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AS GERAÇÕES DE DIREITOS FUNDAMENTAIS

Jean Carlos Lemos Cirino 1


Dalva Felipe de Oliveira²

RESUMO

Os direitos fundamentais do homem são direitos conquistados através de lutas de homens e


mulheres por várias gerações. São divididos em gerações através das suas conquistas na história.
Esse trabalho pretende analisar a evolução dos Direitos Humanos e as gerações de direitos
fundamentais, já que esse tema é de suma importância para o Estado Democrático de Direito, e é
fruto de uma longa conquista que ainda não se estagnou no tempo. Esses direitos não foram
conquistados e reconhecidos de uma só vez, havendo uma luta pela sua efetivação. Assim, os
Direitos Fundamentais do Homem passaram do individual ao coletivo.

INTRODUÇÃO

Nesse presente trabalho, pretende-se abordar os direitos humanos, suas conquistas, e


suas gerações.
Para a classificação dos direitos fundamentais, comunentemente recorre-se ao critério
das gerações, baseando-se sempre na ordem cronológica em que os diversos direitos foram sendo
reconhecidos ao longo da história moderna.
Tal divisão, contudo, não deve ser interpretada como uma afronta ao princípio da
indivisibilidade dos direitos humanos, mas como um recurso metodológico para melhor
compreensão de certos aspectos inerentes ao tema. Inicialmente, tem-se que tal classificação é
útil para que se tenha uma noção da formação histórica do conjunto de direitos humanos
reconhecidos. Na medida em que cada geração foi reconhecida a partir de lutas políticas, tal
classificação permite também, que se tenha em mente as influências ideológicas que são
subjacentes a cada direito. Por fim, essa classificação é útil na implementação dos direitos

1
Acadêmicos do curso de Direito do CEULJI/ULBRA
² Professora da disciplina de Instrumentalização Científica do CEULJI/ULBRA
humanos, de uma maneira que facilita a compreensão de aspectos como titularidade, conteúdo e
formas de exercício de cada direito.
Esse conjunto de direitos e garantias, associa-se as características naturais dos seres
humanos à capacidade natural de cada pessoa pode valer-se como resultado da organização
social/estatal. É a esse conjunto que se dá o nome de direitos humanos, e no Brasil, nossos
direitos estão garantidos na Constituição Federal que é a nossa lei mais importante.

2-OS DIREITOS FUNDAMENTAIS DO HOMEM

Os direitos humanos são frutos das lutas contínuas de homens e mulheres presentes na
história; luta por liberdade, igualdade e fraternidade entre as pessoas, grupos, etnias, culturas e
sociedades, enfrentou e continua a enfrentar graves obstáculos políticos, social, econômico,
cultural sempre, buscando satisfazer as necessidades e aspirações do homem por uma vida digna,
feliz e realizadora que pressupõe: liberdade, vivência, trabalho, memória, solidariedade e
responsabilidades históricas e sociais.
Guerra afirma que os direitos fundamentais possuem dimensão processual importante,
considerando-os “de uma perspectiva mais realista”.
Com essa assertativa, situa-se que aquilo que há de processual nos direitos fundamentais,
que são o seu aspecto garantístico, onde se tem direitos, de natureza processual, que são direitos,
material ou formalmente, fundamentais.
Para demonstrar o realismo a esses princípios processuais como princípios
constitucionais e como direitos fundamentais, é necessário examinar o princípio do contraditório
e o direito de ação, enfatizando que o inciso LV, do artigo 5º da Constituição Federal, ao
determinar a observação do contraditório em todo processo judicial e administrativo, coloca-o
como um “verdadeiro direito fundamental processual”, denominando-o “direito ao contraditório”.
Atualmente tem-se que grande variação entre a quantidade de gerações de direitos
humanos fundamentais, dentre os quais destaca-se as quatro gerações mais mencionadas.
3-AS QUATRO GERAÇÕES DOS DIREITOS DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS

Dessa forma, como direito fundamental de 1°(primeira) geração, consta os direitos da


Liberdade: liberdade religiosa, liberdade política, liberdades civis clássicas como o direito à vida,
à segurança, entre outras mais.
Esta geração encerra os postulados dos cidadãos em face da atuação do poder público,
buscando controlar e limitar o controle governamental em suas atitudes, de modo que este
respeite as liberdades individuais da pessoa humana. Os direitos relativos a esta primeira geração
significam, portanto, uma limitação do poder público, de deixar de fazer do Estado, uma
prestação negativa em relação ao indivíduo, garantido assim a aplicabilidade do Estado
democrático de Direito;
A primeira geração também inclui os direitos civis e políticos, os direitos à vida, a
liberdade, à propriedade, à segurança pública, a proibição da escravidão, a proibição da tortura, a
igualdade perante a lei, a proibição da prisão arbitrária, o direito a um julgamento justo, o direito
de habeas corpus, o direito à privacidade do lar e ao respeito de própria imagem pública, a
garantia de direitos iguais entre homens e mulheres no casamento, o direito de religião e de livre
expressão do pensamento, a liberdade de ir e vir dentro do país e entre os países, o direito de asilo
político e de ter uma nacionalidade, a liberdade de imprensa e de informação, a liberdade de
associação, a liberdade de participação política direta ou indireta, o princípio da soberania
popular e regras básicas da democracia.
Historicamente destacar ao individualismo liberal-burguês emergente dos séculos XVII e
XVIII, os direitos que a compõem a Primeira geração tendem a impor obrigações negativas, ou
seja, abstenções, ao invés de intervenções, ao Estado e têm mais um sentido de liberdade de que
de direito a.
Na segunda geração de direitos fundamentais, destaca-se os direitos da igualdade, que são
os direitos sociais, econômicos e culturais, decorrem de aspirações igualitárias inicialmente
vinculadas aos Estados marxistas e social-democratas, dominaram posteriormente no pós - 2ª
Guerra Mundial com o advento do Estado-social.
Têm por objetivo garantir aos indivíduos condições materiais tidas por seus defensores
como imprescindíveis para o pleno gozo dos direitos de primeira geração e, por isso, tendem a
exigir do Estado intervenções na ordem social segundo critérios de justiça distributiva. Incluem
os direitos a segurança social, ao trabalho e proteção contra o desemprego, ao repouso e ao lazer,
incluindo férias remuneradas, a um padrão de vida que
assegure a saúde e o bem-estar individual e da família, à educação, à propriedade intelectual, bem
como as liberdades de escolha profissional e de sindicalização.
Compreende dessa forma proteção do trabalho contra o desemprego; direito de instrução
contra o analfabetismo; assistência para a invalidez e a velhice; direito à saúde, ao lazer e à
cultura, dentre outros. Tal geração, fundou-se no ideal da igualdade, e significa exigência ao
poder público no sentido de que este atue em favor do cidadão e para o cidadão, e não mais para
deixar de fazer alguma coisa.
Esta necessidade de prestação positiva do Estado Democrático corresponderia aos
chamados direitos sociais dos cidadãos, direitos não mais considerados individualmente, com o
objetivo de garantir à sociedade melhores condições de vida. Esta geração de direitos guarda
estreito vínculo com as condições de trabalho da população, que, com a evolução do capitalismo,
se viu necessitada de regular e garantir as novas relações de trabalho.
Já na terceira geração de direitos fundamentais, tendem a cristalizar-se enquanto direitos
que não se destinam especificamente à proteção dos interesses de um indivíduo, de um grupo ou
de um determinado Estado. Emergiram eles da reflexão sobre temas referentes ao
desenvolvimento, à paz, ao meio-ambiente, à comunicação e ao patrimônio comum da
humanidade.
Ou seja, os direitos de terceira geração são aqueles inspirados no ideal de fraternidade ou
solidariedade, interligando e reformulando os valores defendidos pelas gerações anteriores.
Segundo Bonavides: (...) Tendem a cristalizar-se neste fim de século enquanto direitos que não se
destinam especificamente à proteção dos interesses de um indivíduos, de um grupo ou de um
determinado Estado. Têm primeiro por destinatário o gênero humano mesmo (...).Por isso
mesmo, chama-os também de direitos difusos. Considerados direitos coletivos por excelência,
sua concretização depende de um esforço coordenado em nível mundial sem precedentes e ainda
por ser realizado.
Assim, três deles refletem a emergência do Terceiro Mundo no cenário político mundial:
o direito à auto-determinação política, econômica, social e cultural dos povos; ao
desenvolvimento econômico e social; à participação nos benefícios da herança comum da
humanidade (recursos compartilhados terrestres e extra-terrestres; informações e progresso
científico e tecnológico; e tradições, sítios e monumentos culturais).
Os outros três derivam justamente da atual percepção da insuficiência e impotência dos
Estados face às atuais ameaças mundiais: direito à paz, ao socorro humanitário em casos de
desastres e a um meio ambiente sadio.
Portanto, a terceira geração de direitos é composta por direitos de solidariedade,
vinculados ao desenvolvimento, à paz internacional, ao meio ambiente saudável, à comunicação,
que são os direitos difusos. Esses direitos são indeterminados e indivisíveis, não pertencendo a
nenhum indivíduo particularmente, sendo de todos e de ninguém. Por exemplo, a poluição
praticada por gases tóxicos expelidos de um pólo industrial contamina muitas pessoas, não tendo
condições de ser medido com certeza quais foram os danos causados e quantas pessoas foram
lesadas efetivamente em decorrência daquela poluição.
Sendo assim, a humanidade é destinatária dos direitos fundamentais de terceira geração,
pois com a adoção de uma coordenação sistemática de política econômica haverá a superação das
dificuldades geradas pelas desigualdades sociais.
E finalmente, a quarta geração de direitos fundamentais é expressa como direito de ser
diferente. A justificação fundamental dos direitos anteriores é a de que pertencem a todo
indivíduo, constituindo um requisito para que ele seja considerado ser humano e social.
Entretanto, outros direitos existem, que surgem de um processo de diferenciação de um
indivíduo em relação ao outro. Trata-se de questões tais como o direito à homossexualidade, à
troca de sexo, ao aborto, recusar tratamentos médicos visando abreviar a vida, entre outras. Se
bem constituam derivações da liberdade, trata-se de aplicá-las a um campo em que,
tradicionalmente reinou o público, o homogêneo, e que se considerou vital para o funcionamento
social. Estes direitos supõem um comportamento distinto aos dos demais indivíduos, por isso
chamados de direito a ser diferente.
Assim, com o surgimento e o desenvolvimento do chamado Biodireito, surgiu a quarta
geração de Direitos Fundamentais. Ou seja, a busca é o equilíbrio, sendo que as normas não
podem impedir o progresso científico, e este, não pode passar por cima dos direitos que foram
conquistados, e sem a necessidade de cobaias, mas, muitas vezes, com o sacrifício de vidas
humanas.
Essa geração surgiu dentro da última década, por causa do avançado grã de
desenvolvimento tecnológico: seriam os Direitos da Responsabilidade, tais como a promoção e
manutenção da paz, à democracia, à informação, à autodeterminação dos povos, promoção da
ética da vida defendida pela bioética, direitos difusos, ao direito ao pluralismo etc. A globalização
política na esfera da normatividade jurídica foi quem introduziu os direitos desta quarta geração,
que correspondem à derradeira fase de institucionalização do Estado social. Está ligado a
pesquisa genética, com a necessidade de impor um controle na manipulação do genótipo dos
seres, especialmente o homem.

4- Conclusão

Com este presente trabalho, conclui-se que os Direitos Humanos, com a sua evolução,
influenciaram demasiadamente o ordenamento jurídico brasileiro. A Constituição Federativa do
Brasil, Lei Maior do ordenamento jurídico brasileiro, é um instituto jurídico moderno que se
coaduna com o Estado Democrático de Direito, prevendo, no art. 1º, III, que um dos fundamentos
da República Federativa do Brasil é a dignidade da pessoa humana.
Assim, todos os seres humanos têm o direito de serem tratados com toda a dignidade e
respeito frente às outras pessoas e ao Estado Soberano. Os Direitos Humanos devem ser
efetivados e aplicados sempre, pois são resultados de uma luta histórica contra a arbitrariedade do
poder que ainda não chegou ao fim.
REFERÊNCIAS

BASTOS, Celso Ribeiro. Curso de Direito Constitucional. São Paulo: Editora Celso
Bastos, 2002.

BOBBIO, Norberto, A Era dos Direitos. Tradução de Carlos Nelson Coutinho. Rio de
Janeiro: Campus, 1992.

BONAVIDES, Paulo. Curso de Direito Constitucional. 12. ed.. São Paulo: Malheiros
Editores, 2002.

GUERRA FILHO, Willis Santiago. Processo Constitucional e Direitos Fundamentais.


2. ed.. São Paulo: Instituto Brasileiro de Direito Constitucional, 2001.

MORAES, Alexandre de. Direitos humanos fundamentais: Teoria Geral. 4.ed. São
Paulo: Atlas, 2002.

REALE, Miguel. Filosofia do direito. 11. ed. São Paulo: Saraiva, 1986.

WILSON, Pedro. Um breve olhar sobre a trajetória dos direitos humanos no Brasil
no ano de 1996. Brasília: Câmara dos Deputados,1997.