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Aula 00

Noções de Direito Penal p/ PC-DF (Agente)


Professor: Vitor Falcão

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AULA OO - DEMONSTRATIVA

SUMÁRIO PÁGINA
1. Apresentação 02
2. Cronograma do curso 03
3. Princípio da Legalidade 07
4. Princípio da Responsabilidade Pessoal 13
3. Princípio da individualização da pena 14
4. Princípio da limitação das penas 14
4. Princípio da Presunção de inocência 16
3. Princípio da intervenção mínima 17
4. Princípio da insignificância 18
4. Princípio da Lesividade 22
3. Princípio da adequação social 22
4. Princípio da Proporcionalidade responsabilidade 23
subjetiva
5. Exercícios 24

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APRESENTAÇÃO

Fala, adelantes!
Vamos iniciar agora nossa jornada rumo à gloriosa PCDF!!! Sem dúvida
alguma é um cargo muito almejado, tenha certeza que todo seu esforço será
recompensado!
Quero, desde já, fazer um trato com vocês, aqui no nosso curso terá tudo
que você precisa para aprovação: doutrina pontual, questões comentadas e
os mais recentes julgados. Então qual a sua parte no trato? Sentar a porra da
bunda na cadeira e estudar!! Com vontade, com foco!! Afinal, você quer colocar
uma .40 na cintura, distintivo no peito, ganhar uma ótima remuneração, sem
fazer esforço? Acorda, “não existe almoço grátis”, parceiro (a)! Você irá
“ralar” para conseguir sua almejada aprovação!!!
Mas calma kk, a partir de agora você tem um aliado nessa jornada, pode
entrar em contato sempre que precisar!!

A propósito, meu nome é Vitor Falcão, tenho 35 anos, sou Delegado da


Polícia Civil do DF, e especialista em Direito Penal. Antes, porém, fui
servidor da Justiça Federal, concurso que fui aprovado em 2° Lugar, onde
exerci o cargo de Técnico Judiciário, por cinco anos. Me formei na Universidade
Católica de Brasília em 2012 (Direito).00000000000

Para saber um pouco mais sobre a minha trajetória nos concursos, leia o
artigo que escrevi no site do estratégia concursos:

https://www.estrategiaconcursos.com.br/blog/author/vitorrealestrategiaconcurso
s-com-br/.

Agora, falando especificamente sobre a sua preparação, sem dúvida


alguma, o principal é a escolha do material, e aqui quero lhe parabenizar, uma
vez que o estratégia concursos possui índices altíssimos de aprovação!

Confiamos tanto na qualidade do nosso material que o Estratégia


concursos dá a você o prazo de 30 DIAS para testar o material. Isso
mesmo, você pode baixar as aulas, estudar, analisar detidamente o material e,
se não gostar, devolvemos seu dinheiro.
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Sem mais delongas, vamos ao nosso curso! Ainda não temos uma banca
definida, então faremos questões das mais diversas bancas, sempre que
possível, retiradas de provas das carreiras policiais. Mas, desde já, me
comprometo que, caso o edital saia no decorrer do curso, lançarei uma
aula extra com questões especificas da banca escolhida! Fechado?

Nosso curso será desenvolvido de acordo com a seguinte metodologia:


- curso completo em vídeo, onde explico todos os tópicos exigidos no seu edital
de Direito Penal, e resolvo alguns exercícios.
- curso escrito completo (em PDF), formado por doutrina pontual ( o
necessário à sua aprovação), exercícios comentados e os principais julgados sobre
o tema!!!
- fórum de dúvidas, onde você pode entrar em contato direto comigo quando
julgar necessário.

Quer tirar alguma dúvida antes de adquirir o curso? Deixo abaixo meus contatos:

Email:Profvitorfalcão@gmail.com
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CRONOGRAMA DO CURSO

Inicialmente, transcrevo abaixo o conteúdo programático de Direito


Penal exigido no último concurso, aproveita para ir marcando cada ponto
estudado, sempre que esgotar um tema, volte aqui e risque. É uma
sensação muito boa ver que esgotamos um edital antes da prova!!!

NOÇÕES DE DIREITO PENAL: 1 Aplicação da lei penal. 1.1 Princípios da


legalidade e da anterioridade. 1.2 Lei penal no tempo e no espaço. 1.3 Tempo e
lugar do crime. 1.4 Lei penal excepcional, especial e temporária. 1.5
Territorialidade e extraterritorialidade da lei penal. 1.6 Contagem de prazo. 1.7
Interpretação da lei penal. 1.8 Analogia. 1.9 Irretroatividade da lei penal. 2
Infração penal: elementos, espécies, sujeito ativo e sujeito passivo. 3 O fato
típico e seus elementos. 3.1 Crime consumado e tentado. 3.2 Concurso de
crimes. 3.3 Ilicitude e causas de exclusão. 3.4 Punibilidade. 3.5 Excesso punível.
3.6 Culpabilidade (elementos e causas de exclusão). 4 Imputabilidade penal. 5
Concurso de pessoas. 6 Crimes contra a pessoa. 7 Crimes contra o patrimônio. 8
Crimes contra a dignidade sexual. 9 Crimes contra a fé pública. 10 Crimes contra
a administração pública. 11 Lei nº 11.343/2006 (tráfico 38 ilícito e uso indevido
de substâncias entorpecentes). 12 Lei nº 9.034/1995 (crime organizado). 13 Lei
nº 8.072/1990 (crimes hediondos). 14 Lei nº 7.716/1989 (crimes resultantes de
preconceitos de raça ou de cor). 15 Lei nº 9.455/1997 (crimes de tortura). 16
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Lei nº 9.605/1998 (crimes contra o meio ambiente). 17 Lei nº 10.826/2003


(Estatuto do Desarmamento). 18 Lei nº 8.069/1990 (Estatuto da Criança e do
Adolescente). 19 Lei nº 9.503/1997 (crimes de trânsito - Código de Trânsito
Brasileiro). 20 Lei nº 11.340/2006 (Lei Violência Doméstica e Familiar contra a
Mulher “Lei Maria da Penha). 21 Decreto-Lei nº 3.688/1941 (Lei das
Contravenções Penais). 22 Lei nº 4.898/1965 (abuso de autoridade). 23
Disposições constitucionais aplicáveis ao Direito Penal.

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Cronograma do curso

AULA DEMONSTRATIVA(00)

Princípios constitucionais e gerais do Direito Penal

Aula 01 – 12/06/2017

Aplicação da lei penal. Lei penal no tempo e no espaço. Tempo e lugar do


crime. Lei penal excepcional, especial e temporária. Territorialidade e
extraterritorialidade da lei penal. Contagem de prazo. Interpretação da lei
penal. Analogia. Irretroatividade da lei penal.

Aula 02 – 26/06/2017

Teoria do crime (parte I)- Infração penal: elementos, espécies, sujeito ativo e
sujeito passivo. O fato típico e seus elementos. Crime consumado e tentado.

Aula 03 – 10/07/2017

Teoria do crime (Parte II). Ilicitude e causas de exclusão. Punibilidade. Excesso


punível. Culpabilidade (elementos e causas de exclusão). Imputabilidade
penal.

Aula 04 - 24/07/2017

Concurso de pessoas e concurso de crimes

Aula 05 – 24/07/2017

Crimes contra a pessoa

Aula 06- 07/08/2017 00000000000

Crimes contra o patrimônio.

Aula 07 -14/08/2017

Crimes contra a dignidade sexual.

Aula 08- 28/08/2017

Crimes contra a fé pública

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Aula 09 – 08/09/2017

Crimes contra a Administração Pública

Aula 10 - 18/09/2017

Lei de Crimes Hediondos (Lei 8.072/90). Abuso de autoridade (Lei 4.898/65).

Aula 11 – 02/10/2017

Lei de drogas (Lei 11.343/06).

Aula 12 – 09/10/2017

Tortura (Lei 9.455/97). Estatuto do desarmamento (Lei 10.826/03).

Aula 13 – 23/10/2017

Crime organizado (Lei 9.034/95). Crimes contra o meio ambiente (Lei


9.605/98).

Aula 14 – 06/11/2017

Aspectos criminais do ECA (Lei 8.069/90). Lei Maria da Penha (Lei 11.340/06).

Aula 15- 20/11/2017

Crimes previstos no Código de Trânsito (Lei 9.503/97). Crimes de preconceito


de raça e cor (Lei 7.716/89). Contravenções Penais.

Sem mais, vamos ao nosso curso!

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Princípios constitucionais

Os princípios são os valores fundamentais do sistema jurídico,


funcionando como um vetor que orienta a elaboração e a aplicação
de uma determinada norma.

Na clássica lição de Celso Antônio Bandeira de Mello:

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“Princípio é, por definição, mandamento nuclear de um sistema,
verdadeiro alicerce dele, disposição fundamental que se irradia sobre
diferentes normas, compondo-lhes o espírito e servindo de critério para a
sua exata compreensão e inteligência, exatamente por definir a lógica e
a racionalidade do sistema normativo, no que lhe confere a tônica e lhe dá
sentido harmônico. É o conhecimento dos princípios que preside a intelecção
das diferentes partes componentes do todo unitário que há por nome
sistema jurídico positivo". (grifei).

Alguns desses princípios possuem envergadura


constitucional, ou seja, devido a sua importância, o
legislador fez questão de inseri-los no texto constitucional.
Passemos ao estudo individualizado de cada um.

Princípio da Legalidade

O princípio da legalidade, sem dúvida, é o mais importante do


Direito Penal, uma vez que não se pode sequer falar na existência de
crime se não houver uma lei definindo.
Encontra previsão legal no art. 5°, XXXIX da Constituição Federal:

Art. 5º (...) XXXIX - não há crime sem lei anterior que o


defina, nem pena sem prévia cominação legal;

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Possui, também, previsão expressa no Código Penal, em seu


art. 1°:

Art. 1º - Não há crime sem lei anterior que o defina. Não


há pena sem prévia cominação legal.

Pessoal, o artigo deve ser lido assim: Não há crime ou


contravenção sem lei anterior que o defina. Não há pena ou medida
de segurança sem prévia cominação legal.

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Muito importante saber a literalidade dos artigos acima,
contudo, o mais importante sobre o princípio da legalidade, são os
seus desdobramentos.
Não podemos esquecer que, a finalidade do Direito Penal é
tutelar os bens jurídicos mais importantes (Roxin), assim, para
cumprir sua missão, o Direito Penal reserva as reprimendas mais
severas (restrição de Liberdade, restrição de direitos), logo, é
necessário que exista um limitador desse poder de punir do Estado.
É aqui que entra o princípio da legalidade, funcionando como
limitador do jus puniendi estatal.
Para que possamos falar em respeito ao princípio da
legalidade, devemos respeitar todos os seus desdobramentos, a lei
penal deve ser em sentido estrito (Lei ordinária ou
complementar), anterior, escrita, estrita e necessária.
Passemos a estudar cada um dos seus desdobramentos.

Lei em SENTIDO ESTRITO (reserva legal)

De acordo com o Princípio da reserva legal, a infração penal


somente pode ser criada por lei em sentido estrito, ou seja, lei
ordinária e, excepcionalmente, lei complementar.
Podemos concluir que não podem ser utilizados para criar
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crimes:
 Decretos;
 Resoluções;
 Leis Delegadas.
E quanto as Medida Provisórias, será que essa espécie
normativa pode criar crime (Direito Penal Incriminador)?

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Pessoal, em regra, é vedada a edição de Medidas Provisórias
relativas a Direito Penal (CF, art. 62, § 1°, I, alinea b), ou seja, não
sendo lei em sentido estrido, mas ato do Poder Executivo com força
normativa, a Medida Provisória não cria crime e não comina
pena.
Mas cuidado!!!O STF tem admitido a edição de Medida
Provisória sobre Direito Penal, desde que benéficas ao agente.1

Lei ANTERIOR

A lei penal produz efeitos a partir da data em que entra em


vigor, ou seja, não se aplica a fatos pretéritos, salvo para
beneficiar o réu (art. 5°, XL).
Veremos com muitos detalhes esse assunto quando
estudarmos a lei penal no tempo, por enquanto, quero que gravem
apenas que a lei penal deve ser prévia ao fato cuja punição se
pretende.

Lei ESCRITA.

Apesar de parecer meio óbvio que a lei deve ser escrita, o


quer queremos dizer com isso é que o princípio da legalidade
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proibido o costume incriminador.


Mas professor, então podemos dizer que o costume
penal é totalmente irrelevante para o Direito Penal? Não, a
doutrina2 nos ensina que os costumes servem como vetor
interpretativo, como por exemplo na elucidação de alguns tipos
penais, como a expressão “repouso noturno” (art. 155, §1°, CP).

1
STF, RE 254.818-PR.
2
Cunha, Rogério Sanches. Manual de Direito Penal. JusPodivm. Salvador, 2015, p. 85.

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Para que tenhamos a real compreensão do que seria o “repouso
noturno” temos que saber qual o costume da localidade. No
interior, o povo costuma repousar bem mais cedo do que em uma
grande capital.

Resumindo: Costume não cria e nem revoga


crimes, entretanto, é admissível o costume
interpretativo.

Lei ESTRITA.

A lei penal precisa ser taxativa, precisa, descrevendo o


conteúdo do tipo penal e da sanção penal. Como desdobramento
lógico da taxatividade, temos a vedação da analogia in malam
partem.
Galera, nas lições de Rogério Greco:
“Define-se analogia como uma forma de autointegração da
norma consistente em aplicar a uma hipótese não prevista em lei a
disposição legal relativa a um caso semelhante.”3

Existem duas espécies de analogia:


 Analogia
Existem duas espécies de analogia:E
in bonam partem (para
beneficiar).
 Analogia in bonam partem (para beneficiar)
 Analogia in malam partem (para 00000000000

 Analogia in malam parte (para prejudicar)


prejudicar).
Notem que dissemos que o princípio da legalidade veda à
utilização da analogia incriminadora (in malam partem), uma vez
que a analogia para beneficiar (in bonam partem) é admitida!!
Todo mundo aqui já ouviu falar do famoso “gatonet”, aliás,
tomem cuidado, olha a sindicância da vida pregressa ai hein!!rs.
Pois bem, o Supremo Tribunal Federal declarou a atipicidade (não
3
Greco, Rogério. Curso de Direito Penal- Parte Geral- Impetus. Rio de Janeiro 2014, p. 47.

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considerou crime) da conduta do agente que furta sinal de TV à
cabo, sob o fundamento de ser impossível fazer a analogia ( in
malam partem) com o furto de energia elétrica, essa sim, prevista
no artigo 155, §3°, CP.4
Artigo 155, §3º, CP: Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
(...)
§ 3º - Equipara-se à coisa móvel a energia elétrica ou qualquer outra
que tenha valor econômico. (negritei).

EMENTA HC 97.261: HC . DIREITO PENAL. ALEGAÇÃO DE


ILEGITIMIDADE RECURSAL DO ASSISTENTE DE ACUSAÇÃO.
IMPROCEDÊNCIA. INTERCEPTAÇÃO OU RECEPTAÇÃO NÃO AUTORIZADA
DE SINAL DE TV A CABO. FURTO DE ENERGIA (ART. 155, §3º, DO
CÓDIGO PENAL). A DEQUAÇÃO TÍPICA NÃO EVDENCIADA. CONDUTA
TÍPICA PREVISTA NO ART. 35 DA L EI 8.977/95. I NEXISTÊNCIA DE
PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE. APLICAÇÃO DE ANALOGIA IN MALAM
PARTEM PARA COMPLEMENTAR A NORMA. INADMISSIBILIDADE.
OBEDIÊNCIA AO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA ESTRITA LEGALIDADE
PENAL. PRECEDENTES. O assistente de acusação tem legitimidade para
recorrer de decisão absolutória nos casos em que o MP não interpõe
recurso. Decorrência do enunciado da Súmula 210 do STF. O sinal de
TV a cabo não é energia, e assim, não pode ser objeto material do
delito previsto no art. 155, § 3º, do Código Penal. Daí a
impossibilidade de se equiparar o desvio de sinal de TV a cabo ao
delito descrito no referido dispositivo. Ademais, na esfera penal
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não se admite a aplicação da analogia para suprir lacunas, de


modo a se criar penalidade não mencionada na lei (analogia in
malam partem), sob pena de violação ao princípio constitucional da
estrita legalidade. Precedentes. Ordem concedida. (grifei)5

Mas lembremos, a analogia para beneficiar é admitida!!

4
STF- Segunda turma- HC 97261- Rel, Min. Joaquim Barbosa – Dje-02/05/2011.
5
O STJ possui entendimento diverso (...) o sinal de TV a cabo pode ser equiparado à
energia elétrica para fins de incidência do artigo 155, §3°, do Código Penal (RHC
30.847/RJ – relatoria Min. Jorge Mussi, 5ª Turma- 20/08/2013.
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Exemplo clássico, temos a hipótese do inciso I do artigo 181
do Código penal, que diz ser isento de pena quem praticar qualquer
dos crimes previstos no Título II, em prejuízo do cônjuge, durante
a constância da sociedade conjugal. Trata-se da chamada escusa
absolutória, que será estudada com profundidade quando tratarmos
dos crimes contra o patrimônio.
Agora surge a pergunta, será que se a subtração for
realizada pelo companheiro (a), que vive em união estável, poderá
incidir a escusa? A resposta só pode ser positiva, uma vez que
nesse caso estaremos utilizando a analogia in bonam partem, ou
seja, para beneficiar o acusado.
Não obstante sabermos que a norma penal deva ser certa,
precisa, taxativa, não podemos esquecer que existem as
chamadas NORMAS PENAIS EM BRANCO.
As normas penais em branco são aquelas que dependem de
outra norma para que sua aplicação seja possível, é aquela cujo
preceito primário (descrição da conduta) é indeterminado quanto a
seu conteúdo, porém determinável. A norma penal em branco
também é chamada de “norma cega”. Como diria Franz Von Listz,
são como “corpos errantes em busca de alma”.

A Doutrina divide, ainda, as normas penais em branco6

 Norma penal em branco homogênea (em sentido lato) – o complemento


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tem a mesma natureza jurídica e emana da mesma fonte de produção


normativa.
Por exemplo, podemos citar o art. 169 do CP, parágrafo único, I, que trata da
apropriação de tesouro. Para que saibamos o conceito de tesouro, recorremos
ao Código Civil (art. 1264). Perceba que as duas normas possuem como
fonte o legislador.
 Norma penal em branco Heterogênea (em sentido estrito) - O seu
complemento não emana do legislador, mas sim de fonte normativa
diversa.
Exemplo clássico está na lei de Drogas (11.3434/2006), onde a definição de
6
Drogas está em uma portaria da Anvisa. Novamente perceba que uma
Masson, Cleber. Direito Penal Esquematizado- V.1-Parte Geral- Método-São Paulo 2015, p. 122.
norma foi editada pelo legislador (lei de drogas), mas o seu
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complemento deriva de www.estrategiaconcursos.com.br
uma Portaria da Anvisa, ou seja, fontes
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normativas diversas.

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ATENÇÃO! Existe ainda a lei penal em
branco inversa ou ao avesso – neste caso, o preceito
primário é completo (descrição da conduta), entretanto, o
preceito secundário reclama complementação!! Por exemplo
o artigo 1° da lei de genocídio (2.889/1956), ele descreve
perfeitamente a conduta, mas não cuida diretamente da
pena, nos remetendo a outras leis para que saibamos a
pena cominada.

Mas afinal, a norma penal em branco ofende o princípio da


legalidade? A doutrina majoritária entende ser constitucional a
norma penal em branco.

Lei NECESSÁRIA

O Direito penal somente deverá intervir quando todos os outros


ramos do direito falharem (ultima ratio), assim, quando a conduta
indesejada puder ser inibida pelos outros ramos do direito não é
necessária a intervenção do Direito Penal.

PRINCÍPIO DA RESPONSABILIDADE PESSOAL

Também conhecido como Princípio da intranscendência da pena,


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está previsto no inciso XLV do artigo 5° da Constituição Federal:


XLV - nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação
de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei,
estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do
patrimônio transferido; ( g r i f e i )

Em razão do referido princípio, também conhecido como princípio da


intranscendência da pena, somente o condenado é que irá se submeter a
sanção que foi condenado. Em outras palavras, somente o condenado, e
mais ninguém, poderá responder pela infração praticada.
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Professor, então quer dizer que se o condenado morrer o Estado não
poderá punir mais ninguém? Exatamente!!! A morte é causa de extinção
da punibilidade (art. 107, CP), não existe possibilidade de se punir um
terceiro!

ATENÇÃO! isso não impede que os


sucessores do condenado falecido sejam obrigados a
reparar os danos civis causados pelo fato. Porém, só
responderão nos limites do valor patrimonial
transferido.
Fique ligado! No caso de morte do condenado, não
poderá o valor da pena de multa ser cobrada dos herdeiros.
Isso porque a pena de multa é uma sanção penal, logo, não
poderá passar da pessoa do condenado! E sendo sanção
penal, com a morte do agente, ocorrera a extinção da
punibilidade, nos termos do artigo 107 do Código Penal.
Resumindo
Reparação cível – pode ser transferida aos herdeiros até o
limite da herança.
Pena de multa – é uma espécie de sanção penal, logo, em
respeito à instranscendência da pena, não poderá ser
transferida aos herdeiros.
RESPONSABILIDADE PESSO

PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA

A Constitucional Federal, em seu artigo 5°, inciso XLVI, prevê:


XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre
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outras, as seguintes:

A individualização da pena ocorre em três momentos distintos e nas


três esferas, legislativa, judicial e administrativa.7
No legislativo a individualização ocorre no momento que o legislador
define uma conduta como crime e determina a sua pena. A
individualização judicial, complementa a legislativa, atuando agora no

7
Masson, Cleber. Op. cit., p. 46.

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plano concreto, nos termos do sistema trifásico adotado pelo CP no artigo
68.
Finalmente, a individualização administrativa é materializada
durante a execução da pena. Por esta razão, em 2006, o STF declarou a
inconstitucionalidade do artigo da Lei de Crimes Hediondos (Lei 8.072/90)
que previa a impossibilidade de progressão de regime nesses casos,
determinando que o réu cumprisse a pena em regime fechado. Desta
forma, entendeu a Suprema Corte que a obrigatoriedade do regime
fechado feria o princípio da individualização da pena.

PRINCÍPIO DA LIMITAÇÃO DAS PENAS

A Constituição Federal, visando garantir o respeito à dignidade da


pessoa humana, fundamento nuclear do ordenamento jurídico,
estabeleceu no inciso XLVII do seu artigo 5°:
XLVII - não haverá penas:
a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX;
b) de caráter perpétuo;
c) de trabalhos forçados;
d) de banimento;
e) cruéis;
Como dito anteriormente, o objetivo principal desse princípio é
resguarda a dignidade humana, e, para isso, ela veda a cominação de
algumas espécies de penas.
Devemos lembrar que, não obstante a vedação da pena de morte,
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ela é prevista no nosso ordenamento no caso de guerra declarada. Outro


ponto importante, é que sua proibição consiste em uma cláusula pétrea,
desta forma, não seria possível a instituição da pena de morte nem
mesmo por Emenda Constitucional (art. 60, §4°, IV, CF/88).
Quanto aos trabalhos forçados, temos que ter cuidado! A Lei de
Execução Penal menciona a obrigatoriedade do trabalho do preso, o que
não se confunde com a pena de trabalho forçado. A Constituição teve
como objetivo proibir trabalho degradantes. Lembra dos desenhos

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animados onde os presos eram condenados a ficar martelando pedras,
sob ameaça do chicote do Agente Penitenciário? Pois é, esse tipo de
trabalho que a Constituição quis proibir. O trabalho previsto na Lei de
Execução Penal tem como objetivo ajudar na ressocialização do preso,
além de gerar a conquista de diversos benefícios.
Quanto as demais proibições, uma leitura atenta é suficiente para
acertar a questão da prova, geralmente o examinador quer saber se você
sabe quais as penas que são vedadas pela Constituição Federal de 1988.

PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA

A Constituição Federal em seu artigo 5°, inciso LVII, determina que:


LVII – Ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado da sentença penal

condenatória.

Antes de mais nada, sentença penal transitada em julgado


significa aquela sentença que não cabe mais recurso, é uma
sentença irrecorrível.

CUIDADO! Dois detalhes sobre esse princípio merecem sua


atenção pois tem potencialidade de ser questão de prova: Primeiro; as prisões
provisórias (preventiva, temporária, NÃO ferem o princípio da culpabilidade,
desde que sejam medida excepcional. Segundo; no julgamento do HC 126.292
o STF decidiu que o cumprimento da pena pode se iniciar com a mera
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condenação em segunda instância por um órgão colegiado, o u s e j a , o STF


relativizou o princípio da presunção de inocência, sob o fundamento que a
“culpa”, pelo menos para fins de cumprimento de pena, já estaria formada a
partir da condenação em segunda instância!!!!

Ainda como decorrência do princípio da presunção de inocência,


temos a inversão do ônus da prova. Já que o acusado é presumidamente
inocente, cabe a acusação demonstrar a sua culpa. Destarte, se

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estivermos em uma situação de dúvida na condenação, adotaremos o
entendimento em favor do réu (in dubio pro reo).
Galera, passaremos agora ao estudo dos princípios gerais que
regem o Direito Penal.

PRINCÍPIO DA INTERVENÇÃO MÍNIMA

O direito penal só deve intervir quanto estritamente necessário


(ultima ratio). Dessa forma, sua aplicação apenas será legitima quando
todos os outros ramos do direito se revelarem incapazes de proteger os
bens mais importantes para a sociedade (subsidiariedade). Ademais,
apenas os bens jurídicos mais importantes e necessários à vida em
sociedade merecem a proteção do Direito Penal (fragmentariedade).

IMPORTANTE
 Princípio da Subsidiariedade - o Direito Penal deve atuar de forma subsidiária
(Ultima ratio), isto é, somente quando insuficientes as outras formas de
controle social.
 Princípio da fragmentariedade - o Direito Penal não deve tutelar todos os
bens jurídicos, mas somente os mais relevantes para a sociedade (vida,
liberdade, patrimônio).
Importante ressaltar que o princípio da intervenção mínima possui
dupla finalidade. De um lado, é o responsável pela indicação dos bens de
maior importância que merecem proteção penal, do outro, se presta,
também, a fazer com que ocorra a chamada descriminalização.8
00000000000

Imagine uma infração de trânsito que, em regra, não é crime. A


multa é suficiente para tutelar o bem jurídico em questão, assim, não
seria legitimo criminalizar as infrações de trânsito, já que o Direito
Administrativo se mostrou capaz.

8
Greco, Rogério. Op. cit., p. 51.

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17

00000000000 - DEMO
Agora, no caso de um homicídio, nenhum outro ramo do Direito é
capaz de lidar com a situação, destarte, subsidiariamente, iremos
recorrer ao Direito Penal (ultima ratio).
A outra finalidade da intervenção mínima está de servir de norte ao
legislador para retirar a proteção penal de alguns bens jurídicos que já
podem, satisfatoriamente, serem tutelados por outros ramos do Direito.
Como exemplo, é só lembrarmos do adultério, que era considerado crime
até o ano de 2006, mas o legislador, atento a evolução da sociedade,
percebeu que o Direito Civil era capaz de cuidar do caso. Em outras
palavras, traição não interessa ao Direito Penal, o parceiro traído que
procure uma indenização no cível.
Pessoal, devido ao seu caráter fragmentário, além do direito
penal não tutelar todos os bens, mas apenas os mais importantes, ainda
assim, ele só irá se ocupar dos ataques mais intoleráveis. Pensemos na
seguinte situação: o nosso patrimônio com certeza merece a atenção do
Direito Penal, mas será que a subtração de uma “caneta bic” pode ser
considerado um ataque ao patrimônio? Será que o Direito Penal deve ser
ocupar dessa conduta? Para responder a essas questões surge o princípio
da insignificância, que foi melhor desenvolvido por Claus roxin.

PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA9

Pessoal, como dissemos, o legislador somente irá selecionar para


00000000000

fins de proteção pelo Direito Penal, os bens jurídicos mais importantes


para a vida em sociedade. Mas, ainda assim, somente as lesões
intoleráveis, que realmente lesem o bem jurídico protegido deverão ser
sancionadas.

9
O Princípio da insignificância também é conhecido como “princípio da bagatela” ou “infração
bagatelar própria”.

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18

00000000000 - DEMO
Imagine a seguinte situação: Tício subtrai um bombom no
supermercado, no valor de R$ 2,00 (dois reais). Bem, se pensarmos
formalmente, a conduta de Tício se amolda perfeitamente ao artigo 155
do CP (furto). Agora, será que que podemos falar que houve lesão ao
patrimônio do supermercado? A resposta aqui é negativa. Existe a
tipicidade formal, mas não existe a tipicidade material. O princípio da
insignificância é uma causa de exclusão da tipicidade material! Muito
importante lembrar disso, a prova irá tentar te induzir em erro dizendo
que o princípio da insignificância exclui a ilicitude ou a culpabilidade.
IMPORTANTE

 Tipicidade Formal– é a adequação entre a conduta praticada e a


conduta prevista abstratamente no tipo penal (subtrair uma caneta
bic é formalmente furto (art. 155 CP), uma vez que houve
subtração de coisa alheia móvel).
 Tipicidade Material - é a efetiva lesão ou ameaça de lesão ao bem
jurídico tutelado pelo tipo penal.

Sem desespero!!! Estudaremos a tipicidade com mais calma na aula


sobre teoria do crime. Por enquanto, preciso apenas que saibam esses
conceitos de tipicidade para que entendam o princípio da insignificância.
Professor, qual a previsão legal do princípio da insignificância? Não
existe previsão legal, trata-se de criação doutrinária e jurisprudencial.
Tomem muito cuidado com um detalhe, o critério para aplicação do
princípio da insignificância não é apenas patrimonial, existem outros
00000000000

fatores que devem ser levados em consideração. Como por exemplo: o


valor sentimental do bem (imagine o furto de um disco de vinil que a
vítima ganhou do seu pai e que costumavam escutarem juntos quando o
pai era vivo); a condição econômica da vítima (furto de uma bicicleta
toda acabada, mas que era o único meio de transporte da vítima);
condições pessoais do agente (um furto praticado por um juiz,
promotor é muito mais reprovável). Na prova de vocês, basta lembrarem

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19

00000000000 - DEMO
que o critério para aplicação do princípio da insignificância não é
apenas patrimonial.
O STF idealizou quatro requisitos objetivos para a aplicação do
princípio da insignificância10

Mínima ofensividade da conduta


Ausência de periculosidade social da ação
Reduzido grau de reprovabilidade do comportamento
Inexpressividade da lesão jurídica

Aqui não tem jeito, você precisa decorar esses requisitos, então para
facilitar lembre da palavra MARI.
Além dos requisitos objetivos os tribunais também exigem requisitos
subjetivos. Aqui, não estamos falando mais a respeito do fato, mas sobre
o agente e a vítima do fato.
Quanto à vítima do fato, já falamos que devem ser levados em
consideração o valor sentimental do bem, sua condição econômica e suas
condições pessoais.
Agora, quanto ao agente, duas condições merecem análise:
reincidência e habitualidade criminosa. No caso da reincidência, o STF 11 já
aceitou o princípio da insignificância ao reincidente genérico, vedando
sua aplicação apenas ao reincidente específico. O STJ tem posição
dividida: a 5ª Turma possui entendimento no sentido de que não cabe
aplicação deste princípio se o réu é reincidente12. Lado outro, a 6ª Turma
entende que a reincidência, por si só, não é apta a afastar a aplicação do
00000000000

princípio13.
Quanto a habitualidade, o STJ já decidiu que o réu não poderá ser
um criminoso habitual14.

10
HC 84.412-0/SP
11 HC 114.723/MG, Rel. Min. Teori Zavascki, 2ª Turma.
12 RHC 48.510/MG, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, julgado em
07/10/2014
13 AgRg no AREsp 490.599/RS, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR
14 HC 260.375/SP, Rel. Moura Ribeiro, 5ª Turma.
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20

00000000000 - DEMO
Em relação aos crimes que admitem a aplicação do princípio da
insignificância, atualmente, temos a seguinte posição jurisprudencial:

Aceitam a aplicação: Rejeitam a aplicação:


• Furto • Lesão corporal
• Atos infracionais • Roubo
• Crimes contra a ordem • Tráfico de drogas
tributária. • Moeda falsa
• Descaminho (Cuidado!!Para • Contrabando
fins de insignificância o valor • Posse ou porte de arma ou
adotado no caso de munição
descaminho é: STJ até R$ • Crimes militares
10.000,00; STF até R$
20.000,00)
• Crimes ambientais

Aprofundando: A doutrina15 distingue a bagatela própria da


imprópria. A bagatela própria se aplica aos fatos que já nascem irrelevantes
para o direito penal, por exemplo, furto de um pacote de biscoito.
Já na bagatela imprópria o fato nasce relevante, porém, a pena, diante
00000000000

do caso concreto, se mostra desnecessária, por exemplo, no caso do


homicídio culposo cujas consequência da infração atingem o agente de forma
tão grave que a pena se torna desnecessária, o juiz pode aplicar o perdão
judicial (art. 121, §5°, CP). Só imaginar a mãe que esquece o filho recém-
nascido no banco de trás do carro e, ao voltar, o encontra morto. A conduta
dessa mãe é relevante, mas as consequências da infração recaíram sobre ela
de forma tão grave que a pena, no caso concreto, se tornou desnecessária.

15
Cunha, Rogério Sanches. Op. cit., p79.

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00000000000 - DEMO
PRINCÍPIO DA LESIVIDADE

Para que seja punida pelo Direito Penal, a conduta praticada deve
exceder ao âmbito do próprio Autor, ou seja, não existe infração penal se
a conduta não tiver oferecido ao menos perigo de lesão a bem jurídico, o
referido princípio exige que ocorra efetiva lesão ou perigo de lesão ao
bem jurídico tutelado.
Segundo as lições de Rogério Greco16 as funções do princípio da
lesividade são:
 Proibir a incriminação de uma atitude interna (a cogitação não é
punível).
 Proibir a incriminação de uma conduta que não exceda o âmbito do
próprio Autor (não se pune a autolesão).
 Proibir a incriminação de simples estados ou condições existenciais
(O moderno Direito Penal é um direito do fato e não do Autor).
 Proibir a incriminação de condutas desviadas que não afetem
qualquer bem jurídico (o Direito Penal não tutela a moral, só vocês
lembrarem que o incesto não é crime!).

PRINCÍPIO DA ADEQUAÇÃO SOCIAL

Segundo esse princípio, uma conduta, apesar de típica, não será


00000000000

considerada crime se for socialmente adequada ou reconhecida, ou seja,


se for aceita pela sociedade.
Muito cuidado, o princípio da adequação social, por si só, não tem
aptidão para revogar tipos penais, pode até orientar o legislador para que
retire a criminalização de certas condutas, mas isso só poderá ocorrer por
força de lei.

16
Greco, Rogério. Op. cit., p. 55.

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00000000000 - DEMO
Só lembrar da pratica da venda de CD e DVD piratas, atividade aceita
pela sociedade em geral. Não obstante essa aceitação (adequação social)
a conduta continua sendo considerada criminosa. O STJ, inclusive, já
sumulou esse entendimento:

Súmula 502 do STJ - PRESENTES A MATERIALIDADE E A


AUTORIA, AFIGURA-SE TÍPICA, EM RELAÇÃO AO CRIME
PREVISTO NO ART. 184, § 2º, DO CP, A CONDUTA DE EXPOR
À VENDA CDS E DVDS PIRATAS.

PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE

A penas aplicadas devem ser proporcionais aos bens jurídicos que se


procura proteger, ou seja, o princípio da proporcionalidade proíbe penas
excessivas ou desproporcionais.
Importante destacar, que a proporcionalidade possui uma dupla face:
De um lado proíbe o excesso, vedando a aplicação de penas exageradas
Imaginemos uma pena de 30 anos para o crime de furto simples, art 155,
CP); do outro, proíbe a proteção insuficiente, pois não tolera penas que
fique aquém da importância do bem jurídico tutelado (por exemplo,
cominar uma pena de 2 anos para o crime de homicídio, art. 121, CP)

PRINCÍPIO DA RESPONSABILIDADE PENAL


SUBJETIVA
00000000000

O Princípio em questão diz que a ninguém pode ser imputada uma


conduta se a pessoa não tiver agido com dolo ou culpa ( serão estudados
quando estudarmos conduta). A finalidade desse princípio é vedar a
responsabilidade objetiva.
Apenas por curiosidade, a doutrina traz alguns exemplos de
resquícios de responsabilidade objetiva, como por exemplo, na rixa
qualificada (art. 137, parágrafo único, CP).

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00000000000 - DEMO
PRINCÍPIO DO NE BIS IN IDEM

Previsto no artigo 8°, 4, do Pacto de São José da Costa Rica, o


referido princípio proíbe a dupla punição pelo mesmo fato. Ademais,
estabelece que uma pessoa não possa, sequer, ser processada duas vezes
pelo mesmo fato.

EXERCÍCIOS

01-(CESPE / TJ-AC / Técnico Judiciário )


Dado o princípio da legalidade, o Poder Executivo não pode majorar as
penas cominadas aos crimes cometidos contra a administração pública
por meio de decreto.
02-(FGV - 2012)
Em relação ao princípio da insignificância:
00000000000

A) O principio da insignificância funciona como causa de exclusão da


culpabilidade. A conduta do agente, embora típica e ilícita, não é culpável.
B) A mínima ofensividade da conduta, a ausência de periculosidade social
da ação, o reduzido grau de reprovabilidade do comportamento e a
inexpressividade da lesão jurídica constituem, para o Supremo Tribunal
Federal, requisitos de ordem objetiva autorizadores da aplicação do
princípio da insignificância.

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00000000000 - DEMO
C) A jurisprudência predominante dos tribunais superiores é acorde em
admitir a aplicação do princípio da insignificância em crimes praticados
com emprego de violência ou grave ameaça à pessoa (a exemplo do
roubo).
D) O princípio da insignificância funciona como causa de diminuição de
pena.

03- (CESPE - 2013 - DPE-ES - Defensor Público)


O princípio da insignificância ou da bagatela exclui
A) a punibilidade.
B) a executividade.
C) a tipicidade material.
D) a ilicitude formal.
E) a culpabilidade
04- (FGV - 2014)
O Presidente da República, diante da nova onda de protestos, decide, por
meio de medida provisória, criar um novo tipo penal para coibir os atos de
vandalismo. A medida provisória foi convertida em lei, sem impugnações.
Com base nos dados fornecidos, assinale a opção correta.
A) Não há ofensa ao princípio da reserva legal na criação de tipos penais
por meio de medida provisória, quando convertida em lei.
B) Não há ofensa ao princípio da reserva legal na criação de tipos penais
00000000000

por meio de medida provisória, pois houve avaliação prévia do Congresso


Nacional.
C) Há ofensa ao principio da reserva legal, pois não é possível a criação
de tipos penais por meio de medida provisória.
D) Há ofensa ao princípio da reserva legal, pois não cabe ao Presidente da
República a iniciativa de lei em matéria penal.

05- ( 2016- CESPE- PC-PE- Agente de Polícia)

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00000000000 - DEMO
Acerca dos princípios básicos do direito penal brasileiro, assinale
a) O princípio da fragmentariedade ou o caráter fragmentário do direito
penal quer dizer que a pessoa cometerá o crime se sua conduta coincidir
com qualquer verbo da descrição desse crime, ou seja, com qualquer
fragmento de seu tipo penal.
b) O princípio da anterioridade, no direito penal, informa que ninguém
será punido sem lei anterior que defina a conduta como crime e que a
pena também deve ser prevista previamente, ou seja, a lei nunca poderá
retroagir.
c) É possível que uma lei penal mais benigna alcance condutas anteriores
à sua vigência, seja para possibilitar a aplicação de pena menos severa,
seja para contemplar situação em que a conduta tipificada passe a não
mais ser crime.
d) O princípio da insignificância no direito penal dispõe que nenhuma vida
humana será considerada insignificante, sendo que todas deverão ser
protegidas.
e) O princípio da ultima ratio ou da intervenção mínima do direito penal
significa que a pessoa só cometerá um crime se a pessoa a ser
prejudicada por esse crime o permitir.
06- (2016 - CESPE - TCE-PR - Auditor)
A respeito dos princípios aplicáveis ao direito penal, julgue os itens.
Conforme o entendimento doutrinário
00000000000
dominante relativamente ao
princípio da intervenção mínima, o direito penal somente deve ser
aplicado quando as demais esferas de controle não se revelarem eficazes
para garantir a paz social. Decorrem de tal princípio a fragmentariedade e
o caráter subsidiário do direito penal.
07(2016 - CESPE - TCE-PR - Auditor)
A respeito dos princípios aplicáveis ao direito penal, julgue os itens. Dado
o princípio da intranscendência da pena, o condenado não pode

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26

00000000000 - DEMO
permanecer mais tempo preso do que aquele estipulado pela sentença
transitada em julgado.
08- (2012-IPAD-PC-AC-Agente de Polícia Civil)
Maria, empregada de uma rede de supermercados, subtraiu,
conscientemente, de forma furtiva, a quantia de R$ 17,00 (dezessete
reais), em espécie, do caixa da loja em que trabalha. Descoberta tal
prática, foi oferecida denúncia, mas, em sentença, a ré foi absolvida.
Pode-se concluir, acerca dos fatos narrados, que Maria foi beneficiada
pela aplicação do princípio do(a):
a) actio libera in causa.
b) in dubio pro reo.
c) presunção de inocência.
d) insignificância.
e) retroatividade da lei mais benéfica.
09- (2008-PC-RJ-PC-RJ-Inspetor de Polícia)
Relativamente aos princípios de direito penal, assinale a
afirmativa incorreta.
a) Não há crime sem lei anterior que o defina.
b) Não há pena sem prévia cominação legal.
c) Crimes hediondos não estão sujeitos ao princípio da anterioridade da
lei penal.
d) Ninguém pode ser punido por fato que a lei posterior deixa de
00000000000

considerar crime.
e) A lei posterior que de qualquer modo favorece o agente aplica-se aos
casos anteriores.
10- (2008-CESPE-PC-TO-Delegado de Polícia)
Acerca dos princípios constitucionais que norteiam o
direito penal, da aplicação da lei penal e do concurso de
pessoas:

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00000000000 - DEMO
Prevê a Constituição Federal que nenhuma pena passará da pessoa do
condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação de
perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e
contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido.
Referido dispositivo constitucional traduz o princípio da instranscendência.

11- (CESPE - 2013 - POLÍCIA RODOVIÁRIA FEDERAL – POLICIAL


RODOVIÁRIO FEDERAL)
O princípio da legalidade é parâmetro fixador do conteúdo das normas
penais incriminadoras, ou seja, os tipos penais de tal natureza somente
podem ser criados por meio de lei em sentido estrito.

12- (IBADE-2017-PC-AC-Delegado de Polícia)


“O suicídio é um crime (assassínio) [...]. Aniquilar o sujeito da moralidade
na própria pessoa é erradicar a existência da moralidade mesma do
mundo, o máximo possível, ainda que a moralidade seja um fim em si
mesma. Consequentemente, dispor de si mesmo como um mero meio
para algum fim discricionário é rebaixar a humanidade na própria pessoa
(homo noumenon), à qual o ser humano (homo phaenomenon) foi,
todavia, confiado para preservação” (KANT, Immanuel, a Metafísica dos
Costumes).
A extinção da própria vida já foi objeto de sancionamento penal em
00000000000

diversos países. Esclarece Galdino Siqueira (Tratado, tomo III, p. 68) que
o direito romano punia com confisco de bens o ato de suicidar-se para
fugir a uma acusação ou à pena por outro delito. A mesma pena foi
aplicada em França. O confisco-segundo o autor-persistia na Inglaterra no
início do século XX, desde que o suicídio não fosse efeito de uma
desordem mental provada. Tendo por base o confisco de bens outrora
pertencentes ao suicida - que tem herdeiros - como forma de punição

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00000000000 - DEMO
penal, é correto afirmar que responsabilização de terceiros pela conduta
de alguém viola o princípio penal, denominado:
a)individualização judicial da pena.
b)taxatividade
c)intranscendência.
d)ofensividade.
e)inderrogabilidade.
13- (2014- ACAFE- PC-SC- Agente de Polícia)
Acerca dos princípios constitucionais e infraconstitucionais do Direito
Penal, é correto afirmar, exceto:
a) A lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as
seguintes:
a) privação ou restrição da liberdade; b) perda de bens; c) multa; d)
prestação social alternativa;
e) suspensão ou interdição de direitos.
b) O princípio da intervenção mínima preconiza que a criminalização de
uma conduta só se legítima se constituir meio necessário para a proteção
de determinado bem jurídico.
c) O princípio da lesividade proíbe a incriminação de uma conduta que
não exceda o âmbito do próprio autor.
d) O princípio da adequação social restringe a abrangência do tipo penal,
limitando sua interpretação e dele excluindo as condutas consideradas
00000000000

socialmente adequadas e aceitas pela sociedade.


e) Nenhuma pena passará da pessoa do condenado, não podendo a
obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser
estendidas aos sucessores.

14 - (2014- VUNESP- PC-SP-Delegado de Polícia)

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00000000000 - DEMO
Assinale a alternativa que apresenta o princípio que deve ser atribuído a
Claus Roxin, defensor da tese de que a tipicidade penal exige uma ofensa
de gravidade aos bens jurídicos protegidos.
a) Insignificância.
b) Intervenção mínima.
c) Fragmentariedade.
d) Adequação social.
e) Humanidade.
15 - (2014-FUNCAB-PJC-MT-Investigador)
O princípio da fragmentariedade do Direito Penal significa:
a) que, uma vez escolhidos aqueles bens fundamentais, comprovada a
lesividade e a inadequação das condutas que os ofendem, esses bens
passarão a fazer parte de uma pequena parcela que é protegida pelo
Direito Penal.
b) que o legislador valora as condutas, cominando-lhes penas que variam
de acordo com a importância do bem a ser tutelado.
c) que apesar de uma conduta se subsumir ao modelo legal não será
considerada típica se for socialmente adequada ou reconhecida, isto é, se
estiver de acordo com a ordem social da vida historicamente
condicionada.
d) que as proibições penais somente se justificam quando se referem a
condutas que afetem gravemente direitos de terceiros.
00000000000

e) que a lei é a única fonte do Direito Penal quando se quer proibir ou


impor condutas sob a ameaça de sanção.

16- (2008-CESPE-PC-TO-Delegado de Polícia)


Acerca dos princípios constitucionais que norteiam o
direito penal, da aplicação da lei penal e do concurso de
pessoas:

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00000000000 - DEMO
Prevê a Constituição Federal que nenhuma pena passará da pessoa do
condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação de
perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e
contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido.
Referido dispositivo constitucional traduz
17- (CESPE - 2013 - DEPEN - AGENTE PENITENCIÁRIO)
O direito penal brasileiro não admite penas de banimento e de trabalhos
forçados.

RESOLUÇÃO DE QUESTÕES

01-(CESPE / TJ-AC / Técnico Judiciário )


Dado o princípio da legalidade, o Poder Executivo não pode majorar as
penas cominadas aos crimes cometidos contra a administração pública
por meio de decreto.
Comentários: Questão correta. Somente por lei (ordinária ou
complementar) o legislador pode tratar do Direito Penal
incriminador. Seja criando crimes, seja cominando ou aumentando
penas. 00000000000

02-(FGV - 2012)
Em relação ao princípio da insignificância:
A) O principio da insignificância funciona como causa de exclusão da
culpabilidade. A conduta do agente, embora típica e ilícita, não é culpável.
Lembra que eu falei que o examinador tentaria te confundir? Mas
já sabemos que o princípio da insignificância excluía a tipicidade
material.

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31

00000000000 - DEMO
B) A mínima ofensividade da conduta, a ausência de periculosidade
social da ação, o reduzido grau de reprovabilidade do comportamento e a
inexpressividade da lesão jurídica constituem, para o Supremo Tribunal
Federal, requisitos de ordem objetiva autorizadores da aplicação do
princípio da insignificância. Exato. Só lembrar da palavra mari.
Mínima ofensividade da conduta
Ausência de periculosidade social da ação
Reduzido grau de reprovabilidade do comportamento
Inexpressividade da lesão jurídica

C) A jurisprudência predominante dos tribunais superiores é acorde em


admitir a aplicação do princípio da insignificância em crimes praticados
com emprego de violência ou grave ameaça à pessoa (a exemplo do
roubo). Errado, a jurisprudência nega a aplicação do princípio da
insignificância em caso de crimes cometidos com violência ou
grave ameaça.
D) O princípio da insignificância funciona como causa de diminuição de
pena. Já sabemos que o referido princípio funciona como causa
supralegal da exclusão de tipicidade (material).

03- (CESPE - 2013 - DPE-ES - Defensor Público)


O princípio da insignificância ou da bagatela exclui
00000000000

A) a punibilidade.
B) a executividade.
C) a tipicidade material.
D) a ilicitude formal.
E) a culpabilidade

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32

00000000000 - DEMO
Comentários: Mais uma vez o examinador querendo te confundir. Mas já
sabemos que o princípio da insignificância exclui a tipicidade material.
Alternativa C.

04- (FGV - 2014)


O Presidente da República, diante da nova onda de protestos, decide, por
meio de medida provisória, criar um novo tipo penal para coibir os atos de
vandalismo. A medida provisória foi convertida em lei, sem impugnações.
Com base nos dados fornecidos, assinale a opção correta.
A) Não há ofensa ao princípio da reserva legal na criação de tipos penais
por meio de medida provisória, quando convertida em lei. Errado. Para
criação de tipos penais, apenas lei sem sentido estrito (ordinário
ou complementar).
B) Não há ofensa ao princípio da reserva legal na criação de tipos penais
por meio de medida provisória, pois houve avaliação prévia do Congresso
Nacional. Mesmo comentário item anterior.
C) Há ofensa ao principio da reserva legal, pois não é possível a criação
de tipos penais por meio de medida provisória. Correto. Não é possível
a criação de tipos penais por medida provisória, mas lembre-se, o
STF aceita MP tratar de Direito Penal não incriminador.
D) Há ofensa ao princípio da reserva legal, pois não cabe ao Presidente da
República a iniciativa de lei em matéria penal. Errado, a ofensa ao
00000000000

princípio está na espécie normativa utilizada.

05- ( 2016- CESPE- PC-PE- Agente de Polícia)


Acerca dos princípios básicos do direito penal brasileiro, assinale
a) O princípio da fragmentariedade ou o caráter fragmentário do direito
penal quer dizer que a pessoa cometerá o crime se sua conduta coincidir
com qualquer verbo da descrição desse crime, ou seja, com qualquer
fragmento de seu tipo penal. Errado, a fragmentariedade quer dizer

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00000000000 - DEMO
que nem todos os bens serão tutelados pelo Direito Penal, mas
apenas aqueles mais importantes para a vida em sociedade.
b) O princípio da anterioridade, no direito penal, informa que ninguém
será punido sem lei anterior que defina a conduta como crime e que a
pena também deve ser prevista previamente, ou seja, a lei nunca poderá
retroagir. Questão quase certa rsrs. Apenas o final está errado, pois
a lei poderá retroagir para beneficiar o réu.
c) É possível que uma lei penal mais benigna alcance condutas anteriores
à sua vigência, seja para possibilitar a aplicação de pena menos severa,
seja para contemplar situação em que a conduta tipificada passe a não
mais ser crime. Correto, para beneficiar o réu, é possível que a lei
penal retroaja.
d) O princípio da insignificância no direito penal dispõe que nenhuma vida
humana será considerada insignificante, sendo que todas deverão ser
protegidas. Questão errada.
e) O princípio da ultima ratio ou da intervenção mínima do direito penal
significa que a pessoa só cometerá um crime se a pessoa a ser
prejudicada por esse crime o permitir. Questão errada, a intervenção
mínima quer dizer que o Direito Penal só irá agir quando todos os
outros ramos do Direito falharem (subsidiariedade) e apenas irá
proteger os bens jurídicos mais importantes (fragmentariedade).
06- (2016 - CESPE - TCE-PR - Auditor) 00000000000

A respeito dos princípios aplicáveis ao direito penal, julgue os itens.


Conforme o entendimento doutrinário dominante relativamente ao
princípio da intervenção mínima, o direito penal somente deve ser
aplicado quando as demais esferas de controle não se revelarem eficazes
para garantir a paz social. Decorrem de tal princípio a fragmentariedade e
o caráter subsidiário do direito penal. Item correto. a intervenção
mínima quer dizer que o Direito Penal só irá agir quando todos os

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outros ramos do Direito falharem (subsidiariedade) e apenas irá
proteger os bens jurídicos mais importantes (fragmentariedade).

07 - (2016 - CESPE - TCE-PR - Auditor)


A respeito dos princípios aplicáveis ao direito penal, julgue os itens. Dado
o princípio da intranscendência da pena, o condenado não pode
permanecer mais tempo preso do que aquele estipulado pela sentença
transitada em julgado. Errado. O princípio em questão quer dizer
que a pena não passará da pessoa do condenado.

08- (2012-IPAD-PC-AC-Agente de Polícia Civil)


Maria, empregada de uma rede de supermercados, subtraiu,
conscientemente, de forma furtiva, a quantia de R$ 17,00 (dezessete
reais), em espécie, do caixa da loja em que trabalha. Descoberta tal
prática, foi oferecida denúncia, mas, em sentença, a ré foi absolvida.
Pode-se concluir, acerca dos fatos narrados, que Maria foi beneficiada
pela aplicação do princípio do(a):
a) actio libera in causa. Estudaremos na aula de culpabilidade.
b) in dubio pro reo. Significa que em caso de dúvida, devemos
adotar a posição mais favorável ao réu.
c) presunção de inocência. Errado. Tal princípio diz que ninguém será
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considerado culpado até a sentença pena condenatória


irrecorrível.
d) insignificância. Correto. O furto de R$ 17,00 não é capaz de
causar lesão ao patrimônio da rede de supermercados.
e) retroatividade da lei mais benéfica. Errado. Não tem nenhuma
relação com a questão.

09- (2008-PC-RJ-PC-RJ-Inspetor de Polícia)

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Relativamente aos princípios de direito penal, assinale a
afirmativa incorreta.
a) Não há crime sem lei anterior que o defina.Correto. Lei anterior.
b) Não há pena sem prévia cominação legal. Correto.
c) Crimes hediondos não estão sujeitos ao princípio da anterioridade da
lei penal. Errado. Todas as leis penais que prejudicam o réu estão
sujeitas a anterioridade.
d) Ninguém pode ser punido por fato que a lei posterior deixa de
considerar crime. Correto. Estudaremos o abolitio criminis na
próxima aula.
e) A lei posterior que de qualquer modo favorece o agente aplica-se aos
casos anteriores. Correto. Trata-se da retroatividade benéfica da lei
penal.

10- (2008-CESPE-PC-TO-Delegado de Polícia)


Acerca dos princípios constitucionais que norteiam o
direito penal, da aplicação da lei penal e do concurso de
pessoas:

Prevê a Constituição Federal que nenhuma pena passará da pessoa do


condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação de
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perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e


contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido.
Referido dispositivo constitucional traduz o princípio da intranscendência
da pena. Correto. A questão traz o conceito perfeito do referido
princípio.

11- (CESPE - 2013 - POLÍCIA RODOVIÁRIA FEDERAL – POLICIAL


RODOVIÁRIO FEDERAL)

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O princípio da legalidade é parâmetro fixador do conteúdo das normas
penais incriminadoras, ou seja, os tipos penais de tal natureza somente
podem ser criados por meio de lei em sentido estrito. Correto. Apenas
lei em sentido estrito (ordinária e complementar) podem criar
crimes (contravenções) ou cominar penas (medidas de
segurança).

12- (IBADE-2017-PC-AC-Delegado de Polícia)


“O suicídio é um crime (assassínio) [...]. Aniquilar o sujeito da moralidade
na própria pessoa é erradicar a existência da moralidade mesma do
mundo, o máximo possível, ainda que a moralidade seja um fim em si
mesma. Consequentemente, dispor de si mesmo como um mero meio
para algum fim discricionário é rebaixar a humanidade na própria pessoa
(homo noumenon), à qual o ser humano (homo phaenomenon) foi,
todavia, confiado para preservação” (KANT, Immanuel, a Metafísica dos
Costumes).
A extinção da própria vida já foi objeto de sancionamento penal em
diversos países. Esclarece Galdino Siqueira (Tratado, tomo III, p. 68) que
o direito romano punia com confisco de bens o ato de suicidar-se para
fugir a uma acusação ou à pena por outro delito. A mesma pena foi
aplicada em França. O confisco-segundo o autor-persistia na Inglaterra no
início do século XX, desde que o suicídio não fosse efeito de uma
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desordem mental provada. Tendo por base o confisco de bens outrora


pertencentes ao suicida - que tem herdeiros - como forma de punição
penal, é correto afirmar que responsabilização de terceiros pela conduta
de alguém viola o princípio penal, denominado:
a)individualização judicial da pena.
b)taxatividade
c)intranscendência.
d)ofensividade.

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e)inderrogabilidade.
Comentários: Tanto “blábláblá” no enunciado para nada,rs! O
princípio em questão é o da intranscendência que diz que
nenhuma pena passará da pessoa do condenado. Alternativa C.

13- (2014- ACAFE- PC-SC- Agente de Polícia)


Acerca dos princípios constitucionais e infraconstitucionais do Direito
Penal, é correto afirmar, exceto:
a) A lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as
seguintes:
a) privação ou restrição da liberdade; b) perda de bens; c) multa; d)
prestação social alternativa; e) suspensão ou interdição de
direitos. Correto. Lembra que falei que uma leitura do dispositivo
legal seria o suficiente para resolver a questão?!
b) O princípio da intervenção mínima preconiza que a criminalização de
uma conduta só se legítima se constituir meio necessário para a proteção
de determinado bem jurídico. Exato. O direito penal só irá agir
quando os demais ramos do direito falharem.
c) O princípio da lesividade proíbe a incriminação de uma conduta que
não exceda o âmbito do próprio autor. Perfeito. O direito penal não
pune a autolesão.
d) O princípio da adequação social restringe a abrangência do tipo penal,
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limitando sua interpretação e dele excluindo as condutas consideradas


socialmente adequadas e aceitas pela sociedade. Correto.
e) Nenhuma pena passará da pessoa do condenado, não podendo a
obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser
estendidas aos sucessores. Errado. A obrigação de reparar o dano
pode ser estendia aos herdeiros, nos limites da herança.

14 - (2014- VUNESP- PC-SP-Delegado de Polícia)

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Assinale a alternativa que apresenta o princípio que deve ser atribuído a
Claus Roxin, defensor da tese de que a tipicidade penal exige uma ofensa
de gravidade aos bens jurídicos protegidos.
a) Insignificância.
b) Intervenção mínima.
c) Fragmentariedade.
d) Adequação social.
e) Humanidade.
Comentários: Aqui, no final de aula, todos nós já sabemos que apenas
as lesões intoleráveis devem receber atenção do Direito Penal.
15 - (2014-FUNCAB-PJC-MT-Investigador)
O princípio da fragmentariedade do Direito Penal significa:
a) que, uma vez escolhidos aqueles bens fundamentais, comprovada a
lesividade e a inadequação das condutas que os ofendem, esses bens
passarão a fazer parte de uma pequena parcela que é protegida pelo
Direito Penal. Correto. A questão traz o conceito perfeito de
fragmentariedade.
b) que o legislador valora as condutas, cominando-lhes penas que variam
de acordo com a importância do bem a ser tutelado. O enunciado se
relaciona com o princípio da proporcionalidade.
c) que apesar de uma conduta se subsumir ao modelo legal não será
considerada típica se for socialmente adequada ou reconhecida, isto é, se
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estiver de acordo com a ordem social da vida historicamente


condicionada. Errado. O enunciado diz respeito ao princípio da
adequação social.
d) que as proibições penais somente se justificam quando se referem a
condutas que afetem gravemente direitos de terceiros. Errado. Aqui tem
relação com a intervenção mínima e lesividade.

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e) que a lei é a única fonte do Direito Penal quando se quer proibir ou
impor condutas sob a ameaça de sanção. Errado. A alternativa trata
do princípio da legalidade.

16- (2008-CESPE-PC-TO-Delegado de Polícia)


Acerca dos princípios constitucionais que norteiam o
direito penal, da aplicação da lei penal e do concurso de
pessoas:
Prevê a Constituição Federal que nenhuma pena passará da pessoa do
condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação de
perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e
contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido.
Referido dispositivo constitucional traduz o princípio da intranscendência
da pena. Correto.

17- (CESPE - 2013 - DEPEN - AGENTE PENITENCIÁRIO)


O direito penal brasileiro não admite penas de banimento e de trabalhos
forçados. Item correto. Repito, precisam decorar esse dispositivo
da constituição!!!
XLVII - não haverá penas:
a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX;
b) de caráter perpétuo;
c) de trabalhos forçados;
d) de banimento; 00000000000

e) cruéis

Pessoal, a aula de hoje foi um breve aquecimento para o nosso


curso. A doutrina elenca outros princípios penais, mas os que estudamos
na aula são os mais importantes e os que mais aparecem nas provas de
concursos!!!
Até o nosso próximo encontro, onde iremos com “sangue no olho”
atrás do nosso objetivo.

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E não esqueçam a fórmula para passar em concursos: HBC
(horas de bunda na cadeira)!!!
Abraço,

Prof. Vitor Falcão

Instagram: @Profvitorfalcao

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08 D 09 C 10 Certo 11 Certo 12 C 13 E 14 A

15 A 16 Certo 17 Certo

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