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CURSO DE

MECÂNICA
AUTOMOTIVA
FREIOS

PROIBIDO A REPRODUÇÃO, TOTAL OU PARCIAL DESTA OBRA, POR QUALQUER MEIO OU MÉTODO SEM AUTORIZAÇÃO POR ESCRITO DO EDITOR.
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MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

FREIOS
Introdução cantes de automóveis desenhar um sistema capaz de
detectar a perda de tração de uma ou de todas as
Os técnicos enfrentam diferentes problemas na re- rodas e compensar a mesma, de modo que o motoris-
paração dos automóveis. O problema, pode surgir no ta possa manter o controle máximo possível, sem que
motor, no sistema elétrico, na realidade, em qualquer as rodas do veículo fiquem travadas (Sistema ABS).
lugar entre os pára-choques dianteiro e traseiro. Nos
diferentes sistemas encontrados num automóvel, o de
freio, talvez, seja o mais crítico. Uma falha neste siste- Sistema de Suspensão
ma, provocada por um componente não original ou
A função do sistem a de suspensão é a de suportar
uma má montagem durante sua na fabricação, pode
o veículo. Para poder cumprir com isto, existem além
determinar, con certeça, na destruição do veículo e o
disso, outras funções que são:
que é pior, na perda de vidas humanas.
1- Ligar o chassi do veículo às estruturas dos eixos
Sistema de Freios traseiro e dianteiro.
2- Transmitir o movimento dos eixos de tração ao
A função primordial do sistema de freios, é deter o chassi do veículo.
veículo de acordo com os desejos do motorista. As 3- Transmitir a inercia de freado da suspensão e
altas velocidades do tráfego atual, demandam que os freios ao chassi.
sistemas de freios sejam desenhados para muito mais 4- Manter as rodas do veículo em permanente con-
do que uma simples função. tato com o asfalto ainda com superfícies irregulares.
5- Fornecer a maior suavidade de marcha ao veícu-
Um moderno sistema de freios, que na realidade é a lo e, consequentemente, aos passageiros e carga.
combinação de dois sistemas, deverá ser capaz de 6- Evitar o excessivo balanceio e ruído do veículo
funcionar sob uma ampla variedade de condições nas viragens.
durante a condução, sob diferentes temperaturas por 7- Evitar a perda de tração entre as rodas e o chão
longos períodos de tempo ou grandes kilometragens. ao efetuar curvas.
O sistema deve balançar a ação de freado para ga-
rantir a detenção total do veículo, sem dificuldade. Foram desenvolvidos varios tipos de suspensões,
que incluem desde a simples mola até sistemas mais
O sistema de freios deve oferecer ao motorista, uma complexos, como os controlados por computador que
forma auxiliar de detenção do veículo, ainda se oco- ajustam o comportamento da suspensão de acordo
rrer um vazamento no seu sistema hidráulico. Além aos desejos do motorista e além disso, melhoram muito
disso, deve possuir um dispositivo que alerte o moto- o «deslocamento» e segurança do veículo.
rista quando acontece um vazamento de fluído hidráu-
lico. Estes sistemas são divididos em: de disco, de Cada melhora na suspensão é conseqüência da
tambor ou uma combinação de ambos. necessidade de uma maior qualidade no andar do
veículo, maior segurança de marcha, controle da di-
O uso dos microprocessadores permitiu aos fabri- reção, estabilidade e maior durabilidade.

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Rodas e Pneus Os ângulos da direção incluem o CAMBER (camba-


gem), CASTER (inclinação do eixo) e TOE (conver-
Os pneus e as rodas proporcionam ao veículo a gência e divergência). A relação entre eles garante a
combinação crítica do contato com o asfalto. O pneu completa harmonia dos componentes.
deve ser fabricado de maneira tal, que ministre a máxi-
ma tração possível sob uma variedade de condições Além disso, o alinhamento inclui a regulagem do sis-
do tempo e sobre diferentes tipos de caminhos. Deve tema de direção para garantir que as rodas rodem
ser capaz de absorver suas irregularidades, evitar que paralelas entre si e com a mínima fricção. Isto se con-
patinhe e assim, não afetar os índices de consumo do segue ajustando o ângulo TOE (convergência e di-
automóvel. vergência).

O CASTER (inclinação do eixo) é outro ângulo que


Sistema de Direção deve ser ajustado para atingir a máxima estabilidade
direcional, permitindo que o veículo vire, seguindo uma
O sistema de direção permite ao motorista controlar curva e com a mínima correção do volante.
a posição relativa das rodas dianteiras. O sistema tra-
balha ligado ao sistema de suspensão para permitir O CAMBER (cambagem) permite que a maior parte
manobras, controle direcional e estabilidade. da banda de rodagem do pneu fique em contato com
o chão durante os movimentos da suspensão.
O sistema deve ser desenhado e fabricado para atin-
gir a maior estabilidade possível, além de permitir ao O alinhamento é uma inspeção e atè, a troca de
motorista a sensação de controle total sobre o com- componentes, para voltar a suspensão, ás rodas e a
portamento do veículo. O sistema pode ser manual direção, conforme ás especificações do fabricante.
ou assistido.

Inclinação do pivô
Alinhamento da
Direção
É o processo que per-
mite, ao veículo, restau-
rar a sua geometria ori-
ginal e à suspensão, às
rodas e sua direção, tra-
balhar em conjunto, após
sua montagem.

O propósito do alinha-
mento das rodas diantei-
ras é atingir a maior es-
Avanço
tabilidade, durabilidade e
controle do veículo.

Figura 1: AJUSTES DO AVANÇO E CAMBAGEM

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DESENVOLVIMENTO DO FREIO O freio externo estava exposto ao meio ambiente e


isso condenava o sistema, pela redução da capaci-
Os sistemas de freios tiveram um grande desenvol- dade de freagem e da vida útil do material de fricção.
vimento nos últimos anos. A finalidade do sistema é
diminuir a velocidade e deter o veículo, até. Isto se Como proteção contra estes elementos foram inven-
consegue gerando uma resistência ao movimento, tados os freios de expansão interna. Este tipo de sis-
entre a peça que gira (roda) e a peça fixa (conjunto tema de freios utiliza um mecanismo composto por
de freio). cames, alavancas e hastes, para poder expandir as
sapatas internas e encostá-las contra a face interna
Esta resistência é conhecida como fricção ou atrito. do tambor de freio.
O resultado é a troca da energia mecânica em calor,
que deve ser dissipado, e permite que o veículo dimi- Os freios mecânicos ligados nas quatro rodas, eram
nua sua velocidade até que ela seja igual a zero. controlados por cabos, cames e uniões. Este sistema
de freio não fornecia o mesmo poder de freagem em
O primeiro passo no desenvolvimento de um siste- todas as rodas, portanto, quando era necessário usar
ma de freios, foi o “Breque de Carroça”. Estes freios os freios, o veículo saía da sua trajetoria. Além disso,
utilizavam, primeiro, um bloco de madeira dura e de- o mecanismo que ligava o pedal de freio com as sa-
pois, de borracha, que encostava sobre o aro da roda. patas, estava exposto a todo tipo de sujeira e às con-
Até no final de 1890, os primeiros automóveis utiliza- dições climáticas, especialmente no inverno, e afeta-
ram este sistema. Para os veículos de pouca potên- vam o seu funcionamento.
cia e com caminhos que não permitiam altas velocida-
des, este sistema de freios, cumpriu com o seu pro-
pósito.

Quando no inicio do século passado foi desenvolvi-


do o pneu, um bloco de material de fricção contra a
roda não era nada prático. Assim que foi feita uma
banda externa de freio.

Esta banda externa era uma lâmina flexível de aço


que na sua face interna, tinha colado, por exemplo,
Figura 2: BREQUE DE CARROÇA.
couro. Essa banda envolve, de forma concêntrica, ao
tambor da roda. Ela encostava no tambor mediante o
acionamento de um came ou pedal. A efetividade do
sistema era afetada pela exposição, com o meio am-
biente, do conjunto de elementos e isto, limitava a sua
capacidade de freagem.

Os freios mecânicos foram utilizados, por primeira


vez, nas rodas traseiras e mais tarde, foram ligados
às rodas dianteiras, para aumentar a capacidade de
detenção do veículo. Outro sistema de freios, inde-
pendente ao anterior, foi desenvolvido para que o
veículo não pudesse se mexer depois de ser estacio- Figura 3: BANDA EXTERNA DE FREIO.
nado. Estamos falando do freio de mão.

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Para corrigir todos estes inconvenientes, fora des- O primeiro fator, têm relação direta com o Coeficiente
envolvido o sistema de freios atuado hidráulicamen- de Fricção do material.
te. Este sistema permite um maior controle e dossa-
gem da freagem de todas as rodas. O coeficiente de fricção é afetado pelo tipo e aca-
bamento do material. Ele é o resultado da divisão en-
tre a força necessária para deslocar o objeto e a força
Haste aplicada ao material contra a superfície de desloca-
mento. Este resultado desenvolve um papel importante
Alavanca Came na determinação do tipo de material que deverá ser
Sapata utilizado para obter o efeito de freagem desejado.

Se o valor do coeficiente de fricção for muito gran-


Mola
de, os freios poderão ficar estragados ou ainda, tra-
Tambor var as rodas. Isto é muito perigoso pois é causa da
patinhagem e faz com que o indivíduo perca o contro-
le total do veículo. No entanto, se o coeficiente de
Lona fricção for muito baixo, a freagem será pouca e, por-
tanto, uma maior pressão no pedal de freios, será
necessária para poder deter o veículo.

Figura 4: Freio de tambor ou de expansão interna. Os diferentes valores de força que permitem deslo-
car um mesmo peso, demonstram os diferentes tipos
de materiais com seus diferentes níveis geradores de
FUNDAMENTO DO FREIO fricção ou atrito.

A fricção é a força necessária para se opor ao mo- O coeficiente de fricção entre dois pontos pode ser
vimento. Ela consome energia e gera calor, portanto, determinado, dividindo a força que aciona ou movi-
a quantidade de energia requerida para manter a ve- menta esse corpo pelo seu proprio peso.
locidade de um veículo é proporcional à fricção e à
resistência gerada pelo seu proprio movimento. Para Se uma caixa de 100 libras ou kilos de peso é apoia-
deter o mesmo veículo, será necessária uma quanti- da sobre uma superficie de ferro e ela fosse desloca-
dade de energia igual à energia consumida. O resul- da ao longo dessa superficie, um dinamómetro forne-
tado final é a geração de calor, devido à fricção. cerá um valor de umas 60 libras de força para poder
mexer a mesma.
Se for necessário, deter o veículo em uma curta dis-
tância, será necessária maior fricção e a conseqüên- Esse esforço será menor se entre a caixa e a super-
cia lógica, é que o calor gerado será maior. ficie de ferro fosse aplicada uma camada de graxa ou
ainda, se fosse colocado um sistema de roletes. Em
Fatores importantes: este último exemplo, com certeça, que o instrumento
Haste 1- Os materiais usados e o estado das super- fornecerá um valor muito menor e que pode ser de,
fícies de contato ou atrito. somente, umas 30 libras.
2- A pressão aplicada às superfícies em contato.

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Direção do Movimento
Dinamómetro

Superficie de ferro

FIGURA5.ALTO COEFICIENTE DE FRICÇÃO

Direção do Movimento
Dinamómetro

Capa de graxa

FIGURA 6. BAIXO COEFICIENTE DE FRICÇÃO

1- Mola de retorno
2- Mola de fixação
3- Sapata primária
4- Sapata secundária
5- Cilindro de roda
6- Prato ou porta-sapata
7- Parafuso de fixação
FIGURA7. FREIO DE TAMBOR DIANTEIRO
8- Mola anti-vibração

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FIGURA 8. FREIO DE TAMBOR TRASEIRO

1- Parafuso 16- Prato da mola


2- Espelho ou porta-sapata 17- Mola
3- Parafuso-base das sapatas 18- Trava da guia
4- Batente das sapatas 19- Lona de freio
5- Tampa da janela de inspeção das lonas 20- Sapata
6- Haste de atuação da sapata 21- Mola da sapata primária
7- Conjunto do cilindro da roda 22- Mola da sapata secundária
8- Cilindro de roda 23- Mola do regulador
9- Protetor ou guarda-pó 24- Conjunto do regulador
10- Pistão 25- Parafuso do regulador
11- Retentor 26- Bucha de regulador
12- Mola 27- Porca do regulador
13- Válvula de sangria 28- Haste regulador das sapatas
14- Conjunto da trava da sapata 29- Alavanca do freio de mão
15- Guia da trava 30- Arruela anti-ruído
31- Trava elástica

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FIGURA 9: FREIO DE DISCO DIANTEIRO

Retentor
Guarda-pó
Pinça
Anel de retenção
Disco Trava

Válvula de sangria
Conexão hidráulica
Anel de retenção

Pastilha

Pistão

Suporte
da pinça

Mola Bucha
Pino-trava
Trava

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MATERIAL DE FRICÇÃO
A lona de freio é a parte mais importante do sistema Os componentes utilizados atualmente, são
de freios. Ela pode ser colada ou rebitada a um suporte classificados nas seguintes categorias:
metálico chamado sapata.
O material de fricção varia na sua qualidade e fabri- 1- Econômico. De baixo custo. Estão colados à sapata
cação, mas em todos os casos, deve reunir as seguintes e contêm uma grande quantidade de aditivos e pouca
características para poder fornecer uma freagem quanatidade de fibras de asbesto.
perfeita.
1- Resistência ao desgaste por calor, ou seja, a 2- Regular. De preço médio. Boa qualidade dos com-
qualidade de poder ser resistente às altas temperatu- ponentes e são colados ou rebitados à sapata.
ras.
2- Rápida recuperação, ou seja, voltar à condição 3- Especial. De alto preço. Totalmente tratados e usam
anterior à freagem. componentes de elevada qualidade, capazes de
3- Capacidade de manter a sua forma original ao ser suportar altas temperaturas e provêm alta resistência
aplicada contra o tambor ou disco, sob diferentes ve- ao desgaste.
locidades.
4- Resistência ao desgaste devido à velocidade e à Os componentes devem suportar temperaturas
perda de fricção devido à sujeira ou à umidade prove- pperto dos 260º C e pressão de atè os 1000 p.s.i..
niente da chuva ou poças de água do caminho.
5- Longa vida que permita fornecer o máximo de As materia-primas na sua maior parte são derivados
pressão e resistência ao desgaste ao longo do tempo, do asbesto, essas fibras perigosas para o ser humano,
sem estragar as superfícies de atrito do disco ou do portanto, os procedimentos utilizados e recomenda-
tambor. dos pela industria e o governo são os seguintes:

Os componentes utilizados nas lonas das sapatas e 1- Se for possível, a área de serviço onde é realizado
pastilhas são, basicamente, os mesmos que se o concerto dos freios, deve estar separada das outras
empregam na maioria dos materiais de fricção. O prin- áreas da oficina mecânica.
cipal componente é um composto de fibra de asbes-
to, utilizado nas sapatas de freios de tambor e pó 2- Em cada lugar de trabalho, deverá se fixado o
metálico utilizado nas pastilhas dos freios de disco. seguinte aviso:

As pastilhas de freios semi-metâlicas estão


compostas de fibras de metal e permitem uma maior
eficiência no freado em freios de disco menores. Estas PERIGO
pastilhas de fibras metálicas são utilizadas, também, PÓ DE ASBESTO
em veículos que exigem muito aos seus freios (carros
da polícia, taxis, etc). Evite respirar este pó
Vista roupa de proteção adequada
Os restantes componentes utilizados nos materias Fique no local somente o necessário
de fricção sãoderivados de resina, que mantêm os
materiais colados entre si. Eles permitem modificar,
incrementar ou diminuir o coeficiente de fricção e
assim melhorar a resistência ao desgaste.

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PRINCÍPIO HIDRÁULICO

O automóvel moderno usa freios hidráulicos, como Os líquidos e os gases são elementos conhecidos
meio de redução de sua velocidade. Isto significa que como fluídos. Em alguns aspetos, eles tem o mesmo
hastes, cames e cabos que controlavam os freios comportamento, existem características especiais que
mecânicos foram substituídos por um sistema mais determinam suas diferenças, fazendo com que somente
eficiente, o hidráulico. Devemos lembrar que, por os líquidos, sejam utilizados nos sistemas hidráulicos.
razões de segurança, o freio de mão continua sendo,
ainda hoje, mecânico.
O líquido não é compressível
Os fluidos especiais que se encontram no interior de
mangueiras flexíveis ou de tubos de aço, são utilizados Quando um líquido fica no interior de um recipien-
para transmitir a pressão no pedal do freio aos con- te, sob pressão, ele não pode ser comprimido. Isto, se
juntos de freios localizados nas rodas. deve a que suas moléculas ficam muito perto umas
das outras. Isto não acontece com os gases, cujas mo-
Um sistema hidráulico usa fluído para transmitir léculas estão muito afastadas.
força, pressão e movimento. Quando é aplicada uma
força sobre um líquido fechado num sistema, é gerada Se é exercida pressão sobre um gas, é possível reduzir
uma pressão dentro do mesmo. Ela se transmite, o espaço inter-molécular. Isto significa que o seu
imediatamente, para todas as direções. Essa pressão volume é reduzido. Num líquido, isto não é possível.
se exerce em ângulo reto sobre todá superfície do sis-
tema e em forma equitativa, quer dizer, que superfícies Por isso, os gases podem ser comprimidos e quando
iguais receberão forças iguais. essa pressão é eliminada ou diminui, os mesmos voltam
a seu volume original.
Este fenômeno é conhecido como Lei de Pascal e se
aplica em todos os sistemas hidráulicos.

100 Libras de força aplicada


sobre 1 polegada quadrada
(Superficie do pistão)

FIGURA 10: A PRESSÃO É IGUAL A TRAVÉS DO SISTEMA

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Ar Liquido Liquido
Ar

O gas é comprimido O liquido não é comprimido


FIGURA Nº 11

O líquido transmite movimento


Os líquidos, já que não podem ser comprimidos,
podem ser utilizados como transmissores de movi-
mento. Como exemplo, tomenos um cilindro com dois
pistões separados entre sí por um líquido.

PISTÃO DE ENTRADA PISTÃO DE SAÍDA

FIGURA 12: O PISTÃO DE ENTRADA MOVIMENTAAO DE SAÍDA

PISTAO DE PISTÃO DE SAÍDA


ENTRADA

FIGURA 13: DOIS CILINDROS LIGADOS POR TUBO

Quando um dos pistões recebe uma força que o obri- ser transmitido o mesmo movimento. Quando isto
ga a se deslocar na direção do outro, o segundo pistão acontece e os dois cilindros da mesma medida e o tubo
se movimentará, para fora, o mesmo comprimento, que estão cheios de líquido e é deslocado um deles, o pis-
o primeiro entra no interior do cilindro. Se esses dois tão do outro cilindro se movimentará na mesma di-
cilindros estiverem ligados entre si por um tubo, pode reção e comprimento.

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O líquido pode ser utilizado para LÍQUIDO DE FREIOS


modificar a força aplicada
O líquido hidraúlico de freios ou simplesmente fluí-
A pressão de um líquido sob o efeito de uma força, do de freios, deve cumprir certas condições impostas
pode ser calculada, conhecendo-se antecipadamente pela industria e o governo. As normas da industria são
o valor da força aplicada e a superfície ou área na qual controladas pela SAE: Sociedade de Engenheiros Au-
ela é aplicada. Quando se fala de superfície, se enten- tomotrizes; DOT: Departamento de Transporte; NHT-
de à do pistão. A fôrmula para alcançar este cálculo, é SA: Administração Nacional de Segurança e Tráfego, e
proveniente da Lei de Pascal e é a seguinte: FNVSS: Regulamento Federal de Segurança de Moto-
res e Veículos.
Força = Pressão x Superfície
Os fabricantes dos fluídos para freios devem marcar,
F = Força. Se lê: Lb (Libras) no vidro, que seus produtos cumprem com as normas
P = Pressão. Se lê: p.s.i. (Libra por Polegada SAE e DOT. Os três líquidos de freios mais comuns dis-
Quadrada) poníveis são:
A = Área. Se lê: s.i. (Polegada Quadrada) DOT3: Aprovado para freios de tambor. O seu ponto
de ebulição é 284º F (140º C).
A fôrmula, para obter a pressão, se lê: DOT4: Recomendado para usor em freios de disco.
Seu ponto de ebulição é 311º F (155º C).
Pressão = Força dividida por Área DOT5: Líquido a base de silicona. Seu ponto de ebu-
lição é o mais alto, 356º F (180º C).
P =F / A = 10 Lbs / 2 s.i. = 5 p.s.i.
Este fluído de freios não deve ser misturado com fluí-
Quando se usa a unidade libra, é utilizado o símbolo dos do tipo DOT3 e DOT4.
Lb, tanto em português como em espanhol, porém ela
em inglês é pound ou seja, se abrevia: p. Algumas das características que um bom fluído de
freios deve ter são:
Para saber a força de um sistema hidráulico, tam- 1- Viscosidade estável ao longo de uma ampla faixa
bém é utilizada a Lei de Pascal. de temperaturas.
2- Ponto de congelamento superior à temperatura
F=PxA ambiente mais baixa do local.
3- Ponto de ebulição mais alto do que a temperatura
Exemplo: Se a pressão é de 5 p.s.i. e o pistão têm mais alta que o sistema possa atingir.
uma superfície de 5 s.i., a força será de 50 libras por 4- Fluído hidrófilo ou seja, segurar a umidade do sis-
polegada quadrada (50 p.s.i.). tema, evitando o congelamento das peças.
5- Lubrificar os componentes do sistema (pistões,
F = P x A = 5 p.s.i. x 5 s.i. = 25 Lbs selos, etc).
6- Não ser corrosivo para não estragar os compo-
Se a superficie do pistão de saída é igual á do de nentes do sistema.
entrada, a ou de saída é igual à força aplicada ou de 7- Não deverá deteriorar os componentes de borra-
entrada. cha natural ou sintética, tais como retentores, etc.
Se a superficie do pistão de saída é menor à do de
entrada, a força resultante ou de saìda é menor que a
força aplicada ou da entrada.

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Cilindro-mestre
Pinças de Cilindros
freios de roda

Tubulação de freio

FIGURA 14: SISTEMA HIDRÁULICO DE FREIOS BÁSICO

COMPONENTES DO SISTEMA Pedal pendurado

Pedal de freio Os fabricantes de carros trocaram a posição anterior


de montagem do cilindro-mestre, para poder ter um
acesso mais direto. Esta é a razão pela qual a maioria
Geralmente, o pedal de freio é uma alavanca articu-
dos veículos de hoje utilizam este tipo de pedal.
lada na sua parte superior e no seu extremo inferior se
encontra o pedal. Perto do pivô superior se encontra a
Quando é utilizado um sistema de freio de estacio-
haste que atua no pistão principal da bomba de freios
namento atuado por pedal ou freios de potência, seus
ou cilindro-mestre do sistema de freios.
pedais são semelhantes, sendo que a diferença fica na
forma e comprimento do braço ou alavanca do pedal.
Quando o pedal de freio é pisado pelo pé direito do
motorista, é aplicada uma força, multiplicada varias
vezes, pela alavanca do conjunto. A força resultante é Regulagem da haste de atuação
aplicada ao pistão principal (cilindro mestre) ou no
caso de um sistema servo-assistido, pelo dispositivo O comprimento da haste que liga o braço do pedal
ligado ao vâcuo gerado pelo motor. de freio com o pistão principal é ajustável, embora ele
é feito pelo fabricante, portanto, não requer regula-
Pedal montado no chassi gens posteriores.

Até no inicio dos anos ‘60, a bomba de freio era Se for necessário, o comprimento, deverá ser sufi-
montado na estrutura do chassi, perto da caixa de câm- ciente para que fique uma folga de 1/4 a 1/2 polegada
bios. Os carros e camionetes mais antigos, usavam este (6 a 12,5 mm). Isto permite que a bomba de freios
tipo de pedal pois tinham os pontos de fixação no pro- não seja atuada ao deixar o pé sobre o pedal. Quando
prio chassi do veículo e aparecia na cabine através de é ajustado o comprimento da haste, o inicio de resis-
um furo feito no assoalho da mesma. tencia ao movimento do pedal é sinal de que está sen-
do atuado o pistão principal do cilindro-mestre.

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MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

CILINDRO-MESTRE
Suporte do pedal
Ele é uma bomba hidráulica atuada pelo mecanismo
do pedal de freio. A maioria dos cilindros mestres são
feitos de fundição de ferro e tem o reservatorio de fluido
de freios usinado no proprio alojamento da unidade. Eixo
Geralmente, ele fica na parte superior do cilindro-mes- Cilindro-mestre
tre. Haste Pedal de freio
ajustável
Existem outros componentes feitos em fundição de Parede de fogo
alumínio e seu reservatorio, feito de material plástico
transparente, localizado na parte superior do cilindro- Assoalho do carro
mestre.
FIGURA 15: TÍPICO PEDAL DE FREIO PENDURADO
A finalidade do cilindro-mestre é converter a força
mecânica em pressão hidraúlica. os modelos saídos no ano 1967. Este componente têm
Os tipos de cilindro-mestres mais utilizados na in- dois circuitos de pressão hidráulica completamente
dustria automotiva são: independentes.

1- Cilindro-mestre simples. Geralmente, um dos circuitos está ligado às rodas


2- Cilindro-mestre duplo. dianteiras e o outro, às rodas traseiras (freios diantei-
ros e traseiros). No caso de um dos circuitos falhar, o
Cilindro-mestre simples outro permanecerá funcionando, garantindo, sssim um
excelente nível de segurança.
Hoje, este tipo de componente não é mais utilizado
O cilindro-mestre duplo está formado por dois cilin-
, devido às melhoras no nivel de segurança introduzi-
dros e dos reservatórios, no mesmo alojamento. Cada
das pelo sistema duplo. O conjunto simples tem um
um dos reservatórios têm um orificio ligado a um pis-
único circuito hidráulico, somente. Ele incorpora um
tão.
cilindro para poder alojar o único pistão, uma mola de
retorno e o correspondente anel de vedação, feito de
Um diafragma de borracha sintética fica en contato
borracha sintética.
direto com a superficie do fluido de freios e evita a
entrada de sujeira no reservatório. Uma tampa metáli-
Este cilindro-meste é capaz de fornecer a suficiente
ca, com um orificio para permitir que a pressão at-
pressão hidráulica aos conjuntos de freio traseiros e
mosférica entre ao reservatório, fica em cima do dia-
dianteiros. O seu principal problema radica em que
fragma.
um simples vazamento em alguma mangueira ou tu-
bulação deixa inoperante todo o circuito hidraulico do
Os aneis de veração, os pistões e as molas de retorno
sistema de freio.
são montados na parte inferior do cilindro-mestre. Um
parafuso batente limita o retorno do pistão secundá-
Cilindro-mestre duplo rio, se for montado, fica aparafusado à parte inferior
do cilindro-mestre. Geralmente, todos estes compo-
Ou dual, fora utilizado, por primeira vez, em alguns nentes podem ser montados desde a parte posterior
carros feitos no ano 1962 e posteriormente, em todos do cilindro-mestre, mediante um orificio e mantidos
no lugar, por um anel elástico.

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MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

Cilindro-mestre do freio manual


Ocilindro-mestre para freios de tambor, comumen-
te, inclue uma válvula de pressão residual em cada uma
Estes são semelhantes ao anteriores,com a unica di-
de suas saídas.
ferença de que o freio manual, normalmente, inclue
uma cremalheira, um parafuso e um batente do para-
Operação fuso.

Quando é pisado o pedal do freio, a haste de aciona- Cilindro-mestre do sistema de


mento desloca, primeiro, ao pistão primário. O anel
de vedação fecha o orificio que fica logo na parte in- freio de disco
ferior do reservatório primário, evitando, assim, o re-
torno do fluido para o interior do mesmo. A câmara Este conjunto é semelhante ao utilizado no sistema
determinada entre a parte dianteira do pistão primário de tambor. A principal diferença é que os reservató-
e a parte posterior do secundário, fica cheia de líquido rios do líquido de freio são de tamanho diferente.
de freio. Este líquido e a mola de retorno do pistão
primário, deslocam ao pistão secundário, para que fe- Pistão
che, assim, o orificio correspondente localizado no Orificios
secundário
reservatório secundário.
Haste
Com os dois orificios fechados, qualquer movimen- ajustável
to adicional da haste e conseqüentemente, dos pis-
tões, serve para aumentar a pressão hidráulica, na par-
te dianteira de cada pistão. Então essa pressão é trans-
mitida, através dos dois circuitos, aos conjuntos de
freios localizados nas rodas.

Quando é liberado o pedal de freio, as molas retor- Anel de


nam, junto com os pistões, a sua posição normal. Como vedação Pistão
os pistões podem voltar mais depressa do que o fluí-
FIGURA 16: CILINDRO-MESTRE primário
do de freios e para evitar que seja retirado o mesmo da
tubulação hidráulica, os aneis de vedação se afastam
da parede interna do cilindro e o fluído contido no O reservatório maior está ligado ao conjunto de freios
interior de cada reservatório, preenche essa tubulação. dianteiros ou de disco. A outra diferença está na
Assim se evita a cavitação do circuito, mantendo a área atuação das válvulas de pressão residual.
dianteira dos pistões cheia de líquido, o tempo todo. A saída de pressão que está ligada ao conjunto
dianteiro não têm esta válvula.
Alguns cilindros-mestres não usam furos no pistão e
sim, um pistão com menor diâmetro que permite ao Os carros feitos depois de 1970 não têm válvulas de
fluído de freio passar ao redor do pistão e atravessar o pressão residual em nenhum dos furos de saída.
anel de vedação. Conforme o pistão volta a sua po- Quando é utilizado um cilindro-mestre sem válvula
sição normal, o fluído volta ao reservatório. de pressão residual, os conjuntos de freios das rodas
devem ter molas para evitar que os aneis de vedação
(O rings) não se dobrem e possa entrar ar no sistema.

15
MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

Cilindro-mestre com
Diafragma Tampa
pistões de diferentes
diâmetros Reservatório secundário Reservatório primário
Estes funcionam como um Orificio secundário
sistema duplo normal, exceto
que o diâmetro do cilindro,
entre a seção primária e
secundária, é diferente. Ao ser Haste de
maior o diâmetro do cilindro, atuação
Mola de retorno
maior é a quantidade de
Anél Anéis Anél de
fluído, ou seja que o esforço é Pistão Anél primário
primário Secundários Molas de retorno vedação
menor para o mesmo secundario
deslocamento ou ângulo do
pedal de freio. Este sistema é FIGURA17: CORTE DE UM CILINDRO-MESTRE
utilizado para o controle do
conjunto de freios dianteiros.

Cilindro-mestre de alumínio Circuitos cruzados de freio


O alojamento ou carcaça deste componente é feito A partir de 1967, todos os veículos de passageiros e
em aluminio anodizado, para protegê-lo da corrosão alguns caminhões, foram equipados com circuitos
e prolongar a vida útil do cilindro. Por este motivo, duplos, por razões de segurança. No inicio, o sistema
não é conveniente o recondicionamento de um cilin- hidráulico foi desenhado para ser dividido em freios
dro-mestre de alumínio. Deve-se montar, sempre, uma dianteiros e traseiros. Este sistema, ainda hoje é usado
peça nova e original. nos veículos com tração traseira. Já os veículos com
tração dianteira, o circuito de freios é cruzado ou em
Alguns destes cilindros tem um interruptor, monta- diagonal.
do na tampa do reservatório, que fecha o circuto
elétrico de uma lâmpada-testemunha, na hora que o Um dos circuitos está ligado aos conjuntos de freios
fluído hidraulico, atinge um nivel baixo, além do mí- dianteiros direito e traseiro esquerdo. O outro circuito
nimo. fornece pressão aos freios dianteiro esquerdo e traseiro
direito. No caso de um circuito falhar, ficará, somente,
Válvula de pressão residual um freio dianteiro funcionando. A consequência será
que o veículo se desloque no sentido do freio que ainda
está recebendo pressão.
Esta válvula é utilizada para manter uma pressão baixa
e constante no sistema hidráulico. A pressão residual
Para compensar esta tendência, o trem dianteiro foi
evita que os componentes do conjunto de freios loca-
desenhado com raio negativo. Além disso, este arranjo
lizado na roda, geralmente do tipo de tambor, fiquem
permite controlar o veículo no caso de um pneu furar.
muito afastados do tambor. Isto pode ser verificado
pela coluna de fluído hidráulico, que deverá ficar
estável no circuito, e o mínimo movimento no interior
do cilindro-mestre, é transmitido aos freios.

16
MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

Montagem: Se deve instalar o cilindro-mestre


Cilindro de freio de acordo com as especificações do fabricante.
Se deve ter muito cuidado de não salpicar o
Cilindro-mestre veículo com líquido de freios.

Sangria
Secundário
Primário
O cilindro-mestre pode ser sangrado antes de
sua montagem. Se não for feita esta operação,
dificilmente será obtida uma freagem satisfatória.
O procedimento é o seguinte:

1- Extravase fluido de freios novo no


Freio de disco Freio de tambor
reservatório.
2- Atue os pistões do cilindro-mestre. Repita
FIGURA18: SISTEMA DIAGONAL OU CRUZADO este procedimento atè não existir mais bolhas de
ar.
Serviço no cilindro-mestre 3- Assim que o ar foi eliminado de ambos
reservatórios, continue atuando os pistões, mas, não
Esta seção tratará a desmontagem, inspeção, limpeza, até o final do curso, senão somente 3/4 de polegada.
retificado e montagem do cilindro-mestre. 4- Monte o cilindro-mestre no veículo, tampando os
orificios de saída até ligar as tubulações.
Desmontagem: Devem ser desligadas as tubulações 5- Assim que essas tubulações foram ligadas no ci-
hidráulicas e esvaciar os reservatórios, antes de remo- lindro-mestre e antes de elas serem apertadas, final-
ver o parafuso do pedal de freio. Logo, o cilindro-mestre mente, faça a sangria de todo o ar das conexões,
deve ser retirado do vão do motor. mexendo levemente o pedal de freio. Quando ele atinja
o final do curso e segurando-o por outra pessoa, afrouxe
Inspeção: A unidade deve ter inspecionada a parte as conexões do cilindro-mestre. Assim que o fluído de
externa e o seu interior, para verificar defeitos. freio saia sem bolhas, as conexões podem ser apertadas
e finalmente, soltar o pedal.
Limpeza: A unidade toda deve ser limpa com álcool 6- Se o pedal de freio fica «esponjoso», isto se deve
e um pano limpo. a que ainda existe ar no circuito. Esvacie todo o siste-
ma, utilizando as válvulas de sangria localizadas nos
NÃO UTILIZE GASOLINA OU QUALQUER PRODU- conjuntos de freio das rodas.
TO DERIVADO DO PETRÓLEO PARA LIMPAR O CI-
LINDRO-MESTRE.
INTERRUPTOR DA LUZ DE FREIO
Desmontagem: Sempre, siga as instruções recomen-
dadas pelo fabricante na hora da remoção. Este interruptor tem a finalidade de ligar as lâmpadas
de freio localizadas nas lanternas, toda vez que é pisa-
do o pedal de freio.
NÃO UTILIZE JUNTAS DE BORRACHAS USADAS.

17
MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

HIDRAULICOS MECANICOS
Luz de alerta
de freios
Estes interruptores
começaram a ser uti-
lizados nos modelos
de 1967 junto com
os cilindros-mestres
FIGURA 19: INTERRUPTORES de circuito duplo.
Avisam ao motorista
da existência de uma
Existem dois tipos de interruptores: falha no sistema de freios.
1 - Atuados mecânicamente: utilizados na maioria Existem três tipos:
dos veículos modernos. 1- Interruptor com molas de centragem.
2 - Atuados hidráulicamente: utilizados em alguns 2- Interruptor com molas de centragem e dois
automóveis antigos. pistões.
3- Interruptor sem molas de centragem.
O interruptor mecânico da luz de freio é atuado pelo A partir de 1970, nos carros equipados com freios
pedal de freio. O interruptor hidráulico é atuado pela de disco, o interruptor da luz de alerta foi ligado com
pressão hidráulica gerada no cilindro-mestre. Em am- a válvula de controle (Metering). Além disto, este in-
bos componentes, o circuito elétrico é aberto quando terruptor pode ser montado no proprio cilindro-mestre.
o pedal não é pisado. No entanto, quando é utilizado
o sistema de freios, o circuito eletrico é fechado e VÁLVULA DE CONTROLE (Metering
ambas lanternas traseiras acendem.
valve)
O mau funcionamento destes interruptores pode ser
devido ao desgaste, ruptura, corrosão, vazamentos ou Os automóveis que estão equipados com freios de
trincas. Antes de trocar uma destas peças elétricas, disco, nas rodas dianteiras, e freios de tambor, nas
utilize um fio elétrico para testar a continuidade no traseiras, têm uma válvula medidora montada na linha
circuito elétrico. Troque as lâmpadas queimadas ou hidráulica ligada aos conjuntos de freios de disco.A
porta-lâmpadas defeituosos, conectores ou fios finalidade básica desta válvula é melhorar o efeito da
elétricos em mau estado. freagem, geralmente, quando é pisado, levemente, o
pedal de freio.
Se as luzes de freio acendem quando for ligado o fio
elétrico de teste no circuito, mas, elas não acendem A válvula evita o uso dos discos dianteiros até que a
quando o pedal é pisado, então, o interruptor está com pressão do sistema hidráulico, atingir entre 75 a 125
defeito ou sem a regulagem correta. O interruptor com p.s.i.. Esta pressão é contra às molas de retorno das
defeito deverá ser trocado. Antes de troca um inte- sapatas nos freios de tambor, permitindo que elas
rruptor mecânico, verifique se ele está bem regulado. fiquem encostadas aos tambores. Ao mesmo tempo,
Ele deverá fechar o circuito elétrico quando o pedal as pastilhas começam a apertar aos discos dianteiros.
do freio for deslocado, aproximadamente, 1/2 A válvula de controle não é ajustável nem pode ser
polegada. consertada. Se estiver estragada, deve ser trocada.

18
MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

Dependendo do tipo de válvula utilizada no siste-


ma, a sangria se consegue mexendo no parafuso da
mesma. Se os freios fossem sangrados de forma ma-
Orificio de entrada
nual, isto é, usando o pedal para gerar pressão hidráu-
Orificio lica, e permitir que o fluído de freio possa-se mexer, a
de saída pressão gerada será suficiente para abrir a válvula e o
parafuso, antes mencionado, não necessitará ser
mexido.

VÁLVULA DOSADORA
Na maioria das aplicações, a pressão hidráulica do
cilindro-mestre, trabalha diretamente sobre os conjun-
tos de freios dianterios, enquanto a pressão nos freios
traseiros está limitada ou reduzida, por esta válvula
dosadora.
Tampa
A válvula regula a pressão para permitir uma freagem
Diafragma máxima, sem que as rodas fiquem travadas.
Anel da
válvula Geralmente, esta válvula é montada no chassi do
Orificio frontal de Válvula móvel veículo e ligada ao trem traseiro por meio de um mola
saída ou parafuso de tensão calibrado. O desloque da carga
do veículo durante a freagem, variará a pressão libera-
FIGURA20:VÁLVULADECONTROLE da aos freios traseiros.

QUANDO FOR SANGRADO UM SISTEMA EQUI-


PADO COM ESTE TIPO DE VALVULA, SERÁ
VÁLVULA COMBINADA
NECESSÁRIO MEXER NO EIXO TRASEIRO, DO
CONTRARIO SE ENCONTRARÃO DIFICULDADES A partir de 1970, alguns veículos equipados com
AO EFETUAR ESTA OPERAÇÃO. freios dianteiros de disco e traseiros de tambor,
començaram a usar este tipo de válvula.
Serviço na válvula dosadora Elas podem ser classificadas em:
1- Válvula de três funções.
Esta válvula deve ser inspecionada sempre que seja 2- Válvula de duas funções.
feito algum serviço nos freios do veículo. Se a válvula
apresentar algum tipo de vazamento, não duvide em As três funções da válvula são:
trocar ela por uma nova e original. Lembre-se que es- 1- Controle.
tas válvulas não podem ser ajustadas nem consertadas. 2- Dosagem.
3- Alarma.
Sangria do sistema
Se for necessário sangrar o sistema de freios, com
um aparelho de sangria por pressão, a válvula de con-
trole deve ser desligada, também.

19
MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

Válvula de duas fun-


ções
Pressão hidráulica do cilindro
Existem dois tipos de válvula de da roda traseira (kg/cm2)
duas funções. Um tipo, combina
as funções da válvula
proporcionadora e do interruptor
de alerta (de freio). O outro, com- Cilindro mestre (kg/cm2)
bina as funções da válvula de con-
trole e do interruptor de luz de
alerta.

Serviço das válvulas


combinadas
Cada vez que se realize o serviço
Para o cilindro
nos freios, estas válvulas devem
da roda traseira
ser inspecionadas. Se existir fuga
de líquido dentro da coberta ou
FIGURA21: VÁLVULAPROPORC IONADORA
ao redor da porca grande no ex-
tremo da válvula proporcionado-
ra, isso indica que a válvula está defeituosa e deve ser
substituida.

As válvulas de combinação não são


ajustáveis nem se consertam. Se DESDEOCILINDRO-MESTRE
estiverem defeituosas, devem ser subs-
tituidas. DESDE O
CILINDRO-MESTRE

AOS FREIOS
TRASEIROS
PISTÃO

FIGURA22: VÁLVULADE DUAS FUNÇÕES

20
MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

Tubulações e Mangueiras
Tampa Corpo do cilindro Tampa
de borracha Entrada de roda de borracha
As tubulações (tubos de aço) e mangueiras
flexíveis (borracha reforçadas), ligam o ci-
lindro-mestre com os conjuntos de freios lo-
calizados nas rodas e devem ser capazes de
suportar valores de pressão superiores aos
liverados pelo cilindro-mestre.

Esta tarefa é bastante difícil, devido às


condições atmosféricas, ao estado da estrada
e aos diferentes modos de dirigir, os quais o
sistema de freios deve suportar no día a día.
Pistão Anêl Pistão
Mola Anêl
A tubulação rígida dos freios é fabricada
com uma parede dupla de tubo de aço sol-
dado que, além disso, está protegido contra FIGURA23: CORTE DE CILINDRO DE RODA
a corrosão. Os extremos tem uma especie de
labio duplo para evitar qualquer tipo de
vazamento. Além disso, durante a montagem no anterior e a diferença radica no diâmetro dos pistões.
veículo, as tubulações devem ser firmemente fixadas Isto permite com que um pistão faça mais força sobre
para evitar vazamentos devido às vibrações. uma das sapata e o outro, menor força, na outra.

A mangueira é utilizada como conexão flexível entre O cilindro de pistão simples tem um unico pistão,
o chassi do veículo e as rodas. Elas devem suportar, seu selo e uma cremalheira. Geralmente, este tipo de
além das altas pressões, o conjunto de movimentos da cilindro é montado em par.
direção e da suspensão do veículo. Sempre verifique o
estado geral das mangueiras e as possíveis trincas ou A câmara que se forma entre os dois selos de vedação
furos no seu revestimento. deve ficar, sempre, cheia de fluido de freios. Quando é
pisado o pedal de freios, a pressão gerada no interior
do cilindro-mestre é transmitida, de forma direta, atè
CILINDRO DE FREIOS DA RODA esta câmara. Então, o fluído do freio é forzado a se
deslocar no interior do cilindro, mexendo em sentido
Este componente converte a pressão hidráulica oposto, aos dois pistões.
gerada e fornecida pelo cilindro-mestre, no desloque
necessario para afastar as zapatas e deter o giro das
rodas.
Existem três tipos de cilindros utilizados nos freios Este pequeno movimento de ambos pistões, força às
de tambor. sapatas de freio para que se afastem entre elas, isto é,
1- Duplo pistão com cilindro do mesmo diâmetro. que se abram e possam se encostar na face interna do
2- Duplo pistão com cilindros de diferente diâmetro. tambor de freios.
3- Pistão simples.
O mais comum dos três é o de duplo pistão com
cilindro do mesmo diâmetro. O pistão duplo de dife-
rente diâmetro têm os mesmos componentes que o

21
MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

TAMBOR DE FREIO FREIOS DE SERVO DUPLO


(AUTO-REGULADO)
O tambor de freio é um cilindro de metal que que
permite fixar a roda do veículo além de ser a superfície A característica principal do freio de servo duplo é a
de atrito do conjunto. fixação simples nos extremos superior e inferior das
sapatas e que estão ligadas com o mecanismo de
O tambor é solidário ao eixo da roda eixo e pode ser regulagem.
fabricado em fundição de ferro ou alumíno e deve ser
capaz de dissipar o calor gerado pela freagem. A A posição das sapatas primária e secundária é muito
superfície interna é retificada no torno. A face interna importante. A sapata, montada no sentido da parte
do tambor não fica gasta tão rapidamente como as dianteira do veículo é chamada de Sapata Primária. A
sapatas, mas, deve ser inspecionada toda vez que é outra sapata e que fica no sentido da parte posterior
feita uma revisão no sistema de freios. do veículo é chamada de Sapata Secundária.
Geralmente, as dimensões da lona da sapata primária
Quando é retirado o tambor ele deve ser lavado e é menor que o da secundária. A secundária tem a tarefa
inspecionado o estado da face interna ou de atrito. de realizar o 70 % da força da freagem e seu desgate é
Uma ferramenta especial, chamada de micrômetro de 70 % superior.
freios, é utilizada para medir o diâmetro interno do
tambor e a retificadora de freios é a máquina usada Este sistema de servo duplo deve o seu nome ao sis-
para deixar a face interna do mesmo, perfeitamente tema de servo-freio. Durante a aplicação dos freios,
cilindrica e dar um novo e maior diâmetro ao tambor cada sapata asiste à outra e o movimento próprio do
de freio. veículo, ajuda a que os freios sejam aplicados.Esta ação
«servo» é efetiva ou útil tanto quando o veículo se
desloca para a frente como para trás e é pisado o pe-
FREIO DE TAMBOR dal de freios.

O freio de tambor é um dos tipos de freios mais uti- Quando são aplicados os freios, as sapatas são
lizado nos veículos, ainda hoje. forçadas contra o tambor em rotação. Conforme as
Este conjunto de freio tem os seguintes componen- lonas encostam no tambor, a sapata primária tende a
tes: o cilindro de freios, as sapatas e todas as peças acompanhar o giro do tambor. Este arrante produzido
necessárias para o seu funcionamento. pela rotação do tambor é transmitido desde a sapata
Um típico conjunto de freios de tambor tem: primária à secundária, através do dispositivo de
1- Prato ou porta-sapata sobre o qual estão monta- regulagem. O resultado final é que a sapata secundária
dos todos os outros elementos do conjunto, com é forçada a se encostar contra o tambor e o resultado
exceção do tambor. é a eficiência da freagem por aumento da área de atri-
2- Duas sapatas montadas sobre o prato. to. Na maioria dos veículos, o sistema de duplo servo
3- Molas de retorno e travas das sapatas. permite as sapatas ser auto-ajustáveis.
4- Dispositivo de regulagem automático o manual ,
para poder compensar o desgaste das sapatas. Os mecanismos diferem no desenho do fabricante,
5- O tambor. porém, sua função é a mesma ou seja, deixar a sapata
Os tambores de freio utilizados nos veículos de hoje o mais perto do tambor para compensar o desgaste
têm dois modelos: das lonas. A melhor maneira de brindar um bom serviço
- duplo servo no freio de servo duplo, é seguir as instruções do fa-
- sem servo. bricante.

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MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

FREIOS SEM SERVO 2- Conicidade: o tambor se deforma devido a extre-


ma temperatura e esforço gerado durante a freagem.
Éle é o problema mais comum nos tambores de gran-
Geralmente, estes freios são de fabricação leve e são de diâmetro. Meça o diâmetro interno do tambor e
montados em pequenos veículos e consistem de uma nos extremos abertos e fechados. Se as medições
sapata dianteira e outra, traseira, e ambas têm as ficarem diferentes em mais de 0.010", então ele deverá
mesmas dimensões ou seja que são intercambiáveis. ser rectificado. Meça o diâmetro interno do tambor e
O esforço da freagem é fornecido pelo cilindro de nos extremos abertos e fechados. Se as medições
roda, que utiliza a pressão hidráulica para atuar as ficarem diferentes em mais de 0.010", então ele deverá
sapatas contra a face interna do tambor de freios. Cada ser rectificado.
conjunto de freios sem servo tem um único cilindro e Material de fricção
toda vez que o veículo se desloca para frente e é
necessária sua freagem, o maior esforço é feito pela
sapata dianteira. Quando o carro vai de ré, o serviço
principal fica na sapata traseira.

TAMBOR DE FREIO
O tambor de freio é a superfície metálica de atrito
Tambor
necessária para que possam ser encostadas as sapatas Sapata
e permitir a freagem do veículo. Eles devem suportar e
resistir grandes esforços sem deformar-se e, além disso,
poder dissipar o calor gerado durante o processo.
Devem ser observadas as seguintes condições: FIGURA 24: CONIXIDADE
1- Trincas: é a falha mais comum que têm o tambor
após o seu uso. Isto, se deve que se acumula poeira 3- Concavidade: este problema, é causado por um
excessivo desgaste ná area central da superfície do tam-
entre as peças de atrito ou ao desgaste excessivo das
bor. Uma forte pressão pode deformar a sapata, e em
lonas rebitadas, pois as cabeças dos rebites podem futuros freagens, as forças se concentrarão no centro
entrar em contato com a superfície do tambor. do tambor.
Tambor côncavo

Superfície
trincada Material
de
fricção
Material
de fricção

Tambor FIGURA 26: CONCAVIDADE

Sapata 6- Ovalação: a causa comum deste problema é o


contínuo pisa-e-solta do pedal de freio. Some a isto o
calor excessivo e o encosto irregular da sapata sobre o
tambor. Meça o diâmetro interno cada 90º e se a
medição varia mais de 0.060", o tambor deve ser recti-
FIGURA 24: TRINCADO ficado ou trocado por um novo.

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MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

4- Convexo: este padrão de desgaste é maior no ex-


tremo fechado do tambor. Geralmente, é devido ao
calor excessivo ou o uso de tambor muito grande.

Tambor convexo

Material de
fricção

FIGURA29: OVALAÇÃO

FIGURA 27: DESGASTE CONVEXO Serviço no tambor de freios


O tambor cumpre a função de dissipar de calor
5- Marcas devidas ao calor: essas marcas serão gerado pelo atrito entre a lona de freios e o tambor.
visíveis assim que é desmontado o tambor. A causa Para minimizar a quantidade de calor gerada, o tam-
deste fenômeno são as temperaturas extremas de bor deverá ter um acabamento brilhante. Conforme o
operação. tambor é torneado, vai perdendo espessura,
contribuindo assim, na perda da rigidez estrutural. O
serviço mais comum que pode ser feito em um tambor
de freios é dar uma passada no torno.
Nota: Nunca permita que a parede do tambor atinja
os limites estabelecidos pelo fabricante e que estão
gravados no bordo do mesmo. Este diâmetro é o «Máxi-
mo Diâmetro Permitido» ou «Diâmetro para condenar».
Em poucas palavras, um tambor que está perto de este
limite, nunca deve ser torneado.

FIGURA 28: DANOS DEVIDO AO CALOR

6- Ovalação: a causa comum deste problema é o


contínuo pisa-e-solta o pedal de freio. Some o calor
excessivo e o encosto irregular da sapata sobre o tam-
bor. Meça o diâmetro interno cada 90º e se a diferença
é de 0.060" ou mais, deve ser rectificado ou trocado .

Máximo diâmetro FIGURA 30: LIMITE DO


do tambor TAMBOR

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MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

Freio de mão
Quando se aplica este freio, o cabo puxa o came
É um freio atuado mecânicamente, controlado pela mão que atua outra parte interna da sapata forçando-a
ou pé e sua função é permitir o estacionamento do veículo. contra o tambor. Uma mola de retorno volta o
O freio de mão, simplesmente, movimenta as sapatas dos conjunto na sua posição inicial ou de repouso,
freios traseiros contra o tambor. Isto se consegue através quando o mesmo é liberado pelo motorista.
de cabos e alavancas.

1- Conjunto de alavanca de freio de mão.


2- Porca de ajuste.
3- Interruptor de advertência.
4- Cabo de freio Nota:
5- Sujeitador Porca de ajuste
6- Kit de fixação
7- Pino da abraçadeira
8- Mola de retorno
9- Cabo secundário

FIGURA 31: CONJUNTO TIPICO DE FREIO DE MÃO

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MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

2- Pinça: é uma carcaça fundida com forma de C


FREIOS DE DISCO que encaixa sobre o disco. Ela permita a montagem
O primeiro uso dos freios de disco foi feito pelo fa- das pastilhas de freio. Além do mais ela é hermética
bricante de automóveis Studebaker, no final de 1950. para poder receber os componentes hidráulicos que
Os freios de disco, hoje, é comum nas rodas dianteiras se utilizam para a freagem do veículo.
e rapidamente, está se extendendo às rodas traseiras. 3- Pistão: é o componente que se mexe no interior
da pinça e transmite a pressão hidráulica às pastilhas
Eles oferecen quatro vantagens sobre os freios de de freio. Está fabricado em aço polido e não pode ser
tambor. retificado, sendo que aquele que estiver com defeito
deverá ser substituído.
1- Resistência ao desgaste pelo calor: os freios de 4- Coberta: este componente, protege ao disco da
disco são mais resistentes ao desgaste acelerado pelo sujeira da estrada e além disso, dirige o ar para refri-
calor, durante as freagens nas altas velocidades ou em gerar as partes.
repetidas paradas do veículo. A montagem do do dis- 5- Acessórios: eles são os aneis de vedação, as
co permite deixar uma maior superfície no ar e dissipar tampas, travas, porcas das guías e outros.
o calor de maneira mais eficiente.
2- Resistência ao desgaste pela água: o disco não Sempre faça a manutenção dos acessórios da pinça,
sofre o efeito da água devido a que sua rotação elimi- para garantir, ao máximo, a vida útil das pastilhas de
na a umidade dos mesmos, por centrifugação. freio. Elas são afetadas grandemente pelo calor
3- Freagem balanceada: devido à ação das pinças, excessivo, partículas abrasivas e o desgaste normal.
o freio de disco é menos apto de puxar o veículo para
um lado e, geralmente, sua freagem é em linha reta. Porcas das guías
4- Regulagem automática: os freios de disco
ajustam de forma automática o desgaste das pastilhas.
As pinças flutuantes são aparafusadas na placa. A
pinça tem movimento lateral ao longo destes
Desenho do freio de disco parafusos-guía. Sempre deverá ser feita a inspeção
das guías para manter o seu alinhamento e sua limpeza.
Embora existem varios tipos de freios de disco, eles
são classificados pelo tipo de montagem da pinça.
Isolantes e buchas
1- Pinça fixa.
2- Pinça flutuante. Os isolantes e as buchas são utilizados junto com as
3- Pinça móvel. guías para amortecer o movimento da pinça e elimi-
Cada conjunto de freios de disco tem um disco que nar o ruído dos freios, proveniente do contato do me-
gira junto com a roda e uma pinça, estática, que contêm tal com metal.
as pastilhas de freio e um ou mais pistões hidráulicos.
A pinça é montada na suspensão. Os freios de potência
são utilizados na maioria dos veículos que estão equi- Pino-guía
pados com freios de disco. O freio de disco é de
fabricação mais simples do que o freio de tambor, já São utilizados para manter as pastilhas no interior
que tem menor quantidade de componentes. da pinça. Os pinos são mantidos no local mediante
travas elásticas.
1- Disco: é um disco polido em ambas faces para
permitir que as pastilhas se apoiem em elas atè atingir
a detenção total do veículo. Travas e molas anti-ruído

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MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

Tampão de atrito

Válvula de sangria Pino-trava


Abraçadeira do
assento interior
Abraçadeira do
Suporte de mordaça assento exterior Tampa

Pinça

Assento Anel
da pastilha Pistão Trava
Abraçadeira
do assento B Obturador do pistão

Adaptador de mordaça

Cobertura contra pó

Disco de freio
FIGURA 32: CONJUNTO DE FREIOS DE DISCO

Estes componentes são utilizados para garantir a É um pequeno pedaço de metal rebitado no bordo
posição das pastilhas na pinça e prevenir, além disso, da base da pastilha de freio. Quando a pastilha de freio
o ruído que a vibração a freagem gera. fica gasta demais, esta peça metálica encosta contra o
disco e o atrito das duas superficies metálicas gera um
Chave de suporte da pinça chiado forte.

Diversos modelos de pinças móveis são mantidos na


sua posição por uma alavanca montada entre a pinça
e a placa de fixação. Se esta alavanca tiver alguma folga Pastilha
pode acontecer um desgaste prematuro e possível
deformação das pastilhas de freio.

SENSOR DE DESGASTE DISCO


Sensor
Este componente é montado na pinça de freio para
avisar ao motorista que as pastilhas estão no seu limi-
te mínimo admissível. Ele pode fornecer um sinal so-
noro, visual ou táctil. FIGURTA 33: SENSOR SONORO

Sensor sonoro
Sensor visual

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MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

Consiste em um fio elétrico ligado à Kit antivibração


masa e montado na propria pastilha de
freio. Quando ela atinge a sua espessura
mínima, este sensor, que é um simples
interruptor encosta contra o disco de
freio e fecha o circuito elétrico de uma
lâmpada-testemunha , localizada no
painel de instrumentos de carro,
acendendo-a.
Buchas Pinos-guias
Sensor táctil
Seu funcionamento é gerar uma
vibração no pedal de freio quando o
sensor localizado no conjunto de freio
entra em contato com outro sensor lo-
calizado na parte mais baixa dessa Pinos-guias
pastilha de freio.

Pinça fixa FIGURA 34: COMPONENTES DA PINÇA

Este tipo de conjunto é sujeito à sus-


pensão e não tem movimento lateral quando o freio é Com as pastilhas pressionando ambos lados do
aplicado. diosco, se inicia uma ação de “mordaça” que reduz o
giro do disco ou seja que da propria roda, freiando ao
A pinça fixa pode ter dois, três ou quatro pistões. A veículo.
de dois pistões tem um pistão a cada lado do disco.
Quando têm três pistões, dois ficam em uma lateral e Quando o pedal de freio é liberado, a pressão gerada
o outro, na lateral oposta do disco. Se tiver quatro no cilindro-mestre cessa e uma pequena quantidade
pistões, cada par fica a cada lado do disco. de fluído hidráulico retorna ao mesmo.
Este retorno permite que o pistão ou pistões das pin
Quando se tira o pé do pedal de freio, o pistão está ças possam se afastar do disco.
encostado contra a face posterior da base da pastilha
de freio. Normalmente, as pastilhas estão perto do dis-
co e sua folga é muito pequena.

Quando é pisado o pedal do freio, a pressão do fluído


hidráulico atinge o interior do cilindro das pinças. O
pistão é forçado a sair do cilindro da pinça,
deslocando à pastilha para que entre em contato com
o disco.

28
MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

PINÇA FLUTUANTE Bota Pistão Entrada de fluído


É uma única peça que têm um cilindro e um pistão Porca
Escravo
simples. O cilindro tem um canal ao redor de sua parede Caliper
interna e anel de vedação de seção ou corte quadrado. Suporte
Quando o pistão é montado no interior do cilindro, o
anel fica entre o pistão e o cilindro. Dois pìnos-guia
ou parafusos são utilizados para manter o conjunto Buchas
da pinça na sua posição.
Rotor
Operação Sensor de alerta
Sapata interna Sapata externa
Quando é pisado o pedal de freio, a pressão hidráu- FIGURA 35: Disco de freio de pinça flutuante.
lica aumenta no interior da pinça, logo atrás do pistão.
Isto determina que o pistão se movimente para fora,
1- De uma única peça, que inclui a placa de fixação
forçando uma das pastilhas contra o disco. Conforme
e a ponta de eixo.
essa pastilha de freio encosta no disco, aumenta a
resistência ao movimento. Isto determina uma reação
2- De duas peças afastadas da placa de fixação e a
que pode ser verificada pelo desloque lateral da pro-
ponta de eixo. A fixação é feita na ponta de eixo por
pia pinça.
meio de dois parafusos.
Este movimento faz com que a pinça puxe da segun-
A pastilha interna e a placa são montadas pelos ex-
da pastilha de freio ou externa. Resumindo, a pastilha
tremos da placa. Uma trava anti-vibração é montada
externa encosta na outra face do disco e ambas
entre a base metálica da pastilha e a pinça.
pastilhas, são atuadas com a mesma pressão. Quando
a pressão hidraúlica é liberada, o anel de de vedação
A pastilha externa e o conjunto da placa de fixação
do pistão, deformado pelo movimento do mesmo, re-
são montadas de maneira que trabalhem contra as
torna a sua posição original, provocando que a pinça
superfícies de torsão localizadas na pinça.
e o pistão voltem a sua posição normal.
Além disso são montados suportes ou guías na parte
PINÇA MÓVEL superior do prato de fixação, com uma mola de suporte
instalada entre as guías e a pinça. Um anel de vedação,
Este sistema foi utilizado, por primeira vez, nos de seção quadrada, é montado no interior do cilindro
veículos de 1972. Este conjunto de freios receberam da pinça e um protetor de borracha evita a entrada de
o seu nome pois a pinça se desloca lateralmente poeira entre o pistão e o cilindro. O disco é ventilado
quando os freios são atuados. e feito de fundição de aço e está ligado à massa da
roda. Uma chapa de aço protege a superfície interna
A pinça deste tipo de freio é de uma peça única e do disco.
tem um pistão só. As superfícies usinadas da pinça
estão localizadas contra as superfícies polidas do Operação
suporte de montagem.
Durante a atuação dos freios a pressão hidráulica
As pinças podem ser de dois modelos: atinge a parte posterior do pistão e seu selo.

29
MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

Esta pressão, desloca ao pistão para fora, forçando à


pastilha de freio interna contra o disco.

Conforme a pastilha interna entra em contato com o


disco, a resistência contra esse movimento aumenta.
Isto força a parte interna da pinça, provocando o
movimento, para fora, do disco e a pastilha externa
entra em contato com o disco. Ambas pastilhas, serão
acionadas com igual pressão.

Quando a pressão hidráulica é reduzida, o anel do


pistão, que estava deformado pelo movimento do
mesmo, retorna a sua posição normal e a pinça e o
pistão retornam, também, a sua posição normal.
Desvantagens
A queixa mais comum do sistema de freio de disco é
o “ruído”. O motorista pode ouvir um chiado, que é
devido à vibração gerada pelo contato direto do metal O freio de potência que utiliza a pressão hidráulica,
do pistão com a base da pastilha de freio.Este proble- é equipamento normal em muitos veículos e podem
ma pode ser eliminado montando, na pastilha, elemen- ser oferecidos como opcionais em muitos outros.
tos eliminadores de ruído.
Freio de Potência de Vácuo
Sempre deve se inspecionar o sistema antes de mon-
tar qualquer qualidade de pastilhas. O custo da peça A maioria dos sistemas são semelhantes, com
de reposição do sistema de freio de disco é geralmente variação no desenho de cada fabricante.
mais cara. Isto, que deve ser explicado ao cliente, ou
seja, ruído e custo, são na realidade um preço muito Existem dois métodos de montagem de uma unidade
baixo, se considerarmos a superioridade do sistema de de freio de potência. Um deles é o de adaptar exten-
freios de disco. sões entre a seção de potência e a parede do motor.
Este método utiliza um came e um adaptador para o
pedal de freios dentro do veículo.
Sistema de Freio de Potência
O segundo método adapta a seção de potência
Um freio de potência, também chamado aumentador diretamente à parede do motor. Este método de
de freagem, é utilizado junto com o sistema básico de montagem liga a válvula de potência diretamente ao
freios para reduzir o esforço da freagem. A potência pedal de freio.
necessária para atuar o sistema hidráulico, é obtida
da diferença entre a pressão atmosférica e o vácuo do O freio de potência de vácuo ou de diafragma sim-
coletor de admissão. ples, tem duas seções principais:

Um outro tipo de freio de potência, o auxiliado por 1- O cilindro-mestre.


pressão hidraúlica, foi utilizado por primeira vez no 2- A seção de potência.
ano 1973, em veículos com direção hidráulica.

30
MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

A seção de potência tem duas placas, a traseira e a


dianteira, ligadas entre sí e formar uma câmara de
vácuo. Um diafragma dividem a câmara em duas Suporte
seções. A seção de potência, também inclui uma vál- Pinça
vula de controle, um parafuso hidráulico, uma mola Disco
móvel
de retorno do diafragma, um disco de reação, um
parafuso de válvula e partes que formam a válvula de
controle.
Tampa

Operação
O vácuo do motor está disponível na seção de Adaptador
potência, através de uma mangueira ligada à válvula
FIGURA 37: PINÇA MÓVEL.
de controle de vácuo. Se o pedal de freio não é pisado,
o vácuo do motor se encontra presente em ambos la-
dos do diafragma. O diafragma e a placa ficam estão,
na posição livre, ou seja, para trás da seção de potência.

Parede de fogo

Cilindro-mestre

Mangueira
de vácuo
Pedal do freio

Unidade de potência

FIGURA38: UNIDADE SERVO-VÂCUO

31
MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

Unidade de duplo diafragma


Esta unidade é semelhante à unidade simples Vâlvula de vácuo
pois tem dois diafragmas e duas placas ligadas Cilindro mestre
entre elas. A operação é semelhante à unidade
de diafragma simples, exceto pela pressão at-
mosférica, aplicada em ambos diafragmas
quando é pisado o pedal de freios. Isto gera o
dobro de potência no cilindro-mestre, com
relação à unidade simples.

Freio de Potência com Parafuso hidráulico


Assistência Hidraúlica Mola de retorno do diafragma

Em 1968, os técnicos projetaram um novo Placa do diafragma


Diafragma
tipo de sistema de freios. Melhoras e alterações
nos sistemas de vácuo já existentes, eram
necessários para cumprir com os requisitos de FIGURA39: CORTE DAUNIDADE DE POTÊNCIA
segurança para frear o veículo em distâncias
mais curtas e com minimo esforço sobre o pe- no cilindro- mestre, como em caminhões e veículos
dal de freio. Novas exigências nos sistemas de emissão com freios de disco nas quatro rodas. Em todos os ca-
de gases geravam problemas adicionais nos sistemas sos, o sistema de freios, permanece totalmente conven-
de geração de vácuo, pois eles requeríam do motor, cional, pois a unidade Hydro-Boost, simplesmente,
redução do vácuo e temperatura de operação mais substitui à bomba de vácuo.
elevada.
Descrição
Em 1974, Bendix apresenta o sistema de potência
hidráulico patenteado com o nome de “Hydro-Boost”. Na unidade hidráulica, uma válvula móvel controla a
O sistema tem: passagem do fluído desde a bomba da direção hidráuli-
1- Maior pressão disponível. ca sob qualquer condição de operação. Quando são
2- Energía de reserva para atuar os freios sem atuados os freios, o fluxo do líquido da direção de
necessidade de utilizar toda a potência. potência permanece constante e a válvula desvía o fluído
3- Esforço muito menor no pedal de freio. à cavidade do interior da unidade de potência hidraúli-
4- Tamanho reduzido. ca.
5- Resposta rápida do sistema.
6- Não requer fonte de vácuo. Devido a ação da válvula, a unidade de potência e a
Em certas aplicações, o sistema hidraúlico têm unidade da direção hidráulica não atuam entre sí ainda
muitas vantagens sobre o sistema de vácuo. Seu que não estejam em funcionamento.
tamanho compacto permite que seja montado sob o
capô do motor. Não necessita de uma fonte de vácuo Três tubulações são ligadas à seção de força. Uma delas
de maneira que esta unidade pode ser utilizada em fornece a pressão da bomba da direção hidráulica à
veículos com motor Diesel. Como a potência dis- unidade.
ponível é maior que nas unidades de vácuo, pode ser A segunda tubulação liga à caixa de direção.
usado onde são necessárias grandes pressões A terceira é a linha de retorno à da bomba da direção.

32
MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

Vácuo na frente do diafragma Ar na parte traseira


Uma quarta linha pode ser utlizada jun-
to com um acumulador de pressão. Vâlvula
Si se interrompe o fornecimento de
pressão, por exemplo, no caso do motor
ser desligado, de ruptura de alguma
mangueira ou de uma correia da bom-
ba, a pressão de reserva é activado.

O sistema de reserva, consiste de um


acumulador, uma válvula de controle e
uma válvula de descarga. Os pistões se mexem
Se desenharam três tipos de acumula- Parafuso hidráulico
dores a partir da introdução do Hydro-
Vácuo
Boost. O diafragma e o
Um modelo com mola, foi utilizado Ar diafragma se
mexem para frente
desde 1974 até 1978. O acumulador FIGURA40: CORTE DAUNIDADE
podias ser montado na seção de potência DE POTÊNCIA
ou afastado, no vão do motor.
Um acumulador carregado com
nitrogênio substituiu o do tipo de mola
de carga.
Em 1981, o acumulador foi montado no
interior do pistão de potência, fazendo que
essa seção de potência ficasse mais com-
pacta e leve do que o sistema Hydro-Boost
original.

Advertência: Com o motor desligado,


pise e solte o pedal de freio algumas
vezes, para ter certeza de que o acumula- Freios aplicados. Freios livres.
dor fique descarregado antes de desligar
alguma mangueira ou tubulação.

Operação
A força resultante desloca o pistão para a frente
e empurra a haste que liga o pistão do cilindro-
mestre. Com o motor ligado e sem atuar o pedal de
freios, a pressão da bomba é dirigida à seção de
potência da caixa de direção.
Logo de pisar o pedal de freios, o parafuso de
entrada e o pistão de potência se mexem, pouco,

33
MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

para frente. Um pivô ou braço liga a vál-


vula ao pistão de potência e ao pino. Filtro

Se é pisado o pedal de freios, este movi-


mento força a válvula para a frente do
pistão. Esta ação desvía a pressão no inte-
Bomba tanque
rior da cavidade atrás do pistão de Seção de potência
de reserva
potência gerando pressão hidráulica nesta
seção. Cilindro mestre

A força resultante desloca o pistão para


Vâlvula de combinação Pedal de freio
a frente e empurra a haste que liga o pistão
do cilindro-mestre.
Freios dianteiros
Ao soltar o pedal de freios a válvula volta
a sua posição normal. Então, o fluído re-
torna ao tanque de reserva da bomba de
direção, através da mangueira de retorno, Freios traseiros
deixando que o pistão retorne, puxando do
parafuso do pistão do cilindro-mestre, eli- Disco
minando a pressão no interior do cilindro- FIGURA 41: DIAGRAMA DO SISTEMA Hydro-Boost.
mestre.

O sistema de reserva é ligado no caso de que o mo-


tor pare, de que a mangueira de pressão seja furada ou
a bomba da direção hidraúlica deixe de girar.
Se isso acontecer e for necessário usar os freios, um
maior desloque do pedal será necessário, abrindo a
válvula do acumulador, permitindo que a pressão de
reserva (1.500 p.s.i.) passe à parte traseira do pistão,
empurrando-o para à frente. Até três atuações dos
freios podem ser feitas com a pressão de reserva, su-
ficiente para deter o veículo.

34
MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

Reserva do sistema Á Bomba Á Vâlvula

Válvula

Saídas
FIGURA 42: FREIOS
NÃO APLICADOS

Do pedal
Parafuso interno
Mola

FIGURA 43: CARGA DO


ACUMULADOR
Mola de
retorno do
pistão

PISTÃO DO
ACUMULADOR

35
MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

dem ser desmontadas para sua lubrificação, limpeza e


ROLAMENTOS DAS RODAS inspeção.

Os rolamentos da roda não motriz são do tipo rolete


São utilizados para suportar o peso do veículo assim
cônico e são capazes de suportar uma maior carga ra-
como permitir o giro dos eixos, minimizando o atrito.
dial proveniente do próprio peso do veículo e das car-
Existe uma grande variedade de modelos, sendo que o
gas resultantes ou adicionais do peso. Estes rolamen-
tipo de esferaS é o mais utilizado. As esferas ficam
tos também têm pistas internas e externas.
entre dois aneis, chamados pistas interna e externa.
As esferas estão separadas, uma da outra, por um se-
Alguns rolamentos montados no eixo traseiro são do
parador ou gaiola, que mantém a distância entre elas.
tipo relete cilíndrico (roller). Eles não necessitam su-
portar grandes cargas laterais. Em alguns casos, são
O rolamento foi projetado para suportar dois tipos
unidades blindadas e outros, são lubrificados pelo
de forças ou cargas. Uma, radial e a outra, lateral. O
mesmo lubrificante do diferêncial.
rolamento de esfera suporta ambos tipos de cargas. O
rolamento tipo rolete suporta a força radial, somente.
Os rolamentos podem ser comuns, blindados e semi-
A carga radial é a força aplicada em ângulo reto ao
blindados. A utilização de cada rolamento é determi-
eixo do rolamento. A carga lateral ou axial é a força
nada pelo fabricante do veículo.
aplicada paralela ao eixo.

Os rolamentos são fabricados em três tipos básicos: Rolamento comum


esfera, rolete e agulha. Cada um destes modelos des-
empenha vários tipos de funcionamentos. Geralmen- Um rolamento comum ou sem blindagem é monta-
te, o tipo de esfera gera menor fricção, porém, supor- do num lugar onde a lubrificação pode ser obtida de
ta uma carga menor. O tipo de rolete pode suportar ambos lados e onde não exista perigo de contaminação
cargas pesadas, mas, é fraco na carga lateral. E o tipo externa. Alguns rolamentos deste tipo são montados
agulha é semelhante ao anterior e é utilizado em pe- no eixo dianteiro.
quenos espaços.
Rolamento deesferas Rolamento de esferas
Existem muitas variações destes tipos (interno) (esterno)
de roletes e foram desenhados para
aplicações mais específicas, tais como
roletes cilíndricos e cônicos.

Dos três tipos de rolamentos só um


deles é utilizado como rolamento de
roda, na produção em série de carros. É
o rolamento tipo rolete.
Tampa do retentor
Ambos tipos de roletes, isto é o cilín-
de graxa da roda
drico e o cônico, podem ser utilizados
traseira
como rolamentos de roda, dependen-
do da localização dos mesmos. O rola- Retentor exterior do Espaçador dos rolamentos.
mento e a pista são fornecidas como rolamento
dois elementos ou partes, as quais po- FIGURA 44. CORTE DO ROLAMENTO DE ESFERAS DO EIXO TRASEIRO.

36
MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

Rolamento blindado 3- Na desmontagem, siga as instrucções do manual


de serviço.
Os rolamentos com blindagem em ambos lados são 4- Nunca deixe cair uma roda e mantenha a mesma
lubrificados previamente pelño fabricante do mesmo sob controle, em todo momento.
e não podem receber lubrificação adicional durante o 5- Nunca pise o pedal de freios, quando tiver partes
resto de sua vida útil. Quando este rolamento for re- desmontadas.
movido para sua inspeção e não tiverem de lubrifi- 6- Drene os tanques de ar, num sistema de freios a
cação, deverá ser feita a sua troca imediata. ar, antes de mexer nos rolamentos de roda ou sistema
de freios.
7- Nunca, troque peças de uma roda para a outra.
Rolamento semi-blindado 8- Nunca, misture diferentes tipos de graxa.
9- Evite passar seus dedos nas partes do sistema, tais
O rolamento que está blindado de um lado só, não é como pastilhas, tambores ou discos.
lubrificado pelo fabricante e ficará exposto à lubrifi- 10- Ajuste as partes, de acordo com as especificações.
cação da montagem. Os rolamentos de roletes côni- 11- Aperte os rolamentos de roda, de acordo com o
cos se utilizam como rolamentos das rodas. O lubrifi- método e torque especificado pelo fabricante.
cante para este tipo de rolamento é fornecido por uma
fonte interna que pode ser, por exemplo, o diferêncial.
Estes rolamentos requerem uma revisão periódica, ins- Limpeza do rolamento
peção e lubrificação.
Imediatamente depois de retirar o rolamento, tire o
Blindagem do rolamento excesso de graxa ou óleo e logo, mergulhe-o em que-
rosene ou algum solvente limpador. Enquanto está
mergulhado, passe um pincel para remover qualquer
O selo do rolamento é feito por um disco metálico
tipo de sujeira ou outro tipo de contaminação. Utilize
ou plástico. Um segundo disco de borracha sintética,
ar comprimido para tirar a sujeira ou graxa velha do
couro ou outro tipo de material sintético é montado
interior do rolamento.
entre o disco metálico e as esferas ou roletes. Esta blin-
dagem é, geralmente, um modelo com bordos sim-
Importante: Quando faça isto, não permita que gire
ples. Uma pequena trava elástica ou mola, denomina-
o rolamento.
da “Mola de Liga”, é utilizada para manter o conjunto
de blindagem contra os elementos de rotação.
Assim que o rolamento fique limpo, mergulhe o mes-
mo, rapidamente, num solvente limpador e aplique,
SERVIÇO NOS ROLAMENTOS por última vez, um jato de ar comprimido, para secar.

Quando é feito um serviço de manutenção nos rola-


mentos, devem ser seguidos estes procedimentos. Advertência: Não gire o rolamento com o ar
Contudo, se deve ter em conta as sugestões do ma- comprimido. A gaiola e as esferas podem se des-
nual de serviço, para tomar as precauções adicionais montar e machucar ao operário.
nas aplicações específicas.
A maioria dos compressores de ar estão equipados
1- Erga o veículo somente nos pontos sugeridos pelo com um filtro de umidade. O ar que tiver umidade,
fabricante. pode ser a causa da oxidação do rolamento antes da
2- Mantenha o veículo de acordo com as normas de sua montagem ou lubrificação.
segurança estabelecidas.

37
MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

Não lave os rolamentos blindados, pois como já foi


dito, eles são lubrificados pelo fabricante antes da
montagem dos selos. Devem ser limpos com um pano
limpo e inspecionados para verificar a existência de
alguma ruptura. Si se suspeita de algum vazamento
do lubrificante interno, então não duvide em trocar o
rolamento, de inmediato.

Lubrificação do rolamento de roda


Lubrifique o rolamento que esteja em bom estado
ou novo, unicamente com o tipo de lubrificante reco-
mendado. Todos os componentes debem ser comple-
tamente rodeados com a graxa. Isto, pode ser feito à
Cilindrico Cónico
mão ou com um aparelho de engraxar rolamentos,
FIGURA 45:Tipos de rolamentos
projetado para injectar graxa sob pressão, no interior
mesmo.

Aplique uma pequena quantidade da mesma graxa


no cubo da roda, na ponta de eixo e na tampa contra a
sujeira. Isto evita a corrosão e oxidação destes locais.
Não aplique graxa ao cubo da roda ou ao protetor. O
excesso de graxa pode ser jogada contra as partes do
conjunto de freios.

Limpe todos os alojamentos dos rolamentos, antes


de sua montagem. As peças que estiverem amassadas,
com batidas ou com rebarbas, deverão ser passados
na pedra de esmeril.

38
MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

Rolamento Condição Causa e correção

Rolamento em
bom estado

Pista torta Dano devido ao manuseio impróprio


do rolamento ou aplicação indevida
da ferramenta.
Deve ser trocado.

Pista amassada Manuseio inadequado,


ou aplicação indevida da ferramenta.
Deve ser trocado.

Fricção O metal encosta nos extremos


dos roletes devido ao
superaquecimento ou falta de
lubrificante.
Trocar e observar a blindagem
e a lubrificação

Desgaste Marca nos extremos dos


por abrassivos roletes, causada por abrassivos finos.
Limpe as peças e a carcaça. Teste
a selagem e o rolamento.
Troque o mesmo se estiver travado, duro,
ou perde lubrificante.

39
MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

Rolamento Condição Causa e correção

Picado A superficie do rolamento aparece


de cor cinza e com trincas.
Trocar o rolamento.
Verificar a blindagem e a lubrificação.

Desalinhamento (fora de pista, devido


a algum objeto extranho).
Falta de Limpe as peças e troque o
alinhamento rolamento.
Verifique que as pistas estejam bem
assentadas.

Arranhados Amassados os roletes e as pistas


devido a partículas duras extranhas.
Limpe todas as partes e a carcaça,
e verifique os selos.
Troque se faz ruído.

Desgaste A perda do brilho das superfícies


é resultado do desgaste do material.
Troque o rolamento e limpe
as partes ligadas com ele.

Amassado Causado pelo impacto, carga


da pista ou vibração quando o rolamento não
está girando.

40
MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

SERVIÇO NOS FREIOS Inspeção

Em este assunto serão apresentados os procedimen- O veículo deve ser erguido do chão sobre macacos
tos aceptáveis para: ou rampas de ferro. Também o carro pode ser erquido
1- Inspecionar desde ambos extremos para efetuar uma melhor e mais
2- Ajustar profunda inspeção. Nunca fique sob o veículo quando
3- Consertar estiver sobre qualquer tipo de macaco. No caso do
4- Sangrar mesmo falhar, o pessoal ficará exposto a um grave pe-
rigo.
O sistema de freios de tambor, de disco ou uma com-
binação de ambos deve ser revisado a intervalos regu- Retire todas as rodas e tambores (se for o caso) e
lares. Muitas vezes, o motorista se lembra do sistema inspecione cada uma delas, nas seguintes áreas:
de freios quando está realizando a viagem ou quando
ouve um ruído e já pode ser muito tarde. 1- Inspecione o cilindro-mestre por sinais de vaza-
mento.
O fabricante estabelece normas de manutenção pre- 2- Procure possíveis vazamentos ou danos físicos nas
ventiva para o sistema de freios e uma das tarefas que tubulações dos freios ou nas mangueiras flexíveis.
o técnico deve realizar é a de explicar o programa de 3- Verifique cada conjunto de freio, um de cada vez,
manutenção ao usuario. procurando vazamentos de fluído em cada cilindro de
roda ou pinça.
Si se suspeita da existência de um possível proble- 4- Verifique a existência de contaminantes ou sujei-
ma, a primeira coisa que o técnico deve fazer é: “Veri- ra nas lonas de freio ou nas pastilhas, tais como graxa
ficar”. Além disso, deve permitir ao motorista ou clien- dos rolamentos.
te, explicar a situação. Para isso, faça as seguintes pre- 5- Observe o desgaste do material de fricção. Ele deve
guntas: ser uniforme e calcule se o conjunto pode ser monta-
“Quanto tempo tem o problema?” do de novo ou é necessária sua troca.
“Aonde ou quando ouve o ruído?” 6- Verifique o freio de mão e seus cabos. Verifique
“A roda puxa para algum lado? que o mecanismo todo se mexa livremente, pois ele
É aconselhável fazer um teste de direção junto com pode ficar travado ou emperrado, se o mesmo não for
o cliente, sempre que for possível. usado com frequência.
7- Escreva sua opinião, compare a mesma com as
Nota: Antes de realizar um teste de direção, num especificações do fabricante e faça as recomendações
carro que se suspeita tem um problema nos freios. pertinentes ao cliente.
1- Verifique o nível do fluído de freios.
2- Pise o pedal de freio para verificar a não exis- Depois de todos estes pasos, pode ser que o proble-
tência de ar no sistema. ma não exista, mas, pode resultar muito perigoso não
3- Verifique o funcionamento do freio de mão. resolver o problema a tempo.
4- Dirija o veículo devagar fazendo duas ou três
paradas antes de realizar o teste. Lembre-se do perigo que representa o asbesto, an-
tes de mexer no sistema de freios.
Tome o tempo necessário para ler esta nota mais uma
vez . Estes conselhos ajudarão ao técnico como ao
freguês. Dirigir um veículo que não freia num sinal de
Pare deve ser uma experiência muito ruim.
Ajustagem

41
MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

Quando o técnico estiver satisfeito com o sistema Calibre


de freios e considere que ele está em perfeitas con- Tambor
dições, então é sim, o sistema estará pronto para ser
ajustado.

Se deve lembrar que não existe a possibilidade de


ajustar o sistema de freios de disco. O desenho do
mesmo foi feito de tal maneira que a pinça desloca o
pistão contra o disco quando o pedal dos freios é pisa-
do.

O sistema de freios de tambor passou a ser auto-


ajustável, a partir de 1970, mas pode ser ajustado ma-
FIGURA 46. MONTANDO O PAQUIMETRO
nualmente, após cada inspeção e toda vez que ele foi
desmontado e montado devido à troca de algum de
seus componentes. Se este for o caso, siga sempre as
recomendações do fabricante.

Um dos melhores métodos para ajustar as sapatas


dos freios é usar uma ferramenta como é mostrada na
figura. Esta ferramenta é uma espécie de micrómetro
interno/externo. Um dos extremos é posicionado no
interior do tambor enquanto que o outro, é utilizado
como guía para puxar a sapata de freio para fora, até a
dimensão correta.

Observe com muito cuidado a montagem exata da


ferramenta entre a sapata e o tambor. Se ela for posi-
cionada de maneira errada ou em qualquer lugar, isto FIGURA 47: MEDIÇÃO DAS SAPATAS.
resultará numa medição falsa e um posterior má ajus-
tagem.
Cada fabricante de veículos edita suas poblicações
O mecanismo de auto-ajuste deve estar em boas con-
técnicas para poder consertar o seus produtos, sendo
dições de maneira para que o sistema funcione nor-
que os procedimentos e recomendações são particu-
malmente.
lares para cada veículo.
Alguns veículos utilizam o freio de mão para fazer a
Isto determina que em este texto seja muito difícil
ajustagem do sistema de freios de tambor. Outros po-
poder explicar todos os métodos utilizados. Por isso, o
dem ser ajustados quanto é o carro vai de ré. Antes de
técnico se deve familiarizar com o modelo de veículo
fazer a ajustagem leia cuidadosamente o manual da
ao que dará serviço ou manutenção.
fábrica.
Com tudo, diversos procedimentos são universais e
a seguir serão mencionados.
Conserto Qualquer tipo de vazamento deve ser eliminado an-
tes de trocar algum outro componente. Lembre-se que

42
MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

o sistema hidráulico geral do veículo deve suportar freios além de ser a causa do seu mau funcionamento.
altas pressões além das condições ruins da estrada e Estes problemas poderão ser evitados, sempre que o
do meio ambiente. técnico utilize ferramentas limpas e na hora da mon-
tagem da nova peça, o local deverá estar limpo.
O tambor ou o disco de freios, no caso de necessitar
ser rectificado, ele deverá atingir um acabamento sa- Sangria
tisfatório, tanto na apariência quanto nas tolerancias
das medidas. Para poder obter isto, o torno utilizado
deverá estar em boas condições de funcionamento. O sistema de freios deve ser sangrado toda vez que a
tubulação hidráulica do sistema for aberta. Qualquer
Durante a manutenção do veículo, se for necessária bolha de ar no sistema é suficiente para tirar a efetivi-
a troca de uma peça estragada, a nova deverá ser ori- dade do sistema e causar serios problemas. Como exis-
ginal ou então, da mais alta qualidade possível. Isto tem diferentes métodos para retirar o ar do sistema de
permite que o sistema de freios volte ao seu estado freios é recomendado, sempre, seguir as instrucções
original e dure o maior período de tempo possível. Um do fabricante.
conserto «de baixo custo» não será realmente barato
se o sistema não consegue trabalhar normalmente. Sempre que um cilindro-mestre for trocado, previa-
mente, ele deverá ser sangrado na bancada de trabal-
Troque todos os materiais de fricção, lonas ou pas- ho, “antes” de ser montado no veículo. Existem vários
tilhas, quando for necessário ou estiver consertando o métodos para realizar esta operação, mas, retirar o ar
sistema de freios. Isto garante a qualidade do serviço. do cilindro-mestre tem a finalidade de evitar que o
líquido de freio possa estragar a tinta do carro.
Geralmente, os acessórios do sistema de freios, as-
sim seja uma mola de retorno ou um retentor, são ig- Para sangrar o sistema é suficiente uma pessoa no
norados. Se com um destes elementos tiver dúvidas, o assento do motorista para poder pisar o pedal de freio
melhor será trocá-lo por um novo. Isto fará com que o e uma outra, no conjunto de freios que será sangrado.
cliente fique satisfeito com o serviço realizado. Este é método mais comum e aceitável, mas, leva maior
quantidade de tempo. Verifique se a válvula de san-
O cilindro-mestre ou o cilindro da roda deve ser con- gria está bem apertada e se o nível de fluído de freios
sertado ou trocado, se existe algum sinal de vazamen- no reservatório do cilindro-mestre é o correto.
to. Atualmente e com a finalidade de reduzir o tempo
que o veículo está parado, alguns cilindro-mestres e Algumas vezes acontece que o sistema hidráulico
de roda não podem ser consertados e o jeito, é tro- está contaminado e quando isto acontece, o sistema
caçá-los. deverá ser lavado, cheio com liquido de freios novo e
sangrado. O novo fluído de freios é o adequado para
As pinças devem ser desmontadas e consertadas se lavar o sistema. Se algum componente do sistema es-
existe algum sinal de vazamento. Use sempre, o ma- tiver muito sujo é recomendada a utilização de álcool
nual de serviço do fabricante, como guía. Tenha muito para lavá-lo.
cuidado quando é retirado o pistão da pinça. Sangria

Geralmente, é usado o ar comprimido como único Ferramentas:


método para que o pistão saia do interior do cilindro -tubo de plástico
da pinça. Este procedimento pode ser perigoso para o - recipiente
técnico que não tome as devidas precauções. A poeira
diminui a vida útil dos componentes do sistema de

43
MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

1- Erga o veículo
totalmente e insta- Não espalhe liquido de freio
le os suportes de
chassi. Empurrar e puxar
varias vezes
Nota: O veículo
deverá estar nivela-
do para sangrar o
Tubulação de sangria
sistema de freios.
de freios
Não erga a parte
dianteira e depois a FIGURA 48. SANGRIA DO CILINDRO-MESTRE NA BANCADA.
traseira para atingir
as válvulas de san-
gría.

2- Abra o capô e instale capas protetoras nos pára-lamas.


3- Tire a tampa do reservatório de fluído de freios e complete, se for necessário. Se ele tiver duas câmaras, ambas
deverão estar no nível. Durante a operação de sangria o nível de fluído deverá ser constantemente verificado.

Atenção: Se fluído de freios for espalhado sobre a tinta do veículo, lave imediatamente o local afetado com
água fría e assim evitará man-
char a mesma.

4- Coloque um extremo do tubo Pise suavemente o


de sangria num vidro que conten- pedal de freio
ha uma pequena quantidade de
líquido de freios. Mantenha o ex-
tremo do tubo mergulhado nesse Cilindro-mestre
líquido, durante toda a operação Mangueira
de sangria.
5- Coloque o vidro a uma altu-
ra aproximada de 300 mm do ní-
vel da válvula de sangria (fig. B) Vâlvula
para evitar que o ar expulsado re-
torne ao interior do reservatório.
FIGURA 49: SANGRIA MANUAL COM DUAS PESSOAS TRABALHANDO
6- Pise o pedal de freios e ao
mesmo tempo, afrouxe a válvula
de sangria, aproximadamente
meia volta. Volte a apertar a válvula e solte o pedal para que volte à posição de repouso. O ar deverá ser deslocado
pelo fluído de freio para o interior do vidro. Se isto não acontece, pise o pedal de freios, afrouxe mais a válvula e
torne a fecha-la. Depois, solte o pedal. O fluído e o ar deverão sair pelo tubo de plástico.
7- Continue pisando o pedal de freios e segurando ele em intervalos de 3 segundos, aproximadamente. Repita os
passos 6 até o fluído de freio saia , limpo e livre de bolhas de ar.

44
MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

8- Quando o pedal de freios estiver sendo


pisado aperte a válvula de sangria, com um
torque máximo de 10-13 Nm (7,3-9,5
lib.pulg).
9- Tire o tubo de plástico da válvula de
sangria.
10- Aplique o freio de mão e sangre os
freios da rodas traseiras repetindo os passos
4 a 9. Quando termine a operação de san-
gria, solte o freio de mão.
11- Faça a sangria de todas as 4 rodas re-
petindo os passos 4 a 9.
12- Complete o reservatório do cilindro-
mestre com fluído de freios novo atè o nivel PRESSÃO
indicado como MAX. Monte a tampa e logo FIGURA 50: SANGRIA SOB PRESSÃO.
verifique que o orificio de ventilação esteja
livre.
13- Faça um teste dos freios rodando o
carro.

Ajustagem do pedal de freios


Meça a distância existente entre o centro da superfí-
cie superior do pedal e o asoalho. Ela deverá ser a es-
pecificada pelo fabricante.

Puxe o freio de mão e ajuste a altura do pedal como


o indica a figura 52.
FIGURA 51: LOCALIZAÇÃO DA VÁLVULA DE SANGRIA.
1- Remova o acabamento que fica sob o painel de
instrumentos.
2- Desligue os fios eletricos dos conectores do inte-
rruptor da luz de pare.
Folga do pedal de freios
3- Afrouxe a porca B no interruptor de luz de pare A.
Volte o interruptor à posição que não encoste no pe- 1- Elimine qualquer pressão no sistema de freios e
dal de freios. no pedal. Atue o pedal, com uma mão e meça a folga.
4- Afrouxe a porca D para que o eixo C possa ser Verifique que a folga esteja dentro das especificações
mexido. Ajuste a altura do pedal, girando o eixo. do fabricante do veículo. O servo-freio de vácuo deve
5- Gire o interruptor de luz de pare até que encoste começar a funcionar, quando o pedal tiver percorrido
no pedal, logo gíre-o mais meia volta. Ajuste a porca B. a distância especificada a partir da posição de repou-
6- Verifique o funcionamento do interruptor e se for so.
necessário, ajuste de novo.
2- Ajuste a folga do pedal girando o eixo C. Afrouxe
a porca D antes de girar o eixo.

45
MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

Altura do pedal
Ferramentas especiais:
- Suporte do relógio comparador.
É a distância entre o assoalho e o pedal quando está
- Comparador com escala no sistema métrico.
sendo pisado.
Meça a distância entre o assoalho e o centro do pe-
Nota: Antes de proceder ao controle do movi-
dal de freios, quando ele estiver sob a carga de 60 kg.
mento do disco, verifique e ajuste a folga dos rola-
A distância não deve ser inferior ao especificado.
mentos de roda, se for necessário.
Se a distância for inferior, controle o seguinte:
1- Remova o conjunto de roda e pneu.
- Ar no sistema de freios.
2- Remova o passador móvel inferior e segura a pinça
- Lonas de freio muito gastas e isto determina que
ao amortecedor.
atinja seu máximo percurso pela folga excessiva entre
3- Controle o movimento do disco com relação ao
as lonas e o tambor.
eixo, a continuação:
- Folga excessiva entre o servo-vâcuo e o pistão do
a) Posicione o ponteiro e o suporte do comparador
cilindro-mestre.
ao braço da direção (Figura 54). Aplique a ponta do
instrumento sobre a superfície do disco.
Remoção do pedal de freios
1- Desligue o cabo da batería. Aplique o freio de mão.
2- Remova a tampa sob o painel de instrumentos.
3- Desmonte os componentes seguindo a ordem
numérica indicada na figura 53.

Inspeção
Antes da montagem, controle o seguinte:
- Buchas gastas.
- Pedal torto ou gasto. Altura
- Capa do pedal rasgada.
- Parafuso do pivô torto.
- Mola de retorno fraca.

Montagem
Monte os componentes na ordem inversa à de re-
moção. Aplique uma capa fina de graxa na peças. Folga

Nota: Instale o pino/parafuso e o kit a partir do pe- Distância quando


dal do acelerador. Utilize uma trava nova para manter está sendo pisado o
o passador no local. Controle o curso livre do pedal pedal
segundo a descrição das secções anteriores.
FIGURA 52: REGULAGEM DA ALTURA DO PEDAL.
Folga lateral no disco de freio

46
MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

b) Azere o instrumento. Gire o disco com uma ala- Nota: É importante que as superfícies estejam lim-
vanca e uma chave de tubo de medida apropriada. Ob- pas.
serve o ponteiro do instrumento e determine a medida
total (Figura 54). 1- Instale o disco e ajuste-o com os 4 parafusos de
c) A medida total indicada deve estar dentro do es- retenção.
pecificado. Se o movimento do ponteiro excede o li-
mite especificado, tire o disco, rectifíque-o ou troque- Atenção: Se os discos dianteiros devem ser tro-
o. cados, instale dois que tenham a mesma espessu-
d) Um método alternativo para controlar o movimen- ra. Discos com diferente espessura não devem ser
to do disco é montar o comparador e os suportes numa montados num mesmo veículo.
base tal como o conjunto roda-pneu (Figura 55) e pro-
2- Instalar o conjunto de pinça na posição correta e
ceder ao controle do movimento segundo o indicado
ajustar os dois parafusos com o torque especificado.
nos passos b) e c).
Monte o conjunto de roda, abaixe o veículo e ajuste as
porcas da roda. Normalmente, não é necessário remo-
Desmontagem ver o prato protetor para realizar o serviço dos freios
ou rolamentos. Se a sua troca for necessária, siga os
1- Afrouxe as porcas da roda, erga a parte dianteria seguintes passos:
do veículo e instale os suportes do chassi. Tire a roda. - Bater na parte de fixação com um um martelo.
2- Retire o tubo flexível do kit de suporte. Remova os
parafusos de fixação da
pinça e retire o conjunto.
Segure a mordaça do chas-
si, utilizando um pedaço de
arame e que fique pendura-
do de forma segura.
3- Remova o cubo da roda
dianteira e o conjunto de ar-
ticulação da direção. Afaste
o conjunto de cubo e disco
da articulação da direção,
utilizando uma ferramenta
especial (Figura 56).
FIGURA 53
4- Desmonte o cubo da
roda, segundo a sequência 1- TRAVA
indicada na figura 57. Não 2- PASSADOR
remova o prato protetor. 3- PORCA
Lembre-se que esta sequên- 4- ARRUELA ELÁSTICA
cia foi sugerida e cada mo- 5- ARRUELA PANA
delo de veículo é diferente. 6- PARAFUSO
5- Remova os parafusos de 7- CONJUNTO DE PEDAL
fixação e retire o disco do 8- MOLA DE RETORNO
cubo da roda. 9- BUCHA (DUAS)
Montagem 10- ARRUELA DE RETENÇÃO
11- CAPA DO PEDAL

47
MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

Nota: Certifique-se de que o prato protetor fique 6- Monte as rodas dianteiras, remova os suportes do
posicionado de forma que as distâncias “A” e “B”, se- chassi, abaixe o veículo e aperte as porcas da roda ao
jam iguais (Figura 58). valor de torque especificado.

Desmontagem das pastilhas de freios Desmontagem da pinça de freios


1- Afrouxe as porcas de roda, erga o veículo, instale
1- Afrouxe as porcas da roda e erga a parte dianteira suportes no chassi e tire a roda dianteira.
do veículo. Instale suportes do chassi e remova o con- 2- Desligue o tubo flexível da pinça e monte uma
junto de roda e proteção dianteira. tampa no extremo livre. Remova ambos parafusos da
2- Desligue o tubo flexível do suporte. pinça (Fig. I) e tire a pinça.
Nota: Remova a trava com uma chave de fenda.
3- Remova a mola de retorno. Montagem
4- Remova o pino móvel, na parte inferior da pinça e
segure a mesma ao amortecedor, com um arame. 1- Monte a pinça e aperte os parafusos.
5- Remova as pastilhas com placa e mola. 2- Remova a tampa de freio, ligue o tubo flexível.
6- Remova a trava da mola das pastilhas. 3- Faça a sangria do circuito de freios. Para isso,
consulte os procedimentos de sangria de freios.
4- Monte a roda dianteira, abaixe o veículo e aperte
Montagem as porcas da roda ao valor de torque especificado.

Nota: As pastilhas de cada roda dianteira devem ser


trocada, sempre, ao mesmo tempo. Quando monte
pastilhas novas, controle que sejam as corretas.
Nota: Verifique o movimento lateral do disco e o
seu estado. Verifiqueo pino móvel em função de pos-
síveis defeitos ou problemas.
1- Para instalar novas pastilhas, limpe as partes ex-
postas do pistão e empurre o mesmo para o interior da
pinça.
2- Monte na pinça as novas pastilhas de freio, a tra-
va antivibração e placa. Verifique de que todos os ele-
mentos estão bem montados
Nota: Aplique uma capa fina de graxa Multiuso nas
superfícies de contato entre o ressalto da pastilha e a
pinça. Aplique a graxa que vêm com o kit de reparo,
antes de instalar a trava.
3- Verifique que as pastilhas estão fixadas da forma
correta.
4- Monte o pino móvel da pastilha e a mola de ten-
são e ajuste-os. Torne a montar o tubo hidráulico. FIGURA 54:
Nota: Se o pino móvel for trocado, lubrifique-o. A- BRAÇO DE DIREÇÃO.
5- Pise o pedal de freio varias vezes para acomodar B- SUPORTES DO RELÓGIO COMPARADOR.
as pastilhas corretamente. Verifique o nível do fluído C- DISCO.
de freios. D- RELOGIO COMPARADOR.

48
MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

FIGURA 56.

FIGURA 55:
A- DISCO
B- COMPARADOR
C- SUPORTESDO COMPARADOR
D- RODA

FIGURA 58.

FIGURA 59.

FIGURA 57.

49
MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

PISTÕES E ANEIS DE VEDAÇÃO

Desmontagem
Nota: Quando for necessário a troca de um pistão,
sempre troque os anéis de vedação e ao guarda-pó.

1- Tire o pistão da pinça, aplicando ar comprimido


ou baixa pressão hidráulica através do orificio de en-
trada do fluído de freios.

Atenção: Cubra com um pano e aplique pres-


são, gradativamente, para evitar acidentes.
FIGURA 60.
2- Desmonte o anel de vedação da ranhura que se
encontra no cilindro da pinça.
3- Se for necessário, tire a bucha batendo no pino
Desmontagem das sapatas
móvel (Figura 60).
Nota: Nunca aspire o pó das lonas de freio, pois ele
pode causar problemas quando aspirado. Não espalhe
Pistão e anéis de vedação o pó com ar comprimido.

1- Lave o pistão e seu alojamento com álcool indus- Para remover o pó, de preferência, utilize um aspira-
trial ou fluído de freios novo. Não utilize líquidos de dor de pó, uma escova ou um pano. Todo pó deve ser
base mineral tais como gasolina ou querosene. Verifi- colocado numa bolsa de plástico e fechar ela para sua
que que o pistão e o seu alojamento estejam livres de posterior eliminação.
trincas ou marcas.
Lembre-se que os freios traseiros têm duas sapatas,
NÃO REUTILIZE OS ANÉIS DE VEDAÇÃO USADOS. primária e secundária, e podem estão equipados com
um sistema de ajustagem que, automaticamente man-
2- Monte os anéis de vedação na ranhura ou fenda têm a folga entre a sapata e o tambor. O cilindro de
do pistão. Aplique a graxa que acompanha o kit de freio atua no extremo superior da sapata e seu extre-
conserto nos anéis do pistão e no guarda-pó. mo inferior se apoia nos pontos de apoio.
3- Lubrifique o pistão com fluído de freios limpo e
monte o mesmo no interior de seu alojamento o máxi- Nota: As pastilhas e as sapatas de freio devem
mo que puder. ser trocadas sempre em kits de quatro. Nunca tro-
4- Monte o guarda-pó de borracha do pino móvel e que um par de pastilhas só ou de sapatas de freio.
lubrifique o mesmo e a bucha com a graxa especial
que acompanha ao kit de conserto.

50
MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

Desmontagem
1- Afrouxe as porcas da roda, erga o veículo e instale
os suportes do chassi. Tire a roda traseira.
2- Verifique que o freio de mão não esteja puxado.
Desligue o extremo do cabo no conjunto de freio tra-
seiro (Figura 61).
3- Retire a porca e a arruela-trava da roda e tire o
tambor.
4- Retire a mola que une a sapata primária com a
sapata secundária, puxando e girando a mola. Depois,
pode retirar a mola e o pino do prato de freio.
5- Tire a sapata secundária desde o prato de freio.
Tenha cuidado de não estragar as borrachas do cilin- FIGURA 61:
dro de roda. 1 - Pino de sujeição. - 2 - Trava, alavanca de freio
6- Retire a mola que mantêm a sapata primária no
lolcal, como é indicado no passo 4.
8- Mexa o extremo inferior do suporte espaçador fora
do alojamento do prato de freio.
9- Mexe a sapata primária para cima e para fora do
prato de freio e retire a alavanca do freio de mão e o
conjunto de sapata de freio.
10- Controle o funcionamento do freio de mão. Ajus-
te-o, se for necessário.
11- Monte a roda. Tire os suportes do chassi e abaixe FIGURA 62.
o veículo. Aperte as porcas da roda. Verifique o fun-
cionamento do sistema de freios na estrada.

Desmontagem do cilindro da roda Inspeção


1- Desligue a tubulação de freios e instale uma tam- Verifique o estado de todos os componentes. Será
pa para evitar espalhar o líquido no chão. necessário um novo cilindro se o seu acabamento apre-
2- Retire os dois parafusos do lado posterior do pra- senta sinais de trincas, ovalização ou corrosão.
to de freio e desmonte o cilindro. Verifique que a válvula de sangria esteja limpa.

Conserto Montagem

Veja a Figura 62. 1- Monte a válvula de sangria e aperte-a ao valor


1- Tire o guarda-pó de borracha do cilindro. especificado.
2- Puxe os pistões, molas e assento do extremo do 2- Verifique quee o interior do cilindro de roda e os
furo do cilindro. pistões estejam limpos antes de sua montagem. Lim-
3- Tire a válvula de sangría. pe as peças com um pano sem felpa e fluído de freios
limpo.

51
MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

3- Lubrifique os anéis de vedação e os pistões com amortecedor.


fluído de freio. Monte cada peça no interior do cilin- 3- Afrouxe a união, segurando o tubo ao conjunto
dro, isto é, um pistão novo, a base da mola, a mola e o de freios e tire o tubo.
segundo pistão. Monte os guarda-pó novos em ambos 4- Monte a mangueira no conjunto de freios com
extremos do cilindro. novas arruelas e ajuste-a com o parafuso de união.
4- Monte as sapatas de freio e o tambor. 5- Fixe o novo flexível ao suporte do amortecedor e
5- Faça a sangria dos freios. monte a trava correspondente.
6- Ligue o tubo ao flexível e ajuste a união. Verifique
Desmontagem do prato de freio que o braço de montagen esteja seguro.
7- Faça a sangria do sistema de freios.
1- Afrouxe as porcas da roda. Erga a parte posterior
Nota: Quando instale um novo flexível verifique a
do veículo e instale os suportes de chassi. Tire a roda
não existência de atrito com outras partes do chassi.
traseira.
Evite torções na mangueira.
2- Remova o conjunto de sapatas de freio traseiro.
3- Desligue a tubulação de freios do cilindro de roda
e tampe-a. Troca da tubulação dos freios
4- Afrouxe os quatro parafusos de retenção e retire a
base do freio traseiro. Toda tubulação rigida de freios é feita com tubos de
5- Tire o cilindro de freio. aço. A tubulação dos freios tem um revestimento pro-
tetor de zinc e assim, sua resistência à corrosão.
Montagem Se uma tubulação de freios começa a ficar estragada
deve ser trocada toda ela, por uma do mesmo tipo,
diâmetro, forma e comprimento.
1- Monte o cilindro de freio.
2- Monte a base de freio e aperte os quatro parafu-
Importante: Não utilize tubulação de cobre.
sos de retenção.
3- Retire a tampa e ligue a tubulação de freios.
Quando é instalada a tubulação de freio e fixada sob
4- Monte o conjunto de freio traseiro.
a carroçaría ou ao longo do eixo traseiro se deve ter
5- Monte o conjunto de cubo e o tambor no eixo.
cuidado de não amassar a mesma. Verifique que a tu-
Instale uma arruela-trava e a porca. Verifique o giro
bulação esteja fixada pelas travas sob a carroçaría.
livre dos rolamentos da roda.
6- Faça a sangria do conjunto.
Toda tubulação de freio deve ser cônica e dupla para
7- Instale a roda traseira. Tire os suportes do chassi e
evitar os vazamentos. Limpe a tubulação com fluído
abaixe o veículo. Aperte as porcas da roda ao valor de
de freios limpo antes de sua instalação. Quando ligue
torque especificado.
uma tubulação com uma mangueira ou flexível com o
cilindro de freios, ajuste a conexão da tubulação ao
Troca das mangueiras de freio valor de torque especificado. Sangre os freios e inspe-
Nota: O flexível ou mangueira dos freior deve ser tro- cione, para verificar a existência de vazamentos.
cado toda vez que apresente sinais de desgaste, trin-
cas ou de vazamento.

1- Afrouxe a união da tubulação com o flexível no


suporte fixado ao amortecedor.
2- Tire a trava do tubo flexível no suporte fixado ao

52
MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

Desmontagem do reservatório do Nota: Os anéis do pistão podem ser trocados sem


que o reservatório seja retirado do lugar.
cilindro-mestre.
2- Aperte o cilindro-mestre numa morça de banca-
1- Abra o capô e coloque protetores no pára-lamas. da.
Desligue a bateria. 3- Afrouxe a haste de atuação para eliminar a pres-
2- Tire a tampa do resevatório e tire o fluído de freio. são no pino-trava do pistão e tire a trava e a arruela.
3- Afaste o reservatório do cilindro-mestre, mexen- 4- Tire o pistão primário, porém, não desmonte o
do ele para os lados e puxe para cima. conjunto .
4- Tire os anéis de borracha do cilindro-mestre e tro- 5- Bata cuidadosamente o cilindro-mestre com uma
que-os, se for necessário. superfície mole, como um troço de madeira e tire o
conjunto de pistão secundário.
Montagem 6- Tire a mola, o retentor e o O ringe. Para não estra-
gar o pistão, tire o anel do pistão utilizando um ins-
trumento que tenha pontas moles.
1- Monte os anéis de borracha no cilindro-mestre.
2- Monte o reservatório no cilindro-mestre.
3- Encha o cilindro-mestre com fluído de freios lim- Inspeção
po.
4- Faça a sangria do sistema de freios. Depois de lavar as peças, controle o seguinte:
5- Ligue os cabos da bateria. 1- O furo do corpo do cilindro e os pistões por trin-
6- Tire os protetores de pára-lamas e feche o capô. cas, ovalização e corrosão.
7- Verifique o funcionamento do sistema de freios
num teste de rua. Nota: Quando o corpo do cilindro não pode ser apro-
veitado, troco todo o conjunto. Quando um pistão está
Desmontagem do cilindro-mestre estragado, troque o conjunto de pistão. O pistão pri-
mário não deve ser ajustado ou desmontado.
1- Abra o capô e coloque protetores nos pára-lamas.
2- Verifique o estado de cada pistão por possiveis
Desligue os cabos da bateria.
desgastes ou dano.
2- Esvacie o fluído de freios do reservatório. Desli-
gue as tubulações de freio afrouxando as conexões de
Nota: Se existir algum defeito troque o pistão pri-
suas uniões. Tampe os extremos abertos. Desligue o
mário como se for um conjunto completo.
interruptor de nível de fluído.
3- Afrouxe as duas porcas e as arruelas de pressão
3- Verifique o reservatório pela não existência de
que fixam o cilindro-mestre ao conjunto do servo-vá-
deformações na base da montagem. Monte anéis no-
cuo e tire o cilindro-mestre.
vos na hora da montagem do mesmo.
Conserto
A sequência de desmontagem geral é apresentada Montagem
na Figura 64.
1- Limpe o cilindro e os pistões com álcool natural
1- Afaste, cuidadosamente, o reservatório do cilin ou fluído de freios limpo. Nunca utilize óleos de base
dro-mestre e tire os anéis de borracha. mineral como gasolina ou querosene.

53
MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

FIGURA 64.

1- CONJUNTO DE TAMPA DE DEPÓSITO


2- FLUTUANTE
3- DEPÓSITO
4- BUCHA
5- PARAFUSO DE TOPE
6- ARO DE TOPE
7- CONJUNTO DE PISTÃO PRIMÁRIO
8- CONJUNTO DE PISTÃO SECUNDÁRIO

8- Com as tampas de borracha feche os furos de en-


Nota: 1- Lubrifique a superfície dos anéis de ve- trada e encha o reservatório com fluído de freio novo.
dação e dos pistões com uma boa quantidade de fluí- Troque os anéis de borracha, se for necessário.
do de freios antes da montagem. 9- Logo de montar o conjunto no veículo, complete
2- Verifique que os pistões e anéis sejam da o reservatório e faça a sangria do sistema de freios.
medida indicada na parte exterior do cilindro. Mantenha pisado o pedal de freio durante uns 10 se-
gundos e depois, verifique o nivel do fluído no cilin-
2- Monte os novos anéis do pistão secundário e de- dro-mestre para saber se existem sinais de vazamento.
pois o pistão de borracha e sua mola.
3- Mergulhe o pistão secundário no fluído de freios
limpo e suavemente, monte-o no cilindro com a mola
secundária.
4- Monte os novos anéis do pistão primário, verifi-
cando que estejam fixados da forma correta.
5- Mergulhe o pistão primário em fluído de freios
limpo, e suavemente instale-o no cilindro com a mola.
6- Empurre os pistões com a haste de atuação e monte
a trava de pistão no interior do orificio de entrada se-
cundário. Verifique a fixação da arruela-trava.
7- Monte os anéis de retenção no cilindro, utilizan-
do as ferramentas adequadas.

54
MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

SISTEMA ANTI-BLOCK (ABS) dição se perde. Por isto, outra grande vantagem do
sistema ABS é a de manter o controle do veículo sob
qualquer condição.
Resumindo, o motorista pode “ficar em pé” sobre o
O sistema anti-bloqueio ou anti-derrapagem dos pedal de freio que ainda consegue virar o veículo na
freios fora opcional em alguns carros de luxo e só hoje, direção desejada, sem se preocupar de que as rodas
ele é montado em veículos como equipamento stan- possam patinhar.
dard ou normal. O motivo disto é muito simples.
Um veículo com este sistema de freios não trava suas O sistema ABS mantêm a estabilidade do veículo
rodas, no caso de uma freagem violenta. durante as freagens imprevistas com velocidades su-
periores às 8-9 mph (14 km/h). Obviamente, o moto-
O sistema anti-derrapagem pode ser interpretado rista deve ter sentido comum e não atingir velocida-
como a combinação da ação hidraúlica e o controle des máximas nas curvas e outras situações extremas.
eletrônico dos freios e será aplicada, somente sob con-
dições extremas de freagem. MODELOS DE SISTEMAS ABS
Motoristas muito experientes ficam bombeando o
O conceito do ABS não é novo. Ele foi desenvolvido
pedal de freio durante uma emergência de freagem,
pela industria da aviação para ajudar aos jets a se O
para evitar, assim que as rodas fiquem travadas. A úni-
deter em distâncias curtas e em linha reta nas pistas
ca diferença entre este procedimento institivo e o sis-
de aterrizagem. No ano 1947, bombardeiros como o
tema anti-derrapagem é que este último será atuado
B-47 já utilizaram este sistema. Hoje em día, aviões
de maneira totalmente automática.
como o Jumbo 747 utilizam este sistema como equi-
pamento normalizado.
O fundamento do sistema é que um pneu sempre
deve ficar em contato ou atrito com o chão e quando
Atualmente, existem três sistemas anti-bloqueio em
a água fica entre esses dois elementos, isto é, começa
automóveis. Os alemães Teves e Bosch como ASC (Ac-
a patinhar ou seja perde tração. Assim que a roda per-
celeration Skid Controle). A BMW e Mercedes Benz
de tração ou seja que é reduzido o atrito, o veículo se
utilizam, na Europa, o sistema BOSCH, exportando à
detêm numa distância muito longa.
América os mesmos sistemas junto com o AUDI. Ao
mesmo tempo, a Ford utilizava um sistema próprio e
A única exceção ao efeito anterior é quando as rodas
que ficou obsoleto por fornecer respostas muito len-
estiverem em contato com neve. Por isso, alguns fa-
tas. Com posterioridade, a Ford começou a utilizar o
bricantes fornecem seus veículos com o sistema ABS e
sistema Teves.
uma chave de controle, com as posições liga e desli-
ga. Em consequência, o sistema ABS permite que o
O sistema Girling é o de mais baixo custo e é possí-
veículo se detenha em distâncias muito curtas.
vel que seja montado em carros mais baratos.
Outra condição que deve ser considerada é que um O sistema ABS controla o giro da roda ao monitorar
pneu patinhando não permite o controle direcional, a desaceleração relativa das rodas durante a freagem.
efeito que não está relacionado com a distância de Se uma das duas rodas começa a reduzir sua velocida-
freagem. Sempre que a roda não estiver patinhando se de ou giro, mais rapidamente que a outra, é sinal posi-
pode seguir a direção desejada ou seja que o carro fica tiva de que a mesma se travará e começará a patinhar.
sob o controle total do motorista. O sistema responde reduzindo a pressão hidráulica
Mas, quando a roda começar a patinhar esta con- aplicada em ambas rodas.

55
MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

A válvula de controle hidráulico libera a pressão de for-


ma pulsante. Isto pode ser “percebido” no pedal de
freios durante uma freagem brusco. É a forma equiva-
lente de bombear o pedal dos freios.

O sistema Bosch libera pulsos de pressão com uma Disco


frequência de 10 pulsações por segundo. No sistema
Teves, a frequência é de 15 pulsações e no sistema Gir-
ling, ela é de 3 por segundo.
O contínuo pisar do pedal de freio permite ganhar
tração sobre a roda afetada. Portanto, uma vez que a
velocidade de giro ou desaceleração da roda volta a
Anel
ficar igual à outra, a pressão de freagem volta a ser
dentado
normal.

Os sistemas Bosch e Teves medem a desaceleração


mediante sensores magnéticos (Figura A).
Em alguns carros, são utilizados três sensores, um
para cada roda dianteira e o terceiro, no eixo treseiro e
FIGURA 65: CONJUNTO DA PONTA DEEIXO E DISCO.
poder controlar o par de freios traseiros. Utilizando
um único sensor para o par de freios traseiros, se sim-
plifica o sistema ao ser dividido, somente, em três cir- ponde, de forma rápida às mudanças de pressão.
cuitos. No entanto, existem outros sistemas como os
da Ford e GM nos quais são utilizados quatro circui- Os sistemas mais comuns que os mecânicos podem
tos. encontrar num carro são os mencionados com ante-
Os sistemas Bosch e Teves utilizam sensores de velo- rioridade. Lembre-se de que:
cidade magnéticos e um anel sensor dentado. Confor- O sistema ABS não afeta o serviço normal das pastil-
me a roda gira, os dentes do anel cortam as linhas de has, pinças, cilindros de roda, mangueiras ou cabos
força ou campo magnético do sensor, gerando uma de freio de mão.
pequena voltagem. Logo, um computador “conta” es- Quando é montado um sistema ABS pode ser dife-
tes pulsos e os utiliza para calcular a velocidade relati- rente o cilindros-mestre e o seervo-vâcuo.
va em cada roda. Quando é feito alñgum o serviço no sistema ABS, os
sensores de velocidade não devem ser mexidos.
Quando o computador detecta uma diferença na É muito mportante a folga que existe entre o sensor
desaceleração de uma ou mais rodas durante a frea- de velocidade e o anel dentado.
gem , ele, o computador, permite que a pressão libera- O sistema ABS controla as rodas dianteiras, de forma
da aos freios do circuito correspondente, seja reduzi- independente, sempre. O controle das traseiras pode-
da até que os sensores indiquem que a situação está rá ser independente ou não.
novamente sob controle. No sistema ABS, os freios traseiros podem ser de dis-
co ou tambor.
O sistema ABS está equipado com válvulas solenoi- Geralmente, os componentes do sistema ABS devem
des de controle, uma para cada circuito e poder assim, ser, simplesmente, trocados quando eles falham.
regular a pressão de freagem. Estas válvulas atuam em O processo de sangria do sistema de freios pode re-
miléssimas de segundo, de maneira que o sistema res- sultar um pouco dificultoso.
Se o sistema ABS falhar, é fornecido um sinal ao

56
MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

motorista, ligando uma lâmpada no painel. Isto não


Acumulador
quer dizer que o sistema de freios fique inoperante,
eles funcionarão normalmente. Além disso, a falha
poderá ser verificada e consertada.

A força necessária para atuar o pedal de freio com


sistema ABS, dependerá das condições da estrada.
As pulsações sobre o pedal de freio serão percebidas
quando o sistema ABS estiver ligado e não durante a
freagem normal do veículo.

Conjunto motor-bomba
SISTEMA TEVES
FIGURA 66.
A maioria dos automóveis fabricados na América,
estão equipados com este sistema. Entendendo como
funciona este sistema, o técnico poderá interpretar
qualquer outro sistema semelhante. Este sistema, está
dividido em três circuitos com freios dianteiros indivi-
duais e freios traseiros combinados num só circuito.
Seus componentes são:
Cilindro-Mestre e Acelerador Hidráulico: o ser-
vo-vâcuo fica logo detrás do cilindro-mestre, opera- Conjunto cilindro
do por um came ou mecanismo ligado ao pedal de Mestre/Booster
freio.

Bomba Elétrica e Acumulador: o sistema tem uma


bomba elétrica como a da Figura 66. Ela carrega o acu- Conjunto de vâlvula solenoide
mulador hidráulico que estabiliza a pressão do siste-
ma de freios. Quando a pressão no acumulador cai FIGURA 67.
abaixo das 2,230 p.s.i., a bomba é ligada e permanece Reservatório com Alerta de Nível de Fluído: o
funcionado até que a pressão atinja as 2,610 p.s.i. va- reservatório (Figura 68) é de plástico e têm duas câ-
lor com que ela é desligada. O acumulador é uma câ- maras. O interruptor de nível é parte do conjunto da t
mara com gas sob pressão que forma parte do con- Luz de Alerta ABS: os veículos equipados com ABS
junto bomba-motor. O motor elétrico, a bomba e o tem uma lâmpada testemunha ou de alerta no painel
acumulador são montados no cilindro-mestre. da tampa e tem um conector elétrico saem do reci-
piente. Uma está ligada ao conjunto de bomba hidraúli-
Conjunto Válvula Solenóide: está composto de ca e a outra ao conjunto do cilindro-mestre. O reci-
três pares de válvulas solenóides (Figura 67). Uma para piente é montado na unidade hidraúlica com parafu-
cada roda dianteira e um par para as rodas traseiras. sos e abraçadeiras. (Figura 69).
As válvulas solenóides são do tipo entrada-saída com
a entrada normalmente aberta e a saída normalmente
fechada. A válvula é fixada ao cilindro-mestre.

57
MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

Encher só
até esta
marca

FIGURA 68. FIGURA 69.

Sensores de roda: existem quatro sensores eletrô-


nicos de relutância variável, cada um com pouco mais
de 100 dentes no anel dentado. Cada sensor está liga- Conjunto
do ao controle eletrônico por meio de fios eletricos. massa e rotor
Os sensores frontais estão montados às abraçadeiras,
que ao mesmo tempo, estão montadas, nas pontas dos Conjunto do sensor
eixo. Ver figura 70.
Os anéis dos sensores frontais estão fixados dentro
da parte interna dos discos dianterios. Cada sensor
debe ser montado com uma folga e que pode ser ajus-
tada entre a cabeza do mesmo e o anel dentado. A
Dentes
folga pode ser regulada com um espaçador de papel.
Os sensores traseiros são aparafusados nas abraça-
deiras que por sua vez, estão montadas nos adaptado- FIGURA 70.
res de discos de freios traseiros, como o da figura 71.

Adaptador de
Controle Eletrônico: o controlador eletrônico é uma
freio traseiro
unidade selada, ou seja que não pode ser aberta para
seu conserto e consiste de dois microprocessadores Eixo
pre-programados. O controle monitora a operação do
sistema assim que o carro for ligado para poder utili-
zar o ABS. Em condições normais, o microprocessador Conjunto de sensor
testa as válvulas solenóides fornecendo pequenos pul-
sos elétricos para verificar o sistema eletrônico de con-
trole sem afetar ao sistema mecânico.
Sob uma condição de travamento das rodas é dispa-
rado um sinal a partir do controlador, abrindo ou fe-
chando as válvulas solenóides correspondentes. Isto
resulta em pulsos moderados no pedal de freio, acom-
panhado de uma variação na altura do pedal. Anel denteado
Durante a freagem normal, a sensação será seme- FIGURA 71.
lhante ao de um sistema standard de freios.

58
MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

de instrumentos. Se o controlador eletrônico detecta gria. Verique o nivel de fluído de freio no reservatorio
alguma falha no sistema, a luz acenderá. No caso de até a marca de Máximo e com o acumulador comple-
isto acontecer, o sistema será desligado de forma au- tamente carregado.
tomática.

Se ambas luzes de alerta (ABS e freios) acendem ao SERVIÇO NO SISTEMA ABS


mesmo tempo é possível que a falha é no sistema hi-
dráulico. Geralmente, a luz de alerta acende quando o Como foi explicodo colm anteriormente, o sistema
veículo é ligado, permanece acesa por três segundos e Teves é monitorado de maneira contínua, para a verifi-
finalmente se apaga. Se a lâmpada permanece acesa cação da existência de alguma falha. Se isto ocorrer, o
por mais tempo, será necessário verificar o sistema sistema é desligado e o sistema normal de freios con-
ABS.
tinuará funcionando. Somente a luz de alerta se acen-
Luz de Alerta de Freios: a maioria dos sistemas ABS derá. Desta maneira, será possível para o técnico de-
têm três circuitos de freios e diante de uma falha num tectar a falha e substituir a peça defeituosa. O mais
dos circuitos, o sistema continuará funcionando e a comum é que os componentes externos sejam troca-
pressão hidraúlica seguirá disponível. dos, como a bomba, o motor elétrico, o acumulador,
as válvulas, o reservatório e o interruptor de pressão.O
Esta lâmpada fica acesá toda vez que há falha no procedimento normal de copnserto das peças dos
circuito hidráulico. A luz deverá acender quando o carro freios, tais como a troca de pastilhas, discos, unidade
é ligado e permanecerá acesa até que o freio de mão hidráulica, deverá ser feito da forma já antes apresen-
for liberado. Se a mesma permanece acesa por mais de tada.
3 segundos, então há uma falha no sistema.

Para os conjuntos de freios dianteiros, o processo de


sangria do sistema ABS é semelhante ao de um siste-
ma normal. Já para poder sangrar os freios traseiros, o
acumulador deverá ter uma pressão, mínima, de 35 Em outras palavras, o serviço no sistema Teves de
p.s.i. freios, será realizado de forma semelhante aos serviços
comuns, com poucas exceções.
SANGRIA DO SISTEMA
COM O ACUMULADOR FIGURA 72: SISTEMA TEVES

CARREGADO
Acumulador
Reservatório
Assim que a pressão do acumulador
estiver disponível no sistema, os freios Cilindro mestre
Vâlvula
traseiros podem ser sangrados giran- Vâlvula
normalmente
do a válvula correspondente, durante normalmente
aberta
10 segundos, pisando o pedal de fechada Bomba-Motor Hydro-boost
(entrada)
freios e a chave de ignição na posição (saída)
ON (Ligado). Deve ser repetida esta
operação até que o ar saia em cada
conjunto de freio ou pinça. A seguir, Esquerdo
deverá ser fechada, de novo, a válvu- Direito Eixo traseiro
frente frente
la. Pesando o pedal de freio varias ve-
zes até completar o processo da san-

59
MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

Primeiro e antes de fazer o serviço, se deve despre- Os parafusos da válvula moduladora devem de estar
surizar o acumulador para evitar acidentes. Isto se con- apertados. Geralmente, a válvula está localizada na
segue, bombeando o pedal de freios e a chave de ig- parte interior do veículo. Tenha cuidado de não espal-
nição na posicão OFF (Desligado) até que o pedal fi- har fluído de freios em está area.
que duro. A distância entre os sensores e o anel denta-
do não deve ser ajustada, até que algum serviço de Os sensores de velocidade estão localizados na roda
retificado ou troca dos discos fosse necessária. e devem ser empurrados com a mão para sua monta-
gem. Não bata nos sensores ao montá-los. Cada vez
Após o serviço se deve fazer a sangria do sistema. que troque algum sensor observe que os mesmos ten-
Para poder fazer ela nas rodas traseiras, deve ser pisa- ham marcas que identificam a sua posição, isto é, la-
do o pedal dos freios e mantido assim atè que a chave teral direita e esquerda.
de ignição é posicionada em ON (Ligado), por um pe-
ríodo minimo de 10 segundos. Isto permite que a bom- Tanto a roda como o pneu devem de estar fora quan-
ba de alta pressão empurre o ar através do sistema. Se do seja realizada a troca dos sensores. Os mesmos de-
for necessário, este processo pode ser repetido. Mas, verão ser cobertos com um anticorrosivo antes de sua
antes de girar o parafuso por segunda vez, volte a cha- instalação. Não é recomendável o uso de graxa. Não
ve de ignição à posição OFF (Desligado) e pise o pedal utilize produtos siliconados. Sempre tenha como re-
dos freios para aliviar a pressão do acumulador. ferência, o manual de serviço ao trocar peças do siste-
ma ABS.
São necessárias algumas precauções quando trabal-
ha com o sistema Teves. Se for necessário fazer uma Quando testamos o funcionamento do ABS deve ve-
soldadura, deve ser desligada a unidade de controle rificar que a luz de alerta esteja acesa quando for liga-
eletrônico, para evitar o seu aquecimento. da a ignição, mas, deverá ficar desligada quando o
Quando trabalha na bomba, deve ter especial cuida- motor estiver funcionando. O circuito de segurança é
do especial ao desmontá-la, marcando as porcas e os ligado quando o motor é ligado e quando a luz de
parafusos para voltar a montar no seu lugar original. alerta estiver desligada e o sistema estivar funcionan-
Não é necessário apertá-las muito. do.

Se a tubulação dos freior estiverem desligadas será Quando o carro é testado na estrada, o técnico pode
necessário ligá-las para evitar que entre sujeira no sis- verificar o efeito da pulsação no pedal de freio. Com
tema. E no caso de repitir a operação de liga e desliga, baixa velocidade, também é possível ouvir o som da
verifique os vazamentos. bomba hidraúlica. Isto é normal e na realidade, é um
sinal positivo de que o sistema está funcionando.
Verifique que as linhas de entrada e saída estejam
ligadas corretamente. Nunca desligue a batería do ca-
rro, quando o motor estiver ligado. Quando a chave
de ignição estiver na posição On (Ligado), não ligue
ou desligue o môdulo de controle. Verifique sempre
as conexões.

Evite encostar os terminais do môdulo de controle,


já que a eletricidade estática pode estragá-lo. Também
o uso de aparelhos de testes de continuidade, podem
danificar a unidade de controle.

60
MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

SISTEMA BOSCH Se o sinal do sensor fornecido ao môdulo de contro-


le, é de que o travamento da roda está perto de acon-
tecer, ele fornece um sinal à válvula solenóide, fazen-
Como em outros sistemas ABS, existem três tipos de
do que ela se mexa atè sua posição mais elevada. Com
elementos: sensores, modulador e computador. A di-
a válvula nessa posição, a pressão hidráulica existente
ferença com o sistema Teves é a utilização de um ace-
na pinça, passa através do acumulador e retorna à bom-
lerador de vácuo e um cilindro-mestre convencional.
ba. Desta maneira, o môdulo de controle envía um si-
O fluído de freio sob pressão passa primeiro pela vál-
nal ao relé da bomba e conforme o fluído de freios
vula moduladora, antes de atingir as pinças.
aumenta sua pressão, o acumulador e a bomba ficam
ligados.
O conjunto de válvulas moduladoras consiste em três
válvulas solenóides e dois acumuladores (um para cada
Com a bomba funcionando, a pressão do fluído au-
eixo), bomba e motor elétrico.
menta dentro dela e se descarrega através da saída,
retornando à entrada da válvula solenóide. Na medida
Como no sistema Teves, os sensores fornecem sinais
que o fluído retorna à entrada da válvula sob pressão,
ao computador quando funcionam com os anéis den-
este efeito provoca que a pressão aumente até o cilin-
tados das rodas. Portanto, é fundamental a folga entre
dro-mestre. Cada vez que isto acontece, o pedal de
ambas peças.
freio fica erguido. A pressão do fluído não atinge a
pinça, devido a que a posição em que se encontra o
O môdulo de controle recebe, além dos sinais dos
solenóide, isola do resto do sistema.
sensores, outros sinais para a saída das válvulas sole-
noides e o relé das mesmas, ao relé da bomba e aos
Neste ponto da operação, a pressão na pinça está
indicadores, se for necessário.
aliviada completamente, permitindo que a roda gire
livremente. Quando o sensor da roda fornece ao môdu-
Se for necessário fazer uma freada brusca, uma cha-
lo de controle um sinal de que a velocidade está au-
ve de aceleração lateral é activada e fornece um sinal
mentando, o mesmo desliga o solenóide, permitindo
ao môdulo de controle para solucionar o problema de
que o mesmo volte a sua posição de “aplicação” e fe-
bloqueio que possa se apresentar e compensar a frea-
che o retorno da bomba, completando assim, um ci-
gem durante a manobra. A chave de aceleração lateral
clo.
é a combinação de duas chaves de mercúrio.
O serviço em este sistema ABS será feito da mesma
Durante a freagem normal, a válvula solenóide fica
maneira que num sistema convencional de freios.
na posição de repouso, permitindo com que a pressão
do fluído hidraúlico passe livremente, desde o cilin-
A sangria dos freios pode ser feita de forma manual
dro-mestre até os suas corrrespondentes pinças.
ou com sangrador que trabalhe com uma pressão en-
tre 20 a 25 p.s.i. Em qualquer um dos casos, a parte
No caso de uma freagem de emergência ou que as
dianteira do veículo deverá ser erguida para posicio-
rodas fiquem travadas, os sensores fornecem um sinal
nar o parafuso de sangria no ponto mais alto da pinça.
ao môdulo de controle, que por sua vez, age sobre a
Isto permite a saída de todo o ar do sistema.
válvula solenóide correspondente. Então, a roda em
questão fica livre pois cae a pressão na sua pinça.
Neste sistema é recomendável o uso de fluído de
freios tipo DOT 3.
A válvula solenóide, então fica numa posição inter-
mediária, mantendo a pressão hidráulica existente na
pinça, evitando que a mesma aumente.

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MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

Comparação
Relé Môdulo de controle
Luz de alerta
¿Cuál é o melhor sistema? O sis-
tema Teves é o mais compacto e Interruptor de aceleração
elimina a necessidade de um ser- lateral
vo-vácuo, enquanto que o sistema Acelerador (Booster)
Bosch, utiliza um cilindro-mestre
convencional e um servo-vácuo
convencional.
O sistema Teves utiliza um cilin-
dro-mestre mais sofisticado e de
Vâlvula
alto custo. A válvula moduladora
Sensor de velocidade moduladora
no sistema Bosch, por outro lado,
deve ser trocada e nunca conser- Anel dentado Pinça
tada, quando ela falhar.
FIGURA 73: SISTEMA BOSCH

SISTEMA LUCAS - GIRLING


Este sistema é o mais simples de todos.
Para começar, o sistema não tem computador nem
sensores de velocidade.

A operação é feita me-


diante duas unidades mo-
duladoras controladas me-
cánicamente. Cada uma
delas controla uma roda
dianteira e a oposta trasei-
ra, isto é , em diagonal. Cilindro-mestre

A operação básica ainda


Vâlvulas
é a mesma: pulsar a pres-
são de freio caso as rodas Servo-vâcuo
estão perto de ficar trava-
das ou seja que os pnesu co- Moduladora
meçam a patinhar.

A não utilização de um
sistema eletrônico para mo-
nitorar a velocidade da roda
e regular a pressão, FIGURA 74: SISTEMA LUCAS-GIRLING

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MECÂNICA AUTOMOTIVA - FREIOS

o sistema Girling está baseado num momento da cias e superfícies irregulares com controle total do
roda e uma embreagem unidirecional para abrir e fe- veículo durante uma freagem imprevista. Lógicamen-
char as válvulas de pressão. te, o seu preço é quase a metade do dos sistemas Bos-
Obviamente, o sistema não é tão sofisticado como o ch e Teves, o que o faz ideal para os carros de tração
alemã. Mas, permite uma freagem em curtas distân- dianteira de baixo custo.

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