Onde as alturas e comprimentos de tubulações, tudo é medido
devidamente com a utilização de uma trena, e as medidas das plantas com um
30

escalimetro.

Figura 17: Marcação cozinha apartamento dois quartos

FONTE: Produção do Próprio Autor

Na figura abaixo nota-se a marcação do vaso sanitário, representada por


um círculo na laje. Mesma representação feita para os ralos.
31

Figura 18: Marcação banheiro corredor apartamento dois quartos

FONTE: Produção do Próprio Autor


32

Figura 19: Marcação banheiro suíte apartamento dois quartos

FONTE: Produção do Próprio Autor

4.6 Corte das paredes

Logo após as marcações o encarregado para realizar os cortes, utiliza a


33

maquita onde com ela a parede é cortada e mais tarde com o auxilio de um martelo
e picareta a parede cortada é quebrada retirada. Com os cortes efetivamente
realizados a limpeza é feita para futuramente as instalações serem empregadas.

Figura 20: Corte nas paredes (cozinha e banheiro)

FONTE: Produção do Próprio Autor

4.7 Passagem da tubulação

Após a marcação é realizado o corte das paredes com a utilização da


ferramenta maquita (figura). A profundidade dos cortes na parede é levado em
consideração à espessura do cano que irá ser empregue no local.
Na figura abaixo, a um exemplo aplicado na obra onde a tubulação verde
aplicada é destinada a água quente, onde nota-se que está passando por trás da
tubulação de água fria, com uma peca chamada curva de transposição. Anos atrás
essa peça não era produzida, ou até mesmo quando não se dispõe desta peça o
34

executor faz o aquecimento indevido da tubulação, entortando-a causando assim


uma patologia pois as propriedades da tubulação são perdidas, como a sua
resistência. No edifício DIAMOND verificou-se que só foram usadas a curva de
transposição, e em nenhum momento foi aquecido a tubulação.

Figura 21: Curva de transposição (água quente)

FONTE: Produção do Próprio Autor

Outro cuidado que a empresa teve no momento das instalações, foi o


alinhamento das tubulações das torneiras de água quente e água fria. Onde para o
devido fim, foi utilizado um nível para que estas estivessem na mesma altura e a
mesma distancia, evitando assim futuros cortes nas paredes para o alinhamento do
mesmo.
35

Figura 22: Alinhamento das tubulações com a utilização de um nível

FONTE: Produção do Próprio Autor


36

Figura 23: Passagem da tubulação de água fria e água quente (cozinha


e banheiro)

FONTE: Produção do Próprio Autor

4.8 Fechamento das paredes com as instalações hidrossanitárias

Após a passagem das tubulações e verificação dos alinhamentos das


tubulações, a construtora JOTAJ disponibilizou um funcionário para realizar o
fechamento dos cortes com argamassa. Apenas as esperas para torneiras e
registros ficam de a amostra, como mostra figura.
37

Figura 24: Fechamento das paredes com argamassa

FONTE: Produção do Próprio Autor

4.9 Instalação dos hidrômetros

Como a obra em estudo não teve o término dos serviços hidrossanitários


até o final do estágio, o acompanhamento das passagens de hidrômetros não foram
acompanhadas, apenas a marcação pôde ser analisada conforme figura 27.
A marcação segue corretamente as normas exigidas, onde ela cita que
próximo das instalações de incêndio devem ficar os hidrômetros e não as tubulações
de gás.
38

Figura 25: Marcação dos hidrômetros do 1o andar

FONTE: Produção do Próprio Autor

4.10 Incompatibilidade de projetos

Em conversa com o encarregado pelos serviços contratados, ele relatou


que o principal problema em só fazer o dimensionamento do sistema hidrossanitário
após a edificação já ter saído do papel é a incompatibilidade dos projetos, no caso o
projeto feito pela empresa contratada, onde a disposição de pilares e vigas foram
feitas sem o enfoque da passagem (decida) da tubulação. O projeto pode ter
39

incompatibilidade também com o projeto elétrico, que no caso da obra em estudo já


encontrava-se pronto, onde um dos fatos ocorridos na obra foi de o chuveiro ficar
disposto em um lado da parede e a tomada ficou para o outro.
Pelo fato da construtora ter rebocado toda a área interna dos apartamentos
antes da passagem das tubulações hidrossanitárias, alguns cuidados devem ser
tomados. No residencial DIAMOND por o reboco ter escondido por onde a
passagem da tubulação elétrica se encontrava, o executor das marcações e cortes
apenas marcou de acordo com o isométrico e realizou os cortes, esquecendo-se de
verificar a planta elétrica. Com este descuido a mangueira de passagem elétrica foi
cortada, com mostra figura. Este descuido deve ser avisado à empresa para se
tomar as devidas providencias, caso contrario no momento da passagem de fios a
mangueira estará corrompida.

Figura 26: Mangueira da tubulação elétrica cortada

FONTE: Produção do Próprio Autor


40

4.11 EPIs

Os equipamentos de proteção individual são de suma importância, até


mesmo quando o assunto é instalações hidrossanitárias. Pelo fato da construtora ter
rebocado toda a área interna dos apartamentos antes da passagem das tubulações
hidrossanitárias, alguns cuidados devem ser levados em consideração. Para o corte
das paredes os funcionários tem que operar com uma maquina de alto perigo a
maquita (figura), onde qualquer descuido pode acontecer um acidente. Foi
observado que no canteiro de obras o executor desta função utiliza luvas protetoras
quando utiliza a devida ferramenta.
Outro fato foi que para o corte das paredes rebocadas a um maior índice
de poeira devido a areia e ao pó de cimento onde não usando mascara protetora e
óculos protetor, esta fumaça pode ser toda inalada e irritando os olhos. A construtora
disponibiliza, e os executores desta função utilizaram quando realizavam o corte.
Mas como mostra a imagem o capacete não estava sendo utilizado conforme a NR –
18.

Figura 27: Corte em parede com a utilização de EPIs

FONTE: Produção do Próprio Autor


41

5 CONCLUSÃO

Devido à pressa para o lançamento de empreendimentos, o alto custo na


fase dos projetos e pensando na redução destes custos, faz algumas construtores
abortar algumas etapas iniciais e de suma importância para um novo
empreendimento.
Com a não elaboração do projeto hidrossanitário, a construtora JOTAJ
sentiu-se obrigada a contratar uma empresa especializada no ramo hidráulico para
realizar estes serviços. Mas quando este pensamento veio, a edificação já estava
em andamento, onde a empresa contratada teve que adaptar um projeto ao edifício.
Com este fato algumas patologias foram detectadas antes mesmo do sistema
funcionar.
Com a teoria apresentada durante o curso, percebi que no momento da
aplicação alguns fatos se divergem. Um deles fatos foi no momento dos cortes nas
paredes onde deveria ser realizado antes do reboco, evitando assim o desperdício e
o retrabalho, sem contar que na junção do reboco antigo ao reboco novo, o aplicado
aonde foi realizado o corte, pode sofrer tricas devido a diferença do traço do
concreto. A utilização de EPIs foi outro fato que surpreendeu, onde dificilmente em
obras se não exigido diariamente os funcionários não a utilizam, mas a empresa
contratada utilizou corretamente, com apenas uma falha em um dos dias o
funcionário que realizava os cortes estava sem capacete, onde foi relatado neste
estudo.
Mesmo com um projeto adaptado, as normas foram seguidas corretamente
em se tratando de alturas dos aparelhos sanitários. O único fato que poderia ser
evitado, seria na elaboração do projeto hidrossanitário junto aos outros projetos um
local para as devidas de tubulação em comum, pois tubulações que chegavam a
pilares foram desviadas passando pelos cantos dos cômodos, ocasionando-se
42

assim futuras patologias como barulhos nas tubulações.


Com o presente estagio fez desenvolver uma visão mais critica e exigente
para alguns determinados fatos. Como por exemplo, nenhuma obra deve-se ter
início a não ser quando todos os projetos estejam realizados, podendo assim no
momento da entrega de cada apartamento ou residência, entregar para cada
morador uma planta junto com a escritura de tudo que acontece atrás da parede de
sua residência. Este ponto de vista deve ser revisto, pois a não elaboração de
projetos são etapas não cumpridas, onde que para um orçamento final deve-se ter o
quantitativo de tudo que será empregado na obra.

.
43

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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prediais de águas pluviais. Rio de Janeiro, 1989.

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de água fria. Rio de Janeiro, 1998.

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de instalações prediais de água quente. Rio de Janeiro, 1993.

ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 8160: Instalação predial


de esgoto sanitário. Rio de Janeiro, 1999.

AMORIM, S. V. Melhoria da qualidade dos sistemas prediais - hidráulicos e


sanitários através do estudo da incidência de falhas, (1989). In: GNIPPER,
Sérgio Frederico. Patologias frequentes em sistemas prediais hidráulico -
sanitário e de gás combustível decorrentes de falhas no processo de produção
do projeto: Artigo, 2009. p.2.

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