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CURSO LIDERANÇA leis do mercado, pela ruptura de todas as fronteiras.

“A melhor equipe para concursos públicos” Tal situação leva Octavio Ianni (1998:28) a afirmar que
“o que está em causa é a busca de maior e crescente
CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS produtividade, competitividade e lucratividade, tendo
em conta mercados nacionais, regionais e mundiais.
EDUCAÇÃO, TRABALHO E CIDADANIA: A Daí a impressão de que o mundo se transforma no
EDUCAÇÃO BRASILEIRA E O DESAFIO DA território de uma vasta e complexa fábrica global e, ao
FORMAÇÃO NO ATUAL CENÁRIO HISTÓRICO mesmo tempo, em shopping center global e
(Antônio J. Severino). disneylândia global”.
A humanidade vive, hoje, um momento de sua história No entanto, este modo de ver e existir atuais, de perfil
marcado por grandes transformações, decorrentes, assumidamente neoliberal, com suas decorrências e
sobretudo do avanço tecnológico, nas diversas esferas expressões no plano cultural, com sua exacerbação do
de sua existência: na produção econômica dos bens individualismo, do produtivismo, do consumismo, da
naturais; nas relações políticas da vida social; e na indústria cultural, da mercadorização até mesmo dos
construção cultural. Esta nova condição exige um bens simbólicos, não instaura nenhuma pós-
redimensionamento de todas as práticas mediadoras de modernidade. Com efeito, o que está de fato
sua realidade histórica, quais sejam, o trabalho, a acontecendo é a plena maturação das premissas e
sociabilidade e a cultura simbólica. Espera-se, pois, da promessas da própria modernidade. Nada mais
educação, como mediação dessas práticas, que se moderno do que esta expansão e consolidação do
torne, para enfrentar o grande desafio do 3º milênio, capitalismo, envolvido numa aura ideológica de
investimento sistemático nas forças construtivas dessas liberalismo extremado; nada mais moderno do que esta
práticas, de modo a contribuir mais eficazmente na tecnicização, viabilizada pela revolução informacional.
construção da cidadania, tornando-se Finalmente, a modernidade está realizando as
fundamentalmente educação do homem social. promessas embutidas em seu projeto civilizatório. Nada
A educação, como processo pedagógico sistematizado mais moderno do que o individualismo egoísta dos dias
de intervenção na dinâmica da vida social, é de hoje. No fundo, é a mesma racionalidade que
considerada hoje objeto priorizado de estudos continua dirigindo os rumos da história humana, em
científicos com vistas à definição de políticas que pesem as críticas que são feitas à sua forma de
estratégicas para o desenvolvimento integral das expressão até o século 19.
sociedades. Ela é entendida como mediação básica da
vida social de todas as comunidades humanas. Esta Educação E Formação do Homem Social
reavaliação, que levou à sua revalorização, não pode, Ao contrário do que sempre alegaram a metafísica
no entanto, fundar-se apenas na sua operacionalidade tradicional e a ciência moderna, todas as formas de
para a eficácia funcional do sistema socioeconômico, manifestação concreta da existência humana se
como muitas vezes tendem a vê-la as organizações realizam mediante a ação real, o agir prático. Com
oficiais, grandes economistas e outros especialistas que efeito, a substância do existir é a prática. Só se é algo
focam a questão sob a perspectiva da teoria do capital mediante um contínuo processo de agir, só se é algo
humano. mediante a ação. Assim, diferentemente do que
Sem dúvida, a existência real dos homens é pensavam os metafísicos clássicos, não é o agir que
profundamente marcada pelos aspectos econômicos, decorre do ser, mas é o modo de ser que decorre do
até porque esta dimensão econômica, devidamente agir. É a ação que delineia, circunscreve e determina a
entendida, constitui mesmo uma referência essência dos homens. É na e pela prática que as coisas
condicionante para as outras dimensões da vida humanas efetivamente acontecem, que a história se
humana, uma vez que ela se liga à própria faz.
sobrevivência da vida material. Este é o sentido da historicidade da existência humana,
Porém, a significação dos processos sociais e, no seu ou seja, os homens não são a mera expressão de uma
âmbito, dos processos educacionais não se restringe a essência metafísica predeterminada, nem a mera
essa sua funcionalidade operatória. Se, de um lado, é a resultante de um processo de transformações naturais
realidade dos fatos que permite que a educação tenha que estariam em evolução. Ao contrário, naquilo em
alguma incidência social, de outro, essa eficácia só que são especificamente humanos, eles são seres em
ganha legitimidade humana se se referir a significações permanente processo de construção. Nunca estão
que ultrapassem sua mera facticidade e seu prontos e acabados, nem no plano individual, nem no
desempenho operacional. plano coletivo, como espécie. Por sobre um lastro de
uma natureza físico-biológica prévia, mas que é pré-
A Nova Ordem Mundial: a Promessa. humana, compartilhada com todos os demais seres
De acordo com um senso comum atualizado, vigente vivos, eles vão se transformando e se reconstruindo
nos meios acadêmicos, nos meios de comunicação e como seres especificamente humanos, como seres
até mesmo nos meios populares, estaríamos vivendo “culturais”. E isso não apenas na linha de um
hoje um mundo totalmente diferente daquele projetado necessário aprimoramento, de um aperfeiçoamento
pela visão iluminista da modernidade, constituindo uma contínuo ou de progresso: ao contrário, estas
nova ordem mundial. mudanças transformativas, decorrentes de sua prática,
Estaríamos vivendo um momento de plena revolução podem ser regressivas, nem sempre sinalizando para
tecnológica, capaz de lidar com a produção e uma eventual direção de aprimoramento de nosso
transmissão de informações em extraordinária modo de ser. O que é importante observar é que os
velocidade, num processo de globalização não só da seres humanos vão sendo aquilo que se vão fazendo e
cultura, mas também da economia e da política. Tratar- este fazer-se, este constituir se só se dá mediante a
se-ia de um momento marcado pelo privilegiamento da ação e não pelos seus desejos, pelos seus pensamentos
iniciativa privada, pela minimalização da ingerência do e teorias.
Estado nos negócios humanos, pela maximalização das Assim, a educação não poderá mais ser vista como
processo mecânico de desenvolvimento de
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potencialidades. Ela será necessariamente um processo formas de despersonalização individual e coletiva, ao
de construção, ou seja, uma prática mediante a qual os império da alienação. Sempre é bom não perder de
homens estão se construindo ao longo do tempo. vista que o trabalho pode degradar o homem, a vida
social pode oprimi-lo e a cultura pode aliená-lo,
Educação como Mediadora da Existência Histórica ideologizando-o.
Pode-se então equacionar a existência humana como Daí se esperar da educação que ela se constitua, em
se dando mediada pelo tríplice universo do trabalho, da sua efetividade prática, um decidido investimento na
sociedade e da cultura. Como os três ângulos de um consolidação das forças construtivas dessas mediações.
triângulo, esses três universos se complementam e se É por isso que, ao lado do investimento na transmissão
implicam mutuamente, um dependendo do outro, a aos educandos, dos conhecimentos científicos e
partir de sua própria especificidade. técnicos, impõe-se garantir que a educação seja
É nesse contexto que se pode entender as relações do mediação da percepção das relações situacionais, que
conhecimento com o universo social. Com efeito, o ela lhes possibilite a apreensão das intrincadas redes
conhecimento pressupõe um solo de relações sociais, políticas da realidade social, pois só a partir daí
não apenas como referência circunstancial, mas como poderão se dar conta também do significado de suas
matriz, como placenta que nutre todo seu atividades técnicas e culturais. Por outro lado, cabe
processamento. Entretanto, essa trama de relações ainda à educação, no plano da intencionalidade da
sociais em que se tece a existência real dos homens, consciência, desvendar os mascaramentos ideológicos
como se viu antes, não se caracteriza apenas pelas de sua própria atividade, evitando assim que se
relações de gregaridade dos indivíduos, tal qual ocorre instaure como mera força de reprodução social e se
nas “sociedades” animais, mas sobretudo por relações torne força de transformação da sociedade,
de hierarquização, envolvendo o elemento específico a contribuindo para extirpar do tecido desta todos os
interferir no social humano, o poder, que torna política focos da alienação.
a sociedade.
O saber aparece, portanto, como instrumento para o FUNÇÃO SOCIAL DA ESCOLA: RELAÇÃO ESCOLA E
fazer técnico-produtivo, como mediação do poder e SOCIEDADE
como ferramenta da própria criação dos símbolos, A escola, ao caracterizar-se como estabelecimento de
voltando-se sobre si mesmo, ou seja, é sempre um educação ou de ensino, em de ser vista como
processo de intencionalização. Assim, é graças a essa organização e instituição. Seu fazer educativo não se
intencionalização que nossa atividade técnica deixa de confunde com o que acontece na família, no trabalho,
ser mecânica e passa a se dar em função de uma na mídia, no lazer e nas demais formas de convívio
projetividade, o trabalho ganhando um sentido. Do social. A escola também não se confunde com a
mesmo modo, a atividade propriamente política se comunidade, a autarquia local, associações ou
ideologiza e a atividade cultural transfigura a utilidade sindicatos.
pragmática imediata de todas as coisas. A escola é, antes de mais nada, uma organização, isto
Como entender então a educação nesse contexto das é, uma unidade social criada e estruturada
mediações histórico-sociais que efetivamente explicitamente para realizar determinados fins (por
manifestam e concretizam a existência humana na exemplo: educação, ensino, formação. O que a
realidade? Ela deve ser entendida como prática distingue da família é a existência de um aparelho de
simultaneamente técnica e política, atravessada por autoridade (por exemplo, órgãos de administração e
uma intencionalidade teórica, fecundada pela gestão) e de um corpo de regras, normas e
significação simbólica, mediando a integração dos procedimentos (por exemplo, regimento, regulamento
sujeitos educandos nesse tríplice universo das interno, projeto educativo),formalmente instituídos
mediações existenciais: no universo do trabalho, da para atingir um certo número de objetivos, alguns dos
produção material, das relações econômicas; no quais podem (e devem) ser igualmente prosseguidos
universo das mediações institucionais da vida social, pela família e outras instâncias de socialização
lugar das relações políticas, esfera do poder; no (MUSGRAVE, 1979; HAECHT, 1992; PINTO, 1977).
universo da cultura simbólica, lugar da experiência da Mas a escola, tal como a empresa, não pode ser vista
identidade subjetiva, esfera das relações intencionais. apenas sob o aspecto formal (o organograma, o
A educação só se legitima intencionalizando a prática estatuto, a missão oficial, o regulamento, as
histórica dos homens. competências dos órgãos de administração e gestão). À
Com efeito, se se espera, acertadamente, que a semelhança do iceberg a escola tem uma parte
educação seja de fato um processo de humanização, é imediatamente não visível (ou manifesta), porque
preciso que ela se torne mediação que viabilize, que submersa (ou latente):
invista na construção dessas mediações mais básicas, 1) são as relações informais que os membros
contribuindo para que elas se efetivem em suas (pessoal docente e não docente, alunos, pais e
condições objetivas reais. Ora, esse processo não é encarregados de educação, outros representantes
automático, não é decorrência mecânica da vida da da comunidade) estabelecem entre si;
espécie. É verdade que, ao superar a transitividade do 2) essas relações, sobretudo, relações de poder
instinto e com ela a univocidade das respostas às (saber/não saber, ensino/aprendizagem,
situações, a espécie humana ganha em flexibilidade, conformidade/desvio).
mas, ao mesmo tempo, torna-se vítima fácil das forças Enquanto organização, a escola tem sido pouco
alienantes, uma vez que todas as mediações são estudada. Todavia, ela pode ser vista segundo
ambivalentes: constituem, simultaneamente, o lugar da diferentes modelos sociológicos; por exemplo, Burgess
personalização, e o lugar da desumanização, da (1980) centrou a sua atenção em três abordagens.
despersonalização. Convém, no entanto, começar por recorda que ela é,
Assim, a vida individual, a vida em sociedade, o antes de mais, uma instituição e que patê de um
trabalho, as formas culturais e as vivências subjetivas sistema de ação a que chamamos a educação (ou
podem estar levando não a uma forma mais adequada sistema educativo).
de existência, da perspectiva humana, mas antes a A Escola como Instituição
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A escola não existe num vácuo (social, cultural, 1) A escola como organização tem sido em cada
administrativo ou político), ela articula-se com época uma missão ou finalidade própria,
diferentes sistemas de ação que a modelam e manifesta ou latente, explícita ou implícita,
legitimam (a começar pelo /estado, o poder legislativo, qualquer que seja o seu sistema de
executivo e judicial, passando pelo mercado de funcionamento ou o seu estatuto jurídico-legal
trabalho, as empresas, a proteção social, a saúde, a (laico ou religioso, público ou privado etc.).
ciência, e a tecnologia, as associações profissionais, as 2) Além disso, e (cada vez mais) o local de
associações de pais e encarregados de educação, as trabalho de grupos socioprofissionais muito
autarquias); em suma, a escola articula-se com o particulares, que diretamente afetam o
sistema social mais vaso de que faz parte (Estado e processo educativo (professores, pedagogos,
sociedade civil, incluindo a família). psicólogos), com funções de administração e
Tanto a saúde como a educação são, por excelência, gestão.
instituições, ou seja, conjuntos de idéias, crenças, 3) Tem um sistema de poder e de autoridade,
valores e normas de comportamento propostos (e embora diferente de outras organizações, como
muitas vezes impostos) ao indivíduo numa dada as empresas, dada a importância e o peso do
sociedade. seu staff profissional, nomeadamente de há um
Para compreender as normas, as regras, os valores e século para cá.
as finalidades da escola e as transformações históricas 4) Tem, igualmente, um sistema técnico e
por que tem passado, teremos que levar em conta o organizacional de trabalho, se bem que é
papel dos seus atores externos: todo os que são (ou diferente da empresa que transforma matérias-
foram) detentores de interesses específicos no campo primas em produtos acabados, já que o seu
da educação e do ensino. objeto de trabalho são seres humanos
A escola, tal como a conhecemos hoje (universal, (crianças, adolescentes, jovens adultos).
gratuita, laica, de freqüência obrigatória etc.), não
5) Tem, por fim, uma cultura muito própria,
pode ser desligada do contexto da luta de classes que
ligada a ideologias e estratégias profissionais
deu origem ao estado moderno (a reforma, a ascensão
dos professores, não obstante o processo de
econômica, política e cultural da burguesia, o Século
racionalização da organização do trabalho
das Luzes, a Revolução Industrial).
educativo e de proletarização a que está hoje
• Com a Revolução Francesa, o Estado
submetido o pessoal docente (em sua maioria
burguês vai nacionalizar o ensino, substituindo-
do sexo feminino) (APPLE, 2002).
se, desse modo, a Igreja.
• Na esteira de Pombal e dos primeiros
O que distingue a escola de uma empresa é o fato de
reformadores liberais, a república portuguesa
poder ser classificada categoria das organizações
vai inspirar-se nas leis escolares de Jules Ferry,
especializadas (ETZIONI, 1967, P. 117-128), ou seja,
e transformar a escola na Nova Igreja Cívica do
aquelas que são estabelecidas com o fim específico de
Povo”.
criar, aplicar, manter ou comunicar o conhecimento, e
• Apoderando-se do antigo carisma dos
empregando, no mínimo, 50% de especialistas ou
homens da Igreja, o professor é posto no altar,
profissionais.
promovido a “sacerdote do ensino”, a “apóstolo
À escola sabe ensinar, isto é, garantir a aprendizagem
(laico) da religião social”, de acordo com a
de certas habilidades e conteúdos que são necessários
ideologia positivista que transparece dos
para a vida em sociedade. Nesse sentido, como ela
diplomas legais que estão na origem da
pode contribuir no processo de inserção social das
reforma do ensino primário (1911) e do técnico
novas gerações? Oferecendo instrumentos de
(1917) (FORMOSINHO e MACHADO, 2000, p.
compreensão da realidade local e, também,
99).
favorecendo a participação dos educandos em relações
A escola como organização como tantas outras (as
sociais diversificadas e cada vez mais amplas. A vida
empresas, os partidos políticos, as associações
escolar possibilita exercer diferentes papéis, em grupos
sindicais, os tribunais, as igrejas, os hospitais etc.). E,
variados, facilitando a integração dos jovens no
como tal, tem sido objeto de análise sociológica (e
contexto maior.
sobretudo psicosociológica), na medida em que é
Para cumprir sua função social, a escola precisa
constituída por diferentes indivíduos e grupos, reunidos
considerar as práticas de nossa sociedade, sejam elas
em função de um determinado objetivo e
de natureza econômica, política, social, cultural, ética
estabelecendo entre si determinados tipos de relações,
ou moral. Tem que considerar também as relações
de trabalho e de poder.
dietas ou indiretas dessas práticas com os problemas
Ao foca essencialmente o modo como os alunos
específicos da comunidade local a que presta serviços.
poderão aprender mais matemática, ciências, história
A consciência política dos professores deve convergir
etc. (o que, certamente, não é um problema
para o trabalho que se faz dentro da escola. Numeroso
insignificante), negligenciou-se o amplo contexto em
contingente de alunos provenientes das camadas
que as escolas existem, um contexto que pode
populares matricula-se na escola e os próprios pais
mesmo dificultar o progresso dos alunos.
fazem sacrifícios para mantê-los estudando. O ensino é
Por um lado, não tem sido dada a devida atenção ás
uma tarefa real, concreta, que expressa o compromisso
complexidades da interação diária na escola, ao
social e político do professor, pois o domínio das
processo educativo e à dinâmica interna da instituição.
habilidades de ler e escreve, dos conhecimentos
Por outro, as tendências internas da escola são
científicos da História, da /geografia, da Matemática e
desligadas do contexto ideológico, econômico e político
das ciências, é requisito para a participação dos alunos
em que estão inseridas.
na vida profissional, na política e sindical, e para
Enquanto instituição e organização, da escola é
enfrentar situações, problemas e desafios da vida
possível, todavia, fazer uma análise comparativa em
prática. Um ensino de baixa qualidade empurra as
diferentes contextos históricos, e encontrar traços ou
crianças, cada vez mais, para a marginalização social.
características comuns:
3
Há, pois, um trabalho pedagógico-didático a se efetivar teorias sobre a prática educativa assentadas na
dentro da escola, que se expressa no planejamento do manutenção de uma ordem social mais estável,
ensino, na formulação dos objetivos, na seleção dos garantidas pela racionalidade e pelo progresso em
conteúdos, no aprimoramento de métodos de ensino, todos os campos, especialmente na ciência. São
na organização escolar e na avaliação. Ligar a também teorias fincadas nas idéias de natureza
escolarização às lutas pela democratização da humana universal, de autonomia do sujeito, de
sociedade implica, pois, que a escola cumpra a tarefa educabilidade humana, de emancipação humana pela
que lhe é própria: promover o ensino. Democratização razão de libertação da ignorância e do obscurantismo
do ensino significa, basicamente, possibilitar aos alunos pelo saber.
o melhor domínio possível das matérias, dos métodos Especificamente na pedagogia, o discurso iluminista
de estudo, e, por meio disso, o desenvolvimento de acentua o papel da formação geral, o poder da razão
suas capacidades e habilidades intelectuais, com no processo formativo, a capacidade do ser humano de
especial destaque à aprendizagem da leitura e da gerir seu próprio destino, de ter autodomínio, de se
escrita. comprometer com o destino da história em função de
A escola é um meio insubstituível de contribuição para ideais.
as lutas democráticas, na medida em que possibilita às As teorias modernas da educação hoje apresentam-se
classes populares, ao terem o acesso ao saber em várias versões, variando das abordagens
sistematizado e às condições de aperfeiçoamento das tradicionais às mais avançadas, conforme se situem em
potencialidades intelectuais, participarem ativamente relação aos seus temas básicos: a natureza do ato
do processo político, sindical e cultural. Uma pedagogia educativo, a relação entre sociedade e educação, os
voltada para os interesses populares, de transformação objetivos e conteúdos da formação, as formas
da sociedade, compreende o trabalho pedagógico e institucionalizadas de ensino, a relação educativa. A
docente como o processo de transmissão/assimilação literatura internacional e a nacional dispõem de
ativa dos conteúdos escolares, inserido na totalidade conhecidas classificações de teorias da educação ora
mais ampla do processo social. É uma pedagogia que chamadas de tendências ou correntes, ora de
articula os conhecimentos sistematizados com as paradigmas. Em âmbito internacional são conhecidos os
condições concretas de vida e de trabalho dos alunos, trabalhos de Guy Palmade, Robert Clausse, Jesus
suas necessidades, interesses e lutas. Palácios, Georges Snyders, Bogdan Suchodolski, Renée
Indubitavelmente, um dos fatores que mais concorrem Gilbert, Bernard Charlot, entre outros. Em âmbito
para a permanência dos quadros nacionais de fracasso nacional há os trabalhos de Dermeval Saviani, José
escolar é o descompasso entre a escola e a Carlos Libâneo, Maria das Graças Misukami, Moacir
comunidade, cultura e aprendizagem. Gadotti, entre outros.
Tais argumentos sustentam a evidência de que não Sem pretender retomar as abordagens teóricas que
aprendemos só pelo repertório de habilidades, pelo resultam nas classificações de teorias pedagógicas, são
potencial de inteligência ou pela disponibilidade de modernas a pedagogia tradicional, a pedagogia
estruturas cognitivas, mas, também, pelo que somos, renovada, o tecnicismo educacional, e todas as
buscamos, concebemos, valorizamos e fazemos. pedagogias críticas inspiradas na tradição moderna
Cultura e aprendizagem são faces inseparáveis na como a pedagogia libertária, a pedagogia libertadora, a
condução do ensino e decisivas na constatação de seus pedagogia crítico-social. Um olhar sobre as práticas
resultados. Assim como se pode dirigir o curso de pedagógicas correntes nas escolas brasileiras mostra
aprendizagem em uma única trajetória, não se podem que tais tendências continuam ativas e estáveis,
controla os significados atribuídos ao saber ou aos usos mantendo seu núcleo teórico forte, ainda que as
do conhecimento conquistado. pesquisas dos últimos anos venham mostrando outras
Peando a partir de parâmetros elitistas, etnocêntricos e nuanças, outros focos de compreensão teórica, outras
didaticamente inflexíveis, a prática pedagógica leva ao formas de aplicabilidade pedagógica. A meu ver, não
fracasso, pois não está preparada para lidar com a há outras boas razões para alterar essa classificação.
pluralidade de contextos. Em síntese, muitas escolas Isso não significa que não se apontem novas
não falam a mesma língua de seus alunos. O produto tendências, algumas já experimentadas em nível
desse diálogo de mudos e surdos são os mecanismos operacional, outras ainda restritas ao mundo
de seleção e exclusão, frente aos quais muitos alunos acadêmico.
reagem ativamente, mesmo que sob a forma da Esquematicamente, essas teorias apresentam como
inteligência contra si mesmo. características em comum:
+ Acentuação do poder da razão, isto é, da atividade
AS TEORIAS PEDAGÓGICAS MODERNAS racional, científica, tecnológica, enquanto objeto de
(José Carlos Libâneo). conhecimento que leva as pessoas a pensarem com
Penso ser acertado dizer que as teorias modernas da autonomia e objetividade contra todas as formas de
educação são aquelas gestadas em plena modernidade, ignorância e arbitrariedade.
quando a idéia de uma formação geral para todos toma + Conhecimentos e modos de ação, deduzidos de uma
lugar na reflexão pedagógica. cultura universal objetiva, precisam ser comunicados às
Comênio lança em 1657 o lema do “ensinar tudo a novas gerações e recriados em função da continuidade
todos” e, não por acaso, é considerado o arauto da dessa cultura.
educação moderna. O movimento iluminista do século + Os seres humanos possuem uma natureza humana
XVIII fortalece essa idéia de formação geral, válida básica, postulando-se a partir daí direitos básicos
para todos os homens, como condição de emancipação universais.
e esclarecimento. As teorias pedagógicas modernas + Os educadores são representantes legítimos dessa
estão ligadas, assim, a acontecimentos cruciais como a cultura e cabe-lhes ajudar os alunos a internalizarem
Reforma Protestante, o Iluminismo, a Revolução valores universais, tais como racionalidade,
Francesa, a formação dos Estados Nacionais, a autoconsciência, autonomia, liberdade, seja pela
industrialização. Pedagogos como Pestalozzi, Kant, intervenção pedagógica direta seja pelo esclarecimento
Herbart, Froebel, Durkheim, Dewey vão consolidando de valores em âmbito pessoal.
4
A partir desse conjunto de ideais, as pedagogias 2000, p. 87). Mas sabemos que esta tendência
modernas, nos seus vários matizes, adquirem suas continua prevalecendo na prática educativa atual. É
peculiaridades, formulando distintos entendimentos caracterizada por ser centrada na figura do professor,
sobre as formas de conhecimento, função da ciência, que geralmente, utiliza-se da oralidade para transmitir
conceito de liberdade etc., sem, todavia, renunciar à seus conhecimentos aos alunos, que devem prestar a
idéia de criação de uma sociedade racional. Uma máxima atenção às palavras deste para aprender.
herança comum dessas teorias, vista pelos críticos Nesta tendência, acredita-se que o aluno aprende por
como negativa, é que em nome da razão e da ciência ouvir o professor, visualizar objetos, mapas, gravuras e
se abafam o sentimento, a imaginação, a subjetividade por realizar exercícios repetitivos: lembram-se quando
e, até, a liberdade, à medida que a razão institui-se o professor pedia para fazermos cinco vezes cada
como instrumento de dominação sobre os seres cópia? Ou cem vezes a tabuada? Pois é, assim
humanos. pensavam que aprenderíamos mais rapidamente. Com
Nesse sentido, a questão problemática na racionalidade isto, objetiva-se formar um aluno ideal, desvinculado
instrumental é a separação entre razão e sujeito, entre da sua realidade concreta.
o mundo científico e tecnológico e o mundo da O objetivo inicial desta pedagogia, que era o de
subjetividade. formação indivíduo, fica hoje descaracterizado, com um
Outra questão problemática refere-se as conseqüências ensino meramente decorado, sem sentido, reduzido à
da grande acumulação de conhecimentos científicos e simples memorização de conteúdos desconexos da
técnicos produzidos pela modernidade. Entre elas, a realidade do aluno.
mais típica foi a constituição de campos disciplinares 1.2. Pedagogia Liberal Renovada Progressista:
isolados, fragmentados, ignorando o conjunto de que Esta pedagogia está baseada na teoria de John Dewey,
faz par te e a per da de significação. Com isso, a autor que acreditava na idéia da relação entre teoria e
própria sociedade reproduz essa fragmentação, disso a prática e na crença de que o conhecimento é
ciando a cultura, a economia, a política, o sistema de construído quando compartilhamos experiências, num
valores, a personalidade. ambiente democrático.
Quadro das Tendências Pedagógicas. Portanto, o objetivo desta pedagogia é formar o
Pedagogia Liberal Pedagogia Progressista indivíduo para atuar no meio, por isso deve-se
1. Tradicional 1. Libertadora “adequar as necessidades individuais ao meio social”
2. Renovada progressista 2. Libertária (LIBÂNEO, 1992, p. 85), e por isso também, a escola
3. Renovada Não- 3. Crítico social dos deve fornecer ao aluno a oportunidade de experienciar,
Diretiva Conteúdos para que satisfaça os interesses deste às exigências
4. Tecnicista sociais.
1.3. Tendência Liberal Renovada Não-Diretiva: A
Reforça e justifica a Fundamenta-se na escola nesta tendência tem o papel de formar atitudes.
sociedade de classes, na análise crítica da Para tanto, o professor deve ser facilitador como diz
medida em que realidade social. Carl Rogers, principal teórico que aborda esta
compreende a escola Compreensão da tendência. Para este autor, o professor deve aceitar a
como preparadora de educação como processo pessoa do aluno, fazendo com este se autodesenvolva,
indivíduos para o sócio-político. a partir da busca daquilo que é de seu interesse,
desempenho de papéis adequando sua pessoa àquilo que o ambiente solicita.
sociais, de acordo com Como diz Libâneo (1992), “o resultado de uma boa
suas aptidões. educação (na tendência não-diretiva) é muito
Fonte: LIBÂNEO – Didática. São Paulo: Cortez, 1994. semelhante ao de uma boa terapia” (p. 27).
1.4. Tendência Liberal Tecnicista: Como o próprio
Cada tendência é marcada por características que as nome sugere, esta tendência está baseada na técnica.
distinguem das demais. A preocupação é com a formação de indivíduos para
1. Pedagogia Liberal: primeiramente, precisamos atuarem no mercado de trabalho, mantendo a ordem
pensar o que significa a palavra liberal neste contexto. vigente: o capitalismo. Está embasada, teoricamente,
Segundo Libâneo (1992, p. 21), o termo liberal não pela análise comportamental, que tem como teórico
tem o sentido de ‘avançada’, ‘democrático’, ‘aberto’, principal B. F. Skinner, o que garante a objetividade da
como costuma ser usado. A doutrina liberal apareceu prática escolar. O objetivo é transmitir ao aluno
como justificação do sistema capitalista que, ao “eficientemente, informações precisas, objetivas e
defender a predominância da liberdade e dos interesses rápidas” (LIBÂNEO, 1992, p. 29). Há alguns exemplos
individuais na sociedade, estabeleceu uma forma de de escolas que utilizam-se desta tendência, escolas que
organização social baseada na propriedade privada dos oferecem cursos apostilados de digitação,
meios de produção, também denominada sociedade de programação, cursos de aprendizagem em instituições
classes. como SENAI e SENAC.
Portanto, nos últimos 60 anos os professores têm 2. Pedagogia Progressista: “O termo ‘progressista’
adotado esta pedagogia, ora adotando um caráter mais (...) é usado aqui para designar s tendências que,
conservador, ora mais um renovado, m as sempre partindo de uma análise crítica das realidades sociais,
tendo como objetivo preparar os alunos para sustentam implicitamente as finalidades sociopolíticas
desempenharem papéis sociais de acordo com as suas da educação” (LIBÂNEO, 1992, p. 32). Por isso, essas
aptidões individuais. Para isso, segundo Libâneo são tendências que analisam, criticam e discutem os
(1992), os indivíduos precisam aprender a adaptar-se aspectos sociopolíticos e econômicos da sociedade,
aos valores e às normas vigentes na sociedade de realidade em que vivemos. Fato que leva estas
classes. tendências a serem utilizadas mais na educação
1.1. Pedagogia Liberal tradicional: A pedagogia informal do que na formal.
tradicional teve sua vigência do período que vai dos 2.1. Tendência Progressista Libertadora: Esta
jesuítas até os anos que precedem o lançamento do tendência é mais conhecida como Pedagogia Paulo
Movimento dos Pioneiros da Educação Nova (LIBÂNEO, Freire e está mais presente em situações não formais
5
de ensino, apesar de, como diz Libâneo (1992): Empresa, empreendimento. Redação provisória de lei.
“professores e educadores engajados no ensino escolar Plano geral de edificação (Ferreira 1975, p.1.144).
vêm adotando pressupostos dessa pedagogia” (p. 33). Ao construirmos os projetos de nossas escolas,
È uma educação crítica porque tenta entender as planejamos o que temos intenção de fazer, de realizar.
relações do homem com a natureza e dos homens Lançamo-nos para diante, com base no que temos,
entre si, para que haja o entendimento e apreensão da buscando o possível. É antever um futuro diferente do
realidade para, posteriormente, poder se interferir no presente.
processo de transformação desta mesma realidade. Nessa perspectiva, o projeto político-pedagógico vai
Portanto, esta pedagogia tem um caráter político além de um simples agrupamento de planos de ensino
intenso. e de atividades diversas. O projeto não é algo que é
2.2. Tendência Progressista Libertária: Esta construído e em seguida arquivado ou encaminhado às
pedagogia tem como objetivo transformar a autoridades educacionais como prova do cumprimento
personalidade do aluno para atuar no sistema. Tem um de tarefas burocráticas. Ele é construído e vivenciado
caráter político também, mas voltado à autogestão. em todos os momentos, por todos os envolvidos com o
Geralmente, esta tendência está presente em processo educativo da escola.
associações, grupos informais e escolas O projeto busca um rumo, uma direção. É uma ação
autogestionárias. intencional, com um sentido explícito, comum
2.3. Tendência Progressista Crítico-Social dos compromisso definido coletivamente. Por isso, todo
Conteúdos: O objetivo primordial desta tendência é a projeto pedagógico da escola é, também, um projeto
difusão de conteúdos, mas não qualquer conteúdo, e político por estar intimamente articulado ao
sim um conteúdo contextualizado, um conteúdo que compromisso sociopolítico com os interesses reais e
não pode se dissociar da realidade social, porque a coletivos da população majoritária. É político no sentido
escola é parte integrante da sociedade, portanto, “agir de compromisso com a formação do cidadão para um
dentro dela é também agir no rumo da transformação” tipo de sociedade. "A dimensão política se cumpre na
(LIBÂNEO, 1992, p. 39), ou seja, esta escola irá formar medida em que ela se realiza enquanto prática
adultos que se apropriarem de conteúdos especificamente pedagógica" (Saviani 1983, p. 93). Na
contextualizados, por meio do professor e da sua dimensão pedagógica reside a possibilidade da
própria participação, para atuarem na realidade social efetivação da intencionalidade da escola, que é a
em que vivem. formação do cidadão participativo, responsável,
Embora demarcados a partir de suas características, é compromissado, crítico e criativo. Pedagógico, no
importante que se tenha clareza de que não existe uma sentido de definir as ações educativas e as
prática pura na qual se passa constatar uma única características necessárias às escolas de cumprirem
tendência, pois a complexidade dos indivíduos e da seus propósitos e sua intencionalidade.
sociedade não permite a existência de uma única forma Político e pedagógico têm assim uma significação
de se perceber a realidade e nela intervir. indissociável. Neste sentido é que se deve considerar o
projeto político-pedagógico como um processo
PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO DA ESCOLA: permanente de reflexão e discussão dos problemas da
UMA CONSTRUÇÃO COLETIVA (Ilma Passos escola, na busca de alternativas viáveis á efetivação de
Alencastro Veiga). sua intencionalidade, que "não é descritiva ou
O projeto político-pedagógico tem sido objeto de constatativa, mas é constitutiva" (Marques 1990, p.
estudos para professores, pesquisadores e instituições 23). Por outro lado, propicia a vivência democrática
educacionais em nível nacional, estadual e municipal, necessária para a participação de todos os membros da
em busca da melhoria da qualidade do ensino. comunidade escolar e o exercício da cidadania. Pode
O presente estudo tem a intenção de refletir acerca da parecer complicado, mas trata-se de uma relação
construção do projeto político-pedagógico, entendido recíproca entre a dimensão política e a dimensão
como a própria organização do trabalho pedagógico da pedagógica da escola.
escola como um todo. O projeto político-pedagógico, ao se constituir em
A escola é o lugar de concepção, realização e avaliação processo democrático de decisões, preocupa-se em
de seu projeto educativo, uma vez que necessita instaurar uma forma de organização do trabalho
organizar seu trabalho pedagógico com base em seus pedagógico que supere os conflitos, buscando eliminar
alunos. Nessa perspectiva, é fundamental que ela as relações competitivas, corporativas e autoritárias,
assuma suas responsabilidades, sem esperar que as rompendo com a rotina do mando impessoal e
esferas administrativas superiores tomem essa racionalizado da burocracia que permeia as relações no
iniciativa, mas que lhe dêem as condições necessárias interior da escola, diminuindo os efeitos fragmentários
para levá-Ia adiante. Para tanto, é importante que se da divisão do trabalho que reforça as diferenças e
fortaleçam as relações entre escola e sistema de hierarquiza os poderes de decisão.
ensino. Desse modo, o projeto político-pedagógico tem a ver
Para isso, começaremos, na primeira parte, com a organização do trabalho pedagógico em dois
conceituando projeto político-pedagógico. Em seguida, níveis: como organização da escola como um todo e
na segunda parte, trataremos de trazer nossas como organização da sala de aula, incluindo sua
reflexões para a análise dos princípios norteadores. relação com o contexto social imediato, procurando
Finalizaremos discutindo os elementos básicos, da preservar a visão de totalidade. Nesta caminhada será
organização do trabalho pedagógico, necessários à importante ressaltar que o projeto político-pedagógico
construção do projeto político-pedagógico. busca a organização do trabalho pedagógico da escola
na sua globalidade.
Conceituando o Projeto Político-Pedagógico A principal possibilidade de construção do projeto
No sentido etimológico, o termo projeto vem do latim político-pedagógico passa pela relativa autonomia da
projectu, particípio passado do verbo projicere, que escola, de sua capacidade de delinear sua própria
significa lançar para diante. Plano, intento, desígnio. identidade. Isto significa resgatar a escola como espaço
público, lugar de debate, do diálogo, fundado na
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reflexão coletiva. Portanto, é preciso entender que o organizacional, o currículo, o tempo escolar, o processo
projeto político-pedagógico da escola dará indicações de decisão, as relações de trabalho, a avaliação.
necessárias à organização do trabalho pedagógico, que
inclui o trabalho do professor na dinâmica interna da Elementos Básicos para a Construção do P.P.P.
sala de aula, ressaltado anteriormente. a) Finalidades da Escola;
Buscar uma nova organização para a escola constitui b) Estrutura Organizacional;
uma ousadia para os educadores, pais, alunos e c) Currículo;
funcionários. E para enfrentarmos essa ousadia, d) Tempo escolar;
necessitamos de um referencial que fundamente a e) Processo de Decisão;
construção do projeto político-pedagógico. A questão é, f) As Relações de Trabalho;
pois, saber a qual referencial temos que recorrer para a g) Avaliação;
compreensão de nossa prática pedagógica. Nesse A escola, para se desvencilhar da divisão do trabalho,
sentido, temos que nos alicerçar nos pressupostos de de sua fragmentação e do controle hierárquico precisa
uma teoria pedagógica crítica viável, que parta da criar condições para gerar uma outra forma de
prática social e esteja compromissada em solucionar os organização do trabalho pedagógico.
problemas da educação e do ensino de nossa escola. A reorganização da escola deverá ser buscada de
Uma teoria que subsidie o projeto político-pedagógico dentro para fora. O fulcro para a realização dessa
e, por sua vez, a prática pedagógica que ali se processa tarefa será o empenho coletivo na construção de um
deve estar ligada aos interesses da maioria da projeto político-pedagógico e isso implica fazer rupturas
população. Faz-se necessário, também, o domínio das com o existente para avançar. É preciso entender o
bases teórico-metodológicas indispensáveis à projeto político-pedagógico da escola como uma
concretização das concepções assumidas reflexão de seu cotidiano.
coletivamente. Para tanto ela precisa de um tempo razoável de
reflexão e ação, para se ter um mínimo necessário à
Princípios Norteadores do Projeto Político- consolidação de sua proposta. A construção do projeto
Pedagógico. político-pedagógico requer continuidade das ações,
a) Igualdade de condições para acesso e permanência descentralização, democratização do processo de
na escola; tomada de decisões e instalação de um processo
b) Qualidade que não pode ser privilégio de minorias coletivo de avaliação de cunho emancipatório
econômicas e sociais; Finalmente, há que se pensar que o movimento de luta
c) Gestão democrática é um princípio consagrado pela e resistência dos educadores é indispensável para
Constituição vigente e abrange as dimensões ampliar as possibilidades e apressar as mudanças que
pedagógica, administrativa e financeira; se fazem necessárias dentro e fora dos muros da
d) Liberdade é outro princípio constitucional. O princípio escola.
da liberdade está sempre associado à idéia de
autonomia; A IMPORTÂNCIA DA INTEGRAÇÃO ESCOLA-
e) Valorização do magistério, contribuindo para a FAMÍLIA NO PROCESSO PEDAGÓGICO (Luiza
qualidade do ensino ministrado na escola e seu sucesso Helena P. Cazelli).
na tarefa de formar o cidadão. A relevância conferida à família tanto pela constituição
no seu Cap. VII – Da família, da criança, do
Construindo o Projeto Político-Pedagógico. adolescente e do ancião em seus artigos 226, 227 e
O projeto político-pedagógico é entendido, neste 228, como pelo Estatuto da Criança e do Adolescente
estudo, como a própria organização do trabalho em seu Cap. III – Do direito à convivência familiar e
pedagógico da escola. A construção do projeto político- comunitária nos estimulam a empreender uma incursão
pedagógico parte dos princípios de igualdade, de caráter teórico-conceitual sobre as leis existentes
qualidade, liberdade, gestão democrática e valorização que referendam a questão familiar e sua relação com
do magistério. A escola é concebida como espaço social as práticas de políticas sociais desde o ponto de vista
marcado pela manifestação de práticas contraditórias, educacional.
que apontam para a luta e/ou acomodação de todos os Ao examinar-se a realidade, notamos que as práticas
envolvidos na organização do trabalho pedagógico. postuladas nos documentos se constituem em vias de
O que pretendemos enfatizar é que devemos analisar e acesso que as escolas possuem para implementar
compreender a organização do trabalho pedagógico, no processos de integração e participação familiar que
sentido de se gestar uma nova organização que reduza podem e devem ser organizados e executados pela
os efeitos de sua divisão do trabalho, de sua escola.
fragmentação e do controle hierárquico. Nessa Essa constatação nos leva a refletir sobre as dimensões
perspectiva, a construção do projeto político- da interrelação escola-família no âmbito da comunidade
pedagógico é um instrumento de luta, é uma forma de e se intenta verificar a possibilidade de operacionalizar
contrapor-se à fragmentação do trabalho pedagógico e uma orientação que possa refletir a viabilização de uma
sua rotinização, à dependência e aos efeitos negativos interrelação mais efetiva.
do poder autoritário e centralizador dos órgãos da Geralmente a iniciação das pessoas na cultura, nos
administração central. valores e nas normas da sociedade começam na
A construção do projeto político-pedagógico, para família. Para que o desenvolvimento da personalidade
gestar uma nova organização do trabalho pedagógico, das crianças seja harmonioso é necessário que seu
passa pela reflexão anteriormente feita sobre os ambiente familiar traduza uma atmosfera de crescente
princípios. Acreditamos que a análise dos elementos progressão educativa. Todavia estamos convencidos
constitutivos da organização trará contribuições que todas as instituições e especialmente a escola deve
relevantes para a construção do projeto político- não só apoiar e respeitar os esforços dos pais e
pedagógico. responsáveis pelos cuidados, atenção e educação das
Pelo menos sete elementos básicos podem ser crianças, e que devem também colocar-se em posição
apontados: as finalidades da escola, a estrutura efetiva de gerar iniciativas dirigidas à elevação e
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aprimoramento social e educacional de seus educandos incorporar nas suas relações as formulações desses
e respectivas famílias. princípios e utiliza-los como guias para manter pais e
Nessa perspectiva, a escola por sua maior aproximação professores no caminho do desenvolvimento estável e
às famílias constitui-se em instituição social importante progressivo. O primeiro desses princípios é a noção de
na busca de mecanismos que favoreça um trabalho interdependência. A dependência mútua de todas as
avançado em favor de uma atuação que mobilize os pessoas. Essa é a natureza de todo e qualquer
integrantes tanto da escola, quanto da família, em relacionamento social. Compreender a
direção a uma maior capacidade de dar respostas aos interdependência social significa compreender
desafios que impõe nossa sociedade. Essa visão, relacionamentos e valorizar a importância que eles têm
certamente, contribui para que tenhamos uma maior na formação e no desenvolvimento das pessoas.
clareza do que podemos fazer no enfrentamento das A cooperação é o segundo princípio no estabelecimento
questões sócio-educativas no conjunto do movimento das relações sociais. A troca de recursos educacionais e
social. de impressões educativas se mantém e se sustentam
As ações de caráter pedagógico que as escolas podem quando permanece fortalecida a ajuda mútua. A
dirigir para favorecer as famílias devem fazer parte de incorporação desse princípio relacional se torna
seu projeto e para que isso possa acontecer é significativo na medida em que vai se consolidando a
fundamental que as ações em favor da família sejam integração da escola com a família.
desenvolvidas e presididas pelos princípios da O terceiro princípio é a interação dos agentes escolares
convergência e da complementaridade. Nesse sentido é e familiares. As ações relacionais só podem ser
importante que o projeto inicial se faça levando em mantidas por meio desse processo. Nas suas relações
conta os grandes e sérios problemas sociais tanto da cada um influencia o outro e desde essa perspectiva
escola como da família, como reflete os parâmetros educativa, os professores são considerados como as
curriculares ““... repensar sobre o papel e sobre a pessoas mais preparadas e capazes de elevar o nível de
função da educação escolar, seu foco, sua finalidade, desenvolvimento não só dos alunos mas de sua família
seus valores, é uma necessidade essencial: isso também.
significa considerar características, ânsias, A integração desses fatores nessa proposta nos fornece
necessidades e motivações dos alunos, da comunidade uma nova configuração da relação escola-família e
local e da sociedade em que ela se insere. A escola tem ressalta a importância da função reitora da escola no
necessidade de encontrar formas variadas de sentido de considerar as necessidades familiares no
mobilizações e de organização dos alunos, dos pais e que diz respeito aos aspectos psicológicos, sociais e
da comunidade, integrando os diversos espaços éticos de uma relação significativa com os outros, de
educacionais que existem na sociedade. crescimento da própria competência educativa ou de
Substancialmente o que a escola deve fazer é melhorar uma participação na definição do significado
a posição da família na agenda escolar já experiencial da sua vida pessoal, social e educacional.
implementada pela legislação existente. Promover a
família nas ações dos projetos pedagógicos significa PEDAGOGIA DE PROJETOS
enfatizar ações em seu favor e lutar para que possa dar Atualmente, uma das temáticas que vêm sendo
vida as leis. discutida no cenário educacional é o trabalho por
Mais do que criar um novo espaço para tratar das projetos. Mas que projeto? O projeto político-
questões da família ou da escola, a própria escola deve pedagógico da escola? O projeto de sala de aula? O
articular seus recursos institucionais, de maneira a projeto do professor? O projeto dos alunos? O projeto
assegurar que as reflexões, os debates, os estudos e as de informática? O projeto da TV Escola? O projeto da
propostas de ação possam servir de embasamento para biblioteca? Essa diversidade de projetos que circula
que o desenvolvimento social se concretize por meio de freqüentemente no âmbito do sistema de ensino,
práticas pedagógicas educativas efetiva. muitas vezes, deixa o professor preocupado para saber
Conectar a interrelação escola-família de forma mais como situar a sua prática pedagógica em termos de
estreita significa construir e desenvolver comunidades propiciar aos alunos uma nova forma de aprender
nas quais poderemos satisfazer nossas necessidades integrando as diferentes mídias nas atividades do
básicas ao aspirar uma melhor qualidade de vida para espaço escolar.
as gerações futuras. Para isso precisamos não só Existem, em cada uma dessas instâncias do projeto,
aprender sobre os princípios de convivências propostas e trabalhos interessantes; a questão é como
comunitária como também exercitar esses princípios conceber e tratar a articulação entre as instâncias do
por meio de relações mais frutíferas e compromissadas projeto, para que de fato seja reconstruída na escola
com o desenvolvimento educacional e social. uma nova forma de ensinar, integrando as diversas
Precisamos revitalizar nossas comunidades colaborando mídias e conteúdos curriculares numa perspectiva de
para colocar claramente os princípios da interrelação aprendizagem CONSTRUCIONISTA. Segundo Valente
numa prática de relações sociais fortalecidas pelo (1999), o construcionismo “significa a construção de
respeito, pela eficácia das ações e pela luta por uma conhecimento baseada na realização concreta de uma
cidadania digna. ação que produz um produto palpável (um artigo, um
Tanto as comunidades escolares como as comunidades projeto, um objeto) de interesse pessoal de quem
familiares não podem permanecer distanciadas em seu produz” (p. 141).
processo de desenvolvimento e funcionamento A discussão sobre a pedagogia de projetos surge no
organizacional, mas devem estar vinculadas e aberta início do século XX com John Dewey e outros
aos recursos educacionais que dispõem e determinar representantes da chamada PEDAGOGIA ATIVA. Já
por sua historicidade a dimensão cognitiva e educativa nessa época, a discussão estava embasada numa
que pretendem aplicar no processo de desenvolvimento concepção de que a “educação é um processo de vida e
humano, e mais precisamente no acompanhamento das não uma preparação para a vida futura e que a escola
novas gerações. deve representar a vida presente tão real e vital para o
Nesse sentido, as mudanças estruturais e conjunturais aluno como a que ele vive em casa, no bairro ou no
dos componentes educacionais em questão necessitam pátio” (DEWEY, 1897).
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A Pedagogia de Projetos pode ser definida como um caracterizada pela chegada de novas tecnologias
método no qual a classe se ocupa em atividades (computador, Internet, vídeo, televisão) na escola, que
proveitosas e com propósitos definidos. Em outras apontam novos desafios para a comunidade escolar. O
palavras, é o ensino através da experiência. Este que fazer diante desse novo cenário? De repente o
método coloca o aluno em contato com algum projeto professor que, confortavelmente, desenvolvia sua ação
concreto em que esteja interessa do e em que planeje pedagógica – tal como havia sido preparado durante a
o empreendido, colha as informações e, finalmente, sua vida acadêmica e pela sua experiência em sala de
leve a efeito os seus planos. É necessário que o projeto aula – se vê diante de uma situação que implica novas
vise um propósito real e tenha valor prático para o aprendizagens e mudanças na prática pedagógica.
ensino. Em virtude de as atividades educativas serem A pedagogia de projetos, embora constitua um novo
elaboradas por alunos e professores, um dos principais desafio para o professor, pode viabilizar ao aluno um
objetivos da Pedagogia de Projetos é promover a modo de aprender baseado na INTEGRAÇÃO entre
integração e a cooperação entre docentes e discentes conteúdos das várias áreas do conhecimento, bem
em sala de aula. Os projetos devem visar também a como entre diversas mídias (computador, televisão,
resolução de algum problema ou algum livros), disponíveis no contexto da escola. Por outro
empreendimento que esteja em harmonia com os lado, esses novos desafios educacionais ainda não se
interesses dos alunos e relacionados às suas próprias encaixam na estrutura do sistema de ensino, que
experiências. mantém uma organização funcional e operacional –
Na pedagogia de projetos, o aluno aprende no processo como,
de produzir, de levantar dúvidas, de pesquisar e de por exemplo, horário de aula de 50 minutos e uma
criar relações, que incentivam novas buscas, grade curricular seqüencial – que dificulta o
descobertas, compreensões e reconstruções de desenvolvimento de projetos que envolvam ações
conhecimento. E, portanto, o papel do professor deixa interdisciplinares, que contemplem o uso de diferentes
de ser aquele que ensina por meio da transmissão de mídias disponíveis na realidade da escola e impliquem
informações – que tem como centro do processo a aprendizagens que extrapolam o tempo da aula e o
atuação do professor –, para criar situações de espaço físico da sala de aula e da escola.
aprendizagem cujo foco incide sobre as relações que se Daí a importância do desenvolvimento de PROJETOS
estabelecem neste processo, cabendo ao professor ARTICULADOS envolvendo a co-autoria dos vários
realizar as mediações necessárias para que o aluno PROTAGONISTAS do processo educacional. O fato de
possa encontrar sentido naquilo que está aprendendo, um projeto de gestão escolar estar articulado com o
a partir das relações criadas nessas situações. projeto de sala de aula do professor, que por sua vez
No entanto, para fazer a MEDIAÇÃO PEDAGÓGICA, o visa propiciar o desenvolvimento de projetos em torno
professor precisa acompanhar o processo de de uma problemática de interesse de um grupo de
aprendizagem do aluno, ou seja, entender seu alunos, integrando o computador, materiais da
caminho, seu universo cognitivo e afetivo, bem como biblioteca e a televisão, torna-se fundamental para o
sua cultura, história e contexto de vida. Além disso, é processo de reconstrução de uma nova escola. Isto
fundamental que o professor tenha clareza da sua porque a parceria que se estabelece entre os
intencionalidade pedagógica para saber intervir no protagonistas (gestores, professores, alunos) da
processo de aprendizagem do aluno, garantindo que os comunidade escolar pode facilitar a busca de soluções
conceitos utilizados, intuitivamente ou não, na que permitem viabilizar a realização de novas prática
realização do projeto sejam compreendidos, pedagógicas, tendo em vista a aprendizagem para a
sistematizados e formalizados pelo aluno. vida.
Outro aspecto importante na atuação do professor é o A pedagogia de projetos, na perspectiva da integração
de propiciar o estabelecimento de relações entre diferentes mídias e conteúdos, envolve a inter-
interpessoais entre os alunos e respectivas dinâmicas relação de conceitos e de princípios, os quais, sem a
sociais, valores e crenças próprios do contexto em que devida compreensão, podem fragilizar qualquer
vivem. Portanto, existem três aspectos fundamentais iniciativa de melhoria de qualidade na aprendizagem
que o professor precisa considerar para trabalhar com dos alunos e de mudança da prática do professor. Por
projetos: as possibilidades de desenvolvimento de seus essa razão, os tópicos a seguir abordam e discutem
alunos; as dinâmicas sociais do contexto em que atua e alguns conceitos, bem como possíveis implicações
as possibilidades de sua mediação pedagógica. envolvidas na perspectiva da pedagogia de projetos,
O trabalho por projetos requer MUDANÇAS NA que se viabiliza pela articulação entre mídias, saberes e
CONCEPÇÃO de ensino e aprendizagem e, protagonistas.
conseqüentemente, na postura do professor. Aprendendo e “Ensinando” com Projetos
Hernández (1988) enfatiza que o trabalho por projeto A pedagogia de projetos deve permitir que o aluno
“não deve ser visto como uma opção puramente APRENDA-FAZENDO e reconheça a própria AUTORIA
metodológica, mas como uma maneira de repensar a naquilo que produz por meio de QUESTÕES DE
função da escola” (p. 49). Essa compreensão é INVESTIGAÇÃO que lhe impulsionam a
fundamental, porque aqueles que buscam apenas CONTEXTUALIZAR CONCEITOS já conhecidos e
conhecer os procedimentos, os métodos para DESCOBRIR outros que emergem durante o
desenvolver projetos, acabam se frustrando, pois não desenvolvimento do projeto. Nesta situação de
existe um modelo ideal pronto e acabado que dê conta aprendizagem, o aluno precisa selecionar informações
da complexidade que envolve a realidade de sala de significativas, tomar decisões, trabalhar em grupo,
aula, do contexto escolar. gerenciar confronto de idéias, enfim desenvolver
Mas que realidade? Claro que existem diferenças, e que COMPETÊNCIAS INTERPESSOAIS para aprender de
todas precisam ser tratadas com seriedade para que a forma colaborativa com seus pares.
comunidade escolar possa constituir-se em um espaço A MEDIAÇÃO do professor é fundamental, pois ao
de aprendizagem, favorecendo o desenvolvimento mesmo tempo em que o aluno precisa reconhecer a sua
cognitivo, afetivo, cultural e social dos alunos. Uma própria autoria no projeto, ele também precisa sentir a
realidade em que o professor se depara atualmente é presença do professor que ouve, questiona e orienta,
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visando propiciar a construção de conhecimento do De fato, a integração efetiva poderá ser desenvolvida à
aluno. A mediação implica a CRIAÇÃO DE SITUAÇÕES medida que sejam compreendidas as especificidades de
DE APRENDIZAGEM que permitam ao aluno fazer cada universo envolvido, de modo que as diferentes
regulações, uma vez que os conteúdos envolvidos no mídias possam ser integradas ao projeto, conforme
projeto precisam ser sistematizados para que os alunos suas potencialidades e características, caso contrário,
possam formalizar os conhecimentos colocados em corre-se o risco da simples justaposição de mídias ou
ação. O trabalho por projeto potencializa a integração de sua subutilização. Isto nos faz reportar a uma
de diferentes áreas de conhecimento, assim como a situação já conhecida de muitos professores que atuam
integração de várias mídias e recursos, os quais com a informática na educação. Um especialista em
permitem ao aluno expressar seu pensamento por meio informática que não compreende as questões
de diferentes linguagens e formas de representação. Do relacionadas ao processo de ensino e aprendizagem
ponto de vista de aprendizagem no trabalho por terá muita dificuldade para fazer a integração das duas
projeto, Prado (2001) destaca a possibilidade de o áreas de conhecimento – informática e educação. Isto
aluno recontextualizar aquilo que aprendeu, bem como também acontece no caso de um especialista da
estabelecer relações significativas entre conhecimentos. educação que não conhece as funcionalidades,
Nesse processo, o aluno pode ressignificar os conceitos implicações e possibilidades interativas envolvidas nos
e as estratégias utilizadas na solução do problema de diferentes recursos computacionais. Claro que não se
investigação que originou o projeto e, com isso, espera a mesma “expertise” nas duas áreas de
ampliar o seu universo de aprendizagem. conhecimento, para poder atuar com a informática na
Em se tratando dos conteúdos, a pedagogia de projetos educação, mas o desconhecimento de uma das áreas
é vista pelo seu caráter de potencializar a pode desvirtuar uma proposta integradora da
INTERDISCIPLINARIDADE. Isto de fato pode ocorrer, informática na educação. Para integrá-las, é preciso
pois o trabalho com projetos permite romper com as compreender as características inerentes às duas áreas
fronteiras disciplinares, favorecendo o estabelecimento e às práticas pedagógicas nas quais essa integração se
de elos entre as diferentes áreas de conhecimento concretiza.
numa situação contextualizada da aprendizagem. No Esta visão atualmente se apresenta de forma mais
entanto, muitas vezes o professor atribui valor para as ampla, uma vez que o desenvolvimento da tecnologia
práticas interdisciplinares e com isso passa a negar avança vertiginosamente e a sua presença na escola
qualquer atividade disciplinar. Essa visão é equivocada, torna-se mais freqüente a cada dia. Uma preocupação
pois Fazenda (1994) enfatiza que a interdisciplinaridade com isso é que o professor não foi preparado para
se dá sem que haja perda da identidade das disciplinas. desenvolver o uso pedagógico das mídias. E para isto
Nesse sentido, Almeida (2002) corrobora com estas não basta que ele aprenda a operacionalizar os
idéias destacando: recursos tecnológicos, a exigência em termos de
“(...) que o projeto rompe com as fronteiras desenvolver novas formas de ensinar e de aprender é
disciplinares, tornando-as permeáveis na ação de muito maior. Esta questão, no entanto, diz respeito à
articular diferentes áreas de conhecimento, mobilizadas FORMAÇÃO DO PROFESSOR – aquela que poderá ser
na investigação de problemáticas e situações da desenvolvida na sua própria ação e de forma
realidade. Isso não significa abandonar as disciplinas, continuada, pois hoje com a tecnologia basta ter o
mas integrá-las no desenvolvimento das investigações, apoio institucional que prioriza a qualidade do trabalho
aprofundando-as verticalmente em sua própria educacional.
identidade, ao mesmo tempo, que estabelecem
articulações horizontais numa relação de reciprocidade INTERDISCIPLINARIDADE (Jairo Gonçalves
entre elas, a qual tem como pano de fundo a unicidade Carlos)
do conhecimento em construção” (p.58). Segundo Ivani Fazenda, a interdisciplinaridade surgiu
O conhecimento específico – disciplinar – oferece ao na França e na Itália em meados da década de 60, um
aluno a possibilidade de reconhecer e compreender as período marcado pelos movimentos estudantis que,
particularidades de um determinado conteúdo, e o dentre outras coisas, reivindicavam um ensino mais
conhecimento integrado – interdisciplinar – lhe dá a sintonizado com as grandes questões de ordem social,
possibilidade de estabelecer relações significativas política e econômica da época.
entre conhecimentos. Ambos se realimentam e um não A interdisciplinaridade teria sido uma resposta a tal
existe sem o outro. reivindicação, na medida em que os grandes problemas
Este mesmo pensamento serve para orientar a da época não poderiam ser resolvidos por uma única
INTEGRAÇÃO DAS MÍDIAS, no desenvolvimento de disciplina ou área do saber.
projetos. Conhecer as especificidades e as implicações No final da década de 60, a interdisciplinaridade chegou
do uso pedagógico de cada mídia disponível no ao Brasil e logo exerceu influência na elaboração da Lei
contexto da escola favorece ao professor criar situações de Diretrizes e Bases Nº 5.692/71. Desde então, sua
para que o aluno possa integrá-las de forma presença no cenário educacional brasileiro tem se
significativa e adequada ao desenvolvimento do seu intensificado e, recentemente, mais ainda, com a nova
projeto. Por exemplo, quando o aluno utiliza o LDB Nº 9.394/96 e com os Parâmetros Curriculares
computador para digitar um texto, é importante que o Nacionais (PCN).
professor conheça o que envolve o uso deste recurso Além de sua forte influência na legislação e nas
em termos de ser um meio pedagógico, mas um meio propostas curriculares, a interdisciplinaridade ganhou
que pode interferir no processo de o aluno reorganizar força nas escolas, principalmente no discurso e na
as suas idéias e a maneira de expressá-las. Da mesma prática de professores dos diversos níveis de ensino.
forma em relação a outras mídias que estão ao alcance Além de sua forte influência na legislação e nas
do trabalho pedagógico. Estar atento e buscando a propostas curriculares, a interdisciplinaridade ganhou
compreensão do uso das mídias no processo de ensino força nas escolas, principalmente no discurso e na
e aprendizagem é fundamental para a sua integração prática de professores dos diversos níveis de ensino.
no trabalho por projetos. Apesar disso, estudos têm revelado que a
interdisciplinaridade ainda é pouco conhecida. E é com
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o objetivo de contribuir para o entendimento desse acontecido em alguns casos. Pelo contrário, ela
tema que apresentaremos a seguir um breve resumo pressupõe uma organização, uma articulação voluntária
das principais concepções e controvérsias em torno e coordenada das ações disciplinares orientadas por um
desse tema. interesse comum. Nesse ponto de vista, a
interdisciplinaridade só vale a pena se for uma maneira
Níveis de Interação entre as Disciplinas eficaz de se atingir metas educacionais previamente
Quando falamos em interdisciplinaridade, estamos de estabelecidas e compartilhadas pelos membros da
algum modo nos referindo a uma espécie de interação unidade escolar. Caso contrário, ela seria um
entre as disciplinas ou áreas do saber. empreendimento trabalhoso demais para atingir
Todavia, essa interação pode acontecer em níveis de objetivos que poderiam ser alcançados de forma mais
complexidade diferentes. E é justamente para distinguir simples.
tais níveis que termos como multidisciplinaridade,
pluridisciplinaridade, interdisciplinaridade e Transdisciplinaridade
transdisciplinaridade foram criados. A transdisciplinaridade representa um nível de
Em seguida, discorreremos sucintamente sobre cada integração disciplinar além da interdisciplinaridade.
um deles buscando esclarecer as distinções entre tais Trata-se de uma proposta relativamente recente no
terminologias. Com isso, esperamos contribuir para campo epistemológico.
um uso mais cuidadoso de tais termos no cotidiano Japiassú a define como sendo uma espécie de
escolar. A classificação apresentada abaixo é a mais coordenação de todas as disciplinas e interdisciplinas
comum e foi proposta originalmente por Eric Jantsch e do sistema de ensino inovado, sobre a base de uma
sofreu algumas adaptações de Hilton Japiassú (1976), axiomática geral.
um dos pioneiros da interdisciplinaridade no Brasil. A interdisciplinaridade não é uma categoria de
conhecimentos, mas de ação. Não significa, tampouco,
Multidisciplinaridade a integração de conteúdos, mas a inter-relação entre as
A multidisciplinaridade representa o primeiro nível de disciplinas, em se considerando seus objetivos e
integração entre os conhecimentos disciplinares. Muitas metodologias próprias. Interrelacionar não é integrar,
das atividades e práticas de ensino nas escolas se globalizar, perdendo-se de vista a especificidade de
enquadram nesse nível, o que não as invalida. Mas, é cada objeto de conhecimento. Uma ação pedagógica
preciso entender que há estágios mais avançados que interdisciplinar requer, antes de tudo, uma atitude
devem ser buscados na prática pedagógica. interdisciplinar. E no limite, interdisciplinaridade faz-se,
Segundo Japiassú, a multidisciplinaridade se caracteriza antes, entre os indivíduos, para depois concretizar-se
por uma ação simultânea de uma gama de disciplinas nas disciplinas.
em torno de uma temática comum. Essa atuação, no
entanto, ainda é muito fragmentada, na medida em O PAPEL DA RELAÇÃO PROFESSOR–ALUNO NO
que não se explora a relação entre os conhecimentos PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM (Daniele
disciplinares e não há nenhum tipo de cooperação entre Salvalagio Abrahim)
as disciplinas. As relações humanas, embora complexas, são peças
fundamentais na realização comportamental e
Pluridisciplinaridade profissional de um indivíduo. Desta forma, a análise
Na pluridisciplinaridade, diferentemente do nível dos relacionamentos entre professor-aluno envolve
anterior, observamos a presença de algum tipo de interesses e intenções, sendo esta interação o expoente
interação entre os conhecimentos interdisciplinares, das consequências, pois a educação é uma das fontes
embora eles ainda se situem num mesmo nível mais importantes do desenvolvimento comportamental
hierárquico, não havendo ainda nenhum tipo de e agregação de valores nos membros da espécie
coordenação proveniente de um nível hierarquicamente humana.
superior. Alguns estudiosos não chegam a estabelecer Neste sentido, a interação estabelecida caracteriza-se
nenhuma diferença entre a multidisciplinaridade e a pela seleção de conteúdos, organização, sistematização
pluridisciplinaridade, todavia, preferimos considerá-la, didática para facilitar o aprendizado dos alunos e
pois a existência ou não de cooperação e diálogo entre exposição onde o professor demonstrará seus
as disciplinas é determinante para diferenciar esses conteúdos.
níveis de interação entre as disciplinas. O diálogo como forma de comunicação em nível
comum, ou seja, igual, deve prevalecer entre aqueles
Interdisciplinaridade que são os responsáveis para o encaminhamento do
Finalmente, a interdisciplinaridade representa o terceiro processo educacional. Não há como esperar que o
nível de interação entre as disciplinas. E, segundo aluno tome essa iniciativa. Cabe ao professor saber o
Japiassú, é caracterizada pela presença de uma momento certo, as condições e o nível do diálogo com
axiomática comum a um grupo de disciplinas conexas e um ou com todos os alunos da classe.
definida no nível hierárquico imediatamente superior, o O educador para pôr em prática o diálogo, não deve
que introduz a noção de finalidade. Dessa forma, colocar-se na posição de detentor do saber, deve
dizemos que na interdisciplinaridade há cooperação e antes, colocar-se na posição de quem não sabe tudo,
diálogo entre as disciplinas do conhecimento, mas reconhecendo que mesmo um analfabeto é portador do
nesse caso se trata de uma ação coordenada. Além do conhecimento mais importante: o da vida (GADOTTI,
mais, essa axiomática comum, mencionada por 1999, p. 2).
Japiassú, pode assumir as mais variadas formas. Desta maneira, o aprender se torna mais interessante
Na verdade, ela se refere ao elemento (ou eixo) de quando o aluno se sente competente pelas atitudes e
integração das disciplinas, que norteia e orienta as métodos de motivação em sala de aula. O prazer pelo
ações interdisciplinares. Portanto, defendemos que a aprender não é uma atividade que surge
interdisciplinaridade não deveria ser considerada como espontaneamente nos alunos, pois não é uma tarefa
uma meta obsessivamente perseguida no meio que cumprem com satisfação, sendo em alguns casos
educacional simplesmente por força da lei, como tem encarada como obrigação. Para que isto possa ser
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melhor cultivado, o professor deve despertar a abordagem global, trabalhando o lado positivo dos
curiosidade dos alunos, acompanhando suas ações no alunos e para a formação de um cidadão consciente de
desenvolver das atividades. seus deveres e de suas responsabilidades sociais.
O professor não deve preocupar-se somente com o
conhecimento através da absorção de CONCEPÇÕES DE CONHECIMENTO
informações, mas também pelo processo de construção As diversas teorias do desenvolvimento têm como
da cidadania do aluno. Apesar de tal, para que isto apoio as diferentes concepções de homem, focalizando
ocorra, é necessário a conscientização do professor de as questões filosóficas clássicas referentes ao
que seu papel é de facilitador de aprendizagem, aberto conhecimento: O que é o conhecimento? Como se
às novas experiências, procurando compreender, numa chega a ele? Como se passa de um tipo a outro
relação empática, também os sentimentos e os qualitativamente superior? Como os conhecimentos se
problemas de seus alunos e tentar levá-los a ampliam?
autorealização. Pela concepção empirista, também chamada de
De modo concreto, não podemos pensar que a ambientalista ou objetivista, o desenvolvimento do ser
construção do conhecimento é entendida como humano depende, principalmente, do seu ambiente,
individual. O conhecimento é produto da atividade e do dos estímulos do meio em que ele vive, das
conhecimento humano marcado social e culturalmente. experiências pelas quais ele passa.
O papel do professor consiste em agir como Os adeptos dessa corrente acreditam que o
intermediário entre os conteúdos da aprendizagem e a conhecimento processa-se por força dos sentidos,
atividade construtiva para assimilação. supervalorizando, desta forma, o papel da experiência
O trabalho do professor em sala de aula e seu sensorial (percepção), que inscreveria, direta ou
relacionamento com os alunos são expressos indiretamente, os conteúdos da vida mental sobre um
através da relação que ele tem com a sociedade e com indivíduo, visto com um ser extremamente plástico –
cultura. MASETTO (1996, p. 115), afirma que “é o uma tábula rasa, uma folha em branco ou um balde
modo de agir do professor em sala de aula, mais do vazio, para citar algumas figuras metafóricas
que suas características de personalidade que colabora comumente usadas. Dessa forma, o conhecimento
para uma adequada aprendizagem dos alunos; humano reduz-se ao sentir dos sentidos, fossem eles
fundamenta-se numa determinada concepção do papel externos: a visão, a audição, o olfato, o tato e o
do professor, que por sua vez reflete valores e padrões paladar, fossem eles sentidos internos: a fantasia, a
da sociedade”. imaginação sensível, a memória sensível, a atenção. Os
O aluno, que possui um ambiente social e cultural sentidos produziriam o dado a ser conhecido,
aberto em casa, nem sempre tem facilidade constituindo-se a fonte e a explicação última do
para entender os padrões de uma sociedade e os fenômeno do conhecimento.
modos empregados para a sua formação tanto no que O ponto alto do empirismo é o teste da experiência:
refere aos conhecimentos necessários para a sua nada aceitar que não tenha passado pelo crivo da
promoção na escola, quanto em relação às experiência.
necessidades de sua maneira de se comportar para Um dos precursores dessa corrente filosófica foi John
conviver no meio em que se encontra. Trazer o aluno Locke, que afirmava que os nossos conhecimentos
para a realidade social é, também, função do educador resultam de nossa sensações e experiências e que
e da instituição educacional em conjunto com os comparava a nossa mente, antes de ter tido qualquer
membros da família: experiência, a uma “tábula rasa”, a uma página em
O bom professor é o que consegue, enquanto fala, branco, onde as percepções e experiências iriam
trazer o aluno até a intimidade do movimento do seu inscrevendo as idéias.
pensamento. Sua aula é assim um desafio e não uma Os seguidores atuais desta concepção empirista podem
cantiga de ninar. ser encontrados nos adeptos das teorias behaviorista e
Seus alunos cansam, não dormem. Cansam porque neobehaviorista, destacando-se os trabalhos de Watson
acompanham as idas e vindas de seu pensamento, e Skinner.
surpreendem suas pausas, suas dúvidas, suas O conhecimento é visto, então, como alguma coisa que
incertezas. (FREIRE, 1996, p. 96). vem do mundo físico ou social do objeto, sendo que o
Apesar da importância da existência de afetividade, mundo deste é que determina o sujeito. Sob esta
confiança, empatia e respeito entre professores e perspectiva, é impossível um conhecimento que
alunos para que possa desenvolver todas as nuances transcenda a experiência, isto é, o contato que o
do processo de aprendizagem (leitura, escrita, reflexão homem tem por meio dos sentidos, constituindo-se na
e pesquisa autônoma), totalidade de seu saber.
Os educadores não podem permitir que tais Nega-se, portanto, a existência, no espírito humano, de
sentimentos interfiram no cumprimento ético de seu idéias inatas ou princípios a priori, bem como não se dá
dever de professor. Assim, situações diferenciadas importância à maturação biológica, nem à capacidades
adotadas com um determinado aluno (como melhorar a mentais da pessoa: inteligência, aptidões, sentimentos,
nota deste, para que ele não fique de recuperação), vontades, etc. O conhecimento é algo que vem do
apenas norteadas pelo fator amizade ou empatia, não mundo do objeto, que é determinante do sujeito.
deveriam fazer parte das atitudes de um “formador de Esquematicamente, podemos representar a relação
opiniões. (DANTAS, 1992, p. 1). entre o sujeito e o objeto da seguinte maneira:
Logo, a relação entre professor e aluno depende, OBJETO SUJEITO
fundamentalmente, do clima estabelecido pelo A concepção racionalista, também conhecida como
professor, da relação empática com seus alunos, de sua inatismo ou apriorismo, parte do pressuposto de que as
capacidade de ouvir, refletir e discutir o nível de qualidades a capacidades básicas do ser humano: sua
compreensão dos alunos e da criação das pontes entre personalidade, seus valores, suas crenças, sua maneira
o seu conhecimento e o deles. Indica também que o de pensar, etc., já se encontrariam basicamente
professor deve buscar educar para as mudanças, para prontas por ocasião do nascimento. Assim, as
a autonomia, para a liberdade possível numa condições e possibilidades de conhecimento seriam
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inatas, isto é, o sujeito já nasce com a possibilidade de considerar a natureza dos estímulos, o tipo de resposta
conhecer, estando o conhecimento determinado na desejável e o estado físico e psicológico do organismo.
bagagem hereditária ou submetido ao processo O papel do professor é o de observar o comportamento
maturacional. do aluno, de forma a obter uma compreensão, previsão
Sob esta ótica, as idéias e os juízos básicos do e, até mesmo, uma modificação deste comportamento,
conhecimento seriam construídos somente pela razão, através de estímulos reforçadores (notas altas, elogios,
frutos apenas do espírito, completamente prêmios, prestígio) ou de uma punição (castigo, notas
independentes, na sua origem, dos dados da baixas, reprovação, etc.). O professor é visto como
experiência e dos sentidos. Assim, a razão é a fonte do detentor e transmissor do conhecimento e o aluno, um
conhecimento fornecendo-nos, a priori, os conceitos e mero receptor passivo e subserviente, sem nenhum
as idéias inatas que são o conteúdo do conhecimento. ripo de ação crítica e reflexiva.
Só a razão é capaz de levar ao conhecimento Neste modelo didático-pedagógico, o professor tende a
verdadeiro, que decorre de princípios a priori, evidentes ensinar a teoria ao aluno, por meio de aulas
e irrecusáveis. tradicionalmente expositivas, exigindo por parte dele a
Esta corrente postula a idéia de que nosso intelecto é aplicação à prática, mediante recitação, memorização
dotado de algum conteúdo prévio, independentemente da teoria dada.
e antes mesmo de qualquer intervenção dos sentidos e Trata-se, então, de uma pedagogia centrada no
sem a interveniência de qualquer dado exterior ao professor, valorizando as relações hierárquicas, a
próprio intelecto. memorização mecânica, a avaliação como forma de
Desta forma, toda a atividade do conhecimento é verificação da retenção do conhecimento e com caráter
exclusiva do sujeito, sendo que o meio físico e social de premiação ou punição, a fragmentação e a
não participa dela, desmerecendo o papel e o valor do descontextualização dos conteúdos e ações educativas.
conhecimento sensível e o da experiência sensorial. O aluno é visto como um aprendiz passivo, mero
Destacam-se, entre defensores mais recentes dessa receptáculo de informações, sem criatividade e nem
corrente, o psicolinguísta Noam Chomsky, que propõe originalidade.
que o sistema nervoso humano contém mecanismos Não se pode, todavia, os efeitos benéficos da corrente
inatos que possibilitam à criança construir as regras da empirista, a se destacar: a valorização do papel do
linguagem, e o psicólogo Carl Rogers. professor, a importância da definição dos objetivos do
Esquematicamente, temos a seguinte relação ensino, bem como do planejamento das aulas.
epistemológica entre o sujeito e o objeto: O foco da concepção racionalista/inatista encontra-se
SUJEITO OBJETO no aluno visto como indivíduo que nasce com grandes
O construtivismo, também chamado de interacionismo, possibilidades de desenvolvimento, cabendo ao
leva em conta, no desenvolvimento do ser humano, professor simplesmente interferir o mínimo possível
tanto fatores orgânicos como fatores ambientais. Os neste processo.
seus pressupostos apoiam-se na idéia da interação O papel do professor, ao contrário da concepção
entre o organismo e o meio, que exercem uma ação empirista, não é o de ensinar, transmitir conhecimento,
recíproca, u influenciando o outro, sendo que esta mas o de permitir o desenvolvimento das capacidades,
interação provoca mudanças sobre o indivíduo. Temos, aptidões e possibilidades inatas do aluno.
então, uma relação dinâmica e dialética entre o Desta forma, o aluno já traz em si, de forma potencial,
indivíduo e a sociedade, entre o sujeito e o objeto, todo o conhecimento, subestimando-se o papel do
entre o organismo e o meio. professor e do conhecimento sistematizado (acervo
Desta forma, os interacionistas discordam das teorias cultural da humanidade).
inatistas, por desprezarem o papel do ambiente, e das Verifica-se, nessa concepção, um grande destaque
concepções ambientalistas, porque ignoram fatores dado ao estudo das diferenças individuais, dos testes
maturacionais. de inteligência, de aptidão e de prontidão para a
A origem do conhecimento encontra-se na interação aprendizagem, fato este que pode ser gerador de
entre o mundo do sujeito e o mundo do objeto, preconceitos prejudiciais ao trabalho na sala de aula.
interação ativada pela ação do sujeito, que é Pela concepção construtivista, o centro do processo
considerado um ser ativo. ensino-aprendizagem está na interação entre professor
As duas correntes teóricas principais do e aluno. Assim, o professor deve seguir um caminho
construtivismo/interacionismo são a elaborada por didático-pedagógico que procura conhecer o aluno
Piaget, que valoriza as questões da psicogênese do como uma síntese individual da interação do sujeito
conhecimento, e a desenvolvida por Vigotsky, que com o seu meio cultural, valorizando a bagagem
acentua a contínua interação entre as estruturas hereditária e cultural. Sob este prisma pedagógico,
orgânicas da criança e as condições sociais em que ela nega-se o autoritarismo do professor (empirismo) e o
vive. autoritarismo o do aluno (inatismo), resgatando dos
O modelo epistemológico que representa pólos da relação professor-aluno, imersos em processo
esquematicamente a relação entre o sujeito e o objeto de contínua e intensa interação.
nesta concepção é o seguinte; A esta teoria construtivista implica numa visão de
SUJEITO OBJETO ensino que considere a vivência e interesses dos
alunos, valorize a criatividade do aluno e do professor
Relações entre as Concepções Epistemológicas e (escola prazerosa), cabendo a este organizar as
a Prática Pedagógica. intervenções adequadas para desafiar o aluno na
A concepção empirista define a aprendizagem como construção do conhecimento.
uma mudança de comportamento ou mesmo adoção de Nesse enfoque construtivista, em que se atribui ao
novas formas comportamentais, decorrentes de sujeito um papel essencialmente ativo, o aluno é que
estímulos do ambiente (por estímulo-resposta), aprende sendo que ninguém pode substituí-lo neste
resultantes do treino ou da experiência. papel. Mas, também, pode contribuir o professor, pois
A aprendizagem confunde-se com condicionamento e, as características de sua intervenção, os recursos por
assim, para que ocorra aprendizagem é necessário ele utilizados, as tarefas que propõe, propiciam uma
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maior ou menor margem para a atividade construtiva Objetivos
do aluno. O professor deve ser um catalizador do São objetivos do planejamento de ensino:
desabrochar intelectual, emocional e afetivo do aluno. - racionalizar as atividades educativas;
O professor, acreditando na capacidade do aluno de - Assegurar um ensino efetivo e econômico;
construir ativamente seu conhecimento, passa a - Conduzir os alunos ao alcance dos objetivos; e
considerá-lo o centro do processo ensino- - verificar a marcha do professor ecucativo.
aprendizagem, reconhecendo nele não um sujeito
passivo, não um mero reprodutor do conhecimento que Requisitos
lhe é imposto. Assim, o professor renuncia ao papel do Por maior complexidade que em volva a organização da
“dono do saber”, passando a ser um orientador, escola, é indispensável ter sempre bem presente que a
alguém que acompanha e participa do processo de interação professor-aluno é o suporte estrutural, cuja
construção do conhecimento dos seus alunos. Essa dinâmica concretiza o fenômeno educativo. Portanto, o
nova forma de relacionamento do professor com a planejamento de ensino deve ser alicerçado neste
classe estimula o diálogo, o livre debate de idéias, a pressuposto básico. O professor, ao planejar o
interação social, diminuindo a importância do trabalho trabalho, deve estar familiarizado com o que por em
individualizado. prática, de maneira que possa selecionar o que é
melhor, adaptando tudo isto às necessidades e
PLANEJAMENTO DO ENSINO (Nelson Valente) interesses de seus alunos. Na maioria das situações, o
Alicerçardo nas linhas mestra de ação da escola, isto é, professor dependerá de seus próprios recursos para
no planejamento curricular, surge, em nível mais elaborar seus planos de trabalho. Por isso, deverá estar
específico, o planejamento de ensino. Este é a bem informado dos requisitos técnicos para que possa
tradução, em termos mais próximos e concretos, da planejar, independentemente, sem dificuldades.
ação que ficou configurada em nível de escola. Indica a Ainda temos a considerar que as condições de trabalho
atividade direcional, metódica e sistematizada que será diferem de escola pra escola, tendo sempre que
empreendida pelo professor junto a seus alunos, em adaptar seus projetos às circunstâncias e exigências do
busca de propósitos definidos. meio. Considerando que o ensino é o guia das
O professor que deseja realizar uma boa atuação situações de aprendizagem e que ajuda os estudantes a
docente sabe que deve participar, elaborar e organizar alcançarem os resultados desejados, a ação de planejá-
planos em diferentes níveis de complexidade para lo é predominantemente importante para incrementar a
atender, em classe, seus alunos. Pelo envolvimento no eficiência da ação a ser desencadeada no âmbito
processo ensino-aprendizagem, ele deve estimular a escolar.
participação do aluno, a fim de que este possa, O professor, durante o período (ano ou semestre)
realmente, efetuar uma aprendizagem tão significativa letivo, pode organizar três tipos de planos de ensino.
quanto o permitam suas possibilidades e necessidades. Por ordem de abrangência, vai:
O planejamento, neste caso, envolve a previsão de - Delinear, globalmente, toda a parte a ser
resultados desejáveis, assim como também os meios empreendida (PLANO DE CURSO);
necessários para alcançá-los. A responsabilidade do - Disciplinar partes da ação pretendida no plano global
mestre é imensa. Grande parte da eficácia de seu (PLANO DE UNIDADE); e
ensino depende da originalidade, coerência e - Especificar as realizações diárias para a concretização
flexibilidade de seu planejamento. dos planos anteriores (PLANO DE AULA).
Às vezes, o plano é elaborado apenas por um Pelo significativo apoio que o planejamento empresta à
professor; outras vezes, no entanto, vários professores atividade do professor e alunos, é considerado etapa
compartilham a responsabilidade de sua elaboração. obrigatória de todo o trabalho docente. O planejamento
Neste último caso, temos o planejamento de ensino tende a prevenir as vacilações do professor, oferecendo
cooperativo. Este, por sua natureza, resulta de uma maior segurança na consecução dos objetivos
atividade de grupo, isto é, os professores (às vezes previstos, bem como na verificação da qualidade e
auxiliados por especialistas) congregam esforços para quantidade do ensino que está sendo orientado pelo
juntos estabelecerem linhas comuns de ação, com mestre e pela escola.
vistas a resultados semelhantes e bastante válidos para Na esfera educacional, existem vários níveis de
a clientela atendida. Planejando, executando e planejamento: o planejamento educacional, mais amplo
avaliando juntos, esses professores desenvolvem e abrangente, determina as diretrizes da política
habilidades necessárias à vida em comum com os nacional de educação, prevendo a estruturação e o
colegas. Isso proporciona, entre outros aspectos, funcionamento da totalidade do sistema educacional; o
crescimento profissional, ajustamento às mudanças, planejamento curricular é definido de acordo como
exercício de autodisciplina, responsabilidade e união a planejamento educacional e determina a linha de ação
nível de decisões conjuntas. Inúmeras são as proposta pelas escolas. É da competência dos
conceituações sobre planejamento de ensino estabelecimentos de ensino; e o planejamento do
encontradas nos diferentes autores consultados. No ensino é o que parte das decisões dos planejamentos
entanto, consideramos as seguintes: anteriores, tendo em mira a efetivação do processo
Planejamento de ensino é: previsão inteligente e bem ensino-aprendizagem. É da competência do professor.
calculada de todas as etapas do trabalho escolar que
envolvem as atividades docentes e discentes, de modo PLANO DE AULA (Patrícia Aparecida P. P. de Castro;
a tornar o ensino seguro, econômico e eficiente; Cristiane Costa Tucunduva; Elaine Mandelli Arns).
previsão das situações específicas do professor com a Considerando que o planejamento deve ser pensado
classe; e processo de tomada de decisões bem como um ato político-social, não se pode conceber que
informadas que visam a racionalização das atividades o professor não realize o mínimo de planejamento
do professor e doa aluno, na situação ensino- necessário para seus alunos. Afinal, o planejamento, no
aprendizagem, possibilitando melhores resultados e, processo educativo, segundo Menegolla e Sant’anna
em consequência, maior produtividade. (2001), não deve ser visto como regulador das ações
humanas, ou seja, um limitador das ações tanto
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pessoais como sociais, e sim ser visto e planejado no acompanha sempre e em todo momento, já que é um
intuito de nortear o ser humano na busca da instrumento de feedback aos atores desse processo.
autonomia, na tomada de decisões, na resolução de Fala se os objetivos da aprendizagem foram alcançados
problemas e principalmente na capacidade de escolher ou não.
seus caminhos. A partir das definições das principais etapas que devem
Menegolla e Sant’anna (2001) ainda completam conter um planejamento o professor já tem condições
argumentando que o plano das aulas visa a liberdade necessárias para fazê-lo e utilizá-lo adequadamente.
de ação e não pode ser planejado somente pelo bom Vale lembrar, porém, que segundo Menegolla e
senso, sem bases científicas que norteiam o professor. Sant’anna (2001), não existe um modelo único de
Segundo Gutenberg (2008), essa base científica planejamento e sim vários modelos. Também não
utilizada para organizar o trabalho pedagógico são os existe um modelo melhor do que outro, cabe ao
pilares e princípios da educação, anunciados e exigidos professor escolher aquele que melhor atenda às
pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB); por necessidades deste e de seus alunos, que seja
este motivo, faz-se necessário conhecê-los e funcional e de bons resultados.
compreendê-los muito bem.
Partindo do princípio de que o professor deve ensinar TEORIAS DE APRENDIZAGEM
os conteúdos e também deve formar o aluno para que
ele se torne atuante na sociedade, ele deve organizar JEAN PIAGET E O CONSTRUTIVISMO (Nelson
seu plano de aula de modo que o aluno possa perceber Valente e Márcia Regina Terra).
a importância do que está sendo ensinado, seja num Jean Piaget nasceu em Neuchâtel, na Suíça, em 1896.
contexto histórico, para seu dia-a-dia ou para seu Diplomou-se em ciências naturais aos 21 anos,
futuro. doutorando-se no ano seguinte. Interessou-se pela
Menegolla e Sant’anna (2001) explicam que o psicologia, realizando estudos em Zurique e em Paris.
planejamento também serve para desenvolver tanto Foi professor dessa matéria nas Universidades de
nos professores como nos alunos uma ação eficaz de Neuchâtel, Lausanne e Genebra e de psicologia
ensino e aprendizagem, uma vez que ambos são genética na Sorbonne, de 1952 a 1963. Presidente da
atuantes em sala de aula. Porém é de responsabilidade Comissão Suíça na UNESCO, foi enviado em missão a
do professor elaborar o plano de aula, pois é ele quem Beirute, Paris, Florença e Rio de Janeiro. A UNESCO
conhece as reais aspirações de cada turma. Moreto confiou-lhe a elaboração da obra O direito à educação.
(2007) acredita que o professor, ao elaborar o plano de Piaget tornou-se membro do Conselho Executivo da
aula, deve considerara alguns componentes instituição.
fundamentais, tais como: conhecer a sua personalidade Piaget abordou o desenvolvimento da inteligência
enquanto professor, conhecer seus alunos através do processo de maturação biológica. Para ele,
(características psicossociais e cognitivas), conhecer a há duas formas de aprendizagem. A primeira, mais
epistemologia e a metodologia mais adequada às ampla, equivale ao próprio desenvolvimento da
características das disciplinas, conhecer o contexto inteligência. Este desenvolvimento é um processo
social de seus alunos. Conhecer todos os componentes espontâneo e contínuo que inclui maturação,
acima possibilita ao professor escolher as estratégias experiência, transmissão social e desenvolvimento do
que melhor se encaixam nas características citadas equilíbrio. A segunda forma de aprendizagem é limitada
aumentando as chances de se obter sucesso nas aulas. à aquisição de novas respostas a situações específicas
Outro grupo que deve estar atento à importância de ou à aquisição de novas estruturas para algumas
elaborar planos de aula são os professores em início da operações mentais específicas.
carreira, pois, pra Schmitiz (2000), esses profissionais Piaget formula o conceito de epigênese, argumentando
iniciando sua carreira no magistério adquirem confiança que "o conhecimento não procede nem da experiência
para dar aula, uma vez que no plano de aula, é única dos objetos nem de uma programação inata pré-
possível esclarecer os objetivos da mesma, sistematizar formada no sujeito, mas de construções sucessivas
as atividades e facilitar seu acompanhamento. com elaborações constantes de estruturas novas"
Mediante todos os fatos pesquisados até agora, não se (Piaget, 1976 apud Freitas 2000:64). Quer dizer, o
discute a necessidade e a importância de se elaborar o processo evolutivo da filogenia humana tem uma
pano de aula, porém. Segundo Shimitz (2000) ele não origem biológica que é ativada pela ação e interação do
precisa ser descrito minuciosamente, mas deve ser organismo com o meio ambiente - físico e social - que
estruturado, escrito ou mentalmente. o rodeia (Coll, 1992; La Taille, 1992, 2003; Freitas,
Alguns autores sugerem que o planejamento tenha 2000; etc.), significando entender com isso que as
algumas etapas principais, pois serão estas etapas que formas primitivas da mente, biologicamente
darão uma visão do que é necessário conveniente ao constituídas, são reorganizadas pela psique socializada,
professor e aos alunos. São elas: ou seja, existe uma relação de interdependência entre
Objetivos: apontam para aquilo que se deseja que o o sujeito conhecedor e o objeto a conhecer.
estudante seja capaz de realizar após a atividade do Esse processo, por sua vez, se efetua através de um
ensino, em consequência de seu desempenho na mecanismo auto-regulatório que consiste no processo
escola, série, disciplina ou na aula mesmo. de equilíbração progressiva do organismo com o meio
Conteúdo: conjunto de assuntos, temas, tópicos que em que o indivíduo está inserido, como procuraremos
serão trabalhados/abordados em cada disciplina. Estes expor em seguida. Quer dizer, o desenvolvimento da
estão diretamente subordinados aos objetivos definidos filogenia humana se dá através de um mecanismo
para o ensino ou para aula. auto-regulatório que tem como base um 'kit' de
Método: São atividades, métodos, técnicas e condições biológicas (inatas portanto), que é ativado
modalidades de ensino que possuem o intuito de pela ação e interação do organismo com o meio
facilitar o ensino. São os modos de organizar as ambiente - físico e social (Rappaport, op.cit.). Id est,
condições externas a fim de facilitar o ensino. tanto a experiência sensorial quanto o raciocínio são
Avaliação: Vale lembrar que a avaliação não é um fundantes do processo de constituição da inteligência,
momento do processo ensino-aprendizagem, mas o ou do pensamento lógico do homem.
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O conceito de equilibração torna-se especialmente criança apresente a capacidade de atuar de forma
marcante na teoria de Piaget, pois ele representa o lógica e coerente (em função da aquisição de esquemas
fundamento que explica todo o processo do sensoriais-motores na fase anterior) ela apresentará,
desenvolvimento humano. Trata-se de um fenômeno paradoxalmente, um entendimento da realidade
que tem, em sua essência, um caráter universal, já que desequilibrado (em função da ausência de esquemas
é de igual ocorrência para todos os indivíduos da conceituais).
espécie humana, mas que pode sofrer variações em (c) Período das operações concretas (7 a 11, 12
função de conteúdos culturais do meio em que o anos): neste período, o egocentrismo intelectual e
indivíduo está inserido. social (incapacidade de se colocar no ponto de vista de
Em síntese, pode-se dizer que, para Piaget, o equilíbrio outros) que caracteriza a fase anterior dá lugar à
é o norte que o organismo almeja, mas que emergência da capacidade da criança de estabelecer
paradoxalmente nunca alcança (La Taille, op.cit.), haja relações e coordenar pontos de vista diferentes
vista que no processo de interação podem ocorrer (próprios e de outrem) e de integrá-los de modo lógico
desajustes do meio ambiente que rompem com o e coerente. Um outro aspecto importante neste estágio
estado de equilíbrio do organismo, eliciando esforços refere-se ao aparecimento da capacidade da criança de
para que a adaptação se restabeleça. Essa busca do interiorizar as ações, ou seja, ela começa a realizar
organismo por novas formas de adaptação envolvem operações mentalmente e não mais apenas através de
dois mecanismos que apesar de distintos são ações físicas típicas da inteligência sensório-motor.
indissociáveis e que se complementam: a assimilação e Contudo, embora a criança consiga raciocinar de forma
a acomodação. coerente, tanto os esquemas conceituais como as ações
a) Assimiliação: consiste na tentativa do indivíduo em executadas mentalmente se referem, nesta fase, a
solucionar uma determinada situação a partir da objetos ou situações passíveis de serem manipuladas
estrutura cognitiva que ele possui naquele momento ou imaginadas de forma concreta.
específico da sua existência. Representa um processo (d) Período das operações formais (12 anos em
contínuo na medida em que o indivíduo está em diante): nesta fase, a criança, ampliando as
constante atividade de interpretação da realidade que o capacidades conquistadas na fase anterior, já consegue
rodeia e, consequentemente, tendo que se adaptar a raciocinar sobre hipóteses na medida em que ela é
ela. capaz de formar esquemas conceituais abstratos e
b) Acomodação: por sua vez, consiste na capacidade através deles executar operações mentais dentro de
de modificação da estrutura mental antiga para dar princípios da lógica formal. De acordo com a tese
conta de dominar um novo objeto do conhecimento. piagetiana, ao atingir esta fase, o indivíduo adquire a
Quer dizer, a acomodação representa "o momento da sua forma final de equilíbrio, ou seja, ele consegue
ação do objeto sobre o sujeito" (Freitas, op.cit.:65) alcançar o padrão intelectual que persistirá durante a
emergindo, portanto, como o elemento complementar idade adulta.
das interações sujeito-objeto.
Em síntese, toda experiência é assimilada a uma VYGOTSKY E O SÓCIO-INTERACIONISMO
estrutura de idéias já existentes (esquemas) podendo Nasceu na Bielo-Rússia em 5 de novembro de 1896.
provocar uma transformação nesses esquemas, ou Formou-se em literatura e direito na Universidade de
seja, gerando um processo de acomodação. Moscou e mais tarde estudou medicina. Pesquisou
No entanto, esse processo de transformação vai sobre literatura, psicologia, deficiência física e mental e
depender sempre de como o indivíduo vai elaborar e educação, dedicando-se aos campos da pedagogia e
assimilar as suas interações com o meio, isso porque a psicologia.
visada conquista da equilibração do organismo reflete Vygotsky viveu na mesma época que Piaget (ambos
as elaborações possibilitadas pelos níveis de nasceram em 1896). No entanto, eles não chegaram a
desenvolvimento cognitivo que o organismo detém nos se encontrar em vida, devido a vários fatores,
diversos estágios da sua vida. A esse respeito, para principalmente os políticos. Partidário da revolução
Piaget, os modos de relacionamento com a realidade russa, Vygotsky sempre acreditou em uma sociedade
são divididos em 4 períodos, a saber: mais justa sem conflito social e exploração. Sua obra
(a) Período Sensório-motor (0 a 2 anos): enfrentou décadas de silêncio imposto pelo regime
caraceteriza –se por uma forma de inteligência stalinista. Apenas em meados dos anos 60 seus livros
empírica, exploratória, não-verbal. A criança aprende chegaram ao Ocidente. Só então o psicólogo suíço Jean
pela experiência, examinando e experimentando com Piaget (1896-1980), lamentando que os dois não
os objetos ao seu alcance, somando conhecimentos. tivessem se conhecido, leu e comentou os elogios e as
Progressivamente, a criança vai aperfeiçoando tais críticas que Vygotsky lhe fizera em 1932.
movimentos reflexos e adquirindo habilidades e chega Foi professor do ginásio e se fazia uma pergunta
ao final do período sensório-motor já se concebendo fundamental: como o homem cria cultura? Dono de
dentro de um cosmo "com objetos, tempo, espaço, uma inteligência brilhante, ele buscou a resposta na
causalidade objetivados e solidários, entre os quais Psicologia e acabou por elaborar uma teoria do
situa a si mesma como um objeto específico, agente e desenvolvimento intelectual, sustentando que todo
paciente dos eventos que nele ocorrem" (La Taille, conhecimento é construído socialmente, no âmbito das
2003). relações humanas. Sua teoria tem por base o
(b) Período pré-operatório (2 a 7 anos): para desenvolvimento do indivíduo como resultado de um
Piaget, o que marca a passagem do período sensório- processo sócio-histórico, enfatizando o papel da
motor para o pré-operatório é o aparecimento da linguagem e da aprendizagem nesse desenvolvimento,
função simbólica ou semiótica, ou seja, é a emergência sendo essa teoria considerada histórico-social.
da linguagem. Nessa concepção, a inteligência é Vygotsky morreu de tuberculose 3m 1934, aos 38
anterior à emergência da linguagem e por isso mesmo anos.
"não se pode atribuir à linguagem a origem da lógica,
que constitui o núcleo do pensamento racional" (Coll e Pressupostos Essenciais do Modelo Sócio-
Gillièron, op.cit.). Assim, neste estágio, embora a Histórico de Vygotsky
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1. Desenvolvimento do cérebro simbólicos de que dispõe, portanto enfatiza a
A redução de reações biológicas é uma condição prévia construção do conhecimento como uma interação
para o aparecimento de fenômenos psicológicos. mediada por várias relações, ou seja, o conhecimento
Vygotsky e Luria (1930/1993) explicam isto na área da não está sendo visto como uma ação do sujeito sobre a
percepção: a criança no início de sua vida tem apenas realidade, assim como no construtivismo e sim, pela
sensações orgânicas - tensão- dor - calor, mediação feita por outros sujeitos. O outro social pode
principalmente nas áreas mais sensíveis. Quando a apresentar-se por meio de objetos, da organização do
criança deixa de sofrer influência desses processos ambiente, do mundo cultural que rodeia o indivíduo.
biológicos, passa a perceber a realidade. A percepção A cultura fornece ao indivíduo os sistemas simbólicos
da realidade requer processos biológicos como de representação da realidade, ou seja, o universo de
determinantes de experiência, permitindo que seu significações que permite construir a interpretação do
organismo passe a ser afetado por fatores externos. mundo real. Ela dá o local de negociações no qual seus
Evidentemente só a realidade dos fatores externos não membros estão em constante processo de recriação e
determinam completamente essa percepção. A reinterpretação de informações, conceitos e
informação de que esses processos biológicos tornam- significações.
se disponível no organismo é organizado pela própria
criança através de experiência social e cultural. A Conceitos Básicos da Teoria de Vygotsky
criança passa a ver o mundo com sua própria visão, 1. Mediação
administrando-o sob seu ponto de vista. A questão central é a aquisição de conhecimentos pela
As concepções de Vygotsky sobre o funcionamento do interação do sujeito com o meio e, portanto, o
cérebro humano sinalizam que o cérebro é a base conhecimento é sempre mediado.
biológica, e suas peculiaridades definem limites e Para Vygotsky, a vivência em sociedade é essencial
possibilidades para o desenvolvimento humano. Essas para a transformação do homem de ser biológico em
concepções fundamentam sua idéia de que a criança ser humano. É pela APRENDIZAGEM nas relações com
nasce dotada apenas de FUNÇÕES PSICOLÓGICAS os outros que construímos os conhecimentos que
ELEMENTARES, como os reflexos e a atenção permitem nosso desenvolvimento mental.
involuntária, presentes em todos os animais mais A linguagem, sistema simbólico dos grupos humanos,
desenvolvidos. Com o aprendizado cultural, no entanto, representa um salto qualitativo na evolução da espécie.
parte dessas funções básicas transforma-se em É ela que fornece os conceitos, as formas de
FUNÇÕES PSICOLÓGICAS SUPERIORES, como a organização do real, a mediação entre o sujeito e o
consciência, o planejamento e a deliberação, objeto do conhecimento. É por meio dela que as
características exclusivas do homem. As funções funções mentais superiores são socialmente formadas e
psicológicas superiores são construídas ao longo da culturalmente transmitidas, portanto, sociedades e
história social do homem, em sua relação com o culturas diferentes produzem estruturas diferenciadas.
mundo. Desse modo, as funções psicológicas Por isso a linguagem é duplamente importante para
superiores referem-se a processos voluntários, ações Vygotsky. Além de ser o principal instrumento de
conscientes, mecanismos intencionais e dependem de intermediação do conhecimento entre os seres
processos de aprendizagem. humanos, ela tem relação direta com o próprio
Essa evolução acontece pela elaboração das desenvolvimento psicológico. Maria Teresa Freitas
informações recebidas do meio. As informações nunca resume: "Nenhum conhecimento é construído pela
são absorvidas diretamente do meio. São sempre pessoa sozinha, mas sim em parceria com as outras,
intermediadas, explícita ou implicitamente, pelas que são os mediadores".
pessoas que rodeiam a criança, carregando significados
sociais e históricos. Isso não significa que o indivíduo 2. Processo de internalização
seja como um espelho, apenas refletindo o que O processo de internalização é fundamental para o
aprende. As informações intermediadas são desenvolvimento do funcionamento psicológico
reelaboradas numa espécie de linguagem interna. É humano. A internalização envolve uma atividade
isso que caracterizará a individualidade. externa que deve ser modificada para tornar-se uma
atividade interna; é interpessoal e se torna
2. Natureza social intrapessoal. O sujeito não é apenas ativo, mas
Vygotsky interessou-se por enfatizar o papel da interativo, porque forma conhecimentos e se constitui a
interação social ao longo do desenvolvimento do partir de relações intra e interpessoais. É na troca com
homem. Isto quer dizer que o homem é herdeiro de os outros sujeitos e consigo próprio que se vão
toda a evolução filogenética (espécie) e cultural, e seu internalizando conhecimentos, papéis e funções sociais,
desenvolvimento dar-se-á em função de características o que permite a formação de conhecimentos e da
do meio social em que vive. Donde surge o termo própria consciência. Para Vygotsky, o desenvolvimento
sóciocultural ou histórico atribuído nesta teoria. E assim cultural da criança aparece segundo a lei da
assinalam-se constantemente a busca de explicar os dupla formação, em que todas as funções aparecem
processos mentais superiores baseados na imersão duas vezes: primeiro no nível social e depois no nível
social do homem que por sua vez é histórico, individual; ou seja, primeiro entre as pessoas
ontológico e filogenético. (interpsicológica) e depois no interior da criança
Atento à "natureza social" do ser humano, que desde o (intrapsicológica). Poder-se-ía assim dizer que o
berço vive rodeado por seus pares em um ambiente desenvolvimento cultural do aluno, assim como, sua
impregnado pela cultura, Vygotsky defendeu que o aprendizagem, se dá mediante o processo de relação
próprio desenvolvimento da inteligência é produto do aluno com o professor ou com outros alunos mais
dessa convivência. Para ele, "na ausência do outro, o competentes.
homem não se constrói homem". Em outras palavras, os vygotskianos entendem que os
Enquanto sujeito do conhecimento o homem não tem processos psíquicos, a aprendizagem entre eles,
acesso direto aos objetos, mas acesso mediado, ocorrem por assimilações de ações exteriores,
através de recortes do real, operados pelos sistemas interiorizações desenvolvidas através da linguagem
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interna que permite formar abstrações. Para Vygotsky, Consciência. E esses elementos da consciência vão dar
a finalidade da aprendizagem é a assimilação origem aos denominados processos mentais superiores,
consciente do mundo físico mediante a interiorização os quais são diferentes dos processos mecânicos, por
gradual de atos externos e suas transformações em estes serem ações conscientes, controladas ou
ações mentais. voluntárias, envolvendo memorização ativa seguida de
Nesse processo, a aprendizagem se produz, pelo pensamento abstrato.
constante diálogo entre o exterior e interior do 3.6. Relação desenvolvimento/aprendizagem
indivíduo, uma vez que para formar ações mentais tem Vygotsky e a escola de psicologia dialética soviética e
que partir das trocas com o mundo externo, cuja da seus seguidores Luria (1902/1977) e Leontiev
interiorização surge a capacidade da atividades (1903/1979) estabelecem uma relação inseparável
abstratas que a sua vez permite elevar a cabo ações entre aprendizagem / desenvolvimento, chegando a
externas. afirmar que o desenvolvimento vem depois da
O que nos faz pensar que esse processo de aprendizagem.
aprendizagem se desenvolve do concreto (segundo as Aprendizagem é a assimilação consciente do mundo
variáveis externas) a abstrata (as ações mentais), com físico mediante a interiorização gradual de atos
diferentes formas de manifestações, tanto intelectual, externos e sua transformação em ações mentais.
verbal e de diversos graus de generalizações e Privilegiam o ambiente social. Entendem que os
assimilações. processos psíquicos, que a aprendizagem entre eles,
são assimilações de ações exteriores, interiorizações
3. Dois níveis de desenvolvimento desenvolvidas através de linguagem interior que
Existem, pelo menos dois níveis de desenvolvimento permite formar abstrações.
identificados por Vygotsky: A aprendizagem é produzida através de um diálogo
3.1. Desenvolvimento Real: É determinado por constante entre o exterior e o interior do indivíduo, e as
aquilo que a criança é capaz de fazer por si própria ações mentais são formadas a partir das variáveis
porque já tem um conhecimento consolidado. Se externas (concretas), que são interiorizadas surgindo a
domina a adição, por exemplo, esse é um nível de capacidade de atividade abstrata (ações mentais) com
desenvolvimento real. varias formas de manifestação (material - ações
3.2. Desenvolvimento Potencial: se manifesta externas -, verbal –linguagem - ou intelectual –
quando a criança realiza tarefas mais complexas, pensamento -) e diversos graus de generalização e
orientadas por instruções e com a ajuda de um adulto assimilação.
ou por resultado da interação com iguais. Por exemplo, Costuma-se destacar que a abordagem de Vygotsky
uma multiplicação simples, quando ela já sabe somar. tem explicação das mudanças de ordem qualitativa.
3.4. Zona de Desenvolvimento Proximal Isto porque o autor preocupou em descrever e
Segundo Vygotsky, a evolução intelectual é entender o que ocorre ao longo da gênese de certas
caracterizada por saltos qualitativos de um nível de funções, assim como, no estudo da linguagem da
conhecimento para outro. A fim de explicar esse formação de conceitos, etc. Nessa teoria não se tem
processo, ele desenvolveu o conceito de ZONA DE estágios de desenvolvimento explicado detalhadamente
DESENVOLVIMENTO PROXIMAL, que definiu como a sobre o surgimento e desenvolvimento das funções
"distância entre o nível de desenvolvimento real, que psíquicas através de acumulação de processos
se costuma determinar através da solução elementares. Já que nessa abordagem não se
independente de problemas, e o nível de questiona o fato de que todos os indivíduos tenham
desenvolvimento potencial, determinado através da uma capacidade de aprendizagem que, inicialmente,
solução de problemas sob a orientação de um adulto ou está condicionada pelo nível de desenvolvimento
em colaboração com companheiros mais capazes". A alcançado. Mas existe na teoria de Vygotsky, assim
aprendizagem interage com o desenvolvimento, como na de Piaget - os diferentes níveis de
produzindo abertura nas zonas de desenvolvimento funcionamento psicológico, cada qual com
proximal nas quais as interações sociais são centrais, características específicas:
estando então, ambos os processos, aprendizagem e • Pseudo-conceitos: aqui ainda a criança não
desenvolvimento, interrelacionados; assim, um consegue formular conceitos, mas o pensamento ocorre
conceito que se pretenda trabalhar, como por exemplo, por cadeia e de natureza factual e concreta. Nesta fase
em matemática, requer sempre um grau de experiência a criança se orienta pela semelhança concreta visual,
anterior para a criança. formando apenas um complexo associativo restrito a
3.5. Tomada de consciência um determinado tipo de conexão perceptual.
Vigotsky abstrai que o ser humano é criado histórico e • Conceitos: formação de conceito atividade complexa
socialmente, e que suas relações com a natureza e com e abstrata, que usa o signo, ou palavra, como meio de
os outros homens no nível da consciência são lidados condução das operações mentais.
de forma espontânea apenas quando ele não tem • Conceitos cotidianos: aprendidos
percepção da consciência sobre aquilo que está assistematicamente, estes conceitos dispensam a
fazendo. Por outro lado, à medida que o homem toma necessidade da escola para a sua formulação.
consciência da consciência que possui, mais e mais ele • Conceitos científicos: constituído por um sistema
abstrai sobre seus atos e sobre o meio. Com isto, seus hierárquico de inter-relação, são os conceitos
atos deixam de ser espontâneos (no sentido biológico aprendidos na escola sistematicamente.
do termo) para se tornarem atos sociais e históricos, A aprendizagem é considerada como parte de
envolvendo a psique do indivíduo. Observe que, nesse atividades coletivas que precedem a aquisição
diverso campo da consciência, existe como base individual (linguagem infantil: primeiro aparece como
metodológica e objeto de estudo a intencionalidade da forma de comunicação, depois se interioriza
consciência. convertendo em linguagem interna). São as relações
Diríamos de certa forma, que para este autor a sociais que dão ao indivíduo instrumentos para ativar
consciência é o estado supremo do homem, o que na os processos internos que favorecem o
teoria vygotskiniana é chamado de Tomada de desenvolvimento.
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Nesta concepção a educação é considerada um sistema critica, por considerar que Piaget não deu a devida
que facilita a apropriação de conteúdos próprios de importância a situação social e ao meio. Ambos
cada cultura. atribuem grande importância ao organismo ativo, mas
Vygotsky destaca o papel do contexto histórico e
VYGOTSKY X PIAGET cultural nos processos de desenvolvimento e
A discussão do pensamento de Vygotsky na área aprendizagem, sendo chamado de sóciointeracionista e
educacional e psicológica nos remete a uma reflexão não apenas interacionista como Piaget.
sobre as relações entre ele e Piaget. Esse confronto se As críticas a Piaget não foram diferentes das dirigidas a
dá uma vez que os autores possuem vários pontos Freud. Não é surpresa devido ao endosso de Piaget aos
divergentes que separam os seus pensamentos em conceitos de Freud. Piaget afirmou que a mente é
abordagens ou pontos de vista diferentes. governada através de mecanismos biológicos. Ele
Ambos autores fazem parte das correntes interacionista também afirmou que processos cognitivos são
(através de dialética externas de adaptação entre o originalmente egoístas e anti-sociais. Eles só são
organismo psicológico do indivíduo e seu mundo dirigidos à realidade e ao relacionamento social depois
circundante ou contexto) e construtivista (dialéticas de 7 a 8 anos de idade. Vygotsky colocou uma
internas de organização entre as partes do organismo concepção bastante diferente da criança. Ele afirmou
psicológico, como explicação da mudança adaptativa). que mecanismos naturais governam o comportamento
O termo socioconstrutivismo (ou, como preferem da crianças. Porém, antes de 2 anos de idade, a criança
alguns especialistas, sociointeracionismo) é usado para participa das relações sociais. Mecanismos biológicos
fazer distinção entre a corrente teórica de Vygotsky e o operam durante curto espaço de tempo. Porém, eles
construtivismo Jean Piaget. Ambos são construtivistas são substituídos rapidamente através de influências
em suas concepções do desenvolvimento intelectual. sociais. Assim que infância termine, o indivíduo começa
Ou seja, sustentam que a inteligência é construída a a participar de relações sociais. Relações sociais
partir das relações recíprocas do homem com o meio. formam o contexto desenvolvente de crianças e
Para Piaget, as crianças individuais constroem constituem a natureza da criança. Vygotsky considerou
conhecimento através de suas próprias ações: entender a criança como um indivíduo social, Piaget considerou
é inventar. Para Vigotsky é a compreensão através do como anti-social. Para Vygotsky, relações sociais
contraste social e origem. constituem a psicologia da criança desde o começo.
Os dois se opõem tanto à teoria empirista (para a qual Para Piaget, relações sociais são secundárias à
a evolução da inteligência é produto apenas da ação do natureza biológica da criança.
meio sobre o indivíduo) quanto à concepção De forma geral, Piaget e Vygotsky contribuíram para a
racionalista (que parte do princípio de que já nascemos elaboração de metodologias inovativas que ultrapassam
com a inteligência pré-formada). Para o ser humano, aquelas existentes na escola tradicional. É graças as
segundo Vygotsky, o meio é sempre revestido de implicações teóricas destes psicólogos que se pode hoje
significados culturais. Por exemplo, o objeto armário trabalhar visando ultrapassar a metodologia pedagógica
(meio) não tem sentido em si. Só tem o sentido arraigada na repetição de conceitos. O que tem
cultural que lhe damos, como ser útil ou inútil, valioso encorajado inúmeros educadores a inovarem sua
ou não, rústico ou sofisticado e assim por diante. E os prática pedagógica, no sentido de buscar compreender
significados culturais só são aprendidos com a a realidade de seus alunos tanto do ponto de vista
participação dos mediadores. O fator cultural, básico psicológico, cognitivo, afetivo, como sócio-cultural. Isto
para Vygotsky, e pouco enfatizado por Piaget, é a para que, a partir daí, possam trabalhar rumo a uma
diferença central entre os dois teóricos construtivistas. educação significativa e construtiva – a qual possa
Ambos divergem também quanto à seqüência dos conduzir o aluno a ser sujeito consciente de sua
processos de APRENDIZAGEM e de DESENVOLVIMENTO autonomia social.
MENTAL. Para Vygotsky, é o primeiro que gera o Apesar dos autores serem de complexa interpretação,
segundo. Em suas palavras, "o aprendizado percebe-se que à medida que o educador vai tecendo
adequadamente organizado resulta em sua prática, ele também vai refletindo e aplicando
desenvolvimento mental e põe em movimento vários essas teorias que são valiosas para resolverem diversos
processos de desenvolvimento que, de outra forma, males que afligem o contexto educacional. Nesse meio,
seriam impossíveis". Piaget, ao contrário, defende que é possível utilizar as discussões mencionada na
é o desenvolvimento progressivo das estruturas concepção interacionista e construtivista dos autores e
intelectuais que nos torna capazes de aprender (fases colocar-se como condutor dessa interação do aluno
pré-operatóra ou lógico-formal). com o meio e fazer desse meio um ambiente de
É justamente a comprovação, por Vigotsky, da estímulo para que o sujeito desenvolva os seus
existência de uma zona de desenvolvimento potencial aspectos cognitivos.
que desprende ou desvincula a proposta de uma
concepção distinta da ajuda pedagógica de que surge
das teorias de Piaget. Se em Piaget havia que ter em HENRY WALLON e a PESSOA COMPLETA (Abigail
conta o desenvolvimento como um limite para adequar Alvarenga Mahoney, Laurinda Ramalho de
o tipo de conteúdo de ensino a um nível evolutivo do Almeida, com adaptações).
aluno, em Vygotsky o que tem que estabelecer é a Nasceu na França em 1879. Antes de chegar à
sequência que permite o progresso de forma adequada, psicologia passou pela filosofia e medicina e ao longo
impulsionando ao longo de novas aquisições, sem de sua carreira foi cada vez mais explícita a
esperar a maduração "mecânica" e evitando que possa aproximação com a educação. Possuía formação nas
pressupor as dificuldades para prosperar por não áreas de Medicina (Neurologia e Psiquiatria), Psicologia
delinear um desequilíbrio adequado. É desta concepção e Filosofia. Wallon faz oposição a qualquer espécie de
que Vygotsky afirma que a aprendizagem vai em frente reducionismo orgânico ou social e ao dualismo corpo e
do desenvolvimento alma, entendendo que a compreensão do ser humano
Vygotsky teve contato com a obra de Piaget e embora deve ter presente que ele é organicamente social, isto
teça elogios a ela em vários aspectos, também a
19
é, sua estrutura orgânica supõe a intervenção da 3. Personalismo (3 a 6 anos): Nesse estágio
cultura para se atualizar. desenvolve-se a construção da consciência de si
Partindo de uma perspectiva psicogenética da pessoa mediante as interações sociais, reorientando o
completa, a teoria de desenvolvimento de Wallon interesse das crianças pelas pessoas, existindo outro
assume que o desenvolvimento da pessoa se faz a tipo de interação: a criança e o outro. É a fase de se
partir da interação do potencial genético, típico da descobrir diferente das outras crianças e do adulto.
espécie, e uma grande variedade de fatores As atividades predominantes estão voltadas para a
ambientais. O foco da teoria é essa interação da construção do eu e para as relações afetivas com o
criança, com o meio, uma relação complementar entre outro, complementando os processos intelectuais, que
os fatores orgânicos e socioculturais. possibilitam a substituição dos objetos pelas palavras
A criança, para Wallon, é essencialmente emocional e correspondentes a partir da apropriação da linguagem
gradualmente vai constituindo-se em um ser sócio- (Wallon, 1981). Como neste estágio, a direção é para si
cognitivo. O autor estudou a criança contextualizada, mesma, a criança aprende principalmente pela
como uma realidade viva e total no conjunto de seus oposição ao outro, pela descoberta do que a distingue
comportamentos, suas condições de existência. de outras pessoas.
Segundo GALVÃO (2000), Wallon argumenta que as 4. Categorial (6 aos 11 anos): Os progressos
trocas relacionais da criança com os outros são intelectuais dirigem o interesse da criança para as
fundamentais para o desenvolvimento da pessoa. As coisas, para o conhecimento e conquista do mundo
crianças nascem imersas em um mundo cultural e exterior Nesse período, passa a haver a representação
simbólico, no qual ficarão envolvidas em um das coisas e a explicação do real, iniciada com a
"sincretismo subjetivo", por pelo menos três anos. integração das diferenciações produzidas durante o
Durante esse período, de completa indiferenciação período pré-categorial.
entre a criança e o ambiente humano, sua A diferenciação mais nítida entre o eu e o outro dá
compreensão das coisas dependerá dos outros, que condições mais estáveis para a exploração mental do
darão às suas ações e movimentos formato e mundo externo, físico, mediante atividades externas de
expressão. agrupamento, classificação, categorização em níveis de
Antes do surgimento da linguagem falada, as crianças abstração até chegarem a nível categorial. A
comunicam-se e constituem-se como sujeitos com organização do mundo em categorias bem definidas
significado, através da ação e interpretação do meio possibilita também uma representação mais nítida de si
entre humanos, construindo suas próprias emoções, mesma. Aqui, o predomínio é da razão, onde ocorrem
que é seu primeiro sistema de comunicação expressiva. as representações claras, precisas, que se
Estes processos comunicativos-expressivos acontecem transformarão com o tempo, em conceitos e princípios.
em trocas sociais como a imitação. Imitando, a criança 5. Puberdade e Adolescência (11 anos em
desdobra, lentamente, a nova capacidade que está a diante): Ocorre novas definições dos contornos da
construir (pela participação do outro ela se diferenciará personalidade, desestruturados devido às modificações
dos outros) formando sua subjetividade. Pela imitação, corporais resultantes da ação hormonal. Questões
a criança expressa seus desejos de participar e se pessoais, morais e existenciais são trazidas à tona.
diferenciar dos outros constituindo-se em sujeito Nesse estágio, aparece a exploração de si mesmo, na
próprio. busca por uma identidade autônoma, mediante
Wallon propõe estágios de desenvolvimento, assim atividades de confronto, autoafirmação,
como Piaget, porém, ele não é adepto da idéia de que a questionamentos, e para isso se submete e se apóia
criança cresce de maneira linear. O desenvolvimento nos pares, contrapondo-se aos valores tal qual
humano tem momentos de crise, isto é, uma criança ou interpretados pelos adultos com quem convive.
um adulto não são capazes de se desenvolver sem O domínio de categorias cognitivas de maior nível de
conflitos. A criança se desenvolve com seus conflitos abstração, nas quais a dimensão temporal toma relevo,
internos e, para ele, cada estágio estabelece uma possibilita a discriminação mais clara dos limites de sua
forma específica de interação com o outro, é um autonomia e de sua dependência.
desenvolvimento conflituoso. Wallon trouxe a compreensão de que o organismo é a
Segundo ele, esses estágios seriam os seguintes: primeira instância da aprendizagem, que só se verifica
1. Implulsivo-Emocional (0 a 1 ano): a criança mediante a busca pela pessoa completa, sem
expressa sua afetividade através de movimentos fragmentação e sem privilégio por determinada área.
descoordenados, respondendo a sensibilidades
corporais: proprioceptiva (sensibilidade dos músculos) CARL ROGERS E O HUMANISMO (Clarice
e interoceptiva (sensibilidade das vísceras). O recurso Salgueiro, Liège Frainer Barbosa, Rita de Cássia
de aprendizagem nesse momento é a fusão com os Pareja, Aurora Gaspar).
outros. O processo ensino-aprendizagem exige Carl Rogers nasceu em Chicago em 1902 e faleceu em
respostas corporais, contatos epidérmicos, daí a La Jolla, na Califórnia, a 4 de fevereiro de 1987.
importância de se ligar ao seu cuidador (a), que Formado em História e Psicologia, aplicou à Educação
segure, carregue, embale. Através dessa fusão, a princípios da Psicologia Clínica, foi psicoterapeuta por
criança participa intensamente de seu ambiente e mais de 30 anos. Rogers é um dos precursores da
apesar de percepções, sensações nebulosas, pouco teoria humanista. Inicialmente atuou como
claras, vai se familiarizando e apreendendo o mundo, psicoterapeuta e posteriormente dedicou-se à educação
portanto, iniciando o processo de diferenciação. com a proposta de ensino centrado no aluno, que
2. Sensório-Motor e Projetivo (1 a 3 anos): quando pressupõe a ampla liberdade de escolha. Na ótica
já dispõe da fala e da marcha, a criança se volta para o Rogeriana, não existe sentido se falar em
mundo externo (sensibilidade exteroceptiva), para um comportamento ou em cognição sem considerar o
intenso contato com os objetos e a indagação insistente domínio afetivo, e no processo ensino- aprendizagem
do que são, como se formam, como funcionam, com o os sentimentos do aluno devem ser considerados, uma
pensamento ideomotriz (representação das imagens vez que o aluno pensa, sente de forma integral. Ao
mentais por meio de ações). olhar uma pessoa como um todo a ser considerado, ele
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quebra o paradigma do relacionamento formal e cria A consideração positiva incondicional que consiste
um relacionamento interpessoal, transportando para a em aceitar as expressões negativas, desprazeirosas
educação esta convivência em busca de uma com uma condição de aconchego, que é o sentimento
aprendizagem significativa e qualitativa. que se nutre quando são expressos os sentimentos
Rogers enfatiza entre os seus “princípios de positivos. Essa forma de interação garante uma relação
aprendizagem3”, baseados na própria experiência como afetiva satisfatória, favorecendo a relação que se
terapeuta, a importância de um educador consciente de intensifica, se solidifica, em qualquer instância: na ótica
suas atitudes e sua capacidade de compreender os terapêutica ou no processo ensino- aprendizagem.
sentimentos e as reações do seu aluno, ou seja, a Assim, Rogers, com esse olhar para a dimensão
importância de ser uma pessoa real, “não a encarnação afetiva, constituiu um referencial teórico que hoje é
abstrata de uma exigência curricular ou um canal cenário essencial para compreensão das relações
estéril do qual o saber passa de geração em geração” humanas
(1991, p.265). Para o autor, o objetivo maior da
educação e, conseqüentemente, do educador é facilitar PAULO FREIRE E A PROBLEMATIZAÇÃO (José
a aprendizagem, é proporcionar as descobertas e o Roberto Tagliati, Luciene de Fátima da Silva,
conhecimento com significação pessoal, uma vez que Juliana Ferreira Taveira, Daniele Fortes Martin).
todo ser humano apresenta uma Para Freire, educação é um encontro entre
tendência natural e particular para aprender. interlocutores, que procuram no ato de conhecer a
Rogers combate a aprendizagem do tipo “tarefas”, que significação da realidade e na práxis o poder da
só utiliza as operações mentais, não considerando o transformação.
indivíduo como um todo. Esse tipo de aprendizado é Entende-se por pedagogia em Freire, a ação que pode
esquecido com o tempo, pois não tem relevância com e deve ser muito mais que um processo de treinamento
os sentimentos, as emoções e sensações do educando, ou domesticação; um processo que nasce da
e não provoca uma curiosidade que leve o indivíduo a observação e da reflexão e culmina na ação
aprofundar mais e mais. Para Rogers, ensinar é mais transformadora. Tais ações servem de premissa para
que transmitir conhecimento – é despertar a visualizar o poder do educador sobre o educando e
curiosidade, é instigar o desejo de ir além do como conseqüência a possibilidade de formar sujeitos
conhecido. É desafiar a pessoa a confiar em si mesmo e ativos, críticos e não domesticados.
dar um novo passo em busca de mais. É educar para a A Educação Bancária que Freire abomina se alicerça
vida e para novos relacionamentos. Uma pessoa nos princípios de dominação, de domesticação e
instruída é capaz de se adaptar às mudanças que alienação transferidas do educador para o aluno
ocorrem durante a sua vida (a aprendizagem é através do conhecimento dado, imposto, alienado. De
contínua). A vida é um processo de mudança – tudo ao fato, nessa concepção, o conhecimento é algo que, por
seu redor é questionável e tudo se mistura. Por isso, ser imposto, passa a ser absorvido passivamente.
não existe aquele que sabe e aquele que ensina, todos Na visão "bancária" da educação, o "saber" é uma
sabem alguma coisa e todos aprendem alguma coisa doação dos que se julgam sábios aos que julgam nada
com alguém. saber. Doação que se funda numa das manifestações
A aceitação e a compreensão, já estabelecidas na instrumentais da ideologia da opressão - a
relação professor-aluno, implicam um ensino centrado absolutização da ignorância, que constitui o que
nesse último. Os conhecimentos do professor são chamamos de alienação da ignorância, segundo a qual
oferecidos como mais um recurso ao estudante, do qual esta se encontra sempre no outro (Freire, 1991. p. 58).
pode utilizar-se, livremente, na formação das suas Para Freire a educação é um ato de amor, por isso um
competências, questionando os aspectos de relevância ato de coragem. Não pode temer o debate. Não pode
para a sua própria aprendizagem. Referindo-se ao fato fugir à realidade, sob pena de ser uma farsa. Um
de proporcionar ao aluno a liberdade para escolher, ingrediente que pode motivar um início dessa troca de
respeitando-se como pessoa, Carl Rogers afirma que idéias talvez esteja nas palavras “geradoras” de Freire,
“evitar-se-ia assim obrigá-lo ao conformismo, a que parecem ser de fundamental importância no
sacrificar a sua criatividade e a levar a sua vida em processo de alfabetização científica. São palavras do
termos estandardizados” (1991, p.269). universo vocabular do estudante, e que devem servir
O professor passa a ser considerado um facilitador da de base para a formação de outras.
aprendizagem, não mais aquele que transmite Paulo Freire em sua longa caminhada em busca da
conhecimento, e sim aquele que auxilia os educandos a educação problematizadora e libertadora se empenha
aprender a viver como indivíduos em processo de nos seus trabalhos em expressar o seu sentimento de
transformação. O educando é instado a buscar o seu transformação da realidade opressora em realidade
próprio conhecimento, consciente de sua constante igualitária, sua luta é a favor dos menos favorecidos, os
transformação. marginalizados da sociedade. O dominador faz do
A teoria rogeriana pressupõe conceitos teóricos que dominado massa de manobra, o sujeito é educado para
possibilitam uma melhor compreensão do ser humano, não desenvolver a consciência crítica, é negado o
levando em conta a ótica do outro, a sua perspectiva, o direito do homem de se humanizar e o direito do
seu olhar, para fundamentar um entendimento pautado pensar autêntico como menciona Freire (2005). Freire
na essência do outro, dos seus sentimentos, do eu coloca a Humanização como algo que é vocação de
olhar. Para isso fundamenta conceitos essencialmente todos os homens e a desumanização que está presente
importantes, que são: a empatia, a congruência e a na realidade opressora, como uma distorção histórica.
consideração positiva incondicional. Freire busca como ideal a conscientização para o
A empatia é o conceito que corresponde a olhar o conhecimento da realidade e das relações de poder
outro como se fosse visto do seu interior, captando existente na sociedade, isto para que o indivíduo possa
suas formas peculiar de analisar e interpretar o transformar, modificar o que lhe é oferecido como se
ambiente externo. A congruência significa ser fosse o máximo que poderíamos ter e muitas vezes ver
transparente na relação, expondo seus sentimentos o dominador como um sujeito generoso, porque sua
mais profundos, sem fachada. ideologia já corrompeu e alienou o cidadão. Para este
21
pedagogo, o conhecimento é algo a ser construídos na Assim, Freire nos conduz à reflexão crítica da
coletividade, pelo qual o movimento da ação–reflexão é sociedade, do mundo, nos faz pensar sobre as relações
tida como fundamental. Sua pedagogia se caracteriza de poder, para a construção de uma nova práxis
por ser dialógica e também dialética, dialética porque pedagógica que valoriza o ser em sua integridade.
não podemos dicotomizar os fundamentos da educação
que são: ação–reflexão, subjetivo–objetivo, homem–
mundo, educador–educando; nestas relações não há o CURRÍCULO (Cleres Carvalho, com adaptações de
que é mais importante e o menos importante, não há a Osvaldo Jr).
hierarquia de um sobre o outro. Nestes parâmetros, a Há inúmeras conceituações: literal etimológico,
educação não é via de mão única, mas via de mão pedagógico, legal. Literal etimológico do latim
dupla não é assimétrica, mas é simétrica. Dialógica “curriculum” e do grego “Kurrikulu” (“currere”) = ato
porque é através da comunicação que estabelecemos de correr, carreira, jornada, continuidade, percurso a
relações com o outro, que edificamos a dialética em ser realizado, sua representação ou apresentação. Por
nossa vida (FREIRE, 2005). volta de 1865, o termo currículo significava: uma pista
Dentro da perspectiva de Freire há um posicionamento de corrida em curso geral. E em 1955 aparece como:
sociológico e antropológico da condição do homem um conjunto de curso ensinado numa instituição.
participante de um meio e dos pressupostos que Pedagógico – na concepção tradicionalista era
envolvem a educação, ou seja, analisa a problemática praticamente sinônimo de ciclo didático, programas de
dos processos de ensino aprendizagem através do jogo ensino, disposição de disciplina em quadro, com suas
de interesses políticos, econômicos, sociais e culturais, respectivas cargas horária (plano de estudo ou grade
em suma através de nossa realidade. Por isso que suas curricular). Currículo é tudo o que acontece na vida de
obras são uma denúncia aos modos que constituem a uma criança, na vida de seus pais e de seus
educação oferecida aos homens das camadas professores. Tudo o que cerca o aluno, em todas as
populares. horas do dia, constitui matéria para currículo, isto é
A educação progressista que Freire defende desenvolve currículo é o ambiente em ação. O termo currículo é
a consciência crítica, sendo que para a transformação encontrado em registros do século XVII, sempre
social este tipo de consciência é condição primordial. relacionado a um projeto de controle do ensino e da
Já a educação bancária que Freire (2005) descreve aprendizagem, ou seja, da atividade prática da escola.
trabalha com a consciência ingênua esta educação está Desde os seus primórdios, currículo envolvia uma
presente em sociedades divididas em classes e associação entre o conceito de ordem e método,
eminentemente capitalistas caracterizando-se como um instrumento facilitador da
que excluem as camadas populares do processo administração escolar. A história do currículo se
de democratização, designando a estes apenas uma confunde com história da escola. Os elementos
educação de despejo de conteúdos alheios a ele. O constantes nas construções de currículo são: Objetivos
objetivo desta educação é manter o status quo e processos ensino-aprendizagem; instituição e pessoal.
formar uma parcela de trabalhadores alienados, que De forma ampla ou restrita o currículo escolar abrange
desconhecem a sua função dentro da sociedade. as atividades desenvolvidas dentro da escola.
Partindo da realidade social o educador reconhecerá as Legal – É a totalidade das experiências de
necessidades a serem supridas, as idéias equivocadas e aprendizagem planejadas e patrocinadas pela escola.
o conteúdo a ser trabalhado com os educandos. De acordo com a lei 9.394/96, Art. 26 – os currículos
Através do diálogo o professor investigará seus alunos do ensino fundamental e médio devem ter uma base
a fim de estruturar um trabalho pedagógico que nacional comum a ser complementada em cada sistema
mobilize a todos os envolvidos neste processo de de ensino e estabelecimento escolar, por uma parte
conscientização. Dentro deste processo de diversificada, exigida pelas características regionais e
conscientização, temos a valorização do homem como locais da sociedade, da cultura, da economia e da
ser histórico e atuante na sociedade que é o que nos clientela. Quando elaboramos um curriculum vitae,
diferencia dos animais, esta ação é um dos explicita nossa carreira da vida, ou seja, nosso
primeiros momentos para a tomada de consciência, é percurso de vida.
compreender a sua própria história. Reconhecer a Pedra (1997) conceitua currículo como a representação
própria história é se situar no tempo e espaço, é da cultura no cotidiano escolar, o modo pelo qual se
reconhecer o contexto que está inserido, é estabelecer selecionam, classifica, distribuem e avaliam
relações entre eu–mundo–outro. É perceber que estas conhecimentos no espaço das instituições escolares.
relações são mediadas pelo mundo, e o mundo é o Porém, Sacristán (1989) explica que o currículo é a
objeto cognoscente que se deseja desvendar, é o olhar ligação entre a cultura e a sociedade exterior à escola e
crítico e clínico sob o mundo, é ‘ler as entrelinhas’. à educação; entre o conhecimento e cultura herdados e
Investigar e conhecer a realidade dos educandos são os a aprendizagem dos alunos, entre a teoria (idéias,
alicerces desta pedagogia. Ir a campo, dialogar com a suposições e aspirações) e a prática possível, dadas
comunidade para que futuramente possam ser determinadas condições. Percebe-se que a definição do
estabelecidos os temas a serem desenvolvidos são os que vem a ser currículo, varia de acordo com cada
pré-requisitos básicos para a pedagogia do oprimido. época vivenciada pela sociedade no setor educacional,
Toda investigação temática de caráter conscientizador ou seja, escola tradicional, currículo tradicional e
se faz pedagógica e toda autêntica educação se faz conseqüentemente o seu conceito representarão todo o
investigação do pensar (FREIRE, 2005). Neste modelo emaranhado que envolve a organização educacional.
não há currículos pré-estabelecidos, não há disciplina Teórica: a teoria do currículo aborda três tipos de
estanques. Isto não quer dizer que Freire nega a abordagem curricular, todas com raízes nas questões
ciência, pelo contrário, ao elencar os temas, é sócio-políticas e epistemológicas no campo da educação
necessário um estudo preciso e profundo de cada um e das concepções de aprendizagem:
destes, as origens, circunstância que se dão, a) Tradicional: ligada a questões de organização e
causalidade e etc. preocupada com resultados concretos e mensuráveis,
onde os resultados da aprendizagem eram descritos
22
através de comportamentos explícitos. Ênfase no o enfoque tradicional comenta Libâneo (2004 p.174): O
planejamento e nos instrumentos de medição. professor é o detentor da autoridade intelectual e moral
Elementos: aprendizagem, ensino, avaliação, (mesmo que não as tenha), o aluno um receptor de
metodologia, didática, organização, eficiência. conhecimentos. O currículo é reduzido a um conjunto
b) Críticas: possuem como lema a desconfiança, pois de disciplinas e de conteúdos a serem passados aos
questionam a neutralidade das teorias e práticas alunos, organizados numa grade curricular.
curriculares. Além disso, dão ênfase às relações sociais →Currículo racional-tecnológico (tecnicista): sua
e aos conceitos que são desenvolvidos, mais característica central é que este é previamente
precisamente para responder à seguinte pergunta: o prescritos por especialista, partindo de critérios
que o currículo faz. Elementos: ideologia, reprodução científicos e técnicos, que irão contemplar os interesse
cultural e social, poder, classe social, capitalismo, do mercado na sociedade. A escola tem a função
relações sociais de produção, conscientização, apenas de ensinar, sem preocupa-se com e por que
emancipação, libertação, currículo oculto, resistência. ensinar. Em termos metodológicos referem-se à
c) Pós-críticas: referem as questões do introdução no ambiente escolar dos aparatos
multiculturalismo (diferença e identidade), bem como tecnológicos, que atualmente é a informática e a mídia
as relações de gênero e da pedagogia feminina. que precisarão para ser utilizado como instrumentos de
Também questionam a aparente neutralidade da aprendizagem de técnicas mais refinadas de
ciência e das abordagens pedagógicas. Levantam uma transmissão. Como resume Libâneo (2004 p.175):
narrativa sobre etnia e raça e sobre as relações de “Diferentemente do cunho acadêmico do currículo
saber e poder. Elementos: identidade, alteridade, tradicional, o currículo racional-tecnológico se firma na
diferença, subjetividade, significação e discurso, saber racionalidade técnica e instrumental, visando a
e poder, representação, cultura, gênero, raça, etnia, desenvolver habilidades e destrezas para formar o
sexualidade, multiculturalismo. técnico”.
2.1. Níveis de Currículo: Podemos distinguir alguns →Currículo Escolanovista (ou progressivista): Dá
tipos de currículo, como segue: ênfase nas necessidades e interesse dos alunos, na
→Currículo formal: é estabelecido pelo sistema de atividade, no ritmo de cada um. O professor é o
ensino ou instituição escolar. E chamado de currículo facilitador da aprendizagem e os conteúdos são
legal expresso em diretrizes curriculares, objetivos e retirados das experiências dos alunos. Este modelo de
conteúdos das aéreas ou disciplinas de estudo. É um currículo está embasado nas idéias de John Dewey, que
conjunto de diretrizes normativas prescritas compreende a educação como um processo interno de
institucionalmente. (por exemplo: Parâmetros desenvolvimento, de adequação ao meio, os conteúdos
Curriculares Nacionais). escolares não são colocados como verdades absolutas,
→Currículo real: acontece na sala de aula em valoriza-se a atividade de pesquisa do aluno, levando
decorrência de um projeto pedagógico e dos planos de em conta o clima psicológico e social da sala de aula.
ensino. Libâneo (2004, p.172) explica: É a execução de →Currículo construtivista: Está diretamente ligado
um plano, é a efetivação do que foi planejado, mesmo as idéias de Jean Piaget e seus seguidores, tendo como
que nesse caminho do planejar e do executar ponto chave a crença no papel ativo do sujeito no
aconteçam mudanças, intervenção da própria processo de aprendizagem e, portanto, no
experiência dos professores, decorrentes dos seus desenvolvimento dos processos de aprendizagem ativa,
valores, crenças, significados. É currículo que sai da daí organiza-se o currículo. O professor atua como
prática dos professores, da percepção e do uso que os facilitador da aprendizagem. De certa forma as idéias
professores fazem do currículo formal, assim como o do Psicólogo Russo Vigotsky, também tem papel
que fica na percepção dos alunos. Visto que, assim importante no currículo construtivista, visto que a
como educando o educador, traz consigo toda sua maior parte dos educadores que trabalham com essa
herança cultural que eventualmente serão idéia são conhecidos como sociointeracionista, por que
demonstradas na sua atuação em sala de aula. destacam o papel do meio, valorizando a cultura de
→Currículo oculto: São as influencias que de certa todos para que ocorra o desenvolvimento cognitivo e
forma afetam a aprendizagem dos alunos e o trabalho social dos alunos.
dos professores que tem origem no meio social e No que diz respeito à função do currículo construtivista
vivenciados na própria escola. Libâneo (2004, p.172) relata Libâneo (2004 p.177):
descreve: “O currículo está oculto porque ele não é Uma das principais diferenças entre os vários
prescrito, não aparece no planejamento, embora se construtivismos diz respeito ao papel da cultura, dos
constitua como importante fator de aprendizagem”. conhecimentos anteriores e do professor, o que
Percebe-se, portanto que os níveis do currículo se remete, em última instancia ao papel do ensino na
entrelaçam na prática dos docentes em sala, partem do aprendizagem. Ao organizar um currículo
que é normalizado pelo governo, em seguida pelo o construtivista, deve-se levar em conta as etapas de
que é elaborado e planejado na instituição de ensino e desenvolvimento citadas por Piaget, que subsidiaram a
posto em prática no dia-a-dia do ambiente escolar, escolha e sistematização dos conteúdos a ser
onde acontece à junção do currículo formal com os trabalhado em cada série.
currículos real e oculto. →Currículo sociocrítico (ou histórico-social): Nesta
abordagem existem várias correntes, que algumas
2.2 Concepções de organização curricular: Como vezes divergem entre si, sendo que algumas valorizam
se verá mais adiante uma pequena síntese abordando a as questões políticas no processo da formação,
organização curricular que de certa forma concretizam enquanto que outras colocam a relação pedagógica
as intenções pedagógicas vivenciadas pela sociedade como mediadora na formação política. Na educação,
em cada etapa evolutiva. precisamente na ação didática da escola objetiva
→Currículo tradicional: é caracterizado pela desenvolver a capacidade do educando de aprender de
organização do conhecimento por disciplinas, tem um forma ética e crítica. Prioriza-se a formação cidadã
caráter livresco e verbalista, o ensino é transmissivo e onde o educando está inserido na sociedade como ser
reprodutor, centrado no professor e na matéria. Sobre ativo, capaz de transformar a sua realidade social.
23
Neste olhar, destaca Libâneo (2004 p.178): pelos alunos. Esta citação de Libâneo, de certa forma
Algumas correntes da abordagem crítica defendem um se adequar à inquietação de alguns educadores, visto
tipo de currículo mais informal, centrado na valorização que não adianta romper com poder, no que tange a
de elementos causais, fortuitos, da convivência social confecção do currículo nacional, e sim demonstrar
na escola, minimizando ou até recusando um currículo meios para que o aluno possa construir seu
formal. Refletindo sobre esta idéia, sem os conceitos, a conhecimento de forma critica e reflexiva, sem no
teoria e os conteúdos culturais sistematizado, ou seja, entanto acumular déficit de conteúdos.
sem termos um norte denominado currículo e
programas, os alunos dificilmente farão analises da 2.3 Tipos de currículo: Os tipos de currículo estão
realidade e não serão aptos a formular estratégias para diretamente ligados às concepções e a visão de alguns
sua atuação. teóricos sobre o que é ensino, qual o verdadeiro papel
→Currículo integrado ou globalizado: Este currículo da educação em épocas distintas de modos e costumes
tem como percussores os autores espanhóis (Torres vividas pela sociedade, ou seja, a sistematização do
Santomé, Hernandez, entre outros), destacando a currículo tem como pano de fundo, as crenças, os
importância da interdisciplinaridade. As idéias que anseios de um povo, que são colocados em prática na
norteiam este modelo curricular são: buscar a escola, envolvendo os métodos e as técnicas a serem
integração de conhecimento e experiências que utilizados para a transmissão de conhecimento de
facilitem uma compreensão mais reflexiva e critica da geração para geração.
realidade, como também ressaltar, ao lado dos →Currículos fechados: É caracterizado por disciplinas
conteúdos culturais, o domínio dos processos isoladas, inscrito numa grade curricular, os objetivos e
necessários ao acesso aos conhecimentos e, os conteúdos são determinados, a escola não tem
simultaneamente, a compreensão de como produzem, autonomia para tomar decisões, apenas seguem o que
se elaboram e se transformam esses conhecimentos, foi prescrito no currículo, não é levado em conta os
ou seja, o aprender a aprender (Torres Santomé, saberes e competências dos profissionais da educação.
1989). Resumindo na prática este modelo de currículo, →Currículos abertos: Tem como norte a
envolve várias práticas educativas que possam ajudar interdisciplinaridade, que é um dos elementos utilizados
no processo de ensino-aprendizagem, a escola é um pela escola, para favorecer a integração da
local de reconstrução do conhecimento, utilizado o aprendizagens e os saberes que serão úteis ao
método de projetos. A esse respeito Libâneo (2004, educando para lidar com questões e problemas da
p.180) enfoca: Com essa orientação, pretende-se que, realidade. Todos os segmentos da escola, têm vez e
no currículo em ação, se preste atenção a tudo o que voz na definição dos temas geradores a ser
acontece na escola, nas aulas, inclusive naquilo que desenvolvido, tem mais flexibilidade no que diz respeito
não foi previsto pelos professores, no currículo oculto, aos conteúdo, estes podem ser organizado por aéreas
nas várias experiências de aprendizagem tipo de conhecimento.
biblioteca, visitas, vídeos, laboratórios. Incorpora-se Sobre o resultado prático da interdisciplinaridade
também neste modelo, o valor da atividade do próprio explica Libâneo (2004 p.185):
sujeito na aprendizagem, a ligação dos conteúdos É o estabelecimento de ligações de complementaridade
culturais com a realidade, a vivencia cultural dos entre as matérias escolares, de modo que os
alunos, a seleção de experiências de aprendizagem conhecimentos, procedimentos, atitudes sejam
verdadeiramente interessantes, a importância dos integrados na estrutura mental do aluno. Alguns
processos mentais na aprendizagem (observação, princípios que norteiam a interdisciplinaridade são: Ter
comunicação, análise, síntese, classificação, tomada de como referencia o sujeito que aprende e sua relação
decisões, comparação, etc.), a interdisciplinaridade. com o saber; Suscitar e garantir processos
Desta forma o educador deve utilizar todos os lugares integradores e apropriação de saberes enquanto
da escola, como também todos os momentos para produtos cognitivos dos alunos; Estabelecer ligações
desenvolver a ação de educar. entre teoria e prática; Estabelecer ligações entre os
→ Currículo como produção cultural: os autores pontos de vista distintos acerca de um objeto de
que defendem este modelo de currículo, vêem a escola conhecimento; Fazer o caminho entre a especialização
como uma reprodutora do poder político, critica disciplinar e a integração interdisciplinar e vice-versa.
também a forma como são construídos os saberes Deste modo, o currículo fechado, representa as idéias
escolares, sempre com um olhar analisador a cerca da da abordagem curricular tradicional, tecnicista,
sistematização dos conteúdos do currículo, que na enquanto que o currículo aberto representa o
concepção deles, privilegiam a classe burguesa, movimento por uma escola nova, onde se notam
deixando de fora a classe dos oprimidos. Neste fragmentos de currículos ligados às idéias de
panorama, na esfera da escola e do currículo, deve-se psicólogos, sociólogos, antropólogos, como o currículo
acolher a diversidade, das diferenças, á diversificação construtivista, sociocrítico, integrado ou globalizado,
da cultura escolar. Sobre a concepção deste modelo de currículo como produção cultural, que são permeados
currículo esclarece Libâneo (2004 p.183): Além disso, de idéias sociais e de renovação pedagógica, que foram
não fica suficientemente esclarecida nessa proposta a responsáveis, não só pela mudança da compreensão do
forma pela qual os professores transformam as análises ato de aprender, mas de grandes reformas
dos fundamentos sociais e culturais do currículo em educacionais, como a implantação da nova Lei de
práticas de sala de aula nas suas matérias. Eu sei que Diretrizes e Bases da Educação- LDB, que norteiam
os professores precisam compreender as formas pelas todo os caminhos a serem percorridos no Brasil no
quais o conhecimento escolar se constitui e em que âmbito educacional.
grau as relações sociais na sala estão impregnadas de
relações de poder. Mas, daí, como se realiza o trabalho CONSELHO ESCOLAR
efetivo de ensino? Qual é a contribuição desses autores Qual a principal função do Conselho Escolar?
sobre as condições de provimento de melhores (12 02 2007) -, Autoria de Maria Luiza Latour Nogueira
situações de aprendizagem, de recursos eficazes de - SEB - Última Atualização: (20 03 2007).
promoção de aprendizagens mais sólidas e duradouras
24
Para que haja uma gestão democrática na escola é enquadra nessa finalidade. Se, no entanto, a opção da
fundamental a existência de espaços propícios para que escola for a de ser instrumento para a transformação
novas relações sociais entre os diversos segmentos da realidade, a educação emancipadora – por ter
escolares possam acontecer. Inclusive, para Bobbio caráter político-pedagógica – é a que pode vir a ser
(2000), “quando se quer saber se houve um mediadora dessas mudanças sociais.
desenvolvimento da democracia num dado país, o certo Seja qual for a opção desejada pelo sistema de ensino
é procurar saber se aumentou não o número dos que e pela escola, tudo irá decorrer dela: os conteúdos a
têm direito de participar das decisões que lhes dizem serem desenvolvidos em sala de aula; a metodologia a
respeito, mas os espaços nos quais podem exercer esse ser empregada pelos docentes; a avaliação da
direito”. Assim, o Conselho Escolar constitui um desses aprendizagem escolhida; o processo de participação
espaços, juntamente com o Conselho de Classe, o dos diversos segmentos nas atividades escolares; e,
Grêmio Estudantil, a Associação de Pais e Mestres, até mesmo, a função do Conselho Escolar.
entre tantos outros possíveis. A partir de então, sabendo onde se deseja chegar e que
Ocorre que o Conselho Escolar possui uma tipo de educação se deseja desenvolver, o Conselho
característica própria que lhe dá dimensão Escolar pode iniciar uma ação consciente e ativa na
fundamental: ele se constitui uma forma colegiada da escola. Com isso definido, pode-se compreender
gestão democrática. Assim, a gestão deixa de ser o porque a função do Conselho Escolar é
exercício de uma só pessoa e passa a ser uma gestão fundamentalmente político-pedagógica. É política, na
colegiada, na qual os segmentos escolares e a medida em que estabelece as transformações
comunidade local se congregam para, juntos, desejáveis na prática educativa escolar. E é
construírem uma educação de qualidade e socialmente pedagógica, pois estabelece os mecanismos
relevante. Com isso, divide-se o poder e as necessários para que essa transformação realmente
conseqüentes responsabilidades. aconteça. Cabe destacar que o sentido político aqui
Nesse contexto, o papel do Conselho Escolar é o de ser desenvolvido não se refere à política partidária, mas
o órgão consultivo, deliberativo e de mobilização mais sim a toda ação consciente e intencional que vise
importante do processo de gestão democrática, não manter ou mudar a realidade, nas suas diversas
como instrumento de controle externo, como dimensões.
eventualmente ocorre, mas como um parceiro de todas Compreendendo a educação como prática social que
as atividades que se desenvolvem no interior da escola. visa o desenvolvimento de cidadãos conscientes,
Sua participação, nesse processo, precisa estar ligada, autônomos e emancipados e entendendo o Conselho
prioritariamente, à essência do trabalho escolar. Assim, Escolar como um mecanismo de gestão democrática
acompanhar o desenvolvimento da prática educativa, colegiada, sua função básica e primordial é a de
do processo ensino-aprendizagem, é sua focalização conhecer a realidade e indicar caminhos que levem à
principal, isto é, sua tarefa mais importante. realidade desejada. Vale dizer, então, que a principal
Dessa forma, a função político-pedagógica do Conselho função do Conselho Escolar é político-pedagógica.
Escolar se expressa no “olhar” comprometido que
desenvolve durante todo o processo educacional, tendo CONSELHO DE CLASSE (Mônica Galante Gorini
como foco privilegiado a aprendizagem, qual seja: no Guerra).
planejamento, na implementação e na avaliação das O conselho de classe é um órgão colegiado em que
ações da escola. “vários professores das diversas disciplinas, juntamente
Nesse acompanhamento co-responsável, o Conselho com os coordenadores pedagógicos, ou mesmo os
Escolar participa da elaboração do projeto político- supervisores e orientadores educacionais, reúnem-se
pedagógico e acompanha o desenrolar das ações da para refletir e avaliar o desempenho pedagógico dos
escola, num processo permanente de acompanhamento alunos das diversas turmas, séries ou ciclos.” (Dalben,
e avaliação. Esses momentos de avaliação servem 2004:31). De acordo com a autora, o conselho de
como diagnóstico, ou seja, como apresentação da classe apresenta como características principais, a
realidade que, por sua vez, indica quais aspectos forma de participação direta de todos os profissionais
podem ser mantidos, quais os que devem ser revistos que atuam no processo pedagógico; uma organização
na prática cotidiana da escola e quais novos interdisciplinar e apresenta como centro do trabalho a
procedimentos precisam ser propostos. avaliação dos alunos.
Tudo isso, contudo, não se afirma como um fim em si O conselho de classe é uma atividade em que a
mesmo. Toda essa postura de acompanhamento tem avaliação é constituída a partir das experiências vividas
uma finalidade maior: a construção de uma educação na sala de aula. A construção da avaliação é feita
democrática e emancipadora. Com esse propósito, a através da oportunidade de rever métodos, uma vez
primeira atividade que o Conselho Escolar traz para si é que, os professores juntamente com o coordenador
a de discutir e definir o tipo de educação ser pedagógico refletem sobre os acontecimentos escolares
desenvolvido na escola, para torná-la uma prática e juntos analisam a atitude a ser tomada (Dalben,
democrática comprometida com a qualidade 2004). Sendo assim, o foco é a troca de experiências e
socialmente referenciada. a reflexão antes da decisão, enfatizando a
Assim, a pergunta que o Conselho Escolar pode fazer é: transformação da ação (Liberali, 1998).
Queremos que nossa escola desenvolva uma educação Nesse sentido, para que tal atitude aconteça os
que mantenha a realidade em que vivemos ou uma professores e coordenadores precisam entender que o
educação que contribua para a transformação dessa ensino-aprendizagem requer reflexão e troca de
mesma realidade? experiências, a fim de que os professores desenvolvam
Pode-se imaginar, pela opção escolhida, ao menos dois o pensamento crítico. Esse pensamento é primordial
tipos de educação e, portanto, de processos de ensino- para que o conselho de classe seja um espaço, onde se
aprendizagem diferentes. Se a opção escolhida pela sintam livres para colocar-se, para expressar suas
escola for pela manutenção da realidade, a educação idéias e pontos de vista (Brookfield, 1987). Cada
voltada apenas para o conteúdo, onde o aspecto professor traz as suas experiências e a de seus alunos,
técnico é o mais enfatizado, será a que mais se que são socialmente construídas (Vygotsky,
25
1930/2002) e que passam a fazer parte do conselho de conhecimento do aluno. Assim, os conselhos de classe,
classe. O coordenador pode, então, estimular os aglutinariam as diferentes análises e avaliações dos
professores a verbalizarem as suas experiências, uma diversos profissionais, possibilitando análises globais do
vez que através dessas enunciações demonstram como aluno em relação aos trabalhos desenvolvidos e a
está sendo construída a avaliação dos alunos. estruturação de trabalhos pedagógicos.
Sendo assim, é pelo diálogo entre o coordenador No entanto através de pesquisas desenvolvidas por
pedagógico e os professores em um contexto de Dalben (1992) e Fongaro (1998), constatou-se que os
reflexão crítica que é possível observar e perceber os conselhos de classe desenvolvem momentos de análise
problemas do cotidiano escolar buscando soluções para verbalizarem notas e a avaliação escolar presos às
cabíveis. Nesse sentido, a formação docente deve medidas de rendimento, sendo o aluno o portador de
estimular uma perspectiva crítico-reflexiva, fornecendo problemas quanto a falta de estudo, falta de
aos professores meios para desenvolver um assiduidade e falta de interesse. Assim, tudo
pensamento autônomo que proporcione as dinâmicas transcorria em uma relação individualizada e de
de um trabalho livre e criativo com foco à construção isolamento profissional. Essa situação pode ser
de uma identidade profissional. Dentro desse relacionada com a organização da escola, no contexto
panorama, é a partir da ação partilhada que se constrói da implantação da lei nº 5692/71, que estruturava o
o conhecimento e neste contexto de pesquisa é de sistema educacional, num clima político pautado pelo
suma importância o desenvolvimento de um trabalho autoritarismo, excluindo a participação de setores
de colaboração entre o coordenador pedagógico e os representativos da sociedade. Muitas ações ocorridas
professores. no conselho de classe buscavam controlar e racionalizar
No conselho de classe, essa busca pela transformação os nossos motivos e atos (Bordieu, 1992).
na construção da avaliação dos alunos pode ser As concepções de ensino e avaliação, nesse contexto,
observada pela linguagem dos participantes e “no estavam enraizadas na necessidade de controle interno
momento que nós inventamos uma linguagem e a do fenômeno pedagógico, transmitindo conteúdos
produção social dessa linguagem, mudar é possível. instrucionais definidos por especialistas e assim,
Evidentemente, a mudança está submetida a justificava-se a prática dos conselhos de classe presa à
dificuldades. Quanto a isso, não há dúvida. Quer dizer, simples legitimação dos resultados já apresentados
a mudança não é arbitrária, você não muda porque pelos professores. E de acordo com Dalben (2004: 37),
quer, nem você muda sempre na direção com que você mesmo hoje regidos pela lei nº 9394/96 esse problema
sonha. O que é preciso é saber que a mudança não é permanece na maioria dos cotidianos escolares.
individual, é social, como uma dimensão individual. Mas
a mudança é possível!” (Freire, 2001:168). A EDUCAÇÃO AMBIENTAL (Tânia Regina Effting e
colaboração é um processo complexo sendo necessário adaptações).
à participação de todos. Quando o coordenador A partir de 10 mil anos a.C. a revolução agrícola
pedagógico pensa em colaborar é necessário ter ciência acarretou impactos sobre a natureza, pelas derrubadas
que implica em conflitos, tensões, distanciamentos e das florestas. Desde então, o homem ouviu falar em
compreensões sobre e nos discursos durante o extinção de espécimes da fauna e flora, poluição do ar
conselho de classe relacionando-os com valores e pelas queimadas, poluição do solo, excesso de matéria
metas definidos pela escola em seu projeto político orgânica e erosão. (MUCELIN, 2004). No início da
pedagógico. década de 60, os problemas ambientais já mostravam
Trabalhar em grupo durante o conselho de classe é a irracionalidade do modelo econômico, mas ainda não
primordial porque trabalhamos com a interação entre se falava em Educação Ambiental. Somente em março
os membros da equipe, é possível construir um de 1965, na Conferência de Educação da Universidade
significado do quanto é relevante a dimensão da de Keele, na Inglaterra, colocou-se pela primeira vez a
construção social do pensamento e do raciocínio em expressão Educação Ambiental, com a recomendação
contextos de discussão sobre a avaliação dos alunos, de que ela deveria se tornar uma parte essencial de
pois “o raciocínio sobre um argumento específico educação de todos os cidadãos.
dentre aqueles propostos se constrói muitas vezes pela De acordo com Dias (1991), foi no ano de 1972 que
contribuição de vários interlocutores: em outras ocorreu os eventos mais decisivos para a evolução da
palavras, ocorre um ‘pensar em conjunto’( ..).” abordagem ambiental no mundo. A Organização das
(Pontecorvo, 2005:71-73). A autora atribui a esse Nações Unidas promoveu, do dia 5 a16 de julho, na
fenômeno o nome de “co-construção de raciocínio”, Suécia, a “Conferência da ONU sobre o Ambiente
que se manifesta de diferentes formas conversacionais, Humano”, (ou Conferência de Estocolmo), como ficou
onde o objeto do discurso é compartilhado entre os consagrada. Considerada um marco histórico-político
participantes, ou durante as interações verbais. O fio internacional, a Conferência estabeleceu um “Plano de
condutor do discurso passa naturalmente de um Ação Mundial” e, em particular, recomendou que
participante para o outro ou, também, pela retomada devesse ser estabelecido um Programa Internacional de
com o objetivo de acrescentar variações, elaborações, Educação Ambiental. Foi onde a Educação Ambiental
compartilhando experiências. passou a ser considerada como campo de ação
Conhecer as origens do conselho de classe é pedagógica, adquirindo relevância e vigência
fundamental, pois fornece bases para compreensão da internacionais.
orientação política inicial e os rumos dados até os dias No ano de 1975, a UNESCO promoveu em Belgrado,
atuais, nos possibilitando redimensionar o passado e Iugoslávia, o Encontro Internacional sobre Educação
construir novas práticas. Ambiental, unindo especialistas de 65 países. No
O estudo da origem dos conselhos de classe no Brasil encontro, foram formulados princípios e orientações
(Rocha 1986 e Dalben 1992) possibilita constatar que para um Programa Internacional de Educação
sua implantação advém da necessidade sentida pela Ambiental, segundo os quais esta deveria ser contínua,
comunidade escolar, supondo uma função de cunho multidisciplinar, integrada ás diferenças regionais e
essencialmente pedagógico, buscando auxiliar o voltada para os interesses nacionais. A discussão sobre
processo avaliativo a partir da necessidade de maior as terríveis disparidades entre os países do Norte e do
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Sul gerou, nesse encontro, a Carta de Belgrado, na da educação, orientada para a resolução dos problemas
qual se expressava a necessidade do exercício de uma concretos do meio ambiente, através de um enfoque
nova ética global, que proporcionasse a erradicação da interdisciplinar e de uma participação ativa e
pobreza, da fome, do analfabetismo, da poluição e da responsável de cada indivíduo e da coletividade;
dominação e exploração humana. • Em 1996, o Conselho Nacional do Meio Ambiente
Assim, em 1977, celebrou-se em Tbilisi, URSS, a (Conama), definiu a AE como um processo de formação
Conferência Intergovernamental sobre Educação e informação, orientada para o desenvolvimento da
Ambiental, que constitui até hoje o ponto culminante consciência crítica sobre as questões ambientais e de
do Programa Internacional de Educação Ambiental. atividade que levem á participação das comunidades na
Nessa conferência foram definidos os objetivos e as preservação do equilíbrio ambiental:
estratégias pertinentes, em nível nacional e • Em 1992, elaborados pela Comissão Internacional
internacional. Postulou-se que a Educação Ambiental é para preparação da Rio-92, a EA se caracteriza
um elemento essencial para uma educação global, por incorporar a dimensão socioeconômica,
orientada para a resolução dos problemas, em favor do política, cultural e histórica, não podendo basear-se
bem-estar da comunidade humana. em pautas rígidas e de aplicação universal, devendo
Acrescentou-se aos princípios básicos da Carta de considerar as condições e o estágio de cada país,
Belgrado que a Educação Ambiental deve ajudar a região e comunidade, sob uma perspectiva holística.
descobrir os sintomas e as causas reais dos problemas Assim sendo, a EA deve permitir a compreensão da
ambientais, deve desenvolver o senso crítico e as natureza complexa do meio ambiente e interpretar a
habilidades necessárias para resolver problemas, interdependência entre os diversos elementos que
utilizar diversos ambientes educativos e uma ampla conforma o ambiente, com vista a utilizar
gama de métodos para a aquisição de conhecimentos, racionalmente os recursos do meio, na satisfação
sem esquecer da necessidade de realização de material e espiritual da sociedade, no presente o no
atividades práticas e de experiências pessoais, futuro:
reconhecendo o valor do saber prévio dos estudantes. • Em 2000, Minini relatou que a AE é um processo que
Passados dez anos da Conferência de Tbilisi, realizou-se consiste em propiciar ás pessoa uma compreensão
o Congresso Internacional sobre a Educação e crítica e global do ambiente, para elucidar valores e
Formação Relativas ao Meio Ambiente (1987) em desenvolver atitudes que lhes permitam adotar uma
Moscou, Rússia, promovido pela UNESCO. Vinte anos posição consciente e participativa, a respeito das
após Estocolmo, quinze depois de Tbilisi e cinco depois questões relacionada com a conservação e adequada
de Moscou, chegou-se a Conferência das Nações Unidas utilização dos recursos naturais, para a melhoria da
sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92), que qualidade de vida e a eliminação da pobreza extrema e
se transformou num momento especial também para a do consumismo desenfreado.
evolução da Educação Ambiental. Além dos debates
oficiais, dois, entre os incontáveis eventos paralelos, Educação Ambiental: Definições
foram marcantes: a "1ª Jornada Internacional de Educação Ambiental é a preparação de pessoas para a
Educação Ambiental", um dos encontros do Fórum sua vida enquanto membros da biosfera; é o
Global atraiu cerca de 600 educadores do mundo todo; aprendizado para compreender, apreciar, saber lidar e
e o "Workshop sobre Educação Ambiental" organizado manter os sistemas ambientais na sua totalidade;
pelo MEC. significa aprender a ver o quadro global que cerca um
Destes eventos, nasceram três documentos que hoje problema específico - sua história, seus valores,
estão entre as principais referências para quem quer percepções, fatores econômicos e tecnológicos, e os
praticar Educação Ambiental: Agenda 21, A Carta processos naturais ou artificiais que o causam e que
Brasileira para a Educação Ambiental, O Tratado de sugerem ações para saná-lo; é a aprendizagem de
Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e como gerenciar e melhorar as relações entre a
Responsabilidade Global. sociedade humana e o ambiente, de modo integrado e
sustentável; significa aprender a empregar novas
Educação Ambiental: Conceitos e sua Evolução. tecnologias, aumentar a produtividade, evitar desastres
De acordo com Dias (1991), a evolução dos conceitos ambientais, minorar os danos existentes, conhecer e
de EA esteve diretamente relacionada á evolução do utilizar novas oportunidades e tomar decisões
conceito de meio ambiente e ao modo como este era acertadas.
percebido. Dessa forma podem-se analisar vários
conceitos de EA no decorrer da evolução. Marco Legal
• Em 1969, a EA foi definida como um processo que A aprovação da Lei nº 9795, de 27.4.1999 e do seu
deveria objetivar a formação de cidadãos: regulamento, o decreto nº4281, de 25.6.2002,
• Em 1970, a Internacional Union for the Conservation estabelecendo a Política Nacional de Educação
of Nature (IUCN) definiu a EA como um processo de Ambiental (PNEA), trouxe grande esperança,
reconhecimento de valores e clarificação de conceitos, especialmente para os educadores, ambientalistas e
voltado para o desenvolvimento de habilidades e professores, pois há muito já se fazia educação
atitudes necessárias á compreensão e apreciação das ambiental, independente de haver ou não um marco
inter-relações entre o homem, sua cultura e seu legal.
entorno biofísico: A trajetória da presença da educação ambiental na
• Em 1972, Mellows apresentou a AE como um legislação brasileira apresenta uma tendência em
processo no qual deveria ocorrer um desenvolvimento comum, que é a necessidade de universalização dessa
progressivo de um senso de preocupação com o meio prática educativa por toda a sociedade. Já aparecia em
ambiente, baseado em um complexo e sensível 1973, com o decreto nº 73.030, que criou a Secretaria
entendimento das relações do homem com o ambiente especial de Meio Ambiente explicitando, entre suas
e a sua volta: atribuições, a promoção do “esclarecimento e educação
• Em 1977, a conferência realizada em Tbilisi, definiu a do povo brasileiro para o uso adequado dos recursos
AE como uma dimensão dada ao conteúdo e á prática
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naturais, tendo em vista a conservação do meio • examinar as principais questões ambientais, do
ambiente”. ponto de vista do local, regional, nacional e
A lei nº 6938, de 31.8.1981, que institui a política internacional, de modo que os educandos se
Nacional do Meio Ambiente, também evidenciou a identifiquem com as condições ambientais de outras
capilaridade que se desejava imprimir a essa dimensão regiões geográficas;
pedagógica no Brasil, exprimindo, em seu artigo 2º • concentrar-se nas situações ambientais atuais, tendo
inciso X, a necessidade de promover “educação em conta também a perspectiva histórica;
ambiental a todos os níveis de ensino, inclusive a • insistir no valor e na necessidade da cooperação local,
educação da comunidade. Objetivando capacitá-la para nacional e internacional para prevenir e resolver
a participação ativa na defesa do meio ambiente”. problemas ambientais;
Mas a Constituição Federal de 1988 elevou ainda o • considerar de maneira explícita, os aspectos
status do direito à educação ambiental, ao mencioná-la ambientais nos planos de desenvolvimento e de
como um componente essencial para a qualidade de crescimento;
vida ambiental. Atribui-se ao Estado o dever de • ajudar a descobrir os sintomas e as causas reais dos
“promover a educação ambiental em todos os níveis de problemas ambientais;
ensino e conscientização pública para a conservação do • destacar a complexidade dos problemas ambientais
meio ambiente” (art. 225, §1º, inciso IV), surgindo, (sócioambientais) e, em conseqüência, a necessidade
assim, o direito constitucional de todos os cidadãos de desenvolver o senso crítico e as habilidades
brasileiros terem acesso à educação ambiental. necessárias para resolver problemas;
Na legislação educacional, ainda é superficial a menção • utilizar diversos ambientes educativos e uma ampla
que se faz à educação ambiental. Na Lei de Diretrizes e gama de métodos para comunicar e adquirir
Bases, nº 9394/96, que organiza a estruturação dos conhecimento sobre o meio ambiente, acentuando
serviços educacionais e estabelece competências, devidamente as atividades práticas e as experiências
existem poucas menções à questão ambiental; a pessoais.
referência é feita no artigo 32, inciso II, segundo o qual
se exige, para o ensino fundamental, a “compreensão Importância da Educação Ambiental
ambiental natural e social do sistema político, da As estratégias de enfrentamento da problemática
tecnologia, das artes e dos valores em que se ambiental, para surtirem o efeito desejável na
fundamenta a sociedade”; e no artigo 36, §1º, segundo construção de sociedades sustentáveis, envolvem uma
o qual os currículos do ensino fundamental e médio articulação coordenada entre todos os tipos de
“devem abranger, obrigatoriamente (...) o intervenção ambiental direta, incluindo nesse contexto
conhecimento do mundo físico e natural e da realidade as ações em educação ambiental. Dessa forma, assim
social e política, especialmente do Brasil”. como as medidas políticas, jurídicas, institucionais e
econômicas voltadas à proteção, recuperação e
Educação Ambiental: Suas Finalidades melhoria sócio ambiental, despontam também as
• Ajudar a fazer e compreender claramente, a atividades no âmbito educativo. (ProNea)
existência da interdependência econômica, social, E nesse contexto onde os sistemas sociais atuam na
política e ecológica, nas zonas urbanas e rurais; promoção da mudança ambiental, a educação assume
• Proporcionar, a todas as pessoas, a possibilidade de posição de destaque para construir os fundamentos da
adquirir os conhecimentos, o sentido dos valores, as sociedade sustentável, apresentando uma dupla função
atitudes, o interesse ativo a as atitudes, necessárias a essa transição societária: propiciar os processos de
para proteger e melhorar o meio ambiente; mudanças culturais em direção a instauração de uma
• Induzir novas formas de conduta nos indivíduos, nos ética ecológica e de mudanças sociais em direção ao
grupos sociais e na sociedade em seu conjunto, a empoderamento dos indivíduos, grupos e sociedades
respeito do meio ambiente. que se encontram em condições de vulnerabilidade face
aos desafios da contemporaneidade. (PRONEA)
Educação Ambiental: Princípios Gerais Para VASCONCELLOS (1997), a presença, em todas as
• Sensibilização: processo de alerta, é o primeiro passo práticas educativas, da reflexão sobre as relações dos
para alcançar o pensamento sistêmico; seres entre si, do ser humano com ele mesmo e do ser
• Compreensão: conhecimento dos componentes e dos humano com seus semelhantes é condição
mecanismos que regem os sistemas naturais; imprescindível para que a Educação Ambiental ocorra.
• Responsabilidade: reconhecimento do ser humano Portanto, é no sentido de promover a articulação das
como principal protagonista; ações educativas voltadas às atividades de proteção,
• Competência: capacidade de avaliar e agir recuperação e melhoria sócia ambiental, e de
efetivamente no sistema; potencializar a função da educação para as mudanças
• Cidadania: participar ativamente e resgatar direitos e culturais e sociais, que se insere a Educação Ambiental
promover uma nova ética capaz de conciliar o ambiente no planejamento estratégico para o desenvolvimento
e a sociedade. sustentável.

Educação Ambiental: Princípios Básicos A Escola na Educação Ambiental


• considerar o meio ambiente em sua totalidade, ou Considerando toda essa importância da temática
seja, em seus aspectos naturais e criados pelo homem, ambiental e a visão integrada do mundo, no tempo e
tecnológicos, sociais, econômico, político, técnico, no espaço, sobressaem-se as escolas, como espaços
histórico-cultural, moral e estético; privilegiados na implementação de atividades que
• construir um processo contínuo e permanente, propiciem essa reflexão, pois isso necessita de
começando pelo pré-escolar, e continuando através de atividades de sala de aula e atividades de campo, com
todas as fases do ensino formal e não-formal; ações orientadas em projetos e em processos de
• aplicar um enfoque interdisciplinar, aproveitando o participação que levem à autoconfiança, a atitudes
conteúdo específico de cada disciplina, de modo que se positivas e ao comprometimento pessoal com a
adquira uma perspectiva global e equilibrada; proteção ambiental implementados de modo
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interdisciplinar (DIAS, 1992). Ressaltado que as diretamente relacionada, sobretudo, com a aquisição
gerações que forem assim formadas crescerão dentro de determinadas habilidades, mínimas e
de um novo modelo de educação criando novas visões indispensáveis, de acordo com as regras existentes. Por
do que é o planeta Terra. isso é que o futuro professor se concentra nessa fase
Dentro da escola deveremos encontrar meios efetivos com as demandas próprias da sua condição de
para que cada aluno compreenda os fenômenos estudante. Esse período é marcado pela ênfase na
naturais, as ações humanas e sua conseqüência para certificação de habilidades. O aluno trabalha nela como
consigo, para sua própria espécie, para os outros seres se ela fosse sinônima da sua habilitação. Pensa-se
vivos e o ambiente. É fundamental que cada aluno exclusivamente de um ponto de vista acadêmico, de
desenvolva as suas potencialidades e adote posturas áreas, currículos, disciplinas, etc. Não lhe ocorre em
pessoais e comportamentos sociais construtivos, nenhum momento nessa fase imaginar a sua formação,
colaborando para a construção de uma sociedade também como um produto do seu desenvolvimento
socialmente justa, em um ambiente saudável. profissional. É como se na prática, se tratasse de duas
A escola dentro da Educação Ambiental deve lógicas incomunicáveis entre si: uma preocupada com a
sensibilizar o aluno a buscar valores que conduzam a aquisição de determinados saberes escolares, só
uma convivência harmoniosa com o ambiente e as possíveis de serem adquiridos por via escolar, e a outra
demais espécies que habitam o planeta, auxiliando-o a preocupada com a obtenção de competências sócio-
analisar criticamente os princípios que tem levado à profissionais, exclusivamente obtidas mediante o
destruição inconseqüente dos recursos naturais e de exercício prático da profissão.
várias espécies. Tendo a clareza que a natureza não é Desta feita, pode-se dizer que o primeiro problema
fonte inesgotável de recursos, suas reservas são finitas complexo da formação dos professores diz espeito ao
e devem ser utilizadas de maneira racional, evitando o caráter lógico-dissociativo entre o ambiente escolar
desperdício e considerando a reciclagem como processo onde o aluno se habilita para a profissão e a escola em
vital. que ele trabalha como professor, onde ele efetivamente
Esse processo de sensibilização da comunidade escolar realiza o seu desenvolvimento profissional. Assim
pode fomentar iniciativas que transcendam o ambiente sendo, falarmos de formação do professor no seu
escolar, atingindo tanto o bairro no qual a escola está sentido continuado quer seja ela em serviço ou não,
inserida como comunidades mais afastadas nas quais significa antes de qualquer coisa falarmos do caráter
residam alunos, professores e funcionários. SOUZA lógico-associativo que essa prática precisa assumir
(2000) afirma, inclusive, que o estreitamento das frente aos problemas da teoria e da prática envolvidas
relações intra e extra-escolar é bastante útil na no processo de formação do professor.
conservação do ambiente, principalmente o Talvez aqui seja interessante distinguir a questão da
ambiente da escola. racionalidade técnica da racionalidade prática, para
Assim sendo a escola é o espaço social e o local onde o simplesmente não cairmos no maniqueísmo disto ou
aluno será sensibilizado para as ações ambientais e daquilo. Da prioridade da racionalidade técnica sobre a
fora do âmbito escolar ele será capaz de dar seqüência racionalidade prática, ou vice-versa, da racionalidade
ao seu processo de socialização. Comportamentos prática sobre a racionalidade técnica.
ambientalmente corretos devem ser aprendidos na Exatamente nesse ponto emerge a questão de fundo da
prática, no cotidiano da vida escolar, contribuindo para discussão sobre a formação continuada de professor:
a formação de cidadãos responsáveis. de que ponto de vista metodológica deve-se continuar
A metodologia teórica e prática dos projetos ocorrerão o processo de formação do professor? Por meio da
por intermédio do estudo de temas geradores que extensão, da reciclagem, da atualização dos
englobam aulas críticas, palestras, oficinas e saídas a conhecimentos obtidos na formação inicial, ou da
campo. Esse processo oferece possibilidades para os prática docente? Mantemos o modelo cuja
professores atuarem de maneira a englobar toda a característica marcante é se realizar, quase sempre,
comunidade escolar e do bairro na coleta de dados para como ação planejada de fora para dentro da escola? Ou
resgatar a história da área para, enfim, conhecer seu invertemos a situação e trazemos o modelo de
meio e levantar os problemas ambientais e, a partir da formação dos professores para o interior da escola,
coleta de dados, à elaboração de pequenos projetos de mais precisamente, para a prática docente?
intervenção. A tendência hoje fortemente questionada, segundo
Canário (1997) é colocar em questão qualquer solução
FORMAÇÃO INICIAL E CONTINUADA DE baseada na perspectiva cumulativa da aquisição de
PROFESSORES (Fernando Casadei Salles) conhecimentos, segundo a qual as insuficiências da
É preciso esclarecer a verdadeira natureza das relações formação inicial, conjugada com a obsolescência desses
entre os processos de formação inicial e continuada. conhecimento os sirvam de justificativa para processos
Por estas relações pode-se perceber que entre os formativos estruturados pela noção de “reciclagem”.
referidos processos existe o mesmo tipo de tensão que Em seu lugar têm-se proposto, segundo Canário
encontramos entre o crescimento e a procriação do ser (1997:4): “uma forte valorização dos saberes
vivo, ou seja, o indivíduo só pode procriar depois que adquiridos por via experiencial e, portanto, da
seu organismo está formado. E o organismo precisa atribuição de um papel central ao sujeito que aprende
estar formado de uma certa maneira, senão, ele deixa (em vez de o atribuir à figura do formador)”. Assim, a
de concretizar o ato da procriação. tendência atual consiste em focalizar a atenção no
No processo de formação de professor, a relação não é potencial formador e transformador dos saberes
diferente; só se torna professor depois de se formar e adquiridos na experiência do cotidiano da prática
essa formação depende de determinados requisitos docente, colocando em segundo plano qualquer noção
indispensáveis para iniciar-se na profissão. Assim, a de formação continuada destinada a atualizar ou suprir
formação de um profissional não é um processo lacunas diagnosticadas na formação inicial dos
indefinido – o limite é dado no momento em que recebe professores. Essa idéia fica ainda mais assumida em
um certificado de habilitação para o exercício da Pimenta quando afirma: “O. profissional não pode
profissão docente. A formação inicial estaria, pois, constituir seu saber-fazer, senão a partir de seu próprio
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fazer. Não é senão sobre essa base que o saber, relação à precariedade da formação inicial dos
enquanto elaboração teórica se constitui” (1999:26). professores do país. O que implica uma estratégia de
Apesar de concordar com a idéia da prática como política de formação continuada fortemente voltada
critério da verdade proposta por Garrido, é preciso, no para a superação dessa deficiência. Senão é como se
entanto, destacar o limite dessa afirmação no sentido estivéssemos tentando continuar uma coisa que nem
de que a prática se mantenha apenas como critério e bem começou, a formação inicial do professor, ou que
não se confunda com a própria verdade. Senão, ao se começou, começou aligeirada e precariamente.
privilegiarmos a prática docente como o lócus
preferencial de formação da identidade profissional do LIMITES E DISCIPLINA NA ESCOLA (IÇAMI TIBA)
professor, não venhamos excluir ou reduzir O desafio dos professores
indevidamente o espaço de outras instâncias da A disciplina escolar é um conjunto de regras que devem
formação dos professores. É necessário ser obedecidas tanto pelos professores quanto pelos
compreendermos o caráter complementar de cada alunos para que o aprendizado escolar tenha êxito.
momento do processo de formação dos professores Portanto, é uma qualidade de relacionamento humano
para que o campo da prática não acabe se tornando o entre o corpo docente e os alunos em uma sala de aula
único domínio da formação dos professores. Em outras e, conseqüentemente, na escola. Como em qualquer
palavras, é como se fosse possível substituirmos relacionamento humano, na disciplina é preciso levar
simplesmente uma forma de racionalidade por outra; a em consideração as características de cada um dos
racionalidade técnica pela racionalidade prática. envolvidos no c aso: professor e aluno, além das
Elegermos a escola ou o fazer-docente como o campo características do ambiente.
por excelência da formação dos professores, não O professor e essencial para a socialização comunitária
significa tomá-la, no entanto, como o espaço exclusivo e tem, basicamente, quatro funções:
da “verdadeira” (e por que não única?) educação 1. PROFESSOR PROPRIAMENTE DITO. Para poder
continuada. ensinar, é necessário saber o que se ensina. Isso se
Assim como não há por que rejeitarmos o princípio de aprende no círculo profissional. Saber como ensinar: o
que os professores se formam, por excelência, no professor precisa conseguir transmitir o que sabe.
contexto de suas experiências empírico-profissionais, Pode ser um comunicador nato ou vir a desenvolver
não há também porque negarmos a formação desses essa qualidade por meio da própria experiência.
profissionais em outros contextos, amplificando, ou 2. COORDENADOR DO GRUPO DE ALUNOS. Esta
mesmo aprimorando, suas experiências intra-escolares. função não é habitualmente ensinada no currículo, pois
Ao nosso ver, negar que os professores se formam exige um conhecimento mínimo de dinâmica de grupo,
além das suas experiências empírico-profissionais bem como noções básicas de psicologia para manter a
significa desculturar e, sobretudo despolitizar o tema autoridade de coordenador. Sala de aula não é
da formação dos professores. Só para destacarmos o consultório; escola não é clínica. Portanto, na função
que talvez se possa considerar como dos mais de coordenador de alunos, o professor tem que
importantes espaços de formação docente, além, identificar as dificuldades existentes na c lasse para
evidentemente, da universidade, lembramos que os poder dar um bom andamento à aula.
professores se formam também nas lutas democráticas 3. MEMBRO DO CORPO DOCENTE. Um professor
e sindicais, na vida familiar, nos momentos de lazer e pode ouvir a reclamação de um aluno sobre outro
de fruição estética e em tantos outros que, como se professor e fazer com que chegue ao envolvido para
pode perceber, excedem a experiência profissional que este possa tomar alguma providência no sentido de
restrita ao ambiente escolar. responder adequadamente à reclamação. Seria falta de
Não é por que as nossas convicções teóricas de análise lealdade ficar sabotando os colegas perante os alunos.
discordam dos modelos de racionalidade técnica Os professores devem ajudar- se mutuamente, como
empregados, via de regra, na formação de professores, fazem os estudantes. Se muitos alunos queixam- se de
ou discordam do sentido burocrático dado ao processo um único professor, é sinal de que algo está errado. A
de certificação das habilidades escolares obtidas na única forma de solucionar um problema é identificar o
formação inicial, que vamos desmerecer a necessidade erro. Como todo o ser humano, o professor também
para o desenvolvimento profissional docente de uma pode estar errado. O fato de ser professor não é
sólida formação inicial e na continuidade de uma garantia de estar sempre certo.
renovação, extensão e atualização permanente dessa 4. EMPREGADO DE UMA INSTITUIÇÃO. Como
formação. Se assim fosse, não faria sentido as críticas todo empregado, o professor tem direitos e obrigações.
de aligeiramento da formação inicial que caracterizam a Eventuais insatisfações ou desavenças empregatícias
atual política de formação de professores e tampouco devem ser resolvidas por meio dos canais competentes.
as reivindicações de políticas que, de tempos em Não podem (nem devem!) ser descarregadas nos
tempos, possibilitam aos professores manterem-se alunos, que não têm a ver com o problema. Os alunos
atualizados diante das diferentes condições de trabalho correm o risco de ser manipulados pelo professor em
permanentemente colocadas nas suas práticas virtude da própria posição de poder que ele exerce na c
docentes, especialmente, quanto à constante lasse.
introdução de novos saberes escolares. A maior força do professor, ao representar a instituição
Independentemente da maneira como as estratégias de escolar, está em seu desempenho na sala de aula.
formação continuada, inspiradas nos modelos da Portanto, ele não deve simplesmente fazer o que bem
racionalidade técnica, são vistas e comparadas com as entender, sobretudo perante as indisciplinas dos
de formação realizadas em serviço, inspiradas nos alunos. Numa escola em que cada professor atua como
modelos da racionalidade prática, elas não podem ser bem entende, haverá, como toda a certeza, discórdias
consideradas, a priori, descartáveis ou sem função; é dentro do corpo docente e os alunos saberão
preciso que sejam consideradas distintas. Partem de aproveitar-se dessas desavenças, jogando um
pressupostos teóricos e metodológicos distintos, mas professor contra outro.
não são irreconciliáveis, tendo em vista, Por isso é importante que os professores adotem um
principalmente, o diagnóstico quase unânime em padrão básico de atitudes perante as indisciplinas Mais
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comuns, como se todos vestissem o mesmo uniforme sobre educação geral x formação profissional, hoje
comportamental. Esse uniforme protege a retornando ao cenário pelas mãos do ensino técnico x
individualidade do professor. Quando um aluno ensino médio.
ultrapassa os limites, não está simplesmente Em 1978, foi assinada a lei 6545, de 30.6.1978,
desrespeitando um professor em particular, mas as criando os Centros Federais de Educação Tecnológica.
normas da escola. Sobre esse tema, a propósito, Seus idealizadores ressaltaram no Relatório do Grupo
sugiro a leitura do meu livro Ensinar Aprendendo. de Trabalho, encaminhando aos órgãos superiores, que
O aluno também é peça-chave para disciplina escolar e as novas autarquias educacionais seriam instituições de
o sucesso do aprendizado. Atualmente, a maior ensino técnico com a finalidade de ministrar cursos da
dificuldade que encontra para estudar é a falta de área de tecnologia e de formação de professores.
motivação. Estudar para quê? Para passar de ano? Afirmaram também que “os CEFET’s exerceriam uma
Para ganhar presente? Para ter sabedoria? Pra os pais liderança natural do ensino de tecnologia, sendo o seu
não “pegarem no pé”? Entretanto, quando estão modelo paradigma para o ensino nesta área. A
interessados em algum assunto em particular Educação Tecnológica vai aos poucos solidificando sua
(computação, música, esportes, coleções etc...), são as estrutura cuja base se encontra no ensino técnico”.
pessoas mais animadas, empreendedoras e... A expressão Tecnológica não possui um consenso no
disciplinadas. seu significado, uma vez que pode se direcionar mais
O ensino fundamental e médio tende a ser aprovativo, para os aspectos inerentes à educação e ao ensino
o que estimula (no passado mais ainda) o estudo técnico, como, também, pode referir-se aos
suficiente apenas para passar de ano, com mecanismos e processos advindos do desenvolvimento
conhecimentos, muitas vezes, descartáveis após a científico tecnológico.
prova. Já o vestibular para a faculdade é um sistema A Educação Tecnológica pode ser focalizada de vários
competitivo e depende da sabedoria; portanto, a pontos de vista: do mundo da educação, do mundo do
motivação para estudar é acumular saber, bem trabalho, da produção de conhecimentos, da
diferente de atingir uma média 5 para não repetir de necessidade de novas metodologias, ou da filosofia da
ano. tecnologia. De um modo geral, quando a ela se refere
No vestibular, o fator sorte é mais decisivo quanto mais precisamente ao tipo de educação para os que
menor for o conhecimento. Trata- se de um fator irão aprender a fazer tecnologia. A autora faz uma
imponderável, que pode fazer “cair na prova” o que o diferença entre as expressões educação tecnológica e
vestibulando mais estudou e “não cair” justamente o educação para a tecnologia. A primeira voltada para os
que estudou. Portanto, quanto mais estudar, isto é, que irão aprender a fazer tecnologia e a segunda, para
quanto mais conhecimento tiver, menos ele dependerá aqueles que irão lidar com a realidade de uma
da sorte, afinal, mais preparado estará. sociedade tecnologizada.
Os melhores alunos são os que acabam aprendendo Rodrigues mostra que, apesar das duas expressões
mais, e os piores, menos. Em termos de sabedoria, terem significados complementares, elas não são
quanto mais se sabe, mais se quer aprender. Em idênticas e que esse último tipo de produção seria
termos de ignorância, quanto menos se sabe, mais se possivelmente a educação que deveríamos dar a todos
pensa que não é preciso saber mais... O ambiente os jovens para os adequar a vida contemporânea
também interfere na disciplina. Classes muito (1996:1).
barulhentas, nas quais ninguém ouve ninguém; salas Os estudos que vem sendo desenvolvidos têm se
muito quentes, escuras, alagadas ou sem condições de pautado por áreas mais ou menos específicos num
acomodar todos os estudantes são locais pouco enfoque teórico que se respalda, geralmente, em
prováveis de conseguir uma boa disciplina. No aspectos econômicos, políticos ou sociais. A
entanto, a condição ambiental mais prejudicial é o necessidade de busca de um domínio mais pedagógico
estado psicológico do grupo. Uma escola em crise, que é um fato marcante no campo da Educação
esteja passando por greves e os conseqüentes conflitos Tecnológica. Este campo, por certo, depende do
entre grevistas e fura-greves, bem como brigas entre domínio de enfoques teóricos, conceitos e categorias
classe e professor, e aulas ministradas durante grandes particulares de diferentes campos científicos, mas há
eventos populares são situações que dificultam o que se ter um tratamento específico sobre sua estreita
aprendizado. relação com a própria Pedagogia e sua aplicação no
campo educacional.
EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA (MIRIAN PAURA A Educação Tecnológica, que tem suporte nos dois
SABROSA ZIPPIN GRINSPUN e José Roberto eixos básicos de sua concepção, numa interação
Mendes) dialética, incorpora também as dimensões correlatas da
A educação tecnológica é muito antiga na realidade questão do trabalho e, portanto, das práticas sociais
brasileira. Ela teve início pelo então ensino técnico que em que esse trabalho vai ocorrer. Ela vai além dos
criou as suas primeiras escolas técnicas propriamente conhecimentos das técnicas ou de um ensino técnico
ditas, em 1909, com o objetivo de formar artífices, ou para comprometer-se com uma visão de mundo que
seja, pessoas que dominassem o trabalho manual. contempla os valores que o fundamentam e
Posteriormente, em outras décadas, com o surgimento determinam.
da industrialização, tem início uma educação técnica Na medida em que a Educação tecnológica ampliou o
paralela ao sistema regular de ensino, em que seu núcleo de atividades de comportando diferentes
instituições como o SENAI começaram a preparar mão- formas de atuação e concepção, há que se ter uma
de-obra qualificada para o mercado de trabalho. visão um pouco mais objetiva do que entendemos
Na década de 60, com o avanço do desenvolvimento atualmente por educação Tecnológica.
tecnológico, volta-se à questão do ensino técnico, que
no tocante aos aspectos pedagógicos teve seu ápice na Conceitos de Educação Tecnológica
lei 5692/71, com a obrigatoriedade do ensino O conceito de Educação tecnológica prende-se,
profissionalizante. Sem entrar no mérito da discussão, evidentemente, aos conceitos específicos de sua
esta determinação legal trouxe à tona o velho debate expressão, mas na sua interação e integração diz
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respeito ou à formação do indivíduo para viver na era • A Educação Tecnológica busca integrar ensino e
tecnológica, de uma forma mais crítica e mais humana, pesquisa, fazendo com que se entendam as questões
ou à aquisição de conhecimentos necessários à vivenciadas pelos educandos;
formação profissional (tanto uma formação geral como • A Educação Tecnológica procura identificar, a partir
específica), assim como às questões mais contextuais do trabalho, as novas exigências impostas pelas
da tecnologia, envolvendo tanto a invenção como a relações sociais e a maneira pela qual poderemos
inovação tecnológica. superar as dificuldades existentes no mercado de
Bastos (1998) diz que ela não admite aceitar a técnica trabalho;
como autônoma por si só e, consequentemente, não • A fundamentação básica da Educação Tecnológica
determinantes dos resultados econômicos e sociais. A resume-se no saber-fazer, saber-pensar e criar, que
Educação Tecnológica segue o caminho das inovações não se esgotam na transmissão de conhecimentos, mas
não como descobertas em si, mas como uma busca da iniciam-se na busca da construção de conhecimentos
compreensão dos novos papéis e funções que o homem que possibilitem transformar e superar o conhecido e
tem na sociedade, oriundos, por sua vez, das novas ensinado;
relações sociais. Em outras palavras, a Educação • A Educação Tecnológica não é tecnicismo,
Tecnológica caracteriza-se por um dinamismo determinismo ou conformismo a um status quo social,
constante, tendo a complexidade do meio (tanto em e sim um posicionamento, um conhecimento e um
termos científicos como sociais) e a prospecção do envolvimento com saberes que não acabam na escola,
futuro como faróis de seu projeto pedagógico. Não há não se iniciam com um trabalho, mas são
uma preocupação específica em ensinar uma permanentemente solicitados a pensar-refletir-agir
tarefa/ofício a um educando, mas sim em fazer num mundo marcado por progressivas transformações.
despertar nesse indivíduo o valor da tecnologia, sua Em suma, a Educação Tecnológica está baseada na
utilização e a capacidade e possibilidade que ele possui concepção de uma educação transformada, que vai
de poder transformar e criar novas tecnologias. além de uma proposta de ensino na escola, pois
Passemos, então, a alguns conceitos de educação aprofunda-se com o projeto político-pedagógico dessa
tecnológica: instituição, o que, por certo, nos dias atuais, integra
“A Educação Tecnológica é a vertente da educação necessariamente as diferentes categorias do saber, do
voltada para a formação de profissionais em todos os fazer, ou do saber-fazer para uma grande categoria do
níveis de ensino e para todos os setores da economia, saber-ser. Para que alcancemos estas etapas,
aptos ao ingresso imediato no mercado de trabalho (...) precisamos estar atentos e acreditar numa educação
a educação tecnológica assume um papel que crítica que dê lugar tanto aos fundamentos básicos
ultrapassa as fronteiras legais das normas e teóricos quanto à prática social que ela caracteriza.
procedimentos a que está sujeita, como vertente do Educação é esse misto de responsabilidade e de muita
sistema educativo indo até outros campos legais que esperança na possibilidade de transformação da
cobrem setores da produção, da Ciência e da sociedade.
Tecnologia, da capacitação de mão-de-obra, das
relações de trabalho e outros exigidos pelos avanços PROBLEMAS DE APRENDIZAGEM (Sahda Marta
tecnológicos, sociais e econômicos que tem a ver com Ide e Edinalva Sidronêz de Mendonça, com
desenvolvimento” (BRASIL, MEC/SEMTEC, 1994). adaptações).
“O conceito de Educação Tecnológica implica a Na Educação Especial, as dificuldades de aprendizagem
formação de profissionais habilitados a transmitir constituem, talvez, área das mais difíceis de se
conhecimentos tecnológicos sem perder de vista a conceituar. Há muitas teorias, modelos e definições
finalidade última da tecnologia que é a de melhorar a para esclarecer esse problema. A expressão
qualidade de vida do homem e da sociedade” “dificuldades de aprendizagem” começou a ser usada
(PEREIRA, 1996). mais frequentemente no século passado, década de 60,
“(...) conjunto de situações de ensino-aprendizagem para descrever uma série de incapacidades
que visam facilitar nos educandos a análise de relacionadas com o insucesso escolar. Seu
conjunturas, estruturas e contingentes, em que a aparecimento exprimiu a convicção de educadores,
técnica é fator determinante” (BAPTISTA, 1993). especialistas e pais, de que algumas crianças possuíam
O importante na Educação Tecnológica é o trabalho de problemas de aprendizagem que não se enquadravam
formação da cidadania, propiciando os requisitos nas categorias existentes; não havia, porém, consenso
básicos pra viver numa sociedade em transformação, quanto à sua conceituação, etiologia, prevalência e aos
com novos impactos tecnológicos, com novos tipos de intervenção apropriados.
instrumentos nas produções e relações sociais. Examinando-se inúmeras definições de dificuldades de
aprendizagem, observou-se, em todas,
Características da Educação Tecnológica comportamentos comuns aos alunos com esse
• A Educação Tecnológica não impõe o ensino das problema, tais como:
novas tecnologias, mas, sim, promove o despertar para (...) baixo aproveitamento escolar em leitura, ditado,
a interpretação do contexto atual à luz de seus cálculo – no ensino fundamental e em disciplinas
condicionamentos e fundamentos; nucleares do ensino médio – etiologia disfuncional do
• A Educação Tecnológica pretende levantar questões sistema nervoso central, disfunções no processamento
relativas aos valores pertinentes ao momento atual, de informações por ruptura dos processos psicológicos
sobressaindo a dimensão ética num mundo crivado de superiores; perpetuação dos distúrbios de
tecnologia em todos os setores sociais; aprendizagem ao longo da vida; problemas de
• A Educação Tecnológica exige uma interação da recepção, integração, elaboração e de expressão,
teoria com a prática, ressaltando a rede de acarretando problemas de linguagem; problemas
conhecimentos advindos das teorias existentes e da conceituais, envolvendo processos de raciocínio, de
necessidade de rever a prática pelos sinais indicados pensamentos hipotéticos, dificuldades interacionais,
pela teoria; desmotivação, hiperatividade, impulsividade,
desorientação espacial, repercussão multidisfuncional
32
dos distúrbios de aprendizagem, isto é, coexistência de incapacidades, prevalece a crença de que é, no terreno
outros problemas emergentes dessas condições de individual, que se localizam as verdadeiras causas do
dificuldades. (FONSECA, 1987, p.225-226). fracasso. Se o aluno não aprende, ele deve ter
Enfim, um número muito grande de comportamentos e limitações decorrentes de alguns problemas pessoais,
problemas atribuídos a crianças que, por algum motivo, subjetivos, seja uma lesão, seja uma disfunção que o
não aprendem de acordo com o seu potencial. incapacita ou outro problema, que exige diagnóstico
A expressão “dificuldade de aprendizagem”, numa clínico.
perspectiva educacional, hoje, é mais aceita, porque Do elenco de fatores citados por Pamplona, sob a ótica
retira o estigma associado a “atraso”, “lesão cerebral” do subjetivismo e na unidirecionalidade de uma análise
ou “disfunção cerebral mínima”, e mais desejada pelos que considera o aprendiz como um ser a-histórico,
pais, que a vêem como uma forma mais branda de poderiam estar comprometidos os aspectos
denominação para os problemas de seus filhos. psicológicos, neurológicos, oftalmológicos, audiológicos,
Entretanto, devido ao seu caráter abrangente, urge que fonoaudiológicos e biológicos do aprendiz, separada ou
se tomem os necessários cuidados, para que não se concomitantemente.
caia na armadilha de considerar todo problema escolar Apesar das críticas que se fazem às teorias que
como dificuldade de aprendizagem. ressaltam os fatores individuais, porque não
Somente em 1962 é que “dificuldade de aprendizagem” consideram a influência dos fatores externos como os
foi utilizada por Samuel Kirk em seu livro Educating pedagógicos, culturais e linguísticos, além dos sócio-
Exceptional Child e entendida como um atraso, uma econômicos, a maioria dos educadores ainda situam no
desordem ou imaturidade, num ou mais processos da aprendente a única responsabilidade das dificuldades
linguagem falada, da leitura, da ortografia ou da de aprendizagem que manifesta.
aritmética, resultantes de uma possível disfunção De modo geral, as pessoas com dificuldades de
cerebral e/ou de distúrbios de comportamento que não aprendizagem ou com outras limitações são
dependem de deficiência mental, de privação social, representadas no imaginário social com marcas,
cultural ou de um conjunto de fatores pedagógicos. A tomando-se a parte pelo todo. Valoriza-se a dificuldade
dificuldade de aprendizagem seria a manifestação de e perde-se a pessoa em sua dimensão de integralidade.
uma discrepância educacional significativa entre o Criam-se os preconceitos e os estereótipos que
potencial intelectual estimado da criança e o seu nível desencadeiam discriminações, alicerçadas em juízos de
atual de realização, que estaria relacionada com as valor. As baixas expectativas em relação às
desordens básicas dos processos de aprendizagem que potencialidades desses sujeitos também refletem o
podem ser ou não acompanhadas por disfunção do imaginário coletivo inspirado, erradamente, na idéia de
sistema nervoso central e que não são causadas por dificuldade de aprendizagem como característica
deficiência mental, por privação cultural e/ou definitiva que os colocará, quando se tornarem adultos,
educacional, perturbação emocional severa ou perda como cidadãos de segunda classe.
sensorial. Tal entendimento constituiu um marco Ultimamente e pela crescente importância que tem sido
histórico, pois passou-se a considerar a criança com dada ao modelo social de conceituar as deficiências e
dificuldade de aprendizagem como possuidora de um as incapacidades, o foco tem se deslocado da
potencial intelectual acima da sua realização escolar, subjetividade para a objetividade, conferindo-se maior
dando-se, desse modo, relevância ao componente importância aos fatores decorrentes de fatores sócio-
educacional em detrimento do clínico. econômicos, culturais e pedagógicos que envolvem o
Esse autor elaborou para a National Advisory Commitee aprendiz e que são externos aos sujeitos.
on Handicapped Children, uma nova definição para o A dificuldade para aprender é um sintoma com uma
problema: função tão integrativa como a do aprender e que pode
Uma criança com dificuldade de aprendizagem possui ser determinada por:
uma deficiência em um ou mais dos processos 1. Fatores Orgânicos: relacionados com a dimensão
psicológicos básicos envolvidos na compreensão ou uso biológica, com ênfase para o corpo que precisa ter
da linguagem falada ou escrita. Estas dificuldades integridade anatômica com bom funcionamento dos
podem manifestar-se por desordens na recepção da órgãos dos sentidos, do sistema nervoso central e das
linguagem, no pensamento, na fala, na leitura, na glândulas;
escrita, na soletração ou na aritmética. Tais 2. Fatores Específicos: mais relacionados à dimensão
dificuldades incluem condições que têm sido referidas cognitiva, incluem transtornos na adequação
como deficiência perpétua, lesão cerebral, disfunção perceptivo-motora, não são passíveis de constatação
cerebral mínima, dislexia, afasia de desenvolvimento, orgânica, mas podem manifestar-se na área da leitura,
etc. Elas não incluem problemas de aprendizagem, da escrita, na atribuição de significados, ou na
resultantes, principalmente de deficiência visual, organização espacial e temporal, etc.
auditiva, motora, de deficiência mental, de perturbação 3. Fatores Psicógenos: relacionados com a dimensão
emocional ou de desvantagem ambiental. (KIRK, que considera a aprendizagem como função do eu e
1968, p.34). que pode explicar a diminuição das funções implícitas
no aprender ou a transformação dessas funções,
Fatores que Intervêm na Aprendizagem gerando inibições na aprendizagem ou sintomas de
Pamplona considera que os fatores que podem levar ao dificuldades, respectivamente.
fracasso escolar (ou sucesso) escolar podem ser 4. Fatores Ambientais: relacionados à dimensão
divididos em: psicológicos, pedagógicos, neurológicos, social, referem-se às possibilidades reais que o
oftalmológicos, audiológicos, culturais, econômicos, ambiente oferece ao indivíduo em termos da
fonoaudiológicos, linguísticos e biológicos, alertando quantidade e da qualidade, frequência e abundância de
que possibilitam uma visão ampla e total do ser estímulos, facilitando ou não sua aprendizagem.
humano, a partir de aspectos individuais, subjetivos
articulados com fatores contextuais e objetivos. Principais Dificuldades de Aprendizagem:
Estudos e pesquisas evidenciam que, sob a influência 1. Dislexia: refere-se à falha no processamento da
do modelo médico de conceituação das deficiências e habilidade da leitura e da escrita durante o
33
desenvolvimento, é um atraso no desenvolvimento ou a - a perspectiva vigente, quase marca desse tempo, de
diminuição em traduzir sons (fonemas) em símbolos colocar em xeque os valores até então considerados
gráficos e compreender qualquer material escrito. São intocáveis;
de três tipos: visual, mediada pelo lóbulo occipital; - a inequívoca influência dos meios de comunicação na
fonológica, mediada pelo lóbulo temporal; e mista, com construção/formatação do homem/profissional nesses
mediação das áreas frontal, occipital, temporal e pré- primórdios do século XXI, marcada por um genuíno
frontal. bombardeio de imagens, as quais embotam as
2. Disgrafia; É a dificuldade em passar para a escrita possibilidades de reflexão sobre a vida, a inserção no
o estímulo visual da palavra impressa. Caracteriza-se mundo e a própria práxis;
pelo lento traçado das letras, que em geral são - a configuração de uma nova modalidade de
ilegíveis. A criança disgráfica não é portadora de organização do espaço-tempo social, as sociedades de
defeito visual nem motor, e tampouco de qualquer controle, o que torna imperiosa a adoção de uma
comprometimento intelectual ou neurológico. No postura crítica sobre a inscrição do sujeito no mundo -
entanto, ela não consegue idealizar no plano motor o aqui incluído o trabalho - caracterizando um verdadeiro
que captou no plano visual. ato de resistência.
3. Disortografia: Caracteriza-se pela incapacidade de O grande desafio deste início de século está na
transcrever corretamente a linguagem oral, havendo perspectiva de se desenvolver a autonomia individual
trocas ortográficas e confusão de letras. Essa em íntima coalizão com o coletivo. A educação deve ser
dificuldade não implica a diminuição da qualidade do capaz de desencadear uma visão do todo - de
traçado das letras. As trocas ortográficas são normais interdependência e de transdisciplinaridade -, além de
durante a primeira e segunda séries do ensino possibilitar a construção de redes de mudanças sociais,
fundamental, porque a relação entre a palavra com a conseqüente expansão da consciência individual
impressa e os sons ainda não está totalmente e coletiva. Portanto, um dos seus méritos está,
dominada. justamente, na crescente tendência à busca de
4. Discalculia: falha na aquisição da capacidade e na métodos inovadores, que admitam uma prática
habilidade de com conceitos e símbolos matemáticos. É pedagógica ética, crítica, reflexiva e transformadora,
a dificuldade em aprender aritmética pode ter várias ultrapassando os limites do treinamento puramente
causas: pedagógicas, capacidade intelectual limitada e técnico, para efetivamente alcançar a formação do
disfunções do sistema nervoso central. Essas desordens homem como um ser histórico, inscrito na dialética da
têm sido consideradas como formas de discalculia ação-reflexão-ação.
(Cohn).
5. Transtorno do Déficit de Atenção e Fundamentos Teóricos das Metodologias Ativas
Hiperatividade (TDAH): é um transtorno As metodologias ativas estão alicerçadas em um
neurobiológico, de causas genéticas, que aparece na princípio teórico significativo: a autonomia, algo
infância e frequentemente acompanha o indivíduo por explícito na invocação de Paulo Freire. A educação
toda a sua vida. Ele se caracteriza por sintomas de contemporânea deve pressupor um discente capaz de
desatenção, inquietude e impulsividade. autogerenciar ou autogovernar seu processo de
formação. De fato, o termo autonomia é oriundo do
METODOLOGIA ATIVA (Mitre et all). grego - αuτονομια, de αuτοζ = próprio, e νoμοζ = leis -
As discussões sobre método na cultura ocidental são remetendo, originariamente, à idéia de autogoverno,
bastante antigas, ressurgindo no âmago da filosofia tendo sido empregado no seio da democracia grega
helênica - período clássico - na reflexão de filósofos para indicar as formas de governo autárquicas - isto é,
como Platão e Aristóteles. A acepção originária de a πoλιζ (pólis = cidade-estado). Sem embargo, a
método diz respeito ao caminho a ser seguido - do orientação do conceito de autonomia à condição
grego meta = atrás, em seguida, através e hodós = humana pode ser buscada em outro nicho antigo, o
caminho -, referindo-se, por conseguinte, aos passos cristianismo primitivo. Já nas primeiras comunidades
que deverão ser dados para se atingir um lugar ou um cristãs, celebrava-se a igualdade entre os homens, na
fim. Recorrer ao sentido etimológico de método torna- medida em que estes, por terem sido criados como
se bastante pertinente ao se considerar a educação almas individuais, à imagem e semelhança do Pai,
como esse fim, especialmente, nos últimos anos, nos pertencem, em igual medida, ao plano e à obra de
quais vêm sendo amplamente debatidas as melhores Deus. Ademais, os humanos têm o livre-arbítrio para
veredas para a formação (e, aqui, vale a pena receber e aderir, ou não, aos ensinamentos do Cristo.
recuperar o ideal grego de paidéia, ou seja, a Se a autonomia pode ser buscada, sob um ponto de
formação do cidadão para a vida na pólis) de homens vista histórico-conceitual, entre as tradições helênica e
e mulheres capazes de viver adequadamente em cristã22, será com o advento da modernidade que o
sociedade, o que pressupõe a assunção de indivíduo, indiviso, se constituirá como eu pessoal,
determinados papéis, com destaque para a atuação capaz de conhecer o mundo (sujeito epistêmico) e de
profissional, ou seja, os aspectos relacionados ao agir autonomamente no âmbito da ética (sujeito
trabalho. moral), erigindo os valores que nortearão o julgamento
Mas por que tem se tornado imperioso rediscutir os e a práxis em sua vida social. Foram as coordenadas
processos de ensino-aprendizagem necessários à espaço-temporais propícias - o humanismo
formação? A resposta a tal indagação passa pelo renascentista, a reforma protestante, a revolução
reconhecimento das profundas modificações que científica e a redescoberta do ceticismo antigo - que
transparecem no mundo contemporâneo, cabendo permitiram a construção do indivíduo moderno, um
citar: necessário produto da modernidade burguesa e
- a velocidade das transformações nas sociedades protestante.
laicas e plurais contemporâneas, em um contexto em O ensinar exige respeito à autonomia e à dignidade de
que a produção de conhecimento é extremamente cada sujeito, especialmente no âmago de uma
veloz, tornando ainda mais provisórias as verdades abordagem progressiva, alicerce para uma educação
construídas no saber-fazer científico; que leva em consideração o indivíduo como um ser que
34
constrói a sua própria história. Esse respeito só emerge que acaba por possibilitar a ampliação de suas
no âmago de uma relação dialética na qual os atores possibilidades de conhecimento.
envolvidos - docente e discente - se reconhecem As metodologias ativas utilizam a problematização
mutuamente (e aqui se pode recuperar a dialética do como estratégia de ensino-aprendizagem, com o
senhor e do escravo de Hegel), de modo a não haver objetivo de alcançar e motivar o discente, pois diante
docência sem discência, na medida em que as duas se do problema, ele se detém, examina, reflete, relaciona
explicam, e seus sujeitos, apesar das diferenças, não a sua história e passa a ressignificar suas descobertas.
se reduzem à condição de objeto um do outro. A problematização pode levá-lo ao contato com as
A questão que se impõe, ato contínuo, diz respeito ao informações e à produção do conhecimento,
modo de concretização desse reconhecimento à principalmente, com a finalidade de solucionar os
autonomia do discente. E, uma vez mais, pode-se impasses e promover o seu próprio desenvolvimento.
responder com Freire, ao se propor um processo Ao perceber que a nova aprendizagem é um
ensino-aprendizagem que pressuponha o respeito à instrumento necessário e significativo para ampliar
bagagem cultural do discente, bem como aos seus suas possibilidades e caminhos, esse poderá exercitar a
saberes construídos na prática comunitária. Isto só se liberdade e a autonomia na realização de escolhas e na
torna possível na medida em que o docente tenha tomada de decisões.
como características principais a humildade Zanotto discute a problematização em Dewey, Saviani
reconhecendo sua finitude, os limites de seu e Freire. Para o primeiro, é enfatizado o sujeito ativo,
conhecimento, o ganho substantivo advindo da sua que precisa ter uma situação autêntica de experiência,
interação com o estudante e a importância de sua com propósitos definidos, interessantes e que
avaliação pelo aprendiz. estimulem o pensamento. Após observar a situação, irá
Ter sempre diante dos olhos - e dentro do coração - o buscar e utilizar as informações e instrumentos mais
respeito à autonomia parece ser o melhor modo para a adequados, devendo o resultado do trabalho ser
compreensão, por parte do binômio docente/discente, concreto e comprovado por meio de sua aplicação
do processo de produção, expressão e apreensão do prática. Para Saviani, a noção do problema se
conhecimento, dentro de uma perspectiva de apresenta como em Dewey, porém a busca da resposta
transformação da realidade, afinal, conhecer é é identificada com a reflexão filosófica, que impõe
transformar. requisitos de radicalidade, rigor e globalidade
relacionados dialeticamente. Já em Freire, a ação de
As Metodologias Ativas: Revendo Estratégias E problematizar enfatiza a práxis, na qual o sujeito
Papéis busca soluções para a realidade em que vive e o torna
A atividade desenvolvida com o propósito de ensinar capaz de transformá-las pela sua própria ação, ao
deve ser apreciada por todos aqueles que dela mesmo tempo em que se transforma. Nessa ação, ele
participam. A aprendizagem que envolve a auto- detecta novos problemas num processo ininterrupto de
iniciativa, alcançando as dimensões afetivas e buscas e transformações.
intelectuais, torna-se mais duradoura e sólida. Nessa De acordo com Berbel, na problematização, o sujeito
perspectiva, a produção de novos saberes exige a percorre algumas etapas e, nesse processo, irá refletir
convicção de que a mudança é possível, o exercício da sobre a situação global de uma realidade concreta,
curiosidade, da intuição, da emoção e da dinâmica e complexa, exercitando a práxis para formar
responsabilização, além da capacidade crítica de a consciência da práxis. Problematizar, portanto, não
observar e perseguir o objeto - aproximação metódica é apenas apresentar questões, mas, sobretudo, expor e
- para confrontar, questionar, conhecer, atuar e discutir os conflitos inerentes e que sustentam o
reconhecê-lo. problema.
O ato de aprender deve ser, portanto, um processo O estudante precisa assumir um papel cada vez mais
reconstrutivo, que permita o estabelecimento de ativo, descondicionando-se da atitude de mero receptor
diferentes tipos de relações entre fatos e objetos, de conteúdos, buscando efetivamente conhecimentos
desencadeando ressignificações/reconstruções e relevantes aos problemas e aos objetivos da
contribuindo para a sua utilização em diferentes aprendizagem. Iniciativa criadora, curiosidade
situações35. De acordo com Coll, existem duas científica, espírito crítico-reflexivo, capacidade para
condições para a construção da aprendizagem auto-avaliação, cooperação para o trabalho em equipe,
significativa: a existência de um conteúdo senso de responsabilidade, ética e sensibilidade na
potencialmente significativo e a adoção de uma atitude assistência são características fundamentais a serem
favorável para a aprendizagem, ou seja, a postura desenvolvidas em seu perfil.
própria do discente que permite estabelecer O docente nessa perspectiva, denominado tutor -
associações entre os elementos novos e aqueles já aquele que defende, ampara e protege -, necessita
presentes na sua estrutura cognitiva. Ao contrário, na desenvolver novas habilidades, como a vontade e a
aprendizagem mecânica, não se consegue estabelecer capacidade de permitir ao discente participar
relações entre o novo e o anteriormente aprendido. ativamente de seu processo de aprendizagem. Como
Ademais, a aprendizagem significativa se estrutura, facilitador do processo ensino-aprendizagem, deve se
complexamente, em um movimento de perguntar: (1) como, por que e quando se aprende; (2)
continuidade/ruptura. O processo de continuidade é como se vive e se sente a aprendizagem; e (3) quais as
aquele no qual o estudante é capaz de relacionar o suas conseqüências sobre a vida. A disposição para
conteúdo apreendido aos conhecimentos prévios, ou respeitar, escutar com empatia e acreditar na
seja, o conteúdo novo deve apoiar-se em estruturas capacidade potencial do discente para desenvolver e
cognitivas já existentes, organizadas como aprender, se lhe for permitido um ambiente de
subsunçores. O processo de ruptura, por outro lado, liberdade e apoio, são essenciais nesta nova postura.
instaura-se a partir do surgimento de novos desafios, Nesse sentido, qualquer estratégia de inovação deve
os quais deverão ser trabalhados pela análise crítica, levar em conta suas práticas de avaliação, integrá-las à
levando o aprendiz a ultrapassar as suas vivências - reflexão, para transformá-las. A avaliação precisa ser,
conceitos prévios, sínteses anteriores e outros -, tensão antes de tudo, processual e formativa para a inclusão,
35
autonomia, diálogo e reflexões coletivas, na busca de hipóteses de solução e aplicação a realidade.
respostas e caminhos para os problemas detectados.
Não pune, nem estigmatiza, mas oferece diretrizes
para se tomar decisões e definir prioridades.
A avaliação inovadora deve se fundamentar na
colaboração, no empenho com a nova formação. Para
isso, é preciso um trabalho planejado e executado com
a participação de todos os envolvidos. Nesse propósito,
instrumentos de acompanhamento do processo ensino-
aprendizagem têm sido construídos, ultrapassando o
modelo tradicional de simples verificação de conteúdos
acumulados e memorizados e puramente voltados à
esfera da cognição, para um processo mais abrangente
orientado a todos os seus aspectos, inclusive ao próprio
programa e à atividade docente.
Os registros, a auto-avaliação e o diálogo têm sido
utilizados como estratégias norteadoras desse
processo. O docente pode registrar o desenvolvimento
do discente no que se refere à autonomia, à
criatividade, à capacidade de organização, à sua A primeira etapa é da observação da realidade. O
participação e a condições de elaboração, bem como ao processo ensino-aprendizagem está relacionado com
seu relacionamento com o grupo e sua comunicação. um determinado aspecto da realidade, o qual o
Na auto-avaliação, pode-se rever a metodologia estudante observa atentamente. Nessa observação, ele
utilizada na prática pedagógica, enquanto o discente irá expressa suas percepções pessoais, efetuando, assim,
refletir sobre si mesmo e a construção do conhecimento uma primeira leitura sincrética da realidade.
realizado. O momento do diálogo servirá para reflexão Na segunda etapa, pontos-chave, o estudante realiza
sobre a relação e a interação entre docente e discente, um estudo mais cuidadoso e, por meio da análise
no ato comum de conhecer e reconhecer o objeto de reflexiva, seleciona o que é relevante, elaborando os
estudo, agora não mais numa relação verticalizada, pontos essenciais que devem ser abordados para a
bancária e estática, mas numa construção dialógica. compreensão do problema.
Na terceira etapa, o estudante passa à teorização do
Da Episteme à Práxis: Problematização e problema ou à investigação propriamente dita. As
Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP) informações pesquisadas precisam ser analisadas e
A metodologia ativa tem permitido a articulação entre a avaliadas, quanto à sua relevância para a resolução do
universidade, o serviço e a comunidade, por possibilitar problema. Nesse momento, o papel do professor será
uma leitura e intervenção consistente sobre a um importante estímulo para a participação ativa do
realidade, valorizar todos os atores no processo de estudante. Se a teorização é adequada, o aluno atinge
construção coletiva e seus diferentes conhecimentos e a compreensão do problema nos aspectos práticos ou
promover a liberdade no processo de pensar e no situacionais e nos princípios teóricos que o sustentam.
trabalho em equipe. Nesse sentido, dois instrumentos Na confrontação da realidade com sua teorização, o
vêm sendo reconhecidos como ativadores da integração estudante se vê naturalmente movido a uma quarta
ensino e serviço de saúde: o ensino pela etapa: a formulação de hipóteses de solução para o
problematização e a organização curricular em torno da problema em estudo. A originalidade e a criatividade
Aprendizagem Baseada em Problemas - ABP. serão estimuladas e o estudante precisará deixar sua
O ensino pela problematização ou ensino baseado na imaginação livre e pensar de maneira inovadora. Deve,
investigação (Inquiry Based Learning) teve início ainda, verificar se suas hipóteses de solução são
em 1980, na Universidade do Havaí, como proposta aplicáveis à realidade, e o grupo pode ajudar nessa
metodológica que buscava um currículo orientado para confrontação.
os problemas, definindo a maneira como os estudantes Na última fase, a aplicação à realidade, o estudante
aprendiam e quais habilidades cognitivas e afetivas executa as soluções que o grupo encontrou como sendo
seriam tadora de Paulo Freire, nos princípios do mais viáveis e aprende a generalizar o aprendido para
materialismo histórico-dialético e no construtivismo de utilizá-lo em diferentes situações. Assim, poderá,
Piaget. também, discriminar em que circunstâncias não são
Essa concepção pedagógica baseia-se no aumento da possíveis ou convenientes sua aplicação, exercitando
capacidade do discente em participar como agente de tomadas de decisões e aperfeiçoando sua destreza.
transformação social, durante o processo de detecção Ao completar o Arco de Maguerez, o estudante pode
de problemas reais e de busca por soluções originais. exercitar a dialética de ação-reflexão-ação, tendo
Marcada pela dimensão política da educação e da sempre como ponto de partida a realidade social40.
sociedade, o ensino pela problematização procura Após o estudo de um problema, podem surgir novos
mobilizar o potencial social, político e ético do desdobramentos, exigindo a interdisciplinaridade para
estudante, para que este atue como cidadão e sua solução, o desenvolvimento do pensamento crítico
profissional em formação38. Bordenave e Pereira e a responsabilidade do estudante pela própria
utilizam o diagrama, denominado Método do Arco por aprendizagem.
Charles Maguerez, para representá-lo, o qual é A ABP foi primeiramente instituída na Faculdade de
constituído pelos seguintes movimentos (Figura 1): Medicina da Universidade de McMaster (Canadá), na
observação da realidade, pontos-chave, teorização, década de 1960. No Brasil, as instituições pioneiras na
implantação dessa modalidade de estrutura curricular
foram a Faculdade de Medicina de Marília, em 1997, e o
Curso de Medicina da Universidade Estadual de

36
Londrina, em 1998. No Estado do Rio de Janeiro, o Todas as pessoas estão codificadas, seja via carteira de
primeiro curso a utilizar a ABP foi o da Fundação identidade, seja via cartão de crédito, dentre inúmeras
Educacional Serra dos Órgãos -FESO -, em 2005. senhas que vão sendo acopladas aos processos de
Na ABP, parte-se de problemas ou situações que identificação social, com fins mercadológicos e
objetivam gerar dúvidas, desequilíbrios ou financeiros. Também, o fortalecimento das temáticas
perturbações intelectuais, com forte motivação prática identitárias e aquelas relacionadas ao direito à
e estímulo cognitivo para evocar as reflexões diferença conquistaram espaço na sociedade, via
necessárias à busca de adequadas escolhas e soluções articulação dos movimentos e
criativas, podendo-se estabelecer uma aproximação à organizações sociais. A violência é outro tema presente
proposta educativa formulada por John Dewey. no campo social e cultural. Por um lado, há a
Ademais, a ABP se inscreve em uma perspectiva divulgação da violência como uma característica
construtivista - relacionada, especialmente, aos cotidiana e rotineira na sociedade brasileira. Por outro
referenciais da teoria piagetiana da equilibração e lado, as reflexões sobre as penalidades e as medidas
desequilibração cognitiva -, a qual considera que o que deveriam ser tomadas ganham os bancos
conhecimento deve ser produzido a partir da interseção escolares, os movimentos sociais, evidenciando as
entre sujeito e mundo, como amplamente mazelas de uma sociedade com concentração de renda
problematizado por teóricos como Paulo Freire. expressiva e excessiva.
Com efeito, podem ser pontuados como principais O anúncio de algumas modificações evidentes na
aspectos da ABP: (1) a aprendizagem significativa; (2) sociedade brasileira contribui para a compreensão de
a indissociabilidade entre teoria e prática; (3) o aspectos que envolvem a prática pedagógica. Em
respeito à autonomia do estudante; (4) o trabalho em primeiro lugar, é importante considerar a prática
pequeno grupo; (5) a educação permanente; (6) a pedagógica como parte de um processo social e de uma
avaliação formativa. prática social maior. Ela envolve a dimensão educativa
Novos elementos tecnológicos no ensino não garantem não apenas na esfera escolar, mas na dinâmica das
por si a ruptura de velhos paradigmas. É necessário relações sociais que produzem aprendizagens, que
que se transformem as concepções inerentes ao produzem o “educativo”. Assim, os movimentos sociais
processo ensino-aprendizagem para ressignificá-las em de trabalhadores produzem uma prática pedagógica,
uma perspectiva emancipadora da educação. Na que é social, tendo como conteúdos centrais a política,
adoção de qualquer um desses instrumentos a estratégia de negociação, a organização, a definição
metodológicos, o currículo deve se configurar de de objetivos, a articulação com outras organizações
maneira integrada e, ao se tratar de maneira integral sociais, desenvolvendo teias ou redes de informação e
temas e conteúdos, interrompe-se o ciclo da ação política. Como diz Giroux (1997, p. 163):
fragmentação e do reducionismo do ensino tradicional, Essencial para a categoria de intelectual transformador
ao mesmo tempo em que se facilita a integração é a necessidade de tornar o pedagógico mais político e
ensino-serviço e a perspectiva interdisciplinar. o político mais pedagógico. Tornar o pedagógico mais
Nessa perspectiva, empreender mudanças amplas e político significa inserir a escolarização
profundas no processo ensino-aprendizagem e na diretamente na esfera da política, argumentando-se
formação profissional de saúde significa transformar a que as escolas representam tanto um esforço para
relação entre docente e discente, as diversas áreas e as definir-se o significado quanto uma luta em torno das
disciplinas, enfim, entre a universidade e a relações de poder [...] Tornar o político mais
comunidade. Além disso, pressupõe mudanças na pedagógico significa utilizar formas de pedagogia que
própria estrutura e organização da universidade, que incorporem interesses políticos que tenham natureza
precisa tornar-se um fórum de debate e negociação emancipadora [...].
permanente de concepções e representações da Em segundo lugar, a prática pedagógica expressa as
realidade, no qual o conhecimento é compartilhado. atividades rotineiras que são desenvolvidas no cenário
O discente deve ser reconhecido como um indivíduo escolar. Podem ser atividades planejadas com o intuito
capaz de construir, modificar e integrar idéias se tiver a de possibilitar a transformação ou podem ser atividades
oportunidade de interagir com outros atores, com bancárias, tendo a dimensão do depósito de conteúdo
objetos e situações que exijam o seu envolvimento. É como característica central.
inegável, também, a importância da intervenção e da Paulo Freire (1987) expressou inúmeras críticas à
mediação do docente, assim como a troca com os pares educação que denomina bancária, assim como elaborou
na confrontação de modelos e expectativas. uma proposta de educação libertadora, voltada para a
transformação social e, portanto, centralizada no
PRÁTICA PEDAGÓGICA (Maria Antônia de Souza e sujeito histórico que produz, apropria e vive a
Valdete Jane Cordeiro) educação, localizado numa determinada situação no
A sociedade brasileira viveu modificações expressivas mundo.
no campo social e cultural, nos últimos anos do século No campo das múltiplas dimensões da prática
XX. Dentre elas, destacam-se aquelas que são sócio- pedagógica (professor, aluno, metodologia, avaliação,
políticas como o processo de democratização, oriundo relação professor e alunos, concepção de educação e
de uma abertura política lenta e intensificado por de escola), as características conjunturais e estruturais
movimentos sociais de diversas categorias de da sociedade são fundamentais para o entendimento da
trabalhadores, bem como movimentos identitários. escola e da ação do professor. Na esfera do cotidiano
Salientam-se as modificações no campo cultural, tais escolar e das reflexões conjunturais, a gestão
como a ampliação das inovações tecnológicas. A democrática da escola e processos participativos são
possibilidade da circulação da informação em tempo elementos fundantes para o repensar da prática
real é um avanço, ainda que a maioria da população pedagógica. Dependendo da porosidade existente nas
brasileira não tenha acesso à internet. Os terminais relações direção, supervisão, professores, comunidade
bancários foram informatizados, fazendo emergir novas local e comunidade escolar, haverá uma gestão mais
facetas educacionais. propícia (ou menos propícia) ao desenvolvimento de

37
projetos de pesquisa e neles a reflexão sobre o projeto objetivo educacional, que não é meramente a
político pedagógico da escola. reprodução de conteúdos, mas sim a provocação da
Com isso, é importante afirmar que a pesquisa é indagação entre os alunos, de forma que a apropriação
elemento essencial para uma prática pedagógica que dos conhecimentos ocorra via problematização e não
possibilite a superação da alienação e da relação de simplesmente pela transmissão de conteúdos poucos
subalternidade cultural, política e social. A pesquisa significativos socialmente.
como característica da formação e da prática do Numa das escolas, espaço de pesquisa, foi possível
professor e como elemento de motivação para a atitude constatar o interesse dos professores e funcionários da
investigativa entre os educandos. escola pelo processo de investigação escolar, ou seja, a
Como afirma Veiga (1992, p. 16) a prática pedagógica formação de um coletivo que estudaria as relações que
é “... uma prática social orientada por objetivos, se passam no espaço escolar, focalizam aquelas que
finalidades e conhecimentos, e inserida no contexto da são relevantes e aquelas que precisam ser modificadas.
prática social. A prática pedagógica é uma dimensão da Os mesmos destacaram temas que poderiam ser
prática social ...”. É sabido que a prática social está pesquisados na instituição escolar, sendo que o mais
imbuída de contradições e de características sócio- focalizado foi a Violência.
culturais predominantes na sociedade. Neste contexto, Em todas as escolas, os professores trabalham com
desenvolver o exercício da participação é um desafio projetos que abordam os temas Saúde, Meio Ambiente,
para os próprios professores e pesquisadores Sexualidade, Água, Corpo etc. Nas escolas do campo,
envolvidos no projeto. A participação ocorre quando percebe-se que os tema comunidade, trajetória de
há disponibilidade individual para superar as vida, luta pela terra, movimento social e reforma
deficiências e quando há liberdade e respeito entre os agrária têm destaque. Percebe-se que os professores
envolvidos. É um exercício de aprendizagem utilizam vários procedimentos metodológicos e têm
constante, do saber falar, ouvir, propor, contrariar e interesse em aprofundar os assuntos.
complementar. Neste contexto, a informação e o No entanto, há o predomínio de uma cultura escolar
desenvolvimento de conhecimentos científicos são que impede o professor de “enxergar” além do seu
fatores impulsionadores da participação nas atividades trabalho pedagógico; que o impede de realizar
escolares – no campo da prática pedagógica e da questionamentos de cunho científico, uma vez que
gestão da escola. participam de um contexto cultural, no qual
Ao analisar os múltiplos determinantes na prática não foram (não somos) incentivados a
pedagógica dos professores das séries iniciais, nas participar, questionar, conhecer.
escolas focalizadas nos nossos projetos de pesquisa, Cabe lembrar Novaski (1993) quando afirma que “... se
tem-se como referência a contribuição de Marx, na o professor deve ver a sua aula também como um
“Introdução à Crítica da Economia Política”, quando encontro de gente com gente, de outro lado,
questionou o método da Economia Política. Marx afirma entretanto, é preciso proteger essa idéia de
que ao estudar a população, a mesma pode tornar-se reducionismos” (p.14). O autor expressa uma questão
uma abstração, caso não sejam levados em conta pertinente à reflexão que vem sendo empreendida
elementos como classes. Por sua vez, estas podem neste texto ao dizer que “Para que serve uma sala de
constituir abstração se não levar em conta o trabalho aula se não for capaz de nos transportar além da sala
assalariado e o capital, por exemplo. Estes, por sua de aula?” (p.15).
vez, supõe a troca, divisão do trabalho, preços etc. É possível afirmar, que o que tem possibilitado o
Assim, após analisar tais elementos concretos, poderia transporte para além da sala de aula é a diversidade
ser feito o retorno e a compreensão do conceito de cultural dos educandos, manifesta na aula, quando a
população através da totalidade das determinações e característica dialógica predomina nas relações sociais;
relações diversas. a valorização da trajetória de vida dos educandos; a
Com isso, a intenção é afirmar que a prática existência de projetos escolares, com diferentes títulos
pedagógica é influenciada pelos aspectos conjunturais e – alguns sugeridos pelas secretarias de educação,
estruturais da sociedade brasileira. A conjuntura pode outros elaborados no próprio contexto escolar,
ser visualizada nos aspectos da gestão educacional, do conforme as necessidade locais e, por fim, cabe
desenvolvimento das propostas curriculares, dos destacar a disposição dos professores para o
programas sociais – a exemplo do Bolsa Escola -, enfrentamento de novos processos educativos, nos
políticas de cotas etc. A estrutura é marcada pelas quais a incerteza pode ter lugar especial,
relações sociais de classe, de desigualdades e de juntamente com a valorização dos conteúdos e dos
concentração de renda, além das dimensões da saberes que os alunos trazem da sua prática social.
dominação do campo da política internacional e dos Delineia-se prática pedagógica que evidencia “rotinas
processos decisórios que geram impactos na esfera escolares”, mas que faz emergir as intenções e
escolar. possibilidades pedagógicas.
Diante do exposto, nas pesquisas desenvolvidas foi A prática pedagógica pode ser considerada como o
possível perceber dois grandes grupos de práticas trabalho de repassar, ou transmitir, saberes
pedagógicas, a saber: práticas eminentemente específicos. Ou, ainda, um processo que está
reprodutivas em relação às propostas municipais de intrinsecamente ligado à teoria e à prática da docência.
educação e práticas que geram inquietações, inovações Nesse sentindo, torna-se importante investigar como os
e projetos escolares originais. professores estão compreendendo suas práticas e quais
As práticas reprodutivas expressam a necessidade de suas percepções sobre as mesmas.
controle dos alunos na sala de aula, uma vez que estes A revolução tecnológica e o processo de reorganização
apresentam resistências ao processo educativo, do trabalho demandam uma completa revisão dos
caracterizado como cansativo e sem sentido para a vida currículos, tanto da educação básica quanto da
prática. As práticas que inquietam geram angústias educação profissional, uma vez que se exige dos
entre os professores que se perguntam a respeito de trabalhadores, em doses crescentes, sempre maior
qual é o caminho mais adequado para a educação. São capacidade de raciocínio, autonomia intelectual,
professores que aprimoraram o sentido da busca do pensamento crítico, iniciativa própria e espírito
38
empreendedor, bem como capacidade de visualização e XI - vinculação entre a educação escolar, o
resolução de problemas (CORDÃO, 2002). trabalho e as práticas sociais.
Neste contexto, Contreras, (2002) apresenta o
professor “[...] como pesquisador de sua própria TÍTULO III
prática, transforma-a em objeto de indagação dirigida à Do Direito à Educação e do Dever de Educar
melhoria de suas qualidades educativas”. O professor Art. 4º O dever do Estado com educação escolar
permite-se reconstruir suas ações e expressar sua pública será efetivado mediante a garantia de:
prática e indagações. I - ensino fundamental, obrigatório e gratuito,
Conclui-se que os professores, através de suas inclusive para os que a ele não tiveram acesso na idade
práticas, influem positivamente na formação dos própria;
futuros profissionais. Ainda, a formação profissional II - universalização do ensino médio gratuito;
não finda com a conclusão de um curso. Ou seja, os (Redação dada pela Lei nº 12.061, de 2009)
professores, como os profissionais formados por eles, III - atendimento educacional especializado
necessitam atualizar seus conhecimentos de forma gratuito aos educandos com necessidades especiais,
constante, contribuindo na ampliação de suas preferencialmente na rede regular de ensino;
capacidades em sua prática. IV - atendimento gratuito em creches e pré-
Neste sentido, percebe-se que há a necessidade de o escolas às crianças de zero a seis anos de idade;
professor possuir conhecimentos amplos sobre a V - acesso aos níveis mais elevados do ensino,
pedagogia e áreas do conhecimento, sendo participante da pesquisa e da criação artística, segundo a
ativo de sua formação continuada. Mas, especialmente, capacidade de cada um;
deve se especializar na área em que desenvolve VI - oferta de ensino noturno regular, adequado
aptidões, permitindo-se reconhecer nos alunos as às condições do educando;
competências que lhe proporcionarão o VII - oferta de educação escolar regular para
desenvolvimento profissional e educacional. jovens e adultos, com características e modalidades
adequadas às suas necessidades e disponibilidades,
garantindo-se aos que forem trabalhadores as
LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO condições de acesso e permanência na escola;
NACIONAL (LDB 9394/96) VIII - atendimento ao educando, no ensino
TÍTULO I fundamental público, por meio de programas
Da Educação suplementares de material didático-escolar, transporte,
Art. 1º A educação abrange os processos alimentação e assistência à saúde;
formativos que se desenvolvem na vida familiar, na IX - padrões mínimos de qualidade de ensino,
convivência humana, no trabalho, nas instituições de definidos como a variedade e quantidade mínimas, por
ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e aluno, de insumos indispensáveis ao desenvolvimento
organizações da sociedade civil e nas manifestações do processo de ensino-aprendizagem.
culturais. X – vaga na escola pública de educação infantil
§ 1º Esta Lei disciplina a educação escolar, que ou de ensino fundamental mais próxima de sua
se desenvolve, predominantemente, por meio do residência a toda criança a partir do dia em que
ensino, em instituições próprias. completar 4 (quatro) anos de idade. (Incluído pela
§ 2º A educação escolar deverá vincular-se ao Lei nº 11.700, de 2008).
mundo do trabalho e à prática social. Art. 5º O acesso ao ensino fundamental é direito
público subjetivo, podendo qualquer cidadão, grupo de
TÍTULO II cidadãos, associação comunitária, organização sindical,
Dos Princípios e Fins da Educação Nacional entidade de classe ou outra legalmente constituída, e,
Art. 2º A educação, dever da família e do Estado, ainda, o Ministério Público, acionar o Poder Público para
inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de exigi-lo.
solidariedade humana, tem por finalidade o pleno § 1º Compete aos Estados e aos Municípios, em
desenvolvimento do educando, seu preparo para o regime de colaboração, e com a assistência da União:
exercício da cidadania e sua qualificação para o I - recensear a população em idade escolar para
trabalho. o ensino fundamental, e os jovens e adultos que a ele
Art. 3º O ensino será ministrado com base nos não tiveram acesso;
seguintes princípios: II - fazer-lhes a chamada pública;
I - igualdade de condições para o acesso e III - zelar, junto aos pais ou responsáveis, pela
permanência na escola; freqüência à escola.
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e § 2º Em todas as esferas administrativas, o
divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber; Poder Público assegurará em primeiro lugar o acesso ao
III - pluralismo de idéias e de concepções ensino obrigatório, nos termos deste artigo,
pedagógicas; contemplando em seguida os demais níveis e
IV - respeito à liberdade e apreço à tolerância; modalidades de ensino, conforme as prioridades
V - coexistência de instituições públicas e constitucionais e legais.
privadas de ensino; § 3º Qualquer das partes mencionadas no caput
VI - gratuidade do ensino público em deste artigo tem legitimidade para peticionar no Poder
estabelecimentos oficiais; Judiciário, na hipótese do § 2º do art. 208 da
VII - valorização do profissional da educação Constituição Federal, sendo gratuita e de rito sumário a
escolar; ação judicial correspondente.
VIII - gestão democrática do ensino público, na § 4º Comprovada a negligência da autoridade
forma desta Lei e da legislação dos sistemas de ensino; competente para garantir o oferecimento do ensino
IX - garantia de padrão de qualidade; obrigatório, poderá ela ser imputada por crime de
X - valorização da experiência extra-escolar; responsabilidade.

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§ 5º Para garantir o cumprimento da § 2° Para o cumprimento do disposto nos incisos
obrigatoriedade de ensino, o Poder Público criará V a IX, a União terá acesso a todos os dados e
formas alternativas de acesso aos diferentes níveis de informações necessários de todos os estabelecimentos
ensino, independentemente da escolarização anterior. e órgãos educacionais.
Art. 6o É dever dos pais ou responsáveis efetuar § 3º As atribuições constantes do inciso IX
a matrícula dos menores, a partir dos seis anos de poderão ser delegadas aos Estados e ao Distrito
idade, no ensino fundamental. (Redação dada pela Federal, desde que mantenham instituições de
Lei nº 11.114, de 2005) educação superior.
Art. 7º O ensino é livre à iniciativa privada, Art. 10. Os Estados incumbir-se-ão de:
atendidas as seguintes condições: I - organizar, manter e desenvolver os órgãos e
I - cumprimento das normas gerais da educação instituições oficiais dos seus sistemas de ensino;
nacional e do respectivo sistema de ensino; II - definir, com os Municípios, formas de
II - autorização de funcionamento e avaliação de colaboração na oferta do ensino fundamental, as quais
qualidade pelo Poder Público; devem assegurar a distribuição proporcional das
III - capacidade de autofinanciamento, responsabilidades, de acordo com a população a ser
ressalvado o previsto no art. 213 da Constituição atendida e os recursos financeiros disponíveis em cada
Federal. uma dessas esferas do Poder Público;
III - elaborar e executar políticas e planos
TÍTULO IV educacionais, em consonância com as diretrizes e
Da Organização da Educação Nacional planos nacionais de educação, integrando e
Art. 8º A União, os Estados, o Distrito Federal e coordenando as suas ações e as dos seus Municípios;
os Municípios organizarão, em regime de colaboração, IV - autorizar, reconhecer, credenciar,
os respectivos sistemas de ensino. supervisionar e avaliar, respectivamente, os cursos das
§ 1º Caberá à União a coordenação da política instituições de educação superior e os estabelecimentos
nacional de educação, articulando os diferentes níveis e do seu sistema de ensino;
sistemas e exercendo função normativa, redistributiva V - baixar normas complementares para o seu
e supletiva em relação às demais instâncias sistema de ensino;
educacionais. VI - assegurar o ensino fundamental e oferecer,
§ 2º Os sistemas de ensino terão liberdade de com prioridade, o ensino médio a todos que o
organização nos termos desta Lei. demandarem, respeitado o disposto no art. 38 desta
Art. 9º A União incumbir-se-á de: Lei; (Redação dada pela Lei nº 12.061, de 2009)
(Regulamento) VII - assumir o transporte escolar dos alunos da
I - elaborar o Plano Nacional de Educação, em rede estadual. (Incluído pela Lei nº 10.709, de
colaboração com os Estados, o Distrito Federal e os 31.7.2003)
Municípios; Parágrafo único. Ao Distrito Federal aplicar-se-ão
II - organizar, manter e desenvolver os órgãos e as competências referentes aos Estados e aos
instituições oficiais do sistema federal de ensino e o dos Municípios.
Territórios; Art. 11. Os Municípios incumbir-se-ão de:
III - prestar assistência técnica e financeira aos I - organizar, manter e desenvolver os órgãos e
Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios para o instituições oficiais dos seus sistemas de ensino,
desenvolvimento de seus sistemas de ensino e o integrando-os às políticas e planos educacionais da
atendimento prioritário à escolaridade obrigatória, União e dos Estados;
exercendo sua função redistributiva e supletiva; II - exercer ação redistributiva em relação às
IV - estabelecer, em colaboração com os suas escolas;
Estados, o Distrito Federal e os Municípios, III - baixar normas complementares para o seu
competências e diretrizes para a educação infantil, o sistema de ensino;
ensino fundamental e o ensino médio, que nortearão os IV - autorizar, credenciar e supervisionar os
currículos e seus conteúdos mínimos, de modo a estabelecimentos do seu sistema de ensino;
assegurar formação básica comum; V - oferecer a educação infantil em creches e
V - coletar, analisar e disseminar informações pré-escolas, e, com prioridade, o ensino fundamental,
sobre a educação; permitida a atuação em outros níveis de ensino
VI - assegurar processo nacional de avaliação do somente quando estiverem atendidas plenamente as
rendimento escolar no ensino fundamental, médio e necessidades de sua área de competência e com
superior, em colaboração com os sistemas de ensino, recursos acima dos percentuais mínimos vinculados
objetivando a definição de prioridades e a melhoria da pela Constituição Federal à manutenção e
qualidade do ensino; desenvolvimento do ensino.
VII - baixar normas gerais sobre cursos de VI - assumir o transporte escolar dos alunos da
graduação e pós-graduação; rede municipal. (Incluído pela Lei nº 10.709, de
VIII - assegurar processo nacional de avaliação 31.7.2003)
das instituições de educação superior, com a Parágrafo único. Os Municípios poderão optar,
cooperação dos sistemas que tiverem responsabilidade ainda, por se integrar ao sistema estadual de ensino ou
sobre este nível de ensino; compor com ele um sistema único de educação básica.
IX - autorizar, reconhecer, credenciar, Art. 12. Os estabelecimentos de ensino,
supervisionar e avaliar, respectivamente, os cursos das respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de
instituições de educação superior e os estabelecimentos ensino, terão a incumbência de:
do seu sistema de ensino. I - elaborar e executar sua proposta pedagógica;
§ 1º Na estrutura educacional, haverá um II - administrar seu pessoal e seus recursos
Conselho Nacional de Educação, com funções materiais e financeiros;
normativas e de supervisão e atividade permanente, III - assegurar o cumprimento dos dias letivos e
criado por lei. horas-aula estabelecidas;
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IV - velar pelo cumprimento do plano de trabalho I - as instituições do ensino fundamental, médio
de cada docente; e de educação infantil mantidas pelo Poder Público
V - prover meios para a recuperação dos alunos municipal;
de menor rendimento; II - as instituições de educação infantil criadas e
VI - articular-se com as famílias e a comunidade, mantidas pela iniciativa privada;
criando processos de integração da sociedade com a III – os órgãos municipais de educação.
escola; Art. 19. As instituições de ensino dos diferentes
VII - informar pai e mãe, conviventes ou não níveis classificam-se nas seguintes categorias
com seus filhos, e, se for o caso, os responsáveis administrativas: (Regulamento)
legais, sobre a frequência e rendimento dos alunos, I - públicas, assim entendidas as criadas ou
bem como sobre a execução da proposta pedagógica incorporadas, mantidas e administradas pelo Poder
da escola; (Redação dada pela Lei nº 12.013, de Público;
2009) II - privadas, assim entendidas as mantidas e
VIII – notificar ao Conselho Tutelar do Município, administradas por pessoas físicas ou jurídicas de direito
ao juiz competente da Comarca e ao respectivo privado.
representante do Ministério Público a relação dos Art. 20. As instituições privadas de ensino se
alunos que apresentem quantidade de faltas acima de enquadrarão nas seguintes categorias:
cinqüenta por cento do percentual permitido em lei. (Regulamento)
(Incluído pela Lei nº 10.287, de 2001) I - particulares em sentido estrito, assim
Art. 13. Os docentes incumbir-se-ão de: entendidas as que são instituídas e mantidas por uma
I - participar da elaboração da proposta ou mais pessoas físicas ou jurídicas de direito privado
pedagógica do estabelecimento de ensino; que não apresentem as características dos incisos
II - elaborar e cumprir plano de trabalho, abaixo;
segundo a proposta pedagógica do estabelecimento de II - comunitárias, assim entendidas as que são
ensino; instituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou
III - zelar pela aprendizagem dos alunos; mais pessoas jurídicas, inclusive cooperativas
IV - estabelecer estratégias de recuperação para educacionais, sem fins lucrativos, que incluam na sua
os alunos de menor rendimento; entidade mantenedora representantes da comunidade;
V - ministrar os dias letivos e horas-aula (Redação dada pela Lei nº 12.020, de 2009)
estabelecidos, além de participar integralmente dos III - confessionais, assim entendidas as que são
períodos dedicados ao planejamento, à avaliação e ao instituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou
desenvolvimento profissional; mais pessoas jurídicas que atendem a orientação
VI - colaborar com as atividades de articulação confessional e ideologia específicas e ao disposto no
da escola com as famílias e a comunidade. inciso anterior;
Art. 14. Os sistemas de ensino definirão as IV - filantrópicas, na forma da lei.
normas da gestão democrática do ensino público na
educação básica, de acordo com as suas peculiaridades TÍTULO V
e conforme os seguintes princípios: Dos Níveis e das Modalidades de Educação e
I - participação dos profissionais da educação na Ensino
elaboração do projeto pedagógico da escola; CAPÍTULO I
II - participação das comunidades escolar e local Da Composição dos Níveis Escolares
em conselhos escolares ou equivalentes. Art. 21. A educação escolar compõe-se de:
Art. 15. Os sistemas de ensino assegurarão às I - educação básica, formada pela educação
unidades escolares públicas de educação básica que os infantil, ensino fundamental e ensino médio;
integram progressivos graus de autonomia pedagógica II - educação superior.
e administrativa e de gestão financeira, observadas as
normas gerais de direito financeiro público. CAPÍTULO II
Art. 16. O sistema federal de ensino DA EDUCAÇÃO BÁSICA
compreende: Seção I
I - as instituições de ensino mantidas pela União; Das Disposições Gerais
II - as instituições de educação superior criadas e Art. 22. A educação básica tem por finalidades
mantidas pela iniciativa privada; desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação
III - os órgãos federais de educação. comum indispensável para o exercício da cidadania e
Art. 17. Os sistemas de ensino dos Estados e do fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em
Distrito Federal compreendem: estudos posteriores.
I - as instituições de ensino mantidas, Art. 23. A educação básica poderá organizar-se
respectivamente, pelo Poder Público estadual e pelo em séries anuais, períodos semestrais, ciclos,
Distrito Federal; alternância regular de períodos de estudos, grupos
II - as instituições de educação superior não-seriados, com base na idade, na competência e em
mantidas pelo Poder Público municipal; outros critérios, ou por forma diversa de organização,
III - as instituições de ensino fundamental e sempre que o interesse do processo de aprendizagem
médio criadas e mantidas pela iniciativa privada; assim o recomendar.
IV - os órgãos de educação estaduais e do § 1º A escola poderá reclassificar os alunos,
Distrito Federal, respectivamente. inclusive quando se tratar de transferências entre
Parágrafo único. No Distrito Federal, as estabelecimentos situados no País e no exterior, tendo
instituições de educação infantil, criadas e mantidas como base as normas curriculares gerais.
pela iniciativa privada, integram seu sistema de ensino. § 2º O calendário escolar deverá adequar-se às
Art. 18. Os sistemas municipais de ensino peculiaridades locais, inclusive climáticas e econômicas,
compreendem: a critério do respectivo sistema de ensino, sem com

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isso reduzir o número de horas letivas previsto nesta exigida pelas características regionais e locais da
Lei. sociedade, da cultura, da economia e da clientela.
Art. 24. A educação básica, nos níveis § 1º Os currículos a que se refere o caput devem
fundamental e médio, será organizada de acordo com abranger, obrigatoriamente, o estudo da língua
as seguintes regras comuns: portuguesa e da matemática, o conhecimento do
I - a carga horária mínima anual será de mundo físico e natural e da realidade social e política,
oitocentas horas, distribuídas por um mínimo de especialmente do Brasil.
duzentos dias de efetivo trabalho escolar, excluído o § 2o O ensino da arte, especialmente em suas
tempo reservado aos exames finais, quando houver; expressões regionais, constituirá componente curricular
II - a classificação em qualquer série ou etapa, obrigatório nos diversos níveis da educação básica, de
exceto a primeira do ensino fundamental, pode ser forma a promover o desenvolvimento cultural dos
feita: alunos. (Redação dada pela Lei nº 12.287, de
a) por promoção, para alunos que cursaram, com 2010)
aproveitamento, a série ou fase anterior, na própria § 3o A educação física, integrada à proposta
escola; pedagógica da escola, é componente curricular
b) por transferência, para candidatos obrigatório da educação básica, sendo sua prática
procedentes de outras escolas; facultativa ao aluno: (Redação dada pela Lei nº
c) independentemente de escolarização anterior, 10.793, de 1º.12.2003)
mediante avaliação feita pela escola, que defina o grau I – que cumpra jornada de trabalho igual ou
de desenvolvimento e experiência do candidato e superior a seis horas; (Incluído pela Lei nº 10.793,
permita sua inscrição na série ou etapa adequada, de 1º.12.2003)
conforme regulamentação do respectivo sistema de II – maior de trinta anos de idade; (Incluído
ensino; pela Lei nº 10.793, de 1º.12.2003)
III - nos estabelecimentos que adotam a III – que estiver prestando serviço militar inicial
progressão regular por série, o regimento escolar pode ou que, em situação similar, estiver obrigado à prática
admitir formas de progressão parcial, desde que da educação física; (Incluído pela Lei nº 10.793, de
preservada a seqüência do currículo, observadas as 1º.12.2003)
normas do respectivo sistema de ensino; IV – amparado pelo Decreto-Lei no 1.044, de 21
IV - poderão organizar-se classes, ou turmas, de outubro de 1969; (Incluído pela Lei nº 10.793,
com alunos de séries distintas, com níveis equivalentes de 1º.12.2003)
de adiantamento na matéria, para o ensino de línguas V – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.793,
estrangeiras, artes, ou outros componentes de 1º.12.2003)
curriculares; VI – que tenha prole. (Incluído pela Lei nº
V - a verificação do rendimento escolar observará 10.793, de 1º.12.2003)
os seguintes critérios: § 4º O ensino da História do Brasil levará em
a) avaliação contínua e cumulativa do conta as contribuições das diferentes culturas e etnias
desempenho do aluno, com prevalência dos aspectos para a formação do povo brasileiro, especialmente das
qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao matrizes indígena, africana e européia.
longo do período sobre os de eventuais provas finais; § 5º Na parte diversificada do currículo será
b) possibilidade de aceleração de estudos para incluído, obrigatoriamente, a partir da quinta série, o
alunos com atraso escolar; ensino de pelo menos uma língua estrangeira moderna,
c) possibilidade de avanço nos cursos e nas cuja escolha ficará a cargo da comunidade escolar,
séries mediante verificação do aprendizado; dentro das possibilidades da instituição.
d) aproveitamento de estudos concluídos com § 6o A música deverá ser conteúdo obrigatório,
êxito; mas não exclusivo, do componente curricular de que
e) obrigatoriedade de estudos de recuperação, de trata o § 2o deste artigo. (Incluído pela Lei nº
preferência paralelos ao período letivo, para os casos 11.769, de 2008)
de baixo rendimento escolar, a serem disciplinados Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino
pelas instituições de ensino em seus regimentos; fundamental e de ensino médio, públicos e privados,
VI - o controle de freqüência fica a cargo da torna-se obrigatório o estudo da história e cultura afro-
escola, conforme o disposto no seu regimento e nas brasileira e indígena. (Redação dada pela Lei nº
normas do respectivo sistema de ensino, exigida a 11.645, de 2008).
freqüência mínima de setenta e cinco por cento do total § 1o O conteúdo programático a que se refere
de horas letivas para aprovação; este artigo incluirá diversos aspectos da história e da
VII - cabe a cada instituição de ensino expedir cultura que caracterizam a formação da população
históricos escolares, declarações de conclusão de série brasileira, a partir desses dois grupos étnicos, tais
e diplomas ou certificados de conclusão de cursos, com como o estudo da história da África e dos africanos, a
as especificações cabíveis. luta dos negros e dos povos indígenas no Brasil, a
Art. 25. Será objetivo permanente das cultura negra e indígena brasileira e o negro e o índio
autoridades responsáveis alcançar relação adequada na formação da sociedade nacional, resgatando as suas
entre o número de alunos e o professor, a carga contribuições nas áreas social, econômica e política,
horária e as condições materiais do estabelecimento. pertinentes à história do Brasil. (Redação dada pela
Parágrafo único. Cabe ao respectivo sistema de Lei nº 11.645, de 2008).
ensino, à vista das condições disponíveis e das § 2o Os conteúdos referentes à história e cultura
características regionais e locais, estabelecer parâmetro afro-brasileira e dos povos indígenas brasileiros serão
para atendimento do disposto neste artigo. ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em
Art. 26. Os currículos do ensino fundamental e especial nas áreas de educação artística e de literatura
médio devem ter uma base nacional comum, a ser e história brasileiras. (Redação dada pela Lei nº
complementada, em cada sistema de ensino e 11.645, de 2008).
estabelecimento escolar, por uma parte diversificada,
42
Art. 27. Os conteúdos curriculares da educação comunidades indígenas a utilização de suas línguas
básica observarão, ainda, as seguintes diretrizes: maternas e processos próprios de aprendizagem.
I - a difusão de valores fundamentais ao § 4º O ensino fundamental será presencial,
interesse social, aos direitos e deveres dos cidadãos, de sendo o ensino a distância utilizado como
respeito ao bem comum e à ordem democrática; complementação da aprendizagem ou em situações
II - consideração das condições de escolaridade emergenciais.
dos alunos em cada estabelecimento; § 5o O currículo do ensino fundamental incluirá,
III - orientação para o trabalho; obrigatoriamente, conteúdo que trate dos direitos das
IV - promoção do desporto educacional e apoio crianças e dos adolescentes, tendo como diretriz a Lei
às práticas desportivas não-formais. no 8.069, de 13 de julho de 1990, que institui o
Art. 28. Na oferta de educação básica para a Estatuto da Criança e do Adolescente, observada a
população rural, os sistemas de ensino promoverão as produção e distribuição de material didático adequado.
adaptações necessárias à sua adequação às (Incluído pela Lei nº 11.525, de 2007).
peculiaridades da vida rural e de cada região, Art. 33. O ensino religioso, de matrícula
especialmente: facultativa, é parte integrante da formação básica do
I - conteúdos curriculares e metodologias cidadão e constitui disciplina dos horários normais das
apropriadas às reais necessidades e interesses dos escolas públicas de ensino fundamental, assegurado o
alunos da zona rural; respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil,
II - organização escolar própria, incluindo vedadas quaisquer formas de proselitismo. (Redação
adequação do calendário escolar às fases do ciclo dada pela Lei nº 9.475, de 22.7.1997)
agrícola e às condições climáticas; § 1º Os sistemas de ensino regulamentarão os
III - adequação à natureza do trabalho na zona procedimentos para a definição dos conteúdos do
rural. ensino religioso e estabelecerão as normas para a
Seção II habilitação e admissão dos professores.
Da Educação Infantil § 2º Os sistemas de ensino ouvirão entidade
Art. 29. A educação infantil, primeira etapa da civil, constituída pelas diferentes denominações
educação básica, tem como finalidade o religiosas, para a definição dos conteúdos do ensino
desenvolvimento integral da criança até seis anos de religioso."
idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual Art. 34. A jornada escolar no ensino fundamental
e social, complementando a ação da família e da incluirá pelo menos quatro horas de trabalho efetivo
comunidade. em sala de aula, sendo progressivamente ampliado o
Art. 30. A educação infantil será oferecida em: período de permanência na escola.
I - creches, ou entidades equivalentes, para § 1º São ressalvados os casos do ensino noturno
crianças de até três anos de idade; e das formas alternativas de organização autorizadas
II - pré-escolas, para as crianças de quatro a seis nesta Lei.
anos de idade. § 2º O ensino fundamental será ministrado
Art. 31. Na educação infantil a avaliação far-se-á progressivamente em tempo integral, a critério dos
mediante acompanhamento e registro do seu sistemas de ensino.
desenvolvimento, sem o objetivo de promoção, mesmo Seção IV
para o acesso ao ensino fundamental. Do Ensino Médio
Seção III Art. 35. O ensino médio, etapa final da educação
Do Ensino Fundamental básica, com duração mínima de três anos, terá como
Art. 32. O ensino fundamental obrigatório, com finalidades:
duração de 9 (nove) anos, gratuito na escola pública, I - a consolidação e o aprofundamento dos
iniciando-se aos 6 (seis) anos de idade, terá por conhecimentos adquiridos no ensino fundamental,
objetivo a formação básica do cidadão, mediante: possibilitando o prosseguimento de estudos;
(Redação dada pela Lei nº 11.274, de 2006) II - a preparação básica para o trabalho e a
I - o desenvolvimento da capacidade de cidadania do educando, para continuar aprendendo, de
aprender, tendo como meios básicos o pleno domínio modo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade a
da leitura, da escrita e do cálculo; novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento
II - a compreensão do ambiente natural e social, posteriores;
do sistema político, da tecnologia, das artes e dos III - o aprimoramento do educando como pessoa
valores em que se fundamenta a sociedade; humana, incluindo a formação ética e o
III - o desenvolvimento da capacidade de desenvolvimento da autonomia intelectual e do
aprendizagem, tendo em vista a aquisição de pensamento crítico;
conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes IV - a compreensão dos fundamentos científico-
e valores; tecnológicos dos processos produtivos, relacionando a
IV - o fortalecimento dos vínculos de família, dos teoria com a prática, no ensino de cada disciplina.
laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca Art. 36. O currículo do ensino médio observará o
em que se assenta a vida social. disposto na Seção I deste Capítulo e as seguintes
§ 1º É facultado aos sistemas de ensino diretrizes:
desdobrar o ensino fundamental em ciclos. I - destacará a educação tecnológica básica, a
§ 2º Os estabelecimentos que utilizam compreensão do significado da ciência, das letras e das
progressão regular por série podem adotar no ensino artes; o processo histórico de transformação da
fundamental o regime de progressão continuada, sem sociedade e da cultura; a língua portuguesa como
prejuízo da avaliação do processo de ensino- instrumento de comunicação, acesso ao conhecimento
aprendizagem, observadas as normas do respectivo e exercício da cidadania;
sistema de ensino. II - adotará metodologias de ensino e de
§ 3º O ensino fundamental regular será avaliação que estimulem a iniciativa dos estudantes;
ministrado em língua portuguesa, assegurada às
43
III - será incluída uma língua estrangeira a) na mesma instituição de ensino, aproveitando-
moderna, como disciplina obrigatória, escolhida pela se as oportunidades educacionais disponíveis;
comunidade escolar, e uma segunda, em caráter (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
optativo, dentro das disponibilidades da instituição. b) em instituições de ensino distintas,
IV – serão incluídas a Filosofia e a Sociologia aproveitando-se as oportunidades educacionais
como disciplinas obrigatórias em todas as séries do disponíveis; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)
ensino médio. (Incluído pela Lei nº 11.684, de c) em instituições de ensino distintas, mediante
2008) convênios de intercomplementaridade, visando ao
§ 1º Os conteúdos, as metodologias e as formas planejamento e ao desenvolvimento de projeto
de avaliação serão organizados de tal forma que ao pedagógico unificado. (Incluído pela Lei nº 11.741,
final do ensino médio o educando demonstre: de 2008)
I - domínio dos princípios científicos e Art. 36-D. Os diplomas de cursos de educação
tecnológicos que presidem a produção moderna; profissional técnica de nível médio, quando registrados,
II - conhecimento das formas contemporâneas terão validade nacional e habilitarão ao prosseguimento
de linguagem; de estudos na educação superior. (Incluído pela Lei
§ 3º Os cursos do ensino médio terão nº 11.741, de 2008)
equivalência legal e habilitarão ao prosseguimento de Parágrafo único. Os cursos de educação
estudos. profissional técnica de nível médio, nas formas
Seção IV-A articulada concomitante e subseqüente, quando
Da Educação Profissional Técnica de Nível Médio estruturados e organizados em etapas com
(Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) terminalidade, possibilitarão a obtenção de certificados
Art. 36-A. Sem prejuízo do disposto na Seção IV de qualificação para o trabalho após a conclusão, com
deste Capítulo, o ensino médio, atendida a formação aproveitamento, de cada etapa que caracterize uma
geral do educando, poderá prepará-lo para o exercício qualificação para o trabalho. (Incluído pela Lei nº
de profissões técnicas. (Incluído pela Lei nº 11.741, 11.741, de 2008)
de 2008)
Parágrafo único. A preparação geral para o Seção V
trabalho e, facultativamente, a habilitação profissional Da Educação de Jovens e Adultos
poderão ser desenvolvidas nos próprios Art. 37. A educação de jovens e adultos será
estabelecimentos de ensino médio ou em cooperação destinada àqueles que não tiveram acesso ou
com instituições especializadas em educação continuidade de estudos no ensino fundamental e
profissional. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) médio na idade própria.
Art. 36-B. A educação profissional técnica de § 1º Os sistemas de ensino assegurarão
nível médio será desenvolvida nas seguintes formas: gratuitamente aos jovens e aos adultos, que não
(Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) puderam efetuar os estudos na idade regular,
I - articulada com o ensino médio; (Incluído oportunidades educacionais apropriadas, consideradas
pela Lei nº 11.741, de 2008) as características do alunado, seus interesses,
II - subseqüente, em cursos destinados a quem condições de vida e de trabalho, mediante cursos e
já tenha concluído o ensino médio.(Incluído pela Lei exames.
nº 11.741, de 2008) § 2º O Poder Público viabilizará e estimulará o
Parágrafo único. A educação profissional técnica acesso e a permanência do trabalhador na escola,
de nível médio deverá observar: (Incluído pela Lei nº mediante ações integradas e complementares entre si.
11.741, de 2008) § 3o A educação de jovens e adultos deverá
I - os objetivos e definições contidos nas articular-se, preferencialmente, com a educação
diretrizes curriculares nacionais estabelecidas pelo profissional, na forma do regulamento. (Incluído pela
Conselho Nacional de Educação; (Incluído pela Lei nº Lei nº 11.741, de 2008)
11.741, de 2008) Art. 38. Os sistemas de ensino manterão cursos
II - as normas complementares dos respectivos e exames supletivos, que compreenderão a base
sistemas de ensino; (Incluído pela Lei nº 11.741, de nacional comum do currículo, habilitando ao
2008) prosseguimento de estudos em caráter regular.
III - as exigências de cada instituição de ensino, § 1º Os exames a que se refere este artigo
nos termos de seu projeto pedagógico. (Incluído pela realizar-se-ão:
Lei nº 11.741, de 2008) I - no nível de conclusão do ensino fundamental,
Art. 36-C. A educação profissional técnica de para os maiores de quinze anos;
nível médio articulada, prevista no inciso I do caput do II - no nível de conclusão do ensino médio, para
art. 36-B desta Lei, será desenvolvida de forma: os maiores de dezoito anos.
(Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) § 2º Os conhecimentos e habilidades adquiridos
I - integrada, oferecida somente a quem já tenha pelos educandos por meios informais serão aferidos e
concluído o ensino fundamental, sendo o curso reconhecidos mediante exames.
planejado de modo a conduzir o aluno à habilitação
profissional técnica de nível médio, na mesma CAPÍTULO III
instituição de ensino, efetuando-se matrícula única DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL
para cada aluno; (Incluído pela Lei nº 11.741, de Da Educação Profissional e Tecnológica
2008) (Redação dada pela Lei nº 11.741, de 2008)
II - concomitante, oferecida a quem ingresse no Art. 39. A educação profissional e tecnológica,
ensino médio ou já o esteja cursando, efetuando-se no cumprimento dos objetivos da educação nacional,
matrículas distintas para cada curso, e podendo integra-se aos diferentes níveis e modalidades de
ocorrer: (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) educação e às dimensões do trabalho, da ciência e da
tecnologia. (Redação dada pela Lei nº 11.741, de
2008)
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§ 1o Os cursos de educação profissional e regionais, prestar serviços especializados à comunidade
tecnológica poderão ser organizados por eixos e estabelecer com esta uma relação de reciprocidade;
tecnológicos, possibilitando a construção de diferentes VII - promover a extensão, aberta à participação
itinerários formativos, observadas as normas do da população, visando à difusão das conquistas e
respectivo sistema e nível de ensino. (Incluído pela benefícios resultantes da criação cultural e da pesquisa
Lei nº 11.741, de 2008) científica e tecnológica geradas na instituição.
§ 2o A educação profissional e tecnológica Art. 44. A educação superior abrangerá os
abrangerá os seguintes cursos: (Incluído pela Lei nº seguintes cursos e programas: (Regulamento)
11.741, de 2008) I - cursos seqüenciais por campo de saber, de
I – de formação inicial e continuada ou diferentes níveis de abrangência, abertos a candidatos
qualificação profissional; (Incluído pela Lei nº que atendam aos requisitos estabelecidos pelas
11.741, de 2008) instituições de ensino, desde que tenham concluído o
II – de educação profissional técnica de nível ensino médio ou equivalente; (Redação dada pela
médio; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) Lei nº 11.632, de 2007).
III – de educação profissional tecnológica de II - de graduação, abertos a candidatos que
graduação e pós-graduação. (Incluído pela Lei nº tenham concluído o ensino médio ou equivalente e
11.741, de 2008) tenham sido classificados em processo seletivo;
§ 3o Os cursos de educação profissional III - de pós-graduação, compreendendo
tecnológica de graduação e pós-graduação organizar- programas de mestrado e doutorado, cursos de
se-ão, no que concerne a objetivos, características e especialização, aperfeiçoamento e outros, abertos a
duração, de acordo com as diretrizes curriculares candidatos diplomados em cursos de graduação e que
nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacional de atendam às exigências das instituições de ensino;
Educação. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) IV - de extensão, abertos a candidatos que
Art. 40. A educação profissional será atendam aos requisitos estabelecidos em cada caso
desenvolvida em articulação com o ensino regular ou pelas instituições de ensino.
por diferentes estratégias de educação continuada, em Parágrafo único. Os resultados do processo
instituições especializadas ou no ambiente de trabalho. seletivo referido no inciso II do caput deste artigo
(Regulamento) serão tornados públicos pelas instituições de ensino
Art. 41. O conhecimento adquirido na educação superior, sendo obrigatória a divulgação da relação
profissional e tecnológica, inclusive no trabalho, poderá nominal dos classificados, a respectiva ordem de
ser objeto de avaliação, reconhecimento e certificação classificação, bem como do cronograma das chamadas
para prosseguimento ou conclusão de estudos. para matrícula, de acordo com os critérios para
(Redação dada pela Lei nº 11.741, de 2008) preenchimento das vagas constantes do respectivo
Art. 42. As instituições de educação profissional edital. (Incluído pela Lei nº 11.331, de 2006)
e tecnológica, além dos seus cursos regulares, Art. 45. A educação superior será ministrada em
oferecerão cursos especiais, abertos à comunidade, instituições de ensino superior, públicas ou privadas,
condicionada a matrícula à capacidade de com variados graus de abrangência ou especialização.
aproveitamento e não necessariamente ao nível de (Regulamento)
escolaridade. (Redação dada pela Lei nº 11.741, de Art. 46. A autorização e o reconhecimento de
2008) cursos, bem como o credenciamento de instituições de
educação superior, terão prazos limitados, sendo
CAPÍTULO IV renovados, periodicamente, após processo regular de
DA EDUCAÇÃO SUPERIOR avaliação. (Regulamento)
Art. 43. A educação superior tem por finalidade: § 1º Após um prazo para saneamento de
I - estimular a criação cultural e o deficiências eventualmente identificadas pela avaliação
desenvolvimento do espírito científico e do pensamento a que se refere este artigo, haverá reavaliação, que
reflexivo; poderá resultar, conforme o caso, em desativação de
II - formar diplomados nas diferentes áreas de cursos e habilitações, em intervenção na instituição,
conhecimento, aptos para a inserção em setores em suspensão temporária de prerrogativas da
profissionais e para a participação no desenvolvimento autonomia, ou em descredenciamento.
da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação (Regulamento)
contínua; § 2º No caso de instituição pública, o Poder
III - incentivar o trabalho de pesquisa e Executivo responsável por sua manutenção
investigação científica, visando o desenvolvimento da acompanhará o processo de saneamento e fornecerá
ciência e da tecnologia e da criação e difusão da recursos adicionais, se necessários, para a superação
cultura, e, desse modo, desenvolver o entendimento do das deficiências.
homem e do meio em que vive; Art. 47. Na educação superior, o ano letivo
IV - promover a divulgação de conhecimentos regular, independente do ano civil, tem, no mínimo,
culturais, científicos e técnicos que constituem duzentos dias de trabalho acadêmico efetivo, excluído o
patrimônio da humanidade e comunicar o saber através tempo reservado aos exames finais, quando houver.
do ensino, de publicações ou de outras formas de § 1º As instituições informarão aos interessados,
comunicação; antes de cada período letivo, os programas dos cursos
V - suscitar o desejo permanente de e demais componentes curriculares, sua duração,
aperfeiçoamento cultural e profissional e possibilitar a requisitos, qualificação dos professores, recursos
correspondente concretização, integrando os disponíveis e critérios de avaliação, obrigando-se a
conhecimentos que vão sendo adquiridos numa cumprir as respectivas condições.
estrutura intelectual sistematizadora do conhecimento § 2º Os alunos que tenham extraordinário
de cada geração; aproveitamento nos estudos, demonstrado por meio de
VI - estimular o conhecimento dos problemas do provas e outros instrumentos de avaliação específicos,
mundo presente, em particular os nacionais e aplicados por banca examinadora especial, poderão ter
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abreviada a duração dos seus cursos, de acordo com as quando for o caso, do respectivo sistema de ensino;
normas dos sistemas de ensino. (Regulamento)
§ 3º É obrigatória a freqüência de alunos e II - fixar os currículos dos seus cursos e
professores, salvo nos programas de educação a programas, observadas as diretrizes gerais pertinentes;
distância. III - estabelecer planos, programas e projetos de
§ 4º As instituições de educação superior pesquisa científica, produção artística e atividades de
oferecerão, no período noturno, cursos de graduação extensão;
nos mesmos padrões de qualidade mantidos no período IV - fixar o número de vagas de acordo com a
diurno, sendo obrigatória a oferta noturna nas capacidade institucional e as exigências do seu meio;
instituições públicas, garantida a necessária previsão V - elaborar e reformar os seus estatutos e
orçamentária. regimentos em consonância com as normas gerais
Art. 48. Os diplomas de cursos superiores atinentes;
reconhecidos, quando registrados, terão validade VI - conferir graus, diplomas e outros títulos;
nacional como prova da formação recebida por seu VII - firmar contratos, acordos e convênios;
titular. VIII - aprovar e executar planos, programas e
§ 1º Os diplomas expedidos pelas universidades projetos de investimentos referentes a obras, serviços
serão por elas próprias registrados, e aqueles e aquisições em geral, bem como administrar
conferidos por instituições não-universitárias serão rendimentos conforme dispositivos institucionais;
registrados em universidades indicadas pelo Conselho IX - administrar os rendimentos e deles dispor na
Nacional de Educação. forma prevista no ato de constituição, nas leis e nos
§ 2º Os diplomas de graduação expedidos por respectivos estatutos;
universidades estrangeiras serão revalidados por X - receber subvenções, doações, heranças,
universidades públicas que tenham curso do mesmo legados e cooperação financeira resultante de
nível e área ou equivalente, respeitando-se os acordos convênios com entidades públicas e privadas.
internacionais de reciprocidade ou equiparação. Parágrafo único. Para garantir a autonomia
§ 3º Os diplomas de Mestrado e de Doutorado didático-científica das universidades, caberá aos seus
expedidos por universidades estrangeiras só poderão colegiados de ensino e pesquisa decidir, dentro dos
ser reconhecidos por universidades que possuam recursos orçamentários disponíveis, sobre:
cursos de pós-graduação reconhecidos e avaliados, na I - criação, expansão, modificação e extinção de
mesma área de conhecimento e em nível equivalente cursos;
ou superior. II - ampliação e diminuição de vagas;
Art. 49. As instituições de educação superior III - elaboração da programação dos cursos;
aceitarão a transferência de alunos regulares, para IV - programação das pesquisas e das atividades
cursos afins, na hipótese de existência de vagas, e de extensão;
mediante processo seletivo. V - contratação e dispensa de professores;
Parágrafo único. As transferências ex officio dar- VI - planos de carreira docente.
se-ão na forma da lei. (Regulamento) Art. 54. As universidades mantidas pelo Poder
Art. 50. As instituições de educação superior, Público gozarão, na forma da lei, de estatuto jurídico
quando da ocorrência de vagas, abrirão matrícula nas especial para atender às peculiaridades de sua
disciplinas de seus cursos a alunos não regulares que estrutura, organização e financiamento pelo Poder
demonstrarem capacidade de cursá-las com proveito, Público, assim como dos seus planos de carreira e do
mediante processo seletivo prévio. regime jurídico do seu pessoal. (Regulamento)
Art. 51. As instituições de educação superior § 1º No exercício da sua autonomia, além das
credenciadas como universidades, ao deliberar sobre atribuições asseguradas pelo artigo anterior, as
critérios e normas de seleção e admissão de universidades públicas poderão:
estudantes, levarão em conta os efeitos desses critérios I - propor o seu quadro de pessoal docente,
sobre a orientação do ensino médio, articulando-se técnico e administrativo, assim como um plano de
com os órgãos normativos dos sistemas de ensino. cargos e salários, atendidas as normas gerais
Art. 52. As universidades são instituições pertinentes e os recursos disponíveis;
pluridisciplinares de formação dos quadros profissionais II - elaborar o regulamento de seu pessoal em
de nível superior, de pesquisa, de extensão e de conformidade com as normas gerais concernentes;
domínio e cultivo do saber humano, que se III - aprovar e executar planos, programas e
caracterizam por: (Regulamento) projetos de investimentos referentes a obras, serviços
I - produção intelectual institucionalizada e aquisições em geral, de acordo com os recursos
mediante o estudo sistemático dos temas e problemas alocados pelo respectivo Poder mantenedor;
mais relevantes, tanto do ponto de vista científico e IV - elaborar seus orçamentos anuais e
cultural, quanto regional e nacional; plurianuais;
II - um terço do corpo docente, pelo menos, com V - adotar regime financeiro e contábil que
titulação acadêmica de mestrado ou doutorado; atenda às suas peculiaridades de organização e
III - um terço do corpo docente em regime de funcionamento;
tempo integral. VI - realizar operações de crédito ou de
Parágrafo único. É facultada a criação de financiamento, com aprovação do Poder competente,
universidades especializadas por campo do saber. para aquisição de bens imóveis, instalações e
(Regulamento) equipamentos;
Art. 53. No exercício de sua autonomia, são VII - efetuar transferências, quitações e tomar
asseguradas às universidades, sem prejuízo de outras, outras providências de ordem orçamentária, financeira
as seguintes atribuições: e patrimonial necessárias ao seu bom desempenho.
I - criar, organizar e extinguir, em sua sede, § 2º Atribuições de autonomia universitária
cursos e programas de educação superior previstos poderão ser estendidas a instituições que comprovem
nesta Lei, obedecendo às normas gerais da União e,
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alta qualificação para o ensino ou para a pesquisa, com aos educandos com necessidades especiais na própria
base em avaliação realizada pelo Poder Público. rede pública regular de ensino, independentemente do
Art. 55. Caberá à União assegurar, anualmente, apoio às instituições previstas neste artigo.
em seu Orçamento Geral, recursos suficientes para
manutenção e desenvolvimento das instituições de TÍTULO VI
educação superior por ela mantidas. Dos Profissionais da Educação
Art. 56. As instituições públicas de educação Art. 61. Consideram-se profissionais da
superior obedecerão ao princípio da gestão educação escolar básica os que, nela estando em
democrática, assegurada a existência de órgãos efetivo exercício e tendo sido formados em cursos
colegiados deliberativos, de que participarão os reconhecidos, são: (Redação dada pela Lei nº
segmentos da comunidade institucional, local e 12.014, de 2009)
regional. I – professores habilitados em nível médio ou
Parágrafo único. Em qualquer caso, os docentes superior para a docência na educação infantil e nos
ocuparão setenta por cento dos assentos em cada ensinos fundamental e médio; (Redação dada pela
órgão colegiado e comissão, inclusive nos que tratarem Lei nº 12.014, de 2009)
da elaboração e modificações estatutárias e II – trabalhadores em educação portadores de
regimentais, bem como da escolha de dirigentes. diploma de pedagogia, com habilitação em
Art. 57. Nas instituições públicas de educação administração, planejamento, supervisão, inspeção e
superior, o professor ficará obrigado ao mínimo de oito orientação educacional, bem como com títulos de
horas semanais de aulas. (Regulamento) mestrado ou doutorado nas mesmas áreas; (Redação
dada pela Lei nº 12.014, de 2009)
CAPÍTULO V III – trabalhadores em educação, portadores de
DA EDUCAÇÃO ESPECIAL diploma de curso técnico ou superior em área
Art. 58. Entende-se por educação especial, para pedagógica ou afim. (Incluído pela Lei nº 12.014,
os efeitos desta Lei, a modalidade de educação escolar, de 2009)
oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, Parágrafo único. A formação dos profissionais da
para educandos portadores de necessidades especiais. educação, de modo a atender às especificidades do
§ 1º Haverá, quando necessário, serviços de exercício de suas atividades, bem como aos objetivos
apoio especializado, na escola regular, para atender às das diferentes etapas e modalidades da educação
peculiaridades da clientela de educação especial. básica, terá como fundamentos: (Incluído pela Lei nº
§ 2º O atendimento educacional será feito em 12.014, de 2009)
classes, escolas ou serviços especializados, sempre I – a presença de sólida formação básica, que
que, em função das condições específicas dos alunos, propicie o conhecimento dos fundamentos científicos e
não for possível a sua integração nas classes comuns sociais de suas competências de trabalho; (Incluído
de ensino regular. pela Lei nº 12.014, de 2009)
§ 3º A oferta de educação especial, dever II – a associação entre teorias e práticas,
constitucional do Estado, tem início na faixa etária de mediante estágios supervisionados e capacitação em
zero a seis anos, durante a educação infantil. serviço; (Incluído pela Lei nº 12.014, de 2009)
Art. 59. Os sistemas de ensino assegurarão aos III – o aproveitamento da formação e
educandos com necessidades especiais: experiências anteriores, em instituições de ensino e em
I - currículos, métodos, técnicas, recursos outras atividades. (Incluído pela Lei nº 12.014, de
educativos e organização específicos, para atender às 2009)
suas necessidades; Art. 62. A formação de docentes para atuar na
II - terminalidade específica para aqueles que educação básica far-se-á em nível superior, em curso
não puderem atingir o nível exigido para a conclusão do de licenciatura, de graduação plena, em universidades
ensino fundamental, em virtude de suas deficiências, e e institutos superiores de educação, admitida, como
aceleração para concluir em menor tempo o programa formação mínima para o exercício do magistério na
escolar para os superdotados; educação infantil e nas quatro primeiras séries do
III - professores com especialização adequada ensino fundamental, a oferecida em nível médio, na
em nível médio ou superior, para atendimento modalidade Normal. (Regulamento)
especializado, bem como professores do ensino regular § 1º A União, o Distrito Federal, os Estados e os
capacitados para a integração desses educandos nas Municípios, em regime de colaboração, deverão
classes comuns; promover a formação inicial, a continuada e a
IV - educação especial para o trabalho, visando a capacitação dos profissionais de magistério. (Incluído
sua efetiva integração na vida em sociedade, inclusive pela Lei nº 12.056, de 2009).
condições adequadas para os que não revelarem § 2º A formação continuada e a capacitação dos
capacidade de inserção no trabalho competitivo, profissionais de magistério poderão utilizar recursos e
mediante articulação com os órgãos oficiais afins, bem tecnologias de educação a distância. (Incluído pela
como para aqueles que apresentam uma habilidade Lei nº 12.056, de 2009).
superior nas áreas artística, intelectual ou psicomotora; § 3º A formação inicial de profissionais de
V - acesso igualitário aos benefícios dos magistério dará preferência ao ensino presencial,
programas sociais suplementares disponíveis para o subsidiariamente fazendo uso de recursos e tecnologias
respectivo nível do ensino regular. de educação a distância. (Incluído pela Lei nº
Art. 60. Os órgãos normativos dos sistemas de 12.056, de 2009).
ensino estabelecerão critérios de caracterização das Art. 63. Os institutos superiores de educação
instituições privadas sem fins lucrativos, especializadas manterão: (Regulamento)
e com atuação exclusiva em educação especial, para I - cursos formadores de profissionais para a
fins de apoio técnico e financeiro pelo Poder Público. educação básica, inclusive o curso normal superior,
Parágrafo único. O Poder Público adotará, como destinado à formação de docentes para a educação
alternativa preferencial, a ampliação do atendimento
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infantil e para as primeiras séries do ensino resultante de impostos, compreendidas as
fundamental; transferências constitucionais, na manutenção e
II - programas de formação pedagógica para desenvolvimento do ensino público.
portadores de diplomas de educação superior que § 1º A parcela da arrecadação de impostos
queiram se dedicar à educação básica; transferida pela União aos Estados, ao Distrito Federal
III - programas de educação continuada para os e aos Municípios, ou pelos Estados aos respectivos
profissionais de educação dos diversos níveis. Municípios, não será considerada, para efeito do cálculo
Art. 64. A formação de profissionais de educação previsto neste artigo, receita do governo que a
para administração, planejamento, inspeção, transferir.
supervisão e orientação educacional para a educação § 2º Serão consideradas excluídas das receitas
básica, será feita em cursos de graduação em de impostos mencionadas neste artigo as operações de
pedagogia ou em nível de pós-graduação, a critério da crédito por antecipação de receita orçamentária de
instituição de ensino, garantida, nesta formação, a impostos.
base comum nacional. § 3º Para fixação inicial dos valores
Art. 65. A formação docente, exceto para a correspondentes aos mínimos estatuídos neste artigo,
educação superior, incluirá prática de ensino de, no será considerada a receita estimada na lei do
mínimo, trezentas horas. orçamento anual, ajustada, quando for o caso, por lei
Art. 66. A preparação para o exercício do que autorizar a abertura de créditos adicionais, com
magistério superior far-se-á em nível de pós- base no eventual excesso de arrecadação.
graduação, prioritariamente em programas de § 4º As diferenças entre a receita e a despesa
mestrado e doutorado. previstas e as efetivamente realizadas, que resultem no
Parágrafo único. O notório saber, reconhecido não atendimento dos percentuais mínimos obrigatórios,
por universidade com curso de doutorado em área serão apuradas e corrigidas a cada trimestre do
afim, poderá suprir a exigência de título acadêmico. exercício financeiro.
Art. 67. Os sistemas de ensino promoverão a § 5º O repasse dos valores referidos neste artigo
valorização dos profissionais da educação, do caixa da União, dos Estados, do Distrito Federal e
assegurando-lhes, inclusive nos termos dos estatutos e dos Municípios ocorrerá imediatamente ao órgão
dos planos de carreira do magistério público: responsável pela educação, observados os seguintes
I - ingresso exclusivamente por concurso público prazos:
de provas e títulos; I - recursos arrecadados do primeiro ao décimo
II - aperfeiçoamento profissional continuado, dia de cada mês, até o vigésimo dia;
inclusive com licenciamento periódico remunerado para II - recursos arrecadados do décimo primeiro ao
esse fim; vigésimo dia de cada mês, até o trigésimo dia;
III - piso salarial profissional; III - recursos arrecadados do vigésimo primeiro
IV - progressão funcional baseada na titulação ou dia ao final de cada mês, até o décimo dia do mês
habilitação, e na avaliação do desempenho; subseqüente.
V - período reservado a estudos, planejamento e § 6º O atraso da liberação sujeitará os recursos a
avaliação, incluído na carga de trabalho; correção monetária e à responsabilização civil e
VI - condições adequadas de trabalho. criminal das autoridades competentes.
§ 1o A experiência docente é pré-requisito para o Art. 70. Considerar-se-ão como de manutenção e
exercício profissional de quaisquer outras funções de desenvolvimento do ensino as despesas realizadas com
magistério, nos termos das normas de cada sistema de vistas à consecução dos objetivos básicos das
ensino. (Renumerado pela Lei nº 11.301, de 2006) instituições educacionais de todos os níveis,
§ 2o Para os efeitos do disposto no § 5o do art. compreendendo as que se destinam a:
40 e no § 8o do art. 201 da Constituição Federal, são I - remuneração e aperfeiçoamento do pessoal
consideradas funções de magistério as exercidas por docente e demais profissionais da educação;
professores e especialistas em educação no II - aquisição, manutenção, construção e
desempenho de atividades educativas, quando conservação de instalações e equipamentos necessários
exercidas em estabelecimento de educação básica em ao ensino;
seus diversos níveis e modalidades, incluídas, além do III – uso e manutenção de bens e serviços
exercício da docência, as de direção de unidade escolar vinculados ao ensino;
e as de coordenação e assessoramento pedagógico. IV - levantamentos estatísticos, estudos e
(Incluído pela Lei nº 11.301, de 2006) pesquisas visando precipuamente ao aprimoramento da
qualidade e à expansão do ensino;
TÍTULO VII V - realização de atividades-meio necessárias ao
Dos Recursos financeiros funcionamento dos sistemas de ensino;
Art. 68. Serão recursos públicos destinados à VI - concessão de bolsas de estudo a alunos de
educação os originários de: escolas públicas e privadas;
I - receita de impostos próprios da União, dos VII - amortização e custeio de operações de
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; crédito destinadas a atender ao disposto nos incisos
II - receita de transferências constitucionais e deste artigo;
outras transferências; VIII - aquisição de material didático-escolar e
III - receita do salário-educação e de outras manutenção de programas de transporte escolar.
contribuições sociais; Art. 71. Não constituirão despesas de
IV - receita de incentivos fiscais; manutenção e desenvolvimento do ensino aquelas
V - outros recursos previstos em lei. realizadas com:
Art. 69. A União aplicará, anualmente, nunca I - pesquisa, quando não vinculada às
menos de dezoito, e os Estados, o Distrito Federal e os instituições de ensino, ou, quando efetivada fora dos
Municípios, vinte e cinco por cento, ou o que consta nas sistemas de ensino, que não vise, precipuamente, ao
respectivas Constituições ou Leis Orgânicas, da receita aprimoramento de sua qualidade ou à sua expansão;
48
II - subvenção a instituições públicas ou privadas I - comprovem finalidade não-lucrativa e não
de caráter assistencial, desportivo ou cultural; distribuam resultados, dividendos, bonificações,
III - formação de quadros especiais para a participações ou parcela de seu patrimônio sob
administração pública, sejam militares ou civis, nenhuma forma ou pretexto;
inclusive diplomáticos; II - apliquem seus excedentes financeiros em
IV - programas suplementares de alimentação, educação;
assistência médico-odontológica, farmacêutica e III - assegurem a destinação de seu patrimônio a
psicológica, e outras formas de assistência social; outra escola comunitária, filantrópica ou confessional,
V - obras de infra-estrutura, ainda que realizadas ou ao Poder Público, no caso de encerramento de suas
para beneficiar direta ou indiretamente a rede escolar; atividades;
VI - pessoal docente e demais trabalhadores da IV - prestem contas ao Poder Público dos
educação, quando em desvio de função ou em recursos recebidos.
atividade alheia à manutenção e desenvolvimento do § 1º Os recursos de que trata este artigo
ensino. poderão ser destinados a bolsas de estudo para a
Art. 72. As receitas e despesas com manutenção educação básica, na forma da lei, para os que
e desenvolvimento do ensino serão apuradas e demonstrarem insuficiência de recursos, quando houver
publicadas nos balanços do Poder Público, assim como falta de vagas e cursos regulares da rede pública de
nos relatórios a que se refere o § 3º do art. 165 da domicílio do educando, ficando o Poder Público
Constituição Federal. obrigado a investir prioritariamente na expansão da sua
Art. 73. Os órgãos fiscalizadores examinarão, rede local.
prioritariamente, na prestação de contas de recursos § 2º As atividades universitárias de pesquisa e
públicos, o cumprimento do disposto no art. 212 da extensão poderão receber apoio financeiro do Poder
Constituição Federal, no art. 60 do Ato das Disposições Público, inclusive mediante bolsas de estudo.
Constitucionais Transitórias e na legislação
concernente. TÍTULO VIII
Art. 74. A União, em colaboração com os Das Disposições Gerais
Estados, o Distrito Federal e os Municípios, Art. 78. O Sistema de Ensino da União, com a
estabelecerá padrão mínimo de oportunidades colaboração das agências federais de fomento à cultura
educacionais para o ensino fundamental, baseado no e de assistência aos índios, desenvolverá programas
cálculo do custo mínimo por aluno, capaz de assegurar integrados de ensino e pesquisa, para oferta de
ensino de qualidade. educação escolar bilingüe e intercultural aos povos
Parágrafo único. O custo mínimo de que trata indígenas, com os seguintes objetivos:
este artigo será calculado pela União ao final de cada I - proporcionar aos índios, suas comunidades e
ano, com validade para o ano subseqüente, povos, a recuperação de suas memórias históricas; a
considerando variações regionais no custo dos insumos reafirmação de suas identidades étnicas; a valorização
e as diversas modalidades de ensino. de suas línguas e ciências;
Art. 75. A ação supletiva e redistributiva da II - garantir aos índios, suas comunidades e
União e dos Estados será exercida de modo a corrigir, povos, o acesso às informações, conhecimentos
progressivamente, as disparidades de acesso e garantir técnicos e científicos da sociedade nacional e demais
o padrão mínimo de qualidade de ensino. sociedades indígenas e não-índias.
§ 1º A ação a que se refere este artigo Art. 79. A União apoiará técnica e
obedecerá a fórmula de domínio público que inclua a financeiramente os sistemas de ensino no provimento
capacidade de atendimento e a medida do esforço fiscal da educação intercultural às comunidades indígenas,
do respectivo Estado, do Distrito Federal ou do desenvolvendo programas integrados de ensino e
Município em favor da manutenção e do pesquisa.
desenvolvimento do ensino. § 1º Os programas serão planejados com
§ 2º A capacidade de atendimento de cada audiência das comunidades indígenas.
governo será definida pela razão entre os recursos de § 2º Os programas a que se refere este artigo,
uso constitucionalmente obrigatório na manutenção e incluídos nos Planos Nacionais de Educação, terão os
desenvolvimento do ensino e o custo anual do aluno, seguintes objetivos:
relativo ao padrão mínimo de qualidade. I - fortalecer as práticas sócio-culturais e a língua
§ 3º Com base nos critérios estabelecidos nos §§ materna de cada comunidade indígena;
1º e 2º, a União poderá fazer a transferência direta de II - manter programas de formação de pessoal
recursos a cada estabelecimento de ensino, especializado, destinado à educação escolar nas
considerado o número de alunos que efetivamente comunidades indígenas;
freqüentam a escola. III - desenvolver currículos e programas
§ 4º A ação supletiva e redistributiva não poderá específicos, neles incluindo os conteúdos culturais
ser exercida em favor do Distrito Federal, dos Estados e correspondentes às respectivas comunidades;
dos Municípios se estes oferecerem vagas, na área de IV - elaborar e publicar sistematicamente
ensino de sua responsabilidade, conforme o inciso VI material didático específico e diferenciado.
do art. 10 e o inciso V do art. 11 desta Lei, em número Art. 79-A. (VETADO) (Incluído pela Lei nº
inferior à sua capacidade de atendimento. 10.639, de 9.1.2003)
Art. 76. A ação supletiva e redistributiva prevista Art. 79-B. O calendário escolar incluirá o dia 20
no artigo anterior ficará condicionada ao efetivo de novembro como ‘Dia Nacional da Consciência
cumprimento pelos Estados, Distrito Federal e Negra’. (Incluído pela Lei nº 10.639, de 9.1.2003)
Municípios do disposto nesta Lei, sem prejuízo de Art. 80. O Poder Público incentivará o
outras prescrições legais. desenvolvimento e a veiculação de programas de
Art. 77. Os recursos públicos serão destinados às ensino a distância, em todos os níveis e modalidades
escolas públicas, podendo ser dirigidos a escolas de ensino, e de educação continuada. (Regulamento)
comunitárias, confessionais ou filantrópicas que:
49
§ 1º A educação a distância, organizada com I – matricular todos os educandos a partir dos 6
abertura e regime especiais, será oferecida por (seis) anos de idade no ensino fundamental; (Redação
instituições especificamente credenciadas pela União. dada pela Lei nº 11.274, de 2006)
§ 2º A União regulamentará os requisitos para a a) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº
realização de exames e registro de diploma relativos a 11.274, de 2006)
cursos de educação a distância. b) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº
§ 3º As normas para produção, controle e 11.274, de 2006)
avaliação de programas de educação a distância e a c) (Revogado) (Redação dada pela Lei nº
autorização para sua implementação, caberão aos 11.274, de 2006)
respectivos sistemas de ensino, podendo haver II - prover cursos presenciais ou a distância aos
cooperação e integração entre os diferentes sistemas. jovens e adultos insuficientemente escolarizados;
(Regulamento) III - realizar programas de capacitação para
§ 4º A educação a distância gozará de todos os professores em exercício, utilizando também,
tratamento diferenciado, que incluirá: para isto, os recursos da educação a distância;
I - custos de transmissão reduzidos em canais IV - integrar todos os estabelecimentos de ensino
comerciais de radiodifusão sonora e de sons e imagens; fundamental do seu território ao sistema nacional de
II - concessão de canais com finalidades avaliação do rendimento escolar.
exclusivamente educativas; § 4º Até o fim da Década da Educação somente
III - reserva de tempo mínimo, sem ônus para o serão admitidos professores habilitados em nível
Poder Público, pelos concessionários de canais superior ou formados por treinamento em serviço.
comerciais. § 5º Serão conjugados todos os esforços
Art. 81. É permitida a organização de cursos ou objetivando a progressão das redes escolares públicas
instituições de ensino experimentais, desde que urbanas de ensino fundamental para o regime de
obedecidas as disposições desta Lei. escolas de tempo integral.
Art. 82. Os sistemas de ensino estabelecerão as § 6º A assistência financeira da União aos
normas de realização de estágio em sua jurisdição, Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, bem
observada a lei federal sobre a matéria. (Redação como a dos Estados aos seus Municípios, ficam
dada pela Lei nº 11.788, de 2008) condicionadas ao cumprimento do art. 212 da
Art. 83. O ensino militar é regulado em lei Constituição Federal e dispositivos legais pertinentes
específica, admitida a equivalência de estudos, de pelos governos beneficiados.
acordo com as normas fixadas pelos sistemas de Art. 88. A União, os Estados, o Distrito Federal e
ensino. os Municípios adaptarão sua legislação educacional e de
Art. 84. Os discentes da educação superior ensino às disposições desta Lei no prazo máximo de um
poderão ser aproveitados em tarefas de ensino e ano, a partir da data de sua publicação.
pesquisa pelas respectivas instituições, exercendo (Regulamento)
funções de monitoria, de acordo com seu rendimento e § 1º As instituições educacionais adaptarão seus
seu plano de estudos. estatutos e regimentos aos dispositivos desta Lei e às
Art. 85. Qualquer cidadão habilitado com a normas dos respectivos sistemas de ensino, nos prazos
titulação própria poderá exigir a abertura de concurso por estes estabelecidos.
público de provas e títulos para cargo de docente de § 2º O prazo para que as universidades cumpram
instituição pública de ensino que estiver sendo ocupado o disposto nos incisos II e III do art. 52 é de oito anos.
por professor não concursado, por mais de seis anos, Art. 89. As creches e pré-escolas existentes ou
ressalvados os direitos assegurados pelos arts. 41 da que venham a ser criadas deverão, no prazo de três
Constituição Federal e 19 do Ato das Disposições anos, a contar da publicação desta Lei, integrar-se ao
Constitucionais Transitórias. respectivo sistema de ensino.
Art. 86. As instituições de educação superior Art. 90. As questões suscitadas na transição
constituídas como universidades integrar-se-ão, entre o regime anterior e o que se institui nesta Lei
também, na sua condição de instituições de pesquisa, serão resolvidas pelo Conselho Nacional de Educação
ao Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia, nos ou, mediante delegação deste, pelos órgãos normativos
termos da legislação específica. dos sistemas de ensino, preservada a autonomia
universitária.
TÍTULO IX Art. 91. Esta Lei entra em vigor na data de sua
Das Disposições Transitórias publicação.
Art. 87. É instituída a Década da Educação, a Art. 92. Revogam-se as disposições das Leis nºs
iniciar-se um ano a partir da publicação desta Lei. 4.024, de 20 de dezembro de 1961, e 5.540, de 28
§ 1º A União, no prazo de um ano a partir da de novembro de 1968, não alteradas pelas Leis nºs
publicação desta Lei, encaminhará, ao Congresso 9.131, de 24 de novembro de 1995 e 9.192, de 21
Nacional, o Plano Nacional de Educação, com diretrizes de dezembro de 1995 e, ainda, as Leis nºs 5.692,
e metas para os dez anos seguintes, em sintonia com a de 11 de agosto de 1971 e 7.044, de 18 de
Declaração Mundial sobre Educação para Todos. outubro de 1982, e as demais leis e decretos-lei que
§ 2o O poder público deverá recensear os as modificaram e quaisquer outras disposições em
educandos no ensino fundamental, com especial contrário.
atenção para o grupo de 6 (seis) a 14 (quatorze) anos Brasília, 20 de dezembro de 1996; 175º da
de idade e de 15 (quinze) a 16 (dezesseis) anos de Independência e 108º da República.
idade. (Redação dada pela Lei nº 11.274, de 2006) .
§ 3o O Distrito Federal, cada Estado e Município,
e, supletivamente, a União, devem: (Redação dada
pela Lei nº 11.330, de 2006) GESTÃO DO PROCESSO DE ENSINO-
APRENDIZAGEM (Armindo José Rodrigues -
Revista Brasileira de Educação Especial)
50
As modalidades de organização e gestão da classe, Segundo o mesmo autor, o ensino tem duas dimensões
entendidas como o conjunto de condições pré- fundamentais, de que derivam as duas tarefas
estabelecidas (agrupamento e distribuição espacial dos principais da atividade do professor: as funções
alunos, regras de interação, estrutura e encadeamento relativas à gestão da classe (organização dos grupos,
das atividades, princípios orientadores da ação definição de regras, procedimentos e sanções
docente, rotinas e estratégias, etc) que definem o disciplinares, articulação e sequenciação das atividades,
contexto em que se desenvolve o processo ensino- etc.); o ensino dos conteúdos dos programas (dar o
aprendizagem, não têm merecido, entre nós, a programa, motivar os alunos, selecionar e organizar os
necessária atenção por parte dos investigadores. E, no recursos, avaliar as aprendizagens, etc). É a "dupla
entanto, esta problemática tem sido objeto de agenda do professor", de que falam Shulman (1986) e
importantes investigações desde meados do século Leinardt (1990).
passado, particularmente depois dos anos sessenta e Não deve, porém, pensar-se que o professor tem
setenta, sobretudo nos Estados Unidos, tendo que, primeiro, garantir um clima de ordem na sala,
experimentado um progressivo desenvolvimento e para, em seguida, estruturar, conduzir e supervisionar
aprofundamento. Foi um período em que se as atividades de ensino. Não se pode ignorar que há
multiplicaram as observações sistemáticas de aulas, as professores para quem a instauração e manutenção de
análises interacionais e a aplicação de questionários, um ambiente de trabalho nas aulas é tarefa de tal
tendo por objetivo, por exemplo, obter descrições cada modo difícil e desgastante que pouco tempo e energia
vez mais finas dos acontecimentos da sala de aula e lhes restam para dedicar às atividades de ensino
dos vários estilos e funções do ensino. Procurava-se, propriamente ditas. Ou que outros professores se
afinal, identificar e caracterizar os traços marcantes do centram de tal modo nas atividades estritas de ensino
professor eficaz e competente, com o propósito de, que esquecem as demais dimensões do universo da
subsequentemente, encontrar modelos de formação turma, nomeadamente as dimensões da cidadania, da
inicial susceptíveis de desenvolver nos futuros ética e do desenvolvimento pessoal e social. Os
professores aqueles saberes e aquelas habilidades que resultados das pesquisas remetem claramente para
têm maior impacto num desempenho profissional uma concepção de gestão da classe numa perspectiva
igualmente eficaz e competente, logo desde os holística. Efetivamente, uma parte da tarefa de
primeiros anos de prática. preparação com vista a uma gestão eficaz da aula é
As primeiras pesquisas sobre a organização e gestão da simultaneamente uma preparação com vista ao ensino
sala de aula centraram-se essencialmente em questões eficaz da matéria. É o que demonstraram os estudos
relacionadas com a manutenção da ordem e da sobre a gestão da aula realizados por Kounin e
disciplina. Esta centralidade das questões disciplinares colaboradores que revelam que as diferenças
parece ter decorrido diretamente das profundas importantes, na gestão da classe, entre os professores
transformações sofridas no pós-guerra, quando a que são bem sucedidos e aqueles que o não são não
escola passou a acolher públicos cada vez mais residem na sua resposta aos alunos perturbadores.
numerosos e diversificados. Efetivamente, em vez da Efetivamente, as diferenças remetem antes para a
tradicional continuidade e complementaridade entre planificação e preparação da matéria e para as técnicas
escola e família, quando a população discente pertencia de gestão da classe que os professores utilizam para
quase exclusivamente à classe dominante, estava-se prevenir a inatenção e as perturbações; este modo de
agora em presença de uma multiplicidade e diversidade agir opõe-se ao método coercitivo, que consiste em
de valores, de normas e códigos sociais, muitos deles reagir após o aparecimento dos problemas. (BROPHY e
"desviados" dos modelos socialmente aceites, criando PUTNAM, 1979:189, citados por MARTINEAU,
constantes conflitos de concepções e de conduta entre GAUTHIER e DESBIENS, 1999, p.469)
o professor e certos grupos de alunos, os quais A gestão da classe deve, então, iniciar-se com uma
adotavam, por vezes, comportamentos agressivos e planificação cuidada, logo no início do ano letivo, com
hostis. Se os fatores socioeconômicos pesaram vista à antecipação e prevenção dos problemas.
fortemente para tornar mais difícil a gestão da aula, Citando Brophy (1983), GAUTHIER e colaboradores
não é menos verdade que vários outros poderão ser (1998:241) acentuam que " o planejamento da gestão
invocados, desde as características pessoais do da classe começa não somente com o trabalho de
professor, ao contexto de trabalho (espaços físicos preparação, antes do início do ano letivo, mas também
deficientes, turmas numerosas, horários com a implantação e a comunicação de regras, de
sobrecarregados, programas extensos...) e à própria procedimentos, de relações e de expectativas em face
direção da escola. dos alunos assim que o ano se inicia". A antecipação e
Porém, as pesquisas depressa ultrapassaram os prevenção conseguem-se através da tomada de
estreitos limites das questões da ordem e da disciplina, decisões acerca de quais devam ser as rotinas a
acabando por realçar vários outros aspectos implantar na vida da turma, o que acontece na
importantes. Por isso, se interessa explicitar em traços planificação. Para Yinger (1977), que define as rotinas
largos a evolução do conceito de gestão da classe, como "conjuntos de procedimentos estabelecidos que
alguns outros resultados fornecidos por esses estudos têm por função controlar e coordenar sequências
têm igualmente de ser mencionados. Em primeiro específicas de comportamentos", é efetivamente
lugar, tornou-se evidente que a manutenção da ordem durante a planificação que se procede à seleção,
não é um fim em si mesma, pois um aluno pode não organização e distribuição das rotinas. Este autor
perturbar o clima da aula sem que, no entanto, se distingue quatro tipos de rotinas: rotinas de atividade,
empenhe ativamente nas aprendizagens. Em rotinas de ensino, rotinas de supervisão e rotinas de
consequência, DOYLE (1986) proporá a ampliação do execução (YINGER, 1977; também ROY, 1991).
conceito, para abarcar a dimensão aprendizagem: "a Promovendo a automatização de uma série de
gestão da classe consiste num conjunto de regras e de procedimentos que visam o controle e a coordenação
disposições necessárias para criar e manter um de sequências de comportamentos aplicáveis a
ambiente ordeiro favorável tanto ao ensino como à situações específicas, as rotinas
aprendizagem".
51
têm por efeito 1) reduzir o número de indicações a planificação do professor. As próprias metas de ensino,
serem tratadas pelos professores; 2) reduzir o número aliás, só vão ganhando forma à medida que os traços
de decisões a serem tomadas durante a intervenção; 3) da atividade (localização; estrutura e sequência;
aumentar a estabilidade das atividades; 4) aumentar a duração; participantes; comportamento aceitável dos
disponibilidade dos professores diante das reações dos alunos; movimentos instrucionais do professor;
alunos; 5) diminuir a ansiedade dos alunos, tornando conteúdos e materiais de ensino) vão sendo elaborados
os professores mais previsíveis. (GAUTHIER et al., e especificados.
1998, p.242) É óbvio que os professores se preocupam com a
aprendizagem dos alunos, mas esta só ocorrerá na
A PLANIFICAÇÃO DOS PROCEDIMENTOS DE medida em que os alunos estejam interessados e
ENSINO implicados nas atividades que lhes são
Até aos anos setenta do séc. XX, a planificação das propostas/impostas pelo professor ou
atividades de ensino-aprendizagem foi dominada pelo negociadas/decididas conjuntamente. As atividades
modelo de Tyler (1949), que se estruturava em quatro constituem, pois, a oportunidade para aprender, sendo
etapas: definição dos objetivos, seleção das atividades por conseguinte o cerne tanto da planificação como da
de aprendizagem, organização das atividades de ação (Jackson, 1968; Sacristan, 2000).
aprendizagem, seleção dos procedimentos de As atividades ou tarefas constituem-se assim no
avaliação. Como recorda Arends (1995), concebida elemento chave de análise do processo ensino-
nessa perspectiva, uma boa planificação caracterizava- aprendizagem. Efetivamente, ao observador torna-se
se "por objetivos de ensino cuidadosamente fácil identificar as atividades e os seus traços
especificados (geralmente expostos em termos distintivos, mas é muito difícil inferir quais os objetivos
comportamentais), ações e estratégias de ensino visados. Segundo Hill, Yinger e Robins (1983), a
concebidas para promoverem objetivos prescritos e importância que as atividades assumem para o
medições cuidadas dos resultados, particularmente do professor, tanto na planificação como na ação, poderá
rendimento escolar dos alunos". Em consequência, as explicar-se pelo fato de os professores não esperarem
instituições de formação de professores davam grande grandes mudanças nos seus alunos, no final de cada
ênfase ao treino de procedimentos muito elaborados aula, ao contrário do que se seria levado a pensar
que visavam a eficácia na especificação dos objetivos numa perspectiva de planificação sistemática e linear.
comportamentais, na perspectiva tyleriana. Segundo os autores mencionados, os professores
No entanto, alguns estudos empíricos, fundados numa equacionam as mudanças apenas após a exposição de
atitude crítica relativamente aos modelos e vários conceitos no decurso de dias, semanas e até
perspectivas behavioristas, desde cedo puseram em meses.
evidência que aquele modelo não correspondia às
práticas efetivas dos professores, relativamente aos As atividades (ou tarefas) configuram, pois, e regulam
procedimentos de planificação. Assim, Taylor (1970), a prática. Só a apreensão da sua estrutura e
analisando os processos de planificação adotados em encadeamento sequencial, bem como os modos
escolas secundárias inglesas, concluiu que os peculiares de as desenvolver, reduzir ou ampliar, nos
professores tendem a considerar, por ordem de tornará possível compreender qual seja o esquema
importância: fatores associados ao contexto docente, integrador que define as orientações, as concepções e
por exemplo, materiais e recursos; os interesses dos as práticas de um determinado professor. Ou seja, elas
alunos; as metas e objetivos do ensino; considerações são "estruturas de situação que organizam e orientam
sobre os conteúdos da disciplina respectiva. Por o pensamento e a ação" (DOYLE & CARTER, 1986).
conseguinte, os professores, nas suas práticas As correntes cognitivistas deram um contributo valioso
quotidianas, não obedeciam às recomendações dos para a compreensão do processo ensino-aprendizagem
teóricos sobre a planificação sistemática e linear. e do papel central nele desempenhado pelas atividades
segundo Yinger (1980), o predomínio das atividades ou tarefas, ao enfatizar que, para além de
explica-se mediante o conceito de "quadro de conduta", configurarem a interação professor-aluno, essas
na perspectiva da psicologia ecológica (BARKER, 1963; atividades ou tarefas desenhadas, propostas e
DOYLE, 1977). Um quadro de conduta é uma unidade reguladas pelo professor, constituem a oportunidade
ecológica de conduta possuidora de quatro traços para aprender, ao moldar o ambiente e o processo de
distintos: limites espaciais e temporais definidos; um aprendizagem, estruturam o modelo de organização e
meio físico com utensílios, por exemplo, livros e outros gestão da classe e definem a intencionalidade e a
materiais; um modelo configurado de conduta; cobertura que é dada ao currículo.
interações entre os componentes físicos e o modelo
configurado de conduta. As atividades de ensino
representariam, assim, quadros de conduta controlada, EXERCÍCIO
porquanto os comportamentos de professor e alunos
são dirigidos pelo "quadro" definido, mas o próprio 1. O que define as relações é o grau de estruturação e
quadro de conduta é definido e controlado objetividade, bem como uma definição clara dos papéis
antecipadamente pelo professor, quando planifica as de professor e aluno. Este último recebe, aprende e
aulas. fixa as informações. O professor é apenas um elo de
Para Yinger (1980), quando o professor estrutura as ligação entre a verdade científica e o aluno. (...) ambos
atividades a realizar na aula, através da sua são espectadores frente à verdade objetiva. A
planificação antecipada, selecionando e organizando as comunicação professor-aluno tem um sentido
rotinas, como vimos acima, define de antemão os exclusivamente técnico, que é o de garantir a eficácia
limites e orientações gerais da conduta, aumentando as da transmissão do conhecimento. A descrição acima
probabilidades de que essa mesma conduta ocorra refere-se à concepção de educação.
segundo os seus intentos. Parece, então, que são as a) libertadora.
atividades de ensino, e não os resultados da b) tecnicista.
aprendizagem, que constituem a meta e o enfoque da c) progressista.
52
d) renovada. c) inserir o indivíduo na estrutura da sociedade.
e) crítico-social dos conteúdos. d) promover uma formação geral que engloba o
desenvolvimento cognitivo e operativo a partir dos
2. Embora professor e aluno sejam diferentes e âmbitos científicos, estéticos e éticos.
desiguais, o docente deve se pôr a serviço do discente, e) articular o ensino, a aprendizagem e a economia de
sem imposições de idéias e concepções, transformando mercado.
o aluno em sujeito de sua própria aprendizagem, sendo
um professor estimulador, orientador e um catalisador 7. Segundo Libâneo (1994, p. 16-17), “a prática
no meio dos educandos, promovendo situações de educativa é um fenômeno social e universal, sendo
reflexão em comum. uma atividade humana necessária à existência e ao
Quando o professor valoriza a aprendizagem informal, funcionamento de todas as sociedades”. Nesse sentido,
via grupo, e a negação de toda forma de repressão, qual é o papel fundamental da escola na formação dos
visa-se favorecer o desenvolvimento de pessoas mais indivíduos?
livres. (a) Prepará-los para o mercado de trabalho.
LUCKESI (1990) afirma que “se os alunos são livres (b) Prepará-los para atuar no meio econômico.
frente ao professor, também este o é em relação aos (c) Exigir que o conhecimento possa ser utilizado
alunos”. sistematicamente.
No que se refere a relação professor/aluno, a tendência (d) Prepará-los para a participação ativa e
pedagógica que considera os alunos livres no seu transformadora nas várias instâncias na vida social.
pensar e agir, frente ao do professor, que deve ter uma
postura empática, exercendo a função de "conselheiro" 8. Para a nova educação que se propõe, mais
e, em outras vezes, de instrutor-monitor à disposição importante do que repassar conhecimento é
do grupo é a desenvolver no aluno a capacidade de aprender.
A) liberal tecnicista. Acerca da relação entre educação e sociedade, assinale
B) progressista crítico-social dos conteúdos. a opção INCORRETA.
C) progressista libertária. (A) A educação exerce influência no meio social sobre
D) liberal tradicional. os indivíduos e estes, ao assimilarem essas influências,
E) liberal renovada não-diretiva. assumem postura passiva que os torna capazes de
3. A gestão democrática no âmbito da educação teve atuar como agentes de mudança.
seu início a partir da década de 80. Quais (B) A educação compreende os processos formativos
características definem melhor este tipo de gestão? que ocorrem no meio social, no qual o indivíduo está
a) Centralização, dicotomia democrática e competição. envolvido pelo simples fato de viver em sociedade. A
b) Descentralização, formas democráticas de escolha prática educativa existe numa grande variedade de
dos gestores e diálogo. instituições e atividades sociais, decorrentes da
c) Certeza, racionalização, objetivos sociais e precisão. organização econômica, política, religiosa, dos
d) Paradigma de consenso, competição, autonomia e costumes e formas de convivência humana.
eleição direta. (C) A educação que ocorre em instituições específicas,
e) Eleição, hierarquia, gestão racional e centralização. escolares ou não, com finalidades explícitas de
instrução e ensino mediante uma ação consciente e
4. O papel da escola na perspectiva da Pedagogia planejada, é chamada Educação Intencional ou Formal.
Libera Tradicional é: (D) Formar o cidadão não é tarefa apenas da escola.
a) transmitir o saber sistematizado e a cultura. No entanto, como local privilegiado de trabalho com o
b) desenvolver as competências e habilidades do aluno. conhecimento, a escola tem grande responsabilidade
c) desenvolver experiências de vida prática e nessa formação, podendo construir saberes
autogestão. indispensáveis à inserção social do aluno.
d) trabalhar os valores sociais do contexto em que
estão inseridos. 9. “Só se pode dizer de forma totalmente análoga e
e) discutir os problemas sociais e relacioná-los com a aproximativa que a escola forma trabalho intelectual de
cultura. um lado e trabalho manual (formação técnica) de
outro. (...) O que se ensina principalmente à classe
5. A gestão educacional democrática engloba um operária é a disciplina, o respeito à autoridade, a
conjunto de elementos que a diferem da administração veneração de um trabalho intelectual que se acha
tradicional, são eles: quase sempre fora do aparelho escolar. De maneira
a) a base teórica fundamentada no enfoque. alguma, as coisas se apresentam da mesma forma para
b) a eleição direta do administrador escolar, supervisão a nova pequena burguesia e para o trabalho intelectual,
escolar e orientador educacional. sendo a sua força de trabalho, em seu lado intelectual,
c) a administração científica baseada em um efetivamente formada pela escola.’’ (Poulantzas,
planejamento gerencial. 1975:288):
d) a base teórica fundamentada na psicologia social. Com base na citação acima, pode-se afirmar que:
e) a descentralização administrativo-financeira e (A) a função da escola não está interligada apenas com
pedagógica, a constituição e funcionamento de as classes sociais às quais dirige sua atenção. Caso isso
colegiados e a participação de diferentes segmentos ocorresse não haveria nenhum tipo de modalidade
consultivos e deliberativos. social, enfim, está é diretamente ligada á formação do
sujeito.
6. A escola, enquanto instituição social, tem a seguinte (B) as funções da escola só podem ser analisadas em
função na atualidade: função das classes sociais às quais dirige sua ação. Isso
a) transmitir conhecimentos científicos e tecnológicos. nos permite encontrar na escola capitalista uma
b) desenvolver um processo ensino-aprendizagem reprodução da divisão social do trabalho.
comportamentalista, baseado na busca de respostas (C) a escola capitalista não forma apenas para a
para os estímulos previamente planejados. reprodução da divisão social do trabalho. As instituições
53
de ensino ou redes escolares são um espaço de primordial a superação da exclusão e da ignorância da
formação da cidadania. população.
(D) a análise da reprodução da divisão social do
trabalho não pode ser resumida apenas às funções da 13. (Osvaldo Jr - 2011) A Revolução Industrial foi um
escola, pois esta dirige sua ação para a formação da dos grandes marcos históricos na transição do
cidadania e preparo para a sociedade capitalista. feudalismo para o capitalismo. Através dessa
(E) as funções da escola podem ser analisadas em revolução, o modo de produção capitalista se
função das classes sociais às quais dirige sua atenção. consolidou como hegemônico no mundo, mudando as
Isso nos permite afirmar que na escola capitalista não relações sociais e educacionais estabelecidas até então.
há somente uma reprodução da divisão social do No que se refere ao campo educacional, é incorreto
trabalho. afirmar que:
(A) A consolidação da democracia burguesa trouxe a
10. A educação como fenômeno social é parte reflexão do papel da educação no tocante à sua função
integrante das relações sociais, econômicas, políticas e para o status quo social.
culturais de uma determinada sociedade. Acerca desse (B) A urbanização, que transformou a cidade no centro
assunto, assinale a opção correta. social por excelência, também impôs à educação um
(A) A organização dos grupos sociais não interfere em modelo de centralização social alijado das questões
suas práticas educativas. políticas e ideológicas.
(B) A educação determina as relações sociais e (C) O movimento pedagógico surgido no século XIX
possibilita as mudanças econômicas e sociais. procurou se preocupar com a formação integral do
(C) A prática educativa está determinada por fins e homem, bem no escopo do movimento de reivindicação
exigências sociais, políticas e ideológicas. de direitos sociais por parte do proletariado.
(D) A estrutura social e a organização dos grupos (D) O século XVI foi marcado pelo surgimento das
humanos independem dos processos educativos e do primeiras escolas públicas estatais, dentro da lógica da
acúmulo de conhecimentos desses grupos. difusão e consolidação da instrução pública como
modelo de inserção social da grande massa da
11. Para Moreira e Candau (2003), “a escola sempre população.
teve dificuldade em lidar com a pluralidade e a
diferença. Tende a silenciá-la e neutralizá-la. Sente-se 14. Vygotsky define a zona de desenvolvimento
mais confortável com a homogeneização e a proximal como a distância entre o nível de
padronização. No entanto, abrir espaços para a desenvolvimento real e o nível de desenvolvimento
diversidade, a diferença e para o cruzamento de potencial. A zona de desenvolvimento proximal refere-
culturas, constitui o grande desafio que ela está se, assim, ao caminho que o indivíduo vai percorrer
chamada a enfrentar”. Isso exige da escola para desenvolver funções que estão em processo de
I. promover processos de desnaturalização e explicitar amadurecimento e que se tornarão funções
a rede de estereótipos e preconceitos que povoam os consolidadas, estabelecidas no nível de
imaginários das pessoas em relação aos diferentes desenvolvimento real. É como se o processo de
grupos socioculturais. desenvolvimento
II. promover uma política de universalização da a) apresentasse características diferentes do processo
escolarização que favoreça a integração de todos na de aprendizagem.
sociedade, ou seja, na cultura hegemônica. b) avançasse em ritmo mais acelerado que o processo
III. reconstruir o que se considera “comum” a todos, de aprendizado.
garantindo que os diferentes sujeitos socioculturais se c) ocorresse de forma independente ao do processo de
reconheçam, assegurando, assim, que a igualdade se aprendizado.
explicite nas diferenças. d) caminhasse de forma igual ao do processo de
Está correto o que se afirma em aprendizagem.
(A) I, apenas. e) progredisse mais lentamente que o processo de
(B) I e III, apenas. aprendizado.
(C) II e III, apenas.
(D) III, apenas. 15. Segundo Piaget, os estilos de pensamentos
(E) I, II e III. intuitivo e mágico e o jogo simbólico são característicos
do estágio:
12. Sobre a relação da educação e sociedade, é correto a) Das operações formais.
afirmar que: b) Das operações concretas.
(A) A antiguidade guarda a relação educacional c) Pré-operatório.
espontânea, na qual o ensino era transmitido de pais d) Sensório motor.
para filhos, em consonância com o regime tribal de
convivência social. 16. Uma idéia central para a compreensão das
(B) O surgimento e consolidação da propriedade concepções de Vygotsky sobre o desenvolvimento
privada imprimiu na educação um dinamismo maior e humano como processo sócio-histórico é a idéia de
mais amplo de instrução, fazendo com que entrasse em mediação. Enquanto sujeito do conhecimento, o
extinção a chamada aprendizagem mútua. homem não tem acesso direto aos objetos, mas um
(C) A separação entre a Igreja e o Estado trouxe como acesso mediado, isto é, feito através dos recortes do
consequência um ritmo educacional laicizado, onde o real, operados pelos sistemas simbólicos de que dispõe.
princípio do homem indivíduo veio a tornar-se Segundo Vygotsky, o conceito de mediação inclui:
predominante na educação. I. processo de representação mental
(D) A nova estrutura escolar surgida com o surgimento II. sistemas simbólicos
da burguesia como classe dominante favoreceu a III. ação do sujeito sobre a realidade
chamada difusão da instrução, que teve como objetivo IV. processo de equilibração
Estão CORRETOS apenas os itens:
54
a) I e II. uma leitura da realidade” (VASCONCELLOS, 2002, p.
b) I e III. 17).
c) II e III. São características do Projeto Político Pedagógico:
d) III e IV. (A) abrangência, duração e diagnóstico.
(B) abrangência, duração e participação.
17. Segundo Vigotsky, citado por Rabelo (2001), a (C) abrangência, participação e diagnóstico.
capacidade que uma criança tem de poder cumprir uma (D) abrangência, diagnóstico e concretização.
tarefa sem ajuda externa é chamada de:
a) Zona de Desenvolvimento Proximal 23. A respeito da evolução histórica do conceito e da
b) Nível de Desenvolvimento Potencial concepção do currículo, assinale a opção INCORRETA.
c) Desenvolvimento prospectivo (A) No referencial tradicional de currículo, a construção
d) Zona de Estabilidade Variável do conhecimento desloca-se do sujeito individual para
e) Nível de Desenvolvimento Real os processos coletivos, e a diversidade humana torna-
se uma referência básica para a prática curricular,
18. A capacidade de classificar, de acordo com Piaget, manifestando-se por meio da linguagem e da
ocorre no estágio: comunicação.
a) Sensório-Motor (B) O referencial pós-crítico de currículo caracteriza o
b) Pré-Operatório período contemporâneo da ciência, adotando a
c) Operatório concepção de que o conhecimento provém da ativação
d) Simbólico das estruturas cognitivas dos sujeitos educacionais,
e) Inteligência Intuitiva mas se produz nos processos intersubjetivos e dialogais
que acontecem na prática escolar.
19. Os fatores orgânicos são os responsáveis pela (C) O referencial crítico de currículo, inspirado nos
seqüência fixa que se verifica entre os estágios do princípios da dialética materialista histórica, advoga o
desenvolvimento, todavia não garantem uma currículo como conhecimento, este visto como produto
homogeneidade no seu tempo de duração. Podem ter de uma reflexão crítica sobre a relação entre os
seus efeitos amplamente transformados pelas saberes científicos e a prática social.
circunstâncias sociais nas quais se insere cada (D) O referencial tradicional de currículo encara o
existência individual e mesmo por deliberação conhecimento como estático, definitivo, objetivo,
voluntária do sujeito. afastado de determinantes históricos e condicionantes
Segundo Wallon, a duração de cada estágio e as idades mais amplos, ou seja, dos processos sociais.
a que correspondem, são referências relativas e
variáveis, em dependência de características 24. As dimensões política, social e cultural do Projeto
a) biológicas e de manifestações de afetividade. Pedagógico se traduzem pela explicitação dos principais
b) genéticas e do desenvolvimento cognitivo. problemas de cada instituição educacional, pela
c) individuais e das condições de existência. proposição de soluções e definição de responsabilidades
d) maturacionais e de fatores emocionais. coletivas e individuais na superação desses problemas.
e) intelectuais e manifestações culturais. Nesse sentido, a elaboração do Projeto Pedagógico, se
constitui em:
20. Considerando a Educação Bancária preconizada por (A) solução para se obter o ensino de qualidade.
Paulo Freire, marque a alternativa CORRETA: (B) um exercício de autonomia escolar.
A) A educação bancária tem por finalidade (C) momento privilegiado de avaliação das
problematizar a realidade social. competências profissionais dos educadores.
B) A educação bancária tem por finalidade promover a (D) responsabilidade principal da equipe técnica.
transformação social. (E) discussão coletiva dos conhecimentos a serem
C) A educação bancária tem por finalidade promover o refletidos.
diálogo entre os sábios e os que nada sabem.
D) A educação bancária tem por finalidade 25. A construção do projeto político-pedagógico na
conscientizar os alunos de sua condição de oprimido. perspectiva da emancipação parte dos princípios de
E) A educação bancária tem por finalidade manter a igualdade, qualidade, liberdade, gestão democrática e
divisão entre os que sabem e os que não sabem, entre valorização do magistério. Em relação a esses
oprimidos e opressores. princípios, assinale a opção correta.
(A) A igualdade pressupõe a expansão quantitativa de
21. A Pedagogia Progressista manifestou-se em três oferta de vagas em detrimento da manutenção da
tendências, são elas: qualidade.
A) a humanista, a moderna e a tradicional. (B) A gestão democrática implica o repensar da
B) a libertadora, a libertária e a crítico-social dos estrutura de poder da escola, visando à sua
conteúdos. socialização.
C) a liberal, a liberal renovada e a liberal avançada. (C) A qualidade implica duas dimensões dissociáveis, a
D) a do conflito, a mediadora e a do consenso. técnica e a política, estando uma diretamente
E) a reprodutivista, a revolucionária e a mundancista. subordinada à outra.
(A) A liberdade deve ser considerada como liberdade
22. “O Projeto Político Pedagógico é o plano global da para aprender e ensinar a arte e o saber direcionados
instituição. Pode ser entendido como a sistematização, para uma intencionalidade definida pela direção da
nunca definitiva, de um processo de planejamento escola.
participativo, que se aperfeiçoa e se objetiva na
caminhada, que define claramente o tipo de ação 26. A instituição escolar é repleta de influências dos
educativa que se quer realizar, a partir de um campos político, social e ideológico. Devido a isso, ela
posicionamento quanto à sua intencionalidade e de se configura como espaço de conflitos e contradições
que permeiam o trabalho pedagógico-didático
55
desenvolvido por ela. Nesse sentido, esse trabalho
jamais é neutro e descompromissado, buscando 30. Considere os enunciados:
sempre uma sistematização que favoreça o I - assegurar o ensino fundamental e oferecer, com
desempenho da instituição escolar. Assim, constitui-se prioridade, o ensino médio.
em elemento do trabalho didático-pedagógico da escola II – oferecer a educação infantil em creches e pré-
o (a): escolas e, com prioridade, o ensino fundamental.
(A) Igualdade de condições para todos os educandos. III – assegurar processo nacional de avaliação do
(B) A utilização de métodos de ensino-aprendizagem. rendimento escolar no ensino fundamental, médio e
(C) O ensino como tarefa real e concreta. superior.
(D) Sei lá. De acordo com a LDB, os enunciados I, II e III
identificam, respectivamente, responsabilidades
27. (Osvaldo Jr – 2011) Sobre a relação da educação e a) da União, dos Municípios e dos Estados.
sociedade, é correto afirmar que: b) dos Estados, da União e dos Municípios.
(A) A antiguidade guarda a relação educacional c) dos Estados, dos Municípios e da União.
espontânea, na qual o ensino era transmitido de pais d) dos Municípios, dos Estados e da União.
para filhos, em consonância com o regime tribal de e) da União, dos Estados e dos Municípios.
convivência social.
(B) O surgimento e consolidação da propriedade 31. Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação
privada imprimiu na educação um dinamismo maior e N. 9394/96, a educação escolar está composta dos
mais amplo de instrução, fazendo com que entrasse em seguintes níveis:
extinção a chamada aprendizagem mútua. a) Educação Básica, compreendendo o ensino
(C) A separação entre a Igreja e o Estado trouxe como fundamental e médio; a educação profissional e o
consequência um ritmo educacional laicizado, onde o ensino superior.
princípio do homem indivíduo veio a tornar-se b) Educação Básica: ensino superior presencial nas
predominante na educação. modalidades: semi-presencial e a distância; pós –
(D) A nova estrutura escolar surgida com o surgimento graduação a níveis de lacto e stricto sensu.
da burguesia como classe dominante favoreceu a c) Educação Básica, compreendendo as seguintes
chamada difusão da instrução, que teve como objetivo etapas: a educação infantil, ensino fundamental e
primordial a superação da exclusão e da ignorância da ensino médio; e a Educação Superior, compreendendo
população. graduação e pós graduação.
d) Educação infantil, ensino fundamental, ensino médio
28. Tendo em vista que planejar significa antecipar e ensino superior.
mentalmente uma ação que se quer realizar, avalie as e) Educação Básica, superior e complementar.
sentenças abaixo como verdadeiras (V) ou falsas (F).
( ) O planejamento não remete à prática, pois 32. A Educação Ambiental, apesar de não se constituir
não possui com ela uma relação intrínseca. numa “Pedagogia Ambiental”, é uma problemática
( ) O planejamento difere do sonho, do desejo difuso complexa e que requer ainda muitos avanços em sua
e da simples intenção visto que prevê passos, execução no campo escolar. Assim, ela traz à tona
sequência e ação. a) A necessidade de se estabelecer currículos fechados
( ) O planejamento é uma forma de antever e sobre o tema.
interagir com as condições dadas. b) A importância de ações estruturantes, que sugerem
( ) O planejamento não difere da imaginação, na fomento aos projetos escolares na área.
medida em que em ambos há o compromisso c) A organização pedagógica fundamentada numa ação
com a prática. concreta que vise o fim da problemática ambiental.
( ) O planejamento se dá em cima de uma ação d) Uma política educacional que corresponda aos
específica, em uma situação concreta somente. anseios de grupos de preservação ambiental.
A sequência CORRETA é
a) V, V, F, V, V 33. A LDBEN (Lei 9394/96), juntamente com suas
b) F, F, F, V, V alterações, especifica os que em efetivo exercício e
c) F, V, V, F, V formados em cursos reconhecidos, como profissionais
d) V, V, V, F, F da educação, a saber:
e) F, V, V, V, F I. Professores com nível superior para exercerem
docência na educação infantil e nos ensinos
29. No que diz respeito à organização do Sistema fundamental e médio.
Municipal de Ensino é possível afirmar, EXCETO: II. Trabalhadores em educação, com diploma de
A) é dever do Estado, direito da criança, opção da pedagogia com habilitação em administração,
família o atendimento gratuito em instituições públicas planejamento, supervisão, inspeção e orientação
de Educação Infantil; educacional, com ou sem pós-graduação.
B) a política de Educação Infantil deve focar-se na III. Portadores de curso técnico ou superior em
cultura, justiça social, nos direitos humanos, sem se pedagogia ou área afim, que trabalham na educação.
preocupar com as políticas destinadas a outras IV. Habilitados em nível médio ou superior, para
organizações da sociedade civil. atuação na educação infantil e nos ensinos fundamental
C) quanto ao funcionamento, as Instituições de e médio.
Educação Infantil poderão organizar o atendimento em V. Técnicos em educação, com nível superior em
regime parcial e/ou integral e funcionar magistério ou cursos afins.
ininterruptamente durante o ano civil. Estão corretas as afirmativas:
D) o processo pedagógico deve considerar as crianças a) I, II e III
em sua totalidade, observando suas especificidades, as b) II, III e V
diferenças entre elas e sua forma privilegiada de c) II, III e IV
conhecer o mundo por meio do brincar. d) I, III e IV
56
e) III, IV e V
39. A formação inicial deve preparar o futuro docente
34. A formação continuada do professor é assegurada para uma profissão que:
pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional n. A) não exige tanta qualificação ao longo da vida
9.394/96 e deve ser assegurada no Projeto Político profissional.
Pedagógico da unidade escolar. Podemos afirmar que B) exige que se continue a estudar durante toda a vida
ela se torna efetiva quando: profissional.
a) A instituição adota deliberadamente os programas C) exige somente o ensino de técnicas pedagógicas.
do governo capacitando o seu pessoal em sintonia com D) exige apenas o ensino de metodologias ativas.
os anseios da equipe gestora da instituição. E) exige exclusivamente o ensino de como agir
b) Está previsto no Projeto Político-Pedagógico para dar coletivamente na escola.
formação continuada de professores dentro dos
parâmetros das políticas em educação 40. Sobre as situações de aprendizagem, analise as
para aligeiramento deste profissional. afirmativas seguintes e marque a alternativa CORRETA:
c) A instituição sabe as necessidades de formação de A) Consistem em atividades lúdicas criadas pelos
seus profissionais e elabora um programa de formação alunos.
dos mesmos contando com a participação dos órgãos B) Consistem em atividades planejadas pelo professor,
centrais para efetivar o referido programa. sem um objetivo específico.
d) Previsto no Regimento Escolar, registrado em C) Consistem em atividades dirigidas pelo professor,
cartório e com uso aleatório das verbas públicas. tendo em vista somente os alunos com dificuldades.
D) Consistem em atividades planejadas, propostas e
35. São tipos de modalidades de educação ambiental, dirigidas pelo professor para a aprendizagem dos
exceto: alunos.
a) Difusa E) Consistem em atividades não programadas pelo
b) Educação à distância professor, que acontecem ocasionalmente em sala de
c) Presencial aula.
d) Semi-presencial
36. O artigo 18 da LDBEN (Lei 9394/96) normatiza os 41. Os novos processos de interação e comunicação no
sistemas municipais de ensino, os quais compreendem: ensino mediado pelas tecnologias visam a formação de
a) Somente as instituições de educação infantil e um novo homem:
ensino fundamental mantidas pelas prefeituras, bem A) para a era interplanetária.
como os órgãos municipais. B) que manipule a máquina sem autonomia.
b) As instituições de ensino fundamental e médio, C) para um mundo inter-ecológico.
juntamente com as de educação infantil, mantidas pelo D) para atuar sem precisão no ambiente virtual.
município. E) autônomo, crítico, consciente da sua
c) Pelas escolas de ensino fundamental e de educação responsabilidade individual e social.
infantil mantidas pelo poder público municipal, além
das de iniciativas privada com o mesmo fim. 42. São características do trabalho desenvolvido pela
d) Pelas instituições: do ensino fundamental, médio e Pedagogia de Projetos:
de educação infantil mantidas pela prefeitura; das A) ocasionalidade, exaustividade e complexidade.
criadas e mantidas pela iniciativa privada para a B) simbolização, responsabilidade e complexidade.
educação infantil; e os órgãos municipais. C) responsabilidade, formalidade e burocracia.
e) mamãe mandou!!!!! D) exaustividade, análise teórica, complexidade e
resolução de problemas.
37. “Todos os segmentos da comunidade podem E) intencionalidade, responsabilidade e autonomia dos
compreender melhor o funcionamento da escola, alunos, autenticidade, complexidade e resolução de
conhecer com mais profundidade os que nela estudam problemas.
e trabalham, intensificar seu envolvimento com ela e,
assim, acompanhar melhor a educação ali oferecida” 43. 30. O Conselho Escolar possui uma característica
(GADOTTI E ROMÃO, 1997). Os autores afirmam, própria que lhe dá dimensão fundamental, que é:
portanto, que a participação da comunidade no meio (A) A sua inserção nas atividades rotineiras da escola.
escolar influi: (B) O seu papel mediador entre os docentes e a direção
a) Apenas na democratização da gestão escolar; da escola.
b) Apenas no rendimento acadêmico do aluno. (C) Se constituir em uma forma colegiada da gestão
c) Na democratização da gestão escolar e na melhoria democrática.
da qualidade do ensino. (D) A prerrogativa de representar a SEMED local.
d) No rendimento acadêmico do aluno e na melhoria da
qualidade do ensino. 44. Os educadores, em seu fazer diário, preocupam-se
e) Apenas na melhoria da qualidade do ensino. em demasia com métodos e técnicas em um verdadeiro
endeusamento dessas questões, como se a educação
38. Pode-se afirmar que NÃO faz parte dos princípios pudesse melhorar apenas a partir da metodologia de
da interdisciplinaridade; ensino.
a) Estabelecer ligações entre teoria e prática. A afirmação acima nos chama atenção para a
b) Fazer o caminho entre a especialização disciplinar e importância de se
a integração interdisciplinar e vice-versa. (A) buscar bases conceituais que respaldem e
c) Ter como referência o sujeito que aprende e sua sustentem as metodologias utilizadas na prática
relação com o saber. educativa.
d) Adotar a prática de um currículo fechado. (B) pesquisar cuidadosamente técnicas e metodologias
e) Estabelecer ligações entre pontos de vista distintos mais atuais que contemplem a motivação dos
acerca de um objeto do conhecimento. orientandos.
57
(C) dinamizar as práticas educativas a partir de
atividades significativas para todos os orientandos. 49. (Osvaldo Jr – 2011) Sem dúvida, um dos grandes
(D) procurar o interesse prático dos orientandos para desafios para os educadores da contemporaneidade é
então escolher a técnica mais adequada a ser efetivar a Educação Ambiental (EA), sobretudo no
desenvolvida. ambiente escolar, de maneira que esta possa cada vez
(E) preparar melhor as técnicas educativas para que os mais trazer à tona a problemática do meio ambiente.
orientandos assimilem com maior facilidade o Sendo assim, pode-se afirmar que:
conhecimento ensinado. a) A grande dificuldade da EA é a ausência de uma
legislação específica para a mesma, o que favoreceria a
45. O professor pensa ensinar o que sabe, aquilo que uniformidade das práticas educativas sobre o tema.
recolheu nos livros da vida, mas o aluno aprende b) Embora não haja consenso conceitual e de práticas
do professor não necessariamente o que o outro quer de EA na atualidade, é possível perceber o surgimento
ensinar, mas aquilo que quer aprender. de uma unidade maior ao redor do tema, típico da
Affonso Romano de Sant’Anna (com adaptações). prática interdisciplinar que deve permear este na
A respeito da relação professor/aluno, assinale a opção escola.
inCORRETA. c) Nos dias atuais, nota-se cada vez mais o empenho
(A) Coerência entre teoria e prática, capacidade para o acadêmico em formar professores engajados na EA,
diálogo e competência didática são algumas reflexo dos conteúdos pedagógico e político
características do professor que facilitam a implementados completamente na formação docente.
aprendizagem. d) Uma forma de concretizar plenamente esse tema na
(B) Um ambiente de participação, no qual professor e escola é engajar estudantes e professores em
alunos trabalhem juntos, exponham suas idéias, suas atividades práticas de reciclagem de lixo escolar,
opiniões, seus argumentos e suas experiências, valorizando as iniciativas individuais e fracionadas.
coopera de forma fundamental para que haja e) A EA ainda é um grande desafio para a escola,
aprendizagem. principalmente na atualidade, onde pouco interesse se
(C) A escolha dos temas a serem trabalhados em sala vê nos estudantes para desenvolverem atividades
de aula é função do professor, e deve ser pautada na voltadas ao meio ambiente.
observância dos conteúdos próprios para a série e não
na relação destes com a vida e os interesses dos 50. (Osvaldo Jr – 2011) Sobre as características
alunos. inerentes a educação tecnológica, assinale a alternativa
(D) O professor deve ser um comunicador dialogal e incorreta:
não um transmissor unilateral de informação. A a) É baseada numa concepção educacional
estrutura da exposição deve conduzir à transformadora e progressista, o que favorece a
problematização e ao raciocínio, e não à absorção formação de pessoas com criticidade para o uso
passiva das idéias e informações do professor. racional e produtivo da tecnologia.
b) Exige uma interação entre teoria e prática, numa
46. Em um determinado contexto histórico relação de completa reciprocidade entre o que a teoria
educacional, a avaliação significa uma forma de diz e a prática reforça, ou seja, um movimento de
verificar o rendimento escolar por meio de produções práxis educacional.
livres, com expressões próprias, relacionamentos, c) Procura levantar questões que se relacionam com o
explicações práticas e casuais. momento contextual considerado, com sobressalto da
De acordo com Clovis Roberto, 2005, o texto acima se dimensão ética no uso das tecnologias.
refere à avaliação inerente à concepção de d) Não impõe o uso das novas tecnologias, promovendo
educação fundamentada na abordagem: um despertar para a interpretação do contexto atual,
a) Comportamentalista. com os condicionantes e fundamentos existentes no
b) Cognitivista. mundo tecnológico.
c) Tradicional. e) Sua fundamentação básica encontra-se no interjogo
d) Humanista. do saber-fazer, saber-pensar e criar, buscando além da
e) Sociocultural. mera transmissão de conhecimentos um processo
construtivo que possibilite a superação do conhecido e
47. (Osvaldo Jr – 2011) É fator que contribui para o ensinado.
bom desenvolvimento da prática pedagógica no âmbito
escolar, exceto: 51. Um projeto, no seu sentido mais formal, constitui
a) História de vida dos educandos. apenas um documento que representa um processo de
b) A diversidade cultural dos atores escolares. planejamento que determina, entre outras coisas, as
c) O processo ensino-aprendizagem e suas nuances. ações e condições necessárias para resolver problemas,
d) A definição de objetivos, metas e finalidades da ação alterar uma situação ou criar novas alternativas. A
educativa. metodologia de Projetos de Aprendizagem pretende
e) A disponibilidade individual de professores e subsidiar práticas pedagógicas inovadoras.
estudantes em superar obstáculos às práticas Zaíra Leita Ramos. Conhecimentos pedagógicos.
educativas. Brasília: Ed. Vestcon, 2007 (com adaptações).

48. (Osvaldo Jr – 2011) Qual dos elementos abaixo é Considerando a metodologia de projetos e sua relação
considerado como dimensão da prática pedagógica no com a prática pedagógica, é correto afirmar que, nos
âmbito escolar: projetos de aprendizagem:
a) Os objetivos definidos. (A) a escolha dos temas a serem investigados é feita
b) A ação do professor. em conjunto por professores e coordenação
c) A diversidade cultural. pedagógica.
d) A gestão democrática e participativa.
e) A filosofia da educação adotada.
58
(B) não há uma seqüência única e geral na
apresentação dos conteúdos. Estes são apresentados
segundo a curiosidade, vontade e desejo do aprendiz.
(C) o professor é o agente de transmissão do
conhecimento e o responsável pela definição da
seqüência dos conteúdos do currículo.
(D) o aluno apresenta-se receptivo às definições de
regras e atividades orientadas pelo sistema
educacional.

GABARITO

01- B 13- D 25- B 37- C 49- B


02- C 14- E 26- B 38- D 50- B
03- B 15- C 27- A 39- B 51- B
04- A 16- A 28- C 40- D
05- E 17- E 29- A 41- E
06- D 18- C 30- C 42- E
07- D 19- C 31- C 43- C
08- A 20- E 32- B 44- A
09- E 21- B 33- C 45- C
10- C 22- C 34- C 46- B
11- B 23- A 35- D 47- E
12- A 24- B 36- D 48- E

59