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PROMOTORIA DE DEFESA DA SAÚDE DO TRABALHADOR

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA VARA DE


ACIDENTES DE TRABALHO DO FORO CENTRAL DA COMARCA DA REGIÃO
METROPOLITANA DE CURITIBA – ESTADO DO PARANÁ.

ANTÔNIO BEBICE, brasileiro, casado, atendente


comercial, portador da Carteira de Identidade RG n.º 3.247.834-4/PR, inscrito no
CPF/MF sob n.º 392.731.809-49 (doc. 01) e Carteira de Trabalho e Previdência
Social sob n.º 29.847 série 487/PR (docs. 02/14), residente e domiciliado na Rua
São Jorge, nº 460, CEP: 83.070-180, São José dos Pinhais, Estado do Paraná,
vem respeitosamente, por si e assistido pelo MINISTÉRIO PÚBLICO DO
ESTADO DO PARANÁ, por meio da Promotoria de Defesa da Saúde do
Trabalhador, por sua representante que esta subscreve, nos termos do artigo 86,
da Lei nº 8.213/91 e demais dispositivos legais aplicados, propor a presente

AÇÃO ACIDENTÁRIA

sob forma de procedimento sumário em face do


INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL – INSS, estabelecido à Rua João
Negrão n.º 12, térreo, bairro Centro, nesta cidade de Curitiba, Paraná, investidos
nos motivos de fato e de direito a seguir aduzidos:

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1. DA ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA

Na ação acidentária, não atua o Ministério Público


como substituto processual, como ocorre na ação indenizatória, e sim assiste
juridicamente o trabalhador que não possui recursos financeiros suficientes para
contratar um advogado, em consonância com o disposto na Lei n.º 6367/76.

2. DOS FATOS

O Sr. Antônio Bebice foi admitido pela Empresa


Brasileira de Correios e Telégrafos – ECT, em data de 10 de abril de 2000, para
exercer a função de Carteiro I, consoante anotações em sua Carteira de Trabalho
e Previdência Social (docs. 02/14). Suas atividades consistiam na entrega de
correspondências, sendo que se locomovia com uma motocicleta, tendo em vista
que realizava a entrega em regiões mais afastadas, inclusive na área rural.

Em decorrência das atividades desenvolvidas pelo


trabalhador na empresa empregadora, o mesmo começou a sentir dores nos
membros superiores.

Em razão das lesões desenvolvidas pelo trabalhador, a


empresa empregadora emitiu a CAT – Comunicação de Acidente de Trabalho,
restando estabelecido o nexo de causalidade (doc. 15).

Desse modo, em 22 de fevereiro de 2006, o


requerente foi afastado de suas atividades e passou a perceber benefício auxílio-
doença por acidente de trabalho sob nº 516.117.929-1, a partir de 09 de março de
2006, o qual foi cessado em data de 20 de julho de 2009 (doc. 35).

Nesse período, o trabalhador passou por processo de


Reabilitação Profissional junto ao INSS, sendo reabilitado para exercer a função

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de “Agente de Correios – Atividade Comercial”, consoante se infere do Certificado


de Reabilitação Profissional, em anexo (doc. 29).

Ademais, consoante teor do Ofício para Solicitação de


Readaptação Profissional encaminhado pela própria autarquia previdenciária à
empresa empregadora, o trabalhador foi avaliado pela equipe de reabilitação
profissional, a qual constatou que ele não possui condições de retornar a sua
atividade de origem, qual seja, carteiro motorizado, devendo ser recolocado em
atividades que “PERMITAM ALTERNÂNCIA DE POSIÇÕES E POSSAM SER
DESENVOLVIDAS EM AMBIENTES INTERNOS.”, ante a comprovada
incapacidade laborativa parcial (doc. 28).

Desta feita, a empresa empregadora readaptou o


trabalhador na função de Atendente Comercial, desde o mês de agosto de 2009,
de acordo com suas restrições laborativas.

Contudo, mesmo reconhecendo a existência de lesão


consolidada, em decorrência da atividade desempenhada pelo autor, a qual reduz
sua capacidade laborativa, a autarquia federal deixou de conceder o benefício
devido, qual seja, auxílio-acidente, nos termos do art. 86 da Lei 8.213/1991.

Destarte, o trabalhador protocolizou pedido


administrativo junto ao INSS, em data de 14/12/2010, requerendo a concessão do
benefício auxílio-acidente (doc. 30). Contudo, a autarquia federal negou referido
pleito de concessão do benefício auxílio-acidente, aduzindo que o segurado não
se enquadra na legislação pertinente (docs. 31/34).

Neste sentido, é evidente o direito do trabalhador em


perceber o benefício auxílio-acidente, tendo em vista a comprovada redução da
capacidade laborativa, reconhecida pela própria autarquia federal que o reabilitou.
Assim, o Sr. Antônio Bebice faz jus a concessão do benefício auxílio-acidente
(B94), consoante será demonstrado a seguir.

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3. DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS DO PEDIDO

3.1 - DA QUALIDADE DE SEGURADO

Dispõe a Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, a


definição de acidente de trabalho e quem são os segurados obrigatórios da
Previdência Social:

“Art. 19 - Acidente do trabalho é o que ocorre pelo exercício do


trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho dos
segurados referidos no inciso VII do artigo 11 desta Lei,
provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a
morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária, da
capacidade para o trabalho”.

“Art. 11 - São segurados obrigatórios da Previdência Social as


seguintes pessoas físicas:
I - como empregado:
a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à
empresa, em caráter não eventual sob sua subordinação e
mediante remuneração, inclusive como diretor empregado;
b) aquele que, contratado por empresa de trabalho temporário,
definida em legislação específica, presta serviço para atender a
necessidade transitória de substituição de pessoal regular e
permanente ou a acréscimo extraordinário de serviços de outras
empresas;
(...)”.

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Pelo entendimento destes pressupostos legais, resta


claro quem se encaixa na gama de segurados e, consequentemente, o que lhes
cabe por direito, desde a data da ocorrência do acidente.

Pelos ensinamentos do ilibado Dr. Rosni Ferreira,


pode-se verificar o fato nítido do dever da Previdência Social em prestar auxílio
àqueles que dela necessitam em virtude das prestações sempre exercidas em
prol da sociedade:

"Ao exigir o exercício de uma atividade remunerada, a lei consagra


um dos fundamentos da previdência social: amparar aquele que
tem rendimento, porque são a esses rendimentos que a prestação
previdenciária por ocasião do infortúnio, visa substituir". 1

Esclarecedores são os ensinamentos do mestre Jayme


Aparecido Tortorello que:

"Ao sofrer lesão em virtude de acidente de trabalho, ou se


vitimado de doença adquirida no serviço, o obreiro é submetido a
tratamento de saúde. Se a lesão for considerada leve, o que fica a
arbítrio dos médicos, o acidentado pode continuar o tratamento
sem se afastar da atividade laboral. Se o afastamento for
temporário, o segurado terá direito a receber auxílio doença
acidentário, a partir do 16º dia do acidente. Em caso de lesão
grave, o trabalhador ficará afastado durante o tempo que for
necessário. Depois de consolidada a lesão, pode ocorrer de o
acidentado ficar incapacitado para exercer sua atividade
profissional. Pode ele, todavia, ter condições para desempenhar
outra função. Nesse caso, o acidentado, terá direito a receber
benefício vitalício. É o chamado auxílio acidente.”

1
FERREIRA, Rosni. O Estudo da Legislação Social Direito Trabalho/ Previdenciário.
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“Se a lesão consolidada se agravar, e em conseqüência disso o


segurado não tiver condições de exercer outra atividade, e muito
menos a mesma com maior esforço, passará a receber a
aposentadoria por invalidez acidentária. Em princípio o auxílio-
acidente, após enquadrado em uma das três situações, e
consolidada a lesão, tem vigência vitalícia.
O auxílio-acidente será devido a partir do dia seguinte ao da
cessação do auxílio-doença, independentemente de qualquer
remuneração ou rendimento auferido pelo acidentado, sendo que
o recebimento de salário ou a concessão de outro benefício não
prejudicará a continuidade do recebimento de auxílio-acidente.” 2

Conforme verifica-se em documentos médicos, o trabalhador


sofreu redução de sua capacidade laborativa, vez que está incapaz de exercer a
mesma atividade que outrora exercia e outras do mesmo grau de complexidade,
logo, faz jus ao benefício auxílio acidente, conforme adiante se demonstrará.

3.2 – DO DIREITO AO BENEFÍCIO AUXÍLIO-


ACIDENTE

O autor desenvolveu, em decorrência de suas


atividades laborativas, lesões em seus membros superiores, principalmente no
cotovelo e ombro direitos.

Cabe destacar que o nexo de causalidade foi


devidamente reconhecido pela empresa empregadora, com a emissão da
Comunicação do Acidente de Trabalho – CAT, bem como pela autarquia federal,
com a concessão de benefício acidentário ao autor e posterior reabilitação
profissional.

2
Tortorello, Jaime Aparecido. Acidentes do Trabalho - Teoria e Prática. São Paulo: ed. Saraiva, 1994. pág. 53)
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O Sr. Antônio sofreu redução de sua capacidade


laborativa, encontrando-se incapacitado para exercer atividades que exijam a
integridade dos membros superiores, em especial do braço direito, conforme
descrito em atestado médico elaborado pela Dra. Chris Paramustchack Cruz, nos
dias 17/11/2010 e 21/03/2012, vejamos (docs. 19/20):

“(...) ATESTO PARA DEVIDOS FINS QUE O SR. ANTONIO BEBICE


APRESENTA SÍNDROME DO IMPACTO COM TENDINOPATIA
CRÔNICA DO TENDÃO SUPRA-ESPINHOSO E INFRA-ESPINHOSO
COM PERITENDINITE OMBRO D + EPICONDILITE LATERAL
CRÔNICA COTOVELO D, PARA OS QUAIS APRESENTA CAT
ABERTO PELA EMPRESA EM 22/02/2006, PELO DR. FRANCISCO
VAIRO, MÉDICO DO TRABALHO DA EMPRESA, NA ÉPOCA,
CONSTATANDO COMO ACIDENTE DE TRABALHO.
FOI REABILITADO PELO INSS, COM TROCA DE FUNÇÃO
LABORAL. APRESENTA ASSOCIADO ALTERAÇÕES
DEGENERATIVAS SEVERAS DE COLUNA CERVICAL + COSTELA
CERVICAL EM C7. APRESENTA INCAPACIDADE DEFINITIVA
TOTAL PARA EXERCER SUA ANTIGA ATIVIDADE LABORAL DE
CARTEIRO MOTORIZADO. CID: M75.4 + M77.1”. – grifos

Ademais, em exame médico realizado pelo autor em


seu ombro direito, restou constatada a lesão. Vejamos (doc. 27)

“(...)
Conclusão:
Sinais compatíveis com tendinopatia/ruptura parcial das fibras do
tendão supra-espinhoso.
(...)”

Deste modo, consoante documentos acima transcritos,


denota-se a lesão definitiva, a qual limita o autor para desempenhar as atividades

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que habitualmente exercia. Tal incapacidade também foi reconhecida pela


autarquia previdenciária ao passar o autor pelo processo de reabilitação (doc. 29).
Vejamos o teor do Ofício para Solicitação de Reabilitação Profissional, emanado
do INSS (doc. 28):

“(...) foi avaliado(a) pela Equipe de Reabilitação Profissional,


sendo contra-indicado atividade de origem. Capacidade
Laborativa: para as atividades que PERMITAM ALTERNÂNCIA DE
POSIÇÕES E POSSAM SER DESENVOLVIDAS EM AMBIENTES
INTERNOS.
Considerando que, apensar da referida limitação, apresenta
potencial laborativo para retornar ao trabalho.
Solicitamos a V. S.ª providenciar uma nova função/atividade
compatível com o quadro atual (...)”

Da mesma forma, a incapacidade foi reconhecida pela


empresa empregadora, a qual procedeu a readaptação profissional do Sr.
Antônio, colocando-o para exercer a função de Agente de Correios – Atividade
Comercial, consoante se denota da anotação contida na Carteira de Trabalho e
Previdência Social (doc. 13).

Observa-se, ainda, que o médico do trabalho da


empresa empregadora, Dr. Afonso Celso Alves de Melo, em declaração emitida,
em data de 27 de setembro de 2010, afirmou que o autor possui “restrições
laborativas”, vejamos (doc. 22):

“(...) Em resposta a sua solicitação, através de carta de 15 de


setembro de 2010, sem numeração, informamos que o referido
empregado sofreu Acidente de Trabalho em 22 de fevereiro de
2006, quando foi emitida CAT, da qual segue cópia em anexo.

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O empregado passou por processo de Reabilitação Profissional,


em agosto de 2009, passando a exercer a função de Atendente
Comercial, sendo respeitadas suas restrições laborativas.
Informamos ainda que o mesmo passou por avaliação médica,
exames periodicos, em 23 de setembro de 2010, sendo
considerado apto para o trabalho.” – grifos

Sendo assim, é incontestável que tal sequela é


definitiva e resultante das atividades desenvolvidas pelo trabalhador na empresa
Correios, uma vez que não só gerou incapacidade para o requerente exercer
suas atividades laborativas iniciais, como também reduziu o espectro de
possíveis profissões que possam vir a serem exercidas pelo trabalhador, vez que
não pode exercer atividades que exijam maior esforço físico.

Portanto, resta evidenciado o direito do segurado ao


percebimento do auxílio-acidente, uma vez que, em consequência do acidente de
trabalho noticiado, o requerente sofreu redução da capacidade laborativa e, não
pode mais exercer as funções laborais que antes exercia.

Neste sentido são os ensinamentos da professora


Cláudia Salles Vianna:

“Note-se, portanto, serem requisitos à obtenção desse benefício a


condição de segurado; a percepção anterior de um benefício de
auxílio-doença; a ocorrência de acidente de qualquer natureza,
caracterizando o auxílio-doença como acidentário; e a alta médica
(retorno ao trabalho) com a existência de sequelas que reduzam a
capacidade laborativa.”3

Desta forma, denota-se pela ampla documentação


acostada à exordial que o autor preenche os requisitos legais exigidos para a

3
VIANNA, Cláudia Salles Vilela. Direito previdenciário. IESDE, Curitiba, 2012. p. 108.
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concessão do benefício auxílio-acidente, nos termos do artigo 86, da Lei nº


8.213/91, in verbis:

“Art. 86. O auxílio-acidente será concedido, como indenização, ao


segurado quando, após consolidação das lesões decorrentes de
acidente de qualquer natureza, resultarem sequelas que
impliquem redução da capacidade para o trabalho que
habitualmente exercia.
§ 1º O auxílio-acidente mensal corresponderá a cinquenta por
cento do salário-de-benefício e será devido, observado o disposto
no § 5º, até a véspera do início de qualquer aposentadoria ou até a
data do óbito do segurado.
§ 2º O auxílio-acidente será devido a partir do dia seguinte ao da
cessação do auxílio-doença, independentemente de qualquer
remuneração ou rendimento auferido pelo acidentado, vedada sua
acumulação com qualquer aposentadoria.
(...)”

Nesse sentido, é vasto o entendimento


jurisprudencial:

APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO PREVIDENCIÁRIA - TRABALHADOR


RURAL - CONCESSÃO AUXÍLIO- ACIDENTE - REQUISITOS
LEGAIS PREENCHIDOS - CARÁTER PROTETIVO DAS DEMANDAS
PREVIDENCIÁRIAS - CONJUNTO PROBATÓRIO QUE
DEMONSTRA A REDUÇÃO DA CAPACIDADE LABORAL -
APLICAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DO LIVRE CONHECIMENTO DO
JUIZ E DO IN DUBIO PRO MISERO - TERMO INICIAL - DATA DO
REQUERIMENTO ADMINISTRATIVO - ATUALIZAÇÃO DOS
VALORES E JUROS DE MORA NA FORMA DO ARTIGO 1º-F DA LEI
9.494/97 - ÔNUS SUCUMBENCIAIS - INVERSÃO - RECURSO

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CONHECIDO E PROVIDO. (TJPR - 6ª C.Cível - AC 947182-5 -


Francisco Beltrão - Rel.: Prestes Mattar - Unânime - J. 05.03.2013) –
grifos

REEXAME NECESSÁRIO. PREVIDENCIÁRIO. AUXÍLIO- ACIDENTE.


INCAPACIDADE PARCIAL E PERMANENTE PARA O
DESEMPENHO DE ATIVIDADE LABORAL.PREENCHIMENTO DOS
REQUISITOS NECESSÁRIOS À SUA CONCESSÃO. ART. 86, DA LEI
N. 8.213/91.TERMO INICIAL PARA A CONCESSÃO DO BENEFÍCIO
CORRETAMENTE FIXADO. SENTENÇA MANTIDA EM SEDE DE
REEXAME NECESSÁRIO, ACRESCENTANDO- SE APENAS, EM
FACE DA OMISSÃO DA SENTENÇA, A APLICABILIDADE DO ART. 1º-
F DA LEI Nº 9.494/97, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº
11.960/09. (TJPR - 6ª C.Cível - RN 986066-4 - Maringá - Rel.: Sérgio
Arenhart - Unânime - J. 26.02.2013) – grifos

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO PREVIDENCIÁRIA. REEXAME


NECESSÁRIO. AUXÍLIO-ACIDENTE. PROVA PERICIAL
CONCLUSIVA. REDUÇÃO DA CAPACIDADE LABORATIVA.
ATENDIMENTO AOS REQUISITOS LEGAIS. ARTIGO 86, DA LEI
8.213/91. APLICAÇÃO DO ART. 1º-F DA LEI 9.494/97, COM A
REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.960/2009. DISPOSITIVO APLICÁVEL
A TODAS AS AÇÕES EM CURSO.POSICIONAMENTO RECENTE DO
STJ, ADOTADO NO RESP Nº 1.205.946, JULGADO COM BASE NA
LEI DOS RECURSOS REPETITIVOS. HONORÁRIOS
ADVOCATÍCIOS CORRETAMENTE ARBITRADOS.RECURSO NÃO
PROVIDO. SENTENÇA ALTERADA EM SEDE DE REEXAME
NECESSÁRIO. (TJPR - 6ª C.Cível - ACR 951959-5 - Maringá - Rel.:
Sérgio Arenhart - Unânime - J. 26.02.2013) – grifos

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EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - ERRO MATERIAL - OCORRÊNCIA


- PRAZO RECURSAL - ATIVIDADE JURISDICIONAL ININTERRUPTA
- ART. 93, INCISO XII, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL -
ACOLHIMENTO DA SUSPENSÃO DURANTE O RECESSO
FORENSE DESTACADO O PONTO DE VISTA PESSOAL DESTE
RELATOR - ACOLHIMENTO DOS EMBARGOS DECLARATÓRIOS E
APRECIAÇÃO DA APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO PREVIDENCIÁRIA -
REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA CONCESSÃO DO BENEFICIO
DE AUXÍLIO ACIDENTE - COMPROVAÇÃO DO NEXO DE
CAUSALIDADE ENTRE MOLÉSTIA E TRABALHO EVIDENCIADO -
REDUÇÃO DE INCAPACIDADE LABORATIVA COMPROVADA -
JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA - ART. 1.º F DA LEI N. 9.494/97
COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N.11.960/09 - APLICABILIDADE -
NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL - INCIDÊNCIA A PARTIR DA
VIGÊNCIA SEM GERAR EFEITOS RETROATIVOS - RECURSO DE
APELAÇÃO PROVIDO - SENTENÇA REFORMADA EM SEDE DE
REEXAME NECESSÁRIO COM INVERSÃO DOS ÔNUS
SUCUMBENCIAIS. (TJPR - 7ª C.Cível - EDC 905680-6/01 - Cambé -
Rel.: Antenor Demeterco Junior - Unânime - J. 19.02.2013) – grifos

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO ACIDENTÁRIA. PEDIDO INICIAL


JULGADO PROCEDENTE. INSURGÊNCIA. AUSENTES OS
REQUISITOS PARA A CONCESSÃO DO BENEFÍCIO DE
APOSENTADORIA POR INVALIDEZ (ART. 42, DA LEI 8213/91).
INCAPACIDADE PARCIAL E PERMANENTE PARA O TRABALHO.
DEVIDA A CONCESSÃO DO AUXÍLIO-ACIDENTE (ART. 86, DA LEI
8213/91). TERMO INICIAL. DIA POSTERIOR À CESSAÇÃO DO
AUXÍLIO-DOENÇA ACIDENTÁRIO. LEI 9494/97. APLICABILIDADE .
VERBA HONORÁRIA. REDUÇÃO (ART. 20, §4º, DO CPC). RECURSO
CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO. SENTENÇA

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REFORMADA EM SEDE DE REEXAME NECESSÁRIO, CONHECIDO


DE OFÍCIO. (TJPR - 6ª C.Cível - AC 892779-1 - Foro Central da
Comarca da Região Metropolitana de Curitiba - Rel.: Ana Lúcia
Lourenço - Unânime - J. 21.08.2012) – grifos

APELAÇÃO CÍVEL E REEXAME NECESSÁRIO AÇÃO


ACIDENTÁRIA DIREITO AO AUXÍLIO-ACIDENTE NEXO DE
CAUSALIDADE ENTRE AS ENFERMIDADES E A REDUÇÃO DA
CAPACIDADE LABORAL INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 86, DA LEI
Nº 8.213/91 PEDIDO DE VITALICIEDADE DO AUXÍLIO-ACIDENTE
FATO GERADOR DO BENEFÍCIO ANTERIOR À LEI Nº 9.528/97
POSSIBILIDADE - DIREITO ADQUIRIDO PRECEDENTES DO
SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. 1. Restando comprovado o
nexo de causalidade entre a enfermidade e a redução da
capacidade laboral, assiste direito ao autor ao benefício de
auxílio- acidente, nos termos do artigo 86, da Lei nº 8.213/91. 2. "1.
O auxílio acidente é vitalício quando o evento ocupacional danoso
ocorrer antes da vigência da Lei 9.528/97, que alterou os artigos 18, §
2º, e 86, § 2º, da Lei 8.213/91. In casu, possível a cumulação do
benefício de auxílio acidente pretendido com a aposentadoria
previdenciária em manutenção, pois a patologia laboral progressiva foi
adquirida antes da entrada em vigor da norma legal proibitiva, a Lei
9.528/97." (STJ 6ª Turma - AgRg no REsp 679772/SP Rel. Min. Hélio
Qualia Barbosa j. em 14/02/2006). 3. Apelação 1, interposta pelo
autor, provida. Apelação 2, interposta pelo réu, desprovida. Sentença
mantida, nos demais termos, em sede de reexame necessário. (TJPR -
7ª C.Cível - ACR 876635-4 - Guarapuava - Rel.: Guilherme Luiz
Gomes - Unânime - J. 21.08.2012) – grifos

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AGRAVO RETIDO AUSÊNCIA DE PEDIDO EXPRESSO NÃO


CONHECIMENTO INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 523, § 1º, DO
CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL 2. APELAÇÃO CÍVEL E REEXAME
NECESSÁRIO AÇÃO PREVIDENCIÁRIA AUXÍLIO-ACIDENTE
REDUÇÃO DA CAPACIDADE LABORAL PRESENÇA DOS
REQUISITOS PARA A CONCESSÃO DO BENEFÍCIO
INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 86 DA LEI 8.213/91 HONORÁRIOS
ADVOCATÍCIOS FIXAÇÃO CRITÉRIOS INTELIGÊNCIA DO ARTIGO
20, § 4º E ALÍNEAS DO § 3º DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL
ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS DE MORA APLICABILIDADE
DO ARTIGO 1º-F, DA LEI 9494/97, RESSALVADO ANTENDIMENTO
ANTERIOR DA CÂMARA PRECEDENTES DO EGRÉGIO SUPERIOR
TRIBUNAL DE JUSTIÇA. 1. Demonstradas a redução da
capacidade laboral e o nexo de causalidade, é imperativo a
concessão do auxílio-acidente, conforme disposto no art. 86, da
Lei n.º 8.213/91 2. "As normas que dispõem sobre os juros moratórios
possuem natureza eminentemente processual, aplicando-se aos
processos em andamento, à luz do princípio tempus regit actum.
Precedentes. 3. O art. 1º-F, da Lei 9.494/97, modificada pela Medida
Provisória 2.180-35/2001 e, posteriormente pelo artigo 5º da Lei nº
11.960/09, tem natureza instrumental, devendo ser aplicado aos
processos em tramitação. Precedentes." (STJ, EREsp nº 1.207.197,
Rel. Min. Castro Meira, DJe 25/02/2011). 3. Os honorários advocatícios
foram arbitrados de forma razoável e com observância aos critérios
previstos no artigo 20, § 3º e 4º, do Código de Processo Civil. 4.
Apelação desprovida. Sentença alterada, em parte, em reexame
necessário. (TJPR - 7ª C.Cível - AC 902487-3 - Foro Central da
Comarca da Região Metropolitana de Curitiba - Rel.: Guilherme Luiz
Gomes - Unânime - J. 21.08.2012). – grifos

Assim, de acordo com o disposto na legislação


acidentária, o auxílio-acidente será concedido ao segurado que, após a

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PROMOTORIA DE DEFESA DA SAÚDE DO TRABALHADOR

consolidação das lesões decorrentes de qualquer natureza, apresentar sequelas


que impliquem redução da capacidade para o trabalho habitual.

É incontroverso, no caso vertente, a doença laboral


desenvolvida pelo autor no exercício de suas atividades laborativas, resultando na
redução dos movimentos dos membros superiores, concluindo-se que restam
configurados na espécie os pressupostos geradores do direito à percepção de
auxílio-acidente.

Ainda, conforme disposto no §2º do artigo 86 da Lei nº


8.213/91, acima citado, o requerente tem direito ao percebimento do auxílio-
acidente a partir do dia seguinte ao da cessação do auxílio-doença por acidente
de trabalho. Vale ressaltar que o benefício auxílio-doença por acidente de trabalho
percebido pelo requerente cessou em 20 de julho de 2009 (doc. 35).

Segundo os ensinamentos de Gustavo Filipe Barbosa


Garcia:

"O auxílio-acidente é concedido, como indenização, ao segurado


quando, após consolidação das lesões decorrentes de acidente de
qualquer natureza, resultarem sequelas que impliquem redução da
capacidade para o trabalho que habitualmente exercia (artigo 86
da lei 8.213/1991, com redação determinada pela Lei 9.528/1997).
Trata-se, portanto, de benefício previdenciário devido em caso de
sequelas, acarretando a redução da capacidade laboral.
O auxílio-acidente mensal corresponde a 50% do salário-de-
benefício, sendo devido até a véspera do início de qualquer
aposentadoria ou até a data do óbito do segurado.
O auxílio-acidente é devido a partir do dia seguinte ao da cessação
do auxílio-doença, independentemente de qualquer remuneração
ou rendimento auferido pelo acidentado (...)

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PROMOTORIA DE DEFESA DA SAÚDE DO TRABALHADOR

O recebimento de salário ou concessão de outro benefício, exceto


de aposentadoria, não prejudicará a continuidade do recebimento
do auxílio-acidente.”.4 – grifo

Portanto, resta amplamente demonstrado o direito do


autor em perceber o benefício auxílio-acidente, no percentual 50% (cinquenta por
cento) do salário-de-benefício, a partir do dia seguinte ao da cessação do auxílio-
doença por acidente de trabalho, qual seja, 20/07/2009, vez que preenchidos
todos os requisitos legais.

4. DO PEDIDO:

Pelo exposto, requer-se:

I - Benefício da justiça gratuita, nos termos da Lei n.º


1060/50, por ser o autor pobre na acepção jurídica, conforme termo de declaração
(doc. 36);

II – O processamento e julgamento do presente feito


nesse Foro Central da Comarca da Região Metropolitana de Curitiba, ante a
opção formalizada pelo autor;

III - Intimação pessoal do Ministério Público, nos termos


do artigo 236, § 2º do Código de Processo Civil;

IV - Face do exposto e, cabendo-lhe ressarcimento


pela incapacidade resultante do acidente de trabalho, a ser apurada através de
perícia médica, requer-se a citação do INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO
SOCIAL – INSS, por meio de seu representante legal, para, querendo, oferecer
resposta, sob pena de revelia, e para acompanhar a ação até final decisão,
4
GARCIA, Gustavo Filipe Barbosa. Acidentes do Trabalho. Doenças ocupacionais e nexo
técnico epidemiológico. 3ª ed. Ver e atual, Método, São Paulo, 2010. p. 59
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acolhendo-se o pedido, julgando-se procedente a lide, condenando-se o réu à


implementação e pagamento do benefício auxílio-acidente, desde o dia seguinte
ao da cessação do auxílio-doença por acidente de trabalho, qual seja, 21 de julho
de 2009, ao pagamento dos benefícios e verbas acidentárias cabíveis, com
acréscimo de juros de mora, calculados até citação e, após, de mês a mês, de
forma decrescente, atualizando-se os atrasados;

V - Requer também a realização de prova pericial (art.


276 do CPC) por perito-médico especializado da confiança desse juízo,
apresentando, desde já os quesitos em anexo para serem respondidos pelo
"expert";

VI - Pagamento de honorários decorrentes da


sucumbência a serem arbitrados por Vossa Excelência, os quais devem ser
depositados em prol do Fundo Especial do Ministério Público do Paraná, verba
esta prevista no artigo 118, inciso II da Constituição Estadual, regulamentada pela
Lei n.º 12.241/98 e pelo Ato n.º 156/99, da Douta Procuradoria-Geral de Justiça;

VII - O alegado será provado por todos os meios de


prova em direito admitidas, sem exceção, especialmente a juntada de
documentos e testemunha, cujo rol segue anexo.

Dá-se à causa, o valor inicial de R$ 20.000,00 (vinte mil


reais).

Nestes termos,
Pede deferimento.

Curitiba, 10 de abril de 2013.

Swami Mougenot Bonfim

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Promotora de Justiça

DE ACORDO:

Antônio Bebice
Requerente

QUESITOS:

1) Houve ofensa à integridade corporal ou à saúde física do examinado?


Especifique.
2) O trabalhador sofre de lesão ou perturbação funcionais?
3) A lesão apresentada pelo trabalhador ocorreu no ambiente de trabalho?
4) Resultou incapacidade permanente para o trabalho (parcial ou total),
enfermidade incurável, ou perda ou inutilização do membro, sentido ou função?
Em que percentual?
5) Pode o Sr. Perito descrever quais as condições atuais da lesão sofrida pelo
autor e se há necessidade de tratamento médico, cirúrgico ou especializado?
6) As consequências da lesão dificultam o exercício da profissão à época
executada, nos termos em que vinha exercendo antes de ocorrer a perturbação
funcional? Para exercer a mesma atividade demandará de maior esforço ou de
esforço adicional?
7) As lesões ocorridas no beneficiário impõem redução do espectro profissional
possível de ser desenvolvido pelo requerente?
8) Devido às lesões resultantes, terá o beneficiário plena capacidade física para
exercer qualquer profissão?
9) Preste o Sr. Perito esclarecimentos complementares ao bom entendimento das
respostas aos quesitos, se assim considerar necessário.

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ROL DE TESTEMUNHA:

Anderson Antonio Baesso, brasileiro, casado, carteiro, portador da cédula de


identidade RG nº 7.130.810-3/PR, inscrito no CPF/MF sob nº 025.265.279-70,
residente e domiciliado na Rua Bentevi, nº 360, CEP: 83045-530, São José dos
Pinhais/PR.

DOCUMENTOS EM ANEXO:

Doc. 01– Fotocópia dos documentos pessoais do autor;


Docs. 02/14 – Fotocópia da Carteira de Trabalho e Previdência Social do autor;
Doc. 15 – Fotocópia da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT);
Docs. 16/20 – Fotocópia de documentos médicos e fisioterapêuticos do autor;
Docs. 21/22 – Fotocópia de documentos médicos da empresa empregadora;
Docs. 23/27 – Fotocópia de exames médicos do autor;
Docs. 28/29 – Fotocópia de documentos oriundos do INSS, relativos à reabilitação
profissional do autor;
Doc. 30 – Fotocópia do pedido administrativo formulado pelo autor junto ao INSS;
Docs. 31/34 – Resposta encaminhado pelo INSS;
Doc. 35 – Fotocópia de extrato de benefício acidentário concedido ao autor;
Doc. 36 – Termo de Representação.

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