Você está na página 1de 60

Negócios&Finanças

Pequenos

N˚ 2
Jan-Abr
2008

Conjuntura
Econômica
Foco excessivo
na Selic dificulta
debate sobre
custo do crédito

Meios
Eletrônicos de
Pagamento
para MPE
Seminário
dá visibilidade
às bandeiras
regionais

Fundos Públicos
Federais de
Financiamento
Ampliação do
acesso dá
sustentação ao

Investir para
desenvolvimento
socioeconômico

Cooperativismo
de Crédito
Recursos do FCO
continuar crescendo
são estratégia de Chamada Pública define regras de apoio à
expansão constituição de Sociedades de Garantia de Crédito
Novo Portal Sebrae.
Tão fácil de usar que
todo mundo vai querer
virar empresário.

O Sebrae reformulou o seu portal. E sabe quem foi a grande inspiração? Você. Agora
a navegação é simplificada e personalizada. Você informa seu perfil empresarial e é
encaminhado a seções exclusivas, com o melhor conteúdo para quem já tem ou quer abrir
um negócio. Tudo mais prático, eficiente e do jeito que você gosta:
direto ao ponto. O novo Portal Sebrae é a chave para o conhecimento.
E, com conhecimento, você vai pra frente. Acesse já: www.sebrae.com.br.
www.sebrae.com.br
Carta ao leitor

Vinícius Fonseca Novas estratégias para fazer

O
Sebrae aperfeiçoa estratégias para fazer frente aos desa-
fios de um Brasil em crescimento. Convido os leitores da
Paulo Okamotto Pequenos Negócios & Finanças, publicação periódica
Presidente do Sebrae da Unidade de Acesso a Serviços Financeiros, a fazerem uma re-
flexão sobre a principal matéria de capa, que trata do apoio do
Sebrae à constituição de Sociedades de Garantias de Crédito.
Esse apoio está explicitado em uma Chamada Pública com du-
ração de dois anos e mostra bem quanto o Brasil mudou nos últi-
mos anos. Se antes a nossa grande preocupação era a de prover
“Chegou a hora de colhermos os soluções referentes ao mais básico dos créditos, os de giro, hoje
frutos de nossa perseverança e também trabalhamos para viabilizar financiamentos de longo prazo
continuarmos plantando soluções que resultem no acesso pelo segmento à tecnologia e a mercados.
Com o Brasil crescendo, os empresários de pequenos negócios
inovadoras que tragam o passam a contar com horizontes para novas apostas.
futuro mais para perto.” Outra matéria que reflete a chegada desses novos tempos
é a do Seminário “Meios Eletrônicos de Pagamento para Mi-
cro e Pequenas Empresas”. O acompanhamento do Sistema de

06 Artigo
Conjuntura Econômica
26 Fundos Contitucionais
Prioridade declarada para
Aumento dos juros é oportunidade os pequenos
para se discutir spreads

12 Sociedades de 30 FAT/PROGER
Linhas ampliadas
Garantia de Crédito e mais competitivas
Projetos contarão com o
apoio do Sebrae
33 Agenda
Eventos Sebrae/UASF
16 Meios Eletrônicos
de Pagamento
Seminário dá visibilidade
às bandeiras regionais 34 BNDES
Crédito via leilão eletrônico

22 Entrevista
Cartões de crédito: 36 CAIXA
Regulamentação ou Momento econômico
auto-regulação? alavanca aplicações

 Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr


Presidente do Conselho

frente aos desafios do crescimento Deliberativo Nacional


Senador Adelmir Santana
Diretor-Presidente
Paulo Tarciso Okamotto
Pagamento do Varejo pelo Banco Central mostra que a estabilidade e o cresci-
Diretor de Administração
mento econômico estão abrindo espaço para que órgãos reguladores, iniciativa e Finanças
privada, Governo e Legislativo pensem o Brasil que todos nós certamente que- Carlos Alberto dos Santos
remos: com mais bem-estar, mais segurança e redução de custos na prestação Diretor Técnico
de serviços. Já passa da hora de mudar nessa área, seja por acordo tácito entre Luiz Carlos Barboza
as partes ou por força da regulamentação. Não é possível que bancos e creden- Gerente da Unidade de Acesso
ciadoras continuem com práticas idênticas ao do período da hiperinflação: taxas a Serviços Financeiros
altíssimas sobre cada operação e prazos elásticos demais nos repasses do que Alexandre Guerra de Araújo
foi faturado pelos lojistas e pequenos negócios em geral. Supervisão
O acompanhamento do Banco Central indica que a redução de custos com a adoção Clara Favilla
de sistemas eletrônicos de pagamento, sejam cartões ou transferências bancárias on line, Agência Sebrae de Notícias
permite ao país uma economia equivalente a 0,7% do Produto Interno Bruto. Imaginem Consultoria Técnica
João Silvério
a quanto chegará se o uso dos meios eletrônicos de pagamento realmente se massificar
entre aos pequenos! O quadro atual é de aumento da concorrência dos agentes financei- Textos
Clara Favilla, Fábio Leon Moreira
ros em direção aos pequenos negócios. O crédito cresce em favor da produção e do in- e Nira Foster
vestimento. Chegou a hora de colhermos os frutos de nossa perseverança e continuarmos
Revisão
plantando soluções inovadoras que tragam o futuro mais para perto. Boa leitura! Luciana Melo
Projeto gráfico e Diagramação
Erika Yoda
Foto capa

38 Banco do Brasil Márcia Gouthier


Agência Sebrae de Notícias
Metas audaciosas para 2008
Colaboração
Equipe Uasf – Sebrae

40 Fundo de Aval
Procura pelo FAMPE supera expectativas
Tiragem
10 mil exemplares
Impressão
Charbel
42 Banco do Nordeste
Trabalho integrado para potencializar resultados
Produção Editorial

46 Banco da Amazônia
Novas estratégias e diretrizes Janeiro-Abril de 2008
de política socioambiental
Para envio de comentários e
sugestões:
50 Cooperativismo de Crédito
Acesso ao FCO é estratégia de expansão
joao.silverio@sebrae.com.br

54 Credisul e Credima (MA)


Estratégia do Sebrae é a de estimular o
cooperativismo de crédito tendo como
foco o Norte e o Nordeste
Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr 
Conjuntura econômica - Artigo

Aumento dos juros é


se discut
O foco excessivo nas decisões sobre a Selic tem emb

E
Márcia Gouthier/ASN
m meio a indicadores internos positivos inéditos
sobre consumo, renda, investimentos e emprego,
o Banco Central, de olho no comportamento da in-
flação, agiu preventivamente, na reunião de abril, e au-
mentou em meio ponto percentual a taxa básica de juros
(Selic), a que remunera os títulos públicos e baliza as
decisões do mercado financeiro. Com a decisão, a taxa
anual passou para 11,75%.
As decisões do Comitê de Política Monetária (Co-
pom) do Banco Central são acompanhadas com lupa
pelos agentes econômicos e políticos, seja em que con-
texto se dê. O interessante é que a última decisão foi to-
mada , em meio a uma crise internacional, mas olhando-
carlos alberto dos santos se muito mais para fatores inflacionários endógenos do
Diretor de Administração e Finanças
do Sebrae Nacional
que exógenos. A escalada das cotações internacionais
do petróleo passou, por exemplo, ao largo da decisão do
Comitê, que continua trabalhando com uma variação de
4% , este ano, para os preços administrados.

“Para o tomador micro Peso dos spreads - Em meio ao festival de opi-


ou pequena empresa, niões que vigoram na mídia, decorrentes das decisões
do Compom, é bom insistir, mais uma vez, como temos
o importante é o custo feito sempre, que para o tomador de empréstimos, es-
pecialmente micro e pequena empresa, mais relevante
final do crédito que que discutir a Selic é dar consistência ao debate sobre
ultrapassa, em muito, os spreads bancários, explicitados na diferença entre as
taxas pagas pelos agentes financeiros na captação e as
a taxa Selic.” cobradas do tomador de empréstimos.
Exceto em linhas de crédito que contam com recursos
do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e dos Fundos
Constitucionais do Norte, Nordeste e Centro Oeste, as
implementadas com recursos livres praticam taxas mui-
to superiores à Selic. Os spreads precisam alcançar, no

 Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr


oportunidade para
utir spreads
baçado o debate sobre os custos da concessão do crédito no Brasil

Crédito/PIB:
Crédito/PIB: Países
Emergentes Selecionados Crédito/PIB:
Crédito/PIB: Brasil vs.

Países Emergentes Selecionados Brasil vs. Países Desenvolvidos


Países Desenvolvidos

140 200
120
100 150

80
100
60
40 35 50 35
20
0 0

ni o
U ein
do
R
Fonte: Banco Central

Há espaço para a continuidade da expansão do crédito no Brasil, levando-se


em conta tanto a realidade dos países emergentes como dos desenvolvidos

debate, igual ou superior relevância dada aos movimen- de risco dos tomadores de crédito e , neste caso, as
tos da Selic. Isso porque pesam enormemente no custo Sociedades de Garantias de Crédito, em processo
final do crédito. Só uma discussão técnica adequada e de disseminação, com o apoio do Sebrae, podem
que envolva um grande número de atores pode contribuir cumprir papel importante.
para mudanças nessa área a partir de uma pauta que A redução dos spreads depende também da contí-
passe não só pelo Executivo, mas também pelo Legisla- nua expansão do crédito em nosso país e do aumento
tivo e por decisões negociais dos agentes financeiros. da concorrência no mercado financeiro. Insisto, a Selic
A redução das pressões inflacionárias depende baliza o financiamento da divida pública. É, por isso, um
de uma aceleração nos investimentos que atenda a importante referencial para os agentes financeiros. Mas
atual demanda interna bastante aquecida. E a re- para o tomador micro ou pequena empresa, o importante
dução dos custos de capital é fator fundamental de é o custo final do crédito que ultrapassa, em muito, essa
estímulo aos investimentos. Spreads menores de- taxa básica.
pendem sim da cunha fiscal, mas também de outras Infelizmente, constatamos que a queda acentuada
variáveis como a minimização de custos adminis- da Selic, nos últimos 18 meses, não produziu impactos,
trativos dos agentes financeiros , via ampliação da na mesma proporção, nos juros praticados pelo merca-
carteira de clientes. Outra, é a melhoria do perfil do. Num cenário de evolução do crédito contratado e,

Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr 


Conjuntura econômica - Artigo

Mercados de Exportação
Jan-Fev 2003 Jan-Fev 2008

total (US$ milhão) 9.806 26.007


Participação (%)
EUA 27,2 15,1
Zona Euro 24,4 24,4
America Latina 17,2 24,5
Ásia exc. China 9,4 9,7
Oriente Médio 4,9 4,0
China 4,1 5,4
Outros 12,8 16,9

Fonte: Banco Central

A diversificação dos mercados para a colocação dos produtos brasileiros minimiza problemas
para a Balança Comercial decorrentes da desaceleração da economia americana

conseqüentemente, de redução dos custos da oferta; de tas, consumo puxado pelo aumento da massa salarial e
indicadores econômicos positivos e de queda na inadim- do crédito, investimentos também em alta, a decisão do
plência, a não redução dos custos para o tomador final Banco Central é puramente prudencial. Tem por objetivo
leva à conclusão de que parte da queda verificada na corrigir o hiato, a defasagem entre os resultados decor-
taxa básica serviu para ampliar as margens de lucros rentes dos investimentos já feitos ou programados e o
dos agentes financeiros. O foco demasiando nas deci- aumento da demanda.
sões do Copom tem embaçado o debate sobre os custos O Brasil caminha a passos largos para se tornar um país
da concessão do crédito em nosso país. ‘normal’. Para que isso se consolide e seja um processo
sem volta, é preciso que a condução das políticas monetária
Mais defesas – A decisão do Copom, ao mesmo tempo e fiscal, tenha um grande grau de credibilidade e previsi-
que expõe um ponto desfavorável, a interrupção da traje- bilidade. Só assim os agentes econômicos podem planejar
tória da queda das taxas de juros, mostra que o país têm sem preocupações com mudanças bruscas de rota.
defesas para enfrentar instabilidades externas que, no pas- É fato que essa condição de normalidade tam-
sado, forçaram decisões traumáticas por parte da Autorida- bém significa que precisamos, entre outras coisas,
de Monetária. Não aconteciam apenas ajustes na trajetória de taxas de juros mais compatíveis com as que vi-
dos juros, mas verdadeiros choques para conter evasão de goram no mercado internacional. Uma meta ainda a
divisas, por exemplo. O ajuste anunciado, em abril, pode ser ser perseguida, levando-se em conta nosso histórico
mais forte do que muitos esperavam, mas ainda é um ajuste de descontrole fiscal e monetário, de indexação da
e focado em pressões internas sobre preços. economia, da memória inflacionária ainda vigorando
Com as contas públicas equilibradas, reservas robus- entre os agentes econômicos.

 Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr


Investimento Estrangeiro
Investimento Estrangeiro Direto
acumulado em 12 meses Direto
Acumulado em 12 meses
60
50
entradas
“Existe sempre um hiato entre a
40 decisão de se investir e a efetivação
30
20
líquido
do investimento. Essa corrida é da
10 natureza da economia de mercado.”
0
-10 retornos

-20
Jan Jan Jan Jan Jan Jan Fev
02 03 04 05 06 07 08

Reservas Internacionais
Reservas Internacionais O grau de confiança para se reforçar expectativas
que estimulem e facilitem o investimento, o motor de
200
195,2 qualquer economia, vem sendo obtido às duras penas,
nos últimos anos, em torno da política de metas de infla-
160
ção. O governo, ao fixar a meta de 4,5% para este ano,
120
delegou ao Banco Central o exercício pleno dos instru-
80 mentos de política monetária para obtê-la.
Abr
40 15,9 Existe sempre um hiato entre a decisão de se investir
0
e a efetivação do investimento. Essa corrida é da natu-
Jan
02
Jan
03
Jan
04
Jan
05
Jan
06
Jan
07
Mar
08
reza da economia de mercado. O importante é que esta-
mos passando por momentos de bastante otimismo com
relação à economia brasileira. A disposição de investir
é evidente.
Dívida Externa Líquida
Dívida Externa Líquida
Registra-se um aumento vigoroso do consumo das
famílias, 8,16% no primeiro trimestre de 2008, maior
Jun
200 166,7 que o crescimento do PIB. A demanda doméstica tor-
160 nou-se motor do crescimento da economia, superando
US$ bilhões

120 fortemente o papel das exportações. Podemos afirmar


80 que o Brasil entrou no chamado circulo virtuoso: mais
40 renda, mais emprego, mais produção, mais consumo,
0
mais arrecadação e mais investimentos. A confiança do
-18,8
-40 1Q
consumidor aumenta consideravelmente , as vendas do
1Q 1Q 1Q 1Q 1Q Fev
02 03 04 05 06 07 08 comercio varejista e a massa salarial crescem, de forma
contínua, há mais de cinco anos. A produção industrial,
Fonte: Banco Central em especial a de bens de capital, também cresce de for-
ma acelerada. Há investimentos não só em novos equi-
pamentos, em ampliação do parque instalado, como em
Fluxo crescente de investimentos direto e reservas
nova plantas de fábricas.
superiores à divida externa mostram que o Brasil têm
defesas para enfrentar o momento de instabilidade O que nos dá confiança de que a demanda crescente
internacional pode ser bem atendida são os dados disponíveis como o
crescimento de 13,4% nos investimento, quase o triplo
da variação do PIB e bastante superior ao consumo das

Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr 


Conjuntura econômica - Artigo

PIB: Contribuição
PIB: Contribuição da Demandada Demanda
Doméstica e externa ao Crescimento
Consumo das Famílias
Consumo das Famílias

Doméstica e externa ao Crescimento comparado a igual trimestre do ano anterior


comparado a igual trimestre do ano anterior

demanda doméstica demanda externa


10 8,6%
8,0
8
8
6 6

4 4

%
p.p

2 2

0
0
-2
-2
-1,8
-4
-4 1T 1T 1T 1T 1T 1T 1T 1T 1T 1T
1T 1T 1T 1T 99 00 01 02 03 04 05 06 07
03 04 05 06 07

Fonte: Banco Central

Demanda doméstica, puxada pelo maior consumo familiar, sustenta o crescimento continuado do Produto Interno Bruto

famílias. O investimento cresce mais que o consumo que otimista quanto ao ciclo virtuoso da economia, porque
por sua vez cresce mais que o PIB. Também o comporta- potencializa a perspectiva de crescimento continuado
mento dos investimentos diretos nos permite continuar nos próximos anos.

Marca inédita
Brasil atinge ‘Grau de investimento’
O mês de abril encerrou-se com uma excelente bido no aumento do fluxo de recursos externos, o
notícia. A agência de classificação de risco Standard que comprova consenso entre investidores de que o
and Poor’s concedeu ao Brasil o patamar de ‘Grau de Brasil se tornou menos vulnerável a choques finan-
investimento’. Passamos, assim, a figurar no mapa ceiros e econômicos.
dos grandes investidores institucionais (fundos de O país cortou sua dependência do Fundo Mo-
pensões) de países desenvolvidos que, por regras netário Internacional, há alguns anos, e quitou
estatutárias, só podem investir em ativos conside- a dívida com a instituição em 2005, depois de a
rados de baixo risco. economia emergir de uma crise de confiança que
O ‘Grau de investimento’ reflete a maturidade das durou de 1999 a 2002. Juntamente com a explo-
instituições brasileiras e de políticas implantadas que são dos preços das commodities, o novo status
tem resultado em redução da carga fiscal e da dívida de ‘Grau de investimento’ impulsionará ainda
externa. Reflete também as crescentes perspectivas de mais o crescimento brasileiro, especialmente le-
crescimento, demonstradas pelo Brasil. vando-se em conta as recentes descobertas de
A nova avaliação indica ainda a crescente resis- grandes jazidas de petróleo pela Petrobras. Além
tência da economia a choques externos. E não foi disso, cria um cenário propício ao aprofundamen-
exatamente uma surpresa. Já estava sendo perce- to de reformas estruturais.

10 Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr


Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr 11
Sociedades de Garantia de Crédito

Projetos podem contar


técnico e/ou fina Gargalo da falta de garantias precisa ser superado para o estabelecimento de

Márcia Gouthier/ASN

Seja qual for o tamanho do empreendimento, vai precisar, em algum momento, de recursos de terceiros para investimentos
ou giro. Se o empresário integra uma SGC poderá obtê-los mais fácil e rapidamente

O
Sebrae definiu, por meio de Chamada Pública indispensável à ampliação contínua do crédito para mi-
aprovada pela Diretoria-executiva, em 27 de cro e pequenas empresas.
março, o apoio à constituição de Sociedades de A disseminação de sociedades de garantia em todo
Garantia de Crédito (SGC) em todo o Brasil. A Chamada o território nacional é determinante para a construção
tem duração de dois anos e seu objetivo é o de selecio- do Sistema, previsto na Lei Geral das Micro e Peque-
nar projetos em busca de apoio técnico e/ou financeiro. nas Empresas, que pressupõe também a construção de
A organização de um Sistema Nacional de Garantias é fundos garantidores de primeiro e segundo pisos. Tem

12 Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr


apoio
r com
anceiro do Sebrae
um fluxo contínuo de recursos que dê suporte principalmente a investimentos de longo prazo

Mobilização nos estados


A Chamada Pública que define as regras de apoio do Sebrae à constituição de Sociedades de Garantia
Crédito certamente ainda dará maior impulso à mobilização empresarial que já acontece com grande ênfase
nos estados da Bahia, Paraná, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Amazonas e Paraíba. Outros
estados já começam a trabalhar de forma intensa para inserir as SGC nas estratégias de ampliação de acesso
ao crédito, sob melhores condições quanto a prazos e custos.
Essa mobilização, resultado da articulação do Sebrae e parceiros, possibilitou, a partir de 2005, ciclos
organizados de palestras, fóruns, construção de conteúdos e metodologias, visitas técnicas à Associação de
Garantia de Crédito (AGC) da Serra Gaúcha e até mesmo à Espanha e Itália, onde esse instrumento de acesso
ao crédito está bastante consolidado e disseminado.

por objetivo contribuir para a expansão do acesso aos A idéia do Sebrae é fazer aportes médios de R$ 3 mi-
serviços financeiros sob melhores condições de custos lhões em pelo menos dez projetos de diferentes estados
e prazos, tendo como foco o aumento da competitivi- e regiões do País. Na verdade, trata-se de abrir caminho
dade do segmento. para que empresas de grande porte e outras instituições,
O desenho do sistema é simples porque as atri- financeiras ou não, participem da empreitada.
buições de cada conjunto de atores são bastante Okamotto avalia que o momento é ideal para
definidas. Mas envolve muita organização, muita apostas em inovações que resultem em maior com-
articulação e comprometimento entre as partes. petitividade das micro e pequenas empresas. O Brasil
Para o presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, o está em crescimento constante há pelo menos cinco
Sistema pode se transformar em um grande sucesso anos; as soluções para o que era o grande proble-
de parceria público/privada: micro e pequenos em- ma do segmento – a falta de acesso a capital de giro
presas na base, contribuindo financeiramente para – estão bem encaminhadas. Os bancos já vêem os
usufruir dos avais sobre os empréstimos pretendidos; pequenos negócios com novos olhos, o que significa
entidades apoiadoras como o Sebrae arcando com a acesso mais fácil e mais barato ao crédito de curto
construção da infra-estrutura e capacitação; grandes prazo, a partir de mecanismos simplificados de ga-
empresas, agências de desenvolvimento e organismos rantias com a antecipação de recebíveis (desconto de
multilaterais de crédito contribuindo para a formação cheques, duplicatas e mesmo daquilo que é faturado
dos Fundos Garantidores. por meio de cartões de crédito).

Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr 13


Sociedades de Garantia de Crédito

Mas, chegou a hora de se acelerar um processo


Saiba mais includente de investimentos que permita às micro e
• Sociedades de Garantia de Crédito são insti- pequenas empresas participarem do atendimento da
tuições de caráter privado com a finalidade de com- demanda interna que cresce empurrada pelo aumen-
plementar as garantias exigidas de seus associados to da renda da população de menor poder aquisitivo.
nas operações de crédito contratadas com institui- Uma coisa é obter antecipação de crédito em cima de
ções financeiras. Devem ser integradas majorita- recebíveis, que podem ser pagos em seis, doze ou de-
riamente por micro e pequenos empreendimentos, zoito meses; outra é acessar financiamentos de longo
conforme definição prevista na Lei Complementar nº prazo, para modernizar processos produtivos capazes
123/2006 (Lei Geral da MPE) e prestar assessora- de garantir à empresa permanência na atividade e
mento capaz de dar suporte técnico às operações ampliação de mercados. Nesse caso, a SCG cumpre
de crédito pretendidas e de reduzir a falta de infor- o seu papel de fomentadora da atividade econômica
mações entre a oferta e a demanda de crédito; e de maior capacitação empresarial, constituindo-se
• Uma Sociedade de Garantia de Crédito tem em um elo vital no relacionamento entre a oferta e a
como características básicas: ser mutualista; ser demanda por créditos.
multissetorial; não realizar, em hipótese alguma, A disseminação de sociedades de garantias arti-
empréstimos aos seus associados, mas prestação culada pelo Sebrae e que ganhará força com a vigên-
de serviços de garantias fidejussórias; possuir ad- cia da Chamada Pública se baseia na experiência de
ministração privada e profissional; encarregar-se da sucesso já em funcionamento em Caxias do Sul (RS)
análise da concessão das garantias, da cobertura e – a Associação de Garantia de Crédito (AGC) da Ser-
da cobrança de eventuais inadimplências. ra Gaúcha – que atende empresários de micro e pe-
• Visa, em última instância, aumentar o poder queno porte de 34 diferentes municípios. A AGC tem
de barganha de seus associados com as instituições o apoio do Sebrae Nacional, do Sebrae no Rio Grande
financeiras, a fim de obter melhores condições das do Sul, do Banco Interamericano de Desenvolvimento
formas de financiamento. (BID), Banco do Brasil entre outros parceiros. Podem
• Para sua constituição e operação, deverá participar da Chamada Pública entidades e organiza-
contar com a mobilização e o engajamento de lide- ções com atuação empresarial, empresas, empresários
ranças empresariais e o apoio de entidades públi- e outros possíveis interessados.
cas, organizações da sociedade civil, instituições e Segundo os termos da Chamada Pública, o Sebrae
empresas privadas, por meio da cooperação técnica poderá apoiar iniciativas de prestação de garantia
e financeira e da expansão do acesso ao crédito. complementar, no formato mutualista e de prestação
de serviços empresariais às micro e pequenas empre-
• Devem contar com dois tipos de sócios para
sas que: agreguem arco de parcerias com forte voca-
aportes de recursos:
ção empresarial, com interesse em participar técnica
Beneficiários – micro, pequenas e médias em- e ou financeiramente do projeto, aportando inclusive
presas formais que necessitem do complemento de contrapartidas de recursos pecuniários e não pecuni-
garantias para viabilizar empréstimos e financiamen- ários; que persigam a auto-sustentabilidade por meio
tos de curto (capital de giro) e/ou de longos prazos de procedimentos que visem à eficiência econômica
(investimentos fixos e com giro associado), junto a e financeira; que estabeleçam mecanismos e padrões
instituições financeiras conveniadas – bancos públi- que assegurem os princípios de boa governança tais
cos, privados, de fomento e cooperativas de crédito; como transparência, impessoalidade, moralidade, pu-
Apoiadores – entidades públicas, instituições blicidade, economicidade, independência, legalidade
e empresas privadas. e indicadores de desempenho; que atuem com grupos
eminentemente privados.

14 Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr


Apoio tem prazos definidos
• O Sebrae receberá cartas-consultas solicitando apoio técnico e/ou financeiro à constituição de Sociedades de
Garantias de Crédito durante todo o prazo de vigência da Chamada Pública, que vai de abril deste ano até abril
de 2010;
• A avaliação da carta-consulta e o enquadramento ou não do projeto apresentado se dará no prazo máximo
de 60 dias;
• O próximo passo será a construção de um Acordo de Resultados entre o Sebrae e o proponente, passados
outros 60 dias do pré-enquadramento.
• Enquadrado o projeto, o proponente para receber os recursos do Sebrae precisará elaborar um diagnóstico
e um plano de negócios, no prazo de 90 dias;
• Um Comitê emitirá parecer qualificando ou não aos proponentes com base nos diagnósticos e planos de negó-
cios analisados. O último passo é a assinatura do convênio.
• A Chamada Pública permanecerá disponível durante todo seu prazo de vigência (dois anos) nos seguintes
endereços: www.sebrae.com.br e www.uasf.sebrae.com.br

A elaboração da Chamada Pública contou com a contribuição de um grupo de trabalho, sob a supervisão do Diretor Carlos
Alberto dos Santos. “O documento aprovado pela Direx tem a função de deixar clara a intenção do Sebrae de contribuir com
eficácia e agilidade no processo de articulação para constituição de Sociedades de Garantias em todo o país; de contribuir
para que a Lei Geral seja implementada de forma abrangente”, ressalta. Na foto, da esquerda para direita, integrantes do GT:
Edival Passos e Dora Parente (BA); Celso Augusto e Maria Isabel Guimarães (PR); diretor Carlos Alberto; Taniara Castro (RJ);
Alexandre Guerra (BSB); Alessandro Chaves (MG); Graziele Amaral e Roberto Marinho (BSB). Março de 2007.

Márcia Gouthier/ASN

Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr 15


Meios Eletrônicos de Pagamento

Seminário dá
visibilidade às ban
Seminário enfatiza a necessidade de regulamentação para a indústria de cartões de crédito e dá vis

Da esquerda para direita: diretor de


Administração e Finanças, Carlos Alberto dos
Santos; presidente do CNDL, Roque Pellizzaro;
diretor Técnico, Luiz Carlos Barboza;
e presidente do CDN, senador Adelmir
Santana durante abertura do Seminário
em Brasília – março/08

Márcia Gouthier/ASN

O
mercado de cartões de crédito precisa de regula- A necessidade de regulamentação foi enfatizada pelo
mentação que permita a disseminação de seu uso presidente do Conselho Deliberativo Nacional (CDN), sena-
entre micro e pequenos negócios, por meio prin- dor Adelmir Santana, na abertura do Seminário “Meios Ele-
cipalmente da redução de seus custos operacionais. Uma trônicos de Pagamento para Micro e Pequenas Empresas”
das idéias é a regulamentação compartilhada pelo Banco promovido pelo Sebrae, por meio da Unidade de Acesso
Central e órgãos de defesa da concorrência, o Conselho a Serviços Financeiros, em 27 de março, em Brasília.
Administrativo de Defesa Econômica (CADE), que tem a O seminário reuniu especialistas do setor privado e
finalidade de orientar, fiscalizar, prevenir e apurar abusos do governo, entidades representativas do empresariado
de poder econômico e a Secretaria de Direito Econômico e do setor financeiro. A iniciativa faz parte da estratégia
(SDE) que atua em defesa da concorrência. articuladora do Sebrae de promover a aproximação entre

16 Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr


ndeiras regionais
isibilidade às bandeiras regionais que estão aumentando a concorrência no mercado

Instrumentos de Pagamento – Quantidade (inclusive interbancários)


2005 2007

44% 43%
16% Transferência de Crédito
Cheque
Cartão de Débito
24%
Cartão de Crédito
Débito Direto
7% 8% 15%
14% 11% 19%
Fonte: Banco Central

a oferta e a demanda por produtos financeiros, tendo em de 48 horas. O senador tem vários projetos em trami-
vista as mudanças e ajustes que permitam uma maior tação dispondo sobre a regulamentação do mercado
eficiência dos Meios Eletrônicos de Pagamento, em ge- de cartões. Mas deixou claro aos participantes, entre
ral, e de cartões, em particular, em favor da produção de eles representantes das administradoras, que muitos
bens e serviços, geração de emprego e renda. dos problemas podem ser resolvido pelo diálogo, pela
O mercado de cartões registra crescimento verti- negociação entre as partes interessadas.
ginoso e vem sendo acompanhado com maior atenção
pelo Banco Central. Para se ter idéia, em 2000 foram Novo contexto – “Vivemos hoje um verdadeiro boom
feitas, por meio de cartões, 900 milhões de transações do crédito que também acontece em direção às micro e
que somaram R$ 59 bilhões. Em 2006, segundo o Banco pequenas empresas. Antes, o ponto forte era a discussão
Central, esses números passaram para, respectivamen- do acesso a capital de giro. Hoje, a conjuntura interna
te, 3,6 bilhões e R$ 220 bilhões. Atualmente existem em bastante favorável nos permite avançar para temas ainda
torno de 400 milhões de cartões ativos em todo o País. maiores, mais abrangentes, como o acesso a tecnologias
São indiscutíveis os avanços que os meios eletrôni- bancárias capazes de dar efetiva competitividade ao seg-
cos de pagamento representam. Trouxeram mais como- mento”, avalia o diretor de Administração e Finanças do
didade e segurança tanto para quem vende como para Sebrae, Carlos Alberto dos Santos.
quem compra. Aumentam o faturamento e possibilitam O Brasil – ressalta – vive hoje uma situação inédita
a boa gestão financeira dos negócios, além de resulta- no mercado de crédito que dificilmente poderia ter sido
rem em maior eficiência econômica. Mas, mudanças são imaginada no início da década. “Estamos discutindo a
necessárias, explicou o senador Adelmir. redução do número de parcelas no financiamento de al-
Os custos de 4% sobre cada operação, cobrados guns tipos de bens, quando no passado discutíamos a
dos lojistas pelas administradoras são pelo menos inexistência de linhas de financiamento”, ressaltou.
70% maiores do que os vigentes nos Estados Unidos. Para o diretor, o atual contexto favorece a missão ar-
Além disso, no Brasil, quem vende demora no mínimo ticuladora do Sebrae, o papel de facilitador na construção
30 dias para receber, enquanto nos EUA este prazo é de soluções. E elas precisam se dar, no que se refere aos

Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr 17


Meios Eletrônicos de Pagamento

meios eletrônicos de pagamento, via redução dos custos tecnologia e à informação. Para o diretor Técnico, Luiz
operacionais e de tecnologia adequada às necessidades Carlos Barboza, se há alguns anos atrás isso era privi-
dos pequenos negócios. “O mundo mudou, o Brasil mu- légio das grandes corporações, hoje não é mais.
dou. E quando falamos de meios eletrônicos de pagamen- “Hoje temos internet banda larga em todo o território
to estamos focando os negócios, em geral. Tive oportuni- nacional, permitindo que transações comerciais e trans-
dade de constatar – em visita à favela da Rocinha no Rio ferências de recursos sejam feitas em igual velocidade
de Janeiro, acompanhando representantes de organismos por grandes, médias ou pequenas empresas”, ressaltou.
internacionais de crédito – a força econômica dos peque- Mas, se há tecnologia para a distribuição dos benefícios,
nos negócios, onde quer que estejam instalados. Andando a questão do custo não está resolvida. “Nosso trabalho
pela Rocinha, vimos a placa de uma conhecida bandeira é o de contribuir para uma maior equalização de custos
em uma pequena loja de confecções. A proprietária nos entre grandes e pequenos, também no que se refere a
informou que sem o cartão venderia muito pouco”. meios eletrônicos de pagamento. A causa que nos mobi-
Segundo Carlos Alberto, o papel do Sebrae, explicita- liza é a promoção da competitividade e da sustentabili-
do no Seminário ‘Meios Eletrônicos de Pagamento para dade do segmento que apoiamos”, explicou.
Micro e Pequenas Empresas’, é o de promover o diálogo Para o diretor, essa equalização de custos pode vir por
entre a oferta e a demanda por serviços financeiros. “Nos- meio da massificação dos meios eletrônicos. O volume de
so objetivo é contribuir para dar maior escala e reduzir os transações pode ser pequeno se levado em conta o porte
custos das operações, tendo como foco o segmento que de uma empresa isoladamente, mas significativo se con-
apoiamos. A Lei Geral da Micro e Pequena Empresa deu siderado um grupo de empresas. Barboza enfatizou que a
um novo contexto ao trabalho do Sebrae e parceiros. Não atual conjuntura econômica favorece o debate e ousadias
podemos continuar convivendo com uma situação em que nas soluções. “O Produto Interno Bruto cresce há cinco
os custos das transações com cartões sejam mais pesados anos. Não vivemos uma bolha de crescimento. As pesqui-
para o segmento do que a carga tributária”. sas demonstram que os empresários de micro e pequenos
negócios estão cada vez mais preparados. Um grande nú-
Tecnologias bancárias – Pesquisas comprovam mero deles tem experiência no ramo, escolaridade e de-
que um dos fatores que contribuem para a permanên- dicam-se com exclusividade à atividade escolhida. Estão
cia dos empreendimentos no mercado é o acesso à ligados ao componente “custos”, em estratégias de pla-

Instrumentos de Pagamento – Quantidade (somente interbancários)


Milhões
3.000

2.500

2.000

1.500

1.000

500

0
2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007
Cheque Cartão de débito Cartão de crédito
Débito direto Transferências de Crédito

Fonte: Banco Central

18 Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr


Márcia Gouthier/ASN
nejamento, em gestão de pessoas. É o momento ideal para a consolidação de avan-
ços tecnológicos, tendo-os como foco”, concluiu.

Bandeiras regionais – Além do aprofundamento do debate sobre a neces-


sidade ou não de se regulamentar a indústria de cartões de crédito, o Seminário
“Meios Eletrônicos de Pagamento” deu visibilidade às bandeiras de atuação regio-
nal de menor porte que ganham impulso em todo o país.
“Essas bandeiras estão contribuindo muito para que a concorrência se insta-
le de vez no segmento, fazendo com que as grandes administradoras de cartões Álvaro Musa
Partner Conhecimento
comecem a enxergar de forma diferenciada as empresas de menor porte e as pes-
soas de menor renda”, afirmou o gerente da Unidade de Administração e Finanças
(UASF) do Sebrae, Alexandre Guerra. Márcia Gouthier/ASN

Álvaro Musa, da Partner Conhecimento, moderador do painel ‘Bandeiras


regionais – inovando para inserir as MPE’, ressaltou que este tipo de atuação no
mercado de cartões de crédito é tipicamente brasileira. “Nossos visitantes es-
trangeiros quando chegam aqui ficam boquiabertos”. São iniciativas que levam
em conta nichos que vinham sendo ignorados pelas bandeiras maiores. Primeiro,
porque até bem pouco tempo representavam pouco poder de fogo em termos de
faturamento. Segundo, por se tratar de uma demanda difícil de ser tipificada em
termos de necessidades específicas e de risco de crédito. Para Musa, é funda-
José Tadeu Chiozzi
mental que as credenciadoras entendam como seus clientes os estabelecimen- Sorocred
tos comerciais e não as bandeiras que representam.
Um caso de sucesso é a bandeira Sorocred que nasceu em 1990 em Soroca- Márcia Gouthier/ASN
ba, hoje com sede em Alphaville (Barueri/SP). Funciona com 300 colaboradores;
tem 3 milhões de cartões e 300 mil estabelecimentos credenciados e é aceita
em todo o Brasil. Começou com foco nas classes C/D/E e evoluiu para a classe
B, acompanhando, inclusive, a mobilidade social de seus usuários. Hoje já foca
a classe A. O forte da administradora é o crédito lojista, com ênfase nos super-
mercados e mercearias.
Outra bandeira que nasceu com foco nas classes de menor renda é a
Validata. Desde setembro do ano passado começou a trabalhar com comercian-
tes da Rua 25 de março da capital paulista, que apresenta um fluxo diário de 300 Kleber Oliveira
Validata
mil a 500 mil compradores, conforme a data e estação do ano. A bandeira fixou
como desafio a apresentação de um produto de completa aderência à realidade
Márcia Gouthier/ASN
desse pólo comercial, conhecido em todo o Brasil e exterior, que congrega desde
comerciantes de tapetes importados até de brinquedos e bijuterias. Dos com-
pradores do pólo, 80% são mulheres, 30% das quais têm entre 19 e 29 anos. A
renda média mensal dos compradores é de R$ 2.350, valor reforçado pelo grande
número de atacadistas de pequeno porte e sacoleiros.
A bandeira Coopercred nasceu em 2004 com foco na clientela de um grande
supermercado de Maringá (PR) e hoje tem 3 mil credenciados, a maioria micro
e pequenos negócios de 200 cidades paranaenses e do Mato Grosso do Sul. Os
credenciados abrangem mercadinhos, farmácias, lojas de calçados, vestuários, Pedro da Silveira
restaurantes e açougues. Pesquisas comprovam que trabalhar com cartões pode Coopercred

aumentar em até 30% o faturamento de um negócio.

Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr 19


Meios Eletrônicos de Pagamento
Márcia Gouthier/ASN
Eficiência econômica – Quando se pensa em cartões de crédito ou de dé-
bito, logo vem a imagem do dinheiro de plástico substituindo o cheque ou papel
moeda. Mas o dinheiro de plástico tem funções macroeconômicas ainda mais rele-
vantes do que sugere de início essa substituição. É fator de eficiência econômica,
segurança e de bem estar social.
“Quando falamos em cartões e, de forma mais abrangente, em Meios Eletrôni-
cos de Pagamento, não estamos falando de uma mera substituição formal no que
se refere às liquidações financeiras, mas de mudanças de parâmetros operacionais
José antônio Marciano
que já significam uma redução de custo equivalente a 0,7% do produto Interno
Banco Central Bruto (PIB), afirmou José Antonio Marciano, consultor do Banco Central durante
exposição aos participantes do seminário promovido pelo Sebrae.
“Não estamos O Banco Central, levando em conta a expansão acelerada dessa indústria,
divulga periodicamente o ‘Diagnóstico do Sistema de Pagamentos de Varejo’,
falando de cujo objetivo é o de formatar um quadro quantitativo e qualitativo do estágio
uma mera de desenvolvimento desse segmento; examinar a experiência internacional;
substituição identificar os obstáculos à modernização e estabelecer as ações necessárias à
formal, mas modernização. O estudo seve de ponto de partida para orientação e definição de
políticas e diretrizes sobre o tema.
de mudanças O estágio atual do acompanhamento permite as seguintes conclusões:
de parâmetros Baixo uso da capacidade instalada e mais custos fixos por transação;
operacionais.” Baixa interoperabilidade, com sobreposição geográfica;
Alto custo para desenvolvimento, manutenção e logística da rede;
Padronização insuficiente dos protocolos, sistemas, métodos e processos
de comunicação;
Infra-estrutura da rede percebida como vantagem competitiva na oferta de
serviços de pagamento, quando o foco deveria estar nos serviços prestados.

Próximos passos do Banco Central


Publicação de novo diagnóstico da indústria de cartões de pagamento
Tarifa de intercâmbio, descontos do estabelecimento e tarifas dos clientes;
Concentração do mercado; Rentabilidade e Governança.

Debates e discussões com os principais participantes do mercado de varejo


Compartilhamento de redes, melhora da infra-estrutura;
Implementação de novos serviços e produtos.

Publicação de novas diretrizes focando a eficiência do sistema de pagamento de varejo


Transparência na política do BC.

Monitoramento
Acompanhar a evolução do mercado, agindo como catalisador de possíveis conflitos;
Regulação, se necessário.

20 Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr


Foco no cartão empresarial
Márcia Gouthier/ASN

Para o diretor de Produtos e Processos da Associação Brasi-


leira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (ABECS),
Antônio Luiz Rios, a disseminação do uso de cartões de crédito
precisa ter também um maior foco nos credenciados, nos em-
presários de micro e pequeno porte.
Antônio Luiz Rios Por enquanto, o grande foco são os clientes do segmento. O
ABECS uso do cartão empresarial – explica – é um avanço na relação dos
empresários e seus fornecedores. Significa menos dependência de
“É preciso ter um capital de giro e fluxo de pagamentos a terceiros mais organizado.
maior foco nos Segundo Rios, a ABECS está atenta à necessidade de se
credenciados, nos ofertar equipamentos que possam ser usados por cartões de di-
empresários de ferentes bandeiras. E que o esforço inicial será no atendimento
de ramos específicos como o de restaurantes. Outro esforço é o
micro e pequeno credenciamentos de pólos específicos, integrados por categorias
porte.” de trabalhadores autônomos como taxistas e feirantes.

Racionalidade – Micro e pequenas


empresas não podem continuar fazendo
de seu balcão uma pátio de estaciona-
mento de equipamentos de várias ban-
deiras. Uma única máquina deveria ser-
vir para todos os cartões. É um problema
espacial grave, levando-se em conta o
tamanho da maioria das lojas de um
shopping, 35 metros quadrados. Deste
total, é preciso de, ao menos, um metro
quadrado para se estacionar as maqui-
ninhas de pagamentos eletrônicos. “É
como se o empresário tivesse em seu
balcão uma Ferrari, uma Mercedes e um
BMW (uma alusão das três bandeiras
Márcia Gouthier/ASN

mais conhecidas), e precisasse apenas


de um fusquinha. Ele precisa ter opções,
poder escolher entre equipamentos
multisserviços mais sofisticados e ca-
ros e aqueles mais baratos, exclusivos
para pagamentos”, ressalta Marciano. Balcão de loja, "pátio de maquininhas"

Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr 21


Entrevista

Regulação ou
O que é melhor para o

A
s reclamações dos usuários de cartões
de crédito, empresário ou consumidor,
são relevantes. Juros altos, taxas ope-
racionais elevadas, prazo excessiva-
mente longo (dia do faturamento mais
30 dias) para repasse do valor faturado ao caixa do
empreendimento. O consultor do Senado Federal e
Márcia Gouthier/ASN

ex-funcionário do Banco Central, o economista Paulo


Springer de Freitas, é especialista em mercado de
cartões. Para ele, o Brasil poderia, baseado em expe-
riências internacionais, caminhar para algum tipo de
regulamentação em favor tanto do usuário varejista
como do consumidor. A Austrália, por exemplo, tem
regulamentação direta sobre os preços. Na Itália e
Holanda, há parâmetros indutores de maior concor-
Paulo Springer de Freitas rência. No México e países da União Européia, só a
Consultor Legislativo – Senado Federal
ameaça de regulamentação fez a indústria promover
ajustes na política de tarifas. Leia:

Por que regulamentar? te que a eventual regulamentação venha a aumentar


Trata-se de uma indústria importante para a econo- o grau de eficiência da economia. Para tanto, o regu-
mia como um todo, que apresenta crescimento vertigi- lador precisa conhecer muito bem os custos de produ-
noso nos últimos anos e elevado nível de concentra- ção e as preferências da sociedade e impor restrições
ção. No Brasil, Visa, Mastercard e American Express apenas quando houver evidências suficientemente
detêm mais de 90% do mercado. Quando um setor é fortes de abuso de poder econômico ou de alocação
muito concentrado, abre-se espaço para abuso de po- ineficiente dos recursos.
der econômico, gerando o que os economistas definem
como ineficiência alocativa de recursos da sociedade Quem deve regulamentar?
em mão-de-obra, capital, imóveis, insumos em geral. A Levando-se em conta a experiência internacional,
regulação pode contribuir, nesses casos, para melhorar a regulamentação deve ser compartilhada entre o Ban-
o processo de alocação. Não é por acaso que vários co Central e órgãos de defesa da concorrência, como
países já apresentam alguma forma de regulamenta- já acontece no Chile, México, EUA, Austrália, Itália,
ção sobre a indústria de cartões. Holanda. O Banco Central é um ator importante nesse
processo porque os órgãos de defesa da concorrência,
A regulamentação seria, então, o remédio ideal? a SDE, a SEAE e o CADE têm como preocupação maior
Enfatizo que mesmo a configuração atual não sen- alterar a estrutura da indústria, reduzindo o grau de
do eficiente do ponto de vista econômico, nada garan- concentração, determinando, por exemplo, a venda de

22 Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr


u auto-regulamentação:
o mercado de cartões de crédito no Brasil?

parte de uma firma ou proibindo determinada fusão. nanceiro Nacional e define como instituição financeira
Esses órgãos não têm como atribuição acompanhar as as pessoas físicas ou jurídicas, públicas ou privadas
práticas de uma indústria, mesmo que apresente alto que tenham como atividade principal ou acessória a
grau de concentração. É importante enfatizar que há coleta, intermediação ou aplicação de recursos finan-
estudos teóricos mostrando que o alto grau de concen- ceiros próprios ou de terceiros. Essa mesma Lei tam-
tração na indústria de cartões não é um arranjo neces- bém prevê que o Banco Central regulará as condições
sariamente ruim. E empiricamente observa-se que, na de concorrência entre instituições financeiras, coibin-
maioria dos países, bandeiras como Visa e Mastercard do-lhes os abusos. Pode-se, assim, interpretar que
detêm mais de 80% do mercado.
Márcia Gouthier/ASN

Qual seria o caminho a seguir?


O mais apropriado pode ser a manutenção da es-
trutura concentrada de mercado, acompanhando a ati-
vidade da indústria e coibindo os abusos, onde houver.
O Banco Central, por sua vez, já tem a necessária in-
terface entre a indústria de cartões e os bancos. Em
primeiro lugar, porque participantes importantes da
indústria de cartões ou já são bancos, que emitem os
cartões para os consumidores finais, ou pertencem
aos bancos, como os credenciadores, responsáveis
pela adesão dos lojista ao sistema. Além disso, o
BC já supervisiona algumas atividades relacionadas
à indústria, como concessão de crédito e sistema de
pagamentos. Por fim, seria dispendioso montar nova
estrutura, sem ganhos evidentes.

O Banco Central já teria respaldo legal para isso?


Em termos. Depende da interpretação que se faz
da Lei nº 4.565 de 1964 que regulamenta o Sistema Fi-

Atualmente a internet banda larga está presente em


todo o território nacional, permitindo que transações
comerciais e transferências de recursos sejam feitas
em igual velocidade por grandes, média ou pequenas
empresas. Mas se a tecnologia é isonômica, os custos são
mais pesados para os pequenos.

Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr 23


Mercado de Cartões
Distribuição da População Brasileira

Público Alvo
187,2 milhões de População urbana, 18 anos ou
brasileiros mais, rendimentos pessoais
superiores a R$ 150

102,1 milhões

Público Alvo
54,5%

Pop. Total: 8,1%


Pop. Alvo: 6,5%
Pop. Total: 27,6%
Pop. Alvo: 21,3%

Pop. Total: 7,1%


Pop. Alvo: 7,4% Pop. Total: 42,6%
Pop. Alvo: 50,0%

Pop. Total: 14,6%


Pop. Alvo: 14,8%

Fonte: Itaucred

24 Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr


os emissores de cartões são instituições financeiras, E no caso das tarifas?
afinal, não só emitem os cartões, mas também finan- Trata-se aí de um conflito entre a firma/indústria e so-
ciam o consumidor que não paga toda a fatura na data ciedade. Há dois problemas: um é o nível dos preços; o
de vencimento. Os credenciadores também poderiam outro é a estrutura dos preços, ou seja, como eles são re-
ser considerados instituições financeiras, pois conce- partidos entre os usuários finais, consumidores e lojistas.
dem antecipação de recebíveis para os lojistas, em- Em relação ao nível de preços, sabemos que em toda in-
bora haja uma discussão jurídica se essa antecipação dústria que apresenta elevado índice de concentração há
pode ou não ser classificada como uma operação de maior probabilidade de haver abuso de poder econômico.
crédito. Apesar disso, na prática, não há nenhum órgão Na indústria de cartões não é diferente. Quanto à estrutura
que controle as empresas de cartão de crédito no País. de preços, sabemos que a maior parte dos custos recai so-
Encontra-se em tramitação um projeto de lei comple- bre os lojistas; os portadores de cartão, muitas vezes, até
mentar do Senador Adelmir Santana, explicitando que são contemplados com programas, como os de milhagem.
empresas ligadas à indústria de cartões de crédito são Os usuários finais arcarem com proporções diferentes nos
instituições financeiras e, por isso, estariam sujeitas custos pode ser comum e bastante eficiente naquilo que
ao controle do Banco Central. se classifica como mercado de dois lados. O exemplo mais
claro é o de danceterias: mesmo atuando em ambiente
Quais as vantagens da auto-regulação? de concorrência perfeita, há cobrança de ingressos mais
Em princípio, a auto-regulação implica ausência elevados para homens do que para mulheres.
de custos para o Estado; é mais eficiente quando há
muitas questões técnicas envolvidas e permite maior Qual distorção o senhor apontaria no mercado de
rapidez nas decisões. O mais importante, entretanto, cartões de crédito?
é verificar se a auto-regulação garante ou, pelo me- É possível que, com a estrutura atual de preços, ocor-
nos, torna mais provável, comparativamente a uma ra um estímulo excessivo para os consumidores e um
regulamentação por parte do Estado, que as firmas de desestímulo para os lojistas. Muitas vezes vemos pes-
determinada indústria se comportarão de uma forma soas pagando contas de valor muito baixo com cartão
definida como desejável pela sociedade. Como regra para acumular milhagem. Isso gera filas, necessidade de
geral, podemos dizer que quanto mais coincidente for maior número de caixas, perda de tempo e outros cus-
o interesse da indústria em relação ao da sociedade, tos sociais. Temos então dois problemas: o preço total
mais recomendável deverá ser a auto-regulação. – que é a soma do que os consumidores e lojistas pagam
– pode estar alto e a repartição desse preço entre lojis-
No caso de segurança das transações, regula- tas e consumidores também pode estar gerando inefici-
mentação ou auto-regulação? ências. Cabe, entretanto, um alerta: nada garante que o
Esse é um exemplo de congruência de objetivos preço estabelecido pelo órgão regulador seja melhor, do
de que falei há pouco. Em princípio, é interesse de to- ponto de vista social, do que o praticado pela indústria.
dos que as transações sejam seguras. Contudo, há um Por isso, intervenções no preço só devem ocorrer quando
custo em prover segurança. Se a responsabilidade por houver evidências muito fortes de abuso econômico ou
operações fraudulentas recair sobre o consumidor, as de má alocação de recursos.
firmas não terão tanto incentivo em investir em segu-
rança e seria mais adequado tratar o tema por meio Como o senhor resumiria essa questão?
de regulamentação. Já se a responsabilidade por Diria que é necessário regulamentar a indústria de
fraudes recair sobre a indústria, então será interesse cartões; que o Banco Central seria o candidato natural,
da própria indústria prover um maior nível de segu- sem prejuízo dos órgãos de defesa da concorrência. E
rança das transações. Nesse caso, a auto-regulação que em algumas dimensões da indústria, como a relacio-
pode ser suficiente para garantir o nível socialmente nada à segurança das transações e ao credenciamento
ótimo de segurança. dos usuários, é possível haver auto-regulação.

Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr 25


Fundos Constitucionais

Recursos diponíveis e
prioridade declarad
Desafio é ampliar de forma consistente o acesso por parte de micro e pequenas emp

O
s recursos dos Fundos Constitucionais de Financiamento do Norte (FNO),
Fabio Leon Moreira
Nordeste (FNE) e Centro-Oeste (FCO) estão mais acessíveis às micro e pe-
quenas empresas e produtores rurais. Desde janeiro deste ano, os juros es-
tão menores e os orçamentos maiores. “Ninguém pode dizer que está deixando de
atender clientes de qualquer porte por falta de recursos”, afirma Antonio Roberto
Albuquerque Silva, diretor do Departamento de Gestão dos Fundos de Desenvolvi-
mento Regional do Ministério da Integração Nacional.
Em 2008, os recursos disponíveis, no âmbito dos Fundos, somam R$ 11 bilhões,
um incremento importante em comparação aos R$ 9,7 bilhões de 2007. Em 2006
foram efetivamente contratadas operações no valor de R$ 7 bilhões. Balanço do
Ministério da Integração demonstra que a disponibilidade de recursos vem apre-
“Ninguém pode sentando crescimento constante e expressivo desde 2005, quando as aplicações
dizer que está totalizaram R$ 6,6 bilhões. Tendo como pano de fundo o bom desempenho da eco-
deixando de nomia, o número de operações aumenta ano após ano.

atender clientes Juros diferenciados – Os Fundos Constitucionais atendem um público


de qualquer bem diversificado em termos de setor e de porte. Além disso, há uma prioridade
porte por falta declarada para os pequenos. Essa prioridade é explicitada nas taxas de juros
diferenciadas cobradas sobre os empréstimos. Quanto menor o tomador, menos
de recursos.”
juros paga.
Antonio Roberto “O fundo constitucional tem essa lógica de taxas de juros: o pequeno paga
Albuquerque Silva juros menores que os grandes e o rural, menor que o não-rural”, afirma Anto-
Departamento de Gestão dos nio Roberto. Do total de financiamentos concedidos com recursos dos fundos
Fundos de Desenvolvimento
Regional – Ministério da em 2007, – R$ 7,3 bilhões, os mini produtores e micro e pequenos empre-
Integração Nacional
endimentos levaram R$ 2,8 bilhões (38%); os médios, R$ 1,4 bilhão (19%)
e os grandes, R$ 3,1 bilhões (42,5%). Na análise das 471.735 operações de
crédito, 98,3% (463.761) foram contratadas por mini produtores rurais, princi-
palmente beneficiários do Programa Nacional da Agricultura Familiar (Pronaf)
e micro e pequenas empresas. No caso do FCO, por determinação de seu
Conselho Deliberativo (Condel), o percentual destinado a esse segmento deve
ser obrigatoriamente de 50% do total de recursos disponíveis.

26 Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr


da para os pequenos
presas e empreendedores

contratações por Atividade/Va


lor
Janeiro a Dezembro/2007
R$ mil

Fonte: Informações Gerenciais fornecidas


pelo Banco do Brasil, Banco do Nordeste
e Banco da Amazônia. Valores nominais

Industrial 20,1%
Turismo 1,3%
Rural 53,2% Infra-Estrutura 6,5%

Comércio e Serviços 18,9%

Mudanças – Desde 1º de janeiro de 2008, os juros pagarem as parcelas da dívida no vencimento terão re-
do FNO, FNE e do FCO estão mais baixos para a maio- dução de 25% na taxa. Nas demais regiões, essa redu-
ria dos segmentos atendidos. A taxa de 5%, vigente ção é de 15%, não importando o porte do beneficiário
em 2007, para mini-produtores e suas cooperativas e ou a natureza das operações.
associações, não mudou este ano. Mas mesmo assim
continua sendo a mais baixa de todos os segmentos. Sobram recursos – Todos os anos sobram recursos
Também não houve mudanças nos percentuais do mé- nos fundos constitucionais. Na previsão orçamentária de
dio produtor (7,25% ao ano) e nem no das empresas 2008, “as disponibilidades de exercícios anteriores” che-
de pequeno porte (8,25% ao ano). Mas, nas operações gam a R$ 5,3 bilhões, volume um pouco maior que os R$
rurais, a taxa para o pequeno produtor caiu de 7,25% 5,2 bilhões da previsão de 2007. A redução dos encargos
para 6,75% ao ano. Houve redução idêntica para as financeiros para os tomadores de recursos dos fundos é
microempresas industriais, agroindustriais, de infra- uma das estratégias de ampliação do acesso.
estrutura, turismo, comércio e de serviços. Para o diretor de Gestão dos Fundos Constitucio-
Outro incentivo aos tomadores de recursos, o bô- nais, a redução das taxas de juros e o esforço de di-
nus de adimplência, foi mantido. Assim, os tomadores vulgação precisam de “ações externas ao crédito”que
da região do semi árido nordestino, por exemplo, que possam melhorar o desempenho dos fundos. Entre

Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr 27


Fundos Constitucionais

elas, as de capacitação empresarial e de melhoria da Na questão das garantias, exigência que impede o aces-
qualidade do sistema de informações das micro e pe- so da grande maioria das empresas ao crédito, o diretor
quenas empresas. acredita que a organização de fundos de aval e das So-
“Não basta a empresa ser formal, ela tem que ser ciedades de Garantias podem ajudar tanto na qualidade
formal e organizada também”, ressalta Antônio Roberto. como no acesso ao crédito.

Previsão de Recursos para o ano de 2008


Recursos/Fundo FCO FNE FNO Total
Previsão de Repasses da 1.147,1 3.441,2 1.147,1 5.735,4
STN para 2008 (1)
Retornos de Financiamentos (2) 753,8 2.049,9 963,1 3.766,8
Diponibilidades de Exercícios 1.439,8 3.652,6 795,8 5.888,2
Anteriores (2)
Resultado Operacional 169,1 (794,0) (549,3) (1.174,2)
(Receitas-Despesas) (2)
Recursos Comprometidos a Liberar (2) (267,6) (2.010,6) (358,9) (2.637,1)
TOTAL 3.242,2 6.339,1 1.997,8 11.579,1
Valores Nominais
Fonte: (1) Secretaria do Tesouro Nacional – STN. (2) Valores previstos nas programações orçamentárias do ano de 2008.

Capacitação e menos burocracia


Processos simplificados de crédito, como os utilizados pelo Banco do Nordeste, e a maior
participação de empresários de micro e pequeno portes em programas de capacitação – con-
jugados com assessoria gerencial – tendem a minimizar os riscos envolvidos no processo de
concessão de financiamentos.
“Essa dobradinha é boa tanto para a oferta como para a demanda por serviços financeiros.
Se por um lado, as instituições financeiras procuram clientes com bons históricos contábeis e
financeiros; por outro, empresas que participam de programas de assessoria passam a apresen-
tar informações mais organizadas que podem efetivamente ser utilizadas como parâmetro de
avaliação de crédito”, explica João Silvério, do Sebrae Nacional.
O resultado esperado é maior oferta de financiamento às empresas melhor estruturadas e,
por isso, mais preparadas. As dificuldades de acesso ao crédito nunca se dá por um único, mas
por um conjunto de motivos relacionados à gestão financeira, informações contábeis, controles
gerenciais e formação de preços, dentre outros.

28 Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr


Fundos constitucionais
de financiamento
Origem
Constituição Federal de 1988
• Destinou 3% do produto da arrecadaç
ão dos impostos sobre a renda e
proventos de qualquer natureza e sobre
produtos industrializados para apli-
cação em programas de financiamento
FNO Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
aos setores produtivos das regiões

FNE criação e objetivo


Lei nº 7.827, de 1989
• Criou os Fundos Constitucionais de Finan
ciamento do Norte (FNO), do Nor-
FCO deste (FNE) e do Centro-Oeste (FCO), com
volvimento econômico e social das Regiões
o objetivo de contribuir para o desen-
Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
• Distribuição dos recursos:
• 0,6% para FCO;
• 1,8% para FNE;
• 0,6% para FNO.

administração
FCO
• Ministério da Integração
Nacional;
• Banco do Brasil S.A.;

Atribuição dos Administradores


• Conselho Deliberativo do
Fun
mento do Centro-Oeste- CON do Constitucional de Financia-
DEL/FCO.
Agentes Financeiros FNE
do Brasil e Banco da Amazônia)
(Banco do Brasil, Banco do Nordeste
ca de concessão de crédito de acordo • Ministério da Integração
• Aplicar os recursos e implementar a políti • Banco do Nordeste do Bra
Nacional;
pelos respe ctivo s Conselhos Deliberativos; sil S.A.;
com os programas aprovados
ições operacionais próprias da atividade • Conselho Deliberativo da
• Definir normas, procedimentos e cond SUDENE.
diretrizes constantes dos programas de
bancária, respeitadas, dentre outras, as FNO
elhos Deliberativos de cada Fundo;
financiamento aprovados pelos Cons • Ministério da Integração
propo stas em seus múlti plos aspectos, inclusive quanto à viabili- • Banco da Amazônia S.A
Nacional;
• Analisar as
do empr eend imen to, mediante exame da correlação • Conselho Deliberativo da
.;
dade econômica e financeira
e futur de reembolso do financiamento
a SUDAM.
custo/benefício, e quanto à capacidad Observação: As competência
no resul tado dess a análise, enquadrar as propostas nas s dos Conselhos Deliberativo
almejado para, com base da SUDAM, relativamente
ao FNE e ao FNO, serão exe
s da SUDENE e
faixas de encargos e deferir créditos. tério da Integração Naciona rcidas pelo Minis-
l até a instalação dos referido
s Conselhos.

RECURSOS DESTINADOS PARA MP


E
Janeiro a Dezembro/2007
2006 2007
Beneficiários
Variação (%)
Valor Valor
Fundos Qtde. Op. Valor
R$ mil Qtde. Op. R$ mil
• Produtores rurais; Qtde. Op. R$ mil
FCO 1.375 62.279
• Firmas individuais; 1.214 59.666 -11,7
FNE 6.604 -4,2
113.877 6.479 120.317
• Pessoas jurídicas; FNO -1,9 5,7
82 7.165
• Associações e cooperativas de produção, Total
100 8.649 22 20,7
8.061 183.321
que desenvolvam atividades nos setores 7.793 188.632 -3,3 2,9
agropecuário, mineral, industrial, agroin-
dustrial, turístico, de infra-estrutura, comer- O desafio do Sebrae e parceiros é alter
ar rapidamente este quadro para melh
cial e de serviços das Regiões Centro-oeste, or
Nordeste e Norte.

Fonte: Ministéro da Integração Nacional

Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr 29


Fundo de Amparo ao Trabalhador – FAT/PROGER
Gláucia Rodrigues

Linhas ampliadas e
MTE desenvolve nova metodologia para aferição dos impactos da aplicação dos recurs

O
O Ministério do Trabalho e Emprego quer dar maior transparência aos
Victor Soares
impactos socioeconômicos dos programas de crédito operados com de-
pósitos especiais do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Para isso,
por meio de convênio com Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE);
da Universidade de São Paulo (USP), está desenvolvendo uma metodologia es-
pecial de aferição dos resultados e fazendo avaliações externas com aplicação
de questionários e visitas in loco.
O objetivo, segundo o Secretário de Políticas Públicas e Emprego, Ezequiel Nas-
cimento, é o de contribuir, por meio dos ajustes que se fizerem necessários, para
maior eficácia e abrangência dos programas. O MTE faz, desde 2006, várias ações
para melhorar as condições e ampliar o acesso às linhas de financiamento ampara-
“Monitoramento das com recursos do FAT. Entre elas, o acompanhamento das operações de crédito
para ajustes concedidas pelo critério de amostragem.
contínuos nas As ações em curso, na avaliação do secretário, é um avanço em relação às
anteriores. A intenção é dar ainda maior consistência aos dados recolhidos, por se
linhas de crédito.” tratarem de importantes subsídios que reforçam o papel do Ministério de monitorar
o grau de aderência dessas linhas às normas e critérios operacionais previstos nas
Ezequiel nascimento
Resoluções do Conselho Deliberativo do FAT (CODEFAT) e nos Planos de Trabalho
Secretário de Políticas
Públicas e Emprego – MTE firmados com os agentes financeiros dos programas.

30 Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr


Saiba mais
O Fundo de Amparo ao Trabalhador – FAT – é um fundo especial, de natureza contábil-financeira,
vinculado ao Ministério do Trabalho e Emprego - MTE, destinado ao custeio do Programa de Seguro-
Desemprego, do Abono Salarial e ao financiamento de Programas de Desenvolvimento Econômico.
A principal fonte de recursos do FAT é composta pelas contribuições para o Programa de Integração
Social – PIS e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PASEP.
A partir da promulgação da Constituição Federal de 1988, os recursos provenientes da
arrecadação das contribuições para o PIS e para o PASEP foram destinados ao custeio do
Programa do Seguro-Desemprego, do Abono Salarial e, pelo menos quarenta por cento, ao fi-
nanciamento de Programas de Desenvolvimento Econômico, esses últimos a cargo do BNDES.
O CODEFAT é um órgão colegiado, de caráter tripartite e paritário, composto por representan-
tes dos trabalhadores, dos empregadores e do governo, que atua como gestor do FAT.
Além dos programas direcionados para micro e pequenos empresários, o FAT financia pro-
gramas dos setores estratégicos (como transporte coletivo de massa, infra-estrutura turística,
obras de infra-estrutura voltadas para a melhoria da competitividade do país).

mais competitivas
sos do Fundo

Segundo Nascimento, o acompanhamento e a avalia- e/ou renda, atenuar as desigualdades sociais e regio-
ção das linhas de crédito possibilitarão o contínuo ajuste nais, além de se constituírem em alternativa de conces-
do PROGER refletido em medidas como a redução de en- são de financiamento a setores detentores de menores
cargos financeiros aos tomadores finais; aprimoramento chances de acesso ao crédito.
dos mecanismos de garantias; melhores condições de Com os recursos do PROGER podem ser financiadas a
acesso aos financiamentos e mais foco dos recursos implantação, reforma e modernização de empreendimen-
do FAT para os pequenos empreendimentos. As linhas tos; a aquisição de máquinas e equipamentos, bem como
do PROGER destinadas ao segmento possibilitaram, so- outros itens necessários à viabilização do negócio, em con-
mente em 2007, a contratação de mais de 64 mil opera- dições mais acessíveis, ou seja, encargos financeiros em
ções que totalizaram aproximadamente R$ 2 bilhões em condições que não se encontram similares no mercado do
recursos aplicados. setor bancário privado, tornando-se mais competitivas e
O apoio do Fundo de Amparo ao Trabalhador se dá por com melhor adequação às exigências de mercado.
meio de linhas de financiamento operadas pelo Banco do Além das condições mais acessíveis, algumas linhas
Brasil, Banco do Nordeste, Caixa Econômica Federal, Banco contam com o Fundo de Aval para Geração de Emprego
da Amazônia, Banco Nacional de Desenvolvimento Econô- e Renda – FUNPROGER –, que tem como objetivo conce-
mico e Social e pela Financiadora de Estudos e Projetos. der aval complementar aos pequenos empreendedores,
Essas linhas, comumente chamadas de PROGER, fo- mediante o pagamento de uma taxa que varia de acordo
ram criadas objetivando principalmente melhorar a qua- com o prazo de financiamento, reduzindo as exigências
lidade de vida da população brasileira, gerar empregos de garantias junto ao banco.

Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr 31


Fundo de Amparo ao Trabalhador – FAT/PROGER

Mais recursos para MPE


Acompanhando a mobilização nacional em favor competitividade das micro e pequenas
empresas no Brasil, o Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat)
reservou, neste ano, 90% dos novos recursos dos Depósitos Especiais do FAT para linhas de
crédito voltadas para o segmento, que são de R$ 4 bilhões.
Os Depósitos Especiais são recursos que excedem a reserva mínima de liquidez do FAT,
verba que é aplicada no extramercado para garantir o pagamento do seguro-desemprego
e abono salarial por seis meses. Esse excedente é direcionado às instituições financeiras
oficiais para geração de emprego e renda.
A iniciativa do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) incrementa ações inauguradas no
ano passado pelo Conselho, quando os programas voltados para geração de emprego e renda
do FAT – que disponibiliza linhas de crédito para interessados em iniciar ou investir no próprio
negócio – ficaram com 62% das verbas alocadas em Depósitos Especiais do FAT.
Além de ampliar o acesso do segmento aos novos recursos, o MTE elabora outras ações.
A primeira delas é ajustar a redução dos custos do financiamento ao Codefat e agentes
financeiros que operam linhas de crédito. A segunda prevê iniciativas para aprimorar meca-
nismos de garantia – atualmente, um dos principais entraves para o setor – exigidos pelos
agentes financeiros.
Está ainda nos planos do MTE apresentar ao Conselho propostas de aprimoramento das
linhas de crédito para que cumpram o objetivo de geração de emprego e renda. Pretende-se
ainda dar continuidade a outras atividades de grande importância como a supervisão in loco
das suas linhas de crédito; aperfeiçoamento dos sistemas informatizados e o desenvolvimento
de parcerias para a divulgação das linhas de crédito com recursos do Fundo.
Canindé Soares

A orientação do Codefat que


beneficia micro e pequenas
empresas atende à
expectativa de crescimento
de até 30% do volume de
recursos destinados ao setor

32 Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr


Agenda
II Seminário “Soluções Financeiras
para Pequenos Negócios”
Local: Centro de Convenções do Pantana O Sebrae é o organizador desse importa
nte evento
l– internacional, que acontece nos dias 16
Cuiabá (MT) e 17
de outubro, em Salvador, Bahia, e possibi
Data: 30 e 31 de julho de 2008 litará
a ampliação do debate sobre experiência
s e,
Objetivo: Disseminar informações e arti sobretudo, sobre os desafios relacionado
cular s ao
parcerias para ampliação do acesso das tema que precisam ser enfrentados pelo
MPE s países
a serviços financeiros ibero-americano. Em 2005, o Foro foi real
izado na
Informações: Elson Tenório (65) 3648-12 Espanha; em 2006, na Venezuela e em 200
56 7, no
Chile, sempre com a participação do Bras
il.
Público-alvo
Central
VII Seminário Banco • Dirigentes, gestores, representantes e
sobre Microfinanças especialistas, nacionais e internacionais,
Belo Horizonte (MG) • Sistemas de Garantia;
Local: Hotel Ouro Minas – • Instituições financeiras públicas, privada
de outubro
Data: 29 de setembro a 01 fomento;
s e de
ação e o debate
Objetivo: Promover a divulg • Organismos de fomento;
Brasil
sobre as microfinanças no • Instituições multilaterais;
ov.br
Informações: www.bcb.g • Instituições de ensino, universidades;
• Lideranças empresariais; e
• Outros interessados.

O evento internacional será antecedido, no


dia 15
de outubro, pelo II Fórum Nacional Sistema
s de
Garantias de Crédito, também em Salvado
r. Uma
oportunidade para o alinhamento de informa
ções
sobre as mobilizações que vêm acontecendo
em
vários estados para a constituição de Socieda
de
de Garantias de Crédito. Ambos os fóruns
são de
fundamental importância para a disseminaçã
oe
geração de conhecimentos que consolidem,
tanto no
Brasil como em toda a América Latina, mec
anismos
ágeis e eficientes de acesso ao crédito e prom
oção
das boas práticas empresariais.

Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr 33


FAT/BNDES

BNDES vai conceder c


leilão eletrôn Novo produto é um indicativo da importância do acesso das micro e

O
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)
está prestes a dar mais um grande passo para a viabilidade das mi-
cro e pequenas empresas brasileiras. Com o objetivo de otimizar os
critérios de escolha para a liberação de créditos destinados ao segmento, o
BNDES deve lançar, até setembro, o produto leilão eletrônico para dar mais
agilidade à concessão do crédito, além de reduzir seus custos. A dinâmica
é simples: os empresários interessados especificam as suas necessidades
de investimento, os agentes fazem a avaliação do quanto será investido e o
lance inicial é determinado.
“A internet “O arremate será concluído quando um deles considerar satisfatório o mon-
vai funcionar tante lançado. Esse leilão eletrônico, entretanto, não colocará em segundo pla-
no tudo o que já foi desenvolvido pela instituição no que se refere ao acesso a
como elemento
crédito. Nesse caso, a internet vai funcionar mais como elemento facilitador do
facilitador” que como uma substituição a outros projetos tão amplamente bem sucedidos”,
explica o economista e gerente do Departamento de Suporte e Controle do ban-
Edson Luiz Moret co, Edson Luiz Moret de Carvalho.
Departamento de Um bom exemplo é o cartão BNDES. Além de oferecer aos micro e pequenos
Suporte e Controle
empresários uma taxa de juros bastante convidativa, em torno de 1,02% ao

Desembolsos para Micro e Pequenas Empresas – Distribuição por Região


Em R$ mil
“Momomo”
Região Valor Participação (%) %
2006 2007 2006 2007
Norte 189.925,6 281.935,1 4,93 4,92 48,45
Nordeste 431.275,8 652.452,1 11,18 11,40 51,28
Sudeste 1.833.276,7 2.603.491,9 47,54 45,47 42,01
Sul 1.108.368,2 1.719.648,9 28,74 30,04 55,15
Centro-Oeste 293.151,0 467.901,6 7,60 8,17 59,61
Total 3.855.997,3 5.725.429,6 100,00 100,00 48,48
Posição em 31/12/2007

34 Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr


crédito via
nico
e pequenas empresas às tecnologias de informação

Desembolsos para Micro e Pequenas Empresas –


Distribuição por Porte
Em R$ mil
Porte Valor Participação (%) %
2006 2007 2006 2007
Micro 1.669.903,1 2.390.174,3 43,31 41,75 43,13
Pequena 2.186.094,2 3.335.255,3 56,69 58,25 52,57
Total 3.855.997,3 5.725.429,6 100,00 100,00 48,48
Posição em 31/12/2007

mês, o limite de crédito aberto pode ser fixado em até sembolso para o segmento em 2008 é de R$ 6,7 milhões.
R$ 250 mil por cartão. Os prazos de parcelamento ofe- Os fornecedores que participam dos serviços ofere-
recidos são flexíveis e variam de 3 a 36 meses. Os cri- cidos pelo cartão BNDES movimentam cerca de 70 mil
térios para obter o cartão transcorrem dentro de rígidas produtos de variados setores que estão expostos em de-
normas que priorizam, entre outras determinações, que talhes no portal www.cartaobndes.gov.br. A quantidade
as empresas estejam em dia com quatro documentos: impressiona também pela variedade que vai desde com-
a Certidão Negativa de Débito do Instituto Nacional de putadores até caminhões, incluindo insumos dos setores
Seguro Social (INSS); o Certificado de Regularidade do de fabricação de móveis, têxtil e de confecção, coureiro-
Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS); Certi- calçadista, entre muitos outros.
dão Conjunta de Débitos Relativos a Tributos Federais e O cartão BNDES financia, por exemplo, a edição de
à Dívida Ativa da União e a Comprovação de Regulari- CDs e DVDs de produção nacional feita por gravadoras,
dade quanto à entrega da RAIS. locadoras de vídeo ou distribuidoras de filmes a empre-
No ano passado, os desembolsos para o cartão sas fabricantes destes itens. No setor editorial, o cartão
BNDES atingiram R$ 509 milhões, um crescimento de BNDES financia a encomenda de tiragem de livro im-
126% em relação aos desembolsos do ano anterior presso realizada por editoras a empresas gráficas,
(R$ 225 bilhões em 2006). Apenas em janeiro de 2008, foram além da compra do papel para impressão de livros. To-
emitidos 130 mil cartões que correspondem a um crédito já dos esses nichos são integrados por um grande número
aprovado para MPE de R$ 3,3 bilhões. Já a previsão de de- de micro e pequenas empresas.

Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr 35


FAT/Caixa

Momento econômico
alavanca APLICAÇ
Instituição aprimora procedimentos e aposta em parcerias que acelerem

A
Caixa Econômica Federal (CAIXA) aprimora seus procedimentos de conces-
Divulgação
são de crédito e demais serviços financeiros para atuar cada vez mais em
sintonia com micro e pequenas empresas. Em 2008, as operações no âmbi-
to do PROGER Urbano deverão totalizar cerca de R$ 755 milhões, dos quais R$ 725
milhões serão destinados às operações para investimentos de linhas específicas
MPE, cooperativas e associações de produção, como também para professores da
rede pública e privada, além de profissionais liberais (equipamentos para a infra-
estrutura de trabalho, incluindo os de informática). Os R$ 30 milhões restantes se-
rão destinados a empreendedores informais. A informação é do gerente Nacional
de Aplicações, Luigi Tenório de Andrade.
A expansão das linhas de crédito e do público-alvo não tem trazido desconforto
“Em 2007, a na atuação da CAIXA com relação aos níveis da inadimplência. Isso porque – se-
CAIXA destinou gundo Luigi – continua em vigor a política de assessoramento gerencial, marcada
R$ 900 milhões pelo rigor na análise das solicitações de crédito que inclui avaliações sobre o his-
tórico financeiro e contábil dos interessados.
ao segmento No caso das micro e pequenas empresas, continua válida a exigência de
das micro um plano de negócios que contemple, além dos volumes pretendidos, dados
e pequenas como abrangência do mercado consumidor, pontos fortes e fracos em relação à
concorrência, o objeto dos financiamentos, o incremento da receita projetada,
empresas,
entre outros aspectos. As avaliações de risco do crédito para concessão do
resultado crédito solicitado são feitas por processo automatizado que obedece à meto-
de 44.501 dologia própria da instituição.
contratações.” “Acompanhamos também dados relativos ao nível de ocupação do empre-
endimento e outras informações técnicas e negociais. Estamos atentos a tudo
que possa subsidiar o encaminhamento da análise de crédito para que haja
Luigi Tenório
de Andrade uma perfeita sintonia entre nós como instituição e os clientes”, explica Luigi.
Gerente Nacional Os planos de negócios são indispensáveis – explica – para a aferição da viabi-
de Aplicações lidade técnica do projeto. Para isso, ele considera importante que empresários
de pequenos negócios se valham da prestação de entidades especializadas em
assessoramento técnico-gerencial como o Sebrae.
Em 2007, a CAIXA destinou R$ 900 milhões ao segmento das micro e pequenas
empresas, resultado de 44.501 contratações. Deste total, a linha de capital de giro,
sem destinação específica, foi responsável por 25.145 das operações que somaram
R$ 386 milhões. A linha FAT Giro Setorial específica destinada aos segmentos da

36 Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr


o
APLICAÇões
m a destinação de recursos para investimentos

Indústria de Vestuário, Couro Calçadista,


Moveleiro e Máquinas Agrícolas, totalizou Capital de giro para MPE
R$ 266 milhões e atendeu 2.029 tomado-
Antecipação de Recebíveis – Os valores são liberados
res de diversos portes. Os volumes des-
na conta corrente da empresa e a cobrança dos recebíveis é
sas operações de investimento refletem o
crescimento da economia no País em 2007,
feita pela CAIXA.
projetado também para 2008 e os próximos Construgiro – Linha de crédito para empresas do ramo da
anos. Esse maior horizonte dá conforto construção civil que ambém antecipa valores a receber.
para apostas dos empresários em melho- GiroCAIXA Instantâneo Múltiplo – Linha com dois limites
rias e expansão dos seus negócios. de crédito na mesma conta corrente: um fixo e outro flutuante,
definido de acordo com a carteira de recebíveis.
Desconto de Cheque – dá mais tranqüilidade às vendas,
em especial nas datas comemorativas, quando o volume a
prazo aumenta.
Se o acesso ao capital de giro é cada Desconto de Duplicatas – Os juros são prefixados. A cobran-
vez mais fácil, pela variedade de
produtos e condições que vigoram ça das duplicatas é feita pela CAIXA.
no mercado, o acesso a capital para
investimento ainda é um obstáculo a
ser superado, em se tratando de MPE.
São, no caso, financiamentos que não
são concedidos sem a exigência de
garantias maiores que o faturamento,
por exemplo. Por isso a importância
dos Fundos de Avais e das
Sociedades de Garantias
de Crédito
Artur Ikishima

Pequenos Negócios & Finanças


Pequenos Negócios Finanças || Nº
Nº 2
2 || JanAbar
Jan-Abr 37
FCO e FAT/Proger

Banco do Brasil tem


metas audaciosas par
Incremento da aplicação de recursos pode superar 40% em relação ao ano passado

O
Ivo Gonzalez Banco do Brasil fixou “metas bastante audaciosas” para este ano. Se-
gundo José Carlos Soares, Diretor de Micro e Pequenas Empresas, até o
final de 2008 espera-se liberar R$ 34,5 bilhões em créditos para o seg-
mento, dos quais R$ 8,9 bilhões em financiamentos para investimentos produ-
tivos, principalmente linhas com recursos do FAT (Proger Urbano Empresarial e
Proger Turismo Investimento) e do FCO, este voltado ao atendimento da demanda
nos estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e no Distrito Federal. O
Banco do Brasil é o gestor dos recursos do Fundo Constitucional do Centro-Oeste
e o principal operador do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
A meta deste ano representa um incremento de 42% em relação aos R$ 24,3
“A estabilidade bilhões concedidos em 2007 e a manutenção de uma trajetória de crescimento
econômica deu sistemático dessa carteira à taxa de dois dígitos. Em relação a 2006, o aumento foi
de 34%, quando a liberação chegou a R$ 18,1 bilhões.
aos empresários
e dirigentes de Bons resultados – José Carlos Soares explica que esses bons resultados
empresas de decorrem da estabilidade econômica, que deu aos empresários e dirigentes de
empresas de pequeno porte a confiança para fazerem investimentos de longo pra-
micro e pequeno
zo e não só obterem recursos para operações do dia-a-dia (capital de giro). A Lei
porte confiança Geral da Micro e Pequena Empresa, avalia, tem contribuído para a estabilidade
para fazerem desse cenário, uma vez que trouxe a desburocratização tributária, dando garantia
investimentos de de estabilização dos custos ao tomador. Outras mudanças recentes, segundo ele,
contribuíram para o cenário favorável às MPE, como por exemplo, o incremento
longo prazo.” das compras governamentais. Em 2007, essas aquisições totalizaram R$ 9 bilhões
frente a R$ 2 bilhões, em 2006.
José Carlos Soares “Então, tudo isso requer crédito e o volume de empréstimos para as MPE vem
Diretor de Micro e Pequenas crescendo a taxas bastante elevadas nos últimos anos. O BB quer continuar na
Empresas do BB
liderança desse mercado, razão pela qual as metas para o corrente ano são arro-
jadas com ênfase nas operações de longo prazo. Essas operações darão ao setor
produtivo condições para suprir a demanda oriunda do crescimento do País a taxas
superiores a 4,5%, nos próximos anos”, afirma.

38 Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr


ra 2008

Márcia Gouthier/ASN
Recursos de
fundos federais
podem ser
empregados em
instalações para
melhor atendimento
da clientela

Números demonstram avanços


FCO – No ano passado, só na linha FCO Empresarial, o BB disponibilizou R$ 243,3 milhões em créditos para 3.283
micro e pequenas empresas nos estados abrangidos pelo Fundo. Na linha de crédito FCO Capital de Giro, foram con-
tratadas 1.091 operações no valor total de R$ 161,2 milhões.

FAT-Proger – Em relação ao Programa de Geração de Emprego e Renda (Proger) que recebe recursos do Fundo de Amparo ao
Trabalhador, os números são bem mais abrangentes. Na linha Fat Proger Urbano foram desembolsados no ano passado R$ 2,1
bilhões para 71.702 micro e pequenas empresas. Pelo menos 78% foram garantidos pelo Funproger, o fundo de aval das garan-
tias do Proger. Em 2008, o BB estima crescimento de 37% nas operações de crédito e desembolso superior a R$ 3 bilhões.

Repasse a parceiros – Este ano, o BB está empreendendo uma estratégia de repasse de recursos para insti-
tuições financeiras parceiras, visando facilitar o acesso ao crédito a mini e pequenos tomadores e às MPE e atender
determinação do Conselho Gestor do FCO de direcionar 51% dos recursos do fundo para este segmento. Os recursos
já estão à disposição dos parceiros. O Sicredi receberá R$ 20 milhões para repasses no Mato Grosso e Mato Grosso
do Sul. Goiás será beneficiado com recursos intermediados pelo Bancoob (R$15 milhões) e pela Agência de Fomento
do estado (R$ 10 milhões). O BB reservou R$10 milhões para o Banco de Brasília.

APL – Os Arranjos Produtivos Locais (APL), exemplo de grande sintonia das ações do Sebrae com o BB, ganharão no
segundo semestre de 2008 uma linha de crédito exclusiva para capital de giro, batizada de BB Giro APL. O BB hoje atua
juntamente com o Sebrae em 149 APL, envolvendo 561 municípios. Já foram liberados créditos de aproximadamente
R$ 1 bilhão distribuídos para 12 mil empreendimentos. A nova linha de crédito com recursos do próprio BB é destinada
exclusivamente para empresas que faturam até R$ 2,4 milhões por ano, em conformidade com a Lei Geral.

Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr 39


Fundo de Aval

Procura pelo Fampe


supera expectat
Operações garantidas no primeiro bimestre pelo Fundo superam em 700% as realizad

A
s mudanças nas regras do Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas,
Fabio Leon Moreira
promovidas pelo Sebrae no ano passado, apresentaram efeito significativo
já no primeiro bimestre de 2008. O gerente-executivo da Diretoria de Micro
e Pequenas Empresas do Banco do Brasil, Kedson Pereira Macedo, informa que
em janeiro e fevereiro já foram contratadas 3.486 operações com o aval do Fampe,
fazendo com que as garantias concedidas atingissem R$ 70 milhões. Durante todo
ano de 2007, o fundo foi utilizado em apenas 507 operações do BB.
“Com as alterações de limites de aval e do valor máximo da garantia, o
Fampe está mais competitivo e melhor de ser operado”, afirmou. A expectativa
é que passe a ter um desempenho semelhante ao do Funproger – o Fundo de
Aval do Programa de Geração de Emprego e Renda (Proger) – também operado
“Com as pelo Banco do Brasil.
alterações “Podemos dizer que há uma revitalização da nossa atuação, depois da assina-
de limites tura de um novo aditivo ao convênio que tínhamos com o Sebrae. Foi revista uma
série de condições do Fampe, que agora, por exemplo, pode cobrir até 80% do valor
de aval e do do empréstimo obtido, independentemente de a empresa tomadora fazer parte ou
valor máximo não de Arranjos Produtivos Locais. O Fundo foi revigorado”, explica.
da garantia, Os resultados relacionam-se também à nova estratégia do Banco do Bra-
sil de oferecer o Fampe como opção às empresas clientes com faturamento
o Fampe
bruto anual de até R$ 2.4 milhões (montante que, segundo a Lei Geral, en-
está mais quadra um empreendimento como micro ou pequeno) nos empréstimos con-
competitivo e cedidos por meio das linhas de crédito Proger Urbano Empresarial e Proger
melhor de ser Turismo Investimento.
Outras ações internas do BB estão contribuindo para melhorar o ambiente
operado.” das micro e pequenas empresas. Todo o processo das linhas de crédito para
o segmento foi automatizado. Uma vez contratada a operação, a liberação
Kedson Macedo
do dinheiro se dá via internet, telefone ou operador da agência. “São mul-
Gerente-executivo
Diretoria de Micro e Pequena ticanais para a liberação de crédito e o Fampe é atrelado automaticamente,
Empresas do Banco do Brasil
sem precisar de nenhum tipo de operação manual, dando celeridade ao ne-
gócio”. Hoje, uma operação do Proger Urbano Empresarial de até R$ 50 mil,

40 Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr


Caminho das pedras

tivas
Há 14 anos Carlos Augusto Gomides Araújo é diretor-proprietário da
Consolitur Turismo, localizada em um conhecido shopping de Brasília. Mes-
mo a longevidade do negócio e a demonstração de capacidade de paga-
mento não foram suficientes para obtenção dos empréstimos pretendidos.
Por isso, as três operações solicitadas ao Banco do Brasil só puderam ser
efetivadas com a utilização do FAMPE, a primeira delas em 1999.
das durante todo o ano de 2007 Depois de trabalhar em uma companhia área internacional, Carlos deci-
diu que era hora de alçar vôo solo. Antes da loja no shopping, estabeleceu-
se em Sobradinho, cidade satélite de Brasília. Em maio deste ano, inau-
gurou outra filial, desta vez no Sudoeste, uma área de classe média alta,
de um cliente cadastrado, leva menos praticamente emendada ao desenho original da cidade, o chamado Plano
de 24 horas para ser deferida. Para Piloto. Para começar, além da experiência adquirida no antigo emprego, ele
quem ainda não é cadastrado, ou seja, procurou se informar bastante sobre a atividade e nichos de mercado, como
ainda não tem limite de crédito defi- a prestação de serviços na forma de pacotes executivos para embaixadas
nido, o tempo estimado pelo banco com sede em Brasília.
é de 72 horas. Por ter uma empresa organizada e transparente na contabilidade, Car-
As principais linhas de crédito que los não considera trabalhoso o processo de análise de crédito feito por
utilizam o Fampe são: o Proger Urbano qualquer banco antes de conceder empréstimos. No caso de operações
Empresarial e o Proger Turismo Investi- que contam com o FAMPE, na complementação de garantias, essa análise
mento, ambas constituídas com recur- é ainda mais cuidadosa. É um equívoco – explica o empresário – achar que
sos do Fundo de Amparo ao Trabalhador o agente financeiro vai baixar guarda.
(FAT), além do FCO Empresarial, que re- “Todas as etapas, desde o levantamento da recei-
passa recursos do Fundo Constitucional ta até a movimentação de caixa, foram essenciais
do Centro-Oeste e é voltado ao atendi- à transparência da parceria estabelecida entre
mento da demanda por crédito nos es- minha empresa, o Banco do Brasil e o Sebrae
tados de Mato Grosso, Mato Grosso do por intermédio do FAMPE. Recursos para inves-
Sul, Goiás e no Distrito Federal. timentos são indispensáveis ao fortalecimento
de qualquer negócio”, explica. Os empréstimos
contratados por Carlos foram aplicados em equi-
pamentos como microcomputadores, instalações
e material de escritório.

Carlos Augusto Gomides Araújo


Consolitur Turismo
Wagner Ulisses

Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr 41


FNE/Banco do Nordeste

Trabalho integrado para


potencializ
Banco do Nordeste quer se consolidar como agente financeiro das MPE na re
na simplificação do processo de crédito

U
m dos desafios do Banco do Nordeste para o período de 2008 a 2011 é o de se
Divulgação
consolidar como o principal agente financeiro das micro e pequenas empre-
sas na região. Para isso, tem como meta elevar significativamente o volume
de suas aplicações no segmento com recursos próprios ou oriundos do FNE.
Em 2007, essas aplicações totalizaram R$ 750 milhões, valor muito superior
aos R$ 600 milhões projetados. Para este ano, estima-se que atingirão R$ 1 bilhão
em dezembro (metade do FNE). Até 2011, a expectativa é que a alocação de recur-
sos do Fundo para as MPE, na forma de créditos para investimentos e capital de
giro, alcance um patamar mínimo de 15%. Este percentual representa o dobro dos
recursos hoje alocados (em torno de 6%).
As microempresas localizadas no semi-árido, que representam 63% do terri-
“Os resultados tório nordestino, podem dispor de crédito para capital de giro com taxa a partir de
alcançados 0,98% ao mês. O Banco do Nordeste reduziu as taxas de juros de seus empréstimos
e projetados na linha ‘Giro Insumos Conterrâneo’. A linha contempla aquisição de matéria-pri-
ma ou formação de estoques para empresas industriais, agroindustriais, turísticas,
referem-se comerciais e de prestação de serviços, de qualquer porte. Os encargos, porém, são
a micro e mais favorecidos para as de menor porte.
pequenas Segundo o gerente de Negócios de Micro e Pequena Empresa, Henrique Jorge
Tinoco, a redução das taxas foi possível porque parcela dos recursos dessa linha
empresas
de crédito é proveniente do FNE. “Isso fortalece nossa orientação estratégica de
como definida disponibilizar custos diferenciados para o segmento e nos coloca em posição bas-
na Lei Geral, tante competitiva no mercado bancário ”, avalia Tinoco.
aquelas com O trabalho dos últimos anos, seja de articulação interna ou com parceiros
como o Sebrae, tem por objetivo fazer o BNB cada vez mais presente em todos os
faturamento municípios. Para isso, a instituição adotou uma estratégia que abrange, além da
ano até R$ 2,4 concessão de crédito com as melhores condições do mercado, a simplificação e
milhões.” padronização dos processos de crédito em operações até R$ 50 mil e para aquelas
realizadas com o apoio de empresas âncoras. Também tem firmado acordos ope-
Henrique racionais com entidades representativas de classe em cada um dos estados onde
Jorge Tinoco atua, incluindo o norte de Minas Gerais e do Espírito Santo, em torno de metas de
Banco do Nordeste produção, de acesso a serviços financeiros, à tecnologia e a mercados.
Os recursos do FNE são relevantes para atuação do Banco do Nordeste. Mas, em
se tratando de micro e pequenos empreendedores urbanos e rurais, essa atuação é

42 Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr


zar resultados
egião e para isso aposta em parcerias, em produtos diferenciados, em taxas atrativas e

Taxas atrativas
Juros fixos sem indexador para operações de investimentos:
• Microempresas: 7,25% ao ano (custo efetivo a partir de 5,06% ao ano, considerando
o bônus adimplência);
• Pequenas empresas: 8,25% ao ano (custo efetivo a partir de 6,19% ao ano, considerando
o bônus adimplência).
Bônus adimplência no semi-árido:
• 15% para as microempresas;
• 25% para pequenas empresas.

Márcia Gouthier/ASN

O Banco do Nordeste vem ampliando fortemente


as operações de crédito com micro e pequenas
empresas que atuam na área de turismo

Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr 43


FNE/Banco do Nordeste
Márcia Gouthier/ASN
maior fortalecer a atuação diferenciada do BNB, a fim de
ampliar e consolidar resultados relativos à articulação
institucional, ao desenvolvimento territorial e à efetivi-
dade da aplicação do FNE, com destaque para a expan-
são dos negócios com micro e pequenas empresas por
meio da melhoria dos canais de atendimento, competên-
cias e eficiência operacional. O que se pretende é uma
atuação cada vez mais articulada com a Caixa Econômi-
ca, Banco do Brasil e BNDES, afinada com os programas
plurianuais do Governo Federal e dos estados.
Taxas de juros reduzidas para
investimentos em implantação, modernização Produtos diferenciados – O planejamento estra-
e ampliação dos empreendimentos
tégico parte do princípio de que a região de atuação do
banco é uma fronteira econômica em expansão, tanto para
complementada pelo seu papel de agente financeiro do Pro- atividades rurais como urbanas. “Temos que levar em con-
grama Nacional de Agricultura Familiar (PRONAF) e também ta a concorrência dos demais bancos sempre em busca de
pelo ‘Crediamigo’ que deverá disponibilizar, no período de nichos promissores. Para isso, é fundamental que trabalhe-
2008 a 2011, R$ 6,8 bilhões no atendimento de três milhões mos linhas de atuação e produtos financeiros diferenciados,
de clientes. Esta meta representa uma ampliação de 40% no que realcem o valor do BNB no mercado”, diz a superinten-
mercado elegível do ‘Crediamigo’, que passará a ter uma car- dente de Políticas de Desenvolvimento, Sâmia Frota.
teira ativa de R$ 1 bilhão e cerca um de milhão de clientes. Levando-se em conta tais premissas, destaca-se no
Planejamento Estratégico, a ação relacionada a desenvol-
Integração econômica – O planejamento estra- vimento territorial sustentada na oferta de produtos que
tégico permitiu a redefinição da missão do Banco, agora representem ganhos de escala para a instituição como o
mais focada na integração do Nordeste à dinâmica da trabalho em favor da competitividade, não apenas de em-
economia nacional. Foram estabelecidas dez diretrizes, presas isoladas, mas principalmente daquelas integrantes
20 objetivos estratégicos e 32 projetos; 16 deles volta- de cadeias produtivas. “Estamos apostando na customiza-
dos para o suporte e competência da instituição e outros ção dos nossos produtos, na adaptação deles às necessi-
16 de olho no mercado e no cliente. Tem como objetivo dades de cada atividade econômica”, explica Sâmia.

Apoio a franquias
Divulgação

O BNB lançou no início de 2007, com recursos do FNE, uma linha de financia-
mento para incentivar investimentos em franquias na região. A linha faz parte da
estratégia de negócios da instituição de atuar de forma diferenciada em empresas
âncoras, levando-se em conta que são fatores de multiplicação e fortalecimento de
micro e pequenos negócios. “A região está crescendo muito, com uma velocidade
maior que o resto do País, o que está impactando o planejamento com relação a
franquias”, informa o Superintendente de Negócios do BNB, José Valter. José Valter
A intenção é contribuir para a multiplicação de franqueados de marcas nacionais, Banco do Nordeste

como também para a criação de marcas próprias. As condições para a nova linha são
bastante atraentes: juros a partir de 5,06% ao ano e prazo de até 12 anos para pagamento, de acordo com a
capacidade de pagamento do empreendimento. Outras iniciativas importantes em vigor tem como foco o for-
talecimento da cadeia de MPE fornecedoras da Petrobras e de empresas concessionárias de energia.

44 Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr


Parceria BNB/Sebrae
Notícias recentes
• No Espírito Santo, o Banco do Nordeste firmou convênio de cooperação técnica com
o Sebrae, visando facilitar o acesso ao crédito por meio da elaboração de projetos de via-
bilidade econômico-financeira para implantação, expansão, relocalização ou modernização
de micro e pequenas empresas. A parceria prevê o acompanhamento dos empreendimentos
pelo Sebrae, no caso de empréstimos até R$ 50 mil. O convênio foi assinado pelo diretor
superintendente do Sebrae no Espírito Santo, João Felício Scardua; pelo superintendente
estadual, José Mendes Batista e pelo gerente de Desenvolvimento Territorial do BNB, José
Meneses Lima Júnior. Com a formalização da parceria, os projetos voltados para os segmen-
tos ganham em qualidade, agilidade e eficiência.
• Os trabalhos dos Comitês Técnicos Regional e Estadual integrados por representantes
do Sebrae e do Banco do Nordeste tiveram início nos dias 13 e 14 de março, em Natal (RN).
Foram as primeiras de uma série de reuniões previstas para 2008, com o objetivo de dar con-
tinuidade às ações planejadas em 2007. Outro objetivo foi o de monitorar resultados aufe-
ridos e as ações em desenvolvimento. Os principais temas discutidos foram: a metodologia
de assessoria pós-crédito orientado, em desenvolvimento pelo Sebrae/CE; a simplificação
de processos de análise creditícia e as formas de acompanhamento de carteiras de projetos.
Além dos membros do comitê regional, a reunião Técnica Estadual contou com a participa-
ção, pelo Sebrae/RN, do Superintendente José Ferreira de Melo Neto e do diretor de Ad-
ministração e Finanças Murilo Diniz. Pelo Banco do
Nordeste/RN, participaram o Superintendente
estadual, José Maria Villar e seu corpo téc-
O Banco do
Nordeste responde
nico operacional.
por 60% do total de • Visitas técnicas a projetos apoiados
crédito de longo
prazo concedido em
por ambas as instituições no Rio Grande
sua área de atuação do Norte, com destaque para as visitas em
Cruzeta (Seridó Frutas), em São José
do Seridó (Cia. do Boné) e Caicó
(Restaurante Deguste).
Márcia Gouthier/ASN

Pequenos&Negócios
Pequenos Negócios Finanças&
| Ed.
Finanças
nº 2, |jan-mar
Nº 2 |de
Jan-Abr
2008 45
FNO/Banco da Amazônia

Juraci Xangai
Novas estratégias
e diretrizes de
política socioambiental
A Instituição faz amplo trabalho de divulgação das potencialidades
e condições favorecidas das linhas de crédito nos estados com o suporte do FNO

O
Banco da Amazônia (BASA), este ano, vai aplicar em torno de R$ 2 bi-
Divulgação
lhões do FNO nos sete estados da região Norte. Desse total 15% se-
rão destinados ao Acre, Amapá e Roraima; outros 15% para Amazonas,
Rondônia e Tocantins e 25% para o Pará, com ênfase no segmento das micro e
pequenas empresas. Ao todo deverão ser beneficiar 97 mil empreendimentos e
gerar 350 mil novos postos de trabalho.
“A aplicação desses recursos deve e pode ser compatível com as boas
práticas ambientais e contribuir para a expansão do PIB regional, com impac-
tos, inclusive, na administração orçamentária estadual, por meio do aumen-
to da arrecadação tributária”, avalia o gerente de Desenvolvimento do Basa,
Oduval Lobato Neto.
“A maior
utilização dos Balanço – No exercício de 2007, o BASA aplicou R$ 1,7 bilhão no fomento regional,
recursos do dos quais 1,1 bilhão providos pelo FNO, um incremento de 38% em relação a 2006.
No crédito de sustentação econômica, cuja destinação principal é suprir as
FNO deve-se ao necessidades de custeio e de capital de giro das empresas, o saldo das operações
amplo trabalho ativas atingiu R$787,1 milhões, contemplando 51.835 operações.
de divulgação.” Segundo Oduval, a maior utilização dos recursos do FNO deve-se ao amplo
trabalho de divulgação das potencialidades e condições favorecidas das linhas
Oduval Lobato Neto de crédito feito pelo Basa. “A aplicação desses recursos vem sendo discutida em
Banco da Amazônia
encontros estaduais de planejamento”, explica.

46 Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr


Em suas estratégias de ação, o Banco dá especial O FNO é a principal fonte de recursos financeiros
atenção ao financiamento das atividades produtivas estáveis para crédito de fomento. Atende atividades
de menor porte, sobretudo para o segmento da agri- produtivas de baixo impacto ambiental, cuja macrodire-
cultura de base familiar que valorizem o associativis- triz é o desenvolvimento sustentável da Região Norte.
mo, o extrativismo, a pesca artesanal. Também atende As atividades financiadas pelo banco abrangem os
agricultores sem-terra nos programas oficiais de as- setores de agroindústria, indústria, turismo, comércio
sentamento, colonização e reforma agrária. O mon- e prestação de serviços. Cada um desses segmentos
tante aplicado por meio do PRONAF atingiu R$ 274,7 pode ter limites de financiamento de acordo com a ca-
milhões, um incremento superior a 26% em relação ao pacidade de pagamento do beneficiário, considerando
quadriênio 2003-2006. o comprometimento máximo de 70% das suas dispo-
Os recursos do FNO provenientes de 0,6% da arre- nibilidades ou estabelecendo parcelas de pagamentos
cadação do IR e IPI são administrados pelo Banco da equivalentes ao capital de giro, limitadas a 35% do
Amazônia, que os aplica por meio de programas elabo- investimento total. Esse porcentual pode ser elevado
rados anualmente, de acordo com a realidade ambien- em até 50%, desde que devidamente justificado pela
tal, social e econômica da Região e em parceria com os assistência técnica. Os prazos de financiamento prevê-
representantes de instituições públicas e de diversos em carência de até 6 meses após a data prevista para
segmentos da sociedade, em consonância com o Plano o funcionamento do empreendimento, desde que não
Plurianual para a Amazônia Legal. ultrapasse quatro anos.

Princípios e diretrizes dos programas


com recursos do FNO
Concessão de financiamentos exclusivamente aos setores produtivos privados da Região;
Apoio à criação de novos centros, atividades e pólos dinâmicos, notadamente em áreas
interioranas, que estimulem a redução das disparidades intra-regionais de renda;
Tratamento preferencial às atividades produtivas de mini/pequenos produtores rurais e
micro/pequenas empresas;
Prioridade para produção de alimentos básicos destinados ao consumo da população;
Uso intensivo de matérias-primas e mão-de-obra locais;
Uso de tecnologia compatível com a preservação do meio ambiente;
Uso criterioso dos recursos e adequada política de garantias, com limitação das responsabi-
lidades de crédito por cliente e grupo econômico;
Adoção de prazos e carências, limites de financiamento, juros e outros encargos diferenci-
dos ou favorecidos em função dos aspectos socioeconômicos, tecnológicos e espaciais dos
empreendimentos;
Conjugação de crédito com a assistência técnica, no caso de setores tecnologicamente
carentes;
Proibição de aplicação de recursos a fundo perdido;
Ação integrada com instituições federais, estaduais, municipais e outras representativas
dos setores produtivos, sediadas na Região.

Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr 47


FNO/Banco da Amazônia

Os empréstimos para investimento fixo ou misto às médias/grandes empresas e aos médios/grandes


(associado a capital de giro) podem ser pagos em até produtores. Os projetos serão classificados como de
12 anos, incluída a carência. No caso de empreendi- alto risco (A), de risco médio (B) ou de baixo risco (C).
mentos ligados à infra-estrutura, o prazo total pode Dessa maneira, o Banco terá condições de priorizar e
chegar a 20 anos, incluídos até quatro anos de carên- promover de forma pró-ativa projetos que sejam pre-
cia. Para aquisição de matéria-prima, insumos, bens e cursores, multiplicadores, demonstrativos ou exem-
produtos, o prazo é de até 18 meses, incluídos até 6 plares em termos socioambientais. Com tais cuidados
meses de carência. na aplicação dos recursos, o BASA ganha em forta-
Atento aos requisitos da legislação vigente na análi- lecimento institucional e em reconhecimento como
se e aprovação dos financiamentos que concede, o Ban- agente financeiro fomentador do desenvolvimento da
co da Amazônia (BASA) aprimorou, este ano, as exigên- Amazônia para a Região, dentro de patamares inédi-
cias com relação às práticas sustentáveis em atividades tos de sustentabilidade.
de grande impacto socioambiental como as de produção
de soja, pecuária de corte e ferro-gusa. Impactos – Com o aprimoramento das regras so-
Todas as operações financiadas pelo Banco, já no cioambientais, haverá restrição ao financiamento de
recebimento da proposta na agência, serão pré-ava- atividades que acarretam graves danos ambientais. Em
liadas e classificadas segundo o potencial de impacto contrapartida, haverá reforço de foco nos projetos que
e risco ambiental que apresentam. Inicialmente há sugiram boas práticas. Um bom exemplo é o projeto
um cálculo prévio de impactos e riscos com relação ‘Integração Lavoura-Pecuária-Silvicultura’, que permite
o desenvolvimento de duas atividades no mesmo ano.
Silvaneide Guedes Também será elaborado, ainda no primeiro semestre
de 2008, o ‘Guia de Orientações Socioambientais do
Banco da Amazônia’ para divulgação ao público interno

O BASA opera pontos de atendimento que


cobrem toda a Amazônia Legal (em torno
de 59% do território nacional), os estados
de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande
do Sul e Brasília. Opera com exclusividade
o Fundo Constitucional de Financiamento
do Norte (FNO).
Também opera com recursos do Fundo
de Amparo ao Trabalhador (FAT), Fundo
da Marinha Mercante e Fundo de
Desenvolvimento da Amazônia (FDA),
Orçamento Geral da União, além de
recursos próprios. Busca novas
alternativas de negócios que utilizem
tecnologias e suporte técnico para
promoção do desenvolvimento regional
e favoreçam a criação de novos produtos
e serviços compatíveis com as
especificidades da Amazônia

48 Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr


e externo. Além disso, haverá a capacitação/treinamen- à segurança na análise dos projetos, à boa prática
to dos gestores e empregados envolvidos com a análise bancária e respeitam os princípios técnicos necessá-
e o acompanhamento do crédito. rios para aprovação da concessão do crédito. Assim,
o Banco posiciona-se estrategicamente como indutor
Sem fragilidades – As facilidades para o acesso do desenvolvimento sustentável e os tomadores de
ao crédito aprovadas pela diretoria-executiva do BASA crédito terão cada vez mais acesso a informações que
não acarretarão fragilidade ao processo de análise lhes proporcionem adequada avaliação dos diversos
de avaliação do crédito. Essas mudanças obedecem riscos de seu projeto.

Avanços
O BASA mudou recentemente as condições de financiamento para quem deseja moder-
nizar seus empreendimentos e a infra-estrutura com aquisição de máquinas, equipamentos
e veículos ou simplesmente ampliar seu capital de giro. As mudanças estão resultando em
processos de crédito menos burocráticos e maior dinamismo de atuação. Veja:
Aperfeiçoou o cadastro de prestadores de serviços que agora abrange profissionais
autônomos e órgãos conveniados responsáveis pela prestação de assistência técnica ou
avaliação de bens oferecidos em garantia no momento da solicitação do crédito;
O novo cadastro elimina o antigo credenciamento de projetistas (empresas/profissio-
nais autônomos) que tinham o “monopólio” da oferta de serviços de elaboração de projetos
e /ou orientação técnica e gerencial em nível de empresa/imóvel;
Dispensou a apresentação de projetos na solicitação de financiamentos de máqui-
nas, veículos de transporte de carga e de passageiro e/ou equipamentos isolados;
Adotou novos critérios de
garantias nos financiamentos

Denison Silvan
de bens de capital, de capital
de giro não associado a inves-
timento; e rural. Isso resultou
na ampliação do valor do bem a
ser financiado que poderá che-
gar até 100%;
Definiu novos prazos para
operações na área de crédito
de capital de giro que podem
chegar agora a 60 meses.

Um dos barcos entregue a pescadores


de Manacapuru (AM), produzido
pela Cooperativa Constrói Barcos e
Móveis de São Sebastião do Uatumã,
financiado pelo Banco da Amazônia

Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr 49


Cooperativismo de Crédito

Acesso ao FCO é
estratégia
Recursos mais baratos vão impactar diretamente a produtividade das micro e

O
Fundo Constitucional do Centro-Oeste (FCO) começa a ficar ainda mais
Divulgação
acessível às micro e pequenas empresas da região, por meio das coope-
rativas de crédito. A partir de convênios já assinados entre o Banco do
Brasil e os Sistemas Cooperativos Sicoob e Sicredi, os associados vão usufruir,
não só de um maior volume de recursos, como de apoio técnico para facilitar a
obtenção dos empréstimos e formas de bem aplicá-los. Estratégias para esti-
mular a adesão de novos micro e pequenos empreendedores, que envolvam a
qualificação e treinamento de pessoal para as avaliações de crédito, já estão em
avançadas negociações.
O presidente do Sicoob Goiás Central, José Salvino de Menezes, conta que
a assinatura do convênio com o Banco do Brasil, concluída em dezembro passa-
“O acesso ao do, foi recebida com entusiasmo pelos empreendedores goianos. O acesso ao
FCO era uma FCO era uma reivindicação antiga das cooperativas locais. “Estamos aguardan-
reivindicação do que o Banco do Brasil defina os limites do repasse para o Sistema Sicoob
em Goiás, para que possamos atender o mais rápido possível os associados”,
antiga das explica Salviano.
cooperativas O diretor-presidente do Banco Cooperativo do Brasil (Bancoob), Antônio de
locais” Azevedo Bonfim, afirma que esses recursos vão impactar positivamente a com-
petitividade das empresas tomadoras porque as taxas de juros são inferiores
José Salvino às demais linhas disponíveis no mercado e os prazos são compatíveis com as
de Menezes estratégias de investimento.
Presidente do Sicoob Bonfim destaca que as operações com recursos do FCO são parte da estratégia
Goiás Central
de expansão do cooperativismo de crédito com foco em micro e pequenos empre-
endedores que o Sicoob vem desenvolvendo no Centro-Oeste. O Bancoob, como
braço financeiro do sistema, incentiva parcerias que representem mais funding e
profissionalismo para estimular o cooperativismo não só no Centro-Oeste como nas
demais regiões. A tendência mundial do segmento – explica – é a centralização
das operações sob a forma de parcerias, acordos, incorporações e fusões.
O Bancoob dá ao processo de captação e contratação de recursos um trata-
mento igualitário, disponibilizando limites operacionais para as cooperativas. A
soberania das assembléias, a autogestão cooperativa, o rigor das políticas de
crédito e o monitoramento das cooperativas centrais em conjunto, fortalecem a

50 Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr


de expansão
e pequenas empresas da região

estrutura de concessão de crédito, permitindo a alocação de recursos de forma


Fabio Leon Moreira
consistente e organizada.
Para receber os recursos do FCO, o Sistema Sicoob vem se preparando com
capacitação específica sobre os novos produtos e serviços e adequando também
o sistema operacional. O Bancoob também divulgará manuais das operações
além do material de promoção.
Os microempresários filiados às cooperativas do Sicoob para acessar os re-
cursos disponíveis terão de se enquadrar em critérios pré-estabelecidos e o
processo de contratação será estabelecido pelo Conselho Deliberativo do FCO
(Condel), gerido pelo Banco do Brasil e acatados pelo Bancoob. Na análise do
crédito, a cooperativa verifica o cadastro dos microempresários, o volume de
recursos pretendido e o limite disponível. Em função do valor a ser contratado, “Operações
pode-se ter a necessidade de carta-consulta, que é submetida ao Conselho Es- com recursos do
tadual de Desenvolvimento ou órgão equivalente. FCO são parte
O Bancoob também tem total interesse em operar na disponibilização dos
Fundos Constitucionais do Nordeste (FNE) e do Norte (FNO) para microempresá-
da estratégia
rios filiados às cooperativas de crédito atuantes nessas regiões. O primeiro pas- de expansão do
so será o de formalizar o pedido de inclusão de instituições operadoras junto às cooperativismo
agências ou ao próprio Ministério da Integração Nacional. Havendo demanda, o
de crédito com
Bancoob subsidia as Cooperativas Centrais nos procedimentos necessários para
conseguir esses recursos. foco em micro
e pequenos
Sicredi – De acordo com o supervisor de desenvolvimento de linhas de crédito empreendedores
do Bansicredi em Porto Alegre, Elenilton Silva e Souza, a expansão das coopera-
tivas que atendam MPE no Centro-Oeste está inserida no planejamento de metas
no Centro-Oeste”
definido até 2010. A expansão será amparada nas cooperativas já existentes que
estão passando por um calendário de mudanças que as insiram no regime de livre Antônio de
Azevedo Bonfim
adesão de associados.
Diretor-Presidente
O ano de 2007 foi marcado por avanços no cooperativismo regional, em es- do Bancoob
pecial no Mato Grosso do Sul. Com o apoio de várias instituições, dentre elas o
Sebrae, foi criada a primeira Cooperativa de Crédito de Micro e Pequenos Em-
presários de Campo Grande e região, que tem como expectativa para 2008 um

Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr 51


Cooperativismo de Crédito

quadro com 2.218 associados, entre pessoas jurídicas e físicas, de renda ou fa-
Divulgação
turamento médio/ ano de R$ 307.595,00.
O sucesso levou a cooperativa a rever seu planejamento. A instituição estu-
da a abertura de mais um ponto de atendimento em Campo Grande, levando-se
em conta a possibilidade de acesso a diversas linhas de funding. O presidente
da Central SICREDI-MT, João Carlos Spenthof, explica que as operações com
repasses do FCO Empresarial financiarão todos os bens e serviços necessários
à implantação, ampliação ou modernização de empreendimentos dos setores in-
dustrial, agroindustrial, turístico, comercial e de serviços, independente de haver
capital de giro associado. Também poderão financiar a aquisição de insumos no
setor turístico, entre outros.
“ Nossas “Quanto às operações de repasse para o FCO Rural, poderemos financiar
cooperativas investimentos fixos e semifixos, além do custeio associado a projeto de inves-
fazem adequações timento e empreendimentos destinados ao beneficiamento e transformação de
matéria-prima regional in natura, de origem agropecuária e de produção pró-
para terem como pria”, ressalta Spenthof.
associados É grande a expectativa em torno da operacionalização desses recursos que
empresários de poderá alavancar inúmeros projetos nas regiões onde o Sicredi atua. Em parceira
com o Banco do Brasil, a Central SICREDI-MT auxiliará no processo de análise e
micro e pequenos
liberação do crédito para o segmento das MPE, aumentando, com isso, a dinâmi-
negócios” ca de aplicação de recursos na região.
Elenilton
Spenthof ressalta que o foco do Sicredi, ao trabalhar com recursos do FCO,
Silva e Souza é exatamente o de melhor atender as MPE. O plano de ação em execução está
Supervisor de voltado para financiar todos os bens e serviços necessários à implantação, am-
Desenvolvimento de
Linhas de Crédito pliação, modernização, adequação ambiental e sanitária, além de promover a
Banco Cooperativo SICREDI   interiorização do desenvolvimento, ampliando as oportunidades de emprego de

Divulgação
Programa de Apoio ao
O Sebrae considera o cooperativismo de crédito
uma alternativa bastante consistente para amplia-
ção do acesso de micro e pequenos empresários ao
crédito e demais serviços financeiros com redução
significativa de custos e da burocracia.
A atuação do Sebrae nesse segmento parte
da premissa de que as cooperativas de crédito
são agentes vocacionadas para o atendimento
de micro e pequenos negócios, promovendo o de-
senvolvimento local e sustentável na medida em
que aplicam os recursos no mesmo território onde
atuam; capazes de alavancar, inclusive, capital de
terceiros. Também apresentam um grande poten-
cial de participação no sistema financeiro.

52 Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr


forma a proporcionar melhoria de renda e de produtividade deste segmento. O
Divulgação
SICREDI está presente em 95 dos 141 municípios de Mato Grosso. Dos municí-
pios atendidos, 29 contam apenas com o SICREDI para a prestação de serviços
financeiros e acesso ao crédito.
Por meio de palestras, seminários e cafés da manhã, os associados recebem
informações sobre as linhas de financiamento disponíveis. “O SICREDI – como
agente financeiro, de projetos implementados em Arranjos Produtivos Locais e
parceiro do Circuito Empreendedor, voltado para projetos individuais – dissemina
cursos de gestão administrativa, financeira e de pessoas, dentre outras, para
seus associados em Mato Grosso”, informa João Carlos.

“Estamos
Algumas premissas da atuação do Sebrae revendo o nosso
O crédito como um elemento agregador; planejamento
Cooperativismo de crédito brasileiro como sujeito; para melhor.
Empreendedores e micro e pequenas empresas como públicos; Estudamos abrir
Fomento à poupança e desenvolvimento territorial como objetivo; mais um ponto
Otimização e racionalidade; de atendimento
Orientação por demanda;
em Campo
Sustentabilidade;
Grande”
Independência;
Abrangência sistêmica e nacional; João carlos Spenthof
Respeito aos sistemas organizados e seu fortalecimento; Presidente da Central
Sicredi-MT
Ação integrada e estruturante.

Cooperativismo de Crédito
A instituição tem convênios com cinco impor- viabilizar por meio da racionalização de custos
tantes sistemas cooperativos de crédito: Sicoob, e de processos de gestão.
Sicredi, Unicredi, Ecosol e Cresol. Por meio desses Governança: há uma relação direta entre
convênios, contribui para a construção de uma cul- a profissionalização das cooperativas, a qua-
tura de cooperação e associativismo; a viabilidade lificação dos seus quadros, a infra-estrutura,
econômico-financeira e governança das cooperativas o envolvimento dos associados e a sua parti-
a qualificação profissional de seus dirigentes e a con- cipação no mercado.
solidação metodológica operacional e de gestão. Qualificação profissional: setor com alto ní-
vel de especificidades, sistemicamente “novo” e
Alguns desafios carente de especialistas.
Cultura da cooperação: baixa participação, Distribuição geográfica: estímulo às fu-
concentração das decisões em mãos de poucos. sões e incorporações no sul, sudeste e centro-
Viabilidade econômico-financeira: a co- oeste e à disseminação e estruturação de novas
operativa é uma empresa e como tal, precisa se cooperativas no Norte e Nordeste.

Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr 53


Cooperativismo de Crédito

Credisul e Credima são


inauguradas no s
Estratégia do Sebrae é a de estimular essa importante ferramenta de desenvolvimento soc

D
urante menos de meia hora em que ficou
aberta ao público, antes da solenidade ofi-
cial de inauguração, na noite de 18 de abril
último, com a presença de autoridades estaduais e
municipais, além de lideranças empresariais e repre-
sentantes do Sebrae, a Cooperativa de Crédito do Sul
do Maranhão, a Credisul, com sede em Grajaú, rece-
beu dois depósitos de valores significativos.
A realização dos depósitos, como primeiras ope-
rações bancárias, foi registrada com entusiasmo pelo
presidente da Cooperativa, José Aneirão, e não passou
despercebida ao diretor de Administração e Finanças
do Sebrae Nacional, Carlos Alberto dos Santos, pre-
sente à solenidade.
“Isso mostra a confiança dos associados no pro-
jeto que é de longuíssimo prazo e vai mudar a face
socioeconômica de uma região tão promissora como
o sul do Maranhão. Fica claro que as cooperativas
são também instituições de captação e administra-
ção de poupanças e não apenas fornecedoras de Grajaú é um importante pólo de produção de gesso, tendo o Distrito Federa
crédito”, afirmou Carlos Alberto. para fruticultura e agronegócios. Açailândia produz ferro-gusa e tem o ma

Da esquerda para a direita:


diretor do Sebrae/Ma,
José Antônio Fernandes;
diretor do Sebrae
Nacional, Carlos Alberto
dos Santos; secretário
da Indústria e Comércio
e presidente do CDE/MA,
Júlio César de Noronha,
e o diretor da Unidade de
Agronegócios
de Imperatriz/MA,
Francisco Gilson.

54 Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr


sul do Maranhão
cioeconômico tendo como foco o Norte e Nordeste

Fotos: Divulgação

“Temos
estratégias
para ampliar
rapidamente
nossa base de
associados,
empresários
al como principal mercado para placas utilizadas em construções e decorações. Além disso, tem vocação
aior rebanho bovino do Maranhão. rurais e
urbanos.”

O diretor ressaltou ainda que a Credisul e a Cooperativa de Crédito da José Aneirão


Pré-Amazônia (Credima), com sede em Açailândia, inaugurada no dia seguin- Presidente da Credisul
te (19), estavam fazendo a história do cooperativismo no Estado. Ele lembrou
que a mais antiga cooperativa brasileira é de crédito rural. Fundada em 1902,
no município de Nova Petrópolis, na região da Serra Gaúcha, continua em
funcionamento.

Potencial – A Credisul começa as atividades com 104 sócios-fundadores


e a Credima com 100. Só a Credima tem um potencial de 15 mil associados,
pois poderá ter agências em vários outros municípios como Buriticupu, Bom
Jesus das Selvas, Itinga, São Pedro da Água Branca, Vila Nova dos Martírios,
Cidelândia e São Francisco do Brejão. A Credisul, de Grajaú, atuará também

Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr 55


Cooperativismo de Crédito

nos municípios de Barra do Corda, Arame, Sítio Novo, Formosa da Serra Negra,
Jenipapo dos Vieiras, Fernando Falcão, Tuntum e Itaipava do Grajaú e tam-
bém tem estratégias para ampliar rapidamente a base de associados, formada
atualmente por produtores rurais, proprietários também de pequenos e micro
empreendimentos urbanos.
Para apressar o processo de abertura, as duas cooperativas foram criadas
como cooperativa de crédito rural. Mas o passo imediato é adaptarem-se ao
regime de livre adesão, permitindo associados de diferentes atividades e portes.
“Por isso contaram e continuarão contando com nosso apoio”, informa Walter
Monteiro, assessor da Superintendência do Sebrae/MA, que ao lado de Wam-
“O passo berg Amaral, hoje no Sebrae/PE, foram os grandes articuladores, com o apoio do
Sebrae Nacional, do processo de constituição dessas duas primeiras cooperati-
imediato dessas
vas de crédito maranhenses.
cooperativas é
adaptarem-se Obstinação – Passaram-se cinco anos até que todas as exigências do Banco
ao regime de Central e do Sistema Sicoob, ao qual são filiadas, fossem plenamente atendidas.
Os dois processos envolveram muita mobilização empresarial, idas e vindas a Bra-
livre adesão.” sília, missões técnicas a cooperativas já consolidadas de outros estados, além da
Walter monteiro presença de representantes do Banco Central e Sebrae Nacional em Imperatriz,
Assessor de Grajaú e Açailândia. “O processo foi árduo, mas gratificante. Nasceram duas coo-
Superintendência do
Sebrae/MA perativas fortes, bem instaladas, exemplos que poderão ser replicados não só no
Maranhão, mas em todo o Nordeste”, ressalta Wamberg.
O presidente da Credima, Luiz Costa Coelho, empresário do ramo de confecções
e calçados, está entusiasmado com suas novas funções. Isso porque conta com
o apoio dos integrantes do Centro Empresarial de Açailândia, que congrega três
fortes entidades: a Associação Comercial, o Sindicato do Comércio Varejista e da
Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL).

Da esquerda para a direita: Luiz


Coelho, presidente da Credima;
Evaldo Campos, do Sicoob-NE,
e Carlos Quaresma, diretor
“O processo financeiro da Credima

foi árduo, mas


gratificante;
nasceram duas
cooperativas
fortes e bem
instaladas.”
Wamberg amaral
Sebrae/PE

56 Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr


“Investidores já identificam a região como estratégica para o agronegócio, a agropecuária e a prestação de serviços”,
afirmou o Secretário Júlio César, em reunião com empresários, no Sindicado dos Produtores Rurais de Açailândia.

Em Açailândia essas entidades dão, para todo o Bra- projeto, que envolveu superação de vários e difíceis
sil, o exemplo de funcionarem de forma integrada, cada trâmites junto ao Banco Central e ao Sistema Sicoob.
uma no âmbito de suas atribuições e responsabilidades, E o melhor, essas cooperativas atenderão uma série de
diferentes e complementares, repartindo um mesmo municípios. Darão, certamente, o resultado que espe-
prédio, de projeto arrojado e recém construído. Outras ramos – o de acelerar o desenvolvimento socioeconô-
entidades, como as dos pecuaristas de leite e de corte mico do Maranhão”, afirmou.
também são apoiadoras da cooperativa. Segundo o secretário, as duas cooperativas só se
tornaram realidade porque contaram com uma equipe
Região estratégica – O secretário de Indústria e Co- aguerrida que acreditou mesmo diante de cada percal-
mércio e presidente do Conselho Deliberativo Estadual (CDE) ço encontrado, quando o mais fácil era desistir. Ele en-
do Sebrae no Maranhão, Júlio César Teixeira de Noronha, fatizou que o Sebrae Nacional realmente liderou este
avalia que a criação da Credisul de Grajaú e da Credima processo para que as cooperativas de fato se concre-
de Açailândia, vai materializar as potencialidades do sul do tizassem. “Elas serão certamente modelos de suces-
Maranhão, seja no meio rural ou no urbano. “Investidores já so que podem ser replicados em prol do desenvolvi-
identificam a região como estratégica para o agronegócio, a mento regional com maior empregabilidade e melhor
agropecuária e a prestação de serviços”, ressaltou. distribuição de renda.”
Com as cooperativas – continuou – o setor produ- “Começamos a romper a inércia que nos colocava
tivo da região vai ter acesso a crédito sem burocracia. em posição de atraso em relação aos demais estados
“As instalações modernas e confortáveis disponibiliza- do Nordeste. Com integração de propósitos saberemos,
das aos associados e à clientela em geral são exemplo certamente, aproveitar as oportunidades no horizonte
da seriedade de todo o processo de construção desse que se descortina”, concluiu.

Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr 57


Parceria interna

Trabalho conjunto para


potencializar resultados
UASF e Uam trabalham juntos em várias frentes, como Meios Eletrônicos de Pagamento,
Sociedades de Garantias de Crédito e Programa de Internacionalização de Empresas

P
or recomendação da Diretoria-Executiva do Sebrae UASF e UAM também trabalharão afinadas no projeto
Nacional, as unidades de Acesso a Serviços Finan- de internacionalização que engloba um universo de 1.000
ceiros e a de Acesso a Mercado já estão traba- pequenas empresas apoiadas pelo Sebrae, já mapeadas e
lhando juntas em várias frentes para potencializar resul- com expertise em exportação de produtos. A UASF seguirá
tados, levando-se em conta o objetivo maior de promoção uma pauta com as instituições financeiras parceiras para que
continuada da competitividade das micro e pequenas a UAM lhes apresente o programa de internacionalização.
empresas. Uma delas é a de ampliar o acesso a Meios
Eletrônicos de Pagamento tendo como foco projetos como Saiba mais
o “Bolsa de Negócios”. Uma das idéias é ampliar o uso,
Bolsa de negócios – é uma ferramenta virtual para
entre os empresário atendidos, do Cartão BNDES.
divulgar ofertas e facilitar a procura de produtos e
O trabalho conjunto também identificou que o projeto
serviços. O funcionamento da Bolsa se dá pelo cru-
“Centrais de Negócios” tem grande aderência com a gran-
zamento de oportunidades e demandas de acordo
de prioridade da UASF que é a disseminação das Socieda-
com o interesse, perfil e necessidade de negócio de
des de Garantias de Crédito. As “Centrais de Negócios”
cada usuário. Os negócios não se efetivarão de forma
podem ser potenciais candidatas à constituição dessas so-
virtual. O objetivo do projeto é dar maior competitivi-
ciedades, conforme Chamada Pública lançada pelo Sebrae
dade às MPE por meio da inclusão digital.
no final de março. Assim, as centrais estarão incluídas no
Centrais de Negócios – As ações do projeto vi-
esforço da UASF de divulgação da Chamada Pública.
sam à organização de grupos de empresários e
empreendedores para implementação de processos
conjuntos de compras e vendas que lhes permitam
Gerentes Alexandre Guerra (UASF) e Raíssa Rossiter (UAM) ganhos de escala e maior participação no mercado.
e suas respectivas equipes
Márcia Gouthier/ASN

58 Pequenos Negócios & Finanças | Nº 2 | Jan-Abr


Fique ligado nos avanços
e desafios das finanças de
pequenos negócios
faça do portal www.uasf.sebrae.com.br
uma ferramenta de trabalho
Negócios&
Pequenos

Finanças

www.sebrae.com.br