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O JARDIM CÓSMICO
Dr. H. Spencer Lewis

Este trabalho foi escrito por nosso primeiro Imperator Dr. Harvey
Spencer Lewis, e faz parte da Série Especial de discursos da AMORC.

Este é um dos mais antigos assuntos contidos nos manuscritos de


nossa Ordem, e é bem possível que alguns estudantes já tenham ouvido
ou se lembrem de referências feitas ao Jardim cósmico, embora quase
não tenha sido mencionado em nossas monografias.
O Jardim Cósmico não é inteiramente alegórico, mas algo
espiritualmente muito belo e altamente simbólico.
A primeira experiência que tive desse Jardim Cósmico foi a
maravilhosa entrevista que manteve no passado com um Grande Mestre.
Ao chegar fui informado de que ele acabava de vir do Jardim, onde
estivera admirando as flores, e após nossa entrevista novamente a ele
retornaria.
Acreditei que estivesse falando do jardim de sua casa, que eu não
podia ver da sala onde me encontrava, mas ao terminar a entrevista
pediu-me para aguarda-lo um momento, pois desejava me oferecer uma
rosa cuja qualidade admirava extraordinariamente.
Esse Grande Mestre não era um oriental. Era um homem como eu,
vestia-se com roupas comuns no ocidente, entretanto sua figura era
radiosa, quase imponente, de uma serenidade invulgar; seus cabelos já
prateados formavam a moldura de um rosto admiravelmente
harmonioso; suas belas mãos mantiveram-se serenas durante todo o
tempo em que conversamos. Ele era de fato um Grande Mestre.
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Ainda estava nessa divagação quando o vi retornar à sala. Trazia uma


rosa na mão e num gesto de rara delicadeza ofereceu-me a flor. Ao
passar da mão dele para minha, a rosa flutuou no espaço e logo senti que
tinha diante de mim algo extraordinário: a rosa com haste e folhas não
tinha o peso que comumente se sente, aliás não tinha peso algum; as
pétalas eram fulgurantes, de um vermelho profundo com as bordas
orvalhadas.
A fragrância que inundou todo o ambiente era sublime, um aroma que
eu jamais senti. E na mão, diante dos meus olhos, estava uma rosa do
Jardim Cósmico, sobre qual estivera falando com o Grande Mestre. Veio
comigo este presente insólito e coloquei em meu sanctum numa jarra;
durante dezoito dias esta rosa permaneceu sem qualquer sinal de
fenecimento, sem perder sequer seu aroma. Depois fui notando certa
rigidez nas folhas e mais tarde nas pétalas, e o aroma foi aos poucos se
desvanecendo. De modo algum posso afirmar que esta rosa tenha
murchado; ficou entretanto rija com as pétalas firmemente fixadas na
corola, mas sem aquela vida própria das flores recém colhidas. Hoje sei
que se tivesse vitalizado diariamente aquela rosa com meu amor, ela
permaneceria viva e fragrante todo o tempo que desejasse. Todavia,
durante os dezoito dias em que se manteve com seu poder original,
limitei-me a admirá-la.
Não considerem estranho se ocasionalmente fizerem contato psíquico
com o Jardim Cósmico, e é bem possível mesmo que alguns estudantes
rosacruzes já o tenham feito, sem conseguir defini-lo claramente como o
Jardim Cósmico.
Sei que os fratres e sorores gostariam de saber onde está localizado o
Jardim Cósmico e como é em manifestação. Tais perguntas me
assaltaram também e voltei ao Grande Mestre pedindo-lhe essas
informações. Como de costume a resposta consistiu simplesmente em
uma sugestão da verdade e que devemos nos esforçar para sentir e
visualizar o Jardim Cósmico através da revelação interior, concebendo
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que no reino cósmico ha modelos originais de todas as coisas que


existem na face da terra. Assim, seremos gradativamente inspirados e a
revelação interior poderá ocorrer.
O homem e a mulher foram concebidos na consciência cósmica antes
que suas réplicas, duplicatas, fossem criadas na terra. Os seres humanos
são ideias perfeitas na mente divina. A própria terra e tudo o que nela
está, tudo o que existe, teve concepção primordial cristalizada na
consciência cósmica antes que uma réplica fosse projetada e vitalizada
pela substância que mantém a vida e a forma terrenais.
Não posso lhes contar como entrar no Jardim Cósmico, mas posso lhes
informar que o meio de fazerem contato com ele está no desejo sincero
de alcançá-lo, tentando sempre esse contato poderá ocorrer quando
menos esperarem, e então algo de espiritualmente muito belo e perfeito
se fará sentir com as mais elevadas vibrações possíveis.

O Grande Mestre disse-me, em outra ocassião, que toda flor do Jardim


Cósmico tem uma afinidade interior com alguma personalidade-alma.
Entendi assim que toda expressão de alma ou de personalidade-alma no
universo tem uma correspondente linda flor no Jardim Cósmico, e ainda
hoje me indago: será esta a forma de criação divina para as
personalidades-almas? Gosto muito de pensar que sim, que todos somos
belas e perfumadas rosas do Jardim Cósmico. Se assim é, fratres e
sorores, todos temos uma certa flor crescendo continuamente no Jardim
Cósmico na mesma proporção em que se desabrocha em nosso interior.
A nossa flor, a nossa rosa interior, como gosto de pensar, está em
harmonia com a rosa perfeita que vive no Jardim Cósmico, e nossos
atos, pensamentos e evolução refletem-se no original puríssimo.
Nossa personalidade-alma é uma flor, uma rosa do Jardim Cósmico
vivendo na Terra, pregada em nosso corpo, nossa cruz. Mas um dia,
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plenamente desabrochada, leve e perfumada, se desprenderá dessa cruz e


se unirá a original e perfeita que está no Jardim Cósmico.

PASSEIO PELO JARDIM CÓSMICO


Experimento elaborado pela Soror Ruth Éboli, SRC

Com desejo sincero de alcançar o Jardim Cósmico, vamos realizar um


experimento. Vamos tentar encontra-lo.
Falarei individualmente aos fratres e sorores como se estivesse sentado
ao seu lado. Cerre suavemente os olhos. Relaxe inspirando e expirando
pausadamente sem forçar a retenção do ar nos pulmões. Relaxe cada
parte do corpo. Inicie pelos pés. Relaxe mais profundamente. Ouça
apenas a música e relaxe.
Agora que você está bem relaxado, quase no estado intermediário,
entre o sono e a vigília, solte as rédeas de sua imaginação.
Lembre-se, meu amado frater ou minha amada soror, a imaginação é
um princípio ativo de sua consciência. Para obter êxito no processo
imaginativo, você precisa relaxar, esquecer o ambiente, e reter a atenção
apenas no que está imaginando sem forçar a mente, sem usar o poder da
vontade. Relaxe mais profundamente e viva com colorida imaginação
este passeio pelo Jardim Cósmico.
Você está em frente ao portal do Jardim Cósmico. As duas colunas
laterais de puríssimo mármore branco estão envoltas por guirlandas de
flores multicoloridas. Observe bem essas flores. São inúmeras, de
formas e cores harmoniosas e variadíssimas.
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Você ultrapassa o portal e caminha por uma alameda ornada de


árvores frondosas. A luz do sol passando por entre os ramos das árvores
forma desenhos assimétricos no chão, dando a impressão de que você
pisa em pedacinhos dourados semeados no infinito. Pare um pouco.
Sinta a brisa fresca e perfumada. Sinta o cheiro típico da terra úmida.
Ouça o farfalhar das folhas, que levemente quebra o silêncio sem
interferir na plenitude da paz que existe no Jardim Cósmico.
É neste Jardim de luminosa vida, parte de um outro universo, cheio de
paz e amor, que está a sua flor. Olha ao redor: ha miríades de flores, ha
luz, ha paz.
Caminhe novamente. Siga pela rota fresca entre canteiros e canteiros
de flores de vários frutinhos, qualidades, matizes e perfumes. Entre essas
flores busque a sua. Não se apresse, pare, olhe com os olhos de sua alma
para cada flor.
Espere, sua flor tem o dom da atração, logo que você aceitar, sem tirar
seu magnetismo, um fluido sublime ligará você e a sua flor, tal como um
tenue fio de prata. Seu olhar se fixa em sua flor. Uma flor se evidencia
agora mais bela, mais vibrante. Aproxime-se devagar. Olhe mais
atentamente para essa flor. Tome-a delicadamente em suas mãos sem
retirá-la do caule. Sinta o seu perfume. Deixe-se inebriar pelo perfume
dessa flor. É talvez um perfume desconhecido, jamais sentido. No mais
íntimo do seu ser, você sente e sabe que esta é a sua flor, uma parte de
você mesmo cultivada pelo divino ser, pelo mesmo criador de sua alma.
As suas vibrações unidas à sua flor fazem com que suas pétalas se
movimentem, desabrochando um pouco mais e transmitindo-lhe algo
inexplicável, belo, inefável, profundo.
Neste sublime momento de contato com a sua alma-flor, você se
conmove e grava de forma indelével em sua mente este instante de
intensa beleza.
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Você já conhece a sua flor, a flor de sua cruz; sabe onde está
localizada no Jardim Cósmico e poderá reencontrá-la novamente muitas
vezes, sempre. Esta flor está e estará sempre ali no centro do Jardim
Cósmico e no centro do seu peito desabrochando vagarosamente na
medida em que ocorre seu desenvolvimento espiritual e psíquico. Você
deseja essa flor, você quer estar sempre perto dela, mas não poderá ainda
mantê-la viva numa jarra no seu sanctum. Ela vive e viverá sempre em
sua mente alimentada pela seiva que vem do sublime milagre da
fecundação universal. Fite mais fixamente a sua flor, com reverente
humildade. Com um gesto de harmoniosa devoção, suas mãos se
desprendem de sua flor e se unem em oração.
Semeador do infinito, quão belas são as tuas flores alimentadas pela
plenitude de teu amor por toda a eternidade, sem princípio, sem fim.
Que feliz encontro, que momento de amor: eu e minha flor unidos em
eterna e suave harmonia. A minha flor, ela existe no Jardim Cósmico.
Viva intensamente este momento.
Dando largas a veloz corcel de crinas soltas de sua imaginação, você
poderá voltar aqui ao Jardim Cósmico, reencontrar e amar a sua flor,
viver momentos de intensa emoção espiritual
O retorno à sua consciência objetiva vai-se fazendo bem devagar, bem
devagar. A música, este dossel mágico que recobriu sua imaginação
neste passeio ao Jardim Cósmico, continuará até que sua condição
humana, material, objetiva, reconduza o meu frater ou a minha soror, ao
ambiente em que vive, no aconchego do seu lar, em paz profunda, em
paz profunda.