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GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL

PROCURADORIA-GERAL DO DISTRITO FEDERAL


Procuradoria Fiscal

EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) JUIZ(A) DE DIREITO DA VARA DE


EXECUÇÃO FISCAL DO DISTRITO FEDERAL

Execução Fiscal nº. 2011.01.1.130588-7

O DISTRITO FEDERAL (FAZENDA PÚBLICA), já devidamente qualificado nos


autos da execução fiscal em epígrafe, ajuizada em desfavor de ROBERTO LEÃO
REDONDO, vem, em atenção à decisão retro, apresentar

IMPUGNAÇÃO À EXCEÇÃO DE PRÉ- EXECUTIVIDADE

Conforme fundamentos fáticos e jurídicos expostos a seguir.

I - SÍNTESE DA DEMANDA

Cuida-se de execução fiscal na qual se busca o pagamento de créditos


tributários relativos a IPTU e TLP, referentes a fatos geradores ocorridos no exercício de 2008
a 2010.

Reagindo contra a execução, a executada apresentou exceção de pré-


executividade na qual alega, em síntese, a nulidade de citação por edital, a prescrição da
pretensão executória, em face da pretendida nulidade da citação, e requer a suspensão do
processo.

O Distrito Federal foi intimado a manifestar-se a respeito da insurgência da


excipiente.

Todavia, consoante se passa a expor, nenhum dos argumentos expostos


merece prosperar.

II - AUSÊNCIA DE CITAÇÃO POR EDITAL. CITAÇÃO POSTAL COM AVISO DE


RECEBIMENTO. PRESCRIÇÃO NÃO CONFIGURADA.

Em sede de exceção de pré-executividade, a excipiente insurge-se contra


suposta citação por edital, arguindo sua nulidade.

Esclarece o Distrito Federal que o argumento é absolutamente frágil e sem


apoio fático.
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Não houve citação por edital no processo em epígrafe.

Em 12.1.2012, foi determinada a citação do executado. Tal diligência foi


regularmente cumprida, conforme atesta o aviso de recebimento devidamente cumprido e
acostado à fl. 8 dos autos.

Assim sendo, resta claro que ocorreu a citação válida do executado.

Ademais, cabe destacar que o fato de a assinatura do AR não ser do(s)


corresponsável(eis) não invalida a citação, uma vez que a jurisprudência pátria é firme no
sentido de se admitir o recebimento da carta registrada por terceira pessoa, quando
enviada para o endereço correto, fornecido no momento do cadastro fiscal. Registre-se
que essa é exatamente a hipótese dos autos.

Registre-se ainda que a o AR foi subscrito pela senhora Arlete Maria


Redondo, que ostenta o mesmo sobrenome do executado e é sua esposa, conforme se depreende
das fls. 8, 19 e 67.

Com efeito, a legislação aplicável à matéria, a saber, o Código Tributário


Nacional e a Lei de Execução Fiscal, foram devidamente respeitados.

Exatamente nesse sentido vale conferir, v.g., os seguintes arestos, que


retratam o entendimento do Superior Tribunal de Justiça a respeito da quaestio:

“PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. CITAÇÃO POSTAL. ENTREGA


DO MANDADO NO DOMICÍLIO DO DEVEDOR. VALIDADE DA CITAÇÃO,
AINDA QUE O AVISO DE RECEBIMENTO SEJA ASSINADO POR
TERCEIRA PESSOA. PRECEDENTES. AGRAVO REGIMENTAL
DESPROVIDO.” (g.n.)
AgRg no REsp 1192890 / RR, Relator Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ-e
29/11/2011
“AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL.
PRESCRIÇÃO. INTERRUPÇÃO. CITAÇÃO POSTAL. ENTREGA NO
ENDEREÇO DO EXECUTADO, MESMO QUE RECEBIDA POR TERCEIRO.
VALIDADE DA CITAÇÃO. EQUIPARAÇÃO À CITAÇÃO PESSOAL.
PRECEDENTES.
- A jurisprudência desta Corte é firme no sentido da validade da
citação postal, com aviso de recebimento e entregue no endereço correto do
executado, mesmo que recebida por terceiros. Também é pacífico o entendimento de
que "a citação postal equivale à citação pessoal para o efeito de interromper o curso
do prazo prescricional".
Agravo regimental improvido.” (g.n.)
AgRg no REsp 1227958 / RS, Rel. Min. CESAR ASFOR ROCHA, DJe 07/06/2011

PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO


RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO. CITAÇÃO POSTAL. ENTREGA NO

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“DOMICÍLIO DO EXECUTADO. RECEBIMENTO POR PESSOA DIVERSA.


INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO. VALIDADE. PRECEDENTES.
1. Trata-se a controvérsia à possibilidade de interrupção da prescrição por meio de
citação via postal recebida por terceiros.
2. A jurisprudência do Superior Tribunal é no sentido de que a Lei
de Execução Fiscal traz regra específica sobre a questão no art. 8º, II, que não exige
seja a correspondência entregue ao seu destinatário, bastando que o seja no
respectivo endereço do devedor, mesmo que recebida por pessoa diversa, pois,
presume-se que o destinatário será comunicado.
3. Agravo regimental não provido.” (g.n.)
AgRg no REsp 1178129 / MG, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, DJe
20/08/2010

Frise-se ainda que o objetivo de lhe dar ciência da execução foi alcançado.

Diante do exposto, resta claro que não merece prosperar a alegação da


excipiente, em sede de exceção de pré-executividade, quanto à ocorrência de nulidade de
citação por edital, sequer promovida no processo em epígrafe.

Consequentemente, não prospera a preliminar de prescrição, a qual se


centrara na arguida nulidade de citação por edital.

A presente execução fiscal foi ajuizada em 19.7.2011, dentro do prazo


prescricional quinquenal, a contar da constituição definitiva do crédito, sendo a mais antiga
datada de fevereiro/2008.

A propósito, convém referir que o juiz ordenou a citação do executado


por despacho proferido em 12.1.2012, o mandado de citação foi confeccionado em 13.3.2014 e
a parte executada foi citada em março/2015.

O Distrito Federal, por óbvio, nada poderia ter feito para apressar tal distribuição,
ato de competência da estrutura judiciária.

No mais, o retardamento da citação da devedora ocorre por deficiência do


aparato jurisdicional, sendo a espécie regida pela Súmula 106 do STJ.

Vale recordar, ainda, que, quando do julgamento do REsp 1.120.295/SP,


representativo de controvérsia (Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 21.5.2010), o STJ definiu que a
prescrição não pode ser aferida, friamente, a partir apenas do exame dos marcos interruptivos.

Deve-se, ao contrário, tomar em conta se o fator decisivo para o


retardamento dos atos do processo de execução deriva de falha do aparato jurisdicional,
precisamente o que ocorreu na espécie.

Naquela oportunidade, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça


assentou ser incoerente, ainda, a interpretação segundo a qual o fluxo do prazo prescricional
continua a fluir desde a constituição definitiva do crédito tributário até a data em que se der o
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despacho ordenador da citação do devedor (ou até a data em que se der a citação válida do
devedor, consoante a anterior redação do inciso I do parágrafo único do artigo 174 do CTN).

Tal incoerência dá-se porque o exercício do direito de ação pelo Fisco, por
intermédio de ajuizamento da execução fiscal, conjura a alegação de inação do credor.

Ora, como a prescrição decorre da inércia do credor, o exercício do direito de


ação necessariamente a afasta. É exatamente por isso que o art. 240, § 1º, do Código de Processo
Civil (com redação idêntica ao antigo artigo 219 §1º do CPC/73) e o art. 174 do CTN, com as
alterações promovidas pela LC 118/2005, estabelecem que a interrupção da prescrição retroage
à data da propositura da ação.

Desse modo, não se vislumbra a ocorrência de prescrição, revestindo-se de


absoluta higidez a cobrança ora em curso.

Outrossim, razoável duração do processo não é óbice ao regular


prosseguimento de execução fiscal, mormente quando intentada dentro do lapso prescricional.

Não possui respaldo legal o pedido de concessão da justiça gratuita,


porquanto o executado tem imóvel em área nobre de Brasília e meios para arcar com as despesas
processuais sem prejuízo de seu sustento e de sua família.

III - IMPOSSIBILIDADE DE CONCESSÃO DE EFEITO SUSPENSIVO À EXCEÇÃO


DE PRÉ-EXECUTIVIDADE. PERIGO DE DANO IRREPARÁVEL OU DE DIFÍCIL
REPARAÇÃO NÃO COMPROVADO

Igualmente, não se justifica o pretendido efeito suspensivo em caso de eventual


perigo de dano irreparável ou de difícil reparação em sede de exceção de pré-executividade, eis
que tal efeito sempre deriva de previsão legal, inexistente, na espécie.

Isso porque, embora a matéria ainda não tenha alcançado a almejada pacificação
na doutrina e jurisprudência pátrias, tem sido adotado o entendimento de ser possível a
concessão de efeito suspensivo à exceção de pré-executividade quando verificada a
relevância da fundamentação e o perigo de dano grave e de difícil ou incerta reparação, à
semelhança do que ocorre com os embargos à execução, nos termos do art. 919-A, §1º, do
Código de Processo Civil.

Todavia, na hipótese dos autos, o excipiente não demonstrou em concreto os


danos que poderia sofrer em decorrência da constrição de seus bens.

Falta igualmente relevância à fundamentação apresentada. A inscrição em dívida


ativa e cobrança por meio de execução fiscal são consectários naturais da inadimplência de
crédito tributário em que figura como sujeito passivo.

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A parte excipiente não trouxe nenhuma prova documental, o que evidencia o


propósito de procrastinar a satisfação de crédito tributário.

O bloqueio de valores ou a penhora de bens, por si sós, não têm o condão de


acarretar perigo de dano grave ou de difícil ou incerta reparação, principalmente porque a
decisão definitiva sobre o mérito da exceção de pré-executividade deverá preceder
qualquer medida expropriatória.

Ademais, cumpre registrar que a mera oposição da exceção de pré-executividade


não tem o condão de suspender o curso do processo executório.

Por fim, cumpre destacar que a dívida ativa regularmente inscrita goza de
presunção de certeza e liquidez, o que impõe ao executado trazer os elementos necessários para
desconstituí-la.

Isso não se verifica na espécie, porém, restando hígida a certidão.

Por todos os fundamentos já expostos, é manifestamente incabível o pedido de


condenação do Distrito Federal em honorários, sobretudo, no caso em epígrafe, em que as
alegações da parte excipiente se revelam manifestamente infundadas, o que evidencia o
propósito de apenas postergar o curso do processo de execução fiscal e impedir a satisfação do
crédito de que é sujeito passivo.

Pondere-se que a exceção de pré-executividade é meio reconhecidamente válido


de defesa do executado, no entanto, não pode ser desvirtuada, em abuso de direito, como
instrumento para protelar o curso da execução fiscal, sem apoio em nenhuma prova documental.

Nesse contexto, e sendo certo que não restou demonstrada, de plano, causa que
leve à extinção do executivo e, ainda, diante da inexistência dos pressupostos necessários à
concessão de efeito suspensivo à exceção de pré-executividade, impõe-se o indeferimento de
todos os pleitos formulados pela parte excipiente.

IV - PEDIDO

Diante do exposto, a Fazenda Pública roga seja rejeitada a exceção de pré-


executividade e reitera pedido de penhora do imóvel lote n. 07 da QI 10/31 do SHI/SUL, de
matrícula n. 45.757 junto ao 1.º Ofício de Registro de Imóveis do Distrito Federal, de
propriedade da parte executada, conforme certidão de matrícula às fls. 18/21, já formulado à fl.
13.

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Postula ainda a averbação da penhora no Cartório do 1.º Ofício de Registro


Imobiliário do Distrito Federal, por meio eletrônico, conforme autoriza o art. 837 do CPC de
2015.

Termos em que pede deferimento.

Brasília, 26 de fevereiro de 2019.

TASSIANA ARAUJO TENORIO


Procuradora do Distrito Federal
OAB/DF 29.126

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