Você está na página 1de 32

DPS - Dimensionamento e

instalação

Curso Técnico em Eletrotécnica - Senai Goianésia


2017

Instrutor: Wellington Monteiro


Definição

Segundo a NBR IEC 61643-1, o DPS é um dispositivo destinado a limitar as sobretensões


transitórias (chamado atenuador de tensão ou supressor de surto) ou a desviar correntes
de surto (chamado comutador de tensão ou curto-circuitante).
Típicos de instalação
Típicos de instalação
Especificação

Para uma correta análise e comparação de produtos por parte do projetista, os


fabricantes devem fornecer as seguintes informações relativas ao DPS:

• Nome do fabricante ou marca comercial e modelo;

• Método de montagem ou modo de proteção, preferencialmente acompanhado de


croqui orientativo de posicionamento na instalação;

• Tensão máxima de operação contínua UC, que é o equivalente a tensão nominal do


DPS, um valor para cada modo de proteção e frequência nominal;

• Classificação de ensaio (classe I, II ou III) e parâmetros de descarga;

• Corrente máxima IMAX (kA), parâmetro da onda em que o DPS foi ensaiado;
Especificação

• Corrente de impulso IIMP (kA) e carga Q (A.s), para o DPS classe I (valor para cada
modo de proteção);

• Corrente de descarga nominal IN (kA), para o DPS classe II (valor para cada modo de
proteção – modo comum ou modo diferencial);

• Nível de proteção de tensão UP (valor para cada modo de proteção);

• Suportabilidade a sobretensões temporárias;

• Suportabilidade a correntes de curto-circuito no ponto de instalação.


Tipos de DPS

DPS comutador de tensão ou curto-circuitante

Dispositivo que tem a propriedade de mudar bruscamente o valor de sua impedância, de


muito alto para praticamente desprezível em função do aparecimento de um impulso de
tensão em seus terminais

O DPS comutador de tensão é definido como: “um DPS que apresenta uma alta
impedância quando nenhum surto está presente, mas que pode ter uma mudança brusca
de impedância, para um valor baixo, em resposta a um surto de tensão.
Tipos de DPS

DPS atenuador ou limitador de tensão (supressor de surto)

Dispositivo que tem a propriedade de mudar gradativamente (aos poucos) o valor de sua
impedância, de muito alto para praticamente desprezível, quando do aparecimento de
um impulso de tensão em seus terminais

Em 3.5 da NBR IEC 61643-1, o DPS limitador ou atenuador de tensão é definido


como:

“um DPS que apresenta uma alta impedância quando nenhum surto está presente, mas a
reduz continuamente com o aumento do surto de corrente e tensão.

Exemplos comuns de componentes usados como dispositivos não lineares são varistores
e diodos supressores.
Tipos de DPS

DPS combinado

Incorpora no mesmo dispositivo as propriedades dos DPS comutadores e dos


atenuadores de tensão. Em 3.6 da NBR IEC 61643-1 o DPS combinado é definido como:

“um DPS que incorpora ambos os tipos de componentes comutadores e limitadores de


tensão podendo exibir limitação, comutação ou ambos os comportamentos
dependendo das características da tensão aplicada.”
Analogia de funcionamento

DPS comutador de tensão ou curto-circuitante


Analogia de funcionamento
DPS atenuador ou limitador
Características do DPS

Um DPS de energia é caracterizado por diversos parâmetros conforme indicado a


seguir:

• Nível de proteção de tensão do DPS (UP): Valor que é caracterizado pela limitação de
tensão do DPS entre seus terminais.
É a porção do surto que o DPS “deixa passar” para a instalação à jusante

• Tensão residual do DPS (URES): Valor do pico da tensão entre os terminais do DPS
devido à passagem da corrente de descarga gerada pela atuação do DPS

• Tensão de operação contínua do DPS (UC): Máxima tensão que pode ser aplicada
continuadamente ao modo de proteção do DPS sem comprometer seu funcionamento.
É o equivalente a tensão nominal do DPS;
Características do DPS

• Modo de proteção do DPS: Cada possibilidade de ligação de um DPS na instalação


(entre: fase / fase, fase / neutro, fase / terra,neutro / terra e outras combinações);

• Corrente máxima do DPS (IMÁX): Valor de crista de um impulso


utilizado na forma de onda tempo x corrente para ensaio do DPS;

• Corrente nominal do DPS (IN): Fração do valor de crista de um impulso cuja forma de
onda tempo x corrente representa o mais fielmente possível o impulso gerado pelos
surtos induzidos.
É utilizada para ensaio e classificação de DPS classe II. A NBR IEC 61643-1 utiliza o
parâmetro IN também para determinar a vida útil do DPS.
O mesmo deve suportar, pelo menos, 15 a 20 surtos como valor de IN;
Características do DPS
• Corrente de impulso do DPS (IIMP): Fração do valor de crista (IMAX) de um impulso
cuja forma de onda tempo x corrente representa o mais fielmente possível o primeiro
impacto de uma descarga atmosférica.
Esta é utilizada para ensaio e classificação de DPS classe I

• Outro parâmetro importante a ser considerado na classificação deste DPS é a carga


(Q), em Ampére por segundo, dessa forma pode-se conhecer a energia que o DPS
suportará ao dissipar a corrente impulsiva.
Características do DPS
Classificação do DPS
• Segundo a NBR IEC 61643-1, um DPS é classificado conforme as especificações de
construção do fabricante e, principalmente função dos parâmetros de ensaio a que é
submetido

Classe I: DPS ensaiado em condições de corrente que melhor simule o primeiro impacto
da descarga atmosférica (efeitos diretos do raio).

A IEC 62305-1 e 4 adota como forma de onda que melhor simula o impulso para este
tipo de ensaio aquela que tem tempo de frente (T1) de 10 μs ao atingir 90% da
corrente máxima do ensaio e tempo de cauda (T2) de 350 μs para atingir 50% da
mesma corrente. Daí curva 10/350
Classificação do DPS

Classe II: DPS ensaiado em condições de correntes que melhor simulem os impactos
subsequentes das descargas atmosféricas e as condições de influências indiretas nas
instalações, IN (efeitos indiretos dos raios e manobras).
Forma de onda para ensaio com tempo de frente de 8 μs e de cauda de 20 μs. Daí curva
8/20
Classificação do DPS

Classe III: por ser um dispositivo atenuador de ajuste de tensão, utilizado em níveis
internos de proteção este DPS é ensaiado com forma de onda combinada,
Quando usar DPS Classe 2

• Riscos de danos provenientes dos efeitos indiretos causados pelas descargas


atmosféricas nas linhas de alimentação que adentrem a edificação surtos induzidos
DPS Classe II instalado no 1º nível de proteção.

A proteção contra riscos causados pelos efeitos indiretos deve ser feita, basicamente,
com DPS de característica atenuador de tensão (supressores de surto) ou combinado.

Vale lembrar que este tipo de proteção também é eficaz para os efeitos dos surtos de
tensão causados por manobras na rede.
Quando usar DPS Classe 1

• Riscos de danos provenientes do efeito direto causados pelas descargas atmosféricas


no SPDA, em outros componentes da instalação ou muito próximo a ela surtos
conduzidos DPS Classe I instalado no 1º nível de proteção.

A proteção contra riscos causados pelos efeitos diretos deve ser feita, basicamente,
com DPS de característica comutador de tensão (descarregador de corrente) ou
combinado, minimizando o surto através do escoamento de uma parcela da corrente
impulsiva diretamente para a terra ou para os condutores de alimentação da
instalação (concessionárias e redes de serviços públicos), dependendo do esquema de
aterramento no local.
Seleção do DPS
A correta seleção de um DPS depende da definição dos seguintes
parâmetros:

• Tensão de operação contínua do DPS (UC)


Para determinação do valor de UC basta conhecer do modo de proteção e o esquema
de aterramento da instalação e então aplicar essas informações da Tabela
Seleção do DPS
Exemplo:

- Tensão da instalação: 127 / 220 V;

- Esquema de aterramento empregado: TN-S;

- Modo de proteção do DPS: Entre os condutores de Neutro e PE UC = U0 = 127 (V)

A especificação do DPS deve ser no valor comercialmente disponível de UC


imediatamente superior ao calculado.

Para este caso, 150 ou 155 V, são opções tecnicamente viáveis.


Seleção do DPS

• Determinação da corrente de impulso (IIMP) para DPS classe I e


nominal (IN) para DPSs classes II:

A NBR 5410 fornece parâmetros mínimos para a especificação do conjunto de DPS no


primeiro nível de proteção da instalação e determina que seja realizado o estudo de
necessidade de proteção nos demais níveis baseado nos valores de suportabilidade a
tensões impulsivas.

Esse estudo deve ser feito comparando-se UP (tensão que o DPS deixa passar) do DPS
escolhido com os demais níveis de proteção da tabela abaixo.

Após a comparação deverão ser instalados tantos conjuntos de DPS quantos forem
necessários para atingir os valores descritos na tabela.
Seleção do DPS
Seleção do DPS

• A IEC 62305-4 convenciona que a corrente elétrica da descarga atmosférica se divide


ao longo do SPDA, sendo que ao chegar ao nível do solo metade dessa corrente se
dispersa pelo eletrodo de aterramento e a outra metade retorna para a instalação,
função da diferença de tensão que aparece entre os aterramentos da edificação e da
fonte de alimentação
Seleção do DPS
Seleção do DPS

• A IEC 62305-4 convenciona que a corrente elétrica da descarga atmosférica se divide


ao longo do SPDA, sendo que ao chegar ao nível do solo metade dessa corrente se
dispersa pelo eletrodo de aterramento e a outra metade retorna para a instalação,
função da diferença de tensão que aparece entre os aterramentos da edificação e da
fonte de alimentação
Seleção do DPS

O SPDA - embora passando a maior parte de sua “vida” sem conduzir corrente elétrica
deve, por definição, estar eletricamente vinculado à instalação elétrica através do
barramento de equipotencialização principal (BEP), tornando-se parte integrante dessa
instalação, assim, ao se calcular a proteção local contra impacto direto de descargas
atmosféricas, pode-se estimar o valor da corrente atribuído ao nível de proteção
adotado para aquela edificação e dividir a metade deste numero pela quantidade de
condutores metálicos que adentrem a mesma.
Seleção do DPS
Exemplo:
Para uma edificação de uma indústria que esteja em situação de risco confinado (nível I
de proteção) que seja alimentada por uma rede trifásica com esquema de aterramento
TN-C:

- Corrente da descarga atmosférica:


I = 200 kA, (10/350) μs

Corrente do surto conduzido ao interior da instalação:


ISURTO = I/2 = 100 kA, (10/350) μs (na instalação)

Numero de condutores metálicos, externos, que adentram na


edificação:
N = 4 (3 fases + PEN)

- Corrente de surto imposta a cada condutor:


ISURTO COND = ISURTO / N = 100/4 = 25 kA
Seleção do DPS
A corrente IIMP especificada para o DPS deve ter valor comercialmente encontrado
igual ou imediatamente superior a ISURTO COND.

Vale comentar que este cálculo se mostra bastante conservador quando desconsidera
outros elementos condutores (dutos metálicos e linhas elétricas de sinal) que adentrem
a edificação.

A NBR 5410 estabelece limites mínimos de IIMP para cada situação:

• IIMP= 12,5 kA, por modo de proteção; e


• IIMP = 25 kA para DPS de neutro* em ligações monofásicas;
• IIMP = 50 kA para DPS de neutro* em ligações trifásicas.

Tanto para IIMP quanto para IN, o DPS de neutro é assim denominado por ter
características de suportabilidade diferentes dos DPS utilizados em outros
modos de instalação.
Seleção do DPS
As correntes nominais mínimas normalizadas pela NBR 5410 são:

• IN = 5 kA, por modo de proteção e


• IN = 10 kA para DPS de neutro* em ligações monofásicas;
• IN = 20 kA para DPS de neutro* em ligações trifásicas.

F=Td (1,6 + 2LBT + δ)

F - Nível de exposição a surtos provenientes das descargas


atmosféricas,
Td - Índice ceráunico,
LBT - Comprimento, em km, da linha aérea de alimentação da
instalação, e
δ - Posicionamento, situação e topologia da linha aérea e da
edificação
Seleção do DPS
É importante ressaltar que no caso de instalar DPS classe II no primeiro nível de
proteção da instalação é prudente que IN tenha valores maiores daqueles que constam
da NBR 5410.

Esta afirmação tem o objetivo de garantir a efetiva coordenação com outros possíveis
DPS instalados a jusante e com a durabilidade do conjunto (DPS x Instalação), pois a
vida útil do DPS classe II, construído com componente(s) semicondutor(es), tipicamente
varistor(es), está diretamente ligada a IN.

Então, quanto maior IN,em relação ao valor inicialmente dimensionado, maior será a
vida útil provável do DPS.

Outro fator de grande importância é a relação custo x benefício: a diferença de valor


entre um DPS com corrente nominal IN= 10 kA e outro com IN = 20 kA é muito pequena
se considerarmos as mesmas condições de exposição e atuação.
Então os parâmetros determinantes nessa comparação serão o valor da mão de obra
para instalação do DPS, o provável tempo de parada para troca dos dispositivos e o
número de trocas.

Você também pode gostar