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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO PIAUÍ – UESPI

CENTRO DECIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS - CCSA


CURSO DE DIREITO – CAMPUS CLÓVIS MOURA
DISCIPLINA: DIREITO CONSTITUCIONAL I
PROFESSOR: GEORGE THALES
ALUNO: PAULO FERNANDO ROCHA DA SILVA

RESUMO DO CAPÍTULO 05 DO LIVRO DIREITO CONSTITUCIONAL


ESQUEMATIZADO – PEDRO LENZA

TERESINA – PI
DEZEMBRO / 2014
EFICÁCIA E APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS

Como regra geral, todas as normas constitucionais apresentam eficácia,


algumas jurídica e social e outras apenas jurídica. As normas constitucionais, segundo
José Afonso da Silva, podem ser de eficácia: plena, contida e limitada.
NORMAS CONSTITUCIONAIS DE EFICÁCIA PLENA
Normas constitucionais de eficácia plena e aplicabilidade direta, imediata e
integral são aquelas normas da Constituição que, no momento que esta entra em
vigor, estão aptas a produzir todos os seus efeitos, independentemente de norma
integrativa infraconstitucional (situação esta que pode ser observada, também, na
hipótese de introdução de novos preceitos por emendas à Constituição, ou na
hipótese do art. 5.0, § 3."). Em regra criam órgãos ou atribuem aos entes federativos
competências.
NORMAS CONSTITUCIONAIS DE EFICÁCIA CONTIDA
As normas constitucionais de eficácia contida ou prospectiva têm aplicabilidade
direta e imediata, mas possivelmente não integral. Embora tenham condições de,
quando da promulgação da nova Constituição, ou da entrada em vigor (ou diante da
introdução de novos preceitos por emendas à Constituição, ou na hipótese do art. 5.º,
§ 3.º), produzir todos os seus efeitos, poderá a norma infraconstitucional reduzir a sua
abrangência.
Ao contrário do que ocorre com as normas constitucionais de eficácia limitada,
em relação às quais o legislador infraconstitucional amplia o âmbito de sua eficácia e
aplicabilidade, no tocante às normas constitucionais de eficácia contida percebemos
verdadeira limitação (restrição) à eficácia e à aplicabilidade. Além da restrição da
eficácia das referidas normas de eficácia contida tanto por lei como por outras normas
constitucionais, conforme referido acima, a restrição poderá implementar-se, em
outras situações, por motivo de ordem pública, bons costumes e paz social, conceitos
vagos cuja redução se efetiva pela Administração Pública.
NORMAS CONSTITUCIONAIS DE EFICÁCIA LIMITADA
São aquelas normas que, de imediato, no momento que a Constituição é promulgada,
ou entra em vigor (ou diante da introdução de novos preceitos por emendas à
Constituição, ou na hipótese do art. 5.0, § 3.0), não têm o condão de produzir todos os
seus efeitos, precisando de uma lei integrativa infraconstitucional, ou até mesmo de
integração por meio de emenda constitucional, como se observou nos termos do art.
4.0 da EC n. 4712005.8 São, portanto, de aplicabilidade indireta, mediata e reduzida,
ou, segundo alguns autores, aplicabilidade diferida. As normas de eficácia limitada,
declaratórias de princípios institutivos ou organizativos (ou orgânicos) contêm
esquemas gerais (iniciais) de estruturação de instituições, órgãos ou entidades.
Já as normas de eficácia limitada, declaratórias de princípios programáticos,
veiculam programas a serem implementados pelo Estado, visando a realização de fins
sociais (arts. 6.0 - direito à alimentação; 1% - direito à saúde; 205 - direito à educação;
215 - cultura; 218, caput - ciência e tecnologia; 227 - proteção da criança).
A CLASSIFICAÇÃO DE MARIA HELENA DINIZ
Em primorosa monografia sobre o tema, Maria Helena Diniz, baseando-se em
diversas classificações das normas constitucionais quanto à sua eficácia,
apresentadas pela doutrina (Cooley, Rui Barbosa, Caetano Azzariti, Franchini, Vezio
Crisafulli, José Afonso da Silva, Pinto Ferreira, Celso Bastos e Carlos A. Britto, Celso
Antônio Bandeira de Mello), tendo por critério a questão da intangibilidade e da
produção dos efeitos concretos, classifica as normas constitucionais (segundo a sua
eficácia) em: normas supereficazes ou com eficácia absoluta; normas de eficácia
plena; normas com eficácia relativa restringível; normas com eficácia relativa
complementável ou dependente de complementação legislativa.
A CLASSIFICAÇÃO DE CELSO RIBEIRO BASTOS E CARLOS AYRES BRITTO
Celso Ribeiro Bastos e Carlos Ayres Britto classificam as normas
constitucionais em normas de aplicação (irregulamentáveis ou regulamentáveis) e
normas de integração (completáveis ou restringíveis)."
NORMAS CONSTITUCIONAIS DE EFICÁCIA EXAURIDA E APLICABILIDADE
ESGOTADA
Sugeridas por Uadi Larnmêgo Bulos,19 as normas de eficácia exaurida, ou
esvaída, " ... são aquelas, como o próprio nome diz, que já extinguiram a produção de
seus efeitos. Por isso, estão esgotadas, dissipadas, ou desvanecidas, condicionando,
assim, sua aplicabilidade''. São próprias do ADCT (Ato das Disposições
Constitucionais Transitórias), notadamente aquelas normas que já cumpriram o papel,
encargo ou tarefa para o qual foram propostas. Exemplos: arts. 1.0, 2.0, 3.º, 14, 20,
25, 48 e vários outros do ADCT.
NORMAS DEFINIDORAS DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS E O
GRADUALISMO EFICACIAL DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS
As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais, de acordo com o
art. 5.º, § !.º, da CF/88, têm aplicação imediata. O termo "aplicação" não se confunde
com "aplicabilidade'', na teoria de José Afonso da Silva, que entende, como visto,
terem as normas de eficácia plena e contida "aplicabilidade" direta e imediata, e as de
eficácia limitada, aplicabilidade mediata ou indireta. Ensina José Afonso da Silva que
ter aplicação imediata significa que as normas constitucionais são "dotadas de todos
os meios e elementos necessários à sua pronta incidência aos fatos, situações,
condutas ou comportamentos que elas regulam. A regra é que as normas definidoras
de direitos e garantias individuais (direitos de 1ª dimensão, acrescente-se) sejam de
aplicabilidade imediata.
Como exemplo de norma definidora de direito e garantia fundamental que
depende de lei, podemos citar o direito de greve dos servidores públicos, previsto no
art. 37, VII, ou o da aposentadoria especial, garantido nos termos do art. 40, § 4.0•