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Apostila de Farmacologia II

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Mediadores químicos da inflamação e da Alergia:

-Histamina;

-Eicosanóides (Prostanóides, leucotrienos);

- Fator de ativação das plaquetas (PAF);

- Bradicinina;

- Óxido Nítrico;

- Neuropeptídeos;

- Citocinas.

HISTAMINA

● É uma amina (base) , armazenada em grânulos de mastócitos e basófilos;

● É secretada pelos mastócitos quando os componentes do sistema complemento


interagem com a membrana celular ou quando o antígeno interage com a IgE fixada na
superfície celular;

RECEPTORES HISTAMINÉRGICOS:

- H1: MÚSCULO LISO DOS BRÔNQUIOS, BRONQUÍOLOS, ÍLEO E ÚTERO:


CONTRAÇÃO.

➔ Redução do fluxo do ar na asma brônquica.;

➔ Se houver grande liberação de histamina durante a gravidez, pode ocorrer


aborto;
➔ Eritrema da pele (vasodilatação das pequenas arteríolas e dos esfíncteres pré-
capilares), devido a atuação em receptores H1 do endotélio vascular;
➔ Prurido (estimulação das terminações nervosas);
➔ SNC: Histamina funciona como neurotransmissor e está relacionada a alguns
tipos de vômito.

- H2: Células parietais (estômago); Coração: Aumento da secreção ácida e da


frequência cardíaca.

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- H3 (pré-sináptico): Está relacionado a inibição da liberação de alguns
neurotransmissores.

● Principais efeitos da Histamina:

■ Estimulação da secreção gástrica;

■ Estimulação cardíaca;

■ Vasodilatação;

■ Aumento da permeabilidade vascular.

FÁRMACOS ANTAGONISTAS HISTAMINÉRGICOS (ANTI-HISTAMÍNICOS)

ANTAGONISTAS DOS RECEPTORES H1:

● Prometazina (Fernegan); Não-seletivo (H1 SNCentral e periférico)


● Dexclorfeniramina (Polaramine); Muito pouco seletivo.
● Loratadina (Claritin); Pouco seletivo no início do tratamento.
● Fexofenadina (Allegra); Muito seletivo, sobretudo para as vias aéreas.

⇨ Tratamento de reações alérgicas cutâneas; asma brônquica, rinite alérgica.

ANTAGONISTAS DOS RECEPTORES H2:

*Cimetidina (Tagamet);
*Ranitidina (Antak).

⇨ Tratamento da úlcera péptica.

FÁRMACOS ANSIOLÍTICOS E HIPNÓTICOS

INTRODUÇÃO: A ANSIEDADE

↳ Os ansiolíticos são utilizados por 10% da população dos países desenvolvidos.

↳ É difícil distinguir a ansiedade normal da patológica.


↳ Principais manifestações da ansiedade patológica:

 Queixa verbal
 Efeitos somáticos e autônomos: Inquietação, agitação, taquicardia, sudorese, choro,
distúrbios gastrintestinais, distúrbio do sono.
 Interferência nas atividades produtivas normais.

ANSIEDADE E DEPRESSÃO
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AGENTES ANSIOLÍTICOS E HIPNÓTICOS:

BENZODIAZEPÍNICOS: Agentes ansiolíticos e hipnóticos.

AGONISTAS DOS RECEPTORES DE 5-HT: Ansiolíticos e muito pouco sedativos.

BARBITÚRICOS: O uso como ansiolíticos obsoleto.

ANTAGONISTAS - ADRENÉRGICOS: Utilizados no tratamento de ansiedades


com sintomas físicos incômodos (sudorese, tremor, taquicardia).

OUTRAS DROGAS:

- Hidrato de Cloral, paraldeído ⇒ Obsoletos.


- Anti-histamínico ⇒ pílulas para dormir, geralmente para crianças (Ex: Prometazina,
difenidramina).

BENZODIAZEPÍNICOS (BDZ)
Diazepam, bromazepam, nitrazepam, cloxazolam, clordiazepóxido,

 EFEITOS FARMACOLÓGICOS SOBRE O SNC:

MECANISMO:
Os BDZ atuam potencializando a ação do GABA (neurotransmissor inibitório). Eles se ligam
especificamente a um sítio regulador no receptor de GABA, aumentando a afinidade do
receptor pelo neurotransmissor, levando a um aumento na freqüência de abertura dos
canais de cloreto, gerando hiperpolarização, que dificulta ou impede a deflagração de
potencias de ação.

 O FLUMAZENIL é um antagonista competitivo dos BDZ. Ele se liga a um sítio no


receptor de GABA (orifício de ligação dos BDZ).

 ASPECTOS FARMACOCINÉTICOS

 Os BDZ são, em geral, bem absorvidos quando administrados por via oral;

 Podem ser administrados pela via EV; A injeção IM resulta em absorção lenta;

 O Metabolismo hepático gera metabolitos ativos (geralmente glicuronídeos) 


CUIDADO efeito hipnótico prolongado em IDOSOS e HEPATOPATAS.

 Drogas de ação prolongada: Hipnóticos (nitrazepan)

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EFEITOS INDESEJADOS:

TOXICIDADE AGUDA (SUPERDOSAGEM AGUDA)

- Em superdosagem, os BDZ causam sono prolongado sem depressão cardiorespiratoria


grave. Mas na presença de outros depressores do SNC, ocorre potencialização do efeito
farmacológico.

EFEITOS COLATERAIS DURANTE O USO TERAPEUTICO

- Sonolência, confusão, amnésia, diminuição da coordenação motora.

TOLERÂNCIA E DEPENDÊNCIA

BARBITÚRICOS
Fenobarbital, ciclobarbital.

 MECANISMO

 Os barbitúricos se ligam em um sítio no receptor do GABA (diferente do sítio dos BZD),


levando a um amento na freqüência de abertura dos canais de Cl (cloreto).
 Superdosagem perigosa; alto grau de tolerância e dependência; indução microssomal.
Utilizados na anestesia e tratamento da epilepsia.

 Os barbitúricos podem promover parada cardiorrespiratória em doses elevadas!! Este


efeito pode ser pronunciado se forem ingeridas bebidas alcoólicas ou se forem
administradas outras drogas depressoras do SNC!!!!!

DROGAS ANTIEPILÉTICAS
(anticonvulsivantes)

INTRODUÇÃO: A EPILEPSIA

- Afeta a 5% da população;

-Evento característico: CRISE, que se pode estar associada à convulsão;

-A crise é causada por uma descarga normal de alta freqüência de um grupo de neurônios,
começando localmente e propagando-se em uma extensão variável, afetando outras áreas
do cérebro.

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-As crises podem ser parciais ou generalizadas. O ataque envolve fenômenos motores,
sensoriais ou comportamentais.

 CLASSIFICAÇÃO DOS TIPOS DE CRISES CONVULSIVAS

CRISES PARCIAIS

Crises parciais simples;


Crises complexas parciais;
Crises parciais secundariamente generalizadas

CRISES GENERALIZADAS

Crises tônico-clônicas generalizadas (“grande mal”);


Crises de ausência (“pequeno mal”);
Crises tônicas;
Crises atônicas;
Crises clônicas e mioclônicas;
Espasmos infantis

“MAL EPILÉTICO:” Condição fatal em que a atividade convulsiva torne-se


ininterrupta.

OBS: Descarga epilética repetida pode causar morte neuronal (excitotoxidade).

As terapias farmacológicas disponíveis mostram-se eficazes em 70-80% dos pacientes.

MECANISMO DE AÇÃO DAS DROGAS ANTIEPILÉTICAS

FENITOÍNA (Hidantal)  Bloqueio uso-dependente dos canais de sódio, inibindo a


propagação da descarga. Bloqueia as descargas repetidas de alta freqüência.
EXCETO crises de ausência
EFEITOS ADVERSOS: Hirsutismo; Anemia Megaloblástica.

 CARBAMAZEPINA (Tegretol)  Bloqueio uso-dependente dos canais de Na+ (sódio)


 TODOS os casos, EXCETO crises de ausência.

VALPROATO (Depakene) Bloqueio dos canais de Na e inativação da GABA-


aminotransferase, levando ao aumento dos níveis de GABA.
Náuseas, queda capilar, etc...
Utilizado nas crises de ausência concomitantes a quadros tônico-clônicos
generalizados.

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 ETOSSUXIMIDA  Inibição da Na/K ATPase; inibição da GABA-aminotransferase.


Podem ocorrer distúrbios gastrintestinais (náuseas, vômitos e dores), letargia, cefaléia,
tonteira e euforia transitória.
EXCLUSIVA para os casos de crise de ausência.

 FENOBARBITAL (gardenal)  Potencialização da ação do GABA.


TODOS os tipos de epilepsia, EXCETO ausência.

BENZODIAZEPÍNICOS Potencialização da ação do GABA.


Diazepam IV Controle do estado de mal epilético.

DROGAS BLOQUEADORAS NEUROMUSCULARES

INTRODUÇÃO

Bloqueio Neuromuscular:

● Não é utilizado como terapêutica.


● Adjuvante da anestesia quando se dispõe de ventilação artificial.

NEUROFISIOLOGIA

CÉREBRO MEDULA NERVOS MÚSCULO


(Córtex motor) ESPINHAL MOTORES ESQUELÉTICO
(Eferentes)

REFLEXOS SIMPLES DE CONTRAÇÃO EM RESPOSTA A ESTÍMULOS


SENSORIAIS:

RAÍZES NEURÔNIOS
DORSAIS MOTORES
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INTERNEURÔNIOS
INIBITÓRIOS

NEUROTRANSMISSORES INIBITÓRIOS: GABA, GLICINA.

DROGAS QUE INFLUENCIAM O TÔNUS DO MÚSCULO ESQUELÉTICO

⇒SNC (Córtex Motor Cerebral)

● Miotonolíticos

Diminuem o tônus muscular, através da estimulação dos interneurônios inibitórios.


Exemplos:

1) Benzodiazepínicos (Diazepam, bromazepam, etc.) Aumentam a afinidade do receptor pelo


neurotransmissor.

9508) Baclofen (Baclofen®, Lioresal®- agonista do receptor de GABA

● Convulsivantes

Aumentam o tônus muscular através da diminuição da inibição mediada pelos


interneurônios inibitórios.
Exemplos:

1) Estricnina: É um antagonista do receptor de glicina. Gera convulsão motora.

2) Toxina tetânica (Clostridium tetani): Inibe a liberação de glicina. Promove convulsão


motora. Risco de vida devido a disordem nos músculos respiratórios.

⇒INIBIDORES DA LIBERAÇÃO DE ACETILCOLINA

● MAGNÉSIO (Mg2+) Este cátion tem seus níveis elevados em algumas patologias.
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● TOXINA BOTULÍNICA ( Clostridium botulinum ) É um dos venenos mais potentes.


Ocasiona paralisia dos músculos respiratórios, podendo levar a morte.
Dose letal para adultos: 0,000003 mg (3 x 10-6)

RELAXANTES MUSCULARES

■ Promovem paralisia flácida.


■ Ajudam a garantir que os procedimentos cirúrgicos não sejam atrapalhados por contrações
musculares dos pacientes.
■ São adjuvantes dos anestésicos locais.
■ Se dividem em duas classes:

1) Agentes bloqueadores não-despolarizantes e


2) Agentes bloqueadores despolarizantes.

HISTÓRICO

■ Índios da América do Sul: CURARE embebido em flechas para caçar e combater os


inimigos.
■ O curare é uma mistura de alcalóides de ocorrência naturalencotrados em diversas plantas.
O princípio ativo é a D-TUBOCURARINA.

● A D-TUBOCURARINA não é utilizada na clínica.


● A partir dela foram desenvolvidos análogos sintéticos, com menos efeitos
colaterais:

➢ Galamina
➢ Pancurônio (nome comercial: Pavulon, Pancuron)
➢ Vecurônio (Norcuron)
➢ Atracúrio (Tracur, Tracrium)
➢ Mivacúrio

EFEITOS INDESEJADOS:

➢ Indução da liberação de histamina pelos mastócitos (não imunogêncica), levando a um


quadro de broncoconstrição, urticária e hipotensão.

➢ Bloqueio ganglionar que gera redução da pressão arterial.

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ASPECTOS FARMACOCINÉTICOS

➢ A administração é feita pela via endovenosa. Oque varia de uma droga para a outra é o
tempo de início de ação e a duração do efeito relaxante muscular.

➢ O metabolismo principalmente hepático. Alguns são excretados de modo inalterado na


urina. O atracúrio sofre hidrólise espontânea no plasma. O mivacúrio é hidrolisado pela
colinesterase plasmática.

MECANISMO

Os bloqueadores não-despolarizantes atuam como antagonistas competitivos dos receptores


nicotínicos de acetilcolina da placa terminal ou neuromuscular.

EFEITOS

➢ Paralisia motora. Os primeiros músculos a serem paralisados são os oculares extrínsecos


(causando visão dupla) e os pequenos músculos da face, extremidades e faringe (traz
dificuldade de deglutição).

➢ Os músculos respiratórios são os últimos a serem afetados e os primeiros a se recuperarem.

VELOCI-
DROGA DADE DE DURA-ÇÃO PRINCIPAIS EFEITOS
INÍCIO COLATERAIS
Lenta Prolongada (1 -Hipotensão (bloqueio ganglionar +
TUBOCURARI-NA* (> 5 Min) - 2 h) liberação de histamina);
-Broncoconstrição
Lenta Prolongada -Taquicardia ( antagonismo M2)
GALAMINA*

Intermediári Prolongada -Sem hipotensão! ;


PANCURÔNIO* a - Taquicardia discreta
(2-3 min.)
Intermediári Intermediária - Poucos efeitos colaterais.
VECURÔNIO* a (30- 40 min.)

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Intermediári Intermediária -Hipotensão transitória (liberação de
ATRACÚRIO* a (< 30 min.) histamina).

Rápida Curta -Hipotensão transitória (liberação de


MIVACÚRIO* (1- 2 min) (15 min) histamina).

Rápida Curta -Bradicardia (agonista M2);


SUXAMETÔNIO - Arritmias cardíacas;
(Bloqueador -Elevação da pressão intra-ocular
despolarizante) (agonista nicotínico dos músculos
extra-oculares);
-Dor muscular após cirurgia.

* Droga bloqueadora não-despolarizante.

AGENTES BLOQUEADORES DESPOLARIZANTES

■ Geram despolarização permanente na placa terminal da fibra muscular, impossibilitando a


repolarização e a abertura dos canais de sódio. Há perda de excitabilidade elétrica.

■ Ocorre espasmo muscular transitório (ou fasciculação) logo após a administração. Porque a
despolarização inicial da placa terminal causa descarga de potenciais de ação na fibra
muscular.

FARMACOCINÉTICA

➢ Curta duração por serem hidrolisados pela colinesterrase plasmática.

DROGAS

# Decametônio: Caiu em desuso por ter ação muito prolongada.

# Suxametônio: Constitui-se por duas moléculas de acetilcolina unidas através do


grupo acetil.

MECANISMO

Agonista dos receptores nicotínicos

EFEITOS INDESEJADOS

● Bradicardia (efeito agonista M2);

● Liberação de potássio (perda);

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● Aumento da pressão intra-ocular (contração dos músculos extra-oculares que exercem
pressão sobre o globo ocular);

● Paralisia prolongada:

*Uso de anticolinesterásicos !(pacientes com glaucoma);


*Recém-nascidos e hepatopatas! (possuem baixa atividade de colinesterase
plasmática).

FARMACOLOGIA DA DOR
OPIÓIDES E OPIÁCEOS

AGENTES ANALGÉSICOS:

-Fármacos semelhantes à morfina ⇒ SNC (opióides)


-Antiinfamatórios não-esteroidais ⇒ SNC, SNP.
-Anestésicos locais: SNP
-Fármacos não-opióides de ação central (Ex: carbamazepina)

FÁRMACOS ANALGÉSICOS

 OPIÓIDES: Substância endógena ou sintética que produz efeitos semelhantes à


morfina.

 OPIDÁCEO: Droga sintética não-peptídica, com ações semelhantes à morfina.

 ÓPIO:

* É o extrato do suco da papoula.


Papaver somniferum  Euforia, analgesia, sono e anti-diarreico.

* Contém alcalóides de estrutura relacionada à morfina e papavenina (relaxante da


musculatura lisa)

 ASPECTOS QUÍMICOS:

* ANÁLOGOS DA MORFINA

Diamorfina, Codeína, Nalorfina, Haloxana.


 
(Heroína) ( Tylex )
( Setux )

DERIVADOS SINTÉTICOS COM ESTRUTURA NÃO RELACIONADA COM A


DA MORFINA:
- Série da Fenilpiperidina:
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Petidina (Meperidina, Dolosal)

- Série da Metadona:

Metadona
Dextropropoxifeno (Doloxene)

- Série do Benzorfan

Pentazocina
Ciclozocina

LOPERAMIDA (IMOSEC)  Não penetra no cérebro  TGI

RECEPTORES OPIÓIDES

,,

MECANISMO CELULAR DE AÇÃO DOS OPIÓIDES

- Os receptores opióides são acoplados a PTNG inibitória, que inibe a Adenilato


ciclase ou canal iônico.
- Promovem a abertura dos canais de potássio, causando hiperpolarização e inibem a
abertura dos canais de cálcio regulados por voltagem (diminuindo a liberação de
neurotransmissor).

EFEITOS DA MORFINA

 SNC

* ANALGESIA  dor aguda e crônica


* EUFORIA  confortamento e bem-estar
Pronunciado nos aflitos.
* DEPRESSÃO RESPIRATORIA  diminuição da sensibilidade do centro respiratório
bulbar ao  da pCO2
* DEPRESSÃO DO REFLEXO DA TOSSE  codeína (Setux) suprime a tosse em
doses subanalgésicas.
* NAUSEAS E VÔMITOS  em 40% dos pacientes; ↑de sensibilidade da zona
deflagradora quimiorreceptora.
* CONTRIÇÃO PUPILAR estimulação dos receptores e  do núcleo oculomotor 
pupilas mióticas, puntiformes.

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 TRATO GASTROINTESTINAL

  do tônus do músculo liso


  da motilidade CONSTIPAÇÃO
 Ação central + inibição dos neurônios do plexo mioentérico
 OUTRAS AÇÕES

* Liberação de histamina dos mastócitos;


* Urticária e prurido no local de injeção;
* Hipotensão e broncoconstrição;
* Superdose aguda: coma e depressão respiratória;
* Imunossupressão.

 DESENVOLVIMENTO DE TOLERÂNCIA

  da dose necessária para gerar atividade farmacológica.

⇒ FARMACOCINÉTICA

* Absorção oral lenta e errática


* Vias IV ou IM usadas em dor intensa, aguda
* Via oral: dor crônica
* Meia-vida: 3 a 6 horas
* Metabolismo: hepático; Glicuronídio ativo
* Eliminação: Renal
Glicuronídio
Fecal

ANTAGONISTA DA MORFINA

* NALOXONA (ação curta)

 Produz dor clínica; reverte quadro de depressão respiratória.


 Gera quadro de síndrome de abstinência

* NALTREXONA (ação longa)

,  e .

DEPENDÊNCIA

FÍSICA PSÍQUICA
Esta associada à síndrome de abstinência Desejo mórbido pela droga

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fisiológica

QUADRO
Bocejos, dilatação pupilar, febre, sudorese, piloereção, náusea, diarréia, agitação,
irritabilidade, desejo mórbido pela droga.
Sintomas da SA (máximos) 8-10 dias
A readministração abole rápido a síndrome.

ANTIMICROBIANOS
Bacteriostático: Inibe temporariamente o crescimento do microorganismo. O sucesso
terapêutico vai depender do auxílio dos mecanismos de defesa do hospedeiro. Ex.
Tetraciclinas e sulfonamidas.

Bactericida: Fármaco que promove a morte do microorganismo. Devem ser utilizados quando
as infecções não podem ser controladas pelos mecanismos de defesa do hospedeiro. Ex.: Beta-
lactâmicos e aminoglicosídios.

DROGAS QUE INIBEM A SÍNTESE DA PAREDE CELULAR


(Bacitracina, Ciclosserina, Vancomicina, Penicilinas, Cefalosporinas)
⇒ A parede celular das bactérias é constituída por um polímero chamado de peptoglicano,
que tem sua rigidez garantida pelas chamadas ligações cruzadas de transpeptidação. É
mais espessa nas bactérias Gram-positivas.

ANTIMICROBIANOS QUE INIBEM A SÍNTESE DO PRECURSOR DO


PEPTOGLICANO
(Bacitracina, Vancomicina, e Ristocetina)

⇒ Inibem as etapas iniciais da biossíntese do peptoglicano, anteriores à etapa de


transpeptidação.

VANCOMICINA
Principais usos: Infecções hospitalares por gram +, colite pseudomembranosa e endocardite
bacteriana em paciente alérgicos a penicilina.
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Pode ser administrada via intratecal para o tratamento de meningite pneumocócicas ou


estafilococos graves.

A Associação a penicilinas aumenta a ototoxicidade e nefrotoxicidase

ANTIMICROBIANOS BETA-LACTÂMICOS
(Penicilinas +Cefalosporinas)
⇒ São inibidores da transpeptidação, inibindo as enzimas transpeptidases.
⇒ Ao atravessarem a parede celular se ligam às proteínas de ligação das penicilinas (PBP,
que são os receptores bacterianos das drogas), que induzem a inibição das transpeptidases.
⇒ A etapa seguinte é a inativação de um inibidor das enzimas hidrolases, que responsáveis
pela destruição da parede celular.
⇒ Nas bactérias Gram-negativas, existe uma membrana externa fosfolipídica que dificulta a
passagem destes fármacos.
⇒ Algumas bactérias podem ter a transpeptidação inibida, mas não sofrem lise.
⇒ Mecanismo clínico de resistência mais importante: produção de beta-lactamases, que são
enzimas que quebram o anel beta-lactâmico, inativando o antimicrobiano.
⇒ Existem muitos tipos de beta-lactamases.
⇒ Algumas beta-lactamases tem altíssima afinidade por compostos como o ácido
clavulânico ou o sulbactam, impedindo que as beta-lactamases ataquem as penicilinas.
EX.: Clavulin® (Amoxicilina+ Clavulanato)
⇒ Alguns antibióticos beta-lactâmicos são resistentes à ação das beta-lactamases.
(EX.:Meticilina, Cefoxitina)

PENICILINAS

TIPO DE PENICILINA ABSORÇÃO NO PROPRIEDADES


TGI
BENZILPENICILINAS E SIMILARES
-Ativos contra a maioria dos cocos Gram-positivos e bactérias Gram-negativas.
Benzilpenicilina Precária -Destruídos por beta-lactamases;
(Penicilina G) -A penicilina G pode ser
administrada por via i.m. (+benzatina
ou procaína) ou endovenosa
cristalina;
PENICILINAS RESISTENTES AS BETA-LACTAMASES
-Espectro semelhante ao da benzilpenicilina, porém menos potentes. Hoje existem muitos
estafilococos resistentes.
Oxacilina Adequada -Administrado por via i.m. ou via
oral
Meticilina Precária
PENICILINAS DE AMPLO ESPECTRO
-Destruídas por beta-lactamases produzidas por S. aureus e por Gram-negativos.
-O espectro é semelhante ao da benzilpenicilina . Apesar de menos potentes.
Ampicilina Boa -A ampicilina pode ser administrada
por vo. O alimento diminui sua
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Amoxicilina Muito boa absorção. Pode causar diarréia.
-A amoxicilina leva a níveis
sanguíneos mais elevados que a
ampicilina e menos distúrbios no
TGI.
PENICILINAS DE ESPECTRO AMPLIADO*
-*ampliado para incluir pseudomonas. São sensíveis as beta-lactamases. O espectro e
idêntico ao das drogas de amplo espectro, incluindo pseudomonas;
Carbenicilina Também é ativa contra PROBEUS

Ticarcilina É a mais potente contra pseudomonas

Azlocilina Muito ativa contra Pseudomonas e


Kleibsiella.
Piperacilina Possui maior potência contra Gram-
negativos comuns

Indicações Clínicas

Drogas de escolha para:

➢ Meningite bacteriana (Benzilpenicilina)


➢ Infecções cutâneas e de tecidos moles
➢ Faringite (Amoxicilina)
➢ Otite (Amoxicilina)
➢ Infecção das vias aéreas (Amoxicilina)
➢ Sífilis (Penicilina Benzatina)
➢ Infecção por pseudomonas (piperacilina)

EFEITOS INDESEJÁVEIS:
-Reações de hipersensibilidade (podem ocorrer reações cruzadas);
-Penicilinas de amplo espectro administradas por via oral alteram a microbiota bacteriana
do intestino;

ASPECTOS FARMACOCINÉTICOS:
-Não atravessam a BHE, a não ser que as meninges estejam inflamadas.

CEFALOSPORINAS

Semelhante ao das penicilinas. Ligação a PTN ligante de penicilinas (PBP), seguida pela
inibição da transpeptidação e ativação das hidrolases.

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Mecanismo de resistência:

- Penetração deficiente do fármaco


- Ausência de PBP
- Produção de Beta-lactamases (cefalosporinases)
- Falha de ativação das hidrolases

São divididas em três gerações:

Geração Drogas Atividade


Primeira Cefalexina Gram + e –
Cefalotina
Cefazolina Pouca atividade
Cefadroxil contra pseudomonas
Segunda Cefaclor Maior atividade
Cefoxitina contra Gram -.
Cefuroxima (BHE) Menos ativas contra
Gram +
Terceira Ceftriaxona Maior atividade
Cefotaxima contra Gram -.
Ceftazidima Menos ativas contra
Gram + (atravessam
a BHE)

Usos Clínicos:

- Profilaxia cirúrgica (primeira geração) (Cefazolina)


- Meningite bacteriana (terceira geração e cefuroxima)

Efeitos adversos:

- Alergia. Pode haver alergia cruzada entre penicilinas e cefalosporinas.

Toxicidade

- Tromboflebite
- Toxicidade renal
- Hipoprotrombinemia
- Distúrbios hemorrágicos

Drogas que inibem a síntese de proteínas


(Aminoglicosídeos, Tetraciclinas, Macrolídeos, Cloranfenicol, Lincosamidas)

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Aminoglicosídeos (Bactericidas G -)

Gentamicina, Amicacina, Neomicina, Tobramicina, Estreptomicina

Mecanismo: Inibem a síntese de proteínas das bactérias por promoverem uma incorreção no
reconhecimento códon-anticódon, sendo irreversível e letal.

Uso principal: bacteremia e Ceci.

Efeitos adversos: ototóxicos e nefrotóxicos. Quando utilizados por mais de 5 dias apresenta,
mais risco. Os efeitos nefrotóxicos aumentam com o uso de diuréticos como furosemida e são
potencialmente perigosos insuficiência renal.

Resistência: Através da produção de transferases que destroem os antimicrobianos . A


Amicacina é o mais resistente a essa enzima.

Tetraciclinas (Bacteriostáticos)

Tetraciclina, Oxitetraciclina e Doxicilina

Mecanismo: Inibem a síntese de proteínas das bactérias por se ligarem à subunidade 30S
irreversivelmente, impedindo a ligação do RNAt.

Amplo espectro de ação G + e – (Primeira escolha para cólera e peste, infecções das vias
respiratórias e acne). Clamídias e sífilis.

Efeitos adversos: Manchas nos dentes e deformação dentária, hipoplasia dentária,


deformidades ósseas.
Obs.: A tetraciclina se liga com íons divalentes como Ca +2 e Mg+2, ocorrendo quelação,
impedindo a reabsorção do fármaco.

Cloranfenicol (bacteriostático)

Mecanismo: Liga-se irreversivelmente a subunidade 50S dos ribossomos das bactérias e


impede a síntese de proteínas.

Atinge a BHE, apresenta amplo espectro (G+ e -)

Usos Clínicos:

Infecções por Haemofilus influenza, meningites (pacientes que não usam penicilinas) e
conjuntivite bacteriana
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Apostila de Farmacologia II
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Efeitos adversos:

Depressão da medula óssea (pancitopenia)


Anemia Fatal
Síndrome do bebê cinzento (vômito, diarréia, flacidez, diminuição da temperatura corporal).
Distúrbios gastrointestinais

Macrolídeos (bactericidas)

Eritromicina, Claritromicina, Azitromicina

Mecanismo: Liga-se a subunidade 50S dos ribossomos das bactérias e impede a síntese de
proteínas.

Eritromicina: Usada em difteria, doenças genitais por clamídias e infecções do trato


respiratório e sinusite.

Azitromicina: Haemofilus influenza e toxoplasma gondii

Claritromicina: Haemofilus influenza e Helicobacter pylori.

Efeitos indesejáveis: distúrbios gastrointestinais, reações de hipersensibilidade, reações


cutâneas, febre, distúrbios transitórios da audição e icterícia.

Lincosamidas

Clindamicina

Mecanismo: Se liga a subunidade 50S dos ribossomos das bactérias e impede a síntese de
proteínas.

Distribuição: Não atinge níveis terapêuticos nos SNC.

Eliminação: A Clindamicina tem metabolização hepática e eliminação do metabólitos pela


urina, bile e fezes

Indicação:

É efetivo sobre Staphylococcus aureus e Streptococcus do grupo A.

Não apresenta atuação sobre gram-negativos aeróbicos.

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Apostila de Farmacologia II
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Tem boa atividade em anaeróbios gram-positivos e negativos, incluindo Clostridium
perfringens e Bacteróides fragilis, sendo que neste último considerada droga de escolha.

Cuidados:

Insuficiência renal e hepática: Uso cuidadoso

Uso durante a gestação ainda não esta estabelecido

Administração e dosagem:

Em infecções graves 2.400 mg/dia IV dividido a cada 6 ou 8 horas

Em pacientes de insuficiência renal não e necessário redução da dose

Toxicidade e Interação com drogas:

Pode aumentar a ação dos agentes bloqueadores neuromusculares.

Não pode ser administrado simultaneamente na mesma linha intravenosa clindamicina e


aminoglicosídeos

Efeitos adversos:

Gastrointestinal: Náusea, Vômitos, diarréia, dor abdominal e colite pseudo-membranosa.

Hipersensibilidade: Rash, reação anafilática e raramente eritema multiforme.

Efeitos locais: Eritema e tromboflebite

Outros efeitos: Elevação da bilirrubina, fosfatase alcalina, TGO e TGP, leucopenia,


neutropenia, eosinofilia e trombocitopenia.

Sulfonamidas (bacteriostáticos)

Sulfametoxazol, Sulfasalazina Sulfadiazina

Mecanismo: ocorre competição com ácido para-aminobenzóico (PABA) pela enzima


diidropteroato sintetase, levando a diminuição do ácido fólico.

São bacteriostáticos em baixa dose


São bactericidas em alta dose

Trimetoprima inibe a enzima diidrofolato redutase

PABA
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Apostila de Farmacologia II
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↓ (sulfonamidas – Análogas do PABA)
Folato
↓ (Trimetoprima)
Tetraidrofolato

DNA Bacteriano

Bactrim (Bacteriostático) Sulfametoxazol + Trimetoprima

Uso clínico: infecções respiratórias, urinárias, salmonelose.

Efeitos indesejáveis: hepatite, confusão mental, depressão da medula óssea, reações de


hipersensibilidade, náusea vômito e diarréia.

Fluoroquinolonas (Drogas que inibem a síntese de ácidos nucléicos)

Norfloxacino, Ciprofloxacino, Ofloxacino

Mecanismo: Inibem a enzima DNA-Girase (topoisomerase II) que é a responsável pelo


superespiralamento do DNA, impedindo a formação das hélices do DNA.

São eficazes contra gram + e -.

Uso clínico: infecções urinárias complicadas, infecções respiratórias, otite externa, gonorréia
e prostatite bacteriana.

Interações medicamentosas:
Medicamentos à base de ferro, magnésio, alumínio, cálcio, zinco, sucralfato ou antiácidos
reduzem a absorção do ciprofloxacino. Este deve ser ingerido pelo menos 2h antes ou 4h após
esses medicamentos.

Pode intensificar a ação da warfarina e glibenclamida e potencializar a ação tóxica da


teofilina, ciclosporina.
A associação de doses altas de quinolonas e antiinflamatórios não esteroidais pode provocar
convulsões.

A probenecida reduz a excreção renal e a metoclopramida acelera a absorção do


ciprofloxacino.

Carbapenêmicos

Apresentam anel beta-lactâmico, mas diferem quimicamente das penicilinas e cefalosporinas.

Espectro de ação: apresentam excelente atividade contra infecções resistentes.

IMIPENEM (Tienam)
dose usual: 0,5 a 1g, IV de 6/6 h ou de 8/8 h
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MEROPENEM (Meronen): dose usual: 0,5 a 1g, IV de 8/8 h

Inadequado para Enterococcus sp.

É o fármaco desse grupo de escolha para o tratamento de infecções do SNC, por


apresentar menor propensão a convulsões.

DIURÉTICOS
I. INIBIDORES DA ANIDRASE CARBÔNICA
A acetazolamida é uma sulfonamida sem atividade antibacteriana. Sua principal ação é
inibir a enzima anidrase carbônica nas células epiteliais do túbulo proximal. Entretanto, os
inibidores da anidrase carbônica são mais freqüentemente usados por outros efeitos
farmacológicos que não o diurético, porque estes agentes são muito menos eficaz que as
tiazidas ou os diuréticos de alça.

A. Acetazolamida- Diamox (Merck Sharp & Dohme)


1. Mecanismo de ação: A acetazolamida inibe a anidrase carbônica, localizada
intracelularmente e na membrana apical do epitélio tubular proximal [OBS.: A
anidrase carbônica catalisa a reação do CO com HO, formando H⁺ e HCOз⁻
(bicarbonato)]. A diminuição da capacidade em trocar Na⁺ por H⁺ na presença de
acetazolamida resulta em discreta diurese. Adicionalmente, o HCOз⁻ é retido
intraluminarmente com acentuada elevação do pH urinário. A perda de HCOз⁻ causa
acidose metabólica hipoclorêmica e diminui a eficiência desse diurético após alguns
dias de terapêutica. Alterações na composição dos eletrólitos da urina induzidas pela
acetazolamida são as seguintes:

Aumento de secreção na urina: Na⁺, K⁺, Ca⁺⁺ e HCOз⁻

2. Usos Terapêuticos:
a. Tratamento do glaucoma: O uso mais comum da acetazolamida é para reduzir a
elevação da pressão intra-ocular do glaucoma de ângulo aberto. A acetazolamida
diminui a produção de humor aquoso, provavelmente bloqueando a anidrase carbônica
no corpo ciliar do olho. Ela é útil no tratamento crônico do glaucoma, porém não deve
ser usada na crise aguda; a pilocarpina é preferida na crise aguda em razão de seu
efeito mais rápido.
b. Epilepsia: A acetazolamida é algumas vezes utilizada no tratamento da epilepsia –
tanto generalizada como parcial. Ela reduz a severidade e a magnitude das crises.
Freqüentemente, a acetazolamida é usada cronicamente em conjunto com medicações
antiepiléticas para aumentar o efeito destes fármacos.
c. Mal das Montanhas: Menos comumente, a acetazolamida pode ser usada na profilaxia
aguda das montanhas que ocorre em indivíduos sadios, fisicamente ativos, e que
sobem rapidamente acima de 10.000 pés. A acetazolamida ministrada a noite por 5
dias antes da ascensão previne a fraqueza, falta de ar, tontura, náusea e edemas
cerebral e pulmonar, característicos desta síndrome.
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3. Farmacocinética: A acetazolamida é administrada oralmente, uma vez ao dia.


4. Reações Adversas: Podem ocorrer acidose metabólica (discreta), depleção de
potássio, formação de cálculos renais, tontura e parestesias.

II. DIURÉTICOS DE ALÇA OU POTENTES


A bumetamida, a furosemida, a torsemida e o ácido etacrínico são quatro diuréticos que
apresentam maior ação no ramo ascendente da alça de Henle. Comparados a todas as
outras classes de diuréticos, estes fármacos apresentam a mais intensa eficácia na
mobilização de Na⁺ e Cl⁻ no corpo. O ácido etacrínico apresenta curva dose-resposta
mais abrupta que a furosemida; apresenta mais efeitos adversos que os outros diuréticos
de alça e não é tão amplamente utilizado. A bumetanida é muito mais potente que a
furosemida e seu uso está aumentado.

A. Bumetanida, Furosemida (mais utilizado no Brasil), Torsemida, ácido Etacrínico


1. Mecanismo de ação: Os diuréticos de alça inibem o co-trasnporte de Na⁺/K⁺/Cl⁻ da
luz da membrana no ramo ascendente da alça de Henle. Assim, a reabsorção de Na⁺,
K⁺ e Cl⁻ fica diminuída. Os diuréticos de alça são os mais eficazes entre os fármacos
diuréticos porque o ramo ascendente é responsável pela reabsorção de 25% a 30% do
NaCl filtrado, e as porções seguintes do néfron não conseguem compensar este
aumento na sobrecarga de Na⁺. (OBS.: 70% A 75% são reabsorvidos no Túbulo
Contorcido Proximal)
2. Ações: Os diuréticos de alça agem rapidamente, mesmo em pacientes que apresentam
função renal diminuída ou que não respondem a tiazídicos ou outros diuréticos.
(OBS.: Os diuréticos de alça aumentam o conteúdo de Ca⁺⁺ na urina, enquanto os
tiazídicos (ver adiante) diminuem a concentração de Ca⁺⁺ na urina). Os diuréticos de
alça provocam diminuição da resistência vascular renal e aumentam o fluxo sangüíneo
renal.
3. Usos Terapêuticos: Os diuréticos de alça são os fármacos de escolha para reduzir o
edema agudo de pulmão na insuficiência cardíaca congestiva. Em razão de seu rápido
inicio de ação, estes fármacos são úteis em situações de emergência tais como o edema
agudo de pulmão, no qual há necessidade de rápida diurese. Os diuréticos de alça (em
conjunto com a hidratação) também são úteis no tratamento da hipercalemia porque
eles estimulam a secreção tubular de Ca⁺⁺ .
4. Farmacocinética: Os diuréticos de alça são administrados oral ou parenteralmente. A
duração do efeito é relativamente curta: 1 a 4 horas.
5. Reações Adversas:
a.Ototoxicidade: A audição pode ser afetada pelos diuréticos de alça, particularmente
quando usados em associação com antibióticos aminoglicosídeos. Pode ocorrer dano
permanente, se o tratamento não for descontinuado. A função vestibular é menos atingida,
mas também pode ser comprometida nos tratamentos combinados.
b.Hiperuricemia: A furosemida e o ácido etacrínico competem com o ácido úrico pelos
sistemas secretores renal e biliar, bloqueando a secreção desse ácido e, assim , causando a
exacerbação das crises de gota.
c.Hipovolemia aguda: Os diuréticos de alça podem promover intensa e rápida redução no
volume sanguíneo, com a possibilidade de hipotensão, choque e arritmias cardíacas.
D.Depleção de potássio: A intensa sobrecarga de Na⁺ presente no túbulo coletor resulta
em depleção de potássio , que pode ser revertida pelo uso de diuréticos poupadores de
potássio ou suplementação dietética de K⁺.

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III. TIAZÍDICOS E AGENTES CORRELATADOS
Os tiazídicos são os fármacos diuréticos mais amplamente utilizados. São derivados
sulfonamídicos e estruturalmente relacionados aos inibidores da anidrase carbônica. Os
tiazídicos mostram atividade diurética significativamente maior que a acetazolamida e
atuam no rim por mecanismo diferente. Todos tiazídicos atuam no túbulo distal e todos
têm efeito diurético máximo igual, diferindo somente em potência, expressa na base de
miligramas.
HIDROCLOROTIAZIDA: Diurix® Drenol ® ; CLOTALIDONA:Higroton® ;

A. Clorotiazida:
A clorotiazida, protótipo do diurético tiazídico, foi o primeiro diurético moderno que foi
ativo por via e oral e foi capaz de atuar no edema severo da cirrose e da insuficiência
cardíaca congestiva com menor número de reações adversas. Suas propriedades são
representativas do grupo tiazídico apesar de que derivados mais recentes, como a
clorotiazida ou a clortalidona, são mais comumente usados.

1. Mecanismo de Ação: Os derivados tiazídicos atuam principalmente no túbulo


contorcido distal, diminuindo a reabsorção de Na⁺ pela inibição do co-transportador
de Na⁺/Cl⁻ na luz da membrana. Apresenta menor efeito em túbulo proximal. Como
resultado disso, estes fármacos aumentam a concentração de Na⁺/Cl⁻ no líquido
tubular. O equilíbrio ácido-básico não é usualmente alterado. [OBS.: Em razão do
local de ação dos derivados tiazídicos ser na luz da membrana estes fármacos precisam
ser excretados para a luz tubular para serem efetivos. Assim, com a diminuição da
função renal, os diuréticos tiazídicos perdem sua eficácia].
2. Ações:
a.Aumento na excreção de Na⁺/Cl⁻: A clorotiazida provoca diurese com excreção
aumentada de Na⁺ e Cl⁻ , o que pode causar na excreção de urina hiperosmolar. Este
efeito é único entre as classes dos diuréticos, os quais habitualmente não produzem urina
hiperosmolar. O efeito diurético não é afetado pelo estado ácido-básico do corpo,nem a
clorotiazida costuma alterar o equilíbrio ácido-básico do sangue.
b. Perda de K⁺ : Em razão de os tiazídicos aumentarem o Na⁺ no filtrado que alcança o
túbulo distal, mais K⁺ é trocado por Na⁺ . Assim, o uso prolongado destes fármacos
resulta em perda contínua de K⁺ pelo corpo. Então, é necessário mensurar o K⁺ sérico
uma vez por mês (até mais freqüente no início da terapia) para assegurarmo-nos de que
não está ocorrendo o desenvolvimento de hipocalemia. Freqüentemente, o K⁺ pode ser
suplementado somente pela dieta, com o aumento de frutos cítricos, bananas e ameixas.
Em alguns casos, o sal de K⁺ suplementar pode ser necessário.

d. Diminuição Urinária na excreção de cálcio: Os diuréticos tiazídicos diminuem a


quantidade de Ca⁺⁺na urina através de sua reabsorção. Isto contrasta com os
diuréticos de alça, que aumenta a concentração de Ca ⁺⁺ na urina.
e. Hiperuricemia: Os tiazídicos elevam o ácido úrico sérico por diminuírem a
quantidade de ácido excretado através do sistema secretor de ácidos orgânicos. Sendo
insolúvel, o ácido úrico deposita-se nas articulações e pode ocorrer importante crise
aguda de gota em pacientes predispostos a isso. No entanto, é importante realizar
exames sanguíneos, periódicos para mensurar os níveis de ácido úrico.
f. Depleção volêmica: Pode causar hipotensão ortostática ou confusão mental.
g. Hipercalemia: Os tiazídicos inibem a secreção de Ca⁺⁺, ocorrendo, algumas vezes,
elevados níveis desse íon no sangue.

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h. Hiperglicemia: Pacientes portadores de Diabetes mellítus, em uso de tiazídicos para
tratamento de hipertensão, podem tornar-se hiperglicêmicos e ter dificuldade para
manter níveis apropriados de açúcar no sangue.
i. Hipersensibilidades: São raras depressão da medula óssea, dermatites, vasculites
necrosantes e nefrite intersticial.

B. Hidroclorotiazida
A Hidroclorotiazida é o derivado tiazídico que se mostrou mais popular entre os
relacionados a seu grupo. Isto ocorre porque ela mostra muito menor capacidade para
inibir a anidrase carbônica, quando comparada à clorotiazida. Por outro lado, sua eficácia
é exatamente a mesma que a dos outros elementos do grupo.

C. Clortalidona
A clortalidona é um derivado tiazídico que se comporta como a hidroclorotiazida. Mostra
uma duração de ação muito longa e, por isso, é freqüentemente utilizada no tratamento da
hipertensão. É administrada uma vez ao dia para esta indicação.

D. Análogos dos Tiazídicos


1.Metolazona: A metolazona é mais potente que os tiazídicos e, ao contrário deles,
promove excreção de Na⁺ na insuficiência renal avançada.
2.Indapamida (Natrilix®): A indapamida é um diurético não-tiazídico, lipossolúvel, que
apresenta longa duração de ação. Em baixas doses, mostra ação anti-hipertensiva
significativa, com mínimos efeitos diuréticos. A indapamida é freqüentemente utilizada na
insuficiência renal avançada para estimular a diurese adicional ao máximo alcançado
pelos diuréticos de alça. A indapamida é metabolizada e excretada pelo trato
gastrintestinal e pelos rins e, por isso, costuma acumula-se menos nos pacientes com
insuficiência renal, podendo ser de utilidade em seu tratamento.

IV. DIURÉTICOS POUPADORES DE POTÁSSIO


Estes agentes atuam no túbulo coletor, inibindo a reabsorção de Na⁺, a secreção de K⁺ e
de H⁺. Os diuréticos poupadores de potássio são primariamente utilizados quando há
excesso de aldosterona. O maior uso dos agentes poupadores de potássio é no tratamento
da hipertensão, mais comumente em associação com um tiazídico. É extremamente
importante que os pacientes tratados com qualquer diurético poupador de potássio sejam
monitorizados em seus níveis de potássio. A suplementação potássica exógena é
comumente descontinuada quando a terapêutica por poupadores de potássio for
implantada.

A.Espironolactona
1.Mecanismo de Ação: A espironolactona é um antagonista sintético da aldosterona que
compete coma mesma pelos sítios receptores citoplasmáticos intracelulares. O complexo
receptor para espironolactona é inativo, isto é, ele previne a translocação do complexo
receptor em direção ao núcleo da célula-alvo e, dessa maneira, não se une ao DNA. Isto
resulta na ausência de produção de proteínas que são normalmente sintetizadas em
resposta à aldosterona. Estes mediadores de proteínas normalmente estimulam os locais de
troca Na⁺ K⁺ do túbulo coletor. Assim, a falta de proteínas mediadoras impede a
reabsorção de Na⁺ é a conseqüente secreção de K⁺ e H⁺.
2.Ações: Na maioria dos estados edematosos, os níveis sangüíneos de aldosterona são
elevados, o que provoca a retenção de Na⁺ . Quando a espironolactona é administrada a
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um paciente com elevados níveis circulantes de aldosterona, o fármaco antagoniza a
atividade do hormônio, resultando em retenção de K⁺ e excreção Na⁺ . Quando não há
níveis circulantes significativos de aldosterona, como na moléstia de Addson
(insuficiência renal primária), não ocorre efeito diurético do fármaco.

3.Usos Terapêuticas:
a. Diurético: Apesar de a espironolactona ter pouca eficácia na mobilização de Na⁺ no
corpo, em comparação com outros fármacos, ela tem a útil propriedade de causar retenção
de K⁺ . Em razão desta ação, a espironolactona é freqüentemente administrada
conjuntamente com um tiazídico ou diurético de alça para prevenir a excreção de K⁺ que,
de outro modo, ocorreria com estes fármacos.
b. Hiperaldosteronismo secundário: A espironolactona é o único diurético poupador de
potássio que é usado rotineiramente sozinho para induzir o balanço de sal negativo
absoluto. Ele é particularmente efetivo em situações clínicas associadas com
hiperaldosteronismo secundário.

4.Farmacocinética: a espironolactona é completamente absorvida por via oral e liga-se


fortemente as proteínas. É rapidamente convertida em um metabólito ativo, a canrenona. A
ação da espironolactona é amplamente devido ao efeito da canrenona, que apresenta
atividade bloqueadora de mineralocorticóides. A espironolactona induz o citocromo P-450
hepático.
5.Reações adversas: Em razão de a espironolactona assemelhar-se quimicamente aos
hormônios esteroidais sexuais, ela apresenta pequena atividade hormonal e pode induzir
ginecomastia nos homens e irregularidades menstruais nas mulheres. Por isso, este
fármaco não deve ser administrado em elevadas doses cronicamente. Ele é mais eficiente
quando utilizado em estados edematoso moderado, administrados por poucos dias de cada
vez. Em baixas doses, a espironolactona pode ser usada cronicamente com poucos efeitos
adversos. Podem ocorrer hipercalemia, náusea, letargia e confusão mental.

B. Triamtereno e amilorídeo: bloqueiam os canais de transporte de Na +, disso


resultando a diminuição da troca Na+/ K+. Eles mostram ações diuréticas poupadoras
de K+ semelhantes às da espironolactona. Entretanto, a capacidade destes fármacos de
bloquear o local de troca Na+/ K+ no túbulo coletor não depende da presença de
aldosterona. Eles como, como a espironolactona, não são diuréticos muito eficazes.
Tanto o Triamtereno como o amilorídeo são freqüentemente usados em associação
com outros diuréticos em razão de suas propriedades poupadoras de potássio. Assim
como a espironolactona, eles previnem a perda de K + que ocorre como os tiazídicos e
com a furosemida. Os efeitos adversos do Triamtereno são cãibras nas pernas e
possibilidade de aumento de uréia circulante, bem como retenção de ácido úrico e K+.

V. Diuréticos osmóticos:

Algumas substâncias químicas simples e hidrofílicas, que são filtradas através do


glomérulo, como o manitol e a uréia, promovem algum grau de diurese. Isto se deve à
capacidade delas de carregar água consigo para o interior da luz tubular. Somente uma
pequena quantidade de sais pode ser adicionalmente excretada. Em razão de os diuréticos
osmóticos serem usados para a obtenção de aumento na excreção de água em vez de Na +,
eles não são úteis para tratar condições em que ocorre retenção de Na +. Os diuréticos
osmóticos são o principal meio de tratamento para pacientes com pressão intracraniana
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aumentada, ou insuficiência renal aguda, drogas tóxicas e traumatismos. O manitol só
pode ser usado por via intravenosa, pois não é absorvido se for administrado oralmente.

FARMACOLOGIA DA COAGULAÇÃO

HEMOSTASIA E TROMBOSE

A hemostasia, definida como a interrupção da perda de sangue por vasos sanguíneos


lesados, é essencial a vida. Uma ferida provoca vasoconstrição seguida de:

o Adesão e ativação das plaquetas (formando um tampão que interrompe o


sangramento);
o Formação de fibrina;

A trombose é uma condição patológica decorrente da ativação inapropriada dos


mecanismos hemostáticos, formando um tampão no interior da vasculatura, não havendo
sangramento.
Os trombos (in vivo) devem ser distinguidos dos coágulos (in vitro) pois estes são amorfos e
consistem em uma rede de fibrina que “seqüestra as células sangüíneas”. Já os trombos:

o Arterial (trombo branco): composto de plaquetas e leucócitos no interior de uma rede


de fibrina, está associado com a arteriosclerose, interrompe o fluxo sanguíneo
causando isquemia ou infarto, possui grande componente plaquetário;
o Venoso (trombo vermelho): consiste em uma pequena cabeça branca e uma grande
cauda vermelha que lembra uma geléia. Possui um grande componente de fibrina e
está associado à estase do sangue.

O trombo pode ser desprender formando um embolo e alojar-se mais adiante causando
isquemia ou infarto.

A terapia farmacológica para promover a hemostasia é raramente utilizada, entretanto


no tratamento da trombose é amplamente utilizada.

As drogas afetam a hemostasia e a trombose de 3 maneiras:

1. Ao modificar ma coagulação sanguínea (formação de fibrina);


2. Ao modificar a função das plaquetas;
3. Ao afetar a remoção da fibrina (fibrinólise);

DROGAS QUE ATUAM SOBRE A CASCATA DE COAGULAÇÃO

São utilizadas quando existe defeito na coagulação (deficiências genéticas de fatores


de coagulação – hemofilia) ou coagulação indesejável (hepatopatia, deficiência de vitamina K
ou terapia com anticoagulante oral excessiva).

VITAMINA K

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É essencial para a formação dos fatores II, VII, IX e X. Todos estes fatores tem
radicais de ácido ϒ-carboxiglutâmico, a ϒ-carboxilação ocorre após a síntese da cadeia e a
carboxilase tem a vitamina K como co-fator.

Administração da vitamina k (fitomenadiona):

- via oral: necessita de sais biliares para absorção;


-intramuscular ou intravenosa: preparado sintético hidrossolúvel, fosfato sódico de
menadiona, leva mais tempo para atuar;

Indicações - tratamento ou prevenção de:

-sangramento devido ao uso de agentes anticoagulantes orais (por ex.: varfarina);


-doença hemorrágica do recém nascido;
-deficiências de vitamina K (por ex.: doença celíaca ou ausência de bile como na icterícia
obstrutiva);

TROMBOSE
As principais drogas usadas:

-Trombo Branco: agentes antiplaquetários (aspirina) e agentes fibrinolíticos (estreptoquinase);


-Trombo Vermelho: anticoagulantes orais (por ex.: varfarina) e anticoagulantes injetáveis
(heparina e inibidores da trombina: hirudina) (Clopidogrel: bloqueador irreversivel do
receptor de ADP das plaquetas que é fundamental na sua activação e agregação)

ANTICOAGULANTES ORAIS

-Atuam in vivo inibindo a redução da vitamina K, inibindo a ϒ-carboxilação dos radicais de


ácido glutâmico nos fatores II, VII, IX e X.

-Efeito tardio devido à meia-vida dos fatores, o primeiro a ser afetado é o fator VII com a
meia-vida de 6 horas;

Varfarina: administrada por via oral sofre absorção rápida e completa no trato
gastrointestinal, possui pequeno volume de distribuição e liga-se fortemente à albumina
plasmática. O efeito farmacológico máximo ocorre após 48 horas.

O uso terapêutico da varfarina exige um cuidadoso equilíbrio entre a administração de


uma dose muito pequena que não afeta a coagulação e uma dose excessiva que causa
hemorragia.

Os anticoagulantes orais atravessam orais atravessam a placenta e são teratogênicos.

FATORES QUE POTENCIALIZAM OS ANTICOAGULANTES ORAIS

Doenças: hepatopatia interfere na síntese dos fatores de coagulação;


Febre e tireotoxicose, alta taxa metabólica, aumentam os efeitos dos anticoagulantes
aumentando a degradação dos fatores.

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DROGAS:
1. Agentes que inibem o metabolismo hepático das drogas: cimetidina, imipramina,
clorafenicol e muitos azóis anti-fúngicos;
2. Drogas que inibem a função plaquetária: antiinflamatórios não esteroidais; a aspirina
aumenta o risco de sangramento quando administrado junto com a varfarina;
3. Drogas que deslocam a varfarina do sítio de ligação na albumina: hidrato de cloral
resulta no aumento da varfarina livre;
4. Drogas que inibem a redução da vitamina K: cefalosporinas;
5. Drogas que diminuem a disponibilidade de vitamina K: antibióticos de amplo espectro
e sulfonamidas;

FATORES QUE REDUZEM OS EFEITOS DOS ANTICOAGULANTES ORAIS

Estado Fisiológico: hipotireoidismo (redução da degradação dos fatores de coagulação) ou


gravidez (aumento da síntese dos fatores);

Drogas:
1. Drogas que induzem as enzimas P450 hepáticas aumentam a degradação de varfarina:
rifampicina e barbitúricos;
2. Drogas que reduzem a absorção: colestiramina;

ANTICOAGULANTES INJETÁVEIS

Heparina e Heparinas de Baixo Peso Molecular

É uma família de glicosaminoglicanos sulfatados

-Inibem a coagulação tanto in vivo quanto in vitro ativando a antitrombina III, um inibidor
natural que inativa o fator Xa e a trombina;
-Para inibir a trombina a heparina se liga à enzima e à antitrombina III;
-As heparinas de baixo peso molecular possuem o mesmo efeito que a heparina sobre o fator
X, porém exercem menos efeito sobre a trombina, apresenta efeito coagulante semelhante à
heparina, com menor ação sobre a função plaquetária;
-São administradas por via subcutânea ou VI, sendo rápido o início de sua ação. Administra-
se uma dose padrão (Kg/peso corporal) sem necessidade de monitorização ou ajuste
individual de dose.

Efeitos indesejáveis: hemorragia, tratada interrompendo-se o tratamento e, se necessário,


administrando-se sulfato de protamina (antagonista da heparina);

USO CLÍNICO DOS ANTICOAGULANTES

1. Prevenção da trombose venosa (no pré-operatório);


2. Prevenção da extensão da trombose venosa profunda estabelecida ou da recidiva da
embolia pulmonar;
3. Prevenção da trombose e embolia em pacientes com fibrilação atrial;
4. Prevenção da trombose em válvulas cardíacas protéticas;
5. Prevenção da coagulação na circulação extra corpórea (durante hemodiálise);
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6. Além disso, a heparina é usada na angina estável;

A heparina é utilizada na forma aguda para ação em curto prazo, enquanto a varfarina é
utilizada para terapia prolongada;

PLAQUETAS E DROGAS ANTIPLAQUETÁRIAS

As plaquetas mantêm a integridade da circulação. O endotélio sadio impede a adesão


das plaquetas. Quando ativadas sofrem uma série de reações essenciais à hemostasia para a
cicatrização de vasos lesados; além disso possuem importância na inflamação.

-As plaquetas aderem às áreas enfermas ou lesadas e tornam-se ativadas, i.e, modificam sua
forma expondo os fosfolipídios de carga negativa e receptores de glicoproteína IIb/IIIa, e
sintetizam e liberam mediadores como o tromboxano (Tx) A₂ e ADP que estimulam a
agregação de outras plaquetas;

-A agregação implica formação de ligações através de ligação do fibrinogênio aos receptores


GP IIb/IIIa nas plaquetas adjacentes;

-As plaquetas ativadas constituem o foco de localização para formação da fibrina;

-Ocorre a liberação de fatores quimiotáticos e fatores de crescimento necessários para o


processo de reparo, mas que também estão implicados na aterogenese.

DROGAS ANTIPLAQUETÁRIAS

1. Aspirina: inibe de modo irreversível a ciclooxigenase. O equilíbrio entre a


prostaciclina (um inibidor da agregação produzido pelo endotélio vascular) e o TXA₂
(um estimulante da agregação produzido pelas plaquetas) encontra-se alterado, visto
que o endotélio é capaz de sintetizar maiores quantidades de enzimas, o que não
ocorre com as plaquetas. A síntese de TXA₂ só é recuperada com a formação de novas
plaquetas.

2. Outras agentes antiplaquetários: epoprestenol (protaciclina sintética), ticlopidina e


clopidogrel (que inibem a expressão dos receptores GP IIb/IIIa em resposta ao ADP).

USO CLÍNICO DAS DROGAS ANTIPLAQUETÁRIAS

A principal droga é a aspirina. As indicações estão relacionadas com a trombose


arterial e incluem:
-Infarto agudo do miocárdio;

-Alto risco de infarto agudo do miocárdio;


a) Pacientes em recuperação de infarto;
b) Pacientes com sintomas de arteriosclerose, incluindo angina, ataques isquêmicos cerebrais
transitórios;

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-Após Angioplastia ou stenting da artéria coronariana;
-AVC trombótico agudo;
-Fibrilação atrial em pacientes que apresentam contra-indicação para anticoagulação oral;

FIBRINÓLISE E DROGAS QUE MODIFICAM A FIBRINÓLISE

Uma cascata fibrinolítica é iniciada concomitantemente com a cascata da coagulação,


resultando na formação, dentro do coágulo, de plasmina, que digere a fibrina.
Diversos agentes promovem a formação de plasmina a partir de seu precursor
plasminogênico;
-Por ex.: a estreptoquinase e sua pró-droga anistreplase (APSAC) e outros ativadores do
plasminogênio tecidual;
-A maioria pode ser infundida;

USO CLÍNICO DOS AGENTES FIBRINOLÍTICOS

As principais drogas incluem a estreptoquinase e os ativadores do plasminogênio


tecidual e a indicação consiste em:

-Infarto agudo do miocárdio, 12 horas após o início;


-AVC trombótico agudo após 3 horas do início;
-Trombose venosa profunda, embolia pulmonar, tromboembolismo arterial agudo e
trombólise local na câmara anterior no olho.

Efeitos indesejáveis: Sangramento, incluindo hemorragia gastrointestinal e AVC. Quando


grave pode ser tratado com ácido tranexâmico (antifibrinolítico) plasma fresco ou fatores da
coagulação.

FARMACOLOGIA DO APARELHO DIGESTÓRIO

PATOLOGIAS MAIS FREQÜENTES DO SISTEMA DIGETÓRIO


● Úlcera Péptica (gástrica ou duodenal);
● Refluxo Gastroesofágico;
● Estados patológicos de hipersecreção (Síndrome de Zollinger-Ellison- caracterizada
por ulceração péptica severa do trato gastrointestinal com hipersecreção ácida gástrica,
conseqüente à excessiva secreção de gastrina);

PRINCIPAIS CAUSAS:
● Hipersecreção ácida;
● Infecção por Helicobacter pylori (úlceras recorrentes);
● Uso de drogas que diminuem a gastroproteção (ex.:antiinflamatórios não esteroidais);
● Secreção excessiva de moléculas endógenas
● Regulação do esfíncter

PROTEÇÃO ANTI-ÁCIDA ENDÓGENA:


● Resistência da mucosa ao ácido (produção de zimogênios);
● Produção de muco gastroduodenal;
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● Secreção de bicarbonato;
ANTIÁCIDOS
● Bicarbonato de Sódio;
● Carbonato de Cálcio;
● Hidróxido de Alumínio;
● Hidróxido de Magnésio;
● Antagonistas dos receptores H₂;
● Antagonistas Muscarínicos (M₁);
● Inibidores da Bomba de prótons;
● Antagonistas dos receptores de gastrina;
AGENTES PROTETORES DA MUCOSA
● Sucralfato;
● Compostos de bismuto coloidal;
● Carbenoxolona;
● Prostaglandinas;

ANTIÁCIDOS
➢ Após as refeições ocorre uma produção de ácido numa velocidade de cerca de
45mEq/h;
➢ A administração de uma dose única de 156mEq de antiácido, uma hora após as
refeições neutraliza de modo eficaz, o ácido gástrico por um período de cerca de duas
horas;
➢ A relação dose-resposta é variável, dependendo da capacidade de secreção ácida de
cada individuo e da velocidade com que o antiácido abandona o estômago;
➢ São eficazes no auxílio à cicatrização da úlcera duodenal;

MECANISMO
Atuam neutralizando quimicamente o ácido. Como conseqüência, há formação de um sal.

Constituinte Capacidade de Sal Formado Solubilidade Efeitos Adversos


Neutralização do Sal
NaHCO₃ Alta NaCl Alta Alcalose,retençã
o de líquidos
CaCO₃ Moderada CaCl₂ Moderada Hipercalcemia
Al(OH)₃ Alta AlCl₃ Baixa Constipação,
Hipofosfatemia,
Adsorção de
Fármacos.
Mg(OH)₂ Alta MgCl₂ Baixa Diarréia
Hipermagnesiana

FÁRMACOS ANTI-SECRETORES

Antagonistas dos receptores H₂


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CIMETIDINA, RANITIDINA, FAMOTIDINA (Famox®,Famodine®)
➢ Reduzem em mais de 90% a secreção de ácido gástrico noturna. Promovem a
cicatrização de úlceras gástricas e duodenais. Podem ser administradas na forma de
uma dose única ao deitar.
➢ MECANISMO: Bloqueio dos receptores histaminérgicos H₂, que leva à diminuição da
estimulação da bomba de prótons H⁺/K⁺ ATPase. A secreção ácida é diminuída.
➢ TOXICIDADE:
Cimetida: (USO PROLONGADO)
-Confusão Mental (idosos): Ginecomastia reversível;
-Aumento dos níveis de prolactina -> distúrbios do metabolismo de estrogênios em
homens;
-Retardo do metabolismo microssomial hepático.
RANITIDA/FAMOTIDINA: (USO PROLONGADO)
-Cefaléia em 34% dos usuários; Poucos efeitos adversos foram observados.
OBS.: A combinação de H₂ e inibidor da bomba de próton não é aceita, pois a bomba
perde eficácia.

Antagonista Muscarínicos (M₁)


ATROPINA, PIRENZEPINA
➢ MECANISMO: Bloqueio dos receptores muscarínicos presente nas células
parietais, levando a diminuição da estimulação da bomba de prótons H⁺/K⁺
ATPase.
➢ A Pirenzepina é mais seletiva, levando a menos efeitos colaterais.

Inibidores da Bomba de Prótons

➢ MECANISMO: Inibição irreversível da bomba de prótons das células parietais


gástricas. A administração de uma dose única diária é capaz de inibir 100% de
secreção de ácido gástrico.
➢ TOXICIDADE: Em doses terapêuticas não são observados efeitos adversos.
➢ USO PROLONGADO: Hipergastrinemia e colonização bacteriana.

Antagonistas dos receptores de gastrina

OCTREOTIDA (ANÁLOGO DE SOMATOSTATINA)


➢ MECANSIMO: Bloqueio dos receptores de gastrina presentes nas células
parietais, levando a diminuição da estimulação da bomba de prótons H⁺/K⁺
ATPase.
➢ TOXICIDADE: Ainda sob investigação.

AGENTES PROTETORES DE MUCOSA


Sucralfato
➢ MECANISMO: É um dissacarídeo sulfatado que se liga tecido necrótico da
úlcera, formando uma barreira de proteção contra o ácido. Também adsorve
sais biliares. Administração de 1g 4x ao dia, 1h antes das refeições.
➢ Eficaz na cicatrização de úlceras duodenais;
➢ Exige pH ácido para polimerização de suas moléculas (pasta que adsorve
prótons) e portanto NÃO pode ser administrado com antiácidos, Antagonistas
de H₂ e inibidores de bomba de prótons;
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COMPOSTOS DE BISMUTO COLOIDAL

SUBSALICILATO DE BISMUTO, BISMUTATO DE DICITRATO


TRIPOTÁSSICO
➢ MECANISMO: Ligam-se seletivamente ao tecido necrótico da úlcera
formando uma barreira de proteção contra o ácido (filme). São obtidas taxas de
cicatrização elevadas. ALTO CUSTO!
➢ TOXICIDADE: Raros casos de efeitos adversos. Encefalopatia.

CARBENOLOXONA
➢ MECANISMO: É um derivado do ácido glicirrízico, substância extraída do
alcaçuz. Produz aumento na produção, secreção e viscosidade do muco. Há um
aumento da gastroproteção.
➢ TOXICIDADE: Hipertensão e retenção de líquidos com o uso prolongado.

PROSTAGLANDINAS
MISOPROSTOL (Citotec®)
➢ MECANISMO: Aumento da gastroproteção (produção de muco) e diminuição
da secreção ácida.
➢ TOXICIDADE: Diarréia dose-dependente e aborto (aumento da motilidade
uterina). COMERIALIZAÇÃO PROIBIDA NO BRASIL.

FARMACOLOGIA DO APARELHO DIGESTÓRIO II

ANTIEMÉTICOS

Êmese e antieméticos
Êmese é o esvaziamento do estômago em direção oposta ao normal. O piloro é
fechado, enquanto a cárdia e o esôfago relaxam de forma que, sob a tensão exercida pela
musculatura abdominal e pelo diafragma, o conteúdo gástrico é impulsionado pela boca. A
entrada para a traquéia é fechada pela epiglote. O vômito é precedido em regra por uma fase
de secreção salivar e bocejo. A coordenação do processo é realizada pelo centro emético
bulbar, que pode ser excitado por diferentes estímulos. Eles podem ser provenientes dos
órgãos de equilíbrio, dos olhos, nariz, língua, ou de terminações nervosas sensoriais na
mucosa do trato digestivo superior. Além desses, podem ativar o centro emético estímulos
psíquicos. A cinetose (mareio, doença do mar ou enjôo de viagem) e a êmese gestacional não
tem seus mecanismos esclarecidos.

Tratamento anti-emético. A êmese pode ser uma reação justificável do organismo, por ex.:
na ingestão oral de substância tóxica. Os anti-eméticos são usados no caso de cinetose, êmese
gestacional, obstrução gastrointestinal, úlcera, infarto do miocárdio, insuficiência renal,
hepatite, na prevenção do vômito causado por medicamento e da êmese pós-operatória , bem
como no caso de utilização de radiações ionizantes.

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Ação: ZONA DE GATILHO QUIMIORRECEPTORA---- (RECEPTORES DE DOPAMINA
OU SEROTONINA)---- CENTRO DO VÔMITO (BULBO)-----MUSCULATURA
ABDOMINAL (RECEPTORES DE ACETILCOLINA)

METOCLOPRAMIDA (antagonista dopaminérgico)/


A Metoclopramida aumenta o peristaltismo do trato gastrointestinal superior, assim como o
tônus esofagiano inferior e relaxa o piloro. Além disso, exerce atividade anti-emética,
provavelmente através de efeito central sobre o quimioreceptor bulbar, ou possivelmente
por antagonismo dopaminérgico central.

O mecanismo de ação da Metoclopramida é pouco compreendido, embora seja claramente


um antagonista dopaminérgico e possa bloquear os efeitos gastrintestinais causados pela
administração local ou sistêmica, de agonistas dopaminérgicos.

BROMOPRIDA
Um procinético, isto é promove o esvaziamento do conteúdo do estômago, melhorando a
sensação de empachamento. Além disso, ajuda a evitar o refluxo ácido do estômago,
reduzindo o sintoma de queimação. A bromoprida tem também uma propriedade
farmacológica antiemética, melhorando o mal-estar global relacionado a náuseas e vômitos.
A bromoprida tem ação similar à metoclopramida, porém os estudos não elucidaram ainda o
verdadeiro potencial desse medicamento.

CISAPRIDA
O mecanismo ocorre pelo aumento da liberação fisiológica de acetilcolina nível do plexo
mioentérico. O Cisaprida não estimula os receptores muscarínicos ou nicotínicos, nem inibe a
atividade da acetilcolinesterase. No geral ocorre um aumento na motilidade gastrointestinal.
(agonista de 5-HT ou serotonina)

Ondansetron
Antagonista da serotonina.

ANTIHISTAMÍNICOS H1
PROMETAZINA (Fenergan®)
-Bloqueio dos receptores de dopamina na zona de gatilho quimioreceptora, bem como em
outras áreas do cérebro.

DIFENIDRAMINA (Caladryl®, Dramin®)


-Talvez devido à depressão específica da condução na via vestibulocerebelar.
Os núcleos vestibulares recebem impulsos oriundos da parte vestibular do ouvido interno os
quais informam sobre a posição e o movimento da cabeça.

HIOSCINA(Buscopan ®) : antagonista muscarínico (M 3). Relaxa a musculatura lisa do trato


gastrointestinal.

LAXANTES
*LAXATIVOS IRRITANTES DE MUCOSA

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-Óleo de Rícino: é hidrolisado em ácido ricinoléico, um irritante local que aumenta a
motilidade intestinal;

*LAXATIVOS ESTIMULANTES DO PERISTALTISMO


-Cáscara Sagrada, Sene, Aloés: contêm alcalóides da emodina que estimulam o peristaltismo;
-Fenolftaleína e Bisacodil: são estimulantes peristálticos do cólon;

*EXPANSORES DE MASSA
-Colóides Hidrofílicos: é formado a partir da parte não-digerível das frutas, vegetais e
sementes, formando géis no intestino grosso, distendendo o intestino, com conseqüente
estímulo de sua atividade peristáltica.

-Hidróxido de Magnésio: são sais não absorvíveis que retém água no intestino por força
osmótica e provocam distensão.

-Lactulose: é um dissacarídeo sintético que não é absorvido, atuando como laxativo osmótico.

*AMOLECEDORES DE BOLO FECAL


-Óleo Mineral e Glicerina: são agentes que se tornam emulsificados com as fezes servindo
para amolecê-las e facilitando seu trânsito.

OPIÓDES: LOPERAMIDA, DIFENOXILATO: bloqueio dos receptores μ,κ,δ. (constipação)

*Inibição da liberação de acetilcolina através de receptores opiódes pré-sinápticos localizados


no sistema nervoso entérico;

*A LOPERAMIDA não causa sedação porque não atravessa a Barreira Hematoencefálica;

ADSORVENTES: CAULIM E PECTINA


*Se ligam quimicamente às toxinas intestinais

*Também adsorvem medicamentos;

FÁRMACOS ANTIANGINOSOS

I. INTRODUÇÃO
A angina pectoris é dor torácica característica causada por insuficiência de fluxo coronário
para a demanda de oxigênio do miocárdio. O desequilíbrio entre o aporte e a utilização do
oxigênio pode resultar do espasmo da musculatura lisa vascular ou da obstrução dos vasos
sanguíneos causada por lesões ateroscleróticas. A angina se caracteriza por dor retroesternal
em pressão, súbita e intensa, a qual se irradia para o braço esquerdo. Para o tratamento de
pacientes portadores de angina estável, são úteis três classes de fármacos, quer isolado ou em
associação: nitratos, β-bloqueadores e bloqueadores de canal de cálcio. Os nitratos diminuem
a vasoconstrição ou espasmo coronariano e aumentam a perfusão do miocárdio através do
relaxamento das artérias coronarianas. Os β-bloqueadores diminuem a demanda de oxigênio
do coração. A angina variável (também chamada de angina de Prinzmetal), causada por
espasmo coronariano espontâneo, tanto em repouso, como em esforço, ao contrário, aumenta
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as necessidades de oxigênio pelo miocárdio e é controlada por nitratos orgânicos ou
bloqueadores de canal de cálcio, estando os β-bloqueadores contra-indicados.

II. NITRATOS ORGÂNICOS


Os nitratos ( e nitritos) são simples ésteres dos ácidos nítrico e nitroso de álcoois. Eles
diferem em sua volatilidade: por exemplo, o dinitrato de isossorbida é sólido em
temperatura ambiente; a nitroglicerina é somente moderadamente volátil; enquanto o
nitrato de amilo é extremamente volátil. Estes compostos causam rápida redução na
demanda de oxigênio pelo miocárdio, seguindo-se o imediato alívio dos sintomas. Eles
são efetivos nas anginas estáveis e instáveis, bem como na angina de Prinzmetal ou
angina pectoris variante.

A. Nitroglicerina
Os nitratos, os β-bloqueadores e os bloqueadores de canal de cálcio são igualmente
úteis no alívio dos sintomas anginosos. Entretanto, para o rápido alívio de uma crise
de angina que se inicia, precipitada por esforço (estresse) de exercício ou
emocional, o fármaco de escolha é a nitroglicerina em uso (via) sublingual (ou na
forma de spray).

1. Mecanismo de Ação: Acredita-se que os nitratos orgânicos, como a


nitroglicerina, relaxem a musculatura lisa dos vasos através de sua
conversão intracelular a íons nitritos, então, a óxido nítrico (NO), que por
sua vez ativa a guanilato-ciclase e aumenta o GMPc das células. Por fim, a
elevação do GMPc promove a desfosforilação de cadeia leve da miosina, o
que resulta no relaxamento da musculatura lisa dos vasos.

2. Efeitos sobre o sistema cardiovascular: Em doses terapêuticas a


nitroglicerina apresenta dois efeitos principais. Primeiro, promove dilatação
das grandes veias, resultando no aumento do conteúdo venoso. Isto diminui
a pré-carga ( o retorno venoso ao coração) e reduz o trabalho do coração.
Em segundo lugar, a nitroglicerina dilata os vasos coronarianos,
promovendo aumento de suprimento sangüíneo para o músculo cardíaco. A
nitroglicerina promove diminuição do consumo de oxigênio pelo miocárdio
porque diminui o trabalho cardíaco.

3. Farmacocinética: O tempo para o inicio da ação varia de um minuto para a


nitroglicerina a mais de uma hora para o monitrato de isossorbida. Ocorre
importante metabolismo de primeira passagem pelo fígado com a
nitroglicerina. Assim, é comum administrar-se o fármaco por via sublingual
ou través de contato transdérmico.

4. Efeitos Adversos: O mais comum efeito adverso da nitroglicerina, assim


como de outros nitratos, é a cefaléia. Trinta e seis por cento dos pacientes
que recebem terapia intermitente com nitratos, como agentes de longo prazo,
desenvolvem cefaléias. Elevadas doses de nitratos orgânicos também podem
causar hipotensão postural,rubor facial e taquicardia.

5. Tolerância: Desenvolve-se rapidamente tolerância às ações dos nitratos. Isto


pode ser contornado através de “intervalo livre de nitrato” diário, com o
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intuito de restaurar a sensibilidade ao fármaco. Este intervalo é usualmente
de 6 a 8 horas, em geral à noite, pela menor demanda do coração nesse
período. As aplicações por contato transdérmico são úteis por 12 horas e
removidas a cada 12 horas. Entretanto, a angina de Prinzmetal ou variante
piora no início da manhã, talvez ao ciclo circadiano das catecolaminas.
Nestes pacientes, o “intervalo livre de nitrato” poderá ocorrer no final da
tarde.

B. Dinitrato de Isossorbida
O dinitrato de isossorbida é ativo por via oral. O fármaco não é rapidamente
metabolizado pelo fígado ou músculo liso e mostra menor potência que a
nitroglicerina para relaxar a musculatura lisa dos vasos.

Insulina

A insulina é uma pequena proteína que contém aminoácidos dispostos em duas cadeias (A e
B) unidas por ligações dissulfeto.

Secreção de insulina

A insulina é liberada das células β pancreáticas em baixa velocidade no estado basal e numa
velocidade muito mais alta em resposta a estímulo.

Mecanismo de liberação

A hiperglicemia aumenta os níveis de ATP, que fecham canais de K + ATP dependentes. Desta
forma, há uma diminuição do efluxo de e ocorre despolarização da célula β e abertura dos
canais de cálcio voltagem dependente. O aumento do cálcio intracelular desencadeia a
secreção do hormônio.

Efeitos da Insulina sobre células alvo. Efeitos do glucagon sobre a célula alvo.
(Hiperglicemia) (Hipoglicemia)

↑Glicólise ↓Glicólise
↓Gliconeogênese ↑Gliconeogênese
↓Glicogenólise ↑Glicogenólise
↓Lipólise ↑Lipólise
↑Lipogênese ↓Lipogênese

Preparações disponíveis de insulina

✓ Insulina de ação rápida (Regular): é um complexo de insulina-zinco cristalino em


solução transparente em pH neutro.

✓ Insulina lenta e ultra-lenta: mistura de 30% de insulina e 70 % de ultralenta. Objetivo:


obter absorção rápida com ação prolongada. Possui cor suspensões turvas em pH
neutro. (Humulin U®).

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✓ NPH (Protamina Neutra Hagedorn) A insulina NPH possui ação intermediária, cujo
início é retardado, por causa da protamina. Após a injeção subcutânea, as enzimas
proteolíticas degradam a protamina, permitindo a absorção de insulina.

Hipoglicemiantes orais

Sulfoniluréias

Ex: Clopropramida (Diabinese®)


Glibenclamida (Daonil®)
Glipzida (Minidiab®)
Glimepirida (Amaryl®)

Mecanismo de ação:

1) Liberação de insulina pelas células β


2) Redução dos níveis séricos de glucagon
3) Efeito extrapancreático, potencializando a ação da insulina nos tecidos alvos

As sulfoniluréias ligam-se a um receptor específico que fecha um canal de K +, o que provoca


despolarização. A despolarização abre um canal de Cálcio voltagem dependente, ocorrendo
influxo de cálcio e liberação de insulina.

Uso Clínico:

Diabetes Mellitus tipo II (dieta e exercícios não foram suficientes para controlar a glicemia)

Clopropramida (Diabinese®) e a Glimepirida (Amaryl®) possuem meia-vida muito longa e


devem ser dadas em dose única de manhã.

Farmacocinética:

Bem absorvidos via oral, 90% ligam se as proteínas plasmáticas, são metabolizadas no fígado
e excretadas na urina e nas fezes.

Administração junto com alimento retarda o efeito hipoglicemiante. Devem ser dadas 30 min
antes das refeições.

Efeitos adversos:

Hipoglicemia é o efeito adverso mais grave e mais freqüente (risco maior em idosos e ma
insuficiência renal ou hepática)

Biguanidas

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A metformina (Glifage®) é a droga de escolha para pacientes com Diabetes Mellitus tipo II,
obesos ou com sobrepeso, especialmente quando são portadores de dislipidemias onde a dieta
e exercícios não são suficientes para controle.

Mecanismo de ação:

Aumenta a sensibilidade à insulina nos tecidos hepáticos e muscular. No fígado diminui a


gliconeogênese e a glicogenólise e nos músculos aumenta a síntese de glicogênio.

A metformina também diminui os níveis séricos de triglicerídeos e aumentam os níveis de


HDL.

Farmacocinética:

A metformina é absorvida no intestino delgado, não se liga à proteína plasmática e é


eliminada intacta na urina pelos rins.

Efeitos adversos:

Gastrointestinais principalmente a anorexia. Náusea, vômitos, diarréia e desconforto


abdominal em até 20% dos pacientes.

Inibidores da α glicosidase

Acarbose (Glucobay®)

Indicado para diabetes Mellitus tipo II em que predomina a hiperglicemia pós-prandial.

Mecanismo de ação:

Inibe a ação de enzimas αglicosidase da parede intestinal retardando a digestão e absorção de


carboidratos mais complexos e reduzem a entrada de glicose em circulação. Reduzem a
glicemia pós-prandial.

Farmacocinética:

A Acarbose não é absorvida e não causa má absorção nas doses usuais.

Efeitos Adversos:

Aerocolia (acúmulo de ar no cólon), desconforto abdominal, diarréia e flatulência. Os efeitos


diminuem com o tempo de uso e podem ser reduzidos com administração de doses gradativas.

Contra-indicações:

Contra-indicado para pacientes com doença gastrointestinal, gravidez e lactação.

Tiazolidinedionas

Aumentam a captação de glicose no tecido muscular e nos adipócitos.


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Rosiglitazona 4 e 8 mg (Avandia®)
Proglitazona

Farmacocinética:

Metabolizadas no fígado e excretadas na urina e nas fezes.

Efeitos adversos:

Risco de toxicidade hepática. Há necessidade de avaliação periódica das transaminases


hepáticas. (ALT e AST)

Uso clínico:

As glitazonas são opção quando houver resistência à insulina e contra-indicações à


metformina.

TRATAMENTO DAS INFECÇÕES FÚNGICAS

Os fungos apresentam uma parede celular mais rígida e uma membrana celular contendo
ergosterol, freqüentemente causam infecções crônicas e são resistentes a todos os antibióticos.
As infecções fúngicas, ou micoses, podem ser superficiais, subcutâneas ou sistêmicas. A
ocorrência de micoses sistêmicas de difícil tratamento e que normalmente ameaçam a
sobrevivência – está aumentando devido à existência de um maior número de pacientes
imunocomprometidos, como portadores de HIV, câncer e aqueles submetidos a transplantes
de órgãos.
Entre os patógenos fúngicos oportunistas mais notáveis estão Cândida albicans e não-
albicans, Aspergillus, Cryptococcus e espécies zigomicetos. Os fármacos utilizados no
tratamento de infecções fúngicas sistêmicas incluem anfotericina B, derivados azólicos,
caspofungina e voriconazol.

TRATAMENTO DE INFECÇÕES SISTÊMICAS

ANFOTERICINA B
A Anfotericina B liga-se ao ergosterol na membrana plasmática do fungo, interferindo no
funcionamento e causando a morte celular. Esse fármaco é ativo contra a maioria das
espécies, incluindo Cryptococcus neoformans, C. albicans, Sporotrichum, Blastomyces
dermatitidis, Histoplasma capsulatum, Coccidioides immitis e Aspergillus fumigatus. Em
geral, é reservado para as infecções que ameacem a sobrevivência (p. ex., meningite
criptocócica, histoplasmose, candidíase disseminada, coccidioidomicose, blastomicose norte-
americana, aspergilose e esporotricose).

A resistência ao fármaco é rara, mas pode ocorrer. Os efeitos adversos da anfotericina são a
razão do seu apelido “anfo-terrível”. O principal efeito adverso é a diminuição da capacidade
renal (que é atenuada pela administração prévia de sódio). Outros efeitos são febre e calafrios,
hipotensão, anemia, tromboflebite e neurotoxicidade.
OUTROS FÁRMACOS ANTIFÚNGICOS
Os antifúngicos azólicos impedem a síntese de ergosterol na membrana celular do fungo.

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O fluconazol combate C. albicans,várias espécies de Cândida não-albicans e C.
neoformans ,mas não Cândida krusei ou Aspergillus.
O Itraconazol apresenta excelente atividade anticândida ; é mais eficaz do que o fluconazolno
combate a H.capsulatum, Sporothrix schenckii e B. dermatitidis,sendo fungistáticos contra
Aspergillus.
O Voriconazol apresenta grande atividade contra Cândida,é fungicida contra Aspergillus e é
ativo contra Fusarium e contra Scedosporium apiospermum.
O Cetoconazol Tratamento de candidíase oral, esofagiana, cutânea e vulvovaginal,
dermatofitoses, pitiríase versicolor, histoplasmose, esporotricose, paracoccidioidomicose.

OS EFEITOS ADVERSOS
Função hepática anormal(fluconazol), edema periférico, agravo da insuficiência cardíaca
congestiva (Itraconazol), hepatotoxicidade (Cetoconazol) e toxicidade ocular temporária
(Voriconazol).

Interações farmacológicas:
Os azólicos inibem o metabolismo de certos fármacos (p. ex., sulfoniluréias, varfarina,
digoxina, ciclosporina e tacrolimus); os níveis séricos de azólicos são reduzidos por outros
fármacos (p. ex., rifampicina, isoniazida e carbamazepina).

TOCOLÍTICOS

Drogas que previnem o parto prematuro e o nascimento imaturo, suprimindo as contrações


uterinas. Os agentes usados para retardar a atividade uterina prematura incluem o sulfato de
magnésio, antagonistas da ocitocina (Atosibam), inibidores dos canais de cálcio (nifedipina),
Inibidor da síntese de prostaglandinas (indometacina) e agonistas dos receptores beta-
adrenérgicos (ritodrina).

OXITOCICOS
Drogas que estimulam a contração do endométrio. São usadas para induzir o parto a termo,
para prevenir ou controlar a hemorragia de pós-parto ou pós-aborto. Podem também ser
usadas sozinhas ou com outras drogas para induzir abortos (ABORTIVOS). Ocitócicos usados
clinicamente incluem a OCITOCINA e alcalóides do ergot.

ALCALÓIDES DO ESPORÃO DO CENTEIO


São substâncias encontradas no Secale cornutum, um fungo que parasita as espigas dos
cereais. A alimentação com farinha de cereais contaminados determinou, no passado,
intoxicação em massa (ergotismo) com distúrbios hemorrágicos e morte (gangrena) de pés e
mãos, bem como alucinações do SNC (alucinações).

Os alcalóides do esporão do centeio:


A ergometrina atua especialmente sobre o útero, determinando uma contração prolongada
da musculatura uterina. Isso reduz rigorosamente o fluxo sangüíneo para a placenta e, com
isso, o suprimento de O₂ para o feto. A ergometrina não é usada terapeuticamente.
O derivado semi-sintético metilergometrina é usado apenas para a expulsão fetal, em casos de
contrações uterinas insuficientes.

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Apostila de Farmacologia II
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A Ergotamina bem como os alcalóides ergocristina, ergocriptina e ergocornina afetam
principalmente os vasos. Conforme o tempo de atuação, podem induzir a constrição ou a
dilatação. O mecanismo de ação não está claro, parece um efeito agonista parcial sobre
receptores α é importante.
A ergotamina é usada no tratamento da enxaqueca. Em vista disso, seu derivado
diidroergotamina é usado também no tratamento de distúrbios ortotásticos.

ANTICONCEPCIONAIS

Mecanismo de ação: Feedback negativo direto e indireto

INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS

DESOGESTREL
Sangramento irregular e confiabilidade reduzida poderão ocorrer quando os anticoncepcionais
forem administrados concomitantemente com outros medicamentos, como os
anticonvulsivantes, barbitúricos, antibióticos (por exemplo: ampicilina, tetraciclina,
rifampicina, etc.) e determinados laxantes.
Em diabéticas, os anticoncepcionais podem diminuir a tolerância à glicose e aumentar as
necessidades de insulina ou outros medicamentos antidiabéticos.
Os anticoncepcionais orais podem interferir no metabolismo oxidativo do diazepam e
clordiazepóxido, provocando acumulação plasmática dos mesmos.

GESTODENO
Barbitúricos, fenilbutazona, hidontoína, rifampicina, primidona, carbamazepina,
griseofulvina, que são indutores de enzimas hepáticas podem reduzir o efeito
contraceptivo. Antibióticos incluindo ampicilina e tetraciclina pode reduzir a eficácia dos
contraceptivos orais por causar alterações da flora intestinal. Mulheres recebendo indutores de
enzimas hepáticas ou antibióticos de amplo espectro devem utilizar concomitantemente
métodos contraceptivos de barreira (por ex. preservativo feminino ou diafragma mais
espermicida).
O uso de contraceptivos orais pode influenciar no resultado de alguns testes laboratoriais,
incluindo parâmetros bioquímicos hepáticos, da tireóide, adrenal e função renal, níveis
plasmáticos da fração lipídio/lipoprotéica, parâmetros de coagulação.

Pílula o dia Seguinte (Levonorgestrel 0,75 mg)


Deve ser tomada em até 72h após a relação sexual
Eficácia: 24h 95%; 48h 50%; 72h 25%

Drogas psicotrópicas
Psico significa nosso psiquismo (o que sentimos, fazemos e pensamos, enfim o que cada um
é). Trópico significa "ter atração por". Então psicotrópico significa atração pelo psiquismo e
drogas psicotrópicas são aquelas que atuam sobre o nosso cérebro, alterando de alguma
maneira o nosso psiquismo.

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Apostila de Farmacologia II
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As drogas psicotrópicas podem ser classificadas em três grupos, de acordo com a atividade
que exercem junto ao nosso cérebro

1. Depressores da Atividade do SNC;


2. Estimulantes da Atividade do SNC;
3. Perturbadores da Atividade do SNC.

Outra classificação:

1. Depressores - podem também ser chamadas de psicolépticos;


2. Estimulantes - recebem também o nome de psicoanalépticos, noanalépticos,
timolépticos etc;
3. Perturbadores ou psicoticomiméticos, psicodélicos. alucinógenos, psicometamórficos
etc

As principais drogas psicotrópicas, e que são usadas de maneira abusiva, de acordo com a
classificação mencionada aqui, estão relacionadas abaixo:

Depressores da Atividade do SNC

● Álcool;
● Soníferos ou hipnóticos (drogas que promovem o sono) barbitúricos, alguns
benzodiazepínicos
● Ansiolíticos (acalmam, inibem a ansiedade). As principais drogas pertencentes a essa
classificação são os benzodiazepínicos. Ex.: diazepam, lorazepam etc
● Opiáceos ou narcóticos (aliviam a dor e dão sonolência). Ex morfina, heroína,
codeína, meperidina etc;
● Inalantes ou solventes (colas,tintas removedores, etc)

Estimulantes da Atividade do SNC

● Anorexígenos (diminuem a fome). Principais drogas pertencentes a essa classificação


são as anfetaminas Ex.: dietilpropriona, femproporex, etc;
● Cocaína

Perturbadores da Atividade do SNC:

De origem vegetal:

● mescalina (do cacto mexicano)


● THC (da maconha)
● psilocibina (de certos cogumelos)
● lírio (trombeteira, zabumba ou saia branca)

De origem sintética:

● LSD-25
● "Êxtase"
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Anfetaminas
As anfetaminas são drogas estimulantes da atividade do sistema nervoso central, isto é. fazem
o cérebro trabalhar mais depressa, deixando as pessoas mais "acesas", "ligadas" com "menos
sono", "elétricas" etc.
A anfetamina é um agonista dos receptores para noradrenalina e dopamina no sistema nervoso
central.
A anfetamina e seus análogos atuam (em potências variáveis, de acordo com a estrutura)
como aminas simpatomiméticas nos receptores alfa e beta adrenérgicos.
As anfetaminas aumentam a liberação de catecolaminas, e inibindo a monoamino-oxidase.
É chamada de rebite principalmente entre os motoristas que precisam dirigir durante várias
horas seguidas sem descanso, a fim de cumprir prazos pré -determinados. Também é
conhecida como bolinha por estudantes que passam noites inteiras estudando, ou por pessoas
que costumam fazer regimes de emagrecimento sem o acompanhamento médico.
Droga do tipo Anfetamina Produtos (remédios comerciais) vendidos nas farmácias
Dietilpropiona ou Anfepramona Dualid S; Hipofagin S; Inibex S; Moderine
Femproporex Desobesi-M; Lipomax AP; Inobesin
Mazindol Dasten: Fagolipo: Absten-PIus; Diazinil; Dobesix
Metanfetamina Pervitin
Metilfenidato Ritalina

Efeitos adversos:
Comportamento mais agressivo, irritadiço, começa a suspeitar de que outros estão tramando
contra ela: e o chamado delírio persecutório. Dependendo do excesso da dose e da
sensibilidade da pessoa pode aparecer um verdadeiro estado de paranóia e ter até
alucinações. É a psicose anfetamínica.

Esteróides Anabolizantes
Efeitos adversos:
Alguns dos principais efeitos do abuso dos esteróides anabolizantes são: tremores, acne
severa, retenção de líquidos, dores nas juntas, aumento da pressão sanguínea, HDL baixo (a
forma boa do colesterol), icterícia e tumores no fígado. Além desses, aqueles que se injetam
ainda correm o perigo de compartilhar seringas e contaminar-se com o vírus da AIDS ou
hepatite.
Outros efeitos:
Além dos efeitos mencionados, outros também graves podem ocorrer:
No homem: os testículos diminuem de tamanho, a contagem de espermatozóides é reduzida,
ocorre a impotência, infertilidade, calvície, desenvolvimento de mamas, dificuldade ou dor
para urinar e aumento da próstata.
Na mulher: crescimento de pêlos faciais, alterações ou ausência de ciclo menstrual, aumento
do clitóris, voz grossa, diminuição de seios.

No adolescente: maturação esquelética prematura, puberdade acelerada levando a um


crescimento raquítico.
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O abuso de anabolizantes pode causar ainda uma variação de humor incluindo agressividade e
raiva incontroláveis que podem levar a episódios violentos.
Esses efeitos são associados ao número de doses semanais utilizadas pêlos usuários

Maconha e THC. (Tetrahidrocanabinol)


A maconha é o nome dado aqui no Brasil a uma planta chamada cientificamente de Cannabis
Sativa. Em outros países ela recebe diferentes nomes como os mencionados no título deste
folheto. Ela já era conhecida há pelo menos 5.000 anos, sendo utilizada quer para fins
medicinais quer para "produzir risos".
Para bom entendimento é melhor dividir os efeitos que a maconha produz sobre o homem em
físicos (ação sobre o próprio corpo ou partes dele) e psíquicos (ação sobre a mente).
Os efeitos físicos agudos: olhos avermelhados (hiperemia das conjuntivas), boca seca
(xerostomia) e taquicardia.
Os efeitos psíquicos: sensação de bem-estar acompanhada de calma e relaxamento, sentir-se
menos fatigado, vontade de rir (hilaridade). Para outras pessoas os efeitos são mais para o
lado desagradável: sentem angústia, temerosas de perder o controle da cabeça, trêmulas,
suando.
Há ainda evidente perturbação na capacidade da pessoa em calcular tempo e espaço e
um prejuízo na memória e atenção. Assim sob a ação da maconha a pessoa erra
grosseiramente na discriminação do tempo tendo a sensação que se passaram horas quando na
realidade foram alguns minutos; um túnel com 10 metros de comprimento pode parecer ter 50
ou 100 metros.
Perda de memória
Mecanismo de ação: um receptor específico para os canabinóides no cérebro. Existem
ligantes endógenos para esse receptor, os endocanabinóides.

Psicoestimulantes
Os psicoestimulantes, tais como a anfetamina e a fencanfamina, aumentam a liberação de DA
e NA. Os antipsicóticos antagonizam receptores dopaminérgicos centrais, com ação
preferencial por receptores D2 (clorpromazina, haloperidol, flufenazina, olanzapina,
risperidona) ou D4 (clozapina), além de bloquearem receptores 5-HT2A (ex. risperidona,
olanzapina).
lítio
O lítio exerce várias ações bioquímicas, tais como a inibição da liberação (dependente de
cálcio) de certos neurotransmissores (ex. NA e DA), o bloqueio da formação do
fosfatidilinositol, através da inibição da enzima inositol monofosfatase, e a modificação das
respostas mediadas pelo sistema adenilatociclase e AMPc.
HIPERTENSÂO ARTERIAL
Classificação do Risco Individual dos Pacientes e Função da Presença de Fatores de
Risco de Lesão em Órgão-alvo.

RISCO
A Sem fatores de risco e sem lesão em órgão-

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alvo.
B Presença de fatores de risco (não incluindo
DM ) e sem lesão em órgãos-alvo.
C Presença de lesões em órgãos-alvo,
clinicamnete identificável e/ou DM.

Decisão terapêutica, Segundo Risco e Pressão Arterial


A B C
Normal/ Limítrofe MEV MEV MEV*
(130-139/85-89)
Estágio 1 MEV MEV** TM
(140-159/90-99) (até 12 meses) (até 6 meses)
Estágio 2 e 3 TM TM TM
(≥160/≥100)

* TM - Se houver insuficiência cardíaca, renal crônica e DM.


** TM – Se houver múltiplos fatores de risco.

FATORES DE RISCO
● Tabagismo
● Dislipidemia (aumento do colesterol)
● Diabetes Melitus
● Idade acima de 60 anos (perda de funções, principalmente da função renal)
● Sexo: homens ou mulheres pós-menopausa
● Histórico familiar de doença cardiovascular em:
-mulheres com menos de 65 anos
-homens com menos de 55 anos

ANTIHIPERTENSIVOS

A HIPERTENSÃO ARTERIAL (HA) é definida como a pressão sangüínea diastólica


permanentemente aumentada, acima de 90mmHg e acompanhada por elevação na pressão
sangüínea sistólica ( >140 mmHg).
A prevalência varia com a idade, a raça, e educação e muitas outras variáveis.
⇒ FATORES DE RISCO: o hábito de fumar, hiperlipidemia, diabete, doença renal e um
histórico familiar. Evidências epidemiológicas indicam que o estresse psicológico e
fatores ambientais e da dieta (maior ingestão de sal e menor de cálcio) contribuem para o
aumento da Hipertensão Arterial.

⇒ CONSEQUÊNCIAS: A HIPERTENSÃO ARTERIAL elevada por um período longo


danifica os vasos sangüíneos renais, cardíacos e cerebrais e leva a uma incidência maior
de insuficiência renal, coronariopatias e acidentes vasculares cerebrais. Quanto maior o
grau de elevação da PA, maiores os riscos ou danos aos órgãos-alvo.

REGULAÇÃO NORMAL DA PRESSÃO ARTERIAL


PA = DC X RVP
Onde temos:
DC= Débito Cardíaco
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RVP= Resistência Vascular Periférica

A PA é mantida pela regulação de momento a momento do DC e da RVP, exercida em três


locais anatômicos: arteríolas, vênulas pós-capilares (vasos de capacitância) e o coração. Um
quarto lugar anatômico de controle , o rim, contribui para a manutenção da PA regulando o
volume de líquido intravascular. Mediados por nervos simpáticos, os barorreflexos atuam em
combinação a mecanismos humorais , incluindo o sistema renina-angiotensina-aldosterona,
coordenando a função nesses quatro locais de controle e mantendo a PA normal.

GRUPOS ESPECIAIS
NEGROS
-Prevalência elevada
-Maior gravidade, particularmente quanto à incidência de acidente vascular cérebro vascular e
insuficiência renal crônica.
-Diuréticos têm eficácia aumentada. Outras drogas são os bloqueadores de canal de cálcio e os
alfa bloqueadores.
-Menor eficácia dos IECA e dos betabloqueadores.

IDOSOS
-Cerca de 65% dos idosos são hipertensos, e entre as mulheres com mais de 75 anos a
prevalência de HA pode chegar a 80%.

CRIANÇAS E ADOLESCENTES
-Prevalência de HA, nessa faixa etária (1 a 18 anos) entre 6% e 8%
-É alterada quando tem Diabetes Melitos ou problemas renais.

FARMACOLOGIA BÁSICA DAS DROGAS ANTIHIPERTENSIVAS


A terapia anti-hipertensiva depende necessariamente de interferir nos mecanismos fisiológicos
que regulam normalmente a pressão arterial, pois geralmente ela não é dirigida a uma causa
específica.

A) DROGAS PARASSIMPATICOMIMÉTICAS:
São drogas que abaixam a pressão arterial reduzindo a RVP, inibindo a função cardíaca e
aumentando o acúmulo venoso de sangue nos vasos de capacitância. Estes dois últimos
efeitos deduzem o débito cardíaco.

ANTAGONISTAS DOS RECEPTORES ADRENÉRGICOS

Propranolol – droga bloqueadoras dos receptores β.


Indicação:
-No tratamento da hipertensão leve e moderada.
-Para impedir a taquicardia reflexa que ocorre em conseqüência do tratamento com
vasodilatadores diretos.
-No tratamento de angina pectoris.

Mecanismo e local de ação:


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Apostila de Farmacologia II
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➢ Antagoniza a ação das catecolaminas tanto nos receptores β1 com β2 adrenérgicos. A
PA baixa principalmente devido a uma diminuição do DOC associada a bradicardia
(efeito cronotrópico e inotrópico negativo).
O propranolol inibe a estimulação da produção de renina pelas catecolaminas (mediada
pelos receptores β2 ). É provável que o efeito do propranolol se deva em parte à depressão
do sistema renina-angiotensina-aldosterona.

Farmacocinética:

Sofre intensamente o metabolismo hepático de primeira passagem. Este efeito proeminente é


parcialmente responsável pela variabilidade nas doses necessárias para os efeitos clinicamente
úteis.
Meia-vida é de 3-6 horas.
Dose: 80mg/dia em doses fracionadas. Podendo variar entre 80 a 480mg/dia.

Relação Entre Mecanismo de Ação e Efeitos Adversos:


➢ O bloqueio dos receptores de β2 no músculo liso brônquico pode ocasionar um
aumento da resistência nas vias aéreas, especialmente em pacientes portadores de
asma (broncoconstrição).
➢ Os β-bloqueadores provocam diminuição da glicogenólise e redução da secreção de
glucagon. Os bloqueadores atenuam a resposta fisiológica normal à hipoglicemia.
➢ Vasoconstrição periférica reflexa.
➢ Aumento da retenção de Na+: devido a diminuição da perfusão renal o que leva ao
aumento da retenção de Na+ e aumento do volume plasmático .Neste caso, a droga
deve ser associada a um diurético.
➢ Aumento do risco de coronariopatias : o uso crônico de β-bloqueadores foi associado
ao aumento das concentrações plasmáticas do colesterol VLDL e à diminuição das
concentrações de HDL. Menor razão entre HDL/LDL.

OUTROS β-BLOQUEADORES:
➢ Atenolol e metoprolol- cárdio-seletivo.
➢ Nadolol - duração de ação muito longa.
➢ Timolol – não-seletivo. Hipotensor ocular.
➢ Pindolol, acebutolol, carteolol, celiprolo e pendutolol – atividade agonista parcial.
➢ Labetalol – antagonista β capaz de bloquear α1.

PRAZOSINA E outros α1-bloqueadores

A prazosina, terazosina e doxazosina produzem grande parte de seu efeito anti-


hipertensivo bloqueando os receptores α1 em arteríolas e vênulas (dilata tanto os
vasos de resistência quanto os de capacitância) o que pode explicar por que esses
fármacos produzem menos taquicardia reflexa.

Farmacocinética:
-O Prazosin é bem absorvido, mas sofre intensamente o metabolismo hepático de
primeira passagem. (TEMPO DE ½: 3-4 horas).
-Terazosina – TEMPO DE ½ = 12 horas, sofre muito pouco metabolismo hepático de
primeira passagem.
-Doxazosina – TEMPO DE ½ = 22 horas.

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DOSES:
-Prazosin = Dose inicial baixa de 3x ao dia para evitar a hipotensão postural e a
síncope. A dose pode ser aumentada para 20 ou 30 mg/dia. Cuidados com o efeito de
primeira dose.
-Terazosina = 5-20 mg/dia .
-Doxazosina = 1 mg/dia e aumentado-se gradativamente até 4 mg/dia ou mais.

EFEITOS ADVERSOS:
-Congestão Nasal: aumento de secreção
-Taquicardia reflexa: É um reflexo da vasodilatação e da diminuição da RVP
(resistência vascular periférica) causada pela droga. Como o retorno venoso também
diminui, o coração compensa aumentando os batimentos cardíacos causando a
taquicardia reflexa, não ocorre inibição de α1.
-Efeito da 1ª dose: pode causar hipotensão ortotástica ou postural severa levando ao
desmaio, para evitar recomenda-se tomar ⅓ da dose sempre ao deitar na 1ª semana.

NÃO AFETAM ADVERSAMENTE OS PERFIS LIPÍDICOS PLASMÁTICOS.

B) VASODILATADORES DIRETOS – Drogas que reduzem a pressão por relaxarem


o músculo liso vascular , dilatando assim os vasos de resistência e em grau variável a
capacitância.

BLOQUEADORES DO CANAL DE CÁLCIO


Os bloqueadores de canal de cálcio estão recomendados quando agentes de primeira linha
estão contra-indicados ou são ineficazes. Apesar de seu amplo uso , não está claro o efeiot
desta terapia antihipertensiva na prevenção das moléstias associadas.

CLASSES DOS BLOQUEADORES DE CANAL DE CÄLCIO


1. O VERAPAMIL é o bloqueador de canal seletivo e apresenta efeitos significativos tanto
nas células cardíacas, quanto nas células da musculatura lisa dos vasos. É usado no tratamento
de angina, taquiarritmias supraventriculares e enxaqueca.
OBS.:O Verapamil não é indicado para Hipertensão Arterial e Insuficiência Cardíaca
Congestiva por ser uma droga não seletiva bloqueia os canais de Ca+ do Miocárdio causando
Inotropismo negativo diminuindo a força de contração.

2. O DILTIAZEM altera tanto as células cardíacas, como as da musculatura lisa dos vasos;
entretanto, ele apresenta efeito inotrópico negativo menos pronunciado sobre o coração que o
VERAPAMIL . O DILTIAZEM mostra melhor perfil em relação aos efeitos adversos.

3.: NIFEDIPINA (Adalat), AMLODIPINA, FELODIPINA, ISRADIPINA, NICARPIDINA e


NISOLDIPINA. mostram maior afinidade com os canais de cálcio vasculares que com os
cardíacos. São, assim, particularmente interessantes no tratamento da hipertensão.
OBS.: -Provoca CEFALÉIA PULSÁTIL devido a vasodiltação dos vasos cerebrais, levando
ao aumento da pressão intracraniana.
-Edema de tornozelo = devido a vasodilatação ocorre quando o cliente tem úlcera vericosa;
-Fushing= vermelhidão cutânea devido a vasodilatação.
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-Taquicardia Reflexa;
-AVE (DVE) = para não ocorrer o DVE a queda da pressão deverá ser gradativa, pois a
vasodilatação aumenta a pressão intracraniana.

AÇÕES:
A concentração intracelular de cálcio desempenha importante papel na manutenção do tono da
musculatura lisa e na contração do miocárdio. O Cálcio penetra nas células através
musculares através de canais de cálcio voltagem-dependentes especiais. Isto dispara a
liberação de cálcio do retículo sarcoplasmático e da mitocôndria, o que aumenta a seguir o
nível citosólico de cálcio. Os antagonistas do canal de cálcio bloqueiam o movimento de
entrada do cálcio ligando-se aos canais de cálcio do tipo L no coração e na musculatura lisa
das coronárias e dos vasos periféricos. Isto causa relaxamento da musculatura lisa dos vasos,
dilatando principalmente as arteríolas.

FARMACOCINÉTICA:
A maioria destes agentes mostra meia-vida curta (t½ =3 a 8 horas), após uso oral. O
tratamento requer três tomadas ao dia para a manutenção de adequado controle da
hipertensão. Com preparações de liberação lenta, pode-se usar doses menos frequentes.

USOS TERAPÊUTICOS:
Os bloqueadores de canal de cálcio apresentam efeito natriurético intrínseco; desse modo, eles
não requerem a associação de diurético. Estes agentes são úteis no tratamento de pacientes
hipertensos que sejam também portadores de asma, diabetes, angina e/ou moléstia vascular
periférica.
EFEITOS ADVERSOS:
Embora pouco freqüentes, os efeitos adversos incluem constipação em 10% dos pacientes,
tontura, cefaléia e sensação de fadiga causada pela diminuição de pressão arterial. O
verapamil deve ser evitado em pacientes em tratamento de insuficiência cardíaca congestiva
devido a seus efeitos inotrópicos negativos.

OUTROS VASODILATADORES:
Os relaxantes de musculatura lisa de ação direta, como a HIDRALAZINA e o MINOXIDIL,
não tem sido tradicionalmente usados como fármacos de primeira linha de tratamento da
hipertensão. Os vasodilatadores atuam através do relaxamento da musculatura lisa dos vasos,
o que diminui a resistência periférica e consequentemente a pressão sangüínea. Estes agentes
produzem estímulos reflexos do coração, resultando em sintomas compensadores, como
aumento da contratilidade do coração miocárdica, freqüência cardíaca e consumo de oxigênio.
Estes efeitos podem desencadear angina pectoris, infarto do miocárdio ou insuficiência
cardíaca em indivíduos predispostos. Os vasodilatadores também aumentam a concentração
plasmática de renina, resultando em retenção de sódio e água. Estes efeitos colaterais
indesejáveis podem ser bloqueados pelo uso concomitante de diurético e beta-bloqueador.

A) HIDRALAZINA:
Este fármaco causa vasodilatação direta , atuando primariamente em artérias e arteríolas.
Isto resulta em diminuição da resistência periférica, que por sua vez, promove a elevação
reflexa da freqüência e do débito cardíaco. A Hidralazina é usada no tratamento da
hipotensão moderada severa. É quase sempre administrada em combinação com β-
bloqueador, como o propranolol (para contrabalançar a taquicardia reflexa) e um
diurético ( para diminuir a retenção de sódio), Em conjunto, os três fármacos diminuem o
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débito cardíaco, o volume plasmático e a resistência vascular periférica . Os efeitos
adversos da terapia com hidralazina incluem cefaléia, náusea, sudorese, arritmia e
precipitação de angina. A síndrome semelhante ao lúpus (lúpus-like) pode ocorrer com o
uso de doses elevadas, porém é reversível quando se descontinua o fármaco.
Dose habitual: 40 a 200 mg/dia.

B) MINOXIDIL
Este fármaco causa vasodilatação arteriolar, mas não venular ( dos vasos de resistência,
porém não nos de capacitância). O MINOXIDIL é administrado por via oral para o
tratamento da hipertensão severa ou maligna que se mostrou refratária a outros fármacos.
A taquicardia reflexa pode ser severa e pode necessitar do uso concomitante de diurético
ou β-bloqueador. O MINOXIDIL promove importante retenção de sódio e água, levando a
sobrecarga de volume, edema e insuficiência cardíaca congestiva. [OBS.: O tratamento
com MMINOXIDIL também causa hipertricose(crescimento de pêlos pelo corpo). Este
fármaco é usado topicamente para o tratamento da calvície no homem.]
Dose: Inicia-se o tratamento com 5 ou 10 mg/dia em duas tomadas, e a dose diária e então
aumentada até 40 mg/dia.

EMERGÊNCIA HIPERTENSIVA
A emergência hipertensiva é rara, porém é situação de perigo de vida na qual a pressão
sanguínea diastólica está acima de 150 mmHg (com a pressão sanguínea sistólica maior que
210 mmHg) em pessoa sadia, ou 130 mmHg em indivíduo com complicações pré-existentes,
como encefalopatia, hemorragia cerebral, falência ventricular esquerda ou esternose aórtica: A
finalidade da terapia é reduzir rapidamente a pressão sanguínea.

A) NITROPRUSSIATO DE SÓDIO
O Nitroprussiato é administrado por via intravenosa e promove imediata vasodilatação ,
com taquicardia reflexa. Ele é capaz de reduzir a pressão sanguínea em todos os
pacientes, não importando as causas da hipertensão . Este fármaco mostra pouco efeito
fora do sistema cardiovascular, atuando igualmente sobre a musculatura lisa arterial e
venosa. [OBS.:Em razão de o nitroprussiato atuar também sobre as veias, ele pode reduzir
a pré-carga cardíaca]. O nitroprussiato é metabolizado rapidamente (t ½ de minutos) e é
necessária a infusão contínua para manter seu efeito hipotensivo. O nitroprussiato de sódio
mostra poucos efeitos adversos, exceto por aqueles de hipotensão causados por doses
excessivas. O metabolismo do Nitroprussiato termina no metabolismo do íon cianeto,
sendo rara a intoxicação por cianeto a qual pode ser tratada com a infusão de tiossulfato
de sódio, para produzir tiocianato, este menos tóxico, que é eliminado pelos rins. [OBS.:
O Nitroprussiato é tóxico, se administrado por via oral, porque ele se hidrolisa a cianeto.
Dose: A dose é iniciada tipicamente a 0,5 ug/Kg/min e pode ser aumentada até 10
ug/Kg/min, se necessário, para o controle da pressão arterial.
OBS.: É fotossensível.

B)DIAZÓXIDO
O diazóxido é vasodilatador arteriolar de ação direta. Ele tem efeitos vasculares
semelhantes aos da hidralazina. Para pacientes portadores de insuficiência coronariana, o
diazóxido é administrado por via intravenosa com um β-bloqueador, o qual diminui a
ativação reflexa do coração. O diazóxido é útil no tratamento das emergências
hipertensivas, encefalopatia hipertensiva e eclâmpsia. O seu mais grave efeito tóxico é a
hipotensão excessiva.

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Dose: 75-100 mg. Se necessário, doses de 150 mg podem ser repetidas a cada 5 minutos,
até que a pressão arterial seja satisfatoriamente reduzida.

FÁRMACOS ADRENÉRGICOS DE AÇÃO CENTRAL


A) CLONIDINA
Este agonista α2 diminui o estimulo adrenérgico central. A Clonidina é usada
primariamente para o tratamento da hipertensão moderada que não responde
adequadamnete ao tratamento só com o uso de diuréticos. A Clonidina deprime o fluxo
sanguíneo ou a filtração glomerular renais e, assim, é útil no tratamento da hipertensão
complicada por moléstia renal. A Clonidina é bem absorvida por via oral e excretada pelos
rins. Em razão de causar retenção d sódio e água, é usualmente administrada em
associação com um diurético. Os efeitos adversos são geralmente discretos, porém o
fármaco pode produzir sedação e secura da mucosa nasal. A hipertensão de rebound
ocorre com a retirada abrupta da clonidina. Por isto, o fármaco deve ser retirado
lentamente se o clínico deseja trocar de agente hipotensor.

B) α-METILDOPA
Os agonistas α-adrenérgicos diminuem os estímulos adrenérgicos do SNC, levando à
redução da resistência periférica total e à diminuição da pressão sanguínea. O débito
cardíaco não é diminuído e o fluxo sanguíneo aos órgãos vitais também não. Em razão de
o fluxo sanguíneo aos rins não ser diminuído com o seu uso, a α-metildopa é
especialmente valiosa para o tratamento de hipertensos com insuficiência renal. Os efeitos
adversos mais comuns da α-metildopa são a sedação e sonolência.

INIBIDORES DA ECA
Os inibidores da enzima de conversão de angiotensina (ECA) são recomendados quando os
agentes de primeira linha (diuréticos ou β-bloqueadores) estão contra-indicados ou foram
ineficazes. Apesar de sue amplo uso, não está claro que os inibidores de ECA diminuem os
riscos de desenvolvimento de moléstias mais importantes.

Sistema Renina / Angiotensina. A renina é uma enzima que é sintetizada, armazenada e


secretada no aparelho justaglomerular. A renina cliva o angiotensinogênio circulante no
sangue ( produzido no fígado) e forma a Angiotensina I. Esta é convertida em angiotensina II,
pela enzima conversora de Angiotensina (ECA). Esta enzima está situada no endotélio dos
vasos. Angiotensina II é vasoconstritora, estimula a reabsorção de Na+, a secreção de
Aldosterona e secreção de ADH pela hipófise posterior. Também estimula a sede por meio de
ação encefálica.
Aldosterona é sintetizada e liberada pelas células glomerulares do córtex adrenal. É liberada
pelo estímulo da angiotensina II. A aldosterona age nos rins para estimular a absorção de Na +
e secreção de K+, no túbulo distal e ducto coletor.

AÇÕES:
Os inibidores de ECA diminuem a pressão sanguínea pela redução da resistência vascular
periférica sem, reflexamente, aumentar o débito cardíaco, a freqüência cardíaca ou a
contratilidade miocárdica. Estes fármacos bloqueiam a enzima conversora de angiotensina, a
qual transforma a angiotensina I ou II, esta sim, é potente vasoconstritor. Estes inibidores
também diminuem a taxa de inativação da bradicinina. A vasodilatação ocorre como resultado

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Edvaldo Higino de Lima Junior
Apostila de Farmacologia II
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da combinação desses efeitos: diminuição dos níveis de angiotensina II e o potente efeito
vasodilatador dado pelo aumento da meia-vida da bradicinina. Através da redução dos níveis
circulantes de angiotensina II os inibidores de ECA também diminuem a secreção de
aldosterona, resultando em diminuição na retenção de sódio e água.

USOS TERAPÊUTICOS:
Como β-bloqueadores, os inibidores de ECA são mais efetivos em pacientes hipertensos
brancos e jovens. Entretanto, quando usados em conjunto com diuréticos, a efetividade dos
inibidores de ECA é semelhante em pacientes hipertensos brancos e negros. Ao contrário dos
β-bloqueadores, os inibidores de ECA são efetivos no manuseio de pacientes portadores de
insuficiência congestiva crônica. Os inibidores de ECA atualmente são o padrão no tratamento
de pacientes pós-infarto do miocárdio. A terapia é iniciada 24 horas após o término do infarto.

EFEITOS ADVERSOS:
Os principais efeitos adversos incluem a tosse seca, vermelhidão cutânea, febre, alteração do
paladar, hipotensão (em situações de hipovolemia) e hipercalemia . Os níveis de potássio
precisam ser monitorados e suplementos de potássio, ou o uso de espironolactona, está contra-
indicado.
A TOSSE SECA é explicada pelo acúmulo de bradicinina nos pulmões, pois está envolvida no
processo alérgico provocando tosse.

Captorpril, Enalapril, lisinopril inibem a ECA e reduzem a pressão arterial

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