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experiência  -  “o  sujeito  é  afetado  e  experimenta  existencialmente  o  fenômeno  que 

vivencia: isso constitui uma unidade do sistema de entendimentos.” p. 31 -  


Livro triangulação Minayo 
 
 
O  DESAFIO  DO  CONHECIMENTO:  PESQUISA  QUALITATIVA  EM  SAÚDE. 
Minayo 
 
A  relevância  concedida  ao  quantitativo  e  ao  conteúdo  manifesto  das  comunicações, 
quando  se  trata  de  uma  análise  de  material  qualitativo,  remete-se  à  tradicional  discussão  sobre  a 
especificidade  do  material  próprio  às  ciências  sociais,  particularmente  sobre  a  questão  da 
SIGNIFICAÇÃO. (P. 200). 
 
Do  ponto  de  vista  operacional,  a  análise  de  conteúdo  parte  de  uma  leitura  de  primeiro 
plano  para  atingir  um  nível  mais  aprofundado:  aquele  que  ultrapassa  os  significados  manifestos. 
Para  isso  a  análise  de  conteúdo  em  termos  gerais  relaciona  estruturas  semânticas  (significantes) 
com estruturas sociológicas (significados dos enunciados). Articula a superfície dos textos descrita 
e  analisada  com  os  fatores  que  determinam  suas  características:  variáveis  psicossociais,  contexto 
cultural, contexto e processo de produção da mensagem. (p. 203) 
 
“IV - Análise da Eunciação 
 
Apoia-se  numa concepção de comunicação como processo e não como um dado estático, 
e  do  discurso  como  palavra  em  ato.  A  análise  da  enunciação  considera  que  na  produção  da 
palavra  elabora-se  ao  mesmo  tempo  um sentido e operam-se transformações. Por isso o discurso 
não  é  um  produto  acabado,  mas  um  momento  de  criação  de  significados  com  tudo  o  que  isso 
comporta  de  contradições,  incoerências  e  imperfeições.  Leva  em  conta  que,  nas  entrevistas,  a 
produção  é  ao  mesmo  tempo  espontânea  e  constrangida  pela  situação.  Portanto  a  análise  da 
enunciação  trabalha  com:  (a)  as  condições  de  produção  da  palavra.  Parte  do  princípio  que  a 
estrutura  de  qualquer  comunicação  se  dá  numa  triangulação  entre  o  locutor,  seu  objeto  de 
discursos  e  seu  interlocutor.  Ao  se  expressar,  o  locutor  projeta  seus  conflitos  básicos  através  de 
palavras,  silêncios,  lacunas,  dentro  de  processos,  na  sua  maioria,  inconscientes;  (b)  o  continente 
do  discurso  e  suas  modalidades.  Essa  aproximação  se  dá  através  de:  (1)  análise  sintática  e 
paralinguística:  estudo  das  estruturas  gramaticais;  (2) análise lógica estudo do arranjo do discurso; 
(3)  análise  dos  elementos  formais  atípicos: silêncios, omissões, ilogismos; (4) realce das figuras de 
retórica. (p. 206) 
 
SOBRE A ANÁLISE DO DISCURSO: 
Orlandi  define a Análise do Discurso como uma proposta crítica que busca problematizar 
as  formas  de  reflexão  estabelecidas.  Ela  a  distingue  e  a  situa  enquanto  objeto  teórico:  (a) 
pressupõe  a  linguística  mas  se  destaca  dela:  não  é  nem  uma  teoria  descritiva,  nem  uma  teoria 
explicativa.  Pretende  ser  uma  teoria  crítica  que  trata  da  determinação  histórica  dos  processos  de 
significação;  (b)  considera  como  fato  fundamental  a  relação  necessária  entre  a  linguagem  e  o 
contexto de sua produção, juntando para a compreensão do texto as teorias das formações sociais 
e  as  teorias  da  sintaxe  e  da  enunciação;  (c)  pela  sua  especificidade  ,  ela  é  cisionista  em  dois 
sentidos:  (1)  procura  problematizar  as  evidências  e  explicitar  seu  caráter  ideológico,  revela  que 
não  há  discurso  sem  sujeito  em  nem  sujeito  sem  ideologia;  (2)  denuncia  o  encobrimento  das 
formas  de  dominação  política  que  se  manifestam  numa  razão  disciplinar  e  instrumental  (1987: 
11-13). (p. 212) 
Cremos  que  a  contribuição  mais  atual  da  teoria  da  Análise  do  Discurso  é  a  seua 
insistência de incorporar, na compreensão de um texto, suas condições de produção. (p. 213) 
 
Depois ela vai definir o que é texto, discurso, leitura e silêncio, etc.  
 
 
 
LÜDKE, M.; ANDRÉ, M. ​Pesquisa em educação: abordagens qualitativas.​ São Paulo: EPU, 1986. 
 
Tanto  quanto  a  entrevista,  a  observação  ocupa  um  lugar  privilegiado  nas  novas  abordagens  de 
pesquisa  educacional.  Usada  como  o  principal  método  de  investigação  ou  associada  a  outras 
técnicas  de  coleta,  a  observação  possibilita  um  contato  pessoas  e  estreito  do  pesquisador  com  o 
fenômeno pesquisado, o que apresenta uma série de vantagens. 
1. experiência como verificação da ocorrência de um fenômeno; 
2. Sendo  o  pesquisador  o  principal  instrumento  de  investigação  ele  pode  recorrer  aos  seus 
conhecimentos e experiências para compreensão e interpretação do fenômeno; 
3. Aproximação entre o observador e a “perspectiva dos sujeitos” pesquisados; 
4. permite o contato direto e prolongado do pesquisador com a situação pesquisada. 
 
Segundo  Denzin  (1978),  a  observação  participante  é  “uma  estratégia  de  campo  que 
combina  simultaneamente  a  análise  documental,  a  entrevista  de  respondentes  e 
informantes, a participação e observação direta e a introspecção (p. 183)”. (p. 28) 
É  uma  estratégia  que  envolve,  pois,  não  só a observação direta mas todo um conjunto de 
técnicas metodológicas pressupondo um grande envolvimento do pesquisador na situação 
estudada. (p. 28)  
Não  sou  uma  participante  total,  pois  ao  grupo  é  revelada  minha  identificação  de 
pesquisadora.  
“o  ‘observador  como  participante’  é  um  papel  em  que  a  identidade  do  pesquisador  e  os 
objetivos do estudo são revelados ao grupo pesquisado desde o início. 
 
Segundo  Bogdan  e  Biklen,  o  conteúdo  das  observações  deve  envolver  uma  parte 
descritiva e uma parte reflexiva. (p. 30) 
DESCRITIVA:  
1. Descrição  dos  sujeitos;  2.  reconstrução  dos  diálogos;  3.  descrição  dos  locais,  4. 
descrição  de  eventos  especiais;  5.  descrição  das  atividades;  6.  Os comportamento 
do observador 
REFLEXIVA: 
1.  reflexões  analíticas;  2.  reflexões  metodológicas;  3.  dilemas  e  conflitos;  4.  mudanças  na 
perspectiva do observador; 5. esclarecimentos necessários. 
 
PROCEDIMENTOS: anotações, gravação e transcrição, filmagens, fotografias, etc. (p. 32) 
 
ENTREVISTA 
caráter  de  interação  da  entrevista  -  outros  instrumentos  estabelecem  uma  relação  de  hierarquia 
entre  pesquisador  e  pesquisado,  na  entrevista  se cria uma relação de interação, principalmente no 
questionário aberto. 
Vantagens: 
1. captação de informações imediatas; 2. permite correções, esclarecimentos e adaptações. 
 
 
ANÁLISE DOCUMENTAL 
“Os  documentos  constituem  também  uma  fonte  poderosa  de  onde  podem  ser  retiradas 
evidências que fundamentem afirmações e declarações do pesquisador. 
 
 
MINAYO,  Maria  Cecilia  de  Souza  (org.).  ​Pesquisa  social:  teoria,  método  e  criatividade.  ​Petrópolis,  RJ: 
Vozes, 2009. 
 
O  ​trabalho  de  campo  permite  a  aproximação  do  pesquisador  da  realidade  sobre  a  qual  formulou 
uma  pergunta,  mas  também  estabelecer  uma  interação  com  os  “atores”  que  conformam  a 
realidade  e,  assim,  constrói  um  conhecimento  empírico  importantíssimo  para  quem  faz  pesquisa 
social. (p. 61) 
 
Embora  hajam  muitas  formas  e  técnicas  de  realizar  o  trabalho  de  campo,  dois  são  os 
instrumentos  principais desse tipo de trabalho: a observação e a entrevista. Enquanto a primeira é 
feita  sobre  tudo  aquilo  que  não  é  dito  mas  pode  ser  visto  e  captado por um observador atento e 
persistente, a segunda tem como matéria-prima a fala de alguns interlocutores 
 
entrevista: semiestruturada: que combina perguntas fechadas e abertas, em que o entrevistado tem 
a possibilidade de discorrer sobre o tema em questão sem se perder à indagação formulada. 
aberta  ou em profundidade: em que o informante é convidado a falar livremente sobre um tema e 
as perguntas do investigador, quando são feitas, buscam dar mais profundidade às reflexões. 
 
Definimos  observação  participante  como  um processo pelo qual um pesquisador se coloca como 
observador  de  uma  situação  social,  com  a  finalidade  de  realizar  uma  investigação  científica.  O 
observador,  no  caso,  fica  em  relação  direta  com seus interlocutores no espaço social da pesquisa, 
na  medida  do  possível,  participando  da  vida  social  deles,  no  seu  cenário  cultural,  mas  com  a 
finalidade  de  colher  dados  em  compreender  o  contexto  da  pesquisa.  Por  isso,  o  observador  das 
parte  do  contexto  sob  sua  observação  e,  sem  dúvida,  modifica  esse  contexto, pois interfere nele, 
assim como é modificado por ele (p. 70) 
instrumento- diário de campo 
Análise da enunciação é para entrevistas abertas 
 
Análise do conteúdo: 
Análise  temática:  como  o  próprio  nome  indica, o conceito central é o tema. Esse comporta um 
feixe  de  relações  e  pode  ser  graficamente  apresentado  através  de  uma  palavra  uma  frase,  um 
resumo.  ‘O  tema  é  a  unidade  de  significações  que  se  liberta  naturalmente  de  um  texto  analisado 
segundo critérios relativos à teoria que serve de guia de leitura.  
 
Procedimentos:​ categorização, inferência, descrição e interpretação. 
[...] em geral, costumamos, por exemplo: (a) decompor o material a ser analisado em partes (o que 
vai  depender  da  unidade  de  registro  e  da  unidade  de  contexto  que  escolhemos);  (b)  distribuir  as 
partes  em  categorias;  (c)  fazer  uma  descrição  do resultado da categorização (expondo os achados 
encontrados  na  análise);  (d)  fazer  inferências  dos  resultados  (lançando  mão  de  premissas  aceitas 
pelos  pesquisadores);  e  interpretar  os  resultados  obtidos  com  auxílio  da  fundamentação  teórica 
adotada.