Você está na página 1de 5

CRASE

No capítulo anterior, você deve ter observado que, em algumas frases, aparecia um

acento estranho, não tão familiar a você. Esse acento, `, chama-se acento grave e indica uma
união de duas palavras graficamente idênticas na Língua Portuguesa.

ARTIGOS
Quando você estudou os artigos, você viu que eles, no total, são oito: o, os, a, as, um,
uns, uma e umas.
Estudou ainda que eles são classificados em artigos definidos (o, os, a, as) e
indefinidos (um, uns, uma e umas), os quais são usados para definir ou para indefinir
substantivos ou adjetivos que se referem a substantivos.

PREPOSIÇÕES
No capítulo anterior, você reviu também as preposições (a, ante, perante, após, até,
com, como, contra, de, desde, durante, em, entre, exceto, fora, mediante, para, por, salvo,
segundo, sem, senão, sob, sobre, trás, atrás de, dentro de, para, visto), que ligam palavras e,
às vezes, até orações.

Observando os componentes dessas duas classes gramaticais, você percebeu algo


comum entre elas? Isso mesmo! A palavra a pode funcionar tanto como artigo quanto como
preposição. Até aí não há problema porque várias palavras da Língua Portuguesa são
homônimas homógrafas, ou seja, iguais quanto à forma, mas diversas quanto ao significado e
até quanto à classe gramatical. Exemplos:
Substantivo caminho e verbo caminho (verbo caminhar na 1ª pessoa do singular do Presente
do Indicativo)
Advérbio cedo e verbo cedo (verbo ceder na 1ª pessoa do singular do Presente do Indicativo)
Adjetivo livre e verbo livrar (verbo livrar na 1ª ou 3ª pessoas do singular Presente do
Subjuntivo)

O problema surge quando esses dois a encontram-se, o que é muito comum nas frases
em Português. Vejamos:
Os carros populares eram acessíveis a a maioria da população.
Matheus tinha aversão a a altura.
O supermercado era contíguo a a minha casa.
Em devoção a a Nossa Senhora Aparecida, foi, em uma excursão, conhecer o seu santuário
em Aparecida, São Paulo.
As questões resolvidas por Pedro eram equivalentes a as questões resolvidas por Júlio.
Tomar sol é essencial a a produção de vitamina D.
A maioria do parlamento foi favorável a a reforma daquele novo projeto de lei.
Comer frituras diariamente é nocivo a a saúde.
A rua do hospital era paralela a a rua do cemitério.
O Ministério da Saúde adverte: fumar é prejudicial a a saúde
O respeito a as diferenças é essencial para uma harmoniosa convivência.
Os exames finais eram relativos a a matéria do ano todo.
A professora avisou a a turma que a prova de recuperação seria semelhante a a primeira.
O resultado das provas não agradou a as professoras.
Aquele curso de inglês custou muitos gastos a a mãe de Rubens: matrícula, mensalidade,
livros didáticos, transporte.
A coordenadora da banca permitiu que se procedesse a a apresentação do TCC.
Visando a a aprovação na prova final, Bruno passou o domingo inteiro estudando.

Observando todas as frases acima retiradas do capítulo anterior, Regência Nominal e


Verbal, percebemos que todas elas possuem dois a lado a lado, o que dificulta a nossa leitura,
certo? Temos aí um problema de cacofonia, isto é, temos dificuldade para pronunciar um som
ou a sua pronúncia soa estranha.
É por isso que, em vez de escrevermos e de lermos esses dois a separadamente,
juntamo-los em um só a, ou seja, faz-se a crase, cuja indicação é marcada pelo acento grave

`.
<<<<<<<<<< Glossário
Crase é a contração ou a fusão de sons vogais num só.

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>
Assim, percebe-se claramente que a leitura fica muito melhor assim:
Os carros populares eram acessíveis à maioria da população.
Matheus tinha aversão à altura.
O supermercado era contíguo à minha casa.
Em devoção à Nossa Senhora Aparecida, foi, em uma excursão, conhecer o seu santuário em
Aparecida, São Paulo.
As questões resolvidas por Pedro eram equivalentes às questões resolvidas por Júlio.
Tomar sol é essencial à produção de vitamina D.
A maioria do parlamento foi favorável à reforma daquele novo projeto de lei.
Comer frituras diariamente é nocivo à saúde.
A rua do hospital era paralela à rua do cemitério.
O Ministério da Saúde adverte: fumar é prejudicial à saúde
O respeito às diferenças é essencial para uma harmoniosa convivência.
Os exames finais eram relativos à matéria do ano todo.
A professora avisou à turma que a prova de recuperação seria semelhante à primeira.
O resultado das provas não agradou às professoras.
Aquele curso de inglês custou muitos gastos à mãe de Rubens: matrícula, mensalidade, livros
didáticos, transporte.
A coordenadora da banca permitiu que se procedesse à apresentação do TCC.
Visando à aprovação na prova final, Bruno passou o domingo inteiro estudando.

Analisando as frases, notamos que, para colocar o acento indicativo de crase, devemos
observar duas coisas: a palavra que vem antes da possível crase e a palavra que vem depois.
Palavra que vem antes: deve exigir a preposição a
Palavra que vem depois: deve aceitar o uso do artigo definido feminino a (se a palavra estiver
no singular) ou as (se a palavra estiver no plural)

Somente se atendidos esses dois requisitos é que se deve colocar o acento grave.

1) Complete as lacunas colocando o acento indicativo de crase quando necessário:


a)

CASOS ESPECIAIS

 AQUELE(S), AQUELA(S) e AQUILO: deve-se unir a preposição a aos pronomes


demonstrativos aquele(s), aquela(s) e aquilo.
Refiro-me àquele exercício.
Àquele jovem cabem alguns conselhos.
Maria não tem direito àquilo.

 NOMES DE LUGAR: para nomes de cidade, de país, de continente, etc, deve-se


verificar se quem volta volta de + o lugar ou se volta da + lugar. Caso se volte de, não
haverá crase por uma questão de paralelismo, ou seja, haverá somente a preposição
a. Caso se volte da, haverá crase também por uma questão de paralelismo, ou seja,
haverá a preposição a e o artigo definido a ou as.
Irei a São Paulo. (volto de São Paulo)
Fui à Bahia.
Fomos a Pelotas.
<<<<<<<<<<<<<<<<<<< Zoom
Se o lugar vier especificado, haverá crase porque se vai acrescentar artigo definido a este
lugar. Vejamos:
Fui à Pelotas dos doces. (voltei da Pelotas dos doces)
Fui à antiga Parati. (voltei da antiga Parati)
>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>
 “A QUE” e “A DE”: nessas construções, pode haver crase quando houver uma palavra
subentendida.
Ex: Esta questão é semelhante à (questão) que errei.
A camisa de João é igual à (camisa) de Luís.

 NOMES PRÓPRIOS FEMININOS e PRONOMES POSSESSIVOS FEMININOS


A crase é facultativa diante de substantivos próprios femininos e diante de pronomes
possessivos femininos, já que a colocação do artigo definido feminino diante desses também é
facultativo.

Pronomes femininos
Dei o dinheiro a (à) tua irmã.
Dei o recado a (à) Joana.
<<<<<<<<<<<< Zoom
Pronomes possessivos femininos:
minha(s), tua(s), sua(s), nossa(s), vossa(s).
>>>>>>>>>>>>>>>

 PREPOSIÇÃO “ATÉ”
Depois da preposição até, a frase será facultativa.
Fui até a padaria comprar pão.

 TERRA, CASA e DISTÂNCIA: haverá crase quando essas palavras vierem


determinadas, especificadas.
Cheguei à casa de Maria.
Irei à terra de meus pais.
Eles voltaram à Terra. (letra maiúscula = planeta).
Fique à distância de 20 metros.

 Locuções adverbiais femininas: levam crase. Exemplos:


À tarde
Às escondidas
à direita
às claras
Às avessas
à toa
às vezes
à proporção que
à noite
à imitação de
à luz
à semelhança de
à chave
à escuta
à deriva
às turras
ás moscas
à beça
às ocultas
à larga
à medida que
à sombra de
à exceção de
à força de
à frente
à esquerda
à revelia
às ordens
à procura de
às 15 horas.
à meia noite

 EXPRESSÕES COM PALAVRAS REPETIDAS: nessas expressões, quando faltar o


artigo na primeira palavra, faltará também na segunda.
Ex: Os inimigos estavam cara a cara.
O líquido caía gota a gota.