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O

possível

INL/MEC que,

edição permitiu

ragem e

custo

industrial.

preço

deste Iivro

devido

em

tornou

à participação do

se

co­

o aumento da ti­

do

regime

de

consequente

redução

PREÇO:

Cr$

8,00

"Mário de

tor, (

Andrade

)

ninguém com

se foi.

Grande

alma

e grande

escri­

mais preocupação de construir algo

de

novo

e

de

sólido

que Mário

de

Andrade.

Lançou-se em

especial

à

elaboração

e

ao

emprêgo

de

uma

li11guagem

exclusivamente brasileira que

deu aos

seus

poemas

e

aos

seus romances um tom nativista

ma

(

tativa

nária, e

os tempos."

no

muito original,

sem

sentido clássico

mais pura essência

nossas letras

nenhu­

do têrmo

mais represen­

revolucio­

de todos

preocupação

)

nacionalista

a sua

morte consagrou-o como a figura

do

modernismo

na sua

uma das

maiores

figuras das

Alceu Amoroso Lima.

do modernismo na sua uma das maiores figuras das Alceu Amoroso Lima. OdeANDRAD ensaio sôbre a

OdeANDRAD ensaio sôbre a música brasieira

•.

do modernismo na sua uma das maiores figuras das Alceu Amoroso Lima. OdeANDRAD ensaio sôbre a

DADOS BIOGRÁFICOS DE MÁRIO DE ANDRADE

Mário

Raul de Morais Andrade, pai ígrafo e musicólogo

brasileiro, nasceu em São Paulo em 9 de outubro de 1893.

Fêz seus estudos secundários com os Irmãos Maristas. Diplo­ mou-se em piano no Conservatório ·oramático e Musical da

capital paulist_a e

Música. Estreou em livro, em 1917, com uma gôta de sangue em cada poema, pequena obra enexpressiva, inspirada na Primeira Guerra Mundial, válida contudo pela intenção pacifista de que estava imbuída. Em 1922 Mário de Andrade participou ativamente da Semana de Arte Moderna, realizada em São Paulo e que teria influência decisiva na renovação da Literatura e das Artes no Brasil. A partir dêsse momento,

Mário de Andrade se tornou a principal figura do Movimento Modernista. Seu primeiro livro de feição moderna, Paulicéia Desvaira• da, surgiu naquele ano, provocando vívidas polêmicas. A Es· crava que não é Isaura, ensaio em que o autor defende a nova estética, veio à luz em 1925. Seguiram-se-lhe Losango Cáqui

poesia, e·Primeiro Andar, contos. em 1926; Clã do Jabuti,

Verbo Intransitivo, romance, em 1927. e

Macunalma, em 1928.

Por essa altura, Mário de Andrade, a par de sua intensa atividade literária, exerceu com grande autoridade a crítica de música e artes plásticas na imprensa. Em 1930, ao publicar Remate de Males, como que inaugurou nova fase em sua poesia, que ganha em profundidade o que perde em pitoresco

e gratuidade. Nome dos mais respeitados entre os intelEfctuais da época, dotado de extraordinária capacidade de trabalho,

aceitou sucessiva e, por vêzes, simultâneamente cargos de grande responsabilidade ligados a problemas culturais. Foi membro da Comissão incumbida da re forma da'Escola Nacio­ nal de Música e diretor do recém-criado Departamento de Cultura da Prefeitua Municipal de São Paulo, onde criou os parques infantis (1935). Deve-se-lhe a .lei que organizou o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, ao ser­ viço do qual efetuou, em 1936, o tombamento dos monu­ mentos históricos paulistas. Fundou, em 1937, a Sociedade de Etnografia e Folclore de São Paulo e foi um dos organiza• dores do Primeiro Congresso da Língua Nacional Cantada. Lecionou Estética na Universidade do Distrito Federal (1938)

e trabalhou no projeto da Enciclopédia Brasileira, na qualida

de de alto funcionário do Instituto Nacional do Livro. Espíri­ to fecundo e infatigável, escreveu ainda Belazarte, contos,

publicado em 1934; O Aleijadinho e Álvares de Azevedo, ensaio, 1935; Poesias, 1941; O Baile das Quatro Artes e As­ pectos da Literatura Brasileira, ensaios, 1943; O Empalhador

de Passarinho, ensaio; e Contos Novos, no qual firmou prest í­ glo como mestre no gênero. Com Lira Paulis'tana e O Carro da Miséria, vindos à luz postumamente, e num só volume em 1947, a poesia de Mário de Andrade impregnou-se de preocu• pação social, enriquecendo-se de uma nova dimensão. Mário de Andrade faleceu em São Paulo em 25 de feverei­ ro de 1945.

ali

foi professor de Estética e História da

poesia,

e Amar,

-�-

-- --- ·

'1

l

,,

EDICÃO COMEMORATIVA

DO 50º ANIVERSÁRIO DA

SEMANA

DE ARTE MODERNA

1922 -1972

ano

1972

,, EDICÃO COMEMORATIVA DO 50º ANIVERSÁRIO DA SEMANA DE ARTE MODERNA 1922 -1972 ano 1972 internacional

internacional

do

livro

l'K]_; OBRAS DE MÁRIO DE ANDRADE

OBRA

IMATURA contendo:

1 Há uma Gôta de Sangue em cada Poema {poesia).

2 Contos. selecionados do Primeiro Andar.

3 - A Escrava que não é Isaura (poética).

POESIAS COMPLETAS.

1 - Paulicéia Desvairada. 2 - Losango Cáqui.

3

4

5

6

7

8

9 - O Café.

AMAR,

MACUNAíMA

{rapsódia).

-

-

- Oã do Jabuti.

- Remate de·Males.

- O Carro da Miséria.

- A Costela do Gtã Cão.

- Livro Azul.

- Lira Paulistana.

VERBO INTRANSITIVO (Romance).

OS CONTOS DE BELAZARTE. ENSAIO SOBRE A MÚSICA BRASILEIRA.

1

-

Ensaio sobre a Música Brasileira.

2

- A Música e a Canção Populares no Brasil.

MÚSICA, DOCE MÚSICA.

1 - Música, doce Música (crítica).

2 - A Expressão Musical nos Estados Unidos.

PEQUENA HISTÓRIA DA MÚSICA. NAMOROS COM A MEDICINA.

1

- Terapêutica musical.

2

-

A Mediei.na dos E'scretos.

ASPECTOS DA LITERATURA BRASILEIRA

(ensaios literários).

1

-

Aspectos da Literatura Brasileira.

2

- Amor e Medo.

3

- O Movimento Modernista.

4

- Segundo Momento Pernambucano.

ASPECTOS DA MÚSICA BRASILEIRA (ensaios

Musicais).

1

2 - Os com

3

4

5 - Cultura Musical.

ASPECTOS DAS ARTES PLÁSTICAS NO BRASIL.

- Evolução Social da Música no Brasil.

p

ositores e a Língua Nacional.

- A pronuncia cantada e o Problema do Nasal, pelos Discos.

- O Samba Rural Paulista.

1

2 - Lasar Segall. 3 - Do Desenho. 4 - A Capela de Santo Antônio.

- O Aleijaclinho.

MÚSICA DE FEITIÇARIA NO BRASIL.

O BAILE DAS QUATRO

ARTES (ensaios).

1

-

O Baile das Quatro Artes.

2

- Arte lnglêsa.

OS FILHOS DA CANDINHA

PADRE JESUfNO DO MONTE CARMELO.

CONTOS NOVOS.

(crônica).

. DANÇAS DRAMÁTICAS DO BRASIL

MODINHAS IMPERIAIS.

EMPALHADOR DE PASSARINHO

(folclore).

(crítica literária).

& (

ensaio sôbre a música brasileira

3. Brasil·

 

Andrade, Mário

de,

1893-1945

 

A568e

Ensaio

sobre

a

mú:Sica

brasileira.

 

3.ed.

São Paulo,

Martins; Brasília, INL,

1972.

 

IV,

192

p.

ilust.

 

Bibliografia.

1.

MUsica

brasileira

2.

Música

folcló-

 

rica

brasiJ.eira

3.

Música

popular

-

Brasil

I.

II. Título.

Brasil.

Instituto Nacional

do

Livro,

co-ed.

CCF/CBL/SP-72-0034

CDD:

780. 981

 

781. 781

 

18.

780.420981

 

CDU:

78(81)

1ndices para

1.

2. Brasil

Brasil

catálogo. sistemático

( CDD):

Música 780. 981

Música folclórica 781. 781

Música popular

780 .420981

981 Música folclórica 781. 781 Música popular 780 .420981 ensaio sôbre a música brasi eira '

ensaio sôbre

a música brasi eira

'

(;

i

i

i

3.ª

edição

sôbre a música brasi eira ' (; i i i 3.ª edição LIVRARIA MARTINS EDITORAS.A. em

LIVRARIA MARTINS EDITORAS.A. em convênio com o

INSTITUTO NACIONAL DO LIVRO/MEC

1972

ENSAIO SÔBRE A MÚSICA BRASILEIRA

Capa

LUISDíAZ

Supervisão Gráfica

RODOLPHÓ CERASO

Direitos

para

esta edição

ad

q

uiridos

pela

LIVRARIA MARTINS

EDITORA

S�A.,

São Paulo, que

se

e literária desta obra.

reserva a

p

ro

p

riedade

artística

NKL,�tn;

ooitoa

SEDE - EDIFÍCIO MÁRIO DE ANDRADE RUA ROCHA, 274 - SÃO PAULO FILIAIS - RIO DE JANEIRO, SALVADOR BELO HORIZONTE, LONDRINA

SUMARIO

l<�xpli<'.:ição 7 1 - - · ENSAJO �ôTIRE A M(•SICA BRASILEIRA Primeira Parte - Ensaio
l<�xpli<'.:ição
7
1
- -
·
ENSAJO
�ôTIRE A
M(•SICA BRASILEIRA
Primeira
Parte
-
Ensaio
sôbre a
Música Brasileiro
11
:\1:úsica
Brasileira
13
20
Músi C'.U
popular
e
Música artística
29
l?itmo
39
Melodia
·······
··· ·•"'
"
'
'
'
º
"
'
'
'
"
'
'º'''"
'
·····
49
Polifonia
,
54
Instrumentação
61
Forma
75
Segunda Parte
- Exposição
de Melodias
Populares
77
Notas esclarecedoras da
grafia musical
79
Música
socializada
81
Canto
Infantil
85
Cantos de
trabnlho
Danças
90
100
Danças
Dramí1tic:c1.s
10:1
Canto
Religioso
105
Cantigas
Militares
Cantigas
de
Bebida
:
106
JOB
C-lieos
121
Músi<'a
Individual
·
Estribilhos
(solistas
ou cora.is)
123
'l'oadas
, . • • •
127
Martelos,
Desafios, Chulas
;
138
Lundús
e Modinhas
112
Pregões
Í4:1
Nota
final
151
153
11
-
A
MúSJCA
E
A
CANÇÃO
POPULARES
NO
BRASIL

J<::xplieação

• • • • • • • • • • · · · · · · · · · · · · · ·

A

M úsiea

e

a

Canção Populares

no Brasil

I -

Instituições

Públicas

II

- Discografia

 

III

- Bibliografia

sôbre

a

Música

dos

ame

 

ríndios do

Brasil

 

J V

-

Bibliografia

sôhre

a

Música

Popular

Brasileirn

155

163

167

169

171

EXPLICAÇÃO

O "Ensaio sôb1·e a Música Brasileira/' aparece

de Mario de

o &

A

Um exemplar desta ediçno,

guardado por Mario de Andrade em pasta destina­ da .a.os trabalhos que comporwm o presente volume,

traz na· fôlha-de-rosto a seguinte nota, escrita a tin­

"Deve haver por a/4 um outro exern­

plar de trabalho., muito

no fim,

para notas.

A. VII-42".

1941, naturalmente por um =igo. M.

Essa homenagem, que tem tanto de apaixonada

biblioteca, em

ta vermelha:

encadernado em

neste vol. VI

das Obras

Completas

dra e, tal co

á na edição de I. ChiC1;ra

Cia., Sao Paulo,�8

wnotado,

couro vermelho e

com páginas

em branco

Foi roub(l;{lo

da minha

que Mario de

Andrade reajustasse o

suas Obras Completas e que o editor pudesse agora

"Ensaio" pará inclusão nas

tentar atualizar de alguma, forma esta nova edição

do livro.

um êrro,

de

Andrade: ,está complet=ente deturpado o ritmo da

quanto de desastrosa,

impediu pois

Sabemos apenas que

várias

o "Ensaio" contém.

Mario

vêzes mencionado por

melodia "Prenda Minha",

recolhida por

Germana.

Bittencourt.

Embora

sem denunciar

a fonte do

êrro, Mario

de Andrade

deixou escrita uma infor­

mação sôbre o caso, nesta ficha bibliográfica. sôbre

o

Música e

incluímos em nota:

cias e tendências rítmicas,

tonais, harmônicas, me-

"Estuda algumas das constân­

a

"A

"Ensaio",

a

encontrada

num

exemplar

no Bra �il",

de

Canção

Populares

onde

MÁRIO

DE

ANDRADE

lódicas e formais da música popular cantada do Brasil. Tem um repositório de 122 melodias po­ pulares, de que um numeroso grupo foi o.olhido diretamente da bôca do.� cantadores. As outras fo- 1·am colhidas de pessoas cultas, mas de garantida autenticidade e bom conhecimento do canto popu­

lar.

mente falso, e está ritmicaniente certo na harmo­

nização que dessa toada .fêz Ernani Braga (Pren­ da Minha, ed. Ricordi)."

Só o documento "Prenda Minhar" é ritmica­

Oneyda Alvarenga

A DO"N"A

ÜLIVfA

GUEDES PEN'l'RADO

HomE>uagem <lo A11tor

Ensaio

L

A

PARTE

sôbre a Música

Brasileira

MÚSICA

BRASILEIRA

Até ha

pouco

a música

artistica brasileira

Isso

viveu divorciada da nossa entidade racial.

tinha mesmo que suceder.

anterior _ á nossa r:i.ç�. A propria--1'.!).ús1ca popülar eia-Monarquia não apresenta um!i f�satisfato­ ria. Os elementos que a vinham fórmando se lem­ bravam das bandas de alem, muito puros ainda. Eram portugueses e africanos. Inda não eram brasileiros não. Si numa ou noutra peça folclo­ rica dos meados do seculo pass(tdo já se delineiam os caracteres da música brasileira, é mesmo só com os derradeiros tempos do Imperio que êles princi­ piam abundando. Era fatal: Os artistas duma raça i ll decisa se tornaram indecisos que nem ela. O que importa é saber si a obra dêsses artistas deve de ser contada como valor nacional. Acho incontestavel que sim. Esta verificação até pa­ rece ociosa mas pro me�o moderno brasileiro sei que não é. Nós, modernos, manifestamos dois defeitos grandes : bastante ignorancia e leviandade sistema- -

tisada.

da jangada nacional não só as obras e autores pas­ sados como até os que atualmente empregam a te­ matica brasileira numa - orquestra europeà ou no quarteto de cordas. Não é brasileiro se fala.

A n_iJ&ão brasileira é

Ê comum entre nós a rasteira derrubando

, Ê _ que os modernos, ciosos da curiosidade ex- -1 · terior de muitos dos documentos populares nossos, confundem o destino dessa coisa séria que é a Musica Brasileira com o prazer deles, coisa dile­ tante, individualista e sem importancia nacional

14

nenhuma.

MÁRIO

O que

DE

deveras

ANDRADE

êles gostam no brasilei­

rismo

que exigem a golpes duma

crítica aparente­

mente

defensora

do patrimônio nacional,

não

é

a

expressão natural e necessaria duma nacionalidade

jamais escutado em

fortes,_ya.tapá,-.;j_a_ciaré,

vitoria-regia. Mas uni elemento importante coincide com es­

de

sa falsificação da

música artistica,

não, em vez

é o exotismo, o

sensações

entidade

.

brasileira: opinião

europeu. ó diletantismo

que pede música nos­

sa está fortificado pelo que é bem nosso e consegue

o aplauso estrangeiro.

mais respeitoso

Ora por

que a gente seja

da crítica

europeia

carece verifi­

car

duma

vez

por

todas

que

o

sucesso

na Europa

não

tem importancia

nenhuma

prá Musica

Brasi­

leira.

Aliás

. a

expansão

do

internaciorialisado

Carlos Gomes e a permanencia alem-mar dele pro­ va que a Europa obedece á genialidade e a cultua.

Mas no caso de Vila-Lobos por exemplo é fácil

enxergar

o

coeficiente guassú com

que

o e�otism.9

concorreu pro sucesso atual do_ artista.

H. Pru­

nieres confessou

isso

francamente.

Ninguem

não

imagine que estou diminuindo

o valor

de Vila-Lo­

bos

não.

Pelo

contrário:

quero

aumenta-lo.

Mesmo

antes

da

JJSeudo-música indigena

de agora

Vila-Lobos

era um

grande compositor.

A gran­

deza dele, a não ser pra uns poucos sobretudo Artur

Janacopulos, passava desper­

Rubinstein e Vera

.

cebida.

Mas bastou que fizesse uma obra extrava­

gando bem do continuado pra conseguir o aplauso.

Qito Batutas ou

do chôro de Romeu Silva, por causa do sucesso ar­ tistico mais individual que nacional de Vila-Lobos,

Ora por causa do sucesso dos

só é brasileira a obra que seguir o passo deles�

O

valor normativo de sucessos assim é quasi nulo.

A

ENSAIO SÔBRE A MÚSICA BRASILEIBA

15

de

S!3_},i­

bertar d

ao Velho

Mun do,

eco­

ropa tira da gente são

o�

europeus

po­

rêm

os

que são sabidos se metem criticando e aconselhando

o

fran­

que é R

Ora o quê que tem Si :AIIilk parece com

Milch, as palavras deixam de ser uma inglesa outra

que

lem­

frase

t,

nessa

nonuca que nem a America

de exposição uni­

versal: exotismo divertido.

que a Eu­

Europa completada

civilisação,

deza

social nenhuma

nem

_

e organisada

num estadio

§l

.

:tgEl i:!1

S

ª·

campeia

el

Uomo

a

e!lt1.'.1l:

!1

!t_Q

ê _ P _ !:_ a

que

nos imponha

a Asia, nem

o

gente não tem gran­

filosofica que nem

do Norte,

elementos

Na música,

mesmo

ql!_e

Yisi:fãm_a_gent_e_J;>erseveram

bem, estão

sem síncopa ou

falam de

procura do

exquisito apimentado.

mmto

que

Si escutam um

gosando

õatuque brabo

si

é

certas ef�sões

Isso

'E

'

modinha

liricas dos tanguinhos de Marcelo Tupinambá

é musica ·italiana!

cara enjoada.

que

,

e

.

pengo vasto.

Numa toada

a

cada

Às

UJ

num acalanto

num abôio desentocam

cesas russas

a

?

passo frases

escandinavas.

vêzes especificam

ssini, que é Boris.

usica Brasileira com isso !

a

gente

pode

alemã� O que

ambas vieram

.

é

contastar

mas

dum tronco só.

Ninguem não

ra de atacar .ª i alianidade

dele

conrnide

com

de Rossini porquê

da

tal

outra

opera-comica

francesa.

Um

dos conselhos europeus que tenho escuta-

do bem é que a gente si quiser fazer música nacio-

os aboríge-

nal tem

nes pois que só mesmo êstes é que são legitimàmente v,' \.,,, e,;­

p'"'\.-.

1

que campear

elementos

entre

-

ignor :i ncia dos p

cologicos

Isso é

uma

puerilidade

que

7

esteticos.

Uma

arte

inclui ''rv--

;,»,

oblemas sociologicos, etnicos psi-

nacional não se

o , "'--1---,";1,-.,

h.,

M, X'

)(_

e

(1)

Tôdas

estas afirmativas

foram escutadas por mim

fazeudo inventário do

que

é

nosso.

'

de estranhos

···

(

·

"'-

L

,

i "' "- Ir e; v--ll-{

'

' 1 6 MÁRIO DE ANDRADE faz com escôlha discricionaria e diletante dé ele­ -- mentos:

16 MÁRIO

DE

ANDRADE

faz com escôlha discricionaria e diletante dé ele­

--

mentos: um a arte nacional já está feit a n a inco ns- J 4

ciencia do povo.

O artista tem só q1!�_1a:r pr9s

elementos já existentes uma fraiisposição . erudita

que_façada música popular;músicl! !t"rffstfoa,-isto

é: imedifameiite-desinteressada. O homem . da na- 1 -çaoBra�il lioJe, está-mais âfàstado do ameríndio que do japonês e do hungaro. O elemento amerín­ dio no populario brasileiro está psicologicamenté assimilado e praticamente já é quasi nulo. Brasil

.

.

.

.

.

é

uma nação com normas sociais, elementos raciais

e

limites geograficos. O ameríndio não participa

J-.t,,•t?

0 1,

\-,,-!h-.

dessas coisas e mesmo parando em nossa terra con­

tinua ameríndio e não brasileiro. O que eviden­ temente não destroi nenhum dos nossos deveres pra com êle. Só mesmo depois de termos praticado

os deveres globais que temos pra com êle ê que podemos -exigir dele a prática do dever brasileiro. Si fosse nacional só o que é ameríndio, tam­ bem os ítalianos não podiam empregar o orgão que

é egípcio, o violino que é arabe, o cantochão que é

grecoebraico, a polifonia que é nordica, anglosaxo­

nia flamenga e o diabo. Os franceses não podiam usar a ópera que é italiana e muito menos a forma­ -de-sonata que é alemã. E como todos os povos da Europa são produto de migrações preistoricas se conclui que não existe arte europea Com aplausos inventarios e conselhos dêsses

a gente não tem que se amolar. São fruto de igno­ racia ou de - Nem aquela nem êste não podem servir pra criterio dum julgamen­ to normativo. Por isso tudo, Musica Brasileira d_exe--de-signi­

uer tenha

O padre Maurício,

ficar toda música nacional

quer não tenha caracter triico.

o cria ão

nacion al quer não tenha caracter triico . o cria ão ( /_' . , '·,

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1-:NRAIO RÔBRE A MÚSIC!A BRASILEIRA

lí

J i::Jalduui, Sclrnmnnnfona são músicas brasileiras. Toda opinüio em contrário é perfeitamente covar­

de, antinacional, anticrítica.

E afirmando _assim não faço mais que seguir um criterio universal. As escolas etnicas em mú­ sica são relativamente recentes. Ninguem não lem­ bra de tirar do patrimonio italico Gregorio Magno, Marchetto, João Gabrieli ou Palestrina. São ale­ mães J. S. Bach, Haendel e Mozart, tres csniritos perfeitamente universais corno formação e �té co­ mo caracter de obra os dois ultimos. A França então se apropria de Lulli, Gretry, Meyerbeer, Cesar Franck, Honnegger e até Gluck que nem fran­ ceses são. �a obra de José Maurício e mais for­ temente na de Carlos Gomes, Levy, Glauco Velas­ (1uez, Miguez, a gente percebe um não-sei-quê in­ definível, um rúim que não é rúim propriamente, ? um riíim exrzuisito pra me utilisar duma frase ,1e �fanuel Bandeira. Êsse não-sei-quê vago mas

geral é uma _J_2rimeira _

fatalidade de_raça badalan�­

âo longe. Então na lírica ele Nepomuceno, Fran­ éisco Braga, Henrique Osvaldo, Bárroso Neto e outros, se percebe nm parentesco psicologico bem forte já. Que isso baste prá gente adquirir agora já o criterio legítimo de música nacional que deve· ter uma nacionalidade evolutiva e livre.

Mas nesse caso um artista brasileiro .escreven­ do agora em texto alemão sobre assunto chinês, mú­ sica da tal chamada de universal faz música brasi­ leira e é músico brasileiro. Não é não. Por mais sublime que seja, não só a obra não é brasileira como é antinacional. E socialmente o autor dela deixa de nos interessar. Digo mais: por valiosa que a obra seja, devemos repudia-la que nem faz a

Russia com Strawinsky

e Kandi�sky.

19

Cuvc'lvi,

'

1

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1\,.

19 Cuvc'lvi, ' 1 _•.\ r-· 1\,. MÁRIO DE ANDRADE O periodo atual do Brasil, especialmente
19 Cuvc'lvi, ' 1 _•.\ r-· 1\,. MÁRIO DE ANDRADE O periodo atual do Brasil, especialmente

MÁRIO

DE

ANDRADE

O

periodo atual do

Brasil,

especialmente nas

artes,

é o

de nacionalisação.

Estamos procurando

conformar

a produção

humada

do

país com a

rea­

i

J

, ��

�p.,�c\_,

1

-

e.'.,

\(V'"'.,�!

·•_t.J

lidade

nacional.

E

é

nessa

ordem

de

ideas que

justifica-se

o

conceito de

Primitivismo

aplicado

ás orientações

de

agora.

É

um

engano

imaginar

que

o

primitivismo brasileiro

de hoje

é estetico.

Ele

é social.

Um

Brasil

de Osvaldo

poeminho humoristico do

Pau

de

Andrade até

é muito

menos

primitivista que de Graça Aranha.

de

e deformatorio,

rismo

um

capítulo

Porquê

da

Estetica

da

Vida

cheio

êste capítulo está

medo.

é uma

pregação interessada, cheio

cheio de

de Osvaldo

de Andrade

de

magia e

idealismo ritual

li­

brincadeira

pelo pau­

pelo ridículo.

nenhum.

prática.

de

O

desabusada.

lista

Nas ideias

A deformação empregada

só destroi

idealismo

a

não ritualisa nada,

Não

que expõe

Não tem·magia.

É arte desinteressada;

não tem

se confunde com

Pois

É

toda

arte

socialmente

nem

tribal, religiosa, comemora­

interessada.

primitiva que

É

a nossa, é

tiva.

Toda

da

ãe_constr.ução.

É os

são

o indl.viduo

na

bre

filosofico

arte social,

arte

de

circunstancia.

arte exclusivamen

C.ª-il_ 9:esintere,ssa­

fase

individualistã.

geral

não tem

cabimenwnuma :!'@_e_primitiva,

É intrinsecamente

efeito;-do

individualismo artistieo no

destrutivos.

Ora

numa

fase

que não siga o ritmo

botina.

o valor

Si

a

gente

intriseco

de justiça,

primitivistie;a,

é pedregulho

so­

conceito

a

"A pedra tem de ser ;i.Q_gada fora".

fruta

dela

principia

matutando

o

no sapato

do pedregulho e

a pedr!I

uma

fica

e

gente manqueja.

É

uma injustiça feliz,

inJustiça justa,

de epoca.

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1

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S,l"\,-

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,.,,

ENSAIO SÔBRE

c,,

A

MÚSICA BRASILEIRA

!_

,--\

te ( i' ( ,{

Q criterio

a&Y-ª.l

mas

de Musica Brasileira

deve ser

DeTe�ser

Íun

criterio

qe

se disperdiça por Ulll motivo que só pode ser indeco-

pretensão)

e

1;

voluntariamente

combate.

A

fôrça nova

que

oso (co

odidad e

p opria, covardia ou

Ullla força

antmac10nal

_

e falsificadora.

l

-

,

E

arara.

Porquê,

imaginemos

com senso-co­

mUlll:

Si um

artista brasileiro sente

em si

a fôr­

ça

está claro

quê

mentos

We _b er Wagner Mussorgskir

�omal enorme.

tico

genio

do

artistas

do genio, que nem Beethoven e Dante sentiram

Por�

os ele­

(Rameau

Terá pois Ulll valor em nada o valor artís­

que deve

fazer música

nacional.

como genio

saberá fatalmente encotrar

da

nacionalidade

essenciais

Sem perder

tem

porquê

não

mai�-naêlonâ1

por

G

?

:V11 itman Ocussai)

E

si

o

e

que não

seja

faz parte

que não

artista

reconhece

(Rabel is

dos

patrrmomo universal.

99

por

cento

dos

é genio,

então

é que

deve mesmo

de fazer

arte

nacional.

Porquê

incorporando-se á

escola

italia­

na

ou francesa

será

apenas

mais Ulll

na fornada

ao

passo que

na

escola iniciante

será

benemerito

e necessario.

Cesar Cui seria ignorado

si não fos­

s

Na

cola espanhola o nome dele é imprescindivel.

artista brasileiro que. no

brasil ira é = ser eficiente com valor h=ano.

que

for

rendissima bêsta.

rma

o p apel dele

_

e

de

na formação da

escola russa.

Tu­

es­

Todo

importancia

universal mirim.

momento atual

ou

fizer arte

O

si não

flze :r

gemo,

a

i:

te

e

.

mt

Ulll

rn

cional

estrangeira,

E

é

Ullla

mutil, Ulll

nulo.

reve­

Assim: estabelecido o criterio transcendente de

a coragem

!

Mus ca

Brasileira

adotar

que

faz

a

gente com

dos mtegros

como nacionais a

Missa em Si

20 MÁRIO

DE

ANDRADE

JJeuwl

êsse

e Salvador Ilosli, temos

é pelo

que reconhecer que

julgar as

criterio

menos ineficaz pra

obras dos

atuais menores

de

quarenta anos.

Isso

é lógico.

Porquê se tratava

de

estabelecer um cri­

tério

envolutiva brasileira.

geral

e transcendente

à entidade

Mas um critério assim é ine­

si referindo

ficaz pra julgar qualquer momento historico.

Por­

quê transcende dele.

E

porquê as

tendencias

his­

toricas

revestem.

é

que dão a

forma que

as

ideas normativas

O

criterio de

música brasileira

relação

se

prá

atualidade

A atua­

deve de -existir em

lidade brasileira

nalisar a

feita e está sendo

perialismo.

Brasileira

feita

á atualidade.

aplica aferradamente

0oisa

nacio­

ser

xenofobia nem _im-

J\.lúsic:a

ela

a

nossa manifestação.

é

O

o

que pode

sem nenhuma

histori,·o

critério

atual

J Wf"" r, \

,

,

�-

.,.-.e,,

''e

-ti, -�.· :)

1,;1l�-'

p

c

V"-

1

da manifgatação-musicaLq.uc

s�:i

por brasileiro o'u

ind.ivid.uo-na<:;ionalisado,re­

popular.

1

_ - ::t'·"""i- flef_f�as_caractg_ristic11s mnsicais_claJaça.

--

Onde que

estas estão�

:N"a música

MüSICA POPULAR

Pode-se dizer que

desconhecido

leiro é

atcS

E MúSICA ARTISTICA

o populario

musical brasi­

\'ivemos

de nós

mesmo,.

afirmando que

é riquissinio

e .bonito.

Estú certo.

Só que me parece mais rico

e bonito do

que a gente

E�SAIO

SÔBRE

A

MÚSICA

BRASILEIRA

21

e

em todo o centro litoraneo do país.

documento esparso da

Paraná

sii.o

documentos

conhecidos

menos

E 1un ou outro

matogrossense,

pelo

zona gaúcha,

goiana,

caipira,

mostra

belezas

porêm

não

basta

pra dar

conhecimento dessas

zonas.

Luciano

Gal­

let está dcmostrando já

uma orientação menos

re­

gionalista e bem mais 1nteligente com

os

cadernos

de

Melodias Populares

Brasileiras

(ed

Wehrs

e

Cia.

Rio)

porêm

os trabalhos dele

são

de

ordem

do

acompanhador cultura que ultrapassa a meia-fôrça.

E requer o

muitos dêsses

positivamente artistica, requerendo

do

cantor

e

mesmo

dos ouvintes.

Si

trabalhos são magníficos

L. Gallet enriquece a

é incontestavel

expansão

nar crítica

imediatamente

crítico também, capaz

popular

cia. Cãrecemos

e

si

a obra folclorica de

nacional,

ck

se tor­

carecendo

produção

artística

que

não apresenta

de

possibilidade

pra

e suficiencia

e prática.

é dum

de

e representa-la

dum

dum

documentos

estamos

Do que

harmonisado

se

cingir

'1'1ersot,

á manifestação

e efieien­

Korbay,

Stan­

du­

e

facil

com integridade

dum Franz

Taylor,

dum

Moller,

Coleridge

dum

ford, duma

ma

absolutamente adstrita

Ester Singleton.

crítica

e

Harmonisações

mas

apresentação

refinada

á manifestaçii.o

popular.

imagina.

E

sobretudo

mais

complexo.

Um dos pontos

que provam a riqueza

do nosso

 

Nós

conhecemos

algumas

zonas.

Sobretudo

populario Sl'l'

maior

do que

a gente

imagina

é

o

a

carioca por

causa elo

impresso e por cau­

ritmo. ·

Seja porquê

os - compositores

de

maxixes

sa

da predominancia

expansiva

da

Cõrte sobre os

e

cantigas

impressas

não

sabem

grafar

o

que

Estados.

Da Baía

tambem e

do nordeste inda a

executam, sc;ja porquê dão só a síntese essencial dei­

gente

conhece

alguma

roisa.

E no

geral

por

in­

xando

as subtilezas

prá

invençii.o

do cantador, o

termedio

da Côrte.

Do

resto: praticamente

nada.

c•.erto é

qne

uma

obra

executada

difere

ás

vezes

O que Friedenthal r<'gistrou

como

de

Sta.

Catarina

'--- totalmente

do

que

está

escrito.

Do

famanado

22 MÁRIO

DE

ANDRADE

Pinião pude verificar pelo menos 4 versões rítmi­ cas diferentes, alem de variantes melodicas no

geral leves: 1.ª a embolada nord(lStina s

q:u.e m::y iu

d _�pro maxixe vulg11:risado-no--carnay1J,l .fa­

(ed Wehrs e

'Cia.) que é quasi uma chatice; 3.ª a maneira com que os Turunas de Mauricea o cantam; 4.ª e a variante, próxima dessa última, com que o es­ cutei. muito cantado por pessoas do povo. Se compare estas três grafias, das quais só as duas últimas são legítimas porquê nin gu em não canta

a rµúsica talequal anda impressa. A terceira gra­

fia é a mais rigorosamente exata.

tjQç-ª_; 2.ª a versão impressa dêste

Inda assim si

a gente indicar um senza rigore pro provimento

PINIÃO

(verslo impressa ed. C. Wehrs e Cia, Rio).

Ih ;J Iww1w In Jj13íU jJ I jILluW7

P!Jll. io, plnl.lo,pllll .io,01, plntocor.re11 commedodoga.Tti,o· Parlno

�,,�

11

fl trtttr1t zr �=Jf1

r

l'E

_ BbLte11aa& e To. ou I foi C10.111ermelõ.o!

Piniüo: pinião, ·phüü.o, Oi pinto correu com medo rlo gavião Por isso mesmo sabiá cantou :m bateu asa r '\'oou E foi eomer melão!

=•mo nbl. í: e1,11\GJ1

PINIÂO

(slnteae poastveJ da verslo pepular).

f 1 1 1 iil iwu.riJl r IP) .JJJíJ,ru ice r·ru7

Plat.&11, p!Jll.io, plnl. io, Oi, pinto correu Mm medodop.,.llo

Porh•o

•umo

.á eut111

I'!'' !t.il trd4U W1r •!I

2

;,,�

lla.1t11

noa

Foi eo,. mhl1111e.lio!

· Pinião,

pinião,

pi.nião:

Oi, pinto eorre11 1 •nm uiedri {lo gavião

Por isso meamo s:ihift c.rmt,111 Bateu aea voou Foi comê ( r) mcJão !

ENSAIO SÔBRE A MÚSICA BRASILEIRA

23

PINIÂO (analise prosodrca da versão popular).

J:se.

.#ÊiJ�ffiJ h; l"JJA 'W

�--

.,

Pi.til . i.o,p1.111.i.o.p1.111.

i.o.

01

pl.atour.reueom medodog

io

Porino

i.o. 01 pl.atour.reueom medodog io Porino niesm0u.b1.&- eui.td_ Ba. tn �oõ_ Foi cu . mi

niesm0u.b1.&- eui.td_

Ba. tn

�oõ_ Foi cu . mi 1;1eli,0? -

_ f'01 cu.m� m�!io!_

Aliás a terceira grafia que indiquei como prosodica pode ser atacada por isso. De fato. qualquer cantiga está sugeita a um tal ou qual ad libitum rítmico devido ás proprias condiçõeg da dicção. Porém essas fatalidades da dicção rela­ tivamente á música europea são de deveras .fatali­ dades, não têm valor especifico prá invenção ucm efeito da peça. Tambem muito documento brn­ sileiro é assim, principalmente os do cent.ro mineiro-paulista e os da zona tapuia. Não falo dos sulriograndenses porquê inda não cseutei n<:'­ nhum cantador gaúcho, não sei. JUas o mesmo não se dá com as danças cariocas e grande número de peças nordestinas. Porq11i'• nc�tns zmia6 os

cantadores se aproveitando dos ,·,dores prosodieos da fala brasileira tiram dela elf'HH•ntos específicos essenciais e imprescindíveis de 1·i tmo mnsical. E

de

ExP­

tnms­

Sinhô são no geral banalidades rne!ÕcTicas.

rjitados, são peças soberbas, �l _ 1 _ 11 l _ f!.<!i _ a

melodia t ambem. Q§_J11a:::iig_� _ i111pressns ,Jt,

e

E quanto ú peça nor­

dest i na

rítmica tão subtil que se torna q11asi irnpossivel grafar toda a realidade dela. J:>rilwipalmente porquê não é apenas proso,li,·a. Os nordestino� se utilisam uo cauto dum lnisser 11llrr contín110,

ela se ap-;_�ema nrniias feitas com uma

figurando ao ritmo-novo.

24 MÁRIO

DE

ANDRADE

de fetitos surpreendentes e muitissimas vezes de natureza exclusivamente musical. Nada tem de prosodico. É pura fantasia duma largueza ás ve­ zes malinconica, ás vezes cornica, ás vezes ardente, sem aquela tristurinha paciente que aparece na zona caipira.

Porêm afirmando a grandeza do Nordeste musical não desconheço o valor das outras zonas. .Alguns dos cantos tapuios, os fandangos paulistas de beiramar, os cantos gaúchos isentos de qualquer hispanoamericanisnio, expostos na segunda parte dêste livro mostram os acasos de ensinamento e honiteza que deve reservar uma exploração deta­ lhada do populario.

Pelo menos duas lições macotas a segunda [ parte dêste livro dá prá gente : o caracter nacional generalisado e a destruição do preconceito da síncopa.

Por mais distintos que sejam os documentos regionais, êles manifestam aquele imperativo

etnico pelo qual são facilmente reconhecidos por

! l

' 1

possuírem

pois a originalidade. que os diferença dos estra- nhos, possuem a totalidade racial e são todos pà­

nós.

Isso me

comove bem.

Alem de

tricios.

A

músfo.a_popula-r-brasi:l:ei;J,�s

_qQmpleta,.Jnais

toialmente

nacional, mais forte

criação da nossa raça até agm::a.

,,- --

-----�-"---

Pois é com a observação inteligente do popu­ lario e aproveitamento dele que a música artística se desenvolverá. Mas o artista que se mete num trabalho dêsses carece alargar as ideas esteticas sinão a obra dele será ineficaz ou até prejudicial. Nada pior que um preconreito. Nada melhor que

ENSAIO SÔBRE A MÚSICA BRASILEIRA

25

um

: ,reconceito. Cabe lembrar mais uma vez aqui do quê é feita

a música brasileira. Embora chegada no povo a

uma expressão original e etnica, ela provêm de

fontes estranhas: a arnerindia em porcentagem pe­

or;

Alem disso

a influencia espanhola, sobretudo a hispanoameri­ cana do Atlantico (Cuba e Montevideo, habanera e tango) foi muito importante. A influência europea tambem, não só e principalmente pelas

danças (valsa polca mazurca shottsh) como na formação da modinha. (Il De primeiro a modinha

de salão foi apenas uma aco:rp.odação mais aguada da melodia da segunda metade do. sec. XVIII europeu. Isso continuou até bem tarde como de­ mostram certas peças populares de Carlos Gomes

e principalmente Francisca Gonzaga.

Alem dessas influências já digeridas temos que contar as atuais. Principalmente as america­ nas do jazz e ao· tango argentino. Os processos do jazz estão se infiltrando no maxixe. Em re­ corte infelizmente não sei de que jornal guardo

um samba macumbeiro, Aruê de Changô de João

da Gente que é documento curioso por isso. · E

tanto mais curioso que os processos polifonicos e rítmicos de jazz que estão nele não prejudicam

em nada o carater d

mo. De certo os antepassados coincidem

É um maxixe legíti­

a portuguesa em porcentagem vasta.

quena; ;i. africana em porcentagem bem ma

do

preconceito.

Tudo

depende

da

eficaeia

(ll

Album de música nns Reise i1n Brasilitm, Spix e Martius;

a peça

registrada por Langsdorff na Viagem ao redor do mundo; as peças aôbr e

Marllia de Dirceu no Cancioneiro Português de Cesar das Neves e Gualdi­

_

no de Campos (vols. 19, 21, 29, 32, 43, 44, 47 e 50;

Cia. Porto); modinhas do padre Maurício e outros no Cancioneiro Fl11- 11i.h1,ense de Mello Morais, etc.

ed. Cesar Campos e

\

(

·

26 MÁRIO

DE

ANDRADE

ENSAIO

SÔBRE A

MÚSICA BRASILEIRA

27

Bem mais_ deploravel é a

expansão

da melodia

cho­

E

nisto

que

eu

queria chegar:

o

artista não

rona

do

tango.

E

infelizmente

não é

em tan­

deve

gos argentinos

de brasileiros que

ela

se mani­

Tem

certos compositores

festa.

uma influência evidente

que prêtendem

Brasileira!

Estão

facilidade

melodica

gemendo

o

do tango em estar criando

apro­

por

panemas.

deve selecionar a

a

veitam

Canção

da

nada.

pra

Se

andarem

tangaicamente

Está

claro

sexualidades

que

artista

documentação que

-vai-ll1!J.

servir

de

estua:o ou de

báse.

Mas

por

outro

lado

nao

Ueve

cair

num

exclusivismo reacionario que

A

é pelo

reação

contra

o

que

é estrangeiro

menos inutil.

ser feita

deve

ser

nem exclusivista nem

unilateral.

Si a gente aceita como um brasileiro só o exces­

num exotismo que

é exotico

faz a

riqueza

principais

um caracter nacio­

das

sivo ca,8cteristico cai

até

pra nós.

O que

escolas europeas

é

justamente

nal incontestavel mas

na maioria

dos

casos

inde­

finível

porêm.

'l;odo

o caracteL-ex.Qflssivo

. or

ser excessivo

é objetivo e

exterior

em

vez de

psicologico, e perigoso.

a iga

e

se torna faci]:

mente

e

A

obra

É uma

do proprio Albeniz

banal.

polifonica

pobreza.

que

Vittoria

É

o caso