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II Colóquio de Estudos Vikings e Escandinavos/I Ciclo de Pesquisas Medievais, 2014

II COLÓQUIO DE ESTUDOS VIKINGS E ESCANDINAVOS/

I CICLO DE PESQUISAS MEDIEVAIS: MITO E LITERATURA

UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAIBA, CENTRO DE EDUCAÇÃO

PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS DAS RELIGIÕES

Coordenação geral do evento:


Prof. Dr. Johnni Langer (UFPB/NEVE)
Profa. Ms. Luciana de Campos (PPGL-UFPB/NEVE)
Comissão organizadora
Prof. Ms. Pablo de Miranda (UFRN/NEVE)
Prof. Dr. Fabricio Possebon (UFPB)
Prof. Dr. Deyve Redyson Melo dos Santos (UFPB)
Profa. Dra. Suelma Moraes (UFPB)

Coordenação do Programa de Pós Graduação em Ciências das Religiões:


Prof. Dr. Deyve Redyson (UFPB)
Coordenação do Curso de Ciências das Religiões:
Prof. Dr. Fabricio Possebon (UFPB)
Chefia do Departamento de Ciências das Religiões:
Profa. Dra. Dilaine Soares Sampaio (UFPB)

Patrocínio:
CAPES
Realização:

Núcleo de Estudos Vikings e Escandinavos (NEVE)

neve2012.blogspot.com.br
neveufpb@yahoo.com.br
www.facebook.com/groups/gruponeve

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APRESENTAÇÃO

Em continuidade ao evento promovido em 2012 nas dependencias da


Universidade Federal Fluminense (co-parceria com o Centro de Estudos
Interdisciplinares da Antiguidades, CEIA), promovemos agora a segunda
edição do Colóquio de Estudos Vikings e Escandinavos. Realizado em conjunto com
o Programa de Pós Graduação em Ciências das Religiões e o Centro de
Educação da UFPB, o evento foi conjugado com uma proposta mais ampla nos
estudos acadêmicos, originando o I Ciclo de Pesquisas Medievais. A idéia era
ampliar as investigações e os debates além da Escandinavística, somando as
pesquisas das áreas de História, Letras, Filosofia e Artes e obviamente, estudos
de religião e religiosidade. O tema do evento procurou abordar dois campos
que se integram e ao mesmo tempo possuem uma grande abrangência em
ressignificações contemporâneas: a mitologia e a literatura.
Com isso verificamos uma amplo interesse por parte dos graduandos e
pós-graduandos de diversas universidades do Nordeste em divulgar suas
pesquisas a respeito da Idade Média, propiciando um maior crescimento e
divulgação da área.
A Escandinavística ficou representada pelos integrantes do Núcleo de
Estudos Vikings e Escandinavos, tanto por meio de cursos e mesas redondas,
como pela organização direta no evento.
O colóquio contará com a apresentação de dois grupos de música
medieval e renascentista, Iamaká e Alegretto, propiciando ao público presente a
oportunidade de conhecer outras facetas do Medievo.
A organização agradece o fomento propiciado pela CAPES e ao apoio
direto do curso e departamento de Ciências das Religiões da UFPB.
Prof. Dr. Johnni Langer (UFPB/NEVE)
Profa. Ms. Luciana de Campos (PPGL-UFPB/NEVE)

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PALESTRAS

A MITOLOGIA NÓRDICA NA OBRA DE RICHARD WAGNER


Prof. Dr. João Lupi (UFSC)
Richard Wagner introduziu na ópera uma nova concepção: a da arte integral,
mas também algumas idéias decorrentes das suas convicções germanófilas,
socialistas e românticas. Os libretos das óperas que compunha eram totalmente
redigidos por ele mesmo, e a temática era na maior parte dos casos de assuntos
históricos, principalmente medievais. Só nas quatro composições que
constituem a Tetralogia do Anel dos Nibelungos – O Ouro do Reno, A
Valquíria, Siegfried, O Crepúsculo dos Deuses – é que se inspira na mitologia
nórdica, mas sem esquecer seus outros ideais. R. Wagner estudou as Sagas e os
Eddas, mas adaptou-os às suas intenções e inspirações, tanto na ação dos
deuses como na estrutura dos personagens. O resultado foi uma obra
grandiosa, fortemente evocadora e empolgante, mas onde mais do que a
mitologia se refletem suas aspirações cerca do futuro da humanidade: no
mundo dos homens os grandes heróis divinos como Siegfried e Brunhilde não
têm lugar, por isso devem morrer; mas a morte dos deuses deve dar lugar a
uma nova ordem social, depois que a maldade foi purificada pela enchente das
águas do Reno e pelo fogo do Valhala.

AS RUNAS LATINAS NA ESCANDINÁVIA MEDIEVAL

Prof. Dr. Álvaro Alfredo Bragança Júnior (UFRJ/NIELIM)

O conhecimento da Escandinávia medieval deve-se sobremaneira aos seus


monumenta e aos registros escritos, dentre os quais as fontes rúnicas se
sobressaem. As tradições desses povos, com sua visão de religiosidade
alicerçada no panteão pagão germânico, eram expressas preferencialmente
através do alfabeto rúnico. Contudo, encontram-se textos que podem ser
datados da Idade Média Tardia, nos quais ocorre a transliteração do alfabeto
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latino em runas, como demonstram Macleod and Meeds (2006). Interessa-nos


investigar em que medida a apropriação daquelas pelos grafemas latinos com
vistas à divulgação da mensagem do cristianismo demonstram um espaço de
intermediação de dois planos do sagrado, em que o suporte linguístico das
crenças pagãs é utilizado para veicular as novas cristãs (Bragança Júnior, 2014).
Como interface de comparação com o mundo germânico escandinavo mostrar-
se-ão alguns elementos presentes na Englaland anglo-saxônica em uma fórmula
de encantamento em antigo-inglês, anterior ao período escandinavo e que nos
leva a conjecturar sobre a procedência e o processo de evangelização dos
nórdicos.

Palavras-chave: Runas – Transliteração – Cristianização – Práticas de


religiosidade

MINI-CURSOS

INTRODUÇÃO AOS ESTUDOS DE LITERATURA NÓRDICA MEDIEVAL

Profa. Ms. Luciana de Campos (PPGL-UFPB/NEVE)

O objetivo do minicurso é estabelecer um panorama da Literatura Nórdica


Medieval e, assim propor um primeiro contato com algumas obras dessa
Literatura que ainda permanecem pouco conhecidas tanto no meio acadêmico
brasileiro como do grande publico. Iniciaremos com as definições básicas dos
estilos literários das Sagas Islandesas, compostas nos séculos XII e XIII, a Edda
Poética e Prosaica, a poesia éddica, a poesia escádica e as crônicas históricas.
Serão analisadas também as principais obras de autores como Saxo Gramaticus
e Snorri Sturlusson - autores medievais responsáveis pelas grandes obras
histórico-literárias da Escandinávia. Como pressupostos teóricos utilizaremos
Paul Zumthor, Margaret Clunie Ross, Robert Kellog, Joseph Harris, Roberta
Frank, entre outros. Também serão comtempladas análises das obras literárias
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francesas traduzidas para o nórdico no século XIII. Nossas principais


referências são os manuais sistematizadores: Old Norse iIelandic-literature: a
critical guide (2005), organizado por Clover e Lindow e A company to Old
Norse-Icelandic Literature and Culture (2007), editado por Rory Mcturk.

REALEZA E RELIGIÃO NA ERA VIKING.

Prof. Ms. Munir Lutfe Ayoub Mestre (PUC-SP/NEVE)

O presente trabalho pretende analisar a religião nórdica pré-cristã buscando por


um repositório imaginário que nos auxilie na explicação dos ideais, das funções
e das legitimações presentes na imagem da realeza escandinava, além de buscar
identificar as funções e as ânsias que esses homens tinham sobre seus deuses. A
baliza temporal de nossa pesquisa está inserida entre os séculos VIII e X, sendo
o primeiro o século no qual surgiram as primeiras realezas escandinavas e o
segundo, o século durante o qual os povos escandinavos começaram a sofrer o
processo de conversão ao cristianismo. Compreenderemos o momento do rito,
objeto de estudo deste trabalho, como a oportunidade de pedir aos deuses
fertilidade ou sorte na guerra, além de se tornar um momento político crucial
para a legitimação de poder dessa realeza e desses chefes locais (BLOCH, 1977,
p. 135). E o mito por sua vez como elemento educativo de um povo, pelo qual
as antigas gerações poderiam explicar para as futuras o surgimento do cosmo, a
formação e o funcionamento de suas sociedades, os ideais de além-vida, as
formas de agir dos seres humanos e, no caso nórdico, até mesmo o fim dessas
sociedades, desse cosmo e de alguns de seus próprios deuses, que morreriam
em uma batalha final contra seus grandes rivais, os gigantes (SCHJØDT, 2007,
p. 1-14). Temos como fontes literárias para o estudo desse período as Sagas e as
Eddas, as primeiras tendo como característica a narração das histórias de reis e
heróis, expondo por muitas vezes os cultos, as batalhas e tantas outras
atividades do mundo viking. Já a segunda fonte tem como característica os

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temas mitológicos, nos apresentando os relatos sobre os deuses, gigantes e


tantas outras criaturas que compunham o imaginário nórdico. Tanto as Sagas
como as Eddas contêm uma problemática muito próxima, que provém do fato
de terem sido compiladas apenas a partir do século XII, portanto muito tempo
depois do início do Período Viking, que é datado para o século VIII, e depois da
conversão ao cristianismo, que é datada em regiões como a Islândia para o ano
1000. Os relatos sobre os povos escandinavos escritos por outros povos, como
os francos e os saxões, também são apresentados, porém essas fontes têm como
sua principal problemática o fato de utilizarem parâmetros de observação
pautados pelas suas próprias compreensões sociais e até mesmo cosmológicas,
não nos permitindo assim uma compreensão direta dos homens escandinavos
daquele período. Vale ressaltar nesse momento que as compilações estrangeiras
eram feitas em línguas que não pertenciam originalmente ao mundo nórdico,
como o latim, o que dificulta a observação dos termos utilizados pelos antigos
povos escandinavos e, portanto, de suas compreensões sobre seus costumes,
crenças e sobre suas sociedades.
Palavras chave: mito, rito, realeza, legitimação.

INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO XAMANISMO EUROPEU E


ESCANDINAVO
Prof. Ms. Pablo Gomes de Miranda (UFRN/NEVE)

O xamanismo é um tema que desperta o interesse do Ocidente desde o século


XVIII, momento em que podemos encontrar relatos sobre as práticas xamânicas
entre a literatura de viajantes da época, a exemplo das narrativas de Joseph
Arcebi. No século XX, levados em conta principalmente por uma busca do
exótico, o xamanismo e o seu conjunto de técnicas extáticas esteve representado
no repertório artístico de Joseph Beuys e tornou-se um jargão entre os
intelectuais franceses, a exemplo de Roland Barthes e Jacques Derrida.
Entretanto são as obras de Mircea Eliade e Claude Lévi-Strauss que delineiam o

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assunto de uma maneira mais abrangente e que continuam a influenciar nossas


interpretações sobre o tema ainda hoje. Pretendemos, à luz de uma
documentação própria da Idade Média na Europa setentrional, reavaliar as
análises acadêmicas modernas sobre as práticas xamânicas, o espaço do xamã e
seus elementos mais gerais: rituais iniciáticos, negociação com espíritos, curas,
pilares do mundo, ascensões celestes e descidas infernais. Nosso objetivo é
proporcionar uma discussão sobre a prática do xamanismo na Europa
setentrional, em especial a Escandinávia, durante a Idade Média. Esperamos
que ao final os participantes possam desenvolver suas próprias questões
pensando as questões apresentadas neste mini-curso.

A RELAÇÃO ENTRE GUERRA E RELIGIÃO: HISTÓRIA E MÉTODOS DE


PESQUISA
Prof. Ms. Sandro Teixeira Moita (ECEME/GEHM-CEIA)

O minicurso tem como objetivo estabelecer uma reflexão sobre o fenômeno da


guerra e como este influencia e é influenciado pela religião. Valendo-se de
estudos de caso para entender a relação guerra-religião no mundo germânico
da Antiguidade Tardia e Alta Idade Média, pretende-se também entender como
as transformações sociais e políticas geraram mudanças nesta relação e na
própria formação dos povos germânicos, em especial durante o Período das
Migrações. Utilizando um instrumental que combina a História Militar,
Antropologia e Ciência Política, o presente minicurso busca lançar luz para o
público que estiver interessado em realizar pesquisas na área, levando-se em
conta recentes estudos no Brasil e no Exterior.

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A MULHER E A IGREJA NA IDADE MÉDIA


Profa. Ms. Veronica Aparecida Silveira Aguiar (UNIR).
O tema a mulher e a Igreja é antigo e sempre atual, por isso têm ocupado um
importante espaço na historiografia. O debate nos dias atuais gravita-se em
torno de uma revisão bibliográfica acerca dos tratados ditos “políticos”,
“jurídicos” e das práticas sociais. Assim, o objetivo deste mini-curso é analisar
algumas dessas fontes escritas e iconográficas referentes ao discurso que os
homens criaram sobre as mulheres, os limites da inserção das mulheres nessa
sociedade e o lugar delas no registro de produção material. Para realizar tal
análise discutiremos as possibilidades de “resistência” de algumas mulheres às
regras. A partir de um recorte temático investigaremos algumas das bases
teóricas que auxiliaram no entendimento das relações entre a Igreja e a
sociedade, dentro de um conjunto de fontes específicas que sintetizam um
discurso imposto às mulheres que sempre estiveram relacionadas em parte aos
padrões morais determinados pela Igreja. Enfim, o tema a mulher e a Igreja
pode render um debate extremamente interessante, por isso pretende-se
oferecer uma ampla discussão sobre normativos, imagem e religiosidade. Em
suma, tratou-se de um discurso moral construído na Idade Média sobre a
mulher que será o nosso objeto de investigação.

MESAS REDONDAS

MITOS CELESTES NÓRDICOS NA ERA VIKING

Prof. Dr. Johnni Langer (UFPB/NEVE)

O estudo de mitos celestes nórdicos sempre foi um tema marginal dentro da


Escandinavística, apesar de suas inúmeras possibilidades investigativas. A
principal preocupação desta comunicação é apresentar uma historiografia sobre
as escassas pesquisas efetuadas neste campo, desde as primeiras publicações do
século XIX, até recentes trabalhos de Gísli Sigurdsson, Thomas Dubois, Otto
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Reuter, Bjórn Jonsson, entre outros. Também apresentaremos alguns temas


relacionados objetivamente com mitos celestes na área nórdica (como as
narrativas do dedo de Aurvandill e os olhos de Tyazi) e indiretamente, como a
narrativa da construção dos muros de Asgard e a identificação dos planetas
visíveis a olho nu durante a Era Viking. Nossos principais pressupostos teórico-
metodológicos são os provenientes da Arqueoastronomia e Etnoastronomia
(como John Carlsson e Anthony Aveni) e teoria do mito aplicada à
Escandinávia, como Margaret Clunie Ross e John Lindow. Nossas principais
fontes são as Eddas, as Sagas Islandesas e o material folclórico medieval.

Palavras-chave: Mitologia Nórdica; Astromitologia; Arqueoastronomia; Era


Viking; Planetas e Constelações.

LAGERTHA: REPRESENTAÇÕES DA GUERREIRA NA GESTA


DANORUM

Profa. Ms. Luciana de Campos (PPGL-UFPB/NEVE)

Lagherta, uma das personagens femininas da Gesta Danorum escrita por Saxo
Gramaticus no século XII foi esposa de Ragnar Lodbrok e é descrita no texto
como uma mulher guerreira que, mesmo depois do divórcio continha apoiando
o ex-esposo tanto militar como politicamente. Esse modelo feminino descrito na
Gesta Danorum apresenta ao leitor a mulher que está presente nos campos de
batalha, não figurante como uma incentivadora, entoando cânticos e gritos de
guerra, mas, portando armas e roupas apropriadas para o combate, lutando em
igualdade com os homens e participando da tomada de decisões que, via de
regra, são essencialmente masculinas. A nossa análise ficará centrada nas
descrições literárias de Lagherta comparando-a com as referências históricas
sobre o papel da mulher nórdica medieval atestando sua visibilidade e
transitividade. Confrontando as três representações da mulher guerreira

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nórdica: a literária, a histórica e a do imaginário moderno, esboçaremos um


perfil dessa mulher que fascina e está cercado por estereótipos e fantasias que
muitas vezes mais encobrem do que revelam a face dessa mulher. Realizar uma
análise dos modelos femininos presentes na literatura nórdica confrontando-a
em alguns pontos com as imagens das mulheres guerreiras será o nosso intuito
nessa comunicação.

MITO E XAMANISMO: A CAÇADA SELVAGEM NAS BALADAS DE


HELGI HUNDIGSBANI
Prof. Ms. Pablo Gomes de Miranda (UFRN/NEVE)

Nossa apresentação pretende discutir os elementos xamânicos nas baladas de


Helgi Hundingsbani, conjunto de poemas presentes no manuscrito GKS 2365
4to, conhecido como Codex Regius (Konungsbók), sendo nossa ênfase na primeira
e na segunda balada de Helgi Hudingsbani (conhecidas como Völsungakviða e
Volsungakviða hin Forna ou ainda Helgakviða Hundingsbana Fyrri e Helgakviða
Hundingsbana Önnur), enquanto que a balada de Helgi Hjörvarðsson (Helgakviða
Hjörvarðssonar), será analisada com fins comparativos. As baladas em questão
giram em torno da vida e morte do herói viking Helgi, o matador de Hunding,
pertencente a linhagem mítica dos Ýlflings. Ainda que os poemas não façam
menção direta à ritualística xamânica, é possível apontar tais elementos em seus
versos e conjecturar, segundo os dados expostos, comparações com o mito da
Caçada Selvagem, comum à boa parte da Europa setentrional.

Palavras-Chaves: Edda Poética; Mitologia Escandinava; Xamanismo.

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MITO, ORALIDADE E ESCRITA: O CONTAR E O RECONTAR

Prof. Ms. Munir Lutfe Ayoub (PUC-SP/NEVE)

Os mitos são definidos por historiadores, como John Lindow, como narrativas
dos antigos povos na tentativa de explicar o surgimento do cosmo, a formação e
o funcionamento de suas sociedades, as formas de agir dos seres humanos e até
mesmo o fim das sociedades desse cosmo e, no caso dos mitos nórdicos, o fim
de alguns de seus próprios deuses, que morreriam em uma batalha final contra
seus grandes rivais, os gigantes (LINDOW, 2002, p. 1-2). Explicações essas
derivadas de narrativas que nos apresentam um mundo de guerras, reinos,
heróis, reis, além dos já citados deuses e gigantes que por suas interações
acabavam por se influenciar mutuamente em um contar e recontar fluido que
perpassou diversas épocas e localidades. Tais mitos, antes de serem compilados
nas fontes literárias que nos chegaram, eram cantados por poetas nórdicos
conhecidos como escaldos, em canções que deviam sofrer variações em
conformidade com o tempo e com o espaço. Variações que ocorriam, dentre
outros motivos, pela influência de diversas culturas com as quais os
escandinavos entravam em contato e que, analisadas por historiadores, como
John McKinnell, levam a uma compreensão das influências cristãs nos mitos e
costumes nórdicos anteriores ao período de conversão e de compilação das
obras literárias tardias escandinavas, o que sugere uma múltipla temporalidade
de compreensão do cristianismo pelos nórdicos (McKINELL; RUGGERINI,
1994, p. 107-128). Portanto, historiadores como Jens Peter Schjødt acreditam que
as histórias que foram compiladas são na verdade apenas uma pequena parte
das que eram cantadas naqueles períodos (SCHJØDT, 2009, p. 9-22). Sendo
assim, não temos atualmente a possibilidade de trabalhar com todas as
variações desses mitos, o que já nos aponta uma grande problemática na
tentativa de compreensão dos povos escandinavos praticantes dos antigos
costumes.
Palavras chave: mito, oralidade, cultura.

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O SOBRENATURAL E O FANTÁSTICO NAS SAGAS ISLANDESAS

André Araújo de Oliveira (PPGHIS - UFMA/NEVE)

O sobrenatural e o fantástico são muito presentes nas sagas islandesas. Os


efeitos e seres sobrenaturais enriquecem a narrativa apresentando o pensar de
sua época, ecos de uma compreensão de mundo a mais de mil anos
abandonada. As maldições e feitiços em paralelo com criaturas sobrenaturais
fazem parte, não de uma realidade fora do cotidiano, mas estão presentes no
dia-dia como efeitos e seres reais. Essa exposição tem por objetivo apresentar os
elementos sobrenaturais de algumas sagas islandesas e como elas são
compreendidas no seu meio. Por meio das vozes do discurso entendemos que
esses elementos sobrenaturais não são seres e efeitos além da realidade, mas
fazem parte do imaginário que o insere no mundo o qual coabitam. Finalmente,
por meio da compreensão da construção no discurso e do contexto do
imaginário medieval escandinavo buscaremos explicar como se deu a
elaboração do sobrenatural cristão islandês, como resultado das influências da
feitiçaria pré-cristã. Para isso usaremos a noção de Mikhail Bakhtin da
construção do discurso, dialogada principalmente com o conceito de imaginário
medieval de Le Goff

Palavras-chave: Sobrenatural, Escandinávia Medieval, Imaginário Medieval.

O POEMA RÚNICO ANGLO-SAXÔNICO


Prof. Ms. João Bittencourt (UERJ/NEVE)

As Runas Anglo-Saxônicas são um conjunto de caracteres usados para escrever


nas línguas germânicas, principalmente na Escandinávia e nas Ilhas Britânicas.
Estes caracteres têm sido encontrados em pedras rúnicas, e em menor número
em ossos e peças de madeira, assim como em pergaminhos e placas metálicas.
A versão escandinava é conhecida como Futhark (derivado das suas primeiras
seis letras: 'F', 'U' 'Th', 'A', 'R', e 'K'); já a versão Anglo-saxônica é conhecida
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como Futhorc (que também tem origem nas primeiras letras deste alfabeto). As
inscrições rúnicas mais antigas datam de cerca do ano 150, e o Futhorc passou a
ser o alfabeto do inglês antigo, sendo substituído pelo alfabeto latino com a
cristianização por volta do século VI, na Europa Central e no século
XI, na Escandinávia. Existem três poemas rúnicos preservados desde a Idade
Média, sendo um deles baseado nas runas anglo-saxônicas. Na presente
exposição, pretendemos analisar e discutir O Poema Rúnico Anglo-Saxônico que é
datado provavelmente do século IX/X. O poema tem 29 estrofes e cada estrofe
está baseada numa determinada runa. O poema pode ser visto como uma chave
esotérica para desvendar a magia e o poder das runas.

Palavras-chave: Literatura Anglo-saxônica; Alfabeto Rúnico; Magia

O MITO DO HERÓI NA VOLSUNGA SAGA

Profa. Ms. Suênia de Sousa Amorim (UFPB)

Um tema mítico que é bastante conhecido podendo ser encontrado em diversas


culturas é o Mito do Herói. O herói está presente no imaginário desde os
primórdios da humanidade, desde tempos imemoriais e sua atemporalidade é
inegável seja na figura de um Héracles grego, Cuchulainn irlandês, Rama
hindu, Gilgamech sumério ou Sigurðr escandinavo entre outros. Os mitos e as
lendas heroicas constituem um tesouro inesgotável de exemplos e modelos da
nação que neles bebe o seu pensamento, ideais e normas para a vida. Sendo a
figura do herói um elemento antropológico necessário a todo ser humano temos
como maiores fontes de herói a mitologia e a literatura. Nossa proposta é
analisar figuras heroicas presentes nas diversas mitologias, mas nos determos
de forma especial e pormenorizada no herói Sigurðr. Do nórdico antigo, Sigurðr
(“favorecido pela vitória”), conhecido em alemão como Siegfried que é sem
dúvida o maior herói da mitologia nórdica e personagem central da Völsunga
Saga (Islândia, século XIII) ou Saga dos Volsungos por sua grande vitória sobre
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o dragão Fáfnir. Sabemos que o arquétipo do herói é um símbolo de todos os


indivíduos, de todas as épocas, presentes, passadas e futuras, que pode ser
perfeitamente lido a partir de duas perspectivas: a primeira é a dos ideais
nacionais de um povo e de uma raça, onde o herói incorpora os valores da
comunidade a qual pertence. Pelo que seus feitos tornam-se dignos de serem
cantados e recitados uma vez que a divulgação desses feitos fomenta o
sentimento de união e pertença e aviva a coragem e o espírito guerreiro; a
segunda mais ampla e universal, que de certa forma compreende uma biografia
humana abrange não somente um determinado povo, mas toda a humanidade
com suas angústias, temores e realizações na guerra e na paz.

Palavras-chave: Herói; Sigurðr; Völsunga Saga

A MÔNADA HIEROGLÍFICA
Prof. Dr. Fabricio Possebon (UFPB)
Monas Hieroglyphica é um pequeno tratado escrito em latim e publicado em 1564
por John Dee (1527-1608), mago inglês, conhecido também por investigações
matemáticas, astronômicas e de navegação. Dee teve uma vida voltada
notadamente para o ocultimo, viajando por inúmeros países da Europa e sendo
influente na corte inglesa da rainha Elizabeth. Nesta obra, Dee propõe um
diagrama, explicando em detalhes a sua construção geométrica, e acrescentando
observações de natureza hermética. Pretende ele que se alcance, pela
observação da Mônada, um conhecimento transcendente, não havendo detalhes
de como isto será feito. Nossa proposta de interpretação pretende justamente
levantar possibilidades de como alcançar este saber, a partir de reflexões melhor
conhecidas da tradição oriental, onde é frequente o uso de mandalas e yantras
(Guiseppe Tucci, 1988). Levantar-se-ão algumas questões acerca da tradição
ocidental das Escolas de Mistério (Walter Burkert, 1991), pouco conhecidas, mas
cujo saber se transmitiu pelo Corpus Hermeticum (Ilaria Ramelli, 2005), e por
seus antecessores: Giordano Bruno, Cornélio Agrippa, etc.

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Palavras-chave: Renascimento; mônada; ocultismo.

O MITO DAS AMAZONAS EM A CIDADE DAS DAMAS DE CHRISTINE


DE PIZAN E DE CLARIS MULIERIBUS DE BOCCACCIO

Profa.Dra. Luciana Eleonora de Freitas Calado Deplagne (UFPB)

Representadas desde a Antiguidade, em textos enciclopédicos e gravuras


antigas, as Amazonas ora evocam imagens de mulheres intrépidas, ora de
crueldade e transgressão da natureza. No final da Idade Média, em particular,
depois da obra boccacciana De Claris mulieribus, o mito das guerreiras ressurge
em vários países da Europa, não apenas na Literatura, mas também em outras
artes como em tapisserias, gravuras, estátuas, iluminuras, etc.(VIENNOT, 2008,
STEINER, 1999). A presente comunicação se propõe a apresentar um estudo
comparativo entre a obra A Cidade das Damas(1405), de Christine de
Pizan(1364-1430), e De Claris Mulieribus(1374), de Boccaccio(1313-1375),
focalizando as estratégias de reescritas do mito das Amazonas empregadas
pelos dois autores italianos. Considerando que o catálogo de histórias de
mulheres virtuosas que compõem o Livro da Cidade das Damas de Pizan
recebeu forte inspiração de duas obras de seu renomado compatriota Boccaccio:
De Claris Mulieribus e Decameron, pretende-se neste trabalho, analisar o
processo de reescrita da obra de Pizan, a partir de uma perpectiva de
gênero(Rich(1980), Woolf(1929), Brouard-Arends(2004), Viennot(2008)).

Palavras-chave: Amazonas, mito, Christine de Pizan, Boccaccio, reescrita

OS FABLIAUX ERÓTICOS MEDIEVAIS: A OBSESSÃO PELO EROTISMO

Profa. Dra. Marta Pragana Dantas (UFPB)

Discutiremos alguns aspectos do erotismo medieval através da leitura de


fabliaux eróticos. Pequenos contos em versos octossílabos, edificantes ou
divertidos, na maioria obscenos, os fabliaux floresceram na França entre o final

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do século XII e o início do século XIV, tendo sido apreciados por um público
bastante diversificado, composto de nobres, cavaleiros, castelãos, burgueses e
habitantes em geral das cidades. A ampla circulação dessa matéria erótica e
licenciosa insere-se dentro de uma “erótica cristã medieval” (Guillelbaud). A
Igreja passa a exaltar os benefícios da “mãe natureza”, favorecendo, em última
instância, uma concepção mais física e mais descomplexada da sexualidade e o
direito ao prazer — contrariamente, é preciso dizer, ao que muitas vezes se
afirma a respeito do papel da Igreja na formação de uma moral sexual rígida.
Essa relativa liberdade quanto à questão sexual coincide com o espírito bem
humorado e lúdico dos fabliaux na celebração dos apetites do corpo e nas
transgressões da linguagem. Uma ênfase especial será dada à representação da
mulher, vista como possuidora de um apetite sexual voraz e insaciável.

Palavras-chave: fabliaux, literatura medieval, erotismo

COMUNICAÇÕES

REFLEXÕES SOBRE O MITO DO RAGNAROK

Angela Albuquerque de Oliveira (UFPB)

Nosso estudo propõe analisar a narrativa de Ragnarök, a última batalha,


encontrada na poesia éddica, da literatura escandinava, do século XIII. Por se
tratar de um universo amplo, reduziremos a pesquisa à investigação a respeito
de como essa sociedade se movia em busca da ordem diante do caos, mediante
o anúncio da destruição do mundo que fatalmente representaria o fim dos
homens e dos deuses. A metodologia envolve a perspectiva da teoria do mito
conjuntamente com a pesquisa bibliográfica e sistematizadora do tema.
Utilizaremos como referencial teórico as ideias de Bittencourt (2011), Cardoso

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II Colóquio de Estudos Vikings e Escandinavos/I Ciclo de Pesquisas Medievais, 2014

(2006), Eliade (1992 e 2011), Goldeberg (2006), Hock (2010), Hume (2005),
Langer (2000, 2001, 2005, 2006, 2012 e 2013).

Palavras-chave: Escandinávia da Era Viking; Mitologia Escandinava; Ragnarök.

AS RELIGIOSIDADES VIKINGS EM MONUMENTOS DE PEDRA

Ricardo Menezes (PPGCR-UFPB/VALKNUT)

A prática das religiosidades dos povos vikings é um campo obscuro na


historiografia brasileira. A esmagadora superioridade de produções esotéricas
ofusca e confunde os interessados em conhecer mais sobre esse aspecto cultural.
Esta pesquisa busca, através de análises dos monumentos de pedra da
Escandinávia, debater e levantar questões acerca das religiosidades do norte da
Europa Medieval, como a pluralidade de cultos, relação com a morte e o pós-
morte e a cristianização. Atentaremos também para os aspectos sociais,
artísticos e geográficos das produções destes monumentos para que a análise
não seja incompleta, uma vez que não podemos considerar a fonte fora de seu
contexto de criação. Utilizaremos estudos de pesquisadores consagrados da
Escandinavística Nacional e Internacional, como Johnni Langer, Birgit Sawyer,
Hilda Davidson entre outros. Com isso pretendemos compreender como a
religiosidade se apresenta em tais monumentos, além de entender um pouco
mais do sistema religioso nórdico.

Palavras-chaves: Religiosidades – Monumentos – Escandinávia

UMA ESCRITA PARA O PASSADO: O IMAGINÁRIO DA


DEMONIZAÇÃO DO PAGÃO NA CONSTRUÇÃO DA EYRBYGGJA SAGA
José Lucas Cordeiro Fernandes e Leonardo Guerra e Silva (UECE/VALKNUT)

A cristianização da Escandinávia pode ser dividida em algumas fases, nos


deixando uma clara divisão temporal e de atuação da Igreja no território. Nesse

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II Colóquio de Estudos Vikings e Escandinavos/I Ciclo de Pesquisas Medievais, 2014

sentido, que a dinâmica da cultura escrita das sagas para a cristianização será
observada por nós, pois essa produção escrita vinha com a intenção do seu
autor cristão, entre várias delas, nós podemos destacar uma valorização da
religião cristã. Nesse cenário, as sagas como um conjunto literário produzido na
consolidação do cristianismo, passam a voltar sua escrita para o passado de
disputa sobre o “território ideológico”, como um intento de modelar um
passado que estava presente na oralidade e que agora se “fixava” no papel e na
tinta. Nosso trabalho busca focar nessa escrita sobre o passado e a configuração
do cenário de cultura escrita na Escandinávia medieval, intentando perceber
como essa escrita foi preenchida por demonizações e subversões de valores e
características pagãs. Com este foco nós selecionamos uma fonte que nos
permite realizar a “operação historiográfica”, esta que é a Eyrbyggja saga, fonte
escrita em meados do século XIII por um autor anônimo e que nos revela muito
sobre o contato entre pagão e cristão na ótica de um autor cristão. Por fim, nos
ligaremos ao aparato teórico da História Cultural e da metodologia da Cultura
Escrita medieval e da Nova Escandinavística.

Palavras-Chave: Demonização; Escandinávia; Sagas; Cultura Escrita.

SEGUINDO A CANÇÃO COM O MARTELO NA MÃO: THOR E SUAS


REPRESENTAÇÕES NO HEAVY METAL

João Paulo Garcia Teixeira (UFC/VALKNUT)

Thor foi um deus bastante conhecido e cultuado entre os escandinavos, sendo o


mais poderoso dentre os deuses, segundo alguns autores, dominava o ar, o
trovão e também cultuado como deus ligado a fertilidade. Hoje Thor ainda
continua muito conhecido, devido as várias mídias na qual está ligado, seja nos
quadrinhos, filmes, livros de literatura, e também na música, com grande
frequência em uma vertente do rock conhecida como Metal. O presente trabalho
tem como objetivo maior mostrar a relação existente entre o Thor cultuado

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II Colóquio de Estudos Vikings e Escandinavos/I Ciclo de Pesquisas Medievais, 2014

pelos escandinavos da Era viking e a representação que ele possui atualmente


nas músicas de Metal. Para tanto, pretendo utilizar algumas músicas das mais
famosas bandas do estilo como, Grave digger, Manowar, Amon Amarth entre
outras, que frequentemente abordam o assunto em seus álbuns, chegando em
algumas ocasiões a dedicar um álbum inteiro para a temática, temas esses que
percorrem toda a história dos vikings e sua mitologia nórdica. Junto a isso
temos a questão também da sonoridade, que em praticamente todos os casos, as
bandas procuram criar todo um ambiente medieval, levando assim, o ouvinte a
tentar imaginar a vivencia no período em questão. Para me ajudar no
desenvolvimento da pesquisa e de interpretação das músicas, me utilizarei de
trabalhos de alguns dos pesquisadores mais conhecidos, como Johnni Langer,
John Lindow, Jacques Le Goff, fazendo uma relação entre as interpretações
musicais e os devidos trabalhos acadêmicos.

Palavras Chaves: Thor – Heavy Metal – Mitologia Nórdica

THOR: UMA REINTERPRETAÇÃO CONTEMPORÂNEA DO DEUS


NÓRDICO DO TROVÃO

Leandro Vilar Oliveira (PPGH-UFPB)

Partindo do pressuposto que as culturas não são imutáveis, mas estão expostas
a fatores que levam a sua modificação, neste artigo propus analisar como o deus
Thor e a mitologia escandinava, foram readaptados para a cultura midiática dos
séculos XX e XXI, mais especificamente no âmbito das histórias em quadrinhos
produzidas pela Marvel Comics. A qual desde a década de 1960 foi a
responsável por reintroduzir esse icônico deus do trovão e a mitologia nórdica,
para o mundo, a partir de uma representação contemporânea embasada na
ficção científica e nas histórias de fantasia. Além de assinalar algumas
mudanças entre os mitos e as histórias em quadrinhos, o foco do artigo, é
estudar a construção do heroísmo entre o Thor mitológico e o Thor super-herói,
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II Colóquio de Estudos Vikings e Escandinavos/I Ciclo de Pesquisas Medievais, 2014

tendo como referência as várias faces de um herói como proposto por


CAMPBELL [1995], a influência do cavalheirismo, do romantismo medieval e
da ideia contemporânea de herói, na construção dos super-heróis das hqs, por
CAVALCANTI [2006] e VERGUEIRO [2014]. Como fonte serão utilizados os
poemas eddicos, livros e artigos sobre mitologia, e as próprias hqs da Marvel.
Palavras-chave: Thor, mitologia escandinava, história em quadrinhos.

REPRESENTAÇÕES E APROPRIAÇÕES DE LOKI E DAS DEMAIS


DIVINDADES DO PANTEÃO NÓRDICO EM OS JULGAMENTOS DE
LOKI

Elvio Franklin Menezes Teles Filho (UFC/VALKNUT)

Proponho, no presente trabalho, analisar as representações atuais de aspectos


da mitologia nórdica presentes na obra: Os Julgamentos de Loki. No meio
acadêmico, inúmeros sãos os exemplos de estudos relacionando cultura nódica,
quadrinhos e estereótipos. Guerreiras da Era Viking? Uma Análise do
Quadrinho Irmãs de Escudo; seria apenas um dos variados exemplos. Um dos
objetivos deste seria compreender como estas representações reforçam a
permanência de um imaginário popular e de estereótipos acerca da cultura,
sociedade e religiosidade dos povos da Escandinávia Medieval. Entretanto,
tendo como base teórica os escritos de R. Chartier, não pude deixar de
considerar também os processos de apropriação pelos quais a obra passa nas
mãos do leitor. O “consumidor” não pode ser considerado apenas uma casca
vazia esperando para ser preenchida. As formas de leitura são mutáveis e
sujeitas a um processo histórico. Sobre esse aspecto, teremos como recorte o
público brasileiro das HQ's. Para tal trabalho, proponho a utilização de
resenhas feitas por leitores em geral. Assim, o trabalho final seria referente ao

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II Colóquio de Estudos Vikings e Escandinavos/I Ciclo de Pesquisas Medievais, 2014

olhar dos leitores sobre a obra e seus estereótipos com relação a mitologia
nórdica.

Palavras Chave: Representação, apropriação, estereótipos.

CONTATO E EMPRÉSTIMO LINGUÍSTICO EM INGLÊS E NÓRDICO


ANTIGOS: EVIDÊNCIAS EM MANUSCRITOS DOS SÉCULOS IX A XI

Luiz Antonio de Sousa NETTO (UFPE)

O presente trabalho investe na análise histórica e comparada de textos


medievais, focando as relações entre o nórdico antigo e o inglês antigo
(TOWNEND, 2002), através da análise textual de manuscritos da época de
ambas as línguas: Crônica anglo-saxônica (835), Evangelho de Lindisfarne (700?),
Stockholm Codex (séc.VIII), bem como os manuscritos de Ælfric (955-1010?) e
Wulfstan (1023). O problema que será levantado pretende refletir nos limites e
fronteiras que na época medieval iam se estabelecendo na formação de futuras
línguas a partir dos testemunhos oferecidos pela linguística histórica, partindo
das chamadas protolínguas: indo-europeu e protogermânico, com relação, no
caso, ao nórdico antigo e ao inglês antigo (LASS, 1994). Note-se que as
influências linguísticas mútuas ocorreram no contexto da primeira invasão
viking datada em 793, o que produziu fenômenos que podem ser enquadrados
nos conceitos de superestrato e adstrato (PONS-SANZ, 2007). Nesse sentido,
constatam-se, dentre outros, fenômenos de empréstimo léxico, com
consequências no âmbito fônico que podem ser detectados a partir de uma
análise minuciosa dos respectivos sistemas gráficos oriundos das ocorrências
textuais. Só a modo de exemplo, serão analisadas evoluções de palavras da
língua inglesa como ing.ant. æsċ [æʃ], “carvalho”, que passou a reproduzir-se na
escrita como askr, com alteração da pronúncia [askr], por influência do nórdico
antigo askr [askr]; o mesmo fenômeno se evidencia em ing.ant. busċ, “arbusto”,
pronunciada inicialmente como [buʃ] e mais tarde como [buskr] – com

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II Colóquio de Estudos Vikings e Escandinavos/I Ciclo de Pesquisas Medievais, 2014

reposição da velar, como no caso anterior –, influenciada sem dúvida pelo


contágio do nórdico antigo buskr – mesma pronúncia. Outro exemplo que
reproduz outros fenômenos se dá na forma do ing.ant. brycg, “ponte”,
pronunciada antigamente [bryʤ], e que na época em tela passou a ser escrita
como hrycg, correspondente à pronúncia [hryg], também por influência do
nórdico antigo.

Palavras-chave: inglês antigo; nórdico antigo; linguística histórica; linguística


indo-europeia; filologia inglesa.

O CENTRO DO MUNDO: AS CIDADES DA ERA VIKING

Thiago Moreira Monte (UFC/VALKNUT)

Os Escandinavos são muito conhecidos pelas suas investidas contra os


Mosteiros Católicos e os Reinos Europeus, praticando saques e pilhagens,
motivados pela sede de riquezas e, principalmente, pelo prazer em batalhar. No
entanto, não devemos nos esquecer de suas qualidades como comerciantes,
tendo em vista que muitas expedições “Vikings”, depois dos saques, faziam
comércio com algumas cidades da Europa e, também, cidades sob o domínio de
Califados Islâmicos. Outras cidades receberam influência direta da presença
dos Vikings, como a antiga cidade de York e a Normandia, região da atual
França, onde se transformaram em grandes redutos de “Vikings” fora da
Escandinávia. Por fim, temos ainda os grandes centros comerciais da própria
Escandinávia, como em Birka e Hedeby que tinha seu valor estratégico nas
incursões “Vikings”. O presente trabalho tem por objetivos analisar o ideal de
cidade na Idade Média, observando esses grandes centros comerciais do norte
da Europa Medieval. Além de examinar algumas regiões de extrema
importância para a sociedade Escandinávia, como o Templo de Uppsala, que
estimulava peregrinações não tanto por fatores comerciais, mas por motivos

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II Colóquio de Estudos Vikings e Escandinavos/I Ciclo de Pesquisas Medievais, 2014

religiosos. Para isso, vamos analisar alguns mapas do livro “Towns in the
Viking Age”, relacionando leituras de autores como, Johnni Langer, Johannes
Brondsted e Jacques Le Goff. Principalmente com a influência de Le Goff,
buscar entender a real função da cidade, lugar ideal para troca de experiências e
palco de luta pelo poder.

Palavras Chaves: Cidade – Sagrado- Poder.

CONTATO E EMPRÉSTIMO LINGUÍSTICO EM INGLÊS E NÓRDICO


ANTIGOS: EVIDÊNCIAS EM MANUSCRITOS DOS SÉCULOS IX A XI

Luiz Antonio de Sousa Netto (UFPE)

O presente trabalho investe na análise histórica e comparada de textos


medievais, focando as relações entre o nórdico antigo e o inglês antigo
(TOWNEND, 2002), através da análise textual de manuscritos da época de
ambas as línguas: Crônica anglo-saxônica (835), Evangelho de Lindisfarne (700?),
Stockholm Codex (séc.VIII), bem como os manuscritos de Ælfric (955-1010?) e
Wulfstan (1023). O problema que será levantado pretende refletir nos limites e
fronteiras que na época medieval iam se estabelecendo na formação de futuras
línguas a partir dos testemunhos oferecidos pela linguística histórica, partindo
das chamadas protolínguas: indo-europeu e protogermânico, com relação, no
caso, ao nórdico antigo e ao inglês antigo (LASS, 1994). Note-se que as
influências linguísticas mútuas ocorreram no contexto da primeira invasão
viking datada em 793, o que produziu fenômenos que podem ser enquadrados
nos conceitos de superestrato e adstrato (PONS-SANZ, 2007). Nesse sentido,
constatam-se, dentre outros, fenômenos de empréstimo léxico, com
consequências no âmbito fônico que podem ser detectados a partir de uma
análise minuciosa dos respectivos sistemas gráficos oriundos das ocorrências
textuais. Só a modo de exemplo, serão analisadas evoluções de palavras da

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II Colóquio de Estudos Vikings e Escandinavos/I Ciclo de Pesquisas Medievais, 2014

língua inglesa como ing.ant. æsċ [æʃ], “carvalho”, que passou a reproduzir-se na
escrita como askr, com alteração da pronúncia [askr], por influência do nórdico
antigo askr [askr]; o mesmo fenômeno se evidencia em ing.ant. busċ, “arbusto”,
pronunciada inicialmente como [buʃ] e mais tarde como [buskr] – com
reposição da velar, como no caso anterior –, influenciada sem dúvida pelo
contágio do nórdico antigo buskr – mesma pronúncia. Outro exemplo que
reproduz outros fenômenos se dá na forma do ing.ant. brycg, “ponte”,
pronunciada antigamente [bryʤ], e que na época em tela passou a ser escrita
como hrycg, correspondente à pronúncia [hryg], também por influência do
nórdico antigo.

Palavras-chave: inglês antigo; nórdico antigo; linguística histórica; linguística


indo-europeia; filologia inglesa.

A CONSTRUÇÃO DO IMAGINÁRIO DA PROFECIA NA SOCIEDADE


ESCANDINAVA, ATRAVÉS DA ANÁLISE DA SAGA DE NJÁL

Sara Carvalho Divino (UFMA)

O universo que rodeia a magia nórdica povoa o imaginário de toda uma


sociedade que buscava na magia algumas respostas para justificar momentos
ou situações de suas vidas. A ocorrência da magia na Escandinávia Medieval é
constante, e nas suas mais variadas formas está à profecia (spá), onde suas
características moldam situações do cotidiano e do imaginário dos
escandinavos. A profecia é um elemento divino presente em diversas culturas e
grupos sociais, e, consequentemente, não está excluída da sociedade
escandinava. As características da profecia serão apresentadas neste trabalho
por meio de uma análise da Saga de Njál, onde buscará elementos para a
composição de um imaginário social, apresentando um enfoque no agente
executor da profecia. O trabalho também tem como objetivo apresentar a
diferenciação entre profecia e adivinhação, definindo assim a separação entres

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II Colóquio de Estudos Vikings e Escandinavos/I Ciclo de Pesquisas Medievais, 2014

os termos para que não acuse uma igualdade entre estas práticas mágicas. Para
a composição do imaginário da sociedade escandinava serão utilizados as
perspectivas de Bronislaw Baczko e Hilário Franco Jr..

Palavras-chave: Magia, profecia, imaginário social, Escandinávia Medieval.

ARTHUR E OS HOMENS DO NORTE: A MATÉRIA DA BRETANHA E A


IMAGEM DO REX SACERDOS NA ESCANDINÁVIA DO INÍCIO DO
SÉCULO XIII.
Prof. Dr. Marcus Baccega (UFMA)
A presente comunicação pretende explorar o papel retórico-disciplinar da
Matéria da Bretanha ou Ciclo Arturiano na reafirmação do caráter
cristológico e guerreiro da realeza escandinava no século XIII. Para tanto,
visando a compreender como se fortaleceu ou se alterou a imagem do rex
sacerdos entre os homens do Norte na primeira metade do último século da
Idade Média Central, analisa-se a Breta Sögur (c. 1200). A Saga dos Bretões
introduz a figura mito-poética de Arthur, o rei cristão sacramentado pelos
esforços eclesiais de filtragem e clericalização do mito que envolve, além do
Rei de Camelot, as aventuras dos Cavaleiros da Távola Redonda e a busca
pelo Santo Graal. Nestes termos, parece ser um documento propício para
dissecar os usos políticos e retóricos da Matéria Arturiana, tal como
recepcionada pelos escandinavos do Pós-Era Viking. Como os romans
continentais e, ao final da Idade Média, as novelas de cavalaria relativas ao
Ciclo Bretão, a Breta Sögur é o lugar da memória de conflitos, resistências,
compromissos e mediações culturais cristãs que desvelam a formação das
realezas cristológicas entre os germânicos do Norte da Europa.
Palavras-chave: Rei Arthur, Realeza Cristã, Escandinávia pós-viking, Breta
Sögur.

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II Colóquio de Estudos Vikings e Escandinavos/I Ciclo de Pesquisas Medievais, 2014

A CONCEPÇÃO DA MULHER NO IMAGINÁRIO MEDIEVAL A


PROPÓSITO DO TESTEMUNHO DE TEXTOS LITERÁRIOS EM LÍNGUA
CASTELHANA ATÉ O SÉCULO XV
Prof. Dr. José Alberto Miranda Poza (UFPE)
A Idade Média europeia representa uma época fundamental para a
compreensão do mundo moderno em sua concepção ocidental, antecedente da
hodierna pós-modernidade (DE BRUYNE, 1988). O conhecimento deste vasto
período que percorre mais de dez séculos, alheio à realidade e ao imaginário da
América, constitui um verdadeiro desafio para o ensino, a aprendizagem e a
recepção das literaturas europeias – e não só das hispânicas (JOACHIM, 2012;
MICHARD-MARCHAL & RIBERY, 1985). Com relação ao tema proposto, a
mulher, é representativa do pensamento medieval a atitude daquela sociedade
tipicamente masculina apresentá-la a partir de duas vertentes: a glorificação – o
amor cortês e suas derivações – e o rebaixamento feminino até extremos
incríveis (BLANCO AGUINAGA et al, 2000). As duas posições convergem, em
ocasiões, numa mesma obra, como no Libro de buen amor, onde Juan Ruiz
descreve magistralmente as mulheres através de um rico jogo de equívocos: de
um lado, fala-se da mulher objeto do desejo carnal do homem, causadora do
pecado, e, de outro, louva-se o verdadeiro “bom amor”, de transcendência
divina, na mesma linha devota que proclamava a tradição mariana europeia e o
símbolo da virgindade de Maria, Madre de Cristo e de todos os homens,
apontada já em Berceo (Milagros). Não faltam, ainda, o gênero do sermão,
focando o tópico dos pecados capitais que têm como sujeito à mulher – frente
ao indefeso homem –, aspecto que nos convida a evocar o Corbacho, de Alfonso
Martínez de Toledo, e que abre o imaginário medieval que contém obras
medievais de outro teor, como alguns dos exemplos coletados no Conde Lucanor,
de Don Juan Manuel, onde a mulher é apresnetada como um ser temível para o
homem se ele não sabe dominá-la do primeiro momento. Que a bruxaria e seus
vínculos com Satã são coisa especialmente própria da mulher mostra-se no
papel que, com relação ao amor – proibido a malhoria das vezes – desenvolvem
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II Colóquio de Estudos Vikings e Escandinavos/I Ciclo de Pesquisas Medievais, 2014

Trotaconventos primeiro e mais tarde a celebérrima Celestina da Tragicomedia


de Rojas. Por fim, a denominada pela crítica de novela sentimental nos devolve
ao primeiro tipo de vertente acima referida, isto é, à glorificação da mulher, mas
já, em pleno Pré-renascimento, a partir de parâmetros humanistas, como Diego
de San Pedro escreve na sua Cárcel de amor.
Palavras-chave: mulher e literatura; literatura medieval; textos hispânicos
medievais.

HERÓI – DIABO: PELA DISSOLUÇÃO DE UMA OPOSIÇÃO


INEXISTENTE

Francisca Renata de Araújo Pessoa (UNIFOR)

O trabalho busca abordar os significados atribuídos à imagem do Diabo no


decorrer da Idade Média e analisar as modificações desse símbolo no exercício
religioso (Link, 1995). Procura-se analisar a importância do arquétipo
demoníaco (diabolo) no direcionamento do homem a uma nova existência. É
discutida a atribuição dada por Platão ao arquétipo daimon como guia que
conduziria o homem a uma vida de realizações, fornecendo a este arquétipo a
função de cumpridor daquilo que o homem haveria de escolher como destino,
apontando-o ainda como um intermediário entre os Deuses e a humanidade. A
partir do pressuposto de que um arcabouço religioso que tem como finalidade a
coincidentia oppositorum (Jung, 1999), a conciliação dos opostos, como condição
de amadurecimento psíquico humano, o trabalho argumenta sobre a
necessidade de inclusão do daimon, opositor do demiurgo, como
condição iniludível ao atingimento do objetivo conciliatório. Assim, são
investigados aspectos presentes na história da bruxaria relacionados à ideia de
pacto como o Diabo (Russell & Alexander, 2008) no intuito de mostrar a
importância da integração completa da psique.

Palavras-chave: Diabo; Idade Média; coincidentia oppositorum

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DAIMON E A JORNADA INTERIOR: UMA ANÁLISE MÍTICA DO


SÍMBOLO
Francisca Renata de Araújo Pessoa (UNIFOR)

A pesquisa busca abordar os significados atribuídos à imagem do Diabo no


decorrer da idade média e analisar o desgaste desse símbolo no exercício
religioso. Procura-se analisar a importância do arquétipo demoníaco (daimon)
no direcionamento do homem a uma nova existência. É discutida a atribuição
dada por Platão ao arquétipo daimon como guia que conduziria o homem a
uma vida de realizações, fornecendo a este arquétipo a função de cumpridor
daquilo que o homem haveria de escolher como destino, apontando-o ainda
como um intermediário entre os Deuses e a humanidade. Esta ideia por sua vez
não agradou a igreja, que procurou abster-se de dar qualquer importância a esta
divindade. A partir do pressuposto de que um arcabouço religioso que tem
como finalidade a coincidentia oppositorum (Jung, 1999) a conciliação dos
opostos como condição de amadurecimento psíquico humano, o artigo
argumenta sobre a necessidade de inclusão do daimon, opositor do demiurgo
na liturgia ritual, como condição iniludível ao atingimento do objetivo
conciliatório.

Palavras-chave:Diabo; idade média; igreja; coincidentia oppositorum

O JOVEM TROVADOR WERTHER


Éllen Martins Tomaz de Araújo e Julia Caroline Maciel Corrêa (UFPB)
Esse trabalho tem por objetivo realizar uma leitura e interpretação das cartas
escritas pelo personagem Werther, da obra Os sofrimentos do jovem Werther,
escrito por Johann Wolfgang von Goethe, salientando a presença do Amor
Cortês ao longo do corpus selecionado. Esse romance é um dos marcos iniciais
do romantismo e é perceptível a presença de alguns elementos da literatura
medieval em seu conteúdo. Para o desenvolvimento desse trabalho, foram

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II Colóquio de Estudos Vikings e Escandinavos/I Ciclo de Pesquisas Medievais, 2014

selecionadas três cartas, marcadas através de suas respectivas datas. A primeira,


na qual o narrador discorre sobre o momento em que conhece a sua amada
Lotte; a segunda, na qual Werther, pela primeira vez no livro, documenta em
carta que é apaixonado por Lotte; e a terceira, para corroborarmos a ideia do
código do amor cortês presente na obra, sendo a última carta destinada a
Wilhelm. O amor, na visão que nos propomos a analisar, não nasce de ação
alguma, mas da reflexão sobre aquilo que o cavaleiro vê; ou seja, não busca uma
dama real, mas um ideal de virtude feminina. Dessa forma, o livro Tratado do
amor cortês, de André Capelão, e outras bases teóricas secundárias nos orientam
por um caminho coerente com a nossa análise.

LEONOR TELES: REPRESENTAÇÃO FEMININA NA METAFICÇÃO


HISTORIOGRÁFICA VERSUS A CRÔNICA DE FERNÃO LOPES

Whadja Nascimento Oliveira (UEPB)

Esta comunicação tem por objetivo analisar o perfil de Leonor Teles, rainha de
Portugal no século XIV, através de sua representação no romance histórico
contemporâneo Leonor Teles ou o canto da salamandra (19999), em comparação
com o perfil apresentado nas Crônicas de Fernão Lopes que tratam do reinado
de D. Fernando e da revolução de Avis. Interessa-nos evidenciar a participação
política de Leonor Teles nas questões do reinado de D. Fernando, bem como
sua intervenção em alguns fatos sociais e econômicos, o que legou para a
História a sua fama de rainha aleivosa. Nosso trabalho tem como aporte teórico
tanto os estudos que tratam sobre a Idade Média (Georges Duby, Le Goff, etc) e
a mulher na Idade Média (Michelle Perrot, etc), bem como autores específicos
sobre a História de Portugal (Mattoso, Serrão, etc), e mais precisamente sobre o
reinado de D. Fernando.

Palavras-chave: Leonor Teles; Crônicas de Fernão Lopes; Romance histórico


português

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BEST-SELLER DO SERTÃO? A DIFUSÃO DA CANÇÃO DE ROLANDO NA


LITERATURA DE CORDEL DO NORDESTE BRASILEIRO NOS SÉCULOS
XX E XXI

Aniely Walesca Oliveira Santiago (UFPB)

É sabido que algumas narrativas medievais europeias, dentre as quais romances


de cavalaria e canções de gesta, foram difundidas no Nordeste brasileiro no
século XX, graças aos folhetos de cordel escritos e impressos, sobretudo, pelo
cordelista e “editor” paraibano Leandro Gomes de Barros (1865-1918). Este se
apropriou das adaptações que o médico português Jerônimo Moreira de
Carvalho fez da História do Imperador Carlos Magno e dos doze pares de França
(1728), através de edições do século XIX (Lisboa, 1863), para recontar a história
de Rolando (Roldão), Olivier (Oliveiros), Ganelon (Ganelão) e Ferrabrás.
Interessa especialmente aos propósitos da presente comunicação a fortuna
literária “popular” da Canção de Rolando (primeira obra de relevo da literatura
francesa, escrita por volta do século XII) no Nordeste brasileiro, especialmente
naquela região geográfico-cultural conhecida como Sertão. A partir dos estudos
de Roger Chartier(2004) sobre a Biblioteca Azul, ou seja, livros de baixo custo,
vendidos por ambulantes e constituídos de adaptações de textos clássicos e
eruditos em linguagem popular, cujo público alvo eram as camadas menos
letradas (e analfabetas) da população, tentar-se-á ver em que medida Leandro
Gomes de Barros teve um papel e importância semelhantes aos que tiveram as
famílias de editores Oudot, da cidade francesa de Troyes, e Garnier, entre os
séculos XVII e XIX, na difusão de obras literárias, especialmente da Canção de
Rolando, e na formação de um imaginário que marcou fortemente a cultura
brasileira do século XX.

Palavras-chave: Literatura de cordel, Canção de Rolando; Leandro Gomes de


Barros, Biblioteca Azul

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II Colóquio de Estudos Vikings e Escandinavos/I Ciclo de Pesquisas Medievais, 2014

TEOLOGIA NEGATIVA: ABORDAGENS EM PSEUDO-DIONÍSIO E EM


MEISTER ECKHART

Carlos Bezerra de Lima Júnior (PPGF-UFPB)

Pseudo-Dionísio o Areopagita foi um filósofo do Século VI que deu segmento


ao neoplatonismo cristão, influenciando profundamente o pensamento de
Meister Eckhart, que durante o século XIV lutava contra acusações de heresia
principalmente por ter utilizado expressões de teor panteísta, embora negasse
veementemente ser herege reivindicando sua fidelidade religiosa e seu título de
mestre dominicano. Sob essa perspectiva, o presente estudo tem como objetivo
apresentar a teologia negativa de Pseudo-Dionísio e de Meister Eckhart,
evidenciando algumas semelhanças entre os dois autores, bem como certas
diferenças. Dessa forma, pretende-se demonstrar em que caráter se deu tal
influência, e se é possível inserir Eckhart no rol de autores dionisianos. As obras
utilizadas serão preferencialmente as de fontes primárias, sendo principalmente
os Nomes de Deus e a Teologia Mística, de Pseudo-Dionísio, e alguns sermões
alemães e Sobre o Desprendimento, de Eckhart; além de comentadores como
literatura de apoio. Como metodologia o trabalho se caracteriza por ser uma
pesquisa de revisão bibliográfica.

Palavras-chave: Pseudo-Dionísio. Meister Eckhart. Teologia negativa.

A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA NOS ESCRITOS DE SANTO


AGOSTINHO

Christoferson Vanderly Elias da Silva (UFPB)

O presente trabalho tem como objetivo analisar o princípio da dignidade da


pessoa humana sob à ótica de santo Agostinho. Tal alcunha é à coluna vertebral
do ordenamento jurídico nacional e supranacional. Isto quer dizer que o
homem é o centro da lei: ele é à sua finalidade. Porém, a história dos direitos

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humanos fundamentais se confunde com à própria existência do homem sobre


a terra. O período medieval, que foi integralmente influenciado pela religião,
também deu sua contribuição para o desenvolvimento, aprofundamento e
defesa do direito natural. Nossa preocupação principal é discutir como, na
prática, o santo doutor de Hipona defendeu o ideal da centralidade do ser
humano em sua época. Neste sentido, em nossa investigação, optamos por
estudar três de suas inúmeras obras: Confissões, A Cidade de Deus e O Livre
Arbítrio, bem como documentos referentes ao direito vigente nesse período.

Palavras-Chave: Dignidade da Pessoa Humana. Direito. Santo Agostinho. Idade


Média

A MULHER NO MALLEUS MALEFICARUM: ENSAIO SOBRE A


(DES)CONSTRUÇÃO DO FEMININO

Elenilson Delmiro dos Santos (PPGCR-UFPB)

A historiografia mostra que as diferenças entre homens e mulheres não se deve,


apenas, a um fator biológico. No caso da Idade Média, deve-se, muito mais, a
um discurso produzido pelos homens e legitimado pela Igreja. Entre os
diversos instrumentos de propagação do pensamento masculino, nos chama a
atenção à obra dos Dominicanos Heinrich Kramer e James Sprenger, escrito em
1484, o Malleus Maleficarum (Martelo das Feiticeiras) cuja proposta, mais do
que condicionar a mulher a uma rígida disciplina, tinha por objetivo final
assegurar o poder da figura masculina. Neste Sentido, o presente trabalho se
propõe a ser um ensaio de como o sexo feminino foi destituído de seu “poder
biológico” e reduzido perante o poder cultural masculino. Partindo da análise
do próprio obra em questão, e de outras fontes bibliográficas, discorreremos
sobre alguns aspectos que podem atestar sua relevância para uma melhor
compreensão de temas relacionados a sexualidade, corpo e poder na Idade

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Média e, possivelmente, chegarmos as suas reminiscências na cultura


contemporânea.

Palavras-chave: Feminino; Cultura; Poder.

NOS DOMÍNIOS DE SEVENWATERS: UMA ANÁLISE DA


PERSONAGEM SORCHA DO ROMANCE DAUGHTER OF THE FOREST
DE JULIET MARILLIER

Profa. Ms. Fernanda Cardoso Nunes (UFC)

Este trabalho objetiva analisar a personagem feminina Sorcha no romance


Daughter of the Forest (2000), da escritora neozelandesa Juliette Marilier, através
dos estudos acerca da influência da mitologia e da cultura celta na literatura de
língua inglesa contemporânea e dos estudos de gênero e sua relação com a
literatura de autoria feminina. Procuraremos observar como a personagem em
questão transgride os papéis convencionados a mulher medieval e se insere
dentro da tradição de mulheres guerreiras celtas. Para tanto, realizaremos
pesquisa bibliográfica acerca do tema, tendo como base teórica as contribuições
de autores como Bragança Jr. (2010), Donnard (2008), Campbell (2004), além de
textos acerca da questão da mulher na Idade Média como Pernoud (1981).
Objetivamos, com esta pesquisa, apontar o interesse, cada vez mais patente, da
literatura de autoria feminina contemporânea em língua inglesa com relação ao
papel da mulher celta como transgressora dentro do contexto histórico, social e
cultural medieval.

Palavras-chave: Literatura em Língua Inglesa Contemporânea. Personagem


feminina. Celtas.

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A REPRESENTAÇÃO FEMININA NO FABLIAU “OS CALÇÕES DO


FRANCISCANO”

Gerlândia Gouveia Garcia (PPGH-UFCG)

O presente trabalho tem como objetivo realizar uma análise da representação


feminina no fabliau “Os calções do franciscano”. Compararemos o discurso do
narrador ao de textos do período, a exemplo dos religiosos e filosóficos, os
quais veiculavam uma imagem de inferiorização da mulher, comumente
apresentada como um ser pútrido, dissimulado e enganador, entre outras
características negativas. Para a análise do texto em questão nos ampararemos
em teóricos que contemplam a questão da mulher na Idade Média, a saber:
Howard Bloch (1995), Jacques Le Goff e Jean-Claude Schmitt (2006), Klapisch-
Zuber (2006), Norris Lacy (1995) e da teóloga Uta Ranke-Heinemann (1996). A
nossa intenção também se concentra em observar a relação entre personagens
masculinos e femininos no fabliau proposto, bem como se há propagação do
discurso misógino medieval.

Palavra-Chave: Representação feminina, Fabliau, Idade Média

RE-SIGNIFICAÇÕES DO FEMININO:
POÉTICAS TRANSITANTES NA IDADE MÉDIA
Ivanildo da Silva Santos (UFPB); Rayssa Kelly Santos de Oliveira (UFPB)
Ao longo da história, a sexualidade feminina foi marcada por muitas
influências sócio-culturais que determinaram seus limites e campos de atuação.
No entanto, algumas mulheres não sucumbiram à devoção abnegada de mãe,
esposa e filha. Na sociedade medieval, a mulher cumpriu outros papéis, além
dos que eram impostos pelo discurso dominante. Compreendemos que a
diferenciação social imputada ao feminino, deveu-se, em grande parte, aos
preceitos religiosos sobre a sexualidade, os quais foram usados para classificá-
las como sujeito/gênero/sexo inferiores, convertendo-as em causa e objeto do

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pecado. Àquelas que se desviavam dos padrões estabelecidos pela Cultura,


eram impostas interdições e sanções, capazes de anulá-las de forma atroz. A
sociedade patriarcal e cristã da Idade Média considerava a mulher um sujeito
muito próximo da carne e sentidos. Nossa pesquisa pretende analisar, em textos
do romanceiro ibérico, de Almeida Garrett, a representação discursiva da
mulher, em que se acoplam significantes oriundos, sobretudo, da cultura
mediévica. Como arcabouço teórico, optamos pelos estudos feministas de
Judith Butler, sobre subversões identitárias, e de Foucault, acerca da ordem que
rege os discursos. Dentro dessa abordagem, analisaremos o romance A Bela
Infanta - narrativa poética que ressalta as características e representações da
mulher – no período medieval – com seus desafios e imposições.
Palavras-chave: Romanceiro – Gênero – Discurso; Feminismo.

SOB O VÉU DA SEDUÇÃO: FACES MORTÍFERAS DO FEMININO


Jaldemberg Jonas de Carvalho Silva (UFPB) & Monik Giselle Lira Monteiro
(UNIPÊ)
O romanceiro tradicional constitui um conjunto de narrativas poéticas que se
conectam, dinamicamente, a histórias de povos e culturas. É o caso da peça A
Enfeitiçada, do romancista e poeta português Almeida Garrett. Discursivamente
vinculado à cultura mediévica, o texto narra a história de uma donzela, cuja
riqueza e beleza são usadas, ardilosamente, como armas de sedução, para atrair
os cavalheiros que cruzavam o seu caminho. De origem francesa, a estória
perpetuou-se pelas terras portuguesas, onde ganhou algumas adaptações. Este
trabalho, respaldado nos constructos teórico-metodológicos da Semiótica
Discursiva, tem como objetivo identificar os instrumentos de sedução e os
recursos persuasivos mobilizados pela protagonista, a fim de persuadir o
masculino, subjugando-o aos seus caprichos e desejos. Estamos diante de uma
imagem feminina que subverte, em muitos aspetos, as estruturas tradicionais
do medievo, as quais reafirmam uma supremacia do homem e de suas ações.

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Palavras-Chaves: Feminino - Sedução - Romanceiro Ibérico

UMA LEITURA DAS “CORRESPONDÊNCIAS DE ABELARDO E


HELOÍSA” E A “NOVA HELOÍSA” DE JEAN-JACQUES ROUSSEAU

Jozelma Oliveira Pereira (UEPB)

Apesar de conhecido e reconhecido principalmente pelo seu pensamento


educacional, social e político, Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) também
desenvolve temáticas de ordem literária e histórica, como é o caso de seu livro
A Nova Heloísa. O então romance, conhecido também por Júlia foi iniciado em
1757 e nele se percebe o sentimentalismo rousseauniano que se deve,
notavelmente, às famosas cartas de dois amantes – Abelardo e Heloísa – que
foram separados pelo destino e só na morte ficaram juntos. Ele cônego e
respeitado professor de lógica, ficou conhecido pelo movimento filosófico que
se tornou um dos mais importantes da filosofia medieval – o problema dos
universais, além, é claro, do seu envolvimento amoroso com a jovem Heloísa. O
amor [im] possível está registrado na famosa obra Correspondências de Abelardo e
Heloísa. Do exposto, pode-se dizer que o principal propósito desta investigação
é apresentar de que forma o filósofo das luzes se posiciona como escritor e
critico do seu tempo e de que forma sua obra estabelece indagações de
estruturas literária, histórica e filosófica, indagando sobre as semelhanças e
diferenças em relação às obras referidas e este provável retorno de Rousseau ao
medievo.

Palavras-chave: filósofo das luzes; medievo; romance filosófico; epístolas.

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MARGUERITE PORETE: O QUERER DO NADA QUERER

Juliana Marques Cavalcante (EUPB)

Marguerite Porete pregava um estilo de vida baseado no desprendimento do


que ela chamava de obstáculos mundanos. Assim, em sua atuação mística,
Porete almejava propagar a possibilidade de encontrar-se com a divindade
ainda em vida, contrariando o discurso que a tradição católica cristã nos diz.
Era, pois, por meio da libertação oriunda do aniquilamento que se fazia
possível tal encontro. Foi então que, através da sua obra O Espelho das Almas
Simples e Aniquiladas, Porete relatou como se deu o seu encontro com a
divindade que, por sua vez, é, por ela, chamado de Amado, bem como nos
confidenciou qual é o caminho que deve ser seguido por aqueles que também
desejem alcançar esse feito. Como poderia, portanto, uma alma que a todo
instante insiste no discurso do nada querer, paradoxalmente permanecer na
vontade e no desejo do amor? Com base na teoria poretiana de que através da
abdicação das vontades e do aniquilamento total da alma é possível vivenciar
um encontro com Deus, nos dedicaremos a analisar de que maneira uma alma
que repousa no nada é capaz de alcançar tamanha honra.

Palavras Chave: Marguerite Porete. Vontade. Aniquilamento.

DA CAVALARIA PAGÃ À CRISTÃ: ASPECTOS DE DIFERENTES


CÓDIGOS DE ÉTICA CAVALEIRESCOS EM SIGURD E GALAAZ
Letícia Raiane dos Santos (UFPE)
Introduzida em Portugal durante o reinado de Afonso III no século XIII,
juntamente com outras novelas de cavalaria arturianas, A demanda do santo Graal
foi traduzida para o português sendo, no decorrer desse processo, mutilada, e
até certo ponto, recriada (MEGALE, 2008). Ela conta a história da incansável
busca realizada pelos cavaleiros da Távola Redonda, do Vaso sagrado, o Graal,
no qual José de Arimateia recolheu o sangue de Jesus Cristo. Na véspera de

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Pentecostes, diversos cavaleiros vão a Camalote para integrarem a Távola


Redonda do rei Artur; quando, enfim, todos estão reunidos, surge flutuando
misteriosamente no paço o santo Graal, coberto por um veludo branco, e
proporcionando manjares a todos que estavam ali presentes. Logo em seguida,
o santo Vaso vai embora, despertando nos homens que compunham a mesa, o
desejo de provar outra vez das maravilhas proporcionadas por ele. A obra narra
as aventuras vividas pelos cavaleiros da Távola Redonda durante a insistente
busca para presenciar mais uma vez o milagre que lhes foi proporcionado em
Camalote. De acordo com Richard Barber (2007), após a morte de Chrétien de
Troyes, que produziu no século XII o primeiro roman cavaleiresco que abordou
a temática do mais famoso vaso místico da história da literatura cortês – A
história do Graal. Morrendo sem finalizar essa obra, Chrétien abriu uma lacuna
que, ao longo de muitos séculos, diversos autores tentaram preencher. Qual era
a origem do Graal? E mais especificamente, o que seria, de fato, aquele
misterioso objeto?
Palavras-chave: saga islandesa; novela de cavalaria; códigos de ética
cavaleirescos.

O LIVRO, UM IMPORTANTE OBJETO NUCLEAR DA POLÍTICA NO


MEDIEVO: REESCRITURAS DO LIVRO DOS FEITOS DE JAIME I

Prof. Dr. Luciano José Vianna (Universitat Autònoma de Barcelona)

O livro medieval foi um dos objetos utilizados na política medieval. Um objeto


representativo e de poder, não somente para quem o mantinha, mas também
para quem era representado pelo mesmo. A vida deste objeto foi marcada por
três momentos importantes: sua criação, sua entrega aos seus patrocinadores e
sua reprodução em diferentes contextos (Gimeno Blay, 2002). Estamos,
portanto, diante de um processo no qual se manifestaram a reflexão
historiográfica, o mecenato e a necessidade política. O objetivo desta
comunicação é apresentar os dois primeiros objetos da tradição textual do Livro

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dos Feitos que temos notícias, ou seja, o ms. 1 da Biblioteca da Universitat de


Barcelona, e o ms. 1734 da Biblioteca de Catalunya. Utilizando os pressupostos
teóricos de Hayden White (1999), Gabrielle M. Spiegel (1975, 1983, 1990, 1995 y
1999) e Roger Chartier (1989, 1994 y 2005), respectivamente relacionados à
formação de um texto historiográfico, sua relação com o contexto de
composição e sua representação, pretendemos analisar estes dois objetos de
acordo com os seus respectivos contextos de composição (1343 e 1380), para
então compreender o motivo da composição de tais objetos.

Palavras-chave: Livro medieval; Livro dos feitos: Jaime I.

A IDEIA DE LIVRE-ARBÍTRIO NA ÓTICA DE SANTO AGOSTINHO


Márcia de Souza Baptista (UEPB)

A partir da ideia de livre-arbítrio, que Agostinho define como origem ou causa


do mal, nasce a noção de culpa, de responsabilidade e com esse conceito
entende-se a palavra pecado (o mal), fruto do abuso da livre vontade. Portanto,
a ideia de culpa está implícita, pois ninguém se confessa se não se sentir
culpado em relação a algo, se trata aqui de arrependimento. Neste sentido, o
homem cai por sua própria vontade e, nesta direção, a filosofia de Agostinho
exposta em as Confissões, busca uma investigação do arrependimento dos
pecados e da misericórdia de Deus, que se entrelaçam nas suas teorias sobre a
graça e o livre-arbítrio. O mal é a desordem, a transgressão culposa da ordem
existente no universo. O homem se afasta do ser por ignorância e Deus na sua
infinita bondade concede a graça da salvação. Para o Bispo de Hipona ninguém
tem forças para salvar-se sozinho, pois só Deus é quem salva por meio da graça.
Esta, por sua vez, conduz o homem a fazer o bom uso de seu livre-arbítrio. Do
exposto, pretendemos, nesta comunicação, refletir sobre a ideia do livre-arbítrio
em Santo Agostinho a partir de algumas passagens das Confissões e de O Livre-
arbítrio.

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Palavras-chave: Vontade. Livre-arbítrio. Confissões.

ENTRE O PODER E A TRANSGRESSÃO

Monik Giselle Lira Monteiro (UNIPÊ) & Wanderson Diego Gomes Ferreira
(UFPB)
Ancorada nos pressupostos teóricos da Semiótica das Culturas, em sua
interlocução com os Estudos Culturais, a presente pesquisa tem o objetivo de
examinar, no romanceiro ibérico de Almeida Garret, as dimensões éticas e
morais da sexualidade, restabelecendo as conexões ideológicas com a cultura
mediévica, a qual, discursivamente, alimenta os textos populares. A peça
escolhida, intitulada Reginaldo, revela uma configuração familiar fragmentada
pela subversão do feminino frente aos valores patriarcais. Defrontamo-nos com
estruturas de poder, de ordem religiosa, que sufocam o desejo de mulheres,
esfacelando seus corpos e identidades, quando estas se insurgem contra as
agruras de seu tempo e espaço. Nessa lógica perversa, atribuem-se aos homens
uma virilidade que os habilita, institucionalmente, a subjugar suas esposas,
amantes, filhas e irmãs, mesmo que, para tanto, infrinjam as leis sociais.
Palavras-Chaves: Romanceiro – Estruturas de Poder – Tradicionalismo

O PENSAMENTO DE MARTINHO LUTERO E O TÉRMINO DA IDADE


MÉDIA

Renan Pires Maia (UFPB)

O presente trabalho tem como objetivo expor os principais pontos do


pensamento do reformador protestante alemão Martin Luther (Martinho
Lutero) e seu impacto na sociedade européia da época, de maneira a
demonstrar como a reforma luterana representou, no séc. XVI, um ponto de
transição decisivo entre a Idade Média e a Idade Moderna, uma vez que
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desafiou o tradicionalismo católico romano, predominante até o fim do


medievo, e levantou fortes críticas ao modo de pensar escolástico, hegemônico
até então, dando início a todo um movimento anticlerical no tocante à
instituição visível da religião e anti-aristotélico no que diz respeito ao modo de
investigação da Verdade, movimento este que se consolidaria amplamente, a
partir do Renascimento, nas figuras de pensadores como Giordano Bruno,
Thomas Hobbes, Bento de Spinoza, Immanuel Kant etc., que, igualmente,
levantaram importantes críticas à Igreja Romana e/ou à forma de pensar
defendida no seio dela.
Palavras-chave: Lutero, Idade Média, Reforma Protestante.

ENTRE O GROTESCO E A DOENÇA: AS PERCEPÇÕES SOBRE A


OBESIDADE NA BAIXA IDADE MÉDIA.

Renato Toledo Silva Amatuzzi (PPGH-UEPG)

A obesidade foi alvo de grandes controvérsias durante a Idade Média. Durante


muitos séculos, a figura do glutão medieval foi tratada ora como algo grotesco,
doentio e ora como símbolo de poder e vitalidade. O presente trabalho tem
como objetivo compreender as percepções acerca da obesidade no regimento de
saúde “As Regras de Saúde a Jaime II”, escrito para o Rei Jaime II de Aragão,
em 1308, pelo médico catalão Arnau de Vilanova. Neste documento, Vilanova
estabelece uma série de relações entre a obesidade, alimentação e os exercícios
físicos, situando a como um problema da medicina e mais, como algo que pode
ser prevenido através da dietética e de um equilíbrio correto dos humores. Este
regimento proporciona ao historiador um novo olhar sobre a medicina
preventiva na Baixa Idade Média, e, principalmente, as relações entre o corpo,
saúde e a alimentação.

Palavras-chave: Arnau de Vilanova; História da Obesidade; Regimentos de


Saúde.

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O AMOR NA PERSPECTIVA DE ISABEL DE ARAGÃO NO ROMANCE


MEMÓRIAS DA RAINHA SANTA

Simone dos Santos Alves Ferreira (PPGL/UFPB)


O presente artigo busca observar como o amor é constituído no romance
histórico Memórias da rainha santa (2009), de María Pilar Queralt del Hierro.
Percebemos que o romance discorre sobre a temática amorosa na figura de
Isabel de Aragão. Ela casou-se ainda criança com o rei D. Dinis, e apaixonou-se
por ele apesar das poucas vezes que ele a procurava. Não tinha seu amor
correspondido e sofria ao saber do envolvimento do esposo com diversas
amantes com quem teve vários filhos bastardos os quais deixou aos cuidados de
Isabel. Para tanto, o aporte teórico que dará sustentação a este trabalho tem
como teóricos e críticos principais Denis de Rougemont (1988), Octavio Paz
(1994) e George Duby (1993) que discorrem acerca do amor cortês e Maria de
Fátima Marinho (1999) e Célia Fernandes Prieto (1998) que tecem considerações
sobre romance histórico. A análise nos mostra que o amor apresentado na obra
apresenta-se à margem, pois o que importava para D. Dinis era o casamento por
interesses e para negociações, ocasionando dessa forma, o sofrimento de Isabel
de Aragão.
Palavras-chave: romance histórico, amor cortês, interesses.

MARGUERITE PORRETE: A HERANÇA PERFEITA DA ALMA


ANIQUILADA.

Solange Alves de Almeida (UEPB)

A obra “O espelho das Almas Simples” é um dos principais escritos a respeito


de mística medieval, opondo-se radicalmente ao discurso da Igreja na época,
que situava os nobres como alvos do amor de Deus, em uma sociedade
permeada pela religião. A autora, Marguerite Porete, era uma beguina, uma
mulher leiga dedicada à vivência prática da religiosidade e que escrevia sobre o

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tema em língua vulgar, ou seja, a língua do povo. Este, dentre outros motivos,
tornou as beguinagens centros místicos muito populares e um perigo potencial
aos olhos da Igreja. O espelho das almas simples é escrito em diálogos e faz
extenso uso de figuras de linguagem e paradoxos, sendo por isso muitas vezes
considerado de difícil interpretação. A discussão na obra gira em torno de três
personagens centrais, todos femininos: a Alma, o Amor e a Razão, e traça
baseado em três mortes, o caminho gradual para a união com o divino, que só é
obtido com o radical aniquilamento do eu, onde a vontade pessoal se submete á
vontade de Deus, ou seja, prega que até o mais simples é capaz de se unir a
Deus desde que se despoje de vontade, aniquilando seu eu e submetendo-se ao
agir de Deus. Assim procuraremos nesta comunicação apresentar os principais
aspectos do texto de Marguerite no que se diz a ideia do aniquilamento.

Palavras-chave: Mística, Aniquilamento Deus Marguerite porrete.

OS ESTADOS DA ALMA COMO PROCESSO DE ANIQUILAMENTO E


UNIÃO COM AMOR, EM O ESPELHO DE MARGUERITE PORETE.

Valkíria Oliveira de Melo (UEPB)

O objetivo desse trabalho é mostrar o pensamento de Marguerite Porete


(provavelmente nascida em meados de 1260), no Mirouer, que tem como
principal tema o processo que leva a Alma ao aniquilamento e a sua união com
o Fino Amor. Para chegar ao aniquilamento e ao grau mais alto de sua união
mística com Amor, a Alma passa por seis estados. No primeiro estado, que
corresponde à morte do pecado, a Alma segue os mandamentos de Deus; no
segundo estado, que corresponde à morte da natureza, a Alma agraciada por
Deus, imita a Cristo, visando uma vida espiritual de despojamento; no terceiro
estado, a Alma busca as obras de caridade para aproximar-se de Deus; no
quarto estado, a Alma abandona os trabalhos externos, querendo a vontade de

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Deus nela; no quinto estado, onde dar-se a última morte, a saber, a morte da
vontade, a Alma embriagada com Amor encontra-se aniquilada; por último, o
sexto estado, é onde a Alma se encontra em união com Amor. Nossa pensadora
ainda sugere um sétimo estado, mas desse ninguém pode falar, pois, segundo
ela, trata-se da glória eterna. Sendo assim, refletiremos sobre os estados da
Alma como processo de aniquilamento necessário na busca da união com o
divino.

Palavras-chave: Estados. Alma. Aniquilamento. Amor.

SOBRE O CORPO FEMININO: VIOLÊNCIA E PATRIARCADO


Wanderson Diego Gomes Ferreira & Hermano de França Rodrigues (UFPB)
A literatura popular, em sua tradicionalidade, mantém vivos os resquícios das
várias culturas que, nos itinerários temporais, interceptaram-na, dando-lhe
contornos nem sempre definíveis. Nesse âmbito, destacamos o romanceiro
tradicional, cujas narrativas albergam crenças e valores que se consolidaram
(não podemos dizer que eram exclusivos) durante os longos outonos da Idade
Média, de tal modo que passam a demarcar sua presença na
contemporaneidade. Nossa pesquisa, numa interface entre a Semiótica das
Culturas e os Estudos Culturais, adentra no romanceiro garrettiano, com vistas a
examinar as configurações perversas que delineiam as relações de opressão ao
feminino, fazendo-o perecer ante um maquinário de torturas físicas e
psicológicas. Para tanto, debruçar-nos-emos sobre o romance Silvaninha, um dos
mais difundidos em terras lusas. A narrativa centra-se na conduta de um pai
cruel, capaz de penaliza a filhar a viver trancafiada numa torre, até que esta
ceda aos desejos sexuais do progenitor. O conflito narrativo se sustenta na
dominação masculina, preponderante à lei social e, por outro lado, frágil ao se
confrontar com a Divindade.
Palavras-Chaves: Romanceiro, Patriarcado, Perversão

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A FAMÍLIA EM DES(ORDEM): ENTRE PERDAS E HERANÇAS


Prof. Dr. Hermano de França Rodrigues (UFPB)
Os laços parentais, em cada época e lugar, estabelecem-se segundo as pilastras
conceituais da Cultura, de modo a ratificar seus significantes, confrontá-los ou,
por vezes, deturpá-los. No mundo mediévico, vaticinado pela religiosidade e
por um modo de vida essencialmente agrário, consolidou-se um modelo
familiar centralizado na figura paterna, cuja função resumia-se, muitas vezes,
em abastecer o lar e definir a conduta de esposa e filhos. Estes estavam, em geral,
sob uma égide senhorial, subsumindo-se aos seus mandamentos, definindo-se
ante seus códigos e, como bons seguidores, temendo a ferocidade de suas leis.
Nosso estudo, ancorado nos pressupostos teóricos da Semiótica das Culturas,
almeja dilucidar, a partir do texto literário, o aparato ideológico que, por muito
tempo, em especial na Idade Média, alicerçou configurações familiares
delineadas ao labor de uma religiosidade diaspórica, hábil em seccionar mentes
e corpos. Para tanto, examinaremos textos do Cancioneiro popular, cujos enredos
evocam, textual e imageticamente, o topos e o cronos historicamente anterior à
modernidade.

Palavras-chave: Cancioneiro Popular – Tradicionalidade - Família

O LEGADO DAS “BESTAS”: UM APANHADO HISTÓRICO-LITERÁRIO


ACERCA DOS BESTIÁRIOS MEDIEVAIS

Andressa Furlan Ferreira (UnB)

Embora tenham sido populares na Idade Média, os bestiários não mais ocupam
uma posição privilegiada entre os estudiosos. Desde o século XX, estudos
acerca dessa literatura não retornam à mesa acadêmica com a mesma
frequência que as sagas islandesas e os ciclos arturianos. Entretanto, ainda hoje
é possível identificar a influência que os bestiários exerceram sobre signos
sociais, como foi o caso da composição de brasões. Visando ao incentivo de

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pesquisas nesse campo, este trabalho aclarará alguns aspectos históricos e


literários acerca dos bestiários medievais. Para tal, serão consultados trabalhos
de especialistas como Allen (1887), James (1932), Kuhns (1896) e Varandas
(2006), bem como de Verger (1999). O legado das “bestas” revela-se presente
não apenas no imaginário medieval (JAMES), mas também em instituições do
século XXI. Todavia, a conscientização a respeito de suas origens e simbolismo
apresenta-se escassa. Para buscar a compreensão dos símbolos de bases
institucionais da cultura ocidental, torna-se necessário dedicar especial atenção
aos bestiários e respectiva construção simbólica.

Palavras-chave: bestiário; medieval; literatura; história.

UM CANTAR DE AMOR PARA AS MULHERES QUE PASSAM: O


TROVADORISMO NA POESIA DE VINICIUS DE MORAES.

Jonathan Lucas Moreira Leite (UFPB)

O presente trabalho foi desenvolvido a partir da pesquisa “Ressonâncias


medievais na literatura brasileira” coordenada por Luciana Calado Deplagne e
vinculada ao CNPQ como PIBIC. O artigo tem como objetivo analisar as marcas
da literatura trovadoresca na poesia de Vinicius de Moraes, focalizando a
presença da vassalagem amorosa e do amor cortês nos seus textos. Para tal,
analisaremos o poema “A mulher que passa” publicado em seu livro Novos
poemas (1938). Nossa análise utiliza como arcabouço teórico os principais
conceitos presentes no Trovadorismo, trazidos a baila pelos medievalistas Spina
(1956) e Dronke (1978), o poeta e ensaísta Otávio Paz (1994); além dos trabalhos
sobre Neotrovadorismo das professoras Maria Maleval (2002) e Luciana Calado
Deplagne (2000). O trabalho desenvolverá uma breve análise sobre as marcas
trovadorescas nos textos do autor analisado e analisará com mais atenção o
poema citado em comparação com a cantiga de amor dos trovadores.

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Palavras-chave: Vinicius de Moraes; Trovadorismo; Neotrovadorismo

O QUE É, POIS, O TEMPO SEGUNDO AGOSTINHO DE HIPONA

Flavia Raquel Gouveia dos Santos (UEPB)

Neste artigo temos como principal objetivo realizar uma análise fundamentada
na constituição da temporalidade, a partir da concepção de tempo proposta por
Santo Agostinho, no livro XI das confissões. A ideia Agostiniana em relação à
temporalidade está ligada ao homem, pois é própria dele, devido ao seu caráter
psicológico pertencente a sua consciência. Na concepção de Agostinho, Deus é o
fundamento de tudo e todas as criaturas surgiram em um só momento,
inclusive o tempo. A teoria temporal é explicada por uma tríade: memoria,
visão e espera, onde a memória é a lembrança no presente das coisas passadas,
a visão, o agora, o exato momento em que as coisas estão acontecendo, e a
espera é a expectativa, a esperança no presente, do que poderá vir a acontecer
no futuro. A eternidade encontra-se acima da temporalidade, portanto o tempo
não pode medi-la. Sendo assim, o eterno é um perpetuo hoje, e o hoje de Deus é
a própria eternidade.

Palavras-chave: Santo Agostinho. Tempo. Eternidade. Deus.

ECOS DA MÍSTICA MEDIEVAL CRISTÃ EM COLOQUIO DE AMOR DE


TERESA D’ÁVILA

Maria Graciele de Lima (PPGL-UFPB)

A produção de escritos pertencentes à mística cristã ocidental, na Idade Média,


foi expressiva. Em tais escritos, é possível encontrar peculiaridades estéticas
dignas de serem consideradas e, muitas delas, continuaram a ser utilizadas nos
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II Colóquio de Estudos Vikings e Escandinavos/I Ciclo de Pesquisas Medievais, 2014

textos religiosos produzidos durante os séculos que se enquadram,


classicamente, na Modernidade. Assim, este artigo destaca alguns elementos da
mística ocidental cristã próprios da Idade Média presentes no poema Coloquio de
Amor de Teresa d’Ávila, tais como o fato de se apresentar como a linguagem de
uma experiência, além de tratar sobre o amor esponsal entre uma alma humana
e seu Amado divino. Para fundamentar as reflexões propostas, serão
consideradas as contribuições de Velasco (2009) sobre alguns aspectos da
linguagem mística, o parecer de Le Goff (2010) a respeito da concepção de Idade
Média e os apontamentos de Lieve Troch (2013) quanto à mística medieval
cristã como uma vivência muito comum às mulheres religiosas da época.
Palavras-chave: Poesia. Mística. Idade Média. Teresa d’Ávila.

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