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UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ESTUDOS INTERDISCIPLINARES


SOBRE A UNIVERSIDADE

YASMIN FERRAZ

GÊNERO E UNIVERSIDADE
Tecendo um campo de estudo

Salvador
2018
GÊNERO E UNIVERSIDADE: Tecendo um campo de estudo

Yasmin Ferraz1

Orientadora: Sônia Sampaio

RESUMO

Compreendo os estudos acadêmicos como uma grande tecelagem, onde cada produção
acadêmica são fios que se entrelaçam – ora se fortalecendo ora se distanciando – e quando
olhados a uma distância necessária, é possível enxergar padrões e vazios que precisam ser
refeitos e realinhados. Essa revisão bibliográfica levantou o tem sido produzido
academicamente sobre gênero e universidade no Brasil, abrangendo desde experiências
estudantis, docentes e gestão universitária a estudos sobre os estudos de gênero e formação
universitária sobre esse olhar. O objetivo desse trabalho é compreender de que forma as
vivências de mulheres e homens na universidade são atravessadas por questões de gênero e
como o campo está se tecendo na atualidade. Para isso, foram adotados como critério de
inclusão textos que versavam sobre as temáticas de gênero e universidade no Brasil. A partir
da análise, foram construídas categorias temáticas, quais foram: Vida Estudantil; Docência; e
Formação, currículo e estudos de gênero, partir das quais foi apresentada a síntese dos textos
analisados. Olhando para os fios que se entrelaçaram nesse artigo é possível afirmar que a
trama da tecelagem de gênero e universidade no Brasil ainda está no início de sua feitura e
que existe um amplo campo de estudo se delineando e cada dia mais se firmando para uma
tecedura mais robusta.

Palavras-chave: Gênero; Universidade; Ensino Superior

1
Mestranda do Programa de Pós-graduação em Estudos sobre a Universidade da Universidade Federal da Bahia
GENDER AND UNIVERSITY: Weaving a Field of Study

Yasmin Ferraz

ABSTRACT

I understand academic studies as a great weaving, where each work is a thread that
intertwines, sometimes strengthens and distances itself, and when looked at a necessary
distance, it is possible to see patterns and voids that need to be redone and realigned. This
review set up what has been produced academically about gender and university in Brazil,
ranging from student experiences, teaching and university management to studies on gender
studies and university education about this view. The objective of this work is to understand
how the experiences of women and men in the university are crossed by gender issues and
how the field is currently weaving itself. For this review, texts that dealt with the topics of
gender and university in Brazil were adopted as inclusion criterion. From the analysis,
thematic categories were constructed, which were: Student Life; Teaching; and Education,
curriculum and gender studies, from which the synthesis of the texts analyzed was presented.
Looking at the threads that are intertwined in this article it is possible to affirm that the fabric
of the weaving of gender and university in Brazil is still in the beginning of its making and
that there is a wide field of study delineating and each day getting more steady for a stronger
weaving.

Keywords: Gender; University; Higher education


1 INTRODUÇÃO

O processo de expansão da universidade brasileira do último período cumpriu um papel


importante na democratização do acesso ao ensino superior e na inclusão de atores e atrizes
sociais ora deixados à margem desse lócus de produção de conhecimento e disputa da
sociedade. Deflagrada a entrada de estudantes das classes populares, mulheres, negros e
negras e povos e comunidades tradicionais, os tensionamentos nas relações institucionais e as
dificuldades no processo de afiliação se apresentam como nós críticos que necessitam de um
olhar atento (CARNEIRO; SAMPAIO, 2011). Além do impacto da entrada e convivência no
ambiente universitário, há uma crise na produção de conhecimento, a qual passa a ter esses
grupos minoritários não só como objetos de pesquisa, mas sujeitos que dispõem dos mesmos
instrumentos para disputar a narrativa de suas histórias (SANTOS, 2008).

A entrada das mulheres na universidade, nesse contexto, se deu de forma positiva, visto que
dados do Censo da Educação Superior de 2016 revelam que as mulheres representam 57,2%
dos estudantes matriculados em cursos de graduação e 45,5% da docência do ensino superior
(INEP, 2017). Essa entrada e os anos de vivência das mulheres na universidade não se deram
de forma pacífica, tendo em vista que esta, apesar de ser um espaço privilegiado, faz parte da
sociedade e reproduz e constrói narrativas no seu processo de reprodução social (ALMEIDA
FILHO, 2012; BOURDIEU, 1992). De acordo com Vanin (2010) a universidade é uma
instituição “cujas raízes se encontram no campo das representações sociais e culturais que
regem, legitimam e sustentam práticas discriminatórias de sexo, raça/etnia, geração, religião,
orientação sexual, classe, etc.” (p.82)

Para lançar um olhar sobre os paradigmas que envolvem as diversas vivências das mulheres
na universidade, um campo estratégico de ser investigado é o de estudos de gênero, e para
isso, precisamos caracterizar o próprio conceito de gênero enquanto categoria de análise. A
precursora desse termo, Joan Scott (1998), apresenta que as discussões que envolvem gênero
são construções sociais e a história da mulher é permeada pela dominação masculina, onde o
gênero baliza a organização dessas relações. O conceito de gênero surgiu, portanto, como
mecanismo de “desnaturalização” das desigualdades entre os sexos, enfatizando que ser
mulher ou ser homem não é um feito biológico ou natural, mas a combinação de diversos
fatores de ordem social, política, econômica, étnica e cultural. Outra autora de referência nos
estudos de gênero, Judith Butler (2001), nos alerta que quando determinamos diferença a
partir do sexo, restringimos o entendimento àquelas partes sexuais que ajudam no processo de
reprodução, sendo preciso desconfiar desse processo e perguntar pelas contingências sócio
históricas, pelas condições de emergência dos sujeitos e pelas relações de poder que
constituem as diferenças de gêneros.

Avançando nesse olhar, trazendo a perspectiva educacional, Louro (1997) trata que as
identidades são múltiplas e plurais, e transformam-se e nos ajudando a compreender que as
práticas educativas são generificadas e são produzidas a partir das relações de gênero, de
classe e de raça. Essa perspectiva interseccional está cada vez mais presente nos estudos
acadêmicos, e especialmente o olhar sobre a dimensão de raça tem sido necessário para
compreender as múltiplas vivências das mulheres. Nos estudos educacionais essa perspectiva
tem uma importância especial na atualidade devido à recente entrada de negros e negras na
universidade, através da política de cotas e a necessidade de heterogeneizar o olhar sobre
estudantes, docentes e a própria universidade.

Compreendo os estudos acadêmicos como uma grande tecelagem, onde cada trabalho são fios
que se entrelaçam, ora se fortalecendo ora se distanciando, e quando olhados a uma distância
necessária, é possível enxergar padrões e vazios que precisam ser refeitos e realinhados. Esse
estudo se insere nesse contexto, fazendo uma revisão bibliográfica do que tem sido produzido
academicamente sobre gênero e universidade no Brasil, abrangendo desde experiências
estudantis, docentes e gestão universitária a estudos sobre os estudos de gênero e formação
universitária sobre esse olhar. O objetivo desse trabalho é compreender de que forma as
vivências de mulheres e homens na universidade são atravessadas por questões de gênero e
como o campo está se tecendo na atualidade.

2 ESCOLHENDO A TRAMA

Para esta revisão, foram adotados como critério de inclusão textos que versavam sobre as
temáticas de gênero e universidade no Brasil. Para a busca bibliográfica elegeram-se os
seguintes descritores: gênero; universidade; ensino superior. Estes deveriam estar presentes no
título, resumo, assunto ou palavras-chave dos trabalhos, os quais deveriam estar disponíveis
na íntegra.

Foram selecionados 35 textos entre os quais: artigos, livros, teses e dissertações divulgadas
nas Bases de Dados Scielo e LILACS e nas revistas especializadas Cadernos Pagu e
Feminismos. Esses últimos foram selecionados pela posição reconhecida no campo dos
estudos de gênero e a interface com a universidade e também pela recorrência na citação das
mesmas nas bases de dados pesquisadas.

A partir da análise, foram construídas categorias temáticas, quais foram: Vida Estudantil;
Docência; e Formação, currículo e estudos de gênero, partir das quais foi apresentado a
síntese dos textos analisados. Posteriormente foi analisado como se compõe o campo de
Gênero e Universidade.

3 DESEMARANHANDO FIOS

A primeira busca dos trabalhos gerou o resultado de 67 – entre artigos, teses, dissertações e
capítulos de livros – dos quais 32 não se referiam diretamente a temática da revisão
bibliográfica. Restaram, assim, 35 trabalhos que compuseram o corpus de análise desse
presente artigo.

As publicações, em sua maioria, trabalham com comparações entre vivências de mulheres e


homens na universidade, seguidos por estudos de vivências de mulheres, estudos sobre a
formação universitária em gênero (geralmente associada com sexualidade) em cursos e áreas
diversas e alguns estudos sobre o campo dos estudos de gênero na universidade. Apenas um
trabalho teve como enfoque a vivência específica de homens. As áreas de conhecimento em
que os trabalhos estavam inseridas foram educação, saúde, trabalho e ciência.

Dois fenômenos são importantes de serem destacados. Primeiramente, uma parte das
publicações estudadas teve como tema principal ou nos resultados obtidos a violência – física,
psicológica ou simbólica – o que sinaliza uma tendência a reconhecer que a vivência das
mulheres na universidade, assim como na sociedade, é marcada por essa realidade
(1,4,13,19,40,41,45). O segundo é a constatação de que ainda existe uma forte divisão sexual
do trabalho e as mulheres ainda estão ligadas as tarefas de cuidado, uma vez que na maioria
dos estudos essa temática aparece direta ou indiretamente – tratando das múltiplas jornadas de
trabalho – e foi vista como um fator de dificulta não só a permanência das mulheres no
ambiente universitário, como tem relevância nos processos de trabalho e gestão da carreira
acadêmica – no caso das docentes (1,2,4,6,7,13,18,25,26,30,32,38,39).

A partir da leitura das publicações, foram levantadas as categorias, primeiramente a partir dos
espaços acadêmicos ocupados por esses sujeitos – estudante e docente (não houve nenhum
estudo que tratasse dos trabalhadores técnico-administrativos ou terceirizados) – uma vez que,
apesar de existirem similaridades nas vivências (como as destacadas acima), houve temas
específicos que foram sinalizados por cada um. A categoria Formação, currículo e estudos de
gênero apresentou uma discussão teórica acerca da formação e formulação acadêmica acerca
de gênero, finalizando no trabalho.

3.1 Vida Estudantil

A maioria das abordagens feitas acerca das vivências estudantis foram estudos comparativos –
tendo gênero como variável de pesquisa e tratando das diferentes percepções de homens e
mulheres a cerca da universidade, curso ou fenômenos levantados (4,13,31,40,41,45). Nesse
tipo de estudo, a violência foi o tema mais presente (4,13,40,41,45). Os trotes universitários
foram trabalhados em 2 artigos (40,41), e em ambos os resultados apontam que as violências
vividas pelas mulheres nesse contexto são mais humilhantes e a possível resistência a eles
pode caracterizar uma afetação ou questionamento a sua feminilidade. Os demais trabalhos
trataram da violência como um dos aspectos dentre outros que diferenciam as vivências de
homens e mulheres em cursos de Computação (4), Engenharia e licenciaturas (13) e outros
cursos (45), onde os relatos apontam pra recorrência de situações de violência de gênero,
como no estudo de Zotareli (2012) onde

“mais da metade das mulheres estudantes (56.3%) declararam que sofreram


algum tipo de violência (física, emocional e/ou sexual) desde que entraram
na universidade e 9.4% sofreu violência sexual. Quase 30% (29.9%) dos
homens estudantes declararam que praticaram alguma forma de violência
desde que foi admitido na universidade.” (tradução livre) (p.40)

Os relatos de violência tiveram também relação com um fenômeno de generificação da


educação, em que áreas do conhecimento consideradas masculinas sinalizaram serem espaços
mais hostis à presença feminina como relata A3 e A4, no trabalho de Amaral (2017):

“Sim. No estágio eu também tive. Em uma entrevista de emprego, o cara foi


superignorante e faltou ele dizer que menina não pode entrar na área de
infraestrutura. Um professor falava que mulher não tem capacidade de fazer
esse curso. - A3

Não diretamente a mim, mas no geral da sala, bem quando entramos no


curso nós tínhamos professores machistas que diziam que as meninas não
iriam para frente no curso. - A4” (p.866-867)

A generificação foi tema recorrente nos trabalhos levantados e tiveram como campo
principalmente as áreas das ciências exatas (4,13,17,27) e as licenciaturas (13, 28) e outras (8)
trabalharam sobre as dificuldades desde o acesso à universidade a permanência, que se
originam na educação básica, até a socialização dessas e desses estudantes com seus pares. O
estudo de Oliveira (2016) aponta que: “como salientam Hentges e Jaeger (2012, p. 2), tanto
homens quanto mulheres ‘são marcados/as pelas representações produzidas e produtoras da
generificação das profissões’ e, dentro dessa condição, ‘acabam por escolher sua
profissão’”(p.554). Barreto (2015) afirma que

“No que diz respeito ao ensino superior, embora o número de mulheres na


população de estudantes seja tão grande quanto, ou até mesmo maior, do que
o de homens, a distribuição de homens e mulheres entre os diferentes cursos
e carreiras não é equilibrada. Os estudantes do sexo masculino estão mais
concentrados nos cursos da área de ciências exatas, enquanto as estudantes
do sexo feminino estão mais concentradas em cursos das áreas de
humanidades e ciências biológicas.”(p.46)

Outra tendência dos estudos foi a interseccionalidade entre gênero, classe e/ou raça como
olhar necessário para as vivências das mulheres na universidade (7, 16, 22, 42,52). Esses
estudos trabalharam com uma análise sobre as ações afirmativas na graduação e pós-
graduação e aprofundaram o olhar sobre a trajetória das mulheres negras na universidade.
Estudo feito por Barreto (2015) afirma que

“Na literatura sobre gênero e ciência no Brasil, muitos estudos tratam das
assimetrias existentes entre homens e mulheres, mas são escassos aqueles
que incluem nas análises questões sobre se, e como, mulheres brancas e
negras são afetadas de maneiras distintas (cf. Minella, 2013).”(p.41)

O tema das múltiplas jornadas de trabalho e papéis sociais foram discutidos em três trabalhos
(1,7,43) e afirma-se que esse fenômeno acarreta em uma série de dificuldades vividas por
essas mulheres para permanecer na universidade, seja por conta da sobrecarga de trabalho,
seja pelos sentimentos de culpa pela não realização dos trabalhos domésticos e de cuidado
familiar. Essas mulheres estão à margem do corpo discente da universidade e por essa razão,
Avila (2015), em seu estudo sobre mulheres pobres na universidade pública, afirma que

“os depoimentos das mulheres dão margem à interpretação de que talvez a


universidade não esteja apercebida da presença delas em seu interior, ou
então, que a universidade esteja indiferente a essa presença, ou ainda, que
essa presença até esteja incomodando.” (p.828)

No trabalho de Aleiro (2017) sobre a inclusão de mulheres camponesas na universidade, fica


sinalizado que, apesar das dificuldades enfrentadas por conta do trabalho doméstico e de
cuidado, a universidade se torna um espaço de empoderamento importante, possibilitando um
aumento da autoestima das estudantes. Esse foi o único trabalho que falou sobre a perspectiva
da educação superior no campo e é importante pra sinalizar que
“Apesar dos avanços no acesso à universidade, o Plano Nacional de
Educação 2014-2024, mostra que este ainda é insuficiente. A taxa bruta de
matrícula na universidade por localização mostra um avanço de 21,7%, em
2004, para 33,5%, em 2013, nas áreas urbanas. Já nas áreas rurais, esses
avanços foram menores: de 3 %, em 2004, para 10,9%, em 2013.” (p. 841)

3.2 Docência

Como já foi sinalizado anteriormente, um dos fenômenos mais recorrentes nos trabalhos
estudados é a divisão sexual do trabalho - onde a mulher é responsável pela realização das
tarefas do cuidado e, devido a entrada no trabalho formal, o cumprimento de duplas jornadas
de trabalho – no caso dos estudos aqui levantados, na docência. Isso foi abordado na
totalidade dos trabalhos, diretamente ou indiretamente, sendo tema principal ou parte das
análises dos resultados obtidos, e marca, portanto, a vivência dessas mulheres na
universidade. (2,6,11,16,18,21,25,26,30,32,35,38,40)

O impacto da dupla jornada de trabalho foi relacionado a estudos sobre a saúde das docentes
(6,32) que, de acordo com o trabalho de Areias (2004), sinaliza que “gênero feminino
apresenta mais fatores psicossociais de risco, estresse no trabalho, estresse social e estresse
pessoal do que o masculino” (p.260) e

“as mulheres que concentram suas energias na carreira sentem-se


freqüentemente culpadas ou preocupadas com o fato de ter deixado a família
de lado. Além disso, o gasto de energia e dedicação para com marido e filhos
pode desviar parte da energia que seria dirigida para a obtenção do sucesso
profissional.” (p.261)

Sendo relacionada desta vez com o sucesso profissional, essa temática foi abordada por
diferentes olhares que convergiram pra ideia que

“A trajetória das mulheres na ciência é constituída numa cultura baseada no


‘modelo masculino de carreira’ (VELHO, 2006) que envolve compromissos
de tempo integral para o trabalho, produtividade em pesquisa, relações
academicamente competitivas e a valorização de características masculinas
que, em certa medida, dificultam, restringem e direcionam a participação das
mulheres nesse contexto. Nessa perspectiva, concordamos com Tabak (2002,
p. 49), ao argumentar ‘que é muito mais difícil para a mulher seguir uma
carreira científica numa sociedade ainda de caráter patriarcal e em que as
instituições sociais capazes de facilitar o trabalho da mulher ainda são uma
aspiração a conquistar’.” (SILVA, 2014, p.451)

Aprofundando o olhar sobre essa relação, foi muito recorrente a utilização dos termos “teto de
vidro”, “teto de cristal”, “segregação vertical”, pra descrever o processo de exclusão das
mulheres das progressões de carreira e na ocupação de espaços hierarquicamente maiores
dentro da estrutura docente – assim como cargos de gestão. (18,26,30,38,39). Silva (2014)
aponta que

“Como parte do fenômeno denominado de "teto de vidro", a existência de


barreiras ao acesso a níveis de maior hierarquia e prestígio compromete,
geralmente, as mulheres na construção da sua carreira na ciência. Portanto,
mesmo que atualmente a participação das mulheres na ciência seja equitativa
do ponto de vista numérico, a hierarquia acadêmica vai estar ocupada,
sobretudo, por homens, independentemente da área do conhecimento.”
(p.450)

Esse processo é ainda mais complexo quando o campo de estudo é uma área do conhecimento
tida como masculina e isso foi destacado em alguns estudos (8,18,30). Barreto (2015)
relaciona esses fatores ao analisar o caso da Universidade Federal da Bahia e afirma que

“Ao deslocar a atenção para a categoria docente, foi visto que não havia uma
distribuição equilibrada dos docentes segundo o sexo, de maneira que as
mulheres estavam concentradas em algumas unidades de ensino, cursos e
departamentos, e ausentes dos cargos de direção e de prestígio, seja dentro
ou fora da UFBa. [...] Por exemplo, nos cursos da área de saúde é mais
difícil romper as associações entre a representação do médico como homem
e da enfermeira como mulher. Por outro lado, é possível esperar que a
presença de mulheres em áreas antes exclusivamente masculinas contribua
para alterar tais estereótipos e categorizações.” (p.77)

O estudo Moschkovich e Almeida (2015),que trata sobre a desigualdades de Gênero na


carreira acadêmica no Brasil também aborda essa questão:

“As formas desiguais de inserção de docentes dos sexos masculino e


feminino na carreira acadêmica e no seu posterior desenvolvimento é algo
bem documentado. Estudos realizados no Brasil revelaram a existência de
padrões de desigualdade em pelo menos dois sentidos. Em primeiro lugar, as
docentes do sexo feminino se concentram em algumas áreas do
conhecimento (Tabak, 2002; Vasconcellos e Brisolla, 2009; Canêdo, 2004;
Leta, 2003; Soares, 2001; Velho e Léon, 1998). Em segundo, elas estão em
menor proporção nas posições mais altas da carreira, isto é, naqueles cargos
associados a melhores salários, maior prestígio acadêmico, mais poder
universitário etc. (Tabak, 2002; Vasconcellos e Brisolla, 2009; Soares, 2001;
Leta, 2003). (p.751)

“A análise mostrou que, embora as docentes do sexo feminino tenham


chances maiores de ser coordenadoras de graduação, elas estão mais
excluídas da coordenação de pós-graduação, das diretorias de faculdades e
institutos, da reitoria e do conselho universitário.” (p.781)

Sobre um olhar interseccional de gênero e raça, foram levantados 2 trabalhos (8,16) e foi
salientado, que para além das questões aqui já discutidas, a vivência das docentes negras da
universidade é marcada por um histórico de exclusão da população negra da universidade, o
que impacta consideravelmente na sua presença nessa categoria e aprofunda as desigualdades
quando tem que enfrentar o racismo institucional e as violências racistas no dia-a-dia da
universidade.

3.3 Formação, currículo e estudos de gênero

Uma parte importante das publicações levantadas nesse artigo se deteve nos debates acerca da
formação sobre a temática de gênero em cursos e áreas do conhecimento (5,9,19,21,22,35,39).
As pesquisas foram organizadas analisando a inserção das temáticas de gênero (em vários
estudos associada com sexualidade) nos currículos e na formação universitária de diversas
formas: na perspectiva de docentes e estudantes (5,9,11,22,35), num olhar mais geral do
campo de formação (9,22,44) ou numa análise historiográfica (39). Em resumo, todos os
estudos apresentaram que a temática de gênero, mesmo quando existente nos currículos, é
pouco trabalhada na formação universitária, o que acarreta numa lacuna que tem como
consequência o despreparo dos estudantes para atuar positivamente frente às diversidades e a
questões relacionadas com essa temática, seja no campo da docência, seja no exercício de
qualquer outra profissão. A publicação de Vanin (2010) questiona:

“considerando que o procedimento técnico-profissional é reflexo de um


posicionamento ideológico, político, enfim, da interpretação de mundo dos
sujeitos, estruturados, quase sempre, por hierarquias de gênero, raça/etnia,
geração, orientação afetivo-sexual, ficam as seguintes indagações: É possível
formar profissionais que possuam qualificação para atuar no mundo
contemporâneo, quando as disciplinas comuns, teóricas e práticas de um
curso de graduação não contemplam essas questões? Como ele(a) poderá
atuar de forma crítica e reflexiva se não teve, na sua formação, a construção
de espaços onde poderia adquirir informações e experiências?” (p.81)

Uma pesquisa foi feita sobre a Desigualdade de gênero no ensino superior e no mercado de
trabalho no Brasil, mostrando que

“o desempenho educacional das mulheres ultrapassou mesmo o dos homens,


tendo em vista que, em média, elas permanecem mais tempo na escola do
que eles. No mercado de trabalho, no entanto, os homens estão em posições
hierarquicamente superiores, têm salários mais elevados e participação maior
em termos percentuais.” (RIBEIRO, 2016, p.310)

A temática de gênero e a relação com grupos de pesquisa, núcleos e institutos foi uma das
temáticas abordadas, ressaltando que, em todos os estudos, foi declarada a importância dos
mesmos na formação universitária dos seus campos de atuação e/ou na universidade como um
todo (15,19,22,25,44). Alguns estudos tratam sobre a importância da pesquisa de gênero pra
a articulação dos seus campos profissionais. (19,21,22) Destaco aqui o estudo que trata sobre
os núcleos de estudos sobre a mulher que “recentemente, constatou-se a existência de cerca de
quarenta núcleos de estudos sobre a mulher e/ou relações de gênero vinculados a intituições
de ensino superior no Brasil.” (COSTA, SARDENBERG, 2014). Esse mesmo estudo destaca
que

“[...] não se pode esquecer que o desenvolvimento desses estudos e a


conquista de espaços próprios de reflexão, como os grupos de trabalho em
associações científicas e os núcleos da mulher nas universidades, são
também fruto de uma luta travada dentro da academia pelo reconhecimento
da relevância e legitimidade da problemática da mulher como objeto de
reflexão e análise.”(p.32)

A publicação de Vanin (2010) sobre o “O Instituto de Estudos Interdisciplinares sobre


Mulheres, Gênero e Feminismo/INEIM na Universidade Federal da Bahia” ressalta a
importância da criação dessa unidade acadêmica com o propósito da “transversalização das
discussões de gênero nos currículos dos cursos de graduação da Universidade Federal da
Bahia [...] oferecendo, tanto disciplinas específicas para as graduações como cursos superiores
na área dos estudos sobre Gênero e Feminismo” (p.83) e sinaliza que outras unidades como
essa devem ser criadas no Brasil para promover uma educação mais inclusiva em toda a
universidade.

4 TECENDO ENCONTROS

“Como a mulher é a primeira razão do pecado, a arma do diabo, a causa da


expulsão do homem do paraíso e a destruição da velha lei, e como devemos
evitar todo o comércio com ela, defendemos e proibimos expressamente que
qualquer um apresente uma mulher, seja ela qual for, mesmo que seja a mais
honesta nesta universidade.” (tradução livre)

Decreto da Universidade de Bolonha (citado em PALERMO, 2006, p.44)

Esse decreto de Bolonha é um dos primeiros registros históricos sobre a relação entre a
mulher e a universidade. Muito se transformou no mundo e certamente na universidade desde
então, mas as marcas históricas da exclusão da mulher desse espaço permanecem até os dias
de hoje – marca não só dessa instituição, mas de um sistema patriarcal que tem influência
sobre toda a relação humana e pra isso me somo a Scott (2005) na compreensão

“[...] não existem soluções simples para as questões, debatidas


calorosamente, da igualdade e da diferença, dos direitos individuais e das
identidades de grupo; de que posicioná-los como conceitos opostos significa
perder o ponto de suas interconexões. Pelo contrário, reconhecer e manter
uma tensão necessária entre igualdade e diferença, entre direitos individuais
e identidades grupais, é o que possibilita encontrarmos resultados melhores e
mais democráticos.”(p.12)
Para Vanin (2010)

“A produção, a socialização e a aplicação de conhecimentos não são neutras,


como não o são as instituições que propiciam a concretização dessa tríade.
Assim, pensar uma reforma do ensino superior, instituição que, a principio, é
a casa das ciências, deve ser também uma reflexão sobre a sua constituição e
como os conhecimentos que produz, socializa e aplica reproduzem e
justificam estereótipos variados que limitam os espaços e funções de atuação
dos sujeitos e, como consequência, apesar do discurso democrá tico voltado
para a cidadania, continuam a reforçar e perpetuar a desigualdade social e
cultural entre os indivíduos.” (p.77)

Desta forma, esse conjunto de trabalhos levantados constitui uma trama de diversos fios que
passam desde a vivência das mulheres e homens na universidade e suas diferenças, até os
campos de estudo hoje em articulação sobre os estudos de gênero, que podem influenciar
positivamente para uma transformação nas assimetrias de gênero – e já o fazem, seja na
formação universitária de indivíduos mais atentos a estas questões, seja na pesquisa
acadêmica de temas correlatos.

A trama de gênero, no entanto, não é de nenhuma forma homogênea, portanto as categorias de


articulação e as interseccionalidades precisam estar cada vez mais presentes nas produções e
discussões acadêmicas para ampliar os debates teóricos e visão sobre como o gênero se
articula com as múltiplas realidades sociais – como nas produções levantadas nesse estudo
que trataram sobre raça, classe, sexualidade, território e tantas outras.

Friso que, como foi tratado em Barreto (2015), inexistem políticas de ação afirmativa de
gênero nas universidades que tenham como objetivo combater a desigualdade de gênero. As
produções levantadas mostraram que ainda resiste o padrão patriarcal de divisão sexual do
trabalho e seu impacto gera consequências muito nocivas tanto para a formação das mulheres
e o exercício do trabalho docente. Esse é ainda um grande buraco na tecelagem, tanto do
ponto de vista da reflexão sobre quais seriam essas políticas, quanto de experiências – exceto
pelo o Programa Mulher e Ciência, lançado em 2005 pelo Conselho Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) (BARRETO, 2015). Essa realidade
precisa ser refletida, uma vez que estamos vivendo uma expansão da universidade pública que
tem como característica a entrada de mais mulheres, e são necessárias articulações de políticas
universitárias para uma transformação nas suas vivências universitárias, hoje tão marcadas
pela desigualdade – e consequentemente a formação de profissionais que possam compor os
quadros docentes das universidades ou exercer sua profissão de uma forma mais integral e
igualitária.
A trama da tecelagem de gênero e universidade no Brasil ainda está no início de sua feitura.
Apesar dos estudos de gênero já terem décadas de produção, quase integralmente feitas dentro
da universidade, uma reflexão mais aprofundada sobre a própria instituição universitária ainda
não tem fios suficientes pra compreendermos com maior profundidade seu campo de estudo.
Faz-se então, necessário que mais grupo de pesquisa de gênero e de estudos sobre a
universidade se articulem em torno da temática para produzir uma trama robusta e firme.

5 REFERÊNCIAS

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universidade: entre sonhos, desafios e lutas. Educ. Pesqui., São Paulo , v. 43, n. 3, p. 833-
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Educar para a diversidade: gênero e sexualidade segundo a percepção de estudantes e
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Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1519-
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