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08/10/2017 A Extraordinária Santidade de Deus — Compreendendo Cristo e Sua Igreja Por Meio do Tabernáculo e das Ofertas

A Extraordinária Santidade de Deus


Compreendendo Cristo e Sua Igreja Por Meio do Tabernáculo e
das Ofertas
Autor: Jeremy James, 1/1/2016.

Sumário

Capítulo 1 — Achegando-se ao
Tabernáculo
Capítulo 2 — O Pátio
Capítulo 3 — O Altar de Bronze
Capítulo 4 — A Pia de Cobre
Capítulo 5 — A Tenda do
Tabernáculo
Capítulo 6 — O Candelabro de Ouro
Capítulo 7 — A Mesa dos Pães da
Proposição
Capítulo 8 — O Altar de Ouro
Capítulo 9 — O Véu
Capítulo 10 — O Santíssimo Lugar
Capítulo 11 — A Arca da Aliança
Capítulo 12 — Aspectos Ausentes
Notáveis
Capítulo 13 — O Sacerdócio
Capítulo 14 — O Óleo Santo da
Unção
Capítulo 15 — As Ofertas
Capítulo 16 — A Novilha Ruiva
Capítulo 17 — As Trombetas de Prata
Capítulo 18 — Conclusão
Apêndice A: As Colunas do Pátio
Apêndice B: Os Cinco Tipos de Ofertas
Bibliografia

Capítulo 1

Achegando-se ao Tabernáculo
A solução completa e perfeita para todas as dificuldades e desafios que a igreja enfrenta no
mundo hoje pode ser encontrada simplesmente estudando e crendo na santa Palavra de
Deus! Mas, os homens se esquecem dessa verdade indelével.

Vernon McGee, que foi um grande professor da Bíblia e teve um profícuo ministério pelo rádio,
apontou para esta crise atual cerca de 40 anos atrás, ao dizer o seguinte, em seu comentário
sobre Romanos:

"O quanto eu gostaria que mais homens que afirmam serem evangélicos
realmente acreditassem na Palavra de Deus — que ela é a Palavra de Deus, que
ela é Deus falando... Em minha opinião, o maior pecado na igreja de Jesus Cristo
nesta geração é a ignorância da Palavra de Deus."

Hoje, um crente que conheça a Palavra de Deus e que se refira a ela frequentemente é muitas
vezes marcado como um criador de problemas, um fariseu legalista ou, talvez, um
fundamentalista fora de moda que não conhece o verdadeiro significado do amor. Poucos
querem falar em profundidade sobre as gloriosas verdades que o Senhor revelou para nosso
proveito em Sua Palavra.

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Em um livro publicado mais de cem anos atrás, Dwight Moody disse que tinha deixado de ir às
festas e reuniões sociais formadas por membros de igrejas, porque "se você falar de um
Cristo pessoal, sua companhia se torna ofensiva; eles não gostam disso; eles querem que
você converse sobre o mundo... Quando você fala sobre um Cristo ressurreto e um Salvador
pessoal, eles não gostam de ouvir sobre isto." (Secret Power, Cap. 5).

Bem, o Tabernáculo da Congregação fala sobre o Cristo ressurreto! E faz isso em detalhes
admiráveis. Mas, poucos querem ouvir o que o Pai nos disse sobre Seu Filho por meio da
estrutura maravilhosa conhecida como Tabernáculo. Os fiéis cristãos hoje parecem ter pouco
ou nenhum conhecimento a respeito do Tabernáculo, ou sobre seu significado. Todavia, este é
um dos estudos mais recompensadores que podemos fazer em nossa caminhada com Cristo.

Este guia simples tem o objetivo de despertar nos leitores um interesse renovado pelo
Tabernáculo e seus significados. A bibliografia lista diversos estudos excelentes e profundos
que enriquecerão grandemente a compreensão desse assunto admirável. (O lançamento
recente de David Cloud, A Portrait of Christ: The Tabernacle, the Priesthood, and the
Offerings, é recomendado.)

Uma grande parte da Palavra de Deus está dedicada ao Templo e ao papel central que ele
exercia, e continuará a exercer, no drama espiritual impressionante do povo judeu. O foco
principal do livro do Apocalipse, tanto geográfica quanto espiritualmente, está em Jerusalém e
em seu Templo, enquanto que uma parte considerável do livro do profeta Ezequiel dedica-se a
descrever o Templo do Milênio, que o próprio Cristo construirá em Seu retorno triunfante.
Todavia, historicamente, o Templo não incorporou elemento significativo algum que não
existisse no Tabernáculo.

O Senhor deu o Tabernáculo aos israelitas de modo a ensiná-los sobre Si mesmo e sobre o
glorioso programa de Redenção que tinha preparado desde a fundação do mundo. Tudo isto se
centraliza em Seu Filho, Cristo Jesus. Para compreendermos e nos relacionarmos com nosso
Pai Celestial, precisamos compreender e nos relacionar com Seu Filho. Enquanto não fizermos
isto, deixamos de compreender a maior parte do que a Bíblia diz.

Alguns cristãos acreditam que um estudo das funções sacerdotais descritas no livro de
Levítico é algo reservado somente para eruditos e estudantes "avançados" da Bíblia, mas este
não é o caso. Qualquer um que ame a Palavra de Deus ficará admirado pela profundidade das
verdades contidas nas páginas desse livro do Pentateuco. Por outro lado, muitos "eruditos" e
"especialistas" já demonstraram desconhecer a elegância espiritual de Levítico e o modelo que
o livro fornece para uma compreensão apropriada do Novo Testamento e da igreja.

M. R. DeHaan, outro mestre da Bíblia que teve um bem-sucedido ministério no rádio, resumiu
a questão da seguinte forma:

"'Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque


lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem
espiritualmente.' [1 Coríntios 2:14]. Isto explica por que a Bíblia permanece em
grande medida um livro fechado para o homem mais instruído, porém não
convertido, ao mesmo tempo que é um livro aberto para os fiéis cristãos mais
ignorantes. Isto explica por que um homem pode ser educado, treinado e possuir
todos os diplomas teológicos que todos os seminários no mundo possam outorgar,
porém mesmo assim ser profundamente cego para as grandes revelações
espirituais da Palavra de Deus, enquanto que um fiel cristão pobre e sem
instrução verá verdades e revelações de infinita profundidade e glória neste Livro
dos livros." [M. R. DeHaan, The Tabernacle, 1955].

O Nome do Tabernáculo

Como um conceito espiritual, o termo tabernáculo é imensamente rico. Ele tem a conotação
de algo que é verdadeiramente belo para o homem — lar, abrigo, segurança, habitação,
proteção e um local tranquilo de descanso, separado do caos do mundo.

A palavra hebraica para "tabernáculo" é mishkan, que significa habitação, ou lugar de


habitação, especialmente uma tenda. O mishkan que o Senhor disse para os israelitas
construírem para a Arca da Aliança é referida de diversos modos na Palavra de Deus. Entre
eles estão:

"Tabernáculo da congregação" — 133 vezes na tradução KJV (King James Version)


"Tabernáculo do Senhor" — 12 vezes
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"Tabernáculo do testemunho" — 5 vezes


"Tabernáculo da tenda da congregação" — 4 vezes
"Tabernáculo da casa de Deus" — 1 vez.

Algumas vezes, a palavra "tabernáculo" refere-se tanto à tenda e ao pátio que está ao redor
dela e, algumas vezes, somente à tenda. Mantenha esta distinção em mente enquanto
prosseguimos.

A tradução literal das palavras hebraicas que a KJV traduz como "tabernáculo da
congregação" é "tenda do encontro". Embora fosse o local onde Deus habitava entre Seu povo
— o "Tabernáculo do Senhor" e o "Tabernáculo da casa do Senhor" — na vasta maioria das
vezes, a Bíblia refere-se a ele como o local onde Deus encontrava o homem.

Tendo dito isto, somente membros designados da tribo de Levi podiam entrar no pátio e, um
número muito menor, os filhos de Arão, podiam entrar na tenda do Tabernáculo. Os membros
das outras tribos, se pudessem entrar no pátio, podiam chegar no máximo até o Altar de
Bronze, que estava situado na entrada do pátio. Assim, de uma população total, ou
"congregação", de cerca de 2 milhões de indivíduos no tempo do Êxodo, somente uma
pequena proporção tinha permissão de entrar no pátio e se aproximar da tenda do
Tabernáculo, enquanto que somente alguns poucos indivíduos podiam realmente entrar na
tenda.

O israelita "mediano" somente conhecia o Tabernáculo pelo lado de fora. Eles podiam ver a
metade superior da tenda do Tabernáculo, adornada por uma sóbria cobertura de pele de
animais. A tenda — que cobria uma área de apenas 4,5 X 13,5 metros — tinha uma altura de
4,5 metros, enquanto que a "cerca" de linho torcido ao redor tinha uma altura de apenas 2,25
metros. O único elemento colorido era a entrada de linho, de 9 metros de largura, que estava
adornada com bordados em cores azul, púrpura (roxo) e vermelho. Ela também tinha 2,25
metros de altura.

A cerca de linho — que delimitava uma área retangular de terreno do deserto de 45 X 22,5
metros — continha 20 tábuas em cada um dos dois lados maiores, e 10 em cada um dos dois
lados menores. A única parte visível de cada tábua era um capitel logo acima da cerca de
linho e, possivelmente, uma pequena porção da tábua revestida de bronze. Cada uma das
tábuas estava encaixada em uma pesada base de bronze firmada no chão, presa por cordas
fixas, tanto do lado de dentro quanto de fora do pátio.

Pilares de Nuvem e de Fogo

Se havia pouco para ver a partir do lado de fora, então em que sentido ele era o Ttabernáculo
da Congregação, ou Tenda do Encontro? Por quais meios tangíveis podiam as tribos de Israel
reunidas se relacionar com ele? A resposta está em um detalhe que muitos hoje parecem ter
se esquecido. O Deus vivo manifestava Sua presença para todos por meio do pilar de nuvem,
que se elevava por cima do Tabernáculo durante o dia, e por meio da coluna de fogo que
subia por cima dele à noite. Independente de onde alguém estivesse no acampamento — uma
área que necessariamente deveria se estender por pelo menos 5 km de um lado a outro, para
acomodar uma população de cerca de 2 milhões de indivíduos — a nuvem e o fogo,
respectivamente, sempre estavam visíveis. Eles eram uma consolação tangível e sempre
presente para todo israelita, desde a criança mais nova até o adulto mais idoso, pois a
nuvem, que se espalhava por cima de todo o acampamento, oferecia proteção durante o dia
contra o calor do sol, enquanto que o fogo oferecia iluminação à noite. "Estendeu uma nuvem
por coberta, e um fogo para iluminar de noite." [Salmos 105:39].

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O dia inteiro, todos os dias, a noite inteira, todas as noites, o Senhor se deu a conhecer ao
Seu povo a partir de Sua habitação no Tabernáculo. Além disso, Ele fez isso continuamente,
durante 40 anos:

"E o SENHOR ia adiante deles, de dia numa coluna de nuvem para os guiar pelo
caminho, e de noite numa coluna de fogo para os iluminar, para que caminhassem
de dia e de noite. Nunca tirou de diante do povo a coluna de nuvem, de dia, nem
a coluna de fogo, de noite." [Êxodo 13:21-22].

É importante também reconhecer que, mesmo neste estágio inicial na revelação de Seu
programa de Redenção, o Senhor abriu a possibilidade para a edificação dos gentios. A
congregação incluía uma "mistura de gente" (Êxodo 12:38), isto é, não-israelitas —
presumivelmente egípcios e etíopes em sua maioria — que viviam no Egito no tempo do
Êxodo e que decidiram partir junto com a migração judaica. Além disso, durante os quarenta
anos de peregrinação no deserto, indivíduos empreeendedores das nações gentias
provavelmente saíram para ver o imenso acampamento israelita e testemunhar por si
mesmos o dossel de nuvens durante o dia e o pilar de fogo à noite.

Isaías nos diz que exatamente os mesmos sinais da proteção divina serão visíveis no Milênio,
quando Cristo Jesus, o Messias, reinar triunfantemente e em perfeita justiça em Jerusalém:

"Quando o SENHOR lavar a imundícia das filhas de Sião, e limpar o sangue de


Jerusalém, do meio dela, com o espírito de justiça, e com o espírito de ardor. E
criará o SENHOR sobre todo o lugar do monte de Sião, e sobre as suas
assembléias, uma nuvem de dia e uma fumaça, e um resplendor de fogo
flamejante de noite; porque sobre toda a glória haverá proteção. E haverá um
tabernáculo para sombra contra o calor do dia; e para refúgio e esconderijo
contra a tempestade e a chuva." [Isaías 4:4-6].

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O Significado Numérico no Tabernáculo

Ao considerarmos os elementos constituintes do Tabernáculo, precisamos ter em mente a


linguagem numérica que o Senhor usou em toda Sua santa Palavra. Os números são usados,
não em um sentido simbólico ou numerológico, mas como um modo de marcar uma
característica ou uma propriedade. Muitos eruditos bíblicos já chamaram a atenção para este
aspecto das Escrituras, incluindo F. W. Grant e A. J. Pollock. Isto não tem nada que ver com
códigos ou com significados ocultos, mas, ao revés, com o modo como as Escrituras utilizam
números em uma maneira consistente de modo a enfatizar certas verdades. Por exemplo, o
número 7, que ocorre tão frequentemente no livro do Apocalipse, significa perfeição divina,
enquanto que o número 6 significa o homem agindo em sua própria força. Assim, o número
"666" indica a convicção do homem ímpio que ele pode viver sem Deus e depender
unicamente de seus próprios recursos.

A tabela abaixo apresenta uma breve descrição do significado desses números, conforme
Deus os utilizou em Sua Palavra. A relevância deles se tornará mais aparente ao examinarmos
a estrutura do Tabernáculo e o impressionante programa de Redenção que ele incorpora.

Número Significado Típico nas Escrituras


Supremacia, unidade,
1
autossuficiência.
Intensificação, testemunhar,
2
testemunho.
3 Plenitude, totalidade, manifestação.
4 Universal, inclusivo, mundial.
Responsabilidade humana, ação
5
responsável.
Limitação humana, mundo sob
6
julgamento.
Perfeição, realização divina,
7
descanso.
8 Novo início, nova era.
[Nenhum significado geralmente
9
aceito].
10 Universalidade aperfeiçoada.
[Nenhum significado geralmente
11
aceito].
12 Soberania manifesta, administração.
40 Teste, provação completa.

Fontes: Bible Encyclopedia and Dictionary, de A. R. Fausset; The Numerical


Structure of Scripture, de F. W. Grant; The Tabernacle's Typical Teaching, de A. J.

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Pollock.

Tenha também em mente, ao estudarmos o Tabernáculo, o poder vivo e a relevância ainda


atual de todo verso na Bíblia. Cada um deles está tão repleto de vitalidade hoje quanto no
tempo em foi escrito originalmente pelos profetas. Lamentavelmente, o homem em sua tolice
introduziu muitas convenções que o cegam para esta verdade. Até mesmo os termos Velho
Testamento e Novo Testamento são uma barreira para compreendermos a Palavra de Deus em
sua totalidade. Como Adolph Saphir comentou:

"Acredito que os próprios nomes, Velho Testamento e Novo Testamento, sejam


errôneos e prejudiciais. Qual é o sentido de chamar os escritos de Moisés e dos
profetas de 'Velho Testamento'? Eles não apresentam a aliança da graça? A
doutrina da justificação pela fé: Paulo na epístola aos Romanos não prova a partir
do Gênesis (caso de Abraão) e a partir dos Salmos (caso de Davi, Salmo 32)?
Onde a doutrina da substituição e os sofrimentos vicários do Messias são
apresentados mais claramente do que em Levítico e no capítulo 53 de Isaías? O
termo 'Velho Testamento' leva as pessoas a imaginarem que ele é um livro
antiquado; enquanto que, em muitos aspectos, ele é mais atual do que o Novo
Testamento, referindo mais plenamente à era de glória e bênçãos na Terra que
ainda estão diante de nós." [Christ and Israel, Adolph Saphir, cap. 8].

Capítulo 2

O Pátio
A área do Tabernáculo, ou pátio, era definida por uma cerca retangular e uma entrada, como
segue:

A cerca era formada por 60 tábuas.


A área delimitada era de 100 côvados por 50 côvados (45 m x 22,5 m).
As 60 tábuas eram feitas de madeira de acácia e revestidas por bronze (veja o Apêndice
A).
As tábuas eram encaixadas verticalmente nas bases de bronze.
Cada tábua tinha uma altura de 5 côvados (2,25 m).
As tábuas eram mantidas em posição vertical por cordas amarradas às bases de bronze
fixadas no solo.
Todos os ganchos, argolas e colchetes eram feitos de prata.
Um capitel de prata estava montado por cima de cada tábua.
Vinte tábuas ficavam no lado norte do Tabernáculo e vinte no lado sul.
Dez tábuas ficavam do lado oriental e dez no ocidental.
A entrada, que estava no lado oriental, tinha quatro tábuas e uma largura de 20
côvados (9 metros).
A entrada consistia de uma cortina de linho com obras de bordador em carmesim
(vermelho vivo), púrpura (violeta, ou roxo) e azul.
O restante da cerca era coberto por uma cortina de linho branco fino e torcido.
As cortinas ao longo de cada lado podem ter sido feitas de um rolo contínuo de tecido.

Nechosheth

A palavra hebraica nechosheth, que na tradução de João Ferreira de Almeida (ACF) aparece
como bronze, pode ter sido o cobre. O bronze é uma liga de zinco e estanho, mas sabemos
hoje que o zinco era muito raro nos tempos antigos. O cupralumínio é outra possibilidade.
Uma liga de cobre e alumínio, ele era muito menos maleável do que o estanho e difícil de
trabalhar sem ser recriado. Todas as famílias israelitas certamente possuíam diversos talheres
de mesa feitos de cobre quando deixaram o Egito. Evidências arqueológicas mostram que
esse metal era comumente usado naquele tempo. Ele também era de maior valor prático do
que o bronze, pois podia ser moldado e transformado em novos objetos. Ele também podia
ser polido e servir como espelho para propósitos cosméticos (veja Êxodo 38:8).

Temos também outra indicação em Deuteronômio 8:9, que diz: "... terra cujas pedras são
ferro, e de cujos montes tu cavarás o cobre." Como o bronze é uma liga e não é encontrado
em minas, o metal em questão mais provavelmente era o cobre.

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Por esta e outras razões, muitos eruditos hoje acreditam que, na maioria das ocorrências
(embora não necessariamente em todas) em que a palavra nechosheth é usada na Bíblia, ela
na verdade significa cobre. Todavia, para evitar confusão, continuaremos a nos referir a esse
metal como "bronze".

Metais

Três metais foram usados na construção do Tabernáculo — ouro, prata e bronze (cobre).
Como já vimos, o número três indica plenitude, de modo que sabemos que esses metais
transmitiam uma mensagem espiritual completa para os hebreus. Os eruditos bíblicos em
geral concordam que:

O ouro significa divindade, ou justiça divina.


A prata significa expiação, redenção e santificação.
O bronze significa julgamento e a consequência do pecado.

Cores

O Tabernáculo consistia de dois grupos principais de cores, isto é, as três cores metálicas —
ouro, prata e bronze — e quatro cores nos tecidos — azul, púrpura, vermelho e branco. Como
um conjunto, esses quatro últimos denotavam universalidade e, portanto, uma verdade
espiritual que era aplicável ao total da humanidade.

Azul, a cor do céu, significa a origem celestial de Cristo.


Púrpura (violeta, ou roxo), significa a realeza de Cristo.
Vermelho, significa o sangue derramado de Cristo.
Branco, significa a perfeita justiça de Cristo.

Outra cor notável era a da cobertura exterior do próprio Tabernáculo. Como esta é uma
questão de conjetura, deixarei para discuti-la separadamente (veja o Cap. 5).

Embora a palavra "branco" não seja encontrada no Êxodo, ela é implícita pela palavra
hebraica byssus, que significa linho fino. Assim, o termo "linho fino torcido (ou trançado)"
significa um linho branco desbotado muito puro, do tipo mais caro, que normalmente estava
disponível somente para a aristocracia egípcia. O livro do Apocalipse confirma a importância
do linho fino como um símbolo da perfeita pureza quando declara:

"Regozijemo-nos, e alegremo-nos, e demos-lhe glória; porque vindas são as


bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou. E foi-lhe dado que se vestisse
de linho fino, puro e resplandecente; porque o linho fino são as justiças dos
santos." [Apocalipse 19:7-8].

A cerca que existia ao redor do pátio e que consistia de linho fino branco, declarava que
somente uma pessoa vestida em justiça poderia entrar. As tábuas de acácia denotavam nossa
humanidade, enquanto que o revestimento de bronze em cada uma delas declarava que toda
a humanidade está sob julgamento diante de um Deus extraordinariamente santo.

A cerca poderia ter formado uma barreira permanente para as almas perdidas, se não
existisse a mensagem de esperança retratada pelos capitéis no alto de cada tábua. A prata
denota expiação e, portanto, aponta para o sangue derramado de Cristo.

A entrada única ficava no lado oriental do pátio. Ela consistia de uma passagem de quatro
pilares, mostrando que ela estava acessível a toda a humanidade (quatro é o número da
universalidade). A cortina que enfeitava a entrada também era feita de "linho fino torcido",
mas era toda bordada com fios de cores azul, púrpura e carmesim. Essas cores eram um
convite para todos fazerem uso da obra perfeita de Cristo, para virem até Ele em Sua
divindade, a se submeterem à Sua soberania, a buscarem salvação em Seu sangue
derramado, e aceitarem o dom da justiça perfeita que Ele somente pode outorgar.

O Tabernáculo constituía um retrato impressionante de Cristo. Cada detalhe de sua construção


e suas várias atividades cerimoniais proclamavam algum aspecto da santidade, do propósito e
da obra perfeita de Cristo. Por meio do Tabernáculo e de seus ritos cerimonias prescritos, o
Pai Celestial estava apresentando a humanidade ao Seu Filho. Em particular, Ele estava
retratando Seu plano de redenção, por meio do qual os homens caídos poderiam vir até Ele e
se reconciliar com Ele.

Retratando Seu plano deste modo, Deus estava dizendo ao mundo que não há outro caminho
para a salvação. Se nos recusarmos a vir até Ele de acordo com Sua santa vontade, seguindo
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o caminho que Ele especificou, nunca O encontraremos.

Isto significa que todas as outras religiões são falsas e nunca levarão a Deus? Sim, é
exatamente o que significa. Isto não é algo que as pessoas gostem de ouvir, mas é a
mensagem do Tabernáculo.

A Lei definiu um padrão que homem algum — exceto Cristo — conseguiu cumprir ("E é
evidente que pela lei ninguém será justificado diante de Deus, porque o justo viverá pela fé."
[Gálatas 3:11]). A grande esperança no Pentateuco está, não na obediência à Lei, mas na
promessa do Tabernáculo, representada pelo Propiciatório no Santíssimo Lugar.

A Lei, que era representada pelas duas tábuas de pedra, confirmava com força terrível que o
homem estava sob uma sentença de morte e que não havia absolutamente nada que ele
poderia fazer para salvar-se. A Lei permitiu que o homem visse que sua condição era até pior
do que ele tinha anteriormente imaginado. Mas, as tábuas da Lei estavam guardadas dentro
da Arca, de forma que a ira de Deus, que elas continuamente autorizavam e convidavam, era
mantida permanentemente sob controle pelo Propiciatório (uma tampa) que ficava sobre elas.

Os Dois Mantos

O Tabernáculo fala sobre Cristo de formas inesperadas. Considere, por exemplo, os dois
mantos que foram colocados sobre Cristo imediatamente antes da crucificação:

"E os soldados o levaram dentro à sala, que é a da audiência, e convocaram toda


a coorte. E vestiram-no de púrpura, e tecendo uma coroa de espinhos, lha
puseram na cabeça. E começaram a saudá-lo, dizendo: Salve, Rei dos Judeus!"
[Marcos 15:16-18].

"E logo os soldados do presidente, conduzindo Jesus à audiência, reuniram junto


dele toda a coorte. E, despindo-o, o cobriram com uma capa de escarlate; e,
tecendo uma coroa de espinhos, puseram-lha na cabeça, e em sua mão direita
uma cana; e, ajoelhando diante dele, o escarneciam, dizendo: Salve, Rei dos
judeus. E, cuspindo nele, tiraram-lhe a cana, e batiam-lhe com ela na cabeça. E,
depois de o haverem escarnecido, tiraram-lhe a capa, vestiram-lhe as suas vestes
e o levaram para ser crucificado." [Mateus 27:27-31].

A palavra grega para "púrpura" em Marcos é porphyra, enquanto que a palavra para escarlate
em Mateus é kokkinos. Apesar do fato de duas cores distintas serem mencionadas, alguns
comentaristas, incluindo Gill e Barnes, acreditam que, como a mesma sequência de eventos
está sendo descrita em ambos os Evangelhos, o mesmo manto está sendo referido a cada
vez. Mas, a tipologia do Tabernáculo diz algo diferente. As quatro cores nos tecidos do
Tabernáculo são as mesmas cores que Cristo "vestiu" no dia de Sua crucificação. Além de sua
túnica de linho branco, sobre o qual os soldados lançaram sortes, Cristo foi despido e vestido
sucessivamente pelos soldados da guarda pretoriana com dois mantos diferentes, um de cor
púrpura e outro vermelho. A quarta cor — azul — é a cor do céu, um céu sem nuvens.

O Tabernáculo e a Igreja

Se o Tabernáculo lida com a santidade de Deus, o estado caído do homem, os efeitos


perniciosos do pecado, a necessidade de expiação, a morte e ressurreição de Cristo e a
redenção da humanidade, então ele tem muito a dizer sobre a igreja!

Comparando a atitude e práticas da igreja professa com os princípios santos incorporados no


Tabernáculo, devemos ser capazes de dizer se, e em que extensão, a igreja se mantém fiel ao
seu rumo prescrito.

Capítulo 3

O Altar de Bronze
Todos os sacrifícios no programa de Redenção do Senhor ocorriam no Altar de Bronze, que
estava localizado perto da entrada do Pátio do Tabernáculo. Não havia um altar perpétuo em
qualquer outro lugar na Terra onde o homem podia vir diante de Deus e receber a expiação
pelos seus pecados.
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O altar era uma caixa retangular oca, feita


de madeira de acácia e revestida por
bronze. Ele tinha 3 côvados (1,35 m) de
altura, com uma superfície superior de 5x5
côvados (2,25 m X 2,25 m). Uma grelha de
bronze estava fixada dentro da caixa, 67,5
centímetros abaixo da superfície sobre a
qual as ofertas sacrificiais eram colocadas.
Em cada um dos quatro cantos havia uma
argola de bronze e o altar era transportado
de um lugar para outro por dois varais de
madeira de acácia revestidos por bronze,
que passavam pelas argolas. No topo de
cada canto havia um chifre de madeira de
acácia, revestido por bronze. Um conjunto
de utensílios de bronze foram fabricados
para uso nas várias funções cerimoniais.
Esses utensílios incluíam tenazes (para retirar as brasas do fogo), pás (para recolher as
cinzas), bacias (para recolher o sangue) e garfos (para colocar a carne no altar).

O fogo abaixo da grelha foi aceso inicialmente pelos céus e queimava perpetuamente. As
brasas incandescentes eram transportadas com todo o cuidado sempre que o Tabernáculo era
transferido para outro lugar durante a jornada do povo de Israel pelo deserto.

As Ofertas Sacrificiais

A pessoa que trazia um animal em oferta sacrificial — seja bode, carneiro ou boi — colocava
suas mãos sobre a cabeça do animal sacrificial, um ato que expressava sua submissão a
Deus. A própria pessoa então matava o animal, enquanto o sacerdote recolhia o sangue
derramado em uma bacia e depois o espargia sobre o altar:

"E porá a sua mão sobre a cabeça do holocausto, para que seja aceito a favor
dele, para a sua expiação. Depois degolará o bezerro perante o SENHOR; e os
filhos de Arão, os sacerdotes, oferecerão o sangue, e espargirão o sangue em
redor sobre o altar que está diante da porta da tenda da congregação. Então
esfolará o holocausto, e o partirá nos seus pedaços. E os filhos de Arão, o
sacerdote, porão fogo sobre o altar, pondo em ordem a lenha sobre o fogo."
[Levítico 1:4-7].

Esta cerimônia era um lembrete chocante a cada participante que o pecado sempre resultava
em morte e que a expiação somente ocorreria quando um substituto vivo morresse em seu
lugar.

"E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem
derramamento de sangue não há remissão." [Hebreus 9:22].

"Porque a vida da carne está no sangue; pelo que vo-lo tenho dado sobre o altar,
para fazer expiação pelas vossas almas; porquanto é o sangue que fará expiação
pela alma." [Levítico 17:11].

Sabemos que o sangue de animais não pode remover pecados — "Porque é impossível que o
sangue dos touros e dos bodes tire os pecados." [Hebreus 10:4]. Portanto, como o sangue
dos animais sacrificados sob a Lei Mosaica tinha um efeito de expiação? Cada um desses
sacrifícios apontava para o único sacrifício que poderia remover o pecado, isto é, o sacrifício
de Cristo no Calvário. Ao aceitar o sacrifício do animal, o Senhor estava mostrando Sua
disposição de perdoar os pecados antes do sacrifício que Seu Filho um dia faria no Calvário. O
"cheiro suave" que o Senhor recebia com as ofertas queimadas não era o do animal
sacrificado, mas aquilo que estava indicado, isto é, o perfeito amor e a perfeita obediência
expressos por Seu Filho no Calvário:

"Depois o tomarás das suas mãos e o queimarás no altar sobre o holocausto por
cheiro suave perante o Senhor; é oferta queimada ao SENHOR." [Êxodo 29:25].

"E andai em amor, como também Cristo vos amou, e se entregou a si mesmo por
nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave." [Efésios 5:2].

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Cristo era o único "cheiro suave" no Altar de Bronze. O Pai Celestial, cuja visão dos eventos
terreais não está limitada pelo tempo, podia ver o perfeito amor de Seu Filho no sacrifício
cheio de fé de toda oferta queimada. É por este motivo que os sacrifícios de animais serão
reinstituídos em Jerusalém durante o Milênio (segundo os capítulos 40-48 de Ezequiel). De si
mesmos, eles não expiavam os pecados nos tempos da Lei Mosaica e também não farão isso
no futuro. Somente o Calvário realizou isto. As ofertas feitas durante o Milênio refletirão o
Calvário, que está no passado, exatamente como as ofertas durante o tempo da Lei Mosaica
refletiam o futuro, apontando para o único sacrifício perfeito que faria o acerto definitivo da
questão do pecado. Exatamente como as ofertas no tempo da Lei Mosaica apontavam para o
Calvário, que estava no futuro, as ofertas durante o Milênio celebrarão o mesmo Calvário.

Se é assim, então por que os sacrifícios foram introduzidos na Lei Mosaica? A resposta está na
fé. Por meio da fé, que eles expressavam por meio de sua obediência aos preceitos das
ofertas sacrificiais, os israelitas — tanto como indivíduos e como nação — estavam se
comprometendo com o programa redentor instituído por Deus. Exatamente como somos
salvos hoje por nossa fé naquilo que Cristo realizou por nós no Calvário, os israelitas dos
tempos antigos eram salvos por sua fé nos sacrifícios que apontavam para o Calvário e que
eram eficazes unicamente por causa do sacrifício expiatório de Cristo.

Discutiremos os detalhes das várias ofertas e seus respectivos significados no Cap. 15.

A Grelha no Altar de Bronze

A grelha (ou crivo) dentro do Altar de Bronze (que pode, na verdade, ser feito de bronze, e
não cobre) estendia-se de um lado a outro, era quadrada. Isto significa que nada que fosse
colocado sobre ela escapava do fogo que estava embaixo.

A grelha era fixada na metade, na parte oca do altar: "E as porás dentro da borda do altar
para baixo, de maneira que a rede chegue até ao meio do altar." [Êxodo 27:5]. Como o altar
tinha uma altura de 3 côvados (1,35 m), a grelha estava a um côvado e meio (67,5 cm)
acima do solo, o que significa que estava exatamente na mesma altura que o Propiciatório. É
significativo que tanto o lugar onde a questão do pecado era acertada e o lugar onde os
benefícios misericordiosos desse acerto eram concedidos estavam no mesmo nível.

Como a Bíblia diz que Cristo foi "levantado" em Sua crucificação, podemos conjeturar que Sua
elevação no Calvário foi a mesma, isto é, 67,5 centímetros acima do solo: "E eu, quando for
levantado da terra, todos atrairei a mim."

Esta surpreendente concordância torna-se ainda mais incomum pelo fato que a Mesa dos Pães
de Proposição (que discutiremos adiante) também tinha uma altura de 67,5 centímetros.

O quadro a seguir mostra o relacionamento:

"Farás também o altar de madeira de acácia;


Altura: 3 côvados (1,35 m).
Altar de cinco côvados será o comprimento, e cinco
A grelha estava no meio do
Bronze côvados a largura (será quadrado o altar), e
altar, ou a 67,5 centímetros.
três côvados a sua altura." [Êxodo 27:1].
"Também farão uma arca de madeira de
Colocado sobre a Arca, que acácia; o seu comprimento será de dois
Propiciatório tem um côvado e meio de côvados e meio, e a sua largura de um côvado
altura (67,5 cm). e meio, e de um côvado e meio a sua altura."
[Êxodo 25:10].
Os pães da proposição das "Também farás uma mesa de madeira de
Mesa dos 12 tribos eram colocados acácia; o seu comprimento será de dois
Pães da sobre a mesa, que tem uma côvados, e a sua largura de um côvado, e a
Proposição altura de um côvado e meio sua altura de um côvado e meio." [Êxodo
(67,5 cm). 25:23].

Podemos ver nesse quadro uma conexão surpreendente entre a misericórdia de Cristo (o
Propiciatório), o sofrimento de Cristo (a grelha no Altar de Bronze) e os beneficiários do
sacrifício feito por Cristo — as doze tribos de Israel e, por extensão, a igreja.

A Madeira de Acácia

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Quer seja medido por peso ou por volume, o material mais utilizado na construção do
Tabernáculo foi a madeira de acácia. Na tipologia espiritual do Tabernáculo, a madeira
representava nossa humanidade, mas nossa humanidade precisa ser coberta ou protegida de
algum modo, caso contrário será consumida pelo fogo.

A única madeira exposta dentro do


pátio era a lenha queimada no Altar de
Bronze. Este é o destino de todos os
que rejeitam a expiação que Cristo
oferece para cada um de nós.

Alguns argumentam que o inferno não


é um lugar real, mas o Tabernáculo diz
de forma contrária.

Se olharmos novamente para o


significado dos três metais usados em
todo o Tabernáculo, podemos ver mais
claramente o profundo significado
espiritual que eles possuem. O bronze
mostra o homem como ele está diante
de Deus, protegido unicamente pelo fato glorioso que alguém — Cristo nosso Salvador —
tomou sobre Si mesmo o fogo do julgamento que, de outra forma, iria nos consumir. Quando
vamos diante do Senhor e nos arrependemos de nossos pecados, nascemos de novo e
ficamos daí para frente cobertos pelo sangue protetor de Cristo. O processo da purificação
espiritual continua a partir desse momento por toda a duração de nossa vida. Somos
santificados pela oração, pela adoração, pelo estudo bíblico, pelo serviço, pelas boas obras e,
acima de tudo, pela perfeita obediência à vontade de Deus. Essa santificação é representada
pela prata usada no Tabernáculo. Finalmente, após esta vida terminar, os santos receberão no
tempo devido, na primeira ressurreição, seus corpos físicos imortais, representados pelo
revestimento de ouro.

Não existem modos alternativos de salvação. Não permita que ninguém o engane com
palavras vãs: o inferno é real, o destino final para os filhos da desobediência:

"Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de
Deus sobre os filhos da desobediência." [Efésios 5:6].

Foi exatamente isto que aconteceu com os 250 seguidores de Coré, Datã e Abirão. Quando
eles se rebelaram contra o sistema sacerdotal da expiação que o Senhor tinha instituído,
foram consumidos pelo fogo que caiu dos céus:

"Então saiu fogo do SENHOR, e consumiu os duzentos e cinquenta homens que


ofereciam o incenso." [Números 16:35].

Que não haja dúvidas sobre a severidade deste julgamento! Deus punirá todos aqueles que
rejeitarem o caminho da salvação que Ele graciosamente forneceu por meio do sacrifício de
Seu Filho. O apóstolo Paulo referiu-se a essa solene realidade quando disse:

"Considera, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram,


severidade; mas para contigo, benignidade, se permaneceres na sua
benignidade; de outra maneira também tu serás cortado." [Romanos 11:22].

De modo a garantir que os israelitas compreendessem essa verdade fundamental, Deus


mandou Moisés tomar os incensários de bronze que cada um dos rebeldes carregava no
momento em que foram consumidos e fabricar com eles "folhas estendidas". Essas folhas
foram então colocadas como revestimento sobre o Altar de Bronze, como um memorial aos
filhos de Israel (veja Números 16:35-40).

Este foi um ato extraordinário. O mesmo lugar na Terra onde o pecado era expiado foi agora
enfeitado com um lembrete chocante que o pecado será julgado! A não ser que os homens
aceitem o único meio de expiação que o Senhor forneceu, eles enfrentarão o fogo da ira do
Seu justo juízo! Os incensários que foram transformados em folhas para revestirem o altar
serviram como um dramático lembrete disto!

Os Chifres do Altar de Bronze

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A força de um animal, como um carneiro, bode ou touro, estava concentrada em seus chifres.
Assim, em um contexto bíblico, a palavra "chifre" designava um líder forte, ou um ponto focal
de poder e de autoridade. Os quatro chifres de acácia que existiam no Altar de Bronze, cada
um dos quais estava revestido por bronze, falavam do julgamento universal, ou mundial. O
número 4 designava a universalidade, enquanto que o bronze representava o julgamento de
um Deus justo sobre os pecados de toda a humanidade.

No fim, todas as nações, e não apenas Israel, precisarão vir diante do Altar de Bronze. Como
todos estão sob condenação, todos precisam buscar a expiação por seus pecados e se
reconciliar com Deus. Assim, o Altar de Bronze é, ao mesmo tempo, o mais terrível lugar no
universo, pois consome profundamente todos os que o rejeitam, mas, paradoxalmente, é
também o mais maravilhoso, pois liberta cada um de nós da servidão espiritual.

Com a totalidade da ira de Deus concentrada sobre este local, é difícil pensar nele como um
lugar de misericórdia. Talvez seja por esta razão que o Senhor acrescentou uma bênção
totalmente inesperada aos chifres do Altar de Bronze:

"Quem ferir alguém, de modo que este morra, certamente será morto. Porém se
lhe não armou cilada, mas Deus lho entregou nas mãos, ordenar-te-ei um lugar
para onde fugirá. Mas se alguém agir premeditadamente contra o seu próximo,
matando-o à traição, tirá-lo-ás do meu altar, para que morra." [Êxodo 21:12-14].

Antes de as cidades de refúgio serem instituídas, uma pessoa culpada de causar uma morte
acidental podia fugir até o Altar de Bronze e se agarrar a um de seus chifres. Este ato oferecia
proteção imediata contra um perseguidor furioso, até que uma audiência justa pudesse ser
conseguida. O Altar de Bronze continuou a servir como um local de clemência mais tarde, até
mesmo depois que as seis cidades de refúgio foram estabelecidas. Por exemplo, quando
Adonias apelou por misericórdia, agarrando-se aos chifres do altar, ele foi perdoado por
Salomão (1 Reis 1:50), porém quando Joabe, que era culpado de homicídio, tentou garantir
clemência da mesma forma, ele foi executado.

O pecado precisa ser punido. Não existem exceções. Os fiéis cristãos são redimidos, não
porque Deus decidiu arbitrariamente perdoá-los, mas porque Cristo tomou sobre Si mesmo a
punição total em nosso lugar.

O Altar de Bronze é o lugar mais inclemente na Bíblia — juntamente com o Calvário, sem
antítipo — pois não poupava ninguém, nem mesmo o Filho de Deus. Todavia, ao requer esse
lugar, o Senhor Deus o marcou com um sinal especial de Sua infinita misericórdia — os quatro
chifres de refúgio.

Capítulo 4

A Pia de Cobre

O Altar de Bronze lidava com o pecado. Como uma


figura da cruz, em que os sacrifícios contínuos de
animais tipificavam o único sacrifício perfeito, ele
garantia a completa reconciliação do homem com
Deus. Os sacrifícios de animais, em si mesmos, não
faziam nada pelo pecado, exceto postergar a
punição que a justiça divina exigia. Cada um dos
sacrifícios de animais apontava para Cristo. O
"cheiro suave" que o Pai Celestial recebia com essas
ofertas queimadas era, na realidade, o suave
perfume da perfeita obediência de Seu Filho à Sua
santa vontade. Humanamente, vemos esses eventos
em um contexto histórico, mas nosso Pai Celestial os
vê e conhece todas as coisas de uma maneira
atemporal: "Conhecidas são a Deus, desde o
princípio do mundo, todas as suas obras." [Atos 15:18].

A questão do pecado é acertada para sempre quando nascemos de novo. Quando isso
acontece, nosso pecado é "coberto" pelo sangue de Cristo, que fez expiação em nosso lugar.
Ele pagou, ou cobriu, a dívida do nosso pecado por nós. Esse conceito de "cobrir" é
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encontrado em todo o Tabernáculo, em que toda a madeira de acácia era revestida por ouro
— representando nossa humanidade coberta por Cristo em um dos três aspectos de sua obra
como Remidor — aquele que assumiu nossa humanidade para habitar entre nós e nos salvar
do julgamento divino (o bronze), aquele que derramou seu sangue e deu sua vida por nós,
morrendo em nosso lugar (prata) e aquele em que habita "toda a plenitude da divindade"
(Colossenses 2:9) (o ouro).

Dai para frente, após a justificação pela fé em Cristo, enquanto ainda estamos vivendo aqui
em nosso corpo e mente caídos e afetados pelo pecado, o Senhor requer que façamos uma
limpeza contínua da contaminação deste mundo terreal. Esse processo contínuo é
representado pela Pia de Cobre.

Toda vez que os sacerdotes se aproximavam do Altar de Bronze para apresentar uma oferta
queimada, ou que entravam no santuário do Tabernáculo, eles tinham de lavar suas mãos e
seus pés "para que não morressem":

"E Arão e seus filhos nela lavarão as suas mãos e os seus pés. Quando entrarem
na tenda da congregação, lavar-se-ão com água, para que não morram, ou
quando se chegarem ao altar para ministrar, para acender a oferta queimada ao
SENHOR. Lavarão, pois, as suas mãos e os seus pés, para que não morram; e isto
lhes será por estatuto perpétuo a ele e à sua descendência nas suas gerações."
[Êxodo 30:19-21].

Cristo estava fazendo referência a esse ato essencial quando lavou os pés dos apóstolos na
Última Ceia. Como os pés deles estavam em contato constante com o mundo, eles estavam
continuamente acumulando as manchas do mundo. Essas manchas, ou contaminações,
tinham de ser removidas — "Disse-lhe Pedro: Nunca me lavarás os pés. Respondeu-lhe Jesus:
Se eu te não lavar, não tens parte comigo." [João 13:8]. Os sacerdotes do Tabernáculo
também tinham de lavar suas mãos porque estavam em contato constante com a morte ao
manusearem os sacrifícios no Altar de Bronze.

A igreja moderna virtualmente abandonou a Pia de Cobre. A maioria dos cristãos professos
não vê mais a necessidade de uma contínua limpeza diária na Palavra de Deus, com oração de
arrependimento sincero e separação do mundo.

A Pia de Cobre foi feita inteiramente de cobre, porém a quantidade de metal não foi
especificada. As dimensões também não são indicadas. A ausência da madeira de acácia é um
lembrete que, mesmo após a questão do pecado ter sido solucionada, o próprio homem, em
sua humanidade, nada pode fazer para remover sua própria contaminação diária. Esta
também é uma obra que somente Cristo pode realizar — mas que o homem precisa solicitar.
Exatamente como Pedro teve de permitir a limpeza de seus pés por Cristo, e os sacerdotes
tinham de ir até Pia de Cobre muitas vezes por dia, o fiel cristão também precisa
humildemente se submeter a Cristo todos os dias e solicitar essa purificação.

Pelo fato de Deus não especificar a quantidade de cobre necessária e nem o tamanho e
formato da pia, o fiel cristão está sendo convidado a se achegar a Cristo todos os dias, tantas
vezes quanto quiser, sem limites. A limpeza da contaminação — que é contraída
continuamente por meio de nosso contato diário com um mundo danificado pelo pecado — é
uma tarefa que nunca termina.

A Pia de Cobre continha somente água. Em toda a Escritura, quando a água é usada
simbolicamente, ela designa a Palavra, seja a Palavra escrita, ou a Palavra viva. Cristo
declarou que todo aquele que vier até Ele encontrará um poço de águas vivas e que nunca
secam: "Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu
lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna." [João 4:14]. Portanto,
exatamente como o Altar de Bronze — uma representação de Cristo — usava o sangue para
nos purificar de nossos pecados, a Pia de Cobre — outra representação de Cristo — usava a
água para nos limpar de nossa contaminação — "... como também Cristo amou a igreja, e a si
mesmo se entregou por ela, para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela
palavra." [Efésios 5:25-26].

Um detalhe admirável que a Palavra de Deus acrescenta é que a Pia de Cobre foi feita com os
"espelhos" doados pelas mulheres:

"Fez também a pia de cobre com a sua base de cobre, dos espelhos das mulheres
que se reuniam, para servir à porta da tenda da congregação." [Êxodo 38:8].

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[Esta é outra evidência que a palavra hebraica nechosheth é cobre, pois o cobre é mais
reflexivo do que o bronze quando submetido ao polimento.]

Os "espelhos" de cobre refletiam o orgulho do mundo e a vaidade humana. Usando-os para


fabricar a Pia de Cobre, o Senhor estava mostrando que, de modo a nos achegarmos a Ele,
precisamos renunciar completamente ao nosso orgulho e virar nossas costas para o mundo.
Nossos corações precisam refletir o Senhor e Sua glória, não o mundo ou nós mesmos. Fomos
feitos à imagem e semelhança de Deus, de modo que precisamos ser refletores perfeitos do
Deus maravilhoso de quem temos a imagem — "Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o
vosso Pai que está nos céus." [Mateus 5:48].

É possível que Paulo tenha se referido a isto em sua segunda carta aos Coríntios:

"Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do
Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo
Espírito do Senhor." [2 Coríntios 3:18].

Em caso afirmativo, então a Pia de Cobre


muito provavelmente era uma simples
bacia assentada sobre uma base ou
pedestal (a palavra hebraica sugere
exatamente isto). Os sacerdotes pegavam
um pouco de água com uma concha ou
uma caneca e a derramavam sobre suas
mãos e pés. Desse modo, a pureza da água
na pia não era prejudicada. A "glória" à
qual Paulo se refere não era diferente do
céu azul acima, que era refletido
continuamente na água contida na pia.
Toda vez que os sacerdotes se
aproximavam da pia para lavar suas mãos
e pés, eles viam o céu de cor azul safira
refletido na água e podiam se lembrar da
gloriosa perfeição do Deus maravilhoso que
o criou.

O livro de Jó até compara o céu a um "espelho fundido" — "Ou estendeste com ele os céus,
que estão firmes como espelho fundido?" [Jó 37:18].

A mesma figura aparece também em Êxodo 24, uma passagem de tirar o fôlego das
Escrituras, em que Moisés, os sacerdotes e setenta anciãos foram convidados pelo "Deus de
Israel" a subirem ao monte e se encontrarem pessoalmente com Ele:

"E subiram Moisés e Arão, Nadabe e Abiú, e setenta dos anciãos de Israel. E
viram o Deus de Israel, e debaixo de seus pés havia como que uma pavimentação
de pedra de safira, que se parecia com o céu na sua claridade." [Êxodo 24:9-10].
O piso debaixo dos pés de Deus era como a safira, tão azul em sua pureza quanto
o céu mais lindo.

A igreja moderna se esqueceu da necessidade da limpeza pessoal contínua. Ela subestima


grandemente os efeitos perniciosos da contaminação e a necessidade de separação do
mundo. Os cristãos não estão sendo ensinados em suas igrejas a se levantarem toda manhã
com um desejo inabalável de agradar a Deus e de refletir o tanto quanto possível a perfeição
de Sua imagem em um mundo caído e prejudicado pelo pecado.

Capítulo 5

A Tenda do Tabernáculo

A tenda do Tabernáculo representa a comunhão com o Senhor. Ademais, ela também


representa a separação do mundo. Quando voltava suas costas para o mundo e entrava no
Pátio, o pecador se submetia ao programa de Redenção que o Senhor tinha estabelecido.

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Hoje, todos os crentes em Cristo são sacerdotes. Não há uma casta separada de levitas entre
os cristãos nascidos de novo. Isto significa que nós também precisamos fazer uso diário da
Pia de Cobre.

Muitos crentes hoje cometem o erro de buscarem sinais e maravilhas, ao mesmo tempo que
negligenciam a Pia de Cobre. Muitos também acreditam em um segundo batismo. Eles se
esquecem que o problema do pecado foi tratado de uma vez por todas no Altar de Bronze e
que nossa purificação dai para frente ocorre na Pia de Cobre.

Como a Palavra de Deus torna perfeitamente claro, "há um só Senhor, uma só fé, um só
batismo." [Efésios 4:5]. Qualquer um que busque um segundo batismo tem pouca
compreensão da suficiência e perfeição do primeiro e único batismo, e talvez nem ainda seja
um salvo.

Este é um assunto muito sério, mas também é um assunto que os cristãos professos
frequentemente preferem ignorar. Quando o apóstolo Paulo encontrou este problema em
Corinto, onde muitos membros da igreja tinham um grande desejo de ver sinais e maravilhas,
ele pediu que eles examinassem a si mesmos e determinassem se realmente eram salvos:

"Examinai-vos a vós mesmos, se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos.


Ou não sabeis quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós? Se não é que
já estais reprovados." [2 Coríntios 13:5].

Estas são palavras


fortes!

Existe um Altar de
Bronze e um
batismo! As
doutrinas que se
afastam dessa
verdade básica
estão em conflito
com as Escrituras.
Essas doutrinas
quase que
invariavelmente
despertam um
forte desejo em
ver sinais e
experiências,
demonstrações
milagrosas do
poder de Deus e
um senso de "presença manifesta". Embora possa ser satisfatório para a carne, isto é
realmente prejudicial ao relacionamento do indivíduo com Deus.

O justo viverá pela fé. Tendo sido justificado no Altar de Bronze, o fiel cristão agora busca
viver dai para frente em humilde serviço e obediência a Deus. Ele procurar agradar ao Senhor
de todas as formas que puder, não com o desejo de ver sinais, mas aguardando no Senhor e
buscando fazer Sua santa vontade. Este é o verdadeiro significado da Pia de Cobre. Ela é o
lugar para o qual precisamos ir a cada dia — de fato várias vezes ao dia — para nos
purificarmos das contaminações, para nos submetermos ao Deus vivo e pedir que Ele nos
santifique para Seu santo propósito.

Santificar significa separar do mundo. Por meio da misericórdia de Cristo e de Seu sacrifício
no Calvário, fomos uma vez ao Altar de Bronze, mas vamos à Pia de Cobre tão
frequentemente quanto pudermos.

O propósito da Ceia do Senhor é nos fazer lembrar regularmente (a cada quinzena, a cada
mês, ou algo assim), da obra gloriosa que Cristo realizou por nós no Calvário. Neste sentido
— e em nesse sentido apenas — revisitamos o Altar de Bronze. Mas, não há um segundo
batismo.

A Pia de Cobre nos prepara para entrar na tenda do Tabernáculo. Ela nos veste
momentaneamente da perfeição de Cristo. Ao fazer isso, ela nos dá algo que ainda não temos
em nosso estado não-glorificado e permite que cheguemos mais perto de Deus. Com o passar
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do tempo, à medida que crescemos em Cristo, aprendemos a apreciar mais e mais a


importância da Pia de Cobre em nossa caminhada cristã. Ela nos faz lembrar diariamente que
não temos força em nós mesmos, que não possuímos absolutamente nada que não tenhamos
recebido e que, sem a presença constante do Espírito Santo habitando em nós, seríamos
atraídos por Satanás e desviados do nosso rumo indicado.

As Dimensões da Tenda do Tabernáculo

A tenda do Tabernáculo era uma estrutura retangular simples, de 4,5 metros de altura, com
um teto horizontal. Ela era formada por três paredes de tábuas de madeira de acácia
revestidas de ouro e quatro cobertas (ou coberturas) sobre o teto. Ela tinha 4,5 metros de
largura e 13,5 metros de comprimento (10 x 30 côvados), com dois compartimentos em seu
interior. O primeiro, o Santuário, ou Santo Lugar, tinha 4,5 metros por 9 metros (10 x 20
côvados), enquanto que o santuário mais interno, ou Santíssimo Lugar, tinha 4,5 metros por
4,5 metros (10 x 10 côvados). Como ele também tinha 4,5 metros de altura (10 côvados), o
santuário mais interno era um cubo perfeito.

A Palavra de Deus contém passagens, além daquelas no Pentateuco, que ajudam em nossa
compreensão do Tabernáculo:

"E outra vez levantei os meus olhos, e vi, e eis um rolo volante. E disse-me o
anjo: Que vês? E eu disse: Vejo um rolo volante, que tem vinte côvados de
comprido e dez côvados de largo. Então disse-me: Esta é a maldição que sairá
pela face de toda a terra; porque qualquer que furtar será desarraigado,
conforme está estabelecido de um lado do rolo; como também qualquer que jurar
falsamente, será desarraigado, conforme está estabelecido do outro lado do rolo."
[Zacarias 5:1-3].

O rolo que foi visto pelo profeta Zacarias em uma visão tinha inscritos dois mandamentos,
que representavam os Dez Mandamentos como um todo. Como a passagem declara, o rolo
era uma maldição para todos que não fossem capazes de viver perfeitamente de acordo com
a santa lei de Deus. É significativo que as dimensões do rolo eram de 10 x 20 côvados, as
mesmas dimensões que o Santo Lugar. O Tabernáculo é a única resposta à "maldição" da lei,
mas é a resposta totalmente suficiente. O Santo Lugar leva até o Santíssimo Lugar, onde a
perfeita misericórdia é encontrada.

A entrada do Santuário, ou Santo Lugar, era constituída por cinco tábuas de madeira de
acácia, revestidas por ouro, e uma cortina de linho fino torcido enfeitada com fios em cor
púrpura, escarlate e azul (exatamente como a cortina na entrada do Pátio). Cada uma das
cinco tábuas era encaixada em uma base de bronze. Como observamos no Cap. 1, o número
5 fala sobre a necessidade de ação responsável por parte do homem. Antes de entrar no
Santo Lugar, o sacerdote tinha de garantir que estava plenamente preparado de acordo com a
lei de Deus.

A entrada do Santíssimo Lugar, por outro lado, era formada por quatro tábuas de madeira de
acácia, revestidas de ouro, e uma espessa cortina, ou véu, de linho fino torcido, decorada com
fios de cores púrpura, escarlate e azul, mas que mostrava, além disso, em trabalhos de
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bordado, diversos querubins com suas asas


estendidas. Aparentemente, esses querubins
também eram tecidos em fios similares.

As paredes rígidas da tenda eram formadas por 48


tábuas no total. Cada uma delas tinha 4,5 metros
de comprimento e 67,5 cm de largura (10 côvados
X 1,5 côvado). Cada tábua tinha dois encaixes em
sua base que eram travados firmemente em um
soquete de prata. Cada soquete de prata pesava
um talento, ou cerca de 43 Kg. Se adicionarmos a
esses soquetes as bases usadas para suportar os
quatro pilares na entrada do santuário mais interno
(o Santíssimo Lugar), a estrutura do Tabernáculo
tinha exatamente 100 bases de prata ((48 x 2) + 4
= 100).

As tábuas do Tabernáculo eram fixadas em cada


lado por cinco travessas revestidas de ouro, de
13,5 metros de comprimento, indo de uma
extremidade a outra. Quatro dessas travessas eram
fixadas firmemente à parte de fora da parede, duas para cima e duas para baixo, enquanto
que a do meio passava por uma sequência de furos na lateral de cada tábua — "E fez que a
travessa do meio passasse pelo meio das tábuas de uma extremidade até a outra." [Êxodo
36:33]. (veja o diagrama) Isto sugere que as tábuas poderiam ter até 5 centímetros de
espessura, talvez até mais, e eram muito pesadas. As dez travessas, em conjunção com os
ganchos fixadores e cordas da tenda, mais o peso excepcional de cada tábua, garantiam que
a estrutura fosse robusta e estável.

As cinco tábuas em cada entrada exterior do Santuário eram suportadas por cinco bases de
bronze. Isto é significativo, pois as outras bases na estrutura da tenda — 100 no total — eram
feitas de prata. Como já vimos, o bronze indica o requisito divino absoluto que todo pecado
seja julgado. A presença de bronze no limiar do Santuário era um lembrete final dessa
verdade universal, talvez até uma advertência. O número 5, o número da responsabilidade,
também é significativo. O homem precisa se preparar totalmente de modo a vir diante de
Deus, pois a extraordinária santidade de Deus exige isto: "Adorai ao SENHOR na beleza da
santidade; tremei diante dele toda a terra." [Salmos 96:9].

As Coberturas da Tenda do Tabernáculo

O Santuário, ou Santo Lugar (qodesh) continha três itens de mobília, a tipologia dos quais
discutiremos em capítulos posteriores. São eles: o Candelabro de Ouro, no lado esquerdo, a
Mesa de Ouro dos Pães da Preposição, no lado direito, e o Altar de Ouro de Incenso, que
ficava ao lado do Veu do Santíssimo Lugar (qodesh qodesh).

O próprio Tabernáculo tinha quatro cobertas (ou coberturas) que envolviam completamente
toda a estrutura e ficavam soltas pelo lado exterior das paredes, possivelmente em um
pequeno ângulo. Elas também eram suficientemente compridas para cobrirem a entrada
frontaL, se necessário.

A cobertura mais interna era feita de linho fino torcido decorado com fios de cores púrpura,
escarlate e azul, com querubins bordados. Interessantemente, como as quatro coberturas
ficavam penduradas do lado de fora das paredes, uma porção significativa da cobertura mais
interior era permanentemente escondida da vista. Isso parece representar as profundezas
mais íntimas de Deus, que, a despeito de tudo o que tenhamos o privilégio de aprender e ficar
sabendo sobre Ele, permanecerá para sempre inalcançável à nossa compreensão.

Essa cobertura consistia de 10 cortinas de mesmo tamanho, com 50 laçadas ao longo de cada
orla, de modo que as laçadas correspondentes podiam ser acopladas com colchetes de ouro.
Cada cortina tinha 28 côvados (12,6 metros) de comprimento e 4 côvados (1,80 metro) de
largura. Assim, no total, quando acopladas, elas formavam uma única peça, de 12,6 metros
por 18 metros. Essas dimensões confirmam que a cobertura era apenas comprida o suficiente
para cobrir a estrutura da tenda e quase não chegava ao solo em cada lado. Quando colocada
no devido lugar, ela ficava ao longo do teto e descia pela parede de trás, pelo lado de fora
(13,5 metros + 4,5 metros = 18 metros), enquanto que a dimensão mais curta (12,6 metros)

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subia por um lado,


passava pelo teto e descia
pelo outro lado (4,5
metros + 4,5 metros +
4,5 metros = 13,5
metros).

Tudo no Tabernáculo diz


"só o suficiente". Não
havia excessos,
excedentes, nada de
redundância. Ao dar Seu
Filho, nosso Pai Celestial
deu tudo o que poderia
ser dado para nossa
salvação. Ele não reteve
nada. O "só o suficiente"
do Tabernáculo não
significa mera suficiência,
mas exatamente o
contrário — que nada foi
retido. Tudo o que Deus
poderia dar, Ele deu.

Em seu estado caído, os


homens são
incrivelemente egoístas.
Eles esperam que Deus faça mais por eles, quando, na realidade, Ele já fez tudo o que
poderia ser feito. Por meio de Seu Filho, Ele pagou toda nossa dívida do pecado por nós. Ele
não deixou nada incompleto. Ele não poderia ter feito mais! A salvação é um dom gratuito,
perfeito e eterno. Não há uma única coisa que um homem possa fazer, seja para ganhá-la ou
para acrescentá-la. Ela é um dom tão grande que mal podemos compreender o quão
maravilhosa ela é. Todavia, em seu estado caído, os homens ainda rejeitam e desprezam esse
dom, tentando obter sua salvação por meio de boas obras e ritos sacramentais. Ao fazerem
isso, eles se tornam enfatuados com suas próprias forças e rejeitam a suficiência daquilo que
Cristo obteve para eles no Calvário. Com seus lábios eles afirmam aceitar a cruz, mas em
seus corações a rejeitam:

"Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que
somos salvos, é o poder de Deus." [1 Coríntios 1:18].

A cobertura seguinte é feita inteiramente de pele de cabra. Temos a tendência de a nos


esquecer que o bode era um animal limpo aos olhos de Deus e exatamente tão adequado
quanto um carneiro para as ofertas sacrificiais. Todos sabem que o sacrifício na Páscoa era um
"cordeiro sem manchas", mas deixam de observar como o Êxodo definiu um "cordeiro":

"O cordeiro, ou cabrito, será sem mácula, um macho de um ano, o qual tomareis
das ovelhas ou das cabras." [Êxodo 12:5].

Cristo, em Sua primeira vinda, foi o Cordeiro, manso e submisso, mas em Sua segunda vinda,
Ele será capaz de aplicar o mais poderoso golpe no campo de batalha que a humanidade já
viu. Exatamente como um cabrito, Ele irá passar pelas linhas dos exércitos inimigos e destrui-
los totalmente.

É por isto que Satanás tentou se apropriar do bode como um ícone demoníaco. Isto tanto
zomba da Segunda Vinda de Cristo e coloca o "filho" de Satanás, o Anticristo, em seu lugar.
Esse truque foi reforçado por uma séria falha por parte de muitos eruditos bíblicos de
compreender corretamente a cerimônia sacrificial que envolve dois bodes no Dia da Expiação,
ou Yom Kippur. Esta era a cerimônia mais importante no calendário anual do povo de Israel.
As outras festas judaicas eram todas ocasiões de alegria, mas não o Dia da Expiação:

"É um sábado de descanso para vós, e afligireis as vossas almas; isto é estatuto
perpétuo." [Levítico 16:31].

Este era o único dia no ano em que o Sumo sacerdote podia entrar no Santíssimo Lugar.
Antes de fazer isso, ele tinha de fazer expiação por seus próprios pecados, apresentando a
oferta sacrificial de um boi e de um carneiro. Depois de ter feito isso, um dos dois bodes
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jovens era escolhido por sorteio e oferecido pelo sumo sacerdote como um sacrifício pelos
pecados dos filhos de Israel. Após completar essa tarefa, o sumo sacerdote voltava sua
atenção para o segundo bode:

"Havendo, pois, acabado de fazer expiação pelo santuário, e pela tenda da


congregação, e pelo altar, então fará chegar o bode vivo. E Arão porá ambas as
suas mãos sobre a cabeça do bode vivo, e sobre ele confessará todas as
iniquidades dos filhos de Israel, e todas as suas transgressões, e todos os seus
pecados; e os porá sobre a cabeça do bode, e enviá-lo-á ao deserto, pela mão de
um homem designado para isso. Assim aquele bode levará sobre si todas as
iniquidades deles à terra solitária; e deixará o bode no deserto." [Levítico 16:20-
22].

O primeiro bode, que o sumo sacerdote sacrificava no Altar de Bronze, era representativo de
Cristo e de Seu sacrifício no Calvário. O segundo bode, porém, sempre deixou muitos eruditos
bíblicos confusos. Alguns chegaram até a especular, de forma blasfema, que esse bode
representava Satanás.

Os cristãos precisam compreender que o segundo bode — o "bode expiatório" — também é


representativo de Cristo, mas em um aspecto de Sua obra que não é suficientemente
reconhecido dentro da igreja. O primeiro bode (o equivalente a um cordeiro) representava o
primeiro dom do Calvário, onde nossa dívida do pecado foi paga em sua totalidade. O
segundo, porém, representava outro dom admirável que Cristo também obteve para os
crentes no Calvário. Colocando suas mãos na cabeça do bode, o sumo sacerdote
figurativamente transferia toda a iniquidade do povo para o bode vivo. O bode era então
levado para longe no deserto e solto, para nunca mais ser visto. Por meio de sua morte no
Calvário, Cristo obteve o direito de remover a natureza pecaminosa dos santos no dia em que
eles entram na eternidade.

O Dia da Ressurreição será um dia muito especial. Todos os que habitarem dali para frente
com Cristo não terão mais a capacidade de pecar. Essa capacidade será tirada deles e eles
nunca a terão novamente.

O bode sacrificado representa nossa libertação total e para sempre da dívida do nosso
pecado, enquanto que o bode expiatório representa a libertação total e definitiva da nossa
natureza pecaminosa.

Isto explica o significado de Provérbios 27:26, que de outro modo seria obscuro:

"Então os cordeiros serão para te vestires, e os bodes para o preço do campo."

Os cordeiros fornecem nossa capa de justiça diante de um Deus que é extraordinariamente


santo, enquanto que os bodes nos permitem ir seguramente para o local (ou campos) de
Deus, onde nossa antiga natureza pecaminosa nunca se manifestará novamente. O preço foi
pago. O Pastor nos trouxe com segurança ao lar.

Esta grande bênção dobrada é também expressa nas segunda e terceira coberturas do
Tabernáculo. A segunda cobertura, como vimos, consistia de fios de pele de cabra, que
correspondia ao bode solto no Dia da Expiação, enquanto que a terceira cobertura, que
consistia de pele de carneiro tingida de vermelho, correspondia ao bode sacrificado no Dia da
Expiação.

As dimensões especificadas para ambas as coberturas de linho e a cobertura de pele de cabra


eram suficientes para envolver a maior parte da estrutura do Tabernáculo. Entretanto, a Bíblia
não especifica as dimensões para a cobertura de pele de carneiro ou para a cobertura mais
externa, que era feita de pele de animais. Isso sugere que essas duas coberturas tinham a
função de envolver totalmente a estrutura do Tabernáculo — frente, a parte de trás e as
laterais — e fornecer isolamento total contra os elementos climáticos, quando necessário. É
bem possível que uma ou duas dessas últimas coberturas fossem enroladas para trás de
tempos em tempos, desse modo permitindo que os israelitas pudessem ver de longe as
coberturas mais internas.

Alguns já sugeriram que as duas coberturas externas poderiam ter sido grandes o suficiente
para ficarem acima do Tabernáculo, suportadas por vigas de madeira. Entretanto, essa
hipótese especulativa está em conflito com a Escritura, por introduzir elementos — como as
vigas adicionais — que em parte alguma são mencionadas e que, se presentes, alterariam a
tipologia do Tabernáculo.
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A cobertura mais
externa era feita
inteiramente de pele de
um animal chamado
tachash em hebraico. A
Bíblia na versão Almeida
Corrigida e Fiel traduziu
como "texugo", mas isto
é duvidoso, não pelo
fato de o texugo não ser
nativo da região — os
egípcios poderiam ter
importado a pele desse
animal da Síria — mas
porque o texugo não era
considerado um animal
ritualmente limpo.
Devemos nos lembrar
que um animal imundo
não era apenas proibido
para os israelitas para fins de consumo alimentar, mas também era repugnante para eles.
"Nenhuma coisa abominável comereis." [Deuteronômio 14:3]. Devemos observar que era
proibido até mesmo manipular a carcaça de um animal imundo, como o texugo. Portanto, o
uso de uma cobertura feita com pele de texugo é muito improvável, especialmente se
considerarmos que a cobertura deveria tipificar algum aspecto de Cristo e de Sua obra
redentora.

Outros comentaristas sugeriram a pele do porco-marinho (um cetáceo parecido com o


golfinho) ou da foca como alternativas adequadas, particularmente por que esses animais
eram comuns no Nilo e na região do Mar Morto, porém esses dois também são animais
imundos.

A única outra categoria de animal limpo — além do carneiro, bode ou boi — cuja pele teria
sido adequada para este propósito, era o antílope: "O veado e a corça, e o búfalo, e a cabra
montês, ... e o gamo." [Deuteronômio 14:5]. O equivalente egípcio mais comum teria sido a
gazela. Esses animais são quadrúpedes ruminantes e que têm as unhas fendidas em duas
partes. "Todo o animal que tem unhas fendidas, divididas em duas, que rumina, entre os
animais, aquilo comereis." [Deuteronômio 14:6]. À luz dessas considerações bíblicas, a
cobertura mais externa, tachash, muito provevelmene era feita de pele de antílope.

Sendo animais do deserto, as variedades de antílope na região teriam uma cor bem tosca,
como o marrom ou um tom escuro de beje. Assim, a tenda do Tabernáculo combinava com o
terreno do deserto e não chamava muito a atenção de um observador. A cobertura mais
externa representava a humanidade despretenciosa de Cristo, descrita assim pelo profeta
Isaías: "... não tinha beleza nem formosura e, olhando nós para ele, não havia boa aparência
nele, para que o desejássemos." [Isaías 53:2].

Essa cobertura tachash era virtualmente tudo o que o israelita comum poderia ver da tenda
do Tabernáculo. Somente quando ia para apresentar uma oferta é que ele poderia ver uma
cobertura mais interna, ou um dos pilares de ouro. Se fosse um homem de sorte, ele poderia
sentir brevemente o aroma do incenso que era queimado continuamente sobre o Altar de
Ouro.

A quarta cobertura externa completava a sequência. A primeira retratava Cristo em Sua


divindade e realeza, enquanto que a segunda e terceira retratavam dois aspectos de Sua obra
redentora. Finalmente, a mais externa, aquela que o mundo podia ver, retratava sua
despretenciosa humanidade.

Aqueles que "não receberam o amor da verdade para se salvarem" [2 Tessalonicenses 2:10]
veem apenas a capa exterior e rejeitam as boas novas do Evangelho.

Capítulo 6

O Candelabro de Ouro
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O Candelabro de Ouro (Menorah) ficava no lado direito do Santuário, visto a partir do


Santíssimo Lugar, exatamente como Cristo assenta-se à direita do Pai Celestial. Como o
Santuário estava voltado para o oriente, o Candelabro de Ouro ficava no lado sul da tenda.

A Palavra de Deus especifica que o Candelabro de


Ouro deveria ser feito com um talento de ouro
(cerca de 43 Kg), ter sete hastes e ser feito de
ouro batido (não moldado ou montado com partes
componentes). Alguns eruditos estimaram que ele
tinha pouco mais de 1,20 de altura. (Uma imagem
insculpida do Candelabro de Ouro retirado do
Segundo Tempo ainda pode ser vista hoje no Arco
de Tito, em Roma, que data do ano 82,
aproximadamente — veja a fotografia.)

A Pia de Cobre, o Candelabro de Ouro e o


Propiciatório eram similares no sentido que cada
um deles era feito totalmente de um único material
(cobre e ouro, respectivamente). A limpeza diária
do fiel cristão, representada pela Pia, é uma obra
contínua de Cristo, exatamente como a luz que brilha dentro dele — representada pelo
Candelabro — é uma obra contínua de Cristo. E ambos apontam para nosso maravilhoso
Pastor e Intercessor, cujo sacrifício expiatório vicário — representado pelo Propiciatório —
pagou o preço da nossa salvação.

Como não existiam janelas ou portais abertos no Santuário, o Candelabro de Ouro era a única
fonte de iluminação, exatamente como Cristo é a única luz sobrenatural em nossas vidas
hoje. Ele também será a única fonte de luz na Nova Jerusalém (Apocalipse 21:23), que
descerá dos céus no fim do Milênio.

O significado espiritual do Candelabro é ainda mais enfatizado no capítulo 4 de Zacarias, onde


o profeta prevê um abundante derramamento do Espírito Santo no fim dos tempos. Dali para
frente, o azeite das setes lâmpadas queimará copiosamente até a eternidade.

A Amendoeira

A Palavra de Deus especifica que o Candelabro de Ouro deveria ter três copos no formato de
amêndoa, um botão e uma flor em cada uma de suas três hastes laterais e quatro copos, com
botões e flores na haste central. (Veja Êxodo 25:31-40.).

O uso da amendoeira para este propósito é significativo, conforme mostrado por um incidente
registrado no livro de Números:

"Então falou o SENHOR a Moisés, dizendo: Fala aos filhos de Israel, e toma deles
uma vara para cada casa paterna de todos os seus príncipes, segundo as casas de
seus pais, doze varas; e escreverás o nome de cada um sobre a sua vara. Porém
o nome de Arão escreverás sobre a vara de Levi; porque cada cabeça da casa de
seus pais terá uma vara. E as porás na tenda da congregação, perante o
testemunho, onde eu virei a vós. E será que a vara do homem que eu tiver
escolhido florescerá; assim farei cessar as murmurações dos filhos de Israel
contra mim, com que murmuram contra vós... Sucedeu, pois, que no dia seguinte
Moisés entrou na tenda do testemunho, e eis que a vara de Arão, pela casa de
Levi, florescia; porque produzira flores e brotara renovos e dera amêndoas. Então
Moisés tirou todas as varas de diante do SENHOR a todos os filhos de Israel; e
eles o viram, e tomaram cada um a sua vara. Então o SENHOR disse a Moisés:
Torna a pôr a vara de Arão perante o testemunho, para que se guarde por sinal
para os filhos rebeldes; assim farás acabar as suas murmurações contra mim, e
não morrerão." [Números 17:1-5,8-10].

Com essa dramática demonstração de Sua autoridade, o Senhor estava confirmando de forma
muito pública que, dentre todas as tribos de Israel, somente a tribo de Levi tinha sido
escolhida para servir no ofício sacerdotal. Além disso, as outras tribos não teriam qualquer
papel ou palavra a dizer sobre essa decisão. Os rebeldes, que se atreveram a desafiar a
vontade do Senhor nesta questão, receberam uma solene advertência.

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A vara de Arão era de madeira da amendoeira.


Miraculosamente, no curso de uma noite, ela retornou à
vida. Como tal, era foi uma figura da Ressurreição, onde
Cristo — a quem a Palavra se refere diversas vezes como
o Ramo — retornou à vida após estar na escuridão da
tumba por três dias e três noites.

Os botões e flores no Candelabro de Ouro falam


triunfantemente da Ressurreição e da Luz eterna que em
consequência iluminará nossas vidas. Ela também fala de
Cristo e sua Ressurreição como o único meio para a
salvação. Os homens em seu orgulho podem ter suas
opiniões, suas convicções filosóficas e suas tradições
religiosas, porém o Senhor forneceu somente um
caminho. A palavra hebraica para amêndoa — shaqed —
significa literalmente "a árvore alerta", poque ela é a
primeira árvore frutífera a florescer, ou "despertar", após
o período do inverno. Como tal, ela simbolizava a
execução de forma rápida por parte de Deus de Seu
propósito. Essa mesma ideia é fortemente expressa por
Jeremias, quando foi chamado para o ofício de profeta,
ainda em sua juventude:

"Ainda veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Que é que vês, Jeremias? E eu
disse: Vejo uma vara de amendoeira. E disse-me o SENHOR: Viste bem; porque
eu velo sobre a minha palavra para cumpri-la." [Jeremias 1:11-12].

Arão e seus filhos — que eram os únicos autorizados por Deus a entrarem no Santuário —
precisavam cuidar do Candelabro de Ouro toda manhã e todo fim de tarde sem falhas. Isto
deveria ser feito continuamente, em todas as suas gerações. Toda vez que fazia isso, o
sacerdote purificava-se na Pia de Cobre e levava consigo ao Santuário um novo suprimento de
azeite de oliva para reabastecer as sete lâmpadas. Ao fazer isso, ele renovava os pavios com
os espevitadores de ouro e juntava o material já utilizado em um apagador.

Exatamente como o Candelabro de Ouro era feito de ouro batido, o azeite nas sete lâmpadas
era feito de azeitonas batidas, e não comprimidas — "Tu pois ordenarás aos filhos de Israel
que te tragam azeite puro de oliveiras, batido, para o candeeiro, para fazer arder as lâmpadas
continuamente." [Êxodo 27:20]. Como uma figura de Cristo, o Candelabro de Ouro fala do
sofrimento suportado por nosso Remidor, a Luz do Mundo — "Mas ele foi ferido por causa das
nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz
estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados." [Isaías 53:5].

Pavios de Linho

Interessantemente, o terceiro e final elemento no Candelabro de Ouro, o pavio de linho,


também é feito batido. De acordo com o Dicionário Bíblico de Holman, os pavios nos tempos
do Velho Testamento eram geralmente feitos de linho trançado. Isaías 42:3 dá confirmação
disso e até faz referência a um pavio fumegante ao descrever o caráter do Messias: "A cana
trilhada não quebrará, nem apagará o pavio que fumega; com verdade trará justiça." Este
verso nos diz que, apesar das múltiplas fraquezas espirituais dos homens, Cristo nunca
rejeitará nem condenará os pecadores perdidos que vierem até Ele em fé.

Os pavios no Candelabro de Ouro representam a humanidade regenerada. Como Cristo disse


aos Seus discípulos: "Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada
sobre um monte." [Mateus 5:14]. O fiel cristão não tem luz própria, mas quando está cheio
com o "azeite" do Espírito Santo, ele é uma lâmpada por meio de que a Luz de Cristo pode
brilhar no mundo: "Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as
vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus." [Mateus 5:16].

Algumas vezes o Senhor precisa castigar o crente. de modo a equipá-lo para servir,
exatamente como o Sumo Sacerdote, ajeitando o pavio, transformava-o de um "pavio
fumegante" em uma fonte de luz radiante. O crente em Cristo também precisa fazer sua
parte, enchendo-se a cada dia, não com o vinho deste mundo, mas com o azeite do Espírito
Santo: "Por isso não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor. E não
vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito." [Efésios 5:17-
18].
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O Candelabro de Ouro é uma figura gloriosa de


Cristo em Sua divindade. Com suas sete hastes, o
Menorah é também uma representação da igreja de
Cristo, o corpo coletivo de fiéis cristãos em quem o
Espírito Santo habita. As sete hastes também
podem prenunciar as sete igrejas às quais Cristo se
dirige no livro do Apocalipse (capítulos 2 e 3) e os
"sete espíritos de Deus" (capítulo 4 e Isaías 11:1-
2).

Como Cristo disse, "Eu sou a videira, e vós sois as


varas." [João 15:5]. O formato do Candelabro é
sugestivo de uma videira, um conjunto de ramos
conectados e suportados por um tronco central. A
tabela seguinte mostra como essa imagem permeia
os quatro Evangelhos.

Evangelho Cristo, o Renovo


Mateus: "Eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que levantarei a Davi
Cristo um Renovo justo; e, sendo rei, reinará e agirá sabiamente, e
como Rei praticará o juízo e a justiça na terra." [Jeremias 23:5].
Marcos:
Cristo ".. Eis que eu farei vir o meu servo, o RENOVO." [Zacarias
como 3:8b].
Servo
Lucas:
Cristo "Eis aqui o homem cujo nome é RENOVO; ele brotará do seu
como lugar, e edificará o templo do SENHOR." [Zacarias 6:12].
Homem
João: "Naquele dia o renovo do Senhor será cheio de beleza e de
Cristo glória; e o fruto da terra excelente e formoso para os que
como Deus escaparem de Israel." [Isaías 4:2].

Em seu discurso às sete igrejas no livro do Apocalipse, Cristo confirmou que cada assembleia
local de fiéis — cada igreja viva — era uma lâmpada ou castiçal que dava luz ao mundo por
meio do poder do Espírito Santo:

"O mistério das sete estrelas, que viste na minha destra, e dos sete castiçais de
ouro. As sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete castiçais, que viste,
são as sete igrejas." [Apocalipse 1:20].

Ele também levantou a possibilidade que uma igreja possa perder sua lâmpada ou castiçal se
deixar de cumprir as "primeiras obras" — alcançar os perdidos com a mensagem do
Evangelho e começar a se preocupar com outras tarefas:

"Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras;


quando não, brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te
arrependeres." [Apocalipse 2:5].

O Candelabro de Ouro nos diz que é tarefa de cada fiel cristão fazer tudo que Cristo nos
mandou fazer, ter comunhão em uma igreja que esteja dedicada à salvação dos perdidos, e
encher-se diariamente com o Espírito Santo. Mesmo com toda sua fragilidade humana, o fiel
cristão é convidado a servir a Deus como um vaso inflamado para o Espírito Santo e levar ao
mundo a Luz — a única Luz — que pode dar salvação aos perdidos.

Capítulo 7

A Mesa dos Pães da Proposição

A luz do Candelabro de Ouro brilhava diretamente sobre a Mesa dos Pães da Proposição, que
ficava do lado esquerdo do Santuário, quando visto a partir da Arca.

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A mesa tinha uma altura de apenas um côvado e meio (67,5 cm), com uma pequena área de
superfície de dois côvados por um côvado (90 cm X 45 cm). Já observamos o fato
surpreendente que a altura da mesa era a mesma que a do Propiciatório e a da grelha no
Altar de Bronze.

A mesa era feita de madeira de acácia, com quatro pernas, toda revestida de ouro. A
superfície tinha duas molduras elevadas ou "coroas" em torno das bordas, separadas por uma
distância de quatro dedos. Como o Altar de Bronze, ela era transportada por dois varais
inseridos em argolas, uma em cada canto. Os varais eram de madeira de acácia e revestidos
de ouro, enquanto que as argolas eram de puro ouro.

Doze pães de mesmo tamanho — um para cada tribo — eram mantidos continuamente sobre
a mesa, dispostos em dois grupos de seis. Aparentemente, os pães eram sem fermento,
embora isto não seja declarado. Dado o tamanho da mesa, os pães eram provavelmente
colocados um sobre o outro. A mesa também era reabastecida com novos pães assados todo
sábado. Os sacerdotes foram convidados pelo Senhor a comerem os pães removidos. Esse
convite nos diz que, apesar do ambiente árido do deserto, os pães eram tão frescos quanto no
dia em que foram assados — o Senhor somente serve pães perfeitos. Os sacerdotes então
comiam os pães como representantes de Israel como um todo:

"Também tomarás da flor de farinha, e dela cozerás doze pães; cada pão será de
duas dízimas de um efa. E os porás em duas fileiras, seis em cada fileira, sobre a
mesa pura, perante o SENHOR sobre cada fileira porás incenso puro, para que
seja, para o pão, por oferta memorial; oferta queimada é ao SENHOR. Em cada
dia de sábado, isto se porá em ordem perante o SENHOR continuamente, pelos
filhos de Israel, por aliança perpétua." [Levítico 24:5-8].

O pão era chamado de lechem haPanyim, ou "Pão da Presença" — "E sobre a mesa porás o
pão da proposição perante a minha face perpetuamente." [Êxodo 25:30]. Panyim significa
literalmente "face", assim os pães sempre estavam perante a face (ou na presença) de Deus.
A Bíblia ACF traduziu lechem haPanyim como "pão da proposição" porque ele estava em
apresentação, ou "exibição" diante do Senhor.

Os sacerdotes tinham a permissão de levar os pães da semana anterior para casa, para ser
consumido por sua família. Um escravo comprado que servia a família também poderia comer,
mas não um diarista contratado. Todos os que comiam precisavam estar ritualmente limpos.
(Veja Levítico 22:10-13.).

Cada pão era feito com um quinto de um efa de flor de farinha, sem qualquer pedrinha ou
impurezas de qualquer tipo. Aparentemente, essa medida representava a porção que um
homem comia por dia.

Um prato de ouro de incenso era colocado sobre cada amontoado de seis pães, o conteúdo do
qual era queimado diante do Senhor "como um memorial" no sábado seguinte. Os pratos de
incenso eram então reabastecidos.

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Os vários utensílios associados com a mesa, como os pratos, colheres, jarros e tigelas, eram
feitos de ouro puro. O pão — o Pão da Presença — era uma figura de Cristo como Pastor,
alimentando e provendo para Suas ovelhas. O pão era preparado da forma tradicional — com
azeite de oliva, sal e água — e cada ingrediente estava relacionado de algum modo ao ofício e
obra de Cristo. O azeite designava a presença do Espírito Santo; o sal, o poder sustentador e
preservador de Cristo; e a água, a Palavra, tanto a Palavra viva, que é o próprio Cristo,
quanto a palavra escrita das Escrituras. A passagem da farinha pela peneira e o preparo da
massa representavam o sofrimento de Cristo nas horas anteriores ao Calvário, enquanto que
o fogo, que assava os pães, era o próprio Calvário.

O Pão da Presença foi erroneamente interpretado por alguns teólogos, como Lutero, com o
significado que o pão da Ceia do Senhor está imbuído de algum modo com a "presença real"
de Cristo. Eles negligenciaram o fato que a "presença" à qual o lechem haPanyim se refere é a
do Senhor no Santo dos Santos. A presença não está no pão, seja mística ou espiritualmente.
Quando Jesus partiu o pão na última ceia e disse: "Isto é meu corpo...", estava se referindo à
Sua descrição anterior de Si mesmo como "o pão da vida". Para outros compartilharem desse
pão, como os sacerdotes faziam no Santo Lugar, o corpo de Cristo teria de ser partido no
Calvário: "Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para
sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo." [João 6:51].

A doutrina católica romana que diz que o pão da comunhão se torna o verdadeiro corpo de
Cristo é blasfema e profundamente injuriosa a qualquer um que queira conhecer a Cristo
pessoalmente, como Ele é, o maravilhoso Salvador que morreu uma vez, e uma vez apenas,
por nossos pecados.

Capítulo 8

O Altar de Ouro

O Altar de Ouro de Incenso tem uma afinidade especial com o Altar de Bronze no sentido que
ambos envolviam a consumação de uma oferta pelo fogo, a liberação de um cheiro, ou
perfume, que era agradável a Deus, quatro chifres dispostos na forma de um quadrado e uma
chama com origem na mesma fonte, isto é, fogo que desceu dos céus. Além disso, ambos
foram feitos de madeira de acácia revestida por metal e eram transportados por duas varas
que passavam por dentro de argolas.

A simetria entre eles é impressionante. Na verdade,


isto servia para tornar a disparidade deles em
tamanho ainda mais pronunciada. Em termos de
volume, o Altar de Bronze era quase quarenta vezes
maior do que o Altar de Ouro de Incenso! O Altar de
Ouro foi feito de madeira de acácia revestida de ouro.
Ele tinha dois côvados (90 cm) de altura, com um
topo que media um côvado por um côvado (45 cm X
45 cm) com uma borda, ou coroa, de ouro. Ele tinha
quatro chifres de madeira de acácia revestida de ouro,
e duas — não quatro — argolas de ouro logo abaixo
da coroa. Ele era transportado por dois varais de
madeira de acácia revestidas de ouro. (Leia Êxodo
30:1-10.).

Somente um objeto — o incensário de ouro — ficava


sobre o Altar de Ouro e somente um tipo de oferta era
feita sobre ele — o incenso que era queimado.

O Sumo Sacerdote (ou um de seus filhos) renovava a


oferta de incenso toda manhã e todo fim de tarde e, nesses momentos, ele também cuidava
do Candelabro de Ouro. Aparentemente, um incensário de ouro era enchido com um novo
suprimento de incenso e brasas tiradas do Altar de Bronze; isto tudo era então levado até o
Santo Lugar e substituía o incensário que estava sobre o Altar de Ouro. O incensário
propriamente parece ser constituído de um compartimento superior e um inferior, sendo que o
incenso preenchia o compartimento superior e as brasas o inferior.

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Na linguagem da Santa Palavra de Deus, o incenso designa uma oferta de oração que era
aceitável ao Pai Celestial. Como Davi escreveu: "Suba a minha oração perante a tua face
como incenso, e as minhas mãos levantadas sejam como o sacrifício da tarde." [Salmos
141:2].

O Altar de Ouro de Incenso no Tabernáculo é um reflexo do altar de ouro de incenso que está
diante do trono de Deus:

"E veio outro anjo, e pôs-se junto ao altar, tendo um incensário de ouro; e foi-lhe
dado muito incenso, para o pôr com as orações de todos os santos sobre o altar
de ouro, que está diante do trono. E a fumaça do incenso subiu com as orações
dos santos desde a mão do anjo até diante de Deus." [Apocalipse 8:3-4].

A fragrância do incenso designa a obediência abnegada de Jesus Cristo. Nossas orações


somente são aceitáveis ao Pai Celestial porque carregam consigo a fragrância daquilo que o
Filho de Deus alcançou no Calvário. "E andai em amor, como também Cristo vos amou, e se
entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave." [Efésios 5:2].

Precisamos considerar mais uma vez as ofertas queimadas sobre o Altar de Bronze e o que
elas significavam para o Pai Celestial: "Assim queimarás todo o carneiro sobre o altar; é um
holocausto para o SENHOR, cheiro suave; uma oferta queimada ao SENHOR." [Êxodo 29:18].
A satisfação que o Pai Celestial sentia com as ofertas queimadas estava baseada, não nas
ofertas em si, mas no sacrifício perfeito que elas representavam, a oferta abnegada no
Calvário. Mesmo no tempo em que os sacrifícios levíticos foram instituídos, o "cheiro suave"
que eles levavam até o Pai Celestial era o do Calvário, um evento que, em Sua onisciência,
sempre esteve diante Dele.

O Intercessor

O Altar de Ouro de Incenso representa o admirável papel que Cristo realiza como nosso
intercessor diante de Deus. Nossas orações chegam diante do Pai Celestial somente porque
Cristo intercede continuamente por nós e torna nossas orações aceitáveis: "Portanto, pode
também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para
interceder por eles." [Hebreus 7:25].

Sem esse ato de intercessão, nossas orações nunca chegariam diante do Pai Celestial.
Somente aqueles que são nascidos de novo podem alcançar o Pai Celestial com suas orações.
As orações dos cristãos nominais e dos incrédulos, independente da devoção e sinceridade
que eles possam demonstrar, não são ouvidas. Muito tem sido dito sobre as "grandes
religiões" do mundo, mas essas assim chamadas grandes religiões são mortas em sua
essência. Os seguidores delas não têm qualquer tipo de acesso ao Pai Celestial, e até que se
arrependam e aceitem a salvação que Cristo obteve para nós no Calvário, eles estão
completamente separados de Deus.

Cristo se referiu especificamente a essa verdade quando disse: "Eu rogo por eles; não rogo
pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus." [João 17:9]. Somos dados a
Cristo — e recebidos por Ele — quando nascemos de novo. Todos os que rejeitam a Cristo,
incluindo aqueles que zombam ou "rejeitam tão grande salvação" (Hebreus 2:3) estão
chamando sobre si mesmos a justa ira de Deus no Dia do Juízo.

A igreja hoje é muito lenta em proclamar esta verdade, que também é parte do Evangelho. As
boas novas são boas para aqueles que ouvem e a aceitam, mas não para aqueles que ouvem
e rejeitam.

O Incenso

O incenso propriamente era produzido com quatro especiarias combinadas, mais o tempero
do sal (que representava a incorruptibilidade). Essas especiarias parecem ter vindo de terras
distantes:

Estoraque — Arbusto exótico de que se extrai o bálsamo do mesmo nome e o benjoim;


era importado da Síria.
Onicha — provavelmente extraída a concha strombus, encontrada no Mar Morto.
Gálbano — uma goma importada da Pérsia.
Incenso puro — uma goma aromática importada da Índia.

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Estes quatro ingredientes aromáticos representavam a perfeição de Cristo e Sua obediência


ao Pai Celestial. À medida que queimavam, o perfume deles se difundia lentamente na
atmosfera e se propagava em seguida para os quatro cantos do mundo. A presença de quatro
especiarias denotava a natureza universal da obra que Cristo iria realizar. É interessante que o
incenso tinha de ser moído para formar um pó muito fino que servisse a esse propósito,
refletindo mais uma vez a verdade expressa por Isaías: "Mas ele foi ferido por causa das
nossas transgressões.".

De acordo com Êxodo 30:37, ninguém poderia produzir ou usar esse mesmo tipo de incenso.
Quem fizesse isso seria extirpado da comunidade de Israel. Além disso, somente o incenso
preparado exatamente de acordo com as especificações da Escritura seria aceitável diante do
Senhor. Qualquer outro tipo ("incenso estranho"), por mais raro ou caro que fosse, era
absolutamente proibido.

A Palavra de Deus diz que o incenso deveria ser considerado santíssimo. Ele é similar à oração
que Cristo faz ao Pai em nosso favor, que é de fato santíssima e não por ser duplicada por
ninguém. Em toda sua caminhada com o Senhor, o fiel cristão precisa reconhecer que suas
orações não têm absolutamente eficácia alguma se não estiverem imbuídas com o perfume, o
santo incenso da oração intercessória de nosso Salvador.

Nunca podemos orar em nossa própria força. A igreja moderna em grande parte se esqueceu
disto. Precisamos do Espírito Santo, que habita dentro de nós, para nos guiar em nossas
súplicas, e precisamos da intercessão do nosso Remidor, que se assenta à direita de Deus,
para levar nossas palavras diante do trono do Altíssimo.

Os cristãos professos que oram ao Espírito Santo estão em grave erro. Eles deixam de
compreender o ensino claro do Tabernáculo e adotaram, no lugar da verdadeira oração, uma
invocação de sua própria invenção, um "incenso estranho" que não pode ser agradável a
Deus. Eles se esquecem — ou preferem ignorar — que Jesus Cristo nunca orou ao Espírito
Santo. Ninguém mais na Bíblia também orou.

É por isto que a Igreja Católica Romana incorporou a oração carismática em seu Catecismo
(1992) — parágrafos 2670-2672. Este será um dos estratagemas venenosos que essa falsa
igreja usará para criar uma religião universal.

Rígida Obediência

Existem muitas ocasiões na Bíblia em que a tentativa do homem de modificar ou aprimorar


aquilo que Deus prescreveu foi imediatamente repreendida. Algumas vezes, a repreensão foi
fatal. Por exemplo, quando a Arca da Aliança foi transportada sobre um carro de bois para um
novo local, Uzá a tocou com sua mão para evitar que ela caísse. Por causa desse ato de
presunção, ele caiu morto imediatamente. Uzá e sua equipe sabiam — ou deveriam saber —
que Deus tinha dado instruções claras sobre como a Arca deveria ser transportada, usando
somente as varas que passavam pelas argolas de ouro. A tentativa deles de "fazer
aprimoramentos" e usar uma carroça deixou Deus irado.

Quantos hoje na igreja estão provocando o Senhor à ira ao usarem métodos de oração e de
adoração que não foram ensinados na Santa Palavra de Deus e que, em muitos casos, estão
em violação ao que Ele claramente ordenou?

Os dois filhos mais velhos de Arão cometeram um ato similar de adoração desrespeitosa, um
ato que, na maioria das igrejas hoje, muito provavelmente passaria despercebido. Em vez de
preencherem o incensário de ouro com brasas retiradas do Altar de Bronze, eles
aparentemente as trouxeram de outro lugar. O "fogo estranho" deles foi um desvio daquilo
que estava prescrito na Palavra de Deus — veja Levítico 16:12: "Tomará também o incensário
cheio de brasas de fogo do altar, de diante do SENHOR, e os seus punhos cheios de incenso
aromático moído, e o levará para dentro do véu." (Veja também Números 16:46). Como
resultado de sua desobediência, ambos foram mortos por fogo do Senhor. Além disso, o pai
deles, Arão, e os irmãos Eleazar e Itamar, não receberam permissão de prantearem a morte
dramática e súbita deles:

"E Moisés disse a Arão, e a seus filhos Eleazar e Itamar: Não descobrireis as
vossas cabeças, nem rasgareis vossas vestes, para que não morrais, nem venha
grande indignação sobre toda a congregação; mas vossos irmãos, toda a casa de
Israel, lamentem este incêndio que o SENHOR acendeu." [Leviticus 10:6].

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Lembre-se também que Nadabe e Abiú estavam entre o grupo de 74 eleitos que subiram o
monte Sinais e viram o Deus de Israel:

"E subiram Moisés e Arão, Nadabe e Abiú, e setenta dos anciãos de Israel. E
viram o Deus de Israel, e debaixo de seus pés havia como que uma pavimentação
de pedra de safira, que se parecia com o céu na sua claridade." [Êxodo 24:9-10].

Eles tinham sido abençoados além da conta, porém mesmo assim caíram de cabeça no
pecado da desobediência. Além disso, quando eles fizeram isso, seus privilégios especiais e
experiências exaltadas não fizeram diferença alguma. A punição deles foi imediata e final.

Somente os Filhos de Arão Podiam Oferecer Incenso

Somente os descendentes da casa de Arão podiam oferecer incenso sobre o Altar de Ouro. À
medida que o tempo passou e o número de indivíduos elegíveis aumentou, tornou-se
necessário atribuir essa grande honra por sorteio. Ao tempo de Zacarias, o pai de João o
Batista, um sacerdote da linhagem de Arão poderia cumprir esse ato especial de serviço (por
um período de duas semanas) somente uma vez em toda a sua vida. A oportunidade de
Zacarias só veio quando ele já estava avançado em idade.

Em seu orgulho, os homens imaginam que os mandamentos do Senhor não são


verdadeiramente absolutos, mas são semelhantes às instruções cuja aplicação pode variar de
pessoa para pessoa e de lugar para lugar. Mas, isto é falso. O Tabernáculo ensina que todos
que amam ao Senhor precisam fazer exatamente como Ele manda, não apenas por
obediência, mas por um desejo verdadeiro de agradá-Lo e de servi-Lo fielmente. Esta atitude
está quase que totalmente ausente na igreja moderna, onde o próprio homem decide o que
deve agradar a Deus. A Igreja Emergente, a Nova Reforma Apostólica, os pregadores da
Palavra da Fé, aqueles que buscam sinais, os que operam maravilhas, o movimento
ecumênico, a espiritualidade contemplativa, a Igreja com Propósitos, o Curso Alfa, aprovado
por Roma — e muitos mais — estão em revolta aberta contra o Tabernáculo. Eles são
liderados por homens que professam compreender a Palavra de Deus de uma nova forma mas
que, na realidade, decidiram colocar de lado, ou simplesmente ignorar, aquilo que Deus disse
de forma bem clara. Em sua presunção e orgulho, eles são similares ao rei Uzias, cuja história
é contada no segundo livro das Crônicas dos reis de Israel:

"Mas, havendo-se já fortificado, exaltou-se o seu coração até se corromper; e


transgrediu contra o SENHOR seu Deus, porque entrou no templo do SENHOR
para queimar incenso no altar do incenso. Porém o sacerdote Azarias entrou após
ele, e com ele oitenta sacerdotes do Senhor, homens valentes. E resistiram ao rei
Uzias, e lhe disseram: A ti, Uzias, não compete queimar incenso perante o
SENHOR, mas aos sacerdotes, filhos de Arão, que são consagrados para queimar
incenso; sai do santuário, porque transgrediste; e não será isto para honra tua da
parte do SENHOR Deus. Então Uzias se indignou; e tinha o incensário na sua mão
para queimar incenso. Indignando-se ele, pois, contra os sacerdotes, a lepra lhe
saiu à testa perante os sacerdotes, na casa do SENHOR, junto ao altar do
incenso. Então o sumo sacerdote Azarias olhou para ele, como também todos os
sacerdotes, e eis que já estava leproso na sua testa, e apressuradamente o
lançaram fora; e até ele mesmo se deu pressa a sair, visto que o SENHOR o
ferira. Assim ficou leproso o rei Uzias até ao dia da sua morte; e morou, por ser
leproso, numa casa separada, porque foi excluído da casa do SENHOR. E Jotão,
seu filho, tinha o encargo da casa do rei, julgando o povo da terra." [2 Crônicas
26:16-21].

A obediência sem hesitações à santa Palavra de Deus está na essência do verdadeiro


Cristianismo. Hoje, poucos parecem apreciar a diferença radical aos olhos de Deus entre um
cristão fiel, que procura a todo tempo ser completamente obediente à Sua Palavra, e alguém
que está satisfeito com uma interpretação moderna e amigável daquilo que Deus disse de
forma bem clara.

Capítulo 9

O Véu

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O Santo Lugar estava separado do Santíssimo Lugar por um véu, que em Hebreus 9:3 é
chamado de "segundo véu", sendo o primeiro o do próprio Santuário. O véu marcava a linha
divisória entre Deus e o homem. Como um aspecto geográfico, ele cobria apenas alguns
metros de espaço, mas como uma realidade espiritual e histórica, era uma barreira
insuperável que homem algum poderia atravessar.

Felizmente para a humanidade, após a trágica jornada seguida por todas as nações desde a
Queda, o Senhor escolheu um homem para gerar uma nação especial e depois escolheu outro
homem para liderar essa nação até o Tabernáculo.

Somente alguns poucos membros dessa nação podiam chegar até o segundo véu e somente
um indivíduo podia passar por ele. Esse indivíduo singular era o Sumo Sacerdote, que fazia
isso somente em um dia designado, uma vez por ano. Ele não tinha absolutamente
qualificação alguma, ou direito algum, de passar pelo véu, exceto a autoridade que lhe foi
dada por Deus. Como um indivíduo, ele era tão inelegível como qualquer outra pessoa. A
autoridade para fazer isso derivava unicamente de seu ofício como Sumo Sacerdote, no
exercício do qual ele representava a pessoa de Cristo.

A obra posterior de Cristo no Calvário faria o pagamento total por todos os pecados passados
e futuros da humanidade. Se os seis dias da Criação trouxeram todas as coisas à existência,
as seis horas do Calvário as restaurariam, na plenitude dos tempos, à perfeição original que
elas possuíam.

Quando Cristo proferiu as palavras "Está consumado", instantes antes de morrer, o véu no
Templo rasgou-se em dois, de alto a baixo e ao meio:

"E o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo." [Marcos 15:38].

"E rasgou-se ao meio o véu do templo." [Lucas 23:45].

O véu era tão denso e pesado que o estrondo dessa ação sobrenatural deve ter assustado
todos os que estavam nas proximidades do Templo. É interessante que, ao se referir aos
meses que se seguiram, a Bíblia diz: "E crescia a palavra de Deus, e em Jerusalém se
multiplicava muito o número dos discípulos, e grande parte dos sacerdotes obedecia à fé."
[Atos 6:7].

Ao rasgar o véu, o Pai Celestial estava dizendo ao mundo que a separação entre Deus e o
homem tinha sido removida por meio do pagamento feito por Seu Filho no Calvário. A palavra
grega traduzida como "Está consumado" é tetelestai, que significa literalmente "Liquidado",
ou "Quitado". O idioma grego era usado no comércio no Oriente Médio naquele tempo e
quando um negociante recebia o pagamento total, ele carimbava a fatura de forma apropriada
— com a palavra Tetelestai!

O próprio Pai Celestial removeu o véu, como um sinal de Sua completa satisfação com aquilo
que Seu Filho obteve no Calvário. Além disso, Ele não esperou tempo algum para fazer isso.
Somos lembrados de Suas preciosas palavras na ocasião do batismo de Jesus Cristo no rio
Jordão:

"E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me
comprazo." [Mateus 3:17].

Se uma única imagem fosse escolhida para representar a salvação da humanidade,


provavelmente essa imagem seria o véu rasgado decisivamente em dois. Essa imagem
expressa o amor do Pai pelo Filho e o amor do Filho pelo Pai. Além disso, para cada fiel cristão
individual, ela expressa "as riquezas incompreensíveis de Cristo" [Efésios 3:8], o glorioso
privilégio que agora desfrutamos, como filhos adotivos de Deus, de podermos comparecer
diante de nosso Pai Celestial a qualquer momento que quisermos, em oração, ação de graças
e alegre expectativa.

Capítulo 10

O Santíssimo Lugar

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A parte mais interna do Tabernáculo era o Santo dos Santos, ou Santíssimo Lugar (qodesh
qodesh). A Arca da Aliança ficava dentro desse recinto fechado, que era separado do
Santuário, ou Santo Lugar (qodesh), pelo segundo véu. Somente uma pessoa podia entrar no
Santíssimo Lugar — o Sumo Sacerdote, mas somente podia fazer isso em um dia do ano — o
Dia da Expiação, ou Yom Kippur.

As dimensões precisas do Santíssimo Lugar não são informadas explicitamente nas Escrituras,
mas podem ser inferidas. Como a estrutura da tenda era simétrica, sabemos que o portal do
Santíssimo Lugar tinha a mesma altura e largura que a entrada do Santuário, isto é 10 X 10
côvados (4,5 metros X 4,5 metros). Assim, somente precisamos determinar a distância desde
o véu até a parede do lado oeste — a parte de trás da tenda do Tabernáculo — para saber o
tamanho exato do Santíssimo Lugar.

Isto pode ser inferido de três modos. Primeiro, como as dimensões do Templo de Salomão
(como as do Templo do Milênio, descrito em Ezequiel) eram o dobro das do Tabernáculo, e
como o Santo dos Santos no Templo tinha 20 côvados X 20 côvados X 20 côvados (9 X 9 X 9
metros) — um cubo perfeito — pode ser inferido que a dimensão não declarada no
Tabernáculo era de 10 côvados (4,5 metros), formando outro cubo perfeito.

A segunda linha de raciocínio está baseada no tamanho das coberturas do Tabernáculo. Em


seu comentário sobre Êxodo 26:32, Rashi, um rabino francês do século 12, fez a seguinte
lúcida análise (Nota: Mishkan é o termo hebraico para a tenda do Tabernáculo):

"A cortina divisória tinha dez côvados de comprimento, correspondendo à largura


da Mishkan (de norte a sul), e dez côvados de largura, como a altura das tábuas.
Ela estava estendida no ponto da terça parte da Mishkan [de leste para oeste) de
modo que a partir dela [a cortina divisória] até o interior da Mishkan havia dez
côvados, e dela [a cortina divisória] até o exterior havia vinte côvados. Portanto,
o Santo dos Santos tinha dez côvados por dez côvados, como está dito:
"Pendurarás o véu debaixo dos colchetes" [verso 33], que unem os dois conjuntos
de cortinas da Mishkan, a largura do conjunto sendo de 20 côvados. Quando
Moisés os colocou no teto da Mihkan, desde a entrada [todo o percurso] para o
oeste, ele [o primeiro conjunto de cortinas] terminou após dois terços do percurso
na Mishkan com o restante [das cortinas] solto na parte de trás para cobrir as
tábuas.

O formato cúbico do Santo dos Santos foi repetido mais tarde no Templo de Salomão e
também aparecerá no Templo do Milênio, predito por Ezequiel:

"Também mediu o seu comprimento, vinte côvados, e a largura, vinte côvados,


diante do templo, e disse-me: Este é o Santo dos Santos." [Ezequiel 41:4].

Incrivelmente, o Santíssimo Lugar nos céu dos céus descerá no fim do Milênio e será
conhecido na Terra como A Nova Jerusalém:

"E levou-me em espírito a um grande e alto monte, e mostrou-me a grande


cidade, a santa Jerusalém, que de Deus descia do céu... E a cidade estava situada
em quadrado; e o seu comprimento era tanto como a sua largura. E mediu a
cidade com a cana até doze mil estádios; e o seu comprimento, largura e altura
eram iguais." [Apocalipse 21:10 e 16].

Isto dá a terceira e conclusiva linha de raciocínio. Como o Senhor requereu que cada um dos
elementos do Tabernáculo terreal fosse uma cópia exata de seu correspondente celestial —
"Os quais servem de exemplo e sombra das coisas celestiais, como Moisés divinamente foi
avisado, estando já para acabar o tabernáculo; porque foi dito: Olha, faze tudo conforme o
modelo que no monte se te mostrou." [Hebreus 8:5] — podemos estar certos que o
Santíssimo Lugar que Moisés construiu, junto com o Santíssimo Lugar construído por
Salomão, e aquele predito por Ezequiel no Templo do Milênio, precisam todos ter a forma de
um cubo. A Nova Jerusalém, que descerá dos céus — cujo comprimento, largura e altura são
iguais — foi o original com base em que as versões terreais foram modeladas.

Com o derramamento de Seu sangue no Calvário, Cristo removeu o véu que tinha até então
tornado impossível para o homem entrar no Santíssimo Lugar. Na plenitude dos tempos,
quando todas as coisas forem renovadas, todos os que estão agora vivendo em Cristo por
meio da fé viverão com Ele para sempre na Nova Jerusalém, o santíssimo lugar.

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A cidade será conhecida daquele dia em diante como Yahweh Shammah, "o SENHOR está ali"
[Ezequiel 48:35].

Capítulo 11

A Arca da Aliança

Existem quatro arcas na Bíblia e todas estão relacionadas. A primeira foi a arca de Noé, que
levou 120 anos para ser construída. Seguindo as instruções do Senhor, Noé revestiu a arca de
betume, tanto por dentro quanto por fora, para torná-la à prova d'água. A segunda arca foi
aquela que Joquebede, a mãe de Moisés, fez de juncos e revestiu de barro e betume, para
transformá-la em um barco com boa vedação à água para seu bebê. A terceira arca, tão
frequentemente negligenciada, é aquela que o próprio Moisés fez para transportar da
montanha o segundo conjunto de tábuas de pedra, conforme ele foi instruído pelo Senhor:

"Naquele mesmo tempo me disse o SENHOR: Alisa duas tábuas de pedra, como
as primeiras, e sobe a mim ao monte, e faze-te uma arca de madeira; e naquelas
tábuas escreverei as palavras que estavam nas primeiras tábuas, que quebraste,
e as porás na arca. Assim, fiz uma arca de madeira de acácia, e alisei duas tábuas
de pedra, como as primeiras; e subi ao monte com as duas tábuas na minha mão.
Então escreveu nas tábuas, conforme à primeira escritura, os dez mandamentos,
que o SENHOR vos falara no dia da assembléia, no monte, do meio do fogo; e o
SENHOR mas deu a mim; e virei-me, e desci do monte, e pus as tábuas na arca
que fizera; e ali estão, como o SENHOR me ordenou." [Deuteronômio 10:1-5].

Não nos é informado o que aconteceu com essa arca, que Moisés fez de madeira de acácia,
possivelmente com suas próprias mãos. Ela foi claramente usada para conter as duas tábuas
de pedra até que a quarta arca, a Arca da Aliança, que era revestida de ouro, fosse construída
por Bezalel, de acordo com as medidas determinadas a Moisés, quando a Lei foi dada a Israel.

Muitos respeitáveis comentaristas (como Gill, Jamieson-Fausset-Brown) compreedem que a


arca de acácia foi a arca em sua forma antes de receber o revestimento de ouro. A Palavra de
Deus não é específica neste ponto, mas é difícil ver como as habilidades excepcionais
necessárias para construir a estrutura de acácia da arca final poderiam estar disponíveis antes
que Bezalel e Aoliabe fossem capacitados de forma sobrenatural pelo Espírito Santo para
construí-la. A Escritura não dá indicação que elas estavam.

Essa arca provisória, feita totalmente de madeira, era uma figura da humanidade. Por si
mesma, ela nunca poderia proteger o homem caído da ira de Deus. Outra arca foi necessária
para esse propósito, uma arca cuja humanidade estivesse revestida em divindade e blindada
do fogo da ira de Deus por um revestimento de ouro puro. Não havia nada que o homem em
seu estado caído podia fazer para proteger a si mesmo, de modo que o Senhor, em Sua
misericórdia, enviou um homem perfeito para receber, em lugar de toda a humanidade, a
força total da justa ira de Deus.

Danificada pelo pecado, a fragilidade e deficiências da terceira arca tornava-a inútil para
qualquer propósito redentor. Entretanto, sua própria existência serviu para destacar a
perfeição da misericórdia que a quarta arca incorporaria.

As Dimensões da Arca

A Arca tinha um côvado e meio (67,5 cm) de altura, um côvado e meio (67,5 cm) de largura e
dois côvados e meio (112,5 cm) de comprimento. Ela foi feita de madeira de acácia e
revestida de ouro, por dentro e por fora. As paredes e a base da Arca formavam um
receptáculo distinto, ou baú. Por esta razão ela pode ser considerada um item separado de
mobília da "tampa" que ficava sobre ela. Esse aspecto é sublinhado pelo fato que a tampa,
conhecida como Propiciatório, ou kapporeth em hebraico, ou hilasterion, em grego — foi feita
totalmente de ouro e não era fixada por prendedores ou dobradiças na Arca. Em vez disso, ela
ficava assentada sobre uma "coroa", ou borda de ouro, nas laterais da Arca (veja Êxodo
25:11].

Dois grandes querubins foram feitos batidos da mesma porção de ouro que o Propiciatório e
um ficava diante do outro em ambos os lados do Propiciatório, com suas asas estendidas
envolvendo o espaço a partir do qual o Senhor falava com Moisés:
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"Disse, pois, o SENHOR a Moisés: Dize a Arão, teu irmão, que não entre no
santuário em todo o tempo, para dentro do véu, diante do propiciatório que está
sobre a arca, para que não morra; porque eu aparecerei na nuvem sobre o
propiciatório." [Levítico 16:2].

A Arca era transportada por


duas varas de acácia
revestidas de ouro. Essas
varas passavam por argolas
de ouro fixadas na Arca, duas
em cada lado. Embora os
israelitas tivessem a
permissão de remover as
varas que eram usadas para
transportar o Altar de Bronze,
a Mesa dos Pães da
Proposição, e o Altar de Ouro,
eles não podiam remover as
varas da Arca (Êxodo 25:15).
Isto sugere que a Arca
deveria ser mantida em um
estado contínuo de prontidão,
até que chegasse ao seu lar
final em Sião (1 Reis 8:8).

Os querubins acima da Arca


transmitiam o mesmo significado que aqueles panos dentro do Véu interior e na cobertura
mais interna, acima do Tabernáculo. Exatamente como Adão e Eva foram impedidos pelo
querubim de entrarem no Jardim do Éden, para que não comessem da Árvore da Vida e
vivessem para sempre — sem qualquer esperança de salvação — assim também os querubins
no Tabernáculo retratavam tanto o julgamento e a proteção de Deus. O homem precisava ser
impedido de se aproximar do Santíssimo Lugar, até que todo vestígio do pecado fosse
removido pela obra redentora de Cristo.

O Tabernáculo contém muitas verdades profundas sobre Deus. Entre estas há uma que a
igreja hoje em grande parte se esqueceu. Isto se relaciona com o caráter do pecado e sua
alarmante destrutividade. Em nosso estado humano caído, mal começamos a compreender a
infinita perfeição da santidade de Deus. Portanto, pensamos no pecado como um erro, ou
mancha, ou falha, ou um lapso de algum tipo. Mas, nada disso descreve a absoluta
destrutividade do pecado. Em nosso orgulho, nós nos esquecemos que até a mente que
usamos para avaliar a natureza do pecado está ela mesma tão corrompida pelo pecado que
não consegue tratar a tarefa. A não ser que o Espírito Santo nos convença do nosso pecado,
nunca veremos o pecado como ele realmente é.

O Pecado e a Lepra

É por isto que a Bíblia frequentemente compara o pecado com a lepra. Em seus estágios
iniciais, os sintomas da lepra quase não são perceptíveis e a doença pode passar sem ser
detectada por muitos anos. Somente à medida que a doença avança é que os sintomas mais
óbvios começam a aparecer. Como ela causa uma neutralização dos receptores nervosos e
uma lenta deterioração do sistema imunológico, o paciente pode incorrer em maiores
ferimentos por negligência ou por infecções secundárias. Em seus estágios finais, se for
deixada sem tratamento, a lepra provoca horrendas deformidades físicas e uma morte lenta e
dolorosa.

Se o Senhor compara o pecado com a lepra, devemos tomar nota disto! Nos tempos antigos,
ninguém se recuperava da lepra. Como o pecado, ela era uma sentença de morte e, como o
pecado, seus sintomas eram quase imperceptíveis em seus estágios iniciais. A Palavra de
Deus enfatiza a natureza mortal dessa doença descrevendo frequentemente sua cura
milagrosa como uma purificação, em vez de como uma recuperação.

Aos olhos de Deus, nascemos neste mundo na condição de leprosos, totalmente


contaminados pelo pecado. Somente a purificação que vem por meio do sangue de Cristo é
que pode remover essa condição.

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08/10/2017 A Extraordinária Santidade de Deus — Compreendendo Cristo e Sua Igreja Por Meio do Tabernáculo e das Ofertas

Muitos incrédulos estão perplexos pelo pecado e seus efeitos mortais. Eles não conseguem
compreender como um indivíduo gentil e generoso, que passou sua vida inteira servindo aos
outros e sem nunca prejudicar alguém, possa ser condenado "simplesmente" por ter rejeitado
o dom gratuito da salvação. O que eles não compreendem — ou deliberadamente preferem
ignorar — é que o pecado já está presente em cada um de nós desde o nascimento e que,
como a lepra, ele continuará indefinidamente a corroer qualquer coisa de valor que possamos
aparentemente ter. Qualquer um que rejeite a Cristo terminará eventualmente com o mesmo
desejo pela impiedade que hoje atormenta o Inimigo e seu exército de anjos caídos. "Mas os
ímpios não têm paz, diz o SENHOR." [Isaías 48:22]. O próprio Jesus Cristo parece ter se
referido a essa solene verdade quando disse:

"Porém, ele lhe disse: Mau servo, pela tua boca te julgarei... Pois eu vos digo que
a qualquer que tiver ser-lhe-á dado, mas ao que não tiver, até o que tem lhe será
tirado. E quanto àqueles meus inimigos que não quiseram que eu reinasse sobre
eles, trazei-os aqui, e matai-os diante de mim." [Lucas 19:22-27].

Em seu comentário, Adam Clarke sugere que as palavras "ganhou" e "recebeu" sejam
adicionadas onde apropriado (como mostrado acima entre os colchetes). ##

O Propiciatório

A palavra hebraica para Propiciatório é kapporeth e deriva da raiz da palavra "cobrir",


"perdoar", "reconciliar" e "expiar". Ele é a cobertura definitiva, pois protege perfeitamente
todos aqueles que creem em Cristo da punição que seus pecados com justiça merecem.

O conceito de cobrir ocorre repetidamente no Tabernáculo. A própria tenda tem quatro


coberturas, e em todos os casos onde a madeira é usada, ela também tem um revestimento,
seja de bronze, prata ou ouro. O revestimento de bronze aponta para a promessa que o
julgamento pode ser mantido em suspensão se o homem for obediente e aderir ao plano de
Deus; o revestimento de prata — nos capitéis das tábuas do Pátio — apontam para a
promessa que o sangue de Cristo pode nos purificar de todo o pecado; enquanto que o
revestimento de ouro — que é encontrado somente dentro da tenda do Tabernáculo — aponta
para a perfeição divina em tudo que Cristo realizou em nosso favor.

É notável que o único ouro encontrado no Pátio era nos trajes cerimoniais e na placa de ouro
usada pelo Sumo Sacerdote. Como um representante de Cristo, ele carregava em sua pessoa
os emblemas da divindade.

Como já observamos, a única madeira sem revestimento no Pátio era a lenha para o fogo do
Altar de Bronze. Esse fogo queimava continuamente, até mesmo quando o Tabernáculo estava
sendo transportado na mudança do acampamento para outra localidade. Além disso, o próprio
fogo veio do céu:

"Porque o fogo saiu de diante do SENHOR, e consumiu o holocausto e a gordura,


sobre o altar; o que vendo todo o povo, jubilaram e caíram sobre as suas faces."
[Levítico 9:24].

Isto aconteceu na primeira vez que o Altar de Bronze foi usado para propósitos cerimoniais. O
próprio Senhor Deus acendeu o fogo. Isto significa que todos os sacrifícios que foram
apresentados sobre o Altar de Bronze durante os 40 anos de peregrinação no deserto — e
presumivelmente também depois — foram queimados no fogo que o próprio Deus forneceu:

"O fogo que está sobre o altar arderá nele, não se apagará; mas o sacerdote
acenderá lenha nele cada manhã, e sobre ele porá em ordem o holocausto e
sobre ele queimará a gordura das ofertas pacíficas." [Levítico 6:12].

Esse fogo, o fogo do justo juízo de Deus, nunca é extinto, nem mesmo na eternidade.

Em nossa humanidade — representada pela madeira — estamos destinados a sermos


consumidos pelo fogo de Deus, a não ser que nossos pecados sejam "cobertos". Nossa
cobertura é o sangue que Cristo derramou voluntariamente no Calvário. É por meio disso, e
disso somente, que nossos pecados são cobertos.

Como disse o salmista: "Bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado
é coberto." [Salmos 32:1].

A Realidade do Inferno
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Muitos hoje, até mesmo cristãos professos, se esqueceram que TODO pecado precisa ser — e
será — punido. Os cristãos são poupados da ira do fogo eterno porque Cristo tomou sobre Si
mesmo o sofrimento que os pecados deles exigia. Ele levou sobre Si todas as nossas
transgressões, de modo a fazer uma perfeita restituição a Deus em nosso favor. Esse dom
admirável é recebido somente pela graça, por meio da fé em Cristo. Assim, temos aqui a
grande doutrina essencial do Cristianismo, a expiação vicária, em que Cristo, nosso
substituto, sofreu em nosso lugar e pagou, ou expiou, a dívida do nosso pecado pelo Seu
sangue. Ao fazer isso, Ele também adquiriu o direito de remover e lançar para longe nossa
natureza pecaminosa no Dia da Ressurreição, desse modo nos livrando para sempre de
qualquer propensão remanescente para o pecado.

Como já vimos, a primeira parte do dom é representado pelo bode sacrificado no Dia da
Expiação Anual, enquanto que a segunda parte é representada pelo bode que é enviado para
longe no deserto no mesmo dia, para nunca mais ser visto.

Se o Altar de Bronze é a imagem mais aterrorizante na Bíblia, o Propiciatório é a mais


maravilhosa.

A única coisa que blinda o homem das consequências de seus pecados é a pessoa que o
Propiciatório representa. Uma vez que essa blindagem é removida e Deus vé, não a expiação
perfeita pelo pecado, representada pelo Propiciatório, mas as duas tábuas de pedra que estão
depositadas abaixo, contendo Suas santas e imutáveis leis, Ele precisa liberar a ira total de
Seu julgamento.

Temos uma demonstração admirável disso quando os filisteus capturaram a Arca da Aliança
no campo de batalha. Como consequência, eles sofreram com uma severa doença e dores
durante um período de sete meses, até que decidiram enviar a Arca de volta. Após buscarem
o conselho de seus anciãos, eles colocaram a Arca em uma carroça puxada por duas vacas.
Eles então permitiram que as vacas vagueassem sem um condutor. As vacas passaram para a
terra de Israel e foram vistas por alguns moradores de Bete-Semes que estavam trabalhando
na colheita. Eles se alegraram quando viram a Arca. Todavia, em sua ignorância, eles
removeram o Propiciatório e olharam dentro do interior da Arca. Consequentemente, mais de
50.000 homens foram feridos e caíram mortos pelo Senhor (1 Samuel 6:19).

Todos os homens são pecadores e necessitam do Propiciatório, a única proteção que temos
contra o justo julgamento de um Deus extraordinariamente santo. É triste dizer isto, mas a
maioria das igrejas hoje se esquece de ensinar aos seus membros a natureza sem
contemporização da santidade de Deus e suas profundas implicações para o homem. Deus
não nos perdoa simplesmente por que nos ama e decidiu desconsiderar nossos pecados. Ao
revés, Ele nos perdoa por que a dívida do nosso pecados já foi acertada plenamente por Seu
Filho.

A doutrina do "amor incondicional" de Deus, da forma como é ensinada pelo Movimento de


Nova Era, é errada. O amor de Deus não é incondicional. Por quê? Porque não há nada
incondicional com relação ao pecado. A condição do homem é a de pecado e ele não pode
modificar sua condição fingindo o contrário. A questão do pecado precisa ser tratada, mas
somente pode ser tratada por meio de Cristo.

O amor de Deus por nós foi expresso na maior extensão possível por meio do sofrimento e
morte de Seu Filho no Calvário. Nosso Pai Celestial não poderia ter feito mais do que fez. Ele
permitiu que Seu Filho sofresse Sua ira total em nosso lugar. A não ser que compreendamos o
significado disso, a expiação vicária (ou substitutiva), deixaremos de ver que Deus fez tudo o
que era necessário para nossa salvação.

O ensino católico-romano que o homem precisa fazer adições àquilo que Cristo já fez, por
meio de boas obras e ritos sacramentais, é uma tremenda mentira. Roma rejeita a suficiência
da cruz e dá ao indivíduo um papel, conquanto pequeno, em sua própria salvação. Mas, isto é
impossível! Não há nada que possamos fazer para nos purificar de nossos pecados. Cristo fez
tudo por nós no Calvário.

Os teólogos da Reforma expressaram isto muito sucintamente em cinco frases em latim: Sola
Fide, Sola Gratia, Solus Christos, Sola Scriptura, Soli Deo Gloria — somente pela fé, somente
pela graça, em Cristo somente, com a Bíblia somente e para a glória de Deus. Nenhuma
organização na Terra já trabalhou com tanto afinco quanto a Igreja Católica Romana para
suprimir, solapar e destruir essas verdades!

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A Bíblia ensina que tudo o que Deus fez por nós Ele fez por meio de Seu Filho. O amor de
Deus é encontrado por meio de Seu Filho, e de nenhuma outra maneira. Rejeitar a Cristo é
rejeitar a Deus: "Tudo por meu Pai foi entregue; e ninguém conhece quem é o Filho senão o
Pai, nem quem é o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar." [Lucas 10:22].

A igreja moderna exorta seus pastores a enfatizarem o amor de Deus e a minimizarem Sua
ira. Mas, isto é uma tolice! Estamos onde estamos por causa do pecado e o pecado tem
terríveis consequências. O inferno é um lugar real e todos aqueles que rejeitam o grande dom
do amor que o Pai ofereceu à humanidade — perfeita salvação por meio do sofrimento e
morte de Seu Filho — passarão a eternidade em um lugar de total separação de Deus.

Pode ser possível descrever o inferno de diversas formas, mas para alguém que veio a
conhecer a Cristo — "Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade."
[Colossenses 2:9] — o inferno é o vazio da eternidade sem Ele — um estado que a Escritura
descreve como "eternamente reservada a negrura das trevas" [Judas 1:13].

O fogo do inferno não é nada menos que o fogo do justo julgamento de Deus. A primeira
coisa que os israelitas viam quando entravam no Pátio era o Altar de Bronze e, por implicação,
as consequências devastadoras do pecado. O Tabernáculo proclama do modo mais vívido
possível, para todos verem e saberem, que o inferno é o domicílio inevitável para todos os
que rejeitam a Cristo.

Uma mensagem do evangelho que deixa de mencionar essa terrível verdade é um falso
evangelho. Infelizmente, muitos hoje que se descrevem como "nascidos de novo" somente
ouviram esse falso evangelho. E um falso evangelho não tem o poder de salvar ninguém.

O Interior da Arca

A necessidade universal e inevitável de julgar o pecado foi expressa de forma muito poderosa
pela inclusão na Arca das tábuas de pedra em que estavam inscritas as santas leis de Deus.
As tábuas permaneceriam ali perpetuamente como um testemunho do estado caído do
homem. Há também uma referência à inclusão, dentro ou ao lado da Arca, de uma cópia da
lei escrita por Moisés:

"E aconteceu que, acabando Moisés de escrever num livro, todas as palavras
desta lei, deu ordem aos levitas, que levavam a arca da aliança do SENHOR,
dizendo: Tomai este livro da lei, e ponde-o ao lado da arca da aliança do SENHOR
vosso Deus, para que ali esteja por testemunha contra ti." [Deuteronômio 31:24-
26].

Sabemos com certeza que a Arca continha três itens: as tábuas de pedra nas quais os Dez
Mandamentos foram inscritos, um vaso de ouro que continha uma amostra do maná,
armazenada para a posteridade, e a vara de amendoeira de Arão:

"Mas depois do segundo véu estava o tabernáculo que se chama o santo dos
santos, que tinha o incensário de ouro, e a arca da aliança, coberta de ouro toda
em redor; em que estava um vaso de ouro, que continha o maná, e a vara de
Arão, que tinha florescido, e as tábuas da aliança." [Hebreus 9:3-4].

O Propiciatório ficava por cima das duas tábuas de pedra e protegia o homem continuamente
do justo juízo de Deus. A Lei, depois que foi dada, nunca poderia ser repelida e ainda existe
hoje. Como Cristo disse:

"Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota
ou um til jamais passará da lei, sem que tudo seja cumprido." [Mateus 5:18].

Um grande mal-entendido entrou na igreja com a falsa interpretação dessa verdade básica
pelos assim chamados "Pais da Igreja". Os teólogos primitivos, que lançaram o fundamento
para a Igreja Católica Romana, aboliram a Lei e a substituíram pela "graça" (sobre a qual eles
afirmavam exercer total controle). Mas, a salvação sempre foi pela graça por meio da fé, e
nunca pelas obras da lei. Com a exceção de Cristo, que guardou a lei sem culpa alguma, era
impossível para qualquer homem viver plenamente de acordo com os padrões rígidos da lei.

O Aio

O Tabernáculo e suas ofertas eram um retrato detalhado de Cristo. A missão e sacrifício de


Cristo estavam pré-figurados em um conjunto de atividades religiosas tangíveis em que o
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homem podia participar. Por meio da sua obediência e sua fé na Palavra de Deus, os israelitas
podiam antever o poder santificador do Calvário. Eles eram salvos pela fé, exatamente como
Enoque, Noé e Abraão — que viveram antes de a Lei ser dada — bem como Gideão, Baraque,
Sansão e Davi, que viveram após a Lei ter sido dada (mas que nunca a observaram
perfeitamente). Como a Epístola aos Hebreus confirma, a salvação sempre foi pela graça por
meio da fé, desde os dias de Abel.

Como disse o apóstolo Paulo:

"De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela
fé fôssemos justificados. Mas, depois que veio a fé, já não estamos debaixo de
aio." [Gálatas 3:24-25].

A palavra no original grego para "aio" nesta tradução (Almeida Corrigida e Fiel) é paidagogos.
Nos tempos dos gregos e romanos, um paedagogus (forma latina) era um escravo de
confiança cuja tarefa era supervisionar a vida e a moral dos meninos que pertenciam à classe
alta. Eles eram rígidos na disciplina e, frequentemente, mais severos nos castigos do que o
pai. Eles levavam os meninos à escola de manhã e os buscavam depois, mantendo os olhos
atentos nas crianças durante o dia e investigando todas as suas atividades sociais. O
paedagogus exercia suas tarefas até que o menino atingisse a maturidade, desse modo
garantindo que ele adquirisse durante os anos críticos de formação, os valores e
características que seus pais mais estimavam.

A palavra paidagogos também é traduzida como "tutor', "guardião" ou "aquele que tem a
custódia" em outras versões da Bíblia, mas o termo literal e correto é dado na Tradução Literal
de Young, como "condutor de criança".

Paulo lutou para fazer os cristãos judeus primitivos entenderem que a Lei foi cumprida em
Cristo e que, por si mesma, ela não podia salvar ninguém. Muitos deles erroneamente
pensaram que Paulo tinha abolido a Lei — como se isso fosse possível. Entretanto, o que ele
ensinou é que qualquer um que rejeitava a Cristo tinha também rejeitado a Lei, pois a Lei foi
cumprida em Cristo. Jesus fez uma observação similar quando criticou os fariseus, que
observavam a Lei nos mínimos detalhes em sua forma exterior ou visível, mas não faziam o
mesmo em seus corações. Na realidade, eles não criam na Lei e, sem crer em Moisés, eles
estavam incapacitados de crerem em Cristo:

"Porque, se vós crêsseis em Moisés, creríeis em mim; porque de mim escreveu


ele." [João 5:46].

Ao estabelecer o padrão perfeito de Deus, a Lei deixou claro para o homem sua total
incapacidade de salvar a si mesmo. Adam Clarke, em seu comentário sobre a Epístola aos
Gálatas, diz o seguinte: "Assim, a Lei não nos ensinava o conhecimento vivo e salvador; mas,
por seus ritos e cerimônias e, especialmente, por seus sacrifícios, ela nos dirigia a Cristo, para
que pudéssemos ser justificados pela fé." Foi neste sentido que a Lei foi o paedagogus (guia
de crianças), dirigindo-nos a Cristo para que pudéssemos ser justificados, isto é, tornados
justos diante de Deus.

A Lei também foi necessária por uma razão que é raramente mencionada pelos eruditos
bíblicos. Para que Cristo pudesse servir como "o cordeiro sem mácula" [Levítico 23:12 e 1
Pedro 1:19], o mundo necessitava de um padrão objetivo que demonstrasse que Jesus de
Nazaré era, de fato, a oferta perfeita e sem pecado. Sem esse padrão, que foi definido em
termos muito específicos pelo próprio Deus, o homem não teria meios de saber se Jesus
cumpria essa condição vital. É por isto que o Messias somente pôde vir após a Lei ter sido
dada. O Monte Sinai teve de preceder Belém e o Calvário.

O Jarro de Maná

O segundo objeto dentro da Arca era um jarro de ouro que continha uma amostra do maná. A
própria palavra maná é imaginada por alguns com o significado de "o que é isto?", pois os
israelitas fizeram essa pergunta repetidamente na primeira vez que viram o maná.

O maná foi o pão dado dos céus, virtualmente o único alimento que sustentou toda a nação
de Israel durante quarenta anos. O maná falava da perfeita nutrição espiritual que
encontramos em Cristo, o único Pão de Vida. O "maná escondido" mencionado no Apocalipse
(2:17) parece ser uma alusão ao maná escondido na Arca e, assim, ao alimento que nutrirá
os santos por toda a eternidade.

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A Vara de Arão

Já discutimos anteriormente o objeto final na Arca, a vara de Arão. Como provavelmente


usava a mesma vara em suas andanças diárias, Arão não deveria ser um homem muito alto.
A Arca tinha 112 centímetros de comprimento, 67,5 de altura e 67,5 de largura, de modo que
poderia ter acomodado uma vara de no máximo 1,20 metros, aproximadamente. Isto parece
sugerir que Arão tinha cerca de 1,65 metros de altura.

O Desaparecimento da Arca

Tem havido muita especulação sobre o paradeiro da Arca atualmente. Alguns conjeturam que
o profeta Jeremias a removeu antes da queda de Jerusalém, em 586 AC, e que mais tarde a
escondeu em um poço secreto no subsolo do monte do Templo. Os inimigos do Evangelho de
Cristo gostariam de colocar suas mãos na Arca, pois ela poderia ser utilizada para a prática de
atos de sacrilégio e, possivelmente, como um modo de "autenticar" o Anticristo. Por exemplo,
se o Anticristo pudesse revelar a localização da Arca por meios sobrenaturais, isto seria
considerado por muitos um sinal de que ele é o Messias.

A Arca do Testemunho mencionada no Apocalipse ("a arca da sua aliança" — 11:19) pode
possivelmente ser a mesma Arca que ficava no Templo em Jerusalém. Sendo ou não a
mesma, a Palavra de Deus diz de forma perfeitamente clara que a Arca nunca mais será vista
na Terra:

"E sucederá que, quando vos multiplicardes e frutificardes na terra, naqueles dias,
diz o SENHOR, nunca mais se dirá: A arca da aliança do SENHOR, nem lhes virá
ao coração; nem dela se lembrarão, nem a visitarão; nem se fará outra. Naquele
tempo chamarão a Jerusalém o trono do SENHOR, e todas as nações se ajuntarão
a ela, em nome do SENHOR, em Jerusalém; e nunca mais andarão segundo o
propósito do seu coração maligno." [Jeremias 3:16-17].

A mesma cabala de ímpios enganadores também quer promover o assim chamado Sudário de
Turim, presumivelmente como outro modo possível de autenticar o Anticristo. Por que alguns
cristãos acreditam que esse sudário possa ser genuíno? Nunca passou pela cabeça deles que
o Senhor nunca violaria um de seus próprios mandamentos e faria uma imagem de Si
mesmo? Isto mostra o quanto os cristãos professos se afastaram da Palavra de Deus, que
eles na verdade chegam a acreditar nessas mentiras audaciosas.

Coberturas Durante o Transporte

Ao serem transportados, os principais itens de mobília no Tabernáculo eram protegidos por


diversas coberturas. A Arca era coberta primeiro por um Véu interior e depois por um pano
azul. A última era uma "cobertura de pele de texugo" [hebraico: tachash]. Como discutido em
um capítulo anterior, muito provavelmente essa cobertura era feita de pele de antílope, em
vez de texugo. É difícil imaginar a Arca, ou até mesmo o Véu, ficarem em contato com a pele
de um animal que era considerado imundo pelas leis levíticas.

Os outros itens de mobília — o Altar de Ouro, o Candelabro de Ouro e a Mesa dos Pães da
Proposição — eram cobertos das seguintes formas durante o transporte (conforme Números
4):

Altar de Ouro: pano azul e tachash


Candelabro de Ouro: pano azul e tachash
Mesa dos Pães da Proposição: pano azul, pano escarlate e tachash.

Novamente, o ato de cobrir recebe atenção especial. Neste caso, ele é sugestivo da
separação, onde os vasos sagrados eram protegidos dos olhos profanos. O tema da
santificação, ou separação, continua mesmo enquanto a Arca está no trajeto para uma nova
localidade.

Podemos comparar essas camadas de panos com os metais usados no Tabernáculo — bronze,
prata e ouro. Os metais revestiam as tábuas e outras estruturas de madeira, exatamente
como o pano cobria os vasos sagrados. O pano azul denota a origem celestial de Cristo,
enquanto que o tachash denotava sua humanidade. Ambos os aspectos de Cristo — Sua
divindade e Sua humanidade — são necessários para nossa salvação.

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O pano de cor escarlate era usado somente para cobrir a Mesa dos Pães da Proposição. Ele
representava o sangue de Cristo, que foi derramado para nossa salvação. Ele provavelmente
estava associado com a Mesa dos Pães da Proposição do mesmo modo como o vinho, outro
símbolo do sangue, foi incluído com o pão na Ceia do Senhor:

"Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para
sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo.
Disputavam, pois, os judeus entre si, dizendo: Como nos pode dar este a sua
carne a comer? Jesus, pois, lhes disse: Na verdade, na verdade vos digo que, se
não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não
tereis vida em vós mesmos." [João 6:51-53].

É significativo que as cinzas eram removidas, mas o Altar de Bronze com o carvão
incandescente também era coberto no transporte e o pano era de cor púrpura (roxo, ou
violeta):

"E tirarão as cinzas do altar, e por cima dele estenderão um pano de púrpura."
[Números 4:13].

A cor púrpura é uma referência à realeza, neste caso a absoluta soberania do Senhor Deus de
Israel, que forneceu o fogo inicialmente, enviando-o direto do céu.

Há muito mais que gostaríamos de discutir — como a consagração dos sacerdotes, a unção do
Tabernáculo, ou a sequência em que o Tabernáculo era montado — porém essas e outras
questões relacionadas estão além da abrangência deste curto estudo.

Capítulo 12

Aspectos Ausentes Notáveis

Existem diversos aspectos que poderíamos esperar encontrar no Tabernáculo, mas que não
estão presentes. Esses aspectos "ausentes" ajudam em nossa compreensão do Tabernáculo e
de seu propósito geral.

Não Havia Cadeados

Em primeiro lugar, não existiam fechaduras e nem cadeados. Isto reflete o fato que as
barreiras para a verdade não são físicas, mas podem ser encontradas, ao revés, na natureza
caída do homem e em sua indiferença à santa vontade de Deus. Os verdadeiros "cadeados"
estão nas ímpias profundidades do coração humano. O caminho para a verdade está aberto
para todos os homens, independente de onde eles estejam na Terra. Alguns críticos afirmam
que somente uma pequena porcentagem da população do mundo já teve a oportunidade de
ouvir o evangelho, mas esse raciocínio é errôneo, pois negligencia a soberania de Deus. Todos
os que genuinamente querem a verdade, que anseiam por ela em seus corações, serão
conduzidos ao velho evangelho da redenção, por meio do sangue derramado do Cordeiro. A
Palavra de Deus torna isto particularmente claro, não apenas na tipologia do Tabernáculo, mas
em muitos outros lugares. Considere, por exemplo, a promessa do Senhor em Provérbios 2:3-
5:

"Se clamares por conhecimento, e por inteligência alçares a tua voz, se como a
prata a buscares e como a tesouros escondidos a procurares, então entenderás o
temor do SENHOR, e acharás o conhecimento de Deus."

Existem muitos modos para um indivíduo chegar ao Pátio do Tabernáculo, mas depois de ter
chegado, ele precisa seguir dali para frente o plano estabelecido por Deus. Como Cristo disse:
"Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás, é apto para o reino de Deus." [Lucas
9:62].

Não Havia Querubins nas Entradas do Pátio e do Santuário

Os querubins eram vistos somente pelos sacerdotes. Não havia nenhuma representação dos
querubins na entrada do Pátio ou na porta do Santuário, as duas entradas que estavam
visíveis para a congregação. Os querubins dentro da tenda do Tabernáculo denotavam a
extraordinária profundidade da santidade de Deus e a necessidade de o homem se aproximar
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dele estritamente pelo caminho especificado. Querubins vivos (reais) ficaram posicionados na
entrada do Jardim do Éden para impedirem o homem de entrar — e devem ter ficado ali
durante vários séculos — mas o Tabernáculo foi dado para levar o homem de volta para Deus.
Portanto, nenhum querubim ficava na entrada do Pátio e nenhum estava visível na porta do
Santuário. O Senhor, em Sua misericórdia, estava dizendo: "Venham, não tenham medo, o
caminho foi preparado.".

Não Havia Degraus

Os sacerdotes nunca ficavam em um nível acima do povo. Nem mesmo o Sumo Sacerdote
recebia uma posição elevada. O homem que ocupava o cargo mais elevado no país e o servo
mais humilde estavam ambos no mesmo nível. Não havia degraus ou níveis mais elevados no
Pátio ou no Tabernáculo, desse modo indicando que todos, em sua natureza caída, eram
iguais em sua condenação diante de um Deus extrordinariamente santo. Mas, isto também
enfatizava a perfeita igualdade de aceitação diante de Deus que todos desfrutam depois que
são purificados pelo sangue salvador de Cristo. Na realidade, todos os homens estão
destinados a viverem na eternidade em um de dois estados — total condenação ou perfeita
aceitação. Não há um terreno intermediário, a despeito do que os filósofos dizem. Eles gostam
de acreditar que existem muitos caminhos e um destino, mas estão enganados. Existem dois
destinos, somente um dos quais oferece vida eterna, e somente um caminho leva até ele.

Alguns acreditam que uma rampa era usada para facilitar o acesso até o Altar de Bronze, mas
como isso não é especificado, ou sequer implicado na Escritura, não há base para incluir isso
na tipologia do Tabernáculo. Cada aspecto do Tabernáculo foi definido claramente por Deus e
Moisés foi instruído, ao supervisionar o projeto e construção dos vários componentes, a
garantir que tudo estivesse perfeitamente de acordo com o modelo que lhe fora mostrado no
monte. Em seu orgulho e estado caído, os homens têm uma incrível tendência de fazerem
acréscimos à palavra de Deus, ou minimizarem o significado de certos "detalhes", como se
tivessem o direito de decidir quais eram "mais relevantes" do que outros. O Senhor nem
sequer permitiu que Moisés fizesse isso, mas lhe disse para estudar atentamente tudo o que
os artesãos preparavam e garantir que estivessem em conformidade com aquilo que o Senhor
lhe mostrara no monte:

"Conforme a tudo o que eu te mostrar para modelo do tabernáculo, e para


modelo de todos os seus pertences, assim mesmo o fareis." [Êxodo 25:9].

"Atenta, pois, que o faças conforme ao seu modelo, que te foi mostrado no
monte." [Êxodo 25:40].

"Então levantarás o tabernáculo conforme ao modelo que te foi mostrado no


monte." [Êxodo 26:30].

"Oco e de tábuas o farás; como se te mostrou no monte, assim o farão." [Êxodo


27:8].

"Os quais servem de exemplo e sombra das coisas celestiais, como Moisés
divinamente foi avisado, estando já para acabar o tabernáculo; porque foi dito:
Olha, faze tudo conforme o modelo que no monte se te mostrou." [Hebreus 8:5].

Vinte e uma vezes nas Escrituras Moisés é referido como "Moisés, o servo do Senhor Deus". É
uma marca de sua humildade e perfeita obediência que ele tenha sido descrito tantas vezes
assim. Todavia, ele foi lembrado em diversas ocasiões a fazer exatamente conforme tinha sido
instruído.

As Medidas da Pia de Cobre Não São Informadas

As dimensões ou a exata quantidade de materiais foram especificadas para todos os


componentes no Tabernáculo, exceto um — a Pia de Cobre. A Palavra de Deus declarou
simplesmente que ela deveria ser feita totalmente de cobre, porém não deu instruções com
relação ao seu formato, peso ou dimensões. Os sacerdotes usavam a Pia diversas vezes
durante o dia para lavar suas mãos e pés. A Pia significava a necessidade — e privilégio — do
fiel cristão de se purificar tão frequentemente quanto possível ao longo de cada dia "com a
lavagem da água, pela palavra" [Efésios 5:26]. Evidentemente, a palavra é a própria Bíblia.

Não Havia Janelas

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A luz que brilhava no Santuário não era a luz do mundo, mas a luz do Candelabro de Ouro
somente. O indivíduo tem uma escolha na vida — seguir a luz do mundo, ou seguir a luz de
Cristo. Muitos cristãos professos tentam fazer ambas as coisas, mas o Tabernáculo declara
que isto é impossível. Somente podemos conhecer a luz de Cristo depois que morremos para
o mundo. Os cristãos que tentam equipar seus tabernáculos, suas vidas em Cristo, com uma
janela para o mundo estão apenas enganando a si mesmos; isto é algo que não pode ser
feito.

É também significativo que enquanto o Santuário, ou Santo Lugar, estivesse completamente


iluminado o tempo todo, noite e dia, o Santíssimo Lugar estava em completa escuridão o
tempo todo. Precisamos assumir que o Véu era suficientemente denso para bloquear toda a
luz do ambiente do Santuário — "Então falou Salomão: O Senhor disse que ele habitaria nas
trevas." [1 Reis 8:12]. Este contraste surpreendente entre a luz total e a escuridão total
parece apontar para várias verdades espirituais:

O Santo Lugar:

Dia eterno na Nova Jerusalém


A perfeição repleta de luz de Cristo
A visibilidade desimpedida de Cristo por meio da fé.

O Santíssimo Lugar:

Incognicibilidade de Deus em Sua absoluta soberania


A obra não vista de Cristo na vida de cada fiel cristão
As riquezas inescrutáveis de Cristo.

Em uma época como a nossa, do assim chamado conhecimento científico, onde os homens de
intelecto professam serem capazes de identificar a causa por trás de todos os fenômenos, há
uma forte tendência entre os cristãos de imaginarem Deus e Suas obras em termos
"científicos". Eles tolamente imaginam que sabem como Deus faz o que faz, mas estão
seriamente enganados. A verdade é que não sabemos absolutamente nada sobre os caminhos
e métodos que Deus usa para executar Sua santa vontade. Como o apóstolo Paulo disse: "Ó
profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis
são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!" [Romanos 11:33].

Quando a ciência afirma "explicar" a criação, excluindo a ação de um Deus criador, isto é
idolatria pura e simples. A ciência moderna está sendo usada amplamente pelo Maligno para
atacar a verdade bíblica, para solapar a soberania de Deus e para fabricar uma realidade
alternativa — incluindo uma falsa cosmologia — que enlaçará os incautos e preparará o
caminho para o Anticristo.

Não Havia Cadeiras ou Assentos para os Sacerdotes

Não havia assentos ou locais de descanso no Pátio ou no Santuário. Os sacerdotes estavam


continuamente em atividade e até comiam os pães da proposição em pé.

Nós, como fiéis cristãos, precisamos estar continuamente ativos no nosso serviço para Cristo,
"operando a nossa salvação", ou servindo a nossa salvação aqui na Terra, "com temor e
tremor" [Filipenses 2:12].

Existe uma tendência de imaginar o céu como um lugar de ociosidade, mas provavelmente ele
não será nada desse tipo! Independente de onde olhamos na maravilhosa criação de Deus,
encontramos contínua atividade e também uma imensa diversidade. Muito provavelmente,
cada um de nós servirá a Deus na eternidade de um modo singular e adequado à nossa
individualidade. De fato, nosso tempo aqui na Terra parece ter o objetivo de nos preparar, em
parte, para a vida na eternidade, onde aqueles que serviram a Cristo mais plenamente
durante sua peregrinação terreal receberão um papel na eternidade que reflete, tanto em
glória e estatura, a profundidade e sinceridade de seu serviço aqui na Terra.

Não Havia Piso

Dado o status especial do Tabernáculo e seu lugar extraordinário no plano santo de Deus para
nossa Redenção, pode parecer surpreendente que nenhum piso para o chão foi incluído na
construção. Quando consideramos, por exemplo, a quantidade fabulosa de prata, ouro, cedro
e pedras que foi usada na construção do Templo de Salomão — que superava a do
Tabernáculo — o contraste é ainda mais chocante.
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Poderíamos esperar encontrar tábuas no piso do Santuário, por onde os sacerdotes iam e
vinham continuamente, mas não havia nada. Incrivelmente, até a Arca da Aliança ficava
sobre o chão.

Os sacerdotes, incluindo o Sumo Sacerdote no Dia da Expiação, realizavam todas as


atividades cerimoniais enquanto caminhavam ou ficavam parados, em pé, no terreno plano do
deserto. Tal era a natureza sem adornos da intimidade entre Deus e Seu povo escolhido.

Devido à Sua presença na Arca, Deus repousava sobre o mesmo terreno pedregoso que a
multidão de israelitas no acampamento ao redor. Ele tinha descido até o nível deles de modo a
restaurá-los para Si mesmo, exatamente como Jesus desceria em forma humana e viveria
humildemente entre os aldeões da Galileia e da Judeia. O nascimento de Cristo em um
estábulo cumpriu a tipologia da Arca, enquanto que as muitas ocasiões durante Seu ministério
em que Ele dormiu ao relento, ou em terreno inóspito, reflete o contínuo avanço da Arca de
um lugar para outro, sob o sol quente do deserto.

Sem Calçados para os Pés

Nenhum dos sacerdotes calçava sapatos, nem mesmo o Sumo Sacerdote. Isto não é
especificamente declarado, mas em geral compreende-se que era o caso, particularmente
porque tanto Moisés quanto Josué foram instruídos a removerem suas sandálias enquanto
estivessem na presença divina. A ausência de calçados nos pés também era, ao que parece,
uma parte necessária da tipologia do Tabernáculo.

Exatamente como a Arca — onde Deus habitava — tinha contato direto com o solo, assim
também cada um dos sacerdotes deveria ter. Como resultado, eles não conseguiam evitar a
contaminação de seus pés no contato constante com o solo. Independente de quantas vezes
lavassem seus pés diante da Pia de Cobre, eles imediatamente começavam a acumular mais
poeira e sujeira. Até mesmo quando o Sumo Sacerdote entrava no Santíssimo Lugar, no Dia
da Expiação, seus pés ficavam um pouco sujos, quando ele caminhava da Pia de Cobre até o
Véu interior. A mensagem é clara. O mundo contamina cada um de nós continuamente. Como
esses contaminantes espirituais estão por toda parte, precisamos nos preocupar
continuamente com nossa santificação. Uma igreja que não se separa do mundo é uma igreja
apenas nominal.

Não Havia Tábuas no Teto

O Tabernáculo era literalmente uma tenda, uma estrutura de suporte coberta por camadas de
tecido. Embora geralmente pensemos em uma tenda como uma habitação provisória, ou
temporária, não há nada no Pentateuco que indique que o Tabernáculo foi planejado para ter
uma duração limitada. De fato, exatamente o oposto é sugerido. Mais tarde, quando Davi
propôs ao Senhor a construção de um templo em Jerusalém, o Senhor respondeu:

"Porque em casa nenhuma habitei desde o dia em que fiz subir os filhos de Israel
do Egito até ao dia de hoje; mas andei em tenda e em tabernáculo. E em todo o
lugar em que andei com todos os filhos de Israel, falei porventura alguma palavra
a alguma das tribos de Israel, a quem mandei apascentar o meu povo de Israel,
dizendo: Por que não me edificais uma casa de cedro?" [2 Samuel 7:6-7].

Foi um momentno de grande significado na Bíblia quando o Senhor escolheu Jerusalém como
Sua habitação permanente. O Pai Celestial tinha escolhido para Seu Filho a cidade a partir da
quel Ele reinaria para sempre. Depois que essa decisão espetacular foi revelada para a
humanidade, um dos aspectos mais impressionantes do Tabernáculo, isto é, sua mobilidade,
não era mais necessário.

De maneira similar, cada um de nós vive temporariamente em um tabernáculo de carne,


vagueando pela Terra como estrangeiros e peregrinos:

"Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas vendo-as
de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e
peregrinos na terra." [Hebreus 11:13].

A cobertura maleável, similar a de uma tenda, do Tabernáculo, consistia de quatro camadas,


cada uma das quais retratava um aspecto de Cristo. Nascer de novo significa morrer para o
mundo, entrar no Tabernáculo e habitar dali para frente em Cristo. Enquanto estamos aqui na
Terra na carne, Cristo é nosso tabernáculo espiritual. As palavras "em Cristo" ocorrem não

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menos que dez vezes na epístola


de Paulo aos Efésios. Somos
migrantes aqui na Terra, vivendo
em Cristo, servindo-o como
sacerdotes, crescendo em
santificação e em conhecimento
de quem Ele realmente é.

Chamamos também a atenção


para a correspondência entre o
formato do Tabernáculo,
conforme definido por suas
paredes (sem teto e sem piso de
madeira), e a porta das casas
quando a Páscoa foi celebrada
pela primeira vez: "E tomarão do
sangue, e pô-lo-ão em ambas as
ombreiras, e na verga da porta,
nas casas em que o comerem."
[Êxodo 12:7].

É difícil dizer com certeza se isto é ou não significativo, mas a similaridade é impressionante.

Não Havia Madeira Exposta

Apesar da grande quantidade de madeira de acácia usada na construção do Tabernáculo, nada


dela ficava exposto. Ao contrário, a madeira era revestida, conforme apropriado, com bronze,
prata ou ouro. É notável que qualquer coisa no Tabernáculo que não estivesse coberto ou
protegido de alguma forma era consumido. A lenha usada para combustão no fogo do Altar de
Bronze era totalmente consumida pelas chamas. As ofertas (que serão discutidas em maiores
detalhes em outro capítulo) também eram consumidas, pelo fogo ou pelas pessoas que
tinham o direito de comê-las. Tanto o pão na Mesa da Proposição e o incenso no Altar de Ouro
eram consumidos. Até os pavios no Candelabro de Ouro eram consumidos.

Embora fosse de madeira e sem adornos, a vara de Arão sobreviveu porque estava protegida
pelo Propiciatório.

A vara de Arão representa o Sumo Sacerdote e, em particular, nosso grande Sumo Sacerdote,
Jesus Cristo. O florescimento da vara da noite para o dia, quando flores da amendoeira
brotaram miraculosamente na vara já muito gasta pelo uso, foi evidência que Deus tinha
escolhido a tribo de Levi sobre todas as tribos para servi-lo no ofício sacerdotal. Esse
florescimento milagroso foi um tipo da Ressurreição, tanto de Cristo, nossas primícias, que
ressuscitou do sepulcro, e a ressurreição dos mortos em Cristo, que ressuscitarão
miraculosamente do túmulo quando nossa Estrela da Manhã retornar (Apocalipse 22:16).

O Tabernáculo retrata o grande plano de Redenção para toda a humanidade, onde todos que
não estiverem cobertos por Cristo serão consumidos. Para todos aqueles que creem em Seu
Filho, o Senhor dará a vida eterna, mas para todos os que O rejeitam, dará o julgamento
eterno.

O "Cristo" macio como um ursinho de pelúcia da igreja moderna é uma grande enganação.
Quando Cristo retornar, Ele lidará com severidade com todos os que se rebelaram contra Seu
Pai.

Não há nada "engraçadinho" com relação ao Tabernáculo. Sua mensagem é profundamente


importante para todos os fiéis cristãos e para o mundo em geral. De fato, podemos até dizer
que sua mensagem é a mensagem de Deus para toda a humanidade. Ou aceitamos a
proteção do Propiciatório, a perfeita cobertura que Cristo oferece, ou ficaremos sozinhos
diante do justo julgamento de um Deus extraordinariamente santo.

Capítulo 13

O Sacerdócio

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O ofício sacerdotal consistia de três níveis: o Sumo Sacerdote, os sacerdotes aarônicos


(descendentes de Arão) e um grupo grande de assistentes, conhecidos como levitas:

"No mesmo tempo o SENHOR separou a tribo de Levi, para levar a arca da aliança
do SENHOR, para estar diante do SENHOR, para o servir, e para abençoar em seu
nome até ao dia de hoje." [Deuteronômio 10:8].

Todos os três vinham da tribo de Levi, mas os dois primeiros vinham exclusivamente da
família de Arão (cujo nome significa "muito alto"). Ao que parece, a tribo de Levi foi
confirmada nesta honra por ter ficado ativamente ao lado de Moisés quando ele ordenou a
destruição do bezerro de ouro e de seus principais promotores. Em seu zelo, os levitas
mataram um grande número de israelitas idólatras:

"E os filhos de Levi fizeram conforme à palavra de Moisés; e caíram do povo


aquele dia uns três mil homens." [Êxodo 32:28].

As Vestes dos Sacerdotes

Os sacerdotes aarônicos vestiam os quatro


itens de trajes especificados na Palavra de
Deus — uma túnica comprida de fino linho
branco, um turbante de linho fino branco
(algumas vezes referido como mitra), um
cinto de fino linho branco, e ceroulas — uma
roupa de baixo que cobria dos quadris até as
coxas. O linho fala da terra, pois é produzido
a partir de uma planta de mesmo nome, uma
planta resistente a partir da qual as fibras
têxteis são extraídas com batidas repetidas e
depois transformadas em fio de linha.
Novamente encontramos o tema "batido",
desta vez em relação aos representantes
imediatos de Cristo na Terra. O sacerdote,
que era quem somente podia fazer mediação
entre o homem e Deus, vestia-se totalmente
de trajes que vinham do solo, exatamente
como o próprio homem foi feito do pó da
terra.

O Sumo Sacerdote

O Sumo Sacerdote usava itens adicionais de


vestimenta, incluindo um cinto de obra
esmerada e um detalhe distintivo em sua
mitra. Esses itens eram constituídos por:

— Manto azul

Um manto azul sem mangas de linho fino


torcido, que ele vestia sobre sua túnica de
linho branco de tamanho comprido. Isto
chegava até abaixo de seus joelhos e tinha
uma franja ao longo na barra inferior que
erra ornamentada com uma série alternada
de campainhas (pequenos sinos) de ouro e romãs coloridas (feitas com fios de cor azul,
púrpura, escarlate e dourado) O manto era tecido como uma única peça, sem costuras.

A cor azul representava a perfeição celestial de Cristo, as campainhas representavam a


doçura e harmonia de sua pessoa, as romãs representavam os frutos abundantes de sua obra
e o manto sem costura representava a integridade de seu ser — pois Cristo era tanto homem
totalmente e Deus totalmente na mesma pessoa.

As campainhas também podem ser uma referência à admirável verdade que Cristo
compartilhou com Seus discípulos quando disse: "As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu
conheço-as, e elas me seguem." [João 10:27].

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— Éfode

Um éfode, ou manto sacerdotal sem mangas de fino linho torcido, todo enfeitado com fios de
cor azul, púrpura, escarlate e dourado. Isto era colocado sobre o manto de linho azul e
chegava até os joelhos, aproximadamente. As partes da frente e de trás do éfode não eram
conectadas abaixo das axilas. O fio dourado usado nessas vestes sacerdotais era de ouro real
batido, cortado e trançado em filigrana.

— Cinto

Um cinto de linho fino torcido com fios de cor azul, púrpura, escarlate e dourado. A familiar
frase bíblica "Estejam cingidos os vossos lombos" significa liberar as pernas para o trabalho,
erguendo o manto até a altura dos joelhos e mantendo-o nessa altura pelos cintos. Portanto,
o cinto era indicativo da constante prontidão e disposição para o trabalho.

Uma placa ou lâmina de ouro estava fixada na frente


da mitra, tendo as palavras "Santidade ao SENHOR"
gravadas. Como ela era colocada na fronte do
sacerdote, ficava visível para todos — veja a figura
abaixo. O Sumo Sacerdote era representante da tribo
de Levi, que por sua vez representava Israel como um
todo. Era somente por meio de seu ofício consagrado,
com sua justiça imputada, que os filhos de Israel eram
recebedores da bênção divina. Isto é igualmente
verdade com relação à igreja hoje, cujos membros são
abençoados com a justiça imputada de Cristo, nosso
Sumo Sacerdote.

Jeremias estava falando disso quando descreveu


Cristo em Sua Segunda Vinda como "O Senhor Justiça
Nossa" [23:6]. Como fiéis cristãos, qualquer justiça
que possuímos está fundamentada unicamente em
nosso Sumo Sacerdote e vindouro Rei. Colocando a
lâmina de ouro em sua fronte — que era similar a uma
coroa ou diadema real — o Sumo Sacerdote estava
antevendo o dia quando os dois ofícios supremos — o
de sacerdote e o de rei serão unidos na pessoa de Cristo.

Referindo-se à santidade, o comentarista MacLaren diz:

"É uma pena — que indica superficialidade de pensamento — que a noção popular
moderna de 'santidade' identifica-a com pureza, justiça, perfeição moral. Agora, a
ideia está nela, mas isto não é tudo... O significado-raiz é 'separado', 'reservado',
e a palavra expressa primariamente, não caráter moral, mas relação com Deus.
Isto faz toda a diferença... A primeira ideia é 'separado para Deus'. Isto é
santidade, em sua raiz, seu germe."

Os santos na glória serão separados para Deus, total e completamente. Eles serão separados
para sempre de suas naturezas pecaminosas e serão santos no sentido verdadeiro e perfeito
dessa palavra. O último capítulo da Bíblia aponta para isto quando coloca o nome de Deus em
suas frontes:

"E verão o seu rosto, e nas suas testas estará o seu nome." [Apocalipse 22:4].

Em cada uma de suas ombreiras era fixada uma pedra de ônix em que os nomes das doze
tribos estavam inscritos, seis em cada pedra. Isto também era uma referência a Cristo, nosso
vindouro Rei, que reinará na Terra em total concordância com a santa vontade de Deus:

"Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os
seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte,
Pai da Eternidade, Príncipe da Paz." [Isaías 9:6].

Esta também é uma referência à gloriosa promessa feita pelo Senhor de cuidar suavemente e
de levar nos braços seu rebanho: "Como pastor apascentará o seu rebanho; entre os seus
braços recolherá os cordeirinhos, e os levará no seu regaço; as que amamentam guiará
suavemente." [Isaías 40:11].

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— O Peitoral do Juízo

Sobre seu peito o Sumo Sacerdote vestia uma


espécie de bolsa de linho fino torcido com fios de
cores azul, carmesim, púrpura e dourado. Esse
peitoral formava uma bolsa quadrada dupla, de um
palmo de largura, a porção interna do qual servia
como um bolso. Doze pedras semipreciosas
diferentes estavam fixadas na frente, dispostas em
quatro linhas de três. Cada pedra individual
representava uma das doze tribos de Israel e tinha
seu nome inscrito nela; entretanto, qual tribo era
representada por cada pedra é algo que não se sabe.

O peitoral era chamado "peitoral do juízo" (Êxodo


28). Isto provavelmente é uma referência ao Urim e
Tumim, que significam "luzes e perfeições", que eram mantidos dentro do bolso. Não existem
informações sobre o que eram esses objetos, exceto que eles permitiam que o Sumo
Sacerdote recebesse conselho (juízo) da parte do Senhor. O Urim e Tumim permitiam que o
Sumo Sacerdote exercesse, em sua posição de representante, mais um aspecto da obra de
Cristo — o de profeta.

Tendo esse bolso perto de seu


coração, o Sumo Sacerdote estava
dando testemunho do amor
imensurável que o Messias tinha
por Seu povo escolhido. Os
próprios israelitas foram
grandemente abençoados ao
verem essa verdade proclamada
tão clara e proeminentemente nas
vestes do Sumo Sacerdote.

Somos lembrados aqui da forma


surpreendente como o Senhor Se
referiu a Si mesmo em Êxodo
34:14: "Porque não te inclinarás
diante de outro deus; pois o nome
do SENHOR é Zeloso; é um Deus
zeloso."

Onde o amor está envolvido,


talvez nenhuma outra palavra
além de ciumento (zeloso na
tradução ACF) descreve a
exclusiva e permanente consideração que aquele que ama tem por seu amado. O Peitoral do
Juízo é verdadeiramente o símbolo de um Deus ciumento.

A mesma poderosa expressão do amor divino pode ser encontrada em Zacarias, quando o
Senhor diz: "Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Zelei por Sião com grande zelo, e com
grande indignação zelei por ela." [Zacarias 8:2].

O mundo inteiro experimentará a fúria formidável do Senhor quando, no fim dos tempos, Ele
enviar Seu Filho para defender Jerusalém de seus inimigos. O amor Dele por Sião está inscrito
sobre as palmas de suas mãos do mesmo modo como os nomes das doze tribos foram
gravados nas doze pedras semipreciosas usadas pelo Sumo Sacerdote: "Eis que nas palmas
das minhas mãos eu te gravei; os teus muros estão continuamente diante de mim." [Isaías
49:16]. Há claramente uma referência profética nesta passagem aos cravos que traspassaram
as mãos de Cristo no Calvário.

O ofício do Sumo Sacerdote recebe uma distinção incomum no capítulo 35 do livro de


Números. O texto diz que se alguém causar de forma acidental a morte de outra pessoa e
então fugir até uma cidade de refúgio para escapar de uma tentativa de vingança, poderá
morar ali indefinidamente "e ali ficará até à morte do sumo sacerdote, a quem ungiram com o
santo óleo". Após receber a notícia que o Sumo Sacerdote morreu, ele poderá retornar à sua
cidade natal e às suas possessões sem receber qualquer punição. A ameaça de um vingador

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de sangue não poderá mais ser executada. Em outras palavras, para um homem confinado a
uma cidade de refúgio, que vivia diariamente na sombra da morte, o falecimento do Sumo
Sacerdote era na verdade uma boa notícia! Isto restaurava sua liberdade, exatamente como a
morte de nosso eterno Sumo Sacerdote restaurou a nossa.

O Dia da Expiação

A função mais importante do Sumo Sacerdote era realizar os sacrifícios da expiação no Yom
Kippur, o Dia da Expiação, que caía no décimo dia do sétimo mês (Tishri) (conforme Levítico
16). Após fazer uma oferta de incenso no Santíssimo Lugar, ele sacrificava um novilho e um
carneiro para expiar seus próprios pecados. Ele fazia isso enquanto vestia, não os trajes do
Sumo Sacerdote, mas os trajes de linho apenas dos sacerdotes aarônicos.

Ele então sacrificava o bode escolhido por sorteio e liberava o bode expiatório. Antes de
libertar este último, as instruções para o Sumo Sacerdote eram:

"E Arão porá ambas as suas mãos sobre a cabeça do bode vivo, e sobre ele
confessará todas as iniquidades dos filhos de Israel, e todas as suas
transgressões, e todos os seus pecados; e os porá sobre a cabeça do bode, e
enviá-lo-á ao deserto, pela mão de um homem designado para isso." [Levítico
16:21].

Após fazer isso, ele ia até o Santo Lugar, tirava as


vestes de linho com as quais estava vestido e colocava
as vestes do Sumo Sacerdote. Somente então ele
retornava até o Altar de Bronze para oferecer as
ofertas queimadas.

Em seu excelente estudo do Pentateuco, C. H.


Mackintosh diz de Levítico 16 que "ele apresenta
alguns dos mais relevantes princípios de verdade que
podem preocupar uma mente renovada".

As ofertas feitas durante todo o ano eram em relação


aos indivíduos que as apresentavam, mas as do Yom
Kippur eram feitas pela nação como um todo. A
eficácia delas vinha inteiramente a partir de um único
sacrifício que poderia agradar a Deus, isto é, o do
Cordeiro no Calvário. O Senhor aceitava as ofertas
deles, que em si mesmas não podiam expiar pecados,
antevendo o único sacrifício que um dia faria expiação
completa de TODO pecado em todos os tempos, tanto
do passado quanto do futuro.

Embora os israelitas não compreendessem que seu vindouro Messias morreria por seus
pecados, a crença deles na eficácia de suas ofertas sacrificiais era suficiente para manter o
relacionamento deles com Deus. Mas, depois que a desobediência deles atingiu o ponto em
que, apesar de todas as advertências dos profetas, os corações deles estavam endurecidos
contra o Senhor e suas ofertas sacrificiais se tornaram um ritual vazio, a presença do Senhor
deixou a Arca da Aliança e de retirou de Jerusalém — aparentemente pouco antes da captura
da cidade pelo exército babilônio, em 586 AC (veja Ezequiel 10:18).

A total decadência espiritual e a obstinada falta e fé que levaram a esse evento calamitoso já
tinham sido afiadamente expressas na Palavra de Deus cerca de 400 anos antes:

"O sacrifício dos ímpios já é abominação; quanto mais oferecendo-o com má


intenção!" [Provérbios 21:27].

"O sacrifício dos ímpios é abominável ao SENHOR, mas a oração dos retos é o seu
contentamento." [Provérbios 15:8].

Capítulo 14

O Óleo Santo da Unção


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Como já vimos, a palavra "santo" é muito malcompreendida entre os cristãos. É


provavelmente seguro dizer que muitos pastores hoje fazem pouca referência a ela em seus
sermões. Todavia, a santidade é exatamente aquilo que o Senhor pede de cada um de nós:

"Portanto santificai-vos, e sede santos, pois eu sou o SENHOR vosso Deus."


[Levítico 20:7].

"Porquanto está escrito: Sede santos, porque eu sou santo." [1 Pedro 1:16].

O Senhor enfatizou a santidade do Tabernáculo e de tudo o que havia nele ao requerer que
cada um dos sacerdotes, a tenda e cada item da mobília, incluindo os utensílios, fossem
ungidos com o santo óleo da unção (Êxodo 40 e Levítico 8). A cerimônia decretou que tudo
assim ungido ficasse separado dali para frente para Deus e para Seu santo propósito.

Hebreus 9 revela um detalhe adicional admirável que não está registrado no Pentateuco: "E
semelhantemente aspergiu com sangue o tabernáculo e todos os vasos do ministério." [9:21].

De modo a ter qualquer significado, a separação ou santidade precisa sempre apontar para o
sangue derramado de Cristo. Esta era a verdade essencial da mensagem gravada na lâmina
de ouro usada pelo Sumo Sacerdote — "Santidade ao SENHOR", ou literalmente "separado
para Deus".

Composição do Óleo da Unção

O óleo da unção era feito com azeite da oliveira misturado com quatro especiarias — mirra,
canela, cálamo-aromático e cássia — na proporção de 2:1:1:2. (Veja Êxodo 30:22-3).

A mirra é uma resina aromática, ou uma goma natural,


extraída de um arbusto espinhoso nativo do Oriente
Médio. Como um óleo essencial, a mirra pode ser usada
para fabricar incenso e perfume; entretanto, seus usos
medicinais são melhor conhecidos, com seu nome bíblico
alternativo — o Bálsamo de Gileade. Para coletar a
resina, é necessário ferir repetidamente a árvore para
que ela comece a soltar a goma. A mirra também era
amplamente usada nos tempos antigos para preparar um
cadáver para o sepultamento. Assim, podemos ver como
a mirra, que é um ingrediente tanto do óleo da unção
quanto do incenso cerimonial, era uma figura admirável
de Cristo, tanto em Sua morte quanto em Sua
ressurreição.

A mirra também tem o efeito de entorpecer os sentidos


e, algumas vezes, era misturada com vinho para induzir a
letargia. Quando ofereceram para Cristo essa mistura na crucificação, Ele a recusou, desse
modo mostrando que estava disposto a beber todo o cálice que o Pai lhe tinha dado — "E,
indo segunda vez, orou, dizendo: Pai meu, se este cálice não pode passar de mim sem eu o
beber, faça-se a tua vontade." [Mateus 26:42].

A próxima especiaria, a canela, era extraída da casca interna de uma árvore aromática, que
era depois moída ou amassada. Assim também era a cássia, outra variedade de canela. O
cálamo-aromático, que era obtido secando e moendo as raízes fortemente perfumadas de um
junco dos alagadiços, era usado na produção de perfumes, bem como para propósitos
medicinais, além de servir como tempero para os alimentos.

Em cada uma dessas três especiarias temos a imagem de um belo perfume sendo liberado
por meio da moagem de plantas selecionadas. Coletivamente, eles retratam a intensidade e
fragrância daquilo que Cristo alcançou pela humanidade por meio de Sua morte e sofrimento,
bem como o suave perfume de Sua perfeita obediência e amor diante do trono de Seu Pai.

Recebemos uma minúscula visão da magnitude de Seu sofrimento e a profundidade de Sua


obediência quando, no livro do Apocalipse, Ele diz: "E com vara de ferro as regerá; e serão
quebradas como vasos de oleiro; como também recebi de meu Pai." [2:27].

Por meio de Sua obra no Calvário, Seu Pai é agora nosso Pai Celestial por adoção, exatamente
como Jesus tornou-se o filho legal de José por adoção. Sob a lei judaica, a adoção de Jesus
por José conferiu-Lhe todos os direitos e prerrogativas de um filho natural. Somente assim Ele
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pode reivindicar o trono de Davi, uma posição que Ele somente ocupará após Sua Segunda
Vinda.

O intervalo durante o qual Ele detém o direito ao trono, mas ainda não o ocupa, reflete o
intervalo entre a hora em que nascemos de novo — e desse modo somos legalmente
adotados — e o tempo em que entramos na nossa herança. Além disso, exatamente como o
cristão fiel deve vigiar diariamente e aguardar com sincera expectativa o retorno de Cristo,
assim também Cristo está aguardando o momento quando Seu Pai dirá: Meu Filho, o dia do
Arrebatamento chegou; vá e busque Sua noiva.

Que dia faustoso este dia será! Os cristãos de toda parte deveriam falar constantemente
deste evento vindouro: a ressurreição dos justos que já morreram e a tomada nos ares dos
cristãos nascidos de novo que estiverem vivos no momento do Arrebatamento. É
verdadeiramente triste verificar que a menção desse dia glorioso esteja praticamente ausente
na maioria das igrejas e ele até seja tratado com zombaria por alguns, como uma mera uma
licença poética.

Capítulo 15

As Ofertas

Existiam cinco ofertas principais — a Ofertas pela Transgressão, a Oferta pelo Pecado, a
Oferta Pacífica, a Oferta de Alimentos (também chamada de Oferta de Manjares) e a Oferta
Queimada (também chamada de Holocausto). Somente a Oferta de Alimentos não envolvia
derramamento de sangue. Uma libação de vinho, conhecida como Oferta de Bebida, estava
incluída em cada uma delas.

Sem o derramamento de sangue, não há remissão de pecados (Hebreus 9:22). Isto significa
que a Oferta de Alimentos não poderia fazer expiação pelo pecado, mas toda Oferta
Queimada, que expiava pecados, incluía uma Oferta de Alimentos. Assim, cada uma das cinco
ofertas aponta para o pecado, com uma ênfase diferente em cada caso, como mostra a tabela
seguinte:

Oferta Lição espiritual para o indivíduo


Oferta pela Necessidade de reconhecer a ofensa do
Transgressão pecado.
Oferta pelo Necessidade de reconhecer a natureza
Pecado pecaminosa.
Oferta Pacífica Necessidade de estar reconciliado com Deus.
Oferta de
Necessidade de um Salvador.
Alimentos
Oferta Necessidade de um sacrifício perfeito para
Queimada fazer a expiação pelo pecado.

Oferta Etapas para a Redenção


Oferta pelo
O homem é concebido no pecado.
Pecado
Oferta pela
O homem vive no pecado.
Transgressão
Oferta Queimada Cristo fez expiação pelo pecado no Calvário.
Oferta de Cristo derrotou a morte em Sua
Alimentos ressurreição.
O homem é totalmente restaurado para Deus
Oferta Pacífica
no Pentecostes.

Um resumo tabular das Ofertas pode ser encontrado no Apêndice B.

Uma Oferta de Bebida era feita com cada uma das cinco ofertas principais e envolvia o
derramamento de uma libação de vinho tinto aos pés do Altar de Bronze. A quantidade da
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libação era proporcional ao tamanho do animal que estava sendo sacrificado — um quarto de
um him para um cordeiro, um terço para um carneiro e metade para um boi (um him
correspondia a pouco mais de 5 litros). A quantidade derramada na Oferta de Grãos não era
especificada. As Ofertas de Bebidas simbolizavam o derramamento do sangue de Cristo no
Calvário, ao qual Jesus se referiu em Lucas 22:20: "Semelhantemente, tomou o cálice, depois
da ceia, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue, que é derramado por vós."

Todo sacrifício com derramamento de sangue tinha de ser acompanhado por uma Oferta de
Grãos e uma Oferta de Bebida (Libação) (conforme definido em Números 15). Ao contrário da
Oferta de Grãos, a Oferta de Bebida não era feita sozinha. O vinho também representava a
satisfação que Deus sentiu com a obra consumada de Cristo — embora o Calvário ainda
estivesse no futuro.

As duas ofertas que eram mais agradáveis ao Senhor, ao que parece, eram a Oferta
Queimada e a Oferta Pacífica. Quando essas ofertas eram feitas, "... no dia da vossa alegria e
nas vossas solenidades, e nos princípios de vossos meses..." [Números 10:10], as trombetas
de prata eram tocadas. Isto dizia a todo o arraial — as doze tribos da nação de Israel — que
uma oferta, em cheiro suave ao Senhor, estava sendo apresentada. Cada homem, mulher e
criança sabia que um evento especial estava ocorrendo naquele momento.

Se a cobertura de nuvens durante o dia e a cobertura de fogo à noite eram um lembrete


visual constante que a presença de Deus estava habitando entre eles, então o sonido das
trombetas na ocasião da apresentação das Ofertas Queimadas e Ofertas Pacíficas era um
lembrete audível correspondente da mesma realidade. As trombetas também eram um
lembrete audível para a nação como um todo que um dia, uma oferta seria apresentada
diante do Senhor que expiaria total e perfeitamente todo o pecado.

Examinaremos agora cada uma das cinco ofertas principais, uma de cada vez, iniciando com a
mais importante de todas, a Oferta Queimada.

A Oferta Queimada (Holocausto)

A Oferta Queimada normalmente consistia de um macho sem defeito do rebanho, isto é, um


novilho, carneiro ou bode. O novilho (um touro jovem) tinha de estar intacto e o carneiro ou
bode tinham de estar no primeiro ano de vida. Se o ofertante não tivesse recursos suficientes,
poderia oferecer um par de rolas ou de pombos (o sexo da ave não foi definido). Essas ofertas
eram feitas em público "à porta da tenda da congregação", mostrando que o homem não
podia ocultar sua necessidade de expiação.

O procedimento era como segue: Diante da entrada do Tabernáculo, o ofertante colocava suas
duas mãos firmemente sobre a cabeça do animal, um ato que expressava sua identificação
com ele. Isto era, em essência, um ato de fé. Na Escritura, a imposição das mãos é sempre
uma expressão de fé na soberania e misericórdia de Deus, de completa submissão à Sua
santa vontade. A única vez que o pecado era transferido era quando o Sumo Sacerdote
colocava suas mãos sobre a cabeça do bode expiatório no Dia da Expiação. Neste caso, o
animal não era sacrificado, mas libertado no deserto, "em uma terra não habitada".

O próprio ofertante então matava o animal, degolando-o. Os sacerdotes recolhiam o sangue


em um recipiente especial e o derramavam em torno do Altar de Bronze.

Em seguida, o ofertante esfolava o animal para remover o couro, que era a única parte do
animal que não era colocada sobre o altar (até os chifres eram consumidos). No caso de uma
ave, o papo e as penas eram removidos. O couro era retido pelo sacerdote. Isto apontava
para a cobertura que cada um de nós recebe, "o manto de justiça", por meio da expiação
perfeita que Cristo fez em nosso lugar:

"Regozijar-me-ei muito no SENHOR, a minha alma se alegrará no meu Deus;


porque me vestiu de roupas de salvação, cobriu-me com o manto de justiça,
como um noivo se adorna com turbante sacerdotal, e como a noiva que se enfeita
com as suas jóias." [Isaías 61:10].

Em seguida, o ofertante cortava o animal em partes. O sacerdote então depositava as partes


em uma ordem definida sobre o altar, junto com a cabeça e a gordura. As pernas e os órgãos
internos eram lavados antes de serem depositados. Todo o animal era então deixado sobre o
altar para queimar, um processo que, dependendo do tamanho dos cortes, poderia continuar
durante a noite.

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Após o sacrifício ter sido completamente consumido pelo fogo, o sacerdote coletava as cinzas
debaixo da grelha do altar, removia suas vestes sacerdotais, vestia uma roupa comum e ia
para fora do arraial para despejar as cinzas.

A palavra hebraica para oferta queimada, olah, na realidade significa "aquilo que sobe, ou vai
para cima", enquanto que a palavra para "queimada" em conexão com uma oferta queimada
(qatar), também significa "queimar incenso". A oferta queimada é descrita muitas vezes como
"um cheiro suave ao Senhor", indicando que o Senhor recebia a fumaça da oferta como se ela
fosse incenso.

A oferta queimada é singular no sentido que era totalmente consumida pelo fogo. Nenhuma
parte era removida (exceto o o couro), nenhuma parte era retida para ser consumida pelo
sacerdote, e nenhuma parte era levada para fora do arraial.

A Oferta Queimada era sempre acompanhada por uma Oferta de Alimentos e uma Oferta de
Bebida (Libação).

A Oferta de Alimentos

A Oferta de Alimentos era uma oferta de flor de farinha, grãos, ou pão. Ela era realizada de
diversas formas, como descrito no capítulo 2 de Levítico. Em uma variação, a farinha poderia
ser crua. Em outras, poderia ser misturada com azeite e depois cozida. A oferta poderia até
mesmo consistir dos grãos de espigas verdes ("primeiros frutos"), secos ou tostados no fogo
doméstico. Todas as ofertas de grãos incluíam azeite de oliveira e sal, embora algumas
variações incluíssem também incenso puro.

A quantidade de farinha crua a ser oferecida era um ômer (a décima parte de um efa, ou
aproximadamente 1,8 Kg). Presumivelmente as ofertas cozidas deveriam ser de uma
quantidade similar. Em todos os casos, o sacerdote queimava somente uma porção da oferta
com um pouco de sal, e retinha o restante para si. Quando o incenso puro era usado, ele era
totalmente consumido pelo fogo; nada ficava para o sacerdote.

Uma Oferta de Alimentos não poderia incluir fermento e nem mel. O fermento sempre
significa pecado, enquanto que o mel denotava a satisfação do homem no mundo. É notável
que logo após Sua ressurreição, Cristo comeu um pouco de mel (Lucas 24:42), mostrando
que até então tinha se abstido, até que sua obra estivesse cumprida — "Importa, porém, que
seja batizado com um certo batismo; e como me angustio até que venha a cumprir-se!"
[Lucas 12:50]

A Oferta de Alimentos sempre era feita após uma Oferta Queimada, uma associação que
aponta para a vida e morte de Cristo. Enquanto a Oferta Queimada olhava para Sua morte e
para tudo o que Ele realizou no Calvário, a Oferta de Alimentos olhava tanto para Sua
ressurreição e para uma vida de perfeito serviço e obediência ao Seu Pai. Sem a última, a
primeira teria sido impossível.

A Oferta de Alimentos também podia ser feita de forma voluntária, como uma oferemda ou
oblação (minchah) em seu próprio direito. Em caso afirmativo, a oferta era feita, não como
uma expiação pelo pecado (pois sangue algum era derramado), mas como um ato de
adoração.

A Oferta Pacífica

A Oferta Pacífica era similar à Oferta Queimada, exceto que:

O animal sacrificial poderia ser macho ou fêmea;


As partes queimadas no fogo consistiam dos rins e a gordura dos órgãos internos
(redanho);
No caso de uma ovelha, a parte gorda da cauda também era queimada no fogo;
A carne poderia ser comida pelo ofertante, pelos membros de sua família e seus amigos
após a cerimônia (desde que estivessem cerimonialmente limpos);
O pão usado na Oferta de Alimentos (que tinha de acompanhar toda Oferta Pacífica)
podia conter fermento, mas somente a porção retida e comida pelo ofertante com sua
família e amigos. Esse pão não poderia ser apresentado sobre o altar diante do Senhor.

Tanto o peito do animal ("oferta movida") e a espádua direita ("oferta alçada") ficavam para o
sacerdote. O termo "oferta alçada" refere-se à parte da oferta que era erguida pelo sacerdote

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diante do Senhor, como a estivesse erguendo para o céu, enquanto que a "oferta movida" era
movida, porém não erguida.

— Refeição sacrificial

A Oferta Pacífica era a única oferta na qual o ofertante participava. Era também a única oferta
em que pão levedado era comido e vinho era bebido. Como tal, ela era uma refeição
sacrificial, relacionada em sua tipologia com a Ceia do Senhor.

— A gordura dos órgãos internos

A gordura em questão era o redanho que cobre as vísceras, que é diferente da gordura
encontrada em outras partes do corpo. A palavra hebraica era cheleb, que significa "gordura
suave". Ela era indicativo de saúde e bem-estar.

A Lei Mosaica proibia comer sangue (incluindo carne que contivesse sangue) e comer a
gordura dos órgãos internos. "Estatuto perpétuo é pelas vossas gerações, em todas as vossas
habitações: nenhuma gordura nem sangue algum comereis." [Levítico 3:17]. O sangue era
proibido "Porque a vida da carne está no sangue; pelo que vo-lo tenho dado sobre o altar,
para fazer expiação pelas vossas almas; porquanto é o sangue que fará expiação pela alma."
[Lv. 17:11], enquanto que o redanho pertencia totalmente ao Senhor: "E o sacerdote o
queimará sobre o altar; alimento é da oferta queimada de cheiro suave. Toda a gordura será
do SENHOR." [Lv. 3:16].

— O redanho sobre o fígado

Acredita-se que o redanho que cobre o fígado seja o diafragma que separa o peito da parte
inferior do torso, uma membrana muscular que regula a respiração. A Palavra de Deus nos
lembra que nosso próximo fôlego está em Sua mão e que existimos para Ele somente: "...
mas a Deus, em cuja mão está a tua vida, e de quem são todos os teus caminhos, a ele não
glorificaste." [Daniel 5:23b].

A partir disso, podemos ver que todos os três elementos na Oferta Pacífica — o diafragma, os
rins e o redanho sobre o fígado — estavam associados com a vitalidade e bem-estar do
animal e, assim, por extensão, da pessoa que apresentava a oferta.

Três Tipos de Ofertas Pacíficas

As Ofertas Pacíficas eram de três tipos:

1. A primeira era uma oferta voluntária de ação de graças (neste respeito era similar à
Oferta de Alimentos, mas com carne de um animal, em vez de farinha).
2. A segunda também era uma oferta de ação de graças, mas seguindo um voto de
apresentá-la se certas bênçãos fossem recebidas.
3. A terceira era uma simples expressão de amor do indivíduo a Deus.

A oferta voluntária de ação de graças tinha de ser comida no mesmo dia, enquanto que as
outras duas poderiam ser comidas parcialmente no mesmo dia e o restante no dia seguinte,
mas não no terceiro dia. Qualquer porção que sobrasse para o terceiro dia tinha de ser
queimada. Deixar de fazer isso era uma grave ofensa diante do Senhor.

A Oferta Pacífica era aceita por Deus e retornava em parte para o ofertante para ser apreciada
por ele e por sua família. Portanto, eram três que recebiam a mesma oferta — Deus, o
sacerdote e o ofertante. Vista sobre essa luz, a oferta era um sinal de reconciliação entre
Deus e o homem, apontando diretamente para a obra consumada de Cristo no Calvário.

A Oferta Pelo Pecado

As três ofertas que discutimos — a Oferta Queimada, a Oferta de Alimentos e a Oferta Pacífica
— são algumas vezes referidas como ofertas de "cheiro suave" por que a fumaça produzida
por elas "era cheiro suave ao Senhor". Entretanto, essa descrição não é exata, pois a Oferta
pelo Pecado também era queimada "por suave cheiro ao Senhor", como mostra a passagem a
seguir:

"Ou se o pecado que cometeu lhe for notificado, então trará pela sua oferta uma
cabra sem defeito, pelo seu pecado que cometeu, e porá a sua mão sobre a
cabeça da oferta da expiação do pecado, e a degolará no lugar do holocausto.

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Depois o sacerdote com o seu dedo tomará do seu sangue, e o porá sobre as
pontas do altar do holocausto; e todo o restante do seu sangue derramará à base
do altar; e tirará toda a gordura, como se tira a gordura do sacrifício pacífico; e o
sacerdote a queimará sobre o altar, por cheiro suave ao SENHOR; e o sacerdote
fará expiação por ela, e ser-lhe-á perdoado o pecado." [Levítico 4:28-31].

O pecado ao qual a Oferta pelo Pecado estava relacionada era um pecado que o indivíduo
cometera "por ignorância, contra alguns dos mandamentos do SENHOR, acerca do que não se
deve fazer, e proceder contra algum deles" [Levítico 4:2], enquanto que a Oferta pela
Transgressão relacionava-se com pecados de ignorância que, além disso, resultavam em uma
perda de algum tipo para outra pessoa. Nesses casos, o indivíduo tinha de fazer total
restituição para a pessoa envolvida, mais um quinto adicional.

O que realmente distinguia as três ofertas da Ofertas pelo Pecado e da Oferta pela
Transgressão era a natureza voluntária delas. Não havia obrigação para alguém apresentar
uma Oferta Queimada, uma Oferta de Alimentos, ou uma Oferta Pacífica, mas havia uma
rígida obrigação para o indivíduo fazer uma Oferta pelo Pecado, ou uma Oferta por
Transgressão, conforme apropriado, assim que ele se tornasse ciente de sua infração.

— Níveis de pecado

A gravidade de um pecado era em proporção ao nível de responsabilidade do indivíduo que


cometia o pecado. Um sacerdote tinha de oferecer um novilho, enquanto que um lider tribal
oferecia um bode. Entretanto, um israelita comum deveria oferecer uma cabra, enquanto que
aqueles de menores recursos poderiam oferecer duas rolas (ou dois pombinhos). De fato, se o
indivíduo não pudesse arcar com o preço das duas aves, poderia oferecer a décima parte de
um efa de flor de farinha (aparentemente, essa medida era menos do que a quantidade diária
de pão para um adulto).

É significativo que essa última oferta — a décima parte de um efa de flor de farinha — não
poderia incluir azeite e nem incenso — "pois é uma oferta pelo pecado" [Levítico 5:11]. A
Oferta pelo Pecado era uma profissão de arrependimento diante do Senhor, uma confirmação
pessoal que em nosso estado caído e pecaminoso, necessitamos de um Redentor para fazer a
expiação pelos nossos pecados. Como somente Cristo poderia fazer isso por nós, Ele é
representado pela flor de farinha, o "pão" da vida. Mas, o Espírito Santo, a quem o azeite se
refere, não podia ser incluído, pois não faz expiação pelos nossos pecados. Tampouco o Pai,
cuja extraordinária santidade é representada pelo incenso puro. Somente a Segunda Pessoa
da Santa Trindade tornou-se pecado por nós: "Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado
por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus." [2 Coríntios 5:21]. Assim, a oferta
feita pelo mais pobre dos pecadores consistia apenas do mais simples dos elementos que
representava Cristo — a farinha branca finíssima.

Esta humilde prescrição na Lei mostra como é fácil para todos os homens virem até Cristo e
se arrependerem de seus pecados. O Senhor, em Sua misericórdia, removeu todas as
barreiras e impedimentos. Independente de quão baixa ou miserável seja nossa condição
social, quer aos nossos próprios olhos, ou aos olhos dos homens, temos os meios, pela
mediação de Cristo, de entrar em comunhão com Deus.

— O Altar de Ouro de Incenso

A Oferta pelo Pecado diferia dos outros sacrifícios de animais em que, quando a oferta era
feita em relação ao pecado de um sacerdote, o sangue do novilho era levado para dentro do
Santuário, ou Santo Lugar. Ali, ele era espargido sete vezes diante do Véu e aplicado aos
chifres do Altar de Ouro, enquanto que o restante era levado até o Pátio e derramado na base
do Altar de Bronze:

"Se o sacerdote ungido pecar para escândalo do povo, oferecerá ao SENHOR, pelo
seu pecado, que cometeu, um novilho sem defeito, por expiação do pecado. E
trará o novilho à porta da tenda da congregação, perante o SENHOR, e porá a sua
mão sobre a cabeça do novilho, e degolará o novilho perante o SENHOR. Então o
sacerdote ungido tomará do sangue do novilho, e o trará à tenda da congregação;
e o sacerdote molhará o seu dedo no sangue, e daquele sangue espargirá sete
vezes perante o SENHOR diante do véu do santuário. Também o sacerdote porá
daquele sangue sobre as pontas do altar do incenso aromático, perante o
SENHOR que está na tenda da congregação; e todo o restante do sangue do
novilho derramará à base do altar do holocausto, que está à porta da tenda da
congregação." [Levítico 4:3-7].
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Entretanto, nos casos da Oferta Queimada e da Oferta Pacífica, o sangue era aplicado
somente ao Altar de Bronze e nada dele era levado para dentro do Santuário.

Esta admirável exceção enfatizava a necessidade de os sacerdotes serem perfeitos diante do


Senhor o tempo todo.

As ofertas falam repetidamente do sangue, sem o que a purificação e expiação eram


impossíveis. Visto em sua totalidade, o Tabernáculo era o lugar que Deus planejou para
exaltar o sangue glorioso de Seu Filho. É duvidoso que qualquer outra estrutura, com sua
mobília e ritos cerimoniais, pudesse chegar perto de expressar apenas uma fração de tudo o
que o Tabernáculo diz a respeito de Cristo.

— O fogo fora do arraial

As partes do novilho na Oferta pelo Pecado que não eram consumidas no altar (que incluíam a
carne, o couro e os excrementos) eram levadas para fora do arraial e queimadas. A Bíblia usa
uma palavra hebraica diferente para "queimada" neste caso daquela que foi usada para
descrever a própria oferta queimada. Elas nunca são usadas intercambiavelmente. O fogo no
Altar de Bronze produz um "cheiro suave" ao Senhor, indicando que aquilo é aceitável,
enquanto que o fogo que consome fora do acampamento é indicativo de Seu julgamento e ira.
Ambos se referem à obra de Cristo, o primeiro agradando o Pai por meio de Sua obra
sacrificial no Calvário, o último tomando sobre si mesmo a ira justa, que de outra forma cairia
sobre o homem pecador.

A Oferta Pela Transgressão

A Oferta pela Transgressão estava relacionada com a Oferta pelo Pecado no sentido que
ambas se aplicavam às infrações não intencionais da santa lei de Deus. Entretanto, a Oferta
pela Transgressão também tratava as infrações em que danos foram causados a outra pessoa,
novamente de forma não-intencional. A Oferta pelo Pecado referia-se unicamente ao nosso
relacionamento com Deus — "Contra ti, contra ti somente pequei, e fiz o que é mal à tua
vista..." [Salmos 51:4] — enquanto que a Oferta pela Transgressão (também conhecida como
Oferta pela Culpa) levava em conta como tratamos nossos semelhantes.

Não podemos fazer restituição pessoal a Deus pelos nossos pecados — pois somente Cristo
pode fazer isso por nós — mas podemos fazer restituição ao nosso semelhante por algum mal
que lhe causamos de forma não-intencional. Portanto, a Oferta pela Transgressão requeria
que o ofertante fizesse restituição total, mais uma quantia adicional. A oferta consistia de um
carneiro sem defeito, junto com uma estimativa feita pelo sacerdote, em prata, do dano ou
prejuízo causado pela transgressão, ao qual um quinto era adicionado.

Depois que o ofertante matava o cordeiro, o sacerdote espargia o sangue sobre o Altar de
Bronze. Ele então tomava as porções gordas (redenho) do carneiro, junto com os rins e o
redenho sobre o fígado e os queimava sobre o altar.

Os eruditos bíblicos comentaram sobre a similaridade entre a Oferta pelo Pecado e a Oferta
pela Transgressão. Cada uma delas lidava diretamente com o pecado, mas a partir de uma
perspectiva diferente. Enquanto a Oferta pelo Pecado enfatizava o efeito de contaminação do
pecado e, por implicação, a destrutividade da nossa natureza pecaminosa, a Oferta pela
Transgressão enfatizava nossa total incapacidade de pagar — para Deus — a dívida que o
pecado acarreta e que o justo julgamento de Deus exige. No Calvário, Cristo teve de lidar com
ambos os aspectos. Ele teve de pagar a dívida pelos nossos pecados em sua totalidade e teve
de nos purificar para sempre da lepra da nossa natureza pecaminosa. Como já observamos
em um capítulo anterior, a igreja tem a tendência de subestimar a importância deste último
aspecto.

Para apreciar a profundidade disso, precisamos ir de volta ao Jardim do Éden. Antes da


Queda, o mundo era absolutamente perfeito. Ele era tão incrivelmente bonito que, após
declarar seis vezes que aquilo que tinha acabado de criar era "bom", o Senhor, em um
pronunciamento geral a respeito de toda a criação, declarou que tudo era "muito bom".

Quando Deus diz que algo é muito bom, está descrevendo uma coisa que em nossa condição
danificada pelo pecado dificilmente conseguimos imaginar. A excelência e a pura perfeição de
tudo o que Deus tinha criado eram simplesmente impresssionantes.

Ao trazerem o pecado para o mundo, Adão e Eva trouxeram morte e decadência. Eles
romperarm abruptamente o vínculo maravilhoso de intimidade espiritual que existia entre eles
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e Deus. Isto significa que o plano que Deus tinha em mente para a humanidade, antes da
entrada do pecado no mundo, foi colocado em um estado de espera e um novo plano, um
plano de Redenção, foi iniciado.

Se Deus não retornasse todas as coisas — tudo mesmo — à perfeição que existia antes da
Queda, então Satanás teria vencido. O Maligno teria tirado alguma coisa da soberania e
excelência de Deus. O plano da Redenção, que está se desdobrando desde então, foi criado
por Deus para fazer exatamente isso.

O próprio Jesus se referiu a isto como "a regeneração" (paliggenesia no original grego) em
Mateus 19:28, enquanto que o livro de Atos descreve isto como "os tempos da restauração de
tudo" (3:21). A palavra está no plural (tempos) porque é um processo que tem início com a
Segunda Vinda de Cristo, continua durante todo o Milênio — a Época do Governo Justo — e
culmina em um "novo céu e uma nova terra" e a descida do céu da "grande cidade, a santa
Jerusalém... tinha a glória de Deus" [Apocalipse 21:1,10,11].

Deus enviaria um homem a este mundo, um segundo Adão, que O glorificaria plenamente em
todas as coisas. Ele necessitava de alguém que, por meio de um único ato de obediência
infinitamente perfeita, desfizesse todo o dano causado pelo único ato de desobediência de
Adão. Da forma como os eventos ocorreram, mais glória foi dada a Deus pela obra de Cristo
no Calvário do que foi perdida na Queda.

É provavelmente por isto que a restituição exigida com a Oferta pela Transgressão incluía a
exigência que um quinto fosse adicionado à quantia devida. Cristo foi nossa Oferta pela
Transgressão. Ele fez perfeita restituição pelos nossos pecados no Calvário. Ao fazer isso, de
acordo com a tipologia das Ofertas Levíticas, Ele enriqueceu Sua obra de restituição com uma
bonificação, que deu até maior glória a Deus. O mundo na plenitude dos tempos será um
lugar até melhor do que era quando foi criado. Além disso, como ele era perfeitamente
perfeito quando foi criado, mas não permaneceu nesse estado por muito tempo, a perfeição
por vir será permanente e imutável, totalmente impérvida ao pecado.

O Amor do Pai por Seu Filho

Precisamos meditar nesta profunda verdade, pois ela reflete o admirável amor que o Pai tem
pelo Filho e o Filho tem pelo Pai. É esse incrível amor que nos trouxe à existência, para início
de conversa — pois o Pai deu os santos ao Seu Filho antes da fundação do mundo — mas é
também o mesmo amor que nos redimiu completamente da corrupção e da morte.

É por este motivo que quando oramos ao nosso Pai Celestial, sempre precisamos fazer isso
em nome de Seu Filho Jesus. Lembre-se que é com Seu Filho que Ele "se compraz". A
tradução tradicional de Mateus 3:17 e 17:5 — "Este é o meu Filho amado, em quem me
comprazo" — não revela plenamente o fato que a palavra grega no original — eudokeo — tem
a conotação não apenas de grande satisfação, mas de prazer real. O Pai ficou tanto
grandemente safisfeito com a obra de Seu Filho quanto se deleitou grandemente com ela.

Não há coisa alguma que possamos fazer para dar prazer de algum tipo a Deus. Nós mesmos
não podemos agradá-lo. Mas, quando nos achegamos a Ele em nome de Seu Filho, tudo se
transforma. Como fomos criados à imagem e semelhança de Deus, podemos refletir a glória
de Cristo em nossas orações e em nossa adoração. E isto é o que nosso Pai Celestial vê e
ouve quando fazemos isso!

O autor cristão H. A. Ironside cristalizou tudo isto quando disse: "É de inestimável valor para
a alma meditar a respeito da estima de Deus por Seu Filho" (The Levitical Offerings). Ele
também observou que não há nada que um homem possa levar a Deus que lhe dê alegria, a
não ser que aquilo fale de algum modo de Seu Filho bendito e de Sua obra no Calvário. Temos
comunhão com Deus somente quando nossa alma entra em Seus pensamentos a respeito de
Jesus, nosso Salvador.

Capítulo 16

A Novilha Ruiva

Referindo-se a Números 19, que define o papel da novilha ruiva, R. F. Kingscote disse: "...
Acho que não existe outro capítulo na Bíblia, pelo menos no Velho Testamento, que nos dê o
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mesmo senso da santidade de Deus quanto este capítulo."

Infelizmente, muitos cristãos hoje não têm conhecimento algum sobre a novilha ruiva. Isto
somente já diz muito sobre a condição da igreja no mundo tenebroso e atribulado de hoje. O
único Deus Verdadeiro revelou muito sobre Si mesmo nos primeiros cinco livros da Bíblia,
porém seções inteiras desses livros são negligenciadas ou tratadas de forma muito superficial.
Quantos leitores já ouviram um pastor pregar sobre a novilha ruiva, mesmo sendo ela um dos
mais maravilhosos tipos de Cristo que podemos encontrar na Bíblia?

Os filhos de Israel foram instruídos a


selecionarem uma novilha ruiva e
entregá-la a Eleazar, o filho de Arão,
que deveria supervisionar a imolação
da novilha fora do arraial. Na geração
seguinte aquele sacerdote
aparentemente seria o sucessor do
Sumo Sacerdote. Outro sacerdote foi
indicado para ajudar Eleazar e matar
a novilha diante dele. A novilha teria
de ser perfeita, sem nunca ter sido
colocada sob o jugo. Eleazar então
tomou o sangue e espargiu sete vezes
"para a frente da tenda da
congregação". Ele fez isso enquanto
estava voltado para o Tabernáculo,
que estava a uma certa distância
(talvez 5 km, ou mais).

Ele então assistiu enquanto seu


assistente queimou a novilha inteira.
O animal inteiro, sem exceção, foi consumido pelo fogo. Isto incluiu o couro, os excrementos
e o sangue restante. É notável que neste caso, o couro foi consumido pelo fogo. Ao fazer isso,
o sacerdote lançou três itens às chamas — pau de cedro, hissopo (um arbusto) e lã de cor
carmesim.

Após o animal sacrificado ter sido totalmente reduzido às cinzas, tanto o sacerdote quanto seu
assistente — ainda fora do arraial — se banharam e lavaram suas roupas. Em seguida, eles
retornaram ao arraial com vestes novas, mas somente foram considerados limpos após o
anoitecer.

Enquanto isso, outro assistente (novamente um sacerdote) foi enviado para coletar as cinzas.
Ele também precisaria estar ritualmente limpo. Depois de terem sido coletadas, as cinzas
foram armazenadas permanentemente fora do arraial, "em um lugar limpo" (isto é,
cerimonialmente limpo).

Esse segundo assistente também precisou lavar suas roupas, mas não houve a necessidade
de se banhar. Ele também foi considerado imundo até o fim da tarde.

As cinzas foram subsequentemente colocadas em um grande recipiente contendo água


corrente recolhida de uma fonte natural. Aparentemente, somente uma pequena quantidade
da cinza foi necessária para este propósito. A água era então conhecida dali para frente como
"água da separação" e seria usada como "purificação para o pecado". Como tal, ela ficava
destinada para uso de todos os filhos de Israel, bem como dos "estrangeiros" na terra que se
convertessem ao Judaísmo (prosélitos).

A Culpa pelo Sangue Derramado

O Capítulo 21 de Deuteronômio lida com uma circunstância que ajuda consideravelmente


nossa compreensão da novilha ruiva. O texto especifica que, se uma pessoa fosse encontrada
morta em um campo e não fosse possível determinar quem a matou, os anciãos das cidades
vizinhas precisariam vir e determinar por medições exatas qual cidade era a mais próxima da
cena do crime. Os anciãos daquela cidade deveriam então levar uma novilha a um vale que
nunca foi semeado ("um vale áspero") e ali decapitá-la. A novilha nunca deveria ter sido
usada para o trabalho ou ficado sob o jugo, mas não precisava ser ruiva. Os sacerdotes que
estivessem presentes, exercendo o papel de juízes, abençoariam o ato. Os anciãos da cidade
então lavavam suas mãos por cima da novilha degolada e diziam:

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"As nossas mãos não derramaram este sangue, e os nossos olhos o não viram. Sê
propício ao teu povo Israel, que tu, ó SENHOR, resgataste, e não ponhas o
sangue inocente no meio do teu povo Israel. E aquele sangue lhes será expiado."

A cerimônia removia deles e de sua cidade toda a culpa pelo sangue por causa ao homícidio
praticado contra uma pessoa inocente.

Existe uma paralelo admirável disto no Novo Testamento, quando Pilatos, antes de lavrar a
sentença, lavou suas mãos, eximindo-se de qualquer culpa pelo sangue de Jesus.

A novilha decapitada fala poderosamente da necessidade de expiar todo pecado, mesmo


naquelas situações em que o perpetrador era desconhecido. Para continuarem a viver na terra
que tinha sido contaminada pelo sangue de uma pessoa assassinada, os israelitas tinham de
ser absolvidos por Deus — em seus próprios olhos — de toda cumplicidade no crime. A justiça
de Deus exigia que todo pecado fosse punido, independente de como ele tinha ocorrido. À luz
de Sua extraordinária santidade, o sangue de uma pessoa assassinada era como uma voz que
clamava a Deus desde o solo. Como o Senhor disse a Caim em Gênesis 4:10: "Que fizeste? A
voz do sangue do teu irmão clama a mim desde a terra."

Mais geralmente, de modo a garantir que sangue inocente não fosse derramado pelo vingador
de sangue (um parente próximo da vítima), o Senhor estabeleceu seis cidades de refúgio em
toda a terra de Israel para a qual o culpado poderia fugir. Onde as estradas principais se
cruzavam, o caminho até a cidade de refúgio mais próxima tinha de ser marcado com um
sinal com as palavras "Miklat Miklat" ("Refúgio, Refúgio"). De fato, para facilitar o acesso aos
fugitivos, as estradas que levavam até essas seis cidades tinham o dobro da largura normal.

A novilha decapitada era uma vítima inocente do pecado, mas por meio de sua morte não
merecida, ela apontava para a única morte sacrifical que expiaria todo o pecado. Além disso,
ela não morria por degola, que era a prática normal, mas por decapitação. Isso significa que
todo seu sangue era derramado no chão. A cerimônia era um admirável lembrete que, a não
ser que o próprio Senhor enviasse um sacrifício perfeito, um sacrifício inteiramente aceitável a
Ele, toda a terra manchada pelo sangue teria de ser destruída.

Levítico fala da necessidade de purificar uma moradia da lepra. Como a Terra no tempo devido
se transformará na moradia de Cristo, ela também precisa ser inteiramente purificada da
"lepra" do pecado. A primeira e segunda Ressurreições removerão da Terra o sangue de todas
as pessoas que a qualquer tempo na história foram assassinadas (mortas ilicitamente) — pois
a vida da carne está no sangue. Até o fim do Milênio, todos os clamores da terra terão
cessado e a própria Terra terá sido purificada.

Limpo e Imundo

De modo a compreender o significado da novilha ruiva e da água da separação preparada com


as cinzas dela, precisamos compreender o que a Bíblia quer dizer por "imundo".

A distinção entre limpo e imundo estava enraizada no princípio da separação. Isto é evidente
a partir do nome que o Senhor deu à água misturada com as cinzas da novilha ruiva — a água
da separação. A separação que o Senhor exigia encontrava expressão em vários modos nas
vidas dos israelitas: (a) separação da idolatria; (b) separação dos povos pagãos; (c)
separação de todas as práticas contrárias à lei de Deus; e (d) separação da doença,
enfermidade e morte.

Uma das principais tarefas dos levitas era ensinar o povo a discernir a diferença entre o limpo
e o imundo, o santo e o profano:

"E a meu povo ensinarão a distinguir entre o santo e o profano, e o farão discernir
entre o impuro e o puro." [Ezequiel 44:23].

As regras de pureza ritual permeavam a vida de todo israelita e eram um lembrete constante,
especialmente quando as refeições estavam sendo preparadas, que o povo escolhido era um
povo separado das outras nações. Eles não podiam viver como os outros povos vivam, mas
precisavam se manter constantemente em um relacionamento de aliança com Deus. As regras
da pureza ritual permitia que eles apreciassem e reafirmassem esse relacionamento em sua
vida cotidiana.

As leis da pureza levítica traçavam uma contundente distinção entre a vida e a morte. Elas
inculcavam na mente e no coração de todo israelita a necessidade de sempre viver segundo
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os estatutos e preceitos de um Deus extraordinariamente santo — que dá a vida a todos — e


evitar qualquer coisa que estivesse em conflito com Sua vontade revelada e que produziria a
morte. As circunstâncias que davam origem à imundície se enquadravam nas seguintes
categorias:

Alimentos:

Em relação a certos animais, selvagens ou domésticos, para consumo humano;


Em relação ao consumo de carne de animais que não foram abatidos ritualmente.

Doença:

Em relação à lepra e qualquer coisa tocada por um leproso;


Em relação às moradias infectadas pela lepra.

Procriação:

Em relação ao parto;
Em relação aos fluídos conectados com a procriação.

Morte:

Em relação ao contato ou proximidade com cadáveres humanos;


Em relação ao contato com animais mortos;
Em relação a objetos nas proximidades imediatas de um cadáver humano.

Casamento:

Em relação à intimidade sexual entre um homem e sua mulher.

Encontramos aqui um tema comum, isto é, a celebração da vida humana e a aversão à morte
e à deterioração. Cristo veio para triunfar sobre a morte, para conceder vida eterna, e para
restaurar aquilo que foi perdido por causa do pecado. Sofrendo totalmente as consequências
do nosso pecado e morrendo em nosso lugar, Ele conquistou a morte por nós. Isso Lhe deu o
direito, por meio de Sua ressurreição, de oferecer a cada um de nós, a todos nós, o dom da
salvação, um dom que somente pode ser recebido por meio da fé no poder purificador de Seu
sangue.

A santificação associada com esse dom maravilhoso estava refletida nas leis da pureza ritual.

É interessante que uma pessoa poderia se tornar imunda de forma acidental, por exemplo, ao
caminhar sobre uma sepultura que não estivesse identificada. Embora tivesse sido incorrido
de um modo que não podemos compreender plenamente, aquilo deixava a pessoa
contaminada aos olhos de Deus. Os objetos também poderiam se tornar imundos. Isto aponta
para a condição contaminante do próprio mundo e o ônus que é para o homem viver além de
seus efeitos poluidores.

Já vimos esta ideia com a Pia de Cobre, onde o sacerdote deveria se purificar periodicamente,
ao exercer suas tarefas diárias no Tabernáculo. Deus queria que Israel fosse "um reino
sacerdotal e o povo santo" [Êxodo 19:6]. Como tal, eles tinham de tomar todas as medidas
necessárias para se preservar da contaminação do mundo.

A pior contaminação ocorria por meio do contato com a morte, pois a morte veio pelo pecado.
A morte é produto e consequência final do pecado e será o último inimigo a ser destruído.
"Ora, o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte." [1 Coríntios 15:26].

A água da separação — isto é, água misturada com as cinzas da novilha ruiva — foi dada a
Israel como "uma purificação pelo pecado", mas o pecado ou "imundície" em questão
relacionava-se somente ao contato com um cadáver humano: "Aquele que tocar em algum
morto, cadáver de algum homem, imundo será sete dias." [Números 19:11]. Isto não era
aplicado nos casos de imundície que aconteciam por outras formas.

O único remédio para a morte, a consequência final do pecado, era a morte de Cristo, cujo
sacrifício foi pré-figurado pela novilha ruiva. Por meio de Seu sofrimento e morte no Calvário,
Ele conquistou e destruiu as terríveis consequências do pecado, incluindo a própria morte. A
Ressurreição de Cristo foi uma gloriosa e amplamente testificada testemunha desse triunfo,

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mas a total bonificação de tudo que Ele alcançou no Calvário não se tornará manifesta até a
ressurreição dos santos.

O Vaso de Barro

Todos os tipos de imundície poderiam ser purificados, exceto um. A exceção estava
relacionada com o contato com "os répteis que se arrastam sobre a terra", que foram
declarados imundos por Deus. Levítico 11:29-30 os relaciona como segue: o ouriço-cacheiro,
o lagarto, a lagartixa, a lesma e a toupeira. (Esta lista é um tanto incerta, pois os eruditos
não têm certeza sobre a quais animais as palavras no original hebraico se referem). Se o
cadáver de algum desses animais fosse encontrado em um jarro de barro, este não poderia
ser purificado pela lavagem, mas teria de ser destruído:

"E todo o vaso de barro, em que cair alguma coisa deles, tudo o que houver nele
será imundo, e o vaso quebrareis." [Levítico 11:33].

Na Escritura, a imagem de um vaso de barro frequentemente se refere ao homem em sua


frágil condição:

"E dir-lhes-ás: Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Deste modo quebrarei eu a
este povo, e a esta cidade, como se quebra o vaso do oleiro, que não pode mais
refazer-se, e os enterrarão em Tofete, porque não haverá mais lugar para os
enterrar." [Jeremias 19:11].

Se o vaso tivesse sido coberto, a imundície não teria ocorrido e sua destruição não teria sido
necessária. Cristo, em Sua humanidade, voluntariamente passou por essa destruição em
nosso lugar.

"E com vara de ferro as regerá; e serão quebradas como vasos de oleiro; como
também recebi de meu Pai." [Apocalipse 2:27].

As cinzas que o assistente do sacerdote coletava após a novilha ter sido totalmente
consumida consistiam não apenas das cinzas da novilha, mas também das cinzas da madeira
consumida no fogo. Eles ficavam misturadas e indistinguíveis. Assim, as cinzas na água da
separação eram as da novilha perfeita — Cristo em Sua divindade — e da humilde madeira -
Cristo em Sua humanidade.

A principal penalidade para a imundície ou impureza era a perda do direito de entrar no


Tabernáculo até que a imundície fosse removida. Isto significava que um israelita não poderia
apresentar qualquer uma das ofertas sacrificiais, nem mesmo a Oferta pelo Pecado, até que
isto estivesse resolvido. Essa restrição, que pode parecer paradoxal, nos diz que, de modo a
nos aproximarmos de Deus — vindo até o Altar de Bronze — precisamos primeiro olhar para
nós mesmo a partir dessa perspectiva. Isto requer que reconheçamos nossa própria condição
miserável e nos aproximarmos Dele somente da forma como Ele deseja, não da nossa própria
forma.

Também deve ser observado que uma pessoa imunda não poderia comer os alimentos
consagrados e, se estivesse imunda no tempo da celebração da Páscoa, teria de celebrar a
festa um mês mais tarde.

A imundície sempre dava origem a um período de espera antes que o indivíduo pudesse
retornar a uma condição de pureza ritual. Na maioria dos casos, a imundície durava até a
tarde, mas em outros ela poderia durar sete dias, ou mais. O máximo era 80 dias, no caso de
uma mulher que desse à luz a uma filha. Esse período de espera pode ajudar a explicar por
que toda pessoa que crê no Evangelho e nasce de novo — e, portanto, está plenamente
justificada diante de Deus — precisa, apesar disso, "aguardar" na Terra um período de tempo
não especificado antes de ser unida com Cristo.

Pecado e lepra

O símbolo mais importante para o pecado na Escritura é a lepra. Embora fosse uma doença
em termos médicos, sua remoção milagrosa era normalmente descrita como uma purificação,
em vez de uma cura:

"Então desceu, e mergulhou no Jordão sete vezes, conforme a palavra do homem


de Deus; e a sua carne tornou-se como a carne de um menino, e ficou
purificado." [2 Reis 5:14].
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"Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos, expulsai os


demônios; de graça recebestes, de graça dai." [Mateus 10:8].

"Respondendo, então, Jesus, disse-lhes: Ide, e anunciai a João o que tendes visto
e ouvido: que os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os
surdos ouvem, os mortos ressuscitam e aos pobres anuncia-se o evangelho."
[Lucas 7:22].

Quando Jesus purificou (ou curou) o leproso, em Mateus 8:4, Ele lhe disse para ir ao
sacerdote e ser ritualmente purificado de acordo com a lei de Moisés. Admiravelmente, esse
rito sacerdotal envolvia elementos — pau de cedro, lã de cor carmesim e hissopo — que eram
encontrados somente na cerimônia da novilha ruiva. (O hissopo era um arbusto comum, que
crescia abundantemente sobre as paredes rochosas.):

"Então o sacerdote ordenará que por aquele que se houver de purificar se tomem
duas aves vivas e limpas, e pau de cedro, e carmesim, e hissopo. Mandará
também o sacerdote que se degole uma ave num vaso de barro sobre águas
vivas, e tomará a ave viva, e o pau de cedro, e o carmesim, e o hissopo, e os
molhará, com a ave viva, no sangue da ave que foi degolada sobre as águas
correntes." [Levítico 14:5-6; veja também Lv. 14:50-51].

É significativo que o vaso de barro também seja mencionado aqui, porém neste caso não é
necessário que ele seja quebrado, pois não tinha se tornado imundo.

Como já vimos, esses mesmos elementos foram adicionados ao fogo em que a novilha ruiva
era consumida. Embora o significado disso seja muito discutido, a maioria dos eruditos
bíblicos concorda que:

Pau de cedro — representa a humanidade de Cristo, com possível referência


tanto ao cedro do Líbano - a mais forte de todas as árvores, a partir da qual o
Templo de Salomão foi construído — e a madeira da cruz, que poderia ser
considerada como a árvore mais desprezada que já cresceu.

Lã carmesim — representa o sangue de Cristo, um fio tão fino e insignificante


que pareceria fraco para suportar alguma coisa, porém liga com inquebrantável
segurança todo o remanescente da humanidade salva ao Deus Vivo.

Ramo de hissopo — representa a origem humilde de Cristo. Em Sua


humanidade e maravilhosa disponibilidade para todos que O invocam para a
salvação. Não somente o hissopo era usado no próprio sacrifício, mas também era
usado para espargir a água da separação. Isto, por sua vez, aponta para a
primeira referência direta ao sangue de Cristo, quando o hissopo era usado para
espargir as ombreiras e a verga das portas com o sangue do cordeiro da Páscoa
(veja Êxodo 12).

Aspectos Distintivos no Sacrifício da Novilha Ruiva

Quando comparado com os sacrifícios levíticos, o sacrifício da novilha ruiva tem muitos
aspectos distintivos e singulares:

1. A novilha ruiva é mencionada em Números, porém não em Levítico ou em Deuteronômio.


De fato, além das duas rápidas referências em Hebreus, uma direta e outra implícita, ela não
é mencionada em nenhum outro lugar na Bíblia:

"Porque, se o sangue dos touros e bodes, e a cinza de uma novilha esparzida


sobre os imundos, os santifica, quanto à purificação da carne, quanto mais o
sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a
Deus, purificará as vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus
vivo?" [Hebreus 9:13-14].

"Cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé, tendo os


corações purificados da má consciência, e o corpo lavado com água limpa."
[Hebreus 10:22].

2. Todos os sacrifícios de expiação tinham de ser feitos no Altar de Bronze e em nenhum outro
lugar, com uma exceção — a novilha ruiva. Além disso, ela tinha de ser sacrificada fora do
arraial, em um campo aberto.

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3. Quando o suprimento de cinzas estivesse perto de acabar, uma nova novilha tinha de ser
selecionada e sacrificada. Aparentemente, as cinzas de um única novilha poderiam durar por
até cem anos, ou mais. Algumas fontes rabínicas sugerem que somente nove novilhas ruivas
foram sacrificadas ao longo da história de Israel, desde o tempo de Êxodo, em 1446 AC até
70 DC, aproximadamente.

4. Embora fosse similar à Oferta Queimada (Holocausto), em que um animal sacrificado era
sempre macho (novilho, bode ou carneiro), o animal sacrificado neste caso era sempre uma
fêmea — uma novilha (uma vaca jovem).

5. A purificação relacionava-se unicamente com a imundície resultante do contato com um


cadáver humano, enquanto que uma Oferta pelo Pecado não estava restringida a pecados de
determinados tipos.

6. A água da purificação poderia remover a imundície, mas não dos seres humanos, apenas
dos objetos e das moradias.

7. A eficácia espiritual da Oferta pelo Pecado era imediata, enquanto que a purificação
concedida por meio da água da separação requeria sete dias para entrar em efeito.

8. A Oferta pelo Pecado era um evento único, enquanto que a água da separação tinha de ser
aplicada duas vezes — no terceiro e no sétimo dias. Aparentemente, os dias eram contados
desde o tempo em que o indivíduo buscava a purificação, o que presumivelmente era o
mesmo dia em que a imundície ocorreu.

9.A pessoa que realizava a cerimônia de purificação tinha de estar cerimonialmente limpa,
mas não precisava ser um sacerdote ou levita.

10. Surpreendentemente, a pessoa que realizava a purificação tornava-se imunda por fazer
isso. Jesus Cristo, por outro lado, sendo imaculado, podia tocar em uma pessoa imunda, como
um leproso, sem se contaminar e, ao mesmo tempo, remover qualquer contaminação daquela
pessoa. Ele também curava frequentemente, tocando nos suplicantes, mesmo que isso não
fosse necessário, de modo a demonstrar que a lei da imundície seria superada por Sua obra
no Calvário.

Há um requisito similar em relação à Oferta pelo Pecado. O sacerdote tem o direito de comer
do sacrifício da carne, tendo cozinhado-a em um vaso de bronze ou de barro. No caso deste
último, porém, o vaso precisaria ser destruído: "E o vaso de barro em que for cozida será
quebrado; porém, se for cozida num vaso de cobre, esfregar-se-á e lavar-se-á na água."
[Levítico 6:28]. Todavia, "Tudo o que tocar a carne da oferta será santo; se o seu sangue for
espargido sobre as vestes de alguém, lavarás em lugar santo aquilo sobre o que caiu."
[Levítico 6:27].

Vemos aqui uma conexão inegável com o indivíduo que espargia a água da separação.
Embora fosse um instrumento para restaurar a pessoa ou objeto a um estado de limpeza, ele
próprio tornava-se imundo ao fazer isso.

11. O sacrifício da novilha ruiva é o único em que a pessoa que sacrificava não colocava
primeiro suas mãos sobre a cabeça do animal. Não havia identificação com o animal ou uma
transferência simbólica do pecado em nome do povo.

12. O sangue da novilha ruiva era espargido sobre o solo fora do arraial. O sangue que era
espargido em todos os outros sacrifícios era espargido dentro dos limites do Tabernáculo.

Capítulo 17

As Trombetas de Prata

Por alguma razão, os comentaristas normalmente omitem qualquer discussão sobre as duas
trombetas de prata ao descreverem o Tabernáculo e suas funções:

"Faze-te duas trombetas de prata; de obra batida as farás, e elas te servirão para
a convocação da congregação, e para a partida dos arraiais." [Números 10:2].

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Como resultado dessa negligência, muitos cristãos hoje não estão cientes de que o Senhor
instruiu os israelitas a fazerem duas trombetas sacerdotais, cada uma a partir de um único
bloco de prata, e usá-las para um grupo específico de funções. Essas funções consistiam de:

(a) A convocação de uma assembleia geral de pessoas, seja de príncipes ou de tribos, à porta
do Tabernáculo; (b) emitir convocações para cada agrupamento tribal para levantarem o
acampamento e avançarem para um novo local; (c) o som de súplicas ao Senhor para Ele vir
em auxílio quando eles fossem ameaçados pelas nações pagãs; e (d) adorno musical para
certas ocasiões:

"Semelhantemente, no dia da vossa alegria e nas vossas solenidades, e nos


princípios de vossos meses, também tocareis as trombetas sobre os vossos
holocaustos, sobre os vossos sacrifícios pacíficos, e vos serão por memorial
perante vosso Deus: Eu sou o SENHOR vosso Deus." [Números 10:10].

As trombetas de prata — chatsotserah —


somente poderiam ser usadas pelos filhos de
Arão. Embora os levitas pudessem ajudar na
realização das muitas tarefas sagradas, havia
algumas tarefas que somente poderiam ser
realizadas pelos sacerdotes aarônicos. Tocar
as trombetas de prata era uma dessas
funções. Por outro lado, os levitas poderiam
utilizar as trombetas comuns, o shopher
conforme a ocasião requeresse. (Um shopher
curto era feito do chifre de carneiro e uma
versão mais comprida era feita do chifre de
um bode montanhês.)

É significativo que cada trombeta era


fabricada de uma única peça de prata, desse
modo sugerindo uma associação espiritual
com três itens importantes de mobília no
próprio Tabernáculo — o Candelabro de Ouro,
o Propiciatório e a Pia de Cobre.

À luz dessa tipologia, não pode haver dúvida


que as trombetas de prata deveriam ser vistas como parte da mobília do Tabernáculo e como
elementos intrínsecos para sua função. Elas não eram simplesmente instrumentos musicais,
ou instrumentos de comunicação, embora também servissem para isso, mas eram elementos
cujo verdadeiro significado espiritual somente poderia ser compreendido dentro no contexto
do Tabernáculo como um todo.

As trombetas de prata estavam relacionadas tipologicamente com a prata usada em outras


partes do Tabernáculo e no pátio ao redor, isto é, os capitéis no alto de cada um dos pilares
da cerca e as bases de prata que suportavam as paredes do Tabernáculo. A primeira
representava as partes mais altas e a última a fundação do Tabernáculo. Embora a primeira
fosse visível para todos, a última não era visível para ninguém, nem mesmo para os
sacerdotes. De forma similar, as trombetas de prata, quando tocadas na entrada do
Tabernáculo, poderiam ser ouvidas por todo o arraial, mas de outro modo não eram vistas.
(As tribos eram proibidas de vir a menos de 2.000 côvados (900 metros) da Arca da Aliança.).

O Beca

Como já vimos, a prata significava expiação, redenção ou santificação. A seguinte passagem


da Escritura nos dá uma vívida ilustração disto:

"Falou mais o SENHOR a Moisés dizendo: Quando fizeres a contagem dos filhos de
Israel, conforme a sua soma, cada um deles dará ao SENHOR o resgate da sua
alma, quando os contares; para que não haja entre eles praga alguma, quando os
contares. Todo aquele que passar pelo arrolamento dará isto: a metade de um
siclo, segundo o siclo do santuário (este siclo é de vinte geras); a metade de um
siclo é a oferta ao SENHOR. Qualquer que passar pelo arrolamento, de vinte anos
para cima, dará a oferta alçada ao SENHOR. O rico não dará mais, e o pobre não
dará menos da metade do siclo, quando derem a oferta alçada ao SENHOR, para
fazer expiação por vossas almas. E tomarás o dinheiro das expiações dos filhos de

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Israel, e o darás ao serviço da tenda da congregação; e será para memória aos


filhos de Israel diante do SENHOR, para fazer expiação por vossas almas." [Êxodo
30:11-16].

Todo homem com mais de 20 anos tinha de pagar anualmente para o serviço do Tabernáculo
meio siclo de prata "para fazer expiação por suas almas". Este era literalmente dinheiro da
expiação" e "uma oferta ao Senhor". Como tal, apontava para a única oferta que poderia
expiar por nossos pecados, isto é, o sangue de Jesus Cristo.

Observe também que o peso de meio siclo era determinado por referência ao "siclo do
santuário". Isto significa que ele era fixo o tempo todo e não poderia variar, como os pesos e
medidas frequentemente variavam. O siclo de referência, que era retido no santuário, era o
padrão perpétuo pelo qual as balanças eram calibradas. Ninguém poderia dar mais e ninguém
poderia dar menos; a quantia nunca variava. O preço da nossa salvação foi fixado desde a
fundação do mundo.

Esse meio siclo também era conhecido como um beca — "Um beca por cabeça, isto é, meio
siclo, conforme o siclo do santuário; de todo aquele que passava aos arrolados, da idade de
vinte anos para cima, que foram seiscentos e três mil e quinhentos e cinquenta." [Êxodo
38:26].

O Chamado das Trombetas de Prata

O chamado das trombetas de prata era predominantemente um chamado para a santificação,


seja pelas ofertas sacrificiais feitas pelos filhos de Israel, ou por meio de seu avanço contínuo
em direção à conquista da terra prometida. Que isto também tinha uma função protetora
pode ver visto a partir da seguinte passagem:

"E, quando na vossa terra sairdes a pelejar contra o inimigo, que vos oprime,
também tocareis as trombetas retinindo, e perante o SENHOR vosso Deus haverá
lembrança de vós, e sereis salvos de vossos inimigos." [Números 10:9].

Pensar que um chamado feito por esses dois simples instrumentos chegava com certeza aos
ouvidos do Senhor Deus Todo-poderoso e garantia Seu auxílio para a vitória era algo que
abatia o orgulho de qualquer um!

Além do próprio Cristo, nenhuma outra pessoa ou objeto (com a possível exceção do Urim e
Tumim) já teve esse privilégio — "Ou pensas tu que eu não poderia agora orar a meu Pai, e
que ele não me daria mais de doze legiões de anjos?" [Mateus 26:53]. Portanto, as duas duas
trombetas de prata são um tipo de Cristo, de Seu comprometimento inabalável com a
preservação e posterior exaltação do remanescente justo de Israel.

Mas, por que ter duas trombetas de prata? Certamente, uma única trombeta seria suficiente
para completar a tipologia. Talvez a explicação possa ser encontrada na vida terreal de Jesus,
que constantemente buscava a vontade de Seu Pai e nunca agia unicamente por Sua própria
autoridade: "E aquele que me enviou está comigo. O Pai não me tem deixado só, porque eu
faço sempre o que lhe agrada." [João 8:29]. Quando Ele falava, falava por ambos, como o
sonido das duas trombetas.

O significado das trombetas de prata também pode ser visto em dois importantes eventos no
calendário judaico, a Festa Anual das Trombetas e o Ano do Jubileu:

O Ano do Jubileu

O Ano do Jubileu era o ano que seguia o último ano em sete ciclos de sete ("o ano
quinquagésimo"). Cada sétimo ano era um ano sabático, um tempo em que a terra recebia
descanso e o Senhor sustentava a nação de forma milagrosa, fornecendo o suficiente na
colheita do sexto ano para alimentar a nação:

i. Durante o ano 7, quando a terra ficava em descanso, nenhuma colheita era feita, e
nenhuma semeadura era feita para o ano seguinte;
ii. Durante o ano 8, pois nenhuma semeadura tinha sido lançada no ano anterior;
iii. Durante o ano 9, até o tempo da colheita daquele ano, quando aquilo que foi plantado
no ano 8 estivesse maduro.

A palavra "jubileu" é uma tradução da palavra hebraica yôwbêl, que a Concordância de Strong
define como "o sonido de um chifre (a partir de seu som contínuo); especificamente, o sinal
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das trombetas de prata; daí, o próprio instrumento e o festival assim introduzido: — jubileu,
chifre de carneiro, trombeta."

As trombetas de prata também estavam vinculadas com outra certeza de livramento


milagroso, desta vez da fome e da necessidade. Neste sentido elas novamente constituem
outro tipo de Cristo: "E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não
terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede." [João 6:35].

Além disso, no Ano do Jubileu — quando as trombetas de prata eram tocadas jubilosamente,
todas as dívidas eram perdoadas e todas as propriedades retornavam para seus possuidores
originais.

Com que frequência perdoamos o pecador que se arrepende? Como Cristo disse, em resposta
a esta questão: "Não te digo que até sete; mas, até setenta vezes sete." [Mateus 18:22]. Isto
aparentemente foi uma referência ao perdão incondicional que estava disponível para todos
no Ano do Julibeu, que ocorria depois de sete conjuntos de sete anos terem sido cumpridos.
Isto também identificava o próprio Cristo com o yôwbêl, o sonido jubilante das trombetas de
prata, cuja gloriosa ressurreição proclamou o perdão universal e incondicional do pecado.

A Festa das Trombetas

As trombetas de prata também eram especialmente proeminentes durante a Festa das


Trombetas:

"Fala aos filhos de Israel, dizendo: No mês sétimo, ao primeiro do mês, tereis
descanso, memorial com sonido de trombetas, santa convocação." [Levítico
23:24].

A palavra para "trombetas" neste verso não é chatsôtserâh nem shôwphâr, mas trûw'âh. A
Concordância de Strong define isto como segue:

trûw'âh, ter-oo-aw'; de H7321; clamor, isto é, aclamação de alegria, ou um brado


de guerra; especialmente toque de trombetas, como em um alarme: alarme,
sonido das trombetas, alegria, júbilo, ruído alto, regozijo, soando alto, com
alegria.

A Festa das Trombetas, ou Yom Teruah — que é também chamada de Rosh Hashanah porque
inaugura o novo ano civil no calendário judaico — é uma festa de alegre aclamação e de
sonido das trombetas. Dada a natureza exuberante da ocasião, é claro que a trombeta de
chifre de carneiro, ou shôwphâr era o instrumento principal, mas sem dúvidas as trombetas
de prata também eram usadas. Deve-se lembrar que havia somente dois desses instrumentos
em Israel, um número que Salomão depois aumentou para 120 — veja 2 Crônicas 5:12.

A Última Trombeta

Para todos os fiéis cristãos, o arrebatamento (harpazo) da igreja é verdadeiramente uma


"bendita esperança", onde "esperança" denota um evento futuro que com certeza irá
acontecer. Como a igreja, a noiva de Cristo, não precisará enfrentar a ira vindoura, não
poderá estar na Terra durante a grande Tribulação do fim dos tempos. Somos informados que
o Arrebatamento poderá ocorrer a qualquer momento, aparentemente bem perto do início da
Tribulação de sete anos:

"Dizemo-vos, pois, isto, pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos
para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem. Porque o mesmo
Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de
Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que
ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a
encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor." [1
Tessalonicenses 4:15-18].

A "última trombeta", ou o toque da trombeta, é produzida por muitas trombetas que soam
juntas. Isto será similar à última trombeta na Festa das Trombetas — e foi compreendido
assim pelos tessalonicenses. Ela não está relacionada de forma alguma com as várias
trombetas que são tocadas no livro do Apocalipse, pois esse livro ainda não tinha sido escrito
quando Paulo escreveu a Epístola aos Tessalonicenses.

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O toque prolongado das trombetas na Festa dos Tabernáculos era o júbilo final que soava
naquela festa, o chamado final, ou culminante, ao povo de Deus. Conhecida como teruach
gedolah, ela pré-figurava a maravilhosa "última trombeta" que soará dos céus quando o
próprio Cristo descer até a atmosfera terreal e chamar sua noiva para se encontrar com Ele
"nos ares".

Capítulo 18

Conclusão

A Bíblia é um registro admirável do amor de Deus pelo homem, mas de muitas formas,
também é um registro ainda mais admirável do amor que o Filho tem pelo Pai e do amor que
o Pai tem pelo Filho. Pensamos na Criação com um evento tremendo, que deixa nossa
compreensão em um estado de total admiração, mas esse evento pode ter sido igualado, se
esse for o termo correto a usar, por um evento subsequente — o momento em que toda a
Criação foi completamente redimida.

Que grande amor o Filho precisou ter para voluntariamente realizar essa tarefa, em
obediência ao Pai, e que amor o Pai precisou ter quando, no tempo de Criação, Ele soube que
aquele mesmo ato iria requerer o sacrifício de Seu Filho.

Embora sejamos seres minúsculos e finitos, com uma pequeníssima capacidade para
compreender uma verdade dessa magnitude, o Senhor graciosamente colocou em nós a
capacidade de apreciá-la em algum nível e de nos beneficiarmos grandemente a partir da
contemplação de sua realidade.

Educando uma Nação

A peregrinação no deserto foi uma tremenda educação espiritual para a nação de Israel. Por
meios puramente milagrosos, o Senhor libertou cerca de dois milhões de indivíduos, que eram
escravos na fornalha de ferro do Egito, e os preservou em boa saúde durante um período de
40 anos em um terreno totalmente inóspito. Durante esse longo período, eles puderam se
dedicar quase que exclusivamente ao estudo da Santa Palavra de Deus — como Ele pediu que
eles fizessem. Nunca antes, ou mesmo depois, uma nação inteira foi separada desse modo e
teve a oportunidade de frequentar um curso "universitário" durante 40 anos, sob o inspirado
conselho e direção de um dos melhores homens que já existiu.

A Igreja

As verdades expressas por meio do Tabernáculo constituem um quadro admirável de Cristo e,


portanto, também da igreja, o corpo de Cristo. Como fiéis cristãos, somos a casa que Cristou
edificou. Uma compreensão da igreja que esteja em conflito com o ensino do Tabernáculo é
decifiente de alguma forma.

Ao contrário da opinião popular, a Reforma não "reformou" a igreja, mas a libertou, embora
de forma imperfeita, do poder controlador pernicioso de Roma e de seus vis impostores.
Igualmente, a "reforma" que alguns acreditam que está ocorrendo hoje não é reforma coisa
alguma, mas uma cínica perversão daquilo que a Palavra de Deus ensina de forma bem clara.
Os cérebros que estão por trás dessa campanha global estão determinados a colocar a igreja
professa — e milhões de cristãos nominais — em servidão a Roma, o equivalente moderno do
Egito. À medida que isto acontece, eles estão fazendo progresso significativo, principalmente
por que a maioria dos cristãos hoje está terrivelmente ignorante da Palavra de Deus e, em
particular, daquilo que ela diz a respeito do Tabernáculo.

Cristo Vindicou um Deus Extraordinariamente Santo

O sacrifício no Calvário fez mais do que expiar os pecados da humanidade. Ele foi além e
glorificou o Pai. Ele destruiu completamente as obras de Satanás, que se opunha à soberania
de Deus a cada vez, e propiciou a restauração do mundo — na plenitude dos tempos — à
perfeição que ele possuía no sétimo dia da Criação. Por meio de Seu sangue derramado no
Calvário, Cristo garantiu que a soberania de Deus nunca mais fosse contestada. Desse modo,
Ele vindicou completamente a extraordinária santidade de Deus e desfez perfeitamente todo
ato de desobediência praticado pelo homem.
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A longanimidade e paciência do Pai estão enraizadas totalmente na obra expiatória de Cristo.


Se o Cordeiro não tivesse sido morto antes da fundação do mundo, então a perfeita justiça do
Pai teria requerido a imediata destruição de toda a criação no momento em que Adão pecou.

Paradoxalmente, os ateístas que hoje proferem palavras arrogantes e veementes, em


indignação contra a soberania de Deus, usufrem das bênçãos da saúde, do contentamento e
do bem-estar unicamente devido à obra expiatória de Cristo. De fato, todos os que odeiam a
Cristo devem suas próprias existências àquilo que Ele alcançou no Calvário!

Se esses indivíduos persistirem em sua rebelião, eles morrerão em seus pecados. Escolhendo
o exílio eterno longe de Cristo, ele perderão a doçura e a consolação que agora usufruem. Por
quê? Por que a misericórdia e a bondade são um dom de Deus por meio da obra de Cristo no
Calvário. Mas, se uma pessoa rejeita a Cristo, então nada mais resta, senão "eternamente a
negrura das trevas" [Judas 1:13].

Os universalistas argumentam que todos serão salvos e que nenhuma alma se perderá, mas
eles estão totalmente enganados! "E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva
à vida, e poucos há que a encontrem." [Mateus 7:14].

Rejeitar a Cristo é rejeitar a salvação, pois ambos são a mesma coisa. ""O Senhor não retarda
a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para conosco, não
querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se." [2 Pedro 3:9].
Deus fez infinitas provisões para nossa salvação. Por meio do sacrifício de Seu Filho, Ele
ofereceu à humanidade — cada um de nós — o maior presente que qualquer um poderia
imaginar. Infelizmente, se os homens caídos estão decididos a rejeitarem esse presente,
apesar de todos os convites feitos por Deus, então eles ficam destinados a viverem
eternamente, sem esperança, nas trevas.

Um Tempo de Grande Escuridão Espiritual

Se a igreja professa exaltasse a Cristo como deveria fazer, então odiaria o pecado, odiaria a
desobediência, e odiaria este mundo maligno atual. Mas, infelizmente, a igreja moderna se
orgulha de não odiar coisa alguma. Ela é morna, nem quente nem fria, e tolera aquilo que é
intolerável. O pátio do Tabernáculo dessa igreja tem muitas entradas e sua Pia está em um
canto. A pura canção de louvor sincero oferecida sem máculas, está profundamente
manchada pelas associações mundanas. O incenso do verdadeiro arrependimento
frequentemente foi substituído pelo odor forte da auto-estima e do valor-próprio. O brilho
contínuo de um coração dedicado a Cristo e do serviço a Ele foi substituído por um apetite
insaciável por sinais e maravilhas e um vago desejo ardente por "experiências interiores".

Quantos pastores nesta época de grandes trevas estão pregando uma mensagem
remotamente similar a esta de Vance Havner, que fez as seguintes graves advertências em
1969?

"As profundidades da depravação humana nos dias atuais são vis demais para
serem descritas em palavras na nossa linguagem. Estamos vendo não a
corrupção moral comum, mas o mal duplamente destilado e misturado em
combinações estranhas, misteriosas e demonícas, junto com formas de iniquidade
totalmente desconhecidas uma geração atrás."

Outra geração se passou desde que Havner proferiu essas palavras, de modo que a situação
se tornou consideravelmente pior, porém muitos pastores ainda estão calados!

Coexistência Pacífica com o Mal

Pouco a pouco, o pecado passou a ser retratado como menos pecaminoso. Como Havner
descreveu, aqueles que deveriam viver na luz decidiram se acostumar com as trevas. E
quanto mais eles se assentam nas trevas, mais se ajustam as elas, de modo que hoje temos
a "mente aberta e tolerante", que não é nada menos que uma coexistência pacífica com o
mal.

Esta falha em condenar o mal está na essência de todos os nossos problemas — a deliberada
incapacidade de lamentar a extensão em que um mundo rebelde está persistente e
ousadamente ofendendo um Deus que é extraordinariamente santo. Quantos hoje suspiram e
gemem por causa de todas as abominações que são cometidas no meio das assim chamadas

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comunidades cristãs? Muitos pastores hoje preferem entristecer o Espírito Santo do que
desagradar os iníquos!

O julgamento, quando vier, será devastador:

"E disse-lhe o SENHOR: Passa pelo meio da cidade, pelo meio de Jerusalém, e
marca com um sinal as testas dos homens que suspiram e que gemem por causa
de todas as abominações que se cometem no meio dela. E aos outros disse ele,
ouvindo eu: Passai pela cidade após ele, e feri; não poupe o vosso olho, nem vos
compadeçais. Matai velhos, jovens, virgens, meninos e mulheres, até exterminá-
los; mas a todo o homem que tiver o sinal não vos chegueis; e começai pelo meu
santuário. E começaram pelos homens mais velhos que estavam diante da casa."
[Ezequiel 9:4-6].

Apêndice A

As Colunas do Pátio

Alguns eruditos questionam se as colunas do pátio consistiam de mastros de madeira de


acácia com um revestimento de cobre. Soltau acreditava que elas eram feitas unicamente de
acácia, enquanto que De Haan acreditava que elas eram feitas unicamente de cobre. A
passagem relevante é Êxodo 27:9-10:

"Farás também o pátio do tabernáculo, ao lado meridional que dá para o sul; o


pátio terá cortinas de linho fino torcido; o comprimento de cada lado será de cem
côvados. Também as suas vinte colunas e as suas vinte bases serão de cobre; os
colchetes das colunas e as suas faixas serão de prata."

Se a Escritura diz "as suas vinte colunas... serão de cobre", não há claramente possibilidade
alguma que elas fossem feitas inteiramente de madeira de acácia. A única possibilidade que
precisamos considerar então é se elas eram feitas exclusivamente de cobre.

A razão mais forte para acreditarmos que elas eram feitas de madeira de acácia revestida de
cobre é que os elementos análogos — as nove colunas e 48 tábuas do Tabernáculo — eram
feitos de madeira de acácia (revestida por ouro). Por exemplo, a entrada para o Santuário
tinha colunas feitas de madeira de acácia revestida por ouro e fixadas em bases de bronze:

"E farás para esta cortina cinco colunas de madeira de acácia, e as cobrirás de
ouro; seus colchetes serão de ouro, e far-lhe-ás de fundição cinco bases de
cobre." [Êxodo 26:37].

Além disso, somente três itens de mobília foram feitos unicamente com um mesmo material
— a Pia de Cobre, o Candelabro de Ouro e o Propiciatório (também de ouro). A tipologia deles
seria grandemente diluída se as 60 colunas do pátio também fossem feitas de um único
material (sem contar os capitéis de prata).

Temos também de considerar a quantidade total de cobre usada em toda a construção do


Tabernáculo. Êxodo 38:29 diz: "E o cobre da oferta foi setenta talentos e dois mil e
quatrocentos siclos."

Isto foi quase certamente utilizado em sua totalidade nos seguintes itens, cada um dos quais
foi feito parcial ou totalmente de cobre:

O Altar de Bronze e a grelha.


A Pia de Cobre
60 colunas do pátio
65 soquetes (para 60 colunas do pátio e 5 no Santuário)
Os muitos fixadores da tenda e das colunas.
Os diversos vasos e utensílios para o Altar de Bronze.

As colunas do pátio tinham a metade da altura das colunas do Santuário e tinham menos peso
para suportar. Se as bases para as colunas que suportavam o Véu pesavam um talento cada,
então as bases de cobre que suportavam as colunas do pátio precisavam pesar menos do que
um talento. Isto permitira que os mais de 70 talentos disponíveis fossem distribuídos

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eficientemente entre os itens especificados, mas somente se as colunas do pátio não fossem
feitas totalmente de cobre. Portanto, elas podem ter sido feitas de madeira de acácia com um
revestimento de cobre.

Havia cobre suficiente para construir colunas ocas para o pátio, mas é duvidoso se elas teriam
sido fortes o suficiente para suportar os panos da cerca sob todas as condições. Além disso,
um tubo de cobre oco por dentro, em um deserto árido, poderia produzir um choque
eletrostático desagradável. (Lembre-se que a palavra nechosheth, que algumas vezes é
chamada de "bronze", era na verdade o cobre, embora o cobre também seja altamente
condutor de eletricidade.).

Em resumo, concluímos que as colunas do pátio devem ter sido feitas de madeira de acácia
revestidas por "cobre", pelas seguintes razões:

a. A menção expressa de que o cobre foi usado nas colunas do pátio (Êxodo 27:10);
b. A quantidade de cobre usada no total (Êxodo 38:29);
c. O significado da madeira de acácia na linguagem do Tabernáculo;
d. O conceito de "cobrir" (ou "revestir"), que é central na mensagem espiritual do
Tabernáculo;
e. As tipologias da Pia de Cobre, do Candelabro e do Propiciatório;
f. O uso conhecido da madeira de acácia nas colunas da tenda do Tabernáculo.

Apêndice B

Os Cinco Tipos de Ofertas

Porção Queimada
Papel do Papel do Porção Porção do
do Fora do
Ofertante Sacerdote de Deus Sacerdote
Ofertante Arraial?
Trazia o animal
até a entrada
do Coletava o
Tabernáculo, sangue em
colocava suas um vaso e o
mãos espargia
A pele (o
firmemente sobre o
couro) do
sobre a cabeça Altar de
Tudo era animal.
do animal, Bronze.
Oferta queimado Não
degolava-o, Colocava as Nada. Não.
Queimada no Altar aplicável
depois partes do
de Bronze. no caso de
esfolava-o, animal em
uma oferta
depois cortava- uma ordem
de aves.
o em várias pré-definida
partes. (A sobre o
oferta de uma Altar de
ave não era Bronze.
cortada em
partes,)
O sacerdote
lançava um Um
punhado da punhado
Trazia a oferta
oferta sobre da oferta
até a entrada
Oferta de o Altar de de grãos, O restante
do Tabernáculo Nada. Não.
Alimentos Bronze, mais o sal da oferta.
e a entregava
junto com e todo o
ao sacerdote.
todo o incenso
incenso puro.
puro.
Oferta Trazia o animal Coletava o O sangue O peito O restante Não.
Pacífica até a entrada sangue em espargido, "movido" e poderia
do um vaso e o mais o sal, o ombro ser
Tabernáculo, espargia a gordura comido
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colocava suas sobre o sobre os "alçado" pelo


mãos Altar de órgãos do animal. ofertante,
firmemente Bronze. internos, junto com
sobre a cabeça Movia o os rins e o sua família
do animal e o peito e redanho e amigos.
degolava. "alçava" sobre o
(erguia no fígado
ar) o ombro
direito do
animal
diante do
Senhor.
O sal, a
Colocava
gordura
um pouco
sobre as O
Igual à Oferta do sangue
vísceras, sacerdote O restante
Pacífica. (Veja sobre os
os rins e o escolhia as da oferta
no texto os chifres do
Oferta pelo redanho partes que era
casos especiais Altar de Nada.
Pecado sobre o quisesse e queimado
e referência ao Bronze e
fígado depois as fora do
Altar de Ouro derramava o
eram cozia e arraial.
de Incenso.). restante aos
queimados comia.
pés do Altar
no Altar
de Bronze.
de Bronze.
Um carneiro
era oferecido,
como na Oferta
Coletava o
Pacífica. Uma
sangue em
total Como na O restante
um vaso e o
Oferta pela restituição Oferta ficava para
espargia Nada Não.
Transgressão monetária pelo o
sobre o
(mais 20% do Pecado. sacerdote.
Altar de
valor) também
Bronze.
tinha de ser
dada à pessoa
prejudicada.

Nota: Em todos os casos, o ofertante também trazia sal, um pouco do qual era
colocado sobre o Altar de Bronze. O sal simbolizava a pureza e a longevidade,
com referência particular às promessas da aliança de Deus.

Animais e Itens de Alimentos em Cada Oferta

Oferta Propósito Tipologia de Cristo


Um novilho, um carneiro ou um Total Cristo entregou a Si
Oferta bode — em cada caso de um ano consagração mesmo como uma "oferta
Queimada de idade e sem defeito, ou duas do ofertante a queimada" na cruz do
rolas ou dois pombinhos Deus. Calvário.

Flor de farinha, cozida ou não-


cozida. Se cozida, poderia ser
preparada no forno, na frigideira
ou em uma panela. Incluía azeite A consagração
de oliva, sal e incenso puro. a Deus dos Cristo foi o pão da vida,
Oferta de
esforços e oferecido e ferido no
Alimentos
Também poderia ser uma oferta bens do Calvário.
de "primícias", isto é, espigas de ofertante.
milho verde tostadas no fogo. As
ofertas não podiam conter
fermento nem mel.

Oferta Um novilho (macho ou fêmea), A reconciliação Cristo, por meio do


Pacífica bode (ou cabra) ou um carneiro do ofertante Calvário, é o único modo

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(ou ovelha). Em cada caso, de com Deus. pelo qual o homem pode
um ano de idade e sem defeito. Oferecido em se reconciliar com Deus.
ações de
graças.
A expiação do
Oferta pelo O sangue de Cristo nos
Igual à Oferta Pacífica. pecado do
Pecado purifica do pecado.
ofertante.
Expiar o Cristo fez restituição total
Uma ovelha ou uma cabra, ou
pecado e fazer por nós no Calvário,
duas rolas ou dois pombinhos, ou
Oferta pela restituição entregando mais para
um décimo de um efa de flor de
Transgressão pela Deus do que tinha sido
farinha (sem azeite e sem
transgressão perdido por causa do
incenso puro).
do ofertante. pecado.

Nota: Sempre que o incenso puro era oferecido em alguma ocasião, a quantidade
total era colocada sobre o Altar de Bronze. Nada ficava para o sacerdote.

Bibliografia

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Whitfield, Frederick, The Tabernacle, Priesthood and Offerings of Israel, 1875.

Autor: Jeremy James, artigo em http://www.zephaniah.eu


Data da publicação: 15/1/2016
Transferido para a área pública em 25/7/2017
A Espada do Espírito: http://www.espada.eti.br/tabernaculo.asp

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