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MACHISMO E TOPOFOBIA: UMA ANÁLISE SOBRE O FILME REPULSION, DE

ROMAN POLANSKI

Ana Beatriz de Sousa Ferreira Melo


Universidade do Estado do Pará - UEPA
Graduanda do curso de licenciatura em Geografia
biablearg@gmail.com

RESUMO:
Este artigo consiste na análise do filme Repulsion² e o modo como este retrata, a
partir da linguagem e estética cinematográfica, o interior de uma personagem assombrada
pela repulsa que sente por homens e a relação topofóbica que esta irá estabelecer com o
apartamento em que vive, criando um espaço-personagem que muda conforme o
agravamento progressivo do estado psicológico da personagem. Metodologicamente, foram
utilizados textos sociológicos sobre a dominação masculina simbólica na sociedade e sobre
representação e cinema, além do conceito de espaço geográfico trabalhado sob uma lógica
da Geografia humanística e uma seleção de cenas, do próprio filme em questão,
interpretadas através da articulação entre diegeses e realidade afílmica. Propõe-se também
observar o modo como a dominação masculina implícita no espaço construirá um ambiente
de opressão que leva a personagem, assim como muitas mulheres fora da ficção, a um
estado de medo, psicose e até mesmo loucura, fazendo-as projetar esses sentimentos no
espaço em que habitam através de uma relação intersubjetiva com o mesmo. Conclui-se
que, assim como a personagem, muitas mulheres desenvolvem relações topofóbicas a partir
de medos e traumas provenientes de experiencias com o machismo e o abuso que este traz
consigo, nesse sentido o cinema torna-se um instrumento de representação interessante ao
expor dramas que ultrapassam a ficção, possibilitando uma reflexão sobre o tema.

PALAVRAS-CHAVE: Espaço, Topofobia, Machismo, Cinema, Geografia Humanística.

ABSTRACT :
This article is the analysis of the film Repulsion² and the way it portrays, from the
language and aesthetics cinematographic, the interior of a haunted by revulsion character
feels for men and the topophobia relationship that it will establish with the apartment you
live in, creating a space-character changes as the progressive deterioration of the
psychological state of the character. Methodologically, sociological texts on symbolic male
domination in society and on representation and film were used, beyond the concept of
geographical space worked in a logic of Humanistic Geography and a selection of scenes
from the film itself in question, interpreted by linking diegeses and afílmic reality. It is also
proposed to observe how the implicit male dominance in space will build an oppressive
environment that leads to character as well as many women out of fiction, a state of fear,
psychosis and even madness, causing them to project these feelings the space they inhabit
through an inter-subjective relationship with it. It follows that, like the character, many
women develop relations of topophobia from fear and trauma from experiences with
chauvinism and abuse that this brings, in this sense the film becomes an interesting
instrument of representation by exposing dramas beyond fiction, allowing a reflection on
the subject.

KEYWORDS: Space, Topophobia, Chauvinism, Cinema, Humanistic Geography.