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XIX ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO – ENANCIB 2018

GT 10 – Informação e Memória

OBJETOS, COISAS E MEMÓRIA POPULAR SOBRE O NEGRO ESCRAVO NA PARAÍBA NOS


INÉDITOS DE ADEMAR VIDAL

Fabiano Cesar de Mendonça Vidal (Universidade Federal da Paraíba/ PPGCI)

Maria Nilza Barbosa Rosa (Universidade Federal da Paraíba/ PPGCI)

Izabel França de Lima (Universidade Federal da Paraíba/ PPGCI)

OBJECTS, THINGS AND POPULAR MEMORY ABOUT BLACK SLAVE IN PARAÍBA IN ADEMAR
VIDAL UNPLUBISHED

Modalidade da Apresentação: Comunicação Oral

Resumo: Neste estudo, através de uma pesquisa sobre como objetos tornam-se coisas a partir de uma
relação de afetividade com estes, que de um sentido utilitarista original ganham todo um conteúdo
simbólico que atinge a categoria de patrimônio, buscamos recuperar a memória de negros escravos
na Paraíba que viveram no período colonial e imperial brasileiro, através das narrativas de Ademar
Vidal, registradas em documentos inéditos que fazem parte de seu acervo disponível no Instituto
Histórico e Geográfico Paraibano (IHGP). Entendemos ser fundamental a recuperação da memória do
povo negro desta região, devido às relações entre as diferentes etnias constituintes além do processo
de construção da memória desta herança escravista. A metodologia tem como base o delineamento
documental e abordagem qualitativa (MINAYO, 1999), ou seja, o recolhimento de informações cuja
expressão material se visualiza no patrimônio cultural, acreditando que o patrimônio possui a
capacidade de estimular a memória das pessoas historicamente vinculadas a ele, por isso é alvo de
estratégias que visam a sua preservação. Parte-se da constatação de que a informação registrada sirva
como insumo à produção de bens materiais simbólicos e de novos conhecimentos, como material
informacional.

Palavras-Chave: Negro escravo; Paraíba; Ademar Vidal; Objetos.

Abstract: In this study, through a research about how objects become things from a relationship of
affection with them, which from an original utilitarian sense gain a symbolic content that reaches the
category of heritage, we seek to recover the memory of black slaves in Paraíba who lived in the
Brazilian colonial and imperial periods through the narratives of Ademar Vidal, recorded in
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unpublished documents which are part of his collection available at the Instituto Histórico e
GeográficoParaibano (IHGP). We understand that it is fundamental to recover the memory of the black
people of this region, due to the relations between the different constituent ethnicities besides the
process of building the memory of this slave heritage. The methodology is based on documentary
design and qualitative approach (MINAYO, 1999), that is, the collection of information whose material
expression is visualized in cultural heritage, believing that heritage has the capacity to stimulate the
memory of people historically linked to it, so it is the target of strategies aimed at its preservation. It
is based on the fact that the recorded information serves as an input to the production of symbolic
material goods and new knowledge, as informational content.

Keywords: Black slave; Paraíba; Ademar Vidal; Objects.

1 INTRODUÇÃO
O estudo dos objetos como coisas tem despertado o interesse de autores e
pesquisadores nas últimas décadas. Como exemplo, Daniel Roche (2000), em sua obra História
das Coisas Banais convida-nos a refletir sobre os objetos com os quais convivemos em nosso
cotidiano, e argumenta que nossa cultura não dá a estes o devido valor, reduzindo-os à sua
condição de materialidade, meros instrumentos de comunicação ou de distinção social. Tim
Ingold (2012) vai um pouco mais além, pois compreende uma coisa como um “agregado de
fios vitais”, onde esta não tem o “caráter de uma entidade fechada para o exterior, que se
situa no e contra o mundo, mas de um nó cujos fios constituintes, […] deixam rastros e são
capturados por outros fios noutros nós1”, ou seja, para Ingold, “as coisas vazam, sempre
transbordando das superfícies que se formam temporariamente em torno delas”.
De acordo com Azevedo Netto (2015, p.156), a memória pode ser definida como
“aquele conjunto de eventos, fatos, personagens que, através de sua experiência no passado,
possuem experiências consistentes para o estabelecimento de uma relação da atualidade e o
seu passado, quer imediato quer remoto”. Diante deste conceito, podemos estabelecer uma
relação de afetividade com os objetos, uma vez que a história destes está diretamente ligada
à história do homem enquanto ser que oscilou na percepção e consequente construção
identitária de si.
Durante os séculos XVII e XIX, os objetos eram percebidos em seus sentidos objetivistas
e utilitaristas, compreensão que muda a partir do século XX, quando adquirem uma faceta
mais subjetiva permeada de conteúdos simbólicos. De acordo com Gonçalves (2002), esta

1
Tal posição de Ingold é uma crítica à teoria do ator-rede de Latour, Law e Callon, que, em seu ponto de vista,
mantém e reproduz uma divisão metafísica entre sujeitos e objetos ao ignorar a distribuição desigual de fluxos
sentidos no longo da rede.
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ressignificação dos objetos como coisas também atingiu a categoria de patrimônio. Na visão
deste autor, a palavra patrimônio esteve ligada a um sem-fim de significados, tais como o
patrimônio econômico-financeiro de uma empresa, patrimônio cultural, arquitetônico,
histórico, etnográficos, intangíveis, dentre outros, destacando que, tal como é utilizada
atualmente, “nem sempre conheceu fronteiras tão bem delimitadas” (GONÇALVES, 2002,
p.23).
A categoria patrimônio material ou intangível, onde podemos relacionar lugares,
festas, religiões, música, dança, culinária etc, está relacionada com aspectos da vida social e
cultural, opondo-se à concepção conhecida por patrimônio de pedra e cal, e se propõe a
registrar estas práticas e representações com o objetivo de fazer um acompanhamento para
verificar suas permanências e transformações (GONÇALVES, 2002, p.24). Como exemplo da
ressignificação de um objeto em coisa, Gonçalves cita o caso da “coroa do divino”: exposta
em um museu, representa a mediação entre os visitantes e a “cultura açoriana”; dentro do
contexto religioso à qual pertence não se trata mais de um mero objeto, é um mediador entre
a divindade e seus devotos, ganhando um significado místico e religioso. Ou seja, não é apenas
uma coroa.
Maria Loureiro (2015) explica que esse processo ocorre “como um deslocamento de
ordem simbólica, em que o objeto passa por processos que o convertem em coisa de outra
natureza” alegando que, “como documento, o objeto participa de uma função
representacional, essencialmente diferente daquela para a qual foi criado. Passa a
significar/conferir sentido a diferentes experiências, desprendem-se de uma realidade
imediata, evocam realidades ausentes”, ou seja, “não se trata, entretanto, de um
espelhamento ou reflexo, mas de uma operação de re-significação” (LOUREIRO, 2015, p.34).
Quanto ao conceito de memória, a Ciência da Informação trabalha com um conceito,
onde se distanciará de sua relação dogmática com a temporalidade do passado (FREIRE; SILVA,
2014, p.140). O que se procura são os traços do passado onde o cientista da informação
buscará potencializá-los até aflorar na representação da informação que busca. No contexto
da Ciência da Informação, ao legitimarmos os objetos patrimoniais em representações
informacionais, “não buscamos reconstituir a beleza do morto”, ou seja, das informações
inorganizadas, conforme aponta Zeman (1970) sem finalidade, mas auferimos elementos
infor-comunicativos que ressignificam traços memorialísticos de forma individualizada ou
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coletiva, ou seja, a revitalização de uma “informação rememorada, registrada, testemunhada


e informativa” (FREIRE; SILVA, 2014, p.140).
De acordo com Azevedo Netto (2015), embora seja uma estrutura conceitual
polissêmica, a noção de memória

Apresenta peculiaridades quando relacionada ao universo documental,


como pode ser observado pela Museologia, Ciência da Informação e pela
Arqueologia. A memória, a partir dessas disciplinas, é considerada uma
construção, que através das relações que o presente estabelece com o
passado e com um projeto de futuro, como foi indicado tanto por Bergson
(2011) e Ricouer (2007), em fluxo de coisas, forma que foi polemizado por
Ingold (2012), em um processo contínuo onde a duração e a interação das
coisas se fazem modelar e contratar memórias em um determinado
grupamento humano, em tempo e espaços relacionados e específicos. Com
isso, as referências de memória, os documentos, reconfiguram o real em que
os indivíduos se situam e interagem com o mundo e suas coisas. (AZEVEDO
NETTO, 2015, p.158).
Assim, tomando por base o conceito de patrimônio material intangível de Gonçalves
(2002) e os conceitos de memória de Freire e Silva (2014), assim como o de Azevedo Netto
(2015) e a ressignificação do objeto como documento de Loureiro (2015), este artigo
trabalhará a memória cultural do negro escravo na Paraíba a partir dos escritos de Ademar
Vidal2, objeto da tese em elaboração.
Para refletir sobre objetos, coisas e memória popular, nos aproximamos de
abordagens teóricas que tratassem dessa temática.
Esta pesquisa busca recuperar a memória de negros escravos na Paraíba que viveram
no período colonial e imperial brasileiro, dando ênfase às narrativas de Ademar Vidal,
registradas em documentos denominados Inéditos (sem título e data). Julgamos fundamental
a recuperação da memória do povo negro desta região, devido às relações entre as diferentes
etnias constituintes além do processo de construção da memória desta herança escravista.

2
Natural de João Pessoa (PB), Ademar Vidal (1897-1986), filho do jornalista e poeta Francisco de Assis Vidal, foi
Procurador da República, Presidente do Conselho Nacional da Casa Popular e membro da Academia Paraibana
de Letras, cargos que lhe possibilitaram conviver com figuras expoentes dos meios político e artístico. Formado
em Direito, sua atuação profissional é destacada por sua dedicação às atividades ligadas ao governo e ao
desenvolvimento cultural e intelectual do país Sua produção literária inclui artigos publicados em jornais e
revistas, e inúmeros livros, tais como: O incrível João Pessoa, 1931; História da Revolução na Paraíba, 1933;
Epitácio Pessoa ou o sentimento de autoridade, 1942; Recordações sentimentais de Epitácio Pessoa, 1942; Guia
da Paraíba, 1943; Importância do açúcar, 1945; Lendas e Superstições, 1950; O outro EU de Augusto dos Anjos,
1967, além de livros inéditos que constam de seu acervo e disponíveis na sede do Instituto Histórico e
Geográfico Paraibano.
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A metodologia tem como base o delineamento documental e abordagem qualitativa,


(MINAYO, 1999), ou seja, o recolhimento de informações cuja expressão material se visualiza
no patrimônio cultural, acreditando que o patrimônio possui a capacidade de estimular a
memória das pessoas historicamente vinculadas a ele, por isso é alvo de estratégias que visam
a sua preservação.
Parte-se da constatação de que a informação registrada sirva como insumo à produção
de bens materiais simbólicos e de novos conhecimentos, como material informacional.

2 OBJETOS, LUGARES E AS PRÁTICAS MEMORIALISTAS


Dodebei (2016, p.228) afirma que as ciências sociais possuem atualmente várias
perspectivas contemporâneas que possibilitam realizar uma leitura simbólica dos objetos
quando defendem a ideia de que estes estão no coração das interações sociais, pondo-os em
posição de igualdade com os humanos em sua capacidade de construir o mundo. As relações
entre pessoas e objetos podem, portanto, ser analisadas dentro de um contexto em que os
objetos possuam um estatuto específico. Segundo a autora,

A análise dessas operações evidencia os processos pelos quais é delegada


aos objetos uma parte da história da humanidade. […]. Esse papel confere
aos objetos um lugar privilegiado na memória da história. Objetos protegidos
por identidades, por valores patrimoniais, valores de mercado e lembranças
familiares concentram formas de investimento que se revelam
compensatórias ao consumo, à delegação moral ou aos regimes de valores
biográficos; posturas essas que implicam diferentes tratamentos: paixão,
ódio, fetichismo ou a libertação do objeto” (DODEBEI, 2016, p.229).
Seguindo esse raciocínio, afirmamos com Dodebei que as práticas memorialistas atuais
solicitam cada vez mais os objetos, destacando o crescimento de instituições que se propõem
a contar a história através da cultura material, ancoradas principalmente nos objetos e
lugares: “Hoje, ao lado dos livros, a maioria das pessoas constrói sua interação com o passado
pelo viés dos monumentos, museus, fotografias, móveis, documentários e objetos da vida
cotidiana” (DODEBEI, 2016, p.230).
Assmann (2011, p.25) afirma que o arquivo (que aqui deve ser entendido como
sinônimo de acervo), “não é somente um repositório para documentos do passado, mas
também um lugar onde o passado é construído e produzido”, tendo sido criado de forma que
a informação nele codificada possa ser lida pelas gerações vindouras, e é neste sentido que
compreendemos a importância da visão de Ademar Vidal sobre a situação do negro escravo
na Paraíba em seus inéditos, sempre buscando a antropologia dos objetos e das coisas.
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Ademar Vidal deixou como legado, escritos que abordavam usos, costumes e lugares
da Paraíba, enfatizando a cultura popular, o cotidiano do homem sertanejo, as festas, lendas
e brincadeiras, assim como crenças e até a atividade do turismo, que buscavam “o caminho
para a memória, a qual se processa por meio da vivência, sendo seu principal núcleo temático
o cenário do Nordeste, condição essencial para que o autor buscasse os fragmentos da sua
lembrança como se tivesse impregnada nos acontecimentos revisitados” (ROSA, 2012, p.29)
As ideias defendidas por Ademar Vidal estão devidamente preservadas em ensaios,
crônicas, artigos, livros e inéditos no IHGP – Instituto Histórico e Geográfico Paraibano. Foi um
escritor que deu atenção especial às manifestações culturais e que marcou época nos anais
do jornalismo, por sua feição literária. Buscou registrar o que viu e ouviu sobre a cultura do
povo, enfatizando as peculiaridades de sua terra e sua gente, fosse através de observações in
loco ou através de cartas quando não podia se fazer presente. Em sua atuação literária,
demonstrou interesse por variadas temáticas, como etnografia, sociologia, antropologia e
história, tendo sempre um olhar diferenciado voltado para a cultura do povo, seus costumes
e expressões, mantendo contato de perto com cantadores, recitadores, vaqueiros,
cangaceiros e mestres da escultura, material ou simbólica, que ajudaram a modelar o
Nordeste. Assim, não é de estranhar sua paixão por contos, lendas, provérbios e adivinhas,
jogos e danças, ritos e mitos, manifestações simbólicas capazes de traduzir uma identidade
regional (ROSA, 2012, p.55).
Na linha de estudos sobre a temática afro-brasileira, Ademar Vidal teve participação
no Livro do Nordeste (1925), uma edição especial referente ao centenário do Diário de
Pernambuco e no Primeiro Congresso Afro-Brasileiro (1934), ambos organizados por Gilberto
Freyre. No primeiro, Ademar Vidal participa com o texto Um século de vida paraibana (1825-
1925) e no segundo, Três séculos de escravidão na Paraíba. Também deixou os inéditos O
escravo sob o regime econômico: etnografia e patriarcalismo, Religiões africanas e Práticas e
costumes afro-brasileiros. Seus trabalhos qualificam a presença do escravo negro no sertão da
Paraíba tendo por base inventários e documentos cartoriais.
Para Rosa (2012), um olhar mais atento à vida e expressão do afro-brasileiro faz com
que Ademar Vidal leve a organizar o tema

De modo mais qualificado, não se preocupando apenas em apagar as


atitudes do branco perante o negro, porém disseminando as manifestações
culturais populares nos seus diferentes âmbitos: costumes, festas,
celebrações, danças, brincadeiras. Os escritos sobre os negros, que Ademar
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Vidal cuidou de envolver tantas vozes e ritmos servem de indícios para uma
decifração mais completa do seu pensamento, lembrando que é a memória
da infância, principalmente o convívio com seu amo Antônio Pacífico, as
histórias que ouvia quando criança e as brincadeiras de rua, especificamente
a Rua da Areia, seus mais fortes condutores (ROSA, 2012, p.100).
Rosa (2012) considera que por detrás das concepções que envolvem os escritos de
Ademar Vidal, “está sua adesão às culturas populares e também a preocupação em situar
temáticas regionais, construídas sob um conjunto de ideias que se vem estudando até agora”
(ROSA, 2012, p.101), pois Ademar Vidal considerava que o Nordeste carecia de uma dimensão
social, por isso buscava em seus escritos abordar a peculiaridade da região, da sua gente, do
seu povo, “ora denunciando o caráter ornamental da cultura nordestina, em que prevalece a
tutela da elite sobre as manifestações populares, ora destacando os valores coletivamente
nordestinos de cultura” (ROSA, 2012, p.101).
Segundo o historiador José Octávio (1988), Ademar Vidal tinha um perfil “Gilberteano”
e, em Livro do Nordeste (1925), avança sobre os autores da época ao referir-se à miscigenação
como “elemento de diluição dos antagonismos do sistema patriarcal nordestino e responsável
até pela decantada ‘democracia racial’ brasileira” (OCTÁVIO, 1988, p.88). Assim, conforme
Silva Junior e Oliveira (2017), “a partir de um patrimônio cultural podemos compreender de
fato o contexto cultural bem como a vivência de determinado grupo, estabelecendo uma
conexão histórica” (SILVA JUNIOR; OLIVEIRA, 2017, p.02).
Apropriamo-nos das ideias de Olga Pereira e Ribeiro (2015), que consideram o sentido
dos objetos como

Revelado por meio das relações travadas entre os sujeitos e os artefatos. Os


sentidos e os valores serão desvelados, necessariamente, a partir de um
prisma relacional. Se compreendermos também que os objetos podem ser
considerados, em determinadas circunstâncias, como extensões das próprias
pessoas - que os fabricaram, curaram, utilizaram e descartaram -, quando
damos a oportunidade de ouvi-los, em realidade, estamos projetando vida
em documentos que até então eram considerados mortos do ponto de vista
conceitual (PEREIRA; RIBEIRO, 2015, p.25-26).
O que nos leva a inferir sobre a força informativa dos escritos de Ademar Vidal sobre a
situação do negro escravo no sertão da Paraíba, seja em relação à formação cultural de nosso
povo, seja sobre a perversidade e a ideologia dos senhores, a condição subumana dos escravos
através de uma formulação literária que se baseia nas memórias populares estruturadas a
partir de um reconto folclórico que nos permite extrair as relações, os contrastes e as
diferentes temporalidades que mantêm essa memória.
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3 MEMÓRIA E TEMPO: ARCABOUÇOS DA ESCRAVIDÃO


Assmann (2011, p.368) entende que o arquivo, “antes de ser memória histórica, é
história da dominação, constante de legados e atestações, de certificados que são provas dos
direitos de poder, de posse e origem familiar”. Neste sentido, Merlo e Konrad (2015)
consideram que o registro da história e da memória humana por meio de documentos gerados
por organizações, pessoas ou famílias pode ser compreendido como uma “rica fonte de
informação”, desde que estejam disponíveis a qualquer tempo, para a sociedade em geral ou
pesquisadores (MERLO; KONRAD, 2015, p.27). Portanto, consideramos a temática da
escravidão no Brasil e, em especial, na Paraíba, no recorte produzido por Ademar Vidal, como
uma história da dominação (Assmann), fato bem demonstrado por Pinsky:

A escravidão não é simplesmente um fato do passado. A herança escravista


continua mediando nossas relações sociais quando estabelece distinções
hierárquicas entre trabalho manual e intelectual, quando determina
habilidades específicas para o negro (samba, alguns esportes, mulatas) e
mesmo quando alimenta o preconceito e a discriminação racial. Assassinar a
memória, escondendo o problema, é uma forma de não resolvê-lo (PINSKY,
2018, p.07).
Desta forma, compreendemos que as informações registradas em diferentes suportes,
selecionadas e organizadas em bibliotecas, arquivos e museus, formam as bases do
conhecimento, dos saberes estruturadores da memória de indivíduos e de coletividades. Esses
espaços ou lugares da memória, que delimitam, preservam, e permitem a circulação da
produção intelectual, científica e cultural da sociedade, têm nos documentos aí contidos o
tempo e a duração de informações a serem interpretadas, apropriadas, memoriadas ou até
expropriadas (VERRI, 2012).
A memória é inerente a toda cultura, assim como a toda escrita, seja científica,
literária, jornalística é ela que está por trás de todo intento de registro, à busca de
perpetuação. Pela necessidade de lembrar e reconhecendo que a memória nem sempre é
espontânea, as sociedades instituem lugares de memória, tais como museus, monumentos,
entre outros. Ou seja, lugares de estrutura material circundado de uma áurea simbólica e
objeto de um ritual (NORA, 1993), buscando preservar uma operação coletiva dos
acontecimentos e das interpretações do passado que se quer salvaguardar “[...] em tentativas
mais ou menos conscientes de definir e de reforçar sentimentos de pertencimento e fronteiras
sociais entre coletividades [...] para manter a coesão dos grupos e das instituições que
compõem uma sociedade” (POLLAK, 1989, p. 9).
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Faremos, então, neste trabalho, um recorte da temática da escravidão para situarmos


a obra de Ademar Vidal em seu devido contexto histórico e memorial. Registros sobre a
escravidão são muito antigos e remontam à Mesopotâmia e ao Egito, que se utilizavam dessa
mão de obra para executar obras públicas como barragens ou templos, contando com grande
número de trabalhadores que se tornavam propriedade dos governantes que lhes impunham
autoridade e determinavam suas tarefas. Diferente do que ocorreu no modelo português,
estes escravos não eram vendidos e suas atividades podiam terminar ao fim das construções,
retornando às suas atividades anteriores, diferenciando-se, por exemplo, dos casos da Grécia
(em especial Atenas) e Roma, onde a escravidão era a forma mais característica de extração
de trabalho (PINSKY, 2018, p.11).
Pereira (2012) considera que a forma pela qual o negro é trazido ao Brasil, de forma
traumática e contra sua vontade, permite-nos

Perceber a imagem que o homem branco fazia do homem negro,


sequestrando-o de sua terra natal e forçando-o a trabalhar como escravos,
além de se autodeclarar dono e/ou senhor desses, até então, homens livres.
Tal postura permitiu as mais diversas atrocidades de homens contra homens
já presenciadas no Brasil e sinalizou a primeira e, mais significativa, forma de
destratar os diferentes: “a escravidão do homem por outros homens”
(PEREIRA, 2012, p.01).
Pinsky destaca que a primeira experiência do uso da mão de obra escrava pelos
portugueses não se deu no Brasil, mas já ocorria há bastante tempo, desde 1441, “quando
Antão Gonçalves regressou de uma expedição ao Rio do Ouro, carregando consigo meia dúzia
de azenegues capturadas na costa do Saara, na África, para o infante D. Henrique” (PINSKY,
2018, p.12-13). Este autor relaciona o uso da mão de obra escrava em Portugal como uma
compensação por perda de população devido a uma série de epidemias que atingia seu
território, além de permitir uma intensificação da migração portuguesa para o ultramar
(PINSKY, 2018, p.13).
No séc. XV o número de escravos em Portugal cresceu muito, em função de seu
trabalho em atividades agrícolas e em serviços domésticos, o que deu origem ao negro-
mercadoria como fonte de trabalhos e serviços (PINSKY, 2018, p.14). A partir desta concepção,
os portugueses passam a compreender o negro como um produto que deve ser exportado
para outros países. Para isso, bastava buscá-lo em seus países de origem e comercializá-lo.
Embora não seja o foco deste trabalho, se faz imprescindível destacar que antes da escravidão
do negro, houve a tentativa de escravização do índio brasileiro, prática que não teve longa
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vida em virtude do interesse da Coroa portuguesa e dos traficantes de negros escravos, pois
enquanto a escravatura do índio era tida como um negócio interno da colônia, o comércio
ultramarino trazia excelentes dividendos. Desta forma, foram postas limitações à escravização
indígena em nome de Deus (PINSKY, 2018, p.21-22).
Pinsky aponta como um dos principais fatores para o uso do negro escravo no Brasil a
ausência de mão de obra de baixo custo e obediente para fazer parte do projeto da grande
lavoura. O objetivo era ter uma mão de obra (tida como mercadoria) barata que permitisse
auferir um lucro ainda maior na venda. O trabalho realizado nos engenhos envolvia certo grau
de complexidade e requeria um número expressivo de braços para o cultivo e beneficiamento
da cana no processo que a transformaria em açúcar (PINSKY, 2018, p.23-25).
Ademar Vidal aponta que, por volta de 1600, as secas vinham fazendo grandes
estragos no Nordeste, e que havia uma população de índios maior que a de negros, ainda
escassa e bastante espalhada. Viviam na faixa litorânea, mas já se registrava um crescimento
do número de negros pela região sertaneja, “além das serranias do brejo e Várzea onde a sua
presença já se fazia notável” (VIDAL3, [s.d.], p.108). Explica que isto ocorria por ainda não ser
intenso o comércio de escravos com a África e reconhece os maus tratos dispensados aos
escravos “em virtude do senhor não admitir o cativo ser bom e útil, de cabeça baixa”. Relata
que os escravos não paravam de chegar ao Nordeste, “por troca ou compras feitas pelos
senhores de engenho. Alguns conduziam farinha e rede, arcos, flechas e por isso, tidos como
ricos. Os chefes que levavam maior número de negros, para a pesca e a caça, eram mais
regalados e melhor providos”, sendo raros os escravos que permaneciam nas capitais servindo
às famílias abastadas, ou a Ordens Religiosas (VIDAL, [s.d.], p.108).
De acordo com Ademar Vidal, a seca continuava sendo um problema, e doações feitas
por “pessoas principais e conhecidas” que deixavam o “árido interior” para viver no litoral,
foram realizadas em cartório com o “signal de eternidade”. Essas doações algumas vezes
significavam o pagamento de promessas, e Ademar Vidal relata o caso de Antônio Correia de
Valadares e esposa, Catarina de Valcaçar, cuja doação foi realizada ao abade de São Bento,
Frei Gondim, em 07 de maio de 1669. Imediatamente, “a Ordem entrou na posse de tudo,
inclusive dos escravos relacionados juntamente com animais, carros e juntas de bois. Não se

3
Ademar Vidal deixou obra numerosa e diversificada, que vão de ensaios, biografias, guias de turismo, estudos
de folclore e Direito à temática de “Estudos Afro-brasileiros”. A obra vidaliana por nós referenciada neste
trabalho trata-se de um inédito sobre a situação do negro escravo no sertão da Paraíba sem título e ano de sua
produção.
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fazia distinção entre gente e bicho. O escravo era tido como isento de direitos humanos. Não
passava de animal” (VIDAL, [s.d.], p.109).
Vidal aponta também para as dificuldades vividas por escravos índios em função da
seca. Segundo o relato vidaliano, acompanhados de seus senhores,

As tribos também abandonavam as terras áridas e atingidas pelo fenômeno,


todos se destinando às paragens situadas e temperadas além Borborema. Os
prejuízos que essas viagens improvisadas lhes proporcionavam pesavam na
economia geral. Os proprietários de escravos, ordinariamente espertos,
sabiam ressarcir os golpes inesperados do infortúnio, enquanto as tribos,
estas sofriam a valer, pois sem agricultura, sem indústria, povos viviam de
caça e pesca se entregavam sempre (após as calamidades da seca) ao assalto
dos aldeiamentos mais favorecidos pela fortuna. Inverno ou seca, eis a razão
de viver do sertanejo. Espécie de “ser ou não ser” - dúvida dentro do qual se
agita e constrói, para logo depois ver tudo destruído sem desanimar, que o
destino ele obtém de energia soberba (VIDAL, [s.d.], p.109).
Em 1730, oficiais da Câmara enviaram representação a El-Rei solicitando ajuda com os
escravos, pois “desde o ano de 1723 até o presente, tem sofrido esta capitania grande
esterilidade de secas”, pois os escravos estavam morrendo devido à fome, e os Engenhos
encontravam-se em ruínas “não só pelo estado da terra, como por falta de braços para o
trabalho”. A fome causava aos escravos “desordens orgânicas que se refletiam na pele coberta
de manchas escuras e, por causa da alimentação, vômitos e febre” (VIDAL, [s.d.], p.110).
De acordo com Vidal, grande número de escravos desapareceu na Paraíba “por causa
da falta de água e em consequência da alimentação imprópria. Esta afetava a saúde em toda
a região de maneira a ocasionar graves problemas tropicais. Somente a Ordem de São Bento,
dessa feita, perdeu 30 escravos, mortos de fome” (VIDAL, [s.d.], p.110).
Em 1791, nova e grande seca assola a capitania e, no ano seguinte (1792), o abade de
São Bento, Frei Bento da Conceição Araújo, nada pôde fazer para evitar a morte de escravos
que trabalhavam no engenho da instituição, e o restante da escravatura, a partir de 1793,
passa a alimentar-se de ervas agrestes por absoluta falta de alimentação. Do sertão chegavam
mais notícias alarmantes e desoladoras, pois muitos morriam de fome e em desespero, sem
ter a quem recorrer. Na Fortaleza de Cabedelo, houve a morte de mais de cem negros
oriundos da Guiné. A situação era tão alarmante que fez o padre Cristóvão de Gouveia
publicar, na Revista Trimensal do Instituto Brasileiro, tomo XXXVI, sobre a Paraíba: “Enfim,
todo o sertão do Brasil é muito estéril, de pouco mato e terra desventurada, que com trabalho
dá a mandioca que os negros plantam como bacêlo” (VIDAL, [s.d.], p.117).
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Outro ponto que chama a atenção de Ademar Vidal, no tocante à escravidão do negro
na Paraíba foi a crueldade dispensada pelos senhores para com estes, repleta, em suas
próprias palavras, de “fatos hediondos, sofrimentos os mais incríveis” e confessa a obtenção
dessa informação através da “memória dos mais velhos”:

Entre outras formas de castigo, os escravos eram cortados à navalha e, nos


talhos abertos, se botava sal misturado com vinagre; ou, nus em pêlo,
untados de mel de furo, enquanto os bois lambiam-lhes o corpo, fazendo-
lhes cócegas tremendas, irresistíveis, até a morte; ou ainda eram amarrados
e postos sobre formigueiros de saúva para não fugirem do sofrimento. Até
dentro das fornalhas, afirmava-se, os senhores malvados mandavam atirar
aqueles que desmereciam de sua piedade pouco frequente (VIDAL, [s.d.],
p.145).
Trata-se de um passado conhecido a partir dos que tiveram consciência dos horrores
que sofriam os negros escravos, o que parece ter sido negado, por um lado, e esquecido por
outro. É isso o que Benjamin (apud LÖWY, 2005) conceberia como memória, um modo de
conhecer o passado a partir da consciência da barbárie e do perigo; e o perigo é a ameaça à
vida, pela aplicação da violência. Conhecer o passado pressupõe ter consciência do perigo, e
a memória é esse modo de conhecer o passado a partir dessa consciência. Nessa forma de
apagamentos, ocultamento e naturalização da memória, os indivíduos passam a se relacionar
com o passado como coisas mortas.
Para Rosa (2012), o caminho traçado por Ademar Vidal em seus trabalhos sobre o
negro, “representa a singularidade de um povo, o afro-brasileiro nordestino”, aos quais o
autor juntou noções particulares e concretas a respeito da temática:

Organizando-se, conforme suas próprias convicções, por vezes quase


intuições, Ademar Vidal declara haver buscado ideias para concretizar seus
escritos numa “memória que, saindo dos arquivos, fosse um pouco intuitiva
e não apenas memória fixada em documentos”. Por isso, uma das questões
mais importantes que se pode extrair desses escritos é a constatação de que,
neles, Ademar Vidal reconhece a necessidade de conceder em destaque a
memória, para o africano que guardou no peito longos anos de escravidão,
antecipando o que virá a dizer na sua trajetória de historiador (ROSA, 2012,
p.103).
A importância da obra vidaliana a respeito do negro escravo na Paraíba se deve,
segundo Rosa (2004), ao fato de Ademar Vidal

Buscar histórias entre as pessoas para depois recontá-las […] principalmente


no acolhimento a uma crença popular e subalternizada no qual o mundo
negro escravo é bastante enfatizado, reconhecendo sua importância
histórica. Da relação entre senhores e escravos podem-se avivar os
episódios, neles há pontos que se cruzam permitindo a confluência de
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imaginários e manifestações simbólicas de práticas culturais. Temos


afirmado que o modo como Ademar Vidal se nutre da tradição popular
nordestina, inventada, é que faz crescer sua narrativa. Ele busca nos
documentos oficiais e na história oral a memória popular como elemento
capaz de amalgamar o presente ao passado, este por sua vez orienta a
consciência presente (ROSA, 2004, p.1780).
Diante do exposto sobre os escritos vidalianos, a respeito do negro escravo na Paraíba,
nós os consideramos como um patrimônio cultural que nos permite compreender todo um
contexto cultural, assim como a vivência deste grupo, com base na memória popular, marca
registrada de Vidal. Assim, conforme Jocemar Junior e Oliveira (2018, p. 04): “Neste panorama
que versa em valores, identidades e preservação, torna-se possível extrair o conceito de
patrimônio cultural, que será na maioria das vezes atribuído a uma esfera coletiva, haja vista
a relação que será tratada como memória e identidade coletiva”.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Diante do exposto ao longo deste trabalho, conclui-se que a obra de Ademar Vidal,
preservada em seu acervo no Instituto Histórico e Geográfico Paraibano – IHGP, possui uma
alma, em virtude da visão ímpar do autor, garimpada, por assim dizer, em uma tradição da
memória cultural popular transmitida oralmente através de seus entrevistados, sendo,
portanto, o seu acervo não apenas um mero objeto, mas uma coisa capaz de (re)apresentar e
(re)significar o papel do negro escravo na Paraíba, achando-se, consequentemente,
possuidora de relevante significado para a cultura imaterial da Paraíba.
Em seus escritos sobre a temática do negro escravo na Paraíba, Ademar Vidal busca
compreender sua história, sua luta social e imaginário e como estes percebiam o mundo dos
brancos, através de imagens e descrições oriundas de uma literatura oral transmitida pelo
povo através do tempo, de geração em geração, sob o ponto de vista cultural e ideológico de
sua comunidade. Isso possibilita que permaneçam na memória as experiências vividas e que
neste caso específico nos permitem a compreensão da realidade vivenciada pelo negro
escravo, através da preocupação do autor em evidenciar uma realidade histórica. Destituíram
os negros de memórias de sua própria identidade, torturaram o seu corpo e aniquilaram o
patrimônio de sua cultura, mas essas marcas não podem afastar a nossa memória, posto que,
ela será sempre uma forma de alinhavar nossa história.
Nesta perspectiva, consideramos que as narrativas vidalianas sobre o negro escravo
estão de acordo com a perspectiva da Ciência da Informação no que se refere à preservação
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da memória, através do registro dos fatos e da organização das informações da memória


coletiva a esta temática.

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Pasta 8: Parte dos originais de livro sobre o negro. p.135-251.