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PERÍODO ENTREGUERRAS

O chamado Período Entreguerras corresponde aos anos que se passaram entre o final
da Primeira Guerra Mundial (novembro de 1918) e o início da Segunda Guerra Mundial
(setembro de 1939). Eventos históricos importantes ocorreram nessa época. A seguir,
falaremos sobre alguns deles.
A CRISE DE 1929
Durante a Primeira Guerra, bem como nos anos que a sucederam, a economia norte-
americana experimentou um amplo crescimento. Isso aconteceu porque os Estados Unidos
forneceu muitos alimentos e armas para a Tríplice Entente nos tempos de guerra e, quando
o conflito acabou, ajudou a financiar, por meio de empréstimos, a reconstrução da Europa.
Nesse cenário, além de se tornarem os principais credores dos países europeus, os Estados
Unidos também se tornou seu principal fornecedor de produtos básicos.
A demanda europeia por produtos americanos fez com que os Estados Unidos
vivessem um momento de euforia econômica. A produção industrial cresceu
consideravelmente, fazendo o preço de bens de luxo como fogões e geladeiras despencar. O
mesmo ocorreu com os carros. Parte dos americanos passou a usufruir de um modo de vida
voltado ao conforto e ao consumo, o chamado American Way of Life.
A economia americana, no entanto, estava crescendo sobre alicerces frágeis. Com o
tempo, a indústria europeia se reestruturou e passou a comprar menos produtos americanos.
Além disso, as indústrias norte-americanas estavam produzindo mais produtos do que os
cidadãos podiam consumir. Sem ter como vender seus produtos, as empresas começaram a
decretar falência. Muitas pessoas perderam seus empregos.
Diante disso, os acionistas das empresas tentaram vender seus títulos na Bolsa de
Valores de Nova Iorque, porém não havia quem quisesse comprar. Essa falta de
negociações determinou a quebra da Bolsa, em 24 de outubro de 1929.
Efeitos da crise nos EUA:
85 mil empresas faliram;
5 mil bancos faliram;
15 milhões de desempregados;
Para frear os efeitos da crise o governo americano impôs uma série de restrições
alfandegárias, impactando a economia de diversos países. Além disso, como os Estados
Unidos possuíam a principal economia do mundo, a quebra da Bolsa causou uma profunda
crise no mundo. Entre 1929 e 1932 o comércio mundial perdeu dois terços de seu volume.
Em 1933, o presidente americano Franklin Delano Roosevelt colocou em prática um
pacote de medidas que objetivava recuperar a economia norte-americana. Esse pacote ficou
conhecido como New Deal. Dentre as medidas aplicadas estavam: a fixação de preços de
produtos básicos (carvão, petróleo, cereais), a concessão de empréstimos a proprietários
agrícolas e um grande investimento em obras públicas, que visava, dentre outras coisas,
gerar empregos. Além das medidas de mercado, o New Deal possuía políticas sociais. O
governo passou a fornecer uma assistência nutricional à população carente e instituiu o
seguro desemprego e a assistência médica gratuita aos desempregados.
O New Deal teve relativo sucesso, mas somente com a Segunda Guerra Mundial que
o desemprego e a crise norte-americana foram superados.
FASCISMO E NAZISMO NA EUROPA
Após a Primeira Guerra os princípios liberais estavam desacreditados. Parte dos
países europeus não conseguiu superar os problemas econômicos causados pelo conflito. A
crise econômica foi mais forte nos países que saíram derrotados da guerra, sobretudo na
Alemanha. Os italianos também ficaram economicamente fragilizados após a guerra, pois
gastaram muito com o conflito e acabaram anexando poucos territórios.
A emergência da URSS estimulou, na Alemanha e na Itália, a mobilização operária
contra a ordem capitalista. Com medo de uma revolução, o empresariado desses países
aproximou-se dos grupos políticos de direita, que defendiam a construção de um Estado
forte. É nesse contexto que surgem os movimentos nazifascistas na Europa.
Os movimentos nazifascistas defendiam:
O totalitarismo: o Estado forte e ditatorial era visto como a única maneira de solucionar os
problemas políticos e econômicos.
O ultranacionalismo: a nação e os valores étnicos eram tidos como bens supremos.
O unipartidarismo: o pluripartidarismo era tido como divisor da nação.
O autoritarismo: o líder do Estado encarnava o poder da nação e por isso era inquestionável.
O militarismo: um exército grande e forte era visto como uma forma de impor suas
vontades aos outros povos.
O corporativismo: o Estado deveria regular as relações entre capital e trabalho.
O racismo: ideia difundida principalmente na Alemanha, o racismo estava ligado ao
ultranacionalismo. Acreditava-se que um país forte deveria possuir apenas a raça mais forte,
os arianos.
O romantismo: valorização da cultura e das tradições germânicas e latinas.
O anticomunismo: os regimes nazifascistas combatiam os socialistas e anarquistas,
sobretudo por considera-los subversivos.
O FASCISMO ITALIANO
Após a Primeira Guerra a Itália sofreu uma profunda crise financeira. O terreno era
fértil para as ideias socialistas. Nesse cenário, Benito Mussolini surgiu. Jornalista de
profissão, Mussolini fundou, em 1919, uma associação nacionalista, a “Fascio de
Combatimento”. Essa associação, que reunia veteranos da Primeira Guerra, virou o Partido
Fascista, que conseguiu 35 cadeiras do parlamento na eleição de 1921.
Em 1922, com o apoio das elites econômicas, Mussolini, acompanhado de cerca de
50 mil “camisas-negras” desfilam em Roma. Esse evento, conhecido como “A Marcha
sobre Roma”, pressionou o Rei Vitor Emanuel II a convocar um novo gabinete, tornando
Mussolini o primeiro ministro do Estado Italiano.
 No ano de 1924, o Partido Fascista conquistou a maioria do parlamento.
 Em 1926 Mussolini colocou os demais partidos na ilegalidade e fechou os órgãos de
imprensa. Os camisas-negras incorporaram as forças de repressão do país e a pena
de morte foi legalizada.
 Em 1927, Mussolini estabeleceu uma nova legislação trabalhista, a “Carta del
Lavoro”, onde proibiu as greves e fechou os sindicatos. O Estado passou a ser o
único intermediário entre o capital e o trabalho. Os operários eram divididos em
corporações profissionais, que eram controladas por agentes do governo.
 Em 1929, Mussolini assinou o Tratado de Latrão, reconhecendo a autonomia do
Estado do Vaticano. Além disso, tornou o catolicismo a religião oficial do país.
O NAZISMO ALEMÃO
Em outubro de 1918, a população alemã pressionou o Kaiser Guilherme II para que
ele renunciasse. Logo, foi instituído um governo civil, a República de Weimar, que acabou
negociando a paz com os representantes da Entente.
O novo governo acatou as duras condições impostas no Tratado de Versalhes,
lançando a economia alemã em uma crise sem precedentes. A moeda alemã ficou
desvalorizada. Não havia empregos. Nesse cenário, militantes socialistas, liderados por
Rosa Luxemburgo, tentaram derrubar a República, em 1919.
A tentativa socialista, embora não tenha sido bem sucedida, alarmou as elites
alemãs, que se aproximaram do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (ou
Partido Nazista), liderado por Adolf Hitler.
Inspirado na “Marcha sobre Roma”, de Mussolini, Hitler tentou demonstrar o poder
dos nazistas no “Putsch de Munique”, em novembro de 1923. Naquela ocasião, Hitler
reuniu os partidários do nazismo em uma cervejaria e tentou tomar o governo da região da
Baviera. Entretanto, fracassou, foi preso e condenado a 5 anos de prisão, dois quais só
cumpriria alguns meses. Na cadeia, escreveu Mein Kampf (Minha luta), onde sistematizou
princípios caros à doutrina nazista, como as teorias da supremacia ariana e do Espaço Vital.
Após a quebra da Bolsa de Valores, em 1929, a economia alemã, que já não estava
boa, ficou ainda pior. A República de Weimar ficou extremamente fragilizada. O número de
eleitores que escolhiam pelo Partido Nazista cresceu consideravelmente.
Em março de 1932, Hitler disputou as eleições presidenciais, mas foi derrotado por
Hindenburg. Os partidários do nazismo, no entanto, pressionaram o presidente para que
nomeasse Hitler chanceler alemão. Assim foi feito.
No mês de fevereiro de 1933, Hitler aproveitou um incêndio no Parlamento para
lançar uma ostensiva política de perseguição dos comunistas. Isso aconteceu porque o
primeiro ministro culpou os grupos de esquerda pelo ocorrido. Em agosto do ano seguinte,
Hindenburg morreu. Com isso, Hitler acumulou os cargos de chanceler e presidente,
tornando-se o Fuhrer.
Logo, Hitler implantou um regime de exceção. Suprimiu as liberdades sindicais,
proibiu as greves e censurou a imprensa. Começou também a perseguir os “inimigos do
regime”, como os judeus, os socialistas e os ciganos. Essa perseguição era feita pela SS
(Schutz Staffel: Esquadrão de Proteção) e pela Gestapo (Polícia Secreta).
Mussolini e Hitler renegociaram as dívidas externas de seus países e investiram em
obras públicas para reduzir os desempregados. Além disso, aumentaram o exército e
reestruturaram a indústria bélica em seus países.
A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL 1939-1945
Com a chegada de Hitler ao poder, a Alemanha passou a aumentar seu exército,
tornando-o muito maior do que permitia o Tratado de Versalhes. Entretanto, as demais
potências Europeias, na tentativa de evitar um novo confronto, não se posicionaram de
modo firme contra as ações de Hitler, mesmo quando o líder alemão iniciou uma nova fase
de expansão territorial.
Antes de Hitler, o Japão havia dominado a região chinesa da Manchúria, em 1931.
Em 1935, Mussolini anexou a Etiópia ao território italiano e, em 1937, a Albânia. Em 1936,
Japão, Itália e Alemanha celebraram o Pacto Anti-Kominter, contra a expansão do
comunismo.
Entre 1936 e 1939, os exércitos de Hitler e Mussolini apoiaram Francisco Franco na
sua tentativa de tomar o poder na Espanha, destituindo o governo popular em exercício.
Esse evento permitiu que Alemanha e Itália testassem seus aparatos militares.
Em 1936, Hitler iniciou a política do “Espaço Vital”, expandindo o território alemão
como objetivo de fundar o Terceiro Reich.
 Em março de 1936 Hitler remilitarizou a região da Renânia, fronteira da Alemanha
com a França.
 Em março de 1938, incorporou, de forma pacífica, a Áustria ao Império Alemão.
 Em setembro de 1938, invadiu a Tchecoslováquia, com o objetivo de tomar a região
dos Sudetos.
França e Inglaterra reagiram à tomada dos Sudetos, gerando uma crise diplomática que
foi resolvida na Conferência de Munique. Ficou acertado que a Alemanha poderia ficar com
os Sudetos, porém deveria se comprometer a cessar sua expansão. Em março de 1939, para
a surpresa dos demais países, a Alemanha toma o restante da Tchecoslováquia.
Ainda em 1939, Hitler celebrou um acordo de neutralidade com Stalin, líder da
URSS. O acordo definia a divisão da Polônia entre os dois países. Em 1º de setembro
daquele ano, Hitler invadiu a Polônia. Dois dias depois, a Inglaterra declarou guerra ao
Terceiro Reich.
A DINÂMICA DO CONFLITO
A Segunda Guerra Mundial ocorreu em diferentes cenários do planeta, como
Europa, Ásia, África e no Pacífico. Em sua primeira fase, entre 1939 e 1941, a Alemanha
obteve sucesso com a estratégia Blitzkriege (ataques relâmpagos). Com isso, invadiu a
Bélgica, a Holanda e a França.
Na Ásia, o Japão, dominou a Coréia, a Indochina, regiões da Oceania e das
Filipinas.
Hitler tentou, sem sucesso, invadir a Inglaterra. Com o fracasso, percebeu que a
guerra duraria mais e que precisaria de mais recursos. Sendo assim, invadiu a URSS, em
1941, quebrando o pacto de neutralidade.
A segunda fase do conflito, entre 1941 e 1943, foi marcada pela entrada dos Estados
Unidos na guerra. Isso ocorreu porque o Japão atacou, em 1941, a base militar Pearl Harbor,
localizada no pacífico. Com os EUA e a URSS lutando ao lado dos aliados, a guerra tornou-
se mais equilibrada.
A terceira e última fase do conflito, que corresponde desde 1943 a 1945, teve seu
início quando a URSS derrotou as tropas alemães na batalha de Stalingrado, em fevereiro de
1943. Em julho de 1944, americanos, ingleses e canadenses liberaram a França da
ocupação nazista, promovendo o Dia D.
Mussolini foi capturado e executado por tropas antifascistas em abril de 1945. Já
Hitler, cometeu suicídio em abril de 1945, quando Berlim foi cercada por tropas soviéticas.
Em 8 de maio daquele ano o armistício foi assinado, encerrando o conflito na Europa.
Embora enfraquecidas, as tropas japonesas não se renderam aos Estados Unidos. O
governo americano decidiu lançar bombas atômicas sobre as cidades de Hiroshima e
Nagazaki, em 6 e 9 de agosto de 1945, cansando milhares de mortes.
AS CONSEQUÊNCIAS DA GUERRA
Ao final da Guerra, o Japão foi obrigado a desocupar todos os territórios que
havia dominando durante o conflito. A Itália perdeu suas colônias e teve que pagar
uma indenização à Grécia, à Iugoslávia e à URSS.
A Alemanha foi dividida entre os países aliados. França, Estados Unidos e
Inglaterra ficaram com a Alemanha Ocidental. Já os soviéticos governariam a
Alemanha Oriental. Além disso, a Alemanha foi obrigada a pagar indenizações aos
aliados e desmantelar seu aparato bélico.
Os crimes de guerra, sobretudo o holocausto, foram julgados no Tribunal
Internacional de Nuremberg, em novembro de 1945. Alguns líderes nazistas foram
condenados à morte, outros à prisão perpétua.
No pós-guerra, o mundo ficou dividido entre as zonas de influência dos
americanos e dos soviéticos, formando aquilo que chamamos de Guerra Fria.
Outra consequência do Conflito foi a criação da Organização das Nações Unidas
– ONU.