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Nome completo: Isadora Nocchi Martins

Nome artístico: Zazá (às vezes)


Idade: 20 anos (13/12/1996)
Cidade onde nasceu e onde mora atualmente: Porto Alegre desde sempre

Eu tinha 11 anos quando decidi fazer aula de guitarra. A professora de


música do colégio explicou em aula como o violão funciona. Nunca havia tido
vontade de aprender um instrumento até aquele momento, apesar dos anos de
musicalização infantil quando era pequena, e de crescer escutando muita
música por causa dos meus pais.
Estudei brevemente também piano e voz, mas foi na guitarra que
encontrei minha expressão. Nesses anos, fui aos poucos observando como essa
posição que eu escolhi ainda é encarada com estranhamento. Percebi isso
algumas vezes antes disso, mas, ao entrar na faculdade de música, os números
foram bastante chocantes.
Da minha turma de 30 colegas de Música Popular, éramos 4 mulheres.
Apenas eu era instrumentista. Passei a tomar o meu instrumento como um ato
político. Por sorte ou por consequência, na mesma época passei a fazer parte
do Grupo de Pesquisa em Gênero, Corpo e Música e também da Medula, um
coletivo de criação sonora, onde encontrei colegas que ressoavam com minhas
visões sobre música, arte, gênero e, bem, do mundo.
A Medula foi, e é, um lugar para encontrar minha identidade artística. Até
ali, eu era bastante insegura quanto a minha habilidade guitarrística. Finalmente
me senti confortável e livre para tocar e explorar o que quisesse no instrumento.
Descobri minha paixão e curiosidade por pedais e sua infinidade de timbres, e
isso molda muito do meu trabalho hoje. Passei a compor para guitarra e também
trabalhar com produção musical.
Participo também da organização do Girls Rock Camp Porto Alegre, um
projeto que visa o empoderamento de meninas de 7 a 17 anos através da
música. É um projeto incrível, que me empodera imensamente, na convivência
com as meninas e com as outras mulheres da organização, que, nesse esforço
de fazer o projeto acontecer, se tornaram grandes amigas, e agradeço muito ter
me aproximado delas.
Não tenho ídolos da guitarra, nunca me senti representada musicalmente.
Talvez não fosse só musicalmente. Mas acho que isso também me moldou,
porque não espero alcançar o patamar de ninguém. Quero ser apenas eu
mesma, como artista, e estar feliz com isso. É um trabalho bem difícil, pra mim,
mas sinto que, aos poucos e com ajuda, chego mais perto. E, quem sabe, assim
também possa ajudar outras mulheres a se sentirem bem.