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DEPEC

Departamento de Engenharia
Civil do CEFET/RJ

ESTRUTURAS 4
ESTRUTURAS METÁLICAS

Aula 04
BARRAS TRACIONADAS
Professor Ricardo Rodrigues de Araujo
Estruturas 4 – ESTRUTURAS METÁLICAS
Professor Ricardo Rodrigues de Araujo

Barras Prismáticas Submetidas à Tração


• Os elementos estruturais sujeitos a esforço axial de tração
são denominados barras (ou elementos) tracionados.

• Elementos geralmente usados:


• Tirantes ou pendurais;

• Contraventamentos;

• Tirantes de vigas armadas;

• Barras tracionadas de treliças (banzos, diagonais, montantes);

• Outros usos (cabos)

• Perfis Simples ou Compostos:


Estruturas 4 – ESTRUTURAS METÁLICAS
Professor Ricardo Rodrigues de Araujo

Dimensionamento à tração
• No dimensionamento, deve ser atendida a seguinte condição:

𝑵𝒕,𝑺𝒅 ≤ 𝑵𝒕,𝑹𝒅
• onde:
• Nt,Sd é a força axial de tração solicitante de cálculo;
• Nt,Rd é a força axial de tração resistente de cálculo

• A NBR 8800/2008 diz que: “A força axial resistente de cálculo,


Nt,Rd, a ser usada no dimensionamento, exceto para barras
redondas com extremidades rosqueadas e barras ligadas por
pinos, é o menor dos valores obtidos, considerando-se os
estados-limites últimos de escoamento da seção bruta e
ruptura da seção líquida...”
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Escoamento da seção bruta


• Revisão de Resistência dos Materiais:

𝑭
𝝈= ∴𝑭=𝝈∙𝑨
𝑨
• Equação para força axial de tração resistente de cálculo:

𝑨𝒈 𝒇𝒚
𝑵𝒕,𝑹𝒅 =
𝜸𝒂𝟏
• onde:
• Ag é a área bruta da seção transversal da barra;
• fy é a resistência ao escoamento do aço;
• ga1 é o coeficiente de ponderação da resistência (tabela 3 da
NBR8800:2008)
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Escoamento da seção bruta


• Exemplo – Dimensionar os banzos superiores da treliça para
resistir ao escoamento da seção bruta para a combinação última
normal com os dados de carregamentos realizados em aula:
1 2 3 4

9 13 10 14 11 15 12 16

5 6 7 8

Banzos Superiores Banzos Superiores


Cargas Combinações
1 2 3 4 1 2 3 4
Pp 16,20 7,20 1,80 0,00 1 156,64 88,36 36,15 0,00
Sc 13,50 6,00 1,50 0,00 2 173,75 95,97 38,06 0,00
Mv 56,25 37,50 18,75 0,00 3 152,58 86,56 35,70 0,00
Vp 37,80 16,80 4,20 0,00 4 -21,60 -7,80 2,40 0,00
Vs -27,00 -12,00 -3,00 0,00
*Valores em kN
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Escoamento da seção bruta


• Barra 3 usando o aço MR 250 (Tabela A,1 da NBR 8800:2008)

𝑵𝒕,𝑺𝒅 ≤ 𝑵𝒕,𝑹𝒅
𝑨𝒈 𝒇𝒚
𝑵𝒕,𝑺𝒅 = 𝟑𝟖, 𝟎𝟔 𝒌𝑵 𝑵𝒕,𝑹𝒅 =
𝜸𝒂𝟏
𝑨𝒈 ∙ 𝟐𝟓𝟎𝟑
𝟑𝟖, 𝟎𝟔 ∙ 𝟏𝟎 ≤
𝟏, 𝟏𝟎

𝟑𝟖, 𝟎𝟔 ∙ 𝟏𝟎𝟑 ∙ 𝟏, 𝟏𝟎
𝑨𝒈 ≥
𝟐𝟓𝟎
𝑨𝒈 ≥ 𝟏𝟔𝟕, 𝟒𝟔 𝒎𝒎𝟐
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Escoamento da seção bruta


• Barra 3 usando o aço MR 250 (Tabela A,1 da NBR 8800:2008)

Usando a tabela de cantoneira de abas iguais (por exemplo)

Perfil adotado L 7/8”x3/16” para a barra 3


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Força Resistente de Cálculo – Seção com Furos


• A ligação de perfis estruturais trabalhando à tração pode ser feita por
solda

• ou através de parafusos. A ligação por parafusos é feita através de


furos na seção que provocam a concentração das tensões e a
redução da área de seção transversal da peça.
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Força Resistente de Cálculo – Seção com Furos


• Para ilustrar o comportamento de peças com furos, uma chapa
sujeita a uma carga axial crescente como mostrado na figura abaixo,
será considerada.
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Força Resistente de Cálculo – Seção com Furos


• De acordo com a NBR 8800/2008 item 5.2.2.b a força
resistente de cálculo é dada pela seguinte equação:

𝑨𝒆 ∙ 𝒇𝒖
𝑵𝒕,𝑹𝒅 =
𝜸𝒂𝟐
onde:

𝑨𝒆 é a área líquida efetiva da seção transversal da barra

𝒇𝒖 é a resistência à ruptura do aço

𝜸𝒂𝟐 é o coeficiente de ponderação dada pela tabela 3 da NBR


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Área Líquida Efetiva (Ae)


• A área líquida efetiva de uma barra é dada pela seguinte equação
(item 5.2.3):

𝑨𝒆 = 𝑪𝒕 ∙ 𝑨𝒏

onde:

𝑨𝒏 é a área líquida da seção transversal da barra

𝑪𝒕 é o coeficiente de redução da área líquida


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Área Líquida (An)


• A área líquida da seção para um furo é dado pela equação:

• em ligações parafusadas, a largura dos furos deve ser considerada


2,0 mm maior que a dimensão máxima desses furos, definida na
tabela abaixo:

Exemplo:
𝒅𝒇 = 𝒅𝒃 + 𝟏, 𝟓 + 𝟐, 𝟎
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Área Líquida
• A área líquida da seção para mais de um furo é dado pela
equação:

𝒔𝟐
𝑨𝒏 = 𝒃 − 𝒅𝒅 + 𝒕
𝟒𝒈
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Área Líquida
• Qual é a Área Líquida da seção abaixo:
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Área Líquida
• Exercício: Determinar a Área Líquida mínima da placa da
figura abaixo. São utilizados parafusos de 7/8”
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Área Líquida de Perfis Laminados


• Área líquida de perfis laminados furados é calculada de
maneira similar à de chapas, rebatendo-se as abas do
perfil para um mesmo plano, conforme indicado na figura
abaixo.
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Área Líquida de Perfis Laminados


Exercício: Uma cantoneira L 101,6 x 6,35, em aço ASTM A572 – Grau 50, está ligada
a outra peça por três linhas de dois parafusos de diâmetro de 16 mm, duas linhas
situadas em uma aba e uma linha na outra aba, como se vê na figura (os furos
indicam as posições dos parafusos). Calcule o valor da força axial de tração resistente
de cálculo.

𝑨𝒈 = 𝟏𝟐, 𝟓𝟏 𝒄𝒎𝟐

𝑵𝒕,𝑹𝒅 = 𝟑𝟑𝟔, 𝟏𝟐 𝒌𝑵
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Coeficiente de Redução (Ct)


• Quando a ligação de um perfil à tração se faz através de apenas
alguns de seus elementos, o fluxo de tensão fica perturbado,
conforme mostrado na figura, e nem toda a seção líquida é efetiva
para resistir ao carregamento.
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Coeficiente de Redução (Ct)


• Sendo assim, a área líquida efetiva da seção é menor que
a área líquida. De acordo com a NBR8800, como já
mencionado, o cálculo da área líquida efetiva se faz por:

𝑨𝒆 = 𝑪𝒕 ∙ 𝑨𝒏

• Quando a força de tração for transmitida diretamente para


cada um dos elementos da seção transversal da barra,
por soldas ou parafusos:

𝑪𝒕 = 𝟏
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Coeficiente de Redução (Ct)


• Nos perfis de seção aberta, tem-se a seguinte equação:

𝒆𝒄
𝑪𝒕 = 𝟏 − ≥ 𝟎, 𝟔𝟎
𝒍𝒄
• Tendo 0,90 como limite superior
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Coeficiente de Redução (Ct)


• O coeficiente Ct se eleva à medida que o comprimento da ligação (lc)
aumenta, e a distância do centro geométrico da barra ao plano de
cisalhamento da ligação (ec) diminui.
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Coeficiente de Redução (Ct)


• Elementos planos ligados exclusivamente pelas bordas longitudinais
por soldas:
𝑪𝒕 = 𝟏, 𝒑𝒂𝒓𝒂 𝒍𝒘 ≥ 𝟐𝒃
𝑪𝒕 = 𝟎, 𝟖𝟕, 𝒑𝒂𝒓𝒂 𝟐𝒃 > 𝒍𝒘 ≥ 𝟏, 𝟓𝒃
𝑪𝒕 = 𝟎, 𝟕𝟓, 𝒑𝒂𝒓𝒂 𝟏, 𝟓𝒃 > 𝒍𝒘 ≥ 𝒃

• o comprimento dos
cordões de solda (lw)
não pode ser inferior
à largura da chapa
(b), que não pode ser
superior a 200 mm. • Se a chapa for ligada por solda transversal,
Ct pode ser tomado igual a 1,0.
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Exercício
Obter o valor da força axial resistente de cálculo, Nt,Rd, para todas as barras tracionadas
mostradas a seguir. As ligações são parafusadas, feitas com o uso de chapas (não mostradas), e
os furos e as posições dos planos de cisalhamento estão indicados (existem dois planos de
cisalhamento nos casos a e b e apenas um nos casos c e d). Os parafusos têm diâmetro de 24
mm e estão distanciados entre si de 80 mm (distância eixo a eixo de furos), na direção da força
de tração, em cada linha de furação. O aço empregado possui resistência ao escoamento de 345
MPa e à ruptura de 450 MPa.
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Exercício
a)
Dados do problema:

2
Ag := 123.6  10 mm2

fy := 345 MPa fu := 450 MPa


a1 := 1.1 a2 := 1.35

Escoamento da seção bruta

Ag  fy 6
NtRda := NtRda = 3.877  10 N
a1
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Exercício
a)

Ruptura da seção líquida

+ 138.6  9.9   15.4 +


15.4 138.6 
305  15.4 
ec :=
2  2  ec = 25.109 mm
305  15.4 + 138.6  9.9

lc := 2  80
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Exercício
0.9 if 0.9 <  1 -
a) ec 
Ct :=  Ct = 0.843
 lc 
otherwise
 1 - ec  if 1 - ec  0.6
 
 lc  lc
"trocar ligação" otherwise

df := 24 + 3.5 df = 27.5 mm
4
An := Ag - 4  ( 27.5 15.4) An = 1.067  10 mm2
3
Ae := Ct An Ae = 8.992  10 mm2

Ae fu 6
NtRdb := NtRdb = 2.997  10 N
a2

Conclusão

NtRd 3
NtRd := NtRda if NtRda  NtRdb = 2.997  10 kN
1000
NtRdb otherwise
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Exercício
c)

Obs.: Comentado em sala de aula.


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Índice de esbeltez limite


• Maior relação entre o comprimento destravado Lt e o raio de giração
r correspondente (com exceção das barras redondas rosqueadas
que são montadas com pré-tensão).

𝑳𝒕
≤ 𝟑𝟎𝟎
𝒓 𝒎á𝒙

• A recomendação sobre esse limite evita:


• deformação excessiva, causada pelo peso próprio ou por choques durante o
transporte e a montagem;

• vibração de grande intensidade, que pode se transmitir para toda a edificação,


quando houver ações variáveis ou quando existirem solicitações de
equipamentos vibratórios.
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Índice de esbeltez limite


• Observando a estrutura abaixo:

Maior relação entre os dois valores:

𝑳𝒕 𝑳
=
𝒓𝒙 𝒓𝒙
(plano das treliças)

𝑳𝒕 𝟐𝑳
=
𝒓𝒚 𝒓𝒚
(plano perpendicular às treliças)
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Índice de esbeltez limite


• Relação entre o comprimento destravado e o menor raio de giração:

𝒍
𝝀= ≤ 𝟑𝟎𝟎
𝒓𝒎𝒊𝒏
• rmín = raio de giração mínimo de apenas um perfil isolado que forma
a barra composta
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Barras redondas com extremidades rosqueadas


• Para o dimensionamento das barras redondas verifica-se o estado-
limite último de escoamento da seção bruta, com a força axial de
tração resistente de cálculo na qual a área bruta da seção
transversal Ag é a área do fuste.

𝝅𝒅𝒃 𝟐
𝑨𝒈 =
𝟒
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Barras redondas com extremidades rosqueadas


• O outro estado-limite último a se considerar é a ruptura da parte
rosqueada, na qual a área líquida efetiva corresponde à área efetiva
à tração da rosca, igual, a aproximadamente 75% da área bruta do
fuste Ab (nas roscas usualmente utilizadas nas estruturas de aço).

• As barras redondas rosqueadas não precisam atender a quaisquer


limitações relacionadas à esbeltez.
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Exercício
Na treliça a seguir, submetida à força de cálculo gravitacional Pd indicada, os banzos AB e BCD
são constituídos por um perfil T originado do corte de um perfil W250x73 ao longo de seu eixo
longitudinal, fabricado em aço ASTM A572 – Grau 50. Sabendo-se que o nó B tem contenção
contra deslocamento fora do plano da treliça, verificar qual o valor máximo da distância s para
que a linha de ruptura predominante passe por quatro furos e, com esse valor, se o banzo
axialmente tracionado está adequadamente dimensionado (notar, pelo detalhe da furação, que
apenas a mesa do T é conectada).