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Bebê sem Fralda Brasil Higiene Natural por Fernanda Paz 2017

Bebê sem Fralda Brasil

Higiene Natural por Fernanda Paz

2017

O presente e-book fala da Elimination Communication (EC), ou comunicação de eliminação, uma técnica que

O presente e-book fala da Elimination Communication (EC), ou comunicação de eliminação, uma técnica que vem ganhando espaço no cenário mundial, proporcionando a redução ou suspensão do uso de fraldas e aumento da conexão entre pais e filhos. No Brasil é chamada de Higiene Natural (HN) e consiste em atender os bebês nas suas necessidades fisiológicas de evacuação.

Trabalho autoral de produção independente. Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, inclusive quanto às características gráficas e/ou editoriais. A violação de direitos autorais constitui crime (Código Penal, art. 184 e Lei nº 6.895/1980) sujeitando-se à busca e apreensão e indenizações diversas (Lei nº

9.610/98).

PREFÁCIO

Nós temos a visão de um bebê sempre atrelada a uma chupeta, uma mamadeira e uma fralda. Também partimos do pressuposto que bebês são seres inanimados e que podemos moldá-los ao nosso cunho e direcioná-los aos nossos padrões, ficamos decepcionados e com a síndrome do “meu filho não” quando algo está fora do esperado: -Meu filho não dorme direito”, “-Meu filho não quis o peito”; “-Meu filho não come nada”; “-Meu filho não larga a chupeta; Ou, ainda, com a síndrome do “meu filho só”: “-Meu filho só quer peito”; “-Meu filho só dorme com embalo”; “-Meu filho só faz cocô a cada três dias”; “-Meu filho só isso”; “-Meu filho só aquilo”; Assim, ficamos chocados quando o bebê não apresenta o comportamento típico “CBD”: o famoso “come, bebe e dormee atribuímos essa situação ao nosso filho, como se ele fosse um ser especial ou diferentão. Afinal, porque o nosso bebê não pode simplesmente mamar e dormir? Eu respondo: Não pode porque é um bebê e nenhum bebê se estiver dentro dos padrões normais de fábrica” vai apenas mamar e dormir. É difícil encarar essa realidade, mas chupeta, mamadeira e fralda foram ilusões que nos venderam para silenciarmos os comportamentos normais de um bebê e consequentemente ignorarmos suas necessidades. Na verdade, felizes seriamos e aos nossos bebês faríamos se soubéssemos que recém-nascidos são mini-humanos dotados de necessidades que só podem ser supridas por seus cuidadores. Que, preferencialmente, o cuidador principal (não exclusivo) nos primeiros meses deve ser a mãe e que é através do choro que se comunicam essas criaturinhas perfeitas. O choro pode apresentar qualquer tipo de desconforto ou reivindicação, desde fome, sono, uma etiqueta beliscando, uma dor de barriga, a vontade de fazer xixi, o estresse, a necessidade de colo, a solicitação da presença da mãe, barulho demais, luz demais, gente demais, gases, cocô, qualquer coisa. Seríamos também menos exigentes conosco se lembrássemos de que estamos a conhecer um novo ser que até ontem era um feto a viver num

ambiente aquático, estéril, escuro, que supria suas necessidades automaticamente e sequer precisava respirar ou mastigar, pois era oxigenado e alimentado pelo cordão umbilical, estava no escuro, ouvindo os batimentos cardíacos da mãe, não sentia a gravidade e, de repente, este serzinho é obrigado a ver a luz, respirar, mamar para não morrer de fome, ser banhado, vestido, colocam-lhe faixas, fraldas, roupas, produtos, cheiros, passam-lhe de colo em colo. Como poderíamos ser mais leves se soubéssemos desde sempre que bebês recém-nascidos só precisam de sossego, contato pele a pele, peito, meia luz e cochicho. Eles são, embora mini-humanos em sua perfeição física, delicados, sensíveis, especiais e requerem cuidado redobrado, atendimento. E, falando em atendimento, precisamos pensar que também não tem como um bebê simplesmente mamar e dormir porque ele é dotado de mais necessidades fisiológicas que precisam ser atendidas por outrem, por isso não sobreviveria sem um cuidador. A necessidade de respirar, por exemplo, é autogerida, porém são os cuidadores que precisam manter as vias aéreas livres, limpas e afastadas de possíveis sufocamentos, enquanto a alimentação, o sono e a evacuação precisam de mais pró-atividade dos cuidadores. Contudo, nossa sociedade ocidental industrial e cosmopolita simplesmente achou por bem suprir somente a alimentação e o descanso/sono, ignorando completamente a evacuação. Na verdade, se pararmos pra pensar, nem mais a alimentação e o sono queremos suprir. A alimentação foi ferrenhamente incentivada a ser conduzida de forma artificial, desmerecendo o leite materno e endeusando as fórmulas infantis. Deram-nos chupetas, mamadeiras e leites artificiais como se fossem o kit perfeito do bebê calminho e se entrarmos no mérito dessa questão, falaremos muito em universidades de medicina elitistas e ultrapassadas, conselhos, instituições, indústrias e interesses privados. Teríamos que falar sobre a sociedade em que essa mãe está inserida, o contexto familiar e informativo, os interesses pessoais e coletivos, precisaríamos falar também das questões estéticas, comerciais e sexuais que envolvem os seios e, invariavelmente, falaríamos de machismo e da objetificação do corpo feminino. Mesmo com tantas razões para amamentar exclusivamente até os 06 meses e depois complementando com alimentação até “no mínimo” 02 anos

por ser uma prática milenar que proporciona benefícios nutricionais, cognitivos, imunológicos, econômicos e sociais, tantos desmames precoces ocorrem por causa das investidas da indústria que são muito fortes e de nossa classe médica que deveria instruir sendo a primeira a disseminar o aleitamento artificial (existe por trás disso muito patrocínio, infelizmente) desamparando a mãe que, por sua vez, já está sem auxílio técnico capacitado e precisa encarar todas as pessoas na sua volta dizendo que o bebê chora de fome, que seu leite é fraco, justamente no puerpério quando deveria ser acolhida e incentivada. Infelizmente é a nossa realidade. Não é à toa que entre 1974 e 75 a média nacional de aleitamento materno era de apenas dois meses e meio. Comparada com 2006 e 2007, essa média subiu para 14 meses (Revista Britânica The Lancet, sobre amamentação, em série especial alertando a cerca dos índices mundiais de aleitamento materno exclusivo até 06 meses, que na maioria dos países nem chega a 50%) 1 , mas ainda é muito pouco. O sono, por sua vez, foi suprido por cadeirinhas que tremem e tocam musiquinha, bebês chorando por horas e dias a fio até “aprenderem” (leia-se conformarem-se) a dormir sozinhos, mães sem pegar o filho no colo pra “não ficar manhoso”, fórmulas mágicas ditadas por livros e até programas de TV com encantadores de sono, onde ensinam que bebezinhos devem dormir sozinhos chorando porque assim irão se acostumar. Essas promessas de resolver o sono dos bebês num piscar de olhos fazem tanto sucesso, mesmo enquanto pesquisas mostram que responder às suas necessidades torna-os mais seguros e tranquilos, deixando um questionamento: Qual a razão de fazer com que um ser tão pequeno durma sozinho, enquanto nem mesmo um adulto gosta de dormir só? Bem, a globalização, da vida moderna conectada 24 horas por dia, muita correria, muitos compromissos, pouco tempo e a necessidade de fazer um infante entender que dia é dia e noite é noite, que deve dormir sozinho no seu quarto (porque quarto de bebê também é um bom nicho de mercado e fazer a mãe pensar na decoração do quarto desvia o foco do parto), mais a necessidade social de fazer uma mãe estar bela, recatada e do larno dia seguinte a uma noite mal dormida com um bebê, são algumas das respostas.

1

http://www.brasil.gov.br/saude/2016/08/governo-lanca-campanha-sobre-amamentacao-para-

2016.

Então, seguindo no raciocínio de que os bebês possuem necessidades a serem supridas e de que são os seus cuidadores que precisam atender essas necessidades, chegamos à evacuação e na constatação de que a nossa “evolução” optou por simplesmente ignorá-la até que eles sejam capazes de fazê-las “no lugar certo”. Usamos fraldas descartáveis desde o primeiro minuto de vida, obrigando os bebês a evacuarem em si mesmos dia após dia e, da noite para o dia, decidimos que a partir daquele momento o lugar certo não é mais na fralda, não é mais daquele jeito que nós os habituamos a evacuarem causando diversos problemas no desfralde. Usamos fraldas até com os bebês na praia ou piscina e junto com elas usamos demasiadamente lenços umedecidos, pomadas antiassaduras ou pós-assaduras, antibactericidas e fungicidas, supositórios, medicações para cólicas e uma série de produtos que também vêm fantasiados de “soluções” para ter um bebê “sequinho” e limpinho “por até 12 horas”. E, afinal, quando foi que paramos de atender as necessidades fisiológicas de evacuação dos bebês? Sim, pois não podemos pensar que fraldas são itens indissociáveis da vida um recém-nascido. Conforme veremos a seguir, as fraldas descartáveis chegaram de fato ao mercado apenas em 1959 e nesse curtíssimo espaço de tempo (58 míseros anos) elas tomaram conta do dia a dia de forma indiscriminada e sem o mínimo de noção ou responsabilidade, uma vez que, sequer nos questionamos para que sirvam, porque usamos, do que são feitas, quais os riscos, quais as consequências emocionais, psicológicas, físicas e econômicas de curto, médio e longo prazo com o uso delas. Desencadeamos, sem saber ou refletir, diversos problemas que nem fazemos ideia de que podemos solucionar ou amenizar drasticamente de forma absolutamente natural. Ou seja, não fazemos ideia de que podemos resolver o choro excessivo, problemas com sono, refluxos, constipações, muitas trocas diárias de xixi, muitas trocas diárias de cocô, irritabilidade, agressividade, braveza, mamadas infinitas, entre muitos outros, se praticássemos a higiene natural. Porque sim, a higiene natural resolve, em se tratando de bebês, todos esses problemas ou pelo menos os ameniza consideravelmente. Assim aderimos ao aleitamento artificial e aos utensílios que nos vendem para o silenciamento dos bebês porque precisamos no outro dia estar

com o café na mesa, a criança limpa e alimentada no cercadinho, a casa arrumada, o almoço no horário, roupas em ordem, louça lavada, sorriso no rosto, maquiagem, asseio, vestuário apertado. Ou seja, todas essas expectativas da sociedade sobre a maternidade, a criação e os cuidados com um bebê são tapas na cara da recém-mãe, tudo o que não combina com a existência de um recém-nascido dentro de casa. Afinal, bebê precisa de colo (se não precisasse nasceria andando), de apego, de peito, de cama compartilhada, de amamentação em livre demanda. Bebê não precisa, aliás, simplesmente não pode dormir sozinho porque pode ter uma morte súbita, não pode mamar na mamadeira porque isso gera confusão de bicos e arruína a produção do leite e a amamentação. Não precisa de chupeta porque ela entorta o céu da boca, desencadeia as “ites”, causa dependência e também não precisa de todo o pacote bebê Nutella que vemos por aí que mereciam ou um capítulo especial ou um livro à parte, porque é imprescindível falar sobre essas questões. Não podemos falar em bebês sem falar nestes assuntos, está mais do que manjado que esse atual sistema de criação é falido e gera consequências muito negativas nas personalidades das pessoas. Precisamos sim falar de gravidez, parto, pós-parto, puerpério, amamentação, baby blues, criação com

apego, disciplina positiva, comunicação não violenta, instintos, naturalidade e todos os temas relacionados ao criar um mini-humano na contemporaneidade e

o faremos através deste resgate às formas ancestrais de se relacionar com os

bebês de maneira muito mais empática, respeitando sua condição peculiar de

ser extremamente dependente de um cuidador em tempo integral. Uma das boas notícias que você vai encontrar nessa leitura é que “o

meu filho não” e o “meu filho só” são os mesmos bebês, porque os filhos seus

e os nossos não possuem nada de anormal ou diferentão, eles simplesmente

desejam atendimento de todas as suas necessidades e a prática da higiene natural vem pra fazer isso, estreitamento os vínculos entre pais/cuidadores e bebês.

A autora e a HN (orelha do livro) Visando sintetizar experiência pessoal a partir da vivência enquanto mãe, unindo a experiência profissional como a primeira consultora de higiene natural do Brasil depois de acompanhar centenas de bebês e estudar um bocado sobre os assuntos relacionados, apresento-lhes a Higiene Natural com muita positividade de forma tranquila e serena para mostrar que não só é possível como humano e realmente natural. Da vivência com a página Bebê sem Fralda Brasil e as consultorias percebo o crescente movimento de mães modernas rebuscando cada vez mais o conhecimento ancestral que está arraigado em nosso DNA, tentando adequar esse resgate à vida globalizada, fazendo uso coerente das descobertas e adaptando tudo à realidade atual e suas possibilidades. Gravidez, parto, pós-parto, amamentação, higiene natural, criação com apego, introdução alimentar, parentalidade consciente, disciplina positiva, alívios naturais para sintomas diversos (como dor, febre, nascimento de dentes), grupos e redes de apoio virtuais e presenciais, empreendedorismo materno e todos esses temas foram somando-se aos outros que já faziam parte da minha vida como plantio, alimentação saudável, permacultura, bioconstrução, reaproveitamento de materiais, reciclagem, decoração, viagens, liberdade, conexão com o Divino, feminismo e feminino, espiritualidade e ancestralidade e hoje são minhas engrenagens. Para mim, o mais importante sempre é a informação idônea e sua troca para aquisição de conhecimento. Somente a partir daí surge a possibilidade de escolha consciente sobre determinado tema. É por isso que me proponho a multiplicar o universo da HN, diante de tantos pontos que lhe são positivos, pois com a informação correta, precisa e responsável, cada cuidador que recebê-la poderá tomar suas decisões conscientemente. Contato: fernandadumkepaz@gmail.com www.bebesemfraldabrasil.com

Dedicatória Ofereço este livro para minha filha Serena Paz, quem me trouxe esse ensinamento tão poderoso e curador. Também à minha vó Lucema, erveira de mão cheia, que me instigou desde criança a gostar e conhecer os chás e tratamentos naturais, aos meus sobrinhos, especialmente ao Caio, que chegou este ano apenas dois dias depois do meu aniversário e além de me presentear com a leveza de sua luz, faz suas necessidades em liberdade desde sua primeira semana de vida! Esse trabalho é dedicado a todas as crianças que estão voltando para a terra fazendo o resgate do amor e a limpeza da natureza, a todos os povos de todas as linhas, origens e descendências, a todas as falanges do bem e da cura, aos espíritos guias e Orixás que me regem, guardam e protegem, minha mãe Iemanjá, aos povos da lua, da floresta, do vento, das águas, às mães e aos pais em conexão que sentem no coração a necessidade de resgatar as mais ancestrais formas de criação e, especialmente, ao Pai José, que me confirmou esta belíssima e pura missão!

SUMÁRIO

1

Fraldas O que são, para que servem e do que são feitas?

10

1.1 Por que usamos fraldas em nossos bebês?

13

1.2 Malefícios do uso contínuo de fraldas

15

1.3 Impacto ambiental do consumo desenfreado de fraldas

21

1.4 Impacto financeiro das fraldas

23

2

O que é Higiene Natural

26

2.1

Como praticar HN

37

3 O que não é HN

42

4 Vantagens de praticar HN

45

4.1 Qual a idade ideal para começar a praticar HN?

50

4.2 HN e verão

53

4.3 HN e Introdução Alimentar

53

4.4 HN e creche

55

4.5 HN parcial

57

4.6 HN e o pai

59

4.7 HN e refluxo

61

5 Posições corretas e ambiente oportuno

65

6 Regressões

68

7 HN Noturna

70

7.1

Problemas com o sono

73

8 Irritabilidade, agressividade, teimosia

77

9 Após o xixi e o cocô

79

10 Xixi, cocô e pum

81

11 HN e Amamentação

83

11.1 Dias sem fazer cocô em AME é normal?

88

12 O que as mães dizem

94

13 O que os profissionais atualizados dizem:

98

14 HN sem complicação

100

1 Fraldas O que são, para que servem e do que são feitas?

A maioria das mamíferas come as fezes de seus filhotes. Os filhotinhos de cachorros ou coelhos ou gatos ou ratinhos assim que começam a se locomover saem de seus ninhos, fazem xixi e cocô e voltam. Não se tem registro de nenhum mamífero que fique em contato com seus excrementos além do homem. Infelizmente os bebês humanos dependem de nós e, nós, só porque não queremos nos sujar ou resolver de forma antecipada, simplesmente optamos por silenciar, ignorar e nem contestar a forma de evacuação deles, os fraldamos e resolvemos a caca só depois de feita, explodida, depois que eles já ficaram em contato, que sujou tudo o que podia, quando apenas nos caberia facilitar esse processo de evacuação, usando as fraldas de forma amigável e para possíveis escapes e não como único meio de resolução para as evacuações, obrigando nossos bebês a fazerem suas necessidades em si por anos de sua vidinha. Nessa hora sempre tem quem diga que não é rata, nem gata, nem coelha pra catar cocô de filhote e que as fraldas estão aí para ajudar e coisa e tal. Esquecem que somos mamíferos, que viemos de uma linhagem muito antiga e que possuímos uma fisiologia e uma anatomia que nos permite, ou melhor, que nos exige que façamos o esperado para a nossa espécie, como é o caso de evacuar de cócoras. Ainda na comparação com filhotes mamíferos, se observamos os bebês índios, os chineses, os de comunidades isoladas e os praticantes de Higiene Natural do mundo todo, eles também não estão sujos de xixi ou cocô. Nesse sentido, é importante pensar que o homem tem cerca de 400 mil anos, as fraldas de pano têm registros há pelo menos 200/300 anos e as descartáveis surgiram somente em 1940, mas só chegaram ao mercado em 1959. Sendo assim, qual a verdadeira memória no DNA humano a respeito da sua evacuação de xixi e cocô se a fralda se tornou item indissociável de um enxoval há pouquíssimo tempo?

Considerando as fraldas de pano: 400.000 - 300 = 399.700.

São trezentos e noventa e nove mil e setecentos anos sem fraldas.

Considerando as fraldas descartáveis: 2017 - 1959 = 58. São cinquenta e oito anos (apenas) com fraldas.

O homem (e o mini-homem) por toda a sua vida evacuou de cócoras e nunca teve como hoje tantos problemas de constipações e reincidências de infecções do trato urinário que são afecções surgidas junto com as fraldas de algodão que antes eram usadas por dias e apenas secadas ao sol ou em chaminés. Povos de diferentes lugares inventaram diferentes formas de se livrar dos escapes das evacuações dos bebês, mas eles sempre praticaram Higiene Natural com os filhos desde recém-nascidos. Os armênios, por exemplo, usavam um pedaço de pano recheado de fina areia, os nativos americanos utilizavam um recheio de pasto e capim em peles de coelhos, os esquimós utilizavam pedaços de peles de diversos animais recheadas com musgos e as comunidades iam encontrando ao seu modo formas de driblarem os escapes de xixi e cocô dos bebês. Há registros de que na 2ª Guerra Mundial surgiu um serviço de lavagem de fraldas de pano para as mães que trabalhavam na confecção de tanques, aviões e armamentos. E justamente em função da guerra e da escassez do algodão, nos anos 40 surgiu na Suécia aquilo que foi considerada a primeira fralda descartável do mundo, enquanto nos Estados Unidos a ama Marion Donavon utilizando restos de cortinas de banheiro deu origem ao primeiro protótipo de capas impermeáveis para as convencionais de pano. Em 1947 o primeiro modelo industrializado era recheado com até 20 folhas finas de papel e em 1950 surgiram os absorventes femininos com a mesma tecnologia, mas usar estes artigos representava uma vida de luxo, poucas pessoas privilegiadas de poucos países tinham acesso a esses produtos, somente em 1959 surgiu a primeira fralda pampers, criada por um avô designer da empresa P&G, que pensava no conforto do netinho. As fraldas só foram introduzidas no mercado na década de 60 e elas sequer vinham com fitas adesivas, mas já eram recheadas por fibras de celulose. Eram fraldas grandes, pesadas, grossas. Nos anos 70 novas

indústrias entraram no mercado das fraldas e com a concorrência os preços

caíram, atingindo enfim a população dos EUA, da Europa, do Japão e da América Latina, enquanto aqui no Brasil, especificamente, fralda descartável ainda era artigo supérfluo e utilizado em ocasiões como idas ao médico e aniversários ou viagens. Foi quando as fraldas ganharam adesivos, maior absorção, qualidade noturna, elásticos e melhorias cumuladas com o excesso de produtos químicos

e críticas de muitos pediatras e ortopedistas pelo risco de deformidade dos

ossinhos dos bebês por serem ainda grandes e desconfortáveis. Nos anos 80 já com novo design e liberdade para as perninhas, as queixas vieram de ecologistas pelos malefícios à natureza uma vez que uma única fralda descartável pode levar de 400 a 600 anos para sua decomposição. Daí pra frente descobriu-se o gel SAP (polímero poliacrilato de sódio derivado do acrílico/petróleo - cancerígeno), as fraldas diminuíram de tamanho, espessura, peso e aumentaram ainda mais a capacidade de absorção, concomitantemente aumentando os índices de dermatites e de riscos que sequer são mencionados como o de cegueira e câncer em caso de contato com algum de seus ingredientes. O mínimo e ético esperado é que os fabricantes alertassem aos usuários sobre os riscos do contato com esses ingredientes, não é verdade? Que pai ou mãe em sã consciência usaria em seu bebê um utensílio que pode causar

alergias, irritações, dermatites, fungos, assaduras e até cegueira? Pois é, mas

o interesse da indústria não é o de ser sincera e preocupada com os nossos filhos e sim o de lucrar mais e mais e mais com a nossa submissão aos produtos que ela nos impõe.

1.1 Por que usamos fraldas em nossos bebês?

A maioria dos pais, quando questionados por que usam fraldas em seus filhos, responde que é para que os bebês não se sujem, pois eles não sabem pedir para usar o banheiro. No entanto, as fraldas são advento da modernidade, criadas para que os pais não se sujem. Elas servem para que seja possível ignorar, esquecer, anular e silenciar a necessidade de evacuação dos bebês. Porém, é socialmente construído que as fraldas são maravilhosas e quanto mais secas ficam, melhores são, quando, na verdade, quanto maior a capacidade de absorção, maior é o número de químicos utilizados. De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2008 o uso de fraldas descartáveis se dava em apenas 27% das crianças de 0 a 30 meses. Em 2013, segundo a Abihpec (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos) o mercado nacional das fraldas cresceu cerca de 70%, totalizando US$ 2,4 bilhões de dólares, registrando um crescimento superior ao da America Latina e do Mundo (50% e 30%, respectivamente). Hoje, o Brasil ocupa o ranking de terceiro lugar mundial no consumo de fraldas descartáveis. Os hábitos de consumo estão se sofisticando após melhorias nas condições de vida dos brasileiros. Ainda, comparando os dados anteriores, por causa da facilidade de acesso, entre 2013 e 2016 o consumo das fraldas descartáveis cresceu em 14%, mas os ganhos da indústria representaram um aumento de 29% porque as famílias passaram a pagar mais pelo produto, focando nos benefícios 2 .

Neandertal Precisamos confiar na nossa própria espécie. Nossos instintos e emoções já possuem 400mil anos de experiência e, por lógica, nossos filhos herdam todo esse conhecimento intrínseco em nossos DNAs. Assim como no mundo animal, especialmente no que diz respeito aos mamíferos, os filhotes e bebês nascem com um instinto de não "sujar o ninho” ou a si próprios.

2

http://oglobo.globo.com/economia/com-aumento-da-renda-brasil-ja-o-terceiro-maior- consumidor-de-fralda- descartavel-do-mundo-14151637

Não pensem que é à toa que justamente na hora em que um bebê é mudado/trocado, acontece aquele escape "com gosto" sujando trocador, cama, parede, tapete, mãe, tudo. Parece que aquele recém-nascido 'espera' para uma mudança de fraldas e, em seguida, faz xixi ou cocô por toda a parte. É importante sempre lembrar e relembrar que os bebês não possuem controle esfincteriano de retenção, mas são capazes de relaxar os esfíncteres. Dada oportunidade e antes que tenham aprendido alguma coisa diferente, os recém-nascidos gostam de ter seus traseirinhos livres ao ar fresco, daí a possibilidade real de praticar a Higiene Natural com bebês de alguns dias. Pois, quando sentem vontade de evacuar, instintivamente têm vontade de se comunicar (e a posição de troca de fraldas com olho no olho + posição fisiológica é perfeita para isso), fazendo o relaxamento dos seus minúsculos músculos do assoalho pélvico. Além disso, não é de hoje o conhecimento de que os bebês têm suas maneiras de se comunicar com os cuidadores, como por exemplo, quando sentem fome, sede, sono, etc. Inclusive já foram desvendados seus sons e o que eles querem dizer. Rapidamente os bebês aprendem a associar seus sentimentos com a própria ação e função corporal com a consequente reação dos seus cuidadores. Não para fazer manha, mas para ter suas necessidades atendidas, o que permite que eles distingam os diferentes sentimentos que possuem e a consequente reação dos seus cuidadores que, por sua vez, agem de forma consistente e adequada. Então, se eles estão com fome são alimentados, se eles estão cansados são colocados para dormir e se eles precisam "ir ao banheiro" quando ainda não caminham e sequer sabem para que sirva um banheiro, precisarão de ajuda para isso também. Nossa sociedade criou as fraldas como uma maneira dos pais manterem-se limpos e aprimorou a técnica até chegar ao que conhecemos hoje, boicotando as evacuações dos homo sapiens por conta da modernização da vida. Portanto, ainda que demore um pouco para "desaprender" a memória recente, e "reaprender" a memória ancestral, vinda lá do nosso parente Neandertal, esse resgate só traz benefícios à criação de um bebê.

1.2 Malefícios do uso contínuo de fraldas

Desconforto; Como podemos achar normal que nossos bebezinhos tão lindinhos e fofinhos usem fraldas o tempo todo? Nós mulheres não suportamos o absorvente por 5, 7 ou 9 dias. Os homens usam cueca o mínimo possível. Estamos a cada dia nos libertando de tantas amarras nas vestimentas, desenvolvendo tecidos cada vez mais leves e versáteis na tentativa de sermos minimamente livres e, ainda assim, continuamos “obrigando” nossos bebês a viverem constantemente de fraldinha. Pra completar apertamos o máximo que podemos com medo de que as evacuações vazem.

Assaduras; É logicamente impossível que um local que fica constantemente fechado, abafado, escuro e úmido seja saudável. O corpo humano embora muito adaptável, não é capaz de defender-se nessas situações, especialmente em se tratando de um bebê, que tem a pele tão sensível. Além disso, por diversas razões o cocozinho fica bem ácido, o xixi bem forte e isso juntamente com a fricção ocasionada com as fraldas desencadeia um ciclo interminável de assaduras na região que fica abafada, especialmente nas dobrinhas. Além disso, utilizamos demasiadamente lenços umedecidos industrializados ou algodões úmidos e gastamos cada vez mais com pomadas para assaduras enquanto impelimos nossos babys a estarem expostos aos compostos que estão nas fórmulas dessas pomadas, nunca os libertando das fraldas que são justamente o fator desencadeante das assaduras.

Bactérias e fungos:

Pelas mesmas razões que a pele do bebê se sujeita às assaduras, ela se sujeita aos fungos e bactérias. Os fungos se apresentam de forma persistente, como se fosse assadura, mas suas bordas são irregulares e

a região fica muito vermelha e irritada, com micro bolinhas, não sarando com as tradicionais pomadas antiassaduras. Os fungos gostam de lugares quentes e úmidos. Uma assadura simples

é uma porta de proliferação para os fungos, que existem por si só em

nossa pele. Se, por exemplo, uma pessoa usar sapatos fechados 24 horas por dia, 07 dias na semana, 30 dias no mês, ininterruptamente por 02, 03 ou 04 anos, com certeza terá uma proliferação de fungos ou micoses nos pés. É isso o que fazemos com os bebês, deixando a área das fraldas abafadas todos os dias, por anos.

Já no caso das bactérias, feridinhas purulentas aparecem, estouram e

vão migrando pela região, muitas vezes indo até as perninhas e meio

das costas dos bebês. Dificilmente vão sarar somente com pomadas e

se torna necessária uma intervenção com antibióticos.

Infertilidade masculina e câncer nos testículos Uma das causas de infertilidade e câncer nos testículos, segundo cientistas alemães da universidade de Kiel, é o uso de fraldas descartáveis. Em pesquisa foram monitorados os sacos escrotais de 48 meninos considerados saudáveis, que em alguns momentos utilizavam

fraldas descartáveis, em outros, fraldas de pano. A constatação é de que

o uso de fraldas descartáveis eleva em 1ºC a temperatura dos

saquinhos dos garotos, o que explica o aumento de casos de infertilidade masculina, pois na Alemanha mesmo, o número de homens inférteis aumentou 25% junto com o aparecimento do câncer de testículos e demais danos no aparelho reprodutor masculino nos 25 anos anteriores à pesquisa. O fato é que 1ºC é um aumento considerável de temperatura para os testículos dos meninos, pois tão logo a temperatura ambiente dessa região é fator crucial ao desenvolvimento dos órgãos sexuais e da saúde e capacidade de “fabricação” dos espermas, afinal, o saco escrotal tem justamente entre suas funções diminuir a temperatura do local em relação ao resto do

corpo, para melhor armazenagem dos espermas. Inclusive, esquentar o saco já foi muito utilizado como método contraceptivo masculino 3 .

Pele não respira; Não é possível que a pele do bebê respire dentro das fraldas, sejam elas de pano ou descartáveis, especialmente se estiverem com xixi ou cocô. Além da não respiração, a bundinha do bebê fica em contato constante com as próprias fezes, na menina suja a vulvinha e a entrada do canal vaginal e nos meninos as bolinhas e pintinho, sendo também constante porta aberta para infecções urinárias em ambos.

Pisada errada (perna entreaberta); Quando o bebê aprende a caminhar, ele não estará em sua anatomia natural, porque entre as pernas terá um objeto que não permite que as perninhas fiquem exatamente retas. Essa foi uma das primeiras críticas recebidas pelas fraldas descartáveis e por mais anatômicas que elas sejam o esforço dos pés e das pernas será bem diferente do esforço que seria feito para caminhar sem as fraldas. A pisada do bebê, já nos seus primeiros passos, não será com os pés espalmados no chão e sim lateralmente posicionados. As pernas também, invariavelmente ficam entreabertas, arqueadas. Por mais maleáveis que sejam as fraldas, usá- las nunca será melhor do que não usá-las pelo menos durante os treinamentos de postura em pé e caminhadas.

Cólicas; Os recém-nascidos apresentam até mais ou menos os três primeiros meses a famigerada “cólica”. É comum o pensamento de que por ser um bebê, vai ter cólica. Trocam-se dicas de posições, massagens, bicicletinha, bolsa quente, remedinhos e todo o tipo de solução que parece tiro e queda para acabar de vez com ela. Muitas vezes ela passa mesmo com essas alternativas, mas, ela volta. A danada da cólica

3 O estudo pode ser encontrado em Archives of Desease in Childhood. Matéria em português: http://www.bbc.co.uk/portuguese/omundohoje/omh00092513.htm. Matéria em alemão: http://zeit.de/1999/11/199911.windeln ml

parece que nunca vai embora. Um dos conselhos que faz mais sentido é

o empático: "-É normal, vai passar". Já o argumento mais "científico" é

de que: "-O intestino do bebê é imaturo e cólicas são inevitáveis". E o

conselho do tipo de mãe pra mãe é sempre o de restringir determinados alimentos da dieta da lactante e usar sling, além de medicar. As cólicas são definidas pelo choro excessivo e inconsolável do bebê, cara feia, gritos, desconforto intestinal, inquietude, pernas elaboradas contra o abdômen, sobrancelhas franzidas, abdômen distendido, bebê se arqueando para trás, eliminação de gases, choro após alimentação,

dificuldade de defecar ou constipações, estufamento e gases, que geram consequências negativas para o bebê e seus cuidadores porque esse choro excessivo pode se apresentar em escaladas tais que aumentam os níveis de estresse das pessoas que o escutam, especialmente se ocorrer durante a noite, gerando privação de sono dos cuidadores e a consequência disso pode ser o comportamento abusivo dos pais, aumentando o risco de síndrome do bebê sacudido e de depressão pós-parto entre outras patologias derivadas do estresse.

Falta de consciência corporal;

A Falta de consciência se dá por uma questão bem fácil de

compreender, uma vez que a criança sente vontade de urinar ou defecar

e não sabe que sente, ela habitua-se a realizá-lo em si mesma sem

adquirir percepção de que aquilo que está sentindo é essa necessidade

fisiológica, pois nunca é atendida. Falarei mais sobre isso nas vantagens

da prática de Higiene Natural mais a frente.

Muitos xixis:

Reiterando sempre: o bebê não possui controle esfincteriano de retenção ou travamento, esses movimentos só acontecem involuntariamente. Porém, eles possuem capacidade física e neurológica de liberar ou relaxar os esfíncteres. Outro detalhe é que a bexiguinha possui micro folículos ou sensores que emitem sinais ao cérebro para que ele dê o comando aos ureteres para levarem a urina à uretra quando as comportas ainda não atingiram a capacidade

máxima, por essa razão os bebês fazem muitos xixis pequenos muitas vezes ao dia. Somado a isso, com o uso das fraldas ele precisa fazer xixi nele mesmo, de forma que molha, num primeiro momento aquece e no segundo momento esfria aquela superfície que ele veste (fralda descartável ou de pano). Então, mais ou menos como acontece com o cocô, o xixi acaba saindo em prestações, porque, além do fato da bexiga enviar os comandos de esvaziamento antes de atingir a capacidade máxima, o bebê libera um pouco de xixi e involuntariamente segura o restante, fazendo disso um ciclo sem fim de xixis eternos. Mães relatam

“meu filho faz xixi a cada 20 minutos”, bom, não é o seu filho, são todos

os bebês fraldados.

Falta de padrão de evacuação; Por tudo o que foi dito que não é possível prever um padrão de evacuação do bebê, porque ele está sendo impedido, atrapalhado pelas fraldas e isso faz com que os xixis e os cocôs sejam sempre surpresa. Pense na família inteira depois de horas, pronta pra um evento, e o bebê fofíssimo, lindíssimo, vestido como um mini-adulto, impecável, de repente: “Cataploft” é aquele cocô explosivo! Ou, chegando na pracinha, na mesa do restaurante, naquela saidinha que a gente só vai ali na esquina e já volta! O cocô explode tanto que vai até o pescoço. Assim, enquanto temos um bebê que tem hora pra dormir e hora para comer os xixis e cocôs seguem imprevisíveis, tudo por culpa das fraldas.

Cocô imprevisto;

O uso de fraldas não permite um padrão nas evacuações dos bebês,

então, não é possível prever quando o bebê vai evacuar. Isso significa que ter um bebê que usa fraldas é ter cocô sempre em qualquer situação. Formatura, casamento, dentro do ônibus, na praia, no médico, no elevador, no trânsito, no tapete da sala, no colo da visita, qualquer lugar, pense numa situação inusitada e pense no bebê todo cagado. Fora o fato de que o cocô é explosivo e vaza por todos os lados, ele é imprevisto, ninguém sabe quando ele vem.

Cocô durante as refeições, mamadas, sono, banho, troca; Um dos critérios para esse “fenômeno” do cocô durante as refeições ou mamadas é o fato de que: “se entra por cima tem que sair por baixo. Assim, ao passo que o bebê vai se alimentando, o alimento que já foi processado vira fezes e segue o rumo em direção à saída. Além disso, as refeições/mamadas são para o bebê um momento de relaxamento total e de atenção total dos cuidadores. Melhor ocasião impossível para soltar o esfíncter e liberar o conteúdo que já está no reto ou acabou de chegar lá. Os cocôs durante o sono e o banho seguem o mesmo princípio de relaxamento total. Muitas vezes o bebê passou o dia em situações de micro estresse, fazendo de tudo para comunicar sobre o cocô, os cuidadores passaram o dia sem entender o que afinal aquele bebê tinha que resmungava tanto (e “ufa dormiu”), daí, “Ploft”, cocô na fralda de madrugada! Assim acontece com o banho e as trocas, essas situações proporcionam relaxamento, a posição ideal para a evacuação e a atenção direta de um cuidador.

Constipações; O uso das fraldas não permite que o bebê evacue tudo o que contém no seu reto, haja vista que a fralda funciona como um tampão. Para compararmos, pensemos num bebê precisando vomitar e estando com uma chupeta presa na boca? Seria impossível. No máximo vazaria um pouco de vômito pelos cantinhos. É o que acontece com o cocô na fralda, pois essa situação provoca um travamento instintivo no bebê, que por não possuir controle esfincteriano de segurar/reter, mas possuir capacidade de liberar/soltar, mantém os esfíncteres acuados e pressionados, no aguardo da melhor situação para relaxar e liberar, porque ele sabe que não consegue fazer cocô daquela forma, se comunica como pode, mas não é compreendido nem atendido. É a razão da constipação por dias. Claro, a alimentação balanceada da mãe lactante e do bebê que já come também é fator importante na liberação das fezes.

Cocô em prestações; Se o bebê não fica trancadinho, ao contrário, faz vários cocôs por dia, pois é fisicamente impossível que todo o cocô que tem pra fazer saia de uma única vez só com as fraldas e, naturalmente, passa a ser feito em prestações. Acontece assim porque quando o esfíncter relaxa ele libera o “máximo” de cocô que pode e esse “máximo” é bloqueado pelas fraldas, simples assim (lembrem o exemplo da chupeta e do vômito). Dessa forma, o travamento do ânus é natural, instintivo, defensivo e simplesmente o bebê segura de forma inconsciente o restante do cocô para fazê-lo em outra ocasião em que se sinta relaxado e livre novamente. Isso não acontece de forma consciente já que ele não possui controle esfincteriano.

1.3 Impacto ambiental do consumo desenfreado de fraldas.

Uma única fralda leva em média 500 anos para se decompor. Um único

recém-nascido pode usar entre 8 a 12 fraldas em um só dia. Esse número de consumo varia muito por diversas razões, como fatores econômicos ou sociais

e idade dos bebês que conforme crescem usam menos fraldas. Há famílias que

para economizar deixam o bebê com a mesma fralda suja de xixi por horas. De qualquer forma, os bebês estão sendo fraldados até no mínimo 2,6 (30 meses) ou 03 anos (36 meses). No Brasil em 2014 nasceram 2,9 milhões de bebês representando 2,5%

a mais de nascimentos do que o ano anterior, e todas as regiões brasileiras apresentaram aumento no número de nascimentos como é possível conferir no gráfico a seguir:

Imagem: Registros de nascimentos no Brasil entre 2013 e 2014:

Fonte: Portal Brasil (2015) 4 . Estima-se que um bebê utilizará 6.000 fraldas descartáveis que

Fonte: Portal Brasil (2015) 4 .

Estima-se que um bebê utilizará 6.000 fraldas descartáveis que equivalem a quase uma tonelada de lixo não reciclável contaminando os aterros sanitários e parando nos rios e mananciais, poluindo encostas, trancando bueiros, liberando seus químicos, etc. Tudo isso sem considerar todo o ciclo de vida do produto desde a linha de produção, partindo da extração de petróleo e madeira que conforme já falamos compõem as fraldas descartáveis, passando por toda a linha produtiva, depois para o transporte, armazenamento, vendas, uso e descarte que segundo a legislação é também responsabilidade da indústria (Lei 12.305/10) 5 . Ainda que a escolha seja pelo uso das fraldas de pano que é a minha recomendação, um único bebê precisará de pelo menos 20 fraldinhas de pano e o dobro de absorventes, considerando que praticamente todo santo dia será dia de lavar fraldinhas e que há um excessivo gasto de água para sua produção e para seu uso, especialmente no que diz respeito às fraldas sujas de cocô, são milhares de litros de água que um único bebê vai gastar até o desfralde completo. Mais um ponto para a higiene natural, que cumulada ao uso de fraldas de pano, permite a lavagem de fraldas sujas somente de xixi e maior tempo de uso de fraldas secas, consequentemente reduzindo o uso diário e de médio e longo prazo também.

4 http://www.brasil.gov.br/cidadania-e-justica/2015/11/brasil-erradica-sub-registro-civil-de- nascimento.

em:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2010/Lei/L12305.htm

5

BRASIL.

Política

Nacional

dos

Resíduos

Sólidos.

Disponível

1.4 Impacto financeiro das fraldas

Gasto excessivo: fraldas, produtos, lencinhos, pomadas:

O uso de fraldas não vem sozinho, ele é cumulado ao uso de diversos

outros produtos, inclusive medicamentos. São lenços umedecidos, algodões e pomadas de diversos preços todos com custo agregado à qualidade e uma relação de dependência com os consumidores que é uma característica deste mercado da primeira infância. A demanda das fraldas é cada vez mais crescente o que estimula a concorrência do setor. Nos últimos 20 anos o preço médio de uma única fralda caiu de US$ 1 (um dólar) por fralda para US$ 0,10 (dez centavos de dólar). Os Estados Unidos são o primeiro país que mais consome fraldas descartáveis totalizando US$4,4 bilhões de dólares por ano, enquanto a China é segundo país que mais consome fraldas descartáveis em todo o mundo, totalizando vendas de US$4 bilhões de dólares e o nosso querido Brasil é país que lhes segue, ocupando o terceiro lugar no ranking de maior consumidor de fraldas descartáveis do mundo com volume de vendas de US$2,4 bilhões de dólares 6 .

Investimentos internacionais:

O volume de vendas cresceu 33% em valores e 13,6% em volume, e há

uma estimativa de aumento mais significativo no volume de valores, já que o preço médio nacional em 2016 era de R$15,34 (quinze reais e trinta e quatro centavos) contra R$11,78 (onze reais e setenta e outro centavos) do nordeste. As fraldas Huggies, da empresa Kimberley-Clark, representam 40% dos negócios da companhia que cresceu dois dígitos em dois anos. Em 2015 a empresa inaugurou uma fábrica na cidade de Camaçari na Bahia com um projeto de investimento de R$100 milhões de reais, sendo 60% destinado à fabricação de fraldas. A Basf que é uma indústria de insumos acrílicos fez o seu sexto complexo acrílico do mundo e o primeiro da América do Sul, com investimento de € 500

6

http://oglobo.globo.com/economia/com-aumento-da-renda-brasil-ja-o-terceiro-maior-consumi

dor-de-fralda-descartavel-do-mundo-14151637.

milhões de euros, sendo vizinha da Kimberley-Clark em Camaçari, comprovando o forte investimento industrial no ramo, pois produz a matéria prima necessária à fabricação das fraldas descartáveis que antes era 100% importada pelo Brasil, barateando ainda mais o produto no país. 7

Crescimento do setor:

A indústria vem reforçando os investimentos na produção, na inovação e

na capacidade/tecnologia do produto. A P&G, por exemplo, está ampliando seu parque fabril com investimentos de R$ 1 bilhão de reais, dobrando de tamanho as áreas construídas em sua fábrica na cidade de Louveira-SP. As fraldas Pampers são o carro chefe da P&G, e reduziram consideravelmente as vendas nas linhas Supersec e Premium Care, que são as mais caras, em contraponto aumentou quase o dobro das vendas na sua linha intermediária, a Total Comfort, permitindo uma boa noção de mercado e condições da clientela, na relação custo-benefício, prefere-se a fralda intermediária da melhor marca. As fraldas da Hypermarcas (Pom Pom Disney Cremer Sapeca: top, intermediária e básica, respectivamente) representam um terço dos lucros da empresa que atua no ramo de cosméticos em geral, tem fábrica em Goiás e recentemente reorganizou e investiu em sua sede pra economizar em logística e transporte. Outro setor focado no mercado familiar é o de celulose, por lucrar mais conforme aumenta a renda da população, que por sua vez, investe mais em produtos de higiene. A empresa Eldorado Brasil, por exemplo, destina 45% da sua produção para a confecção dos papéis tissues, que são ultra-absorventes usados na produção de papéis finos, lenços, papel higiênico de folhas duplas e representam a maior

demanda do mundo para o mercado da celulose. As matérias primas

para a confecção de papéis tissues e de fraldas tem um aumento de 10

a 12% ao ano no país 8 .

7 Ib. Idem. 8 http://oglobo.globo.com/economia/com-aumento-da-renda-brasil-ja-o-terceiro-maior-consumi

dor-de-fralda-descartavel-do-mundo-14151637.

Acesso à informação e melhor poder aquisitivo:

À medida que a renda aumenta e as condições de vida melhoram, a família brasileira opta por gastar mais em fraldas e em papéis de uso higiênico e esses produtos de categoria econômica aos poucos vão perdendo a representatividade no mercado. A nova classe média investe mais para consumir produtos de melhor qualidade, isso impulsiona a indústria a convencer o consumidor com a ideia de que se ele pagar mais terá melhor benefício. Ao seu turno, o consumidor está mais exigente e tem a possibilidade de comparar preços e marcas, escolhendo sempre pelo melhor custo-benefício. Além disso, as propagandas sempre em horário nobre visam reforçar a ideia de qualidade das fraldas mais caras (que são as que justamente podem pagar por propagandas neste horário). Ou seja, a economia familiar é diretamente envolvida e o gasto mensal direcionado ao uso de FD em média de R$135/150 reais beneficiando diretamente a indústria monopolista que tem lucro anual maior que US$2,4 Bi de dólares, razão pela qual,para ela não é pertinente dizer ao consumidor que o uso de fraldas é dispensável ou reduzível.

Um bebê utilizará pelo menos 01 pacote de fraldas de R$45/R$50 a cada 10 dias, o que significa R$135/R$150-mês, considerando no mínimo dois anos (24m) são R$3.2/3.6 mil. Esses dados são flutuantes, pois uma única unidade de fralda descartável pode custar entre R$0,40 e R$1,20. 9 É por isso que um consumidor fiel, mensal, anual e contínuo interessa muito, mas o desgaste ambiental, a saúde deste consumidor, a economia familiar ou o bem-estar (físico ou psicológico) dos bebês não está em posição de igualdade ao fator lucro, porque esse é um mercado real que cresce absurdamente à custa do sacrifício dos nossos bebês, dos pais, das finanças familiares e da natureza também.

9 Pesquisa de mercado feita pela autora. Faça você mesmo, em uma farmácia ou mercado compare o preço da fralda mais barata com a mais cara, dividindo o valor do pacote pelo número de fraldas a saber o valor unitário.

2 O que é Higiene Natural

A Comunicação de Eliminação (Elimination Communication) ou Higiene Natural é uma prática tradicional de ajudar os bebês a satisfazerem suas necessidades fisiológicas de eliminação. Fácil entender quando vamos um pouco antes das máquinas de lavar roupas, antes das fraldas descartáveis, antes do tecido quando, não há muito tempo, este tipo de prática era comum em todos os lugares, muito diferente de hoje em dia em que é quase uma habilidade esquecida no mundo ocidental - embora para a maioria da

população do mundo ainda é um modo de vida. Bebê sem fralda é de fato uma coisa absolutamente natural, mas nos parece algo novo, por isso tendemos a ser cautelosos. Contudo, "novas" são as fraldas que não são nada contra todo o tempo da humanidade. Alguns estudos dizem que o Homo Sapiens tem entre 400 e 100 mil anos. O Australopithecus, 4 milhões de anos, o Homo habilis 2,3 milhões de anos e o Homo Erectus 1,5 milhão de anos. Algumas teorias aumentam ou diminuem esse tempo. Seja qual for a teoria certa, torna-se lógico que o corpo humano contém conhecimentos muito mais antigos do que o uso de fraldas, não é

mesmo?

A Higiene Natural permite situações absolutamente bem sucedidas, com resultados altamente positivos para pais/cuidadores e bebês, para a natureza e

a economia familiar, fazendo com que a curiosidade sobre o tema só aumente.

Isso, nada mais é do que um resgate aos nossos conhecimentos ancestrais. HN não é moda, não é novidade, não é coisa de um grupo isolado de pessoas, não é bobagem nem é achismo. HN é, simplesmente, como seu nome diz:

"NATURAL". Estamos há tempos defendendo:

Uma gestação natural - livre de medicações e balanceada com hábitos naturais e alimentação natural; Um parto natural - livre de intervenções desnecessárias, não medicalizado

e ao seu tempo; Um pós-parto natural - respeitando a lua de leite, o novo ambiente para mãe e bebê, a ativação da rede de apoio, o respeito ao puerpério;

Uma amamentação natural - com respaldo, livre de mamadeiras, chupetas e leites artificiais; Uma criação natural - com apego, com colo, sling, com disciplina positiva, com carinho, com compreensão do universo infantil. Porque ainda não possibilitamos nem defendemos uma evacuação natural para os nossos bebês? Porque, afinal, temos tanta resistência para abrir a mente, o coração e a fralda para a higiene natural? Ao perguntar, já respondo! Faltam-nos informações! E por acaso sobre a gestação, o parto, o pós-parto e a amamentação também nos faltam informações? Aliás, nos sobram informações erradas. E o que nós fazemos, então? Corremos atrás, nos unimos e buscamos por conta própria as fontes, aí, encontramos outras mulheres, famílias e profissionais no mesmo caminho, assim, nos fortalecemos trocando ideias, dicas, artigos, dados, entramos em grupos, seguimos páginas e vamos caminhando em direção àquilo que realmente queremos: uma maternagem/paternagem consciente. Poucos são os estudos científicos sobre HN enquanto sobram estudos sobre problemas do uso de fraldas e ainda tem gente insistindo por estudos especificamente sobre a prática sem fraldas. É difícil acreditar que o simples fato de um bebê não ficar em contato com as próprias fezes não seja argumento suficiente ou que o fato de um bebê guiar o próprio desfralde com consciência corporal, não seja o suficiente! Por analogia, estudando alguns outros temas relacionados como urologia e psicologia infantis - que nos permitem concluir por dedução ajudam no processo de aceitação da HN como melhor manejo das evacuações. Infelizmente a academia não está disposta a estudar o que é natural, assim como acontece com todas as esferas que aqui estamos falando. Poucos são os autores que estão falando sobre a gravidez, o parto, o pós- parto, a amamentação e a criação conscientes. E ao mesmo tempo em que se tornam autoridade no assunto, são "mal quistos" pelas respectivas classes. Como é o caso dos médicos humanizados que têm seus registros caçados. Isso acontece porque ofende quando é preciso dizer que a cesárea coloca mãe e bebê em risco, quando essa prática é unanimidade, do mesmo modo ofende a recomendação de colocar a mamadeira e a chupeta no lixo para o

estabelecimento da amamentação, mas está lá na embalagem desses produtos: “O Ministério da Saúde adverte: a criança que mama no peito não necessita de mamadeira, bico ou chupeta. O uso de mamadeira, bico ou chupeta prejudica a amamentação e seu uso prolongado prejudica a dentição e a fala da criança”. Também ofende quando uma família recém-nascida pede aos familiares e amigos não os visitem no pós-parto, mesmo sendo uma medida que ajuda muito no sucesso do aleitamento imediato. Da mesma forma, muitas pessoas se sentem agredidas quando veem um bebê no sling bem agarradinho e não no carrinho, mesmo sendo a forma de respeitar a anatomia de um bebê e sua exterogestação. Também choca a notícia de os pais dormem com um recém- nascido, mesmo sendo comprovado que isso reduz os riscos de morte súbita na primeira infância. Entre muitas outras questões que os pais e cuidadores conscientes estão se deparando e sabem o quanto chocam e geram polêmica, repulsa, olhares tortos e desencadeiam até inimizades familiares. Os temas da criação são escolhas e para serem escolhas livres devem ser conscientes, pois não tornam uns pais melhores nem piores que os pais tradicionais, tornam apenas donos de suas opções e suas consequências. O resgate dos conhecimentos ancestrais para vivências naturais pode ofender no início, porém não podem perder suas razões. Praticar HN é humanizar as evacuações dos nossos bebês e inicialmente parece a mesma loucura que parir e amamentar e vai ofender ou provocar muita gente que vai pensar que se trata de antecipação de fases e de criar um bebê sem fraldas. Na higiene natural os bebês podem usar fraldas como qualquer outro, a diferença é que os pais e cuidadores ao perceberem que ele pretende evacuar, podendo, disponibilizam a melhor maneira/forma sem a fraldinha, em posição fisiológica, de cócoras, com bastante tranquilidade e relaxamento, tornando este ato parte da rotina, compreendendo o bebê como um universo complexo que depende de um responsável para atender suas demandas. Inclusive a psicanálise muitas vezes critica a HN dizendo que se estbelece uma relação vertical entre os cuidadores e a evacuação do bebê. Entretanto, não faz sentido atender a necessidade do sono e necessidade da fome de um filho e ignorar por completo o xixi e o cocô para passar a prestar atenção

nestas duas necessidades somente quando a criança já estiver com 02 ou 03 anos, sendo que eles nos dão nítidos sinais de que precisam evacuar tal qual dão sinais de fome e de sono desde o nascimento. Ou seja, a relação vertical entre cuidador e bebê é não somente inevitável como necessária.

Identificação dos sinais de evacuação do bebê:

Essa é a parte mais delicada da HN porque os sinais de evacuação são muitos e cada fase que o bebê vive traz consigo o seus sinais. Porém, existem os sinais individuais e os universais também. A grande sacada é que os pais não esperem sinais óbvios, tipo, cara feia pra cocô e cara de surpresa pra xixi, longe disso, é preciso se ligar nas sutilezas dos comportamentos dos bebês.

Sinais universais de cocô: bebê fica vermelho, solta gases, se espreme, faz força, som de pigarro, tem cólicas, se arqueia pra trás durante a mamada, faz biquinho.

Sinais imperceptíveis de cocô: irritabilidade, ansiedade, choro excessivo, cólicas, agitação, insônia, nervosismo, bebê se arqueando ou com espasmos abdominais, agressividade, gritinhos, concentração, teimosia.

Sinais universais de xixi: acordar do sono profundo ou soneca (aconteça

o

que acontecer, bebê acorda e faz xixi), mexer demasiadamente mãos

e

pernas, se mamar no peito: solta-peito-pega-peito um milhão de vezes,

ou pegar o peito forte com a boca enquanto empurra a mãe com mãos e pés ou, ainda, trocar de peito sem fim, morder o seio, dar tapa, mamar infinito (chupeitada). Se o bebê toma mamadeira, recusa a mamadeira, se arqueia pra trás, chora na mamada. Sinais imperceptíveis de xixi: bebê que só quer colo, não aceita ficar no sling, não se rende ao sono, choroso, irritadiço, ansioso, quando já come vira a cara pra comida ou empurra a comida com a língua, chorinhos, gritos.

Entre muitos outros sinais. Cada fase do desenvolvimento apresenta os seus, porém, é um assunto muito subjetivo que diz respeito àquele bebê em si. Partindo destes citados já é garantia de captação de muitos xixis e cocôs.

Facilitação da evacuação; A HN facilita a evacuação do xixi porque o bebê se encontrará em uma posição que lhe permitirá o relaxamento perineal e esfincteriano e a consequente liberação do xixi todo. E do cocô, especialmente, porque ela proporciona ao bebê duas vantagens sem igual: a primeira é como por conta do relaxamento esfincteriano e a segunda é a facilitação do ângulo anorretal que se define como:

O ângulo formado por uma reta que passa pelo eixo do canal anal e outra que passa pela parede posterior do reto. Em indivíduos normais, espera-se que durante a contenção fecal o ângulo anorretal fique agudo e na evacuação fique obtuso, uma vez que nesta última fase espera-se observar uma retificação do reto e do canal anal, com o objetivo de facilitar a eliminação das fezes 10 .

Imagem x: À esquerda o Ângulo anorretal normalmente, à direita, em defecação.

o Ângulo anorretal normalmente, à direita, em defecação. Fonte: Incontinência Fecal: Abordagem Passo A Passo

Fonte: Incontinência Fecal: Abordagem Passo A Passo (RIBEIRO, 2013) 11 .

10 SOBRADO, C. W, et. al. Videodefecografia: aspectos técnicos atuais. Trabalho realizado na Disciplina de Cirurgia do Aparelho Digestivo e Coloproctologia do Departamento de Gastroenterologia e no Instituto de Radiologia (InRad) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP), SP, 2004. Disponível em:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sciarttext&pid=S0100-39842004000400012#nota.

RIBEIRO, F. S. L. Incontinência Fecal: Abordagem Passo a Passo. Dissertação de Mestrado Integrado em Medicina submetida no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar. Artigo de Revisão Bibliográfica. Universidade do Porto, Portugal, 2013. Disponível em:

https://sigarra.up.pt/ffup/pt/pub_geral.show_file?pi_gdoc_id=596456.

11

Ou seja, quando colocamos o bebê em cócoras para fazer o seu cocozinho, já podemos lembrar a própria palavra “coco(ras)”, e da necessidade que o corpo humano tem de estar em posição fisiológica “acocorado” para enfim liberar de forma livre e desimpedida as fezes que estão retidasno reto”. Inclusive os adultos deveriam evacuar nessa posição, e por não fazerem desta forma desencadeiam diversos problemas como constipações fecais, incontinências fecais, hemorroidas entre outras fissuras e dificuldades de evacuação. Para facilitar a posição, é possível usar um banquinho em frente ao vaso sanitário amenizando o ângulo de 90 graus e deixando o corpo em um ângulo de 45 graus (em “V”).

Conexão entre bebês e pais/cuidadores:

Essa sem dúvida é a maior e melhor vantagem da HN. Eu poderia escrever um livro inteirinho somente pra falar da conexão que essa prática permite. O estreitamento do vínculo é ainda mais intenso, existe uma conversação entre o bebê e os cuidadores que ligam um botãozinho dentro da percepção ao mesmo tempo em que o bebê ganha consciência corporal. Verdadeiramente mágico. Só quem pratica pode falar. Não significa que os pais que não pratiquem HN sejam desconectados dos seus bebês, não falo isso, significa que os que praticam experimentam uma frequência energética de conexão sem igual. Os cuidadores sabem quando um bebê sente ou logo vai sentir fome, sabem quando o bebê logo vai sentir sono, conhecem seus padrões e seus horários, por isso, não faz sentido algum que ignorem por completo a necessidade de evacuação dos bebês. No fundo, no fundo, todo cuidador (íntimo) sabe. E todo bebê tem que ter um cuidador direto, ainda que seja mais de um, o cuidado é contínuo, portanto, um adulto que cuida continuamente de um bebê sabe por A + B quando ele precisa comer ou dormir e saberá, se ficar atento, se ligar os fatos, observar os padrões e conhecer os comportamentos quando, afinal, é hora de fazer xixi ou cocô. Isto é incrível! Desta forma, como há atendimento a todas as demandas do bebê, ele e o cuidador ficam inteiramente conectados.

Bem-estar para o bebê; Imagine não precisar ficar em contato com sua urina e seu cocô nem por um minuto! Está bem, não sejamos tão otimistas, faz de conta que a família vai conseguir pegar apenas um cocô por semana! Isto não seria bom? Se o bebê fizer dez xixis no dia e pegarmos dois, será maravilhoso. Se forem três cocôs e um deles captado é um cocô a menos em contato com o seu filho. Sempre vai ser mais gostoso, mais limpo, mais rápido. O bebê se sente atendido e acolhido, assim como quando ele sente fome e ganha seu mamazinho, ele sente vontade de fazer xixi e ganha posição e liberdade pra isso. É indubitável que um bebê que não tem contato com as próprias fezes ou urina, vive em melhor bem-estar do que um bebê que todo santo dia fica com o cocô na bundinha. Além disso, amenizam-se os sinais/sintomas pré cocô e xixi que geram bastante estresse na criança.

Cocô com horário:

Essa é mais uma das principais vantagens da prática da HN. A regularização do organismo do bebê, pois os cocôs passam a ser feitos sempre no mesmo horário ou período e, portanto, seu organismo passa a funcionar como um reloginho, literalmente. E isso dá para a família uma margem de previsibilidade muito boa, é possível até programar horário de saída conforme o ritual “cocozístico” do bebê! Por exemplo, se meu filho costuma fazer cocô sempre após o café da manhã, eu não vou marcar médico neste horário, da mesma forma que eu evitaria marcar às 14h se este for o horário sagradinho da soneca dele. Isso não quer dizer que exceções não existam, mas um mínimo de rotina que um bebê segue, mantém tudo nos conformes. Praticamente todos os bebês recém-nascidos fazem cocô assim que acordam. É a hora perfeita para começar a prática da HN. Assim, com o tempo, o bebê consegue evacuar tudo de uma vez só. Ainda que faça cocô duas a três vezes por dia, ele sairá de forma sincronizada, inteiro. Religiosamente será da mesma maneira, pois na prática da HN o cocô sai de uma vez só:

Pronto! Cocô no penico, criança sequinha, limpinha, vida

continua até o próximo que a gente já sabe quando vem. Nos casos de

-Pluft!”

HN um RN até seus três ou quatro meses faz um cocozinho em jatos explosivos, dois a três jatinhos, simultâneos ou com pouco tempo entre eles, duas vezes ao dia. Um bebê em Introdução Alimentar faz cocô sempre que comer, duas vezes ao dia e uma criança de um ano fará um único cocô no dia, sempre no mesmo horário ou período.

Xixis maiores e em maiores intervalos; É muito esclarecedor um trecho do livro de Ingrid Bauer 12 que foi uma das precursoras no processo de nomear a Elimination Communication, na obra “Sans couches c’est la Liberté!” (2006), sobre a questão da fisiologia da eliminação dos bebês, no que tange ao xixi especialmente, transcrevo a seguir uma tradução livre retirada de sua fala:

Pensamos que a necessidade de fazer xixi está atrelada ao fato da bexiga estar cheia, contudo, a bexiga não é simplesmente um contentor que cheio transborda e provoca a micção. Tanto em adultos saudáveis quanto em crianças, é uma dilatação progressiva da bexiga que estimula os receptores de estiramento, gerando vontade de fazer xixi. A primeira vontade de urinar vem quando a bexiga atinge a metade de sua capacidade máxima, por isso, é preciso entender a bexiga como um “dispositivo” inteligente no corpo, sabendo que sua dilatação só é desagradável quando esse volume triplica. Desta forma, assim como sentimos vontade de urinar antes de atingirmos a capacidade máxima da bexiga, também podemos eliminar essa urina assim que tivermos vontade. Uma vez que estamos com a urina acumulada, as paredes da bexiga começam a esticar e estimular um reflexo involuntário e o esfíncter interno da uretra relaxa levando a urina até o esfíncter externo, que por sua vez é composto por um músculo estirado que pode ser controlado conscientemente (voluntariamente). Nesse ponto, tomamos a decisão consciente de urinar, relaxando o esfíncter externo da uretra que libera a urina. Os bebês têm essa mesma capacidade de relaxar o esfíncter externo consciente e voluntariamente para liberar a urina acumulada. Eles rapidamente aprendem a associar esse relaxamento com um som sugestivo ou uma postura familiar. Este mecanismo é a base para a Comunicação da Eliminação (EC) (BAUER, 2006).

Neste sentido, um dos benefícios de médio prazo com a prática da HN é o fato de que o bebê compreende que tem necessidade de urinar, mas, no começo ele faz muitos xixis em pequenos intervalos e com o tempo,

12 Ingrid Bauer escreve e regularmente dá palestras sobre parentalidade consciente, saúde, vida, comunicação natural e não violenta. "Sem fraldas, a liberdade!" É seu primeiro livro. Ingrid estudou literatura, mas para ela, seu treinamento real vem da vida real: viajar ao redor do mundo, nascimento e apoio aos filhos, vida na natureza, escrita, relações nutritivas com os outros e viver com sua família em uma ilha na costa oeste de British Columbia, Canadá.

passa a fazer poucos xixis em maiores intervalos, pois a capacidade de suportar a bexiga enchendo é maior. Quando são recém-nascidos, antes mesmo que a bexiguinha atinja a capacidade máxima, eles já sentem necessidade de evacuar, mas com o tempo de prática esse padrão muda e o bebe fará seus xixis em ocasiões pré-determinadas, assim como uma criança maior ou um adulto.

Economia; Como o xixi (ou alguns deles) e os cocôs são feitos no penico, acabam- se todos os problemas e os gastos relativos. Economiza-se não apenas em fraldas, mas em produtos e tempo também. Por mais que a HN aparente demandar mais tempo, ele é reduzido porque com a prática o processo de ofertar o xixi e o cocô se torna tão automático e rotineiro que o fazemos rapidamente. Além disso, o cocô não gera sujeira no corpo do bebê e por esta razão o tempo de limpeza é, pelo menos, 50% mais rápido. A mesma razão para o xixi. Xixi feito fora da fralda muitas vezes nem precisa de limpeza, já é limpo, papel higiênico também é invenção moderna, mas só o papel pra absorver o excesso ou um lencinho, já é o suficiente, no caso do cocô, lavando com água e sabonete neutro na pia garante a tranquilidade do bebê. É por isso que economizamos também lencinhos, pomadas e todos os outros produtos que justamente gastamos se usarmos continuamente fraldas e se nossos bebês estiverem em contato com as próprias fezes.

Ecologia; Diante de tudo o que já foi falado no sentido comercial, industrial e dos danos que uma única fralda causa ao meio ambiente, não há dúvidas também que com a prática da HN uma criança vai usar menos fraldas e por menor tempo, gerando menos resíduo e menor impacto ambiental. Fraldas descartáveis (FD) são uma ameaça ao meio ambiente, uma vez que da produção ao descarte há uso de uma quantidade absurda de água e de energia. Para serem produzidas, muitas árvores são derrubadas que, embora recurso renovável, estamos longe de plantar uma árvore para cada uma que matamos e ainda tem os derivados de

petróleo, recurso que além de não-renovável gera guerras, exploração humana e inúmeras mortes por todo o mundo. Compostas externamente por polietileno sintético - derivado de petróleo e internamente poliacrilato de sódio e papel, a estimativa é que uma só criança gere por apenas UM ANO o descarte pelo menos 130 quilos de plástico (contando as embalagens), e 200 a 400 quilos de papel, sendo que em dois anos, estima-se que um bebê utilize 6mil FD, dobrando o número de quilos de lixo (mal) descartado, essa incontável quantidade de fraldas vai parar no lixo comum e aterros sanitários, sendo elas sozinhas responsáveis por 2 a 5% de cada lixão que existe no país. Mais triste é saber que o tempo médio de decomposição é de 500 anos e que nosso país sequer tem coleta, descarte e reciclagem correta dos resíduos (estamos muito longe disso). A única usina de reciclagem de produtos descartáveis está localizada na Inglaterra, a 165 km de Londres em West Bromwich e transforma fraldas infantis e geriátricas e os absorventes femininos em capacetes de ciclistas e telhas. Alternativamente às FD estão de volta as fraldas de pano (FP), ganhando uma boa aderência nas famílias conscientes. Recomendo fortemente o uso delas na prática da HN, pois raramente haverá cocô no pano o que facilita demais o uso e a lavagem economizando tempo e produtos. Porém, fora o fato de que há preconceito com seu uso e muitas famílias acreditem que o meio ambiente em que seus bebês irão viver não compense o tempo desprendido para a manutenção das FP, há grande resistência em seu uso porque o desconhecimento faz muita gente acreditar que elas não são higiênicas nem seguras, além de também demandarem gasto excessivo de energia, água, tempo e produtos para que fiquem limpas. Ainda assim, as FP causam menores danos ao meio ambiente. Por tudo isso, a HN se apresenta como melhor e mais ecológica alternativa às evacuações dos bebês.

Resgate a um conhecimento ancestral; Mesmo num mundo globalizado, cada vez mais pessoas estão em busca daquilo que é natural e desmedicalizado ou desindustrializado, isso porque, simplesmente, já chegamos num patamar em que seguir como

estamos não dá mais. A cada dia surgem novas doenças e novas “curas”, porém, com um pouquinho de pesquisa ou abertura da mente, saberemos que ambas, doença e cura, são criadas pela indústria. Está aí a Bayer que comprou a Monsanto para apoiar esse raciocínio. Também por causa da globalização e da descentralização humana, onde se esvai a conexão com o eu Divino, puro e natural, é possível concluir que esse sistema moderno em que vivemos não tem nos levado

a lugar algum se não às cirurgias desnecessárias, intervenções médicas

medicalização da infância e alopatização da vida, tornando urgente o resgate aos conhecimentos ancestrais que vêm ganhando vez e voz no cenário social. É na sabedoria ancestral que mora a cura do corpo, da mente, do espírito e do perespírito e a prática da HN entra justamente neste contexto, proporcionando um (re) conhecimento daquilo que em verdade sempre fez parte da vida humana, a conexão e a naturalidade do ser com suas necessidades fisiológicas.

Consciência corporal;

A HN favorece ao bebê consciência de eliminação desde o nascimento e

esta sensibilidade é desenvolvida com o reconhecimento de sensações internas do corpo somados ao relaxamento dos músculos para libertar voluntariamente a urina ou as fezes permitindo, portanto, que o bebê tenha desde cedo consciência de que as sensações sutis que sente indicam que a bexiga ou o reto estão cheios. Assim, o bebê pode avisar seus pais ou os pais podem antecipar essa necessidade utilizando um calendário ou a intuição para ajudá-lo. Quando um cuidador segura o bebê sobre um recipiente e emite um som familiar, por exemplo, “shiiiiiiii”, em seguida a criança relaxa e libera voluntariamente a urina se

sua bexiga estiver cheia e ele estiver desconfortável. Ao bebê consiste em reconhecer, relaxar e soltar. Como a capacidade de soltar é diferente da capacidade de contrair, mas ambos são necessários para a continência completa, a prática da HN é benéfica por ser muito diferente das técnicas de controle esfincteriano, sequer visa esse controle. Mais tarde, quando de fato os músculos pélvicos estiverem reforçados e o bebê desenvolver o controle consciente dos esfíncteres, aí sim ele

poderá, se necessário, conter e reter a urina por mais tempo. Esse amadurecimento esfincteriano é feito de forma gradual, como consequência natural e inevitável, sem a atenção ou esforço especial que o desfralde tradicional exige. Por isso a HN gera uma grande consciência corporal no bebê e um forte estreitamento do vínculo emocional e físico das pessoas que praticam esse aprendizado com ele que será revertido em comunicação muito antes do que ele possa falar.

Na HN quando se vê o bebê fazendo força não se finge que não vê. Não se deve ignorar e obrigar a criança a defecar em si. Atende-se a necessidade fisiológica de evacuação tirando a fralda e o segurando em posição de cócoras, assim ele evacua rapidinho sem sujeira alguma, nem mesmo precisa de kit higiene pra depois. Só um papelzinho ou lencinho em caso de xixi e água com sabonete no caso de cocô (sempre que possível) e o melhor, coloca-se a mesma fralda de antes limpinha e cheirosa, exatamente como o bebê fica (além de limpo: feliz).

Xixi e cocô são necessidades fisiológicas Tais quais a fome, o sono, o frio, a sede e a respiração, o xixi e o cocô são involuntários para o bebê. O corpo pede, ele sinaliza de uma forma ou de outra, cabendo aos pais e cuidadores atender os seus pedidos. Tanto o corpo quanto a anatomia, a fisiologia e a biologia dos bebês são exatamente iguais ao adulto (aparelhos respiratório e excretório, etc.).

2.1 Como praticar HN

Querer,

comunicação, tranquilidade.

Requisitos:

Querer:

observar,

sentir,

facilitar;

posição

correta,

O querer vem primeiro, obviamente, não há como tomar nenhuma atitude pró-ativa na vida sem a força motriz do ser humano que é a vontade. Os pais e cuidadores precisam se informar conhecer o método

minimamente compreendendo suas razões e então, querendo, darão os primeiros passos rumo à efetividade da HN que, afinal, é uma prática porque somente praticando será possível internalizar e realizar o processo de forma natural.

Observar:

 

Quando eu digo que é preciso observar eu não estou falando pra ficar 24h por dia colado na criança sem fazer mais nada da vida. “-Ah, tem que ter tempo!” Já me disseram tantas vezes. E um bebê não demanda tempo? E não temos que observar tudo o que um bebê sente, vive, precisa? Bem, a observação consiste apenas em ligar as anteninhas da percepção, atentar, querer saber se por acaso aquele serzinho, dentre as necessidades que pode estar sentindo, não poderia estar querendo fazer xixi ou cocô? Simples assim! Reconhecer que não é apenas a fome e o sono que o bebê sente, assim abrindo as portas da percepção para os seus comportamentos relativos às evacuações.

Sentir:

 

O

sentir é ainda mais legal que observar porque ele está no coração, ele

está na glândula timo, ele está no elo mãe/pai/bebê. É mais simples do que pensamos. Neste mundo globalizado, acelerado e desligado, sentir que um bebê precisa evacuar parece mesmo coisa de louco, mas não é. Porque afinal, uma mãe sente quando seu bebê quer dormir ou comer e com a observação ela passa a sentir quando ele quer evacuar também. Colocou a atenção, estará sentindo e se faz sentido, faz sentir. “-Ah, mas eu não sinto!” Calma, já ligou as anteninhas? Já observou? Um passo de cada vez.

Facilitar:

A facilitação da evacuação é também muito simples. Claro que parece

uma coisa impossível, pois existe uma falsa ideia de que o bebê evacua

o tempo todo, como se fosse um balão furado e isso não é verdade. A

facilitação da evacuação pode e deve ocorrer somente quando for possível, viável e, para isso, os pais e cuidadores devem estar atentos

aos sinais do bebê, achando assim, na situação em que se encontrarem as formas de facilitar este processo fisiológico. “-Ah, mas na rua como faço?” Faz como faria se tivesse uma criança de quatro anos desfraldada, buscando os meios e as alternativas como o local mais adequado, olhando ao redor, procurando um cantinho, o meio fio, um banheiro, um matinho, o pé de uma árvore, que seja, para proporcionar uma evacuação limpa e digna ao bebê. Tirando a fralda, ou pelo menos soltando um pouco, abrindo o body, deixando o bebê verticalizado, flexionando as perninhas, etc. Não existem fórmulas mágicas e cada caso é um caso. Na rua será de um jeito, em casa de outro, num evento de outro, na estrada de outro, o segredo é facilitar.

Posição correta:

A posição em “V” forma o ângulo de 45º entre os joelhos e o abdome do bebê, o que estará proporcionando relaxamento perineal que viabiliza a liberação eficaz do cocô e também do xixi. Uma posição adequada no momento da evacuação fará toda a diferença para o sucesso da HN. Porém, não adianta o bebê estar em “V” e se sentindo inseguro. É como

a posição para o parto, onde sabidamente a litotomia (mulher deitada de

barriga pra cima) não ajuda em nada a fisiologia humana, enquanto as posições verticalizadas (em pé, cócoras, banqueta, de quatro, etc.), em comunhão com a gravidade, são potencializadoras para um bom parto. Com a higiene natural é igual e os motivos são vários, um deles como já mencionado é o ângulo anorretal, ou seja, trata-se do canal anal do ser humano e da musculatura esfincteriana que tem a ação inibida enquanto

o

indivíduo tenta defecar em posição errônea. Para a perfeita evacuação

o

esfíncter anal interno deve relaxar e isso ocorre por conta da pressão

intra-abdominal que aumenta e acaba por impelir as fezes em direção ao reto. É justamente a imposição das pernas contra a barriga (em direção

à

barriga não quer dizer que seja pra dobrar o bebê ao meio) que realiza

o

trabalho de colocar o canal anal na posição correta para a evacuação

ainda contribui com a "força natural" necessária para o cumprimento desta missão tão importante para o corpo, porém, somente em posição correta, com relaxamento e tranquilidade o esfíncter anal externo

e

relaxará para a eliminação completa das fezes. O homem moderno enfrenta desde o nascimento a contração constante dos esfíncteres anais, o que acarreta num estreitamento do ângulo anorretal e automática pressão errônea no canal anal, quer dizer, desde o advento das latrinas 13 estamos evacuando errado, mal posicionados e, por isso, muitos médicos e fisioterapeutas atualizados já indicam que adaptemos um banquinho frente ao vaso sanitário para que elevemos as pernas e assim possamos evacuar da forma correta. Neste sentido, importa saber que em busca de tratamento, as maiores queixas dos pacientes são de dor ao defecar, evacuação parcelada e esforço excessivo.

Comunicação:

Chegamos ao ponto: a comunicação de eliminação (Elimination Communication). Não se trata de uma conversa anterior ao cocô não, não. Claro que anteriormente ao posicionamento devemos comunicar ao bebê o que estamos fazendo com ele, pois é bastante positivo conversar tudo e explicar o que ocorre, mas, na HN a comunicação é para a “autorização”, a liberação das necessidades, como um comando de voz. Após a percepção/identificação, o posicionamento e o relaxamento que será hora de dizer: “-Faz xixi filho, shiiiiiiiiii”, “-Faz cocô, bruuuuuuu, ram ram (som de pigarro). É da associação dos sons ao movimento corporal que o bebê relaxa os esfíncteres de forma consciente e vai ganhando cada vez mais consciência e domínio corporal.

Tranquilidade:

Bom, aqui também precisamos focar. A HN não combina com nervosismo ou ansiedade. Não condiz com pressa nem com nada que não seja tranquilo e sereno. A tranquilidade deve ser passada pelos pais ou cuidadores através da respiração, da postura, da firmeza. Já

13 No séc. IV a.C os Romanos, grandes engenheiros que eram, já tinham latrinas comunitárias, às quais chamavam de parlatórios, uma vez que as pessoas conversavam umas com as outras enquanto evacuavam. História do Saneamento Básico 6ª Reunião do Conselho de Regulação e Fiscalização da AR-ITU. 09/11/2016. Disponível em: https://www.itu.sp.gov.br/wp-

content/uploads/2016/ar_itu/conselho_regulacao_fiscalizacao/2016_11_09_6_reuniao_ord_

consregfis_ar_itu.pdf

imaginaram uma mãe amamentando um bebezinho e ao mesmo tempo estando enervada pensando que queria estar na balada? Ou porque tem que lavar a louça e as roupas? Tudo bem, a mente da gente muitas vezes não está focada no momento presente e nenhuma mãe será culpada por não ver um campo florido durante a amamentação, porém é sabido que se a mãe não estiver bem isso vai refletir diretamente no insucesso da missão, mais uma das razões para que toda a puérpera tenha uma sólida rede de apoio. Assim é com a HN, se o cuidador após observar, sentir, facilitar, colocar na posição correta e comunicar não estiver tranquilo: “-Não vai rolar!”. Sabem por quê? Porque o bebê é um ser anos luz mais sensitivo que nós e ele vem cru, dotado de sexto sentido, de intencionalidade, de vibração. E se, na necessidade de evacuar não sentir que o cuidador que o segura está tranquilo, por causa do instinto de sobrevivência, irá de forma natural e inconsciente travar o esfíncter. Ou seja, tranquilidade é sim um pré-requisito para a prática da HN.

3 O que não é HN

NÃO é treinamento/adestramento de bebês. É preparação dos pais para entenderem os sinais da criança. É treinamento dos pais e cuidadores. Se há uma terminologia que me deixa nervosa é essa: “adestramento de bebês”, ora, por favor, bebês não são bichos para serem adestrados, não possuem capacidade cognitiva e neurológica para isso e ainda que possuíssem, da mesma forma que os animais, não merecem nem precisam ser treinados para nada. Ajudar um bebê a evacuar não é treiná-lo a nada, ou então,

amamentar também seria um treinamento e o bebê nasce sabendo mamar, nós mães que precisamos aprender a amamentar e sofrer as consequências deste “treinamento”, assim o é com a HN, os bebês nascem sabendo que precisam fazer xixi e cocô em posição privilegiada

e

com a bundinha livre, nós pais e cuidadores que precisamos aprender

e

treinar para ajudá-los.

NÃO é antecipar uma fase do desenvolvimento cognitivo dos filhos. É compreender que esse conhecimento dos bebês é ancestral, e que também o possuímos, apenas fomos ensinados a esquecê-lo. Fraldas não fazem parte da espécie humana, portanto, é cientificamente impossível antecipar uma fase, que na vida natural não existe. Se vivêssemos na floresta, sem saber da existência das fraldas, não pensaríamos em antecipação de fases, porque não haveria fase de usar fraldas. É assim com os bebês que praticam HN, eles não passam pelo processo de hábito do uso de fraldas. Se pensarmos de forma coerente, é justamente o uso das delas que causa tantas confusões nas percepções corporais de evacuação das pessoas e problemas para desvencilhar um bebê da necessidade de usá-las.

NÃO é desfralde; Nem mesmo visa o desfralde porque na prática da HN o esperado é apenas a facilitação da evacuação e não o abandono do uso de fraldas.

Vivemos em uma sociedade que já nos exige muito e pensar num bebezinho sem fraldas é pensar numa situação onde nos tornamos escravas da evacuação. A HN é tão orgânica que passa longe disso, afinal de contas, a prática pretende apenas o atendimento das necessidades fisiológicas de um bebê e, hora ou outra, não conseguiremos atender, porque a nossa vida é muito corrida, então as fraldas podem sim ser usadas de forma positiva e amigável para captar escapes, o que é bem diferente de fazer um uso constante e indiscriminado deste apetrecho. Em vários lugares do mundo defendem a HN sem o uso de fraldas, sendo assim, não haveria desfralde, porém, por estudar bastante sobre a questão e buscar adaptá-la à nossa realidade social, acredito que com o uso de fraldas a HN pode ser extremamente positiva e suave, contribuindo para o estreitamento do vínculo e o ganho de consciência corporal por parte do bebê, que, ao seu turno, guiará o próprio desfralde.

NÃO exige dedicação exclusiva; A HN não precisa ser praticada de forma contínua e ininterrupta, ao contrário, pode ser praticada de forma parcial. Se você só fica com seu filho no período da manhã, pratique neste período, da mesma forma como acontece com a amamentação, se estiver com seu filho à tarde, o amamentará neste momento e nos demais horários ele será alimentado de outra forma. Então, se o seu bebê estiver na creche com vontade de fazer xixi, ele fará, porque ele usará fraldas desde o nascimento, mas com você, com o pai, com os avós, por exemplo, ele utiliza o penico, por se sentir melhor e a família preferir assim. Isso não gera confusão nem estresse, no máximo ajusta o horário do cocô do bebê para os períodos em que estiver com o cuidador que lhe proporciona a prática da HN.

NÃO é controle esfincteriano; Estou a repetir isso com bastante ênfase porque essa é a maior crítica recebida pelos praticantes de HN, porém, é biologicamente impossível que um bebê tenha controle esfincteriano, seja qual for o esfíncter de seu corpinho, afinal, os esfíncteres no começo da vida são imaturos por natureza. HN não espera o controle dos esfíncteres porque:

Uma criança pode ser considerada com controle esfincteriano quando não necessita mais de ajuda ou de supervisão para usar o vaso (ou penico). Pode assumir a responsabilidade de um uso independente e possui a capacidade de manter-se seca e limpa, isto é, sem urinar ou evacuar nas calças. A criança torna-se completamente treinada a partir do momento em que é capaz de ter consciência de sua própria necessidade de eliminar urina e fezes e pode iniciar o ato sem um lembrete ou um preparo por parte dos pais. Por sua vez, o treinamento para adquirir o controle esfincteriano é complexo e feito em etapas. A aquisição da independência para o uso do sanitário inclui: caminhar até o vaso ou penico, baixar as calças, sentar no vaso (ou penico), urinar ou evacuar, puxar as calças, dar a descarga, lavar as mãos e retornar ao local onde estava. Estar "pronto" para esta etapa é importante para torná-la mais prazerosa e de menor duração. Adquirir independência para o uso do banheiro requer que a criança apresente não apenas domínio de linguagem, mas ainda motor, sensorial, bem como neurológico e social. Clima, cultura e acesso a fraldas descartáveis são fatores importantes no início do treinamento esfincteriano. 14

Ou seja, nada do que é considerado controle esfincteriano pela literatura está dentro das expectativas e realidades da HN, pois o bebê sempre vai precisar de auxílio de um cuidador para a prática, assim como para comer e para dormir. Também porque questões psicológicas, socioculturais e fisiológicas influenciam no controle esfincteriano, sendo a família e a creche ou escola os referenciais diretos da criança e o treinamento esfincteriano uma das questões mais preocupantes no desenvolvimento infantil. Na HN, ainda que o bebê seja maiorzinho, não se pretende que ele tenha autonomia de ir ao banheiro sozinho e realizar tarefas como abaixar as calças e lavar as mãos de forma desassistida. As pessoas que não compreendem a HN falam de controle esfincteriano, justo o que, definitivamente, a HN não é.

14 MOTA, D. M, BARROS, A. J. Toilet training: methods, parental expectations and associated dysfunctions (Treinamento esfincteriano: métodos, expectativas dos pais e morbidades associadas). J Pediatr (Rio J). 2008;84(1):9-17. doi:10.2223/JPED.1752.

4 Vantagens de praticar HN

Bebê sem cólica; Poucas pessoas levam à sério quanto à indicação da HN para solucionar cólicas. E as mães que arriscam tirar a fraldinha e colocar o bebê na posição correta logo aos primeiros sintomas de "cólica", voltam pra relatar que vapt-vupt o bebê evacuou e os sinais de sofrimento acabaram. Então, acredite, a HN é a melhor e mais natural solução para as cólicas do recém-nascido! Geraldine Jordan 15 (2014) nos presenteou com um (e provavelmente o único) estudo científico de comprovação dos benefícios da Higiene Natural (HN) ou Elimination Communication (EC) especialmente no que diz respeito às cólicas dos bebês. Em seu estudo entitulado: "Comunicação de Eliminação como terapia para a cólica16 (tradução livre), no resumo, define a autora:

Cólica é geralmente definida como choro excessivo no início da infância e pode ter consequências negativas para a criança, bem como sobre a vida familiar da criança. Choro excessivo que pode resultar em uma escalada dos níveis de estresse dos pais, que como resposta tornam-se cuidadores abusivo, aumenta o risco de síndrome do bebê sacudido e aumentam os índices de depressão pós-parto. Além de choro excessivo, sintomas e descritores de cólica infantil incluem choro inconsolável, gritos, pernas elaboradas contra o abdômen, sobrancelhas franzidas, abdômen distendido, arqueado para trás, eliminação de gases, choro após alimentação e dificuldade de defecar/constipação. Existem alguns bem concebidos, reprodutíveis e randomizados estudos, em larga escala, que demonstram a eficácia de qualquer método terapêutico para cólica. Contudo, uma etiologia inexplorada é que a cólica é funcionalmente relacionada a uma diminuição na frequência das fezes. A distensão pode, periodicamente, resultar na intensificação do desconforto para a criança e, concomitante choro inconsolável. Comunicação de eliminação (EC, também conhecido como Higiene Natural Infantil-HNI e às vezes se refere à formação em penico, ou uso assistido do banheiro pelo bebê) envolve o uso de sinais pelos quais os bebês demonstram aos cuidadores que querem urinar ou defecar e estes, observando passam a conhecê-los e atendê-los. Tais sinais podem incluir tipos de choro, contorcendo-se, esforçando-se, distendendo- se, fazendo uma careta, agitação, vocalizando, olhar atento no cuidador, rosto vermelho, gases e grunhidos, muitos dos quais são os

15 PHD canadense, pesquisadora de diversas áreas do conhecimento, professora assistente em Geografia e Estudos Ambientais no TWU. Ministra cursos de Geografia e Estudos Ambientais, incluindo ciências ambientais, sistemas de informação geográfica (SIG) e geografia física, desenvolvendo estudos e evidências científicas que contribuem e muito com o entendimento da evolução da nossa espécie. Seu currículo Lattes e suas publicações você encontra aqui: https://www.twu.ca/profile/geraldine-jordan

16

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24962210

mesmos sintomas iniciais relacionados com o aparecimento de estados infantis de cólica.

A MELHOR resposta para essa situação é a atenção e carinho de um

cuidador para estes sinais de uma criança, envolve a descoberta da fenda interglúteo do bebê (bumbum ao vento) e embalando o bebê

delicadamente e não coercitivamente em uma posição de cócoras em que ele fique seguro e suportado. Esta posição vai aumentar o ângulo anorretal da criança facilitando assim a evacuação completa. Supõe- se que a eliminação eficaz e em tempo irá provocar um aumento de conforto físico para a criança e os sintomas de cólica irão concomitantemente diminuir.

CONCLUSÃO:

A hipótese de EC como terapia para cólicas não se centra em treinamento do banheiro em uma idade precoce, mas na implementação do conhecimento/observação do aspecto da criança/bebê, de modo que a micção e a defecação sejam auxiliadas. Ao ter suas necessidades atendidas, o bebê melhor expressa sinais de necessidade de fazer xixi e cocô, que incluem tipos de gritos e sintomas idênticos aos conhecidos como cólicas. Quando essas dicas são reconhecidas e o lactente está posicionado de cócoras apoiadas, estará na posição, podendo urinar e defecar com facilidade. O

lactente terá alívio do desconforto gastroenterológico e uma redução dos sintomas cólicos. Se os sinais não forem adequadamente respondidas em tempo hábil por um cuidador atento, então o estresse

e o choro vão aumentar a escala. No entanto, um cuidador atento e

disposto a dar a resposta às pistas que o bebê dá, colocando-o a posição correta, de forma gentil e não coercitiva em um ambiente seguro, posicionando-o de cócoras, aumentará o ângulo anorretal do bebê facilitando a defecação completa. A eliminação completa, dando maior conforto físico para a criança ocasionando uma concomitante diminuição dos sintomas de cólica.

Ou seja, esse estudo de Geraldine Jordan (2004) nos dá a evidência científica mais tranquilizante, especialmente para as puérperas que estão espalhadas por tantos lares, desesperadas com os sintomas das “cólicas”, procurando a medicina tradicional e seus remédios cheios de efeitos colaterais para “resolver” um problema que, na verdade, nem é um problema, é apenas vontade de fazer cocô.

Bebê sem assaduras, fungos e bactérias; Um tanto lógico que a partir do momento em que a bundinha e as partes íntimas do bebê não ficam mais em um ambiente fechado, escuro e constantemente úmido ou em contato com fezes, as assaduras, os fungos e as bactérias consequentemente irão sumir. Outro ponto que eu poderia ficar horas dissertando e também trazendo evidências científicas é sobre a relação das assaduras dos fungos e das bactérias com este tipo de ambiente, mas penso que para você que já chegou até aqui lendo, as ideias já estão muito mais claras e evidentes. Sem dúvidas, a

própria experiência de praticar Higiene Natural por uns dias vai ser a melhor explicação para ter um bebê sem assaduras, cândidas e bactérias, tente, pratique.

Mais xixi e menos cocô:

Conforme expliquei anteriormente, a bexiga do bebê não tem capacidade de suportar muito xixi e, além disso, raras vezes ele relaxa de fato para eliminar essa urina que está secretada. Somado a isso, ele libera um pouco do xixi que acaba de alguma forma lhe importunando e por isso, instintivamente ele contrai o esfíncter e não relaxa por completo. É basicamente assim com o cocô que ficou no intestino grosso e no reto, o bebê em posição errônea não consegue relaxar o suficiente para liberar o cocô, então, no aperto libera um pouco e retém o resto e isso lhe gera vários cocôs ao dia, o que é em verdade o mesmo cocô feito em suaves parcelas. Com a HN é muito diferente, o hábito de fazer xixi e cocô de maneira correta, com períneo relaxado e esfíncteres relaxados, no momento em que o bebê faz ele consegue esvaziar a bexiga por completo e o reto também.

Economia (fraldas, produtos, tempo); Uma das críticas recebidas por quem toma ciência da HN, mas não quer aceitar essa possibilidade, é que seria necessário muito tempo para praticá-la. Porém, com a habitualidade, a economia de tempo é indiscutível, porque não há sujeira, o bebê não fica em contato com fezes em toda sua bundinha e suas partes íntimas. Consequentemente o gasto com os produtos relacionados é diminuído significativamente ou até zerado. Acaba-se o uso de lencinhos, pomadas, cremes e óleos e o uso das fraldas também passa a ser apenas para os escapes e não como algo inseparável da criança que justo pode gerar tantos problemas no futuro. A economia familiar ganha segurança e não fica à mercê de um comércio interminável de ciclo sem fim representado neste esquema:

fraldas + lencinhos + pomadas antiassaduras, antimicóticas, antifúngicas

e bactericidas = gasto de tempo e dinheiro = + fraldas + lencinhos + pomadas e por aí vai.

Respeito à natureza; Se eu reduzo consideravelmente o uso de fraldas e em curto ou médio prazo até deixo de usá-las, bem como os produtos e medicamentos relacionados ao seu uso, eu deixo de produzir quilos e quilos de resíduos não recicláveis e litros e litros de água que seriam utilizados desde a produção até o descarte no caso das FD e da fabricação para as constantes lavagens no caso das FP. Na natureza, o cocô pode ser “filtrado” se bem descartado. Ele é orgânico. O xixi também. Não há forma mais integrada ao meio ambiente do que criar um bebê sob o manto da Higiene Natural. Porque eles já nascem sabendo que é assim que tem que ser, clamam por isso. E nós, instintivamente também sabemos. Diante desse resgate a esse conhecimento ancestral estaremos pais, cuidadores e filhos interligados ao cosmos. É assim que nos (re) encontramos com o nosso verdadeiro eu, divino, natural, buscando uma integração com a gestação, o parto, a amamentação, a criação com apego, a disciplina positiva, a comunicação não violenta e a higiene natural.

Respeito a mais necessidades fisiológicas do bebê;

É sobre tudo o que estamos falando, afinal, o bebê possui necessidades

fisiológicas como qualquer ser humano e requer pelo menos um cuidador em tempo integral e este tem que atender tais necessidades até que aquele possa fazer tudo sozinho. Embora o uso de artifícios pareça mais fácil e mais cômodo, esses artifícios se refletirão em problemas de curto, médio e longo prazos tanto para os pais, quanto, principalmente, para os bebês. Não faz sentido usarmos utensílios que futuramente nos trarão dores de cabeça e desencadearão apego aos nossos filhos, como é o caso da chupeta, da mamadeira, das fraldas, etc. Por isso, na fome amamentamos e ou alimentamos, no sono, proporcionamos o ambiente e respeitamos o soninho e na iminência de

xixi e cocô, atendemos com tranquilidade proporcionando acolhimento a mais essas necessidades dos nossos pequenos que vão crescer com total consciência corporal e segurança por serem atendidos em suas necessidades.

Bebê confiante e comunicação estabelecida; Como os cuidadores se mostram preocupados e atentos com as necessidades dos bebês, estes, por sua vez, passam a sentir confiança na relação e se esforçam para estabelecer uma comunicação. Assim como a linguagem dos sinais para bebês é muito positiva, a comunicação de eliminação também é, porque os pais atentos auxiliam e expressam a comunicação no ato, o bebê reconhece aquele som familiar e em tranquilidade elimina o xixizinho ou cocozinho que está incomodando ou avisa nitidamente em caso de ter feito na fralda.

Estreitamento do vínculo, conexão; Sem dúvida toda essa comunicação entre os bebês e seus cuidadores e todo esse atendimento oportuno, geram o estreitamento do vínculo. São conexões na comunicação que se desenvolvem através de um olhar, um som, um movimento ou gesto. Além, claro, do sentimento de satisfação e gratidão de ambas as partes, tanto dos pais e cuidadores quanto dos bebês.

Eliminação limpa, digna e tranquila; Conforme venho falando, a HN exige uma entrega do cuidador, no sentido de passar a segurança e a tranquilidade para o bebê para que ele consiga relaxar o períneo e os esfíncteres soltando o xixizinho e o cocozinho que lhe incomodam. Estando sem fraldas e na posição favorável o bebe consegue eliminar tudo o que precisa eliminando de forma limpa porque não há contato corporal com as fezes, só anal mesmo, o que se limpa com facilidade e rapidez, lavando. Por isso também a evacuação é digna, afinal, o bebê é atendido fazendo tudo rapidinho, fica limpo e sequinho por muito mais tempo, o que lhe proporciona conforto, tranquilidade, segurança e satisfação.

Não precisa deixar o bebê sem fralda; As fraldas não são de todo negativas, elas podem ser nossas aliadas e aliadas dos nossos filhos. Porque não é sempre que estaremos percebendo os sinais de evacuação (assim como nem sempre percebemos o de fome). Estando de fralda, o bebê não fica urinando em si mesmo, nem no chão nem no sofá e isso não gera estresse pros cuidadores nem traumas para a criança como acontece no desfralde forçado. Considerando um bebê praticante de HN, o desfralde é natural

e muito mais cedo, o que faz da vida útil de uso de fraldas por aquele

bebê ser bem curta e menos impactante no sentido ambiental, financeiro

e psicológico, então tudo bem usá-las.

4.1 Qual a idade ideal para começar a praticar HN?

Não existe restrição de idade para começar a praticar HN, mas quanto mais novo o bebê mais rápidas são suas respostas. Os bebês menores de 12 meses respondem rapidamente à prática da HN:

-A primeira janela ideal é de 0 a 4 meses, com resposta imediata; -A segunda janela ideal é de 4 a 8 meses, com resposta semi-imediata; -A terceira e última janela ideal é de 8 a 12 meses, com resposta quase imediata.

Isso pensando que dos 00 aos 04 meses, na primeira janela ideal, o bebê acabou de sair do útero seus movimentos são involuntários, está totalmente dependente do cuidador é somente instinto e vibração, ele sabe que as fraldas se apresentam como empecilho, a posição não lhe ajuda, então ele chora, clama, se contorce, faz careta, apresenta aquilo que todos pensam que é cólica, é medicado, silenciado, retrai, fica mais nervoso, suplica, não lhe compreendem, mais remédio, dias sem cocô, supositório, e assim,

sucessivamente, num ciclo sem fim de problemas com as fezes. Muitos cocôs ao dia, dias sem fazer cocô. Cocôs explosivos que vazam da fralda e vão até a nuca. Assaduras, cólicas, constipações, e assim vai. A maioria dos bebês nessa idade aproveita a troca de fraldas, o banho e momento de brincadeira para evacuar, que é quando instintivamente se sentem relaxados e mandam ver. Com a HN, o bebê tem rotina de evacuação, seu corpinho funciona feito reloginho, há comunicação evidente com o cuidador direto, que preferencialmente será a mãe (que por sua vez precisa de uma rede de apoio para dar conta das outras questões como casa e compromissos) porque ela precisa amamentar e ser ao bebê um elo de transição para o mundo terreno e ela estará atenta a todas as necessidades do seu filhinho, conhecendo sua rotina de amamentação, de sono e também de evacuação, naturalmente. Porém isso não exime nenhum outro cuidador ou parente de realizar a HN com o bebê que vai responder imediatamente porque para ele fazer cocô na posição correta é totalmente instintivo. Os sintomas/sinais nesta fase são choro excessivo, pegar e soltar o peito muitas vezes, arquear-se para trás, puns, não se entregar ao sono, cólicas, barulhinhos com a boca, olhar profundo no cuidador, mexer muito as perninhas, segurar o peito com a boca e empurrar com mãos e pés, entre outros. Dos 04 os 08 meses, a segunda janela ideal, o bebê já está mais ativo, mais curioso, vira de bruços para satisfazer a própria dorzinha de barriga e desbravar o mundo, observa e interage melhor com o seu entorno, logo inicia a introdução de alimentos, começa a ter contato com cocô mais consistente e isso lhe incomoda, passa a sentar, ficar de pé apoiado, está engatinhando ou prestes a engatinhar. É fácil esse bebê entrar na rotina de usar o seu penico e se livrar rapidinho daquele xixi e daquele cocô que lhe incomodam. Ele apresentará comportamentos como gritos, irritabilidade, choro excessivo, ansiedade, mamada infinita, troca peito um milhão de vezes, morde o seio, dá tapas, antes de dormir e de madrugada e de manhã vai grudar no peito, enfim, cada bebê é único, pode ser que apresente insônia ou falta de apetite ou empurre a comida com a língua. Dos 08 aos 12 meses o bebê encontra em outra fase do desenvolvimento mais exigente, emite as primeiras palavras, “abua”, “mamama”, “papapa”, ensaia passos, fica mais verticalizado, tem ainda mais

consciência de seu corpinho, apresentará comportamentos como agressividade, irritabilidade, angústia, gritos, maior exigência de colo ou não aceitar colo de jeito nenhum. Tudo como sinais de evacuação a serem observados. Por isso também, o uso de fralda não é necessariamente um hábito ainda, de modo que fica fácil introduzir o hábito da HN no dia a dia desse bebê que esperto se liga nas novidades adaptando-se de igual modo.

Os bebês maiores de 12 meses costumam ficar mais confusos e ter uma adaptação lenta, porém, gradual e positiva.

Situação que exige mais dos pais e cuidadores e eles costumam desistir. Nos casos que acompanhei em que os pais persistiram, respeitando o comportamento da criança, usando técnicas de distração, por exemplo, obtiveram resultados satisfatórios de médio prazo. No caso de bebês acima de um ano, um ano e três meses, um ano e seis meses, por exemplo, o hábito e o costume de usar fralda faz parte da vida daquele bebê, não lhe foi apresentada essa parte do corpo nem ensinado a identificar suas necessidades, então, é preciso um processo gradual de adaptação do bebê ao penico e dos cuidadores à abordagem para oferecer a evacuação despretensiosamente. A HN iniciada após um ano exige muito mais dos pais e cuidadores, assim como o desfralde exige. Porém, como a HN não é desfralde e os cuidadores que quiserem praticar com seus bebês de um ano e pouco, farão apenas no intuito ajudar, dando aos poucos a consciência corporal que vai levar ao desfralde, mesmo sendo mais cansativa, traz resultados positivos. Por isso, praticar HN desde cedinho traz inúmeros benefícios e jamais vai se comparar aos casos em que primeiro teremos de estabelecer um vínculo entre o bebê e a nova situação de reconhecimento corporal e mudança de hábito. Ou seja, embora não haja idade ideal para começar a praticar higiene natural, quanto mais cedo começar, melhor, contudo, deve ser uma prática encarada como benéfica, não pode ser penosa nem desgastante para os cuidadores, deve ser, como as outras escolhas, cansativa, sim, é claro, mas compensatória, porque o bem-estar do bebê estará em primeiro plano. Ainda que o objetivo da família seja um desfralde de uma criança maior, a HN vai se

apresentar como ótima alternativa para auxiliar neste processo. Lembrando sempre que HN não é desfralde, nem treinamento de penico.

4.2 HN e verão

Os bebês que praticam HN (com regularidade) não fazem xixi nem cocô na água, então você papai e você mamãe que vai levar sua cria na piscina do condomínio, do clube, de um amigo, ou no rio, na lagoa, na praia ou numa cachoeira, não precisa se preocupar com aquelas fraldas feitas pra usar na água, nem obrigar seu bebê a curtir o verão de fraldas de pano ou descartáveis, pois ele vai ficar na água de boa, super de boas, de boas meeeesmo e quando demonstrar inquietude, irritabilidade ou quiser sair da

Sim, sim, é fato! Bebês amam água e

quando não querem ficar nela, podem crer que têm xixi pra fazer! Na praia o xixi pode ser feito num matinho (aquelas macegas, sabe? Ótimo adubo inclusive!) e para coletar o cocô só um potinho de sorvete pode ajudar, ou até mesmo uma sacolinha, onde seu bebê fará as necessidades (com você segurando-o na posição de balancinho) e depois você pode descartar, porém, a opção para quem desfruta de locais com bastante natureza (trilha, por exemplo), é levar uma pázinha de jardinagem e fazer um buraco com, no mínimo, um palmo de fundura, pro bebê evacuar, e depois tampar o buraco com a terra retirada (até porquê, faz pouco sentido colocar um cocô orgânico dentro de uma sacola e misturar no lixo comum, né?).

água, leve-o pra fazer xixi: “Shiiiiiii

4.3 HN e Introdução Alimentar

Quando começa a introdução alimentar temos que pensar no método, no cardápio, na rotina e ainda surge a preocupação com os cocôs que vão ganhando consistência e assustando o bebê. Nesta fase basta dar um pouco de comida que PIMBA! Vem cocô na área! É ou não é? Se não vem cocô durante a refeição, vem logo depois!

Mostre ao seu bebê que você compreende que ele precisa fazer cocô, que você entende que o estomago e o intestino dele são bem pititicos, conte pra ele que você sabe que basta ele colocar alimentos por cima que o que está na barriguinha precisa sair por baixo e, tudo bem, isso é normal! Pode ser que nas primeiras vezes o bebê "trave" um pouco, o que é normal, imagine você se concentrando pra fazer cocô, alguém te mexe, te pega no colo, tira sua roupa e te põe sentado noutro lugar, difícil, né? Então, você vai evitar interromper esse processo e procurar se antecipar ao seu bebê para levá-lo ao banheiro ou penico um pouco antes e, lá chegando, você deve proporcionar um momento de tranquilidade, usando a técnica da distração, mostrando algum bichinho, livrinho, ou mesmo levando um legumezinho pra cria seguir comendo enquanto manda ver no cocozinho. Sim, às vezes isso é preciso, pois, bebê com fome descobrindo os alimentos não quer parar, sabia? Neste momento estão em duelo duas necessidades fisiológicas, a fome e a evacuação. Por isso você como cuidador vai atender as duas necessidades ao mesmo tempo se for preciso. No penico ou troninho ou em cócoras no seu colo, o bebê vai evacuar suavemente, em paz, com tranquilidade, o que será muito diferente de ter de evacuar de fraldas justo um cocô que ganha consistência e incomoda tanto para sair como é o cocô da IA. Por isso, ofereça, diga: "-Faz cocô filho bruuuu, rum rum (som de peido e de pigarro)!" Ofereça também o xixi: "-Faz xixi filho, shiiiiiii!" Com a IA o cocô passa a ficar consistente, assustar e demorar, é feito em suaves prestações durante o dia ou fica dias sem aparecer, em contrapartida com a HN vai sair mais rapidinho, sem dores, sem problemas e o bebê vai preferir infinitamente essa posição, passando a te avisar quando tiver essa necessidade, fazendo um cocozinho livre e lindo todo santo dia. É fisiológico = lógica do físico, do corpo humano. Respeite seu bebê, ajude-o a fazer cocô. Na imagem abaixo uma cadeira de alimentação infantil muito funcional, com penico embutido, de 1950, uma época não tão distante assim, 67 anos atrás. Sessenta e sete anos atrás não é nada. Os antigos espertos que eram, inventaram essa cadeira, daí viemos nós, modernos que somos, e obrigamos nossas crias a fazerem cocô em si mesmas justo quando estão comendo! Que sentido tem nisso?

Imagem: Cadeira de alimentação/penico de 1950.

Imagem: Cadeira de alimentação/penico de 1950. Fonte: Pinterest. Disponível em: https://br.pinterest.com/ 4.4 HN e

Fonte: Pinterest. Disponível em: https://br.pinterest.com/

4.4 HN e creche

Mais uma dúvida muito comum que faz parte das mensagens que recebo diariamente:

"-O bebê vai para a creche, é possivel praticar higiene natural?" É possível sim. Na creche as tias não vão levar seu filho no penico ou banheiro, de fato! Infelizmente não levam mesmo. Muitas vezes nem as fraldas trocam com frequência, não é mesmo?! Então, como proceder? A prática da Higiene Natural (HN) não exige obrigatoriedade, quer dizer, como se trata de um ato dos pais e cuidadores, pode ser praticado somente quando possível. Por exemplo, você só fica com o bebê no turno da manhã? Tente pegar as evacuações matinais! Você só tem tempo mesmo aos finais de semana? Pratique aos finais de semana! “Ah, mas isso não vai causar confusão ou traumas?” Não causa não! Explico: NÃO é treinamento de penico; NÃO é controle esfincteriano; NÃO exige dedicação exclusiva; É somente uma prática que, ao se observar os sinais de evacuação do bebê e, sendo possivel, neste momento se proporciona uma evacuação digna, limpa e tranquila, estabelecendo o estreitamento do vínculo, a segurança e o bem-estar do bebê.

Sempre podemos e devemos comparar a HN com o ato de amamentar,

tem que ser orgânico e natural e, da mesma forma que uma lactante não vai amamentar enquanto o bebê estiver na creche, também não vai colocar o bebê no penico nesse momento. Vantagens nestes casos:

* O intestino do bebê funciona como um reloginho e é muito provável

que ele passe a fazer cocô nos mesmos horários com os pais, fazendo cada vez menos fora de casa ou durante a madrugada e isso nada tem a ver com treinamento e sim com um ajuste natural do relógio biológico, assim como, por exemplo, ele pode preferir tirar as sonecas somente perto da mãe enquanto

com outros cuidadores “não se entregue” pra dormir;

* É possível que o bebê estabeleça um sinal universal para xixi e cocô e

que os pais possam explicar às tias da creche que sem duvidas vão preferir levar o bebê ao banheiro que trocar fralda cheia de cocô. Muitos bebês, dependendo da idade, se expressam mais do que nitidamente com relação a vontade de fazer cocô e se o cuidador tiver uma pró atividade visando auxiliar, a HN segue se desenrolando muito bem.

* O bebê se sente mais seguro para comunicar sobre a evacuação

sempre que estiver junto com quem de costume o leva para evacuar. Isso é uma consequência natural e instintiva que diz respeito à confiança, quando sente confiança ele se entrega de forma muito mais natural.

* São muitas fraldas a menos nos horários em que o bebê está em casa.

Se os pais pegarem, por exemplo, o xixi matinal, o cocô diário e o xixi de antes de dormir, já são três fraldas a menos por dia e três possibilidades de ganho consciência corporal. Todo modo de proporcionar a HN é um benefício ao bebê, ao meio ambiente e à economia familiar.

* O bebê vai evacuar normalmente nas fraldas quando estiver na creche (caso as tias não contribuam com a HN), pois ele não tem controle esfincteriano.

* Usamos fraldas como aliadas evitando que nos escapes os bebês

façam xixi e cocô que fica escorrendo em si e sujando tudo na sua volta. Em todos os “manuais” de HN ou EC do mundo, indicam a prática sem o uso de fraldas. Eu defendo o uso de fraldas por vivermos num mundo globalizado com tantas demandas já nas costas da mulher. A HN não pode ser mais uma forma

de escravização feminina, se não uma forma de libertação da indústria e sua tentativa de desligamento de nossos instintos selvagens. * O bebê fica mais tranquilo e já acorda satisfeito tendo sua primeira necessidade fisiológica do dia atendida, se os pais focarem na primeira urina do dia que é aquela de quando o bebê acorda, mais de meio caminho andado estará sendo feito pela HN, porque daí em diante eles passarão a perceber melhor e a própria criança vai se esforçar para comunicar sua vontade, aí também passarão a captar o xixi de antes de dormir e por aí vai, trilhando um caminho do bem em nome da consciência corporal do bebê que sozinho guiará seu desfralde;

4.5 HN parcial

"-Afinal, como é essa história de Bebê sem Fralda? O bebê fica sem fralda mesmo?" Depende! Partimos do princípio de que as fraldas são para os pais e não para os bebês. Portanto, o bebê ficará com ou sem fralda, dependendo da conexão/prática/disponibilidade/vontade dos pais. Eu, por exemplo, pratico Higiene Natural (HN) com a Serena desde seus 54 dias de vida. Por muitas vezes antes do desfralde chegamos a passar semanas sem molhar a fralda nem mesmo com o xixi noturno. Aos 11 meses ela ficou duas semanas sem molhar a fralda, nem de dia, nem de noite foi então que compreendi que ela havia desfraldado por conta própria. Em dezembro de 2015 ela tinha acabado de completar seu primeiro aninho e avisava todos os seus xixis e cocôs, como faria uma criança de 04 ou 05 anos. "-Perfeito, né? Então era só deixar ela sem fralda, economizar e ser feliz, esperando que ela avisasse e levando-a ao penico ou banheiro, certo?" Errado! Como eu acabei de dizer, as fraldas são para os pais não se sujarem. Claro que os bebês também não fariam nada nas fraldas se nós fôssemos ensinados a identificar os seus sinais de evacuação. Mas, infelizmente não apenas fomos ignorados nesta questão, como aprendemos a fraldar os bebês já no nascimento e os obrigamos a evacuarem em si por 2, 3, 4 anos achando isso absolutamente normal, sem ao menos nos questionarmos

se a fralda é um utensílio necessário mesmo ou tão maléfico como a chupeta, por exemplo, que tem a pseudo função de acalmar o bebê, enquanto, além de silenciá-lo desencadeia uma série de problemas a curto, médio e longo prazo como dependência, problemas bucais, nasais e até psicológicos. Assim é com a fralda. Um utensílio que tem a pseudo função de manter o bebê limpo enquanto, na verdade, o obriga a evacuar em si próprio (cadê a lógica nisso?), anulando os pais na missão de compreender os sinais corporais de evacuação dos filhos e criando no bebê uma série de dependências e confusões na auto-consciência corporal. Sabemos e vivenciamos muitos casos de desfraldes traumáticos ou de crianças que mesmo desfraldadas só conseguem fazer cocô de fraldas ou, ainda, que fazem xixi na cama por longos anos ou que não conseguem evacuar fora de casa já na vida adulta. Logo, sobre essa questão de deixar o bebê sem fralda, mesmo praticando HN, nunca vai depender do bebê, já que ele não tem controle. Quem é "responsável" por suas evacuações, assim como pelas outras necessidades fisiológicas são os pais e depende exclusivamente deles ajudarem ou se aventurando e deixando sem fralda, limpando xixi o tempo todo, fazendo deste processo um estresse e uma pressão, ou aprendendo a conhecer os sinais de evacuação dos filhos para proporcionar uma evacuação com muita conexão e amor, deixando com fraldas sempre ou quando necessário. No meu caso, por exemplo, por volta dos 09 meses minha filha já dormia sem fraldas e antes dos 11 meses, hora ela ficava sem fraldas, hora com fraldas. Pois, dependia da minha conexão, prática, disponibilidade e vontade. Ou seja, não é sempre que conseguia ouvir/ver os sinais de evacuação da Serena. Mesmo sendo praticante de HN há meses, mesmo conhecendo todos os macetes, mesmo trabalhando em home office com atividades que exigem muita atenção e concentração, mesmo que ela me avisasse, mesmo sendo consultora de HN e exercendo mil outras atividades como estudos, voluntariado, lavar, cozinhar, limpar, organizar, cuidar dela, de mim, da casa. Já tive dias de pura sobrevivência (daqueles em que o raciocínio não funciona), também precisei de um tempo pra mim e claro que acabei perdendo um ou outro xixi ou cocô, oportunidade em que preferi deixar minha pequena de fraldas (de pano ou descartáveis), usufruindo desse utensílio que é sim

muito útil, melhor do que correr o risco de deixá-la fazendo suas necessidades que além de já estarem sujando ela se espalhariam pela casa. Mesmo assim, quando eu a deixava de fraldas, tão logo era avisada ou percebia que ela precisava fazer algo, retirava a fralda, colocando-a no penico ou banheiro, ela fazia feliz sua necessidade, voltávamos a vestir a mesma fralda e a vida seguia com bebê sequinho e confortável até que isso se repetiu por tantas vezes que quando notamos, não usávamos mais fraldas.

4.6 HN e o pai

"-Ele é pai e não ajuda nem a trocar a fralda!" Quem já ouviu isso? Ou então o contrário: “-Ele é pai e ajuda em tu-do até a trocar fralda. Bom, em primeiro lugar, pai não ajuda, pai tem a obrigação de cuidar dos filhos e da casa, tanto quanto a mãe. A responsabilidade é de 50% para cada. Em segundo lugar, convenhamos, trocar fralda é "uó"! Ninguém merece. Tá certo que os pais, em sua maioria, não fazem ideia de quando o bebê está com sono ou fome, mas, se quiserem, com um pequeno esforço conseguirão identificar sim as características dos filhos quando estão com alguma necessidade fisiológica. É assim que vai se configurando uma paternidade ativa. Com apego, com colinho, com atenção e atendimento. Até bem pouco tempo os homens não estavam nem aí pra isso. Papel de pai era prover financeiramente o lar e só. Contudo, os filhos desses pais cresceram e hoje são pais mais apegados, desconstruídos e ativos, pois sabem o vácuo que a falta desta atenção paterna deixou em suas personalidades, sabem que ser um pai presente e colaborativo fará toda a diferença na formação do caráter de suas crias. O movimento é lento e progressivo. Construir uma relação empática com bebês e crianças é uma evolução para a alma e sobrepõe-se a toda carga machista e segregadora a que os homens são esculpidos. Pais podem (e devem) participar mais da vida dos seus filhos. Não é ajuda, é obrigação! Uma necessidade social! Mas, mesmo com tantos anos de paternidade desatenta para serem recuperados por essa nova geração de pais, a boa notícia é que hoje eles

estão buscando se inteirar mais sobre as questões relativas aos filhos. Estudando e participando mais da gestação, do parto, do pós-parto, da amamentação e dos cuidados com o recém-nascido. Seguindo nesta jornada em todos os aspectos da vida de seus bebês.

A ciência já comprou que crianças que crescem com a participação ativa

dos pais se tornam adultos mais confiantes, nada mais justo que os pais aprendam a identificar as necessidades dos seus bebês. Praticar Higiene Natural (HN) é uma ótima oportunidade para isso e vai proporcionar uma série de benefícios pra família toda e o vínculo que mãe e bebê adquirem por conta

da amamentação, é adquirido por pai e bebê por conta da HN, uma oportunidade única que representa para o genitor:

* Evitar de trocar fralda "toda suja de cocô" que deixa o bebê também "todo sujo de cocô";

* Dar uma folguinha pra mamãe assumindo uma tarefa fácil e rápida de ser realizada;

* Aumentar a cumplicidade com seu filho;

* Estreitar os vínculos com seu filho;

* Dar confiança e estabelecer formas de comunicação com seu bebê

desde os primeiros dias de prática e de vida;

* Economizar muito dinheirinho;

* Evitar sujeiras extras de cocô e xixi no sofá, na cama, no banco do

carro;

* Ter um bebê que chora menos e dorme mais;

* Ter uma companheira que também vai dormir mais;

* Ter um bebê sem assaduras;

* Ter um desfralde mais rápido, seguro e tranquilo.

* Ter um momento só seu com seu bebê;

* Poder contar aos outros pais que você não troca fraldas, pois coloca

seu filho no penico, aproveitando pra explicar do que se trata e parecer o diferentão, descolado;

* Resgatar um conhecimento instintivo e ancestral.

Entre muitos outros benefícios. Se você é pai, pratique e verás! Lembre-

se de voltar para me contar, tá bom?

4.7 HN e refluxo

Então você acha que seu bebê tem refluxo porque ele mama e o leitinho volta? Porque ele se contorce? Porque ele chora? Porque ele parece

incomodado?

Antes de falarmos do refluxo somado à prática da Higiene Natural, vamos falar sobre o refluxo! Afinal, refluxo é normal? Qual a diferença entre Regurgitação e Refluxo? Muitos pais e até médicos estão confundindo regurgitação com refluxo e

o pior, indicando a descontinuidade da amamentação e medicando bebezinhos

pititiquinhos sem qualquer exame mais detalhado ou alternativas naturais para

o enfrentamento do problema, segundo o Pediatra Mauro Batista de Morais:

Os adultos confundem a regurgitação comum, que ocorre com cerca de 50% dos bebês e não interfere em seu desenvolvimento, com o refluxo gastroesofágico, que merece atenção médica e, algumas vezes, remédios. [ ] O leite materno é mais leve, por isso mais fácil de voltar. Mesmo assim, é melhor o bebê regurgitar do que perder as vantagens da amamentação. 17

Essa ansiedade da vida moderna faz com que os pais desejem que seus bebês sejam seres que não deem trabalho. Por isso desconsideram até as características NORMAIS de um recém-nascido, como o choro, a necessidade constante de colo e peito, a regurgitação, os sintomas de cólica, o sono leve, etc.

E a primeira saída FÁCIL é a medicalização infantil e a substituição do que é natural. Medica-se para a cólica, medica-se para o refluxo, medica-se para dormir, substitui-se o leite materno pelo artificial, o colo pelo carrinho e assim esvai-se a maternagem e a paternagem naturais, dando lugar à terceirização da saúde e ao silenciamento das características inerentes aos bebês.

17 REVISTA CRESCER. Refluxo: como identificar e cuidar do bebê. Muitas vezes é só uma regurgitação normal. Veja as situações mais comuns e as mais delicadas. Por Mônica Brandão. Edição Online. Disponível em: http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,ERT1606-

15326,00.html

Por isso, já que estamos falando de refluxo é importante sabermos o que

é comum (regurgitação) e o que é preocupante (refluxo) no caso da famosa

voltadinha que o leitinho dá! Regurgitação:

É o que ocorre porque o esfíncter esofágico (uma válvula que fica entre

o esôfago e o estômago) ainda é imaturo, como todos os outros esfíncteres do

corpo do bebê. O esperado é que ele se feche assim que o leite entre, segurando o líquido, mas devido à inconsciência corporal do bebê somada à imaturidade esfincteriana, o esfíncter relaxa e não cumpre a função, fazendo

com que um pouco de leite sempre retorne após as mamadas. Por isso, é absolutamente normal que volte leite logo após o bebê

arrotar, ou aquele queijinho quando já faz um tempinho que o bebê mamou, é um refluxo absolutamente fisiológico, uma simples regurgitação ainda que ocorra em todas as mamadas. Outro fator que desencadeia essa regurgitação é o excesso de leite, pois não temos como saber se o estômago está cheio e o bebê recém-nascido também não sabe quando está satisfeito, mamando mais do que o necessário, ao mesmo tempo em que a mãe e os cuidadores, desesperados, querem suprir todos os choros do bebê com o peito/mamadeira enchendo demais seu micro estômago. Segundo o Pediatra Glaucio Granja de Abreu: “-O amadurecimento acontece entre os 06 meses e 01 ano. Enquanto isso, é preciso paciência e fraldas extras”. 18 Não há consequência negativa para o bebê em caso de regurgitação, ainda que ela seja constante. E também não há desconforto profundo. Ao mesmo tempo, não existem medicações capazes de amadurecer

o esfíncter esofágico e nenhum outro esfíncter do corpo. Como reduzir as regurgitações? - Os pais precisam se tranquilizar e compreender que se trata de algo absolutamente normal. - Uma medida necessária a tomar é arrumar a pega do bebê ao seio, assim não entra ar nas mamadas e os arrotos serão menos constantes, reduzindo a probabilidade de retorno do leite materno.

18 Ib. Idem.

- Colocar o bebê em pé assim que mamar, com a cabecinha para trás do ombro do cuidador, dando levíssimas “espalmadinhasnas costinhas, visualizando que os gases estomacais vão subir e sair pelo esôfago e traqueia. - Quando deitar o bebê deixá-lo viradinho para o seu lado esquerdo e sempre com o tronco mais elevado, de modo que o corpinho não fique totalmente horizontal. Refluxo (patológico):

Só há como saber se é refluxo se for diagnosticado por um especialista através de EXAMES ESPECÍFICOS. O tratamento do refluxo patológico só pode ser feito com medicações que são extremamente invasivas sendo de extrema irresponsabilidade medicar um recém-nascido para refluxo, pois é biologicamente impossível que ele tenha o esfíncter esofágico maduro e, por isso, defeituoso ou carente de medicação para regularização antes dos seis meses ou um ano, além do que, remédios não aceleram fases do desenvolvimento corporal. Se, ao invés de pequenas e constantes regurgitações o bebê vomita de fato, muito, pode ser um sinal de alerta para investigar o refluxo precoce ou alergias alimentares ou ainda más formações. Há sim casos em que somente podem ser resolvidos por meio de medicações ou até cirurgia, mas, repetindo, sem exames específicos não há como saber, e sem se tratar de um bebê maior não tem como fechar o diagnóstico (a imaturidade é física/fisiológica e o controle ocorre por volta do primeiro aninho de vida). Como amenizar o refluxo? -> Colocando o bebê para arrotar imediatamente após as mamadas e evitar deitá-lo logo que adormecer deixando-o ao colo em posição verticalizada por mais tempo, quando deitá-lo, fazer com que o bebê fique de barriga pra cima e com o tronco mais elevado - orientação da Pediatra Lucília Santana Faria, coordenadora da UTI pediátrica do Hospital Sírio-Libanês (SP). -> Evitar trocar a fralda imediatamente após as mamadas já que na troca "dobramos ao meio" o bebê, forçando seu estômago piorando o refluxo. -> Usar sling, assim o bebê descansa bem verticalizado e no colinho, deixando o cuidador livre para suas atividades; -> Praticar Higiene Natural, pois na posição de cócoras somente o intestino é levemente forçado, auxiliando na eliminação das fezes e liberação

de espaço para mais ingestão de alimentos/leite - cuide a forma de segurar seu bebê ao penico, não é pra dobrá-lo ao meio; Higiene Natural e Gastro-cólica/Refluxo - Porque a HN pode ajudar? O refluxo é um conjunto de pequenas, suaves, coordenadas e rítmicas ondas de contrações musculares digestivas que servem para esvaziar o cólon e abrir espaço para a próxima refeição. Este refluxo é ativado aproximadamente entre 10 e 30 minutos após o início da ingestão de leite materno/artificial ou outro alimento, podendo ocorrer até mesmo durante a amamentação de Recém Nascidos, quando muitos bebês têm movimentos intestinais intensos e acabam por evacuar, este movimento também é conhecido como Disquesia do Lactente e sincronizar a oferta do penico nestes momentos é sinônimo de sucesso para praticar HN e reduzir os sintomas advindos de regurgitações e refluxos. Além disso, a posição ideal para a evacuação ajuda também que o bebê elimine possíveis gases estomacais que estejam lhe causando desconfortos e contorcimentos.

5 Posições corretas e ambiente oportuno

No caso de bebês recém-nascidos tem que ter muito cuidado, a coluna precisa estar bem firme, as mãozinhas seguras, a mãe em respiração tranquila. É preciso pensar no reflexo que o RN tem de tentar se segurar em alguma coisa para se sentir amparado, por isso funciona dar o dedo para o bebê segurar caso perceba que ele está muito inseguro.

Imagem: Bebê Maria Elis (+ ou - 02m) Imagem: Workshop Bebê sem Fralda Fonte: Arquivo
Imagem: Bebê Maria Elis (+ ou - 02m)
Imagem: Workshop Bebê sem Fralda
Fonte: Arquivo pessoal.
Fonte: Arquivo pessoal.

Bebês que já sentam podem explorar o penico, mas o ideal é sempre o cuidador atrás, dando essa retaguarda, apoio, relaxamento e segurança para o bebê. Também por conta da memória ancestral.

Imagem: Xixi matutino, bebê Serena. Imagem: Xixi vespertino, bebê Serena. Fonte: Arquivo pessoal Fonte: Arquivo
Imagem: Xixi matutino, bebê Serena.
Imagem: Xixi vespertino, bebê Serena.
Fonte: Arquivo pessoal
Fonte: Arquivo pessoal

Redutores de assento são recomendados para maiores de 01 ano (preferencialmente 02 anos). Bebês menores não possuem imunoproteção para ambientes como o vaso sanitário.

Imagem: Serena 02 anos Imagem: Ariel 01 ano e 3 meses Fonte: Arquivo pessoal. Fonte:
Imagem: Serena 02 anos
Imagem: Ariel 01 ano e 3 meses
Fonte: Arquivo pessoal.
Fonte: Arquivo pessoal.

Quando o bebê é pequeno e evacua muitas vezes enquanto mama, ele está apenas se comunicando, pois é um momento que tem total atenção da mãe, está relaxado e está colocando alimento por cima, precisando liberar espaço embaixo. Neste caso a recomendação é amamentar o bebê sem fralda, comunicando olho no olho. Com o tempo o bebê vai parar de mamar e vai pedir claramente para fazer cocô.

Imagem: Rosa 07 meses, mamãe Paula. Imagem: pinme.ru Fonte: http://pinme.ru/pin/573a1c5304351ebc76b3b70c/ Fonte:
Imagem: Rosa 07 meses, mamãe Paula.
Imagem: pinme.ru
Fonte:
http://pinme.ru/pin/573a1c5304351ebc76b3b70c/
Fonte: Arquivo pessoal

A melhor posição, válida para qualquer idade e local é com o bebê de cócoras apoiado como for possível, coluna firme, corpo seguro, períneo relaxado. Com essa posição você pode levar o bebê em qualquer lugar que for necessário, variando a altura do bebê com relação ao seu corpo, se abaixar mais o bebê pode fazer xixi no chão, se subir mais, pode fazer na pia. Atenção para as mãos não apertarem as perninhas nem para o bebê ficar muito “dobrado ao meio”:

Imagem: Bebê 08 meses - fora de casa

Imagem: Bebê 04 meses

Bebê 08 meses - fora de casa Imagem: Bebê 04 meses Fonte: Arquivo pessoal. Fonte: Arquivo
Bebê 08 meses - fora de casa Imagem: Bebê 04 meses Fonte: Arquivo pessoal. Fonte: Arquivo

Fonte: Arquivo pessoal.

Fonte: Arquivo pessoal.

Imagem: Bebê 07 meses.

Imagem: Bebê 1 ano e 5 meses ao ar livre.

Fonte: Foto de Marcelo Ferrão – Argumento Digital
Fonte: Foto de Marcelo Ferrão – Argumento Digital

Fonte: Foto de Marcelo Ferrão Argumento Digital

Fonte: Arquivo pessoal

6 Regressões

Nos picos de crescimento e saltos de desenvolvimento, nas mudanças de rotina, nos quadros de gripe, vacina, dentes, etc. a HN regride. Há certa recusa do bebê. Isso é absolutamente normal, assim vai acontecer com a alimentação porque nestas ocasiões tudo vai desregular: Sono, fome, HN, rotina. Um bebê que começa a engatinhar, por exemplo, está pouco interessado em dar atenção para o xixi que está vindo. E quando começar a andar vai fugir da comida e do penico, não há nada de errado, o foco que está noutro lugar, muitas vezes o nosso foco também. O que fazer? -Lembrar que HN é respeito às necessidades do bebê; -Tentar manter a rotina de HN; -Não desistir (se o bebê não comer por alguns dias, ninguém desiste de dar/oferecer comida, sendo xixi e cocô necessidades fisiológicas tais como a fome e o sono, porque então, desistir de praticar HN?);

- Respeitar o tempo do bebê e as fases que ele enfrenta;

- Entender que vai passar;

- Persistir e Conversar;

- Continuar observando;

- Dar alternativas (não quer penico? Vai pro vaso! Não quer o vaso? Vai

pro box do banheiro, quintal, bacia, etc. Só quer fazer em pé? Respeite, mas

tire a fralda, facilite);

- Incentivar com os brinquedinhos, ursinhos, bonecos;

- Convidar o bebê pra ir junto ao banheiro quando você for fazer o número 1 ou 2, mostrar.

- Manter a calma, sem paranoias.

Sempre, sempre comparando com a alimentação, fica muito fácil de visualizar e saber como enfrentar os picos, saltos ou alterações que atrapalhem a HN. Se o bebê não aceitar o penico hoje, mas está fazendo na fralda, tudo bem. Não quis ir ao banheiro, mas aceitou molhar a plantinha do quintal com o xixi, ótimo. Assim deve ser a HN nas regressões. Devemos nós, cuidadores, sermos flexíveis e persistir, acreditando na HN como parte da rotina e do dia a

dia da criança. Embora ocorram regressões, tudo em breve continuará sendo como antes, orgânico e natural, como alimentar-se. Os sinais de regressões são recusa de penico, choro na posição, pausa de sinalização, fuga, briga, inércia total, entre outros. Em caso de vacinação, pelo desconforto que o bebê sente, praticar HN pode ser muito dolorido para ele, porém, trocar as fraldas também, então é preciso ajustar uma posição que ajude ou deixar que aconteça como dor possível. Quando o bebê tem febre e também está prostrado pode se recusar ou sequer sinalizar que precisa de penico, não há problemas, praticamos quando, como e se possível. Quando estamos fora de casa a Hn costuma fluir da mesma forma, naturalmente, porém, há casos em que os bebês não se sentem à vontade em ambientes estranhos (importante sempre praticar em qualquer lugar de qualquer maneira) e por isso podem apresentar recusa na hora de praticar HN

e quando isso acontecer os cuidadores devem retomar a HN quando voltarem

a rotina normal. Da mesma forma, em caso do bebê estar passando por algum

fator emocional ele pode não se sentir à vontade para evacuar, neste caso é preciso paciência redobrada e ir reapresentando a HN e mostrando que as evacuações são naturais, bonitas e necessárias. Além disso, a HN pode estar dando errado porque quem está regredindo na verdade são os cuidadores, ou porque criaram expectativa demais e ao perderem evacuações se frustram no mesmo grau ou porque realmente já estão cansados da “missão penico” e aquele infinito tira fralda-bota fralda. Sem mencionar os fatores emocionais também, as preocupações, a correria do dia- a-dia, tudo gera regressões na HN e bloqueio nas percepções das evacuações. Por exemplo, quando os bebês mudam os sinais, os pais deixam de captar por um tempo, assim, deixam de perceber os novos comportamentos pré-eliminação e consequentemente desistem da HN. Por esta razão é

importante pensar na prática como algo que sofre altos e baixos e também tem influência interna e externa de todos os envolvidos, mas, mesmo assim é preciso ter constância e jamais desistir. É preciso um olhar atento para compreender o que está levando às regressões na HN e realizar um manejo amoroso e consistente para que sejam somente mais uma fase, de tantas outras passageiras na vida de um bebê.

7 HN Noturna

Importante saber que é perfeitamente possível praticar HN no sono da

noite, havendo um pequeno período inicial de turbulências mas, com a prática,

o bebê passa a fazer xixi sem acordar. O chorinho que relata a vontade de

fazer xixi durante a noite é único, específico, característico e não tem como errar é importante conhecê-lo. É tipo um “miado”, um “chiado”, um “rénrén rénrén” a gente percebe que é de desconforto e não é fome, mas se dermos o peito o bebê gruda e não solta mais. A famosa "chupeitada" sem fim é vontade de fazer xixi. Essa sucção não nutritiva dos seios durante o dia e também durante o sono da noite pode ser (e muito provavelmente é) vontade de fazer xixi, isso no caso de bebês praticantes de HN e não praticantes, a diferença é que quando não praticamos HN noturna nosso filho acorda com mais facilidade justamente pela necessidade de fazer xixi e o desconforto que sente (explico essa questão

adiante) e por isso fica plugado no peito, onde consegue ficar no limbo entre o sono e o despertar sentindo-se seguro. Outro benefício da HN é que o bebê que tem suas necessidades atendidas durante o dia não faz mais cocô dormindo e durante a noite começa a fazer cada vez menos xixi até que não faça mais o noturno. Contando a minha experiência pessoal, minha filha não usou mais fraldas para dormir desde aproximadamente 09 meses e, nas raras vezes que precisa fazer xixi no sono da noite (que para ela dura entre 12 e 13h graças à Deusa e à prática de HN, não tenho dúvidas - bebê sequinho dorme mais), eu

a levo ao banheiro ou a coloco no penico sem que ela acorde. Depois, basta

colocá-la na cama que volta a dormir, talvez um pouquinho de peito ajude ainda mais. Higiene Natural é tudo de bom. Bebê sem Fralda é cama seca e

garantia de sono tranquilo. Porém, algumas vezes ela não aceitou o penico de noite e somente a posição de balancinho no vaso, outras eu tive que cantar

baixinho, noutras foi preciso amamentar durante o xixi

Esse feeling para

acertar é apenas a prática que nos dá. Quando o bebê está dormindo e choraminga, diretamente vamos amamentar, neste caso, se ele recusar o peito e seguir inquieto choramingando

ou se ficar num eterno pega-peito-solta-peito-troca-peito, é hora de colocá-lo no penico! Aproveito para deixar mais alguns sinais de xixi durante o sono profundo que se caracteriza pela inércia do bebê, ele fica completamente apagado e as mãozinhas provavelmente estarão voltadas para cima, bem molinhas, conforme imagem a seguir.

Imagem: bebê em sono profundo

conforme imagem a seguir. Imagem: bebê em sono profundo Fonte: Arquivo Pessoal. I. Em caso do

Fonte: Arquivo Pessoal.

I. Em caso do bebê começar a mexer muito as mãos ou pernas; II. Se o bebê está com o sono muito agitado, virando de um lado para o outro; III. Se o bebê acorda chorando ou gritando; IV. Se está mamando infinitamente e não tem jeito de soltar a teta; V. Se não engrena no sono;

** Observações importantes para a prática da HN noturna:

a.

O bebê vai seguir choramingando, continue (com calma);

b.

Explique (sussurrando) o que está fazendo e por que está mexendo

com ele;

c.

Use sua capacidade de #mãeninja ou #paininja e não acenda a luz

(acredite, você consegue, deixe o penico à mão - tudo é prática);

d.

Comunique-se:

"-Faz xixi filho(a) shiiiiii, daí você volta a dormir tranquilinho(a) shiiiiiiiii";

e. Se ele endurecer as pernas e recusar o penico, leve ao banheiro em

posição de balancinho (vide posições corretas), sempre comunicando (se precisar use uma lanterna ou a luz do celular!);

f. Volte para o quarto/cama, amamente ou embale e sinta o sono que

segue;

g. Os primeiros dias podem ser tumultuados o bebê pode chorar (calma,

você está fazendo uma alteração na rotina de ambos, você está aprendendo)

tente distraí-lo; h. Em pouco tempo essa prática vira rotina, NATURAL, como a HN

diurna;

i. Relaxe, noites inteiras de sono compensarão seu esforço inicial!!

j. Bebê que não precisa urinar em si enquanto dorme, é mais tranquilo, dorme mais (bem lógico, né?!);

Dicas:

Sempre utilizo o seguinte exemplo para ilustrar a HN noturna:

Suponhamos que você estava na rua com o bebê e ele dormiu na cadeirinha do carro. Como faria para levá-lo ao quarto? Você tiraria o cinto com muita parcimônia, falaria “filho, a mamãe vai te levar pra casa, fique tranquilo”, abafaria os sons externos fazendo “shiiii, shiiii, shiiii, shiii, shiiii”, manteria a temperatura corporal do bebê, retirando o casaco se estiver suado, por exemplo, ou colocando uma mantinha por cima se estiver fazendo muito frio. Enfim, você, cuidador, faria de tudo para manter o bebê dormindo. Assim deve ser com a HN noturna, devemos praticá-la na certeza de ser um auxílio para o bebê e não como uma forma de opressão, de acordá-lo a contra gosto ou estressá-lo mais do que o fato de fazer xixi na fralda. Deve ser feita com suavidade, no intuito de ajudar mesmo e aí vão algumas dicas boas para saber se o bebê está precisando fazer xixi de noite, mas, antes, será de grande valia atentar para pegar o xixi pré-sono que vem naquele momento em que após toda a rotina do soninho o bebê não se entrega para dormir.

7.1 Problemas com o sono

Você tem em casa um bebê que não dorme? Esse bebê passa o dia irritado? Esse bebê tem sintomas de estresse? Vou contar uma coisinha pra vocês: Os seres humanos possuem hormônios que regulam as ações corporais e comportamentais. É o Sistema Endócrino que é constituído pelas seguintes glândulas:

Hipotálamo Hipófise Ou Glândula Pituitária Glândula Tireóide Glândulas Paratireóides Glândulas Supra-Renais ou Adrenais Glândula Pineal Ilhotas De Langerhans (Pâncreas Endócrino) Gônadas (Gone = Semente) (Glândulas Sexuais)

Nós, mamíferos temos o sistema nervoso e o sistema endócrino interligados pelo hipotálamo, que regula a atividade da hipófise que por sua vez “fabrica” e “secreta” os hormônios fundamentais ao bom funcionamento do corpo.

As glândulas endócrinas são reguladas pelo sistema nervoso, e em especial pelo hipotálamo ou por outras glândulas endócrinas, criando um complexo e sensível mecanismo de interrelações neuroendócrinas. Quase todos os hormônios que produzimos são armazenados na Glândula Hipófise e de lá geram comandos ao corpo, cada um atingindo determinado órgão e cumprindo sua função fisiológica. Porém, dois deles, o ADH (ou vasopressina) e a Oxitocina (hormônio do amor), excepcionalmente são fabricados e armazenados no hipotálamo, uma glândula que fica acima da hipófise. Como bem sabemos, o corpo humano é uma máquina perfeita e completa e também já sabemos que bebês são mini-humanos com máquina corpórea idêntica a de um adulto! O que não sabemos, porque ninguém nos conta e também nem pensamos em pesquisar, é que esses dois hormônios excepcionais regulam

inúmeras funções no corpo. A oxitocina, por exemplo, age nas contrações uterinas para o parto e na fabricação do leite materno para o pós parto. Já o ADH ou vasopressina regula a condição de água no nosso corpo, ele atua na bexiga e também na dilatação ou repressão dos vasos sanguíneos (por isso o nome 'vasopressina'). Ou seja, o "estresse" e a "pressão" acontecem conforme estiver regulada a fabricação do hormônio ADH (antidiurético) no corpo, e seu controle se dá através da eliminação da urina. Além disso,

as estruturas e os mecanismos mais importantes que são

ativados pelo hipotálamo durante os estado de estresse. Podemos observar que, por meio do Sistema Nervoso Central e do sistema endócrino, o hipotálamo promove mudanças orgânicas fundamentais para a manutenção da homeostasia, tais como a regulação da glicemia e da atividade dos sistemas cardiovascular, digestivo e respiratório. Através de suas conexões com a formação reticular (FR), o hipotálamo participa da REGULAÇÃO DO CICLO SONO-VIGÍLIA, influenciando no grau de atenção e expectativa do indivíduo, bem como na graduação do tônus muscular. Além disso, por meio de mecanismos próprios (tais como os mecanismos “da fome”, “da sede”, do "xixi" e da regulação térmica corporal), o hipotálamo produz subsídios que possibilitam uma atuação integrada do organismo e a preservação da sua harmonia funcional.

] [

19

Em outras palavras, bebê com fome, sede ou vontade de fazer xixi não pega no sono nem consegue dormir um sono profundo. E você, consegue? Pense em você com muita fome e com sono, é claro que vai fazer um esforcinho e dar uma volta na cozinha fazer um lanchinho antes de dormir. Você com a bexiga muito cheia, sem dúvidas, por mais que se esforce para dormir, vai acabar se obrigando a levantar para fazer xixi e só depois disso pegar no sono de verdade. Assim funciona com o bebê que na iminência de fazer xixi irá acordar porque é a vontade de fazer que o acorda e não o xixi em si. Por isso, se sua cria está chupeitando infinito e dormindo muito mal, além de passar o dia estressada é porque o hormônio ADH já enviou o comando ao cérebro pedindo para executar a tarefa de eliminar a urina, este, por ser infantil não tem domínio nem capacidade ou autonomia de suprir a demanda, ao seu turno, essa vontade de fazer xixi gera no bebê um comando de estresse cerebral, ou vice-

19 SILVA, D. e CORTEZ, C. M. Implicações do estresse sobre a saúde e a doença mental. Artigo de Revisão. Arquivos Catarinenses de Medicina, Vol. 36, no. 4, 2007.

versa, o estresse pode desregular as funções hormonais do ADH, tornando-se uma bola de neve e um ciclo sem fim de chora, acorda, chora, mama, dorme, acorda, chora, mama E o uso das fraldas, com total desconhecimento dessa necessidade, faz com que os pais condicionem o bebê a fazer na fralda e levam meses “acostumando” o bebê a se “acostumar” com esse micro estresse. Aí entra a Higiene Natural. Pais atentos à todas as necessidades fisiológicas dos filhos, não passam trabalho com o sono, pois ele regulariza com quando o xixi noturno é atendido. Não pensem que vão começar a praticar Higiene Natural hoje e amanhã a cria vai dormir uma noite inteira, HN é uma PRÁTICA. Só praticando é possível atingir os resultados.

8 Irritabilidade, agressividade, teimosia

O bebê que está irritado, agressivo ou teimando, está por alguma razão. Dentre as razões de irritabilidade ou agressividade de um bebê estão as necessidades fisiológicas! Se o seu bebê está bem e, de repente, fica irritadiço ou agressivo, ele pode ter: Fome; Sono; Sede; Vontade de fazer xixi; Vontade de fazer cocô; Em qualquer dos casos, antes de brigar ou reprimir esse comportamento, é preciso lembrar que se trata de um bebê que não tem autonomia para: fazer sua comida; pegar sua bebida; ir dormir por conta; ir ao banheiro sozinho, acalmar-se sozinho, etc. O bebê também não tem controle ou noção de que sente o que sente e por que sente (isso só ocorre conforme o crescimento/desenvolvimento), por isso fica irritado, agressivo ou teimoso e cada família encontra um jeito de suprir as demandas dos filhos de forma prática como, por exemplo: deixando frutas e biscoitos ao alcance dos bebês/crianças para o caso de fome; Deixando o copinho sempre cheio de água e disponível a saciar a sede; acalmando o ambiente para o sono; praticando higiene natural; Sobre a Higiene Natural, especificamente, ao atenderem as necessidades fisiológicas de evacuação dos filhos, os pais estão facilitando o processo de eliminação (xixi/cocô) e estabelecendo uma comunicação intensa com o bebê/criança, passando a observar mais essas necessidades e atendendo-as antes e não depois como a maioria das famílias faz ao trocarem fraldas sujas. Fazendo uma analogia com a fome, todos nós sabemos que uma criança com fome fica totalmente fora do seu padrão normal e para evitar esse desgaste buscamos atender sua fome, estabelecendo e respeitando rotinas/horários de lanches e refeições e antecipando-nos à sensação crítica de necessidade de alimentação. Só conseguimos isso após o estabelecimento da conexão e do conhecimento da rotina da criança. Pois bem, na higiene natural é EXATAMENTE A MESMA COISA! Os pais praticantes de HN antecipam-se às necessidades de evacuação do bebê e atendem-nas, evitando que o bebê fique irritado e ou precise

evacuar em si. Isso também só é possível após o conhecimento dos sinais e do estabelecimento da conexão e da comunicação de eliminação. Então, se você tem um bebê que "do nada" ficou irritado ou agressivo ou praticando teimosias, atente-se para suas necessidades fisiológicas. Ajude-o, ninguém merece ficar com fome ou sede ou sono, muito menos seu bebezinho. Ninguém merece querer evacuar estando vestido e isso pode sim tirar o seu bebê do sério, já pensou por esse lado? Até que tenha capacidade de autoatendimento das necessidades, pais e cuidadores são responsáveis por atender todas as necessidades dos bebês, todas, não dá pra ignorar o xixi e o cocô. Higiene Natural se apresenta sempre como melhor saída, é estreitamento de vínculos, conexão, facilitação do desfralde, é mais fácil praticar do que parece, é garantir que não exista cocô na fralda nunca mais. Bebê ficou de mal com a vida? Está com aquela carinha enfezada? Primeiro o distraia para tirar o foco do estresse, praticando a distração e o relaxamento.

9 Após o xixi e o cocô

O bebê acabou de evacuar, e agora? Se fez só xixi, não tem problema nenhum somente secar com papel higiênico ou passar um lencinho (recomendo os caseiros) porque um banho por dia é o suficiente pra deixar o pênis ou a vulva limpos. Mas, se fez cocô, vamos lavar o bumbum do bebê?! Precisamos falar sobre isso! Nós, adultos, não deveríamos ser habituados a limpar o ânus, mas a lavá-lo após fazermos cocô. Porque o orifício anal é cheio de rugas e pregas que acabam invariavelmente acumulando fezes. Uma porta para infecções e fungos propícia à queda imunológica do indivíduo. Quanto aos bebês, é ainda pior haja vista que o cocozinho deles se espalha por toda a bundinha. Acredito que não exista pessoa neste mundo que já trocou, troque ou irá trocar fraldas sem levar uma rajada sujando mãos, braços ou alguma outra parte do corpo. Neste caso, o cuidador atingido sempre irá se lavar com água e sabonete porque não se sentiria limpo passando somente um algodão com água ou um lencinho umedecido. Por isso não faz sentido que a gente limpe um cocô na pele de um bebê somente com alguma coisa úmida. Se o bebê está em amamentação exclusiva, ou só toma LA, o cocô é doce, doce, doce, ele gruda igual melaço. Se o bebê já come além de grudar, fede (tá certo que bebês que se alimentam saudavelmente têm o cocozin mais cheirosin que aqueles que comem muitos industrializados e carnes e leite de vaca), mas cocô, por ser cocô, fede! Enfim, não é possivel que só um lencinho, um algodãozinho com água ou paninho úmido vá limpar! E as consequências disso são assaduras, desconfortos no bebê (que fica "pegajoso" onde sujou de cocô - muitas vezes até o meio das costas), cândida recorrente e outras consequências negativas do tipo infecção urinária ou cutânea por bactérias ou mesmo alergias e tantas outras situações que basta pararmos pra pensar que por alguns minutos nossos filhos estão portando cocô e nos colocarmos no lugar deles para entendermos que lavar é imprescindível. Tem que lavar sempre. Lencinhos e paninhos deve ser exceção.

Cada pessoa/família vai encontrar a forma que melhor se adapta e muitas acharão que é impossível lavar o bebê sempre, porém, trata-se de rotina, hábito, é uma questão de adaptação. Não importa o tamanho do seu bebê, se acabou de nascer ou se já passou dos dois anos, fez cocô, é importante lavar e se ainda usa fraldas é ainda mais importante. Minha dica é uma mão segura o bebê e a outra lava.

Imagem: Segurando um bebê de 14m para lavar após o cocô

Imagem: Segurando um bebê de 14m para lavar após o cocô Fonte: arquivo pessoal Se você

Fonte: arquivo pessoal

Se você vive onde é/está calor, é só ir a pia do banheiro e usar a água corrente (é só a bundinha do seu bebê). Se você vive onde é/está frio, basta colocar água morna numa garrafa térmica e ter disponível um potinho que seja possível pegar a água com a mão em concha. Bumbum limpinho e cheirosinho livre de germes, bactérias, coliformes, "grude" e tudo o mais = bebê feliz e tranquilo.

10 Xixi, cocô e pum

Estamos aqui falando em fisiologia humana. Falando que bebês são mini-humanos. Lembrando que todos nós fazemos xixi, cocô e peido/pum. Para pensar na questão biológica do corpo do bebê como uma máquina perfeita devemos encarar a micção e a defecação como cadeias de eventos fisiológicos. A defecação, por exemplo, se configura por eventos em cadeia de onde os músculos de controle trabalham voluntária ou involuntariamente. Desde a mastigação, o alimento faz um percurso que caminha no esôfago, faz a digestão no estômago e em seguida passa pelos intestinos delgado e grosso, já no cólon como bolo fecal vai para o reto e fica pronto para ser eliminado. Quando o cólon está cheio, os receptores que possui com a finalidade de emitirem sinais ao cérebro estão alongados e são estes sinais que tornam o bebê consciente da necessidade que tem de defecar. Com a distensão do reto ocorre uma "resposta inibitória retoanal" que é um reflexo involuntário onde relaxa o esfíncter anal interno, enquanto o esfíncter externo fica contraído.

é possível avaliar o reflexo inibitório reto anal, o qual é descrito como uma rápida contração reflexa do esfíncter externo seguida de um prolongado relaxamento do esfíncter interno ao se promover a distenção do reto (BALDEZ, 2004). 20

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]

Momento em que, assim que o bebê relaxar e ficar tranquilo, relaxa também o externo, eliminando as fezes e se estiver em segurança numa posição que facilite o ângulo anorretal será ainda mais fácil. O canal anal possui receptores sensoriais que identificam se o conteúdo do reto são gases, diarreia ou cocô normal e logo-logo o bebê e cuidadores estabelecem a comunicação para saber do que se trata também. Ou seja, o bebê pode só soltar um pum e rir, desde muito cedo começando a falar e reconhecer o punzinho, podendo pedir pra ir ao banheiro só para soltar pum, assim como pode estar fazendo cocô e pedindo para ser mantido na posição

20 BALDEZ, José Ribamar. Achados Manométricos nas Doenças Ano Reto Cólicas. Revista Brasileira Coloproctologia, janeiro/março, vol. 24, nº 1, 2004.

porque precisa fazer mais e também pode sinalizar todas as vezes que precisar fazer cocô, ainda que esteja com diarreia. Muitos pensam que os bebês não podem retardar a defecação de forma voluntária através de contração esfincteriana e ela não apenas pode ser retardada como será e, o bebê manterá os músculos do pavimento pélvico travados. Essa capacidade está presente em certa medida nos primeiros meses de vida de um bebê e fica facilmente observável se este bebê praticar HN. Capacidade que aumenta gradativamente conforme o bebê cresce, porém, cumpre enfatizar que essa capacidade está intimamente ligada ao instinto de

sobrevivência do bebê, ele retrai o esfíncter por estar tenso e irá soltar quando estiver totalmente relaxado e seguro. Ou seja, a prática da HN proporciona TOTAL consciência corporal para o bebê e ele poderá desde muito novinho compreender as sensações que sente, pedindo o auxílio de seus cuidadores para suprir a demanda de seu corpinho perfeito e muitas vezes pode ser só pum. Muitas famílias não compreendem e pensam que o bebê está com cólica, está sofrendo ou está com dificuldades para evacuar. Muito ouço: -Não sei o que acontece, meu filho

sinaliza, levo na posição e ele só solta pum!”

está precisando apenas soltar um punzinho. Claro que, na maioria das vezes, o

peido é prenuncio de cocô, sendo, portanto, um ótimo sinal do que vem por aí, porém, não significa que só porque o bebê está com gases que ele realmente precisa fazer cocô, algumas vezes poderá ser apenas pum mesmo. Uma dica que eu sempre dou é que os pais e cuidadores quando se depararem com uma situação em que o bebê está anunciando e apenas solta punzinhos, o ideal seria posicionar um pouco, ofertar, se não vier nada retirar da posição para realizar uma massagem abdominal, firme e circular, fazendo movimentos que “empurrem” as fezes do intestino grosso para o cólon e reto e, em seguida, retomar a posição para que o bebê possa evacuar de fato. Talvez seja necessário amamentar um pouco neste meio tempo.

Isso é porque o bebê realmente

11 HN e Amamentação

Poucas pessoas sabem, mas a HN está diretamente relacionada à amamentação. Deixei esse tema para o final, porque na verdade é uma das chaves para a comunicação de eliminação entre lactante e lactente. Nas imagens a seguir, são dois bebês em situações diferentes, à esquerda, o Théo, mamando em sua mamãe Fernanda. Ele estava na época da foto com 02 meses e, como todo RN, costumava fazer seu cocozinho durante as mamadas. A estratégia neste caso é ofertar a evacuação enquanto o bebê mama, olhando em seus olhos, transmitindo segurança e “autorizando” a evacuação, assim, o bebê se sente seguro, compreendido, relaxado, libera o esfíncter e faz seu xixi e seu cocozinho de forma tranquila, passando a compreender que aquele desconforto que sentia era, afinal, apenas cocô e que sua mamãe o compreende e o auxilia. Isso gera confiança e segurança, fazendo com que em pouco tempo de prática de HN durante as mamadas, o bebê passe a interromper a amamentação para sinalizar e enfim evacuar na posição correta.

Théo 02 meses, mamãe Fernanda. Rosa, 09 meses, mamãe Paula Fonte: Arquivo pessoal Fonte: Arquivo
Théo 02 meses, mamãe Fernanda.
Rosa, 09 meses, mamãe Paula
Fonte: Arquivo pessoal
Fonte: Arquivo pessoal

À direita, Rosa, na época com aproximadamente 09 meses, mamando em sua mamãe Paula que começou a HN quando a pequena já tinha 07 meses. Rosa faz a introdução alimentar pelo método BLW (recomendo) e são incontáveis as vezes que a mãe precisou interromper a alimentação para levar sua filha ao banheiro, muitas vezes precisando deixá-la com algum alimento na mão. Porém, o mais comum quando a pequena sente que precisa fazer cocô,

mas que “não está pronto” é o pedido de teta porque ela, mesmo tão pequena,

já compreendeu que enquanto mama em cima, o cocô vai sendo empurrado

embaixo, facilitando assim a evacuação. Por isso, ou a mãe amamenta com a

filha já no penico ou interrompem o momento do penico para que ela possa mamar um pouquinho e assim o leite materno tem inclusive um efeito laxante natural. E como saber que o bebê precisa evacuar enquanto mama?

O bebê costuma ficar agitado no peito, mama um pouco, se afasta,

franze a testa, se contorce, chuta, pega o peito novamente, repete o movimento todo. Sempre se arqueando para trás, muitas vezes chora, reclama, suga de maneira irritadiça ou mama infinitamente. É o momento ideal para

sacar a fraldinha e ofertar um potinho embaixo (entre as pernas da mãe), olhando nos olhos do bebê e dando o incentivo para que ele faça seu xixizinho

e seu cocozinho:

-Faz xixi filho, shiiiiiiiiii, faz cocô, bruuuu rum rum (som de pigarro).”

O bebê eliminará o que precisa e retomará a amamentação. Se tiver

necessidade de eliminar mais, repetirá todo o procedimento de pegar teta, soltar teta, ficar com as mãos agitadas, puxar e soltar a teta como se fosse arrancar, poderá também morder, se contorcer, se arquear. Oportunidade para ofertar mais uma vez a evacuação sem fraldas. Assim que conseguir eliminar o bebê volta a mamar tranquilo e muito provavelmente dormirá aliviado. Segurando o bebê em posição de obter algum alívio estamos capacitando a nossa confiança sabendo mais uma maneira além da mama de responder e AJUDAR o nosso bebê através de uma (comunic) ação. A amamentação está intimamente ligada à HN e o peito/colo da mãe tem

a

função de manter o bebê perto do coração para ser nutrido de afeto, carinho

e

leite materno, também perto do coração estará para ser atendido em seu

cocozinho ou xixizinho e será ninado para dormir sereno.

A primeira janela ideal de prática da "comunicação de eliminação"

começa juntinho com a janela da amamentação. O primeiro sinal que podemos

aprender é a “briga” com o peito - um comportamento de amamentação bastante comum que apenas indica o instinto do bebê de que precisa instantaneamente de algo e não é "comer" e sim evacuar. Ele simplesmente pode estar com muita fome, mas irá se recusar a mamar se estiver com a

bexiga completa o distraindo, há um conflito de necessidades fisiológicas e da mesma forma que ocorreria com um adulto, precisará primeiro eliminar a urina para depois se alimentar tranquilo. Infelizmente esse comportamento ganha todo o tipo de interpretação. Nem vou entrar nos méritos porque teria muito que falar de cada situação e, de fato, o conteúdo aqui proposto já está se estendendo demais. Porém, algumas das sugestões relacionadas a essa conduta do bebê seriam: refluxo (provavelmente seria indicado uso de medicação), ingurgitamento mamário (seriam abordadas iniciativas de ordenha anterior à amamentação), pega incorreta (a mãe entraria num looping sem fim de tentativas de ajustar a pega), gases, cólica (e essas duas teriam indicações de medicações e probióticos), “seu leite é fraco” (e aí além do sentimento de culpa irrestrita entra uma lata de leite artificial e uma mamadeira), “esse bebê está com dor” (também entrariam aí constantes idas ao médico e indicações de medicações de efeito placebo ou que façam o bebê dormir mais como é o caso dos remédios para refluxo, dor, cólica, etc.), APLV (alergia à proteína do leite de vaca e a mãe se desespera numa dieta totalmente restrita e rigorosa), pico de crescimento (especialmente os dos três meses, onde o desconforto do bebê com o cocô e o xixi é muito característico), confusão de bicos (lembrando que sim, bicos e mamadeiras geram mesmo confusão) e consequências que exigiriam manejo da amamentação que em verdade, nada tem a ver com o verdadeiro sintoma do bebê: vontade de fazer xixi ou cocô. Claro, todas essas questões são possíveis, são reais, existem, mas não pensem que é assim que 09 em cada 10 bebês necessitam ser medicados. Não. Está errado. Faz mal, prejudica todo o sistema físico e imunológico e mental. A maioria dessas situações apresentam melhoria (em caso de terem sido diagnosticadas) ou inexistência quando os bebês praticam HN desde o nascimento. Porém, como eu disse anteriormente, não é que praticar HN seja difícil,

é difícil apenas no começo e em algumas fases exigirá um pouco mais dos cuidadores, assim como é a amamentação, pois os primeiros dias são de descoberta, de tentativa e de erro, de ajustes e de entendimento, de conhecimento da comunicação do bebê, de aprendizado dos sinais, de dúvidas

e de confiança. É com o compromisso inicial que toda a diferença será feita no

sucesso destas práticas tão orgânicas e necessárias para os bebês, que são a amamentação e a higiene natural. Ainda que a HN seja iniciada em qualquer idade que a criança esteja, o compromisso nas fases iniciais garantirá o sucesso da prática. Como a amamentação, os benefícios da HN são muitos - há recompensas diárias e aos poucos tudo flui mais fácil, claro que sempre surgirão desafios, situações inusitadas, vontade de desistir, épocas em que a demanda será muito desgastante, exatamente como ocorre na amamentação. Assim, terão também momentos difíceis em épocas de saltos de crescimento e picos de desenvolvimento, onde o bebê vai virar um piercing de mamilo e surgirão também momentos divertidos à medida que o lactente e a lactante ganham confiança, aprendem juntos, superam fases, adaptam-se e trabalham em parceria até que a prática da amamentação, tal qual a prática da HN, se tornem orgânicas e naturais, crescendo ambas a partir daí e tornando-se parte integrante do estilo de vida da mãe e do bebê, seja dia ou noite, rua ou casa, rotina ou situação atípica. Inicialmente, praticamente toda a vez que um bebê é amamentado, ele fará xixi. Quer melhor sinal que este? Assim como o desmame não é o objetivo da amamentação, o desfralde não é o objetivo da HN, no caso da amamentação é a ligação, nutrição e proteção que confere, com a comunicação de eliminação o objetivo é cuidar das necessidades de higiene do bebê no momento atual "aqui e agora", esse xixi, esse cocô e não mais tarde quando se tornar conveniente para os cuidadores e problemático para o bebê. É muito melhor do que o uso contínuo de fraldas, porque não se cria o hábito - o foco é aprender seus sinais de linguagem corporal para "ir ao banheiro", da mesma forma em que aprendemos os sinais de fome e sono.

A higiene natural é uma abordagem completamente diferente da higiene

com fraldas. A independência do banheiro é meramente o resultado de um processo natural de desenvolvimento e prática desde o nascimento, assim

como o desmame é o resultado natural de uma relação de amamentação.

O bebê praticante de HN não requer "treinamento de banheiro", pois sua

consciência natural é nutrida dia após dia. Todos os bebês têm os mesmos instintos, cabe a nós praticar e encorajar essa consciência, "sintonizando"

esses instintos durante os primeiros meses antes que desapareçam e é muito provável que neste caso o desfralde ocorra antes do desmame. A amamentação e a prática da HN em conjunto ajudam a mãe a perceber as seguintes questões:

Oferecer o penico ao bebê enquanto amamenta é a melhor maneira de aprender os sinais que ele dá. Manter o potinho ou penico perto permite acesso fácil aos seus portais de comida e de evacuação favoritos. Ofertar o penico durante a amamentação estreita a sintonia da mãe e do bebê;

A família é uma equipe. Aleitamento materno é missão exclusiva da mãe, mas a eliminação não. A comunicação de eliminação dá ao pai e aos outros membros da família uma maneira de se conectarem e se comunicarem com o bebê desde os primeiros dias de vida.

Os bebês não gostam de "sujar o ninho". Durante a amamentação noturna é muito fácil de identificar os sinais de eliminação. Com o tempo de prática o bebê nunca mais fará cocô enquanto dorme e com a oferta do penico também após a amamentação noturna, até a fralda pode ser dispensada, pois será sempre sincronizada a amamentação com a urina noturna. Com o tempo os xixis noturnos desaparecerão e as mamadas noturnas ficam na mão de Deus, rsrsrsrs.

Com a sincronização da amamentação e a prática da HN, o desfralde natural guiado pelo bebê ocorre muito antes que o desmame natural. No uso convencional de fraldas ocorre o contrário, muitas vezes o bebê desmama antes de desfraldar. Importante saber que o bebê encontra na mãe um elo de atendimento da demanda de nutrição e higiene.

Quando a lactante consome muito leite de vaca e seus derivados, bem como muito glúten, isso reflete diretamente no padrão de evacuação dos bebês. Serão muitos xixis e os cocôs mais amarelados e constantes, além de um estresse ou enfezamento natural do bebê por conta da ingestão desses alimentos.

Quando os dentinhos estão apontando o bebê mama muito mais, consequentemente precisa evacuar muito mais. Com o uso de fraldas será um bebê ainda mais irritado e nervoso, com a prática da HN será um bebê mais tranquilo e confortado. As mordidas também costumam coincidir com a vontade de fazer xixi.

A comunicação de eliminação tem tudo a ver com todos os guias atuais de pediatria positiva (se este termo não existe, gostaria que passasse a existir), que visam uma criação pautada nas formas parentais "naturais", como a amamentação, o uso de sling, a resposta imediata ao bebê, a cama compartilhada, o BLW e o desmame natural ou gentil. Por isso, outra dica importante para expandir sua relação de amamentação e experimentar algum tempo livre de fraldas ou aprender outra maneira de responder a um bebê "agitado", basta começar a observar e estar ciente de como você pode aprender mais sobre isso que é algo primordial, maravilhoso e uma ótima maneira (viciante é verdade) de cuidar das necessidades de evacuação do bebê. A comunicação de eliminação é o livramento de uma grande quantidade de fraldas para trocar e um ótimo manejo para os problemas relacionados à amamentação, isso é fantástico para todos os envolvidos.

11.1 Dias sem fazer cocô em AME é normal?

Esse é um assunto que precisa ser muito observado e melhor discutido. Tá certo que a digestão do leite materno se dá de forma bastante eficiente e o organismo aproveita muito bem de todos os seus nutrientes. Os rins e o

intestino não são sobrecarregados explicando o aspecto aguado nas fezes de um bebê que está em amamentação exclusiva (AME), são cocôs aguados (amarelados ou esverdeados) enquanto o xixi costuma ser abundante e bem clarinho. Conhecer as fezes e o xixi do nosso filho nos proporciona ter a perfeita noção do padrão de evacuação e de saúde dele.

O bebê dá sinais quando há insuficiência de leite, tais como não ficar saciado após as mamadas, chorar muito, querer mamar com freqüência e ficar muito tempo no peito nas mamadas. O número de vezes que a criança urina ao dia (menos que seis a oito) e evacuações infreqüentes, com fezes em pequena quantidade, secas e duras, são indicativos indiretos de pouco volume de leite ingerido. Porém, o melhor indicativo de que a criança não está recebendo volume adequado de leite é a constatação, por meio do acompanhamento de seu crescimento, de que ela não está ganhando peso adequadamente [sic.] (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2009) (grifos

meus) 21 .

Existem muitos mitos e tabus que prejudicam a amamentação e também uma falsa ideia ou total ignorância mesmo - de que a evacuação não tem a ver com amamentação. Poucos textos estão relacionados. Mesmo assim, muitas pessoas repetem que é normal um bebê em amamentação exclusiva ficar dias sem evacuar e sobre essa questão encontrei uma menção no manual de Promoção do Aleitamento Materno da Unicef:

AMAMENTAÇÃO EXCLUSIVA Oferecer só peito nos primeiros seis meses de vida. Nesse período não há necessidade de água ou chá, mesmo quando o tempo estiver muito quente, seco ou o bebê estiver com cólica.

O leite materno é importante para o bebê durante esse período

porque evita muitas doenças, principalmente quando dado exclusivamente. Além disso, contém todas as substâncias necessárias para que o bebê cresça sadio mental e fisicamente. Amamentar exclusivamente no peito evita muitas doenças, por exemplo, diarréia, pneumonia, infecção no ouvido e muitas outras. Quando o bebê mama só no peito, geralmente faz cocô mole, várias vezes ao dia, ou pode ficar até uma semana sem evacuar.

Quando a criança mama no peito, aceita mais facilmente os alimentos

da família, porque o leite do peito tem sabor e cheiro conforme a

alimentação da mãe. Mamando só no peito até os seis meses os bebês já estão se adaptando aos alimentos da família (grifos meus). 22

21 Ministério da Saúde. SAÚDE DA CRIANÇA: Nutrição Infantil Aleitamento Materno e Alimentação Complementar. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção

Básica Série A. Normas e Manuais Técnicos. Caderno de Atenção Básica, nº 23. Brasília DF,

2009.

22 UNICEF e MINISTÉRIO DA SAÚDE. Promovendo o Aleitamento Materno. 2ª edição, revisada. Brasília: 2007. Disponível em: https://www.unicef.org/brazil/pt/aleitamento.pdf

Porém, não existe neste material referência, nem justificativa ou explicação qualquer que respalde essa informação, apenas uma menção à possibilidade de um bebê em AME ficar até uma semana sem evacuar. Trata como sendo algo normal, mas não explica como e nem de onde vem essa teoria. Na mesma frase diz que o bebê pode fazer vários cocôs por dia, o que também por si só já é contraditório. Além disso, parece mito essa ideia de que o leite materno é totalmente absorvido pelo organismo e por conta disso o bebê não evacuaria diariamente

e tudo bem, pois não há evidência sobre esse discurso amplamente

reproduzido pelos pediatras e profissionais de saúde, contudo, para a manutenção do aleitamento exclusivo é urgente que a atualização visando o melhor conhecimento sobre os hábitos intestinais dos bebês. Pois, ao contrário

do que vem sendo propagado, o que se espera de bebês em AME são muitas

evacuações diárias e o padrão máximo reconhecido como “normal” em crianças maiores de um ano seriam três dias sem fazer cocô, vejamos:

O hábito intestinal normal da criança pode apresentar variações. A

freqüência das evacuações é variável diferindo do adulto, assim sendo, nas crianças maiores de um ano e no adulto as evacuações

podem variar de uma a cada setenta e duas horas até três evacuações em vinte e quatro horas.

Nos

aleitamento materno ela varia amplamente podendo chegar até dez ou mais evacuações/dia. De um modo geral, nos primeiros 14 dias de vida, a criança evacua entre duas a sete vezes por dia. No quinto mês esta freqüência se reduz para uma a três vezes; e ao redor do segundo ano esta freqüência se estabiliza em uma vez

ao dia (WERAVER, 1988)[sic.] (grifos meus). 23

em

lactentes

esta

freqüência

é

elevada

e

naqueles

A bem da verdade, esses estudos sempre analisam o caso de bebês

que usam fraldas, pois não existem evidências de bebês que não as usem ou

as usem de forma parcial. Na experiência da HN não acontece dessa maneira

(dias sem evacuar) e o que eu encontrei de evidências corrobora com essa discordância. Quer dizer, os bebês que praticam HN fazem cocô(s) religiosamente todo santo dia e muito provavelmente no(s) mesmo(s)

23 WEAVER, L.T. Bowel habit from birth to old age. Jornal de Pediatria Gastroenterológica Nutricional, 1988.

horário(s). Em pouco tempo passa a fazer a dois a três cocôs por dia, até que faça apenas um muito antes dos dois anos, pois, o bebê como qualquer outro humano, respeitando a fisiologia do seu corpo que precisa de pelo menos 12 horas para fazer o percurso completo do alimento, lá da ingestão até a eliminação, deverá fazer cocô todos os dias, da mesma forma que precisará se alimentar e dormir diariamente. Além disso, os casos de constipação são, na verdade, exceção. Apenas em poucas situações o bebê poderá ficar até 10 dias sem fazer cocô, mas quando essas fezes saírem deverão ter um aspecto normal. Há, portanto, um quadro característico de Pseudoconstipacão intestinalem lactentes em amamentação exclusiva 24 . Dados da literatura mostram que a prevalência de pseudoconstipação varia de 5 a 14% e que estes intervalos podem ser de 4 a 5 dias, 6 a 7 dias e em alguns casos superior a 10 dias” (ANDRADE et. al., 2007 e FAIAL et. al., 2006) 25 .

É importante ressaltar que a pseudoconstipação não é uma condição patológica, sendo assim, não necessita de tratamento. As evacuações líquidas e várias vezes ao dia , assim como o fato do lactente passar até 10 dias sem evacuar, pode levar a mãe a achar que ele apresenta diarréia ou constipação intestinal. É de fundamental importância que o pediatra tenha conhecimento desta situação que ocorre em crianças recebendo aleitamento materno exclusivo, para que explique de maneira clara e objetiva a mãe, possibilitando dessa maneira, que o aleitamento materno não seja interrompido.

Ou seja, embora a pseudoconstipação não seja patológica e não careça de tratamento, não é “comum”, “normal”, uma probabilidade grande e real, ela é, ao contrário, uma possibilidade remota - tão remota quanto as reais indicações de cesárea - pois abarcam apenas 5 a 14% dos bebês e esse número é muito pequeno, não podemos achar normal que um bebê em AME fique 10 dias sem evacuar e, como já sabemos que os traços de determinados alimentos se apresentam no leite materno, é imprescindível que a lactante

24 AGUIRRE, A.N.C.; VITOLO, M.R.; PUCCINI, R.S.; MORAIS, M.B. Constipação em lactentes: influência do tipo de aleitamento e da ingestão de fibra alimentar. Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro, 2002. 25 ANDRADE, J.F.A.; AMORIM, C.S.C.; SILVA, L.; FAIAL, L. Hábito intestinal de lactentes em aleitamento materno exclusivo. 6º Congresso Brasileiro Integrado de Pediatria Ambulatorial, Maceió, 2007. E FAIAL, L.; AMORIM, C.S.C.; SILVA, L.; REIS, K.S.; TEIXEIRA, J.M.; SILVA, L.M. Pseudoconstipação intestinal em lactentes em aleitamento materno exclusivo. 33º Congresso Brasileiro de Pediatria, Recife, 2006.

tome medidas de regulação das fezes do lactente como o aumento da ingestão de fibras, frutas, água e oleaginosas. Mas, a melhor e mais eficiente medida de solução da constipação fecal é sem dúvidas a retirada das fraldas e a apresentação da posição adequada, ou seja, a higiene natural. O organismo foi feito para se alimentar, descansar e evacuar diariamente. Todas as situações que saem dessa rotina implicam em alterações hormonais, comportamentais, emocionais e de ordem física. Técnicas de tortura, por exemplo, consistiam em deixar o prisioneiro dias sem dormir e ou sem comer/tomar água e ou sem fazer xixi/cocô. No caso da privação de sono, o paciente pode apresentar desde perda da concentração até uma doença cardíaca ou pressão alta, por exemplo. No caso da ausência de alimentos, o indivíduo por inanição tem o organismo consumindo os próprios nutrientes buscando energia a fim de manter-se vivo, o resultado são lesões progressivas da musculatura e dos órgãos. Já no caso da constipação fecal, são muito características as respostas do corpo humano (independente da idade), pois o indivíduo apresenta desconforto abdominal e dor, inchaço, mau humor, depressão, ansiedade, hemorroidas, fissuras anais, efeito rebote de incontinência fecal por esforço excessivo de retenção e eliminação das fezes constipadas, nervosismo, agitação, agressividade. Quer dizer, a pessoa que não está eliminando as fezes da maneira correta, diária, apresenta o típico comportamento e a cara “enfezada”, por estar cheia de fezes! Soma-se a esses fatores todos ainda o fato de que o bebê que não evacua bem, não mama bem e depois não ganha peso e assim adentra num ciclo desesperador de problemas com as evacuações, problemas com a amamentação e problemas com o ganho de peso. Por isso, para evitar desmames precoces e maiores riscos ao aleitamento materno exclusivo, é urgente a propagação da HN, se um bebê evacuar bem, ele mamará bem e ganhará peso adequadamente, fazendo enfim um ciclo positivo de atendimento das necessidades e de crescimento adequado. Cabendo aos cuidadores manter os bebês em harmonia com seu ordenamento físico e biológico, alinhando o aleitamento materno com a prática da higiene natural e a teoria da exterogestação, os primeiros (e posteriores)

meses de vida dos bebês farão deles e de seus cuidadores indivíduos muito mais tranquilos do que se pode imaginar. Dediquem-se e acreditem! Os resultados aparecem a curto, médio e longo prazo, exatamente como acontece com a amamentação, somente quando resistimos e acreditamos, chegamos aos 06 meses de aleitamento materno exclusivo e fluímos, mesmo diante de tantas crises, pitacos, falta de incentivo e dificuldades, até no mínimo os 02 anos, conforme é recomendado pela Organização Mundial da Saúde, resistindo em prol da HN, chegaremos a um desfralde suave, respeitoso e guiado pelo nosso bebê.

12 O que as mães dizem

Cecília 07 meses, mamãe Tati Aguiar: “Eu conheci a página por indicação em grupos de
Cecília 07 meses, mamãe Tati Aguiar: “Eu conheci a página por indicação em grupos de

Cecília 07 meses, mamãe Tati Aguiar:

“Eu conheci a página por indicação em grupos de mães. Passei a ler depois de observar suas colocações pra melhorar vários aspectos do bebê como sono e irritabilidade. No dia que ela completou 07 meses iniciamos oficialmente no penico porque já havia feito algumas vezes com a fralda. O sono dela melhorou muito.”

Aurora 06 meses, mamãe Kecis Lopes: “Aurora pratica diariamente desde seus 2 meses de vida
Aurora 06 meses, mamãe Kecis Lopes:
“Aurora pratica diariamente desde seus 2 meses
de vida e eu posso garantir que são inúmeras
vantagens, uma delas é o sono. Aquele momento
que a mamãe adoraaaaa porque pode descansar
fazer alguma coisa, dormir junto, etc.
Quando levo Aurora pra fazer xixi antes da
soneca/sono profundo é uma lindeza que só.
Mama rapidinho e capota!
Quando pego o xixi na primeira vez que ela
acorda a noite, só vai acordar com os passarinhos
raiando o dia.
Se eu pegar só na segunda despertada, ela nem
mama, faz xixi de olhos fechados e se amolece
aliviada instantaneamente. É lindo!”
Começaram com 02 meses.
Rosa, 14 meses, mamãe Paula: “Começamos a HN quando Rosa começou a IA e as
Rosa, 14 meses, mamãe Paula:
“Começamos a HN quando Rosa começou a IA
e as constipações também. Hoje ela está com 14
meses e de lá pra cá nunca mais tivemos
problemas com constipação, a qualidade do sono
dela melhorou muito e recentemente ela já
começou a verbalizar cáca (para fazer cocô).
Outro benefício da HN é em relação a
amamentação, pois hoje quando minha bebê
começa um “larga e solta o peito”, se mostra
descontente, meu primeiro reflexo não é mais de
achar que minha produção diminuiu.
Simplesmente , tiro a fraldinha dela e ofereço o
penico. Geralmente ganho de presente um xixizão
e uma carinha de alívio, como quem diz obrigada!"
Começaram aos 07 meses.
Martin, 05 meses, mamãe Wendy: “A credito que se o Martin pudesse falar caberia a
Martin, 05 meses, mamãe Wendy: “A credito que se o Martin pudesse falar caberia a
Martin, 05 meses, mamãe Wendy: “A credito que se o Martin pudesse falar caberia a

Martin, 05 meses, mamãe Wendy:

“Acredito que se o Martin pudesse falar caberia a ele a parte das vantagens. Eu apenas enxergo como um elo benéfico entre nós para a saúde e bem estar dele. Consigo enxergar o seu desconforto e logo tento proporcionar a solução. Consigo ver no rosto dele o alívio. Não consigo me lembrar do antes, não sei nem com quantos dias nós iniciamos, só sei que comecei a HN quando me senti mais segura e confortável após as primeiras semanas tão conturbadas após o nascimento. Nós como pais nos questionamos todos os dias porque outros pais não conseguem enxergar e oferecer o mesmo aos seus bebês.

Começaram aos 02 meses

Romeu 6 meses, mamãe Janine: “O primeiro de todos é o benefício human o de
Romeu 6 meses, mamãe Janine: “O primeiro de todos é o benefício human o de
Romeu 6 meses, mamãe Janine: “O primeiro de todos é o benefício human o de

Romeu 6 meses, mamãe Janine:

“O primeiro de todos é o benefício humano de saber que ele está sendo atendido, que não precisa fazer as necessidades em si, se alivia com respeito e dignidade. Em segundo lugar, praticidade de não ter que lavar fraldas sujas de cocô (uso FP). E com isso o ecológico, de usar menos fraldas, consequentemente uso menos água pra lavar.”

Começaram na primeira semana de vida.

Emanuel, 02 meses, mamãe Clarissa: “Achei simplesmente maravilhoso, é fácil e facilita a tranquilidade, a
Emanuel, 02 meses, mamãe Clarissa:
“Achei simplesmente maravilhoso, é fácil e
facilita a tranquilidade, a higiene e o sono do bebê.
É tão fácil que, mesmo sem explicar como
funciona, minha filha de seis anos já aprendeu e
avisa quando nota os sinais do irmãozinho
querendo xixi ou cocô. É uma satisfação imensa
saber que ele sacode as perninhas não é de
alegre, que morde o peito não é de maldoso e que
chora não é de birra ou fome, é porque está
apertado pra fazer xixi ou cocô
Aí é levar pro
penico e pronto, não vai mais ter stress, o bebê
faz logo, sem dificuldade. Bem pelo contrário, com
muita facilidade, a gente não precisa fazer mais
nada além de tirar a roupa e segurar – quanto
menos coisa fizer mais fácil será, pois o bebê
concentra e elimina tudo o que necessita. O que
mais gostei é proporcionar o que meu filho precisa
sem esperar ele falar. Atender as necessidades
hoje vai refletir no psicológico e na segurança dele
amanhã.”
Começaram com 54 dias.
Luana, 11 meses, mamãe Aline: “Assim como muita gente, a primeira vez que eu fiquei
Luana, 11 meses, mamãe Aline:
“Assim como muita gente, a primeira vez que
eu fiquei sabendo dessa prática pensei: "-Nossa,
isso é praticamente impossível!". Até o dia em que
eu resolvi tirar a fralda da minha filha pois sabia
que ela queria fazer cocô. Segurei ela pelas
perninhas e ela fez. Então eu percebi que o
"praticamente impossível" tinha ido pelo ralo junto
com o cocô da minha filha e junto com meu
preconceito (ou pré-conceito). Depois desse dia
pensei: "-Nossa, como foi que eu não fiz isso
antes!". Bom, tudo na vida tem seu tempo. Hoje eu
acredito que praticar a higiene natural é um ato de
respeito e amor. Atender as necessidades da
minha filha me faz uma pessoa muito mais
conectada com ela e com o mundo. É na sutileza
do olhar, do gesto e do som que a gente se
compreende. O momento em que eu percebo, a
pego no colo, tiro a fralda, converso, canto, emito
sons, vibro, limpo e coloco a fralda novamente é
único. É a hora onde o mundo pára. Onde nada é
mais importante. Isso é respeito e amor. Isso é
natural. Isso é o que toda criança merece! E a
natureza também.”
Liv, 14 meses, mamãe Tali: “É ecológico, prático, econômico, humano, saudável, natural, respeitoso com o
Liv, 14 meses, mamãe Tali:
“É ecológico, prático, econômico, humano,
saudável, natural, respeitoso com o cocozinho e
xixizinho sagrado. E da pra ter um controle da
quantidade e qualidade dos resíduos que indicam
doenças ou saúde. Conforto!!! Alívio!!! Qualidade
de vida!! Apego cuidador-bebê
Não esse jeito
mecânico desconectado, bota a fralda e larga o
bebê e depois de horas troca com nojinho e ainda
reclama que está assado affff O motivo essencial
é a alegria da minha filha de ser atendida.”
Começaram aos 02 meses
Lara, 02 anos e 03 meses, mamãe Gisa: “Higiene natural foi uma das melhores coisas
Lara, 02 anos e 03 meses, mamãe Gisa:
“Higiene natural foi uma das melhores coisas
que proporcionamos para nossa filha e para nós
também. Poder identificar as necessidades dela
desde tão pequena foi fantástico. Além da
economia, minha filha nunca teve assaduras ou
intestino preso. E quando ficava agitada, inquieta,
sabia exatamente do que precisava.
O
desfralde ocorreu aos 22 meses, foi natural,
tranquilo e guiado por ela, facilitado pela técnica e
pela rotina. Eu já não precisava direcioná-la. Ela já
ia sozinha. Felizes!!
É
muito emocionante falar sobre isso.”
Começaram aos 04 meses.
Maria Flor, mamãe Greice: “Começamos a prática da higiene natural muito cedo após constatar que
Maria Flor, mamãe Greice:
“Começamos a prática da higiene natural muito
cedo após constatar que Maria Flor esperava a
troca de fraldas para fazer xixi e cocô peladinha.
Logo passamos a prestar atenção nos sinais e
ajudá-la a fazer as necessidades no penico se
tornou cotidiano. Hoje, Flor tem 01 ano, nunca teve
cólicas, prisão de ventre ou assaduras severas.
Para nós, higiene natural é tão natural - e
necessária - quanto alimentá-la.”
Começaram aos 09 dias.
Lorenzo, mamãe Tainara: “Higiene natural pra mim foi uma das coisas mais incríveis e com
Lorenzo, mamãe Tainara:
“Higiene natural pra mim foi uma das coisas
mais incríveis e com mais conexão entre pais e
filho que a maternidade me trouxe. Começamos a
praticar e conseguia identificar todos os sinais de
cocô e sempre recebia um xixi de brinde e todo xixi
matinal, assim que acorda. Foi uma experiência
incrível, que eu indico pra todos, sem exceção. Um
dos muitos benefícios é a economia, usava apenas
02 fraldas de pano por dia, enquanto bebês que
não praticam HN usam em média de 5 a 8 fraldas.
Outro ponto incrível é sair de casa sem
preocupação com mil roupas e fraldas, quando a
conexão está estabelecida, é muito difícil não
perceber o sinal.
O desfralde ocorreu naturalmente. Com 1ª7m
comecei a deixar sem fralda e em uma semana
meu filho avisava todos os xixis e cocôs. Foi uma
surpresa pra todos!”
Começaram aos 04 meses.

13 O que os profissionais atualizados dizem:

“Recomendo que a prática da higiene natural seja conhecida e encorajada, pois é fisiologicamente correta,

“Recomendo que a prática da higiene natural seja conhecida e encorajada, pois é fisiologicamente correta, isenta de riscos e traz consigo o empoderamento da infância. A H.N. traz, entre seus benefícios, a redução da frequência de várias condições como cólicas e dermatites, além de propiciar conforto ao bebê. Criança sem fraldas é opção de infância com mais saúde e menos consumismo. Embora técnica muito antiga, a H.N. apresenta-se hoje como uma ferramenta aliada na luta contra a patologização da infância.”

Valéria Zorzi, médica graduada pela UFSM/RS; com pós graduação e especialização em pediatria clínica, pela U.N.A./Asunción/Py; Especialista em medicina da família e comunidade, pela UNA- SUS UFCSPA. Atuando como médica em ESF, pelo Programa Mais Médicos e plantonista em Urgência e Emergência.

“Percebi que muitas das queixas em torno da amamentação que as minhas pacientes puérperas relatavam
“Percebi que muitas das queixas em torno
da amamentação que as minhas pacientes
puérperas relatavam eram na verdade sinais
que o bebê estava dando da necessidade de
eliminação. Passei a oferecer para os
cuidadores a alternativa da prática de H.N e
como resultado bebê realiza uma eliminação
satisfatória e retorna para a amamentação
mais calmo e receptivo às intervenções de
correção de pega e posição, por exemplo.
Hoje, para mim, se tornou impossível dissociar
a prática de H.N do cuidado global que ofereço
em um atendimento. Percebi que, eu não
posso simplesmente auxiliar uma mãe e um
bebê na amamentação e ignorar os sinais da
necessidade de eliminação.”
Marília Borges, enfermeira graduada pela
UnB; pós-graduada em Enfermagem
Obstétrica pelo Programa de Residência em
Enfermagem Obstetrica SES/DF. Atua como
enfermeira obstétrica na assistência ao parto
domiciliar, parto hospitalar e como consultora
de amamentação.
“Em nossa vida industrializada caminhamos para um precipício que ameaça a sobrevivência do planeta, cada
“Em nossa vida industrializada caminhamos para um
precipício que ameaça a sobrevivência do planeta, cada
vez mais distantes da natureza. Esse distanciamento tem
começado muito cedo nas novas gerações, e causa um
forte impacto na maneira como mulheres e crianças tem
vivenciado o nascimento e o desenvolvimento humano na
primeira infância. Nossos aspectos primitivos, ou melhor,
instintivos, tem sido silenciados, vários deles relacionados
com nossas eliminações e manutenção da higiene. Diante
dessa tragédia humana é muito valoroso contar com uma
obra que cientifica, esclarece e difunde para profissionais
e
leigos como devemos lidar com os bebês no
desenvolvimento de suas capacidades biológicas para
urinar, defecar e na aprendizagem da higiene corporal e
da
segurança emocional, pois tudo isso está conectado
em nossa psique (pessoas medrosas e indecisas ou
aguerridas e afoitas, passaram por dificuldades no
processo de higienização e controle dos esfíncteres
durante a infância).
Kaelly Virgínia Saraiva (à esquerda), Graduada em
Enfermagem pela Universidade Federal do Ceará (1999),
com mestrado em Enfermagem Comunitária em 2003 e
doutorado em Enfermagem em 2008, bolsista da Funcap.
Especialista em Enfermagem Obstétrica, desenvolveu o
projeto da casa de parto do CEDEFAM/UFC. É professora
substituta da UFC/Departamento de Enfermagem; foi
professora da Faculdade Católica de Quixadá (FCRS) e
coordenadora do cursos de Enfermagem da Faculdade
Santa Maria (em Cajazeiras, PB) e da Faculdade de
Ensino e Cultura do Ceará (FAECE). Membro fundadora
da
ABENFO no Ceará (Assoc. Bras. de Obstetrizes e
Enferm. Obstetras e Neonatais).
“Higiene Natural é escutar e entender o corpo do seu bebê. É pura sintonia, é
“Higiene Natural é escutar e entender o corpo do seu bebê. É pura sintonia, é

“Higiene Natural é escutar e entender o corpo do seu bebê. É pura sintonia, é deixar aflorar o lado natural e fisiológico do corpo. Melhora o ritmo intestinal do bebê, acalmando e deixando-o mais seguro.”

Amanda Ibagy, médica Pediatra formada pela Universidade Federal de Santa Catarina, UFSC, trabalhou no Hospital Infantil Joana de Gusmao e Blantyre Adventist Hospital, atende em consultório particular em Florianópolis - SC. Amanda ainda amamenta sua filha de 3 anos e 3 meses.

14 HN sem complicação

Parece difícil e, para falar a verdade, HN é mesmo difícil, não pelas posições ou tarefas como lavar a bundinha, mas pela dedicação e intenção que exige. Tem que realmente querer praticar para ter resultados e somente a prática leva à perfeição! A dificuldade está só no começo, no ajuste da sintonia e passadas as fases de adaptação, a prática se torna fluída. É como tocar violão ou andar de bicicleta, vai exigir treino, performance, querer. Sim, pois praticar HN exige muita dedicação. Não é assim, pegar um ou outro cocô e achar que dali para frente será fácil. Não será. Como a amamentação, vai exigir esgotamento, mas amamentar é a única tarefa que não pode ser dividida, conquanto a HN pode, então ela pode ser ainda mais tranquila se for praticada por todos os cuidadores. Vai ter dias em que pensaremos:

-Ahh, penico de novo?!” Vai ter dias em que pensaremos que seria melhor que a cria fizesse na fralda. Mas, é um caminho sem volta, depois que começamos a captar cocôs e os xixis vendo a sensação de alívio do nosso bebê e de notarmos o crescente esforço que ele faz pra nos avisar, não tem como ignorar a HN. Porém, quem usa fraldas também passa por isso:

-Ah, não, outra vez trocar a fralda?” Ou se estiver na rua: “-Onde será eu vou conseguir trocar a fralda?” Muda o discurso, as razões e as escolhas, lidar com as evacuações antes/durante ou depois? Ter um bebê por si só é trabalhoso. A rotina de uma família que usa fraldas será: “alimentar, brincar, fazer dormir e trocar fraldas” e de uma família que pratica HN será: “alimentar, brincar, fazer dormir e levar ao penico/banheiro”. Ainda, dentro das vantagens de praticar HN, uma delas é justamente a economia de tempo e a facilidade em todos os casos típicos e atípicos de cocô e xixi, pois se torna mais rápido atender essa demanda. Muitas pessoas antes de começar já têm a dúvida de como será na rua, como será durante a noite, como será em casas alheias, enfim, eu posso afirmar com certeza que a prática se torna tão orgânica que nós passamos a internalizar todas as necessidades da cria como algo a ser atendido e damos

um jeito. Da mesma forma que não deixamos de amamentar ou alimentar ou

fazer dormir em situações alheias à rotina, também não deixaremos de atender

a vontade de xixi ou cocô do nosso bebê. Além disso, é importante primeiro

começar, curtir, desfrutar e deixar as situações que ainda nem chegaram, para quando chegarem. Higiene Natural e ansiedade não combinam. A maioria dos pais que começam a praticar HN - especialmente as mães - sofre com a ansiedade de fazer tudo certinho, por querer saber de cara os sinais de evacuação e se frustram quando não os percebem!

Praticar HN é um conhecimento que está no nosso DNA e nossos bebês sabem ainda mais que nós, para eles, a partir do momento que começamos se torna muito fácil se comunicarem conosco, porque eles simplesmente nascem com todo o conhecimento biológico e, o melhor, diferentemente de nós que atuamos com o neocórtex cerebral e insistimos em usar a mente ou a coerência social para tudo, anulando nossa humanidade nua e crua eles não anulam esse conhecimento. Infelizmente, nossa sociedade não é coerente em nada e a humanidade

tornou-se robótica e industrializada, fazendo com que nossos conhecimentos ancestrais e intuitivos fossem silenciados! É o que vemos com relação ao parto

e a amamentação. Se o mundo inteiro diz que nosso leite é fraco, o que nos faz amamentar, se não a vontade genuína de fazê-lo? É assim com a HN, somente

a vontade genuína e a entrega desprovida de lógica que vai fazer com que

liguemos as anteninhas do instinto selvagem que carregamos em nosso DNA. Muitas pessoas opinam de forma negativa, não liguem para os pitacos ou ofensas ou olhares tortos. Não liguem para os xixis que perderem, alegrem-

se pelos xixis captados. Não se frustrem com os cocôs que não pegaram, comemorem os cocôs que conseguirem pegar! Não pensem no futuro ("ah e

quando tiver diarreia", "e quando estivermos fora de casa", "e se", "e só",

esqueçam isso), preocupem-se com o momento presente! Cada

"mas"

evacuação captada é uma conquista e ganho de consciência instintiva de perceber o que antes era imperceptível e também um cadinho de consciência corporal ao bebê. Só conseguiremos tentando. Higiene Natural é prática, tentativa e erro, é querer. Não há como saber fazer aquilo que não fazemos. Somente praticando

HN de forma tranquila, sem ansiedade, sem frustração, com amor e aceitação, chegamos a um desfralde suave guiado pelos nossos bebês. Precisamos internalizar isso, para então usufruirmos dos resultados. Sem ação, não há reação! Acreditem em vocês, confiem nos seus bebês, deixem a ansiedade pra lá!

A prática da HN vai melhorar a vida de toda a família, proporcionando

economia, liberdade, conexão, redução do uso de produtos químicos,

confiança, melhor saúde, melhor padrão de sono, melhor padrão de alimentação, comportamento, etc.

A título de curiosidade, no meu caso, até os 11 meses da minha filha,

quando a desfraldei dia e noite, ela fez cocô na fralda, no máximo, 05 vezes.

Vocês conseguem imaginar um bebê que durante nove meses (porque começamos aos 54 dias) só fez cocô em si por 05 vezes? Pois, toooooodas as outras vezes, ou seja, 30 dias por mês, durante 09 meses, foram pelo menos, 270 cocôs que minha filha fez de forma limpa e digna, fora da fralda, na posição adequada e no mesmo horário! Dá pra acreditar?! Isso é muito legal. Tenho uma bebê que nunca teve assaduras e que somente durante seus dois primeiros meses de vida (e algumas outras eventuais vezes) fez cocô em si. Dos 11 meses até hoje, 2 anos e 10 meses,

ela nunca mais fez cocô nela/na roupa e xixi tivemos raríssimos e eventuais escapes sempre diante de situações adversas. Isso não lhes parece DEMAIS? Sim, isso é DEMAAIS!!!

E o xixi? Bom, o xixi requer mais atenção, técnicas, conexão, prática. E

o melhor, o próprio bebê passa a avisar que quer fazer xixi! Vocês acham que eu não tive perdas? Claro que tive, assim como minha filha já se recusou a

comer, já se recusou a usar o penico e pouco depois fez na roupa. Eu sempre procedi de forma natural, compreendendo que eu perdi aquele xixi por alguma

razão, ou por ter me antecipado demais, ou por ter demorado muito, ou por ter

pressionado muito, ou sido leve demais

estudo, o trabalho com HN e o próprio desenvolvimento da minha filha, fui

Que seja, com o tempo, a prática, o

realizando os ajustes necessários para desfrutar desta técnica da melhor maneira possível, sem neuras. É sobre isso que eu quero falar com vocês. Para deixarem a HN fluir, sem pressão, sem paranoia, nem cobranças, nem culpa.

Claro que tivemos regressões, claro que tivemos fases difíceis, claro que já perdi xixis, e em determinadas fases perdi também cocôs, claro que ela é um docinho e se esforça para avisar quem está perto. Claro que vieram (e imagino que ainda virão) muitas fases depois do desfralde e claro que não tive pretensão alguma de desfraldá-la, mas não tive nem tenho NENHUMA DÚVIDA de que fiz e faço o melhor por ela. Nós já viajamos de carro, de ônibus, de Ferry Boat e de avião. Já estivemos em hotéis, pousadas, casa de amigos, casa de estranhos, casa de parentes, cidades, campo, casa, hotel, barraca, frio intenso, calor, praia e interior e todo o tipo de situação imaginável e a HN esteve sempre dentro da nossa articulação e logística diante dessas situações. Com dois anos e dois meses a Serena frequentou por 03 meses uma escolinha e nunca teve escape algum, sempre fazendo o cocô em casa antes de ir e o xixizinho na escolinha no vaso. E, foi diante de tanta experiência boa que passei a divulgar a técnica com mais afinco, queria gritar aos quatro cantos que é possível não sermos escravos das fraldas. Que nossos bebês são muito mais capazes do que julgamos. Que eles realmente carregam no DNA muitos conhecimentos e que nós não somos ensinados a nos conectar com nossas crias, mas carregamos no instinto esse saber. Foi assim, diante de tanto conhecimento adquirido, da prática e da propagação da HN, que resolvi fazer a página Bebê sem Fralda Brasil, passei a ensinar amigas a praticarem e de 10 bebês conhecidos que passaram a fazer suas necessidades no peniquinho, o número aumentou pra 20, de 20 para 30, e a página bombando e as mensagens chegando, e as fotos de bebês felizes nos penicos lotando a caixa de entrada de mensagens, foi assim, que decidi prestar consultorias, afinal, a HN estava me tomando muito tempo, tanto porque eu fiquei sedenta por informações e conhecimentos e varei muitas noites lendo todo o tipo de fonte e estudos que se pode imaginar, quanto porque vi de perto a técnica trazendo inúmeros benefícios para os bebês e suas famílias (são quase três anos de estudos DIÁRIOS) e muitas consultorias extremamente bem sucedidas, nunca parei para contar, mas creio que diretamente eu já tenha auxiliado centenas de bebês e indiretamente milhares e minha meta é atingir cada mãe de bebezinho, cada gestante, cada

família que busca a forma de criar suas crias da maneira mais natural e orgânica possível. Estou aqui para a troca de dicas, ideias, macetes e informações. Hoje, realizando Workshops pelo Brasil, concluo este livro com muito orgulho no coração enquanto o número de bebês e famílias felizes só aumenta! Da mesma forma passei a estudar o desfralde e já são muitas crianças se livrando das fraldas de maneira lenta, gradual e com o auxílio da HN e de seus pais (fiquem ligados que o livro sobre #desfraldecomHN vem em breve). Por isso, te convido a vir comigo e virar esse jogo e recuperar os valores impagáveis na nossa relação com nossos bebês! HN é vida, conexão, sintonia e harmonia entre pais e filhos. É conhecimento ancestral, está no nosso DNA também. Vamos todos juntos nessa! Depois que ligamos a anteninha da percepção das evacuações somos contemplados com um estágio de sintonia que era inimaginável antes da prática da HN. Quase toda a literatura ocidental sobre o treinamento do banheiro espalha a ideia de que a capacidade de reter a eliminação não se desenvolve até 18 meses - 3 anos. O que está em total contradição com a experiência de milhões de bebês no mundo. No entanto, pode ser verdade que os músculos não estejam suficientemente desenvolvidos em crianças que dependem de fraldas porque eles nunca são usados. A consciência é perdida e as crianças ficam sujas. É importante lembrar que a HN é baseada no relaxamento dos esfíncteres e não na contração ou retenção e esta é a grande diferença em relação ao desfralde convencional, que além de muitos outros pontos negativos como a não relação com as eliminações corporais, “treina” a criança para reter tanto as fezes que ela foca na retenção e tem imensa dificuldade na liberação esfincteriana. Ao usar os músculos voluntariamente para relaxar e desenvolver um bom tom dos esfíncteres, o bebê vai aprender a reter os excrementos quando quiser, de forma natural e voluntaria. A HN respeita a capacidade da criança de fazê-lo. Por isso, depois de dado o hábito do uso de fraldas e da não consciência de evacuação, forçar uma criança a reter a urina ou fezes usando de pressão, vergonha, punição, ou recompensas e parabéns, é desrespeitoso e

potencialmente perigoso para desencadear traumas de curto, médio e longo prazos e não tem nada a ver com a prática que eu defendo. É difícil ou impossível encontrar estudos sobre o método, conseguimos encontrar muitos livros, uma ou outra pesquisa antropológica de campo, que justamente se tornam os livros e muitos relatos pessoais em blogs e sites de diversos lugares do mundo: Portugal, França, EUA, Japão. Mas, aqui no Brasil somos muito carentes de conteúdo, temos a página Bebê sem Fralda cuidada com muito amor e carinho para vocês, alimentada com muito estudo e vivências minhas na área tanto como mãe, como amiga de muitas mães, como moderadora ou participante de diversos grupos maternos e especialmente como profissional da área, a única consultora do Brasil, especialista, palestrante e divulgadora oficial do método, além, claro, dos depoimentos na rede de mães praticantes. Após o acompanhamento de tantos bebês e pelo meu trabalho já ter ultrapassado as fronteira do país e eu já estar prestando consultorias internacionais, estou aqui pra dizer pra vocês que sim, higiene natural é bom, fácil, possível, lindo, natural e lógico, portanto, com certeza vai ajudar o seu bebê seja qual for o problema de ordem física ou comportamental que ele estiver enfrentando. Sendo necessário apenas querer e proporcionar a posição certa no momento certo pra ajudá-lo a evacuar. E, para você que ainda nem está com o bebê nos braços, sinta no coração e receba de mente aberta essa que é a informação mais acolhedora que já chegou até você no tocante ao sentimento de dúvida que lhe cabe quando o assunto é o uso de fraldas. Acreditem na Higiene Natural, permitam que esse sentimento invada o coração de vocês e aceitem essa prática como a mais respeitosa e orgânica quando o assunto é xixi e cocô dos nossos bebês e comprovem essa teoria nas diversas imagens de bebês no penico que demonstram alivio, alegria e satisfação. Com tudo isso:

Não é preciso ir mais longe. Não vamos nos perder na floresta encantada da dialética. Recusemo-nos a argumentar. Ou nos provariam muito rapidamente que a lebre é incapaz de alcançar a tartaruga.

As coisas são simples, apenas o espírito é complicado. Quando uma

criança vem ao mundo, a primeira coisa que faz é gritar. E o grito alegra a assistência. “Ouçam, ouçam como ele grita!”, diz a mãe toda contente, encantada de que uma coisinha tão pequena faça tanto barulho.

O que significam os gritos dos recém-nascidos?

Que têm reflexos normais. Que a máquina está em funcionamento.

Os homens são apenas máquinas? Os gritos não falam de sofrimento?

Para gritar como grita, será que o bebê não sente imensa dor? Nascer seria doloroso para a criança, assim como o parto era, antigamente, para a mãe?

E se é assim, quem se preocupa com isto?

Ninguém, ao que parece, tendo em vista a pouca consideração que é dispensada ao bebê quando ele chega.

Infelizmente, a ideia de que os recém-nascidos não sentem nada, não ouvem, não veem, é um postulado solidamente estabelecido Como poderia o bebê tão pequenininho sofrer? É uma “coisinha” que grita, que protesta, e ponto final, é tudo. Em suma, é um objeto.

E se as coisas não forem assim tão simples?

Se se tratar, de fato, de uma pessoa?

O recém-nascido é uma pessoa! Isto contraria tudo o que pensamos

a respeito.

Mas, apesar de tudo

Devemos ter consciência de que é preciso

desconfiar do que pensamos. Como saber?

A

razão diz que, antes de mais nada, precisamos nos ater aos fatos.

E

os fatos, neste caso, não falam.

[ ]

O recém-nascido não fala?

Espera aí, preste atenção. Ainda é preciso fazer comentários? Essa fonte trágica, olhos fechados, sobrancelhas erguidas, tensas

Essa boca que grita, a cabeça que se vira e tenta escapar Essas mãos que se estendem, imploram, suplicam, depois se dirigem à cabeça, o próprio gesto de calamidade Esses pés que empurram furiosamente, as pensas que procuram proteger o frágil ventre Essa carne que não é senão espasmo, sobressaltos, tremores Então, não fala o recém-nascido?

É todo o seu ser que grita, todo o seu corpo que se manifesta:

“Não me toquem! Não me toquem!”

E, ao mesmo tempo, implora, suplica:

“Não me deixem! Ajudem-me! Ajudem-me!”

Alguém já fez apelo tão enternecedor?

E esse apelo feito pela criança depois de tanto tempo, no momento

de sua chegada, quem o compreende, quem o entende, quem

apenas o escuta? Ninguém.

Não é um grande mistério?

O recém-nascido não fala?

Não, não. Nós é que não escutamos (LEBOYER, 1974) 26 .

26 LEBOYER, Frédérick. Nascer Sorrindo. 1ª edição 1974 ; 8ª ed., Brasiliense, 1982. O autor faleceu no dia 25/05/17, deixando um forte legado para a história da humanização do nascimento!

Imagem: Nascimento de Serena Paz em parto domiciliar planejado

Nascimento de Serena Paz em parto domiciliar planejado Fonte: arquivo pessoal, Foto de Vivian Scaggiante, Alem

Fonte: arquivo pessoal, Foto de Vivian Scaggiante, Alem D’Olhar.

Então é por aí, precisamos ter em mente que diante de nós há um mini- humano com fisiologia idêntica a nossa e que carece de atenção e atendimento. Temos que juntos (re)construir um mundo onde os bebês possam nascer sorrindo e sem intervenções, com as parturientes sendo tratadas com dignidade, garantindo a hora de ouro, que é a primeira hora pós nascimento de colinho e tetinha de mamãe para fortalecer o vínculo e garantir o ponta pé inicial da amamentação, temos que falar mais sobre a lua de leite, sobre o puerpério, o baby blues, a depressão pós parto, sobre a importância do aleitamento materno exclusivo até os seis primeiros meses de vida e estendido até no mínimo os dois primeiros anos. Temos que falar mais sobre maternidade em carreira solo, sobre paternidade (in)ativa, sobre rede de apoio, sobre disciplina positiva, comunicação não violenta (aprender), temos que falar de curas através das plantas medicinais, dos chás, das ervas e das conexões. Falar de como acontecem as somatizações e enfermidades, conhecer nosso organismo como vivo e em consonância com as energias interplanetárias. Temos que falar de todos esses assuntos e por estarmos focados nas próximas gerações e sabermos que apenas estamos arando a terra para que eles possam plantar, é imprescindível falar também da higiene natural desmistificando a prática e quebrando definitivamente os paradigmas que

afastam as famílias e as crianças saudáveis da conexão que é permitida através da HN. Já sabemos que muitos dos “males” para os quais os bebês estão sendo medicados mais são criações da indústria do que de fato patologias. É o caso do refluxo, do sono picado, da hiperatividade infantil, das cólicas, das constipações. Por isso, se atendermos todas as necessidades das crianças, demonstrando desde sempre que estamos dispostos, consequentemente, evitaremos que nossos bebês sejam mais um dos tantos bebês seduzidos pela indústria farmacêutica e sendo medicados para tudo aquilo que seria facilmente solucionado através do simples atendimento das demandas dos bebês, especialmente da demanda de evacuação que não pode ser ignorada. Não pode porque estamos em vias de construir um novo mundo onde as crianças são vistas como indivíduos a serem respeitados nas suas peculiaridades, com maior liberdade criativa e maior respeito às suas fases do desenvolvimento. Por isso, nós, como sujeitos responsáveis por essa nova geração que vem trazendo a cura e a renovação para o planeta terra, o faremos através das decisões nos padrões de criação respostas para muitas questões que sempre pareceram inexplicáveis. Afinal de contas, já está constatado que as formas de criação tradicionais não surtiram um efeito positivo na humanidade.