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CoMENTÁRios DE

ELLEN G. WHITE
CoMENTÁRios DE

ELLEN G. WHITE
As citações seguintes são provenientes de manuscritos e de artigos escritos em vários
periódicos, que, por ocasião da publicação inicial deste Comentário, ainda não haviam sido
incorporados a nenhum dos livros de Ellen G. \Vhite. Algumas delas, porém, foram pos-
teriormente incluídas em compilações e Meditações Diárias. Aquelas já publicadas foram
compiladas aqui com pequenas adaptações de estilo em relação ao texto original publi-
cado. Essas citações estão arranjadas em sequência, de 1 Crônicas a Cântico dos Cânticos,
os livros abrangidos por este volume do Comentário. As referências bíblicas entre parên-
teses, que precedem algumas das citações, indicam outras passagens das Escrituras sobre
as quais essas citações lançam luz. A lista de abreviaturas das fontes disponíveis das quais
foram extraídas as citações se encontra nas p. xix-xxi.

1 CRÔNICAS
CAPÍTULO 21 pela peste. Davi e os anciãos de Israel fica-
ram na mais profunda humilhação, lamen-
1-13. Davi se entrega à misericórdia tando diante do Senhor. Quando o anjo
de Deus (2Sm 24:1-14). Antes de comple- do Senhor estava a caminho de Jerusalém
tar inteiramente a obra do censo de Israel, para destruí-la, Deus pediu-lhe que ces-
Davi já sentiu a convicção de que havia sasse sua obra de morte. O Deus piedoso
cometido um grande pecado contra Deus. ainda amava Seu povo, apesar da rebeldia.
Viu seu erro e se humilhou diante de Deus, O anjo, em vestimentas de guerra, com
confessando seu grande pecado: o ato insano uma espada empunhada e pairando sobre
de contar o povo. No entanto, seu arrepen- Jerusalém, foi mostrado a Davi e àqueles
dimento ocorreu tarde demais. O Senhor que o acompanhavam. Davi ficou terrivel-
já havia dado a ordem a Seu fiel profeta mente assustado, mas clamou em deses-
para que levasse uma mensagem a Davi e pero e compaixão por Israel. Ele rogou a
lhe apresentasse as opções de castigo para Deus que salvasse o povo. Em angústia,
sua transgressão. Davi, ainda assim, mos- confessou: "Eu é que pequei, eu é que
tra que tem confiança em Deus. Prefere cair procedi perversamente; porém estas ove-
nas mãos de um Deus misericordioso a ser lhas que fizeram? Seja, pois, a Tua mão
deixado à vontade cruel de homens ímpios contra mim e contra a casa de meu pai"
(SP1, 385). (2Sm 24:17; VA, 128, 129). Deus fala a Davi
14-27. O arrependimento de Davi por meio de Seu profeta e lhe ordena que
é aceito e a destruição, interrom- faça expiação por seu pecado. Davi tinha o
pida (2Sm 24:15-25). Rápida destrui- coração na causa de Deus e seu arrepen-
ção se seguiu. Setenta mil foram mortos dimento foi aceito. A eira de Araúna lhe é

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22:13 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

oferecida gratuitamente para que edifique quatro turnos , cada um liderado por doze
ali um altar ao Senhor; também lhe é ofe- homens especialmente instruídos e hábeis
recido gado e tudo o mais que seja neces- no uso de instrumentos musicais. O traba-
sário para o sacrifício. No entanto, Davi lho dos porteiros também foi organizado de
diz àquele que deseja fazer essa generosa maneira definida.
oferta que o Senhor aceitaria o sacrifício Os sacerdotes foram divididos em vinte
que ele está disposto a fazer; porém que e quatro turnos , e foi feito um registro com-
ele, D avi, não se apresentaria diante do pleto e exato dessa divisão. Cada turno foi
Senhor com uma oferta que não lhe cus- cuidadosamente organizado sob a direção
tasse nada , mas que compraria tudo pelo de seu chefe, e devia vir a Jerusalém duas
devido preço. Ali ofereceu holocaustos e vezes por ano para ministrar no santuário.
ofertas pacíficas. Deus aceitou as ofer- Os levitas, cujo dever era auxiliar no ser-
tas ao responder a Davi, enviando fogo do viço do santuário, foram organizados, e sua
céu para consumir o sacrifício. Foi orde- parte foi determinada com precisão seme-
nado ao anjo do Senhor que embainhasse a lhante (RH, 05/10/1905).
espada e que cessasse sua obra de destrui-
§.. ção (SP 1, 385, 386). CAPÍTULO 27

CAPÍTULO 22 1, 32-34. A ampla distribuição de


responsabilidades diminui a carga
13. Deus abençoa os que amam os (Pv 11:14; 24:6). Depois de Davi ter abdi-
princípios. Cometeu o Senhor um erro cado em favor de Salomão, planos foram
ao colocar Salomão numa posição de tão feitos para a administração dos negócios do
grande responsabilidade? Não; Deus o pre- reino. O idoso rei, seus filhos e seus con-
parara para assumir essas responsabilidades selheiros consideraram essencial que tudo
e lhe prometera graça e forças, sob a condi- fosse feito com regularidade, decoro, fide-
ção de obediência. "Então, prosperarás", dis- lidade e rapidez. Tanto quanto possível,
sera Davi a ele, "se cuidares em cumprir os seguiram o sistema de organização dado
estatutos e os juízos que o SENHOR ordenou a Israel logo após o livramento do Egito.
a Moisés acerca de Israel; sê forte e corajoso, Aos levitas foi designada a obra ligada ao
não temas, não te desalentes" (lCr 22:13). serviço do templo, incluindo o mini sté-
O Senhor coloca pessoas em luga- rio da música cantada e instrumental e
res de responsabilidade, não para cumpri- a guarda dos tesouros. Os homens capa-
rem a própria vontade, mas a vontade dEle. zes de portar armas e de servirem o rei
Enquanto seguirem os puros princípios de foram divididos e m doze turnos de vinte e
governo, Ele as abençoará e fortalecerá, quatro mil pessoas cada um. À frente de
reconhecendo-as como instrumentos Seus. cada turno estava um capitão. "Joabe era
Deus nunca abandona alguém que seja fiel comandante do exército do rei" (lCr 27:34).
ao princípio (CT [MM , 2002], 158). Os "turnos (... ) entravam e saíam de mês
em mês durante o ano" (lCr 27:1). Assim,
CAPÍTULO 23 cada turno de vinte e quatro mil servia o rei
durante um mês a cada ano .
1-5. A organização para os servi- Davi nomeou Jôn atas, seu tio, como
ços do templo (2Cr 8:14). Os quatro membro "do conselho, homem sábio e
mil músicos foram divididos e m vinte e escriba" (lCr 27:32); Aitofel também era

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COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE- 1 CRÔNICAS 28:21

"do conselho do rei . [... ] A Ai to fel sucede- ao lado de Davi enquanto este escrevia,
ram Joiada [...] e Abiatar" (v. 33, 34). Husai para benefício de Salomão, as importantes
era "amigo do rei" (v. 33). Por seu prudente orientações relacionadas com os arranjos da
exemplo , o idoso rei ensinou a Salomão que casa. O coração de Davi estava na causa de
"na multidão de conselheiros há segurança" Deus (VA, 129; SP1 387, 388).
(Pv 11:14). O carpinteiro de Nazaré era o
A minuciosidade e plenitude da orga- arquiteto celestial. Cristo era o funda-
nização efetuada no início do reinado de mento da economia judaica. Ele planejou a
Salomão, a abrangência dos planos para disposição do primeiro tabernáculo terres-
colocar o maior número possível de pes- tre. Deu todas as especificações relativas à
soas no serviço ativo e a ampla distribuição construção do templo de Salomão. Aquele
de responsabilidades, de forma que o ser- que trabalhou como carpinteiro na aldeia
viço prestado a Deus e ao rei não sobrecar- de Nazaré era o Arquiteto celestial que ela-
regasse indevidamente qualquer indivíduo borou a planta da casa na qual Seu nome
ou classe são lições que todos podem estu- devia ser honrado. As coisas do Céu e da
dar com proveito, e que os líderes da igreja Terra estão mais diretamente sob a super-
cristã devem entender e seguir. visão de Cristo do que muitos imaginam
Podemos extrair muitas sugestões úteis (Ms 34, 1899).
desse exemplo de uma grande e poderosa 20, 21. Deus dá sabedoria para rea-
nação que vivia de maneira simples e con- lização de Sua obra. A solene recomenda-
fortável em lares rurais , onde cada pessoa ção de Davi deve ser conservada em mente
prestava serviço voluntário e não remune- pelos que ocupam cargos de confiança hoje,
rado a Deus e ao rei durante uma parte de pois se aplica a eles tanto quanto se apli-
cada ano (RH, 12/10/1905). cava a Salomão na época em que foi dada.
No tempo atual, o povo de Deus está sendo
CAPÍTULO 28 testado e provado, tão seguramente como o
foi nos dias de Salomão.
9. A fidelidade precede as bên- Todo este capítulo (lCr 28) é de impor-
çãos. Tão verdadeiramente como foi dada a tância para o povo de Deus que vive neste
Salomão, esta incumbência é também dada tempo. O Senhor designa pessoas para o
aos homens que ocupam posições de con- desempenho de atividades específicas para
fiança na obra de Deus atualmente. Eles a segurança e prosperidade de Seu reino .
estão sendo hoje provados e testados, assim Ele não emprega elementos desordenados,
como ocorreu com Salomão naquela época. que não tenham uma experiência genuína e
É requerida fidelidade antes que Deus que não alimentem o desejo de desenvolver
possa conceder as bênçãos que prometeu. um caráter confiável. Pesada é a tarefa de
Os que oferecem a Deus um serviço aceitá- assumir responsabilidades ligadas à obra de
vel precisam obedecer a todos os Seus man- moldar e formar um povo que execute ser-
damentos. Assim se tornam representantes viço sagrado e solene para Deus, compatível
de Cristo (Ms 163, 1902). com a condição elevada e pura de um povo
11-13, 19. Um anjo guia Davi ao que O representa.
escrever. O Senhor, por intermédio de O serviço de Deus não é confiado ao
Seu anjo, instruiu Davi, provendo-lhe um juízo e opção de uma pessoa, mas divi-
1§ ,, modelo da casa que Salomão deveria cons- dido entre os que estão dispostos a traba-
- tniir. Um anjo foi comissionado para estar lhar com interesse e espírito de sacrifício.

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29: 5 C OM ENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

Assim, segundo a habilidade e capacidade serviço todas as energias mentais e físicas.


que Deus oferece, todos assumem as respon- Aqueles sobre quem haviam sido colocadas
sabilidades que Ele indica. Os importantes responsabilidades governamentais decidi-
interesses de uma grande nação foram con- ram trabalhar com entusiasmo e abnegação,
fiados a líderes cujos talentos os capacitaram usando para Deus a habilidade e a capaci-
a lidar com essas responsabilidades. Alguns dade que Ele lhes dera.
foram escolhidos para dirigir questões admi- A exortação de D avi a Salomão e seu
nistrativas; outros foram escolhidos para cui- apelo aos que tinham sobre si a responsa-
dar de assuntos espirituais ligados ao culto bilidade da nação devem ser conservados
divino. Todo serviço religioso e todo ramo dos em mente pelos que hoje ocupam posições
negócios divinos deve trazer a assinatura do de confiança na ca usa de Deus . Em nos-
Céu. "Santidade ao Senhor" era o lema dos sos dias, o povo de Deus prosperará apenas
trabalhadores em cada departamento do tem- na medida em qu e guardar Seus precei-
plo. Era considerado essencial que tudo fosse tos; e aqueles que levam responsabilida-
conduzido com regularidade, propriedade, des são chamados a consagrar seu serviço
fidelidade e presteza. ao Senhor. Administradores de associa-
O Senhor dá sabedoria a todos quantos se ções , oficiais de igreja, dire tores e chefes
empenham em Seu serviço. O tabernáculo de departamentos em nossas instituições,
a ser transportado no deserto e o templo em obreiros em campos nacionais ou estran-
Jerusalém foram construídos de acordo com geiros - todos devem prestar fiel serviço, <~ §
instruções especiais de Deus. Desde o iní- usando seus talentos inteiram ente para
cio, o Senhor foi específico quanto ao pla- Deus. O Senhor não Se agrada de um ser-
nejamento e à execução de Sua obra. Neste viço apático. A Ele devemos tudo o que
momento da história, Ele deu a Seu povo temos e somos (RH , 14/09/ 1905).
muita luz e orientação acerca de como levar 14. Davi e Deus são sócios. O as-
avante a Sua obra - sobre uma base elevada, sunto do uso dos recursos a nós confiado s
refinada e enobrecedora. Ele não está satis- deve ser cuidadosamente considerado, pois
feito com os que descumprem o plano divino o Senhor requererá com juros aquilo que
em seu serviço. Deus separará tais homens de Lhe pertence. Enquanto estão na pobreza,
Sua causa e testará a outros que, caso sejam muitos consideram as doações sistemáticas
autossuficientes, serão, por sua vez, substi- como uma exigência bíblica; mas, quando
tuídos por outros obreiros (CT [MM, 2002], entram na posse de dinheiro ou proprieda-
156; Ms 81, 1900). des, deixam de reconhecer as reivindica-
ções de Deus. Olha m para seus recursos
CAPÍTULO 29 como se lhes pertencessem . O rei Davi,
porém, não considerou dessa form a as suas
5. O serviço apático não pode agra- posses. Compreendia que Deus é o grande
dar a Deus. A resposta veio não só em proprietário de todas as coisas e que era ele-
ofertas liberais de fundos para fazer face vada honra ser sócio de Deus. Seu coração
às despesas da construção, mas também estava cheio de gratidão pelo favor e pela
em serviço voluntário nas várias linhas de misericórdia do Senhor, e em sua oração,
trabalho da obra de Deus. Os corações se quando apresentou suas ofertas para a cons-
encheram do desejo de devolver ao Senhor trução do templo, disse: "Das Tuas mãos To
o que Lhe pertencia, consagrando ao Seu damos" (1Cr 29:14) (RH, 08/12/1896).

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COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE- 2 CRÔNICAS 6: 13

2 CRÔNICAS
CAPÍTULO 1 Será possível que, com todo o esclare-
cimento que Deus tem dado a Seu povo
3-6. Ver Ellen G. White sobre 1Rs 3:4, sobre a reverência, pastores, diretores e
vol. 2, p. 1135. professores de nossas escolas, por pre-
7-10. Ver Ellen G. White sobre ceito e exemplo, ensi nem os jovens a ficar
1Rs 3:5-9, vol. 2, p. 1135. em pé na devoção, como faziam os fari-
7-12. Ver Ellen G. White sobre 1Rs 3:5- seus? Consideraremos um demonstrativo
15, vol. 2, p. 1136. de sua presunção e importância própria?
Devem essas características tornar-se evi-
CAPÍTULO 2 dentes? [... ]
Temos a esperança de que nossos irmãos
3-14. Ver Ellen G. White sobre 1Rs 5:3- não manifestarão menos reverência e res-
18, vol. 2, p. 1136. peito ao aproximarem-se do único Deus
13, 14. Ver Ellen G. White sobre 1Rs vivo e verdadeiro do que os pagãos mani-
7: 13, 14, vol. 2, p. 1141. festam para com suas divindades idólatras,
ou estes povos serão nossos juízes no dia da
CAPÍTULO 4 decisão final. Falo a todos os que ocupam
os lugares de professores em nossas esco-
11. Ver Ellen G. White sobre 1Rs 7:13, las. Homens e mulheres, não desonrem a
14, vol. 2, p. 1141. Deus por sua irreverência e imponência.
Não se coloquem em pé, em seu farisaísmo,
CAPÍTULO 5 ao fazer suas orações a Deus . Desconfiem
de sua própria forç a. Não dependam dela;
7, 8, 12-14. Ver Ellen G. White sobre mas prostrem-se frequentemente de joelhos
1Rs 6:23-28, vol. 2, p. 1140. diante de Deus, e adorem-No.
E quando se reunirem para adorar a Deus,
CAPÍTULO 6 não deixem de se prostrar de joelhos diante
dEle. Que esta ação testifique de que toda
13. Ajoelhar-se para a oração no a alma, o corpo e o espírito estão em sujei- -<l~ S
culto público (1Rs 8:54). Tenho rece- ção ao Espírito da verdade. Quem tem exa- o
bido cartas perguntando-me sobre a posi- minado a Palavra diligentemente à procura
ção que deve ser assumida pela pessoa de exemplos e orientação a este respeito? [...]
ao fazer oração ao Soberano do Universo. As pessoas devem ir ao pé do trono da
Onde obtiveram nossos irmãos a ideia de misericórdia prostradas de joelhos, como
que deviam fic ar em pé quando oram a súditas da graça, como suplicantes. E, ao
Deus?[ ... ] (Ver Lc 22:41; At 9:40 ; 7:59, 60; receber benefícios diariamente da mão de
20:36; 21:5; Ed 9:5, 6; Sl95:6; Ef 3:14.) [... ] Deus, devem sempre acalentar gratidão em
Tanto no culto público como no parti- seu coração e expressá-la por palavras de
cular é nosso dever prostrar-nos de joe- agradecimento e de louvor por esses favores
lhos diante de Deus quando Lhe dirigimos imerecidos (ME2, 311-315).
nossas petições. Este procedimento mos- A oração de Salomão durante a dedicação
tra nossa dependência de Deus. [... ] (Ver do templo não foi feita de pé. O rei se ajoe-
2Cr 6:1-13.) [... ] lhou na humilde posição de um suplicante.

1279
8:14 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

Aqui há uma lição para o povo de Deus certamente cometerá erros e revelará fraque-
hoje . Nossa força espiritual e nossa influên- zas humanas.
cia não aumentam pela conformidade com Ao estudarmos a história de Salomão,
uma atitude mundana durante a oração. podemos ver claramen te que os próprios
[... ] Que as pessoas vão de joelhos dobra- indivíduos que elogiaram e glorificaram o
dos, como súditas da graça, como suplican- homem de talento foram os que não reco-
tes diante do trono da misericórdia. Assim nheceram e glorificaram a Deus pelas bên-
devem testificar que toda a alma, o corpo çãos que Ele lhes concedeu por meio do
e o espírito estão em sujeição ao Criador instrumento humano. Eles promoveram
(RH, 30/ll/1905). e glorificaram o homem; Deus foi deson-
rado; e, portanto, o Senhor verificou que O
CAPÍTULO 8 vaso que Ele havia escolhido e usado para
Seu serviço sagrado se tornara impuro.
14. Ver Ellen G. White sobre 1Cr 23:1-5. Os sentimentos, o espírito e a semelhança
do homem natural começaram a aparecer, e
CAPÍTULO 9 aquele que outrora fizera a vontade de Deus
se tornou corrupto por causa de exa ltações
17-22. Ver Ellen G. White sobre Ec 1:14. humanas. Então a fragilidade e a fraqueza
22, 23. É Deus que concede talen- do homem foram reveladas pela escolha de
tos ao ser humano (1Rs 10:23, 24). amigos pouco sábios, cujo comportamento
Esta honra não se originou com o próprio ajudou o tentador a apanhá-lo em suas cila-
Salomão. Deus lhe deu os talentos da influ- das. O Senhor permitiu que ele caísse na
ência e de grande sabedoria. Que todos se armadilha, porque ele continuou a exaltar
lembrem de que o tato e a habilidade não sua própria sabedoria, e não fez de Deus sua
vêm do homem natural. Aqueles que depen- confiança. Não quis ser aconselhado; quis
dem de ministros ou de qualquer outra pes- andar em seus próprios caminhos. [...]
soa que considerem superior a si próprios O Senhor coloca pessoas em posições de
devem compreender que Deus é quem dota responsabilidade a fim de executarem, não sua
o ser humano de talentos. própria vontade, mas a vontade de Deus. Ele
Vemos perigo na concessão de ricos pre- dá sabedoria àqueles que O buscam e recor-
sentes ou de palavras de elogio a instrumen- rem a Ele como seu Conselheiro. Enquanto
tos humanos. Aqueles que são favorecidos essas pessoas representarem os puros prin-
pelo Senhor precisam estar constantemente cípios de Seu governo, Ele continuará a
em guarda para que o orgulho e a vaidade abençoá-las e a conservá-las como Seus ins-
não obtenham a supremacia. Aquele quedes- trumentos a fim de que realizem Seus propó-
perta uma admiração fora do comum, aquele sitos com respeito a Seu povo. Deus coopera
que recebeu palavras de elogio do Senhor, com aqueles que com Ele cooperam. [...]
precisa das orações especiais dos fiéis ata- O teste pelo qual Salomão foi medido é usado
laias de Deus para que possa ser escudado para medir a todos (Ms 81, 1900).
do perigo de acariciar pensamentos de vai-
dade e de orgulho espiritual. Nunca deve CAPÍTULO 14
essa pessoa manifestar que é importante ou
tentar agir como um ditador ou um coman- 11. Deus trabalha com aqueles que
dante. Seus irmãos devem adverti-lo fiel- confiam nEle. Esta é uma oração apro-
mente do perigo; pois, se deixado a si mesmo, priada. Nossas perspectivas de sucesso são

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COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE - 2 CRÔNICAS 26:21

tudo, menos vantajosas. Há grandes multi- consumação, mas vejamos a necessidade


dões mobilizadas contra a verdade, a quem de treinamento aqui na Terra a fim de nos
devemos enfrentar ao apresentar a luz a preparar para fazer a vontade de Deus! Não
outros. Nossa esperança não está em nosso devemos nos exaltar nem confiar em nós
conhecimento da verdade nem em nossa mesmos, mas confiar em Deus, sabendo
capacidade, mas no Deus vivo. [... ] Deve que Ele está disposto a nos ajudar e é capaz
ê., haver [...] viva fé em que o Deus poderoso de fazê-lo . Deus trabalhará com Seu povo,
manifestará Seu poder, do contrário, tudo mas precisamos nos colocar na posição em
se demonstrará um fracasso. Deus derrotou que nossa confiança e dependência estejam
os inimigos de Israel e colocou suas tropas firmemente postas nEle (RH, 10/05/1887).
em confusão. Eles fugiram sem saber para
onde iam. Quem pode subsistir diante do CAPÍTULO 17
Senhor Deus de Israel?
Ora, não estamos lutando contra o san- 3 -7, 9, 10. A obediência traz o favor
gue e a carne, mas contra os principados de D eus. A obediência ao Senhor sempre
e as potestades, contra as forças espiri- traz Seu favor, e um fiel desempenho de
tuais do mal nas regiões celestes. O Senhor princípios justos trará as credenciais divi-
quer nos encorajar a olhar para Ele como a nas. No entanto, o Senhor é desonrado
fonte de toda a nossa força, como Aquele quando aqueles colocados como mordomos
que pode nos ajudar. Podemos olhar para do rebanho de Deus toleram e sancionam
os seres humanos, e eles nos darão con- uma obra ímpia.
selhos; porém, isso pode fracassar; mas Os sinais exteriores de jejum e oração,
quando o Deus de Israel empreende o tra- sem um espírito quebrantado e contrito,
balho por nós, faz com que este tenha não têm valor aos olhos de Deus. É neces-
sucesso. Precisamos saber se estamos em sária a obra interior da graça. A humilhação
correta relação com Deus; se não estamos, de alma é essencial. É para isso que Deus
então queremos fazer um fervoroso esforço olha. Ele receberá graciosamente aque-
para nos colocarmos na adequada relação les que humilharem o coração, ouvirá suas
com Ele. Nós precisamos fazer algo indivi- petições e sarará suas apostasias.
dualmente. Não podemos arriscar nossos M inistros e povo precisam da obra de
interesses eternos por causa de suposi- purificação na alma para que os juízos de
ções. Precisamos endireitar tudo; precisa- Deus sejam desviados deles. Deus está
mos seguir os requisitos de Deus, e então esperando, esperando por humilhação e
esperar que Ele torne nossos esforços pro- arrependimento. Ele receberá a todos os
dutivos. Observemos 2 Crônicas 20:15. que para Ele se voltarem de todo o coração
Deus opera em nós pela luz de Sua verdade. (Ms 33, 1903).
Devemos ser obedientes a todos os Seus
mandamentos. CAPÍTULO 26
Oh, se pudéssemos levar em conside-
ração esse ponto: o de que a obra em que 16 -21. O sucesso não deve levar
estamos empenhados não é nossa, mas de à exaltação (2Rs 15:5). O caso do rei
Deus, e que, como humildes instrumen- Uzias revela como Deus punirá o pecado
tos , somos cooperadores dEle; e, tendo em da presunção. [... ] O Senhor designou pes-
vista apenas a glória de Deus, não confun- soas para certas posições em Sua igreja, e
damos o princípio da vida cristã com sua Ele não quer que saiam do lugar para o qual

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33:9 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTI STA

Ele as nomeou. Quando o Senhor lhes dá 22. Hulda visitada pelos mais hon-
uma medida de sucesso, não devem se exal- rados do reino (2Rs 22:14). Josias enviou
tar e se julgar qualificadas a fazer uma obra como mensageiros à profetisa os mais exal-
para a qual não são talhadas, e para a qual tados e honrados dentre o povo. Enviou os
Deus não as chamou (RH, 14/08/1900). primeiros homens de seu reino - homens
que ocupavam posições de confiança no
CAPÍTULO 33 país. Assim conferiu honra aos oráculos de
Deus (ibid.).
9-13. A maneira como Deus age. 29-31. Ver Ellen G. White sobre 2Rs
No caso de Manassés, o Senhor nos dá um 23:1-3, vol. 2, p. 1151.
exemplo da maneira como Ele age. 30. Ver Ellen G. White sobre 2Rs 23:2,
O Senhor falou muitas vezes ao Seu povo vol. 2, p. 1151.
em advertências e reprovações. Revelou-Se 26-33. Ver Ellen G. White sobre 2Rs
em misericórdia, amor e bondade. Não 23:29, 30, vol. 2, p. 1152.
deixou Seu povo apóstata à mercê do ini-
migo, mas suportou-o longamente, mesmo CAPÍTULO 35
durante sua obstinada apostasia. Porém,
depois que os apelos foram feitos em vão, 20-24. Ver Ellen G . White sobre 2Rs
Ele prepara a vara do castigo. Que compas- 23:29, 30, vol. 2, p. 1152.
sivo amor foi exercido para com o povo de
Deus! O Senhor poderia ter destruído em CAPÍTULO 36
seus pecados aqueles que es tavam traba-
lhando em oposição a Ele, mas não fez isso. 11-13. Ver Ellen G. White sobre
Sua m ão ainda se acha estendida. Temos 2Rs 24:17-20, vol. 2, p. 1153.
razões para oferecer ações de graças a Deus 14-21. Os judeus e o esgotamento
porque Ele não retirou Seu Espírito daque- da paciência de Deus. A nação judaica se
les que se recusaram a andar em Seu cami- encontra diante de nós como um exemplo do
ê,. nho (Carta 94, 1899). esgotamento da grande paciência de Deus.
Na destruição de Jerusalém é tipificada a
CAPÍTULO 34 destruição do mundo. Os lábios dAquele que
sempre pronunciou bênçãos sobre os arre-
18, 19. Ver Ellen G. White sobre 2Rs pendidos, deu encorajamento aos pobres e
22:10, 11 , vol. 2, p. 1151. sofredores e proveu alegria aos humildes pro-
21. A Palavra do Senhor vale para nunciaram uma maldição sobre aqueles a
sempre (2Rs 22:13). Josias não disse: "Eu quem havia apresentado a luz e que não qui-
não sabia nada a respeito deste livro. Estes seram apreciar ou aceitar essa luz. Ele decla-
são preceitos antigos, e os tempos muda- rou que os que preferiram se desviar da clara
ram." Ele nomeou homens para investigar e distinta Palavra de Deus para acariciar
o assunto, e esses homens foram à profetisa tradições humanas seriam considerados cul-
Hulda [ver 2Rs 22:15-20]. pados do sangue de todos os profetas mortos
No tempo de Josias, a Palavra do Senhor desde a fundação do mundo.
era tão válida e devia ser cumprida tão rigo- Vez após vez Deus refreou os judeus
rosamente como na época em que foi dada . em sua ímpia conduta por meio de severo
E hoje continua tão válida como o era então castigo. Eles, porém, O provocaram por
(GCB, 01/04/1903). suas más obras, rejeitando a lei do Senhor

1282
COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE - ESDRAS 7:10

dos Exércitos e, finalmente, recusando-se juízo retributivo, saiu, do sagrado lugar do


a reverenciar Seu Filho unigênito. Cada Altíssimo, a ordem para que fosse vindicada
século de transgressão entesourava ira para a honra de Deus e para que Sua lei fosse
o dia da ira. Jesus suportou a obstinada e magnificada (Ms 145, sem data).
impenitente nação até encher a medida 19. Ver Ellen G. White sobre 2Rs 25:9,
de sua iniquidade. Suas ímpias obras não vol. 2, p. 1153.
foram esquecidas nem passadas por alto. 20. Ver Ellen G. White sobre 2Rs 24:10 -
Quando chegou plenamente o tempo do 16, vol. 2, p. 1153.

ESDRAS
CAPÍTULO 3 facilmente se desencorajaram não andavam
pela fé. Abrigaram sentimentos de desâ-
10-12. Alguns louvam, outros nimo que não foram um cheiro de vida para
lamentam. É desnecessário dizer que produzir boas obras (Ms 116, 1897).
esses louvores e ações de graças foram intei-
ramente apropriados. A casa sobre a qual os CAPÍTULO 7
olhos deles repousavam era suficientemente
importante para que o Senhor enviasse Sua 6-10. Esdras publica coptas do
palavra vez após vez para encorajar os cons- Livro da Lei. Esdras era descendente
trutores. O Senhor dá a Seus servos pala- dos filhos de Arão, um sacerdote que Deus
vras para serem ditas; e esta gratidão todos escolheu para ser instrumento do bem para
deviam ter [...] expressado quando viram Israel. Deus desejava honrar o sacerdócio,
êi'- que os alicerces da casa [...] foram postos. cuja glória havia sido grandemente eclip-
No entanto, surgiu outra dificuldade. sada durante o cativeiro. Esdras era um
Lamentação, choro e expressões de dor homem de grande piedade e santo zelo. Era
foram ouvidos porque externamente o tem- também homem culto e escriba versado na
plo não era tão glorioso quanto o primeiro. lei de Moisés. Essas qualificações o torna-
Houve aqueles que usaram sua capacidade vam uma pessoa eminente.
de comunicação para falar da inferioridade Esdras foi impressionado pelo Espírito
do edifício em comparação com o que havia de Deus a estudar os livros históricos e poé-
sido construído por Salomão. Juntamente ticos inspirados e, dessa forma, passou a
com a música e o cântico, com o regozijo e apreciar e compreender mais a lei. Durante
o louvor, houve um som desarmônico, não o cativeiro, o conhecimento da vontade
de alegria, louvor ou ações de graças, mas de Deus fora, em certa medida, perdido.
de insatisfação. Esdras reuniu todos os exemplares do livro
Eles viram o suficiente para levá-los a da lei que pôde achar. Publicou cópias deles
louvar a Deus. Viram que o Senhor os havia para o povo de Deus e se tornou um mes-
visitado depois de tê-los espalhado devido tre da lei e das profecias nas escolas dos
a ingratidão e a desobediência a Seus man- profetas. A Palavra de Deus pura, diligen-
damentos. Ele havia mOvido o coração de temente ensinada por Esdras, proporcio-
Ciro para ajudar os que foram designa- nou um conhecimento inestimável naquela
dos para reconstruir Sua casa. Mas os que época (Carta 100, 1907).

1283
7:10 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

Deus dá outra oportunidade e mos- Esdras correria o risco de confiar sua


tra longanimidade. O Senhor suscitou a causa a Deus . Ele sabia que se falhasse em
Esdras para ser Seu servo. Moveu o coração sua importante obra, seria só pelo fato de
do rei, de forma que Esdras achou mercê não ter cumprido os requisitos de D eus e,
diante dele. O rei colocou em suas m ãos por isso, não poder receber a ajuda divina.
recursos abundantes para a reconstrução As Escrituras dão abundante evidên-
do templo e possibilitou que retornassem os cia de que é mais seguro unir-se ao Senhor
judeus que durante setenta anos foram cati- e perder o favor e a amizade do mundo do
vos em Babilônia. Ao dar assim a Seu povo que buscar o favor e o apoio do mundo e
outra oportunidade para servir a Deus em esquecer-se da dependência de D eus . Foi
seu próprio país, o Senhor mostrou Sua lon- por estarem convencidos desta verdade que
ganimidade para com Seus filhos rebeldes os judeus se recusaram a permitir que seus
(Carta 98, 1907). adversários se unissem a eles na obra de
10. Um exemplo no conhecimento e edificação do templo. Viram nas propos tas
na prática. Não deixaremos o exemplo de daqueles idólatras um artifício de Satanás
Esdras ensinar-nos o uso devido de nosso para distrair o povo escolhido e colocá-lo ... ~
conhecimento das Escrituras? A vida desse em união e companheirismo com os inimi- ""'
servo de D e us deve ser uma inspiração gos do Senhor (RH, 08/01 / 1884).
para servirmos ao Senhor com o coração,
a mente e com todas as forç as. A cada um CAPÍTULO 9
de nós é designada uma obra a fazer, e essa
só podemos efetuar por um esforço consa- 6. Uma súplica de humilhação e
grado. Precisamos antes de tudo aplicar- contrição. Esdras tinha o verdadeiro espí-
nos em saber quais as reivindicações de rito de oração. Apresentando sua petição
Deus e, então, cumpri-las. Assim podere - por Israel diante de Deus, quando este havia
mos semear sementes da verdade, as quais pecado gravemente em face de grande luz e
trarão frutos para a vida eterna (CO [MM de privilégios, ele exclamou: "Estou confuso
1995], 193). e envergonhado, para levantar a Ti a face,
meu D eus, porque as nossas iniquidades
CAPÍTULO 8 se multiplicaram sobre a nossa cabeça, e a
nossa culpa cresceu até aos céus" (Ed 9:6).
22. Esdras se dispõe a correr o risco. Esdras se lembrou d a bondade de D eus
Esdras e seus companheiros haviam deci- em permitir que Seu povo se estabelecesse
dido temer e obedecer a Deus, bem como novamente em sua terra natal e ficou cheio
colocar inteira confiança nEle . Não se liga- de indignação e dor ao pensar na ingrati-
riam ao mundo para conseguir a ajuda ou a dão com que reagiram ao favor divino. Sua
amizade dos inimigos de D eus. Quer esti- linguagem é a da verdadeira humilhação de
vessem com muitos ou poucos, sabiam que alma, a d a contrição que faz prevalecer a
o êxito só poderia vir de Deus, e não deseja- oração dirigida a Deus. Só a oração da pes-
vam que o sucesso fosse atribuído à riqueza soa humilde chega até os ouvidos do Senhor
ou à influência de pessoas ímpias. dos Exércitos (ST, 19/02/ 1885).

1284
COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE- NEEMIAS 1: 11

NEEMIAS
CAPÍTULO I o honrou. O Senhor usará em Sua obra pes-
soas que tenham para com os princípios a
I. Homens de princípios e aten- firmeza do aço, que não sejam demovidos
tos às oportunidades. Neemias e Esdras pelos sofismas dos que perderam a visão
eram homens atentos às oportunidades. espiritual (RP [MM 1999], p. 271).
O Senhor tinha uma obra especial para Neemias foi escolhido por Deus porque
eles fazerem. Deviam instar com o povo estava disposto a cooperar com o Senhor
para que considerassem os seus caminhos sendo um restaurador. A mentira e a intriga
e vissem em que haviam errado; pois o foram usadas para perverter sua integridade,
Senhor não permitia que o Seu povo se tor- mas ele não se deixou subornar. Recusou-se
nasse impotente e confuso nem que fos se a ser corrompido pelos artifícios de pes-
levado em cativeiro sem motivo. O Senhor soas sem princípios que foram contratadas
abençoou especialmente esses homens por para fazer uma obra má. Não permitiu que
defenderem o que é direito. Neemias não foi elas o coagissem a agir de maneira covarde.
separado como sacerdote ou profeta, mas o Quando viu pessoas agindo de acordo com
Senhor o usou para fazer uma obra especial. princípios errôneos, ele não permaneceu
Ele foi escolhido como dirigente do povo, como mero espectador, dando seu consen-
mas sua fidelid ade a Deus não dependia de timento pelo silêncio. Não deixou as pes-
sua posição. soas pensarem que ele estava do lado do
O Senhor não deixará que Sua obra erro. Tomou uma posição firme e inflexível
seja prejudicada, mesmo que os obreiros pelo que era correto. Negou-se a exercer a
se mostrem indignos. Deus tem homens de mínima partícula de influência em prol da
reserva, preparados para enfrentar as exi- perversão dos princípios estabelecidos por
gências, a fim de que Sua obra seja guar- Deus. Qualquer que fosse o procedimento
dada de toda influência contaminadora. adotado por outros, ele podia dizer: "Eu
Deus será honrado e glorificado. Quando assim não fiz, por causa do temor de Deus ."
o Espírito divino impressiona a mente da Em seu trabalho, Neemias tinha sem-
pessoa indicada por Deus como sendo apta pre em vista a honra e a glória de D eus.
para a obra, ela responde, dizendo: "Eis-me Os governadores que foram antes dele lida-
aqui, envia-me a mim" (Is 6:8). ram injustamente com o povo, "e lhe toma-
Deus demonstrou ao povo pelo qual ram pão e vinho, além de quarenta siclos de "' ª
fizera tanta coisa que não condescenderia prata; até os seus moços dominavam sobre
com os seus pecados. Ele operou, não por o povo". "Porém eu assim não fiz", declara
intermédio dos que se recusavam a servi-Lo Neemias, "por causa do temor de Deus"
com inteireza de propósito, dos que corrom- (Ne 5:15) (RH, 02/05/ 1899).
peram os seus caminhos diante dEle, mas 5-11. Uma oração para ser estu-
por meio de Neemias; pois ele foi registrado dada. Neemias não disse que apenas Israel
nos livros do Céu como um verdadeiro havia pecado. Reconheceu, com penitência,
homem : Deus disse: "Aos que Me honram, que ele e a casa de seu pai pecaram. "Temos
honrarei" (lSm 2:30). Neemias demonstrou procedido de todo corruptamente contra Ti"
ser um homem a quem Deus podia usar (v. 7), disse ele, colocando-se entre os que
para derribar falsos princípios, e para res- haviam desonrado a Deus por não tomarem
taurar princípios de origem celeste; e Deus firme posição ao lado da verdade. [... ]

1285
1:6 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

Neemias se humilhou diante de Deus, tinha a fazer. Neemias não ousou respon-
dando-Lhe a glória devida ao Seu nome. der imediatamente. Importantes interesses
O mesmo fez Daniel em Babilônia. Estu- estavam em jogo. O destino de uma nação
demos as orações desses homens. Elas dependia da impressão que devia então ser
nos ensinam que devemos nos humilhar, feita na mente do monarca; e Neemias ele-
mas que nunca devemos obliterar a linha vou uma urgente oração ao Deus do Céu
de demarcação entre o povo de Deus que antes de ousar responder ao rei. O resultado
guarda os mandamentos e aqueles que não foi que ele obteve tudo o que pediu e dese-
têm nenhum respeito por Sua lei. jou (HS, 144).
Todos precisamos nos achegar a Deus. 8, 18. O reconhecimento da boa
Ele Se aproximará daqueles que a Ele vão em mão de Deus. O Senhor requer que escon-
humildade, cheios de santa reverência por damos o eu em Jesus Cristo e deixemos toda
Sua sagrada majestade e se colocam diante a glória para Deus. Nossa vida é do Senhor e
dEle separados do mundo (Ms 58, 1903). está investida de uma responsabilidade que
6, 7. Neemias confia na fidelidade não compreendemos plenamente. As fibras
de Deus. Mediante a fé que se apega do eu foram entretecidas na trama, e isto
firme à promessa divina, Neemias apre- desonrou a Deus. Neemias alcançou grande
sentou, diante do trono celestial da miseri- influência sobre o monarca em cuja corte
córdia, sua petição para que Deus cuidasse vivia e sobre seu povo em Jerusalém. Mas,
da causa de Seu povo penitente, restau- em vez de atribuir o louvor a seus próprios
rasse sua força e reedificasse os lugares traços excelentes de caráter e à sua notá-
assolados. Deus fora fiel em Suas ameaças vel aptidão e energia, ele apresentou a ques-
quando o povo se separou dEle; Ele os espa- tão exatamente como era: declarou que seu
lhou entre as nações, de acordo com Sua sucesso se devia à boa mão de Deus sobre
Palavra. Neemias descobriu nesse próprio ele. Entesourava a verdade de que Deus era
fato a certeza de que Ele seria igualmente sua salvaguarda em todas as posições impor-
fiel no cumprimento de Suas promessas tantes que ocupava. Cada traço de caráter
(The Southern Watchman, 1/03/1904). mediante o qual obtinha favores era motivo
para que ele louvasse o poder de Deus que
CAPÍTULO 2 atuava por meio de Seus agentes invisíveis.
E Deus lhe deu sabedoria porque ele não se
4. Perseverantes na oração (Rm 12: 12). exaltou. O Senhor o ensinou a usar os dons
Deus, em Sua providência, não nos permite que lhe foram confiados da melhor forma
conhecer o fim desde o princípio, mas possível, e, sob a supervisão de Deus, esses
nos dá a luz de Sua Palavra para nos guiar talentos ganharam outros talentos. Este
enquanto avançamos e ordena que mante- agente humano podia ser usado por agentes
nhamos a mente fixa em Jesus. Onde quer divinos (Carta 83, 1898).
que estejamos, qualquer que seja nossa ocu- 12-15. Os anjos veem a igreja como
pação, nosso coração deve se elevar a Deus Neemias viu Jerusalém. Com o cora-
em prece. É isso que significa ser perseve- ção tomado de dor, o visitante que chegara
rante na oração. Para orar, não precisamos de longe contemplou as arruinadas defe-
esperar até podermos nos colocar de joelhos. sas de sua amada Jerusalém. E não é assim
Em certa ocasião, quando Neemias foi à pre- que os anjos do Céu inspecionam a con-
sença do rei, este lhe perguntou por que seu dição da igreja de Cristo? Como os habi-
semblante estava tão triste e que pedido ele tantes de Jerusalém, habituamo-nos aos

1286
COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE - NE EMIAS 4:8

males existentes e, muitas vezes, ficamos Nesta época do mundo, precisamos de


satisfeitos, sem fa zer nenhum esforço para homens como Neemias que despertem o
remediá-los. Como, porém, são esses males povo para ver quão longe estão de Deus por
considerados pelos seres iluminados divi- causa da transgressão de Sua lei. Neemias
namente? Como Neemias, não olham eles foi um reformador, um grande homem sus-
com o coração pesaroso para os muros der- citado para um tempo importante. Quando
ribados e as portas queimadas? (VF [MM teve de enfrentar o mal e toda sorte de opo-
197 1), 264) sição, despertaram-se nele nova coragem e
Não estão visíveis por toda parte os ver- novo zelo. Sua energia e determinação ins-
~ ~ gonhosos sinais da apostasia contra Deus e piraram o povo de Jerusalém, e a forç a e a
- da conformidade com um mundo que ama coragem tom aram o lugar da fraqueza e do
o pecado e odeia a verdade? Nesses dias de desânimo. Seu santo propósito, sua elevada
escuridão e perigo, quem é capaz de se levan- esp erança e a alegre consagração à obra
tar em defesa de Sião e mostrar a ela algum foram contagiantes. As pessoas foram toma-
bem? Sua condição espiritual e suas pers- das pelo entusiasmo de seu líder, e em sua
pectivas futuras não estão de acordo com a esfera cada um se tornou como Neemias e
luz e com os privilégios concedidos por Deus ajudou a fortalecer as mãos e o coração de
(The Southern Watchman, 22/03/1904). seu companheiro. Aqui está uma lição para
17, 18. Precisa-se de Neemias. os ministros de nossos dias. Se eles forem
Carecemos hoje de pessoas como Neemias indiferentes, inativos e destituídos de pie-
n a igreja, não de homens capazes de pregar doso zelo, o que se poderá esperar das pes-
e orar apenas, mas de homens cujas ora- soas a quem eles ministram? (The Southern
ções e sermões sejam animados de firm e e Watchman , 28/06/ 1904).
sincero propósito. O procedimento seguido
por esse patriota hebreu n a realização de CAPÍTULO 4
seus planos devia ser ainda adotado pelos
pastores e dirigentes. Havendo eles deline- 1-8. Satanás usa o desprezo e a zom-
ado seus planos, deveriam expô-los perante baria. A experiência de Neemias se repete
a igreja de maneira que lhes atraísse o inte- na história do povo de Deus em nossos dias.
resse e a cooperação. Fazei que o povo Os que labutam na causa da verdade des-
compreenda os planos e tome parte na cobrirão que não o podem fazer sem provo-
obra, e hão de se interessar p essoalmente car a ira dos inimigos dela. Embora tenham
em sua prosperidade . O êxito que acompa- sido chamados por D eu s para a obra em
nhou os esforços de Neemias mostra o que que se acham empenhados, e mesmo que
podem realizar a oração, a fé e uma ação seu procedimento seja por Ele aprovado,
sábia e enérgica. A fé viva imp ele para a não podem fugir à vergonha e ao escár-
ação enérgica. O povo refletirá em alto grau nio. Serão denunciados como visionários
o espírito m anifestado pelo dirigente . Se os e indignos de confiança , intrigantes , hipó-
dirigentes que profess am crer nas solenes e critas - tudo, enfim, que sirva ao propósito
importantes verdades que devem provar o de seus inimigos. As coisas mais sagradas
mundo hoje não manifestam zelo ardente serão apresentadas a uma luz ridícula, a fim
em preparar um povo que subsista no dia de divertir os ímpios. Uma pequenina dose
de Deus , podemos esperar que a igreja seja de sarc asmo e humor vulgar, unida a inveja,
descuidada, indolente e amante dos praze- ciúmes, impiedade e ódio, é suficiente para
res (S C, 177). instigar o riso do esc arnecedor profan o.

1287
4:7 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

E esses gracejadores presunçosos afiam sabedoria, deixando de fazer de Deus a nossa


mutuamente sua habilidade, encorajando- força. Coisa alguma perturba tanto a Satanás
se reciprocamente em sua .obra blasfema. como o conhecermos seus ardis. Se sentimos
O desprezo e a zombaria são de fato peno- o próprio perigo, sentiremos também a neces-
sos para a natureza humana; mas têm que sidade que temos de oração, como acon-
ser suportados por todos os que são fiéis a teceu com Neemias; e, à sua semelhança,
Deus. É política de Satanás desviar assim obteremos aquela firme defesa que nos
as almas de fazerem a obra que o Senhor dará segurança no perigo. Porém, caso seja-
lhes impôs (SC, 173, 174). mos descuidados e indiferentes, certamente
Os zombadores orgulhosos não merecem seremos vencidos pelos enganos de Satanás.
confiança. Contudo, assim como Satanás Devemos ser vigilantes. Ao passo que, como
achou nas cortes celestiais um grupo de Neemias, recorremos à oração, levando todas
simpatizantes, estes acham entre os pro- as nossas perturbações e fardos ao Senhor,
fessas seguidores de Cristo pessoas a quem não devemos sentir que nada mais temos a
conseguem influenciar, que acham que eles fazer. Precisamos vigiar da mesma maneira
são honestos, que simpatizam com eles, que que orar. Devemos vigiar a obra de nossos
os defendem e que assimilam o seu espírito. adversários, para que não obtenham vanta-
Aqueles que não têm quase mais nada em gem, iludindo as pessoas. Cumpre-nos, na
comum se unem para perseguir os poucos sabedoria de Cristo, esforçar-nos para derro-
que ousam trilhar o reto caminho do dever. tar seus desígnios, ao mesmo tempo em que
E a mesma inimizade que leva ao desprezo não permitimos que nos desviem da grande
e à zombaria, numa oportunidade favorável obra em que nos encontramos empenhados.
vai inspirar medidas mais violentas e cruéis, A verdade é mais forte do que o erro. A jus-
especialmente quando os obreiros de Deus tiça prevalecerá sobre a iniquidade. [...]
estiverem sendo ativos e bem-sucedidos Encontraremos oposição de toda espé-
(The Southern Watchman, 12/04/1904). cie, como aconteceu com os construtores
7-9. União através de um elo dragô- dos muros de Jerusalém; se, porém, vigiar-
nico. O espírito de ódio e oposição contra mos, orarmos e trabalharmos como eles o
os hebreus formou o traço de união, criando fizeram, o Senhor combaterá nossos com-
mútua aproximação entre diversas corpora- bates por nós e nos dará vitórias preciosas
ções de homens que, de outro modo, pode- (RH 06/07/1886; T3, 572, 573).
~ i> riam guerrear uns contra os outros. Isso
- ilustra bem o que frequentemente testemu- CAPÍTULO 6
nhamos em nossos dias na união existente
entre pessoas de diferentes denominações 3. A maneira de enfrentar ameaças
para se opor à verdade presente - pessoas intimidadoras. Encontraremos a mais feroz
cuja única ligação parece ser aquilo que é oposição por parte dos que são hostis à lei de
de natureza satânica, manifestando amar- Deus. Mas, como os construtores dos muros
gura e ódio contra os remanescentes que de Jerusalém, não nos devemos permitir ser
guardam os mandamentos de Deus. [...] desviados de nossa obra ou atrapalhados
"Porém, nós oramos ao nosso Deus e, como nela, quer seja por boatos, por mensageiros
proteção, pusemos guarda contra eles, de que desejem discutir ou criar controvérsias,
dia e de noite" [Ne 4:9]. por ameaças intimidadoras, pela divulgação
Corremos contínuo risco de nos tornar- de mentiras ou por qualquer dos artifícios
mos presunçosos, confiando em nossa própria que Satanás possa instigar. Nossa resposta

1288
COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE - ESTER 1:9

deve ser: "Estamos fazendo grande obra, de Essa história foi registrada para nosso bene-
modo que não poderemos descer." Às vezes, fício. O que ocorreu vai se repetir, e precisa-
teremos dúvidas quanto a que conduta deve- mos buscar o conselho de Deus. Não devemos
mos seguir para preservar a honra da causa confiar em conselhos humanos. Precisamos
de Deus e defender Sua verdade. ter mais discernimento para poder distin-
A conduta de Neemias deve ter forte guir entre a verdade e o erro. A história dos
influência sobre nossa mente com respeito filhos de Israel mostra o que certamente acon-
à maneira de enfrentar esse tipo de opo- tecerá a quem se desvia dos princípios bíbli-
nente. Devemos levar todas essas coisas ao cos para seguir costumes e práticas humanos .
Senhor em oração, da mesma forma que O Senhor não apoiará quaisquer planos que
Neemias fez sua súplica a Deus enquanto gratifiquem o egoísmo e impeçam o pro-
tinha o espírito humilhado. Ele se apegou a gresso de Sua obra. Ele não fará prosperar
Deus com fé inabalável. ideias que desviem as pessoas da fidelidade
Esta é a conduta que devemos seguir. aos Seus mandamentos. Deus requer que os
O tempo é precioso demais para que os ser- talentos confiados ao ser humano sejam usa-
vos de Deus se devotem a vindicar seu pró- dos para seguir Seus caminhos, para fazer
prio caráter quando este é denegrido pelos justiça e juízo, quer seja para derribar ou para
que odeiam o sábado do Senhor. Devemos restaurar e edificar. Deus não quer que siga-
avançar com inabalável confiança, crendo mos a sabedoria de pessoas desobedientes
que Deus dará à Sua verdade grandes e pre- à Sua Palavra e que se transformaram em
ciosas vitórias. Em humildade , mansidão e motivo de vergonha por causa de suas prá-
pureza de vida, confiando em Jesus, levare- ticas e de seus conselhos (RH , 02/05/ 1899). .,. ;:;:;
mos conosco um poder convincente de que 6-15. Ver Ellen G. White sobre Êx 20:1- "'
temos a verdade (RH, 06/07/1886; T3, 574). 17, vol. 1, p. 1216.
38. Unir-se numa solene aliança
CAPÍTULO 9 (Ne 10:29). Seria uma agradável cena para
Deus e os anjos se Seus professas seguido-
Princípios bíblicos versus cos- res nesta geração se unissem como o Israel
tumes humanos. No nono capítulo do passado [referindo-se de maneira espe-
de Neemias são registradas as obras do cial ao reavivamento dos dias de Neemias],
Senhor em favor de Seu povo. Ali são apon- numa solene aliança, prometendo que "guar-
tados os pecados do povo ao se desviar de dariam e cumpririam todos os mandamen-
Deus. Esses pec ados os haviam separado tos do Senhor, nosso Deus, e os Seus juízos e
dEle, e Ele permitira que ficassem sob o os Seus estatutos" (Ne 10:29; The Southern
controle de nações pagãs. Watchman, 07/06/1904).

ESTER
CAPÍTULO 1 convidados promíscuos, mas uma comemo-
ração promovida pela rainha para as mulhe-
9. O contraste de duas festas. res de alta posição no reino, que foram
Lemos com prazer a respeito da festa da recebidas com decorosa cortesia, sem licen-
rainha Vasti. Essa não foi uma festa para ciosidade ou sensualidade.

1289
I: 1O COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

Foi quando o rei estava fora de si, O grande poder exercido por reis leva,
quando sua razão já havia sido destronada muitas vezes, a extremos de exaltação pró-
pelo vinho que ele mandou buscar a rai- pria. E os votos inúteis tomados para pro-
nha, para que os que estavam em sua festa, mulgar leis, que não levam em conta as
homens também embriagados pelo vinho, leis superiores de Deus, ocasionam gran-
pudessem contemplar a beleza da mulher. des injustiças.
Ela agiu em harmonia com uma consciên- Ocasiões de condescendência como as
cia pura. retratadas no primeiro capítulo de Ester
Vasti se recusou a obedecer à ordem não glorificam a Deus. No entanto, o
do rei. Pensava que, quando ele voltasse Senhor realiza Sua vontade mesmo por
à sobriedade, ele elogiaria sua atitude. meio de homens que levam outros a agir
No entanto, o rei tinha conselheiros insen- de modo errado. Se Deus não estendesse
satos, e eles argumentaram que fazer isso Sua mão refreadora, seriam vistas cenas
seria dar a uma mulher um poder que seria estranhas. Deus, contudo, impressiona a
prejudicial a ela mesma (Ms 29, 1911). mente humana para que realize Seu pro-
10-12. A recusa de Vasti foi para pósito, muito embora a pessoa usada con-
o bem do rei. Se o rei tivesse conser- tinue a seguir práticas erradas. O Senhor
vado sua dignidade real praticando hábi- realiza Seus planos mesmo por meio de
tos de temperança, nunca teria dado essa pessoas que não reconhecem Suas lições
ordem. Sua mente, porém, fora afetada de sabedoria. Em Suas mãos está o cora-
pelo vinho que ele usava tão livremente, ção de todo governante terreno, e Ele o
e ele não estava preparado para agir de inclina para onde quer, da mesma forma
maneira sábia. que muda a direção das águas do rio.
Quando saiu essa ordem do rei, Vasti Através da experiência que levou Ester
não a acatou porque ela sabia ter havido ao trono medo-persa, Deus estava atuando
livre uso de vinho e que Assuero estava para a realização de Seus propósitos para
sob a influência de bebida alcoólica . Para o Seu povo. Aquilo que foi feito sob a influên-
bem do marido e dela própria, decidiu não cia de muito vinho contribuiu para o bem de
deixar sua posição à frente das mulheres da Israel (Ms 39, 1910).
ê ~ corte (Ms 39, 1910).
16-22. Deus usa a insensatez de CAPÍTULO 4
Assuero para o bem. Não há dúvida de
que o rei, ao considerar o assunto posterior- 14-17. Mulheres consagradas de-
mente, achou que Vasti merecesse ser hon- sempenham papel importante. Por in-
rada, e não tratada da maneira como o foi. termédio da rainha Ester, o Senhor efetuou
Nenhuma lei de divórcio formulada por um poderoso livramento a favor de Seu
homens que durante muitos dias se entre- povo. Numa ocasião em que parecia que
garam ao uso do vinho, por homens inca- nenhum poder poderia salvá-los, Ester e as
pazes de controlar o apetite, podia ter mulheres associadas a ela, por meio de je-
qualquer validade aos olhos do Rei dos reis. jum, oração e ação imediata, enfrentaram a
Esses homens estavam incapacitados para questão, provendo salvação a seu povo.
raciocinar de maneira sensata e nobre. Não O trabalho das mulheres em cone-
podiam discernir a verdadeira situação. xão com a causa de Deus, nos tempos do
Por mais elevado que seja o cargo, as Antigo Testamento, nos ensina lições que
pessoas têm de prestar contas a Deus. habilitam a enfrentar emergências na obra

1290
COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE- JÓ 4:9

de Deus hoje . Talvez não sejamos levados vezes, porém, mulheres convertidas podem
a uma situação tão crítica e saliente como desempenhar parte importante em posições
o povo de Deus no tempo de Ester. Muitas mais humildes (RP [MM 1999], 270).


CAPÍTULO 1 ao avaliar assim o caráter. Não vivemos no
tempo do juízo retributivo. O bem e o mal
1. Moisés é o autor do livro de estão misturados, e sobrevêm calamidades a
Jó. Os longos anos em m eio à solidão do todos. Às vezes, as pessoas de fato ultrapas-
deserto não foram perdidos. Moisés não sam a linha demarcatória do cuidado pro-
apenas obtinha preparo para a grande obra tetor de D eus, e en tão Satanás exerce seu
à sua frente, mas , durante esse período, sob poder sobre elas e Deus não Se interpõe. Jó
a inspiração do Espírito Santo, escreveu o foi severamente afligido, e seus amigos pro-
livro de Gênesis e também o livro de Jó, que curaram fazê-lo reconhecer que seu sofri-
seriam lidos com o mais profundo interesse mento era resultado do pecado, e levá-lo a
pelo povo de Deus até o final dos tempos sentir-se sob condenação. Representaram
(ST, 19/02/ 1880). seu caso como o de um grande pecador; mas
5. Jó como fiel sacerdote. Bom seria o Senhor os repreendeu pela maneira como
para os pais aprenderem do homem de Uz julgaram Seu fiel servo (Ms 56, 1894).
uma lição de firmeza e devoção . Jó não 9. Os amigos de Jó representam mal
negligenciou seu dever para com os de fora o caráter de Deus. Há impiedade em nosso
d a famíli a; foi beneficente, bondoso, consi- m undo, mas nem todo sofrimento é resultado
derado quanto aos interesses do próximo; de conduta pervertida. Jó é distintamente
e, ao mesmo tempo, trabalh ava fervorosa- colocado diante de nós como um homem a
mente pela salvação da própria família. Nas quem o Senhor permitiu que Satanás afli-
festividades de seus filhos e filhas , ele temia gisse. O inimigo o despojou de tudo o que
que eles desagradassem a Deus. Como fiel ele possuía; seus laços familiares foram rom-
sacerdote do lar, oferecia sacrifícios por eles pidos; seus filhos lhe foram tirados. Durante
individualmente. Conhecia o ofensivo cará- um tempo seu corpo ficou coberto de ch a-
ter do pecado; a suspeita de que seus filhos gas repugnantes, e ele sofreu grandemente.
se esquecessem das reivindicações divinas Seus amigos foram confortá-lo, mas tenta-
o levava a Deus como intercessor em favo r ram convencê-lo de que ele próprio era res-
deles (FF [MM 2005/ 1956], 257). ponsável por suas aflições devido à sua
conduta pecaminosa. Ele, contudo, se defen-
CAPÍTULO 4 deu e negou a acusação, declarando: "Todos
vós sois consoladores molestos" (Jó 16:2).
7-9. Calamidades não são necessa- Ao procurar fazê-lo sentir-se culpado diante
riamente indicativo de pecado (Jó 38:1, de Deus e merecedor de Sua punição, eles
2). É natural para os seres humanos pensar trouxeram-lhe uma severa prova e representa-
que grandes calamidades são um seguro indi- ram a Deus sob uma falsa luz. No entanto, Jó
cativo de grandes crimes e enormes pecados; não abandonou sua lealdade, e Deus recom-
mas as pessoas, muitas vezes, equivocam-se pensou Seu servo fiel (Ms 22, 1898).

1291
38:1 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

CAPÍTULO 38 os argumentos humanos mais capazes não


conseguem refutar. Eles negam os recla-
Deus faz perguntas que os sábios mos de Deus e negligenciam os interesses
não respondem (Rm 11:33). Pessoas da de sua própria alma porque não conseguem
mais alta inteligência não conseguem com- entender os caminhos e as obras de Deus.
preender os mistérios de Yahweh revelados No entanto, Deus sempre busca instruir
na natureza. A inspiração divina faz mui- os seres humanos finitos para que possam
tas perguntas que o mais sábio erudito não exercer fé nEle e se entregar inteiramente
pode responder. Essas perguntas não foram em Suas mãos. Cada gota de chuva ou floco
feitas com a suposição de que pudéssemos de neve, cada haste de grama, cada folha,
dar resposta às mesmas, mas a fim de cha- cada flor e cada arbusto testifica de Deus.
mar nossa atenção para os profundos mis- Essas pequenas coisas tão comuns que
térios de Deus e fazer com que saibamos nos rodeiam ensinam a lição de que nada
que sua sabedoria é limitada, que nas coi- passa despercebido ao Deus infinito, nada é
sas comuns da vida diária há mistérios além demasiado pequeno para receber Sua aten-
da compreensão de mentes finitas, que o ção (GCB, 18/02/1897).
discernimento e os propósitos de Deus são I, 2. Ver Ellen G. White sobre Jó 4:7-9.
inescrutáveis e que Sua sabedoria é inson- 11. O poder que controla as ondas
dável. Mesmo quando Se revela, Deus o faz pode controlar a rebelião. Coisa alguma
ocultando-Se na densa nuvem do mistério. pode acontecerem qualquer parte do Universo
O propósito de Deus é ocultar mais de sem o conhecimento do Onipresente. Nem
Si mesmo do que aquilo que torna conhe- um acontecimento da vida humana sequer é
cido ao ser humano. Se as pessoas pudes- desconhecido ao Criador. Enquanto Satanás
sem entender plenamente os caminhos e as está continuamente imaginando o mal, o
obras de Deus, não creriam que Ele é o Ser Senhor nosso Deus governa tudo, de modo
infinito. Deus, em Sua sabedoria, razões e que ele não cause dano a Seus filhos obe-
propósitos, não pode ser compreendido pelo dientes e confiantes. O mesmo poder que
ser humano. "Quão inescrutáveis os Seus controla as empoladas ondas do oceano, pode
caminhos!" (Rm 11:33). Seu amor nunca restringir todo o poder da rebelião e do crime.
pode ser explicado por princípios natu- Deus pode dizer a um como ao outro: "A.té
rais. Se isso pudesse ser feito, não acredi- aqui virás, e não mais adiante" (Jó 38:11).
taríamos poder confiar-Lhe os interesses de Que lições de humildade e fé pode-
nossa alma. Os céticos se recusam a crer mos aprender ao verificar o trato de Deus
porque, com sua mente finita, não podem com Suas criaturas! O Senhor só pode fazer
compreender o infinito poder mediante o pouco pelos filhos dos homens porque eles
qual Deus Se revela. Nem mesmo o meca- são muito orgulhosos e cheios de vangló-
nismo do corpo humano pode ser ple- ria. Exaltam-se a si mesmos, engrande-
namente compreendido; ele apresenta cendo a própria força, cultura e sabedoria.
mistérios que intrigam os mais inteligentes. É necessário que Deus frustre suas espe-
Contudo, só porque a ciência humana ranças e seus planos a fim de aprenderem
não consegue, com suas pesquisas, explicar a confiar unicamente nEle. Todas as nossas
os caminhos e as obras do Criador, as pes- faculdades pertencem a Deus; nada pode-
soas duvidam da existência de Deus e atri- mos fazer independentemente das forças
buem poder infinito à natureza. A existência que Ele dá. Onde está o homem, a mulher
de Deus, Seu caráter e Sua lei são fatos que ou a criança que não seja sustentado(a) por

1292
COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE - SALMOS 5:12

Deus? Onde está o lugar vazio que Deus a sorte de Jó quando ele orou, não só por si
não o encha? Onde está a necessidade que mesmo, mas pelos que a ele se opunham.
possa ser suprida por outro que não Deus? Quando sentiu o fervoroso desejo de que as
[... ] Ele quer que O tornemos nosso prote- pessoas que pecaram contra ele fossem aju-
tor e guia em todos os deveres e negócios da dadas, ele próprio recebeu ajuda. Oremos,
vida (FV [MM 1959], 61; ST, 14/07/1881). não por nós mesmos, mas por aqueles que nos
magoaram e que continuam a nos magoar.
CAPÍTULO 42 Orem, orem, especialmente em pensamento.
Não deem descanso ao Senhor; pois Seus
10. Orar por aqueles que nos ouvidos estão abertos para ouvir as orações
magoam. Esforcemo-nos para andar na luz sinceras e persistentes feitas quando a alma
como Cristo está na luz. O Senhor mudou se humilha diante dEle (Carta 88, 1906). 10 ~

SALMOS
Instruções para se estudarem ser para a juventude como sustento a seu
vários salmos. Quão terrível é não reco- tempo? (CPPE, 457, 458; Ms 96, 1899).
nhecer a Deus a seu tempo! Quão triste
alguém humilhar-se quando já é demasiado SALMO I
tardei Por que, oh, por que os homens não
atendem ao convite? Declara o salmista: 3. O que torna um cristão sem-
"Ao meu coração me ocorre: Buscai a Minha pre vivo? Procure ser uma árvore sempre
presença; buscarei, pois, SENHOR, a Tua pre- verde. Use o adorno de um espírito manso
sença" (Sl 27:8). Todo esse salmo é excelente e tranquilo, que é de grande valor diante de
e deve encontrar lugar nas lições de leitura Deus. Cultive a graça do amor, da alegria,
e soletração na escola. Os Salmos 28, 29 e paz, longanimidade, benignidade, bondade,
78 falam das ricas bênçãos concedidas por fidelidade, mansidão e do domínio próprio.
Deus a Seu povo e da má retribuição, da Esse é o fruto da árvore cristã. Plantada
parte deles, por todos os Seus benefícios. junto a corrente de águas, ela sempre dá o
O Salmo 81 explica o motivo da dispersão seu fruto no devido tempo (Ms 39, 1896).
dos filhos de Israel - eles se esqueceram de
Deus, como as igrejas de nossa terra O estão SALMO 5
esquecendo atualmente. Considerem tam-
bém os Salmos 89, 90, 91, 92 e 93. Minha 5-12. Características distintivas da
atenção foi chamada para esses assuntos. fala (Tg 3:8). A fala é um dos maiores dons
Não consideraremos a Palavra do Senhor? de Deus ao homem. A língua é um pequeno
Estas coisas foram escritas para advertên- órgão, mas as palavras que ela forma, que são
cia nossa, de nós outros sobre quem os fins tornadas audíveis pela voz, têm grande poder.
dos séculos têm chegado; e não devem elas O Senhor declara: "A língua, porém, nenhum
ser estudadas em nossas escolas? A Palavra dos homens é capaz de domar" (Tg 3:8). Ela já
de Deus contém lições instrutivas, dadas em colocou nação contra nação e já causou guer-
reprovação, em advertência, em animação e ras e derramamento de sangue. As palavras
em ricas promessas. Não devia tal alimento já causaram incêndios difíceis de apagar.

1293
8:3 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

Também já levaram alegria e felicidade a mui- arregimentava suas forças e tentava eclipsar a
tas pessoas. E quando as palavras são pro- luz que brilhava sobre ele vinda do trono de
nunciadas porque Deus ordena: "Dize-lhes as Deus. Dia a dia a batalha prosseguia em seu
Minhas palavras" (Ez 3:4), elas, muitas vezes, coração, sendo que Satanás disputava cada
levam à tristeza para arrependimento. passo de avanço dado pelas forças da jus-
O talento da fala traz consigo grande tiça. Davi compreendia o que significava lutar
responsabilidade. Ele precisa ser cuidado- contra os principados e potestades, contra
samente guardado, pois é um grande poder os dominadores deste mundo tenebroso. Às
para o bem ou para o mal. vezes, parecia que o inimigo conseguiria a vitó-
Nesses versos, são retratadas a justiça e ria; mas, no final, a fé vencia, e Davi se regozi-
a injustiça. Estas são as características dis- java no poder Salvador de Jeová.
tintivas da fala (Carta 34, 1899). A luta pela qual Davi passou, todos os
outros seguidores de Cristo precisam passar.
SALMO 8 Satanás desceu com grande poder, sabendo
que seu tempo é curto. O conflito está sendo
3. Ver Ellen G. White sobre Is 60:1. travado bem diante do universo celestial, e os
anjos estão prontos a levantar, em favor dos
SALMO 11 pressionados soldados de Deus, um estandarte
contra o inimigo, e a colocar em seus lábios
6. Chamas devoradoras são a recom- cânticos de vitória e regozijo (Ms 38, 1905).
pensa dos ímpios (Ml4:1). Os ímpios rece- 5. Em todos os caminhos há peri-
bem sua recompensa na Terra. "Fará chover gos. Vocês não precisam se surpreender se
sobre os perversos brasas de fogo e enxofre, nem tudo for agradável na jornada rumo ao
e vento abrasador será a parte do seu cálice" Céu. É inútil olhar para os próprios defeitos.
(Sl11:6). Desce fogo do céu da parte de Deus. Olhando para Jesus, as trevas se dissipam e
A Terra se fende. São extraídas as armas ocul- brilha a verdadeira luz. Prossigam diariamente,
tas em suas profundezas. Chamas devorado- expressando a oração de Davi: "Dirige os
ras irrompem de todo abismo que se abre. meus passos nos Teus caminhos, para que as
As próprias rochas estão em fogo. Chegou minhas pegadas não vacilem" (SI 17:5, ARC).
o dia que arde como fornalha. Os elemen- Em todos os caminhos da vida há perigos, mas
tos se desfazem abrasados; também a Terra, estamos seguros se seguirmos o Mestre por
e as obras que nela existem, são atingidas. onde Ele guiar, confiando nAquele cuja voz
Os ímpios "serão como o restolho; o dia que ouvimos dizer "Segue-Me". "Quem Me segue
vem os abrasará, diz o SENHOR dos Exércitos" não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz
(Ml4:1). Todos são punidos "segundo as suas da vida" (]o 8:12). Deixem o coração repousar
obras" (Ap 22:12) (The Southern Watchrnan, em Seu amor. Precisamos de santificação no
14/03/1905). corpo, na alma e no espírito. É isso que preci-
samos buscar (A New Life, no 11, p. 2).
SALMO 17
SALMO 18
A luta de Davi (Ef 6:12; Ap 12:12).
~ > Davi nos serve de exemplo. Sua história é sig- 3. A determinação aumenta o
nificativa para toda pessoa que luta para alcan- poder da vontade. Quando vocês confes-
çar vitórias eternas. Em sua vida, dois poderes sam perante homens e mulheres sua con-
lutavam pela supremacia. A incredulidade fiança no Senhor, força adicional lhes é

1294
COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE- SALMOS 19:14

comunicada. Determinem-se a louvá-Lo. da transgressão. Ao exigir obediência às leis


A firme determinação aumenta o poder da de Seu reino, Deus dá a Seu povo saúde e
vontade; e logo vocês descobrirão que não felicidade, paz e alegria. Ensina-lhes que a
podem deixar de louvá-Lo (Ms 116, 1902). perfeição de caráter que Ele requer só pode
25. Uma ilustração de misericór- ser alcançada pela familiarização com Sua
dia e integridade. O salmista continua: Palavra. O salmista declara: "A revelação das
"Para com o benigno, benigno Te mos- Tuas palavras esclarece e dá entendimento
tras" (Sl 18:25). Comecemos a pôr em prá- aos simples" (Sl119:l 30) (Ms 96, 1899).
tica as instruções dadas no capítulo 58 de 1-14. A revelação da suprema educa-
Isaías, mostrando misericórdia aos aflitos. ção. Quando o Filho do Homem veio morar
"Com o íntegro, também [Te mostras] ínte- entre os seres humanos, trouxe a inteligên-
gro" (ibid.). Deus recompensará os homens cia do Céu consigo, pois criou os mundos e
segundo sua integridade (Ms 116, 1902). tudo o que neles há. O estudo que o homem ..,. :;:
26. Deus vem ao nosso encon- faz das ciências e da natureza, sem o auxílio w
tro onde estamos. "Com o puro, puro da instrução divina, não atinge as preciosi-
Te mostras; com o perverso, inflexível" dades que Cristo queria que ele aprendesse
(SI 18:26) - isto é, assim como Deus vem nas coisas do mundo natural. Ele deixa de
ao nosso encontro onde estamos, deve- ser instruído pelas pequenas coisas da natu-
mos ir ao encontro das pessoas onde elas reza, que ensinam grandes e importantes
estão. Não nos coloquemos fora do âmbito verdades essenciais para a salvação.
da misericórdia e do amor de Deus por nos Obediência às leis naturais é obediência
recusarmos a ir ao encontro de nosso pró- às leis divinas. Cristo veio para todos como
ximo onde ele está (Ms 116, 1902). o Deus da natureza. Veio para refletir a gló-
ria do Céu sobre todas as coisas da natureza
SALMO 19 em sua relativa importância, para impressio-
nar mentes humanas com a glória dAquele
Ensinar lições sobre os céus que criou todas as coisas, para ensinar os
(SI 119:130). Deus chama os professores homens a obedecer a Sua voz e para trans-
a contemplarem os céus e a est udarem as mitir a ciência da verdadeira educação, que
obras de Deus na natureza. Não guardare- é a simplicidade da verdadeira religião.
mos na memória as lições que a natureza O salmista, então, liga a lei de Deus no
ensina? Não abriremos os olhos para ver as mundo natural com as leis dadas a Suas
belas coisas de Deus? Faríamos bem em inteligências criadas.
ler com frequência o Salmo 19 para com- Este salmo revela aquela educação supe-
preender como o Senhor une Sua lei a Suas rior que todos precisam receber para não
obras criadas. [... ] perecer em seus pecados. Apenas o homem
Devemos contemplar as maravilhosas é desobediente às leis de Jeová. Quando o
obras de Deus e repetir para nossos filhos Senhor ordena à natureza que dê testemu-
as lições aprendidas delas, para poder levá- nho das coisas que Ele criou, ela instanta-
los a ver Sua habilidade, Seu poder e Sua neamente testemunha da glória de Deus.
grandeza nas obras que criou. Cristo apresenta as coisas terrenas para
Que Deus é o nosso Deus! Ele governa ilustrar as espirituais. A parábola do semea-
sobre Seu reino com diligência e cuidado, e dor e da semente tem uma lição da mais
construiu uma cerca - os dez mandamentos alta importância. Como um livro de texto,
- ao redor de Seus súditos, para guardá-los Cristo a abriu perante nós para representar

1295
19:1 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

a semeadura espiritual. O Senhor chama reconcilia com Deus, a natureza lhe fala em
a atenção para as coisas que Ele criou, e palavras de sabedoria celestial, dando tes-
essas coisas repetem as lições de Cristo. Ele temunho da eterna verdade da Palavra de
ordena às coisas da natureza que falem aos Deus. Quando Cristo nos diz o significado
sentidos, para que o ser humano possa dar das coisas da natureza, revela a ciência da
ouvidos à voz de Deus transmitida por elas. verdadeira religião, explicando a relaç ão da
As coisas da natureza anunciam verdades lei de Deus com o mundo natural e com o
eternas (Ms 28, 1898). espiritual (Ms 67, 1901 ).
I. A Lua e as estrelas podem ser 1-3. O estudo da criação eleva a
companheiras. Ver Ellen G. White sobre mente. Ver Ellen G. White sobre SI 147:4.
Is 40:26. Os céus podem ser para eles [os Se os frívolos e os amantes dos prazeres per-
jovens] um livro de estudo, por meio do mitirem que a mente se demore sobre o que
qual podem aprender lições de grande inte- é real e verdadeiro, o coração não poderá
resse. A lua e as estrelas podem ser suas deixar de se encher de reverência, e eles
companheiras, falando a eles, na mais elo- adorarão ao Deus da natureza. O estudo do
quente linguagem, sobre o amor de Deus caráter de Deus conforme revelado em Suas
(YI, 25/10/1900). obras criadas abrirá uma fonte de ideias que
A ciência natural é o celeiro de atrairá a mente para longe dos prazeres vis e
Deus. Se o seguidor de Cristo crer em Sua enervantes. Neste mundo, podemos apenas
Palavra e praticá-la, não há ciência no mundo começar a obter o conhecimento das obras e
natural que ele não possa entender e domi- dos caminhos de Deus; o estudo continuará
nar, nada que não lhe forneça meios pelos ao longo da eternidade (YI, 06/05/ 1897).
quais possa comunicar a verdade a outros. 1-6. As forças da natureza são minis-
A ciência natural é o celeiro de Deus, do tras de Deus. Deus nos anima a contem-
qual podem abastecer-se todos os estudantes plar Suas obras no mundo natural. Ele deseja
na escola de Cristo. Os caminhos de Deus que volvamos a mente do estudo do artifi-
na filosofia natural e os mistérios relaciona- cial para o natural. Compreenderemos isso
dos a Seu trato com o ser humano são um melhor ao erguermos os olhos para as coli-
tesouro à disposição de todos (Ms 95, 1898). nas de Deus e ao contemplarmos as obras
A ciência e a religião não podem que Suas próprias mãos criaram. São a obra
ser divorciadas. A natureza está cheia de de Deus . Sua mão moldou as montanhas e
lições do amor de Deus. Corretamente com- as equilibrou em sua posição para que não se ,.:;;:
preendidas, essas lições levam ao Criador. mudem, exceto sob Seu comando. O vento, o ""
Partem da natureza e apontam ao Deus da Sol, a chuva, a neve e o gelo são todos minis-
natureza, ensinando as simples e sagradas tros Seus para executarem Sua vontade (OPA
verdades que purificam a mente, colocando- [MM 1983], 92).
a em contato íntimo com Deus. Essas lições 14. Os pensamentos controlados e
enfatizam a verdade de que a ciência e a reli- nobres são aceitáveis a Deus (Pv 4:23;
gião não podem ser divorciadas. Mt 12:34-37; Fp 4:8). Quando Deus atua
Cristo veio à Terra para ensinar aos no coração por Seu Santo Espírito, o ser
seres humanos os mistérios do reino de humano deve cooperar com Ele. Os pen-
Deus . Mas eles não puderam compreender samentos precisam ser delimitados, restrin-
Suas lições por meio do raciocínio humano. gidos, impedidos de se espraiar e meditar
A sabedoria terrena não pode ongmar a naquilo que só tende a debilitar e poluir a
ciência divina. [... ] Quando a pessoa se alma. Os pensamentos devem ser puros, e

1296
COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE- SALMOS 19- 20

limpas as reflexões do coração, de modo séria e solene reflexão. Devemos nos deter
que as palavras da boca sejam agradáveis ao sobre o caráter de nosso querido Redentor e
Céu e proveitosas aos que nos rodeiam. [...] lntercessor. Cumpre-nos buscar compreen-
[Ver Mt 12:34-37]. der o significado do plano da salvação,
No Sermão do Monte, Cristo apresentou meditar acerc a da missão dAquele que veio
aos di scípulos os princípios de vasto alcance salvar Seu povo do pecado.
da lei de Deus . Ele ensinou a Seus ouvin- Mediante a constante contemplação dos
tes que a lei é transgredida pelos pensamen- temas celestes, a fé e o amor mais se robus-
tos, antes que o mau desejo realmente seja tecerão. As orações serão mais e mais aceitá-
posto em prática. Temos a obrigação de con- veis a Deus, porque serão mais impregnadas
trol ar os pensamentos e de sujeitá-los à lei de fé e amor. Serão mais inteligentes e fer-
de Deus (RP [MM 1999],52). vorosas. H averá mais constante confiança
As nobres faculdades da mente foram em Jesus , e teremos viva experiência diária
dadas pelo Senhor para ser empregadas nas na boa vontade e no poder de Cristo para
coisas celestiais . Deus fez abundante pro- salvar perfeitamente todos quantos por Ele
visão para que a pessoa alcance contínuo se achega m a Deus (NAV [MM 1962], 1ll).
progresso na vida divina. Por toda parte Ele Pela contemplação devemos ser trans-
colocou instrumentos para nos ajudar acres- formados e, ao meditarmos na perfeição
cer em conhecimento e virtude; contudo, de nosso Modelo divino , desejaremos nos
quão pouco esses instrumentos são aprecia- tornar inteiramente transformados e reno-
dos ou aproveitados! Quão freq uentemente vados à Sua pura imagem. Haverá fom e e
a mente é dada à contemplação daquilo sede de alma para nos torna rmos semelhan-
que é terreno, sensual e vil! Dedicamos o tes Àquele a quem adoramos. Quanto mais
tempo e os pensamentos às coisas triviais nossos pensamentos estiverem em Cristo,
e comuns do mundo e negligenc iamos os mais falaremos dEle a outros e O represen-
grandes interesses que dizem respeito à taremos perante o mundo. Somos chama-
vida eterna . As nobres faculdades da mente dos a sair do mundo e a dele nos sepa rarmos
se e ncolhem e se enfraquecem por não se a fim de podermos ser filhos e filhas do
exercitarem em temas dignos de sua con- Altíssimo; e estamos sob a sagrada obriga-
centt·ação [ver Fp 4:8] (RH, 12/06/ 1888). ção de glorificar a Deus como Seus filho s
Que todos que desejam ser participantes sobre a Terra . É essencial que a me nte
da natureza divina apreciem o fato de que esteja firm ada em Cristo para podermos
devem se livrar da corrupção das paixões esperar inteiramente na graça que nos será
que há no mundo. Tem de haver constante trazida quando Jesus Cristo for revelado nos
e fervorosa luta contra más imaginações da Céus (RH, 12/06/1888).
mente. Tem de haver perseverante resistên-
cia à tentação e ao pecado, em pensamentos SALMOS 19 e 20
ou atos. A alma precisa ser resguardada de
toda mancha, mediante a fé nAquele que é Os Salmos 19 e 20 são especialmente
capaz de nos guardar de cair. para nós. O Senhor deseja que despertemos
D evemos meditar nas Escrituras, pen- para nossa verdadeira condição espiritual;
sando sóbria e sinceramente nas coisas que deseja que toda pessoa humilhe o coração e
pertencem à nossa salvação eterna. A mise- a mente diante dEle. As palavras inspiradas
ricórdia e o amor infinitos de Jesus , o sacri- que se acham nos Salmos 19 e 20 são apre-
fício feito em nosso favor, requerem a mais sentadas para nosso povo. É nosso privilégio

1297
25 :1 8 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

~~ aceitar essas preciosas promessas e crer nas SALMO 32


advertênci as . Oro para que nosso coração
esteja plenamente desperto pa ra os perigos I, 2. Davi se reconverteu. A transgres-
que cercam os indiferentes ao bem-estar são de Davi foi perdoad a porque ele humilhou
eterno. Precisamos pesquisar as Escrit uras o coração perante Deus em arrependimen-
como nunca antes. A Palavra de Deus deve to e contrição de alma e creu que se cumpri-
ser nosso educador, nosso guia. Devemos ria a promessa do perdão de Deus. Confessou
compreender o que dizem as Escrituras. seu pecado, arrependeu-se e se reconverteu.
Durante a noite eu parecia repetir estas No enlevo da segurança do perdão, exclamou :
palav ras para o povo: É necessá rio rigoroso "Bem-aventurado aquele cuja iniquidade é per-
exa me do eu. Não tem os tempo agora para doada, cujo pecado é coberto. Bem-aventurado
gastar em condescendência própri a. Se esti- o homem a quem o SENHOR não atribui iniqui-
vermos ligados a Deus, humilharemos o dade e em cujo es pírito não há dolo" (SI 32:1, 2).
coração diante dEle e seremos muito zelo- A bênção vem por causa do perdão; o perdão
sos no aperfeiçoa mento do caráter cristão. vem mediante a fé em que o grande Portador
Temos uma grande e sole ne obra a fazer, de pecados assume o pecado confessado.
pois o mundo deve ser escl arecido com res- Todas as nossas bênçãos provêm , assim, de
peito aos tempos em que vivemos, e as pes- Cristo. Sua morte é o sacrifício expiatório por
soas serão esclarecidas quando for dado um nossos pecados. É Ele o grande meio por meio
testemunho direto. Serão levadas a um dili- do qual recebemos a misericórdia e o favor de
gente exame do eu (Carta 12, 1909). Deus. Ele é na realid ade, então, o Originaclor,
Autor, bem como o Consumador de nossa fé
SALMO 25 (CT [MM 2002], 150).

18. Um homem forte na tempesta- SALMO 33


de (2Sm 16:12). Davi nunca foi mais digno
de admiração do que na hora da adversidade. 6, 9. Ver E ll en G. Wh ite sobre Gn 1:1-3 ,
Nunca foi este cedro de Deus maior do que vol. l , p. ll 89.
quando enfrentou a tempestade e a tormen- SALMO 34
ta. Ele era um homem de temperamento
agressivo, que poderia explodir para as mais 12-15. A certeza promove a saúde.
fortes expressões de ressentimento. Ele foi [Ver 1Pe 3:10 -12.] A certeza da aprovação
ferido sob acusação de um erro não cometi- de Deu s promove a saúde física. Ela forta-
do. O opróbrio, diz ele, havia quebrado seu lece a pessoa contra a dúvid a, perpl exid ade
coração. E não teria sido surpreendente se, e excessiva tri steza , que tantas vezes con so-
num ataque de loucura, ele tivesse dado va- mem as fo rças vitais e leva m às doenças ner-
zão a sentimentos de irritação incontrolável, vosas de espécie muito debilita nte e afliti va.
que explode em veemente ira e em atitudes O Senhor empenh ou Sua infalível pa lav ra
de vinga nça. Mas nada disso seria natural- de que Seus olhos repousam sobre os ju s-
mente esperado de um homem com o seu tos e de que Seus ouvidos es tão abertos a
perfil de caráter. Com espírito quebrado e em suas súplicas, ao passo que Ele está co ntra
copiosas lágrimas, mas sem qua lquer expres- todos qu e praticam males. Colocamo-nos
são de murmuração, ele vira as costas para as numa situ ação muito difícil qu a ndo segui-
cenas de sua glória e também de seu crime e mos uma conduta qu e coloca o Senhor co n-
prossegue seu voo para a vida (Carta 6, 1880). tra nós (MCP2, 674).

1298
COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE- SALMOS 51:3

SALMO 35 e honrado, uma mensagem de repreensão.


Davi confessou seu pecado e humilhou o
28. Educação para a língua. A lín- coração, declarando que Deus é justo em
gua precisa ser educada, disciplinada e todo o Seu proceder (Ms 147, 1903).
exercitada a falar das glórias do Céu, falar A principal culpa é o pecado contra
do incomparável amor de Jesus (NAV [MM Deus. Pecado é pecado, quer seja cometido
1962], 293). por quem ocupa um trono ou por quem está
na posição mais humilde. Vem o dia em
SALMO 42 que todos os que cometeram pecado farão
confissões, embora seja então tarde demais
I. Devemos ter fome dos dons do para receberem perdão. Deus espera lon-
; ~o Céu. Devemos ir a Deus em fé e derramar gamente que o pecador se arrependa. Ele
nossas súplicas diante dEle, crendo que Ele manifesta uma tolerância maravilhosa, mas
atuará em nosso favor e em favor daqueles finalmente precisa chamar o transgressor
a quem buscamos salvar. Devemos devotar de Sua lei para o acerto de contas.
mais tempo à oração fervorosa. Com a con- Um homem se torna culpado quando
fiante fé de uma criancinha, devemos ir a prejudica o próximo, mas sua principal cul-
nosso Pai celestial, contando a Ele todas as pa é o pecado que comete contra o Senhor
necessidades. Ele está sempre pronto a per- e a má influência que seu exemplo exerce
doar e a ajudar. É inesgotável o suprimento sobre outros.
da sabedoria divina , e o Senhor nos enco- O sincero filho de Deus não considera
raja a nos servirmos abundantemente dele. levianamente nenhum de Seus requisitos
O anseio que devemos ter pelas bênçãos divi- (Ms 147, 1903).
nas é descrito nas palavras: "Como suspira a 3. Uma consciência viva leva à con-
corça pelas correntes das águas, assim, por fissão. Davi muitas vezes triunfou com
Ti, ó Deus, suspira a minha alma" (SI 42:1). Deus e, no entanto, refletiu muito sobre sua
Precisamos de mais profunda fome de alma indignidade e pecaminosidade. Não tinha
pelos ricos dons que o Céu tem a conceder. a consciência adormecida ou morta. "Meu
Devemos ter fome e sede de justiça. pecado", lamentou ele, "está sempre diante
Quem dera que tivéssemos um desejo de mim" (SI 51:3). Não se lisonjeava, con-
profundo de conhecer a Deus de maneira cluindo que o pecado fosse coisa com que
experimental, de entrar na sala de audiên - nada tivesse a ver e que não lhe dissesse res-
cia do Altíssimo, estendendo a mão da fé peito. Ao ver em seu coração as profunde-
e lançando nossa alma desajudada sobre zas do engano, ele sentiu profunda repulsa
Aquele que é poderoso para salvar! Sua por si mesmo e orou para que Deus por Seu
graça é melhor do que a vida (Ms 38, 1905). poder o guardasse dos pecados de presun-
ção e o purificasse das faltas ocultas.
SALMO 51 Não é seguro fechar os olhos e endure-
cer a consciência de modo a não ver nem .
1-17. O caminho de volta para Deus. reconhecer os pecados. Devemos refletir
Apresento-lhes o Salmo 51, um salmo cheio sobre as instruções que temos em relação
de lições preciosas. Dele podemos aprender ao caráter odioso do pecado, a fim de poder
que procedimento seguir caso tenhamos verdadeiramente nos arrepender de nos-
nos afastado do Senhor. Por Seu profeta, sas transgressões e confessá-las (PC [MM
o Senhor enviou ao rei de Israel, exaltado 1965], 242).

1299
63:5 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

SALMO 63 Salmos 68 e 72 eram frequentemente can-


tados por Cristo. Assim, da maneira mais
5, 6. A meditação leva ao amor e à simples e despretensiosa, Ele ensinava a
comunhão (SI 104:34). Descansem intei- outros (YI, 08/09/1898).
ramente nas mãos de Jesus. Contemplem 16. Louvar mais a Deus. Não seria bom
Seu grande amor, e, enquanto medita em Sua cultivarmos a gratidão e oferecermos cânticos
abnegação, no infinito sacrifício feito em nosso de gratidão e ações de graças a Deus? Como
favor a fim de crermos nEle, o coração se cristãos devíamos louvar mais a Deus do que
encherá de santa alegria, calma paz e indescri- o fazemos. Devemos buscar mais do brilho de
tível amor. Ao falarmos em Jesus, ao invocá-Lo Seu amor em nossa vida. Ao olharmos pela
em oração, fortalecer-se-á nossa confiança em fé para Jesus, Sua alegria e paz são refletidas
que Ele é nosso amoroso Salvador pessoal, e no semblante. Quão fervorosamente deve-
mais e mais belo nos parecerá Seu caráter. [...] mos buscar nos relacionar com Deus para
Podemos fruir preciosos banquetes de amor que nossa face possa refletir o brilho de Seu
e, ao crermos plenamente que Lhe pertence- amor! Quando nossa alma for vivificada pelo
mos por adoção, podemos ter um antegozo do Espírito Santo, exerceremos influência eno-
Céu. Esperemos no Senhor pela fé. O Senhor brecedora sobre outros que não conhecem a
atrai o espírito em oração, e faz-nos sentir Seu alegria da presença de Cristo.
precioso amor. Sentimos Sua proximidade e Disse Davi: "Vinde, ouvi, todos vós que
podemos com Ele entreter doce comunhão. temeis a Deus, e vos contarei o que tem Ele
Obtemos visão distinta de Sua benignidade e feito por minha alma" (SI 66:16) (Ms 115,
compaixão, e o coração se nos quebranta e é 1903).
abrandado pela contemplação do amor que nos SALMO 71
é concedido. Sentimos em verdade um Cristo
permanente na vida. Permanecemos nEle e 9, 17, 19. Guardar-se dos males
nos sentimos em casa com Jesus. As promes- próprios da velhice (SI 92:13-15). Davi
sas fluem para a alma. Nossa paz é como um suplicou ao Senhor que não o abandonasse
rio, e invade-nos o coração onda após onda na velhice. E por que orou ele assim? Ele
~ ~ de glória, ceando nós verdadeiramente com viu que muitos dos idosos ao seu redor eram
Jesus e Ele conosco. Experimentamos real infelizes, porque os maus traços de caráter
intuição do amor de Deus e, nesse amor, des- se intensificavam com a idade. Se haviam
cansamos. Linguagem alguma o pode des- sido naturalmente avarentos e cobiçosos,
crever, acha-se além de nosso conhecimento. na idade madura agiam dessa forma ainda
Somos um com Cristo, nossa vida está escon- mais. Se tivessem sido ciumentos, irritá-
dida com Cristo em Deus. Temos a certeza veis e impacientes, isso se tornava pior na
de que, quando Aquele que é nossa vida Se velhice (VF [MM 1971], 186).
manifestar, então também nós nos manifes- Davi ficou angustiado ao ver que, os
taremos com Ele em glória. Com forte con- que antes pareciam ter diante de si o temor
fiança, podemos chamar a Deus de nosso Pai divino, na velhice aparentemente aban-
(FF [MM 2005/1956], 311; Carta 52, 1894). donavam a Deus e eram ridicularizados
pelos inimigos do Senhor. E por que esta-
SALMO 66 vam nessa situação? À medida que a idade
avançava, eles pareciam perder suas anti-
1-5. Salmo frequentemente can- gas faculd ades de discernimento e se tor-
tado por Cristo. Este salmo e porções dos navam prontos a ouvir a opinião enganosa

1300
COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE - SALMOS 77 :12

de estranhos com respeito àqueles em tirará vantagem de sua falta de vigor men-
quem confiar. Seus ciúmes desenfreados, tal e administrará suas posses. Eles devem
às vezes, se inflamavam porque nem todos deixar de lado a ansiedade e os cuidados, e
concordavam com seu discernimento falho. ocupar seu tempo da maneira mais feliz que ... ~
Alguns achavam que seus próprios filhos e puderem, tornando-se maduros para o Céu co
parentes queriam que eles morressem para (ST, 19/02/1880).
poderem tomar seu lugar, apossar-se de sua 17. Ver Ellen G. White sobre 1Sm 2:26,
riqueza e receber a homenagem que lhes vol. 2, p. 1116.
havia sido conferida. E outros eram tão
controlados por seus sentimentos de inveja SALMO 77
e cobiça que destruíam os próprios filhos.
D avi ficou abalado e angustiado. 7, 10-12. As mudanças de ânimo
Aguardava o momento em que chegaria à de Davi. O salmista Davi, em sua expe -
velhice e temia que Deus o abandonasse, riência, passou por muitas mudanças de
deixando-o tão infeliz como outras pessoas pensamento. Por vezes , ao obter vislum-
idosas cuja conduta havia observado, vindo bres da vontade e dos caminhos de Deus,
a ser objeto de vitupério por parte dos ini- ficava exultante. Então, quando observava o
migos do Senhor. Com este fardo sobre reverso da misericórdia e do imutável amor
si, ele orou fervorosamente . Davi sentiu a de Deus, tudo lhe parecia encoberto por
necessidade de se guardar contra os males uma nuvem de trevas. Mas, quando estava
próprios da velhice. em meio às trevas, obtinha uma compreen-
Ocorre frequentemente que pessoas são dos atributos de Deu s que lhe dava con-
idosas não estejam dispostas a reconhecer fiança e lhe fortalecia a fé. Porém, quando
que o vigor mental está decaindo e, então, meditava nas dificuldades e perigos da vida,
encurtam seus dias ao assumirem cuidados estes pareciam tão ameaçadores que ele
que pertencem a seus filhos . Satanás, mui- se considerava abandonado por Deus por
tas vezes, brinca com a imaginação deles, causa de seus pecados. Percebeu seus peca-
e os leva a acumular seus recursos com dos sob uma luz tão forte que exclamou:
preocupação mesquinha e, assim , a fica- "Rejeita o Senhor para sempre? Acaso, não
rem continuamente ansiosos com respeito a torna a ser propício?" (Sl 77:7).
suas posses terrenas. Alguns até mesmo se Ao chorar e orar, ele obteve uma visão
privam de muitos confortos da vida, e traba- mais clara do caráter e dos atributos de
lham além de suas forças, em vez de usar os Deus e, sendo instruído por agentes celes-
recursos que possuem. Dessa form a, fic am tiais, concluiu que suas ideias acerca da
em estado de contínua irritação pelo medo justiça e severidade de Deus eram equ i-
de que em algum momento, no futuro, pos- vocadas. Rejeitou suas impressões como
sam passar necessidade. sendo resultado de fraqueza, ignorância
Se essas pessoas se colocassem na posi- e enfermidades físicas, e como algo que
ção que Deus deseja que se coloquem, seus desonrava a Deus. Então, com renovada
últimos dias poderiam ser os melhores e fé, exclamou: "Isto é enfermidade minha;
mais felizes de sua vida. Aqueles que têm mas eu me lembrarei dos anos da destra do
filhos em cuja honestidade e administra- Altíssimo" (SI 77:10, ACF).
ção podem confiar devem permitir que eles Estudou fervorosamente os caminhos de
administrem seus bens e que cuidem de sua Deus que foram expressos por Cristo quando
felicidade. A menos que o façam, Satanás envolto na coluna de nuvem, e que foram

1301
89:14 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

dados a Moisés para serem fielmente repe- seu lado, que é a Misericórdia, ou o Amor
tidos a todo o Israel. Recordou-se do que (Carta 18e, 1890).
Deus havia feito para formar para Si um povo Ninguém deve dominar o seme-
a quem pudesse confiar verdades sagradas e lhante (lPe 5:3). Que os que ocupam posi-
vitais para os séculos vindouros. Deus atuou ções de confiança livrem-se do espírito sem
de maneira maravilhosa para libertar mais misericórdia que tanto ofende a Deus. A jus-
de um milhão de pessoas. E, enquanto Davi tiça e o juízo são o fundamento de Seu trono.
considerava as garantias e promessas divi- Ninguém suponha que Deus deu aos homens
nas para Israel, sabendo que se destinavam o poder de dominar seus semelhantes. Ele
não só para eles, mas para todos os que delas não aceitará o serviço de nenhum indivíduo
necessitassem, reclamou-as para si, dizendo: que fira ou desencoraje a herança de Cristo.
"Eu me lembrarei das obras do SENHOR; cer- Agora é a hora de todos se examinarem e
tamente que eu me lembrarei das Tuas mara- provarem a si mesmos para ver se realmente
vilhas da antiguidade. Meditarei também em estão na fé. Investiguem rigorosamente os
todas as Tuas obras, e falarei dos Teus feitos" motivos que os levam à ação. Estamos empe-
(Sl 77:11, 12, ACF). nhados na obra do Altíssimo. Não entreteça-
Sua fé se agarrou a Deus, e ele foi for- mos na trama de nossa obra um único fio de
talecido e encorajado; embora reconhecesse egoísmo. Elevemo-nos a um plano mais alto
que os caminhos de Deus são misteriosos, em nossa experiência diária. Deus não tole-
sabia que são misericordiosos e bons, pois rará os pecados de ninguém (Ms 42, 1901).
este foi o caráter divino revelado a Moisés:
"Tendo o SENHOR descido na nuvem, ali SALMO 90
esteve junto dele e proclamou o nome do
SENHOR. E, passando o SENHOR por diante 8. Podemos ver nossa vida como Deus
dele, clamou: SENHOR, SENHOR Deus com- a vê. A atitude de se demorar na beleza, bon-
passivo, clemente e longânimo e grande em dade, misericórdia e no amor de Jesus forta-
misericórdia e fidelidade" (Êx 34:5 , 6). lece as faculdades mentais e morais. Enquanto
Ao apropriar-se desses privilégios e a mente estiver sendo treinada para fazer as
promessas, Davi decidiu não mais fazer obras de Cristo, para tornarem-se filhos obe-
julgamentos apressados que o tornasse desa- dientes, vocês se habituarão a perguntar:
nimado e mergulhado em impotente deses- É este o caminho do Senhor? Agradar-Se-á
pero. Sua alma tomou ânimo ao contemplar Jesus de que eu faça isso? Essa conduta irá
o caráter distintivo de Deus, revelado em agradar a mim ou a Jesus?
Seus ensinos, em Sua longanimidade, em Então toda pessoa se lembrará das palavras
Sua insuperável grandeza e misericórdia, e do Senhor: "Puseste sob a luz do Teu rosto os
ele viu que as obras e os prodígios de Deus meus pecados ocultos" (ver SI 90:8). Muitos
não deviam ter aplicação restrita. precisam fazer uma decidida mudança em
Mas a experiência de Davi mudou seus pensamentos e ações, se querem agradar
novamente [ver SI 73:2-5, 12 , 17-23, 28] a Jesus. Raramente podemos ver nossos peca-
(CT [MM 2002], 152; Ms 4, 1896). dos na grave luz em que Deus os pode ver.
Muitos se têm habituado a seguir uma con-
SALMO 89 duta de pecado, e seus corações se endurece-
ram sob o poder de Satanás. Os pensamentos
14. Irmãs gêmeas. A Justiça tem uma deles são dominados por suas más influên-
irmã gêmea que sempre devia estar ao cias; mas quando, pela força e da graça de

1302
COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE- SALMOS 92 :12

Deus, eles colocam a mente contra as ten- Pode ser que por um tempo escolham se
tações de Satanás, ela se torna clara, o cora- entregar a diversões mundanas e prazeres
ção e a consciência se tornam mais sensíveis, pecaminosos, em vez de refrearem sua con-
sob a influência do Espírito de Deus. Então, duta de pecado e viverem para Deus e para a
o pecado aparece como é - tremendamente honra da Majestade do Céu. Mas, quando for
maligno. Esse é o momento em que os peca- tarde demais para verem e compreenderem o
dos secretos são postos sob a luz. Eles confes- que consideraram como de pouca importân-
sam os pecados a Deus e deles se arrependem cia, saberão o que significa estar sem Deus
e se envergonham. [...] Deus tira esses peca- e sem esperança. Então, perceberão o que
dos de sob a luz do Seu rosto e os lança fora perderam ao escolher ser desleais a Deus e
(MG [MM 1974, 262]; Carta 43, 1892). permanecer em rebelião contra Seus manda-
mentos. No passado, desafiaram Seu poder
SALMO 91 e rejeitaram Suas ofertas de misericórdia;
no final, Seus juízos cairão sobre eles. Então
A perda sofrida pelos ímpios. No compreenderão que perderam a felicidade -
Salmo 91 se encontra uma descrição mara- a vida, a vida eterna nas cortes celestiais. [...]
vilhosa da vinda do Senhor para pôr fim à Na ocasião em que os juízos de D e us
iniquidade dos ímpios e para dar àqueles estiverem caindo sem misericórdia, oh! quão
que O escolheram como seu redentor a cer- invejável para os ímpios será a posição dos
teza de Seu amor e de Seu cuidado protetor. que habitam "no esconderijo do Altíssimo" -
Os justos compreendem o governo de o pavilhão em que o Senhor esconde todos
Deus e triunfarão com santa alegria na os que O têm amado e têm obedecido a Seus
eterna proteção e salvação que Cristo, por mandamentos! Em tal tempo como esse, a
Seus méritos, lhes garantiu. Que todos se condição dos justos será realmente invejá-
lembrem disso e não se esqueçam de que os vel aos qu e estiverem sofrendo por causa de
ímpios, que não recebem Cristo como seu seus pecados. Mas a porta da graça estará
Salvador pessoal, não entendem Sua provi- fechada para os ímpios. Depois que termi-
dência. Não escolheram o caminho da jus- nar o tempo da graça não serão mais ofereci-
tiça e não conhecem a Deus. Apesar de todos das orações em seu favor (EF, 235).
os benefícios que Ele tão graciosamente lhes Mas esse tempo ainda não chegou. A doce
concedeu, abusaram de Sua misericórdia ao voz de misericórdia ainda pode ser ouvida.
negligenciar reconhecer Sua bondade e cle- O Senhor está agora chamando os pecadores
mência ao lhes dispensar esses favores. para que venham a Ele (Ms 151, 1901).
A qualquer momento pode Deus retirar
do impenitente os sinais de Seu maravilhoso SALMO 92
amor e misericórdia. Quem dera que os seres
humanos considerassem quais serão os resul- 12. Um cristão-palmeira. A palmeira
tados seguros de sua ingratidão para com Ele representa bem a vida do cristão. Ela se
e de sua desconsideração para com o infinito ergue verticalmente em meio às escaldan-
dom de Cristo ao mundo! Se continuarem a tes areias do deserto e não morre, pois retira
amar a transgressão mais do que a obediên- o seu sustento das fontes de vida abaixo da
cia, as presentes bênçãos e a grande mise- superfície (RC [MM 1986], 299).
ricórdia de Deus que agora desfrutam , mas O cristão é uma palmeira no deserto.
não apreciam, acabarão por se tornar a causa Veja o cansado viajante avançando com difi-
de sua ruína eterna (CT [MM 2002], 16). culdade pelas quentes areias do deserto, sem

1303
92:12 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

abrigo para protegê-lo dos raios do sol tropi- apega ao Invisível. Eles andam com Deus ,
cal. Seu suprimento de água acaba, e ele não extraindo dEle força e graça para resistir à
tem nada para mitigar sua sede ardente. Sua poluição moral que os rodeia. Como Daniel
língua incha; ele cambaleia como um ébrio. na corte de Babilônia, permanecem puros
Visões de casa e dos amigos lhe passam pela e incontaminados; sua vida está escondida
mente enquanto ele acredita estar prestes a com Cristo em Deus. Têm o espírito vir-
perecer no terrível deserto. De repente os tuoso em meio à depravação; são verdadeiros
que estão à frente soltam um grito de ale- e leais, fervorosos e zelosos, mesmo quando
gria. Ao longe se divisa, em meio ao monó- cercados por infiéis, por hipócritas que pro-
tono deserto de areia, uma palmeira, verde e fessam a religião, por homens ímpios e mun-
florescente. A esperança lhe acelera o pulso. danos . Sua fé e sua vida estão escondidas
Aquilo que dá vigor e frescura à palmeira com Cristo em Deus. Jesus é neles um a
resfriará o pulso febril e dará vida àqueles fonte a jorrar para a vida eterna. A fé, como
que perecem de sede. as raízes da palmeira, penetra além das coi-
Como a palmeira extrai nutrição das fon- sas visíveis, extraindo alimento espiritual da
tes de água viva e se mantém verde e flo- Fonte da vida (ST, 08/07/1886).
rescente no meio do deserto, o cristão pode O cristão é como um robusto cedro
extrair ricos suprimentos de graça da fonte do (Ez 31:7). Quando o amor de Jesus h abi-
amor de Deus e pode guiar pessoas cansadas, tar na alma , muitos que são agora apenas
cheias de inquietude e prestes a perecer no ramos murchos se tornarão como os cedros
deserto do pecado, às águas das quais podem do Líbano, com a "raiz [... ] junto a muitas
beber e viver. O cristão está sempre mostrando águas" (Ez 31:7). O cedro é notado pela fir-
ao próximo a Jesus, que convida: "Se alguém meza de suas raízes. Não se contentando em
tem sede, venha a Mim e beba" (]o 7:37). Esta aderir à terra com umas poucas fibras débeis,
fonte nunca falha; podemos dela extrair água ele estende suas raízes, como cunha sólida,
vez após vez (ST, 26/10/1904). por entre as fendas das rochas, e vai avan-
Se o cristão prospera e progride de çando cada vez mais fundo em busca de algo
algum modo, precisa fazê-lo mesmo entre os firme a que se apegar. Quando a tempestade
que não conhecem a Deus, mesmo estando luta contra seus ramos, aquela árvore firme-
em meio à zombaria e sujeito ao ridículo. mente plantada não pode ser desarraigada.
Precisa ficar ereto como a palmeira no Que excelente cedro poderia tornar-se todo
deserto. O céu pode ser como de bronze, seguidor de Cristo, se estivesse arraigado e
a areia do deserto pode bater contra as raí- alicerçado na verdade, firmemente unido à
zes da palmeira, amontoando-se em redor Rocha Eterna! (RH, 20/06/1882).
de seu tronco. Todavia, a árvore vive como 13-16. Ver Ellen G. White sobre Sl71:9,
uma árvore sempre verde, fresca e vigorosa 17, 19.
entre as ardentes areias do deserto. Remova
a areia até chega r às raízes da palmeira, e se SALMO 104
descobri rá o segredo de sua vida ; ela pene-
tra fundo abaixo da superfície, até às águas 14. Ver Ellen G. Whi te sobre Gn 1:29,
ocultas na terra (C O [MM 1995], 109). vol. 1, p. 11 89.
Os cristãos, na verdade, podem ser ade- 14. Uma harmonia de palavras e
quadamente representados pela palmeira. obras. As palavras e as obras do Senhor se
Eles são como Enoque: embora rodea- harmonizam. Suas palavras são misericordio-
dos por influências corruptoras, sua fé se sas e Suas obras, generosas. "Fazes crescer

1304
COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE- SALMOS 119:127

a relva para os animais e as plantas, para o é por causa de nossa letargia, indiferença
serviço do homem" (SI 104:14). Quão libe- e indolência espirituais. Saiamos desta for-
rais são as provisões que Ele fez para nós! malidade e apatia (RP [MM 1999], 23).
Quão maravilhosamente exibiu Sua liberali- 111-115, 125-130, 165. Os man-
dade e poder em nosso favor! Se nosso gene- damentos são um deleite para o obe-
roso Benfeitor nos tratasse como tratamos diente. Para o obediente filho de Deus, os
uns aos outros, onde estaríamos? Não nos mandamentos são um deleite, Davi declara
esforçaremos fervorosamente para seguir a [ver Sl119:1ll-115, 125].
~ "' regra áurea: "Tudo quanto, pois, quereis que Será que o desprezo mostrado à lei de
os homens vos façam, assim fazei-o vós tam- Deus extinguiu a lealdade de Davi? Ouçam
bém a eles; porque esta é a Lei e os Profetas" suas palavras. Ele clama a Deus para que
(Mt 7: 12)? (Carta 8, 1901). intervenha e vindique Sua honra, para que
34. Ver Ellen G. White sobre SI 63:5, 6. mostre que h á um Deus, que há limites
para Sua paciência e que é possível abu-
SALMO 119 sar da misericórdia de Deus, de forma que
ela se esgote. "Já é tempo, SENHOR, para
17, 18, 33-40. Um exemplo de ora- intervires, pois a Tua lei está sendo violada"
ção. Os servos do Senhor devem continua- (Sl ll9:l26).
mente oferecer orações como esta. Esta Davi viu os preceitos divinos sendo colo-
oração revela uma consagração do cora- cados de lado e a obstinação e rebelião au-
ção e da mente a Deus; é a consagração mentando. Será que ele foi arrastado pela
que Deus está pedindo que façamos (RH, apostasia prevalecente? Será que a zomba-
18/09/1908). ria e o desprezo para com a lei o levaram
18. O reservatório do Céu não a se abster covardemente de fazer esforços
está fechado. A Bíblia deve ser estudada para vindicá-la? Ao contrário, sua reverência
com oração. Devemos orar como Davi: pela lei de Yahweh foi aumentando à medi-
"Desvenda os meus olhos, para que eu con- da que ele via a desconsideração e o despre-
temple as maravilhas da Tua lei" (Slll9:18). zo que outros demonstravam em relação a
Ninguém pode ter adequada compreensão ela [ver Slll9:126-l30, 165] (Ms 27, 1899).
da Palavra de Deus sem a iluminação do 126, 127. Tempo para Deus inter-
Espírito Santo. Se nos achegarmos a Deus vir. Davi se angustiou muito em seus dias
de maneira correta, Sua luz incidirá sobre ao ver pessoas desprezando a lei de Deus.
nós em raios abundantes e claros. Deixaram de lado todas as restrições, e o
Esta foi a experiência dos primeiros dis- resultado foi a depravação. A lei de Deus
cípulos. [... ] [ver At 2:1-4]. Deus está dis- havia se tornado uma letra morta para aque-
posto a nos dar uma bênção semelhante, les que D eus criou. Os seres humanos se
quando a buscarmos com o mesmo fervor. recusaram a receber os santos preceitos
O Senhor não fechou o reservatório como sua regra de vida. A impiedade era
do Céu depois de haver derramado Seu tão grande que Davi temeu que a paciên -
Espírito sobre os primeiros discípulos. cia de Deus se esgotasse, e elevou ao Céu
Também podemos compartilhar da pleni- uma fervoros a oração, dizendo: "Já é tempo,
tude de Sua bênção. O Céu está repleto das SENHOR, para intervires, pois a Tua lei está
riquezas de Sua graça, e os que se achegam sendo violada. Amo os Teus mandamentos
a Deus com fé podem reivindicar tudo o mais do que o ouro, mais do que o ouro refi-
que Ele prometeu. Se não temos Seu poder, nado" (Slll9:126, 127).

1305
119:126 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

Se Davi já pensava em seus dias que Qual será a posição da igreja? É pos-
as pessoas haviam excedido os limites da sível aos homens ir tão longe em impiedade,
misericórdia de Deus e que Ele interviria mesmo sob contínua reprovação, que Deus
para vindicar a honra de Sua lei e para pôr julgue necessário erguer-Se e vindicar Sua
fim à iniquidade dos ímpios, que influên- honra. Assim ocorre no período atual da his-
cia a iniquidade generalizada de nossos dias tória da Terra. Crimes de todas as magnitu-
devia ter sobre aqueles que amam e temem des estão se manifestando de maneira cada
a Deus? Quando a desobediência é gene- vez mais surpreendente. A Terra está cheia
ralizada e quando a onda de iniquidade é da violência do homem contra seu próximo.
crescente, o professo mundo cristão será Que posição tomará a igreja? Aqueles que
iníquo junto aos iníquos e injusto junto aos no passado respeitaram a lei de Deus se dei-
injustos? Colocaremos nossa influência do xarão arrastar pela corrente do mal? A trans-
lado do grande apóstata e tornareq10s assim gressão e o desprezo quase universais da lei
universal o desprezo à lei de Deus, o grande de Deus toldarão a atmosfera espiritual da
padrão de justiça? Seremos arrebatados alma de todos, igualmente? O desrespeito
pela forte onda de transgressão e apostasia? pela lei de Deus varrerá as barreiras prote-
Ou irão os justos pesquisar as Escrituras e toras? Porque prevalecem a impiedade e a
conhecer por si mesmos as condições das transgressão, deve a lei de Deus deixar de ser
quais depende a salvação de sua alma? tida em elevada estima? Pelo fato de ela ser
Aqueles que fazem da Palavra de Deus violada pela grande maioria dos que vivem
seu conselheiro estimarão a lei de Deus, e sobre a Terra, os poucos que são leais devem
sua apreciação por ela crescerá na mesma se tornar como todos os desleais, e agir como
medida em que ela é colocada de lado e des- os ímpios agem? Não devem, ao contrário,
prezada. Os súditos leais do reino de Cristo fazer a oração de Davi: "Já é tempo, SENHOR,
ecoarão as palavras de Davi e dirão: "Já é para intervires, pois a Tua lei está sendo vio-
tempo, SENHOR, para intervires, pois a Tua lada" (Slll9:l26)? (Ms 15, 1906).
lei está sendo violada. Amo os Teus man- 130. Ver Ellen G. White sobre Sll9.
damentos mais do que o ouro, mais do que 165. Em harmonia com o Céu. Não
§ ~o- o ouro refinado" (SI 119:126, 127). Esta há paz na injustiça; os ímpios estão em
é a posição que tomarão aqueles que amam guerra contra Deus. Aquele, porém, que
a Deus sinceramente e a seu próximo como recebe a justiça da lei em Cristo, está em
a si mesmos. Eles exaltarão os mandamen- harmonia com o Céu (MEl, 235) .
tos na proporção em que aumentar o desa- A obediência leva à paz. Cada uma
cato a estes (Ms 145, sem data). das leis de Deus é uma promulgação de
126. Quando Davi, em seus dias, viu o misericórdia, amor e poder salvador. Essas
afastamento da lei de Deus, esperava que leis, se obedecidas, são nossa vida, nossa
houvesse uma manifestação do desprazer salvação, nossa felicidade, nossa paz [ver
divino; esperava que o Senhor mostrasse Sl 119:165] (Carta 112, 1902).
Sua justa indignação. "Já é tempo, SENHOR,
para intervires", exclamou ele, "pois a Tua SALMO 121
lei está sendo violada" (SI 119:126). Ele
supunha que, em sua transgressão da lei, as 5. Deus Se aproxima para suprir
pessoas tivessem ultrapassado os limites da as necessidades. A verdadeira felicidade
paciência de Deus, e que o Senhor não mais pode ser encontrada no esforço abnegado
Se refrearia (Ms 15, 1906). para ajudar os que necessitam de auxílio.

1306
COMENTÁRIOS DE ELLEN G. W HITE- SALMOS 144:1 2

Deus ajuda o fraco e fortalece os que não 8. Não há solidão onde Deus não
têm forças. Nos campos onde as prova - esteja. O salmista representa a presença do
ções, os conflitos e a pobreza são maiores, infinito Deus como permeando o Universo.
os obreiros de Deus devem ter proteção adi- "Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha <~ ::i:
cional. Aos que estão trabalh ando no ardor cama no mais profundo abismo, lá estás w
do conflito, Deus diz: "O SENHOR é a tua também" (SI 139:8). Não podemos nunc a
sombra à tua direita" (SI 121:5). encontrar uma solidão em que Deus não Se
Nosso Senhor Se adapta a nossas neces- ache (FV [MM 1959], 62). Os olhos sempre
sidades especiais. Ele é uma sombra à nossa vigilantes da Onisciência estão sobre todas
direita. Anda ao nosso lado, pronto para suprir as nossas obras, e embora Ele possa convo-
todas as nossas necessidades. Aproxima-se car os exércitos do Céu para fazer Sua von-
intimamente daqueles que estão empenha- tade, condescende em aceitar os serviços de
dos em serviço voluntário para Ele. Conhece mortais fracos e errantes (ST, 14/07/1881).
a cada um por nome. Oh, que certeza temos
do terno amor de Cristo! (Ms 51, 1903). SALMO 144

SALMO 135 12. Deus gasta tempo com Suas


joias. Somos feitura de D eus. O valor do
7. Ver Ellen G. White sobre Sl 147:8, instrumento humano depende inteiramente
16 -18. do polimento que ele recebe . Quando
pedras brutas são preparadas para uma
SALMO 139 construção, precisam ser levadas ao ateliê,
e ali talh adas e retificadas. O processo é
1-12. Onde estamos, Deus está muitas vezes severo, pois a pedra é pressio-
(Ap 20:12, 15). Nunca estamos sós. Temos nada contra o esmeril, mas a aspereza vai
um Companheiro, quer O escolhamos quer sendo removida, e o brilho começa a apa -
não. Lembrem-se, rapazes e moças, de que recer. O Senhor não gasta Seu tempo com
aonde quer que se encontrem, o que quer material inútil; somente Suas joias são poli-
que estejam fazendo, Deus ali está. Para das como colunas de um palácio. Toda pes-
cada uma de suas palavras ou atos, vocês têm soa precisa não só se submeter a essa obra
uma testemunha - o Deus santo, que abor- da mão divina, mas precisa também exigir
rece o pecado. Coisa alguma do que se diga o máximo de cada tendão e músculo espi-
ou faça ou pense escapa ao Seu olhar infinito. ritual , para que o caráter possa se tornar
As palavras de vocês podem não ser ouvidas mais puro, as palavras mais úteis, os atos de
por ouvidos humanos, mas são ouvidas pelo molde a serem aprovados por Deus (Carta
dominador do Universo. Ele vê a ira íntima 27, 1896).
do coração quando a vontade é contrariada . O Artífice divino gasta pouco tempo
Ouve a expressão profana. Na mais profunda com material sem valor. Só as gemas pre-
escuridão ou na solidão, ali está Ele. Ninguém ciosas são por Ele polidas à semelhança de
pode enganar a Deus; ninguém escapa do um palácio, eliminando-lhes as toscas ares-
ajuste de contas com Ele [ver SI 139:1-12]. tas. O processo é severo e penoso; Cristo
Dia a dia é feito nos livros do Céu o regis- corta a superfície excedente, e, encostando
tro de suas palavras, suas ações e sua influên- a gema ao esmeril, aperta-a com força, a fim
cia. Com isso vocês terão que defrontar-se de que seja desbastada toda aspereza. Então,
(PC [MM 1965], 234). segurando a gema contra a luz, o Artífice

1307
147:4 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

contempla nela um reflexo de Si mesmo, e Alguns não são o que parecem


declara que ela é digna de ocupar um lugar (1Pe 2:5; 1Co 3:11-13). Muitos, por inicia-
em Seu estojo de joias. Por mais severa que tiva mundana, se esforçam, por conta pró-
seja, bendita é a experiência que dá novo pria, para se tornarem pedras polidas, mas
valor à pedra, fazendo com que resplandeça não podem ser pedras vivas, porque não estão
com vivo brilho (DCD [MM 1980], p. 120; edificados sobre um fundamento verdadeiro.
Carta 69, 1903). O dia de Deus revelará que eles são, em rea-
Um processo doloroso, mas neces- lidade, só feno, madeira e palha (Redemption:
sário. Pelo poderoso cinzel da verdade, The Teachings of Paul, vol. 8, p. 78).
Deus tirou Seu povo, como pedras brutas,
da pedreira do mundo. Essas pedras pre- SALMO 147
cisam ser retificadas e polidas. As arestas
ásperas precisam ser removidas. Este é um 4. O mundo é só um ponto (Sll9:l-3;
processo penoso, mas necessário. Sem ele, ver Ellen G. White sobre Is 60:1) . Ele fez a
não poderíamos ser preparados para ocupar noite, pondo em ordem as cintilantes estre-
um lugar no templo celestial. Por meio de las no firmamento. Chama todas elas pelo
provações, advertências e admoestações, nome. Os céus declaram a glória de Deus e
D eus procura nos preparar para cumprir- o firmamento anuncia a obra de Suas mãos,
mos Seu propósito. Se cooperarmos com mostrando ao homem que este pequenino
Ele, nosso caráter será moldado "como colu- mundo não passa de um ponto na criação
nas de palácio" (SI 144: 12). É obra espe- de Deus (FV [MM 1959], 24).
cífica do Consolador nos transformar. 8, 16-18. As operações da natu-
Às vezes é difícil nos submetermos ao pro- reza são servas de Deus (SI 135:7).
cesso de purificação e refinação. Mas pre- Dificilmente se encontra uma operação da
cisamos fazê-lo se quisermos ser salvos no natureza à qual a Palavra de D eus não faça
final (Carta 139, 1903). referência. [... ] [ver Sll47:8, 16-18; 135:7]. ·J ª
Os filhos precisam ser polidos para Estas palavras da Santa Escritura nada
Deus. Amorável e pacientemente, como dizem de leis da natureza independentes. Deus
fiéis mordomos da multiforme graça de fornece a matéria e as propriedades com as
Cristo, devem os pais fazer o trabalho que quais são executados os Seus planos. Emprega
lhes é indicado. Deles se espera que sejam Seus instrumentos para que a vegetação cresça.
encontrados fiéis. Tudo deve ser feito em fé. Manda o orvalho e a chuva e o sol, para que a
Devem orar constantemente para que Deus relva germine e estenda sobre a terra seu tapete
conceda graça a seus filhos. Jamais devem se verde; para que os arbustos e as árvores frutí-
mostrar cansados, impacientes ou irritadiços feras desabrochem os botões e produzam. Não
em sua obra. Devem se apegar intimamente se pode supor que seja posta em ação uma lei
a seus filhos e a Deus. Se os pais trabalha- para que a semente opere por si mesma, para
rem com paciência e amor, esforçando-se fer- que a folha apareça por si mesma. Deus ins-
vorosamente por ajudar os filhos a alcançar a tituiu leis, mas estas são apenas instrumen-
mais alta norma de pureza e modéstia, terão tos mediante os quais Ele produz resultados.
êxito. Nessa obra, os pais precisam manifes- É pela imediata atuação de Deus que cada
tar paciência e fé, a fim de poder apresentar pequenina semente irrompe através da terra e
seus filhos a Deus, lavrados como colunas de surge para a vida. Cada folha cresce e toda flor
um palácio (LA, 208; A New Life no 28, p. 3). desabrocha pelo poder de Deus (M E l, 294).

1308
COMENTÁRIO S DE ELLEN G. WHITE - PROVÉRB IOS 3:6

PROVÉRBIOS
CAPÍTULO 1

10. Erga uma oração ao Céu e resista Davi disse: "O SENHOR, tenho-O sempre à
firmemente (Is 43:10; 2Co 6:17, 18). minha presença" (SI 16:8).
Ouçam a voz de Deus: "Filho Meu, se os peca- Ousem ser como Daniel. Ousem se colo-
dores querem seduzir-te, não o consintais" car sozinhos ao lado do direito. Assim, como
(Pv 1:10). Os que são regidos pelo Espírito de ocorreu com Moisés, vocês suportarão a visão
Deus devem manter alerta suas faculdades dAquele que é invisível. Porém, uma atitude
perceptivas; pois é chegado o tempo em que covarde e silenciosa diante de maus colegas,
sua integridade e lealdade a Deus, bem como enquanto vocês ouvem as maquinações deles,
uns aos outros, será provada. Não cometam a torna vocês um com eles [ver 2Co 6:17, 18].
mínima injustiça a fim de obter qualquer van- Tenham coragem de proceder reta-
tagem. Façam aos outros, nas coisas peque- mente. Para todos os que são praticantes de
ninas como nas grandes, como desejariam Sua Palavra, a prom essa do Senhor é mais
que se fizesse a vocês. Diz Deus: "Vós sois as valiosa do que o ouro e a prata. Considerem
Minhas testemunhas" (Is 43: 10). Isto é: vocês todos como grande honra o fato de ser reco-
devem agir em Meu lugar. nhecidos por Deus como filhos (FF [MM
Se a cortina pudesse ser descerrada, 2005/ 1956], 164; RH, 09/05/ 1899).
vocês veriam o universo celeste a contemplar
com interesse aquele que é tentado. Se não CAPÍTULO 3
cederem ao inimigo, haverá alegria no Céu.
Ao ouvir a primeira sugestão para o mal, diri- 6. Deus nos guia ao fazermos Sua
jam de pronto uma oração ao Céu, e depois vontade. Deus não disse que daria o Espírito
resistam firmemente à tentação de fazer Santo aos que O pedissem? E este Espírito
experiências com os princípios condena- não é um guia real, verdadeiro e autêntico?
dos na Palavra de Deus . Na primeira vez em Parece que alguns têm receio de aceitar o
que a tentação se apresentar, enfrentem-na que Deus afirma, como se isso fosse presun-
de maneira tão decidida que ela nunca mais ção de sua parte. Oram para que o Senhor
se repita. Desviem-se da pessoa que ousou nos ensine e, no entanto, temem acreditar na
apresentar-lhes más ações. Afastem-se resolu- empenhada palavra de Deus e crer que temos
tamente do tentador, dizendo: "Preciso afastar- sido ensinados por Ele. Contanto que nos
me de sua influência; pois vejo que não está dirijamos a nosso Pai celestial humildemente
seguindo os passos de nosso Salvador." e com um espírito susceptível de ser ensi-
Ainda que não se sintam capazes de dizer nado, dispostos e ansiosos por aprender, por .c ~
uma palavra aos que estão agindo segundo que havemos de duvidar de que Deus cumpra
princípios errôneos, saiam da presença Sua promessa? Nem por um momento vocês
deles. Sua retirada e seu silêncio podem devem duvidar dEle, desonrando-O assim.
efe tuar mais que as palavras. Neemias Depois de buscar conhecer a vontade
recusou associar-se com os que eram infiéis de Deus, a parte que lhes cabe é crer que
aos princípios e mandou que seus trabalha- serão conduzidos, guiados e abençoados no
dores fizessem o mesmo. O amor e o temor cumprimento de Sua vontade. Talvez duvi-
de Deus eram sua salvaguarda. Ele vivia e demos de nós mesmos, temendo interpretar
trabalhava como se visse o mundo invisível. mal os Seus ensinos, mas tornem até isso

1309
3:13 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

um assunto de oração, e confiem nEle, sim, 17. A devoção a Deus promove saúde
confiem nEle ao máximo, no sentido de que e felicidade (1Tm 4:8). Diz o sábio que os
o Espírito Santo os levará a interpreta r cor- caminhos da sabedoria "são caminhos deli-
retamente Seus planos e a atuação de Sua ciosos, e todas as suas veredas, paz" (Pv 3:17).
providência (RP [MM 1999], 114). Muitos têm a impressão de que a devoção a
Foi Cristo quem guiou os israelitas atra- Deus seja prejudicial à saúde e à radiante feli-
vés do deserto, e é Cristo que está guiando cidade nas relações sociais da vida. Porém, os
Seu povo hoje, mostrando-lhes onde e como que andam no caminho da sabedoria e da san-
trabalhar (Carta 335, 1904). tidade descobrem que "a piedade para tudo é
13, 14. O significado da sabedoria proveitosa, porque tem a promessa da vida que
perdurável. A verdadeira sabedoria é um agora é e da que há de ser" (lTm 4:8). Estão
tesouro tão perdurável como a própria eter- vivos para a satisfação dos prazeres reais da
nidade. Muitas pessoas que o mundo chama vida, enquanto não se afligem com vão remorso
de sábias o são apenas a seus próprios olhos. por causa do mau emprego do tempo, nem com
Satisfeitas com a aquisição da sabedoria mun- a depressão ou o terror mental, como ocorre
dana, nunca entram no jardim de Deus para muitas vezes com o mundano quando não está
se familiarizarem com os tesouros do conhe- entretido em algum prazer excitante. [...]
cimento contidos em Sua Santa Palavra. Eles A piedade não conflita com as leis da
se julgam sábios, mas são ignorantes no que saúde, mas está em harmonia com elas.
diz respeito à sabedoria que precisam pos- Tivessem os seres humanos sido sempre
suir todos quantos hão de obter a vida eterna. obedientes à lei dos Dez Mandamentos,
Nutrem desprezo pelo livro de Deus, o qual, tivessem posto em prática os princípios des-
se estudado e obedecido, os tornaria verdadei- ses dez preceitos, não existiria a maldição
ramente sábios. A Bíblia é para eles um mis- das doenças que inundam agora o mundo.
tério impenetrável. As verdades maravilhosas [.. .] Aquele cuja mente está calma e satis-
e profundas do Antigo e do Novo Testamento feita em Deus se encontra no caminho certo
são obscuras para eles, porque as coisas espi- para a saúde (CS, 627, 628).
rituais não são por eles discernidas espiritual-
mente. Precisam aprender que o temor do CAPÍTULO 4
Senhor é o princípio da sabedoria e que, sem
essa sabedoria, seu saber é de pouco valor. 18. A vida cristã ilumina o cami-
Os que estão se esforçando para obter nho para outros. Uma pessoa cheia do
educação na área das ciências, mas que amor de Jesus transmite esperança, cora-
não aprenderam a lição de que o temor do gem e serenidade por suas palavras, manei-
Senhor é o princípio da sabedoria, estão tra- ras e pelo olhar. Revela o espírito de Cristo.
balhando sem proveito e sem perspectiva de Desperta o desejo de uma vida melhor; pes-
sucesso, questionando a realidade de tudo. soas prestes a desfalecer são fortalecidas ;
Eles podem adquirir educação nas ciên- os que se acham em luta contra a tentação
cias, mas, a menos que alcancem conheci- serão revigorados e confortados. As palavras,
mento da Bíblia e de Deus, não possuem a a expressão e a maneira de agir irradiam luz
verdadeira sabedoria. Pessoas iletradas, que brilhante e deixam após si um claro caminho
conhecem a Deus e a Jesus Cristo, possuem em direção ao Céu, que é a fonte de toda
sabedoria mais duradoura que os mais cul- luz. Cada um de nós tem oportunidades de
tos que desprezam a instrução de Deus ajudar outros. Causamos constantemente
(JMM [MM 2009], 98). impressão na juventude que nos rodeia.

1310
COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE- PROVÉRBIOS 4:23

A impressão do semblante é em si mesma Na obra de guardar o coração, precisa-


um espelho da vida interior. Jesus deseja mos insistir na oração, ser incansáveis em
que nos tornemos como Ele próprio, cheios pedir assistência ao trono da graça. Os que
de terna simpatia, exercendo um ministério proferem o nome de Cristo devem chegar a
de amor nos pequenos deveres da vida (NAV Deus com fervor e humildade, pleiteando
[MM 1962], 173; Ms 24, 1887). auxílio. O Salvador nos disse que orásse-
A luz está bruxuleando. A luz dada mos sem cessar. O cristão não pode estar
para brilhar mais e mais até ser dia perfeito, sempre de joelhos em oração, mas seus pen-
~ ~> está bruxuleando. A igreja não está mais samentos e desejos podem ser de contínuo
emitindo os claros raios de luz em meio às elevados ao Céu. A confiança em nós mes-
trevas morais que envolvem o mundo qual mos se desvaneceria, se falássemos menos e
mortalha. A luz de muitos não está nem orássemos mais (FF [MM 2005/1956], 99).
bruxuleando nem brilhando. Eles são como Diligência e zelo (SI 19:14; Ef 4:13.)
icehergs morais (Carta lf, 1890). Os cristãos devem ser cuidadosos em guar-
20-22. Ver Ellen G . White sobre dar o coração com toda a diligência. Devem
Êx 20:3-17, vol. 1, p. 1218. cultivar o amor pela meditação e e spírito
23. Como o coração pode ser guar- de devoção. Muitos parecem lamentar os
dado para Deus (1Ts 5:17; ver Ellen G. momentos empregados em meditação, na
White sobre SI 19:14). "Sobre tudo o que pesquisa das Escrituras e na oração, como
se deve guardar, guarda o coração, porque se o tempo assim empregado fosse perdido.
dele procedem as fontes da vida" (Pv 4:23). Desejaria que todos vocês pudessem ver
A diligência no guardar o coração é essen- essas coisas sob a perspectiva que D e us
cial para um saudável crescimento na graça. deseja sejam vistas; pois, então, dariam
Em seu estado natural, o coração é morada ao reino do Céu lugar de suprema impor-
de pensamentos e paixões pecaminosos. tância. Manter o coração no Céu fortale-
Quando posto em sujeição a Cristo, precisa cerá todos os seus dons, comunicará vida
ser purificado pelo Espírito de toda conta- a todos os seus deveres. O disciplinar a
minação. Isso não pode ser feito sem o con- mente em se demorar nas coisas celestiais
sentimento do indivíduo. dará vida e fervor a todas as nossas ativi-
Uma vez purificado o coração, é dever do dades (FF [MM 2005/1956], 109). Nossos
cristão conservá-lo incontaminado. Muitos esforços são frágeis, corremos lentamente a
pensam que a religião de Cristo não requer o carreira cristã e manifestamos indolência e
abandono dos pecados diários nem o rompi- preguiça porque damos tão pouco valor ao
mento com os hábitos que têm mantido a pes- prêmio celestial. Somos anões nas conquis-
soa em servidão. Renunciam a algumas coisas tas espirituais. É privilégio e dever do cris-
condenadas pela consciência, mas deixam de tão crescer no "conhecimento do Filho de
representar a Cristo no viver diário. Não levam Deus, à perfeita varonilidade, à medida da
para o lar a semelhança com Cristo. Não mani- estatura da plenitude de Cristo" (E f 4: 13).
festam atento cuidado na escolha das pala- Como o exercício aumenta o apetite e dá
vras. Com demasiada frequência, proferem-se força e saudável vigor ao físico, assim os exer-
palavras irritadas, impacientes, palavras que cícios devocionais trazem acréscimo de graça
suscitam no coração as piores paixões. Essas e vigor espiritual. As afeições se devem con-
pessoas necessitam da permanente presença centrar em Deus. Contemplem Sua gran-
de Cristo na vida. Unicamente em Sua força deza, misericórdia e excelência. Permitam
podem elas vigiar as palavras e as ações. que Sua bondade e amor e perfeição de

1311
6:6 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

caráter cativem seu coração. Conversem a mente fixa em Deus, ter sempre diante dos
acerca de Seus encantos divinos e das man- olhos o Seu temor. Um único desvio da inte -
sões celestes que Ele está preparando para gridade moral embota a consciência e abre a
os fiéis. Aquele cuja conversa é sobre o Céu é porta à tentação seguinte. "Quem anda em
o cristão m ais útil a todos os que o rodeiam . sinceridade anda seguro, mas o que perverte
Suas palavras são proveitosas e agradáveis . os seus caminhos será conhecido" (Pv 10:9).
Possuem poder transformador sobre quem as É-nos ordenado amar a Deus sobre todas
ouvem e abrandarão e conquistarão a alma as coisas e ao próximo como a nós mesmos.
(NAV [MM 1962], 114; RH , 29/03/ 1870). A experiência da vida diária, entretanto,
A religião prática exala fragrância. mostra que essa lei é rejeitada. A sinceri-
Suba a Deus a oração: "Cria em mim, ó Deus, dade e a integridade moral assegurarão o
um coração puro" (SI 51:10); pois uma pes- favor de Deus e farão da pessoa uma bênção
soa limpa e pura tem a Cristo habitando em para si mesma e para a sociedade . M as, em
si, e da abundância do coração procedem as meio à variedade de tentações que assaltam
saídas da vida. A vontade humana deve se uma pessoa em qualquer parte para onde se
render a Cristo. E m vez de seguir adiante, volte, impossível é m an ter uma consciên-
fechando o coração egoisticamente, há neces- cia limpa e a aprovação do Céu sem auxílio
sidade de abrir a mente às suaves influências divino e sem o princípio de amar a honesti-
do Espírito de Deus. A religião prática exala dade por amor ao que é correto.
sua fragrância em toda parte. Ela é um cheiro Um caráter aprovado por Deus e pelas
de vida para vida (MG [M M 1974], 293). pessoas é preferível à riqueza. É preciso
pôr-se um fundamento amplo e profundo,
CAPÍTULO 6 assentado na rocha Cristo Jesus. Muitos há
que professam trabalhar baseados no verda-
6. A operosidade da formiga re- deiro fundamento e cuja frouxidão mostra
~ .... preende
a preguiça. As moradias que as que estão edificando sobre a areia move-
- formigas constroem para si mostram habili- diça; mas a grande tempestade varrerá seu
dade e perseverança. Elas podem levar ape- fundamento, e não terão refúgio. [... ]
nas um pequeno grão de cada vez. Mas, por Muitos alegam que, a menos que sejam
meio da diligência e da perseverança, fazem espertos e estejam alerta para tirar proveito
m aravilhas. Salomão apresenta ao mund o para si mesmos, sofrerão perdas. Seus inescru-
a operosidade da formiga como reprovação pulosos vizinhos, que tiram proveitos egoístas,
àqueles que desperdiçam suas horas em pe- são prósperos; enquanto eles, embora ten-
caminosa ociosidade, em práticas que cor- tem negociar estritamente de acordo com os
rompem alma e corpo. A formiga se prepara princípios bíblicos, não são tão favorecidos.
para o futuro. Esta é uma lição desconside- Veem, porventura, essas pessoas o futuro?
rada por muitos dotados de razão. Falham Ou estão seus olhos demasiado fracos para
inteiramente em se preparar para a futu ra distinguir em meio ao nevoeiro da poluição
vida imortal que Deus, em Sua providência, mundana, que a honra e a integridade não
assegura à raça caída (Ms 35, 1899) . são recompensadas na moeda deste mundo?
Recompensará D eus a virtude meramente
CAPÍTULO 10 com o êxito mundano? Ele tem seus nomes
gravados nas palmas de Suas mãos, como
9. A retidão torna a pessoa uma herdeiros de honras perduráveis, rique-
bênção. O primeiro passo na vida é manter zas imperecíveis (JMM [MM 2009] , 171).

1312
COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE- PROVÉRBIOS 12:19

O que esse homem desonesto ganhou com quanto é ganho por meio de práticas egoístas.
sua política mundana? Quão alto foi o preço Quando uma pessoa se entrega a uma
pago por seu sucesso? Ele sacrificou sua postura egoísta e astuta, mostra que não
nobre varonilidade e tomou o caminho que teme ao Senhor nem reverencia Seu nome.
leva à perdição. Talvez tenha se convertido; Os que estão ligados com Deus não somente <01 S:
talvez tenha visto quão ímpia era sua injus- fugirão a toda injustiça, mas manifestarão oo
tiça para com o próximo e, na medida do Sua misericórdia e bondade para com todos
possível, tenha feito restituição; mas as cica- com quem têm de tratar. O Senhor não
trizes de uma consciência ferida permanece- aprova qualquer acepção de pessoas; mas
rão para sempre (ST, 07/02/1884). não aprovará o caminho dos que não fazem
diferença em favor dos pobres, da viúva e do
CAPÍTULO 11 órfão (NAV [MM 1962], 223).
14. Ver Ellen G. White sobre 1Cr 27:32-34.
1. Todos os negócios efetuados
segundo retos princípios. Em todas as CAPÍTULO 12
transações de negócios, cumpre-nos deixar
brilhar positivamente a luz. Não deve haver 18. A força das palavras. A voz e a
nada de astúcia. Tudo tem de ser feito com língua são dons de Deus e, quando devida-
a mais estrita integridade. Melhor é consen- mente empregadas, são uma força em favor
tir em perder alguma coisa no sentido finan- da causa de Deus. As palavras significam
ceiro, do que lucrar algum dinheiro por muito. Podem exprimir amor, devoção, lou-
meio de astúcia. No fim, não perderemos vor e melodia para Deus, ou ódio e vin-
coisa alguma em virtude de uma vida justa. gança . As palavras revelam os sentimentos
Precisamos viver no mundo a lei de Deus do coração. Podem ser um cheiro de vida
e aperfeiçoar o caráter segundo a imagem para vida ou de morte para morte. A lín-
divina. Todos os negócios feitos com os que gua é uma fonte de bênção ou de iniqui-
pertencem à fé, e da mesma maneira com dade (FF [MM 2005/1956], 180).
os que não pertencem, devem ser efetuados Granizo desolador ou sementes de
segundo princípios retos e justos. Tudo deve amor? Alguns saem da comunhão diá-
ser considerado em face da lei de Deus, tudo ria com Deus revestidos da mansidão de
feito sem fraude, sem duplicidade ou vestí- Cristo. Suas palavras não são como gra-
gio de dolo (FF [MM 2005/1956], p. 185). nizo desolador, esmagando tudo que encon-
Deus honra a honestidade e amaldi- tra pela frente; antes brotam docemente de
çoa a injustiça. "Balança enganosa é abo- seus lábios. Espalham sementes de amor e
minação para o SENHOR" (Pv 11:1) A balança bondade por todo o caminho, e tudo isso
falsa é símbolo de todo negócio injusto, de inconscientemente, porque Cristo mora no
todos os ardis para ocultar o egoísmo e a seu coração. Sente-se mais do que se vê a
injustiça sob a aparência de justiça e equi- sua influência (ibid.).
dade. Deus não favorece, no mínimo, tais 19. Os honestos são joias divinas
práticas. Ele odeia todo caminho enganoso. para sempre. Veracidade e franqueza
Aborrece o egoísmo e a cobiça. Não tolera a devem ser sempre nutridas por todos os
impiedade, que será paga na mesma moeda. que pretendem seguir a Cristo. Deus e o
Deus pode dar prosperidade aos que traba- direito devem ser seu lema. Procedam de
lham honestamente na aquisição de seus forma honesta e justa neste mundo mau.
meios. Mas Sua maldição repousa em tudo Alguns são honestos só quando veem que a

1313
14:30 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

honestidade não lhes prejudicará os interes- continuado na vida prática do dia a dia (ST,
ses terrenos; mas o nome de todos quantos 17/08/1888).
agirem segundo esses princípios serão apa-
gados do livro da vida. CAPÍTULO 15
Importa cultivar estrita honestidade.
Não podemos passar pelo mundo senão I, 2. Sementes que produzem má
uma vez; não nos é possível voltar para reti- colheita. As palavras apaixonadas lançam
ficar quaisquer erros. Portanto, todo passo sementes que produzem uma colheita má
deve ser dado em piedoso temor e cuidadosa que ninguém desejará armazenar. Nossas
consideração. A honestidade e a astúcia não próprias palavras têm efeito sobre nosso
se harmonizam; ou a astúcia será domi- caráter, mas agem de maneira ainda mais
nada, e a verdade e a honestidade tomarão poderosa sobre o caráter de outros. Somente
as rédeas do governo, ou a astúcia tomará o Deus infinito pode medir o dano causado
as rédeas, e a honestidade ficará fora. Não por palavras descuidadas. Essas palavras
poderão ambas agir juntamente; elas jamais brotam de nossos lábios, e talvez não tenha-
estarão de acordo. Quando Deus recolher mos a intenção de causar qualquer dano;
Suas joias, os verdadeiros, os francos e os mas elas são um indicativo de nossos pen-
honestos serão os Seus escolhidos, os Seus samentos íntimos, e atuam do lado do mal.
tesouros. Os anjos estão preparando coroas Quanta infelicidade tem sido produzida
para esses; e desses diademas crivados de pela pronúncia de palavras descuidadas e
estrelas se refletirá, em seu esplendor, a luz cruéis no círculo familiar! As palavras áspe-
do trono de Deus (NAV [MM 1962], 224). ras ficam guardadas na mente, talvez por
anos, e nunca perdem seu efeito venenoso.
CAPÍTULO 14 Como cristãos professas, devemos consi-
derar a influência que nossas palavras têm
30. Um traço vil do caráter (Pv 27:4). sobre aqueles com quem nos associamos,
A inveja é um dos traços mais vis do caráter quer sejam crentes ou descrentes. Nossas
satânico. Está constantemente buscando palavras são observadas, e pronunciamentos
exaltar o eu ao difamar a outros. O inve- impensados causam dano. Nenhuma asso- _, ~
joso rebaixa o próximo com o intuito de ciação posterior com crentes ou descrentes
exaltar-se a si mesmo. O som do elogio é neutralizará totalmente a influência desfa-
grato para aquele que desenvolve o amor da vorável de palavras impensadas e tolas. As
aprovação, e ele detesta ouvir elogios feitos palavras evidenciam o tipo de alimento com
a outra pessoa. Oh, que indizível infortúnio que a pessoa é nutrida (YI, 27/06/1895).
esse mau traço de caráter tem produzido em 33. Ver Ellen G. White sobre ]z 6:15,
nosso mundo! Existia no coração. de Saul a vol. 2, p. 1107.
mesma inimizade que impeliu o coração
de Caim contra seu irmão Abel, porque as CAPÍTULO 16
obras de Abel eram justas e Deus o honrou,
ao passo que suas próprias obras eram más 2. Deus lê os planos secretos. Para seu
e o Senhor não pôde abençoá-lo. interesse eterno, todos devem examinar o pró-
A inveja é filha do orgulho e, se for prio coração e desenvolver todas as faculdades
abrigada no coração, levará a atos cruéis, concedidas por Deus. Lembrem-se de que
ódio, vingança e homicídio. O grande con- não há um só motivo no coração de qualquer
flito entre Cristo e o príncipe das trevas é pessoa que o Senhor não veja claramente.

1314
COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE- PROVÉRBIOS 16:32

Os motivos de cada um são pesados tão cui- 1Sm 24:6; vol. 2, p. 1129). Cristo está usando
dadosamente como se o destino de cada ser palavras cortantes, críticas severas e suspei-
humano dependesse unicamente desse resul- tas cruéis em relação a Seu povo que comete
tado. Precisamos de uma conexão com o faltas? Não. Ele leva em conta toda enfer-
poder divino para que possamos ver a luz mais midade e age com discernimento. Conhece
claramente e ter uma compreensão de como cada um de nossos fracassos, mas usa de
raciocinar da causa para o efeito. Precisamos paciência; se assim não fosse, há muito já
cultivar as faculdades da compreensão, sendo teríamos perecido por causa do mau tra-
co-participantes da natureza divina e nos tamento que Lhe dispensamos. O maior
livrando da corrupção das paixões que há no insulto que podemos cometer para com Ele
mundo. Que todos considerem cuidadosa- é fingir sermos Seus discípulos enquanto
mente esta solene verdade: Deus, no Céu, é manifestamos o espírito de Satanás nas
verdadeiro, e não há um único propósito, por palavras, no temperamento e nos atos. Não
mais complicado que seja, um único motivo, convém que aqueles de quem Jesus suporta
por mais cuidadosamente oculto que esteja, tanta coisa no que diz respeito a suas falhas
que Ele não compreenda claramente. Ele lê e a suas perversidades, constantemente se
os planos secretos de todo coração. Os seres importem com insultos ou com ofensas reais
humanos podem tramar atos tortuosos para ou imaginárias. Contudo, há os que estão
o futuro, achando que Deus não os conhece; sempre suspeitando dos motivos dos que os
mas naquele grande dia em que os livros rodeiam. Veem ofensas e insultos onde não
forem abertos e todos forem julgados pelas houve essa intenção por parte da outra pes-
coisas neles escritas, esses atos vão aparecer soa. Tudo isso é obra de Satanás no coração
como são.[ ... ] [ver Sll39:l-5, 11, 12]. humano. Um coração cheio do amor que não
O Senhor vê e entende toda desonesti- suspeita mal (lCo 13:5) não procura descor-
dade no planejamento, toda apropriação de tesias e injustiças que talvez lhe tenham sido
propriedade ou meios que tenha algum grau dirigidas. A vontade de Deus é que o amor
de ilegalidade, toda injustiça no trato do ser feche os olhos, ouvidos e o coração a todas
humano com seu próximo [ver Dn 5:27] essas provocações e a todas as suge stões
(RH, 08/03/1906). com as quais Satanás deseja tentá-los. Há
11. A religião com balanças engano- uma nobre majestade no silêncio daquele
sas é abominação (Os 12:7). A fraude em que é exposto a más suspeitas ou ultrajes.
qualquer transação é um grave pecado à vista Saber dominar o espírito é ser mais forte do
de Deus; pois os bens que as pessoas nego- que reis ou conquistadores. Um cristão leva
ciam pertencem a Ele e devem ser usados para os outros a pensar em Cristo. Ele será afável,
a glória do Seu nome, caso os seres huma- bondoso, paciente, humilde e, ao mesmo
nos desejem ser considerados puros e limpos tempo, corajoso e firme em vindicar a ver-
aos Seus olhos. A religião que leva na mão a dade e o nome de Cristo.
medida adulterada e a balança enganosa é Não devemos considerar como nossos
uma abominação diante de Deus. Aquele que inimigos todos que não nos recebem com
nutre essa religião será confundido, pois o um sorriso nos lábios e com demonstrações
Senhor é um Deus zeloso (Carta 8, 1901). de amor. É muito mais fácil agir como már-
28. Ver Ellen G. White sobre Pv tir do que vencer o mau gênio.
26:20-22 . Precisamos dar a outros o exemplo, não
32 Como ser mais forte que reis e nos detendo em cada mínima ofensa para
conquistadores (ver Ellen G. White sobre vindicar nossos direitos. Podemos esperar -41;;o

1315
17:9 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

que circulem falsos rumores sobre nós; mas todas as circunstâncias. O esforço de se
se seguirmos uma conduta reta, se perma- colocar em situação favorável , em que o eu
necermos indiferentes a essas coisas, os não seja contrariado, pode dar bom resul-
outros também ficarão indiferentes a elas. tado por algum tempo; mas Satanás sabe
Deixemos que Deus cuide de nossa reputa- onde encontrar essas pobres almas e as
ção. E assim , como filhos e filhas de Deus , tentará repetidamente em seus pontos fra-
mostraremos que temos domínio pró- cos. Estarão continuamente perturbadas
prio, que somos guiados pelo Espírito de enquanto pensarem tanto em si mesmas.
Deus e que somos tardios em ira. A calú- Carregam o mais pesado fardo que um
nia pode ser gradualmente anulada por mortal possa erguer, isto é, o próprio eu,
nossa maneira de viver, mas não pode ser não santificado nem subjugado. Há, porém,
anulada por palavras de indignação. Que esperança para elas. Seja esta vida, tão
nossa grande ansiedade seja agir no temor assolada por conflitos e ansiedades , posta
de Deus e mostrar, por nossa conduta, que em ligaç ão com Cristo, e então não mais
esses rumores são falsos. Ninguém pode o próprio eu clamará pela supremacia (FF
manchar nosso caráter tanto quanto nós [MM 2005/ 1956], 142; YI, 10/11/1886).
mesmos. São as árvores fracas e as casas
que estão caindo que precisam ser constan- CAPÍTULO 17
temente escoradas. Quando nos mostra-
mos tão ansiosos para proteger a reputação 9. Ver Ellen G. White sobre Pv 26:20-22.
contra ataques externos , damos a impres-
são de que ela não é irrepreensível diante CAPÍTULO 18
de Deus e que, portanto, precisa ser conti-
nuamente reforçada (Ms 24, 1887). 12. Ver Ellen G. White sobre ]z 6:15.
Evitar a embriaguês da ira. Há pes- 21. O diabo pode usar a língua dos
soas que cresceram sem domínio de si mes- cristãos para arruinar. Não permitam que
mas; não refrearam o temperamento nem o diabo use sua língua e sua voz para arruinar
a língua; e algumas dessas pretendem ser os que são fracos na fé; pois, no dia do ajuste
seguidoras de Cristo, mas não são. Jesus de contas, Deus os chamará para dar conta
não lhes deu tal exemplo. Quando tiverem dos seus atos (Ms 39, 1896).
a mansidão e a humildade do Salvador, não
darão lugar aos impulsos do coração natu- CAPÍTULO 20
ral, pois isso procede de Satanás. Alguns são
nervosos e, se começam a perder o domínio 1. Ver Ellen G. White sobre Pv 23:29-35.
na palavra e no espírito, quando provocados,
ficam tão embriagados de ira como os ébrios CAPÍTULO 21
o ficam com a bebida alcoólica. Perdem a
razão, e não se persuadem facilmente nem se 2. No mesmo terreno que Lúcifer.
convencem. Ficam insanos; nesse momento, Quando alguém assume a posição de que,
Satanás tem todo o domínio. Cada uma des- depois de tomar uma decisão, deve mantê-
sas manifestações de ira enfraquece o sis- Ia e nunca voltar atrás, está no mesmo
tema nervoso e as faculdades morais e torna terreno que Lúcifer quando se rebelou con-
difícil refrear a raiva na provocação seguinte. tra Deus. Ele considerou que seus planos
Para essas pessoas não há senão um quanto ao governo do Céu eram uma teoria
remédio: positivo domínio próprio em sublime e imutável.

1316
COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE - PROVÉRBIOS 23:35

Ninguém deve pensar que opiniões hu- mente a pensar com rapidez para se esfor-
manas devam ser imortalizadas. Qualquer çar vigorosamente no momento adequado.
ser humano que assuma a posição de que Se sua mais elevada motivação é trabalhar
nunca modificará seus conceitos se colo- para ganhar um salário, nunca, em qual-
ca em terreno perigoso. Os que consideram quer posição, vocês estarão qualificados
seus pontos de vista como imutáveis não po- para desempenhar grandes responsabilida-
dem ser ajudados, pois se colocam onde des e nunca estarão aptos para ensinar (FF
não estão dispostos a receber o conselho e a [MM 2005/1956], 106; Ms 24, 1887).
admoestação de seus irmãos (Carta 12, 1911).
CAPÍTULO 23
CAPÍTULO 22
26. A mais preciosa oferta dos
29. Deus requer esforços vigorosos jovens. Então, filhos, venham a Jesus.
e diligentes. Coloquem a máxima energia Deem a Deus a mais preciosa oferta que
em seus esforços. Chamem em seu auxílio lhes é possível dar: seu coração. Ele lhes fala ,
as mais poderosas motivações. Vocês estão dizendo: "'Dá-Me, filho Meu', filha Minha,
aprendendo. Esforcem-se por ir ao fundo de 'o teu coração"' (Pv 23:26) "Ainda que os vos-
tudo em que puserem a mão. Nunca tomem sos pecados sejam como a escarlata, eles se
como objetivo menos que se tornar compe- tornarão brancos como a neve" (Is 1:18); pois
tentes nos assuntos em que se ocupam. Não Eu limparei vocês com Meu próprio sangue.
se deixem cair no hábito de ser superficiais e Eu os tornarei membros da Minha família -
negligentes em seus deveres e estudos; pois filhos do celeste Rei. Recebam Meu perdão,
os hábitos se fortalecerão e vocês se torna- Minha paz, que livremente lhes dou. Eu os
rão incapazes de fazer qualquer coisa melhor. vestirei com Minha própria justiça - a veste
~ ,. A mente aprenderá naturalmente a satisfazer- nupcial - e os tornarei aptos para a ceia das
se com o que exige menos cuidado e esforço, bodas do Cordeiro. Quando vestidos com
e a se contentar com o que é medíocre e infe- Minha justiça, por meio do orar, do vigiar
rior. Rapazes e moças, existem profundidades e do diligente e studo da Minha Palavra,
de conhecimento que vocês jamais sondaram, vocês serão capazes de alcançar um ele-
mas vocês ficam satisfeitos e orgulhosos com vado padrão. Compreenderão a verdade, e
as realizações superficiais que atingem. Se seu caráter será moldado por uma influência
soubessem muito mais do que sabem, se con- divina; "pois esta é a vontade de Deus, a vossa
venceriam de que sabem bem pouco. santificação" (lTs 4:3) (YI, 30/06/1892).
Deus requer de vocês rigorosos e dili- 29-35. O controle de Satanás por
gentes esforços intelectuais, e cada esforço meio de bebidas alcoólicas (Pv 20:1).
determinado fortalecerá as suas faculdades. Não é esta uma descrição da vida real? Não
Sua obra será então sempre aprazível, por- representa para nós a experiência do pobre
que vocês saberão que estão progredindo. ébrio entorpecido, que está mergulhado na
Vocês podem se habituar com avanços vaga- degradação e na ruína, porque levou a gar-
rosos, incertos e irresolutos, de modo que a rafa aos lábios, e que diz: "Então, tornarei a
obra de sua vida não seja a metade do que beber" (Pv 23:35)? A maldição adveio a essa
poderia ser; ou, então, com os olhos fixos alma através da condescendência com o mal,
em Deus e a mente fortalecida pela oração, e Satanás tem o controle de seu ser. [... ]
podem vencer a vagarosidade degradante e Aquele que adquiriu o hábito de inge-
o desgosto pelo trabalho. Podem treinar a rir bebidas alcoólicas está numa situação

1317
24 :6 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

desesperadora. Não se pode argumentar suas próprias fraquezas, esquece sua obriga-
com ele, nem persuadi-lo a se privar dessa ção de não pensar nem falar mal para não
condescendência. Seu estômago e seu cére- desonrar a Deus e ferir a Cristo na pessoa de
bro estão enfermos, sua força de vontade Seus santos; e todo defeito que se possa cogi-
está enfraquecida e seu apetite é incontro- tar ou imaginar é comentado sem misericór-
lável. O príncipe das potestades das trevas o dia, e o caráter de um irmão é apresentado
mantém numa escravidão que ele não tem como sendo obscuro e duvidoso.
poder para quebrar. Para auxílio dessas víti- Ocorre a traição de uma sagrada con-
mas, o comércio de bebidas alcoólicas devia fiança. As coisas faladas em confiança fra-
cessar. Será que os governantes deste país terna são repetidas e distorcidas; e cada
não veem os terríveis resultados que resul- palavra, cada ação, embora inocente e bem-
tam desse comércio? Diariamente os jornais intencionada, é dissecada pela crítica fria
estão cheios de relatos que comoveriam um e invejosa daqueles que eram considera-
coração de pedra; e se a razão de nossos dos nobres e honrados demais para tirar a
governantes não estivesse pervertida, eles mínima vantagem da associação amigável
veriam a necessidade de abolir esse comér- ou da confiança fraterna. Corações fecham-
cio mortal. Que o Senhor mova o coração se para a misericórdia, o juízo e o amor de
dos que estão em posição de autoridade a Deus; e se revela o espírito frio, esc arne-
fim de que tomem medidas para proibir o cedor e desdenhoso que Satanás desperta
comércio de bebidas (RH, 01/05/1894). para com sua vítima.
O Salvador do mundo foi tratado dessa
CAPÍTULO 24 forma, e estamos expostos à influência do
mesmo espírito malicioso. Chegou o tempo
6. Ver Ellen G. White sobre 1Cr em que não é mais seguro depositar con-
27:32-3 4. fiança num amigo ou num irmão.
CAPÍTULO 26 Como nos dias de Cristo havia espias
no Seu encalço, há também agora no nosso.
20-22. Rumores destroem a uni- Se Satanás consegue levar professas cren-
dade (Pv 16:28; 17:9; Jr 20:10). Às vezes, tes a agir como acusadores dos irmãos, fica
irmãos se associam durante anos e pensam satisfeito, pois aqueles que assim fazem o
que podem confiar naqueles que conhecem estão servindo tão verdadeiramente como
tão bem, da mesma forma que confiariam Judas quando traiu a Cristo, mesmo que
nos membros de sua própria família. Há uma o estejam fazendo sem o saber. Satanás não
liberdade e confiança nesse companhei- está menos ativo agora do que nos dias de
rismo que não poderia existir entre os que Cristo, e os que se prestam a fazer seu tra-
não são da mesma fé. É isso muito agradável balho manifestarão seu espírito.
enquanto dura o amor fraternal; mas, quando Os rumores circulados são frequente-
o "acusador de nossos irmãos" (Ap 12:10) con- mente os destruidores da unidade entre os
segue acesso ao coração de uma dessas pes- irmãos. Há alguns que vigiam com a mente e
soas, dominando a mente e a imaginação, os ouvidos abertos para captar os escândalos
surge então o ciúme e são nutridas a suspeita que estão no ar. Reúnem pequenos inciden-
e a inveja; e aquele que se supunha seguro no tes que em si mesmos são sem importância,
amor e na amizade de seu irmão, verifica que mas que são repetidos e exagerados até que
é alvo de desconfiança e que seus motivos alguém é considerado um malfeitor por causa
~ ~~- são mal interpretados. O falso irmão esquece de uma palavra. Seu objetivo parece ser:

1318
COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE - PROVÉRBIOS 31:26

"Conte-o a nós e nós o contaremos a outros." verdadeiro! Em tais ocasiões, Satanás manda
Esses mexeriqueiros fazem a obra de Satanás seus agentes fazerem com que tropecem as
com surpreendente fidelidade, mal sabendo pernas trementes; mas os amigos genuínos
quão ofensivo a Deus é seu procedimento. que aconselham, que comunicam fascinante
Se metade da energia e do zelo que devotam esperança e fé tranquilizadora que eleva a
a essa obra ímpia fosse por eles empregada pessoa- oh, tal auxílio vale mais que pérolas
no exame do próprio coração, encontrariam preciosas! (FF [MM 2005/1956], 161).
tanta coisa a fazer para limpar sua alma da
impureza, que não teriam tempo nem dispo- CAPÍTULO 29
sição para criticar seus irmãos, e não cairiam
sob o poder dessa tentação. A porta da mente 1. Rejeitar a reprovação leva à
deve ser fechada contra expressões como: perda da alma. Satanás atuará sobre men-
"Dizem" ou "Ouvi dizer". Em vez de permitir tes acostumadas à condescendência, sobre
que o ciúme ou as más suspeitas entrem em pessoas que sempre agiram a seu bel-prazer,
nosso coração, por que não vamos ao nosso sobre aqueles para quem qualquer conse-
irmão e, com franqueza, mas de maneira bon- lho ou reprovação para mudar seus obje-
dosa, apresentamos a ele as coisas ruins que táveis traços de caráter é considerado uma
ouvimos a respeito de seu caráter e de sua crítica destrutiva que os ata, restringe e
influência, e depois oramos com ele e por ele? lhes tira a liberdade de agir. O Senhor, em
Embora não possamos apreciar os que são ini- grande misericórdia, lhes enviou mensagens
migos declarados de Cristo nem nos associar de advertência, mas eles não quiseram dar
a eles, devemos cultivar o espírito de mansi- ouvidos à reprovação. Como o inimigo que
dão e amor que caracterizou o nosso Mestre - se rebelou no Céu, eles não gostaram do que .. ~
o amor que não suspeita mal nem facilmente ouviram; não corrigiram o mal que haviam ""'
se exaspera (TM, 503-505; RH, 03/06/1884). feito, mas se tornaram acusadores, decla-
rando ter sido maltratados e não terem rece-
CAPÍTULO 27 bido a devida consideração.
Agora é a o momento da prova, do teste,
4. A inveja é uma sombra infernal da avaliação. Aqueles que, como Saul, per-
(Pv 14:30; Ct 8:6). A inveja, o ciúme e as sistirem em fazer as coisas a seu modo,
más suspeitas são uma sombra infernal pela sofrerão, como ele, a perda da honra, e final-
qual Satanás procura impedir que vocês mente a perda da alma (Carta 13, 1892).
tenham uma visão do caráter de Cristo,
de forma que, contemplando o mal, vocês CAPÍTULO 31
sejam inteiramente transformados à sua
imagem (Carta 9, 1892). 26. A instrução da bondade nos
9. O valor de um amigo. Hão de sobre- lábios. O Senhor ajudará a cada um de nós
vir dificuldades a cada um; toda pessoa será no que mais necessitarmos na obra de vencer
pressionada pela tristeza e pelo desânimo; e sujeitar o próprio eu. Esteja em seus lábios
então, uma presença pessoal, um amigo a lei da bondade, e o óleo da graça, em seu
que conforte e comunique força, repelirá coração. Isso produzirá maravilhosos resulta-
os dardos do inimigo, destinados a destruir. dos . Vocês serão brandos, cheios de simpatia e
Não há nem a metade dos amigos cris- corteses. Todas essas graças são necessárias.
tãos que deveria haver. Nas horas da tenta- Importa que o Espírito Santo seja recebido e
ção, em uma crise, quão valioso é um amigo incorporado em seu caráter; então, Ele será

1319
3 1:2 7 COME NTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

qual fogo sagrado, produzindo incenso que estiverem sob a preciosa influência do Espírito
ascenderá a Deus, não de lábios que conde- Santo não sentirão que seja uma prova de fra-
nam, mas que restauram vidas. Sua fisiono- queza chorar com os que choram, alegrar-se
mia refletirá a imagem do divino. Não devem com os que se alegram. D evemos cu ltivar
ser proferidas palavras rudes, críticas, descor- excelências celestiais de caráter. Precisamos
teses ou severas. Este é fogo profano e deve aprender o que significa ter boa vontade para
ser deixado de fora de todas as nossas reuni- com todos os homens, o sincero desejo de ser
ões e conversas. Deus requer que toda pessoa como a luz do sol e não como a sombra na vida
a Seu serviço acenda seus incensários com de outros (MG [MM 1974] , 297).
brasas do fogo sagrado. As palavras profanas, Meus irmãos, que seu coração venha a
severas e ásperas, que tão prontamente bro- quebrantar-se e a se tornar contrito. Fluam
tam de seus lábios, precisam ser reprimidas, de seus lábios expressões de simpatia e amor,
e o Espírito de Deus falará por meio do ins- que não con stituirão ataques verbais. Que
trumento humano. Contemplando o caráter outros sintam o amor que pode criar calor no
de Cristo, vocês serão transformados à Sua coração e educar os professas discípulos de
semelhança. Unicamente a graça de Cristo Cristo para que corrijam os males que têm
pode mudar o coração, que então refletirá a existido por muito tempo, como o egoísmo, a
imagem do Senhor Jesus. D eus nos chama frieza e a dureza de coração. Todos esses tra-
a sermos semelhantes a Ele - puros, santos ços revelam que Cristo não está habitando
e incontaminados. Cumpre-nos apresentar na alma [ver C! 3:12, 13] (RH, 02/01/18 94).
a imagem do divino (FF [MM 2005/1956], 27. Não há crentes ociosos (Is 65:21-
102; Carta 84, 1899). 23). A Bíblia não reconhece como crente
Viver a lei da bondade (Cl 3:12, 13). alguém que seja ocioso, não importa quão
O Senhor Jesus é nosso único ajudador. Por elevada seja sua profissão de cristianismo.
Sua graça aprenderemos a cultivar o amor, a Haverá ocupação no Céu. A condição
nos educarmos para falar bondosa e terna- dos redimidos não é a de repouso inativo .
mente. M ediante Sua graça nossas manei- "Portanto, resta um repouso para o povo de
ras frias e rudes serão transformadas. A lei Deus" (Hb 4:9), mas é um repouso baseado
da bondade estará em nossos lábios, e os que no serviço de amor (Carta 203, 1905).

ECLESIASTES
A autobiografia de Salomão. O livro A autobiografia de Salomão é lamentável.
de Eclesiastes foi escrito por Salomão em Ele nos dá a história de sua busca pela felici-
idade avançada, depois de haver provado ple- dade: dedicou-se a investigações intelectuais; .c ~
namente que todos os prazeres que a Terra gratificou seu amor ao prazer; executou seus
pode oferecer são vazios e insatisfatórios. Ele planos e empreendimentos comerciais.
mostra quão impossível é que as vaidades do Estava rodeado pelo fascinante esplendor
mundo satisfaçam os anseios da alma. Sua da vida cortesã. Tudo o que o coração car-
conclusão é que a sabedoria consiste em des- nal pudesse desejar estava à sua disposição;
frutar com gratidão as boas dádivas de Deus mas ele resume sua experiência neste triste
e fazer o que é certo, pois todas as nossas relato de E clesiastes 1:14 -2:11 (HR, junho
obras serão trazidas a julgamento. de 1878).

1320
COMENTÁRIOS DE ELLEN G. WHITE- ECLESIASTES 1:14

CAPÍTULO 1 Seus lábios estavam preparados para pror-


romper em censuras ante o mínimo desvio
13, 14. O saber sem Deus é loucura. de seus desejos.
Salomão possuía grande erudição; mas essa Seus nervos abalados e seu corpo desgas-
sabedoria era loucura, pois não soube per- tado mostravam o resultado da violação das
manecer na independência moral, livre de leis da natureza. Reconheceu sua vida des-
pecado, na força de um caráter moldado perdiçada, sua infrutífera busca da felicidade.
segundo a semelhança divina. Salomão Emitiu o triste lamento: "Tudo é vaidade e
conta o resultado de suas pesquisas, seus correr atrás do vento" [ver Ec 10:16-19].
esforços penosos e suas perseverantes inda- Era costume dos hebreus comer apenas
gações. Declara ter sido vaidade sua sabe- duas vezes ao dia, sendo que a refeição prin-
doria (MEl, 249). cipal era feita não muito longe do meio-dia.
13-18. Ver Ellen G. White sobre Gn 3:6, Mas os hábitos condescendentes dos pagãos
vol. 1, p. 1191. haviam sido introduzidos na nação, e o rei
14. "Tudo é vaidade" (Ec 10:16-19; e seus príncipes se acostumaram a estender
IRs 10:18-23; 2Cr 9:17-22). Salomão suas festas noite adentro. Por outro lado, se
assentava-se sobre um trono de marfim, a primeira parte do dia fosse devotada a ban-
cujos degraus eram de ouro maciço, ladea- quetes e ao consumo de vinho, os oficiais e
dos de seis leões de ouro. Seus olhares pou- governantes da nação ficavam totalmente
savam sobre jardins muito belos e bem desqualificados para seus solenes deveres.
cultivados. Essas imediações copstituíam Salomão estava cônscio do mal resultante
belas paisagens, arranjadas pará se asse- da condescendência com o apetite pervertido,
melharem, tanto quanto possível, ao jar- mas parecia impotente para efetuar a reforma
dim do Éden. Árvores e arbustos escolhidos necessária. Estava ciente de que a força física,
e flores de toda espécie foram levados para os nervos calmos e a sã moral só podem ser con-
esses jardins, de todas as terras estrangei- seguidos por meio da temperança. Sabia que a
ras, a fim de embelezá-los. Pássaros de toda glutonaria leva à embriaguez, e que a intempe-
variedade de brilhante plumagem voavam rança em qualquer grau desqualifica a pessoa
de árvore para árvore, fazendo vibrar o ar para qualquer cargo de confiança. Banquetes
com suaves gorjeios. Servas jovens, elegante- de glutonaria e alimento levado ao estômago
mente vestidas e ornamentadas, esperavam fora de hora deixam uma influência sobre cada
para obedecer-lhe ao mínimo desejo. Cenas fibra do organismo, e a mente também é seria-
de festa, música, esportes e jogos estavam mente afetada pela comida e a bebida.
arranjadas para sua diversão a custos extra- A vida de Salomão ensina uma lição de
vagantes (MCH [MM 1989/1953], 167). advertência não somente aos jovens, mas
Mas tudo isso não trouxe felicidade ao também aos de idade madura. Temos a ten-
r~i. Ele se sentava sobre seu magnífico trono, dência de olhar para os cristãos experientes
com o cenho franzido e toldado pelo deses- como se estivessem a salvo das seduções dos
pero. A dissipação havia deixado sua marca prazeres pecaminosos. Mas, com frequên-
no rosto outrora belo e inteligente. Salomão cia, vemos aqueles que tiveram uma vida
exibia então uma triste diferença em relação exemplar serem levados pelas fascinações
a sua juventude: seu semblante estava car- do pecado e sacrificarem para a gratificação
regado devido aos cuidados e à infelicidade, própria o divino dom do vigor da juventude.
e em todos os traços ele trazia os inequí- Durante um tempo, vacilam entre a influên-
vocos sinais da condescendência sensual. cia dos princípios e sua inclinação para seguir

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8: 11 COMENTÁRIO BÍBLICO ADVENTISTA

uma conduta proibida; mas a corrente do mal É possível se atingir o limite de Sua tolerância,
finalmente se demonstra mais forte que suas e então Ele seguramente punirá. E quando
boas resoluções , como no caso do outrora tratar do caso do pecador presunçoso, Ele não
sábio e justo rei Salomão. [.. .] Se deterá até resolvê-lo totalmente.
Prezado leitor, imagine-se nas encostas do Bem poucos percebem a h ediondez
monte Moriá e olhe em frente, para o vale de do pecado; enganam-se, pensando que
Cedrom, onde jazem as ruínas de santuários Deus é bom demais para punir o ofen-
pagãos; aprenda a lição do rei arrependido, e sor. Mas os casos de Miriã , Arão, Davi e
seja sábio. Faça de Deus sua confiança. Afaste muitos outros mostram que não é seguro
o rosto resolutamente da tentação. O vício é pecar contra Deus seja em atos, palavras
:g., uma condescendência de alto preço. Seus efei- ou pensamentos. Deus é um ser de infi-
- tos são terríveis sobre o organismo daqueles a nito amor e compaixão, mas também Se
quem ele não destrói rapidamente. Vertigens, declara um "fogo que consome , [... ] um.
perda de força, perda de memória e degenera- Deus zeloso" (Dt 4:24) (R H , 14/0 8/1900).
ção do cérebro, do coração e dos pulmões rapi- Toda ofensa é registrada para o
damente se seguem à transgressão das regras ajuste de contas (Mt 26:36-46;Ap 15:3).
da saúde e da moralidade (HR, junho de 1878). A morte de Cristo devia ser um argumento
eterno e convincente de que a lei de Deus
CAPÍTULO 8 é tão imutável quanto Seu trono. As ago-
nias do jardim do Getsêmani, os insultos, as
11. A longanimidade de Deus leva zombarias, os maus-tratos de que foi cumu-
alguns ao descuido. Em Seu trato com lado o querido Filho de Deus, os horrores e a
a raça humana, Deus tolera o impenitente ignomínia da crucifixão proveem suficientes
durante muito tempo. Ele usa seus instru- e impressionantes demonstrações de que a
mentos designados para chamar as pessoas a justiça de Deus, quando pune, efetua a obra
serem leais e lhes oferece Seu pleno perdão cabalmente. O fato de que não fot poupado
caso se arrependam. Mas, pelo fato de Deus o Seu próprio Filho, o fiador do ser humano,
ser longânimo, os seres humanos abusam de é um argumento que permanecerá por toda
Sua misericórdia. "Visto como se não executa a eternidade, perante santos e pecadores e
logo a sentença sobre a má obra, o coração perante o Universo de Deus, para testificar
dos filhos dos homens está inteiramente dis- que Ele não desculpará o transgressor de
posto a praticar o mal" (Ec 8: 11 ). A paciên- Sua lei. Toda ofensa contra Deus, embora
cia e a longanimidade de Deus, que deviam diminuta, é registrada nos livros. E quando
abrandar e subjugar a alma, têm uma influên- for empunhada a espada da justiça, ela efe-
cia totalmente diferente sobre os descuida- tuará, para os transgressores impenitentes, a
dos e pecaminosos. Levam-nos a dar rédeas obra que foi efetuada para o sofredor divino.
soltas ao pecado e os fortalece na resistência. A justiça será feita, pois a aversão de Deus
Pensam que o Deus que tolerou tanta coisa ao pecado é intensa e esmagadora (Ex [MM
da parte deles passará por alto sua perversi- 1992], 154, 159; Ms 58, 1897).
dade. Se vivêssemos numa dispensação em 11, 12. Ver Ellen G. White sobre
que a retribuição fosse imediata, as ofensas Gn 15:16.
a Deus não ocorreriam com tanta frequência . CAPÍTULO 10
Mas, embora esteja sendo adiada, a punição é
certa. Há limites até para a paciência de Deus. 16-19. Ver Ellen G. White sobre Ec 1:14 . .. ~
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