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Atuando com a fala (Lição 1)

Hoje em dia, ouvimos muitos comentários sobre a baixa qualidade da fala


dos atores. Às vezes o publico e os críticos se sentem incomodados por sua
falsa teatralidade, sua declamação exagerada ou seu sentimentalismo
choroso. Atualmente, porém, as razões de insatisfação são o contrário
destes defeitos: a fala incompreensível, a falta de cor, de musicalidade e
de expressividade.

É errado pensar que o ator deva falar no palco da mesma maneira que se
expressa na vida real. A fala cotidiana é freqüentemente monótono,
enfadonha, pobre, por demais corrida e incompreensível, servindo, no
palco, apenas para irritar a platéia e empobrecer a literatura dramática.

Explorando textos clássicos de dificuldade avançada, o curso se propõe a


investigar técnicas de interpretação voltadas para uma maior
expressividade verbal; técnicas para habilitar o ator a entender e exprimir a
palavra como forma falada do pensamento. Tal capacidade de expressar o
pensamento precisa e claramente é a base da fala artística.

A lógica da fala desenvolve a capacidade de transmitir o pensamento do


autor à platéia através de pronúncias precisas. Contudo, a análise lógica de
um texto é apenas a primeira etapa preparatória do trabalho em cima de
um texto. Isto não substitui o trabalho com a ação dramática.

O primeiro exercício:
Quando falamos, expressamos idéias, e estas idéias estão desenvolvidas
através de uma sintaxe falada. Acentuamos palavras importantes com
inflexões para cima ou para baixo, colocamos pausas onde estão
necessárias. Nos estamos, de fato, pensando em voz alta e a sintaxe é a
forma do pensamento. Uma característica orgânica da fala é que, enquanto
um pensamento simples está sendo desenvolvido, não se baixa a inflexão
da voz antes das pausas lógicas (Ver abaixo “pausas lógicas”) até completar
o pensamento. Na gramática escrita, esta conclusão do pensamento seria
anotado com o ponto final do período. É um erro comum na leitura de um
texto dramático deixar a inflexão da voz cair no final de frases
subordinadas, assim reduzindo um período complexo a uma série de frases
curtas.

Exercício:
Ler o texto em voz alta várias vezes, elevando a inflexão da voz antes de
cada pausa lógica e baixando a entonação ao aproximar o ponto final.
Atuando com a fala (Lição 2)

Compassos de Fala e Pausas

Um compasso de fala é um grupo de palavras que são faladas juntas, sem


pausas entre elas. Cada período da nossa fala é dividido, segundo o
sentido, em grupos de uma ou mais palavras. Tais grupos são chamados
“compassos”

Parte do entendimento de um texto é a identificação dos compassos isto é,


definir a colocação e extensão de pausas lógicas bem como as palavras
mais importantes e as palavras de importância secundária.

Um compasso pode ser composto de um grupo do sujeito, um grupo do


verbo, um grupo das circunstâncias etc.

Ao falar, cada compasso é separado do outro por um intervalo. Estes


intervalos são de extensão e intensidade variáveis e são chamados de
Pausas Lógicas. Também, os compassos estão distintos um do outro por
mudanças no nível da entonação da voz.

Ao analisar um texto, é útil usar os seguintes símbolos para identificar as


pausas:
1. ‘ – uma pausa curta para inspirar um pouco de ar, ou para enfatizar
uma palavra importante
2. / - uma Pausa Lógica entre compassos intimamente ligados pelo
sentido. (Pausa de ligação)
3. // - uma Pausa Lógica mais extensa entre compassos ou frases ou
períodos.
4. /// - uma pausa mais extensa (Pausa de Divisão) entre períodos em que
há uma grande mudança de assunto. Geralmente esta pausa está
marcada também por uma transição de ação.

As pausas organizam a fala, dão clareza e precisão aos períodos e ajudam


penetrar o sentido.

As pausas dividem os períodos em grupos definidos de palavras – os


compassos – e, no mesmo tempo ligam os compassos por uni-los num
período inteiro. É importante que a pausa não corte o pensamento principal
de um período assim criando lacunas de sentido.

(Além das Pausas Lógicas, existem pausas para respiração e Pausas


Psicológicas.)
Atuando com a fala (Lição 3)

Num texto escrito, certas pontuações freqüentemente indicam Pausas


Lógicas. Contudo, um período pode conter mais pausas do que as indicadas
pela pontuação. Da mesma forma, nem todas as pontuações exigem
pausas.

Pausas num período que não são marcadas pela pontuação:

1. Normalmente há uma curta pausa antes de palavras de ligação tais


como: “e”, “ou”, “mas”, etc.

2. Normalmente há uma curta pausa lógica depois de palavras de


qualificação tais como “Contudo”, “Portanto” etc.

3. Entre o compasso do sujeito e o compasso do verbo (quando o sujeito


não é um pronome).

Exemplo: “O Capitão / já demonstrou alguns sintomas de oscilações


de humor, de instabilidade de vontade?” (August Strindberg, O Pai)

4. Entre dois substantivos ou entre dois verbos antes de uma palavra de


ligação (“e”, “ou” etc.).

Exemplo: “...que na sua maior parte são incapazes de apreciar


coisa além de barulheiras / e pantomimas confusas.” (Shakespeare,
Hamlet)

Exemplo: “... e que de tal jeito rugiam / e pavoneavam-se que


(pus-me a pensar) eles haviam sido feitos, e mal, por meros
aprendizes da natureza...” (Shakespeare, Hamlet)

5. Depois de um compasso de circunstância quando isto é o início do


período:

Exemplo: “Em caso de falência / é necessário que as contas estejam


corretas, senão se pode ser punido como devedor relapso.”
(Strindberg, O Pai)
Atuando com a fala (Lição 4)

A Entoação das Emoções

É importante lembrar que existe dois tipos de entonação: o que podemos


descrever como a entonação do sentido, o outro é a entonação das
emoções; uma rica e variada entonação que não pode ser fixada.

PONTUAÇÃO

A pontuação sugere maneiras de transmitir o sentido pela entonação.


Porém, às vezes as marcas de pontuação não coincidem com a construção
das entonações da frase. Em tais casos, a pontuação fica apenas como
uma característica do texto escrito. Por exemplo, às vezes, quando uma
vírgula é necessária para o sentido gramático de um período, não damos
uma pausa no lugar dela.

PONTO FINAL (.)


O ponto final indica a conclusão de um pensamento e a conclusão de um
período. É ligado a uma forte queda da entonação na palavra acentuada
que precede o Ponto Final ou é perto do final do período. Geralmente, o
Ponto Final exige uma pausa distinta, especialmente se o coincide com a
mudança de pensamento. Aqui colocamos uma pausa de divisão.

PONTO E VÍRGULA (;)


O Ponto e Vírgula divida, mas no mesmo tempo une, partes de uma
descrição verbal, assim criando um sentido integro. Antes do Ponto e
Vírgula a voz pode cair ligeiramente, mas não tão fortemente quanto antes
de um Ponto Final. O Ponto e Vírgula significa uma pausa de ligação.

VÍRGULA (,)
A Vírgula indica que o pensamento está incompleto. A Vírgula indica uma
pausa de ligação que deve ser antecipada por uma elevação na entonação
da palavra a ser acentuada.

DOIS PONTOS (:)


Dois Pontos geralmente indicam a inteção de explicar, concretizar ou
enumerar além do que foi dito antes. Sempre há uma pausa lógica de
ligação depois dos dois pontos. É um erro deixar a voz cair antes desta
potuação como se indicasse un Ponto Final. Normalmente, a coisa mais
importante a ser dita fica depois dos Dois Pontos que podem ser até
precedidos por uma elevação de intonação na palavra a ser acentuada.