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BOLETIM OPERÁRIO

Caxias do Sul, 30 de março de 2019 | Edição nº 539

Caxias do Sul, 30 de março de 2019 | Edição nº 539 A Opinião Pública A

A Opinião Pública

30 de março de 2019 | Edição nº 539 A Opinião Pública A Opinião Pública Pelotas,

A Opinião Pública Pelotas, 11 de março de 1911. Edição 58 – Ano XVI Capa Noticiário

Pelotas, 09 de março de 1911. Edição 56 – Ano XVI Capa Noticiário A questão
Pelotas, 09 de março de 1911.
Edição 56 – Ano XVI
Capa
Noticiário
A
questão das 8 horas
Pelotas, segundo dizem os jornais acaba de fazer
voz comum nessa campanha pacifica da limitação
das horas de trabalho. Sob vários pontos de vista,
essa regulamentação é vantajosa não só para o
operariado, como também para o patrão. Não se
julgue que em 10 ou mais horas de trabalho se
consiga maior produto, porquanto, após um certo
limite, o trabalho notadamente o produzido nas
últimas horas, não pode ser expoente de grande
energia física, dadas as condições precárias do
organismo fatigado. O trabalho consciencioso,
regularizado e bem divido, terá melhor lucro,
apesar de parecer o contrário. Além disso, o
patrão deve estar cada vez mais convencido de
que o operário é o seu elemento. Se o operário
precisa do patrão, que garante o trabalho pela
manutenção das fábricas, doutro lado, o patrão
necessita do braço proletário. É um auxilio mutuo.
Ora, esse auxilio mutuo traz inegáveis vantagens
para o patrão que, as mais das vezes, desconhece
qual o elemento que trabalha dentro das suas
oficinas. O operário é um indivíduo que não se
pode chegar ao patrão, dele está separado por
uma hierarquia perniciosa. A autoridade, dele
patrão, chega ao operário, depois de ter
atravessado a espessa camada de empregados
subalternos, de sorte que, uma ordem emanada
do primeiro, só atingirá os últimos, depois de
modificada e adulterada pelo temperamento, às
vezes, bilioso ou mais rancoroso, dos outros
empregados. É claro e é necessário que do lado
do proletariado, ora em atividade, deve existir uma
ideia pacifica e um procedimento calmo e ordeiro.
Do mesmo modo, é necessária a mesma atenção
por parte dos patrões, bem como das autoridades.
Sem esse procedimento de todas essas três
partes, tudo poderá descambar para o terreno
ingrato das represálias e das violências, sucessos
lamentáveis, que, esperamo-lo de coração, não se
realizarão. Ao movimento operário pelotense, aqui
deixamos os nossos votos de feliz sucesso. Léo
As 8 horas
O operariado de hoje vai reconhecendo seu
poderio e, ao mesmo tempo que vai tomando esse
conhecimento de si mesmo e das suas energias,
entra num caminho vasto de reivindicações
sociais. A situação, porém, do operário tende a
melhorar – o que constitui uma aspiração bastante
nobre. O movimento que ora se manifesta no Rio
Grande do Sul tem a sua justificativa na
concessão do direito. É verdade que, em Pelotas,
apenas começou a se esboçar, levemente, como
uma promessa dúbia, o protesto calmo das
consciências proletárias, enquanto nas outras
principais cidades do Estado já se tenha feito
sentir brilhantes resultados. O Brasil, dadas às
condições de rara população, não possui
movimentos fortes de greve geral, pela simples
razão de não termos ainda a necessária expansão
industrial que fomenta esses movimentos. Nos
países europeus ou mesmo na América do Norte,
o operariado tem na abundancia das industrias e
na concorrência uma grande dificuldade de
trabalho, ligada a carestia da vida dos centros
populosos. Ao mesmo tempo, porém, ele constitui
um elemento forte cuja renuncia ao trabalho
exorbitante acarreta gravíssimos prejuízos ao
comercio. No Brasil, essa falta de indústrias traz a
falta da concorrência, ligada aqui há uma certa e
relativa facilidade de vida. Contudo, certas
conquistas do operariado dos países industriais
não devem ficar sem eco. É o que, infelizmente
parecia acontecer. Agora, porém, um gesto nobre
e enérgico de um proletariado, como o de Porto
Alegre, foi o ponto de partida de movimentos
congêneres em outros pontos do Estado.
A Comissão de Operários organizada para a
entrega de circulares no sentido de obter-se as 8
horas de trabalho diário, e que, conforme
noticiamos, iniciou ontem a sua missão, já conta
com apoio dos seguintes mestres e proprietários:
Francisco de Assis Oliveira (mestre pintor)
José Lipnilk J. Casanova (ferrador)
Narciso Ferreira (fabrica de carruagens)
Francisco Geraldo da Silva (mecânico)
Juvenal Mallmann (mecânico)
Antonio Lassimo dos Santos (mestre construtor)
Rodrigues & C. (construtores)
Jeremias Nogueira Soares (mecânico)
Ulysses Simone (mecânico)
Como noticiamos, realiza-se amanhã uma reunião
do operariado em geral, na sociedade União
Operária.
Está terminada a greve dos pedreiros e
carpinteiros de Bagé. A maioria dos empreiteiros
e construtores cederam as reclamações dos
operários, consentindo em adotar o horário por
eles exigido. Os serviços foram reencetados em
todas as obras.
foram reencetados em todas as obras. OPERARIO.BOLETIM@GMAIL.COM /BoletimOperario /BoletimOperario /BoletimOperario
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