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Correção do Fator de Potência

Na ultima postagem nós vimos a as potências e as suas representações


gráficas no triângulo (retângulo), e vimos que a soma das potências se dá de
uma forma vetorial, ou seja, através de forças angulares. Lembrando mais uma
vez (só os semi-quarentões como eu, que eu quero ver o esforço kkk) do nosso
tio "Pitágoras", "Cateto adjacente sobre Hipotenusa" é o que define o
famigerado FATOR DE POTÊNCIA, aqueles benditos dois números que ficam
a direita do zero, separados de uma virgula expressando um valor menor que
um, mas que "ferram" a conta de luz de quem não se preocupa com a
quantidade de motores e cargas indutivas que tem instaladas em seu
estabelecimento.

Pois bem, pá, se imbora!!! As potências reativas são exatamente aquilo que
não presta pra você (como o colarinho do chopp rsrs), não serve pra nada a
não ser pra ferrar o seu orçamento, além de reduzir a performance de sua
instalação elétrica (um dos inconvenientes é a queda de tensão e a
sobrecorrente, já que a fonte fica sobrecarregada com uma energia que é
demandada, mas não se utiliza para nada).

Na maioria esmagadora dos casos, a potência reativa é indutiva, devido ao


grande uso de motores e máquinas motrizes que representam o supra-sumo da
reatância indutiva, por serem na maioria dos casos motores de indução. No
estudo do triângulo das potencias, quem é que esta diretamente oposta ao
efeito da indutância, ein?!?! A CAPACITÂNCIA!!!! Isso mesmo, o emprego de
capacitores na correção de fator de potencia tem seu uso em larga escala
(apesar de existirem motores de indução síncronos, mas eles representam uma
solução pontual, já que são caros e são utilizados em condições específicas
como bombas , compressores, etc.). Por isso vamos nos deter ao uso de
capacitores.
Energia reativa, Demanda dentro e fora de ponta, Capacitores e
Bancos de Capacitores

Alguns destes termos podem ser pouco convidativos, mas vou apresentar para
um melhor entrosamento...

Energia reativa: como já falamos bastante, a energia reativa é resultado do


efeito da indutância e capacitância, sendo uma oposta a outra.

Demanda dentro e fora de Ponta: Quem já ouviu falar na regra universal de


mercado, a da oferta e procura? Sim existe uma hora em que a energia é mais
cara, noutro ela fica num preço normal, ou quando o centro distribuidor regional
passa por um período de estiagem, a oferta de energia diminui e o preço
aumenta. Geralmente são 3 horas diárias (17:30 e 20:30, no caso Light S.A.),
definidas pela distribuidora local e reguladas pela agência nacional de energia
elétrica (Aneel), quando a demanda por energia fica maior e
conseqüentemente seu preço sobe.

Tabela Comparativa entre tarifas e horários (Fonte Aneel)

Importante ressaltar que a energia reativa também é tarifada por esta


classificação, e quando o fator de potencia fica abaixo do que é permitido para
a utilização que é 0,92 (para consumidores do grupo A, ou seja consumidores
de grande porte)

Capacitores e Bancos de Capacitores:Não preocupado em ser redundante,


Capacitor é o elemento que acumula cargas elétricas, possuindo a grandeza
elétrica da capacitância (santo Einstein!!!). Bem, já disse que o efeito da
capacitância se opõe ao efeito da indutância em um circuito de CA?!?! Bem,
aqui começa então aparte prática do assunto... Muitas das vezes não é
economicamente viável utilizarmos um capacitor para cada equipamento, então
calcula se ou mede se toda a energia reativa, e agrupamos tudo num banco
com várias células capacitivas, onde elas são acionadas gradativamente,
evitando que os capacitores fiquem energizados todo o tempo sem
necessidade, diminuindo sua vida útil, ou até mesmo se tornando carga reativa
capacitiva, gerando também multa.

Descritivo de conta de energia elétrica, relatando energia reativa em kVArh (fonte


Celpe)

Ora, Vamos descobrir o valor do fator de potência desta conta? Pois é, vou
chamar no amigo Pitágoras!!!!

A soma dos quadrados dos catetos (adjacente e oposto) é igual ao quadrado


da hipotenusa;
Onde:

S (potencia aparente) é a hipotenusa;

P (potencia real) é o cateto adjacente;

Q (potencia reativa) é o cateto oposto.

FP= P/S; temos que nossa energia ativa (P) é 175kWh, e o consumo
reativo(Q), 421,3kVArh. Note que temos medida de energia, que é potencia em
função de tempo (quilowatt-hora).

temos então:

S = √175² + 421,3²

S = √30625 + 177493,69 ≅ 456,2kVAh

FP = P/S ⇾ 175/456,2 ≅ 0,38

que é um valor bem baixo para o valor de referência 0,92...

Então vamos ao que será necessário para corrigir este valor e eliminar esta
multa:

Para um valor de 0,92 , teremos então:

S = P/FP ⇾175/0,92 ≅ 190,21kVAh

Q = √S² - P²

Q = √190,21² - 175²
Q = √36182,65 - 30625 ≅ 74,54kVArh

Qcor = Qant - Qnovo ⇾ 421,23 - 74,54 = 346,69kVArh

Aí que está o "X", este valor não é o valor da potencia reativa a ser corrigida,
pois trabalhamos o tempo todo com energia que é o que foi dado pelo
consumo. Para a potência teremos então que ter a quantidade de dias
faturados, e supor as horas por dia utilizadas.

Supomos então, no nosso caso, que são 32 dias faturados, e que temos em
torno de 10 horas diárias em que o consumo está ativo (estou supondo que
seja um comércio qualquer).

Teremos então

346,69/32 x 10 = 1,08kVAr.

Este então é o valor a ser aplicado no capacitor para que a multa por energia
reativa seja eliminada. Este valor foi baseado em média de dias, mas em
alguns casos o mais adequado seria medir com
um equipamento analisador de energia, onde
teríamos fatores relevantes como horários e
picos de consumo, que nos dariam uma forma
melhor de aperfeiçoar o uso do banco de
capacitores, ligando eles nos momentos exatos
e/ou colocando apenas a quantidade necessária
de células capacitivas, aumentando a vida útil e
diminuindo o custo de manutenção do sistema

Erit quaestio scientio nostram!!!


(Sua dúvida será nosso conhecimento!!!)

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