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SéRIE ELETROELETRÔNICA

TÉCNICAS DE
REDAÇÃO EM
LÍNGUA
PORTUGUESA
CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA – CNI

Robson Braga de Andrade


Presidente

DIRETORIA DE EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA

Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti


Diretor de Educação e Tecnologia

SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL – SENAI

Conselho Nacional

Robson Braga de Andrade


Presidente

SENAI – Departamento Nacional

Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti


Diretor Geral

Gustavo Leal Sales Filho


Diretor de Operações

Regina Maria de Fátima Torres


Diretora Associada de Educação Profissional
SéRIE ELETROELETRÔNICA

TÉCNICAS DE
REDAÇÃO EM
LÍNGUA
PORTUGUESA
© 2013. SENAI – Departamento Nacional

© 2013. SENAI – Departamento Regional de São Paulo

A reprodução total ou parcial desta publicação por quaisquer meios, seja eletrônico,
mecânico, fotocópia, de gravação ou outros, somente será permitida com prévia autorização,
por escrito, do SENAI.

Esta publicação foi elaborada pela equipe do Núcleo de Educação a Distância do SENAI-São
Paulo, com a coordenação do SENAI Departamento Nacional, para ser utilizada por todos os
Departamentos Regionais do SENAI nos cursos presenciais e a distância.

SENAI Departamento Nacional


Unidade de Educação Profissional e Tecnológica – UNIEP

SENAI Departamento Regional de São Paulo


Gerência de Educação – Núcleo de Educação a Distância

FICHA CATALOGRÁFICA

S491g

Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Departamento Nacional.


Técnicas de redação em língua portuguesa / Serviço Nacional de Aprendizagem
Industrial. Departamento Nacional, Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial.
Departamento Regional de São Paulo. Brasília: SENAI/DN, 2013.
102 p. il. (Série Eletroeletrônica).

ISBN 978-85-7519-673-1

1. Comunicação 2. Linguagem 3. Intelecção de texto 4. Documentação técnica


I. Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Departamento Regional de São Paulo
II. Título III. Série

CDU: 005.95

SENAI Sede
Serviço Nacional de Setor Bancário Norte • Quadra 1 • Bloco C • Edifício Roberto
Aprendizagem Industrial Simonsen • 70040-903 • Brasília – DF • Tel.: (0xx61) 3317-9001
Departamento Nacional Fax: (0xx61) 3317-9190 • http://www.senai.br
Lista de figuras e quadros
Figura 1 -  Estrutura curricular do curso de Eletricista de Redes de Distribuição
de Energia Elétrica.........................................................................................................................................12
Figura 2 -  Esquema do processo de comunicação................................................................................................16
Figura 3 -  Comunicação do tipo bilateral.................................................................................................................17
Figura 4 -  Professor em sala de aula...........................................................................................................................21
Figura 5 -  Amigos conversando em um bar............................................................................................................21
Figura 6 -  Análise textual é a leitura preliminar do texto....................................................................................30
Figura 7 -  Análise temática tem o objetivo de descobrir o significado da mensagem do texto..........32
Figura 8 -  Análise interpretativa apresenta a ideia do receptor sobre o texto estudado.......................33
Figura 9 -  Coerência e coesão são fundamentais para o perfeito entendimento do texto...................41
Figura 10 -  Partes de um load buster (LB).................................................................................................................51
Figura 11 -  Abertura de base fusível..........................................................................................................................53
Figura 12 -  Exemplo de Permissão de Trabalho (PT)............................................................................................60
Figura 13 -  Exemplo de Ordem de Serviço (OS).....................................................................................................61
Figura 14 -  Janela de abertura do editor de texto Microsoft Word 2010......................................................68
Figura 15 -  Barra de ferramentas de acesso rápido..............................................................................................68
Figura 16 -  Opções de comando da guia Página Inicial......................................................................................69
Figura 17 -  Guia Arquivo, com diversas operações de manipulação dos documentos...........................70
Figura 18 -  A guia Layout da Página permite definir orientação e tamanho da página
do documento.............................................................................................................................................71
Figura 19 -  Como definir as margens do documento..........................................................................................72
Figura 20 -  A opção Salvar Como permite escolher o nome do arquivo e o local
onde ele será guardado............................................................................................................................73
Figura 21 -  Configuração do salvamento automático de arquivos.................................................................73
Figura 22 -  A caixa de diálogo Zoom oferece opções interessantes de visualização
do documento.............................................................................................................................................74
Figura 23 -  Função Copiar..............................................................................................................................................75
Figura 24 -  Janela de salvamento do arquivo.........................................................................................................76
Figura 25 -  Função Inserir Tabela.................................................................................................................................76
Figura 26 -  Modelos de tabela predefinidos ..........................................................................................................77
Figura 27 -  Ferramentas para formatar a tabela.....................................................................................................78
Figura 28 -  Opções de design para tabelas..............................................................................................................78
Figura 29 -  Opções de layout para tabelas...............................................................................................................79
Figura 30 -  Janela de impressão de documentos..................................................................................................80
Figura 31 -  Mundo conectado através da internet...............................................................................................84
Figura 32 -  Símbolos dos navegadores Web mais utilizados.............................................................................85
Figura 33 -  Navegador web com endereço eletrônico do Departamento Nacional do SENAI.............86
Figura 34 -  Recurso Adicionar a Favoritos permite guardar endereços de
páginas da internet no seu computador...........................................................................................87
Figura 35 -  Portal de notícias G1..................................................................................................................................88

Quadro 1 - Funções da linguagem e suas características....................................................................................22


Quadro 2 - Principais conectivos utilizados na redação de textos...................................................................40
Quadro 3 - Tipos de descrição e características.......................................................................................................48
Quadro 4 - Como elaborar uma descrição de objeto............................................................................................50
Quadro 5 - Como elaborar uma descrição de processo.......................................................................................51
Quadro 6 - Partes constituintes do relatório............................................................................................................63
Quadro 7 - Tipos de vírus e ações no computador................................................................................................91
Sumário

1 Introdução.........................................................................................................................................................................11

2 Comunicação...................................................................................................................................................................15
2.1 Processo de comunicação........................................................................................................................16
2.1.1 Ruído na comunicação............................................................................................................18
2.2 Níveis de fala..................................................................................................................................................20
2.2.1 Linguagem culta........................................................................................................................20
2.2.2 Linguagem coloquial................................................................................................................21
2.3 Funções da linguagem...............................................................................................................................22

3 Técnicas de intelecção de texto.................................................................................................................................27


3.1 O que é intelecção de textos?.................................................................................................................28
3.2 Análise textual...............................................................................................................................................30
3.3 Análise temática...........................................................................................................................................31
3.4 Análise interpretativa.................................................................................................................................33

4 Parágrafo............................................................................................................................................................................37
4.1 Estrutura interna do parágrafo................................................................................................................38
4.2 Unidade interna do parágrafo.................................................................................................................39
4.2.1 Coerência e coesão....................................................................................................................40
4.3 Tipos de parágrafo.......................................................................................................................................42
4.3.1 Parágrafo narrativo....................................................................................................................43
4.3.2 Parágrafo descritivo..................................................................................................................43
4.3.3 Parágrafo dissertativo...............................................................................................................44

5 Descrição...........................................................................................................................................................................47
5.1 O que é descrever?......................................................................................................................................48
5.2 Descrição de objeto e descrição de processo...................................................................................50
5.2.1 Descrição de objeto..................................................................................................................50
5.2.2 Descrição de processo.............................................................................................................51

6 Documentação técnica.................................................................................................................................................57
6.1 Características do texto técnico.............................................................................................................58
6.2 Tipos de documentação técnica............................................................................................................59
6.2.1 Permissão de Trabalho (PT)....................................................................................................59
6.2.2 Comunicado................................................................................................................................60
6.2.3 Ordem de Serviço (OS).............................................................................................................61
6.2.4 Relatório........................................................................................................................................63
7 Editores de texto.............................................................................................................................................................67
7.1 Início do Microsoft Word 2010................................................................................................................68
7.2 Digitação de textos.....................................................................................................................................71
7.3 Construção de tabelas...............................................................................................................................76
7.4 Impressão de documentos.......................................................................................................................80

8 Internet...............................................................................................................................................................................83
8.1 Como conectar-se à internet ..................................................................................................................84
8.2 Acesso a sites da internet..........................................................................................................................85
8.3 Uso do e-mail.................................................................................................................................................88
8.4 Vírus de computador..................................................................................................................................90
8.4.1 Tipos de vírus...............................................................................................................................91
8.4.2 Programas antivírus..................................................................................................................91

Referências............................................................................................................................................................................95

Minicurrículo dos autores...............................................................................................................................................97

Índice......................................................................................................................................................................................99
Introdução

O eletricista de redes de distribuição de energia elétrica trabalha com eletricidade em


alta e baixa tensão, e isso requer muita responsabilidade e perícia. Além de ser um profissional
bom tecnicamente, torna-se essencial entender o que está sendo solicitado. Assim, compreen-
der uma ordem de serviço ou um comunicado é tão importante quanto executar bem o proce-
dimento. Até porque, se você não souber o que é para fazer, como fazer corretamente, não é?
Como profissional da área, você deve entender as ordens faladas e escritas dos supervi-
sores, as orientações de manuais, os procedimentos de segurança e os comunicados. Se for
solicitado, também deve saber como redigir um relatório.
Então, nesta unidade curricular você estudará aspectos da comunicação entre as pessoas e
da elaboração de textos, entre eles, alguns tipos de documentos técnicos.
A unidade curricular Técnicas de Redação em Língua Portuguesa compõe o curso de qua-
lificação profissional de Eletricista de Redes de Distribuição de Energia Elétrica. No quadro a se-
guir, observe que esta unidade compõe o Módulo Básico e reúne os fundamentos necessários
para que você possa estudar os Módulos Específicos. Veja também o caminho a ser percorrido
até que você atinja o seu objetivo final.
tÉcnicas de redação em língua portuguesa
12

QUADRO DE ORGANIZAÇÃO CURRICULAR

Módulo Básico (276 h)


• Técnicas de redação em Língua Portuguesa (40 h)
• Fundamentos da Eletricidade (104 h)
• Sistemas de Medida e Representação Gráfica (32 h)
• Qualidade, Saúde, Meio Ambiente e Segurança
nos Serviços em Eletricidade (40 h)
• Fundamentos de Redes de Distribuição (60 h)

Módulo Específico I (80 h)


• Montagem e Instalação de Redes de Distribuição (80 h)

Módulo Específico II (64 h)


• Operação de Equipamentos e Dispositivos de Redes de Distribuição (32 h)
• Manutenção de Redes de Distribuição de Energia Elétrica (32 h)

Módulo Específico III (40 h)


• Execução de Serviços Técnicos Comerciais (40 h)

Módulo Específico IV (40 h)


• Montagem, Retirada e Manutenção de Iluminação Pública (40 h)

Eletricista de Redes de Distribuição de Energia Elétrica (500 h)

Figura 1 -  Estrutura curricular do curso de Eletricista de Redes de Distribuição de Energia Elétrica


Fonte: SENAI-SP (2013)

Reunimos, nos capítulos deste livro, as informações básicas para você seguir
seus estudos e qualificar-se nessa área.
No segundo capítulo, você vai conhecer o processo de comunicação, além
dos níveis da fala – culto e coloquial – e as funções da linguagem.
No terceiro capítulo, que trata de intelecção de textos, apresentaremos as
análises textual, temática e interpretativa para que você entenda corretamente
qualquer instrução.
1 introdução
13

O quarto capítulo trará a estrutura interna do parágrafo e o desenvolvimento


da ideia principal e das ideias secundárias. Nele, você vai ver ainda os parágrafos
narrativo, descritivo e interpretativo.
A descrição será o assunto principal do quinto capítulo, quando você verá as
principais características da descrição técnica de um objeto e de um processo.
No sexto capítulo, trataremos de documentação técnica, com a apresentação
de alguns tipos, como Comunicado, Ordem de Serviço e Permissão de Trabalho.
O sétimo capítulo fará referência a editores de texto, mais especificamente o
Microsoft Word 2010. Você vai saber como trabalhar com as principais ferramen-
tas desse programa.
Finalmente, no oitavo capítulo, sobre internet, você terá mais informações a
respeito da rede mundial de computadores e também aprenderá como se comu-
nicar no meio on-line e como fazer pesquisa. Ainda veremos alguns cuidados que
devemos ter para navegar com segurança nesse mar de informações.
Bons estudos!
Comunicação

“Comunicar” significa compartilhar alguma coisa, fazer alguém saber, tornar algo comum a
várias pessoas.
Você se comunica ao ler um jornal, ouvir rádio, conversar com o vizinho, ver TV, participar de
uma reunião, dirigir seu carro, assistir a uma aula, fazer compras no supermercado, pagar uma
conta no banco ou trabalhar no escritório.
Esse é um processo básico do homem e sem a comunicação seria praticamente impossível
viver em sociedade.
Você não acredita? Então, tente comprar uma cafeteira ou comparecer a uma consulta mé-
dica sem se comunicar.
Por isso, vamos conhecer mais profundamente como se dá a comunicação e qual o papel de
cada um dos elementos envolvidos nesse processo.
TéCNICAS dE REdAçãO EM LíNguA pORTuguESA
16

2.1 pROCESSO dE COMuNICAçãO

Os elementos necessários para que ocorra a comunicação estão representa-


dos na figura a seguir.

MENSAGEM
O
R RE

CE
SS

PTO
EMI

R
REC

OR
PT
SS
I
E

OR
EM
M E N S AG E M
Figura 2 - Esquema do processo de comunicação
Fonte: SENAI-SP (2013)

Conheça cada um desses elementos.


O emissor é quem elabora e envia a mensagem. Pode ser uma pessoa, um
grupo, uma empresa ou mesmo o governo de um país.
O receptor é quem recebe a mensagem. Quanto mais o emissor conhecer o
receptor, maiores as chances de a comunicação ser efetiva.
A mensagem é o objetivo da comunicação. Ela é o conteúdo da informação
que se quer transmitir.
O canal é a maneira utilizada pelo emissor para transmitir a mensagem ao re-
ceptor. Alguns exemplos de canais utilizados atualmente são o telefone, o rádio, a
televisão, o e-mail, o telegrama, a carta.
Para se comunicar, escolha um código conhecido pelo receptor, como a língua
portuguesa.
O referente é o contexto, isto é, a situação psicológica, social ou histórica em
que a informação é passada.
2 comunicação
17

Vamos ver agora esses elementos contextualizados no exemplo a seguir, para


entender como se dá o processo de comunicação.

Figura 3 -  Comunicação do tipo bilateral


Fonte: SENAI-SP (2013)

– Paulo, aqui é o Antônio.


– Pois não, Sr. Antônio.
– Por favor, vá ao Almoxarifado e selecione 50 m de cabo e 9 conectores.
– Cabo de 25 mm² e conectores para terminal de trafo?
– Isso mesmo, Paulo. Depois, coloque tudo no caminhão do tipo Munck, que
iremos fazer um serviço na Rua 25, no centro da cidade.
– Sem problema, Sr. Antônio.
Os elementos da comunicação que aparecem neste exemplo são:
a) emissor: Sr. Antônio;
b) receptor: Paulo;
c) mensagem: seleção de materiais para cumprir a Ordem de Serviço;
d) canal: rádio comunicador;
e) código: língua portuguesa falada;
f ) referente: supervisor e funcionário da distribuidora de energia conversan-
do sobre trabalho.
tÉcnicas de redação em língua portuguesa
18

Quando você lê uma informação em um cartaz, chama-


mos esse tipo de comunicação de unilateral. O cartaz
VOCÊ é o emissor, e você, o receptor. Por outro lado, em uma
SABIA? conversa entre amigos, ora você é o emissor da mensa-
gem, ora é o receptor. Esse tipo de comunicação é cha-
mado bilateral.

Se não forem tomados alguns cuidados, a comunicação faz com que os inter-
locutores não se entendam. Isso acontece porque, durante o processo, podem
ocorrer ruídos, os quais atrapalham a comunicação. Vamos ver o que são ruídos e
como reduzi-los, utilizando a redundância e a realimentação.

2.1.1 Ruído na comunicação

Ruído é qualquer fator que interfere na comunicação, impedindo que haja


transmissão de informação ou dificultando o entendimento da mensagem.
O ruído pode vir de um telefone com chiado (canal); da falta de atenção dos
interlocutores (emissor ou receptor); de erros de digitação em um texto do jornal
(mensagem); ou de uma conversa entre pessoas que não falam a mesma língua
(código).

CASOS E RELATOS

Um mal-entendido pode custar caro


O funcionário José da Silva solicitou um desligamento do circuito primá-
rio 106, via rádio, para a Central de Operações de Distribuição (COD). Lá,
sua turma efetuaria a substituição de uma cruzeta de madeira que havia
apodrecido.
José passou a seguinte mensagem:
“Boa tarde, sou José da Silva, encarregado de turma de Construção e Ma-
nutenção de Redes de Distribuição Aérea ID - 08. Por favor, faça o desliga-
mento do circuito 106, para execução da Ordem de Serviço (OS) 02345.”
O operador da COD entendeu que o número do circuito era 103 (cento e
três). Nenhum dos dois confirmou os dados.
2 comunicação
19

A COD deu sua autorização, dizendo que o circuito estava bloqueado


para a referida operação.
José repassou para a turma a autorização de abertura do circuito, que
estaria sem carga, isto é, bloqueado.
Quando um dos eletricistas percebeu a situação, testando o circuito,
constatou que ele não estava bloqueado e que sua abertura provocaria
um acidente. Imediatamente comunicou o fato ao seu encarregado, que,
por sua vez, voltou a contatar a COD, corrigindo o mal-entendido e efe-
tuando o bloqueio do circuito correto.

Com base nesse caso, é fácil perceber como um ruído na comunicação pode
até mesmo colocar vidas em perigo.
Entretanto, existem alguns recursos que contribuem para que os ruídos não
ocorram. Estamos falando da redundância e da realimentação.

Redundância

A redundância é utilizada para reduzir o ruído na comunicação e para dar


maior clareza e entendimento à mensagem. Observe que muitas das palavras
utilizadas em um texto não trazem informações novas para o leitor. Elas servem,
basicamente, para reforçar a mensagem e diminuir os ruídos.
São exemplos de redundância: levantar a voz em uma conversa, utilizar gestos
junto com palavras, usar entonação diferente e frases exageradas, repetir palavras
em um texto escrito. No caso relatado, por exemplo, pedir ao receptor que repe-
tisse o número do circuito a ser desligado poderia ter evitado o mal-entendido.

Realimentação

A realimentação, conhecida como feedback, também ajuda a diminuir o ruído na


comunicação. É um conjunto de sinais que permite saber o resultado da transmis-
são da mensagem, indicando que esta foi recebida e compreendida pelo receptor.
tÉcnicas de redação em língua portuguesa
20

Dependendo da resposta do receptor, o emissor pode refazer a mensagem


para melhorar a comunicação. Por exemplo, quando você fala algo e o seu re-
ceptor franze a testa, pode ser um sinal de que ele não está compreendendo sua
mensagem. Por isso, ao se comunicar você deve ficar atento e procurar obter do
receptor o feedback da mensagem.

Para saber mais sobre as características dos elementos de


SAIBA comunicação, indicamos o livro "Usos da Linguagem", escri-
MAIS to por Francis Vanaye e publicado pela Martins Editora em
2007.

2.2 Níveis de fala

Quando você fala, deve observar quem é o receptor e as circunstâncias em que


a mensagem se dá. No dia a dia, você convive com diferentes pessoas e grupos
e, em cada situação, é necessário que se comunique de uma maneira adequada
para ser compreendido.
Em uma conversa com os amigos, você emprega determinadas palavras e ex-
pressões que, provavelmente, não utilizaria falando com um juiz. Com os amigos,
seu nível de linguagem é diferente daquele que você usa quando está participan-
do de uma reunião com seu supervisor.
Você pode perceber claramente que o nível de fala irá variar de acordo com o
contexto, o local, a situação e os personagens.
Basicamente, a língua falada apresenta dois níveis, a culta e a coloquial.

2.2.1 Linguagem culta

A linguagem culta ou padrão faz uso de um conjunto de regras que regem a


língua e de uma seleção cuidadosa das palavras.
Esse tipo de linguagem segue as normas gramaticais. Seu uso é recomendado
em situações formais, como entre profissionais em uma reunião de trabalho, um
professor na sala de aula ou em qualquer situação na qual não haja intimidade
com o receptor.
Observe, na figura 4, um exemplo de uso da linguagem culta por um professor
em sala de aula.
2 COMuNICAçãO
21

hoje iniciaremos uma


nova etapa do curso de
comunicação oral
e escrita

esperamos que vocês


tenham um bom aproveitamento,
pois os conteúdos que abordaremos
serão muito úteis para
o seu desenvolvimento
profissional

Figura 4 - Professor em sala de aula


Fonte: SENAI-SP (2013)

2.2.2 Linguagem coLoQuiaL

A linguagem coloquial, por sua vez, é espontânea e informal. Ela não obedece,
necessariamente, às regras da norma culta. É usada no ambiente familiar e na
comunicação entre amigos. Essa forma de linguagem, também chamada de po-
pular, é empregada ainda em propagandas e programas de TV e de rádio, com a
intenção de aproximar-se do receptor.
Observe, na figura a seguir, um exemplo do uso da linguagem coloquial de
amigos conversando na mesa de um bar.

SABE, MEU AMIGO, A VIDA NÃO ESTÁ NADA FÁCIL.


AINDA ONTEM FUI AO SUPERMERCADO COM A PATROA.
MENINO, OS PREÇOS ESTÃO PELA HORA DA MORTE.
NÃO ENCHI O CARRINHO E O SALÁRIO JÁ TINHA IDO
QUASE TODO. ASSIM NÃO DÁ! VOU TER DE FAZER
HORA EXTRA OU ARRANJAR OUTRO EMPREGO.
OU... COMER MENOS.

Figura 5 - Amigos conversando em um bar


Fonte: SENAI-SP (2013)
tÉcnicas de redação em língua portuguesa
22

2.3 Funções da linguagem

Quando falamos com amigos na mesa do bar ou discutimos um importante pro-


jeto com colegas e supervisores no escritório, temos um objetivo: nos comunicar.
O objetivo de qualquer ato comunicativo está ligado à intenção do emissor,
isto é, nos comunicamos para quê? Qual o motivo?
Pode ser para transmitir informações, convencer o outro a fazer algo, dar uma
ordem, fazer um pedido, levar alguém a dizer algo, emocionar, instruir, aconse-
lhar, entre outros propósitos.
Assim, dependendo da nossa intenção, a linguagem assume diferentes fun-
ções. Segundo os especialistas, são seis as funções da linguagem: emotiva ou ex-
pressiva, referencial ou denotativa, apelativa, fática, poética e metalinguística.
Veremos no quadro a seguir cada uma das funções da linguagem e sua relação
com os elementos que compõem o processo de comunicação.

Quadro 1 - Funções da linguagem e suas características

Função Características

• Exprime emoções e impressões pessoais a respeito de determinado


assunto.
• Apresenta opiniões centradas na expressão do próprio “eu”, levando em
consideração o mundo interior.
Emotiva ou • Usa a primeira pessoa (“assisti”, “temia”, “tive”, “li”), de forma subjetiva.
expressiva
• Há a presença de figuras de linguagem, mensagens subentendidas,
elementos nas entrelinhas etc.
• É encontrada em cartas, poesias, memórias, biografias.
• Está centrada no emissor.

• Traduz objetivamente o que acontece no mundo real, utilizando infor-


mação exata.
• Verifica-se a ausência de expressões que indicam a opinião do emissor
(como em “eu acho”).
Referencial ou
• Usa a terceira pessoa (“ele”, “ela”), recorre a conceitos gerais e tem vo-
denotativa
cabulário simples e claro.
• É adotada em textos científicos, técnicos ou didáticos, alguns gêneros
jornalísticos, documentos oficiais e correspondências comerciais.
• Está centrada no receptor.
2 comunicação
23

• Serve para fazer pedidos, comover ou convencer o receptor.


• Tem a intenção de que o receptor assuma determinado hábito ou com-
portamento (como abrir uma conta em um banco).
Apelativa
• Usa frequentemente a segunda pessoa (“tu”), os vocativos e os impera-
tivos (“faça”, “use”).
• Está centrada no receptor, no destinatário.

• Estabelece contato ou comunicação comum na conversação cotidiana.


• Serve para manter o contato, sustentar, prolongar ou interromper a
conversa.
Fática
• É utilizada em saudações, cumprimentos do dia a dia (“alô?”, ”oi!”,
“pronto!”, “está me ouvindo?”).
• Está centrada no canal de comunicação.

• É a linguagem figurada. Utiliza metáforas, rima, métrica. Tem função


semelhante à linguagem emotiva.
• É aplicada em poesias, músicas e algumas obras literárias. Em alguns
Poética casos, é adotada na prosa e em anúncios publicitários.
• Apresenta cuidado na elaboração da mensagem, selecionando e re-
combinando as palavras de acordo com o propósito.
• É centrada na mensagem.

• É apresentada em dicionários, pois traz uma explicação da própria


língua.
• É utilizada quando o emissor quer esclarecer o que está dizendo (como
Metalinguística em “eu quis dizer”).
• Ocorre também em poesias e obras literárias.
• Usa o código para explicar e descrever o próprio código linguístico.

Fonte: Extraído e adaptado de <http://www.ebah.com.br/content/ABAAAALEQAB/resumo-capitulo-1-leitura-producao-


texto?part=3>; <http://www.portugues.com.br/redacao/funcoes-linguagem-.html>; <http://www.infoescola.com/redacao/
funcoes-da-linguagem/>. Acesso em: jan. 2013.

Agora, pense:
a) quais dessas funções da linguagem você mais utiliza no seu dia a dia?
b) como eletricista de redes de distribuição de energia elétrica, qual será a
mais usada no seu trabalho?
c) caso você esteja apaixonado, qual a função mais adequada para se decla-
rar?
Ou seja: dependendo da situação, você poderá adotar uma ou outra função
da linguagem.
tÉcnicas de redação em língua portuguesa
24

Recapitulando

Neste capítulo, vimos que a comunicação ocorre a todo instante e que,


para isso, alguns elementos são necessários: emissor, receptor, mensa-
gem, canal, código e contexto ou referente.
Verificamos que, se não forem tomados alguns cuidados, o ruído na co-
municação pode fazer com que os interlocutores não se entendam.
Conhecemos também as duas formas básicas de expressão: a linguagem
culta e a linguagem coloquial.
Além disso, estudamos as seis funções que a linguagem pode ter no pro-
cesso de comunicação: emotiva ou expressiva, referencial ou denotativa,
apelativa, fática, poética e metalinguística.
No próximo capítulo, você terá a oportunidade de conhecer duas técni-
cas de intelecção de texto: a textual e a interpretativa.
2 comunicação
25

Anotações:
Técnicas de intelecção de texto

Para apresentarmos as técnicas de intelecção de texto, nada melhor do que começarmos


com um texto sobre energia elétrica, pois este é o setor no qual você exercerá suas atividades
profissionais. Então, vamos lá: leia o texto a seguir.

Plano de redução da conta de energia elétrica


Para baratear a energia, o plano do governo prevê duas medidas: a primeira é a renovação de
concessões de geração, transmissão e distribuição que vencem entre 2015 e 2017. Em contrapar-
tida, essas concessionárias terão que prestar seus serviços recebendo uma remuneração até 70%
menor que a atual.
A outra é a eliminação, da conta de luz, de dois dos encargos setoriais incidentes: a Conta de
Consumo de Combustíveis (CCC) e a Reserva Geral de Reversão (RGR). Já a Conta de Desenvolvi-
mento Energético (CDE) será reduzida a 25% de seu valor atual, e assume o custeio de programas
contidos nos outros dois.
A redução de custos com as duas medidas será repassada para as tarifas de todos os consumi-
dores brasileiros. A previsão inicial do governo era que o corte médio no valor da energia fosse de
20,2%, sendo de até 28% para o setor industrial e 16,2% para casas e comércio.
Agora, a redução média será de 16,7%, mas o governo não especificou quanto ficará para cada setor.
Fonte: AMATO, Fábio. Redução da conta de luz será menor que a prevista, diz ministério.
Disponível em: <http://g1.globo.com/economia/noticia/2012/12/plano-do-governo-vai-reduzir-
conta-de-luz-em-167-em-2013.html>. Acesso em: 11 dez. 2012.

Foi difícil entender o texto apresentado anteriormente? A maioria das pessoas não teria
nenhuma dificuldade para entender o significado das palavras e das frases.
Agora, faça uma intelecção desse texto. Complicou um pouco, não é?
Pois é justamente disso que vamos falar neste capítulo: de como ir além do entendimento
das palavras e das frases, buscando saber qual o assunto do texto e qual a opinião do autor
sobre o assunto. É esse tipo de entendimento que chamamos de intelecção de texto.
tÉcnicas de redação em língua portuguesa
28

Para alcançar esse entendimento, vamos utilizar três tipos de análise:


a) análise textual: trata da maneira como um texto é estruturado, da sua forma;
b) análise temática: está relacionada ao assunto, às ideias expressas no texto;
c) análise interpretativa: refere-se à sua opinião a respeito das ideias do autor.
Então, vamos aprender a fazer a intelecção de textos.

3.1 O que é intelecção de textos?

A todo momento e nas mais diversas situações do nosso dia a dia, estamos
diante de palavras escritas que precisam ser corretamente interpretadas. Esses
textos podem ser veiculados nos mais diferentes canais de comunicação: livros,
jornais, revistas, leis, bulas de remédio, catálogos de produto, manuais de proce-
dimento, entre outros.
As técnicas de intelecção nos ajudam a interpretar corretamente o significa-
do do texto de outros autores. As análises textual, temática e interpretativa são,
também, de grande utilidade para nos auxiliar a escrever nossos próprios textos,
conseguindo, assim, maior grau de clareza e objetividade naquilo que queremos
transmitir.
Você, com certeza, deve conhecer algum caso em que a falta de objetividade
tenha gerado grande confusão, não é? Veja a seguir um exemplo.

CASOS E RELATOS

“Comunicações malfeitas costumam ter resultados inusitados”, disse-me


um colega que trabalha na área técnica de uma grande empresa. “Isso é
certo”, respondi, contando um caso que ouvi em uma palestra sobre Co-
municação Empresarial.
É claro que o relato a seguir, de autor desconhecido, é um tanto exag-
erado. Entretanto, dá para perceber o quanto uma informação séria e, no
geral, bem escrita pode se transformar em uma piada de mau gosto.
3 técnicas de intelecção de texto
29

Em muitos outros casos, uma informação lida, interpretada e retransmi-


tida sem cuidado pode acarretar problemas reais e com consequências
pouco agradáveis.
Veja o que aconteceu com o comunicado do presidente de uma empresa
para o seu diretor e como a mensagem foi sendo transmitida para outros
níveis de chefia da empresa até chegar aos operadores da fábrica.
Cometa?
Comunicado do presidente para o diretor:
Na próxima sexta-feira, às 17h, o cometa Halley passará por esta área. Trata-
se de um evento que ocorre a cada 78 anos. Assim, por favor, reúna os fun-
cionários no pátio da fábrica, todos usando capacete de segurança, quando
explicarei o fenômeno. Se chover, não veremos o raro espetáculo a olho nu.
Comunicado do diretor para o gerente:
A pedido do presidente, na sexta-feira, às 17h, o cometa Halley vai aparec-
er sobre a fábrica. Se chover, por favor, reúna os funcionários, todos com
capacete e os encaminhe ao pátio, onde o raro fenômeno terá lugar, o
que ocorre a cada 78 anos, a olho nu.
Comunicado do gerente para o supervisor:
A convite do nosso querido presidente, na próxima sexta-feira às 17h, o
cientista Halley, de 78 anos, vai aparecer nu na fábrica, usando apenas capa-
cete, quando irá explicar o fenômeno da chuva para os seguranças, no pátio.
Comunicado do supervisor para o chefe:
Todo mundo nu, na próxima sexta, às 17h, pois o mandachuva do presi-
dente, Sr. Halley, estará lá para mostrar o raro filme “Dançando na Chuva”.
Caso comece a chover mesmo, o que ocorre a cada 78 anos, por motivo
de segurança, coloque o capacete.
Comunicado do chefe para todos:
Nesta sexta-feira, o presidente fará 78 anos. A festa será às 17h no pátio
da fábrica. Vão estar lá Bill Halley e seus cometas. Todo mundo deve es-
tar nu e de capacete. O espetáculo vai rolar mesmo que chova, porque a
banda é um fenômeno.
Fonte: <http://www.sitedoescritor.com.br/sitedoescritor_cronica_
00016_comunicacao.html>.
tÉcnicas de redação em língua portuguesa
30

Para fazer uso das técnicas de intelecção, o primeiro procedimento é delimitar


a extensão do texto que vai ser analisado, ou seja, você deve escolher uma uni-
dade de leitura para trabalhar. Essa unidade pode ser um capítulo, uma seção do
livro ou qualquer trecho que tenha sentido, isto é, que traga uma ideia completa.
Então, está preparado para iniciar as análises? Vamos lá!

Quem lê corretamente, escreve corretamente! De fato, o


bom leitor é aquele que sabe analisar o que está lendo,
VOCÊ buscando entender o motivo de o autor ter escrito da-
SABIA? quela maneira. Assim, ele utilizará esse conhecimento
quando for escrever e terá grande chance de produzir
bons textos.

3.2 Análise textual

Definida a unidade de leitura a ser estudada, passamos à análise textual, que é a


leitura preliminar do texto, para ter uma ideia de como o autor se expressa na escrita.
Para isso, assinale todas as passagens que geraram alguma dúvida e que você
não compreendeu completamente. Faça, também, uma pesquisa sobre o autor
do texto para saber: quais livros escreveu, o que pensa sobre outros assuntos,
onde trabalha, qual a formação, onde nasceu?
Outra questão tratada na análise textual é quanto ao vocabulário emprega-
do. Normalmente, textos técnicos e científicos trazem relatos de fatos históricos,
teorias, objetos e citações de autores nem sempre conhecidos por você. Por isso,
qualquer palavra, termo ou conceito desconhecido deve ser marcado para, pos-
teriormente, ser pesquisado.

Figura 6 -  Análise textual é a leitura preliminar do texto


Fonte: SENAI-SP (2013)
3 técnicas de intelecção de texto
31

Citação é um texto de outro autor que você pode usar


para dar autoridade ao seu texto. A citação pode ser di-
VOCÊ reta (cópia de um trecho usando exatamente as mesmas
SABIA? palavras do autor consultado) ou indireta (reescritura
das ideias de um autor com suas próprias palavras, de-
monstrando que você compreendeu a informação).

O próximo passo é buscar respostas às dúvidas que você teve ao ler a unidade
de leitura em estudo. Você pode encontrar esclarecimentos em dicionários, en-
ciclopédias, revistas técnicas, monografias, obras de referência, sites na internet,
obras do autor estudado ou de outros autores etc.
Para completar a análise textual, faça um esquema da unidade de leitura, in-
dicando o que foi abordado na introdução, no desenvolvimento e na conclusão,
pois toda unidade de leitura tem esses três tópicos.
Veja, a seguir, o resumo dos passos da análise textual.
a) Faça uma leitura rápida para ter uma ideia geral do texto.
b) Anote os pontos que necessitam de esclarecimento.
c) Se encontrar palavras desconhecidas, busque o significado.
d) Procure informações sobre o autor, os fatos históricos e outros autores ci-
tados no texto. Para facilitar a análise, tenha acesso a dicionários e enciclo-
pédias.
e) Leia cada parágrafo separadamente e identifique a ideia central.
f ) Faça um esquema da unidade de leitura indicando as ideias principais da
introdução, do desenvolvimento e da conclusão.
Terminada a leitura preliminar, vamos iniciar a análise temática do texto.

3.3 Análise temática

Você faz a análise temática do texto para descobrir o significado da mensagem


que o autor quis transmitir. É através dela que você vai buscar apreender a ideia
principal do texto e, também, descobrir o que motivou o autor a escrever e, assim,
poderá alcançar a essência do texto.
Mas, antes de iniciar a análise temática, leia cada parágrafo separadamente e
tente identificar a ideia central. Desse modo, você chegará, aos poucos, aos ele-
mentos mais importantes do texto.
tÉcnicas de redação em língua portuguesa
32

Na análise temática, você faz algumas perguntas ao texto, buscando a com-


preensão global do conteúdo da mensagem da unidade de leitura. Por exemplo,
você pode perguntar: o texto fala sobre o quê? A resposta vai indicar qual é o as-
sunto tratado. Lembre-se de que o título do texto, se bem elaborado, pode trazer
uma pista sobre o assunto.

Jornal Br
asileiro

Figura 7 -  Análise temática tem o objetivo de descobrir o significado da mensagem do texto


Fonte: SENAI-SP (2013)

Outra questão que você deve levantar é: o que o autor está tentando respon-
der? Toda mensagem traz, necessariamente, uma resposta do autor a um proble-
ma colocado, que é o objetivo de ele ter escrito tal texto.
Respondida essa questão, descobrimos qual o problema a que o autor preten-
deu responder. A forma de resposta do autor indica o seu posicionamento perante
a situação problematizada, revelando a ideia central da unidade de leitura. Em um
texto técnico ou científico, a ideia central, normalmente, se encontra na introdução.
O objetivo da análise temática é mostrar como o autor pensa, isto é, como
ele raciocinou, argumentou, para demonstrar sua posição perante o problema
levantado.
Uma última pergunta que se faz ao texto é: existem outros assuntos tratados
nesta unidade de leitura? Os assuntos secundários complementam o raciocínio
do autor, mas não são necessários à ideia central, podendo ser retirados do texto
sem prejuízo à compreensão.
De posse de todas as respostas, você tem condições de fazer um resumo da
unidade de leitura, isto é, uma síntese das ideias do autor.
3 TéCNICAS dE INTELECçãO dE TExTO
33

Veja, a seguir, o resumo dos passos da análise temática.


a) Indique a ideia central de cada parágrafo.
b) Informe o assunto tratado no texto.
c) Esclareça a qual problema o autor está procurando responder.
d) Informe a ideia principal do texto.
e) Verifique se existem ideias secundárias.
f ) Analise se os argumentos são convincentes.
g) Faça um resumo da unidade de leitura.

3.4 ANáLISE INTERpRETATIVA

A análise interpretativa é a última fase da intelecção de textos. É quando você


apresenta sua posição a respeito das ideias encontradas no texto. Nesse tipo de
análise, você estuda os argumentos do autor, confrontando-os com o que outros
autores escreveram sobre o mesmo tema.

Você sabe
o que penso sobre
este texto?

Figura 8 - Análise interpretativa apresenta a ideia do receptor sobre o texto estudado


Fonte: SENAI-SP (2013)
tÉcnicas de redação em língua portuguesa
34

Alguns cuidados devem ser tomados ao realizarmos a análise interpretativa.


Veja a seguir.
a) Situe a sua análise no contexto da vida e da obra do autor, bem como no
contexto de outros textos (um texto escrito em 1890 deve ser analisado de
acordo com a cultura e os valores daquela época).
b) Identifique as teorias de que o autor se valeu para embasar seus argumentos.
c) Analise se o autor foi original e profundo no tratamento do tema.
A análise interpretativa se encerra com um texto crítico, no qual você faz um
juízo pessoal das ideias defendidas pelo autor.
Veja, a seguir, o resumo dos passos da análise interpretativa e observe que eles
podem ser orientados por perguntas.
a) Coerência interna
• Alguma ideia nega ou se contrapõe a outra?
• O raciocínio do autor demonstrou sua tese?
b) Tratamento do tema e relevância da argumentação
• O texto é original?
• O tema é analisado com detalhes?
• Os argumentos do autor foram convincentes?
• Qual é o alcance do tema?
• Qual é a contribuição do tema à discussão do problema proposto?
c) Elaboração do texto crítico
• Você concorda com o autor? Por quê?

SAIBA O livro “Metodologia do Trabalho Científico”, de Antônio Joa-


quim Severino, traz informações mais aprofundadas sobre as
MAIS técnicas de intelecção de texto. Não deixe de consultá-lo.
3 técnicas de intelecção de texto
35

Recapitulando

Neste capítulo, você viu a importância da intelecção de textos para que


possamos entender aquilo que lemos.
Estudamos as técnicas de intelecção de texto: análise textual, análise
temática e análise interpretativa. Vimos o que deve ser avaliado em cada
tipo de análise.
Enfim, foi possível perceber que, no seu trabalho, as técnicas de intelecção
de textos ajudam você a interpretar instruções, procedimentos, normas e
manuais técnicos.
parágrafo

Antes de iniciarmos nosso estudo sobre o parágrafo, você deve saber que escrever não é um
dom de poucos, mas uma habilidade que qualquer um de nós pode desenvolver. Para escrever
corretamente, uma dica é ler regularmente textos de bons autores.
Hoje, em qualquer atividade que você for realizar, é necessário se fazer entender na forma
escrita, seja para redigir um relatório, seja para escrever uma Ordem de Serviço, seja para enviar
uma mensagem por e-mail. Uma coisa que você não pode esquecer é que elaborar um bom
texto exige técnica e muita prática.
Então, vamos lá: neste capítulo estudaremos como estruturar um parágrafo, que nada mais
é do que a unidade de composição do texto.
tÉcnicas de redação em língua portuguesa
38

1 Período 4.1 Estrutura interna do parágrafo


Unidade do texto composta O texto é um conjunto de parágrafos sequenciados de maneira lógica e en-
de uma ou mais orações
com sentido completo. cadeados de maneira coerente. Cada parágrafo é composto de um ou dois
Oração é uma frase que
contém um ou mais verbos. períodos1 que trazem uma única ideia. Preste atenção, porque esta é a caracte-
A frase, por sua vez, é um rística mais importante: todo parágrafo deve apresentar um único ponto de vista
enunciado com sentido
completo, que pode ou não ou uma única ideia básica, que chamaremos de ideia principal. Para justificar essa
conter um verbo. ideia, utilizamos outros períodos que trazem pontos de vista secundários.
A ideia principal do parágrafo, também conhecida por tópico frasal, em geral
é a introdução da unidade de composição e informa o tema que será desenvolvi-
do. A primeira informação é fundamental para o desenvolvimento do parágrafo
e, como veremos mais adiante, do próprio texto. Desse modo, o primeiro período
deve ser muito bem pensado e construído.
As ideias secundárias são períodos que têm a função de explicar, detalhar,
esclarecer, justificar, fundamentar e/ou comprovar o que foi declarado na ideia
principal. A construção das ideias secundárias deve ser feita com muita atenção,
porque destas depende a coerência da ideia principal.
Veja um exemplo de parágrafo, com destaque para a ideia principal e as ideias
secundárias.
Um apagão, na tarde desta quinta-feira, deixou o Distrito Federal sem energia
elétrica, segundo a Companhia Energética de Brasília (CEB). O corte no forneci-
mento atingiu vários prédios da Esplanada dos Ministérios e paralisou o Metrô de
Brasília. Nas ruas, os semáforos foram desligados. O apagão teve início às 13h15.
A interrupção no fornecimento teria sido causada por um problema na linha de
transmissão da subestação Brasília Sul.
Fonte: <http://g1.globo.com/distrito-federal/noticia/2012/10/apagao-deixa-
diversas-regioes-do-distrito-federal-sem-energia.html>.
Observe como esse parágrafo foi estruturado. Repare como as ideias secundá-
rias confirmam e dão veracidade à ideia principal.
Ideia principal ou tópico frasal: Um apagão, na tarde desta quinta-feira, dei-
xou o Distrito Federal sem energia elétrica, segundo a Companhia Energética de
Brasília (CEB).
Ideia secundária 1: O corte no fornecimento atingiu vários prédios da Espla-
nada dos Ministérios e paralisou o Metrô de Brasília.
Ideia secundária 2: Nas ruas, os semáforos foram desligados. O apagão teve
início às 13h15.
Ideia secundária 3: A interrupção no fornecimento teria sido causada por um
problema na linha de transmissão da subestação Brasília Sul.
4 parágrafo
39

Uma característica dos parágrafos é que eles devem apresentar três partes dis-
tintas: uma introdução, que é o tópico frasal, um desenvolvimento e uma con-
clusão (nos parágrafos com poucos períodos, nem sempre existe a conclusão).
Na verdade, o parágrafo é um pequeno texto com um tema delimitado (o quê?)
e um objetivo claro (por quê?). Os parágrafos, bem como o texto, podem ser nar-
rativos, descritivos ou dissertativos. Estudaremos mais adiante cada um deles.

Não existe um tamanho padrão para o parágrafo. Ele


pode ter um ou mais períodos. Também não há um nú-
VOCÊ mero estipulado para a quantidade de parágrafos no
SABIA? texto: os parágrafos devem ser suficientes para justificar
a ideia principal e convencer o leitor de que esse ponto
de vista é válido.

4.2 Unidade interna do parágrafo

O texto, como você já sabe, é constituído por uma sequência de parágrafos e,


portanto, uma sequência de ideias. Cada parágrafo deve trazer uma ideia princi-
pal, com base em um tema ou assunto definido pelo autor.
Nos textos dissertativos, que são elaborados para defender uma ideia e con-
vencer o leitor da sua veracidade, é fundamental que os parágrafos tenham um
encadeamento lógico. Desse modo, ao mudar de parágrafo, o autor continua liga-
do ao assunto do parágrafo-chave através do acréscimo de informações relevan-
tes para o esclarecimento do leitor.
Ao redigir um novo parágrafo, é necessário utilizar termos que sirvam de co-
nexão para dar um encadeamento lógico e natural entre os parágrafos do texto.
Esses termos são chamados de conectivos.
Os conectivos garantem a coesão e a coerência das ideias. Eles são empre-
gados dentro do parágrafo, tanto no interior da frase quanto para “amarrar” os
períodos.
tÉcnicas de redação em língua portuguesa
40

Veja os principais conectivos no quadro a seguir.

Quadro 2 - Principais conectivos utilizados na redação de textos

Para indicar: Use:

Adição E, nem, também, não só.

Alternância Ou...ou, quer...quer, seja...seja.

Causa Porque, já que, visto que, em virtude de.

Conclusão Logo, portanto, pois.

Condição Se, caso, desde que, a não ser que.

Comparação Como, assim como.

Consequência Tanto...que, tão...que, de modo que.

Explicação Pois, porque.

Finalidade Para que, a fim de que.

Oposição Mas, porém, entretanto.

Proporção À medida que, quanto mais.

Tempo Quando, logo que, assim que.

4.2.1 Coerência e coesão

Coerência e coesão são duas características do bom parágrafo. É comum


encontrarmos textos confusos e difíceis de serem entendidos, porque tanto a
coerência quanto a coesão não estão sendo aplicadas.
Uma das maiores preocupações, ao escrever qualquer texto, é manter a coe-
são, ou seja, amarrar uma frase à outra dentro do parágrafo, para que não se perca
o fio do pensamento. Seu texto é coeso quando você consegue estabelecer uma
relação entre as diversas frases do parágrafo e entre os parágrafos do texto.

Para saber mais sobre o uso de recursos de coesão textual,


SAIBA consulte o livro “Roteiro de Redação: Lendo e Argumentan-
MAIS do”, de Ana Valença e outros autores, publicado pela Editora
Scipione em 1998.
4 parágrafo
41

Entretanto, somente a coesão não basta para que suas ideias sejam perfeita-
mente compreendidas. É necessário que seu parágrafo seja também coerente.
A coerência está relacionada com a mensagem que você quer transmitir, com
o que efetivamente você quer dizer, isto é, com a ideia principal do seu parágrafo.
Se você não definir qual a ideia principal, o máximo que vai conseguir é um amon-
toado de ideias e um texto incoerente.
Você não pode dizer em uma frase, por exemplo, que a “interrupção no for-
necimento de energia foi causada por um problema de falta de chuvas” e, em
seguida, escrever que “o nível de água dos reservatórios da região é alto”. Perceba
como é flagrante a incoerência existente entre essas duas frases.

este texto não tem


pé nem cabeça.

Figura 9 -  Coerência e coesão são fundamentais para o perfeito entendimento do texto


Fonte: SENAI-SP (2013)

Assim, você deve buscar a coerência textual fazendo com que haja uma rela-
ção harmoniosa entre as ideias apresentadas no texto. Isso pode ser conseguido
com a apresentação do conteúdo de forma ordenada, com início, meio e fim. Os
fatos que embasam seus argumentos também devem ser apresentados sem con-
tradições, e a linguagem deve ser adequada ao tipo de texto.
tÉcnicas de redação em língua portuguesa
42

CASOS E RELATOS

O EPI que salvou o eletricista


Em todas as empresas, são gastas muitas horas com palestras e treina-
mentos sobre a importância da utilização correta dos EPIs, os Equipamen-
tos de Proteção Individual.
Na distribuidora de energia em que trabalha o João Paulo não é diferente.
Como muitos colegas, ele também prestava atenção quando os especia-
listas mostravam o grande número de acidentes graves que poderiam ser
evitados com o uso do equipamento de proteção.
Acontece que, um dia, o João Paulo, que é um eletricista de redes de ener-
gia elétrica, estava executando uma tarefa bem simples. Ele deveria fazer
a retirada de um medidor de energia elétrica, mais conhecido como reló-
gio de medição, da casa de um cliente.
Quando ia iniciar a operação, um colega, novo na empresa, chamou sua
atenção para a falta dos EPIs. Meio a contragosto, João Paulo colocou os
óculos e a viseira, pois já usava as luvas e o capacete.
E não é que, quando inseriu a chave de fenda no parafuso do medidor
para desligar o cabo energizado, a tampa frontal, que era de vidro, explo-
diu, devido a um curto-circuito interno. Os estilhaços dos vidros atingiram
diretamente seu rosto e sua cabeça. Meio atordoado e muito espantado,
João Paulo fez um sinal de positivo para o colega, agradecendo o aviso.

4.3 Tipos de parágrafo

Você pode ter os seguintes objetivos ao escrever um texto:


a) contar uma história (escrever o que aconteceu);
b) descrever alguma coisa ou alguém (escrever como é);
c) dar sua opinião sobre um assunto (escrever sua opinião).
Assim, os parágrafos podem ser narrativos, descritivos ou dissertativos, pois
acompanham o tipo de texto que se vai elaborar. Mas lembre-se de que, em um
mesmo texto, você pode ter um ou mais tipos de parágrafo.
Veremos a seguir cada um dos tipos de parágrafo.
4 parágrafo
43

4.3.1 Parágrafo narrativo

Na redação narrativa, o mais importante é contar a história vivida por algum


personagem. O narrador, que pode ser o autor ou não, faz o relato dos aconteci-
mentos: o que aconteceu, onde e quando? A história deve ter, necessariamente,
começo, meio e fim, organizados em uma sequência de tempo. Aliás, o espaço (o
local) e o tempo (quando) são duas das características mais importantes desse
tipo de texto.
Veja um exemplo de texto narrativo.
O homem da casa 23 saiu voando da cama. Hoje, mais do que nunca, precisava
chegar na hora marcada. Nem se sentou para engolir o café com pão quando o líqui-
do quente escorreu pela gravata nova. Virou-se para reclamar da sorte e tropeçou no
gato, que rondava o aquário por aquelas horas. Claro que foi para o chão, junto com
o peixe e a dignidade. Meia hora depois e estava no portão. A mulher ainda tentou
despedir-se, mas parou na soleira da porta e, desanimada, voltou para dentro, com
um sorriso indecifrável no canto da boca.

4.3.2 Parágrafo descritivo

Na redação descritiva, o narrador é substituído por um observador, que des-


creve características de pessoas, animais, objetos, processos, situações, ambien-
tes. Ao caracterizar uma pessoa ou um animal, você pode descrever qualidades,
características físicas e/ou psicológicas. Nesse tipo de parágrafo, não há progres-
são temporal entre as frases, isto é, o tempo é imóvel.
Veja um exemplo de texto descritivo.
Substituir uma lâmpada para iluminação pública.
1º passo – Separar a lâmpada nova e deixá-la em um local de fácil acesso.
2º passo – Abrir a tampa de vidro da luminária.
3º passo – Desatarraxar a lâmpada queimada do bocal da luminária, girando-a
no sentido anti-horário.
4º passo – Pegar a lâmpada nova, inseri-la no bocal e girá-la no sentido horário
até fixar.
5º passo – Fechar a tampa de vidro.
tÉcnicas de redação em língua portuguesa
44

4.3.3 Parágrafo dissertativo

Na redação dissertativa, o parágrafo é um pouco mais complexo, pois envol-


ve a defesa de uma determinada ideia, com a apresentação de argumentos que
demonstram um ponto de vista. Ao elaborar esse tipo de parágrafo, lembre-se de
que seus argumentos devem ser lógicos e coerentes o bastante para convencer
seu leitor. Portanto, antes de iniciar uma dissertação, delimite a ideia principal,
enumere seus argumentos e pense em uma conclusão adequada.
Veja um exemplo de texto dissertativo.
O fornecimento regular de energia elétrica depende fundamentalmente do índice
pluviométrico nos meses de janeiro a março e de uma rede de transmissão confiável.
Isso porque a produção de energia no Brasil é feita principalmente por usinas hidrelé-
tricas, que precisam ter os reservatórios cheios para trabalhar. Mas de nada adianta
produzir energia elétrica se não há como transportá-la: por isso a importância de li-
nhas de transmissão com a manutenção em dia.
4 parágrafo
45

Recapitulando

Neste capítulo, você estudou o parágrafo, que é a unidade da compo-


sição de qualquer texto. Agora você sabe que todo parágrafo traz uma
ideia principal e que a função dos outros períodos do parágrafo é confir-
mar essa ideia.
Vimos ainda algumas maneiras de desenvolver o parágrafo e que a coe-
rência e a coesão são características de todo texto bem elaborado.
Além disso, estudamos que o texto pode ser narrativo, descritivo ou dis-
sertativo e que as características de cada tipo são:

Narração Descrição Dissertação

Texto com narrador, que Texto com observador,


conta fatos envolvendo que indica característi- Texto que expõe ideias e
personagens em um cas de objeto, pessoa, desenvolve argumentos
determinado lugar e com ambiente ou processo, em que as comprovem. Res-
progressão temporal. um determinado momen- ponde à pergunta: Qual
Responde à pergunta: O to. Responde à pergunta: sua opinião a respeito?
que aconteceu? Como é?

No próximo capítulo, apresentaremos mais detalhes sobre a descrição,


pois esse tipo de texto poderá ser muito útil nas suas atividades profis-
sionais.
descrição

Se eu pedir para que você diga como é um equipamento qualquer, você vai tentar fazer com
que eu o visualize, relatando cor, tamanho, forma, material de que é feito etc.
O que você fez foi uma descrição do objeto com base nas características do aparelho.
E se eu pedir que você descreva como esse aparelho funciona? Aí, você deve me explicar de
que maneira é medida a voltagem de uma rede elétrica, por exemplo, utilizando esse aparelho.
Nesse caso, você fez a descrição de um processo.
Neste capítulo, veremos o conceito de descrição, sua finalidade e as características princi-
pais de dois tipos de texto descritivo: o de objeto e o de processo.
tÉcnicas de redação em língua portuguesa
48

5.1 O que é descrever?

Descrever é apresentar as características de um ser, objeto, processo ou local.


Com a descrição, você faz com que seu leitor visualize uma imagem com base no
seu ponto de vista e em um determinado momento.
Então, o objetivo da descrição é transmitir ao leitor uma imagem que relata,
enumera e detalha características, qualidades ou especificações de pessoas, coi-
sas, locais, cenários, odores, ruídos, processos. A descrição pode ainda informar,
convencer, transmitir impressões ou comunicar emoções.
Todo texto descritivo apresenta um observador, um tema (um objeto, por
exemplo) e um conjunto de características pertinentes ao tema. As características
do tema são escolhidas a partir dos sentidos (audição, visão, olfato, paladar e tato)
de quem descreve e podem sofrer limitações, justamente porque dependem uni-
camente do ponto de vista do autor.
A descrição pode ter características diversas. Veja o quadro a seguir.

Quadro 3 - Tipos de descrição e características

Tipo de descrição Características

Fornece características exteriores, como altura, cor dos olhos, cabelo,


Física
forma do rosto, do nariz, da boca, porte, trajes, timbre da voz, idade.

Apresenta características interiores, como o jeito de ser de uma pessoa:


Psicológica
hábitos, atitudes, personalidade, postura, preferências.

Informa a visão do autor. São retratadas impressões e sensações


Subjetiva
despertadas no autor pelo ser ou pelo objeto descrito.

Apresenta um juízo de valor. O mais importante é a precisão da descrição


Objetiva
das características da realidade observada pelo autor.

No seu dia a dia, você vai utilizar a descrição objetiva para descrever tecni-
camente um objeto ou um processo. Diferentemente da descrição literária, que
utiliza a linguagem com o objetivo de agradar e impressionar o leitor, a descrição
técnica tem a intenção de informar.
A descrição técnica pode ser utilizada para informar:
a) cor, forma, peso, dimensão de objetos;
b) fases, passos, procedimentos de pesquisas;
c) uso e funcionamento de equipamentos;
d) experiências de laboratório;
5 descrição
49

e) demonstrações, montagens, instruções de trabalho;


f ) uso de produtos, manutenção e reparações;
g) eventos e lugares;
h) anatomia de um corpo, estrutura de vegetais e minerais.

A descrição está quase sempre ligada ao estilo de texto


narrativo, pois as características dos personagens e do
VOCÊ ambiente são detalhadas com base no ponto de vista
SABIA? do narrador. Entretanto, na descrição, todos os fatos são
narrados sem relação de anterioridade nem de posterio-
ridade entre as frases.

CASOS E RELATOS

Responsabilidade
Uma turma de manutenção recebeu a incumbência de substituir um
transformador trifásico que estava com vazamento de óleo em uma das
buchas primárias.
Um dos eletricistas foi designado para efetuar a ligação do transformador
nas redes primárias e secundárias.
A substituição foi executada, mas o eletricista cometeu um erro e trocou
as ligações.
Isso aconteceu porque ele não prestou atenção na Ordem de Serviço,
que descrevia como a ligação deveria ser feita e conectou um modelo de
transformador igual ao que estava acostumado a trabalhar.
Seu superior não fez a conferência do serviço e ordenou que se fizesse a
ligação. Nesse instante, um arco voltaico se formou.
Por sorte, o fusível fez a abertura do circuito, impedindo assim um grave
acidente com o eletricista.
Como você percebeu, houve uma sucessão de erros. Para não cometer
equívocos como o do eletricista, antes de executar uma operação é im-
portante que o profissional leia e entenda claramente o que, como, quan-
do e onde deve ser feito, evitando riscos para si e para outras pessoas.
tÉcnicas de redação em língua portuguesa
50

5.2 Descrição de objeto e descrição de processo

A partir de agora, vamos estudar a descrição de dois tipos de texto descritivo:


de objeto e de processo. São os tipos de textos mais utilizados pelos profissionais
que atuam em áreas técnicas. Para cada um deles, sugerimos uma estrutura bási-
ca, que consta de introdução, desenvolvimento e conclusão.

5.2.1 Descrição de objeto

Esse tipo de texto tem como característica principal identificar um objeto, por
exemplo, o load buster.
Acompanhe a explicação sobre como elaborar esse tipo de descrição no qua-
dro a seguir.

Quadro 4 - Como elaborar uma descrição de objeto

Inicie com observações de caráter geral: de que material é feito o


Introdução
objeto, formato, dimensões e peso, textura, cor e brilho.

Desenvolva o texto indicando detalhes do objeto, das partes que


Desenvolvimento
o compõem e de que forma elas se juntam para formar o todo.

Informe para que serve o objeto e qual profissional, geralmente,


Conclusão
o utiliza.

Veja, a seguir, a descrição de um load buster (LB), representado na figura 10.


Load buster (LB)
O load buster (LB) tem o formato cilíndrico, é construído em liga de alumínio, tem
30 cm de comprimento e pesa 300 g.
Esse objeto é composto das seguintes partes: cabeça móvel para disparo, argola
para apoio de ancoragem, trava móvel, trava de retorno, câmara de extinção de arco
e ponto de conexão da vara de manobra.
O LB é um dispositivo utilizado pelo eletricista de redes de distribuição aérea de
energia para a abertura de chaves do tipo faca ou de fusível de alta tensão.
5 dESCRIçãO
51

Figura 10 - Partes de um load buster (LB)


Fonte: SENAI-SP (2013)

5.2.2 descRição de PRocesso

Esse tipo de texto aponta o processo de funcionamento ou de fabricação de


um equipamento ou produto.
Nesse tipo de descrição, normalmente são relatados procedimentos, experiên-
cias, mecanismos, relatórios, fórmulas.
Acompanhe, no quadro a seguir, a explicação sobre como elaborar uma des-
crição de processo.

Quadro 5 - Como elaborar uma descrição de processo

Inicie o texto com uma breve descrição do que é o processo


INTRODUÇÃO
ou equipamento.

Aponte claramente todas as fases do processo em uma


DESENVOLVIMENTO
sequência lógica.

Informe para que serve o processo ou equipamento e em que


CONCLUSÃO
situação pode ser aplicado ou utilizado.
tÉcnicas de redação em língua portuguesa
52

Acompanhe a descrição de um processo.


Processo de abertura da base de fusível em estação transformadora
Abrir a base de fusível é uma maneira de desenergizar equipamentos com base
em um procedimento realizado na estação transformadora. Veja quais são os passos
desse processo.
a) Planeje a atividade a ser realizada e preencha a planilha de Análise Preliminar
de Riscos (APR).
b) Estacione o veículo de forma correta de acordo com o Código Brasileiro de
Trânsito (CBT).
c) Sinalize o veículo e o local de trabalho.
d) Posicione a escada extensível com cesto aéreo conforme recomendações dos
manuais das distribuidoras. Tais procedimentos são importantes no que diz
respeito à ergonomia da atividade.
e) Avalie as condições dos transformadores e das estruturas, a fim de identificar
cruzetas podres, chaves soltas ou frouxas e confirmar se as chaves possuem
dispositivo para ancorar o load buster (LB).
f ) Utilize todos os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e Coletiva (EPCs)
recomendados para esse tipo de atividade.
g) Utilize vara ou bastão de manobra telescópico.
h) Faça a abertura das chaves nas sequências operacionais corretas.
i) Inicie a abertura das chaves obedecendo ao procedimento de cada tipo de
estação transformadora, bem como os critérios estabelecidos pela distribui-
dora local.
j) Abra da chave mais distante para a chave mais próxima.
k) Utilize o LB correto (de acordo com a corrente do circuito) para abertura de
chaves em cargas.
l) Informe ao Centro de Operações da Distribuição (COD) o horário de abertura
da estação transformadora.
m) Finalize a tarefa seguindo a Permissão de Trabalho (PT) da distribuidora local.
n) Retire a sinalização da via e/ou do canteiro de obra, procedendo em conformi-
dade o PT.
A abertura da base de fusível é realizada para desenergizar equipamentos. Nesse
processo, é utilizado o dispositivo load buster (LB).
5 descrição
53

Figura 11 -  Abertura de base fusível


Fonte: SENAI-SP (2013)

Para saber mais sobre como produzir descrições, consulte o


SAIBA livro “Produção de Textos e Usos da Linguagem”, de Samira
MAIS Yousseff e Jésus Barbosa, da Editora Saraiva, segunda edição
de 1999.
tÉcnicas de redação em língua portuguesa
54

Recapitulando

Neste capítulo, você viu que o texto descritivo relata, enumera e detalha
características, qualidades ou especificações de seres animados ou inani-
mados, sob o ponto de vista do autor.
Todo texto descritivo apresenta um observador, um tema e um conjunto
de características pertinentes ao tema.
Os dados descritos são o resultado de uma seleção feita pelo autor, que
se apoia nos seus sentidos (audição, visão, olfato, paladar e tato). Por isso,
uma descrição é sempre limitada.
Os tipos de descrição que estudamos são:
• descrição de objeto: descreve características de um objeto com a fi-
nalidade de identificá-lo;
• descrição de processo: descreve processos, aparelhos, experiências,
mecanismos, relatórios, fórmulas.
No próximo capítulo, você verá como elaborar um relatório e logo notará
que esse tipo de documento utiliza o texto descritivo. Vamos em frente!
5 descrição
55

Anotações:
documentação técnica

A documentação técnica é um texto preparado para tratar de assuntos ou fatos técnicos ou


científicos.
Podemos citar alguns tipos de documentos exigidos pela norma regulamentadora - NR-10:
prontuário das instalações elétricas, diagrama unifilar dos quadros elétricos, medições e laudos
do Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA).
Neste capítulo, vamos nos ater aos documentos que fazem parte do dia a dia de muitos ele-
tricistas de rede, como relatórios, Ordem e Serviço (OS) e checklist. Esses documentos podem vir
a fazer parte de sua rotina profissional também. Por isso, estude bem o conteúdo deste capítulo.
tÉcnicas de redação em língua portuguesa
58

6.1 Características do texto técnico

Vamos ver agora algumas características do texto técnico.


Clareza – A falta de clareza é o que impede o entendimento do texto em uma
primeira leitura. É necessário ler o texto várias vezes para entender o que o autor
está propondo. Podemos garantir a clareza do texto com alguns recursos bem
simples. Observe.
a) Construa fases na ordem direta (A solda (sujeito) está (verbo) em boas con-
dições (complemento)).
b) Apresente as informações em uma sequência lógica.
c) Indique cada procedimento em um parágrafo distinto.
Foco no leitor – Identificar quem vai ler o relatório é importante para que pos-
samos definir os termos empregados. Antes de iniciar seu texto, procure respon-
der às questões seguintes.
a) O leitor conhece o assunto?
b) O relatório será lido pelos funcionários ou pelos diretores da empresa?
c) O relatório é para público externo que pertence a uma categoria profissio-
nal específica?
Depois de responder a essas questões, você pode selecionar as informações e
identificar a melhor maneira de transmiti-las.
Formalidade – Para escrever um texto técnico, não utilizamos linguagem
coloquial e, muito menos, gíria. O texto é elaborado de acordo com as regras da
língua culta, que você já estudou no capítulo 2. É claro que isso não quer dizer
escrever de maneira complicada. Ao contrário, apesar de exigir formalidade, você
deve expressar suas ideias com palavras conhecidas.
Impessoalidade – O texto técnico tem como característica um certo distan-
ciamento entre o autor e o leitor. Para isso, evite utilizar expressões como “eu acre-
dito que o processo...”; coloque no lugar algo como “entende-se que o processo...”.
Objetividade – O texto técnico deve transmitir, sem rodeios, de uma forma
direta e clara, os fatos e os dados que o leitor precisa saber para chegar a uma
conclusão. Utilizar fotos, gráficos e tabelas é também uma forma de ser objetivo
nas informações. A organização de maneira lógica e ordenada é importante para
o entendimento do conteúdo.
6 documentação técnica
59

Fundada em 1940, a Associação Brasileira de Nor-


VOCÊ mas Técnicas (ABNT) é o órgão responsável pela
SABIA? normalização técnica (normas, especificações técnicas,
códigos de prática e regulamentos) no Brasil.

6.2 Tipos de documentação técnica

São muitos os tipos de documentação que o eletricista de redes pode ter de


utilizar nas suas atividades. Vamos conhecer quatro dos mais utilizados:
a) Permissão de Trabalho (PT);
b) Comunicado;
c) Ordem de Serviço (OS);
d) Relatório.
Vamos estudar cada um deles a seguir.

6.2.1 Permissão de Trabalho (PT)

É um documento que autoriza ou permite a execução de uma atividade de


risco real.
Essa autorização deve ser assinada e apresentada ao operador pelo seu res-
ponsável imediato. Veja a seguir um exemplo de Permissão de Trabalho.
tÉcnicas de redação em língua portuguesa
60

Rua Fred Mercure, 1.775

V. S. Judas – São Paulo, SP

CEP: 01234-567

TEL.: (11) 1234-5678

www.coneccto.com.br
Rede de Distribuição de Energia Elétrica

LISTA DE VERIFICAÇÕES O.S. N.º DATA FOLHA


ENDEREÇO N.º COMPLEMENTO
BAIRRO CIDADE ESTADO
TELEFONE COM. TELEFONE CEL. E-MAIL
PONTO DE REFERÊNCIA
AÉREA INSTALAÇÃO NOVA
TIPO DE REDE ENTRADA DO CLIENTE TIPO DE SERVIÇO MANUTENÇÃO
ILUMINAÇÃO PÚBLICA CONSTRUÇAÕ
ATENDIDO
REF. N.º AVALIAÇÃO
SIM NÃO N.A.
1 OS AMBIENTES INSPECIONADOS ESTÃO DE ACORDO COM O PADRÃO

2 OS AMBIENTES CONFEREM COM CROQUI OU PROJETO ENVIADO

3 OS MATERIAIS E FERRAMENTAS EM USO ESTÃO EM CONDIÇÃO DE USO

AS CAIXAS, LAMPADAS, CABOS, CONECTORES DE LIGAÇÕES ESTÃO


4
INSTALADAS DE ACORDO COM OS PADRÕES ESTABELECIDOS
OS DISPOSITIVOS DE PROTEÇÃO E MANOBRA ESTÃO EM CONFORMIDADE
5
COM A OS
HÁ NECESSIDADE URGENTE DE RELATAR NÃO CONFORMIDADES PARA A
6
CHEFIA
HÁ NECESSIDADE DE REFAZER A INSTALAÇÃO OU SUBSTITUIR MATERIAIS OU
7
EQUIPAMENTOS INSTALADOS?
8 TODOS OS ITENS DA INSTALAÇÃO ESTÃO DENTRO DO PADRÃO EXIGIDO?

RELATOS DE NÃO CONFORMIDADES DE ACORDO COM A - OS

OBSERVAÇÕES

NOME CREA
Técnico Responsável
ASSINATURA DATA

NOME
Eletricista
Responsável
ASSINATURA DATA

Figura 12 -  Exemplo de Permissão de Trabalho (PT)


Fonte: SENAI-SP (2013)

6.2.2 Comunicado

É um tipo de documentação técnica que informa que uma determinada ativi-


dade ocorrerá ou ocorreu. Veja a seguir um exemplo de comunicado.

Comunicado
A Coordenadoria de Serviços Gerais da Prefeitura de São Paulo comunica que ha-
verá desligamento de energia nesta sexta-feira (10/12/2012), no horário das 12h
às 14h, no Centro Universitário de São Paulo, visando à manutenção do gerador.
O corte de energia atingirá apenas os seguintes setores: laboratórios de Biologia,
Zoologia e Agronomia.
6 documentação técnica
61

6.2.3 Ordem de Serviço (OS)

Esse tipo de documento descreve como uma atividade deve ser executada
pelo operador. Veja a seguir um exemplo de OS.

Rua Fred Mercure, 1.775

V. S. Judas – São Paulo, SP

CEP: 01234-567

TEL.: (11) 1234-5678

www.coneccto.com.br
Rede de Distribuição de Energia Elétrica

ORDEM DE SERVIÇO NÚMERO


CLIENTE
ENDEREÇO N.º COMPLEMENTO
BAIRRO CIDADE ESTADO
TELEFONE COM. TELEFONE CEL. E-MAIL
PONTO DE REFERÊNCIA
RESPONSÁVEL NO LOCAL TELEFONE
AÉREA INSTALAÇÃO NOVA
TIPO DE REDE ENTRADA DO CLIENTE TIPO DE SERVIÇO MANUTENÇÃO
ILUMINAÇÃO PÚBLICA CONSTRUÇAÕ
DESCRIÇÃO DO SERVIÇO

AUTORIZAÇÃO

AUTORIZO O SR. PROFISSIONAL ELETRICISTA, IDENTIFICADO PELO CRACHÁ E


UNIFORME DA EMPRESA, A ASSUMIR SUAS ATIVIDADES PROFISSIONAIS CONFORME ESTA ORDEM DE SERVIÇO

OBSERVAÇÕES

PERÍODO AUTORIZADO PARA A REALIZAÇÃO DAS ATIVIDADES


INÍCIO TÉRMINO PREVISTO HORÁRIO DE TRABALHO

NOME
EXECUTANTE
ASSINATURA DATA DO TÉRMINO

NOME CREA
RESPONSÁVEL
TÉCNICO
ASSINATURA DATA

Figura 13 -  Exemplo de Ordem de Serviço (OS)


Fonte: SENAI-SP (2013)
tÉcnicas de redação em língua portuguesa
62

1 Subtítulo

Título secundário, que


se segue ao principal e o CASOS E RELATOS
complementa, introduzindo
os diversos blocos em que é
dividido o texto.
A importância da Ordem de Serviço (OS)
Pedro dos Santos trabalha na empresa Faísca Serviços Elétricos Ltda., no
2 Anexos
setor de Serviços Técnicos Comerciais. A Faísca presta serviços para uma
Textos de outros autores distribuidora de energia
que foram usados no
trabalho. Na última sexta-feira, Pedro saiu da empresa com uma Ordem de Serviço
(OS) para efetuar a suspensão do fornecimento de energia elétrica por
falta de pagamento.
3 Apêndices
Chegando ao local, um prédio de apartamentos, solicitou ao porteiro que
Documentos produzidos
por você mesmo, mas o proprietário do apartamento de número 56 apresentasse as contas de
que, por sua extensão ou
complexidade, não cabem
energia pagas, pois, caso contrário, faria o corte de energia.
no desenvolvimento do
relatório. A proprietária do apartamento era uma senhora idosa e logo estava na
portaria com as contas em mãos, todas pagas em dia.
Sem entender direito o ocorrido, Pedro começou a conferir a OS. No cam-
po Endereço, verificou que havia cometido um engano. A rua era a mes-
ma, mas o imóvel era o prédio ao lado.
A falta de atenção poderia ter gerado consequências muito sérias para
Pedro e até mesmo para a distribuidora de energia.
Depois de desculpar-se com a proprietária, Pedro lembrou-se das pala-
vras de seu supervisor: todas as informações constantes de uma OS de-
vem ser checadas antes da execução das tarefas, pois erros de comunica-
ção são comuns e, como neste caso, embaraçosos.
6 documentação técnica
63

6.2.4 Relatório

É um tipo de documentação que serve, principalmente, para informar, ensinar,


orientar, relatar (daí o seu nome). É a descrição feita a partir de um fato, um acon-
tecimento ou um fenômeno.
A estrutura básica do relatório tem as partes seguintes e, se possível, na or-
dem de apresentação indicada a seguir.

Quadro 6 - Partes constituintes do relatório

Parte Conteúdo

Capa Título do trabalho, o nome do(s) autor(es) e a data.

Folha de rosto Título do trabalho e nome do(s) autor(es).

Títulos e subtítulos1 das partes do relatório com os respectivos números


Sumário
da página.

Explicação sintetizada com a finalidade de transmitir uma ideia geral


Resumo
sobre o trabalho.

Objetivo (sobre o que é o relatório) e finalidade (para que será feito o


Introdução
relatório).

Método – Descreve como aconteceu o evento (acidente, experiência,


visita, estágio, viagem), processo (experiência, acidente, visita ou está-
gio) e/ou ambiente (visita, estágio).
Desenvolvimento
Resultado – Descreve o que se apurou, os resultados imediatos (aci-
dente, experiência, visita, estágio).

Discussão – Analisa e argumenta o motivo do resultado obtido.

Conclusão Resposta à finalidade declarada na introdução.

Agradecimentos Colaboração de pessoas, patrocínio ou subvenção, se houver.

Bibliografia Relação de livros, revistas, enciclopédias, sites da internet pesquisados.

Esclarecimento do assunto, com a apresentação de gráficos, mapas e


Anexos2 e
desenhos. Devem aparecer no final do relatório, em folha separada e, se
apêndices3
necessário, com paginação própria.

Para que você tenha mais informações sobre o assunto trata-


SAIBA do neste material, leia o livro “Do Texto ao Texto: Curso Práti-
MAIS co de Leitura e Redação”, de Ulisses Infante, Editora Scipione,
edição de 2002.
tÉcnicas de redação em língua portuguesa
64

Recapitulando

Neste capítulo, você aprendeu que um relatório é a descrição feita com


base em um fato, acontecimento ou fenômeno. Conhecemos, ainda, al-
guns tipos de relatório.
Vimos também que as partes que compõem um relatório são: capa, fo-
lha de rosto, sumário, resumo, introdução, desenvolvimento, conclusão,
agradecimentos, bibliografia, anexos e apêndices (dependendo da ex-
tensão e complexidade do trabalho).
Além disso, verificamos que um bom relatório deve:
1. ser impessoal nas informações;
2. ser objetivo;
3. usar vocabulário técnico e linguagem-padrão;
4. fornecer informações exatas;
5. ilustrar os dados, quando necessário, com gráficos, mapas, fotos, dese-
nhos ou tabelas;
6. levar o leitor a uma conclusão.
Após este estudo, esperamos que você já tenha subsídios para começar a
elaborar seus próprios relatórios.
6 documentação técnica
65

Anotações:
Editores de texto

Editores de texto são aplicativos que utilizamos para redigir textos, incluindo documentos,
como relatórios e pareceres técnicos. Entre os editores de texto existentes, o mais difundido no
Brasil é o Word, da Microsoft.
Neste capítulo, você conhecerá diversos recursos do Word 2010, que faz parte do pacote
de aplicações do Microsoft Office, composto ainda dos programas PowerPoint (para elaborar
apresentações de slides), Excel (para montar planilhas) e Access (para criar bancos de dados).
É bem possível que você já utilize o Microsoft Word, mesmo que em outras versões, para
elaborar seus trabalhos. Por isso, nossa intenção é reforçar a utilização de algumas ferramentas.
Acompanhe!
tÉcnicas de redação em língua portuguesa
68

7.1 Início do Microsoft Word 2010

Ao iniciar o Word, um novo documento vazio é apresentado como padrão.


Observe a figura e veja que as principais funções do editor estão agrupadas,
respectivamente, na barra de título, na faixa de opções, na janela de edição e na
barra de status.

barra de títulos

faixa de opções

janela de edição

barra de status
Figura 14 -  Janela de abertura do editor de texto Microsoft Word 2010
Fonte: SENAI-SP (2013)

Veremos agora as principais ferramentas que vamos encontrar em cada uma


dessas áreas do editor.

Barra de títulos

Vamos destacar a barra de ferramentas de acesso rápido. Nela, você encontra


comandos utilizados no dia a dia, como: salvar um arquivo, desfazer a edição ou
repetir uma operação. Você pode personalizar a barra de ferramentas clicando na
seta ao lado desses comandos para adicionar outros recursos a partir de uma lista
que será exibida.

salvar desfazer repetir

ferramentas
de acesso
rápido
Figura 15 -  Barra de ferramentas de acesso rápido
Fonte: SENAI-SP (2013)
7 Editores de texto
69

Faixa de opções

Por padrão, possui sete guias com opções de ferramentas.


a) Arquivo
b) Página Inicial
c) Inserir
d) Layout da Página
e) Referências
f ) Correspondências
g) Revisão

Exibição

Para expandir as ferramentas das guias, clique na seta à direita , ao lado


da Ajuda .
Cada guia apresenta um grupo de ferramentas relacionadas. Para acessar o
menu completo de opções, basta clicar na guia.
Veja, por exemplo, as opções da guia Página Inicial.

Figura 16 -  Opções de comando da guia Página Inicial


Fonte: SENAI-SP (2013)

Janela de edição

É a área de trabalho do editor. É nela que você vai ver o documento que está
sendo criado. Do lado direito da janela, você encontra uma barra de rolagem. Cli-
que nas setas dessa barra para alterar a posição do documento na tela.

VOCÊ Para ativar a régua do Microsoft Word 2010, basta clicar


no ícone acima da barra de rolagem, na extremidade
SABIA? direita da janela.
tÉcnicas de redação em língua portuguesa
70

Barra de status

À direita, você encontra os botões com opções de exibição do documento na


tela. Mais à direita, há o controle de zoom, que tem o efeito de afastamento ou
aproximação do texto do documento.
A primeira guia à esquerda se chama Arquivo e substituiu o botão Office do
Microsoft Word 2007. Essa guia contém as operações de manipulação dos arqui-
vos, como: criar um novo documento, abrir um documento existente, salvar um
arquivo, imprimir um documento ou fechar um arquivo, além das opções gerais.

Figura 17 -  Guia Arquivo, com diversas operações de manipulação dos documentos


Fonte: SENAI-SP (2013)

Agora, vamos ver as funcionalidades de cada uma das guias do Microsoft Word
2010 e mais algumas ferramentas desse editor, voltadas principalmente para uti-
lização no desenvolvimento de:
a) digitação de textos;
b) inserções de elementos diversos;
c) formatação de textos;
d) impressão de arquivos.
7 Editores de texto
71

7.2 Digitação de textos

Antes de iniciar a digitação de seu trabalho, você pode fazer uma configuração
básica da página do Word.
Defina a orientação, o tamanho e as margens da página. Na guia Layout da Pá-
gina, clique em Orientação, no grupo Configurar Página, e escolha entre Retrato e
Paisagem. Só para lembrar: em paisagem a folha fica na horizontal e, em retrato,
na vertical.
Logo abaixo de Orientação, você vai encontrar o botão Tamanho. Ao clicar
nele, você pode escolher, entre as várias opções de papéis disponibilizadas pelo
Word, o tamanho da página do seu documento.

Figura 18 -  A guia Layout da Página permite definir orientação e tamanho da página do documento
Fonte: SENAI-SP (2013)

Para definir as margens, isto é, o espaço em branco fora da área de impressão,


clique no indicador da caixa de diálogo, ainda na guia Layout da Página, no grupo
Configurar Página. O indicador é a seta à direita no grupo.
tÉcnicas de redação em língua portuguesa
72

Figura 19 -  Como definir as margens do documento


Fonte: SENAI-SP (2013)

Agora, você já pode começar a digitação. Para digitar um texto, basta pressio-
nar as teclas do teclado. Lembre-se de que o ponto de entrada do texto será onde
o cursor estiver piscando na tela.
Toda vez que você iniciar um trabalho em editores de texto, salve o arquivo
no seu computador. Dessa maneira, você poderá recuperar o documento sempre
que necessitar. Para salvar, no Microsoft Word 2010, clique na guia Arquivo e, em
seguida, na opção Salvar. Você pode utilizar ainda o atalho Ctrl + B.
Ao clicar em Salvar Como, indique o nome do arquivo e o local onde ele será
guardado. Você vai ver que na barra de título aparecerá o nome do arquivo no
lugar de “Documento 1”, denominação-padrão que apareceu na tela quando você
iniciou a digitação.
7 Editores de texto
73

Figura 20 -  A opção Salvar Como permite escolher o nome do arquivo e o local onde ele será guardado
Fonte: SENAI-SP (2013)

Você pode configurar o programa para que ele faça o salvamento automático
de seus documentos. Fique atento! Esse recurso é muito importante porque é
comum esquecermos de salvar um trabalho. Veja como se faz.
Na guia Arquivo, acesse Opções e depois Salvar.

Figura 21 -  Configuração do salvamento automático de arquivos


Fonte: SENAI-SP (2013)
tÉcnicas de redação em língua portuguesa
74

Nessa tela, na opção Salvar Documentos, você tem a opção de escolher o tipo
de arquivo que vai ser salvo automaticamente e, ainda, de quanto em quanto
tempo ele será salvo. Além disso, terá seu documento salvo mesmo se você fechar
o programa sem salvar.
Para visualizar o documento que você está digitando na tela do computador,
o Microsoft Word traz o recurso de zoom na barra de status. Para aproximar ou
afastar a visualização do documento, clique na seta do meio do controle deslizan-
te e a arraste para a esquerda ou para a direita.
Você pode ainda abrir a caixa de diálogo Zoom: basta clicar no percentual de vi-
sualização. Nela, você tem algumas opções interessantes de visualização do docu-
mento, por exemplo: exibir várias páginas de uma só vez na tela do editor de texto.

Figura 22 -  A caixa de diálogo Zoom oferece opções interessantes de visualização do documento


Fonte: SENAI-SP (2013)

A barra de status do Microsoft Word 2010 traz ainda


VOCÊ outras informações importantes: número da página em
que você está em relação à quantidade de páginas do
SABIA? documento, quantidade de palavras do texto, idioma,
modo de exibição da página.
7 Editores de texto
75

Vamos ver como utilizar os recursos do Microsoft Word 2010 para selecionar,
excluir ou mover um texto ou uma ilustração. Essas operações podem ser feitas
dentro de um mesmo documento ou de um documento para outro.
Para transferir um texto de um documento para outro, os dois arquivos devem
estar abertos e organizados na área de trabalho (clique com o botão direito do
mouse na barra de tarefas do Windows e depois em Mostrar Janelas Lado a Lado).
Agora, você deve selecionar o texto ou a parte dele que você vai copiar. Para
selecionar todo o texto, faça a operação por meio da Faixa de Opções. Selecione o
grupo Edição e clique em Selecionar Tudo.
Se a sua intenção é selecionar um pequeno trecho do documento, fica mais
fácil utilizar o mouse. Clique no botão esquerdo e arraste o mouse sobre o texto
que deseja selecionar. Com o texto selecionado, clique em Copiar, do grupo Área
de Transferência.

copiar

Figura 23 -  Função Copiar


Fonte: SENAI-SP (2013)

Para colar o texto, ative o documento no qual deseja colocar o texto copiado
clicando na barra de títulos da janela. Posicione o cursor no local onde o texto
deve ser colado e clique em Colar, do grupo Área de Transferência. Como o texto
foi copiado, ele ainda se encontra no arquivo original.
Agora, se você quer retirar um texto definitivamente do arquivo original, então
você vai Recortar o trecho. Torne ativo o arquivo do qual deseja excluir o texto.
Clique em Selecionar Tudo (caso você queira retirar todo o documento) e depois
em Recortar, do grupo Área de Transferência na guia Página Inicial. O documento
vai desaparecer da janela.
tÉcnicas de redação em língua portuguesa
76

Para salvar os documentos, clique no ícone Fechar da barra de títulos. Uma ja-
nela com a opção Salvar será apresentada. Se você optar por salvar o documento
modificado, as alterações serão concluídas e arquivadas. Se optar por Não Salvar,
nenhuma alteração será efetuada no arquivo.

Figura 24 -  Janela de salvamento do arquivo


Fonte: SENAI-SP (2013)

7.3 Construção de tabelas

A partir de agora, vamos saber um pouco mais sobre como inserir tabelas no
seu documento. A tabela é uma importante ferramenta para a apresentação de
dados estatísticos. Com ela, você pode concentrar a informação, economizando
espaço e tempo de leitura. Vamos lá!
Uma maneira de inserir uma tabela em seu documento é utilizar o menu Ta-
bela, da faixa de opções Inserir. Clique em Tabela e selecione, com o mouse, os
quadradinhos que representam o número de linhas e colunas desejadas.

Figura 25 -  Função Inserir Tabela


Fonte: SENAI-SP (2013)
7 Editores de texto
77

Para incluir os dados na tabela, clique na célula desejada e digite o texto.


Outra maneira de se criar uma tabela no Microsoft Word 2010 é:
a) clique em Tabela, na guia Inserir;
b) clique em Tabelas Rápidas (vários modelos de tabela serão apresentados);
c) selecione o modelo desejado.

Figura 26 -  Modelos de tabela predefinidos


Fonte: SENAI-SP (2013)

Dê um duplo-clique na palavra ou número da tabela que você deseja substi-


tuir e digite o texto.
Depois de montar a tabela, é hora de formatá-la, isto é, deixá-la com a apresen-
tação gráfica mais adequada às suas necessidades.
tÉcnicas de redação em língua portuguesa
78

Para tanto, selecione a tabela clicando no quadrado que aparece no canto su-
perior esquerdo da própria tabela. As guias Design e Layout aparecerão na faixa
de opções. Veja.

Figura 27 -  Ferramentas para formatar a tabela


Fonte: SENAI-SP (2013)

Utilize a guia Design para incluir um estilo pronto na tabela. Clique na seta da
caixa de opções de estilo, do grupo Estilos da Tabela, para selecionar o modelo
desejado. Nesta faixa de opções, você pode ainda alterar os estilos das linhas e
das colunas de sua tabela.

Figura 28 -  Opções de design para tabelas


Fonte: SENAI-SP (2013)
7 Editores de texto
79

Na guia Layout, o Microsoft Word 2010 oferece opções para inserir e excluir
linhas e colunas, além de mesclar e dividir células e a própria tabela. Observe.

Figura 29 -  Opções de layout para tabelas


Fonte: SENAI-SP (2013)

Para saber a função de um botão qualquer, basta posi-


VOCÊ cionar o mouse em cima do botão e aguardar um mo-
SABIA? mento para ver um texto explicativo exibido automati-
camente.

CASOS E RELATOS

A formatação do relatório
“O relatório de visita é para a próxima segunda-feira. Deve ser digitado e
formatado”, disse o supervisor de uma empresa de manutenção de equi-
pamentos eletroeletrônicos.
Horácio ficou preocupado! Formatado? Como que se faz mesmo isso? Es-
tava estagiando na empresa há pouco tempo, conhecia pouca gente e,
principalmente, não queria passar por despreparado.
Angelina, sua nova colega de trabalho, percebeu a ansiedade do colega e
perguntou: “Precisa de ajuda?”. “Não sei como formatar”, respondeu Horá-
cio, meio encabulado.
“Ora, você sabe que formatar é tratar o texto e as figuras de tal forma que
as informações de seu documento sejam bem entendidas por todos que
o lerem, não é?”, disse Angelina.
tÉcnicas de redação em língua portuguesa
80

“Principalmente para que o chefe entenda”, sorriu Horácio, pegando o


livro que a colega lhe entregava.
“Neste livro, tem um capítulo que fala de editor de texto e ensina como
formatar um documento. E o que não estiver aí, você descobrirá como faz
quando começar a utilizar o programa”, esclareceu Angelina.
Horácio relaxou e começou a ler. Sabia que ia dar tudo certo.

7.4 Impressão de documentos

Bem, agora seu trabalho está pronto. Agora, só falta imprimi-lo.


Na guia Arquivo, clique na opção Imprimir para abrir a janela de impressão.
Nela, você pode alterar as configurações de impressão do seu trabalho e também
ver como ele ficará impresso no papel, além de selecionar a impressora.

Figura 30 -  Janela de impressão de documentos


Fonte: SENAI-SP (2013)
7 Editores de texto
81

Na janela de impressão de documentos, é possível alterar:


a) a orientação da página (retrato ou paisagem);
b) o tamanho da página (letter, A4, envelope);
c) a área de impressão (margens).
Além disso, você pode selecionar quais páginas serão impressas, quantas pá-
ginas devem ser impressas por folha, o número de cópias e se a impressão será
somente frente ou frente e verso da página.
Depois de fazer suas escolhas, clique em Imprimir para iniciar o processo.

Para saber mais sobre as funções do editor de texto que


SAIBA estudamos neste capítulo, consulte o livro “Microsoft Word
MAIS 2010”, de Carolina Monteiro, editado pela Easycomp Tecno-
logia de Ensino em Computação em 2011.

Recapitulando

Neste capítulo, você conheceu algumas das funcionalidades do Microsoft


Word 2010, um dos editores de textos mais utilizados para a produção de
documentos.
Como destaque, foram apresentadas as guias com ferramentas para a
manipulação de tabelas, além de muitas outras opções que você poderá
lançar mão para elaborar relatórios de alta qualidade.
Você deve ter percebido que ainda não foram apresentadas todas as
ferramentas desse editor de textos. Portanto, explore o Microsoft Word
2010, descubra novas funções para que você aprimore seus documentos.
E lembre-se: sempre que precisar, você poderá usar o ícone Ajuda.
Internet

Neste capítulo, vamos falar da internet, uma ferramenta de comunicação e interação com
o mundo. Com ela, você pode acessar informações, enviar mensagens, compartilhar informa-
ções, fazer compras e se divertir com jogos, além conversar em tempo real com um amigo do
outro lado do mundo. Ferramenta poderosa, não?
Mas são necessários alguns cuidados para navegar nesse mar, principalmente se você está
buscando ou transmitindo informações. Além da questão dos vírus, lembre-se de que quem
recebe e compartilha a informação é tão responsável pela sua qualidade quanto quem a emite.
Portanto, cheque a confiabilidade da informação que você recebeu e a idoneidade do site.
Da mesma forma, não dissemine informações inconsistentes, que podem colocar em dúvida
sua competência profissional.
Vamos lá!
tÉcnicas de redação em língua portuguesa
84

1 PC 8.1 Como conectar-se à internet


Do inglês personal Do que precisamos para navegar na internet? O equipamento (um PC1, um no-
computer, que quer dizer
“computador pessoal”. tebook2, um tablet3 ou um smartphone4), uma conexão (linha telefônica ou banda
larga) e a assinatura de um provedor de acesso.

2 Notebook Para entrar no mundo da internet, você precisa conectar seu computador à
rede por meio de um provedor de acesso. No Brasil, os provedores, em geral, são
Computador portátil com
dimensões próximas às de empresas de telefonia ou operadoras de TV a cabo. Algumas delas você conhece:
um livro médio. Telefónica, Claro, Vivo, TIM, NET/Vivax e Oi.
Você pode contratar um serviço de conexão por linha discada ou banda larga.
3 Tablet Na linha discada, vai precisar apenas da linha telefônica convencional e de um mo-
dem, que a maioria dos computadores já tem instalado. Se você optar pela banda
Dispositivo em formato
de prancheta usado para larga, terá à disposição conexão por cabo, por satélite, pelo celular ou por rádio.
acessar a internet, visualizar
fotos e vídeos, ler livros e
jornais e jogar games.

4 Smartphone

Celular com capacidade


de conexão com redes
de dados para acesso à
internet.

Figura 31 -  Mundo conectado através da internet


Fonte: 123RF (2013)

A internet – isto é, várias redes de computadores (nets)


intercomunicando-se (inter) – iniciou suas operações
em 1970, com o intercâmbio de informações entre
VOCÊ laboratórios de pesquisa do departamento de Defesa
SABIA? dos Estados Unidos. Até os anos 1990, o uso da internet
ficou restrito às universidades e aos governos de vários
países. Em 1995, o uso comercial da internet foi liberado
no Brasil.
8 internet
85

Ao conectar-se à internet, você deve tomar determi-


nados cuidados que possibilitem uma navegação a
mais segura possível. É recomendado não fornecer
FIQUE informações pessoais ou gravar senha de e-mail em lan
ALERTA houses e em computadores públicos. Tenha muito cui-
dado ao disponibilizar detalhes de sua vida em redes
sociais e, ao fazer compras, faça uma pesquisa para sa-
ber se a loja virtual é idônea.

8.2 Acesso a sites da internet

Como se comunicar na rede mundial de computadores?


O primeiro passo é entrar nesse ambiente. Para isso, você pode utilizar um na-
vegador web.
A web (world wide web ou rede de alcance mundial) é um sistema ou espaço
onde as informações (dados) estão disponíveis em escala mundial, permitindo
acessar diversos sites em busca de informações e comunicar-se com outras pesso-
as. Um site ou sítio (o termo já foi aportuguesado) é um local onde as informações
que você procura estão armazenadas.
Dos navegadores web disponíveis para uso, os mais conhecidos e utilizados são:
a) Internet Explorer;
b) Mozilla Firefox;
c) Google Chrome;
d) Opera;
e) Safari.

Figura 32 -  Símbolos dos navegadores Web mais utilizados


Fonte: Divulgação - Microsoft, Mozilla Foundation, Google, Opera Software, Apple

A web foi criada em 1991 por Tim Berners-Lee, na Suíça,


VOCÊ para interligar computadores de laboratórios com outras
SABIA? instituições de pesquisa, com o objetivo de exibir docu-
mentos científicos de forma simples e fácil de acessar.
tÉcnicas de redação em língua portuguesa
86

Para começar a navegar, você deve acessar um navegador e digitar, na caixa de


endereços, o endereço do site que deseja.

caixa de endereço

Figura 33 -  Navegador web com endereço eletrônico do Departamento Nacional do SENAI


Fonte: SENAI-SP (2013)

O navegador web permite que você abra diversos sites ao mesmo tempo e veja
informações de diversas fontes. A maioria das páginas da internet possui links que
levam a outras páginas.

Links podem ser imagens ou textos (ou a combinação


VOCÊ de ambos) que, quando acionados, geralmente pelo
SABIA? clique de um mouse, provocam a exibição de novo do-
cumento.

O navegador permite ainda que você copie e armazene arquivos, fotos, ima-
gens, músicas e programas no seu computador. Para isso, você faz um download
(“baixar” algo), isto é, faz a cópia de uma informação.
8 internet
87

Você também pode guardar endereços das páginas da web. Para isso, basta
salvar uma página como favorita e você poderá voltar a ela sem precisar digitar
seu endereço. Siga os passos, relativos ao navegador Internet Explorer.
a) Vá para a página da internet que você quer guardar como favorita.
b) Clique em Adicionar a Favoritos e, em seguida, em Adicionar.
c) Na caixa Nome, digite um nome para a página e, em seguida, clique em
Adicionar.

Para abrir uma página favorita, você pode fazer assim:


a) no Internet Explorer, clique em Central de Favoritos;
b) clique em Favoritos;
c) na lista, clique na página web que você deseja acessar.

Figura 34 -  Recurso Adicionar a Favoritos permite guardar endereços de páginas da internet no seu computador
Fonte: SENAI-SP (2013)

Você já sabe que o site é um local onde as informações que você procura estão
armazenadas e que ele pode ser localizado por meio de um endereço, composto
basicamente de uma expressão. Veja, por exemplo: <www.senai.br>.
Existem muitos endereços disponíveis. Os sites são divididos em diversas cate-
gorias, como: de notícias, de busca, de entretenimento, de relacionamento, portal.
Um portal, por exemplo, é um site que reúne outros sites de um assunto especí-
fico ou com diversos tipos de conteúdo. Quem nunca ouviu falar de portal de notí-
cias da Rede Globo, o G1? Outros portais podem incluir sites de mecanismos de bus-
ca, fóruns e comunidades virtuais, serviços de correio eletrônico, músicas e vídeos.
tÉcnicas de redação em língua portuguesa
88

Figura 35 -  Portal de notícias G1


Fonte: SENAI-SP (2013)

8.3 Uso do e-mail

Na internet, você pode comunicar-se com as pessoas utilizando a ferra-


menta do e-mail. O e-mail é um endereço eletrônico que você cria para entrar
em contato com outras pessoas e trocar mensagens sobre assuntos diversos.
Por meio dessa espécie de carta virtual, você pode enviar textos e receber fo-
tos, vídeos e diversas outras informações.
Para utilizar um e-mail, você deve ter uma conta própria. Existem alguns prove-
dores que disponibilizam o serviço gratuitamente. Veja a seguir.
a) www.gmail.com
b) www.yahoo.com.br
c) www.hotmail.com
Para ter uma conta de e-mail, basta escolher o provedor de sua preferência e
cadastrar um login, também conhecido como “nome de usuário”.
Seu endereço de e-mail vai ter:
a) seu nome (pode ser o verdadeiro, um apelido ou qualquer outro escolhido
por você);
b) sinal de @ (arroba);
c) nome do provedor ou serviço de e-mail.
8 internet
89

Veja este exemplo: ma_alvezz@gmail.com.


Crie também uma senha de uso pessoal para poder acessar seu e-mail de qual-
quer outro local.
Aproveite bem essa maneira de se comunicar! Envie e receba muitas mensa-
gens. Entretanto, tome cuidado: algumas mensagens trarão links para sites que
podem conter vírus. Fique atento para qualquer e-mail que você não saiba quem
enviou ou que contenha informações suspeitas.

Em Informática, vírus são programas que têm a capaci-


dade de causar danos ao computador, a seus arquivos
FIQUE e programas e às informações armazenadas no equipa-
ALERTA mento. Alguns vírus apenas deixam a máquina mais len-
ta; outros, entretanto, podem até roubar informações,
como senhas de banco.

CASOS E RELATOS

A pesquisa e o método
O José Carlos era um dos melhores alunos da turma de Comunicação Oral
e Escrita do curso técnico da escola. Comprometido e interessado, partici-
pava ativamente das discussões em sala de aula.
Quando o professor pediu uma pesquisa sobre um grande cientista de
sua área de estudo, José Carlos não teve dúvidas. Foi para casa e iniciou
sua busca pela vida e obra do estudioso.
Ele pesquisou alguns sites que davam como certo que um artigo muito
conhecido era de autoria do cientista.
Mas, na semana seguinte à entrega do trabalho, o resultado foi uma nota
bem abaixo do esperado. Seu professor explicou que, pelas caracterís-
ticas do autor, ele jamais teria redigido um texto daquela maneira nem
passado aquela mensagem.
O que aconteceu foi que, sem um método, José acabou fazendo buscas
em sites duvidosos e, pior, acreditando nessas informações. Além disso,
ele não fez o que você deve fazer sempre quando for pesquisar qualquer
coisa na rede: comparar as informações encontradas.
tÉcnicas de redação em língua portuguesa
90

Como você já deve ter percebido, a internet é uma ferramenta de conhecimen-


to inovadora. No entanto, sua utilização deve ser feita de maneira cautelosa, pois
nem tudo pode ser aproveitado.
Você deve ter discernimento e refletir sobre o que lhe é apresentado na rede.
É muito importante fazer uma seleção das informações e questionar sempre sua
veracidade.

SAIBA Para aprofundar seus conhecimentos sobre o uso da inter-


net, leia o livro “Informática”, de Mário Gomes da Silva, publi-
MAIS cado em 2012, em São Paulo, pela Editora Érica.

8.4 Vírus de computador

Em Informática, vírus são programas construídos especialmente para causar


defeitos no computador e danos às informações nele armazenadas.
Esses programas mal-intencionados se instalam com o objetivo de prejudicar
o desempenho da máquina, infectar e destruir arquivos e outros programas e se
espalhar para outros computadores.
Os vírus de computador podem causar pequenos problemas, como deixar o
sistema mais lento, ou terem uma elevada capacidade de destruição, como vas-
culhar o seu computador atrás de senhas de banco e dados de cartão de crédito.
Eles “entram” na sua máquina por meio da rede mundial de computadores (in-
ternet) ou quando você utiliza dispositivos externos contaminados (CDs, DVDs,
pen drives). Então, a não ser que você isole seu computador, a única maneira de
se proteger de possíveis ameaças é contar com um sistema de segurança armado
com um programa antivírus atualizado e de confiança.

VOCÊ Os vírus de computador podem se autorreplicar, mudar


de forma e contaminar outras máquinas, seja por meio
SABIA? de pen drives, seja pela internet.
8 internet
91

8.4.1 Tipos de vírus

Existem vários tipos de vírus. Eles possuem peculiaridades que identificam


suas funções: alguns se autorreplicam, outros entram em atividade quando você
liga a máquina, outros se “escondem” dos programas antivírus.
Veja, no quadro a seguir, alguns deles e o que causam ao computador.

Quadro 7 - Tipos de vírus e ações no computador

Tipo de vírus O que faz

Afeta a área do disco rígido ou do disquete responsável pela inicialização do


Vírus de boot
sistema.

Vírus de arquivos Afeta arquivos de programas com extensão “.com” ou “.exe”.

Vírus de macro Afeta as macros do Microsoft Excel e Word.

Vírus bimodal Combina o processo de inicialização com vírus de arquivos.

Vírus mutante Apresenta uma aparência diferente cada vez que se autorreplica.

Vírus furtivo Utiliza truques para se esconder do sistema antivírus.

Realiza intencionalmente uma tarefa diferente da esperada. Tem que ser


Cavalo de Tróia
executado pelo usuário para entrar em ação.

Autorreplica-se em outros computadores, normalmente pela rede. Instala-se


Worm
no disco rígido, criando cópias até encher o disco, paralisando o sistema.

8.4.2 Programas antivírus

Para fazer frente ao problema dos vírus, foram desenvolvidos programas com
o objetivo de proteger seu computador, buscando e eliminando os vírus encon-
trados. Você deve conhecer e utilizar alguns deles na proteção de sua máquina,
como AVG, Avast, Panda e Avira, não é?
Mesmo que você utilize outros programas desse tipo, saiba que um antivírus
eficiente tem que ser rápido na detecção e eliminação do programa malicioso,
além de disponibilizar atualizações periódicas.
Existe uma grande variedade de antivírus, gratuitos e pagos. Todos eles fun-
cionam basicamente da mesma maneira: guardam as portas de entrada de seu
computador, deixando passar somente arquivos que tenham “passaporte” (certi-
ficado digital).
tÉcnicas de redação em língua portuguesa
92

Os antivírus possuem um banco de dados com as assinaturas (características)


dos vírus. Dessa maneira, fazem comparação com o formato e o comportamento
dos arquivos que entram na sua máquina. Dependendo do que encontram, elimi-
nam a ameaça.

SAIBA Você quer saber quais são os vírus de computador mais


letais? Então, acesse: <http://hypescience.com/os-10-piores-
MAIS virus-de-computador-da-historia/>.

Recapitulando

Neste capítulo, você viu que a web é um sistema ou espaço onde as in-
formações (dados) estão disponíveis em escala mundial que permite na-
vegar por diversos sites, buscando por informações, entretendo-se, reali-
zando compras e comunicando-se com outras pessoas.
Vimos que, com uma conta de e-mail, é possível trocar mensagens, ima-
gens e arquivos diversos com outras pessoas.
Ainda estudamos os riscos de conectar-se a esse mundo virtual. Portanto,
alguns cuidados devem ser tomados, como o de confirmar a confiabilida-
de dos sites acessados, além de utilizar um bom sistema antivírus.
8 internet
93

Anotações:
REFERÊNCIAS
CAMPADELLI, Samira Yousseff; SOUZA, Jésus Barbosa. Produção de textos e usos da
linguagem. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 1999. 288 p.

COSTA, Renata. O que é um vírus de computador? Nova Escola. Disponível em: <http://
revistaescola.abril.com.br/ciencias/fundamentos/virus-computador-internet-491683.shtml>.
Acesso em: 21 maio 2013.
SERASA. Guia Serasa de orientação ao cidadão: entenda o que é um vírus e como ele ataca.
Disponível em: <http://www.serasaexperian.com.br/guiainternet/12.htm>. Acesso em: 21 maio
2013.
GRANATIC, Branca. Técnicas básicas de redação. 3. ed. São Paulo: Scipione, 1996.
HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro de Salles. Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de
Janeiro: Objetiva, 2009.
MONTEIRO, Carolina F. G. Microsoft Word 2010. São Paulo: Easycomp, 2011.
SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL SÃO PAULO. Comunicação oral e escrita. São
Paulo: SENAI SP, 2007.
SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. 22. ed. São Paulo: Cortez, 2006.
SILVA, Mário Gomes da. Informática. 2. ed. São Paulo: Érica, 2012.
VANOYE, Francis. Usos da linguagem: problemas e técnicas na produção oral e escrita. 7. ed. São
Paulo: Martins Fontes, 1987. 243 p.
VIANA, Antonio Carlos et al. Roteiro de redação: lendo e argumentando. São Paulo: Scipione, 1998.
151 p.
TECMUNDO. Antivírus. Disponível em: <http://www.tecmundo.com.br/antivirus>. Acesso em: abr.
2013.
MINICURRÍCULO DOS AUTORES

Adilson Santo Crivellaro é engenheiro eletricista, pós-graduado em Administração de Empresas


e Engenharia de Segurança no Trabalho, especialista em Treinamentos na Área de Energia. Desde
1994, atua como instrutor no SENAI SP em treinamentos para redes de distribuição aéreas de
energia elétrica em prestadoras de serviços e concessionárias de energia elétrica. Em 2002, parti-
cipou do projeto Energia Brasil, do SENAI DN, voltado à eficiência energética e ao empreendedo-
rismo na área. Integra o Comitê de Energia e o Comitê de Eficiência Energética do Setor Elétrico,
ambos do SENAI SP. É conteudista do curso de qualificação profissional de Eletricista de Redes
de Distribuição de Energia Elétrica do Programa Nacional de Oferta de Educação Profissional a
Distância - PN-EAD – SENAI DN.
Silvio Geraldo Furlani Audi é jornalista. Trabalhou em emissoras de rádio e editoras de livros e
revistas. Desde 1990, atua como especialista em Educação Profissional no SENAI SP, elaborando
materiais didáticos para cursos presenciais e a distância. Ministra treinamento de produção de
recursos didáticos para docentes do SENAI em São Paulo e em outros departamentos regionais.
Atuou como tutor no Programa SENAI de Capacitação nas Metodologias de Formação com Base
em Competências. Faz parte da Comissão Especial de Propriedade Intelectual do DR SP.
Índice

A
Anexos 62
Apêndices 62

N
Notebook 84

P
PC 84
Período 38

S
Smartphone 84
Subtítulo 62

T
Tablet 84
SENAI – Departamento Nacional
Unidade de Educação Profissional e Tecnológica – UNIEP

Rolando Vargas Vallejos


Gerente Executivo

Felipe Esteves Morgado


Gerente Executivo Adjunto

Diana Neri
Coordenação Geral do Desenvolvimento dos Livros

SENAI – Departamento Regional de São Paulo

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Diretor Regional

Ricardo Figueiredo Terra


Diretor Técnico

João Ricardo Santa Rosa


Gerente de Educação

Airton Almeida de Moraes


Supervisão de Educação a Distância

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Henrique Tavares de Oliveira Filho
Márcia Sarraf Mercadante
Coordenação do Desenvolvimento dos Livros

Silvio Geraldo Furlani Audi


Adilson Santo Crivellaro (exemplos técnicos e seção Casos e Relatos)
Elaboração

Kelly Cristina Marques


Revisão Técnica

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Design Educacional

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Ilustrações e Tratamento de Imagens
Delinea Tecnologia Educacional
Editoração

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Michela Silva Moreira
Tiago Costa Pereira
Revisão Ortográfica e Gramatical

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Diagramação

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Projeto Gráfico

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