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Modular

AFO
Apostila
Alexandre Américo
ASSUNTO: ORÇAMENTO PÚBLICO (CONCEITO, TIPOS E ESPÉCIES DE ORÇAMENTO - ORÇAMENTO
PROGRAMA, DIMENSÕES, NATUREZA JURÍDICA, CICLO ORÇAMENTÁRIO, ORÇAMENTO NA CF/88,
UNIDADE ORÇAMENTÁRIA, UNIDADE ADMINISTRATIVA, INSTRUMENTOS NORMATIVOS APLICADOS
AO ORÇAMENTO PUBLICO)

___________________________________________________________________________________________

Galera concurseira, vamos esmiuçar a disciplina de AFO, que está contemplada no edital do
certame para o Ministério Público da União 2010 em diversos cargos. Meu objetivo aqui com vc
é fazê-lo(a) amar essa disciplina!!!

Então, vamos à obra!!!!

Assim como as pessoas físicas, o Estado, enquanto ente político, realiza a sua ATIVIDADE
FINANCEIRA que consiste na arrecadação de recursos e na utilização do produto dessa
arrecadação em favor de toda a sociedade, na forma de bens e serviços (pelo menos em
tese!!!!!).

Bem, para que o Estado obtenha esses recursos e gaste-os no financiamento dos serviços
públicos, deve executar um orçamento: é o chamado Orçamento Público (Lei Orçamentária
Anual-LOA). Tal mecanismo financeiro deve ser elaborado e executado baseado em algumas
normas, que constam, principalmente, na Carta Magna (CF/88), na Lei nº 4.320/64, na Lei
Complementar nº 101/2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal) e em outros instrumentos normativos
(Portarias Interministeriais, Decretos-Lei), os quais veremos adiante.

Acontece que o Estado, em virtude de atuar numa conjuntura de escassez de recursos e


demandas sociais ilimitadas, precisa planejar a sua “vida financeira”, a sua Atividade Financeira,
como já dissemos.

Conforme preceitua Kiyoshi Harada, “ a finalidade do Estado é a realização do bem


comum, conceituado como sendo um ideal que promove o bem-estar e conduz a um modelo
de sociedade, que permite o pleno desenvolvimento das potencialidade humanas(...)”

O bem comum, explanado pelo ilustre autor, é materializado pela realização do que
anteriormente chamamos de ATIVIDADE FINANCEIRA, que consiste em:
Receita
Obter Pública

Crédito
Criar
Público

Suprir as
Necessidades
Públicas
Orçamento
Gerenciar
Público

Gastar Despesa
Pública

Analogamente, nós, pessoas físicas, quando recebemos o nosso salário, planejamos (ou
pelo menos deveríamos) gastá-lo, para um determinado período, em diversas áreas: educação,
saúde, moradia, infra-estrutura, lazer, aquisição de imobilizado, investimentos, aplicações
financeiras etc. É claro que, em virtude da escassez de recursos e das nossas necessidades
humanas, diga-se de passagem, ilimitadas, precisamos priorizar determinadas áreas em que
iremos despender os nossos recursos. Após estabelecermos um planejamento, definirmos
prioridades de gastos, executaremos as despesas para financiar nossas demandas individuais,
satisfazer as nossas necessidades enquanto ser humano.

Da mesma forma é o Estado, guardadas as devidas proporções e nuances, é claro !!!!!

A partir do quadro anterior, podemos inferir que o Estado obtém recursos, para financiar
os seus gastos, através da arrecadação de Receitas Públicas, viabilizada principalmente pela
arrecadação tributária, que constitui a sua principal fonte de financiamento. A realização de
operações de crédito (obtenção de empréstimos e financiamentos- receitas de capital)
também constitui outra fonte de recursos no financiamento das demandas sociais.

Entretanto, tudo aquilo que o ente político prevê arrecadar e gastar está contido na LOA,
que constitui o planejamento operacional viabilizador das políticas públicas e dos programas de
governo traçados em seu PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO (Plano Plurianual-PPA).
Há um ditado popular que diz:

Quem gasta o que ganha é imprudente; quem gasta mais do que ganha é irresponsável!

As pessoas físicas e jurídicas planejam suas “vidas” objetivando atingir metas no curto,
médio e longo prazos, não é mesmo?

Com o poder público não é diferente! O governo também planeja. No entanto, a


planificação governamental é mais complexa. Deve seguir o princípio basilar da Administração
Pública: a legalidade.

Isso quer dizer que o Poder Público somente está autorizado a fazer o que a lei determina.
Não pode o Poder Público, por exemplo, se valer da seguinte máxima: “Se a lei não proíbe,
então é possível adotar um comportamento nela não expresso.

Quanto ao processo de planejamento orçamentário, pode-se verificar a instituição de leis


que tratam da matéria, a saber:

SISTEMA INTEGRADO DE PLANEJAMENTO E ORÇAMENTO BRASILEIRO

PPA(1)

LDO

LOA

Figura 1

(1) PPA - PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO : é o plano de médio prazo(alguns autores) ou de


longo prazo – estabelece os objetivos estratégicos da administração → lei do plano
plurianual (PPA).

(2) LDO - PLANEJAMENTO TÁTICO: interface entre os níveis estratégico e operacional → lei
de diretrizes orçamentárias (LDO).

(3) LOA - PLANEJAMENTO OPERACIONAL: curto prazo – ações para que o plano estratégico
seja materializado → lei orçamentária anual(LOA)
IRETRIZES

1. PLANO PLURIANUAL - PPA BJETIVOS

ETAS

O planejamento das ações governamentais se traduz objetivamente no instrumento


denominado Plano Plurianual que é a carta de intenções do representante do executivo,
contendo o estabelecimento das prioridades e o direcionamento das ações do governo, para
um período de quatro anos.

É estruturado, conforme o disposto no artigo 165, § 1º, de forma regionalizada, e dispõe


sobre as diretrizes, os objetivos e as metas da Administração Pública Federal, para as despesas
de capital e outras delas decorrentes e para as relativas aos programas de duração
continuada.

Essa determinação compatibiliza-se com um importante objetivo da política orçamentária


que é o de “reduzir as desigualdades inter-regionais” e também caminha em total harmonia
com o ditame expresso no artigo 3º, inciso III de nossa Carta Magna que diz:

Artigo 3º - Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:

...

III – erradicar a pobreza e marginalidade e reduzir as desigualdades sociais e regionais

O Plano Plurianual é o mecanismo utilizado para determinar a visão estratégica do


representante do executivo quanto ao desenvolvimento do país. Neste sentido, traduz, de um
lado, o compromisso entre as estratégias e o projeto futuro e, de outro, a alocação real e
concreta dos recursos orçamentários nas funções, nas áreas e nos órgãos públicos. Esse
instrumento é o elo de ligação entre as ações de longo prazo e as necessidades imediatas.

É a mais abrangente peça e planejamento governamental, uma vez que promove a


convergência do conjunto das ações públicas e dos meios orçamentários para a viabilização
dos gastos públicos.

O esqueleto do PPA são os programas de trabalho do governo, que constituem


instrumentos de organização da ação governamental para a concretização dos objetivos
pretendidos, sendo mensurado por indicadores estabelecidos no Planejamento Estratégico da
Administração Pública. O programa consiste, pois, no módulo integrador do PPA com a LOA
(ex.: erradicação do analfabetismo).
Alexandre, na prática, o que motiva a elaboração de um programa????
Na prática, todo programa nasce de um problema, um problema da sociedade a ser
resolvido por seus representantes legalmente constituídos. Porém, é de nosso conhecimento
que existem uma série de causas que concorrem para que este problema aconteça. É
exatamente aí onde atuam os programas. Geram ações capazes de combater diretamente as
causas dos problemas identificados para então alcançarem a total resolução deste. Como o
orçamento empregado atualmente é o Orçamento-Programa, que possui, ênfase nas
realizações, a administração pública precisa mensurar estas “realizações”, e o faz por meio do
instrumento denominado “Indicador” que vai determinar o quanto do problema foi resolvido,
com as ações implementadas em combate às causas deste.
O fluxo abaixo ilustra como pode ser definido o processo de um programa;

PROBLEMA Objetivo + Indicador

Causas Ações

Causa 1 Ações 1

Causa 2 Ações 2

Causa 3 Ações 3

SOCIEDADE

(pessoal, famílias, empresas)

Em suma, pode ser considerado como o conjunto articulado de ações (como exemplo:
projetos, atividades, operações especiais e ações que contribuem para a consecução do
objetivo do programa e não demandam recursos orçamentários), estruturas e pessoas
motivadas ao alcance de um objetivo comum. Objetivo este que será concretizado em um
resultado (solução de um problema ou atendimento de demanda da sociedade), expresso
pela evolução de indicadores no período de execução do programa, possibilitando,
consequentemente, a avaliação objetiva da atuação do governo.

O reordenamento das ações do governo sob a forma de programas visa dar maior
visibilidade aos resultados e benefícios gerados para a sociedade, garantindo objetividade e
transparência à aplicação dos recursos públicos. As ações que compõe o programa estão
associadas aos produtos (bens ou serviços) resultantes da execução destas, quantificados por
metas.
Em resumo:
CUIDADO!!!!!
PROGRAMA
Projetos, Atividade e Operações
Especiais são detalhamentos
dos programas e não tipos de
programas.

AÇÕES

AÇÕES
PROJETOS
PROGRAMÁTICAS
ATIVIDADES OPERAÇÕES

ESPECIAIS

Conjunto de Conjunto de operações Ações que não


operações LIMITADAS no que se realizam de modo contribuem para a
tempo; manutenção das ações de
contínuo e permanente;
governo;
Tem como resultado Tem como resultado Não resulta em um
um produto que concorre um produto necessário à produto e não geram
para a expansão ou manutenção da ação de contraprestação direta sob a
aperfeiçoamento da ação governo, que forma de bens ou serviços;
do governo, que pode ser normalmente pode ser São basicamente
medido, física ou medido quantitativa e detalhamentos das funções
financeiramente. qualitativamente. “Encargos Especiais”.

A geração de um programa presume a necessidade de solução para um problema pré-


existente, o atendimento de uma demanda da sociedade ou o atendimento de determinada
demanda dos diversos órgãos públicos, viabilizando a realização adequada das suas
atribuições.

Um programa é executado por meio de ações que o integram tais como projetos,
atividades, operações especiais e outras ações que devem inexoravelmente ser concorrentes e
suficientes para o alcance do objetivo explícito pelo programa.
Aquelas ações que não propõem demanda de recursos orçamentários, mas geram bens
ou serviços para uma parcela ou para a totalidade do público-alvo do programa, são
chamadas “outras ações”. Podemos destacar alguns exemplos destas como: o incentivo à
colaboração ou parceria de outras instituições privadas ou de outras esferas de governo; a
alavancagem de recursos orçamentários; o estímulo à geração de receita própria; a edição e
instrumentos normativos, entre outros.

Tipos de programas:

Quanto à classificação, os programas do PPA eram de quatro tipos:

I – Programas Finalísticos : são os programas que tem por objetivos a solução de


problemas ou o atendimento direto das demandas da sociedade. Quando possuem
ações desenvolvidas por mais de um órgão setorial são chamados de “Multi-setoriais”.

Ex: Fome-Zero.

II – Programas de Serviços do Estado: destinam-se ao atendimento das demandas


do próprio estado, realizados por órgãos que tem por finalidade o atendimento à
administração pública.

Ex: Treinamento de Servidores.

III – Programas de Gestão de Políticas Públicas: pressupõem um autogerenciamento


do estado. Abrange ações que tem por finalidade o planejamento e a formulação de
políticas setoriais, a coordenação e o controle dos programas que se encontram sob a
responsabilidade de determinado órgão.

Ex: Gestão da Política de Saúde.

IV – Programas de Apoio Administrativo: congregam todas as ações capazes de


gerar os insumos necessários à apropriação por parte dos demais programas. É o
programa de suporte.

Ex.: Apoio Administrativo.


A partir da elaboração do PPA 2008-2011, passaram a existir apenas dois tipos de programas:

1. Programas Finalísticos – por meio dos quais são ofertados bens e serviços diretamente à sociedade e nos
quais são gerados resultados passíveis de aferição por indicadores; e

2. Programas de Apoio às Políticas Públicas a Áreas Especiais – voltados para a oferta de serviços ao Estado,
para a gestão de políticas e para o apoio administrativo.

CARACTERÍSTICAS

 Instrumento de planejamento governamental (planejamento estratégico) de longo


prazo, contendo os projetos e atividades que o governo pretende realizar.
 Vigência: União, Estados, Distrito Federal e Municípios: 04(quatro) anos. Começa a
produzir efeitos a partir do segundo exercício financeiro do mandato do Chefe do
Executivo até o final do primeiro exercício do mandato seguinte.

Observação CAPCIOSÍSSIMA!!!

Veja que a vigência do PPA não coincide com o mandato do Chefe do Poder Executivo. Procura-se com isso
evitar a descontinuidade dos programas governamentais!!!!!!!!!!!!!

Observe o gráfico abaixo!!!

VIGÊNCIA DO PLANO PLURIANUAL – PPA

1◦ ANO 2◦ ANO 3◦ ANO 4◦ ANO 1º ano vigência


Mandato ANO
Atual PPA – mandato

seguinte

Vigência 4º ano vigência 1◦ ANO 2◦ ANO 3◦ ANO 4◦ ANO


ANO
do PPA PPA –mandato

anterior
VIGÊNCIA DA LEI DE DIRETRIZES ORÇAMENTÁRIAS – LDO

17 Jul X1 31 Dez X2

VIGÊNCIA DA LEI ORÇAMENTÁRIA ANUAL - LOA

EXERCÍCIO FINANCEIRO

1 jan 31 Dez

Alexandre, com relação à vigência da LDO, existe consenso entre os doutrinadores acerca de
sua vigência ser de um ano???

Conforme estabelece o ADCT da CF/88, a PLDO (Proposta de Lei de Diretrizes


Orçamentárias) deverá ser aprovada até o encerramento do primeiro período da sessão
legislativa, o que equivale atualmente até 17 de julho (art. 57, § 2º, CF/88). Se o Legislativo assim
não proceder, não dará início a seu recesso até que esta seja aprovada aprovada.

Retornando para o Executivo após este prazo, este terá 15 dias para sancionar ou vetar a
proposta.

Sancionada pelo Executivo, entrará em vigor com sua sanção e produzirá efeitos no
exercício financeiro subseqüente, deduzindo-se então que sua vigência será de
aproximadamente 18 meses.

Somos, portanto, partidários da idéia de que, quando sancionada pelo Poder Executivo, a
LDO orientará a elaboração da LOA já no segundo semestre do exercício em que é aprovada
(INÍCIO DA VIGÊNCIA), estabelecendo metas e prioridades para o exercício financeiro
subseqüente.

A nosso ver, se considerarmos todas as suas funções, a vigência da LDO é maior que um
ano (18 meses), conforme dissemos, porém sua eficácia é anual!!!!!

Abaixo extraímos excertos do ilustríssimo autor Valdecir Pascoal para fundamentar a nossa
tese!!!!
ATENÇÃO!!!! (OPINIÃO DE AUTOR CONSAGRADO: VALDECIR PASCOAL)

“Mesmo que alguns autores falem em vigência anual da LDO, isso, a rigor, não é correto. Valendo-nos do
conceito jurídico de vigência, há que se concluir que a LDO vigora por mais de um ano. Normalmente é
aprovada em meados do exercício financeiro, orientando a elaboração da LOA no segundo semestre e
continuando em vigor até o final do exercício financeiro seguinte. Diga-se, contudo, que, embora a vigência
formal seja maior que um ano, a LDO traça as metas e as prioridades da Administração apenas para o
exercício subseqüente.”(2004, pág.41)
 Conteúdo principal: fixa, de forma regionalizada, as diretrizes, objetivos e metas do
Governo para: (ARTIFÍCIO MNEMÔNICO – PPA DOM)

 as despesas de capital (ex.: construção de escolas, hospitais);


 as despesas decorrentes derivadas das despesas de capital (ex.: contratação de
pessoal necessário ao funcionamento das escolas e hospitais);
 os programas de duração continuada (despesas vinculadas a programas com
duração superior a um exercício financeiro – como o “ programa de bolsa-escola”,
por exemplo).
 Quando de sua elaboração, a Administração e o legislador deverão planejar a
aplicação de recursos públicos de modo a atenuar a enorme desigualdade entre as
regiões brasileiras (no caso do PPA da União) ou entre as sub-regiões existentes nos
Estados e Municípios(caso do PPA dos Estados e Municípios).

- DIRETRIZES - orientações gerais ou princípios que nortearão a captação e o gasto público com vistas a alcançar os
objetivos.

- OBJETIVOS – indicam os resultados a serem alcançados pela administração pública quando da execução
orçamentária(ex.: elevar o nível educacional da populacional, especialmente, combatendo o analfabetismo).

- METAS – quantificação, física e financeira, dos objetivos (ex.: construção de 3.000 salas de aula em todo o País, no
período de quatro anos, R$ 100 milhões, na construção de salas de aula).

- PROGRAMAS – são as ações que resultam em bens e serviços ofertados diretamente à sociedade. Correspondem
ao MÓDULO INTEGRADOR entre PPA e a LOA.São eles que garantem a compatibilização entre os dois instrumentos
de planejamento citados. São instrumentos de organização da atuação governamental, articulando um conjunto de
ações que concorrem para um objetivo comum preestabelecido e mensurado por indicadores previstos no PPA.(ex.:
Defesa dos direitos da Criança e do Adolescente, PAC – PROGRAMA DE ACELERAÇÃO DO CRESCIMENTO, BOLSA-
ESCOLA)

- DURAÇÃO CONTINUADA – Programas cuja execução ultrapassam um exercício financeiro (ex.: “ Programa Bolsa –
Escola”, Programa de Aceleração do Crescimento, obras com prazo de conclusão superior a um ano etc.)

 Orienta as demais leis orçamentárias (LOA, LDO), servindo de guia para elaboração da
LDO, da LOA e dos demais planos e programas nacionais, regionais e setoriais.
 De acordo com a Constituição Federal, projeto de lei do PPA é de iniciativa privativa e
vinculada do Chefe do Poder Executivo. De acordo com a doutrina (Alexandre de
Moraes), a iniciativa é exclusiva.

O PPA, PORTANTO, CORRESPONDE A TODOS OS PROGRAMAS DE GOVERNO DELINEADOS, PELA


ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, PARA SEREM REALIZADOS NO PERÍODO DE 4 (QUATRO) ANOS
ETAS

2. LEI DE DIRETRIZES ORÇAMENTÁRIAS – LDO

RIORIDADES

Conforme visto anteriormente, o Plano Plurianual estabelece objetivos, diretrizes e metas


para quatro exercícios financeiros. Resta-nos saber, entretanto, que parcelas dos programas
governamentais executar anualmente? Quais as prioridades de execução?

Para responder a estes e outros importantes questionamentos é que existe a Lei de


Diretrizes Orçamentárias. Duas definições básicas de LDO serão apresentadas aqui. A primeira
delas é: - A LDO é o elenco de prioridades dentro dos programas governamentais expressos no
PPA.

A segunda definição é a seguinte: - A LDO é o ajuste das prioridades de governo (PPA) às


reais possibilidades de caixa (LOA). Partindo desta definição, a LDO é o elo de ligação entre o
planejamento governamental, idealizado no PPA e a disponibilidade de recurso do ente
federativo, definida na LOA, para a realização deste “sonho”.

A LDO é inovação do Poder Constituinte originário. Portanto, esse instrumento de


planejamento que não existia no ordenamento jurídico anterior surgiu com a nova Constituição
Federal de 1988.

CARACTERÍSTICAS

 Instrumento de planejamento de curto-prazo;


 Deve ser elaborado em harmonia com o PPA e orientará a elaboração da LOA;
 Estabelece as Metas e Prioridades da Administração, incluindo as despesas de
capital para o exercício subseqüente;
 Disporá sobre as alterações na legislação tributária;
 Fixará a política de aplicação das agências financeiras oficiais de fomento (políticas
prioritárias para o Banco do Brasil, BNDES, Caixa Econômica, Banco do Nordeste e
demais fomentadoras do desenvolvimento).
 Autorizará a concessão de qualquer vantagem ou aumento de remuneração de
servidores, a criação de cargos, empregos, funções ou alteração na estrutura de
carreira, bem como a admissão e contratação de pessoal a qualquer título na
administração. Exceção: as empresas públicas e as sociedades de economia mista,
nos temos do disposto no artigo 169, § 1º da CF, não precisam dessa autorização na
LDO.

IMPORTANTE!!!!

Art. 57, 2º da CF/88 – A sessão legislativa não será interrompida sem a aprovação do
projeto de LDO. Em tese, pelo teor do caput do artigo 57 da CF, a LDO deverá estar
aprovada até 17 de julho. Se isso não acontecer, a sessão legislativa prorrogar-se-á
automaticamente até a aprovação da LDO. Ou seja, a LDO deverá ser aprovada antes
do primeiro recesso parlamentar com objetivo de orientar a elaboração da LOA.
Nos termos da Lei de Responsabilidade Fiscal, a LDO recebe novas e importantes funções,
sendo as mais relevantes as dispostas no art. 4º da LRF (Confira no final da apostila a redação do
mesmo!!!!!)

Após ter lido o artigo supra, verifica-se o “glamour” que a LRF concede a esse instrumento
de planejamento que, com a edição da LC 101/00, passou a ser o principal instrumento de
regularização das contas públicas, de equilíbrio fiscal, de austeridade fiscal!!!!

JÁ FOI QUESTÃO DE PROVA DE CONCURSO!!!!

O principal instrumento de planejamento governamental que ganhou ênfase com a edição da LRF foi a LDO

A LRF estabelece que a LDO disporá também sobre:

 Equilíbrio entre receitas e despesas – refere-se à observância do princípio do equilíbrio


orçamentário e ao equilíbrio durante a execução do orçamento, o chamado equilíbrio
auto-sustentável, o equilíbrio primário. Falaremos mais adiante desse equilíbrio, que
constitui um dos principais alicerces, pilares da LRF.
 Critérios e forma de limitação de empenho – a ser efetivada nas hipóteses previstas na
LRF e atendida nos orçamentos anuais;
 Normas relativas ao controle de custos e à avaliação dos resultados dos programas
financiados com recursos orçamentários – a lei deverá levar em consideração a relação
custo-benefício entre custos e resultados alcançados;
 Condições e exigências para transferências de recursos a entidades públicas e privadas –
que estão condicionadas aos limites legais, como por exemplo, as transferências por
convênios;
 Metas fiscais, em anexo próprio, denominado Anexo de Metas Fiscais;
 Riscos Fiscais, em anexo próprio, denominado Anexo de Riscos Fiscais.

O § 1º do art. 4º da LRF estabelece que deve integrar o projeto de LDO o Anexo de Metas
Fiscais, que é trienal, onde serão estabelecidas as metas anuais, em valores correntes,
relativas a receitas, despesas, resultados nominal e primário e montante da dívida pública,
para o exercício a que se referir e para os dois seguintes.
METAS 1. RECEITAS;
2. DESPESAS;
3. RESULTADO

FISCAIS RESU
NOMINAL;
4. RESULTADO PRIMÁRIO;

PARA KJD 5. MONTANTE DA

Fiscais DÍVIDA PÚBLICA

(valores correntes e
constantes)

Exercício financeiro+dois

melhor compreensão dos efeitos da Lei de Responsabilidade Fiscal sobre a LDO, é


condição “sine qua non” o pleno conhecimento dos conceitos de resultado primário e resultado
nominal. Vejamos a seguir.

Resultado Primário:

Determina se o nível de gasto no orçamento dos entes federativos é compatível com suas
arrecadações, ou seja, se as receitas primárias (não-financeiras) são capazes de sanar as
despesas primárias (não-financeiras).

A. Receitas Primárias ou Não-Financeiras: correspondem ao total da receita orçamentária


deduzidas as operações de crédito, as provenientes de rendimentos de aplicações
financeiras e retorno de operações de crédito (juros e amortização), recebimento de
recursos oriundos de empréstimos concedidos, as receitas de privatização e aquelas
relativas a superávits financeiros. Para evitar a dupla contagem, não devem ser
consideradas como receitas não-financeiras as provenientes de transferências entre as
entidades que compõe o ente federativo.
B. Despesas Primárias ou Não-Financeiras: correspondem ao total da despesa
orçamentária deduzidas as despesas com juros e amortizações da dívida interna e
externa, com aquisição de títulos de capital integralizado e as despesas com
concessão de empréstimos com retorno garantido.

Da confrontação dos conceitos supramencionados é que se pode apurar os seguintes


resultados:

 Superávit Primário : Receitas Primárias > Despesas Primárias


 Déficit Primário: Receitas Primárias < Despesas Primárias
 Resultado Nulo: Receitas Primárias = Despesas Primárias
O Resultado primário exprime se o ente federativo está ou não exercendo suas atividades
dentro de seus limites financeiros atribuídos a ele gerando a elevação ou redução do nível de
endividamento.

Resultado Nominal:

Através do cálculo do Resultado Nominal poderá ser apurado se o ente necessitará ou


não de empréstimos junto às entidades financeiras e/ou setor privado para fazer cumprir com
suas obrigações. Este resultado pode ser considerado como a Necessidade de Financiamento
do Setor Público (NFSP).

O resultado nominal é apurado a partir do acréscimo ao resultado primário do saldo da


Conta de Juros que apresenta a diferença entre os juros pagos e recebidos (juros nominais;
líquidos) decorrentes de operações financeiras.

A partir da confrontação destes conceitos apuramos os seguintes resultados:

 Superávit Nominal : Resultado Primário > Conta de Juros


 Déficit Nominal: Resultado Primário < Conta de Juros
 Resultado Nulo: Resultado Primário = Conta de Juros

O § 2° do art. 4º da LRF menciona que o Anexo de Metas Fiscais conterá, ainda:

 Avaliação do cumprimento das metas relativas ao ano anterior;


 Demonstrativo das metas anuais, instruído com memória e metodologia de cálculo que
justifiquem os resultados pretendidos, comparando-as com as fixadas nos três exercícios
anteriores e evidenciando a consistência delas com as premissas e os objetivos da
política econômica nacional;
 Evolução do patrimônio líquido, também nos últimos três exercícios, destacando a origem
e a aplicação dos recursos obtidos com a alienação de ativos;
 Avaliação da situação financeira e atuarial de todos os fundos e programas estatais de
natureza atuarial;
 Demonstrativo da estimativa e compensação da renúncia de receita e da margem de
expansão das despesas obrigatórias de caráter continuado.

O Anexo de Metas Fiscais –AMF representa uma novidade importante dentro da


elaboração do orçamento público e da gestão pública brasileira. Seu principal objetivo é
demonstrar como será a condução da política fiscal para os três exercícios financeiros, ou seja,
o exercício a que se referir a LDO e os dois seguintes. Neste caso, estarão sendo elaboradas
metas trienais, mas que serão revistas a cada ano, quando da elaboração da LDO.
Através desse anexo pode-se avaliar o cumprimento das metas fiscais dos três exercícios
anteriores e demonstrar, em termos financeiros, o que está planejado para o exercício vigente e
para os dois seguintes. Este demonstrativo obriga o gestor público a justificar como irá
compensar as renúncias de receitas concedidas através de benefícios fiscais. Deve também o
gestor observar os limites legais de despesas de caráter continuado, como por exemplo, as
despesas com pessoal.

Uma das inovações trazidas pela Constituição de 1988, a LDO submete à soberania popular, por meio de seus
representantes, a definição das prioridades para aplicação dos recursos públicos. Vale ressaltar que,
anteriormente, o estabelecimento das prioridades não transitava pelo parlamento sendo definidas
unilateralmente pelo Poder Executivo.

ANUAL

TRIENAL

Outra novidade trazida pela LRF foi o Anexo de Riscos de Fiscais. De acordo com o § 3º do
art. 4º da LRF, a LDO conterá ANEXO DE RISCOS FISCAIS, onde serão avaliados os passivos
contingentes e outros riscos capazes de afetar as contas públicas, informando as providências a
serem tomadas caso se concretizem.

Esse anexo tem por objetivo garantir a realização dos resultados fiscais apresentados no
Anexo de Metas Fiscais. Isso porque qualquer despesa não prevista na elaboração das metas
pode comprometer os resultados pretendidos. Neste caso, a partir das despesas em potencial
que possam comprometer os resultados orçamentários (como as sentenças judiciais em
andamento), será feita na LOA uma reserva de contingência para a cobertura dessas despesas.

OS PASSIVOS CONTINGENTES(Riscos Fiscais)

AVALIA E OUTROS RISCOS CAPAZES DE AFETAR AS CONTAS


PÚBLICAS
INFORMA

AS PROVIDÊNCIAS A SEREM TOMADAS, CASO SE


CONCRETIZEM OS RISCOS FISCAIS.
Os Riscos Fiscais podem ser, grosso modo, classificados em duas categorias distintas. Risco
Fiscal, portanto, é o gênero, cujas espécies são: Riscos Orçamentários e Riscos da Dívida.
Observe o fluxograma abaixo

RISCOS

FISCAIS

RISCOS RISCOS DA

ORÇAMENTÁRIOS DÍVIDA

Os riscos orçamentários são aqueles que dizem respeito à possibilidade de as receitas e


despesas previstas não se confirmarem, isto é, de existir desvios entre as receitas ou despesas
orçadas e as realizadas.

Possibilidades de algumas receitas previstas na LOA

Riscos
orçamentários
Necessidade de execução de despesas não fixadas na LOA ou orçadas a
menor

Exemplos de riscos orçamentários:

 Arrecadação de tributos menor do que o previsto na lei orçamentária – frustração na arrecadação,


Alexandre,
em funçãoseja menos
de fatos técnico
ocorridos e mais àobjetivo:
posteriormente elaboraçãoodaque
LOAsão Riscos
ou ainda Fiscais?????
à restituição de
determinado tributo não previsto.
 Restituição de tributos maior que a prevista nas deduções da receita orçamentária.
 Ocorrência de epidemias, enchentes, abalos sísmicos ou outras situações de calamidade pública que
demandem do Estado ações emergenciais.
Os riscos da dívida referem-se a possíveis ocorrências, externas à Administração, caso sejam
efetivadas resultarão em aumento do serviço da dívida pública no ano de referência.

Variação das taxas de juros e de câmbio em títulos VINCENDOS.

Riscos da Passivos contingentes que representam dívidas cuja existência depende de fatores
Dívida imprevisíveis, a exemplo dos resultados de julgamentos de processos judiciais.

INFORMAÇÃO CAPCIOSÍSSIMA!!!

A Lei de Diretrizes Orçamentárias possui três tipos de conteúdos, sendo eles:

1. Constitucional – definido na Constituição Federal de 1988 em seus artigos 165, § 2º, e


169, § 1º, inciso II.

2. Legal – expresso na Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000, a Lei de


Responsabilidade Fiscal.

3. Específico – originado no próprio corpo ou texto da Lei de Diretrizes Orçamentárias.

É importante ressaltar que a LDO é o principal instrumento de equilíbrio das contas


públicas, vez que a ela foram atribuídas inúmeras funções, pela Lei Maior e pela Lei de
Responsabilidade Fiscal. É de suma relevância que você as memorize, separadamente, nos seus
dois lobos cerebrais. No lado direito do seu cérebro, você irá colocar as funções estabelecidas
pela Constituição Federal; no lado esquerdo, as funções estabelecidas pela Lei de
Responsabilidade Fiscal. Vamos, portanto, elencá-las em um quadro resumo.

FUNÇÕES ESTABELECIDAS PELA FUNÇÕES ESTABELECIDAS PELA

CF/88 LC 101/00(LRF)

(Art. 165, § 2º; Art. 169, § 1º, II; Art. 99, § 4º; Art. Art. 4º, caput, § 1º e § 3º; Art. 5º, III.
127, $ 5º)

1. Compreender as metas e prioridades da 7. dispor sobre equilíbrio entre receitas e


Administração Pública Federal, incluindo as despesas;
despesas de capital para o exercício 8. dispor sobre critérios e formas de
financeiro subseqüente (Selecionar as limitação de empenho;
prioridades dentre as metas estabelecidas no 9. normas relativas ao controle de custos
PPA); e à avaliação dos resultados dos
2. Orientar a elaboração da LOA; programas financiados com recursos dos
3. Dispor sobre as alterações na legislação orçamentos;
tributária; 10. demais condições e exigências para
4. Estabelecer a política de aplicação das transferências de recursos a entidades
agências financeiras oficiais de fomento; públicas e privadas;
5. Estabelecer os limites de despesas para 11. estabelecer metas fiscais em um Anexo
as propostas orçamentárias dos poderes e do específico (AMF) e avaliar os passivos
Ministério Público; contingentes e outros riscos capazes de
6. Estabelecer autorização específica para afetar as contas públicas, informando as
as hipóteses do artigo 169, § 1º, II. (Autorizar a providências a serem tomadas, caso se
concessão de qualquer vantagem ou concretizem (ARF);
aumento de remuneração, a criação de 12. estabelecer o montante e a forma de
cargos, empregos e funções, alteração de utilização da Reserva de Contingência
estrutura de carreiras, bem como a admissão
ou contratação de pessoal a qualquer título,
ressalvadas as empresas públicas e
sociedades de economia mista (Art.169, § 1º,
II)

3. LEI ORÇAMENTÁRIA ANUAL (LOA) – ORÇAMENTO PÚBLICO

A Lei Orçamentária Anual – LOA é o mais importante instrumento de gerenciamento


orçamentário e financeiro da Administração Pública, cuja principal finalidade é gerenciar o
equilíbrio entre receitas e despesas públicas. Dentre as diversas funções que desempenha o
Orçamento da União, destaca-se, nos termos do §7º, art. 165, a de reduzir as desigualdades
inter-regionais segundo o critério populacional.

Da mesma forma que na LDO, várias alterações foram introduzidas, pela LRF, na
sistemática de elaboração do orçamento anual. As principais encontram-se elencadas no
quadro a seguir:

 A LOA deve conter, em anexo, o demonstrativo de compatibilidade da programação dos orçamentos com as
metas da LDO, previstas no Anexo de Metas Fiscais (****);
 A LOA deve conter previsão para a reserva de contingências, em percentual da RCL, destinada ao pagamento
de passivos contingentes, além de outros imprevistos fiscais;
 A LOA deve conter as despesas relativas à dívida pública, mobiliária ou contratual e respectivas receitas, sendo
o refinanciamento da dívida (e suas receitas) demonstrado de forma separada, tanto na LOA como nas leis de
créditos adicionais;
 A LOA não poderá conter crédito com finalidade imprecisa ou com dotação ilimitada;
 Veda-se que a LOA contenha dotação para investimentos com duração superior a um exercício financeiro que
não esteja previsto no PPA ou em lei que autorize a sua inclusão, conforme disposto no § 1º do art. 167 da
Constituição Federal.
CARACTERÍSTICAS

A LOA deverá estar compatível com o PPA e com a LDO.

 Programa a vida econômica e financeira do Estado e o programa de trabalho do


governo.
 Trata-se de uma lei autorizativa, expressa em termos monetários.
 Prioriza as necessidades da coletividade.
 É o orçamento propriamente dito.
 Metodologia atual utilizada na sua elaboração: orçamento-programa.
 Cumpre ano a ano as etapas do PPA; é a materialização dos programas contidos
no PPA.
 A respectiva lei corresponde, na verdade, a 03(três) suborçamentos, ou 03(três)
esferas orçamentárias(CF, art. 165, 5º).
 O orçamento fiscal e o orçamento de investimentos, compatibilizados com o PPA,
têm o objetivo de reduzir as desigualdades entre as regiões, segundo critério
populacional.
 O Governo só poderá iniciar qualquer programa ou projeto se houver autorização
específica na Lei Orçamentária.
 A LOA, além de estimar as receitas e fixar as despesas, poderá conter autorização
para abertura de créditos suplementares e para contratação de operações de
crédito, ainda que por antecipação de receita(ARO).
 Deverá acompanha-la um demonstrativo, regionalizado, sobre os efeitos da
concessão de anistia, isenção, remissões, subsídios e benefícios de natureza
financeira, tributária e creditícia.
 Lei nº 4320/64 (arts. 2º e 22) – esses dispositivos estabelecem quais os documentos,
demonstrativosm e anexos que deverão integrar a proposta orçamentária enviada
anualmente pelo Executivo ao Legislativo. Comporão a proposta orçamentária:
 mensagem do Chefe do Executivo;
 projeto de Lei de Orçamento.
 Devem observar três funções estatais fundamentais: a alocativa, a distributiva e a
estabilizadora;
 O orçamento é lei formal, mas não material, sem criar direitos subjetivos e sem
modificar as leis tributárias e financeiras (posicionamento atual do STF).
 A LOA é uma lei temporária(vigência limitada), especial(de conceito determinado
e processo legislativo peculiar) e ordinária(aprovada por maioria simples);
 O tipo de orçamento utilizado atualmente no Brasil é o orçamento misto, pois a
elaboração e a execução cabe ao Poder Executivo, cabendo ao Poder Legislativo
sua votação e controle.
 Tipos de orçamento existentes: (1) Legislativo; (2) Executivo; (3) Misto.

(****) Esse demonstrativo em anexo à Lei Orçamentária Anual deverá evidenciar a


compatibilidade entre o PPA e a própria LOA, ou seja, se tais instrumentos de planejamento
estão compatíveis com as metas e prioridades estabelecidas na LDO.
NÃO CONFUNDA!!!!! Os anexos de riscos e metas fiscais são instrumentos da LDO. A LOA deve
conter a Reserva de Contingência, que é uma dotação global com a finalidade de atender os
passivos contingentes e outros riscos fiscais imprevistos.

A Reserva de Contingência é uma dotação de recursos de forma global, não destinada a


nenhum órgão ou projeto específico, posto que não especifica ou detalha onde os recursos
serão aplicados. Portanto, se é dotação orçamentária, deve estar prevista na LOA. A Lei
Orçamentária Anual é o instrumento legal indicado para alocação de receitas e despesas
orçamentárias.

Por ser uma dotação global não destinada a nenhum órgão ou projeto específico, a
Reserva de Contingência é uma exceção ao princípio da especificação ou especialização do
orçamento.

Alexandre, que fatos podem ensejar dívidas (passivos) contingenciais a serem cobertas com a
reserva de contingências??????

 Lides de ordem tributária e previdenciária;


 Ações trabalhistas referentes à aplicação da Unidade Real de Valor (URV) no primeiro semestre de 1994;
 Disputa sobre o percentual de reajuste dos saldos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), em
função do plano Verão de 1989 e do Plano Collor I de 1990

CONTERÁ RESERVA DE CONTINGÊNCIAS

MONTANTE E FORMA DE UTILIZAÇÃO DA


ESTALECERÁ
RESERVA DE CONTINGÊNCIAS

 Dimensões ou aspectos do orçamento:


 Jurídica: essa dimensão é a que define o orçamento ou integra a lei
orçamentária no conjunto de leis do país.O orçamento é uma lei formal;
 Econômica: Corresponde à característica que atribui ao orçamento o poder
de intervir na atividade econômica, propiciando geração de emprego e
renda em função de investimentos que podem se previstos e realizados pelo
setor público, resultando com isso no desenvolvimento do país;
 Financeira: representa o fluxo financeiro gerado pelas entradas de recursos
obtidos com a arrecadação de receitas e os dispêndios com as saídas de
recursos proporcionado pelas despesas, evidenciando a execução
orçamentária.
 Política: corresponde à definição de prioridades, numa situação de escassez
de recursos, por exemplo;
 Técnica: representa o conjunto de regras e formalidades técnicas e legais
exigidas no processo orçamentário(ciclo orçamentário)

ORÇAMENTO TRADICIONAL X ORÇAMENTO MODERNO

O Orçamento Público é um demonstrativo obrigatório e padronizado para cada esfera da


federação. É um cuidado necessário para que a sociedade tome conhecimento dos
programas de governo e assegurar seu cumprimento.

O conceito de orçamento tem mudado bastante ao longo do tempo, por causa da


evolução de suas funções, que são hoje bem diferentes que no passado.

A história do Orçamento Público evoluiu em duas grandes fases: a do orçamento tradicional


e a do moderno.

Orçamento Orçamento (ORÇAMENTO –


PROGRAMA)
Tradicional Moderno
Lei 4.320/64
Dl 200/67
CF/88
Gastos Planejamento

O tradicional(ou clássico) tinha como sua principal função o controle político. Possibilitou o
controle político do Poder Executivo pelo Poder Legislativo.

O Orçamento Tradicional, ao lado da linguagem contábil, adotava classificações suficientes


apenas para instrumentalizar o controle das despesas pura e simplesmente.

Eram adotadas duas classificações clássicas:


a) por unidades administrativas (os órgãos responsáveis pelos gastos)
b) por objetivo ou item de despesa( era simplesmente previsão de receita e autorização de
despesa, não era de acordo com programas e objetivos a atingir)

O orçamento clássico evoluiu para o Orçamento de Desempenho ou de realizações, onde se


buscava saber “as coisas que o governo faz e não as coisas que o governo compra”. Assim,
saber o que a Administração Pública comprava tornou-se menos relevante do que saber
para que se destinava aquela aquisição. O orçamento de desempenho, embora já ligado
aos objetivos, não poderia, ainda, ser considerado um orçamento-programa, visto que lhe
faltava uma característica essencial, que era a vinculação ao sistema de planejamento.

A idéia de orçamento moderno nasceu nos EUA. Exigia-se que os orçamentos deveriam
constituir-se de instrumentos de administração, de forma que auxiliassem o Executivo nas
várias etapas do processo administrativo.

Atualmente, as políticas econômicas têm sido inibidoras da expansão das despesas públicas,
por isso, o papel que vem sendo reforçado é o do orçamento como instrumento de controle
econômico. Eleva-se a função de planejamento do orçamento, para evitar déficit (gastar
mais que recebe).

A adoção do orçamento-programa na esfera federal foi efetivada em 1964, a partir da


edição da Lei nº 4.320. O Decreto-Lei nº 200, de 23/2/67, menciona o orçamento-programa
como plano de ação do Governo Federal quando, em ser art. 16, determina: “em cada ano
será elaborado um orçamento-programa que pormenorizará a etapa do programa
plurianual (PPA) a ser realizado no exercício seguinte e que servirá de roteiro à execução
coordenada do programa anual.

Orçamento-programa é a metodologia utilizada para a elaboração do orçamento


atualmente. É a alocação dos recursos com ênfase não no objeto do gasto, mas no seu
objetivo. Não é apenas documento financeiro, mas, principalmente, um instrumento de
operacionalização das ações do governo, viabilizando seus projetos/atividades/operações
especiais em consonância com os planos e diretrizes estabelecidos, merecendo destaque as
seguintes vantagens:

a) Melhor planejamento de trabalho;


b) maior precisão na elaboração do orçamento;
c) melhor determinação das responsabilidades;
d) maior oportunidade para redução dos custos;
e) maior compreensão do conteúdo orçamentário por parte do Executivo, do Legislativo e
do público;
f) facilidade para identificação de duplicação de funções;
g) melhor controle da execução do programa;
h) identificação dos gastos e realizações por programa e sua comparação em termos
absolutos e relativos;
i) apresentação dos recursos e dos objetivos da instituição e do inter-relacionamento entre
custos e programas; e
j) ênfase no que a instituição realiza e não no que gasta

Segundo Pascoal, a palavra programa revela característica, uma qualidade do


orçamento moderno. O orçamento-programa é instrumento de planejamento que permite
identificar os programas, os projetos e as atividades que o governo pretende realizar, além
de estabelecer os objetivos, as metas, os custos e os resultados esperados e oferecer maior
transparência dos gastos públicos. Ressalte-se, porém, que, durante a evolução do
orçamento-programa (orçamento moderno), houve o chamado ORÇAMENTO DE
DESEMPENHO (ou por realizações). No orçamento de desempenho, procura-se saber as
coisas que o governo FAZ, e não as coisas que o governo COMPRA. A ênfase é dada aos
resultados. Todavia, não se podia ainda falar em orçamento-programa, pois não havia
qualquer vinculação do orçamento ao planejamento governamental. Partiu-se, então, para
uma técnica mais elaborada, que foi o orçamento-programa.

ORÇAMENTO PROGRAMA

DIRETRIZES OBJETIVOS METAS PROGRAMAS

Conjunto de critérios. Especificação e Ações que resultem em


quantificação física e serviços prestados à
de ação e de decisão Resultados que se financeira dos objetivos comunidade passíveis
estabelecidos
que deve disciplinar e Pretende alcançar de quantificação.
orientar os diversos
aspectos envolvidos
no Processo de
Planejamento.
Giacomoni destaca que, essencialmente, o orçamento-programa deve conter:

a) os objetivos e propósitos perseguidos pela instituição e para cuja consecução são


utilizados os recursos orçamentários;
b) os programas, isto é, os instrumentos de integração dos esforços governamentais, no
sentido da concretização dos objetivos;
c) os custos dos programas medidos por meio da identificação dos meios ou insumos
(pessoal, material, equipamentos, serviços etc.) necessários para a obtenção dos
resultados; e
d) as medidas de desempenho, com a finalidade de medir as realizações (produto final) e os
esforços despendidos na execução dos programas.

Alexandre, e como se dá o relacionamento entre as partes principais da estrutura


esquelética do orçamento-programa?????

Vamos observar o fluxo desse relacionamento a partir da figura abaixo.

DEMANDA DIRETRIZES OBJETIVO

META
MEDIDA DE

DESEMPENHO
PRODUTO
RESULTADO
PROGRAMA
FINAL

CUSTO

Com base no que foi disposto, é possível destacar as principais características do orçamento-
programa:

1. orçamento é o elo entre o planejamento e as funções executivas da organização;


2. a alocação de recursos visa à consecução de objetivos e metas;
3. as decisões orçamentárias são tomadas com base em avaliações e análises técnicas das
alternativas possíveis;
4. na elaboração do orçamento, são considerados todos os custos dos programas, inclusive
os que extrapolam o exercício;
5. a estrutura do orçamento está voltada para os aspectos administrativos e de
planejamento;
6. o principal critério de classificação das despesas é: funcional e programático;
7. utilização sistemática de indicadores e padrões de medição do trabalho e dos resultados;
8. controle para avaliar resultados sob a égide da eficiência, eficácia e efetividade na
execução dos programas de Governo, que correspondem aos indicadores de resultados
na Administração Pública.
ORÇAMENTO TRADICIONAL VERSUS ORÇAMENTO-PROGRAMA

ORÇAMENTO TRADICIONAL ORÇAMENTO-PROGRAMA

O processo orçamentário é dissociado dos O orçamento é o elo entre o planejamento e


processos de planejamento e programação as funções executivas da organização

A alocação de recursos visa à aquisição de A alocação de recursos visa à consecução de


meios objetivos e metas.

As decisões orçamentárias são tomadas tendo As decisões orçamentárias são tomadas com
em vista as necessidades financeiras das base em avaliações e análises técnicas das
unidades organizacionais alternativas possíveis.

Na elaboração do orçamento são Na elaboração do orçamento são


consideradas as necessidades financeiras das consideradas todos os custos dos programas,
unidades organizacionais inclusive os que extrapolam o exercício.

A estrutura do orçamento dá ênfase aos A estrutura do orçamento está voltada para os


aspectos administrativos e de planejamento.
Aspectos contábeis da gestão.

Principais critérios classificatórios: unidades Principal critério de classificação: funcional-


administrativas e elementos. programático.

Inexistem sistemas de acompanhamento e Utilização sistemática de indicadores e


medição do trabalho, assim como dos padrões de medição do trabalho e dos
resultados. resultados.

O controle visa avaliar a honestidade dos O controle visa avaliar a eficiência, a eficácia
agentes governamentais e a legalidade no e a efetividade das ações governamentais.
cumprimento do orçamento.
O Orçamento Programa permite a avaliação do resultado das ações governamentais
através das medidas de eficiência, eficácia e efetividade. A seguir, elencamos a diferença
entre os conceitos:

Eficiência – pode ser medida pelo resultado obtido entre o volume de bens e serviços
produzidos e o volume de recursos consumidos, para alcançar a economia de recursos na
consecução dos objetivos, obtendo o melhor desempenho na operacionalidade das ações. É a
capacidade que tem o gestor público de aplicar recursos de forma otimizada.

Eficácia – ocorre quando os objetivos pré-estabelecidos são atingidos. Pode ser medida
pelo grau de cumprimento dos objetivos fixados nos programas de ação, comparando-se
resultados obtidos com os previstos, ou seja, quando mais próximos os gestores estiverem dos
resultados esperados, mais eficaz terá sido a sua gestão.

Efetividade – mede o impacto final da atuação governamental em termos de eficiência e


eficácia na utilização dos recursos, determinando o cumprimento das finalidades do governo e
justificando sua existência. É a capacidade que tem o gestor público de satisfazer as
necessidades da coletividade, num determinado espaço de tempo.

ORÇAMENTO BASE ZERO

Dentre as formas ou classificação de orçamento moderno pode-se citar uma experiência


absorvida da iniciativa privada que ficou denominada de Orçamento Base-Zero.

Essa metodologia de orçamento teve sua origem em 1968, numa experiência


desenvolvida por Peter A. Pyhrr, na Texas Instruments, e tem como princípio reavaliar todos os
programas e despesas a cada período.

Quando foi governador do Estado da Geórgia, Jimmy Carter implantou o Orçamento


Base Zero em seu Estado e depois levou a experiência para o âmbito do governo federal e a
aplicou em alguns Ministérios.

O Orçamento Base-Zero centrava o foco na questão dos indicadores de avaliação das


políticas públicas, dos programas, dos projetos, atividades inseridos no orçamento que não
tiveram uma avaliação adequada e novamente eram inseridos no orçamento do próximo ano.

Ao contrário do orçamento tradicional que já parte de uma determinada base


orçamentária, acrescentando apenas uma projeção de inflação, o Orçamento Base-Zero exige
que cada administrador justifique detalhadamente todas as dotações solicitadas em seu
orçamento, cabendo-lhe justificar por que deve gastar o recurso. Cada administrador é
obrigado a preparar um “pacote de decisão” para cada atividade.
O Orçamento Base Zero traz uma contribuição importante e uma provocação aos
gestores públicos. Essa modalidade de orçamento moderno questiona a deficiência nas
informações sobre a análise dos resultados, e o que se convencionou chamar de
“incrementalismo” – a reprodução simples do passado, ou seja, repete-se alguns programas dos
orçamentos anteriores porque não se tem parâmetro ou análise dos programas.

O orçamento base-zero é aquele sobre o qual não há direitos anteriores. É comum no caso de
entes novos. Por exemplo, pode-se citar a criação de um novo município. Como não há
experiências anteriores, não há muitos parâmetros para definir-se quanto irá para a secretaria
de saúde, de educação, etc.

PROCESSO LEGISLATIVO ORÇAMENTÁRIO

Iniciativa

 Base Constitucional: art. 84, XXIII da CF/88; art. 61, § 1, II, b ; art. 85,VI; art. 166 § 6º

 São de iniciativa do Chefe do Poder Executivo, leis que envolvam matéria


orçamentária. Esta iniciativa é privativa e indelegável;

 No Brasil, diz-se que a iniciativa é de iniciativa vinculada, vez que, embora a


competência pela iniciativa seja do titular do Poder Executivo, o mesmo está obrigado
ao prazo determinado em legislação;

 Todas as leis de elaboração do PPA, LDO e LOA são ordinárias de iniciativa do Chefe
do Poder Executivo;

 A omissão(não exercer a iniciativa ou deixar de cumprir o prazo determinado pela CF,


CE e LOM) do chefe do executivo constitui crime de responsabilidade CF/88, art. 85,
VI);

Prazos

Caberá a uma lei complementar dispor sobre o exercício financeiro, a vigência, os prazos, a
elaboração e a organização do PPA, da LDO e da LOA(art. 165, § 9º, I da CF/88). O que ocorre
é que essa lei complementar ainda não foi editada. Assim, a União, os Estados e os Municípios
que não estabeleceram prazos específicos continuam seguindo o disposto no art. 35,§ 2º, do
ADCT da CF/88, que determina os prazos na tabela seguinte:
Envio: Chefe do PE Devolução: do PL
ao PL. ao PE(para sanção
Projeto BASE
Parâmetro para ou veto)
Parâmetro para
de envio: término do devolução: término LEGAL
exercício da sessão legislativa
Lei
financeiro. ou período
legislativo.
4 meses antes do Até o término do
encerramento do segundo período
PPA Art. 35, § 2º,
primeiro exercício da sessão legislativa
do ADCT.
financeiro do (22 de dezembro),
mandato do chefe do exercício em
do PE(31 de que for
agosto) encaminhado.

LDO 8 meses e ½ antes Até o Art. 35, § 2º,


do encerramento encerramento do do ADCT.
do exercício primeiro período da
financeiro(15 de sessão legislativa
abril) (17 de julho)

LOA

4 meses antes do Até o


encerramento do encerramento da
Art. 35, § 2º,
exercício sessão legislativa
do ADCT.
financeiro(31 de (22 de dezembro),
agosto) do exercício em
que for
encaminhado

Obs: os prazos assinalados na tabela supra dizem respeito à União, prevalecendo para Estados,
DF e Municípios o que estiver disposto nas suas respectivas Constituições Estaduais e Leis
Orgânicas. Isto, até que a Lei complementar referida no art. 165, § 9º, I e II, da CF/88 esteja em
vigor.

Obs: A Sessão Legislativa Ordinária no âmbito federal está regulamentada pelo art. 57 da CF/88,
que estabelece:
“Art. 57. O Congresso Nacional reunir-se-á, anualmente, na Capital Federal, de 2 de fevereiro a
17 de julho e de 1º de agosto a 22 de dezembro(Redação dada pela Emenda Constitucional nº
50, de 2006)”.

Cuidado com essa mudança!!!

O ADCT refere-se ao “encerramento do 1º período da sessão legislativa” e “encerramento da


sessão legislativa”, não estabelecendo datas. Com a Emenda nº 50/2006, as datas foram
alteradas!!!!!!

Ainda, o § 2º do mesmo artigo versa:

“§ 2º A sessão legislativa não será interrompida sem a aprovação do projeto de lei de diretrizes
orçamentárias.

Com base no parágrafo do artigo supra disposto, pode-se inferir que uma das situações que
impede o início do recesso parlamentar em 18 de julho é a não aprovação do projeto de lei de
diretrizes orçamentárias até o encerramento do primeiro período da sessão legislativa.

Alexandre, quando vc se referia aos prazos de


envio da proposta orçamentária, dois
questionamentos me vieram à tona acerca do
Não-envio e Não-Devolução dos Projetos!!!!!!
1º) E se o chefe do Poder Executivo
Tome nota !!! não encaminhar a proposta
orçamentária no prazo fixado nas
O art. 32(ao
lado) da Lei nº Constituições e nas Leis Orgânicas
4.320/64 dos Municípios?
responde a esse
questionamento,
determinando que
o Poder
Legislativo
considerará como
proposta a Lei de
Orçamento Lei 4.320/1964:
vigente!!!!
(...) Se não receber a proposta no prazo fixado nas Constituições
ou nas Leis Orgânicas dos Municípios, o Poder Legislativo
considerará como proposta a Lei de Orçamento vigente.

2º) E se o Poder Legislativo não


devolver o projeto de lei
Tome nota!!! aprovado para sanção do Chefe
Apesar de não previsto do Poder Executivo até o dia 31
em legislação, entende de dezembro?
a doutrina que caberá,
por princípio da
simetria, a promulgação
por parte do Poder
Executivo, tal como o
enviou ao Legislativo,
ignorando eventuais
Valdecir Pascoal entende que, de forma
emendas aprovadas ou
em discussão(Sérgio
diversa, na falta de uma regra permanente que regule essa
Jund citando Kiyoshi situação excepcional, tanto na União como em alguns
Harada) estados, a LDO vem tratando dessa questão, estabelecendo
que o Executivo fica autorizado a gastar determinada
proporção(X/12) da proposta que ainda está tramitando.

DUODÉCIMOS

Com base na LDO, o Poder Executivo elabora a proposta orçamentária para o ano
seguinte, com a participação dos Ministérios (órgãos setoriais) e das unidades orçamentárias dos
Poderes Legislativo e Judiciário.

Por determinação constitucional, conforme visto no quadro anterior (art. 35, § 2º, inciso III
do ADCT), o governo é obrigado a encaminhar o projeto de lei do orçamento ao Congresso
Nacional até quatro meses antes do encerramento da sessão legislativa e, consequentemente,
do exercício financeiro, o que corresponde a 31 de agosto.
Acompanha a proposta uma mensagem do Presidente da República, na qual é feito um
diagnóstico sobre a situação econômica do país e suas perspectivas. A Constituição determina
que a Proposta Orçamentária deve ser votada e aprovada até o final da sessão legislativa,
atualmente encerrando a 22 de dezembro. Depois de votada no Legislativo, a proposta segue
para o Executivo, que dispõe de 15 dias para sancionar ou vetar. Sancionada, entra em vigor a
partir de sua publicação até o encerramento do exercício financeiro seguinte ao de sua
elaboração. Entretanto, se o Executivo resolver vetar esta proposta, devolverá para o legislativo
que dispõe, inicialmente de 30 dias para uma análise prévia do veto executivo, podendo
restituí-la neste prazo ou posteriormente.

Durante a discussão desta proposta no exercício subseqüente de sua geração, a cada mês será executado 1/12 da
Lei de Diretrizes Orçamentárias – LDO anteriormente aprovada, enquanto não houver Lei Orçamentária Anual
legalmente válida.

Quando do retorno da Proposta da LOA, o Executivo deverá se manifestar em 48 horas. Se


não houver nenhuma manifestação de vontade, neste período, ocorrerá a sanção tácita desta,
ou seja, a LOA entrará automaticamente em vigor após este prazo.

Se houver, entretanto, reação contrária, ou melhor o segundo veto por parte do


Executivo, este devolverá a Proposta ao Legislativo, onde deverá ser sancionada pelo
Presidente do Senado, e em sua ausência, pelo Vice-Presidente do Senado.

Apreciação(Discussão) pelo Poder Legislativo

O Processo Legislativo Orçamentário é um processo especial, pois a CF estabelece, em regra,


uma apreciação conjunta da matéria, sendo apreciado pelas duas Casas do Congresso
Nacional, na forma do regimento comum (art. 166 da CF/88), que corresponde ao Regimento
do Congresso Nacional.

Essa fase do processo, portanto, consiste na etapa destinada ao debate em plenário,


conhecida, também, por fase de discussão, sendo subdvidida nas seguintes etapas: proposição
de emendas, voto do relator, redação final e votação em plenário.

 apreciação e votação dos projetos (PPA, LDO e LOA) e das leis referentes a créditos
adicionais cabe ao Poder Legislativo em suas respectivas esferas;
 a apreciação dos projetos de leis orçamentárias(PPA, LDO, LOA) e dos projetos relativos a
créditos adicionais(suplementares e especiais) é conjunta, feita pelas duas Casas do
Congresso Nacional(Câmara e Senado);
 a apreciação obedecerá às regras do regimento comum;
 ATENÇÃO!!!! embora a sessão de apreciação(discussão e votação) seja CONJUNTA, a
apuração dos votos, SEMPRE, dar-se-á separadamente(art. 43 do Regimento do Congresso
Nacional)
 A não-obtenção de maioria simples em, pelo menos, uma das Casas, importará na
rejeição da matéria.
 a apreciação das leis orçamentárias pelo Poder Legislativo é indelegável, vez que essa
matéria não pode ser objeto de lei delegada(art. 68, § 1º, III da CF);
Emendas

Base Constitucional: art. 166, § 2º, §3º, §4 º,

As emendas devem ser apresentadas à Comissão Mista Permanente de Deputados e


Senadores, que sobre elas emitirá um parecer, e, apreciadas, na forma regimental, pelo Plenário
das duas Casas do Congresso Nacional(conjuntamente).

A Comissão Mista deverá emitir parecer sobre as emendas antes de serem apreciadas pelo
plenário.

Ficará a cargo da Comissão Mista a redação final do projeto de lei.

Aplicação do Processo Legislativo Comum

O processo legislativo orçamentário é considerado um processo legislativo especial; no entanto,


atendidas as regras ou os preceitos especiais, aplicam-se aos projetos que tratam de matéria
orçamentária, no que não contrariar o disposto no processo legislativo especial (art. 166 da
CF/88), as demais normas relativas ao processo legislativo comum(art. 66 da CF – sanção,
promulgação, veto, informação das razões de veto etc.).

Sanção

Uma vez aprovado no Legislativo, será necessária a aquiescência do titular do Poder Executivo
ao projeto de lei aprovado. Assim, o titular do Poder Executivo somente sancionará o projeto se
estiver de acordo com o mesmo, conforme determina o art. 66 da CF/88: ”a Casa na qual tenha
sido concluída a votação enviará o projeto de lei ao Presidente da República, que,
aquiescendo, o sancionará”.

Veto

Caso não esteja de acordo com o projeto de lei aprovado pelo Legislativo, poderá veta-lo total
ou parcialmente, conforme art. 66 da CF/88.

Promulgação

Consiste no atestado de validade da existência da lei. É, portanto, um ato declaratório,


demonstra que a lei é executável, ou seja, quando o titular do Poder Executivo aquiesce com o
projeto de lei, também o está promulgando, pois o ato de sancionar já imprime caráter de
executoriedade à lei, restando, no entanto, para que possa ter eficácia e se tornar obrigatória,
o ato de publicação.
Publicação

Apesar de acabada, a lei, para se tornar executável e obrigatória, necessita de publicação no


órgão de imprensa oficial da esfera governamental (Diário Oficial). A publicação consiste no
atestado de conhecimento de que uma lei nova está em vigor. Ao contrário da promulgação,
que revela a executoriedade de uma lei, a publicação impõe a sua obrigatoriedade, pois, com
a promulgação, a lei existia, mas não obrigava o seu cumprimento; após a sua publicação, ela
se torna obrigatória, não podendo ser alegado o seu desconhecimento.

CONCEITOS IMPORTANTES!!!!

(1) Crédito orçamentário: autorização da própria lei orçamentária ou de crédito adicional


expressa nos programas de trabalho. Corresponde à dotação prevista na lei de orçamento.
Exemplo: Recuperação da pavimentação das rodovias federais

(2) Crédito Adicional: a dotação prevista nas leis sucessivas ao orçamento, cuja finalidade é
atender a despesas não computadas ou insuficientemente dotadas na Lei de Orçamento.
(3) Dotação orçamentária: o montante (limite) da autorização dada na lei orçamentária
para gastos, ou seja, o valor que pode ser gasto em um crédito.

(4) Unidade orçamentária (UO): aquela contemplada com dotação diretamente na lei
orçamentária.

(5) Unidade administrativa (UA): aquela que recebe autorização por descentralização de
uma UO ou outra UA.

(6) Unidades Executoras (UE): são aquelas que efetivamente realizam o gasto, ou seja,
executam a despesa orçamentária.

(7) SOF/MPOG (Secretaria de Orçamento Federal): corresponde ao órgão central do sistema


de orçamento, vinculado ao Ministério de Planejamento, Orçamento e Gestão.

(8) Descentralização Orçamentária: movimentação da autorização de despesa da unidade


orçamentária para a unidade administrativa. Pode ser Provisão (se interna) ou Destaque (se
externa)

(9) Provisão ou descentralização interna de créditos: quando envolve unidades gestoras de


um mesmo órgão, ministério ou entidade integrante dos orçamentos fiscal e da seguridade
social.

(10) Destaque ou descentralização externa de créditos: quando envolve unidades gestoras


de órgãos, ministérios ou entidades de estruturas administrativas diferentes (de um órgão para
outro)
(11) Descentralização Financeira: movimentação de recursos financeiros do órgão
arrecadador (Ministério da Fazenda, na União, Secretarias da Fazenda ou de Finanças, nos
Estados e Municípios) aos demais órgãos na estrutura organizacional do mesmo ente da
federação (intra-governamental). Na linguagem contábil, podem ser de dois tipos (Repasse e
Sub-Repasse).

(12) Cota: é a primeira fase da descentralização das disponibilidades financeiras, consiste na


transferência do órgão central de programação financeira para os órgãos setoriais do sistema.
Essa movimentação está condicionada, entre outras coisas, à efetiva arrecadação de recursos
financeiros pelo Tesouro Nacional e ao montante de compromissos financeiros assumidos pelos
órgãos.

(13) Repasse: importância financeira que a unidade orçamentária transfere a outro Ministério
(ou Secretaria de Estado ou de Município) ou órgão. É a descentralização das disponibilidades
financeiras vinculadas ao orçamento, recebidas anteriormente sob a forma de cota da
STN/MF, sendo de competência dos órgãos setoriais de programação financeira, que as
transfere para outro órgão ou ministério.

(14) Sub-Repasse: importância financeira que a unidade orçamentária transfere a outra


unidade orçamentária ou administrativa do mesmo Ministério (ou Secretaria de Estado o
Município) ou órgão. Corresponde à descentralização de disponibilidades financeiras
vinculadas ao orçamento, realizada pelos órgãos setoriais de programação financeira, para
unidade orçamentária (UO) ou unidade administrativa (UA) a eles vinculadas, ou seja, que
faça parte da sua própria estrutura.

Recursos Orçamentários Recursos Financeiros

Dotação Cota

Movimentação de Créditos Movimentação de Recursos


Financeiros
Orçamentários (Descentralização de
Créditos

Destaque Repasse

Provisão Sub-repasse
CAPCIOSÍSSIMA!!!!

A movimentação de créditos orçamentários (autorizações de despesas) em sentido horizontal denomina-


se destaque. Quando ocorre o destaque, deve ocorrer também o repasse (envio dos recursos financeiros
para lastrear os créditos destacados à outra entidade).

A movimentação de recursos orçamentários em sentido vertical denomina-se provisão. Quando ocorre a


provisão, deve ocorrer também o sub-repasse (envio dos recursos financeiros para lastrear os créditos
remetidos à outra unidade).

É bom saber!!!!

Ressalte-se
(15) Sistemaque
deosorçamento
destaques e provisões
federal:tratam de autorizações
sistema COMPOSTO orçamentárias. No casoórgãos:
dos seguintes do destaque, a
contrapartida do lado financeiro é o repasse; no caso da provisão, a contrapartida do lado financeiro é o
sub-repasse.

 SOF/MPOG;
 Unidades setoriais em cada Ministério ou órgão equivalente;
 Unidades Orçamentárias, as quais efetivamente realizam o gasto, ou seja,
executam a despesa por meio de um unidade executora.

HIERARQUIA DAS LEIS ORÇAMENTÁRIAS

VIGÊNCIA

QUADRIENAL ANUAL ANUAL

PPA LDO LOA


Legendas:

OF – Orçamento Fiscal

OIE – Orçamento de Investimentos de Estatais

OSS – Orçamento de Seguridade Social

(1) O fato de o orçamento estar discriminado em três esferas orçamentárias(desenho acima)


não fere o Princípio da Unidade(Totalidade). Essa divisão sistemática tem o condão de
oferecer uma visão integrada das ações governamentais. Os recursos dos orçamentos fiscais
e da seguridade social provém basicamente da cobrança de tributos e contribuições, bem
como da exploração do patrimônio público. O orçamento de investimento das estatais
compreende as despesas com aquisição de bens para o ativo imobilizado, excetuadas as
relativas à aquisição de bens para arrendamento mercantil.

(2) O Orçamento da seguridade social compreende não só as entidades e órgãos a ela


vinculados, mas também todas as despesas relativas à saúde, previdência e assistência
social, independentemente da unidade orçamentária responsável.

________________________________________________________________________________________

ASSUNTO: PRINCÍPIOS ORÇAMENTÁRIOS PROFESSOR ALEXANDRE AMÉRICO

1. Princípios

Os princípios são premissas e linhas norteadoras de ação a serem observadas na concepção da


proposta de orçamento. Sua principal finalidade é disciplinar e orientar a ação dos
governantes.

ATENÇÃO!!!!!

A lei nº 4.320/64, que estatui normas gerais de Direito Financeiro, em seu artigo 2º,
determina obediência a três princípios: unidade, universalidade a anualidade (ou
periodicidade). Os demais princípios não derivam dessa lei, mas da sistemática de
elaboração das diversas LOAs e de entendimentos da Constituição da República Federativa
do Brasil.
OBS: Não há uma lista exaustiva de princípios orçamentários, pois o próprio conceito de
orçamento público está em constante evolução. Serão abordados a seguir os princípios mais
aludidos pela doutrina e pelo ordenamento jurídico pertinente à área orçamentária

1.1. Princípio da Legalidade Orçamentária (PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL)

O princípio da Legalidade está previsto no inciso II do art. 5º da Constituição Federal de 1988


(CF/88):

Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei.

Por este princípio, todo o orçamento público deve ser elaborado por lei e todas as leis que
tratam de matéria orçamentária (as leis do Plano Plurianual – PPA, de Diretrizes Orçamentárias –
LDO, a Lei Orçamentária Anual – LOA, as leis que autorizam os créditos suplementares e
especiais etc) devem ser aprovadas pelo Poder Legislativo.

O inciso I ao art. 167 da CF é uma aplicação do princípio da legalidade:

(...) é vedado o início de programas ou projetos não incluídos na lei orçamentária..

CUIDADO NAS QUESTÕES DE CONCURSOS!!!!

O princípio da legalidade é amplo e genérico. Quando a questão falar de elaboração de leis e


exame de legislativo, está se referindo ao princípio de legalidade.

EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE ORÇAMENTÁRIA!!!!!

ABERTURA DE CRÉDITOS EXTRAORDINÁRIOS PARA ATENDER DESPESAS


IMPREVISÍVEIS E URGENTES (Art. 167, §3º da CF). Este tipo de crédito é aberto por
medida provisória ou decreto, instrumentos à disposição do chefe do Poder Executivo,
conforme o caso!!!!
1.2. Princípio da Anualidade ou Periodicidade (PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL E
INFRANCONSTITUCIONAL)

BASE CONSTITUCIONAL: art. 165, III da CF/88

BASE INFRACONSTITUCIONAL: art. 2º, Lei nº 4.320/64

De acordo com o art.2º da Lei 4.320/64:

(...) a Lei do Orçamento conterá a discriminação da receita e despesa de forma a


evidenciar a política econômica financeira e o programa de trabalho do governo,
obedecidos aos princípios da unidade, universalidade a anualidade.

Este princípio impõe que o orçamento dever ser elaborado e executado para a execução em
um período determinado de tempo (geralmente um ano, no caso brasileiro). Segundo o art. 4º
da Lei nº 4.320/64:

(...) o exercício financeiro coincidirá com o ano civil.

Observe que o princípio está relacionado ao intervalo de tempo de 12 meses, de 1º de janeiro e


31 de dezembro.

OBSERVAÇÃO CAPCIOSÍSSIMA!!!!!

VIGÊNCIA ≠CICLO ORÇAMENTÁRIO

A VIGÊNCIA É DE 1 ANO; O CICLO ORÇAMENTÁRIO É MAIOR E MAIS COMPLEXO!!!!!!!!!!


O ciclo orçamentário é maior que 1 ano, uma vez que, no ano 1, é elaborada a proposta
orçamentária, que será discutida no Poder Legislativo e deverá ser devolvida para a sanção
pelo chefe do Poder Executivo até o término da sessão legislativa; no ano 2, o orçamento será
executado (as receitas efetivamente arrecadadas e as despesas realizadas); por fim, no ano 3,
o orçamento será controlado, via processo de prestação de contas a ser encaminhado ao
Poder Legislativo. Ou seja, o ciclo orçamentário começa no ano 1 e se encerra no ano 3,
ultrapassando, portanto, o período de um ano. È possível afirmar, diante do exposto, que o
exercício financeiro (período em que o orçamento é executado) é de 365 dias, coincidindo com
o ano civil.

EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA ANUALIDADE!!!!

. AUTORIZAÇÃO E ABERTURA DE CRÉDITOS ORÇAMENTÁRIOS ESPECIAIS E


EXTRAORDINÁRIOS COM VIGÊNCIA PLURIANUAL

Constituição Federal de 1988, art. 167, § 2º:

(...) os créditos especiais e extraordinários terão vigência no exercício financeiro


em que forem autorizados, salvo se o ato de autorização for promulgado nos últimos
quatro meses daquele exercício, caso, em que, reabertos nos limites de seus saldos, serão
incorporados ao orçamento do exercício subseqüente.

1.3. Princípio da Universalidade

BASE CONSTITUCIONAL: art. 165, §5º da CF/88

BASE INFRACONSTITUCIONAL: art. 2º, 3º, 4º e art 6º, Lei nº 4.320/64

Princípio também consagrado na Lei 4.320/64, em seu art. 2º:

De acordo com o art. 3º da Lei 4.320/64:

(...) a Lei do orçamento compreenderá todas as receitas inclusive as de operações de


crédito autorizadas por lei.
Enfim, A LÓGICA DO PRINCÍPIO É: “ Todas as receitas e todas as despesas devem estar no
orçamento”

EXCEÇÕES AO PRINCÍPIO DA UNIVERSALIDADE!!!!

1) Lei 4.320/64, art. 3º, parágrafo único: “ Não se consideram para os fins deste
artigo as operações de crédito por antecipação da receita, as emissões de papel
moeda e outras entradas compensatórias, no ativo e passivo financeiros(são as
chamadas receitas extra-orçamentárias ou ingressos extra-orçamentários);
2) As receitas e despesas operacionais de empresas públicas e sociedades de
economia mista consideradas estatais não-dependentes.

1.4. Princípio da Unidade (Totalidade)


BASE CONSTITUCIONAL: art. 165, §5º da CF/88

BASE INFRACONSTITUCIONAL: art. 2º, Lei nº 4.320/64

Fiscal

1 LOA 3orçamentos Seguridade

(por esfera) Social


Investimentos

Este princípio estabelece que o orçamento deve ser “uno”, ou seja, cada esfera do governo
deve possuir apenas uma LOA.Não pode haver mais de um orçamento em cada unidade
governamental. No entanto, o § 5º do art. 167 da CF/88 estabelece uma tripartição do
orçamento: o Orçamento Fiscal, o Orçamento da Seguridade Social e o Orçamento de
Investimento das Empresas Estatais.

ATENÇÃO!!!!

Vale ressaltar que o Princípio da Unidade refere-se à LOA (atenção à expressão), uma vez que,
orçamento, cada Lei contém 3, conforme mencionado acima: Orçamento Fiscal, Orçamento
da Seguridade Social, Orçamento de Investimento das empresas estatais. Ou seja, cada LOA é
segregada em 3 orçamentos separados. Essa sistemática tem como objetivo garantir maior
transparência e independência a cada um deles.

1.5. Princípio do Orçamento-Bruto (PRINCÍPIO INFRACONSTITUCIONAL, art. 6º Lei nº 4.320/64)

“Não são permitidas compensações no plano orçamentário”

Este princípio surgiu juntamente com o princípio da universalidade, expresso no art. 6º da Lei
4.320/64:

(...) todas as receitas e despesas constarão da Lei Orçamentária e de créditos adicionais


pelos seus totais, vedadas quaisquer deduções.

O § 1º do mesmo artigo reforça este princípio:

(...) As cotas de receitas que uma entidade pública deva transferir a outra incluir-se-ão,
como despesa, no orçamento da entidade obrigada a transferência e, como receita,
no orçamento da que as deva receber.

Depreende-se, portanto, que, ao ser elaborada, a lei orçamentária deve apresentar as valores
constantes do orçamento da seguinte forma: imagine a previsão de arrecadação de R$
100.000,00 de receita de IPVA, no orçamento do Estado XYZ, que, por determinação
constitucional (art. 159,III) deve repassar 50% aos municípios cujos veículos tenham sido
licenciados, a forma correta de apresentação da lei em atendimento ao princípio do
orçamento bruto seria a seguinte.

a) Forma correta

Receita R$ Despesa R$

 IPVA 100.000,0  Transferência aos municípios 50.000,00


0

b) Forma incorreta (apresentando o orçamento pelo valor líquido)


Receita R$ Despesa R$

 IPVA 50.000,0  Transferência aos Municípios 0


0

Outro exemplo: Vamos supor que um determinado Estado da federação arrecade R$ 1.000,00
de ICMS, e seja obrigado a repassar aos municípios 25% deste montante. Em atendimento ao
princípio do orçamento-bruto, no orçamento, deve constar o total da previsão da receita (R$
1.000,00) e, na despesa, R$ 250,00 (25% pertencente aos municípios). Não pode constar da peça
orçamentária uma receita líquida de R$ 750,00, pois este procedimento violaria o referido
princípio.

1.6.Princípio da Exclusividade (ou da Pureza) (CONSTITUCIONAL)

O princípio da exclusividade está previsto no art. 165; § 8º da CF/88:

(...) A lei orçamentária anual não conterá dispositivo estranho à previsão da receita e à
fixação da despesa.

Significa que a lei orçamentária não poderá tratar de outros assuntos como, por exemplo, lei do
divórcio, criação de tributos, fixação de remuneração, subsídio, etc. Depreende-se, portanto,
que o orçamento conterá apenas matéria financeira. Devido à celeridade da votação de leis
orçamentárias, os parlamentares incluíam nelas outras matérias, visando uma rápida aprovação
de seus projetos de lei.
EXCEÇÕES AO PRINCÍPIO DA EXCLUSIVIDADE!!!!

 AUTORIZAÇÃO PARA O PODER EXECUTIVO ABRIR CRÉDITO ADICIONAL


SUPLEMENTAR (Observe que os demais créditos adicionais – especiais e
extraordinários- não se incluem na exceção);
 AUTORIZAÇÃO PARA CONTRATAR OPERAÇÕES DE CRÉDITO (realizar
empréstimos), AINDA QUE POR ANTECIPAÇÃO DA RECEITA.
1.7. Princípio da Discriminação, Especialização ou Especificação (INFRACONSTITUCIONAL)

PALAVRA-CHAVE: DETALHAMENTO

Está previsto no art. 5º da Lei 4.320/64:

(...) A Lei de Orçamento não consignará dotações globais destinadas a atender


indiferentemente a despesas de pessoal, material, serviços de terceiros, transferências ou
quaisquer outras, ressalvado o disposto no art. 20 e seu parágrafo único.

O art. 15, § 1º, do mesmo diploma legal também se refere a este princípio:

(...) Na Lei de Orçamento a discriminação da despesa far-se-á no mínimo por elementos.

§ 1º. Entende-se por elementos o desdobramento da despesa com pessoal, material,


serviços, obras e outros meios de que se serve a administração pública para consecução
dos seus fins.

A LÓGICA DO PRINCÍPIO SE RESUME AO SEGUINTE:

“ O orçamento precisa ser detalhado, especificado, para facilitar seu entendimento e


acompanhamento”

Dessa forma, não são admitidas dotações globais, a EXCEÇÃO de:

 A primeira exceção está prevista no art. 20 da Lei 4.320/64:

“Os programas especiais de trabalho que, por sua natureza, não possam cumprir-se
subordinadamente à normas gerais de execução da despesa poderão ser custeadas por
dotações globais, classificadas entre as Despesas de Capital(são os chamados
INVESTIMENTOS EM REGIME DE EXECUÇÃO ESPECIAL);

 A outra exceção é a Reserva de Contingências, que é uma dotação global para atender
passivos contingentes outras despesas imprevistas.
1.8. Princípio do Equilíbrio Orçamentário (PRINCÍPIO INFRACONSTITUCIONAL)

“O equilíbrio pressupõe que a receita prevista na LOA deve ser igual à despesa nela fixada”

A finalidade deste princípio é a de impedir o déficit orçamentário, principalmente.

No âmbito da LOA, tal princípio é absoluto, pois, as receitas previstas devem, rigorosamente, ser
iguais às despesas fixadas. Trata-se do equilíbrio formal. A priori, só é recomendável que se gaste
aquilo que se tem. Assim o orçamento deve funcionar como uma ferramenta de planejamento
real, contemplando gastos que serão realizados em função das receitas que serão arrecadas.
Por isso não se deve prever mais receitas que despesas.

INFORMAÇÃO CAPCIOSÍSSIMA!!!!

Uma outra interpretação dada ao Princípio do Equilíbrio e que tem sido cobrada em concursos mais
recentes (2005 e 2006) é que este preconiza que o governo não absorva da coletividade mais do
que o necessário para o financiamento das atividades a seu cargo, condicionando-se e realização de
dispêndios à capacidade efetiva de obtenção dos ingressos capazes de financiá-los.

1.9. Princípio da Não-afetação das Receitas de IMPOSTOS (PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL)

Este princípio está previsto no art. 167, IV, § 4º da CF/88:

(...) É vedada a vinculação de receita de impostos a órgão, fundo ou despesa,


ressalvadas a repartição do produto da arrecadação dos impostos a que se referem os
arts. 158 e 159, a destinação de recursos para as ações e serviços públicos de saúde, para
manutenção e desenvolvimento do ensino e para realização de atividades da
administração tributária, como determinado, respectivamente, pelos arts. 198, § 2º, 212 e
37, XXII, e a prestação de garantias às operações de crédito por antecipação da receita,
previstas no art. 165, § 8º, bem como no disposto no § 4º deste artigo.

A LÓGICA DO PRINCÍPIO É :

“ Os impostos, regra geral, não podem ser vinculados a órgãos, entidades, fundos ou despesas”

Impostos Aplicação Desvinculada


X

Taxas e Contribuições Pode ser Vinculado

ATENÇÃO!!!

Observe que o artigo veda a vinculação de impostos, significando que pode haver vinculação
para as outras espécies tributárias (taxas, contribuições de melhoria, empréstimos compulsórios).
É por isso que a FALECIDA CPMF pode ser vinculada à saúde!!!!

O art. 167 § 9º veda a criação de fundos sem prévia autorização legislativa. Atualmente, no
Âmbito federal, há centenas de FUNDOS, grande parte deles com recursos vinculados.

EXCEÇÕES AO PRINCÍPIO!!!!

 Todos os fundos constitucionais: FPE, FPM, Centro Oeste, Norte, Nordeste, Compensação
pela exportação de produtos industrializados etc;
 Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Básico e da Valorização do Magistério
(FUNDEB);
 Ações e serviços públicos de saúde;
 Garantias às operações de crédito por antecipação da receita(ARO);
 Atividades da Administração Tributária;
 Vinculação de impostos estaduais e municipais para prestação de garantia ou
contragarantia à União(contragarantia é a garantia que o Estado ou Município são
obrigados a oferecer à União, quando esta concede uma garantia para uma entidade
internacional, por exemplo, o Banco Mundial, referente a um empréstimo tomado por
Estado ou Município).

1.10. Princípio da Publicidade (CONSTITUCIONAL)

A publicidade, um dos princípios fundamentais que regem a Administração Pública, tem o


objetivo de levar ao conhecimento de todos(TRANSPARÊNCIA) os atos praticados pela
Administração. Este princípio foi acolhido como princípio orçamentário pela CF/88, de acordo
com o art. 165, § 3º :

(...) O Poder Executivo publicará, até trinta dias de encerramento de cada bimestre, o
relatório resumido da execução orçamentária.

Depreende-se, portanto, que o orçamento, para produzir seus efeitos, precisa ser publicado no
Diário Oficial correspondente a cada esfera (a LOA da União no DOU, a do Estado no DOE e do
Município no DOM, quando houver). Caso o Município não possua Diário Oficial, o mesmo pode
ser publicado em jornal local.

1.11 Princípio da Programação (CONSTITUCIONAL E INFRACONSTITUCIONAL)

É um dos mais modernos princípios orçamentários que surgiu com a evolução dos conceitos e
técnicas orçamentárias. De acordo com esse princípio, o orçamento deve evidenciar os
programas de trabalho, servindo como instrumento de administração do governo, facilitando a
fiscalização, gerenciamento e planejamento. De acordo com esse princípio, os programas
regionais devem estar em consonância com o Plano Plurianual (PPA).

1.12. Princípio da Clareza (PRINCÍPIO DOUTRINÁRIO)

Estabelece que o orçamento deve ser apresentado em uma linguagem clara e compreensível
para qualquer cidadão.

1.13 Princípio da Unidade de Caixa ou de Tesouraria

BASE CONSTITUCIONAL: art. 164, § 3º, CF/88

BASE INFRACONSTITUCIONAL: art. 56, Lei nº 4.320/64

UNIDADE DE = CAIXA ÚNICO = CONTA CONTÁBIL

CAIXA DO TESOURO ÚNICA

Amplamente definido pela legislação, tal regra principiológica obriga que os entes públicos
recolham o produto de sua arrecadação em uma Conta Única, com a finalidade de facilitar a
administração e melhor controle e fiscalização da aplicação desses recursos.

Esse caixa único – CUTN – abriga todas as receitas orçamentárias e as extraorçamentárias, que
são os ingressos de recursos de terceiros e que, via de regra, serão devolvidos no futuro.
Falaremos desses conceitos mais adiante, no assunto Receita Pública.
Este princípio reza que os recursos do governo devem ser recolhidos em conta única facilitando
a administração e o controle. Não deve ser confundido com o princípio da unidade
orçamentária.

No âmbito da União, este princípio é obedecido pela criação da Conta Única do Tesouro
Nacional. Esta conta é mantida no Banco Central do Brasil, operacionalizada pelo Banco do
Brasil S.A. (seu agente financeiro) e administrada pela STN – Secretaria do Tesouro Nacional.

Depreende-se, portanto, que os valores arrecadados pelo governo devem ser contabilizados
em uma única conta caixa, evitando-se, dessa forma, a existência de caixas paralelos,
fracionados. Não se quer afirmar com isso que exista apenas uma conta-corrente(bancária). O
que se deseja é uma única conta contábil.

EXCEÇÕES AO PRINCÍPIO!!!!

 FUNDOS ESPECIAIS: possuem, dada a sua própria natureza, gestão descentralizada, tais
como o FUNDEF, FMDA, FUNDET e outros.

OUTROS PRINCÍPIOS:

 Princípio da quantificação dos créditos orçamentários e adicionais:

 Princípios da proibição do estorno de verbas (ou do não estorno):

 Princípio da precedência:

 Princípio da uniformidade ou padronização:


RECEITA PÚBLICA – TEORIA

1. Conceito
O Estado, para fazer face às suas obrigações, necessita de recursos que podem ser
obtidos junto à coletividade ou através do endividamento público. O conjunto desses recursos é
que se chama receita pública. É através dela que o Estado poderá atender às demandas
diversas da sociedade, como saúde, educação e segurança.

A receita pública, portanto, corresponde a todo recebimento ou ingresso de recursos


financeiros arrecadados pela entidade com o fim de ser aplicado em gastos operacionais e de
administração, ou seja, todo recurso obtido pelo Estado para atender as despesas públicas.

Cabe ressaltar, no entanto, que o Estado arrecada recursos que são incorporados
definitivamente ao patrimônio; a estes chamamos de receitas orçamentárias, e arrecada
recursos que serão restituídos no futuro, caracterizando-se em simples ingressos financeiros ou de
caixa, denominados receitas extra-orçamentárias.

Há que se distinguir, ainda, nas chamadas receitas orçamentárias, duas modalidades de


recebimentos: as receitas efetivas, que se caracterizam por entradas de numerários sem as
correspondentes saídas de outros elementos patrimoniais, e os recebimentos que decorrem da
exclusão de valores ou bens patrimoniais, denominados receitas por mutação patrimonial.

Observe o gráfico a seguir


RECEITA PÚBLICA
(Ingressos de recursos)

CONTABILIDADE PELO REGIME DE


CAIXA(Art.35 Lei 4.320/64)
NATUREZA

ORÇAMENTÁRIA
EXTRA-ORÇAMENTÁRIA

Fonte de recursos efetiva ou por Recursos que serão restituídos no futuro,


mutação, pertencentes ao Estado, ou uma vez que pertencem a terceiros e
seja, não serão restituídos no futuro, constituem simples ingressos financeiros e
previstos ou não na lei orçamentária transitórios no caixa do Estado, destinados
e que será utilizado no ao pagamento de despesas extra-
financiamento de despesas públicas orçamentárias.

Enfim, RECEITA, EM SENTIDO LATO, NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, CORRESPONDE A TODOS


OS RECEBIMENTOS DE RECURSOS FINANCEIROS NOS COFRES PÚBLICOS

(REGIME DE CAIXA PARA AS RECEITAS)

2. Classificação das Receitas


Pode ser classificada segundo diferentes critérios, quais sejam:

 Quanto à vinculação ao orçamento;


 Quanto à categoria econômica (classificação por natureza);
 Quanto ao poder de tributar (competência);
 Quanto à afetação patrimonial (impacto no patrimônio);
 Quanto à regularidade (uniformidade);
 Quanto à coercitividade.
2.1. Quanto à natureza, as receitas podem ser classificadas em orçamentárias ou extra-
orçamentárias.
 ORÇAMENTÁRIAS: considera-se receita orçamentária a arrecadação de recursos
financeiros, necessários ao atendimento dos programas de governo estabelecidos na
LOA, sob as rubricas próprias. É a receita prevista ou não no orçamento e que não
possui caráter devolutivo.

São receitas orçamentárias apenas os valores passíveis de


previsão

????

ATENÇÃO!!!

Nos termos do art. 57 da Lei nº 4.320/64, excetuando as receitas extra-orçamentárias, serão


classificadas como “receita orçamentária”, sob as rubricas próprias, todas as receitas
arrecadadas, inclusive as provenientes de operações de crédito, ainda que não
previstas no orçamento. Exemplo: a omissão da previsão de determinado imposto na
LOA, em razão de erro, não ensejará a sua classificação como extra-orçamentária;

Para definir uma receita como orçamentária o relevante é saber se a sua natureza é
orçamentária.

Passíveis de orçamentação;
Recursos pertencentes ao Estado;

ATRIBUTOS DAS RECEITAS Previsíveis ou não na LOA;

ORÇAMENTÁRIAS Fonte de recursos para

financiamento da despesa pública

 EXTRA-ORÇAMENTÁRIAS: Consiste em ingressos financeiros transitórios e de caráter


temporário, que serão restituídos nos futuros sob a forma de despesas extra-
orçamentárias, provocando o surgimento de passivos financeiros, uma vez que não
pertencem ao Estado e não integram o orçamento, pois são créditos de terceiros,
que a caixa do Tesouro acolhe como simples depositário. São as receitas previstas
no parágrafo único do artigo 3º da Lei 4.320/64.
Exemplos:
 ARO – operações de crédito por antecipação da receita orçamentária;
 Cauções em dinheiro recebidas;
 Depósitos de terceiros em garantia;
 consignações em folha de pagamento;
 salários de servidores não-reclamados;
 retenções em folha de pagamento não pagas e que dependam de repasses aos credores dos
recursos(INSS, FGTS);
 valores recebidos de bens de ausentes;
 valores registrados em depósitos de diversas origens(na conta corrente do governo) de que não
se sabe a procedência, que reúnem os depósitos administrativos e judiciais;
 herança;
 inscrições em restos a pagar;
 o serviço da dívida a pagar;
 os saldos em poder dos fundos especiais;
 os demais valores ou ingressos de recursos financeiros, obtidos em caráter temporário com
características de transitoriedade e classificação da obrigação no passivo.

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DAS


RECEITAS EXTRA-ORÇAMENTÁRIAS

RECURSOS NÃO PERTENCENTES AO ESTADO;

RECURSOS PERTENCENTES A TERCEIROS;

CARÁTER DE TRANSITORIEDADE E TEMPORALIDADE;

CORRESPONDENTES A OPERAÇÕES NÃO- ORÇAMENTÁRIAS;

SERÃO RESTITUÍDOS NO FUTURO SOB A FORMA DE DESPESAS EXTRA-


ORÇAMENTÁRIAS;

PROVOCAM O SURGIMENTO DE PASSIVOS FINANCEIROS;

O ESTADO, AO ARRECADÁ-LA, ATUA COMO FIEL DEPOSITÁRIO


DO RECURSO.
2.2 Quanto à categoria econômica, as receitas podem ser classificadas em receitas
correntes e receitas de capital.(NOTA!!!! Essa é uma classificação da Lei nº 4.320/64 –
artigo 11)

Conforme as normas legais, a receita pública é orçamentariamente estruturada em


duas categorias econômicas e classificada nos demonstrativos contábeis em
subcategorias econômicas conforme segue:

RECEITAS CORRENTES RECEITAS DE CAPITAL

1. TRIBUTÁ ria 1. OPE rações de Crédito

2. CON tribuições 2. ALI enação de Bens

3. P atrimonial 3. AMOR tização de Empréstimos

4. A gropecuária 4. Transferências de Capital

5. I ndustrial 5. Outras Receitas de Capital

6. S erviços

7. Transferências Correntes

8. Outras Receitas Correntes

FRASE MNEMÔNICA PARA RECEITAS CORRENTES→ TRIBUTA CON PAIS

FRASE MNEMÔNICA PARA RECEITAS DE CAPITAL→ OPERA ALI AMOR

Duas subcategorias econômicas são comuns às duas categorias: As Transferências e Outras


Receitas, que serão corrente ou de capital conforme o caso!!!!

Informação capciosa!!!!

A classificação quanto à categoria econômica aplica-se, tão-somente, às receitas orçamentárias, ficando


de fora dessa classificação as receitas extra-orçamentárias (ingressos extra-orçamentários).
 RECEITAS CORRENTES: são recursos arrecadados pelo Estado que tem como destinação
a manutenção dos serviços legalmente criados. São os recursos recebidos de pessoas
de Direito Público ou Privado, destinados aos gastos correntes ou de consumo, obtidos
nas transações efetivadas pelas entidades da Administração Pública que não resultem
em “sacrifício patrimonial”, ou seja, são recursos obtidos por meio das receitas efetivas,
derivadas ou originárias e outras complementares, tais como: a tributária, a patrimonial,
industrial, transferências correntes etc.
A Lei nº 4.320/64 conceitua as receitas correntes da seguinte forma:

Art.11. A receita classificar-se-á nas seguintes categorias econômicas: Receitas Correntes e


Receitas de Capital.

§1º São Receitas Correntes as receitas tributária, patrimonial, industrial e diversas e, ainda as
provenientes de recursos financeiros recebidos de outras pessoas de direito público ou privado,
quando destinadas a atender despesas classificáveis em Despesas Correntes.

De acordo com o Manual das Receitas Públicas, as receitas correntes são:

São os ingressos de recursos financeiros oriundos das atividades operacionais, para aplicação
em despesas correspondentes, também em atividades operacionais, correntes ou de capital,
visando ao alcance dos objetivos constantes dos programas e ações de governo. São
denominados de receitas correntes porque não têm suas origens em operações de crédito,
amortização de empréstimos e financiamentos nem alienação de componentes do ativo
permanentes. Elas são derivadas do poder de tributar ou resultantes da venda de produtos ou
serviços colocados à disposição dos usuários. Têm características intrínsecas de atividades que
contribuem para a finalidade fundamental dos órgãos ou entidades públicas, quer sejam
operacionais ou não operacionais.

São Receitas Correntes:

 Receitas Tributárias: impostos, taxas e contribuições de melhoria.

CAPCIOSÍSSIMA!!!!
Apesar de grande parte da doutrina e da jurisprudência entender que, à luz da CF/88, os
empréstimos compulsórios têm natureza tributária, para efeito de classificação orçamentária,
deverão ser observadas as disposições da Lei nº 4.320/64, que classifica as empréstimos
compulsórios como receitas de capital(operações de crédito).
 Receitas de Contribuições: é o ingresso proveniente de contribuições sociais,
de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias
profissionais ou econômicas, como instrumento de intervenção nas respectivas
áreas.Podem ser: Contribuições Sociais (Ex.: COFINS, Salário Educação, CPMF,
Contribuições sobre Receitas de Concursos de Prognósticos, Contribuições
Previdenciárias para o RPPS e RGPS, Contribuições para os Serviços Sociais
Autônomos – SESI, SESC, SENAI etc, PIS/PASEP, CSLL etc, e Contribuições
Econômicas(Cota-parte do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha
Mercante, Contribuição sobre a Receita das Empresas Prestadoras de Serviços
de Telecomunicações, Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria
Cinematográfica Nacional, PIN, PROTERRA, CIDE-Combustíveis etc).

Apesar de grande parte da doutrina e da jurisprudência entender que, à luz da CF/88, as receitas de
contribuições sociais têm natureza tributária, para efeito de classificação orçamentária, deverão ser
observadas as disposições da Lei nº 4.320/64, que classifica as contribuições sociais como receitas
correntes(receitas de contribuições, conforme acima

 Receita Patrimonial: resultante da utilização, por terceiros, dos elementos


patrimoniais: aluguéis, arrendamentos, foros e laudêmios (receitas imobiliárias),
juros de títulos de renda, juros de aplicação financeira, dividendos e outras
participações em capital de outras empresas(receitas de valores mobiliários),
taxas de ocupação de imóveis, receitas de concessões e permissões(outorga
de serviços públicos).É o ingresso proveniente de rendimentos sobre
investimentos do ativo permanente, de aplicações de disponibilidades em
operações de mercado e outros rendimentos oriundos de renda de ativos
permanentes.
 Receita Agropecuária: é o ingresso proveniente de atividade ou da exploração
agropecuária de origem vegetal ou animal. Incluem-se nessa classificação as
receitas advindas da exploração da agricultura(cultivo do solo), da
pecuária(criação, recriação ou engorda de gado e de animais de pequeno
porte) e das atividades de beneficiamento ou transformação de produtos
agropecuários em instalações existentes nos próprios estabelecimentos.
 Receita Industrial: É o ingresso proveniente da atividade industrial de extração
mineral, de transformação, de construção e outras, provenientes das
atividades industriais definidas como tal pela Fundação Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística – IBGE.
 Receitas de Serviços: É o ingresso proveniente da prestação de serviços de
transporte, saúde, comunicação, portuário, armazenagem, de inspeção e
fiscalização, judiciário, processamento e dados, vendas de mercadorias e
produtos inerentes à atividade da entidade e outros serviços.
 Transferências Correntes: recursos recebidos de outras pessoas de Direito
Público ou Privado, independentemente da contraprestação direta de bens ou
serviços, desde que o objetivo seja aplicação em despesas correntes. Exemplo:
FPE e FPM recebidos pelos Estados e Municípios, respectivamente. Podem
ocorrer em nível intragovernamental, intergovernamental e, ainda, decorrer de
transferências de instituições privadas e de pessoas.
 Outras Receitas Correntes: ingressos de outras origens não classificados nas
categorias anteriores para atendimento de despesas correntes. Consiste na
arrecadação de multas, indenizações e restituições, receitas da dívida ativa,
juros de mora, alienação de bens apreendidos sobre tributos e outras receitas
diversas. As multas em geral são classificadas nesta rubrica.

ATENÇÃO!!!!!!
Quanto à indenização da Petrobrás paga a Estados e Municípios pela exploração de petróleo, xisto betuminoso, gás
e pela produção de energia elétrica, nos termos do artigo,§1º da CF trata-se de uma receita classificada como
OUTRAS RECEITAS CORRENTES.

TODO CUIDADO É POUCO!!!!!!!

LEMBRETE!!!!!!!!
Os valores recebidos pelo ente, decorrentes da
cobrança da dívida ativa tributária ou não-tributária,
devem ser classificados como outras receitas
correntes.

Exemplos:

Recebimento de um imposto no prazo legal →


RECEITA TRIBUTÁRIA;
Recebimento de um imposto através da cobrança
da dívida ativa = OUTRAS RECEITAS CORRENTES.

Já que mencionamos Dívida Ativa, vamos a ela!!!

DÍVIDA ATIVA(ACERTANDO O ALVO!!!)

Base Legal: art. 39 da Lei nº 4.320/64

“Art.39. Os créditos da Fazenda Pública, de natureza tributária ou não tributária, serão


escriturados como receita do exercício em que forem arrecadados, nas respectivas rubricas
orçamentárias. (Redação dada pelo Decreto Lei nº 1.735, de 20.12.1979).
§1º - Os créditos de que trata este artigo, exigíveis pelo transcurso do prazo para
pagamento, serão inscritos, na forma da legislação própria, como Dívida Ativa, em registro
próprio, após apurada sua liquidez e certeza, e a respectiva receita será escriturada a esse título
(Parágrafo incluído pelo Decreto Lei nº 1.735, de 20.12.1979)

§ 2º - Dívida Ativa Tributária é o crédito da Fazenda Pública dessa natureza, proveniente


de obrigação legal relativa a tributos e respectivos adicionais e multas, e Dívida Ativa não
Tributária são os demais créditos da Fazenda Pública, tais como os provenientes de empréstimos
compulsórios, contribuições estabelecidas em

lei, multa de qualquer origem ou natureza, exceto as tributárias, foros, laudêmios, aluguéis ou
taxas de

ocupação, custas processuais, preços de serviços prestados por estabelecimentos públicos,


indenizações, reposições, restituições, alcances dos responsáveis definitivamente julgados, bem
assim os créditos decorrentes de obrigações em moeda estrangeira, de subrogação de
hipoteca, fiança, aval ou outra garantia, de contratos em geral ou de outras obrigações legais.
(Parágrafo incluído pelo Decreto Lei nº 1.735, de 20.12.1979)

§3º - O valor do crédito da Fazenda Nacional em moeda estrangeira será convertido ao


corresponde valor na moeda nacional à taxa de câmbio oficial, para compra, na data da
notificação ou intimação do devedor, pela autoridade administrativa, ou, à sua falta, na data
da inscrição da Dívida Ativa, incidindo, a partir da conversão, a atualização monetária e os juros
de mora, de acordo com preceitos legais pertinentes aos débitos tributários. (Parágrafo incluído
pelo Decreto Lei nº 1.735, de 20.12.1979)

§4º - A receita da Dívida Ativa abrange os créditos mencionados nos parágrafos


anteriores, bem como os valores correspondentes à respectiva atualização monetária, à multa e
juros de mora e ao encargo de que tratam o art. 1º do Decreto-lei nº 1.025, de 21 de outubro de
1969, e o art. 3º do Decreto-lei nº 1.645, de 11 de dezembro de 1978. (Parágrafo incluído pelo
Decreto Lei nº 1.735, de 20.12.1979)

§5º - A Dívida Ativa da União será apurada e inscrita na Procuradoria da Fazenda


Nacional.

São os créditos da fazenda pública, tributários ou não, que, se não liquidados pelo contribuinte no seu
vencimento – são inscritos em registro próprio, após apurada sua liquidez e certeza;

A inscrição na dívida ativa constitui condição necessária à cobrança judicial;

Quando arrecadada, classifica-se no grupo outras receitas correntes;

Na sua composição, está o valor principal do tributo + correção monetária + multa + juros;

Caso o Poder Público resolva dispensar o contribuinte do pagamento dos juros e multas referentes à
dívida ativa, esses benefícios serão considerados renúncias de receitas;

A inscrição da Dívida Ativa é uma exceção ao Regime de Caixa aplicável às receitas públicas, já que
provoca um aumento na situação patrimonial sem que o numerário tenha entrado efetivamente em
caixa;
A receita da dívida ativa abrange também os valores
correspondentes à respectiva atualização monetária, à multa e
IMPORTANTE! juros de mora.

Conforme a Lei nº 4.320/64, a dívida ativa da União será inscrita na Procuradoria da


Fazenda Nacional. É condição para que possa haver inscrição em dívida ativa que o crédito
esteja vencido e seja exigível, ou seja, que o tributo tenha sido lançado, vencido e não
arrecadado.

TRIBUTÁRIA

DÍVIDA ATIVA NÃO-TRIBUTÁRIA

A dívida ativa de natureza tributária é o crédito da Fazenda Pública proveniente de


obrigação legal relativa a tributos e respectivos adicionais, atualizações monetárias, encargos e
multas tributárias

A dívida ativa de natureza não-tributária é representada pelos demais créditos da


Fazenda Pública, tais como os provenientes de:

 Empréstimos compulsórios;
 Contribuições estabelecidas em lei;
 Multas de qualquer origem ou natureza, exceto as tributárias;
 Foros, laudêmios, aluguéis ou taxas de ocupação;
 Custas processuais;
 Preços de serviços prestados por estabelecimentos públicos;
 Indenizações, reposições, restituições;
 Alcances dos responsáveis definitivamente julgados, bem assim os créditos
decorrentes de obrigações em moeda estrangeira, de sub-rogação de hipoteca,
fiança, aval ou outra garantia, de contratos em geral ou de outras obrigações
legais. È o que estabelece a parte final do parágrafo segundo do artigo 39 da Lei
4.320/64.
DÍVIDA ATIVA = CRÉDITOS DA FAZENDA PÚBLICA VENCIDOS E NÃO ARRECADADOS
A inscrição da dívida ativa é um fato de natureza extra-orçamentária e provoca um aumento
no patrimônio líquido representado por uma conta de variação patrimonial
aumentativa(variação positiva ou ativa), na Procuradoria da Fazenda Nacional(no caso da
União).

Inscrita a dívida ativa na repartição pública competente e efetuados os registros


contábeis referentes ao direito da Fazenda Pública contra terceiros em débito, podem ocorrer,
em resumo, duas situações na ótica do ente público:

1. recebimento dos recursos financeiros, que tem como conseqüência a liquidação do


direito; ou

2. A prescrição do direito, que normalmente segue a regra do Código Tributário Nacional,


em cinco anos do fato gerador.
Na primeira situação, temos um fato de origem orçamentária, pois envolve recursos
financeiros dando origem à receita orçamentária.
Na segunda situação, não sendo recebidos os recursos financeiros e tendo havido a
prescrição do direito, resta aos órgãos de contabilidade providenciarem o registro do
cancelamento da inscrição da dívida ativa.
O cancelamento da dívida ativa, que também é um fato de natureza extra-orçamentária,
como a inscrição, provoca uma redução do patrimônio líquido.
Já o recebimento da dívida ativa, isto é, a conversão(troca) desses direitos a receber por
dinheiro, é um fato de natureza orçamentária(contemplado na lei orçamentária) e que não
altera o patrimônio líquido. O recebimento da dívida ativa provoca o registro de uma receita
orçamentária de mesmo título (que é uma receita não-efetiva) e também de uma variação
patrimonial permutativa (mutação patrimonial)
 RECEITAS DE CAPITAL: Consistem nas receitas destinadas à aplicação e cobertura das
despesas com investimentos e decorrem de um fato permutativo, ou seja, são
receitas por mutação patrimonial(geralmente), exigem um “sacrifício patrimonial”
para ser obtidas, são conhecidas como secundárias, resultam da efetivação das
operações de crédito, alienação de bens, recebimento de dívidas e auxílios
recebidos pelo órgão ou entidade, o superávit do orçamento corrente. Têm por
finalidade atender às despesas de capital.
A Lei nº 4.320/64 conceitua as receitas de capital da seguinte forma:
Art.11. A receita classificar-se-á nas seguintes categorias econômicas: Receitas Correntes e
Receitas de Capital.

(...)

§2º São Receitas de Capital as provenientes da realização de recursos financeiros oriundos de


constituição de dívidas; da conversão em espécie de bens e direitos; os recursos recebidos de
outras pessoas de direito público ou privado, destinados a atender despesas classificáveis em
Despesas de Capital e, ainda, o superávit do orçamento corrente.
O Superávit do Orçamento Corrente constitui receita de capital,
porém é classificado como receita extra-orçamentária.
De acordo com o Manual das Receitas Públicas, as receitas de capital são:

São os ingressos de recursos financeiros oriundos de atividades operacionais ou não


operacionais para aplicação em despesas operacionais, correntes ou de capital, visando ao
alcance dos objetivos traçados nos programas e ações do governo. São denominados
receita de capital porque são derivados da obtenção de recursos mediante a constituição de
dívidas, amortização de empréstimos e financiamentos ou alienação de componentes do
ativo permanente, constituindo-se em meios para atingir a finalidade fundamental do
órgão ou entidade, ou mesmo, atividades não operacionais visando ao estímulo às
atividades operacionais do ente.

São Receitas de Capital:

 Operações de Crédito: são os ingressos provenientes da colocação de títulos


públicos ou da contratação de empréstimos e financiamentos obtidos junto a
entidades estatais ou privadas,destinados a cobrir desequilíbrios
orçamentários. Visam a atender, por exemplo, o financiamento de obras e
serviços. Classificam-se também como operações de crédito os empréstimos
compulsórios ;
 Alienação de Bens: É o ingresso proveniente da alienação de componentes
do ativo permanente. Exemplo:alienação de um prédio público,
privatizações, venda de ações e outros títulos;
 Amortização de Empréstimo: É o ingresso proveniente da amortização, ou
seja, parcela referente ao recebimento de parcelas de empréstimos ou
financiamentos concedidos em títulos ou contratos(o principal atualizado
sendo “devolvido”);
 Transferências de Capital: É o ingresso proveniente de outros entes ou
entidades referente a recursos pertencentes ao ente ou entidade
recebedora ou ao ente ou entidade transferidora, efetivado mediante
condições
preestabelecidas ou mesmo sem qualquer exigência, desde que o objetivo seja a
aplicação em despesas de capital. Exemplo: recursos recebidos por um Estado,
decorrentes de convênio com a União para construção de escolas;
 Outras Receitas de Capital: São os ingressos provenientes de outras origens
não classificáveis nas subcategorias econômicas anteriores. Exemplo:
integralização de capital social de empresas estatais, SUPERÁVIT DO
ORÇAMENTO CORRENTE.
CAPCIOSÍSSIMA!!!!!
O Superávit do Orçamento Corrente, nos termos do art. 11, §3º da Lei nº 4.320/64, é o resultado
do balanceamento dos totais das receitas e despesas correntes, apurado em Balanço
Orçamentário; é considerado Receita de Capital, mas NÃO CONSTITUI ITEM DA RECEITA
ORÇAMENTÁRIA. Este regramento permite que o orçamento corrente financie o orçamento de
capital. O fato de não constituir item da receita orçamentária se dá para evitar a dupla
contagem, vez que já fora considerado no orçamento corrente. Exemplos:

Receita Corrente = 100 Despesa Corrente = 50

Receita de Capital = 100 Despesa de Capital = 150

Total 200 200

SUPERÁVIT DO ORÇAMENTO CORRENTE = 50

Receitas Intra-Orçamentárias

Conforme visto anteriormente, a Lei nº 4.320/1964, em seu artigo11, classifica a receita


pública orçamentária em duas categorias econômicas: Receitas Correntes e Receitas de
Capital.

Com a edição da Portaria Interministerial STN/SOF nº 338/2006, essas categorias


econômicas foram detalhadas em Receitas Correntes Intra-Orçamentárias e Receitas de Capital
Intra-Orçamentárias.

Essa especificação deveu-se à necessidade de se evidenciar as receitas decorrentes de


operações intra-orçamentárias, ou seja, operações que resultem, de um lado, de despesas de
órgãos, fundos ou entidades integrantes dos orçamentos fiscal e da seguridade social, e, de
outro lado, receita de outros órgãos, fundos ou entidades também constantes desses
orçamentos, no âmbito da mesma esfera de governo.

Portanto, Receitas de operações intra-orçamentárias ingressos oriundos de operações


realizadas entre órgãos e demais entidades da Administração Pública integrantes dos
orçamentos de uma mesma esfera de governo.

As receitas intra-orçamentárias constituem contrapartida das despesas realizadas na


Modalidade de Aplicação “91 – Aplicação Direta Decorrente de Operação entre Órgãos,
Fundos e Entidades Integrantes do Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social”, incluída na
Portaria STN/SOF nº 163/2001 pela Portaria Interministerial STN/SOF nº 688, de 14 de outubro de
2005.

Assim sendo, na consolidação das contas públicas, essas despesas e receitas poderão ser
identificadas, de modo que se anulem os efeitos das duplas contagens decorrentes de sua
inclusão no orçamento.
Receitas Correntes Intra-Orçamentárias

Receitas correntes de órgãos, fundos, autarquias, fundações, empresas estatais


dependentes e outras entidades integrantes dos orçamentos fiscal e da seguridade social
decorrentes do fornecimento de materiais, bens e serviços, recebimentos de impostos, taxas e
contribuições, além de outras operações, quando o fato que originar a receita decorrer de
despesa de órgão, fundo, autarquia, fundação, empresa estatal dependente ou outra
entidade constante desses orçamentos, no âmbito da mesma esfera de governo.

As receitas correntes intra-orçamentárias são classificadas da mesma forma das receitas


correntes. Atendem, porém, à especificidade de se referirem a operações realizadas no âmbito
da mesma esfera de governo.

Receitas de Capital Intra-Orçamentárias

Receitas correntes de órgãos, fundos, autarquias, fundações, empresas estatais


dependentes e outras entidades integrantes dos orçamentos fiscal e da seguridade social
decorrentes de operações de crédito, alienação de bens, amortização de empréstimos, além
de outras operações, quando o fato que originar a receita decorrer de despesa de órgão,
fundo, autarquia, fundação, empresa estatal dependente ou outra entidade constante desses
orçamentos, no âmbito da mesma esfera de governo.

As receitas de capital intra-orçamentárias são classificadas da mesma forma que as de


capital. Porém, atendem à especificidade de se referirem a operações realizadas no âmbito da
mesma esfera de governo.

As rubricas das receitas intra-orçamentárias deverão ser identificadas a partir dos


seguintes códigos

7000.00.00 – Receitas Correntes Intra-Orçamentárias

8000.00.00 – Receitas Intra-Orçamentárias de Capital

O mecanismo de formação do código dessas receitas consiste em substituir a categoria


econômica da natureza pelo dígito 7, se receita intra-orçamentária corrente, e dígito 8, se
receita intra-orçamentária de capital. Os demais níveis deverão ser mantidos, conforme a conta
original.
INFORMAÇÃO CAPCIOSÍSSIMA!!!!!

As classificações instituídas não constituem novas categorias econômicas de receita, mas sim,
meras especificações das categorias corrente e de capital, a fim de possibilitar a identificação
das respectivas operações intra-orçamentárias.

ATENÇÃO

OBTENÇÃO DE EMPRÉSTIMOS

RECEITA DE CAPITAL – OPERAÇÃO DE CRÉDITO

Pagamento do Juros: Pagamento do


Despesa corrente – Principal: Despesa de
transferências Capital – transferência
correntes de capital

CONCESSÃO DE EMPRÉSTIMOS

DESPESA DE CAPITAL – INVERSÃO FINANCEIRA


Recebimento dos Juros: Recebimento do principal:
Receita Corrente – Receita de Capital –
Receita de Serviços Amortização de
Empréstimos

RECEITA DE JUROS

OUTRAS
JUROS DE MORA
RECEITAS
CORRENTES

JUROS DE APLICAÇÃO RECEITA


FINANCEIRA PATRIMONIALL

JUROS DE
RECEITA DE
EMPRÉSTIMOS
SERVIÇOS
FONTE: VALDECIR PASCOAL

2.3. Quanto à regularidade (uniformidade), as receitas públicas são classificadas em ordinárias e


extraordinárias

 ORDINÁRIAS: são aquelas que ingressam com regularidade, constituindo-se assim como
fonte regular e permanente de recursos financeiros destinados à consecução da
atividade financeira do Estado. Representam os ingressos permanentes e estáveis do
Tesouro, arrecadados regularmente em cada período financeiro, ou seja, possuem
características de continuidade, servindo de fonte perene de recursos ao Estado.
Exemplo: receita tributária.
 EXTRAORDINÁRIAS: Representam os ingressos de caráter não-continuado e, por
conseqüência, inconstante, excepcional, temporário, provenientes de calamidade
pública, guerras e doações, entre outros. São receitas eventuais, não-regulares. Exemplos:
as receitas provenientes da arrecadação de impostos lançados por motivo de guerra, os
empréstimos compulsórios, heranças e outros.
2.4. Quanto à coercitividade, as receitas podem ser enquadradas como originárias e derivadas.
 ORIGINÁRIAS(ou de economia privada ou de direito privado): consiste na receita
procedente da exploração do patrimônio público, no qual o Estado atua como particular
por meio da exploração de atividades privadas, tais como: serviços comerciais, industriais
e outros rendimentos decorrentes das locações, da cessão remunerada de bens e valores
(aluguéis de imóveis e ganhos em aplicações financeiras. São receitas contratuais,
negociais, obtidas de forma voluntária e espontânea, que não dependam de prévia
autorização legal, ficando o Estado em “pé de igualdade com o particular”. Para obter
essas receitas, a Administração Pública não usa da coerção, da força ou do poder de
Império. É uma classificação da Receita Corrente. Exemplos: Receitas Patrimoniais,
Receitas Agropecuárias, Receitas Comerciais, Receitas de Serviço (receitas obtidas com a
prestação de serviços públicos) etc.
 DERIVADAS( ou de economia pública ou de direito público): é a que deriva da
prevalência do Estado sobre o particular, caracterizando-se por sua exigência coercitiva
e obrigatória, compulsoriedade. São as que derivam co patrimônio da sociedade, ou
seja, o governo obtém-nas tributando a sociedade. È a receita pública efetiva obtida
pelo Estado em função de sua soberania, por meio de Tributos, Penalidades, Indenizações
e Restituições. Nesse caso, o contribuinte é obrigado a arcar com elas, não havendo
negócios, contratos ou ajustes. O cidadão deve pagar, simplesmente porque tem
capacidade contributiva e, ao arrecadar, o Estado o faz em nome da coletividade,
materializando a supremacia do interesse público sobre o particular. É uma classificação
da Receita Corrente. As Receitas Derivadas são formadas por Receitas Correntes, segundo
a classificação da Receita Pública por Categoria Econômica. Exemplos: Receita
Tributária, Receita de Contribuições, taxas de serviços e todas as demais que decorram
do poder coercitivo e dependam de dispositivo legal.
2.5. Quanto à afetação patrimonial(impacto no patrimônio), as receitas são divididas em
efetivas e por mutações patrimoniais(não-efetivas)

 EFETIVAS: são aquelas que contribuem para o aumento do patrimônio líquido (situação
líquida ou saldo patrimonial) do ente público, uma vez que, sem quaisquer reservas,
condições ou correspondência no passivo, integram-se ao patrimônio público, como
elemento novo e positivo, enquadrando-se, assim, como fatos contábeis modificativos
aumentativos. Exemplos: todas as receitas correntes (EXCETO O RECEBIMENTO OU
COBRANÇA DA DÍVIDA ATIVA) E A RECEITA DE CAPITAL DECORRENTE DO RECEBIMENTO DE
TRANSFERÊNCIA DE CAPITAL.

Alexandre, então é possível afirmar que toda receita corrente é


uma receita efetiva e que toda receita de capital é uma receita
por mutação patrimonial (ou não-efetiva)???????????????????

TOME NOTA!!!!!

Recebimento (cobrança) da Dívida Ativa → é


uma Receita Corrente Não-efetiva;
Recebimento de Transferência de Capital →
é uma Receita de Capital, porém Receita
Efetiva.

 NÃO-EFETIVAS(receitas por mutações patrimoniais): são aquelas que nada acrescem


ao patrimônio público, pois são simples entradas ou saídas compensatórias.
Representam fatos contábeis permutativos. Exemplos: todas as receitas de
capital(exceto as transferências de capital recebidas) e ainda a receita corrente
resultante do recebimento da dívida ativa.
2.6. Quanto ao Poder de Tributar ou quanto à competência do ente da federação

Esse último critério classifica as receitas segundo o poder de tributar que compete a cada
ente da Federação, considerando e distribuindo as receitas obtidas como pertencentes aos
respectivos entes, quais sejam: Governo Federal, Estadual, do Distrito Federal e Municipal.

CLASSIFICAÇÃO ATUALIZADA DAS RECEITAS POR NATUREZA (CLASSIFICAÇÃO ECONÔMICA)

X. Y. Z. W. TT. KK(8 DÍGITOS)

1º dígito: indica a categoria econômica;


2º dígito: indicava a FONTE; hoje, chama-se ORIGEM
3º dígito: indicava a SUBFONTE; hoje, chama-se ESPÉCIE
4º dígito: indica a rubrica;
5º e 6º dígitos: indicam a alínea;
7º e 8º dígitos: indicam a subalínea.
A 4ª edição do MANUAL DA RECEITA PÚBLICA (2007), publicado pela SECRETARIA DO TESOURO
NACIONAL, em razão da necessidade de atualização e melhor identificação dos ingressos nos
cofres públicos, altera a codificação econômica da receita orçamentária:

Passaremos, então a detalhar cada nível. Trata-se de uma classificação eminentemente


analítica, que observa a seguinte linha de raciocínio: “do todo para a parte”!

-1° nível - categoria econômica.


Subdivide-se em:
a) receitas correntes;
b) receitas de capital;
c) receitas correntes intra-orçamentárias;
d) receitas de capital intra-orçamentárias.

IMPORTANTE: as receitas correntes e de capital intra-orçamentárias possuem o intuito de


identificar as receitas decorrentes de transações entre entidades e órgãos que compõem os
orçamentos fiscal e da seguridade social a fim de serem evitadas duplicidades por ocasião da
consolidação das demonstrações contábeis.

-2° nível – origem.


Identifica a procedência dos recursos públicos, em relação ao fato gerador dos ingressos das
receitas. Exs.: derivadas, originárias, transferências...

-3° nível – espécie.


Permite qualificar, com maior detalhe, o fato gerador dos ingressos. Ex.: na receita tributária
(origem), identificamos as suas espécies (impostos, taxas e contribuições de melhoria).

-4° nível – rubrica.


Detalhamento da espécie.

-5° nível – alínea.


Subdivisão da rubrica.

-6° nível – subalínea.


Repartição da alínea, ou seja, o nível mais analítico de receita.
EXEMPLO: 1.113.02.02

Classificação Econômica Código Orçamentário Especificação

Categoria Econômica 1.000.00.00 Receitas Correntes

Origem (*) 1.100.00.00 Receita Tributária

Espécie (**) 1.110.00.00 Impostos

Rubrica 1.113.00.00 Impostos sobre produção


a circulação.

Alínea 1.113.02.00 ICMS

Subalínea 1.113.02.01 Parte do Estado

Subalínea 1.113.02.02 Parte dos Municípios

A classificação da receita por natureza busca a melhor identificação da origem do recurso


segundo o seu fato gerador. A tabela acima explicita a estrutura de codificação dessa
classificação com as rubricas específicas, baseando-se em um exemplo didático.

INFORMAÇÃO CAPCIOSÍSSIMA!!!!
(*) Na classificação anterior (MTO – 02 2005), a “origem”
chamava-se fonte;

(**) Na classificação anterior (MTO-02 2005), a “espécie”


chamava-se Subfonte.

3. ESTÁGIOS DA RECEITA PÚBLICA ORÇAMENTÁRIA

A Receita Pública, desde a sua previsão até o seu ingresso efetivo nos cofres públicos, passa por
quatro fases, denominadas estágios, quais sejam: previsão, lançamento, arrecadação e
recolhimento.

3.1. Previsão (1º estágio) – Estimação da receita

Chamado normalmente de receita orçada, é a estimativa (expectativa) de arrecadação


da receita constante da LOA. Por meio dessa estimativa, o Governo planeja e define os gastos
que irão compor a LOA, no que diz respeito à fixação das despesas. Essa fase ocorre durante a
elaboração e apreciação do projeto de lei do orçamento. Trata-se, portanto, de uma etapa
anterior à execução da LOA.
3.2. Lançamento (2º estágio)

O lançamento é a identificação do devedor ou da pessoa do contribuinte. A Lei nº


4.320/64 define o “lançamento da receita como o ato da repartição competente que verifica a
procedência do crédito fiscal, a pessoa devedora e inscreve o débito dela”.

CUIDADO!!!!
Não se trata aqui de lançamento contábil, e sim do lançamento do crédito tributário, identificando o valor e o
contribuinte que irá pagar os tributos e demais receitas passíveis de lançamento, incorporadas na previsão das receitas
estimadas na Lei Orçamentária Anual.

Este ato está definido no Código Tributário Nacional – CTN. Consiste na identificação do sujeito
passivo, do objeto, do quantum (montante) etc. Na prática, ocorre, por exemplo, quando o
Secretário da Fazenda inscreve (lança no sistema) a dívida de IPTU de um determinado
contribuinte proprietário de imóvel na área urbana. Nesse caso específico do IPTU, em que o
lançamento fiscal ocorre anterior ao pagamento, essa modalidade é conhecida como
lançamento de ofício. As outras são: “por declaração” , quando o contribuinte informa ao
Poder Público a situação passível de tributação, sendo conferida posteriormente pelos agentes
fiscais (caso do Imposto de Renda – IR), e “por

homologação”, quando a autoridade fazendária reconhece o pagamento do tributo (ISS ou


ICMS), verifica as condições da operação e ratifica sua legalidade e exatidão.

OBSERVAÇÕES IMPORTANTES!!!!!
Nem sempre o lançamento fiscal ocorrerá antes da arrecadação do tributo, que é o estágio seguinte;
A maioria das receitas orçamentárias não percorre o estágio do lançamento, sendo apenas prevista, arrecadada e
recolhida;
O lançamento fiscal é apenas um ato administrativo da repartição fiscal que não é contabilizado, tendo em vista que a Lei
nº 4.320/64 definiu o regime de caixa para a apropriação da receita orçamentária, estabelecido em seu artigo 35

OBS: Nos estágios da previsão e do lançamento (fiscal) da receita pública orçamentária não há
lançamento contábil, que somente ocorrerá nas fases de arrecadação e recolhimento. A
previsão da receita pública somente é passível de contabilização quando o orçamento é
aprovado e publicado, ocasião em que ocorrerá o lançamento contábil no subsistema
Orçamentário.

3.3. Arrecadação (3º fase)

A arrecadação se dá quando o contribuinte vai até os agentes arrecadadores(repartições


fiscais e redes bancárias autorizadas) e faz o pagamento do carnê-leão, da guia do IPTU ou da
Previdência Social, por exemplo. É nesse estágio que a receita é considerada realizada, nos
termos da Lei nº 4.320/64. Por uma questão de prudência, não é recomendável a execução
orçamentária de valores ainda não-arrecadados, simplesmente em função de estarem previstos
na LOA, uma vez que o cidadão, em função de problemas pessoais, ou mesmo, em
decorrência de conjunturas econômicas, pode não quitar suas obrigações junto ao Fisco.

3.4. Recolhimento (4º fase)

O recolhimento compreende a entrega, diariamente, do produto da arrecadação pelas


referidas repartições e estabelecimentos bancários ao Banco do Brasil para crédito da Conta
Única do Tesouro Público, mantida no Banco Central e operacionalizada pelo Banco do Brasil.
Tal recolhimento à conta única do ente é uma exigência do princípio da Unidade de Caixa(ou
Unidade de Tesouraria), que está expresso no art.56 da Lei nº 4.320/64: “o recolhimento de todas
as receitas far-se-á em estrita observância ao princípio de unidade de tesouraria, vedada
qualquer fragmentação para a criação de caixas especiais.

CAPCIOSÍSSIMA!!!!!!!!!!!
Somente mediante o recolhimento, em conta específica, é que se pode dizer que os recursos
estarão efetivamente disponíveis para utilização pelos gestores, de acordo com a programação que
for estabelecida.

ATENÇÃO!!!!!!!!
1. Apesar da lei disciplinar as etapas da receita orçamentária, nem todas as receitas cumprem
rigorosamente essa sucessão de estágios. Na prática, não há rigor na adoção dessa série de passos, em
razão da constante simplificação dos processos de arrecadação da receita orçamentária, entre outros
fatores.
2. Em razão do que estabelece o artigo 57 da Lei 4.320/64, o recebimento de uma doação em dinheiro
será registrada como receita orçamentária mesmo que não seja previsível, ou seja, esta receita não cumpre
o estágio da previsão e nem o do lançamento.
3. Nem todos os estágios da receita orçamentária são contabilizados, mas apenas a previsão, a
arrecadação e o recolhimento.
4. A contabilização da receita orçamentária, assim como dos embolsos extra-orçamentárias é efetuada
aplicando-se o regime de caixa.
CONTA ÚNICA DO TESOURO NACIONAL - CUTN

Contexto histórico que motivou a criação da CUTN:

 Necessidade de controle centralizado dos gastos públicos;


 Desorganização das Finanças Públicas;
 Multiplicidade de contas bancárias;
 Justificada pelo Princípio da Unidade de Tesouraria (Lei nº 4.320/64, art. 56)

Seus pilares legais de criação foram erigidos a partir da publicação da Lei nº 4.320/64, que
estabeleceu, no artigo 56, que o recolhimento de todas as receitas seria efetuado em
consonância com o princípio da unidade de tesouraria, sem qualquer fragmentação em caixas
especiais.

O Decreto – Lei 200/67, ao promover a organização da Administração Federal e estabelecer


diretrizes para a Reforma Administrativa, determinou ao Ministério da Fazenda que promovesse
a unificação dos recursos movimentados pelo Tesouro Nacional, através de sua Caixa junto ao
agente financeiro da União, com o objetivo de obter maior economia operacional e
racionalizar a execução da programação financeira de desembolso.

Vejamos o conteúdo do art. 92 do instrumento normativo supra:

Art. 92 – Com o objetivo de obter maior economia operacional e racionalizar a execução da


programação financeira de desembolso, o Ministério da Fazenda promoverá a unificação de
recursos movimentados pelo Tesouro Nacional através de sua caixa junto ao agente financeiro
da União.

O Decreto nº 93.872/1986 estabeleceu em seu art. 1º: “A realização da receita e da despesa da


União far-se-á por via bancária, em estrita observância ao princípio da unidade de caixa.”

Essa determinação legal foi cumprida em setembro de 1988, com a promulgação da atual
Carta Magna, ocasião em que todas as disponibilidades do Tesouro Nacional, existentes em
agentes financeiros, foram transferidos para o Banco Central do Brasil, em uma conta única
centralizada, exercendo o Banco do Brasil a função de agente financeiro do Tesouro Nacional.

Observe o conteúdo do Art. 164, §3 da CF/88:

“As disponibilidades de caixa da União serão depositadas no Banco Central; a dos estados, do
Distrito Federal, dos municípios e dos órgãos ou entidades do Poder Público e das empresas por
ele controladas, em instituições financeiras oficiais, ressalvados os casos previstos em lei.”

A Conta Única do Tesouro Nacional é mantida junto ao Banco Central do Brasil e sua
operacionalização será efetuada por intermédio do Banco do Brasil, ou, excepcionalmente,
por outros agentes financeiros autorizados pelo Ministério da Fazenda.
A Conta Única do Tesouro Nacional (CUTN) mantida no Banco Central constitui a unificação de
todas as disponibilidades financeiras das unidades gestoras do governo federal participantes do
Sistema Integrado de Administração Financeira – SIAFI.

A utilização da Conta Única é obrigatória para os órgãos da Administração direta, autarquias,


inclusive especiais, agências reguladoras, fundações, fundos e empresas estatais dependentes.

Entretanto, há exceções na utilização da mesma, quais sejam:


 As contas de Unidades Gestoras situadas em locais onde não é possível utilizar o SIAFI (são
as unidades off-line);
 As contas em moedas estrangeiras;
 As contas para situações especiais, mediante autorização específica do Ministério da
Fazenda;
 As contas das empresas estatais independentes, que integram apenas o Orçamento de
Investimento das Estatais.

A partir da edição da Medida Provisória nº 1.782, de 14.12.1998, atual MP 2.170-36, também as


disponibilidades das autarquias, fundos e Fundações públicas passaram obrigatoriamente a ser
movimentadas sob os mecanismos da conta única.

Dessa forma, o arcabouço legal existente não permite que os órgãos públicos movimentem
recursos fora da conta única em contas correntes mantidas em instituições financeiras públicas
ou privadas. Sendo esta a regra geral, as exceções ficaram apenas para as contas de unidades
gestoras “off-line”, as contas em moeda estrangeira e outras autorizadas pela STN, por meio da
IN STN 04, de 30.08.2004.

Apesar das determinações legais existentes até a promulgação da constituição de 1988, a


implantação do sistema de caixa único no Governo Federal, foi efetivamente iniciado no final
do ano de 1988, logo após a criação da Secretaria do Tesouro Nacional. Sua implementação
constitui parte do processo de reordenamento financeiro do Governo Federal, desenvolvido no
final da década de 80, quando os atuais mecanismos de administração das finanças foram
introduzidos com vistas a permitir maior controle e meios de gerenciamento dos gastos públicos.

Atendendo a essa necessidade de reordenamento das finanças públicas, dentre outras ações e
medidas adotadas pelo Governo Federal, foi implantada em 1988, pela Instrução Normativa nº
10 da STN, a conta única do Tesouro Nacional, que veio aprimorar as inter-relações entre
Secretaria do Tesouro Nacional, Banco Central, Banco do Brasil e Unidades Gestoras.
A partir da criação da CUTN, portanto, todas as receitas devem ser recolhidas em uma única
conta. Está consagrado na Lei 4320/64:

Art. 56. O recolhimento de todas as receitas far-se-á em estrita observância ao princípio de


unidade de tesouraria, vedada qualquer fragmentação para criação de caixas especiais.

A própria Lei nº 4.320/64 traz em seu artigo 71º, como exceção, ao princípio da unidade de
tesouraria, a criação de fundos especiais. Entre os fundos existentes na Administração Pública, a
LRF, em seu artigo 43º, §1º, dispõe sobre os caixas dos regimes de previdência social, geral e
própria dos servidores.

O Artigo 164 da CF/88 determina o destino das disponibilidades:


§ 3º - As disponibilidades de caixa da União serão depositadas no banco central; as dos Estados,
do Distrito Federal, dos Municípios e dos órgãos ou entidades do Poder Público e das empresas
por ele controladas, em instituições financeiras oficiais, ressalvados os casos previstos em lei.

A Lei de Responsabilidade Fiscal traz a exceção ao princípio da unidade de caixa, pois em seu
artigo 43 estabelece que as disponibilidades de caixa relativas à Previdência Social deverão ser
separadas das demais disponibilidades do ente público:

§ 1o As disponibilidades de caixa dos regimes de previdência social, geral e


próprio dos servidores públicos, ainda que vinculadas a fundos específicos a que
se referem os arts. 249 e 250 da Constituição, ficarão depositadas em conta
separada das demais disponibilidades de cada ente e aplicadas nas condições
de mercado, com observância dos limites e condições de proteção e prudência
financeira.

A Instrução Normativa STN nº 4, de 31 de julho de 1998, regulamenta o assunto. Vejamos:

Art. 1º A Conta Única do Tesouro Nacional, MANTIDA no Banco Central do


Brasil, tem por finalidade acolher as disponibilidades financeiras da União a serem
movimentadas pelas Unidades Gestoras - UG da Administração Federal, Direta e Indireta e
outras entidades integrantes do Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo
Federal - SIAFI, na modalidade “on- line”.

Alexandre, mas qual a relação entre a CUTN e o SIAFI????

Bem, de acordo com a IN/STN nº 05/1996 e IN/STN nº 04/2004, a Conta Única do Tesouro
Nacional é o mecanismo/instrumento que permite a movimentação on-line de recursos
financeiros dos órgãos e entidades ligadas ao SIAFI em conta unificada.

Esse mecanismo, ao mesmo tempo que unifica e centraliza os recursos da União, permite a
movimentação eletrônica descentralizada, por cada órgão, entidade ou unidade ligadas ao
SIAFI de forma on-line, preservando, assim, a individualização e autonomia na gestão dos seus
recursos.

Cada ente público federal possui apenas uma parcela dos recursos da Conta Única, recebidos
da STN na forma de “limite de saque”, registrada no SIAFI na conta 11216.04.00 (Limite de Saque
com Vinculação de Pagamento), correspondente à disponibilidade financeira da UG na Conta
Única, a ser utilizada para a realização de pagamentos ou transferências de determinado
período.

IMPORTANTE!!!

Os saldos disponíveis do Tesouro Nacional são remunerados pelo Banco


Central e seus rendimentos são considerados receitas de capital.

Com a implantação da CUTN, todas as Unidades Gestoras on-line do SIAFI passaram a ter os
seus saldos bancários registrados e controlados pelo sistema, sem contas escriturais no Banco do
Brasil. Assim, a Conta Única é uma conta mantida junto ao Banco Central do Brasil,
operacionalizada via SIAFI pelo Banco do Brasil, destinada a acolher, em conformidade com o
disposto no artigo 164 da Constituição Federal, as disponibilidades financeiras da União que se
encontram à disposição das Unidades Gestoras on-line, nos limites financeiros previamente
definidos.

Art. 2º A OPERACIONALIZAÇÃO da Conta Única do Tesouro Nacional será efetuada por


intermédio do Banco do Brasil S/A, ou, excepcionalmente, por outros agentes financeiros
autorizados pelo Ministério da Fazenda.

DESPESA PÚBLICA – TEORIA

1. CONCEITO

Conceitua-se como despesa pública o conjunto de dispêndios realizados pelos entes


públicos a qualquer título para o funcionamento e manutenção dos serviços públicos prestados
à sociedade. Despesa Pública corresponde a todos os compromissos a serem pagos pela
Administração Pública, formando o complexo da distribuição e emprego das receitas para
custeio e investimento em diferentes setores da administração governamental.

A despesa, no serviço público, é contabilizada segundo o “regime de competência”(ou


de exercício). Isso significa ser passível de lançamento contábil quando ocorre o seu fato
gerador, ou seja, o empenho (seu primeiro estágio). É suficiente, portanto, a realização do
empenho para haver o registro, o que significa dizer que não é necessário haver desembolso
para caracterizar a despesa.

DESPESA NÃO É SINÔNIMO DE PAGAMENTO!!!!!!

2. ESTÁGIOS DA DESPESA

Fixação

ESTÁGIOS PROGRAMAÇÃO

Empenho

Execução Liquidação

Pagamento
2.1. Fixação (ou Dotação)

Estágio consagrado pela doutrina em virtude de interpretação de dispositivos constitucionais,


como os que vedam a concessão de créditos ilimitados e a realização de despesas que
excedam os créditos orçamentários e adicionais (art. 167, II e VII, da CF/88). Essa etapa da
despesa consiste na autorização dada pelo Poder Legislativo ao Poder Executivo, mediante a
fixação de dotações orçamentárias aprovadas na LOA, que possibilitam a execução de
programas pelos órgãos e unidades orçamentárias, concedendo ao ordenador de despesas o
direito de gastar os recursos públicos destinados à sua unidade gestora, mediante a emissão de
empenho, limitado ao valor autorizado.

- Alexandre, dê-me uma luz:


“mas o que é mesmo esse
tal de Ordenador de
Despesas (OD)??”

Tome nota!!!!
Ordenador de despesa é servidor público investido de
autoridade e competência para emitir empenho e
autorizar pagamentos. A rigor não é o título de um
cargo, pois pode ser exercido por um Diretor Geral,
Secretário Geral, Diretor Executivo, Presidente de órgão
ou entidade. Falaremos mais dele adiante,
especificamente no tópico 4 desse módulo, lá no final!

2.2. Programação

O estágio da programação está inserido na LRF, no qual estabelece que até trinta dias
após a publicação dos orçamentos, nos termos em que dispuser a lei de diretrizes
orçamentárias, o Poder Executivo estabelecerá a programação financeira e o cronograma de
execução mensal de desembolso (art. 8º, da LRF).

A programação financeira diz respeito às entradas e saídas de caixa do Tesouro e o


cronograma de execução mensal de desembolso, estabelece os procedimentos para a
execução do pagamento de despesas.
Assim, a programação financeira se refere a atividade relativas ao orçamento de caixa,
compreendendo a previsão do comportamento da receita, a consolidação dos cronogramas
de desembolso e o estabelecimento do fluxo de caixa.

2.3. Empenho

Nos termos da Lei n. 4.320/64:

“É o ato emanado de autoridade competente que cria para o Estado obrigação de


pagamento pendente ou não de implemento de condição”

O empenho é, na verdade, um compromisso por parte da administração pública, no sentido de


pagar por algo que tenha interesse e, por parte do fornecedor, de prestar o serviço ou entregar
determinada mercadoria. Com o empenho a despesa já existe, embora ainda não tenha sido
paga. Em termos orçamentários, sua realização diminui os créditos orçamentários disponíveis
(valor autorizado para gasto). Empenhar significa, portanto, comprometer o crédito
orçamentário.

É preciso destacar que o empenho tem 2 etapas:

- a autorização, que consiste na verificação no orçamento da existência de crédito


orçamentário suficiente para a realização daquela despesa; e

- formalização, que se dá com a emissão da NOTA DE EMPENHO, que possui todos os dados
referentes à compra ou contratação (dados do contratante, data da entrega, valor, objeto,
classificação da despesa, etc).

A materialização do empenho ocorre com a emissão da Nota de Empenho – NE, sendo


elaborada uma para cada empenho. Esse estágio(empenho) é obrigatório, não sendo
dispensado em nenhuma esfera(Federal, Estadual e Municipal). O que pode ser dispensada é a
nota de empenho, em casos especiais.

O empenho é prévio, devendo preceder a realização da despesa e está restrito ao limite do


crédito orçamentário, conforme disposto no art. 59 da Lei nº 4.320/64, que prevê:
“o empenho da despesa não poderá exceder o limite dos créditos
concedidos”.
Ademais, é vedada a realização de despesa sem prévio empenho (art. 60 da Lei nº 4.320/64). O
ato de empenhar deduz o seu valor da dotação orçamentária, tornando a quantia
empenhada indisponível para nova aplicação.

2.3.1 Modalidades de Empenho

O empenho da despesa pode ser de três tipos:

Ordinário – Valor conhecido – Um pagamento

Estimativo – Valor estimado – Vários pagamentos

Global – Valor conhecido – Pagamento parcelado

- ordinário: nesta modalidade, o valor a ser empenhado é conhecido e o pagamento deverá


ser feito de uma só vez.

Ex: compra de um bem móvel ou imóvel.

- estimativo: visa à realização de despesas cujo valor ou montante não seja previamente
determinado ou identificável.

Ex: despesas com folha de pagamento, conta de luz, água, telefone, gratificações, diárias.
Nesses casos, não se sabe, no início do ano, por ocasião do empenho, o valor exato que será
despendido.

- global: essa modalidade é aplicável quando o objetivo for de atender despesas com
montante previamente conhecido, tais como as contratuais, mas cujo pagamento dar-se-á de
maneira parcelada. É comum nos casos de entrega parcelada de bens, caso em que o
pagamento é feito obedecendo-se a proporção entre o montante pactuado e o volume
entregue, e no caso de obras, quando da mesma forma, o pagamento se dá em função do
andamento da obra.

Ex: aluguéis, contrato de prestação de serviços por terceiros.

Principalmente no caso do empenho por estimativa (mas não somente), caso o valor
compromissado seja insuficiente para atender aos gastos efetivamente ocorridos, pode ser feito
um reforço de empenho. Isso é particularmente comum quando envolve concessionários
(energia elétrica, água, telefone, etc), uma vez que, não se sabe com certeza o quantum a ser
realizado até o final do exercício. Caso ocorra o contrário (valor empenhado maior que
despesas ocorridas), pode ser feito um cancelamento (estorno) parcial do empenho, de forma
que o saldo não utilizado seja remanejado para outras despesas por meio do chamado créditos
adicionais.

Vale destacar que existe ainda o pré-empenho. Muito embora este item não seja um estágio
formal da despesa, é normal sua utilização no dia-a-dia da Administração Pública. Este recurso
consiste em um pré-compromisso, necessário para evitar que o mesmo recurso seja considerado
como disponível para a realização de mais de uma despesa. Funciona como se o gestor
efetivasse uma “reserva” de dotação orçamentária, visando à realização de determinada
despesa.

De acordo com o art. 35, inciso II, da Lei nº 4.320/64, pertencem ao exercício financeiro “ as
despesas nele legalmente empenhadas”. Assim, a condição aqui registrada é considerar
despesas legalmente empenhadas as que sejam:

 Ordenadas por agente legalmente investido no poder de autorizar despesa;


 Previamente empenhadas;
 Previamente autorizadas no orçamento;
 Submetidas ao processo licitatório, ou que tenham sido dispensadas desta obrigação.

2.4. Liquidação

A liquidação consiste na verificação do direito adquirido pelo credor, consistindo em etapa


necessária para realização do pagamento. Trata-se de ato complexo, uma vez que dependa
da:

 Entrega da mercadoria (no caso de compra) ou conclusão da prestação do serviço,


 Verificação/conferência por parte da administração pública, que atestará a despesa
(mínimo de dois servidores, sendo indicado nome, cargo e matrícula) após verificar a
adequação das mercadorias entregues/ serviços prestados e
 O processamento pela contabilidade (Contadoria ou Controladoria), que, de posse de
toda a documentação (NF atestada, NE, contrato social do contratado, guias
evidenciando o recolhimento dos tributos), viabilizará o pagamento.
Entrega de mercadoria

Conclusão de prestação do serviço Liquidação

Atesto da despesa

Processamento pela contabilidade

2.5. Pagamento

Após o efetivo processamento (liquidação) da despesa, é feita a transferência para a conta do


fornecedor. Atualmente, é cada vez mais comum o pagamento por meio de Ordens Bancárias
de Pagamento – OBP.

3. Realização da Despesa Pública

Segue, abaixo, um fluxo de etapas normalmente observadas quando da realização de


despesas:

- Solicitação (requisição) de compra pelo departamento interessado ao ordenador de despesas


(Chefe de Poder detentor de autoridade para ordenar a realização de despesas);

- Caso autorize, o Ordenador de Despesas – OD – encaminha o processo para a Controladoria


(ou Órgão) equivalente verificar a existência de dotação orçamentária e efetuar o
enquadramento dos itens a serem adquiridos nos Programas de Trabalho/Elementos de
despesa;

- Após realização do bloqueio (pré-empenho) pela Controladoria, o processo é encaminhado


para a Comissão Permanente de Licitação – CPL – para elaboração do edital, projetos básico e
executivo (se for o caso) e publicação, após revisão destes documentos pela Assessoria Jurídica
(caso haja) ou Procuradoria;

- Após apresentação das propostas pelos licitantes, julgamento, escolha da melhor oferta e
término do prazo para recursos administrativos, o processo é novamente encaminhado ao OD
para adjudicação do objeto da licitação do certame ao vencedor e publicação em Diário
Oficial.
- Em seguida, é emitido o empenho, disponibilizada uma via ao contratado.

- Com a entrega da mercadoria ou realização do serviço, devidamente atestados por, pelo


menos, dois servidores, a documentação necessária para liquidação é encaminhada para a
contabilidade, que processará o pagamento.

CAPCIOSÍSSIMA!!!!!
Em algumas provas de concursos, verifica-se a inclusão da licitação e da ordem de pagamento no conceito de “estágios da
despesa” ou “fases da despesa”. Como já é do conhecimento de todos que a licitação é condição prévia para o empenho e
a ordem de pagamento condição para o pagamento, estas “fases da despesa”, observadas de uma maneira mais
abrangente ficariam dessa forma:

Licitação, Empenho, Liquidação, “ordem de pagamento” e Pagamento.

4. Restos a Pagar (ou Resíduos Passivos)

Consideram-se restos a pagar, ou resíduos passivos, conforme o art. 36 da Lei nº 4.320/64, as


despesas empenhadas mas não pagas dentro do exercício financeiro(ou seja, até 31 de
dezembro), distinguindo-se as processadas das não-processadas.

O regime de competência exige que as despesas sejam contabilizadas conforme o exercício a


que pertençam ou no exercício em que foram empenhadas. Se uma despesa foi empenhada
no exercício X1 e paga no exercício X2, ela deve ser contabilizada como pertencente ao
exercício do empenho, qual seja X1. A despesa realizada no ano anterior e paga no exercício
seguinte será considerada extra-orçamentária.

Os restos a pagar são dívidas que serão pagas fora do exercício financeiro em que ocorreram.
Uma vez que o fato gerador da despesa é o empenho, uma vez ocorrido esse estágio, deverá a
despesa ser regularmente liquidada e paga, ou, caso isso não aconteça, cancelada. Acontece
que nem sempre é possível haver o pagamento no Exercício do empenho, em virtude de fatores
como: não-adimplemento da obrigação por parte dos fornecedores, atrasando a liquidação
(estágio prévio e condição obrigatória para pagamento, atraso nos repasses, excesso de
processos em tramitação no Departamento de Contabilidade, etc. Assim a dívida será
transferida para o próximo ano.

Conforme já explicitado acima, a lei nº 4.320/64, em seu art. 36, elencou dois tipos de RP: os
processados e os não-processados.

- Restos a Pagar Processados – despesas empenhadas e liquidadas, mas não pagas até
31/12. Nesse caso, já foram cumpridos integralmente os dois primeiros estágios da
despesa, restando apenas o efetivo pagamento.
- Restos a Pagar Não-Processados – despesas empenhadas mas não liquidadas nem
pagas até 31/12. Nesse caso, só foi cumprido integralmente o primeiro estágio:
empenho.

A inscrição dos restos a pagar será feita no encerramento do exercício financeiro de emissão de
Nota de Empenho, tendo validade até 31 de dezembro do ano seguinte. Os valores dos restos a
pagar não reclamados (saldos remanescentes de RP) pelos fornecedores, até aquela data,
serão automaticamente cancelados, sendo assegurado ao credor o direito a receber por cinco
anos a contar da data da inscrição, quando, então, no exercício de reconhecimento da dívida
será emitido novo empenho para atender a esse pagamento à conta de despesas de
exercícios anteriores, respeitada a categoria econômica específica, em vista do que disciplina o
regime de competência. ATENÇÃO!!!
Como se pode inferir da explicação acima, é vedada a reinscrição de empenhos em restos a pagar. O reconhecimento
de eventual direito do credor far-se-á através da emissão de nova nota de empenho, à conta de despesas de exercícios
anteriores, respeitada a categoria econômica própria. Os restos a pagar com prescrição interrompida, assim
considerada a despesa cuja inscrição em restos a pagar tenha sido cancelada, mas ainda vigente o direito do credor,
poderão ser pagos à conta de despesas de exercícios anteriores, respeitada a categoria econômica própria.

Validade (Vigência) dos RP: 1(um) ano. Dessa forma as dívidas não-pagas até o dia 31 de
dezembro do ano seguinte ao da inscrição em RP deverão ser canceladas ou posteriormente
pagas como despesas de exercícios anteriores.

Prescrição dos RP: após 5(cinco) anos do dia da sua inscrição.

Observem no quadro a seguir que os restos a pagar surgem em razão de em 31.12.X1 existirem
empenhos ainda não pagos (liquidados ou a liquidar), os quais devem ser inscritos no ano de
sua emissão (X1) como obrigações a serem pagas no ano X2. Em razão de termos nova
execução orçamentária, a cada ano, pois deve ser obedecido o princípio da anualidade, o
pagamento ou o cancelamento dos restos a pagar, ou seja, dos empenhos emitidos em X1
somente pode ser feito no ano seguinte (X2), sem contudo afetar o universo orçamentário do
ano X2.
ANO DE X1 ANO DE X2

ORÇAMENTO/X1 EXTRA- ORÇAMENTO/X2 EXTRA-


ORÇAMENTO/X1 ORÇAMENTO/X2

EMPENHOS NÃO EMPENHOS, PAGAMENTO DE


PAGOS
LIQUIDAÇÕES RESTOS A PAGAR
- A LIQUIDAR INSCRITOS EM X1
E
(RP NÃO-
PAGAMENTOS
PROCESSADOS)
E
DA
- LIQUIDADOS
DESPESA
(RP PROCESSADOS)
CANCELAMENTO DE
DO ANO
RESTOS A PAGAR
DE X2 INSCRITOS EM X1
INSCRIÇÃO DE RP

DE X1
ATÉ 31.12.X2
EM 31.12.X1

TRANSFERE O PAGAMENTO DE RP PARA O ANO DE X2

SEM INTERFERIR NO ORÇAMENTO DE X2

Cada exercício financeiro tem o seu universo orçamentário, onde ocorrem todas as etapas
referentes à despesa orçamentária, mas não também existe em cada ano, paralelamente, uma
espécie de administração de recursos extra-orçamentários, onde se dá os pagamentos e os
cancelamentos de restos a pagar. É como se a última etapa da execução da despesa do
orçamento de X1 – pagamento, se estendesse até o ano de X2.

O RP é uma despesa orçamentária ou extra-orçamentária?

No próprio exercício em que foi inscrito, ele foi uma despesa orçamentária. No
exercício seguinte, quando for pago, é considerado uma despesa extra-
orçamentária.
5. Despesas de Exercícios Anteriores (DEA)

Processadas fora da época correta

Também com o objetivo de atender ao regime de competência, a Lei nº 4.320/64, em seu


artigo 37 assinalou a possibilidade de que em exercícios financeiros ulteriores pudessem ser
pagas despesas pertencentes a exercícios anteriores ou já encerrados, despesas estas que não
tinham sido inscritas em restos a pagar ou que os restos a pagar já haviam sido cancelados.

CAPCIOSÍSSIMA!!!!!
Diferentemente do pagamento de restos a pagar, que é uma operação extra-orçamentária, o pagamento de
despesas de exercícios anteriores é uma operação orçamentária.

Compreendem despesas processadas fora da época correta, decorrendo de gastos realizados


em anos anteriores. Como exemplo, é possível citar a realização de um curso no final de um ano
para os servidores de determinado Município onde o empenho referente ao pagamento do
professor tenha sido cancelado. No ano seguinte, ao apresentar a documentação
comprobatória, o professor dará entrada em seu pagamento, visto que efetivamente prestou o
serviço. Assim, após o parecer do corpo jurídico, reconhecimento da dívida por parte do
ordenador de despesas, a ratificação pela autoridade superior e sua publicação (estágios
obrigatórios previstos na Lei nº 8.666/93), o valor poderá ser pago como despesa de exercícios
anteriores. Um outro exemplo é o servidor que tem um direito seu reconhecido (um adicional,
gratificação ou benefício) anos depois de ter iniciado seu pleito.

Sobre o assunto, a Lei nº 4.320/64 dispõe o seguinte:

“Art. 37. As despesas de exercícios encerrados, para os quais o orçamento respectivo consignava
crédito próprio, com saldo suficiente para atendê-las, que (1) não se tenham processado na época
própria, bem como (2) os Restos a Pagar com prescrição interrompida e os (3) compromissos
reconhecidos após o encerramento do exercício correspondente poderão ser pagos à conta de
dotação específica consignada no orçamento, discriminada por elementos, obedecida, sempre que
possível, a ordem cronológica (grifos nossos).

Art.38. Reverte-se à dotação a importância de despesa anulada no exercício, quando a anulação


ocorrer após o encerramento deste considerar-se-á receita do ano em que se efetiva.”
6. Classificação dos Gastos Públicos

É possível classificar as despesas da Administração Pública sob vários enfoques, sendo os mais
expressivos e consagrados pela doutrina os seguintes:

1) Quanto à Categoria Econômica (Classificação da Lei nº 4.320/64), as despesas podem ser


classificadas em correntes ou de capital. Essa classificação, segundo a categoria
econômica, possibilita analisar o impacto dos gastos públicos na economia
especialmente, na formação do capital bruto do País.

Corrente Gastos reais, efetivos

Categoria
econômica

Capital Troca, permuta

a) Corrente:
As despesas correntes compreendem os gastos reais, efetivos. Abrangem dispêndios que
diminuem o “Patrimônio Líquido” do Estado, sendo caracterizados (contabilmente) como
fatos modificativos diminutivos. São os gastos de natureza operacional que, de acordo com
a Lei nº 4.320/64, destinam-se à manutenção do Estado e ao funcionamento dos serviços
públicos, diretamente ou por meio de transferência a outras entidades.Tais despesas, via de
regra, não trazem como contrapartida acréscimos ao patrimônio público.

Ex: despesa com pessoal, pagamento de juros da dívida interna ou externa, pagamento de
00concessionários, etc.

Nesse sentido, quanto à categoria econômica, é possível destacar as seguintes classes


(subcategorias econômicas):

 Despesas de Custeio: pagamento de pessoal civil e encargos, militar, material de


consumo, serviços de terceiros, encargos diversos, obras de conservação e adaptação
de bens móveis etc.;
 Transferências Correntes: Subvenções Sociais, Subvenções Econômicas, Pagamento de
Inativos e Pensionistas, Salário Família e Abono Familiar, Juros da Dívida Pública,
Contribuições de Previdência Social, Diversas Transferências Correntes.

Consoante à Lei, classificam-se como Despesas de Custeio as dotações para manutenção


de serviços anteriormente criados, inclusive as destinadas a atender a obras de conservação
e adaptação de bens imóveis.
Como Transferências Correntes, entende-se as dotações para as despesas as quais não
corresponda contraprestação direta em bens ou serviços, inclusive para contribuições e
subvenções destinadas a atender à manutenção de outras entidades de direito público ou
privado.

b) Capital:
As despesas de capital compreendem, principalmente, compras e amortizações. São gastos
efetuados principalmente para aquisição de bens de capital, de consumo, de imóveis e com
obras e instalações. Tais despesas implicam, via de regra, acréscimo do patrimônio público.

Constituem fatos contábeis permutativos por sempre envolverem uma troca: com o
pagamento da despesa (o que reduz o montante das disponibilidades e, portanto, o ativo
financeiro) há o ingresso e contabilização de algo no patrimônio (lançamento de um bem
no ativo não-financeiro, por exemplo). O efeito matemático das despesas de capital no
patrimônio é nulo: diminui de um lado e aumenta do outro.

Salvo melhor juízo, não deveriam sequer ser chamadas de despesas, do ponto de vista
patrimonial. Entretanto, a Lei 4.320/64 considera essas aplicações como despesas do ponto
de vista orçamentário e patrimonial.

Assim, são consideradas despesas de capital, nos termos da lei:

 Investimentos: são as dotações para o planejamento e a execução de obras, inclusive


as destinadas à aquisição de imóveis considerados necessários à realização destas
últimas, bem como para os programas especiais de trabalho, aquisição de instalações,
equipamentos, material permanente e constituição ou aumento do capital de
empresas que não sejam de caráter comercial ou financeiro. No conceito econômico,
as despesas de capital classificadas com investimento geram serviços que contribuem
para o acréscimo ou incremento do Produto Interno Bruto – PIB. (ex: construção de
escolas, construção de hospitais, construção de uma estrada, aquisição de
elevadores, aparelhos de ar condicionado, veículos, aquisição de uma casa já em
utilização para posterior demolição, criação ou aumento de capital de uma empresa
agrícola ou industrial etc.)
 Inversões Financeiras: são as dotações destinadas à aquisição de imóveis ou de bens
de capital já em utilização; à aquisição de títulos representativos do capital de
empresas ou entidades de qualquer espécie, já constituídas, quando a operação não
importe aumento do capital e ainda a constituição ou aumento do capital de
entidades ou empresas que visem a objetivos comerciais ou financeiros, inclusive
operações bancárias ou de seguros (ex: compra de um imóvel, já em uso, para servir
de sede de um órgão público, compra a um particular de ações de empresas, criação
de um banco estatal, concessão de empréstimos)
 Transferências de Capital: são as dotações para investimentos ou inversões financeiras
que outras pessoas de direito público ou privado devam realizar, independentemente
de contraprestação direta em bens ou serviços, constituindo essas transferências
Auxílios (derivados diretamente da LOA) ou Contribuições (derivados de lei especial
anterior), bem como as dotações para amortização da dívida pública (ex: auxílios para
obras e pagamento ou resgate do principal da dívida pública, transferências
voluntárias para construção de hospitais, escolas, creches etc.)
2) Quanto à inclusão no orçamento (ou à vinculação ao orçamento), podem ser
denominadas Orçamentárias ou Extra-Orçamentárias.

orçamentária Fixadas no orçamento

Inclusão no
Orçamento

Extra-orçamentária Não fixadas no Orçamento

a) Orçamentária:
É a despesa que decorre da lei orçamentária e dos créditos adicionais. Deve obedecer a
todas as regras pertinentes ao processamento da despesa, tais como: licitação,
empenho, liquidação etc.

b) Extra-orçamentária:
Corresponde às despesas que não vêm consignadas na lei do orçamento ou em créditos
adicionais e compreende diversas saídas de numerário resultantes do levantamento
(devolução ou restituição) de depósitos, restituições de cauções, pagamento de restos a
pagar, consignações, resgate (pagamento do principal) de operações de crédito por
antecipação de receita (ARO), retenção de parcela de remuneração de servidores por
força de lei(desconto de contribuições previdenciárias) bem como todos os outros valores
que se apresentem de forma transitória. São valores que anteriormente ingressaram nos
cofres públicos a título de receitas extra-orçamentárias. A sua efetivação se dá de uma
forma muito menos burocrática do que as despesas orçamentárias.

Consistem, portanto, na saída de recursos financeiros transitórios, anteriormente obtidos,


sob a forma de receitas extra-orçamentárias, não necessitando de autorização
orçamentária para se efetivarem, uma vez que não pertencem ao órgão público,
caracterizando apenas uma devolução de recursos financeiros pertencentes a terceiros.

CAPCIOSÍSSIMA!!!!!!
O pagamento do principal (amortização) da ARO é uma despesa extra-orçamentária, mas o pagamento dos JUROS da ARO
é uma despesa orçamentária, classificada, quanto à categoria econômica como uma DESPESA CORRENTE, subclassificação
econômica TRANSFERÊNCIA CORRENTE.
3) Classificação Institucional (QUEM?):
A classificação institucional tem por objetivo demonstrar quanto cada órgão ou unidade
orçamentária está autorizado a gastar num determinado exercício financeiro com base nos
créditos fixados no orçamento.

Uma das vantagens apresentadas pela classificação institucional é a possibilidade de se


realizar 0uma comparação imediata, em termos de dotações recebidas, entre os diversos
órgãos, possibilitando ao ordenador de despesas identificar as dotações orçamentárias
autorizadas pelo Poder Legislativo ao órgão ou unidade orçamentária sob a sua
competência.

As classificações objetivam enfatizar uma ou mais aspectos dos gastos públicos. Assim, essa
tipologia se propõe a evidenciar quem consome os recursos públicos. Ou seja, os recursos
são alocados às diversas unidades orçamentárias.

O código da classificação institucional compõe-se de um grupo cinco dígitos (geralmente),


onde os dois primeiros identificam o órgão e os três (ou dois*) últimos a unidade
orçamentária ou sub-Órgão. (*)

1º 2º 3º 4º 5º DÍGITOS

XX . XXX

Órgão Orçamentário Unidade Orçamentária

Prefeitura Secretarias

Congresso Nacional Câmara, Senado Federal

(*)
A classificação institucional não segue um número obrigatório de dígitos. Na esfera estadual e municipal é
representada por um grupo de quatro dígitos, onde os dois primeiros evidenciam Órgão e os dois últimos o sub-
Órgão; na esfera federal, cinco.

ATENÇÃO!!!!
Um órgão ou uma unidade orçamentária NÃO CORRESPONDE NECESSARIAMENTE a uma estrutura
administrativa, como ocorre, por exemplo, com alguns fundos especiais e com os “órgãos”: “transferências
a Estados, Distrito Federal e Municípios”, “encargos financeiros da União”, “operações oficiais de crédito”,
“refinanciamento da Dívida Pública Mobiliária Federal” e “Reserva de Contingência”.
A seguir, estou elencando, para mera ilustração, sem o propósito de fazer você decorá-los,
alguns dos códigos constantes da classificação institucional, segundo a estrutura
administrativa em vigor, considerando alguns órgãos e algumas unidades orçamentárias.

Exemplos da classificação institucional com os códigos constantes respectivos

Poder Executivo:

CÓDIGO ESPECIFICAÇÃO: ÓRGÃO / UNIDADE ORÇAMENTÁRIA

20000 Presidência da República

20101 Gabinete da Presidência da República

20224 Agência Nacional do Cinema

20928 Fundo Nacional para a Criança e o Adolescente - FNCA

25000 Ministério da Fazenda

25101 Ministério da Saúde

25201 Banco Central do Brasil

25203 Comissão de Valores Mobiliários

25207 Serviço Federal de Processamento de Dados

25208 Superintendência de Seguros Privados

25904 Fundo de Estabilidade do Seguro Rural

4) Classificação Funcional (ONDE?)


Compreende as áreas (funções) em que os recursos estão sendo aplicados. Explicita o maior
nível de agregação de atividades homogêneas, permitindo evidenciar, inclusive, as
prioridades do governo (saúde, educação, transporte, saneamento básico, etc).
Normalmente é demonstrado por um grupo de cinco dígitos, onde os dois primeiros
evidenciam a função e os três últimos a subfunção.

A classificação funcional constitui-se em condição essencial para a implantação do


orçamento-programa. Pois essa classificação identifica as grandes áreas de atuação do
Estado, fixando-se objetivos para cada uma delas e, por conseqüências as ações que se
pretende desenvolver para o alcance desses propósitos.

A classificação atual está estruturada em dois níveis de agregação: FUNÇÕES e


SUBFUNÇÕES, às quais estão vinculados os PROGRAMAS, que possuem em sua estrutura
PROJETOS, ATIVIDADE e OPERAÇÕES ESPECIAIS, reagrupados de acordo com o critério de
afinidade ou tipicidade, possibilitando, dessa maneira, analisar de forma mais precisa as
prioridades do Governo nas suas diversas áreas de atuação.

A classificação funcional, de acordo com a legislação em vigor, foi introduzida nos


orçamentos federal e estaduais no exercício de 2000, e nos Municípios, em 2002, e apresenta
a seguinte estrutura padronizada e obrigatória para União, Estados, Municípios e Distrito
Federal:

XX . XXX

Dígitos Identificação

1º e 2º Função

3º, 4º e Sub função



Função Sub - função

Saúde Medidas Profiláticas

Educação Ensino Fundamental

A função corresponde ao maior nível de agregação das diversas áreas de despesas que competem ao setor
público. Ex: Legislativa, Agricultura, Administração e Educação, dentre outras. As funções desdobram-se
(subdividem-se em sub-funções que representam uma partição da função), visando agregar determinado
subconjunto de despesa do setor público e identificando a natureza básica das ações que se aglutinam em torno
das funções.

É preciso destacar que a classificação funcional tornou-se mais flexível depois da edição da
Portaria nº 163 do MPOG. Até então, as subfunções somente poderiam figurar dentro de suas
funções típicas; ou seja: a função ensino fundamental somente poderia aparecer vinculada à
função educação. Atualmente, esta sub-função pode constar em quaisquer outras funções.
Assim, as funções compreendem, hoje, sub-funções típicas e atípicas.

Dessa forma, pretendeu a Portaria resolver alguns problemas de classificação, do tipo: Como
classificar gastos destinados a um “Programa de Conscientização dos Riscos da AIDS”? Na
função saúde ou na função educação? Na sistemática atual, é possível classificar na função
Educação (trata-se de um programa educativo) utilizando-se a sub-função medidas profiláticas.

CAPCIOSÍSSIMA!!!!!
Diante do exposto acima, pode-se concluir que as subfunções poderão ser combinadas com funções diferentes daquelas a
que estejam vinculadas. Essa estrutura de funções e subfunções permite a possibilidade da chamada MATRICIALIDADE NA
CONEXÃO ENTRE FUNÇÃO E SUBFUNÇÃO, ou seja, combinar qualquer função com qualquer sub-função. Entretanto, não
há essa possibilidade entre ação e sub-função.
A seguir, estou elencando, para mera ilustração, sem o propósito de fazer você decorá-los,
alguns dos códigos constantes da classificação funcional, segundo a estrutura administrativa
em vigor, considerando algumas funções e subfunções.

CÓDIGO/ FUNÇÕES CÓDIGO/ SUBFUNÇÕES

01 - Legislativa 031 – Ação Legisltavia

032 – Controle Externo

12 - Educação 361 – Ensino Fundamental

362 – Ensino Médio

363 – Ensino Profissional

364 – Ensino Superior

365 – Educação Infantil

366 – Educação de Jovens e Adultos

367 – Educação Especial

10 – Saúde 301 – Atenção Básica

302 – Assistência Hospitalar e


Ambulatoria

303 – Suporte Profilático e Terapêutico

304 – Vigilância Sanitária

305 – Vigilância Epidemiológica

306 – Alimentação e Nutrição

28 – Encargos Especiais 841 – Refinanciamento da Dívida


Interna

842 – Refinanciamento da Dívida


Externa

843 – Serviço da Dívida Interna

844 – Serviço da Dívida Externa

845 – Transferências

846 – Outros Encargos Especiais


ATENÇÃO!!!!

A função “ENCARGOS ESPECIAIS” engloba as despesas em relação às quais não se possa


associar um bem ou serviço a ser gerado no processo produtivo corrente, tais como: dívidas,
ressarcimentos, indenizações e outras afins, representando, portanto, UMA AGREGAÇÃO
NEUTRA.

Deve-se adotar como função aquela que é típica ou principal do órgão. Assim, a programação de um órgão, via de
regra, será classificada em uma única função, ao passo que a subfunção será escolhida de acordo com a
especificidade de cada ação. Observe exemplo abaixo!!!!!!

Exemplo:

Órgão: 01 - Câmara dos Deputados;

Ação: 2010 - Assistência pré-escolar aos dependentes dos servidores;

Subfunção: 365 - Educação Infantil;

Função: 01 - Legislativa.

5) Quanto à natureza
Esta classificação evidencia categoria econômica das despesas, seus grupos, modalidades de
aplicação, elementos e subelementos. Por meio da mesma, é possível identificar, de fato, em
que são gastos os recursos públicos (pessoal, material, dívidas, obras, etc) e de que maneira, se
diretamente ou indiretamente (por meio de transferências a outras entidades).
Numericamente, é representada da seguinte maneira:

a b c d e f

X. X. X. XX. XX. XX

1) pessoal

Subelemento de despesa 2) juros

Elemento de despesa 3) outras despesas correntes

Modalidade de aplicação 4) investimentos (novas)

5) inversões financeiras

Categoria econômica 3 - corrente 6) amortização da dívida

4 - de capital

Classe – despesa (3)


a) Classe → esse primeiro nível não faz parte da classificação quanto à natureza da despesa!!!!
O primeiro dígito identifica as classes do patrimônio. Assim, com base no plano de contas do
SIAFI (software responsável pelo controle e execução financeiro-orçamentária) – Sistema
Integrado de Administração Financeira do Governo Federal, é possível destacar:

1. Ativo 5. Variações passivas


2. Passivo 6. Variações ativas
3. Despesa
4. Receita
Em nossa classificação, a despesa iniciará sempre com o algarismo três, número atribuído a ela
segundo o classificador de receitas e despesas (Plano de Contas).

b) Categoria econômica→ é o PRIMEIRO NÍVEL na classificação da despesa quanto à


natureza!!!
As categorias econômicas são as apresentadas anteriormente, sendo identificadas pelos
números 3(corrente) ou 4(de capital).

c) Grupo
Os grupos evidenciam conjuntos de despesas da mesma natureza. São eles:

1 – Pessoal e encargos

2 – Juros da Dívida Integrantes da despesa corrente.

3 – Outras despesas correntes

4 – Investimentos

5 – Inversões financeiras Todos referentes às despesas de capital.

6 – Amortização da dívida

d) Modalidades de aplicação
Destaca quem será responsável pela aplicação dos recursos. Caso as dotações venham a ser
aplicadas pelo próprio ente, usa-se o código 90 (aplicação direta). Se, por ventura, a despesa
vier a ser realizada por outro ente, recebedor dos recursos por meio de transferência, as
modalidades de aplicação contemplarão códigos que irão de 10 a 80 (10 – transferências a
governo, 50 – transferências a entidades etc.).

e) Elemento de despesa
Evidencia, em um grau de detalhamento maior, a aplicação dos recursos. Ilustra, portanto, ao
gastos de maneira minuciosa. Como elementos de despesa do grupo 1 (pessoal), podem ser
citados: salário-família, vencimentos e vantagens fixas, encargos patronais etc. O grupo 2 (juros)
compreende, como elementos de despesa, juros da dívida interna e juros da dívida externa etc.

f) Subelementos de despesa
Não usados com tanta freqüência, os subelementos são úteis quando o elemento de despesa
não proporcionou detalhamento necessário. Corresponde ao desdobramento facultativo do
elemento de despesa.

Exemplificando: o grupo de despesas 3 (outras despesas correntes) abrange, dentre outros


elementos, a aquisição de material de consumo. Caso seja necessário evidenciar qual o
material de consumo, podem ser utilizados subelementos.

A seguir, em exemplo (meramente didático).

1) Construção de uma escola


3. 4. 4. 90. 30. XX

Subelemento de despesa

Elemento de despesa: obra

Aplicação direta

Grupo: investimento

Categoria econômica: de capital


Classe – despesa (3)

6) Classificação Programática
A especificação da despesa pública, segundo os programas governamentais, visa demonstrar
os objetivos da ação governamental para resolver as necessidades coletivas.

Nos termos da Portaria 42/99, cada ente da federação (União, Estados, DF e Municípios)
deverá, por ato próprio, elaborar a sua própria estrutura de programas, respeitados os
conceitos estabelecidos na portaria 42/99.

Os instrumentos de programação são os projetos e as atividades; mas a portaria supra assinala,


como elemento classificador de alguns dispêndios especiais, as chamadas operações
especiais.
 Programa: instrumento de organização da ação governamental para a concretização dos objetivos
pretendidos, sendo mensurado por indicadores estabelecidos no PPA. O programa consiste, pois, no
módulo integrador do PPA com a LOA (ex.: erradicação do analfabetismo).
 Projeto: instrumento de programação para alcançar os objetivos de um programa, envolvendo um
conjunto de operações limitadas no tempo, das quais resulta um produto final que concorre para a
expansão ou o aperfeiçoamento da ação do governo.
 Atividade: são instrumentos de programação para alcançar os objetivos de um programa,
envolvendo um conjunto de operações que se realizam de modo contínuo e permanente, das quais
resulta um produto necessário à manutenção da ação do governo (ex.: treinamento de professores)
 Operações Especiais: representam ações que não contribuem para a manutenção das ações de
governo, das quais não resulta um produto e não geram contraprestação direta sob a forma de bens
e serviços. Representa um detalhamento da função “Encargos Especiais” (ex.: ressarcimentos,
transferências, serviços da dívida, restituições, pagamento de inativos, indenizações, etc.).

7) Quanto à Afetação Patrimonial


Neste critério, as despesas públicas podem ser classificadas em: efetivas e por mutações
patrimoniais ou não-efetivas, conforme a seguir:

 DESPESAS EFETIVAS – são as despesas que alteram o patrimônio líquido(saldo


patrimonial) do Estado, uma vez que contribuem para o seu decréscimo. Representam
fatos contábeis modificativos diminutivos.
Exemplos: todas as Despesas Correntes (exceto material de consumo para estoque)
e as seguinte Despesas de Capital: auxílios e contribuições de capital e
investimentos em bens de uso comum do povo

 DESPESAS POR MUTAÇÕES PATRIMONIAIS (NÃO-EFETIVAS) – São as despesas que não


provocam alteração no patrimônio líquido do Estado(não diminuem o saldo
patrimonial), pois são simples saídas ou alterações compensatórias. Representam fatos
contábeis permutativos.
Exemplos: todas as Despesas de Capital (exceto auxílios e contribuições de capital
e investimentos em bens de uso comum do povo) e a Despesa Corrente com
material de consumo para estoque.

7. Ordenador de Despesas

Sobre a autoridade responsável (ou ordenador de despesas), de acordo com o Decreto-Lei


200/67:

Art. 80 – Os órgãos de contabilidade inscreverão como responsável todo ordenador de


despesas, o qual só poderá ser exonerado de sua responsabilidade após julgadas
regulares suas contas pelo Tribunal de Contas.

§ 1º Ordenador de despesas é , de
§ 2º O Ordenador de despesas, salvo conivência, não é responsável por prejuízos
causados à Fazenda Nacional decorrentes de atos praticados por agente subordinado
que exorbitar as ordens recebidas.

Como regra, o ordenador de despesas é o agente responsável pelo recebimento, verificação,


guarda ou aplicação de dinheiros, valores e outros bens públicos e responde pelos prejuízos que
acarreta à Fazenda, salvo se o prejuízo decorreu de ato praticado por agente subordinado, que
exorbitar das ordens recebidas, conforme dispõe o próprio Decreto-Lei nº 200/67.

Por esse motivo compete-lhes zelar pela boa e regular aplicação de recursos públicos, tanto nos
atos que praticam como naqueles realizados no âmbito das repartições públicas. Vale lembrar
que na forma do mesmo Decreto-Lei nº 200/67, o ordenador de despesas está sujeito à tomada
de contas, que será realizada pelo órgão de contabilidade e verificada pelo órgão de auditoria
interna, antes de ser encaminhada ao Tribunal de Contas, incumbido do julgamento das contas.

CONCEITOS IMPORTANTES!!!

 UNIDADE GESTORA – é a Unidade Orçamentária ou Administrativa investida do poder de gerir e


movimentar recursos orçamentários ou financeiros, próprios ou decorrentes de
descentralização.
 UNIDADE ORÇAMENTÁRIA – Nos termos do artigo 14 da Lei nº 4.320/64, constitui unidade
orçamentária o agrupamento de serviços subordinados ao mesmo órgão ou repartição a que
serão consignadas na lei orçamentária dotações próprias.
 UNIDADE ADMINISTRATIVA – Segmento da administração direta ao qual a lei orçamentária não
consigna dotações e que depende de DESTAQUE (descentralização externa, em sentido
horizontal, de créditos orçamentários ou adicionais entre órgãos diferentes ou entre unidades
orçamentárias de órgãos diferentes) ou PROVISÕES (descentralização interna, em sentido
vertical, entre unidades orçamentárias do mesmo órgão) para executar seus programas de
trabalho. Ressalte-se que os destaques e provisões tratam de autorizações orçamentárias. No
caso do destaque a contrapartida do lado financeiro é o REPASSE, no caso da provisão, a
contrapartida do lado financeiro é o SUB-REPASSE.
ACERTANDO O ALVO!!!

TEMA: A QUESTÃO DOS CRÉDITOS ADICIONAIS (RETIFICAÇÕES ORÇAMENTÁRIAS)

Esse é um assunto demasiadamente cobrado nas provas de AFO, estando contemplado pelo
edital do concurso do concurso do MPU em vários cargos.

Acredito, sobremaneira, que será uma questão certa na prova!!!!!! Estou apostando que a
mesma exigirá do concursando o cálculo do limite do crédito adicional que poderá ser aberto
no exercício financeiro. Por isso, fui ousado ao batizar esse nosso primeiro momento de
ACERTANDO O ALVO!!!!!!!!!!

Vamos à obra!!!!!

Primeiro de tudo, é necessário diferenciarmos créditos adicionais de créditos orçamentários ou


ordinários. A ESAF estabeleceu essa diferença em uma questão cobrada no concurso para
Analista de Finanças e Controle – TCU/1999. Vejamos:

(AFCE-TCU/1999)

O orçamento público no Brasil, após a sua aprovação em lei, poderá sofrer modificações no
decorrer de sua execução, através do mecanismo de abertura de créditos. Identifique o único
tipo de crédito que já é previsto.

a) Crédito ordinário. D) Crédito extraordinário.


b) Crédito suplementar. E) Crédito adicional.
c) Crédito especial.
Gabarito: A

O único crédito que já é previsto no Orçamento Público propriamente dito (LOA) é o


orçamentário. Observe que a ESAF não colocou em nenhuma de suas opções esse termo. O
examinador da questão praticamente inseriu uma nova terminologia técnica para créditos
orçamentários: créditos ordinários. Isso é muito comum em bancas de concursos. Por exemplo,
pedindo a sua licença para fugir um pouco do assunto tratado, o CESPE, em certa prova de
contabilidade geral, considerou como sinônimo de contas retificadoras: contas redutoras ou
subtrativas. Tais terminologias não constam em nenhum livro de graduação ou em livros
direcionados para concursos. Daí urge familiarizar-nos com as terminologias adotadas pelas
bancas!!!!!!

Voltando ao assunto, crédito ordinário ou orçamentário é a autorização contida na LOA para se


efetuar a despesa. Não confunda crédito orçamentário com dotação orçamentária (fixação
da despesa). Dotação orçamentária é a expressão monetária do crédito orçamentário. É o
limite até o qual o Poder Público está autorizado a gastar em um crédito orçamentário.
Analogamente, dotação orçamentária é o limite aprovado para gasto de um cartão de crédito
dado pelo marido (Poder Legislativo) àIMPORTANTE!!!!
sua esposa.

CRÉDITO ORÇAMENTÁRIO NÃO É DINHEIRO, MAS UMA AUTORIZAÇÃO PARA SE GASTAR!

Vou contar um romance para ficar mais claro!!

Suponha que Melquíades, recém-investido no cargo de Auditor do Tribunal de Contas do Estado


do Ceará, excelente marido, sensível às necessidades individuais de sua esposa, Ambrozina, dê
para ela um cartão de crédito American Express com um limite mensal de R$ 1.500,00 e diga,
dócilmente:

“- Minha flor, meu chuchu, razão da minha vida, ar que eu respiro, esposa de minha
alma...meu amor por vc aumentou!!! por isso, estou-lhe presenteando com este cartão de
crédito, mas com uma condição: vc está autorizada a gastar todo o limite na
programação que vc fez, mas somente da seguinte maneira:
R$ 500,00 em alimentação;

R$ 500,00 em roupas;

R$ 500,00 em salão de beleza.”

Pergunta-se qual(is) o(s) crédito(s) orçamentário(s)? Em que elementos de despesa Ambrozina


está autorizada a gastar o limite do cartão de crédito?

Bem, somente poderá haver gasto nas despesas acima (créditos orçamentários), obedecendo-
se aos seguintes limites respectivos, supramencionados. Portanto, a dotação do crédito
orçamentário alimentação é de R$ 500,00. Ou seja, Ambrozina somente está autorizada a
executar a despesa de alimentação até esse limite. Da mesma forma, para os demais créditos
respectivos (R$ 500,00 em cada crédito orçamentário).

Mas, e se ela resolve transferir, remanejar, realocar, transpor recursos de uma categoria de
despesa acima para outra, remanejá-los, gastar mais do que o que foi autorizado para um
crédito (por exemplo, suplementar a dotação de R$ 500,00 para R$ 600,00 na despesa com
salão de beleza, já que ficou mais caro o bronzeamento artificial q ela deseja fazer) ou inserir
uma nova programação de gasto(despesa) a que ela não estava autorizada a realizar para
aquele período(nesse caso, mensal), poderá fazê-los sem o consentimento do seu
maridaaaaaçooo???? É claro que não!

A Bíblia fala: mulheres sejam submissas aos seus maridos!!!!!! Por isso, Ambrozina, submissa que é,
vai pedir autorização ao seu “cherry”, ao seu docinho, para reforçar (suplementar) a dotação
orçamentária do crédito salão de beleza, que era de R$ 500,00. Esse é o crédito adicional
chamado Crédito Suplementar. Serve para aumentar um limite pré-estabelecido no orçamento
anterior, indicando, SEMPRE, a fonte de recurso para financiá-lo. Essa indicação é OBRIGATÓRIA
para os créditos adicionais suplementares e especiais, que ainda o veremos.

Caso queira inserir uma nova categoria de programação de despesa, um novo tipo de gasto,
por exemplo, academia, não contemplado na autorização anterior (LOA) terá de pedir ao seu
marido (Poder Legislativo), uma autorização especial, mais carinhosa, digamos, para adicionar
o gasto com academia no orçamento programado (orçamento-programa) anteriormente por
ela. Esse é o crédito adicional chamado Crédito Especial, que tem como escopo inserir uma
categoria de programação de despesa não contemplada no orçamento anterior, na
autorização anterior. Portanto esse tipo de crédito adicional CRIA uma NOVA DOTAÇÃO na
LOA, ao contrário do CRÉDITO SUPLEMENTAR que, como o nome sugere, REFORÇA uma
DOTAÇÃO já existente, aumentando o limite de gasto de crédito pré-estabelecido na LOA.
Alexandre, só existem esses tipos de crédito adicionais: suplementares e especiais?

Não, falaremos dos créditos extraordinários daqui a pouco!!!

Pois bem, diante do que até aqui foi exposto, podemos inferir que os únicos tipos de créditos
que já vem previstos na LOA são os créditos orçamentários ou ordinários. Os créditos adicionais
não estão previstos na LOA. No máximo, poderá, a LOA, conter autorização para abertura de
crédito adicional suplementar.

E como é que se identifica a necessidade de abertura desses créditos ditos adicionais?

Durante o exercício de execução do orçamento (Exercício Financeiro), período em que as


receitas públicas são arrecadadas (origens de recursos) para financiar as demandas sociais, via
execução das despesas (aplicações de recursos), pode ser que algum gasto necessário para
financiar uma demanda da sociedade não tenha sido inserido, durante a sua fase de
elaboração, em uma categoria de programação do planejamento estratégico (PPA) e do
planejamento operacional (LOA), ou, mesmo inserido, o valor de sua dotação não era suficiente
para a cobertura de todo o gasto durante o exercício financeiro.

Para isso é que surgem os mecanismos retificadores orçamentários (CRÉDITOS ADICIONAIS), que
possibilitam adaptar a LOA, durante a sua execução, a situações imprevistas ou previstas de
forma incorreta.

Como, no Brasil, tem-se que o orçamento é autorizativo ( e não impositivo), é lógico inferir que
tal instrumento está sujeito a ajustes, caso necessário, desde que observados alguns critérios. A
esses mecanismos de ajustes do orçamento chamamos de CRÉDITOS ADICIONAIS, cujas
modalidades são:

 a) suplementares: são os destinados a reforço de dotação orçamentária;


 b) especiais: são os destinados a despesas para as quais não haja dotação orçamentária
específica; e
 c) extraordinários: são os destinados a despesas urgentes e imprevisíveis, como as em
caso de guerra, comoção interna ou calamidade pública.

Os créditos suplementares e especiais necessitam de autorização do Poder Legislativo para


serem abertos.
Dessa forma, eles são AUTORIZADOS por lei e ABERTOS por decreto executivo.

CAPCIOSÍSSIMA!!!!!
A abertura se dá por decreto EXECUTIVO e não por decreto legislativo!

A abertura dos créditos suplementares e especiais depende da existência de recursos


disponíveis para acorrer à despesa e será precedida de exposição justificativa.

São considerados recursos para abertura dos créditos suplementares e especiais, desde que
não comprometidos:

I - o superávit financeiro apurado em balanço patrimonial do exercício anterior;

II - os provenientes de excesso de arrecadação;

III - os resultantes de anulação parcial ou total de dotações orçamentárias ou de créditos


adicionais, autorizados em Lei;

IV - o produto de operações de crédito autorizadas, em forma que juridicamente possibilite ao


poder executivo realizá-las.

Além desses acima elencados, são ainda considerados recursos para abertura dos créditos
supra:

 a dotação global não especificamente destinada a órgão, unidade orçamentária,


programa ou categoria econômica, denominada de reserva de contingência e,
 os recursos que, em decorrência de veto, emenda ou rejeição do projeto de Lei
Orçamentária Anual, ficarem sem despesas correspondentes.

São 6(seis), portanto, as fontes de recursos para abertura de créditos adicionais suplementares e
especiais.

Entende-se por superávit financeiro a diferença positiva entre o ativo financeiro e o passivo
financeiro, conjugando-se, ainda, os saldos dos créditos adicionais transferidos e as operações
de credito a eles vinculadas.
Entende-se por excesso de arrecadação, para os fins deste artigo, o saldo positivo das
diferenças acumuladas mês a mês entre a arrecadação prevista e a realizada, considerando-
se, ainda, a tendência do exercício.

Para o fim de apurar os recursos utilizáveis provenientes de excesso de arrecadação, deduzir-se-


á a importância dos créditos extraordinários abertos no exercício.

Significa o seguinte: dos recursos utilizáveis provenientes de excesso de arrecadação deverão


ser deduzidos, caso já tenha ocorrido uma abertura de crédito extraordinário no exercício.

Observe o esquema a seguir:

Relembrando: Os créditos suplementares e especiais são autorizados por lei e abertos por
decreto executivo.

Porém, no crédito extraordinário não existe autorização legislativa e sim comunicação imediata
ao Poder Legislativo. Ou seja, os créditos extraordinários serão abertos por decreto do Poder
Executivo, que deles dará imediato conhecimento ao Poder Legislativo, conforme dispõe a Lei
nº 4.320/64.

No entanto, a Constituição Federal, em seu artigo 167, §3º, c/c (combinado com) o art. 62,
dispõe que a abertura de crédito extraordinário somente será admitida para atender a
despesas imprevisíveis e urgentes, como as decorrentes de guerra, comoção interna ou
calamidade pública, e que em caso de relevância e urgência, o Presidente da República
poderá adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao
Congresso Nacional.
Desse modo, na União, a abertura de créditos extraordinários é realizada por meio de medida
provisória, haja vista dispositivo constitucional, porém, nos estados ou municípios em que não
haja dispositivo na constituição estadual ou na lei orgânica (município) prevendo o instituto da
medida provisória para abertura de crédito extraordinário, deve-se fazer por decreto do
executivo.

Os créditos adicionais terão vigência adstrita ao exercício financeiro em que forem abertos,
salvo expressa disposição legal em contrário, quanto aos especiais e extraordinários, se o ato de
autorização for promulgado nos últimos quatro meses daquele exercício, caso em que,
reabertos nos limites de seus saldos, serão incorporados ao orçamento do exercício financeiro
subseqüente.

CAPCIOSÍSSIMA!!!!!
Os únicos créditos adicionais que podem ser reabertos são os especiais e extraordinários. Veja o art. 167,
§2º da CF/88:

Art. 167. São vedados:

(...)

§ 2º. Os créditos especiais e extraordinários terão vigência no exercício financeiro em que forem autorizados, salvo se
o ato de autorização for promulgado nos últimos quatro meses daquele exercício, caso em que, reabertos nos limites
de seus saldos, serão incorporados ao orçamento do exercício financeiro subseqüente.

(...)
PARE!!! DON´T FORGET THIS

1 - Créditos Suplementares = destinados a reforço de dotação orçamentária.

São autorizados por lei e abertos por decreto executivo.

Dependem da existência de recursos disponíveis para ocorrer a despesa e será precedida de


exposição justificativa.

2 - Créditos Especiais = destinados a despesas para as quais não haja dotação orçamentária
específica.

São autorizados por lei e abertos por decreto executivo.

Dependem da existência de recursos disponíveis para ocorrer a despesa e será precedida de


exposição justificativa.

3 - Créditos Extraordinários = destinados a despesas urgentes e imprevistas, como em caso de


guerra, comoção intestina ou calamidade pública.

São abertos por decreto do Poder Executivo, que deles dará imediato conhecimento ao Poder
Legislativo (Lei nº 4.320/64).

São abertos por medida provisória, devendo submetê-la de imediato ao Congresso Nacional (art. 167,
§3º, c/c (combinado com) art. 62 da CF/88).

Esmiuçando agora os créditos extraordinários. Vamos a ele!!!!

Os Créditos adicionais extraordinários destinam-se a atender somente despesas imprevisíveis e


urgentes, como as decorrentes de guerra, comoção interna ou calamidade pública (art. 167, §
3º da CF e c/c art. 41, inciso III, da Lei nº 4.320/64).

CAPCISOSÍSSIMA!!!!!!
O termo “como as decorrentes de guerra, comoção interna ou calamidade pública” significa que esses fatos
imprevisíveis são apenas exemplificativos, ou seja, admitem-se outros fatos não enumerados na CF. O rol,
portanto, não é taxativo!!!!!!!
Os créditos extraordinários, como o próprio nome indica, pela urgência que os motiva não
necessitam de autorização legislativa prévia para a sua abertura.

Os créditos extraordinários são abertos por medida provisória e submetidos imediatamente ao


Poder Legislativo (art. 167, § 3º, c/c art. 62 da CF).

Esse procedimento é inverso aos realizados para a abertura dos créditos suplementares e
especiais. Isto é, no caso de despesas imprevisíveis e urgentes, como as decorrentes de guerra,
comoção interna ou calamidade pública, o Presidente da República realiza a abertura de
créditos extraordinários por meio de Medida Provisória e a encaminha ao Legislativo. Enquanto
ainda não apreciada pelo CN, o governo pode realizar os gastos necessários.

Alexandre, E se a Medida Provisória for rejeitada pelo Congresso Nacional?

Nessa situação o Congresso Nacional deve regulamentar, mediante Resolução, as situações


geradas, ou seja, as situações quanto aos gastos realizados.

Exemplo: O Congresso nacional pode estabelecer que a despesa realizada deva ser coberta
com a anulação ou o remanejamento de despesas fixadas para o pagamento da dívida
externa.

É BOM QUE SE DIGA!!!!!!!!!!


No caso dos créditos suplementares e especiais, primeiro existe a autorização do Congresso Nacional, em seguida,
Créditos
o governo suplementares: terão
realiza a abertura dos vigência
respectivos SEMPRE
créditos dentroEm
por Decreto. do exercício
princípio, financeiro;
os créditos extraordinários terão
vigência dentro do exercício financeiro em que foram abertos, salvo se o ato de autorização for promulgado nos
últimos quatro meses daquele exercício, caso em que, reabertos nos limites de seus saldos, serão incorporados ao
orçamento do exercício financeiro subseqüente (art. 167, § 2º, da CF).
Características dos créditos extraordinários:

Imprevisibilidade do fato, que requer ação urgente do poder público;

A despesa não está prevista no orçamento (LOA);

A abertura do crédito independe da indicação prévia da fonte de recursos para correr a


despesa. Se quiser, o governo pode indicar a fonte de recursos, não existe proibição nesse
sentido;

Abertos por Medida Provisória na União e nos Estados onde existe previsão de edição de MP
em suas constituições. Nos Municípios e nos Estados onde não existe previsão de edição
de MP, a abertura será por Decreto do Poder Executivo. A Lei 4.320/64 não prevê a edição de
MP. Essa regra encontra-se na CF/88.

Se o ato de autorização for publicado nos últimos 4 meses do exercício financeiro, os saldos
remanescentes em 31 de dezembro podem ser reabertos (transferidos) para o exercício
seguinte;

Não há necessidade de autorização legislativa prévia para a sua abertura e não pode ser
autorizado na própria LOA. Assim, a autorização legislativa é a posteriori.

Não há necessidade de que o Governo indique a fonte de recursos para a abertura dos
créditos extraordinários. Essa é uma faculdade do chefe do Poder Executivo, mas não há
vedação para que ele indique, ou seja, se quiser indicar, pode.

Caso o governo não indique a fonte de recursos para a abertura dos créditos extraordinários,
quando for abrir créditos suplementares ou especiais indicando como fonte de recursos o
excesso de arrecadação, terá que deduzir importância dos créditos extraordinários abertos no
exercício (art. 43, § 4°, da Lei nº 4.320/64).

Exemplificando: Suponha-se que em setembro e outubro de 2006 a Prefeitura Municipal de


Fortaleza tenha realizado abertura de créditos extraordinários totalizando $10.000,00 e não
houve indicação da fonte de recursos. Em dezembro do mesmo ano resolveu abrir um crédito
especial no valor de $ 40.000,00 e indicou como fonte de recursos o excesso de arrecadação
apurado no valor de $ 60.000,00.

Na situação apresentada, pergunta-se qual o valor que a prefeitura de Fortaleza poderá utilizar
para abrir crédito suplementar ou especial?
Cálculo:

Excesso de arrecadação apurado 60.000,00

(-) Valor utilizado na abertura de créditos extraordinários (10.000,00)

= Saldo do excesso de arrecadação 50.000,00

(-) Crédito especial aberto em dezembro (40.000,00)

= Saldo disponível para abertura de crédito

suplementar ou especial 10.000,00

Portanto, diante do cálculo acima, existe a obrigatoriedade de que o valor do crédito


extraordinário seja compensado quando da utilização de recursos provenientes de excesso de
arrecadação para a abertura de créditos adicionais.

Essa compensação, porém, só existe quando a fonte de recursos indicada for o excesso de
arrecadação.

Se a lei de autorização do crédito extraordinário for promulgada nos últimos quatro meses do
exercício financeiro, esses créditos poderão ser reabertos no exercício subseqüente, pelos saldos
remanescentes.

A reabertura dos créditos extraordinários será efetivada, quando necessária, mediante decreto
do Presidente da República, até trinta dias após a publicação da lei orçamentária.

Alexandre, o governo pode abrir um crédito adicional e depois cancelá-lo?

SIM, a qualquer momento. A abertura não obriga que o Executivo execute a despesa.

Assim, podem ser anulados créditos adicionais extraordinários, suplementares ou especiais.

O cancelamento de créditos suplementares ou especiais gera fonte de recursos para a abertura


de novos créditos adicionais.
Porém, o cancelamento de créditos extraordinários não pode ser fonte de recursos porque nem
mesmo é indicada a fonte de recurso para sua abertura.

Se o crédito extraordinário foi aberto sem indicação da fonte de recursos, como pode sua
anulação constituir fonte de recurso para a abertura de outros créditos adicionais?
Entende??????

CONSOLIDANDO O CONHECIMENTO!!!!!!

QUESTÕES PRÁTICAS COMENTADAS: CÁLCULO DO LIMITE DOS CRÉDITOS

01. O governo quer lançar um novo programa, que vai depender da aprovação de um crédito
especial. Ao encaminhar mensagem ao Legislativa, informa que:

- há $ 6,00 de excesso de arrecadação e $ 5,00 de economia de despesas;

- o ativo financeiro (AF) no balanço patrimonial do exercício anterior era de $ 7,00, sendo
o disponível de $ 3,00 e o passivo financeiro (PF) de $ 6,00;

- no presente exercício já foi aberto um crédito especial de $ 4,00, mediante autorização


para cancelamento de dotações inicialmente fixadas;

- Foi reaberto um crédito especial de $ 5,00, autorizado no exercício anterior.

Pergunta-se qual o limite disponível para a solicitação do novo crédito especial?

RESOLUÇÃO.

É preciso, em um primeiro momento, CALCULAR AS FONTES DE RECURSOS. Vamos refrescar


a memória agora!!!!!! Vcs se lembram quais são as fontes de recursos para ABERTURA DE
CRÉDITOS SUPLEMENTARES E ESPECIAIS?????? NÃO????? Então vamos a elas:
BASE LEGAL: ART. 43, § 1º DA LEI Nº 4.320/64

1 – Superávit Financeiro apurado em Balanço Patrimonial do exercício anterior;

2 – Excesso de Arrecadação;

3 – Anulação parcial ou total de dotações orçamentárias ou de créditos adicionais, autorizados em lei;

4 – Operações de crédito (Orçamentárias);

5 – Reserva de Contigência;

6 – Recursos que em decorrência de veto ou rejeição ficarem sem despesas (Recursos do art.166, §
8º da CF/88)

NOTA: Os recursos supramencionados SOMENTE servirão para abertura de créditos


suplementares e especiais se não estiverem comprometidos.

Pois bem, diante do exposto, vamos DAR O PRIMEIRO PASSO:

Excesso de arrecadação = $ 6,00


AF – PF = 7-6 = $ 1,00
TOTAL DAS FONTES: $ 7,00

CUIDADO COM A INFORMAÇÃO CAPCIOSÍSSIMA DO ART. 43, § 2º,


QUE DIZ:

“Entende-se por superávit financeiro a diferença positiva entre o


ativo financeiro e o passivo financeiro, conjugando-se, ainda, os
saldos dos créditos adicionais transferidos e as operações de
crédito a eles vinculadas. (...)”

Baseando-se no final desse artigo (parte sublinhada), precisamos tecer alguns comentários para
que você não dance na hora da prova!!!!!!! A questão é a seguinte: vamos nos deter a
comentar as principais fontes de recursos para abertura de créditos suplementares e especiais.
Garanto que você vai entender!!!!!!!!!

VAMOS LÁ!!!!!!!!!!
PRINCIPAIS FONTES DE RECURSOS DISPONÍVEIS

Os principais recursos disponíveis para abertura de créditos suplementares e especiais estão


listados no parágrafo primeiro do artigo 43 da Lei 4.320/64, no artigo 91 do Decreto-lei 200/67 e
no parágrafo oitavo do artigo 166 da CF:
a) 1ª PRINCIPAL FONTE DE RECURSOS: superávit financeiro apurado em balanço patrimonial
do exercício anterior entendido como a diferença positiva entre o ativo e o passivo
financeiro, conjugando-se os saldos dos créditos adicionais transferidos (especiais e
extraordinários) e as operações de crédito a eles vinculadas e não-arrecadadas no
exercício. Corresponde a dinheiro em caixa, disponível, proveniente de receita realizada
a maior que a despesa, em exercícios anteriores. Portanto, são os recursos financeiros
disponíveis que sobraram de exercício anterior e que estão demonstrados no balanço
patrimonial do ano anterior.

LEMBRETE Somente poderão ser transferidos para o exercício seguinte


(reabertos) os créditos especiais e extraordinários cuja lei de
E autorização tenha sido promulgada nos últimos quatro meses do
exercício.

INFORMAÇÃO CAPCIOSA!!!!!!!

Pois bem, até aqui, podemos inferir que, necessário se faz deduzir do montante do superávit financeiro os
saldos dos créditos adicionais transferidos (especiais e extraordinários, somente) do exercício anterior, e
ainda, as operações de crédito a eles vinculadas (caso, obviamente, existam)

Logo podemos desenvolver uma EQUAÇÃO MATEMÁTICA para se calcular o superávit


financeiro, a saber:

SF = AF – PF – (CAR – OCV),
onde :
AF = ATIVO FINANCEIRO – Valor das disponibilidades (dinheiro) apurado no Balanço
Patrimonial do exercício financeiro anterior.
PF = PASSIVO FINANCEIRO – Valor das obrigações de curto prazo que não foram pagas no
exercício anterior, apurado também no Balanço Patrimonial do exercício financeiro
anterior.

CAR = CRÉDITOS ADICIONAIS REABERTOS (SOMENTE ESPECIAIS E EXTRAORDINÁRIOS) –


Encontrados os valores do AF e do PF é necessário verificar se, no exercício, foram
reabertos créditos especiais ou extraordinários (trata-se de créditos que foram autorizados
e abertos inicialmente no ano anterior, nos últimos 04(quatro) meses e que, em 31/12 do
ano anterior, possuíam SALDO – valores não gastos. A CF, em seu art. 167, § 2º, permite a
reabertura do referido saldo no exercício seguinte). Caso tenham sido reabertos estes
créditos (CAR), os seus montantes deverão ser subtraídos para fins de apuração do
superávit financeiro. Isto porque parte dos recursos que constam do AF estão
“comprometidos” com esta autorização que passou para o outro exercício.

OCV = OPERAÇÕES DE CRÉDITO VINCULADAS – Caso tenha existido a reabertura destes


créditos é preciso verificar se eles tiveram como fonte no ano anterior “operações de
crédito” (empréstimos). Se tiverem sido financiados com “operações de crédito”, é
necessário verificar se todas as parcelas do empréstimo foram arrecadadas no ano
anterior ou se ainda resta parcela do empréstimo a ser recebida no ano seguinte. Caso
exista parcela a receber no ano seguinte (OCV), o seu montante deverá ser acrescido ao
cálculo do SF.

Pois bem, após ter dito isso, vamos continuar a resolver o EXEMPLO ANTERIOR.

PASSEMOS AO SEGUNDO PASSO DE RESOLUÇÃO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Do total das fontes de recursos calculada anteriormente, $ 7,00, temos de deduzir o


crédito especial reaberto no exercício atual, cujo SALDO REMANESCENTE era de $ 5,00.

LOGO $ 7,00 - $ 5,00 = $ 2,00 (ESSE É O LIMITE DISPONÍVEL PARA A SOLICITAÇÃO DO


NOVO CRÉDITO ESPECIAL).

b) 2 ª PRINCIPAIL FONTE DE RECURSOS: Os provenientes de EXCESSO DE ARRECADAÇÃO,


entendido como o saldo positivo das diferenças, acumuladas mês a mês, entre a
arrecadação prevista e a realizada, considerando-se A TENDÊNCIA DO EXERCÍCIO,
devendo serem deduzidos os créditos extraordinários abertos no exercício.
TENDÊNCIA DO EXERCÍCIO???? ESTOU
ALTO, ALEXANDRE!!!!!! O QUE É ISSO
MESMO??????????

Tenha calma, meu (minha)


jovem!!!!Vamos pousar
agora!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

A tendência do exercício é uma expressão que se refere aos fatores que

poderão interferir no nível de arrecadação em algum período de tempo do TOME


NOTA!!!!!
exercício financeiro, projetando o aumento ou diminuição no nível de

arrecadação ou mesmo mantendo-o constante. Esse fator deve ser con-

siderado na definição do excesso de arrecadação.

Suponha que existam os seguintes dados para apuração do excesso de arrecadação:

a) Arrecadação prevista até o mês de maio/x1 é de $ 1.100;

b) Arrecadação realizada até o mês de maio/X1 é de $ 1.200;

c) Há fatores que indicam uma queda na arrecadação até o final do exercício x1 de $


30; e

d) Há crédito extraordinário aberto no montante de $ 20.


Conhecidos os valores supra, podemos calcular o montante do recurso disponível para abertura
de crédito adicional à conta de excesso de arrecadação, aplicando a definição dada pelo §4º
do artigo 43 da Lei 4.320/64:

“Entende-se por excesso de arrecadação, para os fins deste artigo, o saldo positivo das
diferenças, acumuladas mês a mês, entre a arrecadação prevista e a realizada, considerando-
se a tendência do exercício.”

“Para o fim de apurar os recursos utilizáveis, provenientes do excesso de arrecadação, dezuzir-


se-á a importância dos créditos extraordinários abertos no exercício.”

Diante do exposto, procedendo ao cálculo do montante, teremos:

Arrecadação realizada 1.200

(-) Arrecadação prevista (1.100)

(=) Excesso de arrecadação 100

(-) Tendência do exercício (30)

(-) Crédito extraordinário aberto (20)

(=) Recurso disponível 50

Vamos agora a uma outra questão extraída do concurso da Polícia Federal em 2004. Essa eu
não a precisaria comentar, pois você já está CARECA DE SABER DESSE ASSUNTO (Imagine eu!!!!!!)

O conhecimento está DE VOCÊ!!!!!!!!!!

Segue-a:

02. (UNB/CESPE-DPF/DGP/NACIONAL/2004) Até o mês de junho, a administração havia


arrecadado 500 unidades monetárias (U.M.) a mais do que o previsto e gasto 100 U.M. a menos
do que o autorizado. O superávit financeiro verificado no balanço patrimonial do exercício
anterior foi de 250 U.M.; haviam sido reabertos créditos especiais de 150 U.M., não-utilizados no
exercício anterior; e o disponível na conta única, ao final do semestre, era de 350 U.M.. Em face
dessa situação hipotética e à luz da Lei 4.320/1964, julgue o item abaixo.

Na situação considerada, os responsáveis pela administração poderiam abrir créditos


suplementares de até 600 U.M.

RESOLUÇÃO:

Quais as fontes de recursos presentes na questão? Nesse caso, temos duas fontes, quais sejam:
a) Excesso de arrecadação= 500 UM
b) Superávit Financeiro = 250UM

TOTAL DAS FONTES: 500 + 250 = 750 UM.

Acabou a resolução?

Ainda não!

Como houve a reabertura de créditos especiais, por motivo de prudência, devemos deduzi-lo
do total das fontes.

Portanto, o total das fontes disponíveis é: 750 – 150 = 600 UM. O item está correto!!!!!!!

Alexandre, MAS PERAÍ!!!!! Eu observei que a


administração gastou menos do que o autorizado
na LOA. Ou seja, o Poder Público economizou o
recurso. Essa tal de ECONOMIA ORÇAMENTÁRIA
pode ser fonte para abertura de crédito adicional
suplementar ou especial?????????

CAPCIOSÍSSIMA!!!!!!!
ECONOMIA ORÇAMENTÁRIA JAMAIS SERÁ
FONTE DE RECURSOS PARA ABERTURA DE
CRÉDITO ESPECIAL OU SUPLEMENTAR
Resolvidas e comentadas essas questões, esgotadas todas as dúvidas, VC ESTÁ APTO A
RESOLVER UMA QUESTÃO DAQUELAS BEM CABELUDAS (QUESTÃO 3 SEGUINTE DESSE MÓDULO)

(IHHHHH, JÁ VI QUE NÃO É DAS MINHAS!!!!!!!!!)

a) (TRF 5ª Região/2003/FCC) Quando da apuração do superávit financeiro, o balanço


patrimonial do exercício anterior indicava para o ativo financeiro o valor de $150 e para o
passivo financeiro o de $70. No exercício haviam sido reabertos dois créditos adicionais:
um especial pelo saldo de $50, que havia sido aberto com recursos de operação do
crédito, do qual deixou de ser arrecadado no exercício anterior o valor de $20; e um
extraordinário pelo saldo de $28. Considerados esses dados, o valor máximo do crédito
adicional a ser aberto será

a) $80. (8) $52. (C) $30. (D) $22. (E) $ 2.

GABARITO DA Q. 03: D

b) (TRF 2º Região/Téc. Jud./Contabilidade/2007) Os créditos suplementares e especiais, de


acordo com o artigo 42 da Lei nº 4.320/64, serão autorizados por lei e abertos por
a) Instrução Normativa
b) Resolução do Poder Legislativo.
c) Portaria do Executivo.
d) Decreto Executivo.
e) Ato Administrativo.

Gabarito: D

c) (TRF 1º Região/Técnico Judiciário/Contabilidade/2006) Dos créditos Adicionais abaixo


relacionados poderão estar previamente autorizados na Lei Orçamentária Anual(LOA) os

d) Ordinários.
e) Suplementares.
f) Simples.
g) Especiais.
h) Extraordinários.

Gabarito: B

i) (TRE-PB/Analista Administrativo/2007) Ao longo do exercício financeiro, o Governo do


Estado precisou instituir um novo programa de assistência ao educando. Para tanto,
valeu-se de um:

j) Crédito adicional suplementar.


k) Crédito adicional especial.
l) Crédito financeiro.
m) Crédito extra-orçamentário.
n) Crédito orçamentário.

Gabarito: B

o) (TRE-PB/Analista Jud./Contabilidade/2007) Nos termos da Lei nº 4.320, de 1964, os recursos


que podem financiar créditos suplementares e especiais são:

p) Superávit financeiro do ano anterior, excesso de arrecadação, anulação de dotação,


operação de crédito.
q) Superávit orçamentário do ano anterior, ativo real líquido, anulação de dotação,
operação de crédito.
r) Operação de crédito por antecipação da receita, superávit financeiro, excesso de
arrecadação, anulação de dotação.
s) Superávit econômico, excesso de arrecadação, anulação parcial de dotação e
operação de crédito.
t) Superveniências e insubsistências ativas

Gabarito: A

u) (TCM-RJ/Auxiliar de Controle Externo/2004) Observe as informações abaixo,

Superávit financeiro em 2002 R$ 9.000,00

Superávit financeiro em 2003 R$ 6.000,00

Excesso de arrecadação R$ 7.000,00

Anulação de dotação orçamentária R$ 4.000,00

Economia da despesa R$ 2.000,00

Obtenção de empréstimo para fazer face às novas despesas R$ 5.000,00

O valor possível para abertura de créditos adicionais, para o ano de 2004, é:

a) 33.000,00
b) 31.000,00
c) 24.000,00
d) 22.000,00
QUADRO RESUMO DAS CARACTERÍSTICAS DOS CRÉDITOS ADICIONAIS

Espécie de crédito Suplementar Especial Extraordinário

Finalidade Reforço de dotação Atender à categoria Atender a

orçamentária De programação não Despesas

existente na Loa Contemplada na LOA. Imprevisíveis e

Urgentes.

Autorização Prévia, podendo ser Prévia, em lei Sem necessidade

Incluída na própria Especial. Prévia.

LOA em lei especial

Forma de Abertura Decreto do PE, após Decreto do PE, após Por meio de

Autorização Autorização Medida Provisória

Legislativa, até Legislativa, até (União) ou Decreto

o limite estabelecido o limite estabelecido (Estados e Municípios)

em lei. em lei.

Recursos Indicação Indicação Independe de

obrigatória. obrigatória. Indicação, ou seja,

é facultativa.

Valor/limite Obrigatório, Obrigatório, Obrigatório,

indicado na lei de indicado na lei de Indicado na

autorização e no autorização e no Medida provisória

decreto de abertura. decreto de abertura. (União) ou no Decreto

(Estados e Municípios).

Vigência Sempre no exercício Em princípio, no Em princípio, no

Financeiro em que foi exercício financeiro exercício financeiro

Aberto. em que foi aberto em que foi aberto

Prorrogação Não permitida Quando autorização Quando autorizado

nos últimos 4 meses nos últimos 4 meses

do exercício financeiro. do exercício financeiro.


SUPRIMENTO DE FUNDOS OU REGIME DE ADIANTAMENTO

BASE LEGAL:
Arts. 68 e 69 da Lei nº 4.320/1964;

Art. 74, § 3º, do Decreto-Lei nº 200/1967;

Arts. 45 a 47 do Decreto nº 93.872/1996 com as alterações do Decreto nº 95.804/1988;

Portaria nº 492/1993 do Ministério da Fazenda.

Para contratação de despesas que não possam subordinar-se ao processo normal de


aplicação, sob inteira responsabilidade do ordenador de despesa será entregue numerário a
servidor, sempre precedido de empenho. Consiste em um adiantamento, para contratação
destas despesas, nos casos expressamente definidos em lei.

A Lei nº 4.320/1964 estabelece que o regime de adiantamento é aplicável aos casos de


despesas expressamente definidos em lei e consiste na entrega de numerário a servidor, SEMPRE
precedida de empenho na dotação própria, para fim de realizar despesas que não possam
subordinar-se ao processo normal de aplicação.

Interessante notar que não existe despesa sem prévio empenho. Mesmo no caso de
executada através de adiantamento a servidor, a despesa primeiramente é empenhada e,
depois, depositada na conta do servidor suprido.

A operacionalização do suprimento de fundos se materializa com a entrega de numerário


a servidor, concedido pelo ordenador de despesa, mediante empenho na dotação própria.

O servidor abre uma conta específica no Banco do Brasil onde será depositado o
numerário a seu favor.

A despesa é considerada realizada no momento do seu empenho a favor do servidor


suprido. É nesse momento que ocorre o adiantamento da despesa. Posteriormente, o servidor
presta contas ao setor contábil.

Alexandre, quais os casos onde poderão ser aplicados os recursos concedidos a título de
suprimento de fundos??? É possível realizar quaisquer tipos de despesas com suprimento de
fundos??
Nos termos do Decreto nº 93.872/96, as principais despesas que poderão ser atendidas por
meio de suprimento de fundos são:

(1) Pata atender despesas eventuais, inclusive em viagem e com serviços

Especiais, que exijam pronto pagamento em espécie;

Hipóteses legais

de aplicação (2) Quando a despesa deva ser feita em caráter sigiloso, conforme se

do classificar em regulamento;

Suprimento de

Fundos (3) Para atender despesas de pequeno vulto, assim entendidas aquelas cujo

valor, em cada caso, não ultrapassar limites estabelecidos pela Portaria

MF nº 95, de 19/04/2002.

A hipótese nº 1 está elencada no art. 45, inciso I, do Decreto nº 93.872/1996; a hipótese nº


2, no art. 45, inciso II, do Decreto nº 93.872/1996; a nº 3, no art. 45, inciso III, do mesmo dispositivo
normativo.

Alexandre, e quais são os valores máximos permitidos??? O que se considera despesa de


pequeno vulto???

Atualmente, os valores máximos permitidos são: (5% dos limites de compras e serviços e 5%
do limite de execução de obras – estabelecidos em processo licitatório, por meio da
modalidade convite. Os valores, portanto, são, respectivamente: R$ 4.000,00 e 7.500,00).
Observe os quadros abaixo que estipulam os limites para concessão de suprimento de
fundos e pagamento de despesas de pequeno vulto.

Tabela I - Limites para concessão de suprimento de fundos:

Objeto Limite Valor

Obras e 5% do valor máximo para obras e serviços de engenharia na 5% x R$


serviços modalidade de licitação “convite” (alínea “a”, inciso I, do art. 150.000,00 =
23 da Lei nº 8.666/1993, alterada pela Lei nº 9.648, de 7.500,00.
de
27/05/1998).
engenharia

Outros 5% do valor máximo para outros serviços e compras em geral 5% x R$


serviços e na modalidade de licitação “convite” (alínea “a”, inciso II, do 80.000,00 =
art. 23 da Lei nº 8.666/1993 – alterada pela Lei nº 9.648, de 4.000,00.
Compras em
27/05/1998).
geral.

Fonte: Deusvaldo de Carvalho

Tabela II - Limites para pagamento de despesas de pequeno vulto:

Objeto Limite Valor

Obras e 0,25% do valor máximo para obras e serviços de engenharia 0,25% x R$


serviços na modalidade de licitação “convite” (alínea “a”, inciso I, do 150.000,00 = R$
art. 23 da Lei nº 8.666/1993, alterada pela Lei nº 9.648, de 375,00
de
27/05/1998).
engenharia

Outros 0,25% do valor máximo para outros serviços e compras em 0,25% x R$


serviços e geral na modalidade de licitação “convite” (alínea “a”, inciso 80.000,00 = R$
II, do art. 23 da Lei nº 8.666/1993 – alterada pela Lei nº 9.648, de 200,00
Compras em
27/05/1998).
geral.
Fonte: Deusvaldo de Carvalho

O limite a que se refere a última tabela é o de cada despesa, ou seja, em cada nota
fiscal.

CAPCIOSÍSSIMA!!!

 os limites estabelecidos para as despesas de pequeno vulto não se referem aos demais
casos especificados para a utilização de suprimento de fundos;
 Excepcionalmente, a critério da autoridade de nível ministerial, desde que caracterizada
a necessidade em despacho fundamentado, poderão ser concedidos suprimento de
fundos com valores superiores aos fixados anteriormente.
 A concessão de suprimento de fundos deverá respeitar os estágios da despesa pública:
empenho, liquidação e pagamento”.
 A regra geral é licitar, sendo a exceção utilizar-se de procedimentos que venham a
“fugir” desse preceito legal. Em virtude dessa regra, poderá utilizar-se dessa exceção tão-
somente aqueles casos onde as despesas não possam subordinar-se ao processo normal
de aplicação.
 Os limites supramencionados nas tabelas foram estipulados pelo legislador para evitar
manobras que tivessem a intenção de desviar-se do procedimento licitatório.
 É vedada a aquisição de material permanente por suprimento de fundos.

A Lei nº 8.666/1993, art. 60, parágrafo único estabelece entendimento quanto aos valores:

É nulo e de nenhum efeito contratual verbal com a Administração, salvo o de pequenas


compras de pronto-pagamento, assim entendidas aquelas de valor não superior a 5% (cinco por
cento) do limite estabelecido no art. 23, inciso II, alínea a desta Lei, feitas em regime de
adiantamento.

A Lei nº 4.320/1964 estabelece que o regime de adiantamento é aplicável aos casos de


despesas expressamente definidos em lei e consiste na entrega de numerário a servidor, sempre
precedida de empenho na dotação própria, para fim de realizar despesas que não possam
subordinar-se ao processo normal de aplicação.

A concessão do suprimento de fundos far-se-á:

- Regra: Cartão de Pagamento do Governo Federal – CPGF;


- Exceção: Contas tipo “B” – depósito em conta corrente – nos casos em que
comprovadamente não seja possível utilizar o CPGF.

O prazo máximo para utilização dos recursos é de até 90 dias, contados a partir da data
do ato de concessão do suprimento.

O servidor suprido tem até 30 dias, contados a partir do 1º dia após o prazo de utilização
do suprimento, para prestar contas da aplicação dos recursos recebidos a título de
adiantamento.

O § 3º do art. 45. do Decreto nº 93.872/1986 estabelece expressamente algumas


vedações para a concessão de suprimento de fundos a servidores que se enquadrem nas
seguintes hipóteses:

1. servidor responsável por dois suprimentos, ou seja, o servidor responsável por dois suprimentos de
fundos com prazo de aplicação não-vencido está impedido de receber um terceiro;
2. servidor que tenha a seu cargo a guarda ou utilização do material a adquirir, salvo quando não
houver na repartição outro servidor;
3. servidor que não tenha prestado contas de suprimento de fundos de sua responsabilidade, quando
esgotado o prazo para fazê-lo; - SERVIDOR EM ALCANCE
4. servidor que esteja respondendo a inquérito administrativo – IN STN nº 10/1991.

Servidor em alcance, portanto, é aquele que não tenha prestado contas de suprimento
de fundos de sua responsabilidade, quando esgotado o prazo para fazê-lo. Não se concederá
suprimento de fundos a servidor declarado em alcance.

CARTÃO DE PAGAMENTO DO GOVERNO FEDERAL – CPGF

Corresponde ao instrumento de pagamento, integrante do Programa de Modernização


do Governo Federal, emitido em nome da unidade gestora, com características de cartão de
crédito corporativo, operacionalizado por instituição financeira autorizada, no caso da União, o
Banco do Brasil, utilizado exclusivamente pelo portador nele identificado, nos casos indicados
em ato próprio da autoridade competente.

CASOS DE UTILIZAÇÃO DO CARTÃO DE PAGAMENTO DO GOVERNO FEDERAL:

1. Suprimento de fundos;
2. Pagamento de passagens aéreas;
3. Pagamento de diária de viagem a servidor;
4. Outras modalidades de despesa autorizadas.
O cartão é para uso exclusivo das Unidades Gestoras dos órgãos da Administração Pública
Federal direta, autarquia, fundações e demais entidades integrantes dos orçamentos fiscal e da
seguridade social.

Tabela – Limite para pagamento de despesas de pequeno vulto através do Cartão de


pagamento:

Objeto Limite Valor

Obras e 1% do valor máximo para obras e serviços de engenharia na 1% x R$


serviços modalidade de licitação “convite” (alínea “a”, inciso I, do art. 150.000,00 = R$
23 da Lei nº 8.666/1993, alterada pela Lei nº 9.648, de 1.500,00
de
27/05/1998).
engenharia

Outros 1% do valor máximo para outros serviços e compras em geral 1% x R$


serviços e na modalidade de licitação “convite” (alínea “a”, inciso II, do 80.000,00 = R$
art. 23 da Lei nº 8.666/1993 – alterada pela Lei nº 9.648, de 800,00
Compras em
27/05/1998).
geral.

Fonte: Deusvaldo de Carvalho

SISTEMA INTEGRADO DE ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA DO GOVERNO FEDERAL – SIAFI

Conceito

O Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal – SIAFI é o sistema


de informações que processa as execuções orçamentárias, financeiras, patrimoniais e contábeis
dos órgãos e entidades da Administração Federal, objetivando diminuir custos e proporcionar
maior eficiência e eficácia à gestão dos recursos alocados no orçamento.

O SIAFI é um sistema centralizado em Brasília, ligado por teleprocessamento aos órgãos do


Governo Federal distribuídos por todo o país e no exterior.
O SIAFI foi concebido para se estruturar por exercícios, cada ano equivale a um sistema
diferente, ou seja, a regra de formação do nome do sistema é a sigla SIAFI acrescida de quatro
dígitos referentes ao anos do sistema que se deseja acessar, exemplo: SIAFI2000, SIAFI2008, etc.

CAPCIOSÍSSIMA!!!

Enquanto no SIAFI é processada a execução orçamentária,


financeira, patrimonial e contábil, no SIDOR – Sistema Integrado de
Dados Orçamentários – é executada a elaboração do orçamento
público

Objetivos

O SIAFI é o principal instrumento utilizado para registro, acompanhamento e controle da


execução orçamentária, financeira e patrimonial do Governo Federal. Desde sua criação, o
SIAFI tem alcançado satisfatoriamente seus principais objetivos, que estão definidos na IN/STN nº
03/2001:

 prover mecanismos adequados ao controle diário da execução orçamentária, financeira


e patrimonial aos órgãos da Administração Pública;
 fornecer meios para agilizar a programação financeira, otimizando a utilização dos
recursos do Tesouro Nacional, através da unificação dos recursos de caixa do Governo
Federal;

 permitir que a contabilidade pública seja fonte segura e tempestiva de informações


gerenciais destinadas a todos os níveis da Administração Pública Federal;

 padronizar métodos e rotinas de trabalho relativas à gestão dos recursos públicos, sem
implicar rigidez ou restrição a essa atividade, uma vez que ele permanece sob total
controle do ordenador de despesa de cada unidade gestora;

 permitir o registro contábil dos balancetes dos estados e municípios e de suas


supervisionadas;
 permitir o controle da dívida interna e externa, bem como o das transferências
negociadas;

 integrar e compatibilizar as informações no âmbito do Governo Federal;

 permitir o acompanhamento e a avaliação do uso dos recursos públicos; e


 proporcionar a transparência dos gastos do Governo Federal.

Modalidade De Uso

O Sistema Integrado de Administração Financeira permite aos órgãos a sua utilização nas
modalidades total ou parcial.

Na modalidade de uso total as principais características de sua utilização são:

 processamento dos atos e fatos de determinado órgão pelo SIAFI, incluindo as eventuais
receitas próprias;
 identificação de todas as disponibilidades financeiras do órgão, através da conta única
do Governo Federal ou das contas fisicamente existentes na rede bancária;
 sujeição dos procedimentos orçamentários e financeiros do órgão ao tratamento padrão,
incluindo o uso do Plano de Contas do Governo Federal; e
 o SIAFI se constituir na base de dados orçamentários e contábeis para todos os efeitos
legais.

As principais características da utilização do sistema na modalidade de uso parcial são as


seguintes:

 execução financeira dos recursos previstos no orçamento geral da União, efetuada pelo
SIAFI;
 não permitir o tratamento de recursos próprios da entidade;
 não substituir a contabilidade do órgão, sendo necessário, portanto, o envio de
balancetes para incorporação de saldos.

IMPORTANTE!

É obrigatória a utilização do sistema na modalidade de uso total por parte dos órgãos e entidades que
integram o Orçamento Fiscal e o orçamento da Seguridade Social. É o que estabelece a LDO do Governo
Federal.
Formas De Acesso

O SIAFI permite as unidades gestoras, na efetivação dos registros da execução


orçamentária, financeira e patrimonial que o acessem de forma on-line ou off-line.

A forma de acesso on-line apresenta as seguintes características:

 todos os documentos orçamentários e financeiros das unidades gestoras são emitidos


diretamente pelo sistema;
 a própria unidade gestora atualiza os arquivos do sistema, digitando, por intermédio de
terminais conectados ao SIAF, os dados relativos aos atos e fatos de sua gestão;
 as disponibilidades financeiras da unidade gestora são individualizadas em contas
contábeis no SIAFI, compondo o saldo da conta única e de outras contas.

A forma de acesso off-line se caracteriza pelo fato de:

 as disponibilidades financeiras da unidade serem individualizadas em conta corrente


bancária e não comporem a conta única;
 a unidade gestora emitir seus documentos orçamentários, financeiros e contábeis
previamente à introdução dos respectivos dados no sistema; e
 a unidade não introduzir os dados relativos a seus documentos no sistema, o que é feito
através de outra unidade denominada pólo de digitação.

Principais Documentos

No SIAFI, a contabilidade pública realiza sua escrituração, que é a inserção de dados no


sistema em documentos previamente preparados, dentre os quais se destacam:

Nota de pré-empenho – PE

Utilizada unicamente para a efetuação de bloqueios orçamentários, através da figura


denominada pré-empenho, que consiste em tornar o crédito orçamentário indisponível
temporariamente para empenho, enquanto se aguarda a finalização da licitação.

Nota de empenho – NE

A Nota de Empenho é o documento utilizado para registrar as operações que envolvem


despesas orçamentárias realizadas pela Administração Pública federal, ou seja, o
comprometimento de despesa, seu reforço ou anulação, indicando o nome do credor, a
especificação e o valor da despesa, bem como a dedução desse valor do saldo da dotação
própria.
Nota de Lançamento por Evento – NL

A Nota de Lançamento é o documento utilizado para registrar a apropriação/liquidação de


receitas e despesas, bem como outros atos e fatos administrativos, inclusive os relativos a
entidades supervisionadas, associados a eventos contábeis não vinculados a documentos
específicos.

Nota de Movimentação de Crédito – NC

A Nota de Movimentação de Crédito é o documento utilizado para registrar a movimentação


interna e externa de créditos e suas anulações.

Nota de Dotação – ND

A Nota de Dotação é o documento utilizado para registro das informações orçamentárias


elaboradas pela Secretaria de Orçamento Federal, ou seja, dos créditos previstos no Orçamento
Geral da União (OGU). Também se presta à inclusão de créditos no OGU não previstos
inicialmente e ao registro do desdobramento do Plano Interno e do detalhamento da fonte de
recursos.

Nota de Lançamento – NS

Documento utilizado pelo sistema para registrar operações comandadas por fita magnética ou
processamento BATCH. Este documento é emitido automaticamente pelo sistema, obedecendo
ao comando recebido, e efetua os lançamentos automáticos.

DARF Eletrônico

DARF é a sigla para Documento de Arrecadação de Receitas Federais. Por meio desse
documento se registra a arrecadação de tributos e demais receitas diretamente na Conta
Única do Tesouro Nacional, sem trânsito pela rede bancária, ou seja, por meio de transferências
de recursos intra-SIAFI. O DARF eletrônico nada mais é que o instrumento de registro dessas
informações no SIAFI.

GPS Eletrônica

GPS é a sigla para Guia da Previdência Social. Esse documento permite registrar o recolhimento
das contribuições para a Seguridade Social por meio de transferências de recursos intra-SIAFI
entre a UG recolhedora e a Conta Única do Tesouro Nacional.
Ordem Bancária – OB

A Ordem Bancária é o documento utilizado para o pagamento de compromissos, bem como à


liberação de recursos para fins de adiantamento, suprimento de fundos, cota, repasse, sub-
repasse e afins, em contas bancárias mantidas no Banco do Brasil.

SID0R – SISTEMA INTEGRADO DE DADOS ORÇAMENTÁRIOS

O Sidor – Sistema Integrado de Dados Orçamentários é o Sistema de Informações


Corporativas da SOF – Secretaria Orçamentária Federal.

É no SIDOR que as Unidades Orçamentárias cadastram as ações e registram os valores da


Proposta Orçamentária Anual, sob a forma de Programas.

O Sistema Integrado de Dados Orçamentários (SIDOR) do Governo Federal está sendo


substituído pelo Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (SIOP). No entanto, como
está em nosso edital, abordaremos as principais características do SIDOR e, ao final, já traremos
algumas informações sobre o SIOP.
O SIDOR é implantado por meio de rede em sistema informatizado, administrada pelo
SERPRO, disponível em todas Unidades Orçamentárias. Estrutura e organiza, bem como visa ao
processamento da elaboração da proposta e ao acompanhamento da execução
orçamentária. É uma ferramenta de tecnologia da informação que tem o objetivo de fornecer
suporte e apoio às diretrizes técnicas, por meio da implementação de um conjunto de
processos informatizados e estrutura de dados que dão suporte às atividades do Sistema
Orçamentário Federal.
O processo de elaboração da proposta orçamentária via SIDOR divide-se em etapas
básicas, controladas pelo Sistema, denominadas “momentos”, que se subdividem em subetapas
– denominadas “tipo de detalhamento”. Cada momento pertence exclusivamente ao
respectivo usuário e não pode ser compartilhado, o que assegura privacidade e segurança aos
dados. Cada tipo de detalhamento corresponde a um determinado conjunto de despesas que
serão tratadas separadamente segundo regras específicas.

Nos seus respectivos momentos, a Unidade Orçamentária, o Órgão Setorial e a SOF


poderão consultar, incluir, alterar e excluir dados no subsistema “Captação Quantitativa das
Propostas dos Orçamentos e da Revisão do PPA”, até o encaminhamento da proposta.
Encerrado esse momento, o órgão e a unidade podem ainda consultar os dados
encaminhados ou, excepcionalmente, alterar apenas os textos referentes à justificativa de sua
programação. A SOF poderá apenas consultar os dados encaminhados pelo órgão. Por
exemplo, em uma solicitação de crédito adicional, enquanto a solicitação estiver no momento
SOF
(momento 20), cabe a esta Secretaria a análise da proposta. Caso seja necessária uma nova
intervenção do Órgão Setorial, caberá a SOF retornar o crédito para o momento Órgão Setorial
(momento 10).
Logo, o Sistema Integrado de Dados Orçamentários (SIDOR) é um sistema de tecnologia
da informação, administrado pelo SERPRO, implantado e utilizado pelo Governo Federal para
fins de estruturar, organizar e elaborar a proposta orçamentária.
Não há previsão do SIOP no edital do MPU, mas vamos passar algumas informações
básicas a respeito do novo sistema:
Atualmente ainda existem duas fontes cadastrais para programas e ações. Há o Sistema
de Informações Gerenciais e de Planejamento (SIGPLAN) que gerencia o PPA, acessado via
Internet.
Porém SIDOR e SIGPLAN estão chegando ao fim. Com o objetivo de integrar os atuais
sistemas utilizados nos processo de elaboração, acompanhamento e monitoramento do Plano
Plurianual e do Orçamento da União, colegas da Secretaria de Orçamento Federal (SOF/MP),
junto da Secretaria de Planejamento e Investimento (SPI/MP) e do Departamento de Empresas
Estatais (DEST/MP), desenvolveram e colocaram em operação o novo Sistema Integrado de
Planejamento e Orçamento - SIOP.

Possivelmente as bancas ainda não têm maiores informações, tanto que o CESPE ainda
previu SIDOR no nosso edital, divulgado recentemente, e até porque ele ainda não foi
totalmente desativado. A idéia é que no futuro o SIOP substitua integralmente os sistemas hoje
existentes. Atualmente, o SIOP já substituiu seus antecessores, por exemplo, no que se refere ao
registro de programas e ações, captação da proposta orçamentária e distribuição dos valores
disponíveis para elaboração do orçamento seguinte.
Como está muito recente, o que vislumbro que possa ser cobrado por alguma banca
bem atualizada é o básico, que seria exigir o conhecimento do candidato que o SIOP chega
para substituir e unificar SIDOR e SIGPLAN. Assim, os órgãos centrais, setoriais e as unidades
orçamentárias do Governo Federal passam a ter um único sistema para alimentar e atualizar o
cadastro de programas e ações. Outro fato importante é que ele permite o acesso via internet,
assim como o SIGPLAN, e diferentemente do SIDOR.

CONCEITO

Segundo a SOF, o Sidor é um conjunto de procedimentos, justapostos entre si, com a


incumbência de cuidar do processamento de cunho orçamentário, através de computação
eletrônica, cabendo sua supervisão à Secretaria de Orçamento Federal.
Seu objetivo é dotar o processo orçamentário de uma estrutura de processamento de
dados consoante às modernas ferramentas da tecnologia de informação, consubstanciadas na
implementação de um conjunto de processos informatizados e estruturas de dados que dá
suporte às atividades do Sistema Orçamentário Federal.

De acordo com o Manual Técnico Orçamentário – MTO SOF – 2005, o Sidor está
estruturado com mais relevância no suporte ao processo orçamentário. Para o referido manual,
os aplicativos seguintes apresentam relação direta com as etapas de elaboração
orçamentária.

 Subsistema Cadastro de Programas e Ações;


 Subsistema Prioridades e Metas Anuais;
 Subsistema Legislação Orçamentária;
 Subsistema Alinhamento da Série Histórica;
 Subsistema Definição dos limites;
 Subsistema Captação Quantitativa das Propostas;
 Subsistema Análise da Proposta Setorial;
 Subsistema Simulados de Fontes;
 Subsistema Compatibilização da Proposta Orçamentária;
 Subsistema Formalização do Projeto de Lei Orçamentária;
 Subsistema Receita;
 Subsistema Dívida (Saoc);
 Subsistema Precatórios;
 Subsistema Pleitos;

SIDORNET

SidorNet é uma derivação do Sidor via Internet, utilizado para a captação quantitativa,
qualitativa e financeira das ações (atividades, projetos e operações especiais) das Unidades
Orçamentárias que integrarão o Orçamento Anual e o PPA.
Assim, os valores referentes ao processo de elaboração orçamentária, que ao final de
agosto constituirão o Projeto de Lei Orçamentária Anual a ser enviado ao Congresso Nacional,
são inseridos e validados via SidorNet.

Enquanto o acesso ao Sidor é via SIAFI/Serpro, o SidorNet é acessado via WEB.

IMPORTANTÍSSIMO!!!

Segundo o manual técnico de orçamento para 2010 disponibilizado pela SOF em 22 de


junho de 2009, as funções orçamentárias e de Planejamento serão centralizadas num sistema
novo, o SIOP – Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento.

A proposta orçamentária para 2010, lançada ainda no ano de 2009, já utilizará o novo
sistema SIOP, e não mais utilizará o Sidor e SidorNet como vinha sendo feito.

O cadastro de programas e ações também já migrou para o novo sistema e, em breve,


ele também substituirá o sistema Sigplan-Sistema de Informações Gerenciais e de Planejamento.

Caso se queira ler o manual do SIOP, o mesmo está disponível no endereço eletrônico
http://www.siop.planejamento.gov.br/siop/.
GALERA CONCURSEIRA,

Nessa parte do material vamos “destrinchar” o conteúdo da Lei de Responsabilidade Fiscal,


focando-nos nos principais artigos cobrados em provas de concursos (Tabela II).

Para tanto, iremos sistematizar o conteúdo principal da LRF em 17 tópicos, conforme sumário a
seguir:

TABELA I

Sumário:

1. Lei de Responsabilidade Fiscal

1.1. Abrangências da LRF

1.2. Receita Corrente Líquida

1.3. Limites

1.4. Dívida Pública

1.5. Renúncia de Receita

1.6. Despesa Pública

1.7. Despesas obrigatórias de caráter continuado

1.8. Despesas com a Seguridade Social

1.9. Operações de Crédito

1.10. Transferência de Recursos ao Setor Privado

1.11. Transferências Voluntárias

1.12. Gestão Patrimonial

1.13. Escrituração e Consolidação de Contas

1.14. Prestação de Contas

1.15. Da Fiscalização da Gestão Fiscal

1.16. Relatório Resumido de Execução Orçamentária


(RREO)

1.17. Relatório de Gestão Fiscal (RGF)


TABELA II

Art. 1º, $1º,$2º;

Art. 2º, incisos I, II, III, IV, $1º,$2º, $3º;

Art. 3º;

Art. 4º;

Art. 5º, incisos I, II, III, alínea b, $1º, $2º, $3º, $4º, $5º, $6º;

Art. 8º;

Art. 9º, $4º;

Art. 11 e parágrafo único;

Art. 17;

Art. 18, $1º; $2º;

Art. 19, incisos I, II, III;

Art. 21;

Art. 22(completo);

Art. 23;

Art. 25, $1º, incisos I, III e IV, alíneas a, b, c, d; $1º, $2º, $3º

Art. 29(completo);

Art.30, incisos I e II;

Art. 31, $1º, incisos I e II, $2º,$3º, $4º, $5º;

Art. 38, I a IV, $1º, $2º, $3º;

Art. 42, caput e parágrafo único;

Art. 44;

Art. 48, parágrafo único;

Art. 49;

Art. 52;

Art. 54, I a IV, e parágrafo único;

Art. 55 (completo);

Art. 59 (completo).
Vamos à obra!!!!!

1. Lei de Responsabilidade Fiscal

A lei complementar n. 101/2000, Lei de Responsabilidade Fiscal, foi instituída


com a finalidade de ordenar as finanças públicas brasileiras. Sua previsão consta
na Carta Magna, senão vejamos:

Art 163 - A Lei complementar disporá sobre:

I – Finanças Públicas;

II – Dívida Pública externa e interna, incluída a das autarquias, fundações e


demais entidades controladas pelo Poder Público;

III – Concessão de garantias pelas entidades públicas;

IV – emissão e resgate de títulos da dívida pública;

V – Fiscalização das Instituições Financeiras;

VI – Operações de câmbio realizadas por órgãos e entidades da União, dos


Estados, do Distrito Federal e dos Municípios;

VII – Compatibilização das funções, das instituições oficiais de crédito da


União, resguardadas as características e condições operacionais plenas das
voltadas ao desenvolvimento regional.

A LRF, inspirada no New Public Act da Nova Zelândia, foi estruturada com
base em alguns pilares, sobre os quais discorreremos a seguir:

a) TRANSPARÊNCIA (OU VISIBILIDADE)

Há alguns anos, as informações sobre finanças públicas eram


acondicionadas em uma espécie de “caixa-preta”, como assunto sigiloso. Ora,
uma vez que a população tem o direito e o dever de saber as origens e
aplicações dos recursos dos quais é titular, foram estabelecidos meios para

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AFO

disponibilizar, inclusive em meio magnético, dados sobre receitas, despesas e


patrimônio. Dentre os principais mecanismos de divulgação, é possível destacar:

1)Audiências públicas;

2)Leis orçamentárias (PPA, LDO e LOA);

3)Prestações de contas;

4)Relatório Resumido de Execução Orçamentária;

5)Relatório de Gestão Fiscal;

6) Versões resumidas dos relatórios supramencionados.

b) PLANEJAMENTO E VISÃO DE LONGO PRAZO

Para exemplificar a nova mentalidade que deve prevalecer em nossos


gestores, é possível um caso real onde determinada Prefeitura, desejosa de
contratar guardas municipais, colocou a leilão o prédio onde estava situada a
sede da Prefeitura. Demais ilegalidades à parte, o produto da venda não
representa justificativa suficiente para a contratação dos novos servidores, visto
que a natureza da despesa é de caráter continuado, diferentemente da receita.
Nesse sentido, para que seja possível realizar uma despesa com impacto em
diversos Exercícios, faz-se necessário existir uma receita também de caráter
continuado, de forma a não prejudicar a execução orçamentária dos próximos
agentes políticos. Uma prática, também nesse sentido, que não deverá se repetir,
é a inscrição em restos a pagar – RP sem a correspondente disponibilidade
financeira. Em outras palavras: deixar dívidas para o próximo ano comprometendo
o orçamento seguinte com dívidas passadas. Assim, para ser possível deixar dívidas
para o próximo gestor, é necessário deixar, também, dinheiro em caixa suficiente
para cobrir o débito. Nesse diapasão, o que se deseja é uma mudança de cultura
onde o horizonte dos gestores deixe de ser a duração do mandato, de forma a ser
possível tomar decisões com foco na eficácia e eficiência no longo prazo.

c) RESPONSABILIDADE (ACCOUNTABILITY)

Prof. Alexandre Américo 133


AFO

A gestão irresponsável, a partir de modificação no Código Penal com a


inclusão dos crimes fiscais, passou a ser tratada com maior rigor. Dessa forma,
inscrição em RP (Restos a Pagar) sem disponibilidade financeira, não-publicação
dos demonstrativos previstos, realização de despesa de caráter continuado sem a
receita correspondente, realização de despesas de capital em volume menor que
as receitas de capital foram tipificados (acrescentados, normatizados) na
Legislação.

d) EQUILÍBRIO

O desejado equilíbrio das contas públicas é um dos objetivos da LRF. Assim, o


controle dos gastos com servidores, com juros e com despesas continuadas será
tratado com maior detalhamento nos itens seguintes.

1.1. Abrangências da LRF

A LRF destina-se à administração direta do Executivo, Legislativo (inserto o


Tribunal de Contas), Judiciário e Ministério Público nas três esferas de governo
(União, Estados e Municípios), inclusive fundos especiais, autarquias, fundações e
empresas estatais dependentes. Este último termo, praticamente inédito
(normalmente as Leis que tratam de administração pública dividem-na em direta
e indireta), compreende as empresas públicas e sociedades de economia mista
que recebem recursos oriundos do Poder Público.

Nesse diapasão, ao receber recursos em um determinado Exercício, resta


caracterizada a dependência. A

exceção (recebimento de repasse sem caracterizar a dependência) fica por


conta do aumento de capital. Assim, se a União aumentar o capital do Banco do
Brasil - BB, ao integralizar sua parcela, não pode o BB ser enquadrado como estatal
dependente.

Abrange administração direta, autarquias, fundação e empresas estatais


dependentes (empresas públicas e sociedade de economia mista desde que
recebam dinheiro do governo).

1.2. Receita Corrente Líquida

Prof. Alexandre Américo 134


AFO

É um dos conceitos mais usados da LRF. Praticamente todos os limites nela


estabelecidos são calculados em função da RCL. É obtida, em cada esfera de
governo, por meio do somatório de todas as receitas correntes do ente (próprias,
transferências, tributárias, não-tributárias), descontadas as transferências
constitucionais e legais (obrigatórias) e as receitas previdenciárias, parte dos
servidores. Como exemplo de transferências obrigatórias, pode-se citar a parcela
do IR e do IPI que a União repassa aos Estados (21,5% do montante) e Municípios
(22,5% do montante) por força de mandamento Constitucional. Esses valores são
excluídos da base de cálculo - BC da União e integram a base de cálculo dos
Estados e dos Municípios. Quando os Estados repassam a parcela do ICMS aos
Municípios, o repasse é descontado da BC da RCL daqueles e integram a BC
destes últimos.

No que pertine à periodicidade, é bom ressaltar que a RCL é sempre


calculada para um período de 12 meses (o mês em referência mais os 11
anteriores), com vistas a minimizar o impacto da sazonalidade (os Municípios têm
arrecadação significativa em janeiro, em função da cota única do IPTU, enquanto
que os Estados têm arrecadação significativa de ICMS no final do ano, por conta
do Natal).

1.3. Limites

Com vistas a “ordenar a casa”, a LRF estabeleceu uma série de limites a


serem obedecidos pelos gestores públicos. Vamos a eles:

1) Despesa com Pessoal

Esse grupo de despesa absorve a maior fatia do orçamento. A fim de que os


recursos não sejam excessivamente consumidos com pessoal e faltem recursos
para outros grupos, há alguns anos foi estabelecido um teto para esses gastos,
pela Lei Camata e, posteriormente, pela Lei Camata II. Em função da LRF ter
revogado expressamente esses diplomas e alterado a metodologia de cálculo, os
percentuais (teto) a serem respeitados, hoje são:

- Na União: 50% da RCL

Prof. Alexandre Américo 135


AFO

- Nos Estados: 60% da RCL

- Nos Municípios: 60% da RCL

Isso significa que o máximo que se pode gastar com pessoal, incluídas
quaisquer modalidades de despesa (vencimento, gratificações, adicionais, ativos,
inativos, pensionistas, etc...), efetuados os ajustes determinados, são os percentuais
acima.

Os ajustes (exclusões) são os seguintes:

Gastos com demissões;

Gastos decorrentes de decisões judiciais;

Gastos com hora extra do Pode Legislativo;

Gastos com inativos (parcela custeada pelos servidores).

Vale ressaltar que deverão ser destacadas, quando da evidenciação do


cumprimento desses limites os “gastos com terceirização de mão-deobra”,
figurando como “outras despesas com pessoal” no demonstrativo.

Tais dispêndios referem-se a gastos com contratações de mão-de-obra em


detrimento da realização de concursos públicos. Ou seja, são contratadas pessoas
para realizarem atividades inerentes ao Poder Público que poderiam ser feitas por
servidores concursados, em virtude da existência das vagas nos quadros do ente.

Cumpre destacar, ainda, que não será considerada como despesa com
pessoal da União os gastos referentes à remuneração dos servidores (Defensoria
Pública, Corpo de Bombeiros, etc) do DF, de Amapá e de Roraima cuja
responsabilidade recai sobre a esfera federal (em função da conversão dos
Territórios em Estados, decorrentes de mandamentos constitucionais).

Tendo sido extrapolados os limites, o gasto excedente terá que ser eliminado
nos dois quadrimestres seguintes, sendo pelo menos um terço já no final do
primeiro quadrimestre. As medidas a serem adotadas para alcançar a redução
desejada compreenderão, nos termos do art. 169 da CR de 1988:

Prof. Alexandre Américo 136


AFO

- redução de pelo menos 20% dos gastos com cargo de comissão e

funções de confiança;

- exoneração dos servidores não estáveis;

- exoneração dos servidores estáveis.

Essas medidas deverão ser implementadas na seqüência apresentada, onde


ato próprio de cada Poder explicitará os critérios a serem adotados. Com isso,
ampliou-se o número de situações onde o servidor estável pode perder seu cargo:

• por sentença judicial transitada em julgado,

• por processo administrativo disciplinar onde seja assegurada a ampla defesa e o


contraditório, bem como a falta cometida estar sujeita à penalidade de demissão,

• por excesso de gastos com pessoal e

• por falta de eficiência (aferidas por meio de avaliação de desempenho anual,


caracterizada por duas avaliações insuficientes consecutivas ou três intercaladas,
no prazo de cinco anos, na esfera federal).

Não sendo respeitados os prazos, a LRF prevê algumas sanções institucionais,


dentre as quais é possível citar:

a) não recebimento de transferências voluntárias, quais sejam aquelas que o ente


recebe em virtude ajustes (convênios) efetuados junto a outro ente. Não devem
ser confundidas com as transferências que decorrem da CR de 1988 ou de Lei, que
são obrigatórias. Uma vez que a suspensão das transferências iria prejudicar
principalmente a população, optou o legislador por excluir do rol de suspensões os
repasses das áreas de saúde, educação e assistência social. Ou seja: mesmo
estando irregular, o ente continuará recebendo transferências nessas áreas,
apenas.

b) não obterá garantia (essencial, mormente quando se trata de empréstimos


internacionais, exigência do BID e do BIRD).

Prof. Alexandre Américo 137


AFO

c) não contratará operações de crédito (empréstimos).

Com o intuito de evitar que os limites sejam violados, a LRF criou os


chamados limites prudencial e de alerta. O primeiro corresponde a 95% do teto e,
o segundo, a 90%. Isso significa que, em a despesa com pessoal tendo, no caso
dos municípios (cujo teto é de 60%), chegado a 57% da RCL, fica o ente proibido
de fazer qualquer coisa que

incremente os gastos dessa natureza, tais como concessão de aumento, criação


de cargos, modificação de carreira e outros. Já o limite de alerta corresponde a
um aviso a ser dado pelo Tribunal de Contas ao ente de que os gastos com folha
de pagamento merecem atenção especial...

Insta ressaltar que a vedação de nomeação de servidores (quando atingido


o limite prudencial) não se aplica à reposição de servidores nas áreas de
segurança, saúde e educação decorrentes de falecimento ou de aposentadoria.

1.4. Dívida Pública

A gestão da dívida é de grande importância para a sociedade, que,


infelizmente, nem sempre percebe o reflexo em sua vida cotidiana. A captação
de recursos a taxas menores, a capacidade de pagamento e o
comprometimento dos orçamentos futuros são assuntos recorrentes para os
economistas. Dessa forma, a LRF determinou o estabelecimento

de limites, já fixados por Resoluções do Senado Federal. São eles:

Dívida consolidada líquida (montante da dívida de longo prazo – que tende a ser
a parcela mais expressiva do total da dívida – descontadas as disponibilidades
financeiras):

- 120% da RCL para os municípios

- 200% da RCL para os estados

Prof. Alexandre Américo 138


AFO

Captação (realização, recebimento): 16% da RCL

Pagamento (tanto do principal quanto dos juros): 11,5% da RCL

Cumpre ressaltar que se for desrespeitado o limite para a dívida consolidada


líquida, o excedente, analogamente à despesa com pessoal, também deverá ser
ajustado, só que nos 3 quadrimestres seguintes, sendo pelo menos 25% já no final
do primeiro quadrimestre. Não sendo cumpridos esses prazos, incidirão as mesmas
sanções institucionais já mencionadas.

Com o intuito de ajustar os gastos com pessoal, excepcionalmente é possível


a contratação de operações de crédito para atender às despesas “demissionais”,
nos termos do art. 169 da Carta Magna, que garante, no caso de exoneração de
servidores por excesso de despesa com pessoal, a indenização de uma
remuneração por cada ano trabalhado.

1.5. Renúncia de Receita

Uma vez que a receita arrecadada não tem sido suficiente para arcar com
todas as despesas das esferas de governo de forma satisfatória, não faz sentido
“abrir mão” de receitas. Nesse sentido, a LRF vetou a possibilidade do Chefe do
Executivo conceder isenções, anistias, remições, créditos presumidos e quaisquer
outros benefícios que importem em diminuição do montante previsto a ser
arrecadado. Há indícios de que, em função do apoio recebido durante a
campanha, obrigam-se os agentes políticos, de alguma forma, a apoiar aqueles
que lhe estenderam a mão (financiaram os gastos eleitorais). Assim, não era raro,
por exemplo, determinado Prefeito baixar a alíquota do ISS que incidia sobre os
transportes intramunicipais. Atualmente, não mais é possível.

Há, contudo, DUAS EXCEÇÕES PARA A RENÚNCIA DE RECEITA:

(1) quando houver compensação, de forma que o valor do benefício a ser


concedido seja suportado pelo incremento na arrecadação de um outro imposto
(atenção, pois essa é a modalidade de tributo que deve ser majorada!), via
majoração da alíquota ou mudança da BC e

Prof. Alexandre Américo 139


AFO

(2) quando o benefício for considerado na LOA (de forma a não comprometer a
execução orçamentária, pois uma vez previsto no orçamento uma estimativa de
receita menor, também foram fixadas despesas menores).

Vale ressaltar, ainda, que a Constituição determina que seja elaborado um


“demonstrativo regionalizado do efeito sobre as receitas e despesas decorrentes
de isenções, anistias, remições (perdão da dívida), subsídios, e benefícios de
natureza financeira, tributária e creditícia", nos termos do art. 165.

É preciso destacar, ainda, que a partir da edição da Lei os entes são


obrigados a instituir todos os impostos de sua competência. Nesse sentido, se
algum município, por exemplo, ainda não tivesse instituído o ITBI (Imposto sobre
Transmissão de Bens Inter-vivos), foi obrigado a fazê-lo. Deve-se lembrar que a CR
de 1988 não criou os tributos cobrados pelas diversas esferas de governo, mas
atribuiu competência para que fossem criados. Assim, há de haver uma Norma
infraconstitucional estabelecendo-os. Contudo, não se sabe, ainda, por que razão
o IGF (Imposto sobre Grandes Fortunas) não “saiu do papel”...

1.6. Despesa Pública

Com vistas a evitar a realização de gastos de forma irresponsável, nos termos


do art. 15 serão consideradas não autorizadas, irregulares e lesivas ao patrimônio
público a geração de despesa ou assunção de obrigação que não atendam ao
disposto nos arts. 16 e 17, evidenciados a seguir:

Art. 16. A criação, expansão ou aperfeiçoamento de ação governamental que


acarrete aumento da despesa será acompanhado

de:

I - estimativa do impacto orçamentário-financeiro no exercício em que deva entrar


em vigor e nos dois subseqüentes;

Prof. Alexandre Américo 140


AFO

II - declaração do ordenador da despesa de que o aumento tem adequação


orçamentária e financeira com a lei orçamentária anual e compatibilidade com o
plano plurianual e com a lei de diretrizes orçamentárias.

§ 1o Para os fins desta Lei Complementar, considera-se:

I - adequada com a lei orçamentária anual, a despesa objeto de dotação


específica e suficiente, ou que esteja abrangida por crédito genérico, de forma
que somadas todas as despesas da mesma espécie, realizadas e a realizar,
previstas no programa de trabalho, não sejam ultrapassados os limites
estabelecidos para o Exercício;

II - compatível com o plano plurianual e a lei de diretrizes orçamentárias, a


despesa que se conforme com as diretrizes,

objetivos, prioridades e metas previstas nesses instrumentos e não infrinja qualquer


de suas disposições.

1.7. Despesas obrigatórias de caráter continuado

O art. 17 define como obrigatória de caráter continuado a despesa corrente


derivada de lei, medida provisória ou ato administrativo normativo que fixem para
o ente a obrigação legal de sua execução por um período superior a dois
exercícios, comprometendo, assim ,mais de um orçamento. Esse tipo de despesa,
para ocorrer, deve atender ao

seguinte:

• Os atos que criarem ou aumentarem deverão ser instruídos com a estimativa dos
gastos e demonstrar a origem dos recursos para seu custeio; e

• Comprovação de que a despesa criada ou aumentada não afetará as metas


de resultados fiscais previstas, sendo compensada pelo aumento permanente de
receita ou pela redução permanente de despesa.

Prof. Alexandre Américo 141


AFO

1.8. Despesas com a Seguridade Social

As despesas com a seguridade social (saúde, previdência e assistência


social) consomem parcela significativa dos recursos arrecadados e, em boa parte
dos entes, encontram-se desequilibradas. Isso significa que as receitas
arrecadadas não têm sido suficientes para “fechar o caixa”, ou seja, para atender
a todas as despesas. Para regularizar a situação, em 1999 foi promulgada a
Emenda n. 20, determinando novos critérios para concessão de benefícios,
mudando inclusive, o critério utilizado para cálculo, que passou de tempo de
serviço para tempo de contribuição, dentre outras alterações. Diante desse
quadro, a LRF, no art. 24, determinou que nenhum benefício ou serviço relativo à
seguridade social poderá ser criado, majorado ou estendido sem a indicação da
fonte de custeio total, nos termos do § 5o do art. 195 da Constituição, atendidas
ainda as exigências do art. 17 (estimativa do impacto, não-comprometimento das
metas fiscais e compensação).

Especificamente a compensação retromencionada é dispensada para o aumento


de despesa decorrente de:

I - concessão de benefício a quem satisfaça as condições de habilitação prevista


na legislação pertinente;

II - expansão quantitativa do atendimento e dos serviços prestados;

III - reajustamento de valor do benefício ou serviço, a fim de preservar o seu valor


real.

1.9. Operações de Crédito

Uma vez que, historicamente, boa parte das operações de crédito


efetuadas em nosso País, não foram objeto de estudos de viabilidade, boa parte
dos recursos do orçamento são consumidos com pagamento dos juros da dívida.
A fim de reverter esse quadro, a LRF determinou uma série de requisitos que devem
ser observados para realização de novos empréstimos, dentre os quais é possível
citar:

Prof. Alexandre Américo 142


AFO

I - existência de prévia e expressa autorização para a contratação, no texto da lei


orçamentária, em créditos adicionais ou lei específica;

II - inclusão no orçamento ou em créditos adicionais dos recursos provenientes da


operação, exceto no caso de operações por antecipação de receita;

III - observância dos limites e condições fixados pelo Senado Federal;

IV - autorização específica do Senado Federal, quando se tratar de operação de


crédito externo;

V - atendimento do disposto no inciso III do art. 167 da Constituição;

VI - observância das demais restrições estabelecidas nesta Lei Complementar.

Cumpre ressaltar, ainda, que o limite máximo para realização dessas


operações é de 16% da RCL. Ou seja, o ente tem liberdade para contratar
(pactuar) o valor que mais lhe aprouver, mas poderá realizar (receber)
financeiramente a parcela que caiba no limite.

É de bom alvitre lembrar que o conceito de operação de crédito foi


“expandido” pela Lei. Assim, além de empréstimos, devem ser considerados,
também: compromissos financeiros assumidos em razão de mútuo, abertura de
crédito, emissão e aceite de título, aquisição financiada de bens, recebimento
antecipado de valores provenientes da venda a termo de bens e serviços,
arrendamento mercantil e outras operações assemelhadas, inclusive com o uso de
derivativos financeiros.

Embora houvesse, de alguma forma, previsão na Lei n. 4.320 de 1964,


equiparam-se às operações de crédito e estão vedados:

Prof. Alexandre Américo 143


AFO

I - captação de recursos a título de antecipação de receita de tributo ou


contribuição cujo fato gerador ainda não tenha ocorrido, sem prejuízo do disposto
no § 7o do art. 150 da Constituição;

II - recebimento antecipado de valores de empresa em que o Poder Público


detenha, direta ou indiretamente, a maioria do capital social com direito a voto,
salvo lucros e dividendos, na forma da legislação;

III - assunção direta de compromisso, confissão de dívida ou operação


assemelhada, com fornecedor de bens, mercadorias ou serviços, mediante
emissão, aceite ou aval de título de crédito, não se aplicando esta vedação a
empresas estatais dependentes;

IV - assunção de obrigação, sem autorização orçamentária, com fornecedores


para pagamento a posteriori de bens e serviços.

1.10. Transferência de Recursos ao Setor Privado

Historicamente, a União arca com o prejuízo causado por diversas


entidades, por razões sociais, políticas ou em função de motivações outras. Assim,
não é rara a transferência de recursos a título de socorro (vide PROER, mais
recentemente). Com vistas a evitar o mau uso do dinheiro público,
indiscriminadamente e sem critério, foram estabelecidos critérios para a
transferência voluntária de recursos.

Dessa forma, os socorros e ajudas somente poderão acontecer preenchidos


os seguintes requisitos:

1)Autorização por meio de Lei prévia e específica;

2)Previsão na LDO;

3)Existência de créditos na LOA.

Prof. Alexandre Américo 144


AFO

1.11. Transferências Voluntárias

Essas transferências compreendem repasse de recursos efetuados em


decorrência de convênios e outros instrumentos congêneres. Dessa forma, não são
obrigatórias, não decorrem de Lei e são feitas com a intenção de auxiliar
determinado ente, normalmente aplicadas em área social. As exigências para
que determinado ente possa recebê-las são as seguintes:

I - existência de dotação específica;

II - (VETADO)

III - observância do disposto no inciso X do art. 167 da Constituição (inserir nota);

IV - comprovação, por parte do beneficiário, de:

a) que se acha em dia quanto ao pagamento de tributos, empréstimos e


financiamentos devidos ao ente transferidor, bem como quanto à prestação de
contas de recursos anteriormente dele recebidos;

b) cumprimento dos limites constitucionais relativos à educação e à saúde;

c) observância dos limites das dívidas consolidada e mobiliária, de operações de


crédito, inclusive por antecipação de receita, de inscrição em Restos a Pagar e de
despesa total com pessoal;

d) previsão orçamentária de contrapartida (o recebedor também deve, na


aplicação dos recursos recebidos, “colocar recursos seus, financeiros, materiais ou
humanos). Assim, quando determinado município recebe recursos da União
destinados ao atendimento de crianças portadoras de cuidados especiais, por
exemplo, o município executa o projeto com sua própria equipe, ou em suas
instalações, ou complementa os repasses com recursos próprios.

Prof. Alexandre Américo 145


AFO

1.12. Gestão Patrimonial

A disponibilidade financeira deverá ser aplicada com observância dos


limites e condições de proteção e prudência financeira. Especificamente as
disponibilidades de caixa dos regimes de previdência social, geral e próprio dos
servidores ficarão depositadas em conta separada das demais disponibilidades de
cada ente, sendo vedada sua aplicação em:

I - títulos da dívida pública estadual e municipal, bem como em ações e outros


papéis relativos às empresas controladas pelo respectivo ente da Federação;

II - empréstimos, de qualquer natureza, aos segurados e ao Poder Público, inclusive


a suas empresas controladas.

Essas proibições intentam evitar que esses recursos VINCULADOS sejam, por
meio de manobras, aplicados em outras áreas ou visem a atender a interesses
políticos escusos. Exemplificando, pode-se imaginar determinado município que,
para usar o dinheiro do fundo de previdência de seus servidores, determina que
seja efetuado pelo fundo um empréstimo à Prefeitura, para pagamento em 20
anos... Vale ressaltar que, infelizmente, há precedentes dessa natureza, ocorridos
antes da entrada da Lei em vigor.

Com vistas à preservação do patrimônio público, está vedada a aplicação


da receita de capital derivada da alienação de bens e direitos que integram o
patrimônio público para o financiamento de despesa corrente, salvo se destinada
por lei aos regimes de previdência social, geral e próprio dos servidores públicos.
Nesse diapasão, a lei orçamentária e as de créditos adicionais só incluirão novos
projetos após adequadamente atendidos os em

andamento e contempladas as despesas de conservação do patrimônio público,


nos termos em que dispuser a lei de diretrizes orçamentárias.

1.13. Escrituração e Consolidação de Contas

Prof. Alexandre Américo 146


AFO

Além de obedecer às demais normas de contabilidade pública, a


escrituração das contas públicas observará as seguintes:

I - a disponibilidade de caixa constará de registro próprio, de modo que os


recursos vinculados a órgão, fundo ou despesa obrigatória fiquem identificados e
escriturados de forma individualizada;

II - a despesa e a assunção de compromisso serão registradas segundo o regime


de competência, apurando-se, em caráter complementar, o resultado dos fluxos
financeiros pelo regime de caixa;

III - as demonstrações contábeis compreenderão, isolada e conjuntamente, as


transações e operações de cada órgão, fundo ou entidade da administração
direta, autárquica e fundacional, inclusive empresa estatal dependente;

IV - as receitas e despesas previdenciárias serão apresentadas em demonstrativos


financeiros e orçamentários específicos;

V - as operações de crédito, as inscrições em Restos a Pagar e as demais formas


de financiamento ou assunção de compromissos junto a terceiros, deverão ser
escrituradas de modo a evidenciar o montante e a variação da dívida pública no
período, detalhando, pelo menos, a natureza e o tipo de credor;

VI - a demonstração das variações patrimoniais dará destaque à origem e ao


destino dos recursos provenientes da alienação de ativos.

No caso das demonstrações conjuntas, excluir-se-ão as operações


intragovernamentais, cabendo à Administração Pública manter sistema de custos
que permita a avaliação e o acompanhamento da gestão orçamentária,
financeira e patrimonial.

Com o intuito de permitir uma visão conjunta das finanças da Nação, o


Poder Executivo da União promoverá, até o dia trinta de junho, a consolidação,

Prof. Alexandre Américo 147


AFO

nacional e por esfera de governo, das contas dos entes da Federação relativas ao
exercício anterior. Para que seja possível, os Estados e os Municípios encaminharão
suas contas ao Poder Executivo da União até trinta e um de maio e trinta de abril,
respectivamente.

1.14. Prestação de Contas

As prestações e tomadas de contas correspondem a processos elaborados


pelos ordenadores de despesas (Chefes de Poder) onde comprovam a
regularidade da aplicação dos recursos a eles confiados. A competência para
julgamento desses processos é do Poder Legislativo de cada esfera (Congresso
julga as contas do Presidente da República, as Assembléias Legislativas dos
governadores...), nos termos da Constituição da República, auxiliado pelo Tribunal
de Contas a ele vinculado.

Nesse diapasão, as Cortes de Contas são Órgãos auxiliares do Poder


Legislativo, composto de ministros ou conselheiros experts em contas públicas. A
LRF, no art. 56, explicita que as contas prestadas pelos Chefes do Poder Executivo
incluirão, além das suas próprias, as dos Presidentes dos órgãos dos Poderes
Legislativo e Judiciário e do Chefe do Ministério Público, as quais receberão
parecer prévio, separadamente, do respectivo Tribunal de Contas.

O parecer sobre as contas dos Tribunais de Contas (que têm orçamento


próprio e também realizam despesas) será proferido pela comissão mista
permanente referida no § 1o do art. 166 da Constituição ou equivalente das Casas
Legislativas estaduais e municipais.

Cumpre destacar que os Tribunais de Contas emitirão parecer prévio


conclusivo sobre as contas no prazo de sessenta dias do recebimento, se outro
não estiver estabelecido nas constituições estaduais ou nas leis orgânicas
municipais.

Para os municípios que não sejam capitais e que tenham menos de


duzentos mil habitantes, o prazo será de cento e oitenta dias. A fim de não
prejudicar os trabalhos do Parlamento, os Tribunais de Contas não entrarão em
recesso enquanto existirem contas de Poder, ou órgão pendentes de parecer
prévio.

A IN 01 da Secretaria Federal de Controle, que regulamenta o assunto no


âmbito do Poder Executivo da esfera federal, explicita que quaisquer pessoas
física ou jurídica, pública ou privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou

Prof. Alexandre Américo 148


AFO

administre dinheiros, bens e valores públicos estão sujeitos à fiscalização e


deverão elaborar

seus processos de contas, compreendendo:

I) Tomada de Contas, nas seguintes situações;

a) os ordenadores de despesas das unidades da Administração Direta Federal;

b) aqueles que arrecadem, gerenciem ou guardem dinheiros, valores e bens da


União, ou que por eles respondam; e

c) aqueles que, estipendiados ou não pelos cofres públicos, e que, por ação ou
omissão, derem causa a perda, subtração, extravio ou estrago de valores, bens e
materiais da União pelos quais sejam responsáveis.

II) Prestação de Contas:

a) os dirigentes das entidades supervisionadas da Administração Indireta Federal;

b) os responsáveis por entidades ou organizações, de direito público ou privado,


que se utilizem de contribuições para fins sociais, recebam subvenções ou
transferências à conta do Tesouro;

c) as pessoas físicas que recebam recursos da União, para atender necessidades


previstas em Lei específica.

Cumpre ressaltar que os processos de contas podem ser (1) anuais, (2)
especiais ou (3) extraordinários. O primeiro é comum, habitual, elaborado por
ocasião do encerramento do Exercício. O segundo ocorre nos casos em que há
desfalque, desvio ou qualquer outro caso de malversação de recursos públicos.

Prof. Alexandre Américo 149


AFO

Visa apurar, portanto, irregularidades. O terceiro ocorre em casos especiais,


atípicos, como por exemplo extinção de Órgãos ou entidades ou quando o
responsável se afasta antes do término da gestão (para assumir outra pasta ou
para concorrer a outro cargo), devendo prestar contas do período em que esteve
à frente da unidade administrativa ou arrecadou valores, ou foi responsável pela
tesouraria, etc.

1.15. Da Fiscalização da Gestão Fiscal

A fiscalização do cumprimento das normas estabelecidas na LRF competirá


ao Poder Legislativo, diretamente ou com o auxílio dos Tribunais de Contas, ao
sistema de controle interno de cada Poder e ao Ministério Público, com ênfase no
que se refere a:

I - atingimento das metas estabelecidas na lei de diretrizes orçamentárias;

II - limites e condições para realização de operações de crédito e inscrição em


Restos a Pagar;

III - medidas adotadas para o retorno da despesa total com pessoal ao respectivo
limite;

IV - providências tomadas, conforme o disposto no art. 31, para recondução dos


montantes das dívidas consolidada e mobiliária aos respectivos limites;

V - destinação de recursos obtidos com a alienação de ativos, tendo em vista as


restrições constitucionais e as desta Lei Complementar;

VI - cumprimento do limite de gastos totais dos legislativos municipais, quando


houver.

1.16. Relatório Resumido de Execução Orçamentária (RREO)

Prof. Alexandre Américo 150


AFO

O RREO intenta dar maior transparência sobre a execução orçamentária,


explicitando os valores efetivamente arrecadados e as despesas realizadas. Nesse
sentido, trata, eminentemente de receitas e despesas nas suas diversas
classificações. No que diz respeito à periodicidade, deve ser publicado até trinta
dias após o encerramento do bimestre. Conterá, em especial, nos termos do art.
52:

I - balanço orçamentário, que especificará, por categoria econômica, as:

a) receitas por fonte, informando as realizadas e a realizar, bem como a


previsão atualizada;

b) despesas por grupo de natureza, discriminando a dotação para o


exercício, a despesa liquidada e o saldo;

II - demonstrativos da execução das:

a) receitas, por categoria econômica e fonte, especificando a previsão


inicial, a previsão atualizada para o exercício, a receita realizada no bimestre, a
realizada no exercício e a previsão a realizar;

b) despesas, por categoria econômica e grupo de natureza da despesa,


discriminando dotação inicial, dotação para o exercício, despesas empenhada e
liquidada, no bimestre e no exercício;

c) despesas, por função e subfunção.

Nos termos do art. 53, acompanharão, ainda o Relatório Resumido


demonstrativos relativos a:

Prof. Alexandre Américo 151


AFO

I - apuração da receita corrente líquida, na forma definida no inciso IV do art. 2o,


sua evolução, assim como a previsão de seu desempenho até o final do exercício;

II - receitas e despesas previdenciárias a que se refere o inciso IV do art. 50;

III - resultados nominal e primário;

CAPCIOSÍSSIMA!!!!

Os resultados nominal e primário correspondem à diferença entre receitas e despesas. No primeiro,


consideramos TODAS as receitas e despesas. No segundo, excluímos das receitas e das despesas
aquelas que têm natureza financeira (receitas de aplicação financeira, despesa com juros, etc).

IV - despesas com juros, na forma do inciso II do art. 4o;

V - Restos a Pagar, detalhando, por Poder e órgão referido no art. 20, os valores
inscritos, os pagamentos realizados e o montante a pagar.

Especificamente o relatório referente ao último bimestre do exercício será


acompanhado também de demonstrativos:

I - do atendimento do disposto no inciso III do art. 167 da Constituição, conforme o


§ 3o do art. 32 (regra de ouro – o montante das receitas de capital não deve
superar as despesas de capital);

II - das projeções atuariais dos regimes de previdência social, geral e próprio dos
servidores públicos;

III - da variação patrimonial, evidenciando a alienação de ativos e a aplicação


dos recursos dela decorrentes.

Prof. Alexandre Américo 152


AFO

1.17. Relatório de Gestão Fiscal (RGF)

O RGF trata precipuamente de limites, com vistas a identificar a correta


gestão da res publica. O art. 55 dispõe que deverá evidenciar:

I - O cumprimento dos seguintes limites:

a) despesa total com pessoal, distinguindo a com inativos e pensionistas (50


ou 60% da RCL, dependendo do ente);

b) dívidas consolidada e mobiliária (120 ou 200% da RCL, dependendo do


ente);

c) concessão de garantias (22% da RCL);

d) operações de crédito, inclusive por ARO - Antecipação de Receita


Orçamentária (ARO – 7%, Realização das Operações de Crédito - 16% da RCL
e Pagamento - 11,5% da RCL);

e) despesas de que trata o inciso II do art. 4o;

II - indicação das medidas corretivas adotadas ou a adotar, se ultrapassado


qualquer dos limites;

III - demonstrativos, no último quadrimestre:

a) do montante das disponibilidades de caixa em trinta e um de dezembro;

Prof. Alexandre Américo 153


AFO

b) da inscrição em Restos a Pagar, das despesas:

1) liquidadas;

2) empenhadas e não liquidadas, inscritas por atenderem a uma das


condições do inciso II do art. 41;

3) empenhadas e não liquidadas, inscritas até o limite do saldo da


disponibilidade de caixa;

4) não inscritas por falta de disponibilidade de caixa e cujos empenhos


foram cancelados;

c) do cumprimento do disposto no inciso II e na alínea b do inciso IV do art.


38.

No que pertine à periodicidade, deverá ser publicado 30 dias após o


encerramento de cada quadrimestre, inclusive por meio eletrônico.

Quanto à responsabilidade, deverá ser emitido pelos titulares dos Poderes e


órgãos referidos no art. 20 e assinado pelo:

I - Chefe do Poder Executivo;

II - Presidente e demais membros da Mesa Diretora ou órgão decisório


equivalente, conforme regimentos internos dos órgãos do Poder Legislativo;

Prof. Alexandre Américo 154


AFO

CAPCIOSÍSSIMA!!!!

As operações de ARO são realizadas pelos Estados e Municípios em virtude de insuficiência de caixa.
Objetivam, portanto, corrigir problemas de liquidez dos entes, que dirigem-se até a União e solicitam
uma antecipação do valor que seria repassado no futuro. Para viabilizar o repasse, a União vai até o
mercado, obtém os recursos e faz a transferência, compensando futuramente com base no valor que
deveria transferir, em função do repasses constitucionais. A ARO pode ser realizada a partir do dia 10
de janeiro de cada Exercício, devendo ser liquidada até 10 de dezembro de cada ano, sendo vedada no
último ano do mandato. Não há limite ao número de operações, desde, ao fazer as seguintes, quite as
anteriores.

III - Presidente de Tribunal e demais membros de Conselho de Administração ou


órgão decisório equivalente, conforme regimentos internos dos órgãos do Poder
Judiciário;

IV - Chefe do Ministério Público, da União e dos Estados.

Parágrafo único. O relatório também será assinado pelas autoridades


responsáveis pela administração financeira e pelo controle interno, bem como por
outras definidas por ato próprio de cada Poder ou órgão referido no art. 20.

1.18. Situações Especiais

Cumpre ressaltar que, no caso de calamidade pública ou baixo crescimento


do PIB (até 1%), os prazos previstos na Lei para ajuste da despesa com pessoal (2
quadrimestres) e para ajuste da dívida (3 quadrimestres) ficarão suspensos ou
serão contados em dobro, respectivamente.

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