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Focus

Escola de Fotografia

Curso de Fotografia

Fotografia de Moda

João Pedro Toledo Vieira Melara

São Paulo – SP – Brasil

Março de 2016
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Focus
Escola de Fotografia

Curso de Fotografia 2015/2016

Fotografia de Moda

Por: João Pedro Toledo Vieira Melara

Monografia: Apresentada como o Trabalho de


Conclusão de Curso de fotografia, da Escola
Focus, em 2015/2016.

Orientação: Prof. Ênio Leite.

São Paulo – SP – Brasil

Março de 2016
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Focus
Escola de Fotografia

Dedicatória:
Durante todo o processo de aprendizado no decorrer do curso, compreendi, além do
conteúdo apresentado, que família e amigos são partes essenciais quando se pretende atingir
um objetivo. Dedico esse trabalho a minha família: pai, mãe, irmãos e madrinha, que
entraram de passagem nesse processo de descobertas e aventuras fotográficas.

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Focus
Escola de Fotografia

Agradecimentos:
Sem o apoio financeiro e emocional dos meus pais, dedicação da minha madrinha e irmãos e
os sempre dispostos amigos (e modelos nas horas vagas), a conclusão deste curso seria
impossível. Gostaria de agradecer ainda os sempre dedicados professores que se esforçaram
para transmitir técnica e conhecimento pessoal da área. Por ultimo mas igualmente
importante, agradeço ao mestre Ênio e toda a equipe da Focus, sempre atenciosos e
acessíveis ao guiar os alunos durante todo o processo de aprendizado.

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Sumario
Dedicatória 2
Agradecimentos 3
Resumo/Abstract 5
1 – Introdução 6
2 – Os Dez Fotógrafos 7
2.1 – Annie Leibovitz 7
2.2 – Terry Richardson 12
2.3 – Inez e Vinoodh 17
2.4 – Mert & Marcus 23
2.5 – Mario Testino 28
2.6 – Nick Knight 33
2.7 – Bruce Weber 37
2.8 – Steven Meisel 40
2.9 – Juergen Teller 44
2.10 – Mario Sorrenti 49
3 – A Importância da Escolha das Lentes ao Fotografar Pessoas 56
4 – O Editorial de Moda 58
5 – Modificadores de Luz na Fotografia de Moda e suas Aplicações Práticas 59
5.1 – Luz Dura e Luz Suave 60
5.2 – Difusores de Luz 61
5.3 – Beauty Dish 62
5.4 – Snoot e a Luz de Cabelo 63

5.5 – Rebatedores 64
6 – O Briefing no Mercado de Moda 65
7 – Direção de Modelos 67
8 – A Realidade do Mercado Alvo 69
9 – O Fotografo Profissional 70
10 – Mercado Fotográfico de Moda e Pequenas Marcas 71
10.1 – Honorários e Pesquisa de Mercado 72
10.2 – Mercado Alvo 73
11 – Referências Bibliográficas 81

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Resumo:
A fotografia de moda, ainda que ligada de forma mais explicita a arte e ao design, tem em sua
essência o gene publicitário. Conceitos como beleza, estilo de vida e tendências são os
''produtos'' embutidos em um lookbook, um editorial, ou ainda mesmo um catalogo.
Moda vende antes de mais nada o desejo de se diferenciar, de se auto afirmar em uma
sociedade de consumo, e a fotografia como uma ferramenta poderosíssima, ajuda a
potencializar e divulgar de forma mais direta ao consumidor tais ideias que representam o
conceito de cada marca ou coleção.
O fotografo de moda precisa dispor de um grande repertorio e conhecimento de mundo,
navegando pelas aguas da historia, cinema, musica, pintura e tudo o que poderá contribuir
como referencias para o seu trabalho.
Além das referencias criativas, a área exige um pleno conhecimento da luz e suas
propriedades, e ainda como manipula-la para obter o efeito desejado. A escolha das lentes
também é um fator de extrema importância técnica e de linguagem em um projeto
fotográfico. É imprescindível ainda que o fotografo de moda entenda e saiba compor uma
paleta de cores harmoniosa e condizente com o planejamento do projeto, e ainda contar com
o apoio de toda uma equipe de profissionais que o auxiliam a criar o mundo, a época, ou a
situação a ser retratada.

Abstract:
Fashion Photography, still related in a depper way to art and design, has in it essence, the
advertising gene. Concepts as beauty, lifestyle and trends are the “produtcts” built in a
lookbook, and editorial or even a catalog.
Fashion sells before anything, the desire to be different, auto state in a consumption society.
And the photography, as a powerfull tool, helps to potentiate and promote in a more direct
way to the consumer that ideas that represents the concept of each brand or collection.
The fashion photographer must have a huge repertoire and world knowledge, travelling by
the waters of history, cinema, music, painting and everything that can contribute as
references to his work.
Beyond the criative references, the area requires a big knowledge of light and its property,
and still how to manipulate it to get the wanted effect. The lenses choose is important
technically and linguistically in a photography project too. Is still indispensable that the
fashion photographer understands and knows how to build an harmonious color palet that
relates with the project concept, and still count on the support of na entire team of
professionals that helps him to create the world, the age or the situation to be portrayed.
Palavras – Chave:
Moda, Fashion, Modelo, Model, Consumo, Consumption, Desejo, Desire, Roupas, Clothes,
Lookbook, Vender, Sell, Promover, Promote, Produto, Product, Cultura, Culture

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1 - Introdução:
Por ser uma área bastante ligada a cultura pop internacional, os fotógrafos de moda
consagrados muitas vezes enveredam por outros meios de linguagem como videoclipes e
cinema, como foi constatado na pesquisa sobre os 10 fotógrafos mais influentes na área. A
proximidade das industrias de moda, cinema, musica e televisão faz com que exista uma
grande troca de referencias entre elas, mantendo uma constate relação de intertextualidade.
Muitos não imaginam, mas antes do “click” em um ensaio fotográfico, existe um grande
planejamento técnico e intelectual. Toda decisão técnica em um ensaio de moda, seja a luz,
a direção do modelo, ou a escolha da locação e lentes, precisa ser consciente e ter um motivo
que esteja relacionado ao conceito proposto pela marca. Essas informações são
compreendidas em um documento chamado Briefing, que é de forma geral um registro de
ideias e guia de como conduzir o projeto idealizado pela equipe.
Por se tratar de uma área em constante mutação, o fotografo especializado nessa área precisa
estar sempre atualizado, sabendo identificar tendências e padrões para segui-los ou
transgredi-los.
Este trabalho busca abordar de forma mais abrangente o universo da fotografia de moda com
ênfase na produção de um editorial, apresentando seus maiores nomes, suas referencias,
suas técnicas e equipamentos mais comumente utilizados. E ainda seu aspecto
mercadológico, como o poder midiático, sendo além de um processo de expressão artística,
uma ferramenta formadora de tendências para o publico final.
Tendo como objetivo profissional trabalhar tanto em produções de editoriais de moda quanto
em produções audiovisuais, foram listados os 10 fotógrafos mais midiáticos e influentes que
transitam entre esses meios.
Tendo em mente o objetivo do trabalho e os ideias de carreira, os dez fotógrafos escolhidos
foram: Annie Leibovitz, Terry Richardson, Inez e Vinoodh, Mert & Marcus, Mario Testino, Nick
Knight, Bruce Weber, Steven Meisel, Juergen Teller e Mario Sorrenti,

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2 – Os Dez Fotógrafos Mais Influentes na Fotografia de Moda
2.1 - Annie Leibovitz
Nascida no estado norte americano de
Connecticut em 2 de outubro de 1949,
Annie Leibovitz se firmou como uma das
mais conhecidas e respeitadas fotógrafas
da sua geração, tendo se especializado na
área de retratos principalmente de
grandes personalidades da musica, do
cinema e da televisão, e projetos como
editoriais e temáticos para grandes
empresas globais como os estúdios
Disney.

Seu interesse e paixão pela fotografia


vieram a tona durante uma viagem
familiar as Filipinas, tendo desde então
praticado e aperfeiçoado suas técnicas
fotográficas. Hoje Annie é conhecida pela
relação de colaboração intima com o
retratado, resultando assim em retratos
que realmente transmitam a essência da
personalidade em pequenos gestos, minucias que poderiam passar desapercebidas por um
outro fotógrafo.
Passando por publicações como Rolling Stone, Vogue e Vanity Fair, as lentes da fotografa
registraram rostos como John Lennon e Yoko Ono, Demi Moore, Angelina Jolie e Whoopi
Goldberg, em imagens icônicas que dificilmente são desconhecidas do grande publico. Foi
justamente o retrato de John e Yoko que alçou Annie ao panteão do grandes fotógrafos
conhecidos do publico, pois apenas alguma horas após a sessão de fotos, o cantor acabaria
assassinado em Nova Iorque. No mês seguinte seu retrato seria veiculado por diversas
revistas e jornais mundo afora.

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Um dos trabalhos recentes de Leibovitz é a serie de fotos em parceria com a Disney, na qual
em uma produção riquíssima, celebridades da musica, cinema e esporte encarnam
personagens dos famosos filmes da gigante dos cinemas.
Annie está intimamente relacionada ao universo pop e do entretenimento americano, sendo
a primeira escolha para retratar elencos de series como Os Sopranos, turnês de músicos como
os Rolling Stones, e diversos ensaios com atores e atrizes consagrados. Dessa forma a
fotografa se afirma como uma das fotógrafas queridinhas de Hollywood.
Leibovitz tem como uma de suas características a mistura de luz natural e luz artificial, a luz
mista. O clima de seus retratos é bastante intimista, e o processo é geralmente bastante
ensaiado e planejado.
Em entrevista para a American Photo, Annie fala um pouco sobre o seu trabalho e relação
com a luz:
''Helmut Newton costumava dizer que eu deveria jogar fora os meus flashes. Helmut era um
mestre da luz natural. Ele é o único fotógrafo que eu conheci que podia fotografar com a luz
da meia-noite. E ele tirava vantagem disso - aquelas sombras duras, o contraste.

A luz natural é a grande mestre. Você sempre posiciona o flash seguindo a direção da luz
natural. Em fotos externas, se você adicionar flash à luz natural, terá um estúdio à luz do dia.
Ao trabalhar dentro do estúdio, você imagina como seria a luz natural e tenta recriá-la. No
entanto, eu nunca consegui fazer uma luz de flash tão bonita como a luz natural.

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Minha luz principal é quase sempre um único flash. Uma única sombrinha. Eu gosto dessa
simplicidade. O flash enfatiza a direção da luz e ilumina o rosto do modelo. O resto do cenário
pode ser iluminado com a luz natural. Mas você tem que estar preparado para usar uma luz
de enchimento, que vem da direção da câmera.

Com as câmeras digitais, você pode fotografar com ISOs altos, o que significa poder usar
menos luz. Por isso, hoje eu minimizo a lista de coisas que levo para uma sessão de fotos.
Posso sair com apenas duas cabeças de flash e duas pequenas sombrinhas refletoras.'
Um fotômetro é só um guia. Ele não precisa ser usado literalmente. Ao diminuir a luz do flash,
nós fazemos isso também com a luz natural, ao invés de aumentar a exposição. Depois,
ajustamos um ou dois stops abaixo da luz natural. Eu gosto do jeito que as coisas ficam
quando estão pouco iluminadas. As fotos escuras parecem refinadas, misteriosas.''

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2.2 - Terry Richardson
Nascido em 14 Agosto de 1965 na cidade Nova Iorque, Estados Unidos, o americano Terry
Richardson se tornou um dos mais conhecidos e controversos fotógrafos de moda em
atividade, se embrenhando ainda por outros meios como a direção de videoclipes para
artistas conhecidos mundialmente. Seu estilo remete a uma estética mais amadora e
descompromissada, também podendo ser chamada de estética punk ao romper com
estéticas clássicas da fotografia. Terry Richardson é definitivamente um artista pop, tanto em
seu estilo e personalidades a fotografar quanto em sua vida particular, sendo alvo de
escândalos dignos das celebridades mais desajustadas.

Filho de também fotógrafos de moda, aos nove anos Terry viu sua mãe ficar presa a cama
para o resto da vida em um acidente de carro, e somado ao fato de seu pai sofrer com o vício
em drogas, o jovem se viu em um ambiente familiar bastante desajustado, tendo frequentado
inclusive psiquiatras durante a adolescência.
Terry cresceu no coração de Los Angeles, Hollywood. Durante seu período no colégio, fez
parte de bandas de rock e desde jovem percebeu seu interesse e habilidades para a arte
fotográfica. Por ser um adolescente tímido, deixou de lado a presença nos palcos e se dedicou
a experimentos com fotografia, na qual sentiu que podia expressar sua criatividade por meio
das imagens por ele criadas.
Com a ajuda da mãe, ao perceber seu talento na área, Terry conseguiu um trabalho como
assistente do então fotografo Tony Kent, amigo intimo dela. Durante o período, o jovem
assistente aprendeu técnicas de retratos e fotografia urbana, e antes mesmo de se dar conta,
estava fotografando estrelas do cinema americano como Leonardo DiCaprio, Mickey Rourke
e a na época atriz, Lindsay Lohan.
O estilo de Richardson é característico pelo fundo simples e branco em muitos casos,
captando os movimentos mais simples e espontâneos de seus modelos. Outros nomes
fotógrafos por ele são Obama, Gisele Bundchen, Katy Perry, James Franco, Amy Winehouse

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entre inúmeros outros, tendo ainda a característica de aparecer em alguma de suas
fotografias. O fato de estar no epicentro da cultura popular americana certamente influenciou
o estilo de Terry em seu estilo jovem, pop, irreverente e sexy.
O fotografo ainda fez trabalhos em campanhas para marcas como Hugo Boss, Gucci e Dolce
& Gabanna e editoriais para Vogue, Rolling Stones, sendo inclusive considerado mais
pornográfico do que sensual em comparação com os outros fotógrafos. Tais comentários mais
ajudaram Terry do que atrapalharam, pois o buzz gerado em torno de suas fotografias o
tornavam cada vez mais requisitado por marcas e estrelas.
A partir de 2010 Terry passou a arriscar mais. Decidiu criar sua primeira exibição que ocorreu
em 2012 entre Fevereiro e Março em Los Angeles, chamada Terrywood. E ainda se viu em um
novo mercado ao dirigir documentários e clips musicais para a cantora Lady Gaga e anos
depois para Miley Cyrus, acumulando milhões de visualizações na plataforma Youtube. Desde
então, se tornou figura constante na cena videomusical americana, dirigindo ou assinando a
fotografia de diversos projetos de grande relevância popular.

Embora fosse considerado um jovem tímido na adolescência, Terry parece ter superado esse
traço de sua personalidade, pois vieram à tona inúmeros escândalos sexuais com modelos
por ele fotografados. O fotografo foi acusado de usar de sua influência na indústria do
entretenimento em troca de favores sexuais, sendo considerado um pervertido por muitos.
Por outro lado Terry nega as acusações, dizendo que sempre trabalhou da forma mais honesta
com seus colegas profissionais. Nomes como Marc Jacobs endossam as declarações de
Richardson.

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Terry é certamente uma personalidade bastante midiática. Sempre envolvido em polemicas
sejam elas em torno de sua vida particular ou de seus ensaios, propõe uma visão bastante
característica da sexualidade e do bizarro, sendo considerado ainda subversivo pelos mais
conservadores. Os temas polêmicos, as personalidades fotografadas e o resultados originais
e bastante estéticos são o motor da fama de Terry Richardson. Sua fotografia capta a essência
da indústria cultural americana de exportação em toda sua boa forma, juventude e futilidade.
Suas imagens são facilmente reconhecidas mundo afora, e certamente não deixarão de serem
vistas tão cedo, seja em revistas, internet ou televisão.

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2.3 - Inez & Vinoodh
O casal e dupla criativa formado por Inez Van Lamweerde e Vinoodh Matadin são o exemplo
perfeito de simbiose artística e comercial na indústria criativa. Em quase 30 anos de carreira,
o casal se consolidou como um dos maiores nomes da fotografia de moda e retratos de
celebridades, além de mais recentemente estarem adentrando no terreno audiovisual,
assinando a direção de clipes para artistas como Lady Gaga e Bjork.
O método de trabalho adotado por eles não é um dos mais usuais. Inez cuida da direção do
modelo e registra as imagens mais diretas, captando o olhar do fotografado. Já Vinoodh além
de cuidar da iluminação, transita pelo espaço procurando ângulos menos usuais e de certa
forma imprimindo um ar voyeurístico do mesmo ensaio. Ambos trabalham simultaneamente
em total sincronismo.

Os ensaios feitos por Inez e Vinoodh trazem a dualidade de olhar, o masculino e o feminino,
quase um Ying e Yang da fotografia de moda. O resultado é diverso, original e desafiador. Os
olhares da dupla verdadeiramente se complementam.

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A dupla transita entre o clássico de seus retratos e o ousado e de certa forma bizarro em seus
editoriais. Resultado esse da preocupação de ambos em retratar o ser humano a sua frente
da forma mais original, estética e honesta possível, mais do que em criar uma determinada
assinatura artística.
Ambos carregam ainda o pioneirismo em manipulação digital nas fotografias de moda, tendo
conquistado o respeito pela técnica perante a crítica e público. O editorial For Your Pleasure
marcou a introdução do retoque digital em revistas impressas, catapultando-os como
fotógrafos de vanguarda em 1994. Ainda hoje utilizam-se de variadas técnicas na pós
produção de suas imagens, como colagens e desenhos.
Em trecho entrevista para a revista Fashion Forward, Inez fala sobre o seu fluxo de trabalho
e estilo.
Como é o processo de trabalho entre vocês? Para quem a modelo olha na hora da foto? (risos)
É muito orgânico, nós fotografamos ao mesmo tempo. Vinoodh usa uma câmera Canon e eu
uso uma Hasselblad. Eu dirijo a pessoa que está sendo fotografada, seja uma modelo ou um
artista, uma celebridade. Ela olha para a minha câmera, há um contato direto entre a pessoa
e eu. O Vinoodh fica mais móvel, anda pelo set e traz outro clima para a foto. O ponto de vista
dele é mais voyeurístico. Às vezes fica muito claro quem tirou a foto, mas não importa se a
imagem escolhida é minha ou dele. O importante é ter boas fotos, é fazer as imagens mais
maravilhosas que pudermos.

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Vocês têm um estilo de fotografia muito bem definido. Quanto tempo demorou até você
encontrar seu próprio estilo?
Sempre soube o que queria. Já na escola sabia que essa seria a minha direção, uma coisa meio
imperfeita na foto, como se ainda faltasse algo. Minha mãe é uma jornalista de moda, então
desde o início minha atenção se voltou para esse lado. E através da moda eu comecei a
traduzir comportamentos e a desenvolver minha linguagem. Mas depois que você acaba de
estudar, a responsabilidade aumenta muito, então eu sempre aconselho as pessoas a ficarem
na escola o máximo possível, para poder se dedicar mais à arte e poder experimentar mais
também.

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2.4 - Mert & Marcus
A dupla Mert e Marcus forma um dos
nomes mais proeminentes da fotografia
de moda internacional das últimas duas
décadas. Com inúmeros prêmios na
estante, ambos nasceram em 1971, Mert
Alas na Turquia e Marcus Piggott no
Reino Unido, e somente em 1994 vieram
efetivamente a trabalhar juntos. Mert
que já fotografava, e Marcus que
trabalhava como modelo, resolveram
então juntar as suas habilidades para
atingir o mais alto patamar no ramo.

Juntos fotografaram para marcas


consagradas como Gucci, Giorgio
Armani, MAC e Kenzo, transmitindo a
mensagem das marcas de um modo não
convencional ao aliar a arte o e business.
O ponto de virada na carreira dos dois
veio ao chamarem a atenção de Marc
Jacobs, que os colocou na posição de
registrar grandes campanhas para a
marca Louis Vuitton.
A fotografia da dupla é bastante influenciada por Guy Bourdin como foi por eles admitido.
Entretanto trazem como assinatura pessoal uma roupagem futurista e de certa forma até sci-
fi. Peles e cabelos assumem um aspecto quase plástico e sintético, enquanto as poses
guardam ainda alguma formalidade, resultando em uma estética única e imponente. Outro
ponto forte é a pós produção bastante carregada, trabalhando contraste, saturação e a
tonalidades quase irreais.
O visual super colorido, sofisticado e futurista tem como objetivo empoderar os fotografados,
tornando-os verdadeiramente imponentes. Mert e Marcus buscam mostrar nas paginas das
revistas seus desejos e visões de mundo, tendo posado para suas lentes personalidades do
cinema e da musica também, como Angelina Jolie, Lady Gaga, Jennifer Lopez e Shakira.

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Uma constante no trabalho da dupla é a imagem da mulher como expoente de força,
sexualidade e independência. A estética da dupla trabalha a favor da criação dessas
personagens, exaltando uma beleza icônica e artificialmente quase perfeita.
Como ambos dizem, é muito difícil identificar um estilo totalmente definido em suas
produções fotográficas, tornando-os muito versáteis, o que acaba atraindo a atenção das
grandes marcas ao poderem moldar estilos totalmente novos de ensaios a cada trabalho.

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2.5 - Mario Testino
Mario Testino é um dos
mais cultuados fotógrafos
de moda da atualidade.
Autodeclarado excêntrico,
nasceu em Lima, Peru, no
ano de 1954, e foi por
muitos anos impopular no
colégio onde estudava
devido a seu estilo
extravagante que não o
deixava passar
despercebido.

Vindo de família italiana,


estudou economia em
Londres enquanto
trabalhava como garçom,
sobrando ainda tempo
para vender seus
modestos books a 25
libras com cabelo e
maquiagem inclusos como
renda extra. Hoje, anos
depois, Testino fotografa
para marcas consagradas
como Gucci, Burberry,
Versace e Dolce &
Gabbana, além de
publicações para a Vogue, onde começou, além da Vanity Fair.
Mario afirma que sua principal preocupação ao fotografar é centrada no assunto ao invés da
técnica. Ele se preocupa em mostrar a personalidade do fotografado em seu melhor estado
através das lentes. Entre os nomes das celebridades por ele fotografadas estão Madonna, a
família Jolie-Pitt e Kate Moss, a qual foi o responsável por tornar uma das mais lucrativas
modelos da historia.
Diferente dos ensaios comerciais, em seus retratos Testino busca uma aura de maior
simplicidade do fotografado, uma versão com menos glamour e luxo ao que estamos
acostumados a ver em suas aparições no tapete vermelho.

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Em entrevista para a revista "PODER", Testino fala sobre seus trabalhos mais relevantes, como
vê a moda, e os rostos exóticos que já fotografou.
PODER: Qual é seu trabalho mais importante ou um período mais significativo?
Mario Testino: Houve alguns “momentos” ao longo da minha carreira. Eu acho que um deles
é quando Gianni Versace usou meu nome em uma das campanhas que fiz para ele com
Madonna. Aquele foi um momento. Também quando fotografei a princesa Diana ou quando
eu fiz a Gucci com o Tom Ford, na década de 1990, ou o trabalho que tenho feito com a
Burberry nos últimos 16 anos ao lado de Christopher Bailey.
PODER: O que fez de você um dos fotógrafos de moda mais importantes do mundo?
Mario Testino: Trabalho duro. Esse sempre foi meu jeito.

PODER: O que é moda para você?


Mario Testino: A moda é como as pessoas mais básicas podem mostrar sua criatividade. A
gente faz isso todos os dias sem perceber, mas é a maneira como nos vestimos que determina
como somos percebidos em muitos aspectos.

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PODER: O que faz de uma pessoa um rosto interessante ou exótico?
Mario Testino: Não é só o rosto, mas a personalidade. Eu tenho de sentir como se a pessoa
que estou fotografando pudesse ser alguém com quem eu gostaria de passar o tempo.
PODER: Qual é a diferencial em seu trabalho que atrai tanta gente importante para suas
lentes?
Mario Testino: Bom, eu sempre quero que as pessoas olhem o seu melhor. Talvez seja isso o
que as atrai.
PODER: Qual o rosto brasileiro mais interessante que você já fotografou?
Mario Testino: São tantos! Mas eu teria de dizer que é o da Gisele (Bündchen). Quando a
conheci, e ela estava apenas começando, era como se alguém tivesse acendido as luzes do
quarto – e ela ainda é assim até hoje.

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2.6 - Nick Knight
Nick Knight é o
que pode ser
chamado de um
verdadeiro
vanguardista.
Considerado um
dos fotógrafos
mais
transgressores
da atualidade,
pode ter sua
filosofia
exemplificada
em uma de suas próprias frases: “Eu não quero refletir as mudanças sociais – eu quero causá-
las”.
Nasceu em Londres no ano de 1958 em uma família totalmente ligada as ciências, tendo um
pai psicólogo e uma mãe psicoterapeuta. Chegou inclusive a seguir os passos dos pais ao
ingressar no curso de biologia, o qual rejeitou ao perceber que na verdade o que interessava
era a concepção de imagens fortes.
Iniciou fotografando grupos ingleses de contracultura, e em um dos seus primeiros e
polêmicos projetos, retratou o submundo dos skinheads em Londres, sendo publicado em
forma de livro em 1982 sob o nome "Skinhead". Durante a execução do projeto, Nick
terminava seus estudos na Universidade de Artes e Design de Bournemouth e Poole, e uma
de suas imagens feitas para o projeto foi publicada na revista "i-D" após um decisivo encontro
com o editor da publicação, o que garantiria espaço em suas paginas por um longo tempo.
Com esse feito, Knight venceu o premio de Designers & Diretores de Arte do Reino Unido em
1985, alcançando grande visibilidade, e em 1990 conquistou o posto de editor de imagem da
publicação fundada por Terry Jones.
A partir do momento no qual Nick ingressa como editor de imagem, cresce seu envolvimento
com o mundo da moda, tendo então fotografado campanhas publicitarias de marcas de luxo
como Jil Sander e Yohji Yamamoto. Suas características estéticas foram se tornando mais
evidentes ao longo dos ensaios, sendo marcantes sua precisão técnica, sofisticação e apelo
ao futurismo.
Como prova de sua multidisciplinaridade e versatilidade, ainda no inicio de 1993, em parceria
com o arquiteto David Chipperfield, criar uma exposição para o Museu de Historia Natural de
Londres intitulada de "Plant Power" explorando a relação o ser humano e as plantas,
alcançando um grande publico.
Provando mais uma vez ser um artista de vanguarda, Nick trouxe no final da década de 70,
em parceria com Alexander McQueen e Bjork, uma marcante campanha trazendo grupos
sociais estereotipados como mulheres obesas, deficientes e idosos, remetendo ao inicio de

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sua carreira ao retratar os grupos de contracultura. Ainda no mesmo período, o fotografo
iniciou a importante parceria com John Galliano ao revitalizar a imagem da marca francesa
Dior.
Nick Knight ainda fotografou inúmeras campanhas para marcas consagradas no mercado
como Louis Vuitton, Calvin Klein e Giorgio Armani. E mais uma vez provando sua essência de
vanguarda, fundou um estúdio chamado ''Showstudio'' no qual pode fazer suas
experimentações ainda em outras areas como audiovisual e montagens criativas. O fotografo
ainda enveredou por outros meios ao dirigir videoclipes para artistas como Bjork e Lady Gaga
e curtas-metragens para marcas como Dior, provando ser um artista multimídia e pop, mas
que mantem sua veia estilística intacta, com suas temáticas por vezes até bizarras e grande
presença de manipulação digital.

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2.7 - Bruce Weber
Nascido em 29 de março de 1946, na Pensilvânia, Estados Unidos, o fotografo Bruce Weber
foi o grande responsável por revolucionar a fotografia de moda masculina nos anos 70. O
artista, após se firmar no mundo da fotografia publicitaria, viria a flertar com outras mídias,
tendo dirigido clipes e documentários elogiados pela crítica.

Weber desde jovem mostrava interessa pelas artes, tendo iniciado duas graduações na área,
sendo elas dramaturgia e cinema em Nova Iorque, tendo as abandonado para seguir a carreira
de modelo, na qual perceberia que na verdade buscava o papel atrás da câmera.
O fotografo em diversas entrevistas, explica que o que motiva sua fotografia é a busca pela
beleza natural das pessoas, e não o interesse pelas roupas em si, o que vem como reflexo do
comportamento de uma época.
Conhecido por trabalhar até hoje com fotografia analógica, suas imagens raramente ganham
cores, sua preferencia absoluta é pelo preto e branco. Ainda assim fotografa até os dias atuais
campanhas para marcas como Calvin Klein, empresa pela qual viria a ficar conhecido
mundialmente, e a marca queridinha dos jovens americanos Abercrombie & Fitch. Weber
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ainda fotografou para revistas consagradas como Vogue, Elle, Vanity Fair e Rolling Stone,
entre varias outras, e passaram pelas sua lentes personalidades como Madonna, o jogador
Cristiano Ronaldo e Natalie Portman.
Seu estilo apresenta uma beleza e produção mais cruas, carnais, e ainda que de certa forma
erótica, expressa certa ingenuidade, sem grandes pretensões. O natural nas lentes de Bruce
se transforma em algo bastante sensual.

Partindo para outras mídias, o fotografo viria a ser indicado para o Oscar de melhor
documentário em 1989, vencido prêmios no festival de Veneza e Berlim, e ainda dirigido
videoclipes para o duo Pet Shop Boys. Bruce Weber mostra toda sua vitalidade artística e
pessoal se envolvendo em projetos cada vez mais diferentes e inovadores.

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2.8 - Steven Meisel
Fotografo oficial da Vogue Itália há mais
de 20 anos, o Nova-iorquino Steven
Meisel, nascido em 1954, se tornou um
dos mais prestigiados e proeminentes
fotógrafos de moda da sua geração. É
conhecido devido a sua estética
polemica e inconfundível que inclusive já
lhe renderam inúmeros casos de
censura.
Além de polemizar na capa das mais
conhecidas publicações de moda, Meisel
é parceiro de marcas como Louis Vuiton,
e amigo pessoal da estrela Madonna,
para a qual já fotografou imagens
eróticas para o livro SEX da cantora. Um
dos seus trabalhos mais marcantes é o
editorial inspirado em O Poderoso
Chefão no ano de 2009 para a revista
Vogue USA.
O fotografo não apresenta um estilo
totalmente definido, passeando por
diversas influencias e referencias como o bonito, o feio, o kitsch, o minimalista, o colorido e
o preto e branco. Entretanto, as temáticas e abordagens são características que diferenciam
o seu trabalho, sendo sua marca registrada.
Apesar de seus editoriais suntuosos e mirabolantes, o trabalho do fotografo não o refletem
como pessoa. Steven é pouco presente em eventos, não costuma dar entrevistas, e não
possui redes sociais, sites e até mesmo livros reunindo suas fotografias. É o que se pode
chamar de um homem bastante discreto apesar do meio e natureza do seu trabalho e da
indústria para o que produz.
Desde pequeno Steven já demonstrava afeição pela área de humanas, sendo um de seus
passatempos desenhar mulheres tendo como inspiração publicações de moda como Vogue e
Harper's Bazaar, tendo inclusive se formado como ilustrador. Apesar do interesse pela
ilustração, Meisel viria a se encontrar mais tarde na fotografia de moda, encontrando o
elemento que faltava a sua arte, como disse em rara entrevista concedida a Pierre Alexandre
de Looz da ''032c''.
A porta de entrada para Steven para o mercado, foram as fotos feitas em seu apartamento
em Nova Iorque para a revista ''Seventeen'', para a qual acabou sendo convidado
posteriormente a fazer mais trabalhos. Alguns anos após esses trabalhos, o fotografo viria a
fotografar a capa do icônico álbum ''Like a Virgin'' de Madonna.

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Assim como diversos outros fotógrafos do meio, Meisel é fortemente influenciado pelo
cinema, tendo citado nomes como Fellini e Ingmar Bergman como grandes referencias para
seus editoriais. Além disso, o fotografo chegou a se aventurar por outros meios do outro lado
das cameras ao fazer um curta metragem para a marca GAP em 1983 em parceria com Annie
Leibovitz, tendo ainda relatado ter odiado a experiência.
Hoje em dia Steven se encontra em total liberdade criativa diante da parceria com a Vogue
Itália. O fotografo tem sinal verde para o mais diversos projetos e editoriais para a revista,
sendo um nome essencial para o sucesso da publicação em um dos países mais influentes no
mercado da moda. E como se não bastasse, é o responsável pela descoberta de nomes como
Naomi Campbell e Coco Rocha, alçando-as ao estrelato por meio de suas polemicas fortes
capas e editoriais que influenciaram e ainda influenciam toda uma geração de fotógrafos e
artistas em geral.

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2.9 - Juergen Teller
Juergen Teller é um fotógrafo de moda alemão nascido em 1964, sendo considerado um dos
mais importantes em atividade. Seu estilo não é tão usual e perfeccionista como o dos seus
contemporâneos, sendo a imperfeição proposital uma de suas características mais
marcantes.

O estilo de Teller apresenta influencias do kitsch, confrontado o luxo e a decadência, e uma


certa sexualidade com um que de inocência que paira no ar no clima de suas fotografias. O
flash propositalmente estourado, a granulação acrescentada na pós e os filtros amarelados
acrescentam esse ar de decadência ao seu trabalho, marcando seu estilo que foi descoberto
por acaso em um editorial com Kristen McMenamy para a revista alemã “Süddeutsche
Zeitung”.
Jurgen pode ser considerado um dos fotógrafos que conseguiu tanto o reconhecimento
comercial quando o artístico. O fotografo trabalha com projetos diversos que usam e abusam
de sua criatividade, como ao fotografar capas para discos, com temas muitas vezes bastante
analógicos e simbólicos, diferentemente de um trabalho mais voltado para o comercial.
Inclusive, trabalhar com fotografia de moda não era um objetivo de Teller, que preferia
retratar a realidade da juventude britânica nas ruas. O fotografo desde cedo em seus ensaios
particulares, apresentou um contra ponto ao luxo dos ensaios de moda, trazendo a tona um
estilo que pendia ao grunge, ao decadente.

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O fator decisivo que levaria Teller ao mercado da moda, seria a parceria e amizade com Marc
Jacobs, para quem trabalhou de graça no inicio de carreira por vontade própria. Em
contrapartida Juergen teria toda a liberdade criativa para realizar os anúncios para a marca
do estilista.

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O estilo fotográfico diferenciado do artista não o impediu de chegar as grandes marcas, e
após a parceria com Jacobs, outros viriam aborda-lo. Famosos como Victoria Beckham
passariam por suas lentes, protagonizando anúncios que ficaram para a historia, como o para
a linha de sapatos de Jacobs em 2008. Uma das características de Teller é a fidelidade a sua
estética. Enquanto outros fotógrafos renomados se adaptam ao estilo da marca, Juergen
adapta o conceito a sua estética, e o resultado acaba se tornando inconfundível.

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2.10 - Mario Sorrenti
Nascido em Nápoles, Itália em 1971, Mario Sorrenti logo cedo se mudaria para os Estados
Unidos, mais especificamente para a cidade de Nova Iorque, onde construiria sua grande
carreira. Criado em um ambiente familiar totalmente liberal, filhos de artistas, Mario
descobriria o valor dos corpos nus para o seu trabalho. Segundo ele, logo a sua vida e o oficio
da fotografia se fundiriam, tamanho era a paixão pela arte.
Apontado como o fotografo mais bem pago no ano de 2016 (algo em torno de 96 milhões de
dólares) pela revista People With Money, Sorrenti desde os anos 90 viu sua carreira decolar,
fotografando para marcas como Hugo Boss, Nina Ricci e revistas do porte de Vogue além do
almejado Calendário Pirelli. Sua fortuna estimada em 250 milhões de dólares é resultado de
um inteligente plano de negócios, incluindo compra e venda de ações, imóveis, e até mesmo
a propriedade de um time de futebol, Os Anjos de Nápoles! O fotografo também possui redes
de restaurantes e sua própria marca de roupas.

Desde cedo Mario esteve acostumado a nudez, que viria a ser uma característica do seu estilo
fotográfico. O fotografo chegou a contar durante entrevistas que sua família era praticamente

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hippie, e viveu até os 10 anos correndo pelado com os pais pela praia, brinca. O resultado de
uma infância tão liberal, e a proximidade do meio artístico e da moda devido aos seus pais,
seria o precoce sucesso. Com apenas 21 anos Mario já viria a se destacar no mercado com a
campanha para uma fragrância da Calvin Klein, estrelando e revelando inclusive sua
namorada na época, a top Kate Moss.
O estilo de Sorrenti é marcante pelo forte uso de cores contrastantes, além do carregado uso
de maquiagem e pintura corporal, e a já comentada nudez. É praticamente impossível passar
sem reação por uma fotografia de Mario. Pode-se dizer que um dos principais pilares, se não
o principal, da obra do fotografo, é o domínio da relação entre as cores, inclusive o preto e o
branco, bastante presentes em suas obras. Seu trabalho é considerado bastante energico,
trazendo composições inovadoras e não convencionais, sendo também muito diversificado.

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Em entrevista para a revista VIP, Sorrenti fala sobre como lida com o nu, e detalha o processo
para a produção do Calendario Pirelli:
Como é que se tornou famoso com os nus? Não se vêem muitas fotos de nus na moda.
MS: Para mim é natural, porque é algo que adoro fazer. Além disso, sempre pensei em tirar a
roupa às pessoas, mas de uma maneira que me permitisse estar mais perto do indivíduo, da
pessoa, isto é, para encontrar mais verdade e pureza. Penso que se deve ao facto de o meu
pai ter sido pintor e de o ver a pintar mulheres nuas. Fui criado dessa maneira e pensei que
era a forma para aproximar o mais possível a minha obra à arte.
E nunca se sentiu embaraçado?
MS: Nunca tive qualquer problema. Nem físico, nem mental. O nu nunca me afligiu, até
porque, quando era modelo, costumava fazer muitas fotos de nus com outros fotógrafos.
Assim, naquele período, associava isso com o que mais se aproximava à expressão artística.
Naquela época não havia assumido a fotografia como arte feita por ideias, ou pensado no que
se podia conseguir através da sua conceitualização. O que me aproximava mais da fotografia
de arte era fazer um nu. Por isso, continuava a fazê-los
Foi fácil conseguir que os seus sujeitos se sentissem cómodos enquanto lhes tirava fotos
nus? Creio que há diferenças entre as pessoas, mas..
MS: Recordo que na altura pensava que era fácil, porque eu mesmo tinha sido modelo e
pensava saber como se sente um modelo diante de uma máquina fotográfica. E muitos dos
meus sujeitos eram amigas ou amigos que tinha conhecido durante a minha carreira de
modelo. De qualquer modo, tinha a sensação de que se tinham podido eliminar algumas
barreiras porque existia um conhecimento profundo e nos entendíamos, em certo sentido. É
sempre difícil descobrir-se completamente diante de outra pessoa. No entanto, sempre fui
um fotógrafo que gosta de partilhar o seu trabalho com os outros e que adora explicar o que
faz, sobretudo aos sujeitos das minhas fotos. Quero que entendam o meu trabalho e que o
apreciem e que possam repetir a experiência no futuro, porque gostaram de trabalhar
comigo.
Por conseguinte, foi você que escolheu as modelos?
MS: Claro. Mas, evidentemente com algumas limitações devido a compromissos anteriores
das modelos ou a tudo o que não podes controlar. Mas sim, escolhi tudo. Trabalhei com a
casting agent, que me disse: “A maioria destas modelos já posou para edições anteriores do
calendário.” Ao que respondi: “Não importa. São as que eu gosto, que quero fotografar e que
estarão no calendário. São mulheres que conheço há dez anos, algumas até mais, há quase
20 anos. Por conseguinte, têm de ser elas, porque me representam verdadeiramente, em
certo sentido.” Além disso, também escolhi algumas raparigas novas, justamente para que
houvesse mais novidade, mais frescura, suponho.
Creio que uma das melhores coisas que fez foi justamente juntar uma mescla fantástica de
idades diferentes. Estão Milla e Kate e logo as modelos mais jovens. Una mistura preciosa.

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MS: Queria que as pessoas compreendessem que todos nos conhecíamos bem. Pensei que
quanto mais se percebesse esta sensação de familiaridade, mais nos aproximaríamos da
verdade.
Quantas pessoas ficam no plateau quando fotografa um nu. Reduz ao mínimo as presenças?
MS: Fico eu e o meu ajudante. Os outros ficam fora. Faço um programa muito simples do dia
e das fotos que quero tirar. Em geral, passava as duas ou três primeiras horas com a modelo,
fotografava-a e tratava de a conhecer. Depois, chamava ao plateau todos os que trabalham
nos bastidores. Não queria que as modelos se distraíssem. Muitas nem sequer queriam que
as filmassem para o vídeo do backstage.
É uma sensação que verdadeiramente se percebe. Lembra-me muito as fotos dos anos
quarenta, onde estavam apenas o fotógrafo, a modelo e a natureza. Quase como fazia
Weston.
MS: É isso que queria conseguir. Como se dissesse: “Quero regressar à fotografia; quero
regressar a Edward Weston e Bill Brandt [conhecidos fotógrafos ] ”, e concentrar-me, dessa
forma, na fotografia. Foi maravilhoso. Com o tempo, tornei-me impermeável a esta situação
de multidão até ao ponto de que, quando trabalho, pode haver 20 pessoas atrás de mim e
nem sequer me dou conta. Creio que, por vezes, isso também pode suceder à modelo. Parece
que está olhando para um grupo de pessoas ao seu redor e é como se ela não visse nada.
Quando comecei a fazer fotos, mandava toda a gente para fora do plateau. Impressionava-
me muito que estivessem a ver, mas agora não me dou conta se estão ou não. Por isso, voltar
de repente atrás foi maravilhoso.
Penso que muitos não se dão conta realmente como trabalha uma grande modelo. Não é
um objeto, alguém que pose como se fosse um fruto sobre uma mesa. Há muito trabalho,
concentração e reação.
MS: São muitas as emoções entre o fotógrafo e a modelo. As melhores modelos são as que
conseguem permanecer nessa situação emocional e que, dia após dia, te devolvem essas
emoções. Por vezes, quando fotografas alguém, estás a comunicar, mas sem palavras.
Começas a imitar, elas imitam-te, olham-te nos olhos e de repente começas a comunicar e
nem sequer te dás conta de como está a acontecer. As melhores modelos são as que deixam
que isto aconteça. E é daí que saem os melhores trabalhos.
Quando deu conta que ia usar o preto e branco e a cor? Porque o preto e branco dá uma
sensação de dramatismo…
MS: Em geral, a minha atitude profissional é que costumo pensar sempre que tudo terá de
ser parecido, tudo terá de ter um idioma constante e não descoordenado. Quando tirei estas
fotos, ainda que presumivelmente haja coerência de linguagem, não queria os mesmos
enquadramentos e os mesmos cortes. Não queria uma série de fotos a preto e branco iguais.
Queria que cada foto ganhasse vida, que tivesse uma existência própria e independente.
O preto mate contribui para dar uma sensação de clássico e destaca as imagens.
MS: Claro que sim. Muito clássico. Fala das fotos e as fotos falam por si sós.

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3 - A importância da escolha das lentes ao fotografar pessoas
Na fotografia de moda o foco de atenção recai sobre o modelo, sendo então de extrema
importância a escolha de lentes adequadas que evitem problemas como distorções no rosto
do fotografado e aberrações cromáticas.
As lentes mais indicadas ao fotografar closes e retratos de pessoas são as de distancia focal
acima de 70mm, sendo a ideal em torno de 85mm e acima destas. Distancias inferiores a estas
deformarão o rosto do modelo, distorcendo os elementos que estiverem ao centro da
imagem, fazendo-os parecer maiores do que são. (imagem abaixo e na segunda pagina)

Por outro lado, quando se fotografa em locações externas, menores distancias focais podem
ser vantajosas ao se compor com os elementos presentes em cena, sendo ainda necessário
registrar o modelo em plano geral sem precisar recorrer a grandes distancias entre o
fotografo e o modelo para que ele seja fotografado de corpo inteiro.

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Outro ponto a ser considerado, é a vantagem em termos de nitidez e fidelidade de cores das
lentes Prime (distancia focal fixa) em relação as lentes zoom. A construção ótica desse tipo de
lente possibilita obter imagens de melhor qualidade em termos gerais, ainda que
consideradas menos praticas, pois exigem que o fotografo de movimente mais para cobrir os
ângulos que deseja capturar. (imagem anterior)

De forma geral, é necessário que o fotografo de moda esteja munido de lentes que cubram a
maior variedade de situações possíveis. Pequenas distancias focais para planos mais abertos
e ambientes pequenos, e maiores distancias focais para evitar deformidades no assunto em
planos mais fechados e mais próximos. Ainda lembrando-se que o mercado de moda tem
certa preferencia pelas lentes teleobjetivas devido aos motivos já explicitados e também pelo
achatamento dos planos (desde que utilizado sem exageros). Cabe dizer ainda que a escolha
das lentes pode influenciar também a direção do modelo no set, como será explicado mais
adiante.

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4 - O editorial de moda
O editorial de moda é a
expressão mais livre da
fotografia de moda. Bebe das
mais diversas fontes de
inspiração, como filmes, livros,
musicas e qualquer outra coisa
que vier a mente dos criadores.
Diferente de um catalogo, algo
mais comercial, o editorial
beira o artístico, mostrando
mais tendências de
comportamento e vestuário do
que as peças em si.
Idealizado por um verdadeiro
time, o editorial de moda é
geralmente apresentado em
algum veiculo de informação
como revistas e sites. O
conceito é baseado em um
tema especifico, sendo
atualizado com as tendências
do mercado fashion, sendo
importantíssimo que os
profissionais envolvidos
estejam antenados, sendo verdadeiros ''coolhunters''.
A equipe que produz um editorial é composta basicamente por um produtor (quem organiza
e viabiliza o ensaio), o editor (do veiculo no qual o resultado será exibido, analisando se o
conceito segue os padrões estabelecidos), o fotografo, um ou mais stylists (montam os
''looks'' que serão usados pelos modelos), maquiador e cabeleireiro, um assistente de
produção (quem ajuda a solucionar eventuais problemas) e finalmente um editor de imagens
(que dará o toque final nos softwares de edição).
Cabe ao fotografo manter uma boa comunicação e relação profissional com toda a equipe
para que a produção do editorial ocorra de forma eficiente e atinja o resultado almejado. O
fotografo precisa estar antenado, pois um editorial bem sucedido pode atrair os holofotes do
mercado. É ainda importante que o fotografo compreenda plenamente o briefing, e
mantenha a risca o que foi determinado na pré-produção. Um bom fotografo de moda precisa
ter numerosas e fortes referencias, possuindo ainda uma grande bagagem cultural que possa
ser aplicada nos mais diversos ensaios e principalmente editoriais que requerem uma grande
dose de criatividade e repertorio.

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5 - Modificadores de Luz na fotografia de moda e suas aplicações praticas
Por ser um campo entrelaçado a arte, a fotografia de moda oferece maior liberdade criativa
aos seus profissionais, principalmente nos editoriais. Portanto, é difícil estabelecer maneiras
certas e erradas de iluminar um set de moda, pois a estética desejada pode ser muito variada
dependendo de cada caso, marca e conceito. Entretanto, os modificadores de luz estão
sempre presentes em um set fashion profissional, possibilitando ao fotografo manipular a luz
da forma mais adequada ao proposito da cena a ser fotografada.

(Exemplo de modificadores de luz em estúdio)

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5.1 - Luz Dura e Luz Suave
O emprego de luz dura ou suave, é uma decisão totalmente ligada ao conceito do ensaio. O
principal fator que determinará a dureza da luz, é o tamanho e distancia da fonte utilizada.
Partindo-se desse conceito, existem ferramentas, os chamados modificadores de luz, que
ajudam a manipular a luz emitida artificialmente para que se obtenha o resultado desejado.
A luz dura é caracterizada pela transição mais abrupta entre as zonas de sombra e luz, isso é,
tornando mais evidente o contaste entre elas. O resultado é uma iluminação mais dramática
e marcante. (esquerda na imagem abaixo)
Por sua vez, a luz suave apresenta uma transição mais suave entre essas zonas, sendo o meio
termo os tons de cinza que separam os claros dos escuros. O resultado, como o nome sugere,
é mais suave e menos dramático. (direita na imagem abaixo)

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5.2 - Difusores de luz
O uso do Soft Box, Hazy ou ainda Octobox, são os mais comuns para se criar luzes suaves, isso
é, com um contraste menor entre as zonas de luz e sombra, conferindo uma transição mais
suave entre elas. Um ensaio mais delicado por exemplo, pediria uma luz que criasse sombras
menos marcadas, enquanto um ensaio com inspiração noir, por sua vez, pediria uma luz dura,
com sombras bastante fortes e contrastantes com os pontos iluminados, apresentando um
resultado mais dramático. Outro modificador com efeito semelhante é a sombrinha,
ajudando a espalhar mais e de forma mais difusa a luz do flash, podendo ainda ser encontrada
nas cores dourado e prateado, resultando em luzes respectivamente mais quentes e
adicionando certo brilho. (Soft Box na imagem abaixo)

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5.3 - Beauty Dish
O Beauty Dish por sua vez, oferece um meio termo entre a luz dura vinda direto do flash, e
uma mais difusa como a do Soft Box ou das Sombrinhas. Como sugere o nome, é muito
comum no meio de fotografia de beleza ou fashion, pois a característica um pouco mais dura,
ajuda a esculpir com sombras a estrutura óssea do modelo e seu rosto, assim como ressaltar
o volume de sua boca e brilho dos olhos. Seu uso também é bastante presente em retratos
de esportistas, justamente por ajudar a ressaltar sua estrutura óssea e muscular, conferindo
um ar mais imponente, quase heroico ao retratado. (Beauty Dish e efeito nas imagens abaixo)

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5.4 - Snoot e a luz de cabelo
A luz de cabelo também é bastante utilizada em ensaios de moda principalmente em estúdio.
Tal luz pode ser criada de duas maneiras: a primeira delas é posicionando a tocha diretamente
acima do modelo com a ajuda de uma girafa, fazendo a luz incidir de cima para baixo em sua
cabeça; a segunda forma implica o uso do Snoot, um modificador que direciona de uma forma
mais pontual a luz, sendo a tocha escondida atrás da cabeça do modelo de acordo com o
enquadramento. O resultado é uma marcação de luz que define o contorno do cabelo
iluminando-o e destacando, ajudando a criar um maior destacamento do modelo em relação
ao fundo. (Snoot na imagem abaixo)

A luz pontual criada pelo Snoot ainda apresente várias outras aplicações, pois ao direcionar a
luz a um ponto especifico, pode ser bastante útil ao iluminar pontos específicos como
detalhes de roupas, objetos de cena, entre outros.

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5.5 - Rebatedores
Em ensaios feitos em locações externas, os rebatedores são essenciais para manipular a luz
natural. Presentes nas cores dourado, prateado ainda tendo funções como difusor e
bloqueador de luz, eles são cartas coringas para qualquer ensaio, podendo esquenta a cena
com a função prateado, acrescentar brilho e direcionar a luz na função prateado, e ainda
difundir ou bloquear a luz nas duas funções restantes. É importante que o fotografo crie uma
sintonia com o assistente que operar o rebatedor para que a dinamicidade do ensaio não seja
prejudicada. (Rebatedores na imagem abaixo: Translucido, Prata, Preto, Ouro e Branco)

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6 - O BRIEFING no mercado de moda
O briefing é em sua essência, a transmissão de uma ideia de um ponto a outro, estando ela
organizada e explicada corretamente, de forma que seja plenamente entendida e
interpretada pelo receptor da mensagem. Um briefing que não seja objetivo, direito e
compreensível, pode determinar o fracasso de um ensaio fotográfico ou qualquer outro
projeto, e principalmente, um grande prejuízo e desperdício do dinheiro do investidor.
Informações previas sobre o publico alvo do ensaio ou campanha, como faixa etária, sexo,
escolaridade, entre diversos outros fatores, são de extrema importância ao se elaborar um
briefing. Toda e qualquer informação que possa alterar o rumo do que está sendo criado
deverá estar contido no briefing. O bom briefing é tão extenso quanto o necessário. Muitas
vezes as informações são obtidas por empresas de pesquisa especializadas contratadas pelo
cliente, no caso, revistas e marcas na área de moda.

O briefing precisa especificar um objetivo a ser atingido, sendo ainda detalhada a maneira
como deverá ser atingido, quem será estimulado para o que o objetivo seja atingido, e ainda
qual o investimento a ser feito para que tudo corra conforme o planejado.
As informações coletadas durante os processos de marketing (pesquisas quantitativas,
qualitativas, insights) devem ser selecionadas antes ainda de entrar no briefing final, pois
como dito, a objetividade é essencial para que não hajam interpretações dúbias dos conceitos
propostos. Um grupo de profissionais deve então discutir e avaliar as informações coletadas.

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O briefing é um acumulo continuo de ideias e informações uteis feito pelos envolvidos no
processo, como na publicidade, o atendimento é o meio de campo nessa troca, sendo
intermediário entre as áreas, tanto a revista ou marca (cliente) quanto a área criativa, os
fotógrafos, profissionais de beleza, diretores de arte, etc.
Além do briefing geral, existem e são recomendados briefings específicos para as demais
áreas do projeto. No caso de um editorial, pode-se citar como exemplo briefings específicos
como para direção de arte, profissionais de beleza, fotografo, de forma que o resultado final
seja alcançado como planejado nas mais especificas e detalhadas vertentes do processo,
seguindo o conceito primeiramente definido no inicio das reuniões.

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7 - Direção de Modelos
O fotógrafo de moda precisa compreender de forma geral o papel da linguagem corporal na
transmissão de uma mensagem, de um conceito. Segundo a teoria de Pierce, assim como a
fala e a escrita, os gesto e expressões corporais tampem configuram uma linguagem,
composta de signos e significados, ainda que de forma mais abstrata. Considerando que a
fotografia é uma arte totalmente visual, torna-se absolutamente importante o conhecimento
da linguagem corporal além da técnica fotográfica, pois muitas vezes o resultado final não
terá o apoio da linguagem escrita para completar seu significado. Assim como o mercado de
moda, a ''leitura'' de uma fotografia de moda é muito rápida, ainda mais para o consumido
final.

Partindo-se desse conceito, é importante que o fotógrafo saiba manipular tais expressões de
forma que a modelo execute as poses propostas de forma correta e natural, transmitindo a
ideia pensada por ele. Além disso o fotógrafo precisa administrar seu próprio psicológico, e
possibilitar um ambiente agradável para que o modelo atinja o máximo de sua performance.
Em um sessão de fotos, elementos como a iluminação do estúdio, a musica ambiente e o
modo de se portar de fotografo são de extrema importância no decorrer do ensaio, afetando
diretamente o desempenho do fotografado.
Outro elemento que indiretamente influencia na direção é a escolha das lentes usadas no
ensaio. Tele objetivas com grande distancia focal como 200mm, ou 300mm, afetam a forma
como o fotografo dirige o modelo, como o tom de voz e a o clima de intimidade e

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cumplicidade que o fotografo busca criar com o fotografado. Lembrando-se que além disso,
é importante considerar o fator distorção das lentes de curta distancia focal.
É importante conciliar a direção do modelo e os aspectos técnicos, variando de ensaio para
ensaio, conceito para conceito, e ainda em ultimo caso personalidade para personalidade de
modelo. Dessa forma as meia-tele oferecem um meio termo interessante para a fotografia de
moda, aproximando o fotografo do fotografado e mantendo a qualidade técnica desejada.
É recomendado que o fotografo estude e planeje as poses que pretende indicar ao modelo
antes do ensaio. Existem para isso diversos materiais e livros de consulta, além de referencias
em fotos e ensaios feitos por fotógrafos mais experientes. Deve-se lembrar também que em
ensaios de moda, além do modelo, as roupas devem ser bastante valorizadas, buscando
explorar detalhes importantes, texturas, e formas, portanto, ao dirigir um modelo, o
fotógrafo precisa estar atento a esses detalhes que não passarão despercebidos pelo cliente.
Uma forma interessante de obter resultados mais naturais, é criar movimentos para o modelo
executar, nos quais a pose desejada seja criada de forma mais natural, como jogar os cabelos,
caminhar em direção a câmera, variando com a criatividade e o objetivo do fotografo. Essa
técnica pode ser chamada de ''movimento simulado''.
O fotógrafo precisa ainda estar atento ao significado e impressões das poses em relação ao
clima do ensaio e os tipos de roupas que o modelo estão vestindo. Como foi dito
anteriormente, as poses comunicam alguma coisa, assim como as roupas, assim com a luz do
ensaio, e todos esses elementos precisam combinar entre si para resultar em uma linguagem
sólida, coesa.

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8 - A Realidade do Mercado Alvo
O mercado de fotografia de moda hoje é composto por dois grandes tipos de players
principais: as grandes marcas e as grandes publicações. Entretanto, pequenas marcas
independentes e publicações online também independentes também vem mostrando
possibilidades para os novos fotógrafos da área.
As mídias sociais digitais vem abrindo espaço para fotógrafos e pequenas marcas iniciantes
que desejam alcançar públicos específicos, oferecendo ainda grande liberdade criativa. Pode-
se notar pelas diversas paginas virtuais de fotógrafos incitantes nacionais e internacionais,
que qualidade e originalidade não estão em falta, mas sim borbulhando e aguardando pela
descoberta das grandes marcas. Muitos deles inclusive vem sendo contratados para trabalhos
específicos por grandes players do mercado.
Por outro lado, o mercado para fotografia de moda de grandes marcas e revistas ainda se
encontra bastante fechado. O networking se faz essencial para quem busca um inicio na
carreira. Os pagamentos acompanham a grandiosidade das produções, e alcançam cifras
altíssimas principalmente para os top models e fotógrafos do momento. Entretanto, tudo
indica que o mercado recompensa quem apresenta um trabalho de qualidade que chame a
atenção do público.

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9 - O fotografo profissional
O mercado para fotógrafos profissionais se torna cada vez mais competitivo e exigente em
relação a qualidade de seu trabalho, e em meio a tantos outros fotógrafos, se torna difícil
ganhar a atenção do seu publico alvo.
Um fotografo que deseja se destacar no mercado precisa além do domínio técnico do seu
equipamento, estudar e saber trabalhar com áreas como direção de arte, psicologia ao lidar
com modelos, abrangência em conhecimento de referencias e ainda um plano de marketing
pessoal e digital bem realizado para que seja visto e conhecido.
É importante que o fotografo especifique seu nicho de trabalho de forma a tornar-se uma
referencia no campo escolhido, se alimentando de diversas fontes que ajudem o seu trabalho
a se tornar mais original e persuasivo ao cliente.
Assim como qualquer marca ou produto, a sua imagem precisa ser trabalhada de forma a
transmitir a essência do seu trabalho da forma mais efetiva possível. Apenas um cartão físico
e o boca-a-boca não são mais suficientes se o fotografo deseja realmente expandir sua rede
de contatos. Uma presença digital planejada de forma correta é primordial nos dias atuais,
sendo muitas vezes necessário um profissional especializado na área para executar a tarefa
de criar um plano de marketing digital realmente efetivo.
Ainda no campo do marketing, o fotógrafo profissional precisa pensar bastante no valor do
seu trabalho e o quanto será cobrado por ele, o preço é um dos pilares do posicionamento de
uma marca.
É interessante que o fotografo se veja com uma marca a ser administrada, considerando todos
os 4 P's do mundo do marketing e adaptando-os a sua realidade: Produto (o seu trabalho),
Praça (a presença da sua marca no mercado, como o meio digital), Preço (o quanto será
cobrado pelo seu serviço) e Promoção (a forma de divulgação do seu trabalho). Esses
elementos irão determinar com o fotógrafo será visto no seu nicho de mercado.

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10 - Mercado fotográfico de moda e pequenas marcas
O mercado de fotografia de moda vem se mostrando bastante dinâmico em frente as novas
mídias digitais. Facebook e principalmente o Instagram se mostram como ferramentas que
se aproximam do publico alvo das marcas, o que não descarta ainda a influencia das revistas
e campanhas em outdoors.
O uso não só exagerado de retoques digitais e muitas vezes até executado de forma errônea,
se tornou abundante devido a velocidade com a qual as fotos precisam ser finalizadas. Como
resultado, não são difíceis de encontrar edições absurdas em corpos de modelos que acabam
distorcidas e claramente irreais e perceptíveis pelo publico.
Pode ainda ser percebida uma tendência social pela valorização da beleza "natural "e menos
perfeita artificialmente. Uma prova disso é a crescente importância da moda plus size e suas
campanhas estreladas por modelos e profissionais cada vez mais bem pagos e em evidencia.
O mercado se mostra mais receptivo para modelos que não apresentam somente o padrão
de beleza europeu e norte americano, recompensando ainda os tipos de beleza exóticos que
ao que tudo indica, são “a bola da vez”.

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10.1 - Honorários e Pesquisa de Mercado
De acordo com a pesquisas feitas e profissionais entrevistados, um fotógrafo de moda que
trabalhe com marcas pequenas e médias recebe em torno de 400 a 500 reais por um job para
a produção de um lookbook. Nesse caso, os fotógrafos costumam ganhar por volume de
trabalho. A produção de lookbooks para novas marcas no mercado para mídia digitais se
mostra uma oportunidade de obter volume de trabalho, área na qual pude notar forte
presença de fotógrafos de moda iniciantes, uma vez que oferece a oportunidade de construir
um solido portifolio e presença no mercado.
As cifras aumentam consideravelmente quando se trabalha com grandes marcas conhecidas
do públicos, e geralmente os jobs são terceirizados, isso é, não são pagos diretamente pela
marca, mas por alguma produtora que produz o ensaio, diferentemente das pequenas e
médias marcas que lidam diretamente com o fotógrafo.
Ensaios para grandes marcas nacionais e internacionais realizados por fotógrafos conhecidos
do mercado costumam envolver grandes cifras que ultrapassam centenas de milhares de
reais, uma vez que o próprio nome do fotografo passa a funcionar como uma grife que atrai
a atenção do mercado para o lançamento da marca.

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10.2 - Mercado Alvo
O mercado alvo na área de moda é bastante vasto, uma vez que é composto de pequenas,
medias e grandes marcas, e atualmente além das grandes publicações, existem revistem
virtuais com públicos bastante específicos.
Acredito que a intenção da maioria dos fotógrafos de moda é chegar ao meio dos grandes
players do mercado, entretanto deve-se estabelecer um planejamento para obter tal
visibilidade, e acredito que esse caminho seja possível por meio de marcas independentes e
das revistas digitais que oferecem maior liberdade criativa de forma a criar uma presença que
seja notada por outros profissionais da área.
É essencial que se perceba as tendências do mercado e aplique-as aos ensaios e projetos
realizados de forma que estejam mais suscetíveis a figurar entre as paginas de lookbooks e
revistas independentes.
Não menos importante, o fotografo que aspira a fazer parte desse mercado precisa buscar
conhecer e apresentar seu trabalho a outras pessoas do meio, buscando eventos e indicações
com outros com quem tenha trabalhado. Acredito que contatos com modelos em ascensão
são portas importantes nesse mercado, um ensaio bem executado em forma de permuta
poderá ser visto por outros profissionais que poderão enxergar algum potencial no trabalho
do fotografo.
Portanto, acredito que além de um portfolio com personalidade e qualidade técnica, o
fotografo precisa buscar entrar em contato com pequenas marcas e revistas que se
assemelham a seu estilo de trabalho de forma a oferecer parcerias que venham a oferecer
visibilidade ao seu trabalho, sendo esse um dos primeiros passos para criar conexões com o
mercado.

A seguir, alguns exemplos de divulgação em mídia digitais de algumas marcas independentes.

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Cotton Project

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Lookbook

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Maria Filó

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João Pedro Toledo Vieira Melara
Março de 2016

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11 – Referências Bibliográficas

Editorial de Moda – Disponível em: http://chocoladesign.com/editorial-de-moda-o-que-e-


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