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PROJETO E EXECUÇÃO DE FUNDAÇÕES


RASAS
Notas de Aula 1 - Definição, obtenção da tensão admissível, etc.

PROFESSOR

Urbano Rodriguez Alonso


ABRIL/MAIO 2018

DIREITOS AUTORAIS RESERVADOS

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TENSÃO ADMISSÍVEL E DIMENSIONAMENTO GEOTÉCNICO E ESTRUTURAL
(SAPATAS ISOLADAS)

Urbano Rodriguez Alonso


1) Definição de fundações rasas e seus tipos

São aquelas que transmitem a carga da estrutura ao solo pelas tensões distribuídas sob a
base e em que a profundidade de seu assentamento, em relação ao terreno adjacente, é inferior
a duas (ou três) vezes a menor dimensão da fundação.

Quanto aos tipos distinguem-se:

Bloco: elemento de concreto simples (ou até ciclópico) dimensionada de maneira que as
tensões de tração nele produzidas possam ser resistidas pelo concreto sem
necessidade de armadura (Figuras 1 e 2). Este elemento de fundação só tem sido
usado para obras de pequeno porte/responsabilidade. Este tema é aqui abordado,
pois seu dimensionamento estrutural também é usado no dimensionamento das
bases de tubulões a céu aberto e a ar comprimido a serem estudados no capítulo de
fundações profundas.

Figura 1: Geometrias típicas de blocos

2
Figura 2: Altura mínima dos blocos em função de σt (tração admissível no concreto) e σs
(tensão admissível do solo)
Nota: A dedução matemática para se chegar à Figura 2 encontra se no livro “Concreto Armado”
do prof. Telemaco van Langendonck (1954), item 178, editado pela ABCP. Àquela época
limitava-se a tensão admissível à tração do concreto σt a fck/25 ≤ 7 kgf/cm2 (0,7MPa)
quando os concretos apresentavam resistência característica muito inferior ao que hoje se
pratica. Entretanto em fundações é comum já se utilizar concretos com fck superiores a 20
MPa a 35 MPa (200 kgf/cm2 a 350 kgf/cm2) e, por esta razão, pode-se adotar, para esses
concretos, σt = 1 MPa (10 kgf/cm2).

Sapata: elemento de concreto armado, dimensionado de tal modo que as tensões de tração
sejam resistidas pela armadura (Figuras 3 e 4).

Figura 3: Esquema de uma sapata isolada e dados para dimensionamento


geotécnico e estrutural

3
Figura 4: Vista geral de uma obra com fundações em sapatas
Sapata corrida (também chamada em alguns livros de “viga de fundação”): sapata
sujeita a uma carga distribuída linearmente ou de pilares ao longo de um
mesmo alinhamento.

4
Figura 5: Sapata corrida

Nota: O caso da sapata corrida mostrada na Figura 5 será analisada em capítulo mais
adiante, quando tratarmos de fundações rasas sobre apoio elástico usando o conceito
de coeficiente de reação vertical (uso de “molas” com base no modelo de Winkler) visto
que não se deve adotar, concomitantemente largura b e tensão σs constantes, pois se
assim se proceder o valor do produto b.σs conduz a reações de apoio Ri provavelmente
diferentes das cargas Pi e, portanto, conclui-se que para b = constante a tensão no
solo não poderá ser uniforme. Para que a hipótese de tensão uniforme no solo conduza
a resultados estaticamente possíveis, a largura b (ou a tensão aplicada ao solo) deverá
ser variável, assunto que voltaremos em outro capítulo deste curso.

Sapata associada: sapata comum a dois pilares (Figura 6).

Figura 6: Sapata associada

Radier: elemento de fundação superficial que abrange parte ou todos os pilares, não
dispostos linearmente, da estrutura (Figura 7).

5
Figura 7: Vista de um radier em fase de início de concretagem

2) Obtenção da tensão admissível (σs)

Conforme já se expôs em aula anterior a distribuição de tensões de contato solo-fundação


dependem da rigidez da fundação não sendo, portanto, constante a não ser quando a fundação é
flexível. Entretanto, é procedimento comum, nos projetos de fundações rasas, admitir σs constante.
Este procedimento tende a se tornar próximo da realidade a medida que a fundação vai sendo
instalada abaixo do nível do terreno que propicia um aumento da tensão de ruptura sob a borda
da fundação devido ao efeito da sobrecarga q = γ.z. Com este aumento de carga na borda
redistribui-se a tensão de contato sob a fundação tendendo para a situação de σs
aproximadamente constante (linear, quando atua também momento na sapata). Por esta razão
nos projetos de fundações rasas se admite σs constante quando atua carga centrada de
compressão ou variando linearmente quando também atua momento.

Para a estimativa da tensão admissível σs podem-se empregar vários procedimentos, a


seguir descritos.

a) prova de carga em placa

Na Figura 8 mostra-se montagens típicas de provas de carga em placa a partir das quais se
obtém a curva tensão x recalque que permitirá, devidamente interpretada fornecer a tensão
admissível. Geralmente a prova de carga é realizada em placa circular de 80 cm de diâmetro. Por
esta razão há que se tomar cuidado na sua interpretação, levando-se em conta o tamanho da
sapata em relação à placa (efeito de escala nos recalques) e o perfil geotécnico do solo onde a
sapata se apoiará. Neste caso poderemos considerar duas situações:

m a n ô m e tro d e f le c t o m e tr o

bom ba m a caco
v ig a d e
r e f e r ê n c ia

D ≅100 cm

z≅2D

tr a d o h e lic o id a l

σ
0 ,1
=
p
is ó b a r a 1 0 % σ

D ≅ 1 00 cm
4 m

tre c h o
a n c o ra d o

Figura 8: de Montagens de provas carga em placa

a.1) Primeira situação a analisar para validar ou não a prova de carga em placa

Como o bulbo de tensões de uma fundação rasa é da ordem de grandeza de 2 a 2,5 vezes
a largura da fundação, a prova de carga em placa somente poderá ter representatividade se ao
longo do perfil geotécnico abaixo da mesma e até uma profundidade de 2 a 2,5 vezes a menor
dimensão da sapata, não ocorrer solo de menor resistência do que aquele solicitado pela placa.
Na Figura 9 mostra-se uma condição de solo onde a prova de carga em placa não é representativa

6
pois o bulbo de tensões da placa não intercepta a camada compressível, ao contrário do que
ocorrerá com a sapata porque esta terá maior dimensão do que aplaca.

Figura 9: Situação em que a prova de carga em placa não é válida.

a.2) Segunda situação a analisar para ajustar os recalques obtidos na placa à fundação

O ensaio de placa requer uma adequada interpretação pois, como já expusemos acima, os
bulbos de tensão da sapata são maiores do que o da placa. Por esta razão a curva tensão x
recalque da placa deverá ser ajustada para as dimensões da sapata. Em primeira aproximação
(Figura 10) esse ajuste na curva tensão x recalque pode-se ser feito pelas expressões abaixo,
respectivamente, para os solos granulares e os argilosos.

Figura 10: Relação entre o recalque da fundação (rf) e da placa (rp)

2
 2 .B f 
solos granulares (Terzaghi 1955) r f = rp  
B +B 
 f p 

Af Bf
solos argilosos (Timoshenko 1951) r f = rp ≅ rp (sapatas quadradas)
Ap Bp

Exemplo: Calcular os recalques que sofrerá uma sapata quadrada com 2,40 m de lado a partir do
resultado de uma prova de carga realizada em placa circular com 80 cm de diâmetro
cujo resultado é apresentado abaixo:

tensão (kN/m2) 90 180 270 360 450


recalque (mm) 2 4 7 11 20

7
Admitir duas hipóteses:
O solo é constituído por areia
O solo é constituído por argila rija
Solução:
a) solo arenoso
2
 2 x 2,40 
r f = rP  
 2,40 + 0,8 
tensão (kN/m2) 90 180 270 360 450
recalque placa (mm) 2 4 7 11 20
recalque fundação 4,5 9,0 15,8 24,8 45,0

b) solo de argila rija


2,4
r f = rP x
0,8
tensão (kN/m2) 90 180 270 360 450
recalque placa (mm) 2 4 7 11 20
recalque fundação 6 12 21 33 60

b) correlações

Teixeira (1996) apresentou as fórmulas mais usadas entre nós, usando o NSPT, mostrando
sua origem e limitações.

Para os solos argilosos pouco a medianamente plásticos a tensão admissível, deduzida a


partir da fórmula de Skempton, com coeficiente de segurança 3, em relação à ruptura, conduz a:

8
N SPT N SPT
σs = (kgf/cm2) ou σ s = (MPa) com 5< NSPT < 25
5 50
Para solos arenosos, Teixeira se baseia na fórmula de Terzaghi, também com coeficiente
de segurança 3 e considera fundações quadradas de lado B ≤ 10m assentes em solo com peso
específico γ = 1,8 tf/m3 (18 kN/m3), a uma profundidade H = 1,5 m.

σ s = 0,5 + (0,1 + 0,04 B )N (kgf/cm2)1 kgf/cm2 = 100 kN/m2 = 0,1 MPa


com 5< NSPT < 25 e B ≤ 10m

Esta equação, em que B é expresso em metros, foi obtida a partir da correlação empírica
entre o ângulo de atrito interno das areias ϕ e o índice de resistência à penetração NSPT:

ϕ = 150 + 20.N SPT

Para os solos com NSPT < 5 deve-se tomar cuidado verificando-se se são porosos (portanto
sujeitos a excessivos recalques) e, principalmente se são colapsíveis, Cintra (1998). Nestes casos,
a fundação rasa não é recomendável, conforme se mostra na Figura 11.

É importante lembrar que para ocorrer a colapsividade é necessária uma ação conjunta:
água (de chuva ou de vazamentos chegando no solo colapsível) + carga sobre o mesmo.

Figura 11: Danos causados à estrutura apoiada em fundação rasa sobre solo colapsível

Analogamente também deve ser cuidadosamente analisada a possibilidade de se utilizar


fundação rasa em solos expansivos (região de Taubaté e Pindamonhangaba em São Paulo, os
massapês no Recôncavo Baiano, o “sabão de caboclo” da Formação Guabirotuba em Curitiba e
São José dos Pinhais, etc.)
Quando se dispõe de ensaios de cone pode-se adotar σs = qc/10 ≤ 8 kgf/cm2 (800 kN/m2)

d) métodos teóricos

Os métodos teóricos baseiam-se nos valores da coesão e do ângulo de atrito interno do solo.

1 σ rup
σ rup = c.N c .S c + γ .B.N γ S γ + q.N q S q σs =
2 3

Tabela 1: Fatores de capacidade de carga


Forma da sapata Sc Sq Sγ
Corrida 1,0 1,0 1,0
Retangular 1+(B/L)(Nq/Nc) 1+(B/L)tgφ 1-0,4(B/L)
9
Quadrada/circular 1+(Nq/Nc) 1+tgφ 0,6

Tabela 2: Fatores de carga


φ Nc Nq Nγ φ Nc Nq Nγ
0 5,14 1,00 0,00 28 25,80 14,72 16,72
29 27,86 16,44 19,34
5 6,49 1,57 0,45 30 30,14 18,40 22,40

10 8,35 2,47 1,22 31 32,67 20,63 25,99


32 35,49 23,18 30,22
15 10,98 3,94 2,65 33 38,64 26,09 35,19
34 42,16 29,44 41,06
16 11,63 4,34 3,06 35 46,12 33,30 48,03
17 12,34 4,77 3,53
18 13,10 5,26 4,07 36 50,59 37,75 56,31
19 13,93 5,80 4,68 37 55,63 42,92 66,19
20 14,83 6,40 5,39 38 61,35 48,93 78,03
39 67,87 55,96 92,25
21 15,82 7,07 6,20 40 75,31 64,20 109,41
22 16,88 7,82 7,13
23 18,05 8,66 8,20 41 83,86 73,90 130,22
24 19,32 9,60 9,44 42 93,71 85,38 155,55
25 20,72 10,66 10,88 43 105,11 99,02 186,54
44 118,37 115,31 224,64
26 22,25 11,85 12,54 45 133,88 134,88 271,76
27 23,94 13,20 14,47
No caso de solos puramente coesivos (φ = 0) Skempton apresentou a expressão:

σrup = c.Nc + q para sapataas quadradas, circulares e corridas.

O valor de Nc é fornecido em função do “embutimento D” da sapata na argila (Tabela 3)

Tabela 3: Fatores Nc para sapatas quadradas, circulares e corridas

Para sapata retangular: σrup = c.Nc*.Sc.dc + q sendo:]

10
Nc* = 5
b
S c = 1 + 0,2 (b = menor dimensão da sapata)
a
D
1 + 0,2 para D/b ≤ 2,5
b
dc =
1,5 para D/b > 2,5

No método de Skempton, ao contrário do método teórico, o fator de segurança é aplicado


apenas ao termo devido à coesão. Para a parcela devido ao peso efetivo do solo Skempton aplica
FS = 1.

c.N c
Sapatas quadradas e corridas: σs = +q
FS

c.N c* .d c
Sapatas retangulares: σ s = +q
FS

1o Exemplo: Calcular o fator de segurança da sapata quadrada de lado 2 m indicada abaixo


usando o método teórico e o método de Skempton.

Solução:

a) Método teórico:
φ = 0o Nc = 5,14 (Cuidado! O valor de φ refere-se ao solo onde se apoia a sapata)
Nγ = 0
Nq = 1
Sc = 1 + (1/5,14) = 1,2
Sq = 1 + tg 0o = 1

σrup = 1,2x80x5,14 + 0 + 49x1 = 542 kN/m2 FS = 542/250 = 2,2

b) Método de Skempton:
D/b = 1/2 = 0,5 Nc = 7,1

80 x 7,1
250 = + 49 FS = 2,8
FS
11
2o Exemplo: Determinar o lado de uma sapata quadrada usando o método teórico com FS = 3.
Desprezar o peso próprio da sapata.

Solução:
c=0 c.Nc .Sc = 0

Nγ = 35
φ = 33o
Nq = 26

Sγ = 0,6

Sq = 1 + tg 33o = 1,65
σrup = 3 x σs 3σs =0 + 0,3x17,5xbx35 + 1,65x17,5x26 σs = 61,25.b + 250

P 4 x550 700
Por outro lado, σ s = = σs ≅
A π .b 2 b2
700
Portanto: 2
= 61,25.b + 250 ou 61,25.b3 +250.b2 = 700
b
A solução desta equação é feita por tentativas chegando-se ao valor b = 145 cm.
b (m) 61,25*b^3 250*b^2 SOMA
1 61 250 311
1,3 135 423 557
1,4 168 490 658
1,5 207 563 769

3o Exemplo: Lembrete: Em um prédio de concreto armado tradicional a carga total (característica


e não de projeto) é obtida multiplicando-se a ára total do edifício pela carga unitária
média de 1,2 tf/m2 (12 kN/m2). Sempre é importante avaliar se as cargas informadas
pelo calculista atendem a este critério. E caso de dúvida esclarecer junto ao
projetista. Este é o objetivo deste exercício.
Para a construção de um edifício de dez pavimentos foram realizadas sondagens à
percussão SPT cujo resultado é mostrado abaixo. Admitindo que a carga média de um edifício de
concreto armado seja de 12 kPa por pavimento e que a área de influência de cada pilar seja da
ordem de 4 m x 4 m, estimar a tensão admissível para o caso de se adotar sapatas na cota – 2m.

12
Solução:

Estimativa da carga por pilar: P = 12 x 10 pavimentos x 4 x4 = 1.920 kN

Conhecida a ordem de grandeza da carga por pilar, há necessidade de investigar a tensão


admissível do solo, adotando-se o valor médio do NSPT em uma profundidade da ordem de
grandeza de duas vezes o lado da sapata (valor ainda desconhecido).

Analisando a sondagem, verifica-se que o valor médio do NSPT, na profundidade de 2 m, da


ordem de 15, ou seja:

15
σz = = 0,3 MPa = 300 kN/m2
50

A área da sapata será A = 1920/300 = 6,4 m2, ou seja, b ≈ 2,50 m e, portanto, 2xb = 5 m.
Como pode ser visto na sondagem, até a profundidade (5 + 2) = 7 m vale a média NSPT = 15,
portanto o valor σs = 300 kN/m2 é a resposta.

3) Referências Bibliográficas

Cintra, J.C.A. “ Fundações em Solos Colapsíveis” – EESC-USP.

Teixeira, A.H. (1996) “Projeto e Execução de Fundações” – SEFE III – vol 1, p. 33 a 50

13
van Langendonck “ Cálculo de Concreto Armado” – 1º volume – editado pela Associação Brasileira
de Cimento Portland – 2ª Edição – 1954.

2ª parte: Dimensionamento estrutural de sapatas

1) Considerações iniciais

Neste item iremos apresentar o método das bielas que se aplicam à sapatas “rígidas”. Não
será abordado o método de dimensionamento de sapatas “flexíveis” pois, na grande maioria do
dimensionamento deste tipo de fundação, elas são dimensionadas como rígidas. Aqueles que
tiverem interesse em dimensionamento das sapatas flexíveis recomenda-se, entre outras
referências bibliográficas, o critério da ACI-318/63 exposto no item 9.1.2 do livro deste autor.

Tabela 2: Área da seção de armadura (cm2)

14
2) Sapatas isoladas

Figura 12: Base para o dimensionamento estrutural de uma sapata isolada

Nota: Sempre adotaremos a = maior lado da sapata.

Tração paralela ao lado “a”:


P.(a − a o )
Ta =
8.d
Tração paralela ao lado “b”
P.(b − bo )
Tb =
8.d
Seção de aço:
1,4 x1,15 xTa 1,61xTa
Paralela ao lado “a” As ,a = As , a =
f yk f yk
15
1,61xTb
Paralela ao lado “b” As ,b =
f yk

É importante ressaltar que a forma das sapatas só ocorre ao longo do perímetro da mesma
(“rodapé”), conforme se mostra nas Figuras 13 e 14. Além disso, o cobrimento da armadura deverá
ser 4 cm, por ser uma estrutura em contato com o solo (Tab. 7.2 da NBR 6118).

Figura 13: Vista da forma e armadura de uma sapata isolada

Figura 14: Concretagem e sapata pronta

Conforme se pode ver pelas fotos acima a fôrma das sapatas pode ser reaproveitada várias
vezes pois são “chapas planas” e verticais o que permite recuperá-las sem perdas de
madeira.
Por esta razão a economia da sapata não está nem na fôrma nem no concreto. Ela está no
consumo de aço. Portanto, quanto menor for esse consumo mais econômica será a sapata.

Isto é conseguido fazendo-se com que a armadura As,a seja igual à armadura As,b. Para se
obter esse objetivo basta fazer com que Ta = Tb, ou seja, a - ao = b - bo, conforme se mostra pelas
expressões acima. Por esta razão sempre que for possível a sapata isolada deverá atender a essa
relação (1º exemplo). Disso resulta que para o caso de um pilar de seção quadrada, a sapata mais
econômica também será quadrada.

16
Para levar em conta o peso próprio da sapata pode-se adotar 5% da carga vertical
permanente. Além disso, o cetro de gravidade da sapata deve coincidir com o centro de carga do
pilar (2º exemplo).

1º Exemplo: Dimensionar a sapata para um pilar com carga de 2.900 kN cujas dimensões em
planta são 30 x 100 cm e a tensão admissível do solo seja 0,3 MPa.

Solução:
Carga total na sapata Pk = 1,05 x 2.900 = 3.045 kN sejam 3.000 kN
Área necessária: a x b = 3.000/300 =10 m2 ou 100.000 cm2
Sapata mais econômica: a – b = ao – bo = 100 -30 = 70 cm
− 70 + 4.900 + 400.000
(70 + b).b = 100.000 b2 + 70b – 100.000 = 0 b= ≈ 285 cm
2
a = 285 + 70 = 355 cm

Adotando fck = 15 MPa e aço CA 50A a altura da sapata e a armadura da mesma serão:

285 − 30
≈ 65 cm
4
355 − 100
d≥ ≈ 65 cm adotado d = 100 cm
4
1,96 x3.000
1,44 = 0,98 m ≈ 100 cm h = 105 cm
0,85 x15.000
h1 = 105/2 ≈ 50 cm
3.000.(355 − 100) 1,61x956
Ta = = 956 kN As ,a = = 31 cm2 25 Φ 12,5
8 x100 50

3.000.(285 − 30)
Tb = = 956 kN As,b = As,a = 25 Φ 12,5
8 x100

Para o pilar será adotado 10 Φ 20 e estribos Φ 8 c/ 20 cm (6 Φ para ultrapassar o topo


da sapata)

17
2º Exemplo: Projetar uma sapata para o pilar indicado abaixo, com carga de 2.900 kN e tensão
admissível do solo 0,3 MPa. Apresentar apenas as dimensões em planta não
havendo necessidade de se dimensionar a sapata estruturalmente, já que o
procedimento para este dimensionamento já foi mostrado no exemplo anterior.

18
Solução:

Trata-se de um pilar cuja seção transversal não é retangular ou quadrada. Para tanto
inicialmente deve-se calcular o centro de carga do mesmo. Como se está admitindo que
tenha carga uniformemente distribuída o centro de carga (C.C.) coincide com o centro de
gravidade (C.G.)
A seguir, conhecida a locação do centro de carga substitui-se o pilar por outro fictício de
forma retangular circunscrito ao mesmo e com o mesmo centro de gravidade.

35 x145 x17,5 + 25(35 + 32,5)


xG = ≈ 30 cm
35 x145 + 65 x 25

35 x145 x 72,5 + 25 x 65 x12,5


yG = ≈ 58 cm
35 x145 + 65 x 25

Por conseguinte, o retângulo circunscrito ao pilar real e que possui o mesmo C.C., que
neste caso coincide com o C.G. terá lados:

ao = 2(145 – 58) = 174 cm

bo = 2(100 – 30) = 140 cm

Finalmente, para calcular a sapata, procede-se como no exemplo anterior:

Carga total na sapata Pk = 1,05 x 2.900 = 3.045 kN sejam 3.000 kN

3º Exercício: Este exercício mostra que nem sempre é possível executar as sapatas com a – ao
= b - bo em função da existência de divisa, uma outra sapata próxima, etc. Neste
caso a armadura As,a será diferente de As,b. Uma situação em que isso pode ocorrer
é mostrado abaixo. Admitir que a carga indicada nos pilares já inclua o peso próprio
das sapatas e que a tensão admissível do solo seja 0,3 MPa.

19
Solução:
Verifica-se que ao se tentar projetar uma sapata quadrada para o pilar P1 e uma sapata
retangular com a - ao = b – bo para o pilar P2, haveria necessidade de se ultrapassar a
linha limite da divisa.
Por esta razão um dos lados das sapatas já é pré-fixado, ou seja, seu valor é igual a
duas vezes a distância do centro do pilara à divisa diminuído de 2,5 cm, necessários
para colocar a forma. Assim:

1.200 40.000
Pilar P1: A = = 4 m2 b =2(85-2,5) = 165 cm a= ≈ 245 cm.
300 165

2.000 66.700
Pilar P2: A = = 6,67 m2 a =2(135-2,5) = 265 cm b= ≈ 255 cm.
300 265

20