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UNIVERSIDADE TIRADENTES - UNIT

ASPECTOS NEUROFISIOLÓGICOS DA DOR

Flávio Martins do Nascimento Filho


Fisioterapeuta – CREFITO 175590-F
Mestre em Ciências Aplicadas à Saúde – UFS, Campus Lagarto/SE
Pós-graduado em Fisioterapia Traumato-ortopedia – Universidade Estácio de Sá/SP
Fisioterapeuta do Esporte – Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva - SONAFE
ASPECTOS NEUROFISIOLÓGICOS DA DOR
DOR: “Fenômeno complexo, multifatorial, individual e com uma forte carga
subjetiva” INTERNATIONAL ASSOCIATION FOR THE STUDY OF PAIN, IASP

“a dor é uma experiência multidimensional desagradável, envolvendo não só


um componente sensorial, mas também emocional, e que se associa a uma
lesão tecidual real ou potencial”.
ASPECTOS NEUROFISIOLÓGICOS DA DOR

DOR

SOMÁTICOS

PSICOLÓGICOS SOCIAIS
ASPECTOS NEUROFISIOLÓGICOS DA DOR
Estudos epidemiológicos mostram que a dor atinge 40% de toda população
mundial, o que representa um grande problema de saúde pública.
NOCICEPÇÃO
O corpo humano é dotado de um sistema de proteção fisiológico chamado de
“nocicepção”;

“rede neural de percepção processamento de estímulos nocivos”;

Os mecanismos neurofisiológicos da nocicepção são iniciados frente a um


estímulo de origem:
térmica, química ou mecânica que será interpretado
pelo sistema nervoso central.
ETAPAS DAS NOCICEPÇÃO

PERCEPÇÃO

MODULAÇÃO
TRANSMISSÃO

IDENTIFICAÇÃO/TRANSDUÇÃO
ETAPAS DAS NOCICEPÇÃO

Identificação ou transdução (as fibras nociceptivas Aδ (delta) e C identificam e


traduzem os estímulos nocivos em potenciais elétricos);

IDENTIFICAÇÃO/TRANSDUÇÃO
ETAPAS DAS NOCICEPÇÃO
Transmissão (momento que os estímulos são transmitidos até a corno posterior da medula
espinhal via linha espinotalâmica “fibras Aδ” e espinoreticulotalâmica “fibras C” chegando até
o tálamo)

TRANSMISSÃO
ETAPAS DAS NOCICEPÇÃO
Modulação (liberação de neurotransmissores excitatórios e inibitórios “glutamato e GABA”,
para modular os estímulos do seu local de origem até os centros superiores, o conjunto de
áreas responsáveis pela modulação é chamado “sistema supressor descendente ou
endógeno”);

MODULAÇÃO
ETAPAS DAS NOCICEPÇÃO
Percepção (o estímulo chega as áreas superiores do “córtex”, onde será
processado e reconhecido como dor).

PERCEPÇÃO
ETAPAS DAS NOCICEPÇÃO

PERCEPÇÃO

MODULAÇÃO
TRANSMISSÃO

IDENTIFICAÇÃO/TRANSDUÇÃO
ETAPAS DA NOCICEPÇÃO
Durante o processo de interpretação da dor, as fibras nociceptivas são capazes de
conduzir estímulos dolorosos em diferentes velocidades.

As fibras Aδ (delta) de calibre grosso, sensíveis a estímulos térmicos e mecânicos,


são totalmente mielinizadas, ou seja, conduzem a dor de forma muito rápida,
entre 12-30 m/s.
ETAPAS DA NOCICEPÇÃO

Entretanto as fibras C, são amielinizadas e respondem a estímulos térmicos,


químicos e mecânicos e apresentam baixa velocidade de condução 0.5-2 m/s.
As fibras do tipo C = 4 Km/h
As Fibras A-Delta = 30 Km/h
As Fibras A-Beta = 360 Km/h
NOCICEPÇÃO

Assim, quando as fibras Aδ (delta) são estimuladas a dor ocorre em pontada e é


bem localizada, já quando há excitação das fibras C, a dor muda o seu
comportamento e é representada em queimação e não tem uma localização
precisa.
NEUROMATRIZ DA DOR
Sistema que armazena todas memórias e experiências já vividas ao longo do
tempo e tem relação direta com o mecanismo de percepção.

O cérebro é capaz de entender o momento exato para produzir dor, portanto este
sistema é ajustado por meio de três dimensões:

-sensitiva-discriminativa (refere a intensidade, duração e qualidade da dor);


-afetiva-motivacional (interação entre a dor e perfil emocional);
-congnitiva-avaliativa (memória da dor, habilidade de se adaptar e suportar a dor
e a racionalização).
DOR NOCICEPTIVA X NEUROPÁTICA

A dor apresenta vias de sinalizações diferentes, podendo ser


subdividida em “nociceptiva e neuropática”.
DOR NOCICEPTIVA X NEUROPÁTICA

O tipo nociceptiva está diretamente relacionada com processos


inflamatórios ou traumáticos em tecidos com conexão neural, a
exemplo dos ossos, músculos, tendões e vísceras.
DOR NOCICEPTIVA X NEUROPÁTICA

A neuropática, por sua vez, está associada a comprometimento do


sistema nervoso periférico.
DOR NOCICEPTIVA X NEUROPÁTICA

NOCICEPTIVA NEUROPÁTICA

-Pele; -SNP
-Músculos; -SNC
-Tendões; -Vísceras
-Articulações;
-Fáscia.
DOR NOCICEPTIVA X NEUROPÁTICA

CARACTERÍSTICAS TEMPORAIS DA DOR

-CONTÍNUA
-ESTÁVEL
-CONSTANTE
-BREVE
-MOMENTÂNEA
-TRANSITÓRIA -RITMICA
-PERIÓDICA
-INTERMITENTE
SENSIBILIZAÇÃO CENTRAL
DEFINIÇÃO:
Amplificação da sinalização neural
dentro SNC que provoca
hipersensibilidade a dor
EXEMPLOS:
-Fibromialgia; -Síndrome do Intestino
irritável; -DTM; Lombalgia crônica; -
Osteoartrite.
QUALIDADE DA DOR:
-Ardente; -Lancinante; - Semelhante a
choque elétrico; Difusa;
Alodinia/hiperalgesia.
SENSIBILIZAÇÃO CENTRAL
SINAIS FÍSICOS DO ENVOLVIMENTO DO TECIDO
NEURAL
1. Postura antálgica;
2. Disfunção do movimento ativo;
3. Disfunção do movimento passivo, que está correlacionado com a disfunção do movimento
ativo;
4. Respostas adversas no tecido neural com os testes provocativos;
5. Alodínia mecânica em resposta a palpação de troncos nervosos específicos;
6. Evidência no exame físico da causa local da dor neurogênica.
DADOS EPIDEMIOLÓGICOS

Hoy et al., em uma revisão sistemática avaliaram 165 estudos em 54 países e


mostraram que 23% de toda população estudada apresentavam dor lombar,
sendo a principal causa de incapacidade funcional no mundo.
ASPECTOS NEUROFISIOLÓGICOS DA DOR

Os episódios de dor são classificados baseando-se na duração dos sintomas.


Podem ser de caráter:
-agudo (tem início repentino e duração menor que seis semanas);
-subagudo (persiste por um período de seis a doze semanas);
-crônica (continua por mais de 12 semanas)
DOR AGUDA DOR CRÔNICA

-É provocada por uma lesão externa/interna; -Apresenta uma duração superior a 3-6
-A intensidade correlaciona-secom o meses;
estímulo desencadeante; -Não está associada à ocorrência que a
-Pode ser claramente localizada; provocou;
-Tem uma função clara de advertência e -Torna-se por direito próprio, numa doença;
proteção; -A sua intensidade deixa de estar
-O sistema nervoso simpático é ativado e são correlacionada com o estímulo causal;
liberados catecolaminas. -Perdeu sua função de advertência e
proteção;
TEORIAS DO CONTROLE DA DOR

TEORIA DO CONTROLE CONSCIENTE DOR:


Visualização;
Necessidade de atenção;
Hipnose;
Concentração.
TEORIAS DO CONTROLE DA DOR

TEORIA DAS COMPORTAS (PORTÃO OU GATE CONTROL):


Melzack e Wall, 1965.
Ela admite, essencialmente, existir nos cornos posteriores medulares um mecanismo neural
que se comporta como portão, que pode controlar a passagem dos impulsos nervosos
transmitidos desde as fibras periféricas até SNC, através da medula.

O portão regula o influxo de impulsos nociceptivos, mesmo antes de se criar uma percepção à
dor.

A substância gelatinosa (SG) constitui o portão de controle ( é o veículo do


mecanismo do portão).
TEORIAS DO CONTROLE DA DOR

TEORIA DAS COMPORTAS (PORTÃO OU GATE CONTROL):


Melzack e Wall, 1965.
Fibras Aα e/ou fibras C → Corno Dorsal da M.E. → Fibras Aβ (+ rápida) →
S.G. (porteiro) → Fechamento ou abertura dos portões → Células T
(transmissão central) → SÓ PODE ENTRAR UM!!!!!
COMO AVALIAR A DOR?
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ASPECTOS NEUROFISIOLÓGICOS DA DOR

Flávio Martins do Nascimento Filho


Fisioterapeuta – CREFITO 175590-F
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