Você está na página 1de 88
NOÇÕES DE MÁQUINAS TÉRMICAS Autor: José Carlos Faustini de Rezende

NOÇÕES DE MÁQUINAS TÉRMICAS

Autor: José Carlos Faustini de Rezende

NOÇÕES DE MÁQUINAS TÉRMICAS Autor: José Carlos Faustini de Rezende
NOÇÕES DE MÁQUINAS TÉRMICAS Autor: José Carlos Faustini de Rezende
NOÇÕES DE MÁQUINAS TÉRMICAS Autor: José Carlos Faustini de Rezende
NOÇÕES DE MÁQUINAS TÉRMICAS Autor: José Carlos Faustini de Rezende
NOÇÕES DE MÁQUINAS TÉRMICAS Autor: José Carlos Faustini de Rezende
NOÇÕES DE MÁQUINAS TÉRMICAS Autor: José Carlos Faustini de Rezende
NOÇÕES DE MÁQUINAS TÉRMICAS

NOÇÕES DE MÁQUINAS TÉRMICAS

NOÇÕES DE MÁQUINAS TÉRMICAS
NOÇÕES DE MÁQUINAS TÉRMICAS
NOÇÕES DE MÁQUINAS TÉRMICAS
NOÇÕES DE MÁQUINAS TÉRMICAS
NOÇÕES DE MÁQUINAS TÉRMICAS
NOÇÕES DE MÁQUINAS TÉRMICAS
NOÇÕES DE MÁQUINAS TÉRMICAS
NOÇÕES DE MÁQUINAS TÉRMICAS
NOÇÕES DE MÁQUINAS TÉRMICAS Autor: José Carlos Faustini de Rezende Ao final desse estudo, o

NOÇÕES DE MÁQUINAS TÉRMICAS

Autor: José Carlos Faustini de Rezende

Ao final desse estudo, o treinando poderá:

Reconhecer os principais conceitos relacionados ao funcionamento das máquinas térmicas.

Programa Alta Competência Este material é o resultado do trabalho conjunto de muitos técnicos da
Programa Alta Competência
Programa Alta Competência

Este material é o resultado do trabalho conjunto de muitos técnicos

da área de Exploração & Produção da Petrobras. Ele se estende para

além dessas páginas, uma vez que traduz, de forma estruturada, a experiência de anos de dedicação e aprendizado no exercício das atividades profissionais na Companhia.

É com tal experiência, refletida nas competências do seu corpo de empregados, que a Petrobras conta para enfrentar os crescentes desafios com os quais ela se depara no Brasil e no mundo.

Nesse contexto, o E&P criou o Programa Alta Competência, visando

prover os meios para adequar quantitativa e qualitativamente a força

de trabalho às estratégias do negócio E&P.

Realizado em diferentes fases, o Alta Competência tem como premissa

a participação ativa dos técnicos na estruturação e detalhamento das competências necessárias para explorar e produzir energia.

O objetivo deste material é contribuir para a disseminação das

competências, de modo a facilitar a formação de novos empregados

e a reciclagem de antigos.

Trabalhar com o bem mais precioso que temos – as pessoas – é algo que exige sabedoria e dedicação. Este material é um suporte para esse rico processo, que se concretiza no envolvimento de todos os que têm contribuído para tornar a Petrobras a empresa mundial de sucesso que ela é.

Programa Alta Competência

Como utilizar esta apostila Esta seção tem o objetivo de apresentar como esta apostila está
Como utilizar esta apostila
Como utilizar esta apostila

Esta seção tem o objetivo de apresentar como esta apostila está organizada e assim facilitar seu uso.

No início deste material é apresentado o objetivo geral, o qual representa as metas de aprendizagem a serem atingidas.

ATERRAMENTO DE SEGURANÇA Autor Ao final desse estudo, o treinando poderá: • Identificar procedimentos adequados
ATERRAMENTO
DE SEGURANÇA
Autor
Ao final desse estudo, o treinando poderá:
Identificar procedimentos adequados ao aterramento
e à manutenção da segurança nas instalações elétricas;
Reconhecer os riscos de acidentes relacionados ao
aterramento de segurança;
Relacionar os principais tipos de sistemas de
aterramento de segurança e sua aplicabilidade nas
instalações elétricas.

Objetivo Geral

O material está dividido em capítulos. No início de cada capítulo são apresentados os objetivos

O material está dividido em capítulos.

No início de cada capítulo são apresentados os objetivos específicos de aprendizagem, que devem ser utilizados como orientadores ao longo do estudo.

Riscos elétricos e o aterramento de segurança Ao final desse capítulo, o treinando poderá: •
Riscos elétricos
e o aterramento
de segurança
Ao final desse capítulo, o treinando poderá:
Estabelecer a relação entre aterramento de segurança e
riscos elétricos;
Reconhecer os tipos de riscos elétricos decorrentes do uso de
equipamentos e sistemas elétricos;
Relacionar os principais tipos de sistemas de aterramento de
segurança e sua aplicabilidade nas instalações elétricas.
Capítulo 1

Objetivo Específico

No final de cada capítulo encontram-se os exercícios, que visam avaliar o alcance dos objetivos de aprendizagem.

Os gabaritos dos exercícios estão nas últimas páginas do capítulo em questão.

Capítulo 1. Riscos elétricos e o aterramento de segurança Capítulo 1. Riscos elétricos e o
Capítulo 1. Riscos elétricos e o aterramento de segurança
Capítulo 1. Riscos elétricos e o aterramento de segurança
1.7. Gabarito
1.4. Exercícios
1)
Que relação podemos estabelecer entre riscos elétricos e aterramento de segurança?
1) Que relação podemos estabelecer entre riscos elétricos e
aterramento de segurança?
O
aterramento de segurança é uma das formas de minimizar os riscos decorrentes
do
uso de equipamentos e sistemas elétricos.
2)
Apresentamos, a seguir, trechos de Normas Técnicas que abordam os cuidados
e critérios relacionados a riscos elétricos. Correlacione-os aos tipos de riscos,
marcando A ou B, conforme, o caso:
2) Apresentamos, a seguir, trechos de Normas Técnicas que
abordam os cuidados e critérios relacionados a riscos elétricos.
Correlacione-os aos tipos de riscos, marcando A ou B, conforme,
o caso:
A)
Risco de incêndio e explosão
B) Risco de contato
( B )
“Todas as partes das instalações elétricas devem ser projetadas e
executadas de modo que seja possível prevenir, por meios seguros, os
perigos de choque elétrico e todos os outros tipos de acidentes.”

Para a clara compreensão dos termos técnicos, as suas

Para a clara compreensão dos termos técnicos, as suas definições estão disponíveis no glossário .

Para a clara compreensão dos termos técnicos, as suas definições estão disponíveis no glossário. Ao longo dos textos do capítulo, esses termos podem ser facilmente identificados, pois estão em destaque.

Nesse processo, o operador tem importante papel, pois, ao interagir 49 diariamente com os equipamentos
Nesse processo, o operador tem importante papel, pois, ao interagir
49
diariamente com os equipamentos elétricos, pode detectar
imediatamente alguns tipos de anormalidades, antecipando
problemas e, principalmente, diminuindo os riscos de
por contato indireto e de incêndio e explosão.
choque elétrico
3.1. Problemas operacionais
Os principais problemas operacionais verificados em qualquer tipo
de aterramento são:
• Falta de continuidade; e
• Elevada resistência elétrica de contato.
É importante lembrar que Norma Petrobras N-2222 define o valor
de 1
Ohm
, medido com multímetro DC (
ohmímetro
), como o máximo
admissível para resistência de contato.
Alta Competência 3.4. Glossário Choque elétrico – conjunto de perturbações de natureza e efeitos diversos,
Alta Competência
3.4. Glossário
Choque elétrico – conjunto de perturbações de natureza e efeitos diversos, que se
manifesta no organismo humano ou animal, quando este é percorrido por uma
corrente elétrica.
Ohm – unidade de medida padronizada pelo SI para medir a resistência elétrica.
Ohmímetro – instrumento que mede a resistência elétrica em Ohm.
Caso sinta necessidade de saber de onde foram retirados os insumos para o desenvolvimento do

Caso sinta necessidade de saber de onde foram retirados os insumos para o desenvolvimento do conteúdo desta apostila, ou tenha interesse em se aprofundar em determinados temas, basta consultar a Bibliografia ao final de cada capítulo.

Alta Competência 1.6. Bibliografia CARDOSO ALVES, Paulo Alberto e VIANA, Ronaldo Sá. Aterramento de sistemas
Alta Competência
1.6. Bibliografia
CARDOSO ALVES, Paulo Alberto e VIANA, Ronaldo Sá. Aterramento de sistemas
elétricos - inspeção e medição da resistência de aterramento. UN-BC/ST/EMI –
Elétrica, 2007.
COELHO FILHO, Roberto Ferreira. Riscos em instalações e serviços com eletricidade.
Curso técnico de segurança do trabalho, 2005.
Norma Petrobras N-2222. Projeto de aterramento de segurança em unidades
marítimas. Comissão de Normas Técnicas - CONTEC, 2005.
Norma Brasileira ABNT NBR-5410. Instalações elétricas de baixa tensão. Associação
Brasileira de Normas Técnicas, 2005.
Norma Brasileira ABNT NBR-5419. Proteção de estruturas contra descargas
atmosféricas. Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2005.

Ao longo de todo o material, caixas de destaque estão presentes. Cada uma delas tem objetivos distintos.

A caixa “Você Sabia” traz curiosidades a respeito do conteúdo abordado de um determinado item do capítulo.

É atribuído a Tales de Mileto (624 - 556 a.C.) a primeira observação de um
É atribuído a Tales de Mileto (624 - 556 a.C.) a primeira observação de um

É atribuído a Tales de Mileto (624 - 556 a.C.) a primeira observação de um fenômeno relacionado com a eletricidade estática. Ele teria esfregado um fragmento de âmbar com um tecido seco e obtido um comportamento inusitado – o âmbar era capaz de atrair pequenos pedaços de palha. O âmbar é o nome dado à resina produzida por pinheiros que protege a árvore de agressões externas. Após sofrer um processo semelhante à fossilização, ela se torna um material duro e resistente.

“Importante” é um lembrete das questões essenciais do conteúdo tratado no capítulo.

das questões essenciais do conteúdo tratado no capítulo. IMPORTANTE! É muito importante que você conheça os

IMPORTANTE!

É muito importante que você conheça os tipos de pig de limpeza e de pig instrumentado mais utilizados na sua Unidade. Informe-se junto a ela!

Já a caixa de destaque “Resumindo” é uma versão compacta dos principais pontos abordados no

Já a caixa de destaque “Resumindo” é uma versão compacta dos principais pontos abordados no capítulo.

compacta dos principais pontos abordados no capítulo. RESUMINDO Recomendações gerais • Antes do carregamento

RESUMINDO

Recomendações gerais

• Antes do carregamento do pig, inspecione o interior do lançador;

• Após a retirada de um pig, inspecione internamente o recebedor de pigs;

• Lançadores e recebedores deverão ter suas

Em “Atenção” estão destacadas as informações que não devem ser esquecidas.

destacadas as informações que não devem ser esquecidas. ATENÇÃO É muito importante que você conheça os

ATENÇÃO

É muito importante que você conheça os procedimentos específicos para passagem de pig em poços na sua Unidade. Informe-se e saiba quais são eles.

Todos os recursos didáticos presentes nesta apostila têm como objetivo facilitar o aprendizado de seu conteúdo.

Aproveite este material para o seu desenvolvimento profissional!

Introdução Capítulo 1 - Máquinas térmicas Sumário Sumário 15 Objetivos   1 7 1. Máquinas

Introdução

Capítulo 1 - Máquinas térmicas

SumárioSumário

15

Objetivos

 

1 7

1.

Máquinas térmicas

19

 

1.1.

Ciclos teóricos e reais

19

1.1.1. Ciclo de Carnot

1.2. Ciclos termodinâmicos reais

21

2 2

1.2.1. Ciclo Otto

22

1.2.2. Ciclo Diesel

24

1.2.3. Ciclo Brayton

27

1.2.4. Ciclo Rankine

28

1.2.5. Turbo-expansores

29

1.3. Sistemas auxiliares de um motor a combustão interna

do ciclo Otto

29

1.3.1 Sistema de combustível

29

1.3.2. Sistema de ignição

33

1.3.3. Sistema de arrefecimento

36

1.3.4. Sistema de lubrificação

37

 

1.4. Exercícios

40

1.5. Glossário

44

1.6. Bibliografia

46

1.7. Gabarito

47

Capítulo 2 - Refrigeração

Objetivos

51

2.

Refrigeração

5 3

2.1. Máquinas de refrigeração

53

2.2. Ciclos por compressão e absorção

53

2.2.1. Ciclo por compressão

53

2.2.2. Ciclo por absorção

56

2.3. Frio industrial

2.3.1. Aplicações do frio industrial

57

58

2.4. Fluidos refrigerantes

58

2.5. Gases refrigerantes

59

2.7.

Evaporadores

61

2.7. Evaporadores 6 1 2.8. Normas 2.8.1. Outras normas 6 2 63 2.9. Exercícios 67 2.10.

2.8. Normas

2.8.1. Outras normas

62

63

2.9.

Exercícios

67

2.10.

Glossário

70

2.11 Bibliografia

71

2.12.

Gabarito

72

6 2 63 2.9. Exercícios 67 2.10. Glossário 70 2.11 Bibliografia 7 1 2.12. Gabarito 7
15 Introdução O riginária do grego mechane , a palavra “máquina” significa qualquer dispositivo engenhoso

15

15 Introdução O riginária do grego mechane , a palavra “máquina” significa qualquer dispositivo engenhoso ou

Introdução

O riginária do grego mechane, a palavra “máquina” significa qualquer dispositivo engenhoso ou invenção que possua várias partes, cada uma com uma função.

Cerca de 130 a.C., o inventor Heron de Alexandria catalogou os primeiros instrumentos nomeados de máquinas simples: a alavanca,

a roda e eixo, a roldana, a cunha e a rosca. Essas máquinas simples

possuíam uma turbina de reação que era responsável por converter a energia em movimento. Esse processo é conhecido hoje pela Terceira Lei de Newton: a lei de ação e reação.

As máquinas térmicas atuam nesse mesmo processo, convertendo energia interna de um combustível em energia mecânica, de forma que essa energia gere movimento necessário para transportar, acionar outras máquinas, gerar energia elétrica, dentre outros.

Elas têm participação importante na indústria do petróleo, figurando como componentes vitais nos processos produtivos. As turbinas a vapor e a gás e os motores a diesel, a gasolina e a vapor são máquinas térmicas utilizadas na indústria.

Há máquinas térmicas de combustão interna e externa. Nas primeiras,

a transformação do combustível em energia e a sua conversão

em trabalho ocorrem no mesmo espaço físico, como é o caso dos

motores a gasolina e a diesel e das turbinas a gás. Nas de combustão externa, os processos ocorrem em espaços físicos diferentes, como

é o caso das turbinas a vapor e dos turbo-expansores, nos quais

a geração de energia térmica ocorre em caldeiras ou num outro processo químico.

16 As máquinas térmicas operam em um ciclo repetido de aquecimento e pressurização de um

16

16 As máquinas térmicas operam em um ciclo repetido de aquecimento e pressurização de um fluido

As máquinas térmicas operam em um ciclo repetido de aquecimento e pressurização de um fluido operante, da transformação de parte da energia contida no fluido em trabalho mecânico e do descarte da energia não aproveitada. Várias substâncias podem ser usadas como fluido operante, entretanto as mais usadas nos equipamentos industriais são a água, o ar e os hidrocarbonetos. Esses fluidos são os responsáveis por receber calor e liberar trabalho.

As máquinas térmicas, portanto, utilizam energia na forma de calor (gás ou vapor em expansão térmica) para provocar a realização de um trabalho mecânico, gerado a partir da expansão do fluido contendo temperatura e pressão.

Máquinas

térmicas

Máquinas térmicas Ao final desse capítulo, o treinando poderá: • Identificar os conceitos básicos relacionados aos
Máquinas térmicas Ao final desse capítulo, o treinando poderá: • Identificar os conceitos básicos relacionados aos
Máquinas térmicas Ao final desse capítulo, o treinando poderá: • Identificar os conceitos básicos relacionados aos
Máquinas térmicas Ao final desse capítulo, o treinando poderá: • Identificar os conceitos básicos relacionados aos
Máquinas térmicas Ao final desse capítulo, o treinando poderá: • Identificar os conceitos básicos relacionados aos

Ao final desse capítulo, o treinando poderá:

• Identificar os conceitos básicos relacionados aos ciclos termodinâmicos das máquinas térmicas, bem como as suas aplicações a máquinas reais;

• Reconhecer os principais sistemas de um motor ciclo Otto.

Alta Competência 18

Alta Competência

18

Alta Competência 18
Capítulo 1. Máquinas térmicas 1. Máquinas térmicas A s máquinas térmicas são dispositivos criados pelo

Capítulo 1. Máquinas térmicas

1. Máquinas térmicas

A s máquinas térmicas são dispositivos criados pelo homem para transformar o calor, produzido a partir de uma fonte quente,

em energia mecânica utilizável, ou seja, geram

trabalho (W) .
trabalho (W)
.

Essas máquinas utilizam a energia do vapor d’água ou da mistura

combustão
combustão

gasosa produzida pela

de certos materiais combustíveis

ou a energia térmica de outras fontes, gerando um regime contínuo

de

trabalho (W) mecânico

.

Apesar dos diferentes tipos de máquinas térmicas, elas obedecem às seguintes características:

• Recebem calor de uma fonte quente;

trabalho (W) ;
trabalho (W)
;

• Conservam apenas parte desse

19

• Rejeitam o calor que não foi usado para um reservatório chamado fonte fria;

• Funcionam por ciclos.

Ciclos termodinâmicos representam as transformações das condições termodinâmicas de uma substância. Assim, nas máquinas térmicas o trabalho é gerado por meio da aplicação dos ciclos adequados.

1.1. Ciclos teóricos e reais

A Termodinâmica estuda as relações entre calor, temperatura, energia

e trabalho (W)
e trabalho (W)

mecânico. Esses processos de conversão de energia são

governados por leis que definem as grandezas termodinâmicas:

Lei zero: determina a temperatura e o equilíbrio térmico entre os corpos;

Primeira lei: estabelece o princípio de conservação da energia de um sistema;

Alta Competência • Segunda lei : define os limites de eficiência e a direção do

Alta Competência

Segunda lei: define os limites de eficiência e a direção do fluxo da energia.

O ciclo teórico, considerado como ideal, serve-nos como modelo de estudo embora não seja alcançável na realidade, ou seja, este ciclo não existe na prática. Nesse ciclo, podemos notar as seguintes características:

• Ausência de atrito;

• Perdas para o meio externo e;

• Equilíbrio em todos os processos.

Por esses motivos é considerado ideal, servindo apenas de base para 20 a ciência explicar grande número de fenômenos ou operações.

O ciclo real é aquele que ocorre na realidade. Ao contrário do ciclo teórico, não é imaginário. Nesse ciclo, podemos notar que existem perdas de energia para o meio externo, causadas por atrito. Além disso, não há tempo suficiente para o equilíbrio nos processos.

As máquinas térmicas funcionam de acordo com ciclos. A energia adicionada em forma de calor em uma parte do ciclo é utilizada

trabalho (W)
trabalho (W)

como

trabalho (W)

realizado. Essa é a descrição da primeira lei da termodinâmica, que é expressa pela relação:

do sistema é a diferença entre o calor adicionado e o

útil em outra. Assim, a variação interna de energia

U = Q - W

Onde:

ΔU = Variação da energia interna;

Q = Calor recebido (adicionado) pelo sistema;

W = Trabalho realizado.

Onde: Δ U = Variação da energia interna; Q = Calor recebido (adicionado) pelo sistema; W
Onde: Δ U = Variação da energia interna; Q = Calor recebido (adicionado) pelo sistema; W
Capítulo 1. Máquinas térmicas 1.1.1. Ciclo de Carnot A máquina que funciona segundo o ciclo

Capítulo 1. Máquinas térmicas

1.1.1. Ciclo de Carnot

A máquina que funciona segundo o ciclo de Carnot é uma máquina

ideal em que a perda de calor para o exterior é mínima e, portanto, apresenta o máximo rendimento entre os ciclos, muito embora na prática nunca tenha sido possível construí-la.

Portanto, nenhuma máquina real pode superar a eficiência da máquina de Carnot operando entre as mesmas temperaturas.

O ciclo de Carnot pode ser representado no diagrama PV a seguir, onde:

AB

BC

CD

p Q A 1 B T 1 T 2 C Q v 2
p
Q
A
1
B
T
1
T
2
C
Q
v
2
trabalho (W)
trabalho (W)

= Expansão isotérmica do

realizado pelo gás;

= Expansão adiabática da liberação de calor para a fonte fria;

trabalho (W)
trabalho (W)

= Compressão isotérmica

adicionado ao gás;

DA

= Compressão adiabática da adição de calor ao gás.

O trabalho (W)
O trabalho (W)

total realizado pelo gás é a área interna de ABCD.

Nesse caso, por termos um ciclo reversível, no qual o gás sempre retorna a sua condição inicial, a eficiência pode ser dada por:

termos um ciclo reversível, no qual o gás sempre retorna a sua condição inicial, a eficiência

21

Alta Competência Onde: Tc = Temperatura da fonte fria (em graus Kelvin); Th = Temperatura

Alta Competência

Onde:

Tc = Temperatura da fonte fria (em graus Kelvin);

Th = Temperatura da fonte quente (em graus Kelvin).

Essa relação representa o máximo rendimento térmico que uma máquina térmica, operando entre as temperaturas Tc e Th, pode alcançar.

22

?
?

VOCÊ SABIA?

Sadi Carnot (1796-1832) foi um engenheiro militar francês que pesquisou sobre as características básicas das máquinas térmicas, estudando o

problema de seu rendimento. Ele foi o primeiro a demonstrar as características realmente significativas do funcionamento das máquinas térmicas:

primeiramente, a máquina recebe de uma fonte qualquer certa quantidade de calor a uma temperatura

trabalho (W)
trabalho (W)

elevada; depois, executa um

externo; e,

por fim, rejeita o calor à temperatura mais baixa do que a correspondente ao calor recebido.

1.2. Ciclos termodinâmicos reais

Os diversos tipos de máquinas térmicas reais têm o seu princípio de funcionamento baseado em ciclos termodinâmicos reais, sendo os principais exemplos os ciclos de, Otto, Diesel, Brayton e Rankine.

1.2.1. Ciclo Otto

O

interna cuja principal aplicação é a propulsão dos automóveis.

A

biela

combustão

ciclo Otto representa o funcionamento dos motores de

pistão
pistão

máquina Otto é composta basicamente por um

trabalhando

em um cilindro fechado e acoplado a um eixo girante por uma

máquina Otto é composta basicamente por um trabalhando em um cilindro fechado e acoplado a um
máquina Otto é composta basicamente por um trabalhando em um cilindro fechado e acoplado a um
máquina Otto é composta basicamente por um trabalhando em um cilindro fechado e acoplado a um
Capítulo 1. Máquinas térmicas que permite a transformação do movimento alternativo em rotativo. O cilindro

Capítulo 1. Máquinas térmicas

que permite a transformação do movimento alternativo em rotativo. O cilindro possui também uma válvula de admissão da mistura combustível + ar e uma de escape, bem com uma vela de ignição. No esquema a seguir é apresentado o princípio de funcionamento de um motor de ciclo Otto de quatro tempos, que são:

• Aspiração;

• Compressão; • Combustão ou expansão;
• Compressão;
• Combustão
ou expansão;

• Descarga.

ar

ar 0-1 3-4 1-2 4-1 comb 2-3 1-0

0-1

3-4
3-4
1-2
1-2
4-1
4-1
comb 2-3
comb
2-3
1-0
1-0

Princípio de funcionamento de um motor Otto de quatro tempos

pistão
pistão

Na posição 0-1, o

se desloca para baixo admitindo a mistura

combustível – ar para o cilindro; esse é o tempo “aspiração”.

pistão
pistão

Na seqüência 1-2, as válvulas fecham e o

sobe, comprimindo a

mistura ar + combustível. Esse é o tempo “compressão”.

23

Alta Competência pistão Na seqüência 2-3, com o na sua posição superior (ponto morto superior),

Alta Competência

pistão
pistão

Na seqüência 2-3, com o

na sua posição superior (ponto morto

superior), a mistura está comprimida e uma vela de ignição produz

combustão .
combustão
.

uma centelha elétrica que inicia a

combustão
combustão

O

calor gerado pela

eleva a pressão no cilindro forçando

o pistão
o pistão

expansão”.

para baixo como em 3-4. Esse é o temp de “combutão/

Ao atingir a sua posição mais baixa (ponto morto inferior) a válvula de descarga se abre como em 4-1.

24

pistão
pistão

A

e já sem pressão. É o tempo de “descarga”.

nova subida do

em 1-0 permite a expulsão do gás queimado

pistão
pistão

Quando o

atinge novamente o seu ponto morto superior, o

ciclo se reinicia.

Esse é o ciclo dos motores a gasolina, a álcool e a Gás Natural

GNV ).
GNV
).

Veicular (

?
?

VOCÊ SABIA?

Em 1862, um engenheiro francês, Alphonse Beau de Rochas idealizou o ciclo de “quatro tempos” que, posteriormente (1876), foi implementado pelo engenheiro alemão Nikolaus Otto, aplicando-o a um motor térmico. Por isso, a designação de Ciclo Otto.

1.2.2. Ciclo Diesel

O

interna de mesmo nome.

ciclo Diesel representa o funcionamento dos motores de

combustão

Embora construtivamente tenham muitos pontos em comum com os motores Otto, os motores movidos a diesel possuem algumas diferenças típicas, que estão relacionadas, principalmente, com as características do combustível utilizado.

algumas diferenças típicas, que estão relacionadas, principalmente, com as características do combustível utilizado.
algumas diferenças típicas, que estão relacionadas, principalmente, com as características do combustível utilizado.
Capítulo 1. Máquinas térmicas Nos motores Otto há necessidade de uma fonte de ignição para

Capítulo 1. Máquinas térmicas

Nos motores Otto há necessidade de uma fonte de ignição para que

a combustão
a combustão

seja iniciada, já nos motores diesel, quando as condições

de temperatura e pressão geradas pela compressão do ar no cilindro são suficientes para gerar a auto-ignição, apenas a injeção controlada

combustão
combustão

do combustível na câmara de

O

combustão .
combustão
.

pode dar início à

esquema a seguir descreve o seu funcionamento.

ar

ar 0-1 3-4 1-2 4-1 comb 2-3 1-0

0-1

3-4
3-4
1-2
1-2
4-1
4-1
comb 2-3
comb
2-3
1-0
1-0

Princípio de funcionamento de um motor Diesel

pistão
pistão

Na posição 0-1, o para o cilindro.

se desloca para baixo admitindo somente ar

pistão
pistão

Na seqüência 1-2, as válvulas fecham e o

sobe, comprimindo o ar.

pistão
pistão

Na seqüência 2-3, com o

na sua posição superior (ponto morto

superior), o ar está comprimido e o combustível é injetado de forma controlada por um bico injetor. A condição interna na câmara propicia

o

combustão
combustão

início da

sem a necessidade de centelha elétrica.

25

Alta Competência combustão O calor gerado pela eleva a pressão no cilindro, forçando o pistão

Alta Competência

combustão
combustão

O

calor gerado pela

eleva a pressão no cilindro, forçando

o pistão
o pistão

para baixo como em 3-4.

Ao atingir a sua posição mais baixa (ponto morto inferior) a válvula de descarga se abre como em 4-1.

26

pistão
pistão

A

e já sem pressão.

nova subida do

em 1-0 permite a expulsão do gás queimado

pistão
pistão

Quando o

atinge novamente o seu ponto morto superior, o

ciclo se reinicia.

?
?

VOCÊ SABIA?

Em 1893, o engenheiro alemão Rudolf Diesel (1858- 1913) criou o primeiro modelo do motor a diesel. Há algumas diferenças com relação a outros motores de

combustão
combustão

interna, como por exemplo, enquanto

os cilindros dos motores Otto aspiram uma mistura combustível – ar, os dos motores Diesel aspiram somente ar.

Em função dos princípios de funcionamento dos dois tipos de motores -enquanto para a gasolina, quanto mais resistente a auto-ignição, melhor; para o diesel, quanto menos resistente, melhor.

Engenheiros que continuaram o trabalho de Rudolf Diesel o substituíram por um motor de ciclo misto, em que o funcionamento relaciona-se ao mesmo tempo com o ciclo Diesel e com o ciclo Otto.

Devido às suas características funcionais, os motores diesel trabalham em regimes de mais baixa rotação, bem como possuem pior relação

.

Isso explica a sua maior aplicação onde o torque é fator mais importante, como veículos para transporte (ônibus, caminhões e embarcações) e larga aplicação industrial. Outra justificativa para essas aplicações é o fato do combustível queimado nos motores diesel ser mais seguro (características de inflamabilidade na temperatura ambiente).

peso-potência

do

que

os

de

ciclo

Otto

de

mesma

cilindrada

inflamabilidade na temperatura ambiente). peso-potência do que os de ciclo Otto de mesma cilindrada
inflamabilidade na temperatura ambiente). peso-potência do que os de ciclo Otto de mesma cilindrada
Capítulo 1. Máquinas térmicas 1.2.3. Ciclo Brayton O . Este é um exemplo de muito

Capítulo 1. Máquinas térmicas

1.2.3. Ciclo Brayton

O

. Este é um exemplo

de

muito utilizadas em aviões, na geração elétrica, no acionamento de compressores de processo e na propulsão de navios.

ciclo Brayton aberto, cujo conjunto é denominado “turbina a gás”,

ciclo Brayton utiliza um gás contendo energia térmica que se

trabalho (W)
trabalho (W)

expande em uma turbina gerando

Nesse ciclo, o ar é admitido e ganha pressão em um compressor e, em seguida, recebe energia pela queima de um combustível em uma

combustão
combustão

câmara de

, expandindo-se em uma turbina que, além

trabalho (W)
trabalho (W)

externo. O gás

de acionar o compressor, disponibiliza

que sai da turbina é descarregado na atmosfera. Observe a seguir o exemplo completo desse esquema.

Combustível

2 3 Câmara de combustão Turbina Compressor Eixo 1 4 Entrada de ar Saída de
2
3
Câmara de
combustão
Turbina
Compressor
Eixo
1
4
Entrada de ar
Saída de gases
W

Esquema do ciclo Brayton

Como mais de 2/3 da energia fornecida pela queima do combustível

é

alimenta a câmara de

consumida internamente no acionamento do compressor que

combustão
combustão

, a turbina a gás possui um rendimento

térmico em torno dos 30%. Na ilustração a seguir estão mostrados os componentes principais de uma turbina a gás industrial.

27

exaustor Admissão Rotor do de ar compressor combustor Combustível Estator Turbina do compressor
exaustor
Admissão
Rotor do
de ar
compressor
combustor
Combustível
Estator
Turbina
do compressor

Componentes de uma turbina a gás industrial

Alta Competência As turbinas a gás têm como suas maiores qualidades a compacticidade (relação peso

Alta Competência

As turbinas a gás têm como suas maiores qualidades a compacticidade

(relação peso x potência) e a possibilidade de utilizar vários tipos de

QAV
QAV

), gás natural

e

larga aplicação na aviação. Também essa característica, associada à flexibilidade no uso de combustíveis, determina o seu uso intensivo em plataformas de produção de petróleo.

óleo combustível. O fator peso-potência é o que determina sua

combustíveis, como diesel, querosene de aviação (

Como o gás da exaustão de uma turbina ainda contém uma considerável quantidade de energia térmica (em torno de 400 ºC), freqüentemente ele é utilizado para aquecimento ou geração de vapor.

28

1.2.4. Ciclo Rankine

O

É o mais usado em usinas termelétricas e nucleares. Tem como

ciclo Rankine é basicamente uma adaptação do ciclo de Carnot.

fluido

a água, que passa à fase de vapor quando aquecida em

operante
operante
trabalho (W)
trabalho (W)

uma caldeira, gerando, dessa forma,

. Outros líquidos

podem ser usados, mas a água é o mais comum.

Se a expansão ocorrer em uma turbina, por exemplo, esta pode ser

usada para acionar equipamentos rotativos, como geradores elétricos

e

compressores. Nesse caso, o vapor que deixa a turbina condensa-

se

e a água é bombeada de volta à caldeira. Outro exemplo prático

do ciclo é a locomotiva a vapor, em que a turbina é substituída por

pistões
pistões

a vapor. A seguir é mostrada a visão esquemática do ciclo.

3 Caldeira Turbina W 34 Q 4 23 2 W Q 12 41 1 Bomba
3
Caldeira
Turbina
W
34
Q
4
23
2
W
Q
12
41
1
Bomba
Condensador

Esquema do ciclo Rankine

do ciclo. 3 Caldeira Turbina W 34 Q 4 23 2 W Q 12 41 1
do ciclo. 3 Caldeira Turbina W 34 Q 4 23 2 W Q 12 41 1
Capítulo 1. Máquinas térmicas As turbinas a vapor têm vasta aplicação na indústria da energia,

Capítulo 1. Máquinas térmicas

As turbinas a vapor têm vasta aplicação na indústria da energia, principalmente na área de refinarias e petroquímicas.

FPSOs
FPSOs

Em alguns

(Floating Production Storage Offloading) elas

são usadas para geração de energia elétrica e acionamento de bombas e compressores.

1.2.5. Turbo-expansores

Os turbo-expansores são turbinas que utilizam gases provenientes de processos químicos que ainda contenham quantidade de energia

térmica

quando

expandidos nestas. São largamente utilizados em refinarias, petroquímicas e unidades de produção de gasolina natural.

trabalho (W)
trabalho
(W)

suficiente

para

gerar

mecânico

1.3. Sistemas auxiliares de um motor a combustão interna do ciclo Otto

combustão
combustão

Os sistemas de um motor a

interna do ciclo Otto (gasolina

ou álcool) necessitam para o seu funcionamento de sistemas auxiliares que desempenham funções diversas, como por exemplo:

Sistema de combustível;

Sistema de ignição;

Sistema de arrefecimento;

Sistema de lubrificação.

1.3.1 Sistema de combustível

29

É o sistema responsável por introduzir o combustível no motor, misturando-o com ar. Em um motor movido à gasolina, a alimentação é feita através de um carburador ou através de injetores de gasolina colocados diretamente no coletor de admissão do motor.

a) Carburação

Entendemos por carburação o processo no qual a mistura ar/

combustão
combustão

combustível é produzida com o objetivo de gerar uma

otimizada. Cabe também à carburação suprir o motor com a vazão

Alta Competência adequada de combustível para cada regime de funcionamento do mesmo. Para a gasolina,

Alta Competência

adequada de combustível para cada regime de funcionamento do

mesmo. Para a gasolina, a relação ideal está na faixa de 15 partes de

ar para uma de combustível e para o álcool 9. Valores mais baixos que

estes indicam uma mistura rica, que provoca maior consumo e mais poluição. Misturas pobres - muito ar - geram perda de potência.

b) Sistema de combustível a carburador

A ilustração a seguir mostra os principais componentes de um

carburador típico.

30

os principais componentes de um carburador típico. 30 Alimentador Afogador Emulsionador Entrada de
Alimentador Afogador Emulsionador Entrada de (compensador) gasolina Cuba Vent Bóia Difusor (venturi )
Alimentador
Afogador
Emulsionador
Entrada de
(compensador)
gasolina
Cuba
Vent
Bóia
Difusor (venturi )
secundário
Agulha de
entrada
Difusor (venturi )
principal
Bomba de aceleração
Mistura atomazida
Gigle principal
Borboleta de aceleração
Circuito de baixa
(marcha lenta)
Agulha de ajuste
(marcha lenta)
Componentes de um carburador típico

O combustível é recebido na cuba fornecido por uma bomba que o

movimenta a partir de um reservatório. Um sistema de bóia e agulha mantém o nível da cuba constante. O acionamento do acelerador atua

na abertura da

venturi. Uma depressão é

válvula-borboleta

de controle do fluxo, permitindo

é válvula-borboleta de controle do fluxo, permitindo um aumento da vazão de ar que passa pelo

um aumento da vazão de ar que passa pelo

válvula-borboleta

formada no centro, arrastando o combustível e formando uma mistura atomizada que é direcionada para a admissão do motor. Na condição

de marcha lenta, onde a

de aceleração está fechada,

a alimentação se faz por um circuito alternativo. Em condições de

aceleração, um fluxo adicional de combustível é requerido, sendo este fornecido por um dispositivo que força uma injeção por um circuito

afogador
afogador

independente. O

permite o enriquecimento da mistura,

requerido quando o motor está frio, facilitando a sua partida

independente. O permite o enriquecimento da mistura, requerido quando o motor está frio, facilitando a sua
Capítulo 1. Máquinas térmicas c) Sistema de combustível a injeção A evolução dos sistemas de

Capítulo 1. Máquinas térmicas

c) Sistema de combustível a injeção

A evolução dos sistemas de alimentação fez com que o carburador fosse sendo substituído por um sistema de injeção direta, controlado eletronicamente. Esse sistema garante que o motor receba somente o volume de combustível de que necessita para um melhor desempenho no regime em que está sendo solicitado.

Nos sistemas de injeção eletrônica, todos os componentes são controlados por um módulo eletrônico central, que recebe várias informações do funcionamento do motor via sensores elétricos, tais como: rotação, fluxo de ar, ângulo de posição do eixo, posição da

, temperaturas e pressões, entre outros. O esquema

a seguir descreve o funcionamento desse sistema.

válvula-borboleta

Bico injetor Ar P B Controle de Vazão Tanque de combustível Mistura Módulo eletrônico Sensores
Bico injetor
Ar
P
B
Controle de
Vazão
Tanque de
combustível
Mistura
Módulo
eletrônico
Sensores
de controle

Velas

Sistema de injeção eletrônica

31

Alta Competência Uma bomba elétrica de combustível mantém uma pressão constante na entrada dos bicos

Alta Competência

Uma bomba elétrica de combustível mantém uma pressão constante na entrada dos bicos injetores, que são acionados para abrir e dosar a quantidade de combustível determinada pela central, que também controla o sistema de ignição.

Um sistema de injeção tem como principais componentes:

Bico injetor: controla o volume de combustível, atuando através de comandos enviados pela “unidade comando eletrônico”;

Regulador de pressão: atua como limitador de pressão de combustível de 1 a 2 bar, permitindo o retorno de combustível em excesso para o reservatório;

Bomba de combustível: possui acionamento elétrico. Sua operação independe da rotação do motor, mantendo assim o 32 sistema sem flutuações de pressão;

Atuador de marcha lenta: tem a função de controlar a vazão de ar em regime de marcha lenta, permitindo, assim, controle da rotação em qualquer instante de funcionamento do motor;

Unidade de comando eletrônico: é o centro de operação de todos os componentes do sistema de alimentação de combustível. Tem a função de monitorar e analisar os dados enviados pelos sensores, sinalizando ao injetor, e em alguns casos ao sistema de

trabalho (W)
trabalho (W)

ignição, as condições de

solicitadas pelo motor.

ao injetor, e em alguns casos ao sistema de trabalho (W) ignição, as condições de solicitadas
Capítulo 1. Máquinas térmicas ? VOCÊ SABIA? Uma rejeitada por um motor de forma de

Capítulo 1. Máquinas térmicas

?
?

VOCÊ SABIA?

Uma

rejeitada por um motor de

forma

de

se

aproveitar

parte

da

energia

interna é

combustão
combustão

acoplar turbinas acionadas pelos gases de escape. Esse processo é chamado de turboalimentação. Os gases que saem da câmara de explosão possuem temperatura elevada e certa pressão e a turbina converte parte dessa energia mecânica. A função é aumentar a capacidade de admissão de ar no motor, uma vez que este sendo admitido a uma pressão maior que a atmosférica permite que uma maior massa de ar seja admitida, gerando maior potência. A seguir, é apresentado um esquema de funcionamento do dispositivo. O recurso da turboalimentação pode ser utilizado tanto em motores do ciclo Otto como nos de ciclo Diesel.

Coletor Coletor de admissão de escape Intercooler Regulador Atuador Válvula de alívio Rotor de compressor
Coletor
Coletor
de admissão
de escape
Intercooler
Regulador
Atuador
Válvula
de alívio
Rotor de compressor
Filtro de ar
Rotor de escape
Turbo

1.3.2. Sistema de ignição

O sistema de ignição é um sistema elétrico que tem a função de

combustão
combustão

gerar uma centelha no interior da câmara de início a queima da mistura combustível - ar.

, que dá

33

Alta Competência combustão A início a queima da mistura combustível - ar. Essa centelha é

Alta Competência

combustão
combustão

A

início a queima da mistura combustível - ar. Essa centelha é formada na vela - um eletrodo que abre um arco voltaico quando submetido

à alta tensão, obtida por um circuito elétrico composto por uma

bateria, uma bobina que eleva a tensão e um distribuidor para as velas no momento requerido.

, dando

centelha é gerada no interior da câmara de

No esquema a seguir são mostrados os componentes principais do

sistema:

34

+ 7 1 2 R V 6 5 3 4
+
7
1
2
R
V
6
5
3
4

Sistema de ignição 1- bateria, 2- comutador de ignição, 3- bobina de ignição, 4- distribuidor de ignição, 5- condensador de ignição, 6- platinado, 7- velas de ignição, Rv- pré-resistor.

O momento em que o sistema de ignição dispara a centelha na

vela é de suma importância para o funcionamento de um motor

a gasolina. É o chamado ponto de ignição. Como a queima não

é instantânea, o sistema promove uma antecipação da centelha

em relação ao ponto morto superior do cilindro, ou seja, quando

a

otimizando o

pressão interna deveria atingir o seu valor máximo requerido,

trabalho (W)
trabalho (W)

gerado. Assim, essa antecipação tem um

momento ótimo e o desvio em relação a esse valor produz efeitos indesejáveis ao funcionamento/integridade do motor.

Quando a antecipação – medida em graus em relação ao Ponto Morto

PMS
PMS

Superior (

) – é excessiva, dizemos que o ponto está adiantado,

podendo provocar o fenômeno da auto-ignição ou detonação, a comumente chamada “batida de pino”. A auto-ignição é uma queima descontrolada que pode gerar sérios danos ao motor, como erosão nos

pistões

. Por outro lado, motores atrasados – com pouca antecipação

Por outro lado, motores atrasados – com pouca antecipação da ignição – perdem potência e aquecem

da ignição – perdem potência e aquecem acima do normal.

Por outro lado, motores atrasados – com pouca antecipação da ignição – perdem potência e aquecem
Capítulo 1. Máquinas térmicas a) Octanagem O rendimento de um motor do ciclo Otto é

Capítulo 1. Máquinas térmicas

a) Octanagem

O rendimento de um motor do ciclo Otto é diretamente

proporcional à sua taxa de compressão. Isso quer dizer que

os

motores devem ser construídos com a maior taxa possível.

Na

prática, temos uma limitação a isso, que é a possibilidade de

ocorrer a auto-ignição da mistura “combustível - ar”, quando as condições de “temperatura - pressão” na câmara são elevadas. Como dito anteriormente, essa é uma condição indesejável aos motores. Assim, o limite da taxa de compressão está vinculado à resistência que o combustível tem em iniciar uma auto-ignição.

Esta propriedade de um combustível pode ser medida e foi padronizada, chamada de Octanagem ou Índice de Octana, pois é

medida em comparação com uma mistura de isoctano com n-heptano. Assim, o valor da octanagem de uma gasolina é dado pelo percentual

de isoctano da mistura equivalente, e quanto maior o valor, maior

a resistência e, portanto, melhor a gasolina. No Brasil, temos como exemplos a gasolina comum, com 87 octanas, e a Premium Podium Petrobras, com 95 octanas. Os motores são projetados para atender à octanagem média da gasolina fornecida no país.

35

Tanto a gasolina comum quanto a aditivada tem octanagem 86. Este

índice é indicado para a maioria da frota de veículos que circulam

no Brasil. Já a gasolina Premium possui octanagem 91, podendo ser

utilizada em qualquer veículo. Embora a octanagem da gasolina Premium seja superior a da comum e a da aditivada, não traz nenhum benefício se o motor não exigir esse tipo de combustível (alta taxa de compressão, com monitoramento eletrônico, injeção multiponto e

projetados para gasolinas de alta octanagem).

Alta Competência 36 ? VOCÊ SABIA? O teor de álcool na gasolina é objeto de

Alta Competência

36

?
?

VOCÊ SABIA?

O teor de álcool na gasolina é objeto de Lei Federal e de responsabilidade da Agência Nacional

de Lei Federal e de responsabilidade da Agência Nacional de Petróleo – ANP. No Brasil, com

de Petróleo –

ANP. No Brasil, com exceção do Rio

Grande do Sul, é utilizada uma mistura de 76% de gasolina e 24% de álcool etílico (etanol). É uma gasolina única no mundo.

No Brasil, também se mistura etanol à gasolina, na

GL )
GL
)

forma de 24% de etanol anidro, a 99,6 ºGay-Lussac (

e 0,4% de água, formando uma mistura “gasohol” com o objetivo de aumentar a octanagem da gasolina.

1.3.3. Sistema de arrefecimento

Menos de uma quarta parte da energia calorífica desenvolvida em

trabalho (W)
trabalho (W)

um motor do ciclo Otto é convertida em

útil. O calor

restante deve ser dissipado para que nenhum dos componentes do motor aqueça a ponto de ser danificado.

Quando se pisa fundo no acelerador, cerca de 36% do calor são descartados pelo escapamento, 7% são consumidos em atritos internos que são absorvidos pelo óleo de lubrificação e 33% dissipam-se no sistema de arrefecimento, antes chamado de sistema de refrigeração. O circuito fechado de arrefecimento é composto por uma bomba, uma válvula termostática que controla a temperatura, mangueiras e camisas no bloco do motor para condução do líquido de arrefecimento, e um radiador que troca calor com o ar externo.

e camisas no bloco do motor para condução do líquido de arrefecimento, e um radiador que
Capítulo 1. Máquinas térmicas Os tipos de sistemas de arrefecimento são: Nesse sistema, os cilindros

Capítulo 1. Máquinas térmicas

Os tipos de sistemas de arrefecimento são:

Nesse sistema, os cilindros do motor (às vezes, também, o cárter ) Sistema de refrigeração
Nesse sistema, os cilindros do motor (às vezes, também, o
cárter
)
Sistema de
refrigeração a ar
possuem
aletas
que aumentam a superfície de contato com o ar,
permitindo uma melhor troca de calor com o meio.
Sistema de
arrefecimento a
água
Nesse sistema, a água é utilizada como condutora de calor
entre o motor e o ar atmosférico. A refrigeração é obtida pelo
forte calor da água em contato com o exterior dos cilindros e do
cabeçote. Com isso, a temperatura do motor fica estabilizada e o
seu funcionamento mais regular.
Sistema de
arrefecimento
natural –
Termossifão
Nesse sistema, não há uma bomba, a circulação de água é
feita naturalmente pela diferença de densidade entre a água
fria (menos densa) do motor e a água quente (mais densa) do
radiador. Esse tipo de circulação é chamado de Termossifão.
Sistema de
circulação forçada
por bomba
Nesse sistema, há uma bomba que agiliza a circulação, resultando
em uma menor diferença de temperatura nas extremidades do
radiador e menos riscos de congelamento no inverno. Entretanto,
quando o motor é acionado, a água fria entra imediatamente em
circulação e o aquecimento do motor é mais lento.

1.3.4. Sistema de lubrificação

A

e

de selagem (atua nos anéis do

combustão

alguns dos resíduos nocivos da

função do óleo no motor não consiste apenas em reduzir o atrito

o desgaste dos componentes móveis, mas também exerce função

pistão
pistão

selando os gases da câmara de

), de dissipar o calor, de diminuir a corrosão e absorver

combustão .
combustão
.
o calor, de diminuir a corrosão e absorver combustão . O por uma bomba para os

O

por uma bomba para os apoios principais através de um filtro.

O

óleo para os

que conduzem o

cárter, na parte inferior do motor, e é enviado

óleo encontra-se no

ranhuras
ranhuras

bloco do motor dispõe de uma série de

mancais
mancais

, cilindros, conjunto de válvulas de admissão e

descarga, entre outros. O resfriamento do óleo é normalmente feito

no cárter
no cárter

por troca com ambiente externo, sendo que em motores de

alta performance é utilizado um radiador específico.

37

por troca com ambiente externo, sendo que em motores de alta performance é utilizado um radiador
Alta Competência a) Lubrificantes Os óleos lubrificantes para motores possuem, entre outras, as seguintes

Alta Competência

a) Lubrificantes

Os óleos lubrificantes para motores possuem, entre outras, as seguintes propriedades:

38

Viscosidade: caracteriza as particularidades de escoamento do óleo. Ela é modificada com a temperatura; nesse sentido, quanto

viscosidade . A
viscosidade
. A
viscosidade
viscosidade

mais quente está o óleo, menor a

ainda

deve ser suficiente para assegurar um atrito líquido a temperaturas

de funcionamento das peças do motor entre 353 °K e 423 °K (80 a

150 °C).

Ponto de combustão: a temperatura na qual o óleo emite vapores

combustão
combustão

suscetíveis de serem inflamados. O ponto de

deve ser

o mais elevado possível, evitando fugas por vaporização quando

pistão
pistão

do motor quente.

A

(220 °C) para os óleos finos, e para os óleos espessos, ela ultrapassa

253 °K (250 °C).

é geralmente superior a 493 °K

em contato com as partes inferiores do

combustão
combustão

temperatura de

Ponto de congelamento: o óleo, a uma determinada temperatura,

proveta
proveta

não escorre mais de uma

quando esta é inclinada. O ponto

de congelamento deve ser o mais baixo possível, facilitando, assim, que o motor entre em movimento após um tempo prolongado sob temperaturas muito baixas.

Os lubrificantes devem possuir também características detergentes, que contribuem para manter a limpeza interna do motor, anti- corrosivos e contra formação de borras e depósitos nas partes internas nos motores.

a limpeza interna do motor, anti- corrosivos e contra formação de borras e depósitos nas partes
Capítulo 1. Máquinas térmicas Os tipos de sistemas de lubrificação são: Nesse sistema, as cubas

Capítulo 1. Máquinas térmicas

Os tipos de sistemas de lubrificação são: Nesse sistema, as cubas colocadas perto da passagem
Os tipos de sistemas de lubrificação são:
Nesse sistema, as cubas colocadas perto da passagem de cada
Lubrificação por
salpico
biela
são alimentadas por uma bomba de óleo. As
bielas
possuem
uma colher (pescador) que apanha o óleo que passa pela cuba; por
inércia, o óleo penetra em seguida na
biela
e lubrifica o
moente
.
Nesse sistema, o óleo chega aos
mancais
sob pressão, sendo
canalizado até aos
moentes
para lubrificar as
bielas. Tanto os
Lubrificação por
pressão
mancais
quanto as
bielas
não possuem
ranhuras
de lubrificação,
com exceção de algumas câmaras de óleo curtas que não
desembocam no exterior.
Nesse sistema, a lubrificação ocorre sob pressão de todos os
Lubrificação por
projeção
mancais
e a lubrificação das
bielas
por um jato de óleo, que
intensifica a penetração do mesmo no interior da
biela
.
Lubrificação por
mistura
Nesse sentido, o óleo é misturado com o combustível penetrando
no motor, proporcionalmente ao consumo do mesmo.
Nesse sistema, o óleo fica em um reservatório independente,
sendo introduzido sob pressão nos elementos a lubrificar. O óleo
Lubrificação por
que tende a se acumular no fundo do
cárter
é aspirado por uma
cárter
seco
segunda bomba, chamada bomba de retorno, que o remete ao
reservatório.

39

Alta Competência 1.4. Exercícios 1) Qual é a função de um sistema de ignição? 2)

Alta Competência

1.4. Exercícios

1) Qual é a função de um sistema de ignição?

2) Qual a diferença entre ciclo teórico e ciclo real?

3) Complete:

caracteriza um motor térmico ideal em

que a perda de calor para o exterior é mínima e, portanto, apresenta o máximo rendimento entre os ciclos.

a) O ciclo

40

b) O ciclo

de combustão interna cuja principal aplicação é a propulsão dos automóveis.

c) O ciclo

para a propulsão dos barcos.

d) O ciclo

aplica-se aos motores lentos estudados

representa o funcionamento dos motores

usa a água, que passa à fase vapor quando

aquecida em uma caldeira e se expande para gerar trabalho.

e) O ciclo

que se expande em uma turbina, gerando trabalho.

utiliza um gás contendo energia térmica

trabalho. e) O ciclo que se expande em uma turbina, gerando trabalho. utiliza um gás contendo
trabalho. e) O ciclo que se expande em uma turbina, gerando trabalho. utiliza um gás contendo
Capítulo 1. Máquinas térmicas 4) Qual a diferença entre sistema de carburação e injeção? 5)

Capítulo 1. Máquinas térmicas

4) Qual a diferença entre sistema de carburação e injeção?

5) Relacione as características apresentadas na primeira coluna com os tipos de sistemas de arrefecimento e lubrificação listados na segunda coluna:

(

1 )

O óleo fica em um reservatório in-

(

)

Sistema de

 

dependente, sendo introduzido sob

lubrificação

pressão nos elementos a lubrificar.

por projeção.

(

2 )

O óleo é misturado com o combustí-

(

)

Sistema de

 

vel, penetrando no motor proporcio-

lubrificação

nalmente ao consumo do mesmo.

por salpico.

(

3 )

O óleo chega aos mancais sob pres-

(

)

Sistema de

 

são, sendo canalizado até aos mo-

lubrificação

entes para lubrificar as bielas.

por mistura.

(

4 )

A lubrificação ocorre sob pressão

(

)

Sistema de

 

de todos os mancais e a lubrifica-

lubrificação

ção das bielas por um jato de óleo.

por cárter

 

seco.

(

5 )

As cubas colocadas perto da passa-

(

)

Sistema de

 

gem de cada biela são alimentadas

lubrificação

por uma bomba de óleo.

por pressão.

41

Alta Competência 6) Marque a alternativa correta. a) Neste sistema, a água é utilizada como

Alta Competência

6) Marque a alternativa correta.

a) Neste sistema, a água é utilizada como condutor de calor entre

o motor e o ar atmosférico.

(

) Sistema de refrigeração a ar.

(

) Sistema de arrefecimento a água.

(

) Sistema de circulação forçada por bomba.

b)

Neste sistema, os cilindros do motor (às vezes, também, o cárter)

possuem aletas que aumentam a superfície de contato com o ar.

42

(

) Sistema de refrigeração a ar.

(

) Sistema de arrefecimento a água.

(

) Sistema de circulação forçada por bomba.

c)

Neste sistema, há uma bomba que agiliza a circulação, resultan-

do em uma menor diferença de temperatura nas extremidades do radiador e menos riscos de congelamento no inverno.

(

) Sistema de arrefecimento natural – Termossifão.

(

) Sistema de arrefecimento a água.

(

) Sistema de circulação forçada por bomba.

d)

Neste sistema, não há uma bomba, a circulação de água é feita

naturalmente pela diferença de densidade entre a água fria do motor e a água quente do radiador.

(

) Sistema de refrigeração a ar.

(

) Sistema de arrefecimento natural – Termossifão.

(

) Sistema de circulação forçada por bomba.

a ar. ( ) Sistema de arrefecimento natural – Termossifão. ( ) Sistema de circulação forçada
Capítulo 1. Máquinas térmicas 7) Correlacione as colunas, identificando os principais sistemas de um motor

Capítulo 1. Máquinas térmicas

7) Correlacione as colunas, identificando os principais sistemas de um motor ciclo Otto.

A) Sistema de

(

) A função do óleo no motor não

combustível

consiste apenas em reduzir o atrito e

o

desgaste dos componentes móveis,

mas também exerce função de selagem (atua nos anéis do pistão, selando os gases da câmara de combustão), de dissipar o calor, de diminuir a corrosão e absorver alguns dos resíduos nocivos da combustão.

B) Sistema de

(

)

É um sistema que tem a função de dis-

ignição

sipar o calor restante resultante do pro- cesso de conversão de energia para que nenhum dos componentes do motor aqueça ao ponto de ser danificado.

C) Sistema de

(

) É um sistema elétrico que tem a função

arrefecimento

de gerar uma centelha no interior da câmara de combustão, que dá início à queima da mistura combustível - ar.

D) Sistema de

(

) É o sistema responsável por introduzir

lubrificação

o combustível no motor, misturando-o

com ar. Em um motor movido a gasoli- na, a alimentação é feita através de um carburador ou através de injetores de gasolina colocados.

43

Alta Competência 1.5. Glossário Afogador - dispositivo no painel do veículo, o qual enriquece a

Alta Competência

1.5. Glossário

Afogador - dispositivo no painel do veículo, o qual enriquece a mistura de ar + combustível.

Aleta - chapa paralela, presa às carcaças dos motores com o objetivo de aumentar

a área de contato com o ar para o resfriamento.

ANP - Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.

Biela - peça responsável pela transferência do movimento alternativo em rotativo.

Cárter - o cárter de um motor é em ferro fundido ou em alumínio fundido. Forma

a parte principal do bloco do motor e contém o virabrequim, o eixo de cames

(motor de válvulas laterais) e a bomba de óleo. As extremidades do cárter têm freqüentemente garras destinadas à fixação do motor. As paredes extremas e as

divisórias internas suportam os mancais do virabrequim.

44

Cilindrada - medida do volume deslocado de um motor de combustão interna a pistão. É obtido pelo produto do diâmetro pelo curso dos pistões, multiplicado

pelo número de cilindros do motor.

Combustão - reação química entre uma substância (o combustível) e um gás (o comburente), geralmente o oxigênio, para liberar.

Fluido operante - em uma máquina térmica, tem o papel de receber o calor e liberar

o trabalho. Várias substâncias podem ser usadas como fluido operante, mas os mais usados nos equipamentos industriais são a água, o ar e os hidrocarbonetos.

FPSO - Floating Production Storage Offloading. Sistema Flutuante de Produção, Armazenamento e Transferência.

GL - Gay-Lussac.

Mancal - suporte do rolamento nos eixos dos motores.

Moente - pino do eixo manivela.

Pistão - peça móvel do motor responsável por movimentar o eixo manivela.

PMS - Ponto Morto Superior.

Proveta - recipiente cilíndrico de vidro encontrado em laboratórios.

QAV - querosene de aviação.

Ranhura - pequenos canais onde corre o óleo lubrificante.

Trabalho (W) - para fins da termodinâmica, trabalho é a energia que passa de um corpo para outro devido à ação de uma força.

(W) - para fins da termodinâmica, trabalho é a energia que passa de um corpo para
(W) - para fins da termodinâmica, trabalho é a energia que passa de um corpo para
Capítulo 1. Máquinas térmicas Válvula-borboleta - válvula responsável por dosar a quantidade de ar na

Capítulo 1. Máquinas térmicas

Válvula-borboleta - válvula responsável por dosar a quantidade de ar na entrada da câmara de combustão.

Venturi - estreitamento do tubo no qual é criada uma depressão onde o ar suga o combustível.

Viscosidade - propriedade dos fluidos correspondente ao transporte microscópico de quantidade de movimento por difusão molecular.

45

Alta Competência 1.6. Bibliografia ALMEIDA, Silvio Carlos Anibal de. Motores de Combustão Interna . Apostila.

Alta Competência

1.6. Bibliografia

ALMEIDA, Silvio Carlos Anibal de. Motores de Combustão Interna. Apostila. Rio de Janeiro: UFRJ. Disponível em: <http://mecanica.scire.coppe.ufrj.br/util/ b2evolution/media/silvio/apmotoresMCI05_01.pdf>. Acesso em: 29 set 2008.

CARBONE, Luis. Máquinas Térmicas. Rio de Janeiro: CEFET/RJ, 1993.

RIBEIRO, Almir Francisco. Refrigeração e Ar condicionado. Apostila. Petrobras. Rio de Janeiro: 2004.

VAN WYLEN, Gordon & SONNTAG, Richard E. Fundamentos da Termodinâmica. São Paulo: Editora Edgard Blücher Ltda., 1998.

46

Gordon & SONNTAG, Richard E. Fundamentos da Termodinâmica . São Paulo: Editora Edgard Blücher Ltda., 1998.
Gordon & SONNTAG, Richard E. Fundamentos da Termodinâmica . São Paulo: Editora Edgard Blücher Ltda., 1998.
Capítulo 1. Máquinas térmicas 1.7. Gabarito 1) Qual é a função de um sistema de

Capítulo 1. Máquinas térmicas

1.7. Gabarito

1) Qual é a função de um sistema de ignição?

Esse sistema elétrico tem a função de gerar uma centelha no interior da câmara de combustão, que dá início a queima da mistura combustível - ar.

2) Qual a diferença entre ciclo teórico e ciclo real?

No ciclo teórico temos ausência de fricção, equilíbrio em todos os processos e não há perda de energia para o meio externo. Já no ciclo real há fricção, tempo insuficiente para equilíbrio e perdas de energia.

3) Complete:

O ciclo de Carnot caracteriza um motor térmico ideal em que a perda de calor

para o exterior é mínima e, portanto, apresenta o máximo rendimento entre os ciclos.

O ciclo Otto representa o funcionamento dos motores de combustão interna cuja

principal aplicação é a propulsão dos automóveis.

O

ciclo Diesel aplica-se aos motores lentos estudados para a propulsão dos barcos.

O

ciclo Rankine usa a água, que passa à fase vapor quando aquecida em uma

caldeira e se expande para gerar trabalho.

47

O ciclo Brayton utiliza um gás contendo energia térmica que se expande em uma

turbina, gerando trabalho.

4) Qual a diferença entre sistema de carburação e injeção?

No sistema de carburação, a mistura ar/combustível começa no carburador e termina no interior da câmara de combustão do motor. Já no sistema por injeção, todos os componentes são controlados por um módulo eletrônico central, que recebe várias informações do funcionamento do motor via sensores elétricos, permitindo que o motor receba somente o volume necessário de combustível.

do motor via sensores elétricos, permitindo que o motor receba somente o volume necessário de combustível.
Alta Competência 5) Relacione as características apresentadas na primeira coluna com os tipos de sistemas

Alta Competência

5) Relacione as características apresentadas na primeira coluna com os tipos de

sistemas de arrefecimento e lubrificação listados na segunda coluna:

(

1 )

O óleo fica em um reservatório independente,

(

5 )

Sistema de

 

sendo introduzido sob pressão nos elementos

lubrificação por

a lubrificar.

projeção.

( 2 )

O óleo é misturado com o combustível,

(

4 )

Sistema de

penetrando no motor proporcionalmente ao

lubrificação por

consumo do mesmo.

salpico.

( 3 )

O óleo chega aos mancais sob pressão, sendo

(

2 )

Sistema de

canalizado até aos moentes para lubrificar as

lubrificação por

bielas.

mistura.

( 4 )

A lubrificação ocorre sob pressão de todos

(

1 )

Sistema de

os mancais e a lubrificação das bielas por um

lubrificação por

jato de óleo.

cárter seco.

( 5 )

As cubas colocadas perto da passagem de

(

3 )

Sistema de

cada biela são alimentadas por uma bomba de

lubrificação por

óleo.

pressão.

48

6) Marque a alternativa correta.

a) Neste sistema, a água é utilizada como condutor de calor entre o motor e o ar

atmosférico.

(

) Sistema de refrigeração a ar.

(

X ) Sistema de arrefecimento a água.

(

) Sistema de circulação forçada por bomba.

b)

Neste sistema, os cilindros do motor (às vezes, também, o cárter) possuem aletas

que aumentam a superfície de contato com o ar.

(

X ) Sistema de refrigeração a ar.

(

) Sistema de arrefecimento a água.

(

) Sistema de circulação forçada por bomba.

c)

Neste sistema, há uma bomba que agiliza a circulação, resultando em uma

menor diferença de temperatura nas extremidades do radiador e menos riscos de

congelamento no inverno.

(

) Sistema de arrefecimento natural – Termossifão.

(

) Sistema de arrefecimento a água.

(

X ) Sistema de circulação forçada por bomba.

d) Neste sistema, não há uma bomba, a circulação de água é feita naturalmente pela

diferença de densidade entre a água fria do motor e a água quente do radiador.

(

) Sistema de refrigeração a ar.

(

X ) Sistema de arrefecimento natural – Termossifão.

(

) Sistema de circulação forçada por bomba.

ar. ( X ) Sistema de arrefecimento natural – Termossifão. ( ) Sistema de circulação forçada
Capítulo 1. Máquinas térmicas 7) Correlacione as colunas, identificando os principais sistemas de um motor

Capítulo 1. Máquinas térmicas

7) Correlacione as colunas, identificando os principais sistemas de um motor ciclo Otto.

A) Sistema de

combustível

( D ) A função do óleo no motor não consiste apenas em reduzir o atrito e o desgaste dos componentes móveis, mas também exerce função de selagem (atua nos anéis do pistão, selando os gases da câmara de combustão), de dissipar o calor, de diminuir a corrosão e absorver alguns dos resíduos nocivos da combustão.

B)

Sistema de

( C )

É um sistema que tem a função de dissipar o calor

ignição

restante resultante do processo de conversão de energia para que nenhum dos componentes do motor aqueça ao ponto de ser danificado.

C)

Sistema de

( B )

É um sistema elétrico que tem a função de gerar uma

arrefecimento

centelha no interior da câmara de combustão, que dá início à queima da mistura combustível - ar.

D) Sistema de

lubrificação

( A ) É o sistema responsável por introduzir o combustível no motor, misturando-o com ar. Em um motor movido a gasolina, a alimentação é feita através de um carburador ou através de injetores de gasolina colocados.

49

Refrigeração

Refrigeração Ao final desse capítulo, o treinando poderá: • Definir máquinas de refrigeração; • Distinguir os
Refrigeração Ao final desse capítulo, o treinando poderá: • Definir máquinas de refrigeração; • Distinguir os
Refrigeração Ao final desse capítulo, o treinando poderá: • Definir máquinas de refrigeração; • Distinguir os
Refrigeração Ao final desse capítulo, o treinando poderá: • Definir máquinas de refrigeração; • Distinguir os
Refrigeração Ao final desse capítulo, o treinando poderá: • Definir máquinas de refrigeração; • Distinguir os

Ao final desse capítulo, o treinando poderá:

• Definir máquinas de refrigeração;

• Distinguir os diferentes ciclos da refrigeração;

• Reconhecer os conceitos básicos relacionados à refrigeração.

Alta Competência 52
Alta Competência 52

Alta Competência

52

Alta Competência 52
Capítulo 2. Refrigeração 2. Refrigeração R efrigeração não é um processo de adição de frio,

Capítulo 2. Refrigeração

2. Refrigeração

R efrigeração não é um processo de adição de frio, como

normalmente se pensa, mas sim, a remoção natural ou artificial

do calor de um corpo. Esta aplicação é utilizada na preservação

de alimentos desde muito tempo. Foi importante no desenvolvimento

do comércio, pois conservava os produtos sujeitos à deterioração.

2.1. Máquinas de refrigeração

Equipamentos construídos no intuito de refrigerar ou

condicionar o ar, permitindo a troca de calor entre substâncias

e ambientes de temperaturas diferentes, são chamados de máquinas de refrigeração.

Nas plataformas de produção de petróleo offshore da Petrobras, situadas na Bacia de Campos, os tipos de sistemas de climatização

na Bacia de Campos, os tipos de sistemas de climatização mais utilizados são o de expansão

mais utilizados são o de expansão indireta (

mais utilizados são o de expansão indireta ( direta ( self-contained ). chiller ) e o

direta (self-contained).

chiller) e o de expansão

2.2. Ciclos por compressão e absorção

53

O processo de remover calor de um corpo é realizado por meio

de um ciclo termodinâmico. A partir desse ciclo, o calor é extraído do ambiente a ser refrigerado e em seguida é enviado para o ambiente externo.

Dentre os ciclos de refrigeração, os ciclos por compressão e por absorção são os mais utilizados.

2.2.1. Ciclo por compressão

O

forma invertida. Assim, se ao invés de retirarmos

ciclo de Carnot é um ciclo ideal e, portanto, pode funcionar de

trabalho (W)
trabalho (W)

de

ao ciclo, o calor será

trabalho (W)
trabalho (W)

uma fonte quente, adicionarmos

movido da fonte fria para a fonte quente e teremos o princípio usado nos sistemas de refrigeração. Um ciclo de refrigeração é operado por meio de condensador, válvula de expansão e evaporador. Esses componentes são mostrados no esquema a seguir:

Alta Competência Calor Condensador Evaporador Válvula de expansão Compressor Trabalho 54 Esquema de um

Alta Competência

Calor Condensador Evaporador Válvula de expansão Compressor Trabalho
Calor
Condensador
Evaporador
Válvula de expansão
Compressor
Trabalho

54

Esquema de um ciclo de refrigeração

No ciclo por compressão, a elevação da pressão do refrigerante é

,

externo, por intermédio do

conseguida por meio de um compressor que requer

trabalho (W)
trabalho (W)

ou seja, ao introduzir o

fluido operante

trabalho (W)

compressor, a pressão do fluido refrigerante é elevada à forma de gás, que se torna liquido quando resfriado no condensador.

no ciclo por compressão

possui propriedades específicas que permitem maximizar o rendimento do ciclo. Chamado de fluido ou gás de refrigeração, o mais comumente utilizado é o Freon, nome comercial para os gases

Convém mencionar que o

CFCs .
CFCs
.

com base nos clorofluorcarbonos, ou

A transformação de expansão ocorre em uma válvula que, reduzindo

a pressão, faz com que o refrigerante retorne para o seu estado

gasoso removendo calor da fonte fria por intermédio do evaporador. Entende-se por fonte fria o meio que se deseja resfriar.

Tanto o condensador quanto o evaporador são trocadores de calor que podem ser do tipo colméia ou do tipo casco e tubos. Em sistemas domésticos, como geladeiras e aparelhos de ar condicionado, as trocas de calor ocorrem entre o gás refrigerante e o ar externo no condensador e entre o gás refrigerante e o ar do meio refrigerado no evaporador, normalmente do tipo colméia - radiadores.

e entre o gás refrigerante e o ar do meio refrigerado no evaporador, normalmente do tipo
e entre o gás refrigerante e o ar do meio refrigerado no evaporador, normalmente do tipo
Capítulo 2. Refrigeração Nos sistemas industriais, como em plataformas, é comum o uso da troca

Capítulo 2. Refrigeração

Nos sistemas industriais, como em plataformas, é comum o uso da troca “gás - refrigerante - água” em condensadores e evaporadores casco tubo, em sistemas de ar condicionado que utilizam a água

a

água gelada é conduzida por tubulações isoladas aos ambientes, onde alimenta um conjunto “radiador - ventilador” (fan-coil) que resfria o ar.

gelada como fluido secundário, os chamados

chillers
chillers

. Assim,

Observe nas ilustrações a seguir alguns componentes dos sistemas de refrigeração.

a seguir alguns componentes dos sistemas de refrigeração. Chiller Condensador com válvula termostática 55

Chiller

a seguir alguns componentes dos sistemas de refrigeração. Chiller Condensador com válvula termostática 55

Condensador com válvula termostática

55

Alta Competência Ventoinha Escapamento Tambique ajustável Ventilador Compressor Painel de controle Grade Mola do

Alta Competência

Ventoinha Escapamento Tambique ajustável Ventilador Compressor Painel de controle Grade Mola do frontal Mola do
Ventoinha
Escapamento
Tambique
ajustável
Ventilador Compressor
Painel de
controle
Grade
Mola do
frontal
Mola do
condensador
Sensor do
Filtro
evaporador
termostato

56

Condicionador de ar doméstico

evaporador termostato 56 Condicionador de ar doméstico Fan coil 2.2.2. Ciclo por absorção O ciclo de

Fan coil

2.2.2. Ciclo por absorção

O ciclo de refrigeração por absorção é similar ao ciclo de refrigeração

a vapor, sendo que a etapa de compressão é substituída por um

processo químico. Esse ciclo é operado a calor, isto é, a maior parte da operação está associada com o fornecimento de calor que libera o vapor do líquido de alta pressão.

a maior parte da operação está associada com o fornecimento de calor que libera o vapor
Capítulo 2. Refrigeração No sistema de absorção, podemos citar os seguintes componentes: • Absorvedor :

Capítulo 2. Refrigeração

No sistema de absorção, podemos citar os seguintes componentes:

Absorvedor: onde o fluido (gás) é misturado a uma solução líquida (ex.: água + amônia);

Bomba: para manter o fluxo e aumentar a pressão da mistura líquida;

Gerador: onde o fluido (gás) é separado da mistura a alta pressão.

A energia externa vem em forma de calor. Este é adicionado ao gerador para liberação do fluido. A remoção do calor acontece no absorvedor durante a mistura. Uma válvula redutora mantém a

diferença de pressão entre o gerador e o absorvedor. Assim, é possível

a geração de frio a partir do fornecimento de calor.

57

Q ge Ambiente Quente T q Q Gerador q C D Absorvedor T f B
Q
ge
Ambiente
Quente
T
q
Q
Gerador
q
C
D
Absorvedor
T
f
B
W
Q
A
bs
f
Ambiente
Q
ab
Frio

2.3. Frio industrial

Esquema de sistema de absorção

Frio industrial é a utilização de equipamentos para reduzir a temperatura ambiente a valores requeridos pelo processo onde

é aplicado.

Alta Competência 2.3.1. Aplicações do frio industrial Atualmente, são inúmeras as aplicações do frio, que

Alta Competência

2.3.1. Aplicações do frio industrial

Atualmente, são inúmeras as aplicações do frio, que é aproveitado praticamente em todos os ramos da atividade humana. Assim, podemos citar:

58

Setores

Aplicações

Indústria de

Manufatura, tratamento térmico, armazenagem e transporte de alimentos.

alimentos

Fabricação de gelo

Gelo em blocos, seco, pista de patinação.

Indústria de

Estruturas de concreto (barragens, fundações etc.), congelamento do solo para abertura de poços e túneis, e consolidação de fundações abaladas.

construção

 

Tratamento térmico de aços rápidos, redução do endurecimento

Metalurgia

de certas ligas (alumínio), refrigeração de ferramentas durante o corte, ligação de peças mecânicas por contração etc.

Indústria química

Remoção de calor em reações químicas exotérmicas, separação de misturas de líquidos e gases, e solidificação de materiais etc.

Condicionamento do ar

Refrigeração de residências, escritórios, fábricas, transportes, recreação, hospitais etc., para refrigeração de minas profundas etc.

Medicina

Congelamento de peças anatômicas, conservação de cadáveres (morgues), elaboração do plasma sanguíneo, cultura de fungos (antibióticos), na fabricação da insulina etc.

2.4. Fluidos refrigerantes

As substâncias químicas responsáveis pelo transporte de energia num ciclo de refrigeração são chamadas de fluidos refrigerantes. Essas substâncias, utilizadas em todos os equipamentos de refrigeração por compressão têm como função absorver energia térmica do meio.

em todos os equipamentos de refrigeração por compressão têm como função absorver energia térmica do meio.
Capítulo 2. Refrigeração 2.5. Gases refrigerantes As substâncias que absorvem grande quantidade de calor ao

Capítulo 2. Refrigeração

2.5. Gases refrigerantes

As substâncias que absorvem grande quantidade de calor ao passarem do estado líquido para o gasoso são chamadas de gases refrigerantes. Para que haja essa absorção, é necessária a presença de uma fonte extra que efetue a troca de calor (água ou ar). A absorção ocorre justamente com a mudança de fase do fluido.

Observe, na tabela a seguir, alguns exemplos de gases refrigerantes e sua aplicação.

 

Família

       

Refrigerante

Química

ODP

GWP

Lubrificante

Aplicação

R-11

CFC
CFC

1,0

1,0

 

Limpeza

-

(solvente)

R-141b

HCFC

0,11

0,13

 

Limpeza

-

(solvente)

R-12

CFC
CFC

1,0

3,06

OM

Frigorífico / Ar condicionado

         

Novos

R-134a

HFC

0

0,30

POE

equipamentos

/ Retrofit

R-401A (MP

       

Retrofit

39)

HCFC

-

-

AB, POE

R-409A (FX

       

Retrofit

56)

HCFC

0,05

0,31

OM, AB, POE

         

Ar

R-22

HCFC

0,055

0,37

OM

condicionado /

Frigorífico

         

Ar

R-407C

HFC

0

- POE

condicionado

R-413A

HFC

0

 

- OM, AB, POE

Retrofit

R-417A

HFC

0

 

- OM, AB, POE

Retrofit

Exemplos de gases refrigerantes e sua aplicação

2.6. Condensadores

59

Tanto o condensador quanto o evaporador são trocadores de calor que podem ser tanto do tipo colméia quanto casco tubo. Em sistemas domésticos, como geladeiras e aparelhos de ar condicionado, as trocas

Alta Competência de calor são entre o gás refrigerante e o ar externo no condensador

Alta Competência

de calor são entre o gás refrigerante e o ar externo no condensador

e entre o gás refrigerante e o ar do meio refrigerado no evaporador, normalmente do tipo colméia - radiadores.

60

Nos sistemas industriais, como em plataformas, é comum o uso da troca gás refrigerante - água em condensadores e evaporadores tipo casco tubos, em sistemas de ar condicionado que utilizam a

casco tubos, em sistemas de ar condicionado que utilizam a água gelada como fluido secundário, os

água gelada como fluido secundário, os chamados

chillers. Assim, a

água gelada é conduzida por tubulações isoladas aos ambientes, onde alimenta um conjunto radiador - ventilador (fan-coil) que resfria o ar.

radiador - ventilador ( fan-coil ) que resfria o ar. Condensador O condensador tem por finalidade

Condensador

O condensador tem por finalidade esfriar e condensar o vapor

superaquecido, proveniente da compressão, nas unidades de refrigeração mecânica. Esta operação é feita transferindo-se o calor do fluido aquecido para o meio (fonte quente), usando-se, para isto, água, ar ou mesmo ar e água em contato. A transmissão de calor num condensador verifica-se em três fases distintas: o

dessuperaquecimento

, a condensação e o sub-resfriamento.

O refrigerante sob pressão e superaquecido entra no condensador

onde, trocando calor com a água, ar ou água salgada, muda do estado

de vapor superaquecido para líquido saturado ou sub-resfriado. No

caso de condensadores a água doce ou salgada, eles são do tipo casco tubo. O vapor superaquecido circula através do casco, enquanto a água, através dos tubos.

eles são do tipo casco tubo. O vapor superaquecido circula através do casco, enquanto a água,
Capítulo 2. Refrigeração Condensador casco e tubo O condensador evaporativo constitui-se em uma combinação de

Capítulo 2. Refrigeração

Condensador casco e tubo O condensador evaporativo constitui-se em uma combinação de uma serpentina condensadora

Condensador casco e tubo

O condensador evaporativo constitui-se em uma combinação de uma

serpentina condensadora com uma torre de arrefecimento de água

com ar forçado, isto é, um dispositivo onde um

condensado e, ao mesmo tempo, a água usada para a sua condensação é esfriada.

é

fluido frigorígeno

61

Um condensador evaporativo é constituído de um circuito de água com borrifadores e bomba, um circuito de ar com eliminadores de gotas e ventilador, e uma serpentina condensadora para o

fluido frigorígeno

.

e uma serpentina condensadora para o fluido frigorígeno . Condensador casco e tubo 2.7. Evaporadores A
e uma serpentina condensadora para o fluido frigorígeno . Condensador casco e tubo 2.7. Evaporadores A

Condensador casco e tubo

2.7. Evaporadores

A

troca térmica entre o refrigerante e o meio a ser resfriado, seja ele o

ar

ambiente (expansão direta) ou água, salmoura (expansão indireta)

é

feita por meio do evaporador. Uma mistura formada de líquido

+

vapor circula dentro do evaporador. O refrigerante responsável

pela absorção de calor do meio a ser climatizado, vaporiza-se até se transformar em vapor superaquecido na saída do evaporador.

Alta Competência O efeito refrigerante ocorre dentro do evaporador, conforme o refrigerante muda de fase

Alta Competência

O efeito refrigerante ocorre dentro do evaporador, conforme o

refrigerante muda de fase (calor latente de vaporização). A partir

do momento em que todo refrigerante se transforma em vapor, a quantidade de calor absorvido será bem menor, o que ocasionará um aumento da temperatura do gás (calor sensível).

62

2.8. Normas

da temperatura do gás (calor sensível). 62 2.8. Normas Evaporador O Ministério da Saúde publicou algumas

Evaporador

O Ministério da Saúde publicou algumas normas para garantir a

qualidade do ar em ambientes climatizados, em interiores, bem como

os procedimentos mínimos para executar os serviços de higienização

corretiva de sistemas, de tratamento e distribuição de ar contaminado microbiologicamente. Seguem as principais:

ANVISA
ANVISA

176,

de

24 de

Resolução

outubro de 2000.

Estabelece procedimentos e diretrizes mínimas para

execução dos serviços de higienização corretiva de sistemas, de tratamento e distribuição de ar contaminado microbiologicamente.

14.679, de abril de

Estabelece o cumprimento de padrões adequados de manutenção, limpeza, operação e controle de modo garantir a qualidade do ar para todos os sistemas de climatização de ar e da implantação formal do Plano de

PMOC ).
PMOC
).

Manutenção, Operação e Controle (

2001.

Portaria Nº 3.523, de 28 de agosto de 1998.

Estabelecer critérios que informem a população sobre a qualidade do ar interior em ambientes climatizados artificialmente de uso público e coletivo.

RE
RE
NBR
NBR
sobre a qualidade do ar interior em ambientes climatizados artificialmente de uso público e coletivo. RE
Capítulo 2. Refrigeração 2.8.1. Outras normas Além das já mencionadas, podemos citar outras normas aplicáveis

Capítulo 2. Refrigeração

2.8.1. Outras normas

Além das já mencionadas, podemos citar outras normas aplicáveis ao uso de refrigeradores.

Portaria Nº 3.523, de 28 de agosto de 1998

Esta Portaria é o marco inicial do reconhecimento da “Síndrome do Edifício Doente” pelo Governo brasileiro. Alguns autores associam

a publicação desta portaria à morte de uma autoridade política

brasileira por contaminação microbiológica através de um sistema de climatização de ar, não tendo sido, contudo, comprovado e divulgado alguma evidência que associasse esta morte com a possível

contaminação do sistema.

A priori, as motivações para a publicação desta Portaria eram:

a preocupação mundial com a Qualidade do Ar em ambientes

climatizados; a preocupação com a saúde, bem-estar, conforto, produtividade e absenteísmo do trabalhador; e os agravos à saúde dos trabalhadores relacionados à Síndrome do Edifício Doente.

63

Essa Portaria visa estabelecer o cumprimento de padrões adequados de manutenção, limpeza, operação e controle de modo garantir a qualidade do ar para todos os sistemas de climatização de ar e da implantação formal do Plano de Manutenção, Operação e Controle

) em sistemas com capacidade de climatização acima de 5 TR

( PMOC

(15.000 Kcal/h = 60.000 BTU/h ).

Medidas de segurança e manutenção

PMOC
PMOC

O Plano de Manutenção, Operação e Controle (

) - complementa

a Portaria Nº 3.523 no que diz respeito às recomendações e

procedimentos de manutenção e limpeza dos sistemas, definindo uma periodicidade para algumas tarefas de limpeza e manutenção.

A tabela a seguir mostra a periodicidade de tarefas para alguns

componentes dos sistemas de climatização.

A tabela a seguir mostra a periodicidade de tarefas para alguns componentes dos sistemas de climatização.
Alta Competência 64 Componente Periodicidade Tomada de ar externo Limpeza mensal ou quando descartável até

Alta Competência

64

Componente

Periodicidade

Tomada de ar externo

Limpeza mensal ou quando descartável até sua liberação (máximo 3 meses).

Unidades filtrantes

Limpeza mensal ou quando descartável até sua liberação (máximo 3 meses).

Bandejas de condensado

Mensal*.

Serpentina de aquecimento

Desencrustação semestral e limpeza trimestral.

Serpentina de resfriamento

Desencrustação semestral e limpeza trimestral.

Umidificador

Desencrustação semestral e limpeza trimestral.

Ventilador

Semestral.

Plenum de mistura/casa de máquinas

Mensal.

* Excetuando na vigência de tratamento químico contínuo que passa a respeitar a periodicidade do produto utilizado.

Fonte: Resolução ANVISA - RE Nº 9.

Periodicidade de Tarefas do PMOC

Resolução ANVISA - RE Nº 176, de 24 de outubro de 2000

Passados dois anos a partir da Portaria Nº 3.523, o Governo brasileiro, através do Ministério da Saúde, e de sua Agência de Vigilância

ANVISA RE
ANVISA
RE

Sanitária (

), e com a participação de várias instituições, baixa

a resolução a

Nº 176 tendo por metas:

• Estabelecer critérios que informem a população sobre

a qualidade do ar interior em ambientes climatizados

artificialmente de uso público e coletivo, cujo desequilíbrio

poderá causar agravos à saúde dos seus ocupantes;

• Instrumentalizar as equipes profissionais envolvidas no controle de qualidade do ar interior, no planejamento,

elaboração, análise e execução de projetos físicos e nas ações

de inspeção de ambientes climatizados artificialmente de uso

público e coletivo.

de projetos físicos e nas ações de inspeção de ambientes climatizados artificialmente de uso público e
Capítulo 2. Refrigeração Essa resolução foi publicada a fim de complementar a Portaria Nº 3523,

Capítulo 2. Refrigeração

Essa resolução foi publicada a fim de complementar a Portaria Nº 3523, estabelecendo padrões referenciais para a qualidade do ar interior, abordando não só a questão do conforto, mas, principalmente, com relação aos agentes físicos, químicos e microbiológicos que podem acarretar em ambientes nocivos às pessoas expostas. A Resolução faz, ainda, um levantamento das principais fontes de contaminação biológica e química em ambientes climatizados além de apresentar recomendações para a avaliação e controle, através de métodos de amostragem e análises dos possíveis contaminantes.

ABNT - NBR 14.679 de abril de 2001

A importância desta Norma foi o estabelecimento de padrões e o nível de detalhamento abordado nos procedimentos de limpezas a serem cumpridos de modo a garantir a perfeita higienização de todo o sistema de climatização artificial. Em função do nível de detalhamento e especificidade quando a atividade de higienização

NBR
NBR

dos sistemas é recomendável que o conteúdo desta

no PMOC
no
PMOC

estabelecida na

seja incluído

das instalações de climatização, atendendo à periodicidade

RE