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Organizadora: Editora do Brasil

7 E d i t o r e s R e s p o n s áv e i s : E d u a r d o pa s s o s e A n g e l a S i l l o s
Obra coletiva desenvolvida pela Editora do Brasil

Tempo de

Ciências da
coleção TEMPO
natureza
Ciências

Tempo de Ciências
coleção TEMPO
Ciências da
natureza

Obra coletiva desenvolvida pela Editora do Brasil

Organizadora: Editora do Brasil


Eduardo passos e Angela Sillos
Este livro didático é um bem reutilizável da escola e Editores Responsáveis:

deve ser devolvido em bom estado ao final do ano


para uso de outra pessoa no próximo período letivo.

ISBN XXXXXXXXXXXX-X

Arial 7 Normal CÓDIGO


código DO LIVRO:
Do livro:
XXXXXXXXXXXXXXX
0149P17032007lM
Arial 14 Negrito
Tempo de
Ciências coleção TEMPO
Ciências da
natureza

Organizadora: Editora do Brasil


7
Obra coletiva desenvolvida pela Editora do Brasil

E d i t o r e s Re s p o n s á v e i s : E d u a r d o P a s s o s
Bacharel em Ciências Biológicas
Bacharel e licenciado em Letras

Angela Sillos
Bacharel e licenciada em Física
Bacharel em Comunicação Social
Mestra em Educação
Professora de Ensino Médio

2a edição
São Paulo, 2015
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Tempo de ciências 7 / organizadora Editora do Brasil; obra coletiva


desenvolvida pela Editora do Brasil; editores responsáveis Eduardo
Passos, Angela Sillos. – 2. ed. – São Paulo: Editora do Brasil, 2015. –
(Coleção tempo)

ISBN 978-85-10-05999-2 (aluno)


ISBN 978-85-10-06000-4 (professor)

1. Ciências (Ensino fundamental) I. Passos, Eduardo. II. Sillos,


Angela. III. Série.

15-05191 CDD-372.35

Índices para catálogo sistemático:


1. Ciências: Ensino fundamental 372.35

© Editora do Brasil S.A., 2015


Todos os direitos reservados

Direção executiva: Maria Lúcia Kerr Cavalcante Queiroz

Direção editorial: Cibele Mendes Curto Santos


Gerência editorial: Felipe Ramos Poletti
Supervisão editorial: Erika Caldin
Supervisão de arte, editoração e produção digital: Adelaide Carolina Cerutti
Supervisão de direitos autorais: Marilisa Bertolone Mendes
Supervisão de controle de processos editoriais: Marta Dias Portero
Supervisão de revisão: Dora Helena Feres
Consultoria de iconografia: Tempo Composto Col. de Dados Ltda.

Coordenação editorial: Angela Sillos


Edição: Eduardo Passos, Nathalia C. Folli Simões e Sabrina Nishidomi
Assistência editorial: Érika Maria de Jesus, Mateus Carneiro Alves e
Renato Macedo de Almeida
Auxílio editorial: Ana Caroline Mendonça, Isabella Italiano e Tatiani Donato
Coordenação de revisão: Otacilio Palareti
Copidesque: Ricardo Liberal, Giselia Costa e Sylmara Beletti
Revisão: Alexandra Resende, Ana Carla Ximenes, Andréia Andrade, Elaine Fares e
Maria Alice Gonçalves
Coordenação de iconografia: Léo Burgos. Pesquisa de capa: Léo Burgos
Pesquisa iconográfica: Douglas Cometti/Vanessa Volk
Coordenação de arte: Maria Aparecida Alves
Assistência de arte: Letícia Santos
Design gráfico: APIS Design Integrado e Patrícia Lino
Capa: Patrícia Lino
Imagem de capa: Fábio Colombini
Ilustrações: Carlos Caminha, Danillo Souza, Dawidson França, DKO Estúdio, Ilustra Cartoon,
Ilustrarte, Luis Moura, Luiz Lentini, Marcos Guilherme, Marcos Farrel, Natalia Forcat,
Paula Radi, Paulo César Pereira, Paulo Nilson, Sattu, Wander Antunes e Vagner Coelho
Fotografias de vinheta: Fernando Favoretto
Produção cartográfica: DAE (Departamento de Arte e Editoração), Sonia Vaz,
Studio Caparroz e Mario Yoshida
Coordenação de editoração eletrônica: Abdonildo José de Lima Santos
Editoração eletrônica: José Anderson Campos e Wlamir Miasiro
Licenciamentos de textos: Cinthya Utiyama, Paula Harue Tozaki e Renata Garbellini
Coordenação de produção CPE: Leila P. Jungstedt
Controle de processos editoriais: Beatriz Villanueva, Bruna Alves, Carlos Nunes e
Rafael Machado

2a edição / 1a impressão, 2016


Impresso no Parque Gráfico da Editora FTD S.A. – CNPJ 61.186.490/0016-33
Av. Antonio Bardella, 300 – Guarulhos – SP – CEP 07220-020
Tel. (11) 3545-8600 e Fax (11) 2412-5375

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Fone: (11) 3226-0211 – Fax: (11) 3222-5583
www.editoradobrasil.com.br
Apresentação
Caro aluno,
Esta Coleção foi pensada e escrita para levar você a descobrir o prazer de

aprender Ciências.

Queremos estimular sua curiosidade, aguçar sua capacidade de observar,

experimentar, questionar e buscar respostas e explicações sobre os astros, o

ambiente, os seres vivos, seu corpo e tantos outros fatores e fenômenos que

fazem parte do mundo.

Nosso objetivo, ao produzir esta Coleção, foi oferecer a você um material fácil

de ler e ver e que o ajudará em sua busca pelo conhecimento.

Para que ele cumpra esse papel, contamos com seu interesse, sua leitura aten-

ta, seu entusiasmo e sua participação nas atividades propostas. Procure comple-

mentar as informações apresentadas neste livro com outras obtidas em fontes

seguras. Sugerimos várias delas ao longo da Coleção.

Desejamos a você um ano letivo de muitas aprendizagens e alegria.


Conheça o livro
Temas NESTE TEMA
VOCÊ VAI ESTUDAR:

• a diversidade dos seres

Rich Carey/Shutterstock
O livro é organizado vivos;
• a célula, que é a estrutura
fundamental dos
organismos;

em temas e cada tema • a estrutura básica da


célula e a teoria celular;
• os níveis de organização

apresenta uma abertura


dos organismos
multicelulares;
• algumas características
dos seres vivos;

em página dupla com • os vírus.

uma relação dos assuntos


que você vai estudar.

Mergulhador nadando
em oceano perto de
recife de corais, no
mar da Tailândia.

Tema
Características e
1 1. Que seres vivos você vê nessa

3. Se você fosse organizar os


característica s escolheria para
fotografia?

2. O que os seres vivos dessa fotografia


quais são as diferenças entre eles?

fazer
têm em comum? E

seres vivos em grupos, que


essa divisão?

classificação dos
seres vivos

Posso perguntar?
É incrível a quantidade
de dúvidas que surgem
quando estamos
Capítulo
Características gerais
1 Neste capítulo você vai iniciar
estudo das plantas, começando
o

pelas características gerais desse


grupo de organismos, um pouco
de sua história evolutiva e diver-
sidade.
aprendendo alguma
coisa... E aí, o melhor
das plantas e sua jeito é perguntar
diversidade
Explorando O parque perto de casa
Explorando
mesmo! Perguntas
assim são apresentadas
Ilustrações: Wander Antunes

Diego sempre frequentava o parque


No início de cada capítulo, perto da sua casa, que tinha uma pista de
skate. Ele passava as tardes inteiras de domin-
go fazendo altas manobras. nessa seção do livro.
você vai ler a história Ele dizia que queria ser skatista profis-
sional quando ficasse um pouco mais velho.
Mas sua mãe somente permitia que ele fos-

de um personagem se andar de skate depois de ter feito toda


a lição de casa. Ela dizia que se deve correr
atrás dos sonhos, mas é necessário estudar,

envolvido em situações pois isso faz parte do desenvolvimento do


ser humano.
Diego, no fundo, dava razão a ela, fazia
Ciência e Sociedade
de seu cotidiano que sua lição e partia para o parque.
Uma coisa de que ele gostava era a

A sociedade utiliza
grande quantidade de plantas do parque.

trazem reflexões.
Havia árvores que se enchiam de flores em
determinada época do ano, pinheiros, que

os conhecimentos
nunca davam flores, mas produziam pinhas, muitos arbustos e plantas rasteiras.

Quando queria descansar um pouco, Diego


se deitava na grama e ficava observando a natu-
produzidos pela
reza à sua volta e ouvindo o canto dos pássaros.

Agora vamos refletir sobre a narrativa.


ciência? Se usa, de que
1. Você já parou para observar as plantas à sua
volta? Viu como elas têm as mais diversas co-
res e formas nos mais variados ambientes?
modo o faz? E qual a
2. Existem plantas fora do ambiente terrestre?
Você conhece alguma? relação entre a ciência
232 e a tecnologia? Nessa
seção você terá acesso
a essas discussões.

Curioso é...
C u r ioso é...
informações interessantes
Ifremer, A. Fifis/AP Photo/GlowImages

Ainda existem muitos seres desconhecidos, prin-


cipalmente nas florestas intertropicais, cuja diversi-

ou curiosas sobre o dade é bem grande. Regularmente temos notícias


de novos organismos descritos.

assunto do capítulo
O Census Projects (Projeto Censo Marinho; dis-
ponível em: <www.coml.org>), com um pouco mais
de dez anos de trabalho, muito tem contribuído para
Diálogo
o enriquecimento da lista de seres vivos conhecidos,

São apresentados
Lagosta peluda, uma das novas espécies

aumentarão seu Diálogo


pesquisando e classificando novas espécies. descobertas pelos pesquisadores
do projeto Censo Marinho.
O surgimento dos Kaingang

interesse pelo estudo. Aqui tem mais Desde sua origem, o ser humano procurou ter conhecimento sobre os fenômenos que
o cercam. Desse modo, os povos, ao longo dos tempos, foram criando mitos para explicar o
textos que integram o
mundo natural.
conhecimento de Ciências
Editoria de Arte/Folhapress

Com quase 800 espécies, Madeira é rio O movimento dos astros, o surgimento do fogo, dos ventos, das águas etc. eram atribuídos
com mais peixes no mundo às vontades dos deuses ou seres mágicos e relatados por meio dos mitos. Entre esses mitos,
Depois de vasculhar 1 700 quilômetros do alguns são relacionados à origem do Universo e dos seres vivos. A seguir, acompanhe o relato
12 cm
Madeira e de seus afluentes durante dois
anos, um grupo de pesquisadores bateu
dos Kaingang, indígenas naturais do Sul e Sudeste do Brasil.
A tradição dos Kaingang afirma que os primeiros membros da sua nação saíram do solo; por isso com o conhecimento
o martelo. Trata-se do rio com o maior têm cor de terra. Numa serra, sei bem onde, no sudeste do estado do Paraná, dizem eles que ainda
número de espécies de peixes do mundo:
cerca de 800.
hoje podem ser vistos os buracos pelos quais subiram. Uma parte deles permaneceu subterrânea;
essa parte se conserva até hoje lá e a ela se vão reunir as almas dos que morrem, aqui em cima. de outras disciplinas,
Ícone de tamanho Dessas, umas 40 equivalem a espécies

possibilitando um
Carlos Caminha

ainda desconhecidas da ciência, disse


à Folha a pesquisadora Carolina Dória,
coordenadora do Laboratório de Ictiologia

Informa uma dimensão modo de estudo que


35 cm
8 cm e Pesca da Unir (Universidade Federal de
Rondônia).
[...]

aproximada do organismo. Predominam as diversas formas de lam-


baris, piabas e cascudos. Mas há também ajuda você a ampliar
grandes e vistosas arraias, peixes orna-

sua visão de mundo.


5 cm
mentais, como os acarás, e esquisitos pei-
xes elétricos das profundezas.
Outros fortes candidatos a campeões mundiais de diversidade de peixes são o Xingu, o Ta-
pajós e o Tocantins [...] – todos contam em torno de 500 espécies, pelo menos. A posição
desses rios no pódio também depende da intensidade e da amplitude da amostragem neles.
Como esforços tão intensos quanto o da equipe da Unir no Madeira ainda não foram feitos
para outros rios amazônicos, a posição de campeão pode mudar.

Aqui tem mais


[...]
Reinaldo José Lopes. Com quase 800 espécies, Madeira é rio com mais peixes no mundo. Folha de S.Paulo,
São Paulo, 11 abr. 2011. Disponível em: <www1.folha.uol.com.br/ciencia/901005-com-quase-800-especies-
madeira-e-rio-com-mais-peixes-no-mundo.shtml>. Acesso em: 6 jun. 2015.

Aqui, você vai aprofundar Eles saíram em dois grupos chefiados por dois irmãos, Kayrú e Kamé, sendo que aquele saiu pri-
meiro. Cada um já trouxe consigo um grupo de gente. Dizem que Kayrú e toda a sua gente eram
34 de corpo delgado, pés pequenos, ligeiros, tanto nos seus movimentos como nas suas resoluções,
seus conhecimentos cheios de iniciativa, mas de pouca persistência. Kamé e seus companheiros, pelo contrário, eram
de corpo grosso, pés grandes, e vagarosos nos seus movimentos e resoluções.

com base na leitura de


Kaingang. Mitos coletados por Nimuendaju. Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Rio de Janeiro:
Fundação Nacional Pró-Memória, n. 21, 1986. Disponível em: <http://comin.org.br/static/
arquivos-publicacao/MITOS%20KAINGANG.pdf>. Acesso em: 20 mar. 2015.

textos atuais sobre o


1. Você conhece alguma outra explicação para a criação do ser humano?

assunto estudado. 22
Hora da prática
Aqui, você vai entrar
Atividades atividades
em ação, aplicando
As atividades apresentadas
os conhecimentos
Sistematizar

no livro ajudam você a 1. Quais características uma barata, uma galinha e nós, seres humanos, apresentamos em comum

adquiridos ou aprendendo
para sermos parte do reino animal?
Hora da
2. Qual critério a Zoologia utiliza para classificar os animais em vertebrados ou invertebrados?
prática: experimento
consolidar o que aprendeu, 3. Por que dizemos que coluna vertebral não é sinônimo de esqueleto ou osso?
Vamos observar a ação dos fungos microscópicos que compõem o fermento biológico? coisas novas por
bem como a refletir sobre
4. Classifique os animais a seguir em invertebrados ou vertebrados:

Danillo souza
a) abelha (artrópode); c) polvo (molusco);
Material:
meio de atividades
com açúcar sem açúcar
b) tubarão (peixe); d) morcego (mamífero).
• água morna fornecida pelo professor;

o que sabe e sobre novas • 2 colheres de sopa de açúcar;


Refletir
• tablete de fermento biológico;
mais dinâmicas.
situações que possibilitam
• balões de borracha;
1. Acerca dos seres vivos representados a seguir, faça o que se pede e responda às questões.
joe quinn/shutterstock
• fita adesiva;

Fabio Colombini

aopsan/istockphotos.com
• 2 garrafas plásticas pequenas (cerca de 300 mL).

novos conhecimentos. Como fazer


esquema de como seu experimento deve parecer.

1. Coloque água morna até a metade de uma garrafa. Depois, coloque nela metade
de um tablete de fermento de pão em pedacinhos e o açúcar. Agite bem.
a) Identifique-os. 2. Na outra garrafa, coloque a mesma quantidade de água morna e fermento de pão
b) Algum deles pode ser classificado como animal? em pedacinhos. Não adicione o açúcar. Agite bem.
c) Eles apresentam esqueletos? Em caso afirmativo, de que tipo? 3. Cubra a boca de cada garrafa com um balão de borracha, vedando bem com a
d) Podemos classificar algum deles como vertebrado? Por quê? fita adesiva. Observe por cerca de uma hora, em pequenos intervalos de tempo, o
que ocorre nas duas garrafas. Lembre-se de anotar as alterações verificadas.
Desafio
Refletindo e registrando
1. As imagens a seguir representam tipos de um processo essencial à sobrevivência das espécies. a) O que aconteceu em cada garrafa?
Identifique que processo é esse, porque é importante para os seres vivos e descreva de que b) Como você explica o que ocorreu?

Glossário
forma ocorre em cada exemplo representado. c) Qual é a relação entre o experimento e o fato de o pão ficar fofinho?
a) b)
1a etapa
paulo César pereira

anfíbio adulto
fêmea

Traz o significado de
macho 2a etapa
imago

é... palavras ou expressões

luis Moura
C u r ios o

GLOSSÁRIO
gametas Ruminante:
mamífero com
zigoto

que talvez você ainda não


girino estômago
(gametas
adaptado à
unidos) Existem bactérias, protozoários ruminação, na
e fungos que se nutrem vivendo as-

gerson gerloff/pulsar imagens


qual ele mastiga
o alimento pela
sociados a outros seres vivos. Um

conheça. Conhecer esses


segunda vez,
93 exemplo são os que digerem celu- reconduzindo-o
do estômago
lose no estômago de ruminantes, para a boca.
como o boi e o carneiro. Nesse tipo
de associação, ambos levam vanta-
gem, pois os ruminantes não conse-
guem digerir sozinhos a celulose. gado no pasto. lagoa vermelha, Rs.
significados é fundamental
81 para a compreensão
do texto de Ciências.

Fique por dentro


Aqui, o assunto
[ dentro ] fique por

a produção do queijo
trabalhado no tema Não se sabe exatamente quando e onde o queijo surgiu, mas há
indícios de que por volta de 8 mil anos antes de Cristo a humanidade já

estará representado
consumia queijo. Atualmente, a produção do queijo pode ser feita em 3. agiTação da massa
escala industrial, mas ainda envolve o mesmo processo de milênios atrás. A massa é agitada por cerca de 40 minutos, o
que promove a separação da massa, em grumos
do tamanho de um grão de milho, e do soro.

através da linguagem
esse processo define a textura do queijo.
ilustra Cartoon

1. No Brasil, a produção de queijo

mais visual. Você vai se desenvolveu a partir do século


Xviii, e atualmente o país é o maior
produtor da América latina. Faça
uma pesquisa sobre as principais

rever alguns conceitos, regiões queijeiras brasileiras e os


tipos de queijo que elas produzem.
2. Atualmente, a maioria dos queijos é

associando-os com produzida industrialmente. levando


em conta aspectos sociais, econômi-
cos e de saúde, discuta as vantagens
e as desvantagens desse tipo de

as imagens presentes 1. PasTeuriZação


produção.

em um infográfico.
O leite é aquecido até cerca de 70 °C e, em seguida,
resfriado bruscamente. essa etapa é importante 4. enformagem e salga
para a eliminação de microrganismos nocivos. O soro é retirado, e a massa é espremida com
as mãos e colocada em formas com furos para a
saída do soro. A salga pode ser seca, quando é
adicionado sal meio grosso à forma por 24 horas,
ou úmida, quando as formas são imersas em
salmoura (mistura de água e sal) por 12 horas.

2. adição de fermenTo e CoalHo


As bactérias geralmente utilizadas na fermentação são Streptococcus
lactis e Streptococcus cremoris. O coalho é uma mistura de enzimas que
transformam o leite em coalhada e soro. primeiro, o leite é agitado 5. embalagem
lentamente para distribuir os ingredientes adicionados. Depois, é Após todas essas etapas, os queijos frescos estão prontos para
deixado em repouso por cerca de 1 hora para que ocorra a coagulação. comercialização, mas os queijos curados ainda precisam passar pelo
A coagulação termina quando o leite apresenta um aspecto gelatinoso. processo de maturação, período que varia de produto para produto.

84 85

Panorama Panorama
São retomados os
a) Trata-se de um nematelminto hermafrodita.
Neste Tema você estudou que os animais invertebrados apresentam esque- b) Apresenta simetria bilateral e corpo cilíndrico.
letos que podem ser externos (exoesqueletos) ou internos (endoesqueletos). Os
c) Várias espécies desse verme, que utilizam o ser humano como hospedeiro definitivo,
poríferos (espongiários ou esponjas) não apresentam sistemas nem órgãos. Os cni-
dários, embora diferentes dos poríferos, são também animais de estrutura corporal
simples. Os cnidários apresentam-se nas formas de pólipo e medusa. São exemplos
de representantes desse filo: águas-vivas e anêmonas-do-mar. Os platelmintos são
têm o porco como hospedeiro intermediário.
d) É o verme causador da esquistossomose no ser humano.
e) Ao ingerir ovos do parasita, o ser humano passa a ser seu hospedeiro intermediário,
assuntos que você
vermes de corpo achatado e alongado. Existem platelmintos de vida livre e também
parasitas. São representantes desse filo: planárias, esquistossomos e tênias.
Os nematelmintos reúnem vermes de corpo cilíndrico, não dividido em anéis.
podendo apresentar cisticercose.
Acerca desta questão, indique a(s) letra(s) correspondente(s) à(s) afirmativa(s) correta(s):
estudou durante
o tema, através
Podem ter vida livre ou ser parasitas. Dentre os nematódeos, parasitas humanos 5. (Faap-SP) Em que doenças parasitárias:
mais comuns, podemos citar o oxiúro, a lombriga, a filária e o ancilóstomo. a) o verme adulto vive, preferencialmente, no sistema linfático humano?
b) a larva do parasita passa pelo meio aquático, após sair do caramujo?
faça as atividades a seguir para rever o que aprendeu.
6. Por que a ancilostomose pode ser adquirida ao andar descalço?
7. Por que um dos sintomas típicos da oxiurose é coceira na região anal?
de questões que
1. Existem animais de diferentes tipos e formas. Contudo, todos apresentam caracte-
rísticas em comum que os agrupam no mesmo reino de seres vivos. Quais são?
8. Por que mesmo nos países desenvolvidos e com boas condições de saneamento básico
é comum a infestação por oxiúros entre crianças pequenas? lhe poderão servir
2. Os cnidários apresentam formas diferentes de I II 9. (UFC-CE) As verminoses ainda acometem uma grande parcela da população, principal-
acordo com o modo de vida. Estas formas estão
esquematizadas, em corte, ao lado.
mente as de baixa renda. Doenças como ascaridíase e amarelão (ancilostomose) ainda
são bastante comuns, principalmente em crianças. de instrumento
luis Moura

a) Como são denominadas as formas I e II? a) Qual a característica comum a essas doenças em relação ao seu modo de contágio?
b) Dê exemplos de um animal que apresente
predominantemente em seus ciclos de vida a forma de corpo I e de um animal que
b) Outras doenças bastante comuns são a teníase e a cisticercose, causadas por vermes do
gênero Taenia. Qual a diferença entre essas duas doenças no que se refere ao contágio
para a própria
apresente a forma II. e ao local de alojamento do parasita?
3. (Unicamp-SP) Alguns hidrozoários coloniais, como a Obelia sp, ocorrem na natureza sob
a forma de pólipos e medusas.
avaliação; assim,
você poderá rever
a) Como uma colônia destes hidrozoários se origina? E como esta colônia dá origem a
novas colônias?
b) Que estrutura comum aos pólipos e medusas é encontrada somente neste filo? Qual
sua função?
4. (PUC-SP) Na tira de quadrinhos, faz-se referência a um verme parasita. Sobre ele, foram
ACESSE
• Porífera Brasil. Disponível em: <www.poriferabrasil.mn.ufrj.br/index.htm>. Acesso em: 9 abr. 2015. alguns conceitos e
dicas

feitas cinco afirmações. O site, cujo conteúdo trata dos poríferos, traz informações úteis para pesquisadores, professores e o público em geral.

noções sobre os quais


• Coleta de planárias. Disponível em: <www.pontociencia.org.br/experimentos-interna.php?experimento=214>. Acesso em:
garfield, jim Davis © 2006 paws, inc. All
Rights Reserved / Dist. universal uclick

9 abr. 2015.
A página descreve passo a passo como fazer a coleta de planárias do ambiente. Atenção, faça somente sob orientação do
professor!

LEIA
• O ônibus mágico – No fundo do mar, de Joanna Cole e Bruce Degen. Tradução: Cristiana Monteiro Teixeira. Editora Rocco, 2009.
Informações científicas básicas, de fácil acesso para o público jovem, num passeio bem-humorado pelas profundezas do
ainda tem dúvida.
mar, passando por recifes de corais.

VISITE
• Coleção de poríferos do Museu de Zoologia da Universidade Federal da Bahia. Campus Universitário, Ondina, CEP 40170-115.
Salvador, BA.

120 121
Tema 1 - Características e Tema 2 – Moneras, protoctistas
classificação dos seres vivos............ 10 e fungos............................................. 50
Sumário
• Capítulo 1 - Os seres vivos e a • Capítulo 1 – Características gerais
teoria celular.................................... 12 dos moneras...................................... 52
Diversidade de seres vivos.......................13 Conhecendo os moneras..........................53
Organização celular................................13 Estrutura e forma dos organismos do reino
A teoria celular......................................14 Monera.................................................53
Tipos de células.....................................15 • Capítulo 2 – As bactérias e as doenças... 58
Níveis de organização.............................16
Bactérias patogênicas.............................59
• Capítulo 2 - Características dos
• Capítulo 3 – Características gerais
seres vivos - processos....................... 18
dos protoctistas................................. 62
Nutrição...............................................19
Estrutura e forma dos organismos do
Reprodução...........................................19 reino Protoctistas...................................63
Movimento............................................20
• Capítulo 4 – Os protozoários e
Desenvolvimento e crescimento................20
as doenças........................................ 68
Reatividade...........................................20
Doenças causadas por protozoários...........69
• Capítulo 3 - Classificação biológica..... 24
• Capítulo 5 – Características gerais
Organizando a diversidade.......................25 dos fungos........................................ 74
Classificação dos seres vivos....................26
Estrutura e forma dos fungos....................75
• Capítulo 4 - Como ordenar os Reprodução dos fungos...........................75
seres vivos........................................ 30 Os fungos e as doenças...........................76
Organizando as espécies..........................31
• Capítulo 6 – Moneras, protoctistas
Os reinos de seres vivos...........................32 e fungos no ambiente e
na economia...................................... 78
• Capítulo 5 - Vírus - um caso especial... 36
Os autótrofos.........................................79
Características dos vírus..........................37
Os heterótrofos decompositores................80
Como os vírus se reproduzem...................38
As bactérias e a economia.......................80
Os vírus e a saúde..................................38
Fique por dentro - Árvore da vida...................... 46
Os fungos e a economia..........................80
Fique por dentro - a produção do queijo............ 84
Panorama....................................... 48
Panorama....................................... 86
Tema 3 – Animais invertebrados I...... 88 • Capítulo 5 – Conhecendo
os Artrópodes.................................. 146
• Capítulo 1 – O reino animal................ 90
Características dos animais......................91 Classificação dos artrópodes................... 147

• Capítulo 2 - Poríferos......................... 94 • Capítulo 6 - Equinodermos............... 152


Poríferos ou espongiários.........................95 Características dos equinodermos............ 153
• Capítulo 3 - Cnidários...................... 100 Fique por dentro - a vida nos oceanos.............. 156

Características dos cnidários.................. 101 Panorama..................................... 158


Reprodução dos cnidários...................... 102
Os cnidários no ambiente...................... 103 Tema 5 – Animais vertebrados I....... 160
• Capítulo 4 – Platelmintos................. 106
• Capítulo 1 – Os vertebrados.............. 162
Platelmintos: os vermes achatados.......... 107
Iniciando os estudos sobre os
• Capítulo 6 - Nematódeos.................. 112 vertebrados......................................... 163
Características dos nematódeos.............. 113
Áscaris ou lombriga.............................. 114
• Capítulo 2 – Peixes.......................... 166
Filárias............................................... 115 Características dos peixes...................... 167
Ancilostomose..................................... 115 Reprodução dos peixes.......................... 170
Fique por dentro - os recifes de corais............ 118
Interações dos peixes no ambiente......... 172
Panorama..................................... 120
• Capítulo 3 - Anfíbios: características
Tema 4 - Animais invertebrados II... 122 gerais............................................. 174
• Capítulo 1 - Anelídeos..................... 124 Características dos anfíbios.................... 175
Anelídeos: os vermes segmentados.......... 125 Diversidade de anfíbios......................... 178

• Capítulo 2 – Classificação • Capítulo 4 - Anfíbios: reprodução e


dos anelídeos.................................. 128
importância ambiental .................... 180
Como classificamos os anelídeos?............ 129
Reprodução dos anfíbios........................ 181
• Capítulo 3 - Moluscos....................... 134
Interações dos anfíbios com o ambiente..... 183
Os moluscos........................................ 135
• Capítulo 5 - Répteis: características
• Capítulo 4 - Artrópodes.................... 140
gerais............................................. 186
Artrópodes: o maior filo dos
invertebrados...................................... 141 Características dos répteis..................... 187
Importância ambiental dos artrópodes..... 144 Diversidade dos répteis......................... 190
• Capítulo 6 - Répteis: reprodução Fique por dentro - desenvolvimento
e importância ambiental.................. 192 do embrião human0.......................................... 226
Panorama..................................... 228
Reprodução dos répteis......................... 193
Interações dos répteis com o ambiente.... 195
Fique por dentro - ciclo de vida das Tema 7 - O reino das plantas I -
tartarugas marinhas....................................... 198 Características gerais
Panorama..................................... 200 e diversidade.................................... 230
• Capítulo 1 - Características gerais
Tema 6 - Animais vertebrados II....... 202 das plantas e sua diversidade........... 232
• Capítulo 1 – Aves: características Características das plantas..................... 233
gerais............................................. 204 Evolução das plantas............................ 233
Principais características das aves........... 205 • Capítulo 2 - Briófitas....................... 236
O voo das aves..................................... 209
Características gerais das briófitas.......... 237
Diversidade das aves............................. 210
• Capítulo 3 - Pteridófitas................... 240
• Capítulo 2 – Aves: reprodução e
importância ambiental..................... 212 Características das pteridófitas............... 241

Reprodução das aves............................. 213 • Capítulo 4 - Gimnospermas............... 244


• Capítulo 3 – Mamíferos: As fanerógamas – Plantas com sementes.. 245
características gerais....................... 216 Gimnospermas – Plantas com semente,
mas sem fruto...................................... 245
Características dos mamíferos................. 217
• Capítulo 5 - Angiospermas................ 248
• Capítulo 4 – Mamíferos: reprodução e
importância ambiental..................... 222 Angiospermas – Plantas com semente,
flor e fruto.......................................... 249
Reprodução......................................... 223
Fique por dentro - melhoramento de plantas.... 252
Interações dos mamíferos no ambiente.... 224
Panorama..................................... 254
Tema 8 - O reino das plantas II - • Capítulo 3 - Órgãos reprodutivos
Estrutura das angiospermas........... 256 das plantas: flor.............................. 272

• Capítulo 1 - Órgãos das plantas: A flor................................................. 273


folha.............................................. 258 A reprodução....................................... 274
As partes da folha................................ 259 • Capítulo 4 - Órgãos reprodutivos
A folha e suas funções.......................... 260 das plantas: fruto e semente............ 276
Tipos de folhas.................................... 262 O fruto............................................... 277
Adaptações das folhas........................... 262 Os frutos e a dispersão das angiospermas.279
• Capítulo 2 - Órgãos das plantas: A semente........................................... 281
caule e raiz..................................... 264 Fique por dentro - usina de álcool................... 284

A raiz................................................. 265
manual do professor....................... 289
O caule............................................... 267
Classificação dos caules......................... 268
Tema 1
Características e
classificação dos
seres vivos
NESTE TEMA
VOCÊ vai ESTUDAR:

• a diversidade dos seres

Rich Carey/Shutterstock
vivos;
• a célula, que é a estrutura
fundamental dos
organismos;
• a estrutura básica da
célula e a teoria celular;
• os níveis de organização
dos organismos
multicelulares;
• algumas características
dos seres vivos;
• os vírus.

Mergulhador nadando
em oceano perto de
recife de corais, no
mar da Tailândia.

fotografia?
1. Que seres vivos você vê nessa
ografia têm em comum? E
2. O que os seres vivos dessa fot
s?
quais são as diferenças entre ele
seres vivos em grupos, que
3. Se você fosse organizar os
er essa divisão?
características escolheria para faz

1. Resposta pessoal. A fotografia mostra um ser humano, peixes e corais que formam o recife.
2. Há várias possibilidades de respostas. Por exemplo, como semelhanças, apresentam órgãos no corpo, movimentam-se, alimentam-se, reproduzem-se,
percebem o ambiente e reagem a ele. Entre as diferenças podem ser lembradas a forma do corpo e de locomoção, o modo de reprodução, a maneira de
interagir com outros seres vivos e com ambiente, o movimento, o ambiente adequado para a vida.
3. Resposta pessoal.
Professor, aproveite as questões para incentivar os alunos a expressar suas ideias sobre semelhanças e diferenças entre os seres vivos e sobre as características
utilizadas para distinguir o ser bruto, sem vida, dos seres vivos.

Para o encaminhamento das questões, consulte o tópico Abertura do Tema do Manual do Professor.
Capítulo
Os seres vivos e a
1 Neste capítulo você vai conhecer
algumas características comuns
dos seres vivos, que os distinguem
dos elementos não vivos, e noçõ
gerais sobre células (as menores
estruturas dos seres vivos) e sobr
a teoria celular e os níveis de orga
es

e
-

teoria celular
niza ção dos sere s mult icelu lares .

Explorando
A variedade de seres vivos

Alice é uma garota curiosa, sempre buscando aprender coisas sobre o mundo e a
natureza.
Ela costuma ir à escola e voltar com seu colega Tiago, pois são vizinhos e estudam no
mesmo local.
Certo dia, quando voltavam para casa, Alice comentou com Tiago que estava surpre-
sa com algumas informações que havia recebido na aula de Ciências.
O professor havia explicado à turma que, apesar de não perceberem, havia bilhões
de seres vivos na sala de aula, naquele momento. Estavam distribuídos pelo chão, pelo
ar e, até mesmo, dentro de
nosso corpo.
– Sim, bilhões deles!
Quase todos são microrga-
nismos, seres microscópicos

DKO Estúdio
e de tipos variados –, contou
Alice ao colega. Ela tinha
ficado espantada com a exis-
tência dessa grande quan-
tidade de microrganismos.
E não parava de pen-
sar: “Como foi possível aos
cientistas confirmarem a
existência desses seres?”.

Agora é com você.


Existem bilhões de seres vivos na sala de aula,
1. Quantos seres vivos devem existir em sua sala de aula? considerando aqueles presentes no próprio organismo.
2. Como os cientistas e os profissionais de laboratórios de análise conseguem visualizar
os microrganismos? Eles utilizam microscópios.
3. Você acha que um cogumelo é uma planta? Por quê?
O cogumelo não é classificado como planta; é um fungo.

Professor, veja orientações para trabalhar esta seção no Manual do Professor.

12
Diversidade de seres vivos

irin-k/Shutterstock
Em nosso planeta, a Terra, há uma grande
biodiversidade, isto é, uma ampla variedade de
formas de vida, que inclui plantas, aves, mamí-
feros, insetos e microrganismos. O número de
espécies conhecidas atualmente é próximo de
9 milhões.
Embora apresentem diferenças entre si, to-
dos os seres vivos têm características comuns
que os distinguem da matéria bruta (sem vida).
Por exemplo, eles precisam se alimentar, mo-
vem-se, reagem a estímulos do ambiente, re-
2 cm
produzem-se e têm o corpo formado por unida-
des muito pequenas, chamadas células.
Abelha em flor de camomila.
São dois seres vivos com

Organização celular muitas diferenças entre si.

O corpo de um ser vivo é formado por células, que são suas unidades
básicas. Há seres vivos formados por apenas uma célula e seres formados
por muitas células. Uma bactéria, por exemplo, é formada por uma única

Glossário
Biodiversidade: bio vem
da língua grega e significa
célula; já o corpo humano é formado por trilhões de células. “vida”; diversidade significa
As células apresentam tamanhos variados, mas quase todas são tão “variedade”.
pequenas que somente podem ser vistas por meio de um microscópio. Espécie: grupo de
indivíduos capazes de se
São elas as responsáveis por realizar as principais funções para manter o reproduzir entre si e gerar
organismo vivo. descendentes férteis, isto
é, que também podem se
Cientista observando células em um microscópio. reproduzir.
wavebreakmedia/Shutterstock

No destaque, imagem de células de cebola ampliadas Material genético:


100 vezes por meio de microscópio de luz. substâncias compostas de
ácidos nucleicos também
As cores usadas não correspondem às reais. conhecidas como DNA
células (sigla em inglês para o
ácido desoxirribonucleico),
fundamentais para
transmissão da herança,
Visuals Unlimited/Getty Images

ou seja, os modos de
reprodução, coordenação,
desenvolvimento e
funcionamento de todo
ser vivo.
Microscópio: equipamento
para obter imagens
É importante considerar que as células: ampliadas que permite
observar estruturas muito
• originam-se de outras já existentes; pequenas ou invisíveis a
• sofrem divisão, originando células-filha; olho nu. Podem ser de luz
(ou ópticos), possibilitando
• contêm material genético, que passa instruções às células-filha uma ampliação de até
2 mil vezes, ou eletrônico,
para que sejam semelhantes à célula-mãe, ou seja, transmitem as possibilitando uma
características hereditárias; ampliação de até
1 milhão de vezes.
• apresentam metabolismo, um conjunto de reações químicas que Reação química: processo
ocorrem em seu interior e possibilitam ao organismo obter ener- de transformação de
substâncias em outras
gia para realizar suas funções, como a digestão e a respiração ce- substâncias.
lulares, e transformar substâncias.

13
A teoria celular

Omikron/Photoresearchers/Latinstock
Em 1665, o cientista inglês Robert Hooke, ao observar em micros-
cópio lascas finas de cortiça da casca de uma árvore, verificou que elas
apresentavam uma estrutura semelhante a favos de colmeia de abelhas,
ou seja, uma rede de cavidades preenchidas por ar. Isso justificava o fato
de a cortiça ser tão leve e flutuar na água.
Hooke desenhou o que viu pelo microscópio e publicou essa ilustra-
ção em sua obra Micrographia, de 1665. Ele denominou as cavidades de
“pequenas celas”, nome que vem do latim cella, que por sua vez significa
“pequena sala ou cômodo”. Originou-se, assim, o termo célula, embora a
cortiça não tenha células vivas, mas apenas o contorno que restou delas.
Na ocasião, Hooke não sabia que estava observando apenas as pa-
Estrutura de cortiça vista redes celulares, ou seja, o envoltório de células vegetais, pois a cortiça é
através das lentes de um um tecido de células mortas que serve para proteger o caule das árvo-
microscópio, formada por
envoltórios das células res. Quase dois séculos depois, em 1839, os cientistas alemães Matthias
e espaços que elas
ocupavam enquanto vivas.
Schleiden (1804-1881) e Theodor Schwann (1810-1882) confirmaram, após
Reprodução de desenho estudos e observações cuidadosas, a existência de células nas plantas e
feito por Robert Hooke.
nos animais.
Com base nessa constatação, Schleiden e Schwann formularam a
teoria celular, segundo a qual todos os seres vivos são formados por cé-
lulas, a unidade básica dos organismos. Seres unicelulares são formados
por uma única célula, como é o caso da ameba. Já uma planta e os seres
Posso humanos são multicelulares, isto é, são formados por numerosas células.
perguntar? A ideia da célula como unidade básica da vida fortaleceu-se em 1858
quando o médico alemão Rudolf Virchow (1821-1902) constatou que toda
Quantas células célula vem de outra célula. Portanto, contém em si os elementos res-
há no corpo
ponsáveis pela hereditariedade, possibilitando a reprodução da vida dos
humano?
habitantes de nosso planeta, desde seu início até os dias atuais. 
O corpo humano é um organismo
multicelular, constituído por cerca
de 10 trilhões de células.
Estrutura das células
Observe a seguir um modelo simples de célula com núcleo. Há tam-
bém células que não apresentam uma membrana separando seu material
genético do citoplasma, por exemplo, as bactérias.
Membrana plasmática: fina película que envolve
Paulo César Pereira

a célula, somente vista por microscópio eletrônico.


As imagens apresentadas nesta página
estão sem escala. Ela seleciona o que entra e o que sai da célula,
possibilitando a troca de substâncias com seu meio;
também garante a manutenção da sua forma.
Núcleo: É separado do restante do
citoplasma pela membrana nuclear.
Nele fica o material genético, o ácido
desoxirribonucleico (ou DNA).
O material genético determina todas
as características e funções de um
organismo vivo. Citoplasma: meio gelatinoso em que estão
imersas diversas substâncias e pequenas
Fonte: ALBERTS, B.; estruturas chamadas organelas. Cada tipo
JOHNSON, A.; LEWIS, J.; RAFF, de organela celular tem sua função definida;
M.; ROBERTS, K; WALTER, P. por exemplo, produzir e fornecer energia,
Biologia Molecular da Célula. digerir e armazenar substâncias.
5a Ed. Porto Alegre, Artmed, 2010. Esquema simplificado de célula com núcleo.

14
Tipos de célula material citoplasma
genético
Existem dois tipos básicos de célula: a disperso
procariótica e a eucariótica. As principais
diferenças entre elas são a localização do
material genético e os tipos de organela que
apresentam.
A célula procariótica não apresenta
membrana nuclear; então seu material gené-
tico (DNA) fica disperso no citoplasma. Ge-
ralmente, os organismos dotados de células

Ilustrações: Luis Moura


procarióticas são também unicelulares, aque-
les formados por uma única célula. Observe o membrana celular
esquema ao lado. ou plasmática
A célula eucariótica tem núcleo envol-
vido por uma membrana que o separa do Representação simplificada de uma bactéria,
ser vivo formado por célula procariótica.
citoplasma. Diversos microrganismos unice-
lulares, como espécies de algas, ou multi- atenção!
celulares, como fungos, plantas e animais, No Tema 2 deste livro você conhecerá
têm células eucarióticas. Observe os mode- melhor as bactérias.
los de célula a seguir.

Célula animal Célula vegetal


Material genético Vacúolo Núcleo Material genético
Núcleo

Parede celular

Cloroplasto

Membrana celular Membrana celular


ou plasmática ou plasmática
Representação simplificada de cortes em célula animal e
em célula vegetal, ambas com suas estruturas básicas.
Elementos ilustrados sem escala; as
cores não são as reais.
Observe as semelhanças e as diferenças entre essas
células. Na célula vegetal, isto é, das plantas, forma-se
ao redor da membrana celular uma parede celular rígi-
da, composta de celulose, substância muito resistente.
Ela também apresenta cloroplastos, organelas com clo-
rofila, substância verde que absorve a energia luminosa
Glossário

Fotossíntese: processo de produção do próprio


durante a fotossíntese. A cor verde das folhas, de al- alimento realizado pelas plantas e algas (seres
clorofilados). Nesse processo, a água e o gás
guns caules e dos frutos deve-se a esse pigmento. carbônico, na presença de luz, são transformados
As células vegetais também apresentam grandes em glicose (açúcar) e gás oxigênio, como mostra
o esquema:
vacúolos, estruturas preenchidas por um líquido nutri- luz
gás carbônico + água glicose + gás oxigênio
tivo que contêm açúcares, sais e, às vezes, pigmentos,
que dão cores diversas às partes dos vegetais.

15
Formatos de células e suas funções
Como todo ser vivo, somos formados de células. As células do or-
ganismo humano, assim como de todos os outros animais, têm diversos
formatos: alongados, achatados, ramificados, esféricos, cúbicos etc. O
formato está relacionado à função que a célula desempenha quando se
agrupa com outras semelhantes, formando tecidos. Veja exemplos nos
esquemas seguintes.
direção do
impulso

Luis Moura/Vagner Coelho


nervoso

célula muscular
cardíaca

célula muscular
neurônio
esquelética

Glóbulos vermelhos: tipo de


Neurônios ou células Células musculares: a célula muscular célula do sangue com forma
nervosas: a forma forma alongada favorece a não estriada achatada que facilita o trânsito
ramificada favorece capacidade de contração. de gás oxigênio do sangue para
a transmissão de dentro das células do corpo.

Níveis de organização
impulsos nervosos.

A vida é organizada em níveis, que podem ir do ser vivo mais simples


(formado por uma célula) ao mais complexo (o organismo). Veja a seguir
Elementos ilustrados sem escala; um exemplo dessa organização no organismo humano.
as cores não são as reais.

4
1

Ilustrações: Vagner Coelho


3

1 Neurônio. 3  tecido nervoso se


O 4  cérebro e outras
O 5  s diferentes sistemas
O
organiza ao formar um estruturas, como o cerebelo compõem um organismo
2  s neurônios se juntam
O órgão, como o cérebro. e a medula espinal, formam completo.
formando o tecido nervoso. o sistema nervoso.

células tecidos órgãos sistemas organismo

Para que o organismo viva em equilíbrio, os diversos sistemas funcio-


nam de forma integrada e regulada, dependendo uns dos outros.

16
Atividades
Sistematizar

1. Podemos diferenciar um ser vivo de um elemento não vivo por suas características.
Uma das principais características dos seres vivos é sua organização complexa. Qual
é a estrutura básica dessa organização? A célula é a unidade básica de construção do corpo dos seres vivos. Elas são capazes
de realizar as principais funções para manter vivo o organismo.

2. Em relação às células, o que é importante considerar? Reflita sobre divisão celular, estrutura e
função. Que as células sempre se originam de outras células já existentes; é no seu interior que ocorre o metabolismo. Nas células localiza-se o
material genético, que determina a formação de novos seres e contém as informações que definem as características hereditárias.

3. Existem diferentes tipos de células. Leia com atenção as descrições a seguir e identifique a
que tipo de célula se refere cada texto. O texto a refere-se à célula do tipo eucariótica, e o b, à célula procariótica.
a) Seu núcleo, que é separado do citoplasma por uma membrana, contém o material genético.
b) Trata-se de uma estrutura simples, cujo núcleo não é separado dos demais componentes
celulares por uma membrana.

4. Os seres vivos podem ser unicelulares (formados por uma única célula) ou multicelulares
(formados por várias células). Na lista de seres vivos a seguir, identifique os unicelulares.

cogumelo ameba pulga bactéria capim mosquito


Dessa lista, são seres unicelulares a ameba e a bactéria.

5. A teoria celular é uma das mais importantes realizações da história da ciência.


A formulação básica da teoria celular é aquela que afirma que os seres vivos são formados por células
a) Qual é sua formulação básica? – unidade básica da estrutura dos organismos.
b) Quais cientistas contribuíram significativamente com seus trabalhos nos séculos XVII e XIX
para que, hoje, tivéssemos conhecimentos sobre células? OSchleiden
inglês Robert Hooke e os alemães Matthias Jakob
e Theodor Schwann.

Refletir

1. Observe os esquemas das células a seguir. Uma pertence a uma folha de tomateiro e a outra,
à pele de um coelho. Qual das duas células é a do tomateiro e qual é a do coelho? Como
chegou a essa conclusão? Explique sua resposta.
Elementos ilustrados sem escala;
as cores não são as reais. Ilustrações: Luis Moura

A primeira figura refere-se a uma célula animal. A segunda, a uma célula vegetal. Nas células das plantas encontramos duas estruturas que não
encontramos nas células dos animais: a parede celular e os cloroplastos. A parede celular dá uma proteção a mais para a célula vegetal, já que
nenhuma planta pode andar para se proteger do calor excessivo e, assim, evitar a perda de água. E os cloroplastos produzem e armazenam a
clorofila, pigmento importante para a absorção da energia da luz para a fotossíntese.

17
Capítulo
Características
2 No capítulo anterior você estudou
algumas noções gerais sobre
células e a teoria celular – as base
da form ação do ser vivo – e iden
ficou os níveis de organização dos
seres multicelulares.
Agora vai estudar outras cara
as
s
ti-

c-

dos seres vivos –


ticas com uns aos sere s vivo s,
terís
como nutrição, reprodução, rea-
ção a estímulos e evolução.

processos Explorando
As características dos seres vivos

Kamé mora em uma aldeia

Carlos Caminha
do povo indígena kaigang,
próxima de um rio, localizada
no estado de Santa Catarina.
Todas as tardes ele cos-
tuma descansar, deitado em
uma rede. Às vezes, lê um livro;
outras vezes, aprecia ficar ob-
servando a natureza, ouvindo
o barulho das águas correntes
do rio batendo nas pedras do
leito... Gosta também de dese-
nhar o que vê, e assim vai per-
cebendo melhor a variedade
de formas dos seres naturais.
Kamé gosta ainda de caminhar pela mata. Nesses passeios, ele observa várias plan-
tas, que nascem, crescem e, depois, morrem. Observa as intermináveis filas de formigas
carregando suas folhas e gravetos e contornando as pedras no meio do caminho; acom-
panha o desenvolvimento dos cogumelos que crescem nos troncos de árvore caídos no
chão; descobre os ninhos de passarinho cheios de ovos dessas aves. Aprende, enfim, a
conhecer os processos da vida.
Ele pensa: “Todo dia há novidades... A vida está sempre se renovando!”.

Vamos refletir juntos sobra a narrativa.


1. Você já teve oportunidade de observar a natureza viva, assim como faz
Kamé? Resposta pessoal.
2. Quais são os seres vivos mencionados nesse texto? Plantas, cogumelos, animais (pássaros e formigas).
3. Que processos característicos de seres vivos são mencionados no texto ou na imagem?
Nascimento, desenvolvimento, morte, nutrição, movimento e deslocamento.
4. Como os seres vivos obtêm as substâncias necessárias para o crescimento de seu
organismo? Os organismos vivos precisam de energia para sobreviver. Todos retiram do ambiente os nutrientes necessários, havendo
os que produzem o próprio alimento (como as plantas) e os que se alimentam de outros seres (como os animais).

Professor, veja orientações para trabalhar esta seção no Manual do Professor.

18
Nutrição
Além da organização celular, um ser vivo apresenta

Paul Nicklen/National Geographic/Glow Images


várias outras características, por exemplo a necessidade
de alimento. Todos os organismos passam por um ciclo
vital, uma sequência de modificações ou fases que se es-
tende desde o nascimento até a morte. Para isso, eles
precisam de energia, obtida dos alimentos, ou seja, pela
nutrição.
De acordo com a maneira de obter sua nutrição, os
seres vivos podem ser classificados em:
• autótrofos, que produzem o próprio alimento,
como as algas e as plantas; ou
• heterótrofos, que dependem de outros seres para
Peixe-boi e peixes, seres
obter sua nutrição, como os animais e os fungos. heterótrofos, alimentando­
A palavra autótrofo tem origem na língua grega, em que autos sig- -se de algas, que são seres
autótrofos. O peixe-boi chega
nifica “por si mesmo” e trophé significa “alimento”. Com mesma ori- a atingir 4m de comprimento.
gem, a palavra heterótrofo é formada por hetero, “diferente” e trophé,
“alimento”. As imagens apresentadas nesta página
estão sem escala.

Reprodução

Glossário
Gameta: célula que carrega
Reprodução é a capacidade de gerar descendentes. Ela não é ne- parte do material genético
cessária para que um indivíduo viva. No entanto, se não deixar descen- (DNA) que formará um
novo ser. Nos animais,
dentes, à medida que os indivíduos mais idosos morrem, a espécie tende o gameta masculino é
a desaparecer. Por isso a reprodução é importante para a manutenção da o espermatozoide, e o
espécie. gameta feminino é o óvulo.

Os principais tipos de reprodução estão descritos a seguir.


• Assexuada: ocorre geralmente quando uma parte do organismo
materno se destaca, originando outros seres com material gené-
tico igual; por exemplo, a obtenção de plantas provenientes de
um pedaço de outra já existente. Não há

SPL/Latinstock
participação de gametas.
• Sexuada: modifica significativamente o
material genético (DNA). Geralmente
depende da união de gametas, que são
as células sexuais femininas e masculi-
nas – ou gametas. A união dos gametas,
chamada fecundação, origina uma célu-
la-ovo ou zigoto, que inicia o desenvolvi-
mento de um novo ser.

Fotografia que mostra


espermatozoides em volta de
ovócito humano. Imagem obtida
por microscópio eletrônico e
colorida artificialmente.
Aumento aproximado de 520 vezes.

19
Movimento
Aleksey Stemmer/Shutterstock

Os seres vivos têm a capacidade de mo-


vimentar-se. Nos animais, a movimentação de
órgãos de locomoção lhes possibilita buscar
alimento e abrigo, escapar de predadores e
encontrar parceiros. Muitas plantas também
apresentam movimentos determinados pelo
próprio desenvolvimento ou por estímulos
ambientais, como os girassóis, que respon-
dem ao movimento aparente do Sol. Em geral
os movimentos das plantas são mais limitados
do que os dos animais. O movimento aqui es-
tudado não significa locomoção.
O girassol se movimenta
acompanhando a
posição do Sol.
Desenvolvimento e crescimento
Por meio de processos internos chamados metabolismo, os seres
vivos desenvolvem-se e crescem. Nos animais, o aumento do número de
células possibilita a formação de ossos, músculos, pele etc.; nas plantas,
Glossário

Metabolismo: conjunto
de processos que
ocorrem no interior
formam-se estruturas como raízes e folhas. Nos seres unicelulares, o cres-
das células e resultam cimento ocorre pelo aumento do tamanho da célula.
em transformação ou
elaboração de substâncias.
Observa-se crescimento também em seres brutos ou sem vida. Por
Dos nutrientes que recebe, exemplo, à medida que a água salgada é aquecida, formam-se cristais
os seres vivos sintetizam de sal que podem crescer em certa medida até que toda a água evapore.
substâncias e obtêm
energia para o crescimento Trata-se, no entanto, de crescimento de cristais decorrente da agregação
e a manutenção de seu de pequenas partículas presentes na água salgada, e não de processos
organismo.
metabólicos.

Reatividade
Fabio Colombini

Se estiver andando pela calçada e ouvir


alguém chamar seu nome, sua reação será
imediata. Você estará respondendo a estí-
mulos do ambiente, uma das capacidades
dos seres vivos. Os animais, em geral, dão
respostas rápidas e complexas aos estímu-
los do ambiente – como sons, luz, toques,
cheiros e sabores – porque apresentam
sistema nervoso e estruturas sensíveis aos
estímulos externos chamadas de órgãos
sensoriais.
As plantas também reagem a estímulos
do ambiente. Entretanto, por não apresen-
tarem sistema nervoso, suas respostas são
menos elaboradas do que as dos animais.
Dormideira ou não-me-toques. Quando essa planta é tocada, suas A  dormideira (ou não-me-toques), ao lado,
folhas se fecham rapidamente, uma estratégia natural de defesa
contra predadores. por exemplo, fecha-se quando tocada.

20
Evolução das espécies
Até o início do século XIX, muitos pensadores aceitavam o criacionismo e o fixismo, teo-
rias religiosas que afirmavam, respectivamente, que as espécies teriam sido criadas por Deus
e seriam imutáveis, isto é, tinham a mesma forma de quando foram criadas, pois não sofreriam
mudanças ao longo do tempo.
De meados do século XIX até os dias atuais, a diversidade dos seres vivos passou a ser
explicada pela teoria da evolução biológica (também chamada simplesmente de evolução).
Ela afirma que:
• espécies, das mais simples às mais complexas, es-

Glossário
Ancestral: antepassado
tão sujeitas a contínuas modificações; que origina os seres atuais;
o primeiro ascendente
• espécies se originam de outras ancestrais, pela comum a várias espécies.
aquisição de novas características, o que acaba por Variabilidade genética:
diferenciá-las. conjunto de alterações
provocadas por
Embora as questões evolutivas tenham sido intensa- recombinações do
material genético.
mente discutidas antes e ao longo do século XIX, quando
surgiu a teoria da evolução por seleção natural, esta pas-
sou a ser a ideia mais aceita pela maioria dos cientistas.
De acordo com a teoria da seleção natural, os seres vivos mais bem adaptados têm mais
possibilidades de sobreviver e, consequentemente, deixar um número maior de descendentes.
A evolução dos seres vivos é um processo contínuo e lento, que pode levar milhares de anos.
A teoria da seleção natural veio à luz na década de
1850 e foi desenvolvida pelos estudos independen-
tes de dois ingleses, Alfred Russel Wallace (1823-
1913) e Charles Darwin (1809-1882).
Um dos fatos que vieram a dar maior
embasamento à teoria da evolução foi o
desenvolvimento da genética (estudo
dos genes) a partir do início do século
XX, que possibilitou o conhecimento
das causas da variabilidade gené-
tica nas espécies. Esse fenômeno,
Everett Historical/Shutterstock
provocado pela reprodução sexua-
da, possibilita diferentes combina-
ções dos genes. Por meio dessas
novas combinações, os descenden-
tes, embora semelhantes aos pais
em certa medida, adquirem novas
características.
Professor, os alunos terão mais contato com as propostas
evolutivas no Tema 1 do 8o ano.

Fotografia de Charles Darwin. Entre os dois


pesquisadores citados, ele se tornou mais
famoso, pois foi quem escreveu o livro
A origem das espécies, em 1859, o qual recebeu muita
atenção ao divulgar a teoria da seleção natural.

21
O surgimento dos Kaingang  Diálogo 
Desde sua origem, o ser humano procurou ter conhecimento sobre os fenômenos que
o cercam. Desse modo, os povos, ao longo dos tempos, foram criando mitos para explicar o
mundo natural.
O movimento dos astros, o surgimento do fogo, dos ventos, das águas etc. eram atribuídos
às vontades dos deuses ou seres mágicos e relatados por meio dos mitos. Entre esses mitos,
alguns são relacionados à origem do Universo e dos seres vivos. A seguir, acompanhe o relato
dos Kaingang, indígenas naturais do Sul e Sudeste do Brasil.
A tradição dos Kaingang afirma que os primeiros membros da sua nação saíram do solo; por isso
têm cor de terra. Numa serra, sei bem onde, no sudeste do estado do Paraná, dizem eles que ainda
hoje podem ser vistos os buracos pelos quais subiram. Uma parte deles permaneceu subterrânea;
essa parte se conserva até hoje lá e a ela se vão reunir as almas dos que morrem, aqui em cima.
Carlos Caminha

Eles saíram em dois grupos chefiados por dois irmãos, Kayrú e Kamé, sendo que aquele saiu pri-
meiro. Cada um já trouxe consigo um grupo de gente. Dizem que Kayrú e toda a sua gente eram
de corpo delgado, pés pequenos, ligeiros, tanto nos seus movimentos como nas suas resoluções,
cheios de iniciativa, mas de pouca persistência. Kamé e seus companheiros, pelo contrário, eram
de corpo grosso, pés grandes, e vagarosos nos seus movimentos e resoluções.
Kaingang. Mitos coletados por Nimuendaju. Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Rio de Janeiro:
Fundação Nacional Pró-Memória, n. 21, 1986. Disponível em: <http://comin.org.br/static/
arquivos-publicacao/MITOS%20KAINGANG.pdf>. Acesso em: 20 mar. 2015.

1. Você conhece alguma outra explicação para a criação do ser humano? Resposta pessoal.
Professor, colha dos alunos relatos sobre mitos que talvez eles conheçam. Os debates em torno de crenças religiosas devem ser conduzidos com cuidado
e as opiniões precisam ser respeitadas, ainda que contrariem o conhecimento estabelecido cientificamente.

22
Atividades
Sistematizar

1. Além da estrutura celular, existem outras características pelas quais podemos distinguir os
seres vivos dos seres inanimados. Cite cinco delas.
Necessidade de nutrição, reprodução, movimento, crescimento e reatividade.

2. De onde provém a energia que nós, os seres vivos, precisamos para cumprir o ciclo vital?
Nós a obtemos dos alimentos, ou seja, pela nutrição.

3. Dizemos que as plantas e as algas são seres autótrofos. O que isso significa?
Significa que esses seres são capazes de produzir o próprio alimento.

4. Nós, os seres humanos, somos heterótrofos. Explique por que somos assim qualificados.
Porque, da mesma maneira que os outros animais, não somos capazes de produzir nosso próprio alimento. Obtemos alimento do ambiente (nos
alimentamos de vegetais, de animais etc.).
5. A reprodução é uma das características comuns a todas as espécies de seres vivos. Por que
afirmamos que essa característica é importante para a manutenção da existência da espécie?
A capacidade de gerar descendentes é importante pois, caso contrário, à medida que os indivíduos mais velhos morrem, a espécie tende a desaparecer.

6. A reprodução pode ser assexuada ou sexuada. Pesquise e cite um exemplo de ser vivo cuja
reprodução é do tipo assexuada. Poderão ser citados bactérias, protozoários, certos vermes, entre outros.

7. Da reprodução sexuada originam indivíduos geneticamente diferentes entre si. Por que isso é
vantajoso? Porque proporciona uma grande variabilidade na espécie (geração de filhos diferentes dos pais), o que aumenta a chance de adaptação
da espécie a possíveis modificações do ambiente.

8. Os seres vivos têm capacidade de responder a estímulos externos. Por que a maioria dos
animais apresenta respostas rápidas e complexas aos estímulos do ambiente, diferentemente
das plantas? Os animais têm sistema nervoso, já as plantas, não.

Refletir

1. Nos sistemas aquáticos marinhos existe uma comunidade formadora de uma verdadeira floresta.
Ela é constituída de inúmeros organismos conhecidos simplesmente por algas. Assim como
as florestas terrestres, essa comunidade aquática contribui para o abastecimento do oxigênio
da biosfera. Embora sejam encontradas no meio terrestre úmido, é nas águas doces e no mar
que as algas são mais abundantes.
a) As algas são autotróficas ou heterotróficas? Justifique.
São autotróficas, pois elas são capazes de produzir o próprio alimento por meio do processo de fotossíntese.

Desafio

1. Observe a ilustração:
As aves A e B viviam em uma ilha hipotética. A ave A ti-
Dawidson França

nha um bico próprio para se alimentar de insetos. A ave


B tinha um bico próprio para se alimentar de grãos de
um determinado vegetal. Imagine que uma praga surgiu
e matou todos os vegetais que davam os grãos comidos
A B
pela ave B.
a) Diante do exposto, qual ave terá mais condições de sobreviver e deixar descendentes? A ave A.
b) Explique qual a relação da situação acima com a teoria da seleção natural.
Os seres mais adaptados a determinado ambiente têm mais possibilidade de sobreviver e deixar descendentes, ou seja, o mecanismo de
seleção natural tem como princípio a adequação de uma característica sugestiva ao meio ambiente.

23
Capítulo
Classificação
3 No capítulo anterior você estudou
algumas características dos sere
vivos e noções da teoria da evol
ção biológica.
Agora, vai ver o que é a classifica
ção bioló gica .
s
u-

biológica
Explorando
Os critérios de classificação

Manoela e Miguel são irmãos e compartilham o mesmo quarto e os mesmos móveis.


O garoto anda se atrapalhando com a disposição dos objetos nos dois armários do
quarto, que são iguais. Diz que está perdendo tempo demais para encontrar suas coisas.
Cada armário tem uma parte fechada e uma parte aberta, e nesta há seis prateleiras.
Manoela propôs a Miguel que cada um deles fique com um armário para guardar
suas coisas. Miguel retrucou que isso não daria certo, porque ambos têm muitas coisas
comuns – por exemplo, livros, enciclopédias, video game, bola de futebol, raquetes de
pingue-pongue, material escolar, maletas e mochilas, entre muitos outros.
Ele faz então outra proposta: cada um deles ficaria com uma parte fechada para
guardar os objetos pessoais. As prateleiras abertas seriam de uso comum. Eles classifi-
cariam os objetos comuns e depositariam cada tipo em uma prateleira.
Começaram então a definir critérios para saber onde colocar cada tipo de objeto.

Marcos Guilherme

Agora é sua vez.


1. E você, como organiza seus objetos em casa? Resposta pessoal.
2. Você acha que conseguiria organizar tudo sem antes fazer uma classificação?
Resposta pessoal.

Professor, veja orientações para trabalhar esta seção no Manual do Professor.

24
Organizando a diversidade
Como os cientistas classificam e nomeiam os seres vivos?
É grande a diversidade dos seres vivos, sem falar na quantidade de
espécies já extintas. Dos mais simples microrganismos aos mais comple-

Glossário
xos animais e plantas, somam-se cerca de 2 milhões de espécies cata- Biólogo: especialista que
logadas por cientistas, como biólogos, que continuam trabalhando na estuda os seres vivos, suas
características e as leis
identificação e na atualização do catálogo de novas espécies, pois acre- gerais da vida.
ditam existirem outros tantos milhões ainda desconhecidos.
As classificações são muito utilizadas em diferentes campos. Por que
é importante classificar?
Observe as imagens a seguir.

A B

Ilustrações: Luis Moura

A organização dos produtos no supermercado


por categorias facilita sua localização. Os
produtos são agrupados em categorias pelas suas
semelhanças. Observe que há diferentes níveis
de categorização: as diversas seções dentro do
supermercado (A), as diferentes gôndolas dentro
de cada seção (B) e as prateleiras destinadas
a cada produto em cada gôndola (C).

Em um supermercado, a grande variedade de produtos é organiza-


da por setores de acordo com suas semelhanças; por exemplo, grãos e
cereais ficam no mesmo setor. Entretanto, são expostos em gôndolas de
acordo com o tipo. Por exemplo: em uma prateleira estão os pacotes de
arroz; em outra, os de lentilha.
As gôndolas são compostas de prateleiras, nas quais os produtos são
agrupados, por exemplo, por marcas. Os critérios para essa organização
são estabelecidos com a finalidade de facilitar a localização dos produtos.
Quanto mais específica for a organização dos produtos em um super-
mercado, uma farmácia ou outro tipo de loja qualquer, mais facilmente as
pessoas localizarão o que desejam comprar.

25
Classificação dos seres vivos
Em todas as áreas da ciência, os especialistas, de acordo com dife-
Glossário

Nomenclatura: conjunto rentes critérios, estabelecem sistemas de classificação e de nomenclatu-


de termos próprios de um
campo do conhecimento. ra para os objetos do seu estudo. Os biólogos também nomeiam e clas-
Sistemática: estudo dos sificam os seres vivos, pois são numerosos e dos mais diferentes tipos.
sistemas de classificação O trabalho de classificação mais antigo de que temos conhecimento
dos organismos, de sua
diversidade e das relações foi realizado na Grécia Antiga, cerca de 300 anos antes de Cristo (a.C.).
de parentesco entre eles. Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.) chegou a descrever mais de 400 espécies
animais, classificando-os em dois grupos: os sanguíneos (vertebrados) e
os exangues (invertebrados).
Ao longo dos séculos, estudiosos de plantas e animais estabelece-
ram diversos critérios de classificação para os seres vivos.
Somente no século XVIII foi consolidada uma sistemática de classifi-
cação e nomenclatura, proposta por Carl von Linné (também conhecido
como Lineu). Em sua obra Sistema Naturae, de 1735, ele classificou os
seres vivos em dois reinos: animais e plantas.
O critério básico para Lineu era a anatomia dos seres vivos e
não seus ambientes ou comportamentos. Nos animais, o cien-
tista considerou principalmente a coluna vertebral, classifi-
cando-os em dois grandes grupos:
Museu Nacional da Suécia Alexander Roslin

• vertebrados, que apresentam coluna vertebral, por


exemplo a rã, o gato, o boi etc.;
• invertebrados, que não apresentam essa estrutura,
como a minhoca, a mosca, o camarão etc.
Nas plantas, ele considerou como mais relevante a
presença ou não de flor, o órgão reprodutor, classifican-
do-as em: plantas com flores e sem flores.
Com base na proposta de Lineu, os cientistas pas-
saram a trabalhar com critérios comuns, necessários para
agrupar os seres aproximadamente da mesma maneira. Com
muitas modificações, parte da proposta de Lineu ainda é utili-
zada como base dos sistemas classificatórios.
Carl von Linné, cientista sueco No entanto, a separação dos seres vivos em dois grupos –
(1707-1778) que propôs o primeiro
sistema de classificação amplamente animais e plantas – foi superada. Atualmente, os sistemas classi-
aceito pela comunidade científica.
ficatórios dos seres vivos consideram fundamentais as relações
de parentesco evolutivo entre as espécies na formação de gru-
pos, bem como suas estruturas
celulares e moleculares.
Rednex/Shutterstock

Para maior clareza, muitas vezes vem, ao fim do


nome científico, o nome do pesquisador que nomeou
a espécie. Por conta disso, vários são os casos em
que o nome de Lineu aparece (em latim) ao lado
do nome da espécie, como é o caso do caranguejo­
-uçá (aqui ilustrado), cujo nome científico, então,
passa a ser grafado Ucides cordatus (Linnaeus).

26
Em 1969, Robert Whittaker propôs um sistema de classificação dos
seres vivos em cinco reinos, no qual os seres procariontes (formados por
uma única célula procariótica) foram incluídos no reino Monera e os euca-
riontes separados em outros quatro reinos: Protista, Fungi (fungos), Plan-
tae (plantas) e Animalia (animais).
Na década de 1980, Lynn Margulis e Karlene Schwartz propuseram
que o reino Protista passasse a ser denominado Protoctista para incluir
também as algas, que anteriormente estavam no reino Plantae.
De modo geral, os critérios, normas e códigos de classificação dos
seres vivos são definidos e acordados em congressos internacionais de
especialistas.

Nomenclaturas – os nomes dos seres vivos


Para identificar objetos e seres vivos temos de lhes dar nomes: casa,
livro, pão, roseira, gato, formiga, peixe etc. Com base na proposta de
Lineu, os especialistas convencionaram adotar uma série de regras de
nomenclatura para facilitar a comunicação entre os especialistas dos di-
versos países.
Segundo essas regras, o nome das espécies e de seus grupamen-
tos deve ser dado em latim, o idioma usado nas publicações científicas
da época. A língua latina também é considerada morta, ou seja, não é Posso
utilizada por nenhum povo. Por isso não ocorrem modificações em sua perguntar?
estrutura nem disputas políticas.
Além disso, deve haver dois nomes: um para o gênero (um conjunto E qual é o nome
científico do ser
de espécies) e outro para a espécie. Por exemplo, o nome científico para
humano? Homo sapiens.
o cão doméstico é Canis familiaris; para o lobo é Canis lupus.
Cindy Singleton/iStock Photos

Bildagentur Zoonar GmbH/Shutterstock


(A) gênero (B) espécie

Canis familiaris
(A) (B)

Canis lupus
(A) (B)

Canis familiaris, o cão doméstico. Canis lupus, o lobo cinzento.

A primeira palavra é um substantivo escrito com inicial maiúscula,


que corresponde ao gênero, grupo que inclui várias espécies semelhan-
tes. A segunda palavra é um adjetivo, escrito com letra inicial minúscula,
que se refere à espécie.
Quando impressos, os nomes das espécies devem ser escritos em
itálico (tipo de letra inclinada), e quando forem manuscritos devem ser
sublinhados (cada termo deve ter sua sublinha separada da outra).
O sistema de classificação facilita o conhecimento da multiplicida-
de das espécies que compõem a biodiversidade do planeta, ajudando a
compreender as relações entre elas.

27
Quando lemos nos livros de Ciências alguns nomes científicos (de animais, por exemplo),
eles parecem incompreensíveis. Entretanto eles sempre partem de um significado. Veja alguns:
Nome Nome

Ilustrarte
Significado
científico comum
• Crotalus terrificus chocalho terrível cascavel
• Pulex irritans pulador irritante pulga
• Lumbricus terrestris lombriga da terra minhoca

Outros nomes são homenagem a cientistas, ao local onde


foi encontrada aquela espécie ou a seu hábitat. Por exemplo,
Cedrus libani é o nome científico do cedro (uma espécie de ár-
vore) encontrado inicialmente no Líbano mas cuja presença foi
posteriormente constatada em outros países.
Curiosamente, há nomes que não parecem tão sérios. Veja alguns a seguir.
• Batman insignitus (um peixe) recebeu esse nome por causa

Ronald Grant/Mary Evans/Diomedia


de sua nadadeira caudal, semelhante ao formato da cabeça
do personagem Batman.
Paulo César Pereira

Batman insignitus Personagem Batman.

• Dracorex hogwartsia (dinossauro), uma relação com os dragões da escola de Hogwarts,


das histórias de Harry Potter.
Luis Moura

Agency NYT/Latinstock

Draconex hogwartsia Entrada da escola de Hogwarts.

28
Atividades
Sistematizar

1. Em uma livraria, para comprar um livro de Ciências devemos procurá-lo na prateleira de Ciên-
cias. Fazemos isso porque, geralmente, as obras estão organizadas conforme o assunto. Além
da importância de manter a loja arrumada, qual é a outra vantagem da organização dos livros
à venda em uma livraria? Identificar o livro que se deseja com mais rapidez.

2. Qual é a importância da classificação para os cientistas?


A classificação é um recurso metodológico para compreender melhor a organização existente no universo e facilita a comunicação e a informação entre os cientistas.

3. A definição prévia de critérios e padrões é importante na classificação. O cientista Carl von


Linné considerava a anatomia dos seres vivos como o critério classificatório básico.
a) Que estrutura do corpo dos animais ele considerou ao dividi-los em dois grupos? E como
Ele considerou principalmente a coluna vertebral. E denominou um grupo animais vertebrados e outro, animais
os denominou? invertebrados.
b) E para a classificação das plantas, que estrutura foi considerada pelo cientista? E como as
dividiu? Nas plantas, Lineu considerou a presença ou não de flor e de órgãos reprodutores. E dividiu-as também em dois grupos: plantas que
produzem flores e plantas que não produzem flores.

4. Leia os textos a seguir com atenção, identifique e corrija o que não estiver correto no que se
refere à nomenclatura dos seres vivos.
a) “No Sul do Brasil, depois de décadas de desmatamento, a Araucaria angustifolia (pinheiro
do Paraná) está ameaçada de extinção”. Odestaque
nome científico está escrito corretamente, porém não se apresenta com o
em itálico. O correto é Araucaria angustifolia.
b) “Crotalus Terrificus é uma víbora perigosa, pois seu veneno pode levar uma pessoa à morte”.
O nome científico deveria estar escrito com letra inicial maiúscula somente na primeira palavra; a segunda inicial minúscula. O correto é Crotalus terrificus.
c) “Os cachorros, animais domesticados há milhares de anos, têm parentesco próximo com o
Canis Lupus”. De forma incorreta, apresenta o nome científico escrito em caixa alta (todas as letras maiúsculas). O correto é Canis lupus.

Refletir

1. O cão doméstico (Canis familiaris), o lobo (Canis lupus) e o coiote (Canis latrans) pertencem a
uma mesma categoria taxonômica. Esses animais fazem parte de um(a) mesmo(a):
a) gênero. c) raça.
b) espécie. d) subespécie.
Alternativa a. A primeira palavra é um substantivo escrito com inicial maiúscula, que corresponde ao gênero, grupo
Justifique sua resposta. que inclui várias espécies semelhantes. No exemplo, todos são do gênero Canis.

2. Neste capítulo você viu a importância da classificação dos seres vivos para a ciência. Tendo
como base tudo que aprendeu, qual o sentido da frase “Classificar para preservar”?
Espera-se que o aluno conclua que através do processo de classificação o homem pode conhecer melhor os seres vivos e, desse modo, exercer maior
controle sobre eles. Essas descobertas auxiliam na preservação das espécies. Ao saber quais características ambientais são mais favoráveis para a
sobrevivência de um animal em extinção, por exemplo, é viável garanti-las para que tal espécie não desapareça.
Desafio

1. Os avanços científicos e tecnológicos são obtidos passo a passo e, geralmente, durante lon-
go período. As teorias e os métodos científicos (a elaboração do sistema classificatório, por
exemplo) resultam do trabalho de muitos cientistas. Relacione os cientistas e seus feitos, que
marcaram os principais momentos da elaboração do sistema classificatório dos seres vivos.
Construa uma linha do tempo, relacionando os cientistas à sua época correspondente.
1. Aristóteles apresenta a classificação dos animais em sanguíneos e exangues.
2. Carl von Linné ou Lineu consolida uma sistemática de classificação e nomenclaturas em sua obra Sistema naturae.
3. Robert Whittaker propõe que os seres procariontes sejam incluídos no reino Monera e os eucariontes, nos outros quatro reinos: Protista, Fungi, Plantae e
Animalia.
4. L. Margulis e K. Schwartz incluem as algas de todos os tipos no reino Protista e propõem nova denominação para esse reino: Protoctista.

29
Capítulo
Como ordenar
4 No capítulo anterior, você apre
deu com o é feita a class
a nomeação dos seres vivos.
ifica

Neste capítulo, vai aprender no-


ções básicas sobre a nova sistemá-
tica classificatória dos seres vivo
ção
n-
e

s.

os seres vivos
Explorando
A classificação dos seres vivos

Você acompanhou, na abertura do capítulo anterior, a discussão dos irmãos Manoela


e Miguel para conseguir classificar e organizar os objetos deles nos armários.
Durante a arrumação, Miguel encontrou um livro que queria ler, mas estava sumido...
Imediatamente, ele o colocou na prateleira de livros a ser lidos.

Marcos Guilherme

Ele comentou com a irmã:


– Nossa, consegui encontrar esse livro! Não acredito!
– Que livro é? – ela perguntou.
– O reino do dragão de ouro, de Isabel Allende. Ganhei no amigo secreto do Natal
passado.
– Reino???? – repetiu Manoela. – Lembrei que preciso fazer uma pesquisa sobre os
reinos dos seres vivos! Por que será que os seres vivos são classificados em reinos pelos
cientistas? Até hoje eu somente havia visto reinos em História ou em romances da Idade
Média. Será que essa palavra tem o mesmo significado nos dois casos? Será que no reino
animal há reis e rainhas? E há um domínio sobre os animais do reino?
Agora é sua vez.
1. Como você responderia às perguntas de Manoela?
A palavra reino tem caráter polissêmico. Nos textos literários e nos históricos, a palavra apresenta significados distintos. Além de introduzir o
conceito científico de “reino”, a atividade tem o objetivo de mostrar que as palavras podem ter diversos significados, atribuídos tanto no passado
como na atualidade.
Professor, veja orientações para trabalhar esta seção no Manual do Professor.

30
Organizando as espécies
Quais seriam os critérios atuais para agrupar as espécies? O sistema
atual utiliza a teoria da evolução (ou a história evolutiva das espécies)
como critério classificatório dos seres vivos.
O sistema de classificação desenvolvido por Lineu pressupõe os se-
guintes conjuntos básicos de organismos: reino, filo, classe, ordem, famí-
lia, gênero e espécie. Partindo do conjunto do reino em direção ao das
espécies, os organismos são mais semelhantes entre si.
Observe, no modelo a seguir, a classificação do gato doméstico, ani-
mal da espécie Felis catus, segundo o sistema de Lineu.

Luis Moura
Reino Animalia (dos animais)
R
sapo, estrela-do-mar, água-viva, aranha, minhoca, borboleta, gato doméstico, canguru e ornitorrinco
e
i
n
o

Filo Chordata (dos cordados)


F peixe, raia, jabuti, salamandra, tucano e gato doméstico
i
l
o

c Classe Mammalia (dos mamíferos)


l vaca, coelho, baleia, morcego e gato doméstico
a
s
s
e

Ordem Carnivora (dos carnívoros)


O cão, foca, urso e gato doméstico
r
d
e
m

f Família Felidae (dos felídeos)


a suçuarana, leão e gato doméstico
m
í
l
i
a

G Gênero Felis
Ê gato-do-mato e gato doméstico
n
e
r
o

E Espécie Felis catus


s gato doméstico
p
é
Esquema que indica diferentes c
níveis de classificação do sistema i A proporção de tamanho dos seres não
está de acordo com dados reais. Foram
desenvolvido por Lineu. e utilizadas cores-fantasia.

Professor, neste nível de ensino


optamos por não abordar as
categorias intermediárias.

31
Note que a espécie é a categoria mais básica, e o reino a mais

wanchai/Shutterstock
abrangente.
O sistema lineano, com base na anatomia comparada, mostrou-se
relativamente eficiente para organizar os seres vivos.
Com base nessa constatação, Willy Hennig (1913-1976) propôs um
novo critério para classificar os seres vivos: suas respectivas histórias
evolutivas e, consequentemente, o grau de parentesco entre eles. As-
4 cm

sim, o critério para agrupá-los em uma mesma categoria é terem um


Após o advento da teoria
ancestral comum.
da evolução, estudos De modo geral as semelhanças de forma, a organização interna, os
minuciosos mostravam que,
quanto mais dois organismos
aspectos citológicos (relativos às células) e moleculares (principalmente
se assemelhassem, mais relativos ao DNA) refletem as relações de parentesco entre eles. Assim,
“aparentados” eles seriam.
Por exemplo, uma barata todas as características, em conjunto, determinam se um ser vivo perten-
(acima) e um gafanhoto ce a um ou a outro grupo taxonômico. Em outras palavras, quanto mais
(abaixo) seriam mais
aparentados entre si do que um organismo for estudado e conhecido, mais claramente conseguire-
um gafanhoto e uma pomba. mos classificá-lo.
Além de o gafanhoto e a
barata pertencerem ao grupo
dos insetos devido a várias
características anatômicas,
eles também apresentam um Os reinos de seres vivos
ancestral mais próximo do
que, por exemplo, apresentam O sistema de classificação em reinos utilizado neste livro foi propos-
o gafanhoto e a pomba.
to por Robert Whittaker em 1969, modificado por ele mesmo dez anos
Fabio Colombini

depois e acrescido das contribuições de Margulis e Schwartz em 1988.


Embora novas propostas estejam sendo preparadas à medida que os es-
tudos avançam, ele tem sido um modelo adotado em grande parte dos
livros didáticos. Segundo esse sistema, os seres vivos são classificados
em dois domínios (acima de reino) e em cinco grandes reinos.

Domínio Procariontes
8 cm

Reino Monera
As imagens apresentadas nesta página É o reino das bactérias e das cianobactérias (algas azuis). Trata-se de
estão sem escala.
organismos microscópicos, unicelulares e sem membrana nuclear.
EYE OF SCIENCE/SPL/Latinstock

GSCHMEISSNER STEVE/SPL/Latinstock

Fotomicrografia eletrônica de varredura da bactéria Fotomicrografia eletrônica de varredura de algas azuis


Lactobacillus paracasei, usualmente adicionada a iogurtes. e esporos (estruturas de reprodução). Colorizada
Colorizada artificialmente. Ampliação aproximada de 3 500 vezes. artificialmente. Ampliação aproximada de 12 000 vezes.

32
Domínio Eucariontes
Reino Protoctista
Este reino engloba seres unicelulares e multicelulares. Como exem-
plos temos os protozoários (paramécio, ameba etc.) e as algas.

ERIC GRAVE/SPL/Latinstock

Hecker/Sauer/Easypix
Fotomicrografia de luz do protozoário Paramecium Alga verde Cylindrocapsa involuta vista sob
caudatum. Note, internamente, as organelas celulares. microscópio de luz. Ampliadas 250 vezes.
Colorizada artificialmente. Ampliado 220 vezes.

nikkytok/Shutterstock
Reino Fungi (fungos)
Os fungos são unicelulares ou, predominantemente, multicelulares.
Embora alguns os confundam com plantas eles são heterótrofos (não
realizam fotossíntese) e alimentam-se de matéria orgânica em decompo-
sição. O cogumelo e o mofo (ou bolor), por exemplo, são fungos.
Bolor ou mofo visto em
Reino Plantae (plantas) grande proximidade.

Este reino reúne todos os tipos de planta, sempre multicelulares. Tra-


ta-se de seres autótrofos, isto é, realizam fotossíntese.

Fabio Colombini
Reino Animalia (animais)
É o reino no qual estão agrupados os animais que são multicelulares
e heterótrofos, ou seja, alimentam-se de outros organismos.
Rita Barreto

Jess Kraft/Shutterstock

A avenca é um ser autótrofo,


ou seja, produz seu próprio
alimento.
1m

1m

A onça-pintada é um animal carnívoro, ou seja, A anta é um animal herbívoro, ou seja, alimenta-se


alimenta-se de outros animais. de vegetais.

Todos esses seres originaram-se dos procariontes.


Muitos especialistas ainda relacionam um grupo à parte, o dos vírus.
Entretanto, eles não são classificados em nenhum reino, uma vez que al-
guns os tratam mais como moléculas de proteínas. No próximo capítulo
veremos o porquê.

33
C u r ioso é...

Ifremer, A. Fifis/AP Photo/GlowImages


Ainda existem muitos seres desconhecidos, prin-
cipalmente nas florestas intertropicais, cuja diversi-
dade é bem grande. Regularmente temos notícias
de novos organismos descritos.
O Census Projects (Projeto Censo Marinho; dis-
ponível em: <www.coml.org>), com um pouco mais
de dez anos de trabalho, muito tem contribuído para
o enriquecimento da lista de seres vivos conhecidos, Lagosta peluda, uma das novas espécies
pesquisando e classificando novas espécies. descobertas pelos pesquisadores
do projeto Censo Marinho.

Aqui tem mais


Editoria de Arte/Folhapress

Com quase 800 espécies, Madeira é rio


com mais peixes no mundo
12 cm
Depois de vasculhar 1 700 quilômetros do
Madeira e de seus afluentes durante dois
anos, um grupo de pesquisadores bateu
o martelo. Trata-se do rio com o maior
número de espécies de peixes do mundo:
cerca de 800.
Dessas, umas 40 equivalem a espécies
ainda desconhecidas da ciência, disse
à Folha a pesquisadora Carolina Dória,
35 cm
coordenadora do Laboratório de Ictiologia
8 cm e Pesca da Unir (Universidade Federal de
Rondônia).
[...]
Predominam as diversas formas de lam-
baris, piabas e cascudos. Mas há também
grandes e vistosas arraias, peixes orna-
5 cm
mentais, como os acarás, e esquisitos pei-
xes elétricos das profundezas.
Outros fortes candidatos a campeões mundiais de diversidade de peixes são o Xingu, o Ta-
pajós e o Tocantins [...] – todos contam em torno de 500 espécies, pelo menos. A posição
desses rios no pódio também depende da intensidade e da amplitude da amostragem neles.
Como esforços tão intensos quanto o da equipe da Unir no Madeira ainda não foram feitos
para outros rios amazônicos, a posição de campeão pode mudar.
[...]
Reinaldo José Lopes. Com quase 800 espécies, Madeira é rio com mais peixes no mundo. Folha de S.Paulo,
São Paulo, 11 abr. 2011. Disponível em: <www1.folha.uol.com.br/ciencia/901005-com-quase-800-especies-
madeira-e-rio-com-mais-peixes-no-mundo.shtml>. Acesso em: 6 jun. 2015.

34
Atividades
Sistematizar

1. À medida que subimos na escala de espécie para reino, as semelhanças entre os seres vivos
que a compõem aumentam ou diminuem? Exemplifique.
Diminuem. Os indivíduos de uma mesma espécie apresentam o maior grau de semelhança entre si, por exemplo, o gato (Felis catus). O reino é o conjunto
dos animais em sua diversidade total.
2. Considerando a hierarquia das categorias taxonômicas, é correto afirmar que dois animais
que fazem parte da mesma ordem obrigatoriamente pertencerão:
a) à mesma ordem, à mesma classe, ao mesmo filo e ao mesmo reino. X
b) à mesma classe, à mesma família, ao mesmo gênero e ao mesmo reino.
c) ao mesmo gênero, à mesma classe, ao mesmo filo e ao mesmo reino.

3. Identifique na relação a seguir a sequência de palavras que completa corretamente o texto.


 s biólogos trabalham com um novo sistema de classificação dos seres vivos. Este tem como
O
referência ∞ ∞ ∞ dos organismos e o ∞ ∞ ∞ entre eles. O critério para agrupá-los em uma mes-
ma categoria é terem ∞ ∞ ∞ . Alternativa c.
a) a história evolutiva – grau de parentesco – coluna vertebral ou não
b) a história individual – grau de parentesco – um ancestral comum
c) a história evolutiva – grau de parentesco – um ancestral comum

Refletir

1. Leia o texto e faça o que se pede.

Qual é o maior ser vivo?


A maior criatura do planeta foi descoberta apenas em 1996: um fungo que cresce sob o solo da
Floresta Nacional de Malheur, no Estado do Oregon, Estados Unidos.
Esse Armillaria ostoyae, popularmente conhecido como “cogumelo do mel”, nasceu como uma par-
tícula minúscula, impossível de ser vista a olho nu, e foi estendendo seus filamentos durante um
período estimado de 2 400 anos. Da superfície, dá para ver apenas suas extremidades junto aos
troncos das árvores, mas debaixo da terra ele ocupa 880 hectares – o equivalente a 1 220 campos
de futebol. “Ele ainda cresce de 70 centímetros a 1,20 metro por ano”, diz o engenheiro agrônomo
João Lúcio de Azevedo, da USP. Antes de sua descoberta, o maior ser vivo era outro fungo da mesma
espécie, encontrado em 1992. Até os anos 90, o título pertencia a uma árvore sequoia da Califórnia.
Disponível em: <http://mundoestranho.abril.com.br/materia/qual-eo-maior-ser-vivo>. Acesso em: jun. 2015.

a) O que são fungos? Busque outras fontes se necessário.


Fungos são organismos heterótrofos que podem ser unicelulares (no caso das leveduras) ou pluricelulares (nos casos de bolores e cogumelos). Fazem
parte do reino Fungi, vivem em quase todos os ambientes terrestres e apresentam uma grande variação de formas e tamanhos.
b) Como os fungos estão presentes em nosso cotidiano?
Bolor do pão, fermento da padaria, cogumelo champignon, etc.

c) Com a classe dividida em 5 grupos, pesquise a importância dos fungos nas seguintes áreas.
Alguns fungos produzem substâncias de aplicação médica: Penicillium notatum (penicilina) e Erytromyces sp.
• farmacológica (eritromicina), por exemplo.

• culinária Os fungos estão presentes em vários pratos do nosso dia a dia: o champignon, o shitake, o shimeji e outros da culinária oriental.
Também são utilizados no preparo de pães, massas e bebidas alcoólicas e na produção de queijos.

• agricultura Onocivos
Metarhizium anisopliae é utilizado por alguns agricultores no controle biológico de besouros, cigarrinhas e outros insetos
à lavoura.
Como são parasitas de vários seres vivos, inclusive o homem, podem causar doenças, como frieira ou pé de atleta, sapinho, tinha,
• saúde micose, pelada, blastomicose, entre outras. Eles se proliferam na pele e na mucosa humana ou em animais que convivem com o homem.
Há uma infinidade de fungos que, junto com as bactérias, ajudam na reciclagem dos nutrientes do ecossistema. São os
• ambiental decompositores. Eles são responsáveis pela fertilização natural do solo, favorecendo a produção de alimentos por parte dos vegetais.
35
Capítulo
Vírus – um caso
5 No capítulo anterior você identifi-
cou os principais grupos hierárqu
cos de seres vivos de acordo com
a sistemática científica.
Agora você vai estudar um ser não
classificado como vivo – o vírus
quanto à estrutura, composição,
i-

forma e reprodução; distinguir soro


especial de vacina; e caracterizar algumas
viroses e formas de preveni-las.

Explorando
Características dos vírus

Sofia tem muitos amigos na escola, mas um deles, o Cauã, ela considera seu melhor
amigo. Estudam juntos desde o 1o ano e têm gostos muito parecidos.
Na segunda-feira passada, Sofia foi à escola muito feliz, pois Cauã iria levar um pen
drive com um arquivo de estudo para a garota copiar. Pen drive é dispositivo de armaze-
namento de dados que pode ser levado a qualquer parte, por ser bem pequeno.
Mas Cauã nem apareceu na escola. Mandou um recado para Sofia, pelo celular, dizen-
do que estava “com virose”. Sofia respondeu dizendo que iria visitá-lo após a aula e apro-
veitaria para copiar o arquivo digital. Então, ele pediu a ela que não fosse, pois poderia se
contaminar com o vírus. Além disso, o pen drive com o arquivo também estava com vírus.
Sofia ficou muito assustada com a possibilidade de contrair virose e ainda introduzir
um vírus em seu computador.
Danillo Souza

1. O vírus biológico é um agente


estranho que invade células e altera
sua informação genética a fim de se
reproduzir, prejudicando as células
em que se fixa. Na informática, os
vírus recebem esse nome porque
são fragmentos de programas
difíceis de ser identificados pelos
usuários e capazes de infectar
os programas de computador,
prejudicando os dados gravados na
memória ou outros dispositivos de
armazenamento do equipamento.
Eles multiplicam-se e se espalham,
precisam de um “hospedeiro” e
ficam escondidos, dificultando seu
extermínio.

Agora reflita sobre as questões abaixo.


1. Por que você acha que alguns programas de computador recebem o nome de vírus?
Resposta pessoal. Sim, as viroses
2. Você já teve alguma virose? Será que toda virose é contagiosa?  são contagiosas.

3. Por que existem tantas campanhas de vacinação contra doenças viróticas?


As campanhas são necessárias porque a vacinação evita que o indivíduo adoeça e impede que ele contribua para a propagação do vírus.
Professor, veja orientações para trabalhar esta seção no Manual do Professor.

36
Características dos vírus
Imagine um ser que tenha, ao mesmo tempo, características de seres

Glossário
Antígeno: substância ou
vivos e de matéria bruta. microrganismo estranho
Lembre-se: nos capítulos 1 e 2, vimos que o ser vivo tem caracte- ao corpo que causa
reações como alergias ou
rísticas como organização celular, metabolismo, reatividade, reprodução, intoxicações.
movimento, desenvolvimento e crescimento. Se o vírus for considerado Anticorpo: proteína
sozinho, ele não apresenta organização celular, isto é, ele é acelular. Em- especial produzida no
sangue que atua na defesa
bora pareça estranho, assim são os vírus: organismos com características e combate aos antígenos.
tão singulares que não estão classificados em nenhum dos reinos dos É específico para cada tipo
de antígeno.
seres vivos.
Como são seres acelulares, eles só sobrevivem e se reproduzem na pre-
sença de células de outros organismos. Por isso, são considerados parasitas

SPL/Latinstock
obrigatórios, que causam doenças chamadas genericamente de viroses.
Os vírus são tão pequenos que só podem ser visualizados com o au-
xílio de microscópios eletrônicos. Esses instrumentos, capazes de mostrar
imagens aumentadas em até centenas de milhares de vezes, só estão dis-
poníveis em centros de pesquisa, universidades e grandes laboratórios,
uma vez que é necessário um treinamento especial para operá-los.
Embora existam vários tipos de vírus, todos apresentam uma cápsula
feita de proteína, na qual fica alojado o material genético (DNA ou RNA).
Na superfície dessa cápsula, encontramos os antígenos, proteínas que
provocam, nos seres contaminados, a produção de anticorpos específicos.
Os vírus injetam nas células
Como o material genético dos vírus sofre constantes mutações (mo- seu material genético (DNA).
dificações), é comum existirem variedades (subtipos) de um mesmo vírus. Imagem artística digital de
vírus bacteriófago (do grego
A capacidade de sofrer mutações genéticas é uma das características que baktérion, que significa
“bastão pequeno”, + phágo,
os vírus têm em comum com os seres vivos. “comer”) ou simplesmente
Observe, a seguir, representações de alguns tipos de vírus. fago, que infecta bactérias.

Ilustrações: Luis Moura


capsídeo

vírus da
gripe

vírus da varíola
vírus da caxumba

Reprodução artística de
vírus HIV. Os vírus são
compostos de material
genético (DNA ou RNA)
vírus do mosaico protegido por um envoltório
do tabaco proteico denominado
vírus da herpes
capsídeo. Em alguns tipos
de vírus, o capsídeo é
vírus da envolvido por uma membrana
poliomielite adicional que apresenta
bacteriófago
vírus da lipídios (gordura) em sua
As imagens apresentadas nesta (atacam bactérias)
página estão sem escala. composição; essa membrana,
batata
chamada de envelope viral,
é originária da membrana
Representação artística de alguns vírus. Observe suas diferentes formas. da célula parasitada.

37
Como os vírus se reproduzem
Os vírus são sempre dependentes das células parasitadas, já que elas
não têm atividade metabólica, não captam nutrientes.
Na reprodução dos bacteriófagos – vírus que parasitam bactérias –,
uma das formas de reprodução apresenta as etapas descritas a seguir.

Luís Moura
2 entrada
4 montagem
Esquema das principais etapas
de uma das formas de reprodução
de vírus bacteriófagos.
Absorção e entrada: o vírus
penetra na célula ou insere nela
seu material genético. Replicação
e montagem: servindo-se das
estruturas celulares (organelas,
material genético), o vírus
replica seu material genético
em várias cópias idênticas.
Liberação: essas cópias do vírus
rompem a membrana plasmática
da célula e ficam livres para
infectar novas células.

1 absorção 5 liberação
3 replicação
Elementos ilustrados sem escala;
as cores não são as reais.

Outros tipos de vírus, como o vírus da gripe, penetram no interior da


célula hospedeira, onde ocorre sua reprodução. Algumas horas depois,
a célula inicia a liberação de novos vírus. Nesse processo não há rompi-
mento da membrana da célula, mas ela pode morrer.

adenovírus.
Os vírus e a saúde
Designua/Shutterstock

A palavra vírus tem origem latina e significa “toxina”


ou “veneno”.
influenza.
Os vírus são sempre parasitas que podem causar
doenças. Em algumas viroses, assim como ocorre com
outros tipos de doenças, a transmissão depende da ação
de um vetor.
Um exemplo de vetor são as fêmeas do mosquito
Aedes aegypti. Ela contrai o vírus da dengue ao picar
indivíduos doentes e, depois, ao picar indivíduos saudá-
veis, transmite-lhes a doença.
Representação de duas diferentes formas virais Para prevenir e combater viroses existem vacinas,
causadoras da gripe.
soros e alguns medicamentos antivirais. Todo e qual-
Elementos ilustrados sem escala; quer medicamento, no entanto, só deve ser utilizado sob recomenda-
as cores não são as reais.
ção médica.
A prevenção representa a melhor maneira de combater os vírus.
Conheça agora algumas viroses e as principais formas de prevenção
contra elas.

38
Aqui tem mais
Soros e vacinas
A formação de subtipos de vírus por mutações é uma das razões pelas quais é mais difí-
cil combater esses organismos e produzir vacinas eficientes que previnam as viroses.
Soros e vacinas são substâncias usadas, respectivamente, no tratamento e na prevenção
de doenças. Diz-se que o soro é curativo, enquanto a vacina tem função preventiva.
O soro contém os anticorpos específicos necessários para combater os antígenos que
causariam a doença ou intoxicação. As vacinas contêm agentes infecciosos mortos ou en-
fraquecidos, incapazes de provocar a doença, mas que induzem o organismo a produzir
anticorpos, evitando-a.
1. Consulte os calendários de vacinação recomendados pelo Ministério da Saúde e che-
que com sua família se suas vacinas estão em dia. Resposta dependerá da pesquisa do aluno. Você pode orientá-lo a
consultar a tabela apresentada na página 43 deste livro. Professor,
incentive a vacinação ao conferir o resultado dos trabalhos.

Dengue e febre chikungunya


No Brasil, o vírus da dengue e o da febre chikungunya são transmi-
tidos pela fêmea do mosquito da espécie Aedes aegypti, quando ela
estiver infectada também por esse vírus. Esse inseto, ativo tanto durante
o dia como à noite, contrai o vírus ao picar uma pessoa infectada. Depois,
ao picar pessoas saudáveis, transmite-lhes o vírus por meio de sua saliva.
Apesar de as pesquisas estarem avançadas, ainda não existem va-
cinas para essas viroses. Por isso, o combate aos focos do vetor é muito
importante. Os ovos dos vetores dessas doenças são postos nas paredes
dos criadouros, próximo à água. Por essa razão, são normalmente en-
contrados em recipientes que possam armazenar água de chuva, como
calhas, caixas-d’água descobertas, pratos de vasos de plantas, latas, gar-
rafas vazias e pneus expostos ao ar livre.
Na imagem ao lado, ve-

James Gathany/SPL/Latinstock
mos fêmea do Aedes aegypti
picando um ser humano. Essa
espécie de mosquito pode
transmitir dengue e febre
chikungunya. Alimenta-se da pintas
brancas
seiva de plantas, mas busca no corpo
o sangue para maturar seus escuro
ovos.

0,5 cm
Mosquito Aedes aegypti pousado
sobre pele humana. Ele está sangue sugado
com o abdome dilatado pelo
no abdome
sangue sugado do hospedeiro,
visto por transparência.

39
Dengue
Ministério da Saúde

A dengue manifesta-se de duas for-


mas. A forma clássica é mais leve, dura
em geral de cinco a sete dias. Com sin-
tomas semelhantes aos da gripe, a pes-
soa infectada tem febre alta (de 39 °C
a 40 °C), dores de cabeça, cansaço,
dores musculares e nas articulações,
dores abdominais, indisposição, en-
joos, vômitos e manchas vermelhas na
pele, entre outros. A dengue hemorrá-
gica, a forma mais grave, caracteriza-se
por alterações da coagulação sanguí-
nea. Inicialmente, a pessoa infectada
apresenta sintomas semelhantes ao da
dengue clássica, mas evolui para um
quadro com hemorragias que podem
levar à morte.
O doente com dengue deve man-
ter-se em repouso, beber muito líquido
(inclusive soro caseiro) e só usar medica-
mentos receitados pelo médico.

Febre chikungunya
Depois que a pessoa é picada pelo
Cartaz da campanha do governo federal de combate à dengue e à chikungunya. mosquito contaminado, os sintomas
podem se manifestar entre dois e doze
dias. Entre eles estão febre repentina e alta, acima de 39 °C, dores in-
Glossário

Epidemia: surto periódico


de uma doença infecciosa tensas nas articulações de pés e mãos (geralmente tornozelos e pulsos)
em dada população ou
ainda maiores que as provocadas pela dengue, dores de cabeça e mus-
região.
Pandemia: refere-se à culares e manchas vermelhas na pele. No entanto, segundo a Fundação
situação em que uma Oswaldo Cruz, cerca de um terço das pessoas infectadas são assintomá-
enfermidade epidêmica
atinge vários países do
ticas, ou seja, não apresentam os sinais e sintomas clássicos da doença.
mundo.
Gripe (ou influenza)
A gripe é uma virose causada pelo vírus influenza, geralmen-
Fernando Amorim/Ag. A Tarde/Futura Press

te transmitida entre pessoas. Isso ocorre por meio de gotículas


eliminadas por tosse ou espirro ou pelo contato com mãos con-
taminadas por secreções respiratórias ou com superfícies con-
taminadas. O fato de a gripe poder ser transmitida tanto direta
como indiretamente faz com que a aglomeração de pessoas em
ambientes fechados facilite sua disseminação.
A cada dois ou três anos, costumam ocorrer epidemias – e,
até mesmo, pandemias – de gripe.

Mulher idosa sendo vacinada contra


a gripe. Salvador, Bahia, 2015.

40
Alguns sintomas da gripe são febre, fadiga, coriza,

3445128471/Shutterstock
tosse, dores no corpo, principalmente na cabeça ou
garganta.
Em geral a infecção pelos vírus influenza leva
à produção de anticorpos. Então, ao se curar, uma
pessoa não contrai mais a mesma gripe, mas pode
“pegar” outras, já que o vírus sofre, constantemente,
pequenas mutações, formando novas variedades. Por
isso, a cada ano, a composição das vacinas contra
esse vírus precisa ser atualizada, para que as pessoas Lavar as mãos é uma boa
adquiram imunidade. medida de prevenção
contra a contaminação
Algumas vezes, o vírus influenza sofre grandes alterações, que resultam pelo vírus da gripe e contra
em novo subtipo para o qual as populações humanas não têm nenhuma várias outras doenças.
imunidade. Isso pode ocorrer devido ao contato entre seres humanos e
outros animais – como aves domésticas e porcos –, em situações em que
há troca de material genético entre subtipos do vírus influenza de origem
humana e os de outros animais. A introdução de um novo subtipo em uma
região pode desencadear uma epidemia e até mesmo uma pandemia.
No século XX, ocorreram três pandemias causadas pelo vírus influenza:
em 1918-1919 (gripe espanhola), em 1957-1958

elenabsl/Shutterstock
(gripe asiática) e em 1968-1969 (gripe de Hong Gripe H1N1 – Sintomas mais comuns
Kong). Em março de 2009, foi detectado um
novo subtipo, o vírus H1N1, que contém ma-
terial genético de vírus influenza de origem hu-
mana, suína e aviária. Essa gripe foi chamada
erroneamente de “gripe suína”. moleza e falta febre dor de cabeça músculos e
Os primeiros casos da gripe H1N1 ocorre- de apetite juntas
doloridos
ram no México e, em seguida, nos Estados Uni-
dos. Desde então, disseminou-se, rapidamente,
para dezenas de países (inclusive o Brasil). Em
11 de junho de 2009, a Organização Mundial da
Saúde declarou oficialmente que se tratava de
uma pandemia de gripe. O Ministério da Saúde nariz inflamação náusea e diarreia
entupido na garganta e vômito
promoveu uma campanha nacional de vacina- tosse
ção em 2010 contra a gripe H1N1 destinada às
pessoas mais vulneráveis à doença.
Quadro informativo sobre a gripe H1N1.

C u r ioso é...
Influenza, em italiano, tem o mesmo significado geral de influência [...].
A palavra foi empregada pela primeira vez como termo médico por Matteo Villani em
1358, com base na crendice popular de que se tratava de uma calamidade causada por
“influência oculta dos céus” [...].
Joffre Marcondes de Rezende. Influenza e gripe. Revista de Patologia Tropical, Goiânia: UFG, v. 38 (4),
p. 291-293, out./dez. 2009. Disponível em: <https://revista.iptsp.ufg.br>. Acesso em: 8 mar. 2015.

41
Aids
A aids (sigla em inglês para síndrome da imunodeficiência adquirida)
é causada pelo HIV, um vírus que ataca certos tipos de glóbulos brancos
produtores de anticorpos. Com o sistema imunológico comprometido, o
organismo fica mais vulnerável a doenças, desde as mais comuns, como
um resfriado, até as mais complexas ou graves, como a tuberculose e o
câncer. As doenças que infectam o corpo quando ele está com baixa re-
sistência são chamadas de oportunistas.
A aids, considerada o estágio mais
Ministério da Saúde

avançado da infecção pelo HIV, pode le-


var o paciente à morte. Embora não tenha
cura, ela pode ser controlada. Uma pessoa
infectada pelo HIV (soropositiva) pode vi-
ver com o vírus por longos períodos, sem
apresentar sintomas ou sinais, dependen-
do do estilo de vida (cuidados com o cor-
po, medicamentos e alimentação). Quanto
antes a infecção for descoberta, melhor.
A transmissão do HIV pode ocorrer
pelo contato com sangue contaminado
pelo vírus, por meio do contato sexual,
transfusão de sangue, reutilização de se-
ringas e agulhas entre os usuários de dro-
gas injetáveis e de mãe para filho, pela
placenta, durante o parto ou pelo leite
materno.
Não há ainda vacina para prevenir a
aids. A prevenção é feita por intermédio
de ações coletivas e individuais. É preciso
controlar o sangue utilizado em transfu-
Cartaz do Ministério sões; usar material perfurante (como agu-
da Saúde usado em
campanha contra a aids. lhas) e seringas descartáveis; usar preservativo (camisinha) nas relações
sexuais; e fazer exame pré-natal, pois existem medicamentos que prati-
camente impedem a transmissão do vírus da gestante soropositiva para
seu filho.
Não existem grupos de risco para a doença, e sim comportamen-
tos de risco, em que podem estar envolvidas pessoas de qualquer sexo,
idade ou orientação sexual. Preconceito e discriminação só agravam o
controle e a prevenção dessa doença.
No Brasil, segundo dados de 2010, existem 630 mil pessoas contami-
nadas pela aids. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), 33,4
milhões de pessoas viviam com o vírus HIV no mundo até o fim de 2008.
Recentemente pesquisas dão conta de que os soropositivos para a
aids estão aumentando no Brasil, principalmente entre os adolescentes,
em razão da diminuição dos cuidados para evitar a doença. É importante
salientar que, embora a aids possa ser controlada, ela compromete muito a
qualidade de vida e não tem cura. O melhor caminho ainda é a prevenção.

42
Rubéola
A rubéola é uma virose que causa

AUBERT/BSIP/Alamy/Latinstock
avermelhamento da pele, principalmen-
te na face, no pescoço, no tronco e nos
membros. Sua transmissão ocorre por
contato direto.
Embora tenha, geralmente, evolução
sem maiores complicações, a rubéola ofe-
rece grandes riscos quando ataca gestantes
nos primeiros meses de gravidez. De fato,
ao contaminar o feto, o vírus da rubéola
pode provocar danos no sistema nervoso
em formação, causando surdez e cegueira.
Apesar de a vacina já fazer parte do
Mulher grávida sendo
calendário infantil de vacinação, o Ministério da Saúde tem promovido va- vacinada contra rubéola.
cinação de adolescentes e adultos até 39 anos, de ambos os sexos, visando
diminuir os casos de rubéola congênita (que passa da mãe para o feto).

Sarampo
Os principais sintomas do sarampo são erupções

Monkey Business Images/Dreamstime.com


avermelhadas na pele, febre, dores de cabeça e incha-
ço de glândulas salivares, geralmente a parótida.
A transmissão é direta, de pessoa para pessoa, por
meio de secreções dos olhos, do nariz e da garganta e
de gotículas de saliva propagadas por espirros e tosse.
Tomar vacina e evitar o contato com pessoas doen-
tes são as duas formas de prevenir a doença.

Caxumba (ou papeira)


A caxumba afeta, em geral, apenas as glândulas
salivares ou parótidas. Contudo, em alguns casos pode
afetar ovários, testículos e pâncreas.
A transmissão ocorre por contato direto com gotí-
culas de saliva.
Tomar vacina e evitar o contato com pessoas doen-
tes são as duas formas de prevenir a doença.
As erupções vermelhas na
Febre amarela pele são um dos primeiros
sintomas do sarampo.

A febre amarela é uma doença que afeta rins, fígado, coração e ou-
tros órgãos. Entre outros sintomas ela provoca icterícia, que deixa a pele
amarelada. A doença é transmitida pela picada da fêmea de mosquitos
dos gêneros Aedes (áreas urbanas) e Haemagogus (áreas rurais).
No Brasil, a espécie que se destaca na transmissão da febre amarela
é o Haemagogus janthinomys, mosquito que se contamina ao picar pri-
matas não humanos, portadores do vírus.
A prevenção inclui a vacinação para os viajantes às áreas de risco e o
controle dos mosquitos vetores.

43
Calendário de vacinação
Idade VAcinas

Ao nascer BCG (dose única), Hepatite B (dose ao nascer)

Penta* (1a dose); VIP/VOP (1a dose, com VIP); Pneumocócica 10 V (1a dose);
2 meses
Rotavírus humano (1a dose)

3 meses Meningogócia C (1a dose)

Penta (2a dose); VIP/VOP (2a dose, com VIP); Pneumocócica 10 V (2a dose);
4 meses
Rotavírus humano (2a dose)

5 meses Meningogócia C (2a dose)

6 meses Penta (3a dose); VIP/VOP (3a dose, com VOP); Pneumocócica 10 V (3a dose)

9 meses Febre amarela (dose inicial)

12 meses Pneumocócica 10 V (reforço); Hepatite A (uma dose); Tríplice viral (1a dose)

Penta (reforço, com DTP); VIP/VOP (reforço, com VOP); Meningogócia C (reforço);
15 meses
Tetra viral (1a dose)

4 anos Penta (2o reforço, com DTP); VIP/VOP (reforço, com VOP);

Hepatite B (3 doses, a depender da situação vacinal anterior); Febre Amarela


10 a 19 anos (dose a cada 10 anos); Tríplice viral (2 doses); HPV (3 doses, idade de 11 a 13 anos);
Dupla Adulto (reforço a cada 10 anos)

Hepatite B (3 doses, a depender da situação vacinal anterior); Febre amarela (dose a cada
20 a 59 anos
10 anos); Tríplice viral (1 dose até 49 anos); Dupla Adulto (reforço a cada 10 anos)

Hepatite B (3 doses, a depender da situação vacinal anterior); Febre amarela


60 anos ou mais
(dose a cada 10 anos); Dupla Adulto (reforço a cada 10 anos)

Hepatite B (3 doses, a depender da situação vacinal anterior); Dupla Adulto (3 doses);


Gestantes
dTpa (uma dose a partir da 27a semana de gestação)

Fonte: Ministério da Saúde.


* Vacina pentavalente: vacina adsorvida difteria, tétano, pertússis, hepatite B (recombinante) e Haemophilus influenzae b (conjugada).
Observação 1: Essas vacinas previnem contra doenças causadas por vírus e por bactérias.
Observação 2: Doenças evitadas (nome das vacinas): Formas graves de tuberculose (BCG); difteria, tétano, coqueluche, hepatite,
meningite e outras infeções por Haemophilus influenzae tipo b, poliomielite ou paralisia infantil (pentavalente); diarreia por
rotavírus (rotavírus humano); pneumonia, otite, meningite e outras (pneumocócica 10 V); febre amarela (febre amarela);
sarampo, caxumba e rubéola (tríplice viral); dfteria e tétano (dupla adulto); doença causada por papilomavírus (HPV).

44
Atividades
Sistematizar

1. Por que não classificamos os vírus em um reino?


Porque eles apresentam características tanto de seres vivos como de matéria bruta.
2. Os vírus são unicelulares? Explique.
Não. Eles não têm nenhuma célula, ou seja, são acelulares.
3. Por que os vírus são considerados parasitas do interior das células?
Porque eles só se reproduzem dentro de células vivas.
4. Qual característica dos vírus explica o fato de existirem tantos subtipos virais?
Os vírus sofrem mutações genéticas com frequência, o que origina os subtipos, isto é, novas variedades.
5. O que significa dizer que alguém tem uma virose?
Significa que essa pessoa tem ou está com uma doença provocada por vírus.

6. Por que dizemos que a vacina é preventiva e o soro é curativo?


A vacina previne doenças, dando proteção (imunidade) duradoura. O soro tem anticorpos para combater antígenos (substâncias ou microrganismos
estranhos ao corpo) que causam doença ou intoxicação específica.
7. Explique, usando o exemplo da dengue, o que são vetores de doenças.
Vetores são seres que transmitem agentes causadores de doença. A fêmea do mosquito Aedes só transmite a dengue quando carrega o vírus da doença.
Para isso, ela tem de picar uma pessoa com dengue e, depois, uma pessoa saudável.
8. Qual é a diferença entre um antibiótico e uma vacina?
A vacina consiste em injetar vírus ou bactérias mortos ou atenuados, no organismo, de maneira que este reaja (sem ficar doente) com a produção de anticorpos
específicos. Já o antibiótico é qualquer remédio capaz de combater infecções causadas por bactérias. Nenhum antibiótico é capaz de destruir vírus.
9. Muitas pessoas tomam, por conta própria, antibióticos para combater gripes e resfriados. Por
A automedicação sempre apresenta riscos, e antibióticos só são eficientes contra bactérias. Gripes e resfriados são
que isso não é correto? doenças causadas por vírus.

10. Pesquise em outras fontes, se necessário, e associe corretamente as colunas registrando as


informações decorrentes. I-c; II-a; III-e; IV-d; V-b.
I. rubéola III. febre amarela V. hidrofobia
II. caxumba IV. poliomielite
a) Afeta as parótidas, isto é, as glândulas salivares.
b) Conhecida como raiva, afeta mamíferos, como cães e gatos.
c) Quando afeta gestantes, pode causar lesões no feto.
d) Conhecida por paralisia infantil, a vacina contra essa doença é a “gotinha”.
e) Transmitida por mosquitos vetores. Existe vacina contra essa doença.

Refletir

Bruno Galvão
1. Observe a charge ao lado.

a) O diálogo da charge acontece entre quais persona-


gens? Dois vírus.
b) O que se entende por período de incubação de um
É o período entre a contaminação da doença e a apresentação dos
vírus? sintomas.

c) Crie uma tabela com o período médio de incuba-


ção das seguintes doenças:
Disponível em: <http://chargesbruno.blogspot.
• dengue Geralmente de 2 a 7 dias. com.br>. Acesso em: 29 maio 2015.
• aids Entre 3 e 6 semanas. • sarampo Cerca de 12 dias.
• gripe Entre 1 e 4 dias. • febre amarela De 3 a 6 dias.
d) Quais são os vírus que mais matam no mundo? Aids, hepatite C, dengue e influenza.

45
[ dentro ]Fique por

Árvore da vida
A
árvore filogenética, também conhecida como árvore da vida, é
uma representação de como os seres vivos estão interligados
de acordo com as mudanças ocorridas em seus organismos
no processo histórico da evolução.
Eucariontes
Esse grupo é representado por seres vivos que
Essa árvore possibilita visualizar uma “linha do tempo” que mos- possuem em sua(s) célula(s) um núcleo que isola o
material genético do citoplasma. Esses seres podem
tra alguns eventos na história da vida no planeta, como a evo- ser organismos unicelulares e multicelulares.
lução humana.
Embora seja apoiada por muitas evidências, a árvore

Animais
filogenética não é imune a erros. Os cientistas
reavaliam constantemente os ramos
da árvore diante de novos dados.
Esse grupo é representado por organismos

Archaea
pluricelulares e heterótrofos. Algumas de suas
principais características são a mobilidade e o
sistema de órgãos internos. Sua reprodução,
com algumas exceções, é sexuada e possuem
Seres vivos unicelulares procariontes. A metabolismo aeróbico.
maioria é anaeróbica e vive em ambientes

Plantas
extremos (por exemplo, lagos gelados e CNIDÁRIOS BILATERALIDADE
crateras de vulcões ativos). Há mais de Organismos
Incluem espécies
200 espécies conhecidas. simétricos
como as medusas,
Organismos multicelulares autótrofos. bilateralmente.
os pólipos e os
Suas células possuem parede rígida
corais.
e são organizadas em tecidos
especializados. Realizam fotossíntese
por meio dos cloroplastos.

VERTEBRADOS
Possuem coluna
NÃO VASCULARES vertebral, crânio para
São plantas que não VASCULARES proteger o cérebro e
possuem sistema de São plantas que possuem MOLUSCOS um esqueleto.
vasos internos. sistema de vasos internos. Incluem os polvos,
caracóis e ostras.
COM SEMENTES
Existem plantas que possuem
sementes desnudas e também
as que possuem fruto TETRÁPODES
protegendo a semente. Possuem quatro
membros.
SEM SEMENTES

Parentesco Possuem tecidos


simples e caules
Os cientistas evolucionistas defendem a PEIXES
próximos a superfícies. CARTILAGINOSOS
hipótese de que todos os seres vivos atuais
compartilham um ancestral comum no Incluem as raias, os
passado, ou seja, somos todos parentes. ANGIOSPERMA tubarões e as quimeras.
Acredita-se que o primeiro ser vivo deve ter Apresentam o fruto protegendo
sido unicelular procarionte. as sementes, além de flores ANFÍBIOS
exuberantes para atrair a Quando jovens,
polinização. vivem na água,
Evolução biológica e durante toda
a vida adulta
A evolução biológica não é simplesmente
mudança ao longo do tempo. Por exemplo, vivem na terra.
as árvores perdem suas folhas e as dunas
das praias se modificam com os ventos.
Entretanto, esses não são exemplos de GIMNOSPERMA Aves e répteis são animais que O ovo permitiu que tetrápodes se
evolução biológica, pois não envolvem nascem de um ovo amniótico adaptassem a diferentes ambientes.
Possuem sementes desnudas, (ovo com casca e membranas Seus filhotes são capazes de nascer
descendência genética. Por meio da
isto é, sem fruto. São os que impedem a secagem pela ou emergir da casca protetora do
descendência com modificação, uma espécie
pinheiros e as araucárias. evaporação da água, bem como ovo, em um avançado estágio de
comum ancestral originou a fantástica
diversidade que vemos na Terra, tanto no guardam reserva alimentar desenvolvimento, relativamente
registro fóssil como em torno de nós. constituída pelo vitelo ou gema). aptos para cuidar de si mesmos.

46
As imagens
apresentadas
nesta página

Bactérias
estão sem
escala.

Grupo das bactérias e das cianobactérias,

Sol90 Images
organismos unicelulares que vivem em
superfícies e em colônias. Apresentam em
sua estrutura uma parede celular espessa
e, geralmente, possuem muitos cílios.
Acredita-se que existam há cerca de Coco Bacilos Vibriões Espirilos
4 bilhões de anos.
Bactérias com Bactérias com Bactérias com forma Bactérias com
formato esférico. formato de de vírgula. forma espiral.

Protoctistas
bastonete.

Este reino engloba seres unicelulares e multicelulares que


não podem ser incluídos em outros grupos. São exemplos

Fungi
Alguns fungos são unicelulares,
os protozoários (paramécio, ameba etc.) e as algas.

1. Na árvore genealógica de uma pes-


mas a maioria é multicelular. São Cogumelos soa aparecem os nomes de seus as-
seres heterótrofos, ou seja, não São seres vivos
produzem o próprio alimento (não que contêm ampla
cendentes (pais, avós, bisavós...) e
fazem fotossíntese) e alimentam- variedade de formas, outros parentes. Qual é a diferença
se de matéria orgânica em cores e tamanhos. entre uma árvore genealógica e uma
decomposição.
árvore filogenética, como esta apre-
sentada neste infográfico?
Bolor
A maioria das 2. Devido à distância entre as linhas
espécies de fungo evolutivas das plantas e dos ani-
são bolores.
mais, pode-se afirmar que não hou-
ve um ancestral comum entre esses
INSETOS
seres? Explique.
ARTRÓPODES Maior grupo 3. Os seres humanos têm grau de pa-
evolutivo
Animais com
existente.
rentesco mais próximo com os can-
exoesqueleto
(esqueleto externo) gurus ou com os insetos? Explique.
e patas articuladas. MIRIÁPODES
Representantes: 1. A árvore genealógica traz informações de gerações de
PEIXES ÓSSEOS familiares, e a árvore filogenética é feita com informações
centopeias e
Possuem provenientes de fósseis e de comparações entre estruturas
piolho-de-cobra.
esqueleto ósseo. dos seres vivos.
2. Não, pois as ramificações da árvore indicam que todos os
seres têm um ancestral comum.
3. O parentesco mais próximo é com os cangurus, pois
ARACNÍDEOS
ambos são mamíferos.
Representantes:
CRUSTÁCEOS aranhas,
Representantes:
caranguejos,
escorpiões e
ácaros. O ser humano
lagostas, Pertence à classe dos mamíferos
camarões e e placentários. Seu embrião se
AMNIOTA
cracas. PLACENTÁRIOS desenvolve totalmente dentro do
São espécies que O embrião desenvolve-se corpo da mãe, alimentando-se
nascem de um ovo completamente na placenta,
através da placenta. Após o seu
amniótico. MAMÍFEROS dentro do corpo da mãe.
nascimento, depende do leite
Os filhotes são materno. Pertence, também, à
AVES E RÉPTEIS alimentados com leite ordem dos primatas.
materno. MARSUPIAIS
Espécies ovíparas. Os répteis O embrião desenvolve-se
são ectotérmicos, e as aves dentro do corpo da mãe, Os parentes mais próximos
homeotérmicas. mas a fase final ocorre dos homens são os grandes
fora, dentro do marsúpio hominoides, como os chimpanzés
(“bolsa”).
e os gorilas.

MONOTREMADOS Observação: este


O desenvolvimento
infográfico não apresenta
do embrião ocorre
Tartarugas SERPENTES completamente fora do todos os grupos de
LAGARTOS
São répteis mais Possuem corpo da mãe, dentro de ovo. organismos. Estão ausentes
Incluem Único mamífero ovíparo. os nematódeos (como a
arcaicos. escamas e corpo
também os São os representantes mais lombriga) e os anelídeos,
alongado. primitivos dos mamíferos.
crocodilos. como a minhoca, por
exemplo.

47
Panorama
Neste tema aprendemos as principais características que distinguem os seres
vivos da matéria bruta são: organização celular, necessidade de nutrição/energia,
reprodução, movimento, crescimento, reatividade e evolução.
As células podem ser do tipo: procariota ou eucariota. Há organismos forma-
dos por uma única célula (unicelulares) e outros formados por diversas células (plu-
ricelulares).
Os seres vivos podem ser organizados nas seguintes categorias taxonômicas:
reino, filo, classe, ordem, família, gênero e espécie. Os cinco reinos são: Monera,
Protoctista, Fungi, Plantae e Animalia. O nome científico dos seres vivos segue a
nomenclatura binomial.
Segundo a teoria da evolução biológica, as espécies estão sujeitas a contínuas
modificações, a partir de um ancestral comum; os seres vivos mais adaptados têm
mais possibilidade de sobreviver e deixar descendentes – seleção natural.
Os vírus têm características de seres vivos e de matéria bruta e não estão clas-
sificados em nenhum reino. São seres acelulares e sofrem mutações frequentes.

Faça as atividades a seguir para rever o que aprendeu.

1. As ilustrações a seguir representam esquemas simplificados de células. Observe-as


atentamente e faça o que se pede.

A B C
Ilustrações: Luís Moura

As dimensões
das estruturas
representadas
estão fora
de escala; as
cores usadas
não são as
reais.

a) Identifique quais ilustrações representam células do tipo procariota e quais represen-


tam células do tipo eucariota. A – célula eucariota; B – célula eucariota; C – célula procariota.
b) Observe as células eucariotas e identifique a célula vegetal. Cite três estruturas pre-
sentes nesse tipo de célula, mas que não ocorrem na célula animal.
A ilustração B é a que representa uma célula vegetal. As três estruturas são: cloroplastos, vacúolo e a parede celular.
2. Descreva uma célula procariota.
A célula não tem membrana nuclear e o seu material genético fica disperso no citoplasma.

3. Identifique a alternativa correta.


A membrana plasmática está presente: Alternativa c. Em todas as células, sejam procariotas ou eucariotas.
a) apenas nas células animais. c) em todas as células.
b) apenas nas células eucariotas. d) apenas nas células procariotas.

48
4. Na composição das células vegetais são comuns os cloroplastos, organelas nas quais se
localiza a ∞ ∞ ∞ . Clorofila é uma substância de pigmentação verde que absorve a ∞ ∞ ∞
para a realização da ∞ ∞ ∞ .
Para completar esse texto, a sequência correta é: Alternativa b.
a) energia luminosa – clorofila – fotossíntese.
b) clorofila – energia luminosa – fotossíntese.
c) parede celular – energia luminosa – fotossíntese.
d) clorofila – energia luminosa – crescimento.
5. Das afirmativas a seguir, identifique as que são relativas à teoria da evolução biológica.
Afirmativas a e c.
a) A seleção natural tem importante papel na evolução das espécies.
b) As espécies existentes são imutáveis desde sua origem e criadas independentes
umas das outras.
c) Os indivíduos mais adaptados às condições ambientais têm maiores chances de so-
breviver.
6. (Unifesp-SP) Em uma área de transição entre a Mata Atlântica e o Cerrado, são encon-
trados o pau-d’arco (Tabebuia serratifolia), a caixeta (Tabebuia cassinoides) e alguns ipês
(Tabebuia aurea, Tabebuia alba, Cybistax antisyphillitica). O cipó-de-são-joão (Pyroste-
gia venusta) é também frequente naquela região.
Considerando os critérios da classificação biológica, no texto são citados: Alternativa c.
a) 3 gêneros e 3 espécies.
b) 3 gêneros e 4 espécies.
c) 3 gêneros e 6 espécies.
d) 4 gêneros e 4 espécies.
e) 4 gêneros e 6 espécies.

Assista
• A epidemia, França/Suécia, 2003. Direção: Olivier Langlois, 97 min.
Filme de ficção, mostra a proliferação da gripe aviária na Europa.
dicas
Leia
• Aids – Informação e prevenção, de Antônio A. Barone. São Paulo: Ática, 2004 (Série De Olho na Ciência).
Livro traz informações de como evitar o contágio com o vírus HIV e como combater a discriminação relacionada à doença.
• Teoria celular: de Hooke a Schwann, de Maria Elice B. Prestes. São Paulo: Scipione, 1997 (Série Ponto de Apoio).
Abordagem histórica que trata da descoberta da célula, com base em documentos que relatam as descobertas de Hobert
Hooke, até a consolidação da teoria celular, graças à contribuição de muitos cientistas.

Acesse
• Revista da Vacina. Disponível em: <www.ccms.saude.gov.br/revolta/index.html>. Acesso em: 10 mar. 2015.
Página eletrônica do Centro Cultural da Saúde, do Ministério da Saúde.
• História dos microscópios. Disponível em: <www.invivo.fiocruz.br/celula/historia_01.htm>. Acesso em: 10 mar. 2015.
Página do Fiocruz que disponibiliza textos sobre a história dos microscópios.

49
SPL/Latinstock

Tema 2
Moneras, protoctistas
e fungos
NESTE TEMA
VOCÊ vai ESTUDAR:

• a identificação dos seres


dos reinos Monera,
Protoctista e Fungi;
• a importância deles para
a vida na Terra;
• suas principais
características;
• os locais onde são
encontrados.

Fotografia de algas
microscópicas, deno-
minadas diatomáceas,
produzida por micros-
cópio eletrônico com
ampliação aproximada
de 800 vezes e colorida
artificialmente.

Para o encaminhamento das questões, consulte o tópico Abertura do Tema do Manual do Professor.

icas como é o caso das dia-


1. Algumas algas são microscóp
anto, há algas que são
tomáceas da fotografia. No ent
uma alga? Onde elas ge-
visíveis a olho nu. Você já viu alg
ralmente são encontradas?
1. O aluno pode ter
o as algas são utilizadas pelos
visto algas na praia,
como as algas verdes,
2. Cite alguns exemplos de com
algas vermelhas e seres humanos.
roscópicos podem prejudicar
algas pardas, bem

3. Você acha que organismos mic


como algas utilizadas
na culinária japonesa,
ntas?
de alguma forma os animais ou pla
como o nori. As algas
são principalmente
encontradas em
ambientes aquáticos,
mas também ocorrem
em ambientes
terrestres úmidos.
2. As algas são utilizadas na alimentação humana e nas indústrias farmacêutica e de produtos químicos.
3. Organismos como algumas bactérias ou protozoários podem causar muitos problemas para a saúde do ser humano ou de outros animais e também para as
plantas, porém algumas bactérias são importantes para os seres vivos.
Capítulo
Características gerais
1 Neste capítulo, vamos estudar
como são os seres que pertence
ao reino Monera e conhecer sua
estrutura, forma e reprodução.
m

Professor, neste segmento de ensin


por não abord ar as arque as, que
o optamos
também

dos moneras
compõem o reino Monera.

Explorando
O iogurte

Já era fim de tarde e Osvaldo estava estudando em casa,


quando sentiu um pouco de fome. Então foi olhar o que havia
na geladeira. Percebeu que sua mãe tinha comprado uma
marca diferente de iogurte, desses em garrafinha.
Ele resolveu tomar um para matar a fome até a hora
do jantar. Assim, pegou um dos iogurtes na geladeira.
Enquanto estava tomando, leu no rótulo que o io-
gurte continha lactobacilos vivos. Na mesma hora ele
ficou enojado e parou de tomá-lo.
Voltou para a cozinha e foi
perguntar para sua mãe:
– Como pode um iogurte
conter bactérias vivas? Isso não
pode fazer mal para minha
saúde?
Sua mãe sorriu e ex-
plicou que os lactobacilos Danillo Souza

do iogurte fazem bem à


saúde. Disse ainda que há,
em nosso organismo, uma
quantidade enorme de bac-
térias que são benéficas.
Ela disse que ele podia
tomar o iogurte à vontade, que não
havia problema nenhum nisso.
Osvaldo ficou aliviado com as explicações de sua mãe e voltou a tomar o iogurte.
Afinal, estava uma delícia!
Professor, veja orientações para trabalhar esta
  Agora é a sua vez. seção no Manual do Professor.

1. Você comeria o iogurte do Osvaldo? Por quê? E outros iogurtes? Resposta pessoal.

2. É comum encontrar seres vivos habitando nosso organismo? Que seres são esses?
Em nosso corpo vivem milhões de seres vivos, principalmente bactérias, e muitos deles são importantes para o bom
funcionamento do organismo. Em nosso intestino, por exemplo, vivem lactobacilos que regulam seu funcionamento.

52
Conhecendo os moneras
As bactérias são seres microscópicos do reino Monera. Embora
seja comum as bactérias serem associadas a doenças, esses seres são
fundamentais no equilíbrio das funções de nosso corpo e do ambiente.
Assim como os fungos, dos quais falaremos adiante, as bactérias são

Glossário
Flagelo: estrutura tubular
seres decompositores nas cadeias e teias alimentares dos ecossistemas. formada de proteínas. Pode
participar da locomoção de
seres unicelulares.

SPL/Latinstock
Material genético: é o
DNA da célula, que se
encontra no núcleo e é
responsável por passar
as características dos
organismos entre as
gerações.

As bactérias apresentam
diversas formas, podendo ser
arredondadas, cilíndricas, achatadas
etc. Na fotografia, vemos a
bactéria Helicobacter pylori.
Ampliação de cerca de 9 500 vezes.

Estrutura e forma dos organismos


do reino Monera
Posso
Todos os seres do reino Monera são unicelulares, isto é, constituídos perguntar?
de uma só célula. Essa única célula é procarionte (ou procariótica), ou
seja, não apresenta membrana separando o material genético do restan- Do que as
bactérias se
te do conteúdo celular como ocorre nos animais e nas plantas. Observe o
alimentam?
esquema da bactéria a seguir para entender melhor o que isso significa.
Existem bactérias que produzem
seu próprio alimento e bactérias
parede celular que se alimentam de substâncias
provenientes de outros seres vivos.
Luis Moura

membrana plasmática

flagelo Esquema de bactéria em corte, ilustrando


citoplasma algumas estruturas de células procarióticas.
material genético

A proporção dos elementos não está de


Fonte: G. J. Tortora, B. R. Funke e C. L. Case. acordo com os dados reais. Foram utilizadas
Microbiologia. Porto Alegre: Artmed, 2005. cores-fantasia.

53
A forma das bactérias pode variar bastante. Veja, a seguir, algumas
dessas formas.

• Cocos: forma arredondada. • Bacilos: forma semelhante a


bastões.

EYE OF SCIENCE/SPL/Latinstock

Steve Gschmeissner/SPL/Latinstock
As imagens apresentadas nesta
página estão sem escala.

As cianobactérias são
bactérias que produzem
o próprio alimento ao
receber energia luminosa,
ou seja, fazem fotossíntese.
Na fotografia elas estão
organizadas em uma colônia.
Dr. James Richardson/Visuals Unlimited/Corbis/Latinstock

Fotomicrografia de Staphylococcus aureus Fotomicrografia de Escherichia coli obtida


obtida por microscópio eletrônico e colorizada por microscópio eletrônico e colorizada
artificialmente. Aumento de 2 400 vezes. artificialmente. Aumento de 6 500 vezes.

• Vibriões: forma semelhante à • Espirilos: forma espiralada.


vírgula.

Photoresearchers/Latinstock
Dennis Kunkel Microscopy, Inc./Visuals
Unlimited/Corbis/LatinStock

Fotomicrografia de Vibrio cholerae obtida Fotomicrografia de Spirillum volutans obtida


por microscópio eletrônico e colorizada por microscópio eletrônico e colorizada
artificialmente. Aumento de 1 500 vezes. artificialmente. Aumento de 250 vezes.

As bactérias também podem se agrupar formando colônias. Depen-


Glossário

Colônia: conjunto de
organismos da mesma
dendo de como a colônia é formada, ela recebe um nome. As colônias
espécie vivendo juntos em
determinado local. de bactérias cocos são chamadas, por exemplo, de: estreptococos, se
Fonte termal: local onde agrupadas em fileira, como um colar; diplococos, se agrupadas em duplas;
águas subterrâneas
aquecidas pelo calor do
estafilococos, se agrupadas tal qual um cacho de uvas.
interior da Terra saem para
a superfície. Onde vivem os moneras
Salinidade: quantidade de
sal em determinado local. Os moneras são encontrados em ambientes diversos, em praticamente
todos os ecossistemas da Terra. Há bactérias que habitam o corpo humano,
adaptadas a temperaturas próximas a 37 °C, e também bactérias de vida li-
vre que vivem à temperatura ambiente. Há ainda alguns representantes dos
moneras que vivem em meios extremos, como águas de fontes termais
com temperaturas próximas a 75 °C, ou lagos gelados. Algumas espécies
resistem à alta salinidade, enquanto outras sobrevivem a períodos de seca.
Também são encontradas sobre rochas ou solo úmido. Alguns tipos
de bactéria vivem no corpo de animais. No intestino humano, por exemplo,
existem bactérias que produzem vitaminas do complexo B.

54
C u r ioso é...
Bactérias “amantes” da arte

Robert Frerck/Getty Images


Bactérias e outros microrganismos
podem deteriorar pinturas e outros tipos
de bem cultural com o passar do tempo.
Por isso, obras muito valiosas são manti-
das sob controle, para evitar que micror-
ganismos se instalem e iniciem o processo­
de deterioração. Entre os profissionais de
diversas áreas que trabalham nesse controle
estão os microbiologistas, que estudam
os microrganismos.
No entanto, há alguns compostos
Cientistas da Espanha utilizam solução limpante
feitos com bactérias para restaurar obras com bactérias para restaurar obras de arte.
de arte. Pesquisadores da Universidade
Politécnica de Valência, Espanha, conseguiram desenvolver um gel com bactérias que limpa,
sem danificar, pinturas com manchas esbranquiçadas provenientes dos minérios presentes
nas tintas, uma vez que elas são bem antigas e, por isso, delicadas.

Reprodução dos moneras


Em geral, os moneras se reproduzem de forma assexuada, por
bipartição, com divisão de sua única célula em duas. Essas duas bactérias­-
-filhas também podem se dividir e dar origem, cada uma, a mais duas bacté-
rias. Dessa forma, elas podem
Luis Moura

material
originar um grande número genético
de descendentes em horas. bactéria

Embora seja rara, a re-


produção sexuada também septo
pode ocorrer. Nesse proces- A bactéria se
so, chamado conjugação, alonga e começa
a se formar um
uma bactéria transfere mate- septo.
rial genético para outra, que material A proporção dos elementos não
está de acordo com os dados reais.
genético
é a bactéria receptora. No duplicado
Foram utilizadas cores-fantasia.

interior desta, o material ge-


O septo se
nético se combina formando aprofunda.
uma bactéria geneticamente
diferente das duas originais.

Fonte: G. J. Tortora, B.
R. Funke e C. L. Case.
Divisão completa de bactéria, Microbiologia. Porto
Esquema simplificado de bipartição originando bactérias-filhas.
(reprodução assexuada de moneras). Alegre: Artmed, 2005.

55
Hora da
prática: experimento
Vamos ver como acontece a multiplicação das bactérias, produzindo iogurte ca-
seiro, que além de prático é ótimo para a saúde. Reúna-se com quatro colegas e siga
os procedimentos abaixo. Professor, verifique antes se algum aluno apresenta intolerância ou é alérgico a lactose.

Material:
• 1 litro de leite morno;
• um pote (170 g) de iogurte natural; atenção!
• uma vasilha com tampa; Peça a um adulto
• cerca de 3 panos de prato. que aqueça o leite.

Ilustrações: Paulo César Pereira


leite
vasilha iogurte

colher

Como fazer
1. Coloque o leite e o iogurte na vasilha e misture
bem. Não deve ser leite gelado.
2. Tampe a vasilha e enrole-a com os panos, para
que o isolamento mantenha a mistura morna
por mais tempo.
3. Deixe a vasilha em repouso por um dia.

Refletindo e registrando
Converse com os colegas do grupo e registre
as respostas das questões a seguir no caderno.
a) Como estava a mistura assim que colocaram os ingredientes na vasilha?
O iogurte ficou diluído no leite, com uma consistência similar à dele.
b) Houve diferença entre o conteúdo da vasilha de um dia para outro?
O leite virou iogurte, tornando-se mais pastoso e consistente.
c) O que havia no iogurte que possibilitou a transformação?
Todo o leite se tornou iogurte porque as bactérias presentes inicialmente no copo de
iogurte se reproduziram, fermentando o leite e transformando-o em iogurte.

56
Atividades
Sistematizar

1. Que seres vivos fazem parte do reino Monera?


As bactérias e as cianobactérias, antigamente chamadas de algas azuis ou cianofíceas.
2. Descreva os moneras quanto ao número e tipo de célula.
São unicelulares, isto é, são compostos de uma só célula. Essa célula é procariota.

3. Identifique e nomeie as formas de moneras ilustradas a seguir. Resposta: a – cocos, b – espirilos,


c – bacilos e d – vibriões.
a) c)

Luis Moura
b) d)

4. Que tipo de reprodução é mais comum entre os moneras?


A forma assexuada, por bipartição, com divisão de sua única célula, originando um grande número de descendentes em horas.

Refletir

1. Leia e analise a tirinha abaixo para responder às questões:

Fernando Gonsales

Fernando Gonsales. Vá pentear macacos! São Paulo: Devir, 2004.

a) Quais são as características do tipo de reprodução representado na tirinha?


Reprodução assexuada, por bipartição, com divisão de sua única célula, originando um grande número de descendentes em horas.
b) Em que locais podem ser encontradas as bactérias? Existe uma diversidade de habitats, uma vez que as bactérias
podem ser encontradas em qualquer tipo de meio: água (doce e salgada), ar, terra e no interior dos seres vivos.
c) Que nome damos ao remédio utilizado para tratar doenças causadas por bactérias?
Antibióticos.

57
Capítulo
As bactérias e
2 No capítulo anterior você estudou
as características gerais das bac-
térias e aprendeu que elas faze
part e do rein o Mon era.
Neste capítulo você vai conhecer
algumas doenças que podem ser
m

causadas por esses seres e as for-

as doenças
mas de preveni-las.

Explorando
O tétano

Samuel estava ajudando o pai a pregar quadros na parede de casa. Era folga de seu
pai e ele chamou Samuel para ajudar, assim poderiam aproveitar o tempo juntos. Além
disso já fazia muito tempo que aqueles quadros tinham sido comprados, numa viagem
que a família fez. Tinha até uma foto dos três juntos, Samuel, a mãe e o pai, emoldurada
e que seria pendurada na parede também. Em certo momento, ele se descuidou e pisou
em um prego que estava no chão, causando uma ferida em seu pé.
Ele e o pai foram ao pronto-socorro
para fazer o curativo, e então a médica lhe
Ilustrações: DKO Estúdio

perguntou se ele já tinha tomado vacina


contra tétano. Samuel respondeu:
– Não sei, doutora, não me lembro.
Mas o pai de Samuel completou:
– Já tomou, sim, quando ele era menor.
– Já faz mais de dez anos?
– Não – respondeu o pai.
A médica explicou:
– Então não precisa tomar, pois a valida-
de da vacina é de dez anos.
Samuel continuou sem entender:
– Mas o prego não estava enferrujado!
O perigo não é só quando está assim?
– Não – disse a médica.
– As bactérias que causam o tétano po-
dem estar sobre superfícies que não este-
jam enferrujadas, ou mesmo em superfícies
limpas!
Vamos pensar juntos a respeito da nar-
rativa.
1. Você já se feriu como Samuel, com prego ou outro metal um pouco enferrujado?
Compartilhe com o professor e os colegas como foi o ferimento e como se deu o
tratamento. Resposta pessoal. Espera-se que os alunos possam compartilhar entre si relatos de ferimentos iguais ou semelhantes ao
mostrado na ilustração. Essa conversa possibilitará uma identificação com o que será tratado no capítulo.

2. Você sabe o que é tétano? Sabe como se transmite? Obactéria


tétano é uma doença infecciosa causada por uma
que age no sistema nervoso central. É transmitida
quando a bactéria – encontrada em objetos perfurantes, na terra ou em fezes de animais – entra em contato com uma ferida. Sobretudo em feridas profundas.
3. Por que o médico questiona o menino quanto à vacina? Você sabe dizer como a vacina
poderia ajudá-lo nesse momento?
Professor, veja orientações no Manual do Professor para trabalhar esta seção.

3. A vacinação é uma medida que previne doenças por meio do preparo do sistema imunológico. Apesar de haver algumas religiões e filosofias de vida que
desencorajam a vacinação, a negação a essa prática pode ocasionar uma sanção jurídica, uma vez que a vacinação é uma prática de interesse público.
58
Bactérias patogênicas

Vanessa Volk
Como vimos, nem todas as bactérias causam doenças. As bac-
térias usadas na fermentação do leite, por exemplo, fazem até bem
à saúde dos seres humanos. Por outro lado, existem as que podem
provocar danos à saúde, chamadas de bactérias patogênicas. Para
combatê-las, em geral, são indicados antibióticos ao paciente.
Veremos, a seguir, algumas doenças causadas por bactérias e
como evitá-las.

Botulismo
A prevenção do botulismo inclui
O botulismo é causado por toxinas liberadas por um tipo de bacté- higiene no preparo de alimentos
ria encontrado principalmente em alimentos enlatados. A pessoa com e cuidados ao consumir
enlatados. É preciso verificar
botulismo apresenta paralisia dos músculos, incluindo os da respiração, sempre a data de validade
e não consumir o produto
o que pode matá-la rapidamente. caso a lata esteja estufada.

Cólera Professor, lembre os alunos de que vibrião é a bactéria com formato

Science Source/Latinstock
semelhante a uma vírgula.

A cólera é causada por um vibrião e pode ser trans-


mitida pela ingestão de água e alimentos contaminados.
Ela provoca diarreia intensa, o que pode levar à desi-
dratação grave. A forma de prevenção é consumir água
apenas filtrada ou fervida, lavar muito bem frutas e ver-
duras e cozinhar bem os alimentos antes de ingeri-los.

Tétano
O tétano é uma doença grave causada por uma bac-
téria em forma de bacilo.
Essa doença afeta o sistema nervoso e provoca espas-
mos musculares e dores. Sua transmissão se dá principal-
mente pelo contato de feridas profundas com solo, poeira,
Gravura de Alfred Rethel, 1832,
fezes ou objetos contaminados pela bactéria. É importante tomar as doses que mostra a cólera (morte)
recomendadas da vacina, incluindo os reforços na idade adulta. O soro tocando seu instrumento
pelas ruas e ceivando vidas.
antitetânico é usado quando há dúvida em relação à validade da vacina ou A imagem revela como era
quando se sabe que o indivíduo ferido não foi vacinado. vista a doença, que fez
milhares de vítimas ao longo
da história em praticamente
Meningite bacteriana todas as cidades do mundo.

A meningite bacteriana ou meningocócica é muito mais grave que


Glossário

Toxina: substância
a meningite causada por vírus ou fungos. Ela provoca inflamação nas venenosa produzida por
organismos vivos que
membranas (meninges) que revestem o sistema nervoso central, o que causam envenenamento.
pode causar infecção generalizada. Soro: solução com
anticorpos produzidos em
A bactéria é transmitida de uma pessoa para outra por gotículas outro organismo. Trata-se
contaminadas de saliva. Quando se detecta um novo caso da doença, de uma imunização indireta,
pois o indivíduo que recebe
a prevenção imediata da ocorrência de outros casos é feita com a utili- o soro não produziu os
zação de antibióticos por todos os que tiveram contato próximo com o anticorpos.
indivíduo doente.

59
Aqui tem mais

Denny Cesare/Código 19/Folhapress


Vimos que as cianobactérias são bactérias
que fazem fotossíntese. Em alguns casos, quan-
do esses organismos se proliferam nos manan-
ciais de água potável das cidades, elas se tornam
um problema para as companhias de tratamen-
to hídrico. Isso ocorre porque as cianobactérias,
além de dar gosto e odor desagradável à água,
liberam nela toxinas que afetam o sistema ner-
voso e o fígado humanos. Infelizmente, os sis-
temas de tratamento convencionais e apenas a
fervura não retiram essas toxinas da água. Cor verde típica de um lago contaminado por cianobactérias.
Campinas, SP, 2014.
1. Procure informações sobre casos de proli-
feração de cianobactérias em alguma área próxima a sua casa. Como ele foi resolvido?
Resposta de acordo com a pesquisa dos alunos.
Professor, no Manual da Cetesb (São Paulo) há informações sobre as cianobactérias
encontradas no estado e suas principais causas. Acesse: <www.cetesb.sp.gov.br/userfiles/file/
agua/aguas-superficiais/manual-cianobacterias-2013.pdf>.

Leptospirose
Carlos Eduardo de Quadros/Fotoarena

A leptospirose é causada por uma bactéria presente na


urina de ratos. Ela é transmitida ao ser humano principalmen-
te nas enchentes, quando há contato com água contaminada.
Os sintomas são febre, dor de cabeça e dores pelo corpo –
especialmente nas panturrilhas (batata da perna) –, podendo
também ocorrer vômitos, diarreia e tosse. Nas formas mais
graves, geralmente aparece icterícia (coloração amarelada da
pele e dos olhos), havendo necessidade de internação hospi-
Observe que os bombeiros estão usando botas, talar. O doente pode apresentar ainda hemorragias, menin-
(cheia em Porto Alegre, RS, 2014) pois a prevenção
da leptospirose é feita evitando-se o contato direto gite e problemas nos rins, no fígado e nos pulmões, os quais
com água ou lama de enchentes e outros ambientes podem levá-lo à morte.
que possam estar contaminados por urina de ratos.

Disenterias bacterianas
Luciana Whitaker/Pulsar Imagens

As disenterias bacterianas são transmitidas pela ingestão


de alimentos e água contaminados. O maior risco está na desi-
dratação, causada pela diarreia que elas provocam. A preven-
ção inclui o tratamento de água e esgoto e hábitos higiênicos.

Tuberculose
A tuberculose é causada pela bactéria conhecida como
bacilo de Koch. A forma pulmonar da tuberculose é a mais
frequente, mas ela também pode atacar ossos, pele, intestinos,
gânglios etc.
A tuberculose continua sendo um sério problema de saúde
pública. Estima-se que aproximadamente um terço da popula-
ção mundial esteja infectado com o bacilo causador da doença.
O esgoto a céu aberto é fonte de diversas doenças, O tratamento deve ser feito sob orientação médica e não
incluindo as disenterias bacterianas.
Duque de Caxias, RJ, 2014. ser abandonado antes do prazo determinado pelo médico.

60
Atividades
Sistematizar
Elas dão sabor e cheiro desagradável à água ao liberarem nela toxinas perigosas à saúde, as quais não são retiradas pelos sistemas de tratamento de
água tradicionais nem por fervura.
1. Explique por que as cianobactérias, ao proliferarem, oferecem risco aos ecossistemas aquáticos.

2. O que significa dizer que uma bactéria é patogênica? Significa


doenças.
que ela pode provocar danos à saúde, causando

3. Em cada item, diga a qual doença causada por bactéria se referem as informações:
a) Seus sintomas são febre, coriza, acessos de tosse seca e, em alguns casos, vômito. A pre-
venção inclui vacinação e evitar contato com saliva de pessoas contaminadas.
Coqueluche ou pertussis.
b) Causada por um vibrião, sua forma de prevenção é não consumir água que não tenha
sido filtrada ou fervida e não ingerir vegetais mal lavados, nem peixes e mexilhões crus
ou malcozidos, principalmente se tiverem origem incerta. Cólera.
c) Conhecida por crupe, essa doença promove a liberação de toxinas que causam dor, febre
e dificuldades de falar e de engolir. Difteria.
d) Existem casos associados à ingestão de mel por bebês com menos de 1 ano de idade.
Botulismo.

4. Pedro cortou o pé com um caco de vidro jogando bola na rua. Como não conseguiram achar
seu cartão de vacinação, ele teve de receber soro antitetânico no posto de saúde. Explique
por quê. Oindivíduo
soro antitetânico é usado quando há dúvida em relação à validade da vacina na ocasião do acidente ou quando se sabe que o
ferido não foi vacinado.

5. Quais são as causas relacionadas ao maior risco de disenteria bacteriana e como podemos
preveni-la? Essas disenterias, assim como várias outras doenças, são transmitidas pela ingestão de água e alimentos contaminados. A prevenção
inclui medidas de saneamento básico (tratamento de água e de esgoto) e hábitos de higiene.

6. Ao longo da história, há muitos registros – na Literatura e na Arte – do medo e do precon-


ceito que a lepra provocava na sociedade.
Chamada atualmente de hanseníase, essa doença é fácil de ser diagnosticada e tratada, e
tem cura. Ela deve, porém, ser diagnosticada e tratada rapidamente para evitar lesões que
levem o doente à incapacidade física. A respeito dessa doença escreva:
a) A forma da bactéria causadora: bacilo (forma de bastão).
O aparecimento de caroços no rosto, nas orelhas, nos cúbitos (cotovelos) e nas mãos; dormência em certas
b) Principais sintomas: regiões do corpo; redução ou ausência de sensibilidade ao calor, ao frio, à dor e ao tato; manchas em qualquer
parte do corpo, que podem ser esbranquiçadas ou avermelhadas.
c) Modo de transmissão:
Contato direto com o doente não tratado. Quando a pessoa doente inicia o tratamento, deixa de ser transmissora da doença.

7. Por que, quando há caso confirmado de meningite bacteriana, inicia-se o tratamento com
antibióticos de todas as pessoas que tiveram contato próximo com o indivíduo doente?
Porque essa doença é grave e altamente contagiosa.
Ministério da Saúde

Refletir

1. Observe o cartaz e faça o que se pede.


a) Que tipo de ser vivo causa a tuberculose? E como se dá sua
transmissão? Uma bactéria, o bacilo de Koch, que é transmitido por espirros e pela tosse, por
meio das gotículas eliminadas pela respiração.

b) Quais os principais sintomas?


Tosse constante; febre; cansaço; dor no peito; falta de apetite e emagrecimento.
c) O que fazer no caso do aparecimento desses sintomas? Por
Consultar um médico. Somente um profissional pode indicar os
quê? exames necessários para realizar o diagnóstico.
d) Existe vacina para prevenir a tuberculose? Qual?
Sim, a BCG.

61
Capítulo
Características gerais
3 No capítulo anterior você viu al-
gumas doenças causadas pela
bactérias, que são organismos do
reino Monera.
Neste capítulo você vai estudar
como são os seres vivos do rein
Protoctista em relação a estrutur
s

o
a,

dos protoctistas
forma, locomoção e reprodução.

Explorando
As algas invasoras

Joana fez uma viagem para o litoral com sua família. Como eles gostam muito da
praia e moram em uma cidade próxima, vão com frequência para lá. Levam suas cadeiras
de praia, e guarda-sóis não podem faltar, assim como o filtro solar. Mas da última vez a
praia estava diferente. Desceram do carro, pisaram na areia fofa e branquinha, como
sempre, mas logo que se aproximaram da água, notaram que ali a areia tinha uma faixa,
toda coberta de algas.

DKO Estúdio

Havia tanta alga que não era possível encontrar um lugar na areia para esticar a toalha
e relaxar.
Joana, que achou aquilo muito estranho, pensou: “De onde teriam vindo todas aque-
las algas? E por que elas estavam na praia?”.
1. Algas são protoctistas autótrofas, ou seja, produzem seu próprio alimento por meio da fotossíntese.
  Agora é a sua vez. Podem ser unicelulares ou multicelulares. As algas são inofensivas e não representam nenhum perigo.

1. Você sabe o que são algas? Você também ficaria incomodado com a presença delas?
Vamos refletir sobre a narrativa.
2. Por que será que havia tanta alga naquela praia?
O excesso de algas pode ter sido causado por diversos fatores, como a poluição das águas do mar e o aumento da temperatura
oceânica. Outro fato que pode acontecer é o mar estar muito agitado, o que acaba levando bastante alga para a faixa de areia.
Professor, veja no Manual do Professor orientações para trabalhar esta seção.

62
Estrutura e forma dos organismos do reino
Protoctista

Alex Rakosy, Custom Medical Stock


Photo/SPL/Latinstock
O reino dos protoctistas é formado por vários
organismos. Entre eles podemos citar a ameba, cau-
sadora da amebíase. Esses organismos podem ser
unicelulares ou multicelulares, tanto microscópicos
quanto macroscópicos. Fazem parte desse reino as
algas e os protozoários.
As células dos protoctistas, assim como as das
plantas, animais e fungos, apresentam o material ge-
nético envolvido por membranas nucleares e são cha-
madas eucariontes (ou eucarióticas). A euglena – uma alga unicelular – faz parte do reino
Protoctista. Micrografia com aumento de 900 vezes.

membrana

Paulo César Pereira


plasmática

citoplasma

As dimensões das estruturas


representadas estão fora de escala; as
cores usadas não são as reais.

núcleo

Esquema simplificado de uma ameba,


um protoctista, mostrando as principais
partes de sua célula eucariótica.

Fonte: Cleveland P. Hickman. Integrated principles of zoology. Nova York:


McGraw-Hill, 2001.

As algas
Marevision/age fotostock/Getty Images

As algas são protoctistas capazes de fazer fotos-


síntese. Elas podem ser unicelulares ou multicelulares.
Todas as algas apresentam pigmentos, que são
levados em conta para classificá-las, assim como ou-
tras características. Veja a seguir alguns tipos de alga.

Algas verdes
O pigmento predominante nessas algas é de cor
verde. Elas podem ser unicelulares, as euglenófitas,
ou multicelulares, as clorófitas. São encontradas
em águas salgadas ou doces. A alface-do-mar é um
exemplo de alga verde comum no litoral brasileiro.
A alface-do-mar é uma alga verde comestível.

63
Algas vermelhas
Andrew J Martinez/Photo Researchers/Getty Images

Essas algas apresentam abundantes pigmentos verme-


lhos. A maioria é multicelular e são chamadas de rodófitas,
mas existem também algas vermelhas unicelulares, as pirró-
fitas. Podem ser encontradas tanto em ambientes de água
salgada como naqueles de água doce.

Diatomáceas
As rodófitas são algas vermelhas macroscópicas.
Elas produzem uma substância gelatinosa conhecida As diatomáceas são algas unicelulares que apresentam
como ágar, que é utilizada na indústria, por uma carapaça rígida ao redor da membrana plasmática, se-
exemplo, na fabricação de sorvetes e gomas.
melhante a uma concha. Veja na fotografia que abre este
tema a imagem de algumas diatomáceas. A maioria é marinha,
mas existem espécies de água doce.
Fabio Colombini

Algas pardas
São algas pluricelulares exclusivamente marinhas, cha-
madas de feófitas. Um exemplo é o sargaço, comum em
regiões tropicais.

As algas pardas apresentam


uma coloração amarronzada.
Mar luminoso
Stocktrek Images/Getty Images

O fenômeno do mar luminoso é causado por algas mi-


croscópicas bioluminescentes, ou seja, que emitem luz por
meio de processos químicos. Em algumas praias do Sul e
do Sudeste do Brasil, é possível observar um brilho azul-es-
verdeado à noite, com o quebrar das ondas ou agitando-se
Professor, acrescente que se acredita que a bioluminescência dessas algas seja uma
a água. adaptação contra predadores.
Mar luminoso: essa “luz” sobre as águas é uma
reação química de algumas algas microscópicas.
Lagos Gippsland, Victoria, Austrália.
Os protozoários
Os protozoários são protoctistas unicelulares que não fazem fotos-
síntese e, por isso, dependem de outros seres vivos para se alimentar.
Eles são adaptados aos mais diversos modos de vida. Existem espécies
de vida livre e espécies parasitas.
As espécies livres podem se alimentar de
SPL/Latinstock

restos de outros seres vivos ou até mesmo atuar


como predadoras, devorando outros seres vivos.
São encontradas em ambientes úmidos e aquá-
ticos. As espécies parasitas vivem no corpo de
outros seres, de onde retiram seu alimento.

Micrografia eletrônica de varredura


mostrando um protozoário do As imagens apresentadas nesta
gênero Didinium (em marrom) página estão sem escala.
devorando outro protozoário,
o paramécio (em azul).

64
Além da classificação em livres e parasitas, os protozoá-

Dr. David Phillips/Visuals Unlimited/Corbis/Latinstock


rios podem ser classificados quanto ao tipo de locomoção.
Observe a seguir as diferentes categorias e as características
dos protozoários desses grupos.

Ciliados
Protozoários que, para se locomover, utilizam cílios, fila-
mentos curtos. O paramécio é um exemplo de ciliado. cílios

Rizópodes Paramécio, um protozoário do grupo dos ciliados.


Note os cílios ao redor do organismo. Foto de
Protozoários que se locomovem estendendo pseudó- microscopia óptica. Aumento de 240 vezes.
podes, prolongamentos do citoplasma que atuam como
“falsos pés”. Os pseudópodes também são usados na cap-

DR Tony Brain/SPL/Latinstock
tura de alimento. As amebas são um exemplo de rizópodes. flagelo
Panaiotidi/Shutterstoc

Pseudópodes

Note a formação de pseudópodes nesta ameba. Ela alonga


o citoplasma de forma que ele funcione como pés.

Os protozoários são unicelulares e, portanto, a grande maioria


Posso só é visível com o auxílio de um microscópio. No entanto, a
célula de alguns protozoários pode chegar a atingir 1 a 2 mm,
perguntar? tornando-os, assim, visíveis a olho nu.

Note a presença de flagelos na giárdia retratada.


Existem protozoários visíveis a olho nu? Foto de microscopia eletrônica.
Aumento de 3 700 vezes.

Flagelados
SPL/Latinstock

Protozoários que utilizam flagelos para se locomover.


Os flagelos são filamentos longos que vibram, provocando
movimento em meio líquido. A giárdia e o tripanossomo são
exemplos de flagelados.

Esporozoários
São protozoários que não apresentam estruturas de
locomoção. A maioria dos protozoários dessa categoria é
parasita. O parasitismo é uma adaptação importante para
seres que não têm estruturas de locomoção, pois esse há-
bito de vida possibilita que sobrevivam retirando do ser pa-
rasitado os nutrientes necessários. Plasmódio e toxoplasma
são exemplos de esporozoários.

Plasmódios (as “bolas” amarelas) causadores da malária


Elementos ilustrados sem
escala; as cores não são destruindo glóbulos vermelhos do sangue. Foto de
as reais. microscopia eletrônica. Aumento de 2 600 vezes.

65
Reprodução dos protoctistas
Algas
As algas se reproduzem tanto de maneira assexuada quanto sexuada.
Nas algas unicelulares, a reprodução ocorre assexuadamente, por di-
visão binária, ou seja, um indivíduo dá origem a outros dois. Observe o
esquema a seguir, que representa uma euglena em divisão binária.

na fase final da
alga adulta início da divisão
Luis Moura

reprodução há
do organismo
duas algas

Elementos ilustrados sem escala;


as cores não são as reais.

Esquema simplificado de uma


divisão binária de uma euglena,
tipo de alga microscópica.

Fonte: Cleveland P. Hickman. Integrated principles of zoology. Nova York: McGraw-Hill, 2001.

Na maioria das algas pluricelulares, a reprodução ocorre por alter-


Glossário

Gameta: célula sexual.


Zigoto: célula formada nância de gerações. Na fase sexuada, os gametas, por meio da fecun-
pela união dos gametas
e que dará origem ao
dação, originam o zigoto. Na fase assexuada, o zigoto sofre divisões
novo indivíduo por meio celulares, gerando um novo talo ou corpo da alga. Esse talo, após algum
de divisões celulares
sucessivas.
tempo, forma células especiais, denominadas esporos. Os esporos, ao
serem transportados, acabam se fixando em outro local, no qual podem
originar um novo talo.

Protozoários
talo adulto A maioria dos protozoários realiza reprodução as-
sexuada, por divisão binária. Nos ciliados pode ocorrer
também reprodução sexuada, pela troca de material
Luis Moura

genético entre indivíduos, em um processo chamado


conjugação.

zigoto fase
sexuada paramécio-mãe

esporo
fase
assexuada
Visuals Unlimited/
Corbis/Latinstock

gametas

novo talo
brotando
paramécio-filho
Esquema simplificado mostrando a reprodução
da derbésia, uma alga verde. Paramécio em processo de divisão
binária, dividindo-se em dois. Foto
Fonte: Cleveland P. Hickman. Integrated principles de microscopia. Aumento de 90 vezes.
of zoology. Nova Yorkc McGraw-Hill, 2001.

66
Atividades
Sistematizar

1. Por que os seres do reino Protoctista são mais complexos que as bactérias?
Porque apresentam uma ou mais células com uma membrana que separa o material genético do resto do conteúdo celular, isto é, células eucariotas ou
eucarióticas.
2. Que seres vivos são protoctistas? As algas e os protozoários.

3. Que diversidade encontramos entre os protoctistas quanto ao número de células e ao tama-


nho dos organismos? Eles podem ser unicelulares ou pluricelulares, microscópicos ou macroscópicos.

4. Existem protoctistas autótrofos? Explique. Sim. As algas são protoctistas capazes de fazer fotossíntese.

5. Qual é o critério mais adotado para classificar as algas em grupos?


A coloração e o tamanho das algas são os principais critérios usados para classificá-las em grupos.

6. Copie as afirmativas no caderno, completando a lacuna com o nome do grupo de algas


microscópicas a que se referem:
a) As ∞pirrófitas
∞ ∞ ∞ são de cor vermelha. Exemplo: dinoflagelados.

b) O pigmento predominante é a clorofila. Chamam-se ∞euglenófitas


∞ ∞ ∞ .

c) Grupo a que pertencem as diatomáceas. São as crisófitas


∞ ∞ ∞ ∞.
Os protozoários não são capazes de fazer fotossíntese, por isso dependem de outros
7. Como se alimentam os protozoários? seres vivos para se alimentar. Existem espécies predadoras, que se alimentam de restos
de outros seres vivos, e espécies parasitas, que vivem no corpo de outros seres.

8. Indique em cada esquema a forma de locomoção, classificando os protozoários de acordo


com a estrutura identificada.
a) b) c)

Ilustrações: Dawidson França


Cílios – ciliado Pseudópodes – rizópodes

Flagelo – flagelados

Refletir
Elementos ilustrados sem escala;
as cores não são as reais.
1. Que tipo de reprodução dos protoctistas está esquematizada a seguir?
Reprodução assexuada, por bipartição.
Luis Moura

2. Encontramos entre os protoctistas diferentes estruturas de locomoção. O plasmódio (um


esporozoário) e a alga não têm essas estruturas. Como eles conseguem obter alimentos sem
se deslocar? Ofotossíntese.
plasmódio, representante dos esporozoários parasitas, obtém alimento dos hospedeiros. As algas são autótrofas, fazem

67
Capítulo
Os protozoários
4 No capítulo anterior, você aprendeu
que os protoctistas são caracte-
rizados segundo alguns de seus
aspectos.
Neste capítulo você vai conhecer cer-
tas doenças causadas por protozoá
rios e algumas formas de preveni-l
-
as.

e as doenças
Explorando
A água “pura”

Joana e sua família viajaram para a área serrana perto de sua cidade. Como gostam
muito de curtir a natureza, fizeram trilhas por ambientes naturais da região. Uma dessas
trilhas durou mais do que eles haviam imaginado, e a água mineral que tinham levado
para beber acabou na metade do caminho.
Ilustrações: Marcos Guilherme

Depois de caminhar mais


um pouco, Joana e seus pais
chegaram a um riachinho com
água cristalina. Como estavam
com muita sede resolveram pe-
gar um pouco de água para be-
ber. Depois de recolher a água
numa garrafa transparente, a
mãe de Joana analisou sua cor
e cheiro. Como a água era cris-
talina e inodora, ela concluiu
que era própria para consumo.

Após alguns dias, Joana e seus pais começaram a sentir fortes dores abdominais e
tiveram diarreia. Foram ao médico e contaram que dias antes haviam bebido água de um
riachinho. O médico pediu alguns exames para todos eles, explicando que suspeitava
que estivessem com amebíase e que provavelmente teriam contraído a doença ao beber
a água do riachinho.
1. Respostas pessoais. Professor, é bem possível que os alunos não conheçam a amebíase, mas saibam pelo
menos o nome da ameba. Se necessário, explique-lhes que a amebíase é uma doença que afeta principalmente
  Agora é com você. o intestino, causada por algumas espécies de ameba, protozoários que se locomovem por meio de
pseudópodes, ou seja, extensões do citoplasma usadas para locomoção.
1. Você já ouviu falar de amebíase? Conhece seu agente causador, a ameba?
2. Por que será que mesmo a água cristalina e inodora, considerada limpa por Joana,
podia estar contaminada com agentes infecciosos?
Porque a água aparentemente limpa pode conter microrganismos e outras substâncias invisíveis a olho nu.

Professor, veja orientações para trabalhar esta seção no Manual do Professor.

68
Doenças causadas por protozoários
Já conhecemos algumas doenças causadas por bactérias. Agora es-
tudaremos aquelas causadas por protozoários. Vamos saber mais deta-
lhes sobre suas formas de transmissão e prevenção.

Doença de Chagas
A doença de Chagas é causada pelo tripanossomo, um protozoário
flagelado que passa uma parte do seu ciclo de vida dentro de um perce-
vejo, conhecido popularmente como barbeiro. Esses percevejos sugam o
sangue de certos animais – como ratos, tatus e quatis –, que são hospe-
deiros naturais do tripanossomo.
A transmissão para o ser humano pode ser feita com o barbeiro

Glossário
Congênito: que pertence
atuando como um vetor. O processo começa quando o percevejo suga ao indivíduo desde o
nascimento ou antes dele.
o sangue de um hospedeiro natural ou de uma pessoa infectada, ingerin- Pau a pique: construção
do o protozoário. feita com um trançado
de ripas de madeira
Ao picar uma pessoa saudável, pode transmitir-lhe o tripanossomo. preenchido com barro;
Isso ocorre porque, ao se alimentar, o inseto defeca, eliminando o para- também conhecida por
sita com as fezes. taipa de mão.
Profilaxia: medidas para
Quando a pessoa coça o local da picada, espalha as fezes contamina- prevenção de uma doença.
das do percevejo sobre o microferimento, o que possibilita o acesso do Vetor: veículo, condutor;
protozoário à corrente sanguínea. aquele capaz de levar um
parasita a um hospedeiro.
Ao atingir o sangue, o tripanossomo chega aos órgãos do corpo, alo-
jando-se preferencialmente no coração, onde pode causar sérios danos.
A doença de Chagas também pode ser transmitida para outras pes-
soas por meio de transfusão de sangue. A gestante pode transmitir a
forma congênita da doença ao feto pela placenta e, mais raramente, pela
amamentação.
Etapa 1
barbeiro pica
e defeca
fezes contaminadas com
tripanossomos

local da picada
é coçado
Luis Moura

A proporção dos elementos não está


de acordo com os dados reais. Foram
utilizadas cores-fantasia.

hemácias

ninhos de
tripanossomos nas tripanossomo no
fibras musculares O esquema ao lado apresenta
sangue o ciclo da doença de Chagas
do coração
nos seres humanos.
Etapa 3 Etapa 2

O uso de inseticidas onde existe o barbeiro nem sempre é eficiente.


Percebe-se que a profilaxia dessa doença depende primordialmente de
melhores condições de moradia, já que as casas de pau a pique podem
abrigar o inseto em suas frestas.

69
Ciência e Sociedade
Quem foi Carlos Chagas?
[...] Carlos Ribeiro Justiniano Chagas nasceu no dia 9 de julho de 1878
Biblioteca Nacional de Medicina

na Fazenda Bom Retiro, em Oliveira, cidade do sudoeste de Minas Ge-


rais. [...] Chagas ingressou na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro
no ano de 1897.
[...] Chagas passou a trabalhar na área de saúde pública, principalmen-
te no controle da malária. Em uma das viagens no combate à moléstia,
ele chegou a Lassance, no norte de Minas, cidade onde realizou sua
famosa descoberta. Observando insetos que proliferavam nas paredes
das casas de pau a pique e que picavam o rosto das pessoas enquanto
elas dormiam – motivo pelo qual eram conhecidos como barbeiros – o
cientista encontrou um tipo de tripanossomo até então desconhecido.
Com a ajuda dos pesquisadores do IOC [Instituto Oswaldo Cruz], Carlos
Chagas desvendou o ciclo evolutivo do protozoário [...]. Foi a primeira
e única vez que um pesquisador identificou todo o ciclo de uma doença
[...] Carlos Chagas faleceu em novembro de 1934, vítima de um súbito
Carlos Chagas contribuiu com
ataque cardíaco.
suas descobertas e estudos para Quem foi? Minas Faz Ciência, Belo Horizonte: Fapemig, n. 12, set./nov. 2012.
a prevenção e tratamento da
doença de Chagas, que recebeu Disponível em: <http://revista.fapemig.br/materia.php?id=180>.
esse nome em sua homenagem. Acesso em: 10 jan. 2015.

1. Professor, é importante os 1. Carlos Chagas contou com a participação de outros pesquisadores e


alunos compreenderem que
ninguém faz ciência sozinho, pois até de não cientistas. Em grupo de até quatro colegas, discutam a im-
qualquer cientista é influenciado
por outros pesquisadores
portância do trabalho coletivo para o avanço científico. Depois façam
anteriores e contemporâneos, uma pesquisa sobre outro avanço científico de grande importância
de diversas áreas do saber,
incorporando até saberes não para a sociedade e apresentem para a turma.
científicos. Além disso, toda
a sociedade tem necessidade
de que determinado tema seja
pesquisado, como foi o caso Amebíase
de Chagas e os problemas
encontrados por ele na saúde
pública brasileira.
Também conhecida como disenteria amebiana, a amebíase é causada
por algumas espécies de ameba. Seus principais sintomas são diarreia, cólica
e anemia, porque o parasita fixa-se nas paredes do intestino da vítima, no
qual se multiplica e se alimenta de glóbulos vermelhos, provocando feridas.
A contaminação se dá pela ingestão de água ou de alimentos
Piotr Marcinski/Shutterstock

contaminados com fezes de pessoas doentes. Quando está fora


do corpo humano, a ameba tem formato de cisto. Nessa forma,
é mais resistente, podendo viver durante anos na água de rios e
lagos ou sobre hortaliças e verduras, entre outros locais.
A prevenção consiste em fazer saneamento básico, incluin-
do o tratamento da água e do esgoto, e lavar as mãos após a
defecação e antes de comer ou de preparar alimentos. Também
é medida preventiva combater insetos que possam levar o
parasita do lixo ou das fezes contaminadas para os alimentos.

Alimentos como hortaliças e frutas devem ser bem lavados e colocados


em uma solução desinfetante antes de consumidos. Essa solução pode
ser feita com vinagre, bicarbonato de sódio ou água sanitária.

70
Giardíase
Causada pelo protozoário giárdia, a giardíase tem formas de trans-
missão semelhantes às da amebíase. Os sintomas da pessoa contaminada
Posso
são fortes cólicas, náuseas, diarreia e dificuldades de digestão. A doença perguntar?
também afeta cães e gatos.
O contágio ocorre pela ingestão de água e de alimentos contami- Colocar a água
na geladeira
nados com fezes de pessoas doentes ou de cães e gatos portadores da
antes de bebê-la,
doença. Assim, a prevenção inclui higiene pessoal, tratamento da água,
previne a
do lixo e do esgoto e o manuseio cuidadoso das fezes de cães e gatos. amebíase e a
giardíase?
Malária Gelar a água não previne essas
doenças. Para ficar livre desses e
A malária é uma doença endêmica nas regiões Norte e Centro-Oeste de outros parasitas, a água deve
receber tratamento, ser filtrada e/
do Brasil, vitimando cerca de 300 mil pessoas por ano. É causada pelo ou fervida.
protozoário plasmódio, que ataca principalmente as células do sangue e
do fígado.

Glossário
Célula hepática: célula
do fígado.
A transmissão tem a participação de um vetor: a fêmea do mosquito
Endêmico: restrito a
anófeles, conhecido como mosquito-prego. O processo, representado determinada região
de modo simplificado na ilustração a seguir, ocorre assim: geográfica.

1. Ao picar uma pessoa, a fêmea do mosquito injeta os plasmódios


que estavam em suas glândulas salivares na circulação sanguínea
da vítima.

Paulo César Pereira


2. Os parasitas atingem o fígado,
onde se multiplicam. Alguns pro-
tozoários penetram nas células
hepáticas.
1
3. Após alguns dias de infecção, as mosquito-prego

células do fígado e as hemácias plasmódio


infectadas se rompem, liberando
parasitas e substâncias tóxicas na 4
corrente sanguínea, o que pro- plasmódios penetrando ciclo
nas células hepáticas recomeça
voca febre, um sintoma típico da
malária.
4. Se uma pessoa doente é picada
pelo mosquito-prego, os proto- 2
zoários presentes em seu sangue
passam para o tubo digestório do
inseto e nele se reproduzem, alo-
jando-se nas glândulas salivares
do mosquito. E o ciclo recomeça. células sanguíneas
infectadas
Em um tipo específico de malária, rompendo-se
conhecida como febre terçã, os ataques
de febre ocorrem de três em três dias, 3

de acordo com o ciclo de reprodução Esquema simplificado


do ciclo de vida
do protozoário. do plasmódio em
um ser humano.
A proporção dos elementos não
está de acordo com os dados reais.
Fonte: Cleveland P. Hickman. Integrated principles of zoology.
Foram utilizadas cores-fantasia. Nova York: McGraw-Hill, 2001.

71
Ainda não há uma vacina contra essa doença. A prevenção consiste

Dragi52/Dreamstime.com
apresenta cor no uso de inseticidas para eliminar o mosquito. Também pode ser feito o
palha característica controle biológico com a criação de espécies de peixes que se alimentam
das larvas desses mosquitos. Além disso, foram desenvolvidas em labora-
tório linhagens de mosquitos geneticamente modificados de forma que
se impeça o desenvolvimento do plasmódio no organismo deles.
Caso o contágio já tenha acontecido, há medicamentos contra a ma-
abdome com lária. O quinino e seus derivados, usados tradicionalmente no combate
sangue sugado
0,3 cm
a essa doença, impedem o desenvolvimento do plasmódio no sangue.

Fêmea do mosquito-palha Leishmaniose


sobre pele humana. Ao se
alimentar de sangue humano,
ela transmite a leishmaniose.
A leishmaniose é causada por um protozoário do gênero Leishmania.
Entretanto, ela pode ser de diferentes tipos, que são transmitidos ao ser
humano por fêmeas do mosquito flebótomo, conhecido popularmente
como mosquito-palha, tatuquira, birigui, cangalinha, asa-branca, asa-du-
ra e palhinha. Ele é mais facilmente encontrado em lugares úmidos, es-
curos e entre plantas.
A leishmaniose visceral é assim chamada por afetar as vísceras, as mu-
cosas e a pele da pessoa infectada. Além do ser humano, animais silvestres
(roedores, tamanduás, bichos-preguiça, raposas-do-campo) e cães também
são afetados pela doença. Embora ela seja curável quando diagnosticada
a tempo, a falta de tratamento pode levar o paciente à morte.
A leishmaniose tegumentar também conhecida como ferida brava é
Glossário

Víscera: órgão com funções


endêmica na Amazônia e caracteriza-se por feridas na pele que se locali-
vitais, como coração, rins, zam com maior frequência nas partes descobertas do corpo. Também sur-
intestinos etc. gem feridas nas mucosas do nariz, da boca e da garganta.
Entre as medidas de prevenção está o combate ao mosquito vetor.

Toxoplasmose
O protozoário toxoplasma pode ser transmitido por solo, água, frutas
e verduras contaminadas por fezes de felinos infectados.
O gato doméstico geralmente Animais domesticados que se alimentam de ração industrializada ra-
não contrai o toxoplasma.
Entretanto, se ele costuma se ramente são hospedeiros do toxoplasma. Porcos, bois, cabras e outros
alimentar de ratos na rua, pode animais, porém, também podem ser fonte de contaminação caso estejam
ser um vetor da toxoplasmose.
infectados, principalmente no caso de in-
VGstockstudio/Shutterstock

gestão de sua carne crua ou malcozida.


Embora nem todos os infectados
apresentem sintomas, essa doença pode
ter graves consequências, tais como ce-
gueira, quando atinge pessoas com bai-
xa imunidade. Nas mulheres grávidas, o
toxoplasma pode causar aborto e lesões
no feto. O exame pré-natal é importante
porque inclui a pesquisa para a detecção
e o acompanhamento dessa e de outras
doenças na gestante.

72
Atividades
Sistematizar

1. Que doença tem como vetor o percevejo barbeiro? Qual seu agente causador?
Doença de Chagas. É causada pelo tripanossoma, um protozoário flagelado.

2. Explique por que o saneamento básico, incluindo o tratamento da água e do esgoto, a higiene
ao comer e preparar alimentos e o controle do lixo são medidas que evitam os casos de
amebíase e de giardíase.
Porque ambas as doenças se propagam pela ingestão de água ou de alimentos contaminados com fezes de pessoas e de outros animais doentes.
3. Gelar a água retirada da bica, do rio ou de um poço evita a amebíase ou a giardíase?
Não. A água não tratada da bica deve ser filtrada e a do poço ou do rio, fervida e filtrada.

4. Indique de que doença se trata a informação abaixo:


“Causada pelo protozoário plasmódio, sua transmissão tem a participação de um vetor, o
mosquito anófeles, conhecido como mosquito-prego.” Malária ou maleita.

5. Rute está grávida e, ao fazer seu acompanhamento pré-natal com o médico, descobriu que
tem toxoplasmose. Por que é importante detectar e fazer o tratamento dessa doença espe-
cialmente em gestantes? Porque o protozoário toxoplasma pode causar aborto e lesões no feto.

Refletir
Professor, você encontra o cordel escrito por Pádua de Queiróz em
homenagem ao Centenário da Descoberta da Doença de Chagas no
1. Leia o texto e responda às questões a seguir. seguinte endereço: <http://paduadequeirozcordelearte.blogspot.com.
br/2009/07/o-barbeiro-de-chagas.html>.
Triatoma infestans
É o meu nome verdadeiro

Pádua de Queiróz
Mas tenho várias alcunhas
Por esse Brasil inteiro
Bicudo, Procotó, Fincão
Chupança ou mesmo Chupão
Sou o famoso barbeiro.

Por isso eu peço a você


Que leia com atenção
Este trabalho importante
Para a sua orientação
A minha existência propaga Capa de exemplar de
literatura de cordel sobre
A tal doença de Chagas doença de Chapas, escrito
Que aflinge a População. por Pádua de Queiroz.
[...] 1. a) Da doença de Chagas. É transmitida ao ser humano diretamente pela picada
do barbeiro, que se infecta com o parasita quando suga o sangue de um animal
O barbeiro de Chagas. Pádua de Queiróz. contaminado. A transmissão ocorre quando a pessoa coça o local da picada e as
fezes eliminadas pelo barbeiro penetram pelo orifício que ali deixou.
a) De qual doença o texto fala? Como ocorre a sua transmissão?
b) No Brasil, foram registrados casos da infecção transmitida por via oral nas pessoas que
tomaram caldo-de-cana ou comeram açaí moído nas regiões de maior risco. Como você
pode se prevenir nestes casos? Podemos nos prevenir consumindo somente alimentos onde há a certificação de que foram bem
lavados e manipulados.
c) Em grupo, produza um material informativo sobre uma doença provocada por protozoá-
rios, utilizando uma forma de expressão artística. Juntos, organizem uma mostra para a
comunidade.

73
Capítulo
Características gerais
5 No capítulo anterior você estudou
a ação patogênica de determin
dos protoctistas.
Neste capítulo vai estudar com
são os seres do reino Fungi em
relação a estrutura, forma e repr
dução. Também vai conhecer cer-
a-

o-

dos fungos
ns
tas doenças causadas por algu
as
desses seres vivos e suas form
de prev ençã o.

Explorando
O bolor

Mariana e Ana Maria são irmãs gêmeas e gostam muito de brincar uma com a outra. Um
dia, o pai delas fez um bolo para a sobremesa. Estava muito saboroso. Elas até pensaram
em comer mais um pedaço, mas, como estavam ansiosas para voltar a brincar, guardaram o
que restou para comer no dia seguinte.

Danillo Souza

Entretanto, Mariana e Ana Maria acabaram esquecendo o bolo por dias no armário,
até que Mariana se lembrou dele e foi buscá-lo com água na boca, mas, quando abriu o
pacote, o bolo estava todo verde. Foi então mostrar para a irmã, perguntando se ela sabia
o que tinha acontecido.
Ana Maria disse que também não sabia por que ele estava daquele jeito.
  Vamos refletir a respeito da narrativa.
Porque estava embolorado, ou seja, o bolor, que é um
1. Por que o alimento estava verde? fungo, havia se proliferado sobre ele.

2. Em casa, já aconteceu de você ir comer alguma coisa que estava embolorada?


Resposta pessoal. Resposta pessoal. Sugestões de respostas: comprar sempre
3. Como podemos evitar que os alimentos embolorem? alimentos frescos, guardar os alimentos em locais arejados e
secos, fechar bem a embalagem, consumir dentro do prazo
de validade.
4. Você acha que o bolor dos alimentos faz mal aos seres humanos?
Consumir alimentos embolorados pode trazer danos à saúde, por isso não devemos comê-los em hipótese alguma.

Professor, veja orientações para trabalhar esta seção no Manual do Professor.

74
Estrutura e forma dos fungos
Os seres vivos do reino Fungi são eucariontes – pois suas células têm
membrana nuclear. Não produzem seu próprio alimento, por isso, depen-
dem de outros seres vivos para sua nutrição.
Os fungos são encontrados em ambientes diversos, desde que haja
matéria orgânica, umidade e pouca luz. Também podem ser encontrados
sobre outros seres vivos, como frutas e troncos de árvore apodrecidos. Eles
podem ser decompositores, parasitas ou viver associados a outros seres.

sumroeng chinnapan/Shutterstock
Photoresearchers/Photoresearchers/Latinstock

Ravindra Joisa/iStockphotos.com
1 2 3

Diversidade de organismos do
Podem ser unicelulares e multi- reino Fungi, que apresentam
estruturas estrutura grande variedade de formas e
celulares. Os multicelulares, como os produtoras de reprodutora tamanhos. 1. Leveduras (com
esporos o auxílio de um microscópio).
cogumelos e as orelhas-de-pau, geral- 2. Fungo conhecido como
mente apresentam hifas – filamentos orelha-de-pau. 3. Cogumelo.
que se entrelaçam formando uma rede
denominada micélio.
hifas 3. este broto
1. Levedura pode se soltar
A proporção dos elementos não está
de acordo com os dados reais. Foram gerando novo ser
utilizadas cores-fantasia.

Esquema simplificado de um fungo pluricelular,


mostrando as hifas e o micélio. micélio 2. broto

Ilustrações: Luis Moura


Fonte: Britannica Illustrated Science
Library – Plants, Algae and Fungi. Londres:
Encyclopaedia Britannica, 2008.

Reprodução dos fungos Esquema simplificado


mostrando a reprodução por
Os fungos apresentam reprodução tanto assexuada como sexuada. brotamento em levedura.
A reprodução assexuada pode ocorrer por brotamento, comum em leve- Observe que o broto surge
em uma levedura e se
duras. Forma-se um broto, que pode se soltar ou permanecer unido ao desenvolve, podendo se soltar,
ou não, formando cadeias.
fungo original, constituindo cadeias.
Outra forma assexuada de reprodução ocorre nos cogumelos. En-
Chris Howes/Getty Images

quanto o micélio se desenvolve sob o solo, hifas férteis que constituem a


parte aérea (para fora do solo) formam uma estrutura chamada corpo de
frutificação. Essa estrutura produz esporos, que podem se espalhar pela
ação do vento. Ao encontrar condições favoráveis os esporos germinam
e originam novas hifas, que formarão um novo fungo.
Na forma sexuada, ocorrem a fusão de hifas, que se comportam como
gametas, células sexuais, e a produção de um tipo especial de esporo.
Os esporos fazem parte da reprodução de muitos fungos.
Na fotografia, vemos um cogumelo soltando esporos.

75
Os fungos e as doenças

Nigel Cattlin/FLPA/Minden Pictures/LatinStock


Algumas espécies de fungos são parasitas e causam doenças em
plantas e animais.
Os fungos podem provocar grandes prejuízos econômicos, gerando
danos à produção agrícola. Atualmente, além de fungicidas (substâncias
que matam fungos), existem técnicas de controle biológico nas quais
uma espécie de fungo é empregada para combater a proliferação de
uma espécie que seja parasita.
Entre as doenças provocadas nos seres

Nigel Cattlin/FLPA/Minden Pictures/LatinStock


humanos por fungos, as mais conhecidas
são as micoses, que afetam a pele, as mu-
cosas, as unhas e o couro cabeludo. A umi-
dade e o calor, comuns nessas regiões do
Folha de bananeira com corpo, favorecem a proliferação de fungos,
sigatoka-negra (manchas
escuras), doença provocada que podem se espalhar pelo organismo se a
por um tipo de fungo. área afetada não for tratada.

Pessoa com pitiríase versicolor, também


conhecida como “micose de praia” ou “pano
branco”. Essa doença não é adquirida na
Fungo do gênero Candida. praia ou piscina. O fungo já existe na pele,
Na imagem vemos os mas passa a se proliferar exageradamente.
brotos se formando (verde Geralmente é percebida poucos dias após a
limão), os quais darão exposição ao sol, porque, nas áreas afetadas
origem a novos indivíduos. pela micose, a pele não se bronzeia.
Ampliação de 1 600 vezes.
Alguns tipos de fungo, como os do gênero Candida, podem viver
Dennis Kunkel Microscopy, Inc./Visuals Unlimited/Corbis/Latinstock

normalmente sobre a superfície do corpo ou dentro dele, por exemplo


nos intestinos ou no aparelho reprodutor feminino. Ocasionalmente, po-
dem causar infecções locais da pele, da vagina ou da boca. A candidíase
oral é conhecida por sapinho.
O fungo Aspergillus causa a aspergilose, doença que leva a infec-
ções graves nos pulmões, no fígado e em outras partes do corpo.
Esse mesmo gênero de fungo, sob condições favoráveis de tempe-
ratura e umidade, cresce em certos alimentos, como nozes, amendoins e
outras sementes oleosas – inclusive o milho e sementes de algodão –, re-
sultando na produção de compostos tóxicos. O consumo dessas toxinas
pode afetar a saúde dos seres humanos.
Ernesto Reghran/Pulsar Imagens

Para evitar a proliferação de


fungos durante a secagem
do cacau, os trabalhadores
reviram os grãos várias vezes
ao dia. Contudo, mesmo sob
sol forte, a umidade residual
entre os grãos pode favorecer o
aparecimento de Aspergillus.

76
Atividades
Sistematizar

1. Caracterize os fungos quanto à presença/ausência de membrana nuclear, número de células


e tipo de nutrição. Os fungos são eucariontes, uni ou multicelulares e heterótrofos.

2. Os fungos multicelulares geralmente apresentam hifas. Que rede estes filamentos formam
quando se entrelaçam? O micélio.

3. Por que certos fungos podem causar doenças? Porque algumas espécies são parasitas de outros seres vivos.

4. Por que não se deve compartilhar alicates e outros objetos no cuidado com unhas? ­Explique.
Porque pode-se pegar micose na unha. É comum contrair essa doença pelo uso de alicates, tesouras e lixas contaminadas.
5. A existência do fungo Candida em nosso corpo é sinônimo de doença? Explique.
Não. Existem populações de fungos normalmente em nosso corpo que ocasionalmente podem causar infecções, como o sapinho.
6. Por que não se deve coletar e consumir cogumelos sem conhecer sua origem?
Porque há cogumelos tóxicos que podem causar alucinações e até a morte quando ingeridos.

7. Que substância existe tanto no exoesqueleto (casca) de animais, como insetos, quanto na
parede das células presentes nos fungos? A quitina.

Refletir

1. Leia o texto a seguir, reveja o capítulo estudado e responda

Glossário
Micotoxina:
às questões em seu caderno. substância química
tóxica produzida
[…] a segurança microbiológica visa a ampla distribuição de por fungos.
alimentos livres de microrganismos que possam disseminar
Doenças Transmitidas por Alimentos (DTA), com o objetivo de garantir a saúde da população.
[...]
Especificamente as bactérias patogênicas podem causar DTA. Assim, a segurança microbiológica
do alimento industrializado pode ser definida como um conjunto de normas de produção, trans-
porte e armazenamento usadas para minimizar os perigos de contaminação e garantir que os
alimentos não sejam veículo de DTA, estando adequados para consumo.
Em relação aos fungos, eles são divididos em fungos filamentosos (bolores) e leveduras. Sua
ocorrência é mais comum em alimentos com baixo percentual de água e/ou elevada porção de
lipídios como amêndoas e castanhas, por exemplo. Os fungos são os principais perigos biológi-
cos destes alimentos. Seu risco está na produção de micotoxinas por algumas espécies. Estes
compostos, ao serem ingeridos, acumulam-se no organismo causando uma série de transtornos,
desde ataques ao fígado a alguns tipos de câncer.
Disponível em: <www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/tecnologia_de_alimentos/
arvore/CONT000fid3s5b702wyiv80z4s473eq236p2.html>. Acesso em: 15 jun. 2015.
a) Que atividades devem ser controladas para garantir a segurança microbiológica nos ali-
mentos consumidos? Etapas de produção, transporte e armazenamento.
b) Quais são as consequências mais graves ao se comer um alimento com fungos?
Algumas variedades de fungos produzem substâncias tóxicas chamadas de micotoxinas, que podem causar doenças graves.
c) A armazenagem do alimento está diretamente ligada ao aparecimento do bolor. Qual é
o ambiente propício ao aparecimento deste fungo? O alimento não pode ficar exposto à umidade, ao calor e,
em alguns casos, à escuridão. Essas características proporcionam um ambiente adequado ao crescimento do bolor.
d) Quais são os cuidados que devemos ter com nossos alimentos a fim de evitarmos a con-
taminação deles por fungos?
Devemos ter atenção nas condições de temperatura, umidade, no local de armazenamento dos alimentos e observar a validade deles.

77
Capítulo
Moneras, protoctistas
6 No capítulo anterior, você estu
dou as cara cter ístic as gera
fungos e a ação patogênica de al-
gumas espécies.
Agora, vai estudar a importância
ambiental e econômica dos sere
desse reino, bem como de sere
is dos
-

s
s

e fungos no ambiente
dos rein os Mon era e Prot octis ta.

e na economia Explorando
O fermento biológico

Letícia é uma garota que gosta muito de ajudar seu avô a fazer comidas gostosas, nas
tardes em que passa em sua casa.
Certo dia o avô decidiu fazer um pão para eles comerem, e Letícia ficou toda anima-
da, afinal de contas iria aprender como os pães eram feitos, pois sempre que via um pão
na padaria ele já estava assado.
Letícia e o avô misturaram todos os ingredientes, incluindo o fermento biológico, e
deixaram a massa descansar por um tempo.

Danillo Souza

Quando voltaram a ver a massa, ela tinha dobrado de tamanho e estava bem fofinha.
Letícia ficou muito intrigada e pensou: “Por que será que a massa depois de um tempo
aumentou de tamanho?”.
  Agora é com você. Professor, veja orientações para trabalhar esta seção no Manual do Professor.
1. Você já viu o preparo da massa de pão? Como achou que fosse possível a massa,
muitas vezes, dobrar de tamanho?
A massa cresce por causa da ação dos fungos presentes no fermento biológico.
2. Você conhece outros alimentos produzidos com o uso de microrganismos?
Alguns exemplos: iogurte, coalhada, queijo, vinho, cerveja, massa de pizza, além de outras massas.
3. É possível afirmar que todos os microrganismos são prejudiciais ao ser humano?
Muitos microrganismos têm importância ambiental e econômica, por exemplo, os microrganismos usados no fermento biológico,
como aqui mostrado.

78
Os autótrofos
Embora alguns tipos de bactérias e protoctistas possam causar danos
à saúde e ao ambiente, a maioria desses seres desempenha importantes
papéis ecológicos. Veremos, a seguir, alguns exemplos e aspectos que
ilustram essa importância.
Algumas bactérias, como as cianobactérias, são autótrofas, isto é, fa-
bricam seu próprio alimento por fotossíntese ou quimiossíntese, com a
energia obtida de certos compostos químicos.
Um exemplo de protoctistas autótrofos são as algas. As unicelulares,
que compõem o fitoplâncton, produzem, por meio da fotossíntese, a maior
parte do gás oxigênio da atmosfera.
Tudo o que afeta os autótrofos tem grande impacto no ambiente, já
que afeta outras populações de seres vivos, pois eles ocupam o papel de
produtores nas cadeias e teias alimentares dos ecossistemas onde vivem.

O fitoplâncton e a vida nas águas


O fitoplâncton é formado por um conjunto de organismos microscó-
picos, como cianobactérias e algas unicelulares, que vivem em suspensão
na água de oceanos, rios ou lagos, até onde a luz penetra. São seres que
fazem fotossíntese usando o gás carbônico dissolvido na água e a luz do
Sol. Esses organismos contribuem com a produção de gás oxigênio para
a atmosfera e constituem a base alimentar da vida aquática.
Pesquisas recentes alertam que, na média dos últimos 100 anos, houve
uma redução na quantidade de fitoplâncton dos oceanos. Segundo especia-
listas, essa redução está vinculada ao aquecimento global.

luz do sol A proporção dos elementos não está de acordo com os dados
reais. Foram utilizadas cores-fantasia.
Luis Moura

peixes
pequenos
seres unicelulares krill cavala
(criaturas semelhan- Esquema que representa
tes ao camarão) um exemplo de cadeia
alimentar aquática, cuja
base é composta de
atum microrganismos autótrofos.
Os decompositores
(bactérias e fungos) não
estão representados na
tubarão ilustração, mas também
fazem parte de todas as
cadeias e teias alimentares.

79
Os heterótrofos decompositores
Muitos fungos e bactérias desempenham o importante papel de de-
compositores na natureza: eles decompõem os cadáveres e os resíduos
energia solar de seres vivos (como fezes e urina),
Paulo César Pereira

produtores consumidores
seres carnívoros absorvendo somente uma parte para
fotossintéticos herbívoros carnívoros sua nutrição. O restante dos sais mi-
nerais resultantes da decomposição
fica no ambiente. A ação dos decom-
positores é essencial na manutenção
do equilíbrio natural dos ecossiste-
mas, pois colabora para a reciclagem
de material no solo e na água.

Esquema que representa uma


A proporção dos elementos não está de acordo com os dados
cadeia alimentar terrestre, reais. Foram utilizadas cores-fantasia.
com destaque para o papel decompositores
dos decompositores.

As bactérias e a economia
Andre Dib/Pulsar Imagens

Várias indústrias utilizam bactérias em suas atividades. Elas são usadas,


por exemplo, na:
• produção de queijos, iogurtes, coalhada e requeijão;
• fabricação de vinagre;
• produção do ácido glutâmico, substância empregada em tempe-
ros para acentuar o sabor dos alimentos;
• produção de antibióticos e vitaminas;
Na indústria de laticínios, as
bactérias são bastante utilizadas. • produção de biogás;
O queijo é um derivado do
leite com algum nível de
• produção de hormônios (exemplos: insulina e hormônio do cresci-
fermentação por bactérias. mento) por bactérias geneticamente alteradas.
Sacramento, MG, 2013.

Os fungos e a economia
Os fungos são usados também pelos seres humanos. Vemos seu uso
fmajor/iStockphotos.com

na culinária, na produção de massas, como pães, na produção de alguns


tipos de queijo, na fabricação de bebidas alcoólicas, como a cerveja e o
vinho, e na fabricação de antibióticos.
As leveduras, que compõem o fermento biológico usado no preparo
de massas, como pizzas e pães, realizam as reações químicas da fermen-
tação. Nesse processo, o fungo obtém energia do
Fungos são utilizados
Tongik/Shutterstock

na fabricação de pães e açúcar presente na farinha e ocorre a liberação de


outras massas. São eles os gás carbônico. O gás carbônico liberado na fer-
responsáveis por fazer a
massa crescer e ficar fofa. mentação forma bolhas, que provocam o cresci-
mento da massa.
Alguns fungos, como shiitake, shimeji, trufa e
champignon, são utilizados na alimentação huma- Exemplo de alguns fungos
na de forma direta, no preparo de pratos. usados na alimentação humana.

80
Hora da
prática: experimento
Vamos observar a ação dos fungos microscópicos que compõem o fermento biológico?

Danillo Souza
Material: com açúcar sem açúcar

• água morna fornecida pelo professor;


• 2 colheres de sopa de açúcar;
• tablete de fermento biológico;
• balões de borracha;
• fita adesiva;
• 2 garrafas plásticas pequenas (cerca de 300 mL).
Esquema de como seu experimento deve parecer.
Como fazer
1. Coloque água morna até a metade de uma garrafa. Depois, coloque nela metade
de um tablete de fermento de pão em pedacinhos e o açúcar. Agite bem.
2. Na outra garrafa, coloque a mesma quantidade de água morna e fermento de pão
em pedacinhos. Não adicione o açúcar. Agite bem.
3. Cubra a boca de cada garrafa com um balão de borracha, vedando bem com a
fita adesiva. Observe por cerca de uma hora, em pequenos intervalos de tempo, o
que ocorre nas duas garrafas. Lembre-se de anotar as alterações verificadas.

Refletindo e registrando
Espera-se que na garrafa em que foi adicionado açúcar o balão tenha
a) O que aconteceu em cada garrafa? sido preenchido parcialmente por gás liberado pela fermentação.

b) Como você explica o que ocorreu? Na garrafa com açúcar formou-se gás carbônico devido à ação
dos microrganismos do fermento sobre o açúcar.
c) Qual é a relação entre o experimento e o fato de o pão ficar fofinho?
O gás formado pelos microrganismos do fermento ocupa espaço na massa, produzindo
pequenas bolhas repletas de gás, o que deixa a massa mais fofinha.

C u r ioso é...
Glossário

Ruminante:
mamífero com
estômago
adaptado à
Existem bactérias, protozoários ruminação, na
e fungos que se nutrem vivendo as-
Gerson Gerloff/Pulsar Imagens

qual ele mastiga


o alimento pela
sociados a outros seres vivos. Um segunda vez,
exemplo são os que digerem celu- reconduzindo-o
do estômago
lose no estômago de ruminantes, para a boca.
como o boi e o carneiro. Nesse tipo
de associação, ambos levam vanta-
gem, pois os ruminantes não conse-
guem digerir sozinhos a celulose. Gado no pasto. Lagoa Vermelha, RS.

81
Associações positivas entre
Scimat/Photoresearchers/Latinstock

microrganismos e outros seres vivos


Algumas espécies de bactérias, ainda, vivem nas raízes de
plantas chamadas leguminosas, cujos frutos têm forma de va-
gem. São exemplos de leguminosas a fava, o feijão, a soja, o
grão-de-bico e a lentilha. Por causa dessa associação, as plantas
leguminosas são ricas em proteínas, já que essas bactérias são
capazes de captar o nitrogênio do ar e liberar no solo sais ricos
em nitrogênio, que são absorvidos e aproveitados pelas plan-
tas. O nitrogênio é necessário para a produção das proteínas.
Nódulos como os vistos na A planta, por outro lado, garante à bactéria nutrientes e proteção.
fotografia se formam nas A micorriza é uma associação entre certos fungos do solo e as raízes
raízes das leguminosas.
Nesses nódulos há bactérias das plantas. Também aqui, a planta, por meio da fotossíntese, fornece
fixadoras de nitrogênio. aos fungos nutrientes que garantem sua sobrevivência, enquanto estes
Na imagem, raiz de soja.
absorvem sais minerais e água do solo, que são transferidos para as raízes
da planta. Ambos levam vantagem nessa associação.

Luis Moura
fungo

hifas do
fungo

A proporção dos elementos não está raízes da planta


de acordo com os dados reais. Foram micorrizas
utilizadas cores-fantasia.

Esquema simplificado que mostra a formação de micorrizas, ou seja, a associação entre fungos e plantas.

Você sabe o que é um líquen?


Anna Yu/iStockphotos.com

Os líquens são associações de fungos com algas


ou cianobactérias. Nessa associação, vantajosa para
ambos, a alga, por meio da fotossíntese, fornece nu-
trientes aos fungos, enquanto estes absorvem sais
minerais e água, que são aproveitados pelas algas.

Os líquens são muito sensíveis à poluição,


por isso sua presença pode ser indicadora
de boa qualidade ambiental.

82
Atividades
Sistematizar

1. Por que dizemos que bactérias e fungos desempenham importante papel nos ­ecossistemas?
Porque eles atuam como decompositores na natureza, colaborando na reciclagem de materiais no solo e na água.

2. Cite dois exemplos de aplicações econômicas de bactérias. Produção de queijos, de iogurtes, de coalhada e de
requeijão; fabricação de vinagre; produção de temperos; produção de antibióticos e vitaminas; produção de biogás; produção de hormônios etc.

3. Cite dois exemplos de aplicações econômicas de fungos.


Fabricação de antibióticos; produção de massas, como pães; produção de alguns tipos de queijo, e fabricação de bebidas alcoólicas, como a cerveja.

4. Cite duas associações que envolvam bactérias, protozoários e fungos com outros seres vivos.
Bactérias, protozoários e fungos digerem celulose no estômago de ruminantes; bactérias que vivem nas raízes de plantas leguminosas; micorriza, uma
associação de fungos do solo e raízes de plantas, ou líquens (fungos associados a algas ou a cianobactérias).

Refletir

1. Neste capítulo, você estudou que os

Lucas Lacaz Ruiz/Fotoarena


fungos e as bactérias têm um impor-
tante papel na natureza. A foto ao lado
retrata uma queimada, que dentre
outros impactos ambientais, destroem
decompositores do solo.
a) No caderno, escreva um pequeno
­texto descrevendo porque este fato
altera o equilíbrio ambiental.
b) Pesquise dados atuais e notícias
sobre queimadas nas diferentes re-
giões do Brasil. Organize com seus
colegas este material debatendo
causas e consequências desta prá-
tica/acidente.
a) Respostas variadas. Mas espera-se que o aluno cite as seguintes informações: A decomposição da matéria é essencial para liberar os nutrientes que
retornam ao ambiente. Sem os decompositores o solo perde a fertilidade. Produtores são afetados e assim todos os níveis das cadeias alimentares.

Desafio

1. Observe a foto.
a) Como se chama esta “casca” de di-
Balazs Kovacs Images/Shutterstock

ferentes cores que por vezes reco-


bre troncos de árvores e rochas?
Líquens.
b) De que é formada?
Da associação de algas e fungos.
c) Existe vantagem nesta associação?
d) Por que a presença de líquens cos-
tuma indicar boa qualidade do ar
atmosférico no local?
Porque eles são muito sensíveis à poluição do ar.
c) Sim, a alga, por meio da fotossíntese, fornece nutrientes
aos fungos, enquanto estes absorvem sais minerais e água,
que são aproveitados pelas algas.

83
[ dentro ]
Fique por

A produção do queijo
Não se sabe exatamente quando e onde o queijo surgiu, mas há
­indícios de que por volta de 8 mil anos antes de Cristo a humanidade já
consumia queijo. Atualmente, a produção do queijo pode ser feita em
escala industrial, mas ainda envolve o mesmo processo de milênios atrás.
Ilustra Cartoon

1. Pasteurização
O leite é aquecido até cerca de 70 °C e, em seguida,
resfriado bruscamente. Essa etapa é importante
para a eliminação de microrganismos nocivos.

2. Adição de fermento e coalho


As bactérias geralmente utilizadas na fermentação são Streptococcus
lactis e Streptococcus cremoris. O coalho é uma mistura de enzimas que
transformam o leite em coalhada e soro. Primeiro, o leite é agitado
lentamente para distribuir os ingredientes adicionados. Depois, é
deixado em repouso por cerca de 1 hora para que ocorra a coagulação.
A coagulação termina quando o leite apresenta um aspecto gelatinoso.

84
3. Agitação da massa
A massa é agitada por cerca de 40 minutos, o
que promove a separação da massa, em grumos
do tamanho de um grão de milho, e do soro.
Esse processo define a textura do queijo.

1. As principais regiões queijeiras brasileiras são as regiões


serranas de Minas Gerais. Contudo outras regiões do país
1. No Brasil, a produção de queijo apresentam também alta produção de queijos, como os estados
de Goiás, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Ceará, Paraíba
se desenvolveu a partir do século e Santa Catarina. Os principais queijos produzidos são o queijo
XVIII, e atualmente o país é o maior minas e o queijo do reino, além de vários outros tipos.
2. A produção artesanal, garante a renda para o pequeno
produtor da América Latina. Faça produtor rural, o produto geralmente possui tradição
uma pesquisa sobre as principais e passa por menos processos químicos. Com
a industrialização foi possível baratear
regiões queijeiras brasileiras e os o custo do produto, que apresenta
maior fiscalização sanitária, mas
tipos de queijo que elas produzem. a quantidade de aditivos
químicos é elevada.
2. Atualmente, a maioria dos queijos é
produzida industrialmente. Levando
em conta aspectos sociais, econômi-
cos e de saúde, discuta as vantagens
e as desvantagens desse tipo de
produção.

4. Enformagem e salga
O soro é retirado, e a massa é espremida com
as mãos e colocada em formas com furos para a
saída do soro. A salga pode ser seca, quando é
adicionado sal meio grosso à forma por 24 horas,
ou úmida, quando as formas são imersas em
salmoura (mistura de água e sal) por 12 horas.

5. Embalagem
Após todas essas etapas, os queijos frescos estão prontos para
comercialização, mas os queijos curados ainda precisam passar pelo
processo de maturação, período que varia de produto para produto.

85
Panorama
Neste tema vimos que o reino Monera é formado por bactérias e cianobactérias.
As bactérias podem apresentar formas diferentes: cocos, bacilos, vibriões e espirilos.
A reprodução dos moneras, em geral, é assexuada. Há bactérias patogênicas que
causam doenças, como tuberculose, tétano, cólera, entre outras.
O reino Protoctista é formado por algas e protozoários. Os protozoários podem
ser classificados de acordo com o tipo de locomoção: ciliados, flagelados, sarcodíneos
ou esporozoários. Dentre as doenças causadas por protozoários, temos amebíase,
doença de Chagas, malária, toxoplasmose, leishmaniose, entre outras.
O reino Fungi é formado por fungos, como levedura, bolor ou mofo, orelha-de
-pau e cogumelo, dentre outros. São heterótrofos, podendo ser decompositores
ou parasitas. Sua reprodução pode ocorrer de forma assexuada e sexuada.

Faça as atividades a seguir para rever o que aprendeu.

1. O microrganismo Vibrio cholerae, causador de doença com um quadro de diarreia in-


tensa conhecida como cólera, é um tipo de organismo unicelular. Indique o tipo de
organismo e o reino ao qual pertence: Bactéria – Monera.
2. Em relação à morfologia, as bactérias com formas esférica, de bastão, em cacho de uva
e em colar denominam-se, respectivamente: Bacilos, cocos, estafilococos, estreptococos.
3. Um organismo unicelular, sem núcleo diferenciado, causador de infecção em ratos, pro-
vavelmente será o quê? Uma bactéria.
4. Um médico pediatra explicou aos pais de uma criança que ela estava com uma doença
causada por um tipo de organismo, unicelular, procarionte, mas que poderia ser com-
batido com uso de antibiótico. O médico descreveu um organismo classificado em qual
reino? Monera.
5. Várias pessoas de uma família foram atendidas num hospital depois de comerem peda-
ços de um mesmo bolo de aniversário. O diagnóstico foi intoxicação por uma bactéria
do gênero Salmonella. Dentre as alternativas abaixo, copie no cadeno a que indica a
descrição correta deste tipo de ser vivo. Alternativa b.
a) macroscópico, unicelular, eucarionte.
b) microscópico, unicelular, procarionte.
c) microscópico, unicelular, eucarionte.
d) macroscópico, pluricelular, procarionte.
Luis Moura

6. Observe o esquema ao lado. Ele pertence a um indivíduo do


reino Monera ou indivíduo do reino Protoctista? Justifique
sua resposta.
Ao Monera, porque se trata de uma célula sem núcleo celular definido, isto é, procariótica.

86
7. As algas já foram classificadas anteriormente como plantas. Atualmente, a qual reino
dos seres vivos elas pertencem? Quem faz parte desse reino com elas?
Ao reino dos Protoctistas. Nesse reino, também estão os protozoários.
8. Em certas regiões do Nordeste brasileiro, são utilizados, na construção de habita-
ções rurais, tijolos de diatomitos constituídos
Leia
por carapaças compactadas de diatomáceas. A
• Pasteur e os microrganismos, de Steve
que reino pertencem esses seres? Que nomes Parker. São Paulo: Scipione, 2005.

dicas
recebem? Reino Protoctista. São as algas crisofíceas ou douradas. Coleção Caminhos da Ciência.
O livro apresenta a biografia do
9. Indique a sequência que relaciona corretamente químico francês Louis Pasteur, que
cada protozoário ao seu tipo de locomoção. teve importância fundamental na
I-B; II-A; III-C; IV-B; V-C; VI-D.
microbiologia, e suas principais
descobertas.
A. Ciliados I. giárdia
• Viagem ao mundo dos micróbios, de Samuel
B. Flagelados II. paramécio Murgel Branco. São Paulo: Moderna,
2011. Coleção Viramundo.
C. Sarcodíneos III. ameba
Com a utilização do microscópio, além
D. Esporozoários IV. tripanossomo de conseguirem visualizar alguns seres
microscópicos causadores de doenças
V. têm pseudópodes em pessoas e animais, os cientistas
descobriram seres que ajudam no
VI. plasmódio tratamento de doenças.

10. Analise a tirinha abaixo. Acesse


• Cifonauta. Disponível em: <cifonauta.

10. Não. Existem
microrganismos,
A vida de seres no intestino humano a que se refe- cebimar.usp.br>. Acesso em: jun. 2015.
como certos re a joaninha seria apenas de parasitas? Explique. Banco de imagens que disponibiliza uma
tipos de bactérias
da flora intestinal, grande variedade de fotografias e vídeos
de biologia marinha, incluindo muitos
Clara Gomes

que são
importantes no protoctistas planctônicos.
funcionamento
do organismo. • A microbiota humana. Disponível em:
<http://cienciahoje.uol.com.br/
revista-ch/2014/316/a-microbiota-
humana/?searchterm=A%20
microbiota%20humana>. Acesso em: abr.
2015.
Artigo da revista Ciência Hoje sobre a
enorme quantidade de microrganismos
que vivem em harmonia dentro de nosso
corpo.

Assista
• Doença de Chagas: virando o jogo, Brasil,
2010. Documentário da Fundação
Osvaldo Cruz (Fiocruz) que mostra
11. Porque nem todos são depoimentos de moradores de regiões
parasitas e causam doenças.
Há seres destes reinos que
afetadas pela doença de Chagas e
são autótrofos, heterótrofos de cientistas que trabalham com ela.
de vida livre e outros são Disponível em: <www.fiocruz.br/ioc/
decompositores. cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=258>.
11. Por que não é correto associar moneras, protoc- Acesso em: mar. 2015.
Visite
tistas e fungos apenas a doenças?
• O Museu de Microbiologia do Instituto
12. Por que podemos afirmar que moneras, protoc- Butantan (São Paulo/SP) abriga uma
exposição de longa duração sobre
tistas e fungos têm importantes papéis tanto do os microrganismos. Diversos recursos
ponto de vista ambiental como do econômico? explicam as bases da microbiologia e
Porque ocupam importantes papéis nas cadeias alimentares, fazem associações revelam o que são, afinal, esses seres
com outros seres vivos, permitem a renovação de materiais no ambiente e são microscópicos.
utilizados na fabricação de diferentes produtos.

87
Tema
Animais
3
invertebrados I
NESTE TEMA
VOCÊ vai ESTUDAR:

• alguns dos principais


grupos de animais
invertebrados;
• as características
e diversidade dos
poríferos, cnidários,
platelmintos e
nematódeos;
• a importância desses
animais para o equilíbrio
do meio ambiente.

LauraD/Shutterstock
Pólipos da espécie
Tubastrea coccinea.

gem é um animal ou uma


1. O organismo retratado na ima
planta?
anças entre os animais e as
2. Quais são as principais semelh
s?
plantas? E as principais diferença
?
3. Como os animais se alimentam

1. É um animal, um cnidário na forma de pólipo.


2. Ambos são seres vivos, que consomem gás oxigênio e liberam gás carbônico em seu processo de respiração. As plantas são capazes de
produzir seu próprio alimento, por meio da fotossíntese, enquanto os animais, para se nutrir, necessitam ingerir outros seres vivos.
3. Os animais se alimentam ingerindo microrganismos (fotossintetizantes ou não), plantas ou outros animais.

Para o encaminhamento das questões, consulte o tópico Abertura do Tema do Manual do Professor.
Capítulo
O reino animal
1 Neste capítulo você vai conhecer
melhor os seres que pertencem ao
reino animal. Serão apresentadas
suas principais características, di-
versidade e tipos de reprodução.

Explorando
Uma coleção de insetos

Aline decidiu iniciar uma coleção de insetos. Como era muito cuidadosa, ela queria
coletar todas as espécies que pudesse, de modo que tivesse uma coleção completa. Con-
tudo, passados alguns meses, parecia que a tarefa não tinha fim, pois sempre apareciam
espécies novas. O trabalho parecia inesgotável.

Marcos Guilherme

Ela então resolveu pesquisar quantas espécies de insetos existem, para ter uma ideia
de quanto tempo levaria para completar sua coleção. Procurou a informação na internet
e ficou espantada com o que encontrou:
– Nossa, acho que não vou acabar nunca!
  Agora é sua vez. Professor, veja orientações para trabalhar esta seção no Manual do Professor.

1. Quantas espécies viventes de insetos você acha que Aline teria de coletar para com-
Já se descreveram mais de 1 milhão de espécies de insetos diferentes. Mas estima-se que, se
pletar sua coleção? contabilizadas as espécies que ainda não foram descritas, esse número seja bem maior.
2. Como Aline pode estar certa de que o animal que ela coleta é realmente um inseto?
Você sabe que características diferem os insetos dos outros animais?
Os insetos têm características fáceis de ser verificadas: três pares de pernas
locomotoras, um par de antenas. Juntamente com essas, os insetos podem
3. Os insetos têm ossos? apresentar dois pares de asas, embora nem todos as tenham.
Os insetos não têm ossos. Apresentam
um esqueleto externo, que não é
formado por ossos, mas por uma
substância rígida chamada quitina.
90
Características dos animais

Paul Kay/Oxford Scientific/Getty Images


O reino dos animais, ao qual os seres humanos também pertencem,
abrange mais de 1 milhão de espécies descritas. Muitas estão extintas, como
os dinossauros, e outras ainda não foram identificadas pelos cientistas em
meio à enorme diversidade da biosfera.
Os animais variam em tamanho, forma, cor, tipo de alimentação, entre
outros aspectos. Existem seres, como as esponjas naturais, cuja estrutura
é bastante simples. Outros, como o golfinho, são complexos tanto na or- Colônia de esponjas-do-mar.
ganização como no comportamento. No entanto, todos têm as seguintes Representantes do reino animal.

MaxFX/Shutterstock
características que os classificam como animais: 2,5 m
• são multicelulares, ou seja, formados por muitas células (dezenas
a milhões) de diversos tipos. Essas células são eucarióticas, isto
é, apresentam um núcleo organizado envolvido pela membrana
nuclear;
• são heterótrofos, ou seja, obtêm seu alimento de outros seres vivos.
Na Zoologia, uma das formas de classificar os animais é separando-os
Golfinho. Animal complexo tanto na
em dois grandes grupos: vertebrados e invertebrados. estrutura quanto no comportamento
Os vertebrados são os animais que apresentam crânio

typhoonski/iStockphotos.com
e coluna vertebral. Enquanto o crânio protege o encéfa- 20 m crânio coluna
lo, a coluna é um eixo de sustentação interna do corpo, vertebral
formado por peças articuladas denominadas vértebras.
A coluna vertebral nem sempre é feita de osso. Ela
pode ser composta apenas de cartilagem, como acontece
com o tubarão. Em muitos animais vertebrados, a cartila-
gem é bem mais flexível que os ossos, como a ponta do
nariz e das orelhas dos humanos. No entanto, ela também
pode ser dura, como nos tubarões, cujo esqueleto é rígi-
do como se fosse formado por ossos. Analise comparati-
vamente o esqueleto dos animais a seguir.
Esqueleto de baleia. Ela é um
peixe vertebrado, pois tem crânio e coluna
vertebral. Ilhas Canárias, Espanha.
Paulo César Pereira

anfíbio

Glossário
Zoologia: ciência que
estuda os animais. Zoólogo
é a pessoa que se dedica
ave a esse estudo. Em grego,
zoon significa “animal”, e
logos, “estudo”.
Encéfalo: é a parte central
do sistema nervoso. Nos
vertebrados, é formado
pelo cérebro e outras
mamífero estruturas, como o
cerebelo.

As imagens apresentadas nesta página


estão sem escala.

réptil
Representação de esqueletos de
animais das diferentes classes
de vertebrados: peixes, anfíbios,
répteis, aves e mamíferos.

91
Professor, deixe claro que ao falarmos de animais invertebrados, não estamos nos referindo a animais sem esqueleto, mas sem o
crânio e a coluna vertebral, características que marcam o grupo dos vertebrados.
Os invertebrados também apresentam esqueletos, que podem ser
NH/Shutterstock

20 cm
externos (exoesqueletos) ou internos (endoesqueletos). Os insetos, por
exemplo, têm um exoesqueleto constituído por uma substância resisten-
te chamada quitina, que forma uma casca endurecida. Os ouriços-do-
-mar, por outro lado, têm um revestimento interno próximo da superfície
do corpo, que é um endoesqueleto calcário.

Tipos de reprodução dos animais


O besouro é um inseto que Os seres vivos surgem de outros seres vivos, pelo processo de repro-
apresenta exoesqueleto.
dução. Como vimos nos animais, assim como nas plantas, a reprodução
pode ser assexuada ou sexuada.
Mohammed Iskhakov/Shutterstock

20 cm
As formas mais comuns de reprodução assexuada em animais estão
descritas a seguir.
• Brotamento – Um novo indivíduo brota de outro, podendo desta-
car-se dele e viver uma vida independente, ou manter-se ligado a
ele, formando uma colônia. Exemplo: esponjas.
O ouriço-do-mar apresenta
endoesqueleto. • Fragmentação (ou regeneração) – Ocorre quando um indivíduo
se parte em pedaços, que se regeneram, dando origem a novos
indivíduos. Exemplos: estrelas-do-mar e planárias.
Glossário

Calcário: composto de
carbonato de cálcio, o • Partenogênese – Um indivíduo é gerado sem que haja fecundação
que dá à estrutura rigidez,
por um macho. Exemplos: abelhas e formigas.
dureza.

Esquema simplificado da
reprodução assexuada
por fragementação de
1
estrela-do-mar.
1. Parte do animal 3
se solta. 2. Novo
indivíduo passa a 2
se formar, enquanto

Luis Moura
a estrela-mãe se
regenera. 3. Um novo
animal se forma.

Na reprodução sexuada o gameta masculino se une ao gameta feminino,


dando origem à célula-ovo, por meio do processo chamado fecundação.
A fecundação pode ser de dois tipos:
• interna, quando o gameta masculino é depositado dentro do cor-
po da fêmea (como nos humanos);
• externa, quando tanto o gameta feminino quanto o masculino es-
tão fora do corpo (maioria dos peixes ósseos).
Se um indivíduo for um hermafrodita, ou seja, se um
André Seale/Pulsar Imagens

1m
mesmo organismo tiver os sistemas reprodutores masculi-
no e feminino, pode ocorrer a autofecundação. Nesse caso
o espermatozoide fecunda o óvulo do mesmo organismo.
É o caso da tênia, um parasita que vive no intestino huma-
no. No entanto, casos de autofecundação não são comuns
nos animais. É mais frequente que hermafroditas façam a
fecundação cruzada, em que dois organismos fecundam
A maioria dos peixes ósseos, como o dourado, faz
um ao outro. A minhoca é um animal hermafrodita que faz
fecundação externa. fecundação cruzada.
No caso da partenogênese de abelhas e formigas, explique que somente as rainhas são fecundadas pelos machos.

92
Atividades
Sistematizar

1. Quais características uma barata, uma galinha e nós, seres humanos, apresentamos em comum
para sermos parte do reino animal? Somos multicelulares, eucariontes, heterótrofos.

2. Qual critério a Zoologia utiliza para classificar os animais em vertebrados ou invertebrados?


A coluna vertebral. Os vertebrados têm coluna vertebral, já os invertebrados, não.

3. Por que dizemos que coluna vertebral não é sinônimo de esqueleto ou osso?
Porque a coluna é só parte do esqueleto dos vertebrados. Esqueletos são estruturas de
sustentação que podem ser externas ou internas e estar presentes em invertebrados.
4. Classifique os animais a seguir em invertebrados ou vertebrados:
a) abelha (artrópode); invertebrado c) polvo (molusco); invertebrado
b) tubarão (peixe); vertebrado d) morcego (mamífero). vertebrado

Refletir

1. Acerca dos seres vivos representados a seguir, faça o que se pede e responda às questões.
Joe Quinn/Shutterstock

Fabio Colombini

aopsan/iStockphotos.com

a) Identifique-os. Peixe, ouriço-do-mar e barata.


b) Algum deles pode ser classificado como animal? Sim, todos.
c) Eles apresentam esqueletos? Em caso afirmativo, de que tipo?
Sim. Peixe – endoesqueleto, ouriço – endoesqueleto, barata – exoesqueleto.
d) Podemos classificar algum deles como vertebrado? Por quê?
Sim. O peixe, porque seu esqueleto é formado por vértebras.

Desafio

1. As imagens a seguir representam tipos de um processo essencial à sobrevivência das espécies.


Identifique que processo é esse, porque é importante para os seres vivos e descreva de que
forma ocorre em cada exemplo representado.
a) b)
1a etapa
Paulo César Pereira

anfíbio adulto
fêmea
macho 2a etapa
imago
Luis Moura

gametas

girino zigoto
(gametas
unidos)
Trata-se da reprodução, que permite deixar descendentes e perpetuar a espécie.
a) Reprodução sexuada com fecundação externa: o gameta masculino se une ao gameta feminino fora do corpo da fêmea, dando origem à célula-ovo.
b) Reprodução assexuada por brotamento: quando um indivíduo brota de outro, podendo destacar-se ou manter-se ligado a ele.

93
Capítulo
Poríferos
2 No capítulo anterior identificamos
algumas características dos animais.
Neste capítulo, você vai conhecer
representantes do filo Porífero
seus principais aspe
ecológicos.
ctos e pap
,
éis

Explorando
As esponjas

Ilustrações: Marcos Guilherme


Todos os dias, durante o banho, César utiliza uma espon-
ja artificial que o ajuda na higiene pessoal. Um dia, durante
a aula de Ciências, ele ficou surpreso quando o professor
disse que nas próximas aulas eles estudariam os animais do
filo Porífero, também conhecidos como esponjas.
– Será que são as mesmas que uso no banho? – ele se
perguntou.
Voltando para casa, César correu para o banheiro, pegou a
esponja que usa no banho e ficou observando-a.
“Como aquela esponja po-
deria ser um animal?”, pensou
intrigado. Para ele, animal era,
por exemplo, o seu cão, Bimbo.
“Mas aquela esponja? Onde es-
tava a boca? E os olhos?”, refle-
tiu, percebendo que teria muitas
perguntas para a próxima aula de
Ciências.
Na aula seguinte, ele levou a
esponja e expôs sua dúvida para
o professor, que, após analisar
o objeto, afirmou que aquela
esponja era sintética, isto é, era
artificial.
No fim das contas, ele ficou
até aliviado: “Menos mal que
não estou usando o bichinho
para ficar me esfregando, né?”.
E todos riram muito.
  Agora é a sua vez. Professor, veja orientações para trabalhar esta seção no Manual do Professor.
1. Você utiliza esponja durante o banho? Sabe se ela é artificial ou natural? Respostas pessoais.
2. A esponja utilizada por César durante o banho é a mesma à qual se referia o professor?
3. Em sua opinião, existe uma relação entre os animais conhecidos como esponjas e o
uso das esponjas para higiene pessoal?
2. Não. César utiliza uma esponja artificial durante o banho, ao passo que o professor se referia aos animais do filo dos poríferos – chamados
de esponjas –, dos quais são produzidas as esponjas de banho naturais.
3. Sim. Antigamente, antes da criação dos plásticos, utilizavam-se durante o banho esponjas naturais, obtidas, por exemplo, do corpo dos
94 animais do filo dos poríferos. Entre as esponjas naturais, existem ainda as de origem vegetal – popularmente conhecidas como buchas.
Poríferos ou espongiários
Acredita-se que os poríferos estejam entre os pri-

Dennis Sabo/Shuttertstock
meiros animais que surgiram na Terra. A maioria das
espécies conhecidas atualmente é marinha – podendo
ser encontradas nos oceanos desde a linha da maré até
profundidades de cerca de 6 mil metros –, mas exis-
tem algumas de água doce. Os representantes desse
filo não apresentam sistemas nem órgãos e são animais
sésseis, isto é, vivem fixos a rochas ou a material como
cascos de navios, pedaços de madeira, conchas aban-
donadas etc.
O nome porífero se deve ao fato de esses animais
apresentarem poros na superfície do corpo, pelos quais
a água passa. Os poríferos podem viver isolados ou for-
Fotografia de uma colônia de esponjas
mar colônias, apresentando diferentes cores, formas e vivas fixas ao assoalho marinho.
tamanhos – desde milímetros até alguns metros.
São também conhecidos como espongiários ou es-
ponjas. Algumas espécies, ricas em fibras, são utilizadas
há muito tempo pelos seres humanos como esponjas
de banho.

Maria Meester/Shutterstock
Muitos desses animais têm consistência macia por-
que produzem fibras de espongina, um tipo de pro-
teína que dá sustentação ao corpo. Nas espécies mais
rígidas, a sustentação é garantida por estruturas com
formatos variados chamadas espículas, que compõem
uma espécie de esqueleto. As espículas são utilizadas
como um dos elementos para classificação dos poríferos,
pois seus tamanhos e formatos são característicos de cada Os gêneros de poríferos mais utilizados como esponjas
espécie de esponja. Veja a imagem a seguir. de banho são a Spongia e a Hippospongia.
Luis Moura

Poro: qualquer abertura Glossário


bem pequena em uma
superfície; furo minúsculo.

A proporção entre as dimensões dos


elementos representados e as cores
usadas não são as reais.

Representações dos diferentes


tipos de espículas encontradas em
diversas espécies de poríferos.

95
A água entra pelos poros presentes na parede do
Ilustrações: Luis Moura

ósculo
corpo dos poríferos e chega a uma cavidade central de-
nominada átrio. Depois ela sai por uma abertura maior,
chamada ósculo, que se comunica com o meio externo.
A parede do corpo é revestida, externamente, por
células achatadas e, internamente, por células deno-
minadas coanócitos. Essas células apresentam forma
aproximadamente esférica e contêm um flagelo cuja

água entrando
átrio
ondulação gera uma corrente de água que flui pelo cor-
po do porífero. Essa corrente traz partículas de alimento
que aderem a um colarinho membranoso presente nos
coanócitos. Em seguida, as partículas são englobadas
por essas células, que realizam a digestão intracelular
– que ocorre dentro do próprio citoplasma.
poros
Além de possibilitar a obtenção de partículas ali-
mentares, a circulação da água pelo corpo dos poríferos
coanócito transporta gás oxigênio e participa da eliminação de gás
espículas carbônico, resíduos e células reprodutivas.
flagelo
eliminação de
resíduos
Fontes: Edward E. Ruppert e Robert D. Barnes. Zoologia dos invertebrados.
6. ed. São Paulo: Roca, 1996. p. 75; Cleveland P. Hickman. Integrated
principles of Zoology. Nova York: McGraw-Hill, 2001. p. 248.

Reprodução dos poríferos


partícula de Os poríferos se reproduzem tanto de forma assexuada
alimento quanto sexuada.
A reprodução assexuada pode ocorrer por brota-
digestão ocorre no interior mento, com a formação de pequenos brotos no corpo
do coanócito
do animal. Ao se destacarem, eles podem originar novas
Esquema da estrutura corporal
esponjas. Se permanecerem ligados, formam colônias.
de um porífero em corte. As esponjas também regeneram partes do corpo com muita facilidade.
As setas indicam o trajeto
das correntes de água, e o Assim, esse processo possibilita formar novos indivíduos de pedaços que
detalhe mostra a estrutura se desprendem do corpo.
ampliada de um coanócito.
A maioria das esponjas são hermafroditas, isto é, produzem ovócitos
e espermatozoides.
Esta ilustração não segue as
dimensões, cores e proporções reais esponja-mãe broto nova esponja adulta
entre as estruturas reproduzidas.

nova esponja
Esquema simplificado de
reprodução assexuada – por
brotamento – de um porífero.

Fonte: Edward E. Ruppert e


Robert D. Barnes. Zoologia
dos invertebrados. 6. ed. São
Paulo: Roca, 1996. p. 204.

Na reprodução sexuada, o gameta masculino (espermatozoide) dei-


xa a esponja que o produziu e se desloca com a corrente de água até
encontrar um gameta feminino (ovócito) dentro de outra esponja. Da fe-
cundação forma-se o zigoto.

96
Do zigoto desenvolve-se
uma larva ciliada, que nada Espermatozoides são liberados no ambiente e atingem
o organismo feminino, que é fecundado.
e se alimenta de partículas
orgânicas presentes na água.
Após algum tempo, ela se fixa
masculino
em uma superfície, formando feminino
zigoto
uma nova esponja.
Esta ilustração não segue as
dimensões, cores e proporções reais
entre as estruturas reproduzidas.

esponjas adultas

esponja
jovem
O zigoto dá origem à larva, que
será liberada através do ósculo.

Esquema representativo da
reprodução sexuada nas esponjas.

Fonte: Cleveland P. Hickman.


Integrated principles

Luis Moura
A larva ciliada fixa-se numa superfície of Zoology. Nova York:
e começa a se desenvolver. McGraw-Hill, 2001. p. 250.

Os poríferos no ambiente
Karen Doody/Stocktrek Images/Getty Images

Os poríferos têm importante papel dentro das comunidades


aquáticas. Embora sejam evitados pela maioria dos outros ani-
mais, provavelmente em virtude de suas espículas pontiagudas
ou do gosto aparentemente não muito apreciado, as esponjas
servem de alimento a algumas espécies de estrelas-do-mar,
peixes e tartarugas, que têm o revestimento da boca suficiente-
mente duro para mastigá-las sem sofrer danos. Alguns moluscos
5 cm
também são capazes de arrancar e ingerir pequenos pedaços de
esponjas sem as espículas.
Camarão-bailarino se abrigando
Além disso, as cavidades dos poríferos servem de abrigo para outros no átrio de uma esponja.
seres, como camarões e vermes aquáticos.

C u r ioso é...
Poríferos na medicina
Pesquisas recentes mostraram a existência, em determinadas espécies de esponjas,
de substâncias que podem ser usadas pela indústria farmacêutica na produção de an-
tibióticos (classe de medicamentos indicada, em geral, para o tratamento de infecções
bacterianas), antivirais (classe de medicamentos utilizada no combate a infecções causa-
das por vírus), no controle do envelhecimento e no tratamento de doenças como câncer,
diabetes, Alzheimer e Parkinson.

97
Posso perguntar? Diferentemente das células humanas, grande parte das células dos poríferos têm como característica a totipotência, isto é, a capacidade de se
Ciência e Sociedade
dividir e produzir, de uma única célula, todas as células do organismo, o que possibilita a regeneração de partes perdidas ou a formação de um novo organismo
completo com essas partes. Além disso, as células dos poríferos são bastante independentes umas das outras, sendo capazes de realizar quase todas as funções vitais.

Posso perguntar? Os perigos de nadar no Araguaia


Por que as esponjas conseguem Em alguns trechos do rio Araguaia – e possivelmente de outros rios
se regenerar, mas se eu perder amazônicos – não convém nadar com os olhos desprotegidos nem
um dedo, por exemplo, ele não abrir os olhos embaixo d’água durante um mergulho. Partículas
cresce de novo? microscópicas rígidas (espículas) do esqueleto de esponjas podem
perfurar as membranas que recobrem os olhos e causar problemas
graves, como os observados no município de Aragua-
Rio Araguaia delimitando tins por pesquisadores de Ribeirão Preto, São Paulo
o estado
Tocantins: físico (2012) do Tocantins e Porto Alegre.
48°O
©DAE/Sonia Vaz

Por volta de 2005 um surto de problemas oculares


atingiu cerca de 100 crianças e adolescentes que
haviam tomado banho de rio nesse balneário do
MARANHÃO

extremo norte do Tocantins, às margens do Ara-


Morro das
Lajes

guaia. Depois de nadar, elas passaram a reclamar


PARÁ
de sensibilidade à luz, vermelhidão, coceira, dor e
Rio
Ma
nu

A l ves Grande
el

ardor nos olhos. Em muitos casos os arranhões e


Rio Tocantins
ia
ua

trondo
ag

Chapada

lesões superficiais se transformaram em pequenos


Ar

das
Rio

do Es

Mangabeiras

PIAUÍ
nódulos ou manchas opacas nas membranas mais
Rio P i r

Serra

Rio Perdida

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externas, decorrentes de infecções por fungos e


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Rio do Co oS
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10°S Morro
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Serra

Palmas Mandacaru d

bactérias [...]. Duas crianças perderam a visão de


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um dos olhos.
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Altitude em metros
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Ilha 1200
Na época à frente da diretoria de vigilância de
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800
0 240 km
Bananal Morro do
R io 500
MATO GROSSO MaSocavão iras

doenças transmissíveis do Ministério da Saúde, o lme


Riozinho

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Geral de Goiás
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da Boca
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médico Expedito Luna, do Instituto de Medicina
Rio

BAHIA
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Serra

Tropical da USP, montou uma equipe multidiscipli-


Rio

Terreno sujeito
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ná a inundação
rra

0 120 240 km
nar para investigar a causa do surto. Após um ano
Capital de estado
Tra
íra

Limite estadual
GOIÁS
s

Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro:


Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 161 de trabalho, as biólogas Cecilia Volkmer-Ribeiro
IBGE, 2012. p. 161. e Twiggy Batista e o médico Henrique Lenzi de-
Rio Araguaia delimitando o estado do Tocantins a oeste. monstraram que a causa do problema não eram os
parasitas encontrados na água, mas espículas das
esponjas de água doce Drulia uruguayensis e Drulia ctenosclera. Luna
Frontpage/Shutterstock

suspeita que o que viram em Araguatins possa ocorrer em outras áreas à


medida que avance a ocupação da Amazônia.
Revista Pesquisa Fapesp. Disponível em: <http://revistapesquisa.fapesp.
br/2013/02/11/os-perigos-de-nadar-no-araguaia>. Acesso em: 20 abr. 2015.

1. De acordo com o texto, o que provocou os problemas nos


olhos e na visão das crianças e adolescentes que nadaram
no rio? As espículas das esponjas de água doce Drulia uruguayensis e Drulia ctenosclera que se
encontravam na água.

2. Em sua opinião, por que essas estruturas estavam dispersas


na água? Ao morrerem, conforme os elementos de revestimento das esponjas se decompõem,
as espículas acabam sendo liberadas na água.

O Rio Araguaia
abrange área de rica
biodiversidade e com
muitas belezas naturais.

98
Atividades
Sistematizar

1. Por que os poríferos são considerados os representantes mais simples do reino animal?
Porque não apresentam órgãos nem sistemas.

2. Em que ambientes encontramos os poríferos na natureza? A maioria é marinha, mas existem espécies de água
doce. Podem ser encontrados desde a linha da maré até seis mil metros de profundidade. Vivem fixos na areia, em rochas ou em outras superfícies.

3. Qual é a origem do nome porífero?


A palavra porífero vem do fato de eles apresentarem poros através dos quais a água passa.

4. De que materiais são feitos os poríferos?


De espongina, que é um tipo de proteína, e por estruturas rígidas chamadas espículas.

5. Quais tipos de reprodução assexuada são comuns nos poríferos? Descreva esses processos.
Brotamento: formação de pequenos brotos no corpo do animal, que ao se soltarem podem originar novas esponjas. Se permanecerem ligados, formam
colônias. Regeneração: processo que permite formar novas esponjas a partir de pedaços de uma esponja partida.

Refletir

1. A poluição do mar e práticas de

KevinPanizza/iStockphotos.com
pesca predatória, bem como a
destruição do ambiente natu-
ral provocada pela exploração
de mergulhadores que retiram
material para colecionar e ven-
der, são graves ameaças aos
poríferos. Por que a destruição
de poríferos é preocupante do
ponto de vista ambiental?
Sugestão de resposta: Os poríferos têm grande
importância ecológica. São usados como
indicadores ambientais (qualidade da água),
participam de cadeias/teias alimentares e servem
de abrigo para vários tipos de organismos aquáticos.

Desafio Luis Moura

1. O esquema ao lado representa um tipo de flagelo


célula que tem importante papel na sobrevi-
eliminação de
vência dos poríferos. Identifique essa célula e
resíduos
explique sua importância para os poríferos.
Trata-se do coanócito. Seu principal papel é transportar substâncias para todo
o animal. Essas células contêm um flagelo que provoca, com seu movimento,
uma corrente de água que entra no corpo do animal. A circulação da água
pelo corpo dos poríferos permite a obtenção de partículas alimentares, as
trocas gasosas, a eliminação de resíduos e a reprodução. Isto é particularmente
importante em um organismo que vive fixo.
partícula de
A proporção entre as dimensões dos alimento
elementos representados bem como
as cores usadas não são as reais.

Digestão ocorre no interior


do coanócito.

99
Capítulo
Cnidários
3 No capítulo anterior caracteriza-
mos o filo dos poríferos, estudand
seus principais aspectos e respecti-
vos papéis ecológicos.
Neste capítulo vamos estudar
filo dos cnid ário s, reco nhec
seus papéis ecológicos. Além dis-
end
o

o
o

-
so, vamos ver como certas espé
cies podem provocar into xica ções
nos seres humanos.

Explorando
Os cnidários

Ilustrações: DKO Estúdio


Helena estava tomando banho de
mar na companhia de seus pais e de seu
irmão, quando eles viram algo que pare-
cia um pequeno saco plástico, transparen-
te e flutuante.
O pai, que ficou curioso, disse que
era um plástico muito estranho, pois pa-
recia vivo. Foi tocá-lo para verificar se
realmente era um saco plástico. E não é
que ele acabou se machucando?

Na hora ele sentiu como se


fosse uma picada, que depois
passou a arder tal qual uma
queimadura.
Eles, então, saíram da água
para limpar o machucado que
ficou em sua mão. Foram até
um posto de vigia e contaram
o que tinha acontecido para o
salva-vidas, que ajudou o pai
de Helena a lavar o ferimento e
explicou que aquilo não era um
plástico, mas um animal.
Todos ficaram muito espantados, pois nunca tinham visto algo parecido.
  Agora é a sua vez.
1. Você já se espantou com a forma de algum animal? Por quê? Conte aos colegas.
Resposta pessoal. Trata-se de um cnidário venenoso
2. Você sabe em qual animal o pai de Helena encostou? conhecido como caravela-portuguesa.
A caravela é um organismo colonial que abriga animais que vivem juntos. Vários
3. Como esse ferimento foi causado? deles apresentam tentáculos finos e transparentes com células urticantes, que
descarregam toxinas na pele, provocando as queimaduras.

4. Você já viu ou ouviu falar de algum acidente semelhante ao sofrido pelo pai de Helena?
Resposta pessoal. Professor, o ferimento se assemelha a uma queimadura. Nos casos superficiais – como o do pai de Helena –, o tratamento é
mais simples e a ferida acaba cicatrizando em pouco tempo. Entretanto, quando o contato com os tentáculos é mais intenso, pode ocorrer até a
morte da pessoa envolvida. Caso ocorra o contato com uma água-viva, deve-se procurar um posto de salva-vidas imediatamente, e não se deve
lavar o local com água doce fria.
100 Professor, veja orientações para trabalhar esta seção no Manual do Professor.
Características dos cnidários
Esses organismos podem ser chamados de celentera-
dos ou cnidários. Ao contrário dos poríferos, os cnidários são

Paulo César Pereira


os primeiros organismos a apresentar células dependentes
umas das outras, que se unem para realizar a mesma função.
Esse conjunto de células chama-se tecido. Todos os animais
que estudaremos a partir de agora são formados por tecidos.

cada célula opera


independentemente
Luiz Lentini

Exemplo bastante simplificado das esponjas,


células formando tecido
com suas células não formando tecidos.

Elementos ilustrados sem escala;


Esquema bastante simplificado do tecido de uma caravela-portuguesa. as cores não são as reais.

vilainecrevette/iStockphotos.com
25 cm
Eles são também animais exclusivamente aquáticos, que apre-
sentam uma cavidade onde ocorre a digestão dos alimentos. Como
as esponjas, a maioria também é marinha, com poucas espécies de
água doce. Como exemplos de cnidários temos a água-viva, a anê-
mona-do-mar e a hidra.
Os cnidários têm células especializadas, presentes na superfície
do corpo, chamadas cnidócitos. Muitas dessas células produzem
uma substância urticante que, além de provocar irritação e ardência, Água-viva, um cnidário do tipo medusa.

pode paralisar animais de pequeno porte. Outros cnidócitos produzem


substâncias adesivas que “grudam” o pólipo no substrato ou o ten-
táculo na presa.
Quando tocado, o cnidócito desenrola um filamento que pode des-
carregar uma toxina urticante ou a substância adesiva. Assim, prováveis
predadores ou presas são envenenados pela toxina. Os cnidócitos
atuam na defesa contra predadores e na captura de presas, já que
os cnidários são carnívoros. No acidente da narrativa da página an-
Luis Moura

terior, o personagem tocou os cnidócitos da caravela-portuguesa.


Embora diferentes dos poríferos, os cnidários são também
animais de estrutura corporal simples. Apresentam
uma camada externa de células, a epiderme, e uma
interna, que reveste a cavidade digestória. Separan-
do as duas há uma camada gelatinosa.
O corpo dos cnidários pode ter a forma de medusa
ou de pólipo.
A forma de medusa, que nada livremente, assemelha-se a Esquema de um cnidócito pronto
para disparar (à esquerda) e
um guarda-chuva aberto com a camada gelatinosa bem desenvolvida. após o disparo (à direita). Note
Como exemplo, temos as águas-vivas. A forma de pólipo ocorre nos que o filamento se desenrola,
liberando a toxina armazenada em
cnidários sésseis, que vivem fixados em superfícies duras. uma bolsa dentro da célula.

101
Os cnidários alimentam-se de pequenos animais aquáticos captura-
Glossário

Extracelular: fora da célula. dos passivamente pelos tentáculos revestidos de cnidócitos que apre-
Intracelular: dentro da sentam ao redor da boca, no caso dos pólipos, ou ao redor do corpo, no
célula.
caso das medusas. Os cnidários fazem tanto digestão intracelular, como
mostrado nos poríferos, como extracelular, ou seja, na cavidade diges-
tória. Como a boca é a única abertura, os resíduos da digestão também
são eliminados por ela. Esse tipo de sistema digestório, com apenas uma
abertura, é classificado como sistema digestório incompleto.
pólipo
medusa
Esquema comparativo boca
da estrutura tentáculo cavidade digestória
corporal do pólipo
e da medusa.

Posso
perguntar?

Os cnidários
Fonte: Cleveland P. Hickman. cavidade
podem ser
Integrated principles of Zoology. Nova digestória boca
perigosos para York: McGraw-Hill, 2001. p. 256. tentáculo
os humanos?
Alguns produzem substâncias
Os cnidários são os primeiros animais na história evolutiva cujos adul-
tóxicas que causam efeitos
semelhantes aos das
tos se locomovem. No caso das medusas os movimentos de contração
queimaduras. Dependendo da e relaxamento das margens do corpo geram jatos de água que impul-
intensidade do contato, a toxina
pode provocar até a morte de sionam o animal, possibilitando que nadem através da massa de água.
uma pessoa. Entretanto, como em
todos os animais que produzem Os pólipos solitários, por sua vez, como as anêmonas-do-mar, podem se
venenos, eles permitem paralisar
as presas das quais se alimentam,
deslocar lentamente, cerca de poucos milímetros por dia, ao longo das
além de evitar predadores. superfícies duras às quais se encontram aderidos. Certos pólipos, como
as hidras, são capazes de se locomover por “cambalhotas”.

Ilustrações: Luis Moura


em pé
3 novamente
2
em pé movimento 4
1

Nos pólipos, a capacidade de locomoção é reduzida. Entretanto, alguns, como a hidra, de água doce, podem se locomover por “cambalhotas”.

Reprodução dos cnidários


Os cnidários podem se reproduzir de modo assexuado, sexuado ou
por meio de um processo no qual ambos os tipos se alternam, a chamada
metagênese ou alternância de gerações.
Um dos tipos de reprodução assexuada é o brotamento, ou seja,
brotos formados em determinadas regiões do corpo desenvolvem-se,
destacam-se do corpo e originam novos indivíduos.
Na reprodução sexuada, um indivíduo libera espermatozoides que
se deslocam até os óvulos de outro indivíduo para fecundá-los, formando
zigotos, dos quais o embrião se desenvolve.

102
Nas espécies que realizam
a metagênese, ou alternância 7
8
de gerações, a fase de pólipo zigoto
reproduz-se assexuadamente,
formando medusas machos e 6
fêmeas. Estas, quando adultas,
se reproduzem de maneira desenvolvimento
sexuada. Os gametas, óvulos da uma larva
plânula
e espermatozoides, são libe-
rados na água do mar, onde
5 9
ocorre a fecundação. O zigo- medusa adulta macho:
to se desenvolve em larvas 4
produção e liberação
de espermatozoides
ciliadas chamadas plânulas,
que se fixam e originam novos
pólipos.
fixação da
3 plânula
originando
Do pólipo originam-se um pólipo
medusas jovens.
1
2

Luis Moura
Representação do fase assexuada: 1, 2, 3 e 4
processo de metagênese fase sexuada: 5, 6, 7, 8 e 9
em cnidários.
Fonte: Cleveland P. Hickman. Integrated principles of Zoology.
Nova York: McGraw-Hill, 2001. p. 265.

Os cnidários no ambiente
Visual&Written SL/Alamy/Latinstock
As plânulas competem pelo espaço devido à necessidade de um
substrato (base) para a fixação e a consequente transformação em póli-
pos, que são os cnidários sésseis.
Há, também, cnidários coloniais flutuantes, como a Physalia, habitan-
te das águas tropicais dos oceanos, conhecida como caravela-portugue-
sa. Ela apresenta um flutuador azul semelhante a uma bexiga sob o qual
crescem vários tipos de indivíduos que desempenham diferentes funções
na manutenção da colônia. Alguns desses indivíduos têm longos tentácu-
los guarnecidos por cnidócitos que capturam as presas e proporcionam
defesa (apresentam substâncias urticantes); outros fazem a digestão e a
distribuição de nutrientes; e há os que produzem gametas.

C u r ioso é...
Enquanto algumas medusas são microscópicas, outras che-
gam a vários metros de diâmetro, com tentáculos de até 30 me-
tros de comprimento. Physalia, a caravela-portuguesa.
Nos oceanos Índico e Pacífico vivem as vespas-do-mar, me- Note o flutuador azul cheio
de gás, que mantém a colônia
dusas cuja toxina chega a matar banhistas casualmente atingidos flutuando na superfície, e
por seus tentáculos. os longos tentáculos, que
podem atingir até 15 m
quando estendidos.

103
O parasitismo – fenômeno no qual um
Asther Lau Choon Siew/Dreamstime.com

organismo vive no corpo de outro, retirando


caranguejo-ermitão
dele seu alimento – é raro entre os cnidários,
mas há espécies que infectam ovos de peixes.
Muitas anêmonas-do-mar podem viver
30 cm
sobre a concha de moluscos e carangue-
jos-ermitões, ganhando mobilidade e pro-
porcionando camuflagem e proteção ao
hospedeiro.
Alguns peixes, como o peixe-palhaço,
vivem protegidos entre os tentáculos das
anêmonas e se aproveitam de restos alimen-
tares deixados pelo cnidário.
Cnidários também fazem parte de diver-
sas cadeias alimentares. Anêmonas-do-mar
e águas-vivas predam peixes e crustáceos.
Por outro lado, muitas espécies de corais são
15 cm devoradas por lesmas marinhas, peixes e
estrelas-do-mar.
anêmona
Associação de organismos marinhos: o caranguejo-ermitão
se abriga em uma concha vazia de um molusco sobre a qual
se encontram fixadas ao menos três anêmonas-do-mar.

Recifes de corais
Os corais são exemplos de colônias de cnidários sésseis que ocorrem
em muitos trechos costeiros. Conforme a colônia cresce, eles sintetizam
um esqueleto calcário. Quando os organismos morrem, os esqueletos
permanecem intatos por centenas de anos, servindo de suporte para novas
colônias. Assim surgem os recifes. Eles se concentram, predominantemente,
em regiões de águas claras, rasas e quentes.

Distribuição mundial dos recifes

© DAE/Mario Yoshida
Círculo Polar Ártico

OCEANO
ATLÂNTICO
Trópico de Capricórnio

OCEANO
PACÍFICO
Equador 0°

Trópico de Câncer N
OCEANO
ÍNDICO O L

S
Círculo Polar Antártico

0 2 800 5 600 km
Recifes de corais
180°
Fonte: http://www.editoradobrasil.com.br/ebsa/editorial/imagem.asp?CONTADOR=266355&TIPO=A&SEQUENCIA=1
O mapa mostra, em vermelho, a Fonte: <http://oceanservice.noaa.gov/education/kits/corals/
distribuição mundial dos recifes. media/coralreefmap.jpg>. Acesso em: 7 abr. 2015.
Professor, acrescente que pequenas alterações na temperatura das águas ou a presença de poluentes diminuem a concentração das algas que vivem nos corais
e os alimentam, ocasionando um fenômeno conhecido por branqueamento. Esse fenômeno tem atingido recifes em todo o planeta, fragilizando muitos dos
104 ecossistemas marinhos que dependem deles.
Atividades
Sistematizar

1. Em que ambiente encontramos os cnidários?


A maioria é marinha, mas existem espécies de água doce.

2. Explique como os cnidócitos atuam na defesa e na captura de presas nos cnidários.


Quando há contato com o cnidário, ocorre um “disparo” do filamento ligado à região onde se armazena a toxina urticante nos cnidócitos.
Assim, o “agressor” ou a presa é inoculada com a toxina.
3. Por que o sistema digestório dos cnidários é classificado como incompleto?
Porque há apenas uma única abertura, a boca. Esses animais não possuem ânus.

4. Por que consideramos os cnidários mais complexos que os poríferos?


Porque suas células se unem para realizar a mesma função, formando tecido, bem como apresentam cavidade digestória e podem se locomover.

5. Que tipo de digestão os cnidários podem realizar?


Os cnidários têm dois tipos de digestão: fora das células (extracelular) e dentro da célula (intracelular).

6. Que formas de reprodução são encontradas nos cnidários?


Os animais desse grupo podem se reproduzir de maneira assexuada, sexuada ou por um processo no qual esses dois tipos se alternam –
a chamada metagênese ou alternância de gerações.

Refletir

1. Identifique a forma do corpo dos cnidários a seguir e dê suas características.


a) b)
zhudifeng/iStockphotos.com

SPL/Latinstock
50 cm

5 cm

Forma de medusa: semelhante a um guarda-chuva aberto; móveis. Forma de pólipo: pode ser móvel (movimento parecido com uma
cambalhota) ou fixa como na maioria dos casos.

Desafio
Medusa adulta libera gameta
1. Analise o processo representado masculino, o qual se encontra com
ao lado. gameta feminino de outra medusa.

a) O ciclo reprodutivo acima é de


aekikuis/Shutterstock

que grupo de animais? Do pólipo adulto


Reprodução dos cnidários. originam-se
b) Nesse processo há diferentes medusas jovens.
fases? Explique. Sim. Há alternância
entre uma fase sexuada e outra assexuada. zigoto é formado
c) As formas de medusa e de
pólipo apresentam o mesmo
comportamento? Explique.
Não. A medusa representa a fase sexuada,
produzindo gametas; o pólipo representa
a fase assexuada. larva plânula

pólipo adulto
Elementos ilustrados sem escala; as Larva se fixa e forma um pólipo.
cores não são as reais.

105
Capítulo
Platelmintos
4 No capítulo anterior conhecemos
os cnidários, seus papéis ecológi-
cos e como algumas espécies po-
dem ser venenosas.
Neste capítulo, vamos caracterizar
o filo dos platelmintos e identifica
formas livres e para sitas .
r

Explorando
Os platelmintos

Mirela é médica e certo dia foi chamada para ajudar a desvendar as


causas de uma misteriosa doença que estava atingindo uma cidade

Ilustrações: Danillo Souza


do interior.
Ela decidiu iniciar a pesquisa conversando com a população
para saber quais eram os sintomas, como ocorria o desenvolvi-
mento da doença e se os moradores já tinham alguma suspeita.
Alguns comentaram que um tempo depois de terem entra-
do nas águas do rio, começaram a sentir coceira nos pés, e a
maioria dos doentes disse sentir mal-estar e cansaço, além de ter
febre, tosse seca e diarreia com fezes sanguinolentas. Outros doentes tam-
bém sentiram dores abdominais e notaram um inchaço na barriga.
Além do relato da popula-
ção, Mirela levou em considera-
ção as características da região.
Notou que quase não existia
saneamento básico e que havia
despejo de esgoto no rio que
atravessava a cidade.
Após pesquisar na internet,
ela verificou que a cidade se en-
quadrava nas regiões onde havia
caramujos que poderiam hospe-
dar parasitas. Por fim, analisou
os históricos sobre epidemias na
região e chegou a uma suspeita.
– Acho que já tenho uma possível resposta para a causa da doença! – comentou Mi-
rela, animada.
  Vamos discutir a narrativa.
1. Você já passou por uma situação semelhante, na qual a causa de uma doença, sua ou
de alguém próximo, era desconhecida? Resposta pessoal.
2. Em sua opinião, a doença mostrada na história pode estar relacionada ao rio ou a
algum animal não visível a olho nu?
Provavelmente a doença é causada por algum microrganismo ou animal não visível a olho nu e tem o rio como meio de transmissão. Os sintomas e a descrição
do local indicam que a doença é a esquistossomose. A observação dos sintomas e o estudo epidemiológico orientam a identificação da doença, entretanto,
como os sintomas observados são semelhantes aos de outras doenças, exames laboratoriais são necessários para confirmar a suspeita.

Professor, veja orientações para trabalhar esta seção no Manual do Professor.


106
Platelmintos: os vermes achatados
Os platelmintos são vermes de corpo achatado (plati significa “acha-
tado”, e helminto, “verme”) e alongado, medindo desde poucos milíme-
tros até metros de comprimento.
M. I. Walker/Photoresearchers/Latinstock

Photoresearchers/Photoresearchers/Latinstock

Ed BrownUW/Alamy/Latinstock
1 2 3

Diversidade dos platelmintos: 1. planária; 2. verme do gênero Dipylidium; 3. planária marinha do gênero Pseudocerus.

Existem platelmintos de vida livre, como a planária, e os parasitas, As imagens apresentadas nesta página
estão sem escala.
como as tênias e os esquistossomos.
Quando presente, o tubo digestório desses animais é incompleto,
isto é, apresenta a boca como única abertura. Existem também as tênias,
que são parasitas intestinais sem sistema digestório. Nesses casos, os
nutrientes são absorvidos através da superfície geral do corpo.
A maioria dos platelmintos apresenta conjuntos de células especiali-
zadas em excreção, chamados células-flama.

A planária
As planárias podem ser terrestres, marinhas ou de água doce. São
platelmintos carnívoros, alimentando-se principalmente de outros ver-
mes ou de larvas de insetos, tatuzinhos-de-jardim, caracóis e minhocas.
Podem se nutrir também de restos de animais mortos.
Os olhos simples – também chamados de ocelos –, embora não for-
Bioindicador: organismo

Glossário
mem imagens, são fundamentais para identificar a presença ou ausência capaz de fornecer
de luz e a direção de onde ela provém. informações sobre a
qualidade do ambiente
Por serem bastante sensíveis às alterações ambientais, elas são utili-
onde vive ou de parte dele.
zadas pelos pesquisadores como bioindicadores do nível, por exemplo,
de poluentes no ambiente onde vivem.

olhos
simples poro genital
tubo digestório

Representação de uma
planária evidenciando o
Luis Moura

tubo digestório. Note que a


faringe da planária consegue
boca se estender para fora da
boca, o que possibilita
faringe selecionar melhor o alimento,
A proporção entre as dimensões dos
em geral pequenos animais
elementos representados bem como abertura da faringe ou restos orgânicos.
as cores usadas não são as reais.

107
Reprodução dos platelmintos
Grande parcela dos platelmintos é hermafrodita, os quais também
podem se reproduzir de forma assexuada ou sexuada.
A reprodução assexuada ocorre principalmente por regeneração.
As partes perdidas das planárias, quando cortadas, podem se regenerar,
originando outros indivíduos.

fase 1:
fragmentação

fase 2:
pedaços começam
a se regenerar

fase 3:
três novos indivíduos
são formados

Esquema simples representativo da reprodução assexuada em planárias. Partes


remanescentes de uma planária podem se regenerar, formando um verme completo.

Fonte: Richard C. Brusca e Gari J. Brusca. Invertebrados. 2. ed. Rio de Janeiro:


Guanabara Koogan, 2007. p. 340.

A reprodução sexuada envolve dois seres para que haja a fecunda-


ção, o que chamamos de fecundação cruzada (veja a ilustração a seguir).
Depois da fecundação, os animais liberam uma cápsula com vários ovos,
dos quais se desenvolvem novos vermes.
Ilustrações: Luis Moura

2
3 eclodindo

A proporção entre as dimensões


envoltório dos elementos representados
do ovo bem como as cores usadas não
são as reais.

Esquema da cópula de duas planárias: 1. ocorre fecundação cruzada; 2. após um


NIBSC/SPL/Latinstock

tempo de maturação são depositadas uma ou mais cápsulas com ovos; 3. dos ovos
eclodem planárias jovens, os quais se desenvolvem, tornando-se adultos.

Fonte: Richard C. Brusca e Gari J. Brusca. Invertebrados. 2. ed. Rio de Janeiro:


Guanabara Koogan, 2007. p. 316.

O esquistossomo
O esquistossomo é um parasita que provoca a chamada esquistos-
somose, popularmente conhecida como barriga-d’água – em razão do
inchaço que costuma provocar no abdome.
Fotografia obtida por A doença atinge atualmente mais de 200 milhões de pessoas no
microscopia eletrônica
de varredura mostrando mundo, a maioria no continente africano. No Brasil, dados indicam que
esquistossomo macho e fêmea existem cerca de 7 milhões de casos, concentrados principalmente nas
(coloridos artificialmente).
Ampliação de 50 vezes. regiões Nordeste e Sudeste.

108
As pessoas infectadas abrigam casais de vermes no interior dos vasos
sanguíneos que ligam o intestino ao fígado (sistema porta-hepático). O
macho mede aproximadamente 1 cm, e seu corpo lembra uma casca de
banana vazia. A fêmea, mais fina, mede cerca de 1,5 cm de comprimento
e se abriga em um canal no corpo do macho, o que facilita a fecundação.
Veja a seguir um esquema com o ciclo de vida do esquistossomo.

Ciclo de vida do esquistossomo

1. Uma pessoa doente libera nas


7
Luiz Lentini

fezes os ovos depositados pela


fêmea do parasita.
1 2. Os ovos são carregados por
6 correntes de água ou pela chuva e
originam larvas ciliadas microscó-
picas chamadas miracídios.
3. Os miracídios penetram no
caramujo, onde se reproduzem
2 assexuadamente, originando as
larvas cercárias.
4. As cercárias saem do caramujo
5 e contaminam a água.
5. As cercárias penetram na pele.
3 6. Através da corrente sanguínea,
4 as cercárias atingem o sistema
A proporção entre porta-hepático e o intestino,
as dimensões dos
elementos representados
onde se transformam em vermes
bem como as cores adultos.
usadas não são as reais.
7. Uma vez contaminadas, essas
pessoas podem reiniciar o ciclo.
Esquema representativo do Fonte: Edward E. Ruppert e Robert D. Barnes. Zoologia
ciclo da esquistossomose. dos invertebrados. 6. ed. São Paulo: Roca, 1996. p. 241.

Os sintomas iniciais da esquistossomose são febre, tosse e dores mus-


culares. Ao se estabelecer no fígado e nos intestinos, o esquistossomo pro-
voca dor abdominal e diarreia com sangue nas fezes. A evolução da doença
é prolongada, levando a lesões severas e, ocasionalmente, à morte.
A prevenção se faz com a construção de rede de esgoto ou de fossas –,
evitando a eliminação de fezes contaminadas no ambiente.

A tênia
Fabio Colombini

A tênia é um verme parasita, conhecido 3m


também como solitária, pois em geral há so-
mente um único indivíduo em cada hospedei-
ro. Sua cabeça, denominada escólex, apresenta
ventosas ou ganchos que possibilitam a fixação
no intestino do hospedeiro. O escólex produz
os segmentos do corpo, chamados de proglo-
tes. Cada escólex e as numerosas proglotes
formam uma solitária, que pode atingir até 5 m
de comprimento em média.
Fotografia de uma tênia fora do intestino.

109
proglotes escólex As proglotes maduras são hermafroditas e produ-
grávidas zem gametas que fecundam outra proglote, originando
milhares de ovos. As proglotes da extremidade opos-
Ilustrações: Paulo César Pereira

ta ao escólex, cheias de ovos (grávidas), destacam-se


continuamente do corpo da solitária, sendo eliminadas
juntamente com as fezes humanas. Uma proglote grá-
vida pode se desfazer ainda no intestino ou no ambien-
te, liberando cerca de 100 mil ovos.
proglotes
imaturas Ciclo reprodutivo da tênia
Esquema representativo de uma tênia. No destaque, o Existem dois tipos de tênia capazes de parasitar o
escólex de uma das tênias que parasitam o ser humano. ser humano: a Taenia solium, transmitida pela carne de
porco, e a Taenia saginata, transmitida pela carne de
Fonte: Edward E. Ruppert e Robert D. Barnes. boi. Vejamos no esquema abaixo o ciclo reprodutivo
Zoologia dos invertebrados. 6. ed. São Paulo: Roca, desses animais.
1996. p. 248.
Ciclo da teníase

4
Imagem cedida pelo banco The Parasite Image
Database (www.coccidia.icb.usp.br/parasitedb)

2 3

ovo
Fotografia de um pedaço de carne bovina contaminada
com cisticercos (nódulo claro no recorte).
proglotes 5
Elementos ilustrados sem escala;
as cores não são as reais. Esquema representativo do ciclo da tênia.

1. Ovos – ou proglotes grávidas – são eliminados para o ambiente por meio das fezes da pessoa com teníase.
2. Bois ou porcos contaminam-se ingerindo alimento contaminado por ovos do parasita.
3. A larva penetra pela parede intestinal e migra, por meio da corrente sanguínea, para a musculatura, tornando-se um
cisticerco, uma nova fase larval semelhante a uma ervilha.
4. As pessoas se infectam ao ingerir carne crua ou malcozida contendo cisticerco.
5. O cisticerco se converte em escólex e se fixa à parede do intestino delgado, reiniciando o ciclo.

Fonte: Cleveland P. Hickman. Integrated principles of Zoology. Nova York: McGraw-Hill, 2001. p. 295.

As tênias podem causar doenças chamadas teníase e cisticercose.


Ao comer a carne com cisticerco a pessoa adquire a teníase, passando a
abrigar em seu intestino um verme adulto, que se reproduz de forma sexuada.
A prevenção de ambas as doenças se faz com medidas de sanea-
mento básico – coleta de esgoto e tratamento da água. Deve-se beber
somente água tratada, filtrada ou fervida, assim como manter a higie-
ne, lavando frutas, verduras e as próprias mãos ao mexer com alimentos,
após usar o banheiro e antes das refeições.

110
Atividades
Sistematizar

1. Todos os platelmintos são parasitas? Explique. Não. Existem platelmintos de vida livre, como a planária.
2. Como parasitas platelmintos sem sistema digestório, como a tênia, sobrevivem?
Absorvendo através da superfície do seu corpo os nutrientes das partículas já digeridas pelo ser que parasitam.
Podem se reproduzir de forma
3. Quais tipos de reprodução ocorrem entre os platelmintos? Descreva-as. assexuada e sexuada. A reprodução
assexuada ocorre principalmente por fragmentação (regeneração). Na reprodução sexuada de hermafroditas, a fecundação é cruzada, envolvendo dois seres.
4. Por que a esquistossomose é conhecida pelo nome de barriga-d’água?
Recebe essa denominação por provocar acúmulo de líquido na cavidade abdominal.
5. Das medidas listadas a seguir, selecione as adequadas para prevenção da esquistossomose.
a) Promover medidas de saneamento básico evitando a eliminação de fezes no ambiente.
b) Combater o mosquito vetor.
c) Evitar entrar em lagos, represas, açudes etc. se houver suspeita de existirem os caramujos
hospedeiros do esquistossomo.
d) Vacinação.
Alternativas a e c.
6. Por que razão a tênia é conhecida por solitária?
Porque raramente há mais de um indivíduo parasitando um mesmo organismo. 
7. Identifique, no esquema a seguir, as partes do corpo de uma tênia.
1

Luis Moura
1- Proglote
2- Escólex ou cabeça

8. Por que é preciso eliminar o verme por inteiro no tratamento da teníase?


Porque a tênia apresenta grande capacidade de regeneração: de uma escólex presa no intestino pode-se formar um verme completo.
9. Cite os principais sintomas da teníase.
Apetite exagerado ou falta dele, desnutrição, vômitos, enfraquecimento, insônia, cansaço, diarreia.

Refletir
Observação: Os Jedi são personagens fictícios da série de filmes Star Wars, caracterizados por
1. Leia e analise a tirinha a seguir: defender o lado do “bem”.

Explique como o tema reprodução assexuada inspirou o artista que produziu a tirinha.
Resposta sugerida: As planárias, além de se reproduzirem sexuadamente por fecundação cruzada, podem reproduzir-se assexuadamente. Assim,
quando cortadas, originam outras devido à sua capacidade de regeneração.
111
Capítulo
Nematódeos
5 No capítulo anterior você estudou
o filo dos platelmintos, seus respec-
tivos papéis ecológicos e algumas
doenças causadas por eles.
Este capítulo vai caracterizar os ne-
matódeos e apontar algumas me-
didas de prevenção contra doenças
.
causadas por nematódeos parasitas

Explorando
O bicho-geográfico
No fim de semana, Cristiano foi à praia com

Ilustrações: DKO Estúdio


seus primos e primas. Curtiu muito, nadou, cor-
reu descalço pela areia, jogou vôlei. No dia se-
guinte começou a sentir uma coceira na sola do
pé direito, próximo aos dedos.
Mais um dia se passou, a coceira só piorou e
apareceu uma trilha vermelha na pele dele. Ele
então mostrou o pé para sua mãe. Quando ela
viu aquilo exclamou:
– Você está com um verme no pé, conheci-
do como bicho-geográfico. Tem esse nome por
caminhar pela pele, formando desenhos que se
parecem com mapas.
Eles foram até o posto de saúde. O que mais
espantou Cristiano é que aquela praia tem uma
água muito limpa, com areia branquinha, onde
as pessoas não jogam
lixo nem sujeira, apenas
vão com suas famílias e cachorros. Nesse momento, o médico
disse que o cão era um dos hospedeiros do bicho-geográfico e
por isso ele não deveria ser levado à praia. O médico receitou
um remédio para o Cristiano tomar. Alguns dias depois seu pé já
estava curado.

Vamos discutir a narrativa.


1. Você já pegou bicho-geográfico ou conhece alguém que já pegou? Acha que é possível
pegá-lo somente na areia da praia? Éempossível pegá-lo em todos os tipos de solo, mas as larvas se desenvolvem melhor
solos arenosos.

2. Sendo o bicho-geográfico um verme que está no solo, como será que a pessoa adquire
a doença? Contrai-se
descalço.
entrando em contato com a larva migrans, que penetra na pele. É comum pegar o bicho-geográfico caminhando

3. Levando-se em conta a explicação do médico, é recomendável levar cães e também


gatos à praia ou andar descalço no solo que esses animais frequentam?
Não é recomendável levar esses animais à praia nem deixá-los brincar na mesma areia em que crianças brincam nos parques. Se estiverem
contaminados, podem soltar ovos para o ambiente por meio de suas fezes. São esses ovos que dão origem às larvas.

Professor, veja orientações para trabalhar esta seção no Manual do Professor.

112
Características dos nematódeos
Os nematódeos são vermes cilíndricos, alongados, que têm as extremi-
dades afiladas. Seu nome vem do grego nemato, que significa “filamento”.
Podem ter vida livre ou ser parasitas. A maioria das espécies é invisível
a olho nu, chegando até 2 milímetros de comprimento. Alguns parasitas, no
entanto, são bem maiores, medindo entre 7 cm e 15 cm.
O corpo desses vermes é protegido por uma cutícula bastante resis-
tente, camada de quitina. Internamente, apresentam um tubo digestório
completo, com boca, faringe, intestino e ânus. Pelo poro excretor são eli-
minadas as excretas (resíduos tóxicos do organismo). O cordão nervoso
controla os movimentos e recebe estímulos do ambiente.
A maioria das espécies tem sexos separados, e a reprodução é sem-
pre sexuada. A fecundação é interna, ocorrendo por meio do poro geni-
tal. As estruturas reprodutivas correspondem ao testículo nos machos
e aos ovário nas fêmeas.

Dawidson França
ânus
boca

poro genital
Esquema simplificado do corpo de nematódeo fêmea.

Entre os nematódeos parasitas humanos mais comuns, podemos citar


o oxiúro, a lombriga, a filária e o ancilóstomo.
Os oxiúros (de nome científico Enterobius vermicularis) são vermes
que vivem no intestino grosso dos humanos que eles parasitam. Fazem
fecundação interna, e as fêmeas fecundadas migram para o ânus do hos-
pedeiro durante a noite para botar seus ovos. Essa movimentação pro-
voca coceira e irritação. Ao coçar a região, o hospedeiro se contamina,
ficando com ovos sob as unhas. Ao levar as mãos à boca, ele pode engo-
lir os ovos, que vão parar no intestino, reiniciando o ciclo. A prevenção
da oxiurose (doença causada pelo oxiúro) é feita pela ingestão de ver-
mífugos e higiene da parte de baixo das unhas, bem como a construção
de instalações sanitárias adequadas para evitar a propagação da doença
pelas fezes das pessoas contaminadas.

C u r ioso é...
Há nematódeos que parasitam plantas. Vivem no solo
amana images/Getty Images

e invadem o corpo da planta, comprometendo a condução


de água e nutrientes.
A infestação por nematódeos reduz a produtividade
das lavouras, gerando prejuízos de ordem econômica.

Nematódeos que parasitam plantas costumam


causar deformações principalmente em frutos e
raízes, como se pode observar nestas cenouras.

113
Áscaris ou lombriga
Lauritz Jensen/Visuals Unlimited, Inc./Glow Images

A ascaridíase é a doença provocada pelo nematódeo Ascaris


lumbricoides, popularmente conhecido como lombriga. Esse pa-
rasita, que mede entre 20 cm e 30 cm de comprimento, vive no
intestino dos humanos parasitados.
Essa doença está fortemente relacionada com a falta de sanea-
mento básico. Veja a seguir o ciclo de vida da lombriga.

Paulo César Pereira


4

Casal de lombrigas. O macho 9


pode ser reconhecido pela 6
extremidade posterior em forma 3
de gancho. Além disso, em
média, as fêmeas crescem mais.

Ciclo de vida da lombriga. 2


1. Ao ingerir água ou alimentos Fezes em local
contaminados, a pessoa ingere impróprio com
também ovos de lombriga. liberação de ovos
2. Os ovos ingeridos, no intestino, 5
eclodem e dão origem a larvas.
3. As larvas perfuram a parede
intestinal e, por meio da circulação 7
sanguínea, alcançam o fígado e
os pulmões.
4. Levadas pelas secreções
respiratórias, as larvas chegam à
garganta (faringe).
5. As larvas são engolidas e voltam
novamente ao intestino, onde
amadurecem e tornam-se indivíduos
adultos, prontos para a reprodução. 8
6. Ocorre a reprodução sexuada, e Elementos ilustrados sem escala;
as cores não são as reais.
milhares de ovos microscópicos são
liberados no intestino do hospedeiro.
7. Ao defecar em locais impróprios Os sintomas da doença dependem do órgão atingido. Ao passar pelos
ou sem saneamento básico, o pulmões, as larvas podem causar bronquite e febre. Ao atingir a faringe,
humano libera os ovos para o provocam coceira nasal e coriza. Os vermes adultos podem provocar obs-
ambiente.
trução intestinal, apendicite, vômitos, cólicas, convulsões, emagrecimento
8. No ambiente, os ovos podem
contaminar o solo ou a água a ser e fraqueza muscular.
utilizada para beber ou regar as
plantações. Prevenção da ascaridíase
9. Ao beber a água ou consumir
alimentos contaminados, o ser A prevenção da doença se faz por meio de medidas de saneamento
humano ingere os ovos da lombriga
e o ciclo recomeça.
básico, como tratamento da água e do esgoto. Hábitos de higiene são fun-
damentais, como lavar as mãos com água e sabão após utilizar o banheiro
ou ter contato com a terra. Legumes, frutas e verduras devem ser higie-
nizados. A água deve ser filtrada ou fervida. O tratamento dos doentes
também é importante para evitar a propagação do parasita.

114
Filárias
As filárias (de nome científico Wuchereria bancrofti) consistem em um
grupo de vermes de corpo fino e longo. São capazes de infestar o ser
humano e outros animais.
O parasita, ao viver nos vasos sanguíneos e linfáticos de seu hos-

Glossário
pedeiro, causa a filariose, doença que obstrui esses vasos. Isso provoca Anemia: doença que causa
fraqueza e debilidade
problemas circulatórios e inchaço nas partes do corpo atingidas, como os na pessoa. Comum em
braços e principalmente as pernas, podendo atingir a região escrotal e as pessoas que tiveram perda
de sangue.
mamas. Essa é a razão do nome popular elefantíase para essa doença.
Vaso linfático: vaso que
A transmissão da filária depende de um vetor, a fêmea do mosquito cúlex. transporta a linfa (parte
Quando esse inseto pica uma pessoa com filariose, ele ingere as larvas da líquida do sangue). É por
meio dos vasos linfáticos
filária com o sangue. Ao picar pessoas saudáveis, o mosquito contaminado que a linfa é retirada dos
introduz as larvas da filária no organismo. Essas larvas atingem a circulação, tecidos e levada de volta
para os vasos do sistema
alojando-se nos vasos sanguíneos, onde completam seu desenvolvimento. circulatório.
Jphn Greim/SPL/Latinstock

Scott Camazine/Photo Researchers/Latinstock


Perna de uma pessoa com filariose, popularmente Mosquito cúlex.


conhecida como elefantíase.

Prevenção da filariose
A prevenção da filariose é feita com medidas de combate ao mosquito
transmissor, como a instalação de telas em portas e janelas das casas.
O tratamento médico das pessoas infectadas pelo parasita também é
importante, porque dificulta o ciclo de transmissão.
David Schharf/SPL/Latinstock

Ancilostomose
Os vermes da espécie Ancylostoma duodenale têm o corpo cilíndri-
co, com cerca de 10 milímetros de comprimento, e uma boca com estru-
turas cortantes (“dentes”). O verme se prende à parede do intestino do
hospedeiro e provoca pequenas hemorragias contínuas. Devido a essa
perda de sangue, ocorre anemia, característica principal da ancilostomo-
se. A pessoa doente adquire uma cor amarelada na pele. Por essa razão,
Micrografia do aparelho bucal
a ancilostomose também é conhecida por amarelão. O Necator ameri- do Ancylostoma duodenale.
canus é outra espécie de verme que pode causar o amarelão. Ampliação de 77 vezes.

115
Professor, explore a forma de
contágio da doença. Esclareça
Ao longo do ciclo de vida desses vermes, as fêmeas depositam ovos
que as larvas são muito pequenas
para ser vistas, e que elas acabam
no intestino humano, que são eliminados com as fezes. Se forem lança-
chegando à areia ou terra por
meio dos ovos presentes nas
das no ambiente, essas fezes podem contaminar o solo, onde os ovos
fezes de animais contaminados.
Introduza o assunto explicando
eclodem, dando origem às larvas. Quando uma pessoa descalça pisa no
que essa larva faz parte do
ciclo de vida de uma espécie
solo contaminado, as larvas penetram na pele e, através da circulação
que pertence ao grupo que
foi estudado neste capítulo, os
sanguínea, chegam ao intestino, onde se instalam, prendendo-se à parede.
nematódeos.
Ao atingir a idade reprodutiva, os vermes reiniciam o ciclo.

Prevenção da ancilostomose
BSIP SA/Alamy/Latinstock

As medidas preventivas são saneamento básico (tratamento de água


e esgoto), tratamento médico dos doentes para evitar a propagação do
parasita e uso de calçado ao pisar em solo com suspeita de contaminação.

O bicho-geográfico
O Ancylostoma brasiliensis, parasita do cão e do gato, pode aciden-
talmente infestar os humanos com larvas que penetram o corpo através da
pele. Isso geralmente ocorre quando pisamos a areia da praia contaminada
com fezes de animais infestados. Como as larvas dessa espécie não estão
Bicho-geográfico sob a pele de
adaptadas a ter os humanos como hospedeiros, são incapazes de alcançar
um pé humano. a corrente sanguínea e ficam migrando sob a pele até morrerem desnutri-
Professor, aproveite esta parte para
reforçar aos alunos a necessidade
das. O movimento das larvas acaba resultando em um tipo de desenho na
do tratamento de esgoto antes de pele que lembra um mapa. Daí o nome popular bicho-geográfico. Evitar
ser despejado no ambiente. Dessa
forma é possível destruir os ovos andar descalço, principalmente na areia, dar vermífugo a cães e gatos e
de uma série de parasitas que se
espalham por meio das fezes das evitar levá-los à praia ou parques são formas de prevenção.
pessoas contaminadas.

Jeca Tatu  Diálogo 


Monteiro Lobato nasceu na cidade de Taubaté (SP) em 1842. Escritor famoso,
foi reconhecido principalmente pelas histórias do Sítio do Picapau Amarelo.

Claudio De Marco
Entre outros personagens, criou Jeca Tatu, um caipira de aparência de-
sanimada, que vivia em condições precárias de higiene e estava sempre des-
calço. Ele não tinha ânimo para trabalhar e vivia na miséria.
O destino de Jeca Tatu muda quando ele recebe a visita de um médico.
Este fica espantado com a pobreza em que viviam Jeca e sua família. Ao
examiná-lo, sintomas como a cor amarelada da pele, fraqueza, cansaço e do- Monteiro Lobato, nascido
na cidade de Taubaté (SP)
res corporais denunciaram que ele tinha ancilostomose, doença conhecida em 1882, é o criador do
personagem Jeca Tatu.
popularmente como amarelão.
O médico então orientou Jeca e sua família a tomar os remédios indica-
Editora Fontoura

dos para combater a doença e usar sempre calçados.


1. Monteiro Lobato utilizou o personagem Jeca Tatu para denunciar injustiças
sociais já no ano de 1918, mostrando a precariedade em que vivia o homem
do campo no Brasil. Você acha que ainda hoje, no Brasil, existem pessoas
vivendo em condições deficientes de saneamento básico e afetadas por
doenças como o amarelão?
Monteiro Lobato. Jeca Tatuzinho.
Edições Fontoura. 35. ed., 1973.

Há regiões de pobreza crônica ou mesmo bolsões de pobreza dentro de regiões ricas, como as favelas nas grandes cidades. Lembre os alunos
116 de que esses locais ainda são carentes de saneamento básico e, portanto, vulneráveis a doenças relacionadas com a falta dele.
Atividades
Sistematizar

1. Que diferença em relação aos platelmintos originou o nome nematelminto?


Os nematelmintos não têm o corpo achatado, são cilíndricos e alongados, daí o nome grego: nemato significa “filamento”.
2. Os nematelmintos apresentam variedade em relação ao tamanho do corpo? Explique.
Sim. A maioria é microscópica (mede até dois milímetros de comprimento). Os que parasitam animais são maiores. O maior nematelminto hoje conhecido
é um parasita do cachalote, com cerca de oito metros de comprimento.
3. Por que medidas como tratamento de água e esgoto, bem como higiene com o corpo e
com os alimentos antes de comer, são preventivas contra a ascaridíase?
Ao ingerir vegetais contaminados ou levar as mãos sujas de terra ou com água contaminada à boca, a pessoa pode ingerir também os ovos das lombrigas
eliminados nas fezes de pessoas com a doença.
4. A elefantíase, ou filariose, é uma parasitose comum na região amazônica. Por que a filariose
provoca inchaço em certas partes do corpo, o que leva a população a chamá-la de elefantíase?
Porque nessa doença a filária vive nos vasos sanguíneos e linfáticos e os obstrui, provocando problemas circulatórios e o inchaço nas partes do corpo atingidas,
os braços e principalmente as pernas, podendo atingir também a região escrotal e as mamas.
5. Qual é o nome (vulgar e científico) do verme que, ao infestar o ser humano, causa a oxiurose?
O oxiúro, cujo nome científico é Enterobius vermicularis.
6. Que espécies de vermes nematelmintos parasitas podem causar o amarelão?
As espécies Ancylostoma duodenale e Necator americanus.
7. Como essas espécies causadoras do amarelão se fixam no intestino humano?
Com suas bocas providas de estruturas cortantes (“dentes”), além de um esôfago musculoso, que funciona como uma ventosa.
8. Por que na ancilostomose a pele da pessoa parasitada fica amarelada (característica que
deu origem ao termo Amarelão, nome popular da doença)?
Quando o parasita se prende no intestino do hospedeiro, provoca pequenas hemorragias contínuas.
Devido a essa perda de sangue, ocorre anemia, causa do amarelamento da pele.

Refletir

1. Leia o texto a seguir e responda às questões.

Sergey Goryachev/Shutterstock
Ricardo III sofria de uma infecção de lombrigas. É o que
mostra a última análise dos restos mortais do rei feita por
pesquisadores da Universidade de Cambridge e publicada
na revista The Lancet. [...] Os pesquisadores encontraram
ovos de vermes intestinais a partir da pélvis do rei, local
próximo aos intestinos, mas nenhum foi achado no crânio e
poucos no solo. De acordo com os arqueólogos, isso indica
uma possível infecção intestinal e não uma contaminação
causada após o enterro. [..]
Para os arqueólogos, mesmo a vida nobre do rei não o
protegeu da doença. “Acreditamos que os nobres daquela
época comiam carnes bovina, suína e de peixe regularmen-
te, mas não havia nenhuma evidência de vermes nessas
carnes. Isso pode sugerir que a comida era cozida, o que Selo em homenagem ao rei Ricardo
impediria a transmissão desses parasitas [...] III da Inglaterra (1452-1485).

Disponível em: <www.em.com.br/app/noticia/tecnologia/2013/09/05/interna_tecnologia,445254/


rei-ricardo-iii-tinha-lombriga.shtml>. Acesso em: 15 jun. 2015.
a) O que levou os pesquisadores a sugerirem que os parasitas intestinais eram lombrigas e
não tênias? A indicação de que o rei comia carne cozida. As infecções causadas por lombrigas ocorrem quando há ingestão de ovos por
meio de alimentos contaminados.
b) Embora a notícia mostre de uma forma até irônica que as parasitoses não são exclusivi-
dade das classes populares, sua incidência predomina em locais mais pobres no Brasil
e no mundo. Por quê? Por terem relação com as condições de saneamento básico.

117
[ dentro ]
Fique por Indústria
Tanto os organismos que

Marcos Guilherme
habitam os recifes de
corais quanto os próprios
corais têm sido alvo da
indústria farmacêutica
no desenvolvimento
de novos remédios.

Os recifes de corais
Os recifes de corais são importantes ecossistemas, tanto em âmbito local
quanto global, abrigando uma variedade extraordinária de seres vivos.

Ameaça
Aproximadamente 75% dos recifes de corais encontram-
Paula Radi

-se ameaçados por fatores como o aquecimento das águas


dos oceanos (devido às mudanças climáticas), o aumento da
75%
concentração de CO2 na atmosfera, a pesca predatória e a
poluição dos oceanos.
Rich Carey/Shutterstock

Diversidade
Marcos Guilherme

Os recifes de corais estão entre os ecossistemas


com maior diversidade de espécies do planeta. Abri-
gam cerca de 25% das espécies marinhas, incluindo
65% dos peixes.

Economia
Marcos Guilherme

É das áreas de recifes de corais que partem


cerca de um quarto de todo o produto da indústria
pesqueira dos países em desenvolvimento.

118
Podem ser apontadas como ações humanas que estão colaborando
para o aumento do risco de extinção dos corais: a emissão de CO2 na
atmosfera, pois o gás presente no ar se dissolve nas águas do oceano,
aumentando sua concentração, o que leva à acidificação das águas,
afetando os corais; o consumo excessivo e a falta de gerenciamento

Variações de temperatura

Marcos Guilherme
Os corais são muito sensíveis a mudanças
de temperatura. A temperatura ideal para seu
desenvolvimento é cerca de 25 °C.
de resíduos, pois parte do lixo produzido vai parar no mar; a falta de controle
do esgoto e dos resíduos industriais que são despejados nos mares; e a pesca
excessiva, sem o respeito das épocas reprodutivas. Para minimizar esses
fatores, os seres humanos necessitam diminuir as emissões de carbono na
atmosfera e de lixo e resíduos em geral no meio ambiente, assim como fazer
Termômetro. valer as leis que regulamentam a pesca.

Distribuição dos recifes de corais no Brasil

© DAE/Mario Yoshida
Distribuição dos recifes
de corais pelo mundo
Localizam-se em regiões Atol das Rocas

próximas à Linha do Equa- MA CE


Fernando
de Noronha
dor, em águas com tempe- RN Maracaju

raturas amenas.
PI PB

PE Tamandaré
São José da Coroa Grande

Distribuição dos recifes 10°S TO AL Maragogi

de corais no Brasil SE

Os recifes de corais no OCEANO


Brasil ocorrem no Nordeste, BA
ATLÂNTICO
desde o Maranhão até o sul Itaparica

da Bahia.
N

Porto Seguro
O L
Recifes dos Itacolomis
MG Arquipélago dos Abrolhos
S

0 210 420 km
ES
Recifes de corais
50° O
Fonte: Atlas geográficos escolar. 6. ed. IBGE: Rio de Janeiro, 2012, p 58.
Fonte: Atlas geográfico escolar. 6. ed. IBGE: Rio de Janeiro, 2012, p 58.
Rich Carey/Shutterstock

1. Com base no infográfico e em seus conhecimen-


tos, responda: Que ações humanas estão colabo-
rando para o aumento dos riscos de extinção dos
recifes de corais? Que atitudes as pessoas devem
tomar para minimizar esses danos?

119
Panorama
Neste Tema você estudou que os animais invertebrados apresentam esque-
letos que podem ser externos (exoesqueletos) ou internos (endoesqueletos). Os
poríferos (espongiários ou esponjas) não apresentam sistemas nem órgãos. Os cni-
dários, embora diferentes dos poríferos, são também animais de estrutura corporal
simples. Os cnidários apresentam-se nas formas de pólipo e medusa. São exemplos
de representantes desse filo: águas-vivas e anêmonas-do-mar. Os platelmintos são
vermes de corpo achatado e alongado. Existem platelmintos de vida livre e também
parasitas. São representantes desse filo: planárias, esquistossomos e tênias.
Os nematelmintos reúnem vermes de corpo cilíndrico, não dividido em anéis.
Podem ter vida livre ou ser parasitas. Dentre os nematódeos, parasitas humanos
mais comuns, podemos citar o oxiúro, a lombriga, a filária e o ancilóstomo.

Faça as atividades a seguir para rever o que aprendeu.


3. a) Obelia sp é um animal pertencente ao filo Cnidária e à classe Hidrozoa. A colônia desses animais é formada por meio
de reprodução assexuada (geralmente brotamento) do pólipo. Uma colônia dá origem a outra colônia por metagênese. Na
metagênese, as medusas se formam através de reprodução assexuada, que ocorre nos pólipos. Por reprodução sexuada, as
medusas formam o zigoto e deste origina-se a larva, que dá origem a um novo pólipo.
1. Existem animais de diferentes tipos e formas. Contudo, todos apresentam ca­­rac­te­
rísticas em comum que os agrupam no mesmo reino de seres vivos. Quais são?
São sempre multicelulares, heterótrofos e eucariontes.
2. Os cnidários apresentam formas diferentes de I II
acordo com o modo de vida. Estas formas estão
esquematizadas, em corte, ao lado.

Luis Moura
a) Como são denominadas as formas I e II?
I é denominado de pólipo e II, de medusa.
b) Dê exemplos de um animal que apresente
predominantemente em seus ciclos de vida a forma de corpo I e de um animal que
apresente a forma II. I – Forma de pólipo: Hydra, corais e anêmonas. II – Forma de medusa é predominante na água-viva.
3. (Unicamp-SP) Alguns hidrozoários coloniais, como a Obelia sp, ocorrem na natureza sob
a forma de pólipos e medusas.
a) Como uma colônia destes hidrozoários se origina? E como esta colônia dá origem a
novas colônias?
b) Que estrutura comum aos pólipos e medusas é encontrada somente neste filo? Qual
sua função? A estrutura é o cnidócito, a célula urticante dos cnidários. Essas células realizam a defesa e a captura dos alimentos.
4. (PUC-SP) Na tira de quadrinhos, faz-se referência a um verme parasita. Sobre ele, foram
feitas cinco afirmações.
Garfield, Jim Davis © 2006 Paws, Inc. All
Rights Reserved / Dist. Universal Uclick

120
a) Trata-se de um nematelminto hermafrodita.
b) Apresenta simetria bilateral e corpo cilíndrico.
c) Várias espécies desse verme, que utilizam o ser humano como hospedeiro definitivo,
têm o porco como hospedeiro intermediário.

d) É o verme causador da esquistossomose no ser humano.
e) Ao ingerir ovos do parasita, o ser humano passa a ser seu hospedeiro intermediário,
podendo apresentar cisticercose.
Acerca desta questão, indique a(s) letra(s) correspondente(s) à(s) afirmativa(s) correta(s):
Alternativa e.
5. (Faap-SP) Em que doenças parasitárias:
a) o verme adulto vive, preferencialmente, no sistema linfático humano? Filariose (elefantíase).

b) a larva do parasita passa pelo meio aquático, após sair do caramujo? Esquistossomose.

Porque fezes de pessoas infestadas contêm


6. Por que a ancilostomose pode ser adquirida ao andar descalço? ovos do verme. Se lançadas diretamente no
ambiente, podem contaminar o solo e originar larvas. Quando uma pessoa descalça pisa no solo contaminado, as larvas penetram na pele, causando a infestação.
7. Por que um dos sintomas típicos da oxiurose é coceira na região anal?
Porque as fêmeas fecundadas põem seus ovos na região do ânus da pessoa parasitada, o que causa muita coceira e irritabilidade, principalmente à noite.
8. Por que mesmo nos países desenvolvidos e com boas condições de saneamento básico
é comum a infestação por oxiúros entre crianças pequenas? Porque crianças pequenas costumam levar as mãos ou
objetos, que podem estar contaminados, à boca, o que pode provocar a ingestão de ovos do verme. Ao atingir o intestino, esses ovos tornam-se vermes adultos.
9. (UFC-CE) As verminoses ainda acometem uma grande parcela da população, principal-
mente as de baixa renda. Doenças como ascaridíase e amarelão (ancilostomose) ainda
são bastante comuns, principalmente em crianças.

a) Qual a característica comum a essas doenças em relação ao seu modo de contágio?
b) Outras doenças bastante comuns são a teníase e a cisticercose, causadas por vermes do
gênero Taenia. Qual a diferença entre essas duas doenças no que se refere ao contágio
e ao local de alojamento do parasita? Na teníase o contagio se ocorre pela ingestão de carne (boi/porco) mal cozida e
contaminada por cisticercos, o parasita se aloja no intestino delgado. Na cisticercose
cerebral a contaminação ocorre pela ingestão de alimentos contaminados por ovos de Taenia solium, em geral, a larva cisticerco se desenvolve no cérebro.
9. a) Tanto na ascaridíase como na ancilostomose, o problema inicial está na contaminação ambiental por fezes contaminadas com ovos do parasita.
Na ascaridíase, o ser humano será contaminado pela ingestão de água ou alimento contaminado por ovos (contágio: oral-fecal). Na ancilostomose,
os ovos eclodem e liberam larvas, que vivem no solo e podem perfurar a pele dos pés de pessoas que andam descalças em solo contaminado.

ACESSE
• Porífera Brasil. Disponível em: <www.poriferabrasil.mn.ufrj.br/index.htm>. Acesso em: 9 abr. 2015.
dicas
O site, cujo conteúdo trata dos poríferos, traz informações úteis para pesquisadores, professores e o público em geral.
• Coleta de planárias. Disponível em: <www.pontociencia.org.br/experimentos-interna.php?experimento=214>. Acesso em:
9 abr. 2015.
A página descreve passo a passo como fazer a coleta de planárias do ambiente. Atenção, faça somente sob orientação do
professor!

LEIA
• O ônibus mágico – No fundo do mar, de Joanna Cole e Bruce Degen. Tradução: Cristiana Monteiro Teixeira. Editora Rocco, 2009.
Informações científicas básicas, de fácil acesso para o público jovem, num passeio bem-humorado pelas profundezas do
mar, passando por recifes de corais.

VISITE
• Coleção de poríferos do Museu de Zoologia da Universidade Federal da Bahia. Campus Universitário, Ondina, CEP 40170-115.
Salvador, BA.

121
Tema
Animais
4
invertebrados II
NESTE TEMA
VOCÊ vai ESTUDAR:

• anelídeos: os vermes
segmentados;
• animais de corpo mole:
os moluscos;
• artrópodes: crustáceos,
aracnídeos, quilópodes,
diplópodes e insetos;
• os equinodermos.

Alexis Rosenfeld/SPL/Latinstock
Caranguejos-ermitões
usando concha de
caracol abandonada.
Praia das Ilhas Gloriosas
no Oceano Índico.

algum animal por lá?


1. Você já foi à praia? Se foi, viu
2. Os animais da fotografia são
invertebrados ou vertebrados?
Justifique.
s na fotografia (areia, mar),
3. Entre os ambientes retratado
mais invertebrados?
em quais é possível encontrar ani

1. Resposta pessoal.
2. São animais invertebrados. Animais invertebrados não têm esqueleto ósseo, apesar de alguns
terem um esqueleto externo – como os caranguejos e os moluscos que têm concha.
3. Em todos esses ambientes é possível encontrar animais invertebrados.
Para o encaminhamento das questões, consulte o tópico Abertura do Tema do Manual do Professor.
Capítulo
Anelídeos
1 Neste capítulo você vai conhecer
os vermes anelídeos, estudando
os representantes deste filo, as ca-
racterísticas principais deles, ond
e como vivem.
e

Explorando
Os anelídeos

Tobias nasceu em uma cidade grande, no meio de prédios e asfalto. Nas férias esco-
lares, seus pais o levaram para o sítio de seus tios, no interior. Ele brincou muito com sua
prima, Dora, que vive lá desde que nasceu.

Em um dia de Sol eles decidiram plantar

Ilustrações: DKO Estúdio


flores no jardim do sítio. Tobias quase gritou de
susto quando Dora cavou a primeira pá de ter-
ra: havia um bicho se mexendo!
Dora acalmou Tobias e disse que aqueles
bichinhos são comuns nas terras do sítio e não
faziam mal nenhum. Tobias logo se acostumou
com a presença daqueles bichinhos, mas ficou
se perguntando se as flores iriam sobreviver
com aqueles vermes na terra.
  Agora é a sua vez.
1. Você sabe que bicho Tobias e Dora acha-
ram na terra? Você já viu esse bicho em
algum lugar? Onde? Provavelmente Tobias e Dora viram
uma minhoca. Resposta pessoal.

2. Os vermes que Tobias e Dora acharam na terra ajudarão ou atrapalharão o crescimen-


to das flores? Por quê? Aplantas,
presença de vermes, como minhocas, no solo, ajuda o crescimento e o desenvolvimento das
uma vez que esses animais arejam e enriquecem o solo com nutrientes.
Professor, veja orientações para trabalhar esta seção no Manual do Professor.

124
Anelídeos: os vermes segmentados
O filo dos anelídeos inclui vermes com o corpo segmentado, dividi-
do em anéis, o que deu origem ao nome do grupo. Os exemplos mais
conhecidos de anelídeos são a minhoca e a sanguessuga.
Entre os anelídeos encontramos espécies que medem desde milí-
metros de comprimento, como algumas sanguessugas, até animais de
grande porte, como o minhocuçu, que pode chegar a 2 metros.
Na natureza, encontramos anelídeos no ambiente terrestre (solo úmi-
do) e aquático, de água doce ou salgada.

Photo Researchers / Biophoto


Associates/Diomedia

H Lansdown/Alamy/Latinstock
10 cm 5 cm

Anelídeo marinho Nereis virens. Sanguessuga da espécie Haemadipsa picta.

O tubo digestório dos anelídeos é completo, isto é, com boca e ânus


como orifícios diferentes (característica já verificada nos nematelmintos). Na
porção inicial, ou região anterior, do corpo das minhocas, pode haver ainda
o papo, estrutura que armazena alimentos, e a moela, que os tritura.
Os anelídeos têm sistema circulatório fechado, o sangue circula so-
mente dentro de vasos. No sangue há o pigmento vermelho hemoglo-

Glossário
Gânglio: aglomerado de
bina, assim como no sangue dos seres humanos. O sistema nervoso é células nervosas situado
fora do sistema nervoso
formado por dois pequenos gânglios nervosos em cada segmento do central.
corpo, que se conectam a um cordão nervoso localizado na região ven- Região ventral: porção
tral. Na porção anterior do corpo, há um par de gânglios maiores. A pele anterior ou inferior de um
corpo, oposta ao dorso.
desses animais tem células sensoriais que captam estímulos do ambiente.
Vagner Coelho

Luis Moura
intestino moela papo
faringe nervos
gânglios cerebrais

boca

esôfago
ânus

cordão nervoso gânglios

Representação artística mostrando em transparência Representação artística ilustrando as partes que compõem o
as estruturas do sistema nervoso da minhoca. sistema digestório da minhoca. A região anterior do corpo está
em transparência, para mostrar a anatomia interna do animal

Na figura foram utilizadas cores-fantasia. Os elementos não estão representados proporcionalmente


entre si, e os tamanhos não correspondem à realidade.

Fonte: Cleveland P. Hickman. Integrated principles of Zoology. Nova York: McGraw-Hill, 2001. p. 364.

125
O corpo desses vermes é revestido de uma pele fina e úmida, graças
Vagner Coelho

capilares
nefrídios sanguíneos
à presença de glândulas que produzem muco. Na pele, há uma fina ca-
mada de quitina. As trocas gasosas com o ambiente ocorrem pela pele,
isto é, o gás carbônico é liberado e o gás oxigênio captado diretamente
no sangue. Essa é a chamada respiração cutânea (“cútis” significa pele).
O corpo dos anelídeos é segmentado em anéis, com músculos que
possibilitam a contração independente de cada um deles, o que dá maior
mobilidade e flexibilidade ao animal. Em cada segmento do corpo há um
par de nefrídios, órgãos excretores que encaminham os resíduos para
poros fora do corpo através de poros.

Representação artística
mostrando anéis em corte,
A reprodução dos anelídeos
destacando as estruturas
excretoras de uma minhoca. A reprodução da maioria dos anelídeos é sexuada, sendo raros os ca-
Fonte: Cleveland P. sos de reprodução assexuada. A maioria dos anelídeos é hermafrodita,
Hickman. Integrated apesar de haver espécies marinhas com sexos separados.
principles of Zoology. Nova Os anelídeos hermafroditas não fecundam a si mesmos. Eles fazem
York: McGraw-Hill, 2001.
p. 366.
fecundação interna cruzada, na qual dois indivíduos cruzam e fecundam-
-se mutuamente. Do ponto de vista evolutivo, é uma característica vanta-
josa, pois possibilita maior variabilidade genética na espécie.
Nas minhocas, é bem visível uma porção que se diferencia do resto
Fabio Colombini

10 cm
do corpo e tem cor, espessura e posição diferentes em cada espécie. Essa
estrutura chama-se clitelo e relaciona-se à reprodução desses animais.
Durante o cruzamento de algumas espécies de minhocas, os clitelos
de ambos os indivíduos produzem muco, facilitando a ligação dos corpos
clitelo
e a transferência de esperma de um para o outro. Depois do acasalamen-
O aparecimento do clitelo to, um casulo é secretado e, após receber os ovos, é liberado no ambien-
nas minhocas é um sinal
de maturidade sexual. te. Observe o esquema a seguir.
Na eclosão dos ovos são liberados indivíduos já com características
semelhantes às de um adulto. Esse tipo de processo sem a passagem
Glossário

Eclosão: momento do
nascimento do ser vivo pelo estágio de larva é chamado de desenvolvimento direto.
quando sai do ovo. Já entre os anelídeos marinhos cujos sexos são separados, ocorre
Hermafrodita: animal
que tem ambos os sexos,
fecundação externa (fora do corpo da fêmea, na água). Formam-se larvas
masculino e feminino. a partir dos ovos, caracterizando o desenvolvimento indireto.
Representação artística mostrando Vagner Coelho
a reprodução sexuada das minhocas, 1
desde a cópula até o nascimento
de uma nova minhoca.
1. As duas minhocas recebem
e lançam espermatozoides no
acasalamento e depois se separam.
2. A fecundação dos óvulos no casulo
ocorre quando este se desloca ao longo
dos receptáculos seminais, onde está o
esperma recebido da outra minhoca.
3. O casulo com os ovos resultantes 4
da fecundação se solta do corpo de
cada minhoca e vai para o solo. 2
4. Filhotes se desenvolvem
a partir dos ovos.

Fonte: Cleveland P. Hickman. 3 Elementos ilustrados


sem escala; as cores
Integrated principles of Zoology. Nova não são as reais.
York: McGraw-Hill, 2001. p. 368.

126
Atividades
5. O sistema nervoso é formado por dois pequenos gânglios nervosos
6. Porque os anelídeos realizam respiração cutânea, ou
seja, o oxigênio e o gás carbônico chegam e saem do
em cada segmento, que se conectam a um cordão nervoso ventral na sangue através da pele úmida. Os gases respiratórios só
região anterior do corpo, onde há um par de gânglios maiores. conseguem atravessar superfícies úmidas.

Sistematizar

1. Que tipos de vermes fazem parte do filo dos anelídeos? Dê dois exemplos de representantes.
Vermes com o corpo segmentado, dividido em anéis. Exemplos: minhoca e sanguessuga.
2. Existe variedade de tamanho entre os anelídeos? Explique.
Sim. Há espécies que medem milímetros de comprimento e as de grande porte – como o minhocuçu, que pode medir até 2 metros.
3. Onde podemos encontrar anelídeos na natureza?
Nos ambientes terrestre (solo úmido) e aquático, de água doce ou salgada.
4. Por que entre os vermes os anelídeos são considerados os mais complexos?
Porque além do tubo digestório completo, com boca e ânus (já existentes nos nematelmintos), o sistema circulatório é do tipo fechado,
5. Existe sistema nervoso nos anelídeos? De que tipo? no qual o sangue só circula dentro de vasos.

6. Por que a umidade do solo é importante para a sobrevivência dos anelídeos terrestres?

7. Que vantagem representa a existência de músculos em cada segmento do corpo dos


anelídeos?
Permite que cada segmento possa se contrair independentemente dos outros anéis, o que dá maior mobilidade e flexibilidade ao animal.
8. Como os anelídeos liberam os resíduos (excretas) para fora do corpo?
Em cada segmento (anel) do corpo há estruturas excretoras, chamadas nefrídios, com poros por onde saem os resíduos.
9. A maioria dos anelídeos é hermafrodita. Isso significa que nesse filo os indivíduos se autofe-
cundam, dispensando a existência de outro indivíduo para a reprodução? Explique.
9. Não. Os anelídeos hermafroditas não fecundam a si mesmos. Eles fazem
10. Explique o papel do clitelo nas minhocas. fecundação interna cruzada e recíproca, na qual dois indivíduos cruzam e fecundam-
-se mutuamente. Do ponto de vista evolutivo, isso é vantajoso, pois possibilita maior
variabilidade genética na espécie.
11. (Fuvest) Um animal com tubo digestório completo, sistema circulatório fechado, sangue
com hemoglobina e hermafrodita pode ser: 10. Essa estrutura relaciona-se à reprodução desses animais. O
Alternativa a. aparecimento do clitelo é sinal de maturidade sexual das minhocas.
a) uma minhoca; Durante o cruzamento de algumas espécies de minhocas, por exemplo,
são os clitelos de ambos os indivíduos que produzem o muco, que facilita
a ligação dos corpos e a transferência de esperma de um para o outro.
b) uma planária; Depois do acasalamento, é também do clitelo que se origina o casulo
cheio de ovos que é liberado no ambiente. Desses ovos saem vermes
c) uma barata; jovens semelhantes aos adultos.

d) um caramujo;
e) uma lombriga.

Refletir

1. Compare as imagens a seguir.


a) b)
Marcel Jancovic/Shutterstock
yevgeniy11/Shutterstock

Identifique qual animal de aspecto vermiforme é um anelídeo e qual é um nematódeo.


Como você chegou a essa conclusão? Justifique sua resposta.
O animal da imagem A é um anelídeo e o da B é um nematódeo. O animal da imagem A apresenta
segmentação do corpo, típica dos anelídeos e ausente nos nematódeos.

127
Capítulo
Classificação
2 No capítulo anterior, você estudou
os anelídeos: suas característic
gerais, onde e como vivem.
Neste capítulo vai conhecer os
diferentes representantes do filo
dos anelídeos e a classificação
desses animais.
as

dos anelídeos
Explorando
Os anelídeos no ambiente

Os gêmeos Danilo e Estevão brincavam no parque quando a irmã mais velha deles,
Lilian, trouxe uma minhoca para mostrar aos meninos.
– Olhem! O corpo dela é todo dividido em anéis! – disse Danilo.
– E olha como ela anda engraçado! – completou Estevão.

Quando foram para casa, os dois contaram aos


pais o que viram naquele dia. Lilian disse aos irmãos
que conhecia outros vermes, parecidos com a minho-
ca, mas moravam no rio que ficava atrás do parque.
– Mas cuidado se forem lá amanhã! Esses vermes
grudam na nossa pele! – alertou ela.
  Agora é a sua vez.
Ilustrações: Danillo Souza

1. Qual é o animal a que Lilian se referiu?


Você já viu um animal desses? Onde?
Lilian se referiu à sanguessuga. Respostas pessoais.
2. O animal em questão é realmente pa-
recido com a minhoca?
Sim. Minhocas e sanguessugas são ambos animais
invertebrados pertencentes ao filo dos anelídeos.

Professor, veja orientações para trabalhar esta seção no Manual do Professor.

128
Como classificamos os anelídeos?
Uma maneira comum de classificar os anelídeos é usar como critérios
as suas cerdas, expansões que se assemelham visualmente a pelos, po-
rém feitas de quitina (os pelos dos mamíferos são feitos de queratina). As
cerdas auxiliam na locomoção ou fixação do animal. De acordo com as
cerdas, há três classes de anelídeos: oligoquetos, poliquetos e aquetos.

Oligoquetos
O nome desta classe vem do grego – oligos

Andrew Syred/SPL/Latinstock
significa “pouco” e chaeta, “espinho” ou “cerda”.
Como o nome indica, os representantes deste gru-
po apresentam poucas cerdas. O representante
mais conhecido desta classe é a minhoca, que tem
cerdas, embora seja difícil visualizá-las a olho nu.
As minhocas são muito importantes para o solo.
Elas engolem porções de terra, nas quais encontram
restos de animais e vegetais, matéria orgânica em
decomposição, e aproveitam os nutrientes encon-
trados. Ao fazer isso elas cavam o solo, aumentando
Fotografia obtida por microscopia eletrônica de varredura
a aeração e a circulação da água. Além disso, suas que mostra a minhoca, Lumbricus terrestris. Nesta imagem é
fezes contêm substâncias nutritivas que funcionam possível visualizar a pequena quantidade de cerdas no corpo
desse anelídeo. Ampliação de aproximadamente 13 vezes.
como adubo, fertilizando o solo. As minhocas tam-
bém são amplamente utilizadas como iscas naturais

Fabio Colombini
para peixes de água doce. Em razão disso, muitas
pessoas criam minhocas para não precisarem reti-
rá-las de seu hábitat natural.
Além da minhoca comum, dentro da classe dos
oligoquetos também encontra-se o minhocuçu, uma
minhoca grande que pode chegar a 2 metros de
comprimento.
Mike Truchon/Shutterstock

15 cm

60 cm

Minhocas também servem de alimento a vários animais, como vemos O minhocuçu também é usado como isca,
na fotografia; elas participam de diferentes cadeias alimentares. principalmente para peixes grandes, como o pacu.

129
Aqui tem mais

Eugenio Moraes/Hoje em Dia/Futura Press


Minhocultura
[...]
A minhocultura ou vermicompostagem é o proces-
so de reciclagem de resíduos orgânicos por meio de
criação de minhocas em minhocários. Representa
uma alternativa para resolver economicamente e
ambientalmente os problemas dos dejetos orgâni-
cos, como o lixo domiciliar.
A criação de minhocas pode ser utilizada
O produto final da vermicompostagem constitui um na produção de fertilizantes orgânicos.
excelente fertilizante orgânico (húmus), capaz de
melhorar atributos químicos (oferta, melhor retenção e ciclagem de nutrientes), físicos
(melhoria na estruturação e formação de agregados) e biológicos do solo (aumento da di-
versidade de organismos benéficos ao solo). [...]
Embrapa Agrobiologia. Minhocultura ou vermicompostagem. Disponível em:
<www.embrapa.br/documents/1355054/1527012/4b+-+folder+Minhocultura+ou+vermicompostagem.
pdf/323fbedc-7b3c-4d89-bccd-70b490b8e88b>.
Acesso em: mar. 2015.

1. Reflita e responda: Qual é a vantagem de utilizar húmus em vez de fertilizantes industriais?


A produção de húmus pelas minhocas é uma alternativa ecológica para a disposição do lixo domiciliar orgânico, o que representa uma
vantagem de seu uso. Os fertilizantes industriais poluem as águas e podem ser tóxicos aos seres humanos.

Poliquetos
De forma semelhante ao termo oligoquetos, a palavra poliquetos
também tem origem grega, polys significa “numeroso” ou “muito”. Es-
Posso ses anelídeos são assim chamados porque apresentam muitas cerdas em
perguntar?
cada segmento de seu corpo. As cerdas estão implantadas aos pares, nas
Todos os projeções laterais de cada anel. Essas projeções chamam-se parapódios
poliquetos vivem e atuam como remos na movimentação dos animais na água.
em ambientes Os nereis e as sérpulas são exemplos de poliquetos.
aquáticos?
Existem aproximadamente
10 mil espécies conhecidas de
poliquetos, e mais de 90% delas
são marinhas. No entanto, alguns
poliquetos vivem em água doce, A proporção entre as dimensões dos
Vagner Coelho

elementos representados bem como


raríssimas espécies vivem no
as cores usadas não são as reais.
ambiente terrestre. As espécies
terrestres dependem de umidade
para sobreviver.
parapódios

Representação artística do poliqueto Nereis


virens, com destaque para os parapódios.

Fonte: Cleveland P. Hickman. Integrated principles of Zoology. Nova York: McGraw-Hill, 2001. p. 360.

130
Há espécies de poliquetos

Borut Furlan/WaterFrame/Getty Images


tubícolas que vivem enterradas
na areia das praias ou em tubos
que eles próprios constroem
com grãos de areia, pedaços
de conchas ou outro tipo de
material, unidos por um muco
que produzem.
Os poliquetos podem ali-
mentar-se de partículas em
suspensão na água e restos de
seres vivos, incluindo outros
poliquetos.
Muitos poliquetos habitam
os costões rochosos das praias,
em uma região chamada meso-
litoral ou “entremarés”, porque
quando a maré está baixa as ro- 1 cm
chas ficam expostas, e quando
a maré sobe, as rochas ficam
submersas. Poliqueto tubícula do gênero Branchioma.

Aqui tem mais


O declínio das espécies marinhas
Nas últimas décadas, houve um declínio considerável

Luis Carlos Torres/Dreamstime.com


na quantidade de espécies marinhas, comparável ou até
maior do que na quantidade de espécies terrestres. Isso
ocorreu principalmente pela destruição do hábitat, ocasio-
nada por exploração direta – por exemplo, a pesca – ou por
alterações nas condições ambientais, principalmente pela
poluição.
Entre muitas espécies ameaçadas de extinção, está a
Eunice sebastiani.
A eunice é um poliqueto que pode chegar a 2 metros de
comprimento. No Brasil, era encontrada principalmente na
costa sudeste do país. No entanto, ao longo dos anos, esse
animal foi intensamente capturado para ser comercializado
como isca para a pesca amadora. Além disso, a ocupação São Vicente, município do litoral de
São Paulo. Assim como nesta praia,
da costa sudeste também contribuiu para seu desapareci- tantas outras do Sudeste tiveram seus
mento em alguns lugares. Desde 2004, o Ministério do Meio ecossistemas alterados pela ocupação
humana, o que levou ao desaparecimento
Ambiente considera a espécie “ameaçada”. da E. Sebastiani em algumas regiões.

1. O que pode ser feito para a conservação da eunice e de outras espécies


marinhas ameaçadas de extinção?
Aumentar a fiscalização sobre a exploração do ambiente marinho (caça e pesca), evitar a poluição das águas e diminuir sua
incidência atual, conscientizar a sociedade sobre a importância ecológica da fauna de invertebrados marinhos.

131
Aquetos
Os aquetos, ou hirudíneos, são anelídeos que não têm cerdas (o “a”
do nome aqueto significa “sem”). Podem alimentar-se de vermes, cara-
Glossário

Analgésico: característica
do que suprime ou diminui mujos, larvas de insetos ou de resíduos de matéria orgânica. Há ainda
a dor. espécies hematófagas, parasitas que se alimentam do sangue de outros
Hematófago: animal que se
alimenta de sangue.
animais, sugando-o com ventosas, estruturas que atuam também na fi-
xação e na locomoção.
O principal representante dessa classe é a sanguessuga, animal her-
mafrodita que pode ser encontrado em solo úmido e pantanoso ou em
ambientes aquáticos de água doce e salgada.
Pascal Goetgheluck/SPL/Latinstock
As sanguessugas produzem uma substância chama-
5 cm da hirudina, que impede a coagulação do sangue. Além
disso, em sua saliva há uma substância com características
analgésicas. O uso médico desse anelídeo é conhecido há
mais de 2 500 anos. Elas eram muito utilizadas no século XIX
para provocar sangrias em pessoas com pressão alta. Ain-
da hoje, em alguns países, sanguessugas são utilizadas em
microcirurgias, como no reimplante de órgãos, em que são
ligados vasos milimétricos. A ação das sanguessugas fun-
ciona como dreno, restabelecendo a circulação sanguínea
das regiões em questão.
Sanguessuga da espécie
Hirudo medicinalis na pele de
um ser humano. Em cerca de
20 minutos, uma sanguessuga
absorve sangue correspondente
a nove vezes o seu peso. Ciência e Sociedade

Terapia com sanguessugas


A sanguessuga é um anelídeo com ventosas nas duas extremidades
do corpo, com as quais se prende ao hospedeiro e suga-lhe o sangue.
Por mais de 4 mil anos, a espécie Hirudo medicinalis foi usada como
terapia contra doenças de circulação, infecções, depressão e até mesmo
pra “afastar maus-espíritos”.
Por volta do ano 1850, as terapias com sanguessugas foram sen-
do abandonadas, pois não havia provas de que as sangrias praticadas
por meio delas tivesse eficácia contra doenças. Cem anos depois, o
uso medicinal da sanguessuga foi retomado em vários países para
o tratamento de pacientes com possibilidade de gangrena, já que a
hirudina, substância anticoagulante que o animal produz e injeta no
hospedeiro, ajuda a restabelecer a circulação sanguínea entre os te-
cidos reconstituídos. Foi reconhecido então que, ao sugar o sangue,
a sanguessuga incentiva a formação de novos vasos sanguíneos.
1. Localize no texto o trecho que afirma que a medicina voltou a utilizar
a sanguessuga para tratamentos.
“Cem anos depois, o uso medicinal da sanguessuga foi retomado em vários países para o tratamento de pacientes...”
2. Na sua opinião, saberes de povos antigos, como o mencionado no
texto, devem ser considerado válidos ou trata-se somente de crendices?
Argumente para defender seu ponto de vista.
Resposta pessoal. Professor, enfatize que o caso da sanguessuga tratado no texto mostra que os saberes de época,
além de serem válidos no contexto em que foram gerados e praticados, podem ser também válidos para os tempos
132 atuais. Se possível, dê outros exemplos, como saberes tradicionais servindo de base para práticas atuais, como a
matemática, astronomia e arquitetura desenvolvidas pelos povos hindu e árabes há quase dois mil anos.
Atividades
Sistematizar

1. Que critério é mais usado para classificar os diferentes tipos de anelídeos?


A existência/ausência e a quantidade de cerdas no corpo.

2. O que são cerdas nos anelídeos? Qual é a sua importância?


Expansões semelhantes visualmente a pelos, porém feitas de quitina. As cerdas auxiliam na locomoção ou fixação do animal.

3. Como classificamos os anelídeos em relação às cerdas?


Oligoquetos, poliquetos e aquetos ou hirudíneos. Resposta: A: 2, 5
4. Relacione corretamente cada classe de anelídeo às características

B: 4, 6, 7, 10
C: 1, 3, 8, 9, 11

A. Oligoquetos B. Poliquetos C. Aquetos ou hirudíneos


1. Não possuem cerdas. 7. Presença de parapódios.
2. Minhoca e minhocuçu. 8. Apresentam ventosas.
3. Produzem substância anticoagulante. 9. Sanguessugas.
4. Há espécies tubículas. 10. Nereis e sérpulas.
5. Apresentam poucas cerdas por anel. 11. Podem ser hematófagos.
6. Apresentam muitas cerdas em cada segmento.

5. (Fuvest-SP) “O Departamento de Agricultura da Irlanda do Norte prevê uma queda de um


terço em sua produção agrícola devido a uma praga que está atacando e reduzindo a popu-
lação de minhocas na região.”
(New Scientist, 15/9/1989)
a) Qual é a importância das minhocas para a agricultura?5. a) As minhocas cavam túneis, tornando o solo mais
arejado e permeável; além disso, alimentam-se de
folhas caídas, ajudando na decomposição e fertilização
b) A que filo e classe pertencem as minhocas? do solo com suas fezes, formando o húmus, que retém
Pertencem ao filo dos anelídeos e à classe dos oligoquetos.
a umidade.

Refletir

1. (Unicamp-SP) O jornal O Estado de S. Paulo, de

John A. Anderson/Shutterstock
2 de agosto de 1997, noticiou a descoberta de
“colônias de vermes desconhecidos escondi-
dos em metano congelado emergindo do fun-
do do mar. (...) As criaturas parecem pertencer
a uma espécie nova na família dos organismos
conhecidos como poliquetos (...). Elas parecem
cegas, mas têm bocas, aparelho digestivo e um
sistema de circulação complexo”.
10 cm
a) A que filo pertencem os poliquetos?
Pertencem ao filo dos anelídeos.
b) Cite duas características que, em conjunto, Anelídeo marinho da família Amphinomidae.
permitiriam classificar esses novos organis-
mos como poliquetos. Dica: observe a imagem ao lado.
Corpo segmentado, grande quantidade de cerdas e presença de parapódios.
c) Quais são as outras duas classes desse filo?
As outras duas classes são: oligoquetos e aquetos ou hirudíneos.
d) Dê uma característica de cada uma dessas classes que as diferencie dos poliquetos.
Classe dos oligoquetos, das minhocas: possui poucas cerdas por segmento do corpo e ausência de parapódios. A classe dos hirudíneos ou aquetos,
à qual pertencem as sanguessugas, organismos desprovidos de cerdas, possui duas ventosas no corpo, uma oral e outra posterior; também não
forma parapódios.

133
Capítulo
Moluscos
3 No capítulo anterior, você viu
class ifica ção dos anel ídeo s e
principais características de seus
representantes.
Neste capítulo, vai conhecer o filo
dos moluscos.
a
as

Explorando
Os moluscos
Ilustrações: DKO Estúdio

Luiz sempre gostou de brincar com os ani-


mais que apareciam no quintal de casa. Desde
pequeno, procurava lesmas e caracóis nas plan-
tas ou próximo ao muro. Em vez de achá-los no-
jentos, ele considerava esses animais fascinantes!
Beth, mãe de Luiz, um dia o chamou para
ajudá-la a preparar o almoço. Ela ia fazer lulas fri-
tas e pediu a ajuda do filho para limpá-las. Quan-
do Luiz viu as lulas inteiras em cima da pia, ficou
intrigado:
– Que bichos estranhos! – disse Luiz.
– Ora, eles não são estranhos. São pareci-
dos com os bichos que você sempre observa no
quintal! – respondeu Beth.

Inconformado, Luiz disse:


– Não pode ser! As lesmas que vejo
no jardim não têm esses “fiapos” aqui.
– Elas podem não ser tão parecidas,
mas são mais próximas entre si do que
com outros animais.
– E o caracol, que tem uma concha
nas costas?
– Observe que as lulas, assim como
as lesmas e os caracóis, possuem um
corpo mole. Qual animal também per-
tence a esse grupo?
Luiz fica pensativo, e logo sua mãe
responde:
– Os polvos.
  Agora é a sua vez.
1. Você já viu um caracol ou uma lesma
de perto? Em que lugar? Resposta pessoal.
Sim. Todos têm o corpo mole, mas apenas o
2. Em sua opinião, há semelhanças entre esses animais? caracol tem uma concha externa.
Professor, veja orientações para trabalhar esta seção no Manual do Professor.

134
Os moluscos
Os moluscos (do latim mollis,

Edson Grandisoli/Pulsar Imagens


“mole”) representam um filo de
invertebrados de corpo mole en-
contrados nos ambientes marinho,
de água doce e terrestre, cujos re-
presentantes mais conhecidos são
caramujos, ostras, polvos e lulas.
Contudo, há mais 50 mil espécies
vivas e 35 mil fósseis!
O corpo dos moluscos não é
segmentado e pode ter uma con-
cha calcária para protegê-lo. As
lesmas e os polvos, por exemplo,
5 cm
não têm concha; já nas lulas, a
concha é pequena e interna.
Os moluscos apresentam ca-
beça com órgãos sensoriais, um
pé muscular na porção ventral do
corpo e uma massa visceral co-
Caracol-de-jardim.
berta por uma espécie de pele,
chamada manto. O pé é uma estrutura muscular com o qual podem se
deslocar, cavar, nadar ou capturar presas. A massa visceral contém os ór-
gãos dos sistemas digestório, respiratório, excretor, circulatório, nervoso
e reprodutor.

manto
intestino

Vagner Coelho
concha
A proporção entre as dimensões dos
elementos representados bem como
as cores usadas não são as reais.

tentáculos

estômago

olhos
coração

gânglio
cerebral

ânus poro Representação que



excretor mostra estruturas
boca internas do caracol,
um molusco.

Fonte: Cleveland P. Hickman. Integrated principles of Zoology. Nova York: McGraw-Hill, 2001. p. 337.

135
O sistema digestório dos moluscos
é completo (com boca e ânus), e algu-
mas espécies possuem rádula, um tipo
Vagner Coelho

de língua raspadora. A excreção se faz

David Spears FRPS FRMS/Corbis/Latinstock


por estruturas semelhantes a rins, e os
resíduos são liberados pelo poro excre-
tor. O sistema nervoso é centralizado e
do tipo ganglionar. O sistema circulató-
rio é, na maioria dos moluscos, aberto
(o sangue circula fora de vasos), mas em
Representação que mostra a
posição e o funcionamento polvos e lulas é fechado.
da rádula. Em destaque,
um detalhe da rádula. O manto dos moluscos é responsável pela produção da concha. A con-
cha não é uma parte viva do molusco e pode variar de forma, tamanho e
Na figura foram utilizadas cores-fantasia.
Os elementos não estão representados número de peças.
proporcionalmente entre si, e os
tamanhos não correspondem à realidade. Entre a massa visceral e o manto há uma cavidade chamada cavida-
de do manto. Nos moluscos aquáticos, essa cavidade é ocupada por
água, o que possibilita a troca de gases nas brânquias. Nos moluscos
terrestres, a cavidade do manto é rica em vasos sanguíneos e atua como
Andreas Altenburger/Shutterstock

4 cm órgão de trocas gasosas com o ar, semelhante ao que ocorre nos animais
com pulmões. Nos moluscos que fazem respiração cutânea, há glândulas
que mantêm a pele úmida. Na cabeça, há a boca e estruturas sensoriais,
como os olhos.
A reprodução dos moluscos é sexuada. Podem ser hermafroditas ou
ter sexos separados. A fecundação pode ser externa, com liberação dos
gametas na água, ou interna.
O desenvolvimento pode ser indireto, com formação de larvas, ou
direto, quando saem dos ovos formas juvenis semelhantes aos adultos.
Caracóis da espécie Helix
pomatia acasalando.
Classificação dos moluscos
Um dos critérios utilizados na classificação dos moluscos é a presença
ou ausência de concha e seu tipo. Sob esse critério, estudaremos três clas-
ses: os gastrópodes, os lamelibrânquios (ou bivalves) e os cefalópodes.

Gastrópodes
Fabio Colombini

O nome da classe refere-se a seu pé


15 cm
dorsal e musculoso, situado abaixo do es-
tômago (do grego gastros, estômago, e
podos, pé). A concha é única, em espiral.
Esses moluscos podem ser marinhos, de
água doce ou terrestres, de solo úmido.
Exemplos de gastrópodes são o caracol, o
caramujo e a lesma, que é uma das exce-
ções da classe por não apresentar concha
ou tê-la muito reduzida. Na cabeça dos
gastrópodes há dois pares de tentáculos,
com olhos nas extremidades do par mais
longo, e a rádula, utilizada na alimentação.
Lesma do mar.

136
Lamelibrânquios ou bivalves
São chamados de bivalves porque sua concha é formada por duas pe-

Stephen Frink/Corbis/Latinstock
1,2 m
ças (bi significa “duas”; valve, “peça”) que protegem totalmente a massa
visceral. A abertura e o fechamento da concha dependem de músculos.
Os bivalves não têm rádula. São animais filtradores, isto é, alimen-
tam-se de partículas suspensas na água. Por isso, todos os bivalves vivem
em ambiente aquático, a maioria marinho.
A respiração é branquial, as trocas gasosas ocorrem graças à corrente
de água que se forma com os movimentos da concha. São exemplos de
lamelibrânquios as ostras, os mariscos e os mexilhões.

Julien Boisard/Biosphoto/Diomedia

Fabio Colombini
7 cm

2 cm

Amostra da diversidade encontrada na classe dos bivalves. Da esquerda para a direita: vôngole, mexilhão e bivalve gigante do gênero Tridacna.

Os bivalves fixos têm uma estrutura chamada bisso, que é um feixe


de filamentos semelhante a raízes. Esses filamentos fixam alguns tipos de
bivalves, como os mariscos, em rochas. O feixe de filamentos é produzido
por uma glândula situada na base do seu pé.

Cefalópodes
Classe de moluscos da qual fazem parte o polvo, a lula e o náutilo.
Como o nome indica (do grego kephale, “cabeça” e pode, “pé”), esses
animais apresentam pés, no caso tentáculos, ligados à cabeça, que é grande
Stuart Westmorland/age fotostock/Getty Images

e com olhos bem desenvolvidos. Os tentáculos podem ter ventosas (o mais


80 cm

comum) e ganchos. Os cefalópodes têm rádula.


Nos polvos não existe concha. Nas lulas, ela é reduzida e localiza-se
dentro do corpo. Já os náutilos têm concha externa. Essa classe tem circu-
lação fechada, isto é, o sangue só circula no interior de vasos, e respiram
por brânquias. O sistema nervoso é bem desenvolvido, eles têm o maior
cérebro entre os invertebrados. Os polvos são considerados os mais
inteligentes dos invertebrados.
Stuart Westmorland/Corbis/Latinstock

Norbert Probst/imageBroker/Diomedia

15 cm 25 cm

Amostra da diversidade encontrada na classe dos cefalópodes. Da esquerda para a direita: náutilo, lula e polvo.

137
Importância ambiental e econômica dos moluscos
Glossário

Detritívoro: que se
Os moluscos podem ser herbívoros, carnívoros predadores, filtrado-
alimenta de detritos. res, detritívoros e parasitas. Também são presas de vários tipos de ani-
mal, incluindo a espécie humana.
O consumo de ostras, mariscos e mexilhões como alimento deve ser
feito com cuidado porque eles podem, conforme o local onde vivem e a
época do ano, estar contaminados. Ao filtrarem a água que passa pelo
seu hábitat, esses animais retêm partículas e microrganismos planctôni-
cos que lhes servem de alimento. Nesse processo, substâncias poluentes,
toxinas liberadas por algas, metais pesados e seres patogênicos, como a
bactéria causadora da cólera, podem ser retidos.
Moluscos também são capturados ou criados pelo ser humano para
produção de botões de madrepérola e extração de pérolas. A “tinta” que
cefalópodes eliminam na água como mecanismo de defesa foi muito usada
em canetas de artistas e arquitetos, e é também empregada na culinária.
Rubens Chaves/Pulsar Imagens

Look/Look-foto/Latinstock
Preparo de mexilhões para alimentação A pérola se forma quando o corpo do molusco é invadido
humana. Praia da Fazenda da Armação. por uma partícula ou parasita e, para se proteger,
Governador Celso Ramos, SC, 2010. ele forma em volta do corpo estranho uma camada,
composta principalmente de carbonato de cálcio.

Alguns moluscos podem,


Fabio Colombini

18 cm
ainda, causar danos ao perfu-
rar cascos de navios e âncoras
de madeira, atacar plantações
e jardins (caracóis e lesmas), ser
hospedeiros de agentes patoló-
gicos (caramujos na esquistosso-
mose) etc.
Espécies como o caracol
gigante africano são considera-
das exóticas (não originadas no
Brasil) e atuam como invasoras,
competindo com as espécies
locais, prejudicando-as e prolife-
rando de forma descontrolada.
Introduzido no Brasil na década de 1980, o caracol gigante africano (Achatina fulica)
é considerado uma praga no país. A espécie foi trazida como opção ao consumo
do escargot, e após o fracasso no mercado foi solta no ambiente sem estudos
preliminares. A imagem mostra um caracol na Mata Atlântica, no Petar, SP.

138
Atividades
Sistematizar

1. Que característica de seus representantes deu origem ao nome do filo dos moluscos? Que
ambientes eles ocupam no planeta?
O corpo mole. Ocupam ambientes terrestres e de águas doce e salgada.

2. Todos os moluscos apresentam concha? Explique com exemplos.


Não. Nas lesmas e nos polvos, ela está ausente. Nas lulas, é pequena e interna.

3. Explique o que é a rádula e qual é sua importância.


É um tipo de língua raspadora presente em grande parte dos moluscos. É utilizada na alimentação.

4. De onde se origina a concha dos moluscos?


Do manto, que fica ao redor da massa visceral.

5. Copie no caderno apenas as afirmativas verdadeiras.


a) Os moluscos têm olhos e outros tipos de receptores de estímulos. X
b) A reprodução dos moluscos é assexuada.
c) A excreção dos moluscos ocorre por células-flama.
d) O sistema nervoso dos moluscos é centralizado e do tipo ganglionar. X
e) A maior parte dos moluscos apresenta sistema circulatório aberto. X
f) O pé nos moluscos não tem função importante.

6. Escreva no caderno os termos que completem corretamente a tabela a seguir com informa-
ções sobre as classes de moluscos:

Classe Concha Rádula Exemplos

∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞
Gastrópodes Presente e externa. ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞
Presente Caracol, caramujo e lesma.
Presente, externa, com duas ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞
Lamelibrânquios ∞ ∞ ∞Ausente
∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞Ostras
∞ ∞ e∞mexilhões.
∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞
valvas. ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞
∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞Presente
∞ ∞ ∞e externa;
∞ ∞ ∞ausente;
∞ ∞ ∞ ∞ ∞
∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞
Cefalópodes
∞ ∞ ∞ ∞ reduzida
∞ ∞ ∞ e∞interna.
∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ Presente Náutilos, polvos e lulas.
∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞ ∞

Refletir

1. Leia:
A pérola é o resultado de uma reação natural do molusco contra invasores externos, como certos
parasitas que procuram reproduzir-se em seu interior. Para isso, esses organismos perfuram a concha
e se alojam no manto, uma fina camada de tecido que protege as vísceras da ostra. Ao defender-se
do intruso, ela o ataca com uma substância segregada pelo manto, chamada nácar ou madrepérola,
composta de 90% de um material calcário – a aragonita (CaCO3) –, 6% de material orgânico (conque-
olina, o principal componente da parte externa da concha) e 4% de água. Depositada sobre o invasor
em camadas concêntricas, essa substância cristaliza-se rapidamente, isolando o perigo e formando
uma pequena bolota rígida. [...]. O tempo médio de maturação de uma pérola é de três anos. [...]
Disponível em: <http://mundoestranho.abril.com.br/materia/como-a-ostra-produz-a-perola>. Acesso em: 16 jun. 2015.

Responda:
a) A que filo e classe animal pertencem as ostras? Ao filo dos moluscos, classe dos lamelibrânquios ou bivalves.

b) Como se alimentam as ostras? São seres filtradores, ou seja, nutrem-se de partículas ou organismos suspensos na água.
Uma substância produzida no manto, chamada nácar, ou
c) Qual é a origem do material que forma a pérola? madrepérola, composta de 90% de material calcário, 6% de
material orgânico e 4% de água.

139
Capítulo
Artrópodes
4 No capítulo anterior, você estudou
o filo dos moluscos, suas caracte-
rísticas e as principais classes que
o compõem.
Neste capítulo, você vai conhecer
o filo dos artrópodes, suas cara
terísticas e importância ecológic
c-
a.

Explorando
Os artrópodes

Gerson tem uma filha de 3 anos, Taís, que não desgruda de um ursinho que canta
várias músicas de criança quando o apertam na barriga. Um dia ela estava cantando uma
música junto com o ursinho:
– Roda, roda, roda, pé, pé, pé. Roda, roda, roda, caranguejo peixe é!
Ilustrações: DKO Estúdio

1. Algumas características comuns: o ambiente em que são


encontrados – praias, oceanos, rios – e o fato de ambos serem animais.
Característica diferente: a presença da coluna vertebral nos peixes – o
caranguejo é invertebrado, e o peixe é vertebrado, por exemplo.

Enquanto Taís cantava, Gerson prestou aten-


ção na continuação da música:
– Caranguejo não é peixe, caranguejo peixe
é, caranguejo só é peixe na enchente da maré!
Gerson, intrigado, perguntou:
– Caranguejo é ou não é peixe, afinal?!
  Agora é a sua vez.
1. Cite características comuns e diferentes en-
tre os caranguejos e os peixes.
2. Há algum animal que você acha mais pare-
cido com um caranguejo do que um peixe?
Lagostas e camarões, por exemplo, têm mais semelhanças com um caranguejo do que um peixe, porque são
animais pertencentes ao mesmo filo dos caranguejos, isto é, são artrópodes.
Professor, veja orientações para trabalhar esta seção no Manual do Professor.
140
Artrópodes: o maior filo dos invertebrados
Observe as imagens. O que uma joaninha, um caranguejo, um escor-
pião e uma lacraia têm em comum?
Rita Barreto

Robert Harding Picture Library Ltd/Alamy/Latinstock


1 cm 6 cm

Posso
perguntar?

Quando o
artrópode sabe
que é hora

Fabio Colombini
8 cm de trocar de
Fabio Colombini

exoesqueleto?
O exoesqueleto novo do
artrópode é maior do que o
antigo, deixando um espaço
para que o corpo consiga crescer
até uma nova muda. Quando o
corpo preenche todo o espaço do
exoesqueleto, é hora de fazer a
muda, e esse processo é mediado
por hormônios do próprio animal.

15 cm

Amostra da diversidade no filo dos artrópodes. A partir do canto superior esquerdo,


no sentido horário: joaninha, maria-farinha, escorpião e lacraia.

Esses animais invertebrados apresentam características comuns que


os colocam em um mesmo filo: os artrópodes. Esse filo tem a maior diver-
sidade de espécies do planeta e ocupa praticamente todos os ambientes.
A principal característica desse filo são as patas articuladas, cuja
presença deu o nome ao grupo: do grego, artro significa “articulação”,
e podos, “pés”. Esses pés articulados, como os do louva-a-deus, foram
importantíssimos no sucesso evolutivo desses animais, pois possibilitam
Rolf Nussbaumber/Animals Animals/Keystone Brasil

movimentos precisos e elaborados, além de auxiliarem na defesa, na cap-


5 cm

tura de alimento e nos rituais da reprodução.


Os artrópodes apresentam também um exoesqueleto ou esqueleto
externo, uma “casca” resistente, impermeável, composta de sais e quitina.
O exoesqueleto atua na proteção do corpo e evita perda de água, e foi
uma das características que possibilitaram a adaptação de muitos artrópo-
des ao meio terrestre. O exoesqueleto é rígido, portanto não acompanha
o crescimento do corpo. Assim,
James J. Stachecki/Animals Animals/
Earth Scenes/Keystone Brasil

para crescer, os artrópodes reali- 3 cm


zam a muda: o exoesqueleto an-
tigo se desprende do corpo do
animal e é trocado por um novo.
O novo exoesqueleto já está
formado, porém leva um tempo
para endurecer. Esse processo
pode ocorrer várias vezes até o
animal tornar-se adulto. Cigarra passando pela muda. Durante esse processo, Louva-a-deus se alimentando
enquanto o exoesqueleto endurece o artrópode de outro inseto.
fica vulnerável ao ataque de predadores.

141
Os artrópodes podem ser carnívoros e herbívoros, de-
Paulo César Pereira

tritívoros e parasitas.
O sistema digestório é completo, com boca e ânus.
A circulação dos artrópodes é aberta; isso significa que o
“sangue” não circula apenas dentro de vasos. Nos artró-
podes, o que faz papel similar ao sangue é a hemolinfa,
um líquido incolor, às vezes esbranquiçado ou amarelado,
que não transporta gases respiratórios, apenas os nutrien-
traqueia
tes obtidos com a digestão dos alimentos.
espiráculo O tipo de respiração varia de acordo com o ambiente
ocupado pelos artrópodes.
Representação que mostra o sistema traqueal Os terrestres respiram oxigênio do ambiente por meio
de respiração dos artrópodes. No destaque, das traqueias, estruturas diferentes das traqueias dos ver-
a traqueia e um dos espiráculos.
tebrados. A traqueia dos artrópodes comunica-se com o
Fonte: Cleveland P. Hickman. Integrated principles meio externo por aberturas laterais chamadas espiráculos.
of Zoology. Nova York: McGraw-Hill, 2001. p. 422.
Nos artrópodes aquáticos a respiração é, em geral,
branquial. Daphnia e cyclops são microcrustáceos de água
Na figura foram utilizadas cores-fantasia. Os elementos não estão
representados proporcionalmente entre si, e os tamanhos não
doce. Esses animais fazem parte do zooplâncton e servem
correspondem à realidade. de alimento para animais aquáticos.

Hora da
prática: pesquisa

Fotografias: irin-k/Shutterstock
Quantos artrópodes você conhece? Com ajuda de colegas e familiares, faça um
catálogo de artrópodes.

Material:
• câmera fotográfica; papel sulfite; lápis de cor.

Como fazer
1. Escolha lugares pelos quais você costuma passar com frequência (por exemplo,
o caminho de sua casa até a escola). Durante uma semana, preste atenção nos
animais e registre todos os artrópodes que encontrar. Faça os registros utilizando
uma câmera fotográfica ou desenhe-os na folha de papel sulfite. Caso fique em
dúvida se o animal que encontrou é um artrópode, registre-o e leve a imagem
para analisar na sala de aula com a ajuda dos colegas e do professor.

Refletindo e registrando
1. Quantos artrópodes diferentes você encontrou durante essa semana? Resposta pessoal.
2. Liste os ambientes nos quais notou maior presença de artrópodes. Resposta pessoal.

142
Reprodução dos artrópodes
Os artrópodes têm sexos separados e a fecundação é interna, isto é,
no cruzamento, o macho lança os gametas masculinos dentro do corpo

Glossário
da fêmea. Metamorfose: conjunto
de mudanças na forma,
Entre as diferentes classes deste filo, há espécies que apresentam tamanho e estrutura do
desenvolvimento direto, no qual os filhotes já nascem semelhantes aos corpo dos estados juvenis
ou larvares de certos
pais, como as aranhas; e as que têm desenvolvimento indireto e sofrem grupos de animais, até
metamorfose. chegarem à forma adulta.
A metamorfose pode ser completa, como nas joaninhas e borbole-
tas. Nesse caso, do ovo nasce uma larva que passa pela fase de pupa até
chegar à forma adulta.

Representação artística da
larva metamorfose completa pela
qual passa a joaninha –
inseto do gênero Coccinella.
Ilustrações: Paulo César Pereira

ovos pupa

Na figura foram utilizadas cores-fantasia.


Os elementos não estão representados joaninha adulta
proporcionalmente entre si, e os tamanhos não
Fonte: L. F. Aristizábal e S. P. Arthurs. Convergent
correspondem à realidade. lady beetle, Hippodamia convergens Guérin-Méneville.
UF/IFAS Featured Creatures, 2014.

Na metamorfose incompleta, que ocorre com baratas e gafanhotos


por exemplo, não há a fase de larva ou pupa: do ovo sai a ninfa, forma
jovem que depois se transforma no adulto.

ovo

ninfa

Na figura foram utilizadas Representação artística


cores-fantasia. Os elementos
não estão representados mostrando a metamorfose
proporcionalmente entre incompleta em gafanhoto.
si, e os tamanhos não
correspondem à realidade.

Fonte: M. C. Thomas. The American grasshopper,


Schistocerca americana americana (Drury)
(Orthoptera: Acrididae). FDACS – Division of Plant
gafanhoto adulto Industry Entomology Circular 342, 1991.

143
Importância ambiental dos artrópodes
Nos ambientes aquáticos, é grande a população dos microcrustáceos,

Serhii Kovalchuk/Shutterstock
como o krill, cujo papel é fundamental nas teias alimentares, como parte do
zooplâncton. Eles alimentam-se do fitoplâncton, constituído por algas unice-
lulares, e servem de alimento a outros animais, como as baleias.
Os insetos têm importante papel ecológico como polinizadores de
plantas com flores. Nesse processo, o inseto transporta o pólen de uma
flor a outra, contribuindo para que ocorra a fecundação.
Alguns artrópodes podem causar danos à saúde do

Delfim Martins/
Pulsar Imagens
ser humano, em especial os que são vetores de doenças
Abelha Apis mellifera. As
abelhas desempenham papel
(mosquitos transmissores de dengue, febre amarela, ma-
polinizador. Elas podem coletar lária; percevejo, barbeiro transmis-
o pólen acidentalmente,
quando ele adere nas cerdas sor da doença de Chagas etc.).
de seu corpo, ou em cavidades Algumas espécies apresentam
especiais localizadas nas
pernas posteriores. toxinas potencialmente perigo-
sas, como a aranha-marrom e o
escorpião. Grandes populações
de insetos podem ainda tornar-
-se pragas, destruindo plantações. Nigel Cattlin/
Alamy/Latinstock

Phyllocnistis citrella é uma espécie de mariposa conhecida como “minadora


dos citros”. Esse artrópode, com envergadura pouco maior que 4 mm,
ataca as folhas jovens de espécies de citros, como a laranja e o limão.

Aqui tem mais


Trilobitas são artrópodes pré-históricos característicos do Paleozoico. Eram exclusivos
de ambientes marinhos e apresentavam exoesqueleto impregnado de carbonato de cálcio.
Mediam entre 3 cm e 10 cm de comprimento, mas há fósseis de
espécimes com quase 1 metro. Esses animais desapareceram
do planeta provavelmente há cerca de 200 milhões de anos.

Tom Bean/Corbis/Latinstock
Natural History Museum/Mary Evans/Diomedia

Concepção artística mostrando


ambiente há aproximadamente
425 milhões de anos.
No destaque, fóssil de trilobita
Elrathis king, encontrado no
estado de Utah, EUA.

1. Quais causas podem levar espécies animais à extinção?


2. Em sua opinião, se existissem trilobitas nos dias de hoje, eles se assemelhariam mais a
1. Podem ser citadas condições ambientais, que ao se tornarem desfavoráveis levam à morte
quais artrópodes? determinadas espécies; desastres ecológicos, como a queda de um meteoro; o impacto
2. Os trilobitas, por serem animais marinhos com humano, que já levou muitas espécies à extinção, como os dodôs (Raphus cucullatus).
esqueleto de carbonato de cálcio, provavelmente
se assemelhariam mais aos crustáceos.
144
Atividades
Sistematizar

1. A que filo animal pertencem a barata, o camarão, o escorpião, a lacraia e o tatuzinho-de-


-jardim? Que característica deu nome a esse filo?
Filo dos artrópodes. A característica é a presença de patas articuladas.

2. Que revestimento protege o corpo dos artrópodes da perda de água e de outros riscos?
O exoesqueleto ou esqueleto externo, uma “casca” resistente, impermeável, composta de sais e quitina.

Refletir

1. Leia a notícia a seguir e responda às questões.

Sumiço de abelhas derruba exportações de mel do Brasil


O Brasil caiu da 5a para a 10a colocação mundial em exportação de mel nos últimos dois anos.
O motivo foi o abandono das colmeias na região produtora mais importante do país, o Nordeste.
[...] Por trás do sumiço das abelhas está a seca que atinge a região há pelo menos 24 meses.
Além das alterações climáticas, bactérias e uso de agrotóxicos são citados como causas da mor-
talidade das abelhas no Brasil. [...]
Em países como Estados Unidos, Canadá, Japão, Índia e em nações da União Europeia, o pro-
blema é caracterizado como Síndrome do Colapso das Abelhas (CCD, sigla em inglês para Colony
Collapse Disorder). Trata-se de um abandono repentino e massivo de colmeias. A situação é gra-
ve e, em estados norte-americanos chegou a comprometer a produção agrícola, já que a floração
é feita quase que exclusivamente através desse inseto. [...]
Disponível em: <www.dw.de/sumiço-de-abelhas-derruba-exportações-de-mel-do-brasil/a-17069329>.
Acesso em: 16 jun. 2015.
a) Por que o desaparecimento de abelhas causa preocupação?
b) Segundo o texto, que fatores podem estar relacionados a esse desequilíbrio?
Alterações climáticas, bactérias e uso de agrotóxicos.
c) Outros insetos atuam como polinizadores? Pesquise e, em caso positivo, dê exemplos.
Sim. Vespas, formigas, moscas, borboletas, mariposas e besouros.
1. a) Além da produção do mel, abelhas e outros insetos têm grande
papel ecológico por sua ação como polinizadores de plantas com
flores. Sem esses seres, a produção agrícola pode cair drasticamente.
Desafio

1) (Unesp – 2010) Observe os quadrinhos: Fernando Gonsales

Sobre o contido nos quadrinhos, os


alunos em uma aula de biologia afir-
maram que:
I. O besouro, assim como a borbo-
leta, apresenta uma fase larval no Fernando Gonsales, Folha de S.Paulo, 18.06.2009.
início de seu desenvolvimento.
II. As lagartas são genética e evolutivamente mais aparentadas às minhocas que aos besouros.
III. Ao contrário dos besouros, que possuem sistema circulatório fechado, com hemoglobi-
na, as borboletas e as minhocas possuem sistema circulatório aberto, sem hemoglobina.
É correto apenas o que se afirma em: Alternativa a.

a) I. b) III. c) I e II. d) I e III. e) II e III.

145
Capítulo
Conhecendo
5 No capítulo anterior, você viu
prin cipa is cara cter ístic

Neste capítulo, vai conhecer


crus táce os, os
podes, os diplópod
aracníde
es e
as
trópodes e por que estão agrupa-
dos em um mesmo filo.
os,
os
dos

os
as
ar-

os
quiló
inse
-
tos.

os artrópodes
Explorando
Os artrópodes em casa

João e Marina moram em uma casa com um jardim florido. Após ouvir um grande
número de casos de dengue e de pessoas picadas por aranhas, João ficou preocupado.
Ele resolveu dedetizar a casa para acabar com todas as aranhas e mosquitos que po-
deriam fazer mal a sua família.

Ilustrações: Danillo Souza


Marina ficou tranquila depois da dedetiza-
ção, mas percebeu que abelhas e borboletas,
por exemplo, não apareciam no jardim. Com o
passar dos meses, o jardim da casa não era mais
o mesmo: a quantidade de frutos havia diminuí-
do, assim como a diversidade de plantas.
– João, depois da dedetização, nosso jardim
está muito diferente. Para onde foram aquelas
lindas borboletas e por que as árvores estão
dando tão poucos frutos? – questionou Marina.
  Agora é a sua vez.
1. Em sua opinião, há alguma relação entre a dedetização e a mudança no jardim de
João e Marina? Sim. Ao dedetizar a casa e o jardim animais polinizadores podem ter sido afetados ou se afastaram da área.
2. Você pode citar alternativas para evitar ou diminuir a proliferação de insetos nocivos
sem exterminar os que não são nocivos? Não acumular lixo e não deixar recipientes abertos com água parada são
soluções alternativas à dedetização.
Professor, veja orientações para trabalhar esta seção no Manual do Professor.

146
Classificação dos artrópodes
Para efeito de estudo, podemos organizar os artrópodes em classes,
usando critérios como o modo de divisão do corpo e o número de per-
nas. Estudaremos as classes dos crustáceos, dos aracnídeos, dos quiló-
podes, dos diplópodes e dos insetos.

Crustáceos
Os crustáceos são predominantemente marinhos, mas há espécies
de água doce e outras terrestres. Apresentam uma grande diversidade
de formas e tamanhos.

Fabio Colombini

Marcos Amend/Pulsar Imagens


1 8 cm 2 8 cm
yxowert/Shutterstock

defun/iStockphotos.com
3 4

Os crustáceos se apresentam em
grande diversidade de formas
e tamanhos. Da esquerda para
direita:
1 cm 1,5 cm
1. camarão; 2. caranguejo;
3. cracas; 4. tatuzinho-de-jardim.

O corpo dos crustáceos é dividido em cefalotórax, formado por ca-


beça e tórax fundidos, e abdome. O número de pernas é, em geral, cinco
pares, mas pode variar. Os crustáceos têm dois pares de antenas.
Luís Moura

cefalotórax
olho antena
abdome
Representação artística da
estrutura corporal externa
de um crustáceo.

antena
perna modificada
em pinça

Fonte: R. C. Brusca e G. J.
Na figura foram utilizadas cores-fantasia.
Brusca. Invertebrados. 2. ed. Os elementos não estão representados
telson, atua como Rio de Janeiro: Guanabara proporcionalmente entre si, e os
um remo. pernas Koogan, 2007. p. 534. tamanhos não correspondem à realidade.

No exoesqueleto, além da quitina, muitos crustáceos apresentam


carbonato de cálcio, tal qual os trilobitas, formando uma carapaça resis-
tente em siris e caranguejos.

147
pedipalpo
Na figura foram utilizadas
Aracnídeos

Paulo César Pereira


cores-fantasia. Os elementos
quelíceras não estão representados
proporcionalmente entre
si, e os tamanhos não Esta classe de artrópodes abrange as
correspondem à realidade.
aranhas, os escorpiões, os ácaros e os car-
rapatos. Na natureza, os aracnídeos são
encontrados desde em lugares úmidos
até regiões áridas.
cefalotórax
perna O corpo desses artrópodes é dividi-
do em cefalotórax e abdome. Têm qua-
tro pares de pernas, um par de apêndices
sensoriais, chamados pedipalpos, e um
abdome
par de apêndices semelhantes a pinças,
chamados quelíceras. Não têm antenas.
fiandeira
Fonte: R. C. Brusca e G. J. Brusca. Invertebrados. 2. ed.
Representação artística da estrutura corporal externa de um aracnídeo. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007. p. 690.

Entre os aracnídeos, a maior parte tem hábito alimentar carnívoro,


BSIP/UIG/Universal Images
Group/Getty Images

mas alguns são hematófagos, como os carrapatos.


A febre maculosa é uma doença grave transmitida ao ser humano
pela picada do carrapato-estrela, conhecido também como micuim. Esse
carrapato é encontrado parasitando bois, cavalos, cães, aves domésticas
e roedores, especialmente a capivara.
1 cm Os ácaros são em sua maioria predadores, mas há também herbí-
Quando infectado pela
voros e parasitas. Os ácaros da poeira doméstica, que causam alergias
bactéria Rickettsia rickettsii, respiratórias em muitas pessoas, são visíveis somente ao microscópio.
o carrapato-estrela
(Amblyomma cajennense)
Além dos ácaros terrestres, há os aquáticos, inclusive marinhos. Entre
pode transmitir a os ácaros parasitas do ser humano, há os que causam a formação de cra-
febre maculosa.
vos na pele e a sarna humana.
As aranhas, que são as representantes mais populares da classe dos
aracnídeos, têm glândulas fiandeiras no abdome. Elas usam os fios das
SPL/Latinstock

teias para a captura de presas e produção de casulos. As teias são cinco


vezes mais resistentes do que o aço no mesmo diâmetro.
A aranha não fica presa em sua própria teia graças às cerdas em suas
pernas.
Os escorpiões, também representantes dos aracnídeos, ­alimentam-se
principalmente de insetos e geralmente procuram alimento à noite. Du-
Ácaro da pele (Demodex
folliculorum). Fotografado rante o dia, ficam em esconderijos escuros e úmidos.
por micrografia eletrônica, O ferrão do escorpião (telson), além de capturar presas pela inocula-
aumento de 130 vezes.
ção de veneno, é usado para defesa e acasalamento.
Photo Researchers/Getty Images

Fabio Colombini

À esquerda, a aranha
Latrodectus mactans, que é
conhecida como viúva-negra,
porque a fêmea costuma
alimentar-se do macho após a 3 cm 8 cm
cópula. À direita, escorpião.

148
Quilópodes

Artur Keunecke/Pulsar Imagens


Ao observar a lacraia, mais conhecida por centopeia, é fá-
cil entender a origem do nome dessa classe de artrópodes:
quilo significa “mil”, e podos, “pés”.
O corpo dos quilópodes é achatado e formado por cabe-
ça e tronco, com vários segmentos. Em cada segmento há um 15 cm
par de pernas. Na cabeça há duas antenas longas.
Centopeia, um quilópode.

Diplópodes
O corpo dos diplópodes é cilíndrico, a cabeça e o tronco

Minden Pictures/Latinstock
têm vários segmentos. Em cada segmento há dois pares de
pernas, o que explica o nome “diplópode” (di significa “du-
plo”, e podos, “pés”). Apresentam ainda um par de antenas
curtas. O representante típico dessa classe é o piolho-de-co-
bra, conhecido também como embuá ou gongolô.
Os diplópodes alimentam-se de restos vegetais e podem
ser encontrados em locais escuros e úmidos.
20 cm
Insetos
Como mecanismo de defesa, os
Os insetos são a classe de artrópodes com maior diversidade: mais piolhos-de-cobra têm o hábito
de enrolar-se e liberar uma
de 800 mil espécies conhecidas. secreção de odor desagradável,
Além de deixarem muitos descendentes, graças à grande capacida- que espanta os inimigos.

de reprodutiva, os insetos são os únicos invertebrados que têm represen-


tantes com asas. Ao longo da evolução dos insetos, a capacidade de voar
foi uma das características que favoreceram a ocupação de ambientes
tanto terrestres como aquáticos.
Na cabeça dos insetos há um par de antenas e um par de olhos.
O corpo é dividido em cabeça, tórax – com três pares de pernas – e
abdome.
abdome tórax cabeça Na figura foram utilizadas cores-fantasia.
Os elementos não estão representados
proporcionalmente entre si, e os tamanhos não
correspondem à realidade.

olho
asa
Paulo César Pereira

antenas

aparelho bucal

Fonte: R. C. Brusca e G. J. Brusca.


Invertebrados. 2. ed. Rio de Janeiro:
pernas Guanabara Koogan, 2007. p. 626.

Representação artística mostrando estruturas e a divisão do corpo de um inseto.

149
A variedade de tipos de aparelho bucal • mastigador ou triturador: com man-
possibilita a sobrevivência de diferentes es- díbulas, típico de herbívoros ou pre-
pécies com hábitos alimentares variados. Os dadores. Exemplos: baratas, cupins e
principais tipos são: gafanhotos;
• sugador: formado por uma probósci-

Nige/Science Source/Diomedia
de, semelhante a uma tromba, que se
desenrola quando o animal se alimen-
ta. Exemplos de insetos sugadores:
borboletas e mariposas;
estrutura
Westend61 RF/Fotofeeling/Diomedia