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TRT – Rondônia - Acre - 2015

PACOTE Noções de Processo do Trabalho


Técnico Judiciário
Teoria e questões FCC
Aula 04
Prof. Déborah Paiva

Aula 04

Aula 04: Das exceções. Das audiências: de conciliação, de instrução e de


julgamento; da notificação das partes; do arquivamento do processo; da revelia
e confissão. Das provas. Dos dissídios individuais: da forma de reclamação e
notificação; da reclamação escrita e verbal; da legitimidade para ajuizar. Do
procedimento ordinário e sumaríssimo. Da sentença e da coisa julgada; da
liquidação da sentença: por cálculo, por artigos e por arbitramento.

4.1. Exceções:

A Exceção é um meio de defesa indireta processual, onde o réu não ataca o


mérito, mas ataca o processo.

Em outras palavras: É uma defesa contra irregularidades, ou vícios do processo


que impedem o seu desenvolvimento normal.

Exceção

Impedimento Incompetência Suspeição

São elas:
Exceção de Impedimento (quando o juiz for impedido);
Exceção de Incompetência (quando o juízo for
incompetente/relativa);
Exceção de Suspeição (quando o juiz for suspeito).

Já vimos nas aulas anteriores que quando o juiz é incompetente em razão da


matéria ele deverá declarar-se de ofício e a parte deverá alegá-la na preliminar
da contestação.

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Já a incompetência relativa, como por exemplo, a territorial, deverá ser alegada


através de Exceção.

Atenção: O art. 801 da CLT fala dos casos de suspeição do juiz, porém alguns
autores entendem que os arts. 134 e 135 do CPC aplicam-se ao Processo do
Trabalho de forma subsidiária.

Não deixem de estudar os artigos acima mencionados, pois nas provas


objetivas eles são muito abordados.

Art. 799 da CLT - Nas causas da jurisdição da Justiça do


Trabalho, somente podem ser opostas, com suspensão do feito, as
exceções de suspeição ou incompetência.

§ 1º - As demais exceções serão alegadas como matéria de defesa.

§ 2º - Das decisões sobre exceções de suspeição e incompetência,


salvo, quanto a estas, se terminativas do feito, não caberá recurso,
podendo, no entanto, as partes alegá-las novamente no recurso que
couber da decisão final.

A expressão ”exceção de incompetência terminativa do feito” significa que o juiz


ao acolhê-la remeterá os autos para outro órgão jurisdicional diverso da Justiça
do trabalho, pois é uma declaração de incompetência absoluta.

Art. 800 da CLT - Apresentada a exceção de incompetência, abrir-


se-á vista dos autos ao exceto, por 24 (vinte e quatro) horas
improrrogáveis, devendo a decisão ser proferida na primeira audiência
ou sessão que se seguir.

Art. 801 da CLT - O juiz é obrigado a dar-se por suspeito, e pode


ser recusado, por algum dos seguintes motivos, em relação à pessoa
dos litigantes:

a) inimizade pessoal;

b) amizade íntima;

c) parentesco por consangüinidade ou afinidade até o terceiro grau civil;

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d) interesse particular na causa.

Parágrafo único - Se o recusante houver praticado algum ato pelo qual


haja consentido na pessoa do juiz, não mais poderá alegar exceção de
suspeição, salvo sobrevindo novo motivo. A suspeição não será também
admitida, se do processo constar que o recusante deixou de alegá-la
anteriormente, quando já a conhecia, ou que, depois de conhecida,
aceitou o juiz recusado ou, finalmente, se procurou de propósito o
motivo de que ela se originou.

Art. 802 da CLT - Apresentada a exceção de suspeição, o juiz ou


Tribunal designará audiência dentro de 48 (quarenta e oito) horas, para
instrução e julgamento da exceção.

O mais importante para a prova é o treinamento da matéria através da


resolução de exercícios. Assim, coloquei um número maior de questões nesta
aula. Vejamos a questão sobre Exceção:

(FCC - Analista Judiciário – Execução de Mandados – TRT 6ª Região -


2012) Questão 47. A empresa Margarida Confeitaria Ltda., em reclamação
trabalhista em que é ré, apresentou na audiência em sua defesa uma
exceção. Em relação às exceções no processo do trabalho é correto afirmar:

a) Apresentada exceção de incompetência, abrir-se-á vista dos autos ao


exceto, por 48 (quarenta e oito) horas, que poderão ser prorrogadas por
igual prazo pelo Juiz, em caso de complexidade da matéria, devendo a
decisão ser proferida na primeira audiência ou sessão que se seguir.

b) Apresentada exceção de suspeição, o juiz designará audiência dentro de


05 (cinco) dias para instrução e julgamento da exceção.

c) Se o recusante houver praticado algum ato pelo qual haja consentido na


pessoa do juiz, não poderá alegar exceção de suspeição, salvo sobrevindo
novo motivo.

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d) O juiz é obrigado a dar-se por suspeito, e pode ser recusado, por


parentesco por consaguinidade ou afinidade até o quarto grau civil.

e) A exceção de suspeição será admitida ainda que o recusante procurou de


propósito o motivo de que ela se originou.

Comentários: Letra C (literalidade dos artigos).

Art. 799 da CLT - Nas causas da jurisdição da Justiça do


Trabalho, somente podem ser opostas, com suspensão do feito, as
exceções de suspeição ou incompetência. § 1º - As demais exceções
serão alegadas como matéria de defesa.

§ 2º - Das decisões sobre exceções de suspeição e incompetência,


salvo, quanto a estas, se terminativas do feito, não caberá recurso,
podendo, no entanto, as partes alegá-las novamente no recurso que
couber da decisão final.

Art. 800 da CLT - Apresentada a exceção de incompetência, abrir-


se-á vista dos autos ao exceto, por 24 (vinte e quatro) horas
improrrogáveis, devendo a decisão ser proferida na primeira audiência
ou sessão que se seguir.

Art. 801 da CLT - O juiz é obrigado a dar-se por suspeito, e pode


ser recusado, por algum dos seguintes motivos, em relação à pessoa
dos litigantes:

a) inimizade pessoal;

b) amizade íntima;

c) parentesco por consangüinidade ou afinidade até o terceiro grau civil;

d) interesse particular na causa.

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Parágrafo único - Se o recusante houver praticado algum ato pelo qual


haja consentido na pessoa do juiz, não mais poderá alegar exceção de
suspeição, salvo sobrevindo novo motivo. A suspeição não será também
admitida, se do processo constar que o recusante deixou de alegá-la
anteriormente, quando já a conhecia, ou que, depois de conhecida,
aceitou o juiz recusado ou, finalmente, se procurou de propósito o
motivo de que ela se originou.

Art. 802 da CLT - Apresentada a exceção de suspeição, o juiz ou Tribunal


designará audiência dentro de 48 (quarenta e oito) horas, para instrução e
julgamento da exceção.

4.2. Das Audiências: Das Audiências:

Juiz Secretário de audiências

Testemunhas

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Advogado do reclamado Advogado do reclamante

Reclamado ou preposto Reclamante

A audiência é um ato processual praticado sob a direção do juiz, que tem poder
de polícia, devendo manter a ordem.

Audiência é o momento em que os juízes ouvem as partes, ou seja, é marcada


uma sessão e nesta as partes, envolvidas no conflito, comparecem perante o
juiz. Assim que o autor (reclamante) apresenta a sua petição inicial, o réu
(reclamado) será notificado para comparecer à primeira audiência desimpedida
dentro de cinco dias.

Lembrar que serão 20 dias para União, estado, DF, municípios, autarquias e
fundações públicas federais, estaduais, municipais que não explorem atividades
econômicas (Decreto-Lei 779/69 que diz que o prazo do art. 841 da CLT será
quádruplo).

Aditamento da petição inicial: Antes do recebimento da notificação citatória


pelo réu, ao autor é facultado modificar o pedido através de um “aditamento”
da petição inicial. O aditamento do pedido está previsto no art. 294 do CPC que
é aplicado subsidiariamente ao processo do trabalho por força do art. 769 da
CLT. O art. 294 do CPC estabelece que antes da citação, o autor poderá aditar o
pedido, correndo à sua conta as custas acrescidas, em razão desta iniciativa.

No processo do trabalho, o autor não sofrerá qualquer sanção processual pelo


fato de aditar a petição inicial, não se aplicando a parte final do art. 294 do
CPC. Depois da notificação citatória do réu o aditamento somente poderá
ocorrer com a concordância dele (art. 264 do CPC).

Indeferimento da petição inicial: O art. 295 do CPC prevê as hipóteses em


que a petição inicial será indeferida, ou seja, será recusada pelo juiz.

As hipóteses de indeferimento da petição inicial são:

a) quando for inepta;

b) quando a parte for manifestamente ilegítima;

c) quando o autor carecer de interesse processual;

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d) quando o juiz verificar a decadência ou a prescrição;

e) quando o tipo de procedimento, escolhido pelo autor, não corresponder


à natureza da causa, ou ao valor da ação, caso em que só não será
indeferida se puder adaptar-se ao tipo de procedimento legal;

f) quando não atendidas as prescrições dos artigos 39, parágrafo único,


primeira parte e 284 do CPC.

Inepta é aquela petição que falta um pedido ou uma causa de pedir, ou aquela
que contiver pedidos juridicamente impossíveis ou incompatíveis entre si.
Também será considerada inepta a petição inicial de cuja narração dos fatos
não decorrer logicamente a conclusão.

Emenda da petição inicial: O art. 284 do CPC prevê a possibilidade de o juiz,


quando verificar que a petição inicial não preenche os requisitos legais,
determinar que o autor a emende ou complete em 10 dias. Se no prazo legal o
autor não emendar a petição inicial, o juiz irá indeferi-la.

A notificação poderá ser: a) por registro postal em regra; b) por edital


quando o réu não for encontrado ou criar embaraços ao recebimento da
reclamação.

O Edital será publicado em um jornal oficial ou em expediente forense e


somente na falta destes será afixado na sede ou juízo.

Súmula 16 TST Presume-se recebida a notificação 48 horas depois de


sua postagem. O seu não recebimento ou a entrega após o decurso
deste prazo constitui ônus de prova do destinatário.

Assim que todos estiverem presentes, o juiz proporá a conciliação, e, caso esta
ocorra, será lavrado o termo de conciliação com eficácia de título executivo
judicial, somente podendo ser atacado por ação rescisória. Este termo será
irrecorrível, exceto para as parcelas devidas à previdência social (arts. 831 e
832 da CLT e Súmula 259 do TST).

As audiências dos órgãos da Justiça do Trabalho ocorrerão em dias


úteis entre 8 às 18 horas.
O juiz poderá, em casos especiais, designar outro local para a
realização das audiências através da fixação de Edital na sede do
Juízo ou Tribunal, com a antecedência mínima de 24 horas.

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O juiz poderá convocar audiências extraordinárias, quando julgar


necessário, desde que respeite o prazo mínimo de antecedência de
24 horas.

O juiz ou presidente manterá a ordem nas audiências, podendo


mandar retirar do recinto os assistentes que a perturbarem.
O registro das audiências será feito em livro próprio, constando de
cada registro os processos apreciados e a respectiva solução, bem
como as ocorrências eventuais. Do registro das audiências poderão
ser fornecidas certidões às pessoas que o requererem.
De acordo com o art. 814 da CLT os escrivães ou chefes de
secretaria deverão estar presentes às audiências.
Observem o que estabelece o art. 815 da CLT!

Art. 815 da CLT À hora marcada, o juiz ou presidente declarará


aberta a audiência, sendo feita pelo chefe de secretaria ou escrivão a
chamada das partes, testemunhas e demais pessoas que devam
comparecer.

Parágrafo único - Se, até 15 (quinze) minutos após a hora


marcada, o juiz ou presidente não houver comparecido, os
presentes poderão retirar-se, devendo o ocorrido constar do livro de
registro das audiências.

DICA: Este prazo de 15 minutos de tolerância para atraso em audiência é


concedido ao juiz e não às partes.

OJ 245 SDI1 TST REVELIA. ATRASO. AUDIÊNCIA. Inexiste previsão legal


tolerando atraso no horário de comparecimento da parte na audiência.

DICA: O parágrafo segundo do artigo 843 da CLT foi cobrado pela FCC na
prova do TRT/Campinas. Este artigo fala da possibilidade do empregado poder
fazer-se substituir em audiência, quando por doença ou motivo poderoso não
puder comparecer. Neste caso, quem deverá substituí-lo será outro empregado
que pertença à mesma profissão ou o Sindicato.

Art. 843 da CLT Na audiência de julgamento deverão estar


presentes o reclamante e o reclamado, independentemente do
comparecimento de seus representantes salvo, nos casos de
Reclamatórias Plúrimas ou Ações de Cumprimento, quando os
empregados poderão fazer-se representar pelo Sindicato de sua

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categoria. § 1º - É facultado ao empregador fazer-se substituir pelo


gerente, ou qualquer outro preposto que tenha conhecimento do
fato, e cujas declarações obrigarão o proponente. § 2º - Se por
doença ou qualquer outro motivo poderoso, devidamente
comprovado, não for possível ao empregado comparecer
pessoalmente, poderá fazer-se representar por outro empregado
que pertença à mesma profissão, ou pelo seu sindicato.

Súmula 377 do TST Exceto quanto à reclamação de empregado doméstico, ou


contra micro ou pequeno empresário, o preposto deve ser necessariamente
empregado do reclamado. Inteligência do art. 843, § 1º, da CLT e do art. 54 da
Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006.

Audiência una Audiência fracionada


Pregão Pregão

1ª proposta conciliatória 1ª proposta conciliatória

Leitura inicial Leitura inicial

Defesa em 20 minutos Defesa em 20 minutos

Adiamento

Depoimento pessoal das partes e


das testemunhas
Instrução

Testemunhas e meios de

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prova
Razões finais em 10 minutos
para cada parte
Razões finais

2ª proposta conciliatória 2ª proposta conciliatória

Adiamento

Sentença Sentença

Atenção: A audiência de acordo com a CLT deverá ser contínua e única.


Entretanto, por força do costume, a audiência trabalhista passou a ser dividida
em três partes:

1ª Audiência inaugural ou de conciliação;

2ª Audiência de instrução;

3ª Audiência de julgamento;

a) Audiência de conciliação ou inaugural: Nesta fase o réu irá


apresentar a sua defesa que poderá ser verbal em 20 minutos ou escrita e o
juiz fará a primeira proposta de conciliação obrigatória, antes de receber a
defesa.

Não havendo acordo o juiz marcará a data para a audiência de instrução


para a qual as partes ficarão desde logo intimadas.

O empregador poderá ser representado por preposto e o empregado


poderá ser substituído por outro empregado da mesma profissão.

Quando o reclamante não comparecer o processo será arquivado, e quando


o reclamado não comparecer para apresentar a sua contestação será
considerado revel e confesso quanto à matéria de fato.

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b) Audiência de instrução: As partes que deverão comparecer nesta


audiência, sob pena de confissão (Súmula 74 do TST).

Nesta fase é que as provas serão produzidas no processo. O juiz ouvirá o


depoimento pessoal das partes, ouvirá as testemunhas e encerrados os
depoimentos as partes poderão aduzir razões finais orais em 10 minutos para
cada parte.

Após as razões finais o juiz renovará a proposta de conciliação e caso não


haja possibilidade de acordo o juiz marcará uma data para a audiência de
julgamento.

c) Audiência de julgamento: Nesta fase o juiz proferirá a sua sentença,


solucionando o conflito de interesses das partes que lhe foi submetido.

No Procedimento Sumaríssimo a audiência deverá ser una, ou seja, única, não


podendo ser dividida em fases.

4.3. 7Do Arquivamento, da Revelia e da Confissão: Em relação a este


tema é importante esclarecer que quando o reclamante não comparece à
primeira audiência o processo será arquivado. Já quando o reclamado não
comparece à primeira audiência ele será considerado revel e confesso
quanto à matéria de fato.
Somente o réu será considerado revel, o autor NUNCA será considerado
revel. A revelia da Reclamada/ré, somente, poderá ser elidida, ou seja, afastada
na hipótese da Súmula 122 do TST.

Súmula 122 do TST A reclamada, ausente à audiência em que deveria


apresentar defesa, é revel, ainda que presente seu advogado munido de
procuração, podendo ser ilidida a revelia mediante a apresentação de atestado
médico, que deverá declarar, expressamente, a impossibilidade de locomoção
do empregador ou do seu preposto no dia da audiência.

Vejamos o que diz o art. 844 da CLT!

Art. 844 da CLT - O não-comparecimento do reclamante à


audiência importa o arquivamento da reclamação, e o não-
comparecimento do reclamado importa revelia, além de confissão
quanto à matéria de fato. Parágrafo único - Ocorrendo, entretanto,

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motivo relevante, poderá o presidente suspender o julgamento,


designando nova audiência.

Na verdade, a denominação técnica para o termo “arquivamento”


mencionado na CLT é extinção do processo sem julgamento do mérito.

É importante ressaltar que quando a audiência for fracionada, o não


comparecimento do reclamante ou do reclamado à segunda audiência na qual
deveriam depor acarretará a aplicação da pena de confissão. Não há que se
falar em revelia.

Súmula 74 do TST I - Aplica-se a confissão à parte que, expressamente


intimada com aquela cominação, não comparecer à audiência em
prosseguimento, na qual deveria depor.

II - A prova pré-constituída nos autos pode ser levada em conta para confronto
com a confissão ficta (art. 400, I, CPC), não implicando cerceamento de defesa
o indeferimento de provas posteriores.

III- A vedação à produção de prova posterior pela parte confessa somente a ela
se aplica, não afetando o exercício, pelo magistrado, do poder\dever de
conduzir o processo.

Quando o reclamante não comparece à primeira audiência o processo


será arquivado e quando o reclamado não comparece à primeira audiência, ele
será considerado revel e confesso quanto à matéria de fato.

Art. 844 da CLT - O não-comparecimento do reclamante à


audiência importa o arquivamento da reclamação, e o não-
comparecimento do reclamado importa revelia, além de confissão
quanto à matéria de fato.

Parágrafo único - Ocorrendo, entretanto, motivo relevante, poderá o


presidente suspender o julgamento, designando nova audiência.

Súmula 122 do TST A reclamada, ausente à audiência em que deveria


apresentar defesa, é revel, ainda que presente seu advogado munido de
procuração, podendo ser ilidida a revelia mediante a apresentação de atestado
médico, que deverá declarar, expressa-mente, a impossibilidade de locomoção
do empregador ou do seu preposto no dia da audiência.

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(FCC – TST – Analista Judiciário – 2012) Conforme previsão legal e


jurisprudência sumulada do TST, em relação às audiências trabalhistas é
correto afirmar:
(A) A ausência do reclamante, quando adiada a instrução após contestada a
ação em audiência, importa arquivamento do processo. (Súmula 74, I do
TST).

(B) Exceto quanto à reclamação de empregado doméstico, ou contra micro


ou pequeno empresário, o preposto em audiência deve ser necessariamente
empregado do reclamado.

(C) Não se aplica a confissão à parte que, expressamente intimada com


aquela cominação, não comparecer à audiência em prosseguimento, na qual
deveria depor desde que esteja presente o seu advogado. (Súmula 74, I
do TST).

(D) Aberta a audiência, o reclamado terá vinte minutos para aduzir sua
defesa oral ou apresentá-la por escrito e, em seguida, o juiz proporá a
conciliação. (Somente após razões finais que o juiz proporá a pela
segunda vez a conciliação – Arts. 846 e 847 da CLT).

(E) Terminada a defesa, seguir-se-á a instrução do processo, devendo o


juiz, ex officio, interrogar os litigantes, sob pena de nulidade, sendo que
findo o interrogatório não poderão os litigantes retirar-se, até o término da
instrução com a oitiva de testemunhas.

(art. 848 da CLT). LETRA B (Súmula 377 do TST).

A confissão é considerada a “rainha das provas”. Ela poderá ser real ou ficta.

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A confissão real é aquela que será obtida através do depoimento


pessoal e tem presunção absoluta de veracidade dos fatos não
podendo ser elidida por prova em contrário.
A confissão ficta é aquela presumida e poderá ser elidida por prova
em contrário durante a instrução do processo, pois tem presunção
relativa de veracidade dos fatos.

A confissão ficta ocorrerá pelo não comparecimento da parte à audiência em


que deveria prestar o seu depoimento, desde que regularmente intimada.

4.4. Provas no Processo do Trabalho:

É importante não esquecer que a OJ 215 da SDI-1 do TST foi cancelada.

Antes de falar de provas irei relembrar as modalidades de defesa que podem


ser apresentadas no processo do trabalho.

Modalidades
de Defesa

Contestação Exceção Reconvenção

O reclamado (réu) quando notificado para comparecer à 1ª audiência


desimpedida em cinco dias, teor do art. 841 da CLT deverá apresentar a sua
defesa que poderá ser de três tipos: contestação, exceção ou reconvenção.

Art.841 da CLT Recebida e protocolada a reclamação, o escrivão


ou chefe de secretaria, dentro de 48 horas, remeterá a segunda via da
petição ou do termo, ao reclamado, notificando-o ao mesmo tempo,
para comparecer à audiência de Julgamento, que será a primeira
desimpedida, depois de cinco dias.

É importante ressaltar que por força do art. 1º, II do Decreto-Lei 779/69, este
prazo fixado no art. 841 da CLT será contado em quádruplo quando a parte for
a União, o Estado, o Município, o Distrito Federal, bem como autarquias e

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fundações de direito público federais, ou municipais que não explorem atividade


econômica.

A ação e a resposta do réu são dirigidas contra o Estado-Juiz. O autor formula o


seu pedido na ação endereçando ao órgão jurisdicional e o réu formula um
pedido, também endereçado ao órgão jurisdicional, rejeitando os pedidos do
autor. Assim, os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa
possuem natureza dúplice, uma vez que se destinam tanto ao autor quanto ao
réu.

O art. 297 do CPC estabelece como modalidades de resposta do réu: a


contestação, a exceção e a reconvenção. A CLT somente prevê de forma
expressa a defesa e duas modalidades de exceção (a de foro e a de suspeição).

Assim, a reconvenção aplica-se ao processo do trabalho de forma subsidiária,


conforme o art. 769 da CLT estabelece.

Contestação: A contestação é uma modalidade de defesa na qual o réu deverá


impugnar os pedidos do autor alegando as matérias de fato e de direito, e
indicando as provas que pretende produzir.

Na Justiça do Trabalho a ausência do réu ou a falta de apresentação de


contestação acarreta a aplicação da pena de revelia e confissão quanto às
matérias de fato.

A contestação evitará a revelia processual (ausência de contestação).

A contestação poderá ser apresentada de forma escrita ou verbal na audiência


de conciliação. Não havendo acordo terá o reclamado/réu 20 minutos para
aduzir a sua defesa, após a leitura da reclamação, quando esta não for
dispensada por ambas as partes (art.847 CLT). O prazo de 20 minutos para a
defesa inclui a apresentação de contestação e de exceções.

Art. 847 da CLT - Não havendo acordo, o reclamado terá vinte


minutos para aduzir sua defesa, após a leitura da reclamação, quando
esta não for dispensada por ambas as partes.

O réu antes de discutir o mérito, ou seja, antes de impugnar os pedidos que o


autor faz na petição inicial, deverá alegar as seguintes matérias na sua
contestação (preliminares da contestação):
a) inexistência ou nulidade de citação;

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b) incompetência absoluta;
c) inépcia da petição inicial;
d) perempção;
e) litispendência;
f) coisa julgada;
g) conexão;
h) incapacidade da parte, defeito de representação ou falta de
autorização;
i) carência de ação;
j) falta de caução ou de outra prestação que a lei exige como preliminar.

Atenção: Compensação é a forma de extinção das obrigações, sendo


necessária a existência de reciprocidade de dívidas, que as dívidas sejam
líquidas e certas e vencidas e homogêneas.

No processo do trabalho só é permitida a compensação de dívida de natureza


trabalhista. Podemos citar como exemplo de compensação: o aviso prévio não
dado pelo empregado reclamante que pede demissão, o prejuízo causado por
dolo pelo empregado no curso do contrato de trabalho, dentre outros.

A retenção consiste no direito que o reclamado tem de reter alguma coisa do


reclamante até que este quite sua dívida em relação àquele.

Como exemplo de retenção temos o imposto de renda!

A compensação e a retenção deverão ser argüidas como matéria de defesa


(defesa indireta de mérito, pois são fatos modificativos do direito do autor), ou
seja, na contestação. Este é o teor do art. 767 da CLT e da Súmula 48 do TST,
que são muito cobrados em provas de concurso.

Art. 767 da CLT- A compensação, ou retenção, só poderá ser


argüida como matéria de defesa.

Súmula 18 do TST A compensação, na Justiça do Trabalho, está restrita a


dívidas de natureza trabalhista.

Súmula 48 do TST A compensação só poderá ser argüida com a contestação.

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Reconvenção: A CLT é omissa em relação à reconvenção. Assim, aplica-se o


CPC. Trata-se da ação proposta pelo réu contra o autor no mesmo processo em
que está sendo demandado.

A natureza jurídica da reconvenção é de incidente processual no curso da ação


principal, sendo tecnicamente considerada uma ação e não defesa.

Para Carlos Henrique Bezerra Leite há cumulação objetiva de ações principal e


reconvencional em um mesmo processo.

Há autores que sustentam que ela não caberá no processo do trabalho.


Contudo, como o nosso foco é a banca FCC, deveremos adotar a posição de
Carlos Henrique Bezerra Leite de que a reconvenção é compatível com o
processo do trabalho e aplicar o art. 315 do CPC.

É oportuno falar que em processo de execução deveremos entender o não


cabimento de reconvenção porque em processo de execução não há sentença e
sim constrição judicial.

Na mesma sentença deverão ser julgadas a ação e a reconvenção, conforme o


art. 318 do CPC.

Vamos relembrar as exceções, que já foram estudadas.

Exceções, preliminares e prejudiciais de mérito:

A Exceção é um meio de defesa indireta processual, onde o réu não ataca


o mérito, mas ataca o processo. É uma defesa contra irregularidades, ou vícios
do processo que impedem o seu desenvolvimento normal.

São elas:
Exceção de Impedimento (quando o juiz for impedido);
Exceção de Incompetência (quando o juízo for
incompetente/relativa);
Exceção de Suspeição (quando o juiz for suspeito).

Quando o juiz é incompetente em razão da matéria ele deverá declarar-se de


ofício e a parte deverá alegá-la na preliminar da contestação.

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Ao passo que a incompetência relativa, como por exemplo, a territorial, deverá


ser alegada através de Exceção.´

Art. 799 da CLT - Nas causas da jurisdição da Justiça do


Trabalho, somente podem ser opostas, com suspensão do feito, as
exceções de suspeição ou incompetência.

§ 1º - As demais exceções serão alegadas como matéria de defesa.

§ 2º - Das decisões sobre exceções de suspeição e incompetência,


salvo, quanto a estas, se terminativas do feito, não caberá recurso,
podendo, no entanto, as partes alegá-las novamente no recurso que
couber da decisão final.

As exceções de suspeição e de incompetência relativa deverão ser apresentadas


juntamente com a contestação, cujo momento de apresentação será na 1ª
audiência, para qual o reclamado foi notificado a comparecer.

Art. 800 da CLT - Apresentada a exceção de incompetência, abrir-


se-á vista dos autos ao exceto, por 24 (vinte e quatro) horas
improrrogáveis, devendo a decisão ser proferida na primeira audiência
ou sessão que se seguir.

Atenção: O art. 801 da CLT fala dos casos de suspeição do juiz.

Art. 801 da CLT - O juiz é obrigado a dar-se por suspeito, e pode


ser recusado, por algum dos seguintes motivos, em relação à pessoa
dos litigantes:

a) inimizade pessoal;

b) amizade íntima;

c) parentesco por consangüinidade ou afinidade até o terceiro grau civil;

d) interesse particular na causa.

Parágrafo único - Se o recusante houver praticado algum ato pelo qual


haja consentido na pessoa do juiz, não mais poderá alegar exceção de
suspeição, salvo sobrevindo novo motivo. A suspeição não será também
admitida, se do processo constar que o recusante deixou de alegá-la

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anteriormente, quando já a conhecia, ou que, depois de conhecida,


aceitou o juiz recusado ou, finalmente, se procurou de propósito o
motivo de que ela se originou.

Art. 802 da CLT - Apresentada a exceção de suspeição, o juiz ou


Tribunal designará audiência dentro de 48 (quarenta e oito) horas, para
instrução e julgamento da exceção.

O procedimento da exceção de incompetência está regulado no art. 800 da CLT.


O procedimento da exceção de suspeição está regulado no art. 802 da CLT.
Carlos Henrique Bezerra Leite afirma “O réu poderá oferecer mais de uma
exceção ao mesmo tempo”.

Por razões lógicas, a exceção de suspeição (ou impedimento) precede à de


incompetência, pois o juiz suspeito (ou impedido) sequer poderá declarar-se
incompetente.
Dica: Alguns autores entendem que os artigos 134 e 135 do CPC, aplicam-se
ao Processo do Trabalho de forma subsidiária. Estes artigos elencam as causas
de impedimento e de suspeição do juiz.

Agora vou falar das preliminares em contestação!

Preliminar trata-se de matérias prejudiciais de conhecimento de mérito da ação.


Neste momento, o réu irá discutir o que vem antes do objeto da ação.

São matérias de ordem processual que irão impedir o exame de mérito da


questão, desde que haja a possibilidade de conhecimento de ofício pelo juiz.

O art. 301 do CPC que será aplicado elenca as preliminares, que poderão ser
oferecidas.

4.4.1. Da instrução e dos meios de prova: As partes no processo de


conhecimento deverão provar os fatos controvertidos, para que o juiz possa
proferir a sentença. Esta fase, onde as provas são produzidas, denomina-se
instrução processual.

Na fase de instrução do processo, ocorrerá a colheita de provas que são


dirigidas ao juiz, com o objetivo de esclarecê-lo, para que ele possa proferir a

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decisão/sentença, solucionando o conflito de interesses entre as partes, que lhe


foi submetido.

Nos artigos 818/830 da CLT estão regulamentadas as provas no Processo do


Trabalho.

BIZU DE PROVA

Atenção: Apesar de a CLT possuir normas que tratam das


Provas no Processo do Trabalho, o Código de Processo Civil possui alguns
artigos que serão utilizados como fonte subsidiária, em caso de omissão da CLT
e desde que haja compatibilidade de tais dispositivos com os princípios do
Processo do Trabalho.

O art. 769 da CLT permite, expressamente, tal aplicação subsidiária do


Processo Civil ao Processo do Trabalho. Observem abaixo:

Art. 769 da CLT - Nos casos omissos, o direito processual comum


será fonte subsidiária do direito processual do trabalho, exceto naquilo
em que for incompatível com as normas deste Título.
BIZU DE PROVA

DICA: Somente os fatos controvertidos, relevantes e pertinentes, narrados pelo


reclamante e pelo reclamado, serão objeto de prova.

O Direito, em regra, não precisará ser provado, pois vigora o


brocardo jurídico “iura novit curia”, presumindo-se que o juiz
conhece o direito, bastando que as partes narrem os fatos e
os prove, sendo desnecessária a prova do direito.
Como quase toda regra tem exceção, o art. 337 do CPC
estabelece que o direito deverá ser provado em relação ao
teor e vigência, quando se tratar de normas de direito
estadual, municipal, distrital, consuetudinário ou estrangeiro,
se assim o determinar o juiz.

BIZU DE PROVA: No Processo do trabalho, o juiz poderá determinar que a


parte faça prova de teor e vigência de normas coletivas, de regulamento de
empresa, de sentença normativa, caso a parte as invoque.

O direito federal o juiz deverá conhecer.

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O art. 334 do CPC, aplicado subsidiariamente ao Processo do Trabalho,


estabelece que não serão objeto de prova os fatos notórios, os fatos
incontroversos, os fatos alegados por uma das partes e confessados por outra e
os que militam presunção legal de veracidade.

Fato Notório é aquele cujo conhecimento faz parte da cultura normal de


determinado segmento social no momento do julgamento da causa. É
aquele fato conhecido por um grande número de pessoas e que, por isso,
é considerado verdadeiro e indiscutível.

Exemplificando: O aumento de vendas em determinadas épocas do ano, como


o dia dos pais, Natal, dia das mães, etc.

Súmula 217 do TST - DEPÓSITO RECURSAL. CREDENCIAMENTO BANCÁRIO.


PROVA DISPENSÁVEL O credenciamento dos bancos para o fim de recebimento
do depósito recursal é fato notório, independendo da prova.

Fatos incontroversos são aqueles afirmados por uma parte, e admitidos


ou não contestados pela outra parte.

Exemplificando: O art. 467 da CLT estabelece que as parcelas


incontroversas, deverão ser quitadas pelo empregador, na audiência, sob
pena de ser condenado a pagá-las acrescidas de 50%.

Fatos confessados são aqueles afirmados por uma parte e confirmados


por outra.
Fatos em cujo favor milita presunção legal de existência ou de
veracidade. Ressalta-se que a parte que alegar em seu favor a presunção
legal, deverá demonstrar que está na situação de poder invocá-la.

Atenção: A Súmula 12 do TST refere-se à presunção relativa (juris tantum) de


veracidade, que tem as anotações feitas pelo empregador na CTPS do
empregado. Assim, estas anotações poderão ser elididas por outras provas.

Súmula 12 do TST - CARTEIRA PROFISSIONAL - As anotações apostas pelo


empregador na carteira profissional do empregado não geram presunção "juris
et de jure", mas apenas "juris tantum".

Súmula 225 do STF – Não é absoluto o valor probatório das anotações na


carteira profissional.

4.4.2. Dos Meios de Prova: Os meios de prova são todos aqueles admitidos
em direito, bem como os moralmente legítimos, os hábeis a provar a verdade

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dos fatos em que se funda a ação ou a defesa, ainda que não especificados no
CPC ou na CLT.

Somente os meios lícitos são possíveis, pois as provas obtidas por meios ilícitos
são inadmitidas no processo. Entre os meios de prova não há hierarquia, assim
o juiz decidirá de acordo com o seu livre convencimento motivado, ao analisar
todas as provas apresentadas no processo.

Ocorrerá a aplicação subsidiária do Código de Processo Civil ao Processo do


Trabalho no que se refere aos meios de prova, pois a CLT refere-se apenas ao
interrogatório das partes, à confissão, à prova documental, testemunhal e
pericial.

O CPC especifica como meios de prova o depoimento pessoal, a confissão, a


exibição de documento ou coisa, a prova documental, a prova testemunhal, a
prova pericial e a inspeção judicial.

Dica: Em muitas provas de concurso público, as bancas tentam e, por vezes,


conseguem confundir os candidatos, no que se refere à produção antecipada de
prova que é uma medida cautelar, e não é meio de prova.

Vamos, então, estudar os meios de prova!

Depoimento Pessoal: É o depoimento prestado por uma das partes em juízo.


O objetivo de colher o depoimento pessoal das partes é conseguir provocar a
confissão sem coerção, e esclarecer os fatos controvertidos.

O art. 848 da CLT estabelece que o juiz poderá de ofício interrogar as partes,
sendo uma faculdade do juiz a oitiva do depoimento pessoal das partes, mesmo
que não requerido pela outra parte, segundo a CLT.

Vejamos os artigos do CPC e da CLT sobre o tema!

Art. 342 do CPC O juiz pode de ofício, em qualquer estado do


processo, determinar o comparecimento pessoal das partes, a fim de
interrogá-las sobre os fatos da causa.

Art. 820 da CLT - As partes e testemunhas serão inquiridas pelo juiz ou


presidente, podendo ser reinquiridas, por seu intermédio, a requerimento
das partes, seus representantes ou advogados.

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A Confissão é a admissão pela parte interrogada de que o fato


atribuído pela outra parte a ela é verdadeiro.

A confissão é considerada a “rainha das provas”.

Ela poderá ser real ou ficta.

A confissão real é aquela que será obtida através do depoimento


pessoal e tem presunção absoluta de veracidade dos fatos não
podendo ser elidida por prova em contrário.
A confissão ficta é aquela presumida e poderá ser elidida por prova
em contrário durante a instrução do processo, pois tem presunção
relativa de veracidade dos fatos.

A confissão ficta ocorrerá pelo não comparecimento da parte à audiência,


em que deveria prestar o seu depoimento, desde que regularmente intimada.

Súmula 74 do TST- CONFISSÃO I - Aplica-se a confissão à parte que,


expressamente intimada com aquela cominação, não comparecer à audiência
em prosseguimento, na qual deveria depor.

II - A prova pré-constituída nos autos pode ser levada em conta para confronto
com a confissão ficta (art. 400, I, CPC), não implicando cerceamento de defesa
o indeferimento de provas posteriores.

III. A vedação à produção de prova posterior pela parte confessa somente a ela
se aplica, não afetando o exercício, pelo magistrado, do poder/dever de
conduzir o processo.

Art. 844 da CLT - O não-comparecimento do reclamante à audiência importa o


arquivamento da reclamação, e o não-comparecimento do reclamado importa
revelia, além de confissão quanto à matéria de fato.

OJ Nº 152 SDI-I Pessoa jurídica de direito público sujeita-se à revelia prevista


no artigo 844 da CLT.

A confissão poderá ainda ser:

a) judicial: aquela que ocorre no curso do processo;

b) extrajudicial: aquela que ocorre fora do processo.

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Atenção: No processo do trabalho, vige o Princípio da Indisponibilidade


dos direitos trabalhistas. Assim, a confissão extrajudicial, estabelecida no art.
353 do CPC, não poderá ser aceita.

Prova Documental: Documento é todo meio idôneo e moralmente


legítimo, capaz de comprovar materialmente a existência de um fato.

No processo do trabalho, as provas cuja exigência é documental são:

a) a comprovação do pagamento de salário (art. 464);

b) o acordo de prorrogação de jornada (art. 59);

c) a concessão ou o pagamento das férias (arts. 135 e 145);

d) a concessão do descanso da gestante (art. 390).

A CLT regula, expressamente, a prova documental nos artigos 777, 780,


787 e 830.

Art. 777 da CLT - Os requerimentos e documentos apresentados,


os atos e termos processuais, as petições ou razões de recursos e
quaisquer outros papéis referentes aos feitos formarão os autos dos
processos, os quais ficarão sob a responsabilidade dos escrivães ou
chefes de secretaria.

Art. 780 da CLT - Os documentos juntos aos autos poderão ser


desentranhados somente depois de findo o processo, ficando traslado.

Art. 787 da CLT - A reclamação escrita deverá ser formulada em 2


(duas) vias e desde logo acompanhada dos documentos em que se
fundar.

Atenção: O art. 830 da CLT foi alterado, recentemente, pela Lei 11.925/09,
com o objetivo de trazer maior celeridade à prestação jurisdicional.

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Art. 830. O documento em cópia oferecido para prova poderá ser


declarado autêntico pelo próprio advogado, sob sua responsabilidade
pessoal. Parágrafo único. Impugnada a autenticidade da cópia, a parte
que a produziu será intimada para apresentar cópias devidamente
autenticadas ou o original, cabendo ao serventuário competente
proceder à conferência e certificar a conformidade entre esses
documentos.

Vejam os principais pontos comentados abaixo:

Com a alteração do artigo 830 da CLT pela Lei 11.925 de Abril de 2009,
os documentos apresentados pela partes no Processo do Trabalho não
precisarão ser apresentados em originais ou cópias autenticadas.

A garantia da autenticidade poderá ser dada pelos próprios advogados,


sob sua responsabilidade pessoal.

A Súmula 330 TST diz que a quitação passada pelo empregado com a
assistência de sua entidade sindical ao empregador tem eficácia
liberatória em relação às parcelas expressamente consignadas no recibo.

Súmula 330 do TST A quitação passada pelo empregado, com assistência de


entidade sindical de sua categoria, ao empregador, com observância dos
requisitos exigidos nos parágrafos do art. 477 da CLT, tem eficácia liberatória
em relação às parcelas expressa-mente consignadas no recibo, salvo se oposta
ressalva expressa e especificada ao valor dado à parcela ou parcelas
impugnadas.

I - A quitação não abrange parcelas não consignadas no recibo de quitação e,


conseqüentemente, seus reflexos em outras parcelas, ainda que estas constem
desse recibo. II - Quanto a direitos que deveriam ter sido satisfeitos durante a
vigência do contrato de trabalho, a quitação é válida em relação ao período
expressamente consignado no recibo de quitação.

Súmula 254 do TST O termo inicial do direito ao salário-família coincide com a


prova da filiação. Se feita em juízo, corresponde à data de ajuizamento do
pedido, salvo se comprovado que anteriormente o empregador se recusara a
receber a respectiva certidão.

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Prova Pericial: O perito é considerado um auxiliar da justiça e será


designado pelo juiz, quando a prova do fato depender de conhecimentos
técnicos ou científicos.

Os peritos serão escolhidos dentre profissionais de nível universitário e


deverão estar obrigatoriamente inscritos nos Órgãos de classe.

O perito poderá recusar o encargo, dentro de cinco dias, contados da


intimação ou de impedimento superveniente.

DICA: O assistente técnico não é perito e nem auxiliar da justiça, ele é


auxiliar da parte.

Caso o perito preste informações inverídicas, por dolo ou culpa, ele ficará
inabilitado, por dois anos, para funcionar em outras perícias.

O juiz não ficará adstrito ao laudo pericial, podendo inclusive determinar a


realização de nova perícia. A segunda perícia não substitui primeira,
podendo o juiz basear-se na que quiser.
A prova pericial consiste em exame, vistoria e avaliações.

Atenção: O art. 3º da Lei 5.584/70 revogou, tacitamente, o art. 826 da


CLT ao determinar que os exames periciais serão realizados por um perito
único designado pelo juiz.

Art. 826 da CLT - É facultado a cada uma das partes apresentar


um perito ou técnico.

Art. 827 da CLT- O juiz ou presidente poderá argüir os peritos


compromissados ou os técnicos, e rubricará, para ser junto ao processo,
o laudo que os primeiros tiverem apresentado.

Súmula 341 do TST - HONORÁRIOS DO ASSISTENTE TÉCNICO A indicação do


perito assistente é faculdade da parte, a qual deve responder pelos respectivos
honorários, ainda que vencedora no objeto da perícia.

É oportuno ressaltar o recente entendimento sumulado do TST:

Súmula 457 do TST


HONORÁRIOS PERICIAIS. BENEFICIÁRIO DA JUSTIÇA GRATUITA.
RESPONSABILIDADE DA UNIÃO PELO PAGAMENTO. RESOLUÇÃO Nº
66/2010 DO CSJT. OBSERVÂNCIA. (conversão da Orientação

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Jurisprudencial nº 387 da SBDI-1 com nova redação) – Res. 194/2014,


DEJT divulgado em 21, 22 e 23.05.2014

A União é responsável pelo pagamento dos honorários de perito quando a parte


sucumbente no objeto da perícia for beneficiária da assistência judiciária
gratuita, observado o procedimento disposto nos arts. 1º, 2º e 5º da Resolução
n.º 66/2010 do Conselho Superior da Justiça do Trabalho – CSJT.

Prova Testemunhal: Prova testemunhal é aquela que se obtém através


do relato, em juízo por pessoas que conhecem o fato controvertido que está
sendo objeto de prova.

O depoimento da testemunha deverá ser colhido na audiência de


instrução e julgamento perante o juiz da causa.

No que tange à prova testemunhal, prevalece a qualidade do depoimento das


testemunhas e não a quantidade. Logo, caso exista, apenas, uma testemunha,
o seu depoimento não poderá ser desprezado caso seja firme e seguro.

No Procedimento Ordinário cada uma das partes não poderá indicar mais
de 3 testemunhas.
No Procedimento Sumaríssimo cada parte poderá indicar até duas
testemunhas.
No Inquérito para apurar falta grave cada parte poderá indicar até seis
testemunhas.

O juiz ou presidente providenciará para que o depoimento de uma testemunha


não seja ouvido pelas demais que tenham de depor no processo.

Poderão depor como testemunhas todas as pessoas, exceto as incapazes, as


impedidas e as suspeitas. Estes poderão ser ouvidos apenas como informante
do juízo e as partes poderão contraditar os seus depoimentos argüindo uma das
causas de impedimento, suspeição ou de incapacidade.

O art. 406 do CPC aplica-se ao processo do trabalho, assim, a testemunha não


será obrigada a depor em juízo sobre fatos que lhe acarretem grave dano, bem
como ao seu cônjuge ou aos seus parentes consanguíneos ou afins, em linha
reta ou na colateral em segundo grau e nem sobre fatos a cujo respeito por
estado ou profissão, deva guardar sigilo.

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Testemunha referida é aquela que é referida no depoimento das outras


testemunhas ou das partes e assim o juiz poderá determinar de ofício ou
a requerimento da parte a sua inquirição (art. 418 do CPC).
Contradita é a denúncia pela parte interessada dos motivos que impedem
ou tornam suspeito o depoimento das testemunhas.

Art. 405 do CPC estabelece quem são as testemunhas incapazes, impedidas


e suspeitas:

a) são incapazes; o interdito por demência; o que acometido por


enfermidade ou debilidade mental, ao tempo em que ocorreram os fatos
não podia discerni-los ou ao tempo em que deva depor não está
habilitado a transmitir as percepções; o menor de 16 anos; o cego e o
urdo quando a ciência do fato depender dos sentidos que lhes faltam.

b) são impedidos: o cônjuge, o ascendente e o descendente em qualquer grau,


ou colateral até o terceiro grau de alguma das partes por consanguinidade ou
afinidade, salvo se o exigir o interesse público ou tratando-se de causa relativa
ao estado da pessoa não se puder obter de outro modo a prova, que o juiz
repute necessária ao julgamento do mérito; o que é parte na causa; o que
intervém em nome de uma parte como o tutor na causa do menor, o
representante legal da pessoa jurídica, o juiz, o advogado e outros que
assistam ou tenham assistido as partes.

c) são suspeitos: o condenado por crime de falso testemunho havendo


transitado em julgado a sentença; o que por seus costumes não for digno de fé;
o inimigo capital da parte ou o seu amigo íntimo; o que tiver interesse no litígio.

Súmula 357 do TST Não torna suspeita a testemunha o simples fato de estar
litigando ou de ter litigado contra o mesmo empregador.

Art. 819 da CLT - O depoimento das partes e testemunhas que não


souberem falar a língua nacional será feito por meio de intérprete
nomeado pelo juiz ou presidente.

§ 1º - Proceder-se-á da forma indicada neste artigo, quando se tratar


de surdo-mudo, ou de mudo que não saiba escrever.

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§ 2º - Em ambos os casos de que este artigo trata, as despesas


correrão por conta da parte a que interessar o depoimento.

As testemunhas não poderão sofrer qualquer desconto pelas faltas ao


serviço, ocasionadas pelo seu comparecimento para depor, quando
devidamente arroladas ou convocadas.
Se a testemunha for funcionário civil ou militar, e tiver de depor em hora
de serviço, será requisitada ao chefe da repartição para comparecer à
audiência marcada.
No processo do trabalho não há depósito de rol de testemunhas, que
deverão comparecer à audiência independente de intimação.

Art. 825 da CLT - As testemunhas comparecerão à audiência


independentemente de notificação ou intimação.

Parágrafo único - As que não comparecerem será intimadas, ex officio


ou a requerimento da parte, ficando sujeitas a condução coercitiva, além
das penalidades do art. 730, caso, sem motivo justificado, não atendam
à intimação.

No Procedimento Sumaríssimo somente será deferida a intimação de


testemunhas que comprovadamente convidada deixar de comparecer.
Portanto, a parte deverá demonstrar que a testemunha foi convidada, o
que não é necessário no Procedimento Ordinário (art. 825, parágrafo
único da CLT).

Art. 828 da CLT Toda testemunha, antes de prestar o


compromisso legal, será qualificada, indicando o nome, nacionalidade,
profissão, idade, residência, e, quando empregada, o tempo de serviço
prestado ao empregador, ficando sujeita, em caso de falsidade, às leis
penais.

Parágrafo único - Os depoimentos das testemunhas serão resumidos,


por ocasião da audiência, pelo chefe de secretaria da Vara ou
funcionário para esse fim designado, devendo a súmula ser assinada
pelo Presidente do Tribunal e pelos depoentes.

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Art. 829 da CLT - A testemunha que for parente até o terceiro


grau civil, amigo íntimo ou inimigo de qualquer das partes, não prestará
compromisso, e seu depoimento valerá como simples informação.

O art. 411 do CPC trata da deferência de lei estabelecendo que


determinadas pessoas, caso sejam testemunhas de algum processo, serão
inquiridas em sua residência ou onde exercem as suas funções.

São elas: a) o Presidente e o Vice-Presidente da República; b) o presidente


do senado e da Câmara dos deputados; c) os Ministros de estado; d) o
Procurador-Geral da República; e) Os Senadores e Deputados Federais; f) os
Governadores dos Estados, dos Territórios e do Distrito Federal; g) os
Deputados Estaduais; h) Os Ministros do Supremo tribunal federal, do Superior
Tribunal Militar, do Tribunal Superior Eleitoral; do Tribunal Superior do Trabalho
e do tribunal de Contas da União;

i) Os Desembargadores dos Tribunais de Justiça, os juízes dos tribunais


regionais Eleitorais e os Conselheiros dos tribunais de contas dos Estados e do
Distrito Federal; j) o embaixador de país que por lei ou tratado, concede
idêntica prerrogativa ao agente diplomático do Brasil.

BIZU DE PROVA

Dica: Não se aplica ao vereador e ao prefeito esta deferência da lei.

Dica: Os membros do Ministério Público da União também gozam desta


prerrogativa de acordo com o art. 18, II, g da Lei complementar 75/93.

4.4.3. Ônus da Prova: O ônus da prova é o dever que a parte tem de provar
em juízo as suas alegações para o convencimento do juiz.

A análise do ônus da prova poderá ser dividida em duas partes: a primeira


trata-se do ônus subjetivo da prova e a segunda refere-se ao ônus objetivo.

O ônus subjetivo da prova está ligado ao dever das partes em


provar tal fato controvertido, assim pelo ônus subjetivo o
magistrado deverá analisar quem tem o dever, ou seja, o
encargo de prová-lo.

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O ônus objetivo está ligado à prova do fato.

No Processo do Trabalho o art. 818 da CLT combinado com o art. 333 do CPC
tratam do ônus subjetivo da prova.

Art. 818 da CLT A prova das alegações incumbe à parte que as fizer.

Art. 333 do CPC O ônus da prova incumbe:

I- ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;


II- ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou
extintivo do direito do autor.

Fato constitutivo é aquele que deu origem à relação jurídica que está
sendo discutida em juízo.

Exemplificando: empregado requer o reconhecimento do vínculo


empregatício e a reclamada nega a prestação de serviços, ele deverá provar
o fato constitutivo de seu direito.

Fato extintivo é aquele que põe fim à relação jurídica deduzida no


processo.

Exemplificando: empregado postula o pagamento de salários e o


empregador prova que pagou através de recibos assinados pelo empregado.

Fato impeditivo é aquele que, segundo Alexandre Freitas Câmara, tem


conteúdo negativo, ou seja, a ausência de alguns dos requisitos genéricos
de validade do ato jurídico (agente capaz, forma, objeto lícito).

Exemplificando: O reclamado demonstrar que o reclamante era de fato


representante comercial nos moldes da lei especial.

Fato modificativo é aquele que não irá extinguir, mas alterará a relação
jurídica entre as partes.

Exemplificando: a prova de pagamento parcial das verbas postuladas pelo


reclamante.

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A distribuição do ônus da prova e a prova da existência ou não da relação


de emprego processar-se-á da seguinte forma:

a) Se o reclamante requerer em juízo o reconhecimento do vínculo de emprego


e a reclamada alegar que não houve a prestação de tais serviços, será do
empregado o ônus de provar o fato constitutivo de seu direito.

b) Se o reclamante requerer o reconhecimento do vínculo de emprego e a


reclamada na defesa admitir a prestação dos serviços do empregado, mas
alegar, por exemplo que ele era trabalhador eventual, aí será do empregador o
ônus de provar que a relação havida não era de emprego.

Súmula 212 do TST - DESPEDIMENTO. ÔNUS DA PROVA O ônus de provar o


término do contrato de trabalho, quando negados a prestação de serviço e o
despedimento, é do empregador, pois o princípio da continuidade da relação de
emprego constitui presunção favorável ao empregado.

A Súmula 338 do TST admite a inversão do ônus da prova no processo do


trabalho, no que se refere aos pedidos de horas extras, quando a empresa
contar com mais de 10 empregados e negar-se a apresentar os controles de
freqüência, injustificadamente.

Súmula 338 do TST JORNADA DE TRABALHO. REGISTRO. ÔNUS DA PROVA. I


- É ônus do empregador que conta com mais de 10 (dez) empregados o
registro da jornada de trabalho na forma do art. 74, § 2º, da CLT. A não-
apresentação injustificada dos controles de freqüência gera presunção relativa
de veracidade da jornada de trabalho, a qual pode ser elidida por prova em
contrário. II - A presunção de veracidade da jornada de trabalho, ainda que
prevista em instrumento normativo, pode ser elidida por prova em contrário. III
- Os cartões de ponto que demonstram horários de entrada e saída uniformes
são inválidos como meio de prova, invertendo-se o ônus da prova, relativo às
horas extras, que passa a ser do empregador, prevalecendo a jornada da inicial
se dele não se desincumbir.

Há algumas súmulas e orientações jurisprudenciais do TST que estabelecem o


ônus da prova em determinados casos, o que prevalece sobre a regra geral do
art. 818 da CLT e 333 do CPC.

Observem abaixo:

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Súmula 6 do TST EQUIPARAÇÃO SALARIAL. ART. 461 DA CLT. VIII - É do


empregador o ônus da prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo da
equiparação salarial.

Súmula 16 do TST- NOTIFICAÇÃO Presume-se recebida a notificação 48


(quarenta e oito) horas depois de sua postagem. O seu não-recebimento ou a
entrega após o decurso desse prazo constitui ônus de prova do destinatário.

BIZU DE PROVA

Esta OJ foi cancelada em Maio de 2011 e agora o ônus


é do empregador.

OJ 215 SDI-I TST VALE-TRANSPORTE. ÔNUS DA PROVA É do empregado


o ônus de comprovar que satisfaz os requisitos indispensáveis à obtenção do
vale-transporte.

4.4.4. Incidente de falsidade: O art. 390 da CLT é aplicado subsidiariamente


ao processo do trabalho, uma vez que a CLT não regulamenta o incidente de
falsidade documental.

Diz o art. 390 da CLT que o incidente de falsidade será aplicado, em


qualquer tempo e grau de jurisdição, incumbindo à parte, contra quem foi
produzido o documento suscitá-lo na contestação ou no prazo de 10 dias,
contados da intimação da sua juntada aos autos.

A regra do art. 390 do CPC deverá ser adaptada ao processo do trabalho,


porque neste a parte toma ciência do documento em audiência. Assim, o prazo
de 10 dias deverá ser aberto para a argüição do incidente de falsidade.

4.4.5. Inspeção judicial: (Artigos 440/443 do CPC)

“É a atividade instrutória do juiz, destinada a examinar uma coisa ou


lugar, a fim de tomar conhecimento de suas características (Liebman)”.

A CLT é omissa em relação à inspeção judicial, por isso, aplica-se o


Código de Processo Civil, subsidiariamente.

A inspeção judicial terá lugar toda vez que houver necessidade de o juiz
deslocar-se ao local, em que estiver a pessoa ou coisa, conforme estabelece o
art. 440 do CPC.

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Art. 440 CPC O juiz, de ofício ou a requerimento da parte, pode,


em qualquer fase do processo, inspecionar pessoas ou coisa, a fim de
esclarecer sobre fato, que interesse á decisão da causa.

4.4.6. Encerramento da instrução e razões finais: Terminada a instrução


processual, as partes poderão aduzir razões finais, no prazo de dez minutos
para cada parte (art. 850 da CLT). Portanto, as razões finais não são
obrigatórias.

Razões finais ou alegações finais são as faculdades conferidas às partes de


manifestarem-se nos autos do processo, antes que a sentença seja proferida.

No Processo do Trabalho, as razões finais são oferecidas oralmente.

Na prática, quando a sentença não for proferida na própria audiência, alguns


juízes permitem que as partes ofereçam razões finais por escrito, em forma de
“memoriais”. Tal praxe é extraída da aplicação analógica do art. 454, parágrafo
3º, do CPC.

4.5. Dissídios Individuais: Dissídio Individual é aquele no qual o interesse em


conflito, ou seja, o bem da vida perseguido pelas partes refere-se às pessoas
individualizadas, sendo possível determiná-las.

Exemplificando: Na ação trabalhista interposta por Adalgisa em face de


Maria das Dores, é possível determinar as partes envolvidas no conflito.
Sabemos que Adalgisa (parte autora) é empregada doméstica e postula os seus
direitos (bem da vida perseguido), alegando que trabalhou para Maria das
Dores (parte ré), indicando-a como sua empregadora.

Art. 842 da CLT Sendo várias as reclamações e havendo


identidade de matéria, poderão ser acumuladas num só processo, se se
tratar de empregados da mesma empresa ou estabelecimento.

Atenção: A doutrina menciona que o art. 842 da CLT trata de uma


cumulação subjetiva de ações, na qual há a existência de vários autores.

Para que ocorra esta cumulação de ações será necessária a


presença de dois requisitos:
⇒ Identidade de matéria;
⇒ Que os empregados sejam da mesma empresa ou
estabelecimento.

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DICA: É importante esclarecer o que significa Dissídio Individual Plúrimo (art.


842 da CLT).

Dissídios Individuais Plúrimos: São aqueles que se referem aos


sujeitos determinados, ocorrendo a pluralidade de autores ou a pluralidade de
réus, acarretando a formação de litisconsórcio.

Litisconsórcio ocorrerá quando houver mais de um autor ou mais de


um réu na mesma ação.
Chama-se litisconsórcio ativo quando houver mais de um autor e
litisconsórcio passivo quando houver mais de um réu.

Como já mencionado, poderá ocorrer o Dissídio Individual Plúrimo quando


os pedidos dos autores nas reclamações trabalhistas forem idênticos e o
empregador (Reclamado) for o mesmo.

Há que se ressaltar que Dissídio individual Plúrimo diferencia-se de


Dissídio Coletivo, pois no segundo os sujeitos do processo (partes) são
indeterminados individualmente, uma vez que os Sindicatos é que são os
legitimados para propor o Dissídio Coletivo.

No Dissídio Coletivo, o interesse em conflito pertence a um grupo ou a


uma categoria.

4.6. Forma de Reclamação: No início do curso, estudamos o Princípio da


Inércia da Jurisdição e vimos que o juiz, somente, poderá prestar a tutela
jurisdicional, ou seja, dar uma solução a um conflito de interesses entre as
partes, quando for provocado pela parte.

E como ocorrerá esta provocação?

Será através da petição inicial, que recebe o nome de reclamação trabalhista no


processo do trabalho e poderá ser de forma escrita ou verbal.

A CLT em seu art. 840 não emprega o termo “petição inicial”!

VERBAL: Quando a reclamação for verbal, ela deverá ser distribuída


antes mesmo de sua redução a termo. (A redução a termo é um ato processual
realizado por um servidor da Vara de Trabalho).

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A petição inicial verbal deverá observar, quando couber , os requisitos exigidos


para a petição inicial escrita que estão elencados no parágrafo 1º do art. 840 da
CLT (art. 840, parágrafo 2º da CLT).

Art. 840 da CLT A reclamação poderá ser escrita ou verbal.

§ 1º - Sendo escrita, a reclamação deverá conter a designação do Juiz da


Vara da Vara de trabalho a quem for dirigida, a qualificação do
reclamante e do reclamado, uma breve exposição dos fatos de que
resulte o dissídio, o pedido, a data e a assinatura do reclamante ou de
seu representante.

§ 2º - Se verbal, a reclamação será reduzida a termo, em 2 (duas) vias


datadas e assinadas pelo escrivão ou chefe de secretaria, observado, no
que couber, o disposto no parágrafo anterior.

DICA: É oportuno ressaltar que a distribuição da reclamação trabalhista


somente ocorrerá, nas localidades onde existirem mais de uma Vara do
Trabalho.

ESCRITA: A petição inicial do Dissídio Coletivo (art. 856 da CLT) e do


inquérito para apuração de falta grave deve ser necessariamente escrita (art.
853 da CLT).

O art. 840 § 1º da CLT elenca os requisitos para a apresentação da


reclamação trabalhista, são eles:

A designação do Juiz Presidente da Vara ou do Juiz de Direito a que


for dirigida;
A qualificação do reclamante e do reclamado;
A breve exposição dos fatos de que resulte o dissídio;
Data e assinatura do reclamante ou do seu representante;
O pedido.

É importante falar que o pedido é o objeto da ação, ou seja, é aquilo que


se pede ao Poder Judiciário. No direito processual, o pedido é sinônimo de
mérito.

Aditamento da petição inicial: Antes do recebimento da notificação


citatória pelo réu, ao autor é facultado modificar o pedido através de
um “aditamento” da petição inicial.

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O aditamento do pedido está previsto no art. 294 do CPC que é aplicado


subsidiariamente ao processo do trabalho por força do art. 769 da CLT. O art.
294 do CPC estabelece que antes da citação, o autor poderá aditar o pedido,
correndo à sua conta as custas acrescidas, em razão desta iniciativa.”

No processo do trabalho, o autor não sofrerá qualquer sanção processual pelo


fato de aditar a petição inicial, não se aplicando a parte final do art. 294 do
CPC. Depois da notificação citatória do réu o aditamento somente poderá
ocorrer com a concordância dele (art. 264 do CPC).

Indeferimento da petição inicial: O art. 295 do CPC prevê as


hipóteses em que a petição inicial será indeferida, ou seja, será
recusada pelo juiz.

As hipóteses de indeferimento da petição inicial são:

a) quando for inepta;

b) quando a parte for manifestamente ilegítima;

c) quando o autor carecer de interesse processual;

d) quando o juiz verificar a decadência ou a prescrição;

e) quando o tipo de procedimento, escolhido pelo autor, não corresponder


à natureza da causa, ou ao valor da ação, caso em que só não será
indeferida se puder adaptar-se ao tipo de procedimento legal;

f) quando não atendidas as prescrições dos artigos 39, parágrafo único,


primeira parte e 284 do CPC.

Inepta é aquela petição que falta um pedido ou uma causa de pedir, ou aquela
que contiver pedidos juridicamente impossíveis ou incompatíveis entre si.
Também será considerada inepta a petição inicial de cuja narração dos fatos
não decorrer logicamente a conclusão.

Emenda da petição inicial: O art. 284 do CPC prevê a possibilidade


de o juiz, quando verificar que a petição inicial não preenche os
requisitos legais, determinar que o autor a emende ou complete em 10
dias. Se no prazo legal o autor não emendar a petição inicial, o juiz irá
indeferi-la.

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4.7. Forma da Notificação: Na reclamação trabalhista não há citação do


reclamado, mas notificação via postal do mesmo, por meio de remessa
automática do servidor de secretaria da vara, em 48 horas, do recebimento da
ação, notificando o reclamado a comparecer para a primeira audiência
desimpedida em:

• 05 dias para os reclamados em geral


• 20 dias para União, estado, DF, municípios, autarquias e fundações
públicas federais, estaduais, municipais que não explorem atividades
econômicas (Decreto-Lei 779/69 que diz que o prazo do art. 841da CLT
será quádruplo).

A notificação poderá ser:

a) por registro postal em regra;

b) por edital quando o réu não for encontrado ou criar embaraços ao


recebimento da reclamação.

O Edital será publicado em um jornal oficial ou em expediente forense e,


somente, na falta destes, será afixado na sede ou juízo.

Súmula 16 TST Presume-se recebida a notificação 48 horas depois de


sua postagem. O seu não recebimento ou a entrega após o decurso
deste prazo constitui ônus de prova do destinatário.

A notificação postal será feita com o aviso de recebimento, para que se


possa verificar se ocorreu ou não a citação.

No processo do trabalho, a citação somente será pessoal em sede de


execução. Sendo assim, bastará a entrega da citação no endereço indicado.
Caberá à parte comprovar que não a recebeu no prazo devido.

4.8. Legitimidade para ajuizar: A petição inicial da ação trabalhista pode ser
formulada:

Pelos sujeitos da relação de emprego ou por seus representantes


legais;
Pelos Sindicatos em defesa dos interesses ou direitos coletivos ou
individuais da categoria que representam;
Pelo Ministério Público do Trabalho, nos casos previstos em lei.

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Atenção: Com a ampliação da competência da Justiça do Trabalho pela


Emenda Constitucional 45/2004, a petição inicial também poderá ser
apresentada:

Por outros titulares da relação de trabalho (estagiário, autônomo,


voluntário, eventual, etc.);
Pela União na ação de cobrança das multas impostas aos
empregadores pela Delegacia Regional do Trabalho;
Pelos Sindicatos quando ocorrer conflitos entre os Sindicatos ou entre
estes e os associados;
Pelos tomadores de serviço ou pelos empregadores.

DICA: O artigo abaixo transcrito é muito cobrado em provas de concurso,


pois quando o menor de 18 anos não tiver representante legal, ou seja, pai,
mãe ou tutor ele poderá ser representado pelos entes descritos no art. 793
da CLT.

Art. 793 da CLT A reclamação trabalhista do menor de 18 anos


será feita por seus representantes legais e, na falta destes, pela
Procuradoria da Justiça do Trabalho, pelo sindicato, pelo Ministério
Público estadual ou curador nomeado em Juízo.

DICA: Geralmente as bancas de concurso dizem que os empregados


poderão ser representados pelo Ministério Público Federal, o que está errado,
porque o art. 793 da CLT menciona Ministério Público Estadual.

Atenção: A Procuradoria da Justiça do Trabalho é órgão do Ministério


Público do Trabalho (MPT) que é um dos ramos do Ministério Público da União.
Assim, se na prova vier na assertiva o Ministério Público do Trabalho estará
correto, pois ele poderá propor a reclamação trabalhista conforme o art. 793 da
CLT.

4.9. Procedimento Sumaríssimo: Com o objetivo de trazer maior celeridade


para os processos julgados pela Justiça do Trabalho, a Lei 9.957 de 2000,
introduziu o procedimento sumaríssimo no Processo do Trabalho.

O Procedimento ou Rito Sumaríssimo está previsto nos artigos 852-A


/852- I da CLT, que passarei a comentar!

Art. 852-A da CLT - Os dissídios individuais cujo valor não exceda


a quarenta vezes o salário mínimo vigente na data do ajuizamento da
reclamação ficam submetidos ao procedimento sumaríssimo. Parágrafo

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único - Estão excluídas do procedimento sumaríssimo as demandas em


que é parte a Administração Pública direta, autárquica e fundacional.

Pela leitura literal do artigo verificamos que o procedimento sumaríssimo não se


aplica aos dissídios coletivos, uma vez que, o caput do artigo acima transcrito
fala em dissídios individuais. Para verificar se os pedidos ultrapassam a 40
vezes o salário-mínimo, a data limite para o cálculo é a data do ajuizamento da
ação.

Este tipo de procedimento não será aplicado nas demandas em que figurarem
como parte a União, os Estados, os Municípios, o Distrito Federal, as Autarquias
e as Fundações Públicas Federais.

Art. 852-B da CLT - Nas reclamações enquadradas no procedimento


sumaríssimo:

I- o pedido deverá ser certo ou determinado e indicará o valor


correspondente;

II- não se fará citação por edital, incumbindo ao autor a correta


indicação do nome e endereço do reclamado;

III- a apreciação da reclamação deverá ocorrer no prazo máximo de


quinze dias do seu ajuizamento, podendo constar de pauta especial, se
necessário, de acordo com o movimento judiciário da Junta de
Conciliação e Julgamento.

§ 1º - O não atendimento, pelo reclamante, do disposto nos incisos I e


II deste artigo importará no arquivamento da reclamação e condenação
ao pagamento de custas sobre o valor da causa.

§ 2º - As partes e advogados comunicarão ao juízo as mudanças de


endereço ocorridas no curso do processo, reputando-se eficazes as
intimações enviadas ao local anteriormente indicado, na ausência de
comunicação.

O pedido deverá ser certo ou determinado, uma vez que esta é a forma de
verificar se a causa ultrapassa ou não os quarenta salários-mínimos. Caso o
reclamante não faça pedido certo ou determinado e nem indique na petição
inicial o endereço e nome correto do reclamado, o processo será arquivado e

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ele será condenado ao pagamento das custas calculadas sobre o valor dado à
causa.

A audiência será una e realizar-se-á nos quinze dias, do ajuizamento da


reclamação trabalhista.

Art. 852-C da CLT As demandas sujeitas a rito sumaríssimo serão


instruídas e julgadas em audiência única, sob a direção de juiz
presidente ou substituto, que poderá ser convocado para atuar
simultaneamente com o titular.

Art. 852-D da CLT O juiz dirigirá o processo com liberdade para


determinar as provas a serem produzidas, considerado o ônus
probatório de cada litigante, podendo limitar ou excluir as que
considerar excessivas, impertinentes ou protelatórias, bem como para
apreciá-las e dar especial valor às regras de experiência comum ou
técnica.

Art. 852-E da CLT - Aberta a sessão, o juiz esclarecerá as partes


presentes sobre as vantagens da conciliação e usará os meios
adequados de persuasão para a solução conciliatória do litígio, em
qualquer fase da audiência.

A sessão mencionada, neste artigo, é a audiência. Neste tipo de procedimento,


não há a obrigatoriedade de duas propostas de conciliação, mas o juiz a
qualquer tempo deverá tentar conciliar o conflito.

Art. 852-F da CLT Na ata de audiência serão registrados


resumidamente os atos essenciais, as afirmações fundamentais das
partes e as informações úteis à solução da causa trazidas pela prova
testemunhal.

Os depoimentos das partes e das testemunhas serão resumidos na Ata de


audiência pela secretária de audiência.

Art. 852-G da CLT - Serão decididos, de plano, todos os incidentes e

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exceções que possam interferir no prosseguimento da audiência e do processo.


As demais questões serão decididas na sentença.

Com o objetivo de celeridade nos julgamento das causas submetidas ao


procedimento sumaríssimo, todos os incidentes processuais ou exceções serão
resolvidos de imediato.

Art. 852-H da CLT - Todas as provas serão produzidas na audiência de


instrução e julgamento, ainda que não requeridas previamente.
§ 1º - Sobre os documentos apresentados por uma das partes manifestar-
se-á imediatamente a parte contrária, sem interrupção da audiência,
salvo absoluta impossibilidade, a critério do juiz.

§ 2º - As testemunhas, até o máximo de duas para cada parte,


comparecerão à audiência de instrução e julgamento
independentemente de intimação.

§ 3º - Só será deferida intimação de testemunha que,


comprovadamente convidada, deixar de comparecer. Não comparecendo
a testemunha intimada, o juiz poderá determinar sua imediata condução
coercitiva.

§ 4º - Somente quando a prova do fato o exigir, ou for legalmente


imposta, será deferida prova técnica, incumbindo ao juiz, desde logo,
fixar o prazo, o objeto da perícia e nomear perito.

§ 5º - (VETADO)

§ 6º - As partes serão intimadas a manifestar-se sobre o laudo, no


prazo comum de cinco dias.

§ 7º - Interrompida a audiência, o seu prosseguimento e a solução do


processo dar-se-ão no prazo máximo de trinta dias, salvo motivo
relevante justificado nos autos pelo juiz da causa.

Vejamos o parágrafo sexto que foi cobrado pela FCC, recentemente:

(FCC – Analista Judiciário – TRT-Alagoas – 2014) Brunete ajuizou


reclamação trabalhista em face da empresa “LH Ltda.”, alegando ter exercido
seu labor em ambiente insalubre, dando à causa o valor de R$ 21.500,00. Foi

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deferida a prova pericial requerida por Brunete, tendo o perito nomeado pelo
Juízo apresentado o referido laudo pericial. Neste caso, de acordo com a
Consolidação das Leis do Trabalho, as partes

(A) obrigatoriamente se manifestarão oralmente na audiência em razão da


oralidade existente neste tipo de procedimento processual.

(B) serão intimadas a manifestar-se sobre o laudo, no prazo sucessivo de dez


dias, iniciando-se por Brunete.

(C) serão intimadas a manifestar-se sobre o laudo, no prazo comum de cinco


dias.

(D) serão intimadas a manifestar-se sobre o laudo, no prazo sucessivo de cinco


dias, iniciando-se por Brunete.

(E) serão intimadas a manifestar-se sobre o laudo, no prazo comum de dez


dias.

Comentários: Letra C. Trata-se de procedimento sumaríssimo. Portanto, será


aplicado o art. 852-H da CLT.

Art. 852 – H da CLT § 6º - As partes serão intimadas a manifestar-se sobre o


laudo, no prazo comum de cinco dias.

Art. 852-I da CLT A sentença mencionará os elementos de convicção


do juízo, com resumo dos fatos relevantes ocorridos em audiência,
dispensado o relatório. § 1º - O juízo adotará em cada caso a decisão
que reputar mais justa e equânime, atendendo aos fins sociais da lei e
as exigências do bem comum. § 3º - As partes serão intimadas da
sentença na própria audiência em que prolatada.

O juiz não precisará elaborar o relatório ao proferir a sua sentença, bastando


que faça um breve resumo dos fatos ocorridos na audiência uma que forem
relevantes para o julgamento da causa.

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Como a audiência é una (única), as partes serão consideradas intimadas da


sentença na própria audiência em que o juiz prolatou a sua sentença, contando-
se a partir daí o prazo recursal.

1. (FCC- Analista Judiciário – Execução de Mandados – TRT 24ª


Região - 2011) Camila, advogada de Ana, pretende ajuizar reclamação
trabalhista cujo valor da causa é de R$ 17.000,00. Neste caso, em regra,

(A) Camila deverá arrolar previamente até duas testemunhas na petição


inicial, sob pena de preclusão.

(B) na data da audiência, Ana deverá trazer até três testemunhas,


independentemente de intimação.

(C) o pedido deverá ser certo e determinado, indicando o valor de R$


17.000,00.

(D) Camila poderá requerer a citação por edital se a empresa ré,


comprovadamente, possuir endereço incerto.

(E) Camila deverá arrolar previamente até três testemunhas na petição


inicial, sob pena de preclusão.

Comentários: Letra C. Trata-se de procedimento sumaríssimo, uma vez que


o valor da causa não ultrapassa a quarenta salários mínimos.

No procedimento sumaríssimo o pedido deverá ser certo e determinado e o


autor deverá indicar o valor do pedido.

Art. 852-A da CLT - Os dissídios individuais cujo valor não


exceda a quarenta vezes o salário mínimo vigente na data do
ajuizamento da reclamação ficam submetidos ao procedimento
sumaríssimo. Parágrafo único - Estão excluídas do procedimento
sumaríssimo as demandas em que é parte a Administração Pública

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direta, autárquica e fundacional.

Art. 852-H da CLT - Todas as provas serão produzidas na audiência


de instrução e julgamento, ainda que não requeridas previamente. § 2º
- As testemunhas, até o máximo de duas para cada parte,
comparecerão à audiência de instrução e julgamento
independentemente de intimação.

Assim, estão incorretas as letras “a”, “b” e “e”, porque cada parte deverá
trazer à audiência de instrução e julgamento até duas testemunhas,
independente de intimação. A letra “d” está errada porque não se fará
citação por edital nas ações submetidas ao procedimento sumaríssimo.

2. (FCC- Analista Judiciário – Área Judiciária – TRT 20ª Região -


2006) De acordo com a Consolidação das Leis do Trabalho, o Procedimento
Sumaríssimo

(A) poderá ser aplicado nas demandas em que é parte a Administração


Pública autárquica e fundacional.

(B) será aplicado nos dissídios individuais cujo valor não exceda a sessenta
vezes o salário mínimo vigente na data do ajuizamento da reclamação.

(C) será aplicado nos dissídios individuais cujo valor não exceda a vinte vezes
o salário mínimo vigente na data do ajuizamento da reclamação.

(D) terá todas as provas produzidas na audiência de instrução e julgamento,


ainda que não requeridas previamente.

(E) permite às partes arrolarem até no máximo 3 testemunhas cada, as quais


comparecerão à audiência de instrução e julgamento independentemente de
intimação.

Comentários: Letra D. O art. 852- H da CLT estabelece que todas as provas


serão produzidas na audiência de instrução e julgamento, ainda que não
requeridas previamente.

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Principais características do procedimento sumaríssimo:

Não poderá ser aplicado o procedimento sumaríssimo nas causas em que


figuram os órgãos da administração direta, autárquica e fundacional.
(Pessoas jurídicas de direito público)
Aplica-se o procedimento sumaríssimo às empresas públicas e sociedades
de economia mista. (Pessoas jurídicas de direito privado).
As ações submetidas ao procedimento sumaríssimo deverão ser
apreciadas num prazo máximo de 15 dias do seu ajuizamento.
O processo submetido ao procedimento sumaríssimo deverá ser instruído
e julgado em audiência única, exceto se a critério do juiz for impossível
não interromper a audiência quando a parte contrária tiver que
manifestar-se sobre documentos juntados pela outra parte.
O Procedimento sumaríssimo somente terá lugar nas ações trabalhistas
individuais, cujo valor da causa seja inferior a 40 salários mínimos.
Nas ações enquadradas no procedimento sumaríssimo o pedido deverá
ser certo ou determinado indicando o valor correspondente.
Não se fará citação por edital nas ações submetidas ao procedimento
sumaríssimo.
O autor deverá indicar corretamente o nome e endereço do reclamado.
Todos os incidentes e exceções que puderem interferir no prosseguimento
das audiências e do processo deverão ser decididos de plano.
Cada parte somente poderá apresentar até duas testemunhas. Só haverá
intimação de testemunhas que comprovadamente convidada pela parte
não comparecer a audiência.
A prova pericial somente será cabível quando a prova do fato a exigir ou
for legalmente imposta como por ex. o art. 195 CLT.
O juiz é dispensado de fazer o relatório nas sentenças sujeitas ao
procedimento sumaríssimo.
Solução imediata de incidentes e exceções que interfiram no
prosseguimento do processo.
Prazo comum de cinco dias para manifestação sobre o laudo pericial.

Principais distinções:

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Procedimento Ordinário Procedimento Sumaríssimo


Até 3 testemunhas para cada parte Até 2 testemunhas para cada parte
Relatório é exigido na sentença Relatório é dispensado
Permite-se citação por Edital Não se admite citação por Edital
Aplica-se às pessoas jurídicas de Não se aplica às pessoas jurídicas
direito público de direito público
Parecer oral ou escrito dos Parecer oral dos membros do MPT
membros do MPT nos recursos nos recursos

Não há exigência de pedido certo e Há exigência de pedido certo e


determinado determinado.

4.10. Da sentença e da Coisa Julgada: A sentença é o ato processual


praticado pelo juiz, que extingue o processo com resolução do mérito (art. 267
do CPC) ou sem resolução do mérito (art. 269 do CPC).

O parágrafo 1º do art. 162 do CPC estabelece: sentença é o ato do juiz que


implica algumas das situações previstas nos artigos 267 e 269 do CPC.

A CLT emprega o termo “decisão” em sentido amplo, podendo ser utilizada ora
como sentença e ora como decisão interlocutória.
Exemplificando: O art. 799, parágrafo segundo da CLT fala “Das
decisões sobre exceção de suspeição e incompetência...” (que são decisões
interlocutórias).

Quando a sentença extinguir o processo, sem resolução do mérito, nas


hipóteses do artigo 267 do CPC, denomina-se sentença terminativa e, contra
ela, a parte poderá ingressar com nova ação, postulando os mesmos pedidos,
salvo nos casos estabelecidos no inciso V do art. 267 do CPC (perempção,
litispendência ou coisa julgada).

Quando a sentença extinguir o processo, com a resolução do mérito ela será


denominada de sentença definitiva.

O artigo 832 da CLT, em conjunto com o art. 458 do CPC, traz os requisitos
necessários que uma sentença deverá ter que são basicamente:

⇒ Relatório: (é um resumo de tudo o que acontece no processo)

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⇒ Fundamentação: É a base intelectual da sentença, ou seja, a razão de


decidir do juiz. (o juiz apresenta as razões de fato e de direito para
fundamentar a sua decisão).
⇒ Decisão, dispositivo ou decisum: (é a decisão, propriamente dita. Uma
sentença sem dispositivo é nula). Também denominado de conclusão.
Aqui, o juiz deverá observar o princípio da congruência.

DICA: O Dispositivo poderá ser direto ou indireto.

O primeiro é aquele no qual o juiz exprime diretamente a conclusão


da sentença (Ex: julgo procedente o pedido, condenando o réu a
pagar ao reclamante as horas extraordinárias postuladas.)

O dispositivo indireto é aquele no qual o juiz reporta-se ao pedido


descrito na petição inicial (Ex: julgo procedente a ação na forma do
pedido do autor).

Podemos considerar como requisitos da sentença:

a) o nome das partes (relatório);

b) o resumo do pedido e da defesa (relatório);

c) a apreciação das provas (fundamentação);

d) os fundamentos da decisão (fundamentação);

e) a respectiva conclusão (decisão/dispositivo).

Art. 832 da CLT - Da decisão deverão constar o nome das partes, o


resumo do pedido e da defesa, a apreciação das provas, os fundamentos
da decisão e a respectiva conclusão.

§ 1º - Quando a decisão concluir pela procedência do pedido,


determinará o prazo e as condições para o seu cumprimento.

§ 2º - A decisão mencionará sempre as custas que devam ser pagas


pela parte vencida.

§ 3º - As decisões cognitivas ou homologatórias deverão sempre indicar


a natureza jurídica das parcelas constantes da condenação ou do acordo

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homologado, inclusive o limite de responsabilidade de cada parte pelo


recolhimento da contribuição previdenciária, se for o caso.

§ 4º A União será intimada das decisões homologatórias de acordos que


contenham parcela indenizatória, na forma do art. 20 da Lei no 11.033,
de 21 de dezembro de 2004, facultada a interposição de recurso relativo
aos tributos que lhe forem devidos.

§ 5º Intimada da sentença, a União poderá interpor recurso relativo à


discriminação de que trata o § 3o deste artigo.

§ 6º O acordo celebrado após o trânsito em julgado da sentença ou após


a elaboração dos cálculos de liquidação de sentença não prejudicará os
créditos da União.

No procedimento sumaríssimo, o juiz é dispensado de elaborar o relatório ao


proferir a sua sentença.

No procedimento ordinário, uma sentença sem relatório, será considerada uma


sentença nula.

O artigo 834 da CLT, ao mencionar publicação da sentença/decisão significa que


o juiz julgou o processo proferindo a sua decisão.

DICA: Princípio da Congruência é aquele segundo o qual o juiz deverá ao


julgar a ação ficar restrito ao pedido formulado pelo autor, ou seja, a sentença
deverá estar limitada aos pedidos, que estiverem contidos na petição inicial.
Deverá haver uma correlação entre o pedido e a sentença prolatada pelo juiz.

O art. 460 do CPC, estabelece que é proibido ao juiz proferir sentença a favor
do autor de natureza diversa da pedida, bem como condenar o réu em
quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado.

O art. 128 do CPC prescreve que o juiz deve decidir a lide nos limites em que
foi proposta, sendo-lhe defeso conhecer de questões, não suscitadas, a cujo
respeito a lei exige a iniciativa da parte. Assim, temos a sentença que julga
ultra petita (aquela que vai além do que o autor postulou), a sentença que julga
citra petita ( aquela na qual o juiz não se manifesta em relação a alguns pontos
do pedido) e extra petita (aquela que julga fora do que foi postulado pelo
autor).

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As sentenças que julgam extra, ultra ou citra petita, podem ser atacáveis por
ação rescisória (art. 485, V do CPC).

É importante mencionar a OJ 41 da SDI – II do TST que permite em sede de


ação rescisória a desconstituição de sentença “citra petita”, ainda que não
sejam opostos embargos declaratórios.

OJ 41 da SDI – II do TST. AÇÃO RESCISÓRIA. SENTENÇA "CITRA


PETITA". CABIMENTO. Revelando-se a sentença "citra petita", o vício
processual vulnera os arts. 128 e 460 do CPC, tornando-a passível de
desconstituição, ainda que não opostos embargos declaratórios.

Após a prolatação da sentença, pelo juiz, as partes deverão ser intimadas deste
ato. Elas serão intimadas da publicação da sentença, na própria audiência, em
que ela for proferida. Quando forem intimadas, para comparecer á audiência de
publicação da sentença e não comparecerem, o prazo para a interposição de
recurso contará da publicação (Súmula 197 do TST).

Art. 833 da CLT - Existindo na decisão evidentes erros ou enganos de


escrita, de datilografia ou de cálculo, poderão os mesmos, antes da
execução, ser corrigidos, ex officio, ou a requerimento dos interessados
ou da Procuradoria da Justiça do Trabalho.

Art. 834 da CLT - Salvo nos casos previstos nesta Consolidação, a


publicação das decisões e sua notificação aos litigantes, ou seus
patronos, consideram-se realizadas nas próprias audiências em que
forem as mesmas proferidas.

Art. 835 da CLT - O cumprimento do acordo ou da decisão far-se-á no


prazo e condições estabelecidas.

A Súmula 30 do TST estabelece que a ata da audiência de julgamento, deverá


ser juntada ao processo em 48 horas contados da audiência, e quando isto não
ocorrer, o prazo para a parte interpor o recurso será contado da intimação da
sentença.

Súmula 30 do TST Quando não juntada a ata ao processo em 48 horas,


contadas da audiência de julgamento (art. 851, § 2º, da CLT), o prazo para
recurso será contado da data em que a parte receber a intimação da sentença.

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Um ponto muito cobrado em prova é a classificação da sentença


em:

a) sentença declaratória: é aquela que declara a autenticidade ou


falsidade de um documento ou a existência ou inexistência de uma relação
jurídica (art. 4º do CPC);

b) sentença constitutiva: é aquela que cria, modifica ou extingue uma


relação jurídica;

c) sentença condenatória: é aquela sentença que julga procedente


uma ação condenatória, é a mais comum no processo do trabalho. Como
exemplo, podemos citar a sentença que condena a reclamada a pagar ao
reclamante aviso prévio, férias, FGTS, etc.

Outra classificação:

a) sentença terminativa: É aquela na qual o juiz não aprecia o pedido


das partes. Ele não chega a entrar no mérito da ação, porque extingue o
processo, nas hipóteses do art. 267 do CPC antes de entrar no mérito.

b) sentença definitiva: é aquela que aprecia o mérito, o pedido. É o


que ocorrerá com as hipóteses descritas no art. 269 do CPC.

Da Coisa Julgada: A Coisa Julgada ocorrerá quando a sentença não estiver


mais sujeita a recurso, ou seja, ela transitou em julgado.

Verifica-se a coisa julgada, quando se reproduz ação anteriormente ajuizada,


sendo certo que uma ação é idêntica a outra quando tem as mesmas partes, a
mesma causa de pedir e o mesmo pedido.

Bizu de Prova: Para a corrente majoritária a coisa julgada é uma qualidade da


sentença. Já outros a consideram como efeito da sentença. Para FCC, devemos
avaliar como a banca formulará a questão. Mas, ressalto que já vi questões de
prova na qual ela considera a coisa julgada como efeito da sentença.

A coisa julgada pode ser:

a) Coisa Julgada material: Ocorrerá quando o pedido for julgado, e a


parte, portanto não poderá interpor nova ação idêntica a esta:

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b) Coisa Julgada Formal: Não impedirá a propositura de nova ação pela


parte, uma vez que o mérito/pedido da ação não foi apreciado.

Tanto as sentenças terminativas quanto as sentenças definitivas fazem coisa


julgada formal. Apenas as sentenças definitivas fazem coisa julgada material.

Agora, prestem muita atenção: a sentença terminativa fará coisa julgada formal
e material apenas nas hipóteses do art. 267, V do CPC, uma vez que nesta
hipótese a parte não poderá mais interpor novamente a ação.

A doutrina afirma que a coisa julgada material deverá obedecer alguns limites,
são eles:

a) limites subjetivos: É aquele que está ligado às pessoas que serão


atingidas pela autoridade da coisa julgada (art. 472 do CPC).

b) limites objetivos: É aquele que está ligado às matérias que não são
acobertadas pela coisa julgada (art. 469 do CPC).

DICA: Por força da MP 2.180-35/2001, ocorreu acréscimo do parágrafo 5º ao


art. 884 da CLT, que introduziu no processo do trabalho uma forma de
relativização da coisa julgada material. Isto porque, quando estiverem
presentes as hipóteses mencionadas no referido parágrafo, a coisa julgada não
será obstáculo para afastar a exigibilidade do título judicial. Ocorrendo a
relativização da coisa julgada, sempre que esta fosse inconstitucional.

Art. 884 da CLT Garantida a execução ou penhorados os bens, terá


o executado 5 (cinco) dias para apresentar embargos, cabendo igual
prazo ao exeqüente para impugnação.
§ 5º Considera-se inexigível o título judicial fundado em lei ou ato
normativo, declarados inconstitucionais, pelo Supremo Tribunal Federal
ou em aplicação ou interpretação tidas por incompatíveis com a
Constituição Federal.

4.11. Da liquidação de sentença: Toda vez que a sentença proferida pelo juiz
for ilíquida, ou seja, não contiver o valor devido ao vencedor da demanda, será
necessário liquidá-la, apurando-se assim o quantum devido.

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Vale registrar que nem todas as sentenças condenatórias que reconhecem


obrigação de pagar estão quantificadas, permitindo desde logo a execução.
Assim, será preciso liquidá-las.

A rigor, não é a sentença que é liquidada, mas sim o comando obrigacional


contido no seu dispositivo. As sentenças condenatórias tornam certo, apenas, o
débito, cabendo à liquidação a fixação do quantum devido.

Com exceção das sentenças proferidas nas ações trabalhistas sujeitas ao


procedimento sumaríssimo que devem por expressa disposição legal
estabelecer no seu bojo o valor líquido, no processo do trabalho é comum as
sentenças serem proferidas de forma ilíquida.

Cândido Rangel Dinamarco conceitua a liquidação de sentença como sendo a


atividade jurisdicional cognitiva destinada a produzir a declaração do quantum
debeatur, ainda não revelado quanto à obrigação a que o título executivo se
refere.

Carlos Henrique Bezerra Leite ressalta que nos domínios do processo do


trabalho não tem sido admitido o entendimento de que a liquidação de sentença
é uma ação ou um processo autônomo, mas sim como uma simples fase
preparatória da execução. Segundo o jurista o art. 879 ao estabelecer “ordenar-
se-á previamente a sua liquidação”, deixa claro que a liquidação constitui
simples procedimento prévio da liquidação.

Para ele a liquidação no processo do trabalho individual é um incidente


processual situado entre a fase cognitiva e a fase executiva, tendo por objeto a
fixação do valor líquido ou a individuação do objeto da obrigação constante da
sentença condenatória.

Nas ações coletivas, a liquidação de sentença será regulada pela lei da ACP e
pelo CDC. Ao passo que nas ações individuais ela será regulada pelo art. 879 da
CLT.

Art. 879 - Sendo ilíquida a sentença exeqüenda, ordenar-se-á,


previamente, a sua liquidação, que poderá ser feita por cálculo, por
arbitramento ou por artigos.

As modalidades de liquidação de sentença são:

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a) Liquidação por cálculos: ocorrerá quando a determinação do valor da


condenação depender apenas de simples cálculos aritméticos, uma vez que
todos os elementos necessários para se chegar ao quantum devido já se
encontram nos autos;

b) Liquidação por artigos: Ocorrerá quando houver necessidade de alegar e


provar fatos novos que servirão de base para apuração do valor devido. Esta
forma de liquidação dependerá de requerimento das partes, não podendo ser
determinada de ofício pelo juiz;

Aplicar-se-á o art. 475 – E do CPC de foram subsidiária.

Um exemplo é o caso de sentença que reconhece a existência de horas


extras prestadas pelo empregado, mas não estabelece o quantitativo. Haverá
necessidade de apurar estes fatos através da liquidação poro artigos.

c) Liquidação por arbitramento: Ocorrerá quando não se puder chegar ao


“quantum debeatur” através de cálculos, sendo necessário arbitrá-lo.

Aplica-se de forma subsidiária o art. 475-C do CPC determinando que a


liquidação por arbitramento poderá ocorrer quando; a) determinado pela
sentença; b) convencionado pelas partes; c) o exigir a natureza do objeto da
liquidação.

No processo do trabalho a liquidação de sentença por cálculo ou arbitramento


poderá ser determinada de ofício.

§ 1º - Na liquidação, não se poderá modificar, ou inovar, a sentença


liquidanda nem discutir matéria pertinente à causa principal.

Este parágrafo veda a rediscussão da matéria, que foi objeto da fase de


conhecimento, no procedimento liquidatório. Nem mesmo modificar ou inovar a
sentença, conforme o parágrafo acima.

§ 1o-A. A liquidação abrangerá, também, o cálculo das


contribuições previdenciárias devidas.

§ 1o-B. As partes deverão ser previamente intimadas para a


apresentação do cálculo de liquidação, inclusive da contribuição
previdenciária incidente.

§ 2º - Elaborada a conta e tornada líquida, o Juiz poderá abrir às


partes prazo sucessivo de 10 (dez) dias para impugnação fundamentada

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com a indicação dos itens e valores objeto da discordância, sob pena de


preclusão.

§ 3o Elaborada a conta pela parte ou pelos órgãos auxiliares da Justiç


a do Trabalho, o juiz procederá à intimação da União para manifestação,
no prazo de 10 (dez) dias, sob pena de preclusão.

É importante ressaltar que o art. 879 da CLT em seus parágrafos 1º B e 3º


colocam em dúvida a possibilidade do juiz não determinar a intimação prévia
das partes para apresentarem o cálculo da liquidação.

Ao utilizar o termo “inclusive” o legislador quis determinar que a apresentação


dos cálculos de liquidação deverá ser feita pelas partes que serão intimadas
para tal. Porém, o parágrafo terceiro afirma que a conta poderá ser elaborada
pelas partes ou pelos órgãos auxiliares da Justiça do Trabalho.

§ 4o A atualização do crédito devido à Previdência Social observará os


critérios estabelecidos na legislação previdenciária.

5o O Ministro de Estado da Fazenda poderá, mediante ato


fundamentado, dispensar a manifestação da União quando o valor total
das verbas que integram o salário-de-contribuição, na forma do art. 28
da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, ocasionar perda de escala
decorrente da atuação do órgão jurídico.

§ 6o Tratando-se de cálculos de liquidação complexos, o juiz


poderá nomear perito para a elaboração e fixará, depois da conclusão do
trabalho, o valor dos respectivos honorários com observância, entre
outros, dos critérios de razoabilidade e proporcionalidade.

(FCC- Analista Judiciário - Execução de Mandados – TRT 14ª Região –


2011) Considere as seguintes assertivas a respeito da liquidação de sentença:

I- Requerida a liquidação por arbitramento, o juiz nomeará o perito e fixará o


prazo para a entrega do laudo. Apresentado o laudo, sob o qual poderão as

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partes manifestar-se no prazo de cinco dias, o juiz proferirá decisão ou


designará, se necessário, audiência. ERRADA

II- Na liquidação por cálculos, elaborada a conta e tornada líquida, o juiz poderá
abrir às partes prazo comum de dez dias para impugnação fundamentada com
a indicação dos itens e valores objeto da discordância, sob pena de preclusão.
ERRADA

III- Far-se-á a liquidação por artigos, quando para determinar o valor da


condenação, houver a necessidade de alegar e provar fato novo. CERTA

IV- Na liquidação por cálculos, elaborada a conta pela parte ou pelos órgãos
auxiliares da Justiça do Trabalho, o juiz procederá à intimação da União para
manifestação, no prazo de dez dias, sob pena de preclusão. CERTA

Comentários: A assertiva I está incorreta. Há na CLT lacuna em relação ao


procedimento da liquidação por arbitramento. Assim, aplicam-se os artigos 475-
C, 475- D e 607 do CPC. Apresentado o laudo as partes terão 10 dias para
manifestar-se. A assertiva II está incorreta porque o prazo não será comum,
mas sucessivo conforme estabelece o art. 879, parágrafo segundo da CLT. As
assertivas, III e IV, estão corretas.

A liquidação por artigos ocorrerá sempre que houver necessidade de alegar e


provar fatos novos para que o valor devido possa ser apurado. O art. 879,
parágrafo terceiro da CLT foi abordado na assertiva IV.

1. (FCC/Analista Judiciário – Área Judiciária/TRT-SE/ 2006) Considere


as seguintes assertivas a respeito das exceções no processo do trabalho:
I- Apresentada exceção de incompetência abrir-se-á vista dos autos ao exceto,
por cinco dias improrrogáveis, devendo a decisão ser proferida na primeira
audiência ou sessão que se seguir.

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II- O parentesco por consangüinidade ou afinidade até o quarto grau civil do


juiz com relação à pessoa dos litigantes é causa de suspeição do juízo, que
poderá ser oposta através de exceção.
III- Nas causas da jurisdição da justiça do trabalho, somente as exceções de
suspeição ou incompetência acarretam a suspensão do feito.
De acordo com a Consolidação das Leis do Trabalho, está correto apenas o que
se afirma em:
a) I. b) I e II. c) I e III. d) II e III. e) III.

Comentários: A resposta é a letra “e”. I) (errada). Abrir-se-á vista dos autos


ao exceto por 24 horas, conforme estabelece o art. 800 da CLT.

Art. 800 da CLT - Apresentada a exceção de incompetência, abrir-


se-á vista dos autos ao exceto, por 24 (vinte e quatro) horas
improrrogáveis, devendo a decisão ser proferida na primeira audiência
ou sessão que se seguir.

II) (errada). O art. 801 da CLT fala terceiro grau e não quarto grau.

Art. 801 da CLT - O juiz, presidente ou juiz classista, é obrigado a dar-


se por suspeito, e pode ser recusado, por algum dos seguintes motivos,
em relação à pessoa dos litigantes: c) parentesco por consangüinidade
ou afinidade até o terceiro grau civil;

III) (certa). É o teor do art. 799 da CLT.

Art. 799 da CLT - Nas causas da jurisdição da Justiça do


Trabalho, somente podem ser opostas, com suspensão do feito, as
exceções de suspeição ou incompetência. § 1º - As demais exceções
serão alegadas como matéria de defesa. § 2º - Das decisões sobre
exceções de suspeição e incompetência, salvo, quanto a estas, se
terminativas do feito, não caberá recurso, podendo, no entanto, as
partes alegá-las novamente no recurso que couber da decisão final.

2. (FCC- Advogado - Nossa Caixa – 2011) Mirto, juiz de direito, indignado


com determinadas situações que estão ocorrendo na empresa Z, gostaria de
instaurar reclamação plúrima trabalhista. Porém, há um princípio que impede

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que o magistrado instaure de ofício o processo trabalhista. Trata-se


especificamente do princípio

(A) da imparcialidade do juiz.

(B) do devido processo legal.

(C) do contraditório.

(D) dispositivo.

(E) inquisitório.

Comentários: O Princípio da Imparcialidade do Juiz significa que na justa


composição do conflito de interesses entre as partes o juiz deverá ser imparcial
em seu julgamento. A Constituição Federal para efetivar esta imparcialidade
confere à magistratura (art. 95) garantias especiais.

O Princípio do Devido Processo Legal (art. 5º, LIV da CF/88) garante que
ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo
legal.

O Princípio do Contraditório (art. 5º, LV da CF/88) implica na bilateralidade de


ação e do processo. Assim, quando uma parte apresenta uma prova, a outra
parte poderá manifestar-se sobre a prova apresentada.

O Princípio Dispositivo ou da Demanda é, também, chamado de princípio da


inércia da jurisdição porque a parte interessada deverá provocar a tutela
jurisdicional quando sentir-se lesada ou ameaçada em relação a algum direito.

Assim, o juiz não poderá instaurar a ação de ofício, ou seja, ele deverá
ser provocado pelas partes.

Considero importante mencionar que este princípio está presente no


processo civil, porque a FCC, nas últimas provas, como vocês poderão observar
pelas questões aqui comentadas, abordou princípios do processo civil aplicáveis
ao processo do trabalho.

Art. 2º do CPC Nenhum juiz prestará a tutela jurisdicional senão quando a


parte ou o interessado a requerer, nos casos e forma legais.

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3. . (FCC – Analista Judiciário – Execução de Mandados -TRT 24ª Região


– 2011) Camila, advogada de Ana, pretende ajuizar reclamação trabalhista
cujo valor da causa é de R$ 17.000,00. Neste caso, em regra,

(A) Camila deverá arrolar previamente até duas testemunhas na petição inicial,
sob pena de preclusão.

(B) na data da audiência, Ana deverá trazer até três testemunhas,


independentemente de intimação.

(C) o pedido deverá ser certo e determinado, indicando o valor de R$


17.000,00.

(D) Camila poderá requerer a citação por edital se a empresa ré,


comprovadamente, possuir endereço incerto.

(E) Camila deverá arrolar previamente até três testemunhas na petição inicial,
sob pena de preclusão.

Comentários: Letra C. Trata-se de procedimento sumaríssimo. Neste tipo de


procedimento não haverá obrigatoriedade da parte arrolar testemunha.

Art. 852-A da CLT - Os dissídios individuais cujo valor não exceda


a quarenta vezes o salário mínimo vigente na data do ajuizamento da
reclamação ficam submetidos ao procedimento sumaríssimo.

Parágrafo único - Estão excluídas do procedimento sumaríssimo as


demandas em que é parte a Administração Pública direta, autárquica e
fundacional.

Cada parte somente poderá apresentar até duas testemunhas. Só haverá


intimação de testemunhas que comprovadamente convidada pela parte
não comparecer a audiência.

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Art. 852-H da CLT - Todas as provas serão produzidas na audiência de


instrução e julgamento, ainda que não requeridas previamente.

§ 2º - As testemunhas, até o máximo de duas para cada parte,


comparecerão à audiência de instrução e julgamento
independentemente de intimação.

A prova pericial somente será cabível quando a prova do fato a exigir ou


for legalmente imposta como por ex. o art. 195 CLT.
Prazo comum de cinco dias para manifestação sobre o laudo pericial.

4. (FCC – Analista Judiciário - Área Judiciária – TRT 20ª Região – 2011)


O princípio, que determina que o reclamado deverá alegar na contestação,
simultaneamente, as matérias relacionadas com as preliminares (art. 302 do
CPC), bem como as matérias relacionadas ao mérito em razão da possibilidade
das preliminares argüidas não serem acolhidas é especificamente o da

a) extrapetição

b) busca da verdade real

c) eventualidade

d) finalidade

e) estabilidade da lide.

Comentários: Letra C. O Princípio da Eventualidade está consagrado no art.


300 do CPC competindo ao réu alegar na contestação toda a matéria de defesa,
expondo as razões de fato e de direito com que impugna o pedido do autor e
especificando as provas que pretende produzir.

5. (FCC –Técnico Judiciário -– TRT 5ª Região – 2013) O processo do


trabalho admite a presença de reclamante e reclamado, atuando na primeira
instância

(A) pessoalmente, sendo facultada a constituição de advogados.

(B) somente através de advogados, porque foi revogado pela Constituição


Federal de 1988 o direito de reclamação diretamente pela parte.

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(C) pessoalmente, sendo vedada a constituição de advogados, por ofender o


princípio de acesso à Justiça.

(D) somente através de advogados ou de sindicatos, nos termos da norma


constitucional aplicável.

(E) pessoalmente, apenas para o reclamado, sendo obrigatória ao reclamante a


constituição de advogado.

Comentários: Letra A. Os empregados e os empregadores poderão reclamar


pessoalmente na Justiça do Trabalho e acompanhar as suas reclamações até o
final, conforme estabelece o art. 791 da CLT. Portanto, a letra “A” está correta.

DICA: A recente Súmula 425 do TST é tema certo de cair em prova. É


oportuno frisar, que somente no âmbito da Justiça do trabalho eles poderão
postular sem advogados (Varas de Trabalho e Tribunais Regionais do Trabalho).
Observem a súmula 425 do TST:

SÚMULA 425 do TST O Jus Postulandi das partes, estabelecido no art. 791 da
CLT, limita-se às Varas do Trabalho e aos Tribunais Regionais do Trabalho, não
alcançando a ação rescisória, a ação cautelar, o mandado de segurança e os
recursos de competência do Tribunal Superior do Trabalho.

6. (FCC- analista Judiciário – TRT 8ª Região – 2010) Messias, metalúrgico,


ajuizou reclamação trabalhista em face de sua ex-empregadora, a empresa X.
No dia da audiência Messias teve um problema estomacal e foi internado em
hospital. Sua irmã, preocupada com a audiência, levou toda a documentação
para seu amigo, o metalúrgico Sidnei. Neste caso, o comparecimento de Sidnei
na audiência com o atestado médico comprobatório da sua internação

(A) não evita o arquivamento da ação, tendo em vista que Sidnei não é
competente para representar Messias.

(B) evita o arquivamento da reclamação.

(C) evita o arquivamento da reclamação bastando que Sidnei apresente


procuração de Messias.

(D) evita o arquivamento da reclamação desde que Sidnei apresente procuração


de Messias e compareça com advogado legalmente habilitado.

(E) evita o arquivamento da reclamação, desde que compareça com advogado


legalmente habilitado, bem como com duas testemunhas que conheçam o fato.

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Comentários: Letra B. O art. 843, parágrafo 2º da CLT estabelece que por


doença, o empregado poderá fazer substituir-se por outro empregado que
pertença à mesma profissão.

DICA: O parágrafo segundo do artigo 843 da CLT foi cobrado pela FCC na
prova do TRT/Campinas.Este artigo fala da possibilidade do empregado poder
fazer-se substituir em audiência, quando por doença ou motivo poderoso não
puder comparecer. Neste caso, quem deverá substituí-lo será outro empregado
que pertença à mesma profissão ou o Sindicato.

Art. 843 da CLT Na audiência de julgamento deverão estar


presentes o reclamante e o reclamado, independentemente do
comparecimento de seus representantes salvo, nos casos de
Reclamatórias Plúrimas ou Ações de Cumprimento, quando os
empregados poderão fazer-se representar pelo Sindicato de sua
categoria.

§ 1º - É facultado ao empregador fazer-se substituir pelo gerente,


ou qualquer outro preposto que tenha conhecimento do fato, e cujas
declarações obrigarão o proponente.

§ 2º - Se por doença ou qualquer outro motivo poderoso,


devidamente comprovado, não for possível ao empregado
comparecer pessoalmente, poderá fazer-se representar por outro
empregado que pertença à mesma profissão, ou pelo seu sindicato.

7. (FCC /TRT-AL Técnico Judiciário – 2008) A ausência do reclamante,


quando adiada a instrução após contestada a ação em audiência,

(A) importará no arquivamento da reclamação, sendo que o reclamante poderá


ajuizar nova ação postulando verbas que não foram anteriormente postuladas.

(B) importará no arquivamento da reclamação, sendo que o reclamante poderá


ajuizar nova ação postulando as mesmas verbas anteriormente postuladas.

(C) importará no arquivamento da reclamação, sendo que o reclamante poderá


pedir o desarquivamento do processo e continuar com a reclamação.

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(D) não importa no arquivamento do processo tendo em vista que a ação já


tinha sido contestada.

(E) importará no reconhecimento da revelia, além de confissão quanto à


matéria de fato.

Comentários: Letra D. O processo não será arquivado uma vez que a ação já
foi contestada. Somente quando o reclamante for ausente à primeira audiência,
na qual a reclamada deveria apresentar a contestação é que o processo será
arquivado.

O art. 844 da CLT refere-se à 1ª audiência. Assim, a ausência do reclamante ou


do reclamado à 2ª audiência em que deveriam depor importará a aplicação da
pena de confissão.

Art. 844 da CLT - O não-comparecimento do reclamante à


audiência importa o arquivamento da reclamação, e o não-
comparecimento do reclamado importa revelia, além de confissão
quanto à matéria de fato.

Será aplicada a pena de confissão e não será arquivada a reclamação


trabalhista (Súmula 74 do TST).

8. (FCC /TRT-AL Técnico Judiciário – 2008) Maria ajuizou reclamação


trabalhista em face da empresa DEDE. João, proprietário da empresa,
cientificado da respectiva reclamação, contratou advogado na véspera da data
designada para a realização da audiência, em que será obedecido o
procedimento ordinário. O advogado advertiu João de que teria que apresentar
defesa oral em razão da proximidade da contratação. Neste caso, de acordo
com a CLT, o advogado

(A) não poderá apresentar defesa oral em razão do procedimento ordinário da


respectiva reclamação trabalhista.

(B) poderá apresentar defesa oral e terá o prazo de 20 minutos para aduzir sua
defesa.

(C) poderá apresentar defesa oral e terá o prazo de 10 minutos para aduzir sua
defesa.

(D) não poderá apresentar defesa oral por expressa disposição legal,
independentemente do procedimento adotado pela ação reclamatória.

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(E) poderá apresentar defesa oral e terá o prazo de 30 minutos para aduzir sua
defesa.

Comentários: Letra B. A contestação poderá ser apresentada escrita na


audiência de conciliação e julgamento ou verbal em 20 minutos.

Art. 847 da CLT - Não havendo acordo, o reclamado terá vinte


minutos para aduzir sua defesa, após a leitura da reclamação,
quando esta não for dispensada por ambas as partes.

9. (FCC/Técnico Judiciário/TRT-PB/2005) A reclamação trabalhista será


arquivada se o:

a) reclamado não comparecer para a audiência de tentativa de conciliação,


instrução e julgamento.
b) reclamado não comparecer à comissão de conciliação prévia.
c) empregado não comparecer à audiência de instrução do processo, adiada por
ausência de suas testemunhas, após a apresentação da defesa.
d) empregado não aceitar a proposta de conciliação formulada pelo juiz.
e) empregado não comparecer à audiência una.

Comentários: Letra E. A audiência possui três fases: conciliação, instrução e


julgamento. Diz-se que a audiência é una quando estas três fases ocorrem no
mesmo dia. A praxe trabalhista fraciona a audiência subdividindo as três fases
em dias distintos, fato não permitido no procedimento sumaríssimo que deverá
ter audiência una. Assim, o Reclamante que não comparecer à primeira
audiência (conciliação) quando fracionada ou à audiência una terá o processo
arquivado.
10. (FCC/Técnico Judiciário/TRT-PB/2005) Considera-se revel a
reclamada, quando não
a) comparece à audiência una.
b) apresenta advogado constituído para a sua defesa.
c) comparece à audiência de instrução, adiada por ausência de suas
testemunhas, após a apresentação da defesa.
d) apresenta proposta perante a comissão de conciliação prévia.
e) constitui preposto habilitado pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

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Comentários: Letra A. Conforme artigo 844 da CLT, o não-comparecimento do


reclamado acarretará a revelia e a confissão quanto à matéria de fato.

Art. 844 da CLT O não-comparecimento do reclamante à audiência


importa o arquivamento da reclamação, e o não-comparecimento do
reclamado importa revelia, além de confissão quanto à matéria de fato.
Parágrafo único – Ocorrendo, entretanto, motivo relevante, poderá o presidente
suspender o julgamento, designando nova audiência.

11. (FCC/Analista Judiciário- Execução de Mandados/ TRT-AM/ 2005)


As audiências são realizadas:
a) nos dias úteis entre 10 e 16 horas.
b) em dias úteis previamente fixados entre 8 e 18 horas.
c) de segunda a quinta entre 12 e 18 horas.
d) em qualquer dia da semana exceto aos domingos entre 8 e 18 horas.
e) em qualquer dia da semana entre 13 e 18 horas.

Comentários: Letra B.

Art. 813 da CLT As audiências dos órgãos da Justiça do Trabalho serão


públicas e realizar-se-ão na sede do Juízo ou Tribunal em dias úteis
previamente fixados, entre 8 (oito) e 18 (dezoito) horas, não
podendo ultrapassar 5 (cinco) horas seguidas, salvo quando houver
matéria urgente.

12. (FCC/TRT/17ª Analista judiciário/2004) O juiz deve propor a


conciliação

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a) somente na abertura da audiência de instrução e julgamento

b) depois de oferecida a defesa pelo réu e depois de encerrada a instrução


processual

c) na abertura da audiência de instrução e julgamento e antes de ser proferida


a decisão

d) antes de ser oferecida a defesa e antes de serem aduzidas as razões finais

e) depois de oferecida a defesa e antes de ser proferida a decisão.

Comentários: Correta a letra “c”. As duas propostas conciliatórias estão


previstas nos artigos 846 e 850 da CLT.

Art. 846 - Aberta a audiência, o juiz ou presidente proporá a conciliação.

Art. 850 - Terminada a instrução, poderão as partes aduzir razões


finais, em prazo não excedente de 10 (dez) minutos para cada
uma. Em seguida, o juiz ou presidente renovará a proposta de
conciliação, e não se realizando esta, será proferida a decisão.

13. (FCC – Analista Judiciário – Execução de Mandados -TRT 4ª Região


– 2011) A empresa X possui 3 empregados; a empresa Y possui 7 empregados
e a empresa Z possui 10 empregados. Em reclamação trabalhista relativa ao
pagamento de horas extras laboradas, não terá o ônus de provar as horas
trabalhadas com a apresentação do controle de frequência

a) a empresa Z, somente.

b) a empresa X, somente.

c) as empresas X e Y, somente.

d) as empresas Y e Z, somente.

e) as empresas X, Y e Z.

Comentários: Letra E. O art. 74 da CLT em seu parágrafo segundo estabelece


a obrigação de regime de ponto, com anotação de horário de entrada e de saída
dos empregados, para os estabelecimentos que possuem mais de dez
empregados.

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O entendimento sumulado do TST (Súmula 338) considera ser ônus do


empregador que conta com mais de 10 empregados a apresentação dos cartões
de ponto. Caso ele não apresente atrairá para si o ônus da prova das horas
extras. Como na situação hipotética da questão nenhuma das empresas possui
mais de dez empregados, elas não terão o ônus de provar as horas trabalhadas,
com a apresentação dos cartões de ponto.

Súmula 338 do TST I - É ônus do empregador que conta com mais de 10


(dez) empregados o registro da jornada de trabalho na forma do art. 74, § 2º,
da CLT. A não-apresentação injustificada dos controles de freqüência gera
presunção relativa de veracidade da jornada de trabalho, a qual pode ser elidida
por prova em contrário. II - A presunção de veracidade da jornada de trabalho,
ainda que prevista em instrumento normativo, pode ser elidida por prova em
contrário.

14. (Juiz do Trabalho – TRT 23ª Região- 2010) As partes serão inquiridas
pelo Juiz e, por seu intermédio, pelos seus representantes e advogados.

Comentários: CERTA (art. 820 da CLT). Trata-se do depoimento pessoal.


Sendo este o depoimento prestado por uma das partes em juízo. O objetivo de
colher o depoimento pessoal das partes é conseguir provocar a confissão e
esclarecer os fatos controvertidos, porém sem coerção.

Art. 820 da CLT - As partes e testemunhas serão inquiridas pelo juiz ou


presidente, podendo ser reinquiridas, por seu intermédio, a requerimento
das partes, seus representantes ou advogados.

O art. 848 da CLT estabelece que o juiz poderá, de ofício, interrogar as partes,
sendo uma faculdade portanto a oitiva do depoimento pessoal das partes
segundo a CLT.

Art. 342 do CPC O juiz pode de ofício, em qualquer estado do processo,


determinar o comparecimento pessoal das partes, a fim de interrogá-las
sobre os fatos da causa.

15. (FCC- Analista Judiciário – Execução de Mandados – TRT 15 região


– 2009) A prova pré-constituída nos autos

(A) não pode ser levada em conta para o confronto com a confissão ficta em
razão dôo princípio da verdade real aplicado no processo do trabalho.

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(B) não pode ser levada em conta para o confronto com a confissão ficta uma
vez que processualmente foram produzidas antes da ocorrência da confissão.

(C) pode ser levada em conta para o confronto com a confissão ficta, não
implicando cerceamento de defesa o indeferimento de provas posteriores.

(D) pode ser levada em conta para o confronto com a confissão ficta e o
indeferimento de provas posteriores implica o cerceamento de defesa.

(E) não pode ser levada em conta para o confronto com a confissão ficta uma
vez que esta confissão gera presunção absoluta da verdade dos fatos confessos.

Comentários: Letra C. As partes que deverão comparecer nesta audiência, sob


pena de confissão (Súmula 74 do TST).

Súmula 74 do TST II - A prova pré-constituída nos autos pode ser levada em


conta para confronto com a confissão ficta (art. 400, I, CPC), não implicando
cerceamento de defesa o indeferimento de provas posteriores.

16. (FCC/TRT-AL Técnico Judiciário – 2008) Considere:

I. Litispendência.

II. Conexão.

III. Exceção de incompetência relativa do juízo.

IV. Carência de Ação.

V. Exceção de suspeição.

NÃO deverão ser argüidas em contestação a objeções indicadas APENAS em;

(A) III e V.(B) I, II e III.(C) II e III.(D) I, II e V.(E) IV e V.

Comentários: Letra A. A Exceção de incompetência relativa do juízo e a


exceção de suspeição serão argüidas através da peça processual denominada
EXCEÇÃO.

Litispendência, conexão e carência de ação serão julgados na contestação,


conforme dispõe o art. 301 do CPC. Litispendência ocorrerá quando se reproduz
ação que está em curso. Carência de ação ocorrerá quando faltar para a parte
legitimidade, interesse processual ou possibilidade jurídica do pedido. Correta a
letra “A”.

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17. (FCC/TRT-SP/Técnico Judiciário - Área Administrativa/2008)


Quanto às partes e aos procuradores, é correto afirmar:

(A) O empregador que não puder comparecer à audiência de instrução e


julgamento poderá fazer-se representar por seu advogado, desde que este
esteja munido de procuração com poderes para tanto.

(B) O empregado que não puder comparecer à audiência de instrução e


julgamento por motivo de doença poderá fazer-se representar por sua esposa
ou pessoa da família.

(C) Em se tratando de reclamação plúrima, os empregados poderão fazer-se


representar na audiência de instrução e julgamento pelo sindicato de sua
categoria.

(D) A reclamação trabalhista do menor de 16 anos, na falta de seus


representantes legais, poderá ser feita por outro empregado maior que
pertença à mesma profissão.

(E) Sendo o reclamante empregado doméstico, a representação do empregador


só pode ser feita pelo proprietário do imóvel onde exerça suas funções.

Comentários: A) O erro desta assertiva é que o empregador deverá nomear


um preposto, o advogado não poderá exercer ao mesmo tempo as funções de
patrono e preposto. Neste caso o empregador seria considerado revel e
confesso quanto às matérias de fato.

B) Incorreta, uma vez que o empregado poderá ser representado por outro
empregado que pertença a mesma profissão ou pelo seu Sindicato.

Art. 843 da CLT § 2º - Se por doença ou qualquer outro motivo


poderoso, devidamente comprovado, não for possível ao empregado
comparecer pessoalmente, poderá fazer-se representar por outro
empregado que pertença à mesma profissão, ou pelo seu sindicato.

C) Correta a letra “C”. Os artigos 842 e 843 da CLT tratam da reclamação


plúrima.

Art. 842 da CLT - Sendo várias as reclamações e havendo identidade


de matéria, poderão ser acumuladas num só processo, se se tratar de
empregados da mesma empresa ou estabelecimento.

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Art. 843 da CLT Na audiência de julgamento deverão estar


presentes o reclamante e o reclamado, independentemente do
comparecimento de seus representantes salvo, nos casos de
Reclamatórias Plúrimas ou Ações de Cumprimento, quando os
empregados poderão fazer-se representar pelo Sindicato de sua
categoria.

D) Incorreta, pois neste caso a reclamação trabalhista poderá ser interposta


pelo Ministério Público do Trabalho, dentre outros conforme dispõe o art. 793
da CLT.

E) Incorreta. O empregador doméstico não precisará de preposto, ele mesmo


irá à audiência e este não precisa necessariamente ser o proprietário do imóvel,
bastando que seja o empregador, ou pessoa da família.

18. (FCC- Analista Judiciário – Execução de Mandados – TRT 9ª Região


– 2010) A respeito da revelia, é correto afirmar:

(A) Se, havendo pluralidade de réus, algum deles contestar a ação, reputar-se-
ão verdadeiros os fatos afirmados pelo autor para aqueles que não
apresentarem contestação.

(B) Se ocorrer a revelia, o autor não poderá alterar o pedido, mas poderá
alterar a causa de pedir, independentemente de nova citação.

(C) Contra o revel que não tenha patrono nos autos, os prazos correrão,
independentemente de intimação, a partir da publicação de cada ato decisório.

(D) O revel poderá intervir no processo em qualquer fase, sendo-lhe lícito


apresentar contestação, ainda que fora do prazo legal.

(E) Se ocorrer a revelia, o autor poderá demandar declaração incidente,


independentemente de nova citação.

Comentários: Letra C. O erro da letra “A” é que o art. 320 do CPC estabelece
que a revelia não irá induzir o efeito de presunção de veracidade dos fatos
afirmados pelo autor quando havendo pluralidade de réus algum deles contestar
a ação.

O art. 321 do CPC estabelece que quando ocorrer a revelia o autor não poderá
alterar o pedido ou a causa de pedir, nem demandar declaração incidente, salvo
se promover nova citação do réu. Portanto, erradas ass assertiva da letra “B” e

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“E”. O erro da letra “D” é que a revelia é a ausência de contestação. Portanto, o


revel não poderá apresentar contestação, o art. 322 do CPC menciona que ele
intervirá em qualquer fase do processo, recebendo-o no estado em que se
encontra.

19. (Juiz do Trabalho – TRT 23ª Região- 2010) A respeito do ônus da


prova, observando-se os posicionamentos jurisprudenciais majoritários, assinale
a alternativa correta:

I) Com relação às empresas que possuem mais de dez empregados, a não


apresentação injustificada dos controles de freqüência gera presunção relativa
de veracidade da jornada de trabalho, a qual pode ser elidida por prova em
contrário.

II) O ônus de provar a data do término do contrato laboral pertence ao


empregado, se negado o despedimento, considerando-se a regra de que o “a
prova das alegações incumbe à parte que as fizer”.

III) É do empregador o ônus da prova do fato impeditivo, modificativo ou


extintivo da equiparação salarial.

IV) As anotações na carteira profissional do empregado, quando apostas pelo


empregador geram presunção “juris et de jure”.

V) Os cartões de ponto que demonstram horários de entrada e saída uniforme


são inválidos como meio de prova, invertendo-se o ônus da prova, relativo às
horas extras, que passa a ser do empregador, prevalecendo a jornada da inicial
se dele não se desincumbir.

a) Todas as alternativas são corretas;

b) Somente uma alternativa é verdadeira;

c) Somente duas alternativas são verdadeiras;

d) Somente três alternativas são verdadeiras;

e) Somente quatro alternativas são verdadeiras.

Comentários: Letra D. As assertivas II e IV estão incorretas.

Observem os dispositivos jurisprudenciais:

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Súmula 212 do TST - DESPEDIMENTO. ÔNUS DA PROVA O ônus de provar o


término do contrato de trabalho, quando negados a prestação de serviço e o
despedimento, é do empregador, pois o princípio da continuidade da relação de
emprego constitui presunção favorável ao empregado.

A Súmula 12 do TST refere-se à presunção relativa (juris tantum) de veracidade


que tem as anotações feitas pelo empregador na CTPS do empregado, portanto,
poderão ser elididas por outras provas.

Súmula 12 do TST - CARTEIRA PROFISSIONAL - As anotações apostas pelo


empregador na carteira profissional do empregado não geram presunção "juris
et de jure", mas apenas "juris tantum".

Súmula 225 do STF – Não é absoluto o valor probatório das anotações na


carteira profissional.

Súmula 06 do TST EQUIPARAÇÃO SALARIAL. ART. 461 DA CLT. VIII - É do


empregador o ônus da prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo da
equiparação salarial.

A Súmula 338 do TST admite a inversão do ônus da prova no processo do


trabalho no que se refere aos pedidos de horas extras, quando a empresa
contar com mais de 10 empregados e negar-se a apresentar os controles de
freqüência injustificadamente.

Súmula 338 do TST

I - É ônus do empregador que conta com mais de 10 (dez) empregados o


registro da jornada de trabalho na forma do art. 74, § 2º, da CLT. A não-
apresentação injustificada dos controles de freqüência gera presunção relativa
de veracidade da jornada de trabalho, a qual pode ser elidida por prova em
contrário.

II - A presunção de veracidade da jornada de trabalho, ainda que prevista em


instrumento normativo, pode ser elidida por prova em contrário.

20. (FCC- Analista Judiciário – Área Judiciária – TRT 20ª Região - 2006)
De acordo com a Consolidação das Leis do Trabalho, o Procedimento
Sumaríssimo

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(A) poderá ser aplicado nas demandas em que é parte a Administração Pública
autárquica e fundacional.

(B) será aplicado nos dissídios individuais cujo valor não exceda a sessenta
vezes o salário mínimo vigente na data do ajuizamento da reclamação.

(C) será aplicado nos dissídios individuais cujo valor não exceda a vinte vezes o
salário mínimo vigente na data do ajuizamento da reclamação.

(D) terá todas as provas produzidas na audiência de instrução e julgamento,


ainda que não requeridas previamente.

(E) permite às partes arrolarem até no máximo 3 testemunhas cada, as quais


comparecerão à audiência de instrução e julgamento independentemente de
intimação.

Comentários: Letra D. O art. 852- H da CLT estabelece que todas as provas


serão produzidas na audiência de instrução e julgamento, ainda que não
requeridas previamente.

Vamos relembrar as principais características deste tipo de procedimento!

Não poderá ser aplicado o procedimento sumaríssimo nas causas em que


figuram os órgãos da administração direta, autárquica e fundacional.
(Pessoas jurídicas de direito público)
Aplica-se o procedimento sumaríssimo às empresas públicas e sociedades
de economia mista. (Pessoas jurídicas de direito privado).
As ações submetidas ao procedimento sumaríssimo deverão ser
apreciadas num prazo máximo de 15 dias do seu ajuizamento.
O processo submetido ao procedimento sumaríssimo deverá ser instruído
e julgado em audiência única, exceto se a critério do juiz for impossível
não interromper a audiência quando a parte contrária tiver que
manifestar-se sobre documentos juntados pela outra parte.
O Procedimento sumaríssimo somente terá lugar nas ações trabalhistas
individuais, cujo valor da causa seja inferior a 40 salários mínimos.
Nas ações enquadradas no procedimento sumaríssimo o pedido deverá
ser certo ou determinado indicando o valor correspondente.
Não se fará citação por edital nas ações submetidas ao procedimento
sumaríssimo.
O autor deverá indicar corretamente o nome e endereço do reclamado.
Todos os incidentes e exceções que puderem interferir no prosseguimento
das audiências e do processo deverão ser decididos de plano.

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Cada parte somente poderá apresentar até duas testemunhas. Só haverá


intimação de testemunhas que comprovadamente convidada pela parte
não comparecer a audiência.
A prova pericial somente será cabível quando a prova do fato a exigir ou
for legalmente imposta como por ex. o art. 195 CLT.
O juiz é dispensado de fazer o relatório nas sentenças sujeitas ao
procedimento sumaríssimo.
Solução imediata de incidentes e exceções que interfiram no
prosseguimento do processo.

21. (FCC – Técnico judiciário – Área Administrativa – TRT 24ª


Região/2011) De acordo com a Consolidação das Leis do Trabalho ficam
submetidos ao procedimento sumaríssimo os dissídios individuais cujo valor não
exceda a

a) quarenta vezes o salário mínimo vigente na data do ajuizamento da


reclamação.

b) quarenta vezes o salário mínimo vigente na data da extinção do contrato de


trabalho.

c) vinte vezes o salário mínimo vigente na data do ajuizamento da reclamação.

d) vinte vezes o salário mínimo vigente na data da extinção do contrato de


trabalho.

e) sessenta vezes o salário mínimo vigente na data do ajuizamento da


reclamação.

Comentários: Letra A (art. 852-A da CLT).

Art. 852-A da CLT - Os dissídios individuais cujo valor não exceda


a quarenta vezes o salário mínimo vigente na data do ajuizamento da

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reclamação ficam submetidos ao procedimento sumaríssimo. Parágrafo


único - Estão excluídas do procedimento sumaríssimo as demandas em
que é parte a Administração Pública direta, autárquica e fundacional.

Bem, chegamos ao final desta aula.

Nas próximas aulas estudaremos:

Aula 05: Da execução: da citação; do depósito da condenação e da nomeação


de bens; do mandado e penhora. Dos embargos à execução. Da praça e leilão;
da arrematação; da remição; das custas na execução. Execução contra fazenda
pública.

Aula 06: Dos recursos no processo do trabalho.

Aula 07: Processo Judicial Eletrônico: Resolução CSJT nº 136/2014.


Provimento CGJT nº 3, de 20 de agosto de 2014.

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Aguardo vocês para a próxima aula.

Bons estudos.

Um forte abraço a todos,

Déborah Paiva

deborah@pontodosconcursos.com.br

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