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01) Introdução

O presente trabalho tem como objetivo formular uma intervenção psicopedagógica clínica para o
caso número 01 de uma menina com dificuldades de aprendizagem em matemática de 08 anos, que
apresenta dificuldades na divisão oriundas as sua vivência familiar e um parecer do caso número 02 de
um menino de 10 anos, que também apresenta dificuldades na matemática onde ainda está em processo
de atendimento e de desenvolvimento. Sendo esse trabalho de importância para maior compreensão do
trabalho do psicopedagogo e como deve ser um profissional que busca se aperfeiçoar e ter um olhar
abrangente diante de seus pacientes, para uma investigação e diagnóstico mais preciso e significativos
para os mesmos.

02) Caso Beatriz


Beatriz de oito anos iniciou o atendimento psicopedagógico no primeiro semestre de 1995. A
procura do mesmo foi pela sua mãe, que estava preocupada com o rendimento escolar da filha, pois
nunca tinha apresentado problemas anteriormente na escola. Beatriz estava na 3ª série e vinha
apresentando dificuldades na área da matemática: não conseguia discriminar que operações resolveriam
o problema proposto. A mesma levava como lição de casa, problemas de matemática que não consegui
resolvê-los e sua mãe não conseguia ajudá-la, pois Beatriz parecia não compreender o que a mãe lhe
ensinava, e por mais que a mãe tentasse, não conseguia obter êxito.
A mãe é casada e possui quatro filhas: Luísa - 11 anos; Beatriz – 08 anos; Alice – 07 anos e
Marta – 04 anos. A mãe é formada em Artes Plásticas e trabalhou durante um tempo com fotografias e
atualmente é do lar. O pai é administrador financeiro e trabalha com projetos, na área de aplicações em
um bando de São Paulo.
Na entrevista a mãe contou que se casou grávida e que todas as suas gravidezes foram sem
planejamento, mas que Beatriz foi bem recebida e que foi um bebê tranquilo e que amamentou até por
volta de 01 ano de idade.
Ainda segunda a mãe, Beatriz fez tudo mais lento que as suas irmãs, pois começou a andar com
01 ao e 03 meses, falou com 01 ano e 05 meses e deixou as fraldas com 01 ano e 06 meses. E a única
doença mais séria que teve foi a tranqueobronquite quando havia 04 anos de idade, próxima ao
nascimento da irmã caçula (forte reação da paciente em relação ao nascimento da irmã). Hoje aparenta
uma menina de aparência frágil e miúda.
Foi realizado avaliação do desenvolvimento cognitivo, através das provas operatórias de Piaget,
num conteúdo pedagógico adequado para faixa etária e série escolar. Sendo confirmada a dificuldade em
discriminar entre as diferentes operações nas situações-problema e nas demais atividades, não
apresentava dificuldades.
Após um tempo de início do atendimento, habitou-se a não subir as escadas que levavam à sala
de espera, sem antes confirmar a presença da psicopedagoga na sala de atendimento, chamando-a pelo
nome e em caso afirmativo, subia as mesmas.
Antecipava os feriados sem antes mesmo a psicopedagoga mencionar algo a respeito, propondo
reposições, com a possível preocupação, medo de perder, receio que algo fosse lhe tirado para dar a
outra pessoa.
Sempre se mostrou preocupada em deixar tudo em ordem e antes de terminar o trabalho, lavava
e guardava todo o material utilizado.
Desde o início do atendimento, falou de sua vontade de mudar o horário de sua escola, do
período da tarde para o da manhã (ela e suas irmãs menores estudavam à tarde e a mais velha de
manhã, o que favorecia ficar sozinha com a mãe o período todo da tarde). A irmã não precisava dividir e
para ela não tinha escolha.
No decorrer do tempo, foi demonstrando ser uma menina inteligente e interessada pelos estudos.
Para início do trabalho, foi proposto atividades de resolução de problemas, explorando as
diferentes ideias relacionadas a cada operação, cálculo mental e algoritmos. Discutindo e confrontando
diferentes situações-problema, pois a intenção era que ela discriminasse melhor as diferenças entre as
operações e as situações em que elas se aplicavam. Foi trabalhado com diferentes representações e
materiais.
Em determinados momentos, parecia que havia uma evolução e que ela mostrava compreender
melhor pedagogicamente os significados das operações, mas seguiam-se momento de confusão e ficava
difícil detectar onde de fato era a dificuldade. Aos poucos, percebeu-se a dificuldade nos problemas que
envolviam a operação de divisão, a técnica operatória. Quando Beatriz falava a sequência de passos que
realizava para resolver a conta em voz alta, era difícil entender a lógica que dizia, não fazia sentido.
E após diversas tentativas no sentido de instrumentalizá-la pedagogicamente, ela ainda parecia
esquecer de tudo e retomava a divisão sempre do mesmo jeito, não conseguia ir até o fim da operação,
só quando havia intervenção definindo as passos a serem seguidos.
Em uma das sessões, Beatriz demonstrou a estratégia que utilizava para resolver a conta e foi
possível perceber que ela falava ao contrário e invertia a sequência tradicional, onde ela dividia o divisor
pelo dividendo e também tentava dividir o quociente pelo divisor e não considerava o número escrito no
resultado como um número só, mas como dois números isolados, no caso do resultado 13, ela via como 1
e 3.
Beatriz não sabia o significado da palavra repartir e nem certeza de que relação se estabelecia
entre os números na divisão. Assim a psicopedagoga, associou a sua maneira de realizar divisão com a
sua realidade em casa, onde o dividendo representava a mãe, junto com a irmã mais velha, o divisor a
Beatriz e como ela considerava ter dois números no quociente, as suas irmãs pequenas.
E assim foi explicado a Beatriz, que ela fazia a divisão conforme a sua realidade cm sua mãe e
irmãs, que ela queria receber mais da mãe e não tinha certeza se poderia receber esse a mais. E Por sua
irmã mais velha ter um tempo a sós com sua mãe, Beatriz se sentia como se algo fosse lhe tirado para
ser dado a sua irmã e como comentou diversas vezes sobre o comportamento imaturo, infantilizado de
sua irmã mais velha. E tirar algo de suas irmãs mais novas para ela não era possível, pois elas eram
muito pequenas.
Assim, Beatriz olhou séria para a psicopedagoga e só disse que era verdade, assim foi possível
concluir que para ela o dividir era o mesmo que tirar, deixar o outro sem, não havia a possibilidade de
repartir em partes iguais. Além disso, sua mãe também não sabia dividir o tempo para programar a
chegada das filhas, dar atenção necessária a cada uma, antes da chegada de mais uma irmã. Devido a
diferença pequena dela com a sua irmã, é possível deduzir que parou de amamentar antes do seu
primeiro ano de vida, fato que deve ter ajudado a ideia de repartir não ser igualmente dividido.
Sua preocupação em antecipar as sessões, era para que garantisse que sua parte não seria
tirada por ninguém. Quando subia as escadas depois de verificar a presença da psicopedagoga, era
indícios de impulsos agressivos, não tinha certeza se a profissional estaria e em que situação estaria.
E com essa interpretação, Beatriz pôde verificar sua possessividade com relação à mãe, ao ciúme
com as irmãs e os sentimentos que essa situação lhe provocava. Assim, foi possível trabalhar esses
sentimentos em diversos momentos, através da relação transferencial e passou a fazer diversas
perguntas sobre as outras crianças que também eram atendidas.
Mais tarde a pedido da mãe, a irmã mais velha começou também o atendimento e Beatriz pode
reviver os sentimentos de divisão do amor da sua mãe com suas filhas. Ela não conseguia abstrais a ideia
da divisão. Quando de confrontava com ela, vivia-a concretamente (equação simbólica), não conseguia
separar a situação-problema com a situação de divisão de sua mãe e irmãs.
Conforme o andamento do trabalho, aos poucos, foi aprendendo a separar o pessoal do conceito
de divisão, do seu significado e sua técnica operatória na matemática, podendo identificá-las em diversas
situações e se desenvolvendo progressivamente na técnica e atuação em relação à resolução de
problemas e quando Beatriz pode reconhecer esses sentimentos provocados na relação com sua mãe e
irmãs, foi capaz de renunciar sua possessividade e compreeeender que sua mãe pode ser “repartida“
entre todas as filhas, onde pôde abstrair a situação concreta (equação simbólica) para o conceito da
divisão (símbolo).
Intervenção
Segundo o caso apresentado, são sugeridas atividades que estreitem o vínculo da família, da
mãe com as filhas e que também possam aprender a dividir e a repartir. Sendo as seguintes sugestões:
cine em casa, onde cada uma leva um lanche e repartem para comer assistindo o filme todas juntas, nos
horários das refeições sentadas na mesa com a comida posta e uma passando a comida para a outra
devido a distância, auxiliando uma a outra e verificando a partilha com cada uma, a organização da rotina
da casa, onde a mãe pode desenvolver um quadro de rotina, para cada uma com sua respectiva
atividade, conforme faixa etária e conforme cumprimento da rotina ganha 01 ponto ou avança 01 casa e
senão cumprir perde o ponto ou volta 01 casa, no final ganha uma recompensa e um horário diário para
passarem juntas e conversarem sobre como foi dia, entre outros.

03) Caso João


O estudo de caso a ser analisado teve início há dois anos, quando a criança aos sete anos de
idade, chegou ao atendimento psicopedagógico, cursando o 02° ano do Ensino Fundamental, na cidade
de Fortaleza, em uma escola particular de médio porte, intitulado nesse texto a criança como “João”.
João chegou ao atendimento psicopedagógico com as seguintes queixas relatadas pela sua
escola: dispersão, demora na realização das atividades, implicância com amigos e posição de vítima,
dificuldades na interpretação de texto e na Matemática. Sua família o descrevia como um menino com
baixo desempenho escolar na Matemática e dificuldade na concentração.
João foi criado pela avó desde bebê e com poucos vínculos com seus pais, que eram namorados
quando ocorreu a gravidez não planejada. Onde houve muitos conflitos e rompimento da relação antes do
nascimento de João, e assim, sua avó assumiu todas as responsabilidades educacionais do mesmo.
No período gestacional, a mãe apresentou anemia e realizou o tratamento medicamentoso à base
de ferro. O parto foi cesáreo, sem intercorrências e com as condições de nascimento adequadas, no peso
e estatura de João.
João aos seis meses de idade foi hospitalizado por oito dias, na UTI – Unidade de Terapia
Intensiva, por uma bactéria que contraiu no intestino. Foi traqueostomizado e teve convulsões, sendo
medicado com anticonvulsivante, com desenvolvimento psicomotor adequado até esse período, onde
após esse episódio, a família percebeu seu retrocesso psicomotor, com apresentação de hipotonicidade e
dificuldades na sustentação no pescoço e no sentar. Nos exames neurológicos realizados obteve
resultados dentro dos padrões de normalidade, onde a neuropediatra não indicou nenhum tratamento
especializado e orientou a família esperar a recuperação do mesmo. Assim com o passar do tempo, João
se desenvolveu nesse aspecto e recuperou seu ritmo de desenvolvimento, e apresentou uma
estruturação normal na linguagem, sendo considerado bem falante.
Quando João havia cinco anos, sua mãe casou-se e nasceu seu segundo filho. João não convivia
muito com o padrasto e no início do atendimento psicopedagógico o casal separou e o vínculo iniciado
com o padrasto terminou.
Já com o seu pai, João tinha contato esporádicos mensais até por volta dos seus oito anos. Onde
ficou até o seu aniversário de nove anos sem contato nenhum com seu pai, e onde logo após esse fato, o
mesmo se afastou do filho. Mesmo com poucas vivências com o pai, João apresentava em suas falas
afeto pelo mesmo.
Quanto a sua alimentação João sempre resistiu a aceitá-las no horário do almoço e com
longo tempo para terminá-las. Até os seus seis anos de idade, seu almoço foi substituído pela
mamadeira. Hoje já aceita melhor as refeições, mas ainda há queixa no tempo para terminá-las.
Quanto ao seu comportamento, é possível dizer que aos sete anos ainda eram infantilizados, pois
dormia com a avó na cama, usava fralda à noite e utilizava mamadeira nas refeições matinais e noturnas.
Hoje já não utiliza mais esses objetos e dorme em seu quarto.
Com relação a sua saúde, apresentava crises de rinite e sinusite, hipertrofia de adenoide, tendo
assim uma respiração oral. Com tratamento medicamentoso houve melhoras nesse quadro. Sua avó
suspeitava que ele havia algum problema de audição, pois às vezes não respondia ao ser chamado.
Com relação ao seu lazer, ele tinha a televisão, o vídeo game aos finais de semana e as aulas de
futebol de salão na escola, nas aulas extracurriculares.
Quando iniciou o atendimento psicopedagógico, ficava período integral na escola e a partir
do 03° ano, mudou para o regular na parte da manhã e a tarde com professora particular em casa, onde
ficou para recuperação no final do ano em Matemática, sendo aprovado para o próximo ano, onde hoje se
encontra no 04° ano do Ensino Fundamental.
Na avaliação psicopedagógica inicial de seis sessões, João estabeleceu boa interação com a
terapeuta e motivação em todas as atividades realizadas. Era persistente nas dificuldades, falante, com
linguagem oral bem desenvolvida e por falar demasiadamente às vezes se atrapalhava no que estava
fazendo.
Apresentou bom desempenho na grande parte dos testes de percepção e discriminação
visual, mas com apresentação de dificuldades na memória auditiva, onde demonstrou utilizar mais apoio
visual que auditivo, nas ocasiões de aprendizagem.
João apresentou ter conhecimentos no esquema corporal, com dificuldades na lateralidade,
não sabendo identificar direita e esquerda em si e no ambiente.
Nos aspectos psicomotores apresentou dominância lateral cruzada: mão, olho e o pé;
dificuldades na coordenação motora manual e organização espacial. Também apresentou dificuldades na
análise e síntese que refletiam na montagem do quebra-cabeças. Assim, onde foi detectada maior
demora na realização das atividades que envolviam esses aspectos e com a intervenção
psicopedagógica apresentava avanços nesses aspectos.
Seu desenho era primitivo e reduzido no espaço da folha. Sua escrita havia traçado gráfico
legível, com algumas letras de tamanho irregular e escrita pobre. Na análise ortográfica apresentou em
suas produções erros compatíveis com o seu nível de escolaridade. A leitura é fluente e com velocidade
adequada e boa compreensão leitora de textos informativos simples. Mas apresentou dificuldades na
interpretação de situações-problema de Matemática e nas regras dos jogos, também como na ordenação
de uma história na sua sequência temporal (Lógica).
Na avaliação da consciência fonológica, apresentou dificuldades na compreensão de alguns
comandos, mas, com intervenções, conseguiu realizá-las com sucesso, com um tempo maior do que
previsto.
Na avaliação de Matemática apresentou dificuldades na resolução de contas simples de
soma e subtração (não conseguia utilizar os algoritmos); apoio dos dedos de maneira confusa. Ainda
utiliza esse apoio eventualmente, mas soma e subtrai com fluência e facilidade. Não fazia
sobrecontagem, não compreendia o conceito de “quantos a mais e quantos a menos”. Não compreendia o
valor posicional dos números nem as relações entre unidade, dezena e centena. No contar, não realizava
inclusão hierárquica, pois não compreendia que o último número contado na sequência representava a
quantidade total (conceito de cardinalidade). Na contagem de objetos, apresentava dificuldades com a
relação biunívoca.
Lidava adequadamente com diversificados conceitos de posição, direção, espaço, tamanho
e quantidade. Realizava classificações a partir de diversos critérios, mas com apresentação de argumento
pré-operatório em ocasiões de inclusão e intersecção de classes.
No final da avaliação psicopedagógica foi encaminhado para avaliações psicológica,
neuropediátrica, otorrinolaringológica e auditiva.
Na avaliação auditiva apresentou resultados limiares auditivos bilaterais dentro dos padrões de
normalidade e curva timpanométrica tipo “C”. Na videonasofaringolaringoscopia apresentou deformidade
septal e rinopatia hipertrófica.
Conforme informações da avó, os exames neurológicos tiveram resultados dentro de padrões de
normalidade, onde o neurologista sugeriu o uso de ritalina e o encaminhou a um psiquiatra para que
receitasse a medicação, onde esse profissional não foi procurado pela família.
No primeiro ano do atendimento psicopedagógico, João passava pelo acompanhamento
psicológico clínico grupal semanalmente, onde relatava com alegria gostar de comparecer aos encontros,
pois iria brincar com os seus amigos. Interrompeu esse acompanhamento em virtude da mudança do
profissional para outro Estado.
Nos dois anos de tratamento, foram realizadas 78 sessões, com os seguintes objetivos:
estimulação da atenção e concentração, exercícios de criatividade para confrontação de situações
desafiadoras, memória de curto e longo prazo, ampliação do uso da linguagem escrita e promoção de
vivências matemáticas lúdicas e concretas, como suas representações gráficas.
Foram observados consideráveis avanços na escrita, com melhora do traçado da letra, ortografia
e estruturação lógica do texto.
Hoje, João apresenta um melhor nível de concentração, basicamente nas ocasiões de jogos,
onde compreende e cumpre com facilidade as regras e sabe lidar nas derrotas e vitórias com
tranquilidade.
Nos aspectos matemáticos, observou melhora na organização espacial, no uso das noções de
topologia, no estabelecimento da relação biunívoca e na sobrecontagem. Com realização de cálculos de
soma e subtração com segurança. Compreensão do raciocínio da multiplicação e da divisão, com
cálculos de quatro operações no papel. Eventualmente erra por falta de atenção nas resoluções de
problemas matemática, quando necessita lidar com o cálculo escrito.
Foram realizadas diversas atividades lúdicas com manipulação de dinheiro de brinquedo,
dramatizações e simulações de ocasiões de compra e venda por meio de jogos. Necessitando realizar
contagens e operações para totais e trocos. Hoje João reconhece o valor e relação entra cédulas, mas
ainda apresenta dificuldades com o troco. Já consegue lidar com os conceitos “quanto a mais e quanto a
menos”; desenvolveu o bom desempenho na contagem, com cálculos mentais e sobrecontagem, inclusive
no multiplicar. Compreende as relações entre dezena, centena e milhar e reconhece o valor posicional
dos números.
Foi possível observar como a orientação da família, principalmente da avó, foi essencial para a
reorganização da rotina de João. Eram frequentes o contato da psicopedagoga com a avó para troca de
informações, observações e orientações. Sendo a avó sempre comprometida com a educação de João,
mesmo diante das dificuldades pessoais e financeiras.
João sempre foi persistente em suas dificuldades, principalmente no raciocínio lógico-matemático
e sempre solicitava jogos que trabalhassem esse aspecto e vibrava com suas conquistas. João obteve
progressos na concentração, mas ainda necessita de um tempo maior para a realização das atividades,
mesmo sendo realizadas com sucesso em sua grande maioria das vezes.
Reencaminhado recentemente para uma nova avaliação neuropediátrica e neuropsicológica
(aguardando instituição de atendimento gratuito). E escola ainda se queixa da dificuldade de
concentração e demora na realização das atividades, principalmente as de Matemática.
Os materiais utilizados na intervenção foram utilizados muitos jogos como: palavra secreta,
resposta mágica, O que está faltando?, Rat a tat cat, Slam, Uno, Lince, Cara a Cara, Gastar ou Guardar,
Pega-Pega Tabuada, Pirâmide Matemágica, Life, Halli Galli, Jogos Boole, Comprando Certo, Pingo no i,
Monopoly, Jogos de memória diversos, quebra-cabeças variados, Jogos de sequência lógica, dominó
com operações matemáticas e jogos dos 7 erros e outros materiais como: dinheiro de brinquedo, Material
Dourado, Escala Cuisenaire, livros de histórias, desafios matemáticos e materiais reciclados.
Com esses materiais foi possível trabalhar as dificuldades identificadas e a serem trabalhadas nas
avalições, pois os mesmos desafiavam habilidades matemáticas, contagem, soma, subtração e
multiplicação, sendo de grande valia para os avanços matemáticos de João, pois como Vygotsky (2000),
é o brinquedo que estabelece a zona de desenvolvimento proximal na criança.
A psicopedagoga de João mesmo com pouca experiência clínica em Matemática, devido à lacuna
nas grades curriculares dos cursos de Psicopedagogia, ela não desistiu e foi persistente buscando
subsídios na supervisão clínica e estudando bastante para um atendimento qualificado ao mesmo, sendo
a supervisão muito importante para a construção do conhecimento e crescimento profissional.
Parecer
Esse estudo de caso é muito interessante, pois o mesmo foi muito bem detalhado, descrevendo
com ricas e relevantes informações sobre a entrevista, avaliações e intervenções.
A profissional foi muito criteriosa, e buscou diversas maneiras para trabalhar as dificuldades de
João, para assim conseguir uma melhora significativa em seu desenvolvimento.
O atendimento tinha como objetivos: estimulação da atenção e concentração, exercícios de
criatividade para confrontação de situações desafiadoras, memória de curto e longo prazo, ampliação do
uso da linguagem escrita e promoção de vivências matemáticas lúdicas e concretas, como suas
representações gráficas.
E através dessas informações e após dois anos de atendimento foi possível verificar avanços
consideráveis como: maior nível de concentração, mas ainda com maior tempo para realização das
tarefas, maior compreensão e cumprimento das regras com facilidade, melhora na organização espacial
na área da matemática, além de realizar cálculos de soma e subtração com segurança e compreensão do
raciocínio da multiplicação e divisão, reconhecimento do valor e relação das cédulas, mas ainda com
dificuldades com o troco, já reconhece os conceitos de quanto a mais e quanto a menos e compreende as
relações entre dezena, centena e milhar. E que com a ajuda da família, sua avó, seu comprometimento e
parceria, que auxiliou muito no atendimento para melhora das dificuldades do João e também por sua
persistência em alcançar as suas conquistas.
Com isso, podemos concluir que o trabalho ainda deve continuar e esperar os resultados dos
exames solicitados para verificação da situação atual de João, para análise e planejamento do seu
atendimento, se o mesmo deve continuar nessa linha ou deverá ter alguma alteração e/ou tratamento
com outros profissionais para um trabalho em conjunto para um melhor desenvolvimento do mesmo e
uma crítica com relação a esse caso, seria com relação a sua vida familiar, suas vivências e experiências,
que foi possível verificar que a mesma não aprofundou mais com relação a esse aspecto e se essas
dificuldades apresentadas do João poderiam ser reflexo dos conflitos vivenciados desde a sua gestação.
Parecer do Caso 01 e Caso 02
O caso 01 também é muito interessante, mas menos detalhado que o caso 02, esse foi mais
sucinto e logo que a profissional percebeu que as suas atividades propostas para resolução de
problemas, não estava dando certo, ela foi investigar mais profundamente a técnica de matemática usada
pela paciente e aí que ela pode identificar que a mesma apresentava dificuldades na área da matemática,
devido a sua história de vida, onde todas as gravidezes de sua mãe não foi planejada e como ela sentia
que repartir, dividir era lhe tirar algo e dar para outra pessoa e assim, não conseguia desassociar sua
realidade com as soluções-problema da matemática. E que para uma melhora nas suas dificuldades ela
deveria trabalhar isso também com a Beatriz, os sentimentos que ela sentia de possessividade da mãe e
ciúme da irmã e interligá-los em situações também que ela aprendesse a divisão e pouco a pouco
melhorando e desenvolvendo esses aspectos, ela superaria suas dificuldades. A crítica quanto a esse
caso com relação ao caso 02, é que esse apresenta menos informações sobre as intervenções e
objetivos psicopedagógicos e foca mais em um atendimento psicológico, que para a investigação do
mesmo é necessário um profissional formado em psicologia, onde somente formado em psicopedagogia,
teria dificuldade na identificação desse diagnóstico e necessitaria de um encaminhamento para uma
psicóloga para um atendimento em parceria para melhor desenvolvimento da mesma.
E quanto ao caso 02, ele foi muito bem elaborado e descrito, planejado com diversas maneiras
para alcance dos objetivos traçados, tendo uma crítica com relação a não ter uma investigação mais
profunda quanto a sua história de vida, sua vida familiar, para verificação se suas dificuldades são
oriundas dos conflitos vivenciados deste muito cedo e se com essa investigação já teria traçado outro tipo
de atendimento e uma melhora significativa.
Esses dois casos foram muito relevantes para uma maior compreensão do trabalho do
psicopedagogo e como o mesmo deve um olhar atento e profundo com relação ao paciente e a todos os
ambientes que o mesmo esteja inserido, para uma investigação mais detalhada e profunda e um
diagnóstico mais preciso e planejado para alcance dos objetivos e conquistas dos pacientes.
Referencias Bibliográficas
CASTANHO, Marisa Irene S; SILVA, Galeára Matos de França. (orgs.) Estudos de caso: da
escuta à escrita. Rio de Janeiro: Wak, 2015.
VIGOTSKY, Lev S. A construção do pensamente e da linguagem. São Paulo: Martind Fontes,
2000.