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Aluno: Odilon Rodrigues de Lima Netto Data: 28/08/2018

Disciplina: História da Filosofia I


Profª: Camila do Espirito Santo Prado de Oliveira

FICHAMENTO
HADOT,Pierre. O Que é a Filosofia Antiga? São Paulo: Edições Loyola, 2010.

“Na verdade, é estudando as filosofias que se pode ter uma ideia da filosofia.
Portanto, a história da “filosofia” não se confunde com a das filosofias, caso se
entenda por “filosofias” os discursos teóricos e os sistemas dos filósofos. Ao lado
da história, há lugar para um estudo da vida e dos comportamentos filosóficos”
(p. 16)
“Trata-se de apropriar-se do fenômeno em sua origem, sempre tendo
consciência de que a filosofia é um fenômeno histórico que teve início no tempo
e evoluiu até nossos dias” (p.16)
Comentário: Com base nessas citações da página 16 vemos a
preocupação que Pierre Hadot tem em distinguir a história da filosofia da filosofia
propriamente dita, essa distinção é importante para que o leitor compreenda
realmente o que é filosofia.
Segundo Pierre Hadot os estudantes do ensino universitário têm “ a
impressão de que todos filósofos estudados esforçaram-se sucessivamente para
inventar, cada um de uma maneira original, uma nova construção sistemática e
abstrata, destinada a explicar, de uma maneira ou de outra, o universo; ou, pelo
menos, caso se trate de filósofos contemporâneos, que eles procuraram elaborar
uma nova discussão sobre a linguagem.” (p.17)
“Em primeiro lugar, ao menos desde Sócrates, a opção por um modo de vida
não se situa no fim do processo da atividade filosófica, como uma espécie de
apêndice acessório, mas, bem ao contrário, na origem, em uma complexa
interação entre a reação crítica a outras atitudes existenciais, a visão global de
certa maneira de viver e de ver o mundo, e a própria decisão voluntária; e essa
opção determina até certo ponto a doutrina e o modo de ensino dessa doutrina.
O discurso filosófico tem sua origem, portanto, em uma escolha de vida e em
uma opção existencial, e não o contrário.” (p.17-18)
Comentário: Nesse trecho do livro de Pierre Hadot vemos como ele deixa
bem claro que os filósofos da antiguidade não se detinham apenas ao discurso
filosófico. Vivendo também esse discurso.

“[...]nunca houve filosofia nem filósofos fora de um grupo [...]” (p.18)


De acordo com Pierre Hadot uma “escola” filosófica corresponde “a uma maneira
de viver, a uma escolha de vida, a uma opção existencial, que exige do indivíduo
uma mudança total de vida, uma conversão de todo ser, e, finalmente, a um
desejo de ser e de viver de certa maneira.” (p.18)
Comentário: Mais uma vez reforça-se que que os filósofos viviam sua
filosofia.
“O discurso filosófico teórico nasce, dessa opção existencial inicial e reconduz,
à medida do possível ou por sua força lógica e persuasiva, à ação que quer
exercer sobre o interlocutor; ele incita mestres e discípulos a viver realmente em
conformidade com sua escolha inicial ou, ainda, conduz de alguma maneira à
aplicação de um ideal de vida.” (p.18)
“A filosofia não é senão o exercício preparatório para sabedoria. Não se trata de
opor, de um lado, a filosofia como um discurso filosófico teórico e, de outro, a
sabedoria como um de vida silencioso que será praticado a partir do momento
em que o discurso tiver atingido seu acabamento e sua perfeição, [...]” (p.18-19)
Pierre Hadot estabelece que a filosofia antiga “é, ao mesmo tempo e
indissoluvelmente, discurso e modo de vida, que tendem, ambos para a
sabedoria sem jamais atingi-la.” (p.19)
“O discurso pode ter um aspecto prático à medida que tende a produzir um efeito
sobre o ouvinte ou leitor. Quanto ao modo de vida, ele pode ser não teórico,
evidentemente, mas teorético, isto é, contemplativo.” (p.20)
“[...]o discurso filosófico participa do modo de vida. Mas, em contrapartida, é
necessário reconhecer que a escolha de vida do filósofo determina seu discurso.”
(p.21)
“Pode-se separar o discurso de Sócrates da vida e da morte de Sócrates?” (p.21)
“[...] exercícios espirituais. Designo por esse termo as práticas, que podem ser
de ordem física, como o regime alimentar; discursiva, como o diálogo e a
meditação; ou intuitiva, como a contemplação, mas que são todas destinadas a
operar modificação e transformação no sujeito que as pratica. O discurso do
professor pode, ademais, tomar a forma de um exercício espiritual, à medida que
esse discurso se apresente de uma forma tal que o discípulo, do mesmo modo
que o ouvinte, o leitor ou o interlocutor, possa progredir espiritualmente e
transformar-se interiormente.” (p.21)
Pierre Hadot demonstrará a filosofia antiga em três etapas; a primeira “[...]a
história dos primeiros empregos da palavra philosophia e em compreender o
sentido da definição filosófica dessa palavra por Platão quando, no Banquete,
ele define a philosophia como o desejo de sabedoria.”. A segunda “[...]
procuraremos reencontrar as características das diferentes filosofias da
Antiguidade consideradas em seu aspecto de modo de vida, o que nos levará
finalmente a estudar os traços comuns que as unem.” E a terceira “expor por
qual razão e em que medida a filosofia foi concebida a partir da Idade Média
como uma atividade puramente teórica. Por fim nos perguntaremos se é possível
retornar ao ideal antigo de filosofia.” (p.22)
Comentário: Percebe-se que no prefácio Pierre Hadot inicia sua jornada de
definir o que é filosofia antiga, distinguindo história da filosofia de filosofia, no seu
desenvolver ele nos informa como os discursos filosóficos não se separam da
vida dos filósofos que os proferiam, pelo contrário, estavam intimamente ligados.
Por fim ele estabelece a possibilidade do discurso do professor de ser um
exercício espiritual.