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Pós-graduação em Metodologia do Ensino do Inglês Como Segunda Língua.

Disciplina: PRR - Metodologia do Ensino - Inglês.

Aluno: Eugênio Carlos do Rego Araújo.

Tarefa 1

O ensino da língua inglesa como segunda língua é marcado pela heterogeneidade:


o perfil do alunado que é tão diversificado quanto às razões pelas quais os indivíduos
buscam aprender a língua e os motivos que os mantém ou afastam da sala de aula de LI.

As motivações e desmotivações tanto para aprender uma nova língua quanto para
abandonar o aprendizado são intrínsecas ou extrínsecas. Entre aquelas estão o
crescimento profissional, interação social e o nível de instrução que pode ajudar nos
processos de comunicação na língua alvo. Por outro lado, Frank (2009) relata que o
aprendizado da língua inglesa por adultos pode ser afetado pela idade, aspectos
socioculturais, afetividade e autoestima e crenças sobre seu próprio aprendizado – essas
nuances provocam a desmotivação e a consequente evasão do alunado.

Apesar da heterogeneidade, pode-se inferir que o estudante de L2 busca o domínio


do idioma em todas as suas habilidades. Aprender uma língua em sua totalidade é
apoderar-se do que Britto (2007) considera um dispositivo que constitui sujeitos, marca
identidades, promove o pensamento e instrumentaliza relações e intervenções no mundo
– ou seja, dominar uma língua é tonar-se parte de uma comunidade.

Para além da língua, o domínio das habilidades linguísticas passa também pela
outra dimensão da linguagem, isto é, o uso adequado do idioma, empregando,
adequadamente, formas e regras que ao efetivam. Outro aspecto importante do
aprendizado de L2 é a escrita cuja finalidade primeira é a expansão da memória que
permite a produção de formas de pensamento, privilegiando a cognição e fortalecendo a
comunicação.

A partir do entendimento de letramento em uma segunda língua como a


possibilidade de interagir em outro idioma experienciando tal língua como prática social
integrativa da fala, escrita, leitura e compreensão pelo aprendiz (GUILHERME E
SANTOS, 2014), duas metodologias de ensino se apresentam na condução do processo
de aprendizagem: Assimilação Natural (Language Acquisition) e Estudo Formal
(Language Learning).
Schültz (2017) explica que na Assimilação Natural (Language Acquisition), o
processo dá-se de forma espontânea, intuitiva e subconsciente e tem como resultado o
sujeito ativo experimentando situações reais desenvolvidas em ambientes de contato com
a língua e cultura da língua alvo. Por outro lado, no Estudo Formal (Language Learning),
comunicação e forma tem valor igual num processo focado no estudo formal da língua,
em especial a escrita monitorada pelas regras gramaticais e do idioma em si.

Qualquer que seja o contexto e/ou foco da aprendizagem de L2, um elemento


essencial é a figura do professor. Schültz (2017) afirma que, para além da personalização
e da construção do ambiente adequado de ensino, é o professor (facilitador) que
protagoniza a construção de relacionamentos para oferecer situações reais de
comunicação focadas no interesse e no grau de proficiência do aprendiz.

Um exemplo inspirador de personalização de materiais que contemplem a


realidade e interesses do aprendiz de língua inglesa e ao mesmo tempo o instigue a
interagir com o conteúdo e seu entorno é a pesquisa de Prado e Langue (2011)
desenvolvida junto a estudantes de inglês em turmas de Educação de Jovens e Adultos.
As pesquisadoras produziram um conjunto de tarefas interligadas que ofereciam aos
alunos uma variedade de gêneros discursivos como cartoons, vídeos, charges e textos
jornalísticos sobre temas atuais à época. O escopo do material apresentava-se tanto em
português quanto em inglês.

A iniciativa da dupla de professoras mostrou-se eficaz ao incentivar a participação


dos estudantes na construção da aprendizagem conjunta bem como promoveu a sensação
de pertencimento à comunidade de prática construída a partir de trocas dos participantes
no sentido de contribuírem para a aquisição de conhecimento.

Criar situações de aprendizagem nas quais os estudantes de língua inglesa tenham


voz ativa e se sintam estimulados a participar do processo de aprendizagem, corrobora
para o fortalecimento do sentido da língua estrangeira (ou segunda língua) como parte do
seu cotidiano.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRITTO, L. P. L. Escola, ensino de línguas, letramento e conhecimento. Calidoscópio.


v. 5, n. 1, p. 24-30, abr. 2007
FRANK, Hélvio. Pessoas adultas aprendendo língua inglesa: motivações e desafios.
Ícone Revista de Letras, Brasília, v. 4, n. 1. jun. 2009.
GUILHERME, M. de F. F; SANTOS, J. B. C. dos. Letramento em Língua Inglesa: uma
reflexão bakhtiniana a partir de um estudo de caso. Bakhtiniana, São Paulo, v. 9, n. 2,
p. 52 – 71, 2014.
PRADO, V. V; LANGE, C. P. Yes, We Can. Uma prática de letramento na aula de
inglês da EJA. Revista Bem Legal. Porto Alegre, v. 1, n.1, p. 30 – 37, 2011

SHÜTZ, Ricardo. Assimilação Natural x Ensino Formal. Disponível em:


<http://www.sk.com.br/sklaxll.html> Acesso em: mar, 2017.

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