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Sociologia do Planeamento

15-02-2019
O motor do planeamento são os valores, estes são tratados de uma forma racional. O
planeamento é mais próximo do direito, enfermagem, medicina do que propriamente das
ciências sociais, da sociologia, da psicologia, da linguística.
O que distingue o planeamento dos processos - fazer o plano e executá-lo.

A questão da identidade profissional dos sociólogos

A sociologia em Portugal: após o 25 de abril. Durante o Estado Novo a sociologia era


suspeita porque colocava em causa a ideologia do Estado Novo. A sociologia quando
Se cria em Portugal, implementa-se nas universidades públicas, em Aveiro, Beira Interior,
ISCTE.

Quando a sociologia implementa-se no país, encontramos um número reduzido de


sociólogos, depois criaram-se tempos depois o curso de sociologia.

A maior parte dos sociólogos são professores universitários, começando a aparecer os


cursos de sociologia. A maior parte de licenciados de sociologia, são professores do
ensino secundário e universitário.

Em 2005, a APS defende a profissão dos sociólogos. A APS está organizada em secções
q têm determinadas atividades.

Sociologia dividida em duas partes: a sociologia enquanto ciência e a sociologia enquanto


profissão.
A partir de 2004 começa a haver uma maioria de sociólogos profissionais.

A sociologia é um curso de banda larga, a base é a cultura científica para poder ser
sociólogo profissional que irá permitir poder encaixar em muitas coisas. Por outro lado,
há algumas disciplinas que ajudam a criar a identidade profissional, é o caso de sociologia
do planeamento.

Isabel Guerra- os métodos e técnicas são insuficientes para o trabalho profissional.

Dos poucos métodos que ajudam o sociólogo a construir a profissão de sociólogo,


encontra-se a investigação-ação – em regra é utlizada em intervenção social.

Primeira constatação (investigação-ação): é por um lado uma forma de fazer as coisas


que está em interface entre investigação ação e intervenção social, como planeamento.

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Isabel Guerra – “O planeamento em Ciências Sociais é uma metodologia de
investigação-ação que associa ao ato de conhecer a intenção de provocar mudança social.”
(Guerra, 2000: 52). O próprio planeamento é uma forma de fazer investigação-ação.

1.2. Questões preliminares e epistemológicas sobre a investigação-ação


A investigação remete-nos para a rutura epistemológica, para trabalhos de cariz científico.
Muitas vezes as visões do senso comum são visões distorcidas da realidade. Em regra as
visões do senso comum são construídas com base em valores, em preconceitos e
distorcem. Por vezes em contraste, a investigação e ação remete-nos para a mudança
social desejada, e essa desejabilidade é construída com base em valores.
Separar a investigação da ação – o problema é a contaminação que os valores da ação
podem ter na investigação.

O problema é a “contaminação” da componente investigação com os valores e


preconceitos estão na base da ação sem reflexão.
A investigação ação procura conciliar duas coisas que não são conciliáveis.

Solução para esta contradição: é contestável; Esta solução assenta na ideia do comando
da teoria – o que aqui está em jogo a forma como construímos os problemas sociais e
para conseguirmos avançar temos que refletir um bocado sobre um problema social:
construção social, coletiva.

Os problemas sociais não existem em si, existem porque resultam de construções dos
indivíduos, não são naturais, são resultado de lutas coletivas por definição das situações.
Nesse sentido, muitas vezes são inconscientes e arbitrários, a sua construção é feita com
base em valores, construções, portanto os problemas sociais são parte do senso comum,
para a ciência são fracos instrumentos de construção da realidade.

Para intervimos na realidade, é problemática basearmos em problemas sociais, por


exemplo: insucesso escolar – quando olhamos para esse problema, vemos as crianças que
perdem o primeiro ano e dos jovens q perdem o ano, portanto para resolver esse problema;
o cerne do problema está no cerne dos professores e da escola.
A visão do senso comum é distorcida da realidade.

Um problema social têm determinadas caraterísticas, são fracas formas de fundamentar a


ação.

O comando da teoria significa usar atores científicos e problematizar os conceitos que


vamos utilizar.

Questão central da investigação-ação: quando fazemos o procedimento começamos


pela investigação, isso implica proceder à desconstrução do problema social que nos é
dado, problema social é o senso comum, vamos pegar nesses estudos, reflexões teóricas
sando como barreira epistemológica.

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Problema sociológico vs problema social
Problemática vs problema

Rutura epistemológica, conceptual = remete-nos para desconstrução dos problemas


sociais.

A investigação-ação consiste em primeiro lugar na mobilização de conceitos e teorias das


ciências sociais respeitante ao problema social sobre o qual queremos agir.

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Investigação-ação: produzir uma rutura com os valores, por outro lado temos uma ação
cujo motor são os valores.
Comando da teoria: o que está em causa em primeiro lugar é o comando da reflexão.

Desconstruir os prolemas sociais – não são bons pontos de partida para fazer a intervenção
social, investigação, porque são representações do senso comum. Refletir o problema
social e desconstruir.

Problemática sociológica, depois de já sabermos o que vamos trabalhar, já estamos


prontos a realizar a ação, depois de termos produzido essa desconstrução do problema
social e da problemática sociológica estamos em condições de fazer a construção e a
execução da ação.
Investigação-ação não consiste na realização sequencial, na investigação e na ação.

Se a investigação ação não é isto, o que torna a investigação-ação? Tem a ver com o
vai e vem das investigação e da ação, a investigação vai fundamentar a ação a sua
construção e solução, também é verdade que os resultados da experiencia da ação vão
influenciar a investigação.

Investigação-ação- significa, pois, em primeiro lugar, a mobilização dos conceitos e


teorias das ciências sociais para a produção de conhecimento respeitante ao problema
social sobre o qual pretendemos agir.

A investigação-ação não se esgota da ideia do vai e vem. Uma das coisas que define a
investigação ação – o envolvimento dos indivíduos no problema social que se quer
modificar – indivíduos afetados pelo problema social. Para que se possa falar em
investigação-ação no minino é preciso é envolve-los na construção da ação. E algumas
formulações estes são envolvidos na produção da própria investigação.

Sociologia profissional: mobilização das teorias; é uma tecnologia social – não é ciência,
é profissão, e uma tecnologia social é um campo da ação profissional que mobiliza os
autores, os conhecimentos e os métodos da sociologia científica para transformar a

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realidade em função de valores que são exteriores ao processo científico. Não há
sociologia profissional sem ciência.
Refletir sobre aquilo, olhar para o problema com desconfiança.

Existem outras formulações da investigação ação – Isabel Guerra e Alcides


Monteiro, a proposta delas difere a proposta anterior; parte da ação para a investigação,
trata-se de uma proposta indutiva por oposição aquela, é uma proposta dedutiva.

Envolvimento do individuo no problema social – riscos:


Muitas vezes o ponto de vista dos atores que tem o problema social q pretendemos
resolver é limitado em especial é com frequência muito centrado na sua experiência
pessoal, com frequência estes indivíduos ignoram os fatores contextuais.

A perspetiva da investigação-ação não obstante a este risco, excluir os indivíduos da


investigação e da ação, empobrece a investigação e a ação. Para além da mais-valia que
é trazer a experiencia dos indivíduos para o nosso trabalho a participação dos indivíduos
é o principal ingrediente para a adesão desses nos objetivos da investigação ação. O
envolvimento é central para que haja um resultado eficaz – fins e objetivos da
investigação-ação.

22-02-2019
A adesão:
- Quando estamos a fazer um projeto: ou fazemos um projeto para as pessoas ou com as
pessoas, investigação-ação: fazer com as pessoas, fazer com que as pessoas participam
na ação.
- Fazer um projeto para as pessoas ajuda a persuadir as pessoas;

Quando fazemos algo com as pessoas, estamos a suscitar a adesão das pessoas, estamos
a envolver as pessoas, a adesão implica o envolvimento das pessoas. Quando elas são
membros da construção do projeto

O primeiro requisito para essa modificação é a vontade da pessoa para mudar o


comportamento, e essa vontade só se consegue com a adesão das pessoas.

A investigação-ação: há o envolvimento das pessoas da construção do todo o processo de


toda a investigação-ação – sendo importante para as pessoas mudarem o se
comportamento. Faz parte do código genético da investigação-ação.

Isabel Guerra:
É verdadeiramente uma necessidade para conseguirmos levarmos o projeto a bom porto.

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Quais as vantagens da participação dos indivíduos nos processos de revolução dos
seus próprios problemas:

- Tem a ver com uma ideia: os ganhos q se obtêm não são só ganhos para o proveito, o
processo de participação têm efeito na formação da pessoa, é uma formação em
aprendizagem da reflexão pessoal e de autonomia – tornam-se mais autónomos. Isto
permite que as pessoas se conhecem melhor e que desenvolvam uma vida mais crítica,
mais autónoma, que conheça mais os seus limites para os superar.
3ª – Questão ideológica: esses processos envolvem um processo democrático.

Avaliação dos resultados:


O facto da investigação-ação se fazer em vai e vem permite uma avaliação durante a
execução do projeto e que por sua vez permite o aperfeiçoamento do projeto enquanto
decorre, ou seja, a investigação – ação é forte na produção de uma avaliação que permite
modificar o projeto na sua decorrência.

Investigação-ação - centrada na análise dos profissionais


Quando nós começamos a investigação-ação começamos com o problema social q nos é
dado. Primeiramente, mobilizamos os instrumentos das ciências sociais em ordem para
melhor compreender o problema – rutura epistemológica, construção do problema
sociológico. Partimos para o terreno onde discutimos o problema com os destinatários do
nosso projeto, construindo com eles as ações. Isto permite-nos reformular a investigação
inicial obtendo uma visão mais correta da realidade. Este processo só termina com a
conclusão do projeto.

1.3. Investigação-ação em Isabel Guerra – abordagem indutiva


Razões que levam a autora a não aceitar uma definição:
Primeira questão: a definição da investigação-ação – não é possível uma definição,
porque é uma técnica que não muito usada – desvalorização da investigação-ação, não há
grande adesão no campo académico de sociologia.

Segundo aspeto: profundamente polissémica – tem mais que um significado, pluralidade


de sentidos. É uma técnica que é bastante polissémica, porque há muitas variantes de
natureza epistemológica, teórica e metodológica.

Terceiro aspeto: É algo que permite como processo, permite produzir conhecimentos
sobre a realidade, permite inovar no tratamento de cada caso, permite produzir mudanças
sociais e permite formar os intervenientes.

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Guerra recusa a definição de investigação-ação:
Tem a ver com questões que são relevantes na investigação-ação, ou seja, não há uma
definição mas há questões q são estruturantes na investigação-ação.
a) É um processo partilhado entre investigadores e atores em que se procura,
simultaneamente, solucionar um problema dos atores e enriquecer o
conhecimento dos investigadores.

b) Implica que a rutura epistemológica não se faça de forma tradicional pelo


distanciamento do objeto, mas através da participação no grupo de atores com o
problema a trabalhar, concretamente através da colocação em confronto das
diferentes lógicas de ação emanadas de diferentes atores.

26-02-2019
Abordar investigação-ação do ponto vista profissional – porque não vamos ser
investigadores.
Investigação-ação – intervenção social.
Os profissionais resolvem problemas sociais, resolvem os problemas que lhes são dados.
O objeto dos investigadores é enriquecer o conhecimento.

B) Rutura epistemológica: pelo envolvimento dos atores na produção, na definição do


problema sociológico. Através do envolvimento dos atores e o confronto entre lógicas de
ação distintas entre diferentes tipos de atores.

o É um processo que está presente ao longo de toda a intervenção técnica,


o Os atores são sujeitos da produção da intervenção técnica, isto é,
participam ativamente – sujeitos ativos.
o O ponto de partida é o problema dos atores;
o O seu objetivo não é conhecer a realidade, mas resolver problemas
concretos.
o O objetivo técnico não é conhecer a realidade, mas coadjuvar os atores na
resolução dos seus problemas.

 A investigação ação distancia a investigação dos processos tradicionais de


fazer ciência: (Isabel Guerra)

O método dedutivo tem grandes vantagens – é dedutiva porque parte


de deduções.

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o O método dedutivo-hipotético é considerado demasiado reducionista:
baseia-se na redução da complexidade do real a número manejável de
hipóteses, conceitos e variáveis de forma a controlar a dinâmica da
investigação. Esta forma de organizar a busca de conhecimento, é ao
mesmo tempo uma força e uma fraqueza, é uma força porque permite
reduzir a complexidade social a algo que seja compreensível, a realidade
social é demasiado complexa para nós compreendermos, e uma forma de
lidarmos com essa complexidade é reduzi-la.

Desvantagens:
o O método hipotético-dedutivo só encontra na realidade o que está no
modelo, o que não está no modelo não é encontrável.
o Existem caraterísticas na sociedade que não são percetíveis na análise de
elementos individuais – o todo não é redutível às suas partes. O método
vai analisar as partes, mas há cosias que não analisáveis na análise das
partes.
o O real é um conjunto de subsistemas interativos que não são inteiramente
dependentes dos seus elementos constitutivos.
o A dimensão coletiva das práticas não é encontrável nas práticas concretas.
o Os efeitos conjugados das ações, interações dos indivíduos constituem
sistemas sociais que não são redutíveis às ações individuais.

 Método indutivo: parte do terreno, e é partir do terreno que se vai construir o


conhecimento teórico. Tem a facilidade de se perceber a complexidade do real e
de se evitar a armadilha de deixar coisas importantes de fora, porque não estão no
modelo.

01-03-2019
Método dedutivo – tem ele próprio as suas vantagens;

Método Indutivo – tem ele próprio as suas dificuldades – tem um problema grave de
base; o problema parte de uma ideia muito simples – é mais difícil de executar que o
dedutivo. Tem a ver com o facto de ser muito mais fácil com o método indutivo cair na
armadilha do senso comum.

Quando vamos para a análise de terreno não vamos esvaziados de categorias do senso
comum, não conseguimos controlar o efeito do senso comum na informação que
recolhemos – indutivo.

Dedutivo – formas de controlo e rutura com senso comum. Ao contrário do método


indutivo, pois a probabilidade de sermos contaminados pelo senso comum é maior.
O método dedutivo não é aconselhável a pessoas q estão a iniciar uma carreira.

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É relativamente consensual entre os defensores das 2as abordagens que o método indutivo
é mais difícil, mais arriscado, mas que proporciona potencialmente resultados mais ricos
e inovadores, dada as suas dificuldades que só deverá ser sado por investigadores e
técnicos experientes.

2. O estatuto da avaliação no contexto do Planeamento em Sociologia


A investigação, a ação e a formação – Isabel Guerra

Planeamento, projetos e avaliação


 Avaliação é uma questão determinante na qualidade do planeamento;
 É, em boa parte, com a avaliação que os processos de planeamento invadem a área
da intervenção no terreno.

Como a avaliação se articula com os processos de planeamento: o papel da avaliação


é central no planeamento, é através da avaliação que nós melhoramos a qualidade do
processo de planeamento. A avaliação permite perceber se o nosso planeamento tem a
não qualidade, e algumas formas de avaliação permite melhorar a qualidade do nosso
trabalho. Quando se fala em sociologia do planeamento, em planeamento, em ciências
sociais, fala-se da elaboração do plano mas também da sua execução.

Quando nós falamos da avaliação, falamos não apenas da avaliação do que se concebe,
mas também da elaboração do plano e da avaliação que foi executada.

Umas das grandes funções dos sociólogos no planeamento e virtudes de avaliação, é a


possibilidade de corrigir a tempo as trajetórias. A avaliação torna o processo de
planeamento dinâmico – objetivos e meios.
Há o projeto que é concebido, é algo do processo do planeamento, passando à ação,
havendo assim uma avaliação – triângulo virtuoso da avaliação.

Avaliação da intervenção social


Essa fraca avaliação tem consequências em todo o país, e em especial na intervenção
social. Algumas das primeiras tentativas de implementar a avaliação com recursos que se
realizaram em Portugal foram feitas via intervenção social – avaliação dos programas
comunitários de luta contra a pobreza nos anos oitenta, como consequência da adesão à
CEE.

Mesmo a nível internacional, a avaliação só aparece verdadeiramente nos anos 80. Apesar
de já nos anos 60 terem sido implementados nos EUA os primeiros programas de
avaliação.

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Especificamente na intervenção social, a criação do rendimento mínimo garantido
começou no dia 1 de junho de 1997. Esta medida criou um conjunto de recursos
estatísticos que permitiram uma avaliação rigorosa da medida.

Não obstante, a intervenção social é bastante resistente à avaliação, mas não é caso único
há de facto no país grandes resistências à aplicação da avaliação. De acordo com o
conceito explorado por Vale e Monteiro podemos identificar na intervenção social 1ª
cultura organizacional do aparelho da ação social que tem 3 traços que obstaculizam os
processos de avaliação na intervenção social.

Obstáculos à avaliação, devido às caraterísticas do aparelho de ação social:


1. Privilegia tradicionalmente a intervenção do tipo caritativa/assistencialista;
2. Não há uma tradição de avaliação, aliás, como no resto do aparelho de Estado –
não há propriamente uma grande tradição da avaliação;
3. Há uma grande aversão aos números designadamente e os mais complexos que
envolvem a produção e manipulação de estatísticas e as questões económicas.
Nota: Há uma resistência à avaliação.

08-03-2019
Conceitos a mobilizar para compreender os obstáculos à avaliação:

 Aparelho da ação social: em primeiro lugar a existência de um corpo de


profissionais, o aparelho mobiliza-se nas pessoas concretas que desenvolvem um
determinado trabalho. Este corpo está integrado numa organização, este corpo está
enquadrado numa estrutura logística. Estes procedimentos são: as leis e a panóplia
legal.
1. Corpos profissionais que é enquadrado por uma instituição que tem uma estrutura
logística de suporte de enquadramento legal
2. Forma habitual de fazer as coisas – coisas que são passadas dos mais velhos para
os mais novos. Há muitas coisas que são passadas de pessoa por pessoa, nem todo
está prescrito.
3. Conjunto de crenças sobre a legitimidade e finalidade das ações – crenças nas
finalidades da organização e nas ações.

 Cultura organizacional: conjunto de ideias e conceitos chave partilhado por um


grupo que serve de base ao discurso e à ação dos indivíduos que o constituem.
São as formas habitais de fazer as coisas, e as crenças sobre as finalidades e sobre
a legitimidade das ações. O aparelho da ação social contem uma cultura
organizacional.

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A existência de um aparelho e de uma cultura organizacional não é algo positivo ou
negativo; no caso da intervenção social justifica a existência de uma grande resistência à
avaliação.

Se haverá uma cultura organizacional, então vamos colocar a existência dessa cultura
organizacional ao serviço do nosso trabalho.

Uma solução: a construção de uma cultura de projeto. Pega numa cultura organizacional
e torna-la numa cultura de projeto. Como fazemos isso?

1. Não é inevitável que o projeto venha a desenvolver uma cultura de projeto – quer
queiramos quer não, essa cultura de projeto criar-se-á. É preciso tempo para a
criação de uma cultura de projeto.
2. Esta deve ser racional e explicita – concretiza-se: os objetivos do projeto devem
ser partilhados por todos os participantes e estes devem ter 1 discurso comum
sobre o que é o projeto, isto é, sobre os seus objetivos, finalidade para agirem com
base nesse discurso.
3. O envolvimento dos colaboradores na construção dos objetivos facilita o processo
de partilha e a construção do discurso comum.
4. A explicitação dos objetivos aqui proposto são muito importante – muitos dos
objetivos são confusos e estão implícitos em valores o que torna a sua execução
mais difícil.
5. Os valores motivam a nossa ação, o planeamento tem por base os valores,
construídos nos nossos objetivos. A construção racional da cltra do projeito
permite explicitar os objetivos, e torna a sa execução mais eficaz.
6. O que está aqui em causa é:
 A primeira ideia – ideia da partilha;
 Segunda ideia: explicitação – se tivermos os objetivos explícitos conseguimos
fazer.
 Terceira ideia: maestro e orquestra – se houver 1 cltra de projeto mais explicita, o
esforço da coordenação será mais pequena. Sendo exigido o menor esforço de
coordenação, os responsáveis do projeto, ficam com tempo para se dedicarem a
outras atividades do projeto, inclusive a avaliação.

12-03-2019
Custo da avaliação (traduzem-se em tempo e dinheiro) estão relacionados, com a ideia
do afogamento nas urgências do quotidiano.

Se há uma coisa que tem custos é a avaliação. Custa dinheiro, tempo, esforço e
energia.

O tempo que é consumido na avaliação não é gasto em outras coisas. A avaliação tem
essa questão: exigente no ponto de vista financeiro, e no consumo de energia.

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Riscos de uma avaliação mal feita – a lógica institucional por vezes sobrepõe-se à
logica existencial = quer dizer que há o perigo de fazermos avaliação, porque fazemos
porque temos de fazer, não fazemos porque é útil.

Questão das estatísticas: para muitas organizações, entidades financiadoras, a


avaliação traduz-se na produção de estatísticas, o que está em casa é a avaliação feita
com análises estatísticas, quantitativas. O uso de indicadores estatísticos na avaliação
tem algumas delimitações
A quantificação da avaliação é muito positivo e uma excelente ferramenta nas mãos
dos avaliadores, mas não é suficiente. Além disso é com frequência abusada – (uso
excessivo da quantificação).

Primeira questão: se tende a abusar da quantificação, porque é a forma mais fácil de


lidar com a grande quantidade de dados, indivíduos, ocorrências

Segunda questão: os números são mais fáceis de aferir, é possível condensar


comportamentos, ações, ideias, todo o tipo de resultados tornando mais inteligível.
Terceira questão: associa-se os números, e a estatística ao rigor.

Quarta questão: identidades financiadoras exigem relatórios com base em


contabilização, em especial de impactos financeiros – relatórios financeiros, relatórios
de atividade.

Quando fazemos avaliação, temos dois tipos de indicadores de avaliação:

 Desempenho: medem os resultados alcançados do ponto de vista do esforço


realizado. Quanto dinheiro gastamos, quantas pessoas enquadramos nas
nossas atividades, mede o esforço realizado, mede a aplicação de recursos de
formas diferentes. Medir o resultado do nosso esforço em termos das coisas
que foram feitas. São limitados, porque não nos permite perceber o impacto
transformador do nosso esforço. Permite-nos medir o esforço, mas não o seu
impacto transformador.
 Impacto: são muito mais difíceis de aferir e com muita frequência não são
quantificáveis.

A relação da quantificação com e da avaliação pode levar à sobreposição da


avaliação? Há dois grandes exemplos significativos de perigo.

1) Corremos o risco de deixar de lado questões essencialmente pertinentes, com


influência nos resultados obtidos, por exemplo: a definição dos indivíduos em
relação a si próprios, às situações em que vivem, elementos estruturais ao nível
do mercado de trabalho o do sistema escolar.

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2) Deixar de lado o que não é facilmente quantificável, exemplo: a avaliação dos
destinatários sobre as ações e quando esta é abordada frequentemente é na
perspetiva simplista.

15/03/2019
Tendência para quantificação – a quantificação é um instrumento importante para a
avaliação.

Corremos o risco da pressão política e burocrática para a apresentação de resultados


sobreponha a necessidade de apresentar trabalho feito à realização de trabalho bem feito.
Ex: Corremos o risco de trabalhar para a média e não para a nossa formação profissional.

Alerta: os cuidados que devemos ter para com os excessos do quantitativo não devem ser
alibi para desprezarmos o quantitativo.

A quantificação tem riscos; os números não é uma panaceia mas representam um dos
mais preciosos auxiliar da avaliação

Crítica do sociólogo francês – Damon sobre os processos de avaliação que se assenta


na quantificação
1. O potencial que a avaliação tem de os indivíduos desperdiçarem tempo a
preencher formulários em vez de estarem concentrados nas tarefas fundamentais
do projeto – a questão do tempo gasto
2. A quantificação implícita nos processos de avaliação implica desviar a atenção
dos objetivos menos quantificáveis, muitas vezes os mais importantes – questão
do efeito da quantificação
3. Avaliação pode modificar o sentido do trabalho do avaliado, fazendo com que
este se preocupe mais com a avaliação do que com o seu trabalho.

A avaliação tem uma componente crítica. Objetivo da avaliação: perceber o que está
a funcionar bem que é para continuar o trabalho e o que está a funcionar mal para ser
corrigido.

Diferentes perspetivas de avaliação: Fernando Diogo João Ferrão e de Damon


Avaliação de Fernando Diogo
Dimensões da avaliação

Dimensão de controlo de processos e de resultados: quando se fala em controlo de


processos, o que está em causa é a forma como as coisas estão a ser feitas. A ideia é
modificar as ações para se adequar melhor aos objetivos.

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 Controlo de resultados: destina-se a avaliar aquilo que correu bem e o que correu
mal. A ideia é evitar em próximos trabalhos, o que correu mal; identificar o que
correu bem para reaplicar nos próximos projetos.

Dimensão de inspeção/fiscalização: é incontestável que é preciso verificar o


cumprimento dos objetivos e a forma como o dinheiro foi gasto. O que está em causa é a
justeza, a legalidade, a sensatez dos gastos, a sua adequação aos objetivos e aos resultados
e a realização efetiva das ações.

 Há uma avaliação da execução física das ações - se o que foi proposto foi
efetivamente realizado. Isto implica que haja documentação audiovisual (filmes,
fotografias) sobre isto.
 Execução financeira: verificar se o dinheiro do projeto foi gasto para o mesmo
ou para outros fins.

Quando uma despesa é feita pelo projeto, há que haver a dupla verificação:
elegibilidade e cabimento.

 Elegibilidade: quando recebemos o financiamento para projeto, o financiamento


vem com condições e essas condições é o que é elegível e o que não é ilegível
para o projeto, por exemplo, muitos projetos excluem o pagamento das refeições.
Se as despesas feitas foram elegíveis.

 Cabimento: existência de verba disponível para o gasto na rubrica.


Ex: na rúbrica só tem 3.000 e precisamos de gastar 5.000, mas não podemos
gastar.

Dimensão de acréscimo da eficácia e da eficiência: estas palavras remetem para coisas


diferentes, mas estão relacionadas.

 Eficácia: adequação dos resultados aos objetivos. A ideia é definir uma serie de
coisas nos objetivos e temos de ver quando temos os resultados se estes
correspondem aos objetivos definidos e se o nosso esforço atingiu os nossos
objetivos. Esforço permitiu atingir os objetivos.
 Eficiência:

19-03.2019
Dedutivo – Fernando Diogo;
Indutivo – Isabel Guerra – só é adequado a pessoas que já têm experiência.
Comando da teoria: desconstrução dos problemas sociais

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Comando da reflexão = comando da teoria

Dimensão da aprendizagem: Margarida Perestrelo – a avaliação é um processo de


aprendizagem coletivo. Ao realizar a avaliação, estamos a aprender sobre o que resulta e
o que não resulta. Avaliar neste sentido é aprender.

O que as 4 component4es da avaliação têm como questões fundamentais:

 Produção da informação: produz-se informação para a avaliar e para melhorar


quer o presente, quer o futuro. A avaliação assenta muito na produção da
informação. Sociólogos profissionais ajudam a construir a avaliação.
 Verificação de como o dinheiro é gasto: é preciso ver a eficácia e a eficiência, a
elegibilidade e o cabimento, a forma como se gasta é vista dessas maneiras.

Diferentes perspetivas da avaliação (Ferrão, 1988)


A avaliação tem 3 objetivos o utilidades:

 Utilidade instrumental: a avaliação é um instrumento para a introdução de


teorias nos projetos, programas, planos. Muitas vezes chama-se avaliação
intercalar, in itinere (latim). A avaliação permite modificar a intervenção
 Utilidade estratégia: a avaliação permite construir uma visão partilhada da
informação estratégica do projeto corresponsabilizando na execução das ações.
Estamos a falar num processo de aprendizagem coletivo de uma visão estratégica.
Tem muito a ver com a partilha das finalidades do projeto, quando se fala em
cultura de projeto. Permite aos indivíduos aprenderam quais os objetivos do
projeto e como eles partilham dos objetivos do projeto, podem ser responsáveis
pela execução das ações.
 Utilidade substantiva: a avaliação permite modificar radicalmente a intervenção.
A diferença é sobretudo de grau, enquanto na utilidade instrumental, são
aperfeiçoamentos na utilidade substantiva, o que estão em casa são as
transformações das substantivas da ação.

Diferentes perspetivas da avaliação (Damon, 2009)

O trabalho de Damon é feito com base no conceito superior de avaliação francês.


Julian Damon dá-nos esses 3 planos e os 3 usos; planos ou dimensões da avaliação:
Plano cognitivo: segundo Damon a avaliação consiste em adquirir e partilhar
conhecimentos. A avaliação serve para se perceber o qe se tem entre mãos. A avaliação
ajdanos a perceber o qe está em jogo.

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Plano normativo: a avaliação tem como ambição fundamentar juízos e preconizar
escolhas, ou seja, nesta perspetiva a avaliação é um instrumento auxiliar da decisão,
avaliamos para decidir.

Plano instrumental: a avaliação deve estar na origem de transformações e


melhoramentos, quer dizer a avaliação não serve apenas para conhecer mas também para
agir. Perspetiva interventiva – da tecnologia.

Uso regulamentador: faz-se a avaliação porque está assim definido em regulamento.


Trata-se de 1 uso ritual da avaliação.

Uso de gestão: as conclusões da avaliação podem ser ajudas à decisão – a importância de


decidir.
Uso social: os resultados da avaliação são públicos e podem ser discutidos no debate
social.

22-03-2019
Adequação dos resultados: Eficácia
Sistematização de elementos do processo avaliativo
Três elementos distintos: antes, durante e depois.
Os tempos da avaliação – questão da temporalidade de avaliação

Perestrelo – a avaliação é 1 processo, n acontece no momento, demora, acontece drante


1 periodo prolongado de tempo. O processo remete para a realização da avaliação em
períodos prolongados de tempo. Há 3 momentos de avaliação:
1. Antes: é conhecido como ex ante, fazer a avaliação do projeto em 2as maneiras
diferentes. Quando se faz a avaliação do projeto deve-se conceber os instrumentos
da avaliação.
2. Durante:
3. Depois:

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