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O TDAH pode causar mais problemas na vida de algumas pessoas e menos na vida

de outras. As principais pesquisas sobre a vida de pessoas com TDAH em


comparação aos demais, mostram que elas completam menos anos de escolaridade,
tem mais dificuldade de relacionamentos, frequente baixa estima, problemas
comportamentais.

Geralmente os sintomas são mais evidentes quando a criança ingressa na escola,


principalmente na alfabetização, onde participa de atividades que exigem mais
atenção por um período maior. A pessoa passa a ter atividades mais sentadas e
atividades para casa. Essa questão da formalidade, da permanência num mesmo
lugar por muito tempo e o excesso de tarefas longas se torna um grande desafio para
o aluno com TDAH, por isso a importância do corpo docente conhecer o transtorno
para saber lidar com ele e encaminhar o mais rápido possível o aluno para uma
avaliação de especialistas para o diagnóstico e possível tratamento.

Quanto ao desenvolvimento motor, Lucas engatinhou com mais ou menos 8 meses de


idade e andou com 11 meses. As suas primeiras palavras foram entre 8 e nove
meses, formando algumas frases a partir de 1 ano, porém suas frases não terminadas
e repetia muitas vezes para lembrar, o desfralde e o controle dos esfíncter se deu por
volta dos 2 anos, foi facilmente retirado das fraldas.

Quanto sua saúde, desde que nasceu tinha somente muitos problemas com a
garganta infeccionada, fazendo vários tratamentos.

A gravidez da mãe foi muito conturbada devido a acontecimentos graves, precisando


de tratamento psicológico, ansiedade e picos de depressão.

A mãe relata durante a anamnese que o filho tem sono leve e agitado, porém não tem
episódios de sonambulismo ou perda total do sono.

No primeiro momento a genitora apresentou ansiedade e preocupação com o futuro do


filho, pois não percebia avanços no desenvolvimento escolar, além disso, a criança
tinha dificuldades em executar as atividades da vida diária após a primeira avaliação
da pedagoga, a mesma relatava a dificuldade da criança para assimilar os conteúdos
por falta de atenção e por não conseguir ler textos longos, apresentava também
dificuldade para realizar atividades de português que exigisse tempo e atenção. Em
casa, a mãe relatava que a criança estava sempre desatenta, com dificuldade para
estudar, fazer as atividades. Ficava sempre distraída, com dificuldade de manter
atenção.

Já com a criança, no processo avaliativo mostrou-se muito retraído e respondia


somente o que lhe era perguntado, com as brincadeiras pedagógicas desistia quando
não conseguia o resultado e precisando ser muito incentivado para continuar, muito
tímido e reservado. Problemas com a dicção e dificuldades com a escrita e o
português, mostrava insegurança emocional diante da execução das atividades;
possuía dificuldades de compreensão de texto longos, possuía dificuldade na
organização espaço‐temporal; dispersava com facilidade; precisava de muito tempo
para ler e entender textos; realizava atividades simples, com textos curtos.
Na primeira escola acompanhada foi identificado o desinteresse da permanência do
estudante, por parte do corpo docente e da direção, mesmo com várias intervenções e
tentativas de conscientizar e sensibilizar a escola no trabalho com a criança. A
genitora desistiu da permanência da criança, pois, percebia que não estava sendo
realizada nenhuma ação em prol da inclusão do mesmo e logo fez a transferência para
uma outra escola municipal Elevir Dionisio.

Lucas é primeiro filho, pais tiveram muito novos, moravam com os avós paternos da
criança. Por ele ser rodeado de adultos, tinha algumas manias que não eram infantis,
como se arrumar para ir trabalhar, dizer que tem que trazer leite e carne para a
mistura do dia e querer aprender a dirigir com menos de 1 ano e meio de idade.
Reponsabilidades de adultos.

Lucas iniciou tratamento com 4 anos de idade, passando pela pedagoga da primeira
escola, onde a mesma afirmou que ele apresentava várias dificuldades de socialização
e de aprendizagem. Os pais foram chamados na escola para uma pré - avaliação de
seu filho, como era inicio de ano letivo e ele acabara de ingressar a mãe questionou se
não poderia ser adaptação, porém a pedagoga muito rude passou complementar
afirmando que ele teria que usar medicamentos psiquiátricos e que a criança causaria
muitos problemas durante o ano.

Os pais muito aflitos questionaram outros professores da escola, onde afirmaram que
ele tem uma falta de atenção durante as explicações, mas nada tão grave ou fora da
realidade. Levaram Lucas para uma avaliação psicológica, que pediu uma intervenção
de psicopedagogos da escola, porém sem sucesso. Os pais resolveram levá-lo ao
psiquiatra, onde o mesmo somente fez o questionamento de indicar um neurologista.

Marcaram a consulta com o neurologista Julio Cesar, renomeado na grande Curitiba,


onde fez vários testes juntamente com um psicólogo indicado por ele. No laudo
afirmaram TDAH, leve e moderado.

Logo após a mudança de escola o neurologista os acompanhou para intervir com a


psicopedagoga. Fez uma visita à escola para levar informações importantes sobre o
aluno, além disso, entregou um material sobre o TDAH com dicas que facilitariam o
trabalho com a criança com esse transtorno. Na nova etapa Lucas foi para uma classe
comum, passando a ter um reforço no contra turno da mesma escola em uma classe
especial.

Para a família, foram dadas orientações sobre como lidar com a pessoa com TDAH
como: gravar aulas e conteúdos dados em sala de aula, procurar conversar sempre
com a criança sobre como está se sentindo; reforçar o que há de melhor na criança;
estabelecer regras e limites dentro de casa; utilizar linguagem clara e direta, de
preferência falando de frente e olhando nos olhos; não exigir mais do que a criança
pode dar, considerando suas possibilidades; não sobrecarregar a criança com excesso
de atividades extracurriculares; ter contato próximo com os professores para
acompanhar melhor o que está acontecendo na escola;

Foram dadas orientações para a escola com sugestões importantes para facilitar a
aprendizagem da criança, foram elas: posicionar a criança na frente da sala,
transformar textos longos em textos mais curtos, sempre lembrar a rotina da sala,
solicitar que o aluno registre as atividades e assuntos dados em sala, colocar como
lembrete na agenda as atividades de casa e não deixar o aluno perto da janela e porta
para não se distrair.

Ainda durante o processo a mãe aproveitou uma classe que abriu na escola de
robótica, onde Lucas se mostrou extraordinário, ganhando em concursos,
campeonatos e viagens, conseguindo melhorar seu cognitivo e sua relação social.