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UDESC - UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA

CCT - CENTRO DE CIÊNCIAS TECNOLÓGICAS


DEM – DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA MECÂNICA
EMA II - ELEMENTOS DE MÁQUINA II

CABOS DE AÇO

Professor: Nicodemus Neto da Costa Lima

Acadêmico: Mauricio Koech Branco

JOINVILLE
11/OUTUBRO/2007
CABOS DE AÇO
1.1 CONCEITOS
1.2 CONSTRUÇÕES DE CABO
1.3 SENTIDO E TIPO DE TORÇÃO DOS CABOS
1.4 PASSO DE UM CABO
1.5 LUBRIFICAÇÃO DOS CABOS
1.6 PRÉ-FORMAÇÃO
1.7 RESISTÊNCIA DOS CABOS DE AÇO
1.8 CARGAS DE TRABALHO E FATORES DE SEGURANÇA
1.9 DEFORMAÇÃO LONGITUDINAL DOS CABOS DE AÇO
1.9.1 DEFORMAÇÃO ESTRUTURAL 1.
1.9.2 DEFORMAÇÃO ELÁSTICA
1.10 DIAMETRO DE UM CABO DE AÇO
1.11 INSPEÇÃO E SUBSTITUIÇÃO DOS CABOS DE AÇO
1.12 INFORMAÇÕES TÉCNICAS
1.13 APLICAÇÕES
EXEMPLO
CONSIDERAÇÕES FINAIS
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA
1.1 CONCEITO
Cabos é um conjunto de arames torcidos e estirados, que transmitem e suportam
cargas (força de tração), deslocando-as as posições horizontal, vertical ou inclinada. Os
cabos são muito empregados em equipamentos de transporte e na elevação de cargas,
como em elevadores, escavadeiras, pontes rolantes.

Exemplos de aplicações de cabos de aço.

1.2 CONSTRUÇÕES DE CABOS

Construção é o termo genérico empregado para indicar o número de pernas, o


número de arames de cada perna, a sua composição e o tipo de alma, como veremos a
seguir:

1) Número de pernas e número de Arames das Pernas


(exemplo: o cabo 6X19 possui 6 pernas e 19 arames cada.)
Partes do cabo de aço.

As pernas dos cabos podem ser fabricadas em uma, duas ou mais operações,
conforme sua composição. Nos primórdios da fabricação de cabos de aço as
composições usuais dos arames nas pernas eram as que envolviam várias operações,
com arames do mesmo diâmetro, tais como:
1+6/12 (2 operações) ou 1+6/12/18 (3 operações). Assim eram torcidos primeiramente 6
arames em volta de um arame central. Posteriormente, em nova passagem, o núcleo 1+6
arames era coberto com 12 arames.

Esta nova camada tem por força um passo diferente do passo do núcleo, o que
ocasiona um cruzamento com arames internos, e o mesmo se repete ao se dar nova
cobertura dos 12 arames com mais 18, para o caso da fabricação de pernas de 37
arames.

1.3 SENTIDO E TIPO DE TORÇÃO DOS CABOS

Quando as pernas são torcidas da esquerda para a direita, diz-se que o cabo é de
"Torção à Direita"(Z). Quando as pernas são torcidas da direita para a esquerda, diz-se
que o cabo é de "Torção à esquerda"(S).

Nenhum cabo de aço com torção à esquerda deve ser pedido sem que primeiro
sejam consideradas todas as características do seu uso.
No cabo de torção regular, os arames de cada perna são torcidos em sentido
oposto à torção das próprias pernas(em cruz). Como resultado, os arames do topo das
pernas são posicionados aproximadamente paralelos ao eixo longitudinal do cabo de
aço. Estes cabos são estáveis, possuem boa resistência ao desgaste interno e torção e são
fáceis de manusear. Também possuem considerável resistência a amassamentos e
deformações devido ao curto comprimento dos arames expostos.

No cabo de torção Lang, os arames de cada perna são torcidos no mesmo sentido
que o das próprias pernas. Os arames externos são posicionados diagonalmente ao eixo
longitudinal do cabo de aço e com um comprimento maior de exposição que na torção
regular. Devido ao fato dos arames externos possuírem maior área exposta, a torção
Lang proporciona ao cabo de aço maior resistência à abrasão. São também mai flexíveis
e possuem maior resistência à fadiga. Estão mais sujeitos ao desgaste interno, distorções
e deformações e possuem baixa resistência aos amassamentos. Além do mais, os cabos
de aço torção Lang devem ter sempre as suas extremidades permanentemente fixadas
para prevenir a sua distorção e em vista disso, não são recomendados para movimentar
cargas com apenas uma linha de cabo.
Figura 2.5
Nota: A não ser em casos especiais(como por exemplo, cabo trator de linhas aéreas) não
se deve usar cabos de torção Lang com alma de fibra por apresentarem pouca
estabilidade e pequena resistência aos amassamentos.

1.4 PASSO DE UM CABO

Define-se como passo de um cabo de aço a distância na qual uma perna dá uma
volta completa em torno da alma do cabo.

1.5 LUBRIFICAÇÃO DOS CABOS

A lubrificação dos cabos é muito importante, para sua proteção contra a corrosão e
também para diminuir o desgaste por atrito pelo movimento relativo de suas pernas, dos
arames e do cabo de aço contra as partes dos equipamentos como, por exemplo, polias e
tambores.
Os Cabos MAXICABOS são lubrificados interna e externamente durante o
processo de fabricação com um lubrificante composto especialmente para cabos. Esta
lubrificação é adequada somente para um período de armazenagem e início das
operações do cabo de aço. Para uma boa conservação do cabo, recomenda-se
relubrificá-lo periodicamente.
Caso não seja realizado um plano de lubrificação adequado, o cabo se deteriorará
rapidamente como segue:

- Ocorrência de oxidação com porosidade causando perda de área metálica e,


conseqüentemente, perda de resistência do cabo;
- Os arames começam a ficar quebradiços devido ao excesso de corrosão e quebram-se
facilmente;
- Como os arames do cabo movimentam-se relativamente uns contra os outros, durante o uso,
ficam sujeitos a um desgaste por atrito. Afalta de lubrificação aumenta o desgaste, causando a
perda de resistência do cabo provocado pela perda metálica.
- A porosidade também provoca desgaste interno dos arames, resultando em perda de
resistência.

A lubrificação de um cabo de aço é tão importante quanto a lubrificação de uma


máquina.
Nunca utilize óleo queimado para lubrificar um cabo de aço, pois contém pequenas
partículas metálicas que irão se atritar com o cabo, além de ser um produto ácido e
conter poucas das características que um bom lubrificante deve possuir.
Um lubrificante adequado para cabo de aço deve possuir as seguintes características:
1) Ser quimicamente neutro;
2) Possuir boa aderência;
3) Possuir uma viscosidade capaz de penetrar entre as pernas e os arames;
4) Ser estável sob condições operacionais;
5) Proteger contra corrosão;
6) Ser compatível com o lubrificante original.

Antes da relubrificação o cabo deve ser limpo com escova de aço para remover o
lubrificante velho e crostas contendo partículas abrasivas. Nunca usar solventes, pois
removem a lubrificação interna, além de deteriorar a alma de fibra. Logo após a limpeza
o cabo deve ser relubrificado.

Devido ao pequeno espaço entre os arames das pernas e das pernas no cabo, o
lubrificante aplicado externamente não vai penetrar completamente no cabo.
Como regra geral, a maneira mais eficiente e econômica de relubrificação é através
de um método que aplique o lubrificante continuamente durante a operação do cabo
como: Imersão, Gotejamento e Pulverização.O ponto escolhido para aplicação do
lubrificante deve ser preferencialmente onde o cabo passa por polias e tambor, momento
em que ocorre uma maior abertura entre as pernas na parte superior do cabo,
favorecendo a sua penetração.
Na tabela abaixo, apresentamos alguns lubrificantes, para relubrificação em campo.
Tabela 4- Lubrificantes para relubrificação.
FORNECEDO
APLICAÇÕES ESPECIFICAÇÃO PROPRIEDADES
R

MOBILARMA 798 COMPOSTO GRAXOSO MOBIL


PONTE ROLANTE
GUINCHO
ELEVADOR DE BESLUX CABLES A BASE DE BISSULFETO DE BRUGAROLAS
OBRA ROCOL RD-105 MOLIBDÊNIO MORGANITE
GRUAS
LAÇOS LUBRAX
GBA 250 FL A BASE ASFÁLTICA
TEXACO

GCA-2 LUBRAX
CABOS DE AÇO CASSIS 1234 ESSO
A BASE DE CÁLCIO
PARA PESCA CHASSI Ca-2 TEXACO
CASSI 2 IPIRANGA

ELEVADOR DE AGUILA 2 BRUGAROLAS


ÓLEO DE MÉDIA VISCOSIDADE
PASSAGEIROS LPS-2 TAPMATIC

1.6 PRÉ-FORMAÇÃO

Os cabos fabricados podem ser fornecidos tanto pré-formados como não pré-
formados, mas na maioria das utilizações o cabo pré-formado é considerado muito
superior ao não pré-formado. A diferença entre um cabo pré-formado e um não pré-
formado consiste em que na fabricação do primeiro é aplicado um processo adicional,
que faz com que as pernas e os arames fiquem torcidos na forma helicoidal,
permanecendo colocados dentro do cabo na sua posição natural, com um mínimo de
tensões internas.

As principais vantagens o cabo pré-formado podem ser enumeradas da seguinte


maneira.

1) No cabo pré-formado os arames e as pernas têm a tendência de endireitar-se, e a força


necessária para mantê-los em posição, provoca tensões internas às quais se adicionam
as tensões provocadas em serviço quando o cabo é curvado em uma polia ou em um
tambor.
As tensões internas provocam pressões entre os arames e entre as pernas que se
movimentam reciprocamente no momento em que o cabo é curvado, causando a fricção
interna. No cabo pré-formado as tensões internas são mínimas, e, por conseguinte, a
fricção interna e o conseqüente desgaste interno do cabo é mínimo.
Os cabos de aço pré-formados, por terem tensões internas mínimas, possuem
também maior resistência à fadiga do que os cabos não pré-formados.
2 O manuseio é muito facilitado pela ausência de tensões e fricções internas.

3) O equilíbrio do cabo é garantido, tendo cada perna tensão igual a outra, dividindo-se
a carga em partes iguais entre as pernas.

4) O manuseio é mais seguro, sendo o cabo isento de tensões, não tendo, pois, a
tendência de escapar da mão. Em segundo lugar, se um arame quebra pelo desgaste, le
icará deitado na sua posição normal, não se dobrando para fora, o que tornaria perigoso
o manuseio.

5) Náo há necessidade de amarrar a spontas do cabo. Como todos os arames e as


pernas têm a forma helicoidal, que corresponde à sua posição natural dentro do cabo,
este pode ser cortado sem que as pontas se abram ou os arames mudem de posição.

1.7 RESISTÊNCIA DOS CABOS DE AÇO

A carga de ruptura teórica do cabo é obtida através da resistência dos arames


multiplicada pelo total da área da seção de todos os arames.
A carga de ruptura efetiva do cabo é obtida através da carga teórica do mesmo
multiplicada pelo fator de enclabamento. Este fator varia conforme as diversas classes
de cabos de aço.
A carga de ruptura prática ou real é determinada em laboratório, no ensaio de ruptura
do cabo de aço.

Tabela 5- Fatores de enclabamento.


FATOR DE ENCLABAMENTO CLASSE DO CABO
0,96 CORDOALHA DE 3 E 7 ARAMES
0,94 CORDOALHA DE 19 ARAMES
0,86 6X7
0,825 6X19, 8X19, 8X37 (DELTA FILLER)
0,80 6X37
0,72 18X7 e 34X7

1.8 CARGAS DE TRABALHO E FATORES DE SEGURANÇA

Carga de trabalho é a massa máxima que o cabo de aço está autorizado a sustentar.
A carga de trabalho de um cabo de uso geral, especialmente quando ele é
movimentado, não deve, via de regra, exceder a um quinto da carga de ruptura mínima
efetiva do mesmo.
O fator ou índice de segurança é a relação entre a carga de ruptura mínima efetiva
do cabo e a carga aplicada. No caso acima mencionado, esse fator seria 5.
Um fator de segurança adequado garante:
- Segurança da operação, evitando rupturas.
- Duração do cabo e, conseqüentemente, economia

Damos a seguir os fatores de segurança mínimos para diversas aplicações:


Tabela 6- Fatores de segurança para cada aplicação.
APLICAÇÕES FATORES DE SEGURANÇA
CABOS E CORDOALHAS ESTÁTICAS 3A4
CABO PARA TRAÇÃO NO SENTIDO HORIZONTAL 4A5
GUINCHOS, GUINDASTES, ESCAVADEIRAS 5
PONTES ROLANTES 6A8
TALHAS ELÉTRICAS E OUTRAS 7
GUINDASTES ESTACIONÁRIOS 6A8
LAÇOS 5A6
ELEVADORES DE OBRA 8 A 10
ELEVADORES DE PASSAGEIROS 12

1.9 DEFORMAÇÃO LONGITUDINAL DOS CABOS DE AÇO

Cabos Pré-esticados" (Prestretched)


Existem dois tipos de deformação longitudinal nos cabos de aço, ou seja: estrutural e
elástica.

1.9.1 Deformação Estrutural


A deformação estrutural é permanente e começa logo qu é aplicada umacarga ao
cabo. É motivada pelo ajustamento dos arames nas pernas do cabo e pelo
acomodamento das pernas em relação à alma do mesmo.
A maior parte da deformação estrutural ocorre nos primeiros dias ou semanas de
serviço do cabo de aço, dependendo da carga aplicada. Nos cabos comun, o seu valor
pode ser aproximadamente 0,50% a 0,75% do comprimento do cabo de aço sob carga.
Pré-esticamento: a deformação estrutural pode ser quase totalmente removida por um
pré-esticamento do cabo de aço. A operação de pré-esticamento é feita por um processo
especial e com uma carga que deve ser maior do que a carga de trabalho do cabo, e
inferior à carga correspondente ao limite elástico do mesmo.
Em certas instalações, como por exemplo, em "Skips de Altos-Fornos" onde os
alongamentos do cabo de aço não podem ultrapassar determinado limite, os cabos
devem ser "pré-esticados"(Prestretched). Costuma-se também pré-esticar cabos a serem
usados em pontes pênseis ou serviços semelhantes.

1.9.2 Deformação Elástica

A deformação elástica é diretamente proporcional à carga aplicada e ao


comprimento do cabo de aço, e inversamente proporcional ao seu módulo de
elasticidade e área metálica.

Área metálica de cabos de aço: a área metálica de um cabo de aço é constituída pela
soma das áreas das seções transversais dos arames individuais que o compõem, exceto
dos arames de enchimento(filler).
A área metálica varia em função da construção do cabo de aço.
De uma maneira bastante aproximada pode-se calcular a área metálica de um cabo
de aço aplicando-se a fórmula abaixo:

A = F x d², onde
A - área metálica em mm²
F - fator de multiplicação que varia em função da construção do cabo de aço
d - diâmetro nominal do cabo de aço ou da cordoalha em milímetros.

Tabela 7 – Fator “F”


CONSTRUÇÃO DO CABO DE AÇO FATOR "F"
8X19 SEALE, 8X25 FILLER 0,359
8X37 (DELTA FILLER) 0,374
6X37 W 0,391
6X7 0,395
6X19 (2 OPERAÇÕES) 0,396
6X31 WS, 6X36 WS, 6X41 FILLER, 6X41 WS 0,410
6X19 SEALE 0,416
6X25 FILLER 0,418
18X7 NÃO ROTATIVO 0,426
1X7 CORDOALHA 0,589
1X37 CORDOALHA 0,595
1X19 CORDOALHA 0,600

Observação: Para cabos de 6 pernas com AACI adicionar 15% à área metálica; com AA
adicionar 20% e para cabos de 8 pernas com AACI adicionar 20% à sua área metálica.
De uma maneira geral pode-se estimar em 0,25% a 0,50% a deformação elástica de
um cabo de aço, quando o mesmo for submetido a uma tensão correspondete a 1/5 de
sua carga de ruptura, dependendo de sua construção.
Nota: A deformação elástica é proporcional à carga aplicada desde que a mesma não
ultrapasse o valo do limite elástico do cabo. Esse limite por cabos de aço usuais é de
aproximadamente 55% a 60% da carga de ruptura mínima efetiva do mesmo. Módulos
de elasticidade de cabos de aço: o módulo de elasticidade de um cabo de aço aumenta
durante a vida do mesmo em serviço, dependendo de sua construção e condições sob as
quais é operado, como intensidade das cargas aplicadas, cargas constantes ou variáveis,
dobragens e vibrações às quais o mesmo é submetido.
O módulo de elasticidade é menos nos cabos novos ou sem uso, sendo que para cabos
usados ou novos pré-esticados, o módulo de elasticidade aumenta cerca de 20%.

Damos em seguida os módulos de elasticidade aproximados de construções usuais de


cabos de aços novos:
CABOS DE AÇO COM ALMA DE FIBRA
CLASSE E - em kgf/mm²
6x7 9.000 a 10.000
6X19 8.500 a 9.500
6X37 7.500 a 8.500
8X19 6.500 a 7.500

CLASSE E - em kgf/mm²
7 fios 14.500 a 15.500
19 fios 13.000 a 14.000
37 fios 12.000 a 13.000

CORDOALHAS GALVANIZADAS
CLASSE E - em kgf/mm²
7 fios 14.500 a 15.500
19 fios 13.000 a 14.000
37 fios 12.000 a 13.000

1.10 DIÂMETRO DE UM CABO DE AÇO

O Diâmetro Nominal do cabo é aquele pelo qual é designado. O diâmetro prático do cabo, deve ser
obtido medindo-se dois pontos distanciados, no mínimo 30 vezes o diâmetro, em dois planos cada
ponto, onde o paquímetro deve ser posicionado conforme a figura abaixo:

como medir o diâmetro de um cabo de aço.


O diâmetro será a média de quatro valores medidos.
Nota: Deve-se evitar a medida próximo às extremidades do cabo de aço (mínimo 10 vezes o diâmetro
do cabo).
A tolerância no diâmetro do cabo de aço MAXICABOS atende as normas de fabricação, indicadas
no quadro abaixo:
Tabela 8- Tolerâncias conforme normas.

NORMA TOLERÂNCIA(%)
ABNT NBR 6327 -1 a +5
DIÂMETRO NOMINAL(mm) -1 a +4
API SPEC 9A
DIÂMETRO NOMINAL(pol) -0 a +5

Caso surjam dúvidas quanto à conformidade do cabo de aço com a tolerância superior, o cabo
pode ser medido ao se aplicar a ele uma tensão de no mínimo 10% e no máximo 20% da sua carga de
ruptura mínima efetiva.

Nota: Aplicações específicas, podem ter tolerâncias de diâmetros especiais, definida pelo cliente ou
pela MAXICABOS. Neste caso consulte-nos.

1.11 INSPEÇÃO E SUBSTITUIÇÃO DOS CABOS DE AÇO

A inspeção em cabos de aço é de vital importância para uma vida útil adequada e segura. A
primeira inspeção que deve ser feita em um cabo de aço é a Inspeção de Recebimento, que deve
assegurar que o material esteja conforme solicitado e possua certificado da qualidade emitida pelo
fabricante. Além disso, os cabos de aço, quando em serviço, devem ser inspecionados freqüentemente
pelo operador do equipamento e periodicamente por uma pessoa qualificada.
A Inspeção Freqüente deve ser realizada diariamente para os cabos de aço do equipamento de
movimentação de carga antes de cada uso para os laços. Esta inspeção tem como objetivo uma
análise visual para detectar danos no cabo de aço que possam causar riscos durante o uso.
Qualquer suspeita quanto às condições de segurança do material, deverá ser informada e o cabo
inspecionado por uma pessoa qualificada.
A freqüencia da Inspeção Periódica para os cabos de aço do equipamento deve ser determinada
pelo tipo de equipamento, condições ambientais e de operação, resultados de inspeções anteriores e
tempo de serviço do cabo. Para os laços de cabo de aço esta inspeção deve ser feita a intervalos não
excedendo a seis meses. Deve ser mais freqüente quando se aproxima o final da vida útil do cabo. Os
resultados da inspeção periódica devem ser registrados
Sempre que ocorrer um incidente que possa ter causado danos ao cabo ou quando o mesmo tiver
ficado fora de serviço por longo tempo, deve ser inspecionado antes do início do trabalho.
Na inspeção de um cabo de aço vários fatores que possam afetar a perda da sua resistência,
deverão ser levados em consideração.
A avaliação de um cabo de aço deve ser feita pelos seguintes fatores:
1. Número de arames rompidos
A ruptura de arames normalmente ocorre por abrasão ou por fadiga de flexão. Pode ocorrer tanto
nos arames externos quanto internos, caso o cabo possua alma de aço. As rupturas externas podem
ocorrer no topo das pernas ou na região de contato entre as pernas(vale) sendo esta, junto com as
rupturas de arames da alma, as mais críticas.
Deve-se anotar o número de arames rompidos e localização da ruptura em um passo ou em um
comprimento equivalente a seis vezes o diâmetro do cabo. Observar se as rupturas estão distribuídas
uniformemente ou se estão concentradas em uma ou duas pernas apenas. Neste caso há o perigo
dessas pernas se romperem antes do cabo
2.Arames gastos por Abrasão
O desgaste por abrasão, nos arames externos é causado pelo atrito do cabo, sob pressão, com os
canais das polias e do tambor e pode ser acelerado por deficiências de lubrificação.
Mesmo que os arames não cheguem a se romper, o seu desgaste reduz a resistência do cabo através
da redução da área metálica, tornando seu uso perigoso.
Uma forma de avaliar o desgaste por abrasão de um cabo de aço é através da medição do seu
diâmetro
3.Corrosão
A corrosão diminui a resistência à tração através da redução da área metálica do cabo, além de
acelerar a fadiga.
Pode ser externa, detectada visualmente ou interna, mais difícil de ser detectada, porém, alguns
indícios podem indicar sua existência:
Variação no diâmetro do cabo: nos pontos em que o cabo dobra nas polias, geralmente ocorre a
redução do diâmetro devido ao aumento da oxidação.
Perda de afastamento entre as pernas: freqüentemente combinada com arames rompidos nos vales
das pernas.

4. Desequilíbrio dos cabos de aço


Em cabos com uma só camada de pernas e alma de fibra(normalmente cabos de 6 ou 8 pernas +
AF) pode haver uma avaria típica que vem a ser uma ondulação do cabo provocada pelo afundamento
de 1 ou 2 pernas do mesmo, e que pode ser causada por 3 motivos:
a) Fixação deficiente, que permite um deslizamento de algumas pernas, ficando as restantes
supertensionadas.
b) Alma de fibra de diâmetro reduzido.
c) Alma de fibra que se deteriorou, não dando apoio às pernas do cabo.
No primeiro caso há o perigo das pernas supertensionadas se romperem. Nos outros dois casos
não há um perigo iminente, porém haverá um desgaste desuniforme no cabo e, portanto, um baixo
rendimento.
Nos cabos de várias camadas de pernas, como nos cabos não rotativos e cabos com alma de aço,
há o perigo da formação de gaiolas de passarinho e hérnias, defeitos estes que podem ser provocados
pelos seguintes motivos:
- Manuseio e instalação deficiente do cabo, dando lugar a torções ou distorções do mesmo. Estes
defeitos são graves, obrigando a substituição imediata dos cabos de aço.
1. Deformações
As deformações nos cabos de aço ocorrem principalmente devido ao mau uso ou irregularidades
no equipamento em contato com o caboe ainda por métodos inadequados de fixação, no caso dos
laços.
Quando estas deformações forem acentuadas poderão alterar a geometria original do cabo e
provocar um desequilíbrio de esforços entre as pernas e conseqüentemente a ruptura do cabo.
As deformações mais comuns são:
a) Ondulação
Ocorre quando o eixo longitudinal do cabo de aço assume a forma de uma hélice. Nas situações
onde esta anomalia for acentuada, pode transmitir uma vibração no cabo de aço que, durante o
trabalho causará um desgaste prematuro, assim como arames partidos.
b) Amassamento
O amassamento no cabo de aço normalmente é ocasionado pelo enrolamento desordenado no
tambor. Nas situações onde o enrolamento desordenado não pode ser evitado, deve-se optar pelo uso
de cabo com alma de aço.
Cabo de aço apresentando amassamento.

c) Gaiola de Passarinho

Esta deformação é típica em cabo de aço com alma de aço, nas situações onde ocorre um alívio
repentino de tensão. Esta irregularidade é crítica e impede a continuidade do uso do cabo.

Cabo de aço apresentando gaiola de passarinho.

c) Alma Saltada
É uma característica causada também pelo alívio repentino de tensão do cabo e provoca um
desequilíbrio de tensão entre as pernas do cabo, impedindo desta forma a continuidade do uso do
cabo

Cabo de aço apresentando alma saltada.

e) Dobra ou nó(Dog Leg)


É caracterizada por uma descontinuidade no sentido longitudinal do cabo que em casos extremos
diminui a resistência à tração do cabo. Normalmente causada por manuseio ou instalação
inadequados do cabo de aço.
Cabo de aço apresentando dobra ou nó.

2. Substituição dos Cabos


Mesmo que um cabo trabalhe em ótimas condições, chega um momento em que, após atingir sua
vida útil normal, necessita ser substituído em virtude do seu desgaste, de arames rompidos, etc.
Em qualquer instalação, o problema consiste em se determinar qual o rendimento máximo que se
pode obter de um cabo antes de substituí-lo, sem colocar em perigo a segurança do equipamento.
Existem instalações em que o rompimento de um cabo põe em risco vidas humanas, como o
caso de elevadores e teleféricos de passageiros.
Não existe uma regra precisa para se determinar o momento exato da substituição de um cabo de
aço. A decisão de um cabo permanecer em serviço, dependerá da avaliação de uma pessoa qualificada
que deverá comparar as condições do cabo inspecionado com os critérios de descarte definidos por
normas específicas para cada aplicação. Recomendamos a norma NBR ISO 4309 para cabos de aço
usados em pontes rolantes, pórticos, gruas e guindastes e a NBR 13543 para laços de cabos de aço.

1.12 INFORMAÇÕES TÉCNICAS

3 ARAMES
MASSA APROXIMADA
(kg/m)

0,038
0,068
0,086
0,095
os Comercio e Representacões LTDA. Todos os Direitos
Reservados.
CORDOALHAS DE 19 E 37 ARAMES - TIRANTES
O valor da massa indicado na tabela é referencial, podendo variar em função da
tolerância do passo da cordoalha.

19 ARAMES 37 ARAMES
(1+6/12) (1+6/12/18)
DIÂMETRO CONSTRUÇÃO MASSA CARGA DE
(mm) DA APROXIMADA RUPTURA MÍNIMA
CORDOALHA (kg/m) EFETIVA (tf)
140 - 160 155-175
Polegada mm
(kgf/mm²) (kgf/mm²)
1/2" 13,0 1x19 0,77 - 13,0
9/16" 14,5 1x19 0,98 - 17,0
5/8" 16,0 1x19 1,22 - 21,0
3/4" 19,0 1x37 1,76 26,5 29,0
13/16" 20,2 1x37 1,98 29,0 32,8
7/8" 22,0 1x37 2,40 36,2 40,0
1" 26,0 1x37 3,12 46,6 50,0
1,1/8" 29,0 1x37 3,96 60,0 66,0
©2006 Maxicabos Comercio e Representacões LTDA. Todos os Direitos
Reservados.

CORDOALHA 37 ARAMES - INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA


O valor da massa indicado na tabela é referencial, podendo variar em função da
tolerância do passo da cordoalha.
CARGA DE
MASSA RUPTURA
DIÂMETRO DIÂMETRO DOS MÍNIMA (tf)
APROXIMADA
(mm) ARAMES (mm)
(kg/m) Mín. 180
kgf/mm²
2,5 0,032 0,36 0,60
2,8 0,040 0,41 0,75
3,0 0,046 0,44 0,86
3,5 0,062 0,51 1,17
4,0 0,081 0,58 1,53
37 ARAMES 4,5 0,105 0,65 1,94
(1+6/12/18) 5,0 0,125 0,72 2,40
5,5 0,151 0,80 2,90
6,0 0,180 0,87 3,45
6,5 0,211 0,94 4,05
©2006 Maxicabos Comercio e Representacões LTDA. Todos os Direitos
Reservados.

1.13 EXEMPLO DE APLICAÇÕES


EXEMPLO
Determinar o diâmetro do cabo para um elevador de baixa velocidade, com as
seguintes características suplementares:
P=1000kg, aceleração inicial=1m/s2, tipo do cabo: Filler 6x25- AF-1.6.6.12
Solução: 1º processo
Carga estática=1000kg
Carga dinâmica:
F=m.a=(1000x1)/10=100kg
Carga total=1100kg
Diâmetro do cabo: K= 0,32-0,34
d=0,32√1100=10,6mm
= 0,34√1100=11,27mm
3/8”<d<1/2”
Resposta d=1/2”

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir deste trabalho pode-se observar e compreender as diversas considerações


que são utilizadas no decorrer de um projeto. Percebeu-se que o coeficiente de
segurança é um fator fundamental para devidas aplicações, por exemplo, na utilização
de um cabo de aço que movimenta elevadores o coeficiente de segurança é maior do
que um cabo de aço que é aplicado apenas para assegurar um movimento em um
mecanismo, o mesmo se repete para embreagens e freios.

REFERÊNCIAS

ALBUQUERQUE,O. A. L. P. Elementos de máquinas. Rio de Janeiro: Editora


Guanabara,1980.

Construções e Tipos de cabos. Disponível em: < http://www.maxicabos.com.br/>.


Acesso em 21/10/06.