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responsabDidade social da empresa pliar a dimensão empresarial no reconhecimento dos ob-

jetivos sociais considerados na gerêncía da empresa, isto


é, suas responsabilidades para com a mão-de-obra, com-
1.Introduçiio, patibilizando a lucratividade com os objetivos operacio-
2. Aspectos metodológicos; nais e sociais.
3. O conceito de responsabilidade social; No presente trabalho, através do levantamento das
4. Resu tados da pesquisa: opinião dos entrevistados; opiniões do empresariado nacional, estudar-se-ão os valo-
5. Conclusão: a implementação de programas de res e a ideologia empresariais que se refletem em decisões
responsabilidade social segundo os entrevistados; e comportamentos administrativos, caracterizando em
última instância.um novo estilo de gerência.
Para tanto o estudo foi 'dividido em duas partes.
Na primeira, introduziremos a idéia de responsabilidade

Responsabilidade sodal de social' dos empresários, ~ na segunda será feita a análise


dos dados coletados nas entrevistas.

empresas: análise qualitativa Para a abordagem do conceito de responsabilidade


social serão tangenciadas questões como: qual a defíní-

da opinião do ção de responsabilidade social (RS)? Qual o grau de ambi-


güidade (ou melhor, de ''vangueness'' da noção? Quais

empresariado nadonal* as dificuldades na operacionalízação da questão? Como a


auditoria social tem sido utilizada para solucionar os
problemas de formulação de estratégias de responsabili-
dade social?
Para a abordagem das entrevistas, lima questão que
permeia a análise refere-se aos fatores que- poderiam
Patrícia A. Tomei facilitar ou dificultar a prática de responsabilidade
DaPUC/RJ social, isto é, verificar que tipo de empresário está mais
propenso à adoção de uma atividade industrial compa-
tível com os princípios da gerência socialmente respon-
sável.
Para tanto, uma proposição preliminar leva à formu-
lação de uma hipótese geral, adotada como pressuposto
básico neste trabalho: grandes empresários tendem a
praticar responsabilidade social mais do que pequenos e
1. INTRODUÇÃO médios empresários
Este corte da amostra de entrevistados pelo tama-
A questão da responsabilidade social da empresa, debati- nho tem como base Informações coligidas, muitas vezes,
da constantemente tanto em meios acadêinicos quanto em fontes outras que não as entrevistas formais ou a
empresariais, tem aumentado a preocupação e o grau literatura pertinente, como o convívio com industriais,
de conscientização dos empresários sobre a necessidade leitura de declarações de líderes empresariais à imprensa
de se analisar a forma pela qual a empresa pode interferir e, principalmente, a experiência acumulada em projetos
nos interesses conflitantes da sociedade, tendo em vista de pesquisa desenvolvidos com o apoio do Centro Brasi-
a melhoria da qualidade de vida e a solução dos proble- leiro de Apoio à Pequena e Média Empresa (Cebrae).
mas de responsabilidade social. Mais do que de forma intuitiva, nos parece bastante claro
O conceito "responsabilidade social de empressas" que não se pode falar da existência, no Brasil, de uma
parte da premissa de que as organizações têm responsa- classe empresarial homogênea. Embora esta heterogenei-
bilidade direta, e condições de abordar muitos problemas dade não tenha suas origens apenas na questão de tama-
que afetam a sociedade. nho (e para tanto temos o exemplo, mais do que signifi-
Segundo este enfoque, acredita-se que tarefas. cativo, das diferenciações geográficas), acreditamos que
técnicas e recursos empregados por empresas para alcan- esta variável é sem dúvida relevan~ e permite, dentro do
car seus objetivos materiais podem estar voltados para a caráter exploratório do estudo, inferências interessantes
solução de problemas sociais; e que, a cada dia que passa, na comparação dos dois blocos de opiniões; dos grandes
é maior a expectativa dos indivíduos e conseqüentemen- empresários, pos um lado, e dos pequenos/médios,
te a sua demanda quanto ao papel social a ser desempe- por outro, analisados nível intergrupal e intragrupal.
nhado por execu tivos e empresários.
Submetida a novos desafios, a uma turbulência
ambiental em todo o seu sistema e à mudança de valores 2. ASPECTOS METODOLOGICOS
no mundo do trabalho, a gerência da empresa está en-
trando em uma nova fase. O caráter pioneiro do estudo definiu-o como um traba-
No Brasil de hoje, vivemos um momento onde a lho exploratório. Assim é que seu possível valor estará
emergência de um novo sindicalismo, menos passivo, não na comprovação ou rejeiçlro de pressupostos básicos
alienado e atrelada ao poder, exige uma resposta da mas, sim, em abrir caminhos e sugerir perspectivas para
classe empresarial. a análise gerencial da questão da responsabilidade social.
Esta resposta 0[0 deve invalidar o fato de que a Para o desenho da pesquisa, idealizamos dois con-
finalidade da empresa é o lucro. Deve, entretanto,am- juntos de dados articulados entre si, na medida em que

Rev. Adm. Empr. Rio de Janeiro, 24 (4): 189-202 out/dez. 1984


procuramos agrupá-los a fim de complementar a ínfor- cotidiano; e, por fim, Indústrias localizadas no Rio de
mação relevante para a análise. Janeiro e São Paulo (capital), onde o "desenvolvimento
industrial espontâneo" e o vigor do processo de indus-
Neste sentido, optamos por trabalhar de maneira trialização tomam a escolha da área indispensável.
qualitativa através de: a) levantamento bibliográfico e Não pretendemos, contudo, fazer uma análise
jornalístico; b) dados coletados em entrevistas em pro- comparativa, muito menos assumir uma perspectiva que
fundidade aplicadas a uma amostra de empresários. valoriza as diversidades sócío-culturaís dos fatores que-
interferem no comportamento empresarial de cada uma
2.1 Seleção da amostra das áreas. Ao contrário, usamos com grande liberdade
as informações colhidas nas diversas áreas, sem nos
o critério utilizado na seleção da amostra de entrevista- prender a seus traços comuns e à possibilidade de origi-
dos não foi estatístico. nar subgrupos dentro da amostra de entrevistados,
compondo com elas um pano de fundo para a análise.
De fato, os industriais entrevistados não foram Resta mencionar que, no processo de seleção da
escolhidos através de amostra probabilística, e as análises amostra, centralizamos os esforços na simplificação das
feitas prescindem de generalização estatística. Isto por- etapas da pesquisa e no incremento da probabilidade
que o estudo que se segue não é o resultado de uma de assegurar resultados não triviais. De qualquer forma,
"pesquisa de opinião" em que o rigor da amostra garante as lacunas ou limitações que podem ser detectadas a
a segurança das generalizações. partir destas escolhas, quando reconhecidas, podem
Ao contrário, não elaboramos o trabalho a partir das representar áreas de pesquisas futuras.
opiniões dos empresários como reflexo de uma "menta-
lidade econômica". Procuramos analisar as condições 2.2 Perfil da amostra
estruturais que dão sentido às opiniões e explicam a
v: riedade e versatilidade de que se revestem na experiên- Quanto ao perfil da amostra propriamente dito, temos
cia cotidiana dos industriais. Mesmo quando procuramos que:
caracterizar a mentalidade empresarial vigente e as
práticas administrativas, o nexo científico da análise a) a maioria dos empresários entrevistados se constitui
foi estabelecido em termos da adequação entre a situa- de proprietários de organizações de pequeno e médio
ção concreta da existência econômica e a ação empresa- porte, segundo limites estabelecidos no faturamento
rial, e não entre um conjunto de atributos empresariais anual, número de empregados e capital social das empre-
e a dispersão deste atributos, tal como aparecem empi- sas. Foram realizados, ao todo, 4S entrevistas com pe-
ricamente no conjunto de industriais. quenos e médios empresários de diversos setores da eco-
Portanto, para a seleção da amostra, tivemos por nomia, escolhidos aleatoriamente com base em listagens
base o crivo referente ao tamanho da empresa. Satisfize- existentes no Iuperj.'
mos, assim, as exigências do pressuposto básico a ser
testado e possibilitamos o esclarecimento de questões b) a partir das listagens de grandes grupos nacionais,
como: as questões sociais e as relações capital/trabalho segundo volume de vendas e capital acionário da revista
no seio de organizações complexas podem ser tratadas Exame de 1980, selecionamos 20 empresários cariocas
de maneira uniforme para todo o universo empresarial? de diversos setores da economia.
Pequenas, médias e grandes empresas impõem realidades
suficientemente distintas que demandem modelos 2.3 Entrevistas e roteiro de questões
específicos de gerenciar a relação capital/trabalho? A
proximidade de liderança gerencial/trabalhador em As entrevistas, realizadas após contatos prévios com os
pequenas e médias empresas, que propicia no cotidiano respondentes, tiveram uma duração média de uma hora
o contato direto patrão/empregado, é condição suficien- e trinta minutos, tendo sido gravadas na sua quase-tota-
te para a administração democrática e eficaz das relações lidade. A receptividade dos empresários entrevistados
de trabalho? Haveria possibilidade de implementar uma foi bastante boa, sendo poucos os casos de empresários
diretriz ou uma política uniforme de gerenciar responsa- que se recusaram a colaborar, mais em função da alega-
bilidade social que atendesse às necessidades de peque- ção de falta de tempo do que propriamente pelo conteú-
nas, médias e grandes empresas? do dos quesitos.
Com relação às áreas escolhidas para selecionar os Durante as entrevistas, procuramos deixar o empre-
informantes, o critério seguido foi o de assegurar proba- sário livre para emítír suas opiniões e abordar a questão
bilidades maiores para que ocorressem experiências da forma que achasse mais conveniente. Portanto, no
empresariais diversificadas. Incluímos, assim, indüstrías roteiro pré-elaborado e reproduzido a seguir, temos
que se desenvolvem num meio social como o do Nordes- apenas as questões básicas da entrevista. ~ importante
te, onde o patrimonialismo ainda é forte e as tendências enfatizar que este roteiro foi utilizado da forma mais
modemizadoras começam a pressionar; indústriais de elástica possível, permitindo, assim, captar amplamente
Curitiba e Campinas, onde, embora sejam marcantes as as possíveis combinações de opiniões geradas por um
influências dos grandes centros urbanos vizinhos, ainda assunto desta natureza.
são encontrados traços típicos de provincianismo; índüs- São estas as questões básicas do roteiro: O que en-
trias da região do ABC, onde, no período em que foram tende por papel da empresa na sociedade? O que entende
colhidos os dados. (primeiro semestre de 1980), as conse- por responsabilidade social do empresário? O senhor
cutivas greves de metalúrgicos pressionavam a abordagem acha que as empresas têm uma responsabilidade com a
e gerência da responsabilidade social como prática do sociedade? Qual seria. esta responsabilidade? O que en-

190 RelIista de Administração de Empresas


tende por programas de responsabilidade social? Estes portarnento antimaximização de lucros, assumido para
programas são viáveis apenas para as grandes empresas? beneficiar outros que não são acionistas da empresa".
Qual a sua avaliação a respeito? Quais as áreas de respon- Proposições apresentadas por partidários desta corrente
sabilidade social (poluição ambiental, política do consu- esclarecem a abordagem conservadora: nenhuma ação
midor, condições de trabalho atividades culturais e artís- corporativa que não é tomada em favor de benefício
ticas etc.) que deveriam ser consideradas prioritariamente claro e explícito de acionistas de uma empresa é insufi-
no Brasil? ciente do ponto de vista de uma economia de mercado.
Finalmente, deve-se mencionar que abordaremos
esta problemática social da empresa com primazia segun- - existe uma, e somente uma responsabilidade da empre-
do a dimensão administrativa e gerencial, sendo os sa: utilizar seus recursos e organizar suas atividades com
aspectos políticos e sindicais propriamente ditos apresen- o objetivo de aumentar seus lucros, seguindo as regras
tados apenas como componentes do quadro. do jogo de mercado.

- a responsabilidade social da empresa é um custo adi-


3. O CONCEITO DE RESPONSABILIDADE SOCIAL cional, uma taxa auto-imposta que necessariamente
atinge os lucros e reduz a eficácia da empresa.
3.1 Definição de responsabilidade social
Do outro lado estão os advogados de responsabili-
O conceito de responsabilidade social foi continuamente dade social: aqueles que defendem a ampliação da
debatido, e alternadamente aceito e rejeitado, principal- indústria.
mente nos anos 60. O centro básico de sua argumentação resume-se
Uma discussão clássica sobre responsabilidade em: empresas devem aceitar responsabilidades sociais
social define a questão como "a obrigação do empresário além das requeridas por lei, aceitando os custos a isto
de adotar políticas, tomar decisões e acompanhar linhas associados. Neste sentido, a ética de lucro como móvel
de ação desejáveis segundo os objetivos e valores da único de uma organização é considerada inadequada,
sociedade" .2 dando lugar a uma ética de responsabilidade social, em
Segundo Kugel,3 por exemplo, o desenvolvimento que conforme coloca Petít," "o fim da política de
do conceito de responsabilidade social acompanhou a laissez faire e o advento da idéia de bem-estar geral con-
própria evolução dos numerosos programas de responsa- tradizem a teoria da procura de interesses individuais e
bilidade social estabelecidos pelas empresas americanas, enfatizam a cooperação no lugar da competição, a inter-
isto é, segundo o autor, a experiência dos anos passados dependência social no lugar da fonte sobrenatural de
demonstra que a sensibilidade para. os problemas sociais arranjos econômicos e sociais".
foi institucionalizada. Os executivos passaram a aceitar Segundo esta ética, as empresas, além de meramente
a necessidade de realizar certas ações e procuraram fazer cumprirem as leis, devem agir no sentido de tentar satis-
com que estas fossem componentes regulares das opera- fazer as novas demandas da sociedade, já que, conforme
ções das empresas. nos coloca Petít,? "bens públicos, como ar e água puros,
Esta concepção confirma a tese de que a responsa- ruas seguras, melhores sistemas educacionais etc., são
bilidade social se tem caracterizado por pressões para demandas que não podem ser satisfeitas pelas técnicas
tomar as empresas mais solidárias com os problemas tradicionais de gerência empresarial com funções especi-
da sociedade. Em outras palavras, segundo Davis e ficamente econômicas".
Fiftch,4 a origem da responsabilidade social se situa em Assim sendo, a doutrina de responsabilidade social
propósitos de estabelecer meios para que a empresa argumentada pelos liberais enfatíza que as empresas
possa se inserir mais adequadamente nas relações lógicas devem encorajar o desenvolvimento político e legal
do sistema econômico, político e social em que deve que versa a favor do interesse público.
atuar. Concluindo, resta mencionar que tanto o enfoque
Mas, por outro lado, a idéia de que o conceito de liberal quanto o enfoque conservador de responsabilida-
responsabilidade social foi aparentemente instituciona- de social convergem nos conceitos fundamentais e obje-
lizado pela sua operacionalização não invalida a consta- tivos de responsabilidade social. Responsabilidade social
tação e constante discussão em tomo da problemática. não é um objetivo antimercadológico, e sim uma forma
Esta discussão, iniciada principalmente pelos econo- também eficaz de alcançar e manter rentabilidade. A
mistas - como Milton Friedman e Henry Manne - de- principal questão que ambos os enfoques abordam é
senvolve-se basicamente em tomo de um enfoque con- • a identífícação do papel próprio que a legislação e a po-
servador e um enfoque liberal. lítica pública devem desempenhar para eirar e manter
Do ponto de vista do conservador - do qual os dois um ambiente organizacional ótimo.
economistas citados são defensores - o argumento bási-
co é o de que os objetivos das empresas se restringem 3.2 Grau de ambigüidade do conceito de
à alocação eficiente de recursos escassos na produção responsabilidade social e dificuldade
e distribuição de produtos/serviços numa economia de na sua operacionalização
mercado livre.
Duas colocações de Fríedman! esclarecem seu Temos por exemplo, novamente, a definição de Bowen8
raciocínio sobre a questão, "só há uma e apenas uma sobre responsabilidade social: "a obrigação do empresá-
responsabilidade social da empresa: utilizar recursos rio de adotar políticas, tomar decisões e acompanhar
(para produção) e colocã-los em atividades a fim de linhas de ação desejáveis segundo os objetivos e valores
maximizar lucros"; responsabilidade social é um com- da sociedade".

Empresariado ntlcional 191


Devido ao seu caráter ambíguo, esta não é uma defí- Os defensores desta prática de responsabilidade
níção operacional. Quais 810 exatamente as "linhas de social se baseiam nos seguintes argumentos. Inicialmente,
ação desejãveís" em termos de objetivos para nossa socie- ternos a defesa do interesse da empresa a longo prazo e
dade? Segundo a cítação, está implícito que os empresá- da imagem pública da empresa.
rios o sabem, mas isto é reabnente válido? Este conceito pressupõe que a sociedade espera que
A falta de uma defíníção operacional leva os empre- as empresas, visando um retomo a longo prazo, realizem
sários a uma perplexidade quanto às suas responsabili- uma variedade de benefícios sociais. Assim, a empresa
dades sociais. O problema de vagueness, ou grau de ambi- mais sensível ãs necessidades da comunidade terá como
güidade, da noção de responsabilidade social se agrava resultado uma comunidade melhor, onde será mais fácil
na medida em que toda a questão é muito filosófica, aprôpría gerência dos negócios. Com isto, por exemplo,
isto é, de cunho ideológico, permitindo o desencadea- o recrutamento de pessoal será facilitádo, a qualidade da
mento de inúmeras perguntas, como: Qual a responsa- mao-de-obra se elevará, as taxas de rotatividade e absen-
bilidade relativa da empresa com seus acionistas, empre- teísmo se reduzirão etc. Este processo de melhoria social
gados e executivos? Qual o grau de importância dos ob- geraria, então, ciclos do gênero: numa esfera macro, os
jetivos econômicos e sociais da-empresa? benefícios sociais à comunidade acarretariam uma redu-
Em outras palavras, podemos constatar que na ope- ção da propriedade, melhoria na qualidade de vida, au-
racionalização do conceito de responsabilidade social se mento do consumo etc. Este argumento pode ser enten-
coloca uma primeira barreira: a noção de responsabilida- dido em diversas direções, demonstrando que uma socie-
de social se defronta em áreas-limite da ética e da moral dade melhor gera um ambiente melhor para as empresas.
absolutamente subjetivas."
O grau de ambigüidade da noção de responsabilida- Outro argumento, intimamente associado à idéia
de social é de tamanha amplitude que sfo quase infinitos de a empresa satisfazer seus interesses a longo prazo,
os pontos questionáveis dentro deste universo. enfatiza o lado positivo da prática de responsabilidade
Um primeiro foco de conflito se coloca na questfo social: a idéia de imagem pública. Toda empresa tem
de lucro. Conforme apresentamos, a noção de responsabi- uma imagem pública que precisa ser valorizada à medida
lidade social traz consigo um indício de que os objetivos que a fuma procura incrementar seus consumidores,
das empresas devem ser expressos em múltiplas dimen- melhorar seus fornecedores e obter outros benefícios.
sões, ampliando a perspectiva tradicional e üníca de Este tipo de comportamento é tradicional em empresas.
maximízação de lucros. Portanto, para se compatibilizar Portanto, é fácil ampliar éste conceito de imagem públi-
lucro com responsabilidade social é importante enfatizar ca segundo a ótica da responsabilidade social, onde obje-
que a defíníçao de responsabilidade social não se coloca, tivos sociais são prioritários para com os membros da
de nenhuma forma, como uma questão de deixar de comunidade. Assim sendo, a empresa que deseja uma
realizar lucros: responsabilidade social, quando analisada imagem pública favorável deve demonstrar que apóia
no seu sentido mais amplo, nfo é uma autotríbutação, estes objetivos sociais.
uma 0r>siÇfO ao comportamento rnaximizador de
lucros. 1 Em contrapartida, além da questão da maxímízação
de lucros já comentada,. inúmeros outros itens são apon-
Este ponto, quando mal defmido, constitui o prin- tados, desaconselhando qualquer implementação de pro-
cipal argumento desfavorável à prática de responsabili- gramas de responsabilidade social. Entre estes merece
dade social, transformando-se, assim, no alvo-mor do destaque, inicialmente, a questão dos custos do envolvi-
ataque dos partidários da clássica doutrina econômica de mento .social, que se baseia na proposição de que muitos
rnaximizaçfo de lucros. objetivos sociais' 010 se pagam por si sós, gerando uma
Da idéia precedente, evoluímos para um segundo situação antieconômica na medida em que alguém deve
ponto importante: a dificuldade de operacionalizaçao arcar com estas despesas.
do conceito de responsabilidade social está relacionada Outro argumento desfavorável coloca que o envol-
com a árdua tarefa de estabelecer fronteiras para caracte- vimento da empresa com objetivos sociais pode diluir a
rizar uma ação sob o rótulo de responsabilidade social. ênfase das organizações na produtividade econômica,
Esta problemática desponta em diversas díreções, dividindo os interesses das suas lideranças e enfraque-
das quais se sobressaem: uma a nível interno, relacionada cendo as empresas no mercado ,o que resulta num em-
com a determinação dos objetivos privados da empresa, brecimento tanto para a economia quanto para o seu
e outra a nível externo, referente à inserção ampla da em- papel social. Isto significa que a sociedade teria que arcar
presa na sociedade. Neste sentido, surgem duas discus- com menor produtividade e, portanto, o papel econômi-
sões' clássicas na literatura organizacional: dentro do co das empresas na sociedade ficaria vago e ambíguo.
universo empresarial, o confronto proprietários-acionis- A conceítuação da doutrina de responsabilidade
tas e executivos-gerentes; e, a nível macro, a definição da social corno. "evasivo conceito. . . sobre o qual muitas
esfera de ação empresarial e da atuação do Estado. Estes palavras fúteis têm sido escritas", conforme descreveu
agentes permitem inúmeras combinações, com limites Charnberlain 11 e muitos outros autores, se' fundamenta
e fronteiras diversas. E, no que toca à questão de respon- em críticas centralizadas na sua falta de substância, já
sabilidade social, para que sua operacíonalízação seja que a doutrina falha no fornecimento de uma guia clara
viável, é condíção a congregação dos interesses. destes para a seleção de áreas apropriadas de atividades ou esta-
grupos. belecimento de objetivos e critérios de prioridades em
A formulaçfo de programas' de responsabilidade relaçlo a uma área particular.
social é um índex complexo, mesmo em organizaçOel Em outras palavras, as diversas respostas que dizem
que sistematicamente procuram este tipo de programa. respeito ao vago sentido de responsabilidade social reve-

192 Revista de Administraçlo de Emplf!lal


Iam a ausência de fronteiras para o alcance do desem- Nesta época, no entanto, questões econômicas
penho gerencial, tanto no que diz respeito a áreas apro- por natureza constituíam indicadores da contribuição
priadas de atividades selecionadas quanto a decisões e social das empresas.
ações tomadas. A partir das proposições de Kreps, podemos inferir
que, como ocorre atualmente, a auditoria social em 1940
3.3 Auditoria social era um tópico cheio de controvérsias. Kreps começa sua
dicussão sobre a mensuração social pela caracterização
Conforme tem sido exaustivamente colocado, a prática dos desejos da Nação, considerando, de forma genérica,
de responsabilidade social é uma resposta dos empresá- aspirações do povo americano das liberdades individuais,
rios a demandas do ambiente organizacional. crescimento das oportunidades individuais etc. Após
Esta resposta é obtida com base nos recursos admi- listaras expectativas públicas, fala do problema da men-
nistrativos da empresa através de um processo de plane- suração social e da defíníção de limite, evocando a idéia
jamento estratégico que atenda às necessidades do seu da ambigilidade do conceito de responsabilidade social.
ambitente organizacional. Por fim, coloca que qualquer tentativa de auditoria so-
Para este planejamento estratégico é fundamental cial das empresas precisa ser limitada pelos itens a serem
o levantamento de informações através de uma auditoria mensurados. A despeito das dificuldades de sua imple-
da situação da empresa (situation audit). A auditoria mentação, Kreps considera o teste de desempenho social
social (social audit) tem sido utilizada na execução e necessário para a vida das empresas e da sociedade.
avaliação do planejamento estratégico em resposta às
pressões sociais e, especificamente, na formação de estra- Em 1953, Howard R. Bowen' 3 sugeriu uma audito-
tégias de responsabilidade social, isto é, no que se refere ria social em oito áreas (preços, salários, pesquisa e de-
às responsabilidades humanas e sociais a que a empresa senvolvimento, propaganda, relações püblícas, relações
deve corresponder. humanas, relações comunitárias e estabilidade de empre-
Nos últimos 40 anos, a mensuração do desempenho go). A sua forma de realizar auditoria social acrescenta
das empresas evoluiu do estágio de conceito e teoria para diversas vantagens, ainda válidas atualmente, das quais
a prática contemporânea. destacamos o fato de a avaliação das organizações ser
feita por pessoas de fora da empresa, através de um
o termo auditoria social e sua descrição como um grupo de auditores sociais composto de pessoas tecnica-
conceito para controlar, avaliar e mensurar o desempe- mente treinadas em áreas como lei, economia, sociologia,
nho social da organização já existe desde 1940, como psicologia, pessoal, fílosofia, engenharia e teologia.
pode ser identificado na monografia de Theodore Kreps,
escrita quando professor de economia financeira na Nos tempos modernos, pressões econômicas e exi-
Universidade de Stanford.P gências sociais levaram as empresas e a sociedade a se

Quadro 1
Modelo de auditoria social *

Auditoria de Auditoria de Auditoria


Sujeito
Kreps (1940) Bowen (1953) de hoje

Definição Teste do desempenho Avaliação do desempenho empresa- Mensuração do progresso empresarial,


empresarial rial do ponto de vista social no que diz respeito a objetivos sociais
Propósito Avaliação governamental Avaliação da empresa de seu desem- Avaliação da empresa de seu desem-
do desempenho social da penho social penho social
empresa
Motivos aparentes Estabelecer critérios para Incorporar a perspectiva social: à ge- a) satisfazer a consciência corporati-
futuras avaliações; estabe- rência va; b) melhorar o conhecimento fi-
lecer técnicas para a so- nanceiro de programas sociais; c) RP;
ciedade; influenciar o de- d) incrementar credibilidade empresa-
sempenho empresarial rial
Natureza dos itens Áreas quantificáveis: 1) Políticas da companhia no que diz Desempenho da companhia em: a)
auditoriados emprego; 2) produção; 3) respeito a: 1) preços; 2) salários; 3) emprego de minorias; b) poluição/
esforço consumidor; 4) pesquisa e· desenvolvimento; 4) pro- ambiente; c) condições de trabalho;
fundos .consumidor absor- paganda; 5) relações públicas; 6) rela- d) relações comunítãrias; e) contri-
vidos; 5) taxas; 6) dividen- ções humanas; 7) relações comunítã- buições filantrópicas; f) questões de
dos e juros rias; 8) estabilização econômica t:onsumerismo
Uso Pela sociedade para avali- Pela gerência para avaliar seu desem- Subdividido entre duas escolas de
ar o desempenho empre- penho pensamento: um grupo acredita que
sarial. deve ser utilizado apenas pela gerên-
cia e outro acha que deve ser docu-
mento de domínio público
Metodologia Avaliação de informação Avaliação da política empresarial Monitorizar, mensurar, e avaliar to-
pública empregando índi- através de julgamento dos os aspectos do desempenho social
ces econômicos utilizando várias técnicas custo/bene-
fício,. contabilidade etc.
Por quem é conduzida Por' c?rgão governamental Pessoal interno ou agência industrial Pessoal interno ou consultor

* Quadro traduzido de Carroll, Archie B. & Beiler, George W. Landrnarks in the evolution of the social audít, In: Carroll, Archie B.
Managing corporate social responsibillt)'. p. 239.

Empreaarlado nacional 193


procuparem com preços, emprego, produtividade e ou- Entretanto, enfatiza Steiner, é essencial que o grupo de
tros aspectos deste tipo. Assim sendo, proliferou-se nas fora inclua indivíduos que tenham familiaridade com as
organizações dos anos 70, principalmente nas america- práticas empresariais, e sejam socialmente orientados e
nas, a procura por uma meta maior, exigindo que o ge- capazes tecnicamente nas principais áreas relacionadas
rente contemporâneo realize, necessariamente, a conta- com a auditoria. No caso de a empresa desejar escolher
bilidade ria efetivação tanto dos seus objetivos econômi- seu próprio grupo, existem várias alternativas: uma co-
cos como dos seus objetivos sociais. missão de diretoria, consultoria do conselho etc.
O complexo arsenal de metas a serem cumpridas
com que se deparam as organizações, atualmente, evi- d) divulgaçãQ dos resultados da auditoria social: Steiner
denciam a necessidade de a gerência ampliar seu projeto considera que o interesse público é mais bem servido se
de planejamento e controle para poder atender às expec- existe público, embora, caso a organização opte por pu-
tativas da sociedade com relação às empresas. blicar os resultados de sua auditoria social, isso possa
A auditoria social de hoje é um dos veículos ou trazer problemas para a própria empresa. Por outro lado,
meios pelos quais as empresas índívíduaís vigiam, men- considera que uma audiência fechada também pode
suram e avaliam seu desempenho social. acarretar danos no sentido de perda de credibilidade.
Conforme coloca Sethí!" ''( ... ) podemos afirmar Portanto, cabe à empresa avaliar os riscos e oportunida-
que, mesmo arriscados a uma visão por demais simplista, des da decisão, aceitar ou rejeitar o risco de ser injus-
o propósito da auditoria social é classificar o amplo ter- tamente criticada, tanto por omissões quanto por
mo responsabilidade social de empresas em componentes ações, e de não satisfazer por completo as expectativas
identificáveis e desenvolver escalas que permitam a men- sociais.
suração deste componentes".
De maneira geral, as inúmeras defíníções de audito- Por fim, resta-nos colocar que, também para o
ria social surgidas na década de 70 são repetitivas. No acompanhamento e controle de desempenho social das
entanto, existem diferenças consideráveis de opiniões empresas e da implementação de programas de respon-
no que diz respeito aos tópicos a serem incluídos por sabilidade social, outro instrumento formal vem sendo
uma auditoria social; ao critério a ser utilizado para a desenvolvido, principalmente na Europa: a sistemática
mensuração; ao questionamento de quem deve realizar denominada balanço social, onde são discriminados al-
esta auditoria, se indivíduos de dentro ou .de fora da guns indicadores da participação e apreciação objetiva
organização e à utilização dos resultados desta auditoria, do custo-beneftcío das iniciativas empresariais no campo
se devem permanecer apenas nas mãos da gerência ou socíal.!?
tornados públicos.
Inúmeros indivíduos e consultores experimentaram
novas metodolofias e processos de implementação de 4. RESULTADOS DA PESQUISA: OPINIÃO DOS
auditoria social. 5 Nestes trabalhos estão sendo desen- ENTREVISTADOS
volvidos diversas taxinomias, ou esquemas de classifica-
ção, para a abordagem da questão. Conforme mencionamosanteriormente, foram realizadas
Apresentamos, a seguir, um quadro sucinto da 65 entrevistas, das quais 20 foram aplicadas a grandes
evolução do modelo de auditoria social desde a década empresários (aos quais denominaremos Grupo I) e as
de 40 até os dias de hoje, no qual podemos comparar restantes a pequenos e médios industriais (Grupo 11).
as variações que este instrumento tem sofrido ao longo Estes dois grupos constituem-se a partir de compara-
dos anos. ção, tanto a nível intergrupal quanto a nível intra-
grupal.

George Steíner!" "apresenta um modelo que exem- Para a análise das entrevistas, seguiremos aproxi-
plifica um tipo atual de auditoria social. Para Steiner, as madamente a ordem estipulada no roteiro de questões,
seguintes questões devem ser esclarecidas numa auditoria enfatizando o estudo de fatores que poderiam facilitar
social: ou dificultar uma prática de responsabilidade social.

a) os propósitos da auditoria social: estes propósitos em 4.1 Papel social da empresa, e conceituação de
geral caracterizam-se basicamente por identificar as res- responsabilidade social
ponsabilidades sociais com que a empresa acha que deve
arcar, examinar o que a empresa tem feito e se o seu Tomemos como marco inicial as duas primeiras questões
desempenho tem sido satisfatório, verificar se a compa- colocadas aos empresários: qual o papel da empresa na
nhia é vulnerável a críticas potenciais, e conscientizar sociedade e o que entende por responsabilidade social.
executivos segundo as dimensões sociais: Das opiniões angariadas, podemos identificar pon-
tos que merecem exame mais cuidadoso. Para tanto,
b) o que deve ser incluido na auditoria social: em geral selecionamos qualitativamente, na amostra de respostas,
este item deve ser determinado segundo as necessidades depoimentos que merecem ser comentados.
de cada empresa, não existindo consenso sobre as diver- Inicialmente, a nível do discurso, percebe-se uma
sas possibilidades que existem neste. sentido. variação na forma de colocar o papel da empresa na
sociedade quando comparamos o Grupo I com o Grupo 11.
c) quem deve realizar a auditoria social: se for contra- Como evidenciam as citações, extraídas dos discur-
tado um grupo de pessoas de fora da organízação, prova- sos dos pequenos e médios empresários, este papel é
velmente a auditoria terá um alto grau de objetividade. enfocado segundo uma dimensão mais micro, onde,

194 Revista de AdministraçtJ:J de Empresas


dentro dos limites da estrutura organizacional, a ele é tada para a sua vizinhança, deve ser respeitada pelos seus
associada a questão de emprego, de problemas especí- empregados etc. Todos estes aspectos são entrelaçados
ficos de remuneração e de estabilidade econômica da com o desejo de dar continuidade a uma organização
mão-de-obra: como entidade de fins lucrativos." (Empresário perten-
cente ao Grupo 1.)
"Nós damos emprego no mercado social, principal- "Nos dias de hoje, a meu ver, podemos chamar uma
mente à pequena e ã média empresas, que absorvem a empresa de responsável se ela consegue ter lucros sufi-
grande maioria dos trabalhadores do País. E, dando em- cientes para no fim do mês dar conta da folha de paga-
prego, nós não damos só a condiçãode o ser humano mento dos seus funcionários." (Empresário pertencente
ter dinheiro para sustentar a sua famflía, nós também ao Grupo 11).
faremos uma conscientização, uma disciplina para que Conforme constatamos no padrão de respostas
não exista a marginalização. As pequenas e médias em- transcritas, também no que diz respeito ao discurso refe-
presas atuam dentro da mão-de-obra brasileira na parte rente à questão de lucros, os depoimentos mantêm a
social em percentual bem maior que a grande." variação enfoque macro-micro segundo o tamanho da
"Eu acho que a principal responsabilidade social do empresa.
empresário é gerar empregos, dar condições para que o Verificamos, entretanto, que, independentemente
trabalhador viva bem. Porque eu acho que toda empresa, das diferenciações a nível de discurso e do tamanho da
todo funcionário de uma empresa, desde o menor até empresa, há um denominador comum que traduz quali-
o maior e tal, é como se fosse uma engrenagem. Todos tativamente a opinião do empresariado: a responsabili-
eles são importantes. :e
preciso formar uma equipe real- dade social da empresa é associada com sua função Lu-
mente coesa para que a empresa progrida e vá para crativa, e não é vista de forma alguma como "um com-
frente." portamento antimaximização de lucros': 18
"A empresa, ela exerce uma função de muita im- Por fim, a análise da percepção empresarial no que
portância. Porque depende dela a estabilidade econô- se refere ao papel da empresa na sociedade e a conceitua-
mica das famílias e da própria sociedade." ção de responsabilidade social permite-nos uma analogia
Por outro lado, o grande empresário aborda a ques- com o trabalho de Paulo Motta.!" quando descreve a
tão segundo uma dimensão macro, ampliando a inserção abordagem da política pública no tratamento da questão
empresarial para fora dos domínios da organização. de responsabilidade social.
"Uma sociedade decadente resultaria a longo prazo Segundo Motta, a política pública "retira da gerên-
num ambiente empresarial rpenos viável. Portanto, uma cia a prerrogativa de decidir sobre a relevância e a ex-
empresa deve assumir uma posição de ativo e bom cida- tensão do envolvimento em questões sociais". Portanto,
dão não apenas no que diz respeito à forma de conduzir para caracterizar a extensão do envolvimento que "defi-
os negócios, mas também desempenhando' alguma lide- na a amplitude da interpenetração organizacional com a
rança na direção em que a sociedade está se mobilizando. sociedade" Motta identifica duas áreas: a de envolvimen-
Isto assegurará que pelo menos OS seus interesses sejam to primário e ade envolvimento secundário.
considerados." A área de envolvimento primário é a caracterizada
Em geral, ao falarem sobre a questão, os grandes "pela função especializada da organização, aquela que
empresários, ainda sob um enfoque macro, deixam ex- estabelece as bases de suas relações de troca com a socie-
plícita a idéia de mudança, destacando o papel que a em- dade". Assim, são identificadas como áreas do envolvi-
presa deve desempenhar em relação ao desenvolvimento mento primário de uma organização os processos de pro-
do País, e seu compromisso com a sociedade. dução, recrutamento, publicidade etc. A área de envolvi-
"Acredito que uma mudança que foi óbvia para mento secundário é caracterizada "por todas as outras
alguns empresários na década de 70 ficará clara para relações, atividades e impactos da organização que sejam
todos na década de 80. Esta é a expectativa pública conseqüências ou sustentadores de suas atividades pri-
geral, que empresas contribuam positivamente na melho- márias". São, portanto, identificadas como áreas de en-
ria da qualidade de vida. Neste sentido, acredito que o volvimento secundário as atenções no que diz respeito
desempenho empresarial cada dia mais possa ser mensu- ao uso do produto, ao impacto dos métodos de produ-
rado em áreas de responsabilidade social e particular- ção sobre os trabalhadores, a ambientes físicos, às rela-
mente no que se refere à educação e desenvolvimento do ções com fornecedores e revendedores, e assim por
povo, e na solução efetiva dos problemas que a indústria. diante.
por ela mesma cria, assim como a poluição." Podemos concluir que, a nível de discurso, os pe-
Dentro da conceituação do papel da empresa na quenos e médios empresários estão nitidamente voltados
sociedade e da responsabilidade social dos empresários, para o envolvimento primário. Os entrevistados perten-
ressaltamos outra questão freqüentemente levantada pe- centesa este grupo consideram importante conceber a
los entrevistadores em estreita vinculação com o tema: a questão de responsabilidade social nos limites restritos
questão dos lucros. de sua ótica pessoal, percebendo as modificações ocorri-
das ao seu redor essencialmente em função dos aconteci-
Como podemos verificar tanto nos depoimentos dos mentos que mais de perto lhe tocam, o que reforça a
entrevistados como a nível de literatura teórica, os dificuldade do grupo em romper com esta abordagem
lucros são abordados de forma controvertida. doméstica.
"Eu não acredito que se possa separar responsabi- Já os grandes empresários, mais uma vez a nível de
lidade social do desempenho de qualquer empresa como discurso, incorporam em sua agenda de prioridades não
entidade de fins lucrativos. Tem sido colocado constan- apenas as questões de envolvimento primário, como tam-
temente que uma empresa bem dirigida deve estar vol- bém itens específicos de envolvimento secundário. E,

EmprestUÚldo nacional 195


mais ainda, em conflito com a colocação de Paulo Motta, a valorização das relações primdrias fortemente carre-
"para firmas grandes e poderosas, as áreas de envolvi- gadas de conteúdo emocional e apelo a formas tradicio-
mento primário e secundário seriam evidentemente nais de convivência.
maiores, embora ainda deixassem de incluir as grandes
questões da sociedade como um todo". A retórica do Está claro que a persistência destas crenças e prá-
grande empresariado engloba, e novamente é importante ticas liga-se à falta de pressões modernizadores da socie-
enfatizar, a ntvel de discurso, preocupações genéricas dade capazes de alterar os padrões vigentes do passado.
que incluem amplos horizontes da problemática social. Sãopoucos os entrevistados que apontaram pressões ex-
ternas para se mobilizar socialmente corpo tendo algum
4.2 Programas de responsabilidade social e dreas de efeito nas suas empresas. Estes raros exemplos desapa-
atuação prioritdrias recem quando falamos dos pequenos e médios empre-
sários do Nordeste, por exemplo, onde o pattimoníalís-
Na abordagem das duas perguntas seguintes - o que mo foi mais vigoroso que no Sudeste. Deve-se ressaltar
entende por programa de responsabilidade social e quais que o êxito de práticas patrimonialistas dentro das fá-
as áreas de atuação prioritárias - o número e a natureza bricas encontra condições favoráveis no excesso de ofer-
das respostas refletem quatro aspectos importantes que ta de mão-de-obra desqualificada e, portanto, na baixa
analisaremos em maior detalhe: subjetividade, paterna- capacidade de barganha dos operários.
lismo, tradicionalismo e imediatismo. ' Os raros empresários que alegaram ter sofrido pres-
O grau de "vagueness" ou subjetividade da questão sões externas para assumir responsabilidades sociais
de responsabilidade social, amplamente abordada na li- pertencem ao Grupo I e se referiam a responsabilidades
teratura teórica, reflete-se como uma preocupação em particulares, como programas de emprego e condições
grande parte do empresariado entrevistado quando a de trabalho, qualidade de produto e, em menor número
ele se solicita, de forma mais específica, uma conceitua- de casos, ao controle da poluição. A origem destas pres-
ção para a questão, As citações transcritas a seguir são sões se concentra nas agências administrativas governa-
exemplos qualitativos que nos permitem constatar esta mentais, embora haja casos em que elas foram fruto de
realidade: iniciativa de grupos privados. .
"É difícil falar de programas de responsabitidade Exprimindo o pensamento da maioria dos entrevis-
social, já que a própria análise objetiva do tema pode ser tados do Grupo 11, um empresário nos evidencia o grau
desenvolvida sob um prisma mais emocional do que de conservadorismo embutido em sua ideologia e conse-
lógico-racional." (Empresário pertencente ao Grupo 1.) qüente prática gerencial:
"Não há possibilidade de se falar em príoridade para
a ação social, já que esta questão é inevitavelmente sub- "Estes tipos de programas vão falhar sempre porque
jetiva, ela depende exclusivamente dos interesses de cada há uma certa maldade, uma certa desconfiança nas coi-
um." (Empresário pertencente ao Grupo 11.) sas. Você modificar os hábitos de uma pessoa é difícil.
Assim sendo, a maioria dos entrevistados, com base A pessoa acha que está levando a pior, sempre descon-
no caráter subjetivo da questão, se limitou apenas a in- fiada, está pensando que os outros estão querendo tirar
dicar as atividades e programas de responsabilidade social proveito disto. É por isso que administro a minha em-
que suas empresas desenvolviam ou poderiam vir a de- presa e trato meus empregados como fazia meu falecido
senvolver. avô e meu falecido pai."
Neste sentido, verificamos que mais uma vez a abor-
gem da questão de responsabilidade social, e especifica- Segundo Flippo, paternalísmo'" é o conceito de
mente dos programas de responsabilidade social, varia que a administração deve assumir uma atitude paternal
segundo o tamanho da empresa do entrevistado, sendo e protetora para com os empregados. Em sua opinião,
que pequenos empresários em geral concentram suas o paternalismo demanda a existência de duas caracte-
preocupações no lado interno da empresa, enfatizando rísticas. Em primeiro lugar, os interesses de lucro não
as condições de trabalho dos operários, sua educação, devem ser proeminentes no propósito da administração
sua alímentaçâo, seu nível de vida, educação, saúde etc. de conceder tais benefícios ao empregado. Estes devem
Exemplo desta visão pode ser observado no trecho da ser oferecidos porque a administração decidiu que o em-
entrevista reproduzido a seguir, que exprime qualitati- pregado necessita deles, isto é, os benefícios podem pro-
vamente o pensamento da maioria dos entrevistados do var serem lucrativos, porém os lucros não constituem a
Grupo 11: razão principal para sua instalação. E, em segundo lugar,
a decisão relativa a que serviços proporcionar e como
"O grau de validade e a ordem de prioridade que proporcioná-los pertence unicamente à administração,
deve ser dada no tratamento das questões sociais dentro Quanto ao paternalismo dos programas de responsa-
da empresa varia apenas segundo a contribuição que ela bilidade social, as citações a seguir, extraídas dos discur-
pode oferecer aos seus empregados. A empresa tem uma sos dos empresários, evidenciam um conflito de valores.
responsabilidade em face dos seus empregados, de forma "Este tipo de programa não me parece paternalista:
a oferecer a eles um elevado nível de vida, com condi- Mesmo porque o empresário está devolvendo, ou distri-
ções dignas para toda a sua família." buindo, uma parte daquilo que o operário ajudou a
construir. Há maneiras e maneiras de se desenvolver ou
O paternalismo e o tradicionalismo são dois valores de se distribuir a riqueza. O sujeito vai lá e dá um presen-
de grande importância para a análise qualitativa dos tinho, é uma coisa. Agora, se ele vai fazer um negócio
depoimentos. Conforme constatamos na maioria das continuamente, como paga pelos serviços prestados, com
declarações dos pequenos e médios empresários, é mtid« agradecimento dos serviços prestados; é outra coisa.

196 Revista de Administração de EmpreflllS


Agora se ele se coloca na posição de patriarca, e está fício da comunidade empresarial, de todos aqueles que
querendo agradar o sujeito para tirar mais coisa dele, aí participam da empresa, valorizando o trabalho, valori-
a conversa é outra. Mas acredito que não é a intenção zando o homem que executa este trabalho. Desde os
deste tipo de programa;" (Empresário pertencente ao mais baixos níveis até os mais altos, todos eles dignos de
Grupo 11.) respeito de se beneficiarem do processo produtivo. A
legislação trabalhista, as normas de- previdência social,
"Programas de responsabilidade social... é um as fundações de benefícios para trabalhadores hoje exis-
paternalismo que não traz mal nenhum, já que é um tentes em tantas indústrias, os refeitórios, os planos de
paternalismo adicional, não prejudica aquilo que os construção de casas para trabalhadores, as vilas para
funcionários têm direito ê, além do mais, ninguém é operários, as cooperativas de atendimento às necessi-
obrigado a freqüentar nada. Aceita se quiser, se não qui- dades das famílias operárias, os reajustes temporários dos
ser recusa." (Empresário pertencente ao Grupo 11.) salários e até a participação acionária e a organização de
comitês participativos de decisões de diversos níveis têm
Da mesma forma que Hopper," não acreditamos sido soluções progressivamente aperfeíçoadas com rela-
que o mero suprimento de muitos benefícios faça com ção a este aspecto, Acho pessoalmente que temos "de
que a administração seja paternalista. A atitude e a caminhar muito ainda neste sentido, na busca progressi-
maneira de instalação é que determinam se a adminis- va de uma solução justa, e valorativa do ser humano.
tração é ou não paternalista em suas lides com os em- Neste sentido o empresário deve esforçar-se por encon-
pregados. Das empresas que oferecem benefícios em trar novos caminhos." (Empresário do Grupo 1.)
programas de responsabilidade social, mesmo que estes
benefícios sejam identificados, algumas podem ser pro- Um último aspecto, ainda dentro da conceituação
priamente rotuladas como paternalísticas, outras não. de programas de responsabilidade social e da identifi-
cação das áreas de atuação prioritárias, merece destaque:
o enfoque paternalista detectado nas entrevistas o caráter imediatista do empresário.
aparece apenas como ideologia de alguns pequenos e
médios empresários da amostra. No entanto, quando nos g interessante observar que, conforme destacamos
referimos aos empresários do Grupo I, cabe ressaltar ou- quando da revisão da literatura teórica, há uma estreita
tros aspectos. relação entre a ideologia da liderança de uma organiza-
Os grandes empresários, de modo geral, adotam ção e SUaprática gerencial, o que pressupõe que políticas
uma atitude em relação à mão-de-obra que muitas ve- corporativas e práticas sociais refletem os valores e ati-
zes é identificada como conceito "social" ou "huma- tudes da gerência das organizações. Assim sendo, se uma
no".22 Esta atitude incorpora o reconhecimento de que determinada gerência acredita que o papel da empresa na
o tratamento próprio da mão-de-obra pode ser altamente sociedade se restringe a alguns valores ímedíatístas, é
proveitoso para a firma, isto é, um investimento em esperado que suas políticas e práticas reflitam esta
mão-de-obra pode ser tão benéfico como um investimen- ideologia.
to em capital.
Assim sendo, para tomar os trabalhadores "pessoas Este imediatismo é um traço característico do com-
humanas", muitos grandes empresários pensam, como portamento do pequeno e médio empresário nacional
é natural na perspectiva capitalista, que devem ser aber- na sua prática gerencial. Às vezes, este caráter imecj~-
tas perspectivas de acesso à propriedade. Podem dis- tísta é considerado apenas uma questão de necessidade.
cordar sobre o método a ser utilizado para obter este isto é, um comportamento isolado apenas para garantir
fim - um paternalismo modernizado ou a criação in- a sobrevivência da empresa, como pode ser observado na
direta de condições favoráveis para que a vontade de citação a seguir, que exprime o pensamento da maioria
posse e motivação de lucro chegue aos trabalhadores - dos entrevistados pertencentes ao Grupo 11:
mas estão convencidos de que transporte, atividades de
lazer e recreação e até mesmo a abertura do capital "As dificuldades de gerenciar uma pequena empresa
acionário são essenciais para o bem-estar do operário: como a nossa e.alcançar algum lucro e conseguir sobre-
viver neste País, cheio de controvérsias, já é por si só
"Sou favorável, além de achar importante, à parti- uma responsabilidade social e exige de nós mais ~e 24
cipação dos trabalhadores nos lucros das empresas. horas por dia. Portanto, um planejamento visando fins
Afinal, é dinheiro que todos produziram em conjunto. sociais para nossa empresa só é viável a título de bom
Mas como democratizar este capital? No presente, com samaritano ou com fins filantrópicos."
esta conjuntura sócio-política e. econômica, é muito
difícil. Decerto, no futuro, quando o nível educacional Como constatamos no padrão de respostas dos en-
dos operários e a situação econômica e política do País trevistados do Grupo Il, este comportamento não é
apresentarem outras características, esta será uma prática casuístico, e sim uma constante que mais uma vez refle-
gerencial do cotidiano. A Nação caminha, a meu ver, te a visão imediatista e instrumentalista do pequeno em-
neste sentido." (Empresário do Grupo 1.) presário nacional,assim como a ausência total de uma
mentalidade empresarial. Características exaustivamente
"Muitos de nós empresários nos convencemos do colocadas na literatura pertinente ao tema," e críticas
valor social da empresa e hoje pode-se dizer que já há do próprio grande empresário, conforme esclarece o
uma mentalidade nova com respeito a isto. Entretanto, depoimento a seguir, refletem qualitativamente a opi-
é preciso estar permanentemente atento, para que o pro- nião da maioria dos entrevistados pertencentes ao
cesso de industrialização se faça justamente em bene- Grupo I:

Empresariado nacional /97


"Os programas de responsabilidade social são em comparada com a pequena e muitas vezes inexistente
geral benéficos, embora eles sejam viáveis principalmente participação de empresas de menor porte. Na América
para as grandes empresas. Eles seriam viáveis para as pe- Latina, a prática dos acordos coletivos surgiu como o
quenas e médias empresas, apenas se se mudasse a menta- principal mecanismo para se obter- serviços sociais.
lidade do empresário. Os pequenos e médios empresários Nestas negociações, o tamanho da empresa é um fator
nacionais acham que tudo aquilo que é despesa prejudi- integralmente relacionado. Estes acordos não são tão
cial à empresa. Eles enxergam a coisa no seguinte sen- freqüentes em empresas de menor porte e, mesmo quan-
tido: eu vou gastar Cr$ 50,00, e isto vai me dar o que de do existem em empresas deste tamanho, raramente
volta? Se eles não enxergarem o retomo na hora, eles mencionam problemas específicos relativos a questões
não aplicam. Já as grandes empresas empregam muitos sociais. Na Inglaterra, no que se refere àprovisão de ser-
profissionais que defendem sua teoria e seu ponto de viço médio e de saúde, a grande atividade desenvolvida
vista e acreditam na importância de um planejamento está concentrada nas mãos de grandes empresários,
a longo prazo. Assim sendo, nem sempre eles vão defen- incluindo o Governo e as empresas nacionalizadas.
der seu interesse pessoal, o que dá margem à defesa do Yong e Smíth," em estudo realizado em Southamp-
interesse social." ton, Inglaterra, constataram que as pequenas empresas
são desencorajadas pelo custo inicial do estabelecimento
4.3 Prática de responsabilidade social de programas de responsabilidade social, passando a
alocar os recursos que deveriam ser canalizados para es-
Por fim, nesta última etapa da análise, desenvolveremos tes programas em investimentos que tragam retornos
o centro básico do estudo, que se refere especificamente visíveis a curto prazo.
à prática de responsabilidade social. Neste sentido, bus- Muitos programas não podem ser justificados como
caremos compreender como as verbalizações podem cor- um investimento econômico em firmas menores. Precisa
responder à ação efetiva e quais as possibilidades con- haver um certo número de empregados para que deter-
eretas de transformar idéias em ação empresarial dentro minado serviço que não seja utilizado com freqüência
dos limites estruturais e políticos. e pela totalidade dos funcionário se justifique.

Será dada ênfase ao estudo de fatores que poderiam Em geral, a maioria das pequenas opera numa base
facilitar ou dificultar a implementação de programas de de capital limitada e com pequena estabilidade financei-
responsabilidade social segundo o tamanho da empresa. ra, o que obviamente faz pesar no orçamento (caso ele
Indicaremos, portanto, como, na opinião dos entre- exista) qualquer custo adicional. Isto seria, em última
vistados, características como o papel do governo, a instância, mais um ônus para uma taxa de mortalidade
problemática de custo e a prática de auditoria social empresarial já bastante elevada, não apenas no Brasil,
trazem vantagens e desvantagens para a implementação como na maioria dos países em desenvolvimento.
de programas de responsabilidade social, segundo o ta-
manho da empresa. Por fim, para completar este quadro, ressaltamos o
caso americano, onde verificamos que mesmo nos EUA,
A significativa assocíação.entre o tamanho da em- onde a implementação de programas de responsabilidade
presa e as condições para oferecimento de programas de social é mais comum, a variável tamanho da empresa é
responsabilidade social se constitui em importante fonte significativa, como pode ser constatado no survey reali-
de conflito. A limitação de programas de responsabili- zado por Shetty e Buehler," que estudou a existência
dade social às grandes empresas é um fator básico que e o desenvolvimento de programas de responsabilidade
se apresenta neste sentido. Portanto, é necessário consi- social em 232 empresas americanas.
derarmos a possibilidade de se generalizar este tipo de Segundo Shetty e Buehler, mais da metade desta
programa para todas as empresas, independentemente amostra de empresas implementava programas de res-
de seu tamanho. ponsabilidade social em uma ou mais áreas da arena so-
Segundo publicação das Nações Unídas'" e a exten- cial. Foram identificados no trabalho três motivos para
sa literatura sobre a questão, pequenas empresas, a nível formalização de programas de responsabilidade social;
mundial, freqüentemente não estão sujeitas à legislação a) a elite gerencial queria um clima favorável para as
no que diz respeito ao bem-estar social na indústria. atividades da empresa; b) respostas consistentes e positi-
Por exemplo, um departamento de bem-estar s6 é reque- vas às questões sociais eram imprescindíveis para a sobre-
rido na Indía segundo os Factories Acts e The Mines vivência da companhia; c) a gerência desejava angariar
Acts para empresas com 500 ou mais empregados, e visibilidade interna e externa através destas práticas.
segundo os Plantation Labour Acts para empresas com As empresas selecionadas foram divididas pelos auto-
mais de 300 empregados. Umrefeit6rio é exigido, por res segundo seu tamanho, com base no volume de
lei, apenas onde 250 ou mais trabalhadores são empre- vendas, constituindo-se assim dois grupos distintos:
gados. Na América Latina, \tJI1 grande número de traba- o primeiro com 72 empresas consideradas grandes, e o
lhadores de pequenas indústrias e/ou pequenos empre- segundo com 160 empresas consideradas pequenas.
endimentos comerciais são excluídos de benefícios como
férias pagas. Em muitos países, a influência do tamanho Na análise intergrupal, os autores constataram que,
é particularmente notável em áreas rurais, onde grandes à medida que a companhia aumenta de tamanho, aumen-
plantações usualmente benefícíadas com facilidades de ta a preocupação e o compromisso na reestruturação
serviço social. da organizaçlo para facilitar as respostas às questões
Quando não existe legislação, mais do que nunca sociais. Observaram, ainda, que esta preocupação é dire-
constatamos a participação efetiva das grandes empresas tamente proporcional ao incremento do numero de
198 Revista de Adminirtração de Emptesas
programas de responsabilidade social, o que, em última "O Governo estabelece objetivos que para sua ím-
instância, equivale a afirmar que há uma relação direta plementação efetiva requerem a cooperação de organiza-
entre o tamanho da empresa e a prática de responsabili- ções." (Empresário pertencente ao Grupo 1.)
dade social.
Resta-nos, portanto, estudar a percepção do empre- "Uma empresa deve estar voltada para os problemas
sariado nacional sobre a questão a partir da análise dos sociais, embora a liderança da questão deva ser função
seus depoimentos. do Governo." (Empresário pertencente ao Grupo 11.)

"Para as grandes empresas, este tipo de programa é


5. CONCLUSÃO: A IMPLEMENTAÇÃO DE viável mesmo sem o auxício do Governo. Já para as
PROGRAMAS DE RESPONSABILIDADE pequenas e médias, teria que ter uma ajuda governamen-
SOCIAL SEGUNDO OS ENTREVISTADOS tal. E que, aliás, o Governo estaria exercendo o seu papel
realmente. Porque na verdade o papel do Governo é dar
Para o estudo da implementação de programas de res- assistência social ao povo da Nação. E, através da empre-
ponsabilidade social, o primeiro ponto que deve ser en- sa, ele estaria ajudando também o povo." (Depoimento
fatizado refere-se à importância da questão na ótica do de empresário do Grupo lI).
empresariado. Muitos empresários de ambos os grupos
afirmaram que este tipo de preocupação com responsa- As espectativas dos pequenos e médios empresários
bilidade social é irrelevante para o momento atual, inde- quanto ao papel do Governo resumem idéias-chave da
pendente da viabilidade ou não da prática de responsabi- mentalidade deste grupo de entrevistados; são ambíguos:
lidade social; a situação do País exige outras prioridades. por um lado, desejam "construir uma indústria", mas
"Programas de responsabilidade social para peque- como estão desprovidos de capital em geral e sabem
nas e médias empresas nacionais? (. .. ) isto é o caviar de que deles depende a formação da empresa, se voltam
País desenvolvido. Aqui nós estamos preocupados com o para a fonte mais abundante, que na situação brasileira
feijão com arroz e nem estamos conseguindo dar." (Em- é o Estado. Assim, mantendo a retórica da "iniciativa
presário do Grupo 11.) privada", buscam o que consideram o "lado bom" do
Estado, representado pelo Estado-protetor, como ins-
"Eu gostaria de começar a falar com uma frase de trumento de distribuição de benesses (redução de impos-
conhecido poeta brasileiro, Mário Quítana: 'Eu nada sei to, crédito para capital de giro, crédito em geral, reserva
da questão social, eu dela faço parte simplesmente: O de mercado, garantias etc.).
fazer parte simplesmente implica talvez a maior defini-
ção de participação que a gente possa imaginar. E a ela Por outro, a representação correspondente e oposta
associo meu testemunho na ênfese da importância desta à do Estado-protetor aparece quando pensam no Estado-
questão no momento que estamos vivendo hoje, num intervencionista, conforme crítica de empresário do Gru-
processo de abertura política que liberou tensões e pres- poI:
sões." (Empresário do Grupo 1.)
"O pequeno empresário quer ser rico independente-
"Eu te faço uma pergunta muito clara: você acha mente da riqueza de sua empresa, e para satisfazer suas
que os empregados estão realmente preocupados com a aspirações não poupa medidas para privatizar os lucros
poluição? Estariam na hora que tivessem urna doença. ou socializar os prejuízos. E, depois de tudo, ele deman-
Se não estiver afetando diretamente, eles não estão da a intervenção paternalista do Estado sem querer pagar
preocupados. O problema que o empregado americano, o preço."
que atingiu um nível de vida que ele tem seu carro, o seu Já o grande empresário se centraliza na análise do
conforto, ele entrou agora para este nível de preocupa- próprio Estado como empresário, na competência que
ção. O empregado brasileiro está num nível de preocu- garanta que a limitação das fronteiras da ação governa-
pação inferior. Ele ainda está no estágio de comer bem, mental aperfeiçoe as várias formas de cooperação entre
ou, por exemplo, do metalúrgico paulista, ter um carro o Estado e o setor privado, oferecendo maiores possibi-
melhor, uma moradia melhor. Este tipo de preocupação lidades de conciliar eficiência produtiva com o atendi-
mais elevada ainda está exclusivamente na competência mento de amplas metas sociais, procurando viabilizar o
do Governo." (Empresário do Grupo 1.) desenvolvimento não-paternalista da empresa privada
nacional e internalizar externalidades sem necessariamen-
Opiniões controvertidas são apresentadas na análise te eliminar a competição, atendendo novas exigências
deste ponto, variando basicamente a conceituação e sociais sem ter de abdicar do dinamismo e da criatividade
percepção do empresariado sobre a questão. Neste 'pon- empresarial.
to, surge um novo agente freqüentemente associado, pela Para tanto, dos inúmeros depoimentos feitos por
maioria do empresariado, à questão de viabilidade de diferentes empresários como discursos memorizados,
implementação de programas de responsabilidade social: foram selecionados os transcritos a seguir, que por si só
o Governo. esclarecem a questão, dispensando análises mais profun-
das.
O papel do Governo é outra questão que surge, ao
se discutir responsabilidade social, como tema controver- "A função do Estado é muito precípua para mim,
tido. Isto, aliás, pode ser verificado tanto a nível da lite- dentro da sociedade. E uma das funções do Estado é
ratura teórica como em termos dos depoimentos dos internalizar aquilo que os economistas chamam de
empresários. externalidade .••

Empnsarilldo nacional 199


"A ênfase no papel do Estado como produtor de conta do neném. A babá está dando .todo o amor que
bens e serviços deve ser substituída por profunda atua- ele tem para o neném. Mas não é a mesma coisa que se
ção no campo social, com o objetivo de proporcionar a a própria mãe estivesse tomando conta." (Empresário
todos menor desigualdade no acesso ã oportunidade. Os pertencente ao Grupo 11.)
problemas atuais estão a demandar a participação direta Esta linha de pensamento divergente, encontrada em
ou indireta do Estado em maior volume e em melhor uns poucos empresários pertencentes ao Grupo 11, me-
qualidade em investimentos em educação e treinamento rece ser destacada, já que nas opiniões angariadas pode-
da mão-de-obra, em programas de saúde preventiva e de mos identificar um ponto qualitativamente relevante
nutrição de menores, por exemplo, tópicos a serem para a análise: a questão da ação coletiva para as peque-
inclu.ídos necessariamente numa agenda para a ação do nas empresas.
Estado." A ação coletiva dos pequenos e médios empresá-
"I! sabido que o capital é dos fatores mais escassos e rios 28 é vista como forma de solucionar; a partir da
por isto tem a maior remuneração, porém não se deve união de forças, a questão da marginalização dos peque-
esquecer a sua função social e, portanto, democrática, nos e médios empresários, da sua falta de infra-estrutura
Por conseguinte, a função nobre do Estado é exercer e de condições para oferecer benefícios de ordem social,
o seu controle para que a democracia social exista dentro conforme reflete a opinião do empresário pertencente ao
de uma economia capitalista. Esta, no entanto, não é Grupo 11transcrita a seguir:
uma função simples, porque todos vivemos dentro de
um mundo econômico-social e político, e o Estado é "Dadas as dificuldades crescentes da gerência de
função do equilíbrio destas forças." pequenas empresas, hoje é extremamente oneroso para a
"Á concepção do Estado moderno enquanto pro- sua direção desenvolver um plano para o exercício da
motor e defensor do bem-estar geral na Nação supõe responsabilidade social, embora eu acredite que a peque-
duas funções básicas: a de oríentação do desenvolvimen- na empresa pode melhor exercer suas responsabilidades
to, através, de políticas globais e setoriais, e a de agente sociais 'na área social, agindo via associações de comércio
econômico direto, através de investimentos complemen- ou clubes de serviço, e também as pequenas exercerão
tares à iniciativa privada." melhor estas responsabilidades se elas agirem coletiva-
"A abertura política está procurando trazer um mente, em vez de o fazerem de forma individual."
equilíbrio entre a técnica moderna de equacionar e so- Por fim, para a análise da opinião dos entrevistados
lucionar problemas com as verdadeiras necessidades sobre a implementação de programas de responsabilidade
práticas do homem da sociedade. O Estado, no processo social e o tamanho da empresa; cabe ressaltar um último
desenvolvimentista, não pode elaborar planos dentro aspecto observado: a prática da auditoria social.
de quatro paredes e aplicá-los arbitrariamente â coleti- Inicialmente, para o estudo deste item, é imprescin-
vidade. O que é preciso é a participação maior do empre- dível comentarmos que na formulação da pergunta foi
sariado que ajude a orientar e viabilizar soluções." necessário de antemão elucidar ao empresário a concei-
Outra questão importante a ser abordada refere-se tuação atual de auditoria social, já que, excetuando-se
à associação da problerndtica custo implementação de
â
alguns entrevistados pertencentes ao Grupo I, a maioria
programas de responsabilidade social. Segundo Green- da amostra ignorava o assunto.
wood.ê? "o sucesso de programas de responsabilidade Assim sendo, com base nas opiniões angariadas,
social não depende da quantidade de recursos que você pudemos constatar uma nítida dicotomia: num pólo
aloca para tanto, mas sim da atitude e' preocupação da se concentram os empresários pertencentes ao Grupo I,
gerência com a questão". que enfatizam a importância da auditoria social, e em
Qualitativamente, na amostra de respostas, podemos outro pólo- os empresários pertencentes ao Grupo 11,
constatar que não se evidencia um conflito entre os valo- que consideram a auditoria social irrelevante e até mes-
re dos pequenos e médios empresários e dos grandes mo inviável para suas empresas.
empresários quanto à questão. No depoimento de ambos Esta irrelevância e inviabilidade é justificada por este
os grupos é denominador comum a fraca associação grupo com base nas seguintes razões:
entre a viabilidade de implementação de programas de
responsabilidade social e o efeito nos custos e lucros das - é irrelevante porque a gerência de pequena empresa
empresas. sabe o que é necessário ser feito e o que a firma pode
"O atendimento às necessidades básicas da ,popula- fazer e está fazendo;
ção brasileira nas áreas de assistência médica, alimenta-
ção, educação, habitação e emprego não é fundamental- - é inviável porque a pequena empresa não tem tempo
mente um problema econômico ou financeiro, mas uma nem mão-de-obra disponível para levar adiante uma
questão de vontade política," (Empresário pertencente auditoria social.
ao Grupo 11.)
A'irobservações feitas têm por base as seguintes cita-
"Qualquer firma pode conseguir o benefício de res- ções, extraídas de depoimentos de entrevistados que
ponsabilidade social, tendo dinheiro. Embora as peque- qualitativamente refletem a opinão da maioria:
nas e médias empresas consigam alcançar as mesmas van-
tagens sem desembolsar dinheiro, através da humaniza- "O estabelecimento de objetivos e estratégias é
ção do contato do funcionário com a empresa. Na gran- apenas o primeiro passo em qualquer programa. Sem um
de empresa é meio difícil, então eles têm que partir acompanhamento sistemático dos resultados a sua con-
para este tipo de programa de responsabilidade social .. e tinuidade não é possível." (Empresário pertencente ao
como a mãe contratar uma babá para ficar tomando Grupo 1.)

200
Revista de Administração de EmpreS1/8
"Numa pequena empresa, sabe-se o que é necessário Será que estas peculiaridades dos pequenos e médios
e o que se está fazendo, e portanto qualquer programa empresários são as causas básicas da não-implementação
de responsabilidade social traria resultados muito visíveis de programas de responsabilidade social, conforme foi
que qualquer pessoa poderia constatar." (Empresário colocado qualitativamente pela amostra entrevistada?
pertencente ao Grupo 11.) Na nossa opinião, não objetivamente. Estes são apenas
os motivos aparentes. Estas peculiaridades agem apenas
Este último item é de grande importância, na medi- como desestímulos, a elas estando associado um grande
da em que confirma mais um ponto já exaustivamente catalisador da ímobílízação deste segmento empresarial:
criticado da diferenciação da mentalidade empresarial a falta de benefícios, de retornos concretos que justifi-
entre os pequenos e médios e os grandes empresários, quem este investimento. Já que no caso da grande em-
enfatizando o caráter imediatista dos entrevistados per- presa o retomo mínimo é garantido pela sua própria
tencentes ao Grupo 11 e a sua total descrença em relação visibilidade, obtida à medida que promove um progra-
a qualquer planejamento racional que extrapole as fron- ma de responsabilidade social, a grande empresa pode
teiras de alcance de seu senso comum. capitalizar utilizando este tipo de atividade, com o auxí-
A' crença de que o exercício de responsabilidade lio de certa publicidade, para "vender" uma imagem
social é uni problema mais dificil para a pequena empresa bem-vinda da empresa ao consumidor ou possível
do que para a grande resume o perfil geral das opiniões consumidor.
angariadas. Esta situação é em parte detectada por grandes
Como justificativa para esta perspectiva foram empresários, conforme constatamos no trecho do
colocados pelos respondentes dois motivos principais: depoimento transcrito a seguir.
a falta de tempo dos pequenos e médios empresários,
que os limita a satisfazer as pressões tradicionais do seu "Os motivos da não-implementação são diversos,
dia-a-dia, e a escassez de mão-de-obra especializada. nos quais é importante citar a famosa falta de tempo,
"Não existe tempo para o pequeno empresário fazer mas o que a meu ver é sobrepujado pela falta de credi-
nada. Porque tudo é difícil para as pequenas e médias bilidade, já que o empresário acredita que trabalhando
empresas, em termos de tempo disponível para 'qualquer em outras áreas seu tempo vai render mais, já que elas
coisa." (Empresário pertencentente ao Grupo 11.) vão trazer retomo imediato. O pequeno empresário
brasileiro é muito acomodado, muito descrente. "
A estes itens podemos associar todas as peculiari- Ao compararmos a opinião dos dois grupos, perce-
dades do segmento de pequenos e médios empresários: bemos, a nível de discurso, uma variação da' f0nv.a de
centralização, caráter imediatista, falta de continuidade colocar o papel do tamanho na implementação de pro-
no processo de planejamento, conservadorismo, timidez, gramas de responsabilidade social, e confirmamos a
reserva e sensação de inferioridade, marginalização, diferenciação de enfoque macro-micro ligado, respecti-
conforme constatamos nas citações a seguir: vamente, ao Grupo I-Grupo 11, detectado na aborda-
gem do papel da empresa na sociedade e na compreensão
"A grande empresa pode pôr duas ou três pessoas do empresariado sobre a questão de responsabilidade
especializadas trabalhando num mesmo setor; quando social.
falta uma, ela não sofre descontinuidade. Então, aqui, Assim, sendo, temos que o grande empresário de
na pequena, cada vez que nós trocamos o chefe de de- uma forma geral vê o problema de fora, numa perspec-
partamento de pessoal ou qualquer coisa assim, muda tiva mais ampla, não se prendendo a aspectos específi-
tudo. O arquivo é virado de cabeça para baixo, então cos, como custo, mão-de-obra, tempo etc., e portanto
aquilo que vinha sendo feito já não serve mais, porque acreditando que estes pontos não são obstáculos para a
ele tem outra idéia, e, no fim, ele acaba perdendo tudo viabilização. de programas de responsabilidades social,
porque nem faz um novo sistema nem acompanha o associando a questão a um problema de ideologia e
velho. Como é que nós podemos implementar um pro- mentalidade empresarial, conforme constatamos no de-
grama com continuidade, com planejamento?" (Depoi- poimento de um grande empresário, transcrito a seguir,
mento de empresãrio pertencente ao Grupo 11.) que exprime o pensamento da maioria:

"A história do pequeno e do médio empresário é "O compromisso com a responsabilidade social não
sempre a mesma: ele funda a firma, e trabalham ele e está relacionado com o tamanho da empresa, mas sim
mais dois ou três empregados. Aí a firma começa a cres- com o interesse individual da sua elite decisória."
cer e o próprio empresário não a acompanha, ele conti-
nua com a mesma mentalidade que tinha antes e tem
medo de mudar. Sim, porque a inovação, o desconhecido, * Extrato da dissertação de mestrado, defendida a 20 de dezem-
dá insegurança. En tre o certo e o incerto ele opta pela bro de 1981 no Departamento de Administração da Pontifícia
experiência vivida. Você acha que ele implementaria um Universidade Católica do Rio de Janeiro (pUC/RJ).
programa novo e assumiria o risco de um fracasso? Algo
que não foi testado, e que todo seu grupo de referência
não disse 'faz que é bom'? Acho difícil ... " (Depoimen-
to de empresário pertencente ao Grupo 1.) 1 Estas listagens foram obtidas para a realização da pesquisa
"As pessoas não têm coragem de se assumir como "Ação coletiva e participação do pequeno edo médio empresário
nacional", convênio Iuperj/Cebrae, 1980.
pequeno empresãrio, acham que o pequeno significa
má qualidade." (Depoimento de empresário pertencente 2Bowen, Howard R. Social regponsibilities of businessman. New
ao Grupo 11.) York, Harper li. Row, 1953. p. 6.

Empresariado nacional 201


3 Kugel, Owen. How social responsibility became ínstitutionali- 21 Hopper, Jerry R. Some criticaI reflections of the new paterna-
zed. Business Week, p. 74-82,june 30,1973. lism.Personnel, 34; 31-55, nov.fdez. 1957.

4 Davis, Keith. Five propositions for social responsíbtlíty. Busi- 22 Juxius Michael 1. Personnel management. 5. ed. Homewood,
ness Horizons, June 1975; Fiftch , Gordon. Achieving corporate Illinois, Richard D. Irwin, 1963. p. 12.
social responsability, Acaâemy of Management Review, jan,
1976. 23 Ver, para tanto, Diniz, Eli & Boschí, Rentato R. et alií. O
Apoio à pequena e média empresa na política do BNDE: ideolo-
5 Friedman, Milton, Does business have a social responsibility? gias, avaliações e poder. Convênio Cebrae - PNTE/luperj, jan.
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Sept.13,1970. 14 Industrial Social Welfare. New York United Natíons, 1971.

6 Petit, Thomas A. The Moral Crisillin management. New York, 25 Young, A F. & Smith, J. H. Fringe benéfits - a local survey.
McGraw-Hill, 1967. British Joumal of Industrial Relations, 1%7, p. 73.
7 ld. ibid p. 26 26 Shetty, Y. K. & Buehler, Vernon, Corporate responsibility
in large-scale americans firms: implications for multinationals.
8 Bowen, Howard R. op. cito p. 21. Logan, Utah, Utah State University ,1974.

9 Ver, para tanto, Nool, Lawrence W. Ethics and the Business- 27 Greenwood, William. Issues in business and society, Maghton,
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Thomas M. Ethics in business, New York, Sheed and Ward, 21! Conforme colocamos na metodologia, aos mesmos empresá-
1963; Baumhart, Raymond C. How ethics are business men? rios do Grupo li, inicialmente foram feitas questões para a pes-
Hatsard Business Review, July 1Aug. 1961. quisa "Ação coletiva e participação política do pequeno e do
médio empresário", onde o próprio tema do trabalho sugeria ao
10 Motta, Paulo Cesar. Responsabilidade social das empresas; e.ntrevistado este ponto. Logo em seguida foram abordadas as
uma visão operacional. PUC/RJ. (Documentos de trabalho n? questões para este estudo. Portanto, esclarecemos que, embora
17.) conscientes de que esta associação à questão de ação coletiva
talvez não seja espontânea, o que pode enfraquecer a validade e
11 Chamberlain, Neil W., The Limits of corporate responsíbilíty. fidedignidade das respostas, tomaremos como premissa esta
New York, Basic Books, 1973. p. 204. situação, não desmerecendo assim sua análise a trtulo de infor-
mação.
12Kreps, Theodore J. Measurement of the social performance
of business. Washington, OC, US Govemment Printing Office,
1940. (Monografia n? 7 da série de estudos do Temporary
National Economic Committee.)

13 Bowen, Howard R. op, cito p. :Í1. REFE~NCIAS BIBliOGRÁFICAS


14 Sethi, S. Prakash, Getting a handle on the social audít, Busi-
ness and Society Revtewllnnovation, (4) Winter 1972/73. Baurnhart, Raymond C. How ethical are busíness men?
Harvard Business Review, July/Agu. 1961
15 Ver, como exemplo de esperiências interessantes: Richard,
Barry, Newns pa ths to corporate social responsíbility, Califomia Bowen, Howard R Social responsibilities of business-
Management Review, 15(3),1973; Butcher, Bernard L. The pro-
man, NewYork, Harper & Row, 1953.
gram Management Approach to the corporate social audit. Calt-
fomia Management Review; 16(1), 1973; Bauer, Raymond A.
The corporate social audit: getting on the learning curve. Califor- Davis, Keith. Five propositions for social responsability.
nia Management Review, 16(1), 1973; Linowes, David F. Let's Business Horizons, June/ 1975.
getaudit on with the social a specífic. proposal. Busines« and So-
ciety Reviewtlnnovetion, (4) Winter 1972/73.
Fiftch, Gordon. Achíevíng corporate social responsibili-
16 Steiner, George. Strategic planning: wath every manager must ty. Academy of Management Review, J ano 1976.
nkow. The Free Press/MacMillan; Social policies for business e
The social audit. Los Angeles, Center for Reserch on Dialogue on Friedman, Milton. Does business have a social responsibi-
Business Society, University of California.
lity? Bank Administration, Apr. 1971; Tho social res-
17 a) Em recente artigo da Revista de Administaçiio de Emprelas ponsability of business is to increase it's profits. The NY
da Fundação Getulio Vargas (19 (3), jul/set. 1979), os professo- Times Magazine, Sept, 13, 1970.
res Ernesto Lima Gonçalves e Benoit Six nos falam sobre a "Prá-
tica do balanço da empresa". Na Europa têm surgido diversas Garett, Thomas M. Ethics in business. New York, Sheed
publicações abordando este tema: Le Bilan social: une métnode
pratique d'action, Paris, Maury, 1976; Social bilanz. Alemanha, and Ward, 1963. Iuperj/Cebrae. Ação coletiva ê partici-
M. Dierkes, 1976; Le Bilan social de l'enterprise, Paris, A Cheva- pação do pequeno e do médio empresário nacional.
líer, 1976. b) El Balance Social de lo empresa. Relatório à Assem- 1980.
bléia Mundial da Uniapac, México, 1977; Brasil, ADCE-Uniapac,
1977. Johnston, Herbert. Business ethics. New York, Pitman,
1961. Kugel, Owen. How social responsibility became
18 Friedman, Milton. op, cito institutionalized. Business Week, June 1973.

19 Motta, Paulo Cesar. op. cito p. 15. NOoI, Lawrence W. Ethics and the businessman. Akron
Business and Economic Review, 4 (3), 1973" Petit,
20 Flippo, Ewin. Princ(pios de administraçiio de 1H!Iwal. Sio 'lhomas A. The Moral crisis in management, New York,
Paulo, Atlas 1976. p. 47. MacGraw-Hill, 1967.

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Revista de Administração de Empresas