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Escola de Engenharia de São Carlos XIII Semana da Engenharia Ambiental
Escola de Engenharia de São Carlos
XIII Semana da Engenharia Ambiental
de São Carlos XIII Semana da Engenharia Ambiental ANÁLISE MULTITEMPORAL DO CRESCIMENTO URBANO UTILIZANDO O

ANÁLISE MULTITEMPORAL DO CRESCIMENTO URBANO UTILIZANDO O ÍNDICE NDBI PARA A CIDADE DE MARINGÁ- PR

Paulo José Moraes Monteiro e Teixeira Germano, Mateus Grochoski Felini, Ruan de Deus Borralho

RESUMO

O presente estudo visou analisar o crescimento de áreas construídas na cidade de Maringá-

PR, no período de 1985 a 2015, utilizando imagens orbitais e o índice de área construída

N DBI (Normalized Difference Built- up Index). Foi possível verificar que a área construída

no munic ípio teve um crescimento superior a 100% no interva lo de tempo avaliado.

Palavras -chave :

Sensoriamento

Remoto,

Imagens

Orbitais,

Processamento

Digita l

de

Imagens.

ABSTRACT

The present study aimed

to analyze

the growth of urban built- up

land

in the

cit y of

Maringa - PR, in the 1985- 2015 period, using

orbital images

and the built- up

land index

NDBI

(Normalized Differe nce Built- up Index). It was possible to verify that the built- up land in

the city had a growth over 100% in the analyzed period.

Ke y-words : Remote Sensing, O rbital Images, Digita l Image Processing.

Introdução

A cidade de Maringá está localizada na região noroeste do Estado do Paraná,

possuindo uma área de 487,052 Km² e uma densidade populacional de 733,14 habitantes

por K m² (IBGE,2016).

A cidade foi projetada por Jorge Macedo de Vieira que se utilizou do conceito de

cidade jardim inglesa, levando em consideração elementos tais como o traçado da linha

férrea, os dois vales ao sul e o relevo da área para a estruturação do desenho da cidade,

criando uma forma urbana única, Maringá (REGO, 2008). Segundo Garcia (2006), a cidade

foi projetada por Vieira com objetivo de abrigar 200.000 habitantes, número esse

superado entre a década de 1980 e 1990.

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de São Carlos XIII Semana da Engenharia Ambiental A partir da segunda metade do século XX

A partir da segunda metade do século XX as cidades brasileiras experimentaram

um crescimento rápido e desorganizado, devido ao processo de industrialização. A cidade de

Maringá também passou por essa mudança, tendo na década de 1950 uma população rural de 31.318 habitantes, e urbana de 2.270, porém na década de 1970 a população rural era de 21.274 e urbana de 100.100 (GARCIA, 2006).

O objetivo da presente pesquisa enfocou sobre a utilidade de imagens orbitais para

uma análise multitemporal. O conceito multi apresentado na década de 1960 por Colwell

permite o

monitoramento de processos e prognósticos (JENSEN, 2009). Dessa maneira foi utilizado um recorte temporal dos anos de 1985 a 2015 com o intuito de observar o crescimento de Maringá utiliza ndo o índice NDBI, que permite mensurar a área construída.

Metodolo

gia

Para realização deste trabalho foi delimitado como área de análise o perímetro urbano vigente no plano diretor atual do município de Maringá. N este sentido foram utilizadas imagens de satélite do Landsat 5 (Land Remote Sensing Satellite) sensor TM (Thematic Mapper), com resolução espacial de 30 metros que compreenderam os anos de 1985, 1995 e 2005. Para o ano de 2015 foi utilizada uma imagem do satélite Landsat 8, sensor OLI (Operational Land Imager), também com resolução espacial de 30 metros, devido ao fato do Landsat 5 ter parado seu funcioname nto oficia lme nte em 2013.

Após a delimitação da área de estudo, foi aplicado o Índice N ormalizado de

Diferença de Construção (Normalized Difference Built- up Index) ou NDBI, proposto por

Zha, Gao e Ni. (2003), que utiliza

os dados do índice de vegetação normalizada

NDVI

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de São Carlos XIII Semana da Engenharia Ambiental (Normalized Difference Vegetation Index) desenvolvido por

(Normalized Difference Vegetation Index) desenvolvido por Rouse et al (1974), e o índice

de umidade por diferença normalizada NDW I (N ormalized Difference Water Index) criado

por Gao (1996). Para isso foi utiliza ndo o software livre QGIS 2.12 Lyon.

As imagens foram previamente passadas para valores de reflectância e foi utilizada

a correção atmosférica DOS (Dark Object Subtraction).

Este índice NDBI é expresso da seguinte forma:

Onde:

NDBI= NDWI NDVI

é expresso da seguinte forma: Onde: NDBI= NDWI – NDVI MidIR (Mid-way Infrared): corresponde a banda

MidIR (Mid-way Infrared): corresponde a banda do infravermelho médio.

NIR (Near-way Infrared): corresponde ao infravermelho próximo.

(Near-way Infrared): corresponde ao infravermelho próximo. RED: corresponde a banda do vermelho N IR (N ear-

RED: corresponde a banda do vermelho

N IR (N ear- wa y Infrared): corresponde ao

infraver melho próximo.

O resultado final da aplicação dessa técnica é uma imagem que contém pixel com

áreas estéreis e construídas (valores positivos) e as demais apresentam valor zero ou

negativo, para Jensen (2009), essa técnica apresenta 92% de precisão.

Resultados

e

Discussão

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de São Carlos XIII Semana da Engenharia Ambiental Ao aplicar o índice de N DBI nas

Ao aplicar o índice de N DBI nas imagens de satélite, é possível observar que o

município de Maringá demonstrou um crescimento urbano constante no intervalo avaliado

(figura 01).

urbano constante no intervalo avaliado (figura 01). Figura 01: Evolução da área construída em M aringá

Figura 01: Evolução da área construída em M aringá de 1985 a

2015.

Fonte:

Autores.

Para os anos de 1985 a área construída foi de 40.108,45 km2, passando para

42.443,40

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de São Carlos XIII Semana da Engenharia Ambiental Km2 em 1995, 73.743,68 km2 em 2005 e

Km2 em 1995, 73.743,68 km2 em 2005 e 81.791,41 km2 em 2015, ou seja, um crescimento

de áreas construídas total de 103,92% (Figura 02). No primeiro período de 1985 a 1995 a

cidade de Maringá apresentou um crescimento de 5,82% referentes à área construída.

No segundo

intervalo de 1995 a 2005 expôs o seu maior índice de área construída, com crescimento de

73,47%. Já no ultimo período analisado (2005 a 2015), o crescimento foi de 9,83%.

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de São Carlos XIII Semana da Engenharia Ambiental Conclusão O sensoriamento remoto trata- se de uma
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Conclusão

O sensoriamento remoto trata- se de uma técnica que se relaciona com vários campos dentro da ciência geográfica, tais como estudos biogeográficos, pedológicos, geomorfológicos, podendo ser aplicado também em estudos sobre geografia urbana, entre outros. Entender o histórico de ocupação do espaço urbano de uma determinada cidade permite criar bases que fundamentam a estruturação de ações que visam um melhor uso do espaço urbano.

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de São Carlos XIII Semana da Engenharia Ambiental estavam concentradas em um alinhamento Leste- Oeste,

estavam

concentradas em um alinhamento Leste- Oeste, passando ocupar posteriormente o setor

nordeste e em seguida nos anos de 2005 a 2015 o crescimento se deu de maneira difusa,

tendendo a consolidar os espaços vazios. Dessa maneira temos que a área de estudo

apresentou um crescimento ordenado, que visa a otimização do espaço urbano.

Na

cidade

de

Maringá

é

possível

observar

que

as

áreas

construídas

O índice NDBI trata- se de uma ferramenta útil para analisar o crescimento de

áreas urbanas, porém apresenta limitações, pois áreas de solo exposto podem ser

englobadas como áreas construídas, sendo necessária uma avaliação criteriosa do

pesquisador.

Referências

GAO, B. N DWI a Normalized difference water index for remote sensing of liquid water from space. Remote Sensing of Environment 58: 257-266 (1996).

GARC IA, J. C. Maringá Verde? O desafio ambiental da gestão das cidades. Maringá, PR:

Eduem, 2006.

IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Disponível em:

<http://www. ibge.go v.br :>. Acesso em: 20 jan. 2016.

JEN SEN , J. R. Sensoriamento remoto do ambiente: uma perspectiva São José dos Campos,SP: Parêntese, 2009.

em recursos naturais.

REGO , R. L. e MEN EGUETTI K. S. Território e a paisagem: A formação da rede de

cidades no norte do Paraná

n°25 São Paulo. p.37 54. (2008). Disponíve l em:

2016.

ROUSE, J.; HASS, R.H.; SCHELL, J. A.; DEERING, D. W. Monitoring Vegetation System in the Great Plains with ERTS. Third Earth R e s ource s Te chnology Sate llite -1 Sympos ium, Greenbelt: N ASA SP- 351, 3010- 3017.

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n. 3, p. 583- 659, 2003.

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