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mecanismo de termorregulação, exercem uma

SP01 ação especial as glândulas sudoríparas écrinas,


que, sob estímulo colinérgico, aumentam a
1. Apresentar a morfofisiologia da pele. sudorese, causando a perda de calor.
2. Explicar os riscos das radiações solares e a  Secreção: como elementos produzidos pela
importância do uso correto do protetor solar. pele, destacam-se a citoqueratina, a melanina,
3. Explicar o tratamento adequado na abordagem o sebo e o suor.
de feridas.  Excreção: a função excretora das glândulas
4. Classificar os tipos de feridas. écrinas é a eliminação do suor composto
5. Classificar queimaduras, apresentando cálculo basicamente por água, eletrólitos e
da área atingida e conduta. bicarbonato.
6. Explicar o processo cicatricial e os fatores que  Metabolização: a pele também sintetiza
interferem no mesmo. hormônios, dentre eles a testosterona e di-
7. Apresentar calendário vacinal nos casos de hidrotestosterona, que têm um papel muito
acidentes. importante na alopecia androgenética, na acne
8. Explicar lesões cutâneas. e no hirsutismo. A pele tem também uma ação
decisiva na síntese e na metabolização da
vitamina d.

A pele
Estrutura e fisiologia:
A pele corresponde a 15% de seu peso corporal, é um
É constituída, basicamente, por três camadas
órgão que reveste e delimita o organismo, protegendo-
interdependentes: a epiderme, mais externa; a derme,
o e interagindo com o meio exterior. Muitas vezes,
intermediária; e a hipoderme, mais profunda. A transição
condições psíquicas do indivíduo manisfestam-se na
entre a epiderme e a derme é denominada junção
pele, que tem, ainda, conotações de ordem racial, social
dermoepidérmica ou zona da membrana basal.
e sexual.

Epiderme.
Funções:
tecido epitelial estratificado ceratinizado (podendo
 Proteção: a pele tem uma resistência relativa
variar dependendo da localização anatômica).
aos agentes mecânicos por sua capacidade
moldável e elástica (fibras colágenas, elásticas e É constituída por:
hipoderme). Seu sistema melânico,, pode Sistema ceratinocítico:
neutralizar as radiações lumínicas ultravioleta Composto por células epiteliais (80% das
(ruv) e, até mesmo, ionizantes, ao menos células) denominadas queratinócitos, com
parcialmente. Outros tipos de proteção são: a grande capacidade de se multiplicar
físico-química, no sentido da manutenção do responsáveis pelo corpo da epiderme e de seus
ph ácido (5,4 a 5,6) da camada córnea; a anexos (pelos, unhas e glândulas); os
química, por meio do manto lipídico com queranocitos da camada basal se multiplicam,
atividade antimicrobiana; e a imunológica, se diferenciam e ai migram para a superfície
presente, na epiderme, pelas células de formando a camada espinhosa ou de malpihi.
langerhans e, na derme, à custa de macrófagos, Depois passam por um estagio onde o
linfócitos e mastócitos. citoplasma fica mais basofilico e granuloso,
 Termorregulação: é mantida por um formando a camada granulosa e depois se
mecanismo comandado pelo centro transforma em células anucleadas chamadas de
termorregulador por meio das vias do sistema corneócitos que serão eliminadas para o meio
nervoso autônomo, levando a vasoconstrição ambiente na camada mais externa da
ou vasodilatação. Além disso, os vasos são epiderme: a cornea.
sensíveis a duas substâncias químicas Os filamentos intermediários do citoesqueleto
circulantes: a norepinefrina e a acetilcolina. No dos queratinocitos são compostos por
citoqueratinas (ck), que se dispõem em torno queratinócitos, assim como os retinoides e a
do nucleo. Os tipos de ck podem ser divididos vitamina d3.
em epidérmicos, tipo 1 acido e tipo 2 basico.
Para formar um filamento é necessária a Sistema melânico:
combinação de uma ck do tipo 1 com uma do Formado pelos melanócitos: os melanócitos
tipo 2. são células dendríticas derivadas da crista
Os queratinócitos participam ativamente dos neural e produtoras do pigmento intrínseco da
processos inflamatórios e imunológicos, seja pele, a melanina, que, por sua vez, é
Como células-alvo (p. Ex., psoríase, lúpus responsável pela absorção e difusão da ruv. São
eritematoso, líquen plano etc.), seja como vistos predominantemente na camada basal
secretores de citocinas, neuropeptídios e (figura 1.9), na proporção de 1 melanócito para
outros mediadores. O queratinócito é capaz de 10 queratinócitos basais. Por meio de seus
produzir substâncias com ação autócrina (agem dendritos, cada melanócito relaciona-se com,
sobre si mesmas), parácrina aproximadamente, 36 queratinócitos, em sua
(ação sobre as células vizinhas) e, em situações maioria situados nas camadas basal e
muito especiais, endócrinas (ação a distância). suprabasal, para os quais transfere o seu
Fazem parte desse painel de substâncias: pigmento, constituindo, assim, a unidade
mediadores inflamatórios, reguladores do epidermomelânica. Para que haja multiplicação,
crescimento ou da diferenciação celular, é necessário um estímulo específico, em geral,
neuropeptídios. ruv. Os melanossomos são produzidos pelo
complexo de golgi pela ação da tirosinase,
Camada basal: é a camada mais profunda. onde ocorre síntese e armazenamento da
Na pele normal é formada por uma fileira de melanina; por sofrerem melanização
queratinócitos justapostos. A camada basal é progressiva, são encontrados em quatro
essencialmente germinativa, originando as estágios (i a iv), sendo transferidos aos
demais camadas da epiderme, por meio de queratinócitos, onde desempenham sua ação
progressiva diferenciação celular. Por esse protetora e são degradados na medida em que
motivo, observa-se, sempre, nessa camada, essas células se diferenciam. O bronzeamento
intensa atividade mitótica. O tempo de produzido pelo sol deve-se a uma excitação da
maturação de uma célula basal, até atingir a tirosinase pela ruv, levando à formação de
camada córnea, é de aproximadamente 26 dias. melanossomos maiores e mais numerosos.
Uma pequena parte das células são células
tronco com uma velocidade muito baixa de Células de langerhans:
mitose, gerando clones de queratinocitos Sendo responsável pelo reconhecimento, pela
chamadas de células amplificadoras transitórias internalização, pelo processamento e pela
(tac), que se dividem mais rapidamente e são apresentação de antígenos solúveis e haptenos
programadas para um numero limitado de presentes na epiderme. Originada na medula
mitoses. A mitose da tac da origem a duas óssea, corresponde a 2 a 8% das células
células: 1. Nova tac que permanece na camada epidérmicas e distribui-se da camada basal à
basal e 2. Uma diferenciada que migra em granulosa, tendo preferência pela posição
direção a superfície (córnea). suprabasal.
O processo de reparação tecidual e algumas
doenças hiperproliferativas (p. Ex., psoríase) células de merkel, integradas ao
podem provocar, por meio da produção de sistema nervoso: relativamente rara e
diversas citocinas e fatores de crescimento, o aparentemente derivada de uma célula-tronco
aumento na velocidade de mitose das células epidérmica, localiza-se entre as células basais,
da camada germinativa. Tgf-a, egf e kgf às quais está aderida por desmossomos.
estimulam a mitose, enquanto o tgf-ß inibe a Funciona como um tipo de mecanorreceptor de
mitose e promove a diferenciação dos adaptação lenta em locais de alta sensibilidade
tátil; parece ser estimulada pela deformação
nos queratinócitos adjacentes provocada por tecido conjuntivo (turnover e crescimento),
contatos externos, respondendo com a assim como na patogenia de várias doenças. As
secreção de transmissores químicos nas enzimas envolvidas nesse processo degradam
sinapses estabelecidas com as terminações os componentes da matriz extracelular e ativam
nervosas livres da junção dermoepidérmica. Em fatores de crescimento contribuindo para
determinadas localizações, organiza-se em eventos fisiológicos de remodelação tecidual
estruturas especializadas denominadas discos como ocorre nos processos de cicatrização,
táteis. angiogênese, etc.
células dendríticas indeterminadas, com  No ser humano são descritos 28 tipos de
função mal definida. colágeno, sendo que na derme apenas 11 (tipo
i: 80% colágeno dérmico do adulto; tipo iii:
predomina na vida embrionária-10% na vida
Derme. adulta).

Tecido conjuntivo, onde se acomodam vasos, nervos e


anexos epidérmicos. Fibroblastos, histiócitos, células
Fibras elásticas: na pele, essas fibras formam uma
dendriticas e mastocitos são suas células residentes.
rede que se estende da junção dermoepidérmica ao
Células transitórias: linfócitos, plasmócitos e outros
tecido conjuntivo da hipoderme, estando presentes
elementos do sangue. Sua interação com a epiderme é
também na parede dos vasos e em torno do folículo
fundamental para a manutenção dos dois tecidos.
piloso; correspondem apenas a 1 a 2% do peso seco da
Dividida em 3 partes: derme e entremeiam-se com as fibras colágenas.

 O sistema elástico é composto por três tipos de


1. Superficial/papilar: predomina fibras de
fibra: as finas fibras oxitalânicas eulanínicas e as
colágenos verticais.
fibras elásticas maduras, que são mais espessas.
2. Profunda/reticular: feixes grossos de
 As fibras elásticas maduras são constituídas
colágenos horizontais.
principalmente de elastina. As fibras
3. Adventicial: em torno dos anexos e vasos
oxitalânicas são formadas por microfibrilas e
constituída de feixes finos de colágeno.
não contêm elastina, enquanto as eulanínicas
Colágeno: é a proteína mais abundante no organismo, contêm pouca.
provendo resistência e elasticidade ao tecido.  Embora sejam sintetizadas por diversos tipos
de célula, inclusive queratinócitos, na pele a
 Todos os tipos de colágeno têm sua principal fonte de fibras elásticas é o
composição em comum: três cadeias fibroblasto, sendo sua renovação muito lenta.
polipeptídicas, com uma sequência fixa de
glicina a cada 3a posição intercalada por outros Substância fundamental:
dois aminoácidos, normalmente a prolina e
A substância fundamental (mucopolissacarídios) é
hidroxiprolina. Essas três cadeias se entrelaçam
constituída por proteoglicanos.a sua capacidade de
em forma helicoidal.
inter-relação a múltiplos componentes do meio
 O colágeno é secretado para o espaço
extracelular promove a aderência necessária entre
extracelular como prócolageno, que irá sofrer a
diversas estruturas (células, fibras, fatores de
ação de enzimas levando a formação de fibrilas,
crescimento, integrinas, água etc.), desempenhando
que se organizam para constituir as fibras e,
papel fundamental na organização e na viabilidade dos
por vezes, feixes.essas enzimas são
tecidos.
denominadas metaloproteinases, pois
dependem do zinco, no geral, para adquirir
 Os proteoglicanos caracterizam-se por terem
atividade proteolítica.
em sua composição um eixo proteico ao qual
 Suas ações são controladas pelos ''inibidores
uma ou mais diferentes cadeias de
teciduais de metaloproteinases'' (timps). As
carboidratos, os glicosaminoglicanos, ligam-se.
mmp têm importante papel na remodelação do
Os principais glicosaminoglicanos são ácido
hialurônico, sulfato de heparana, sulfato de superiores da derme, principalmente ao redor
condroitina, sulfato de queratano e sulfato de dos vasos.
dermatan (condroitina sulfato b).
 As metaloproteinases da matriz extracelular 4. Mastócitos: células com abundantes grânulos
(colagenases, gelatinases, estromelisinas, escuros no seu citoplasma, com dois diferentes
matrilisina, metaloelastase e metaloproteinase tipos:
da matriz da membrana) são as enzimas  1. Secretórios, que contém histamina e
responsáveis pela degradação das heparina por exemplo; 2.lissomais, que contém
macromoléculas da matriz extracelular. Elas são hidrolases ácidas que digerem no meio
sintetizadas e secretadas sob a forma intracelular proteoglicanos, por exemplo.
proativada por diversos tipos de células, de  Os mastócitos também são capazes de
especial interesse o fibroblasto; são cálcio- secretar alguns fatores de crescimento,
dependentes e sua produção está sob controle citocinas, leucotrienos e fator ativador de
de fatores estimuladores (il-1, egf, pdgf, tnf-a, plaqueta. Os mastócitos desempenham
ruv) e inibidores (corticosteroide, tgf-ß e ácido importante papel na reparação do tecido,
retinoico). reação de hipersensibilidade do tipo i,defesa
contra parasitas, quimiotaxia, na ativação e
Células da derme: proliferação de eosinófilos, promoção da
fagocitose, permeabilidade vascular, ação
antitumoral (tnf-a) e angiogênese.
 Originam-se das células-tronco cd34+ da
1. Células mesenquimais: as células medula óssea, e diferenciam-se em mastócito
mesenquimais primitivas são as únicas quando, no tecido, sofrem ação de fatores
existentes ao início da vida fetal, diferenciando- produzidos por outras células, como a il-3. O
se em outras células posteriormente. Em certas mastócito é encontrado em maior quantidade
condições patológicas, essas células, de na derme papilar, em torno dos anexos e nos
morfologia dendrítica, são ativadas, dando vasos e nervos do plexo subpapilar.
origem às células das linhagens: histiocítica,
linfocítica e granulocítica. Hipoderme.

É a camada mais profunda da pele, constituída de


2. Fibroblasto: células com ação enzimática,
lóbulos de adipócitos delimitados por septos de
sendo os principais responsáveis pela síntese e
colágeno com vasos sanguíneos, linfáticos e nervos.
degradação das proteínas do tecido conjuntivo
Relaciona-se, em sua porção superior, com a derme
e de vários fatores solúveis que funcionam
profunda, constituindo a junção
como mensageiros para a epiderme, os vasos e
outras células.
Dermo-hipodérmica, em geral, sede das porções
3. Células do sistema reticuloendotelial: os
secretoras das glândulas apócrinas ou écrinas e de
histiócitos/macrófagos e dendrócitos dérmicos
pelos, vasos e nervos. Funcionalmente, a hipoderme,
são os representantes dérmicos do sistema
além de depósito nutritivo de reserva, participa no
reticuloendotelial. São derivados de células
isolamento térmico e na proteção mecânica do
precursoras da medula óssea. Os
organismo às pressões e aos traumatismos externos e
histiócitos/macrófagos têm capacidade de
facilita a motilidade da pele em relação às estruturas
fagocitar; apresentar antígeno microbicida e
subjacentes.
tumoricida; secretar moléculas
imunomoduladoras, citocinas e fatores de
Vasos sanguíneos.
crescimento; além de dispor de propriedades
hematopoiéticas. Os dendrócitos dérmicos são apesar das variações topográficas do sistema vascular
macrófagos apresentadores de antígeno, da pele, os vasos cutâneos constituem sempre um plexo
localizados em maior número nas porções profundo em conexão com um plexo superficial.
O profundo situa-se em nível dermo-hipodérmico e é  ƒ corpúsculos de meissner: situam-se nas
formado por arteríolas, ao passo que o superficial mãos e nos pés, especialmente nas polpas dos
localiza-se na derme subpapilar e é composto dedos, ao nível da derme papilar. São
essencialmente por capilares. Em determinadas áreas, específicos para a sensibilidade tátil.
como sulcos e leito ungueal, orelhas e centro da face, o  ƒ corpúsculos de krause: também chamados
aparelho vascular cutâneo apresenta formações órgãos nervosos terminais-mucocutâneos, pois
especiais, os glomus. Estas estruturas, ligadas ocorrem nas áreas de transição entre pele e
funcionalmente à regulação térmica, são anastomoses mucosas. Encontram-se, portanto, na glande,
diretas entre arteríola e vênula. Apresentam, por no prepúcio, no clitóris, nos lábios vulvares e,
conseguinte, um segmento arterial (canal de sucquet- - em menor quantidade, no lábio, na língua, nas
hoyer) composto por parede espessa e lúmen estreito e pálpebras e na pele perianal.
um segmento venoso de paredes finas e lúmen amplo.  ƒ meniscos de merkel-ranvier: são plexos
As paredes do aparelho glômico são formadas por terminais de nervos de posição subepidérmica,
endotélio e várias camadas de células contráteis, de localizados especialmente nas polpas dos
aparência epitelial – as células glômicas. dedos.
 ƒ corpúsculos de ruffini: são formados por
Vasos linfáticos. fibra nervosa que se ramifica, permeando o
colágeno, e relacionam-se à sensibilidade
São vasos revestidos por uma única camada de células térmica.
endoteliais, dispostos em alças ao longo da derme
papilar, reunindo-se em um plexo linfático subpapilar Outra estrutura nervosa com funções táteis é o disco
que, pela derme, desemboca em um plexo linfático pilar, estrutura discoide rica em células de merkel, de
profundo, de localização dermo-hipodérmica. localização dermoepidérmica, nas proximidades de
folículos pilosos.
Músculos da pele.
Os filetes nervosos, responsáveis pelas sensações de
a musculatura da pele é predominantemente lisa e vibração e artrestésicas, penetram pelas raízes
compreende os músculos eretores dos pelos, o darto do posteriores na coluna dorsal da medula, constituindo os
escroto e a musculatura da aréola mamária. As fibras fascículos cuneiforme e grácil do funículo posterior, que
musculares lisas do músculo eretor do pelo aderem, por terminarão nos núcleos grácil e cuneiforme do bulbo.
uma extremidade, às fibras conectivas e, por outra, aos Desses núcleos, dirigir-se-ão ao núcleo ventral do
folículos pilosos, inserindo-se abaixo das glândulas tálamo e destes, atingirão a área somestésica cortical.
sebáceas. Situadas obtusamente em relação ao folículo,
Os filetes nervosos condutores de sensações de tato, dor
sua contração produz a verticalidade do pelo, isto é, a
e temperatura penetram pelas raízes dorsais dos nervos
horripilação. Quanto à musculatura estriada, encontra-se
espinais, dirigem-se à porção contralateral da medula,
na pele do pescoço (platisma) e da face (musculatura da
formando os tratos espinotalâmicos anterolateral e
mímica).
ventral, dirigindo-se para o tálamo.
Inervação
A inervação motora da pele é suprida pelo sistema
nervoso autônomo, cujas fibras, adrenérgicas, provocam
Os nervos sensitivos, que sempre são mielinizados, em
contração das células musculares lisas das paredes
algumas regiões corpóreas como palmas, plantas, lábios
arteriolares (vasoconstrição), contraem o músculo eretor
e genitais, formam órgãos terminais específicos, os
dos pelos, ativam o corpúsculo glômico e as células
corpúsculos de vater-pacini, os corpúsculos táteis de
mioepiteliais das glândulas apócrinas.
meissner, os corpúsculos de krause, os meniscos de
merkel-ranvier e os corpúsculos de ruffini. É importante salientar que as glândulas écrinas são
inervadas por fibras simpáticas, porém colinérgicas, o
 ƒ corpúsculos de vater-pacini: localizam-se,
que é excepcional, uma vez que, via de regra, as fibras
especialmente, nas regiões palmoplantares e
simpáticas são adrenérgicas. Esse fato explica a sudorese
são específicos para a sensibilidade à pressão.
pela pilocarpina, droga parassimpatomimética, que
estimula diretamente os efetores colinérgicos da B. Traumáticas: provocadas acidentalmente por agentes
glândula sudorípara. que podem ser:

As glândulas apócrinas reagem a estímulo simpático e Mecânicos: prego, espinho, por pancadas;
não parassimpático, uma vez que são inervadas por
fibras adrenérgicas, controladas por centros simpáticos físicos: temperatura, pressão, eletricidade;
do sistema nervoso central.
Químicos: ácidos, soda cáustica;

Feridas Biológicos: contato com animais, penetração de


parasitas.
Ferida é qualquer lesão que interrompa a continuidade
da pele. Pode atingir a epiderme a derme, tecido Ulcerativas: lesões escavadas, circunscritas, com
subcutâneo, fáscia muscular, chegando a expor profundidade variável, podendo atingir desde camadas
estruturas profundas. superficiais da pele até músculos. As úlceras são
classificadas conforme as camadas de tecido atingido,
Mecanismo do trauma conforme apresentado abaixo:

● ferimentos incisos ou cirúrgicos: produzidos por um Estágio i: pele avermelhada, não rompida, mácula
instrumento cortante. Geralmente são feridas limpas e eritematosa bem delimitada, atingindo epiderme.
fechadas por suturas.
Estágio ii: pequenas erosões na epiderme ou ulcerações
agentes: faca, bisturi, lâmina. na derme. Apresenta-se normalmente com abrasão ou
bolha.
● ferimentos contusos: produzidos por objeto rombo e
caracterizados por traumatismo de partes moles, Estágio iii: afeta derme e tecido subcutâneo.
hemorragia e edema, sem ruptura da pele.
Estágio iv: perda total da pele atingindo músculos,
agentes: pau, pedra, soco. tendões e exposição óssea.

● ferimentos lacerantes: apresentam margens Conteúdo bacteriano


irregulares com mais de um ângulo. O mecanismo da
lesão é por tração, rasgo ou arrancamento tecidual. Quanto ao conteúdo bacteriano a ferida pode ser
subdivida em:
A mordedura de cão é o exemplo clássico.
· limpa: lesão feita em condições assépticas e isenta de
● ferimentos perfurantes: são caracterizados por
microrganismos;
pequenas aberturas na pele. Há predomínio da
profundidade sobre a extensão na superfície. · limpa contaminada: lesão com tempo inferior a 6
horas entre o trauma e o atendimento e sem
agentes: bala, ponta de faca, estilete.
contaminação significativa;

● ferimentos por avulsão: ocorrem por forças de


· contaminada: lesão com tempo superior a 6 horas
cisalhamento e fricção, resultando em destruição e
entre o trauma e o atendimento e com presença de
perda tecidual e a amputação é a situação mais
contaminantes, mas sem processo infeccioso local;
frequente.
· infectada: presença de agente infeccioso local e lesão
● queimaduras.
com evidência de intensa reação inflamatória e
A. Cirúrgicas: provocadas por instrumentos cirúrgicos, destruição de tecidos, podendo haver pus;
com finalidade terapêutica, podem ser:
· odor: o odor é proveniente de produtos aromáticos
Incisivas: perda mínima de tecido produzido por bactérias e tecidos em decomposição. O
sentido do olfato pode auxiliar no diagnóstico de
excisivas: remoção de áreas de pele. infecções (microorganismos) na ferida.
Morfologia  Medida simples: consiste em mensurar uma
ferida, medindo-a em seu maior comprimento
Descreve a localização, dimensões, número e e largura, utilizando a régua dividida em
profundidade das feridas. unidade de medida linear (cm). É aconselhável
associá-la à fotografia.
A. Quanto à localização: as feridas ulcerativas  Medida cavitária: consiste em, após a limpeza
freqüentemente acometem usuários que apresentam da ferida, preencher a cavidade com sf 0,9%,
dificuldades de deambulação. aspirar com seringa estéril o conteúdo e
observar em milímetro o valor preenchido.
-áreas de risco para pessoas que passam longos
 Outra técnica utilizada é a través da introdução
períodos sentados: tuberosidades isquiáticas; espinha
de uma espátula ou seringa estéril na cavidade
dorsal torácica; pés; calcanhares.
da ferida, para que seja marcada a
- áreas de risco para pessoas que passam longos profundidade. Após, verificar o tamanho com
períodos acamados: região sacrococcígea; região uma régua.
trocantérica, isquiática espinha ilíaca; joelhos (face
Característica do leito da ferida
anterior, medial e lateral); tornozelos; calcanhares;
cotovelos; espinha dorsal; cabeça (região occipital e
São divididos em tecidos viáveis e inviáveis. Os tecidos
orelhas).
viáveis compreendem:
B. Quanto às dimensões: extensão – área = cm².
· Granulação: de aspecto vermelho vivo,
 Pequena: menor que 50 cm²; brilhante, úmido, ricamente vascularizado;
 Média: maior que 50 cm² e menor que 150 · Epitelização: revestimento novo, rosado e
cm²; frágil.
 Grande: maior que 150 cm² e menor que 250
Os tecidos inviáveis compreendem:
cm²;
 extensa: maior que 250 cm² . · Necrose de coagulação: (escara) caracterizada
pela presença de crosta preta e/ ou bem
C. Quanto ao número: existindo mais de uma ferida no
escura;
mesmo membro ou na mesma área corporal, com uma
· Necrose de liquefação: (amolecida)
distância mínima entre elas de 2 cm, far-se-á a
caracterizada pelo tecido amarelo/ esverdeado
somatória de cada uma.
e/ ou quando a lesão apresentar infecção e/ ou
presença de secreção purulenta;
D. Quanto à profundidade:
· Desvitalizado ou fibrinoso: tecido de
coloração amarela ou branca, que adere ao
 Feridas planas ou superficiais: envolvem a
leito da ferida e se apresenta como cordões ou
epiderme, derme e tecido subcutâneo;
crostas grossas, podendo ainda ser mucinoso.

 Feridas profundas: envolvem tecidos moles


Tratamento da ferida
profundos, tais como músculos e fáscia;

 Feridas cavitárias: caracterizam-se por perda Anamnese


de tecido e formação de uma cavidade com
· ● determinar o tempo do trauma: toda ferida é
envolvimento de órgãos ou espaços. Podem ser
considerada contaminada após 6 horas do
traumáticas, infecciosas, por pressão ou
trauma.
complicações pós-cirúrgica.
· ● determinar o mecanismo do trauma.
A mensuração da ferida: serve para avaliar o · ● verificar a presença de comorbidades que
comprimento x largura x profundidade. Várias técnicas podem afetar a cicatrização: hipertensão
podem ser utilizadas para realizar este procedimento, arterial, diabetes mellitus, uso de corticoide e
dentre elas destacamos:
imunossupressores e uso de ácido Analgesia. Lavar o ferimento, imobilizar. Antissepsia sem
acetilsalicílico (aas) e anticoagulantes. penetrar no leito da lesão. Anestesia. Irrigação da ferida
· ● pesquisar a situação vacinal. com soro fisiológico. Controle do sangramento (não
· ● menores de idade devem estar saturar sem controle do ferimento). Suturar. Após a
acompanhados pelos pais ou um responsável sutura, cobri-la com gazes ou enfaixamento (curativo
maior de idade durante todas as etapas do deve ser mantiso poe 24hrs). Não se recomenda
atendimento na unidade de saúde. prescrição de antibióticos.

Exame físico (protocolo clínico e de regulação para ferimentos


traumáticos de pele e subcutâneo + protocolo de
· ● avaliar a presença de dor, parestesia e perda
cuidados e feridas floripa 2008).
de função.
· ● avaliar a extensão e a profundidade da lesão. LESÕES CUTANEAS
· ● avaliar o grau de contaminação, examinando
minuciosamente o leito da Escama: Excrescência seca, córnea, em forma de placa;
· Ferida à procura de corpos estranhos. geralmente resultante da queratinização imperfeita
· ● avaliar a presença de lesão nervosa, vascular,
Escoriação: Lesão traumática caracterizada por ruptura
de tendões, ósseas (com fratura exposta ou
da epiderme, produzindo uma área linear com ferida em
não) e de cartilagens. „carne viva” (p. ex., arranhão profundo); frequentemente
autoinduzida.
Exame de imagem
Liquenificação: Pele espessa e áspera caracterizada por
Na suspeita de fratura associada ao ferimento, solicitar marcas cutâneas acentuadas (como líquen no tronco de
raios x (rx) da área acometida. A presença de fratura árvore); geralmente resultante da fricção repetitiva
óssea modifi ca a conduta e, dependendo da gravidade
do caso, o paciente deve ser encaminhado para centros Mácula: Lesão circunscrita, de largura menor ou igual a
5 mm, caracterizada pela forma plana e distinguida pela
de atenção secundária ou terciária.
coloração (mancha maior que 5 mm)

Ferimentos superficiais Onicólise: Separação entre a placa e o leito ungueal

São aqueles que envolvem pele, subcutâneo, fáscia Pápula: Lesão elevada em forma de cúpula ou com a
muscular e, parcialmente, a musculatura. Geralmente
parte superior achatada de largura igual ou inferior a 5
mm (nódulo é maior que 5 mm)
estes ferimentos, limpos ou contaminados, podem ser
tratados nas ubss e upas. Os ferimentos são Placa: Lesão elevada com a parte superior achatada,
considerados contaminados quando o tempo de trauma geralmente com largura maior que 5 mm (pode ser
ultrapassa 6 horas (golden period) até a abordagem causada por pápulas coalescentes).
cirúrgica e/ou apresente sujidade no leito da lesão. Os
Pústula: Lesão elevada, distinta e purulenta.
ferimentos contaminados, incluindo os causados por
mordedura de cães e gatos, podem ser suturados após Vergão: Lesão elevada, transitória e pruriginosa com
receber cuidados especiais de limpeza do leito da ferida. palidez e eritema variável devido à presença de edema
Exceção reservada aos ferimentos perfurantes (projétil na derme
de arma de fogo e prego), que mesmo nas situações em
Vesícula: Lesão elevada preenchida por fluido e com
que não apresentem sinais de contaminação, não devem largura igual ou inferior a 5 mm (Bolha é maior que 5
ser suturados, porque estes instrumentos levam mm. Empola é o termo comum para ambas)
partículas potencialmente contaminadas para a
profundidade da lesão.

A abordagem da ferida deve ser realizada sob técnica


asséptica. O médico deve se paramentar com gorro e
máscara, lavar as mãos e calçar luvas estéreis.

Etapas do tratamento da ferida limpa e contaminada.

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